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Fevereiro|2012

newsletter Artista do Mês The Cure

design by Joana Gomes

A 21 de Abril de 1959 nascia em Blackpool, Inglaterra, aquele que seria o líder de uma das maiores e mais importantes bandas de rock do cenário mundial. Robert Smith cresceu no bairro de Crowley, na periferia de Sussex, tendo sofrido desde cedo diversas influências musicais. Na família ouvia-se Beatles e Jimi Hendrix, ao mesmo tempo que se difundia a onda punk da década de 70 em Inglaterra. Aos 16 anos, Robert funda a banda Malice, cujo nome foi alterado logo de seguida para Easy Cure. Da banda inicial faziam parte o guitarrista e teclista Porl Thompson, o baixista Michael Dempsey e o baterista Laurence Tolhurst. Ainda sob o nome de Easy Cure, a banda participa num concurso musical na Alemanha, em Abril de 1977, promovido pela editora Hansa. A banda ganha o concurso mas desilude a editora, que se recusa a representá-los por esperar um som mais punk. 1

ouve-te!

Durante o ano seguinte, a banda continuou a tentar ganhar notoriedade perto de editoras, dando pequenos concertos aqui e ali, mas sem sucesso. Assim – e aqui se vê o espírito empreendedor de Smith – em Março de 1978, decidem investir numa gravação própria. A gravação continha as músicas “Boys Don’t Cry”, “Fire in Cairo”, “It’s Not You” e “10:15 Saturday Night”. Depois de a enviarem para diversas editoras, Chris Parry reconheceu o mérito dos então Easy Cure, passando a representar a banda. Em Setembro de 1978, já com o nome actual, lançam o single “Killing an Arab”, que alcançou um sucesso considerável em pouco tempo. Em 1979, o grupo lança o seu primeiro álbum, Three Imaginary Boys, que foi lançado nos Estados Unidos um ano mais tarde com o nome de Boys Don’t Cry. O seu sucesso aumentava cada vez mais. No seu segundo álbum – 17 Seconds (1980) -, a banda começa a adquirir algumas das características que os viriam a caracterizar daí para


a frente. A estrutura minimalista e a atmosfera sombria e algo depressiva começa a evidenciar-se; a faixa “Forrest” impulsiona as vendas a nível mundial. A carreira dos The Cure estava então a descolar, tendo estes arriscado mesmo a sua primeira tournée mundial. O terceiro e quarto álbuns, Faith (1981) e Pornography (1982), vieram dar continuidade à mudança sonora, mas reflectem também um período conturbado da vida de Robert Smith. O vocalista atravessava problemas de alcoolismo e toxicodependência, o que se evidencia nas letras tristes e músicas com uma atmosfera algo mais pesada. Também a constituição da banda se alterou nesta altura, tendo Robert Smith chegado a participar como guitarrista em alguns concertos da banda Siouxsie and The Banshees.

da banda. Em 2001 é lançada a colectânea Greatest Hits, com duas faixas inéditas, “Cut Here” e “Just Say Yes”. Os The Cure começam então a trabalhar no sucessor de Bloodflowers, intitulado simplesmente The Cure; este trabalho foi elogiado pela crítica, contendo faixas atmosféricas e sombrias, não deixando de fora a veia pop. Nos anos seguintes a banda sofreu novas reestruturações, tendo Robert sido o único elemento constante. Foram lançadas várias remasterizações, colectâneas e DVDs; os The Cure nunca pararam.

Depois desta fase mais complicada, os The Cure voltam a ascender ao sucesso de outrora com faixas mais pop e electrónicas: “The Walk”, “Lovecats” e “Let’s Go To Bed” são bons exemplos desta nova fase. Em 1984 a banda lança o álbum Top, aclamado pela crítica como o melhor até então e, em 1985, é lançado o álbum The Head on the Door, onde a depressão dá lugar a uma leve melancolia. Kiss Me Kiss Me Kiss Me é lançado a 5 de Maio de 1987; o álbum trazia 17 faixas e alguns dos mais belos momentos da carreira do grupo. Depois de uma pausa, a banda lança Disintegration (1989), um álbum ao vivo com arranjos elaborados e extensos, algo melancólicos. Em 1992, o inédito Wish coloca os The Cure de volta às rádios e ao sucesso mundial, com a tão conhecida “Friday I’m In Love”. A banda realiza nova tournée mundial, tendo lotação esgotada onde quer que fossem. Em 96 é lançado um novo álbum, Wild Mood Swings, e a banda realiza a tournée “The Swing Tour”. Em 2000 a banda lança o álbum Bloodflowers, considerado por Robert Smith o melhor trabalho

Em Outubro de 2008 é lançado o décimo terceiro álbum da carreira da banda de Robert. 4:13 Dream traz 13 faixas inéditas que não se propõem a inovar ou a modernizar a identidade da banda, mas sim a reafirmar o estilo rock/pop da mesma. The Cure foram, sem dúvida alguma, uma das bandas mais importantes na década de 80. Responsáveis por grande parte dos hits desta época, o grupo continua ainda hoje a fazer história, mais de 25 anos após o lançamento do primeiro álbum. Com o lendário Robert Smith, ícone da banda, ultrapassam os limites de qualquer rótulo em que possam ter sido enquadrados e continuam a agradar aos fãs mais antigos, tal como aos mais recentes. Estiveram em Portugal pela última vez em 2008, num concerto em nome próprio no Pavilhão Atlântico. Agora confirmaram a sua presença no dia 14 de Julho de 2012, no Festival Optimus Alive. Esperamos ansiosamente vê-los por cá. Ana Raquel Vilela 2


bela e por vezes escura. Muito mais exuberante que somente a voz cativante que Lana del Rey mostrava no YouTube, este álbum rompe qualquer vestígio de cantora amadora, deixando perdidos no tempo os vídeos que ela própria fazia em casa, os concertos em pequenos bares... Perdeu-se a Lana Del Rey intimista, e gerou-se uma Lana del Rey pronta para ser um nome pop reconhecido. O álbum de Lana tem sido alvo de críticas bastante divergentes: há quem diga que é um álbum de emoções adolescentes, entediante, que não tem substância e matéria suficientes, e há quem diga que o álbum é incrivelmente fascinante. A apresentação do álbum Born To Die tem dado que falar com as performances extremamente criticadas de Lana del Rey. Em programas de rádio e televisão, Lana mostra-se desconfortável e não consegue aplicar convenientemente os seus dotes vocais. Será que estas aparições fracas de Lana desacreditaram o seu público?

Álbum do Mês Lana Del Rey, Born To Die

Rafael Baptista

Há quem diga que 2012 é o seu ano, há quem diga que Lana é só mais um nome pop como outro qualquer. Lana del Rey tem sido, desde o momento que é fenómeno na internet, alvo de grande polémica: desde as suas origens até às actuações ao vivo não tão bem conseguidas, passando pela sua grande mudança de visual. Lana del Rey era Lizzy Grant, que lançou um álbum em 2010. Este não foi reconhecido, não teve sucesso suficiente para Lizzy se mostrar. A partir desse ano, Lizzy “transformou-se” em Lana. Talvez por marketing bem sucedido, talvez “à segunda tentativa” é de vez, mas a verdade é que Lana del Rey é sinónimo de sucesso em todo o mundo. Lana aproveita a ribalta e lança um álbum, Born To Die, a 30 de Janeiro de 2012. Com este álbum, Lana del Rey recolhe fãs e várias nomeações para prémios, como por exemplo, Next Big Thing (Q Awards), que acabou por vencer. Em Born To Die, a cantora norte-americana diz tudo o que sente. Talvez por redundância, o ouvinte facilmente consegue decifrar o que Lana sente e deseja, em músicas como “Blue Jeans”, “National Anthem”, “Million Dollar Man” e “This Is What Makes Us Girls”. O conteúdo do desejo é simples: amor, homens, dinheiro, dentro de uma fantasia 3


bater o pé, abanar a cabeça e permite desfrutar de um passeio de carro. O importante também é que este CD foi gravado de forma analógica, sem pressas, num estúdio antigo. E o resultado, esse ouvese – e que bem que se ouve e aprecia.

O que é nacional também se papa...

Bernardo Duarte

We Trust

O núcleo de rádio pelos concertos... B Fachada no Metro de Lisboa

“We Trust” parece uma máxima, um dito que nesta época de sobressaltos tenta contrariar a negrura que se deposita em nós. Pode ser, sim, mas, no contexto do Núcleo de Rádio, é também uma banda. E nacional. Produto interno, ou seja, passando a publicidade, é algo com que podemos aumentar o nosso PIB. E não só, também a nossa cultura. Quem são estes rapazes que transmitem vibrações, sonoridades, palavras que nos transportam para um universo agradável? A ideia surgiu por parte de André Tentúgal, realizador a residir no Porto, responsável anteriormente pela produção e montagem de vários videoclips de bandas distintas, como os X-Wife. Em Dezembro de 2010 começaram as gravações para o seu CD de estreia, que viria a ser um dos melhores de 2011. A recepção ao mesmo foi tão boa que é utilizado na playlist do site da Hugo Boss. A excelência já se adivinhava após o lançamento do single “Time (Better Not Stop)”, que bateu recordes de visualizações no YouTube. Seguindo esta tendência, até a cadeia de moda Acne também passa temas dos We Trust nas suas lojas. Ao escutar-se o CD é que se consegue atingir a sensibilidade da música, embalada por vozes apaziguadas, fundindo um pop-rock com estrofes que fazem pensar, a par e passo com algum (pouco e estético) acompanhamento electrónico. Desde “Them Lies” até “Once upon a Time”, o CD prima pelos temas calmos, melodiosos e que ficam no ouvido. É aquele tipo de música que faz

No passado domingo, dia 12 de Fevereiro, quem passava distraído pelos corredores da estação de metro da Baixa-Chiado estranhou certamente ver um grupo de pessoas sentado em almofadas em frente a um pequeno palco improvisado. O concerto, inserido nas comemorações do Dia dos Namorados da Baixa-Chiado PT Bluestation, tinha hora marcada para as 17h. Também nesta estação tocam, nos próximos dias e já fora do âmbito do Dia de São Valentim, Adriana Queiroz (15 de Fevereiro, às 17h), Katharsis (17 de Fevereiro, às 21h), Brass Wires Orchestra (21 de Fevereiro, às 18h) e Macacos do Chinês (24 de Fevereiro, 21h), todos gratuitos.

4


Cerca de meia hora antes do início do concerto já se começava a juntar alguma multidão em frente ao pequeno palco. Entre o chá e as bolachas oferecidos, os fãs iam ocupando os seus lugares em pequenas almofadas distribuídas ao público. Às 17h em ponto, B Fachada subiu ao palco e fez as nossas delícias com a música “Kit de Prestidigitação”. Na próxima hora e meia, Bernardo Fachada tocou alguns dos temas mais representativos da sua carreira, como “Estar à Espera ou Procurar”, “Cantiga de Amigo”, “Tó-Zé”, “Não Pratico Habilidades”… Num ambiente bastante descontraído e intimista, os fãs acompanharam o concerto com aplausos e coro das letras simples mas críticas deste nosso músico português. O concerto terminou com o tema “Deus, Pátria e Família”, para deleite de muitos dos elementos do público. B Fachada fez o melhor que pôde para executar este tema com os recursos de que dispunha, provocando a surpresa dos transeuntes que passavam pelos corredores do metro, ao ouvirem a letra bastante polémica desta canção.

Rapidinhas do Núcleo Carolina Pardete

- O que andas a ouvir? The Cults, Foster The People, Girls, CSS, Los Campesinos, Radiohead, Grizzly Bear, Feist, Fiona Apple, Laura Marling, Emily and The Woods, Beach Fossils, Panda Bear, James Blake, Nicolas Jaar, Death Cab For Cutie, Noah And The Wale e naqueles dias em que me sinto mergulhada no romantismo Barry White, Al Green, Lisa Ekdahl, Koop, Nina Simone, e Bobby Womack. - Um album: The Reminder, da Feist. - Um concerto: Arcade Fire no SBSR 2007, The National no Campo Pequeno 2011 e, claro, todos os das Purple Sessions.

Ana Raquel Vilela

Diana Ferreira

-O que andas a ouvir? Leonard Cohen, The Kills, dEUS. -Um album: White Blood Cells, dos White Stripes. -Um concerto: Incubus, no Pavilhão Atlântico em Março de 2007. 5


Agenda 2

Fingertips Cinema São Jorge

11

Simple Plan + We The Kings Coliseu dos Recreios

Fink MusicBox

12

Thurston Moore & John Moloney & Keith Wood A definir

M83 + Porcelain Raft Lux

15

Luís Raposo Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro

Elysian Fields + Pedro e os Lobos MusicBox

The Jon Spencer Blues Explosion TMN ao Vivo

16

Pedro Carneiro & Bernardo Sassetti Culturgest

17

The Offshores Fábrica do Braço de Prata

18

Feist Coliseu dos Recreios

22

The Straits Aula Magna

LMFAO Coliseu dos Recreios

The Sullens Roterdão Club

Cut My Skin + Crise Total Casa de Lafões

Shadowsphere Cinema São Jorge

Martina Topley-Bird MusicBox

Mindlock + Switchtense + Seven Stitches + Sortilegiis República da Música

A Book In The Shelf + Dream Circus Spock Café Bar

Glenn Jones + Filho da Mãe Zé dos Bois

7

8

The Sullens Fábrica do Braço de Prata

Março

3

5

10

Helmet + Fighting With Wire TMN ao Vivo

A Naifa Teatro Municipal São Luiz Fennesz + Manuel Mota Teatro Municipal Maria Matos Rita Redshoes Teatro Municipal São Luiz

9

Chris & Cosey + Rafael Toral + Producers Teatro Municipal Maria Matos

Daniel Higgs Zé dos Bois

10

Luísa Sobral Campo Pequeno

23

Tiago Sousa Museu do Oriente

6


25

Valient Thorr + Jettblack Caixa Económica Operária

26

Tindersticks Cinema São Jorge

27

James Morrison + Mia Rose Coliseu dos Recreios

29

We Have Band MusicBox

Red Trio & Nate Wooley Teatro Municipal Maria Matos

Ar de Rock TMN ao Vivo

31

Mark Lanegan TMN ao Vivo

Melech Mechaya Cinema São Jorge

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Núcleo de Rádio AEFFUL |nucleoradioaefful@gmail.com http://www.facebook.com/Nucleo.de.radio.AEFFUL|http://www.myspace.com/nucleoradioaefful

Newsletter NRAEFFUL Fevereiro 2012  

Newsletter de Fevereiro de 2012 do Núcleo de Rádio AEFFUL

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