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QUINZENÁRIO INDEPENDENTE AO SERVIÇO DAS COMUNIDADES DE LÍNGUA PORTUGUESA

1ª Quinzena de Maio de 2014 Ano XXXIV - No. 1177 Modesto, California • $2.00 / $45.00 Anual

Portuguese in California

P.18 a 20

Luso-American Fraternal Federation

P.2,12

Bernie Goularte

On March 26, 2014, Luso-American Life Insurance Society celebrated its 20th Anniversary in Dublin, California, with a celebration at Luso’s Home Office. P.12

Sugestões •

Maio 5 - Jantar com a Banda Lajense no Salão da Azores Band of Escalon. Ler mais na página 25

Maio 10 - Festa de Fátima em San Leandro, Artesia, Hayward. San José

Maio 12 - Corrida de Toiros em Laton

Maio 17 - Festival do Chocolate em Oakdale

Maio 17 - Festas em Salinas, San Pablo e Union City

Maio 18 - Festa S. Santo Cristo em Buhach

Outubro 11 - PALCUS - 2014 Annual Leadership Awards Gala in the Washington, D.C. area.

P.35

Young Portuguese Summit www.portuguesetribune.com

portuguesetribune@sbcglobal.net


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SEGUNDA PÁGINA

EDITORIAL im de semana de muitos acontecimentos.

Comecemos pela XXXVIII Conferência Anual da Luso-American Education Foundation, realizada durante quatro dias na Universidade de Berkeley - 25 de Abril de 1974 - Metas & Objectivos - 40 Anos depois. Na nossa próxima edição dedicaremos muito espaço a esta importante conferência. Convidamos todos a lerem o artigo de Diniz Borges na página 10 para compreenderem o alcance desta reunião. O jantar das Sister Cities de Gilroy teve este ano a curiosidade de ter presente duas senhoras, donas de um Restaurante da Terceira, para partilhar com todos muitas das nossas receitas tradicionais. Assim se faz comunidade. Em São Jorge comemorou-se os 50 anos da maior crise sísmica dos nossos tempos - 1964. Infelizmente, por razões nunca compreendidas, esta crise

1 de Maio de 2014

Recordar faz bem nunca foi reconhecida nem sequer pelos mais recentes livros da História dos Açores em que não existe uma só palavra desta triste epopeia de um povo que teve de abandonar metade da sua ilha devido a essa crise. É uma autentica vergonha académica publicarem-se livros sem o mínimo de conhecimento total dos factos. A quem é que interessou esconder esta crise? O maior acontecimento cultural e artistico deste novo século na California aconteceu no Domingo 27 de Abril na Sala da IES de San José. Houve a estreia mundial da Série Portuguese in California, da autoria de Nelson Ponta-Garça, que foi assessorado por gente boa e com dedicação. Pela primeira vez poude-se ver um trabalho visual de rara beleza, de rara estética, que nós como comunidade não estávamos habituados. Novas mentalidades e tecnologias produzem trabalho de grande categoria, comparável ao melhor que se faz nos melhores países.

Foi uma tarde para nunca mais esquecer. Não percam a possibilidade de a verem em outras cidades da California. Vão-se sentir orgulhosos desses jovens e das histórias das nossas gentes. Publicamos nesta edição a lista das nossas festas, trabalho feito pela Portuguese Fraternal Society of America, PFSA, em San Leandro. Esta lista poderia muito bem sair em Janeiro ou Fevereiro caso as organizações informassem a PFSA das datas das suas festas. Tem sido uma dificuldade conseguir-se estes dados todos devido à falta de interesse que as nossas festas têm em comunicar. Chega a ser inquietante esta falta de responsabilidade. Oxalá para o ano a possamos publicar muito mais cedo. Fica aqui o nosso agradecimento profundo às funcionárias da PFSA pelo excelente trabalho que fazem e que poderia ser muito mais simplificado se houvesse ajuda das festas.

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Faleceu este fim de semana uma figura importante da nossa sociedade Bernardine Marie Goularte. Além de ter sido educadora nos seus tempos mais jovens, Bernardine revelou-se uma lutadora por causas importantes da nossa comunidade - Portuguese Historical Museum, Portuguese Studies Program na Universidade Estadual de San José, Portuguese Heritage Collection na Biblioteca Martin Luther King da mesma Universidade. Ela e seu marido Lionel Goulart eram dos maiores filantropistas da nossa comunidade. E assim vamos perdendo os nossos melhores. Oxalá que nas novas gerações tenhamos MULHERES como Bernardine Goularte. josé avila

Year XXXIV, Number 1177, May 1st, 2014 $45.00


PATROCINADORES

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COMUNIDADE

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Festa da Praia na California

Há muitos anos a Praia, era um pocinho de areia; hoje, é uma cidade, onde o meu amor passeia... E é assim sempre que se vê, com areia! porque o nome lhe dá o geito de ser e de viver com o Mar à ilharga, por companhia. Por companhia a tivemos mais uma vez, algumas pessoas que nos habituámos a ver de visita, para trazerem o programa que fale das alegrias que a Praia tem em receber os seus muitos conterrâneos por terras de América e Canadá.

"Palco da Minha Vida", é o tema para este ano. Visitaram-nos Roberto Monteiro, Presidente da Câmara da Praia da Vitória; Raquel Borges, Representante das Festas; Tibério Dinis e Osório Silva, Vereadores da Câmara. E como "Só Fala Quem Sabe", Paulo Costa e Hélder Xavier, divertiram o público com "um pé cá, outro lá" numa rábula de teatro. A Banda Portuguesa de San José, foi palco e sala de jantar para todos os os convivas, no passado 11 de Abril, com alegria e boa disposição.

Fotos de Manuel Mendes


COLABORAÇÃO

Tribuna da Saudade

Ferreira Moreno

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ontava-se na minha terra o episódio anedótico ocorrido num animado comes-e-bebes de compadres, com um furnense gabando-se da abundância e variedade d’águas minerais no Vale das Furnas, quando um ribeiragrandense levantou a mão e disse: “Ó compadre, pelo amor de Deus, ouve lá. Nas Caldeiras da Ribeira Grande temos uma nascente d’água férrea, tão férrea que sempre que a gente bebe dela e depois precisa ir aliviar a bexiga, aquilo então é um tal esguichar de arame farpado.” Se por um lado não me inclino a autenticar a veracidade desta história, por ser totalmente inverosímil o desfecho do arame farpado, por outro lado incumbe-me confirmar a existência dessa nascente de água férrea, pois ali saciei a minha sede e curiosidade todas as vezes que fui de passeio às Caldeiras. Ainda na primeira década de 2000, numa breve estadia em S. Miguel, tive a oportunidade de rever as Caldeiras e revisitar a nascente da água férrea, refrescando assim memórias do passado. No entanto, parti desolado ao deparar com a deplorável falta de manutenção e limpeza à volta da nascente. Antes de prosseguir neste recordando, julgo conveniente esclarecer que, em inglês, água férrea diz-se chalybeate water (água ferruginosa), com sabor a ferro, certamente, mas sem produzir arame farpado. Por todo o nosso cancioneiro, a água surge brotando suavemente das nascentes, escorrendo fre-

quinha das fontes e deslizando mansinha nas ribeiras. Armando Cortes Rodrigues (1891-1971) no seu “Cântico das Fontes” versejou: “Porque não dorme a água?

Que canseira / A dessas fontes, sempre em seu chorar / Nunca se cala o pranto da ribeira / Nem jamais se calou o mar.” E mais ainda recordou: “É tão mexida a água e faladeira / Que p’ra bem dormir e se calar / As moças, à tardinha, a vão buscar / E nos potes a deixam na capoeira.” Por seu turno, o padre João Jacinto Raposo, micaelense natural da Fazenda de Nordeste, legou-nos o livro de poesias “Os moínhos d’água cantam na ribeira” recordando nostalgicamente: “Quantas vezes vi os moleiros / Às portas dos seus moínhos / Ouvindo murmurar as águas da ribeira / E

Recordando Água Férrea conversar com os vizinhos.” Manuel Augusto de Amaral (1862-1942) descreveu-nos “A Voz da Fonte” nestas quadras:

Numa gruta, junto ao monte, Sob avencas, entre fráguas, Sentei-me ao pé duma fonte, A ver deslizar as águas... E ali me fiquei cismando, Sem saber, nessa demora, Se a fonte canta chorando! Se a fonte cantando chora! Curiosamente, temos em S. Miguel três freguesias com estes nomes: Água de Pau, assim chamada em razão da ribeira, de longe, haver lembrado, primitivamente, um pau por onde corria água; Água Retorta

Diga-se o que se disser... As melhores panorâmicas dos Açores são de José Enes Tel. 562-802-0011

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ou 707-338-5977

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devido à ribeira que por ali se vai retorcendo em voltas, e Água d’Álto visto que a água da ribeira cai dum lugar alto. (Gaspar Frutuoso, Saudades da Terra, Livro IV). Albano Cordeiro (19141964) dedicou estes versos à Ribeira Grande, “terra farta e cheia, nascente e mãe d’água, que vai correndo em direção ao mar, alimentando os moínhos que não param de girar, regando os campos e as hortas.”

S. João p’ra ver as moças Fez uma ponte de prata; As moças não vão à frente, O Santo todo se mata.

Urbano de Mendonça Dias (1878-1951) escreveu: “Aos sítios onde a água nasce, chamaram-lhe os nossos Avôs com muita propriedade Mãe d’Água, e este nome estendia-se a toda aquela região. Na maior parte dos nossos melhores povoados, dotados de nascentes d’água, há sempre um sítio com aquele nome Mãe d’Água, e por este nome são conhecidas todas as terras que lhe ficam à volta.” (A Vida de Nossos Avôs, Volume I, Edição 1944). É um fato incontestável que a imaginação popular tem atribuído às fontes as mais diversas revelações de encan­tamentos, intervenções de Santos e até milagres de Nossa Senhora:

Convém clarificar que, na gíria popular, dava-se indis­tintamente o nome de fontes às nascentes d’água, e o cenário rural de antigamente apresentava esparsos fonta­nários e artísticos chafarizes.

Santo António vai à fonte P’ra ver as raparigas; E Santo António suspira Por ouvir suas cantigas.

É um regalo na vida À beira d’água morar; Quem tem sede vai beber, Quem tem calma vai nada.

Nossa Senhora da Paz Fez um milagre no monte; O Menino pediu água, Mandou abrir uma fonte. Nossa Senhora da Paz De noite subiu ao monte, Onde ela foi descansar Logo nasceu uma fonte.

Vila Franca, Vila Franca, De pequenina tem graça; Com chafariz à entrada, Dá de beber a quem passa. Deixa lá falar quem fala, Deixa lá dizer quem diz, Deixa lá passar as águas Direitas ao chafariz. Eu fui beber água à fonte, Tu bebias e eu bebia; Tu dum lado e eu do outro, Água e beijos à porfia.


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Rosie’s Tours

Midwest trip • May 24 - June 8, 2014

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1st - Wisconsin: Pabst Brewery, Dells Boat Ride, Fish Boil Dinner 2nd - Michigan: Tulip Garden Tour 3rd - Indiana: Amish Community such as Museum, Woodworking Shop, Rug Weavers and much more 4th - Ohio: Cathedral, Boat Cruise, James Bradley Statue, Glass Museum, Flood Wall Murials, Downtown Cincinnati 5th - Kentucky: Horse Farm, Beer/Borbon Distillery, Corvette Museum, Boat Tour, Louisville Slugger Museum 6th - Illinois: Abraham Lincoln Tomb, Museum and Home, Boat Cruise with Dinner, Money Museum, Wrigley Field, Navy Pier and much much more!!!

For Reservations please contact Rosie at 510-623-7674 or 510-773-9494 Deposits of $582.00 per person due by Feb. 10, 2014 Balance Due: April 7, 2014 Cut Off Date for Full Refund: April 7, 2014

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COLABORAÇÃO

Rasgos d’Alma

Luciano Cardoso lucianoac@comcast.net

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áginas há, mesmo que resumidas em curtas linhas quase esquecidas na história contemporânea do nosso velhinho Portugal, bastante difíceis de tragar. O seu conteúdo indispõe quem o lê e o sentiu morder-lhe a pele, tramar-lhe a vida. Quatro décadas depois, a ferida permanece dolorosa. E ainda deita mau cheiro. Por mais que doa admiti-lo, ou engoli-lo, nem tudo são flores perfurmantes na eufórica celebração do revolucionário 25 de Abril de 1974. Embora os lindos e aromáticos cravos vermelhos tenham ficado para a história como a imagem vívida dum Portugal livre do jugo do fascismo e do colonialismo, o certo é que ninguém gosta de recordar que, passada a euforia, eles também acabaram por murchar. Como as demais flores que nos deleitam, têm o seu prazo de vida limitado. É pena. Porque dá sempre gosto vê-los erguidos, robustos. E custa tanto enxergá-los no chão, espezinhados. No jubiloso desabrochar duma revolução, por mais triunfante que pareça, nem toda a gente dança feliz. É impossível contentar todos. Infelizmente, hão-de haver sempre pessoas desiludidas, almas espezinhadas. Quando o são por força da justiça, nada a dizer. Ninguém tem o direito de fugir ao castigo que merece. Tal

como também ninguém deveria ser punido à toa, sem justa causa. Lembro-me bem, quando ainda jovem estudante em delírio com a auspiciosa chegada dos ventos da liberdade a soprarem democracia lá nos ares frescos da ilha, do drama a despontar no rosto aflito de milhares de portugueses retornados do extinto império ultramarino. Os slogans, os protestos, as promessas inundavam o quotidiano incerto do povo inquieto por uma vida melhor. Gritava-se e condenavam-se os quarenta anos de ditadura, de obscurantismo, de miséria, e sonhava-se com um futuro risonho. Hoje, quarenta anos depois, há quem recorde e ainda chore. Ao relerem-se as páginas dos meses pós-abril, o pesadelo lá está. Deixou lágrimas latentes. Cravou-lhes marcas eternas. Bem pior do que retornados, sentiram-se reprimidos por um vil processo de descolonização que deixou muito a desejar. Eram cerca de meio milhão e a sua vida, então, sofreu um enorme baldão. Anos antes de abril chegar, com o estado português armado em colonialista, África foi um destino desejado. Sobretudo Angola, tornou-se um paraíso cobiçado por tantos compatriotas que lá viveram e prosperaram a belprazer. Mormente alguns dos que tiveram de fugir depois cá para terras do Tio Sam, ain-

Mágoa Reles da hoje nostálgicos, desabafam: “Foi a nossa primeira América!” A guerra no Ultramar, pesadelo da juventude lusa, tinha de acabar. Ninguém duvida. As províncias ultramarinas, mais cedo ou mais tarde, teriam de ser devolvidas. A descolonização,

desalojada, debandando de mãos vazias e alma estilaçada à mercê da benevolência alheia. Obrigar a população civil a pagar pelos fracassos políticos e abusos militares revelou-se um erro de proporções embaraçosas. Não está certo forçar ninguém, sem mais

no entanto, não tinha de ser tão precipitada como foi. O doloroso drama das muitas famílias lusitanas, convidadas a embarcarem em cata dum futuro aliciante na fartura de África para depois se verem despojadas de tudo, podia ter sido evitado. Foi pena o fiasco histórico de gente subitamente

nem menos, a ter de deixar tudo para trás. A vergonha nacional já ia longe e deu brado além fronteiras ao espezinhar-se gente a mais. Na vida, para tudo há um preco… nem sempre justo. Aquele que tiveram de pagar os ditos retornados, sobretudo todos os ho-

Cantinho do Miguel Miguel Canto e Castro radiocastro@yahoo.com

A Força do Berço

G

ostaria que me dissessem porque é que nos agarramos, apelamos e defendemos, com unhas e dentes, o torrão onde nascemos?! E que, ascendência ou descendência, não tem nada a ver com o lugar onde abrimos os olhos pela primeira vez. Ora vejamos: do meu lado materno tenho um bisavô Fraga, do Corvo, e uma bisavó Amarante, de S. Jorge, e do lado paterno os Cantos e Castros da Ilha Terceira! Eu nasci no Cais do Pico e do Pico não tenho ninguém da minha familia (ascendência) a nao ser o meu irmão Francisco Raimundo que nasceu em S. Roque do Pico, e a minha Irma Violante Maria que também nasceu no Cais do Pico. Com 4 anos (1935) fui viver para a cidade da Horta, Faial e com 15 anos deixava o Faial para vir para a California. Bom, e agora vamos à razão destes meus rabiscos. Quando vivia no Faial, de vez em quando havia uma corrida de lanchas da baleia e entre essas uma minha favorita de nome "Marota", construída em 1938, pelo Mestre Manuel José da Silveira, conhecido por Mestre Janeiro, no Cais do Pico. Uma das suas maiores rivais era uma lancha de nome "Valkiria", construida em 1937, pelos famosos irmãos José e Manuel Gambão, naturais das Velas, S. Jorge, e depois vendida e transferida para a Horta, Faial. Destinava-se ao tráfego local e como auxiliar à caça e reboque de baleias. Agora uma pergunta: qual das

lanchas pensam que eu apelava para ganhar a corrida?! A "Marota", está claro! Era do Cais do Pico! A partir daqui tudo o que era da "ilha-berço" era o melhor do mundo! As frutas, o vinho, o queijo, o bolo e as rosquilhas, e até as lapas mais saborosas eram apanhadas nas pedras negras do meu querido PICO!

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i, a força do berço! E a propósito, havia nesse tempo também homens fortes que gostavam de medir as suas forças! No Faial, com fama dos mais fortes eram os da freguesia dos Cedros, mas, eu tinha sempre por quem apelar da minha ilha Montanha! Agora vamos a caminho do Campeonato Mundial e espero que o nosso Portugal marque presença, pois se lá chegar vou torcer para ele ganhar. Mas se não chegar, entao torcerei pelos nossos "irmãozinhos" do Brasil. E se estes ficarem pelo caminho então, e em último caso, agarro-me ao "Vermelho, Azul e Branco" em agradecimento da boa vida desafogada que tenho disfrutado ao longo destes 67 anos nesta linda e rica California.

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nestos e mais conscientes, foi demasiado avultado. Só eles sabem quanto custou pagar-se tão caro para voltar a emigrar, recomeçar de novo e do nada, sem nada que não o ânimo ferido… o ego amachucado.

M

uitos destes filhos e filhas da pátria que os enjeitou, ainda hoje, após quatro décadas nos seus adornados jardins da diáspora, orgulham-se das suas rosas, dálias, sécias, camélias, orquídeas, malmequeres, açucenas, e demais flores lindas, mimosas. Cravos, no entanto, sobretudo os vermelhos, evitam-nos. Não é por mal. Continuam lindos mas ferem-lhes a sensibilidade. Lembram-lhes dias e horas de mágoa reles que ficou e ainda dói. Não há remédio que a cure. Agasta-lhes a alma. Golpeou-lhes o coração. Custa admitir mas não há volta a dar. São manchas negras, inapagáveis, páginas para olvidar. Porque não se podem reescrever.


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COMUNIDADE

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Água Viva

Ao Cabo e ao Resto

filomenarocha@sbcglobal.net

victor.dores@sapo.pt

Filomena Rocha

Victor Rui Dores

“Olhos negros”

The Red Carpet!

O

mote foi dado! A experiência teve emoção e vida! Nada se faz sem trabalho e o empenho necessários ao bom sucesso. Para tudo, o sonho comanda a vida! Um boa dose de sorte, o gosto pelo belo e a coragem para enfrentar o grande desafio, são condimentos apropriados, para que muita coisa mude, se veja por prisma diferente e se meça o tempo e as gentes por capacidades infinitas... Mas antes de entrar e pisar a Carpete Vermelha, há que olhar um pouco para tràs, lembrarmo-nos dos que antigamente tentaram o mesmo, com simplicidade, como quem falava com o visinho do lado, falando das nossas tradições, usos e costumes, a troco de uma gravata, de dois kilos de açúcar, quatro de farinha, duas dúzias de ovos e muitos bolos feitos para arrematar, pelos Terceirenses... Quanta Angelica da Graciosa e Pico aqueceram os ânimos dos que fizeram a Festa para o pioneiro da TV, “desaparecido do mapa”: Joaquim Esteves, natural da Ilha Terceira! - Como se a terra o tivesse tragado por arte e manhas do próprio demo! Salvo seja!!! Porque será que em momentos especiais de uma Comunidade, que não parecendo tão unida, sempre fervilham pensamentos que a traz de regresso ao passado? – Eu era muito jóvem, quando vim à Califórnia pela primeira vez; apenas tinha começado no Rádio Clube de Angra; trazia notícias da minha Ilha, da festa sempre buliçosa e foguete rebentando de alegria como as gentes no Terreiro... Fui entrevistada pelo sr. Esteves via telefone, embora o programa fosse televisivo. Havia a saudade da notícia, a fome do contacto com os parentes e amigos que haviam ficado para tràs. Estávamos no tempo em que ainda uma saca de roupa da América, valia tanto para o aconchego do corpo dos ilhéus, como uma águia de ouro no bol-

so dos ricos. Muitos anos depois, já a Comunicação Social teve outro avanço, e já quase ninguém espera por nada, nem ninguém tem tantas saudades que não as mate através do Skype, do Face Book, do Twitter, e o telefone é já o último recurso...

A

o atravessar o longo corredor da IES, em tapete vermelho, tive a sensação bonita de estar a viver o sonho que outros sonharam e não puderam cumprir. Pensei, com nostalgia, nos que há séculos passados chegaram a este enorme País, labutaram, remaram, pescaram, desbravaram mato e marés de angústia até construírem o que nunca puderam ter nas suas terras de origem. Mas sobretudo, não esqueceram o Deus da sua força e coragem para erguerem templos de adoração e sociedades de encontro de tradições dos seus antepassados. A entrada conduziu-nos ao salão devidamente decorado com gosto e muita classe para o efeito. Fez-se a hora social à qual nunca faltou o requinte do champagne, os acepipes e a conversa com velhas e novas amizades de quase toda a gente vestida a rigor para a fotografia... Até que as luzes se apagaram para ouvirmos o Fado e os depoimentos de pessoas que contribuíram financeiramente para este valioso e histórico projecto. Parabéns, Nelson Ponta-Garça e à tua vasta equipa pelo êxito conseguido. Felicidades!

O

ou da negritude nos Açores

s primeiros povoadores que, a partir de meados do século XV, se fixaram nos Açores, sobretudo os mais abastados, trouxeram consigo escravos africanos em número não determinado. Sabe-se que esses escravos negros não viviam em comunidade e, por conseguinte, não procriavam entre si. Eles limitavam-se a servir os seus amos. Quem tinha o poder (e, quase sempre, o direito) de fazer filhos à escrava negra era o homem branco. Ora, como comprova a genética, o filho de uma negra e de um branco ao fim de muitas gerações é branco. Isto explica a ausência de negritude nos Açores até ao século XIX, altura em que alguns negros, procedentes do Brasil, vieram parar a estas ilhas. Já no século XX alguma negritude chega até nós, por via africana e, sobretudo, devido ao processo de descolonização verificado em 1975. Mas uma negritude de raiz é coisa que nunca houve no arquipélago açoriano. Na cultura popular açoriana ficaram reminiscências dessa presença africana e dessa negritude. No Romanceiro dos Açores, recolhido por Teófilo Braga, temos os Romances Mouriscos, sendo que dois deles, o “Romance do Mouro atraiçoado” e “O cativo de Argel” chegam até aos nossos dias por via da oralidade. Na linguagem popular açoriana ainda hoje escutamos, da boca dos mais velhos, expressões como “não te metas em africanadas” (sarilhos), “foi uma africanada” (acto de intrepidez, coragem); “Ó Bijagós!” ou “Ó bijagodes!” (referindo-se a pessoa mal ajeitada; recorde-se que Bijagós é um arquipélago que fica próximo da Guiné). No campo musical temos “Olhos negros” (ou “Olhos pretos”), canção de criação local (ilha Terceira), um verdadeiro hino de

amor aos olhos da amada. Trata-se de uma cantiga que possui uma grande riqueza melódica e revela uma origem mais artística do que popular. Na minha opinião terá sido escrita e musicada por alguém com muito bom gosto musical e apurada sensibilidade poética - possivelmente um padre ou um mestre-escola. Os olhos negros de que fala a canção tanto nos podem remeter para África como para o Brasil. No primeiro caso, canta-se: “Os teus olhos negros, negros São gentios, são gentios da Guiné; Ai da Guiné por serem negros Da Guiné por serem negros Gentios por não ter fé.” Mas, por razões históricas que se prendem com a emigração açoriana para o Brasil na segunda metade do século XVIII, é possível que tal negritude também tenha a ver com as terras de Vera Cruz: “Olhos negros são cativos São cativos do império brasileiro; Não há paixão como a última Não há paixão como a última Nem amor como o primeiro”. Na ilha de São Miguel existe uma cantiga tradicional chamada “Merciana” que fala, essa sim, de uma negritude estritamente africana e que evoca o tempo da escravatura:

“Merciana, minha negra Vai fiar teu algodão Que estes rapazes de agora Prometem saias e não dão”. Ouvi, na ilha Graciosa, mas suponho que não é exclusivo daquela ilha, uma canção chamada “As Pretas”, cuja letra nos remete para o espaço brasileiro: “Nós éramos trinta pretas Todas vindas do sertão…” Segundo Pedro da Silveira, na ilha das Flores havia uma cantiga, chamada “Preto”, de que hoje restam versões nos Cedros e Flamengos (ilha do Faial) e Calheta de Nesquim (Ilha do Pico) e dão conta de um negro que reivindica para si o direito de amar as brancas: “Eu sou mulato da China Boneco de enfeitiçar Quando chego ao pé das brancas Também as sei abraçar. Também toco violão Também me sei menear Quando chego ao pé das brancas Também as sei abraçar”. Finalmente na toponímia temos, na ilha Terceira, a Lagoa do Negro e, na ilha de São Jorge, a Baía do Negro, a Baía do Mulato e a Grota do Negro.

Próxima Edição de 15 de Maio * 25 de Abril em Berkeley - Convenção da LAEF * Festa de Hilmar * Cruzeiro ao Hawaii * Jantar das Sister Cities Gilroy


PATROCINADORES

HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO Segunda a Quinta Sextas-feiras Sábados Domingos

11 am - 10 pm 11 am - 12 am 10 am - 12 am 10 am - 9 pm

Servimos almoços de Segunda a Sexta-feira das 11.30am às 2 pm. Servimos jantar às Sextas das 6 pm às 8:30pm

O melhor queijo tipo São Jorge fabricado na California

Enviam-se ordens via UPS com o mínimo de 2 libras

Noite Graciosense no PAC Realizou-se no dia 19 de Abril no Portuguese Athletic Club de San Jose a Noite Graciosense com o propósito de juntar amigos, quer da Graciosa quer de outras ilhas, a fim de ser apresentado o livo Graciosa Ilha, de José Nascimento Avila e Victor Rui Dores, bem como a Exposição Fotográfia "Graciosa, quietude e pureza" do mesmo jovem fotógrafo daquela Ilha. Victor Rui Dores com todo o seu saber, a sua graciosidade, apresentou o livro que já vai na terceira edição. Historiou os caminhos artísticos percorridos pelo fotógrafo, a escolha das fotografias, e o texto que acompanhou o livro, da sua própria autoria. A exposição de fotografias de bom nível e de muito boa escolha temática, levou o seu autor, José Nascimenro Fernandes Avila a explicar uma por uma o significado e a importância de cada uma. Seguiu-se um excelente jantar preparado por gente amiga e sempre pronta a auxiliar nestes dias de partilha comunitária e

de saudade. Filomena Rocha e Manuel Mendes deliciaram a assistência com canções da Graciosa e do seu próprio reportório. Manuel Mendes teve o cuidado de rebuscar canções antigas da mais graciosa ilha do mundo para gáudio de todos os presentes. No fim, Victor Rui Dores transfigurou-se em Chico Mentiroso e encheu San José de risos e gargalhadas. Fez uma viagem pela história do imaginário popular açoriano, acabando com as tradicionais Velhas. Assim se faz comunidade, assim se espalha alegria e assim minora-se a saudade das nossas terras de origem. Manuel Bettencourt foi um MC atento, bem como todo a gente que na cozinha trabalhou para nos proporcionar um bom jantar. Bem-aventuranças para todos.

Joe Matos

3669 Llano Rd Santa Rosa, CA 95407

707-584-5283

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COLABORAÇÃO

Reflexos do Dia–a–Dia

Diniz Borges

A

d.borges@comcast.net

comunidade portuguesa da Califórnia acaba de ter tido oportunidade de frequentar mais um congresso da Luso-American Education Foundation, o trigésimo-oitavo. Aconteceu, como é usual, de quatro em quatro anos, na Universidade da Califórnia em Berkeley com a coordenação da minha amiga a Professora Dra. Deolinda Adão e o meu amigo Dr. Manuel Bettencourt. Mais um grande esforço destes dois elementos da nossa comunidade, coadjuvados por uma minúscula comissão de gente ligada à Fundação e à cultura. Não é fácil realizar-se um congresso desta envergadura! É árduo o trabalho de planificação e execução. Há imensos detalhes a ter em conta e a comunidade, infelizmente, nem sempre entende. Mas este congresso é indispensável, diria mesmo imprescindível. Num período da nossa história coletiva, em que na comunidade portuguesa da Califórnia ficámos apenas com um congresso anual para refletir a nossa realidade de núcleos portugueses em terras americanos, é urgente enaltecer um fórum que, ininterruptamente, há 38 anos, vem juntando aqueles que ainda acreditam na pujança dos nossos valores culturais e na sobrevivência dos mesmos. Aqueles que ainda acreditam que a emigração vinda para

este estado desde os fins do século XIX, composta, maioritariamente, por uma miríade de gente humilde e trabalhadora, foi uma mais valia para a composição da costa do Pacifico e, seguramente, uma mais valia para Portugal. Que seria de Portugal (e dos Açores) sem as suas comunidades? Nem quero imaginar. O congresso deste ano teve como tema principal a celebração dos 40 anos do 25 de Abril. Se não é fácil promover-se um congresso refletivo, não é menos fácil celebrar-se Abril nas comunidades de origem portuguesa da Califórnia. Tenho a experiência, porque há 15 anos, nos tempos do Simpósio Literário-Dramático Filamentos da Herança Atlântica (em 1999) celebrámos, em Tulare, os 25 anos da Revolução dos Cravos com a presença de várias personalidades ligadas a Abril, como o cantor Manuel Freire e o Major de Abril, Victor Alves. Nunca recebi tanta ingratidão como quando celebrámos Abril. Apesar de não me ter apoquentado (como se diz na minha terra) houve, nesse anos algumas frases que não foram fáceis de ouvir. Não da totalidade da nossa gente, entenda-se, mas de uma malta pseudointelectual que como nos dizia Raul Solnado, numa das suas célebres rábulas: não mata, mas desmoraliza muito. Há por aí uma pequena, mas suficientemente viva casta, que tenta cas-

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Notas de Um Congresso ou Pensando a Comunidade em Tempo de Mudança trar tudo o que tenha cheiro a cultura erudita. Porém, e apesar das chatices que vivi, conseguimos, há 15 anos atrás celebrar Abril em Tulare e no banquete lá estavam cerca de 300 pessoas com cravos vermelhos ao peito. Este ano, acho que não houve um único cravo em Tulare. Tenho pena! Mas em Berkeley e San Pablo houve cravos e houve apresentações sobre Abril. Mais, praticou-se o ritual dos últimos doze anos, o Portuguese Youth Day com cerca de 90 jovens das escolas secundárias de Tulare e San José a cantarem a nossa eterna Grândola e a entoarem, mesmo no centro do "Free Speech Movement", a frase que marcou Abril e que deve marcar todos os que ainda acreditam na liberdade e na justiça social: o povo unido jamais será vencido. No baluarte da democracia moderna não compreendo, nunca compreenderei, porque é que se tem medo de celebrar Abril. Não percebo porque ainda há quem recuse celebrar esta data que libertou o povo português. Estive no congresso da LAEF, como o faço, religiosamente, há quase 30 anos, mas sem não fosse em Berkeley, seria em Tulare, mesmo sozinho, celebraria Abril. Exaltarei sempre Abril. E só tenho pena de mais gente portuguesa nesta Califórnia, tão aberta, tão progressista, tão liberal, não realçar os ideais de Abril: liberdade, justi-

ça, igualdade. O congresso não foi só Abril. Daí a premência de assumirmos, coletivamente, que este fórum necessita perpetuar a reflexão comunitária. Este, repito, é o único espaço em que falamos, coletivamente, de nós próprios, dos nossos triunfos e dos nossos desafios. E mesmo só por isso, é iminente continuá-lo. E é imperativo que tenha repercussões nas nossas comunidades. Daí a importância de uma simbiose natural: a experiência aliada aos sonhos dos mais novos. Há que ter a consciência que não se fizeram 38 congressos apenas como obra e graça do Divino. Houve trabalho, houve sonhos, houve expectativas, houve registos únicos e houve, da parte de muita gente, bastante sacrifício. É que as nossas comunidades, têm, para quem quer abrir os olhos e ver, uma mão-cheia de gente que ao longo das últimas décadas sacrificou muito, muito mesmo, para trabalhar para a comunidade. Esse trabalho não pode ficar esquecido, nem pode ficar apagado pelo nosso desejo de passar o legado cultural a todo o custo. Como prova temos a sessão feita pelos jovens do YPA (Young Portuguese Americans) em que solicitaram à audiência, maioritariamente composta por homens e mulheres com mais de 45 anos, que respondessem a uma pergunta, a mesma, que haviam

colocado aos jovens na cimeira realizada há três semanas. No momento da partilha, segundo os próprios jovens o disseram, as sugestões estavam todas no mesmo sentido das dos mais novos. Algumas até mais inovadoras. Daí que, ao refletirmos este congresso e com ele a comunidade, deveremos, primeiramente, agradecer à Deolinda Adão e ao Manuel Bettencourt, acompanhados por mais meia dúzia de pessoas, todo o seu trabalho e a sua dedicação. Não há preço para quem disponibiliza horas da sua vida, da sua família, dos seus tempos de laser, para dedicá-las, desinteressadamente, às nossas comunidades e à causa portuguesa em terras da Califórnia. Não é missão que dá louros, dividendos monetários ou medalhas. Depois há que salientar que estes congressos, independentemente do tema, devem ter sempre a preocupação da comunidade, e daqueles que aqui dão a cara, diariamente, para a preservação e a promoção da língua e da cultura portuguesas. Fazem-no nas suas famílias; nos seus postos de trabalho; na sua vida social com os seus amigos, sejam estes portugueses ou de outros grupos étnicos; nas suas igrejas ou templos; nos seus clubes, de origem portuguesa ou de outra nacionalidade; nas suas viagens e nos seus contactos. (conclui na página seguinte)


COLABORAÇÃO

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Temas de Agropecuária

Egídio Almeida almeidairy@aol.com

China e India

modernizam agropecuária ... a passo lento.

A

gricultores e produtores de leite nas duas Nações mais populosas da Terra estão modernizando as suas práticas produtivas a um passo mais lento. Mesmo assim esse esforço não é sem dores de cabeça quanto ao crescimento nas industrias de produção agrícola e agropecuária. Muitos países africanos e asiáticos estão sequiosos por conhecimentos numa agricultura mais moderna e mecanizada. Isto é talvez mais evidente na China e India onde os seus governantes e produtores estão à procura de conseguir a mais alta linha de produção agrícola. Recentemente um produtor de leite de Wisconsin despendeu dois terços do seu tempo, quatro anos em viagens para a companhia John Deere, Rob Rippchen, para se familiarizar com as suas experiências de negócios, e estas são algumas das suas conclusões, Os dois países estão em vias de mecanização, mas a passo mais lento que no oeste, e os seus governantes estão comprometidos em aperfeiçoar a mecanização a longo prazo, mas a China e a Índia tem diferentes formas para resolver o problema de uma mecanização com alvos destinados pelos seu governantes. Na China muitos agricul-

tores recebem um subsídio, na compra de novos equipamentos e segundo Rippchen, para justificar o investimento muitos agricultores tiveram que trabalhar as suas terras e as dos vizinhos. O arranjo na India, foi um pouco diferente. Cada Estado da antiga Colónia Inglesa tem os seus regulamentos, explicou Rippchen. As ajudas governamentais na India eram mais direcionados aos custos operacionais e programas de suporte à produção. Mecanização varia um pouco de país para país, mas normalmente segue a mesma rotina. O arado da terra foi a primeira área a ser mecanizada, seguido das máquinas para as colheitas, para aqueles dando os primeiros passos em equipamento, muitas vezes foi a compra de um “walk-behind tractor”. Rippchen adiantou, que mesmo com este movimento muita da agricultura depende da mão de obra humana ou com animais, nomeadamente o bufalo e bois. Quanto ao passo seguinte, a companhia John Deere espera que a demanda por tratores de meio porte (80 cavalos) continuará a ser a mais popular na India para uso doméstico e exportação. Na China os produtos John Deere ali manufacturados são práticamente para uso doméstico neste país. Quais são as qualida-

des de produtos agrícolas produzidos? Variam de região parar região tal como nos Estados Unidos. No sudeste da China produz-se grandes quantidades de arroz, no nordeste, algum arroz mas maiores quantidades de milho; no Central Leste o trigo em produção mais o milho dominam o panorama agrícola, enquanto que o algodão é a maior producao no noroeste. Muitos dos mesmos produtos são produzidos na India, mas o arroz é o produto prioritário especialmente na parte mais ao sul da India. Na região do centro norte, produz-se o trigo, enquanto que o algodão é o maior produto no nordeste, da mesma forma grandes produções de cana do acuçar encontram-se nestes dois grandes países asiáticos. Segundo a opiniao de Rippchen, é uma produção razoávelmente diversificad. A China tem aproximadamente 90 % da terreno produtiva do milho dos Estados Unidos, a diferença é de que a produção por acre é mais baixa. Estes países nem só estão procurando equipamento agrícola, mas tambem nova genética em produtos e animais, e ciência dos solos produtivos. A agricultura animal é uma mistura do velho e do novo, disse Rippchen. Na paisagem rural que encontramos na Asia e Africa, enquanto que há algumas operações

que se assemelham áquelas que encontrávamos nos Estados Unidos há um século. Encontramos também operações em larga escala semelhantes àquelas da Nova Zelândia e Estados Unidos, o mesmo acontece com criações de porcos e aves. Na India, o Bufalo de água, domina a produção do leite e muitos agricultores usam os mesmos ani-

mais para puxar as alfaias agrícolas no arranjo das terras. Perspectivas para a agricultura animal, são de que a demanda na agrcultura animal continuará enquanto a demanda no mercado por protéina animal de todos os tipos continuar a crescer, especialmente na China. Enquanto que os produtos do leite são um alimento muito valioso na

China, a situação é um tanto diferente na India porque aí os vegetarianos têm muitos membros nas suas fileiras devido à sua crença religiosa. Não esqueçamos que estes são os dois países mais populosos da Terra.

Pensando a Comunidade em Tempo de Mudança (conclusão da página anterior)

M

ais, estes congressos têm uma missão sublime, para mim, divina: pôr a comunidade a refletir, serem espaço de profunda inquietação e olharem, teimosamente, para o nosso legado cultural e o dever sagrado que temos em passá-lo às próximas gerações. Devem ser espaços onde se assume compromissos e responsabilidades, sem os rodeios e, definitivamente, sem qualquer ingerência do outro lado

do "Rio Atlântico". Aliás, Portugal e os Açores, nestes espaços, devem cingir-se a meros pagadores (e deveriam pagar bem e sem refilar) porque deste lado, desta costa, nestas comunidades, é que sabemos a trajetória que as comunidades necessitam. Mais, os fundos que Portugal tem mandado para as comunidades, quando geridos por gente da emigração com carater e idoneidade (a vastíssima maioria), têm sempre multiplicado. Temos feito por aí, muitíssimos milagres de rosas com as escassas migalhas que Portugal tem "investido" na

língua e na cultura portuguesas em terras da Califórnia. Espero que este Congresso continue por muitos anos. Que as novas gerações o abracem, tal como um reduzido, mas genuinamente impelido, punhado de gente o tem abraçado durante os últimos 38 anos. E acima de tudo que ele seja, tal como tem sido, verdadeiramente nosso. Que continue a estabelecer pontes entre gerações, entre a nossa comunidade e os outros grupos étnicos que compõem este mosaico humano que é o multiculturalismo estadunidense e entre Portugal e as suas comuni-

dades na Califórnia. Como o verdadeiro pináculo na reflexão estadual que interliga as comunidades, o congresso embeleza-se com a sua força de ser igual a si próprio e com o compromisso com as comunidades de todo este estado. Estas comunidades que, talvez, algum dia o imaginário político-partidário em Portugal entenderá.


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COMUNIDADE

1 de Maio de 2014

Centro Comunitario Grupo Amigos Da Terceira Inc. COMUNICADO O Grupo Amigos da Terceira realizou a sua Tomada de Posse dos seus corpos gerentes para o Mandato de 2014-2016 na sua Assembleia Geral ordinária do passado Domingo. A lista dos novos corpos gerentes terá um o total 46 elementos e 78 voluntários. Durante a Assembleia Geral, a Direcção apresentou o seu relatório financeiro anual em que se verificou um total de $76,000 mil dólares distribuidas pelo seu Fundo de Caridade durante o ano fiscal 20132014, uma quantia bastante elevada cujo objectivo primario da organização ser ajudar a caridade. O Presidente da Direcção, Victor Santos agradeceu a todos que de alguma forma contribuíram pelo grande sucesso deste passado mandato pois não só se registou um saldo financeiro positivo de cerca de $75,000 mil dólares como também abateram cerca de $55,000

mil dólares de dívida e afectuaram cerca de $67,000 mil dólares em despesas de vários projectos de manutenção. Ao todo a organização teve um orçamento de receitas de cerca de $546,000 mil dólares. Foi proposto algums projectos para o futuro próximo e os nomes para os recipientes do Prémio Nove Estrelas que será atribuido a nove Açorianos da comunidade na Gala do Fado a realizar-se no dia 24 de Maio englobado nos seus festejos em honra do Divino Espirito Santo. Os contemplados para 2014 serão: Raul Benevides, Paula Raposo, Cinira Faria, Eddie Chaves; Tony Cabral; Victor Soares, Jose Ribeiro; Nelia Alves; e Jose Vieira de Mello. Para bilhetes para estar presente nesta Gala do Fado e jantar de homenagem a estas nove estrelas podem contactar o Grupo Amigos da Terceira 401-722-2110. PO Box 1002, Pawtucket, RI 02862

MVPA

(Most Valuable Portuguese-Americans) Professora do Ano — Zilda Hilliard Organização do Ano --Tulare-Angra Sister City Foundation Negócio do Ano — Tulare Locker Service Leitaria do Ano — Manuel e Lina Borges Honorária Luso-Americana do ano — Michele Borges Voluntários do Ano — Victor e Mary Lawrence Inspiração do Ano -- Manuel do Canto

SOPAS Portuguese-American Hall of Fame — Duarte Silva, diretor executivo do World Language Project, na Universidade Stanford, o qual tem contribuído imenso para o ensino da língua e cultura portuguesas na Califórnia. O ano passado, José Ávila, diretor e editor do Tribuna Portuguesa, recebeu esta homenagem pela sua coragem e dedicação em manter vivo o único jornal em língua portuguesa no estado da Califórnia.

Artista do Ano- Paulo Serpa

Também neste ano de 2014 será entregue o quarto "ReSOPAS Portuguese-American Hall of Fame — Duarte Silva membrance Award" homenagem póstuma a alguém da nossa comunidade que tenha contribuído para a mesma. A associação estudantil SO- comunidade está cordialmen- O segundo "Remembrance PAS (Society of Portuguese- te convidada a assistir a este Award" será em memória de -American Students) das três evento em que são galardoa- um homem que muito marcou escolas secundárias de Tulare, das pessoas que têm servido a esta comunidade, particularapresenta no domingo, 18 de língua e a cultura portuguesas mente no campo da tauromaMaio de 2014, pelas 15h00 (4 nas mais variadas vertentes. A quia, João Mendonça. horas da tarde) o oitavo even- entrada é livre. Venham todos! to anual dedicado a distinguir Este ano vamos celebrar o emi- Venham todos celebrar conmembros da comunidade que grante português, o seu espí- nosco este acontecimento únise tenham diferenciado nos rito empreendedor a sua cora- co numa associação juvenil. A entrada é grátis. Venha apoiar mais variados campos. Daí gem, a sua dedicação. que neste ano de 2014, o evento Para além de vários alunos das a nossa juventude, a nossa coterá lugar no auditório Tulare três escolas secundárias, que munidade de amanhã e feliciCommunity, adjacente à escola serão homenageados, serão tar todos quantos serão homesecundária Tulare Union, se- distinguidos os seguintes ele- nageados. guindo-se um beberete ofere- mentos da nossa comunidade: cido pela associação estudantil (ver nota). a todos os presentes. Toda a

Falecimento

Bernardine Goularte 1933-2014

LALIS - 20 year in Dublin On March 26, 2014, Luso-American Life Insurance Society celebrated its 20th Anniversary in Dublin, California with a celebration at Luso’s Home Office. The celebration included the past Luso-American Life Insurance Society Board of Directors & Officers that were instrumental in moving the office to Dublin along with the current Board of Directors, Employees and Consul General Dr. Nuno Mathias. Luso-American Life Insurance Society is the premier provider of

Life Insurance, Financial Products and Fraternal Services to the Luso-American Communities since 1868.

Bernadine Goularte was born Oct 19, 1933. Resident in Fremont. Bernadine Marie Goularte, entered into rest April 29, 2014 at Washington Hospital. Born in Niles, CA to Manuel and Mabel Abreu, she was 80 years old and a life long resident of the area. She enjoyed traveling and reading and was

a long time Primary School Teacher for the Fremont Unified School District. She volunteered for 25 years with Washington Hospital Service League, Portuguese Historical Museum at History Park in San Jose and was also a member of P.F.S.A. #16 and lifelong member of Holy Spirit Parish. Loving wife of 41 years to Lionel Goularte of Fremont, CA. Beloved sister of Joseph Abreu and wife Shirley of Fremont, CA. Dearest aunt of Brenda and Larry DeCosta of Fresno, CA and Joe and Paige Abreu of Brentwood, CA. Great aunt of Lauren, Lindsay and Steven DeCosta and Megan and Logan Abreu. She is also survived by her cousin Barbara Pimentel and her husband Clay. Funeral Mass will be 6:30 PM May 5, 2014 at Holy Spirit Catholic Church 37588 Fremont Blvd, Fremont, CA. In lieu of flowers donations may be made to The Dominican Sisters 43326 Mission Blvd, Fremont, CA 94539 or Sisters of the Holy Family 159 Washington Blvd, Fremont, CA 94539


Antigamente era assim

João Bendito bendito@sbcglobal.net

A

cabei de ver mais um episódio de uma série de televisão que tento não perder aos domingos à tarde. Trata-se do programa “Parts Unknown”, do cozinheiro tornado globe-trotter Anthony Bourdain, um nova-iorquino que descobriu que percorrendo o mundo à procura de comidas, temperos e costumes culinários seria a melhor maneira de assegurar um futuro como figura mediática na TV americana. Os programas de Bourdain têm sofrido transformação nos últimos anos. Depois de ter dedicado algum tempo a viajar pelo planeta à descoberta de comidas exóticas, o apresentador e sua equipa agora têm a preocupação de nos mostrar muito da cultura dos povos que vai encontrando, as suas dificuldades de subsistência, os contornos políticos, religiosos e sociais das suas vidas de dia a dia. Para mais, o programa tem uma qualidade técnica de fazer arregalar os olhos, os documentários são filmados e produzidos por profissionais do melhor que há, principalmente no que concerne à fotografia e apresentação final. Outro programa que, confesso, via antes com certa regularidade mas que agora já não dedico muito tempo, é o “Amazing Race”, uma série que põe várias equipas de viajantes numa corrida pelo mundo, de aeroporto em aeroporto, de cidade em

mesmo quando ainda nem sabia uma palavra da língua inglesa. Já conto por várias centenas as fotos que vou depositando nos álbuns que mantenho na minha página do Facebook. Um deles, a que dei o título de “Gold Country”, serve para documentar aquilo que vou vendo aqui à minha volta mais precisamente na chamada “Mother Lode”, nas cidades e lugares que testemunharam essa gran-

nologias modernas a permitirem que sejamos turistas só com um simples clique no controle-remoto. As gerações que nos precederam também tiveram os seus meios de conhecer o mundo sem porem um pé fora de suas casas. A chamada literatura de viagem permitia que os leitores se aventurassem e sonhassem que estavam a atravessar a África de ponta a ponta, que viajavam nas naus de Magalhães ao redor dos oceanos ao lerem as descrições de António Pigafetta, ou que eram os primeiros europeus a chegar com o Capitan Cook às “Ilhas Canecas”. Num exemplo mais nosso conhecido, muitos portugueses ficaram a conhecer melhor a Madeira e os Açores com o livro “As Ilhas Desconhecidas”, de Raul Brandão. Por minha parte, sempre tive um interesse especial por este género de literatura. Presentemente está na minha banca de cabeceira, para ler duas páginas todas as noites antes que o cansaço me domine, um livro sobre as viagens de Hiram Bingham, o aventureiro americano que “descobriu” as ruinas da cidade Inca de Machu Picchu. E tenho, desde 1983, guardados todos os exemplares do National Geographic Magazine, essa soberba revista que me habituei a ler desde bem novo, quando a ia folhear à biblioteca pública de Angra,

de época que foi a descoberta do ouro na Califórnia. Muitas dessas cidades ainda conservam a arquitetura, o traçado e o charme que as caracterizavam desde 1849, ano em que, em Coloma, nas margens do American River, os trabalhadores de uma serração de madeiras tiveram a sorte de encontrar o precioso metal que lhes veio mudar completamente a vida a eles e o futuro deste país. Num outro álbum, mais generalizado, mostro a quem quiser ver, muitas fotos de paisagens, edifícios e ruas, enfim, aquilo que me desperta a atenção nas minhas deslocações “Pelos Caminhos da Califórnia”, como batizei a coletânea. Por causa de algumas dessas fotos troquei um diálogo electrónico com um amigo de juventude que vive no outro lado do mundo, na cidade de Santarém. Dizia-me o João Medina que só por duas razões não me vinha visitar para poder ver in loco muitos dos lugares que eu fotografei. Primeiro, tem medo de andar de avião e uma viagem assim tão longa não lhe cheira lá muito bem. Segundo, embora já tivesse investigado algumas cidades na Wikipidia, achava que a América ainda tem uma História muito recente e talvez pouco interessante, em comparação com a Europa. Claro que eu não concordo com a opinião

San Leandro

do meu amigo. A História deste país e mesmo a deste Estado, embora não sendo muito antiga, é recheada de factos e acontecimentos que foram muito importantes e até certo ponto decisivos para a História da humanidade. Quem tiver interesse em aprender não lhe faltam museus, centros interpretativos, galerias e bibliotecas onde estão documentadas as vidas de todos os que pisaram estes solos, desde os povos descendentes dos primeiros colonizadores, passando pelas tribos dos American Indians que aqui se estabeleceram ( ainda foi a semana passada que visitei uma antiga aldeia dos Indios Maidu, mesmo aqui a dez minutos da minha casa...), até aos mais recentes contributos dos emigrantes que vieram à procura de fortuna no “El Dorado”. Conhecer a Califórnia é um pouco como conhecer o mundo inteiro. Por toda a parte deparamos com exemplos da presença de povos que aqui arribaram e criaram raízes. As “Chinatown” de San Francisco e de Los Angeles têm o frenesim, os ruídos e os cheiros das metrópoles asiáticas; Nas planícies do Vale de San Joaquim vemos a influência dos Portugueses e dos Mexicanos nos ranchos leiteiros ou nos grandes pomares que se estendem até ao horizonte; No Silicon Valley podemos aprender a falar Indiano ou Japonês com facilidade, tal a quantidade de gentes dessas etnias; Um pouco por toda a parte, podemos saborear manjares tão diversos como exóticos em restaurantes Filipinos ou do Cazaquistão; E podemos viajar pela costa da Califórnia e visitar as 21 Missões que os padres Franciscanos estabeleceram para converter os nativos mas que tiveram efeito contrário já que ajudaram ao desaparecimento das tribos autóctones. Até o “Home Depot” já é internacional, numa das suas lojas aqui em Sacramento um grande anúncio por cima da porta de entrada é escrito com caracteres Russos... Portanto, meu velho amigo João, não tenhas medo da viagem do avião. Mete-te por esta América abaixo e vem passar uns dias à Califórnia. Não vais só conhecer este grande e maravilhoso Estado, vais ficar, ao mesmo tempo, a conhecer melhor o Mundo. Se for preciso até contrato o Anthony Bourdain para te preparar umas refeições especiais e, asseguro-te, vou ter a “frisa” cheia de sorvete para te consolares, melhores do que aqueles que comias antigamente no “Chá Barrosa”.

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Pelos Caminhos da California e do Mundo

cidade, tentando contornar e resolver situações que lhe são postas. Também aqui os realizadores se prestam a mostrar-nos, com fotografia e montagem de superior qualidade, lugares e culturas por esse mundo fora, gentes e seus costumes que estão distantes mas que a televisão nos trás até às nossas casas. Viajamos por continentes e oceanos sem sair do conforto do nosso sofá. São as tec-

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COLABORAÇÃO

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COMUNIDADE

1 de Maio de 2014

Noite Graciosense no PAC

Victor Rui Dores falando sobre o livro Graciosa Ilha e as fotografias de José Nascimento Avila

José Nascimento, Victor Rui e Manuel Bettencourt

Aspecto da Sala do Portuguese Athletic

Ler rep. na Pág. 9

Sete jovens com sangue da graciosa ilha

Às armas, às armas Pela Graciosa lutar Às armas! Às armas Pela Graciosa morrer!

José do Nascimento Avila, Victor Rui Dores, Manuel Bettencourt, Rui Gonçalves, Denise Avila, Luis Cordeiro, Manuel e José Silveira. Filomena Rocha e Manuel Mendes - canções antigas da graciosa ilha

O Chico Mentiroso de Victor Rui Dores


COMUNIDADE

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Clarinda Rosa

artista das lindas capas

Muitas das vezes vemos as Rainhas das nossas festas tradicionais artísticamente vestidas com capas lindas, e nem sequer pensamos nas artistas que as fazem. E até nem são muitas. Hoje vamos falar numa delas, que vive em Turlock. Chama-se Clarinda Rosa, saíu do Norte Pequeno, São Jorge, há 40 anos, tendo passado dois anos em França antes de vir residir na California. Quando cá chegaram foram viver para Concord por 5 meses, mudando-se para São José, onde o seu marido trabalhou numa leitaria. Não gostaram muito de lá estar e foram para Merced onde o marido continuou com o mesmo tipo de emprego. Através de um amigo ele teve a oportunidade de trabalhar na construção civil onde ficou por 20 anos. O casal tinha três filhos e assim Clarinda Rosa, como estava em casa, começou a fazer costura, até porque, tinha diploma tirado nos Açores. Trabalhou para o Gottschalks e Richard's Men's Wear, de Tracy, fazendo alterações. Novo só fazia para ela e seus filhos, não gostava de fazer para fora porque não sabia pôr preço no seu trabalho. Teve sempre muitos clientes e chegou até uma altura que tinha trabalho a mais. Há 26 anos, uma amiga sua, Filomena Matos, disse-lhe que tinha um trabalho para si, uma capa para uma Rainha das nossas festas. Ela nem quiz acreditar, até porque nunca tinha feito nenhuma nem sabia por

onde começar. Clarinda, no seu íntimo sabia que poderia fazer, mas estava receosa, nem sequer conseguiu dormir bem durante trinta dias, porque pensava nos problemas de como começar ou de como acabar. O começo foi difícil, mas conseguiu produzir uma bela capa e ficava admirada a olhá-la com orgulho e satisfação de ter produzido uma obra de arte, para ser mostrada a milhares de pessoas. E assim começou um novo amor da sua vida. As capas de hoje são o pão-nosso de cada dia. Adora fazer capas. Gosta de pensar e desenhar a próxima. É uma luta que sabe que vai vencer. Hoje em dia faz à volta de 24 a 26, mas este ano é o que tem mais, vai fazer 30. Clarinda Rosa diz-nos que o seu marido só queria que ela fizesse cerca de 10, para poder gozar melhor a vida, para poder sair mais, ver mais amigos, poder ter mais tempo seu. Fazer capas torna-se assim uma super dedicação, mais pelo amor à arte do que por questões económicas. Quando quer e precisa pode fazer uma capa numa semana, começando às 8 horas e acabando às 2 horas da manhã. Os custos das capas variam consoante aquilo que as pessoas querem. Já fez capas de $3,700.00, a mais cara de sempre produzida por si, mas elas variam em média de $2,000.00 a $3,000.00. Já fez algumas de mil e tal dólares. Clarinda Rosa já trabalhou tanto para o Norte como Sul da California, e já fez 6 capas para Idaho e outros lugares. No que diz respeiro ao material usado, ela adora o cetim italiano, porque faz uma capa bonita, que se aguenta bem e deixa-se limpar com facilidade. Muitas vezes acompanha as pessoas às lojas para a compra do tecido, mas o restante material ela tem tudo em casa. Prefere comprar as pedras que enfeitam as capas em New York do que as que se vendem em Los Angeles. É uma questão de gosto e de as achar com melhor qualidade. Hoje em dia já não há muitas pessoas a fazerem capas - temos a senhora Flores (Merced), uma senhora em Manteca, a Fátinha Mendonça (Gustine), Inês Santos (Artesia). A senhora Dutra de Santa Clara, pela sua idade avançada já se reformou. Clarinda Rosa adora viajar pela internet à procura de ideias em lugares católicos para o dese-

nho das capas. Depois, faz um desenho e durante muito tempo vai "mastigando" a ideia até gostar. Se não se apaixonar pelo desenho que fez, rompe-o, atira-o para o lixo e começa de novo. Perguntamos qual a diferença entre uma capa do Espírito Santo e de Nossa Senhora de Fátima. A resposta foi simples e lógica: "A do Espírito Santo leva a coroa, o terço e as pombas, a de Nossa Senhora de Fátima também pode levar pombas mas é outra espécie, é como uma andorinha e leva Nossa Senhora de Fátima que dá bastante trabalho a fazer". Gosta de fazer capas entre 3 a 3¼ jardas, muito embora já tenha feito com 4, dependendo da altura da jovem rainha. As cores das capas são na maioria das vezes escolhidas pelas mães das jovens, embora a Clarinda possa auxiliar conforme os desenhos pretendidos.

Clarinda Rosa, mesmo depois deste trabalho todo, diz-nos olhos nos olhos: "Embora tenha muitos problemas de saúde, enquanto puder continuarei a fazer capas. Dão trabalho, às vezes dorme-se pouco, mas depois ao vê-las desfilar nas ruas das nossas cidades sinto um orgulho enorme da obra que produzi. É um orgulho natural, diz ela!" Trabalhar sózinha tem sido um bom desafio para Clarinda, porque, sendo muito exigente no seu trabalho e querendo a perfeição possível, sente-se melhor assim. Melhor do que palavras, seria bom que as pessoas visitassem os estudios destas nossas artistas para compreenderem ainda melhor a sua arte, o trabalho minucioso empregue numa capa, que deve ser devidamente apreciado em todas as nossas festas.


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COMUNIDADE

1 de Maio de 2014


Conheça a nossa Comunidade

Al Pinheiro D epois de uma pequena interrupção, eis que voltamos a “Conheça a nossa Comunidade”, desta vez para nos referirmos a Adalberto Manuel Rocha Pinheiro, nascido no dia 1 de agosto de 1952, na cidade de Angra do Heroísmo, Ilha Terceira. Devido a circunstâncias diversas, incluindo a dificuldade que os professores e os colegas da escola tinham para pronunciar o nome de “Adalberto”, passou a usar “Alberto” e finalmente optou por “Al”, como é hoje sobejamente conhecido. Filho de pai nascido na freguesia de Lajes, concelho da Praia da Vitória, e de mãe nascida na freguesia de Santa Bárbara, concelho de Angra do Heroísmo, resolveram contrair matrimónio e fixar a sua residência na Guarita, bem em frente à Fanfarra Operária. O pai era um comerciante que comprava fruta pelas freguesias e vendia-a no Mercado Duque de Bragança, além da compra e venda de suínos, negócios que mantinham financeiramente a família. A mãe era doméstica e empregada no Hospital de Angra, mas com um espírito mais comerciante do que o marido. Este faleceu (bastante novo) em abril de 1960 e, a partir daí, a vida tornou-se muito difícil para o Al Pinheiro e para a mãe Maria Pinheiro. O nosso convidado de hoje começou a sentir imensas dificuldades provenientes da falta do pai, mas encontrou na mãe uma lutadora incansável, sempre a pensar no futuro do filho e da manutenção dela própria, dentro do humanamente possível. Por insistência da Sra. Maria Pinheiro, foi possível o internamento do filho no Orfanato de Angra durante o dia e o regresso a casa todas as noites para acompanhá-la. Vida difícil mas necessária. Até que a mãe do Al Pinheiro decidiu embarcar para os Estados Unidos da América, mais pròpriamente para a cidade de Pacific Grove, a fim de visitar familiares, onde se manteve durante 9 meses. Em 1964, com a idade de 12 anos, Al Pinheiro embarca na Terceira com destino a Pacific Grove para se juntar à mãe. Entretanto, como resposta a um anúncio do programa de rádio de Joaquim Esteves, a Sra. Pinheiro aceitou uma oferta para assistir uma senhora idosa na cidade de Gilroy, para onde se mudou e onde se manteve até ao fim da sua vida.

utensílios de cozinha com um outro português, de nome Manuel da Paz, passando depois a gerente de vendas e teve que mudar a sua residência para a cidade de Reno, Estado da Nevada, por um período de 3 meses. Mas as suas aspirações comerciais eram bem mais ambiciosas. Em 1976 iniciou as suas actividades comerciais com a abertura da agência de viagens “Caravelle World Travel” e de representante da companhia de seguros “Farmers Group”, na cidade de Gilroy. Na cidade de San José abriu uma sapataria e teve um programa de radio na estação da KSQQ. Voltando à cidade de Gilroy, e na política, em 1974 fez parte da Comissão de Planeamento, durante 6 anos. Em 2001 fez parte do Conselho da Cidade, durante 4 anos. E, finalmente, em 2004 foi eleito Presidente da Câmara

COMUNIDADE

Uma Vez por Outra

Carlos A. Reis reis0816@yahoo.com

com Al Pinheiro.

so, mas o divórcio foi inevitável;

Fala-me um pouco de ti… Fui um jovem, como tantos outros, que tive uma juventude difícil por ter perdido o meu pai com 12 anos de idade e ainda por me manter isolado da minha mãe que, em boa hora, partiu para os Estados Unidos da América e fiquei a aguardar a nossa reunião, o que veio a acontecer 9 meses depois; o meu primeiro casamento, com 19 anos de idade; e ainda o meu ingresso numa escola onde se falava uma língua muito estranha e desconhecida para mim;

Os teus filhos estão envolvidos em organizações portuguesas? Do primeiro casamento tive 2 filhos o David e a Gina, do segundo o Justin. O David é que está mais envolvido na comunidade, não só pela sua actividade profissional como também por já ter sido presidente do Salão Português e estar envolvido com jovens portugueses;

Como e quando emigraste? Depois do falecimento do meu pai, havia que tomar uma orientação e decisão para um futuro melhor para a minha mãe e para mim, especialmente para mim que era um jovem no início da sua vida. Por isso, foi o momento para viajar para os EUA para me juntar à minha mãe, o que aconteceu no dia 24 de dezembro de 1964; Tens alguma história que gostarias de contar? Para realçar a maneira como a minha mãe era uma lutadora, lembro-me dela se deslocar num cadilac velho da cidade de Gilroy para a de Ceres, a fim de frequentar uma escola, sob a orientação de um professor português, para o exame a fim de obter a cidadania Americana. Enquanto ela conduzia, ia-lhe fazendo as perguntas que normalmente eram feitas no exame. Passado este, já na qualidade de cidadã Americana, fez petições para 6 irmãos e mais de 12 descendentes;

A partir da chegada a Gilroy, Al Pinheiro encontrou uma colega na escola de nome Carmen Gonzalez, que era a sua tradutora do Espanhol/Português para o Inglês porque ele não sabia uma palavra da língua Inglesa. É importante realçar que ainda hoje mantêm uma relação muito amistosa. Depois de completado o liceu, frequentou um colégio durante 1 ano e meio sem a continuação dos estudos e, possìvelmente por ter herdado da mãe a intuição e o espírito de comerciante, lançou-se na venda de

Municipal de Gilroy, cargo que desempenhou durante 9 anos. Antes de abandonar a vida política, para orgulho e respeito da cidade, conseguiu um intercâmbio para reconhecimento das cidades de Tecate (México), Monte Cielle (Itália), Koror (Palau), Saint Claire (França), Tako Machi (Japão), e Angra do Heroísmo (Açores/Portugal), como as cidades irmãs da cidade de Gilroy. Apresentado o nosso convidado, é o momento para iniciarmos a nossa conversa

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Qual a melhor recordação da tua vida ? Ter sido Presidente da Câmara Municipal durante 9 anos. Ter sido pai dos dois primeiros filhos do meu primeiro casamento e 1 do actual. Na eleição para a Câmara, apesar de ter sòmente 18 votos portugueses, eles foram uns bons e valiosos colaboradores na minha eleição; E a pior? O meu divórcio, porque os meus ex-sogros foram sempre muito meus amigos e auxiliaram-me, quando houve necessidade dis-

Que mensagem gostarias de enviar à Comunidade Portuguesa… Agradecer a todos os portugueses que, por qualquer maneira, me têm apoiado na minha actividade profissional através da agência de viagens e da companhia de seguros. Com um realce muito especial de agradecimento ao movimento de solidariedade para com as famílias terceirenses que no ano de 1980 foram vítimas do sismo, que destruiu grande parte da ilha. No apoio que sempre me deram nas Convenções em que tomei parte. Antes de terminar, um agradecimento muito especial e muito particular a minha mulher Vilma que, não fosse ela, não teria conseguido o que fiz e obtive; A Tribuna Portuguesa à tua disposição… A Tribuna Portuguesa é o nosso elo de ligação entre todos os portugueses no Estado da Califórnia, com as mais variadas notícias que não seriam possíveis sem a sua existência. Quando o jornal desaparecer (tudo tem o seu fim), acabar-se-ão as notícias relacionadas connosco, diria mesmo que elas acabarão imediatamente. Por isso, devemos dar o nosso apoio total ao José Ávila para que o jornal se mantenha por muto mais tempo. Os meus agradecimentos ao Al Pinheiro pela sua colaboração e disponibilidade para que este apontamento fosse possível. Este trabalho foi feito a bordo do navio ‘Star Princess’ aquando do cruzeiro que fizemos recentemente às ilhas de Hawaii. Até breve!


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COMUNIDADE

1 de Maio de 2014

Estreia Mundial de Portuguese in California

Steph Chair Produtores: Linda Vieira, representando a LALIS; Angela Pereira, representando a PFSA, Batista Vieira, Connie Goulart, Liz Rodrigues, Manuel Cabral, Manuela Aguiar, Idalmiro da Rosa. Não presentes: Lucia Noia e Manuel Eduardo Vieira. Special acknowledgement in the memory of Antonio da Rosa Furtado.

Nelson Ponta Garça

Robe

Chico Avila Chico Avila, Angela Brito, Manuel Escobar, David Garcia e João Cardadeiro

Nelson Ponta-Garça, Kathy Nunes e Stephen Quigley Junior


hen "Tim" Quigley Junior, rman of Azores TV

Sean O'Kane Mestre de Cerimónias

Manuel Escobar Kristine Nunes e João Cardadeiro

erto Lino

Zé Duarte

Miguel Vaz (FLAD) e Nelson Ponta Garça

COMUNIDADE

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COLABORAÇÃO

1 de Maio de 2014

Ash Kalra (Vereador da Câmara de San José); Nuno Mathias (Cônsul de Portugal em San Francisco); Diniz Borges (Cônsul Honorário em Tulare); Miguel Vaz (FLAD, Luso American Foundation); Terry Costa (Director Artístico da Miracle Arts); Ana Ventura Miranda (Instituto de Arte, New York); Nelson Ponta Garça

Só Rock - Roberto Lino, Sérgio Leal e Nuno Braga

Aspecto geral do Salão da IES de San José tranformado em Sala de Cinema

Idalmiro da Rosa, Miguel Vaz e Cristiano da Rosa

Este projecto nasceu há 3 anos e entusiasmou o Nelson Ponta-Garça que se rodeou com outros sonhadores e meteu obras a um documentário que conta com muita sensibilidade um pouco da nossa presença nesta rica e dourada terra da California. Foram mais de mil horas de entrevistas para juntar tudo isto numa série chamada Portuguese in California, com 8 ou 9 episódios, que serão transmitidos por muitas televisões de todo o mundo lusíada e não só. É uma obra de fundo, bem delineada e sonhada pelo Nelson e pela sua equipa. Nunca tinha sido feito a este nível de qualidade e de tecnologia. A primeira luta deste jovem sonhador foi conseguir apoios financeiros. Foi difícil, até porque é uma obra de fundo e às vezes dificil de compreender por muita gente que não estariam a

pensar que este grupo de jovens conseguisse fazer o que fizeram. Depois de um certo tempo de exitação, os apoios foram aparecendo e os sonhos foram-se tornando realidade. Nelson e a sua equipa percorreram a California de Norte a Sul e não só, entrevistaram centenas de pessoas, ouviram histórias de rir e de chorar, juntaram-nas todas e fizeram o que nunca se tinha feito em termos de qualidade, de história, de bem contar vivências. É uma obra de primor, de que todos nos devemos orgulhar. Nelson Ponta-Garça desde o primeiro dia sabia que o esforço iria valer a pena. Sabia que em seu redor tinha uma equipa de produtores que acreditavam no seu talento, na sua arte de contar maravilhas e de as colocar em perspectiva. No dia 27 de Abril, o Salão do IES de San José tornou-se na nossa Hollywood.

Pela vermelha carpete desfilaram centenas de pessoas que extasiadas ficaram depois de apreciarem um pouco da nova série. Quem não pôde ir, nem sonha o que perdeu. Foi diferente, foi chique, foi profissional, foi artistico, sensibilizou muita gente. Muitas palmas, muitas lágrimas foram derramadas pelas palavras simples, directas, de tanta gente da nossa comunidade que passaram as passas que o diabo nunca amassou para ter o sucesso que tem hoje. Foi uma tarde e noite inesquecíveis que ficará a ser um marco no nossa história. Depois desta primeira aproximação à nossa vivência em terras californianas, porque não contar a enorme odisseia de toda a gente que desventrou o Vale de San Joaquin à procura de uma melhor vida. Temos um fabuloso livro dessa epopeia e agora só

Crystal Amarante, Goretti Silva, Cynthia Rodrigues, Lisa Amarante

Kathy Nunes, Nelson Ponta Garça, Djaló e irmãos Taylor e Jason Amarante

nos resta metermos ombros e transformá-lo em vida, tal como o Nelson fez nesta série. Tribuna Portuguesa sente-se orgulhoso de ter sempre incentivado o Nelson e toda a sua equipa a fazer esta obra que nunca tinha sido feita.

Esta nova geração da nossa comunidade tem pernas e cabeça para andar e oferecer-nos obras de valor, de grande qualidade estética, tal como vimos no super lindo Salão da IES, transformado que foi em salão dos nossos sonhos. Desde Domingo que a nossa comunidade ficou muito

mais rica. A todos vós o nosso obrigado.


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A Outra Voz

Goretti Silveira mariagorettisilveira@yahoo.com

Gambling

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Você vai ao Campeonato do Mundo no Brasil?

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1 de Maio de 2014

D. Nuno Alvares Pereira O SAnto Condestável

O

s anais do século XIV exibem copiosas notas sobre o afamado Santo Condestável, principal comandante e herói da grande batalha de Aljubarrota travada contra o poderoso reino de Castela em prol da independência de Portugal. D. Nuno Álvares Pereira nasceu no dia 24 de Junho de 1360, em Flor da Rosa, próximo de Crato. Os anais apontam ser ele o ilegítimo filho de Iria Gonçalves do Carvalhal e de D. Álvares Gonçalves Pereira, prior de Crato. O seu avô paterno foi D. Gonçalo (Gonçalves) Pereira, o nonagésimo sétimo arcebispo de Braga (1326-1349). Segundo confirmam os historiadores, D. Nuno Álavares Pereira descendia da mais antiga nobreza portuguesa e galega. Isto mesmo motivou o vigente rei de Portugal a decretar a legitimação oficial do bebé aproximadamente um ano após o seu nascimento, garantindo-lhe assim receber a esmerada educação típica de membro da família real. Ao atingir a idade de 13 anos, o jovem Nuno foi escolhido psra servir de pagem à rainha D. Leonor. Ainda muito jovem, aos 16 anos de idade, contraiu matrimónio com Leonor de Alvim, uma jovem e rica viuva filha única de João Pires de Alvim e de D. Branca Pires Coelho. O casal teve 2 filhos, que morreram jovens, e uma filha, Beatriz, que, mais tarde, casou com D. Afonso, o primeiro Duque de Bragança, filho do rei D. João I. Os historiadores apontam que a sua argúcia, a sua coragem e a sua bravura em confrontos bélicos cedo o distinguiram, e permitiram antever nele fundamentais características de futuro grande comandante militar. A sua carreira militar principiou muito cedo, isto é em 1373, quando ele tinha apenas 13 anos de idade e era pagem da rainha D. Leonor. Inicialmente, segundo ele próprio especificou, o jovem Nuno participou em escaramuças contra ocasionais tentativas de tropas castelhanas que almejavam transpor as fronteiras portuguesas. OS GRAVES PROBLEMAS DA SUCESSÃO REAL Em 1383, o rei D. Fernando I, ao falecer sem herdeiro varão mergulhou Portugal em complicados problemas de sucessão ao trono real. A Infanta D. Beatriz, sua única filha e herdeira, era casada com o rei Juan I de Castela. No interregno após a morte do rei, a burguesia portuguesa mostrou-se insatisfeita com a subsequente regência da viuva Rainha D. Leonor Teles e do seu favorito conde Andeiro, e, sobretudo, com o prospecto da ordem da sucessão ao trono, visto que, na hipótese da escolha de D. Beatriz como sucessora ao trono do seu falecido pai, isso significaria anexação de Portugal ao reino de Castela. Esta hipótese era veementemente repudiada pelo povo que também se mostrava muito

agitado pela confusão que então se fazia sentir na capital do país. Eventualmente, grupos inconformados reagiram em Lisboa e o conde Andeiro foi assassinado. O povo, aliando-se aos sentimentos da nobreza, começou então a insistir na elevação ao trono do Mestre de Avis, D. João, filho natural de D. Pedro I e coirmão do falecido rei. A nobreza portuguesa, com o firme propósito de assegurar e manter a independência nacional, apoiava com inabalável determinação a canditadura do Mestre de Avis, Assim, em abril de 1385, o popular Mestre foi reconhecido legítimo candidato ao trono e solenemente aclamado Rei pelas Cortes do Reino, reunidas em Coimbra, com o nome de D. João I. A notícia deste evento enfureceu o ambicioso monarca de Castela, o qual, já em 1384, havia montado dois cercos a Lisboa, por mar, energicamente desfeitos, na batalha naval do Tejo, por uma frota portuguesa vinda do Porto, a qual conseguiu descarregar grandes quantidades de alimentos para os cercados habitantes de Lisboa. Por terra, a peste negra e as tácticas guerrilheiras dos soldados comandado pelo Condestável puseram os decimados castelhanos em fuga. Alegando defender os direitos de sucessão de sua esposa D. Beatriz ao trono português, e jurando vingar-se das derrotas anteriores, o rei Juan I febrilmente iniciou os preparativos para nova e gigantesca invasão territorial de Portugal. PORTUGAL PREPARA-SE PARA A SUA MAIOR BATALHA O Mestre de Avis que, em abril de 1384, já havia derrotado um exército castelhano na batalha de Atoleiros, decidiu nomear D. Nuno Álvares Pereira “Protector e Segundo Condestável de Reino”, nomeação que, efectivamente, lhe conferiu o supremo comando das forças armadas portuguesas. Esta importante nomeação foi também acompanhada do título de Conde de Ourem e pertinentes regalias. Nuno Álvares então tinha apenas 24 anos de idade. Antes de confrontar as tropas castelhanas, urgia primeiro assegurar a adesão política ao novo monarca de várias cidades nortenhas que simpatizavam com Beatriz e seu marido Juan I de Castela. Com este objectivo, D. Nuno marchou com as suas tropas em direcção a essas cidades, cercando-as e isolando-as com ocasionais escaramuças, e, finalmente, convencendo-as a aceitarem as decisões das Cortes Reais. Os anais dos acontecimentos desses tempos salientam que o Condestável, compadecido da fome e sede sofridas pelos habitantes dessas cidades cercadas pelos seus soldados, distribuía-lhes água e alimentos pagos por ele próprio. Entretanto, a ameaça da aproximação do grande exército castelhano com rumo à capital de Portuguesa tornava-se mais imi-

nente. Dada a lentidão com que o volumoso exército invasor avançava, o Condestável teve tempo para escolher o terreno favorável para a sua programada batalha. Sagazmente ele escolheu uma pequena colina de topo plano, rodeada por ribeiros, muito perto da vila de Aljubarrota, situada entre os concelhos de Porto Mós e Alcobaça no no centro de Portugal. A GRANDE BATALHA DE ALJUBARROTA A mais famosa batalha na história de Portugal, --- e um dos acontecimentos mais decisivos na sua existência secular, bem como uma das grandes batalhas campais da Idade Média ---, ocorreu no campo de São João, muito próximo de Aljubarrota. Com o propósito de iludir os castelhanos, D. Nuno, pelas 10 horas da manhã do dia 14 de Agosto de 1385, inicialmente alinhou o exército português na vertente norte da colina, de frente para onde as tropas invasoras teriam

de passar. A vanguarda do exército castelhano chegou às imediações de Aljubarrota depois do meio-dia, sob o calor abrasador típico de Agosto. Avançando um pouco mais e vendo a presumida posição defensiva das forças portuguesas, o rei de Castela ordenou o seu exército a contornar a colina pela estrada a nascente. Devido aos 30.500 soldados que o constituíam, o exército castelhano começou a contornar a colina lentamente, pela vertente a nascente. Da sua inicial posição defensiva no topo da colina, os portuguesas viam tudo isto. Ao verem grande parte do exército inimigo alinhado nessa vertente à nascente, o exército português, obedecendo as combinadas ordens do Condestável, inverteu então a sua disposição e dirigiu-se rapidamente à vertente sul da colina escolhida por D. Nuno, que previamente havia ordenado a construção de um conjunto de paliçadas e de outras defesas em frente às linhas da sua infantaria e dos seus arqueiros e lanceiros, à maneira típica das famosas legiões romanas. A mudança causou grande confusão no exército do rei Juan I que, perplexo, decidiu então posicionar as linhas no seu enorme exército no exíguo campo de batalha preferido pelo Condestável.

Perspectivas Fernando M. Soares Silva fmssilva@yahoo.com O exército castelhano de 30.500 militares, chefiados pelo rei de Castela Juan I, era composto de: 15.000 peões, 6.000 arqueiros, 3.000 lanceiros, 2.000 lanceiros italianos, 2.000 cavaleiros franceses, 1.000 arqueiros italianos, 1.000 peões aragoneses, e 500 arqueiros aragoneses O exército português, comandado pelo Condestável e pelo rei D. João I, tinha 7.100 combatentes e incluía: 4.000 peões, 1700 lanceiros, 1.100 arqueiros, 300 arqueiros ingleses, e 200 cavaleiros portugueses. Pelas seis horas da tarde, os castelhanos, ainda não completamente alinhados --- mas evitando confrontar à noite as tropas portuguesas ---, começaram a atacar com uma forte carga da poderosa cavalaria francesa contra as linhas da infantaria portuguesa. Esta, todavia, apoiada pela chuva de virotes dos seus arqueiros e pelas lanças dos seus lanceiro, repeliu os cavaleiros gálicos que, confusos, se puseram em fuga desorganizada e com avultada perda de combatentes. A perplexa retaguarda castelhana demorou a prestar ajuda. Como o Condestável tinha calculado, a pequena largura do campo de batalha e as suas fortificações dificultavam muito as manobras das forças invasoras. A pesada derrota da sua cavalaria impulsionou os castelhanos a prosseguirem a batalha com a restante e muito maior parte do seu exército, nomeadamente com a sua enorme infantaria (15.000 peões) e cerca de 10.000 arqueiros e lanceiros. Todavia, ao avançarem contra os portugueses, os castelhanos viram-se compelidos a apertarem-se de modo a caberem no limitado espaço entre os ribeiros, facto que desorganizava as suas fileiras. Entretanto, enquanto os atrapalhados castelhanos se desorganizavam, os comandantes portugueses decidiram realinhar as suas forças, dividindo a vanguarda, chefiada por D. Nuno, em dois sectores que, ao avançarem comprimiriam os flancos do exército inimigo. O rei D. João, após predisposição dos seus arqueiros e lanceiros, avançaria com a retaguarda portuguesa através do espaço aberto na linha da frente castelhana. E assim foi. Com pouca mobilidade num limitado espaço para manobras, e comprimidos entre as tropas do Condestável e a avançada retaguarda de D. João, os desmoralizados castelhanos pouco puderam fazer. Ao pôr-do-sol, as tropas portuguesas já haviam vencido a batalha! Apressadamente, o monarca de Castela ordenou a retirada geral, sem cobertura, do restante do seu batido e desorganizado exército. Solidificando a sua vitória, a cavalaria

portuguesa lançou-se em perseguição dos fugitivos, dizimando-os sem piedade. Os fugitivos castelhanos que ainda procuraram esconder-se nas vizinhanças do campo da batalha não foram poupados pelo povo. AS GRANDES EXPRESSÕES DE GRATIDÃO NACIONAL Como agradecimento nacional pela vitória na grande batalha, o rei D. João I, em 1389, mandou edificar o magnificente Mosteiro de Santa Maria da Vitória (Mosteiro da Batalha), e fundou também a vila da Batalha. Sete anos mais tarde, o Condestável mandou erigir a Ermida de São Jorge, em Cavalaria de Cima, lugar onde se situa o campo militar de São Jorge, e onde ele, próprio havia depositado o seu estandarte ao findar o combate. O estandarte exibia as imagens da Cruz de Cristo, Santa Maria, e as dos cavaleiros São Tiago e São Jorge. A memorável vitória portuguesa em Aljubarrota acelerou o fim da crise que Portugal havia sofrido durante os dois anos do interregno real, consolidou a realeza de D. João I --- o primeiro da Dinastia de Avis ---, e reforçou a Aliança Luso-Britânica, que, um ano mais tarde, foi confirmada com o casamento do rei D. João I com D, Felipa de Lencastre, e o Tratado de Windsor. O rei D. João I, grato pelos dedicados e heróicos serviços prestados pelo Condestável outorgou-lhe os títulos de Segundo Conde de Arraiolos e de Sétimo Conde de Barcelos, e ainda o muito honroso título e cargo de Mordomo-Mór do Reino. Os anais históricos confirmam que D. João I considerava D. Nuno o seu maior e melhor amigo. Profundamente religioso, D. Nuno mandou construir várias igrejas e fundou diversos mosteiros, entre os quais o Convento do Carmo, em Lisboa, para onde ele se retirou em 1423, e viveu, após o falecimento de sua esposa D. Leonor de Alvim. Como membro da Ordem do Carmo ali residiu, com o nome de Irmão Nuno de Santa Maria até à sua morte, ocorrida no Domingo da Páscoa de 1431. O Convento do Carmo havia sido fundado por D. Nuno em cumprimento de uma promessa.

Frei Nuno de Santa Maria D. Nuno Álvares Pereira foi um homem cujo carácter e vida mereceram sempre o encómio, o respeito e a admiração de todos. A sua bondade e a sua generosidade foram bem manifestas até mesmo nos seus empreendimentos bélicos. Morreu com fama de santo, e a Igreja que ele sempre honrou, finalmente confirmou a sua santidade. O grande Condestável de Portugal foi beatificado por Bento XV em 23 de Janeiro de 1918. A sua canonização foi solenemente declarada pelo Papa Bento XVI no dia 3 de Julho de 2008.


Quarto Tércio

José Ávila josebavila@gmail.com

TAUROMAQUIA

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Corrida de Santo Antão

Devido aos seus afazeres profissionais o nosso habitual colaborador taurino Joaquim Avila não poude escrever a sua crónica. Vamos preencher esta página com fotografias da ultima corrida realizada na Praça de Stevinson no dia 28 de Abril, relativa à Festa de Santo Antão da mesma localidade.

Cartel

Cavaleiros - Paulo Ferreira e Sário Cabral Matador - César Castañeda Forcados Amadores de Turlock e Amadores de Merced Toiros das Ganadarias Joe Souza (2), Açoriana (2) e Germano Soares (2) Praça - 3/4 forte Director de Corrida - João Gonçalves Abrilhantou a corrida a Banda Lira Açoriana

Paulo Ferreira e Sário Cabral

Paulo Ferreira

Sário Cabral

Fotos de Francisco Romero

Forcados Amadores de Turlock

Forcados Amadores de Turlock Forcados Amadores de Merced César Castenada


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PATROCINADORES

1 de Maio de 2014

As listas das Festas foram patrocinadas por FURTADO

IMPORTS

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DESPORTO

Festa Tradicionais de 2014 - conclusão da página 33

Benfica num jogo sofrido

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Benfica na Final da Liga Europa O Benfica qualificou-se para a final da UEFA Europa League pela segunda época consecutiva, depois de ter empatado fora sem golos frente à Juventus na segunda mão das meias-finais, no Estádio da Juventus, palco onde voltará para disputar o troféu com o Sevilla FC, a 14 de Maio. Contudo, não poderá contar no encontro decisivo com Enzo Pérez, Eduardo Salvio e Lazar Marković por questões disciplinares. À espera de uma entrada muito forte da Juventus, coube ao Benfica - finalista vencido da prova na época passada - a primeira iniciativa do encontro, com Rodrigo a rematar na área contra Stephan Lichtsteiner. Só a partir de então é que a Juventus iniciou o assalto à baliza encarnada e, aos oito minutos, Oblak fez uma espantosa defesa, sacudindo por cima da trave o remate de primeira de Andrea Pirlo. Seguiram-se cerca de dez minutos de bolas bombeadas para a área do Benfica à procura de Llorente, mas Luisão e Ezequiel Garay mostraram-se seguros. Quando a bola sobrevoava a zona dos centrais, era colocada no poste oposto e foi num desses lances que Vidal rematou de primeira, mas por cima da trave. Carlos Tévez ficou, depois, perto de marcar, ao rematar à meia-volta ligeiramente sobre a trave, após lance ganho nas alturas por Llorente e, no lance seguinte, Lichtsteiner rematou à figura de Oblak, que, aos 35 minutos, viu Vidal cabecear ao lado. No derradeiro lance da primeira parte, a Juventus beneficiou do lance mais perigoso do encontro, com Vidal a surgir ao poste mais distante e a cabecear fora do alcance de Oblak, valendo ao guarda-redes esloveno os muitos centímetros de Luisão para salvar o golo sobre a linha.

Actuações da Banda Liberdade Lajense na California Sábado 3 de Maio - Bodo de Leite na Festa da Casa dos Açores de Hilmar Domingo 4 de Maio - Celebração do Espirito Santo - Casa dos Açores de Hilmar Segunda feira 5 de Maio - 7:00 PM Jantar, convívio e concerto na sede da Azores Band de Escalon Terça feira 6 de Maio - 7:00 PM - Jantar, convivio e concerto na sede da Irmandade do Espírito Santo de Tracy Quarta feira 7 de Maio - 6:30 PM - Jantar, convivio e concerto na sede da Irmandade do Espirito Santo em Sacramento Sexta feira 9 de Maio - 7:00 MP - Jantar, convívio e concerto na sede da Irmandade do Espirito Santo de San Diego Domingo 11 de Maio - Durante o dia Participação na Festa em honra a Nossa Senhora de Fatima de Artesia Quinta feira 15 de Maio - 7 30 PM - Jan-

tar na sede da Filarmónica União Popular de San José. Sexta feira 16 de Maio - 6:30 PM - Jantar, convivio e concerto no Salão do Espirito Santo de Hayward - 1105 C St. Sábado 17 de Maio - 7:00 PM Jantar, convívio e concerto na Salão do Espírito Santo de Santa Clara Domingo 18 de Maio - 6:00 PM Hora Social, Jantar, convívio e concerto no Salão do Espírito Santo de Stevinson Terça-feira 20 de Maio - 5 00 PM - Jantar, convívio e concerto na sede da Irmandade do Espírito Santo de Novato. Para quaisquer informações, favor telefonar para o coordenador da digressão da Liberdade Lajense, Manuel Eduardo (209) 761 0691.

A segunda parte começou com a melhor ocasião de golo do Benfica em toda partida, com Rodrigo a aproveitar uma bola solta na área para rematar ligeiramente por cima. Tratou-se da única vez em que os campeões nacionais se aproximaram de forma consistente da área à guarda de Gianluigi Buffon. A Juventus apertava o cerco de forma paciente e tentava de todas as formas o tão necessitado golo. Pirlo, aos 61 minutos, também tentou surpreender Oblak com um livre directo, quando se esperava o cruzamento. Todavia, o esloveno fez uma espantosa defesa, junto ao ângulo superior, redimindo a falta que valeu um cartão amarelo a Enzo Pérez. Seis minutos depois, o Benfica viu-se reduzido a dez elementos, após Enzo ter visto o segundo cartão amarelo por falta sobre Vidal. Jesus fez sair Rodrigo de imediato, fazendo entrar André Almeida. Até final, a Juventus tentou tudo: passes em profundidade, cruzamentos, remates de longa distância. Já nos descontos, e numa altura em que o Benfica jogava com nove elementos, pois Garay teve de sair para receber assistência médica na face, Oblak fez uma espantosa defesa a cabeceamento de Martín Cáceres e segurou o apuramento para a final, que Pérez (expulso por acumulação), Eduardo Salvio (viu cartão amarelo) e Lazar Marković (expulso depois de ter sido substituído, tal como Mirko Vucinic, da Juve). UEFA.com


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CULTURA

1 de Maio de 2014

O mito de um luso Génesis me falavam do que eu havia perdido: algo inexplicável, inexpressável, irrepetível, intransmissível, inefável. Quer dizer: o 25 de Abril, a festa alargada, celebrada em crescendo e em sete dias com o seu apogeu em 1 de Maio, o sétimo dia, passara definitivamente à história, transformada em mito. No caso, um mito de génese (no sentido bíblico; ou, para contemporâneos nossos menos interessados no Antigo Testamento, no sentido do Piaget da psicologia genética, que não é sinónimo do de Richard Dawkins e dos neodarwinistas seus continuadores), o mito do surgir do homem novo, que nem seria apenas português. O mito dos humanos anteriores ao pecado de Adão, muito próximo do bom selvagem de Rousseau, recuperado por Marx e por ele transposto para o futuro, numa reinvenção terrena do paraíso terreal. Portugal virara o Éden do finalmente purificado homem moderno e ia agora anunciar e revelar ao resto do mundo como se vivia o socialismo original. Agarrou o slogan utópico do Maio parisiense de 68 - Sejamos realistas, peçamos o impossível! - e acreditou deveras nessa posibilidade.

Onésimo Teotónio Almeida

O

25 de Abril foi um evento bíblico que, ao contrário do Éden, o paraíso terreal descrito no Génesis, temos provas de ter acontecido mesmo. Para mim, todavia, há uma importante semelhança com o caso bíblico: não fui testemunha. Estava longe (por sinal bem longe, a oito fusos horários, na Califórnia) e recebi tudo em narração com a ajuda de imagens televisivas sempre em diferido. Quando, dois meses depois, cheguei a Lisboa, já todos só

A narrativa poética (outra semelhança com o Génesis) que fui tecendo desses sete dias, e que acredito tenha sido vivida em pleno por milhões de compatriotas, foi, mês após mês, ano após ano, década após década, ficando colada a um passado cada vez mais longuínquo, mitificada a ponto de hoje estar envolta no manto diáfano de uma nova lusa saudade e, pelas gerações nascidas posteriormente, associada a um sentimento nostálgico da gente já grisalha e quase toda aposentada, em fase de desejado regresso a uma perdida idade de ouro da adolescência. E, no entanto, essas gerações nadas e crescidas já na liberdade, tomaram como dado adquirido as conquistas de Abril, não parecendo por isso sentir necessidade de lhe reconhecer essa dádiva. Mas é mesmo assim que as gerações enterram as precedentes. Como de resto é natural tudo quanto ocorreu e que Freud explicaria tratar-se do triunfo do princípio da realidade sobre o do prazer, e os psicólogos conhecedores da natureza humana identificariam como um processo normal de amadurecimento colectivo pois, se os seres humanos precisam de sonhos para viver, a vida não é um sonho; há que viver desperto e saber distinguir entre mito e realidade. Rousseau foi um poeta que Robespierre levou a sério e por isso deu no que deu; Marx, na British Library, não quis fazer caso do que lhe ensinavam os psicólogos ingleses e nem mesmo esse escocês Adam Smith, bem mais perto do claro-escuro, branco e negro da natureza humana do que ele, que nunca teve de se preocupar com o ganha-pão porque tinha sustento, em grande parte parte graças ao seu mecenas Engels. Nada disso justifica o pesadelo em que Abril se transformou para tantos portugueses. E não é de modo nenhum aconselhável dar corda à tendência actual de se caminhar para o extremo, o caos apocalíptico (para nos quedarmos ainda na alegoria bíblica inicial). Será bem melhor – mais realista – imaginarmo-nos na travessia de um deserto, todavia sempre sem perdermos de vis-

Apenas Duas Palavras

Diniz Borges d.borges@comcast.net Acabámos de celebrar os 40 anos de Abril. Ao fim de quatro décadas da revolução dos cravos Portugal encontra-se numa grande encruzilhada, social, politica e até mesmo identitária. Perderam-se alguns valores de Abril dizem-me aqui e acolá. Será que os havíamos conquistado? Verdadeiramente conquistado? Portugal precisa ser repensado e precisa repensar-se. A 40 anos do primeiro de Maio, em que o povo, mais uma vez veio à rua, publicamos uma Maré com três textos deliciosos do escritor, filósofo, poeta, professor universitário catedrático e ensaísta, Onésimo Almeida. A primeira crónica é alusiva a Abril, ao mito de Abril. De tudo o que li (e li alguma coisa) ao longo dos últimos meses sobre o 25 de Abril, nada, mas nada mesmo, chega aos calcanhares do texto de Onésimo Almeida. Este texto é um verdadeiro tesouro. Depois publicámos ainda um outro texto breve do mesmo intelectual e verdadeiro amigo, conhecedor e defensor das nossas comunidades, que também é uma preciosidade e a qual nos mostra, ainda mais uma vez, a beleza da sua escrita. Uma escrita que é para ser lida, palavra por palavra, demoradamente e com o máximo de atenção. abraços diniz ta a Terra Prometida de uma sociedade melhor aonde nenhuma Tróika, Europa, Alemanha ou África Lusa nos levará ao colo. Abril deve animar-nos, acalentar-nos o dia a dia, mas os pés no chão em movimento para diante são a única garantia de que não acabaremos assados na areia escaldante do deserto, mesmo à beira da fresca água do Atlântico que abraça o Rectângulo e a sua extensão insular no meio dele. * Peça em papel de Catarina Branco, homenageando o 25 de Abril

Serendipity é mais ou menos isto

N

a vida as coisas não são branco ou preto, como as gentes da política querem pintá-las. Esquerda e direita eram. Foram. Tudo hoje é mais complexo. Volto a António Quadros para contar uma história dele que teve belas repercussões, independentemente de ele ser de direita ou esquerda. Ou de eu não gostar da leitura nacionalista que ele faz de Pessoa. Um dia, na praia de Sesimbra, um americano estava estendido

na areia ao lado de um casal português. O homem lia um livro. O americano, curioso, meteu conversa. Que livro era aquele? Era de um tal Fernando Pessoa. E o seu leitor chamava-se António Quadros. Conversa puxa conversa, o americano, que nunca ouvira falar de Pessoa, ficou cativado e quis saber e ler mais e mais. Já sabia espanhol muito bem. Era autor de traduções, muito conhecidas nos EUA, de Cervantes, Calderón de la Barca, F. Garcia de Lorca e

Lope de Vega. Tinha o nome de Edwin Honig. Era também poeta e professor no Departamento de Inglês da Brown, colega do George Monteiro. O encontro levou Honig a interessar-se por Pessoa e, mais tarde, a ser o primeiro tradutor de Pessoa para inglês, em 1971. Vários anos depois, foi ele que me cedeu a sua correspondência com Thomas Merton. Sim, o monge trapista que líamos nos anos 60 no Seminário de Angra (A Montanha dos Sete Patama-

res, em edição brasileira comprada no Sargento Ferreira, ao Alto das Covas). Merton traduziu poemas de Caeiro ("O Guardador de Rebanhos”), a pedido de Suzuki, o introdutor de Zen no Ocidente. A história ainda mete o poeta Octávio Paz, amigo de Honig. Mas isso tudo eu já contei num artigo - "Sobre a mundividência Zen de Pessoa-Caeiro", publicado na Nova Renascença, do saudoso José Augusto Seabra (estórias dele para outra ocasião) e integrado no meu livro Pessoa,

Portugal e o Futuro, a sair por estes dias na Gradiva e que por isso não vale a pena repetir aqui. E tudo isto por causa de um casual encontro de duas pessoas deitadas ao sol numa praia de Sesimbra. Não conheço a Rita Ferro, de quem há dias li o primeiro volume do seu diário Veneza Pode Esperar, em que fala muito do pai, precisamente António Quadros mas acho que ela havia de gostar de saber esta história.


PATROCINADORES

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Bodo de Leite


Friday, June 6 - Fados com Kristine Nunes, George Costa Jr, e Lysandra Jorge

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SERVING THE PORTUGUESE–AMERICAN COMMUNITIES SINCE 1979

Ideiafix

Miguel Valle Ávila

portuguese

ENGLISH SECTION

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miguelavila@tribunaportuguesa.com Five Wounds Portuguese National Parish, 1914-2014:

The Centennial of Our National Parish

Five Wounds Portuguese National Parish in San José was established in November 1914. A vast two-year program is being established to commemorate this important parish for the Portuguese-Californian community. The Five Wounds Parish kicked off its centennial celebrations on Saturday, April 5, 2014 with a Memorial Mass in remembrance of Aristides de Sousa Mendes, Consul General of Portugal in San Francisco (1921-24) and subsequently in Bordeaux, France where between May and June 1940 he issued about 30,000 visas to World War II refugees including about 10,000 Jews. A devout Catholic, Sousa Mendes died in poverty 60 years ago this past April. The Sousa Mendes family was represented by the sons, daughter, and grandchildren of John Paul Abranches, one of

Sousa Mendes’ 15 children. Individuals of several denominations and religious attended the Catholic Mass honoring one of the greatest Portuguese heroes of the 20th century. The Mass was presided by Rev. António Silveira and was coordinated by Five Wounds Parish, The Day of Conscience Project, the Sousa Mendes Foundation, and The Portuguese Tribune. Miguel Ávila, former president of the Sousa Mendes Foundation and currently chairperson of the Five Wounds Portuguese National Parish Centennial Executive Committee spoke emotionally about the great Christian deeds of the diplomat, someone who lived amongst us and who cannot be forgotten. “I would rather stand with God against man, than with man against God!” stated Sousa Mendes to justify his Act of Conscience.

Above: Paul Abranches, Eileen Abranches Garehime, and Peter Abranches, grandchildren of Aristides de Sousa Mendes and children of his son John Paul Abranches joined Rev. António Silveira at the altar during the Mass.

Holy Week is a special and solemn period for the Five Wounds Parish and the entire Catholic Church. The key events included Palm Sunday Mass on April 13, the Last Supper and “Lava Pés” (Washing of the Feet) on Holy Thursday, and the Liturgy of the Passion at 3 pm and the Passion Play and Procession of the “Senhor Morto” in the evening of Good Friday, April 18. The Easter celebrations started with the Liturgy of the Easter Vigil on Saturday evening, April 19, with the lighting of the new light, the baptism of a teenage girl and the confirmation of several adults. Easter Sunday was when entire families attended Mass together with standing room only during the 10:30 am Portuguese Mass.

Photos by Miguel Ávila

Below (from left): The portrait of Aristides de Sousa Mendes when he served as Consul General in San Francisco (1921-1924); Miguel Ávila, chairperson of the Five Wounds Portuguese National Parish Centennial; the descendants posed next to the portrait of their grandfather and great grandfather.

Above: Procession on Palm Sunday, April 13, 2014 with the Portuguese choir following Rev. António Silveira. Below (from left): Easter Vigil with the lighting of the new fire outside the church, the baptism of a teenage girl, and the confirmation of several adults.


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TRIBUNA PORTUGUESA

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Five Wounds Centennial “Senhor dos Passos” One of the most beautiful religious celebrations at the almost centennial parish is the Procession of the “Senhor dos Passos” or Steps of Our Lord. The flower (sawdust) carpet was designed by the youth group of the parish under the guidance of youth director Susana Faria who started their work at dawn (6 am). The procession took place after the 10:30 am Portuguese Mass on Sunday, April 6, 2014 and was presided by the parochial administrator Rev. António Silveira and accompanied by three marching bands -- Portuguese Band of San José, Sociedade Filarmónica Nova Aliança, and Sociedade Filarmónica União Popular.

Photos by Miguel Ávila

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The young leaders of the Po r t u g u e s e American community of California came together on Saturday, April 5, 2014 for the 1st YPA - Young Portuguese Americans Summit to discuss and proposed ideas for the Portuguese community. About 200 participants engaged in a constructive review of the current status of our community and what can be changed.

Ângela Silveira

The YPA’s purpose is “strengthening and supporting the participation of the Portuguese community in the traditions, rituals, and organizations that make up our heritage.” The conclusions from the summit were presented at the Luso-American Education Foundation’s XXXVIII Annual Conference on PortugueseAmerican Education and Culture that took place at the University of California, Berkeley on Saturday, April 26th. Congratulations to the YPA organizing committee for putting together such a successful event and to the Portuguese Heritage Publications for sponsoring the event.

Vanessa Goulart

Photos by Miguel Ávila

1st Young Portuguese Americans (YPA) Summit

Bruna Ferreira

Below (from left): Organizations Panel with Nelson Ponta-Garça, Brian Martins, Anthony Machado, Henrique Diniz, Yvette Sousa, and Luis Azevedo.

Nelson Ponta-Garça

António Chocha

Taylor Amarante

Organizing Committee of the 1st YPA Summit

www.facebook.com/ YoungPortugueseAmericans Jason Amarante

Below (from left): Cultural Panel with Joe Amaral, David Garcia, Mark Garcia, Vania Paz Betencor, and Angela Brito

Angela Costa-Simões

Next Steps for YPA include: * Becoming a Forum for Idea Exchange: A Community Conduit/Platform/Connector where community organizations with needs are connected w/ YPA individuals looking to contribute, and vice-versa. All organizations, clubs, initiatives, individual ideas are welcomed and debated by the YPA core group to gauge when to engage and support, and a plan for how to

* Identify educational opportunities: Developing Internship / Scholarship / Community Service Credit Programs that our students can take advantage of and promote professional growth

* Call to action: Recruit / Scale our group w/ additional core YPA members

* Make YPA a place for our youth to get involved, take risks, gain experience / confidence! (great alternative to traditional community organizations)

* Create formalized structure: Formalize how YPA operates in order to attack initiatives effectively / leverage our strengths as individuals * Build relationships / rapport w/ community (e.g. leverage relationship w/ Consulate Office to support youth-driven initiatives) * Think Critically / Get involved where it counts * Work w/ youth groups in the community to ideate ways to increase participation / Invest in Youth development

* YPA Roadshow: Taking our Summit and ideas to various youth groups and Portuguese communities around the state

* Promote UNITY across our community * Look into opening up our community events to non-Portuguese (look outward as opposed to inward) Next event: The first of many regularly occurring mixers: Thursday, May 29th at 6:30pm @ Fahrenheit Lounge in San Jose

Below (from left): Young Professionals Panel with Tim Borges, Ashli Rocha, Lino Amaral, Pedro Vieira, and John da Guia


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Não perca este espectáculo. Divirta-se com o Zé da Adega


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