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QUINZENÁRIO INDEPENDENTE AO SERVIÇO DAS COMUNIDADES DE LÍNGUA PORTUGUESA

2 a Quinzena de Abril de 2010 Ano XXX - No. 1084 Modesto, California $1.50 / $40.00 Anual

Cidades Irmãs reunem-se

Santa Clara - Encontro de Cidades Irmãs - Santa Clara, Coimbra

foto de filomena rocha

Com o 25 de Abril ganhámos um País Novo Com o 25 de Abril conquistámos a Liberdade Com o 25 de Abril as vozes do Povo cantaram "O Povo Unido" Com o 25 de Abril pudemos votar pela primeira vez Com o 25 de Abril pudemos ler todos os livros Com o 25 de Abril acabámos com as guerras Com o 25 de Abril criaram-se Autonomias - Açores e Madeira Com o 25 de Abril conquistámos o Serviço Nacional de Saúde Com o 25 de Abril somos respeitados em todo o Mundo A 26 de Abril a corrupção desenvolveu-se ainda mais A 26 de Abril o desiquilíbrio social aumentou A 26 de Abril a Justiça não se reformou A 26 de Abril apareceram mais mafiosos no futebol A 26 de Abril as cadeias ficaram cheias de pequenos ladrões, mas não dos Grandes Ladrões Por isso, é preciso um novo ESPÍRITO para voltar ao 25 de Abril

INDUSTRIA

CULTURA

José da Rosa, Presidente

Museu do Espírito Santo em Fall River

José da Rosa Junior é o novo Presidente da TOYOTA MOTOR MANUFACTURING DE BAJA CALIFORNIA, S. DE R.L. DE C.V. (TMMBC) em Tecate, Tijuana, Mexico, onde se fabricam os pick-up's Tacoma. Esta fábrica começou em 2002 com um investimento de $1.8 biliões (MXP$) e tem 762 empregados.

Segundo o "Portuguese Times" o novo Museu do Espírito Santo está em movimento. Segundo diz o responsável do projecto, Fernando Garcia, “este projecto poderá custar 3 milhões de dólares. Temos várias formas de conseguir tais fundos. Temos vindo a desen-

www.portuguesetribune.com

volver contactos de forma a que o problema financeiro seja ultrapassado. Temos várias promessas quer ao nível de Lisboa quer mesmo Washington. Isto não é um projecto individual. É um projecto da comunidade portuguesa."

www.tribunaportuguesa.com portuguesetribune@sbcglobal.net


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SEGUNDA PÁGINA

15 de Abril de 2010

Comunicados EDITORIAL

Oferta de Assinaturas de Jornais

Chegou o dia....

E

u sabia que o dia havia de chegar. Os primeiros sinais vieram pelo correio. Comecei a receber dezenas e dezenas de cartas, panfletos, envelopes, e tudo o mais, que nem o nome sei. O carteiro até ja sabia o meu nome de cor. Todos, mas todos, aqueles que me enviaram cartas, tinham ofertas de como compreender e melhor usufruir do MEDICARE e suplementos, caso os quiséssemos. Sempre fui um zero à esquerda no que se relaciona com seguros de saúde. A minha companhia (HP) ofereceu-me sempre um excelente seguro de saúde e eu nunca tirei tempo para compreender os outros e os que haviam de vir. Agora, chegou o dia de escolher. Além do Medicare A (grátis), apliquei para o Medicare B (vou pagar $110.00 mensais), mas o problema começa agora - qual o suplemento que devo escolher para complementar os beneficios que eu tenho através do Medicare e que me farão pagar menos, todas as vezes que eu consulto um médico? Os papeis que eu recebi, são tantos que eu não tenho capacidade mental para os poder comparar. Estou até a pensar arranjar um advogado amigo que me ajudasse a decidir, porque uns dão isso e tiram aquilo, outros tiram aquilo, mas dão outra coisa, enfim, um autêntico pandemónio mental, que eu ja não tenho idade para decifrar. Se houver algum advogado ou expert, que me queira ajudar, por favor telefonem para o jornal.

jose avila

O Consulado Geral de Portugal em San Francisco apresenta os seus melhores cumprimentos às Associações e aos Orgãos de Comunicação Social e junto tem a honra de remeter cópia de uma Circular da Direcção Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas, respeitante à oferta de Assinaturas de Jornais. O Consulado Geral de Portugal em San Francisco aproveita a oportunidade para apresentar à s Associações e aos Orgãos de Comunicação Social da California os seus melhores cumprimentos. San Francisco, California, aos 18 de Março de 2010 CIRCULAR 1. À semelhança dos anos anteriores, a DGACCP procede, em 2010, à oferta de assinaturas de jornais em português, às Associações e Orgãos de Comunicação Social das Comunidades Portuguesas com "registo e credenciação" junto da DGACCP e que disponham de insta1ações próprias. Os pedidos em nome individual não poderão ser considerados, já que se pretende que as assinaturas oferecidas abranjam o maior número possível de leitores.

2. Os interessados deverão endereçar os seus pedidos obrigatoriamente, quer através do Consulado da respectiva àrea, quer directamente à Direcção-Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas (Av. Visconde Valmor, n° 19 - 1049-061 Lisboa) com data de entrada nestes Serviyos até 31 de Agosto, impreterívelmente. 3. A cada entidade é concedida anualmenle apenas uma assinaltura. 4. As assinaluras de jomais diários contemplam um exemplar por semana. 5. As entidades que estejam ainda a receber publicações resultantes de assinaturas iniciadas em 2010, só deverão solicitar a renovação do pedido a partir do fim da assinatura ern vigor, indicando a data de finalização da mesma e qual o jornal pretendido para a nova assinatura. 6. De acordo com os requisitos estabelecidos, os pedidos serão satisfeitos por ordem de entrada, sendo conveniente a indicação de outros jornais, por ordem de preferência, caso a primeira não possa ser satisfeita.

serão abrangidos por esta iniciativa, pois que a sua satisfação redundaria em detrimento dos destinatários referidos no ponto 1.

O Consulado Geral tem a honra de informar que se realizará de 11 a 15 de Outubro de 2010 o III Encontro Mundial de Pessoas com Deficiência das Comunidades Portuguesas. As candidaturas devem ser apresentadas no Consulado-Geral até ao dia 14 de Maio proximo. Esta iniciativa pretende dar aos jovens portugueses e luso-descendentes portadores de deficiência que residam no estrangeiro a oportunidade de visitar Portugal. A ficha de inscrição está disponível no site da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas: www.secomunidades.pt. San Francisco, 5 de Abril de 2010. 3298 Washington Street San Francisco California 94115 Tel (415) 346 3400 Fax (415) 346 1440

7. Os pedidos apresentados no âmbito do ensino do português designadamente por professores e coordenadores pedagógicos, não

Year XXX, Number 1084, April 15th, 2010


COLABORAÇÃO

Tribuna da Saudade

Ferreira Moreno

P

’rós aferrados apaixonados da tauromaquia é sempre um encanto ver a elegância e estilo do toureiro no uso da capa. A destreza e coragem do toureiro, armado apenas com uma capa, arrostando a furiosa investida do touro, ocasionam aplausos estrondosos. Geralmente, o toureiro inicia o espectáculo com o básico passe de capa chamado verónica, roçando o focinho do touro, cujos cornos deslizam rente ao toureiro, erecto e imperturbado. É deveras curiosa a origem donde derivou o nome pelo qual se tornou popularmente conhecido esse elegante passe da capa. Aparentemente, entronca-se em histórias lendárias e apócrifas, totalmente destituídas de evidência persuasiva e referência pertinente nas narrativas evangélicas. Neste caso, cumpre retroceder a uma antiquíssima tradição apontando que, na Via Dolorosa, ou seja, no caminho p’ró Calvário, uma corajosa mulher teria avançado com um pano e limpado o rosto ensanguentado de Cristo. Em compensação, Cristo deixou a sua imagem milagrosamente estampada no pano, conhecido por Sudário ou Véu da Verónica. Atestam os literatos que o nome Verónica advém da combinação do latim vera (verdadeira) e do grego eikon (imagem). Embora tal nome não esteja registado nos livros martirológicos, no entanto a Verónica encontra-se desde sempre memorizada e representada na sexta estação ou passo da Via Sacra.

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Lembranças da Verónica

É fascinante o que se conta àcerca da Verónica. Diz-se que era uma mulher de nobreza, casada com Sirach, membro do Conselho do Templo de Jerusalém. Diz-se, também, que era a esposa de Zaqueu, chefe dos cobradores de impostos em Jericó. Diz-se ainda que, possivelmente, era Marta de Betânia, irmã de Lázaro e Maria Madalena. E, mais presumivelmente, diz-se que era a mulher que Cristo tinha curado da hemorragia. Tudo isto, evidentemente, mereceu-lhe extraordinária fama e importância no folclore e na tradição, que se embelezaram particularmente através de publicações apócrifas. Por exemplo, conta-se que Verónica, com a ajuda do sudário, curou o imperador romano Tibério. De igual modo se conta que Verónica, antes de falecer, fez testamento destinando que o sudário fosse entregue ao Papa Clemente I, terceiro sucessor de S. Pedro. Consta que, durante os três séculos de perseguição, o Véu da Verónica ficou salvaguardado nas Catacumbas, donde foi transferido (em tempo de paz) p’ra uma igreja construída sobre o túmulo de S. Pedro em Roma. Esta primitiva igreja daria lugar, posteriormente, à esplendorosa e grandiosa Basílica de S. Pedro, onde o alegado Véu da Verónica se conserva num relicário. Protegido num caixilho de cristal e ouro, o véu encontra-se numa pequena capela construída numa das quatro enormes colunas que sustentam a cúpula da basílica.

Em frente a essa coluna levanta-se uma estátua, medindo 16 pés de altura, representando Verónica com o véu. Uma porta, localizada na gigantesca coluna, dá acesso a dois corredores, um subindo p’rà pequena capela e o outro descendo p’ràs grutas do Vaticano. Conforme averiguei no “Official Catholic Directory, U.S.A.”, Santa Verónica é venerada como titular de várias igrejas paroquiais norte-americanas, distribuídas nas seguintes cidades e respectivas Estados, e fundadas nas datas incluídas em parêntesis: Philadelphia, Pennsylvania (1872), New York, New York (1887), Milwaukee, Wisconsin (1925), Baltimo-

re, Maryland (1945), Mt. Carmel, arquidiocese de Cincinatti, Ohio (1949), South San Francisco, Califórnia (1951), Delair, diocese de Camden, New Jersey (1961), Chantilly, diocese de Arlington, Virginia (1999), e finalmente, mas em data desconhecida, Eastpointe na arquidiocese de Detroit, Michigan. Perante a realidade dos factos e autenticidade histórica, Verónica pertence ao número de piedosas lendas, mas que ao fim e ao cabo serve de modelo e incentivo p’rà prática de actos de compaixão e ajuda. As Verónicas de hoje são aquelas heroínas que, superando os seus temores e repulsas, vão ao encontro dos desamparados e oprimidos, cancerosos e chagados. As Verónicas de hoje dispensam conforto e alívio aos enfermos e moribundos, aos pobres e idosos. As Verónicas de hoje prestam carinho servindo em hospitais e asilos, e empregam o tempo acudindo aos mais necessitados “sem eira nem beira”. Atrevo-me a afirmar, sem exagero melodramático, que ao fitar a face meiga das Verónicas de hoje, facilmente veremos retratada nelas a face serena de Cristo! A fechar, só me resta lembrar que Santa Verónica é invocada como padroeira das lavadeiras, tecelões e negociantes de linho, sendo considerada também como advogada da boa morte e de quem padece de graves feridas e hemorragia. Minha mãe, quem é aquela Caminhando junto à cruz? É a santa Verónica Limpando a face de Jesus.


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COMUNIDADE

15 de Abril de 2010

Não perca a oportunidade de participar e discutir o fenómeno Espírito Santo


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Muito Bons Somos Nós

Joel Neto

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O Senhor das Moscas

neto.joel@gmail.com

N

a minha escola havia bullying, e a selecção das vítimas sempre foi a coisa mais fácil. Rapazinho gordo, já se sabe, era pato sentado. Caixa-de-óculos, com orelhas saídas e especial predilecção pelas aulas de Inglês, alvo preferencial também. Miúdo de trejeitos delicados, de pés às dez-para-as-duas, fotos dos Duran Duran nos cadernos e o hábito de sentar-se na porta do pavilhão, ao lado das meninas, enquanto os rapazes jogavam à bola? Estava lixado. Bom aluno? Não tinha hipóteses. “Mimoso” de sobrenome? Sai da frente. Pobre? Salvese quem puder. Mal vestido? Ui. Protestante? Coitadinho. Com personalidade idiossincrática? Ai Jesus. Dotado de um mínimo de interrogações sobre o que andamos todos a fazer neste mundo e que esforços verdadeiramente precisamos de empreender para suplantar a nossa vil condição? Virgem Maria. As crianças, nem é preciso dizêlo, são crudelíssimas. Nascem selvagens, infinitamente mais mesquinhas do que pretendeu Rousseau – e naquelas idades,

desprovidas tantas vezes dos mais básicos códigos de socialização (que muitas não chegarão a integrar), estão ainda perigosamente próximas da irracionalidade absoluta. A mim, chatearamme um bocado. Eu jogava à bola e não gostava de falar inglês em público, mas era relativamente gordo, razoavelmente bom aluno, comparativamente pobre, culturalmente protestante – e, para além disso, tinha uma daquelas personalidades conspícuas de quem não se fica nunca. Se vim a garantir uma recta final de adolescência pelo menos razoável, aliás, foi porque acabei por fazer como se faz na prisão: identifiquei o mais fraco de todos e, na primeira oportunidade, desfi-lo em pedacinhos, passando-lhe o papel de mártir oficial do pátio. Só nos últimos anos aprendi a rir-me disso, porém – e apenas depois de constatar que o bonitinho de São Carlos era agora distribuidor de pirolitos, o filho do doutor Almeida levava pancada da mulher e a estrela da equipa de basquetebol não perdia uma oportunidade para pedir-me emprego. Chamem-me arrogante,

se quiserem: é mesmo isso que eu sou. Tenho pela minha terra e pela minha gente uma paixão quase obsessiva. Mas anda Freud às voltas dentro de mim, como de resto dentro de vós. Não me esqueço dos calduços, das belinhas e das graçolas classistas, independente de as classes em causa serem sociais, religiosas ou apenas futebolísticas. Não me esqueço de que me obrigaram a humilhar o João Paulo, que era talvez o melhor de nós todos. E não me esqueço, principalmente, de que o bullying, no meu tempo, não era apenas um entretém para os miúdos: era um entretém para os próprios professores. Lembro-me de um professor de Trabalhos Manuais, tonto como só os professores de Trabalhos Manuais, que gostava ver-nos à bulha. Lembro-me de um professor de Ciências, pai de um rapaz lá da turma, que adorava representar o papel de tutor intelectual da maioria cool. Lembro-me de uma professora de Práticas, rapariga das freguesias, que se pelava pela aprovação dos jovens queques, betinhos e hot shots, na presunção de que assim se tor-

Da minha graciosensidade e dos nomes próprios que mais gosto

S

ou graciosense com muito orgulho e saudade. A Graciosa faz parte da minha memória iniciática e do meu imaginário afectivo. Na “ilha branca” despertei para a vida, para o mundo e para o conhecimento das coisas. A Graciosa navega em mim, carrego-a dentro de mim. Por isso mesmo sinto o direito e o dever de reivindicar aquilo a que, dentro e fora de fóruns de debate, tenho vindo a chamar de graciosensidade, que decalquei de “açorianidade”, de Vitorino Nemésio, conceito esse que já havia sido decalcado de “hispanidad”, do grande pensador espanhol Miguel de Unamuno. A minha graciosensidade é precisamente o meu apego e o meu amor incondicional pela ilha Graciosa, e é a minha marca de identidade e de identificação com o espaço graciosense. É nesta condição que apresento aos leitores esta lista de nomes próprios que recolhi na Graciosa e que, por mim seleccionados de entre 600 outros, constituem o “top” preferencial das minhas escolhas. Para o efeito, fiz trabalho de campo e consultei, no Registo Civil de Santa Cruz da Graciosa, todos os índices de registos de nascimento desde os princípios do século XX até à actualidade. O facto de ter recolhido estes nomes na Graciosa não significa que eles sejam exclusivos daquela ilha. A verdade, porém, é que em nenhum outro espaço geográfico encontrei nomes tão “estranhos” e “arrevezados” quer em quantidade, quer em variedade. Tanto quanto consegui apurar, e em ensaio por mim já desenvolvido e publicado (1), tais nomes revelam influências de origem religiosa (Melquisedeque), arcaica (Briolanja), livresca (Hermengarda), toponímica (Guadalupe) e, sobretudo, bra-

sileira (Reginaldo). A influência da onomástica brasileira, por via da emigração graciosense para o Brasil durante os séculos XVIII, XIX e, com menor incidência, nos princípios do século XX, é uma característica original da ilha Graciosa e praticamente única no contexto açoriano. Estamos perante um fenómeno de mimetismo cultural. Ou seja, trata-se de uma moda que “pegou”: ter um nome pouco vulgar era sinónimo de algum prestígio social, por um lado, e, por outro, era sinal de diferença e originalidade. Tais nomes chegam até à Graciosa por via de informações veiculadas por cartas recebidas do outro lado do mar, bem como através de viagens de regresso dos nossos lusobrasileiros. O artigo 143 do primeiro Código do Registo Civil, de 1911, facilitou esta livre escolha de nomes: “O nome próprio será livremente escolhido de entre os que se encontram nos diferentes calendários, ou de entre os que usarem os personagens conhecidos da História, e não deverá ser confundido com nomes de famílias, nomes de coisas, de qualidades, de animais ou análogos”. A partir dos princípios dos anos 50, do século XX, esses nomes “estranhos” (e, para mim, aquele que considero mais estranho é Assuíno – tenho cópia do registo de nascimento para os mais incrédulos…) deixaram de estar em voga devido à adopção, a nível nacional, de listas de actualização de nomes, o que veio a padronizar os nomes próprios portugueses. De referir ainda que a influência e mimetismo brasileiros voltaria a ocorrer em Portugal a partir da década de 70 do século passado, por via das telenovelas brasileiras: Márcia(o), Vanessa, Fábio, Vanderlei, etc. Aqui fica a referida lista. Em tempo de massificação e globalização, peço ao lei-

nava uma deles. Lembro-me de que nenhum alguma vez parou a olhar para o João Paulo, sequer consciente do seu sofrimento e do caminho que ele começava a empreender em direcção ao declínio precoce (que não tardou). E lembro-me de que, embora aqui se fale de docentes pouco qualificados, titulares de disciplinas onde sobrava o tempo para tolices, muitos outros professores pelo menos condescendiam com a violência. Não sei como é o bullying hoje em dia. Não tenho filhos – e a maior parte das crianças dos meus amigos está numa idade em que essa persistente humilhação (essa persistente brutalidade, esse persistente tormento, essa promessa de prisão para a vida inteira) ainda estará apenas em incubação. Mas sei como era no meu tempo: parte da responsabilidade era da escola, dos professores, dos contínuos – daqueles em quem os pais, os primeiros incompetentes da equação, delegavam a educação dos miúdos. E o que constato, depois deste trágico caso de Mirandela sem o qual parecíamos prontos a fazer vista grossa aos

sinais durante não sei mais quantas décadas, é que a situação está ainda pior. Que os miúdos estão ainda piores. Que a escola está ainda mais burocratizada e desatenta. Que os pais são ainda mais desastrosas referências. E que tantas e tantas crianças continuam a postos para que a violência se lhes incruste no carácter para o resto da vida. Pois agora já nem sequer parece estar garantido um “resto da vida”. Podiam ser mais desesperados, estes tempos? CRÓNICA ("Muito Bons Somos Nós"). NS', 13 de Março de 2010

Crónicas Terceirenses

Victor Rui Dores victor.dores@sapo.pt

tor que dê conhecimento destes nomes às grávidas da nossa Região… E de todos me despeço com um abraço de mar e sem malícia... A: Adalgira, Adenato, Adriel, Alcoíno, Almirim, Anatazita, Alvelino, Antemínio, Arcelindo(a), Ariovalda, Argeontina, Assuíno, Ausíria. B: Basilissa, Benigma, Belma, Blaudina, Brivaldo, Brivaldina(o). C: Calmerina, Capitulina, Caritina, Celerina(o), Celedónio, Cesarina, Cidolina, Cilena, Clélia, Cirino, Cisbélia, Crispolina. D: Dalina, Dalva, Dénio, Dilermando, Docelinda, Donzília. E: Eldar, Elgina, Elverinda, Erna, Eulina, Eufrosina, Eliziário, Eutímio, Ezulina. F: Felicíssimo, Firmilindo, Florgêncio, Floresinda, Francelina, Fulgêncio. G: Gabínio, Germina, Gibela, Gildas (masc.), Gudeberta, Gulina. H: Heliodoro, Hercina, Herma, Hermenegildo, Higénio, Higínia, Hirondina. I: Idelta, Ildefonso, Iluminato, Imereciano, Iglantina, Inalvina, Iolantino, Iraílda, Irzelindo, Isalino, Isualda. J: Jacímia, Jardelina, Jovina, Jurelma, Juvêncio. L: Ladislau, Laurínio, Lenira, Leoberto, Leodolfo, Leontina, Lerno, Libarina, Los

(masc.), Lourina, Luzomira. M: Mabel, Meíbula, Melquisedeque, Modéstia. N: Naír, Nardino, Nasalina, Nectário, Neogénio, Nervina, Nisalda, Nunado. O: Obulina, Odaltino, Odelta, Ondina, Orfília, Ovina. P: Parménio, Polígena, Porfíria. Q: Quirina, Quirino, Quelminda. R: Reginaldo, Romualda(o), Rosindo. S: Salustiano, Senhorinha, Sensitiva, Sotero. T: Telestina, Teodósio, Teresina, Tertuliano, Tomazinha. U: Ulurina, Unerina, Urânia, Ursulina(o), Urbina(o), Urbínia. V: Valdema, Valdemira(o), Valéria(o), Veneranda, Verdiana, Vimina, Vitalina, Vítimo, Vivelinda, Vivina. W: Weber, Eiró.

e… Wolfgang Mozart de

Z: Zelinda, Zenália, Zulima, Zulnar Recolha de Victor Rui Dores (1) DORES, Victor Rui, Sobre alguns nomes próprios recolhidos na ilha Graciosa, Separata do Boletim do Museu de Etnografia da Graciosa, 1991.


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COMUNIDADE

15 de Abril de 2010

MVPA (Most Valuable Portuguese-Americans) A associação estudantil SOPAS (Society of Portuguese-American Students) das três escolas secundárias

de Tulare (com mais de 120 alunos membros), apresenta no domingo, 2 de Maio a partir das 17h00 (5 horas da tarde) o seu quinto anual evento dedicado a distinguir membros da comunidade que se tenham diferenciado nos mais variados campos. Daí que neste ano de 2010, o evento terá lugar no auditório Tulare Community, adjacente à escola secundária Tulare Union, seguindo-se um beberete oferecido pela associação estudantil a todos os presentes. Toda a comunidade está cordialmente convidada a assistir a este evento em que são galardoadas pessoas que têm servido a língua e a cultura portuguesas nas mais variadas vertentes. A entrada é livre. Este ano serão distinguidos alunos do ano, directores da associação SOPAS, o professor do ano, o cidadão não português do ano que tenha contribuído para a língua e cultura portuguesas, a associação do ano, o negócio do ano, o empresário da agropecuária do ano, o voluntário do ano, o artista do ano, a inspiração do ano (este ano dado a uma pessoa que tem difundido a

música tradicional na nossa comunidade), e por último o mais prestigioso galardão a indução de uma pessoa da nossa comunidade no SOPAS Portuguese-American Hall of Fame. Convidamos a nossa comunidade a estar presente neste evento, que os jovens intitularam de: os “oscars” portugueses. É uma noite de gala para homenagear aqueles que se têm distinguido no mundo escolar e na sociedade em geral. Venham todos no domingo, 2 de Maio a este evento único na nossa comunidade. Todos os anos este evento tem um tema específico da cultura portuguesa: no primeiro ano, foi Camões; no segundo, Fernando Pessoa; no terceiro, Amália Rodrigues, no quarto o 35 aniversário da revolução dos cravos e neste ano: o primeiro Nobel de Literatura em língua portuguesa, José Saramago. Para além de vários alunos das três escolas secundárias que serão homenageados, serão distinguidos os seguintes elementos da nossa comunidade local:

Advisory Board for the Center for the Portuguese Studies at California State University, Stanislaus. Realizou-se no dia 19 de Abril a primeira reunião do Advisory Board for the Center for the Portuguese Studies at California State University, Stanislaus. Quem melhor que Elmano Costa para nos falar sobre o assunto.

Silva, Maria Hortencia Silveira, Larry Soares, Ray Sousa, Manuel Vieira Quais as expectativas do Board?

O Advisory Board é, como o nome indica, um orgão consultivo. A função deste Advisory Board é ajudar a preservar a Herança Portuguesa no Vale Central. Serve para avaliar os programas que existem e propor novos programas ao Director do Centro e Administração da Universidade. Serve também para avaliar propostas e como posto de sondagem que esculta a

Desde há vários anos que sonho com a formação deste Board. Penso que nós como comunidade luso-americana estamos a ponto de ter mais influência nesta Universidade, mas faltava-nos as ligações oficiais para poder manifestar as nossas carências e nossos desejos. Maturamos como comunidade; estamos económicamente bem; temos poder político como se pode ver pelos 3 luso-descendentes no Congresso. Ter influência na Universidade é uma evolução normal e desejável para a nossa comunidade. Por exemplo, temos um programa de ensino de língua portuguesa nascente;

comunidade e transmite esta informacão à Universidade. Em princípio, o Board renunir-se-á uma vez por semestre - portanto duas vezes por ano. Terá uma reunião em Outubro e outra em Março.

com mais algum impulso, podemos desenvolver este programa. E por que não um curso de História Portuguesa, por exemplo? Há muito que podemos influenciar nesta universidade; às vezes só é preciso saber pedir - e puxar os cordões correctos.

Quantos elementos o compõem?

Tem este Advisory Board ligações a outras estruturas similares nos EUA?

Quais são as funções do Advisory Board? Quantas vezes é que reunem?

Professora do Ano - Nilza Bettencourt, professora de português que este ano se aposenta depois de 13 anos ao serviço da língua e cultura portuguesas nas escolas de Tulare. Organização do ano - Tulare-Angrense Atlético Clube. Negócio do Ano - Portugal Café and Imports Leitaria do Ano - Joaquim Mattos e filhos de Tulare. Honorary Portuguese-American of the Year - Monsenhor Rick Urizalqui Voluntária do Ano - Irene Santos Pessoa Inspiradora do Ano de 2010 - Daniel Macedo de Tulare Artista do Ano - Alcides Machado SOPAS Portuguese-American Hall of Fame - Jason Oliveira, jornalista desportivo no Canal 30 ABC de Fresno.

São 29 os elementos do Board. Representam vàrias profissões e vários ramos ecónomicos. Também temos representantes da geração imigrante e geracões de lusodescendentes de segunda e terceira gerações. São estes os seus elementos:

Por enquanto não temos ligações com outras estruturas. De facto, são poucas as Universidades que têm Boards consultivos sobre assuntos luso-americanos. Mas é muito importante ter estes Boards, onde

A Foto da Quinzena Aspecto do novo Salão do Artesia D.E.S. no dia 11 de Abril. A inauguração terá lugar na Festa do Espírito Santo em Julho

Elmano Costa, Lillian Apolinario, Marie Barreiro, Antonio Borba, Carrie Cardoza Bordona, Norma Jean DeSousa, Jorge Duarte, Henry Escobar, Joe Fagundes, Steve Gomes, Walter Gouveia, Ron Macedo, Steve Matos, Susan Mattos, Bill Mattos, Jim Mendonsa, Steven Nascimento, Jerry Nunes, Sam Pereira, Sergio Pereira, Ernie Peters, Sue Peters, Manuel Pires, Robert Salles, Robert Santos, Fred

a comunidade portuguesa possa querer ter alguma influência no currículo oferecido por uma Universidade. No sistema americano existem muitos Boards semelhantes e eles têm muita influência nas decisões tomadas. Embora sejam orgãos consultivos, eles têm influência que muitas vezes supera orgão eleitos.


COLABORAÇÃO

Rasgos d’Alma

Luciano Cardoso lucianoac@comcast.net

O

chafariz já não existe. O cavalo tambem não. O cavaleiro tampouco.

Valha-nos a foto. Vale-nos uma fortuna Preciosa e nostálgica – uma vez mais a preto e branco – oferecenos um castiço retrato duma melancólica era que já lá vai. Fizeram história em simultâneo, embora cada qual, obviamente, a sua maneira. O chafariz traz-me saudades. Há já quase meio século, ainda puto da escola primária, foi sempre com sequiosa apetência que levei vezes sem fim os lábios à bica para uns refrescantes e bem apetecidos goles dessa bendita água a jorrar cristalina das nascentes mais remotas da ilha. E que bem nos caía quando a sede apertava! E que bem apetecia uma passeata a cavalo em dia de tourada à corda! Estamos a falar, claro está, dos saudosos anos sessenta e dos fogosos arraiais da festeira Terceira. O cavalo, nesse tempo já longinquo, exibia-se como um vaidoso veículo de luxo que não estava ao fácil alcance de qualquer prezado cavalheiro. O nosso ilustre cavaleiro, naquela festiva e famosa “segunda feira dos Biscoitos”, não se fez rogado e deixou-se fotografar para a posteridade. Na altura, não era ainda uma celebridade. Nem talvez imaginasse vir algum dia a sê-lo da exuberante forma que

hoje o é. Bravo filho do Ramo Grande, na pequenez do mundo ilhéu doutorado em humildade impressionante para homem de tão letrada estatura, Nemésio enfiou de madrugada o boné na cabeça e montou a besta a propósito. A manhã estava linda e fazia bom tempo no sereno canal equestre que separava a Praia dos Biscoitos. Estava mesmo a apetecer uma boa cavalgada. Em casa ficava a mimosa viola da terra, sua inseparável companheira dos momentos únicos nos acordes melódicos das quadras soltas que adorava cantarolar em convívio informal. Para trás deixava tambem o lápis, o papel e qualquer vontade de escrever fosse o que fosse naquela alegre segunda feira de “festa redonda” ao norte da liláz ilha que o vira nascer. Vitorino Nemésio Mendes Pinheiro da Silva, esse inspirado “bicho harmonioso” e disfarçado “corsário das ilhas”, nasceu às dezasseis horas do dia dezanove do mês derradeiro no primeiro ano do histórico século vinte. A sua origem é humilde, a sua obra fabulosa, o seu legado marcante. “Embarcadiço”, como nós, por vocação ilhôa e razões de força maior, cedo abandonou a ilha mas nunca as suas raízes. “Se bem me lembro”, apesar de conceituado catedrático e de intelectual de prôa, acabou por vir

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Besta Asseada a evidenciar-se mais tarde aos olhos do Zé Povinho como palrador castiço que os telespectadores nacionais aprenderam a apreciar a preto e branco, ainda antes da televisão a cores. Todos sabemos que escreveu muito. Poesia, notícia, ficção,ensaio, crónica, diário. E escreveu muito bem, em português, francês, castelhano e, até mesmo, em “português do Brasil”. Imagine-se! A sua vasta obra – rica, genuína e generosa – fala por si. Por conseguinte, a nós, apenas nos resta falar ou especular sobre o retrato popular da sua rústica imagem, bem mais acessível ao bom povo ilhéu que, porventura, ainda não o reconheça cá na diáspora como expoente máximo dessas maiúsculas Letras de que tanto nos orgulhamos. Sabemos que era um bom garfo, apreciava uma boa pinga, pelavase por umas cantigas, e adorava montar a cavalo. O que talvez nem todos saibam, porque pouco interessa saber, é que era tambem senhor dotado duma têmpera forte, génio mordaz, feitio férreo, que a saborosa linguagem popular da minha terra não hesitava catalogar com oc-

casional irreverência em termos semânticos de besta quadrada. Representava, no entanto, com graciosa simpatia, a benquista persona dum erudito homem do povo, do qual não se distanciava nem distinguia ao frequentar os festivos arraiais, que normalmente o traziam sorridente e bem disposto.

Naquele preciso arraial de há quase meio século, porem, por razões agora debatíveis, consta que Nemésio se recusou a sorrir quando alguem se lhe dirigiu no momento exacto da fotografia em termos demasiado elogiosos: “Ó Vitorino, ele é uma besta asseada!” E o retrato ficou para a história.


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COLABORAÇÃO

Sabor Tropical

Elen de Moraes elendemoraes_rj@globo.com

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Amazônia, com sua floresta, seus rios e sua biodiversidade, é tida como a “salvação do planeta” e para ela se convergem os olhos do mundo, pelo que de bom ou de mal lhe acontece. Sua beleza e exuberância exercem grande fascínio em todos e o mistério que a envolve, permeia o imaginário coletivo, a começar pelo seu nome dado pelos conquistadores espanhóis, pioneiros na exploração do rio Amazonas que ao se depararem com índios de cabelos longos, imaginaram que fossem índias guerreiras, mulheres muito diferentes das que viviam na Europa. Acreditaram ter achado, finalmente, as “Amazonas”, mulheres mitológicas que, segundo a lenda, pertenciam a uma tribo que não aceitava homens e matavam as crianças do sexo masculino, ao nascer. Amazona significa “sem seio” em grego, porque elas os cortavam, para manejarem melhor os arcos. Nove países da America do sul compõem a Amazônia: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela e no Brasil abrange os Estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, pequena parte do Maranhão, Tocantins e Mato grosso. Ela é definida pela bacia Amazônica, cujo rio - que nasce nos Andes, Peru – é conhecido por três nomes distintos até chegar ao Brasil. Aqui é chamado de rio Solimões e só ao encontrar-

se com o rio Negro, na altura de Manaus, recebe o nome de Amazonas. O Rio Amazonas, considerado o maior rio do mundo em volume de água e de extensão, despeja mais água no mar em um dia, do que o rio Tâmisa durante um ano inteiro e tem mais água doce a bacia do rio Negro do que toda a Europa. O Amazonas pode apresentar, de uma margem à outra, uma largura de até 15 quilômetros e durante as enchentes, devido a inundação das várzeas, essa largura pode chegar a 100 quilômetros. Ao contrario do que imaginamos, os rios de águas barrentas levam mais fertilidade por onde passam, por carregarem sedimentos que tiram dos Andes e de outros lugares, do que os rios de águas escuras, por serem ácidos. Já se pode ver por imagens do satélite que devido ao volume de terra que o rio Amazonas joga no mar, o litoral da Guiana francesa e do Amapá está crescendo. O encontro das águas dos rios da bacia Amazônica com as águas do oceano Atlântico é conhecido por “pororoca” e provoca um estrondo que pode ser ouvido a quilômetros de distância. O mar entra pelo rio com ondas que atingem, muitas vezes, entre três e seis metros de altura, vai derrubando e carregando árvores com sua força, modificando as margens e o leito do rio. Existem várias explicações para o fenômeno e a principal delas é a mudança

15 de Abril de 2010

Amazônia,

exuberância e mistério da fase da lua. É mais intenso nos meses de abril e junho e é, antes de tudo, um fenômeno destruidor. Quanto aos habitantes da Amazônia, a mais antiga evidência arqueológica da vida humana, ali, data de 12.000 anos atrás e à época do descobrimento calcula-se que três milhões de índios viviam na Amazônia. Hoje se estima que 160 mil índios habitem a região, falando 150 línguas, em reservas indígenas, terra equivalente a quase três Alemanhas. A maior contribuição que deram ao mundo foi a adaptação ao uso das plantas da flora tropical. Muitos remédios para o mal de Parkinson e a esclerose múltipla, têm como princípio ativo um alcalóide encontrado no “curare”, veneno extraído da casca do cipó que os índios colocavam na ponta das suas flechas. A espécie mais conhecida internacionalmente é a “árvore da borracha” – serin-

gueira. Durante o ciclo da borracha a Amazônia foi responsável por 40% das exportações brasileiras e Manaus, capital do Estado do Amazonas (que nos idos de 1660 nasceu em torno do Forte São José do Rio Negro, construído pelos portugueses para reforçar a exploração na região norte), tornou-se a capital mundial da venda de diamantes e ficou conhecida, em apenas duas décadas, no principio do século XX, como a “Paris dos trópicos”, por causa dos investimentos dos “Barões do látex”. O seu famoso Teatro, de mais de 600 lugares, foi construído na Europa e montado no Brasil. A cidade foi a primeira no país a receber um bondinho elétrico. Porém a riqueza estagnouse quando os ingleses levaram as mudas de seringueiras para a Malásia, que se tornou e é, até hoje, líder na produção da borracha.

A biodiversidade Amazônica ainda guarda muitos segredos. De todas as formas de vida do planeta, 60% se concentram nas florestas da região que contam com mais de três mil espécies de árvores e estimam-se entre 40 e 300 qualidades diferentes por hectare. Também das espécies de mamíferos existentes no Brasil, 67% vivem na Amazônia e dos 30 milhões de espécies de insetos do planeta, sem levar em conta os microorganismos e as bactérias, 1/3 (um terço) está na Amazônia. Para que a vida na região Amazônica continue fervilhante, é imprescindível que suas florestas, seus rios e sua biodiversidade sejam preservados, pois um não vive sem o outro e mesmo que o planeta consiga sobreviver à catástrofe do desaparecimento da Amazônia, a terra perderá todo fascínio sem o seu mistério e toda a sedução sem a sua exuberância.


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Reflexos do Dia–a–Dia

Diniz Borges

15 de Abril de 2010

Com Veneno e Sem Perfume*

d.borges@comcast.net

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Congresso dos Estados Unidos acaba de aprovar uma lei para reestruturar a saúde em terras norte-americanas. O Presidente Barack Obama promulgou-a dois dias depois da histórica votação ter ocorrido no Capitólio. Dentro de poucos meses entrarão em vigor uma série de leis que mudarão o rosto do seguro de saúde nos EUA. Apesar de não ser um plano tão ambicioso como muitos esperavam, apesar das companhias seguradoras continuarem com o seu reinado, apesar de não haver grande interferência governamental, a direita americana não se apazigua com o voto maioritário do Congresso e com a promulgação de um Presidente que foi eleito com um mandato de mudança. O que vimos antes, durante e depois do debate e do subsequente voto é puro veneno político, que tem tido as naturais repercussões negativas na população em geral. O veneno, sem qualquer gota de perfume, saiu à rua. A retórica inflamatória utilizada pelos Congressistas Republicanos na Câmara dos Representantes, e posteriormente no Senado, em cuja câmara foram introduzidas uma série de emendas completamente inadequadas, com o único intuito de “envergonhar” os Democratas, aliadas à retórica insultuosa e extremista utilizada pelos Republicanos nos vários programas de televisão, até à incitação feita por vários Congressistas nos arredores do Capitólio, tiverem, indubitavelmente, a repercursão directa nos insultos,

nas provocações e nas ameaças a que vários Congressistas Democratas foram alvo. Assim como as várias iniciativas repelentes que têm ocorrido através dos Estados Unidos nas últimas semanas. A liderança do Partido Republicano é a grande culpada. Tudo o que aconteceu em torno da passagem desta lei em nada enobreceu a América ou a democracia. Em Washington, no último dia do debate, com centenas de pessoas a serem instigadas por vários legisladores da direita, o Congressista Barney Frank foi alvo de uma série de insultos homofóbicos; o Congressista John Lewis (um dos verdadeiros heróis do movimento dos direitos civis) foi vitima de inúmeros insultos racistas; cuspiram num legislador afro-americano e mais tarde vários Congressistas do Partido Democrático foram alvo de ameaças, algumas extensivas às suas famílias. Mais, onze legisladores Democratas viram os seus escritórios de representação assaltados durante as noites que seguiram o voto na Câmara dos Representantes. Apesar da cúpula do Partido Republicano estar a tentar distanciarse dos insultos e das ameaças, assim como dos actos de violência cometidos em várias partes da nação americana, dificilmente ficarão isentos de culpas. A retórica da direita é radicalmente agitadora e os seus acólitos apenas respondem ao tom piromaníaco dos seus legisladores e dirigentes políticos. É que mesmo depois dos insultos e das ameaças, registaram-se uma série de ocor-

rências excessivamente provocatórias, como o caso do secretário-geral do Partido Republicano, Michael Steele que na televisão disse: "depois desta reforma há que colocar a Presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi na linha de fogo". A antiga governadora de meio mandato no Alasca, Sara Palin ao colocar na sua página na Internet uma lista de vários Congressistas do Partido Democrático que haviam votado a favor da reforma da saúde e que são de distritos conservadores, dai alvos predilectos nas próximas eleições legislativas em Novembro, fê-lo com o indicador de uma espingarda. Até o nosso Congressista luso-descendente Devin Nunes, não fugiu à regra e acusou os seus congéneres de serem "comunistas" e de estarmos a entrar no caminho do socialismo. O Congressista Nunes, insultou os seus colegas luso-descendentes, Dennis Cardoza e Jim Costa (ambos votaram a favor da legislação) acusando-os de terem recebido favores especiais. Por último, Devin Nunes justificou a violência como algo que acontece quando se "utiliza tácticas totalitárias". á quem diga que o que tem acontecido nos últimos dias não passa de pequenos incidentes perpetrados por grupos nas franjas da esfera política. Antes fosse! A realidade é que toda a violência e indecência ocorridas após a aprovação e promulgação da lei da reforma da saúde são reverberações das afir-

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A Biciclete do Tio Daniel

S

anta Bárbara na ilha Terceira, foi há umas décadas atrás, uma freguesia predominante de agricultura e industria de ferreiros. Bem populada, com casas ricas de lavoura, na maioria remediadas e com alguma pobreza também. Tempos que apesar de carecerem da abundância que hoje por lá se vive, evocam uma nostalgia de bons momentos, onde qualquer coisa era uma alegria. As freguesias rurais estavam cheias de rapaziada, ávidos por qualquer coisa diferente daquela pasmaceira quotidiana, do guinchar dos carros de bois, dos cavalos batendo ferradura na calçada, ou da camionete da carreira, tranportando alguêm para a cidade, para virem ao doutor ou arrancar algum dente. Eram assim aqueles dias, quase sempre iguais e, as noites então pior desgraça. Não havia televisão e quanto a aparelhos de rádio, contava-se pelos dedos quem os tinha. A rapaziada adolescente, vinha até às “sete”, ao centro da freguesia, para fumar uma ponta de cigarro com os amigos e cuspir para o chão, fora de alguma venda que estivesse aberta à noite. Ora nessa época, um rapaz que possuísse uma biciclete, era pela necessidade de deslocar-se para

o trabalho e, juntando o útil ao agradável, para passeio ao Domingo à tarde. Quase sempre eram rapazes já “livres do Castelo”, como se dizia na gira popular. Nesses dias eram muito conhecidos no nosso lugar, a família dos Gonçalves, grandes mestres da construção civil e músicos indispensáveis na nossa filarmónica. Desta família fazia também parte o nosso tio Daniel, que era dono e senhor duma biciclete. O mestre Daniel, era uma pessoa de carácter triste, alto e delgado, rosto sisudo para com os sobrinhos, que lhe exercitavam a paciência, impunha assim uma figura austera, perante a rapaziada. Foi também um grande músico e regente da nossa banda. Era para além disto, muito zeloso da sua biciclete, a qual resguardava, de certos sobrinhos, que já tinham dado provas evidentes do uso da mesma. O Manuel, o José e o Elmiro, eram os tais sobrinhos. O tio Daniel agora já casado, morava na casa do senhor Camilo das Seis. Lá ao fundo deste prédio, havia uma grande loja com um lagar e adega, aonde se encontrava guardada a biciclete. Ora estes meus primos que moravam ali em frente, na Ribeira

das Seis, a tentação de deitar as mãos áquela biciclete, tornavase de dia para dia, uma obsessão irresistível. Organizararam um plano, para retirar a biciclete da loja, sem que o dono desse por isso. Não poderia haver enganos, senão ficaria o caldo derramado e as sopas secas. Tudo corria às mil maravilhas. Enquanto o Manuel distraía o tio Daniel, com conversa fiada, a biciclete era trazida para as “Sete” para o ciclismo nocturno, que viria a tomar proporções dinâ-

micas, que iriam muito além do plano elaborado. A tal rapaziada que se juntava ali

mações incendiárias de alguns legisladores e dos seus cúmplices na comunicação social. O ódio que tem sido orquestrado por personalidades da comunicação social como Rush Limbaugh e Glenn Beck acaba por penetrar

um segmento da população que por vezes não quer pensar e que anda, constantemente, à busca de bodes expiatórios. Daí que este seja o momento, como escreveu recentemente o cronista do New York Times Bob Herbert, para "todos os americanos lutarem contra este tipo de lixo. Chegou a hora para todos os americanos com boas intenções responsabilizarem o Partido Republicano pelo seu envolvimento ao tolerar, sustentar e estimular este tipo de comportamento odioso nas hostes do partido e nos seus militantes." A América que elegeu Barack

Obama, e que deseja uma mudança, não é a América que vimos durante e depois do debate da reforma da saúde. Sabemos que são poucos os elementos radicais e que não representam um grande segmento da população, mas ao serem instigados pela classe política com acesso aos grandes meios da comunicação social, como recentemente o fez o candidato à nomeação do Partido Republicano para Presidente dos EUA, Mike Huckabee, que equacionou as políticas da administração de Barack Obama ao marxismo-leninismo, acabam por semear confusão e atear ainda mais achas na fogueira da ignorância, do pavor, do divisionismo. Quero acreditar que a América verá além desta nuvem asquerosa. Quero acreditar que a América já se libertou de muitos tabus e que o cidadão comum americano, do qual faço parte, decifrará esta amalgama de embustices que nos querem impingir. Quero acreditar que depois desta tempestade desrespeitosa e maléfica dos conservadores virá uma bonança repleta de um debate civilizado e progressivo. O Presidente americano tem por hábito dizer que "nunca se disse que as mudanças seriam fáceis". Mas também nunca se esperava que o Partido Republicano fosse tão perverso. Que estivessem cheios de tanto veneno e sem uma única gota de perfume. *título inspirado do livro de contos do escritor açoriano Álamo Oliveira.

Victor de Freitas nas “Sete”, atraídos pela novidade, viram uma opurtunidade para aprenderem a andar de biciclete. O Elmiro explorava um negócio lucrativo. Uma voltinha por meio escudo ou uns cigarrinhos Santa Justa. Uma lição de aprendizagem era mais caro, corria o risco de causar dano à famosa viatura. O ciclismo estava no auge, quando o inevitável aconteceu. Por linhas e travessas, o tio Daniel veio a descobrir todo aquele esquema “mafioso”, que os sobrinhos montaram à sua volta, e pôs fim áquele abuso e falta de respeito, fechando a biciclete à chave. A felicidade daquelas noites tinha-se acabado e, pior ainda, a humilhação de terem sido apanhados em flagrante e ouvirem sérias descomposturas. Manuel, o sobrinho da sua predileção, tinha traído a confiança do tio Daniel, fazendoo cair na ratoeira, enquanto tais actos de vandalismo eram praticados com a sua preciosa biciclete. Mas na juventude as coisas não morrem assim e, também para

o Manuel, o sonho não morreu. Um novo plano maquievélico era concebido. Não haveria mais sociedade na “empresa”, apenas um só dono. Manuel, graças à sua inteligência e habilidade, com um pedaço de chapa grossa, fabricou uma chave falsa, abrindo assim a loja aonde se encontrava a biciclete da tentação. Enquanto o tio Daniel dormia descansadamente, sem sonhar com ladrões, pela calada da noite, a biciclete vinha novamente ao palco. A ténue luz eléctrica, que iluminava a freguesia, cortava o nevoeiro, deixando ver o ciclista passar a grande velocidade. Corria para o oeste passando a Ribeira das Oito e, para leste desenfriadamente até à Canada dos Terreiros. E, diga-se em abono da verdade, que foi um êxito de glória para o Manuel, que motivado pelo ideal e desejo de vencer, fez do impossível o possível, tornou a derrota em vitória e, com justo valor, fez de si próprio também, o “Senhor da Biciclete”.


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Temas de Agropecuária

Egídio Almeida egidioisilda@charter.net

O

s agricultores americanos por vezes tem por hábito gracejar, que são uma espécie em vias de extinção, tal como certas rãs e ratos, de que ninguém conhece fora das paredes do laboratório biológico, até que um grupo de protesto se acorrente a um edifício para aparecer na televisão. Hoje, o dito não é mais um gracejo, gradualmente com crescente frequência importante informação sobre o futuro da agricultura, vem sugerir certas realidades em que devemos pensar sériamente. Por exemplo: no ano passado uma estimativa das Nações Unidas indicou que a população mundial aumentará 2.3 biliões (33%) até ao ano 2050. De acordo com o departamento da agricultura, o total de terra lavradia, própria para produção, nos Estados Unidos continuou a declinar em 2008, último ano de que possuimos dados concretos, perdendo 1.5 milhões de acres.

Falecimento

O Crescimento da Agricultura do Futuro

O que quer dizer estes números, e a sua ligação entre as duas sondagens? É um sinal positivo que vem aumentar a inquietação de muitos grupos de apoio universal, de que o sofrimento humano causado pela pobreza e privações, vai continuar em parte causado por este previsto tremendo aumento das populações, que vão consumir grandes quantidades de géneros alimentícios. As Nações Unidas adiantaram ainda que 70% mais de alimentos serão necessários para atender à demanda, não só pelo aumento das populações, mas também pelo crescimento dos níveis de vida, que sempre proporcionam a procura de uma melhor alimentação. A agricultura devia ser vista e apreciada como bem natural e riqueza que é. Se falhar o apoio para os aumentos requeridos, quer dizer que haverá mais fome no mundo. De acordo com “U.N. Human Rights Council”, 36 milhões de pessoas no mundo

morrem anualmente directa ou indirectamente de causas derivadas de má nutrição. É pois uma obrigação moral das indústrias de produção, de participar em larga escala para que o futuro seja bem melhor. Presentemente, os Estados Unidos são a maior Unidade Internacional exportadora de bens alimentícios do universo ($69 biliões em 2006, último ano de que possuímos números, maior que o Brazil número 2 e a China número 3 juntos). Aqui mais perto de nós, a California é o Estado maior produtor ($38 biliões em 2008, maior que o numero 2, Texas e o numero 3, Iowa). Não há qualquer dúvida de que nos próximos 40 anos a demanda vai aumentar considerávelmente, o que não está bem claro é qual será a participação dos Estados Unidos. Restrições ambientais e a divisão das águas entre o meio ambiente e a agricultura, são alguns dos obstáculos que vamos enfrentar. Com a contínua perca de

terra lavradia e esta demanda nas reservas de água, há que olhar o futuro com uma certa apreensão.

José Manuel Machado

Faleceu na sua residência em Gilroy, California, no dia 12 de Abril de 2010, José Manuel Machado, vítima de cancro do pâncreas. Nasceu na cidade da Horta, ilha do Faial, Açores, a 29 de Dezembro de 1947. Aí frequentou o Liceu Nacional da Horta e depois de servir o serviço militar na província ultramarina de Moçambique, fixou residência em Ponta Delgada, ilha de São Miguel, onde trabalhou vários anos na Caixa Económica da Misericórdia de Ponta Delgada. A 27 de Março de 1981 emigrou para os Estados Unidos da America, com sua esposa, filhos e sua mãe Manuela Alice Machado, ja falecida. Fixou residência na cidade de Gilroy onde frequentou o Colégio Gavilan, completando o curso de contabilidade e de técnico de electrónicos. Actualmente trabalhava para Accutest Enviromental Laboratory em San José. Também contribuíu para a integração da cultura Portuguesa na cidade de Gilroy, como membro, director e presidente das organizações: Irmandade do Divino Espírito Santo e Nossa Senhora

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de Fátima. Deixa a lamentar a sua morte, sua esposa Maria Gisela Simas Machado; sua filha Susana Catarina Simas Machado e companheiro Carlos Rafael Cruz; seu filho Bruno Filipe Simas Machado e esposa Joelle Cardoso Machado; seu filho Marco Paulo Simas Machado; e netas Emily Elizabeth Machado & Brianna Alysse Machado. José Manuel era cunhado de Ted e Maria Simas, Isméria Rosa, todos de Gilroy; Deodete Simas e seu falecido marido Jaime Simas; Gualberto e Conceição Simas, todos de Oakville, Canada. Ficam também a chorar a sua partida, seus sobrinhos, sobrinhas, tios, tias, primos, primas e muitos amigos. O "Machado", como era conhecido no seu tempo de mais jovem, foi jogador de futebol e basketball na equipa do Faial Sport Clube, futebol de Salão na equipa dos bancários "Caixa Económica de Misericórdia de Ponta Delgada" e árbitro de futebol nos anos 1968-1970. O que ele mais adorava era a sua família, especialmente as suas netinhas, o trabalho, o desporto e as notícias mundiais. José Manuel deixou-nos mas não foi sózinho; ele levou consigo os nossos corações. Visitas ao seu corpo podem ser feitas sexta-feira, 16 de Abril de 2010, da 1 da tarde às 8 da noite na Habing Family Funeral Home, 129 Fourth Street, Gilroy. O terço e missa de corpo presente serão no Sábado, 17 de Abril 2010 à 1 da tarde na Igreja Católica de Saint Mary, 11 Church Street, Gilroy, seguindo o funeral para o cemitério no Gavilan Hills Memorial Park, First Street em Gilroy.

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15 de Abril de 2010

Lufada de Ar Fresco

Paul Mello

Precisam-se Jovens

pjmello87@yahoo.com

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om o chegar da primavera, as flores começam a florir, os passarinhos voltam a cantar, os dias alongam-se, enfim, tudo e todos ganham uma nova energia. Nesta altura do ano, os portugueses têm ainda mais razões para sorrir pois primavera geralmente coincide com o começo das tão aguardadas festas. Do mais novo ao mais idoso, a chegada da época festiva geralmente mexe com um bichinho que há dentro de cada português. Na Califórnia, de norte a sul, os fins de semana tornam-se num sinónimo de festa; assim é para a maioria das pessoas, que vão à festa com o intuito de se divertirem. Mas a verdade é que, para que umas centenas de pessoas se divirtam, tem de haver um grupo de pessoas a trabalhar para que tal divertimento seja possível. Presidentes de festas, comissões e suas famílias, dedicam inúmeras horas da sua vida a servir a comunidade portuguesa, sem receber nada em troca a não ser críticas. Todos saem à rua quando é para festejar, mas quando se necessitam de voluntários para organizar um evento ou uma festa, a maioria tranca-se em casa a sete chaves. A realidade é que, tal como nas casas de cada um, todos querem jantar, mas ninguém

quer cozinhar ou limpar a mesa. No fim de contas, geralmente acaba por aparecer um grupo de pessoas que se une para assegurar que uma determinada tradição seja mantida ano após ano. Mas meus amigos, para que tal continue a acontecer é preciso haver maior intervenção por parte dos jovens portugueses da nossa comunidade. O problema é que incorporação dos jovens no processo de organização de uma determinada função ou festa torna-se complicada. Esta dificuldade prende-se em dois grandes motivos: os mais velhos muitas vezes recusam-se a trabalhar com jovens e a incorporar as suas opiniões e, a maioria dos jovens de hoje tem uma clara tendência para fugir a tudo o que é responsabilidade ou trabalho. Quer queiramos admitir ou não, a realidade é que responsabilidade, trabalho, e espírito de comunidade são coisas pouco comuns nos jovens de hoje. Portanto, torna-se difícil contar com jovens para servir a comunidade se estes nem conhecem esse conceito e quando a grande maioria prefere passar as sextas-feiras e/ou sábados a tomar bebedeiras e os domingos de ressaca. Se a limitada presença de juventude em

Newark e cidades

circunvizinhas de vez em quando... Aprender musica Por cá também se ensina musica e principalmente aos jovens, a nossa Filarmónica Recreio do Emigrante Português de Newark ensina musica para quem gostar de aprender e fazer parte da mesma. São todos benvidos. Contactem o seu Presidente, sr. Henrique Alvernaz (510) 505-0112 ou qualquer outro elemento da direcção. A filarmónica também celebrou o seu aniversario no dia 10 do corrente mês na sua sede e casa-mãe no Newark Pavilion. Já que estamos a falar em ensinar, convém mencionar que também o Centro Pastoral Português de Newark, dá aulas de Português para aqueles que tem vontade em aprender a língua de Camões. O sr. Manuel Alves é o presidente do Centro e o professor Antonio Silveira lecciona uma vez por semana. Quem estiver interessado em aprender Português ou aperfeiçoar o que ja sabem, telefonem para o Centro (510) 794-7910. A Comissão de Festas do Divino Espírito Santo do Newark Pavilion também celebra a apresentação das Rainhas no dia 24 de Abril. A dança está a cargo da nova banda "Alianca" formada por um grande numero de jovens que tem animado várias festas através da California. São quase todos luso americanos e também a maior parte deles familiares do Presidente da Festa, Manuel Peixoto. Para mais informações sobre este conjunto telefonem para (510) 517-8375. Aí estão as tradicionais paradas e as saborosoas sopas do Divino. É já no dia 2 de Maio a primeira nestas áreas - SDES de Alvarado em Union City. A parada forma no Domingo às 10 da manhã. Desejamos boa

organizações/comissões de festas se pode explicar com uma atitude ou mentalidade lamentável por parte dos jovens, também é verdade que a atitude e mentalidade de algumas pessoas de maior idade, com experiência no que diz respeito à organização destes eventos, deixa muito a desejar. Quando de vez a vez, aparece algum jovem que realmente quer ajudar na organização de uma função ou festa , este é frequentemente visto como inferior àqueles que andam naquelas andanças à muitos anos e portanto as suas opiniões nem são analisadas, pois lá está, é jovem e não sabe o que diz. e olharmos para as organizações/ comissões portuguesas com maior sucesso na nossa comunidade, verificamos que estas geralmente são compostas por uma mistura de experiência e juventude. Por seu turno, em organizações dominadas por pessoas de maior idade, o mesmo sucesso começa a tornarse apenas numa miragem. A explicação para tal é simples e prende-se com o facto de muitas vezes, a faixa etária de uma organização/comissão se reflectir na faixa etária das pessoas que eventualmente comparecem nos eventos organiza-

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dos por tal organização/comissão. Ou seja, se uma organização/comissão é composta por um grupo heterogéneo de experiência e juventude, o resultado será por ventura a organização de eventos do agrado de todas as idades, e portanto, a probabilidade de atrair tanto jovens como pessoas de maior idade é muito maior. Portanto, para assegurar a futura continuação e o sucesso das funções/festas da nossa comunidade, tanto os jovens como os mais velhos terão de eventualmente dar o braços a torcer e proceder a uma mudança de atitude e mentalidade. Senhores e senhoras responsáveis pelas organizações de festas na comunidade Portuguesa, se querem que as tradições dos vossos antepassados continuem no futuro, não vos resta outra alternativa a não ser cativar os mais jovens a seguirem as vossas pisadas mesmo que isso implique pequenas modificações àquilo que se fazia antigamente. Para que isso aconteça terão de transmitir a vossa experiência aos mais novos e ao mesmo tempo aprender a respeitar aqueles jovens que realmente querem ajudar e que têm ideias e opiniões que, embora diferentes das vossas, são por vezes tão boas ou até melhores.

Silva Bakery, Hayward

sorte e sucesso à sua Presidente Sra. Mary Lima (510) 489-1837. Seguindo também a mesma tradição, no Domingo seguinte, 9 de Maio em San Leandro no IDES. Por aqui também se celebram aniversários e falo de um amigo especial, o sr. Manuel Lopes da Silveira, natural de Castelo Branco, Ilha do Faial (mais conhecido pelo Manuel Caranguejo). Celebrou os seus 81 anos. O amigo Silveira é um emigrante de longa data, primeiro para o Canada e depois para a California, mas o mais interessante àcerca do Manuel Silveira é a lucidez com que fala dos tempos de criança, da passagem pelo Canada. Esteve muitos anos ligado ao Newark Pavilion e principalmente à implementação do Bingo no ano de 1994, que se deveu à sua persistência. O Manuel Silveira mais parece uma enciclopédia com a sua memória sempre em cima de todos os assuntos. Devido à sua idade é ele que conta sempre a sua historia em primeiro lugar. Feliz Aniversário e repetição de muitos e muitos anos.

Luís Freitas Newark

Álvaro Silva nasceu em Angola e veio para a California em 1976. Trabalhou em diversas empresas até que há dois anos, comprou a Hiser Bakery que já existia desde a década dos 80's. Álvaro e seu filho Bruno deram nova vida à padaria, mudaram o nome e até fizeram uma pequena festa de inauguração. Desde o pão de trigo caseiro, pão de milho, bolos, papo seco, bolo do Pico, o novo pão do Jeremy (sweet bread), biscoitos de diversas qualidades, mais o quejo, linguiça, atum, azeite, marmelada, sumos portugueses, bolacha-maria, a Silva Bakery é um regalo para qualquer dona de casa. Aos Sábados têm pasteis de nata e pãezinhos recheados de linguiça. Também servem cafés - Cappucino, Latte, Hazelnt Cappucino, Mocha Late, Vanilla Latte. Na Páscoa, a Silva Bakery esmera-se com os Folares tradicionais, que têm tido um sucesso ao longos destes anos. A padaria fica localizado a

18563 Mission Blvd. Hayward, CA 94541 Phone: (510) 278-3322 Email: silvabakery@att.net Podem telefonar e fazer as suas compras que serão enviadas através da UPS.


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15 de Abril de 2010

Faรงa como a LALIS - Anuncie no Tribuna


COMUNIDADE 15

Banda de Escalon - 30 anos

Esq: Três gerações de músicos - José Augusto Rocha, filho e netos

Fotos de Jorge Avila “Yauca”

Realizou-se no fim de semana de 3 e 4 de Abril, o 30° Aniversário da Azores Band of Escalon, com a presença de muitos amigos e familiares. Esta Filarmónica foi fundada em 1980

em Escalon. Costuma ter cerca de 55 elementos e o seu Hino foi escrito por Paul Dias. Esta Banda já publicou um CD que teve muito sucesso.

Lira Açoriana festejou 28 anos

Lasalete e João Ponceano (Presidente da Banda), Padre Luís Cordeiro

Realizou-se no dia 11 de Abril a festa de aniversário de uma das bandas mais importantes da California - Lira Açoriana de Livingston. Os festejos tiveram lugar nos salões do Stevinson Pentecost Association. Foi mestre de cerimónias Jerónimo Ponceano e o padre convidado foi Luís Cordeiro.

Fotos de Jerónimo Ponceano

Aspectos do 28º Aniversário da Banda Lira Açoriana de Livingston


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COMUNIDADE

15 de Abril de 2010

RTA - 19 anos de televisão e rádio

Na webpage da RTA pode ler-se o seguinte: "O projecto nasceu da ideia de dois estudantes da universidade de Cal State Fullerton, David Martins e José Sive que não se deixaram intimidar pelos enormes obstáculos que enfrentavam. Conseguiram logo a entusiástica colaboração do conhecido correspondente do então Jornal Português, Fernando Dutra. Foi assim que no histórico dia 19 de Outubro de 1990, David Martins, José Sive e Fernando Dutra apresentaram o primeiro programa televisivo em língua portuguesa no sul da California. Após três meses de transmissão no canal 18, o programa foi transferido para o canal 3 da TV Cabo de Artesia. Com o apoio da grande parte dos portugueses em Artesia, o programa cresceu e tornou-se na RTA, Rádio Televisão Artesia".

Sara Pacheco, cantou pela primeira vez em Artesia e encantou a Comunidade do Sul. Foi acompanhada pelo Helder Carvalheira, Manuel Escobar e João Cardadeiro. Dir: Os mestres de cerimónia Erica Cardoso e Manuel Aguiar

Este Estúdio foi feito pelos fundadores da RTA, António Aguiar (Presidente), António Coelho, Vasco Matos, Abel Alves, Osvaldo Palhinha, Manuel Bertão, Nemésio Sousa, Manuel Soares Cardoso, Fernando Rocha, Paulo Menezes e David Martins.


COMUNIDADE

Gilberto e Graça Gonçalves, Fernanda Matos, Maria Emília e Paulo Lima. A festa não foi feita no Artesia D.E.S. por este estar em obras no seu salão principal.

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Debbie Azevedo, uma presença jovem em Artesia. Embaixo: Jesualda Azevedo com "As Sete Colinas"

Cerca de 400 pessoas encheram o Salão do Centro Comunitário da Cidade de Artesia, para participarem na festa de aniversário da Rádio Televisão Artesia. Presentes, além do Presidente da Câmara de Artesia, Tony Lima, muitos amigos e antigos colaboradores deste meio de comunicação social. Depois do jantar, Jesualda Azevedo cantou e bem muitos dos seus mais conhecidos fados, tendo no fim chamado a sua filha para cantar também. Antes de finalizar a primeira parte, Sara Pacheco quiz dar um ar da sua graça cantando fado. No segunda parte da noite, ouviram-se Jesualda e filha cantando música ligeira, e depois tivemos a oportunidade de ver Sara Pacheco cantar aquilo de que mais gosta. Sara é um bom exemplo para todos os nossos/as jovens cantores da California. Começou a frequentar escolas de canto ainda muito jovem. Sem isso, Sara nunca seria o que é hoje uma jovem grande artista.

O Presidente da RTA Francisco Gaspar apresentando os elementos da Direcção

É aqui neste estúdio que Manuel Ivo Cota faz o programa de rádio da RTA


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COMUNIDADE

15 de Abril de 2010

Praia da Vitoria em visita à California

Domingos Garoupa, Luciano Pinheiro, Richard Mendes, Nello Bettencourt, Celeste Brasil, Celestino Aguiar, José Mendes, Norberto Azevedo, Paulo Messias e Luis Cabeceiras (Presidente da Comissão de Recepção) Esq: Paulo Messias, Vice-Presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória

Este fim de semana passado foi curto demais para tantos lugares em acontecimentos nos quais, de algum modo, marcaram presença não só os nossos habituais leitores, muita gente que o devia ser, e outros que de qualquer maneira vão ouvindo falar que o Tribuna gosta de colocar nas suas páginas o que somos e quanto valemos. Assim sendo, na Sexta-feira, realizou-se um jantar de angariação de fundos para as vítimas do mau tempo na Madeira, no Salão de Newark Pavilion, com um espectáculo que contou com artistas da Comunidade, que ofereceram o seu talento para esta boa causa. Duo Ilha - Filomena Rocha e Cunha Mendes- que deu a ideia a Abílio Sousa, promotor da festa; a jóvem Cristina Almeida, Manuel Jacinto e The Revivals. O salão estava cheio que não podia mais, de gente, alegria e entusiasmo e a noite foi pequena para tanta boa vontade em Verónica Bettencourt (Presidente das Festas da Praia), Paulo Messias, Luís e Luisa Cabeceiras, Hélio Melo, Lucia e Lourival Cunha (Responsável cooperar com os artistas, e com as pela Feira de Gastronomia das Festas da Praia) arrematações, cujo produto resultou numa boa facturação a favor da linda Madeira, Pérola do Atlântico. Enquanto isto, na Banda Velha de São José, era recebida a Comissão de Festas da Praia da Vitória, visitantes que nos habituamos a receber e que nos trazem sempre um pouco da Ilha para matar a saudade. Sem programa ainda definido, mas com projectos de melhoramentos na edilidade praiense, contribuíram para um excelente serão e jantarconvívio, o Grupo de jóvens com Cordas e Vozes, sob a orientação de Hélio e Maria das Dores Beirão, e no final a voz e teclas do Duo Noturno, vindos da Terceira. No Sábado, o mesmo programa San José: Orlanda e José Mendes, Nello Bettencourt, Paulo Messias, António Paz e Jorge Nunes Embaixo: Paulo Messias, João Rocha e César Rocha aconteceu na cidade de Gustine, Luís e Luisa Cabeceiras, Norberto e Lucia Azevedo, Richard Mendes onde após o suculento jantar, se apresentou o grupo de Carnaval de São José com o bailhinho “As Freiras do Capítulo”, que arrancou excitantes e alegres gargalhadas de uma sala completamente cheia de convivas. No Domingo, dia 11 do corrente mês, realizou-se mais um encontro de estudantes de Santa Clara/ Coimbra, cidades irmãs, com almoço e confraternização, no qual foi participar como animador cultural, o Grupo Folclórico Tempos de Outrora, de São José.

Texto e fotos de Filomena Rocha

Verónica Bettencourt apresentando o Programa das Festas Dir: Visita ao Pico dos Padres foi muito agradável.


COLABORAÇÃO

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Agua Viva

Filomena Rocha filomenarocha@sbcglobal.net

Esta na hora da Mulher

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ada um tem seu modo de vida! O seu pensamento, a sua forma de agir, cada cabeça é um mundo… “Cada cabeça, cada sentença”! Imaginem só, a quantas sentenças estamos sugeitos, se não estivermos seguros do que somos, do que valemos, dentro das regras, dos conceitos, das leis que um grupo de cabeças (das mais duras) decidiu, para colocar-me e a outros na ordem… É um pouco complicado! Se pensarmos que o mundo está cheio de cabeças duras que se reúnem, que ditam, que conspiram e com um sorriso de doçura amarga, depois de se apertarem as mãos cúmplices de abaixo-assinados, anunciam os novos cumpromissos que cada um tem de assumir para ser bom cidadão, num mundo que se quer de paz, menos fome, mais empregos, mais educacão, mais cultura e tudo o mais que tenha a ver com os Direitos do Homem e a sua presença no planeta dos seres humanos vivos, ou do mundo-cão em que vivemos. “Antes que o mal cresça, corta-se-lhe a cabeça”. “Ensaboar cabeça de asno, é perder sabão”. “Quando a cabeça não tem juízo, o corpo é que paga”. “Uma cabeça perdida, deita muitas a perder”. Provérbios sábios que muitas vezes dizemos consoante o que nos acontece ou aos outros. Sabedorias do Povo que modernamente quase ninguém segue, porque hoje em dia quantas mais cabeças ôcas e frases parvas forem ditas, mais graça será encontrada. É verdadeiramente desgastante este mundo em que vivemos, e não parece haver melhoras. Por todo o lado parece morar a desgraça, se olharmos aos acontecimentos de todos os dias, nada nem ninguém parece ter a capacidade de governar sem ter um sim-senão que dê que pensar duas ou mais vezes, se se há-de confiar ou não em quem nos possa representar nos mais diversos aspectos. A princípio tudo parece muito bem. Ouvem-se discursos empolgantes, Mas, com o desenrolar do tempo as realidades surgem, as consequências vêem-se à distância e o descontentamento avoluma-se sem solução a qualquer prazo, venha da esquerda, do centro ou da direita. Dizem os homens que mulheres querem-se em casa, porque só eles sabem governar. Tem-se visto o resultado! Uma percentagem ínfima de mulheres está à frente dos seus países, e essas têm sido bem sucedidas, enquanto em muitos outros governados por homens, se travam grandes lutas de afirmação e discórdia. Mesmo nos lugares mais pequenos, em posições menos significantes, podemos ver até onde muitos homens ou mulheres podem ir. Enquanto os homens andam fazendo promessas que raramente cumprem ou fazendo negócios pouco aconselháveis, as esposas vão somando em casa os êxitos dos maridos, para eles receberem as condecorações. Eis porque sempre se diz que por de tràs de um grande homem está sempre uma grande mulher… Mulher paciente, generosa, mulher-sombra, figura apagada que se contenta em ser o centro da casa, dos filhos, dos netos e bisnetos, que continua a educar, a estimular, como luz debaixo do alqueire que vai alumiando sem receber nada em troca, a não ser o gosto de ver todos no bom caminho do sucesso. Está na hora da Mulher mostrar o que vale, de ser reconhecida, mesmo na nossa comunidade onde os maridos, cabeças duras sem instrução, se infiltram em determinados cargos, e as esposas preparadas continuam sem lugar nem tempo para brilharem fora do alqueire.*

Correcções Na nossa última edição e na página referente à visita do PFSA a Artesia devemos corrigir o seguinte: - Onde se leu Anthony W. Coelho, deveria ter-se lido Anthony W. Mendes (IDES Ambassador) - Onde se dizia Duarte T. Teixeira, novo Presidente da PFSA, deveria ler-se Ambassador, representando o SES. Para clarificar, podemos dizer que até 2011 os Presidentes Supremos da IDES, SES, UPEC e UPPEC, serão chamados Ambassadors. Em 1911 será então eleito o primeiro Presidente da nova organização PFSA (Portuguese Fraternal Society of America) As nossas desculpas pelos erros cometidos.

1600 Colorado Avenue Turlock, CA 95382 Telefone 209-634-9069


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COLABORAÇÃO

15 de Abril de 2010

Ao Sabor do Vento

José Raposo

Graças ao Mickey Mouse

raposo5@comcast.net

J

ulgo que quase todas as pessoas têm, uma vez por outra, perguntado a si próprias por que razão certas espécies de animais existem.

Quer os mesmos tenham sido criados por Deus ou por obra da natureza, eu penso que tudo tem uma razão de ser. Nós é que por vezes não sabemos qual é e damos voltas à cabeça, ficamos aborrecidos e não encontramos repostas para uma quantidade infinita de perguntas. Enquanto alguns animais, segundo cálculos, existem neste planeta há milhões e milhões de anos, o homem, em proporção, está na sua meninice e, julgo eu, é por isso que ainda não sabe a razão da existência de muitas coisas. Estamos aqui, nesta bola projectada no espaço e assim, em harmonia ou não com a natureza, vamos vivendo estes dias até que chegue o fim. Continuamos a fazer pesquisas, na maioria das vezes experimentando com animais, a fim de encontrarmos a cura para certas doenças e assim viver mais anos. Se vale a pena, eu não sei. O certo é que, se pensarmos bem, poderemos chegar a uma conclusão que esta engrenagem toda está muito bem feita, quer concordemos ou não. Por exemplo, no que diz respeito à cadeia alimentar, o bicho maior come o mais pequeno, se bem que haja algumas excepções em que bichos pe-

quenos comem o grande que é, exemplificando, o caso da formiga que é o animal mais forte tendo em conta a proporção do seu corpo. Pois segundo os entendidos a formiga consegue pegar sete vezes o peso do seu corpo. Outros animais como, por exemplo, os coelhos e os ratos, existem e procriam numa proporção descomunal, em comparação com os outros. Mas, se sabemos perfeitamente que tanto os ratos como os coelhos são a base da alimentação para uma grande quantidade de outras espécies, tais como lobos, aves de rapina, gatos selvagens e, por vezes, domésticos e até o próprio homem. Na ilha de Sulawesi, na Indonésia é muito comum comer-se ratos. E qual é o Português que não gosta de um bom coelho à caçadora ou frito com um molho de vilão? Como disse lá atrás, tudo tem a sua razão de existir. Foi o que eu deparei um dia destes quando um cliente chegou com um carro praticamente novo e daqueles que custam quase 100 mil dólares. Perguntei a razão porque ele trazia o carro à oficina e ele diz: Tenho a certeza que há rato morto dentro deste carro. Realmente, ao entrar no carro dava aquele cheiro fedorento e enjoativo que sentimos quando algum rato ou morganho está mor-

C

to há dias. omeçamos a levantar tapetes, mudar acentos e à medida que isso fazíamos, encontramos restos de comida e vestígios de urina e fezes, mas, de rato, nada. O caso começou a complicar-se porque vimos logo que teríamos de desmantelar o carro todo a fim de encontrar o bicho. Pedimos autorização ao seguro. A companhia seguradora autorizou que fizéssemos o que tínhamos de fazer e aos poucos removemos tudo do carro, até que ficou praticamente no esqueleto. Urina e caganitas, não faltava, mas, de rato ou morganho, nada. Faltava só remover o tapete do lado do condutor e as chapas de ferro que guardam

os fios e mais electrónicos que ficam por baixo do assento. Na minha opinião o estrago que se via no carro não poderia ser obra só de um rato fosse ele do que tamanho fosse. Até dava a impressão que ninho havia sido feito e que uma família havia vivido dentro do carro por algum tempo. Lá removemos o tapete e a placa de ferro e encontramos um morganho já dessecado. Os outros se os havia, já tinham fugido. Ora vejam vocês no estado em que o carro ficou e imaginem o trabalho que vai dar para por tudo para trás, no seu lugar. Uma coisa é certa. O cheque desta semana vai ser bom! Graças ao Mikey mouse.


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Cães de Fila para Venda P'ra uma casa guardar, não há nada como um cão só precisa ele ladrar para fugir o ladrão. Para mais informações contactar António Carvalho

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DESPORTO

15 de Abril de 2010

LIGA SAGRES Benfica 2 Sporting 0 O derby lisboeta encheu a Luz e ampliou a diferença entre os arquirivais de 23 para 26 pontos. O fosso é profundo, inultrapassável e reflecte na exacta medida as diferenças entre uma e outra equipa na temporada 2009/10. Mais importante de isso, em termos classificativos, aproximou ainda mais o Benfica do título. Os encarnados precisam, no máximo, de sete pontos para chegarem a uma conquista que lhes foge desde 2005. Ironia das ironias, o palco da consagração até pode vir a ser o... Estádio do Dragão. Esse seria um golpe demasiado rude no orgulho do F.C. Porto. De qualquer forma, quando faltam quatro partidas, os encarnados não podem ainda espreguiçar-se no conforto da liderança. O Sp. Braga, com maior ou menor brilhantismo, vai cumprindo a sua competente caminhada e venceu em Leiria. Os pupilos de Domingos Paciência estão no segundo posto, a seis pontos, ávidos por uma escor-

Madalena do Pico conquista Série Açores

O Madalena fez a festa da conquista do título na 15ª edição da Série Açores de futebol da III Divisão Nacional a duas jornadas do fim da prova A precisar de apenas um ponto, a formação orientada por Vítor Móia recebeu e venceu o vizinho e rival Boavista por 3-1, num jogo que começou a ficar resolvido nos instantes iniciais. Em nove presenças na competição, o Madalena conquista pela segunda vez o título de campeão, repetindo o êxito alcançado na época 2004/2005. Para Vítor Móia, este foi o seu primeiro título de campeão na Série Açores. In DA

regadela dos homens de Jesus. Mais atrás segue o F.C. Porto. Ainda com problemas no fio condutor do seu jogo, os dragões resolveram com a cabeça de Farías um problema bicudo em Vila de Conde. O terceiro lugar é, obviamente, uma posição terrível para um clube habituado a vencer. Nesta altura, a Jesual-do e respectiva plêiade, resta ganhar jogos e aguardar o falhanço alheio. Sporting e V. Guimarães estão no quarto e quinto lugares, separados por quatro pontos. Os minhotos não conseguiram ca-

muflar as muitas baixas no jogo frente ao Olhanense e apenas seguraram um ponto. Em terras do Conquistador a colheita não deixa de ser francamente frustrante. Daqui para baixo, apenas o Leixões venceu na jornada 26. Os matosinhenses foram convincentes diante do Paços de Ferreira e ganharam dois pontos aos concorrentes directos na peleja pela manutenção: Olhanense, V. Setúbal e Académica. In Maisfutebol

Taca de Portugal Sporting Ideal na Final: Porto-Chaves III Divisão

Sporting Ideal foi a primeira equipa portuguesa que disputa as provas de âmbito regional a garantir a subida aos nacionais. O triunfo por 3-1 no terreno do Mira Mar, na Povoação, permitiu ao conjunto do concelho da Ribeira Grande festejar o regresso à série Açores, seis anos depois de ter sido despromovido. O facto da equipa ter sido a primeira a nível nacional a conquistar a promoção orgulha os responsáveis pelo clube da Ribeira Grande, em especial o treinador, Eurico Santos. «Ser a primeira equipa a subir tem um significado especial e é, também, o concretizar de um objectivo delineado no início da época. Foi a isso que nos propusemos e felizmente alcançamos a subida», disse. No regresso do clube da Ribeira Grande aos nacionais, o treinador aponta baterias para a manutenção mas sem entrar em euforias desmedidas. «A conquista de um lugar entre os quatro primeiros e a consequente manutenção directa será difícil de alcançar porque o campeonato será muito competitivo, principalmente se as equipas da ilha do Pico continuarem a apostar em atletas profissionais. Vamos com calma pensando primeiro na permanência e depois procurar definir bases para uma tranquilidade maior no futuro», referiu.

In AO

Como se previa, o FC Porto concretizou a sua terceira presença consecutiva e a 27ª vez na Final da Taca de Portugal, ao vencer, com uns contundentes 4-0, o Rio Ave, na 2ª “mão” das meias finais da prova, em jogo realizado no estádio do “dragão” . Os golos foram marcados por Belluschi (20'), Guarín (78'), Rúben Micael (85') e Falcao (91').Recorde-se que na 1ª “mão”, em jogo disputado em Vila do Conde, os “dragões também venceram, mas por 3-1. Agora, na final da Taça de Portugal, marcada para 16 de Maio, os Dragões defrontarão o surpreendente Desportivo de Chaves, da Liga de Honra, num encontro inédito entre estas duas equipas. Os flavienses, que lutam desesperadamente para não descer à II divisão, foram à Figueira da Foz afastar a Naval 1.º de Maio, tendo perdido no tempo regulamentar por 1-0, mas no prolongamento marcaram dois golos, eliminando os figueirenses, qualificando-se assim, pela primeira vez, para a final da Taça de Portugal em futebol. PT


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TAUROMAQUIA

Sário Cabral rumo à Alternativa

15 de Abril de 2010

Quarto Tércio

José Ávila josebavila@gmail.com Tivemos um pequena conversa

com Sário Cabral àcerca da sua alternativa. Ele sente-se bem preparado para esse dia tão especial na vida de um cavaleiro. Antes disso, Sário vai ter a possibilidade de tourear três corridas, o que lhe dará maior confiança. É importante que a Praça de Gustine se encha para poder testemunhar um acto raro na nossa terra da California. Que tudo corra bem, são os nossos desejos.

Quem passa por Madera e perto da Ave 24 pode ver um jovem cavaleiro, horas a fio a cavalgar, treinando-se para um dos dias mais importantes da sua vida - a alternativa de Cavaleiro Profissional.

Para aqueles que leram com atenção a entrevista com o cavaleiro Rui Fernandes, dizia ele que quando se investe em cavalos, nunca mais se pára. Ele comparava os cavalos a uma equipa de futebol - sempre a renovar de ano para ano. Os Irmãos Martins, compreenderam bem a recomendação do Rui e trouxeram de Espanha e Portugal mais alguns cavalos para juntar à boa quadra que já têm. O dia para o Cavaleiro Paulo Ferreira está a tornar-se curto, com o trabalho que tem para manter todos os cavalos em forma para a temporada de 2010. Esperemos que na próxima Segunda-feira o tempo colabore com a primeira corrida da temporada. A ver vamos. Sorte para todos.

Cavalos Novos na Coudelaria Irmãos Martins

Anthony Martins (com o Pablo, ferro de Pablo Hermoso de Mendoza), José Manuel Martins (com o Campo Pequeno, ferro de Pablo Hermoso de Mendoza) e George Martins Junior (com o Algarvio, ferro de Filipe Gonçalves)


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ARTES & LETRAS

15 de Abril de 2010

Sobre "No Vale dos Pioneiros" narrativas da minha diáspora

de Francisco Cota Fagundes

Apenas Duas Palavras

Diniz Borges d.borges@comcast.net

Vamberto Freitas É de ilusões que nos alimentamos e vivemos na diáspora. E são as realidades que nos matam. Francisco Cota Fagundes, No Vale dos Pioneiros

No Vale dos Pioneiros: narrativas da minha diáspora é o primeiro livro de escritaoutra que Francisco Cota Fagundes publica desde o seu marcante Hard Knocks: An Azorean-American Odyssey (GáveaBrown, 2000), as suas memórias que vão desde a sua chegada aos EUA nos anos 60 até ao seu doutoramento em Literatura Portuguesa pela Universidade da Califórnia, em Los Angeles. De uma ferocidade literária sem igual numa autobiografia luso-americana, já aí, como aliás em toda a sua escrita, mesmo a estritamente académica, o paradoxo imagístico e a ironia ora suave ora brutal enformam esse inusitado ajuste de contas tanto com as ilhas de origem (principalmente a sua Terceira natal) como com a sua experiência de imigrante recém-chegado ao rural Vale de San Joaquim no interior da Califórnia, onde enfrenta o que eram então as mais vil afrontas à dignidade de muitos naquela época pouco sensível, quando não mesmo hostil, ao outro. Cota Fagundes, nessa sua obra que ainda há-de vir a ser considerada um clássico da nossa literatura, “falou” por quase nós todos, os que com ele partilharam o destino de nos reinventarmos, ainda na adolescência ou como adultos de pouca idade, atirando contra e demolindo fortes barreiras culturais, linguísticas, sociais. Hard Knocks é um livro de confissão e catarse pura, quase psiquiátrico na relação dos seus mais íntimos pormenores, escrito em inglês e dirigido ao seu filho na América nascido, para que um dia ele soubesse e não esquecesse nunca o percurso pouco convencional daqueles que, após o triunfo que foi a mera sobrevivência, lhe tinham dado vida e futuro. Investigador e ensaísta de primeira categoria—Fernando Pessoa, Jorge de Sena, entre tantos escritores canónicos portugueses mereceram e merecem a sua sustentada atenção—creio que Hard Knocks foi também o seu regresso a casa, à nossa casa comum. Depressa Cota Fagundes virar-se-ia para a literatura açoriana e luso-americana, tanto a escrita em português como em inglês. Nesse regresso à sua Ítaca, o autor faria o que mais ninguém tinha tido até então a coragem de fazer, pelo desafio e grandiosidade do projecto: traduzir para o inglês o Mau Tempo No Canal (Stormy Isles: An Azorean Tale, Gávea-Brown, 1998) de Vitorino Nemésio. Ficava assim aberto o caminho—e

limpo o coração, por assim dizer—para estas outras narrativas, um misto de “realidade” e imaginação pura, transportando-nos a todos de novo aos mais íntimos mundos do autor, mas em cada uma delas qualquer leitor também reconhecerá parte da sua vida: a rir, a chorar, a sangrar. Todas as narrativas em No Vale dos Pioneiros—um cruzamento entre crónica e conto, o que me parece já uma tradição em muita escrita imigrante e luso-americana—têm o seu referencial na “realidade” vivida ou testemunhada, narrando as mais variadas facetas do seu quotidiano como professor universitário em luta constante pela sua sobrevivência como marido, pai, genro, ou colega indefectível dos seus afectos e (des) afectos. Não são exactamente “memórias”, são representações do que e como um intelectual e escritor português de origem açoriana sobe aos mais altos escalões da exigente academia americana, para depois dissecar em escolhidas fatias-de-vida essa sorte ou desnorte no fantástico mosaico humano em que se tornaria a América dos nossos dias. Pululam aqui portugueses, luso-americanos, anglo-americanos, brasileiros—em suma, vidas comuns e vidas extraordinárias, quase sempre em confronto ora com existências bem cimentadas ora passando pelos dias em estado de precariedade perpétua. Que faz um “livro” e não uma mera “colectânea” de textos? A sua unidade, que acontece de várias formas: temática ou estilística, temporal, ou tão simplesmente o facto de uma certa postura

ou de uma “voz” imediatamente identificáveis, constantes, levando o leitor a optar por uma leitura sequencial, cada narrativa completando-se, terminando tudo num só retrato em que cabem e estão presentes os mais improváveis personagens, formas e tonalidades, como que num romance—o que acontece com frequência--feito de estórias supostamente avulsas mas de todo interligadas. Diz Onésimo T. Almeida na sua introdução a No Vale dos Pioneiros: “O olhar penetrante nas situações, nas ironias da vida, no ridículo que por vezes

ataca com veia sarcástica, evoca Jorge de Sena, seu grande mentor e de cuja obra se tornou profundo estudioso”. No Vale dos Pioneiros viaja entre lugares tão distantes como a Califórnia, a Costa Leste americana, particularmente a área onde desde há muito reside e lecciona o narrador (University of Massachusetts, Amherst), com alguns regressos, agora quase sempre irónicos e cómicos, aos Açores, particularmente à sua Agualva de nascença e criação até aos 18 anos de idade. Saído de pequenos universos como as ilhas e depois de uma comunidade rural (Tulare) rumo a Los Angeles e depois ao seu destino de literatura e gelo da Nova Inglaterra, Francisco Cota Fagundes é o exemplo modelar mais acabado de como os sonhos, por vezes parecendo irrealizáveis pela marginalização cultural em que até recentemente viviam no seu desterro os nossos imigrantes a oeste, são assim mesmo alcançáveis. Creio que a melhor literatura, em qualquer forma ou género, também requer em absoluto a total ausência de complexos, de hesitações, clamando por honestidade narrativa sem quaisquer amarras ou pudor. De todos os escritores luso-americanos de língua portuguesa, Cota Fagundes tem sido sempre o mais audaz no derramamento caudal das suas misérias, desgostos e contratempos advindos, por exemplo, tanto de doenças crónicas que atingiram a sua família e das consequentes crises existencialistas por que tem passado e vivido intensamente, como do seu estatuto de intelectual português num meio nem sempre simpático ou acolhedor de uma língua minoritária como a nossa, de uma história que aos angloamericanos, sempre com as rédeas do poder institucional nas mãos, pouco ou nada diz. A América, com algumas excepções, poderá tornar-se muito cansativa, quando não mesmo desgastante. No Vale dos Pioneiros, tal como havia acontecido em Hard Knocks, nada disso Cota Fagundes esconde, as “denúncias” aqui são sempre frontais, a escavação das ervas daninhas que envenenam os que são apanhados nessas hortas agrestes uma constante do narrador, incluindo o sofrimento que é receber alguns charlatães e tarados universitários portugueses que por vezes se auto-convidam para congressos num pais de que eles de nada sabem nem entendem mas acham que está lá para ser por eles, machões oriundos de um império semi-mourisco, sexualmente devorado (“Amantes da Minha Terra”). Por entre tudo isso, No Vale dos Pioneiros contém momentos de uma ternura quase indizível ante familiares, antigos amores, colegas, amigos. Que a terra—escreve em “Dádivas Supremas” o narrador de um colega e grande amigo luso casado com uma brasileira e que havia vivido algum tempo no país da esposa, falecendo precocemente nos EUA—te seja leve, querido Danilo, pois a tua memória permanecerá, para todo o tempo em que eu viva, indelével! Ensinaste-me que, na obscuridade dos estudos de

A Maré Cheia traz aos seus leitores um magnífico ensaio de Vamberto Freitas sobre o livro de Francisco Cota Fagundes, do qual aqui já havíamos falado quando o mesmo foi apresentado na freguesia onde nasceu e viveu até jovem, Agualva, na ilha Terceira. Vamberto Freitas, um crítico literário que há muito se debruça sobre a nossa diáspora, e que há muito nos habituou às suas análises incisivas, porque é um profundo conhecedor da literatura, traz-nos um texto extremamente bem escrito sobre o livro de Francisco Cota Fagundes que tal como nos diz: "de todos os escritores luso-americanos de língua portuguesa, Cota Fagundes tem sido sempre o mais audaz..." Fiquemos com o ensaio de Vamberto Freitas, e com o convite para que os nossos leitores quando puderem comprem e leiam No Vale dos Pioneiros. abraços diniz

português em Terras do Tio Sam, a vida por vezes nos sorri com dignidade e sem conspurcar a dignidade do próximo. No Vale dos Pioneiros: narrativas da minha diáspora foi publicado (e dedicado) como gesto simbólico de oferta à sua freguesia de nascimento, Agualva (Ilha Terceira), quando esta celebrou o seu 420º Aniversário, em 2008. Infelizmente, não recebeu a divulgação e distribuição que muito bem merece, situação a que nos Açores estamos mais do que habituados, sem uma única solução à vista. Mas para os leitores de boa literatura, ou simplesmente para os que se interessam pelo nosso destino diaspórico nas Américas, este é mais um livro que lança um clarão imenso sobre outras facetas ou aspectos da nossa experiência imigrante, uma vez mais vista através de uma erudição completa sem nunca deixar de fora as emoções de uma coração repartido e na incessante busca do equilíbrio entre duas pátrias, ora de geografias cercadas ora da mais libertadora imensidão. Francisco Cota Fagundes, No Vale dos Pioneiros: narrativas da minha diáspora, Edição da Câmara Municipal da Praia da Vitória e da Junta de Freguesia da Agualva, 2008.


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ENGLISH SECTION

15 de Abril de 2010

serving the portuguese–american communities since 1979

Ideiafix

Miguel Valle Ávila

portuguese

• engLish section

miguelavila@tribunaportuguesa.com

Living every second! How quickly everything changes...

T

ony Nelson Baptista was 35 years old, married and with a baby girl. He was an electrician at Cupertino Electric and a member of IBEW Local 332. He enjoyed life to its fullest, was always surrounded by family and friends, and relished the outdoors. On Sunday, October 3, 2009, he died suddenly during a camping trip in New Brighton Beach in Santa Cruz County while driving his mom. The paramedics were there within three minutes, but his enlarged heart would not beat anymore. Tony was married to Sarah and was the proud father of a beautiful 5-month-old daughter, Elizabeth. Sarah works with the help of her parents and mother-in-law who take care of the baby while she works. Meanwhile, they have lost their home and other possessions. Organized by the family, the Tony Nelson Baptista Memorial Golf Tournament and Dinner took place last Sunday, April 11, 2010 at the Eagle Ridge Golf Club and the Portuguese IFDES Hall, both in Gilroy, CA to financially support his widow and baby daughter. All proceeds benefited the Tony Baptista Memorial Fund. Tony was born in Rosais, São Jorge, Azores and was the son of Olga Baptista of Santa Clara and António Baptista (deceased). Attending the fundraising dinner, the mood was one of happiness for having known such a delightful and energetic individual. “Tony was someone you would fall in love with right away,” said his aunt Natália Ávila. Seeing his widow, Sarah, address the sold-out crowd of supporters at the Portuguese hall in Gilroy was a testimony of a strong woman who will ensure that little Elizabeth, now 11 months old, will never forget the father she never really knew. And once again the local community responded to the aid of a needy family. You can still provide your financial contribution by mailing your donations to 925 Ferragalli Ct, Gilroy 95025 with checks made out to Tony Baptista Memorial Fund. Any questions, call Doug Stewart or Debbie Ávila Stewart at 408.848.8440 or email golftournament2010@ yahoo.com. May God bless Sarah and Elizabeth Baptista and may Tony’s soul rest in peace knowing that he had more friends on earth than he could ever imagine.

Tony Nelson Baptista Memorial Fundraiser Gilroy, California April 11, 2010

Clockwise from top right: Tony Nelson Baptista in an undated photo in Yosemite; Sarah Baptista addressing family and friends at the fundraising dinner in Gilroy; the crowd filled the Portuguese IFDES Hall for the fundraising event; Gilroy Mayor Al Pinheiro, always a supporter of good causes, showing his skill during the auction.

YOU KNOW YOU’RE PORTUGUESE IF…

Baby Elizabeth with mom Sarah Baptista

Peta de Abril

it has been a tradition for the portuguese tribune to have a few “news” on the april 1st edition that are less than that. they are actually april Fool’s jokes. that was the case of the column entitled “Five Wounds: Qui se va passer?” that appeared on this page. While there is indeed a parking problem at Five Wounds portuguese national church on sundays because of long masses, not enough time between masses, and large attendance (not a bad thing at all), the column played on people’s recent frustrations. even though, many readers congratulated us on the timeliness of the topic, we hope you enjoyed it with a little sense of humor. Era apenas uma peta!

Massachusetts’ own Out of the Gutter Comedy make their comedy debut in Union City on Friday, June 11th with a comedy show that focuses on the funnier side of growing up Portuguese. You Know You’re Portuguese If… , inspired by the countless emails they have received with crackups such as you know you’re Portuguese if your parents still have plastic on the couch, or your whole back yard is a grape vine, the show will take audiences through laugh out loud scenarios, Improv comedy and the occasional Portuguese swear. “We’ve been selling this show out for the past few months on the East Coast and really can’t wait to perform in the Bay Area. We took everything that’s crazy about growing up Portuguese and put it all in one show!” says Jason Casimiro, a fellow actor in the troupe. The troupe specializes in cultural humor, a niche they have been perfecting with Portuguese Americana, a series of sketches

that point out the comedy of being the child of an immigrant. “We show you how two of the same scenarios would play out from an American family and a Portuguese family-and we do it all in English, or “Broken-English”, Al Sardinha, a co-actor says, “The Portuguese family is usually a little crazier”. Performing collectively since 2004 the Fall River, MA natives have been making a name for themselves in New England, as well as California-and they’re spreading out. “Last year we performed at Day of Portugal in San Jose. This year, we are heading to Canada, Bermuda and Atlanta! We really want to give the Luso American community something that they can call their own, comedy wise”, says Derrick DeMelo, a fellow actor. Their unique brand of humor, a mish mash of Portuguese American culture that strives to bridge the gap between young and old, infused with the crazy anything

goes style of Improv comedy has gotten peoples attention. “When we do a scene that involves American parents taking their kids to Disney to see Mickey, and Portuguese parents taking their kids to Toronto to visit family, we’re not just making people laugh; Audience members constantly pull us aside and tell us ‘my parents did the same thing!’ or ‘that was my Dad on stage tonight!’ We’re making people remember their childhoods. They walk out smiling. To us, it’s more than a laugh; it’s a tribute our great heritage”. You Know You’re Portuguese If... Presented by Luso 20-30’s Region #2 of the Bay Area on Friday, June 11th, 2010. Tickets are $25, include dinner and entertainment. Doors open at 6 pm for No-Host Cocktails, Big Fat Chicken Dinner served at 7 pm, and the show starts at 9 pm. at S.D.E.S. Alvarado, 30846 Watkins St, Union City, CA. Contact Sandy Zucker at 510-828-4307 for more information.


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15 de Abril de 2010

California Chronicles

Ferreira Moreno

Place Names

F

or those who enjoy studying and/ or reading California history, it is quite evident that the half century of Spanish dominion in this state, from 1769 to 1822 when Mexico took over the territory, is predominantly the story of the mission chain, which stretches from San Diego in the south to Sonoma in the north. As Barbara & Rudy Marinacci (Cal ifornia's Spanish Place Names) pointed out, some missions were located near ocean harbors, while others spread further inland, occupying fertile valleys, each with routes leading to the sea and to the closest presidio and pueblo. Many of the missions remained central to California's development, and it is a proven fact that some of our largest cities and most prosperous fastest-growing towns began as mission settlements. A total of 21 missions were established. Just for the sake of saving space, I will not name them or the towns named after them in this chronic1e. Basically, there were like stepping stones, marking the early outposts of Christianity, and civilization. However, there were also other important settlements. I am referring to the four presidios (San Diego, Monterey, San Francisco and Santa Barbara), and the three pueblos (San Jose, Los Angeles and Branciforte, later renamed Santa Cruz), bringing to 28 the original number of colonizing sites in Spanish California. The abundance and variety of saints' names throughout California is remarkable. For starters there is the San Andreas Fault, the state's longest and best-known zone for earthquakes. The fault is named after the apostle Andrew, the brother of St. Peter. Still standing and bearing the saint's name, there is the town of San Andreas, once a 1ively mining community during the Gold Rush. In the San Francisco Bay Area and environs, we encounter the towns of San Leandro, San Lorenzo, San Ramon, San Pablo, San Mateo, San Bruno, San Carlos, San Gregorio, San Jose and San Martin. Across the Golden Gate, we find San Anselmo, Santa Venetia, San Geronimo and Santa Rosa. Sacramento, the state capital since 1854, derived its name from the river honoring the Blessed Sacrament, so designated by the explorer Gabriel Moraga (1765-1823). The city and county of Merced were named for the river that Moraga had called El Rio de Nuestra Senora de la Merced, the river of Our Lady of Mercy. The valley and county of San Joaquin were so called after the name given by Moraga to the large river that flows through this region. Traveling south, but skirting the mission sites, we find the towns of Santa Maria, San Simeon, San Jacinto, Santa Margarita, Santa Clarita, Santa Paula, Santa Monica, San Ono-

fre, San Pedro, San Pascual, Santa Ana, San Bernardino and San Ysidro. Along the southern coast we can sight the island of San Miguel, where California's discoverer, Juan Rodrigues Cabrillo, is allegedly buried. The neighboring islands are Santa Rosa, Santa Cruz, Santa Barbara, San Nicolas, San Clemente and Santa Catalina. San Adro, the center of the oil industry in Monterey County, deserves clarification. The town was laid out in 1886 and named San Bernardo by M. J. Branddenstein, who had bought the San Bernardo Rancho. When confusion began to exist between San Bernardino and San Bernardo, the post office department arbitrarily clipped the first syllable from Bernardo's name, and created Ardo. (Donald Clark, Monterey County Place Names). Curiously enough, in Butler's Lives of the Saints, I found a description of a native from Languedoc (France) called Smaragdus, who changed his name to Ardo and became one of the earliest followers of St. Benedict of Aniane (]50-8211. He was ordained a priest and appoi'nted director of the scoools attached to the monastery. There was another St. Benedict (480-550), the founder of the Benedictine Order at Subiaco and Mount Cassino. With the Spanish spell ing of San Benito, it appears as the name of one of Callfornia's counties. The name of the penitent thief crucified with Jesus is shown on the town of San Dimas. The oldest and largest state prison is called San Quentin. Although there is no female saint known as Nella, the name Santa Nella is affixed on two sites, probably derived from centinela, Spanish for sentinel. Obviously, this 1ist of place names is not complete, but lack of space prevents listing here all the saints' names on mountains, valleys, canyons, rivers, creeks, lakes, forts, ranchos, land grants and many other localities in California.

CAVALHEIRO Cavalheiro de 40 anos, residente na Costa Leste, pretende conhecer Senhora atĂŠ aos 35 anos para efeitos de casamento. Por favor telefone para O. Oliveira 978-667-0576

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POSSO, 34 years of doing good for the community

Photos of POSSO’s 34th anniversary dinner last March 27. Clockwise from top right: Senior Citizen of the Year Amélia Brasil with POSSO president Manuel Bettencourt; Volunteer of the Year José Freitas; Employee of the Year Isabel Madruga; Consul of Portugal in San Francisco António Costa Moura with Five Wounds Pastor Rev. Don Morgan; Ginny and Al Dutra; Helena and Décio Oliveira; Beatriz and Leonor Moura; Velma and Dalberto Santos; Maria das Dores and Hélio Beirão; Santa Clara County Supervisor Dave Cortese and wife, former San José City Councilmember Forrest Williams and wife, and POSSO founder Vicky Machado; Maria Alsheik, Antonino and Anita Pascoal, Sylvia and Art Carroll, and friends; singers David Garcia, Silvia Soares, Mirelle Leal, Shana Leal, Crystal Mendes, Lorraine Jacinto, and Joe Ribeiro.


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While commercial insurers utilize "closed" contracts, i.e., self-contained agreements with set terms, fraternal benefit societies employ "open" contracts. Open contracts are memorialized by the member's application, the insurance certificate, and the society's articles of incorporation and bylaws. Central to this dispute, open contracts also explicitly recognize that the articles of incorporation and bylaws are subject to change, and that any subsequent amendment to them is incorporated into the preexisting open contract as long as it does not destroy or diminish the benefits promised in the original contract (Kaplan Financial, 2008).

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Tribuna 15 Abril