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24 de maio de 2016 | Papiro 1

Negócios flexíveis Empresas aproveitam o sucesso do e-commerce nas redes sociais e abrem também lojas físicas, para aumentar e fidelizar a clientela. Pág 6 24 de maio de 2016

Política

Deputados gastam R$ 14 mi ano passado Levantamento usando o Portal da Transparência, do site da Assembleia Legislativa do Ceará, revela que a diferença entre o menor e o maior gasto nos gabinetes dos parlamentares ficou em mais de R$ 201 mil. Pág 3

Dragão do Mar

Lazer e insegurança caminham juntos A cena cultural de Fortaleza oferece várias opções de lazer para pessoas de todos os gostos. Um dos equipamentos que mais atrai é o Centro Cultural Dragão do Mar, com sua pluralidade e qualidade da programação. Mas, a violência no entorno, principalmente o medo de assaltos, acaba gerando um clima de insegurança entre os frequentadores, que pedem providências. Outro ponto de convergência de teatro, música, sarau e carnaval na cidade é a Praça da Gentilândia, no bairro do Benfica. Lá, o público prevalente é de jovens. Páginas 11 e 12

Inovação Estudantes criam Tamagotchi para ajudar animais

Abrigo São Lázaro, de animais, ganha site para sensibilizar sobre doações e adoções. Universitários desenvolveram um bichinho virtual, o Ralf, que orienta os visitantes num jogo divertido e interativo. Pág 9

Caratê

Atletas dos sinais disputam final do brasileiro Caratecas precisam de recursos para ir a São Paulo disputar o campeonato nacional. Dentre eles, está Daniel Facundo, 13, classificado em terceiro lugar para a próxima etapa. Pág 15

Alimentação Fortaleza já oferece cardápios alternativos Fortaleza conta com um cenário mais favorável de lojas especializadas e supermercados, com produtos para quem tem restrição ao glúten e ao açúcar do leite. Há também restaurantes com cardápio diferenciado e páginas nas redes sociais

com receitas e dicas. O mesmo vem acontecendo para quem é praticante do veganismo: marcas na capital apresentam alternativas para consumidores que não utilizam produtos obtidos a partir da exploração de animais. Páginas 12 e 13

Doença

Doação

WhatsAppinite é causada pelo uso do celular

Grupo voluntário ajuda pessoas em situação de rua

Esforço repetitivo afeta membros superiores, provocando dores e desconforto que prejudicam as atividades. Pág 14

Moradores contam com ajuda de voluntários para sobreviver. Ação divide opiniões, pois pode gerar acomodação. Pág 8


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Editorial Fortaleza e seus estímulos

U

m breve piscar de olhos, 290 anos! Seja na suntuosa Beira Mar ou na simplicidade das periferias, somos sobreviventes e resistimos, dia após dia, a uma Fortaleza que luta para se manter viva, pungente e justa. Não tem jeito! É na fala cantada e no bom humor que Fortaleza se constrói e se reconstrói, entre erros e acertos, descobrindo a sensibilidade de compreender e tolerar o espaço do outro, através de novas formas de conviver. É empoderando o cidadão fortalezense como autor das histórias que compõem nossa cidade, que apresentamos a nova edição do jornal Papiro em sua versão 2016.1. Começamos a publicação instigando sobre os gastos dos nossos deputados estaduais cearenses em 2015. Foram mais de 14 milhões de reais! Descobrimos qual parlamentar desembolsou mais dinheiro com despesas de gabinete. Como autoridade maior do seu voto, acreditamos que você, fortalezense, precisa estar a par disso. Por falar em voto, desafiamos a memória de 30 jovens e realizamos uma pesquisa para entender se a juventude ainda se interessa por assuntos políticos. Será que eles lembram em quem votaram na última eleição? Temos o resultado! E que tal começar a criar e customizar seus objetos pessoais?! A cultura do DIY (do inglês Do it yourself), que significa “Faça você mesmo”, estimula os adeptos, por meio de vídeos na Internet, a fabricarem os produtos que desejam consumir. Uma ótima opção para quem quer exclusividade e fugir do consumismo do que já está pronto e exposto nas vitrines. Em contrapartida, mostramos que empresários fortalezenses do segmento de e-commerce estão migrando das redes sociais e aventurando-se na criação de espaços físicos. Aquele clique no Instagram já não é mais tão valioso? Saindo do mundo virtual, apresentamos a história de três mulheres que, em meio à crise, enxergaram alternativas simples para vencer o aperto financeiro. Abordamos também a reforma de um shopping na Capital que está dividindo a opinião de clientes e lojistas, e , com essas matéria, fechamos a cobertura de Economia. A despeito da realidade que nos envolve numa árdua rotina, somos despertados pelas gentilezas urbanas. Um exemplo é a admirável atitude de um grupo de voluntários que distribui comida e água para moradores de rua em Fortaleza, ou então, a capacidade de uma turma de universitários que desenvolveu um “tamagotchi” (lembra aquele bichinho virtual dos anos 90?) para incentivar adoções e doações a um abrigo de cães abandonados. Ações motivadoras para inspirar aquele velho altruísmo esmagado na correria dos nossos dias. Mas há quem diga que boas ações geram comodismo. Será? Para a fortalezense Melissa, a resposta a essa indagação, provavelmente, seria “não”! Atravessando fronteiras alencarinas, seu rumo foi a Colômbia, onde voluntariou-se em um projeto social que atende crianças carentes de comunidades vulneráveis de Bogotá. A estudante de direito é uma das personagens da matéria que nos convida a entender outra vertente de intercâmbio, que vai além do simples aprendizado de um novo idioma. Check-out feito! Hora de retornar a Fortaleza. Desembarcamos entre luzes e cores que banham ruas boêmias, cheias de vozes e olhares enamorados. Passeando em suas vielas e descendo a ladeira, chegamos ao Dragão do Mar, um dos pontos turísticos de mais fama da Capital. Nele, avistamos o reflexo da expressão cultural que aqui resiste, mas apreciamos comedidos. O fantasma da insegurança está logo ali. Somos corajosos o bastante para enfrentar esses espectros e nos entregarmos ao que o Dragão pode oferecer? A poucos quilômetros, também encontramos, na Praça da Gentilândia, as mais variadas opções de lazer. É a Cultura da Praça! Tem teatro, música, sarau e carnaval! Tudo aberto ao público e gratuito. Mas calma! De barriga vazia, não dá para curtir tanta novidade. “Ah, mas não vem me falar dos food trucks. Isso é tão 2015! Já é página virada, edição passada. Não posso comer qualquer coisa por aí, tenho intolerância à lactose, ao glúten e ainda sou vegano”. Pedido atendido! Nesta edição, inovamos ao falar das mais variadas opções que celíacos, intolerantes ao açúcar do leite e adeptos ao veganismo podem encontrar em Fortaleza para saciar a fome. Não vem dizer que, depois de tanta informação apresentada, você dispersou o olhar para aquela habitual conferida no WhatsApp?!! Cui-da-do! A “WhatsAppinite” existe e provoca dores nos punhos, mãos e polegares. Uma matéria sobre saúde alerta justamente sobre essa doença que vem tirando o sono de muita gente. Uau! É tanta prosa boa pra mais de metro neste Papiro que ainda sobra espaço para contar a história de jovens caratecas, que pedem ajuda nos semáforos da Capital, para competir em outros estados. A cada sinal vermelho, uma leve arrumada no quimono, um olhar certeiro em direção ao alvo e suspiros refeitos em esperança. Para eles, mais um dia a ser superado. Para nós, a possibilidade de contribuir, como autores que somos de nossos enredos, com mais uma entre tantas histórias que fazem de Fortaleza a cidade dos desafios. Sinta-se desafiado!

Direto Geral Ednilton Soárez Diretor Acadêmico Ednilo Soárez Vice-Diretor Adelmir Jucá Coordenador do curso de Jornalismo Dilson Alexandre Coordenadora do curso de Design Gráfico Nila Bandeira Editora Chefe Ana Márcia Diógenes Projeto Gráfico e Direção de Arte Tarcísio Bezerra Editores do Núcleo de Design Diego Henrique | Humberto Araújo Estagiário de Design Caio Amorim Tirinha Deleon Stu Editorial Iury Medeiros COLABORADORES Texto Adaílson Silva, Áthila Nepomuceno, Gabriela Custódio, Gabriela Rolim, Ivan Lucas Araújo, Iury Medeiros, João Ricart, Juliana Rodrigues, Laíne Carlos, Magno Paz, Mairla Freitas, Natiele Maíra, Niedja Amazonas, Paulo Mesquita Weider Gabriel, Design Ana Júlia Alves , Ana Karolina Saldanha, Bruna Massaglia, Camilla Rodrigues, Carlos Eduardo , Danielber Castro, Deusdedit Neto, Dyego Viana, Erika Chagas, Igor Thawen , Ítalo Falcão, Gabriel Rodrigues, Jonnas de Souza, Rafael Almeida, Suelen Mendonça, Victor Mendes


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Dinheiro público Deputados gastaram mais de R$ 14 milhões em 2015 Entre o menor e o maior uso do recurso pelos parlamentares, a diferença, ano passado, ficou em mais de R$ 201 mil. O presidente da Assembleia Legislativa, Zezinho Albuquerque, e o deputado Renato Roseno foram os que menos utilizaram os recursos disponíveis para os gabinetes REPORTAGEM | FOTOS João Ricart DESIGN Deusdedit Neto

A

busca e comparação de dados no Portal da Transparência, no site da Assembleia Legislativa do Ceará (AL) revelam a deputada cearense Bethrose, do Partido Progressista Republicano (PRP), no topo dos que mais gastaram em 2015. Os custos para manutenção do seu gabinete somaram R$ 369.223,98. Quem menos usou os recursos públicos foi o Presidente da AL, deputado Zezinho Albuquerque, do Partido Republicano da Ordem Social (PROS). O desembolso, para o seu gabinete, foi de R$ 167.490,45. Embora a maioria dos eleitores não saiba, desde 2012, a chamada Lei de Acesso a Informação, também conhecida como Lei 11.527/11, permite acompanhar as despesas públicas, inclusive salários e gastos. Por meio dessa legislação, por exemplo, é possível também verificar como cada deputado usou a Verba de Desempenho Parlamentar (VDP), que banca as despesas executadas, anualmente, no exercício do mandato de cada um deles.

Publicidade dos gastos A Assembleia disponibiliza, mensalmente, por meio do Portal da Transparência, todo o valor pago para despesas de cada gabinete. Os arquivos disponibilizados estão em formato PDF, justamente para que não possam ser alterados pelos que visitam o site. Para ter uma noção comparativa das despesas de forma mais ampla, o Papiro realizou um comparativo da utilização da VDP no ano de 2015. O levantamento, realizado no Portal da Transparência, revelou que a maior parte das despesas se concentra no item Serviços Técnicos Profissionais, que representa mais de R$ 4 milhões ao ano. Na casa dos milhões, estão os gastos com combustíveis e lubrificantes automotivos, serviços gráficos editoriais, vale refeição, vale alimentação, além das divulgações de atividades parlamentares. A Casa Legislativa ainda utilizou R$ 787.778,04 com locação de veículos,

Maior parte das despesas se concentra no item Serviços Tecnicos Profissionais 670.219,44 em passagens aéreas, R$ 463.065,23 com serviços de telecomunicação, R$ 278.309,82 em convênios com planos de saúde, R$ 188.769,20 com locação de aeronaves, R$ 116.563,18 em despesas de teleprocessamento, R$ 81.538,51 com passagens terrestres, R$ 53.572,27 em seguros e R$ 52.627,13 com assinaturas de jornais e revistas. Outros gastos estão disponíveis para visualização no Portal.

Quem mais gastou A lista de gastos indica que, entre as despesas realizadas pela deputada Bethrose (PRP), foram empregados R$ 176.580,00 para serviços terceirizados. A segunda maior despesa, no total de R$ 93.300,00, foi direcionada para a divulgação das atividades parlamentares. Apesar de e-mails e tentativas de contato por três números de celulares, a deputada Bethrose e sua assessoria não responderam aos

UTILIZAÇÃO DA VDP - 2015

BETHROSE

R$ 369.223,98

ANTÔNIO GRANJA

R$ 368.854,83

RENATO ROSENO

JOSÉ ALBUQUERQUE

R$ 178.199,26

R$ 167.490,45

R$ 201.733,53 FONTE: ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO CEARÁ (PORTAL DE TRANSPARÊNCIA) *RETIRADOS DA LISTA DEPUTADOS(AS) NOMEADOS ÀS SECRETARIAS ESTADUAIS.

100%

é a diferença entre o maior e menor gasto pedidos de entrevista até o fechamento desta matéria. Em segundo lugar no topo dos que mais gastaram, está o gabinete do Deputado Antônio Granja, do Partido Republicano

da Ordem Social (Pros). O total, em 2015, foi de R$ 368.854,83, dos quais R$ 115.720,00 se destinaram ao pagamento de serviços técnicos profissionais. O deputado também não respondeu à solicitação de entrevista até o fechamento desta matéria.

Quem mais economizou O Presidente da Assembleia Legislativa, deputado Zezinho Albuquerque (PROS), lidera o ranking dos que mais

economizaram, o que, segundo analistas políticos, pode ser justificado devido ao cargo que exerce à frente da Casa. A diferença entre os gastos dele e da deputada é da ordem de R$201.733,53. Na segunda posição entre os que menos gastaram no ano passado está o deputado Renato Roseno, do Partido Socialismo e Liberdade (PSol). O seu gabinete desembolsou, em um ano, R$ 178.199,26 para manutenção das atividades. Em entrevista, o deputado do PSol destacou a utilização da VDP como necessária para realização do mandato parlamentar. Disse ainda que o seu gabinete busca equilíbrio entre as necessidades e a melhor eficiência no exercício dos gastos. Para o deputado, há uma crise na arrecadação, se fazendo necessária a economia no setor público.

S E RV I ÇO Assembleia Legislativa do Estado do Ceará Av. Desembargador Moreira, 2807 - Bairro Dionísio Torres Fone: (85) 3277.2500 Portal da Transparência (AL) http://www.al.ce.gov.br/index. php/transparencia/portal-daRenato Roseno destaca a importância da economia no setor público

transparencia


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Cidadania Juventude busca mudanças através da política Cientes do papel na sociedade, 63% ecreditam que podem mudar o país no futuro, conforme aponta pesquisa do Papiro. REPORTAGEM Laíne Carlos FOTO Rinaldo Duarte | Janaina Ramos DESIGN Rafael Almeida

M

esmo que o voto não fosse obrigatório no Brasil, 60% dos jovens votariam nas eleições. Este é um dos resultados da pesquisa realizada pelo jornal Papiro, com 30 jovens entre 18 a 30 anos. A ideia foi dimensionar o interesse da juventude diante da política. Ainda como resultado da pesquisa, a maioria dos jovens entrevistados lembra em quem votou nas ultimas eleições, o que mostra que a votação está presente na memória deles. Mas, ao mesmo tempo, a pesquisa aponta, ainda, que 83% dos jovens não cobram ações de seus candidatos eleitos. Dos 30 entrevistados, apenas 40% já foram às manifestações, mas nenhum deles havia se interessado em participar das que aconteceram, até o momento, em 2016. A estudante de jornalismo Ana Clara Jovino, 21, uma das participantes da pesquisa, conta porque não foi às ruas este ano. “Eu acho que o pessoal não esta lutando contra a corrupção. Está lutando contra um partido e o impeachment não vai resolver o problema do país. Nas manifestações de 2013 a gente queria melhoria, mas não era a favor da presidente sair”, lembra a universitária. Entre os resultados, a pesquisa levantou que bem mais da metade dos jovens, 63%, acreditam que podem mudar o país no futuro, o que indica a confiança da juventude no seu potencial de ação.

Jovens na história política O processo de democracia no Brasil começou em 1984, após o país passar 20 anos sob uma ditadura militar. Antes disso, ainda nos tempos da colônia, os direitos políticos eram restritos e negados. Já na democracia, o brasileiro escolhe os seus representantes. Das 142.822.046 milhões de pessoas aptas a votar em 2014, 16,1% delas eram jovens entre 16 e 24 anos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Constantemente em mudança, a juventude busca se adequar à sociedade sem deixar

Jovens, entre 16 e 24 anos, representam 16,1% dos eleitores

Em mudança, a juventude busca se adequar à sociedade, sem deixar de acreditar nas suas ideias e convicções políticas e sociais

movimentos de 1983, que propunha eleições diretas para o cargo de Presidente da República. Menos partidário e mais crítico, em junho de 2013 o país foi surpreendido com uma nova juventude indo às ruas. Um grupo de jovens começou a protestar pelo aumento abusivo da passagem de ônibus no estado de São Paulo em uma manifestação intitulada de “não é só por vinte centavos”. O ato se espalhou pelo país em meio a Copa das

Confederações de 2013, em uma explosão de ideias, gritos e passeatas. Jovens querendo direitos básicos, pedindo o fim da corrupção, o passe livre em transportes públicos e o fim dos gastos excessivos em obras da Copa e dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. Foi o caso de Janaina Ramos, 30, que foi às ruas na capital paulista. “O que mais era falado lá foi que o aumento da passagem tinha sido o estopim para ir às ruas contra o governo e os par-

de acreditar nas suas ideias e convicções políticas e sociais. A disposição política do jovem, geralmente, em todo o mundo, tem sido a de cumprir o papel de grande importância na sociedade, principalmente quando a referência aponta para direitos e deveres civis. Foi assim nas “Diretas Já”, um dos

lamentares”, conta Janaina

Janaina Ramos, em São Paulo

Ramos, que tinha 27 anos na época. “A experiência foi grandiosa. Eu me senti tentando fazer algo pro meu país. Era uma gota, era um passo de patriotismo, sentindo que eu podia fazer algo. Era uma necessidade de mudança”, finaliza a estudante.

PESQUISA REALIZADA COM ALUNOS DA FACULDADE 7 DE SETEMBRO Você lembra em quem votou nas ultimas eleições? SIM: 76% NÃO: 24% Você cobra ou já cobrou algum político? SIM: 17% NÃO: 83% Se o voto não fosse obrigatório, você votaria? SIM: 60% NÃO: 40% Você acha que a juventude de hoje é capaz de mudar o futuro? SIM: 63% NÃO: 37% Você já participou de alguma manifestação? SIM: 40% NÃO: 60%


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Tendência O sucesso do “Faça você mesmo” nas redes sociais Vídeos tutoriais, explicando como criar e customizar objetos, fazem sucesso na internet e sugerem novas oportunidades de conteúdo para bloggers REPORTAGEM Niedja Amazonas FOTOS Niedja Amazonas DESIGN Camilla Rodrigues | Igor Thawen

C

om certeza você já deve ter visto e escutado a frase “Faça você mesmo” em algum lugar. Tem sido cada vez mais frequente se deparar com sites, blogs e canais que apresentam ideias e instruções para fazer manualmente os produtos, evidenciando o caráter de exclusividade criado em cada objeto, em contraponto com o consumismo, que propõe a aquisição daquilo que já está pronto. A cultura do DIY (que vem do inglês Do it yourself), tão popular nos dias de hoje, na realidade se iniciou no período da Segunda Guerra Mundial, quando os materiais de produção se esgotaram, fazendo assim com que a sociedade descobrisse novas formas de produzir bens de consumo. Há também outro pensamento que sugere que esse comportamento tem relação com o movimento punk, nos anos 70, que, em sua essência, defendia que a pessoa deveria ser responsável pelo que consome – e isto seria desde o corte de cabelo até roupas. No Brasil, o movimento tem registrado vários adeptos, e eles vão angariando fama entre os seus seguidores. Karina Milanesi, 28, (@dicadaka), de São Paulo, é uma das pioneiras vloggers do estilo DIY no Brasil. Ela teve a ideia de gravar vídeos, sem pretensão alguma, em um período em que estava desempregada, para “se movimentar”. O sucesso ficou por conta de suas amigas, que gostavam dos vídeos e marcavam outras amigas. Karina começou criando vídeos de 15 segundos no Instagram, e depois, a pedido dos seguidores, criou um blog e um canal no Youtube, porque assim conseguiria realizar vídeos mais lentos e explicar melhor cada passo. Karina conta que o que faz não é considerado trabalho, mas sim um prazer, e relata sua satisfação quando recebe e-mails de pessoas agradecendo porque não tinham condições financeiras para comprar roupas novas e, com a ajuda dela, conseguiram fazer look novo com roupas que já estavam em desuso. Quando questionada de onde ela tira tanta inspiração, fala que a princípio era

Patrícia Mirza em sua sala de estar, ambiente de criação onde grava seus vídeos

2,7 mi

pessoas seguem Karina no Instagram tudo da sua própria cabeça e procurava mostrar coisas que já estava acostumada a fazer, como, por exemplo, transformar blusa em saia ou vice e versa. Antes, após gravar o vídeo do dia, ficava preocupada sobre o que faria nos próximos vídeos. Hoje, ela explica que os próprios seguidores mandam inspirações para ela fazer o passo a passo. A ideia de Karina era proporcionar que todas as pessoas tivessem acesso, seguindo a contramão de blogueiras que postam suas fotos com roupas e acessórios inatingíveis. Karina influencia 2,7 milhões de pessoas no Instagram. Já a cearense Patrícia Mirza, 25, (@patriciamirza),

iniciou seu interesse por DIY assistindo vídeos de vloggers estrangeiras que ensinavam algo para o público feminino, como hidratação caseira, maquiagem e cabelo. Em seguida, começou a fazer vídeos sobre os temas que mais via na internet. Logo depois, percebeu que a visibilidade do seu Instagram tinha aumentado bastante, e passou a postar vídeos semanalmente sobre assuntos que seus seguidores pediam. Formada em nutrição, Patrícia usou a bioquímica a seu favor para criar receitas para cabelo e pele, sendo ela mesma cobaia de testes. As receitas que davam certo, ela reproduzia em seus vídeos, explicando o passo a passo. A partir daí, começou a receber feedback de suas seguidoras. E isso foi tomando dimensão, até o dia em que uma conta do Instagram, que tinha cerca de 5 milhões de seguidores, repostou um vídeo feito por Patrícia sobre uma máscara caseira de açafrão.

5 para 30 mil

foi o aumento no número de seguidores de Patrícia quando um instagram de sucesso fez um repost do seu vídeo Desde então, a conta de Patrícia ganhou mais visibilidade e, com isso, muitos seguidores (sua conta no Instagram pulou de 5 mil seguidores para 30 mil). Patrícia se diz influenciada por vlogs gringos e também pela própria Karina Milanesi, do Dicas da Ka. Ela conta que sempre segue essa tendência de fazer DIY com inspirações de fora do Brasil, porque “eles

têm essa cultura de fazer as coisas, de colocar a mão na massa e agora essa cultura está chegando ao Brasil”. Patrícia consegue administrar seu tempo entre ser empresária e vlogger com muita facilidade, gravando a maior parte dos vídeos de beleza no período da noite, e os de decoração, nos finais de semana. Ela mesma filma, grava e posta, apesar de não ser uma expert no assunto. Patrícia, que assim como Karina adquiriu a fama dos seus vídeos pelo Instagram, recentemente criou seu canal no Youtube e pretende expandir ainda mais suas redes com novidades e criatividade.

S E RV I ÇO Karina Milanesi - @dicadaka – Dicas de customização de roupas Patrícia Mirza - @patriciamirza – Dicas de beleza e decoração


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E-commerce Empresas saem do virtual e abrem suas lojas físicas Vivendo o sucesso nas redes sociais, diversos tipos de lojistas estão começando a investir em espaços físicos para atender e investir em novos clientes REPORTAGEM Weider Gabriel FOTOS Acervos CASULO | Trevo Store DESIGN Camilla Rodrigues | Igor Thawen

Como surge o e-commerce A criação de lojas na internet pode surgir de muitas formas. Uma delas, por exemplo, é quando uma pessoa já tem bastante seguidores em seus perfis nas redes sociais e isso acaba tornando-a popular. Ela aproveita o momento e cria sua própria marca. Em alguns casos, pode acontecer até em uma conversa informal com os amigos, como o caso da Casulo e da Trevo Store. Com 4.502 e 10.000 seguidores no Instagram, respectivamente, essas lojas decidiram criar produtos voltados para moda.

A maioria dos ensaios da Trevo Store é externa pois, segundo eles, o retorno dos cliente é maior

S

egundo o E-bit (empresa que registra o pulso do e-commerce no Brasil), em 2015 o faturamento de lojas que trabalham com e-commerce foi de mais de R$15,454 bi, um número bastante expressivo em tempos de crise. Somente no período do Natal, o ganho chegou a R$7,40 bi, quase metade de todo o faturamento anual, representando um crescimento de 26% em relação ao ano de 2014. Naquele ano, houve um grande aumento no número de lojas que decidiu trabalhar com vendas online. Era uma novidade os produtos serem oferecidos somente pela internet no Brasil. Mas, apesar do alto lucro, parte das empresas que atuavam somente online, tem optado por também montar um espaço físico, para ampliar as possibilidades de negócio. Uma das lojas que vem apostando nas duas modalidades é a Casulo, de moda feminina. Jéssica Campelo, 25, uma das sócias, diz que como já aprenderam o gosto das clientes, fica mais fácil o investimento. Já Eduardo Werneck, 19, responsável pela loja Trevo Store, de T-shirt, fica dividido entre manter só no online ou

investir no aluguel de uma loja. Ele reconhece que, ficando em uma só das opções, “de certa forma, o público acaba ficando muito restrito”. Mas adianta, ao mesmo tempo, que também é muito bom ter só uma loja online sem ter, necessariamente, uma loja real. “É muito bom não ter que se preocupar com contas de água, energia, aluguel ou coisas desse tipo” diz Eduardo Werneck.

vitrine. Essa é a maior motivação das lojas que só trabalham com venda online passarem, também, para o mundo físico. Se antes era usual ver lojas de roupas só com perfis nas redes sociais, mas sem lojas físicas, agora algumas das que alcançaram sucesso decidiram investir também na criação de lojas físicas. A maioria delas com o mesmo intuito: atender melhor os clientes.

Nós já identificamos o gosto das nossas clientes, sabemos do que elas gostam, por isso fica mais fácil construir novas peças

que ela e sua sócia já sabem o gosto de suas clientes, mas que procuram algo novo para apresentar para elas. “Nós já conseguimos identificar o gosto do nosso público, sabemos do que elas gostam, por isso fica mais fácil construir novas peças”, destacou. Assim acontece também com a Trevo Store, que tem um público ainda mais segmentado. Os sócios decidiram trabalhar com a moda que está na moda em series, filmes, discos e personalidades, e imprimem em suas T-shirts. As fotos postadas são feitas em parceria com os amigos e, em algumas vezes, os modelos e fotógrafos também são amigos, o que torna o custo para a criação de ensaios fotográficos quase zero. A divulgação feita nas redes sociais é sistemática. E, em horários alternados, as lojas fazem postagens diariamente, sempre nos momentos em que as pessoas mais visitam as redes sociais, para que os internautas sempre acompanhem a marca e suas novidades.

S E RV I ÇO

Jéssica Campelo, 25 A criação das peças vai variar de acordo com o público escolhido. Existem lojas que trabalham com um viés bem específico, como é o caso da Casulo, que decidiu focar no público feminino, há quase dois anos. Jéssica Campelo fala

Casulo Rua: Júlio da Silveira, 134 Instagram: @usecasulo WhasApp: (85) 98870-6283 Trevo Store Instagram: @trevostore WhatsApp: (85) 99730-5712

É muito bom não ter que se preocupar com contas de água, energia, aluguel ou coisas desse tipo Eduardo Werneck, 19 Apesar das lojas receberem indicações boca a boca de seus clientes, o público pode ficar contido, sem muita margem para crescimento. Com a loja física, a possibilidade de crescimento é maior, pois não se restringe somente ao público da internet, expandindo para as pessoas que passam diante da

A Casulo resolveu criar estampas que fogem do sexy comum, mas sem perder a elegância


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Economia Informal Empreender é uma boa opção em meio às dificuldades Conheça três mulheres que viram saída frente à crise e driblam o aperto financeiro com pequenos empreendimentos que fazem a diferença no fim do mês REPORTAGEM Gabriela Rolim FOTOS Gabriela Rolim DESIGN Gabriel Rodrigues

A

crise econômica está na boca dos brasileiros e principalmente nos bolsos. O desemprego, a alta inflação e os vários aumentos na conta de energia fazem com que a população tenha menos dinheiro para fazer girar a roda da economia. Consequentemente, as famílias começam a sentir o impacto financeiro gerado pela crise. Então, o que fazer se o dinheiro no bolso diminui, mas as contas continuam a chegar? Muitas pessoas encontram no empreendedorismo uma maneira de tentar superar essas dificuldades. Não aquele empreendimento que requer um grande investimento, até porque estamos falando de crise, mas atividades informais, como vender churrasco, fazer doces e tapiocas para oferecer nas ruas ou por encomendas. Vale qualquer tentativa mesmo: dinheiro honesto é muito bem vindo.

continuar ensinando com turmas de reforço escolar em casa. Este é seu primeiro negócio, que já está dando certo.

Dona Rita de Cássia produz mel

Foi uma troca justa. Hoje com os dois negócios eu ganho mais do que eu ganharia na escola, e sou muito feliz com o que faço Luciane Romão, 34

E foi o que Luciane Romão, 34, fez. Ela é formada em pedagogia, divorciada e com dois filhos, a pequena Maria, 4 e Nilton Emanuel, 14. Ensinou e chegou a ser coordenadora em colégios particulares, mas deixou a carreira de professora de lado após o parto complicado da filha mais nova. Decidiu

“Quando Maria completou três anos, resolvi fazer a festa de aniversário, mas estava com poucos recursos e resolvi eu mesma fazer tudo” conta Luciane. Foi o ponto de partida para surgir seu segundo negócio: Doces de Maria Romão. No fim da festa, a surpresa: ela

recebeu sua primeira encomenda de 50 cupcakes. Desde então, ensina nas turmas de reforço escolar durante o dia e, madrugada adentro, faz bolos e doces sob encomenda. Ela pretende no futuro abrir uma casa de doces. Quanto a sua carreira de pedagoga, Luciane afirma: “Foi uma troca justa. Hoje, com os dois negócios, eu ganho mais do que eu ganharia na escola, e sou muito feliz com o que faço”. Já dona Rita de Cássia, 54, é pensionista e encontrou no mel de ervas caseiro uma maneira de complementar a renda em casa. Passou a produzir uma receita que aprendeu com a mãe, quando criança. “É difícil. Pra gente sobreviver, hoje em dia, tem que lutar bastante. E o mel é uma receita de família cuja venda está me ajudando muito” afirma dona Rita. “Sempre gostei de trabalhar, apurar qualquer trocado. Não gosto de esperar por ninguém” diz Ivone Ferreira,

48, a Neca. Ela trabalhou por 13 anos com carteira assinada, mas teve que se afastar por problemas de saúde. Hoje desempregada, esposa de servente de pedreiro e com um filho adolescente, a maneira que encontrou de ter seu próprio dinheiro foi na venda de dindim e caldo, na esquina de sua casa.

É difícil. Pra gente sobreviver, hoje em dia, tem que lutar bastante Rita de Cássia, 54 É assim que ela ajuda o marido nas despesas de casa. Dona Ivone fala que “se você tem o interesse, a ação de vencer passa por qualquer crise”. Assim, essas mulheres vão driblando as dificuldades financeiras. Como dizem os economistas, a crise dá lugar à criatividade.

Negócios e lazer Reforma em shopping divide opinião de usuários Direção vem buscando meios para diminuir os transtornos causados pela obra, que marca os 25 anos do North Shopping Fortaleza REPORTAGEM | FOTOS Natiele Maíra DESIGN Victor Mendes

E

m reforma desde janeiro deste ano, o North Shopping Fortaleza está dividindo opiniões de seus clientes quanto à qualidade de seu funcionamento durante as obras. As mudanças estão sendo feitas em virtude do aniversário de 25 anos do shopping, comemorados em 2016. As obras têm previsão de término para outubro, totalizando um período de 10 meses em reforma. Devido aos transtornos causados pela reforma que está sendo feita com o shopping em funcionamento, é comum encontrar clientes e lojistas insatisfeitos com a situação do local. Tarciano Alves, 27, gerente da loja Pranchão Surf shopping, localizada no 1º piso, conta que, após o início das obras, as vendas têm caído consideravelmente. Segundo ele “A reforma do shopping não foi bem programada, pois acontece no período em que as vendas estão em baixa. E, com a reforma, diminuiu consideravelmente o

Lonas quem cobrem as trocas do teto e do piso com shopping em funcionamento dificultam o acesso

movimento, além de o shopping estar quente, empoeirado, desorganizado e sujo”. Ele ainda afirma que são constantes as reclamações vindas de clientes. Como Anderson Silva, 24, que mora perto do North Shopping e está insatisfeito com a atual situação do empreendimento: “frequento esse shopping há pelo menos 10 anos, por ser o mais perto da minha casa. No entanto, não tem sido mais prazeroso vir fazer compras aqui. O shopping está quente, a locomoção está difícil

devido às retiradas dos pisos e o ambiente está feio. Enfim, não sei o quanto vai melhorar depois dessa reforma, mas, enquanto isso, estou buscando frequentar outros shoppings mais bem estruturados. ” Apesar dos aparentes transtornos, também existem clientes como dona Salete Costa, 78, que entendem e ainda elogiam a reforma do Shopping. Para ela, “a reforma é um mal necessário. Está ruim agora, mas quando terminar vai estar bem melhor. Temos que ter paciência.”

Enquanto isso, estou buscando frequentar outros shoppings mais estruturados Anderson Silva, 24 A direção do shopping, procurada para falar sobre as queixas de clientes e lojistas, respondeu por e-mail: “estamos investindo em sinalização interna

e externa, e em todos os pisos temos colaboradores ajudando e direcionando clientes e lojistas durante as intervenções. O que se vê é que nossos clientes estão se acostumando com os desvios postos dentro do shopping para facilitar a circulação. Esse deslocamento pode causar algum desconforto na hora da compra, porém isso não se reflete em queda nas vendas.” Sobre os motivos que levaram a direção do shopping a propor essa mudança, o e-mail detalha que: “o principal objetivo da reforma é transformar a experiência de compra no shopping e proporcionar cada vez mais experiências encantadoras para nossos clientes, lojistas e fornecedores, oferecendo um espaço agradável, com conforto e bem-estar.” Está sendo planejada uma campanha, que pretende chamar atenção para a reinauguração do North Shopping Fortaleza, que tem previsão para outubro de 2016.


8 Papiro | 24 de maio de 2016

Gentilezas urbanas Voluntários doam alimentos para moradores de rua Grupo realiza ações em favor de pessoas sem teto e traz à tona discussão em torno da atividade ser de fato benéfica, ou se gera comodismo REPORTAGEM Adailson Silva FOTOS Alexandre Lemos DESIGN Carlos Holanda | Dyego Viana estão e procurar uma reabilitação social. O maior problema, segundo eles, é a droga, que é recorrente para a maioria deles. “É praticamente impossível, existe muita discriminação contra esse público. Deixar morrer de fome também não é a solução e, por isso, a gente ajuda”, falou Helano.

Deixar morrer de fome também não é a solução e, por isso, a gente ajuda Helano, 38 Além de alimentos, o Grupo Amor também doa cobertores

F

ortaleza tem 1.700 pessoas identificadas como em situação de rua, segundo dados da Secretaria do Trabalho, Desenvolvimento Social e Combate a Fome – Setra. Na cidade, vários grupos de voluntários têm prestado apoio a esses moradores de rua, levando alimentos, água e roupas. Essas ações não são aceitas por todos, e têm gerado discussão em torno da relação “necessidade x comodismo”, ou seja, se a ajuda poderia causar acomodação. O questionamento não tem impedido que os grupos realizem essas ações, e é comum encontrá-los nas noites, em vários locais da cidade. Alguns desses grupos, inclusive, se dedicam exclusivamente a ajudar pessoas em situação de rua, como é o caso do “Amor”, em atividade desde junho de 2014. O projeto teve início quando a presidente, Lívia Barrocas, viu em um programa de televisão a história de motoqueiros que entregavam marmitas para moradores de rua. De imediato se sentiu comovida e quis fazer o mesmo, começando a entregar comida e água. “Foi a Lívia que começou tudo. Ela se sentiu direcionada e, por isso, é nossa presidente”, disse um dos coordenadores, Helano Cunto. A principal área de atuação do Grupo Amor é a Praça do Ferreira, localizada no Centro da cidade. Segundo a Setra, o

bairro possui, em cadastro, 912 pessoas identificadas como moradoras daquele local. Esse número é contestado por Helano, que diz acreditar realmente existir muita gente nas praças, mas acha um exagero que sejam quase 1.000 pessoas “A rotatividade é muito alta, por isso acho difícil ter esse número de pessoas na praça. Só se juntarem todas as praças do Centro, mas na Praça do Ferreira deve ter umas 300 pessoas em situação de rua”, afirma Helano. Os coordenadores do projeto afirmam viver de doações e colaboração. Helano, por exemplo, diz que eles funcionam à base de pedido nas redes sociais e, quando atingem

os recursos necessários, passam a distribuir para o público alvo. O dia oficial de o Grupo Amor ir ao Centro realizar suas ações é todo último domingo do mês. A Prefeitura de Fortaleza também possui projetos para pessoas em situação de rua, mas neles são encontrados

1.700

É o número de pessoas em situação de rua identificadas em Fortaleza

alguns problemas, dentre os quais pode ser citada a baixa oferta de vagas em abrigos para a demanda de pessoas nessa situação. Além disso, os espaços são sempre exclusivos, ou só para mulheres e crianças ou só para homens, não se encontrando um espaço para famílias. Apesar de ser uma ajuda importante, na visão de uns, as ações realizadas pelo Grupo Amor e por outros grupos que fazem o mesmo tipo de trabalho, não são unanimidade quando se trata da opinião de pessoas que não atuam nesse tipo de apoio. Há quem diga que a distribuição de sopão, comida e água, para essas pessoas, resulta em comodismo e faz com que as pessoas em situação de rua de fato virem moradores de rua, não querendo sair da vida que levam. Juelder, que vive há 15 anos na Praça do Ferreira, ao ser indagado se acha importante a ajuda dada pelo Grupo Amor, responde que sim e acrescenta: “é muito importante, porque eles fazem isso de forma voluntária”. Afirma também que a única coisa oferecida pela prefeitura é discriminação.

Atuação necessária

Grupo de voluntários em atuação

Os coordenadores do Grupo Amor defendem o que fazem, alegando que é quase impossível para a maioria das pessoas em situação de rua sair de onde

O professor e sociólogo Isaac Medeiros, formado na Universidade Estadual do Rio Grande do Norte, UERN, acredita que o jogo de interesses do capitalismo e do Estado, em si, proporciona essa situação. Ele vê como necessária a existência de grupos como o Amor, que proporcionem chances e incentivos a essas pessoas em situação de rua. “O Estado e as instituições públicas, que criaram a situação de rua, devem desenvolver soluções para tirar as pessoas de lá. Pelo menos assumir o erro. Enquanto não fazem isso, é importante que existam apoiadores que se disponham a ajudar”, disse Isaac. Em meio a essas discussões, o Grupo Amor continua suas atividades. O último grande evento realizado foi no Condomínio Espiritual Uirapuru, no dia 10 de abril. O objetivo foi o de proporcionar uma manhã de diversão para crianças. Foram levadas camisas e tinta para serem pintadas pelo público infantil. Essas camisas serão levadas para as pessoas em situação de rua no último domingo de maio, 29. E eles já planejam outras atividades.

S E RV I ÇO Telefones: Lívia 99988.9964 Helano 98812.3469 Facebook: Grupo Amor Instagram: grupo_amor


24 de maio de 2016 | Papiro 9

São Lázaro Alunos da UFC criam “tamagotchi” para ajudar abrigo Bichinho virtual tem finalidade de motivar o engajamento das pessoas com a ONG, seja por meio de doações financeiras ou adotando animais REPORTAGEM Iury Medeiros FOTOS Iury Medeiros | Jonas Forte | Raissa Santos FOTOS Bruna Massaglia

E

studantes do 3º semestre do curso de Sistemas e Mídias Digitais da Universidade Federal do Ceará (UFC) desenvolveram um site e, nele, criaram o Tamagotchi “Ralf”, um cachorrinho virtual. O objetivo é promover a sensibilização das pessoas para a adoção dos animais e aumentar as doações financeiras para o Abrigo São Lázaro. Nos anos 90, uma das brincadeiras mais populares entre meninos e meninas era cuidar de um bichinho de estimação virtual, o Tamagotchi. Alimentar, dar banho, medicar, colocar para dormir e dar atenção eram as tarefas que cada criança precisava exercer diariamente para não deixar seu animal virtual “morrer”. Originário do Japão, não demorou muito para que o brinquedo conquistasse todos os japoneses e, logo, desembarcasse em outros países, incluindo o Brasil.

Mais de R$ 30 mil reais por mês são gastos com ração, água, material de limpeza, energia, tosa, clínica e funcionários Mardeson Acácio, 20 Projetado para seguir a mesma lógica do joguinho japonês, Ralf guia os visitantes no site, explica brevemente a trajetória da instituição, mostra histórias de adoções bem sucedidas, e, por fim, induz seu convidado a entrar no mundo Tamagotchi. Nessa última parte, Ralf pede para ser cuidado. Ao clicar em todos os botões referentes a comidinhas, banho, tosa e medicação, o usuário da página consegue cuidar do pet virtual e concluir todas as etapas. Esperto e inteligente, o anfitrião do site não poupa elogios para quem consegue chegar até a fase final. “Que legal! Você leva jeito para cuidar da gente. Aposto que ia amar brincar com meus amiguinhos lá no abrigo”, felicita Ralf. De acordo com Mardeson Acácio, 20, membro do projeto,

remédio e dinheiro. Além de contribuir com doações imediatas, com a criação do site, iríamos incentivar a adoção de filhotes”, enfatizou Mônica. Inga Saboia, professora de comunicação visual do curso, enfatiza que a escolha da ONG foi parte fundamental do processo de aprendizado dos jovens. “O ensino superior não pode ser desvinculado da sociedade. Precisa estar cada vez mais voltado aos impactos sociais. É necessário haver uma troca. Se eu aprendo algo, preciso retornar esse conhecimento para a sociedade. É uma questão de responsabilidade social”, classificou a docente.

A história de Ralf Alunos idealizadores do projeto com o protótipo do “Ralf”

o intuito dessa interação é fortalecer os laços entre a pessoa que deseja adotar e o animal que está à espera de um futuro dono. “Caso o visitante deixe de realizar alguma das atividades que Ralf recomenda, uma mensagem de motivação surge na tela e nosso ‘garoto propaganda’ pergunta se a pessoa não quer cuidar dele mais uma vez. Ao mesmo tempo é informado que mais de R$ 30 mil por mês são gastos com ração, água, material de limpeza, energia, tosa, clínica e funcionários”. Raissa dos Santos, 18, também integrante do grupo de designers, complementa que o site foi arquitetado, inclusive, para que os visitantes pudessem entender o trabalho que é realizado pela ONG. “Nós nos preocupamos em criar uma narrativa. Não queríamos colocar logo na home do site a conta bancária e o telefone do abrigo. Achamos que isso poderia soar de forma agressiva ao internauta”, ressaltou. Diol Almeida, 45, é protetora e voluntária assídua do abrigo há três anos, “vou de domingo a domingo e faço quase tudo lá no abrigo juntamente com dona Roseane, que é a fundadora da ONG”, diz orgulhosa. Ela vê a iniciativa dos estudantes como algo imprescindível para ajudar o abrigo. “Toda ajuda é válida. Gastamos 140 quilos de ração por dia. Atualmente,

estamos passando por uma das maiores dificuldades que já presenciamos. Estamos carecendo de recursos. Não temos ração e não estamos recebendo a quantidade necessária de ajuda financeira para efetuar os pagamentos básicos da nossa sede. Cuidamos hoje de 600 cachorros e cerca de 100 gatos”, informa a voluntária.

Estamos passando por uma das maiores dificuldades que já presenciamos Diol Almeida, 45 O site é composto por um layout que segue o padrão da logo do abrigo, com formas arredondadas e cores vibrantes. Em formato que une a simplicidade na organização das informações e a praticidade na comunicação visual, é constituído por banners que mudam de perspectiva, cor e formato a cada clique no mouse. “Por enquanto estamos apenas com a versão para desktop, mas temos a pretensão de tornar o site adaptável ao smartphone”, advertiu Raissa.

Professora Inga Saboia, orientadora

Segundo o que descreve a voluntária Diol Almeida, Ralf tem aproximadamente quatro anos de idade e possui uma trajetória atípica dos demais animais da entidade. “Ele não foi abandonado, chegou sozinho ao abrigo. Um dos nossos funcionários foi deixar o lixo num dia e Ralf simplesmente o acompanhou, entrou no abrigo e nunca mais saiu. Aqui é o céu pra ele”, contou aos risos. Ela ainda detalha que o animal foi escolhido como o “garoto propaganda” do abrigo pelos estudantes, porque já tem uma fama entre as pessoas que ajudam a ONG: é super popular na página do Facebook do Abrigo e já participou de vários concursos, chegando a ganhar uma tonelada de ração.

Incêndio como início A ideia surgiu quando uma das estudantes, Mônica Martins, 18, viu na internet, em outubro do ano passado, que 12 cachorros do abrigo haviam morrido sufocados por uma fumaça que atingiu o terreno baldio ao lado do local onde funciona a entidade. ”Primeiramente, precisávamos escolher um cliente que exercesse atividades sem fins lucrativos. Na mesma semana em que os professores nos propuseram o trabalho, aconteceu o incêndio no abrigo e eu pensei: ‘Por que não ajudar?’. Aquele era um momento muito delicado para a instituição e, mais do que nunca, eles precisavam de doações de ração,

C U I D E D O RA L F E AJUDE O ABRIGO Endereço do site: www. abrigosaolazaro.gerardojunior.com Telefone do abrigo: (85) 98626-4775 Conta bancária: Organização Não Governamental São Lázaro | CNPJ: 13043465/000171 | Banco: 104 Caixa Econômica Federal |Agência: 0619 | C/C: 3054-6 OP: 003 - Conta Corrente de Pessoa Jurídica Página no Facebook: Abrigo São Lázaro - Fortaleza/CE


10 Papiro | 24 de maio de 2016

Melyssa participou do projeto El Golombiao, na comunidade Altos de Cazucá. Ela diz que passou a conhecer mais a realidade.

Intercâmbio Social Experiência vai muito além de aprender novos idiomas Conhecer outra cultura e vivenciar lugares que fogem da realidade a que estamos acostumados, podem mudar a maneira de vermos o mundo REPORTAGEM Magno Paz FOTOS Acervo Melissa Diniz DESIGN Danielber Castro

Q

uando o assunto é intercâmbio, a primeira ideia é que a maioria dos jovens busca adquirir algum conhecimento. Mas o que talvez muitas pessoas não saibam é que existem outros tipos de intercâmbios, os sociais. Eles são indicados para pessoas que procuram mais que uma experiência com outra cultura: querem vivenciar e conhecer outras realidades. Cheia de boas expectativas, Melyssa Diniz, 20, “se jogou” para vivenciar uma experiência que mudou a forma de ver

sua realidade. A estudante de Direito embarcou, em janeiro de 2016, para ser voluntária em um projeto social que atende crianças carentes de uma das comunidades mais vulneráveis de Bogotá, na Colômbia. O projeto, do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, chamado El Golombiao (O Golombiao), trabalha a igualdade de gênero, meio ambiente e a não violência por meio do esporte. Melyssa diz que, logo ao chegar a Bogotá, o primeiro impacto que sentiu foi em

relação à comunicação: ao entrar em um táxi ficou tão confusa quando questionada em espanhol pelo taxista, que não sabia em que língua falar. Inglês e português foram suas primeiras tentativas e, logo em seguida, um “portunhol” bem arranhado. “O taxista começou a rir da situação e falou que era brasileiro”. A jovem ainda relata que pôde conhecer muita gente e se considera “uma pessoa mais grata e bem mais consciente com minha realidade”. Ela, que

voltou de Bogotá em março, ainda diz que pretende fazer aqui em Fortaleza o que fez em Bogotá: impactar. Segundo Felipe Lima, 23, estudante de Psicologia e voluntário na AIESEC desde 2014, uma organização sem fins lucrativos que atua na área de intercâmbios, em 2015 foram realizados cerca de 400 intercâmbios, por meio da sede, em Fortaleza. Dessa forma, a organização cumpre o seu propósito que é desenvolver a liderança de jovens. A ONG, que está

presente em todo o Brasil, conta com 94 membros que trabalham voluntariamente na capital cearense.

S E RV I ÇO AIESEC Endereço: Av. Barão de Studart, 2360 Sala 904 – Ed. Quixadá Telefone: (85) 3099-0050 Email: fortaleza@aiesec.org.br

Cultura na praça

Gentilândia abriga história e inova na diversidade artística Conhecido como um dos bairros que mais registra jovens em Fortaleza, o Benfica vivencia seus melhores momentos, com diversas opções de lazer REPORTAGEM Ivan Lucas Araújo FOTOS Eduardo Cunha DESIGN Suelen Mendonça

T

eatro, música, sarau e carnaval estão entre os principais acontecimentos que tornam a Praça da Gentilândia um dos principais espaços para a juventude de Fortaleza. Lá, vários grupos promovem eventos abertos ao público. Em comum, eles têm o objetivo de levar cultura para os moradores do bairro do Benfica, e ocupar as praças da cidade. Alguns deles já entraram para o calendário de diversões, definindo inclusive a periodicidade: a maioria é mensal ou quinzenal. A praça está localizada em um dos bairros mais tradicionais da cidade, o Benfica, que teve sua ocupação em 1910, no entorno da Igreja dos Remédios, na Avenida da Universidade. Parte da história da praça e do bairro pertence à família Gentil, que foi um dos seus primeiros ocupantes no ano de 1918, ao construir, também na mesma avenida, um de seus palacetes hoje ocupado pela Reitoria da Universidade

Atração do Palco aberto

Federal de Fortaleza (UFC). A família deixou para o bairro sua história e seu afeto pela cultura, que ainda hoje se mantém viva. Com intensa frequência, devido ter, no seu entorno, a UFC e o Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), os jovens sempre buscam na praça a tranquilidade das tardes ou as sombras das mangueiras. Já para os mais animados, os bares que cercam a praça são a opção. As possibilidades de lazer vão de mostras de teatros, sarau, shows e até carnaval. O Grupo de Teatro “As 10 Graças”, por exemplo, apresenta

o evento Palco Aberto desde 2013, levando a arte circense para todos. O evento também acontece nas segundas feiras, em Maracanaú. Com apresentações de artistas independentes, o Palco Aberto também conta com apresentações de poesia e música. O espaço para as apresentações é livre, basta chegar cedo para organizar. Quinzenalmente, acontece a feira agroecológica, que oferece comida natural, bazar, farmácia viva, atrações culturais e pedagógicas. A responsável por uma das atividades que acontecem

O grupo de teatro as 10 graças apresenta o evento palco aberto desde 2013

na Gentilândia o ‘’Sarau na Praça’’, Isabelle Pertenelli, 22, realiza o evento desde 2015. A ideia surgiu de um piquenique entre amigos na praça, que pensaram em tornar o espaço melhor e mais organizado. O sarau traz feiras com vendas de acessórios artesanais, oficinas de pinturas para crianças e música. ‘’Nós somos muitos felizes porque os moradores da Gentilândia não reclamam de qualquer coisa. A gente faz som, coloca músicas e muitos deles vêm até as calçadas e interagem conosco’’, afirma. A ideia do Sarau, ao ocupar a praça, é fazer com que as pessoas possam tirar bom proveito do espaço e das atividades culturais. Por isso os eventos costumam ser gratuitos. Apesar de não ser morador do bairro, o estudante Nelcio Araújo, 25, sempre comparece às atividades que acontecem na praça ‘’Fazem parte de uma quebra de rotina,

diversificando o bairro, trazendo cultura para perto dos estudantes e fazendo da praça da Gentilândia um ponto de encontro das tribos’’, disse.

S E RV I ÇO Praça da Gentilândia Benfica (próximo ao Estádio Presidente Vargas) Sarau na Praça: Acontece de dois em dois meses. Informações na página do facebook/Coletivo Sarau na Praça. Palco Aberto: Toda terçafeira do mês, a partir das 19h, com arte circense, teatro, música e poesias... Feira Agroecológica: Há 6 anos, quinzenalmente, aos sábados, de 7 às 14h. Com Farmácia Viva, direto da natureza para cuidar da saúde.


24 de maio de 2016 | Papiro 11

Segurança e lazer Democratização da cultura no combate à violência Mesmo com o público se sentindo inseguro por conta de assaltos nas imediações, o Centro Dragão do Mar continua sendo uma das opções culturais mais procuradas por usuários de várias idades e classes sociais de Fortaleza REPORTAGEM Juliana Rodrigues FOTOS Luiz Alves DESIGN Carlos Eduardo | Dyego Viana | Victor Mendes

Q

uando a procura é por atividades culturais e educativas, Fortaleza tem uma paleta diversa de opções para uma boa programação. Dentre as várias alternativas da capital cearense, o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura é um dos pontos mais procurados pelo público que busca uma programação mais leve e voltada para a arte regional. No entanto, existe um contexto de insegurança que faz com que muitos dos visitantes do Dragão acabem por vezes desistindo de ir até o local, e não usufruindo por completo das programações oferecidas devido ao horário e o receio de como será a volta para casa. Como a programação é bem diversificada e acessível, o público do local varia entre todas as idades e classes sociais. Contudo, são os jovens que tomam conta do ranking de visitantes. Por meio das programações, que em sua maior parte são gratuitas ou com preços bem acessíveis, o Centro Cultural é uma boa opção para pessoas que não têm fácil acesso a outros meios culturais, como teatro, cinemas e até mesmo shows que acontecem na cidade durante todo o ano.

Eu nunca fui assaltado nem nada do tipo, mas a gente sempre fica apreensivo porque a sensação de insegurança é eminente. Agora com o policiamento me sinto mais tranquilo José Maia, 24 anos A questão da violência, no entanto, é levantada por muitos que gostam e costumam visitar o Dragão do Mar. A maioria dos visitantes tem o hábito

Crianças participando do projeto Brincando e Pintando no Dragão do Mar

de participar das programações nos finais de semana e fala que o sentimento de insegurança é eminente, tanto na localidade quanto no percurso de ida e volta para suas residências. “Sempre antes de sair de casa fico pensando nos riscos. Algumas vezes já desisto de ir por causa do medo. Nas tardes de domingo, por exemplo, adoro o cinema de lá e a feirinha (Fuxico no Dragão). Mas descer do ônibus ali, até entrar efetivamente no Dragão, é uma agonia”, relata Ana Carolina, 20 anos, jovem universitária que costuma participar das atividades do centro. Essa preocupação é ainda maior para as pessoas que utilizam o transporte público. E, nesse caso, elas relatam que o medo não é tão forte devido à falta de segurança nas redondezas do Dragão do Mar mas, na verdade, durante o percurso. Principalmente nos finais de semana e no horário da noite, quando o fluxo de ônibus é menor e a movimentação de pessoas nos terminais de ônibus também.

O Centro Dragão do Mar é um dos pontos mais procurados pelo público que busca uma programação mais leve e voltada para a arte regional Em nota, a Assessoria de Comunicação do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, informou que “a questão da falta de segurança tem sido um fator preocupante para Fortaleza como um todo. Ela não é pontual.” A nota afirma ainda que, enquanto centro de cultura, democratizar o acesso às programações culturais deixando-as o mais acessível possível, é importante para a diminuição

da violência. Mas que este é só um elemento de uma solução complexa: já que a violência tem raízes fixadas em desigualdades sociais históricas. Contudo, com a implantação da base da Policia Civil e Militar, na Praça Almirante Saldanha, que margeia o Dragão do Mar, o policiamento na região aumentou e está trazendo um pouco mais de tranquilidade para os visitantes do local. “Eu nunca fui assaltado nem nada do tipo, mas a gente sempre fica apreensivo porque a sensação de insegurança é eminente. Agora com o policiamento me sinto mais tranquilo.”, diz José Maia, 24 anos, universitário e securitário. O desejo de todos os visitantes do Dragão é que possam cada vez mais ter acesso a essa variedade cultural, de forma tranquila e com segurança, para que a diversão não tenha a interferência do medo e da ansiedade. Enquanto isto não acontece, eles arriscam e aproveitam o que há de melhor nas programações.

AT RAÇÕ ES TAC - Temporada de Arte Cearense Apresentações de projetos artísticos selecionados pelos editais culturais e de ocupação do Dragão do Mar, desde agosto de 2015 e vai até julho de 2016. São mais de 438 espetáculos e shows, de terça à domingo. As entradas variam entre R$6 a R$10 e muitas são gratuitas. Cinema do Dragão – Fundação Joaquim Nabuco Exibe diariamente filmes nacionais e internacionais que circulam fora do grande circuito. Os ingressos custam R$12, a inteira. Às terças-feiras a promoção é MEIA PARA TODOS. Endereço: R. Dragão do Mar, 81 - Praia de Iracema, Fortaleza - CE, 60060-390 Telefone: (85) 3488-8600


12 Papiro | 24 de maio de 2016

Saúde à mesa Celíacos e intolerantes à lactose têm opções na cidade Pessoas com restrição alimentar, devido alergia à proteína do trigo ou ao açúcar do leite, têm alternativas variadas de locais para saciar a fome, fazer as compras no supermercado e , também, trocar ideias e buscar apoio nas redes sociais REPORTAGEM | FOTOS Áthila Nepomuceno DESIGN Jonnas de Souza

S

e antes era raro, hoje, cada vez mais, é comum ver pessoas que apresentam problemas relacionados ao glúten (proteína encontrada no trigo, aveia e cevada) ou à lactose (tipo de açúcar encontrado no leite). Os laboratórios de exames especializados em diagnosticar esta causa têm sido alvo de muita procura por pacientes que buscam nos gastroenterologistas a solução de seus problemas. Os sintomas são quase os mesmos: dores estomacais, inchaço, diarreia, náuseas e vômitos. Quando diagnosticado, o maior desafio do alérgico é conviver com a doença. O tratamento é vital e as restrições são inúmeras. ‘’Eu tive que mudar toda a minha dieta alimentar. Excluir queijo, iogurtes, achocolatados, bolo, pizza, lasanha, sorvete, entre outros alimentos. Foi um processo muito difícil. Isso mexe também com o nosso psicológico e acaba impactando, inclusive, as pessoas ao nosso redor’’, conta Maria Ventura,25, psicóloga e intolerante à lactose. O mesmo também acontece com o celíaco, pessoa que é alérgica ao glúten. ‘’O maior desafio do celíaco é tomar ciência de que toda comida que se encontra nos restaurantes, cantinas, bares e até mesmo em casa, contêm trigo. Então a restrição é ainda maior. Não temos saída, precisamos muitas vezes ser criativo, aprender a cozinhar e ter um paladar mais restrito para poder nos alimentar, já que não temos muitas opções’’, ressalta Flávio Vieira, 52, geógrafo e celíaco.

Alternativas Em Fortaleza, o cenário tem se mostrado mais amigável para os alérgicos. É possível encontrar restaurantes, cantinas, supermercados e até mesmo padarias e comércios especializados que atendam este público. ‘’Somos uma loja de produtos naturais, aqui você vai encontrar produtos integrais, sem glúten, zero lactose, diet, etc. Estamos há mais de 20 anos no mercado e a procura tem sido cada vez maior, seja porque as pessoas estão

D O E N ÇA D O G LU T É N A doença celiaca é causada pela intolerância ao glutén, uma proteína encontrada no trigo, aveia, cevada, centeio e seus derivados, provocando dificuldade do organismo em absorver os nutrientes dos alimentos, vitaminas, sais minerais e água SINTOMAS Diarreia, vômito, perda de peso, anemias, alteraçoês na pele, queda de pelos e sinais de desnutriçâo DIAGNÓSTICO Exames de sangue TRATAMENTO Dieta zero glúten, que deve ser seguida pelo resto da vida

I N TO L E RÂ N C I A Á L ACTOS E A intolerância á lactose é a incapacidade que o corpo tem de digerir um tipo de açúcar encontrado no leite e em outros produtos lácteos Os alérgicos já contam com lojas especializadas

SINTOMAS buscando uma vida mais saudável ou porque realmente são alérgicas. Temos um mix variado de produtos’’, explica Shirley Roma,36, administradora de uma loja especializada

Precisamos ser criativos, aprender a cozinhar e ter um paladar mais restrito Flávio Vieira, 52 em produtos naturais que fica localizada no centro da cidade. Nesta mesma loja há uma cantina e os produtos que são vendidos para consumo também contribuem com a dieta dos celíacos e intolerantes

à lactose. ‘’Aqui temos pizza, bolo de banana integral, empadas, esfirras, sanduiches naturais e lasanha. A maioria sem glúten e sem lactose. Todos são feitos de massas de forno e integral’’, destaca Shirley. Além de lugares especializados, é possível encontrar nas gôndolas de grandes supermercados seções que disponibilizam produtos zero lactose, como biscoitos, leite em pó e longa vida, chocolates, achocolatados, snacks, requeijão, queijo, entre outros. As grandes empresas alimentícias já estão fabricando produtos para este público, devido ao crescente número de pessoas que apresentam alergia ao açúcar do leite ou ao glúten e, dessa forma, enxergando este mercado como algo rentável. Sites, páginas e grupos encontrados nas redes sociais

revelam que os celíacos e os intolerantes à lactose não estão sozinhos. Lá, eles compartilham produtos e marcas que estão fabricando alimentos para os alérgicos, dicas de receitas, lugares com cardápio adequado para poder comer a vontade e dicas de saúde. ‘’São muitas postagens que contribuem para a saúde dos alérgicos. Todos se ajudam, tiram dúvidas, trazem novidades e isso é muito bom. Acho que cumpri bem o papel de ajudar da melhor maneira essas pessoas quando criei o grupo, pois temos muitas restrições alimentares e dessa forma podemos compartilhar, indicar e conhecer novas receitas, lugares, produtos e marcas que estão atendendo à demanda. Todas as pessoas são bem participativas e isso

Diarreia, naúseas e, às vezes vômito, dores abdominais e inchaço DIAGNÓSTICO Exame de tolerância á lactose ou exame de hidrogênio expirado ou medidor de ácidos TRATAMENTO Evitar alimentos ou ingestão de produtos que contenham lactose. Medicamentos só receitados pelo médico

é o melhor de tudo’’, afirma Lua Santos,31, intolerante à lactose e dona da página ‘Feliz Sem Lactose e Sem Glúten em Fortaleza’, no Facebook.


24 de maio de 2016 | Papiro 13

Consumo consciente Mercado para veganos é terreno fértil na Capital Adeptos do veganismo como estilo de vida não consomem produtos de origem animal, sejam alimentos, artigos de vestuário ou até cosméticos. Marcas locais oferecem mais variedades, embora tendência ainda seja pouco explorada em Fortaleza REPORTAGEM | FOTOS Gabriela Custódio FOTOS Acervo Carol Monteiro DESIGN Ana Júlia Alves | Ana Karolina Saldanha

C

ada vez mais pessoas se mostram conscientes em relação à origem dos alimentos e das mercadorias que compram. Apesar de ser um mercado potencial, a maioria das empresas não contemplam quem não consome leite, queijo, mel, lã, couro, seda, camurça e outros componentes de origem animal. Em Fortaleza, o público interessado em produtos veganos está em ascensão, e marcas de diferentes segmentos veganos trazem novas opções, principalmente em feiras especializadas. De acordo com Ely Costa, 33, vegana e proprietária da Veggieland, marca de maquiagens para esse nicho, a cena local é crescente, mas ainda há dificuldade para encontrar itens que auxiliem na adaptação a essa rotina. No ramo em que atua, a maioria das empresas não segue o veganismo e as que se encaixam nesse perfil são internacionais, dificultando o acesso. “Há um mercado crescente para produtos veganos, mas acredito que a maquiagem é a parte mais difícil na adaptação para os usuários que dão importância a esse aspecto”, avalia.

O mercado vegano em Fortaleza está crescendo, mas ainda é muito pequeno Laura Colares, 29 A aromaterapeuta e criadora da Calêndula, Laura Colares, 29, concorda e afirma que o segmento local está expandindo, mas ainda é pouco explorado. O público que consome seus cosméticos artesanais é variado, abrangendo veganos, pessoas em transição para o uso de menos química e curiosos acerca dos cosméticos naturais. “Nem todos são veganos, a grande maioria quer conhecer essa tal de slow cosmético. Está na moda, né? E que moda boa, que continue assim”, comemora. Ao produzir shampoos, condicionadores e hidratantes,

Desde 2014, a Calêndula trabalha com cosméticos artesanais

Laura vai além da utilização de matérias-primas sem origem animal e garante que não utiliza materiais sintéticos prejudiciais ao planeta. “Muitos sintéticos usados não são de origem animal, mas fazem um mal danado ao meio ambiente e isso é uma bola de neve, pois vão para a água e para o solo e, posteriormente, para nossa comida”, explica. Para ter certeza de que o produto é vegano, sugere que sejam feitas pesquisas sobre os métodos de extração de matéria-prima utilizados pelos criadores. Para os produtores, afirma que é importante saber se os fornecedores são regulamentados e fornecem laudos que comprovem. Em meio às opções disponíveis, esses consumidores encontram dificuldades no momento da compra. Após pesquisas na internet e leitura dos rótulos, eles ainda podem se surpreender com uma mudança de ingredientes sem aviso prévio, ou com os diferentes nomes que um composto pode receber. Segundo Ely Costa, os grandes produtores têm começado a incluir etiquetas de identificação graças à solicitação desse público. “Há ainda uma dificuldade imensa, mas já notamos um pequeno avanço: a identificação. Os produtos brasileiros estão começando, pelo que eu entendo, pela iniciativa das próprias marcas, a utilizar selos como ‘cruelty free’ e ‘vegan’”, afirma.

Para o estudante de nutrição e adepto do veganismo, César Kaczam, 24, o acesso a esses itens na capital está se tornando mais fácil. Tomando como referência seu grupo de amigos, César afirma que há o costume de compartilhar informações e ajudar uns aos outros a encontrarem, desde criações artesanais, até artigos confeccionados por indústrias convencionais que estão atentas a esse nicho.

À frente da franquia cearense da loja Budha Khe Rhi, Fernanda Marinho, 29, explica que, além de ampliar as possibilidades desse consumidor, deixar explícito o caráter vegano agrega valor à marca. Com a finalidade de participar de um bazar especializado, a empreendedora entrou em contato com os fornecedores para descobrir se algum material tinha origem animal. Como a resposta foi negativa, Fernanda tornou sua loja a primeira franquia a se

comunicar como vegana, além de ecológica. Dessa forma, passou a atrair esse tipo de cliente com roupas em algodão e sapatos com couro vegetal. “É um atrativo a mais”, defende. Mais do que hábito alimentar, a escolha por essa forma de consumo é um estilo de vida e inclui a consciência também ao adquirir roupas e cosméticos. De acordo com César Kaczam, ainda se inclui nessa filosofia não apoiar instituições que fazem testes em animais ou estabelecimentos, como zoológicos e circos, que os utilizam como forma de entretenimento. Pelos danos causados ao meio ambiente, César explica que artigos de origem animal são “completamente insustentáveis”, mas se mantém otimista em relação à conscientização das pessoas. “Acho que a tendência é crescer cada vez mais, porque não tem outra saída”, afirma. Para Laura, um problema com o qual a Calêndula tem que lidar, é explicar o produto e orientar o cliente sobre o veganismo. “A dificuldade é ensinar sobre o produto, pois ainda não é muito difundido, mas estou tendo uma boa aceitação”, afirma. Porém, o público está se tornando mais consciente e muitos enxergam nos eventos especializados uma possibilidade de conhecer mais sobre essa filosofia de vida. “Eu estou vendo que as pessoas estão mais conscientes, talvez seja uma nova era chegando”, diz Fernanda.

S E RV I ÇO Calêndula Telefone: 99681-8881 Rua Dr. Joaquim Frota, 639, casa 206, Sapiranga. Veggieland Telefone: 99191-1174 Budha Khe Rhi Fortaleza Pátio Dom Luis Av. Dom Luis, 1200, 2º piso (85)3181-5201 A Budha Khe Rhi une conceitos de sustentabilidade e irreverência

(85) 99762-7778


14 Papiro | 24 de maio de 2016

Uma nova doença Exageros no celular podem causar “WhatsAppinite” Uso frequente do software tem elevado o número de pacientes com doenças dos membros superiores. Adolescentes estão entre os principais afetados REPORTAGEM | FOTOS Paulo Mesquita DESIGN Ítalo Falcão

M

ovimentos repetitivos e uma postura inadequada podem provocar nos usuários de smartphones dores nos punhos, mãos e polegares. Segundo a fisioterapeuta Marília Luna, 46, “as dores podem aumentar gradativamente levando-os a um quadro de incapacidade funcional, e afastando-os das atividades diárias como trabalho, escola e esportes”. Este é o típico caso de “WhatsAppinite”, uma doença que tem levado diversos tipos de usuários para clinicas ortopédicas e fisoterapeuticas, na cidade de Fortaleza. O primeiro caso de “WhatsAppinite” foi descrito em 2014, na revista britânica de medicina Lancet. Uma mulher de 34 anos chegou ao hospital queixando-se de dores nas mãos e polegares, depois de ficar mais de seis horas trocando mensagens de boas festas no último natal.

Em alguns casos, é necessário o uso de remédios e suspensão do smartphone Dra. Marilia Luna,46 Seja no trabalho, na escola, na família ou para conversar com os amigos, o aplicativo WhatsApp está presente dia após dia na vida dos usuários. Foi lançado oficialmente em 2009 e vendido em 2014 para o grupo empresarial do Facebook, pelo valor de 16 bilhões de dólares. No ano de 2016, o aplicativo atingiu a marca de 1 bilhão de usuários ativos no mundo. Já no Brasil, alcançou a expressiva marca de 900 milhões de pessoas conectadas ao software. Tendo um smartphone com conexão de internet, o usuário consegue enviar instantaneamente mensagem de texto, áudio, vídeo e imagem para uma ou várias pessoas. E essa convergência contribuiu para a popularidade do software. Hoje, é tão comum o uso de smartphone, que alguns bares e restaurantes da cidade já oferecem a conexão à internet gratuitamente. De acordo com a fisioterapeuta, há uma predominância

Brunno acessa constantemente o whatsapp com seu smartphone

Dra. Marilia manipula o esqueleto para mostrar como articulação é afetada

de adolescentes entre os que mais sentem os incômodos pelo uso prolongado do WhatsApp. “Já atendi alguns pacientes com faixa etária diferente, mas com predomínio dos adolescentes”.

conectado à internet e não teria como acessar WhatsApp e redes sociais. O celular teria apenas a real função dele, ligar e atender chamadas”. Após o tratamento, Brunno conta: “hoje, dificilmente sinto incômodo. Só se eu passar muito tempo em utilização contínua. Mas procuro outros métodos para continuar conectado, sem prejudicar a minha saúde”. “O whatsAppinite é uma doença silenciosa e alguns usuários não dão a devida importância para as primeiras dores que são detectadas. Mas é preciso ficar sempre atento com qualquer tipo de incomôdo na região do pescoço, nos punhos, nas mãos e nos dedos polegares, e é fundamental procurar a orientação médica mais indicada para receber o tratamento correto”, conta a fisioterapeuta.

O meio que encontrei para diminuir o uso foi desligando o 4G Brunno Malheiros,23 Com o passar do tempo, surgem as primeiras dores, e isso acaba afetando a vida laboral e o lazer dos usuários, sendo necessária a procura de orientação médica. A fisioterapeuta comenta que “dependendo da fase de dor em que esteja o paciente, a mudança na postura e

a diminuição no uso do software podem ser suficientes.” Foi o que aconteceu com o empreendedor na área de organização profissional Brunno Malheiros, 23. “Nunca parei para analisar de fato quanto tempo em específico me dedico ao smartphone, mas posso afirmar que, ao longo de todo o dia, ele se encontra por perto e o utilizo bastante”. Sobre os exames e o tratamento, Brunno comenta. “apesar de todos os exames não terem apresentado alterações, as dores e a fadiga existiam. Foi aí que procurei a fisioterapia para iniciar o tratamento. Dentro do tratamento estava incluso a diminuição do uso do aparelho eletrônico. O meio que encontrei para reduzir o uso foi desligando o 4G do aparelho. Assim, pelo menos enquanto estivesse fora de casa, não estaria

D I CAS D E P R E V E N ÇÃO 1. Não utilizar a tecnologia por períodos muito longos. 2. Corrigir postura quando estiver utilizando o smartphone 3. Consultar médico especialista assim que as dores aparecerem. 4. Exercícios de alongamentos 5. Conscientização da população através de campanhas sobre o modo correto para utilizar o smartphotne. 6. Fortalecimento dos músculos na região que sentir desconforto. 7. Ao usar o smartphone, manter os pés apoiados numa superfície plana.


24 de maio de 2016 | Papiro 15

Atletas no sinal Caratecas sem patrocínio pedem ajuda financeira Adolescentes têm entre 10 e 16 anos e buscam apoio para participar das seletivas para o campeonato brasileiro de caratê REPORTAGEM Mairla Freitas FOTOS Mairla Freitas e Ronier Gonçalves Design Erika Chagas

1.767

é o número de pessoas beneficiadas pelo projeto, segundo a Sesporte Ronier desabafa que alguns motoristas desacreditam e desconfiam da causa e pedem para falar com ele. Outros nem baixam os vidros do carro. Em contrapartida, tem os que param, procuram saber mais sobre o que os motivou a ir aos sinais, apoiam e ajudam, às vezes até mais que o esperado. “O que nos motiva é isso, ainda tem pessoas que acreditam, incentivam e motivam. E muitas dessas pessoas são ex esportistas”, ressalta Ronier, acrescentando que para a próxima etapa do campeonato vai intensificar a campanha nos semáforos.

Caratecas da academia Karate Club Dinamic posam para foto na Avenida Washington Soares, onde pediam apoio.

N

os últimos meses, alguns semáforos da capital cearense foram tomados por quimonos brancos e faixas com pedidos de ajuda financeira. São os atletas da academia “Karatê Club Dinamic” comandados por Ronier Gonçalves, 32. Eles pedem ajuda para participar de competições. A mais recente foi em prol da seletiva para a final do brasileiro, em abril deste ano.

1.700

reais foi o valor gasto por atleta para competição na Bahia Ronier afirma que foi necessário em média R$1.700, por atleta, para a competição na Bahia. Eles começaram a arrecadar doações em janeiro deste ano, e conseguiram garantir a participação de cinco dos seis caratecas cogitados para o campeonato. Um deles ficou entre os três primeiros colocados. O treinador ainda não tem ideia de qual será o custo

por atleta para a final em São Paulo, mas já está de volta aos sinais. Segundo ele, a ideia é recente: surgiu há um ano em outra academia, por iniciativa dos próprios alunos. A decisão de trazer a ideia para sua academia foi motivada por perceber que estava perdendo atletas promissores, que paravam de praticar quando estavam prontos para competir, justamente por não ter condições de bancar os custos. Para Ronier, esse foi o jeito encontrado de dar oportunidade para os meninos, que antes abandonavam o esporte, de se manterem e crescerem no caratê. Eles foram em busca de ajuda nos sinais, pela primeira vez, no ano passado, para participar de um campeonato em Foz do Iguaçu, mas só conseguiram levar dois atletas. O treinador afirmou já ter procurado a Secretaria do Esporte do Estado do Ceará (Sesporte) para pedir ajuda de custo para as viagens. No entanto, “eles demoram muito para dizer um não ”, alega Ronier. Na Sesporte, o assessor de comunicação, Eduardo Buchholz, informou que entre os projetos que a secretaria desenvolve está o Bolsa Esporte,

O que nos motiva é isso, ainda tem pessoas que acreditam, incentivam e motivam. E muitas dessas pessoas são ex esportistas

Expectativa e apoio O atleta que ficou entre os três primeiros colocados, na Bahia, é o carateca Daniel Facundo, 13. Ele agora se prepara para a final do campeonato brasileiro, em São Paulo, que acontecerá de 12 a 15 de outubro. Daniel afirma que os pais apoiam a iniciativa, porque não têm condições financeiras de mantê-lo competindo. Praticante do esporte há seis anos, o garoto tem dentre os títulos já conquistados o de campeão cearense.

S E RV I ÇO Quem quiser e puder ajudar a equipe, basta entrar em contato com Ronier Gonçalves: (85) 98735-7181 (whatsapp) Karatê Club Dinamic– Rua José Augusto de Oliveira, 428, Planalto Ayrton Senna CEP: 60766-195

Ronier Gonçalvces, 32 que busca incentivar e favorecer o desempenho esportivo de atletas que vivem em condições de graves indicadores sociais. O Bolsa Esporte é dividido em três níveis de bolsistas, com mensalidades que variam de R$100, R$130 e R$260, beneficiando um total de 1.767 pessoas. O programa é divulgado por meio de edital anual. A Sesporte também possui um programa de auxílio para passagem aérea, no qual atletas de qualquer idade, grau de desempenho ou modalidade podem solicitar bilhetes para disputar campeonatos fora do Ceará, seja no Brasil ou no exterior.

Atleta conversa com motorista e pede apoio para a viagem


16 Papiro | 24 de maio de 2016

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