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nspsocorro.com.br

PRAIA DA COSTA - MARÇO - 2018 #46

REVISTA DA PARÓQUIA NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO

VILA VELHA - ES

MULHER, POR QUE CHORAS?

A violência contra a mulher continua a crescer no país, em especial no Espírito Santo

ARQUIDIOCESE Aves festeja 60 anos e lança programação especial de comemoração

10

PERSONAGEM No mês em que se faz memória a São José, conheça a história do carpinteiro que fez os bancos da matriz

26

COMUNIDADE Uso sustentável da água ainda é desafio para sociedade brasileira

40


Nesta edição você encontra:

Serviços:

Serviços Gerais

Produtos:

Condomínios de frente para o mar Mármores e granitos Produtos para construção civil Mercearia e Padaria Restaurante e lanchonete Materiais de Construção Posto de Combustível Material Médico Automóveis Hortifruti granjeiros Materiais ortopédicos e hospitalares Alimentos para cães e gatos Óticas

Expediente:

Paróquia N. Senhora do Perpétuo Socorro Pároco: Padre Anderson Gomes da Silva Contato: (27) 3329-4282 | Rua São Paulo, S/N Praia da Costa, Vila Velha - ES www.nspsocorro.com.br Produção Editorial: Parresia Comunicação Católica Contato: (27) 3535-4045 www.parresia.com Coordenação/Jornalista responsável: Christine Mendonça MTb 1879 - ES Fotos: Colaboração Antônio Ferrão e Pascom Tiragem: 3.000 exemplares Distribuição: Praia da Costa Vila Velha - ES Contato Comercial: Agência Parresia (27) 3535 4045 Comunidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro Rua São Paulo, S/N (Esquina com a Rua 15 de Novembro), Praia da Costa, Vila Velha – ES, 29101-300 Comunidade Santo Antônio Rua Rio Branco, 37 – Parque Castanheiras, Vila Velha – ES, 29101-130

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EDITORIAL

Superando a violência

S U M Á R I O

Engenharia e construção civil Corretora de imóveis Atendimento médico Atendimento odontológico Idiomas Educação Clínicas Atendimento psicológico Turismo Música

VOZ DO PAPA

8

Quaresma e os desejos do Papa Francisco

10

ARQUIDIOCESE

Arquidiocese de Vitória comemora 60 anos JOVENS

12

EJC transforma a vida de jovens e sua famílias

14

IGREJA EM AÇÃO

Oração: ferramenta de transformação de vida LITURGIA

16

Tempo litúrgico - Ano B: Quaresma e seu caráter Cristrocêntrico ESPECIAL

20

“Mulher, por que choras?” PERSONAGEM José, o carpinteiro

26

CONSCIÊNCIA CRISTÃ

30

Eleições 2018: poder da mudança em nossas mãos

34

Uso sustentável da água ainda é desafio no Brasil

Conselho Editorial:

***Os artigos e matérias da Revista Panorama são produzidos por colaboradores, membros do Conselho Editorial e da Pastoral da Comunicação da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

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A sua voz na Revista Panorama

COMUNIDADE

Comunidade Santa Luzia R. Santa Leocádia – Praia da Costa, Vila Velha – ES, 29101-030

Andrea Almeida Antônio Ferrão Camila Sampaio Carol Zorzanelli Giovanna Pulcheri Kenia Puziol Lara Thiebaut Liandra Carpanedo Luiz Alberto de Carvalho Max Rege Myriani Fambre Paula Padilha Paulo Soldatelli Soeli Uliana Talles Krull

FALA PARÓQUIA

DEVOCIONAL

38

Procissão do encontro e procissão do Senhor Morto EXEMPLOS DE VIDA A fé que se vive

3

REVISTA PANORAMA

40


EDITORIAL

SUPERANDO A VIOLÊNCIA Em um texto divulgado recentemente por ocasião da Quaresma, o Papa Francisco trouxe uma importante reflexão sobre a prática do jejum. Um dos três pilares que constituem as principais armas dos cristãos para sermos pessoas melhores.

O Santo Padre afirmou que o jejum tira, à força, a nossa violência e nos desarma, constituindo uma importante ocasião de crescimento. Não por acaso, a superação da violência é o tema da Campanha da Fraternidade deste ano.

Quando falamos de violência, o que vem à cabeça da grande maioria das pessoas é o confronto físico. Contudo, há palavras e atitudes simples que ferem muito

mais que um soco. Por esse motivo, eu lhe proponho que, no seu íntimo, responda a esta pergunta: você é violento? Vou lançar aqui mais algumas questões para lhe ajudar a formular a sua resposta.

Você já encontrou um irmão que passava necessidade e lhe negou ajuda podendo fazer algo por ele? Alguma vez soube de alguma mulher que apanhava do

marido e se omitiu usando a máxima “em briga de marido e mulher, ninguém Pe. Anderson Gomes da Silva

PÁROCO

mete a colher”? Na escola, na faculdade, no trabalho ou num grupo de amigos praticou bullying contra alguém dizendo que era apenas uma brincadeira?

Na sua empresa, contratou uma nova funcionária oferecendo um salário menor exclusivamente porque ela era mulher? Passou por uma pessoa na rua de noite Siga-me nas redes sociais

e sentiu medo apenas porque ela era negra? Quando alguém discorda de você, tenta impor a sua opinião a qualquer custo e perde a paciência facilmente, gri-

tando ao invés de falar? Já tirou proveito de alguma situação, em detrimento de outra pessoa, sob a justificativa do “jeitinho brasileiro”?

Em maior ou menor escala, todas essas situações são formas de violência e não somos capazes de mensurar as consequências que podem causar na vida de

quem passa por elas. A forma como a sociedade vive hoje propicia mais situações de paz ou de violência? O imediatismo, a pressa, o egoísmo, a falta de tempo e paciência são combustíveis da violência.

Não é o reforço do policiamento ou a ampliação do sistema prisional que vão

fazer com que consigamos superar esse problema. É preciso o envolvimento e

comprometimento de toda a sociedade com uma mudança de comportamento. Não é porque não acontece na sua casa que não tem a ver com você. Somos todos responsáveis pela cultura da não-violência.

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REVISTA PANORAMA


“Qualidade de vida profissional é poder trabalhar no coração da Praia da Costa. Aqui, além da proximidade com o mar, eu tenho a conveniência de um centro comercial aos meus pés”.


FALA PARÓQUIA Achei muito bonita a reportagem com os ado-

lescentes. Temos que mostrar a Igreja jovem que

está crescendo e isso se dá graças ao incentivo do nosso pároco, que atraiu por meio dos projetos, muitos adolescentes para nossa Paróquia”. MÔNICA RIBANI PITTA SARTORETTO Comunidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

Parabéns, muitas felici-

dades! Que Jesus conceda saúde e proteção e que

Nossa Senhora derrame

muita benção em mais um ano de vida”.

HERNANY COSTA No facebook, por ocasião do aniversário do Pároco

A Revista Panorama é maravilhosa, de bastan-

te credibilidade e conhecida por ser um meio de

comunicação que oferece notícias religiosas que acontecem na Paróquia e na sociedade cristã,

com uma gama de opções e sugestões de publicações de eventos da nossa Igreja. Parabéns à Revista, em especial à edição de

fevereiro, pelos assuntos abordados. A começar pela capa, com

Parabéns, Padre Ander-

o tema do Ano do Laicato, ‘Sal da Terra e Luz do Mundo’, assim

son Gomes da Silva! Que

de impressão que é muito boa com material resistente e de

ta saúde, paz no coração

como outros temas citados. Coloco aqui também a qualidade qualidade. Paz e bem!”

Deus o abençoe com muie momentos infinitos de felicidades! Que o Espírito Santo de Deus seja sempre seu

ANA MARIA SIMÔR SODRÉ MULINI Paróquia São José – Maruípe

companheiro de caminhada!”

MARILOIZE SALEME No facebook, por ocasião do aniversário do Pároco

pascom@nspsocorro.com.br

Rua São Paulo, s/n – Praia da Costa-ES

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REVISTA PANORAMA


‘Quem mal lê, mal ouve, mal fala, mal vê!’, Monteiro Lobato.

A revista Panorama é um instrumento de comunicação, o qual

traz informações técnicas, culturais, educativas e religiosas. Em

especial, a de fevereiro, com as matérias sobre Bullying, violência e eleições 2018, ressaltou o importante papel da Igreja na orien-

tação aos Cristãos”.

CINIRA DE FREITAS VAIRO Comunidade Santa Luzia

Com a graça de Deus podendo acom-

panhar o Cerco de Jericó pelo terceiro

ano junto com minha família, este ano, daqui de Portugal! Obrigado, irmãos! Deus seja louvado!”

LAÉRCIO GAIESKI pelo Facebook no primeiro dia do Cerco de Jericó

A Revista Panorama veio trazer para nós uma

forma nova de comunicação em nossa matriz,

trazendo conhecimento em diversos temas que

nos tem apresentado; muitas vezes uma verdadei-

ra catequese. Além da grande ideia de mostrar paroquianos que

muitos nem conheciam e o valor do serviço que cada um sempre apresentou no seu servir, na sua dedicação à nossa Igreja e aos trabalhos externos. Sinto-me orgulhosa por todos que contri-

buem para que esta revista aconteça e pela qualidade não só da beleza, mas da sensibilidade de cada um. Parabéns a todos!!!”. ISABEL APARECIDA BORGES Comunidade Santa Luzia

Parabéns, Padre Anderson pela inicia-

tiva! O povo está com sede de Deus!”

RUBENS RIBEIRO PINHEIRO no Facebook na transmissão do primeiro dia do Cerco de Jericó

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REVISTA PANORAMA


VOZ DO PAPA

QUARESMA E OS DESEJOS DO PAPA FRANCISCO

A

Quaresma é um tempo

em qualquer lugar e momento. Tor-

em nosso corpo mortal. Papa Fran-

dias, a Igreja chama os fiéis à

onde se multiplicam as ocasiões,

Quaresma: o de palavras negativas;

litúrgico em que, por 40

penitência e à conversão, para nos

prepararmos verdadeiramente para viver os mistérios da Paixão, Morte

e Ressurreição de Cristo na Semana Santa. Assim, o Papa Francisco nos

na-se mais evidente na Quaresma, iniciativas e celebrações que nos

levam a intensificar nossas orações, tal como penitência e formação espiritual.

convida à oração, jejum e esmola

O jejum nos proporciona a reno-

nos alerta a abrirmos espaços em

alma e ao nosso corpo para vencer-

para chegarmos à conversão. Ele

nossas vidas para a oração e a partilha com os mais pobres.

A oração é uma atitude onde nos encontramos com Deus, é um

diálogo íntimo com o Senhor, seja

cisco destaca o melhor jejum na

de descontentamento; de raiva; de pessimismo; de preocupações; de queixas; de tensões; de amargura

e tristeza; de egoísmo; de falta de perdão; e de palavras.

vação da fé, dando forças à nossa

A caridade é a fé em ação, é amar

mos os inimigos em nós mesmos.

a Quaresma, Francisco propõe 16

Ao jejuar, o espírito é submetido ao seu Senhor, assim somos capazes

de desprezar as provocações terrenas, juntamente com seus desejos,

não permitindo que o pecado reine

8

REVISTA PANORAMA

o próximo como a si mesmo. Para atos simples de caridade, mencio-

nados como manifestações concretas de amor:


VOZ DO PAPA

1- Sorrir, um cristão é sempre alegre;

2- Agradecer (embora não “precise” fazê-lo);

3- Lembrar ao outro o quanto você o ama;

4- Cumprimentar com alegria as

pessoas que você vê todos os dias; 5- Ouvir a história do outro sem julgamento, com amor;

6- Parar para ajudar. Estar atento a quem precisa de você; 7- Animar alguém; 8- Reconhecer os sucessos e qualidades do outro;

9- Separar o que você não usa e dar a quem precisa;

10- Ajudar alguém para que possa descansar;

11- Corrigir com amor; 12- Não calar por medo; 13- Ter delicadezas com os que

“Mas o jejum e a penitência, junta-

que vivem fascinados e se tornam

sentido em nossa vida quando se

temos visto no meio dos cristãos

mente com a oração, só assumem

voltam para a caridade, para o cui-

dado com o próximo. Porque, muitas vezes, o jejum é meio hipócrita: nós deixamos de comer, fazemos

longas orações, mas não sabemos

perdoar a quem está ao nosso lado, nós colocamos um jugo muito

pesado em nosso próximo; somos duros e injustos com as pessoas”, destaca o Santo Padre.

estão perto de você;

Em uma de suas mensagens sobre

14- Limpar o que sujou em casa;

a falta de amor com o próximo, e

15- Ajudar os outros a superar os obstáculos;

16- Telefonar para seus pais.

a Quaresma, o Pontífice destaca

recomenda dar esmola, “porque

nos liberta da ganância e nos ajuda a descobrir que o outro é nosso

irmão”. Ele ainda nos adverte pela

quantidade de homens e mulheres

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REVISTA PANORAMA

escravos do dinheiro. “Hoje em dia várias ações que demostram falta

de amor para com o Senhor e para com o nosso irmão, temos visto pessoas levantando falso teste-

munho contra o próximo, e isso é abominável aos olhos do Senhor.

Temos visto irmãos sem olhar um para o outro e ainda dizerem que somente se suportam. A Palavra

de Deus jamais apoiou ou apoiará este tipo de coisas, pois o que

está escrito é: ‘Suportando-vos e

perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro;

assim como o Senhor vos perdoou, assim fazei vós também. E, sobre

tudo isto revesti-vos do amor, que

é o vínculo da perfeição.’ (Colossenses 3: 13 e 14)”.


ARQUIDIOCESE

ARQUIDIOCESE DE VITÓRIA COMEMORA 60 ANOS JUBILEU TEVE INÍCIO COM CELEBRAÇÃO PRESIDIDA POR DOM LUIZ NA CATEDRAL METROPOLITANA

N

o último dia 22 de feverei-

A missa foi presidida por Dom Luiz

que preparou o Concílio Vaticano II,

a festa da Cátedra de São

Dom Sevilha, o vigário geral, Pe.

Igreja.

ro, data em que se celebra

Pedro, foram iniciadas as comemorações do Jubileu de 60 anos da

Arquidiocese de Vitória. A cerimônia começou na Praça Pio XII com uma

breve narração da história da Arquidiocese, seguida de uma benção

do arcebispo, Dom Luiz Mancilha

e concelebrada pelo bispo auxiliar, Ivo Ferreira de Amorim, e cerca de 50 presbíteros. Também estavam

“Há 60 anos o nosso querido e

muitos leigos e leigas. O arcebispo

Arquidiocese de Vitória do Espírito

presentes diáconos, seminaristas e pediu que todos prestassem reve-

rência ao Papa Pio XII que, em 1958, por meio da bula Cum territorium,

Vilela, a todos os presentes. Ao fim

elevou a diocese do Espírito Santo

de uma caminhada luminosa até a

Vitória do Espírito Santo, lembrando

desse momento, todos participaram Catedral de Vitória, onde realizou-se a Celebração Eucarística.

provocando grandes mudanças na

à categoria de Arquidiocese de

também que o referido Papa era

um homem intelectual e pastoral,

10

REVISTA PANORAMA

saudoso Papa Pio XII instituiu a

Santo, criando ao mesmo tempo, duas Dioceses sufragâneas da

novíssima Província Eclesiástica, a

Diocese de São Mateus e a Diocese de Cachoeiro de Itapemirim. Celebramos o nascimento desta Pro-

víncia Eclesiástica, a Arquidiocese e

dioceses profundamente vinculadas


ARQUIDIOCESE

a Pedro. Começamos as comemorações anunciando e testemunhando o Mistério de Comunhão Eclesial, o

Mistério de Unidade, Sinal da Trindade!”, afirmou Dom Luiz.

Após a comunhão, o Chanceler da Cúria Metropolitana de Vitória, Pe. Renato Paganini, comunicou que

será concedida Indulgência Plenária aos fiéis que visitarem a Catedral de

Vitória no período de celebração do Jubileu, ou seja, de 22 de fevereiro até o dia 08 de setembro, quan-

do se encerram os festejos com a

realização do Congresso Eucarístico Arquidiocesano.

“E como vamos comemorar estes 60 anos de vida Eclesial, enquanto Província e Arquidiocese? Todos deve-

remos nos empenhar em responder ‘quem é Jesus’ para nós, para nossa

família, para as nossas Comunidades Eclesiais, para os Movimentos Eclesiais que surgiram com seus caris-

mas dentro da Comunidade Eclesial, para toda a Arquidiocese. Somos

convocados pelo Espírito Santo a

responder como temos anunciado,

como temos dado testemunho

do Mistério do Amor de Deus para

conosco. Toda a Igreja de Vitória do Espírito Santo sinta-se convocada

para celebrar bem este jubileu nes-

tes sete meses, tempo de conversão e de graça, kairós do Senhor, de tal forma que o Divino Espírito Santo possa fortalecer em nós o cami-

nhar juntos na acolhida fraterna e na esperança, no testemunho de

santidade pessoal e eclesial, como

sinal profético de Deus Amor que é Pai, Filho e Espírito Santo”, concluiu o arcebispo.

PROGRAMAÇÃO DAS COMEMORAÇÕES DO JUBILEU 22/2 - Início da peregrinação da Imagem de Nossa Senhora da Vitória nas

áreas pastorais – Vila Velha, Serrana, Cariacica/Viana, Serra/Fundão, Vitória e Benevente

17/3 – 18h - Via-Sacra nas ruas de Vitória 26/4 – 19h – Missa na Catedral pelos Falecidos 2/6 – 19h – Procissão luminosa – saída da Catedral para a Basílica de Santo Antônio

28/7 – 18h – Missa - Romaria Arquidiocesana a Aparecida do Norte 1 a 7/9 – Congresso Eucarístico – Missa todos os dias na Catedral às 19h. 8/9 – 9h – Missa Solene de N. Senhora da Vitória - Catedral A Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro receberá a imagem peregrina de Nossa Senhora da Vitória nos dias 23 e 24 de junho.

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REVISTA PANORAMA


JOVENS

Incentivada pelo pai, Fernanda participou do EJC e, por sua vez, sugeriu que seu irmão também tivesse a mesma experiência. Hoje toda a família está engajada nas ações da Igreja

EJC TRANSFORMA A VIDA DE JOVENS E SUAS FAMÍLIAS ALÉM DE PROMOVER MUDANÇAS NO DIA A DIA DOS PARTICIPANTES DO ENCONTRO, OS FRUTOS SE ESTENDEM PARA PAIS, MÃES E IRMÃOS

R

ealizado anualmente pela Pa-

“O EJC mudou minha vida”. E muda

rança para participar. Ela conta que

com Cristo (EJC) é uma inicia-

Rosi e Fernanda Marques.

de Casais com Cristo (ECC) em

róquia, o Encontro de Jovens

tiva que tem por objetivo promover

mesmo, como ocorreu com Brenda

a evangelização dos que estão en-

Brenda, 24 anos, foi chamada para

bém dos que ainda não conhecem

em 2010, mas só conseguiu fazer

volvidos no Grupo de Jovens e tama Igreja e seus braços acolhedores. É um momento que abre portas e

transforma muitas vidas. Não raro,

participantes dizem, emocionados:

participar do EJC pela primeira vez

seus pais tinham feito o Encontro

2009, o que lhe gerou curiosidade de saber se os encontros tinham alguma similaridade.

em 2011. Na época, o encontro era

“Como para 99,9% dos jovens que

por membros atuantes no Grupo

foi maravilhosa, é um encontro em

aberto apenas a jovens indicados

de Jovens, e isto foi o lhe deu segu-

12

REVISTA PANORAMA

fazem o encontro, a experiência

que se é levado ao céu e trazido


JOVENS

de volta”, afirma. Contudo, Brenda lembra que sua real experiência de encontro com Cristo não foi

durante o EJC, mas sim quando

seu irmão participou do evento em 2015. “O que me motivou a estar

sempre envolvida foi exatamente a tentativa de fazer com que ele

participasse, assim como eu. Senti

coisas maravilhosas quando fiz meu encontro, mas o que senti quando

meu irmão participou foi algo total-

A família de Brenda começou a se envolver mais com as

mente surreal e diferente de tudo

que eu já havia sentido nos encon-

atividades da igreja a partir de sua participação no EJC

tros anteriores. Mudou completa-

ca Fernanda Marques, de 22 anos,

vivendo os reflexos desse encontro

frutos colhidos no EJC. Quando fez

mente minha visão do EJC e venho desde então”, acrescentou.

Para ela, o maior fruto que pode colher do EJC foi ver sua família

trabalhando na Igreja. “Nós criamos um vínculo enorme em casa. Meus pais começaram a trabalhar como

tios, o que fez com que eu ganhas-

se amigos através do contato deles com os jovens”, destaca.

Além de membro do Grupo de

Jovens, Brenda é Ministra da Eucaristia. Seu irmão, Breno, estudante

também tem uma bela história de

Os frutos que o EJC trouxe para sua

gia. “Senti que precisava fazer algo

nanda, seus pais também puderam

saúde, solucionado por uma cirurpara agradecer a Deus. Um dia, fui

à missa e nos avisos finais disseram que era o último dia para inscri-

ção no EJC, encontro que sempre tive vontade de fazer. Nesse dia,

meu pai me ‘cutucou’ no braço e

disse: ‘Por que você não faz?’. Fiz a

inscrição sem saber mais a fundo a

respeito da seleção dos jovens que participariam do encontro”, fala.

Ela foi chamada em 2014 e conta

acólito. Seus pais, Bruno e Suzana,

muito de tudo que aprendi, pois

além de participarem dos EJC e

ECC, também já foram Ministros de Eucaristia. Suzana atua na equipe

de Liturgia e Bruno é representante da comunidade Santo Antônio junto ao Conselho Paroquial.

A estudante de engenharia quími-

com Deus”, lembra.

18 anos ela teve um problema de

de engenharia civil, de 23 anos, também é membro do grupo e

aquele o meu primeiro encontro

que a experiência foi única. “Gostei pude conhecer mais a Deus e sua Palavra. Lembro de ter chorado

muito, não sei como comecei, só lembro de ter sido abraçada por

várias pessoas que estavam trabalhando no encontro. Depois me

explicaram que aquilo era mani-

festação do Espírito Santo, sendo

13

REVISTA PANORAMA

vida são inúmeros. Por meio de Fersentir a presença de Deus. “Nossa família sempre foi católica, mas

nunca praticante; íamos a poucas

missas. Após o EJC, meus pais pas-

saram a ir à igreja comigo e fizeram o ECC. Depois de eu ter insistido

muito, meu irmão finalmente fez e hoje ele participa da Igreja também”, revela.

Fernanda se alegra em saber que

toda sua família passou a frequentar a Igreja após ela ter feito o

EJC. “Meus pais são muito ativos!

Meu pai vai ao Terço dos Homens, minha mãe participa do grupo de

casais e eles atuam na Pastoral do Dízimo também. E além de meu

irmão ter feito ECJ, minha cunhada também fez, então, literalmente a família toda veio para a Igreja por conta do encontro!”, comemora.


IGREJA EM AÇÃO

ORAÇÃO: FERRAMENTA DE TRANSFORMAÇÃO DE VIDA O DIA MUNDIAL DA ORAÇÃO É COMEMORADO ANUALMENTE NA PRIMEIRA SEXTA-FEIRA DE MARÇO

O Grupo de Oração Amor e Vida é um dos movimentos da

C

Paróquia que se dedicam a difundir o hábito da oração diária

elebrado em mais de 170

O Dia Mundial da Oração surgiu no

Na Paróquia Nossa Senhora do

Oração tem objetivo de

de mulheres cristãs dos Estados

e movimentos atuam fortemente

países, o Dia Mundial da

promover o aumento das obras missionárias, além de ajudar na

troca de experiências entre cristãos e fiéis religiosos de todo o mundo. A data não é destinada apenas a

uma religião específica, mas a todas as doutrinas que utilizam orações como forma de interceder pela realização de obras benéficas à humanidade.

século XIX, por meio de um grupo

Unidos e do Canadá. Na ocasião, o

intuito era conscientizar as pessoas de que o ato de orar ia além de proferir palavras ou fazer peni-

tências, mas também agir efetiva-

mente no auxílio de causas sociais.

Inicialmente, a defesa das mulheres e crianças era um dos principais objetivos do grupo.

14

REVISTA PANORAMA

Perpétuo Socorro, alguns grupos

na disseminação do hábito de orar

com atividades semanais em todas as comunidades. O mais antigo

deles é o Grupo de Oração Sagrada Família, que se reúne todas as

quartas-feiras, a partir das 18 horas, na igreja matriz.

“O Grupo de Oração foi o local

onde eu matei a saudade de Deus


IGREJA EM AÇÃO

que existia dentro da minha alma,

nidade Santo Antônio.

A proposta do Apostolado está ba-

e aprendi que a perseverança e a

Atual coordenadora grupo, Denise

pessoal com Jesus, principalmente

que nos mantém em intimidade

da oração em sua vida. “Para mim,

fiz a experiência do Primeiro Amor fidelidade na vida de oração é o

com Deus. A oração na minha vida é o momento de me encontrar

com o meu Amado, de unir o meu coração ao Dele. A oração é o que me faz compreender a vontade

de Deus na minha vida, é o que

faz com que a cada dia aconteça o

crescimento e amadurecimento na

minha fé”, afirma Maria Inês Gomes Viana, coordenadora do grupo.

A busca por um espaço para louvar, orar, refletir a Palavra de Deus e

levar a Renovação do Batismo no

Espírito Santo para a vida fez surgir, há nove anos, o Grupo de Oração Amor e Vida. Seus integrantes se

encontram todas as segundas-fei-

ras, a partir das 19 horas, na comu-

Barbosa Gomes destaca o papel é um diálogo com Deus, onde

falamos com Ele como a um amigo confidente: expomos o que somos, reconhecemos nossas misérias,

confiamos nossos segredos e so-

nhos, pedimos sua ajuda e orientação, agradecemos sua intervenção

e buscamos, no silêncio, a sensibilidade dessa entrega”.

Outra iniciativa que visa a fomentar a prática de orar é o Apostolado da Oração. Com 220 associados, ele

se reúne toda última terça-feira do

mês, na comunidade Nossa Senho-

ra do Perpétuo Socorro. O encontro segue o roteiro elaborado pela

revista mensal, Mensageiro do Co-

seada na amizade, amor e encontro na Eucaristia. “Nossas atividades

incluem vigília ao Santíssimo Sa-

cramento, participação nas missas, adoração, oferecimento diário,

consagração, retiros, encontros de formação, reza do Terço e visita

aos enfermos”, conta Sueli Bastos Medeiros, presidente do Aposto-

lado da Oração da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

Ela explica que o Papa confia ao

Apostolado suas intenções, criando uma rede mundial de orações. “Re-

zamos por toda a Igreja. A oração é

um ato religioso de ‘falar com Deus’ com entrega total, buscando ser

um instrumento útil a serviço da missão de Jesus”, completa.

ração de Jesus, das Edições Loyola.

Unidas com o mesmo objetivo: interceder pelos filhos Todas as segundas-feiras, a partir

afirma Nilza Helena Camatta Cosmo

pela tribulação”, afirma.

comunidade Santa Luzia de terço

intercessão do grupo.

“A oração é um dom de Deus, que

rezar pelos seus filhos. “No movi-

Em sua opinião, a oração pode mu-

Ela nos eleva à presença de Deus,

mos nossos filhos com orações para

fazer a experiência de nos entregar

das 18h30, elas se encontram na na mão e um mesmo objetivo:

mento das Mães que Oram, cobri-

que o mundo não os contamine e oramos para que sejam libertos e

curados de todo o mal. Uma mãe

que ora é uma coluna forte em sua

casa. Toda mãe precisa ser perseverante na oração, nos sacramentos e na leitura orante da Palavra”,

Catelan, coordenadora nacional de

dar a vida das pessoas. “Precisamos e confiar. Colocar-nos na presença

de Deus e mergulhar na Sua Misericórdia confiantes que somos filhas

amadas, que Ele está nos ouvindo e

nos dando o melhor. Quando nosso coração começa a descansar Nele, nos tornamos fortes para passar

15

REVISTA PANORAMA

vem de dentro de nosso coração. fazendo-nos íntimos Dele. Podemos experimentar o Seu amor,

através de Jesus Cristo, do Espírito

Santo e da poderosa intercessão da Virgem Maria. Todas as vezes que

decidimos orar é porque respondemos a Deus”, conclui Nilza.


LITURGIA

TEMPO LITÚRGICO ANO B: QUARESMA E SEU CARÁTER CRISTROCÊNTRICO DE MODO QUE O MEU ESPÍRITO GANHE UM BRILHO DEFINIDO TEMPO TEMPO TEMPO TEMPO E EU ESPALHE BENEFÍCIOS TEMPO TEMPO TEMPO TEMPO

J

esus anunciou o “ano da graça

e permanente no qual o povo de

tãos, sem serem deste mundo, são

Nazaré (Lc 4, 19). Tempo de sal-

de libertação fecundado de pro-

pode ser algo separado da vida ou

do Senhor” na sinagoga de

vação inaugurado por sua encarnação e que se prolonga, graças à sua ressurreição, até o fim dos tempos. Assim, a Igreja celebra o Mistério

Pascal de Cristo (Vida, paixão, morte e ressurreição) ao longo do Ano

Litúrgico que é dividido em ano A,

B e C. Um tempo de salvação atual

Deus celebra seu próprio caminho messa e esperança, de presença libertadora do Deus na história.

“A liturgia sustenta o compromisso

com a promoção humana, ao mesmo tempo que orienta os crentes a tomar sua responsabilidade na

construção do Reino, ‘para que se torne manifesto que os fiéis cris-

16

REVISTA PANORAMA

a luz do mundo’. A celebração não paralelo a ela” (DSD 35).

Contudo, em cada ano, durante a

Quaresma, são acentuados aspec-

tos teológicos-litúrgicos-pastorais, a partir dos textos bíblicos que

proclamamos e rezamos. Mesmo

lendo nos dois primeiros domingos da Quaresma, todos os anos, os


LITURGIA

textos das tentações do deserto e

dom do Pai, pelo Espírito.

Portanto, a Nova Aliança, em Cristo,

cionário Dominical nos propõe três

Os temas do ano B sobre os quais

Espírito da Nova Aliança, as leituras

batismal (ciclo A), um caminho

resmal deste ano chamam a nossa

da transfiguração de Jesus, o Le-

caminhos quaresmais: um caminho cristocêntrico-pascal (ciclo B) e um caminho penitencial (ciclo C).

Vale ressaltar que a Quaresma faz

memória do Cristo em seus 40 dias

pelo deserto, revivendo, na própria

refletimos durante o período quaatenção para a Páscoa de Cristo.

tema das tentações de Jesus e da

renovação da pessoa humana em

leituras do Evangelho trazem o

transfiguração na visão de Marcos.

subimos a Jerusalém, percorremos

da aliança reconstruída. A maneira

morte até chegarmos à nova vida,

Quaresma.

Seguimos o itinerário quaresmal,

A finalidade deste ano do evan-

o caminho da cruz, passamos pela

orientam a reflexão litúrgica da

Nos dois primeiros domingos, as

experiência, os 40 anos do povo de Deus também no deserto. Com ele

com o novo povo de Deus. No

gelista Marcos é ressaltar o tema como o Pai reconstrói a aliança

rompida pelo pecado do paraíso.

onde se sobressai o mistério da

Cristo e por Cristo, através da peni-

tência. Seguindo Cristo no mistério da cruz, o cristão participará de

sua ressurreição. Através da liturgia da Palavra vamos celebrando e

refletindo sobre nossa caminhada enquanto cristãos.

No primeiro domingo refletimos sobre a importância da restau-

ração do ser humano em Cristo; no segundo domingo a Igreja é

levada a viver o mistério da vida

que passa pela morte; no terceiro domingo somos convidados a

viver a restauração do ser humano em Cristo através do símbolo do

templo (o corpo de Cristo). Já no

quarto domingo, somos desafiados a crer em Cristo, o que significa

segui-lo e imitá-lo, viver Nele e por Ele em Deus. E, por fim, no quinto

domingo a comunidade eclesial é

colocada nos átrios da glorificação de Jesus mostrando-nos qual o

caminho que devemos percorrer

para alcançarmos a glória de vê-lo. As leituras apresentam tópicos da aliança de Deus com seu povo.

Durante a Quaresma somos convidados a percorrer um itinerário

pedagógico e catequético que nos faz penetrar nos grandes eventos

17

REVISTA PANORAMA


LITURGIA

da história da salvação. Durante

que a Igreja é chamada a exprimir

Perpétuos saberes

na liturgia da Palavra, escutamos e

sacramento que gera. Daí também

É impossível vivenciar toda a

é o tempo de grande convocação

conhecer a liturgia deste tempo. A

as cinco semanas da Quaresma, atualizamos os textos bíblicos.

Na Quaresma, portanto, somos

convidados a fazer uma verdadeira experiência na participação do mistério pascal de Jesus Cristo.

Sofremos com Cristo para participar de sua glória (cf. Romanos 8,17).

A Quaresma tem caráter essencialmente batismal, sobre o qual se

baseia o caráter penitencial. Na verdade, a Igreja é comunidade pascal porque é batismal. Isso deve ser

afirmado não só no sentido de que

nela entramos mediante o batismo, mas principalmente no sentido de

com vida de contínua conversão o o caráter eclesial da Quaresma. Ela de todo o povo de Deus, para que se deixe purificar e santificar pelo seu Salvador e Senhor.

Que este período quaresmal nos ajude a renovar em nós o ardor

de sermos um só corpo em Cristo

fazendo com que nossas atitudes,

escolhas e ações nos levem a dizer como o apóstolo Paulo: “Não sou

eu mais que vivo, mas é Cristo que

vive em mim”, vivenciando assim o ano da graça em toda a sua plenitude em nossas vidas.

18

REVISTA PANORAMA

espiritualidade da Quaresma sem

liturgia da Quaresma está dividida em três ciclos, cada ano um ciclo.

Daí chamamos de Ano A, B e C. O ano A segue o Evangelho de Ma-

teus que tem como característica

o tema do Batismo (A Samaritana

junto ao poço no Terceiro Domingo João 4,5-42, O Cego de nascença

no Quarto Domingo João 9,1-41 e

A Ressurreição de Lázaro no Quinto Domingo João 11 1-45). O Ano B

segue o Evangelho de Marcos res-

saltando o tema da Aliança e recai sobre a pessoa de Jesus (A Expul-


são dos vendilhões do Templo de

na terra no quinto domingo João

mingo Lucas 13,1-9, A parábola do

João 2,13-25, O Encontro com Ni-

tema da Penitência e da Conversão

Lucas 15, 1-3.11-32 e o episódio

Jerusalém no Terceiro Domingo

codemos no Quarto Domingo João 3,14-21 e O Grão de trigo caído

12,20-33). O Ano C apresenta o

bem evidenciados (A parábola da “Figueira estéril” no Terceiro Do-

“Filho pródigo” no Quarto Domingo da “Mulher pecadora” no Quinto Domingo João 8,1-11).


ESPECIAL

“MULHER, POR QUE CHORAS?”

NO MÊS EM QUE SE COMEMORA O DIA INTERNACIONAL DA MULHER, À LUZ DO TEMA DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2018, A REVISTA PANORAMA PROPÕE UMA REFLEXÃO SOBRE A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

20

REVISTA PANORAMA


ESPECIAL

O

modo como Jesus trata-

ou outro discípulo, mas apareceu

Superação da Violência”. Lembrando

dias mostra que tanto Ele

que as discípulas fossem as primei-

Dia Internacional da Mulher, cabe a

va as mulheres dos seus

como Deus Pai as respeitam e que eles certamente não aprovam o

tratamento opressivo dado a elas, tão comum ainda hoje. No sepul-

cro, Jesus se preocupa com Maria

Madalena, que chorava desamparada (Jo 20,15). Ressuscitado, Ele

poderia ter aparecido a Pedro, João

primeiro às duas Marias. Ao permitir ras testemunhas da ressurreição,

desconsiderou o preconceito que os judeus tinham de que as mulheres não podiam servir como testemunhas legais.

A Igreja está em plena quaresma,

na campanha por “Fraternidade e

21

REVISTA PANORAMA

que em 8 de março comemora-se o

reflexão sobre a violência que atinge as mulheres. Esta realidade está

intimamente relacionada à visão

histórica delas como propriedade do homem. Ao longo da história

humana, essa violência foi aceita,

tolerada e até legalmente sancionada. A lei romana dava aos homens


ESPECIAL

o direito de castigar suas esposas,

mais violento para mulheres no país.

tudo quebrado e espalhado pelo

queima de mulheres acusadas de

Entre tantas histórias está a de Carla,

apenas roupas minha e do meu filho

pelos governantes; nos séculos XVIII

conta que conheceu o ex-marido

até a morte; na Idade Média, a

bruxaria foi tolerada pela Igreja e

e XIX, na Europa e na América, um homem podia punir sua esposa

usando uma vara “não mais larga do que o polegar”. Na Itália, até 1981, o Código Penal previa uma sentença reduzida em caso de homicídio de

uma mulher por razões relacionadas à honra.

A violência contra a mulher ocorre

em todo o mundo nas mais diversas formas. A violência relacionada ao dote, como a queima da noiva, é

associada à Índia, Bangladesh, Sri

Lanka e Nepal. O ataque com ácido

também está associado a esses paí-

ses, bem como ao sudeste asiático e Camboja. Crimes de honra ocorrem no Oriente Médio e Sul da Ásia.

Mutilação genital feminina é encon-

trada principalmente na África e, em menor medida, no Oriente Médio e outras partes da Ásia.

Os casos de violência contra a mu-

lher no Brasil são alarmantes. Entre

1980 e 2013, foram mais de 100 mil assassinatos de mulheres. Em 2016,

paroquiana da Perpétuo Socorro. Ela ainda na faculdade. O que começou com amizade virou paixão e enga-

taram num namoro que durou um

ano até se casarem. “No começo do relacionamento tudo era um mar

de rosas, mesmo assim ele já dava sinais de ser possessivo. Como eu

estava cega de paixão, não percebia. Nenhum homem agressivo começa te batendo, eles dão pequenos

sinais que, de início, a gente pensa

chão. Não pensei duas vezes, peguei e fui para a casa dos meus pais. Foi a primeira vez que nós nos sepa-

ramos. Durante quatro meses, ele

me procurava todos os dias, chorava, me pedia perdão e jurava que

nunca mais ia acontecer. Eu propus a ele uma condição: que fizesse

tratamento psicológico. Ele aceitou e voltei pra casa. Durante um ano

de tratamento, a gente nem brigava mais. Foi o melhor ano do nosso casamento!”, lembra.

serem ciúmes: é uma roupa que ele

Uma pesquisa realizada pelo Datafo-

que não aceita que você frequente,

que sofreram violência, 52% se ca-

não te permite usar ou um lugar

até conseguir te dominar por completo”, revela.

Entre as mulheres que sofreram violência, 52% se calam, 11% procuram uma delegacia da mulher e 13% preferem o auxílio da família. Muitas mantêm a convivência com o agressor, acreditando que ele irá mudar.

lha constata que, entre as mulheres lam, 11% procuram uma delegacia

da mulher e 13% preferem o auxílio da família. Muitas mantêm a convi-

vência com o agressor, acreditando

que ele irá mudar. Foi isso que aconteceu com Carla.

“Quando passei em um concurso

público, ele abandonou o acompa-

nhamento psicológico e voltou a ser exatamente como antes. Eu aguentei ainda por muito tempo, até que

um dia disse que queria me separar. Voltou o inferno: ele quebrou as

(DATAFOLHA)

coisas dentro de casa, mas dessa

10% sofreram alguma forma de

Ela lembra que o comportamento

a intervenção da polícia, João saiu

foram agarradas e beijadas sem con-

nheiro, João, era tão forte que ele

36% das mulheres ouviram algum comentário desrespeitoso na rua;

agressão no transporte público; 5%

sentimento. Só de agressões físicas,

503 mulheres brasileiras são vítimas a cada hora. A cada 11 minutos,

uma é estuprada. Ainda mais trágico é saber que metade dos crimes

praticados contra elas é realizada

por um familiar, muitas vezes dentro de casa. O Espírito Santo é o estado

machista e obsessivo do compa-

exigia que ela desse conta, sozinha,

de todo o trabalho doméstico e não permitia que ela trabalhasse fora.

“Numa briga por eu querer traba-

lhar, ele me agrediu pela primeira vez. Me pegou pelo pescoço até

que eu desmaiasse e simplesmente

saiu de casa. Quando acordei, estava

22

REVISTA PANORAMA

vez não me encostou a mão. Com de casa. Novamente me ligava dia e noite, até que me mandou uma

mensagem se despedindo, dando a entender que iria se suicidar. Nosso

filho estava com ele. Saí correndo do trabalho e fui pra casa dele, chamei

e nosso filho abriu. Quando cheguei no quarto, ele havia tomado uma

dose muito alta de um remédio tarja preta. Fiquei com pena e resolvi dar


não sabia como lidar com esse tipo

deusa Vesta. Ela se manteve firme

Depois de muito sofrimento,

omissa. Não tinha consciência da

castigo, sendo executada no ano

Carla chegou à conclusão que não

conseguiria ter um relacionamento saudável e feliz com o marido. “Na

primeira oportunidade, saí de casa

sem ele sequer saber. Ele me procurou, lógico, e fui empurrando com a barriga até ele se dar conta de que daquela vez era para sempre. Faz

um ano que nós nos separamos de-

finitivamente. Ele já está namorando

de atitude. Por isso, acabei sendo gravidade do comportamento

dele e tampouco de onde pode-

ria chegar. Tinha medo de contar para minha mãe, porque mesmo

com tudo isso eu queria continuar o namoro. Depois de um tempo

mas eu aprendi a ignorar. Hoje eu posso dizer que sou uma mulher feliz e liberta!”, completa.

tanto verbal quanto fisicamente. As agressões físicas eram leves, com tapas e empurrões. Eu era muito jovem, tinha pouca experiência,

pois era meu primeiro namorado, e

de janeiro.

1890, na Itália, foi morta aos 11 anos numerosa, e após a morte do pai,

foi morar próximo a Roma com a fa-

A violência contra a mulher na história da Igreja foi uma mártir católica, executada

tive um namorado que me agredia

Sua memória litúrgica se dá em 21

de idade. Sua família era pobre e

Suzana (nome fictício), hoje com “Quando ainda era adolescente,

noivos, vítimas de violação e virgens.

consegui superar”.

muito difícil na minha vida, mas que

Muitas santas também sofreram

24 anos, conta seu drama pessoal:

castidade, dos jardineiros, moças,

Maria Teresa Goretti, nascida em

Na Paróquia, há outras histórias

semelhantes à dela. A enfermeira

304. Inês se tornou a padroeira da

acabamos terminando. Foi uma fase

e aparenta estar feliz. Às vezes me

perturba com mensagens ofensivas,

na fé cristã, recusando cumprir o

agressão por serem mulheres. Inês durante a perseguição sofrida pelos cristãos em Roma. Tinha 13 anos quando foi cobiçada pelo filho

do Prefeito por sua extraordinária

beleza, riqueza e virtude. Como o re-

jeitou, Inês foi levada a julgamento e condenada a manter o fogo sagrado aceso de um templo dedicado à

mília de um viúvo e seus dois filhos.

Um deles, Alexandre, maior de altura e idade, tentou seduzir Goretti, que

cuidava dos irmãos, mas ela sempre resistia. Certo dia, Alexandre reagiu com 14 facadas. Antes de morrer,

Goretti disse à sua mãe: “Eu o per-

doo. Lá no céu, rogarei para que ele se arrependa. Quero que ele esteja junto comigo na glória eterna”. O

jovem assassino, arrependido, de-

pois de sair da cadeia, foi aceito na Ordem dos Frades Menores Capu-

chinhos, vivendo em um monastério e trabalhando como recepcionista e jardineiro até morrer, em 1970.

A Campanha da Fraternidade quer a superação de toda forma de vio-

lência. O mandamento de Jesus é claro: “Vós sois todos irmãos” (Mt

23,8). Essa fraternidade só é possível superando a cultura da vingança e da omissão. Jesus diz: “Ouvistes o

que foi dito: amarás a teu próximo

e odiarás a teu inimigo. Eu vos digo: Amai os vossos inimigos e orais

pelos que vos perseguem” (Mt 5,4348). Nas bem-aventuranças, Jesus

declara que aqueles que promovem a paz serão chamados filhos de

Deus (Mt 5,9). A promoção da paz

23

REVISTA PANORAMA

ESPECIAL

a última chance”, conta.


ESPECIAL

se torna ministério de todo cristão,

mete a colher’, não pode continuar.

de Deus para essas situações, mas

xo-vos a paz, a minha paz vos dou.

quando eu tenho pão para dar,

compaixão. Romper com a cultura

uma paz deixada por Jesus: “Dei-

Não é à maneira do mundo que eu a dou” (Jo 14,27).

Para a construção da paz, é pre-

ciso estar atento. O conselho ‘em

briga de marido e mulher, ninguém

Dizer a um faminto: ‘volte amanhã’, é inconcebível. Da mesma forma

que é insuficiente dizer apenas que ‘vamos orar’ por quem relata uma agressão ou apresenta sinais de

abusos sofridos dentro do seu lar.

não se omitir. A fé requer ação e

de desvalorização da mulher é fundamental para que a Igreja assuma seu papel de transformação da sociedade.

Deve-se buscar em oração a direção

As formas de violência são muitas e vão mudando de acordo com a idade da mulher, conforme a tabela abaixo:

FASE Pré-nascimento Infância Pré-adolescência

TIPO DE VIOLÊNCIA Aborto seletivo por sexo; efeitos de espancamento durante a gravidez nos resultados de nascimento. Violência praticada principalmente pelos pais. Infanticídio feminino; abuso físico, sexual e psicológico. Também praticando pelos pais e familiares. Casamento infantil; mutilação genital feminina; abuso físico, psicológico e sexual; incesto; prostituição e pornografia infantil. Violência durante o namoro (mutilação física e estupro); sexo através de coerção econômica; incesto; abuso

Adolescência e idade adulta

sexual no local de trabalho; estupro; assédio sexual; prostituição e pornografia forçada; tráfico de mulheres; violência praticada pelo parceiro; estupro conjugal; abusos e homicídios relacionados ao dote; homicídios praticados pelo parceiro; abuso psicológico; abuso de mulheres com deficiência; gravidez forçada. A violência é mais praticada pelos namorados, maridos e ex-companheiros.

Idosa

“Suicídio” forçado ou homicídio de viúvas por motivos econômicos; abuso sexual, físico e psicológico. A violência é muito praticada pelos filhos.

24

REVISTA PANORAMA


PRIVILEGIE NOSSOS PARCEIROS NA EVANGELIZAÇÃO


PERSONAGEM

26

REVISTA PANORAMA


PERSONAGEM

JOSÉ, O CARPINTEIRO

O

Dia de São José é come-

to a um cavalo, o mesmo deu-lhe

outros, até que, há 25 anos, rece-

19 de março. Esta é uma

desconhecido passava pelo local e

bancos para uma igreja protes-

morado anualmente em

data religiosa que celebra a figura

do “pai terreno” de Jesus e esposo de Maria, mãe de Cristo. José de

Nazaré ou José, o Carpinteiro, é um dos santos mais venerados pela

Igreja Católica em todo o mundo.

São José é considerado o padroeiro dos trabalhadores e das famílias.

Fazendo memória da história desse importante homem da Igreja, o personagem do mês da Revista

Panorama guarda características

muito semelhantes. José Geraldo

Gabrieli, 58 anos, é o chefe de uma

grande família. Natural de Cachoeiro de Itapemirim, no interior do

estado, ele é filho de José Gabriel e

Otília Lubiano Gabrieli, ambos com 89 anos. A numerosa família do

casal, que tinha 13 filhos, mudou-se para Colatina quando José Geraldo ainda era bebê.

Quando criança, ele viveu uma

situação inusitada que lhe rendeu o apelido que carrega até hoje. Num dia, ao se abaixar para dar alimen-

uma bela mordida no ombro. Um

parou para ver o que havia aconte-

cido, oferendo ajuda. Despretensio-

samente, brincou dizendo “o cavalo lhe confundiu com capim”. Pronto, surgiu ali o Capim.

Aos 10 anos, ele saiu da lavoura e

foi trabalhar com o pai na serraria,

no corte de madeira bruta para aju-

dar no sustento da família. “Quando

começamos a trabalhar nesse ramo, quem estava à frente era eu; fazia as compras, os serviços de banco

e os orçamentos. Com o passar do

tempo, o Capim se casou e eu achei que ele tinha mais competência

que eu, começando a liberar a lide-

beram a primeira encomenda de

tante. Logo em seguida vieram as

encomendas para as igrejas católicas, especializando-se em móveis para igrejas.

“É um orgulho e uma honra muito grande trabalhar ao lado do meu

pai. Ao vermos a obra que fazemos

para uma igreja, por exemplo, além de satisfação, me traz uma sen-

sação de estar próxima de Deus,

contribuindo com a construção do Seu reino aqui e seguindo a nossa

obrigação de trabalhar com humildade e seriedade”, conta Larissa, filha caçula de Capim.

rança para ele, que sempre traba-

“Prezo sempre por fazer meu

sempre unidos”, lembra seu pai.

atenção aos meus clientes para que

lhou com mais dois irmãos juntos,

Em 1981, mudaram-se para Rio

Marinho, em Cariacica, onde montaram a marcenaria em que traba-

lham até hoje, com 10 funcionários, dois irmãos e as filhas no comando

dos negócios. No início, fabricavam cadeiras, janelas, portas, camas e

27

REVISTA PANORAMA

trabalho com muita dedicação e

o serviço seja cumprido da melhor maneira possível, sempre tendo

Deus como meu principal incen-

tivador e guia. Toda a minha vida foi construída com muito suor e,

apesar de todas as dificuldades que eu e minha família enfrentamos,

conseguimos hoje em dia ter uma


PERSONAGEM

Capim, como é conhecido desde criança, guarda semelhanças com São José

vida com mais dignidade e algum

Homem de família

mar minha família”, conta Carmi-

trabalho e mantendo a fé em Deus,

Se São José é o padroeiro das famí-

casado há 26 anos.

as conquistas”, avalia ele.

cepciona. “Acredito que a família é

“Mesmo não sendo o filho mais

pode ter na vida, meu trabalho foi

decisões. Com pouco estudo e a

conforto, mas tudo isso com muito

que é o verdadeiro motivo de todas

No começo, fazia os móveis tiran-

do inspiração de sua própria cabe-

ça, hoje trabalha sob orientação de

lias, Capim, o José Geraldo, não deo bem mais precioso que alguém sempre em função dela”, afirma.

arquitetos sacros. Entre os traba-

“Meu pai é uma pessoa que sem-

estão a fabricação dos móveis da

-estar da família e por ele ajudaria

lhos que marcaram sua carreira

casa do Arcebispo de Vitória, Dom

Luiz, e a restauração dos móveis da Catedral Metropolitana de Vitória. A encomenda mais recente fo-

ram os bancos da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

Seus trabalhos estão presentes em

vários municípios do estado, como Cachoeiro de Itapemirim, São Mateus e Rio Novo do Sul.

pre pensa no próximo, no bem-

a todos que precisassem”, conta

a filha Larissa. “Tenho a maior ad-

miração por ele, é meu ídolo. Não penso nem na hipótese de viver sem ele: é meu esposo, compa-

nheiro, meu amigo. Sempre coloca Deus e Nossa Senhora na frente em tudo o que faz e isso me faz

muito feliz; me dá muito orgulho do homem que escolhi para for-

28

REVISTA PANORAMA

nha Pereira Gabrieli, com quem é

velho, meu pai tomou a frente das ajuda dos irmãos e do meu avô,

montou a marcenaria há mais de

30 anos e dela saiu o sustento para uma família com mais de 10 filhos. A marcenaria foi o começo de

tudo na família Gabrieli e até hoje está de pé. Tenho muito orgulho

do ofício ter passado do meu tataravô para meu avô e depois para

meu pai. E hoje minha irmã trabalha com ele, a história não para”, finaliza Cássia, a primogênita.


CONSCIÊNCIA CRISTÃ

ELEIÇÕES 2018: O PODER DA MUDANÇA EM NOSSAS MÃOS

E

m 2018, o povo brasileiro

têm em suas mãos?

A CNBB também lamenta a falta

mudança do Brasil. Mudança

A Conferência Nacional dos Bispos

públicas, empresas que jogam o

tem um compromisso com a

essa que se faz por meio do voto

popular. Este ano, haverá eleições para presidente da República,

governador, senador, deputados

federal e estadual. E quem vai definir a futura representatividade é a

sociedade brasileira. Mas, será que todos os cidadãos têm essa cons-

ciência da grande ferramenta que

do Brasil (CNBB) divulgou uma nota oficial em que destaca a apatia

popular diante do cenário político nacional. A entidade percebe o

desinteresse da sociedade e dos movimentos sociais provocados

pelo descrédito na política, e faz um clamor para que a sociedade exerça a cidadania por meio do voto.

30

REVISTA PANORAMA

de ética instalada nas instituições jogo da corrupção e a atuação de

muitos políticos, que estão “traindo a missão para a qual foram eleitos, jogando a atividade política no

descrédito”. Para este ano, a Confe-

rência pretende lançar uma cartilha de orientação sobre as eleições.

Em entrevista ao jornal A Tribunal, o secretário-geral da CNBB, Dom


do Brasil, senadores, deputados

Primeiro tomar consciência de que

var a participação dos católicos nas

que os cristãos devem levar em

de maneira antiética. Os políticos

objetivo do documento é incentieleições de outubro deste ano.

“A CNBB tem por tradição disponi-

bilizar uma cartilha por ocasião das eleições com orientações aos fiéis leigos e leigas para que tenham

conhecimento do que é política e,

assim, exerçam seu dever democrático de cidadãos”, disse o bispo.

Para refletir sobre este tema tão

importante, a Revista Panorama ouviu o Arcebispo Metropolitano da

Arquidiocese de Vitória, Dom Luiz

Mancilha Vilela. Para ele, sejam can-

federais, entre outros cargos. O

consideração na hora de escolher seus candidatos?

Dom Luiz: Diante dessa pergunta, convido a voltarmos à missa de

abertura da Campanha da Frater-

nidade na Arquidiocese de Vitória, quando o salmista cantou: “ver-

dade e o amor são os caminhos do Senhor”. A verdade da Igreja

Católica está contida nessa expres-

são do salmista. O voto tem que ser expressão da consciência de que verdade e amor são os caminhos do Senhor.

didatos ou eleitores, ninguém deve

O país tem um corpo político cada

nhe abaixo a entrevista exclusiva:

los de corrupção. O que caberia

conviver com a mentira. Acompa-

Panorama: Neste ano haverá elei-

ções para a escolha do presidente

vez mais envolvido em escândaaos cristãos para combater essa corrupção?

a sociedade brasileira foi formada são expressão da sociedade. Na

sociedade existem pessoas éticas e

pessoas sem ética. Cabe-nos agora, imediatamente, discernir quem

tem compromisso com a ética e a

moralidade no país e votar nesses que estão comprometidos. Em

segundo lugar formar cidadãos

para o presente e para o futuro sob a bandeira da ética e da justiça, ou seja, formar cidadãos conscientes de que “verdade e amor são os caminhos do Senhor”.

Muitas vezes a sociedade não tem um comportamento tão solidário, nem um olhar tão voltado ao pró-

ximo. O senhor acha que a mudança dos políticos começaria com a mudança da sociedade?

A mudança da sociedade inclui a

mudança dos políticos, isto é, cada um precisa mudar. Quem elege os

políticos é a sociedade. Portanto, ao acusar os políticos, acusamo-nos.

Para construir uma sociedade nova, homens e mulheres novos.

Confira a nota da CNBB na íntegra sobre o momento político brasileiro:

“Aprendei a fazer o bem, buscai o

que é correto, defendei o direito do oprimido” (Is 1,17)

A Conferência Nacional dos Bis-

pos do Brasil-CNBB, através de seu Conselho Permanente, reunido

em Brasília de 24 a 26 de outubro

de 2017, manifesta, mais uma vez,

Para o Arcebispo de Vitória, Dom Luiz, é

preciso que sociedade e políticos mudem juntos para que o país possa progredir

31

REVISTA PANORAMA

CONSCIÊNCIA CRISTÃ

Leonardo Steiner, explica que o


CONSCIÊNCIA CRISTÃ

CNBB: “Incentivamos a população a ser protagonista das

mudanças que o Brasil precisa, manifestando-se, de forma pacífica, sempre que seus direitos e conquistas forem ameaçados”

sua apreensão e indignação com

A apatia, o desencanto e o desin-

nizado, no exercício de sua cidada-

crescer dia a dia no meio da po-

banindo de seu meio aqueles que

a grave realidade político-social

teresse pela política, que vemos

população quanto as instituições

pulação brasileira, inclusive nos

vivida pelo País, afetando tanto a brasileiras.

movimentos sociais, têm sua raiz mais profunda em práticas polí-

nia, é capaz de purificar a política, seguem o caminho da corrupção

e do desprezo pelo bem comum. Incentivamos a população a ser

Repudiamos a falta de ética, que há

ticas que comprometem a busca

talada em instituições públicas, em-

interesses particulares. Tais práticas

-se, de forma pacífica, sempre que

cidadãos que parecem não mais

ameaçados.

décadas, se instalou e continua ins-

presas, grupos sociais e na atuação de inúmeros políticos que, traindo a missão para a qual foram eleitos, jogam a atividade política no des-

crédito. A barganha na liberação de emendas parlamentares pelo

Governo é uma afronta aos brasilei-

do bem comum, privilegiando

ferem a política e a esperança dos

acreditar na força transformadora e

protagonista das mudanças de

que o Brasil precisa, manifestando-

seus direitos e conquistas forem

renovadora do voto. É grave tirar a

Chamados a “esperar contra toda

atentos, pois, situações como esta

que Deus não nos abandona, con-

esperança de um povo. Urge ficar

esperança” (Rm 4,18) e certos de

abrem espaço para salvadores da

tamos com a atuação dos políticos

cursos da saúde, da educação, dos

talismos que aumentam a crise e

do o bem comum.

Sistema Único de Assistência Social

mais pobres, além de ameaçar a de-

Nossa Senhora Aparecida, Padroei-

ros. A retirada de indispensáveis re-

programas sociais consolidados, do

pátria, radicalismos e fundamen-

o sofrimento, especialmente dos

(SUAS), do Programa de Cisternas

mocracia no País.

pobreza de milhões de pessoas. O

Apesar de tudo, é preciso vencer

sociedade brasileira é grave.

reação do povo, consciente e orga-

no Nordeste, aprofunda o drama da divórcio entre o mundo político e a

a tentação do desânimo. Só uma

32

REVISTA PANORAMA

que honram seu mandato, buscan-

ra do Brasil, anime e encoraje seus filhos e filhas no compromisso de

construir um País justo, solidário e fraterno.


PRIVILEGIE NOSSOS PARCEIROS NA EVANGELIZAÇÃO


Félix Falcão/PMVV

COMUNIDADE

USO SUSTENTÁVEL DA ÁGUA AINDA É DESAFIO NO BRASIL DIA MUNDIAL DA ÁGUA VAI DEBATER AS SOLUÇÕES NATURAIS PARA OS PROBLEMAS HÍDRICOS

S

ensibilizar as pessoas que o

Desde que foi criado pela ONU, em

trutura verde, além de reconectar

preservação da água e de seus

da Água tem apresentado discus-

librar o ciclo desse bem precioso

futuro no planeta depende da

ciclos, para proteção e necessidades de ordem econômica, sanitária e

social, faz parte da Declaração Uni-

versal dos Direitos da Água proposta

pela Organização das Nações Unidas (ONU).

22 de março de 1992, o Dia Mundial sões a cada ano para reduzir as

problemáticas dos danos ambientais e mudanças climáticas que geram

crises relacionadas à água. Para tanto, ainda é necessário o plantio de

novas florestas e investir em infraes-

34

REVISTA PANORAMA

rios às planícies alagadas, reequipara melhora da saúde humana e dos meios de subsistência da população.

Um dos maiores desafios da atualidade é conscientizar as pessoas


COMUNIDADE

para o bom uso do meio ambiente.

da Coordenação de Saneamento

ele, a medição por unidade gera

impactos negativos à natureza

taria de Meio Ambiente da Secreta-

“Algumas pesquisas indicam que os

Algumas ações do homem causam como o descarte de resíduos em locais impróprios e o consumo

elevado de fontes hídricas além da precariedade de conservação.

Na análise do presidente da Cesan, Pablo Andreão, houve uma adaptação a uma nova realidade de

consumo e hábitos mais conscien-

Ambiental (CSA) ligada à subsecreria Municipal de Desenvolvimento Sustentável (Semdensu), vem

realizando diagnóstico e vistoria

das nascentes do município assim

como tem feito uma ação de educação ambiental junto às comunidades.

de água, coletamos e tratamos

natureza também foi beneficiada

O uso racional da água vem se tor-

árvores”, ressalta.

entre as construtoras. É o caso da

distribuímos 135 bilhões de litros 60 bilhões de litros de esgoto e a

com o plantio de 13.143 mudas de

Andreão garante que é de funda-

mental importância os moradores

se ligarem à rede de esgoto implan-

medidores individuais de água por apartamento geram economia de, no mínimo, 17% para o condomí-

nio. A medida por si só não reduz o consumo, mas induz a uma maior

conscientização do morador, já que cada um tem acesso ao seu gasto

e paga pelo que consome”, afirma

Construtoras investem em empreendimentos mais sustentáveis

tes têm sido observados. “Em 2017,

economia para todo o prédio.

nando uma preocupação crescente Galwan que, em tempo de crise

hídrica, está investindo em algumas medidas para economizar dentro

Galvêas.

Outra medida já adotada nos hotéis construídos é o aproveitamento de água pluvial nos jardins das áreas

comuns e o reaproveitamento de

água dos chuveiros e da drenagem pluvial para descarga nos banheiros. Galvêas adianta, ainda, que a ideia é investir cada vez mais em sustentabilidade, com aprovei-

tamento maior da água nos empreendimentos residenciais.

tada pela companhia. Ele também relata a realização da mobilização

social, que envolve parcerias com a

A construtora Canal também vem

civis para universalizar o atendi-

preendimentos sustentáveis para

investindo desde 2016 em em-

administração pública e entidades

o reaproveitamento de água. O

mento na região metropolitana.

empresário Patrick Klein Canal con-

“Tratar o esgoto onde é gerado,

devolvendo ao meio ambiente o

recurso hídrico retirado com me-

lhor qualidade, garantindo que rios, lagos e mananciais fiquem limpos

são ações necessárias para assegu-

José Luís Galvêas destaca que medição por unidade gera

economia para todo o condomínio

rar que as gerações futuras possam

dos empreendimentos residenciais,

vida”, avalia.

De acordo com o diretor-presiden-

usufruir desse recurso essencial à

Com o intuito de conscientizar

sobre a importância da preserva-

ção das 36 nascentes, a Prefeitura Municipal de Vila Velha, por meio

corporativos e também nos hotéis.

te da construtora, José Luís Galvêas

Loureiro, todos os condomínios são equipados com bacias sanitárias de

duplo fluxo e medidores individuais de água por apartamento. Segundo

35

REVISTA PANORAMA

O empresário Patrick Canal

afirma que a construtora vem investindo desde 2016 em

empreendimentos sustentáveis


COMUNIDADE

ta que, no projeto do edifício Costa

nomizar água potável. “Com essa

captada para caixas d’água que

para captação da água da chuva e

para limpeza, regar o jardim e na

das em potável e água de reuso, e

do Havaí, o telhado era pequeno

então optaram pelo ar-condiciona-

do. Estima-se, segundo Patrick, que um aparelho de ar-condicionado

medida, podemos utilizar no pilotis manutenção geral do condomínio”, pontua.

emita cerca de 800ml de água/

Preocupada com o futuro, a Canal

grande para ser utilizado e eco-

seus projetos, bombeando a água

hora, podendo gerar um volume

são devidamente compartimentaainda podem ser utilizadas especificamente em bacias sanitárias.

já está aprimorando o sistema em

Reservas limitadas, economia e preservação Comprometida em oferecer solu-

bém uma cisterna menor com capa-

sanitário. As válvulas do tipo pres-

de água, a empresa Grunner tem

água da máquina de lavar”, explica.

devido ao elevado consumo de

ções sustentáveis com a reutilização implantado sistemas de reuso da

cidade de 150 litros para retorno da

água. Para o engenheiro Renato Pi-

O engenheiro esclarece que o in-

e que pode ser implementada em

imediato, reduzindo o consumo de

mentel, a solução mais simplificada residências, condomínios e postos lava-jato são as cisternas com o

smart filtro para reuso da água da

chuva, instaladas diretamente nas calhas dos telhados. “Temos tam-

vestimento traz retorno financeiro

água potável da Cesan em até 50%. Para economizar água em casa, a

recomendação é que o consumidor residencial atente primeiramente ao sistema de descarga do vaso

são estão cada vez mais em desuso água (10 litros ou mais) e dificuldade na manutenção. As instalações

mais modernas são oferecidas com caixas acopladas com duplo acio-

namento para limitar a utilização de água em cada descarga.

Além disso, Renato orienta que é preciso ter atenção para evitar o

desperdício na duração do banho,

pois, a cada minuto o consumo de água varia de 6 a 25 litros. Con-

forme a Organização Mundial de Saúde (OMS), a recomendação é

que 5 minutos seja a duração ideal

para garantir um uso sustentável de água e energia. Nas demais torneiras a orientação é identificar qual-

quer tipo de vazamento que possa

ocorrer. Outra solução é a utilização de arejadores que misturam a água com o ar, que proporciona uma O engenheiro Renato Pimentel tem

implantando sistemas de reuso da água da chuva nas calhas dos telhados

36

REVISTA PANORAMA

sensação de maior volume de água e maior conforto no uso da mesma com menor consumo.


DEVOCIONAL

PROCISSÃO DO ENCONTRO E PROCISSÃO DO SENHOR MORTO UM ENCONTRO NO CAMINHO DA CRUZ E DA DOR

D

urante a Semana Santa

celebram-se os sagrados

mistérios da Paixão, Morte

-se as procissões do Encontro e do Senhor Morto.

e ressurreição do Senhor, encarna-

Durante a primeira, medita-se sobre

vitória sobre a morte, dar a todos

no caminho para o Calvário. Maria

do para, no martírio da cruz e na

os homens a graça da salvação. A

Semana Santa inicia-se no Domingo de Ramos e termina no dia da

Páscoa, Domingo da Ressurreição. Dentre os vários momentos cele-

brativos desse período, destacam-

tamanha dor? Seu filho santo, Deus,

carregando nas costas a cruz de Seu suplício!

o encontro de Jesus com sua mãe

Certamente, ela se lembrou da

foi ao encontro de Jesus, carregado

ao encontrar seu filho na sinagoga

do peso da cruz. Ela o vê desfigurado e entregue, coberto de feridas

e ensanguentado. Seus olhares se

cruzam. Nenhuma queixa sai de sua boca. Que mãe poderia aguentar

38

REVISTA PANORAMA

espada e das palavras de Simeão, de Nazaré, discursando entre os

doutores: “Eis que este menino será causa de queda e reerguimento de muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. Quanto a ti, uma


DEVOCIONAL

espada traspassará a sua alma”. (Lc2, 34-35). A união da grande dor de Jesus e de Maria nesse encontro

tem sido a força de tantos mártires e mães aflitas. Certamente a dor

humilha, mas é nessa humilhação que Deus edifica, corrige, cura e

santifica. Jesus e Maria ensinam a

aprender a sofrer em silêncio, como eles sofreram no doloroso encontro no caminho do Calvário.

Esse fato ficou tão marcado na vida do povo católico, que tanto ama

sua mãe e seu filho, que não deixa de celebrar esse momento com

uma procissão na Semana Santa.

Mãe e Filho se encontram nas ruas das cidades ou em alguma praça onde o povo pode reviver esse

santo acontecimento. É um mo-

mento de profunda reflexão sobre

seus filhos, apenas com seu olhar materno, sem nenhuma palavra.

as dores da mãe de Jesus, desde

Outro momento sagrado da Sema-

na cruz. Jesus sofreu a Paixão e a

Morto pelas ruas. Ocasião de me-

o seu nascimento até a sua morte Virgem sofreu a compaixão por nós.

É o momento emocionante do olhar da mãe que sofre e o olhar do Deus Misericordioso.

O encontro de Jesus com sua Mãe

no caminho do Calvário representa

o encontro da humanidade com seu Deus, encontro que passa pelo mis-

tério da cruz. Esse momento lembra aos cristãos que podem, então, clamar a consoladora presença da Virgem Maria, que quer estar sempre

presente nos momentos de tristeza, solidão e dor, para que assim como

fez com Jesus, possa interceder por

na Santa é a procissão do Senhor

ditação sobre o sacrifício de Jesus pela humanidade. Como Ele foi

levado ao sepulcro à tarde, os fiéis

meditam nesse caminho de Nossa

Senhora carregando o corpo morto de seu Filho à sepultura. Durante a

procissão predomina o silêncio, a luz das tochas e das velas que os fiéis

levam e o som das matracas. Cristo mostrou que a sua palavra não era

apenas uma palavra vazia, mas era a expressão de uma convicção que o levou a ser coerente até a morte. Apesar da cerimônia caracterizar

a morte de Jesus, a principal men-

sagem da procissão é a esperança. A vida é mais que a morte, porque o amor vence. Cristo vencedor da

morte. “Ó morte! Onde está tua vitória”? Jesus deu a sua vida por todos

na cruz. Por isso, os cristãos católicos escolhem exatamente essa hora

da tarde para ouvir a sua Palavra e

rezar, meditar, agradecer o dom da salvação que Ele trouxe.

A morte de Cristo deve servir de

exemplo. Ele foi capaz de dar sua

vida pela humanidade e, diante desse gesto, deve-se também ser capaz de dar mais atenção às pessoas,

especialmente aos mais pobres e

necessitados. Celebrar a paixão e a

morte de Jesus é entender que esse sacrifício continua em cada irmão

que sofre. É reforçar o sentimento

de seguir os passos de Jesus Cristo todos os dias.


EXEMPLOS DE VIDA

Sr Paschoal (ao centro) era muito atuante na

Igreja. Participou de todas as edições das Missões Populares e inspirou, com seu exemplo, seus familiares a fazerem o mesmo

A FÉ QUE SE VIVE

PAROQUIANOS DÃO TESTEMUNHO DE COMO O ENVOLVIMENTO NA IGREJA MUDOU SUAS VIDAS

D

urante este ano, a Igreja

dos com o projeto de Cristo.

idoso. Cada um, à sua maneira,

celebra o Ano do Laicato.

Diferentemente da editoria Per-

leigos da Paróquia Nossa Senhora

Católica em todo o mundo

O tema já apareceu em edições

anteriores da Revista Panorama,

contudo, a partir deste mês o leitor encontrará nesta nova editoria

um espaço a mais para discutir o

assunto. “Exemplos de Vida” tem o objetivo de trazer histórias de pa-

roquianos engajados na Igreja que, com o seu servir, são verdadeiros

exemplos de leigos comprometi-

sonagem, em que o foco é a vida

como um todo da pessoa retratada, neste espaço o enfoque é na relação do cristão com a Igreja e

de que forma o seu envolvimento com o servir em sua comunidade

é um “exemplo de vida” entre os do Perpétuo Socorro. Confira!

Catequizando pelo exemplo

mudou sua vida e das pessoas que

Perda recente muito sentida pela

ra matéria, a Panorama traz dois

Souza dedicou boa parte dos seus

estão perto dele. Nesta primei-

extremos: uma adolescente e um

40

REVISTA PANORAMA

Paróquia, o senhor Paschoal de

93 anos à Igreja. Seu envolvimento


EXEMPLOS DE VIDA

com as comunidades se deu há

mais de 40 anos, quando elas ainda eram subordinadas à Paróquia

Nossa Senhora do Rosário. “O vovô

foi ministro da Eucaristia, fazia visita aos doentes no Crefes, participou da equipe de batismo, do Apostolado da Oração, do Terço dos

Homens, foi da equipe do dízimo, integrava a equipe que dirigia

as celebrações eucarísticas e foi

ministro da Palavra. Ele ajudou na

construção do projeto Santa Clara, sempre foi amigo do Seminário

de Vitória e das Irmãs Carmelitas, em Cariacica. O vovô participou

de todas as edições das Missões

Populares na casa das famílias da

Paróquia”, destaca a neta Miriam. Entre as coisas que Paschoal mais

Envolvido em muitas atividades,

gostava em sua relação com a Igreja era

Miriam lembra que o que ele mais

participar das missas

gostava na Igreja era de participar

da missa. “Se ele pudesse participaria todos os dias. Enquanto espe-

cante. Ir à missa, pelo menos aos

tipos de câncer que meu irmão

terço, sua marca registrada como

um compromisso independen-

últimos 26 dias de vida dele), o

rava o início da missa, ele rezava o grande devoto de Nossa Senhora”, conta. A neta do paroquiano fala

que o exemplo de Paschoal influen-

ciou a relação de toda a família com

domingos e dias de preceito, era temente de onde estivéssemos,

viajando ou não, com ou sem visita em casa”.

a fé e a Igreja.

Para ela, a relação do avô com a

“O vovô e a vovó sempre nos

própria relação com Deus. E a re-

educaram dentro dos princípios e doutrina da Igreja Católica. Na

nossa infância e adolescência eram responsáveis por nos guiarem pela catequese, crisma e participação

nas missas. Depois que crescemos, o exemplo deles sempre foi mar-

Igreja era um dos reflexos de sua

lação dele com Deus e com Nossa Senhora sempre foi o norte e a

força de toda a família nos recomeços da vida.

“Independentemente dos motivos que nos afligiam (como os dois

41

REVISTA PANORAMA

enfrentou em 2016 e também os vovô sempre se manteve sereno, firme na oração, em silêncio e

resignado com a vontade de Deus. Sempre que reclamávamos de al-

guma coisa ou de alguma dor, ele nos ouvia calmamente e depois dizia: ‘Ofereça essa dor a Cristo,

porque Ele sofreu muito mais por nós na Cruz’. Ele não só dizia isso,

mas suas atitudes e sua resignação nos mostravam que ele acreditava firmemente nisso com a própria vida”, aponta Miriam.


EXEMPLOS DE VIDA

A Igreja como fonte de amigos

ticipei do meu primeiro dia na PA

coisa: leio as preces, participo do

A adolescente Andressa Ramos

da Pastoral, vivi algo maravilhoso

que me trouxe muita paz no meu

também dos Encontros de Ado-

Tesch D’assumpção foi incentivada

pelos pais a ingressar na Pastoral do Adolescente (PA) em 2016. “No iní-

fui muito bem recebida pelos tios

coração. Desde então, tenho me envolvido cada vez mais”, conta.

cio, foi uma forma que eles encon-

Nas atividades semanais, Andressa

me sentia muito só, sem amigos da

de animação. “Na missa dos ado-

traram para me fazer feliz, pois eu

minha faixa de idade. Quando par-

ofertório e da acolhida. Participo

lescentes com Cristo (EAC) e estou

fazendo a catequese do Crisma. Me

sinto uma pessoa muito importante para Deus”, acrescenta.

é presença constante na equipe

Ela conta que sua participação no

lescentes eu sempre faço alguma

seu lugar na Igreja”. “Foi um en-

EAC permitiu que encontrasse “o contro com Deus. Senti o amor

dEle agindo na minha vida e está

sendo maravilhoso. O seu toque de carinho me faz sentir a pessoa mais querida do mundo, não que eu

não seja, sei que sou muito amada pelos meus pais, mas esse amor

foi diferente. Esse toque me trouxe uma paz espiritual e me fez perceber que tudo na minha vida foi e ainda é um projeto de Deus”. Incentivada pelos pais, Wilsana e Carlinhos,

Andressa ingressou na PA e hoje é muito atuante nas ações da Igreja

Portadora de uma doença rara,

a Síndrome de Williams-Beuren,

Andressa lembra que foi vítima de preconceito e se sentia rejeitada,

tendo algumas dificuldades na vida social em razão disso. “Por não ter oportunidade de me expressar e

mostrar aquilo que sou, a intolerância das pessoas e o preconceito me intimidam pelo fato de eu ser uma menina especial. Sou uma menina

de personalidade amigável e muito

sensível. Sempre gostei de viver próximo das pessoas e de compartilhar

aquilo que tenho de mais valor, que

é o meu carinho e amor por todos e pela vida. Esse é o exemplo que eu

quero dar com o meu envolvimento na Igreja”, conclui.

42

REVISTA PANORAMA


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Revista Panorama - março 2018  
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