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QUINZENÁRIO INDEPENDENTE AO SERVIÇO DAS COMUNIDADES DE LÍNGUA PORTUGUESA

1 a Quinzena de Dezembro de 2011 Ano XXXII - No. 1122 Modesto, California $1.50 / $40.00 Anual

Centro da California - reconhecer os NOSSOS

Em pé: Melhor Aluno do Ano, Michael Lopes; Melhor Educador do Ano, John Fontes Sousa Sentados: Melhor Empresário do Ano no Ramo de Agro-Pecuária, Tony e Florinda Álamo; Empresário do Ano, David e Patsy Freitas; Cidadão do Ano, Batista Vieira, com a esposa Dolores.

Festa de Nossa Senhora de Fátima em Tracy Pag. 31

Pedro Ribeiro

Novo Director de Comunicações do Mayor de Washington DC

O Adeus a um Bom Cônsul Pág. 28, 29

www.portuguesetribune.com

www.tribunaportuguesa.com portuguesetribune@sbcglobal.net


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SEGUNDA PÁGINA

EDITORIAL

Esuqeçam-se...já estamos habituados

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ão queremos bater mais no "céguinho", mas é importante que se diga, que faltou visão e conhecimento da nossa realidade a quem anda metido nos esquemas dos reconhecimentos das pessoas. Vamos sómente mencionar dois jovens e duas organizações que bem poderiam terem sido reconhecidas, porque foram muito além das expectativas em tudo o que fizeram. Não queremos referir-nos a outras pessoas mais idosas, que também mereciam ser reconhecidas, porque podemos falhar alguns nomes. É uma norma esquisita esperar-se pela velhice para se reconherem pessoas, com excepcão de grupos desportivos. Espera-se e esperam e depois morrem e vai daí tenta-se reconhecêlas póstumamente, o que é triste para todos. Vamos-nos cingir sómente a duas organizações (há outras): Luso-American Education Foundation (48 anos anos de actividade) e Portuguese Education Foundation of Central California (20 anos), e a dois jovens, líderes nas suas áreas de expertise- Helder Antunes e Diniz Borges. Vocês nem calculam o que Helder Antunes tem feito pela aproximação do Silicon Valley a Portugal. A Cisco já trouxe dezenas e dezenas de engenheiros portugueses à California para estagiarem e regressarem ao seu País com maiores conhecimentos tecnológicos. O envolvimento do Helder Antunes desde o tempo do Governo de António Guterres tem sido de uma abrangência total entre o intercâmbio e investimento real em Portugal. Diniz Borges, por sua vez, colocou uma pequena Cidade do Vale Central - Tulare - no centro cultural português da California e não só. Nos ultimos 20 anos quase nada se fez em termos culturais que não tivesse passado por Tulare ou por Diniz Borges. A Comunidade vai perder um grande amigo e um bom Cônsul. António Costa Moura, Cônsul-Geral em San Francisco vai regressar a Portugal em Dezembro. jose avila

1 de Dezembro de 2011

Sempre hilariante As viagens presidenciais têm sempre momentos de grande hilariedade. Já vem do tempo das visitas de Carmona, Craveiro Lopes, Américo Tomás, Spínola, Ramalho Enes, Mário Soares e Cavaco, aos Açores. E esta agora também teve os seus momentos de paranóia. Vamos dar-lhes alguns exemplos ao correr da pena. A Polícia de San José obrigou os músicos de 5 Bandas (ficou de fora uma) a colocarem os seus instrumentos no chão para que os seus cães os pudessem cheirar (snifar em termos populares). Poderia haver bombas dentro de algum clarinete. O Mercury News publicou a fotografia desse tão divertido acto. Caso fossemos mestre da banda, a nossa já não tinha tocado para o Sr. Presidente. Durante a homília, um senhor não gostava do que ouvia, porque nunca falaram da Igreja das Cinco Chagas, e o nosso homem ia-se enfurecendo. Na altura da Comunhão levantou-se para ir comungar e a mulher puxou-o para trás e disse-lhe: "Senta-te,

Crónicas do Perrexil

J. B. Castro Avila hoje não vais comungar". O Presidente estava num hotel e de repente dirigiu-se para o lado direito do lobby e toda a comitiva seguiu-o, não se apercebendo que Cavaco Silva só queria ir ao quarto-de banho. Abilio Sousa teve a sorte de cumprimentar Cavaco Silva e por hábito colocou a mão esquerda nas costas dele. Mal o fez, sentiu a mão do segurança, que, com delicadeza aguentoulhe o gesto. Nem toda a gente deve ter reparado no convite que o Presidente enviou às pessoas para o jantar. Estava mal feito na sua concepção protocolar, que poderia ter dado azo ao Presidente corar, caso o tivesse visto. Os seus assessores quiseram ser mais papistas que o papa e coitados, fizeram o que não se deveria ter feito. Ao mostrar o convite a uma amigo americano e mal ele o leu, perguntou-me se o Presidente era casado, tal era o erro crasso do convite. Espero que os assessores do

Presidente aprendam a maneira de fazerem convites. Uma das coisas que se aprendeu com o jantar, foi ter não havido apresentações. Foi lindo, em comparação com os nossos jantares, onde se demora meia hora a apresentar sempre as mesmas pessoas desde há vinte e cinco anos. Houve uma pequena "guerra" das bandeiras, por desconhecimento das regras americanas, de uma assessora do Presidente. Antes do jantar tudo ficou conforme as regras. Perdeu-se uma super oportunidade de se falar da nossa velha de 92 anos, Igreja das Cinco Chagas, durante a missa. Poderia ter sido uma grande lição de História com a presença de um Presidente. Aprender para o futuro, deve ser o nosso lema. Foi pena não se ter autorizado os fotógrafos a aproximarem-se do palco na altura das condecorações. Foi uma imposição que não se deve aceitar.

Year XXXII, Number 1122, Dec 1st, 2011


COMUNIDADE

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COMUNIDADE

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Dizer ADEUS a Maria da Glória Vargas Há pouco tempo publicou o Tribuna Portuguesa o falecimento de Antonio Silveira Vargas, num comovente artigo que foi lido pelo seu neto Tony Freitas, no Rosário. Mal sabia a familia que dois meses depois iriam fazer a mesma coisa pela sua avó Maria da Glória Vargas. Aqui fica o testemunho (parcial) dessa leitura: "Minha avó Maria das Glória era conhecida igualmente pelo seu apelido Maria Sarás. Ela nasceu a 14 de Novembro de 1926 na freguesia do Salão, Ilha do Faial. Era filha de Francisco Silveira da Rosa e de Maria da Glória. Teve um irmão de nome José, um ano mais novo. Quando a minha avó tinha sómente três anos, perdeu a sua mãe, que morreu com a idade de 28 anos. Foi criada nos Espalhafatos por

sua avó Sarás, ajudando a criar seu irmão mais pequeno. Quando a minha avó tinha 15 anos, a avó Sarás faleceu. Sendo a única mulher na casa, tratou de seu pai e irmão, trabalhando muito duramente nas tarefas da casa e ajudando na exploração agrícola. Com a idade de 21 anos, casou com António Silveira Vargas, no dia 25 de Dezembro de 1947. Em 1949 nasceu a sua primeira filha Maria de Fátima e quatro anos mais tarde, em 1953, a segunda filha Mary Jo. Era muito prendada em rendas e até as vendia para comprar roupa para as filhas. Embora a vida nas Ilhas fosse dura, a familia Vargas era feliz nos Espalhafatos. Em Dezembro de 1959, meu avô teve a oportunidade de emigrar para os Estados Unidos. Minha avó permaneceu no Faial com as filhas e o pai.

O avô Vargas regressou ao Faial depois de seis anos na America. A avó sómente em 1970 emigrou para os Estados Unidos e a familia fixou residência em Corte Madera. A minha avó teve seis netos que a fizeram muito feliz - Jamie, Tony, Gabe, Melanie, Derrick e Frank. A avó trabalhou durante muitos anos no Hospital do Condado de Marin. Aposentou-se em 1992 e passou a maioria dos seus dias a fazer as coisas que mais gostava - jardinagem, família e as caminhadas longas com o seu marido, mas o que mais gostava era de cozinhar. Todos os Natais, a avó decorava com muita atenção a sua casa e até num ano a Cidade de Corte Madera deu aos nossos avós um prémio pela casa mais bonita do Natal. Tinha um grande amor pelos seus netos e

bisnetos (Sydney, Tyler e Amelia) e o seu frigorifico estava sempre cheio de fotografias deles todos. Os netos recordam-se muito bem dos tempos maravilhosos que passaram com a avó, da viagem que fizeram aos Açores, a Vancouver e Hawaii. Como todos sabem, o nosso avô faleceu dois meses antes da avó. Juntos podem agora continuar no Céu as grandes caminhadas que tanto gostavam de fazer aqui na Terra, e também podem comemorar juntos o seu 64º aniversário no dia de Natal. Adeus Avó. " Tribuna Portuguesa envia sentidas condolências a toda a família Vargas.

Matança e São Martinho em Fresno

Fresno esteve em festa, quer no dia da matança da Comissão da Festa de São Pedro (ver foto ao lado) quer no São Martinho em casa do Armamdo e Susie Couto. No dia da matança, o Grupo de Matanças da Casa dos Açores quiz comparecer e cantou as modas desta festa tão querida dos açorianos. fotos de Alcides Machado


COLABORAÇÃO

Tribuna da Saudade

Ferreira Moreno

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dar continuidade a esta série de “Imagens”, tenciono narrar agora um episódio que, além de historicamente verídico, acarreta a particularidade de ter ocorrido no Porto Formoso, freguesia do concelho da Ribeira Grande. É possível que, ao tempo, a imprensa regional haja transmitido a reportagem do acontecimento. Mas tanto eu como o meu interlocutor, não conseguimos confirmar se houve adequada publicidade, tanto mais que, nessa já longínqua data, andávamos ainda pelos bancos escolares da isntrução primária. Numa noite de fevereiro de 1944, ao largo do Porto Formoso, navegava um barco de pesca, pertencente a António de Lima Raposo (já falecido), que em vida foi presidente da Junta de Freguesia e vereador municipal do concelho ribeiragrandense. Os pescadores notaram, a princípio e à distância, uns sinais luminosos (flares), e com o despontar da madrugada avistaram um salva-vidas com 13 náufragos a bordo, totalmente exaustos e sem forças p’ra remar. Tratava-se dum grupo de tripulantes dum navio de carga de nacionalidade sueca, acometido no Atlântico por um submarino alemão, que os obrigara a abandonar o navio e a lançarem-se à deriva com o resto da tripulação em dois life-boats (salva-vidas). Eventualmente, um dos barcos foi parar à Nazaré em Portugal continental, enquanto essoutro alcançava o Porto Formoso três semanas após o assalto e ataque do submarino. Desnecessário acrescentar que o

Imagens da Segunda Guerra na minha Terra (8)

navio sueco foi, seguidamente, torpedeado pelos alemães. Os náufragos, há cinco dias sem comida e sem água há dois dias, foram rebocados p’rà praia pelos pescadores micaelenses. Tão enfraquecidos se encontravam os suecos que sentiram dificuldades em saltar do barco e simplesmente tombaram na areia desfalecidos, sequiosos e famintos. Foram imediatamente socorridos por pessoas que haviam acorrido ao local e depois reconfortados com café bem quente e roupa apropriada. No entretanto, Lima Raposo entrou a comunicar em inglês com os náufragos e procurou dar-lhes pousada. Afortunadamente, no dia seguinte, chegava a Ponta Delgada um navio sueco, p’ra bordo do qual os náufragos foram carinhosamente transportados. urante muitos anos foi trocada correspondência entre Lima Raposo e os náufragos. Presentemente, deste memorável acontecimento, resta apenas uma garrafa de scotch-whisky, oferta pelos suecos, e que se encontra (ainda sem ter sido aberta) na posse do filho, o Gilberto Raposo, meu vizinho em San Leandro. Foi ele quem me contou esta história. Natural do Porto Formoso, onde nasceu em dezembro de 1935 (a mãe era natural de Portsmouth, Rhode Island), o Gilberto (mais conhecido por Gil) emigrou p’rà Califórnia em 1954, na companhia dos pais. Aqui viria a casar com Patricia (Pat) Souza (neta de açorianos), tendo prestado serviço militar (1958-60) na Alemanha. O casal

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Raposo tem uma filha, Cindy, e uma netinha, Jennifer. O Gil e a Pat fazem parte do grupo “Convívio Ribeiragrandense”, que se reúne na primeira sexta-feira de cada mês p’ra um almoço no Centro Leonino em San Jose. A comparência a estes almoços-convívios é de uma média de 20 convivas, por vezes atingindo 30 ou mais, visto incluir convivas de todas as localidades micaelenses, bem como das restantes ilhas açorianas. Conheço o Gilberto desde o tempo que ele veio à Ribeira Grande “fazer o exame” da quarta classe na Escola Central, e ficou hospedado (com mais quatro colegas) na casa de meus pais na Rua da Ponte Nova. E já termino, expressando o meu apreço pelas “Estórias Incontáveis”, associadas à “Campanha do Ananás”, que Ferreira Almeida vem publicando no jornal “Terra Nostra” de Ponta Delgada. A edição de 19 de agosto, 2011, desdobrou-se num autêntico relampejar de memórias alcandoradas na imaginação desde os meus tempos de criança. Refiro-me, precisamente, à foto do simpático piloto-aviador, Álvaro Guimarães dos Santos, o primeiro dos meus ídolos no número de aviadores que conheci no vizinho Campo de Santana. Veio p’rós Açores aureolado pela fama de ter combatido na Guerra Civil de Espanha (1936-39), e ter

PHPC announces the release of its latest publication, the luxury edition of the book IV International Conference on The Holy Spirit Festas, a hard cover, full color, 100-page, photojournalist’s report of the June 2010 conference in San José, California, by Miguel Valle Ávila, Assistant Editor of The Portuguese Tribune. All author proceeds revert in benefit of the San José State University Portuguese Studies Program.

sido condecorado pelo General Franco. Contando apenas 25 anos de idade, o Guimarães (era assim popularmente tratado) perdeu a vida aos 10 de outubro de 1941, quando o biplano caça, que tripulava, caiu num terreno de cultivo nas proximidades de Santana. Como descreveu Ferreira Almeida, “o cortejo fúnebre da Igreja dos Terceiros de S. Francisco p’ró Cemitério da Ribeira Grande, constituiu uma imponente manifestação de pesar, na qual tomou parte uma população computada em mais de duas mil pessoas”.

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uerida patria-mãe, minha amada, sei que já não te lembras de mim. Saí cedo e moro longe. O tempo passa. A vida voa. A distância não perdoa. Longe da vista, no meu caso, até nem quer necessariamente dizer que o seja também do coração. No entanto, e só para que conste na irrelevante lista do anónimo desencanto que por aí paira, sou dos muitos que se ausentaram e não tencionam voltar. Não guardo ressentimentos nem me tenho por qualquer desertor ingrato. O certo é que me deixaste partir sem remorso ao relento dum futuro à deriva. Não te fazia nem creio que ainda te faça falta alguma. Mas, crê, não foi fácil. Amargurá-las dia e noite, semanas a eito, meses sem fim, à mercê de emoções flageladas pela friorenta saudade, custou-me os olhos da cara. A mágoa, porém, fez-me forte. Desisti de enxugálas. Felizmente, foram elas, essas lágrimas fartas, pouco a pouco, a regarem-me este solo fértil e acolhedor, onde criei raízes fecundas. Rebentos robustos sorriem-me diariamente. São tudo para mim. Sou feliz à minha maneira. Esta minha mãe adotiva trata-me razoavelmente bem. São outros costumes, bem sei, mas os valores assemelham-se – assimilham-se. A gente afaz-se. E, com o passar dos anos, acomoda-se. Incomodam-nos porventura inoportunos contratempos, mas que remédio senão apercebermo-nos que em todo o lugar há bom e mau. Mal estaria eu se não me apegasse ao que aqui há de melhor. Pouco a pouco, seduz-nos. Começa por nos penetrar a pele, depois mima-nos a alma e acaba por nos fortalecer o ânimo. É porventura a tradição mais bonita que esta minha outra pátria tem: o gostoso Thanksgiving. Para quem não lida muito com o inglês, até pode parecer uma palavra algo embrulhada. Só que me soa muitíssimo bem. Nesta altura do ano, nada me cai melhor – mesa posta, família reunida, coração recheado – dar graças. É muito mais do que um dever. evo-te muito, minha mimosa pátria de berço. Sobretudo este idioma que ainda soletro – outro mais lindo não há – ligarme-á eternamente a ti. Sinto-me grato por fazer parte dos muitos milhões que nele alegremente se revêem e com ele orgulhosamente se expressam. É previlégio que não descuido à toa. Como vês, estou-te sempre a escrever. Francamente, pouco me importa se me respondes ou não. O prazer

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é todo meu. Foi muito nosso, no entanto, ainda há bem pouco tempo, aquando da rápida visita que nos concedeu o teu máximo representante, o virtuoso Doutor Cavaco, que nos veio cá pagar o jantar e oferecer uns medalhões à pressa. Pena, de facto, não se ter dignado demorar mais um ou dois dias e lembrado de trazer outras duas ou três dessas medalhas baratas para quem por cá ficou de orelha murcha, nariz torcido, beiço desconsolado. Não tinha custado nada. Bem sabemos que, nisto de mimar méritos, torna-se impossível contentar todos. Só que, no fundo, tal como em tempos me ensinaste, há gestos que dispensam quaisquer palavras. Aquele recente gesto da altiva águia ao decidir engaiolar os enfuriados leões na polémica jaula da Luz, prescinde de mais comentários. Não achas? esculpa-me, dócil pátria dos meus amores, atrever-me fugir ligeiramente com o fio à meada. Não consigo resistir. Sempre adorei o sublime fascínio das tuas garridas cores no suave abanar da nossa linda bandeira. Rendi-me desde miúdo ao teu criativo génio de as saberes incorporar numa apaixonante rivalidade desportiva que já dura mais de um século. Faz parte integrante daquilo que somos. Verde e vermelho inspiram a nação valente que herdámos aos safanões. Mudam-se os tempos e as vontades lançam-nos novas sugestões. Como a bola que rola e apaixona as multidões. O povo a entrar em delírio invulgar e a deixar-se levar até ao extremo das emoções fervendo ao rubro. Nada como um renhido derby da máxima envergadura para que o país se aliene momentaneamente das suas reais frustrações. Através dos anos, melhor do que quaisquer outros agentes nacionais, os medalhados Benfica e Sporting sempre ofereceram aos portugueses o escape ideal às suas múltiplas desilusões. Farto da política que o trama e dos políticos que o pilham, ignorando as dores da crise e os gritos da greve, o Zé Povinho afina a goela e vira-se para o futebol na esperança franca dum alívio fácil. Afinal, não foi assim tão difícil. Bastou arregaçar as mangas à camisa. Canto cruzado para a área à maneira antiga, remate de cabeça à boca da baliza e o resto é cantiga. Voltámos ao mesmo e mais forte. O Benfica ganha, mesmo que à rasca. O Sporting crama, como é costume. O fogo extingue-

se nas bancadas mas a bronca continua na rua. É pena. A crise foi-se, apenas por umas horas. Ditosa pátria minha, saí cedo, moro longe e o mais certo é não voltar. Contudo, jamais deixarei de te agradecer este genuíno

elo que nos une na confusão dos golos que nos separam. Nenhuma outra mãe me poderá oferecer esse radiante consolo.

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COLABORAÇÃO

1 de Dezembro de 2011

Agua Viva

Ao Cabo e ao Resto

Filomena Rocha

Victor Rui Dores

filomenarocha@sbcglobal.net

Saibamos ser Pessoas

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ovembro foi para os Portugueses da Diáspora um mês de emoções. A começar pelo Dia de Todos os Santos, Dia de Pão-porDeus, o Mês das Almas. Algumas mais penadas que outras e ainda em vida, mesmo que não digam e vão fazendo de conta... Até que seja realidade, quando nesta vida já se vão queixando, que quando um dia morrerem não terão quem lhes dedique um simples Padre-Nosso ou uma pequena Avé-Maria, que hoje em dia já quase ninguém pensa nessas coisas do Além, a não ser os mais velhos. Em certos casos, só o São Martinho salva a situação, cobrindo com a sua capa de bondade o frio de algumas circunstâncias e dando a beber o elixir da sua alegria que tanto bem faz às tristezas dos dias menos gratos do quotidiano. Um pouco assim como se celebrou o 93-º Aniversário da Igreja Nacional Portuguesa das Cinco Chagas, quase silenciosamente. Devia haver mais festa, mais júbilo, mais grandiosidade, –sem fausto nem vaidades- mas com alegria de Cristãos que reconhecem neste Templo os antepassados que há quase um século, construíram com enorme sacrifício o nosso local de encontro como fiéis. É urgente que se diga aos mais novos um pouco mais da história, que se dê mais entusiasmo a este legado precioso que nem todos sabem como começou, mas que alguns estão antevendo como acabará... “Se não houver um pastor”, dizem. Não temos Pastor, mas temos Vigário! Que não deve servir apenas para baptizados, casamentos e funerais, mas para todas as outras ocasiões importantes! Fala Português, com sotaque brasileiro, pois fala! Mas seria o mesmo se tivesse sotaque da minha ilha Terceira

ou da ilha do Arcanjo. Teriam sempre que dizer! - Já é tempo de assumirmos os valores que temos ao nosso alcance. Devemos ser prezados e ter orgulho no que temos para que os outros nos respeitem! Dá-me pena, fazme dó, como se fosse a mim que acontecesse... Qualquer que estivesse de Vigário e apto para todos os serviços desta Paróquia, também teria tido o gosto e a honra de receber o Presidente da Repúlica Portuguesa com todos os detalhes e deferências que a ocasião merecesse, para dignificação da nossa histórica Igreja, que por coincidência no aniversário, recebeu o mais alto titular da Nação Portuguesa, sua esposa e respectiva comitiva. Há momentos únicos na vida das pessoas e do ambiente que as rodeia, que ninguém consegue apagar da história! É preciso pois, serse mais cauteloso, mais prudente, mais generoso para não ferir os sentimentos e o orgulho dos que nos servem, para não corrermos o risco de ficarmos amargamente sós e com a fama de miseráveis ingratos. Mas se o travesseiro à noite serve para deitar os pensamentos e meditar neles, também uma hora de boa refeição ajuda a consertar o que nem sempre se ajustou nas nossas decisões. Nem que seja uma vez por ano, como desobriga, enquanto tomamos a refeição do Dia de Acção de Graças, com a família, com os amigos e com os que nos estendem a mão, num acto sincero de amizade. Preparemo-nos agora para o Natal seguinte como pessoas de bem e possamos ser contados na Missa como pessoas de carácter e não como idiotas que nem sabem o lugar que ocupam.

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Das freiras do Covento de S. Gonçalo

m 1830 Angra era (pela segunda vez) capital do reino e o convento de São Gonçalo tornara-se num antro de concupiscência… Durante os dois anos da presença das forças de D. Pedro IV na ilha Terceira (1830-1832), o convento das freiras de S. Gonçalo viu quebrada a rotina da sua clausura… Segundo Fancisco Ferreira Drummond (1796-1858), aquele convento era “refrigério de emigrados”, onde se vivia “vida galante” e o próprio D. Pedro IV tinha ali a sua “freira dilecta” com quem partilhava “melodiosos accentos de poesia” (1). Aquele historiador terceirense refere ainda que as freiras haviam desenvolvido o “ardente desejo da liberdade do século, não se contentando muitas d´ellas com a sua profissão que cobriam de pragas e anátemas”. O marquês de Fronteira, nas suas Memórias, deixou escrito: “O convento das freiras de S. Gonçalo era um grande recurso para a officialidade dos Corpos, principiando pelo General em chefe. Todos ali tinham um derriço, como lhe chamavam, e nunca vi nada mais ridículo do que uma quinta feira de Endoenças na Egreja de S. Gonçalo. As lamentações eram applaudidas com o mesmo enthusiasmo com que são as árias e cavatinas no Theatro de S.

Carlos”. Com a vinda do Imperador, o General em chefe passava a ser número dois na fila dos locutórios… Ficaram famosas as surtidas de D. Pedro IV ao convento de S. Gonçalo, sua distracção favorita. Reza a lenda que uma freira daria à luz uma criança de sexo masculino, a quem deram o nome de Pedrinho, filho precisamente do Regente e Grão-Senhor. Durante um mês de permanência na ilha Terceira, e a par das entrevistas amorosas, D. Pedro IV dedicou-se à caça de coelhos e pombas, dando passeios furtivos pela cidade, presidindo a bailes em sua honra e assistindo ao teatro dos oficiais. Logo no dia que chegara à Terceira, vindo do Faial, “passou

revista no Relvão a perto de três mil homens, comandando em pessoa as descargas e erguendo um viva a Maria Constitucional e Soberana”, de acordo com Ferreira Drummond. Vitorino Nemésio, no seu ensaio “A Terceira durante a Regência” (2), regista que, nesse tempo, “o palratório de S. Gonçalo era mais buliçoso e meiguiceiro que uma gaiola de rolas”, acrescentando que, em vésperas de partida para a guerra daqueles que viriam a ser conhecidos pelos “bravos de Mindelo”, eram “as pias madres de S. Gonçalo as grandes mestras do escândalo”, recebendo, com grande alvoroço nos seus braços, os “estóicos e azougados oficiais”, enquanto a soldadesca, “carne de embarque e matança, sumir-se-ia pelas tabernas dos Quatro Cantos e da Rua das Frigideiras”… O inglês Edward Boid, capitão de marinha, deixou registado na sua obra A Description of the Azores or Western Islands, o seguinte retrato: “Era cena vulgar, ao passar, ver as freiras em colóquios amorosos com os seus namorados por baixo das janelas das grades, onde se faziam favores, se ajustavam combinações e se fixavam horas para as visitas às celas. Era coisa divertida ver a erva completamente gasta debaixo de todas as janelas deste convento por efeito da concorrência que ali se observava”. A primeira referência escrita às freiras do convento de São Gonçalo é do conde Louis Philippe Ségur, que, recordando nas suas Mémoires ou souvenirs et anedoctes a sua passagem pela ilha Terceira em 1782, dá conta da clausura e da beleza das monjas, classificandoas de “não tanto obsequiosas como licenciosas”… Bom, mas isso era no tempo em que as freiras eram licenciosas… Hoje muitas delas são licenciadas e, diga-se de passagem, muito pouco dadas a derriços… (1) in Anais da Ilha Terceira (2) In Sob os Signos de Agora, Obras Completas, vol. XIII, Imprensa Nacional, Casa da Moeda,1995. Foto de Adelina Fontes

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Ao Sabor do Vento

José Raposo

COLABORAÇÃO

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Jack Cunha

raposo5@comcast.net

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á anos a I.D.E.S.S.T., de Sausalito, da qual na altura eu era Presidente, convidou o Sr. Cônsul de Portugal em San Francisco, Dr. António Alves de Carvalho, para participar da festa de Natal. Ele foi muito simpático, assim como sua esposa e compareceram. Ficou bastante impressionado com o salão, pois o mesmo estava a ser renovado. Durante a noite, em conversa no bar, no intervalo do espetáculo, ele disse que o Governo Português precisava reconhecer o que os Portugueses faziam nesta Califórnia. Aproveitei a oportunidade para dizer-lhe que o nosso Secretário, o Sr. Jack Cunha, era uma das pessoas que mereciam tal reconhecimento. Ainda expliquei ser ele um homem simples e que o que fazia, fazia-o por amor à Comunidade e por devoção ao

num sábado. Na sexta-feira telefonei ao Dr. Antonio Carvalho para que confirmasse sua vinda e se traria a medalha, porque o Sr. Jack Cunha estava muito doente, porém, faria todos os possíveis para estar presente. Ele respondeu-me afirmativamente. À hora combinada, Jack Cunha apareceu no salão. O Sr. Cônsul também e, em particular, disse-me que o Secretário das Comunidades havia proibido de dar as tais medalhas. Todo o pessoal que estava no salão e que havia sido, previamente, informado que o Jack Cunha iria receber uma medalha, sentiu-se decepcionado ao ouvir do Sr.Cônsul a informação de não ter em mãos a medalha, mas que o Governo Português, de uma forma ou de outra, iria reconhecer o trabalho que Jack Cunha havia feito. A medalha não chegou! Os anos se pas-

Espírito Santo. Disse-lhe que era Secretário da Organização há 45 anos e que só havia faltado às reuniões duas vezes: quando o pai e a mãe morreram e que, na minha maneira de ver, só por isso já merecia uma daquelas medalhas dos Conselhos das Comunidades Portuguesas. O Sr. Cônsul, imediatamente, respondeu que na próxima festa traria uma para Jack Cunha. A próxima festa foi a que nós chamamos Queen's dance, em Fevereiro. Teve lugar

saram e eu um dia contei o sucedido a um amigo meu que havia sido um alto membro do Governo Português e que naquela altura era o Presidente das Ordens Honorificas de Portugal, mas que eu não sabia. Em resposta ao que lhe expus, respondeu-me: “José, não te preocupes porque o Sr. Jack Cunha irá receber a sua condecoração”. Infelizmente, semanas depois Jack Cunha ficou gravemente doente e veio a falecer em poucos dias. No dia da sua morte, pela

manhã, recebi um email do meu amigo a dizer que Jack havia sido condecorado com o grau de oficial, “Ordem do Infante D. Henrique”. Durante o velório e missa de corpo presente dei a notícia a todos que ali estavam. Passaram-se mais dois anos e, dessa vez, extraviou-se a condecoração. Ninguém sabia onde tinha ido parar. Depois de haver reclamado ao meu amigo, ele próprio disse que iria indagar do paradeiro da condecoração. Não levou muito tempo e recebi da sua Secretária um email a confirmar que a condecoração estava na Embaixada de Portugal, em Washington DC. O restante da história vocês já sabem. O que não sabem é que Jack Cunha nasceu no Marin County, assim como seus pais. Os avós é que vieram da ilha de São Jorge. Jack, desde tenra idade, trabalhou no rancho de seus pais, na altura em que as vacas eram ainda ordenhadas à mão. Ainda jovem fez-se membro da IDESST. As vacas que eram oferecidas à Organização, eram mortas, suas carnes usadas para sopas e, também, eram levadas, cruas, de porta em porta, aos membros e outras pessoas necessitadas, como se fazia nas ilhas (não sei se fazem assim ainda hoje). Jack Cunha devotou parte da sua vida à Irmandade. Foi Secretário durante 45 anos como já mencionei. Não havia problema que ele não resolvesse. Pagava, da sua algibeira, muitas contas e nunca pedia que fosse reembolsado. Era conhecido por todos os Portugueses na parte norte da Baia de San Francisco. Membro de várias Organizações Americanas e, embora nascido nesta

DR. MANUEL DA ROSA RODRIGUES QUARESMA

- filósofo - poeta - jornalista - artista - professor universitário

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epois de muitas caminhadas juntos pela Europa, aquém cortina de ferro, nos anos 60, como amigos e colegas, quando estudantes na Itália, agora, a 30 de Outubro de 2011, o Manuel partiu só, em viagem sem retorno, ao cabo de longa doença e muito sofrimento. Condição humano de quem nasce e morre sem consulta prévia, em tensão de vida e morte, lado a lado, dia após dia, até o momento final, com muita dificuldades em imaginar o que nos espera e como será para alémtúmulo. Nesses momentos se quem parte é alguém a quem estávamos ligados por laços de sangue ou simplesmente amizade sincera, habituados ao convívio mútuo, embora com hiatos de ausência, por vezes longos, e distâncias intransponíveis, quando a barreira da existência é ultrapassada, então somos confrontados com o mistério da morte de maneira inexplicavelmente cruel. No silêncio da mesma há pontos de referência que se perdem para sempre e na falta desconfortável do que nos unia, cai-nos em cima o pano negro da ausência e do luto. O passado torna-se irremediavelmente distante, o presente repleto de interroga��ões e o fu-

turo apreensivamente desconhecido. O Manuel Quaresma, sem exibicionismos, era uma referência em Washington D.C., na Universidade Católica e na Voz

da América. Um dia, há muitos anos, em grande parte na aventura do desconhecido, partimos dos Açores via Lisboa e Nápoles rumo a Roma, Itália. Deixamos o Tejo no transatlântico Saturno, que, depois de uma paragem breve em Gibraltar, chegou à Itália, em acalmia outonal, depois de cruzar o Mediter-

râneo. A finalidade era a Pontifícia Universidade Gregoriana. Ele inscreveu-se na Faculdade de Filosofia e depois Direito e eu em História e a seguir Teologia. Nos verões que se seguiram, com longos meses de férias, percorremos praticamente toda a Europa que nesse tempo salazarista era permitido visitar por quem tinha cidadania portuguesa, chegando mesmo a encontrarmonos no País de Gales, Reino Unido, uma das melhores experiências deste período estudantil. Assistimos à abertura solene e realização do Concilio Vaticano II, o maior acontecimento do século XX do mundo cristão, inspiração do carismático Papa João XXIII. Lá estávamos perdidos no meio da multidão que enchia por completo a Praça de São Pedro, quando o concílio abriu as portas. O Manuel foi tradutor oficial do concilio e assistente conciliar do seu conterrâneo picoense, o cardeal Costa Nunes. Depois de completarmos os estudos na Universidade Gregoriana,

terra, falava a nossa língua muito bem. A maneira como mantinha os livros da organização, numa altura que ainda não havia computadores, era impecável. As suas contas nunca falhavam. A lista das pessoas a quem ele distribuía bolos de massa sovada, todos os anos, morassem eles em Sausalito, Bolinas ou outros lugares mais remotos do Marin County, não tinha endereços. Jack sabia como chegar a casa de todos. Não necessitava de GPS. Há coisas que Jack fez para o bem das Organizações e dos indivíduos, assim como muitos Portugueses fizeram, que ficaram registadas, simplesmente, na memória das gentes. Jack fazia o que fazia sem esperar recompensa ou reconhecimento algum. Eu pedi uma simples medalha que foi prometida e não foi dada. Por intermédio do meu amigo, o Presidente da República Portuguesa achou por bem condecorá-lo a titulo póstumo, com o grau de Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, cuja conderação foi recebida por sua sobrinha Carolyn. Há tantos como o Jack por aí que nunca serão reconhecidos, nem estão à espera disso! Desde as pessoas que fazem a limpeza nos nossos salões, a secretários, presidentes e outros mais: de oficiais a professores e doutores, quer tenham vindo de lá ou nascidos aqui, estamos todos dentro do mesmo barco e o que fazemos, fazemos para manter a nossa tradição, a nossa cultura e a nossa língua. Tenho a certeza que as mesmas serão mantidas enquanto na nossa comunidade houver pessoas como foi Jack Cunha.

Apontamentos da Diáspora

Caetano Valadão Serpa v.serpa@verizon.net eu regressei aos Açores, ele optou pelos Estados Unidos, onde fixou residência permanente. Até falecer, foi professor na prestigiosa Universidade Católica do Washington D.C., onde lecionou as cadeiras de Filosofia Clássica, Filosofia Moderna e Filosofia Contemporânea, Ética e Valores Humanos. Paralelamente, foi diretor da Voz da América para os países africanos de língua portuguesa, os quais passou a visitar com frequência. Era um filosofo genuíno que nunca se cansava de salientar, com mestria, aspetos da filosofia clássica e moderna ou contemporânea. Sempre muito bem informado e enquadrado na problemática de uma visão atual. Realmente um intelectual de calibre que pela sua maneira de ser e carácter pessoal se manteve bastante isolado. Dotado de uma memória prodigiosa, recitava de cor grande parte dos Lusíadas e outros poemas de poetas da sua preferência. Mesmo antes de entrar na universidade tinha os seus filósofos e poetas preferidos que declamava com gosto, sendo estes os seus momentos mais extrovertidos que até lhe mereceram o cognome de “Descartes”. Foi sempre um aluno distinto, em todo o seu longo percurso académico, desde

a escola primária à universidade. Era igualmente um artista, deixando na sua residência pessoal, em Washington D.C., numerosas obras dignas de museu, sobretudo peças de mobília, artística e originalmente elaboradas. Montou uma oficina mecânica, na própria residência, onde passava os seus tempos livres. Inclusivamente, construiu uma “mini habitação”, eletrificada para a sua gata, companheira apreciada na sua solidão, antes de casar. Dispunha de “quarto de banho” com dispositivo automático de higiene e de alimentação que permitia ao Manuel ausentar-se por várias semanas e meses, permitindo à bichana considerável conforto. Ao entrar na casota o dispositivo elétrico era ativado automaticamente e ao sair desativado. Invenção esta que poderia ter sido comercializada com patente registada. Um amigo e uma personalidade única, que não deixa indiferente quem o conheceu bem. Adeus companheiro de muitas andanças conjuntas desta vida que para ti terminaram, espero encontrar-te Além. Para a tua esposa o abraço da amizade e os mais sinceros sentimentos de pesar, meus e da Maria de Lourdes.


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1 de Dezembro de 2011

Reflexos do Dia–a–Dia

Diniz Borges d.borges@comcast.net "Uma boa definição de homem, para além de suas limitações físicas, seria a de que é um ser de embrionária liberdade, cujo dever, cujo destino e cuja justificação é o da liberdade plena; plena para ele, plena para os outros, plena para os animais, plena para ervas, plena talvez até para seixo e montanha." Agostinho da Silva Filósofo, ensaísta e poeta português 1906-1996

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sta é uma crónica pessoal. Raramente utilizo este espaço que me é dado por este jornal para falar de assuntos pessoais. Não tenho jeito, nem acredito ser benéfico utilizar-se este repositório das nossas comunidades para se falar de assuntos meramente particulares, porém abro uma excepção porque embora com um tom individual, esta crónica trata uma figura publica. Depois de estar na Califórnia durante dois anos, o actual Cônsul Geral de Portugal em S. Francisco, António Costa Moura regressa a Portugal. Foi para mim, uma triste notícia. Disse-o através do facebook quando o editor deste jornal deu a notícia ao mundo e repito-o aqui nestes reflexos. É que este não era um Cônsul qualquer. Ao longo dos dois curtos anos que aqui esteve, António Costa Moura, fez a diferença e será muito difícil substituir o seu estilo, a sua abertura para com a comunidade e o seu interesse, genuíno e cativante, sobre os assuntos que afectam as nossas comunidades espalhadas por este estado, incluindo algo pelo qual muitos cônsules, infelizmente, não têm grande apetência: o ensino da língua

e cultura portuguesas. Primeiro deve dizer-se que António Costa Moura não se enclausurou em S. Francisco. Bem pelo contrário, em dois anos visitou mais comunidades do que muitos cônsules em quatro ou cinco anos. E nunca foram visitas de circunstância, para cumprir calendário. Em cada contacto com a comunidade soube não só enaltecer o país que representava, o nosso velho Portugal, mas estimular as comunidades, particularmente, aqueles que, quotidianamente, trabalham para preservar e disseminar a língua e cultura portuguesas em terras da Califórnia. Foi a escolas, a associações, a clubes e a paróquias. E no mundo americano foi uma das vozes mais eficientes que Portugal teve neste estado plantado à beira do Pacífico. Na cidade de Tulare, onde vivo e trabalho, a qual para muitos cônsules fica no fim do mundo, António Costa Moura esteve quatro vezes. Uma dessas vezes, simples e unicamente, para assistir a uma actividade da associação estudantil do ensino secundário americano, SOPAS (Society of Portuguese American Students). Porque António Costa Moura, tal como Aristóteles sabe que : "a educação tem raízes amargas, mas os seus frutos são doces." Em termos institucionais, tenho tentado manter (nem sempre com sucesso), relações cordiais com todos os cônsules que aqui estiveram, desde que, com a idade de 19 anos comecei o meu activismo comunitário, quer na comunicação social, quer no nosso movimento associativo, quer no ensino público norte-americano. Também tive o privilégio de ter relações de amizade com alguns cônsules que passaram por este estado. Porém, com António Costa

Memorandum João-Luís de Medeiros jlmedeiros@aol.com

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eria porventura lugarcomum recordar que as elites financeiras coexistem numa posição equidistante das crises. Mas há o reverso da notícia: quem acordou engaiolado no centro de gravidade da crise financeira em vigor, não consegue vislumbrar a porta de saída com ou sem tapete vermelho. Embora falando em nome singular, sinto-me acompanhado (by default) nesta procissão-dospassos da incerteza febricitante da crise ocidental – crise incensada pela fumarada eurocrática (luso-açórica). Tal como aprendemos a ajustar a distância para apreciar um quadro de Picasso, assim também se torna prudente não tostar as meninges democráticas com a imprudente proximidade das fortalezas ignescentes da corruptela financeira. Continuamos a aprender que a democracia política é uma etapa civilizacional anterior ao capitalismo. Uma das tarefas ciclópicas da democracia económica consiste em controlar o balanço operacional entre os sectores público e privado. Creio não ser fácil manter a serenidade perante comportamentos semelhantes aos outrora praticados pelo estalinismo,

Um Cônsul-Geral que Marcou Um Homem Distinto

que advogava a cruel espremedura do proletariado, em prol duma acumulação orientada para a produção maciça. Por outro lado, a burguesia ocidental (quando bem oleada pelas prioridades da economia capitalista) torna-se instrumento cúmplice do “poder de compra”, ferramenta idolatrada para satisfazer desejos, e não para suprir necessidades... Para o ilhéu-atlanta que procura observar a realidade açoriana à distância de seis mil milhas (como é o nosso caso) não seria sensato escarafunchar nos esqueletos invisíveis dos dossiers afectos à crise portuguesa. A história ajuda-nos a decifrar os gatafunhos do passado: geralmente, o que concorre para manter uma comunidade sossegada, pode ser uma ditadura feudal, um imperativo tribal, um ideal ou um destino (românticamente) democrático. De resto, em democracia, os cidadãos podem e devem investigar (e até punir, legalmente) os crimes na administração pública, sem todavia andar à caça dos “pecadores” da incoerência ideológica (até porque haveria a hipótese da falha de vagas nas cadeias nacionais e regionais...). O democrata autêntico é um olei-

Moura, tive o prazer de ter algumas das mais interessantes conversas que já travei com entidades portuguesas, porque tal como Virgílio "canso-me de tudo, menos de compreender." E aqui a parte pessoal. Nestes curtos dois anos, tive em várias partes deste estado, a grata oportunidade de ter longas conversas sobre tudo, desde

pre o respeito pelas divergências. E brindávamos essas diferenças, falando, sempre que nos encontrávamos, sobre temas pertinentes, conscientes que nem sempre iríamos concordar. Que teríamos opiniões dissemelhantes sobre algumas das grandes ideias que compõem a nossa civilização e as nossas comunidades, mas sempre nos

"se ele é assim como dizes, ainda bem que vem porque precisamos, urgentemente, de homens desses no nosso país." Portugal à Europa, e a actual conjuntura da União Europeia; desde o ensino da língua e cultura portuguesas à participação cívica (ou a falta dela) nas nossas comunidades; desde o Cristianismo ao Islão; desde a economia portuguesa aos dilemas que afectam a economia global; desde poetas e escritores portugueses e da diáspora, a algo talvez mais pertinente: o Futebol Clube do Porto. Em todos estes temas, e outros, encontrei neste cônsul-geral um homem extremamente inteligente, com conhecimentos profundos e um profícuo leitor, particularmente dos nossos escritores clássicos. Conversava sobre estes e outros temas, com intelecto e com paixão, porque é um homem culto. E tal como escreveu Vergílio Ferrreira: ser inteligente é ser disponível. Ao longo destes dois anos, nem sempre a nossa opinião convergiu e ainda bem, porque isso significa que somos homens livres, soberanos e com convicções fortes. Nem sempre partilhámos a mesma visão. Tivemos discussões. Porém, houve sem-

entendemos porque tal como escreveu Miguel Torga: Ontem eram ideias contra ideias. Hoje é este fraterno abraço a afirmar que acima das ideias estão os homens. Mais, como diplomata salutar que o é, António Costa Moura sabia, o que um dia disse o brasileiro Millor Fernandes: discordar sem ser discordante. Daí que tenho pena que regresse a Portugal tão cedo. No mesmo comentário leviano que fiz no facebook, disse que era pena perdermos, assim tão cedo um cônsul destes, porém, uma pessoa amiga minha que vive em Portugal teve a resposta certa: "se ele é assim como dizes, ainda bem que vem porque precisamos, urgentemente, de homens desses no nosso país." Senhor Cônsul e meu amigo: bom regresso a Portugal e tenha a certeza que marcou de uma forma positiva a comunidade de origem portuguesa na Califórnia e que como Cônsul-Geral de Portugal em S. Francisco, servindo 13 estados da união americana será, como se diz popularmente aqui neste grande país, a very hard act to follow.

Ideias & Desafios ro da dignidade cívica. Podemos fortalecer direitos, mas pouco podemos fazer para contrariar o decreto original da imperfeição humana. Aliás, foram precisos séculos (e algum atrevimento) para proclamar o direito à felicidade humana. Acontece que, nos tempos que correm, há o justificado receio de que a mentalidade burguesa não esteja moral nem intelectualmente preparada para enfrentar as calamidades existenciais... De resto, algumas comunidades da diaspora lusófona continuam meigamente distraídas, como que viciadas na aplauso aos marathoners da santidade, cuja meta parece abarrotada de doutores afeiçoados ao culto narcísico da ignorância alheia... E aí vai uma sugestão: os descendentes da ínclita geração autonomista, antes da posse da riqueza herdada, deveriam interrogar-se para confirmar se a merecem... É sempre bom não esquecer o seguinte: quando as religiões falham, o culto espreita. Daí que não seria má ideia cultivar a coragem cívica para fortalecer a interdependência económicafinanceira das comunidades mais afectadas pela galopante anemia financeira...

(.../...) Pois é: surpreendo-me por vezes a meditar naquilo que observei em Ponta Delgada, naquela radiosa manhã de Sábado (27 de Abril de 1974, em frente dos escritórios da famigerada pide). Sim, na altura acreditei (e continuo a acreditar) não ser utopia prever o avanço da açorianidade do “reino da necessidade” em direcção ao “paraíso da liberdade”. Até hoje, não me considero equivocado pela fresquidão ideológica daquele momento; todavia, não devo esquecer que, meia dúzia de anos mais tarde, fiquei cativo da falha do pragmatismo metodológico necessário para gerir o antagonismo entre tradição e modernidade. Seria até caso para revisitar a teoria “Princípio Pareto” (matemático italiano Vilfredo Pareto) que sugere que 80% dos problemas são (supostamente?) causados por 20% das causas... Como muitos certamente não esqueceram, no período 19862006, a experiência açoriana ficou desvairada com a boleia na charrette europeia rumo ao hedonismo “nouveau-rich” (experiência que acicatou a competição ao acesso ao luxo, e o repúdio visceral ao sacrifício voluntariamente consentido). Uma vez

que existimos sob um regime de autonomia política (que funciona como ponte-atlântica e não mera “agua-furtada” panorâmica) há algumas “Ideias ao Desafio” que conviria comparar: o tratamento emocional das tradições alusivas ao Thanksgiving versus reproduzir, no ambiente das “Portas do Mar”, o entusiasmo frentista “Invasão do Wall Street” – ou seja, o recente protesto dos que foram afastados da comunhão da riqueza que ajudaram a criar nos últimos 30 anos... Pessoalmente, estou confiante no bom resultado do saudável espontaneísmo dos protestos iniciados em Nova Iorque, e cuja palavrade-ordem é expressa na mais eloquente simplicidade:“Yes, somos os 99 por cento”! Por enquanto, não posso adiantar a minha vez de avançar: entretanto, oxalá esses arrojados manifestantes das boas causas sejam dignitários serenos da herança firme, isenta de violência, tão apregoada por Rev. Martin Luther King – inesquecível soldado do ideal recolhido do testamento libertador que Mohandas (Mahatma) Gandhi assinou com o sangue da sua coragem...


COLABORAÇÃO/COMUNIDADE

Temas de Agropecuária

Egídio Almeida almeidairy@aol.com

Seremos 9 biliões em 40 anos Estaremos nós preparados para alimentar 9 biliões nas próximas quatro décadas?

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sta pergunta nunca foi tão importante como em 2011, ano em que celebramos o nascimento do habitante sete mil milhões, (7 biliões). A pergunta continuará a ser perguntada durante o próximo futuro enquanto o Planeta Terra se prepara para os prováveis 9 biliões em 2050. Grandes desafios e consequentemente grandes oportunidades para a agricultura em geral e agropecuária em particular, que sempre em momentos difíceis, tem estado na vanguarda da restauração económica dos países em momentos de crise. As políticas governamentais estarão em foco, para que os seus programas sociais tenham em conta, acima de tudo, a sua produção agrícola e o aproveitamento dos bens naturais em grade escala. Muito mais há para dizer, mas não é essa a nossa missão, o que é certo é que, embora mais de que um país esteja reclamando o crédito pelo nascimento deste histórico bébé, ele está connosco e o nosso “frágil” planeta, baseado em projeções, tem um longo percurso à sua frente. s americanos sempre têm desfrutado de preços razoávelmente baixos pelos seus alimentos, com a mais baixa média de todos os paises industrializados. Poderemos continuar? Depende a quem se faz a pergunta, ou qual o impacto que uma prevista população global de 9 biliões em 2050 terá nos Estados Unidos. Nós falaremos de duas muito diferentes opiniões de como seremos, ou não, capazes de em termos produtivos mundiais alimentar mais 2 biliões em menos de 50 anos, mesmo tendo em conta, o contínuo debate sobre obesidade, novas tecnologias, que podem genéricamente alterar e aumentar a produção, e bem sucedidos programas de produção nos países mais desenvolvidos, que dizem que o planeta está pronto para alimentar quantos habitantes, quantos possam habitar em paz e armonia geográficamente falando. Presentemente mais de 1 bilião de pessoas vai deitar-se com

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fome todas as noites, acrescentando ainda os altos custos de produção, devido ao racionamento de bens, tais como água, (que puderá ser uma das maiores carências), fertilizantes, e falta de tecnologias adequadas para a agricultura nas Africas, como provas de que o mundo está destinado para grandes dificuldades com uma população de 9 biliões de pessoas. A pergunta é, quem tem os recursos, ou quem os vai conseguir? Vão continuar a crescer as classes médias dos países em desenvolvimento e os mercados internacionais podem ser a resposta à agricultura e agropecuaria americanas, que estariam no início de uma nova fase de crescimento, tomando um novo rumo àquele que tem sido os últimos 8 anos de incertezas, com subidas e descidas como um vai-vem. É impossivel predizer o que reserva o futuro a curto ou longo prazo, mas muitas destas projeções são credíveis e podem ser uma visão do futuro global. A capacidade e tecnologia na assistência de produzir e processar produtos alimentícios, continuará a dinamizar este processo, identificando e satisfazendo novas exigências e oportunidades. A tarefa não será muito fácil mas é acessível, a divisao de bens é que por vezes parece injusta. Uma importante curiosidade - só em 1927, é que a população da Terra alcancou os 2 biliões de habitantes, agora espera-se número igual, no crescimento, em menos de 50 anos. Enquanto o caro leitor leu este artigo, em termos populacionais, nos Estados Unidos nasceram 120 bébés, 420 na China, 765 na India e assim sucessivamente. Mais ainda, depois de ter em conta a taxa de mortalidade, cada noite 219.000 pessoas são adicionadas nas mesas de jantar das famílias do Planeta Terra.

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Falecimento

Guiomar Pires Santos Faleceu na madrugada do dia 24 de Novembro do corrente, Dia de Acção de Graças, Guiomar Pires Santos. Nasceu no dia 27 de Setembro de 1935 na freguesia de Porto Judeu, filha de Luís de Melo Pires e de Guiomar Sousa Pires, ambos falecidos. Era irmã de Luís Sousa Pires, Manuel Sousa Pires e de José de Sousa Melo, já falecidos. Deixa a chorar a sua morte, seu marido Isalino Nobre dos Santos, residente em Stockton, seu filho Isalino (Izzy) Pires Santos Jr., nora Marissa Santos e neto Nicholas Santos, residentes em Lodi; suas cunhadas, Diamantina dos Santos Linhares, em Modesto; Jesuina Brasil Pires, em Manteca; Maria Morais Santos, em Ceres e Maria dos Santos Lima Melo, no Rio de Janeiro, Brasil. Deixa vários afilhados, sobrinhos, primos e muitos amigos na California, Costa Leste, Açores, e Brasil. Guiomar e Isalino dos Santos casaram na California há 45 anos. Pertenceu a várias organizações Portuguesas. O Rosário e Missa estiveram a cargo do Re. Padre Eduino Silveira. Nos serviços religiosos participou a voz angelica de Zélia Freitas Os Serviços Funebres foram da responsabilidade da Lodi Funeral Home. Guiomar Pires Santos ficou sepultada no Cemitério

de St. John, em Escalon. Tribuna Portuguesa envia sentidas condolências à família Santos, em especial ao amigo deste Jornal, Isalino dos Santos.

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1 de Dezembro de 2011

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Uma Vez por Outra

Carlos A. Reis

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abendo que a minha opinião pode ser contestada e sujeita a algumas críticas, continuo a não apoiar e concordar que qualquer pessoa merecedora do reconhecimento pelo seu trabalho deva ser distinguida, condecorada, ou evidenciada a título póstumo. Entendo sim, que em vida dessa pessoa e no pleno uso das suas faculdades mentais, enquanto consciente do que se passa à sua volta, deve-lhe ser prestada a homenagem, a distinção ou a condecoração, a quem muito justamente tem direito. Após esta minha justificação e, atendendo a que a saúde do meu Amigo Helter Martins não é a melhor e neste momento está um pouco debilitada, decidi muito humildemente referir-me ao seu trabalho, dedicação e participação ativa em prol do nome e prestígio de Portugal em terras americanas e de muitas das Organizações Portuguesas ligadas à nossa comunidade. O seu nome completo é Helter Francisco de Sousa Martins. Nasceu na cidade de Angra do Heroísmo, no dia 8 de Janeiro de 1933, onde sempre viveu até emigrar para os Estados Unidos da América. Estudou e completou o Curso Comercial e Industrial na Escola Comercial e Industrial de Angra do Hroísmo, antiga Escola Madeira Pinto. Militarmente e, como acontecia com “quase todos” os mancebos fìsicamente válidos, cumpriu o serviço militar obrigatório depois de ter terminado o Curso de Sargentos Milicianos no CISMI em Tavira, sendo posteriormente colocado no B.I.I.17 na Terceira onde se manteve até passar à disponibilidade. Propositadamente referi-me a “quase todos” os mancebos porque muitos deles endinheirados, considerados meninos de bem, eram enviados pelos familiares para países estrangeiros para assim evitar o cumprimento do serviço obrigatório e, consequentemente, a ida para as Províncias Ultramarinas para enfrentar a guerra que tantos prejuízos e danos nos causou. O pai do Helter, que sempre foi um antisalazarista declarado, e que até sofreu consequências por isso, não pretendeu nunca que o filho fosse excluído do cumprimento do serviço militar, na defesa da Pátria. Profissionalmente foi funcionário do Banco Montepio Terceirense e mais tarde, por fusão dos bancos, do Banco Português do Atlântico. Foi Aspirante de Finanças e Chefe Interino da Repartição de Finanças de Angra do Heroísmo. Após o falecimento do pai, assumiu a gerência da companhia de construções “Martins, Lda.”, que foi uma das mais conceituadas companhias da construção civil nos Açores. Socialmente foi membro de diversas direções do Clube Musical Angrense, a sua Sociedade como sempre o disse. Há cerca de dois anos quando voltou à sua terra natal a fim de visitar alguns amigos (bem poucos), em viagem de saudade, foi

COLABORAÇÃO

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Um Homem a quem a comunidade muito deve

procurado por antigos diretores do Clube Musical Angrense que assim quiseram prestar-lhe os agradecimentos por tudo quanto fizera pelo CMA. Até que no dia 2 de Fevereiro de 1968, depois de completados 35 anos de idade, decidiu emigrar para os Estados Unidos da América com destino à pequena e desconhecida cidade de Tulare onde se mantem até à presente data. Um novo ciclo se inicia na sua vida numa terra estranha e sem as condições profissionais e sociais que tivera em Portugal. Mas o seu valor e as suas capacidades morais, profissionais e sociais começaram por surgir e, desde logo, obteve as licenças de notário publico e de agente de seguros que bem necessárias foram para, como sempre o fez, ajudar a nossa comunidade, o seu sonho de sempre. Apesar de já não exercer as funções de notário publico, continua a ser procurado por diversas pessoas que precisam dos seus serviços mas que infelizmente já não é possível ser-lhes útil. O Helter Martins está ligado a obras, direções administrativas, fundações, e gerências diversas de tudo quanto é português na cidade de Tulare. Entre outros, o Tulare Angrense, o IDS, a Fundação Luso-American Education Foundation (mais de 40 anos), Tulare/Angra Sisters Cities Foundation, Society of Portuguese American Students (SOPAS) que recentemente o distinguiu. Polìticamente foi Conselheiro das Comunidades do Estado da Califórnia, foi nomeado Cônsul Honorário em Tulare, foi condecorado com a Ordem do Infante D. Henrique, no grau de Comendador. Em 6 de Setembro de 1975 casou com

Ercilia Contente Gomes, de quem teve uma filha de nome Christina Martins que faleceu num brutal e trágico acidente de carro quando uma noite regressava a casa na companhia de uma amiga, depois de ter assistido a uma espetáculo musical na cidade de Fresno. Este foi um golpe muito profundo que ainda hoje o casal sofre com muita intensidade e sofrimento e, estou certo, que nunca mais desaparecerá das suas vidas. O Helter e a Ercília ajudam-se mutuamente neste sofrimento indescritível. Como referência na cidade de Tulare, foi uma vez mais procurada a sua intervenção desta vez pelo grande ban-queiro Champalimaud, já falecido, quando este pretendeu estabelecer o Banco Pinto e Souto Maior na Califórnia. Devido à sua experiência bancária obtida em Portugal, foi ele o grande responsável técnico para a abertura do BPSM na cidade de San Francisco. Não exageramos se dissermos que o Helter Martins era e continua a sê-lo na cidade de Tulare a grande referência e ponto de partida para quaisquer envolvimentos e destinos de Portugal na Califórnia. É uma pessoa

idónea, séria e íntegra, digna de todo o respeito e admiração. Meu caro Amigo, os meus agradecimentos pela tua amizade.

A Foto da Quinzena

1ª Versão: Presidente: "Meu caro Manuel Eduardo, se eu soubesse que era do Benfica não lhe tinha dado medalha nenhuma." 2ª Versão: "Meu caro Manuel Eduardo, se eu soubesse que era do Benfica, tinha-lhe trazido duas medalhas.


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COMUNIDADE

1 de Dezembro de 2011

Filarmónica do Chino D.E.S. - 25 anos de música

António Sousa, grande exemplo de amor à sua Filarmónica

N

o passado dia 9 de Outubro, a Filarmónica do Chino D.E.S. celebrou o seu 25º aniversário. A festa começou no Sábado, dia 8, com uma tourada à corda, com toiros das ganadarias Miradouro e John Duarte, de Tulare. No Domingo e pelas 12 horas houve Missa

Solene na Igreja de Saint Elizabeth Ann Seton. No fim da missa a festa continuou no Salão do Chino D.E.S. com Procissão em honra de Santa Cecília, participando as Filarmónicas de San Diego, Artesia e Chino. Seguiu-se jantar para todos os presentes e mais tarde houve concertos pelas bandas já mencionadas, finalizando-se com a entrega de placas comemorativas aos músicos, pela Direcção do Chino D.E.S.. Também foi prestada homenagem a quatro músicos fundadores, que ainda se encontram na banda, aos três regentes que serviram a Banda ao longo destes 25 anos, ao contramestre David Borges e ao seu fundador Manuel Correia, que acompanhou a festa. O grande homenageado foi António Sousa, depois de 25 anos na filarmónica, este ano será o seu último, devido à idade e a problemas de saude. Acompanhou a banda até ao limite das suas forças. Cinco fundadores: António Sousa, músico; Manuel Correia, Presidente fundador; A comunidade compareceu em bom nu- Anibal do Campo, musico fundador e actual regente; Manuel Dias, regente fundamero, dando mais brilho à festa de home- dor e José Coelho, músico fundador. nagem a todos aqueles que deram vida à Filarmónica do Chino D.E.S., ao longo destes 25 anos. Todos estão de parabéns, Filarmónica, Direcção e Comunidade.

Carlos Silveira

Joey Medeiros: Para Sempre Cantarei Juntos Ficaremos O Teu Beijinho Tão Gostoso Minha Terra da Califórnia Quero o Teu amor A Voz É Para Cantar Minha Avó Sou dos Açores

Acaba de ser lançado o primeiro CD de um jovem muito prometedor na cena musical luso-americana: Joey Medeiros. O CD, intitulado Para Sempre Cantarei, inclui 10 canções, todas elas em português, e evidencia uma qualidade técnica invulgar.

Joey Medeiros nasceu a 7 de Janeiro de 1992 em San José, Califórnia. É filho de Joe e Diana Medeiros. O pai é natural de Rhode Island e a mãe de San José. Os avós são oriundos das ilhas de São Miguel e Faial. Com o pai, conhecido músico que tocava teclados no conjunto Os Internacionais nas décadas de 80 e 90, Joey cedo aprendeu o amor à música e deu os primeiros passos na cena musical. Presentemente, estuda música em San Francisco State University. O seu percurso artístico tem sido muito rápido, estabelecendo contactos e trabalhando com nomes conhecidos da música em língua portuguesa como Jorge Ferreira e António Severino que colaboraram no CD. Jorge Ferreira compôs uma canção, fez os arranjos de outras e pôs ao seu dispor a sua equipa. António Severino, da ilha de São Jorge, escreveu a letra e música de várias canções. Os títulos das canções sugerem a variedade temática do CD: Para Sempre Cantarei Como a Portuguesa Dúvidas de Ti

As canções primam pelo bom gosto e pelo acerto das melodias com as palavras. A voz segura de Joey Medeiros apresenta uma dicção clara e agradável, com uma pronúncia portuguesa perfeita. Os arranjos musicais proporcionam um fundo sonoro rico e variado, com ritmos e instrumentos que reflectem uma grande diversidade cultural, desde o folclore português, à música latina e ao fado canção. É uma colecção de composições que atravessa as gerações, devendo agradar aos mais velhos, pelas ligações às raízes culturais lusitanas, e aos jovens, pela vivacidade dos ritmos e qualidade da música apoiada em meios tecnológicos modernos. O que espanta mais neste CD é que foi concebido por um jovem luso-americano cujos pais já nasceram nos Estados Unidos, e é totalmente em português, desde as letras à capa do mesmo. Quando muita gente boa na nossa comunidade parece querer içar a bandeira branca da rendição da língua de Camões nestas paragens, este CD é um exemplo do que se pode fazer ainda pela língua portuguesa neste país se para isso estivermos motivados. Quem estiver interessado em adquirir o CD, pode obtê-lo nas casas comerciais portuguesas ou no website do Joey (www.joeymedeiros.com) por $10. Poderá também comprar as canções em iTunes e amazon.com. Para espectáculos, danças, etc., podem contactá-lo pelo telefone (408-623-1792 ou 408416-1792), ou por e-mail (info@joeymedeiros.com) e Facebook (facebook. com/joeymedeirosoficial).

José Luís da Silva

20º Aniversário da Fundação Portuguesa de Educação do Centro da California Realizou-se no dia 18 de Novembro no Salão Paroquial da Igreja de Nossa Senhora da Assunção o 20º Jantar da Portuguese Education Foundation of Central California, uma organização em prol do ensino da Língua e Cultura Portuguesa, para que a Língua e a Cultura Portuguesa sejam transmitidas de geração em geração, através do Ensino do Português. Os estudantes que receberam bolsas de estudo este ano foram os seguintes: Frank R. Andrade, Jennifer G. Andrade, Mindy F. Avila, Anne F. Coleman, Nicolaus A. Coleman, Dylan D. Costa, Justin L. Costa, Moises V. Fagundes, Lexa Cori Freitas, Dustin Paul Goularte, Tyler Christian King, Mega M. Machado, Taylor O. Machado, Michael J. Maio, Nuno G. Maio, Lauren N. Marson, Joseph G. Medeiros, Nicholas J. Mello, Nicole C. Mello, Alysa L. Melo, Jeremy J. Melo, Michelle M. Moules, Monica T. Moules, Alexa J. Nunes, Allison M. Nunes, Brianne N. Nunes, Taylor F. Nunes, Ashley R. Oliveira, Melanie N. Oliveira, Virginia M. Pereira, Patricia R. Ponceano, Joseph C. Rebelo, Luis G. Re-

belo, Briana C. Saldivar, Edward J. Silva, Evonne M. Silva, Rosa M. Silva, Crystal M. Silveira, Michael Simões McArtor, Maribel A. Soares, Monica M. Soares, Garrett M. Trevethan, Lauren A. Xavier, Depois da hora social, cantaram-se os Hinos Nacionais por Patricia Ponceano, seguindo-se o jantar. Foi mestre de cerimónias, John Dias e a invocação foi feita pelo Padre Manuel Sousa. Depois do jantar distribuiram-se 43 bolsas de estudo e procedeu-se depois ao reconhecimento de várias individualidades, como já vem sendo feito há vários anos. Este ano as distinções foram as seguintes: Empresários do Ano: David e Patsy Freitas Empresários do Ano no Ramo de Agro-Pecuária: Tony e Florinda Álamo. Cidadão do Ano: Batista Vieira Estudante do Ano: Michael Lopes Educador do Ano: John Fontes Sousa Ver reportagem fotográfica nas pág, 16,17


COMUNIDADE

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Fados na Banda Portuguesa de San José

Maria das Dores Beirão foi a MC da noite

Realizou-se no dia 19 de Novembro de 2011 na Banda Portuguesa de San José, uma Noite de Fados, com casa cheia. A apresentadora da noite foi a poetisa Maria das Dores Beirão, que realçou a qualidade dos nossos artistas locais. Acompanhados pelo excelente grupo dos Sete Colinas (Helder

Carvalheira, Manuel Escobar e João Cardadeiro), ouviram-se as bonitas vozes de Crystal Mendes, Henrique Cordeiro (um veterano nestas andanças do fado), Lorraine Jacinto e David Garcia. Zélia Freitas, a pedido do David, acompanhou-o num dueto. Agora que estamos a chegar ao

Aspecto do Salão da Banda Portuguesa de San José. Completamente cheio para ouvir bom Fado

Inverno, estas noites de fados deveriam acontecer por toda a California, porque só assim os nossos artistas locais poderão adquirir confiança e mostrar todo o seu valor a toda a comunidade. Nos ultimos tempos, certas "aves de arribação" têm vindo à California com resultados catastróficos. Nem tudo o que atravessa o Atlântico é

bom. Esses pseudo artistas gravam CD's em casa, enxameiam as nossas rádios com musica de qualidade lastimável e despois há sempre alguem que os convida e os resultados estão à vista. É bom convidarem-se grandes e bons artistas portugueses, misturá-los com os nossso locais, até porque isso só faz bem àqueles que querem aprender.

Esquerda: Henrique Cordeiro e David Garcia Direita: Lorraine Jacinto e Crystal Mendes

Vivendo nós num País com tantas possibilidades, seria também urgente que os nossso artistas procurassem aprender melhor a função do canto. Hoje em dia, o geitinho de cantar já passou à história. Hoje exigimos dos nossos, o melhor.


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EDUCAÇÃO

1 de Dezembro de 2011

43 Bolsas de Estudo foram entregues este ano. Desde o seu início, a Fundação já ofereceu 530 Bolsas de Estudo a 336 alunos, no total de $205 mil dólares

Empresários do Ano: David e Patsy Freitas

Aspecto parcial das mesas com os estudantes premiados

O Estudante do Ano: Michael Lopes

Embaixo: Educador do Ano: John Fontes Sousa


EDUCAÇÃO

Fundação Portuguesa de Educação do Centro da California

Entrega de Bolsas de Estudo e Reconhecimentos

Empresário do Ano no Ramo de Agro-Pecuária: Tony e Florinda Álamo John Dias, o MC da noite

Cidadão do Ano: Batista Vieira, com a esposa Dolores e o Presidente da Fundação Luís Oliveira

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PATROCINADORES

1 de Dezembro de 2011


Saber Dar e Receber

O

cheiro da sopa de funcho era intenso e eu que não gostava nada, nem de a cheirar. Mesmo estando dentro do tacho, coberta com dois abafadores e fechada na cesta de vimes que eu levava, já com o braço dolorido, não impedia que o odor me atormentasse o estomago. Era o ritual de todas as tardes, tanto eu como os meus irmãos éramos encarregados de ir levar o almoço ao Pai, ora um ora outro conforme os horários escolares ou as disponibilidades do momento. De certeza que era feriado para os Americanos da base das Lages, à porta da oficina de estufador do Mestre Tailhinha estavam duas grandes “espadas”, daqueles descapotáveis Ford ou Chevrolet que nos faziam cair os olhos de admiração e, mais abaixo, junto do Seminário, certamente que encontraria mais alguns. A cidade e o seu pequeno comércio íam ter um movimento mais colorido, o aroma das “gamas” e das roupas americanas atenuariam os maus cheiros provenientes da passagem de alguma carroça com um cavalo aflito dos intestinos. E a rapaziada dos Quatro Cantos e do Corpo Santo aproveitava logo para os perseguir e estender a mão recitando a já estudada cantilena…“Hei Jóne, uane scude ?”, esperando por eles nos lugares estratégicos que eram as casas das meretrizes da Rua do Morrão ou à porta do “Moka”, onde uma situação de pancadaria era sempre bem vinda, recreavamse nas nossas ruas as cenas que tanto gostávamos de ver nas cowboyadas das matinés de sabado na Recreio ou na Fanfarra. Deu-se o encontro mesmo ali em frente do palacete dos Baldayas,

de dentro de um enorme carro sairam dois casais, elas loiras, espampanantes, com longos e finos cigarros nos lábios, eles fortalhaços, cabeças quase rapadas, botas de cowboy a matracar na calçada. E riam-se ! Gargalhadas sonoras que me irritaram ainda mais que o cheiro da sopa de funcho porque me apercebi que eu era o alvo da galhofa, como que estivessem a prever que seria o primeiro a pedinchar por umas moedas. A desafiar-me, com o sorriso maldoso disfarçado pelo charuto que trincava entre os dentes, um deles mete a mão ao bolso e mostra-ma cheia de reluzentes moedas, qual baú do tesouro do pirata Barba Negra ali à minha disposição. E que geito que aquele dinheiro me daria, seria a maneira de ir comprar umas revistas do Tio Patinhas, uns “Mundo de Aventuras” ou então investir em mais uns “repetidos” para tentar completar a minha caderneta das equipas de futebol, podia ser que me saísse o numero da bola! Mas aquelas gargalhadas fizeram-me regressar à realidade e segui o meu caminho sem mesmo dar mostra que tinha sido incomodado pelo gesto desafiador do gringo. Na Loja, depois do beijo a pedir a benção ao meu Pai, fiz como de costume, depositei a cesta do almoço junto do armário do queijo de peso e preparei-me para atender algum cliente. Os americanos é que não me deixavam em paz, ficaram uns instantes pespegados a olhar para dentro, o que fez com que meu Pai ficasse intrigado… “Que é que fizeste a esta gente ?” . Que não fiz nada, contei a estória em poucas palavras, um deles queria dar-me dinheiro mas eu não lhe toquei. A resposta foi ainda mais sucinta do que a minha

Do Tempo e dos Homens

Manuel Calado

N

mbcalado@aol.com

em sempre as tardes são inspiradoras de poesia.Mas neste dia de sol outoniço de verão de S. Martinho, estacionei à beira da baía do “Béteféte”, onde páro com frequência, mesmo ao lado da estátua do D. Henrique das lusas navegações,e práli fiquei a olhar o mar e a pensar “na morte da bezerra”.Agora éramos dois, eu e o Infante, na sua frieza de bronze olhando mar, a marina quase deserta de iates e o barco rápido da carreira da ilha de Marthas Vineyard, saindo da doca a passo lento, para depois ganhar balanço, lá mais ao largo. No assento ao lado, agora vazio de presença humana amontoa-se o que levo para ler ou simplesmente “passar os olhos”. Que o tempo não dá para tudo. E quem tudo quere às vezes tudo perde,ou perde quase tudo. Entre o monte dos “papeis” contam-se o “New York Times”,que hà mais de 60 anos vem sendo meu companheiro diário, onde o Paul Krugman à segunda e à sexta me diz coisas sobre o estado da economia e do retrógado

arrepiar caminho dos homens do Congresso. E alem do Times, vem a Newsweek, a New Yorker, a Time , o Christian Science Monitor, o Luso de Neward, o Times cá do burgo , o ilhavense e o Bairrada,lá da minha parvónia. E de quando em vez tambem um livro , do Torga, do Pessoa,ou de qualquer outro escriba incluindo o último do “Onésimo sem Filtro”. Como vêem, em face de tanta coisa dá vontade de fugir ou de esquecer todo aquele trabalho que ali está, de tanta gente que espremeu os miolos para meu contento, contemplação, inspiração , informação e cultura, esquecer tudo, e ficar a olhar o mar. Mas o tempo foge em corrida de sete pés, e no outono da vida a velocidade é cada vez mais rápida , sôfrega e sem contemplações. Quem não está fica atraz. O “Sem Filtro” do Onésimo que anda há tempos entre a papelada, é tomado aos golos, um de cada vez, como o copo de café que geralmente me acompanha. Na sua prosa açorianíssima, Onésimo traz aos olhos e à sensibilidade do leitor, um conjunto de retra-

COLABORAÇÃO

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Antigamente era assim

João Bendito bendito@sbcglobal.net

explicação… “Fizeste bem.” E pronto, caso encerado, era assim o meu Pai, com poucas palavras dizia muita coisa. Aquela situação levou uns dias a atormentar-me, quiçá por não ter conseguido comprar os livritos que continuava a namorar na montra da Casa das Utilidades e só vim a compreender melhor a questão uns dias mais tarde. De-

cal-virgem as paredes e os tetos de muitas casas da nossa cidade, além de serem quase vizinhos e também amigos de meu Pai. “Duas meias-bolas de vinho de cheiro e TRÊS suspiros”, pediu o Mestre Rita, no seu cantarolar faialense . A compra dos suspiros, aqueles doces feitos de açucar em forma de pirâmide enrolada, eu já havia entendido. Os pescado-

veria ser tempo de verão porque nessa altura do ano é que me era permitido permanecer na Loja até mais tarde já que em época de escola as noites eram passadas a fazer as contas e as cópias do trabalho de casa. A camioneta da carreira da EVT que saía às 7 da tarde na última viagem para as freguesias já tinha largado do Largo Prior do Crato de forma que os fregueses na Loja eram bem poucos, talvez algum soldado do BI17 que vinha mudar de roupa antes de regressar ao quartel e pouco mais. Foi nessa tarde que fui incumbido de servir o Mestre Rita e o Mestre Salgueiro, dois experimentados estucadores da construção civil, peritos na arte de revestir com gesso e

res da Madeira que tripulavam as traineiras da Tercon também tinham esse costume, como o vinho de cheiro regional é mais fraco em teor de açucar, pois então faz-se acompanhar com um doce e fica mais parecido com o vinho tinto do Continente ou ao vinho da Madeira. Mas… TRÊS suspiros ? “ O senhor quer que embrulhe para levar para casa?” ainda perguntei, ao que o Mestre Rita respondeu que um era para mim. Que não, muito obrigado, respondi, a lembrar-me de conversas que ouvia a meu Pai, o caixeiro nunca deve partilhar com os clientes e entrar em rodadas de ora agora pagas tu agora pago eu. Só que Mestre Rita insistiu e foi quando Ti João se apercebeu do

sucedido e disse-me—“Aceita o suspiro, uma pessoa não deve ser pobre e soberbo, pobre e soberbo é um cão cheio de morrinha”. E eu que já ouvira da boca dele aquela frase tantas vezes e nunca tinha ainda entendido bem o seu significado! Com o aval paterno lá papei o suspiro em dentadinhas bem pequenas para fazer render e saborear principalmente o interior com o açucar a apegar ao céu da boca. O Manuel “Sacristão” da padaria da Rua da Garoupinha era exímio na fazedura desses deliciosos doces. Ao anoitecer, no regresso a casa onde o jantar nos esperava, quando passávamos no local exacto onde havia sido incomodado pelos americanos uns dias antes, enchi-me de coragem e questionei o porquê da diferença de atitudes, num dia fui elogiado porque não aceitei os dinheiros dos estrangeiros mas hoje tinha sido criticado por não aceder à oferta do Mestre Rita….”Sabes, João, a diferença está na maneira como se dão as coisas. Quando te oferecerem algo e que vejas que te está a ser dado de boa fé, deves aceitar e agradecer. É tanto importante o saber dar como o saber receber, uma pessoa não deve ser pobre e sob…” Com a simplicidade dos meus nove ou dez anos daquela altura aquelas palavras ficaram para sempre marcadas na minha memoria. Parece-me que não trocámos mais alguma conversa no resto da subida do calvário da Miragaia, a noite não estava fria e a lua brilhava na nesga da baía que avistávamos à porta de casa. Mal sabia eu o que me esperava à mesa para jantar…um fumegante prato de sopa de funcho!

Poesia da tarde

tos pintados a aguarela, a óleo, e até com dejetos das simpáticas vacas açorianas, que ao serem ordenhadas metem, ou metiam, a pata no balde ou na bacia,como diz o persomagem do retrato. Posso dizer-vos que são apanhados interessantissimos da “América Açoriana”,com todos os temperos de língua e de pimenta aquela pimenta da terra dos vulcões, que há séculos vem servindo de Viagra na criação de gente prá emigração. A leitura deste dia caiu na crónica do Adriano, um retrato a crayon em cor de açafrão, com um pouco de canela nas extremidades ficando o leitor com desejos de conhecer o epilogo do deveras interessante personagem, com sonhos de Wall Street. O resto vai a conta-gotas e não sei quando terminará. porque o tempo não perdõa. Mas recomendo a leitura aos que têm mais tempo e menos “papeis”. Porque eu sou na verdade uma pessoa embrulhada em papeis desde a chegada a estas paragens que viemos roubar aos indios pele vermelha para implantar a democracia, a mega-Igreja electrónica, o basebol, a “segunda vinda de Cristo”, o mêdo do Fim do Mundo e o Partido do Chá.

Alem do “Adriano” do Onésimo pude ainda ver na coluna NewsBeast, da “Newsweek”, o artigo de Daniel Stone e Laura Colarusso--”Welfare for Milionaries”-Porque não são só os da “mò de Baixo” que recebem “Welfare” de tostôes ou de senhas de comidas. Para os do “Grupo de “Um Por Cento” o Wellfare é de milhões, para iates, casas de verão e aviões. E é por isso que a democracia está emperrada. Uns dizem sim, outros dizem não, e os do não estão cantando de galo. Mas este é o país que escolhemos e tem coisas que os outros não têm, e o mundo decerto não vai acabar tão cedo, como desejariam os profetas milionários com quem o Criador há muito cortou relações. E a terminar, um poema.

MINHA CASA Minha casa, meu castelo sem ameias. Minha homilia, meu espaço vital, Minha toca, meu buraco, Meu galho de macaco. Em ti me deito e me levanto, És o meu riso e o meu pranto, Minha missa de aléluia. Minha confissão e penitêcia.

És o amor, a dor e a ciência Que me separa do bicho meu irmão. És dos milénios a memória. Sem ti não haveria civilização nem haveria história. Minha casa,meu telhado sobre a cabeça, Minha paz de espirito. Tu és do meu lume a braza Que me queima o coração Pensando nos irmãos sem casa Da pobreza no abismo E em tantas casas reduzidas a caliça Pela guerra e a cobiça E o fanático terrorismo. Minha casa, minha porta aberta. Se vieres por bem,logo à entrada aspira o cheiro das flores, Das rosas, dálias e jasmins E da Morning Glory em volta do poste do lampeão. Se vieres com fome e vieres por bem, Haverá um prato de sopa e um pedaço de pão, Por alma de minha mãe. Se vieres por bem Em noite escura e sem lua Entra, que a casa é tua.


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COMUNIDADE

1 de Dezembro de 2011

Comunidades do Sul

Fernando Dutra

N

o ultimo fim de semana do passado mês de Setembro, a direcção da Sociedade e Comunidade de Artesia levaram a efeito a ultima das grandes festas em Artesia, festejos em honra de Santo António. No Sábado, dia 24, realizaram uma tourada à corda no parque da sociedade, a qual decorreu com um ambiente muito animado, em virtude de ter sido única deste género, nesta área. Com muito trabalho e despesas, a Direcção e seus colaboradores, colocaram vários atrelados, com uma porta aberta para o lado do caminho. Os atrelados foram tapados com madeira e cobertos com cadeiras, tudo bem protegido evitando quaisquer problemas que pudessem surgir. Dentro do recinto apareceram diversas pessoas a venderem tremoços, amendoins, chupa-chupas, água e sodas, como fazem nos Açores. João Martins, ex-mayor da cidade, entrou no recinto de bicicleta com uma espécie de câmara de filmar, trajando de tal forma que causou imensas gargalhadas e respectivos aplausos. Idêntico aos dias de touradas nas ilhas, nao faltando a tasca onde houve de tudo em abundância. Pelas 7:00 horas, foi apresentado o novo grupo de violas do mestre David Barcelos, embora não estivesse completo. O grupo é composto por cerca de trinta elementos, tocam e encantam. Seguiu-se baile ao ar livre animado pelo conjunto "Outra Banda", de San José. No domingo, dia 25, pelas 1:15 horas foi celebrada Missa na Igreja da Sagrada Família pelo Padre Luis Proença. Seguidamente foi organizado o cortejo, no qual tomaram parte, directo-

Festa de Santo António em Artesia

res, oficiais da cidade, rainhas e respectivas aias, diversas representações, Grupo Folclórico, Grupo do Pézinho e Filarmónicas do Chino e Artesia. Após a chegada do cortejo à sociedade, houve distribuição de brindeiras, com leite e vinho e cantoria pelo Grupo do Pézinho, composto por improvisadores-amadores locais. Seguiram-se concertos pelas duas filarmónicas presentes e um lauto jantar de carne assada com feijão. Após o jantar todos assistiram a mais uma magnífica exibição do grupo folclórico local "Retalhos Antigos". Pelas 7:00 horas foram distribuidos bolsas escolares a alguns jovens da comunidade e seguiu-se uma actuação do excelente grupo "Luso-American Youth Council #13" de Artesia. A Direcção está de parabéns por mais um excelente sucesso com um fantástico programa bem organizado e concluído.

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Legendas: Em cima: Representação comunitária incorporada na parada Rainhas e aias Presidente, Vice-Presidente, Secretário e Tesoureiro da Sociedade Tourada à corda - cerca de 400 pessoas presentes Cantadores de improviso cantando à porta da Capela. Manuel Ivo com o microfone.

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DESPORTO

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LIGA ZON Benfica ganha derbi. Porto em primeiro lugar Liga Zon Sagres

J V E D P FC Porto 11 8 3 0 27 Benfica 11 8 3 0 27 Sporting 11 7 2 2 23 Marítimo 11 6 4 1 22 SCBraga 11 5 4 2 19 Olhanense 11 3 5 3 14 Gil Vicente 11 3 5 3 14 V.Guimarães 11 4 1 6 13 Beira-Mar 11 3 4 4 13 Académica 11 4 1 6 13 V. Setúbal 11 3 2 6 11 Nacional 11 3 2 6 11 Feirense 11 2 4 5 10 UDLeiria 11 3 0 8 9 Rio Ave 11 2 2 7 8 P. Ferreira 11 2 2 7 8

Liga Orangina Atlético Santa Clara Moreirense Leixões Estoril Oliveirense Penafiel Naval Desp. Aves Freamunde Arouca Sp. Covilhã Belenenses Portimonense U. Madeira Trofense

J 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10

V 6 5 5 5 4 4 4 4 3 3 2 3 2 3 2 2

E 2 3 2 1 4 3 3 3 4 4 5 2 4 1 3 2

D 2 2 3 4 2 3 3 3 3 3 3 5 4 6 5 6

P 20 18 17 16 16 15 15 15 13 13 11 11 10 10 9 8

V 7 6 5 5 4 5 4 4 3 3 3 2 2 3 0 0

E 2 2 3 2 5 1 3 3 4 4 3 5 4 1 3 3

D 1 2 2 3 1 4 3 3 3 3 4 3 4 6 7 7

P 23 20 18 17 17 16 15 15 13 13 12 11 10 10 3 3

V 6 6 6 6 5 4 4 4 2 3 3 3 2 1 2 1

E 3 1 1 1 3 4 2 2 6 3 3 1 4 6 2 2

D 1 3 3 3 2 2 4 4 2 4 4 6 4 3 6 7

P 21 19 19 19 18 16 14 14 12 12 12 10 10 9 8 5

II - Zona Norte Varzim Ribeira Brava Tirsense Vizela Ribeirão AD Fafe Mirandela Mac. Cavaleiros Famalicão Desp. Chaves Camacha Marítimo B Limianos Lousada Merelinense AD Oliveirense

J 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10

II - Zona Sul

J Torreense 10 Est.Vendas Novas10 Pinhalnovense 10 Fátima 10 Oriental 10 Carregado 10 Sertanense 10 Louletano 10 Mafra 10 1º Dezembro 10 Moura 10 Juv. Évora 10 Tourizense 10 Monsanto 10 At. Reguengos 10 Caldas 10

III Divisão - Série Açores 1 2 3 4 6 8 10

Lusitânia 22 Praiense 19 Santiago 18 Boavista S. Mateus13 5 Sp. Ideal 11 Guadalupe 11 7 Prainha FC 10 U. Micaelense 9 9 Fayal 6 Águia CD 3

Benfica 1 Sporting 0 O Benfica levou a melhor no derby de Lisboa ante o Sporting, no Estádio da Luz, por 1-0. A formação da casa marcou o único golo da partida perto do intervalo, por Javi García, jogou grande parte do segundo tempo com dez jogadores, por expulsão de Óscar Cardozo, mas aguentou a pressão visitante. Numa partida com equilíbrio global até perto da hora de jogo, o Sporting acabou por ser bem superior na recta final do encontro, aproveitando da melhor forma a superioridade numérica, mas o Benfica aguentou bem a vantagem até final. O primeiro grande momento da partida surgiu aos 12 minutos, por Nico Gaitán. O argentino, em zona frontal à grande área do Sporting, rematou de primeira após canto de Aimar e a bola embateu com estrondo no poste direito da baliza de Rui Patrício. Respondeu Stijn Schaars com um disparo cruzado da direita, logo a seguir, a sair rente ao poste. E aos 30 foi Ricky van Wolfswinkel a rematar em plena grande área "encarnada", valendo um defensor do Benfica a cortar para canto. O encontro continuou algo repartido, com o Sporting a dar mostras de querer

impor um estilo de ataque continuado e o Benfica mais na expectativa, mas a verdade é que a posse de bola manteve-se equilibrada. Até que, perto do intervalo, Javi García acabaria por dar vantagem ao Benfica. Após canto da esquerda de Pablo Aimar, aos 42 minutos, o médio espanhol subiu mais alto que toda a gente e fez o 1-0, de cabeça, provocando uma autêntica erupção no Estádio da Luz. Os homens da casa ganharam ânimo e controlaram o desafio até final do primeiro tempo. E a segunda parte começou com um lance de perigo de Elias que, no limite da grande área, junto à linha final do lado esquerdo, rematou com muito perigo para a baliza de Artur. Resposta pronta de Cardozo que, após tirar dois adversários da frente na grande área, rematou, mas o máximo que conseguiu foi um pontapé de canto, quando tinha tudo para marcar, mercê de uma defesa de Rui Patrício. Aos 59 minutos, Carrillo arrancou um cruzamento da direita e Elias, sem marcação, cabeceou para golo, mas Artur fez uma defesa espantosa, negando o empate, isto numa altura em que o Sporting começava a dar mostras de mais

capacidade ofensiva. Pouco depois, aos 63 minutos, Óscar Cardozo viu o segundo cartão amarelo, por protestos, e deixou o Benfica reduzido a dez jogadores. No minuto seguinte, Elias falhou nova grande oportunidade para o Sporting, ao atirar ao lado após passe atrasado de Wolfswinkel, que havia recuperado uma bola antes de esta sair, perante a passividade de Artur. Respondeu Gaitán, aos 79, com um canto que quase entrou directamente, valendo a Rui Patrício a barra da sua baliza.

Até final o domínio foi do Sporting, tirando total partido da superioridade numérica, mas a verdade é que os "leões" não conseguiram ultrapassar a barreira defensiva das "águias", que assim somaram os três pontos. A jornada começou na sexta-feira, com a vitória do Beira-Mar por 1-0 no terreno da Académica de Coimbra, e este sábado houve mais um jogo, com o Nacional e o Marítimo a empatarem no derby madeirense, 2-2. in uefa.com

FC Porto mais forte que o Sp. Braga O FC Porto não quis deixar o Benfica fugir e ganhou em casa ao Sp. Braga, por 3-2, graças a um bis de Hulk. Os portistas estão assim na liderança da Liga portuguesa, com os mesmos pontos do Benfica e com mais quatro que o Sporting. O Braga é quinto. Numa primeira parte em que Hulk e Alan foram os mais interventivos, no FC Porto e Sp. Braga, respectivamente, o primeiro destaque vai para um cruzamento do bracarense da direita, e não fosse Maicon e Paulo César poderia ter comemorado o 1-0 para os visitantes logo aos 17 minutos. Respondeu o FC Porto com a velocidade de Hulk que, aos 26 minutos, fugiu pela direita, derivou para o centro e rematou de pé esquerdo para defesa apertada de Quim. Alan, a seguir, arrancou novo cruzamento para as costas da defesa do Porto, e Paulo César desta vez chegou à bola, mas atirou por cima, na jogada de maior perigo até então. O Braga parecia querer atacar mais e o Porto começou a aproveitar bem os espaços deixados pelos minhotos na sua retaguarda, pelo que foi com naturalidade que o golo portista chegou. Aos 37 minutos, James fugiu pela direita e centrou para Hulk, que bateu Quim de cabeça, à saída deste.

O "dragão" chegou ao intervalo em vantagem e começou a segunda parte mais tranquilo, controlando totalmente um Sp. Braga que nunca mais conseguiu importunar Helton. As oportunidades continuaram a escassear nas duas balizas, mas James quase fez o 2-0 aos 66 minutos, ao cabecear para excelente defesa de Quim, após centro da esquerda. Alan quase empatou aos 72, após um remate de primeira que obrigou Helton a aplicar-se. Mas a noite era de Hulk. Aos 78 minutos, o brasileiro fez o 2-0 com um remate colocado, de pé esquerdo, colocando praticamente um ponto final na questão do vencedor. James poderia ter feito o ter-

ceiro, pouco depois, não fosse Quim sair-lhe aos pés e acabar com a jogada, mas o golo surgiu mesmo, aos 82 minutos, por Kléber, a concluir facilmente um magnífico trabalho de Hulk na direita. Mas Braga ainda causou sensação e reduziu de penalty, perto do fim, após falta de... Hulk sobre Leandro Salino. Lima converteu com sucesso. E quando já poucos esperavam, em período de descontos, Lima fez o 3-2, ao concluir uma boa jogada de Hélder Barbosa pela esquerda. in uefa.com


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TAUROMAQUIA

1 de Dezembro de 2011

Prémios Campo Pequeno 2011

Rego Botelho: Melhor Ganadaria e Melhor Toiro

Quarto Tércio

José Ávila josebavila@gmail.com Quando se trabalha a sério, tal como o faz a ganadaria Rego Botelho, o dia do seu reconheciomento nacional teria de chegar. E chegou, por isso Tiro o

meu chapéu repetidas vezes a

uma ganadaria que tem dado o seu melhor para que a Festa Brava da Terceira possa estar ao nivel do melhor que se faz no Mundo. Mesmo muito longe, orgulhamo-nos por esse feito. Vou deixar para a última edição de 2011 a crónica da ultima corrida da Feira Taurina de Thornton, porque as novidades dizem-se no Natal, tempo de reflexão e de preparação para o Novo Ano.

Jantares de Natal dos Grupos de Forcados: No dia 3 de Dezembro, o Grupo de Forcados do Aposento de Turlock reune-se no seu jantar de Natal no Turlock Ball Room. No dia 17 de Dezembro, o Grupo de Forcados de Turlock juntam-se no Picadeiro dos Irmãos Martins, com o mesmo fim. A Ganaderia de Rego Botelho venceu as duas categorias para que estava nomeada nos Galardões Campo Pequeno 2011, os mais importantes troféus da tauromaquia nacional.A casa Rego Botelho venceu a distinção para melhor ganadaria e para melhor toiro, atribuída ao seu animal número 17, mais conhecido por “Guarda”. Os Galardões Campo Pequeno 2011 são atribuídos através de votação de um júri do Clube Taurino Português, sendo que em cada categoria estavam a concurso três nomeados escolhidos pelos abonados do Campo Pequeno. Recorde-se que a Ganadaria Rego Botelho estreou-se este ano no Campo Pequeno numa corrida realizada a 19 de Maio, naquela que foi a primeira vez que toiros de uma casa açoriana foram corridos na “catedral” da tauromaquia portuguesa. A corrida resultou num considerável sucesso, ilustrado pelo facto de, logo ao segundo dos sete toiros, o ganadeiro, José Baldaya, ter sido chamado à praça, numa participação que deixou marca nos aficionados como agora se prova com a conquista destes dois prestigiantes galardões.

CAVALEIRO: Luís Rouxinol MATADOR: António Ferrera NOVILHEIRO: Tiago Santos CAVALEIRO PRATICANTE: João Salgueiro da Costa FORCADO: João Brito (GFA Santarém) GRUPO DE FORCADOS: Amadores de Montemor PEÃO DE BREGA: David Antunes BANDARILHEIRO: Não atribuído GANADARIA: Rego Botelho TOIRO: "Guarda" (n.º 17 - 504 Kg) da Ganadaria de Rego Botelho PRÉMIO PRESTÍGIO – Mário Freire (A Titulo Póstumo, concedido pela Empresa do Campo Pequeno) In auniao

foto do blogue Terceira Taurina

Ganadaria de REGO BOTELHO Proprietária: Maria Baldaya Câmara Rego Botelho M. e Cunha Entidade Exploradora e representante: José Baldaya da Câmara de Rego Botelho Morada: Quinta da Maromba – Vinha Brava Exploração solar do efectivo: Caldeira Freguesia / concelho: Conceição / Angra do Heroísmo Maioral: Francisco André Correia Pontes Procedência: Castro Parreira e Dinis Fenandes Encaste actual: Malta, Domecq (Jandilla) e Outros Fundada em 1953, através da aquisição de reses de Castro Parreira, e aumentada com vacas de José Dinis Fernandes e um semental da ganadaria de Pedrosa (1960). Posteriormente (1979), são adquiridas vacas e sementais das ganadarias de Ribeiro Telles e depois de Rio Frio e Lupi (1989), assim como sementais das ganadarias de Oliveira Irmãos e Brito Paes. Finalmente, em 1993, são adquiridas vacas de Simão Malta e de Jandilla, juntamente com sementais desta última divisa.

Não conseguimos entrar em contacto com o Manuel Lopes, para sabermos adata do jantar de Natal do Grupo de Forcados do Sul da California. O Grupo de Forcados de Mercedes terá a sua noite de convívio natalício no dia 17 de Dezembro no Restaurante MiCasa, em Turlock.

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COLABORAÇÃO

A

Minha avó materna, antes de falecer, disse a uma das suas filhas, a minha madrinha, que o que mais lamentava era a sua preocupação constante de morrer. Dizia: “Passei a vida temendo a morte.” Não me admirei pois a minha avó tinha crescido e amadurecido numa altura em que ainda viviamos atormentados pensando nas almas a arder no fogo do purgatório e do inferno. Desde pequena recordo ouvir: “Tudo isto fica atrás”, ou então, “Não se pode levar nada disso connosco”. Lembro também quando os sinos da igreja tocavam anunciando a morte de alguém e os olhares aterrorizados dos mais velhos. A velhice apanha-nos sempre de surpresa. Começamos a pensar no que poderiamos ter feito ou deixado de fazer. As tarefas diárias não fazem mais sentido. Os

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Não quero que chegue a hora e veja que passei uma vida buscando coisas inúteis nossos planos parecem cada vez mais inúteis. Atormenta-nos a ideia que talvez desperdiçámos os nossos talentos ou que já é tarde para conseguirmos tudo o que estava ao nosso alcance. Poderiamos ter guardado mais dinheiro ou escrito o tal livro que ficou por escrever. Lamentamos o título ou diploma que nunca conseguímos. Hoje em dia, os nossos deuses são os ricos, os poderosos, e muito em especial, os famosos — vivemos obcecados pelas celebridades. Ora, se pensarmos bem, a fama, a celebridade e os títulos, embora associados ao nome que sim pode ser imortal, não nos podem acompanhar nem estaremos presentes com eles cá na Terra. Para não falar no grande número de ricos e famosos que vivem vidas miseráveis e tristes ou que se suicidaram porque não toleravam a vida que disfrutavam.

Quase todas as religiões falamnos de uma “alma” e declaram que essa sim é imortal. A minha avó paterna dizia que a alma é eterna e está sempre na presença de Deus: “A alma não se pode esconder, jamais.” O que é que isso significa? O que é estar na presença de Deus? Será conhecer-se a sí mesmo? Será nunca mentir a sí próprio? O que acontecerá quando uma pessoa vive constantemente em contradicção consigo mesma? O que ocorrerá à “alma” duma

pessoa quando a sua vida é uma mentira? A minha avó também dizia que há muitas pessoas que perdem a alma ainda em vida. Será que depois de inúmeras tentativas de comunicação a alma desiste e foge do corpo? Como se reconhece uma pessoa com alma? Pelas suas acções, desejos, palavras, sonhos? Ou pelo seu dinheiro, títulos e poder? A resposta decerto influenciará a maneira de sentir e de estar no mundo. Penso que, nestes cinquenta e

tantos anos de vida, devo ter adquirido algo que a minha “alma” possa levar consigo à saida. Não quero que a morte me encontre “agarrada de unhas e dentes” ao que de nada me servirá na “viagem”. Não quero que chegue a hora e veja que passei uma vida buscando coisas inúteis. Alegra-me pensar na possibilidade das seguintes companheiras e companheiros de viagem: a memória de todos os momentos felizes da minha vida; as recordações de amizade, ternura e afeição; os sentimentos de calma e paz; e as gargalhadas e risos espontâneos das centenas de criancas e adolescentes que agraciaram a maior parte da minha vida profissional. Enfim, a convicção que vivi uma “boa vida” — uma vida autêntica. No dia da “viagem”, gostaria que a morte me viesse encontrar desprevenida, lendo um bom livro, cozinhando um prato favorito, plantando algo no meu jardim ou quintal — perdida em pensamento — sem lamentações nem arrependimentos.


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ARTES & LETRAS

1 de Dezembro de 2011

URBINO de SAN-PAYO,

Apenas Duas Palavras

uma voz que se apagou

Eduardo Mayone Dias

U

rbino de San-Payo publica o seu primeiro livro, Escopro, em 1961. Já nele se revela um dos mais hábeis artífices do discurso poético da sua geração. Nas palavras de Urbano Tavares Rodrigues esta obra está mrcaao pelo “misticismo e revolta, um puro e juvenil impulso de fraternidade”. É também uma dúvida agónica, a visão de um Deus indiferente ao caos espiritual do ser que criou: “Aqui me tens prostrado de borco sobre a lama donde vim” Em Barbaramente ...Tu, de 1968, ressalta uma lírica assinalada pelo derrocar de antigas convicções mas onde ainda persisteuma residual nostalgia pelo perdido. A palavra poética envereda contudo por uma temática de carácter erótico. É talvez uma superação da mecanicidade da existência pela via do amor sensual. Assim a presença física da mulher representa uma das mais vigorosas consrantes da obra, emergindo em fragmentos como “é um verão a tua caa no café”, “mulher despida / por nós em tantos olhos” ou “a luminosidade do teu seio”. Exorcismos Menores - Pomorromance, de 1973, explora numa narrativa em primeira pessoa um caso amoroso que se acaba por truncar no insinuado suicídio dela. Numa moldura de crónica romanceada, servida por uma prosa quase poética, inserem-se textos líricos supostamete da autoria dos dois figurantes da obra. Num deles, “Menino Público”, é notável o nível de economia verbal e conceptual do estilo: Menino-rua sem jardim

Diniz Borges d.borges@comcast.net

vermelho quando dor não permite o remorso deste pão Boca Consoante, livro saído à luz em 1975 comprova a impossibilidade, para Urbino de San-Payo, de se libertar totalmente da sua carga religiosa, pelo menos quanto à concepção estrutural do livro. dividido em cinco “Salmos” comportando vários poemas que o autor designa como “Versículos”. Exorcismos Maiores, de 1977, outro “pomorromance”, uma harmoniosa fusão de poesia e de prosa, do lírico e do narrativo constitui indubitavelmente um dos pontos mals altos do percurso lírico de Urbino de San-Payo. Com Plural Transitivo, de 1982, descartase o pessoano posicionamento de “fui-o outrora agora”, que se situa num simples “agora” ou mesmo num “aqui e agora”. Este “aqui e agora” é o do microcosmos lusitano da parte norte da Grande Los Angeles. Aí, em es¬pecia¬ nos plutocráticos enclaves de Beverly Hills e Bel Air, fixouse um núcleo de portugueses que se dedicam sobretudo ao serviço doméstico. Curiosamente, decorrera apenas um ano desde que, numa mesa redonda, Urbino de San-Payo confessara: “Embora me sinta sempre visceralmente ligado ao mundo ou mundos que me rodeiam, a minha génese criativa parece sentir-se mais confortável nos longos intervalos da memória. E cada vez me é mais difícil escrever hoje do Hoje.” É de facto em Plural Transnsitivo que, numa tardia abordagem ao imediato, pela primeira vez o autor lança um sério e crítico olhar sobre a comunidade étnica em que se inserira.

A nova atitude encapsula-se eloquentemente no poema “Pois é natal", ilustrada em duas das suas estrofes: Pois é natal e minha mãe que sombra? com a noite em pé e meu irmão dizendo porque somos sós? e eu danado cala a boca ó Zé é Beverly Hills tanto rato rico\ e meu irmão dizendo que Natal tão só Plural Transitivo afigura-se como trampolim para A América Segundo S. Lucas, de 1988, que ocupa um lugar de particular destaque na raríssima produção ficcional vernácula sobre a presença portuguesa nos Estados Unidos. . Assentando na série “Cartas da Lusalândia”, aparecida no então designado semanário The Portuguese Tribune, esta obra debruça-se artisticamente sobre o acima mencionado grupo português da área de Los Angeles. O convívio com os empregadores fê-lo entrar num novo modo de vida e penetrar em novas áreas de conhecimen¬to. O seu contacto social com o mundo america¬no fora de portas é contudo limitadís¬simo. É este o ambiente que Urbino de San-Payo soube escalpelizar, apontando a estreiteza de vistas, a rede de animosidades e invejas e o novorriquis¬mo das mulheres mas também a sua admirável capacidade de trabalho e de aforro. A América Segundo S. Lucas encerrou, muito prematuramente, a carreira literária do autor. Continnuou a escrever mas tudo ficou pelas entranhas do seu computador e o silêncio durou até ao fim da sua existência.

URBINO, irmão sem irmandades

C

onheci o Urbino Sampayo no inicio da década dos oitenta por intermédio da Tribuna Portuguesa e da colaboração dele na mesma. Habituei-me a ler o “ Plural Transitivo” que passou a ser a minha primeira leitura logo que o jornal chegasse. Fascinavame o tratamento que ele emprestava às palavras, sempre atento às transgressões do ser humano para com o seu próximo. A sua mágoa era constante, quando falava da terra mãe de quem recebeu tantas pisadelas, mas que recusou trocálas pelos lenitivos desta outra mãe, que sempre procurou tratar das feridas de quem lhe batia à porta, mas em troca da força dos seus braços e do seu labor. Nas

cartas do “ Heitor emigrado, à Filomena que ficara atrás com os filhos”, descrevia o dia a dia do imigrante, os seus queixumes, as recordações da terrinha, o desepero da saudade, a estranhesa da lingua, da geografia, da maneira de ser e da vivência dos seus vizinhos americanos. Foi durante esta correspondência do Heitor com a Filomena, que eu com muita ousadia, para não dizer atrevimento, vesti a pele da Filomena e iniciei as respostas dela ao seu Heitor, correspondência continuou por já não sei quanto tempo, e foi assim que iniciamos o diálogo pessoal. Durante esse tempo o Urbino autografou e enviou-me alguns dos seus livros, com dedicatórias imerecidas, mas de grande mimo

e importância para mim. Conheci-o pessoalmente pela primeira vez em Tulare, num dos Simpósios literários, iniciativa do então jovem aventureiro da cultura portuguesa e hoje grande e respeitado líder da comunidade e do ensino da lingua portuguesa, que tanto prestígio tem dado à inteletualidade da nossa imigração, o Diniz Borges. Foi um momento que guardo no cofre das minhas recordações. Quando soube da sua morte, pensei que para a Urbino não existe morte, desde que existem os seus livros e a melodia das suas palavras. Acabo esta pequena homenagem ao Urbino San-Paio, usando as palavras ditas por ele, em 1981, quando se referiu à

São mesmo duas palavras nesta que é uma edição dupla da Maré Cheia. Conforme havíamos noticiado na última edição desta página de artes e letras, faleceu, recentemente, no sul da Califórnia, o poeta Urbino de SanPayo. Quem é leitor deste jornal desde os seus primeiros dias, certamente que se recordará do Urbino, quer nas suas poéticas crónicas quer na sua poesia. Conheci o Urbino, através do meu amigo de sempre, Vamberto Freitas, e do catedrático e bom amigo Doutor Eduardo Mayone Dias. Aliás, foi pela mão do Dr. Dias que se convenceu o Urbino a estar presente nos simpósios de Tulare, o Filamentos da Herança Atlântica. Frequentou apenas dois simpósios, mas foi presença marcante. Nesta edição de duas páginas, que agradeço ao editor José Ávila, temos quatro magnífico textos, e cada qual se complementa. São de quatro personalidades que conheceram, muito bem, o Urbino e de quatro intelectuais e criadores respeitados na diáspora, nos Açores e no mundo de língua portuguesa. De Ponta Delgada, Vamberto Freitas, de Providence (e um pouco de todo o mundo) Onésimo Alameida, de Los Angeles, Eduardo Mayone Dias e do pitoresco Vale de Napa, Maria das Dores Beirão. É a homenagem possível a um grande poeta nosso, cuja voz estará sempre connosco. abraços diniz

Maria das Dores Beirão

morte do escritor Nelson Algren : Eras poeta vivo entre mortos, revolucionário sem revolta, ir-

mão sem irmandades. Até à volta e não adeus.


Do Urbino, Beverly Hills e o mais que se verá Onésimo Almeida Anteontem arribou aí um e-mail de Eduardo Mayone Dias, autor de, entre outros livros, os magníficos Crónicas das Américas e Novas Crónicas das Américas, ambos da década de oitenta, que estou neste momento tratando de reeditar. Anunciava-me a morte de Urbino de San-Payo, de quem há já muito eu não tinha notícia, por culpa dele próprio, que se deixou devorar pelo buraco negro dos bastidores de Beverly Hills e se reduziu ao silêncio, por mais que eu tentasse lançar-lhe uma corda. Demoraria muito vir aqui contar essa estória. Ficará para outra altura. Conheci o Urbino graças

a Mayone Dias, então professor na University of California, Los Angeles. O Urbino tinha publicado poesia em Lisboa (Barbaramente… tu, 1967) e mesmo recebido boas críticas de João Gaspar Simões. Três anos mais tarde publicou também Exorcismos Maiores: pomorromance. Novato ainda, rumou a Londres e, de lá, saltou para Los Angeles. Acontece que, mais ou menos pela mesma época, Elton John tinha levado de Londres para a sua casa de Beverly Hills uma governanta portuguesa. Ao que parece, ouvia-a muito e gostava daquela força de mulher que o punha na ordem, pois passou a palavra a amigos que, por sua vez, requisitaram os serviços de outros portugueses imigrados em

Londres. Um desses foi o Urbino, que para Los Angeles seguiu com a sua Amélia. Quando o conheci quis levar-me a visitar a magnífica e modernaça vivenda onde então residia, pertenca da viúva do fundador da Universal Studios, no alto de uma colina sobre Los Angeles, com Rodins no imenso jardim e Picassos, Bracques e até um Vieira da Silva dependurados nas paredes interiores. O Urbino lia poesia à dona da casa e viravalhe as folhas dos livros que ela ia lendo. Avançada em idade, não saiu do quarto onde estava. Apenas a ouvi lá de dentro a perguntando ao Urbino: Did your friend like my paintings? O grupo português acabou formando uma comunidade de uns sessenta e tantos que vivia to-

Urbino de San-Payo

E Um Outro Lado da Diáspora

O

h esta grande AMÉRICA em corpo tão pequeno. pesa que pesa que a tua fartura é de fome ó transmontano duma figa. abalaste e agora te lixas. Urbino de San-Payo, Plural Transitivo Não prestem atenção aos pontos e minúsculas seguintes, foi mesmo assim que Urbino de San-Payo escreveu este outro curto e magnífico texto inserido num dos seus poucos livros de crónicas ficcionadas “americanas”, Plural Transitivo do já muito longínquo 1982. Durante todo o seu percurso o conteúdo inevitavelmente ditou a forma, fez da vida vivida e escrita alguns dos mais silenciosos poemas (“gritinhos”, como um dia chamou um dos seus raros desabafos públicos nas páginas do Tribuna Portuguesa) da nossa sorte colectiva. Poeta, dramaturgo, cronista -- a obra de Urbino de San-Payo foi sempre feita dos abalos solitariamente sentidos na terra-pátria, e depois como andarilho parado, por assim dizer, na abastança sul-californiana, onde viveu e trabalhou a segunda metade da sua vida. Faleceu há poucos dias em Los Angeles com quase 78 anos de idade, mas deixa entre nós um rasto indelével, um riquíssimo arquivo artístico de como foi viver a portugalidade com esperança de pouca dura em “tempos escuros”, principalmente a partir 25 de Abril de 1974, que ele viveu intensamente no seu exílio do Eldorado, até aos nossos dias de desespero e indignidade generalizada no seu país de adopção e no de origem. A sua vida na Diáspora foi única entre nós, em todos os aspectos habitualmente considerados. Continental de gema, aproximarse-ia das comunidades açorianas nos anos 70 pela mão do professor universitário e escritor Eduardo Mayone Dias, este o mais açoriano de todos os lisboetas; fez a sua vida “trabalhando” juntamente com a sua mulher e companheira de sempre, Maria Amélia, nalgumas das casas mais ricas e glamorosas de Beverly Hills; escreveu a sua dor interior e a sua infinita saudade de um império da bondade nunca esquecendo a caminhada comum de todo o seu povo dentro e fora do país ancestral, a lonjura e indiferença ante qualquer noção de “estatura” nas falsas e pretensiosas hierarquias lusitanas garantindo também o quase-obscurantismo em que o homem e a obra permaneceram para além dos poucos leitores (em Portugal contavam-se alguns

escritores de prestígio, entre eles Urbano Tavares Rodrigues) que a conheciam e só poderiam admirar. A sua poesia está parcialmente reunida em Escopro, Barbaramente tu e Boca Consoante, e o que ele denominava de “pomorromance” (poesia e prosa) em Exorcismos menores e Exorcismos maiores; escreveu ainda a peça teatral O Cavalo de Tróia. Qualquer palavra minha numa apresentação mais pormenorizada aos leitores que o desconhecem seria uma blasfémia comparando-a a uma nota autobiográfica que encontrei num blogue seu, significativamente chamado “Putalândia”, só depois de receber a notícia do seu falecimento, e que aparentemente ele nunca chegou a desenvolver para além das palavras que se seguem. Uma vez mais, dor e humor conjugam-se num perfeito equilíbrio do “eu” e do “nós” nesta como em toda a sua prosa ou poesia:

LEMBRAR URBINO

mando conta das mansões das estrelas de Hollywood. Um dia, numa das minhas passagens pela Califórnia, Urbino e os amigos inventaram-me um party numa das residências. Era nada mais nada menos do que a propriedade de Elton John, que anteriormente pertencera a Olivia Newton-John e, mais cedo, a Greta Garbo. Fui com o Eduardo Mayone Dias e o Vamberto. Passeei-me pela mansão e enchime de fotografias que chegam para dar uma ideia do espírito excêntrico do dono. Elton vivia lá apenas umas poucas semanas por ano. De resto, era o casal português que usufruía dessa ostentosa moradia. Bom, mas não dá para contar aqui tudo o que nesse dia me foi dado aprender. Os paparazzi, apinhados junto ao portão, julgavam que o Elton estava em festa em casa e afanosamente tentavam conseguir algum gossip sobre o que se passava nos interiores; não acreditariam se lhes

contassem que era tudo gente simples e privada que ali estava, sem nenhum jet-set nem qualquer estrela, cadente que fosse. Alguns anos mais tarde, voltei a uma dessas mansões levado pelos seus mordomos, um outro casal do português, mas aí o conto fia mais fino e não é para se trazer a público. Mete um punhado de árabes, magnates do petróleo e as estórias são de tablóide inglês, não de notas sérias como estas, por mais que eu as apelide de “bárbaras”. Pois é. Lá se foi o Urbino. 78 anos a que, aposto, chegou com o ar menineiro que sempre lhe conheci. Mais um adeus para sempre, menos um parceiro nesta jornada que cada vez mais se acelera no processo ceifando gente que foi nossa.

Vamberto Freitas

fosse à sala ou quarto onde ela pousava: era para lhe explicar um passo qualquer de um livro que ela lia. Aliás, a Senhora dizia com orgulho a todos os amigos que o seu empregado era um poeta e intelectual. As grandes ironias da vida, pois. Também os gregos eram levados para Roma para fazerem exactamente o mesmo. Alguns escritores lisboetas diziam-lhe que trocavam sem qualquer problema ou hesitação o lugar com ele. Que melhor condição ou modo de vida para um escritor? Um dia contarei de quando ele me levou a mim e ao Onésimo T. Almeida a casa de Elton John em Beverly Hills, que, se não me engano aqui, havia pertencido a Greta Garbo, para uma festa só de portugueses: o dono estava em Londres e a sua governanta era também a portuguesíssima cunhada do Urbino. Refiro tudo isto não só pela saudade do meu falecido amigo e de outro e bem mais alegre tempo; Urbino pertencia a esse privilegia-

“nasci -- escreve caracteristicamente com as minúsculas, como quem se quer esconder do mundo em volta -- no Lugar da Rede, Mesão Frio, Alto Douro, Portugal. Cresci entre a Guerra Civil e a outra, a Grande, onde Hitler jogou o seu xadrez de morte. Entre o surripianço das peras dos quintais dos vizinhos, as andanças no Rio Douro e a fome geral, fiz-me um homenzinho. Aí chegado, 14 anos bem ou mal medidos, meteram-me, sem eu ser visto nem achado, num comboio-carroção com destino ao Seminário de Santarém onde se iria jogar o meu destino no Sacerdócio. Durou seis anos o meu caminho nos seminários. Fui tropa de caneta por 18 meses. Cocei o cu das calças no funcionalismo público e nas tertúlias. Em 1968 pirei-me para Londres. Dois anos depois emigrei para os Estados Unidos, onde vivo presentemente”. Conheci o Urbino e tornamo-nos amigos nos tempos em que Abril nos era ainda a Primavera de Tudo, e a nossa convivência tanto acontecia numa Festa do Espírito do Santo ali em Artesia ou Chino, como na casa em Beverly Hills, onde a esposa trabalhava e ele fazia que ajudava enquanto bebíamos uma cerveja na mesa da cozinha ou no quintal cheio de esculturas da dona do -- imaginem! -- Universal Studios. Foi lá que vi pela primeira vez, creio, um original de Jackson Pollock e um guardaroupa em que cada peça tinha apendoado o rótulo do fabricante e a apólice de seguro! A Senhora da Casa, nunca a vi. Mas assisti ao chamamento do Urbino para que

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do grupo de portugueses, quase todos continentais, que trabalhavam nas milionárias casas do famoso bairro verdadeiramente angelino, estória que um dia deveria ser contada em livro. Acima de tudo, quero apontar que a sua obra e filosofia de vida permaneceram inabaláveis: um belo e incomparável registo em língua portuguesa, que ele manipulava (como diria Eduardo Mayone Dias num longo ensaio sobre a sua obra) com finura e agilidade, do nosso perpétuo exílio interior ou, mais tarde, na terra americana. Um segundo livro de “crónicas”, A América Segundo S. Lucas, contém uma série de “cartas” entre a realidade e a ficção num

diálogo com uma “Filomena”, publicadas originalmente no já mencionado semanário Tribuna Portuguesa, então dirigido pelo também recentemente falecido João Brum. Publicaria ainda, no que à nossa emigração no Pacífico diz respeito, Os Portugueses Na Califórnia, história e ensaio de cariz sociológico em volta das vivências e ritualismo profano-religioso das comunidades maioritariamente açorianas ali residentes. Concedeu-me uma entrevista para o Diário de Notícias em 1980, que foi publicada com o título de “O Emigrante É Um Pastor Com Manta de Trapos”, texto que depois abriria Plural Transitivo, e que cito com certa frequência sempre que o tema é literatura imigrante ou luso-americana. “É o mundo -- disse -- que está na ponte, cheio de indecisão até aos cabelos. Oscila entre as duas margens, incapaz de abdicar da bandeirinha portuguesa que traz no bolso, como se diz no teatro do Onésimo, e da pele americana que veste por necessidade, adaptação e, até, por reconhecimento”. Nessas páginas, Urbino não só se auto-define em relação ao país natal, como se posiciona totalmente como escritor da “imigração” ou do “exílio”, tanto faz, nomeando colegas, falando das suas obras, equacionado o nosso lugar histórico nos EUA assim como o que ele esperava e o desiludiu no 25 de Abril, especialmente após uma das suas visitas menos felizes à terra que desde há muito deixara, mas nunca esqueceu mesmo num quotidiano norteamericano que nada tinha a ver com o que era ou se passava no outro lado do grande continente e do grande oceano. Portugal e o nosso povo eram o sopro vitalício da sua consciência, da sua alegria e da sua infelicidade. Em Los Angeles, especialmente na cidade estrelada de Beverly Hills, Urbino era o perfeito estranho em terra estranha. Nunca a língua portuguesa fora tão pátria como lhe era a ele próprio. Deixou um filho, Marco, que cresceu brincando entre a suposta abastança dos outros e a riqueza verdadeira e duradoura de seu pai. Urbino de San-Payo, Plural Transitivo, Livraria Ler Editora, Lisboa, 1982. A foto do autor foi tirada da net, que creio ser uma das mais recentes. O seu nome literário foi um semi-pseudónimo de Urbino Manuel Sampaio Ferreira.


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Até Sempre, Senhor Consul Geral! After serving as Consul General of Portugal in San Francisco for the last two years, António Costa Moura is returning to Lisbon as Director General of Justice Policy. The outgoing Consul assumed his post on September 21, 2009. António Manuel Coelho da Costa Moura was born on January 16, 1963 in Porto and holds a law degree from the Universidade Católica Portuguesa and a postgraduate degree in European Studies and Information Sciences from the same university. He was recognized by the Portuguese Government as an Officer of the Order of Prince Henry the Navigator (Ordem do Infante D. Henrique) and by the Tunisian Government as an Officer of the Order of the Republic. Prior to his first Consul post in San Francisco, he served in various Government and Embassy positions. Upon his arrival, it was obvious that there was something different about this Consul General. In his early days, he was surrounded by his wife Sónia and two young daughters Leonor and Beatriz. When these beautiful little girls would ran to dad during an official event, smiles would errupt from the audience. He was, after all, a ‘normal’ person, just like

one of us. No pompous atmosphere, just hard work and belief that we -- us and him -- can make a difference here and across the Atlantic. His key message was that Portugal never understood the local community and there is a need for two-way interchange. This was never more evident than during President Cavaco Silva’s visit to Silicon Valley. Consul Costa Moura was the local architect of a team of community volunteers and Consulate staff who worked tirelessly with the Presidential staff to make those 42 hours one of the best coordinated and worthwhile events in Portuguese and Luso-American relations. While his tenure in San Francisco might have been short, Consul General António Costa Moura is leaving many admirers among the Portuguese-American community and will be a strong advocate of this community in Portugal. May he be as successful in his new post as he was in the last two years in California. And most important of all, we’re glad to see him reunited with his family. Até sempre, Senhor Consul!

The Costa Moura family in January 2010.

Text & photos by Miguel Ávila

At Five Wounds Portuguese National Church in San José during the presidential visit (November 2011) and at the IES Holy Spirit Festa (June 2011).

A great admirer of one of his predecessors, Aristides de Sousa Mendes, Costa Moura opened the Consulate to honor the great WWII hero.

Music is one of Consul Costa Moura’s passions: with violinist Carlos Damas (June 2010) and playing guitar to a delighted crowd at San José State University’s Portuguese Studies Program fundraiser (September 2011).


ENGLISH SECTION

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Até Sempre, Senhor Consul Geral!

Consul General António Costa Moura left a lasting impression during President Anibal Cavaco Silva’s recent visit to Silicon Valley (November 2011).

At the Candidates’ Night in Santa Clara (October 2010) and with Ambassador of Portugal in Washington DC, João de Vallera (June 2010).

Bringing the Consulate of Portugal to the people in Santa Clara (November 2010) and supporting the IV International Conference on the Holy Spirit Festas (October 2010).

Always a big supporter of Dia de Portugal events (June 2011).

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PATROCINADORES

1 de Dezembro de 2011

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TRACY

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Festa de Nossa Senhora de Fátima em Tracy Fotos de Jorge Ávila "Yaúca"

O Tríduo da Festa começou a 25 de Outubro e acabou a 27, com recitação diária do terço, seguindose Missa em Português pelo Reverendo Padre Luís Garcia Dutra, Pároco da Igreja de Santa Catarina em Castelo Branco e Santíssima Trindade do Capelo, Faial, Açores. Na Sexta-feira, dia 28, houve Banquete com deliciosas iguarias, seguido de uma Grande Noite de Fados com as maravilhosas vozes da Zélia, do Mário, Ilda Maria e David Garcia, acompanhados pelos 7 Colinas - Helder Carvalheira, Manuel Escobar e João Cardadeiro. No Sábado, às 6:30 pm, houve Missa em Português, seguindo-se a Procissão de Velas, com recitação do terço e abrilhantada pela Filarmónica Nova Artista Açoriana, de Tracy. Às 9 horas abertura da quermesse e convívio com o Grupo Folclórico Tempos de Outrora de San José. No Domingo, Missa Solene em Português na Igreja Paroquial de São Bernardo, seguindo-se a Procissão com a imagem de Nossa Senhora de Fátima, abrilhantada pelas Filarmónicas Azores Band, de Escalon e Nova Artista Açoriana, de Tracy. Às 12:30 pm, almoço oferecido a todos pela Comissão da Festa, seguindo-se Concertos pelas bandas convidadas. Durante a tarde houve arrematações, quermesse e actuações do Grupo Folclórico da Luso-American, de Gustine/Los Banos e o Grupo Etnográfico do Espírito Santo, do Vale de San Joaquin. Às 7 horas houve jantar de peixe frito e depois encerrou-se as festividades com a adeus a Nossa Senhora, na Igreja. A Direcção da Comissão era constituída pelos seguintes elementos: Presidente: Mary A. e Luis Correia V.Presidente: Carlos e Marina Tavares Secretário:Laurénio Bettencourt Tesoureira: Maria Filomena Matos Pároco: Monsenhor Ivo Rocha


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ULTIMA PĂ GINA

1 de Dezembro de 2011


The Portuguese Tribune, December 1st 2011