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QUINZENÁRIO INDEPENDENTE AO SERVIÇO DAS COMUNIDADES DE LÍNGUA PORTUGUESA

1 a Quinzena de Junho de 2012 Ano XXXII - No. 1133 Modesto, California

We will miss you, Manuela

Tony Silveira Novo Diácono

Tony Silveira foi ordenado Diácono no dia 12 de Maio de 2012 por Patrick J. McGrath, Bispo da Diocese San José, na Catedral da mesma cidade. No dia seguinte, participou na sua primeira missa e homilia na Igreja Nacional das Cinco Chagas. Pág. 8, 17, 31

Manuela Silveira trabalhou no Consulado de Portugal em San Francisco durante 40 anos e desde 1993 acumulou as suas responsabilidades com as de Vice-Cônsul de Portugal. A Comunidade homenageou-a no Portuguese Athletic Club de San José, no dia 13 de Maio. Pág. 16

Diniz Borges Dia de Portugal, A pomba que Novo livro a publicar pela editora Letras Lavadas de Ponta Delgada.

de Camões e das Comunidades

Pág. 8,21,24,28

voou para a Coroa

Pág. 19

Pintura de João de Brito

www.portuguesetribune.com

www.tribunaportuguesa.com portuguesetribune@sbcglobal.net


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SEGUNDA PÁGINA

1 de Junho de 2012

Crónicas do Perrexil

J. B. Castro Avila

EDITORIAL

Reconhecer é importante

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Assembleia Legislativa dos Açores anualmente entrega insígnias autonómicas de diversas categorias (reconhecimento, mérito profissional, mérito industrial, comercial e agrícola, mérito cívico e de dedicação) a entidades e organizações de todas as comunidades açorianas. É um reconhecimento importante e que deve ser apoiado e continuado. Este ano a iniciativa terá lugar na Vila da Povoação na Segundafeira do Espírito Santo, Dia da Autonomia e dos Açores. Da California teremos um representante da nossa comunidade, Manuel Eduardo Vieira a receber a Insígnia de Mérito Industrial. Turlock Pentecost Association comemora 100 anos no primeiro fim de semana de Junho. É uma data importante para qualquer organização. Se hoje em dia há dificuldades em manterem-se certas organizações, o que não seria há 100 anos atrás. Na realidade deve ter sido um esforço enorme em conseguir sobreviver durante um século. E há muitas das nossas organizações que já ultrapassaram essa idade. Os nosssos parabéns. O Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades no dia 9 de Junho no Kelley Park, em San José, vai ser, antes mesmo de acontecer, um grande sucesso. Esta é uma das "obras" da nossa comunidade em que mais nos devemos orgulhar. Aqui fica o convite para todos estarem lá.

jose avila

O que custa ser ganadero

O

José Ávila, da Página Taurina, tem-se dedicado nestes ultimos dias a visitar e a fotografar os toiros das nossas ganadarias. E vendo essas fotografias no Facebook do Tribuna, apraz-nos registar o amor e os sacrificios que os nossos ganaderos fazem para manter uma tradição, que, ou está no sangue deles, ou foi aprendida já na California. O mais antigo e decano das nossas ganadarias, ainda vivo, Manuel Correia, vendeu muito recentemente toda a sua camada brava a ganaderos mais novos, porque na realidade, para quem não tem corrido toiros é muito difícil mantêlos. Custam caro e a economia não está para brincadeiras. E é por isso que temos de agradecer a todos aqueles que ainda, com muitas dificuldades, conseguem manter a nossa aficion nestas terras do Tio Sam.

2. Portugal atravessando uma grave crise económica/financeira, dentro de duas semanas e durante quase um mês, vai-se esquecer de tal tristeza e vai viver o futebol, como se fosse uma nova religião de distracção mental. Oxalá a nossa Selecção se porte bem e que dê muitas alegrias a quem vive na tristeza destes sombrios dias. 3. Cheguei hoje à conclusão que estou a ficar um desmancha-prazeres do diabo. Talvez por ter comido muito perrexil em pequeno com caramujos ou por outras razões que desconheço e não vou gastar dinheiro com psicólogos para descobrir. Já me basta a idade que tenho. Tudo isto a propósito de uma nota que li àcerca das bandeiras portuguesas que irão ser hasteadas nas Câmaras de San José e San Francisco. Em San José o acontecimento terá lugar a 8 de Junho e a bandeira manter-se-á até ao dia 12. Muito bem. No res-

peitante a San Francisco fia mais fino. Calculem lá que vão hastear a bandeira no dia 11, numa Segunda-feira e ainda por cima depois do Dia de Portugal. Não sei quem aceitou isto, mas quem o fez não usou "commonsense". Deveriam ter dito: "Thank you dear City, we will come back next year", até porque a Cidade de San Francisco tem participado durante anos nesta cerimónia. Este ano, por razões várias a Câmara não o pode fazer a tempo e horas, o que sempre fez no passado o que é compreensível. Fazê-lo depois do dia, a mim não faz nenhum sentido, mas quem sou eu para hastear bandeiras? 4. Homenagear Manuela Silveira é uma acto tão comunitário e tão importante para quem, durante 40 anos, a teve como amiga, conselheira, "cônsuladora" e sempre prestável para tudo o que se relacionava com os nossos interesses. Uma super reforma para ela.

Year XXXII, Number 1133, June 1st, 2012


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… nem tudo o fogo levou Bilhete preambular … achei curioso o facto da primeira edição do Portuguese Times sob a direcção do seu novo Director coincidir com uma efeméride memorável do meu calendário político-emocional – 25 de Abril ! Ao consultar a edição electrónica daquele dia, lá estava o nome Francisco Resendes estampado no preciso local outrora ocupado pelo veterano jornalista Manuel Adelino Ferreira. Não fui apanhado de surpresa. Reconheço que o actual Director conhece bem o meu percurso de ‘operário da Escrita’ nas páginas da imprensa da diáspora lusófona. Não quero adiar a oportunidade para manifestar publicamente o apreço pela discreta proficiência demonstrada por Francisco Resendes : a sua cooperação na reprodução dos meus textos, sobretudo na época em que o facilitismo electrónico ainda fazia parte da ficção científica, são micro-episódios que não esqueço… Sem pretender dissecar ou comentar o modus-vivendi empresarial que suporta o jornal Portuguese Times, dada a minha modesta condição de ‘cronista-convidado’ pelo estimado amigo Manuel Adelino Ferreira (convite pessoal efectuado na já longínqua quadra do Natal de 1980), aproveito este ensejo para assinalar o equilíbro operacional e a longevidade profissional do ex-director – um cavalheiro inteiro, que durante mais de três décadas exerceu, com digna humildade directiva, as complexas e delicadas tarefas de comandante de um jornal regional, sediado numa comunidade onde ainda persistem sintomas de indiferença cívico-cultural. Haja boa sorte ! Creio não ser despropositada a decisão de oferecer o texto abaixo transcrito aos leais leitores que há mais de 30 anos me oferecem boa companhia nas páginas da imprensa da diáspora lusófona (Açoriano Oriental, Correio dos Açores, Correio do Norte, Portuguese Times, Tribuna Portuguesa, Terra Nostra). Recordo que o seguinte ‘memorandum’ foi redigido durante um dos (meus) intervalos para almoço, usualmente conferidos aos operários da antiga Quaker Fabric Corporation – saudosa unidade industrial têxtil, onde iniciei (Nov. 1980) a minha experiência de soldado-recruta da Imigração... Poderá o comum dos mortais não ter sido seduzido por alguma espécie de ‘amor-à-primeira-vista’ pela cidade de Fall River. Pouco

importará saber se é este o sentimento do autor destas linhas. Confesso que tenho por esta cidade operária um sereno respeito. Vejo nestas ruas, no aspecto asseado do casario, no primoroso arranjo dos quintais e jardins, aquele ‘toque’ que distingue o hortelão minhoto do quinteiro insular… Além disso, adivinho nestas paragens do sudeste da Nova Inglaterra o suado aroma de sucessivas gerações que aqui chegaram com o coração a estoirar de sonhos, mãos calejadas de apalpar a dureza do trabalho, enfim… gente que aqui chegou com as malas cheias de nada ! Foi, pois, com sincera mágua (quiçá com o desespero de impotência circunstancial) que presenciei as cenas finais do espectáculo dantesco que destruiu a Igreja de Nossa Senhora de Lourdes, e de vários edifícios habitacionais limítrofes. Apesar do meu olhar de recémchegado, fiquei com a impressão que Fall River (outrora considerada a capital têxtil das américas) acabara de ficar mais pobre: destroços, ferros retorcidos, lagos de cinzas – tudo a falar a linguagem fúnebre de sonhos desfeitos; paredes fracturadas que jamais testemunhariam o gargalhar das crianças; lares que não mais poderiam testemunhar a harmonia familiar, ou até mesmo os habituais queixumes inerentes à actual carestia de vida. Dir-se-ia que, em pouco menos de três horas, o lume quase engoliu tudo, como que acicatado por barbarismo famélico da fogueira… Consta que muitos dos habitantes daquela área mártir da cidade, uma vez surpreendidos pela visita fogosa, mal tiveram sequer tempo suficiente para ‘mudar’ de roupa. Mas… como herdeiros duma nacão valente, os imigrantes não temiam o confronto desigual contra o tempo e o destino. Pois é: era urgente recomeçar; reencarnar a esperança; redescobrir energias para não amedrontar a frescura inicial do ponto-de-partida… Ó céus ! como é fácil dizer estas coisas: é sempre fácil pregar aos crentes…. Sem pretender particularizar um ou outro caso de bravura de famílias literalmente despojadas pelo incêndio – bastaria dizer que a grande família de Fall River foi directa ou indirectamente atingida. Após a mutilação da imponente igreja de Nossa Senhora de Lourdes, esta (também minha) cidade de Fall River como que mudou de feições. Ficou diferente. De olhos no chão. Diria que (para quem já conhecia a cidade) as torres altaneiras da Igreja de Notre Dame

lembravam dois braços estendidos em direcção às alturas. Agora, à primeira vista, havia a impressão inicial de que o fogo tudo levara… Pois é: o lume é como a inteligência humana – tanto pode ser a nossa fortuna como a nossa desgraça… Tal como milhares de pessoas certamente o fizeram, também fiz questão em andar perto daquelas cinzas, para conversar com algumas das famílias duramente atingidas. Observei, com misto de espanto e orgulho, que muitos dos nossos compatriotas, apesar das

Memorandum João-Luís de Medeiros jlmedeiros@aol.com lágrimas ainda mal enxutas, já estavam dispostos a sonhar de novo, tecendo projectos para o futuro… Bravo ! Sim, caríssimas(os), observei gente decidida, procurando proteger as feridas da alma com a velha valentia própria de quem aqui chegou com a roupa de trabalho. E vai daí, comecei a cismar comigo próprio: uma cidade não é só o conjunto de edifícios, por muita monumentalidade que eventualmente possuam; uma cidade é uma comunidade em

marcha, um povo unido, inovador, solidário… A cidade de Fall River não deve ser apenas uma gigantesca fábrica ou dormitório colectivo de gente a trabalhar em regime piece-work. Todavia, Fall River é talvez um excelente laboratório étnico. Caso estejamos na pista correcta, seria caso para afirmar que, face à tragédia do incêndio da saudosa Igreja de Nossa Senhora de Lourdes, afinal nem tudo o fogo levou…

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Tribuna da Saudade

Ferreira Moreno

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cabo de rever um livro que tive a oportunidade de ler, pela primeira vez, no ano 2000, àcerca do qual, a esse tempo, redigi uma crónica com adequados comentários, mas sem nótulas biográficas àcerca do autor, pois que só mais tarde tive a boa fortuna de encontrá-las. Apraz-me agora incluílas no “Recordando” desta semana. O livro em referência, da autoria do micaelense Augusto Loureiro, foi publicado em 1901 pela Antiga Casa Bertrand de Lisboa com o título sugestivo “A Bruxa, Scenas Açorianas”. Trata-se dum romance cuja primeira edição ocorreu em Ponta Delgada em 1876 (Tipografia Popular Tavares de Resende), integrado no volume “Serões d’Inverno” e intitulado O CEGO. Depois, em 1882, modificado e ampliado, com o formato de folhetim, o romance foi divulgado no lisbonense “Diário de Notícias”. Finalmente, numa terceira edição e com a designação A BRUXA, o livrinho reapareceu em 1901. Revendo o livro, apercebi-me novamente tratar-se basicamente de uma atraente narrativa, de cariz regionalista e com particular incidência num par de campesinos da Candelária, o Luís e a Ludovina, e dos dissabores provocados por um tresloucado de nome José Tesoura, cuja violência ocasiona-lhe ficar cego e deixando a mãe vagabunda com a alcunha de bruxa. O autor imprimiu o devido colorido às cenas tradicionais da esgalha do milho, das populares festividades do Espírito Santo, da emigração clandestina, dos cos-

Recordando Augusto Loureiro

tumes caseiros, do respeito pela família e casamento, da fé e coragem da gente do campo. Coroando esse cenário, ergue-se a histórica ermidinha da Senhora do Socorro, situada ao poente da Candelária, entre terrenos de semeadura, onde a Ludovina aprazia-se a ir rezar e aonde o malvado Tesoura procurou atacá-la. Em 1995, o Instituto Cultural de Ponta Delgada, quando era presidente da direção o meu saudoso conterrâneo ribeiragrandense dr. José Paim de Bruges da Silveira Estrela Rego, publicou em três volumes as “Escavações” de Francisco Maria Supico (1830-1911). Nessas crónicas semanais publicadas no jornal “A Persuasão”, deparei com diverso noticiário referente a Augusto Loureiro, bem como a transcrição de várias poesias. Atendendo à falta de espaço, apresento apenas o comentário registado por Supico à memória de Loureiro: “Além de poeta e prosador, foi jornalista político em Lisboa e em S. Miguel, sem jamais perder a boa forma literária. Os seus versos eram de bela forma e bem inspirados, sendo pena que fiquem dispersos por folhas de periódicos onde em poucos anos esquecerão de todo. Vai em dois anos que nos deixou, prostrado por doença que a ciência não pôde vencer. Pelo dedicado amigo e leal confrade, falecido em 1906, aqui fica o tributo da nossa viva saudade”. (Escavações, Volume III, páginas 12481249). Informações, deveras preciosas, foramnos fornecidas pelo ilustre vilafranquense,

dr. Urbano de Mendonça Dias (1878-1951), no valioso volume “Literatos dos Açores”, originalmente publicado em 1933, e presentemente atualizado, desde 2005, numa segunda edição organizada pela distinta professora-doutora Lúcia Costa Melo. Embora não conseguisse apurar a data de nascimento de Augusto Loureiro, tive ensejo em saber que Loureiro “nasceu na ilha de S. Miguel e aqui debutou como literato no jornalismo açoriano. Funcionário da Alfândega, ocupava muitas das horas que lhe sobejavam dos seus afazeres na laboração das suas produções literárias que as tem em poesia e em prosa”. Do seu espólio literário destacamos as seguintes obras: Justiça de Deus (drama em quatro actos); À Beira-Mar (contos); Esboço Biográfico do Conde da Praia da Vitória; Traços Biográficos do Visconde de Santana; Almanaque para todos; Serões d’Inverno em dois romances (A Granadina e O Cego); Biografia do Dr. Caetano d’Andrade; Perfil do Conselheiro Ernesto Hintze Ribeiro, de Francisco Peixoto da Silveira e de Maurício Bensaúde; A Bruxa (Scenas Açorianas); A Noviça (romance histórico) e A Conchita (novela). A fechar este ligeiro “Recordando”, impõe-se-me expressar o mais grato tributo de respeitosa admiração a todos os títulos devido à incansável e prolífica D. Lúcia Costa Melo. Natural de Vila Franca e licenciada em Filosofia, professora no Liceu Antero de Quental, Escola do Magistério Primário e Escola de Enfermagem em Ponta Delgada, D. Lúcia Costa Melo é autora de vários livros de poesia e prosa, ensaios e antologias, e colaboração assídua dispersa em jornais e revistas, bem como em numerosos suplementos literá-

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rios na imprensa regional. É da autoria de Renato Coelho este par de quadras: Vila Franca é terra airosa E de nobres tradições, És a jóia preciosa De belas recordações. És o meu torrão natal E não te posso esquecer, Foste outrora a capital Desta ilha a florescer.

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Rasgos d’Alma

Luciano Cardoso

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lucianoac@comcast.net

crítica argumentada com fundamento e sem malícia faz parte integrante duma sociedade evoluída. “Uma sociedade sem crítica é, seguramente, uma sociedade atrasada.” A observação saíu algo tosca mas espontânea da boca do atual Primeiro Ministro português quando visitava recentemente a Feira do Livro, em Lisboa. A simpática repórter acabava de lhe enfiar o microfone diante do nariz ante as piadinhas politicamente corretas e inofensivas dos cómicos mais chique da atualidade portuguesa – os Gato Fedorento. Ainda nos lembramos bem do tempo em que o pestilento fedor da censura oficial do regime fascista abafava a crítica em Portu-

gal. Não deixou saudades, pois não? Ora bem – voltando à curiosa afirmação de Pedro Passos Coelho, em oportuno paralelo – o que poderíamos chamar então a uma comunidade sem crítica? Do outro lado do Atlântico, há quem goste de se referir às nossas comunidades emigrantes como núcleos distantes de portugas um tanto ou quanto mais atrasados. Perdemos o combóio, dizem eles. Atrasámo-nos e não nos vai ser fácil chegar a tempo. Em tempos idos, gozava esta nossa garrida comunidade cá da área da baía de um vibrante espírito crítico que deu tanto que falar. Uns falavam bem, outros falavam mal. O segmento que então mais se destacou, sempre bem escrito, saía semanalmente no jornal e era também radiodifundido às sextas-feiras, perto da hora do jantar. Nin-

Reflexão útil

guém o queria perder. Mordaz e sensacionalista, trazia sempre água no bico. O seu autor, ainda jovem de vinte e poucos anos, irreverente e imprevisível, não perdoava (quase) nada a ninguém. Nascido no Pico, estudante em Angola, Tony Silveira (na foto) aterrrou na California ainda na força da juventude. O seu impacto direto no meio radiofónico local não se fez esperar. Trazia bagagem nitidamente acima da média e a sua formada opinião começou a fazer furor no saudoso “Arco Íris”, acabando por se tornar incendiária no famoso e badalado “Canto da Trinta e Três”. Depois de lido aos microfones, o texto era impresso no extinto jornal “Notícia”. Toda a gente o queria ler. Hoje, o Tony é o primeiro a admitir que terá ido longe demais nalgum criticismo porventura exagerado. Essa sua ousadia fez com que lhe desligassem os microfones, isto é, abafassem o som. Atenta, surpresa, a comunidade foi pronta em dar a entender que o seu afastamento nos fez imensa falta. Era uma voz arisca que incomodava e, tal como a sua irrequieta pena, nunca se acomodava com receio fosse lá do que fosse. Foi o preço que teve de pagar pela sua descarada frontalidade. Cortaram-lhe o pio. Tentaram cortar-lhe também as asas. Inteligente, Tony não se ralou nem se arreliou. Preferiu canalizar toda a energia do seu nato talento para essa nobre causa que muito nos sensibiliza cá na estranja: o ensino do português. Fê-lo com extrema competência e esmerada dedicação durante vários anos. Ensinar nunca dispensa a disponibilidade para se continuar a aprender. Ao ter-se desligado da locução, Tony Silveira é hoje o primeiro a admitir que aprendeu muito à sua custa. A vida, com as suas inesperadas surpresas de mau gosto, também não lhe perdoou lições duras de engolir. Sobretudo a prolongada doença e dolorosa morte da esposa, Margie, convidaram-no ainda mais à introspeção e ajudaram-no a redescobrir-se a si próprio. Foi tudo uma questão de redimensionar o seu inequívoco valor como solidário ser humano neste mundo fértil em desilusões. A capacidade inteletual aliou-se ao sonho íntimo do seu coração e a causa, agora, é nobilíssima. Vai entregar-se por inteiro ao altruístico serviço de Deus e dos outros. O diaconado será apenas uma etapa transitória. Daqui a uma ano, se não houver nada pelo contrário, irá ser ordenado sacerdote. O rebanho paroquial das Cinco Chagas,

porventura ainda saudoso de Leonel Nóia, poderá voltar a contar com um apto pastor de cajado açoriano. Os microfones da igreja vão estar certamente à sua inteira disposição e ninguém se atreverá a desligá-los. Creio que todos vão querer voltar a escutá-lo de novo. A sua palavra, ora mais enriquecida, demandá-lo-á concerteza. Tony Silveira elevou para um patamar superior os seus brilhantes dotes oratórios. Não creio que tenha perdido o seu refinado espírito critico. Só que não o vai usar descabidamente como arma de discórdia ou simples farpa de quezília. No templo, onde o amor se prega e o humor não se proíbe, dispensam-se as piadinhas pobres

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e os recadinhos fúteis. As homilias litúrgicas, acima de tudo, devem ser momentos ricos de reflexão útil. O Tony sabe-o e a comunidade reconhece-o. Há para aí uma necessidade imensa de se refletir a sério… Com tudo isto, não pretendo dizer que descuidemos a nossa genuína vontade de criticar. Isso é que não. Bem intencionada, faz-nos muita falta. Se tivesse de lançar daqui uma sensata crítica ao Tony Silveira seria a de que, a meu ver, fez muito mal em deixar de escrever para a comunidade de leitores que o admira. Francamente, ao felicitá-lo nesta rejubilante fase da sua vida, espero bem que isso ainda possa vir a acontecer.


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Agua Viva

Filomena Rocha filomenarocha@sbcglobal.net

Insondáveis, são os Caminhos do Senhor.. Diz o Fado que ninguém sabe p’ró que nasce quando nasce uma pessoa... Talvez nisso esteja o desafio, a surpreza do encontro todos os dias com o que a vida nos depara... E com esperança preparar o amanhã com os acontecimentos do dia de hoje. Pela vida fora, desde que nascemos, quantos caminhos percorremos, até realizarmos o que um dia julgámos impossível. A vida, é uma luta constante, com muitas missões para cumprir... No passado sábado, dia 12 de Maio, muitas foram as testemunhas do que pode acontecer, quando perseguimos um sonho, porque confiamos nos nossos valores, ainda mais se Deus faz parte dos mesmos. António Alvernaz Silveira, é um desses exemplos. E finalmente, o sonho fez-se realidade! A Catedral de São José, na cidade cosmopolita do mesmo nome, viu ordenar, entre oito Diáconos, um Português, acontecimento raro entre nós. O maravilhoso Templo Católico encheu-se de amigos e convidados. Foi uma cerimónia bonita, grata, alegre, emocionante em todos os sentidos... É difícil não sermos protagonistas da história de uma pessoa, se por dentro conhecemos os sonhos que acalenta, mas cujo destino a fez passar por muitas provas de fogo! Fogo de Amor, do qual resultou uma bonita família, por todos respeitada, numa Comunidade alegre, buliçosa, amiga e controversa. Amor, que por incrível que pareça separa o Homem de Deus... Se supõe, que deveria ser o contrário. Contudo, o dia certo chegou pelos desígneos de Deus, naturamente. Embora tenhamos perdido anos de pregação e sermões do alto de uma figueira, pelo menino nascido na Terra do Pão, Ilha do Pico, dia 7 de Dezembro de 1951. Aí, frequentou a Escola Elementar; depois, o Seminário Menor de Santo Cristo em São Miguel; o Externato Lacerda Machado, em Lajes do Pico; o Liceu da Horta; o Liceu de Benguela, porque partiu com os pais para Angola; a Universidade de Luanda e depois o Seminário Maior de Huambo, onde estudou para sacerdote. A guerra em Angola fê-lo regressar; juntou-se aos seus pais que no regresso imigram para os Estados Unidos da América; outros caminhos o destino o fez tomar e porque os desígneos do Senhor são insondáveis, aqui conheceu Margaret Marie Silveira, o outro amor da sua vida, com quem casou e de quem teve um lindo casal de filhos. Foi um casamento de quase 34 anos, porque Margie, - era

assim que todos a chamavam, - faleceu vítima de doença incurável. Ela própria, durante os seus 11 anos de sofrimento, apoiou o marido nos seus estudos e o seu primeiro sonho de um dia poder vir a ser sacerdote. Por 36 anos, Tony Siveira, tem vivido nesta Comunidade, à volta da Paróquia das Cinco Chagas, entre o seu trabalho, a Rádio o Ensino de Português e Inglês, preparando pessoas para a cidadania americana, de uma forma empenhada e generosa, muitas vezes sofrendo caladamente, mas com brio e convicção de quem sabe que Deus tem um plano para ele, ainda que por caminhos diversos. A meta, está prestes a ser atingida. O primeiro “ensaio” foi feito dia 13 de Maio, Dia da Mãe nos Estados Unidos, na Igreja Nacional Portuguesa das Cinco Chagas, com Missa de Festa, celebrada pelo Rev. Padre Tony Reis, na presença de Mons. Patrick Browne, da Diocese de São José, e o primeiro sermão, como Diácono, por Tony Silveira. O Povo, que enchia a Igreja, estava contente, comovido e com Esperança de que brevemente possa vir a ter o tal Pastor Português, ainda por cima Açoriano, que conhece as tradições religiosas que tanto vive. Viver para contar, a alegria de ter visto esta etapa acontecer na vida de um amigo, não acontece sempre, desde as cerimónias e as músicas lindíssimas na Catedral a esta Festa na nossa Igreja. Parabéns Tony Silveira! Deus sim, escreve direito por linhas tortas... A Margie está contente por ti no Céu. Os teus filhos e netos na Terra, já têm outra história para contar aos vindouros e o Povo todo tem ainda uma caminhada para aprender que quando Deus quer, tem muita Força. Que assim seja! Felicidades, Amigo!

1 de Junho de 2012

Bandeiras Portuguesas em San José e San Francisco

Two Bay Area Cities will hold flag raising ceremonies encompassing, June 10, the Dia de Portugal. The City of San Francisco will hold a flag raising ceremony on Monday, June 11, 2012 at 10:00. The Honorable, Nuno Vaulter Mathias, newly assigned Consul General of Portugal in San Francisco will participate in the ceremony along

with representatives of Portuguese-American Community Organizations. The Flag Raising at San José City Hall on Friday, June 8, at 5:30 p.m will be the first time that the Portuguese flag will be raised at the new City Hall in San José. A contingent of Portuguese bands’ members will play the anthems and there will be

comments by members of the city council. Richard (Dick) Santos, a Board Member of the Santa Clara Valley Water District and a proud Portuguese-American, made the suggestion to Councilman Xavier Campos. This is the first time in a number of years that the City of San José has conducted a flag raising ceremony to recognize the Dia de Portugal celebrations, while the City has provided annual grants to the Portuguese Heritage Society of California to help support Dia de Portugal Festivals at the Portuguese Historical Museum.


Juridicamente falando

Victor Rui Dores

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PORTUGUESES E LUSO DESCENDENTES

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a qualidade de Advogado, com domicílio profissional em Portugal – na cidade de Coimbra – dirijo, antes de mais, aos Portugueses e Luso Descendentes espalhados pelos quatro cantos do mundo, em particular a todos aqueles que se encontram a residir nos Estados Unidos da América, uma saudação muito especial e uma palavra de reconhecimento pelo exemplo que representam para Portugal, mostrando que não existem destinos inevitáveis e que é sempre possível mudar o rumo da nossa vida com ambição, esforço e trabalho. Gostaria ainda de deixar uma palavra de apreço ao “Tribuna Portuguesa” pelo mérito e interesse que lhe é reconhecido em divulgar e privilegiar notícias e iniciativas de apoio às Comunidades de Portugueses e Luso Descendentes, contribuindo, em simultâneo, para a dignificação do cidadão Português residente no estrangeiro e para uma maior aproximação deste ao seu país de origem. É essencial a existência de estruturas e iniciativas que contribuam para que todos os cidadãos Portugueses existentes para lá das fronteiras geográficas de Portugal não percam – antes reforcem – os laços que os unem à terra de onde partiram. É necessário que conheçam a realidade portuguesa e acompanhem a sua evolução; percebam, por exemplo, que o seu País poderá oferecer hoje novas oportunidades e mais incentivos para a realização de investimentos produtivos e saibam quais são os seus Direitos e qual a melhor forma de os defender, mantendo-se actualizados e fazendo o devido acompanhamento de toda

a actualidade jurídica nacional. E foram estas as principais razões que me levaram a iniciar esta minha colaboração com o “Tribuna Portuguesa”. Tenho como principal objectivo proporcionar a todos os leitores o acesso ao mundo jurídico português, fazendo com que estejam constantemente actualizados no que ao Direito português (e aos seus direitos) diz respeito. Irei assumir o honroso compromisso de prestar o meu contributo neste espaço através da divulgação de textos jurídicos, Legislação e decisões dos Tribunais relevantes, curiosidades do Direito, medidas de apoio e incentivos, entre outros temas da actualidade nacional, procurando assim garantir a todos os Portugueses e Luso Descendentes o acesso ao mundo jurídico português e a oportunidade de estimular e promover uma maior ligação com o seu país de origem. Desenvolvo esta iniciativa porque também considero que ao Advogado, enquanto servidor da Justiça, é reconhecido um papel de primordial importância junto da sociedade. Vivemos num mundo em globalização e sem fronteiras, circunstâncias que fazem com que o Advogado de hoje deva estar apto a transmitir os seus conhecimentos, experiências e a fazer chegar, das mais diversas formas, a actualidade e realidade jurídica do seu país a quem mais necessita: as Comunidades de Portugueses e Luso Descendentes no mundo. De Portugal, despeço-me, até à próxima edição, com as maiores saudações,

Joshua Oliveira Matos Foi com grande orgulho, muita emoção e alegria, que o casal Arnaldo e Luísa Matos, viram o seu único filho, Joshua Oliveira Matos, receber a sua graduação de Bacharelato em Business Administration pela Universidade de Notre Dame de Namur, no passado dia 5 de Maio. Para que a alegria fosse complecta, convida-

ram seus parentes e alguns dos seus muitos amigos para uma deliciosa recepção no S.F.V. Portuguese Hall, de Mountain View. Com um diploma e um futuro que promete, a Tribuna Portuguesa, envia os Parabéns ao recém formado Jovem e aos seus pais por esse gosto tão grande.

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Ao Cabo e ao Resto

António Delgado

JURIDICAMENTE FALANDO DE PORTUGAL… PARA OS

COLABORAÇÃO

victor.dores@sapo.pt

Naufrágios e outras assombrações

“Samacaio, Samacaio deu à costa Ai deu à costa nos baixos da Urzelina (…)” (popular dos Açores) Muitos foram os naufrágios ocorridos nas costas açorianas ao longo dos séculos, sobretudo quando o vento soprava rijo do quadrante leste, sabendose que, como diz o povo, “vento leste não traz nada que preste”. Às vezes esses naufrágios aconteciam dentro de abrigadíssimas enseadas quando subitamente vinha a tempestade

gio do navio “Titanic”, na sua viagem inaugural, que chocou contra um iceberg nos mares gelados do Atlântico Norte, e arrastou para a morte 1.523 seres humanos. No seu livro “Naufrágio com espectador” (1990), o filósofo alemão Hans Blumenberg refere que o naufrágio é uma “metáfora da existência” e retoma a ideia de que os homens sempre consideraram a terra firme como o seu lugar natural e, por isso, a aventura marítima tornouse sinónimo de insensatez. Quem sai da sua zona

ou de manobras mal feitas – podemos naufragar metaforicamente na mentira e no plano inclinado do boato. Mesmo ancorados na baía. É preciso segurar bem o leme. Porque há rombos nas quilhas do défice, da bolsa, da economia, do endividamento, das finanças… Portugal vive um dos períodos mais nebulosos da sua história. Os nevoeiros escondem vagalhões e outros perigos. Tal como o “Titanic” ou o “Costa Concordia”, há gloriosas viagens que acabam mal. Os ventos alísios estão a empurrar-

e não havia tempo para fazer as manobras de zarpar. Foram exemplo disso mesmo as baías de Angra (os barcos espatifavamse contra as rochas) e de Porto Pim (durante muito tempo conhecido por “cemitério de navios”). Ontem como hoje os navios que continuam a dar à costa. Podemos justamente aqui levar à letra a expressão ”morrer na praia”. Por exemplo: não há muito tempo deu à costa o “Costa Concordia”, colossal paquete que adornou na plácida baía de uma ilha mediterrânica. E ainda não se apagou de todo da memória faialense o encalhe do “CP Valour” na baía da Fajã da Praia do Norte. E, já agora, convirá não esquecer que este ano da graça de 2012 assinala o centenário do naufrá-

de conforto fica exposto a baixios, recifes, temporais, calamidades. Em alto mar tudo é instabilidade e perigo, enquanto em terra estamos em segurança. O autor lembra a famosa frase de Pascal: “Vous êtes embarqué”. Diz Blumenberg que quem vai num navio já é de algum modo um náufrago. No seu ensaio “Conhecimento de Poesia” (1958), Vitorino Nemésio refere que passamos a vida a utilizar a barca do auto vicentino, “não enquanto transporte usado na forçosa travessia do rio Caronte, mas a embarcação em que tanto se empreende a viagem da morte, como a da vida, pois tudo é humanamente uma só rota e aventura”. Mas não se naufraga só por mor de tempestades

nos para a bancarrota. Há timoneiros que desconhecem o destino e tripulantes que não sabem a rota… Temos água aberta no litígio, na fraude, na trapaça, no compadrio e na corrupção. Conseguiremos sobreviver ao naufrágio de Portugal? Quem são e o que estão a fazer os navegadores experientes do nosso país? Para quando a satisfação e o alívio de avistarmos terra à vista? Quando e como vamos “troikar” as voltas à crise? Por conseguinte somos todos potenciais náufragos nestas ilhas de aparente tranquilidade. Há em cada um de nós um Robinson Crusuoe e uma Ilha Deserta, onde (ainda) é possível recomeçar o mundo com mãos imaculadas.


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Reflexos do Dia–a–Dia

Diniz Borges d.borges@comcast.net

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oje em dia já não se liga muito à chegada do carteiro. Longe vão os dias em que já na Califórnia, esperava por uma carta vinda "das ilhas", mais concretamente da ilha Terceira, a qual deixei em Outubro de 1968, tinha então dez anos. Durante anos, as cartas de minhas avós e minhas tias eram o nosso contacto com direto com um tempo e um lugar. Hoje, a Internet (melhor, as internetes como dizia o dotado George W. Bush) encurtece a distância, e através das novas tecnologias, os Açores e os nossos familiares e amigos estão dentro dos nossos telemóveis. Mas há coisas que não cabem no telefone, e ainda bem. É que o carteiro ainda nos traz muitas surpresas. E não me refiro às contas dos cartões de crédito porque essas também já estão nas novas tecnologias. O carteiro ainda nos traz pequenos/ grandes brindes vindos deste ou do outro lado do atlântico. E foi o que aconteceu ainda hoje, quando recebi o último livro do meu amigo Vamberto Freitas. Deixai-me dizer que conheço o Vamberto desde a idade dos 19 anos. Tenho um grande apreço por ele. Conheci-o quando estava na rádio e ele, apesar de estar no ensino, como professor de português no sul da Califór-

nia, também colaborava com a rádio, mais concretamente com o programa Lusalândia e com os jornais de língua portuguesa na diáspora, nos Açores e o prestigioso Diário de Notícias de Lisboa. Com o Vamberto mantenho uma amizade de quase 35 anos. Nem sempre concordámos, por vezes tivemos (e ainda temos) opiniões antípodas, mas com o Vamberto aprendi a gostar da literatura. E com ele tivemos, nos meus tempos de locutor de rádio, algumas das mais interessantes conversas e entrevistas que fiz em 16 anos de vida dedicada à rádio de língua portuguesa no estado da Califórnia. Uma conversa com o Vamberto era sempre um banho de cultura. Falávamos de tudo. Desde a política norte-americana à critica literária. Desde os acontecimentos políticos e a vida cultural em Portugal aos movimentos sociais e políticos que marcaram o nosso mundo. Desde o grande escritor sulista, William Faulkner ao crítico literário, Edmund Wilson, que no mundo português, o Vamberto conhece melhor do que ninguém. Tenho acompanhado o Vamberto em várias fases da sua vida, uma vida dedicada aos livros e à reflexão. Ainda me lembro, com grande emoção, e confesso que

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O Meu Amigo Vamberto Freitas com alguma saudade, quando no agora longínquo ano de 1991, começámos o simpósio Filamentos da Herança Atlântica, e na primeira edição lançámos, aqui na Califórnia, o seu primeiro livro, Jornal da Emigração: A L(USA) lândia Reinventada, que no ano anterior, em 1990, havia sido lançado nos Açores. Este seu primeiro livro contém uma amalgama de crónicas e reflexões, publicadas neste jornal (Tribuna Portuguesa) e em outros jornais da diáspora, nos Açores e como já escrevi, no Diário de Notícias de Lisboa. Ainda há pouco tempo revisitei este Jornal da Emigração. É que lá estão algumas das mais pertinentes reflexões das nossas comunidades da década de 1980. Para quem queira tentar compreender as comunidades de hoje, aconselharia, a ler com a devida atenção, o primeiro livro de Vamberto Freitas. Desde 1990 que o Vamberto vem publicando em editoras dos Açores e de Portugal continental. E os seus livros, particularmente a série "Jornal da Emigração" com vários títulos, são essenciais para se compreender as nossas vivências portuguesas em terras americanas. Os livros dedicados à literatura açoriana, são documentos preciosos para a cultura dos Açores, dentro e fora do arquipélago. Ao longo os últimos 22 anos o Vamberto publicou 12 livros e tem colaborado com

imensos jornais dos Açores e da diáspora. Entre 1995 e 2000 coordenou o Suplemento Açoriano de Cultura (SAC) do Correio dos Açores. Foram cinco anos marcantes na vida cultural do arquipélago. Desde 2003 a 2006 dirigiu o Suplemento de Artes e Letras (SAAL) da revista Saber Açores. Há muitos anos que faz parte do Concelho Consultivo da prestigiosa revista literária Gávea-Brown da Universidade Brown em Providence, estado de Rhode Island. O percurso literário, cultural e intelectual de Vamberto Freitas, é impressionante. A sua dedicação à critica literária e aos Açores, dentro e fora do arquipélago, é impar. É um homem de fortes convicções porque tal como escreveu o recentemente falecido Christopher Hitchens, para o Vamberto: a essência do pensamento independente não está alicerçada no que pensa, mas como o pensa. Tem cultivado, com os sacrifícios que advém de tal postura, um verdadeiro espírito autónomo. Não se liga a interesses particulares ou grupos, a não ser à amizade que tem construído com homens e mulheres ligadas à cultura em ambos os lados do Atlântico. E essa sua independência permiti-lhe uma escrita uma e crítica literária profunda e despojada de lobbies. É que tal como escreveu o Professor Doutor Assis Brasil: "há pessoas que, por sua arte e engenho, são capazes de modificar seu tempo. Este é o caso de Vamberto Freitas...É um intelectual "de cá" e "de lá",

movendo-se sempre com refinamento, eficiência e originalidade." Foi, deste Vamberto Freitas, que para além de crítico literário, intelectual, professor universitário e escritor, é meu amigo, que recebi o seu novo livro borderCrossings: leituras transatlânticas, publicado há duas semanas pela nova editora Letras Lavadas de Ponta Delgada. Dedicado à sua Adelaide, este é um dos mais preciosos documentos sobre os vários mundos que compõem o nosso mundo português e açoriano. Mas deste livro, que já leio e sublinho com grande atenção debruçar-me-ei num contexto de análise literária. Aqui, e nestes reflexos corriqueiros, quis apenas refletir o meu amigo Vamberto Freitas, que durante muitos anos foi presença importante nas páginas deste jornal e ainda o é graças à colaboração que nos dá para a Maré Cheia. E quis relembrar que o carteiro, ou, o homem do correio, como dizem alguns dos meus alunos, ainda tem uma grande utilidade, trazendo-nos preciosidades como o último livro do meu amigo Vamberto Freitas. É que como já escrevi algures: o Vamberto, com uma escrita frontal e elegante, transporta-nos para um universo de ideias e debates que esbarram preconceitos e derrubam fronteiras. Bem haja ao Vamberto por mais este livro e pelo seu trabalho analítico e divulgador da literatura luso-americano. Que seria esta literatura sem um Vamberto Freitas? Nem quero pensar nisso.

Tribuna do Leitor Caro amigo e Senhor José Ávila: Não tenho palavras que possam expressar a minha gratidão para consigo e toda a equipa do Tribuna pela cobertura da minha ordenação diaconal e do almoço, no Sábado, bem como na Missa em portuguès, no Domingo, na Igreja Nacional Portuguesa das Cinco Chagas. Confesso que não merecia, nem esperava tanto da vossa parte, eis a razão do meu profundo reconhecimento. As inúmeras fotografias que colocou no seu Facebook originaram mil e um telefonemas de alegria, tanto nos E. U. como em Portugal. Fiquei deveras sensibilizado por tão grande mnanifestação do vosso carinho e da vossa profissional reportagem a que não estou habituado. Obrigado. Espero, com a ajuda de Deus e da comunidade ser novamente merecedor da vossa atenção aquando da minha tão desejada Ordenação Sacerdotal em 2013. Tão depressa saiba a data da mesma, terei o cuidado de o informar. Peço a Deus uma Benção especial para si, sua família e toda a equipa do Portuguese Tribune, e que Deus vos iluni-

ne sempre na constante missão de servir a comuni

dade, construindo uma comunidade cada vez mais unida e mais solidária, onde os talentos que Deus nos concedeu, sejam postos em prática, com caridade, ao serviço deste Seu povo eleito. Diácono Tony Silveira

Just a note from Woodland:


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Temas de Agropecuária

Egídio Almeida almeidairy@aol.com

Preços do leite A controvérsia das Ordens Federais para controlar os preços do leite continua

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oi em Abril de 2004 quando diferentes Ordens Federais no “West” dos Estados Unidos foram terminadas, devido à falta do voto favorável dos produtores de leite, e o exemplo a seguir está aqui contado por um perito da industria dos lacticinios em Idaho, onde os preços pagos aos produtores de leite tem sido históricamente dos mais baixos pagos nos Estados Unidos. Entre 2001 e 2003 o Departamento da Agricultura dos Estados Unidos anunciou que o preço de todo o leite em Idaho tinha uma média de $12.07 por cada 100 libras, mais de $1.00 (menos) de que o preço médio pago a toda a producao do País, que era de $13.20. Os preços da California e Idaho têm históricamento corrido mais ou menos paralelos durante a ultima década. O serviço agricola “Agricultural Marketing Service” de USDA, afirma que um dos maiores beneficios do “Federal Milk Marketing” é de que os produtores de leite recebem um razo��vel preço mínimo pelo leite durante todo o ano, e que esse conceito foi comprovado em Abril de 2004, quando terminaram as ordens federais deixando os produtores sem rede de protecção nos seus preços, e estes baixaram significadamente. Este problema da industria de lacticinios não é nada novo nos Estados Unidos, e básicamente em quase todos os Países produtores de leite, salvo algumas excepções, o crescimento na produção em Idaho relativamente a outras regiões é outro factor. Em 2011 a produção de leite neste Estado era 15% mais alta do que 4 anos antes, a produção nacional cresceu apenas 6% em relação ao mesmo período, o relativo e rápido crescimento em Idaho continua a ultrapassar o ritmo da maioria dos Estados, assim como o impacto financeiro das infraestuturas necessárias para processar grandes quantidades de leite e evitar altos preços no transporte do mesmo.

Mudanças no sistema de preços em Idaho estão começando a acontecer. Algumas fábricas de queijo de proprietários independentes, estão incorporando novos mecanismos de preços com base na classe III de outras ordens federais. A nova demanda pelo leite, tal como “Shobine Yogurt” espera-se que ajudarão também a elevar os preços. Embora haja muitas razões pelas quais terminou a "Western Order”, a sua eliminação em 2004 resultou em perdas nos preços pagos pelo leite usado em diferentes produtos, e deixou os produtores directamente negociando os preços com os processadores, o que são más noticias quando a oferta excede a procura. Os preços da California não são directamente afectados porque há uma Ordem Estadual. Federal Orders e State Orders, têm sido motivo de especulação e controversia por muitas décadas. Um preço mínimo baseado no preço do produto final, que é já usado em muitos Estados segundo este perito, devia ditar uma alternativa que seja satisfatória para os produtores e processadores do leite. Regressar às Ordens Federais no Oeste dos Estados Unidos deveria continuar a ser parte da alternativa para a industria produtiva que continua a ser fustigada com preços baixos e incertezas, enquanto muitas familias vão remando contra a maré. Não há duvida que, enquanto a oferta exceder a procura, não há possibilidade de controlar os mercados e os produtores continarão sem resposta favorável para os seus problemas operacionais e financeiros. O professor Scott Brown, cientista na Universidade de Missouri diz: “a eliminação de Western Federal Milk Orders e as suas consequências, foi uma luz do que pode acontecer quando os preços pagos à produção não tem um classificado preço mínimo obrigatório”.

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1 de Junho de 2012


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Programa da Festa do I.E.S.

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1 de Junho de 2012

Assine o Tribuna Portuguesa e fique a par do que se passa


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COMUNIDADE

1 de Junho de 2012

Manuela - adeus à Vice-Cônsul

Organizações que participaram na Homenagem de Despedida à ex-Vice-Cônsul de Portugal em San Francisco, Manuela Silveira

Julia Chin, chanceler do nosso Consulado, falando da Manuela Silveira

José e Manuel Silveira - agora têm mais tempo para gozarem a sua casa em São Jorge

Colegas e amigos do Consulado: Anthony Lau, Manuela Silveira, João Mendonça, Julia Chin e Venceslau Silveira

Realizou-se no dia 20 de Maio no PAC de San José uma homenagem à ex-Vice-Cônsul de Portugal em San Francisco, Manuela Silveira, que se reformou depois de 40 anos de trabalho em San Francisco. Muitos amigos compareceram no PAC para dizer Obrigado ao extraordinário trabalho feito por ela. Manuela foi Vice-Cônsul desde 1993.

Manuela Silveira agradecendo a Homenagem Ofertas da Comissão Organizadora da Homenagem


COMUNIDADE

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Tony Silveira - novo Diácono

Teve lugar a 12 de Maio na bela Catedral de San José, a ordenação de oito novos diáconos, incluindo Tony Silveira. Foi uma celebração muito bonita numa Igreja cuja sonoridade é algo de impressionante. As ordenações foram presididas por Patrick McGrath, Bispo de San José. Nas fotos podem-se ver diversas fases da ordenação. Em Maio de 2013, Tony Silveira irá ser ordenado Padre. No dia seguinte, Tony participou na sua primeira missa e homilia na Igreja Nacional das Cinco Chagas (pág31)

Esq: Tony Silveira com filhos, genro e netos. Embaixo: Igreja Nacional das Cinco Chagas (ver reportagem no facebook do TP)


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FESTAS

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Casa dos Açores em Festa

Isaque Meneses benzendo as rosquilhas e o pão

Frank e Anália Furtado, presidiram a esta bonita festa

Como todos sabem a Casa dos Açores de Hilmar, realiza anualmente a sua Festa do Espírito Santo que é realmente muito tradicional, não havendo rainhas nem aias, mas sim representações das nove Ilhas dos Açores, cada uma delas desfilhando da maneira como o faziam nas suas terras. É uma festa sempre muita bonita, uma autêntica lição de história para aqueles que nasceram cá e nunca viram uma genuína festa do Espirito Santo como se fazia nas nossas Ilhas. O Presidente foi Frank e Anália Furtado. Na noite de fados actuaram Carmencita

Lysandra Jorge

(foto à direita) Debbie Terra, David Garcia, Ana Rosa, Lysandra Jorge, acompandos pelos Rouxinóis (ver foto ao lado). No Sábado, dia 5 de Maio, teve lugar o tradicional Bodo de Leite, sempre muito concorrido. A Missa da Festa foi celebrada por Isaque Meneses, jovem Padre de Merced, que se ordenou o ano passado em Fresno.

Fotos de João Freitas Photography


FESTAS

Festa do E. Santo em Elk Grove Teve lugar a 45ª Festa Anual do Elk Grove S.E.S. nos dias 13 a 20 de Maio. Durante toda a semana houve Rosário e na Sextafeira teve lugar a Noite de Fados com Sandra Pacheco (Los Banos), Paulo Filipe e Avelino Teixeira, ambos do Canadá. No Sábado depois da Rosário, jantar de caçoila e baile com os "Sem Dúvida", seguindo-se a apresentação das Rainhas e Oficiais. No Domingo, Missa de Festa com Eduino Silveira, Padre convidado, de Sacramento. Serviram-se sopas depois do regresso ao Salão, arrematações e novamente às 8 horas, jantar de Sopas e Carne. O Presidente foi Lino e Sandy Melo; VicePresidente Elias e Michelle Silveira; Tesoureira Adriana Melo, Secretário Steve Lawrence (ver foto abaixo).

Fotos de Jorge Avila "Yaúca"

Voa a pomba e pousa na Coroa do Espírito Santo Kaylee Middleton, aia; Ginger McCashill, Rainha; Melissa Silveira, aia

Tiffany Machado, aia; Victoria Miranda, Rainha; Clarissa Phelps, aia

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1 de Junho de 2012

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TAUROMAQUIA

1 de Junho de 2012

Reflexões Taurinas

Quarto Tércio

Joaquim Avila

José Ávila

bravoi3@sbcglobal.net

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josebavila@gmail.com

A Função do Director da Corrida na California

ou começar esta minha reflexão com o siginficado do cargo de Director de Corrida em Portugal: “Delegado da inspecção dos espectáculos tauromáquicos em Portugal; o mesmo que Inteligente. Compete ao Director de Corrida fiscalizar o cumprimento do programa anunciado e resolver os casos inesperados que de algum modo possam alterá-lo; presidir ao apartado e sancionar o sorteio, findo o qual fará afixar o detalhe da corrida, no qual se estabelece a ordem da lide e da saída das reses; verificar o estado da arena; verificar-se do estado sanitário das reses a lidar com um veterário presente também apontado pela direcção geral dos espectáculos. Durante o espectáculo, compete ao director da corrida orientar a lide, ordenando a lide, ordenando a entrada e recolha das reses, estabelecendo a mudança dos tércios, avisando e determinando a execução das pegas por meio dos toques de cornetim que manda executar, autorizar os cavaleiros a troca da montada, a autorização dos ferros curtos, mandar recolher os touros a que os acidentes da lide tenham produzido quebra de faculdades e, de uma maneira geral, o prosseguimento da lide”. Muito mais se poderia dizer sobre as funções de um director de corrida mas penso que não preciso escrever mais para todos vós se apreceberem que aqui na Califórnia estamos ainda muito longe de exercermos o verdadeiro cargo de director de corrida. Falo dos directores actuais como também de mim próprio quando exerci esse cargo por 15 anos. Em primeiro lugar o director de corridas na Califórnia legalmente não tem autoridade alguma porque não está ligado a nenhuma organização governamental como em Portugal, fazendo com que muitos intervenientes do espectáculo abusem da situção sabendo de antemão que nada lhes acontecerá legalmente. Não foi há muito tempo que li um artigo publicado em Portugal no ano de 1962 aonde dizia que o director de corrida devia actuar sempre em defesa dos legítimos interesses do público. Mas porque nem sempre assim acontece, e por falta de conhecimento e aficion do próprio público, não é raro observarem-se violentos incidentes entre o director de corrida e o próprio público. Quando li este artigo fiquei triste porque em Portugal era uma realidade em 1962 e porque aqui infelizmente é uma realidade em 2012. É realmente triste de se pensar que poderemos estar assim tão atrasados em alguns aspectos desta tão linda festa dos touros. Há sempre a desculpa que aqui não há regulamentos, por isso não precisamos seguir os regulamentos portugueses, mas essas mesmas pessoas orgulham-se muito da nossa festa ser uma tradição portuguesa. Agora pergunto: não será isto uma hipocrisia e muita falta de aficion? Penso bem que sim. Bem sei que nem todos os regulamentos portugueses se podem adaptar aqui por causa das leis deste país que forçosamente devem ser cumpridas mas também não vamos escolher só as que serão convenientes na altura, porque assim a festa nunca irá para a frente. Ser-se Director de Corridas na California é um dos cargos mais ingratos que existem na nossa festa de touros. Sei isto muito bem porque exerci esta tão dificil função, especialmente numa época inicial em que ninguém sabia bem o que era o cargo de Directo de corridas, por isso, custa-me imenso ler ou ouvir criticas injustas aos

Vou tirar o meu chapéu a todos aqueles que en-

trarem nas nossas arenas, com profissionalismo, com honestidade, com saber, com aficion, com técnica e respeitadores das regras básicas do toureio, e cujo objectivo será sempre satisfazer os aficionados que enchem as praças e que pagam o seu bilhete. Aos ganaderos exige-se que tragam os seus melhores toiros apropriados às funções para que foram contratados. Aos aficionados pede-se que saibam estar dentro da Praça, respeitem o silêncio durante as lides e durante a preparação das pegas. Nunca se esqueçam que a festa dos toiros é perigosa e pode ser mortal.

directores de corridas sobre causas que Com tudo isto não quero eles não têm controle algum. Um bom dizer que os directores de exemplo foi o caso recente de um cava- corridas fazem tudo bem leiro amador se apresentar de casaca nas feito e que nunca devem ser cortesias das duas corridas formais. O que criticados. Vê-se muitas poderia o director da corrida fazer? Parar vezes decisões muito mal as cortesias e mandar o amador retirar-se? feitas pelos nossos direcQue fariam os organizadores da corrida? tores, mas é preciso verQue autoridade tem o director de corridas se que em muitos casos as aqui na California para se impôr a toda a decisões têm que ser feitas essa gente e até de correr o risco dos cava- em fracções de segundos e leiros não quererem tourear como já acon- a sós. Em certos casos essas Já alguma vez a Assembleia Regional ou mesmo o Governo dos Açores se lembrou de reconhecer os três hoteceu anteriormente? A realidade é que decisões não são as mais mens mais influentes na California no aparecimento de não têm autoridade nenhuma porque não populares, mas tem que uma tradição das nossas ilhas e de Portugal, geradores existem regulamentos nenhuns que gover- haver alguma compreende uma grande industria e da movimentação de milhanam a nossa festa. Além disso, esses tipos são por todos em geral. As res de pessoas por ano? A seguir às Festas do Espírito de problemas não se resolvem na altura da criticas e opiniões construSanto quem é mais importante nesta Comunidade? corrida por respeito ao publico que pagou tivas são importantes mas Pode-se alguém comparar com eles: Manuel Correia, o seu bilhete, mas sim depois da corrida, nunca faltando ao respeito Manuel Sousa e Frank Borba? quando o director apresentar uma queixa à pessoa, porque penso que Só mesmo os cegos é que não vêem? por escrito à direcção dos espectáculos. todos os directores tentam Uma grande maioria dos presidentes das fazer sempre o seu melhor festas é que querem destinar ao que cabe possível. ao director da corrida, mas se alguma coi- Lembro-me de um caso que aconteceu co- mais dificil. sa não corre bem, então é o pobre do di- migo há muitos anos no saudoso Pico dos Não haja duvida nenhuma que precisaria rector que apanha com as culpas. Também Padres. Durante o decorrer de uma lide de haver regulamentos para as corridas da dão as culpas ao director, quando acontece alguém lembrou-se de abrir os portões da California, mas sem as festas e todos os que um touro que não seja recolhido rá- contra-barreira da praça. O touro quando elementos que participam numa corrida pidamente, ou que um grupo de forcados viu aquela abertura, saltou a trincheira e incluíndo ganaderos, empresários, artistas, leve muito tempo na praça como aconte- saíu para o parque de estacionamento aon- forcados e pastores aderirem e respeitarem ceu recentemente com um grupo de forca- de danificou uma carrinha lá estacionada. esses regulamentos, o director da corrida dos do Continente. Neste caso o director Agora digam-me, o que é que o director da será sempre um aficionado cheio de vontafartou-se de mandar toques para os forca- corrida tem a fazer numa situação destas? de mas sem autoridade nenhuma. dos saírem da praça. O que é que espera- Acontece que não está escrito em livro ne- A bem da festa brava. vam do director? Que ele se levantasse do nhum como resolver esta e muitas outras seu lugar e que fosse ao meio da praça para situações parecidas que podem acontecer recolher o touro ou retirar os forcados de- no decorrer de uma corrida. É dificil, muisobedientes? to dificil e ainda por cima sem regulamenO cargo do director da corrida é impor- tos, falta de cultura taurina e falta de edutantissimo antes e durante a corrida, mas cação de muita gente, torna-se ainda penso que os presidentes das festas e os organizadores das corridas ainda não se apreceberam da importância de tal cargo. Algumas festas pagam cachets super exagerados aos artistas que cá vêm e que acabam por abusar de tudo, mas para pagar uma miséria ao director da corrida é sempre uma dificuldade muito grande. E agora pergunto: porque é que alguém que esteja bem da cabeça quer exercer um cargo ingrato, cheio de contravérsias e não entendido pela maioria das pessoas como este? A razão é simples. Basta ser-se aficionado e gostar muito da nossa festa. Mas, é preciso ter cuidado porque se as coisas continuarem da mesma maneira em pouco tempo não haverá ninguém que queira exercer este cargo. E depois? Deixa-se o decorrer de uma corrida ao deus dará? Ou melhor será trazer directores de corridas de Portugal a pagar um bom cachet além das passagens e estadia? Nasceram em Agosto de 2006 e desde essa data foram crescendo e mostrando a sua valentia em diversas areAté porque já houve um nas dos Açores, Portugal e Espanha. Muito recentemente estrearam-se no Campo Pequeno pegando em três Director reformado de toiros com muito sucesso. Portugal Continental que No dia 4 de Junho este Grupo vindo da Ilha Terceira vai pegar dois toiros conjuntamente com os Grupos de queria implementar essa Forcados Amadores de Turlock e Amadores do Aposento de Turlock, na Corrida de Gala à Antiga Portugueideia cá, até porque lhe sa, comemorativo dos 100 anos da Turlock Pentecost Association, a ter lugar na Praça de Stevinson pelas 7 dava muito jeito. horas da tarde. Não percam esta corrida com toiros da ganadaria do Pico dos Padres.

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COMUNIDADE / PATROCINADORES

1 de Junho de 2012

2012 PORTUGUESE WEEK CELEBRATIONS Sunday, June 3, 3:00PM: Concert of Portuguese Classical Music at the Five Wounds National Church, San Jose. The Mission Chamber Orchestra of San José with its renowned conductor, Emily Ray will interpret music by Portuguese composers. Concert theme is the Fado, featuring David Silveria Garcia. For more information contact LAEF (925) 828-3883 Sunday, June 3, 5:00PM: Gala Dinner to celebrate Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas and the 49th Aniversary of the Luso-American Education Foundation at the Portuguese Athletic Club, San José. For more information contact LAEF (925) 828-3883 Thursday, June 7, 12:00PM: Day of Portugal Open Golf Tournament. This 8th Annual Portuguese Education Foundation scholarship fundraiser is being held at the Stevinson Ranch. The entry fee includes lunch and dinner as well as other amenities. For more information contact Paulo Soares, (559) 250-5636 Friday, June 8, 5:30PM: Flag Raising at San José City Hall. A group of Portuguese Bands’ Members will play the an-

thems, followed by comments by officials and members of the Portuguese-American Community. For more information contact Davide Vieira, (408) 258-9699 Saturday, June 9, 10:00AM to 5:30PM: Dia de Portugal Festival will take place at History Park San José, home of the Portuguese Historical Museum. The annual traditional parade will be held, along with entertainment throughout the day, Portuguese foods, vendor and information booths, a Children’s Carnival, Artist’s Exhibition, a book fair and TV showing of the World Cup Soccer Qualifiers game. For more information, contact Al Dutra, (650) 964-0406 Sunday, June 10, 11:00 AM Mass at the Five Wounds National Church commemorating Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas Commemorative masses may also be conducted at other parishes throughout California. Information courtesy of the Luso-American Education Foundation and the Portuguese Heritage Society of California

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ARTES & LETRAS

1 de Junho de 2012

Bomba de Leituras

Onésimo Almeida Em Agosto passado, Nuno Camarneiro – contou-me ele nas Correntes d’Escritas - espairecia de carro na ilha de S. Miguel. Na vila da Povoação parou para gasolina. O gasolineiro viu num assento Mau Tempo no Canal, de Nemésio: Um bom livro! Nasceu conversa e o turista caiu em si. Estava a falar com o devorador de clássicos sobre quem eu escrevera para a LER. De regresso a Providence, lá seguiu um email para a terra a contar mais esta. No dia seguinte o nosso gasolineiro respondia-me: Caro Amigo, eu estou bem, fiquei satisfeito com a sua notícia acerca do casalinho que encontrei em Agosto aqui na Bomba de Gasolina. Pois é: os livros são aqueles construtores

mágicos da amizade, por amor a eles temos a felicidade de conhecer do melhor que o ser humano possui, do mesmo modo como podemos ter neles a protecção devida contra correntes mal intencionadas. É esta a verdadeira magia do livro, unir e afastar no momento exacto. […] As minhas leituras vão indo a muito bom ritmo, há poucos dias acabei o Nobel chinês Gao, Uma cana de pesca para o meu Avô, eu procurei dele a Montanha da Alma, mas e n c o nt r a - s e esgotado, porque essa é a obra dele mais emblemática. Li Yasunari Kawabar t a, A Beleza e a Tristeza, muito bom, Os dias tranquilos, de Kenzaburo Oé, muito bom, adorei a italiana Grazia Deledda, em Cinzas, excelente, Nelly Sachs, com a sua poesia anti-Hitler. Gostei. Isaac Singer, Satã em Goray, um bom livro, Neve de Pamuk, a Turquia

aquilo é bastante complicado com aquelas religiões, é onde não existe a tolerância, o ar ali deve ser comprado a preço do ouro. Li Naipaul, li Coetze, mas quero deixar aqui uma referência a Nadine acerca do seu livro A Arma da Casa, maravilha, é uma obra com cabeça tronco e membros, para mim é de longe melhor que o Cotzee. François Mauriac, gostei, Dr. Jivago, grande clássico, mas uma coisa é certa: Saramago, há qualquer ligação entre nós. Ainda há poucos dias li mais um livro dele, a Clarabóia, já são quatro livros que leio dele, sempre que entro numa livraria

e vejo seus livros algo me chama para eles. Também li uma escritora norte-americana, autora de O Céu é dos Violentos e Sangue Sábio, seu nome é Flannery O'Connor, faleceu aos 39 anos, vítima de lupus,

se tal não acontecesse, segundo a crítica, era mais um vulto literário a juntar aos outros que presentearam as Terras do Tio Sam com obras de grande sucesso literário, como as de John Steinbeck, Sinclair Lewis, Pearl Buck, Bellow, Eugene, Updike. Este Mundo dos livros parece tão extenso como o Universo, sempre que lemos um livro descobrimos outros. Antes que esqueça, comprei 60 volumes de prémios Nobel da Literatura a partir de 1901 até 1966. Já andava há muito tempo à procura destes livros porque nas livrarias não se encontram, então aqui na Net encontrei um anúncio no site Coisas, entrei em contacto com a Senhora para a cidade do Porto, através da Net e do telemóvel fechámos o negócio, mas devo dizer que esta Senhora, eu achei-a de uma sensibilid ade enorme, seriedade extraordinária, a Senhora não a conheço nem ela a mim, contudo acheia uma pessoa maravilhosa. Os livros vieram ter-me à porta, com transportes e compra custaram-me 331 euros, estou louco com eles, estão novos,

Apenas Duas Palavras

Diniz Borges d.borges@comcast.net São mesmo duas breves palavras para que tenhamos o devido espaço para dois belos textos de dois ótimos escritores: Onésimo Almeida e Daniel de Sá. Dois textos diferentes, mas cada qual um belo texto que preenchem uma Maré Cheia, que começa o verão bem cheia. abraços diniz

cada livro tem gravado o nome do autor, e o ano, a introdução está feita do seguinte modo: os discursos, na Academia Sueca, e então traz uma obra do autor, encardenação rija, opera mundi. Neste momento estou a ler Primavera, de Sigrid Undset, estou a gostar, tenho dentro do carro o Dario Fo, Terras de Mezarat, mais um livro sobre as ditaduras, em breve quero regressar aos Estados Unidos, para ler Pearl Buck, Eugene, Sinclair, logo que os acabe, todo o continente americano fica lido, como já li Africa, logo que acabe as Américas ficarei só com a Europa entre mãos, já vou demasiado longo […] Se o leitor não perdeu ainda o fôlego eu já perdi.

“Que faz um poeta na guerra?” (A propósito de África Frente e Verso, de Urbano Bettencourt) Que faz um poeta na guerra?... Vê matar e morrer. E talvez mate ou morra também. Como Pedro, que uma mina matou tão completamente que só lhe enterraram a alma. Mas, se o poeta não morre, pode regressar sem alma. Ou trazê-la tão mudada que não a reconheça como sua. Ou que não se lha reconheça. “Frente e Verso” não é um livro de poesia de versos apenas. E nem toda a poesia que está nele é feita com palavras. O primeiro poema, o que primeiro se vê, que se sente, que nos surpreende e enrodilha a alma, ou o que dela nos reste, é a capa. Do outro Urbano, o pintor. Um coração em forma de África. Com cores de tristeza. Como o último instante de penumbra antes que a noite a apague. É a frente. Que na guerra significa lugar de combate. Na contra-capa, outro coração em forma de África. Ardendo em sangue a toda a volta. É o verso, que no título quer também dizer poesia. A nossa imaginação teima em crer que a

África é uma terra de sonho. Fica sempre bem na fotografia. Mas vendo-a de perto,

sentindo-lhe o hálito quente do entardecer, talvez se perceba que o que nela mais anoitece não é o dia, mas a vida. Se os sons deixassem rasto como certas passadas, África seria um coro quase infinito de prantos. E um dos maiores naipes desse coro teria regência portuguesa. Milhões de escravos. Milhares de mortos em guerras de ocupação mentirosamente ditas de libertação. Urbano, o poeta, esteve numa destas. Uma das derradeiras desgraças do Império. Trouxese a si na bagagem do regresso. Já não foi mau… E trouxe também o amor por aquela terra. E por aquela gente contra a qual o armaram. Amou-lhe a beleza para além do sangue. A felicidade possível para além do horror. E tem-no dito em prosa-quase-poesia ou em poesiasimplesmente. Em “Frente e Verso” estão

ambas juntas. A beleza na poesia é muitas vezes triste. E não há outra neste livro de remorsos alheios. Que quem deveria sentir não sente. Bastariam dois dos seus versos para estar perfeita uma elegia por África. A África que tanto quisemos que a destruímos. Que continuámos a amar desesperadamente depois de termos percebido que já nada valeria a pena. A África dos homens-nada e das mulheres coisas. Mas o remorso só teria sido útil se houvesse precedido o crime. Essa África mulher, essa África menina, a que está para além dos embondeiros e dos poentes vermelhos, prefiguração do sangue, resumiu-a o Urbano nesses dois versos. Ou disse-a toda inteira. Só isto: “violada pela milésima vez/ e sempre virgem”.


COMUNIDADE

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Oakdale - apresentação das Rainhas 2012

Com a presença de muitos amigos realizou-se no dia 5 de Maio a apresentação das Rainhas e Oficiais da Festa do Espírito Santo, de Oakdale (FES).

Presidente: Scott e Tina Lucas; Vice-Presidentes: Luis e Olga Coelho Rainhas Grande 2012 - Aia: Camrin McCoy, Rainha: Courtney Furtado, Aia: Susana Brasil - Rainha Junior 2012, Aia: Megan Rocha, Rainha: Kiara Ancheta, Aia: Adrianna Galaviz - Rainha Pequena 2012, Aia: Emma Gomes, Rainha: Laila Lourenço, Aia: Iyanna Valim

Falecimento

Maria de Lourdes Gonçalves

Faleceu no dia 13 de Maio em Capitola, California, depois duma luta de 3 anos com a doença de Alzheimers, Maria de Lourdes Gonçalves, que nasceu no Faial, na freguesia da Feteira, Acores e teria celebrado o seu 92º aniversário no dia 22 de Maio 2012. Era viuva do falecido José Maria Gonçalves, que era proprietário do jornal Telégrafo, na Cidade da Horta. Maria de Lourdes será lembrada por ser uma pessoa com um grande espírito, sempre ale-

gre e divertida. Quando se estava na companhia dela havia sempre uma atmosfera de bom humor e atitude positiva. Uma boa vizinha no colónia para reformados Smithwoods Mobile Home Park, em Felton, Ca, onde ela viveu por 31 anos após a vinda da cidade da Horta para os Estados Unidos com o seu marido nos primeiros anos de 1970, deixando a vida bela de pescar, andar à vela e conviviver com muitos amigos na vida social da Horta, para seguir a sua filha que

veio estudar para os Estados Unidos. Além de um grande espírito, Maria de Lourdes tinha grande talento artístico, ela fazia crochet, costurava e fazia tricot, e tudo o que ela fazia era belissimo e com perfeição. Todos os anos pelo Carnaval fazia uma fantasia para a sua filha que ela adorava, as fantasia feitas por ela distinguiam-se nas matinés do Amor da Patria, um clube social na Horta. Deixa a chorar a sua morte, a filha Mariza Leff e seu genro Jeffrey Leff, sua irmâ Lucilia Avila, de Tracy, California e muitos sobrinhos e sobrinhas que ela adorava. A missa e cerimónia será no dia 8 de Junho 2012, em St. John’s Catholic Church, (Highway 9 and Russell Ave.) em Felton California. O enterro será em cerimónia privada com a sua familia no cemitério da Holy Cross em Santa Cruz, California, onde ela se junta na sepultura de seu marido José Maria Goncalves que a precedeu em 1984. Tribuna Portuguesa envia sentidias condolências a todo a família.

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PAC - livro comemorativo dos 50 anos

Um livro para recordar 50 anos de boas memórias. Comprem-no pois vale a pena.

Jose Luis da Silva apresentando o livro "Um Sonho de Poucos ao Serviço de Muitos"

Tony Goulart falando sobre o passado do PAC

Realizou-se no dia 18 de Maio a apresentação do livro comemorativo dos 50 Anos de vida de uma das mais importantes organizações da nossa comunidade - Portuguese Athletic Club de San José. O livro teve como editor José Luís da Silva e foi publicado pela Portuguese Heritage Publications of California, Inc. Na sessão da entrega do livro a todos os associados, falaram José Luís da Silva, Décio Oliveira, Presidente do PAC e Tony Goulart. A POSSO bem como a Luso-American Education Foundation, através de Manuel Bettencourt, seu Presidente, ofereceram uma placa e uma salva dourada, para recordar tão importante efeméride. Portuguese Athletic Club foi fundado a 22 de Fevereiro de 1962. Além do futebol, o PAC através da sua Secção Cultural começou em 1969 a sua actividade, convidando importantes figuras da nossas comunidade para palestras, exposições, que ainda hoje são lembradas.No desporto ocupou um lugar de destaque entre os clubes desportivos da California.

Décio Oliveira, Presidente do PAC, recebendo as homenagens da POSSO e da LAEF Embaixo: antigos jogadores do Portuguese Athletic Club (foto de Mário Ribeiro)


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ENGLISH SECTION

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California Chronicles

Ferreira Moreno

C

ristiano Leonardo Machado was born on July 14, 1838, in Ponta Delgada, S達o Miguel Island, Azores. In 1855 he and his brother Antonio booked passage aboard the "ER Sawyer" and arrived at Boston on August 29 of that same year. In October, Cristiano embarked on the whaling ship "Callao" from New Bedford, bound for the Pacific Ocean. He returned on June 1858, after a two and a half year voyage. Apparently, he shipped out again on more whaling voyages, although details of those are unknown. Cristiano became an American citizen in May 1865, returning to Ponta Delgada shortly thereafter, where he married Maria Jose Sousa de Ramos in July of that same year. They were both living at Carmel, California as early as May 1866, the date of their oldest child's birth, at which time Cristiano was employed at the Carmel Whaling Company. A11 the above information was culled from "The Portuguese Shore Whalers of Ca1ifornia", a book authored by my good friend, David Bert達o, and published in 2006 by the Portuguese Heritage Publications of California, San Jose. Sharron Lee Hale (A Tribute to Yesterday, 1980 Edition) stated that the Machados had fourteen children, but only ten lived to adulthood. David Bert達o was more specific, listing twelve names and dates of birth, marriage and death. After ten years of employment at the Portuguese Whaling Company at Carmelo Cove (today's Point Lobos Reserve), Cristiano opted for life on the farm. In December 1877 he moved into an old adobe house on a pear orchard at Carmel Mission, and became the caretaker of the Mission grounds and buildings. According to historian James M. Guinn (1834-1918), "Machado then removed to the Carmel valley and rented nine acres of the Mission land and at the same time, 1877, was made caretaker of the Mission." (Historical & Biographical Record of Monterey & San Benito Counties, 1910 Edition). The following is a transcript from the Book of Accounts signed by Father Angelo Casanova (1833-1893), the pastor of San Carlos Church in Monterey in charge of the Mission: "December 1877, the new orchardist, Cristiano Machado, paid the rent in advance for this year $150. In the second year it will be $100 and the other years if lie wishes the orchard, according to the documents, it will be $125 per year. I found it necessary to charge the orchardist of Carmel Mission because I noticed the property was in rather bad shape and I placed there a certain Cristiano Machado, Portuguese. Already he has rehabilitated the orchard with 200 fruit trees bought from James Water of Watsonville. I put two lines of new fence, bought 1,600 feet of lumber to make a new kitchen and to line the back of the adobe house with boards." (Academy Scrapbook, July 1951, Volume II, Number 1. Academy of California Church History, Msgr. James Culleton, Editor). Besides the grounds upkeep, Cristiano took time to overhaul the Mission ruins and ultimately was rewarded by finding the grave of Father Junipero Serra. As Helen Hunt Jackson (1830-85) appropriately remarked: "The present keeper of the Carmel Mission grounds is a devout Portuguese, whose broken English becomes eloquent as he speaks of the old friars whose graves he guards. In clearing away the earth at the altar end of the church, in the winter of 1882, this man came upon stone slabs evidently covering graves. From the minute description, in the old records, of Serra's place of burial, Father Casanova, the priest now in charge of the Monterey parish, became convinced that one of these

Shore whaler & Mission caretaker (1) me III, Number 7). As Sydney Temple pointed out, "On January 24, 1882, Father Casanova, Cristiano Machado, who was the custodian at Carmel, and other helpers made their attempt to identify the internment of the founder of the Mission." (The Carmel Mission, From Founding To Rebuilding, 1980 Edition). Additionally, Martin Morgado wrote: "Cristiano Machado cleaned, repaired, and maintained the Mission and grounds, which included rediscovering the location of Serra's forgotten grave in 1882." (Junipero Serra's Legacy, 1987 Edition).

coffins must be his." (Glimpses of California & The Missions, 1916 Edition). Harry Downie (1903-1980), the legendary restorer of Carmel Mission, wrote: "Cristiano Machado was engaged to clear out

the church. The work proceeded from the front door toward the altar. On the clearing of the sanctuary the three stone vaults were revealed." (Academy Scrapbook, March 1953, Volu-


serving the portuguese–american communities since 1979

Ideiafix

Miguel Valle Ávila

portuguese

ENGLISH SECTION

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• ENG L ISH SECTION

miguelvalleavila@tribunaportuguesa.com

Deacon Tony Silveira celebrated his first mass On the occasion of Mother’s Day and the celebration of the feast of Our Lady of Fátima, newly ordained Deacon Tony Silveira preached his first mass at Five Wounds Portuguese National Church in San José, California on Sunday, May 13, 2012. The mass was concelebrated by Rev. António Reis, parochial vicar, Monsignor J. Patrick Browne, administrator, and Rev. James Okafor. António Alvernaz Silveira was ordained a deacon on Saturday, May 12, at the Cathedral Basilica of St. Joseph in downtown San José in a ceremony presided by Bishop Patrick McGrath. Tony is the widower of Margie Silveira who passed away in February 2011 after a long battle with cancer. Tony started his seminary studies in his early childhood in Angola, but then came a move to the US, marriage, and family. In 2009, he entered the Deacon Formation Program and will attend St. Patrick’s Seminary in Menlo Park for ordination to the priesthood in 2013. He is hoping to be placed at Five Wounds Portuguese National Church to minister to the Portuguese-speaking parishioners.

fotos de Miguel Avila

Five Wounds honored Our Lady of Fátima Five Wounds Portuguese National Church hosted its annual celebration in honor of Our Lady of Fátima May 10 through 13. This year’s celebrations coincided with the first mass of newly ordained Deacon Tony Silveira who preached his first sermon at the Sunday 11 am Portuguese mass. The traditional candlelight procession on Saturday afternoon had the same devotion,

but not the same impact as it was still sunlight out. Following the candlelight procession, a community dinner and dance was hosted at the IES hall. The high mass on Sunday concluded the celebrations with a procession.

fotos de Filomena Rocha


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COMUNIDADE / DESPORTO

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Que anda a fazer o Newark Pavilion?

F

az muito tempo que não dou conhecimento aos leitores das actividades que têm tomado lugar nas instalações do Newark Pavilion. Por isso aqui estou para dar uma ideia do que andamos a fazer e para todos verem como estamos activos na comunidade. Antes de me alongar, esclareço que não vou escrever como agora se escreve em Portugal ou como foi sugerido e quase mandatório. Na minha opinião agora escrevese com muitos erros e eu recusome terminantemente a escrever com erros. Ponto final. Passando ao ponto principal deste artigo, todos os anos o Concelho 16 da PFSA doa uma certa quantia para se comprarem mercearias para fazerem parte dum Cabaz de Natal que será distribuido a familias, sócias do Concelho 16 que tenham necessidade. Normalmente esse Cabaz de Natal é dado a cerca de 20 famílias e compreende uma lista bastante completa de mercearias, que são de uso normal numa casa. Quando fui Presidente do concelho 16,

depois de ter auscultado os membros que assistiam à reunião, passou-se a dar mais cabazes noutras alturas festivas como a Páscoa. Assim, o ano passado e este ano esses cabazes foram distribuidos tanto no Natal como na Páscoa. Por uma coincidência bastante interessante, o Business Board tinha recebido em Novembro um pedido de um ex-combatente no Iraque que queria distribuir perús para a comunidade nas nossas instalações e doou 100 perús para serem distribuidos pelas instituições de caridade que o próprio Concelho já ajuda. Assim e vindo mesmo a calhar, o nosso Cabaz de Natal tinha um perú de cerca de 20 libras que foi muito apreciado pelos que o receberam. Esperemos que este ano de 2012 o mesmo veterano tenha a mesma feliz ideia e queira utilizar as nossas instalações para o seu acto de caridade. O Cabaz da Páscoa foi distribuido por 10 famílias e também foi um sucesso, pois cada uma recebeu dois cabazes e os produtos eram bastantes variados. Estes produtos são prove-

nientes de donativos dos nossos membros, da Banda Filármonica Recreio do Emigrante, do Comité do Espirito Santo, da Fundação Viola Blythe, etc. e das pessoas que durante o ano vêm jogar Bingo nas nossas instalações e querem contribuir com arroz, feijão, latas de conserva, etc. Bem hajam a todos os que nos têm ajudado e contribuido para o grande sucesso desta iniciativa. É que é importante não esquecer que com dinheiro ou sem dinheiro todos temos de comer pelo menos uma vez por dia. Este ano de 2012 pela primeira vez o Newark Pavilion foi palco de uma das cerimónias relacionadas com a Portuguese Immigrant Week. O Business Board resolveu aceitar o desafio e no dia 12 de Março houve terço rezado na nossa linda capela e depois seguiu-se um chá que contou com a presença de 100 pessoas. Foi muito agradável e todos gostaram, foi pena não terem vindo mais pessoas, mas esperemos que para o ano também tenhamos a honra de participarmos e en-

tão ficam já convidados para nos acompanharem nesta cerimónia que foi bastante bonita. A Banda Recreio do Emigrante tocou em frente à Capela depois da reza do terço assim como já dentro do Hall 1 tendo sido bastante aplaudida. Os membros do Comité encarregados da organizacão das cerimónias do Portuguese Immigrant Week deram um certificado de apreço a duas directoras do Business Board – Fatima Teixeira e Angela Pereira, pelo trabalho realizado na preparação da festa e o Senhor José Isidro, maestro da Banda também recebeu um certificado de apreço pela sua actuação. O Comité do Espirito Santo presidido por Daniel Silva e sua esposa Conceição Silva, andam muito ocupados com os preparativos para a festa do Espirito Santo que vai ter lugar em 21 e 22 de Julho nas instalações do nosso Pavilhão. Como sempre, vai ser festa rija e já estou com água na boca só de pensar nas sopas que vão ser servidas. Esta é mais uma data a marcar no calendário.

Campeonato da Europa 2012 Que irá Portugal fazer?

No ano passado em Março, o artista Zé Duarte, de San Diego veio actuar ao Pavilion e foi um sucesso e assim deste modo, foi decidido que ele seria o nosso artista a abrilhantar um jantar tipo Western no próximo dia 2 de Junho. De certeza que vai ser outro sucesso, pois ele é um dos melhores artistas da nossa comunidade. E pronto meus amigos, penso que por hoje é tudo e voltarei com mais novidades logo que chegue de Portugal, em Junho, onde vou levar um grupo de senhoras americanas e visitaremos Cascais, Lisboa, Sintra, Óbidos, Fátima, Batalha, Tomar, duas provas de vinho – uma em Azeitão e outra na quinta de José Berardo, onde ele construíu um jardim da Paz e uma sessão de pintura de azulejo. Muito interesante e diferente.

Angela Pereira


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