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Janeiro|2013

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Gui, dos já veteranos Xutos & Pontapés, Sérgio Nascimento, Sérgio Costa, Nuno Rebelo e Johannes Krieger. “Janela (Mediterrânica)”, “Polaroid Omelete” e os “Três Miseráveis Saxes Barítonos”, “Mujitos Summer”, “Rumbero”, “Eléctrica Cadente”, “Um Homem Atravessa Lisboa Na Sua Querida Bicicleta” e “Cacto” são algumas das canções que fizeram a delícia da crítica e do público português.

Artista do Mês Dead Combo

design by Joana Gomes

Dead Combo, a dupla portuguesa formada pela guitarra de Tó Trips e pelo contrabaixo de Pedro Gonçalves, nasceu no ano de 2003, como forma de homenagear o génio da guitarra portuguesa, Carlos Paredes. Após o convite por Henrique Amaro, da Antena 3, o duo fez parte do alinhamento do disco de homenagem “Movimentos Perpétuos – Música para Carlos Paredes”, com o tema “Paredes Ambience”.

Um ano depois, “Vol. 1” foi uma vez mais apontado como um dos melhores álbuns do ano, pelo célebre radialista britânico da BBC Radio, Charlie Guillett, incluindo a canção “Rumbero” na compilação “The Sound of The World – 2005”. Após fundação da sua própria editora, Dead & Company, foi lançado o segundo álbum, em 2006, intitulado “Vol. 2: Quando a Alma Não É Pequena”. Tal como aconteceu com o trabalho anterior, a crítica não poupou nos elogios, considerando-o um dos melhores álbuns editados no nosso país nesse ano. Uma vez mais, o sucesso da dupla portuguesa atravessou fronteiras com o segundo

Foi em 2004, com o lançamento do seu álbum de estreia “Vol. 1”, que a dupla foi recebida com entusiasmo pela crítica portuguesa, tendo sido mesmo considerado Álbum do Ano, pelo jornal Público. Este trabalho teve a participação de Zé Pedro e 1


reconhecimento pelo radialista Charlie Guillett. Este segundo sucesso foi gravado na Galeria Zé dos Bois, em Lisboa, incluindo canções como “A Menina Dança? (no Salão)”, “Canja Voodoo” e “Ai Que Vida!”; contando uma vez mais com participações muito especiais de Sérgio Nascimento, Paulo Furtado, Nuno Rafael e Peixe.

Pelo palco passaram também as Víboras do Chiado, o fadista Camané e a Royal Orquestra das Caveiras. Dead Combo marcaram ainda presença no Festival EDP Paredes de Coura, em Agosto do ano passado. Foi um concerto de uma energia incomparável, muito bem recebido pelos fãs, que vibraram com os temas mais conhecidos da banda. As notas de “Lisboa Mulata” espalharam-se pelo anfiteatro natural do palco principal de Paredes de Coura, fundindo-se com o espaço numa harmonia que poucas bandas conseguem atingir. 2012 foi, sem dúvida alguma, uma ano de novas oportunidades para esta dupla portuguesa. Além dos vários concertos que deram (com especial destaque para os dois aqui referidos), a banda foi convidada a actuar na estreia de Cannes do filme “Cosmopolis”, realizado por David Cronenberg e produzido por Paulo Branco e apareceu ainda no programa culinário de Antony Bourdain, “No Reservations”.

Em Maio de 2012, a dupla portuguesa esteve presente num concerto na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa. No ambiente intimista que aquela sala consegue criar como nenhum outro espaço em Lisboa, Dead Combo encantaram todos os presentes. Em duas horas e meia de concerto, Tó Trips e Pedro Gonçalves contaram histórias em formato canção, levando o público da cidade numa viagem por uma Lisboa cheia de mundo. Lisboa Mulata era a protagonista do concerto, mas a carreira dos Dead Combo tem demasiado recheio para ser ignorado. “Rumbero”, de “Vol.1” e “Sopa de Cavalo Cansado”, de “Quando a Alma Não é Pequena” são disso exemplo e serviram de abertura ao espectáculo.

Este último acontecimento levou-os ao top 10 do iTunes americano durante semanas consecutivas – e ao português também. É caso para nos orgulharmos do que por cá se faz, contrariando a tendência que nos é inata para desvalorizar a produção nacional. Ana Raquel Vilela e David Dias

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músicas donde se destacam Turn Of The Light e Song of Origin. Turn Of The Light, agora modificado, altera o seu estilo original de uma voz acompanhada do som da guitarra para algo mais electrónico, mas ainda assim mantendo a sua simplicidade e fluidez musical, transmitindo um sentimento de saudade e sensualidade, sendo por isto um dos grandes êxitos desta artista. Outro grande original é Song of Origin que retrata a natureza e o que dela origina, com três minutos de uma melodia harmoniosa e encantadora. Para quem aprecia música calma e relaxante, este EP é o ideal.

Álbum do Mês Origins, Emmy Curl Emmy Curl, uma jovem transmontana de 22 anos, começa a ser um nome promissor no mundo da música. Com o lançamento do seu já terceiro EP, o nome artistico de Catarina Miranda começa a correr o país. No seguimento de êxitos do EP Birds Among The Lines como No Moon – uma música mais séria e com uma letra profunda - e Mine – com um estilo mais happy & lovely – surge então o novo EP com o título Origins composto por seis

Ana Rita Cunha

O que é nacional também se papa... Emmy Curl, uma jovem transmontana de 22 anos, começa a ser um nome promissor no mundo da música. Com o lançamento do seu já terceiro EP, o nome artistico de Catarina Miranda começa a correr o país. No seguimento de êxitos do EP Birds Among The Lines como No Moon – uma música mais séria e com uma letra profunda - e Mine – com um estilo mais happy & lovely – surge então o novo EP com o título Origins composto

Samuel Úria Cantautor, professor de Educação Visual que passou os últimos anos entre Tondela, a sua terra, Coimbra, Leiria, Figueira da Foz, Évora e, agora, Lisboa – nomadismo devido, em parte à sua carreira na educação, e refletido no seu trabalho “O Caminho Ferroviário Estreito” (2003). 3


O núcleo de rádio pelos concertos... MIKA no Coliseu dos Recreios No dia 22 de Novembro, o cantor MIKA actuou no Coliseu dos Recreios. Uma hora antes de o concerto começar já se observava fila na entrada, havendo público internacional para também para assistir ao concerto. O concerto foi aberto pelo DJ André Henriques da RFM, que durante aproximadamente trinta minutos passou música e conseguiu pôr o público a dançar, tendo sido o auge, o grande final ao som de “Gangnam Style” do PSY, tendo grande parte do público feito a conhecida coreografia. Quando o concerto começou, foi como se se entrasse noutro mundo e a ser contada uma história numa atmosfera única. O cantor entrou em palco ao som de “ Relax Take It Easy”. Em inglês, o cantor anunciou que estava com problemas na voz , o que nunca tinha acontecido em espectáculo. O público mostrou um grande carinho e apoio, tendo o cantor continuado o espectáculo.

Úria é membro do movimento FlorCaveira, uma editora discográfica independente portuguesa – fundada em 1999 por Tiago Guillul, alter-ego de Tiago Cavaco – em que a língua portuguesa não é uma opção, é uma obrigatoriedade! Foi com o EP “Em Bruto” (2008) e o álbum “Nem Lhe Tocava” (2009), onde conta com a participação de uma banda com vários insignes da família FlorCaveira e assinala ainda convidados especiais como Celina da Piedade, Jorge Cruz e B Fachada, que captou a atenção da imprensa portuguesa, com a crítica a ser consensual na consideração do cantautor como um dos mais importantes escritores de canções da atualidade. No mesmo ano de “Nem Lhe Tocava”, escreveu e gravou, num só dia, um disco inteiro na sua casa, essa sua proeza foi filmada e transmitida em direto pela internet, enquanto os seus fãs forneciam sugestões via e-mail. O resultado dessa aventura foi lançado um ano depois, como “A Descondecoração de Samuel Úria”, um disco verdadeiramente caseiro disponível à venda no site da FlorCaveira. No arranque de 2013, dez anos após o seu primeiro álbum, sairá o 2º disco de estúdio “Grande Medo do Pequeno Mundo”, o qual já foi desvendado no concerto de apresentação do mesmo, no Teatro Tivoli BBVA – Vodafone Mexefest, com a participação de Márcia, Miguel Araújo e do Grupo Coral 12 Pessoas ao Todo. Para quem não teve essa oportunidade, resta então esperar pelo lançamento do novo trabalho de um dos maiores nomes da música portuguesa deste século, Samuel Úria ou Sami para os amigos!

Com esforço, MIKA levou o público ao delírio com antigos temas como “Grace Kelly”, mas também com novos como “Overrated”. Muitas lágrimas correram ao som de “Underwater” e “Stardust”. E durante a actuação de “Celebrate” foram atirados papelinhos ao ar, criando uma autêntica celebração. Um dos momentos altos da noite foi ao som de “Love You When I’m Drunk”, onde em conjunto com Ricardo Mestre, um grande fã que tinha sido seleccionado para cantar em palco no coro com

David Dias

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o cantor, cantaram algumas frases da música em português, ouvindo-se “ Eu só te amo, eu só te amo, só te amo , só te amo , quando estou com um copo a mais…” Este momento tem um pequeno clip que pode ser visualizado na página do Facebook do Núcleo de Rádio.

cantar no momento “Grace Kelly”. Descobrimos também que das músicas que nos mandaram para o mail tínhamos ainda muitas que tivemos que cantar, o que nos assustou, mas claro como profissionais que fomos nada passou de um simples susto para um acompanhamento coral fantástico. Por fim resta-me falar sobre o Mika, que infelizmente não teve muito contacto connosco por estar doente e preocupado com o espetáculo. De qualquer maneira o coro teve a função de cantar todas as músicas do Mika durante toda a tarde até lhe conseguirmos meter um sorriso na cara (palavras da mãe dele). Cantar com ele foi algo que não consigo explicar por palavras, mas se tivesse que o fazer numa diria Música. Na verdade ajudei na concepção da música em português e cantei-a para ele apanhar, mas nunca pensei que me chamasse para o palco em pelo concerto, visto que até me esqueci da letra! Queria deixar em nome do Polka Dot Choir Lisbon um muito obrigado a todos os que estiveram no concerto a cantar pelo Mika e connosco, todo aquele apoio foi extremamente positivo e essencial para o nosso grande músico, cantor e compositor, deixando claro que sempre que o Mika precisar terá o melhor coro de sempre ao seu lado (palavras do guitarrista do Mika).”

No final do concerto, o cantor, já em grande esforço e quase sem voz, agradeceu e ficou emocionado com o carinho e apoio do público. À saída do Coliseu deu ainda alguns autógrafos a fãs delirantes. Ficámos também a saber que durante o soundcheck , alguns fãs vencedores de um concurso da FNAC puderam conhecê-lo, acompanhados também de alguns fãs da Mikalândia. Assim foi para Ricardo Mestre acima referido, que diz: “Desde que recebi o e-mail que estava como se não fosse nada, super descontraído, possivelmente porque ainda não acreditava realmente na minha sorte. Quando cheguei lá a ansiedade começava a apertar, até aparecer uma rapariga italiana que, sem eu saber fazia parte do coro e tinha visto o meu vídeo para o concurso do Mika. A partir daí tudo se tornou muito mais real e divertido, conhecia a rapariga e posteriormente as outras raparigas do coro (era o único rapaz). Toda aquela energia que cada pessoa do coro possuía era algo de fantástico, senti-me mesmo que estava num coro sem nunca ter conhecido e cantado com as pessoas antes, de facto ficamos muito unidos em todo aquele dia. Dos momentos mais altos que vivi naquele dia espetacular foi quando estávamos a ensaiar as músicas como coro e do nada aparecem os músicos do Mika que rapidamente nos disseram um “Olá” acompanhando-nos na música que estávamos a

Micaela Marcos 5


God Save The Queen

Ainda eram oito horas da noite e já o belíssimo edifício da praça de touros do Campo Pequeno se encontrava praticamente rodeado de extensas filas com indivíduos de todas as idades prontos a assistir a um concerto à volta do qual se andavam a criar enormes expectativas. Que concerto seria este que conseguiria chamar tanto os mais jovens como os mais velhos? Neste caso foram nada mais que God Save The Queen, a maior e mais bem conhecida banda tributo dos famosos Queen. Foi como se Freddie Mercury tivesse ressuscitado naquela noite de 24 de Novembro especialmente para todo o público português (e não só!) de forma a mostrar toda a sua grandiosidade e actualidade musical através do vocalista Pablo Padin. Pablo Padin não poderia ter feito um melhor trabalho, desde os fatos parecidíssimos ao grande concerto de Wembley, à compostura em palco, aos gritos agudos e incrivelmente difíceis de executar para alguém não experiente até à interacção com a toda a banda e público. Até os restantes músicos pareciam terem sido retirados do conjunto inicial! Não fossem alguns tons mais agudos e dir-se-ia

mesmo que Freddie Mercury estava vivo. À parte de temas mais mexidos e lendários como “ We Will Rock You”, “ We Are The Champions” e “Crazy Little Thing Called Love” onde o vocalista corria pelo palco inteiro frenético, o concerto teve alguns momentos mais intimistas onde o vocalista se sentava ao piano e tocava quase a solo (“Love of my life” ou o início de “Bohemian Rhapsody”) ou, ainda, o espectacular solo do guitarrista que não deixou ninguém indiferente.

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Quando se lançaram confettis e já o público pensava que o concerto teria acabado, eis que se ouve um: “the show must go on!”. E, assim, recomeçou toda uma panóplia de músicas que o público tanto pedia desde o início: o melhor para o fim! No final do concerto não houve quem não tivesse gostado ou não tivesse um elogio à banda ou à parecença do timbre do vocalista com o de Freddie Mercury. Foi tanta a empatia com o público que não penso que será a última vez que termos God Save The Queen a actuar em Portugal.

Pouco depois de terminarem o seu set com o êxito “Pelican”, os Black Keys entraram em palco, começando com “Howlin’ For You” frente a uma plateia em êxtase. Para além das músicas de El Camino, de 2011, a banda não deixou de revisitar álbuns mais antigos com temas como “Thickfreakness”, “ I Got Mine”, ou “Your Touch”, o que foi certamente muito ao agrado dos fãs de longa data. Tocada a meio do set, “Little Black Submarines” - a Stairway to Heaven dos dias de hoje, foi possivelmente o momento mais alto do concerto, não havendo quem contivesse a sua voz para acompanhar Dan Auerbach. Quem perdeu este grande concerto, terá certamente uma oportunidade num festival de Verão, pois os Keys prometeram regressar em breve a terras lusas!

Helena Sousa

The Black Keys + The Maccabees - Pavilhão Atlântico (27/11/12) Numa chuvosa noite de Novembro, os Black Keys deram início à sua tour europeia em Lisboa, num Pavilhão Atlântico quase esgotado, cheio de fãs devotos com as letras das canções na ponta da língua. Coube aos londrinos Maccabees abrir o espectáculo que, com o seu art-rock cerebral, a cada música foram conquistando mais a audiência.

Mila Mikovic

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Ariel Pink’s Haunted Graffiti – Lux Frágil

Foi um concerto curto mas irrepreensível. Apenas uma pergunta fica no ar: para quando o próximo?

Na noite de 1 de Dezembro (de 2012, já agora), a discoteca de Santa Apolónia acolheu mais um grande concerto, continuando a afirmar-se como ponto de referência na noite lisboeta. Foi a vez do californiano Ariel Pink vir apresentar o seu novo álbum, “Mature Themes”, acompanhado de mais três elementos que formam a sua banda. A abertura do concerto ficou a cargo das PegaMonstro, figuras maiores da editora Cafetra, que marcou o 2012 musical português. As irmãs Júlia e Marta arriscaram e trouxeram ao público novos sons sem, no entanto, esquecer faixas mais antigas que já nos são conhecidas, como “Afta” ou “Akon”. Mostraram trabalho e inovação, avizinhando-se um ano de sucesso para esta dupla. Ana Raquel Vilela

Na hotte com... Virgem Suta Ariel Pink e a sua banda começaram o concerto com uma faixa destinada a captar a atenção de todos: “Kinski Assassin” deixou-nos a cantar e a dançar, animados e expectantes de um bom concerto. A noite prosseguiu com Ariel a percorrer os temas do seu novo álbum, com especial destaque para faixas como “Symphony Of The Nymph” e “Only In My Dreams”, ambas bem conhecidas do público, o que ficou provado pelo coro que acompanhava o cantor. Na sua figura caricata – as calças de fato de treino conjugadas com o casaco de cabedal e o cabelo oxigenado – Ariel deambula pelo palco de microfone na mão, interagindo com o público e deixando-nos (ainda mais) bem-dispostos. Antes de terminar – e antes que a sua voz se ressentisse, uma vez que o cantor estava engripado – Ariel faz ainda uma passagem pelo álbum anterior, o brilhante “Before Today”. “Merry Go Round” foi o momento alto da noite, recebida com um entusiamo inigualável.

O Núcleo de Rádio teve a honra de entrevistar os Virgem Suta, uma banda nacional com muito para dizer e muito para contar. Numa entrevista informal e recheada de boa disposição, realizada via telefónica no dia 6 de Dezembro, a caminho de um concerto em Bragança, onde tivemos o prazer de falar com um dos membros, Nuno Figueiredo. 8


Quem são os Virgem Suta? E qual é a origem do nome?

lar com todas as nossas vidas paralelas, mas isto tem sido uma aventura muito boa de louvar. Tem sido incrível porque nós temos conhecido muita gente, temo-nos cruzado com muitas pessoas que nós adoramos desde sempre, que são nossos ídolos, e agora partilhamos o palco com eles, como o Sérgio Godinho, os Clã, os Deolinda, pessoas que nós víamos, músicos que gostamos muito e agora damos por nós a tocar com eles. Isto para nós, obviamente que influencia a nossa forma de fazer música porque fomos crescendo, fomos bebendo de outras influências, tocando com outras pessoas, músicos muito melhores que nós e tudo isso, obviamente, fez-nos crescer enquanto pessoas e compositores! Acho que o segundo disco é um pouco a continuação deste percurso, se calhar de uma forma mais madura, mais crescida de fazer a abordagem à música, mas tem sempre aquela linha de música portuguesa com a ironia, as histórias do quotidiano e com boa disposição.

Os Virgem Suta são um grupo de duas pessoas, pequenino composto por mim, Nuno Figueiredo, e pelo Jorge Benvinda, que é o vocalista. Moramos os dois em Beja já há muitos anos, embora eu seja do Porto mas vim para o Alentejo estudar há quase 20 anos e desde então estive envolvido em bandas. Sempre quis tocar, em projectos musicais, até que conheci o Jorge – portanto isto já lá vão para aí uns 18 anos! Entretanto fomos tendo vários projectos juntos que nunca deram assim grande resultado, até que há coisa de 3 anos, decidimos editar o nosso primeiro disco. Foi um longo percurso árduo, de tentativa em erro, até conseguirmos criar um projecto sólido, neste caso os Virgem Suta, que neste momento já têm um papel e um lugar a defender no panorama musical nacional. O nome vem da junção de dois termos, que nos caracterizam também de alguma forma: por um lado, o Virgem, associamos ao nosso lado mais naïve ou intuitivo de fazer música, porque não somos propriamente nenhuns craques no que diz respeito a tocar instrumentos! Nós desenrascamo-nos, tocamos algumas músicas, mas sempre um bocadinho à tosca. Mesmo na forma de compor não deixa de ser isso: nós fazemos aquilo que nos vem à cabeça, sem pensar propriamente em regras de composição. Portanto, isto seria o nosso lado mais virgem de fazer música. O Suta, em Beja, é um termo que se associa ao excesso, ao descontrolo, que também temos um bocadinho na nossa forma de estar, temos em doses diferentes no nosso perfil, mas também na nossa forma de fazer música. Portanto, este Virgem Suta é um ying yang alentejano: forma de estar por um lado simples, por outro lado meia maluca de explorar esta nossa forma no mundo.

Antes de entrarem no palco, qual é o vosso ritual? (risos) Olha varia muito! Depende muito da situação, mas por norma damos um abraço e dizemos “Epá, vamos partir isto tudo!”, mas claro que não partimos nada. (risos) Damos tudo para que as pessoas que vão ver um espectáculo nosso sintam prazer, que vejam por bem o dinheiro que gastaram connosco. Portanto, aquilo que nós fazemos normalmente. Quanto muito fazemos um brinde, também é hábito sim. Fazemos um brinde, damos um abraço e damos coragem um ao outro, para levar isto da melhor forma. É sempre muito bom entrar em palco: aquele nervoso miudinho que depois se transforma em energia! É muito giro! Tendo em conta que vocês iniciaram agora uma digressão a dois, como é que descrevem a vossa relação em palco?

Desde o vosso primeiro trabalho, qual é o balanço que fazem desta aventura? E de que maneira é que isso influenciou o vosso segundo álbum “Doce Lar”?

Estes concertos são sempre muito divertidos porque são sempre imprevisíveis. Para já, nós somos pessoas muito diferentes, mas já nos conhecemos há muito tempo. Aquilo que nós sentimos com o público, faz-nos às vezes mudar o alinhamento: acrescentar músicas, tirar outras, fazer outras brincadeiras. É sempre uma coisa muito pouco calculada. Tudo aquilo que tentamos calcular, dá sempre buraco! (risos) Nós temos sempre aquela máxima: nunca estudar muito, nunca prever muito as coisas ou antecipar, porque elas correm sempre ao contrário daquilo que nós

Isto tem sido uma aventura incrível porque sempre foi aquilo que nós quisemos, desde sempre, fizemos tudo durante estes anos para conseguir chegar a um disco! Portanto, como podem calcular, estamos a viver um sonho e estamos a viver aquilo com que sempre sonhámos! Obviamente com dificuldades, até porque nós temos de articu9


prevemos. Portanto, isto é uma aventura! O que torna tudo muito bom. Vais bem preparado, obviamente, as músicas estão treinadas, mas tudo aquilo pode acontecer à volta delas é imprevisível. E é isso que também faz o espectáculo, senão fazíamos o espectáculo e reproduzíamos sempre tudo perfeito ou muito mau, não havendo segundas hipóteses! Assim há sempre, porque o público é sempre diferente: há públicos que são muito mais enérgicos que outros, são muito mais reactivos, são muitos mais simpáticos, outros mais atentos que nem sequer reagem, há outros que são muito efusivos. E como são diferentes, nós também agimos de forma diferente inevitavelmente, e os espectáculos são todos eles uma imprevisibilidade que nos dá gozo! Entrar no desconhecido, num campo que não sabemos onde é que aquilo vai dar. Até agora tem corrido bem, mas pode acontecer que algum dia que haja surpresas malucas! Nunca se sabe! (risos)

Não sinto, e creio que o Jorge também não sentirá diferença, na abordagem, as pessoas já se integraram no universo delas, o que é bom para nós, e já as encaram de forma igual. Obviamente que há sempre aquelas que as pessoas gostam mais, presentes no outro disco, mas a reacção é idêntica, não vejo que o disco faça diferença a esse nível com as pessoas.

Seguindo o ponto da digressão e do público, têm sentido diferença na reacção em relação ao primeiro e ao segundo álbum?

Das vossas músicas (que cantam ou compuseram), quais é que são as vossas favoritas? E se algumas delas têm alguma vertente autobiográfica?

Sinceramente, tinha muito a ideia que quando começássemos a tocar o segundo disco iria haver uma diferença muito grande, por causa de serem mais conhecidas algumas músicas e outras nem tanto. O que se tem visto agora é que quem vai ver os nossos concertos – são concertos de auditório, portanto concertos maioritariamente pagos – são pessoas que gostam já dos Virgem Suta, que conhecem a sua discografia e vão lá mesmo com conhecimento de causa. Obviamente que eventualmente há alguns curiosos, mas a maioria são pessoas que já nos conhecem bem. Não temos sentido grande diferença entre as músicas do primeiro e do segundo disco. As músicas do primeiro e do segundo disco são encaradas como um todo.

Isso é uma pergunta mesmo muito difícil! (risos) Depende muito do tempo, do momento. Isso é uma pergunta que eu fiz, aqui há uns meses atrás, ao Sérgio Godinho e ele disse-me: “Epá não faças perguntas dessas!” Porque todas as músicas são importantes é verdade, que cada um, visto de fora, e eu por exemplo como fã de Sérgio Godinho, tenho as minhas favoritas e acreditava que ele também tivesse, mas todas elas são muito nossas! Partiram de nós! Agora compreendo a resposta dele. Fazem todas parte do nosso imaginário. Obviamente há aquelas como “Tomo Conta Desta Tua Casa”, “Linhas Cruzadas” ou “Dança de Balcão” que são músicas que toda a gente também con10


Algum de vocês é o “Luso Gentleman”?

hece e quando as tocas sentes uma reacção muito grande, como acontece agora também com “Maria Alice”, não quer dizer que sejam mais especiais. São diferentes. São mais populares para o grande público. Para nós todas elas dizem alguma coisa e terão um ou outro pormenor que é autobiográfico, mas não declaradamente do princípio ao fim. Fazem mais parte daquilo que é o universo que nós vamos vendo todos os dias, das histórias que vamos lendo, que vamos partilhando com as outras pessoas. Portanto, tem um bocadinho de nós em todas elas, mas nenhuma delas é descaradamente a nossa biografia. Felizmente! (risos)

Quando estava a responder à anterior estava a pensar nessa. (risos) Não! Achas que sim!? Claro que não! Nós não somos nada disso! (risos) O “Luso Gentleman” é uma crítica, um reparo, a este machismo que ainda existe e que está implícito na nossa sociedade e já não faz muito sentido. Quase todas as semanas há histórias de violência, de violência doméstica. Não faz qualquer sentido. Nós, de uma forma divertida, vamos falando destas coisas, vamos falando dos “pintas” da vida! O que até é giro e caricato. O “Luso Gentleman” foi retirado de um universo muito mais caricato, um retrato quase pateta de um engatatão português. Que todos somos! Portanto esta atitude pode ser um bocadinho de Jorge e de Nuno. No entanto, temos de tocar outros universos, para as pessoas ao rir pensarem um bocadinho nas coisas que vão fazendo. Nós não queremos mudar nada em particular, mas gostamos de falar de tudo. Falar desta forma que parece meia tonta, meia brincalhona, mas que fala de coisas sérias e de assuntos que nos preocupam, de facto. E este é um deles! Achamos que os “pintas” devem existir sempre, mas há muita coisa que está implícita nesse universo que nos aborrece também: o machismo é uma delas! Deve existir sentido de género, devemos evitar que existam diferenças tão grandes e que algumas delas – epá, eu não queria chamar nomes às coisas - mas tão peculiares que existem em Portugal! Falando politicamente correcto! (risos)

Já que falou em “Maria Alice”, quem é a “Maria Alice”? A Maria Alice era uma vizinha da avó do Jorge e a história tem uma base que é verdadeira, depois há uma fabulação à volta do primeiro universo desenhado, portanto quase todas as histórias têm isso, partem de uma personagem que conhecemos ou vimos ou de alguma ideia que nós lemos e depois vamos acrescentando peças, para tornar mais abrangente, mais consistente, uma personagem mais consistente! E a Maria Alice é um bocado isso: uma ex-vizinha do Jorge que vivia naquele universo peculiar de safadeza, que depois nós fomos acrescentando no universo dela mais peças!

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Qual, ou quais, foram as músicas mais difíceis de compor?

– epá, eu não queria chamar nomes às coisas mas tão peculiares que existem em Portugal! Falando politicamente correcto! (risos)

São todas diferentes e todas difíceis. Há umas que são mais imediatas, outras que demoram muito mais. Por exemplo, “Bárbara e Ken” demorou cerca de dois meses a compor. Fiz três letras diferentes, não gostava de nenhuma delas, até que fiz a que é agora e correu-me bem. Assim como há outras que se fazem muito rápido, como “Artes do Amor” que foi ao fim de uma noite. Por norma há aquelas muito difíceis e muito fáceis, mas que esquecemos depois. (risos)

Em relação às três últimas músicas do vosso último trabalho, nomeadamente “És Tudo Para Mim” interpretado por Amália, “Absolutamente” interpretado pela Carmen Miranda e “Playback” de Carlos Paião, que razão ou razões vos levaram a interpretá-las e incluí-las no álbum? Olha, para já introduzimo-las no CD porque o público foi pedindo. Nós começámos a tocá-las ao vivo, foram pedindo para serem incluídas, queriam tê-las em disco, e nós não temos que ficar com as coisas só para nós. Nós fazemos música para as pessoas, e reservamos para nós mais músicas até que as que mostramos. As que mostramos, gostamos que o público as tenha e as partilhe. Daí a nossa razão para as editar em CD. A nossa escolha destes temas prendeu-se com o gostarmos das letras, essencialmente, e dos artistas em questão, obviamente. Por acharmos que o universo deles teria alguma coisa ou alguma proximidade com aquilo que nós fazemos. Gostamos das músicas, como as tocamos quase sempre, achamos que são bastante nossas.

Neste vosso segundo trabalho, têm uma participação especial. Uma foto de um cão impressa na parte frontal do CD. Quem é esse cão? (risos) É o Guga. É o cão do Jorge. Acompanha sempre o Jorge e estava connosco no dia da sessão fotográfica. Não foi nada premeditado nem esperado, aconteceu e gostámos do resultado. É bom quando as coisas acontecem assim, sem estares à espera, e no fim gera o consenso de toda a gente. E é bonito, o cão! (risos) Já tiveram alguma situação caricata numa farmácia? Olha, por acaso não me recordo. Se calhar vou ter hoje, estou constipado e quando chegarmos a Bragança, estamos em viagem para lá. Não, nunca tivemos nenhuma situação caricata numa farmácia. Temos tido mais é, sei lá, em bares, tascas, mas em farmácias não. Felizmente! E é assim que deve ser. Só recorremos a elas mesmo nestas situações de necessidade como constipação e afonia. No ano passado aconteceu o Jorge precisar de uma ajuda forte, porque estava afónico de manhã, e à noite já estava bem. Não sei o que lhe deram, mas o certo é que correu bem. Temos várias situações engraçadas em bares e tascas. Há sempre pessoas que se metem connosco e acaba sempre por ser muito divertido. Não me recordo de nenhuma assim em especial, mas lembro-me que uma vez fomos tocar a Coimbra e a seguir fomos a uma festa numa república. Foi uma daquelas noites que nem sei contar. Uma história que não foi planeada. São histórias com o público, não privadas. Temos histórias em que as pessoas sobem para o palco e este quase se desmonta, o que chegou a acontecer o ano passado nos Açores, em que o palco foi pelos ares. Essencial12


mente é isso. São histórias com o público, devido à partilha e euforia, que se descontrolam um pouco, mas quase sempre em palco, não fora dele. (risos)

que isso é importante. É importante terem um critério de escolha em todas as escolhas que fazem. Portanto na música, na Música Portuguesa em particular, sejam curiosos, escolham música portuguesa boa. Um grande abraço para todos porque foram muito fixes. (risos). Simpática entrevista! Correu muito bem! (risos)

Para terminar, gostaríamos de saber se querem deixar alguma mensagem para a comunidade da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa?

E no final, ainda houve tempo para deixar uma mensagem ao NRAEFFUL!

Antes de mais queria dar um grande abraço para todo o pessoal que está a estudar Ciências Farmacêuticas. Espero que seja pessoal curioso e que dê aos Sutas pelo menos a oportunidade de nos ouvirem, ou que pelo menos sejam curiosos e o tentem nem que seja uma vez. Gostava também de vos congratular (alunos) pela resistência que têm mostrado neste país e pela vontade de trabalharem neste universo que é a Saúde. Gostava que fossem - aliás digo isto a toda a gente criteriosos não só nas coisas que fazem como também naquilo que são no dia-a-dia e nas escolhas que fazem tenham gosto no que trabalham mas também no que fazem no dia-a-dia, nas escolhas que fazem. Perceber que a nossa decisão é importante para aquilo que é a nossa carreira futura, e isso também obviamente no universo da música. Que procurem conhecer coisas, que mesmo que depois não gostem saibam dizer porquê. Eu acho

Acho que é muito importante aquilo que vocês estão a fazer, mostrar o que vai acontecendo no país em termos de música! Estamos muito habituados a consumir aquilo que nos vai aparecendo gratuitamente de uma forma pouco criteriosa. Acho importante haver pessoas que no seu diaa-dia se preocupam com o que vai surgindo, que escolhem, sabem ouvir, e vão mostrando às pessoas. Não estou obviamente à espera que toda a gente vá gostar de Virgem Suta, como não estou há espera que gostem de outros projectos, mas é bom saber que eles existem e depois escolherem se gostam ou não e porquê. Isso será sempre importante e os estudantes têm um grande papel naquilo que é o futuro de todos nós! Sejam criteriosos em tudo o que fazem! Muito obrigado! 13


Agradecimentos:

Rapidinhas do Núcleo Ana Rita Cunha

Nuno Figueiredo e Jorge Benvinda

- O que andas a ouvir? The Arcade Fire, Bon Iver, Chromatics, Dave Matthews Band, Mumford & Sons e Sleigh Bells - Um álbum: Ten dos Pearl Jam - Um concerto: Arctic Monkeys no Super Bock Super Rock 2011 Catarina Teixeira Internet Promotion - Universal Music Portugal, SA

Rafael Baptista

- O que andas a ouvir? Foxygen - We Are The 21st Century Ambassadors Of Peace And Magic, iamamiwhoami – bounty, e Blur - Um álbum: Funeral dos The Arcade Fire

Inês Cristóvão e João Vilarinho Comunicação - Sons em Trânsito

- Um concerto: The Cure no Optimus Alive 2012

O nosso muito obrigado pela colaboração e pelo tempo dispensado 14


8

Filho da Mãe + Diamond Gloss Culturgest (21:30h, 6€)

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Mark Eitzel Lux (23h, 10€)

8

O Martim + Harry Hates Hats Ritz Clube (22h, 5€)

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Almost a Song + Bruno Béu Culturgest (21:30h, 6€)

Agenda

Fevereiro

1

O Abominável + Capitão Galvão + Glass In The Park Casa Independente (22h, 3€)

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Julie & The Carjackers Centro Culutra de Belém (22h, desde 11€)

1

The Soaked Lamb Culturgest (21:30h, 5€)

1

1

1

2

2

7€)

7

8

11€)

Anathema MusicBox (22h, 15€)

12

We The Kings Santiago Alquimista (21h, 20€)

13

The Wooden Wolf Bacalhoeiro (22h, 3€)

13

Metz + Cangarra Galeria Zé dos Bois (22h, 8€)

14

Sigur Rós + Blanck Mass Campo Pequeno (21h, desde 25€)

14

Bobo Stenson Trio Centro Cultural de Belém (21h, desde 11€)

The Script Campo Pequeno (21h, desde 25€)

The Swifter Teatro Municipal Maria Matos (22h, desde

Awolnation TMN ao Vivo (21h, 25€)

12

Elliott Levin’s Lisbon Connection Galeria Zé dos Bois (22h, 6€)

5 7

For the Glory + Grankapo + Shape + Northern Blue Ritz Clube (16h, 6€)

Corsage Restart (19h30, livre)

Regra de 3 Simples Teatro Rápido (22h, 6€)

10

Bruno Morgado Fnac Vasco da Gama (19h, livre)

2

14

Radial Chao Opera + Rodrigo Amado Hurricane Culturgest (21h30, 6€)

14

Billy The Kid MusicBox (22:30h, 7€)

14

Gatekeeper + d’Eon Galeria Zé dos Bois (22h, 8€)

15

Sebenta Fnac Colombo (21:30h, entrada livre)

16

GNR Centro Cultural de Belém (21h, desde 10€)

Cochaise Ritz Clube (22h, 7 €)

Albatre + Go Suck a Fuck Trem Azul (22h, 6€)

Grip 5 Centro Cultural de Bélem (21h, desde

15


16

Black Bombaim + Luís Lopes Noise Solo Trem Azul (22h, 6€)

22

Elisa Rodrigues & Júlio Resende MusicBox (00h, 10€)

17

Switchtense + Angelus Apatrida República da Música(15:30h, 8€)

23

Eterna Saudade + Collapse Clube Recreativo dos Anjos (21:30h, 2€)

17

Crystal Castles TMN ao Vivo (21h, 27€)

23

Regra de 3 Simples Teatro Rápido (22h, 6€)

20

Lydia’s Sleep + Ash is a Robot Cineclube de Telheiras (21:30h, 4€)

26

Filipe Felizardo Teatro Municipal Maria Matos (22h, desde

20

Erica Buettner Paradise Garage (21h, ND)

27

Diego el Cigala Centro Cultural de Belém (21h, desde 25€)

Mário Laginha Trio Centro Cultural de Belém (21h, desde 13€)

27

Ballister Culturgest (21:30h, 5€)

Jason Moran & The Bandwagon Culturgest (21:30h, desde 5€)

28

Sebenta Cinema São Jorge (22h, desde 12€)

28

Sebenta Cinema São Jorge (22h, desde 12€)

22

22

22

22

Mono + Microphonics Paradise Garage (21h, 20€) Capicua Galeria Zé dos Bois (22h, 6€)

6€)

Núcleo de Rádio AEFFUL |nucleoradioaefful@gmail.com http://www.facebook.com/Nucleo.de.radio.AEFFUL|http://www.myspace.com/nucleoradioaefful


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