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QUINZENÁRIO INDEPENDENTE AO SERVIÇO DAS COMUNIDADES DE LÍNGUA PORTUGUESA

1 a Quinzena de Maio de 2010 Ano XXX - No. 1085 Modesto, California $1.50 / $40.00 Anual

O futuro da Igreja à nossa frente Cego é aquele que não quer ver...

Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição - 50 anos comemorados com Missa de Acção de Graças nas Cinco Chagas

foto de joaquim ávila

Primeira Comunhão - um dia importante na vida de Luna Maria Ávila (em frente ao Padre celebrante), filha do nosso Art Director

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SEGUNDA PÁGINA

1 de Maio de 2010

As MULHERES da Quinzena EDITORIAL

Há-de chegar o dia....

A

s fotografias da nossa primeira página são um grito de esperança para a Igreja Católica. Nesta época, onde há mais Igrejas fechadas do que abertas, seria um sinal de grande liderança de toda a Igreja, aprofundar muitas das discussões do Concílio Vaticano II e criar o ambiente propício para a continuação e a vitalidade da Igreja Católica universalista, humanista e criadora de novas esperanças. Estas duas fotos são mesmo (quer queiramos quer não) o espelho de um futuro que nós ainda gostaríamos de ver tornado realidade. As organizações, quaisquer que elas sejam, sobrevivem quando dão passos importantes no entendimento profundo das suas razões de existência. E não nos venham dizer que o actual Papa é velho. Velho também era o Papa João XXIII e fez o que fez - abriu a Igreja ao Mundo. O Papa Bento XVI que participou activamente no Concílio Vaticano II, poderá ser ainda uma grande surpresa para o mundo. Que o Espírito Santo o ilumine e João XXIII o ajude. E é por isso que eu adoro, sempre que posso, mencionar o artigo primeiro da Declaração Universal dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas que afirma: Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade. jose avila

Maria Cabral é uma mulher do outro século. Em 1947 começou a trabalhar numa Agência de Viagens e a partir daí nunca mais parou. Levou milhares de pessoas a visitarem Portugal, e ficou célebre a cena, que contamos na página 28, de ter acordado o Presidente da TAP em Lisboa às 4 horas da manhã, para requisitar um Boeing 747, tal era o numero de passageiros que tinha para viajar para Portugal. Ainda meteu à bulha o Governador do Distriro de Angra, o Comandante da Base Americana das Lajes e a Embaixada Americana. Uma mulher das Arábias.

Joana Carneiro, nasceu em Lis- Lisa Vaz tirou o curso de Estilisboa em 1976. Seu avô era o célebre Art Carneiro, que deliciou os terceirenses com a sua orquestra nos anos cinquenta. Começou a ser notada como finalista em 2002 no MaazelVilar Conductor's Competition em Carnegie Hall. Foi Music Director of the Los Angeles Debut Orchestra de 2002 a 2005. Foi Guest Conductor of the Metropolitan Orchestra of Lisbon, e em 2006/07 Guest Conductor of the Gulbenkian Orchestra. Actualmente Joana é a Music Director of the Berkeley Symphony Orchestra.

ta e se não fosse o aparecimento de uma doença complicada e a procura de alternativas para a mesma, nunca seria o que é hoje - uma gestora de um "Alternative Health Center", onde se pratica desde acupuncture, chiropratic, message therapy, ayurveda, yoga & dance, holistic skin care, hypnotherapy, reiki, e meditation. É um mundo novo de alternativas para aqueles que sofrem ou para aqueles que querem ter uma qualidade de vida acima do normal. Visitem-na em Merced e digam que leram a sua história no Tribuna.

Year XXX, Number 1085, May 1st, 2010


COLABORAÇÃO

Tribuna da Saudade

Ferreira Moreno

C

omo é do conhecimento dos entusiastas pela História da Califórnia, há ampla evidência indicando que o meio século do domínio espanhol neste estado norteamericano, desde 1769 até 1822, quando o México tomou posse do território, revelase-nos predominantemente como a história da série de missões estendendo-se de San Diego (ao sul) até Sonoma (ao norte). Conforme apontaram Barbara & Rudy Marinacci (California’s Spanish Place Names), algumas missões ergueram-se nas imediações de portos junto ao mar, enquanto outras distribuiram-se terra adentro no interior, ocupando espaçosos vales, mas todas elas com caminhos conduzindo ao mar, bem como acessibilidade aos presídios, pueblos e ranchos. Muitas destas missões deram origem ao desenvolvimento da Califórnia e está comprovado que grande número das mais importantes cidades californianas evolveu precisamente da primitiva fundação dessas missões. Abrange 21 o total de missões estabelecidas. A fim de poupar espaço, abstenho-me em enumerá-las, ou descrever as cidades cujos nomes derivaram das missões. Essencialmente, podemos afirmar que as missões constituiram as pedras basilares marcando os antigos e históricos postos avançados da cristandade e da civilização. No entanto, convém registar igualmente outros importantes povoados e instituições. Neste caso, estou a referir-me aos quatro presídios (San Diego, Monterey, San Francisco e Santa Barbara), e aos três pueblos (San Jose, Los Angeles e Bran-

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Guia turístico

ciforte, posteriormente chamado Santa Cruz), perfazendo um total de 28 o número de lugares colonizados na Califórnia Espanhola. A abundância e variedade de nomes de santos, que se espalham através da Califórnia, traduzem uma admirável faceta, por vezes acentuadamente curiosa. Por exemplo, o nome do apóstolo Santo André, irmão de S. Pedro, está afixado à San Andreas Fault, ou seja, a mais longa e mais conhecida zona de terramotos na Califórnia. Por outro lado, no Condado de Calaveras ainda hoje existe a cidade de San Andreas, originalmente uma comunidade de mineiros durante o Gold Rush (corrida ao outro). Na área da Baía de San Francisco e arredores encontramos as cidades de San Leandro, San Lorenzo, San Ramon, San Pablo, San Mateo, San Bruno, San Carlos, San Gregorio, San Jose e San Martin. Para além da Golden Gate, deparamos com San Anselmo, San Geronimo, Santa Venetia e Santa Rosa. Sacramento, capital da Califórnia desde 1854, derivou o nome do rio em honra do Santíssimo Sacramento, assim designado pelo explorador Gabriel Moraga (17651823). A cidade e condado de Merced receberam o nome do rio que Moraga havia chamado El Rio de Nuestra Senora de la Merced. O vale e condado de San Joaquin, por sua vez, conservam o nome atribuído por Moraga ao rio que percorre essa região. Viajando p’ró sul da Califórnia, mas contornando as missões, surgem-nos as ci-

dades de Santa Maria, San Simeon, Santa Margarita, Santa Clarita, Santa Paula, Santa Monica, San Onofre, San Pedro, San Pascual, Santa Ana, San Bernardino e San Ysidro. Ao longo da costa sul avistamos a ilha de S. Miguel, onde alegadamente está sepultado Juan Rodrigues Cabrilho, descobridor da Califórnia em 1542. Avistamse também as outras ilhas: Santa Rosa, Santa Cruz, Santa Barbara, San Nicolas, San Clemente e Santa Catalina. San Ardo, no Condado de Monterey, merece referência adequada. Quando a cidade foi originalmente planeada em 1886, deram-lhe o nome de San Bernardo. osteriormente, p’ra evitar confusão com San Bernardino, os correios eliminaram “Bern” e criaram “Ardo”. Curiosamente, em Butler’s Lives of the Saints, descobri a existência dum indivíduo de Languedoc (França) chamado Smaragdus, que passou a ter o nome de Ardo, aparentemente quando se tornou discípulo de S. Bento de Aniane (750-821). Ordenado sacerdote, Ardo distinguiu-se como director das escolas do mosteiro. Existiu um prévio S. Bento (480-550), fundador da Ordem dos Beneditinos em Subiaco e Monte Cassino. Em inglês dá-se-lhe o nome de Benedict e em espanhol

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Benito. Daí se julga ter derivado o nome San Benito, afixado a um dos condados californianos. Partilhando a ortografia espanhola, temos a cidade chamada San Dimas, memorizando o lendário Bom Ladrão crucificado na companhia de Cristo. Mais duas curiosidades. A maior e mais antiga prisão, na Califórnia, tem por nome San Quentin. Embora não haja notícia duma santa com o nome de Nella, no entanto existem duas localidades californianas ostentando o nome de Santa Nella, presumivelmente derivativo do espanhol Centinela (sentinela, em português). E assim se esgotou o espaço reservado p’ró guia turístico. À conta dos respectivos padroeiros ficam essoutras localidades, exibindo nomes de santos em montanhas e vales, rios e lagos, e demais lugares incontáveis..

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COMUNIDADE

1 de Maio de 2010

Lisa Vaz de doente a gestora anos, e agora na China nos hospitais usam as ventosas e cortam a pele para sair o sangue. Ayurveda, tratamento da India, usam os chás e óleo; eles cozem ervas em óleo. Se as pessoas têm diabetes ou outra doença, eles cozem ervas e depois esfregam aquele óleo no corpo, porque a nossa pele absorve tudo. Em dois anos eu já aprendi tanta coisa.

Dar esperança

Da Terceira até Tracy A minha família veio da Ilha Terceira da freguesia da Ribeirinha, vieram com as suas malas por aí abaixo. Chegaram aqui e começaram a trabalhar numa leitaria em Tracy. Eu nasci em Tracy. Anos depois começaram a sua própria leitaria, talvez há vinte anos ou mais e o meu pai agora começou uma leitaria de cabras. Eu sempre gostei da maneira como eles começaram o negócio e foram sempre para frente e nunca tiveram medo de ter uma coisa sua. Eu nunca fui uma pessoa a querer trabalhar para outros, sempre quis trabalhar para uma coisa minha. Não comecei leitaria nenhuma porque eu não sou uma pessoa de vacas.

A doença criou o negócio Quando eu tinha vinte e quatro anos, tive um problema no fígado, fui ao doctor e ele disse-me que tinha um problema que era parecido com Lúpus e disse-me para eu tomar o remédio e que teria que ser para o resto da minha vida. Como sou muito teimosa perguntei-lhe, se não poderia tomar outras coisas, mudar a minha dieta ou tomar ervas ou chás e ele disse que não acreditava em nada disso, que tomasse o remédio. Tive uma coisa dentro de mim que parecia que me dizia para achar outra maneira. Eu não sou contra a medicina normal, mas depois do que o médico me disse, comecei a procurar outras coisas que podesse fazer e encontrei a acupuntura, Ayurveda, que é a medicina indiana, chás, dietas. Fui para a frente e pensei que gostava de ir para um lugar que tivesse essas coisas todas, mas tinha que ser um lugar que não fosse contra a medicina normal, mas sua complementária. Não achei lugar nenhum dessa maneira, não sei o que é que me deu e pensei fazê-lo eu própria. O meu pai disse-me que eu era doida, o que é que eu ia fazer, e eu disselhe: "Vamos meter essas pessoas todas num lugar, onde se possam tratar". É interessante que às vezes quando pensamos fazer uma coisa e é suposto ser, aquilo acontece. Comecei este negócio e como tinha aprendido muito com aquilo que estava a acontecer comigo, comecei com a medicina chinesa, a indiana, ioga e tudo o que te-

mos aqui, mas eu também mudei de doutor, eu queria um médico que fosse aberto; uma pessoa que aceitasse este tipo de medicina. Achei uma doutora aqui na cidade, que aceitou o que eu faço aqui. Comecei-me a sentir melhor.

Nasceu o negócio e o amor Já estamos com o negócio há mais de dois anos. Começámos com cinco pessoas e agora temos 24. Primeiro começámos num lugar muito pequeno, parecíamos ratos numa gaiola. Estávamos com tanta gente que tivemos que nos mudar para este edifício. Fomos de 2400 pés quadrados para 7000. Abrimos agora um segundo lugar no Sport Club aqui em Merced e pensamos mais tarde abrir outro também em Merced. Lembro-me que, ao passar um dia na baixa da cidade vi o edificio onde estamos hoje. Eu disse à minha amiga: "Eu quero este lugar" e ela disse-me que era muito caro, como é que eu ia pagar, mas era aquilo que eu queria. Fiz o contrato com o dono, mudámo-nos, e começámos com dois doutores. Sentei-me e pensei: "E agora o que é que eu vou fazer?" A pessoa pode ter uma ideia e ter a paixão, mas como é que se vai manter e continuar? Conheci um rapaz, Eric Benjamin, que é fisioterapista e que veio trabalhar connosco. Em dois meses tornouse o meu sócio e namorado. Ele já teve um negócio de comunicação em Washington, pois tem muita experiência, ajuda muito porque há muita coisa que eu ainda estou a aprender. Eu puxo mais com o coração e ele é mais de negócios.

Aumentaram os serviços Temos senhoras que fazem tratamentos faciais (facials), cera (waxing), peeling químico (chemical peelings), nove tipos de massagens terapêuticas (massage therapy), hipnoterapia (hypnotherapy), temos um tipo de medicina que usa a energia, chamado Reiki. Usam as suas mãos em certos lugares e a pessoa sente o calor a sair delas. As mãos dela são tão quentes que parece que estamos em frente a um aquecedor. É extraordinário.

A responsibilidade é nossa porque o corpo é nosso É muito importante que as pessoas tenham responsabilidade.

Às vezes as pessoas queixam-se com dores e dizem que é porque estão a ficar velhas, mas não é isso. Há uma cultura em África com homens de noventa anos que parecem ter trinta. Eles queriam dizer que a idade é como o vinho, ficam melhor com a idade. A doença não escolhe idade, a gente é que pensa, porque estamos habituados a ouvir as pessoas mais velhas a falar do colesterol, diabetes, mas não é verdade. Está tudo na cabeça, e se começamos a pensar que estamos mal é pior. Tanta gente que tiveram cancro e já ficaram melhores. Também há pessoas que vão ao médico e o médico diz para tomar o medicamente e fazer dieta, as pessoas

dizem que ir ao o doutor é só para fazer dieta, mas eles não entendem que tem que haver responsabilidade de escolher. Uma pessoa que vai ao doutor e não gosta, deve procurar outro de que goste, há tantos médicos por aí. Se a pessoa quer experimentar coisas diferentes tem que dizer ao seu doutor, se ele não gosta ou não concorda, escolhe-se outro doutor, o corpo é nosso.

Comida e medicina tradicionais A comida portuguesa é um bocado pesada, batatas, pão, é tudo frito e gostamos, pois fomos criados assim. Pode-se comer uma vez por outra, mas a pessoa tem que entender que antigamente andava-se bastante e também não havia muitos medicamentos, usava-se mais chás. Aconteceume um dia, estava muito tapada e a ficar rouca, parecia que me ia dar a gripe e o Dr. Wang disseme que ía tratar de mim, deitoume na mesa e deu-me ventosas. Usava-se muito antigamente, a minha avó fazia isso ao meu avô. Ele disse-me que na China faziam isso há muitos e muitos

Eu estudei no Colégio para estilista. Quando acabei a escola, trabalhei em hipotecas (mortgages), gostei muito, mas o que eu gosto mais é de trabalhar por minha conta. Sinto-me muito satisfeita por ter começado este negócio. Às vezes fico muito emocionada; tivemos aqui uma senhora que sofreu um acidente e não se lembrava de nada. Cinco anos da sua vida que ela não se lembrava, era uma senhora muito bonita, estava muito depressiva. Primeiro viu o quiroprático (chiropractor), depois experimentou o acupuntura, fez ioga. Ela experimentou tantas coisas, e um dia disse-me que começou a lembrar-se de coisas que não se lembrava antes, disse que andava à procura de alguma coisa e eu senti-me bem por saber que essa pessoa tinha encontrado o que procurava. Temos pessoas que vêm aqui com cancro, que estão a ser vistas pelos seus doutores e a fazer os seus tratamentos, mas vêm aqui experimentar outras coisas. Os médicos deixam eles vir cá. A minha avó morreu de cancro, eu via aquelas pessoas no hospital com a mesma doença e as pessoas sofrem tanto e as famílias também e não podem fazer nada.

As pessoas que vêm aqui sentemse melhor e vê-se que elas têm uma esperança, para mim isso é muito importante ver as pessoas a sentirem-se melhor.

Dizer o que tomam ao seu médico Há certos tratamentos que os seguros pagam. A medicina indiana custa $60.00 por uma hora; eles sentam-se com a pessoa e perguntam tudo, o que é que a pessoa come, onde é que a pessoa dorme, quantas vezes a pessoa vai ao quarto de banho, eles têm que saber tudo sobre a pessoa, depois fazem uma análise e dizem o que é que a pessoa pode ou não comer e receitam os chás. As pessoas podem estar a tomar os seus medicamentos normais e tomar os chás que não faz mal. Mas é muito importante a pessoa dizer ao seu médico o que está a tomar. Tivemos um senhor com diabetes que disse que não ía ao doutor, o que é que nós podiamos fazer, dissemos que ele tinha que ir ver o seu médico, porque ele há vinte anos que tinha diabetes Temos pessoas que vem aqui para

tomar as classes de ioga, Tai Chi, Belly Dancing, essas classes custam trinta e nove dólares por mês, as vezes que a pessoa quiser. Abrimos às 8h30 e fechamos às 5h30 da tarde, mas temos classes da 5h30 até às 8h00 da noite. Atendemos pessoas a qualquer hora e até ao fim de semana. Temos actualmente à volta de quatrocentos clientes. Há clientes que veem só uma pessoa, há outros que vêem mais do que uma. Tivemos uma senhora que tinha osteoporose e o médico disse-lhe para tomar cálcio e que ela nunca iria ficar melhor da osteoporose, que ía ficar sempre pior, mas o cálcio ajuda a vagar a doença e ela disse que queria experimentar a fazer ioga. Depois de um ano de ioga ela voltou ao médico e disse que queria fazer o teste para ver como é que estava; o médico fez o teste três vezes e já não tinha a doença e os ossos dela pareciam de uma mulher de quarenta anos e a idade dela e de sessenta e tal; ela continua a tomar o cálcio. Um dos nossos instrutores de ioga tem setenta e dois anos.

A família A minha mãe morreu quando eu tinha oito anos. Estou cansada de dizer à minha família que venham aqui se precisarem de alguma coisa. O meu pai na semana passada pela primeira vez esteve aqui neste edifício. Tenho uma irmã com 26 anos e um irmão com 16, ele é filho do segundo casamento do meu pai. O meu irmão de vez enquanto vem aqui. Eric, o meu namorado é um massagista (massage therapist), ele ajuda muito aqui, mas às vezes diz que eu quero muita coisa, mas a gente tem que pensar grande, porque se a gente pensar pequenino não chegamos a nada. A pessoa não tem que ter medo, atira-se, faz, a gente experimenta se não trabalhar, paciência, fazse outra coisa.

O poder da cura Healing Touch é um tipo de Energy Medicine, a pessoa está a usar energia, todas as pessoas podem fazer. Há pessoas que nascem já com o poder de usar as suas mãos para curar. A Ruth quando era pequena estava sempre a tocar nas pessoas, e mais tarde ouviu falar àcerca do Reiki e teve uma pessoa que lhe ensinou, porque o Reiki é passado de pessoa para pessoa. Ela começou a fazer isso desde os dezanove anos. Não me importa qual seja o nome, logo que ajude é bom. Isto é uma aventura,mas uma aventura muito bonita. Eu gosto de dizer que somos parte da "viagem" daquela pessoa. As pessoas quando nos vêm ver, é porque têm um problema. Quando se tem um negócio, não é fácil contentar todos. Gostaria de ter mais portugueses a visitar-nos ou mesmo a telefonar-nos a fazer perguntas. Falamos português. 561 W. 18th St Merced, CA 95340


COLABORAÇÃO

Muito Bons Somos Nós

Joel Neto

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Uma Lástima

neto.joel@gmail.com

H

á algo no fracasso do i que o torna numa tragédia. Agora é fácil dizer: “Afinal, esses tipos de Leiria, Grupo Lena ou lá o que é, eram mesmo uns patos bravos.” Efectivamente, assim parece. Mas este é um fracasso que começa muito antes desse instante em que, enfim, um grupo económico dá razões a largas dezenas de funcionários (incluindo uma série de excelentes jornalistas) para se sentirem defraudados no que diz respeito ao acordo que firmaram com a empresa. Na verdade, o fracasso começa na própria urgência com que, em Portugal, recebemos as promessas de mundos sonhados, sobretudo se apresentadas em tom messiânico. Quando surgiram as primeiras notícias sobre o nascimento de um novo jornal, todos quisemos acreditar no seu sucesso. Antes dele, vários projectos haviam nascido e rapidamente sucumbido. Ao longo dos últimos anos, os melhores jornais portugueses haviam perdido leitores. Nascida de uma bolha especulativa com origem nas novas tecnologias e amplo acolhimento no sector imobiliário (e depois na banca, e depois na indústria automóvel, e

por aí fora), instalara-se entretanto a maior crise global a que esta geração assistira. E, no entanto, ia nascer um novo jornal. O que, claro, era tão absurdo que só podia ter uma explicação para além do nosso entendimento. Bem vistas as coisas, tratou-se novamente de uma questão de fé. Do dito Grupo Lena dizia-se então que tinha “ligações ao regime”, o que, em Portugal como no estrangeiro, nunca foi mau

... o que se conseguiu provar com isto foram duas coisas. A primeira é que, idealmente, os jornais portugueses podiam ser mais bem feitos, como a espaços o i o foi. E a segunda é que, se os jornais portugueses não são mais bem feitos, isso deve-se, antes de mais, às limitações do país, incluindo o seu mercado, os seus consumidores e até os seus profissionais. Na verdade, Portugal tem os jornais que merece. Se é que, bem vistas as coisas, Portugal sequer merece os jornais que tem. cartão de visita. Mas, sobretudo, sabia-se pouco sobre quem eram os seus operacionais, os seus estrategos, os seus dirigentes. E, quando uma série de homens vagamente misteriosos nos prometem subverter a hierarquia instituída, trate-se de que sector da economia se tratar, algo dentro de nós como que se ilumina. No fundo, a vitória do i seria também a derrota dos velhos empre-

José Berto

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uardo da minha adolescência terceirense as mais vivas recordações de um homem deveras singular: o José Berto, figura incontornável do meu imaginário afectivo. Nascido em 1933 na então freguesia da Praia da ilha Graciosa, o José Berto frequentou o Liceu de Angra e, mais tarde, concluiu, com distinção, o curso de piano no Conservatório Nacional de Lisboa. Entregou-se à música de alma e coração, tendo exercido actividade docente em Angra do Heroísmo e na Praia da Vitória. Nos anos 50 e 60 do século passado, fez parte da Orquestra Filarmónica de Angra e foi presença assídua nos Serões Músico-Literários nas Festas de São Tomás de Aquino, no Seminário de Angra do Heroísmo. Privou de perto com gente da cultura angrense, como o investigador João Afonso, o poeta Emanuel Félix, ou o pintor Rogério Silva. Também se dedicou ao teatro e à poesia e, sobretudo, à boémia… Embriagava-se de vida e costumava dizer: “A noite da boémia tem que ser verdadeiramente sentida, gozada, amada”… Ah, o José Berto! Estou a vê-lo nos bailes do Liceu de Angra a fazer a sua “perninha” com os conjuntos musicais “Os Bárbaros”, “Flama Combo” ou “O Açor”, cantando com emoção poética:

sários, dos grandes capitalistas, dos tipos que há tantos anos nos subjugam. Afinal, o que se conseguiu provar com isto foram duas coisas. A primeira é que, idealmente, os jornais portugueses podiam ser mais bem feitos, como a espaços o i o foi. E a segunda é que, se os jornais portugueses não são mais bem feitos, isso deve-se, antes de mais, às limitações do país, incluindo o seu mercado, os seus

“Saudade dessa mulher Meu peito sente…”

Para nós, estudantes com sangue na guelra, aquela música (da sua autoria) era um “slow” dos bons, daqueles que, como se então se dizia, dava para “esfregar a cavalinha” com as meninas que se deixavam apertar no calor escurecido da noite… Já então o José Berto era um nobre vaga-

consumidores e até os seus profissionais. Na verdade, Portugal tem os jornais que merece. Se é que, bem vistas as coisas, Portugal sequer merece os jornais que tem. Porque, se efectivamente Portugal é o paraíso de corruptos e pedófilos que os profissionais de Justiça juram que é (sem, aliás, conseguirem depois prová-lo), então, em definitivo, os jornais portugueses são melhores do que

bundo, desbocado e desprendido dos bens materiais, dilemático e dialéctico, boémio e insolente, fumador feroz, filósofo de barbas e rebeldias… Temperamento de génio incompreendido, homem de talento desatento – apenas conhecido pela estúrdia das suas noitadas e por ser o autor do hino do “Lusitânia”. Recordo também as animadas viagens inter-ilhas, a bordo do “Ponta Delgada”, com o José Berto a arrancar do seu acordeão noctívago belíssimas melodias e a beber quantidades industriais de vinho… Mais tarde, já aposentado, o José Berto fixou-se na ilha Graciosa. E quando eu lá ia de férias, encontrava-o à mesa do café junto à praia, à conversa com os amigos, de cerveja à boca, sempre susceptível, judicioso, penteado de maresia e de barbas pensantes, com aquele sorriso de secreta ambiguidade. Continuava igual a si próprio: insatisfeito e contraditório, incómodo e incomodado, dotado de uma consciência crítica e de uma visão cáustica sobre os outros, inteligente, perspicaz e universal da vida e do conhecimento das coisas. Boémio por condão e por gosto, quando ele estava com o “astral” puxava do retumbante acordeão e animava quem o quisesse ouvir. E com ele mantínhamos longas e bem dispostas conversas vadias… Costumava ele contar episódios das turbulentas viagens que empreendera por terras americanas, bem como das tocatas em insólitas paragens das Caraíbas e Vietname – e assegurava-nos que havia tocado para um tal D. Gergoliani, chefe da Máfia americana… Um dia, sob o efeito de uma tremenda bebedeira, ele passou uma tarde inteira a tentar convencer-me que Jesus Cristo era um extra-terrestre… Depois passava por fases

o país. Fazer jornais dá trabalho e custa dinheiro. Fazer bons jornais dá ainda mais trabalho e custa ainda mais dinheiro. E fazer os jornais ideais dá um trabalho e custa um dinheiro que ninguém se pode dar ao luxo de despender quando, mesmo não vivendo no pior dos países, vive no pior dos tempos. O que os jornalistas do i conseguiram, em determinados momentos, foi um pequeno milagre. Tinham um desafio enorme pela frente, tinham uma redacção pequena – e, provavelmente, algo lhes dizia há já algum tempo que a sua margem de manobra talvez não fosse tão folgada quanto lhes havia sido prometido. No essencial, o investidor queria resultados em menos de um ano. A previsão inicial era atingir o break-even em cinco. Crónica corporativista, esta? Talvez também. Para além de ter amigos no i, sou jornalista e sou freelancer – qualquer afunilamento do mercado é, para pessoas como eu, uma preocupação. Mas, principalmente, sou leitor do i e acho que é verdadeiramente uma lástima que Portugal não possa ter um dia um jornal como o i se propunha ser quando, enfim, atingisse a velocidade de

cruzeiro. Infelizmente, não pode mesmo. E, embora muitos de nós tenham querido acreditar que podia, a verdade é que os velhos empresários, esses mesmo de quem gostamos tanto de desdenhar, sabiam-no há muito tempo. Distinguiu-os não terem nunca prometido aquilo que não podiam cumprir. Naturalmente, não gozaram aquele sublime instante em que os homens de fé erguem os olhos para eles e os reconhecem como a encarnação do Messias. Mas continuam a cumprir os compromissos para com os seus funcionários, a servir os seus leitores e a fazer funcionar a economia – e não é por isso que vão impedindo os respectivos jornais de monitorizar o funcionamento da democracia. Oxalá o i sobreviva ainda muitos anos. No dia em que escrevo, porém, não podemos contar com mais ninguém, para isso, senão com os seus jornalistas. in NS', 24 de Abril de 2010

Crónicas Terceirenses

Victor Rui Dores victor.dores@sapo.pt de alucinação satânica, ou de inquietações religiosas e metafísicas. Dizia a todos que tratava Deus por tu… E dividia os homens em cinco categorias: os boémios, os alienados, os idiotas, os cretinos e os loucos. O José Berto tornara-se um homem cercado e atormentado, náufrago de si próprio… Viveu os últimos anos da sua vida

Não-Ser, o autor denuncia a falsidade, o fingimento, a hipocrisia e o egoísmo dos homens e renuncia ao quotidiano comezinho e à trivialidade da vidinha. Vivendo no microcosmo da ilha-mãe, o poeta parte então em busca de uma harmonia, de um deus ex-machina, escrevendo versos certeiros que são de raiva e ternura, de amor e ódio e questiona o triunfalismo científico:

“O último invento matou o teu filho”. (pág, 55)

A última vez que vi o José Berto fiquei com a sensação de estar perante um barco velho abandonado no cais… A sua decadência física era visível: envelhecido, a pele macilenta, os olhos baços, as longas barbas a escorrerem cerveja, sujidade e desolação… A solidão pesava-lhe como um fardo. Foi a sua fase negra, sórdida, macabra e grotesca. Mas não perdera a enorme lucidez. Falou-me que tinha pronto para publicação mais um livro de poesia, cujo título seria: Quando os mortos vierem fardados. E citou-me estes versos que mostram a sua alma de poeta:

misturando música com bebida, boémia e poesia. Vítima da chacota dos outros, nunca perdeu um certo sentido de dignidade. Três anos antes de a cirrose o levar, publicou um belíssimo livro de poemas: Mar de Escamas (edição da Câmara Municipal de Santa Cruz da Graciosa, Angra do Heroísmo, 1997), em que fala do destino da vida humana no teatro do mundo. Atento ao desconcerto do mundo, e questionando Deus, o Homem, a Solidão, o Ser e o

“Ai o músico se poeta sente ai o poeta se músico consente”.

Era assim o José Berto – músico e poeta, um homem bom que se deixou enredar nas vicissitudes da existência e derrapou no plano inclinado da vida.


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COMUNIDADE

1 de Maio de 2010

Comunidades do Sul

Jantar de Finalistas do Clube Português de San José High O Clube Português de San Jose High promove o seu Décimo Terceiro Jantar Anual dos Finalistas com o fim de angariar fundos para bolsas de estudo que serão oferecidas a membros do clube que continuarão a sua educação a nível universitário. O jantar terá lugar no salão da Banda Portuguesa de São José (100 N. 27th St.), na sexta-feira, dia 14 de Maio, a partir das 6:30 horas da noite. O preço do jantar completo de "tri-tip" é $25 por pessoa ($14 para crianças até aos 12 anos). Até ao dia 1 de Maio, os bilhetes serão vendidos com $2 de desconto. Ao jantar seguir-seá o reconhecimento dos finalistas, pequeno espectáculo que inclui folclore, uma rábula pelos alunos do programa de português da escola, uma charanga de alunos

e antigos alunos do programa, e dança ao som de dj. Para bilhetes, é favor contactar a presidente do clube, Bruna Ferreira (408) 821-9250. Não serão vendidos bilhetes à porta. Para mais informação, contacte em San Jose High o professor José Luis da Silva pelo telefone (408) 535-6320 ou correio electrónico (jldasilva@comcast.net). Venha ajudar o Clube Português de San Jose High, a única escola secundária na área da Baía de São Francisco que oferece um programa de português. Participe neste evento, apoie o ensino do português e promova a educação da nossa juventude!

Delegação de Coimbra em visita à California

Fernando Dutra

Um dinâmico gestor e as Festas da Praia da Vitória

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osé da Rosa, dinâmico emigrante português, nasceu e cresceu na freguesia da Silveira, concelho das Lajes do Pico, filho de José da Rosa Sr. e de Fernanda da Rosa, já falecida. Emigraram para os Estados Unidos da America em 1965 e fixaram residência na Cidade de Artesia. José da Rosa Sr., foi pessoa sobejamente conhecida por toda a ilha, como ferreiroserralheiro. Naquele tempo existiam poucos com aquela especialidade e foi ele quem reparou a maioria das ferramentas usadas nas estradas transversais. José da Rosa Jr. tinha apenas 12 anos quando chegou a Artesia. Após concluir os seus estudos, ingressou na fábrica da Toyota, em Long Beach. Durante vários anos nesta companhia, o seu talento, carácter e finas maneiras de ser, foram observadas pelos seus superiores, que lhe foram atribuindo diversos cargos com variadíssimas responsabilidades. Em devido tempo foi mandado para o Japão, onde permaneceu por algum tempo e frequentou vários cursos. Após o seu regresso, seguiu para o centro especial da Toyota, em Georgetown, onde permaneceu durante 5 anos. Regressou a Long Beach, onde ficou por algum tempo, como assistente de manager. Seguidamente este exemplar emigrante foi convidado pela companhia para montar uma nova companhia no Mexico, na cidade de Tecate. Após a montagem, José da Rosa ficou como vice-presidente da mesma. Esta nova companhia a poucas milhas de San Diego, tem evoluído ano após ano, sendo considerada uma entre as de maior produção. Este português, picoense ou picaroto, recentemente foi elevado ao cargo de Presidente da supercitada companhia. Mais um para orgulho da nossa comunidade e para os mais novos, um exemplo a seguir. Sinceras congratulações à familia Rosa pelos sucessos obtidos com votos de inúmeras felicidades e prosperidades.

Comissão das Festas da Praia da Vitória visitou Artesia O primeiro protocolo de geminação de Coimbra e Santa Clara foi efectuado em 1972. Coimbra tem 150 mil habitantes e é a cidade portuguesa com mais "irmãs gémeas" (20 ao todo). A Delegação de Coimbra esteve em Santa Clara e visitou alguns lugares turísticos da California e também fez uma visita de cortesia ao Cônsul-Geral de Portugal, António Costa Moura, em San Francisco, como se pode observar na fotografia.

Como já é uma tradição, por esta data do ano, a California recebe a visita da referida comissão, que além de virem anunciar o programa das festas daquela pitoresca cidade da Ilha Terceira, tem a oportunidade de trazerem, um abraço amigo aos que cá vivem, que de braços abertos, recebem os

ilustres visitantes. No dia 11 do corrente mês de Abril, cerca das seis horas da tarde, com uma recepção simples, mas simbólica, foram recebidos no Artesia D.E.S., pelo presidente da direcção Paulo Barcelos, directores e respectivas esposas. A comissão representativa da Cidade da Praia, era constituída por Paulo Messias, vice-presidente da autarquia, Verónica Bettencourt presidente da comissão das festas, Lourival Cunha, presidente da feira de gastronomia, acompanhado de sua esposa Lucia Cunha. Também acompanharam a comissão o "Duo Nocturno", Jorge Nunes e António Paz, estes de Angra do Heroismo. Paulo Barcelos, presidente da Sociedade, fez as apresentações da praxe, incluindo o Presidente da Câmara local, Tony Lima e o vereador João Martins, agradecendo a presença dos visitantes, explicou o motivo porque este ano estavam perante uma simples recepção, derivado às grandes obras em curso e passou a palavra ao autarca praiense. Paulo Messias agradeceu a recepção, apresentou a comissão, fez algumas explicações respeitantes à sua autarquia e passou a palavra à presidente das festas, a qual pormenorizadamente,explicou o programa das mesmas. Seguiram-se as explicações do presidente da feira de gastronomia. Realmente têm um extraordinário programa, o que contribuirá para uma eficaz atracção, que aumentará o número de forasteiros para assistirem às já sobejamente conhecidas Festas da Praia da Vitoria. Votos para que tudo corra de acordo com o excelente programa.

A Foto da Quinzena

by Jorge Avila "Yaúca"

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Rasgos d’Alma

Luciano Cardoso lucianoac@comcast.net

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ada ilha, no peculiar fascínio da sua genuína identidade, como todos bem sabemos, goza de particular encanto.

Que eu saiba, ninguem troca a sua por nada. Não é segredo. E faz sentido. É perfeitamente natural nutrirmos todos pela nossa um carinho especial. Faz parte de quem somos e, regra geral, não temos mesmo outro remédio senão levá-la connosco para onde quer que vamos. Cá ao longe – valha-nos isso – aprendemos a aprecia-la ainda muito melhor. Ao mesmo tempo, partindo, aventureiros migrados por esse mundo fora, habituamo-nos tambem a apreciar com olhos mais maduros outros vaidosos espaços ilhéus a exibirem desinibidos a sua indomável beleza pelos vários oceanos do planeta que nos alberga. Ilhéus, somo-lo de corpo e alma. Jamais o negaremos. Há momentos únicos de lazer arrebatante que só a ilha e seus exóticos horizontes nos podem verdadeiramente proporcionar. Damos os nossos passeios. Gozamos as nossas férias. Formamos a nossa opinião. Desopilamo-nos à balda por aqui e por acolá. Porem, depois de tantos anos e mil e uma voltinhas pelos múltiplos roteiros da fabulosa panorâmica internacional, acabamos apenas por revalidar a inevitável conclusão de que, com o coração não se brinca. Podemos andar por onde quisermos, nada substitui o aconchego anímico do nostálgico berço natal. Não há ilha como a nossa! Gabam-se os ilhéus em comum. Claro que, duma forma realista, ante o arregalado olhar do competitivo mundo turístico que as busca e analisa a belprazer, nem todas as ilhas se podem dar verdadei-

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Mal por bem

ramente ao luxo de se autopromoverem da mesma sedutora forma no vasto mercado mundial. Nesse aspecto, as ofertas diferem consoante as potencialidades. Originário orgulhoso das formosas “ilhas de bruma”, que embalam diáriamente as irriquietas ondas do Atlântico, não hesito reconhecer, lá um pouco mais a sul, ainda no mesmo oceano mas já com vívida ambiência tropical, a Madeira a impôr-se como paradeiro irresistivel aos olhos atentos de quem quer que seja. “A Madeira é um jardim”, lá diz a canção com perfeita razão de ser. “…Como tu não há igual!”, entoam e bailham com rejubilante orgulho os muitos milhares de madeirenses ao redor do mundo. Da Venezuela, da África do Sul, ou simplesmente cá dos vizinhos “cabeços” de Hayward, na California, para citar apenas algumas das várias comunidades onde eles se aglomeram de forma mais evidente, chegam calorosos ecos de sentida gratidão pela imensa solidariedade patenteada apos a horrorífica tragédia de há três meses. Ver em imagens dolorosas esse deliciante jardim vorazmente destroçado pelo raivoso temporal, custou-nos imenso a todos. A reabilitação física e emocional das pessoas e dos lugares vai levar o seu tempo mas, já é de realçar em termos entusiasmantes o magnífico esforço solidário das gentes e comunidades em choque frontal com o penoso drama ocorrido. Indivíduos, organizações, empresas, Governos e governantes, cada qual à sua distinta maneira, tem dado exemplarmente as mãos em prol da gritante “causa madeirense”. Nunca, que eu me lembre, fora uma ilha dos nossos saudosos arquipélagos tão duramente castigada pela dócil mãe Natureza que, caricatamente, nenhuma doçura decidiu exibir nesse tempestuoso dia

para esquecer. Apesar de arrepiantes, as imagens televisivas não disseram tudo. A dor fora irreprimível e excedera-se muito para alem do que as câmaras de filmagem eventualmente pudessem vir a captar. As carências abriram feridas profundas e lançaram-nos desafios cruciais. Felizmente, a resposta global tem sido fenomenal. Ver a mimosa “pérola atlântica” refazerse aos poucos ao recuperar a imagem vi-

brante que lhe é reconhecida, faz-nos bem a todos. Até nos fez um bem danado ver recentemente, lado a lado, quais cordeirinhos mansos, dois rivais figurantes do safado circo político à portuguesa – Jardim e Sócrates no seu melhor – a trocarem cínicos sorrisos e galanteios em vez dos habituais insultos ou nomes feios. Quanto dos males, afinal, não vem por bem?


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Sabor Tropical

Elen de Moraes elendemoraes_rj@globo.com

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ragédias são acontecimentos catastróficos, dolorosos, com muitas vitimas ou crimes hediondos que causam comoção pública, diferentes das tragédias gregas que definiam, acima de tudo, uma forma artística. Quem dera fossem as nossas só maravilhosas e bem montadas peças, encenadas por grandes atores, em teatros impecáveis. Desastradamente, nossas tragédias são verídicas, nada têm de teatrais e matam muito mais pela omissão dos políticos do que as que nos chegam pelas mãos da natureza, pelas situações extremas do clima que se modifica pelo aquecimento global, aqui e no mundo, segundo especialistas. No verão passado quase morremos assados sob a sensação térmica de 50ºC, devido à umidade do ar, com termômetros a marcar insuportáveis 42 graus. Agora estamos sujeitos a morrer afogados nas enchentes ou soterrados pelos deslizamentos dos morros. Se mesmo naturais as tragédias são inaceitáveis, quão revoltantes se tornam quando causadas pelo desinteresse das autoridades em tomar atitudes, face às mudanças que se fazem necessárias, pela má distribuição e desvio de verbas para os municípios, em épocas de eleições. Tudo bem que quando chove em duas horas o que deveria chover em um mês - e se nesse momento, a maré está alta e a água não tem

para onde escoar - nada se possa fazer, a não ser rezar, para quem tem fé, e esperar, para quem é paciente. Entretanto, pode-se prevenir e preparar a cidade, minimizando o impacto das calamidades, tendo em vista que as chuvas tropicais no verão caem, normalmente, à tardinha e nas primeiras horas da noite. Podese mudar, por exemplo, o horário da coleta do lixo que é colocado na rua para ser recolhido e fica boiando, com os carros, na cidade alagada. O Rio de Janeiro, topograficamente, marcado por muitos morros está mais sujeito a essas catástrofes. A chuva encharca o solo, vai arrastando suas partículas e pouco a pouco dá condições para que a terra e as pedras caiam. Este processo não é tão comum acontecer, porém quando os morros são ocupados desordenadamente, ficam vulneráveis e sujeitos a freqüentes deslizamentos. Entretanto, os moradores das favelas não estão lá porque adoram viver perigosamente, pendurados em morros que podem desabar durante as tempestades, em barracos de madeira sem nenhum conforto, sujeitos a incêndios. Tampouco escolhem criar seus filhos entre balas perdidas, trocadas entre bandidos e policiais, se a eles fossem dadas opções de morar, decentemente, livres dos perigos, em casas populares cedidas pelo governo, como agora estão fazendo com os que ficaram

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Tragédias nossas de cada dia desabrigados. Certa vez, numa de suas crônicas, o escritor Nelson Rodrigues disse que “O brasileiro é um narciso às avessas, que cospe na própria imagem. Nossa tragédia é que não temos o mínimo de autoestima”. Hoje, diante da desgraça que se abateu sobre os habitantes de alguns morros que ruíram, soterrando e matando tanta gente, como aconteceu no Morro do Bumba, em Niterói, um lixão desativado há muitos anos, que desabou levando consigo mais de 50 casas, fazendo vitimas em números que até agora não puderam ser contados em sua totalidade, devido ao difícil resgate dos corpos, posso entender o seu desabafo, pelo descaso dos Órgãos competentes e dos políticos que não intervieram naquela invasão, como não intervêm em tantas outras que se espalham irregulares pelo Rio de Janeiro e não só. O deslizamento do Morro do

Bumba além de trágico, foi cruel, por não ser um morro natural a desabar e sim um morro feito de lixo. Quem não teve recursos financeiros ou outra opção para construir sua residência, a não ser sobre uma montanha de lixo acumulado durante anos, também não deve ter tido informações sobre os perigos que enfrentaria morando em cima de “uma massa sem sustentação, com buracos onde se forma gás, semelhante a uma esponja” (Mauricio Maruca, Diretor da Araúna Energia e Gestão). Não teve acesso às informações sobre o local, a contaminação do seu solo, as doenças que dele adviriam e o pior, o seu desabamento com chuva ou por explosão. Entretanto, se foram alertados e insistiram na ocupação, deveriam ter sido impedidos e transferidos para espaços que lhes oferecessem seguras e mais humanas condições de vida (como está

sendo feito agora). Não foi o que aconteceu. Ao contrário, talvez com intuito de minimizar sofrimentos, tornar o local mais aprazível, o que não serve de desculpa, a prefeitura levou-lhes água, esgoto, luz, quadra poliesportiva e creche. Até uma igreja foi construída pelos devotos. E, como se não bastasse morar em cima do lixo, ainda lhes eram cobrados impostos pelas casas construídas em tão desgraçado lugar. O Presidente Lula afirmou que fará tudo o que for necessário para ajudar o Rio de Janeiro e acrescentou: “Eu, agora só posso dizer que o povo brasileiro está entristecido com o que aconteceu no Rio de Janeiro e pedindo a Deus, rezando muito, para que pare de chover e o Rio possa voltar à normalidade". Mas, é bom nos lembrarmos que “A fé sem obras é morta”.


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Reflexos do Dia–a–Dia

Diniz Borges d.borges@comcast.net

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tempo passa, as memórias ficam. É cliché, mas é verdade. Não sou nostálgico. Tenho este feitio esquisito de viver a vida sem demasiadas reminiscências. Porém como todos os seres humanos também tenho as minhas memórias. Mas na generalidade o tempo que passou, passou. E apesar dos anos também me começarem a carregar, não entro na célebre canção popular do interprete António Mourão: ó tempo volta para traz. Nem que o tempo voltasse! Aliás, não perco muito tempo a remoer o passado. A vida é linda demais, e há tanto a fazer no dia de hoje, que o ontem, é importante no aspecto que devemos aprender com a história, mas nunca deve ser remastigado ou desculpa para andarmos com demasiados saudosismos por um tempo ou um espaço, que muitas vezes nem foi tão idílico como o pintamos. É que, como se sabe, quando se fala (ou se escreve) só com a voz da saudade, não se fala (ou se escreve) objectivamente. E as novas comunidades, as que despontam um pouco por todo este estado (apesar de na comunicação social ainda persistir-se com o bater das sempre saudosas trindades) já há muito que vivem sem o peso e o nevoeiro duma saudade que por vezes é mesmo doentia. Tudo isto porque há dias, e a propósito da Maré Cheia desta edição do Tribuna Portuguesa, tive contacto com o jornalista José Manuel Baião e fez-me recordar

os meus tempos da rádio. Já lá vão 17 anos que deixei a rádio em língua portuguesa na Califórnia. Foi em Junho de 1993. Deixei a rádio para fazer o meu curso universitário em ciências sociais e ingressar no mundo do ensino. Foi uma decisão difícil. Não a de terminar o curso e de me incorporar no sector da educação, já que sempre havia sido esse um desejo meu. Foi sim difícil sair da rádio, a qual tinha sido parte importante da minha vida, directa ou indirectamente, durante cerca de 16 anos. Comecei a fazer rádio tinha 19 anos. Foi em 1977, que irresponsavelmente, comecei um programa de rádio em língua portuguesa. Chamava-se A Voz do Emigrante Português. Desde então a minha paixão pela rádio levou-me a integrar meia dúzia de projectos, onde perdi muito dinheiro, gastei horas incontáveis, roubei demasiado tempo à minha família e fiz muitos inimigos. Mas foram também 16 anos repletos de grandes amizades e de uma enorme aprendizagem. Que rica escola a minha escola da rádio! Para bem ou para mal não teria sido a mesma pessoa sem as minhas vivências e as aprendizagens na rádio portuguesa da Califórnia. Foi com a rádio, porque nela entrei ainda muito jovem, que me fiz homem. Foi com a rádio que aprendi mais, muito mais, sobre a minha língua de origem (já que havia emigrado aos 10 anos com os meus pais da Praia da Vitória). Foi com a rádio que conheci as comunidades e que iniciei o meu processo de reencontro com a

Memorandum João-Luís de Medeiros jlmedeiros@aol.com

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amos juntar a nossa voz ao coro dos defensores do princípio segundo o qual os povos honrados pela sua maturidade cívica são dignos da memória democrática do seu tempo. Indiferentes à gritaria das aleluias do fatalismo existencial, sentimos o apetite de reparar no facto de que vivemos numa época bizarra em que os “príncipes do oportunismo” não resistem ao orgasmo do pregão da moda: quem possui boa memória é enfermo incurável da lepra do passado! Em caso de manifesta necessidade não seria difícil comprovar que, para aqueles que acordaram “herdeiros” de Abril (e que mais tarde conseguiram penetrar as gretas do sucesso material oferecido nas rectaguardas dos salões da tertúlia revolucionária), o passado continua a ser uma “nódoa” inapelável no balancete da honradez individual... Hoje, vamos conversar (superficialmente) àcerca das rugas na “alma” duma constituição ainda jovem, mas que corre o risco de ser prematuramente albergada numa residêncial para a terceira-

idade... Junto, humildemente, o meu luto ao dos paladinos da Utopia, para reconhecer que a memória do “Abril” democrático português foi silenciosamente sepultada no jazigo romântico da “sinfonia interrompida” da história da política recente. Pois é... as revoluções não são metas para gritar vitórias: são percursos para consolidar ideais... Quem já não ouviu o desabafo típico dos que se arvoram herdeiros duma revolução que não fizeram: eh pá, naquele tempo, as revoluções obedeciam à melodia das “grândolas”; agora, as revoluções são mais realistas... obedecem aos cifrões… ah! ah! ah! Se a versão original da Constituição da República Portuguesa ainda fosse viva, estaria agora a celebrar o seu trigésimo quarto aniversário. Como sabemos, aquela que fora a mais bela “carta-de-amor” da revolução de Abril, acabou sendo (cinicamente) “podada” pelo ardor missionário dos neo-tecnocratas da eurovisão política. Hoje, não recearia afirmar que os genuinos “constituintes de Abril” estão confrontados com o facto de

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Recordando um outro tempo na Rádio de língua portuguesa cultura que havia deixado ainda em criança. Foi com a rádio que cresceram os meus filhos. O meu mais velho até chegou a fazer parte dum programa infantil numa das estações onde trabalhei. Era toda a minha vida, a vida de uma família completamente embrulhada na rádio de língua portuguesa neste centro da Califórnia, ou neste centro do Vale, porque Vale Central é outra coisa.

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foi entre todos os cansaços, o tempo e as energias, para se tentar fazer uma rádio diferente da que tinha-se por hábito fazer por estes lados que conheci, através do telefone, o José Manuel Baião. Era a voz que vinha dos Açores. Primeiro foi através dum projecto pioneiro para esta parte do mundo, chamado "Rádio Aliança 80" que integrei com Joe Silva e Aires Madruga da Silva. Depois na rádio de circuito fechado, Rádio Clube Comunidade. O José Manuel Baião era a voz que nos trazia as notícias dos Açores. Nós que no começo da década de 1980 apenas ouvíamos notícias de vez em quando. Muito antes da evolução tecnológica dos nossos dias, o contacto com os Açores era difícil e esporádico, daí que, quando tivemos acesso aos noticiários coordenados e apresentados pelo jornalista José Manuel Baião, foi uma espécie de bênção celestial. A comunidade ficou muito mais perto dos Açores. Já não era necessário esperar pelos jornais que vinham com

quase dez dias de atraso para se saber algo do quotidiano açoriano. O José Manuel Baião era a voz que nos trazia, quase instantaneamente, as notícias que infelizmente nos habituáramos a esperar várias semanas e que muitas vezes só vinham através das cartas da família ou dos amigos. Foi um momento significante na vida dos emigrantes. Foi uma verdadeira aproximação dos Açores às suas comunidades!

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cedo se percebeu, como se pode verificar no recorte do Portuguese Tribune de 1982, aqui fixado, que José Manuel Baião ficou sendo uma parte importante das famílias açorianas no continente norteamericano, como também cedo se percebeu a sua verdadeira preocupação pelas nossas comunidades, o seu respeito pelo emigrante e a luta desses homens e mulheres pela sobrevivência em terras, que também em 1982 eram muito diferentes. Hoje, as comunidades já não são as mesmas e a rádio em língua portuguesa também mudou muito. Mas quando se escrever a

história da rádio em língua portuguesa no estado da Califórnia, tenho a certeza que o José Manuel Baião, embora a viver e a trabalhar nos Açores, fará parte dessa história.

(Ver)rugas da Utopia constitucional que, nos últimos trinta e tal anos, a Constituição da República Portuguesa tem sido gradualmente reeditada como simples “cartade-condução” conferida aos que detestam o sinal verde do diálogo entre “capital” & “trabalho”. Não estou seguro se valerá ou não a pena gastar tinta e tempo para lembrar que a esmagadora maioria dos portugueses já não se reconhece na constituição do Estado Novo de 1933. Mas ainda estou curioso de saber o que pensam os neo-tecnocratas do “pós-25 de Abril” do papel então desenvolvido por um dos mais famigerados estadistas ibéricos do século XX. Refiro-me a Oliveira Salazar: anti-militarista por convicção, mussoliniano por conveniência, cínico cavaleiro católico sem juramento, confidente do mestre financeiro Quirino de Jesus (1855-1935), porventura um dos mais felinos apologistas do imperialismo lusitano, na primeira metade de século XX... Adiante. Gostaria de relembrar o perfil generoso de alguns daqueles deputados açorianos eleitos, em 1976, para a Constituinte (embora oriundos de nascentes ideológicas muito diferenciadas):

Jaime Gama, Medeiros Ferreira, Mário Mesquita, Mota Amaral, Natalino Viveiros. Não preciso resistir à tentação de lembrar que também tive a ventura (melhor dito, a responsabilidade cívica) de coabitar na mesma Câmara com alguns daqueles valorosos açorianos; não devo esquecer a circunstancial proximidade parlamentar com constitucionalistas de renome (Jorge Miranda, Salgado Zenha, Vital Moreira, José Luís Nunes), com quem procurei aprender (nem sempre à “boca calada”) algumas das letras maiúsculas do alfabeto do constitucionalismo moderno... nfim: como é do domínio público, a constituição portuguesa já foi “revista” várias vezes. Segundo opinião dos originalistas da ala esquerda, a constituição está presentemente muito fragilizada, ideologicamente. Creio que a magna questão que se coloca aos fazedores originais da constituição seria a de aceitar a diferença entre a durabilidade dum articulado constitucional e a fortaleza dum “quebra-mar” ideológico para travar as vicissi-

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tudes dos temporais da história. Continuo a acreditar que a Constituição da (nossa) República foi inspirada por outros propósitos; seria “pecado” democrático considerá-la mero“preservativo” ideológico para evitar a gravidez indesejável do separatismo entre o Estado unitário e sua periferia autónoma. Há muito a fazer, e as mudanças são sempre (saudavelmente) penosas! O articulado da constituição da República Portuguesa ostenta uma tal sonoridade palavrosa que, a nosso ver, incomodaria a gestão jurídico-constitucional, no caso de se optar pela previsível via duma pragmática descentralização regional... PS – Entretanto, em Portugal, pressinto muita boa gente distraída pela campanha alegre para a sucessão do actual presidente da república. (Apetece dizer que Jaime Gama irá aguardar (com a sua proverbial serenidade política) o terminús do segundo mandado cavaquista... para eventualmente dar uma olhadela na direcção ao palácio de Belém...).


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Temas de Agropecuária

Egídio Almeida egidioisilda@charter.net Os Estados vizinhos da California oferecem aos produtores de leite melhores incentivos e exigências regulamentares, para expansões ou mudancçs completas.

Oferecer melhores condições

a Agricultura em geral, e a agropecuária particularmente. Entretanto e paradoxalmente ao mesmo tempo no Estado vizinho de Idaho, os produtores de leite dizem que estão entre a espada e a parede, enquanto os custos de produção sobem e os precos do leite descem. Entrevistado um produtor de leite, da terceira geração, em Nampa, por uma publicação de Boise, Idaho, este afirma que tem constantemente perdido dinheiro desde Fevereiro de 2009 e se a presente situação continuar está em risco de perder a sua exploração agricola devido à presente situação financeira e a relutância bancária em estender crédito operacional, o que vem afectar as famílias, nem só na situação monetária mas também o seu bem estar psicológico. Segundo um Oficial da Agricultura de Idaho, está-se criando o risco de pôr em perigo esta, que é a maior industria Agrária do Estado, que em 2008

Na ultima década o número de expolorações da agropecuária na California caíu para menos 500, com muitos mudando as suas manadas completas ou apenas o crescimento regular das mesmas para outros Estados vizinhos e não só, sob a promessa convidativa de maiores lucros e principalmente mais simplificados sistemas reguladores. Enquanto que oficialmente estas ofertas são feitas pelos Estados vizinhos, a California, especialmente o Vale de San Joaquin está sobcarregando a produção com uma infinidade de regulamentos a que os peritos na matéria afirmam que não é mais nem menos que um terrível pesadelo para

cresceu para $2.1 biliões. Todas as explorações da agropecuária em Idaho, são negócios de família, excepto uma, mas segundo os entrevistados, em geral toda a industria tem perdido dinheiro, mas a crise é nacional e as possibilidades de uma recuperação completa estão ainda enevoadas. A descida é como uma bola de neve que vai crescendo mais, com as agências e companhias que servem a Industria a juntarem-se a ela.

vendida pela familia Wills de Carnwel, RU, à criação “Ponderosa Holestein” da Espanha. Ainda há muito dinheiro por aí à solta.

E esta! No Reino Unido uma novilha chamada “Emelian” de 18 meses de idade foi vendida numa feira pelo preço recorde de 90.000 guineas (94.000 pounds) O preco mais alto até então pago por um animal no Reino Unido foi 100.000 guineas por um toiro de nome “Limosin”. Houve uma enorme especulação antes da venda de “Emelian” reconhecida como um animal de raça mais pura da Europa,

A Outra Voz

Goretti Silveira goretti@domdinis.com

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o dia 8 de Março de 2010, celebrou-se por todo o mundo o nonagésimo nono aniversário do Dia Internacional da Mulher. O tema global deste ano é A Igualdade de Direitos e Oportunidades. Pergunto, será que este dia continua a ter algúm significado? Afinal de contas não vivemos no século XVIII mas sim no século XXI — a idade da igualdade entre os sexos. Fomos emancipadas. Conquistámos o direito ao voto e exercemos cargos poltíicos a todos os níveis. Mas será que alcançámos verdadeira igualdade entre os sexos? Embora tenha havido um grande progresso na igualdade entre os sexos, continua a existir desigualdades e barreiras. A diferença é que agora as barreiras são mais difíceis de descrever. Porquê? Porque todos nós, homens e mulheres, temos preconceitos e somos, na maioría dos casos subconscientemente, influenciados por ideias e organizações concebidas por e destinadas a servir os homens (letra minúscula). Também vejo preocupada que a nova geração de trabalhadores desconhece as injustiças de antigamente e a razão histórica da existencia do Dia Internacional Da Mulher. A nova geração desconhece as condiões de trabalho e da discriminação que as mulheres têm sofrido através da história. Quantos se lembram, ou sabem, o significado do dia 8 de Março? Ou qual a razão porque este dia foi escolhido no mundo inteiro para celebrar O Dia Internacional Da Mulher? O dia 8 de Março foi escolhido para homenagear as 129 operárias que, a 8 de Março de 1857, foram mortas carbonizadas numa fábrica de tecidos em Nova Iorque, durante a primeira greve liderada unicamente por mulheres, nos Estados Unidos. Estas operárias tinham-se atrevido a pedir dias de trabalho de 10 horas em vez de 12 e salários iguais aos dos homen. Durante a manifestação, as mulheres viram-se obrigadas a refugiarem-se dentro da própria fábrica devido à retaliação violenta da polícia. A polícia e os donos da fabrica trancaram as operárias e incendiaram o edifício. Segundo a AFL-CIO, a maior federa-

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ção de sindicatos dos Estados Unidos da América, as mulheres representam, em 2010, mais de metade da população activa (workforce) mas cita um relatório das Nações Unidas que mostra que a maioría dos 1,3 biliões de gente que vive numa pobreza absoluta, são mulheres. Em média, as mulheres recebem entre 30 a 40 por cento menos que os homens, fazendo exactamente o mesmo trabalho. Mundialmente, continuam a ser vítimas de violência, sendo a violação e a violência doméstica causas significantes de invalidez e morte nas mulheres. erá que O Dia Internacional da mulher continua a ser pertinente? Não haja dúvida. Como podemos ver, estamos ainda muito longe de chegar à meta da igualdade de direitos e oportunidades, mesmo quando estes são protegidos pela lei. Primeiro temos que acreditar em nós, no nosso valor e capacidade. Afinal é a nós mullheres que compete a maior responsabilidade de nos libertarmos de certos prejuízos e parar com o círculo vicioso a que nos subjugamos. Termino com as palavras, possivelmente um pouco duras, da escritora portuguesa Maria José Rijo:

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Fico antes a perguntar-me quantas gerações serão ainda precisas para d e s vincular essas mulheres da obrigação de servir — porque são mulheres? Fico antes a perguntar-me quantas gerações serão precisas ainda para libertar dessa mentalidade, que as faz admitir com orgulho, que têm dono? Dessa mentalidade de animal doméstico que as faz aceitar tão irracional submissão? Pergunto-me, olho, e não vejo o fim do túnel.

SJGI tem o prazer de apresentar

Eduardo da Silveira, M.D. Diplomado em Gastroenterologia. Especialista em Doenças do Fígado e do Aparelho Digestivo.

O Dr. Eduardo da Silveira fala múltiplas línguas incluindo o Português, Inglês, Espanhol e Francês. Bem-vindos a San Jose Gastroenterology (SJGI)

Agradecemos a oportunidade de oferecer os melhores cuidados médicos em Gastroenterologia e Endoscopia Digestiva.

Dois escritórios para o servir em San Jose MONTPELIER OFFICE: 2340 Montpelier Dr., Suite A O'CONNOR OFFICE: 231 O'Connor Dr.

Telefone: (408) 347-9001


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Apontamentos da Diáspora

Caetano Valadão Serpa

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v.serpa@verizon.net

Igreja Católica atravessa uma das maiores crises da sua milenária história, talvez, a mais grave desde o século XVI, quando o mundo cristão ocidental se fragmentou entre Reformadores Protestantes e Católicos Romanos. A Igreja Católica, a partir daí, mais do que nunca, passou a defender implacavelmente o celibato eclesiástico, que não significa apenas crimes sexuais contra crianças e menores, mas também qualquer relacionamento sexual com pessoas adultas de ambos os sexos, o que é violação grave do voto de castidade. Os tais pecados mortais! O celibato eclesiástico, a ‘pérola’ preciosa da coroa de glória e prestígio da igreja, está em causa, sobretudo, mas não só, com os abusos sexuais contra crianças e menores, perpetrados por parte do clero com votos de castidade. De permeio do escândalo aparecem as vozes portuguesas da Cúria Romana. Uma delas, o cardeal William Levada, antigo arcebispo de São Francisco, na Califórnia, hoje, o sucessor do então cardeal Joseph Retzinger, na Congregação da Doutrina da Fé, historicamente conhecida pelo Tribunal do Santo Oficio ou da Inquisição, cuja missão era combater as heresias e investigar, julgar e frequentemente condenar à morte pela fogueira, em praça pública, quem defendesse ideias contrárias à

Vozes portuguesas na crise atual da Igreja Católica

doutrina professada pela igreja de Roma. Disso são testemunhas os inúmeros “poleirinhos”, em muitas cidades europeias, onde as vítimas eram atadas e queimadas vivas. O cardeal Levada tem ascendência portuguesa, e como era de esperar veio em defesa de Bento XVI, que é acusado de condescendência quando arcebispo de Munique, na Alemanha, depois como prefeito da congregação encarregue destes assuntos e agora como papa. William Levada acusa os meios de comunicação de “coordenado assalto à igreja e ao papa.” Outra voz portuguesa que se faz ouvir é a do cardeal José Saraiva Martins que adora falar do seu envolvimento na administração do Vaticano. Meu contemporâneo em Roma e que até há pouco era o Prefeito Emeritus da Congregação para a Causa dos Santos e das Santas. Nos últimos tempos, uma das congregações mais ativas da cúria romana, com cerca de 2200 processos entre mãos. Fazem parte da congregação cerca de 200 ‘lobistas’ de santidade, 70 médicos e algumas médicas e 62 consultores e consultoras. Entre vários dos seus pronunciamentos sobre a presente crise, sobressai a expressão popular de que em família ‘não se lava a roupa suja na praça pública’. Quanto ao arcebispo Manuel Monteiro de Castro, colega de faculdade na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma e hoje

Secretário da Congregação dos Bispos, que eu saiba, ainda não fez qualquer declaração pública. Naquela altura em que ambos por lá andávamos, decorriam os trabalhos e sessões do Concílio Vaticano II, que seguimos com muito interesse e atenção. Fizemos planos, sonhamos com reformas e acabamos por seguir caminhos diferentes, ele optou pela carreira diplomática, ficando ao serviço da Cúria Romana, eu regressei aos Açores, onde fui encontrar um bispo conservador e alérgico a tudo o que fosse mudança, passando à margem do arejamento pretendido pelo papa João XXIII. Neste momento, desconheço o que Monteiro de Castro pensa da presente situação que flagela o Vaticano, mas há momentos de silêncio mais expressivos que as mais eloquentes palavras. Já o falecido cardeal Humberto Medeiros, antes das revelações públicas da crise sexual do clero na arquidiocese de Boston, que ele dirigia, afirmava em resposta à carta de uma mãe que lhe escrevera pedindo a sua intervenção no caso de abusos sexuais de sete membros da sua família, respondia: “ não podemos aceitar o pecado, mas sabemos bem que devemos amar quem peca.” ma coisa parece certa, da igreja de Roma e da Cúria Romana, como se encontra ideologicamente apetrechada, não virá

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solução para a crise atual, enquanto não aparecer alguém, no himalaia da hierarquia, que continue a obra de João XXIII. Os papas do após Vaticano II, inclusive João Paulo II, coadjuvado pelo cardeal Retzinger preocuparam-se quase exclusivamente com a pureza doutrinal abstrata e tridentina, abafando graves desvios morais do clero como se estes, agora desfraldados em praça pública, não fossem muito mais embaraçosos que as interpretações dogmáticas. Até ao presente, as desculpas de obsessão anticlerical dos meios de comunicação, de tendências homossexualismo dos prevaricadores, de holocaustos contra vítimas inocentes, ou muito menos a trivialidade irresponsável de que os abusos sexuais de crianças e menores não passam de simples nódoas nas vestes do labor quotidiano, ou, pior ainda, a insensibilidade mesmo irónica de distinguir pecado e pecador. Com estas atitudes e mentalidade, a própria ação dignificante de boa parte do clero torna-se imensamente mais difícil. O rigor da igreja quanto aos pecados do mundo e aos seus próprios pecados parece assim medir-se apenas pelo critério obtuso da hipocrisia. * Artigo escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico e em linguagem não sexista.


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1 de Maio de 2010

Faรงa como a LALIS - Anuncie no Tribuna


COMUNIDADE 15

Agua Viva

Filomena Rocha filomenarocha@sbcglobal.net

Maio mês da esperança

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aio aí está. Como Março e Abril, segundo as previsões: ventoso, para fazer um ano formoso. Quem é que sabe? Nem sempre os meteorologistas dão com o nó da questão, pois muitos tornados acontecem e ninguém sabe senão quando já estão formados e quase ao pé da porta, levando tudo a eito, pessoas grandes e pequenas, e partindo tudo em fanicos, e nem sequer as árvores se aguentam na raíz, porque as próprias raízes se levantam como no último dia do Mundo… Será assim, ou pior ainda? Talvez para lá caminhamos, conforme está escrito e ninguém quer saber. Ou é preferível aguardar por melhores dias com Fé, porque Deus é Misericordioso com os que O temem. E nós, tememos a quem? O Deus do Céu ou algum deus da terra, da vila, da cidade em que vivemos? E andamos todos ao mesmo, à procura de teres e haveres, venham de onde vierem, trazidos pelos ventos da bonança ou por outros não tão mansos. Dizem que de Espanha, nem bom vento nem bom casamento, Eu diria que isso era naquele tempo em que Portugal tinha que fazer acordo para que os dois reinos monárquicos entrassem em consenso, nem que fosse pelo casamento… Nos nossos dias e desde há cem anos, depois que se deu o regicídio, que os acordos se fazem de outro modo, experiências de risco que não sabemos como vão terminar, quando já se fala da “queda” do Euro, visto que Portugal apesar de muito esforço continua a acreditar em sonhos e a contar Contos de Reis. Sejamos realistas: Foram muitos anos de Reinado, com descobertas pelo mundo inteiro para dar ao País. Cincoenta de quase vivência na ignorância e outros cincoenta à procura de identidade política. Ainda hoje o 25 de Abril nalguns lugares não parece ter acontecido, e o nosso Povo não parece querer sacrificar-se para que o Futuro seja melhor para filhos e netos. Ventos de mudança que não passam por todos os lugares, pelo menos com a mesma rapidez e apesar das celebrações com cravos em riste e na lapela, existem aldeias onde a luz electrica e água potável não existem, onde alguns dos mais idosos, deserdados da família e sem saber ler, são vilmente enganados por pessoas sem escrúpolos que lhes usurpam os parcos euros que recebem das pensões de velhice no abandono e na doença. Por muita poesia que se escreva e se diga, por muitas canções que se cantem, é muito num só dia de festa, mas bem pouco nos restantes do ano, porque são mais as greves e as faltas do emprego que dá o pão que cala a boca do estômago e amansa o espírito dos desesperados da sorte. Maio das espigas ainda verdes que os pássaros namoram de longe, das papas grossas da infância e consolo na velhice, continua a ser esperança de todas as pessoas que amam a terra que dá o que se semeia com amor e onde muitas Mulheres morreram por amor. Maio, mês das rosas para oferecer à Mãe do Céu, e a todas as mães que não se esquecem de o ser, mesmo quando os filhos tomam rumos menos felizes. Maio na minha ilha é explosão de alegria com o ribombar do foguete para a primeira tourada, que só acaba no dia 15 de Outubro; é espantalho no cerrado, nas janelas e varandas que esperam contentes a bravura de um toiro contra a braveza do infortúnio.

COMUNICADO A Fundação Portuguesa de Educação para o Centro da Califórnia atribuirá bolsas de estudo aos alunos que terminem o Liceu (High School) e estejam interessados em frequentar Colégios ou Universidades. As bolsas de estudo também poderão ser atribuídas a alunos que já se encontrem matriculados em Colégios ou Universidades. Os interessados em obter os boletins de inscrição para bolsas de estudo, devem telefonar para Sergio Pereira, 209 564 6863. Os pedidos também podem ser efectuados através do email: pefcc@live.com Todos os boletins de inscrição deverão ser devolvidos à Fundação até ao dia 15 de Maio de 2010.

1600 Colorado Avenue Turlock, CA 95382 Telefone 209-634-9069


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COMUNIDADE

1 de Maio de 2010

Ao Sabor do Vento

José Raposo

Aí vai a fotografia...

raposo5@comcast.net

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m dia destes um amigo meu disse-me: “Ó Raposo, estou a gostar mais dos teus artigos! Tu aí há uns anos para trás davas pancadaria em toda a gente. No entanto, tudo o que dizias era a verdade. O que aconteceu que deixaste de dar porrada na comunidade?” Não foi preciso pensar muito para lhe dizer que eu fiquei cansado. Bater em ferro frio é perder tempo. O que nasce torto, tarde ou nunca se endireita. Então resolvi escrever sobre outras coisas mais divertidas e sempre que haja necessidade de chamar a atenção de algo que na minha opinião está errado, podem crer que isso farei. Estou a ficar velho, cansado e a saúde não vai lá muito boa. O meu amigo Tony diz que eu deveria deixar de tomar os comprimidos todos que tomo e beber do vinho da sua adega. Sei lá... Será que ele tem razão? O que é certo, quando sinto pressão no peito, bebendo um copo de vinho, a mesma decresce, bebendo dois, fica ainda menos, mas, paro por aí. Foi o que aconteceu há dias quando os

meus amigos me vieram visitar. Trouxeram o vinho, os coelhos e depois dos mesmos cozidos, fritos e passados no molho de vilão, ficou mesmo a matar. Como é de costume, depois do jantar há sempre cantoria. Eu, como já disse várias vezes, não sou capaz de dar duas notas certas e é a razão por quê só canto em minha casa ou em casa de alguns amigos. No entanto, para fazer cantigas não há problema. Lembro-me que no meu tempo de tropa, em Tavira, ao me levantar pela manhã, muitas vezes ao fazer a barba, eu cantava sózinho e respondia às minha próprias cantigas. Alguns dos meus colegas diziam: “ Ó Vicente - nome pelo qual eu era conhecido - andas mesmo maluco. Qual maluco, qual carapuça. Tinha que passar o tempo de alguma maneira. Mas, voltando à cantoria na minha casa, a coisa começou a aquecer. O Tony e meu primo Abel embrenharam-se em disputa. Eu, como não podia deixar de ser, não fiquei atrás.

Do Vale à Montanha

Sergio Pereira sergiopereiradvm@hotmail.com

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os tempos que atravessamos a qualidade do tratamento dos vossos animais deve ser cada vez mais uma prioridade. Quando falo em tratamento não me refiro somente á alimentação mas também ao conforto e á forma de como os vossos animais são trabalhados. Vou fazer estas sugestões porque, como Médico Veterinário, defendo o bem estar dos animais e também pelo facto de que cada vez mais a industria de animais de produção está a ser atacada pelos defensores de animais. Assim sendo, á que mudar de práticas e trabalhar para a redução do sofrimento dos vossos animais.

Abaixo deixo algumas sugestões de como tratar de uma forma correcta os vossos animais. • Tenham em consideração a condição fisica dos vossos animais, mantenham uma alimentação adequada e tenham somente o numero de animais que podem alimentar de uma forma adequada. Vendam as vacas gordas com bezerros pequenos e de produção baixa. • Mantenham os currais e camas limpos, e desinfectados. Currais com problemas de dernagem devem ser reparados durante o Verão para pervenir acumulação de águas durante o Inverno. Currais com lameiro em excesso e fundo causam problemas de mamites, doenças de pés, perdas de peso, etc.

Enquanto a gente cantava, os cães que faziam uma estorreada com os ossos dos coelhos, andavam desauridos. Não sei se era por causa do som do violão ou se eles não estavam a gostar das nossas cantigas. Diz o Tony: “O maroto quer cantar. Sem mais esperar, o Marinho chama pelo maroto para junto de si e diz: “Canta maroto.”

O cão põe as patas dianteiras em cima da mesa, ergue a cabeça e começa a ladrar ao som do violão. E olhem vocês que ele é mais afinado do que eu. Não tenho a gravação, mas, para comprovar o sucedido, aí vai a fotografia.

Tratamento Adequado dos vossos animais • Animais doentes devem ser tratados de acordo com os protocolos estabelecidos. Um animal doente não deve ser abandonado somente porque o seu valor económico é baixo. • Animais que se encontrem sem se levantar devem ser colocados em abrigos durante o Inverno e á sombra durante o Verão. Comida e água devem estar sempre presentes para estes animais. • Animais com doenças ou traumas que são considerados terminais e sem solução devem ser abatidos de uma forma humana e sem sofrimento excessivo. Exemplos disto são animais com membros partidos, com doenças sem tratamento possivel, etc. Consulte os serviços do vosso Médico Veterinário para que estas decisões sejam tomadas o mais rápido possivel. • Os cornos devem ser retirados na primeira semana de vida dos bezerros. Se retenhem os machos na vossa leitaria a castração também deve ser efectuada na primeira semana de vida, assim como os tetos extra nas fêmeas. Se estas operações forem efectuadas quando os animais são mais velhos anestesia deve ser usada e os serviços do vosso Médico Veterinário requisitados. • Os animais abatidos devem ser colocados em lugar mais afastado. Estes não devem ser postos em lugares onde o publico passa e pode ver. • Devem treinar os vossos trabalhadores para que estes não usem força em excesso aquando do maneio dos animais, e para que estes não abusem fisicamen-

te dos animais. Devem perceber que quanto mais stress for imposto nos vossos animais mais problemas vão ocorrer, e mais danos fisicos vão resultar. Estas sugestões são feitas com o intuito de proporcionar o bem estar dos vossos animais e também para que tenham em conta que a nossa industria se encontra em mudança. Quando falo em mudança refiro-me ás novas mentalidades e as novas ideias que surgem todos os dias de como tratar animais. Há que diferenciar os animais de produção dos animais domésticos. O problema que a industria de produção atravessa neste momento é que as pessoas que defendem mais direitos para os animais não sabem fazer a diferenciação que referi. Nos dias que correm, qualquer desleixo da vossa parte pode ser usado para atacar a nossa industria e com isto leis são aprovadas e as restrições aumentam. Temos que lembrar que uma unica imagem de um animal maltratado vale por mil palavras. Temos que passar a mensagem que os animais são de produção e que se o seu bem estar é uma preocupação para os seus donos e para a industria em geral. Continuo a ver maus tratos e uso excessivo de força para com os animais. Não existe necessidade de o fazer. Temos todos que com-

preender que estamos a lidar com animais e que estes não possuem razão como nós humanos. Como referi á pouco, quanto for maior o stress imposto aos animais maior serão as dificuldades para os trabalhar. A mensagem que gostava de deixar é que temos que projectar uma mensagem positiva da nossa industria para o publico em geral, para que possam entender que a nossa industria se preocupa com o tratamento dado aos animais. Para que isto acontece temos que implementar práticas que possam reflectir esta mensagem. Qualquer duvida que tenham sobre o estado dos vossos animais consultem profissionais para um melhor aconselhamento. Pequenas mudanças e uma mensagem correcta poderá fazer com que a industria de animais de produção seja vista com bons olhos pelo publico.


COMUNIDADE

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Carvalho Travel - 100 anos de boa viagem

Levern e Maria Cabral - uma noite para não esquecer

Realizou-se no dia 24 de Abril de 2010 na Sede da PFSA em San Leandro um jantar comemorativo dos 100 anos da Carvalho Travel Agency, bem como uma homenagem à proprietária da mesma, Maria Cabral, que se encontrava com o seu marido Laverne, e que se viram rodeados de muitos amigos de longos anos. Tim Borges falou um pouco da história da Carvalho Travel que foi fundada em 1910, então com o nome de Carvalho Steamship Agency, em San Francisco. Foram seus donos António Martinho Carvalho e John R. de Faria. Maria Cabral começou a trabalhar na Agência a 3 de Maio de 1947. Depois da morte de António Carvalho em 1952, John Faria dirigiu a empresa até que em Janeiro de 1964, Maria Cabral e Marcy D. da Costa compraram-na em partes iguais. Abriram o seu primeiro escritório na edifício da UPEC em 1964, que durou até 1967. Neste mesmo ano, abriram então um escritório em San José, mesmo em frente à Igreja Nacional das Cinco Chagas. Em 1982 Maria Cabral comprou a parte de Marcy Costa e abriu nesse mesmo ano um escritório em San Leandro. Maria Cabral ficará ligada para sempre à epoca de ouro das viagens a Portugal. Ler mais na página 28.

Em cima: memorabilia de tantos anos de trabalho Embaixo: Maria Cabral reconhece a sua amiga Henriqueta Penny

Antonio Costa Moura, Cônsul-Geral de Portugal, Maria e Laverne Cabral, Ellen Corbert, senadora estadual, Tony Santos, Mayor de San Leandro, Sheila Young, antiga Mayor de San Leandro

Em cima: Maria Cabral e António Martinho Carvalho. Embaixo; A "Resolution" do Senado Estadual da California em comemoração dos 100 anos da Carvalho Travel Agency


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FESTAS

Santo Antão - ajudar quem estuda

1 de Maio de 2010

Fotos de Jorge Ávila “Yauca”

(Past Pres) Germano e Jacinta Soares, Mary Dores, Padre Hilary Silva, Frank Dores (Presidente), Giovanna e Dominic Barroso (VP), Lorraine Dores (Sec) e Dianne Alves (Tesour.)

Padre Hilary benzendo os animais, como é tradição num Bodo de Leite. Os animais que desfilaram estavam muito bem tratados e bonitos. É preciso dar-se valor a estes homens que durante o ano percorrem muitas milhas na California para engalanarem com os seus animais os nossos bodos de leite. Também os nossos cantadores de improviso são chave importante nesta nossa festa tão popular. E como já vem sendo habitual, na Segunda-feira, houve a Corrida de Toiros para gáudio de cerca de 3000 pessoas, que vibraram toda a noite com as lides dos cavaleiros e muito em especial com as seis boas pegas feitas pelos nossos forcados de Turlock e Merced.

Manuel dos Santos, António Azevedo, Adelino Toledo, João Pinheiro


FESTAS

Banda Lira Açoriana sempre presente nas nossas festas

Como todos os anos dizemos, esta Festa não é igual às outras. O objectivo dela é proporcionar bolsas de estudo a estudantes que queiram continuar os seus estudos superiores nas áreas da agricultura. Um objectivo que muitas outras festas poderiam também proporcionar, já que neste vale dourado onde moramos, a agricultura é rainha e fonte de riqueza para milhões de pessoas, e quanto mais especialistas tivermos no futuro, melhor e mais sustentada agricultura teremos. É preciso encorajar muitos dos nossos jovens que não prosseguem estudo superiores e fazê-los compreender que é nesta altura que os seus pais mais precisam da ajuda deles em termos de modernização de ideias e de produtividade. A Escola poderá dar isso tudo e somos tão privilegiados que à nossa volta só temos boas universidades e bons colégios. Embora estejamos a atravessar uma grande crise e muitos dos nossos agricultores a sofrerem dificuldades terríveis, temos a certeza que este Estado e este grande País voltará a ser o que era.

Germano e Jacinta Soares, Monsenhor Myron Cotta, Mary e Frank Dores, Giovanna e Dominic Barroso, Angela e Luís Oliveira

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COMUNIDADE

Irmãs Franciscanas Hospitaleiras

Foi há 50 anos que as Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição pisaram o solo deste grande Estado da California e recebidas foram com muito carinho pela Comunidade Portuguesa da Igreja Nacional das Cinco Chagas em San José. Para comemorar o aniversário da chegada das Irmãs Hospitaleiras celebrou-se no dia 10 de Abril de 2010 uma Missa de Acção de Graças presidida pelo Bispo de San José, D. Patrick MacGrath, com Monsenhor Myron Cotta, Padres António Reis e Donald Morgan. Seguiu-se uma recepção no Salão da Escola. As Irmãs Hospitaleiras estiveram em San Jose até ao encerramento do Convento das Cinco Chagas em 1992. A Escola ficou então a cargo de profissionais e administradores leigos. Em 1999 as Irmãs Hospitaleiras abriram New Bethany em Los Banos, uma "Residential and Skilled Nursing Community" num investimento de $13 milhões de dólares, com uma área de 7.3 acres. Na sua bonita página na Internet pode ler-se o seguinte sobre New Bethany:

New Bethany - A Place of Hospitality New Bethany is a nonprofit, nondenominational community owned and operated by the Community of the Franciscan Hospitaller Sisters of the Immaculate Conception. Called to be a place of hospitality, New Bethany is a work of love and sacred duty, where we treat our residents as “parents” in our home and family. Located on 7.3 beautifully landscaped acres in Los Banos, California, New Bethany is close to stores, entertainment, and other community conveniences. Here you will find like-minded older adults who enjoy all that life has to offer. Estão de parabéns as Irmãs Franciscanas Hospitaleiras, bem como toda a Comunidade Portuguesa, pelos excelentes serviços prestados durante os últimos 50 anos. Tribuna agradece a oferta do livro "A Shower of Blessings" da Irmã Júlia. Uma obra para ler e meditar.

1 de Maio de 2010

Fotos de Joaquim Ávila


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Cães de Fila para Venda P'ra uma casa guardar, não há nada como um cão só precisa ele ladrar para fugir o ladrão. Para mais informações contactar António Carvalho

559-351-2181

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DESPORTO

1 de Maio de 2010

LIGA SAGRES Benfica 32 títulos de Campeão O Benfica pode fazer a festa do seu 32.º título já no domingo, no Estádio do Dragão. Basta um ponto aos encarnados para que isso se torne realidade. Se assim for, será a quarta vez que as águias conquistam matematicamente o título na cidade Invicta. Mas seria a estreia no recinto do rival FC Porto. Até foi na cidade do Porto que o Benfica conquistou o seu primeiro título de campeão nacional. Foi na temporada 1935/36, depois de ter empatado a duas bolas no Campo do Bessa, frente ao Boavista. Um ponto chegou para fazer a festa, tal como bastará no próximo domingo.. . Curiosamente, foi diante do mesmo Boavista que o clube da Luz arrecadou o último título da história. E também depois de uma igualdade, mas dessa vez a um golo. Corria a temporada de 2004/05 e Giovanni Trapattoni era o treinador. Simão Sabrosa marcou de grande penalidade para os visitantes e Éder Gaúcho fez o empate final. A outra vez que o Benfica se sagrou

campeão no Porto sucedeu na época 1944/45. Mas dessa vez com uma goleada das grandes, no terreno do Salg uei ros (6-0). Rogério «Pipi» fez um “hattrick”. Não se pense no entanto que o Benfica nunca festejou um ceptro nacional às custas do seu rival nortenho. Em 1936/37, as águias despacharam os azuis e brancos por 6-0, no antigo Campo das Amoreiras. E Rogério “Pipi” voltou a molhar a sopa, mas apenas por uma vez. Mais recentemente, em 1990/91, o Benfica não se sa-

grou matematicamente campeão em casa do FC Porto, mas quase. Nessa ocasião, os encarnados venceram por 2-0, no inesquecível desafio do bis do avançado César Brito, nas Antas. 24horas

Mourinho e Inter na FINAL FC Barcelona 1-0 FC Internazionale Milano (total: 2-3)

A pergunta da Quinzena: Alguém acredita que somos a terceira melhor selecção do mundo? Só mesmo os poetas da FIFA para dizerem isso.

O Inter de Milão junta-se ao Bayern de Munique na final da Liga dos Campeões, já que no cômputo das duas mãos conseguiu vencer por 3-2 o Barcelona. A equipa de José Mourinho está na final da Liga dos Campeões, mesmo tendo perdido esta noite no campo do Barcelona, por 1-0. O resultado não foi suficiente para a formação catalã poder revalidar o título da época passada. Com a desvantegem de dois golos trazida de Milão, o Barcelona fez o que lhe competia durante os 90 minutos, atacando. Os "nerazzuri" montaram uma verdadeira fortaleza à frente de Júlio César, que apenas por uma vez foi rompida. Aos 83 minutos, Gerard Piqué, fez aquilo que nem Messi nem Ibrahimovic conseguiram, e apontou o único golo da noite. Pouco depois, os adeptos catalães ainda gritaram golo pela segunda vez, mas o árbitro já tinha interrompido a partida. Ainda na primeira parte, logo aos 27 minutos, o Inter ficou reduzido a 10 unidades, por vermelho directo a Thiago Motta, que fez falta sobre Pedro Rodriguez. Aos 33', o melhor lance da primeira parte: Messi "encheu" o pé e permitiu ao guardião milanês fazer uma intervenção à altura.

Morreu João Morais Morreu na passada terça-feira o antigo defesa do Sporting João Morais, de 75 anos, vítima de doença prolongada. Estava internado no Instituto de Oncologia do Porto há uma semana. O famoso ‘cantinho do Morais’ é um marco da história do Sporting. João Morais, então com 29 anos, marcou um golo de canto directo em 1964 que garantiu aos leões a vitória frente ao MTK da Hungria e a conquista da Taça das Taças. O ex-futebolista que deixou o Sporting em 1969, conquistou durante 15 anos em Alvalade três campeonatos nacionais e uma Taça de Portugal, além da Taça dos Vencedores das Taças. Ainda jogou com três dos cinco violinos: Albano, Travassos e Vasques. João Morais foi um dos 'magriços' que conseguiram o terceiro lugar para Portugal no Mundial de 1966, disputado em Inglaterra. No jogo contra o Brasil, que a selecção nacional venceu por 3-1, lesionou Pelé. No site oficial, o clube leonino expressa as suas condolências à família pela perda de quem o Sporting considera “um grande leão”. O corpo do ex-futebolista encontra-se na Igreja de S. Francisco, em Vila do Conde, de onde vai sair para o cemitério dessa cidade às 16h30 de quinta-feira. CM

José Mourinho chega a uma final da Liga dos Campeões pela segunda vez, depois de ter levado o FC Porto ao título, em 2004, enquanto o Inter vai à procura do seu terceiro título europeu (1964 e 1965). A última vez que a equipa italiana conseguiu chegar à final foi em 1972. Sapodesporto

Portugal em 3º lugar A FIFA oficializou, esta quarta-feira, a Selecção Nacional portuguesa como a terceira melhor do mundo no mês de Abril, naquela que é a melhor posição de sempre da equipa das quinas no "ranking" do organismo. O seleccionado luso somou 35 pontos, totalizando agora 1249 na terceira posição, superando a Holanda, que perdeu 40 pontos (1221). No topo da lista surge agora o Brasil (1611 pontos), adversário de Portugal na fase de grupos do Mundial-2010, por troca com a campeã europeia Espanha (1565).


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TAUROMAQUIA

1 de Maio de 2010

Noite boa para aficionados

Quarto Tércio

José Ávila josebavila@gmail.com

Praça de Stevinson Festa de Santo Antão

Três chapéus no ar para congratular

a Festa de Santo Antão. Fizeram bonitos bilhetes para a sua Corrida de Toiros, podendo nós ficar com eles como recordação. Viva Santo Antão e toda a gente de Stevinson.

19 de Abril de 2010 Cavaleiros - Paulo Ferreira e Sário Cabral Forcados Amadores de Turlock, Aposento de Turlock e de Merced Toiros do Pico dos Padres (2), Joe Souza (2) e Manuel da Costa Jr. (2) Director - Duarte Braga Banda Lira Açoriana Praça cheia Curro bonito de toiros Volta a praça do Ganadero Manuel da Costa Junior Estrearam-se dois forcados

Tenho muita pena que todos aqueles que enchem as praças de toiros da California não tenham visto a aparatosa colhida de um dos maiores toureiros de sempre - José Tomás. O matador perdeu 6 (repito, seis) litros de sangue e esteve mal. Isto para dizer que temos que compreender de uma vez por todas que tourear é perigoso. Fazer barulho ainda mais perigoso é. Aqui fica o meu pedido - sempre que alguém toureia, POR FAVOR, mantenham-se calados, apreciem a sua arte, a beleza do toiro, deixem o artista concentrar-se naquilo que faz. Quando terminar a faena, então conversemos... Eu sei que todos podem fazer isso. Pelo amor à Festa Brava.

A Noite de Paulo Ferreira A primeira corrida é sempre desejada e qualquer que seja o resultado, saímos da praça sempre a pensar na próxima. Como sempre digo, o importante é levarmos para casa, o que de bom vimos. O menos bom pode ficar na praça. Cada cavaleiro toureou um toiro de cada ganadaria. Antes de continuar a escrever, deixem-me dizer que, eu, pessoalmente, detesto este tipo de corridas com dois cavaleiros. Já expliquei mil vezes porquê, por isso deixo o vento correr. Paulo Ferreira esteve bem num toiro do Pico dos Padres, que se ressentiu da falta de castigo. O grande triunfo veio no terceiro da noite de Manuel da Costa com o número 23. O toiro tinha música, era muito nobre e mesmo na saída foi sempre leal com o cavalo. O Paulo cravou muitos bons ferros, alguns 8, com a complacência do Director, porque, nem todos os dias temos em frente de nós, um toiro que mostrava bravura. Paulo Ferreira achou por bem convidar o ganadero a dar a volta à praça com ele. O quinto toiro de Joe Souza nada ofereceu ao Paulo, mas teve aspectos muito interessantes no capote. Vá lá saber-se porquê! Convém mencionar o excelente trabalho produzido pelo Paulo Ferreira na Coudelaria Irmãos Martins. E a prova esteve à vista toda a noite.

Os nossos forcados do Aposento de Turlock

tiveram uma boa prestação na Corrida de Beneficiência a favor das vítimas da Agualva, realizada na Monumental de Angra. Bonito gesto dos Forcados do Ramo Grande em oferecerem o seu toiro aos de Turlock, depois do quinto destinado a eles, ter sido mandado para dentro devido à sua imensa mansidão. Pegaram Michael Meneses e Fernando Machado Junior.

Tiro o meu chapéu à KIGS e à Via Oceânica, por mais uma vez ter-nos oferecido a possibilidade

de vermos os nosso forcados do Aposento de Turclok a actuarem na Terceira. Seria interessante saber-se quais as possibilidade de fazer a transmissão com melhor qualidade para que possamos transferir a imagem para uma televisão.

Continuo sempre a tirar os meu chapéu aos forcados, porque eles são, como bem diz o nosso

amigo, forcado e escritor, Eurico Lampreia, os Românticos da Festa. Um cavaleiro ou matador ganha 10 mil, eles ganham mil. Antigamente até só ganhavm um jantar e uns copos de vinho. A democracia financeira ainda não chegou à festa brava.

Sário a aquecer motores para o dia D O Sário apresentava-se em Stevinson, com dupla finalidade - tourear a sua primeira corrida, e preparar-se para a sua alternativa toureando toiros com idade e trapio. O seu primeiro, de Joe Souza era manso e distraído e pouco ou nada lhe poderia ajudar a aquecer os motores para o resto da noite. No segundo, do Pico dos Padres, já Sário pôde fazer melhor, mas mesmo assim abusou, aqui e ali, de muita velocidade para toiros meio parados, porque as bandarilhas não lhes afectavam em nada. Penso no entanto, que no sexto toiro, um colorado, pesado e com muito trapio, de Manuel da Costa, Sário poderia ter feito melhor. Deu-me a ideia que não houve "connection" entre o cavaleiro e o toiro. É claro que, numa primeira corrida temos de aceitar estas pequenas falhas, que ajudarão os cavaleiros a compreenderem o que precisam de fazer melhor nas próximas corridas. É preciso é compreender-se que estas coisas acontecem a todos. O importante é tomar nota daquilo que não correu tão bem e ter a certeza que se tentará corrigir alguns defeitos nas próximas vezes. Repetir o erro é fatal.

Noite grande para forcados - duas boas estreias A noite foi muita boa para os nossos forcados e até tivemos a estreia de um novo forcado do Grupo de Turlock - Jorge Martins, Junior. Seria interessante que sempre que haja uma estreia se a pudesse mencionar ao microfone. É bonito as pessoas aperceberem-se deste importante passo na vida de um jovem forcado. Michael Lopes, teve uma bela pega ao primeiro toiro, pesado e bonito do Pico dos Padres. Este toiro ressentiuse da falta de castigo. Teria sido outro toiro. A segunda pega de foi também muito bem conseguida pelo experiente Fernando Machado Junior.

Dois Novos Forcados Ao melhor toiro da noite, o Fábio Mendonça, dos Forcados de Merced, esteve à altura dele com uma boa pega. Na segunda parte e no quarto toiro, estreia de um forcado e a primeira tentativa foi falhada por dois motivos, simples, mas importantes - a colocação das mãos no ultimo segundo, obrigando o toiro a levantar a cabeça e o toiro ter feito um pequeno zigue-zague. Na segunda tentativa, Jorge Martins esteve muito bem. Teremos forcado, concerteza. Michael Menezes, do Aposento de Turlock, fechou-se galhardamente ao quinto toiro de Joe Souza. Nova estreia de um forcado do Grupo de Merced - Tony Oliveira. O Tony teve o pássaro na mão, com o toiro mais pesado da corrida. Poderia ter sido a pega da noite, mas primeiro, o toiro driblou-o, mas mesmo assim o forcado caíu bem, mas depois o grupo, não conseguiu fechar-se em devido tempo. Na segunda tentativa tudo correu pelo melhor. Boa estreia também. Esta noite foi mesma uma noite da forcadagem. O que foi muito bom para todos eles. Os do Aposento saíram satisfeitos e embarcaram para a Terceira para actuarem na Corrida de Beneficiência. Os de Turlock contentes também, pela estreia de um novo forcdo e os de Merced, menos experientes do que os outros, fizeram desta noite um bom trampolim para futuras corridas, com uma boa estreia. Penso que toda a gente saíu satisfeita desta corrida e é isso que é importante. Que o povo se divirta a ver os nossos melhores, mas já agora poderiam e deveriam não fazer barulho enquanto os artistas actuam.

Em cima: George Martins Jr - Amadores de Turlock Embaixo: Tony Oliveira, Amadores de Merced (estas duas fotos são de Francisco Romero)


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ARTES & LETRAS

1 de Maio de 2010

Entrevista para a História

com Álamo Oliveira

José Manuel Baião A sua acção pública, em vários níveis de intervenção, como escritor, actor, pintor e agente cultural, sempre foi moldada pelo ideal açoreano no que ele representa de afirmação dos Açores e do seu Povo. A livre administração dos Açores pelos Açoreanos continua um lema aglutinador e actual? Posso dizer que tenho, pelos Açores, um afecto indestrutível. O que venho a fazer, ao longo dos anos, leva sempre a marca da minha forma de me afirmar como açoriano e destas ilhas serem uma reserva edénica do meu próprio entendimento de felicidade, melhor dizendo, de justiça social e de qualidade de vida. Talvez, por isso, não entendo o que seja a livre administração (…) pelos açorianos, porque esse administrar depende, de forma quase exclusiva, do que nos mandam. Não sei dizer isto melhor. Mais de três décadas depois da sua institucionalização, tem valido a pena a Autonomia? Quem conheceu (e viveu) o processo administrativo dos Açores antes do «25 de Abril/74» e o confronta com a posterior institucionalização da Autonomia dirá, de imediato, que valeu a pena. No entanto, sofro sempre de um desconforto interior que não me deixa ter a autonomia como o melhor que aconteceu aos Açores. Digo desconforto, porque, actualmente, há já gerações de açorianos com os seus políticos que nem entendem a região sob outro qualquer modelo político-administrativo. Depois, apesar da histórica e longa luta dos autonomistas (muitos deles indeléveis pensadores da açorianidade), o regime autonómico em vigor é, apenas, consequência disso e deles. Nunca a autonomia constituiu uma reivindicação popular. Aliás, o povo açoriano bem andava sob a fasquia da instrução primária da política. Há quem considera que a Autonomia Democrática dos Açores foi uma das maiores conquistas da Revolução Portuguesa, consagrando os seculares ideais autonomistas. É da mesma opinião? R. Em parte, a resposta já foi dada. Mas, para mim, a maior conquista da Revolução portuguesa foi a da Liberdade. Foi ela que permitiu a implantação da Autonomia – sistema que proporcionou a solução menos imperfeita que se encontrou para se conjugar o futuro dos Açores. Ela é uma espécie de hermafrodita dentro de qualquer regime. É o que se pode designar por nem peixe nem carne; é a criança autorizada a jogar à bola no quintal, mas a bola não pode partir o galho da figueira; é a liberdade condicionada a um se muito grande. O Povo Açoriano está, hoje, totalmente, rendido aos benefícios da Autonomia como uma solução de governo para o futuro dos Açores? Ninguém pode ignorar ou escamotear os benefícios decorrentes da Autonomia. Mas não foi difícil convencer os açorianos disso mesmo. Bastou dar-lhes voz e atenção. Vinha-se de uma pobreza despida de reivindicações, obediente e paranóica como Job, que nem se importava de perder a mulher desde que o deixassem ser um homem feliz cheio de fome. Até se achava que os Açores não eram pobres. E provava-se isso apresentando meia dúzia de famílias ricas até deitar por fora. Mas, o mesmo Povo Açoriano estará,

ou não, em face dos níveis significativos registados da abstenção nas eleições regionais, afastado dos desígnios da Autonomia? O povo açoriano sabe que vive em nove ilhas; que se continua a falar em desenvolvimento harmonioso para justificar, exactamente, a falta desse tipo de desenvolvimento. Continua a ser verdade que quem tem unhas é que toca viola. O dito desenvolvimento vem a acontecer em regime de per capita: onde há mais gente investe-se mais. O crescimento harmonioso toma a forma de crescimento justificado, sendo esta a opção responsável pelo continuado envelhecimento e empobrecimento das ilhas mais pequenas. É verdade que a autonomia não é panaceia para todos os males, mas os seus «desígnios» vão-se abstendo de contradizer a lógica dos números. Os eleitores também. Continua a existir, mais de 30 anos depois da institucionalização da Autonomia Democrática, um sentimento regional açoriano? Desde o povoamento, que os Açores possuem um sentido universal açoriano (não regional). A sua posição geográfica tem inclinado o resto do mundo a uma vénia obrigada. Descobrimentos, comércio, migração, conflitos, apaziguamentos obedeceram e obedecem a estratégias que tracejam rumos sobre estas ilhas. Mas, não se conheceram nem se conhecem contrapartidas que as tirem do limiar da solidão e de um ostracismo obscurantista e demagógico. Esta marginalização, camuflada de alguma condescendência «piedosa», não colhe, porém, nem aborrecimentos nem espantos junto dos açorianos. Afinal, o que interessa é fiquem os dedos. E, o pensamento açoriano. Continua activo como potenciador de um ideal político e social comum?

Fazer com que um pensamento seja potenciador de um ideal político e social é o que a Humanidade vem a procurar fazer desde a sua origem. A este nível, não há especificidades. Qualquer povo tem direito a chegar ao estado da perfeição. É uma ambição que tem muito de utópico, mas também muito de justiça, de legitimidade. O pensamento é a energia que faz trabalhar o motor dos actos, das obras. E também perde octanas e sinergias. Por isso, há que manter o pensamento e mudar o motor. Povo Açoreano! Como comenta a retirada desta expressão afirmativa do texto

do novo Estatuto dos Açores? A escrita é terrível quando se acredita mais nela do que no coração. A gente apega-se ao documento e, se tanto for preciso, esmiuçamos o cérebro a construir argumentos que nos ilibem duma verdade impressa em letra de forma. O doente tem seis meses de vida, escreve o médico no boletim do paciente. Passam vários grupos de seis meses e o doente não morre. Isto para dizer que nem tudo o que está escrito é que vale. Aboliram «povo açoriano» do Estatuto? Será que deixámos de o ser por causa disso? Para si, qual foi o melhor e o pior “momento” da Autonomia? Não sou autonomista. Sou autonómico – moro numa região autónoma. A palavra Autonomia nunca me ardeu por dentro. Como já disse, ela é um mal menor. Nunca a entendi como varinha mágica capaz de desencantar os meus sapos vivos, nem como claridade capaz de deslumbrar os meus pesadelos. Os pregoeiros desta actual Autonomia eram, politicamente, confusos e, sem terem culpa disso, identificados com ideologias muito vizinhas das do regime então deposto. Dizer isto, ao fim de trinta anos, é um bocado deprimente. Mas, na altura (1975-76), virava-se de casaca facilmente. E custa-me definir o melhor e o pior. É tão relativo… Mas, lá vai. Melhor: quando a continuidade do sistema autonómico nos garantiu poder usar boletins de voto próprios. Pior: fazer de contas que somos uma região, ofuscando as nossas fissuras e assimetrias. Como comenta a polémica à volta da obrigatoriedade do hastear da Bandeira da Autonomia dos Açores nos edifícios públicos do Estado existentes na Região, e que até à pronuncia do mais recente acórdão do Tribunal Constitucional, relativo aos Açores, não foi cumprida? Mais uma vez, é um assunto tratado entre políticos. O cidadão comum não comenta. Ignora a questão? É-lhe indiferente? Se calhar, é uma mistura das duas. Como caracteriza os Açores de hoje? Arquipélago que continua em fase de reconhecer a sua identidade; espaços onde o sonho alterna com o pesadelo; ilhas isoladas mais entre si do que com o resto do mundo; um equívoco chamado Autonomia perto de ser desfeito; um sobrevivente naturalmente natural; a insularidade à procura da açorianidade; ilhas habitadas por mitos com pés de barro e de fraco futuro. O seu sonho açoreano foi já realizado? Não. Não tenho o sonho açoriano como objectivo. Há que viver acordado e com os pés no chão. Gosto de me sentir seguro, mesmo numa região de poetas e de sismos. 33 livros publicados representam uma bibliografia de destaque. De todos os que publicou, qual é o livro da sua eleição? Tenho uma relação pacífica com todos os meus livros. Escrevo como quem despeja palavras no bodo das ideias. Todos eles me repudiariam caso referisse preferir um livro que fosse. No entanto, eles sabem quais os que tiveram maior impacto no leitor. É correcto falar-se na existência de uma Literatura Açoreana? Ela existe. Então, porque não falar dela mesmo que seja só como mera referência à sua génese, conteúdo e posicionamento no mundo?

Apenas Duas Palavras

Diniz Borges d.borges@comcast.net A nossa edição da primeira quinzena de Maio é dedicada a uma interessantíssima entrevista que o jornalista José Manuel Baião fez ao poeta açoriano Álamo Oliveira. É uma entrevista para se ler e para se reflectir. Faz parte duma série de trabalhos que este jornalista está a realizar com o titulo de Pensamento Açoriano. Estou grato ao amigo e distinto jornalista José Manuel Baião e aos editores da revista SABER por autorizarem a reprodução nesta página de artes e letras. Acrescento que conheci o jornalista José Manuel Baião, na minha outra vida, ou seja, quando estava na rádio em língua portuguesa aqui na Califórnia. Contactava com ele para receber as notícias dos Açores, quando ele era a voz das notícias que vinham pela linha telefónica. Eram outros tempos. Mas registo aqui as palavras do José Manuel Baião sobre esse tempo de rádio, num e-mail que recentemente trocámos, porque mostram como os açorianos sempre tiveram um carinho especial por quem emigrou: " não pude deixar de recordar, com emoção, o tempo em que, pela minha voz, chegavam aos açorianos de uma ponta à outra dos Estados Unidos e do Canadá, as notícias dos Açores. Foi uma iniciativa que teve, como hoje, é pacifico considerar-se, um grande impacto social, aproximando os Açores das suas comunidades espelhadas pelo continente americano. Desempenhei essa tarefa com muita dedicação e o maior respeito pelos açorianos de cá e daí." Bem haja, ao José Manuel Baião pelo trabalho feito nesses anos não tão longínquos e pelo trabalho que hoje faz em prol da cultura. abraços diniz

Jornalismo nos Açores. Cumpre actualmente, com o seu papel social, informativo e pedagógico? O jornalismo, nos Açores, cumpre quanto pode e quanto sabe. Digo isto sem subentendidos, embora o poder e o saber preencham escalas de qualidade com desníveis acentuados. Momentos especiais da sua vida publica. Ora, momentos especiais…: Chegar a casa, sem grandes mossas mentais, vindo da Guiné, em 1969; conhecer pessoas que me inspiraram e inspiram o quotidiano; dar o «litro» pelo Alpendre - grupo de teatro e de, trinta e três anos depois, ainda poder vê-lo a «navegar» nos nossos palcos; participar em tantos acontecimentos culturais internacionais; ir à ilha do Corvo para sentir onde mundo começa e acaba; poder manter, com as pessoas, uma relação de respeito e de solidariedade. Felizmente, a minha vida pública nunca se enfeitou com fogo de artifício. Sempre foi especialmente normal. Por isso, normalmente, gosto de uma especial sopa de couves e feijão.


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Portuguese Athletic Club Convidam-se todos os alunos dos Liceus, Colégios, Escolas Industriais, Seminários, Universidade, a participar num Encontro de Amizade a realizar no Portuguese Athletic Club

Sábado, 8 de Maio de 2010 Hora Social - das 18:00 as 19:00 Jantar às 19:00, seguido de Baile Por favor tragam fotos antigas para compartilhar com os amigos. Traga um amigo também

Preço: $25.00

Para reservas contactar: Portuguese Athletic Club 408-287-3313 Ester Duarte 408-984-6336 Façam já as suas reservas Enviar cheques para:

Portuguese Athletic Club 1401 E. Santa Clara St San Jose, Ca 95116


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1 de Maio de 2010 serving the portuguese–american communities since 1979

Ideiafix

Miguel Valle Ávila

portuguese

• engLish section

miguelavila@tribunaportuguesa.com

I

would rather stand with God against man, than with man against God.

This famous quote belongs to Consul General of Portugal in Bordeaux, France, Aristides de Sousa Mendes, who in nine days in June 1940 saved 30,000 World War II refugees, among them over 10,000 Jews, who were fleeing Nazi-occupied France. Sousa Mendes was born on July 19, 1885 in Cabanas de Viriato, district of Viseu, Portugal, to a rural aristocratic and devout Catholic family. After completing his law degree at the University of Coimbra, he pursue along with his twin brother César, a diplomatic career. Bordeaux was not the first assignment where Sousa Mendes fought for his convictions. At age 55 nearly reaching the end of his diplomatic career and the father of 14 children, Sousa Mendes put his life and those of his family at risk by disobeying dictator António de Oliveira Salazar’s strict orders not to issue any visas to Jews and foreigners of unknown origin. In the end, he lost his diplomatic career, could not exercise law, had to surrender his foreign-issued driver’s license, was stripped of his pension, suffered a stroke that left him partially paralyzed, lost his wife Maria Angelina in 1948, lost his children to emigration, and died in poverty on April 3, 1954. Two days after his death, his twin brother César received a handwritten note from Salazar with only two words on it: “My condolences.” In 2007, Sousa Mendes was selected in a TV program as the third Greatest Portuguese of all time.

What is less known about Aristides de Sousa Mendes is that he was Consul General of Portugal in San Francisco between October 15, 1921 and 1924 when he was assigned to Maranhão, Brazil. While serving the Portuguese of the West Coast, he showed his clear convictions. A well-documented event of the period was his public dispute with the I.D.E.S. Supreme Council in September and October 1923. The Consul General had requested that the fraternal society make a donation, regardless of how insignificant, to the orphans of World War I. Their reply was that it was not in their budget. The Consul then described that the I.D.E.S. Supreme Council donated $125 to the Sacred Heart Hospital in Hanford, CA and $100 to the American Red Cross. At the time, there were Portuguese daily newspapers and a response from I.D.E.S. Supreme Directors J.C. Mendonça, J.P. Pinheiro, M.C. Borges, M.S. Azevedo, and Germano Silva was published disputing the Consul’s comments and basically asking him to mind his own business. Unclear whether another action was related, but the Consul also wrote a letter to the press in the same timeframe about three Notary Publics -- F.I. Lemos, J.P. Pinheiro, and J.G. Matos Jr. for disrespecting the Portuguese Nation and the office of the Consul General and from that point on, they would not be allowed to notarize any documents at the Portuguese Consulate and Vice-Consulates. His ninth and tenth children, Carlos and Sebastião, were born in Berkeley on February 11, 1922 and San Francisco on October 7, 1923 respectively. Carlos died on June 4, 1999 in Los Angeles and Sebastião died on December 17, 2006 in Scottsdale, Arizona. In 1950, Sousa Mendes’ 13th child, John Paul Abranches, who was born in Louvain, Belgium in 1932, immigrated to the United States, joined the Army, and moved to the San Francisco Bay Area. He died on February 5, 2009 in Antioch, CA, at age 78. Aristides de Sousa Mendes, the “Angel of Bordeaux,” deserves to be remembered by the Consulate of Portugal in San Francisco. June 17, 2010 marks the 70th anniversary of the Act of Conscience of Aristides de Sousa Mendes and it would be a great moment to honor this Portuguese and world hero. Photos courtesy of the Aristides de Sousa Mendes Foundation (1922-1924)

Carvalho Travel: 100 Years of Service Carvalho Travel Agency, formerly Carvalho Steamship Agency was founded in January 1910 by António Martinho Carvalho, a native of Praia da Vitória, Terceira, Azores, Portugal and John R. Faria. The first office was located at 66 Jackson Street, San Francisco. This part of town was known as the Portuguese Business District. Mr. Carvalho also

only owner. Maria Cabral started working at Carvalho Agency in May 1947. Marcy H. Da Costa, former ViceConsul for the American Consulate in Angola, Africa and Maria D. Cabral purchased the agency as equal partners in January 1964. Carvalho Travel Agency opened their first remote office in 1964 in

Carvalho Travel Agency under Maria D. Cabral and Marcy da Costa participated in the 500th Anniversary of the Death of Dom Infante D. Henrique in 1960. The Carvalho Travel Agency sponsored the viewing of a film in the Oakland Auditorium. The film was flown in special for the event from Portugal. Maria D. Cabral through Car-

owned the New Lisbon Hotel on Jackson Street. Carvalho Travel Agency (Carvalho Steamship Agency) was the only steamship agency to contract with other steamship agencies on the East Coast to assist the Portuguese Immigrants passages to and from Portugal and its colonies. After Carvalho death in 1952, Mr. John F. Faria became the

the new UPEC Building in San Leandro and their second remote location was opened in 1967 in San José in the Little Portugal section of San José off East Santa Clara Street and Highway 101. In 1967 they closed their office at the UPEC building. In 1982 they opened an agency in San Leandro and Maria Cabral bought the 50% of Marcy, becoming the sole proprietor.

valho Travel Agency helped the effort in obtaining two American Naval Ships to be donated to the Portuguese Navy. Admiral Nimitz, of the United States Navy, presided at the presentation of the ships. Present from the Portuguese Navy were Admiral Sarmento Rodrigues and Vice Admiral Nuno de Brion. The two ships were renamed “Diogo Cão” and “N.R.P. Corte Real”.

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F

Pela Primeira Vez Nesta Praça

Jim Verner

jim-verner@earthlink.net

rank Rodrigues and his son, Dennis, started thinking about raising brave bulls at their Tulare farm about 20 years ago. Their initial goal was modest. They simply wanted to have animals that could be played at family gatherings and celebrations. So they crossed some longhorn cows with a fighting bull from John Mendosa. As expected, the half-breed offspring were a mixed lot. A few charged well, a few wouldn’t charge at all, and the rest were ornery enough to provide the necessary fun and bruises at their parties. But it didn’t stop there. Watching these calves, Frank and Dennis were “bitten” by the bullfight bug. And it wasn’t long before they decided to start raising purebred toiros bravos. In 1994, they bought a bull and six cows from John Mendosa and another six cows from Manuel Costa, and they were off and running. After a few years, they acquired another bull and six cows from Candido Costa, and continued to grow their herd to the point where today they have 25 cows with a stud bull of the Lebrija bloodline they obtained from Manuel Costa. Due to the competitive nature of the organization of corridas in California, most of their animals have been played on the rope, but

they did provide novillos for a festival in Tulare two years ago. This was the first time Frank and Dennis had a chance to see their animals in the ring with a toreiro. The animals charged well, making the ganaderos even more interested in evaluating their stock. So, on April 11, they held their first tenta, and I had the honor of doing the testing. Dennis Rodrigues served as my peon de confianza and Joe Pedro showed his skill with both cape and muleta. Three heifers were tested, two of which were outstanding. They displayed all of the qualities toreiros want in their bulls: charging readily from a distance, focusing on the toreiro and the capes, and continuing to show these characteristics throughout the faena. The third heifer charged readily but ran off after each pass, so she was culled from the herd. The Rodrigueses have six fine looking novillos which, along with the two heifers that passed the tenta, were branded when the testing was over. If these brothers come out like their sisters, toreiros will want to face bulls from the Ganaderia Raminhenco and aficionados will want to watch for bulls with the divisa of royal blue, red, and yellow.

ENGLISH SECTION

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Tenta at ganaderia Raminhenco

Left to Right – Front Row: Dennis, Luke, and Frank Rodrigues – Back Row: Joe Duarte, Joey Duarte, Joe Pedro, Luciano Vieira, Joe Bernardo, Jim Verner

Brave Bulls set the tone in Stevinson

T

he principle ingredient for any corrida is the bulls. And for the April 19 corrida at Stevinson, the organizers selected bulls from three top ranches for an experienced cavaleiro de alternative and a newer cavaleiro practicante. Three forcado groups, two from Turlock and one from Merced, rounded out the program that was witnessed by a full house in spite of the prediction of rain. The ganadeiros selected beautiful, large, strong animals of a size that could be fought in any plaza in the countries where bullfights are not bloodless. The fact our bullfights are bloodless makes the work of bullfighters and forcados especially difficult with such toiros. It is the opinion of this writer that we would see better, more artistic performances if the bulls were a bit younger. But in spite of the large size and undiminished strength, the participants, including the helpers, were not intimida-

ted. They are to be respected for their valor and determination with these animals – as the great Juan Belmonte once said, “May God protect you from truly brave bulls.” The first bull, from Pico dos Padres of Manuel Sousa Jr., was a beautiful grey animal that charged well and allowed Paulo Ferreira to put on a good show, even though the horse was bumped on several occasions. The Amadores de Turlock made a good grab. There was a well deserved tour of the ring for the cavaleiro and forcado. The second of the evening was from Joe Sousa and from the beginning this bull had no interest in the horse at all. It charged the helpers capes well, but try as he would Sario Cabral could do nothing of note as the bull took a strong querencia in the soft dirt in the middle of the ring. But for the forcados, it was another story. The bull charged readily and the Aposento de Turlock team did a fine job and earned a

volta. A bull from Manuel Costa came out third and immediately charged the horse with vigor as Paulo Ferreira took it around the ring, playing the brave bull with the horse’s tail. He went on to put on a good show with this excellent animal. An excellent pega by the Amadores de Merced followed. As cavaleiro and forcado took the tour of the ring, Ferreira insisted that Manuel Costa join them. The next, from Pico dos Padres, was also an excellent bull with lots of strength. Sario Cabral showed that he is learning as he prepares for his alternative later this year. The forcados made the pega on the second attempt, and a volta for horseman and forcado followed. The fifth bull, from Joe Sousa, was a bit better for the horse than the second, but when it charged the capes it showed outstanding style. It is a shame there was not a matador on the card so he could have taken

advantage of this noble charging animal. Ferreira worked hard to get some action, but the bull simply wasn’t that interested in the horse. Once again the forcados showed their skill and bravery, earning a tour of the ring while Ferreira stayed on the sidelines. The final bull of the evening, from Manuel Costa, was also brave and allowed good work by Sario. For the forcados, however, it was difficult as it approached the lead man with a zigzag charge. But the group was successful and the cavaleiro and forcado toured the ring to applause.


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1 de Maio de 2010


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FESTAS

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FESTAS

1 de Maio de 2010

Ajude a PFSA comunicando atĂŠ ao fim do ano as vossas festividades para 2011. Quanto mais depressa souberem mais depressa se publicarĂĄ a lista.


FESTAS

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FESTAS

As restantes festas serão publicadas na nossa próxima edição

1 de Maio de 2010


COMUNIDADE

California Chronicles

Ferreira Moreno

Scarecrows & Company

S

carecrows are devices representing human figures or mannequins dressed in old clothes.

Traditionally, they are placed in fields by farmers to discourage birds, such as crows, from feeding on recently cast seed and/or from disturbing growing crops. Although they have not always looked the way they do now, scarecrows have been around a long time and have been used in a number of different cultures. Modern scarecrows seldom take a human shape. On California farmland, for instance, the usage is rather of highly reflective aluminized ribbons tied to the plants to create shimmers from the sun. Scarecrows came to North America as waves of emigrants left Europe and settled in the New World. However, before their arrival, human scarecrows were a1ready employed by the Native Americans, who would sit on raised platforms and shout at the birds or ground animals that came near the crops.

In ancient Greece, wooden statues were carved representing Priapus, and then placed in the fields. Even though Priapus was assumed to be the son of beautiful Aphrodite, he resembled a hideously ugly fat old man. (The Oxford Illustrated Companion to World Mythologyt). Apparently, the birds tended to avoid wherever Priapus' effigy stood. Kakashi was the name given by the Japanese to their original scarecrows, which were placed in the rice fields. They consisted of old dirty rags and noise makers, such as bells and sticks mounted on poles in the fields and then lit on fire. The flames, as well as the smell, kept the birds and other animals away from the rice fields. Presently, the Japanese use scarecrows depicting people dressed in raincoats and hats. In the Middle Ages, small children worked as crow-scarers. They would run around the fields, clapping blocks of wood to frighten away the birds and protect the grain. Later, in the aftermath of the population

being decimated by the plague, the farmers were faced with a shortage of children to scamper around and shoo birds away. So, they began to stuff old clothes with straw, turning them into life like figures, to be mounted in the fields. Another expedient and more modern stratagem to keep crows away originated with the use of a dead crow hung upside down from a pole. Curiously, in his novel "Robinson Crusoe", Daniel Defoe (1660-1731) wrote about the ingenious attempts made by the storied Crusoe to prevent the birds from destroying his newly-sowed corn stalks: "I stayed by the corn to load my gun, and I could easily see the thieves sitting upon all the trees about me, as if they only waited till I was gone away. And the event proved it to be so, for as I walked off and no sooner was out of their sight, they dropped down, one by one, into the corn again. I was so provoked that t could not have patience to stay any longer, and coming up to the hedge, I fired again and killed three of them. This was what I wished for. So I took them up, and served them as we serve notorious thieves in England, that is, I hanged them in chains for a terror to others. It is impossible to imagine almost that this should have such an effect as it had, for the fowls would not only not come at the corn, but they forsook all that part of the island, and could never see a bird near the place as long as my scare-crows hung there." I read somewhere that Crusoe is generally thought of as the first English novel to use the term scarecrow, and it is possible that it owes its popularity to the above transcribed narrative. In the Azores Islands, the scarecrows (called espantalhos) have been featured in the local lore since the discovery and settlement of the islands in the 1400's. The early historian Gaspar Frutuoso (1522-1591) stated that the Azores had become a very important center for the production of crops, namely wheat. However, the exceptional number of diverse birds far surpassed the number of inhabitants. Obviously, it created a precarious situation, and the urgency arose to find devices in order to curtail the birds' pesky incursions. To accomplish it, the farmers equipped boys with cans and bells, and sent them running and screaming into the fields. The other scenario (still engraved in my memory) featured the typical espantalhos and dolls made of straw, waving their grotesque arms as the darls breeze filled the air. In closing, it seems appropriate to mention that the 1939 movie "The Wizard of Oz", a genuine American classic, based on a story by L. Frank Maum, had a Scarecrow (portrayed by Ray Bolger) as one of the main protagonists.

CAVALHEIRO Cavalheiro de 40 anos, residente na Costa Leste, pretende conhecer Senhora até aos 35 anos para efeitos de casamento. Por favor telefone para O. Oliveira 978-667-0576

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Ana Moura no Gallo Ha dois anos, Ana Moura esteve a cantar no Gallo Center for the Arts e foi, como se esperava, um sucesso. Novamente este ano o Gallo Center sabendo da tournée iniciada em Nova York, mais uma vez contratou-a e ofereceu-lhe a sala maior com capacidade para 1240 pessoas. Cerca de 800 pessoas compareceram para a ouvirem cantar músicas do seu novo CD - Leva-me aos Fados, e outras do seu vasto reportório. Novo sucesso. Foi um show de 1 hora e vinte e três minutos, que passaram depressa demais, para quem gosta de ouvir bom fado. Na véspera já Ana Moura tinha cantado em Los Angeles e no dia seguinte cantava em San Francisco. Importante será sempre respondermos ao esforço do Gallo Center, para que eles continuem a investir no melhor que temos em Portugal.

Germano Silva em Lisboa

Germano Silva com Fernando Correia de Oliveira, escritor, no Museu Medeiros e Almeida em Lisboa.

Germano Silva, o maior e mais artista relojoeiro da nossa comunidade, deslocou-se a Lisboa de visita e aproveitou para não só estar com o seu grande amigo, o escritor Fernando Correia de Oliveira, autor de obras como "Cronologia do Tempo em Portugal", "Relógios e Relojoeiros – Quem É Quem no Tempo em Portugal" e muitas mais obras. Germano visitou as oficinas de relojoaria da Casa Pia e até lhes prometeu fazer uma peça (acima mostrada) que eles tinham dificuldade em fazer. Teve também o privilégio de ser recebido em casa do prof. José Hermano Saraiva, que muito bem dele falou num programa de televisão. Germano tem oferecido muito material de relojoaria a Escolas Portuguesas.


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1 de Maio de 2010


The Portuguese Tribune  

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