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Sagres

QUINZENÁRIO INDEPENDENTE AO SERVIÇO DAS COMUNIDADES DE LÍNGUA PORTUGUESA

1 a Quinzena de Julho de 2010 Ano XXX - No. 1089 Modesto, California $1.50 / $40.00 Anual

SAGRES A actual Sagres é o terceiro navio com esse nome a desempenhar

funções de instrução náutica na Marinha Portuguesa, sendo por isso, também conhecido por "Sagres III". Foi construído nos estaleiros da Blom & Voss, em Hamburgo, em 1937, para desempenhar funções como navio-escola da Marinha Alemã — onde era chamado Albert Leo Schlageter — juntamente com os seus semelhantes da classe Gorch Fock: o primeiro, que deu o nome à classe, o segundo, ex-Horst Wessel (actual USCGC Eagle), e o quarto, Mircea; houve ainda um quinto, o Herbert Norkus, destruído antes de ter sido terminado. No final da II Guerra Mundial, foi capturado pelas forças dos Estados Unidos da América, sendo vendido à Marinha do Brasil em 1948 por um valor simbólico de $5.000 dólares. No Brasil foi baptizado de Guanabara, servindo como navio-escola

o adeus à California

até 1961, data em que foi adquirido por Portugal por 150.000 dólares para ser usado em substituição do Sagres II (ex-Rickmer Rickmers). O navio recebeu o mesmo nome do antecessor, entrando ao serviço da Marinha Portuguesa em 8 de Fevereiro de 1962. Ao serviço da Marinha Portuguesa já deu duas voltas ao mundo, a primeira em 1978/1979 e a segunda em 1983/1984. Em 19 de Janeiro de 2010 partiu para a terceira volta ao mundo. No total, a viagem terá uma duração estimada de 339 dias, dos quais 71 por cento a navegar e 29 por cento nos portos. O navio passará por 27 cidades costeiras, de 19 países diferentes, antes de regressar a Lisboa, em Dezembro de 2010.

in wikipedia

Foto de Tony Calabrese

Aristides Sousa Mendes O HOMEM

www.portuguesetribune.com

pág 29,30

www.tribunaportuguesa.com portuguesetribune@sbcglobal.net


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SEGUNDA PÁGINA

EDITORIAL

Que edição é esta? Este jornal está tão rico de eventos que eu já nem sei que palavras usar para ocupar este espaço. Desde as Comemorações do Dia de Portugal em vários lugares, à homenagem a um Herói Nacional como foi Sousa Mendes, ao Concerto na Igreja Nacional das Cinco Chagas, à visita do Embaixador de Portugal em Washington, à visita da Sagres, à bonita festa de Patterson, aos 30 anos de ordenação do Padre Manuel Sousa, houvesse mais páginas e este jornal cantaria ainda mais de galo. E sabem lá o orgulho que isto nos dá. Porque este jornal, sem os muitos milhares de assinantes que outros têm, cumpre uma função, melhor dizendo, uma missão, quase única no mundo - falar e mostrar quase exclusivamente a nossa comunidade. Bem vistas as coisas, até temos uma grande e boa comunidade. E temos orgulho nela. Podemos discordar de algumas coisas, e a maioria delas nem são feitas com más intenções, mas na realidade não nos podemos comparar com as outras etnias. Somos mais ricos, somos mais tradicionais, e ainda temos uma palavra que ninguém tem - SAUDADE. Temos muita pena não estarmos presentes em dois eventos - o primeiro já teve lugar quando receberem este jornal, Conferência Internacional sobre o Espírito Santo, e o segundo, será no fim de Julho, com a inauguração do novo/ excelente Salão do Artesia D.E.S.. São duas manifestações que demonstram o empenho, a luta, e o orgulho de fazer bem das nosssas gentes. jose avila PS - as duas próximas edições serão feitas nos Açores, com cheiro a maré, lapas e vinho de cheiro.

1 de Julho de 2010

Notícias do East Bay A Filarmónica "Recreio do Emigrante Português da Cidade de Newark", uma banda com cerca de 50 elementos, é uma grande banda, mas ainda é maior pela razão de parte dos seus membros serem muito jovens. No dia 15 de Maio a nossa banda reuniu todos os seus membros e suas famílias para assim celebrarem o começo da época. Já principiaram a tocar por esta California adentro Domingo após Domingo nas festas ao Divino Espírito Santo. Envolver as famílias para o beberete no princípio da época foi muito bonito. A banda também tem uma escola de musica que é um bom viveiro de gente jovem e quem está a dirigir a Escola é o professor de musica Paulo Moreira. O Paulo é um verdadeiro senhor, ensina, toca e também faz de tesoureiro entre outros afazeres. O Paulo Moreira está de alma e coração com a Filarmónica Recreio do Emigrante Português, da Cidade de Newark. Newark e cidades circunvizinhas devem estar orgulhosas da nossa banda, que persiste em ser melhor, ano após ano, e já lá vão cerca de 30 anos. Um desafio para toda esta gente, direcção, tocadores e todos os membros seria uma digressão a Portugal, Canadá ou mesmo à Costa Leste, porque são dignos de tudo isto. Fazem grandes sacrifícios em todo o ano para se prepararem para a nova época e para

assim se apresentarem com um novo e vasto repertório perante o nosso povo.

O Tribuna está de parabéns, ano

após ano, em publicar as festas do Espírito Santo. São várias páginas de importante informação. Quem não vai à festa é porque não quer. Ainda há tantos lugares que nem conhecemos. E sabemos isto tudo através do Tribuna. É o único jornal Português na Costa Oeste dos Estados Unidos. Porque é que não recomendam uma assinatura deste orgão a um amigo, clube ou outros. São somente $40.00 (USA) por ano, façam um esforço e vamos todos a ajudar o Tribuna a crescer. Nasceu no passado dia 15 de Abril na cidade de Newark a menina Marisa Marie Freitas. Os seus orgulhosos pais são Mark e Anna Freitas, os avós paternos Luis e Fátima Freitas, também de Newark e avós maternos Eduardo e Idália Pacheco, de Morgan Hill. A Marisa tem já uma irmã, Madison de 3 anos (Maio 17). Para as famílias Freitas e Pachecos os nossos sinceros parabéns, e para a Marisa, benvinda ao nosso convívio.

by Luis Frei tas Mães, porque eles são todos os dias. Queria prestar Homenagem a uma senhora especial (também mãe): Vive em e chama-se Estella Maciel, uma senhora a quem eu chamo a nossa Madre Teresa. E digo isto porque posso justificar através das suas obras no Newark Pavillion e também no Centro Pastoral Portugues de Newark. Através dos anos a Dona Estella esteve sempre pronta para ajudar nas lides da cozinha, mas o mais mportante é a sua liderança (dizem as ajudantes que só ajudam se a Estella estiver à frente). Na verdade a Dona Estella tem sido uma verdadeira líder através dos anos. Uma senhora afável, simpática, sempre com um sorisso nos lábios e o mais importante é que tem sempre um obrigado para todos. Quantas refeições já preparou para a comunidade (milhares e milhares), filhóses e massa sovada então não têm conta. Minha querida amiga, parabéns e obrigado por tudo o que tens feito pela Comunidade Portuguesa mas também pela ajuda a outros grupos étnicos. BEM HAJAS.

Nunca é tarde para falar no dia das

Year XXX, Number 1089, July 1st, 2010


FESTAS

Festa do Espírito Santo em Patterson

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fotos de Jorge Ávila "Yaúca"

Jovens com a imagem de Santo António. Embaixo - Rainha Santa Isabel

AiaAlexandra Belerique, Rainha Grande Ashley Duque, aia Vanessa Embaixo: aia Jacqueline Silva, Rainha Pequena Aireanna Agueda, aia Annalisce Agueda

Patterson é uma cidade do Condado Stanislaus, California. Tem uma população de 21,168. Fica a 45 milhas a sudoeste de Livermore. Patterson é conhecida como a "Apricot Capital of the World". A história de Patterson começa com o Rancho Del Puerto, terra doada a Mariano e Pedro Hernandez em 1844 pelo Governador Manuel Micheltorena. Depois em 1866 John Patterson comprou 13,340 acres por $5,500 e assim a cidade nasceu dentro deste rancho. A Patterson Festa do Espírito Santo (FDES) foi fundada a 16 de Junho de 1917. O seu primeiro Presidente foi Joe Veríssimo Azevedo, do Norte Grande, São Jorge. A primeira Rainha foi Mamie Brasil Azevedo Parreira. O Presidente de 2010 foi Manuel e Beatrice Pereira, tendo Eliseu Mendonça Jr. como Vice-Presidente, Bernardette Avila, Secretária e Lizabeth Machado, como Tesoureira. Embaixo: Bernardette Avila (Tesoureira), Aldevino e Guilhermina Azevedo (Past President), Presidente Manuel e Beatrice Pereira, Eliseu Mendonca Jr. (Vice-Presidente), e Lizabeth Machado (Secretária)


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COMUNIDADE

1 de Julho de 2010

Ao Sabor do Vento

José Raposo

Os de casa não fazem milagres

raposo5@comcast.net

E

u nunca compreendi a razão para as pessoas pedirem graças aos Santos em vez de pedirem a Deus. Por vezes, se alguma coisa que eu acho impossível acontece, costumo a dizer que irei à missa, pois que sou um daqueles que normalmente só aparece lá para baptizados, funerais, casamentos e enterros. Oops! E, por vezes às festas do Espírito Santo. Um dia destes na brincadeira e, diga-se a verdade que não se deve brincar com coisas que para certas pessoas são assuntos sérios, estávamos a falar sobre algo e eu disse que se tal acontecesse, iria à missa. O que é certo é que aconteceu e agora tenho que pagar com a minha promessa. Outra vez que estava assim metido num negócio e havia muitas dúvidas de o mesmo se concretizar, alguém me disse que eu deveria pedir a São Judas e que se eu pedisse com fé, aconteceria. E eu disse que se tal acontecesse, eu publicaria no jornal. Não veêm que aconteceu mesmo! E agora para cumprir com a minha palavra tenho que agradecer aqui, publicamente, ao São Judas sem saber se ele ajudou ou não. Mas, enfim, o prometido é devido. A Irmandade do Espírito Santo de Sausalito celebrou, pela segunda vez, o dia de Portugal. Tivemos a honra de ter a presença do Sr. Embaixador de Portugal em Washington DC, Dr. João Vallera, acompanhado de sua esposa e o do Sr. Conselheiro da Embaixada, José Galaz. Além desses representantes do governo Português, o Sr. Cônsul Geral de Portugal em San Francisco e Maria João Bonifácio que já são bem

conhecidos na comunidade, estiveram também presentes. E louvar também a presença do Mayor the Sausalito, Jonathan Leone, da vice mayor e de outros membros do city council. Houve exposições de alguns artistas, comes e bebes, entre os quais se contava as já célebres malassadas, fritas na altura. Para se pôr em andamento coisas deste género requer muito trabalho, algum dinheiro e a boa vontade de muita gente. Há sempre aqueles que são mais sacrificados do que outros, porém fazem-no por amor à arte, por respeito e por amor ao Portugal de onde viemos ou de onde vieram nossos pais e nossos avós. Assim que eu tive a certeza que o Sr. Embaixador estaria presente, entrei em contacto com os responsáveis da Filarmónica Lusitânia Band of North bay, Filarmónica da qual eu fui um dos fundadores e que a Irmandade de Sausalito tem sempre ajudado, e pedi para que, pelos menos seis músicos, se apresentassem ali, a fim de tocar o Hino Nacional Português, quando da chegada do Sr. Embaixador e no momento em que fosse içada a Bandeira portuguesa. Eu já tinha prometido ao Sr. Cônsul que arranjaria músicos suficientes para tocarem o Hino. Mas, quem se fia em sapatos de defunto anda toda a vida descalço. Depois de haver contactado com o Presidente da Filarmónica, foi-me dito que alguns músicos não podiam ir e que os outros se recusaram a fazê-lo. Estava eu a caminho da reunião quando me foi comunicado isso. Comecei a dar voltas à cabeça e disse: - Mas que raio! Só

Sabor Tropical

Elen de Moraes elendemoraes_rj@globo.com

M

uito se tem discutido sobre a língua portuguesa e suas diferenças nos diversos países onde ela é oficial, com a intenção de unificar a sua escrita, simplificar as regras, uma tentativa para que não se perca da sua essência e para que não se transforme, nos próximos séculos, numa língua diferente em cada país onde é falada. O assunto é polêmico e essa discussão eu deixo para os filólogos. Sem me deter no Acordo Ortográfico de 2009, que não agradou, falo em sua defesa que a língua portuguesa não foi mudada por decreto, como afirmam. As línguas não mudam dessa forma. Suas transformações sofrem influências de outros fatores e outras línguas. A ortografia, essa sim, por ser uma convenção para registrar as diversas maneiras de se falar, pode sofrer alteração das suas normas para que seja estabelecido um sistema que padronize a escrita, que ajuste e simplifique suas regras. Trocando em miúdos, a língua sofre mudanças lentas e graduais, praticamente imperceptíveis pelos falantes. No Brasil o português que falamos é o mesmo que se fala em Portugal, mas, pelas influências sofridas, muitas palavras são escritas de modos dife-

rentes e outras tantas têm outros significados, embora escritas do mesmo jeito. Não me refiro ao sotaque, porque esse até dentro do mesmo país, tem variações. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, encontraram uma população indígena muito grande, que se expressava em diversos dialetos. Os índios aprenderam a língua portuguesa com os Jesuítas, porém, influenciaramna com a sua. E o mesmo aconteceu com os negros, italianos, alemães, japoneses e muitos outros povos que emigraram para o Brasil. Aprendiam o português e misturavam-no com o seu idioma de origem e assim nasciam novas palavras e novos significados para as mesmas. Os filhos dos emigrantes têm que freqüentar escolas cujas aulas sejam ministradas em português, para que aprendam a língua corretamente, porque em muitos lares estrangeiros ainda se fala uma mistura do português com a língua de origem dos pais e avós. O brasileiro é acusado de falar errado, misturar os pronomes, não fazer concordância verbal, etc.. Isso é explicável pela influência de outras línguas, mas indesculpável para quem não é analfabeto. Relevam-se os erros do portu-

Santa Cecília, a Padroeira dos músicos é que poderá me livrar duma destas. Como é que eu me vou desenrascar? Pensei, pensei e voltei a pensar. Pego no meu telefone e comecei a dar voltas com ele. Não sei como nem como não abri-o e o nome de Joe Amaral aparece no écran. O único Joe Amaral que tenho no meu telefone é o do mestre da Portugese Band of San Jose. Sem saber ainda o que diria a ele. Marquei o número e quando ele me atendeu eu disse: Joe, eu preciso de um milagre. Diz ele: - Diga. Que só se eu não puder é que não farei. - Eu preciso pelo menos de 6 músicos para tocarem o Hino Nacional Português em Sausalito, quando da visita do Sr. Embaixador. Resposta imediata. Vou-te chamar antes das nove horas da noite. Mais ou menos meia hora depois, por volta das 7:30 ele chama e diz:

- “Conta connosco. Lá estaremos” Não sei se há algum Santo que se chame Amaral. Porém, em meu nome pessoal e em nome da IDESST de Sausalito, quero agradecer à Portuguese Band of San Jose e em especial aos músicos que vieram de tão longe e a ajuda que me deram em cumprir com a minha palavra. Vieram só três, mas, vieram dos melhores que a banda tem. O trompete do Joe Amaral ressoou na Caledonia St., em Sausalito e até tenho a certeza que se há alguma sereia na baía, a mesma deve ter ficado encantada. Os outros músicos que me perdoem, não sei o nome deles, ao juntarem-se ao Joe Amaral, fizeram um trio perfeito. Não sei também se pedirei mais alguma coisa aos Santos, mas, se tiver que pedir, pedirei aos de longe pois que os de casa não fazem milagres.

Nossa língua, nossa pátria guês coloquial, porém, jamais se perdoa quem escreve errado. Até porque quem escreve tem obrigação de revisar o que escreveu. Ou pedir ajuda.

J

ose Raposo, num de seus artigos aqui neste jornal, relata o que se passa na comunidade e exemplifica a mistura que alguns emigrantes da CA, inclusive ele, fazem das palavras em inglês com o português e, algumas vezes, até com o castelhano, e desse modo, sem se dar conta, criam expressões, repetidas em casa entre familiares e amigos que, certamente, serão repetidas e um dia incorporadas à língua. O mesmo acontece às outras comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo. Dentro de outros tantos anos, um novo acordo ortográfico terá que ser feito. Involuntariamente, além de modificarem a própria língua, os portugueses influenciam mudanças na língua dos países para onde emigraram. Por isso se diz que a língua é viva. E para entendermos todo processo, precisamos saber um pouco da historia de como nasceu a língua portuguesa: • Originou-se no Latim. Desenvolveu-se na costa oeste da Pe-

nínsula Ibérica (Portugal e região espanhola da Galícia), incluída na província romana da Lusitânia. • A partir de 218 AC, com a invasão romana da península e até o século IX, a língua falada na região era o “Romance”, variante do Latim, um estágio intermediário entre o Latim vulgar e as línguas latinas modernas (português, castelhano, Frances, etc.). • De 409 DC a 711, povos de origem germânica instalaram-se na Península Ibérica e se deu inicio a um processo de diferenciação regional da língua falada. • A partir de 711 com a invasão moura, o árabe é adotado como língua oficial nas terras conquistadas, mas a população continua a falar o “Romance”. • No século XI, com inicio da reconquista cristã da Península Ibérica, o galego-português consolida-se como língua escrita e falada na Lusitânia. Os árabes são expulsos e vão para o sul. Surgem os dialetos moçárabes, a partir do contato dos árabes com o latim. • À medida que os cristãos avançam para o sul, os dialetos do norte interagem com os dialetos moçarabes. • Inicia-se a diferenciação do português, com o galego-português, com a independência de Portugal.

• A língua consolida-se com a expulsão dos mouros e a derrota dos castelhanos que tentaram anexar o país. Com a construção do império português de ultramar, entre os séculos XIV e XVI, a língua portuguesa se fez presente em várias regiões da Ásia, África e América. Para todos que temos orgulho do nosso idioma, devemos dar-lhe a nossa melhor contribuição para que continue sendo falado e escrito em todos os países onde ele é oficial. E não importa que Portugal tenha onze milhões de habitantes e o Brasil 200 milhões: importa é estarmos de mãos dadas por amor à língua portuguesa, sem jamais esquecer que Portugal é o seu berço e sem que os portugueses se esqueçam que brasileiros, africanos e asiáticos têm sangue português correndo em suas veias. Somos todos irmãos! Pesquisa: Museu da Língua Portuguesa


COLABORAÇÃO

Tribuna da Saudade

Ferreira Moreno

O

ilustre ribeiragrandense Frei Agostinho de Monte Alverne (1629-1726), considerado pelo dr. João Bernardo de Oliveira Rodrigues como “um dos mais curiosos cronistas açorianos”, ao discorrer sobre a ilha do Faial (Crónicas, Volume III), anotou que os primeiros exploradores, ao chegarem a esta ilha, “botaram a gente na Praia, onde o mar chegava então, onde hoje está a igreja onde levantaram altar em que se disse a primeira missa, e dizem que o crucifixo devoto que hoje está nesta igreja viera de Bruges”. Pelo facto de um deles ter sido investido no cargo de almoxarife, “ficou a chamarse a este lugar Praia do Almoxarife”. A este respeito, no livro “Nossa Senhora das Angústias, Horta 1984”, o padre Júlio da Rosa escreveu: “Há também a tradição muito viva ainda hoje entre o povo da Praia do Almoxarife, que durante os últimos séculos foi comumente chamada Praia de Santo Cristo, de que aquele crucifixo foi achado no mar com menos um braço, e que depois de feitas diligências p’ra se lhe ajustar outro, não aderia. Então uma velha, que recolhia lenha na costa, achou um pau que não ardia no seu lar. Levou-a ao padre, que reconheceu ser o braço da imagem. E colocando-o logo aderiu”. O dito crucifixo, evidentemente uma representação iconográfica de Cristo crucificado, mereceu imediata e expressiva

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Santo Cristo no Faial

veneração, tornando-se mais conhecido na devoção local com o nome de Santo Cristo, originando muita fé como ficou demonstrado em 1672, quando o Faial foi vitimado por um prolongado período de tremores de terra, de que resultou violenta erupção vulcânica. Juntaram-se, então, as autoridades e os populares e foram buscar a imagem de Santo Cristo à Praia do Almoxarife, trazendo-a p’rà Horta em procissão entre grande número de tochas e círios. Por diversas vezes a imagem percorreu igrejas e ruas, ao mesmo tempo que se ouviam eloquentes sermões e os fiéis se penitenciavam. Tudo isto, e muito mais, está registado no primeiro volume “História das Quatro Ilhas que formam o Distrito da Horta”, de António Lourenço da Silveira Macedo. Estas referências, e outras narrativas, encontram-se transcritas no “Arquivo dos Açores”, nomeadamente no terceiro e nono volumes. Frei Agostinho de Monte Alverne, cujas Crónicas foram publicadas entre 1693 e 1695, não só dedicou um inteiro capítulo a tais ocorrências, mas também forneceu os nomes dos pregadores e os temas em latim de cada sermão, num total de meia dúzia. Novamente de regresso ao Faial, a história da intercessão do Santo Cristo Milagroso repetir-se-ia em 1718. Com a devida vénia, passo a transcrever, resumidamente, passagens alusivas que nos foram legadas por Silveira Macedo.

Desde os 17 de Janeiro de 1718 que a “sacrossanta e miraculosa imagem de Cristo Nosso Senhor Crucificado” havia sido transferida da Praia do Almoxarife p’rà vila da Horta em consequência “do povo desta ilha se achar aflito com várias doenças na freguesia dos Cedros, onde tinha morrido grande parte dos seus moradores”, alastrando-se as enfermidades às freguesias de Castelo Branco e Flamengos, pelo que então se organizaram procissões e preces, missas e sermões, no sentido de alcançar melhoras das doenças.

C

hegando-se, porém, às seis horas da manhã do primeiro dia de Fevereiro, “ouviu-se sobre a vizinha ilha do Pico um contínuo rumor e estranha trovoada”, provocando alarme na população faialense ao ter conhecimento que um espantoso vulcão rebentara por quatro bocas na falda da montanha do Pico, entre as freguesias de Santa Luzia e das Bandeiras. No dia seguinte houve nova explosão entre as freguesias de S. Mateus e S. João, correndo o fogo em caudalosas ribeiras p’ró mar, formando um vasto mistério e um promontório de grande altura. Receando que o fogo atingisse o Faial, fi-

zeram-se novas procissões com a “sagrada relíquia” e renovaram-se as preces, suplicando ao Santo Cristo p’ra providenciar o tão suspirado milagre p’ró fogo retroceder e abater. No entretanto a violência do fogo começou a diminuir, “até que aos 15 d’Agosto pareceu completamente extinto, tornando a rebentar ainda no princípio de Setembro”. Tomou-se então a resolução e voto “que todos os anos enquanto o mundo durasse seriam obrigados os oficiais da Câmara vindouros a fazerem à custa da mesma câmara uma festa de acção de graças ao Senhor Santo Cristo no primeiro dia de Fevereiro, o qual será feita na sua igreja da Praia, concorrendo a câmara com todas as despesas necessárias”. A todo este arrazoado só me resta acrescentar que, ainda hoje, no fiel cumprimento desse antigo voto camarário, se promove a realização da festa e procissão do Santo Cristo da Praia do Almoxarife, confirmando serem fundas as raízes do culto do Senhor Santo Cristo na tradição e na alma do povo açoriano.


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COLABORAÇÃO

Minha Língua Minha Pátria

Eduardo Mayone Dias eduardomdias@sbcglobal.net

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futuro bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes, nasceu a 10 de Maio de 1906 em Milhundos, (1) e ingressou aos dez anos no Seminário de Vilar, no Porto. Em 1925 parte para Roma onde completa estudos de Teologia na Universidade Gregoriana.(2) É ordenado a 22 de Setembro de 1928 e inicia a sua vida sacerdotal na Casa da Torre da Marca, no Porto. Passa pouco depois a desempenhar os cargos de prefeito e director de disciplina no seu antigo seminário. onde chega a vice-reitor, em substituição de um tio seu, o Cónego Joaquim Ferreira Gomes. Em 1931 publica Herói e Santo, obra em que enfoca a figura de D. Nuno Álvares Pereira. É nomeado bispo coadjutor da Diocese de Portalegre (3) em 1948 e a 12 de Outubro de 1956 assume o cargo de Bispo do Porto. Dois anos depois pronuncia no Centro Académico de Democracia Cristã (C.A.D.C.) uma conferência intitulada "Economismo ou Humanismo", (4) que reflecte o seu conceito básico de uma Igreja como órgão social, actuando na sociedade e para a sociedade. Por estes anos havia-se incrementado a insatisfação do sector progressista da Igreja Portuguesa, revelada em especial por organizações católicas ou jornais como o Novidades. A respeito deste sector escreve Franco Nogueira: " [Nele] ... é quase nula a diferença ou distância entre socialismo e cristianismo ou catolicismo, e quando não vai ao ponto de os considerar compatíveis e tem como imprecisa ou indefinível a fronteira entre ambos". (5) Tal posicionamento não era por certo compartilhado pela alta hierarquia da Igreja, com duas excepções, as dos bispos do Porto e da Beira, este em Moçambique. A 13 de Junho de 1958 D. António faz divulgar uma carta aberta a Salazar, intitulada "Pró Memória". Nela asperamente critica o sistema corporativo e apela à liberdade de expressão. O Chefe do Governo sente-se ofendido por haver sido dado a público um documento que lhe era destinado e o

seu azedume leva a que se tornem extremamente tensas as relações entre os dois homens. A carta é atacada com a maior dureza por altas figuras afectas a Salazar e de imediato o Bispo se torna persona non grata ao regime. Passa pouco mais de um ano e Salazar decide privar o Bispo do exercício das suas funções. Um momento oportuno surge quando D. António, a 24 de Julho de 1959, sai de férias para o estrangeiro. Numa nota oficiosa de 9 desse mês o Ministério dos Negócios Estrangeiros comunica sucintamente que fora informado de que a Santa Sé havia nomeado um bispo auxiliar como administrador apostólico da diocese do Porto. Discursando pela televisão a 31 de Dezembro, Salazar ataca os católicos dissidentes da política governamental e promete ser com eles "duro e implacável até à crueldade". A mais proeminente vítima desta "crueldade" seria precisamente o Bispo do Porto, impedido de regressar à sua diocese enquanto Salazar se manteve no poder. Assim D. António inicia um longo exílio em Vigo, Santiago de Compostela, Valência, Lourdes e Alemanha. (6) Durante ele, a 16 de Julho de 1968, envia, de Lourdes, uma longa carta ao Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira, amigo íntimo e antigo companheiro de casa de Salazar, denunciando a submissão da hierarquia eclesiástica portuguesa ao regime vigente. A 26 de Agosto desse ano, ante a manifesta irrecuperabilidade física de Salazar após o seu acidente, o Presidente Américo Tomás anuncia a escolha de Marcelo Caetano para o cargo de Presidente do Conselho de Ministros. Nos seus primeiros tempos de governante Caetano revela um modesto interesse em liberalizar o ambiente político do País. Entre algumas das medidas para concretizar o seu propósito conta-se haver ordenado a 12 de Junho de 1969 que os postos fronteiriços da PIDE fossem informados de que havia sido autorizado o regresso a Portugal do bispo do Porto. Deste modo, seis dias depois, ao

1 de Julho de 2010

D. António Ferreira Gomes apóstolo da paz fim de dez anos de exílio forçado, D. António apresenta-se no posto de Valença do Minho e entra livremente em Portugal. (7) A 5 de Julho reocupa o seu cargo de Bispo do Porto mas fica sob a vigilância da polícia política. Não perde todavia tempo para continuar a expor o desejo de um Portugal mais aberto. Logo no dia seguinte, numa entrevista ao Jornal de Notícias salienta a necessidade de uma imprensa livre. O antigo apostolado renasce. A 3 de Janeiro de 1970 por sua iniciativa é lançado o jornal Voz Portucalense em substituição do semanário A Voz do Pastor, acentuando agora o propósito de a diocese servir a comunidade em vez de a dirigir. o mesmo dia D. António pronuncia a sua primeira "homilia de paz", iniciando uma sequência que duraria até 1982. A total liberdade de expressão não havia sido conseguida durante a chamada "primavera marcelista" e a 22 de Junho a Censura corta declarações do bispo quanto às vantagens da integração de Portugal num quadro europeu. Em Janeiro de 1972 havia-se seriamente agravado a situação militar em África e numa homilia pronunciada na Sé do Porto D. António denuncia a guerra como pecado e critica as "virtudes militares" de alguns capelães das Forças Armadas". Cerca de ano e meio depois vem outra homilia sobre o tema "A paz é possível". De Janeiro de 1974 é ainda outra na Sé do Porto, esta sobre o tema "A paz depende de ti". Nesse ano explode o 25 de Abril e cessa a necessidade de apelar à paz. São tranquilos os últimos anos de vida de D. António.(8)A 18 de Fevereiro de 1982 o Papa aceita a sua resignação, após qua-

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A Foto da Quinzena

Os "boguinhas" do Rui Brasil, de San José, no Kelley Park, no Dia de Portugal

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se 35 anos de episcopado. Retira-se então para uma casa diocesana de repouso em Ermesinde. É aí que a 18 de Abril de 1989 falece D. António Ferreira Gomes, o vulto mais carismático da Igreja Portuguesa na segunda metade do século XX.Explicativa a "Economismo Ou Humanismo", de D. António FerreiNOTAS (1) Na freguesia de Milhundos, concelho de Penafiel e distrito do Porto, existe agora a Escola Básica D. António Ferreira Gomes. Na cidade do Porto, a pouca distância da Torre dos Clérigos, foi erguida uma imponente estátua ao seu mais destacado bispo. (2) A Pontifícia Universidade Gregoriana é a sucessora do Colégio Romano, fundado em 1551 por Santo Inácio de Loyola. Transformada esta instituição em universidade, a sua nova sede foi inaugurada em 1564 pelo Papa Gregório XIII. Dedicando-se a Ciências Humanas, sobretudo Teologia e Filosofia, conta hoje em dia com cerca de 1 600 alunos, oriundos de mais de 130 países. Está dividida em vários colégios, entre eles o Pontifício Colégio Português. (3) Esta diocese, criada em 1549, foi fundida em 1956 com a de Elvas, de 1570, e a de Castelo Branco, de 1771, tomando então o actual nome de Diocese de Portalegre-Castelo Branco. (4) O C.A.D.C., estabelecido em Coimbra em 1901, é uma organização estudantil ligada ao movimento social católico, de que Salazar, na sua juventude, foi activo militante. Saqueado e encerrada

após a implantação da República, reabre mais tarde sob a direcção de Manuel Gonçalves Cerejeira, o futuro Cardeal Patriarca de Lisboa. (5) Franco Nogueira, Salazar, Porto, 1984. Vol. IV, p. 18 (6) D. António Ferreira Gomes escreve a 2 de Dezembro de 1958 uma segunda carta a Salazar declarando que a primeira não constituía um "manifesto político". Tratar-se-ia de um intento de amenizar a atitude do Presidente do Conselho? (7) A Censura proíbe aos jornais qualquer referência ao regresso do Bispo do Porto. (8) Em 1976 foi concedida ao Bispo do Porto a grã-cruz da Ordem da Liberdade, criada nesse ano para distinguir relevantes serviços prestados à causa da democracia e da liberdade A 2 de Outubro a PIDE recebe instruções para não autorizar o retorno a Portugal a D. António Ferreira Gomes. De facto, dois dias depois, no posto fronteiriço de Valença do Minho não lhe é permitida a entrada em território português.


COLABORAÇÃO

Rasgos d’Alma

Luciano Cardoso

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A Fé da Presidente

lucianoac@comcast.net “A fé é que nos salva das penúrias da morte.”, cria piamente do fundo da sua singela alma a prezada presidente da festiva irmandade. “Mas é a festa que nos safa das lamúrias da vida. E a nossa festa vai correr bem, se Deus quizer!”, como bem queria ela naquele jubiloso ano em que fora escolhida para liderar os anuais festejos com renovado brilhantismo.

A

“parada” estava de novo na rua. Talvez demorada demais para alguns, a cerimónia religiosa da coroação em louvor ao Divino decorrera com o brio e a solenidade apropriadas. Apalavrado da ilha, de propósito para o púlpito imigrante, com sermão encomendado a preceito, o senhor prior, pregara que fora mesmo um céu aberto. Quase toda a gente tinha gostado de o ouvir. Só a magoada presidente parecia não ter engraçado mesmo nada com a azeda piadinha do descarado padreca às bonitas capas das raínhas. “Luxuosas demais”, mencionara ele, “para o modesto gosto do benévolo Senhor Espírito Santo, nada dado a escusadas extravagâncias”. Vindo de tão longe e pago a bom preço para pregar ao devoto coração dos fieis aquele sermão solene, talvez o opinioso sacerdote nem tivesse dito aquilo por mal. Não havia razão para tal. Se ele soubesse só a despesa e o trabalho envolvidos naquelas capas…! Parecia nervosa a senhora presidente. Não, própriamente, por causa do adequado tempêro das sopas, deixadas a cargo do cunhado, um dos cozinheiros localmente mais entendidos na matéria; nem, tampouco, devido ao ambicioso programa da festa, à conta do marido, que tambem já fora pre-

sidente e reunia certamentea a experiência necessária para se desenrascar à vontade nestas ferventes andanças. Tudo iria correr bem, se Deus e o Senhor Espírito Santo quizessem, como quase sempre querem. A razão magna das suas enervantes preocupacões cingia-se, pura e simplesmente,

Qual dormir, qual carapuça! A pouca distância dali, de facto, o “Espicha” e a sua improvisada comissão há muito que tinham perdido o sono e as estribeiras com imprevistos d’última hora a estragaremlhes o arranjinho. O cozinheiro adoecera e, sem substituto à altura, os planos do

"O Senhor Espírito Santo não dorme.” ao facto de ver tão pouca gente incorporada na festa, ali mesmo à saída da igreja. Tanto que trabalhara com a sua dedicada comissão para que nada faltasse e o povo aparecesse. A culpa não era sua. Mas ela sabia bem de quem era.

A

li perto, no mesmo “town”, nem sequer a uma milha de distância, a mesquinha direção dum clube rival à Irmandade, por rebendita, decidira organizar à última da hora outra festinha, aparentemente, ”só p’ra chatear”. “…O Senhor Espírito Santo não dorme!”, dizia para consigo a zelosa presidente, crente num castigo qualquer vindo do Alto para punir as matreiras intenções do velhaco do “Joe Espicha” e dos seus atrevidos seguidores, “…uns canalhas, sem o mínimo de escrúpulos nem ponta de vergonha na puta da cara. Sofrem é de dores de cotovelo, só porque a Irmandade tem mais cabida local do que o seu ranhoso clubeco da bola. Mas, estão bem enganados. Vão ver que o Senhor Espírito Santo não dorme.”

anunciado BBQ Steak pareciam mais do que chamuscados. O vocalista da banda contratada para animar a festarola, acabara de telefonar com a pasmante desculpa de estar muito mal da garganta. Música ao vivo, assim, só por um canudo! Porque era tambem para haver cantoria ao desafio, mas um dos tocadores sofrera um acidente e a um dos improvisadores morrera a sogra de repente. De repente, até parecia que alguem havia rogado pragas à súbita realização daquele abortado festejo, pronto a ser adiado para data mais oportuna. Na outra banda do “town”, a “parada” preparava-se para dar entrada no “hall”, à cunha, para espanto da senhora presiden-

te. Não conseguiu disfarçar o seu enorme contentamento quando o marido lhe veio de pronto segredar: “Parece que a festa do “Espicha” foi cancelada. Tem aí povo c’ma bicho. Nunca m’alembro de ver tanta gente nesta festa.” Ao som do hino solenemente entoado à Terceira Pessoa da Santíssima Trindade pela bem ensaiada filarmónica local, com duas luzidias lágrimas a molharem-lhe comovidamente as meninas dos olhos, a emocionada presidente da Irmandade limitou-se simplesmente a repetir ao ouvido do esposo o curioso lema da sua espirituosa fé, reforçada a rigor naquela precisa instância: “O Senhor Espírito Santo não dorme.”


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1 de Julho de 2010

Agua Viva

Filomena Rocha filomenarocha@sbcglobal.net

A euforias das festas...

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inda estamos no rescaldo das celebrações da nossa nacionalidade, e já outras começaram, mas desta vez com mais ruido, mais euforia, muita energia gasta, mais antes do que durante o acontecimento. Isto para não falar de tão dispendiosa celebração com todos os requesitos necessários e outros naturalmente até ao ponto do requinte das melhores ou piores situações que possam surgir fora de portas, porque quando se está fora de casa, não é o mesmo que se acomodar com a prata da casa ou ter tudo à mão a preço mais conveniente. É claro que já todos sabem ao que me refiro: Ao Mundial, ao desporto-rei, ao jogo das multidões: Futebol. Foi uma boa invenção, diga-se. Não sei se tanto valerá a pena, quer dizer, se para todos valerá quanto se manobra, quantos cordelinhos se mexe e se puxa, se todos na realidade tirarão proveito deste desporto mais estimado e ambicioso do planeta Terra, mas a verdade é que tudo se movimenta, se coordena, se idolatra e talvez seja o único ofício em que haja santos capazes de fazerem milagres em casa: Pelo número de golos metidos, pela carinha laroca, pelo corpinho bem feito, preparado e musculado, uma figura de capa de revista que venda muitas edições de conquistar miúdos e graúdos de ambos os sexos. É impressionante como um desporto tão comum consegue alienar o maior leque de gente de todo o Mundo, que por si só já tem o formato de bola... Deve ser por isso que alguns vão dando pontapés a esmo, em tudo de bom porque é formado este planeta e fazem tudo para o estragar. E depois, com cara de estúpidos pedem desculpa da forma mais corrente e sem o menor sentido de responsabilidade pelos danos desastrosos contra a humanidade. Para descontrair e fazer esquecer coisas como estas, mais a crise do emprego, a fome, o crime de toda a espécie, é que foi inventada a alienação e é sempre nos momentos mais difíceis dos países que surgem os grandes campeonatos. É o outro lado da política. Oxalá os grandes problemas se resolvessem com um xuto na bola, e então sim, haveria mais alegria para celebrar a paz, pão, fraternidade. Quem sabe precisamos de um Mourinho, ou a tal Mourinha de Guerra...de quem nos fala Onésimo, na passada edição desta Tribuna.

V

alham-nos por aqui alguns momentos que vamos tendo na música, como o concerto que aconteceu na Igreja das Cinco Chagas, um dos momentos altos das celebrações do 10 de Junho, no qual composições de alguns autores portugueses foram interpretações felizes no violino de Carlos Damas e da Orquestra de Câmara da cidade de São José, sob a batuta da maestrina Emily Ray. Outro género musical e acompanhado de teatro, estará na California este mês de Julho e esperemos que com maior espectativa e afluência. Trata-se do grupo de Teatro dos Amigos da Terceira, conduzido pelo talentoso Victor Santos, que mais uma vez nos vem brindar com a arte de Talma de uma forma bem disposta para ficar na memória. Victor Santos autor de lindos poemas e músicas dedicados aos Açores e sobretudo à Ilha Terceira que o viu nascer, depois do primeiro cd de teor popular-regional, fez uma viagem às suas origens que registou em dvd ao qual deu o nome de Saudade e que naturalmente trará consigo nas próximas actuações entre nós a partir do dia 13, com votos sinceros de muito sucesso.

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Reflexos do Dia–a–Dia

Diniz Borges d.borges@comcast.net

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á meses e há meses. Há visitas e há visitas. Há proclamações e há proclamações. Há diplomatas e há diplomatas. Há acontecimentos e há acontecimentos. Há mudanças e há mudanças. O dia dez de Junho é, como se sabe, o dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. É celebrado em algumas das nossas comunidades portuguesas da Califórnia (e dos Estados Unidos da América) e é esquecido e ignorado em outras. Há comunidades que vão para a rua, que se manifestam perante o mundo americano e há outras que o celebram dentro dos seus espaços, muito reservados para si próprios, para que ninguém saiba que temos um dia de Portugal, que celebrámos um poeta e que também nos gostamos de afirmar culturalmente perante o multiculturalismo americano. Há ainda quem o utilize para por as criancinhas a citarem versos de Camões, sem saberem, obviamente, o que estão citando. Aliás muitas ficam a partir desse caricatos recitais com uma, compreensível, camõesfobia. Bem hajam aos que vão para a rua e aos que não vão: é tempo que o façam. Aqui na Califórnia, e graças à visita do Senhor Embaixador de Portugal em Washington, numa viagem bem coordenada pelo actual Cônsul Geral de Portugal em San Francisco, temos a partir de agora todas as condições para que o Dia de Portugal, e o mês de Junho em particular, tenha um lugar de destaque nas nossas comunidades. Não me refiro no nosso gueto comunitário, mas no seio do mundo norte-americano. Aliás, a verdade seja dita e justiça seja feita: o dia de Portugal em San Jose, no Kelly Park, já é para aquela zona um dia fora do tradi-

cional gueto. Os meus sinceros parabéns e que as outras comunidades o saibam repetir. E porque é que temos todas as condições para o fazer a partir de agora? É que os esforços deste actual Cônsul Geral e a visita do Senhor Embaixador ao Capitólio em Sacramento deram-nos (a todos nas nossas comunidades) uma resolução oficial que decreta a nível estadual o mês de Junho como o Portuguese Heritage Month--O Mês da Herança Portuguesa. Agora não temos desculpas. As entidades diplomáticas portuguesas fizeram o seu trabalho. Nós comunidades temos, de hoje em diante, toda a responsabilidade para que esta resolução seja colocada em cada uma das nossas associações. Cada comunidade, trabalhando em união, e em comunhão com as entidades das nossas cidades e vilas, tem a obrigação de celebrar, condignamente, o dez de Junho. Mais, temos a obrigação de fazer o mês de Junho o verdadeiro mês da Herança Portuguesa. Há que irmos para a rua! Há que organizar-se exposições, sessões de poesia, literatura, cinema, concertos de música (música de qualidade, por favor--é que nem só de música pimba vive uma comunidade), tardes e noites culturais. Tudo isto, para que tenha o efeito pragmático que a resolução conseguida pelo Senhor Embaixador e o Senhor Cônsul-Geral na sua visita de trabalho a Sacramento, tenha a visibilidade que merece. Tudo o que porventura fizermos terá que, forçosamente, ser consumado no seio do mundo americano. Basta de festas de sacristia! Basta de festas isoladas num ambiente que é tão nosso que mais ninguém poderá ou quererá entrar. As comunidades que o souberem fazer, e quero acreditar que a maioria saberá,

Memorandum João-Luís de Medeiros

1 de Julho de 2010

Este foi o Junho do nosso

CONTENTAMENTO serão as comunidades do futuro. As organizações que o souberem fazer, e acredito que muitas o saberão, serão as organizações do futuro.

o que somos (em algumas comunidades até nos viu no seu estado mais puro) e manter contactos, extremamente importantes, com as entidades estaduais e locais.

á visitas e há visitas. A recente visita do Senhor Embaixador de Portugal em Washington, Dr. João de Varella, ao estado da Califórnia, acompanhado pelo Conselheiro Social da nossa embaixada, o meu amigo Dr. José Antonio Galaz (que ao longo dos anos tem trabalhado para que haja uma ponte entre a embaixada e a comunidade) foi uma visita marcante. Primeiro e sobretudo pela proclamação que acima referia, segundo porque foi uma visita que deu ao mais alto representante da Republica Portuguesa num das capitais mais importantes do mundo, uma visão holística das nossas comunidades. Mais, esta visita trouxe, o que andámos há anos a dizer ser absolutamente necessário: a conjugação do jantar efémero com o diálogo comunitário. Há que coligar os a convivência com as nossas associações e a imperativa ligação com o mundo norte-americano: o mundo empresarial, tecnológico, educacional, artístico, político e intelectual. Há que amalgamar os espaços de convívio com os momentos de permutação de ideias e discussão de projectos. Tudo isto teve espaço nesta visita. Uma das primeiras, em muitos anos, que teve resultados concretos. Uma das poucas em que aqui e ali, através do seu périplo pelo estado da Califórnia pôde ver alguns dos nossos sucessos, ouvir alguns dos nossos dilemas, conhecer quem somos e

Há diplomatas e há diplomatas. O Senhor Embaixador de Portugal em Washington é um verdadeiro diplomata. Portugal está de Parabéns! As Comunidades de origem portuguesa nos EUA têm tido sorte. Todos os embaixadores que tenho conhecido, nos últimos anos, têm tido alguma abertura para com as nossas comunidades. Porém, o actual embaixador, Dr. João de Varella, tem demonstrado um enorme interesse pelas vivências das nossas comunidades e uma preocupação pelo desenvolvimento e pela evolução das mesmas. O seu discurso na cidade de Tulare, perante meia dúzia de associações, foi pragmático e realista. Não pintou um Portugal idílico, mas também não falou de um Portugal miserabilista, que por vezes as comunidades ainda recordam. E das comunidades, falou dos nossos triunfos, sem qualquer paternalismo e incentivou-nos a sermos ainda, melhores comunidades. E tirou tempo para conversar com as pessoas. E a Califórnia, depois de um período sombrio e depressivo, que deverá fazer parte de um passado que jamais se repita, volta a ter, na pessoa deste Cônsul-Geral, Dr. António Costa Moura, alguém que se preocupa e que trabalha com as comunidades. Aliás, trabalho com entidades diplomáticas portuguesas, como activista comunitário, particularmente em questões de preservação e divulgação da língua e cultura portuguesas há mais de 20 anos, e o actual representante da Republica Portuguesa em San Francisco, é, indubitavelmente,

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um homem com um carácter extraordinário. Em poucos meses tem feito imenso. Tem estado com a comunidade nos momentos e nas ocasiões de pompa e circunstância, mas também tem estado com a comunidade em momentos de trabalho, e de conhecimento mútuo, a conversar com todos, desde o mais intelectual ao mais humilde. Tem acarinhado e apoiado projectos já existentes e está aberto a receber propostas de trabalho para novos projectos, absolutamente necessários para a metamorfose que as nossas comunidades atravessam. Está consciente que está na Califórnia num momento histórico na vida das nossas comunidades e está aberto a trabalhar com as comunidades, e com o mundo político californiano, para que não percamos este momento único nas nossas vivências, como grupo étnico no mosaico humano que é este colossal estado. Estou confiante que a sua energia e o seu entusiasmo serão contagiantes e que as nossas organizações mais activas saberão trabalhar com ele. A mudança em muitas das nossas associações é absolutamente necessária. Algumas vivem grandes dilemas e precisam, urgentemente, duma modificação, porém essa transformação nunca poderá ser feita com quem foi parte do dilema. Mas digresso. Termino esta minha reflexão sobre o que acho ter sido o Junho do nosso contentamento, felicitando as nossas actuais entidades diplomáticas e as comunidades que ficam a partir de agora com mais "armas" para procederem o caminho em direcção às novas comunidades que tanto aspiramos e necessitamos, às comunidades do século XXI.

José Saramago

jlmedeiros@aol.com 1. Um escritor “Levantado do Chão” até às culminâncias do Nobel Até hoje desconheço o sabor dum prémio sorteado na lotaria da existência. Mas atrevo-me a imaginar o grau de contentamento interior de quem porventura se sinta aspergido pela irrecusável “responsabilidade” como autor de obra digna do acolhimento generalizado da comunidade artística ou científica do seu tempo. Entrementes, seja-me permitida uma singela confidência: até meados da década de 80 do século passado, andei emocionalmente “alistado” na turma dos que sonhavam com a eventual atribuição do Nobel ao “nosso” Miguel Torga; (para nós, leigos, Torga era a referência anteriana mais credível do século XX, apesar do pudor altivo da sua clausura regionalista...). Adentro do panorama literário gerado sob o pálio imberbe da revolução portuguesa (1974), recordo que a obra de José Saramago depressa conquistou um espaço

de curiosidade inconfundível; ou seja, em pouco mais de uma década, a escrita saramaguiana ganhou fôlego próprio para se impor ao mercado ciumentíssimo da literatice portuguesa, mercê da agilidade linguística da sua Escrita. Como escritor aparentemente (pre)ocupado no estudo, na busca e na repartição do pão-nosso da Escrita, Saramago (provavelmente) não teve o tempo (nem dinheiro para o comprar) para bocejar nas tertúlias universitárias; assim, cada livro que publicava era o testemunho fiel do itinerário do seu génio (re)criador. Resultado: o prémio Nobel veio ao seu encontro, para provar que a morte chegou atrasada para derrubar um dos mais valorosos pilares da literatura mundial da segunda metade do século XX. Enfim, como ele deixou escrito: “quando se chega à morte vemos a vida de outra maneira...”.

2 - Conversa breve sobre a obra de Saramago Mesmo antes de lhe ter sido atribuído o Nobel, Saramago já era o escritor português mais conhecido, depois de Fernando Pessoa. De facto, algumas das suas obras, designadamente, “Memorial do Convento”, “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, “A Jangada de Pedra”, “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” haviam sido editadas pela Harcourt Brace. Ora num mercado como o dos E.U.A., onde as edições de obras estrangeiras não ultrapassam 2% da totalidade do panorama editorial, o nome e a obra de Saramago já eram uma referência obrigatória, sobretudo rentável... Falo por mim: ler Saramago não é passa-tempo literário, porque cada livro e como um convite à aventura de ser gente. Em “Memorial do Convento’, por exemplo, a escolha auditiva da fraseologia, a turbulência descritiva, os novelos semânticos da meada do falario dos personagens sugerem indicações de que o narrador é o

todo-poderoso, embora se tenha a impressão de que o autor “manda” no narrador. Entrementes, na “Jangada de Pedra”, o velho tema da defesa do Iberismo vem como que sarar as “fendas” históricas do fatalismo lusitano (conviria não ficar indiferente às sugestões IberoAfricana e/ou Ibero-Americana patentes nesta obra ímpar). Mais: Saramago convida-nos à redescoberta da “maternidade maritima” de um povo que anda a reescrever a sua história “no oceano de páginas nunca dantes navegadas”: uma espécie de Lusíadas popular que fala de um povo a navegar sem destino, numa jangada de pedra, sem o bálsamo teológico da predestinação de antanho... Por outro lado, “Levantado do Chão” é um romance que vai para além do neo-realismo de Redol. O livro é uma cruzada social liderada por quem conhece a diferença entre fechar os olhos e ser cego – cego para a luz que se acende, porque a verdadeira crise seria tudo continuar como está o inferno do inferno!

Saramago foi um lutador irrequieto contra o “presente vegetativo” da cultura portuguesa; insurgiuse contra a romaria do pseudointelectualismo de pacotilha que se rebola no desfile carnavalesco do disparate literário... Nos seus romances - diria a terminar - há um tempo de escrita e um tempo de leitura: o tempo “interno” do texto da responsabilidade do autor, e o tempo “externo” da responsabilidade do leitor. Saramago, apresenta-se como arquitecto-escultor da palavra escrita. É ele mesmo que o diz: “... as palavras queimam. As palavras acariciam. As palavras são dadas, trocadas, oferecidas, vendidas e inventadas. Algumas palavras sugam-nos, não nos largam: são como as carraças - o trigo e o joio. Mas só o trigo dá pão.” ... vamos admitir que a morte faz parte da vida. A sua obra será sempre uma mensagem remoçada pelo tempo que não tem idade...


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Temas de Agropecuária

Egídio Almeida egidioisilda@charter.net Algumas das realidades sobre as emissões do efeito de estufa na agricultura animal

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queles que estão produzindo leite e carne têm recebido um tratamento censurável, que não merecem. Particularmente prejudicial foi o relatório das Nações Unidas intitulado ”Livestock’s Long Shadow.” Ele indica que o sector animal é responsável por 18% das emissões de gás do efeito de estufa, isto é, uma fatia maior que os transportes, claramente o maior problema mundial. Interessantemente esta conclusão aparece apenas no sumário executivo do relatório e não está documentado em nenhuma outra parte, de acordo com Frank Mitloehner, especialista da

qualidade do ar no “Department of Animal Science” na Universidade da California-Davis. De acordo com este cientista, o estudo das Nações Unidas atribuíu todas as concebíveis emissões relacionadas à produção animal, incluindo esses envolvidos na produção de cereais e forragens para a alimentacao animal, e a distribuição dos géneros alimentícios até à mesa do consumidor. A comunidade científica colocou as emissões de gás de estufa relacionadas com a produção de leite e carne, de reses e porcos, a 3% do total, muito aquém dos inducomentados números de 18% das Nações Unidas. Desafortunadamente esta mensagem errada enviada pelas Nações Unidas, teve enormes consequên-

O que é que causa ...? cias. Associações de companhias de aviação emitiram anúncios de páginas inteiras, sugerindo às populações que culpassem as vacas e não a aviação pelo problema de “global warming”. Tem havido inumeros editoriais, e cartoons de todas as partes do mundo, que fizeram da agricultura animal e desses que nela trabalham, o centro de piadas de mau gosto. Mas a parte pior, é que o publico consumidor, legisladores e governantes, aqui e lá fora, estão debaixo da falsa impressão de que o consumo do leite, carne e outros produtos, estão contribuindo grandemente para as excessivas emissões de gás do efeito de estufa. Durante a conferência das Nacões Unidas sobre “Climate Change” em Copenhagen, o “chairman” uniu forças com Paul McCartney para lançar a campanha ”Less Meat=Less Heat”

CAVALHEIRO

Aqui, nós temos testemunhado “Meatless Mondays” campanhas inflamadas por considerações ambientalistas, mas sem nenhuma base científica. Afortunadamente devido à inovação do centro para “US Dairy”, está-se procedendo a um estudo em larga escala nas operações da agropecuária, que providenciará documentação científica das emissões relacionadas com todas as práticas. Um memorando de compreensão entre USDA e Dairy Management Inc, deve providenciar à industria os meios necessários para reduzir ainda mais os efeitos ambientais por cada libra de leite ou carne produzidos. Um outro estudo conduzido recentemente no vale de San Joaquin da California, está indicando que a verdadeira causa dos altos níveis de “Ozone” neste vale podem ter diferente origem, daquela que por muitos anos tem sido anunciada. Os cientistas têm focado a sua atenção no estrume

dos animais, particularmente vacas produtoras de leite. Agora os mesmos cientistas acreditam que é muito mais o que vai para dentro, de que o que sai para fora, e talvez milhares de toneladas de alimentos para os animais fermentando, tais como silagens, podem ser a causa. Ao que parece temos estado a gastar tempo e dinheiro com a saída, quando o problema afinal é na entrada. E esta?... Qual será a próxima? “Junho is the Dairy month” Como tal, achamos oportuno homenagear a completa refeição que é, leite e produtos do mesmo, que providenciam um excelente e económico valor nutritivo para as familias, como fonte de calcio, vitamina D, potássio, proteína e vitamina A. Famílias podem usar leite, “yogurt e string cheese” para providenciar económicamente gostosas merendas ou completas refeições nutritivas para crianças e adultos.

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COMUNIDADE

Padre Manuel de Sousa

Imagens da Missa da Festa dos 30 anos do Padre Manuel Fontes Sousa, na bonita Igreja de Nossa Senhora da Assunção em Turlock, com a presença do Bispo de Stockton Stephen E. Blaire, do Coro Português de Nossa Senhora da Assunção, Conjunto Musical da Missa dos Jovens e Grupo Coral da Missa das 9:30 am. Foi uma missa muito concorrida pela amizade que as pessoas têm pelo Padre Manuel Sousa.

1 de Julho de 2010

30 anos de Sacerdócio


COMUNIDADE

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Antonio Borba, mestre de cerimónias

Stephen Blaire, Bispo de Stockton

Maria F. Carvalho, irmã mais velha do Padre Manuel

José Borba, irmão do homenageado

João Sousa, irmão do Padre Manuel e futuro Diácono

José Nelso de Sousa, lembrou a papelada que teve que preencher para a vinda do Padre Manuel para a America.

Ron Moniz, amigo do Padre Manuel

Kevin Joyce, do mesmo curso do Padre Manuel

Nasceu na Fajã dos Vimes, Ilha de São Jorge, filho de Antonio Jorge e Deolinda Fontes de Sousa. Em Setembro de 1963 entrou no Seminário Padre Damião, na Praia da Vitoria. Em 1 de Janeiro de 1968 emigrou para os Estados Unidos. Estudou no Liceu de Ceres e depois no Colegio de Modesto. Em 1972 entrou para o Seminário do Colégio de Saint Patrick. Em 1975 licenciou-se em Ciências Psicológicas no seminário atrás referido. Em 1975 entrou para o Seminário de St. Patrick em Menlo Park para estudar Teologia. Em Junho de 1980 foi ordenado Sacerdote na Catedral da Anunciação em Stockton e nomeado para a Igreja de Saint Bernard em Tracy. A 15 de Junho de 1980 celebrou a sua primeira missa em Tracy. Em Janeiro de 1987 foi nomeado para a Paróquia de Nossa Senhora da Assunção em Turlock. Em Junho de 2001 foi condecorado com a Ordem do Infante D. Henrique, no grau de comendador.

Ofertas e mais ofertas ao Padre Manuel de Sousa João Silveira e Allen Canhill, dos Knights of Columbus de Nossa Senhora da Assunção ofereceram um kit de missa e Manuel Nunes e David deram-lhe duas espadas em nome do "Monsenhor Alvernaz 4º Degree Knights of Columbus"


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Dia de Portugal

1 de Julho de 2010

Onde estava o Camões neste belo dia de festa?

Extraordinária exposição sobre as nossas Bandas de Musica no Museu Português do Kelley Park. Obrigatória visita...

A tenda da POSSO é sempre a número UM

A representação da Luso-American Life Insurance: Joseph Resendes, Frank Trovão e Mary Jo Rodrigues

Uma excelente ideia do IES em particpar com uma tenda para angariação de fundos. Muito bem.

Este dia será chamado no futuro, Dia de Portugal, de Camões, das Comunidades e dos Avós. Mário Sousa e os seus netos são o exemplo Direita: Assim se veste PORTUGAL Embaixo: Uma representação de peso da Portuguese Heritage Publications of California - Isidro Espínola, Henrique Dinis, Lionel Goularte


De Camões

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Al Dutra e António Costa Moura falaram da importância deste dia

Linda, não é? Estava na festa do Dia de Portugal em Sausalito, feliz e contente...

O Tribuna oferece um rebuçado a quem explicar cabalmente o protocolo desta parada no Kelley Park. Será um bom exercício mental...

A participação da juventudo neste dia de reunião de uma comunidade é e será sempre muito importante. É bom comecar a aprender de pequenino as raízes dos nossos pais e avós

As imagens falam por si. Foi um dia muito bem passado no Kelley Park, este ano com mais barraquinhas de comida e tendas de organizações. Actuaram diversos grupos folclóricos, houve concertos pelas bandas participantes, diversos artistas da comunidade deram voz às nossas canções, pintores mostraram as suas obras. Pena que este jornal não possa mostrar toda a beleza deste dia, bem organizado por uma Comissão que sabe o que faz, e o que quer. Parabéns a toda a comunidade. Para o ano ainda será melhor.


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E DAS COMUNIDADES

1 de Julho de 2010

Dia de Portugal em Sausalito

Grupo Folclórico à Portuguesa Fotos abaixo: Elliot Savio e José Rodrigues, da Portuguese Heritage Publications of California Rui Jacinto, Lorraine e Joe Barcelos, da firma Barcelo's Linguiça David e Julia Borba, Hélio Beirão Paavo Allen, Michael Raposo, Maria Eduarda, Leontina Terra fritando malassadas

António Costa Moura, Cônsul-Geral de Portugal, Margarida e João de Vallera, Embaixador de Portugal em Washington. DC; Jonathan Leone, Mayor de Sausalito, José Raposo, Herb Winer, Vereador de Sausalito, José António Galaz, Conselheiro da Embaixada de Portugal

Margarida Silva, Jose Raposo e Denise

Em cima: Robert Morey, da Adega Morey. Um super Cabernet Sauvignon de 2005 Embaixo: Chefe Manuel Azevedo, do LaSalette Restaurant e Luis Moya, representante de vinhos portugueses


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Visita do Embaixador de Portugal João de Vallera, Embaixador de Portugal em Washington, DC, visitou a California durante uma semana. No Sábado, dia 5 de Junho teve um encontro com gestores de empresas portugueses no Silicon Valley. À tarde passou por Sausalito, onde se comemorava pela segunda vez o Dia de Portugal. À noite, e como já noticiámos na nossa última edição, o Embaixador de Portugal esteve presente no Jantar da Luso-American Education Foundation em San José. No dia seguinte passou o dia em visita oficial ao Capitólio, em Sacramento, tendo sido recebido por vários legisladores americanos. Na Terça-feira visitou a A. V. Thomas Produce, em Livingston, seguido de uma visita a uma indústria de lactícions em Porterville, tendo à noite sido recebido pela comunidade de Tulare. Viajou até San Diego, onde na Quinta-feira se comemorou, com a presença da Sagres, o Dia de Portugal, de Camões e das Co-

munidades. Diga-se em abono da verdade que esta visita foi muito importante, quer para o Embaixador de Portugal, quer para a nossa comunidade, porque neste espaço de tempo, estas duas entidades que muitas vezes estão de costas voltadas, entenderam-se às mil maravilhas, tal é o conceito de urbanidade e de compreensão demonstrado por João de Vallera. Teria sido uma pena se o Embaixador se fosse embora para outro destino, sem nunca ter vindo àquela que é considerado a sexta potência económica do mundo, além de perder a oportunidade de verificar in loco o valor e o trabalho das nossas gentes. João de Vallera fez-se acompanhar de sua esposa Margarida e de José António Galaz, Conselheiro da Embaixada. De referir o excelente trabalho feito pelo Cônsul-Geral de Portugal Antonio Costa Moura e todo o seu staff.

Primeira fila: António Costa Moura, Cônsul Geral de Portugal em São Francisco, James Strong, Provost and Vice President for Academic Affairs, João de Vallera, Embaixador de Portugal em Washington, Carolyn Stefanco, Founding Dean of the College of Humanities and Social Sciences, Elmano Costa, Director do Centro de Estudos Portugueses, António Borba, Director do Projecto de Cidadania, Brice Dias, Presidente of the Board of Directors of the Studente UnionEuclides Álvares, comunicação social. 2ª fila: José Galaz, Conselheiro da Embaixada, Ana Cristina Sousa, Coordenadora do Ensino Português na Califórnia e outros Estados Ocidentais, Margarida de Vallera, James Tuedio, Chair of the Department of Philosophy and Modern Languages (foto de antónio valdemar)

Visita à Igreja de Nossa Senhora da Assunção em Turlock. 1ªfila: Euclides Alvares, Antonio e Maria Salvador, Teresa Pierce, António Costa Moura, João de Vallera, Manuel de Sousa, Margarida de Vallera. 2ª fila: Joe Pierce, Ana Cristina Sousa, Lucia e Conceição Machado, Elmano Costa, José Galaz e Jesuíno Reis (foto de antónio valdemar)

Visita à empresa A.V.Thomas Produce, de Manuel Eduardo Vieira. Carlos Vieira com Antonio Costa Moura e João de Vallera e foto do grupo à direita (fotos de avthomas)

Comemoração do Dia de Portugal no Navio Sagres em San Diego (fotos de osvaldo palhinha)


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COMUNIDADE

1 de Julho de 2010

SPRSI - a Tribute to Our Past We must give our children a visible path to follow because change is

inevitable if our Societies are to survive. Within each Portuguese society there is a history based on its founders, such as it is with the S.P.R.S.I. The most precious assets are the love and pride of the members for the many personalities and histories of our society. Thomas McCauley expressed what many of us feel for our festas and societies in our changing world: As pessoas que não sentem orgulho do espírito grandioso dos seus antepassados nunca serão alguém na vida digno de ser lembrado com orgulho pelos seus descendentes People who take no pride in the Noble achievements of remote ancestors Will never achieve anything worthy To be remembered with pride By remote descendents Many of us are tied to our societies born of the pride that our first immigrants created to care for their own. On March 18, 1898, thirty Portuguese women organized an Altar Society at St. Joseph’s Catholic Church in Oakland, California. On which Sociedade Portuguesa Rainha Saint Isabel’s first council was formed. From 1900-2007 we grew to 158 councils and their charity funds contributed to many causes. In 1952 a scholarship fund was established to award outstanding students. In 1977 Past Grand President Deolinda Pimentel Soares and Board had an idea. We had a great gentleman who was our actuary, Joseph T. Flynn. He worked with our Board and all our membership to establish a fund that would provide monies to build a retirement home for the elderly members. Our fraternal world has changed; our societies had a choice to make. Our S. P. R. S. I. chose to keep and to carry out the act that is symbolic of our first foundation stone which is charity, thus….our home fund. On Feb. 24, 2007, with the help of a great fraternalist, Lucia Noia, we gathered the Board and our Committee together in Los Banos and made the decision to give our S. P. R. S. I. ‘s Home Fund to New Bethany a Care Center established by Catholic Sisters. The Dean of our Past Grand Presidents, Alvera Borges along with the Past Grand President Deolinda Pimentel Soares both now deceased, presented our S.P.R.S.I. Home Fund monies to the Executive Director, Sister Julia de Fonseca. It was a completed dream and made real by the generous giving from the S.P.R.S. I. membership, councils, their families and friends. God give all who are in our fraternal world The ability to accept change To go forward To remember our past To follow in the footsteps of our founders and to unite to build a strong Portuguese Fraternal World of California

padroeira a Rainha Santa Isabel de Portugal, símbolo de caridade e compaixão para com os pobres e menos afortunados. Dois anos passaram, e em 1900, formaram o primeiro concelho "Council Santa Isabel No. 1" tornando assim o grupo autónomo, separado da sociedade do Altar. A Sociedade Portuguesa Rainha Santa Isabel (SPRSI) cresceu. Durante um século sobre a égide da sociedade nasceram 158 concelhos que se espalharam pela Califórnia, de Norte a Sul, de Leste a Oeste. A história da Sociedade Rainha Santa Isabel é sem dúvida o maior monumen-

Joseph T. Flynn

ALL THE PAST GRAND PRESIDENTS OF THE S.P.R.S.I. WITH SISTER JULIA AT "NEW BETHANY"

SEATED ( LEFT TO RIGHT) : Deolinda Pimentel, Mary Moberg, Mary Ann Worden, STANDING ( LEFT TO RIGHT): Theresa G. Murphy, Elaine Rodrigues, Kathy Evangelho, Nancy Woods, Maria Simoes, Joan Peros, Theresa Forbes, Pat Languemi, Marie George, Sister Julia

Left/right: Joan Peros (Past Grand President), Elise Middlestead (Director), Theresa G. Murphy (Past Grand President), Rosa Maria, Marie George (Director & Past Presidente), Lucia Noia, Merlanne Doran, Sister Julia, Caroline Silva (Dir. & Past President)

to erguido na diáspora pela mulher Portuguesa. O seu "Motto" escolhido pelas fundadoras "Sociabilidade, Protecção e Caridade" é o símbolo que melhor personifica aquilo que nós somos, éramos e fomos. Será o guião que guiará as geraçoĕs vindouras. Não foi por acidente que este grupo de mulheres se juntou para formar o que foi, e o que é hoje a S.P.R.S.I. O seu dinamismo, que sempre admirei, está empregnado no espírito dos valores que lhes foram incutidos na alma pelos seus pais e avós, uma gente, que sempre buscou o além-mar para

um futuro, povo sofrido materialmente, mas povo enriquecido pela coragem, pela luta de viver e pelo amor aos menos favorecidos. Um vivo exemplo foi a recente dádiva monetária da S.P.R.S.I. à casa de saúde "New Bethany Residential Care & Skilled Nursing Community", em Los Banos, entregue por Deolinda Pimentel e Alvera Borges à Sister Júlia. Um grupo de sete irmãs da S.P.R.S.I. visitou "New Bethany" para confirmar a transacção e o dia de entrega do donativo, que foi amealhado, pelos membros da so-

Thank you to all who helped to write the history of our Sociedade Portuguesa Rainha Santa Isabel THERESA G. MURPHY Past Grand President

Um Tributo Há mais de um século, precisamente a 15 de Março de 1898, um grupo de 30 mulheres portuguesas reuniu-se para formar a sociedade do Altar, na igreja de São José, em Oakland. Escolheram como

ciedade, com a finalidade de construir um lar para membros idosos e famílias. A assinalar este evento foi colocado uma placa no frontespício da "New Bethany". Ali fica a voz inolvidável, o tributo, a homenagem prestada a toda a mulher que através de um século seguiu o mandato do seu "Motto" "Sociabilidade, Protecção, Caridade" . Bem Haja! Bem Haja! Entre condecorações e comendas á S.P.R.S.I. pelo governo Americano e Português, por actos filantrópicos e de patriotismo durante duas guerras mundiais, é de destacar, pelo menos para mim, a visita aos Portugueses da Califórnia de Sua Eminência Dom Manuel Gonçalves Cerejeira, Patriárca de Lisboa em 1936, expressamente a convite da S.P.R.S.I. para presidir às comemorações do Sexto Centenário da Morte da Rainha Santa Isabel de Portugal, Padroeira da S.P.R.S.I. Grupos representando todas as sociedades fraternais e organizações civícas assistiram no auditório de Oakland á missa pontifical celebrada por sua Eminência com a assistência dos bispos de San Francisco, Oakland e Salt Lake City. Estima-se que assistiram á missa 20,000 pessoas dentro do auditório e fora 50,000 ouviram a missa através de altifalantes. Cheguei á California no princípio da década dos 60's. Logo á minha chegada "as senhoras das sociedades", como se dizia, começaram a bater á porta para me "meterem" nas sociedades " S.P.R.S.I. e U.P.P.E.C." Nos círculos fraternais dizia-se "a maior honra para uma mulher é chegar a ser Presidente Suprema (agora Grande Presidente) de uma sociedade". A minha primeira convenção foi a da S.P.R.S.I. Parece que foi em Oakland. Para mim, em termos de geografia física tudo era muito distante. Mas resolvi ir. Na convenção houve um debate quanto á língua Portuguesa. Não me atrevi a participar receando infringir o protocolo e, nas regras parlamentares que eram rigorosamente seguidas. Escolhi ficar pregada á cadeira, mas não deixei de observar com admiração e certo orgulho essas mulheres, de sangue Português, debater fervorosamente ideias sem arredar pé das suas convicções....sabiam debater e no fim do dia sabiam confraternizar. Não havia dissonâncias cognitivas ou afectivas. Sabiam a sua missão. Respeitavam as diferenças a menos que essas fossem contrárias aos valores fundamentais da Sociedade Rainha Santa Isabel. Os anos passaram e a S.P.R.S.I. não se isolou das metamorfoses dos tempos, e, como o resto da sociedade em que vivemos e que ajudámos a criar onde tudo mudou e se transformou, por assim dizer, a sociedade Rainha Santa Isabel, por imperativos económicos, aliou-se á sociedade Luso num matrimónio com acordos amigáveis prénupciais. Sejam elas unidas "para que dentro do seu TODO cada uma possa disfrutar da sua própria individualidade e manter e preservar os ideais e valores dos seus antepassados"

Alvera Borges & Deolinda Pimentel presented future "Guest Home" check to Sister Julia

LÚCIA E. NÓIA


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Não perca a nossa próxima edição: Festa do IES Conferencia Internacional sobre o Espirito Santo Festa de IDES Hayward Sanjoaninas 2010 Semana Cultural de São Jorge

e muito mais...

1 de Julho de 2010

Nascimento Natalie Rose Silveira was born on March 8, 2010 in Modesto, CA. She is the daughter of Manuel & Nelia Silveira III of Hilmar. She was welcomed home by her brother Xavier. Maternal grandparents are Rosa Agueda of Winton, CA and the late Moises Agueda. Paternal grandparents are Lucy Silveira of Hilmar, CA and the late Manuel D. Silveira Jr. Tribuna Portuguesa sauda os pais e avás da Natalie, e que ela no futura aprenda Português lendo o Tribuna.

Cães de Fila para Venda P'ra uma casa guardar, não há nada como um cão só precisa ele ladrar para fugir o ladrão. Para mais informações contactar António Carvalho

559-351-2181


TAUROMAQUIA

Pela Primeira Vez Nesta Praça

Jim Verner

jim-verner@earthlink.net

Expectations of a Great Corrida get stuck in The Sand The corrida that ended the Festa do Espirito Santo celebrations in Stevinson on May 31st looked excellent on paper: toiros from two ganadarias that have impressive bulls to be fought by an experienced Portuguese cavaleiro and an accomplished matador from Mexico with the participation of a group of forcados known for their valor and skill. And, although it was an entertaining night of toiros, with toreiros and forcados taking voltas and hearing applause, the corrida fell short of expectations. Why? I lay the reason to one principal cause – the sand in the Stevinson bullring has become too soft, causing bulls to lose their footing and to develop querencias that shorten their charges. Pico dos Padres, of Manuel Sou-

sa, and Açoriana, each sent three good looking bulls that charged with varying degrees of aggressiveness and nobility. If the praca floor were firmer, I believe all the animals would have been better, allowing the toreiros and forcados to take full advantage of their qualities. As the corrida continued, the sand became softer, and even though it was smoothed with a tractor, it was still soft and fluffy. The people responsible for the bullring should see how they can firm up the sand. Alberto Conde waited in the center of the ring when his first bull, from Pico dos Padres, entered and he placed an excellent ferro. The bull continued to charge as Conde placed the rest of the ferros and ferros compridos, but the animal held back as it preferred the soft sand in the middle of the ring. Conde’s second bull, also

from Pico dos Padres, was more aggressive and allowed him to place the sticks with greater style, including one al violin. Conde’s third bull, from Açoriana, had to be coaxed out of the soft areas of the ring, making outstanding work impossible. In summary, a respectable performance, especially in light of the conditions. Israel Tellez received his first bull, from Pico dos Padres with smooth veronicas, taking the bull to the center of the ring and finishing with a revolera. A quite of chichuelinas followed. Tellez then placed two pairs of banderillas al cuarteo with good style, but his third attempt, al violin, failed, probably due to the soft footing. The faena began with classical derechazos and naturales, but as the bull’s charge became shorter, Tellez was forced to build the rest of his faena on adornos and desplantes. His second, from Acoreana, began with a short charge and the matador made chicuelinas antiguas. After placing the banderillas, Tellez began dominating the bull with artistic doblones, teaching the bull to charge and bringing out the animals inherent nobility. While

the charges were generally short, the bull followed Tellez’ talented muleta for derechazos and naturals until the matador once again had to resort to adornos and desplantes to round out the faena. The last bull of the evening, also from Açoriana, had an inconsistent charge, and the matador had to work with the bull that was becoming more and more defensive in the soft sand. The forcados from Aposentos de Turlock had a mixed evening. While the soft praça floor may have softened their falls, it made the bulls more difficult. On Michael Meneses first attempt to grab the bull in the center of the ring, got him carried on the horns across the ring almost smashing into the fence. The second bull was difficult, perhaps suffering from imperfect vision. It would start charging at the lead forcado, and then, as it approached him, it would veer off to the side and go for the forcados in the line behind him, hooking and tossing various team members like rag dolls. Four attempts to grab followed, each with the same impossible action of bull, making a grab impossible. The third bull was

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grabbed in good style by Junior Machado. And there should be a special note about the forcados. When Michael Menesess and Alberto Conde were taking the tour of ring after the first bull of the evening, the second man, Michael Fernandes, was also asked to join them. Since this position – the one right behind the lead forcado – is dangerous and important for a successful pega, I wonder why the second man is not asked to join in the voltas more often. It may not be the tradition, but perhaps it is a tradition that should be changed. The same could be said for the forcado who takes the tail. His ability to get the bull spinning so that the other forcados can leave the bull safely is also important. It can also be an impressive action as the man slides in the sand as the bull turns. He has to know a what point the bull can be released, allowing him to saunter off with style as the bull watches. Of course, the coordinated action of the whole team is a part of a successful pega, but these three positions are especially critical. So, after a good pega, I would like to see all three take the volta.


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TAUROMAQUIA

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An the winner is Não haja dúvida,. Este ano as coisas estão viradas para os homens das ramagens. Cada corrida, cada triunfo. And the winner is THE FORCADO.

7 de Junho de 2010 Praça de Stevinson

Festa de Stevinson Cavaleiros - Paulo Ferreira, Sário Cabral e João Pamplona Forcados de Turlock Banda Lira Açoriana Director - José Sózinho Toiros de Joe Souza (2), Manuel Costa (2) e Açoriana(2) Casa super cheia Não sei como é que foi escolhido o curro, mas algo saíu mal. Tem que haver consistência na apresentação do curro ou então cada ganadero trás aquilo que lhe apetece e depois acontece, o que vimos nesta corrida. Manuel Costa trouxe dois bonitos toiros e os outros ganaderos trouxeram garraios. Isto não pode acontecer. E não me venham com a desculpa que havia dois cavaleiros praticantes. Please... Os dois toiros do Manuel da Costa, bonitos e de boa apresentação saíram ao Paulo Ferreira. No primeiro, Paulo Ferreira não esteve nos seus melhores dias. Abriu muito o quarteio para o meu gosto e sinceramente só gostei do quarto ferro curto, com cite e bonito remate. Eu posso estar a ser muito "picky" para o Paulo, mas penso que ele pode e sabe fazer melhor, até porque está montado numa excelente quadra de cavalos, que ele próprio treina com muito ca-

The Forcado

rinho e amor. Não foi uma actuação negativa, foi menos técnica do que eu esperava. O toiro cumpriu bem. No segundo, o toiro era mais complicado e o Paulo só aqueceu nos curtos. Teve um bom segundo e um excelente terceiro ferro curto. Citou sempre bem e rematou com alegria. Quanto mais complicado melhor está o Paulo. Mesmo assim, o toiro cumpriu a sua função. Sário Cabral apanhou o toiro (?) mais alegre da corrida, de Joe Souza. Mesmo sem tamanho para uma corrida desta categoria, portou-se muito bem e esteve por cima do cavaleiro. Sário esteve distante, as tiras saíramlhe largas de mais e houve ferros pescados. Foi pena o Sário não ter compreendido melhor o temple que o toiro lhe oferecia. O segundo toiro de Joe Souza, quase com o mesmo tamanho do outro, não foi tal alegre como o primeiro. Sário teve um bom primeiro comprido, mas o segundo ainda foi melhor, com bom cite e remate. Nos curtos Sário andou aliviado, o que não precisava, devido ao tamanho do toirinho. João Pamplona toureou dois toiros (?) da Açoriana. Uma das características do jovem Pamplona é saber montar bem a cavalo, com elegância, com serenidade, sem pressas. Só isso é meio caminho andado para as pessoas compreenderem quem é que tem à sua frente a tourear. No seu primeiro toiro esteve muito

bem - o segundo e terceiro compridos foram bons, com um pequeno toque no terceiro, mas foi nos curtos quer o jovem deu espectáculo. Bregou muito bem. Os dois primeiros curtos foram muito bons, falhou o terceiro para depois cravar um excelente ferro. O quarto ferro foi regular. O toiro portou-se bem e deu bom jogo ao João. O seu segundo já não era tão claro como o seu irmão e o João teve um princípio menos bom, para nos curtos estar melhor - especialmente no terceiro e quarto ferros. Não foi uma lide tão bonita como a primeira, mas deu para vermos que os Pamplonas são homens de toiros. O João deveria vir mais vezes à California, porque não há campo de treinos melhor do que as nossas corridas. Por favor, não faças como muitos jovens toureiros portugueses, que não toureiam em Portugal e depois pedem fortunas para vir cá. Ainda não aprenderam nada em Portugal. Vamos então à forcadagem: 1º toiro - Jason McDonald, não embarbelou a tempo, antes do derrote do toiro que o cuspiu fora. Na segunda tentativa teve uma boa pega. 2º - Michael Lopes teve uma pega fácil 3º - Boa pega do Donaldo Mota 4º - O toiro dançou em frente ao Tiago Pereira, mas este foi recuando e esteve bem com boa ajuda. 5º. Dominique fez uma pega de comboia. Fácil. 6º - Bela pega, para recordar, do "velhinho" Magina.

Toiro na Praça sem Cavaleiro 14 de Junho de 2010

Praça de Gustine Corrida da Festa de Patterson Cavaleiros - Alberto Conde, Paulo Ferreira e Sário Cabral Forcados Amadores de Turlock e Aposento de Turlock Banda de Tracy Director - José Sózinho Toiros da Ganadaria do Pico dos Padres, da Familia Sousa Praça cheia Curro bonito, muito igual, com peso ideal para as corridas da California. Este seria o dia de alternativa de Sário Cabral, se não tivesse havido alguém na emigração, que não deixou o cavaleiro Victor Ribeiro entrar nos Estados Unidos para tourear. Sário Cabral decidiu e muito bem que não haveria alternativa. Sem padrinho escolhido, melhor esperar por melhores dias. Sário teve no entanto azar, porque se tivesse tirado a alternativa, tinha toureado o melhor toiro da noie, um excelente toiro negro bragado com o número 618. Saíu a sorte ao Alberto Conde, que nesta praça tem tido sempre actuações dignas de registo. Para o Alberto esta corrida serviu às mil maravilhas para contrabalançar as suas actuações nas duas corridas recentes em Stevinson, onde os deuses e os cavalos não estiveram do seu lado. No primeiro toiro, esteve muito bem, com realce para o terceiro comprido e para o segundo e terceiro curtos. Citou, mandou, cravou e rematou. Parecia o Alberto dos bons tempos. O toiro poderia ter sido toureado toda a noite tal a bravura e nobreza que tinha. De mencionar que Alberto Conde bregou muito bem, com calma, ritmo, levando toiro para onde queria. Bela actuação de Alberto Conde.

O toiro da história O segundo toiro e quarto da noite ficará para a história como o toiro que andou a passear entre-barreiras, colheu o pai de um bandarilheiro, que foi levado de helicóptero para o hospital e felizmente não sofreu aquilo que toda a gente pensava. O toiro entrou na praça antes do cavaleiro. Confusões nos toques e nas responsabilidades. Só mesmo na California para vermos uma coisa destas. Nos dois primeiros compridos, sem citar, cravou a geito, mesmo assim Alberto Alberto tem de ter mais cuidado com a colocação dos ferros. Nos curtos, o cavalerio esteve bem no segundo e terceiro. Não foi uma lide tão bem conseguida como a primeira, muito embora o toiro tenha cumprido. Paulo Ferreira apanhou um toiro feio de cabeça, gravito de mais para o meu gosto. Nos compridos, gostei do terceiro, com cite de longe e boa cravação. Paulo saíu em falso algumas vezes, e do lado onde eu estava não me apercebi das razões. Depois, cravou bem no segundo e quarto ferros curtos. O toiro foi inconsistente e possívelmente isso reflectiu-se na maneira de actuar do Paulo. No quinto toiro e depois do Paulo Ferreira ter cravado dois ferros compridos, com realce para o segundo, muito bom, as autoridades mandaram suspender a corrida até que a ambulância regressasse à Praca, depois de ter ido levar o senhor que foi colhido entre-barreiras, até a um lugar onde o helicóptero pudesse pousar. Como não se sabia o tempo que demoraria, foi decidio mandar o toiro para os currais, não havendo mais lide.

Sário Cabral toureou o terceiro da noite, negro, que teve uma bonita saída. Nos compridos esteve muito bem, sentiu-se mais seguro naquilo que fazia. Nos curtos, depois de um primeiro bom, acabou a lide com um muito bom quarto ferro, de poder a poder. O toiro cumpriu bem. O sexto da noite, negro, mal saíu do curro bateu estrondosamente com o peito na barreira. Ou tinha problemas de visão ou vinha encandeado dos currais. Sário não esteve muito bem nos compridos. Nos curtos conseguiu colocar o toiro sempre no melhor lugar, cravou sempre à tira, com realce para o primeiro e quarto ferros. No cômputo das duas lides o Sário teve uma actuação muito positiva. Ele só precisa variar o seu toureio, não pode cravar tiras toda a noite e também precisa entender alguns toiros, para melhor controlar a velocidade que usa para cravar.

Quarto Tércio

José Ávila josebavila@gmail.com Quando lerem este jornal estarei

em São Jorge depois de passsar uns dias na Terceira e ver 3 das quatro corridas das Sanjoaninas. Não levei o meu chapéu com medo dele ficar preso na Alfândega. Poderão pensar que este chapéu pode ser uma autêntica bomba de chapeladas e isso poderia afectar as relações diplomáticas entre a America e Portugal. O chapéu ficou quietinho em Modesto à espera da grande Feira Taurina de Thornton, já que não poderei assistir à boa corrida da Festa de Gustine.

Não vou dizer mais uma vez aquilo que penso, da maneira desordenada, irresponsável de todas as pessoas que estão entre-barreiras na maioria das nossas corridas. O que aconteceu na Corrida de Patterson foi mais um aviso, para que as organizações taurinas façam o que a Festa de Stevinson fez - o mínimo de pessoas entre-barreiras e sómente aqueles que têm direito a lá estar. Estivemos perto do maior desatre de sempre nesta corrida. Por favor, aprendam de uma vez por todas. Eu nem sei onde porei o meu chapéu durante os

próximos meses, quando toda a gente viu um toiro sair do touril e ir directamente para entre-barreiras com a maior facilidade deste mundo, sem sequer o cavaleiro estar na praça. De quem foi a culpa? Eu nem quero saber quem é o culpado, só quero é que se aprenda de uma vez por todas, a tratar esta festa como ela bem merece com profissionalismo, com sabedoria, com responsabilidade. Ser Director de uma corrida é muito mais do que mandar tocar música. E ser Director de Curro é muito mais do que estar a falar com amigos.

Tiro o meu chapéu ao cavaleiro Sario Cabral por não ter aceite tirar a sua alternativa, sem a presença do padrinho escolhido, que não conseguiu entrar nos Estados Unidos. Tudo tem o seu dia. Esperar até faz bem. Tiro o meu chapéu a todos os nossos FORCADOS da California, por serem os maiores heróis desta temporada, com pegas excelentes, corajosas e de muito valor.

Atirei o meu chapéu ao ar e saudei os responsáveis do GPS, quando vi as obras feitas no exterior da Praça de Gustine (cimentaram a área em volta da cozinha e do bar). Aos poucos e poucos o exterior está indo no bom caminho. Só falta agora esperarmos por melhores dias, para pôr abaixo aquela velhinha praça e construir uma nova de raíz, que sirva não só para as nossas corridas, como para alugar a outras etnias, que ajudarão a pagar os custos de tal empreendimento.

Mais uma noite de forcadagem: 1º Toiro - Michael Lopes (Turlock) no seu melhor, técnica, arte, conforto em pegar bem. 2º - Boa pega de Michael Meneses (Aposento de Turlock) com a super ajuda do Michael Fernandes. 3º - Pega espectacular de Manuel Cabral (Turlock). O Toiro sacudiu-o bem e o Manuel quase que fez o pino em cima do toiro, para depois cair nos cornos e aguentar-se até ao fim. 4º - Boa e fácil pega de Darren Mountain (Aposento). 6º - Grande pega do Fernando Machado Junior (Aposento). Uma bela noite para a forcadagem da California, com os toiros do Pico dos Padres a cumprirem bem.

Em cima: Manuel Cabral Embaixo: Fernando Machado Junior


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ARTES & LETRAS

1 de Julho de 2010

TERRA NOVA

de Anthony de Sá:

Quando Dizemos Adeus aos Nossos

Vamberto Freitas Canadian writers have created, instead, in a major traditional theme, the hero in community. Robin Mathews, Canadian Literature Terra Nova é a tradução de Barnacle Love (Doubleday Canada, 2008), o primeiro romance do luso-canadiano Anthony De Sá, lançada em Portugal há poucos meses. Estamos perante uma competentíssima tradução de Maria Eduarda Colares, que quase nos faz esquecer no decorrer da leitura que se trata de uma obra originalmente escrita em inglês. Bem o merece, este romance, que divide em duas partes o seu fundo referencial entre os Açores (Lomba da Maia, São Miguel) e a pátria primeira do autor. Eis aqui o herói, aquele que sai a princípio dos anos 50 de uma pequena

Apenas Duas Palavras

ilha para a imensidão da América do Norte contra a vontade da família, a bordo de um barco chamado Argus da extinta Frota Branca que pescava bacalhau nas águas geladas dos Grandes Bancos, e o anti-herói, anos depois do seu salto clandestino em St. Johns, mais ou menos integrado na sua nova comunidade em Toronto, mas cujos sonhos maiores se desvanecem na corrosão lenta de espírito que a realidade inevitavelmente a todos vai impondo. A linguagem vigorosa e despojada de Anthony De Sá (a linguagem que os minimalistas americanos, como Raymond Carver, desde há muito “impuseram” a muitos das gerações seguintes), esconde nos seus melhores momentos toda a ternura e compaixão com que o narrador de Terra Nova, já nascido no Canadá e a braços com todos os conflitos clássicos da sua geração ante a persistente “marginalidade” dos pais na nova sociedade, vai dissecando os seus próprios sentimentos por entre a perplexidade e tristeza de ver como um homem outrora forte não consegue agora, não poderia conseguir, sobrepor-se à crueldade do pragmatismo vivencial que exige dos seus cidadãos disciplina absoluta na contínua caminhada de um suposto “progresso” material, cada um tendo de aceitar, sem reclamar, o seu lugar ou a sua condição de mera peça mecânica utilitária. Um dos momentos mais melancólicos em Terra Nova é quando o protagonista-imigrante, de nome Manuel António Rebelo, totalmente alcoolizado com vinho caseiro e já “sem sonhos”, insiste em cantar ou ouvir de um velho e gasto gira-discos a alto som o hino canadiano durante um dia inteiro nos anos 70. Na América do Norte é sempre assim, os derrotados aceitam tudo sem qualquer questionamento: os falhanços são sempre nossos, a sociedade de nada tem culpa, nunca. Varre o nosso chão e cala-te, pois vieste de um país que nada te pôde dar. É verdade na maior parte dos casos, mas o coração e a inteligência humana são muito mais complexos e intimamente misteriosos do que essa suposição elementar, quando não de todo ignorante. Sobreviver no Novo Mundo foi de facto para a grande maioria dos imigrantes um acto de coragem, visionário, heróico, quer o comportamento de cada um obedecesse ou não aos ditames beatos, quase social e culturalmente totalitários (como no filme americano Pleasantville), daquelas sociedades. Texto e contexto, literatura e sociedade. Terra Nova aparenta a “inocência” narrativa de um adolescente ante a sua tragédia familiar, enquanto vai pedalando a sua bicicleta nas ruas da grande cidade, mas em que quase tudo e todos à sua volta lhe lembram as suas origens. Quando nos conta a sua estória, recua pormenorizadamente aos seus dias desde os seis anos de idade, altura em que quando vem à Lomba da Maia com a família toda enterrar a sua avó materna, matriar-

Diniz Borges d.borges@comcast.net Esta página de artes e letras tem tido muita sorte. Explico. Temos tido, ao longo dos anos, uma amalgama de colaborares cujos ensaios, crónicas, poesia e ficção fazem desta página algo único na comunicação social em língua portuguesa no continente norte-americano. Estamos externamente gratos à generosidade de tantos intelectuais que partilham connosco os seus textos, a sua criatividade. Um desses intelectuais, que sempre tem colaborado é Vamberto Freitas. Ei-lo aqui, mais uma vez, com mais um magnífico texto. É sobre um livro de Anthony de Sá, Barnacle Love, agora traduzido para português com o título: Terra Nova. Eis pois um bonito texto sobre um livro que já aqui aconselhamos aos nossos leitores.

ca açoriana cujos sonhos e raivas maiores irão com ela para a cova. Ninguém escapa aqui às tragédias de uma geração em limbo na terra de origem, e depois lá fora. A única universalidade das nossas vivências terá sido tão-só a sangria perpétua, real e metafórica, dos que procuraram uma saída do Nada ilhéu, e depois pouco mais encontraram para além da luta quotidiana em busca de uma “vida melhor” num choro sem fim. Esqueçam a literatura norte-americana cujo tema primitivo era ingenuamente a caminhada da “pobreza à riqueza”, pois foi toda ela escrita num tempo em que o mundo ainda não se conhecia mutuamente, e as novas sociedades ansiavam pela sua própria justificação e bondade, só imaginada, apesar do sangue e suor desgastantes dos que as construíam em regimes económicos praticamente escravizantes. A ficção de Anthony De Sá insinua de leve algo disto tudo, creio, mas vai à procura sobretudo do desgaste de alma de uma família bipartida entre os sonhos do passado e a dureza do presente enterrada em caves que proporcionam a momentânea fuga ao mundo, e a dissipação no reles vinho caseiro. Há quase uma metaficção no interior de Terra Nova: um pai auto-destrói-se vagarosamente, uma

abraços diniz mãe refugia-se na invenção artística a partir de velhos objectos metálicos encontrados ao acaso, um filho pedala em fuga incessante nas ruas da cidade, uma irmã tenta esconder a sua infelicidade no embelezamento do seu corpo e na sua ironia que eventualmente explode em crueldade e auto-defesa, uma estátua de um Cristo metido numa velha banheira empinada no jardim da casa vigia indiferente, sem emoção, e as cataratas de Niágara servem de fundo à última cena do romance numa noite de Natal, a metáfora perfeita da beleza e da ameaça aos que se aventuram a mundos fortes e desconhecidos. Do Canadá emergiram nestes últimos anos dois grandes romancistas de descendência lusa—Erika de Vasconcelos (My Darling Dead Ones/Meus Queridos Mortos), e agora Anthony De Sá com Barnacle Love/ Terra Nova. Menos conhecido, mas de igual poder narrativo, está Paulo da Costa (The Scent of a Lie), este um imigrante de primeira geração, nascido em Angola e criado em Portugal, escrevendo em português e em inglês, a sua temática oscilando sempre entre o memorialismo da terra natal e a sua existência perto das místicas e avassaladoras Montanhas Rochosas. Para uma e/imigração que tem o seu início maciço só a meados do século passado, o nosso imaginário na outra pátria americana a norte vem sendo construído com a maior profundeza e beleza artística. São efectivamente eles, com pouquíssimas excepções entre as primeiras gerações que escrevem em língua portuguesa a partir da Diáspora, que melhor têm comunicado a nossa odisseia em terras longínquas aos portugueses que por cá ficaram. Publicam em editoras de grande prestígio no seu país, e Portugal tem sabido tomar nota, de vez em quando. Que se traduzam outros—e veremos como a portugalidade além-fronteiras é mais forte do que a nossa presente e medíocre angústia existencial cá dentro. Anthony De Sá, Terra Nova, D. Quixote, Alfragide, 2009.


PATROCINADORES

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COMUNIDADE

1 de Julho de 2010

O Percursor do iPad Na página do Tribuna Portuguesa no Facebook vinha a notícia que o Parlamento Europeu ia comprar 730 novos iPads, um para cada deputado. Preocupado com os orçamentos deslizantes sugerimos uma alternativa que nos parece mais razoável, em tempo de contenção de despesas – o novo "iPedra" especificamente desenhado em Portugal e mais antigo que a Republica. Tem a vantagem de não precisar de baterias, internet, e sem despesas mensais. É muito leve e com formas ergonómicas altamente elogiadas por muitos ambientalistas. É de fácil manutenção e quando o écran precisa de ser limpo basta usar um lenço com um pouco de saliva, ou então esfregar com o dedo. Esta jóia da engenharia e design Portuguesa foi candidata ao prémio Nobel antes da existência do mesmo. Desde que o iPad foi lançado, a fabrica em Portugal do iPedra aumentou a sua produção para três turnos diários, sete dias por semana. Aceitam-se encomendas na loja do Pedrinho Amiguinho e no Grandela em Angra do Heroismo, Bazar Manteiga em Ponta Delgada e Tabacaria da Sorte no Faial. O custo deste iPedra é somente 19.99 Euros. Para mais informações contactar João Bendito em Hayward, CA.

Made in Portugal


serving the portuguese–american communities since 1979

Ideiafix

Miguel Valle Ávila

portuguese

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• engLish section

miguelavila@tribunaportuguesa.com

Aristides de Sousa Mendes, A Courageous Portuguese, remembered in SF Why remember June 17th, 1940? The answer is that Aristides de Sousa Mendes on that day, after a long struggle and continuous efforts to reconcile his duties as a representative of a government with the duties of an honest human being, decided that his duties as a Christian had priority over any other considerations, even if that meant serious jeopardy to his life and his family, as it was to happen. Many other people – diplomats and non-diplomats alike, -- such as Raoul Wallenberg of Sweden, Carl Lutz of Switzerland, Oskar Schindler of Germany and others showed a similar altruistic and heroic attitude during the following years of WWII. Their actions can also be attributed to them following their conscience, like Brazilian diplomat Luis Martins de Sousa Dantas who clearly explained and stated that his actions were motivated by his Christian faith. So in a symbolic way we use this day to remember and give thanks to those who followed their conscience and acted as human life-saviors of the Holocaust tragedy during WWII; the heroic decision of Aristides de Sousa Mendes of following his Christian conscience, well aware that by doing so he was putting his life, his future and his family in jeopardy. Relevant also is the fact that Sousa Mendes’ actions were a first: his heroic attitude took place in June 1940, while most of the other diplomats who were to behave with similar courage did so afterwards during the following years of WWII. Aristides de Sousa Mendes was born on July 19, 1885 in the small town of Cabanas de Viriato in Portugal. For his parents, Christian living and Catholic faith were important in their lives. They were rather wealthy and provided their children with good education: both Aristides and his twin brother, César, attended and graduated in law from the prestigious University of Coimbra. Both decided to follow the diplomatic career – his twin brother César was to be the first Minister of Foreign Affairs of António de Oliveira Salazar’s government. Aristides de Sousa Mendes had several diplomatic assignments prior to Bordeaux. He had been Consul General of Portugal in Zanzibar, Curitiba in Brazil, San Francisco, California in the USA, Vigo in Spain, and Antwerp. His success in diplomatic services is evident by the several awards, some of them the highest honors to diplomatic and foreigners such as the ‘L’Ordre de la Couronne’ (Order of the Crown) bestowed on him by King Leopold III, a repeat of what had happened in Zanzibar by its Sultan in similar circumstances. It was during his assignment in Antwerp that Aristides de Sousa Mendes started to learn about the problems and difficulties of many well-educated people from Poland and

other countries who were suffering from persecution and discrimination. His stance in favor and defense of these persecuted people led Salazar to send him to Bordeaux, a much less glamorous post, where he found himself at the beginning of WWII. His transfer to this more modest diplomatic post however did not lessen his efforts and commitment to help those in need. People from several parts of Europe came to him hoping for a visa that would allow them to leave France. At first, Aristides de Sousa Mendes tried to follow orders from Portugal on that matter. But his telegrams and requests kept being refused or ignored and the numbers of people trying to escape increased by the thousands. The orders from Lisbon were very clear and explicit: under no circumstances were visas to be given to any ‘Jews and other undesirables.’ Suddenly the situation became unbearable: with the invasion of France by the Nazis the despair and the numbers of people seeking to flee exploded. Sousa Mendes was well aware that the denial of visas to these people meant their being taken by the Nazis and sent to concentration camps and certain death. After three days of anguish in self-imposed reclusion, as the German planes started flying over Bordeaux creating even more panic and despair, Sousa Mendes appeared and gave notice that he would not wait any more but would, as of that moment, give visas to all who needed them. This decision was repeatedly explained later by his son John Paul Abranches quoting his father words “I would rather be with God against (some) men than to be with men against God.” The next few days, Sousa Mendes aided by one of his sons, Rabbi Kruger and others set up a ‘production line type’ system in order to better attend and give as many visas as possible immediately. It is estimated that about 30,000 visas were granted during the next 10 days – the biggest single rescue operation during the WWII Holocaust – prior to his forceful recall to Portugal. Contrary to what is popular belief, only one third of the visa-recipients (about 10,000) were Jewish. By the same token these visas were granted indiscriminately to everybody who needed and asked for them regardless of status or position. But one does not fail to notice many well-known and famous names such as, among others: the Rothchilds (Edouard, Henri and Robert); the American movie star Robert Montgomery and the writer Eugene Bagger and his wife; Her Royal Empress Zita and the heir to the throne Otto von Habsburg, and family as well as his secretary Count Deggenfeld and his close associates; Her Grand Duchesse of Luxembourg and her husband Felix as well as members of the Luxembourg government: Prime

Minister Pierre Dupong and foreign minister Joseph Bech, Pierre Krier, Ministre du Travail, Victor Bodson, Justice Minister; Albert de Vleeschuwer, general administrator of the then Belgian Congo and Ruanda Urundi; Paul van Zeeland, former Belgian Prime Minister and the Health Minister Marcel-Henri Jaspar; among many others. Forced to return to Portugal, Aristides de Sousa Mendes was not given mercy by Salazar, then Prime Minister and Foreign Affairs Minister, who – at the same time that accepted favorable encomiums wrongly given to him by the foreign media, unaware of the true story of events – punished him for his disobedience: he was not only expelled from the diplomatic corps, but also prevented from practicing law and lost all his belongings. His family (he was the father of 14 children) was forced to emigrate and was scattered to several parts of the world in order to survive: Pedro Nuno and Isabel at the Belgian Congo, Geraldo and Clotilde in Angola, Luis Filipe in Canada, Sebastião, Carlos, Teresinha, Joana, José and João Paulo in the U.S. Only his son Aristides remained in Portugal. Manuel and Raquel both had died in Belgium in 1934. Sousa Mendes kept the Franciscan spirit that inspired all his life to the very end. Utterly poor he died in a hospital for the poor and destitute run by the Franciscans in Lisbon and was buried clad in a Franciscan robe as he had requested, on April 3, 1954. Seven years after his death, a tree was planted in Sousa Mendes’ honor at the Garden of the Righteous in Jerusalem. In 1967, Sousa Mendes was honored at Israel’s Yad Vashem Memorial to the Holocaust as one of the “Righteous Among The Nations.” In 1987, he was posthumously awarded the Portuguese Medal of Freedom and in the following year, the Portuguese Parliament dismissed all charges restoring him to the diplomatic corps and promoting him to the rank of Ambassador. In 2007, Sousa Mendes was selected in a Portuguese TV program as the third Greatest Portuguese of all time. Of the fourteen children with wife Angelina de Sousa Mendes, the last surviving is Mrs. Teresinha do Menino Jesus de Sousa Mendes do Amaral e Abranches Swec, born in Pontevedra, Galicia, Spain in 1925 and currently living in Ripon, California. Aristides de Sousa Mendes is among the greatest humanists of the 20th Century and from this Consulate of Portugal in San Francisco, we remember and honor him and his entire family who gave up everything to save so many. Text by João Crisóstomo, New York and Miguel Valle Ávila, San José

“If all diplomats were like Aristides, we would have a different world today!” The 70th Anniversary of Aristides de Sousa Mendes’ Act of Conscience was celebrated on June 17, 2010 in San Francisco at the Consulate of Portugal with 16 members of the Sousa Mendes do Amaral e Abranches family in attendance, including his daughter Teresinha de Sousa Mendes Swec and daughter-in-law Joan Abranches, widow of John Paul Abranches. The ceremony included a blessing by Rev. Don Morgan, pastor at Five Wounds Portuguese National Church, brief speeches by granddaughter Sheila Abranches and the Consul Generals of Israel, Akiva Tor, and Portugal, António Costa Moura, and the placement of a flower wreath by great-grandsons Jason Abranches, Jeremy and Joshua Scharman. The ceremony took place on the steps of the Consulate under a beautiful sunny morning with a 15-foot photo of Sousa Mendes overlooking it all. Following the ceremony, guests were invited to a reception sponsored by the Portuguese Fraternal Society of America and an art exhbit entitled “Aristides, The Possibilities” curated by João de Brito. Works from seven artists were on display: Nathan Oliveira’s ‘Runner’ and ‘Dancer’ (2007) bronze sculptures, John Mattos’ ‘Aristides’ (2010) giclee print, António Ole’s ‘The Night’ (1992) oil on canvas, Maxine Olson’s ‘In the Name of the Father’ (2002) print on canvas and ‘Ode to Aristides de Sousa Mendes’ (2010) print on canvas, João de Brito’s ‘Hebrews 6:10’ and ‘11:59’ (2010) oil on canvas, Roberto Ávila’s ‘Standing with God’ (2010) 15-foot vinyl banner and ‘A Courageous Portuguese’ (2010) print, and Sousa Mendes’ grandson Sebastian Mendes’ ‘Untitled (1,000 Names)’ (2010) drawing. In addition to the Sousa Mendes family members already

mentioned, grandchildren Geralyn Swec Fox, Carolyn Swec Scharman and husband Mike, Eileen Abranches Garehime and husband Joe, Sheila Abranches and fiancé Darrell and children Jordyn and Jalen, Carlos de Sousa Mendes, and Paul Abranches were in attendance along with the founding executive director of the International Committee to Commemorate Dr. Aristides de Sousa Mendes, Robert Jacobvitz and wife Betty. The event was sponsored by The Portuguese Tribune, the Portuguese Fraternal Society of America, and the Consulate of Portugal in San Francisco with support from the Embassy of Portugal in Washington, DC and the Ministry of Foreign Affairs of Portugal in Lisbon. The event coordinators were Consul General António Costa Moura, PFSA CEO Tim Borges, artist João de Brito, and The Portuguese Tribune’s Miguel Valle Ávila. Sheila Abranches and Sebastian Mendes coordinated on behalf of the Sousa Mendes family while João Crisóstomo in New York coordinated the worldwide celebrations of the Day of Conscience, June 17. Sheila Abranches told a story about her grandfather’s family eating at a soup kitchen in Lisbon with Jewish refugees and being asked why he was there to which he answered, “We too are refugees!” His compassion was mentioned with his quote: “I stand with God against man rather than with man against God and I welcome the opportunity with love.” Consul General of Israel, Akiva Tor, started by thanking the organizers “first as a Jew, as an Israeli, and also as a diplomat.” He mentioned his pride in the Yad Vashem Memorial in recognizing Sousa Mendes as a ‘Righteous

Gentile,’ but apologized for his country not recognizing and assisting Sousa Mendes in 1954 and only recognizing his deeds in 1966. “Because in 1954, we [Israel] were a very young state at the time.” As a Consul in the Netherlands, Tor, recognized ‘Righteous Among the Nations’ and many of these people were ‘almost always simple people and often very religious Christians [...] whose moral insight was clear. They understood that the viewpoint of God is here, in fact, the viewpoint of nature is here. We’re human beings.” He further stated that “even though we are part of burocracy and all its ambiguities, we believe it is important that we train our young diplomats that this is the diplomat they need to become.” Consul Costa Moura reminded the guests that “we have a prize in today’s Ministry of Foreign Affairs named after Aristides de Sousa Mendes that recognizes diplomats who express themselves in terms of liberty, human rights, and human values.” He concluded with “I want to leave you with a simple message: colleagues who we’re proud to have, like Aristides de Sousa Mendes, must serve as examples for the future. We are not talking about Aristides just because of the past; we want Aristides to be an example for the future. [...] We cannot build a better future without a solid past [and] if all diplomats were like Aristides, we would have a different world today.” Teresinha de Sousa Mendes Swec was indeed elated with the last two events -- at Five Wounds Church and the Consulate of Portugal -- honoring her father and her family. According to her daughter, Geralyn, for many years, she did not want to talk about the past. But the past now is the path to the future.


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1 de Julho de 2010

Aristides de Sousa Mendes, A Courageous Portuguese, remembered in CA

Special Intention Mass at Five Wounds Portuguese National Church, June 13, 2010. Clockwise from top left: Teresinha de Sousa Mendes Swec; meeting the Consul General of Portugal; receiving communion from Rev. António Reis; with daughters Geralyn and Carolyn, grandson Jeremy, supporters Robert Jacobvitz and wife Betty; church interior. Photos by Miguel Ávila

70th Anniversary of Act of Conscience at Consulate of Portugal in San Francisco, June 17, 2010. Above: Sousa Mendes family during the remembrance ceremony. Below left: banner draped over the façade of the Consulate designed by The Portuguese Tribune’s art director Roberto Ávila. Below center (top to bottom): Sousa Mendes family; supporters of the cause; Consul Generals of Portugal António Costa Moura and Israel Akiva Tor, MC Tim Borges and family spokesperson Sheila Abranches. Below right: Sousa Mendes family. Photos by Miguel Ávila


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Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades

Classical Music Concert at Five Wounds Church The Mission Chamber Orchestra conducted by Emily Ray played Music of Portugal at Five Wounds Portuguese National Church in San José as part of the Dia de Portugal celebrations last June 13, 2010. The guest violinist was Carlos Damas, a native of Coimbra, who started his music studies at age 3 at the Conservatory of Coimbra. He moved to Lisbon at age 6 to attend the Lisbon Conservatory. At age 15 in 1988, he made his solo debut with the National Radio Symphonic Orchestra under Sir Silva Pereira. He later graduated from the Paris Conservatory in 1993 becoming the concertmaster of the Cité Internationale de Paris. He has played with multiple symphonies including the Oschestre Jeune Philarmonie, Camerata de St. Severing, Macau Chamber Orchestra, Canton Symphony,

and Honk Kong Philharmonic. He has participated in multiple concerts including the UNESCO Concert of Peace in Paris, Sammering Festival, Salzburg Mozart Festival, Macau Music Festival, Arts Festival of Macau, and the 5th Arts Festival of China, the only European to be invited. Damas played for the first time with the Mission Chamber Orchestra Carlos Seixas’s (17041742) Symphony in B flat, Sérgio Azevedo’s (1968- ) Reflections on a Portuguese Lullaby, and John Williams’ (1932- ) Three Pieces from Schindler’s List. The Mission Chamber Orchestra started the concert with A Portuguesa and The Star Spangled Banner and ended with José Vianna da Motta’s (1868-1948) Sinfonia Op. 13, ‘A Pátria.’ According to conductor Emily Ray, the orchestra received the

first invitation to perform at the historic church by then pastor Jack Greer. The Mission Chamber Orchestra has performed at Five Wounds since 2007. The 2007 concert included Sousa Carvalho’s L’Eumene Overture, Freitas Branco’s Violin Concerto, with violinist Pip Clarke and Braga Santos’ Symphony no. 2. The 2008 Dia de Portugal Concert included Bomtempo’s Symphony no. 1, Freitas Branco‘s Suite Alentejano no. 2, Verdi’s Ah fors e lui, La Traviata, Verdi’s Merce dilette amiche, Vespri Siciliani, and popular Portuguese themes Olhos negros and A Casinha Pequenina sang by soprano Elizabeth Medeiros Hogue. Last year’s concert brought a new addition -- the Deo Gloria Choir -- to sing Bomtempo’s Messe de Requiem consacrée à la mémoire de Camões.

From top: Violinist Carlos Damas from Portugal; Mission Chamber Orchestra conducted by Emily Ray; Consul General of Portugal António Costa Moura, conductor Emily Ray, and violinist Carlos Damas

Our Youth at Dia de Portugal Festival at History San José in Kelley Park on June 12, 2010


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ULTIMA PAGINA

Sagres

1 de Julho de 2010

A Beleza da

Osvaldo Palhinha captou a chegada da Sagres como se vê nas duas primeiras fotos e Tony Calabrese, de San Diego, num dia de sol maravilhoso mostra-nos a despedida. Pena foi que a Sagres não pudesse ter parado um dia em San Francisco na sua ida para o Hawaii. Num Estado onde vivem quase meio milhão de portugueses poderia o trajecto ter sido mais cuidado. Não é todos os dias que podemos ver um dos mais belos navios do mundo hasteando a nossa bandeira.


Tribuna Portuguesa 1 de Julho