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ODONTO NORDESTE | ABO-CE ISSN 25264532

Ano IX - Número 16 - Maio / Jun / Jul de 2018 www.abo-ce.org.br

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VI CONGRESSO INTERNACIONAL DE ODONTOLOGIA MOVIMENTA A CAPITAL CEARENSE EM MAIO (pág.20)

#Vidadedentista

Artigo Científico

Educação

Tudo sobre o dia a dia da Odontopediatra conhecida como a “encantadora de crianças”(pág. 29)

Acadêmicos abordam benefícios estéticos e funcional do tratamento precoce da mordida cruzada (pág. 32)

UNIABO é destaque no aperfeiçoamento profissional em Odontologia (pág. 48)


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Expediente

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- Revista Odonto Nordeste ISSN 25264532 Contato: contato@nsfpublicacoes.com.br

Editorial A Odonto Nordeste chega à sua 16ª edição dando destaque especial ao CIOCE, que, de 18 a 22 de maio, reúne a comunidade Odontológica para o VI Congresso Internacional de Odontologia do Ceará. Profissionais e acadêmicos de todo o Brasil, além de grandes empresas, estarão juntos na busca por experiências e novos aprendizados. Produtos e iniciativas inovadoras também serão apresentados diretamente aos cirurgiões-dentistas presentes. Serão quatro dias de atividades intensas, com vasta programação e a presença confirmada de mais de 40 palestrantes. A revista traz também duas matérias sobre o desenvolvimento e a excelência dos cursos de especialização da UNIABO. A instituição educacional revelou-se, ao longo dos anos, como grande parceira dos dentistas que optam por aperfeiçoamento técnico de qualidade. Em entrevista à Odonto Nordeste, o Professor Dr. Lécio Pitombeira faz um balanço das atividades da UNIABO e reforça a importância da organização. Outro destaque é o Curso de Aperfeiçoamento em Ortodontia Preventiva, pioneiro no Ceará. O contexto educativo e acadêmico sempre ganha espaço na publicação, que reúne ainda importantes artigos científicos e casos clínicos. Nesta edição, os “Benefícios estético e funcional do tratamento precoce da mordida cruzada” e o “Uso de Dentina Autógena como material complementar em enxertos ósseos para implantes dentários”. Desejamos a você uma excelente leitura!

- Associação Brasileira de Odontologia - Seção Ceará Rua Gonçalves Lêdo, 1630 - Joaquim Távora CEP 60.110-261 - Fortaleza - Ceará Fone: (85) 3311 6666 | www.abo-ce.org.br | revistaodontonordeste@ gmail.com - Presidente: José Emilson Motta Barros de Oliveira Júnior - Vice-Presidente: Perboyre Gomes Castelo Júnior - Secretário Geral: Elis Regina Vasconcelos Farias Aragão - 1º Secretário: Ivany Soares de Sousa - Tesoureiro Geral: José Maria Sampaio Menezes Júnior - 1º Tesoureiro: Benício Paiva Mesquita - Diretor Científico: José Bonifácio de Sousa Neto - Diretor Social: Rochelle Correa de Alencar - Diretor de Assuntos Políticos e Assistência: Fernando Henrique Goersch Bastos - Diretor de Sede de Patrimônio: Antônio César Josino Rodrigues - Diretor de Esportes: Felipe Martins Leite - Diretor de Biblioteca: Abrahão Cavalcante Gomes de Souza Carvalho - Diretor de Informática: João Paulo Viana Braga - Diretor de Clínica: Ana Valéria Onofre Cruz - Diretor de Divulgação: Davi Oliveira Bizerril - Diretor Acadêmico: José Tarciso Sindeaux Gurgel Neto - Editora e Jornalista Responsável: Jocasta Pimentel Araújo MTB - 2823/CE (85) 3253.1211 assessoria@nsfpublicacoes.com.br - Projeto gráfico e Editoração: Tiago dos Santos Souza (85) 3253.1211 designer@nsfpublicacoes.com.br - Imagens: Arquivos Autores e outros. - Publicidade – Gerentes de Contas: Evaldo Beserra (85) 3253.1211 comercial@nsfpublicacoes.com.br Ligiane Viana (85) 3253.1211 comercial2@nsfpublicacoes.com.br - Atendimento: Marcelo Bezerra da Silva (85) 3253.1211 contato@nsfpublicacoes.com.br - Marketing: Emanuel Costa (85) 3253.1211 comunicacao@nsfpublicacoes.com.br - Financeiro: Renato Alves (85) 3253.1211 contato@nsfpublicacoes.com.br - Periodicidade: Trimestral Tiragem: 10.000 exemplares - Impressão: Pouchain Ramos Gráfica e Editora (85) 3231.3219 – www.pouchainramos.com - Distribuição: Gratuita - Responsável pela Publicação: NSF Publicações Av. Santos Dumont, 1343, sala 806, Edifício Centro Empresarial Mendonça Aguiar – Bairro Aldeota – Cep: 60.150-161 (85) 3253.1211 contato@nsfpublicacoes.com.br - Revista Odonto Nordeste: É uma publicação da NSF Publicações em parceira com ABO-CE A Revista Odonto Nordeste não se responsabiliza pelos serviços e produtos de empresas que anunciam neste veículo de comunicação, as quais estão sujeitas às normas de mercado e do Código de Defesa do Consumidor. Os conceitos e opiniões emitidos em artigos assinados são de inteira responsabilidade dos autores. É permitida a reprodução dos artigos não científicos desde que citada à fonte. Os artigos científicos ficam sujeitos à autorização expressa dos autores.


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Sumário

06 - Entrevista

40 - Educação

Com Dra. Kennia Botelho

Ortodontia Preventiva da UNIABO

Cirurgiã dentista, Dra. Kennia Botelho fala sobre experiência como palestrante em Harvard.

Curso de aperfeiçoamento em Ortodontia Preventiva da UNIABO é pioneiro no Ceará.

12 - Relato de Caso

42 - Relato de Caso

Uso de Dentina Autógena

Clareamento dental com gel

Uso de Dentina Autógena como material complementar em enxertos ósseos para implantes dentários

Clareamento dental com gel de peróxido de hidrogênio Pola Office Bulk

20 - Capa

48 - Educação

VI CIOCE, em Fortaleza

A importância da instituição educativa

Grandes nomes da Otontologia devem movimentar o VI CIOCE, em Fortaleza.

Prof. Dr. Lécio Pitombeira faz um balanço das atividades da UNIABO e destaca a importância da instituição educativa.

29 - #Vidadedentista

51 - Relato de Caso

Dra. Aline Morais

Fibrina como aditivo bioativo

A odontopediatra Dra. Aline Morais explica como manter a saúde bucal das crianças.

O uso da fibrina como aditivo bioativo para a cirurgia de levantamento de sio maxilar

32 - Artigo Científico Tratamento precoce da mordida cruzada Acadêmicos destacam os benefícios estético e funcional do tratamento precoce da mordida cruzada.


ENTREVISTA

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ENTREVISTA

KENNIA BOTELHO Arquivo pessoal.

Cirurgiã dentista e pesquisadora brasileira ressalta Odontologia Integrativa em Harvard Kennia Botelho Cirurgiã Dentista / Pós Graduada em Estética Restauradora pela ABO

A cirurgiã dentista brasileira, Kennia Botelho que já ministrou duas palestras em Harvard conta como foi a experiência e adianta que deverá voltar aos EUA em novembro de 2018. Dra. Kennia Botelho esteve, nos Estados Unidos no ano passado, para ministrar duas palestras na Harvard Medical School. Ela contou à Revista Odonto Nordeste como foi o contato com os professores e alunos da instituição e avaliou como o mercado e a academia brasileira estão situados no

contexto internacional quando o assunto é Odontologia. Odonto NE - Dra. Kennia, quais temas foram destaques nessas ocasiões, em Harvard? Dra. Kennia - Em Harvard, no mês de abril de 2017, tive o prazer de estar junto a um ex-

celente grupo da odontologia e da medicina. Éramos brasileiros, norte-americanos e europeus, em uma conferência de estética orofacial e na ocasião ministrei palestra sobre “Autólogos Sanguíneos: Otimizando resultados na Estética Orofacial” e no mesmo ano, em novembro, retornei pela Interna-


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tional Academy of Orofacial Harmonization com o tema “Manutenção da Homeostase Sanguínea: Em Busca do Material Rejuvenescedor Perfeito”. Esses temas introduziram um conceito mais amplo sobre estética dentro da nova abordagem odontológica que tem sido a Harmonização Orofacial. Algo mais abrangente que fez os presentes processarem inclusive soluções de dúvidas como: por quê a ação da toxina botulínica tem durado tão menos e apresentado resultados tão variados mesmo mediante protocolos iguais?

ENTREVISTA

Vivemos uma odontologia mais completa do que nunca....”

mundo todo à distância de um “clic”. Lembro- me do tempo universitário onde pegávamos livros nas bibliotecas com tempo de devolução e com possibilidades somente de cópia xerox. Dias em que a papelada nos consumia tempos de sono junto a rascunhos precários e feitos de forma falha obtidos de conversas com professor em sala de aula que sempre

tinham de ser conferidas com outras anotações de colegas a fim de conseguirmos uma conexão entre as informações. Aulas práticas com material físico bem restrito e variável de uma escola para outra, dandonos maior ou menor oportunidade de aprendizado visual e tático. Hoje, não mais vemos isso. Se antes já tínhamos uma notável formação do cirurgião

Odonto NE - Como a senhora avalia a academia e o mercado brasileiro no contexto da Odontologia Integrativa?

Arquivo pessoal.

Dra. Kennia - Vivemos uma odontologia mais completa do que nunca. Temos recursos de informação cada vez mais rápidos e atualizadíssimos. A internet integrando escolas do


ENTREVISTA

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Harvard Medical School

dentista brasileiro, agora então, com tantos recursos informatizados e a anulação da distância e do isolamento entre o pensamento científico, vislumbro exemplares ainda mais brilhantes desse que já era reconhecido como o melhor do mundo, por seu tempo de aprendizado clínico e prático não só de cunho universitário como também de vivência clinica diária (visto ser o Brasil um país eclético em raças e culturas). Com uma odontologia tão bem embasada como a que possuímos no Brasil, talhando profissionais que em 4 ou 5 anos, dependendo da universidade, aprendem o todo do corpo humano e dedicamse à área do trato do aparelho digestivo com ênfase buco-fa-

cial, como base fundamental de sua operação diária, e ainda com práticas desde os primeiros meses de sua formação (e que considerando desde a dieta do paciente até sua situação sócio econômica, o cirurgião dentista brasileiro é forjado um “adequador” da saúde física e da reintegração social do paciente ao restaurar sua auto estima e condições primárias de subsistência em conseguir mastigar o alimento que lhe chega a boca. Era de se esperar que seria esse mesmo o curso natural dos acontecimentos. Dentre embasamento, destreza artística, vastidão clínica, a odontologia integrou seus conhecimentos a entendimentos nem sempre

novos para otimizar ainda mais seus objetivos de assessorar o ser humano na excelente experiência que é viver mais e melhor, ou seja, aliar longevidade com saúde. Hoje, o cirurgião dentista pode mesmo se superar todos os dias embasado em uma odontologia rica e profunda cientificamente, com o melhor do que há nessa terra para se cuidar da existência de maneira digna: ozônio, autólogos, conhecimento em Biocibernética bucal, posturologia, nutrigenômica, fitoterapia e Terapia Neural odontológica. Isso tudo associado a sua fundamentada formação em ciências médicas e biológicas faz com que a Odontologia Nacional esteja hoje realmente no topo da lista das profissões de melhores


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perspectivas de crescimento e realização profissional ao olhar dos melhores indexadores desse assunto em todo o mundo. Odonto NE - Por quê cada vez mais temas ligados a “Odontologia Integrativa” e à “Harmonização Orofacial” ganham espaço na Odontologia? E qual a necessidade dos profissionais estarem atualizados sobre essas temáticas? Dra. Kennia - Eis-nos aqui! Vimos e veremos ainda o melhor de nossa odontologia quando nos esforçamos a esse novo conceito. Algo mais amplo e “costurado”, afunilando os diagnósticos de forma mais

correta e cada vez menos invasiva, uma odontologia que embora científica tem um cunho intuitivo e investigativo muito mais eficiente do que o aspecto técnico antes proposto. Somos mesmo muito técnicos pela arte que nos conduz, porém somos incrivelmente profundos em ciência e a união destas duas capacidades natas do cirurgião dentista o impelem a Harmonização Orofacial de forma óbvia e natural. A Orofacial está descobrindo na integrativa, outras formas de alcançar o mesmo resultado e ainda mais. O cirurgião dentista que despertar-se a isso sairá na frente. Agregar conhecimentos de disciplinas

interligadas entre si em prol da saúde e bem estar é obrigação de todo profissional de saúde e faz parte de nosso juramento de formando e ainda de nosso código de ética. Não há como barrar o crescimento da ciência e nem a competência de um ser humano que se dá em benefício da mesma e de seus iguais. Nesse ano, em 06 e 07 de setembro estaremos novamente em Harvard pela São Leopoldo Mandic, em um congresso internacional de Implantodontia e Harmonização Orofacial e outra vez, no dia 26 de novembro, pela IAOH para novas interações profissionais de divulgação da odontologia com caráter integrativo.

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ENTREVISTA


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RELATO DE CASO

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USO DE DENTINA AUTÓGENA COMO MATERIAL COMPLEMENTAR EM ENXERTOS ÓSSEOS PARA IMPLANTES DENTÁRIOS Relato de caso Use of Autogenous Dentin as complementary material in bone grafts to dental implants: a case report Alexandra Ribeiro Schreen Lécio Pitombeira Pinto

RESUMO Nas últimas décadas, diversos materiais e técnicas têm sido utilizados para o aumento de rebordo alveolar visando a reabilitação através de implantes em maxilas e mandíbulas parcial ou completamente edêntulas. Na busca de um material alternativo que apresentasse as características ideais de um substituto ósseo, diversos autores observaram as semelhanças entre osso e dentina. A literatura mostra que muitas são as vantagens da dentina

para este fim, principalmente quando se considera a sua biocompatibilidade (é autógena) associada ao seu potencial osteoindutor e osteocondutor, além do baixo custo. Outro fator que encoraja seu uso seria a menor morbidade da área doadora quando comparada ao enxerto com osso autógeno. Além disso, a dentina autógena não oferece risco de transmissão de doenças quando comparada aos enxertos alógenos. O objetivo deste trabalho foi

realizar um relato de caso clínico de uma cirurgia para ganho de estrutura óssea na região anterior de maxila, utilizandose dentina autógena associada a Bio-Oss, osso autógeno e fibrina rica em plaquetas (PRF), com posterior instalação de implantes na região. Palavras-chave: Enxerto de dentina, dentina autógena, enxerto ósseo, BMPs.


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ABSCTRACT In the last few decades, a great amount of materials and techniques have been used for alveolar ridge augmentation aiming the rehabilitation of partial or totally edentulous jaws with dental implants. In search of an alternative material that had the ideal features and could be used as bone substitute, several authors observed the similarities between bone and dentin. The literature has highlighted the advantages of dentin as bone graft material, especially lowcost treatment, different from alloplastic materials, known for their high prices, and the reduced morbidity related to donor

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RELATO DE CASO

sites when compared to autogenous bone graft, associated with their osteoconductive issues. Furthermore, the transmission of infection and other diseases should always be considered when using allograft material, which does not happen with autogenous dentin. The purpose of this study was to perform a case report of a graft surgery in an atrophic maxilla where we used autogenous dentin associated with Bio-Oss®, autogenous bone and Platelet Rich Fibrin to allow dental implants installation. Key Words – dentin bone graft, autogenous dentin, bone graft, BMPs.

INTRODUÇÃO Após as perdas dentárias, o osso alveolar deixa de ser estimulado funcionalmente ocasionando um processo de reabsorção devido à ação maior dos osteoclastos em relação à dos osteoblastos. Segundo Mazzoneto1, o processo de reabsorção é progressivo, irreversível, crônico e cumulativo. Há perda de aproximadamente 2 a 5 mm de altura nos 6 primeiros meses e, após 12 meses, perda de até 50% da altura do rebordo2.


RELATO DE CASO

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A reconstrução óssea é um procedimento necessário nos casos em que se pretende reabilitar essas regiões onde houve grande perda óssea. Ostegênese, osteoindução e osteocondução são características desejáveis do material a ser utilizado como substituto ósseo na regeneração óssea e processos de reparação. Considera-se que um material seja osteogênico quando ele apresenta a capacidade de formar osso por si só, sem depender das células do leito receptor, para tanto necessita transferir, junto de si, células vivas, (osteoblastos e células osteoprogenitoras) como é o caso do osso autógeno. Já a osteoindução é a capacidade do material de induzir células mesenquimais indiferenciadas, que existam nos tecidos adjacentes, a se transformar em osteoblastos. A grande maioria dos substitutos ósseos apenas apresenta potencial osteocondutor, servindo como arcabouço para a migração e proliferação de células ósseas do hospedeiro. O osso autógeno é considerado padrão-ouro nos procedimentos de enxertia por possuir todas as três características, porém apresenta algumas desvantagens em relação a outros materiais: processo cirúrgico para obtenção do en-

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xerto, morbidade do sítio doador e perda de volume devido à reabsorção1,3. Materiais alógenos, xenógenos e aloplásticos têm sido utilizados como alternativas, mas também apresentam outros tipos de problemas quando comparados ao osso autógeno, como função deficiente, potencial risco de infecção, padrão de reabsorção insatisfatório, tempo de reparação prolongado e alto custo. Um material ideal para ser utilizado como substituto ósseo deve: 1 - estabilizar o coágulo sanguíneo, 2 - funcionar como suporte biomecânico para migração, proliferação e diferenciação celular, 3 - conter proteínas funcionais e peptídeos, 4 - ter reabsorção e remodelação adequadas durante a neoformação óssea4. Nas últimas décadas, diversos materiais e técnicas têm sido utilizados para o aumento do rebordo alveolar visando a reabilitação através de implantes em maxilas e mandíbulas parcial ou completamente edêntulas. No intuito de se buscar materiais alternativos para se-

rem utilizados como substitutos ósseos, foram observadas as semelhanças existentes entre o tecido ósseo e os tecidos que formam o dente. Observou-se que o osso alveolar e os tecidos dentários, incluindo esmalte, dentina, cemento, polpa e ligamento periodontal são derivados de uma mesma estrutura durante o desenvolvimento embrionário, a crista neural5. Além disso a composição química da dentina é relativamente similar à do osso. As semelhanças entre as características da dentina e do osso mostram que a dentina pode ser um material promissor como substituto ósseo. Em 1965 foi descoberto por Urist o potencial osteoindutor da dentina desmineralizada em estudos com coelhos e posteriormente inúmeros estudos mostram o potencial da dentina como material de enxertia para regeneração óssea e reparo ósseo. Em humanos, sua primeira utilização foi por Murata, em 20036. Este trabalho é uma revisão de literatura, com a ilustração de um caso clínico, que se propõe a analisar a viabilidade clínica do uso de dentina autógena como substituto ósseo.


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RELATO DE CASO Paciente MVAN, 24 anos, sexo feminino, apresentando ausência dos elementos 12, 11, 21 e 22 procurou o serviço no intuito de substituir tais elementos através de implantes dentários. Na avaliação clínica observouse perda óssea na região das ausências dentárias (Figura 1). Foram solicitados exames imaginológicos que confirmaram a ausência de estrutura óssea suficiente para instalação de implantes. A paciente foi orientada a respeito da necessidade de se realizar inicialmente uma cirurgia de enxerto para, após um período de cerca de 8 meses, realizar a instalação de implantes. Considerando que os segundos molares superiores não tinham antagonistas e não havia a intenção da paciente em reabilitá-los com a instalação de implantes na região de segundos molares inferiores, além da existência de uma considerável quantidade óssea na região de tuberosidade bilateralmente, foi feita a opção da exodontia dos segundos molares superiores (17 e 27) em

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conjunto com suas respectivas tuberosidades ósseas (Figura 2), para serem preparados como material de enxertia, associados à hidroxiapatita bovina (Bio-Oss®) e Fibrina Rica em Plaquetas (PRF). Os dentes foram mantidos em água oxigenada 10 volumes para sua desinfecção durante o preparo do leito cirúrgico receptor. Posteriormente a camada superficial do esmalte foi removida com ênfase na região dos sulcos oclusais, e então os dentes e as tuberosidades foram triturados em um moedor seguido de um particulador ósseo (Figuras 3 e 4). Uma associação de dentina triturada, osso autógeno, Bio-Oss® e PRF foi utilizada como enxerto na região entre 13 e 23, e sobre este material foram colocadas membranas de fibrina rica em plaquetas (PRF) (Figuras 5 e 6). O aumento de volume do rebordo alveolar foi confirmado após 8 meses, permitindo a instalação de 4 implantes na região (Figuras 7, 8 e 9).

RELATO DE CASO


RELATO DE CASO

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Figura 01 - Perda óssea observada clinicamente na região de 12 a 22 Figura 02 - Remoção concomitante do elemento 18 e osso autógeno da região de tuber Figura 03 - Remoção de camada superficial do esmalte com brocas Figura 04 - Dentina e osso autógenos triturados sequencialmente em moedor e particulador ósseo Figura 05 - Associação de dentina, osso autógeno, Bio-Oss® e Fibrina Rica em Plaquetas em fase líquida (iPRF) para a

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agregação do enxerto. Figura 06 - Cobertura do material enxertado com membranas de Fibrina Rica em Plaquetas (PRF). Figura 07 - Tomografias realizadas no pré e pós-operatório do enxerto, evidenciando o aumento do rebordo alveolar. Figura 08 - Guia cirúrgico em posição e instalação de implantes no rebordo neoformado. Figura 09 - Tomografia computadorizada confirmando o bom posicionamento dos implantes no interior do rebordo alveolar neoformado.


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DISCUSSÃO A dentina é um material que apresenta características desejáveis de um substituto ósseo. Vários artigos comprovaram sua biocompatibilidade e potencial osteoindutor7,8,9. Análises histomorfométricas mostraram neoformação óssea e substituição do tecido enxertado por osso7,10,11. A presença de tecido osteóide contendo osteócitos e vasos sanguíneos na região enxertada confirmam o potencial osteoindutor da dentina12. Por outro lado, há um estudo em que Pang e colaboradores13 afirmaram, através da análise de enxertos realizados em coelhos, que a dentina, por si só, não induz a formação de osso, mas possui um bom efeito osteocondutor. Apesar de alguma divergência quanto ao potencial osteoindutor, após a revisão de literatura, observa-se que há consenso no excelente potencial osteocondutor e biocompatibilidade da dentina. Muitos procedimentos são limitados pela presença de defeitos ósseos localizados ou generalizados. Entre os materiais comumente utilizados para enxerto ósseo em Odontologia, o osso autógeno é considerado o padrão-ouro devido à sua previsibilidade devido às suas propriedades osteogênicas e biocompatibilidade. Entretanto, o osso autógeno apresenta como desvantagens o seu alto grau de absorção e a necessidade de leito cirúrgico adicional1,3. A dentina tem se mostrado como uma

alternativa de biomaterial para este fim, já que apresenta muitas similaridades em relação ao osso, tanto em relação à sua origem quanto a sua composição5,14, porém com reduzida absorção e morbidade pós-operatória. Foram confirmados na estrutura dentinária, assim como no osso, a presença de fatores de crescimento5,15,16,17; proteínas nãocolagênicas12,18,19,20; e proteínas morfogenéticas (BMPs)21. As proteínas não-colagênicas estão relacionadas à diferenciação precoce de osteoblastos, liderando a reabsorção óssea por permitir a adesão de osteoclastos à superfície do osso22. Os fatores de crescimento regulam crescimento, proliferação e diferenciação celular15. Já as BMPs agem promovendo a diferenciação de células mesenquimais em tecido ósseo e cartilaginoso23,24. Estudos isolaram com sucesso as BMPs em dentina, esmalte, cemento e polpa de dentes de bois, porcos, ratos e coelhos9,20,24,25,26 e em dentes humanos27. As semelhanças estruturais e de origem entre os tecidos dentários, mais especificamente a dentina, e o osso, fazem deste uma excelente opção para enxertia óssea. Várias são as formas de preparo e desmineralização da dentina, existem sugestões na literatura do uso de ácido nítrico10,28, ácido clorídrico12,29 e ácido diamino-etileno-tetra-acético (EDTA)30. Lee e colaboradores30 realizaram

esse processo com um acelerador ultrassônico, pois segundo eles, a demora no processo de desmineralização pode diminuir a retenção de BMPs. A grande maioria dos autores inicialmente remove os restos orgânicos, ligamento periodontal, polpa e restaurações com brocas e limas endodônticas para posteriormente preparar a dentina naquele que consideram o formato ideal12,28,32. Alguns autores sugerem também que o material seja previamente descontaminado com clorexidina30, álcool 70% e ácido peracético a 5% 28 ou solução de cloreto de sódio a 2%10. O formato de uso da dentina pode ser em partículas que variam de 200 a 1.300 um de tamanho33,34. Outros autores utilizam a dentina em bloco8,12,30,32 e dentre estes há os que sugerem a colocação do implante na região da câmara pulpar do dente32,35. Há ainda os que utilizam o dente inteiro12,36 e aqueles que sugerem o uso de pó de dentina. Da Silva, Campos e Campos38 utilizaram a dentina em pó preparada com brocas de tungstênio. Por fim há alguns que dão preferência ao uso de fatias de dentina cortadas em micrótomo16,29. Apesar dos autores divergirem sobre a melhor maneira de desmineralizar e/ou preparar a dentina, existe unanimidade sobre os resultados eficazes em seu uso como substituto ósseo, independente da sua forma.


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Diferentes graus de desmineralização são ainda sugeridos no preparo da dentina como substituto ósseo. Urist e Strates 24 além de Murata e colaboradores39 afirmaram que o processo de descalcificação induziria a liberação de BMPs, possibilitando a osteoindução. Para estes autores a liberação destas proteínas e de fatores de crescimento pode ser bloqueada pela presença de cristais de hidroxiapatita. Por outro lado, Da Silva, Campos e Campos38 afirmaram que a desmineralização causaria a desnaturação das BMPs, eliminando assim seu potencial osteoindutor. Koga e colaboradores10 encontraram seus melhores resultados com a desmineralização parcial e relacionaram este resultado à exposição de fibras de colágeno denso, favorável à ligação celular, e alargamento de túbulos dentinários, que favoreceriam a liberação de BMPs. Mesmo achado de Liu e colaboradores40, que justificaram seus resultados relacionando-os, além da liberação de BMPs, à porosidade da dentina causada pelo processo, o que facilitaria a adesão celular necessária para a neoformação óssea. Considerando estes autores, pode-se afirmar que a dentina apresenta bons resultados como substituto ósseo, tanto desmineralizada ou não. A dentina pode ser associada com outros biomateriais. Autores utilizaram as partículas de

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dentina associadas a iPRF (fibrina rica em plaquetas em fase líquida) alcançando excelentes resultados28, assim como a associação com PRP (plasma rico em plaquetas)8,16 e partículas de dentina misturada ao sangue autólogo do paciente2. Na tentativa de encurtar o período de cicatrização, associou-se dentina em pó a um fator de crescimento sintético (Placentex®) com bons resultados no aumento de rebordo alveolar37. Similar aceleração foi observada na associação ao rhBMP241. A dentina desmineralizada pode, portanto, ser utilizada como carreador de proteínas morfogenéticas recombinantes. Quando associada a outros biomateriais, a dentina pode potencializar e acelerar o efeito de neoformação óssea. A eficácia clínica do uso de dentina como biomaterial substituto ósseo foi comprovada em diversas aplicações. Foi utilizada para preservação de rebordo alveolar pós exodontia permitindo assim a posterior instalação de implantes nas regiões34,42,43,44. Também foi utilizada com sucesso para aumento vertical de osso alveolar13, para levantamento de seio41 e foi considerada como padrão-ouro para fechamento de comunicações buco sinusais e preenchimento de defeitos ósseos34. A dentina pode ser utilizada em diversas situações em que se necessite preservação e/ou

ganho de estrutura óssea.

Quando comparada a outros biomateriais, a dentina também apresentou excelentes resultados. Lee e colaboradores31 comprovaram um maior potencial osteogênico da dentina que o do Bios Oss® (osso bovino inorgânico). Já Kim e colaboradores32 não encontraram diferenças significativas quanto compararam o enxerto de dentina com Osteon® (fosfato-tricálcico e hidroxiapatita). Kim e colaboradores12 observaram os melhores resultados em termos de formação óssea quando compararam o enxerto de dentina com osso alógeno desmineralizado, enquanto Pang e colaboradores13 encontraram resultados semelhantes quando compararam enxerto de dentina e osso autógeno em coelhos. O enxerto de dentina apresentou resultados semelhantes a osso autógeno, e superior a outros substitutos ósseos. A escolha do biomaterial é muito importante para o sucesso da reparação óssea. A dentina tem se mostrado como uma boa alternativa para este fim. No relato clínico apresentado, a técnica se apresentou bastante simples e de baixo custo, permitindo sua aplicação no cotidiano cirúrgico do Curso de Especialização em Implantodontia da ABO-CE.


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RELATO DE CASO

CONSIDERAÇÕES FINAIS Dentre uma enorme variedade de biomateriais disponíveis para a enxertia óssea, a escolha do mais apropriado pode ser um desafio. Esta revisão de literatura mostrou a possibilidade de a dentina ser utilizada para este fim. Suas propriedades osteocondutoras, seu potencial osteoindutor, além de sua biocompatibilidade e baixo custo, associada à menor reabsorção e ausência de risco de transmissão de doenças, tornam esse material uma alternativa que deve ser considerada para a preservação ou ganho de volume no rebordo alveolar. As várias formas de sua utilização e acompanhamentos de médio/longo prazo com resultados clínicos e histológicos favoráveis, encorajam seu uso nestas condições. Mais estudos, porém, se fazem necessários para fazer deste material uma prática na clínica diária.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 6 Mazzoneto, R. Reconstruções em Implantodontia Protocolos Clínicos para o Sucesso e Previsibilidade. Ed. Napoleão ed.1, 2009. 6 Valdec, S; Pasic,A ; Soltermann,A ; Thoma,D ; Stadlinger,B ; Rucker,M. Alveolar Ridge Preservation with Autologous Particulated Dentin – a Case Series. Int J Impl Dent, 3:12, 1-9, 2017. 6 Katchburian,E Arana-Chavez VE. Histologia e embriologia oral São Paulo: Medicina Panamericana, 1999. 6 Kim,ES. Autogenous Fresh Demineralized Tooth Graft Prepared at Chairside for Dental Implant. Maxillofac Plast Reconstr Surg, 37(1):8,1-8, 2015. 6 Saebe,M. Mini Review:Dentin as Bone Graft Substitution. Songklanakarin Dent J, 2(1),21-27, 2014. 6 Murata,M; Akazawa,T; Mitsugi,M; Um,IW; Kim,KW; Kim,YK. Human Dentin as Novel Biomaterial for Bone Regeneration Biomaterials. Physics and Chemistry, chapter 6, 127-140, 2011. 6 Okamoto,T; Túrcio,KHL; Yoshino,TY; Garcia Júnior,IR; Saito,CTMH; Tanaka,FY. Implante Homógeno de Matriz Dentinária Conservada em Glicerina a 98%. Estudo Microscópico em Tecido Conjuntivo Subcutâneo de Rato. Rev Ciências Odontol, v. 2, n. 2, 1516-5639, 1999. 6 Kim,ES; Kang,JY; Kim,JJ; Kim,KW; Lee,EY. Space Maintenance in Autogenous Fresh Demineralized Tooth Blocks with Platelet-Rich Plasma for Maxillary Sinus Bone Formation: A Prospective Study. Springerplus, 5, 274, 1- 11, 2016. 6 Kawai,T; Urist. Bovine Tooth Derived Bone Morphogenetic Protein. J Dent Res, 1069-1074, 1989. 6 Koga,T; Minamizato,T; Kawai Y; Miura,K; Takashi,L; Nakatani,Y; Sumita,Y; Asahina,I, Bone regeneration Using Dentin Matrix Depends on the Degree of Desmineralization and Particle Size. Public Library of Science, 2017. 6 Gomes,MF; Valva,VN; Vieira,EMM; Giannasi,LC; Salgado,AMC; Vilela-Goulart,MG, Homogenous Demineralized Dentin Matrix and Platelet-Rich Plasma for Bone tissue Engineering in Cranioplasty of Diabetic Rabbits: Biomechanical, Radiographic, and Histological Analysis. Int J Oral Maxillofac Surg, 09.009, 2015. 6 Kim,KY; Pang,MK; Yun,YP; Lem,HD; Um,WI, Long Term Follow Up of Autogenous Tooth Bone Graft with Dental Implants. Clinical Cases Report,108-118. 2012. 6 Pang,KM; Um,IW; Kim,YK; Woo,JM; Kim,SM; Lee,JH. Autogenous Demineralized Dentin Matrix from Extracted Tooth for the Augmentation of Alveolar Bone Defect: A Prospective Randomized Clinical Trial in Comparison with Anorganic Bovine Bone. Clin Oral Imp Res, 1-7, 2016. 6 Kim,YK; Lee,J; Um,IW; Kim, W; Murata,M; Akazawa,T; Mitsugi,M. Tooth-Derived Bone Graft Material. J Korean Assoc Oral Maxillofac Surg, 39(3), 103-111, 2013. 6 Finkelman,RD; Mohan,S; Jennings,JC; Taylor,AK; Jepsen,S; Baylink,DJ. Quantitation of Growth Factors IGF-I, SGF/IGF-II, and TGF-β in Human Dentin. J Bone and Mineral Res, vol.5, n.7, 717-

723, 1990. 6 Gomes,MF; Valva,VN; Vieira,EMM; Giannasi,LC; Salgado,AMC; Vilela-Goulart,MG, Homogenous Demineralized Dentin Matrix and Platelet-Rich Plasma for Bone tissue Engineering in Cranioplasty of Diabetic Rabbits: Biomechanical, Radiographic, and Histological Analysis. Int J Oral Maxillofac Surg, 09.009, 2014 6 Um,IW; Kim,YK; Mitsugi,M. Demineralized Dentin Matrix Scaffolds for Alveolar Bone Engineering. J Indian Prosthodont, vol 17,120-127, 2017. 6 Linde,A; Bhown,M; Butler,WT. Noncollagenous Proteins of Dentin A Re-Examination of Proteins from Rat Incisor Dentin Utilizing Techniques to Avoid Artifacts. J Biol Chem, vol. 255, n.12 59315942, 1980. 6 Linde,A. Dentin Matrix Proteins: Composition and possible Functions in Calcification. The Anatomical Record, 224:154-166, 1989. 6 Butler,WT; Mikulski,A; Urist,M. Noncollagenous Proteins of a Rat Dentin Matrix Processing Bone Morphogenetic Activity. J Dent Res, March 228-232, 1977. 6 Urist,MR; Strates,BS. Bone Morphogenetic Protein. J Dent Res Supplement, vol.50, 1392-14061, 1971. 6 Linde,A. Autogenous Dentin Composition and Uses J Biol Chem, 2(3), 42-9, 1996. 6 Cheng,H; Jiang,W; Phillips,FM; Haydon,RC; Peng,Y; Zhou,L; Luu,HH; An,N; Breyer,B; Vanichakarn,P; Szatkowiski,JP; Park,JY; He,TC Osteogenic Activity of the Fourteen Types of Human Bone Morphogenetic Proteins (BMPs). J Bone Joint Surg, vol.85A, n.8, 1544-1552, 2003. 6 Urist,MR; Strates,BS. The Classic: Bone Morphogenetic Protein. Clin Orthop Res, 467(12): 3051-3062, 2009. 6 Bessho,K; Tagawa,T; Murata,M. Comparison of Bone Matrix-Derived Bone Morphogenetic Proteins from Various Animals. J Oral Maxillofac Surg, 50:496-501, 1992. 6 Bessho,K; Tanaka,N; Matsumoto,J; Tagawa,T; Murata,M. Human Dentin Matrix Bone Morphogenetic Protein. J Dent Res, 171-175, 1991. 6 Bessho,K; Tagawa,T; Murata,M. Purification of Rabbit Bone Morphogenetic Protein derived from Bone, Dentin, and Wound Tissue After Tooth Extraction. J Oral Maxillofac Surg, 48: 162-9, 1990. 6 Melek,LN; El Said,MM. Evaluation of Autogenous Bioengineered Injectable PRF – Tooth Graft Combination (ABIT) in Reconstruction of Maxillary Alveolar Ridge Defects : CBCT Volumetric Analysis. Saudi J Dent Res, 2016. 6 Lee,HY; Hong,JS; Kim,YK; Um,IW; Lee,JI. Osteogenic Potential of Demineralized Matrix as Bone Graft Material. J Hard Tissue Biology, 26(2), 223-230, 2017. 6 Asfour,A; Farzad,P; Al-Musawi,A; Dahlin,C; Andersson,l. Demineralized Xenogenic Dentin and Autogenous Bone as Onlay Grafts to Rabbit Tibia. Clinical Cases Report, 5(2), 108-118, 2017. 6 Lee,EY; Kim,ES; Kim,KW. Scanning Electron Microscopy and

Energy Dispersive X-ray Spectroscopy Studies on processed Tooth Graft Material by Vacuum-ultrasonic Acceleration. Maxillofac Plast Reconstr Surg, 36(3): 103-110, 2014. 6 Kim,KY; Yun,PY; Um,IW; Lee,HJ; Yi,YJ; Bae,JH; Lee,J Alveolar Ridge Preservation of an Extraction Socket Using Autogenous Bone Graft Material for Implant Site Development : Prospective Case Series. J of Adv Prosthodontics, 6:521-527, 2014. 6 Kim,YK; Kim,SG; Byeon,JH; Lee,HJ; Um IU; Lim,SC; Kim,SY. Development of a Novel Bone Grafting Material Using Autogenous Teeth. Oral Surg, Oral Med, Oral Pathol, Oral Radiol, and Endodontol, Vol. 100, n.42, 2010. 6 Binderman,I; Hallel,G; Nardy,C; Yafee,A; Sapoznikov,L. A Novel Procedure to Process Extracted teeth for Immediate Grafting of Autogenous Dentin. Int Dent Africa Ed, vol.7, n.1, 56-63, 2014. 6 Lee,KH; KimYK; Cho,WJ; Um,IW; Murata,M; Mitsugi,M. Autogenous Tooth Bone Graft Block for Sinus Augmentation with Simultaneous Implant Installation: a Technical Note. J Korean Assoc Oral Maxillofac Surg, 41, 284-289, 2015. 6 Joshi,CH; D́ Lima,CB; Chandrashekhar,S; Karde,PA; Patil,NH; Dani,NH. Comparative Alveolar Ridge Preservation Using Allogenous Tooth Graft Versus Free-dried Bone Allograft: A Randomized, Controlled, Prospective. Clin Pilot Study Contemp Clin Dent, 211217, 2017. 6 Ahn,KJ; Kim,YK; Yun,PY; Lee,BK. Effectiveness of Autogenous Tooth Bone Graft Combined with Growth Factor: Prospective Cohort Study. J Korean Dent Sci, 6(2), 50-57, 2013. 6 Da Silva,VC; Campos,BP; Campos,BP. Enxerto Autógeno de Dentina em Cães. Rev Bras Implantodont Prótese Implant, 13(51):126-133, 2006. 6 Murata,M; Akazawa,T; Mitsugi,M; Um,IW; Kim,KW; Kim,YK. Human Dentin as Novel Biomaterial for Bone Regeneration Biomaterials. Physics and Chemistry, chapter 6, 127-140, 2011. 6 Al-Namnam,NM; Shanmuhasuntharam,M; Ha,KO; Siar,CH. Processed Allogenic Dentine as a Scaffold for Bone Healing:An In Vivo Study. Aust J Basic & Appl Sci, 4(12), 5932-5940, 2010. 6 Murata,M; Akazawa,T; Mitsugi,M; Kabir,A; Woong Um,I; Minamida,Y; Wook Kim,K; Kyun Kim,Y; Sun,Y; Qin,C. Autograft of Dentin Materials for Bone Regeneration. Intech Open Science, Chapter 15, 2013. 6 De Oliveira,GS; Miziara,MN; da Silva,ER; Ferreira,EL; Biulchi,APF; Alves,JB. Enhanced Bone Formation During Healing Process of Tooth Socktes Filled with Demineralized Human Dentin Matrix. Aust Dent J, 58, 325-332, 2013. 6 Kabir,A; Murata,M; Kusano,K; Akazawa,T; Shibata,T. Autogenous Demineralized Dentin graft for Third Molar Socket Regeration – A Case Report. Dentistry, 5:11, 2015. 6 Ike,M; Urist,M Recycled Dentin Root Matrix for a Carrier of Recombinant Human Bone Morphogenetic Protein. J Oral implant, vol. XXIV, n.3 124-132, 1998.


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COMUNIDADE ODONTOLÓGICA É CONVIDADA PARA VI CIOCE No período de 18 a 22 de maio de 2018 convidamos toda a comunidade Odontológica para participar do VI Congresso Internacional de Odontologia do Ceará – CIOCE. Ano a ano buscamos realizar um congresso cada vez mais alinhado às necessidades da profissão. A nossa maior meta é promover a formação, atualização e o aprofundamento do conhecimento dos acadêmicos e profissionais da odontologia, ao mesmo tempo em que visa proporcionar a indústria odontológica apresentar seus produtos e inovações diretamente ao Cirurgião-dentista. A programação científica está sendo preparada com muito esmero pela comissão organizadora, colocando à dispo-

sição o mais alto nível de conhecimento aos participantes, serão cursos nacionais, internacionais, workshops, simpósios, dentre outras formas de trocar conhecimento. A capital cearense é um dos destinos mais procurados e admirados do Brasil, destacando-se nela a culinária, a música, as belezas naturais e o nosso tradicional bom humor. Nosso Centro de Eventos do Ceará, já conhecido e consagrado como o melhor equipamento do tipo na América Latina, proporciona a montagem de uma feira comercial que otimiza espaço, apresentando uma ótima distribuição dos estandes.

Convidamos você a viver novamente essa experiência conosco!


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PALESTRANTES DO VI CIOCE DESTACAM A IMPORTÂNCIA DO EVENTO A Revista Odonto Nordeste entrevistou com exclusividade alguns dos profissionais que vão passar pelo CIOCE e antecipou os temas que serão destaques no Congresso.

PALESTRANTE: CARLOS EDUARDO FRANCISCHONE ESTÉTICA E LONGEVIDADE NA IMPLANTOLOGIA: ANÁLISE CRÍTICA DIA 19/05 – SÁBADO* 14h às 18h


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Quem é? Graduado pela Faculdade de Odontologia de Bauru, Universidade de São Paulo ( 1971 ), obteve os títulos de Mestre ( 1976), Doutor (1978), Livre-Docente ( 1984) e Professor Titular (2000) pela mesma instituição, onde exerce atividades docentes junto ao Departamento de Dentística, Endodontia e Materiais Dentários desde 1972. Apresenta também vínculo docente com a Faculdade São Leopoldo Mandic - Campinas, na qual coordena programas de Mestrado e Doutorado em Implantologia, aprovados pela CAPES.Atua nas áreas clínicas de estética, implantes e reabilitação oral. O que o senhor vai abordar na palestra “ Estética e Longevidade na Implantologia: Análise Crítica”? Vamos abordar temas relacionados à Estética Dentária

e principalmente da Estética sobre Implantes, baseadas em novas tecnologias cirúrgicas e protéticas e longevidade dos procedimentos realizados. Na sua opinião, a tecnologia garante sempre um resultado positivo nos tratamentos odontológicos? A tecnologia, associada ao conhecimento biológico, funcional e estético dos profissionais envolvidos num procedimento odontológico, sempre traz benefícios. Como o profissional deve estar atento aos avanços tecnológicos? Por meio de informações provenientes de livros e revistas especializadas, como também, frequência em cursos e congressos importantes. Como tudo que é novidade, corre-se o risco do uso além das indicações precisas de uma referida

tecnologia, o que pode causar danos irreversíveis aos dentes e aos pacientes. Para o senhor qual a importância de realizar eventos como o CIOCE? O CIOCE é um congresso tradicional e um dos mais importantes do Nordeste brasileiro. Sempre estão presentes Professores e Profissionais de altíssimo nível nacional e internacional, mostrando tecnologias e procedimentos das mais atuais. Assim, é um congresso que trará ótimos benefícios aos Cirurgiões Dentista do Ceará e de todo o Nordeste brasileiro.


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PALESTRANTE: JÚLIO CÉSAR JOLY OS BENEFÍCIOS DA RECONSTRUÇÃO TECIDUAL ESTÉTICA PERIODONTAL E PERI-IMPLANTAR DIA 20/05 – DOMINGO* 10h às 13h

Quem é? Possui graduação em Odontologia pela Universidade Estadual de Campinas (1995), mestrado em Clínica Odontológica pela Universidade Estadual de Campinas (1999) e doutorado em Clínica Odontológica pela Universidade Estadual de Campinas (2002). Atualmente é professor do Centro de Pós Graduação São Leopoldo Mandic e coordenador científico do Instituto ImplantePerio. Tem experiência na área de Odontologia, com ênfase em Periodontia e Implantodontia, atuando principalmente nos seguintes temas: regeneração periodontal, cirurgia plástica periodontal, reconstrução tecidual peri-implantar, estética, integração multidisciplinar. O que os congressistas do CIOCE vão poder conferir na sua palestra “Os benefícios da reconstrução tecidual estética periodontal e peri-implantar”? Uma discussão atual, fundamentada em evidências científicas e no acúmulo de experiências clínicas de 15 anos do nosso grupo ImplantePerio. Serão abordados tópicos relevantes sobre o manejo tecidual

ao redor de dentes e implantes, na busca de resultados restauradores estéticos satisfatórios e da estabilidade tecidual a longo prazo. Por que é importante essa temática no contexto atual da odontologia? Porque os resultados restauradores favoráveis de reabilitações sobre dentes ou implantes são dependentes dos cuidados com o manejo tecidual nas diferentes etapas do tratamento. Sem o entendimento das bases biológicas e técnicas da Periodontia, não é concebível pensarmos numa Odontologia de excelência. Como o senhor avalia a iniciativa da ABO-CE em realiza um evento com a dimensão do CIOCE 2018? Como uma atitude louvável na busca da qualificação técnica e científica da comunidade odontológica cearense. A constante atualização em Congressos com grades científicas consistentes é o melhor caminho para a sobrevivência qualificada dos CD no competitivo mercado de trabalho.


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inovadoras técnicas de próteses em cursos no exterior. Participa constantemente de congressos internacionais trazendo as últimas tendências da área para o instituto, onde também ministra cursos para dentistas voltados para imersão em estética oral (arte e conceito).

PALESTRANTE: RAFAEL PUGLISI SPADARO ODONTOLOGIA ELEVADA AO NÍVEL MÁXIMO DE PREVISIBILIDADE E MAGNIFICAÇÃO MICROSCÓPIA DIA 21/05 – SEGUNDA* 14h às 18h

Quem é? Formado pela FMU - Faculdade Metropolitanas Unidas, Rafael Puglisi é coordenador clínico e de planejamento digital oral, além de diretor do departamento de pesquisas do Instituto Odontológico Guy Puglisi. Triatleta, apaixonado por esporte e boa forma, buscou a especialização em odontologia estética, adquirindo o domínio de

Sua palestra no CIOCE 2018 vai abordar o tema: “Odontologia Elevada ao Nível Máximo de Previsibilidade e Magnificação Microscópica”. O que os congressistas vão poder conferir? Eu vou tentar abordar em uma hora e meia, o que é previsibilidade e o que é magnificação dentro da odontologia. Farei tipo um “lecture” de aviso e alerta para as pessoas que tiverem assistindo. A Previsibilidade ela engloba um planejamento reverso. É quando a gente já trabalhou no caso, antes mesmo que ele tenha acontecido. Mas, pra isso eu preciso do paciente, de algumas ferramentas clínicas, de montagens etc. O que faz com que eu consiga essa previsibilidade, que tá dentro de planejar o caso de forma reversa. Na verdade eu já faço o caso antes mesmo dele acontecer. A magnificação entra como um auxílio de visão, de enxergar e ver áreas e campo operacional aon-

de eu consiga trabalhar de forma mais confortável. Por que os profissionais devem estar cada vez mais atentos à previsibilidade nos procedimentos? Para obter mais assertividade, além de dominar materiais dentários que levam ao sucesso dentro de uma técnica operatória, seja ela em dentística, ou prótese. E como trabalhar para chegar ao nível máximo de previsibilidade? Existem hoje no mercado, ferramentas que são acessíveis que possibilitam ver melhor o que o profissional está fazendo, pra enxergar de fato as margens, pra fazer um acabamento e término de preparo melhores. Qual a importância do CIOCE para a categoria? Tem uma importância em um grau altíssimo. Pois cada região tem seus conceitos. Chamar nomes que possam trazer de fato algo novo é necessário. A minha ideia, em todas as regiões que eu vou é mostrar minha realidade clínica, pois quero agregar mais um ponto ao CIOCE. É um belíssimo congresso, com organização fantástica. Pra mim é uma honra estar entre profissionais de tanto respeito e notoriedade.


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A ENCANTADORA DE CRIANÇAS A “encantadora de crianças” revela a paixão pela Odontopediatria

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Dra. Aline Morais fala do dia a dia no consultório e sua dedicação à saúde bucal das crianças.

Dra. Aline Morais Fontes

Especialista em Odontopediatria (ACO/CEC)

Quem tem filhos se preocupa logo cedo com a qualidade de vida e bem estar dos pequenos. A consulta com o odontopediatra é indicada aos pais que buscam cuidados e prevenções na saúde bucal das crianças. Além de tirar as dúvidas sobre escovação e troca de dentes, o profissional dessa área acompanha a criança antes mesmo do nascimento.

até hoje aplico as técnicas e conhecimentos na prática diária”, explica Dra. Aline.

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Por tratar-se de uma fase muito importante da vida, a infância requer uma atenção redobrada. Foi essa a escolha profissional da odontopediatra, Dra. Aline Morais, que desenvolve

um trabalho focado no público infantil. Segundo a especialista, que teve na mãe pediatra, o espelho de dedicação e profissionalismo, a decisão pelo ramo da Odontologia foi tomada logo após o Ensino Médio. “O sangue já corria na minha veia. Então, escolhi prestar o vestibular para Odontologia e fui aprovada. Durante o curso, participei de vários projetos, como o Projeto Mamãe Bebê e o de atendimento multidisciplinar voltado a pacientes especiais (PAMPE) sob a orientação da Dra. Grace Sampaio Teles da Rocha. Ao longo do programa aprendi bastante e


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Para as crianças, a visita ao dentista nem sempre é tão fácil de “encarar”,...”

interagem com a criança, como os jalecos coloridos e as toucas personalizadas, oferecendo uma experiência mais lúdica”, ressalta. Atualmente, a dentista mantém o perfil @encantadoradecriancas no Instagram. Ela explica que essa marca “Encantadora de Crianças” surgiu durante o atendimento de uma criança não colaboradora, no qual a mãe ao chegar à consulta com a criança, durante a anamnese, informou que já havia levado o filho a outros consultórios, mas, sem êxito. “Inicialmente conversei com a criança e entrei no mundo má-

Arquivo pessoal.

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A escolha pelas áreas da Odontopediatria e Ortodontia aconteceu principalmente, por causa da identificação com o público infantil e especialização nas técnicas odontológicas voltadas para essa faixa etária. Para as crianças, a visita ao dentista nem sempre é tão fácil de “encarar”, pois o medo toma conta das emoções dos pequenos. Dra. Aline explica que é necessário o profissional dentista procurar aperfeiçoamento nas técnicas, para atender o paciente infantil. “Além da técnica é preciso ter o manejo e a sensibilidade com a criança e a família. Utilizo também de artefatos que

gico, aplicando a técnica MOSTRAR/DIZER/FAZER, preconizada pela Dra. Salete Nahás. Com muito amor a profissão e paciência, respeitando o limite da criança, consegui sentar e realizar o atendimento odontológico. O sorriso da mãe e a alegria da criança que tinha removido o dentinho me deixaram com o coração cheio de gratidão”, relata Dra. Aline. Ao final desse atendimento descrito pela odontopediatra, a mãe do paciente afirmou que ela era uma verdadeira “Encantadora de crianças”. Foi assim que o apelido carinhoso ganhou espaço.


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A Odonto Nordeste pergunta! - Quais são as principais dicas para manter a saúde bucal das crianças? Dra. Aline Morais - Para mantermos uma boa saúde bucal das crianças é necessário o acompanhamento com o Odontopediatra desde a gestação para receber as orientações pertinentes ao bebê. É necessário que a mãe consulte regularmente para a prevenção das afecções bucais. Para os pequenos pacientes, sempre indico a higienização da cavidade bucal desde o nascimento do primeiro dentinho, utiliza-se a escova dentária e o uso de pasta fluoretada. É importante que o Odontopediatra acompanhe e realize a instrução da higiene bucal. Segue abaixo alguns conselhos importantes para manter a boa saúde bucal:

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A escovação deve ser supervisionada pelos pais e/ou responsáveis. O uso do creme dental com flúor é indicado desde o nascimento do primeiro dente. Nunca adoçar a chupeta da criança. Evite fazer o bebê dormir com a ajuda da mamadeira. Após a alimentação sempre escovar os dentinhos. Evite o consumo de qualquer alimento após a escovação noturna. Caso a criança tomar alguma medicação, administre-a antes da escovação. Evite compartilhar os talheres com a criança. Consulte semestralmente o Odontopediatra.

Odonto NE- Quais orientações para evitar as tão indesejáveis cáries? Dra. Aline Morais - Os dentes de leite também são vulneráveis à instalação da placa bacteriana. A placa é um biofilme que contém bactérias e adere aos dentes se não for removida regularmente; produz cáries e doença nas gengivas, podendo provocar perda dos dentes. A melhor maneira de eliminá-la é com a escova de dente. Promover o uso regular é de extrema responsabilidade dos pais somado à consulta ao Odontopediatra, isso ajudará a manter sadia a boca da criança. Quando os carboidratos se juntam a placa bacteriana ocorre a liberação de ácidos que são nocivos e podem produzir doenças bucais, entre elas as cáries. É importante observar não somente o teor de

açúcar na alimentação, mas também a ingestão de carboidratos, já que essa combinação é uma das principais causas da formação da cárie. A ingestão de líquidos açucarados, especialmente na hora de dormir é uma das principais causas de cárie na primeira infância. É de extrema importância a consulta semestralmente ao Odontopediatra para a supervisão, prevenção e tratamento odontológico, caso necessário intervir para realizar a restauração devido a doença cárie. Odonto NE - Qual principal recomendação aos pais com relação aos cuidados preventivos, ou, corretivos da saúde bucal das crianças? Dra. Aline Morais - Se a mãe não tem a sua cavidade bucal em boas condições, ela pode transmitir

germes ao seu filho, convém realizar a primeira consulta ao Odontopediatra no primeiro trimestre da gestação. A consulta odontológica tem como objetivo informar aos pais sobre o desenvolvimento e formação da cavidade bucal, instruções de higiene oral sobre os hábitos de acordo com a faixa etária da criança. É necessário evitar a pratica de ir ao dentista apenas quando o problema está instalado. O protocolo da utilização do flúor como prevenção da cárie dentária é de suma importância para a prevenção de afecções bucais. Sugiro o acompanhamento ao Odontopediatra, semestralmente para o acompanhamento e prevenção da saúde bucal da criança e da família.

Saiba mais em: @encantadoradecriancas


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BENEFÍCIOS ESTÉTICO E FUNCIONAL

DO TRATAMENTO PRECOCE DA MORDIDA CRUZADA FUNCIONAL ATRAVÉS DAS PISTAS DIRETAS PLANAS (PDP) Artigo científico

Pereira, F.M.S. Pereira, M.S. Vasconcelos, R.B. Reyes, A. Imparato, J.C.P RESUMO A mordida cruzada anterior funcional na dentadura decídua tem como etiologia o contato prematuro na região anterior detectada na oclusão cêntrica (OC) e em máxima intercuspidação habitual (MIH), o paciente projeta a mandíbula a uma posição que lhe dar maior conforto. É relevante seu diagnóstico e tratamento precoce

com finalidade de normalizar a estética facial e o crescimento das bases ósseas. Postergar a intervenção para uma idade adulta resulta no seu agravamento, evoluindo para uma mordida cruzada esquelética. O objetivo deste trabalho é apresentar as vantagens do tratamento da mordida cruza-

da funcional em paciente infantil por meio da terapêutica das Pistas Diretas Planas. Paciente de 5 anos de idade com mordida cruzada anterior funcional, entre as possíveis alternativas de tratamento, foi submetido a terapêutica das Pistas Diretas Planas (PDP) pela fácil aceitação, não ne-


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cessitar da coloboração do paciente ao uso quando comparado aos aparelhos móveis e ter resultado estético e funcional rápido. Após 30 dias de proservacão, o paciente apresentou a mordida descruzada e a estética facial melhorada. A partir do presente relato concluiu-se que o tratamento da mordida cruzada funcional por meio das Pistas Diretas Planas é uma alternativa viável para reestabelecer o equilíbrio entre os maxilares, melhorando as funções musculares, mastigatória e a estética facial do paciente infantil em um curto espaço de tempo.

ABSTRACT The functional anterior crossbite in the deciduous dentition has as its etiology premature contact in the anterior region detected in centric occlusion (OC) and in maximal habitual intercuspation (MIH), the patient projects the mandible to a position that gives him greater comfort. Its diagnosis and early treatment are relevant in order to normalize the facial aesthetics and the growth of the bony bases. Delaying the intervention to an adult age results in its aggravation, evolving into a skeletal crossbite.

The objective of this work is to present the advantages of functional crossbite treatment in a pediatric patient by means of the therapy of Direct Flat Pains. Case report: A 5-year-old patient with functional anterior cross-bite, among the possible treatment alternatives, was submitted to Direct Flat-Track (PDP) therapy for easy acceptance, not requiring patient use when compared to the devices furniture and have aesthetic and functional quick result. After 30 days of proservation, the patient presented

the uncrossed bite and improved facial esthetics. Based on the present report, it was concluded that the functional cross-bite treatment by means of the Flat Direct Slopes is a viable alternative to reestablish the balance between the jaws, improving the muscular functions, masticatory and the facial aesthetics of the infantile patient in a short time. Keywords: early treatment, functional crossbite, direct flat tracks


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INTRODUÇÃO A mordida cruzada é uma maloclusão em que a relação vestíbulo-lingual dos dentes superiores encontra-se por palatina em relação ao seu antagonista, podendo ser unidental ou multidental. Quanto à sua localização, ela pode ser: anterior, posterior unilateral, bilateral ou total.1,18

A mordida cruzada anterior em crianças comparada às demais

maloclusões, tem prevalência baixa, porém com uma repercussão negativa na sociedade, devido ao comprometimento estético facial do paciente,.4.6,10 A importância do seu diagnóstico e tratamento precoce está associado a não autocorreção e sua evolução implica no agravamento estético, ósseo e funcional.2,8,17,18 Para um preciso diagnóstico de mordida cruzada, devemos ser criteriosos na anamnese, exame clínico intrabucal, funcional e análises facial e radiográfica.3,7,9 Uma das opções de tratamento da mordida cruzada funcional na dentição decídua é a técnica das Pistas Diretas Planas, preconizada por Pedro Planas que fundamenta na reabilitação neuro-oclusal, através de pistas confeccionadas com resina composta e desgastes seletivos em contatos dentários prematuros, visando a desprogramação dos centros nervosos e musculares e direcionando a mandíbula para uma posição correta.11,12,15,16 A técnica das Pistas Diretas Planas utilizada na dentição decídua tem várias vantagens em relação aos aparelhos ortopédicos funcionais; tem um custo menor por não neces-

sitar de laboratório para sua confecção, precisa apenas do condicionamento da criança semelhante a realização de uma restauração adesiva, sendo assim uma alternativa viável de tratamento nos serviços públicos e seu resultado é rápido e eficaz.13,14 O presente artigo relata um caso clínico de mordida cruzada anterior funcional tratado por meio da terapêutica das pistas diretas planas, como alternativa viável para reestabelecer o equilíbrio entre os maxilares, melhorando as funções musculares, mastigatória e a estética facial do paciente infantil.

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A mordida cruzada pode ser classificada em: dentária, esquelética ou funcional. A dentária ocorre quando o dente superior erupciona de forma ectópica por palatina, geralmente associada a fatores etiológicos como: falta de espaço, retenção prolongada do decíduo, perda precoce do dente decíduo levando à diminuição do perímetro da arcada superior.1,2,9,18 A esquelética caracteriza por envolvimento dos ossos basais, tendo como fator etiológico principal a hereditariedade.1,2,4,5 A mordida cruzada funcional ocorre quando existe contato prematuro, geralmente associado ao incisivo ou o canino decíduo, durante a oclusão cêntrica, levando o paciente a desviar a mandibular para um local mais confortável .1,2,,5

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MATERIAIS E MÉTODOS O Paciente JMJ de 5 Anos, gênero masculino, leucoderma, compareceu ao curso de ortodontia preventiva da ABO-Ce com seus responsáveis que se queixavam da projeção exagerada do queixo da criança (Fig.1,2). Na anamnese, foi observado que não apresentava histórico de antecedentes com maloclusão de classe III de Angle. No exame intra-bucal o paciente apresentava uma mordida cruzada em toda bateria anterior e parte da posterior (Fig.3). Na análise cefalométrica, o paciente apresentava a maxila bem posicionada e a mandíbula projetada em relação à base do crânio. Ao exame funcional foi constatado o contato prematuro nos dentes 51 e 61 com seus respectivos antagonistas (Fig. 4), e em máxima intercuspidação o paciente deslizava a mandíbula para frente, a fim de se obter uma posição de maior conforto. Após exame, o paciente foi diagnosticado com mordida cruzada funcional. Em meio aos possíveis tratamentos, optamos pela reabilitação neuro-oclusal, utilizando a terapêutica das Pis-

tas Diretas Planas (PDP), pelas muitas vantagens em relação aos aparelhos ortopédicos funcionais. Os responsáveis ficaram satisfeitos pela escolha desta terapêutica, pois temiam ao não uso dos aparelhos intra e extra bucais, pelo paciente devido a sua pouca idade. O procedimento das PDP foi feito em uma única sessão nos dentes 51 e 61. Primeiramente, foi feito o condicionamento com ácido fosfórico a 37% por 30 segundos, lavagem e secagem, depois aplicação do adesivo Single Bond (3M) com o auxílio de aplicador microbrush e fotopolimerização por 20 segundos. As PDP foram confeccionadas com resina composta resistente a fratura mastigatória, de boa estética e lisura, AZ-250 (3M) na cor B2. Na face vestibulo-incisal dos respectivos dentes citados anteriormente, foi colocada a resina formando um plano de 45° (Fig. 5). A criança foi reeducada para o novo posicionamento da mandíbula e os responsáveis foram orientados a lhe fornecer inicialmente alimentos pastosos, pois a região posterior encon-

trava-se em desoclusão. Após 15 dias de proservacão, o paciente retornou com a mordida descruzada e a oclusão posterior melhorada ( Fig.6, Fig. 7) . Com 45 dias da terapêutica das pistas, a mordida foi preservada descruzada e oclusão posterior estabelecida. As pistas foram removidas com uma broca cilíndrica para resina de alta rotação. O paciente continua sob acompanhamento, porém não demonstra nenhuma recidiva da oclusopatia.

DISCUSSÃO A mordida cruzada anterior na dentição decídua comparada às demais maloclusões, tem prevalência baixa, porém com uma repercussão negativa na sociedade, devido ao comprometimento estético facial Devido a do paciente.4.6,10 esse transtorno a procura por tratamento precoce é cada vez maior. Fernandes ao analisar a dentição decídua relacionando com o tipo de má oclusão com necessidade de provável tratamento ortodôntico futuro, constatou que a de maior prevalência foi a mordida cruzada. As ponderações para realizar


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o tratamento precoce da mordida cruzada, estão na condição de não se auto corrigir, na diminuição da gravidade e melhores resultados estéticos e funcionais.5,13,15 A mordida cruzada funcional, se não tratada precocemente poderá levar ao crescimento adverso da mandíbula e maxila, tensão excessiva nas articulações, interferências na função normal muscular, mastigatória e fonação, ou desenvolvimento da má oclusão de Classe III verdadeira.5,13,15 A opção de tratamento da mordida cruzada está intimamente relacionada com sua origem, uma vez que dependendo seja dentária, esquelética ou funcional terá discordância no seu tratamento e é

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exatamente a falta de conhecimento por muitos profissionais em diagnosticar e tratar que postergam o tratamento.2,5 A mordida cruzada funcional detectada na dentição decídua e início da mista pode ser tratada com a terapia da reabilitação neuroclusal preconizada por Pedro Planas que consiste na reabilitação neuroclusal, através de pistas de resina composta com finalidade de formar barreiras e desgastes seletivos em área pontos de contatos oclusais prematuros, estabelecendo a centralidade dos côndilos mandibulares .11,12 Se for tratada com apenas descruzamento maxilar poderá correr o risco de continuar com côndilos assimétricos na dentição permanente.

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A técnica das Pistas Diretas Planas, tem a vantagem sobre os aparelhos ortopédicos por ser de simples confecção, baixo custo, não necessitar da colaboração do paciente para uso no que ocorre como os aparelhos ortopédicos funcionais, menor tempo de cadeira e um resultado rápido na correção.3,7,9,13 As pistas planas diretas sendo uma técnica que não precisa de recursos sofisticados para sua confecção seria uma ótima alternativa de tratamento para serviços públicos, mas o que se observa é o pouco conhecimento dos profissionais que atendem crianças sobre a técnica .3,7,9

Figura 01 - Aspecto inicial extra bucal de frente. Figura 02 - Aspecto inicial extrabucal de perfil. Figura - 01

Figura - 02


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Figura - 03

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Figura - 07

Figura - 05

Figura 03 - Aspecto inicial intrabucal Figura 04 - Exame funcional Figura 05 - Confecção das PDP Figura 06 - Aspecto final extrabucal Figura 06 - Aspecto final intrabucal

Conclusão Conclui-se que o citado caso clínico de mordida cruzada anterior funcional tratado por meio das pistas diretas planas é uma alternativa viável para reestabelecer o equilíbrio entre os maxilares, melhorando assim as funções musculares, mastigatória e a estética facial do paciente infantil em um curto período de tempo.


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ARTIGO CIENTÍFICO

Autores 1 - Dra. Frieda de Sousa Pereira Cirurgião Dentista, especialista em ortopedia funcional dos maxilares (CFO), especialista em ortodontia e ortopedia facial (UniCastelo), mestranda em odontopediatria ( SL Mandic), coordenadora e professora do curso de Aperfeiçoamento em ortodontia preventiva com foco na ortopedia funcional dos maxilares (ABO-Ce).

Frieda Pereira1

José Imparato2

Alessandra Reyes3

2 - Dr. José Carlos Imparato Cirurgião Dentista, especialista em Odontopediatria (Unicastelo), Mestre em Ciências Odontológicas (FOUSP), Doutor em Ciências Odontológicas (FOUSP), Professor livre docente (FOUSP), Professor do programa de Pós-graduação (SL Mandic) de Odontopediatria, Presidente da Associação Brasileira de Odontopediatria. 3 - Dra. Alessandra Reyes Cirurgião Dentista, Especialista, Mestre e Doutora em Ciências Odontológicas (FOUSP), Professora de Odontopediatria da graduação e pós-graduação ( SL Mandic). 4 - Dra. Mirella de Sousa Pereira Cirurgiã-dentista, especialista em Ortodontia; mestre (UFC) e doutoranda em Odontopediatria (SL Mandic). Professora da disciplina de clínica infantil da Faculdade Fametro e do curso de Aperfeiçoamento em Ortodontia Preventiva (ABO).

Mirella Pereira4

Rebeca Vasconcelos5

5 - Dra. Rebeca Bastos Vasconcelos Cirurgiã-dentista, especialista em Ortodontia e Pacientes Especiais; mestre (UFC) e doutoranda em Odontopediatria. Professora do curso de Aperfeiçoamento em Ortodontia Preventiva da ABO.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 6 ANGLE, E.R. Treatment of malocclusion of the teeth: Angle’s system. 7 ed. Philadelphia. White Dental Manufactering, 1907. 6 CHEDID S. Ortopedia e ortodontia para a dentição decídua.- Atendimento integral ao desenvolvimento da oclusão infantil. São Paulo: Santos, 2013. 388p 6 CHIBINSKI A.C.R., CZLUSNIAK GD, MELO MD. Pistas diretas Planas: terapia ortopédica para correção de mordida cruzada funcional. Clin Ortodon Dental Press 2005; 4(3):64-72. 6 DIAS M. Estudo da Prevalência de Mordida Cruzada em pacientes odonto pediátrico da Faculdade de medicina Dentária da Universidade do Porto. 2010 6 FERNANDES K., AMARAL M, MONICO M. Malocclusion and the need for its orthodontic treatment in deciduous dentition. RGO, Porto Alegre, v. 55, n.3, p. 223-227, jul./set. 2007 6 FERNANDES K, AMARAL M. Frequency of Malocclusions among 3-6-Year-Old Schoolchildren in the City of Niteroi, RJ, Brazil. Pesq Bras Odontoped Clin Integr, João Pessoa, 8(2):147-151, maio/ago.

2008 6 GARBIN A.J et al. Planas direct tracks for the treatment of posterior crossbite Ver. Cubana estomatol. Vol. 112014 6 GARBIN A. J et al. Neurocclusal rehabilitation as a treatment for posterior crossbite: case report. Brazilian jornal of surgery and clinical research. Vol.ll, n.4, pp. 21-24. Jun.-ago 2015 6 GRIBEL M. N. Planas direct tracks in the early treatment of unilateral crossbite with mandibular postural deviation. Why worry so soon? World J Orthod 2002; 3:239-49. 6 NASCIMENTO D. Prevalência de Mordida Cruzada em crianças de 7 a 12 anos do município de Aracaju. Int. J dent, Recife11 (1):11-22. Jan/Mar 2012 6 PLANAS, P. Reabilitação neuro-oclusal. 1. ed. Rio de Janeiro: Ed. Médica e científica,1988. 6 PLANAS P. Importancia del diagnostico, tratamiento precoz en ortodoncia y equilíbrio oclusal. Rev Esp Estomatol 1988 Nov/Deic.; 6(6):477-82. 6 ROSSI. L. B et al. Correction of functional anterior crossbite with Planas direct tracks: Case re-

port, 2013 6 Santos JLB. Como resolver pequenos problemas ortodônticos sem o auxílio do especialista. In: Todescan F, Bottino MA, coordenadores. Atualização na clínica odontológica: a prática da clínica geral. São Paulo: Artes Médicas, p.519-39.1996. 6 SAKAI E, FERREIRA MACEDO F, MARTINS N. Nova visão em Ortodontia e ortopedia Funcional dos Maxilares.A aplicação da Ortopedia Funcional dos Maxilares nas Dentições Decídua e MistaAparatologia, Pistas Diretas de Planas e oclusão. cap.1- São Paulo, 2012. 390p 6 SIMÕES, W. A. Ortopedia funcional dos maxilares vista através da reabilitação neuro-oclusal. São Paulo: Ed. Santos, 1985. p. 167-173. 6 SHELL, T.L; WOODS M.G. Perception of facial esthetics: a comparison of similar cl ll cases treat with attempted growth modification or later ortoghathic surgery. Angle Orthod. Appleton, v.73, n.4, p. 365-373, Aug. 2003. 6 Vellini F. Ortodontia: diagnostic e planejamento clinico. São Paulo: Artes Médicas, 2ª. ed. 1998. 503p.


EDUCAÇÃO

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CURSO DA UNIABO

É PIONEIRO NO CEARÁ Por Jocasta Pimentel

Arquivo pessoal.

Curso de aperfeiçoamento em Ortodontia Preventiva da UNIABO é pioneiro no Ceará Prof. Dra. Frieda de Sousa

Coordenadora do curso Ortodontia Preventiva da UNIABO

A coordenadora do curso, Dra. Frieda de Sousa fala sobre a experiência de estar à frente do curso que é o único a abordar a temática no estado.

Dra. Frieda de Sousa é formada há 32 anos e desde a graduação vem trabalhando com crianças. Atualmente, atende filhos de ex pacientes. “Isso é ótimo, porque as possíveis mudanças que podem ocorrer no meu paciente, eu posso ter uma previsão comparando com os pais”, afirma. A coordenadora do Curso de aperfeiçoamento em Ortodontia Preventiva da UNIABO é especialista em ortodontia e em ortopedia funcional dos maxilares. São duas especialidades distintas, a primeira trabalha

na correção dos dentes, a segunda soluciona desequilíbrios ósseos, musculares e de funcionamento dos maxilares. “A ortopedia funcional dos maxilares nos dá a possibilidade de tratar oclusopatias na dentição decídua. Um profissional com conhecimento de oclusão, crescimento e desenvolvimento crâniofacial sabe a importância de um tratamento na idade tenra, desmitificando o fato de aguardar a erupção dos dentes permanentes para se dá início ao tratamento”, explica a professora.


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Odonto NE - Por que você acha importante tratar o paciente precocemente?

Odonto NE - Quais são os aparelhos utilizados no curso de aperfeiçoamento em Ortodontia Preventiva como foco na Ortopedia Funcional dos Maxilares? Dra. Frieda - O nosso curso de ortodontia preventiva é voltado ao atendimento exclusivamente de crianças. Pois é nesta fase que temos maior crescimento e desenvolvimento craniofacial e podemos trabalhar com aparelhos ortopédicos faciais e funcionais, obtendo sucesso no tratamento. No nosso curso não trabalhamos com colagem

de braquetes utilizados em aparelhos ortodônticos fixos. Nós trabalhamos com placas ortodônticas, aparelhos ortopédicos faciais e funcionais dos maxilares, chamamos de aparelhos kids, são coloridos e tem adesivos de super-heróis ou princesas que dão ar lúdico. Odonto NE - Qual o conteúdo programático do curso? Dra. Frieda - No Curso, temos uma carga teórica, prática e laboratorial. O conteúdo teórico consta; o crescimento e desenvolvimento crâniofacial e dentário, diagnóstico, planejamento e tratamento das oclusopatias infantis, reabilitação

Arquivo pessoal.

Arquivo pessoal.

Dra. Frieda - Na minha opinião quando o paciente é diagnosticado com problemas de desequilíbrios ósseos, musculares e funcionais dos maxilares procuro intervir logo, pois diferentemente dos membros do corpo, aos 7 anos de idade encontramos praticamente 70% do crescimento craniofacial. Uma das limitações ao tratamento seria cooperação do paciente devido a imaturidade, porém quando condicionado e temos a participação positiva dos responsáveis o tratamento é favorável. Temos

pacientes com 3 anos de idade maravilhosos!

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São profissionais que gostam de trabalhar com crianças...”

neuro-oclusal, terapêutica com as pistas diretas planas, os aparelhos ortopédicos funcionais (Klammt, Bimler,Bionator, etc) e as placas ortodônticas; além de outros assuntos.n. Nossa clínica dependo da época fazemos temáticas, o que aumenta a aceitabilidade das crianças. Nas aulas laboratoriais temos confecção de aparelhos, protocolo de ativação de diversos tipos de aparelhos e estudo de

planejamento de casos. Odonto NE - Qual é o público alvo do curso? Dra. Frieda - A Maioria são odontopediatras, ortodontistas ou clínicos que tem uma grande demanda de paciente infantil. Ou seja, são profissionais que gostam de trabalhar com crianças e saibam as condicionar.


RELATO DE CASO

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CLAREAMENTO DENTAL RÁPIDO, SEGURO E EFICAZ. É POSSÍVEL? Relato de caso

Breno Mont Alverne

INTRODUÇÃO Um dos procedimentos estéticos mais realizados na odontologia é o clareamento dental. De certa forma é considerado pelos profissionais um procedimento seguro, menos invasivo e mais conservador, pois não há desgaste na estrutura dental comparado às coroas e facetas. A técnica do clareamento dental consiste na aplicação de diferentes concentrações de peróxido de hidrogênio sobre os dentes manchados ou pigmentados, formando radicais livres que irão promover a redução e transformação de moléculas de estrutura complexa em moléculas mais simples e estas possuirão menor taxa de absorção de luz, sendo, por-

tanto, mais claras que as moléculas originais. (BISPO, 2006; HOLANDA et al, 2006; FLOREZ et al, 2007; TAY, 2009) O tratamento clareador pode ser realizado de duas formas: a técnica de clareamento caseiro, técnica de clareamento assistido realizado no consultório, além de alguns casos haver a necessidade de se realizar ambas as técnicas, denominada de técnica conjugada. O clareamento caseiro necessita de moldeiras individuais confeccionadas em placas de acetato, o que requer total colaboração do paciente para o sucesso do tratamento. Utiliza produtos com concentrações baixas, entre 10% a 22% de peróxido de carbamida, e de 4% a 9% de

peróxido de hidrogênio. (MARSON, 2006; SULIEMAN et al, 2006) Mesmo sendo considerada uma técnica menos invasiva, o clareamento pode causar efeitos indesejáveis, visto que o principal seria a hipersensibilidade dentinária trans e pós-operatória (COSTA et al, 2010). Tal sensibilidade se dá pelo estresse do processo de oxidação do peróxido, liberando mediadores inflamatórios e excitando os nociceptores. Para minimizar a intensidade dessa sensibilidade alguns estudos demonstraram o uso de dessensibilizantes antes do clareamento dental. (MARAN et al, 2018)


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de fluidos de fora para dentro do complexo dentinho-pulpar). Por conta deste mecanismo, o tratamento das LCNC consiste na aplicação de agentes bloqueadores intrabubulares e de superfície, reduzindo assim a permeabilidade dentinária, e consequentemente a hipersensibilidade. (BRANDINI et al,

2012; RITTER et al, 2006) Com isso, o objetivo desde trabalho é expor um caso clínico de uma técnica de clareamento dental com gel de peróxido de hidrogênio Pola Office Bulk (SDI, Austrália) de consultório associada a um protocolo prévio de dessensibilização dentinária.

Figura - 01

Figura - 02

Contudo, existem pacientes que geralmente já possuem condição de hipersensibilidade associadas às lesões cervicais não cariosas (LCNC), que é dependente tanto da exposição dentinária quanto da obstrução dos túbulos. Essa sensibilidade é resultado do mecanismo hidrodinâmico (movimento

RELATO DE CASO

Figura 01 - Cor inicial de acordo com a escala Vita

RELATO DO CASO Paciente R.M.P.F, 29 anos, sexo feminino procurou o cirurgião dentista para realização de procedimento estético de clareamento dental. Durante o exame clínico foram verificadas algumas lesões cervicais não cariosas em estágio iniciais nos dentes anteroinferiores e pré-molares superiores e inferiores. Após realizar o teste com jatos de ar durante 2 se-

Figura 02 - Cor inicial de acordo com a escala Vita

gundos direcionado para a cervical dos dentes foi constatada a sensibilidade provocada. Realizadas as fotos iniciais, para a tomada de cor do incisivo central superior (A2 na escala Vita) e do canino superior (A3 na escala Vita) (Figura 1 e 2), previamente ao clareamento foi executado o protocolo de dessensibilização (FO-UFU)

nas lesões cervicais não cariosas, de alguns dentes, com 2 produtos: um de ação neural Soothe (SDI, Australia) e outro de ação obliteradora, Gluma Desensitizer (Heraeus Kulzer – Alemanha). O primeiro tem como agente principal o nitrato de potássio a 6% e 0,10% de flúor, e o segundo o glutaraldeído.


RELATO DE CASO

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O protocolo consistiu em profilaxia com pasta profilática a base de clorexidina (Consepsis Scrub – Ultradent), em seguida lavagem, para posterior inserção de fio retrator #000 (Ultrapak – Ultradent) e aplicação do dessensibilizante Soothe (SDI) por 5 minutos com aplicador Points (SDI, Australia), sendo 1 minuto a aplicação feita

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de forma ativa e os 4 minutos restantes deixando o produto em contato com a estrutura dental. O gel foi removido com jato de ar-agua, além do fio retrator, em seguida uma nova aplicação. Foram repetidos os passos, sem a inserção do fio. Logo após, inseriu-se um novo fio retrator para primeira aplicação do Gluma Desensitizer

(Heraeus Kulzer) com aplicador Points (SDI). A aplicação foi realizada durante 30 segundos, sendo os primeiros 15 segundos de aplicação ativa e os 15 segundos finais removendo excessos com papel absorvente. Removeu-se o fio retrator e repetiu o processo novamente sem o uso de fio. (Figuras 3, 4, 5, 6)

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Figura - 05

Figura - 06

Figura 03 - Dessensiblizante Soothe (SDI) Figura 04 - Aplicação do dessensibilizante com fio retrator Figura 05 - Aplicação do dessensibilizante sem fio retrator Figura 06 - Aplicação do dessensibilizante sem fio retrator


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Fill Medic

Seu aliado no Rejuvenescimento Facial A Fill Medic é uma distribuidora de medicamentos para procedimentos estéticos de alta qualidade. Distribuidora oficial dos Preenchedores à base de Ácido Hialurônico da Marca Princess e Toxina botulínica da Marca Botulift

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RELATO DE CASO

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Após esta etapa, iniciou-se a técnica de clareamento de consultório. Primeiramente, a fim de proteger o tecido gengival foi aplicada a barreira gengival (Gingival Barrier – SDI, Australia) seguida de fotopolimerização com Radii Plus (SDI) por 10 segundos em cada dente (Figura 7 e 8). O gel utilizado foi Pola Office Bulk Kit (SDI) seguindo as recomendações do fabricante feita de acordo com a bula do produto para 1 aplicação (4 colheres de pó para 20 gotas de líquido). Imediatamente misturou-se usando um pincel e foi aplicada uma camada em todos os dentes previamente protegidos pela barreira (Figura 9). O gel agiu por 8 minutos e em seguida aspirado com sugador cirúrgico descartável (Figura 9). Este processo de aplicação do gel foi realizada 3 vezes.

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Figura - 08

Figura - 09

Figura - 10

Figura 07 - Aplicação da barreira gengival Figura 08 - Fotopolimerização da barreira gengival Figura 09 - Aplicação do gel Pola Office Bulk (SDI) Figura 10 - Remoção do gel Pola Office Bulk (SDI)


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RESULTADOS Após duas sessões de consultório, com três aplicações em cada com um intervalo de 72h, a cor alcançada na escala vita foi Bo1, sendo que a paciente durante todo o tratamento não apresentou sensibilidade dentinária nem durante e nem após as sessões realizadas (Figura 12A e 12B)

Figura - 11 Figura - 12

Figura 11 - Determinação da nova cor após clareamento Figura 12 - Comparativo com cor inicial

CONSIDERAÇÕES FINAIS A utilização do agente clareador a base de peroxido de hidrogênio Pola Office Bulk (SDI) associado a um protocolo de dessensibilização prévia obteve resultados satisfatórios tanto quanto ao aspecto da ausência de sensibilidade dentinária, quanto pela cor alcançada com um aspecto natural após a cor alcançada.

Breno Mont Alverne - CRO-MA 3388 - Chefe do Departamento de Odontologia I da UFMA - Prof. Adjunto das Disciplinas de Clínica Integrada, Dentística e Materiais Dentários da UFMA - Doutor em Materiais Dentários pela FO-USP - Esp. e Mestre em Dentística pela FOB-USP

RELATO DE CASO

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 6 BERNARDON J. K. Clinical performance of vital bleaching techniques. Oper Dent;35:3-10, 2010 6 BISPO LB. Clareamento dentário contemporâneo “high tec” com laser: uma revisão. Revista Odonto Ciência – Fac Odonto/PUCRS 2006; 21(51). 6 COSTA CAS. et al. Human pulp responses to in-office tooth bleaching. Oral Surg Oral Med Oral Pathol Oral Radiol Endod. 109(4): e59-e64. 2010 6 FERREIRA H. A. et al. Influência de agentes clareadores nas propriedades superficiais (rugosidade e microdureza) de uma cerâmica odontológica. Cerâmica [online]., São Paulo. v.62, n.361, pp.5559, 2016. 6 FLOREZ et al. Investigation of Photo-Bleaching through transmittance method in pigmented solution: understanding possible mechanisms and advantages for photo dental whitening. In: SPIE Photonics West – BIOS; 2007, San José – CA. Proc. SPIE;. p. 64250Y, 2007. 6 HOLANDA D. B. V et al. Recontorno cosmético em dentes anteriores superiores: relato de caso clínico. Revista Dental Press Estética., 3(1):49-58, 2006. 6 JORGENSEN M. G, Carroll W. B. Incidence of tooth sensitivity after home whitening treatment. J Am Dent Assoc.; 133(8): 1076-82, 2002. 6 MARAN B. M. et al. Tooth sensitivity with a desensitizing-containing at-home bleaching gel—a randomized triple-blind clinical trial. Journal of Dentistry. v 72; p:67-70. 2018. 6 MARSON C. et al. Na era do clareamento dentário a laser ainda existe espaço para o clareamento caseiro. Revista Dental Press de Estética. 3(1):135– 44, 2006. 6 MARTIN J. et al. Personality style in patients looking for tooth bleaching and its correlation with treatment satisfaction. Brazilian Dental Journal. v. 27(1): 60-65, 2016. 6 MORAES et al. Carbamide peroxide bleaching agents: effects on surface roughness of enamel, composite and porcelain. Clin Oral Investig. Mar;10(1):23-8, 2006. 6 ROBERTO A. R et al. Evaluation of tooth color after bleachingwith and without light-activation. Rev Odonto Cienc, Araraquara;26(3):247-252, 2011. 6 SULIEMAN M. et al. Tooth bleaching by different concentrations of carbamide peroxide and hydrogen peroxide whitening strips: an in vitro study. J Esthet Restor Dent.;18(2):93-100, 2006. 6 TAY L.Y., et al. Assessing the effect of a desensitizing agent used before in-office tooth bleaching. J Am Dent Assoc.; 140(10):1245-51, 2009.


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UNIABO É SINÔNIMO EM

APERFEIÇOAMENTO PROFISSIONAL EM ODONTOLOGIA Por Jocasta Pimentel

Arquivo pessoal.

UNIABO é sinônimo de aperfeiçoamento profissional em Odontologia Prof. Dr. Lécio Pitombeira Pinto

Coordenadora do curso de Especialização da UNIABO

Prof. Dr. Lécio Pitombeira Pinto, coordenador do Curso de Especialização em Implantodontia e docente da UNIABO faz um balanço das atividades da instituição educativa, os avanços e novidades para o segundo semestre de 2018. Odonto NE - Como o senhor avalia o desenvolvimento da UNIABO? Prof. Dr. Lécio Pitombeira São 24 anos de muito ensino! Um pouco de história para contextualizar: Em 1994, sob o nome de Escola de Aperfeiçoamento Profissional (EAP), foram ofertados os primeiros cursos de especialização e

aperfeiçoamento, inicialmente apenas em Endodontia. Coincidentemente aquele foi o ano do meu ingresso no Curso de Odontologia da UFC e quando escutei pela primeira vez sobre as vantagens em continuar estudando e se aprimorando profissionalmente após a graduação. Neste ano de 2018, a UNIABO oferece 30 diferentes cursos nos níveis de Espe-

cialização, Aperfeiçoamento e técnico, contando com 50 professores, 4 funcionários administrativos e 5 ASBs. Até hoje, mais de 6 mil alunos foram certificados pela escola. Para acomodar tal demanda, a ABO-CE passou por uma série de reformas e expansões, contando atualmente com duas clínicas com capacidade total de 24 consultórios, Centro-Ci-


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A UNIABO influenciou fortemente os rumos da Odontologia cearense...”

rúrgico com dois consultórios com capacidade de transmissão de cirurgias ao vivo para um auditório com 220 lugares, quatro salas de aula equipadas com recursos audiovisuais, dois laboratórios, central de esterilização, sala de descanso para seus alunos e professores, além da ampliação do estacionamento. Odonto NE. - Qual a relevância da instituição nos meios profissional e acadêmico? Prof. Dr. Lécio Pitombeira - Devido o pioneirismo e o grande número de alunos e professores que por ela passaram, A UNIABO influenciou fortemente os rumos da Odontologia cearense, promovendo conhecimento e crescimento profis-

sional de grande valor para a comunidade odontológica do Estado. A ABO-CE ainda se destaca por apresentar o clima de Associação de classe em que todos os sócios (alunos e professores), além dos funcionários e pacientes, recebem acolhimento diferenciado. Odonto NE- Qual o feedback que vocês têm dos alunos que já passaram pela UNIABO? Prof. Dr. Lécio Pitombeira - Nosso melhor feedback é constatar que cerca de 70% dos alunos que já passaram pela casa retornaram para fazerem outros cursos. Odonto NE – Quais as novidades para o segundo semestre de 2018?

Prof. Dr. Lécio Pitombeira - Em agosto de 2018 iniciaremos a 5ª turma de Especialização em Implantodontia sob minha coordenação. O edital está aberto no site da ABO-CE (https:// abo-ce.org.br/edital-especializacao-em-implantodontia/). Serão 1200 horas-aulas em 30 meses, nas segundas semanas de cada mês, de 4ª a sábado. O processo seletivo se dará por análise curricular e entrevistas marcadas para o período da manhã dos dias 2 e 9 de junho próximos. O interessado pode consultar a documentação necessária no edital e agendar a sua entrevista.

Contatos pelo telefone:

(85) 3311 - 6670

CURSOS OFERECIDOS PELA UNIABO A UNIABO oferece cursos de Especialização com dupla certificação (CFO e MEC, Chancelados pela Universidade do Vale do Acaraú – UVA), Cursos de Aperfeiçoamento com no máximo 192 horas/aula e Curso de Técnico em Saúde Bucal, este reconhecido pelo CFO e Conselho Estadual de Educação – CEE.


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UM DOS CURSOS UNIABO: ESPECIALZAÇÃO EM IMPLANTOLOGIA

QUEM PODE SER ALUNO UNIABO Para ser aluno UNIABO, o Cirurgião-Dentista precisa ser sócio e estar em dia com a ABO-CE. Além disso, para os cursos de especialização e aperfeiçoamento, os cirurgiões-dentistas devem ser inscritos no CRO-CE.

CORPO DOCENTE A UNIABO conta com 50 professores, todos pós-graduados, a maioria em nível de Doutorado e Mestrado, além de alguns especialistas. São professores que se destacam pelo reconhecimento acadêmico na comunidade odontológica cearense, além de seriedade, compromisso e ampla bagagem clínica.

Em 2018, Dr. Lécio Pitombeira completam dez anos à frente do Curso de Especialização em Implantodontia da ABO-CE, sendo testemunha do crescimento profissional de dezenas de alunos que envaideceram os professores pelos cuidados com os pacientes e o alto nível técnico de finalização dos seus trabalhos, tornando-se “destaques” em seu meio profissional. “Ao longo destas turmas, nos esforçamos em acompanhar a evolução da especialidade, reavaliando práticas que eram rotina e introduzindo novas condutas a cada início de turma. Cirurgias minimamente invasivas, diferentes conexões e superfícies dos implantes com os seus inovadores componentes protéticos, implantes curtos, implantes estreitos, fatores de crescimento teciduais, novos biomateriais, novos protocolos, alternativas cerâmicas, CAD-CAM e planejamentos digitais, explica Dr. Lécio. É realmente desafiador se manter atualizado nesta especialidade e é exatamente isso que incentiva a equipe UNIABO na continuidade dos cursos promovidos pela instituição. “Estamos iniciando as inscrições para a turma 2018 de Especialização em Implantodontia da ABO-CE. Será um prazer receber a sua visita e tirar dúvidas sobre o curso”, informou o coordenador do curso.

Curso de Especialização em Implantodontia, que conta com 6 professores com a seguinte formação: 6 Prof. Dr. Lécio Pitombeira Pinto (Coordenador) Post-Doc Fellowship em CTBMF na Baylor University Medical Center (Dallas-TX-EUA) Doutor e Mestre em CTBMF (PUCRS-Porto Alegre) Especialista em Implantes Dentários (HRAC-USP-Bauru) 6 Prof. Dr. Ricardo Teixeira Abreu Doutor e Mestre em Prótese Dentária (Unicamp, Piracicaba-SP), Especialista em Prótese Dentária (APCD/UNESP, Araraquara-SP) 6 Prof. Dr. José Bonifácio de Sousa Neto Doutor e Mestre em Implantodontia (São Leopoldo Mandic, Campinas-SP), Especialista em CTBMF (UNICASTELO, Fortaleza-CE) 6 Profa. Fernanda Helena Bernardi Mestre em Patologia (UFC) Especialista em CTBMF (PUCRS, Porto Alegre) 6 Prof. Roberto Franklin Mestre em Prótese Dentária (São Leopoldo Mandic, Fortaleza-CE), Especialista em Prótese Dentária na UNIFOR 6 Prof. Thales Amâncio Campos Mestrando em Implantodontia (São Leopoldo Mandic, Fortaleza-CE) Especialista em Implantodontia e Prótese Dentária (UniABO-CE)


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A FIBRINA RICA EM PLAQUETAS (PRF) PARA A CIRURGIA DE LEVANTAMENTO DO SEIO MAXILAR Relato de caso

The Platelets Rich in Fibrin (PRF) for Sinus Lift: clinical case report Luzia Teixeira de Sousa Lécio Pitombeira Pinto

RESUMO Um dos grandes desafios da prática clínica está relacionada ao desenvolvimento de aditivos cirúrgicos bioativos que auxiliem a regulação da inflamação e no processo de reparo dos tecidos vivos. Desde a década de 90, vários estudos proporcionaram o desenvolvimento de preparações ricas em plaquetas, concentrando a quantidade de fatores de crescimento e proteínas secretadas no sítio cirúrgico, no intuito de otimizar o processo de regeneração óssea. Os concentrados plaquetários (CP) são obtidos através da centrifugação do

sangue e resultam em uma alta concentração de plaquetas em um reduzido volume plasmático. A literatura tem salientado as propriedades regenerativas do Fibrina Rica em Plaquetas (PRF), um tipo de CP, que pode ser considerado um agente catalisador no processo de reparo. Existem vários protocolos de obtenção de PRF que são sugeridos na literatura para encontrar a concentração plaquetária ideal e maior liberação dos fatores de crescimento, responsáveis imediatos pela regeneração óssea. Portanto, o objetivo desse trabalho foi re-

alizar um relato de caso de clínico de uma cirurgia de levantamento de seio maxilar com a utilização de membranas de PRF. Com o aumento do conhecimento sobre a biologia do PRF, no futuro, podemos esperar aditivos melhorados como adjuvantes na cicatrização de feridas e regeneração óssea. Palavras-chave: Fibrina rica em plaquetas; Plasma rico em plaquetas; fatores de crescimento; Implantodontia; Seio Maxilar.


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ABSCTRACT One of the great challenges of clinical practice is related to the development of bioactive surgical additives that aid the regulation of inflammation and the process of bone regeneration. Since the 1990s, several studies have provided the development of platelet rich preparations that improve tissue repair capabilities by increasing the amount of growth factors and secreted proteins. Platelet concentrates (PC) are obtained by centrifu-

INTRODUÇÃO Atualmente, um dos grandes desafios da prática clínica está relacionada ao desenvolvimento de aditivos cirúrgicos bioativos que auxiliem a regulação da inflamação e no processo de regeneração óssea.1,2 Com a evolução da Implantodontia, várias técnicas têm sido desenvolvidas para alcançar condições ideais e assegurar a osseointegração dos implantes.3 O potencial regenerativo das plaquetas foi descoberto em 1974 por Ross et al. que foram os primeiros a descreveremnas e demonstrarem que, isoladas do sangue periférico, são uma fonte autóloga de fatores de crescimento (FC). Esses fa-

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gation of the blood and results in a high platelet concentration in a reduced plasma volume. The literature has highlighted the regenerative properties of Platelet Rich in Fibrin (PRF), a type of PC, which can be considered as a catalyst in the repair process. There are several protocols for obtaining PRF that are suggested in the literature to find the ideal platelet concentration and greater release of growth factors, which are the immediate responsi-

ble for the cicatricial process. Therefore, the objective of this study was to perform a clinical case report of a maxillary sinus surgery with the use of PRF membranes. With increasing knowledge about the biology of PRF in the future, we can expect improved additives as adjuvants in wound healing and bone regeneration. Key words: Platelet rich fibrin; Platelet rich plasma; growth factors; Oral Implantology; maxillary sinus.

tores, contidos nos grânulos alfa das plaquetas, têm a capacidade de estimular a proliferação celular, a remodelação da matriz e a angiogênese .4

reduzido volume plasmático. 6 Os CP têm como principal vantagem o fato de serem oriundos do próprio paciente, não sendo, dessa forma, tóxicos ou capazes de gerarem imunorreação ou de transmitir doenças.7 O objetivo das técnicas de obtenção de CP’s é concentrar (através da centrifugação) todos os elementos de uma amostra de sangue que possam ser úteis para melhorar a regeneração tecidual.8, 9

Desde a década de 90, vários estudos proporcionaram o desenvolvimento de preparações ricas em plaquetas com potencial de melhorar a capacidade de reparação dos tecidos, aumentando a quantidade de fatores de crescimento e proteínas secretadas.5 Os concentrados plaquetários (CP) são obtidos através da centrifugação do sangue autógeno, resultando em uma alta concentração de plaquetas em um

A literatura tem salientado as propriedades regenerativas da Fibrina Rica em Plaquetas (PRF), um tipo de CP, que pode ser considerado um agente


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catalisador no processo de reparo. A PRF foi desenvolvida na França por Choukroun et al10 (2006) para uso específico em cirurgia oral e maxilofacial. Esta técnica não exige anticoagulante, ou trombina (ou qualquer outro agente de geleificação) e tem sua utilização embasada cientificamen-

te, pois possibilita a modulação dos processos regenerativos, determinando uma osteogênese mais rápida e de melhor qualidade.11 Portanto, o objetivo do presente estudo foi relatar um caso clínico de cirurgia de levantamento de seio maxilar com uti-

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lização de membrana de PRF, bem como discutir a respeito dos protocolos de obtenção da PRF, indicações na prática clínica e evidências a respeito da sua eficácia na regeneração tecidual.


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RELATO DE CASO CLÍNICO Paciente do sexo masculino E.C.B, 36 anos, compareceu à clínica do curso de Especialização em Implantodontia da ABO-CE, relatando a necessidade de reabilitação, por meio de implantes dentários, dos elementos 25 e 26. Durante a anamnese, o paciente relatou ter sido submetido à cirurgia bucomaxilofacial para remoção de lesão patológica em mandíbula. Relatou também, não ser portador de nenhuma doença sistêmica e negou tabagismo e etilismo. Durante o exame físico extra-oral, nada digno de nota foi observado. No exame intra-oral foi evidenciado o uso de aparelho ortodôntico em maxila e em mandíbula, assimetria de linha média mandibular e confirmada a ausência dos elementos dentários 25 e 26 (Figura 1). Na avaliação imaginológica tomográfica da região, foi observada quantidade óssea insuficiente para instalação de implantes de comprimento adequado devido à proximidade ao assoalho do seio maxilar (Figura 2). O planejamento do caso incluiu uma primeira cirurgia para levantamento do assoalho do seio maxilar com enxerto de hidroxiapatita bovina (Geistlich Bio-oss®), utilização de mem-

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brana absorvível de colágeno suíno (Geistlich Bio-Gide®) associada a membranas de PRF, para posterior instalação dos implantes. No pré-operatório imediato, o sangue do paciente foi coletado à vácuo em 5 tubos de vidro e um de plástico (Figura 3). Os tubos com sangue foram submetidos a uma força gravitacional de 400 G, através da centrifugação de 2.000 RPM por 10 minutos. Em seguida, os coágulos foram coletados dos tubos de vidro e a fibrina coagulada foi separada da parte vermelha do sangue e acondicionadas em kit específico (Maximus®) para compressão controlada e obtenção das membranas de PRF (Figura 4). No tubo de plástico, a ausência do contato do sangue com a sílica dos tubos de vidro reduz a velocidade da cascata da coagulação, permitindo a obtenção da fibrina ainda em fase líquida mesmo após os 10 minutos da centrifugação. Essa fibrina em fase líquida é utilizada para a hidratação das partículas do enxerto de hidroxiapatita bovina, que ao se coagular forma o Sticky bone, sendo traduzido como o “Osso pegajoso” (Figura 5). Em seguida, após anestesia local, foi realizada uma incisão

mucoperiosteal no rebordo alveolar desdentado na região de 25 e 26 e incisões relaxantes na mesial do dente 24 e na distal do dente 27. A diérese romba mucoperiosteal foi realizada e a área cirúrgica foi exposta. O acesso ao assoalho do seio maxilar foi realizado por meio da técnica de Caldwell-Luc, onde foram realizadas duas janelas ósseas, devido a existência de um septo ósseo que dividia o seio maxilar em duas cavidades. A membrana sinusal foi afastada em ambas as cavidades, porém a sua descontinuidade foi observada na loja mais anterior do seio maxilar (Figura 6). Foram utilizadas uma membrana absorvível de colágeno suíno (Geistlich Bio-Gide®) associada a membranas de PRF para reparar a membrana sinusal, permitindo o aumento do rebordo alveolar com o Sticky bone, sem o seu extravasamento para o interior sinusal (Figura 7). As membranas de PRF foram instaladas também sobre as janelas ósseas, evitando o contato e a possível saída de partículas do enxerto para o tecido mole (Figura 8). Em seguida o retalho foi reposicionado sobre as membranas e a sutura realizada. O paciente encontra-se em acompanhamento.


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DISCUSSÃO A PRF promove um forte estímulo para a cicatrização. A rápida cicatrização ocorre pelo estímulo à produção de colágeno, auxiliada por fatores de crescimento. A reparação de tecidos constitui um desafio constante na área da medicina regenerativa, onde diversos biomateriais têm sido estudados para otimizá-la, facilitando a manipulação do biomaterial e agregando fatores de crescimento. Desse modo, o presente relato de caso descreve uma cirurgia de levantamento de seio maxilar com a utilização da PRF. A PRF pertence a uma nova geração de concentrado plaquetário, com processamento simplificado e sem manipulação bioquímica do sangue. A ausência de manipulação é muito importante para determinar a organização tridimensional da rede de fibrina.12 Este coágulo concentra promotores de reparo e de imunidade presentes na amostra de sangue inicial. Embora fatores de crescimento e plaquetas desempenhem um importante papel na biologia da PRF, a arquitetura tridimensional da fibrina e o seu conteúdo de leucócitos são dois parâmetros-chave, raramente avaliados. A maioria

dos estudos destacam apenas concentrações de plaquetas e fatores de crescimento. Contudo, a arquitetura de fibrina influencia diretamente a biologia de todos os biomateriais à base de fibrina.12 No relato de caso clínico apresentado nesse trabalho, a centrifugação foi realizada de acordo com os protocolos para que a arquitetura tridimensional da rede de fibrina fosse preservada, com objetivo de manter todas propriedades inerentes à fibrina, para regeneração tecidual eficiente. A principal aplicação da PRF em Implantodontia é o aumento do tecido ósseo para a instalação de implantes. O problema frequentemente encontrado é a falta de espessura óssea adequada, bem como a proximidade com estruturas anatômicas, como os seios maxilares ou o nervo alveolar inferior. 13 No relato desse estudo o levantamento de seio maxilar foi realizado devido a quantidade óssea insuficiente para instalação de implantes na região dos dentes 25 e 26 devido à proximidade com o seio maxilar. A adição do PRF aos materiais de enxerto pode tornar-se uma oportunidade de desen-

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volvimento de novas formas terapêuticas que melhorem a integração de substitutos ósseos.14 Nesse relato, a PRF foi adicionada à hidroxiapatita bovina (Bio-oss®) para potencializar as propriedades regenerativas do biomaterial. Choukroun et al. 10 (2006) e Simonpiere et al. 14 (2011) concluíram que o PRF pode ser utilizado sozinho ou combinado com outros enxertos para acelerar o processo de reparo. O PRF contém fatores de crescimento de plaquetas, bem como, estas citocinas parecem ter uma ação secundária na bioatividade do PRF. Esta hipótese é reforçada pela avaliação histológica no estudo de Choukroun et al 15 (2001) em que o número de osteócitos tanto nas amostras do grupo controle e teste, em seis meses, foram idênticas. A PRF parece não aumentar a proliferação celular em longo prazo, concentrando seus efeitos no início no processo de reparo dos enxertos, desempenhando um importante papel na revascularização do enxerto, apoiando a angiogênese. Gaultier et al. 16 (2004) indo de encontro aos trabalhos de Zhang et al. 17 (2012), afirmaram não haver diferença histológicas no uso


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do L-PRF em relação a ganho de osso no levantamento de seio maxilar após 6 meses. Porém, do ponto de vista da análise histológica, após 6 meses a osseointegração tende a remodelar e não apresenta diferença sob o aspecto histológico, pois já ocorreu a maturação e remodelação, como também mostraram Choukroun et al.10 (2006) e Simonpieri et al. 14 (2009). Como o PRF é 100% autólogo e não contém aditivos externos, o padrão de formação de PRF é completamente fisiológico, a polimerização ocorre lentamente, naturalmente e progressivamente na presença de trombina fisiológica.18 Isso contrasta com outros concentrados de plaquetas, particularmente os concentrados de primeira geração como o Plasma Rico em Plaquetas (PRP), onde a polimerização da fibrina ocorre na presença de trombina exógena e não fisiológica de maneira bastante rápida. Sanchez et al. 3 (2003) mostraram os potenciais riscos associados ao uso do PRP: a trombina utilizada (geralmente de origem bovina) poderia estar associada ao desenvolvimento de anticorpos tanto de anti-trombina como dos anti-

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fatores V e XI, resultando em risco de alterações na coagulação.13 Foi evidenciado ainda a possibilidade de uma reação imune de corpo estranho devido à presença do fator V, na trombina utilizada.18 Apesar dos bons resultados biológicos obtidos com o PRP, encontrase na literatura algumas limitações quanto à utilização desta técnica.19 Portanto, devido às limitações relacionadas ao PRP, no caso relatado, a PRF foi a melhor opção. Nos relatos sobre a técnica e a utilização clínica, os autores como Lynch et al6 (1999), Choukroun et al. 10 (2006), Dohan et al. 9 (2006), Dohan et al. 11(2009), demostraram, que se trata de uma técnica fácil, acessível e contribui para um pós-operatório com menos morbidade. Girish et al.20 (2013) concluem ser uma opção economicamente viável, quando comparado com o uso dos fatores de crescimento recombinantes. No relato clínico apresentado, a técnica se apresentou bastante simples e de baixo custo, permitindo sua aplicação no cotidiano cirúrgico do Curso de Especialização em Implantodontia da ABOCE.


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Figura 01 - Região edêntula com planejamento de reabilitação com implantes dentais Figura 02 - Tomografia Computadorizada da região do 24 e 25 apresentando um septo e a deficiência óssea vertical, mais acentuada na região do 25 Figura 03 - Coleta de sangue Figura 04 - Coágulos de fibrina antes (superior) e após (inferior) o processo de preparo compressivo controlado para formação das membranas Figura 05 - Partículas de hidroxiapatita bovina agregadas através da coagulação

Figura - 09

da fibrina que foi adicionada ao biomaterial ainda em sua fase líquida (Sticky bone). Figura 06 -Descolamento da membrana do seio maxilar se evidenciando uma perfuração na janela anterior. Figura 07 - Selamento da perfuração com membrana de colágeno suíno sobrejacente às membranas de PRF Figura 08 - Preenchimento do defeito ósseo com o biomaterial agregado com Fibrina Rica em Plaquetas ainda em fase líquida. Figura 09 - Instalação de membranas de PRF sobre a região enxertada.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS A PRF como aditivo cirúrgico biológico tem sido usado com sucesso para aplicações variadas em Odontologia. É um concentrado de fatores de crescimento de fácil obtenção e baixo custo, promovendo a angiogênese, migração e proliferação celular. O processo inflamatório é modulado em seu tempo e intensidade pela grande presença leucocitária do PRF. Devido à sua

maior capacidade de defesa contra as infecções e às propriedades quimiotáticas das citocinas presentes, pode ser considerado um coágulo com propriedades imunológicas. Com o aumento da conhecimento sobre a biologia da PRF, há a expectativa de se conseguir aditivos melhorados que possam agir como adjuvantes na cicatrização de feridas e regeneração óssea.

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concentrate. Indian J Dent Res, 2008; 19 (1): 4246. 6 Simonpieri A, Del Corso M, Sammartino G, Ehrenfest DMD. The Revelance of Choukroun’s Platelet-Rich Fibrin and Metronidazole During Complex Maxillary Rehabilitations Using Bone Allograft. Part I: A New Grafting Protocol. Impl Dent, 2009;18; 102-111. 6 Choukroun J, Adda F, Schoeffler C, Vervelle A. Une opportunité en paro-implantologie: le PRF. Implantod, 2001; 42:55-62. 6 Gaultier F. et al. Platelet concentrates. Part 3: Clinical applications. Implantod, 2004;13: 3-11. 6 Zhang Y, Tangl S, Huber CD, Lin Y, Qiu L. Effects of Choukroun’s plateletrich fibrin on bone regeneration in combination with deproteinized bovine bone mineral in maxillary sinus augmentation: a histological and histomorphometric study. J Craniomaxillofac Surg, 2012; 40: 321–328. 6 AlbaneSe A, Licata ME, Polizzi B, Campisi G. Platelet-rich plasma (PRP) in dental and oral surgery: from the wound healing to bone regeneration. Immun Age, 2013; 10:23. 6 Desarda HM, Gurav AN, Gaikwad SP, Inamdar SP. Platelet rich fibrin: A new hope for regeneration in aggressive periodontitis patients: Report of two cases. Ind J Dent Res, 2013, 24 (5): 627-630. 6 Girish S. et al. Bone regeneration in extraction sockets with autologous platelet rich fibrin gel. J Oral Maxillofac Surg, 2013; 12(1): 11-16.


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