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QUINZENÁRIO INDEPENDENTE AO SERVIÇO DAS COMUNIDADES DE LÍNGUA PORTUGUESA

2ª Quinzena de Março de 2013 Ano XXXIII - No. 1151 Modesto, California • $2.00 / $45.00 Anual Pág. 18

Pág. 2, 30

Musica

no Coração

Francisco

Goretti Silveira Pág.14,15

Ana Moura

Gil Nunes, de 75 anos e neto Tiago Nunes, de apenas 8 anos de idade, que já toca trompete, com grande orgulho do avô Pág. 16

Pág. 2

Fraternalista do Ano Cantou e encantou no Gallo Center em Modesto

Entrevista

Louie Cardoza

Paulo Teves visita a California

O novo Director Regional das Comunidades, Paulo Teves, visita a California. Estará no Congresso da LAEF (22, 23), na Casa dos Açores (23) e na Segunda-feira, dia 25 de Março de 2013, pelas 7:00 pm na S.E.S. Corp. ao 1375 Lafayette St. em Santa Clara. Uma oportunidade de conhecer o novo governante dos Açores. Nesta sessão de boas-vindas em Santa Clara, Nelson Ponta-Garça falará sobre o projecto "Portuguese in California" e o progresso do mesmo. Próxima edição

Ramana Vieira

Cantora Friday, 22 March, 2013 Garden Gate Creative Center, 8 p.m., 2911 Claremont Ave. Berkeley, CA 94705

www.portuguesetribune.com

portuguesetribune@sbcglobal.net


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SEGUNDA PÁGINA

EDITORIAL

O

s 115 Cardeais tiveram à sua frente uma grande responsabilidade na escolha do Papa. Este eleito Papa, Bispo de Roma (com pelo menos 77 votos) tem de recriar o Vaticano "político", "financeiro" além da Igreja "dos bons costumes". É uma "task" dificil, penosa, mas tem de ser feita. Em menos de dois dias os Cardeais escolheram o novo líder da Igreja Católica. O novo Papa chama-se Jorge Mario Bergoglio, Arcebispo de Buenos Aires, jesuíta, tem 76 anos e é o primeiro Papa da America do Sul. Não nos esqueçamos que o Vaticano não é a Igreja no seu todo. O Vaticano é apenas a sede do Bispo de Roma, que também é Papa e Chefe de Estado de um minúsculo País. Igreja são todos esses milhões de pessoas crentes que acreditam na mensagem de Jesus Cristo e não na politica, muitas vezes ultra conservadora do Vaticano. Nunca confundamos o Vaticano com a real Igreja do povo, tal como nunca confundimos o governo de Passos Coelho

15 de Março de 2013

Papa Francisco com Portugal. Oxalá o novo Papa esteja apto para gerir e recriar uma organização cheia de conflitos de variadas origens, tal como Bento XVI afirmou nos ultimos três dias do seu pontificado. Foi interessante verificar que Bento XVI nos ultimos três dias disse coisas mais importantes sobre os problemas na Igreja do que nos seus oito anos de vivência como Papa. O Vaticano, tal como qualquer País, tem todos os defeitos que conhecemos nas políticas dos governos. Basta olhar para o seu lado e ver como a Itália vive hoje uma crise de valores, de gente séria, de autêntica bancarrota mental. Com um novo Papa é de esperar que uma nova Curia (o governo do Vaticano) seja promissora de novas ideias e de novas gentes. Seria bom que muitos Cardeais com uma certa idade se reformassem dando lugar a mais novos. Quem vive em Palácios tem essa tendência doentia de querer ficar lá para sempre, basta ver os exemplos da Inglaterra, da Holanda, de Espanha, onde ninguém quer

deixar as mordomias que criaram no passado. O mesmo se passa com alguns homens da Igreja. Porquê voltar para casa se o Vaticano e os seus palácios em redor tem tanto conforto e dão tanto bem estar, além de todos os salamaleques semelhantes às monarquias caducas que ainda temos. Oxalá este novo Papa tenha força bastante para colocar a Igreja nas suas virtudes ancestrais e deixar cair estes espectáculos hollywoodescos e esses tíulos monárquicos que ferem a sensibildade da maioria pobre dos católicos. Este Papa conhece bem a pobreza da maioria dos povos sul-americanos. Oxalá que esses conhecimentos o ajudem no seu pontificado, a purificar uma Igreja que de ajuda bem precisa. Num artigo de Anselmo Borges, padre e professor universitário, sobre o momento actual, ele recordou que Bento XVI leu e recomendou que todos os Papas lessem a famosa carta de São Bernardo ao Papa Eugénio III: "Não pareces um sucessor de Pedro, mas de Constantino." Que tenha um bom Papado!

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O

espectáculo de Ana Moura no Gallo Center em Modesto foi muito bom. Não seria de esperar encher um recinto de 1250 pessoas, mas a assistência esteve por metade deste numero o que deu ao Gallo Center uma ideia como proceder no futuro, contratando mais artistas portugueses, com uma certa consistência. Habituar uma comunidade a ver bons espectáculos, requer consistência de métodos de escolha e de datas. Neste show pudemos admirar um jovem guitarrista, Angelo Freire, que por si só, é um outro espectáculo. Como artista está ao nível de quem acompanha. Este jovem, também canta e ganhou em 2000 o Prémio de Melhor Fadista Jovem, na Grande Noite do Fado.

jose avila

Year XXXIII, Number 1151, Mar 15th, 2013 $45.00


PATROCINADORES

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COLABORAÇÃO

15 de Março de 2013

Memorandum

Ao Cabo e ao Resto

Victor Rui Dores

João-Luís de Medeiros jlmedeiros@aol.com

Globalização do Sofrimento (sem fronteiras étnicas)

1 – mendigar tempo ao ‘futuro’ para embalar o ‘presente’...?

A

trevo-me a imaginar que os eventuais leitores desta coluna reconhecem que a ditadura da distância não confere ao signatário a possibilidade prática de fazer parte da infantaria opiniática acantonada nas trincheiras micaelenses. Privado da sensacional pólvora dos factos, limito-me ao oxigênio das ideias e à brisa das sugestões: gerir, democraticamente, as nossas diferenças e estreitar as nossas afinidades... Desde há décadas, deixei de acreditar no estafado receituário das tradicionais ‘massagens’ psicológicas para atenuar o cariz agressivo da animalidade humana. Embora devendo nada aos subsídios da praxe (e tenha escapado às ‘segundeiras’ culturais outrora oferecidas à fradaria da ‘luso-folia’), devo contudo admitir a impagável dívida emocional que venho acumulando no rol da solidariedade humana. Para quem não teme ser aspergido pelo hissope do mistério daquilo que ainda não conhece, a pressa leviana de enterrar o presente sob o lajedo do passado só pode ser tratada com o tipo de aspirina política que não cura doenças mas sossega dores... Dentro de dezassete meses, a memória ocidental irá recordar o início da chamada I Guerra Mundial (1914-18), que abreviou a chegada da mais temida revolução no planeta (Rússia, Out.1917). Duas décadas mais tarde, a Europa conheceu outros desastres, nomeadamente, o sangrento conflito em Espanha e a II Guerra Mundial. A demorada crise da ‘guerra-fria’ serviu de pretexto para exaltar a teoria de que em política “confiar é bom, mas desconfiar é melhor”. Entretanto, fomos assistindo a retrocessos pavorosos e teimosias escusadas: seguidismo endémico do ensino superior; vazio angélico dos maratonistas da santidade; temores imaginários fomentados pela contingência do cidadão não entender nem ser entendido (Baudelaire deixou escrito ‘há uma certa glória em não ser entendido?)... Adiante. Com base naquilo que logramos observar na barbárie humana, não resisto à vontade de dizer que a espécie humana terá eventualmemnte adoptado a sua posição vertical devido ao “bemaventurado” susto, porventura acontecido há vários milhares de séculos! Mas desde que o “animal vertical” perdeu o medo dos deuses, a humanidade ficou à deriva, com receio dos auto-arvorados barões dos cofres mundiais que exclamam: ‘God will forgive me; that’s His job.’ (Deus há-de me valer; é a Sua tarefa).

2 – ... a gaguez democrática dos assalariados da saudade Perante o espectáculo da arrogância indiferentista (sobretudo, egotista) dos ensonados que se passeiam pelos corredores da crise, declaro que não tenciono esquivar-me ao dever e ao direito de dar ‘a pena ao manifesto’... Felizmente, somos todos diferentes uns dos outros – o que nos confere a responsabilidade de detectar e analizar a causa-primeira dos desaguisados da vida colectiva. Aproveito a oportunidade para sugerir uma breve ‘olhada’ ao que se passa à nossa volta. Vejamos: estamos de acordo que é agradável, e bom, e doce, receber elogios. O que nos parece desaconselhável é que esses elogios cheguem prematuramente ao seu destino. Quem cuida dos próprios afazeres com honesto afinco e, consequentemente, obtém o merecido sucesso – compensado está! Seria proveitoso seleccionar as sementes adequadas à diversidade étnica da seara comunitária, para que ninguém morra à míngua do pão e da água do saber. Depois, se for caso dissso, iremos comemorar o sucesso. Mas, haja cuidado: só a posteriori... e sem investimentos bacocos no mercado das medalhas do faminto Estado português... Lembram-se? A época em que a comunidade imigrante era (ab) usada como moldura para idolatrar a presença politico-cultural dos chamados ‘caixeiros-viajantes’ da saudade – essa época já perdeu a carruagem da nossa paciência colectiva. Agora, somos aliciados pelas prioridades conferidas pela dignidade étnica. Temos pressa. Não queremos pílulas subsidiadas para provocar o sono eterno!... Continuamos a aprender (por experiência própria) que o imigrante vive familiarizado com o ‘suor-frio’ da vigília por dias melhores. .../... creio ter atingido a idade em que o grito das ambições é atenuado pelas sonatas do humanismo decantado no entusiasmo do bem-comum. Agora, longe da antiga balbúrdia da ‘espiritualidade-pop’ e das traquinices dos turistas do progresso, diplomados pelo baronato do subsídio de madre Europa, vamos ajudar a tratar da gaguez democrática dos assalariados da saudade. Yes! Somos uma comunidade quase sempre a levedar de medos inventados, aparentemente mais indiferente que dividida, mais ingénua que maldosa, mais distraída que alienada... Vale a pena visitar o asilo romântico do reumatismo politico da açorianidade. De resto, a globalização do sofrimento não tem fronteiras étnicas...

victor.dores@sapo.pt

Breve Recordação do Marianinho

N

aquele tempo a vida era um vale de lágrimas em Portugal e a pobreza agradava a Deus Nosso Senhor. Viviase de penúrias várias, a taxa de mortalidade infantil era muito elevada e eu não sabia. O que sabia, e não esqueço, é que os bebés morriam às catadupas na vila da minha infância. Só num mês morreram três na minha rua. Mortis causa: o garrotilho. Tinha eu seis anos de idade e lembro-me perfeitamente, pois que o meu primeiro confronto com a morte foi com o Marianinho, o bebé que se finara precisamente no dia em que completava um aninho de vida… Mágoas tamanhas. No quarto, apinhado de familiares e vizinhos, corria uma sussurração lenta, e havia no ar um cheiro a incenso e a fenol. As mulheres choramingavam, os homens pigarreavam, acabrunhados, no corredor. Estou a ver o Marianinho, rostozinho lívido, covinha no queixo, olhinhos fechados num aparente doce repouso, com as mãozinhas sobrepostas, metido num caixãozinho branco forrado de cetim, com fitas brancas recaindo em pregas franjadas… À cabeceira do mortinho havia

um altar, duas velas e um copo de água benta com um raminho de alecrim a servir de hissope para as pessoas se benzerem e aspergirem o infeliz. Um sentimento de dor pairava naquele quarto funerário, por cuja janela entrava um raio de sol triste. A vizinha Maria do Carmo, mãe da criança morta, com a face lavada em lágrimas, parecia a imagem da Mater dolorosa que estava num dos altares da igreja Matriz. Eu fitava, horrorizado, o Marianinho. Minha mãe aproximou-se de mim, estendeu-me os braços e envolveu-me num abraço, dizendo: - É um anjinho que vai para o céu… - Mas o Marianhinho não tinha um Anjo da Guarda? Porque é que ele morreu? – perguntei com inocente impaciência. Não obtive resposta. E ali ficámos, cabisbaixos, tristes e em compungido silêncio, olhando o bebé pela última vez. A partir desse dia, e numa altura em que me preparava para fazer a Primeira Comunhão, comecei a pôr em causa o que aprendera na catequese, e coloquei de parte do meu catecismo, “Doutrina Cristã”, que tinha gravuras que mostrava claramente o que era

o céu (que tinha celestiais nuvens brancas) e o inferno (com inquietantes labaredas)… Uma abstração e uma mágoa indefinida tomaram conta de mim. Eu estava longe de imaginar que, então (anos 50 do século passado), havia uma média de duas mortes por cada cinco nados vivos. (Hoje, felizmente, Portugal está entre os 10 países do mundo com a mais baixa taxa de mortalidade infantil, segundo relatório da UNICEF). Mas naquele tempo de pé descaço da ditadura salazarista era tudo à conta de Deus. As famílias eram devotas e numerosas (em média, uma mulher tinha entre 5 a 7 filhos; hoje é o deserto demográfico: 1,3 filhos por mulher) e havia analfabetismo até dizer chega. Recebíamos a morte com entristecida resignação cristã. A morte era “uma doce irmã do sono”, como dizia o enigmático padre Genuíno. E eu acreditava. Acreditava até àquele dia em que vi o Marianinho metido naquele triste caixãozinho branco forrado de cetim.

50 Anos in love

Dora Maria e José Agnelo de Oliveira comemoraram no dia 23 de Fevereiro as suas Bodas de Ouro. A Missa da festa teve lugar na Igreja de Santa Clara, seguindo-se uma recepção de amigos e familiarres na Universidadade de Santa Clara. O casal Oliveira tem um filho, George Oliveira, casado com Stacey e são avós de duas netas. O casamento dos aniversariantes teve lugar na Igreja das Cinco Chagas em San José, no ano de 1963. Tribuna Portuguesas sauda os amigos Oliveiras.


COLABORAÇÃO

Tribuna da Saudade

Ferreira Moreno

Recordando

O

padre Alfredo Alves Lucas nasceu a 27 de setembro 1911 na freguesia dos Biscoitos, ilha Terceira dos Açores, e faleceu na freguesia de S. Brás (Terceira) a 25 d’abril 1980. Frequentou o Seminário d’Angra e recebeu a ordenação sacerdotal a 11 de novembro 1934. Paroquiou em S. Bartolomeu dos Regatos durante quatro anos, transitando p’ró então Curato de S. Brás em dezembro 1938, onde permaneceu durante 42 anos, ou seja, até à data do seu falecimento. À sua memória, a freguesia de S. Brás não só lhe dedicou a rua principal com o seu nome, bem como lhe erigiu um busto no adro da igreja paroquial (foto de José Sousa) Era popularmente conhecido por Padre Sacho. A este respeito, o meu bom amigo Luciano Cardoso, natural dos Biscoitos e radicado na Califórnia desde outubro 1978, escreveu: “Nunca mandava recados por ninguém. O que tinha a dizer, dizia-se onde quer que estivesse, sem se importar lá muito com a envergadura política ou proa intelectual dos seus mais ou menos interlocutores. Alguns desses cínicos marialvas, ignorando o fino humor do virtuoso sacerdote, tentavam comê-lo por tolo, quando de tolo, p’ra além da sua bonacheirona aparência, o bondoso Padre Sacho não tinha nada. Por isso, algumas das peripécias hoje ligadas à sua carismática pessoa quase roçam o anedótico, transformando-se frequentemente em humorísticos tópicos de conversa nas mais variadas esferas de convívio.

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Em verdade, foi uma das figuras mais castiças que, no clero da ilha Terceira, se evidenciou pela sua humildade, candura e popularidade.” (Tribuna Portuguesa, 1-agosto-1999). Pedro de Merelim descreveu o padre Lucas nestes têrmos: “Era um homem simples, desprendido de ambições, até dos cómodos que poderia aspirar. Uma vida, se pode dizer, dedicada a S. Brás, igreja e povo, que o adorava. A esforços seus o Curato se tornou Freguesia em 1951 e Paróquia

Padre Sacho

em 1958. O cemitério, inaugurado em 1948, foi outra iniciativa sua. As obras na igreja devem-se a ele e aos moradores. Ali jamais se apagará a memória deste sacerdote, a quem S. Brás tanto deve.” (Freguesias da Praia, Volume II). Consequentemente se justifica afixar ao padre Lucas a meritória alcunha de “Pai da Freguesia e Paróquia de São Brás”, pois a ele notavelmente se ficou devendo a criação e fundação de uma e outra. Aqui e agora cabe intercalar o testemunho de Francisco Oliveira: “Muitas história se contam sobre o que passou o padre Lucas p’ra atingir esse objectivo. Desde conseguir o consentimento das entidades oficiais locais até aos corredores do Palácio de S. Bento em Lisboa, onde a sua perserverança terá contribuído de forma eficaz p’rà concretização desse sonho. O padre Lucas por tudo terá passado, sem nunca voltar a cara, sem nunca vacilar, consciente de que o resultado final só podia ser aquele que a sua fé lhe ditava. Uma fé assim, move montanhas. A ele moveu vontades e concretizou um sonho. Este marco histórico significou um autêntico virar de páginas na vida de todos os habitantes de S. Brás.” (Diário Insular, 5-maio-2002). Mais ainda anotou Francisco Oliveira: “O padre Lucas colocou todos os seus conhecimentos, inteligência e vontade ao

serviço desta comunidade, sem qualquer restrição, sem qualquer retraimento, assistindo-a no campo espiritual, sem descurar a procura de melhores condições de vida material, ao encontro da dignidade com que Deus gostaria que vivessem todos os seres humanos por Ele criados.” É certo que o padre Lucas deixou marcas profundas na sua longa e produtiva estadia de 42 anos como pastor do rebanho de almas que lhe fora confiado em S. Brás. No entanto, cumpre atribuir-lhe ainda especial tributo pela surpreendente publicação, em 1976, do seu livro “As Ermidas da Ilha Terceira”, que o saudoso Monsenhor Lourenço acolheu com estas palavras: “Muitos anos trabalhou ele na materialização deste sonho dourado. Não tem a prestensão de haver esgotado o assunto. Mas, indubitavelmente, fornece elementos históricos de apreciável valor sobre as muitas dezenas de ermidas que nos apresenta.” Não constitui exagero considerar o padre Lucas um tesouro lendário. As suas histórias, todas com muita graça, são parcelas preciosas do nosso folclore. Finalizo o recordando de hoje transcrevendo o episódio ocorrido nos tempos quando, nas nossas igrejas açóricas, era costume ver as mulheres entadas nos bancos da frente e os homens posicionados nos bancos trazeiros. Por diversas vezes procurou o padre Lucas incentivar que os homens viessem sentarse, igualmente, nos bancos mais próximos do Altar. Dizia ele: “Por favor, não custa nada. As senhoras mais p’ra cima e os senhores mais cá p’ra baixo.” Aparentemente, não conseguiu convencer os homens nas primeiras tentativas. Até que um dia, não se conteve e exclamou: “Meus irmãos, ainda não perceberam? Não custa nada. É saias p’ra cima e calças p’ra baixo!”


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COLABORAÇÃO

Rasgos d’Alma

Luciano Cardoso lucianoac@comcast.net

C

om seicentas e poucas palavras bem alinhavadas num texto qualquer, pode-se compor um artigo capaz de enfeitar sem desprimor uma decente página de opinião assinada cá no jornal. Mesmo que chegue às setecentas e não ponha o leitor a dormir, já não está nada mau. O pior é quando a gente se distrai e esbanja a torto e a direito palavreado em excesso. Para não falar no precioso tempo que se esvai e não volta. Decidi-me há pouco por uma rápida vista d’olhos sobre o que tenho escrito ultimamente, por vezes em cima do joelho, e verifiquei que tenho andado a cair em demasia nesse escusado desperdício de energias. ‘Clickar’ palavras a mais para dizer coisas a menos é um defeito desnecessário que pode e deve ser corrigido, para bem de quem escreve, de quem lê e, obviamente, de quem edita. Ora bem, para hoje, ainda sem tema, vou deixar que as palavras deslizem ao acaso sem ultrapassarem o número desejado. Vou economizar mas não prometo esconder o meu desprazer. Acabo de desligar a televisão, zangado. Estou farto da programação que nos chega lá terra. Merecemos melhor. Não culpo os noticiários porque, se as coisas estão feias, as novas não podem ser bonitas. Também não ligo às novelas. À priori, desiludem-me. Os magazines desportivos, porventura os programas com maior audiência na diáspora, por vezes, para não dizer por norma, são um insulto à inteligência imigramada à nossa volta. O último ‘Dia Seguinte’ foi uma autêntica pouca vergonha. Certos fanáticos comentadores da bola, doutorados em paleio furado e alguma má educação, deviam ser banidos. Envergonham-nos. Da vergonha descarada que é a atual política nacional, então nem se fala. O esfolado Zé Povinho não devia ser obrigado a pagar

15 de Março de 2013

Fadário Amargo

pela incompetência dos politicos que não cumprem o que prometem. Elege-os com boa intenção mas depressa se arrepende. E logo protesta, quase sempre com carradas de razão. Só que, por vezes, exagera na indiscreta forma como se manifesta. O feio exemplo dos meninos bonitos da Facu-

andar ‘em coiro’ porque o cinto não tem mais furos? Esgotou-se a paciência. Evaporaram-se os argumentos. As contas não batem certo. A dívida empapuça. O dinheiro escasseia. A troika ameaça. O povo indignase. Refila. Mas, no fundo, incapaz de fazer ouvir a força da sua voz,

a arrastar-se à caracol…?...Ou, pior ainda – diriam os velhos do Restelo – …imitando o caranguejo…?... Um passo para a frente e dois para trás, tolerou-se e ainda se tolera, mas não resulta. A troika quer passos firmes e pagamentos a curto prazo. Contas são contas. Agora, vai ou racha.

lade de Medicina, recentemente, com um pobre coelho enforcado num pau, contestando o Primeiro Ministro, diz muito da frustração que carcome a juventude portuguesa, com a esperança de rastos. É penoso ver-se, cá dos confins da diáspora, o velho orgulho pátrio rastejar tão baixo. A esmagadora maioria da nossa boa gente imigrada sente imensa dificuldade em rever-se ao baço espelho da corrente atitude nacional – um endividado país de mão estendida à esquina da Europa a pedir esmola. Então não saímos – ou fomos praticamente aconselhados a sair – aos milhares, para encarreirarmos a vidinha cá na estranja, deixando atrás espaço e oportunidade suficientes para os que ficaram? E que vemos…?...Um país que já andava de tanga e se arrisca a

limita-se a ficar na expetativa do apático ‘a ver vamos’. Ver o quê? Como dizem as más línguas: o nosso paíszinho de fado amargo, às vezes tão mal amado,

Com a ironia do costume na politiquice habitual, vociferando ‘que se lixe a troika’, a malta da pesada pressente que vai mesmo rachar. Tal como o fracasso rosa os tra-

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mou, o pesadelo laranja atormenta-os. Passos de coelho manso já não convencem nem calam a insatisfação crescente. Os números não mentem e comprovam quão difícil é pôr a casa em ordem e manter as contas em dia. Acabo de fazer as minhas. E cada vez mais dificuldade tenho em entender todos esses feios déficites em pilha, nas sociedades anónimas, nas empresas públicas, nos domínios da cultura, do futebol e demais fadário triste que o povo amarga com sucessivos ordenados em atraso. Custa-me ver gente honesta a trabalhar para o boneco, sem pago, nem esperança, a apertar o cinto, a passar fome. Custa tanto admitir que o ‘dia seguinte’ promete ser ainda pior que o anterior. A chave básica, todos sabemos, está em produzir mais e esbanjar menos. Não é novidade, nem surpresa. Há que cortar na demagogia fácil. Fala-se muito, acerta-se pouco. Escreve-se à toa. Penitencio-me. Palrador de bola não sou. Politico jamais serei. Apraz-me apenas escrevinhar por prazer. Prometi que não ia além das setecentas palavras. E não esbanjo nem mais uma.


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COLABORAÇÃO

15 de Março de 2013

Agua Viva

Ao Sabor do Vento

Filomena Rocha

José Raposo

filomenarocha@sbcglobal.net

Quantos somos afinal? Hispanos? Portugueses?

N

ão contando comigo... ? Parece que às vezes adivinho! Ou talvez porque todas as vezes ao preencher os formulários que nos chegam, os que nos dão quando procuramos emprego, os que preenchemos quando abrimos conta no Banco, quando nos inscrevemos no colégio... Enfim, em todos os questionários ou somos americanos, hispanos ou asiáticos. Ainda existem os “outros”, onde consta que nós Portugueses estamos. Isto quer dizer, que em termos de contagem, somos bem poucos como raça com identidade própria. Não somos afro-americanos, não somos caucasianos! Mas, também, não somos hispanos. Somos: os outros! E não sei como, nem quem começou a revolta no Zoo! Quem quer ser contado de qualquer forma, para parecer mais, para valer mais na contagem. Ser melhor, duvido! Não é inserindo-se num outro grupo étnico que não lhe diga respeito, nem na palha nem no grão, que se irá ter melhores raízes e as mais adequadas referências. E se não, reparem: o Cavalo Lusitano, o Cão de Água Português, o Luís de Camões, o Fernando Pessoa, Santo António de Lisboa, que só foi de Pádua, pelo azar de ter morrido aí; João Rodrigues Cabrilho, que em San Diego não quis ser mais Hispano... E muitos mais foram os que longe da Pátria, defenderam com honra a sua portugalidade. Conheço “muito boa” gente que mudou de nome e apelido, que tem vergonha de dizer que é Portuguesa, que prefere aprender Espanhol do que Português, e tudo isso porque

não conhece a nossa História, a nossa Epopéia de Navegadores que descobriram o Mundo, que construíram casas e palácios fora de portas, que trocaram especiarias por palavras novas, que levaram a Fé e elevaram templos a Deus, aos Santos e a Heróis. E agora, quantos me vão dizer que eu terei de ser Hispana? O que me falta para que eu tenha que pertencer a outra etnia e renunciar aos meus valores da raça latina mas lusitana? Será que tenho de bater à porta do Presidente Obama, interceder por esta causa de orgulho de ser quem sou e ter de viver aí como o seu Bow de estimação? Quando foi adquirido o cão, todos foram claros em dizer que era da melhor raça: portuguesa. Não hispana! O fotógrafo é de raça portuguesa, não hispana! E entre outros seus servidores, o mais recente, o Secretário da Energia, Ernest J. Moniz, também de raça portuguesa, e descendente da llha de São Miguel. Senhores senadores, saibam primeiro o que fazem, conheçam bem a realidade histórica dos nossos e vossos antepassados e defendam com orgulho o que valemos como Povo! Poucos, mas bons! Eu creio que bem valemos quem somos, mais do que muitos pensam e nos dizem!!! Tenham uma Feliz e Santa Páscoa!

raposo5@comcast.net

A

A navalha de meu Pai

primeira coisa que comprei nesta terra, quando cheguei em ,1975, foi dois conjuntos de facas de cozinha. Ora alguém poderá perguntar, mar por quê dois? Um não era bastante.? Não, não era. Mandei um a minha mãe porque ela lá em casa tinha sempre problemas com as facas. Dizia que as mesmas eram boas para cortar sabão. Se ela queria consertar uma galinha, pedia a navalha a meu pai. Ora a navalha de meu pai, é o que nós chamamos uma navalha de gancho. Aquela navalha servia para tudo; aguçava as estacas para as vacas, cortava canas, milho basto, conteiras para o curral dos porcos, tanchões para amarar a vinha, , etc., etc.. Lembro-me muitas vezes de o ver sentado, com a torcida de tabaco numa mão e com a navalha na outra, picando o tabaco. Inacreditável como ele não se cortava. Era com essa mesma navalha que ele fazia a sua manicura ou pedicura. Era impressionante ver a firmeza da sua mão e o afiado gume da navalha. Nunca me lembro de ele se ter cortado. Se por acaso acontecia ele meter alguma raspa de cana ou de madeira na mão, ou nalgum dedo, a navalha servia de bisturi. Uma vez fomos matar uma cabra e claro foi a navalha que entrou em ação. Matei a cabra e não sei como, bati com a navalha na parede, a lâmina vem atrás e fiz um corte num dedo até ao osso. Ele tira o papel do maço de cigarros Santa Justa, larga-lhe lume, pega na cinza e deita no corte, rasga um pedaço da camisa e fez o curativo. Fiquei com o dedo “impalamado”, penso eu, por duas semanas. Fiquei com uma cicatriz a provar as minhas habilidades de m atador de cabras. Por vezes, quando saía de casa para ir a algum lado, minutos depois regressava dizendo: Falta-me qualquer coisa. Lá ia apalpando as algibeiras, uma a uma e de repente dizia: Já sei o que me falta, esqueci-me do raio da navalha. Quando ia à cidade e se comia em

algum lugar, ignorava a faca que lhe pusessem na mesa e a navalha saía da algibeira. Um dia me recordo de estar com ele numa loja de comidas, penso eu que se chamava ,Os Compadres. Ele puxa da navalha para comer. Na mesa ao lado, estava um polícia. O Sr. , polícia vê aquilo e ordena que ele guardasse a navalha na algibeira. Diz ele: O quê!? Esta navalha é minha eu é que paguei por ela e não estou a fazer mal a ninguém. Não havia maneira de ele arrumar a navalha. Eu então disse : Eh papá. Arruma a navalha. Ele olha para o polícia e diz: Eu arrumo a navalha não foi por o Sr. Guarda ter mandado, foi porque o meu filho pediu. Há anos, comprei uma ferramenta sofisticada para fazer enxertos. Fiz vários e nunca nenhum foi bem sucedido. Este ano, lembreime de enxertar, damasqueiro, ameixieira e pêssego pelado num pessegueiro. Fui à garagem para pegar a tal ferramenta e comecei a pensar a ver se me lembrava exatamente como era que meu pai fazia. Veio-me logo à memória a imagem dele com a tal navalha na mão a rachar o ramo da árvore que ele queria enxertar. Pus a ferramenta para o lado e peguei na navalha de meu pai. Lá fiz os cortes necessários, coloquei os enxertos nos ramos onde

havia feito os cortes, amarrei como ele amarrava e coloquei o breu em volta, que era o que ele usava. Cá nas minhas cultivações vou fazendo como o via fazer e tenho tido mais ou menos sucesso com as minhas plantações de diferentes vegetais, legumes e hortaliças. Claro que alguns se formos a ter em conta; o tempo e a água que se gasta sai muito mais barato ir ao supermercado comprar. Estou ansioso para que a primavera chegue, para que se acabe este frio que tem feito e que entra nos ossos, para que as árvores comecem a florir, e para ver se pegaram os enxertos que fiz, com a navalha de meu pai.

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COMUNIDADE

15 de Março de 2013

51º Aniversário do Portuguese Athletic Club O tempo voa tão depressa que os aniversários das nossas organizações comunitárias quase que passam despercebidos. Desta vez comemorou-se o 51º de uma sociedade das mais importantes e históricas da California. Uma nota interessante nesta noite de festa foi ver-se o representante do Desporto a falar num dia de aniversário o que não tem sido normal no passado. Fez muito sentido e deve continuar. O PAC desenvolveu-se por causa do Desporto que lhe deu sempre muitas alegrias. Hoje, o Portugueses Athletic Club é diferente, mas continua

a ser um pilar na nossa comunidade. Pena que os seus associados sejam mais dos Presidentes do que do clube em si. Seria bom que esta tendência acabasse e se respeitasse muito mais o nome do clube quando se quer ser membro. Depois de um bom jantar, dançou-se ao som do DJ e cantor Manuel Jacinto.

Fotos de Filomena Rocha

Muita gente conhecida na festa comemorativa dos 50 anos do PAC

Direcção do PAC presidida por Denise Avila

Concebido por um grupo de jovens amantes do desporto-rei, foi a 22 de Fevereiro de 1962, que o Portuguese Athletic Club de San José veio à luz. Nasceu e deu os pri-

meiros passos na Agência Marcella, indo mais tarde instalar-se na cave do SES de Santa Clara, onde, pela primeira vez, tomei as rédeas da Direccão do Clube. Após

vários esforços, em 1968, conseguimos as instalações do andar superior do edifício da IES de San José, local onde ainda hoje permanecemos.

Prefácio (parcial) de Décio Oliveira no livro publicado no 50º aniversário.


COLABORAÇÃO

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Temas de Agropecuária

Egídio Almeida almeidairy@aol.com

Farm Bill novamente em discussão

Q

uando tudo parece dito e feito, a Lei da Agricultura basicamente foi acrescentada por apenas um ano, e a razão foi porque a linguagem para renovar a maioria dos seus velhos componentes foi acrescentada à legislação que foi aprovada no Dia de Ano Novo, para impedir o “fiscal cliff”. Essa linguagem incluindo provisões para programas da agropecuária e “price support” foi acrescentada uma vez mais até 31 de Dezembro de 2013. Uma adição à Lei foi de que (MILC) “Milk Income Loss Contract” foi ressuscitado para 2013. Antes das ultimas semanas de actividade (MILC) parecia mergulhar na sepultura de alguns outros programas Federais. Enquanto muitos dos entendidos estão passando a pente fino alguns detalhes, nós sabemos que (MILC) recuou aos numeros

do pré-Septembro de 2012. Com os preços correntes é possível que possa haver pagamentos referentes ao mês de Fevereiro. Olhando em frente mesmo com estas previsões, esta não é a tábua de salvação, que se esperava. E presentemente os custos da produção são muito superiores aos preços mínimos que estão previstos, para o corrente ano. Os desafios na agricultura, especialmente a agropecuária, são muitos para 2013, e cobrem um largo leque de obrigações e necessidades, muito essencialmente o “Farm Bill” e a constante presença de “Enviromental Protection Agency” (EPA). Com urgência a industria está precisando soluções legislativas instituindo novas propostas que ajudariam os produtores a minimizar as constantes subidas e descidas nos seus mercados do leite e produtos do mesmo, tendo em conta os elevadíssimos custos nos negócios de produzir leite, se

contarmos forragens e rações. Não foram adoptadas novas soluções. Pelo contrário, o Congresso atirou a proverbial “caneca” mais para a frente no passeio, com uma extensão de 9 meses no velho “Farm Bill” em vez chegar a consenso numa medida que traga a tão necessária estabilidade económica, para uma das mais desvastadas industrias nacionais. Os legisladores tinham mais que suficiente informação para fazer uma decisão inteligente em programas que ajudariam a proteger os produtores de leite nos constantes balanços nos preços do leite e custos de produção. A nível nacional, a USDA anunciou o custo de produção a $28 por 100 libras, e o preço recebido foi a volta de $20 pelas mesmas 100 libras. Mesmo assim o Congresso falhou em proteger a saude economica nesta importante industria. Enquanto muitos produtores estão lutando para se manter em negócio, um perigo ainda maior está batendo à sua porta, da EPA ”Enviromental Protection Agency". Nas ultimas décadas o tamanho desta organização reguladora, cujo controle é sem precedentes, explodiu, e explodiu também a montanha de formulários requerido, indicando as regras e regulamentos a que agricultura e agropecuária tem que obedecer. Antes da ultima série de regulamentos, um estudo do “Small Busines Administration”, indicou que já no ano 2008, os regulamentos federais custaram aos negócios americanos $1.75 triliões. São custos desproporcionados para negócios pequenos e médios, tais como leitarias, mais sensíveis aos programas ambientais. Produtores de leite tem já uma montanha de formulários para preencher, incluindo os resultados cientificos de análises às águas de superficie e subterrâneas e poderá ficar mais difícil se a EPA continar a expandir a sua autoridade. Há presentemente algumas boas notícias. Um Juiz Federal determinou que esta

organização ultrapassou a sua autoridade ao determinar que a água potável por si é um poluente, e alegou o contrário. A água das chuvas não são portano um poluente, por isso a EPA não está autorizada ao seu regulamento. Segundo este Juiz Federal, Liam O’Grady, a organização não devia, sem a devida autoridade, mutilar os pequenos negócios, e na sua opinião, a EPA deveria moderar a sua acção. 5 explorações de lacticínios no Estado de Washington estão em gerra aberta com a

EPA devido a supostas contaminações de nitratos. Washington Dairy Products Commission apresentou conclusões de uma firma de consultores do New Mexico, devido a supostas contaminações, e da Texas A&M University, cujas conclusões são em unissino de que a EPA falhou em apresentar justificação para as suas conclusões, e que não é mais nem menos que um assalto desta poderosa organização a pequenas e médias empresas.

Falecimento

José Garcia de Medeiros José Garcia de Medeiros nasceu em 23 de Novembro de 1936 na Freguesia do Salão, Ilha do Faial, Açores e faleceu em San Martin, CA, a 24 de Fevereiro 2013. Tinha 76 anos de idade. Deixa de luto sua esposa Rosalina Medeiros, com quem foi casado por 53 anos, além de duas filhas, Nicky, casada com Mark Nyquist, de Antioch, CA e Debbie, casada com Manuel Quaresma, de Aromas, CA, cinco netas, Andrea e Megan Nyquist, Jessica, Vanessa e Jacqueline Quaresma, um bisneto Anthony e uma bisneta Emma. Deixa também a chorar a sua morte, sua irmã Branco Luís, casada com Osvaldo Luís, sua tia Olívia de San José, CA,seu tio António Duarte, casado com Maria Duarte também de San José, vários sobrinhos, primos e afilhados. Tribuna Portuguesa envia sentidas condolências a toda a família.


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COLABORAÇÃO

15 de Março de 2013

Juridicamente falando

Coisas da Vida

António Delgado

Maria das Dores Beirão

acmdelgado-4901c@adv.oa.pt

winesao@gmail.com

Aquisição de Imóveis em Portugal - 3ª Parte

T

erminando a análise que tem vindo a ser feita a certos aspectos relacionados com a aquisição de imóveis em Portugal, procurarei neste artigo sintetizar alguns dos procedimentos que se seguem após a celebração do contrato. Já aqui foi dito que, no seguimento das medidas que integram o programa SIMPLEX, foram atribuídas novas competências às Câmaras de Comércio e Indústria, aos Notários e Serviços de Registos e aos Solicitadores e Advogados. Neste âmbito, estabeleceram-se condições para que também os escritórios de advogados possam prestar serviços relacionados com negócios relativos a bens imóveis em regime de “balcão único”, com a inerente redução de custos directos e indirectos para os cidadãos e empresas. Para além de poderem praticar actos relativos a imóveis nos termos já aqui expostos, aquelas entidades e profissionais passam a estar obrigados a promover o registo predial do acto em que tenham intervenção, assim desonerando os cidadãos e empresas das deslocações aos serviços de registo com todos os incómodos que daí decorriam. Com efeito, após a realização do contrato que titula a compra e venda, deverá proceder-se ao registo definitivo de aquisição (ou conversão, no caso de ter existido registo provisório), mediante apresentação de requerimento devidamente instruído na Conservatória do Registo Predial. De notar que este acto também poderá ser realizado online, através do site www.predialonline.pt (onde, inclusivamente, se poderá obter a certidão de todas as inscrições e descrições em vigor de determinado prédio como já foi referido). Com o registo efectuado naquele portal, procede-se ao depósito electrónico, não só do documento que titula o acto, como também de todos os documentos que serviram

de base ao mesmo. Constitui-se, desta forma, uma base de dados segura e inalterável relativamente a todos os actos que sejam celebrados e documentos conexos. Também após a formalização do negócio de compra e venda, deverá o comprador, ou eventualmente o profissional que titular o acto, participar a aquisição ao serviço de finanças para efeito de inscrição ou actualização das matrizes prediais. Por considerar que esta matéria reveste uma enorme importância, em especial para os Cidadãos portugueses residentes no estrangeiro, será a mesma objecto de uma especial atenção em artigos posteriores. De todo o modo, nunca é demais alertar que há hoje em Portugal um número incalculável de prédios não registados ou registados e inscritos em nome de pessoas que não são os seus verdadeiros proprietários. E isto sucede porque, na maioria dos casos, quem adquiria um determinado imóvel não fazia a necessária participação junto dos Serviços de Finanças nem tinha a preocupação de o registar em seu nome na Conservatória do Registo Predial. Contudo, a evolução do direito tributário português e o aperfeiçoamento do funcionamento do sistema torna hoje praticamente obrigatório que os cidadãos portugueses residentes no estrangeiro que sejam titulares de bens ou direitos em Portugal nomeiem um procurador, na maioria dos casos um advogado, para os representar junto das mais diversas instituições e para a prática de todos os actos que visem a defesa dos seus legítimos direitos e interesses. Convém alertar para o seguinte: o não cumprimento de algumas obrigações por parte dos residentes no estrangeiro pode ser o primeiro passo para a perda dos seus bens em Portugal, sobretudo os prédios rústicos, não cultivados ou cultivados por terceiros. Para além de outras medidas que o Governo português se prepara para implementar a este respeito, o sinal de alarme está desde logo no artigo 35.º do Código do Imposto Municipal sobre Imóveis (CIMI) aprovado pelo Decreto-Lei nº 287/2003 de 12 de Novembro, que, no seu número 1, diz expressamente o seguinte: «Os prédios cujo titular não for identificado são inscritos em nome do Estado, com anotação de que o titular não é conhecido.»

À laia de conversa...

Q

uando penso escrever para este jornal, apeteceme fazê-lo à laia de conversa e falar no dia a dia que a vida nos oferece e que antes não passava de momentos inconsequentes, que não deixavam marca, a não ser quando o tempero se adivinhava amargo e causador de dor e feridas fundas, mas se os arranhões eram à flor da pele e saravam depressa, eram dias que se desfaziam em nada. Há ainda os instantes cheios de doçura, partilhados pela familia e amigos que se saboreiam...que, com o passar do tempo lhe perdemos o sabor, mas que podemos trazê-los lá do fundo das memórias e até imaginá-los ainda mais saborosos mais mágicos e quase irreais, do que no momento que os vivemos. Ora pensando em tudo isto, que cada vez dou mais importância, tenho a ousadia de vos contar o que penso neste momento da vida, aquilo que escolho para as páginas novas que os pensamentos decidem escrever

no diário abstrato das minhas vivências. Com o passar do tempo, aprende-se a fazer escolhas daquilo que vale a pena, porque cheguei à conclusão que nem “ tudo vale a pena”, mesmo que a alma não seja pequena, e já vos digo o porquê desta minha afirmação: ...Não vale a pena perder tempo com coisas pequenas e mesquinhas, que ocupam o espaço do que é do que é bom e construtivo ...não vale a pena andar à procura das falhas alheias, porque encobrem as nossas que tentamos ignorar ...não vale a pena tentar adivinhar comportamentos porque para o fazer são usadas as medidas dos nossos próprios falhanços ...não vale a pena olhar o belo sem o ver, porque é como se não existisse ...não vale a pena julgar o tamanho da nossa dor porque não temos a medida da dor dos outros ... não vale a pena adivinhar o

sal das nossas lágrimas, porque nunca provamos as dos outros.

D

epois dum inverno frio e chuvoso, em que os ventos sopraram de todos os lados, depois de momentos em que o meu ego se entregou completanente ao sofrimento, que julgava só meu, fui fazendo paragens no tempo e confrontando-me com a realidade da vida, que já devia estar mais no centro da minha própria realidade, e resolvi dizer adeus aos temporais, olhar para fora de mim, ver os sinais da primavera que se aproxima, sorrir para todos...incluindo os que partiram e afirmar aos meus/ minhas amigas que sou uma mulher feliz, grata por tudo quanto me rodeia e enviar um abraço cheio dos verdes da esperança. Até à volta.

CONSULADO GERAL DE PORTUGAL SÃO FRANCISCO COMUNICADO O Consulado-Geral de Portugal em São Francisco apresenta os seus melhores cumprimentos à Comunicação Social Portuguesa na Califórnia e informa que os cadernos de recenseamento eleitoral referentes aos eleitores nacionais residentes na área jurisdição do Consulado Geral em São Francisco encontram-se expostos publicamente na Chancelaria do Consulado, durante o mês de março, para efeitos de consulta e eventual reclamação dos interessados. Para quaisquer informações sobre este assunto, os interessados podem entrar em contacto com o Consulado Geral de Portugal em São Francisco, pelo telefone (415)346-3400-00/01 ou através do endereço electrónico: congenportugal@cgsfr.dgaccp.pt São Francisco, 5 de março de 2013.


Apontamentos da Diáspora

Caetano Valadão Serpa v.serpa@verizon.net

A

Igreja Católica em breve terá um novo chefe, eleito em conclave por um grupo de pouco mais de 100 cardeais, embora, o cardinalato não seja um sacramento nem tão pouco um sacramental. É um titulo que vem com a pesada responsabilidade de eleger o papa quando a sede vaticana se encontra vacante. São bispos-funcionários da cúria romana, colaboradores próximos do papa e encarregues da governação central da igreja universal. A maior parte, ainda hoje, é europeia com predominância italiana, onde se estabeleceu a sede papal, à imagem e semelhança do império romano. O Vaticano é uma cidade-estado implantada no coração de Roma, a capital da Itália. Depois dos primeiros séculos de perseguição, o cristianismo não só adquiriu liberdade de culto como se tornou a religião oficial do império romano ocidental e oriental, e o bispo de Roma passou a designar-se por papa, sumo pontífice, santo padre, com direito a trono e tripla coroa, património territorial e até exército. E mais tarde o único vivente sobre a Terra declarado infalível em matéria de fé e de costumes, o que nunca foi bem aceite nem claramente definido se se tratava de infalibilidade colegial ou individual. O seu poder e influência chegou ao ponto de os governantes europeus e os próprios reis e imperadores não terem legitimidade sem o beneplácito papal, sobretudo, na idade média. Portugal, na sua longevidade e sobrevivência, foi um bom exemplo deste

Lélia Nunes

lelia_pereiranunes@hotmail.com

U

ma data ocupa as atenções do comércio e dos meios de comunicação social - « 8 de Março, Dia Internacional da Mulher», reverenciando suas lutas e conquistas. Apesar dos avanços da presença feminina em diferentes segmentos da sociedade brasileira e sua expansiva inserção no mundo do trabalho, no quesito “representação política” ainda engatinha em tímidos e lentos passos. Neste contexto, a eleição da Presidente Dilma Rousseff constitui, no cenário nacional (e internacional), uma grande vitória e um estímulo a maior participação das mulheres à vida política do País. Tanto é que, no seu governo, dez mulheres ocupam postos-chaves. Acrescente-se, a este rol de mu-

lheres poderosas, a Presidente da Petrobrás, a maior empresa corporativa do País. A participação política e o próprio direito de voto são vitórias recentes na longa caminhada em busca da emancipação feminina, do “status”de cidadã brasileira conquistados há 81 anos e assegurada pela Constituição Federal de 1934, após campanha liderada por Bertha Lutz (1894-1976) e Carlota Pereira de Queiroz (18921982), a primeira mulher deputada federal, eleita em 1933. Nesta imensa nação, a grande maioria das brasileiras está consciente de sua responsabilidade social e sabe que a sua participação cidadã vai além do exercício do voto, dos direitos formais reconhecidos pela Constituição e pela legislação vigente no País. Ela foi à luta, ocupa espaços, sabe ser voz e se faz ouvir. Infelizmente,é uma participação muito pequena se considerarmos o número crescente dos municípios e o aumento da população brasileira nos últimos anos. Não muito diferente do cenário político na década de 1930. Afinal, somos 54,2% do eleitorado brasileiro e 51,1% do catarinense e temos uma irrisória representação política no parlamento federal

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O Futuro Papa

condicionalismo histórico. Com o andar dos tempos, criou-se a percepção de que Deus era um ente do género masculino, um Deus Pai. Que a hierarquia eclesiástica tinha de ser toda constituída exclusivamente por homens, proibidos de contrair matrimónio e as mulheres excluídas do sacramento da Ordem. Fórmula perfeita de controlo total da instituição em configuração vertical, mais económica e simplificada sem crianças nem questões de herança, à custa da privação do contributo direto da mulher, a maioria esmagadora da cristandade, relegada para o serviço auxiliar da oração e da obediência. Assim, a experiência natural da família e do amor humano, para o clero celibatário, fica reduzida a uma ideia abstrata com sabor de fruto proibido incompatível com o amor de Deus. Nas vésperas da eleição de um novo papa, em pleno século XXI, quando a vida humana, nestes vinte séculos passados, evoluiu substancialmente, poder-se-á perguntar o que é que se espera do novo pontífice da Igreja Católica que se encontra mergulhada em profunda crise, com certeza, uma das mais graves de sempre. E o problema principal neste preciso momento histórico é, sem dúvida, a atitude da igreja em relação à sexualidade humana, por mais incrível que pareça. Jesus Cristo parece que foi celibatário, embora, os seus discípulos mais próximos, os apóstolos, tenham sido casados à exceção de um. A sua incarnação, como Deus-homem, segundo o credo católico, deu-se através de uma virgem e

Do Brasil...

COLABORAÇÃO

de um pai não biológico, como se o nascimento natural como o de qualquer outra criança do seu tempo, lhe pudesse ter subtraído algo à sua divindade. Ao mesmo tempo a igreja professa que Jesus foi verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Portanto, parece que a primeira grande questão que se porá ao próximo papa, mais que qualquer questiúncula doutrinária será, de facto, uma nova postura quanto à sexualidade. Tarefa muito difícil, para qualquer homem celibatário, com um voto de castidade que o impossibilita de ter, o conhecimento experimental, natural e legítimo, da sexualidade num ambiente familiar baseado no amor. A igreja, perante os abusos sexuais do clero, terá de interrogar-se, sincera e humildemente, se continua a fazer sentido a obrigatoriedade do celibato eclesiástico e a proibição da ordenação das mulheres?!

S

e continuar a defender o status quo, com meras palavras e desculpas ocasionais, sem assumir responsabilidades, como tem feito até agora, irá parar aos tribunais civis, e a tecnologia da comunicação instantânea, hoje disponível, tornará possível assistir-se ao julgamento público da igreja. Já lá vão os tempos em que resolvia os problemas da sexualidade do clero com a imposição do silêncio obrigatório, orações penitenciais e fuga das tentações. Há já movimentação, a nível nacional e internacional para considerar crime contra a humanidade o abuso

sexual de menores. E as responsabilidades da igreja católica, neste campo, abrangerão todos os níveis da hierarquia eclesiástica, da base à cúpula. Mesmo nos países mais conservadores e fieis às orientações do Vaticano, as revelações de abusos sexuais do clero começam a aparecer em catapulta, sem poupar nenhum continente ou país. Veja-se Portugal, terra de fé e de Fátima, onde há poucos dias, o próprio cardeal patriarca de Lisboa, agora em Roma para eleger o próximo papa, afirmava impávido à janela aberta do ecrã televisivo para que todo o mundo escutasse, que desconhecia qualquer abuso sexual do clero em Portugal! Por isso o novo papa, seja ele liberal ou conservador, europeu ou africano, asiático ou americano, velho ou novo, não poderá ignorar o problema por mais tempo. É a credibilidade da igreja que está em causa, assim como a ofuscação de muitas outras obras meritórias que realizou nos seus dois milénios de existência. Quem diria que a Igreja Católica, um dia, viria a ser julgada, em praça pública, sobretudo, a partir dos escândalos, abusos e crimes sexuais do clero, sendo o celibato eclesiástico, a pérola preciosa e sinal de distinção da igreja romana. O primeiro grande teste do novo papa quanto à atualização da igreja passará pela reformulação da doutrina da sexualidade humana.

Mulher Brasileira e estadual. Bem abaixo do percentual mínimo estipulado em lei para qualquer dos sexos – 30%. O mito da participação igualitária. O que de fato não acontece. Na atual Legislatura, a representação ativa de Deputadas Federais é 9,5%, e de 12,35% no Senado Federal. O Brasil ocupa o 120º lugar no ranking da proporção de mulheres no Parlamento,segundo dados da União Interparlamentar/ONU. O sexo Feminino representa 12,3% dos Prefeitos eleitos em 2012. Ou seja, de um total de 5.564 municípios, 663 são governados por Prefeitas. No estado de Santa Catarina o quadro não é diferente. A Carta Constitucional do Estado,promulgada em 1935, trazia a assinatura da professora e escritora Antonieta de Barros como a primeira mulher a integrar o Parlamento Catarinense, numa vitória contra os preconceitos: mulher, pobre e negra. Décadas depois, Ingebord Colin Barbosa Lima, seria Suplente na Assembléia Legislativa e, nos dificeis anos da Ditadura, Lígia Doutel de Andrade elegeu-se à Câmara Federal pelo MDB (Movimento Democrático Brasileiro) em 1966, tendo sido cassada no exercício do mandato por oposição ao regime militar. Somente a partir dos anos 80 e no clima das «Diretas Já»,que embalava todo o Brasil, a mulher começa a participar de forma efetiva da vida política e sua voz ao lado

do homem se fez ouvir por praças e ruas cantando por liberdade – “Então,vem vamos embora que esperar não é fazer, quem sabe faz a hora não espera acontecer.” (da bela canção Caminhando ou Pra não dizer que não falei de flores, 1968, de Geraldo Vandré). Em pleno século XXI, onde tudo parece favorável a mobilidade feminina em nichos da vida política e social até então hermeticamente fechados a sua presença é numéricamente inexpressiva. Basta verificar qual é o total de mulheres que ocupam cargos eletivos em Santa Catarina e nos seus 295 municípios neste 8 de março de 2013. Temos duas Deputadas Federais, quatro Deputadas Estaduais e uma Suplente. Na representação municipal encontra-se vinte e duas mulheres Prefeitas e trezentas e oitenta e seis vereadoras (13,4% das vagas), sendo que na capital Florianópolis, esta participaçao é zero. A determinação legal que criou o sistema de cotas, reservando 30 % à candidaturas femininas nos partidos de forma alguma garante a conquista do espaço político. Sou avessa ao sistema de cotas ou reserva de vagas de qualquer natureza. Sou contrária à segregação de qualquer espécie porque acaba,de fato,discriminando e gerando novos estereótipos. Hoje, não posso afirmar que a Mulher Brasileira está alijada da vida política, social, cultural, econômica. O trabalho feminino é uma realidade não apenas em

profissões consideradas tradicionalmente “de mulher” como professoras, costureiras e enfermeiras, mas em todos as áreas e em todos os níveis até na alta gestão empresarial. É muito pouco! Se representamos uma força considerável dentro da população economicamente ativa do País. Para encerrar, uma reverência à imagem da “MulherEva”associada ao nascer da humanidade e lembrada neste Março cheio de Sol de verão. Dentro desse ciclo de vida a figura da mulher cresce, transcende. É epifania. É água. É terra profícua junto do homem na benção do amor maior. Tanto um quanto o outro se completam na luta do fazer brotar a vida e construir um mundo melhor a cada renascer, a cada gota de chuva, a cada raio de luz, a cada beijo na manhã de um novo dia. Como o poeta Vinicius de Moraes que tanto cantou o amor e louvou a força da mulher, fica o meu Saravá”à todas as Mulheres que construíram seu mundo na vivência do amor sem limites, defendendo causas, derrubando preconceitos, guerreando pela liberdade, sendo vozes no seu mundo e amando muito: Anita Garibaldi, Maria Bonita, Xica Pelega, Olga Benário,Chiquinha Gonzaga,Cora Coralina. Mulher Brasileira,Saravá!


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ENTREVISTA

15 de Março de 2013

Goretti Silveira

Menos ensino e mais descoberta. Menos autoridade e mais brincadeira. Menos exames e mais pesquisa Sempre foi uma apaixonada pelo Ensino. Uma apaixonada pela Vida. Apaixonada pelo social, pela política, pela leitura, pelos amigos. Um Mulher de Muitas Ideias. Agora que a menina dos seus olhos fechou, esta a razão para esta conversa com Goretti Silveira. Porque é que te sentiu atraída pelo ensino? Não haveria outras profissões mais excitantes? Mais excitantes, talvez, mas com o potencial de ser a mais gratificante e enriquecedora não sei se haverão muitas como a educação e formação de jovens. Já quando frequentava a escola primária na Calheta, ilha São Jorge, afirmava que desejava ser professora. A única mulher que conhecia independente e profissional era a minha professora, D. Clarisse Soares. Admirava-a e desejava imitá-la. Mais tarde, nos Estados Unidos, econtrava-me com um mestrado em Estudos Hispânicos sem saber bem o que faria com tal especialidade, quando a maioría dos distritos escolares começaram a implementar oficialmente a educação bilingue nos anos 70. Abriu uma vaga na San Jose High School para um professor de Português e Espanhol, candidatei-me e consegui. Assim começou a minha vida no Ensino. A razão final foi mais pragmática do que sentimental ou idealista, admito, mas nunca me arrependi. Descreva o teu percurso estudantil até chegar a Directora da Dom Dinis. Completei o que então se chamava o segundo ano do liceu nos Açores. Tive a tremenda sorte de vir viver para Palo Alto, California, e de dar entrada na Gunn High School, considerada um dos melhores liceus em todo o país. Da Gunn High School fui para Foothill Jr. College para aperfeiçoar o meu Inglês e dois anos mais tarde transferí-me para a universidade Jesuita, The University of Santa Clara em Santa Clara, California. Licenciei-me em Espanhol em 1973 e ingressei logo de seguida na Monterey Institute of Foreign Studies, presentemente chamada The Monterey Institute of International Studies, onde tirei um M.A. em Hispanic Studies em 1976. Em 1977 frequentei o Curso de Férias, Curso de Lingua e Cultura Portuguesa da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, graças a uma bolsa da Gulbenkien Foundation. Nesse mesmo ano, voltei para a Universidade de Santa Clara onde completei o curso em Bilingual Cross-Cultural Education, considerado então o crème de la crème em Estudos Bilingues. Ainda em 1978 passei o Teste de Competência de Língua e Cultura Portuguesa que na altura era oferecido pela California State University, Hayward, sob a coordenação do Professor António Andrade. Em 1983, quando decidi abrir a escola Dom Dinis, tomei um curso intensivo em Early Childhood Education e em 1990 frequentei a IV Acção de Formação para Professores de Língua e Cultura Portuguesas no Estrangeiro, organizado pelo Gabinete de Emigração e Apoio às Comunidades Açorianas. Menciono este curso para professores nos Açores porque foi uma experiência única e que altamente recomendo a todos os professores que lidam com crianças e jovens de descendencia açoriana. Também tirei várias aulas de Literatura Portuguesa com o Dr. Heraldo da Silva na San Jose State University. De 1976 a 1993 lecionei no liceu San Jose High School com uma interrupção em 1983-1984 para abrir o Jardim Infantil Dom Dinis. O meu percurso levou-me ainda a ser coordenadora e responsável pe-

las relações públicas entre a Metropolitan Adult Education (MAEP) e a comunidade portuguesa, consultadora de programas e currículo para a Santa Clara County Office of Education, e coordenadora de professores bilingues para o San Jose School District. Em 1993, encorajada pelo Rev. Padre Leonel Noia, candidatei-me e fui escolhida para Principal da Five Wounds Catholic School onde permaneci até 1997 altura em que decidi ser eu a directora da escola Dom Dinis a tempo inteiro. Quais eram as potencialidades no princípio da Dom Dinis? Em 1983 participei num estudo realizado pela Stanford University que realçava a importancia da linguagem durante os primeiros cinco anos de uma criança e comparava o sucesso em inglês entre crianças de imigrantes nascidas nos E.U. e crianças vindas de Portugal. Os resultados deste estudo inspiraram-me a abrir o Jardim Infantil Dom Dinis. Em 1983 a nossa comunidade portuguesa era enorme e composta de muitos pais jovens que só falavam português e outros que embora falassem inglês, falavam português em casa. Nos anos 80 o sistema pré-escolar não estava desenvolvido nem haviam os controles e a fiscalização como agora. Muitos pais afirmavam que não tinham confiança nem deixariam os filhos ainda tão pequeninos em instituições americanas. Penso que muitas crianças talvez não teriam frequentado uma pré-escola se o Dom Dinis não existisse. O programa original da Escola Dom Dinis era ensinar em Português mas preparar as crianças para dar entrada numa escola americana.. Os primeiros cinco anos do Jardim Infantil Dom Dinis foram difíceis. Além da hipoteca sobre a minha casa, o meu salário do San Jose High era imediatamente reinvestido na Dom Dinis. Nunca pensei que Dom Dinis era um negócio sim uma visão. De qualquer forma a escola cresceu. No prazo de três anos fomos de duas salas para cinco e chegámos a ter mais de sessenta crianças matriculadas dos 2.5 aos cinco anos de idade. Dom Dinis era o primeiro passo para a integração na Escola Católica das Cinco Chagas. Esse passo era fácil para as crianças? Facílimo. Já na Dom Dinis, as crianças aprendiam a tornar-se progressivamente autónomas, frente aos adultos; a resolver os seus conflitos e a ter confiança nas suas capacidades; a exprimir as suas ideias com convicção e acabar com os seus medos. Estas capacidades são absolutamente fundamentais e grande indicadoras do sucesso escolar. Se a criança chega à escola ansiosa e desencorajada o seu desenvolvimento geral será entravado em todos os domínios. A aprendizagem depende em grande parte da motivação. Ao chegarem às Cinco Chagas, em geral, além de saberem contar até mais de vinte, conhecer os algarismos e as letras, dizer a sua morada e o seu número de telefone, saber dizer o nome das cores, das formas e dos animais, muitas das crianças já tinham tido muitas oportunidades de visitar a escola—não passava duma extensão da Dom Dinis para elas. Estas crianças, sem dúvida, che-

gavam às Cinco Chagas com uma grande vantagem em relação às demais crianças. Sentiam-se seguras, em terreno familiar, e com amiguinhos e amiguinhas já feitos— preparadas de imediato para aprender sem terem que “perder tempo”na adaptação ao mundo físico e social duma nova escola. A transição era também muito fácil para os pais. Tivemos um grupo de pais formidável quando era Principal da Escola das Cinco Chagas. Muitos destes pais tinham já sido pais na Dom Dinis e logo se responsabilizaram a chefiar comités, angariar fundos para projectos da escola, pintura, construcção, etc. Foram anos cheios de actividade e muita união. Provávelmente os melhores da minha carreira profissional. Quais eram as dificuldades da vossa Escola depois da Escola das Cinco Chagas ter fechado? Perdi algumas matrículas mas não ao ponto de fazer grande diferença pois até diria, salvo um ou outro irmão de alunos das Cinco Chagas, a transição era do Dom Dinis para as Cinco Chagas e não das Cinco Chagas para o Dom Dinis. Quem ganhou foi Saint John Vianney que começou a receber as crianças que normalmente teriam ido para as Cinco Chagas.Isto poderia-se verificar nos dez anos que o Jardim Infantil existiu antes de se mudar para as Cinco Chagas. Haveria ou não futuro para a vossa Escola? Se sim, porque não continuou? Se não, quais eram as alternativas? O Jardim Infantil Dom Dinis existiu vinte e nove anos e provávelmente poderia ter existido outros tantos anos. Existiu vinte e nove anos porque nunca esperei viver nem enriquecer à sua custa. Existiu porque as minhas perspectivas foram sempre realistas e o meu orgulho esteve sempre centrado na criança. Não continuou por-

que, infelizmente, cometi o erro de pensar que compartilhava as minhas ideias de cortesia, decência e justiça com a Diocese de San Jose e porque contava com uma liderança e administração da paróquia das Cinco Chagas já há muito inexistente. Decidi encerrar a Dom Dinis porque quando finalmente o presente administrador das Cinco Chagas confirmou, a fins de Outubro de 2012, que não tencionavam renovar o meu contracto de renda, o curto prazo - dois meses - não permitiu uma deslocação nem mesmo a possibilidade de venda. Uma escola não funciona como qualquer outro establecimento. Lidamos com seres humanos, crianças e pais que necessitam cuidado contínuo; se por qualquer razão o cuidado cessa ou faz uma pausa os pais são forçados a procurar outra escola. Mesmo quando 100% dos pais proclamam regressar uma vez reaberta a escola, o número realista seria de 30 a 50 por cento. Também apareceu a oportunidade de arrendamento a longo prazo na Escola Anne Darling o que poderia ter resultado numa aliança ideal entre as duas escolas, mas como frisei há bocado, era impossível conseguir as devidas licenças a curto prazo e uma das salas de aula só estaria disponível num futuro próximo mas não imediatamente. Portanto este local não tinha o espaço necessário para acomodar o número de crianças na altura. O que verdadeiramente me perturbou e perturba é o facto que comecei a tentar entrar em contacto, primeiro com a paróquia e depois com a Diocese em Janeiro de 2012. Segui o protocolo indicado com chamadas telefónicas, todas ignoradas, e depois com cartas e emails. Só quando mandei uma carta registada é que se dignaram responder dizendo que ainda não tinham uma resposta definitiva. Também me perturba o facto de não termos um grupo de paroquianos suficientemente sensibiliza-


ENTREVISTA dos, a par dos acontecimentos e com a capacidade de prever e tomar providências em casos de tal importância e que afectam a vida de tanta gente e quando crianças estão implicadas.. É importante para mim que compreendam que a questão não é o facto que a Diocese ou a paróquia decidiu não renovar o contracto; têm todo o direito e eu, como paroquiana compreendo que temos que fazer decisões e nem todas serão populares. O que me inquieta é que decisões já tinham sido feitas antes de serem apresentadas aos paroquianos e que a solução poderia ter sido compassiva e uma onde todos ganham. Esta falta de liderança custou-me a mim, a minha Escola e investimento de vinte e nove anos, à paróquia pelo menos umas $28,000 ou mais, e aos pais a falta de confiança na administração e boa fé da Paróquia das Cinco Chagas e na Diocese de San Jose. É de lamentar a falta de confiança e comunicação que existe entre estas duas instituições e o povo que constitui a Igreja das Cinco Chagas. Já quando a Escola Católica das Cinco Chagas fechou, esta falta de confiança, comunicação, liderança e falta de respeito para com os paroquianos era evidente. E admira-nos que os paroquianos de desiludidos que andam ultimamente nem se dão ao trabalho de assistir a tais reuniões que, aparentemente são “só para inglês ver”. Como eram e foram as relações com a Diocese? O meu contacto com a Diocese começou na altura que fui de Principal para a Escola das Cinco Chagas e transferi a Dom Dinis para as Cinco Chagas. Diria que foi sempre excelente. Tinha todo o apoio necessário da então superintendente Sister Mary Claude Power e do Bispo Pierre DuMaine e claro, do Reverendo Padre Leonel Noia. Era uma atmosfera de amizade e trabalho de equipa. Muito respeito e cooperação. Aprendi muito tanto no campo profissional como no teológico. Tive oportunidades incríveis e que jamais esquecerei. Depois de sair da Escola das Cinco Chagas o meu relacionamento era puramente de inquilino. Critica-se a Escola não ter fechado em Junho em vez de Dezembro. Quais foram os fundamentos para cortar o ano lectivo a meio e complicar a vida das

crianças e dos pais? Já o contracto anterior terminara em Dezembro e uma das questões que tencionava apresentar à paróquia era, caso não tencionassem renovar o contracto, a possibilidade de terminar o meu contracto em Julho de 2012, cinco meses antes de findar o contracto ou então prolongar o contracto até Junho de 2013. Qualquer uma destas duas opções teria sido a maneira correcta mas, como sabem, nunca tive a oportunidade de apresentar o meu caso. Qual é o teu futuro como amante do ensino e da Escola? Para ser franca não sei. Tudo aconteceu tão rápido. Presentemente estou disfrutando da minha liberdade e continuo com a página do Dom Dinis Facebook. Tenho alguns sonhos de transformar esta página num local de informação para os pais, ideias para o desenvolvimento do Português Para Crianças e uma compilação de fotos de todas as crianças que por lá passaram começando com o ano lectivo de 1983-1984. A longo termo? Quem sabe, talvez escrever algumas memórias, terminar certos projectos já começados na àrea do Português para Crianças. Confio que não me faltarão àreas de interesse. Se tivesse tido uma varinha mágica o que é que teria mudado na situação actual da Escola? Se tivesse tido uma varinha mágica teria tido a oportunidade de apresentar a minha visão para o futuro da Dom Dinis. Uma possibilidade seria ter entregue a chefia da Escola nas mãos das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras em Junho de 2014, altura em que tencionava aposentar-me; cheguei a falar na possibilidade à Irmã Elisa Santos. A Escola Dom Dinis poderia ter continuado só ocupando metade da àrea presente e pagando os mesmo $4,000 de renda. Ou então, caso não houvesse espaço, deslocarse para outro espaço dentro da Diocese de San Jose. Se estas hipóteses não interessassem nem à Paróquia, às Irmãs Franciscanas Hospitaleiras, ou à Diocese, então teria deslocado a escola para outro sítio, investido o dinheiro necessário e continuar. Não sei se sabem que a Dom Dinis já tinha tido outras duas moradas antes das Cinco Chagas. Admito, para mim foi preferível fechar a

Escola Dom Dinis do que vê-la terminar os seus dias num espaço pequeno e mal apetrechado ou então entregá-la a qualquer um especulador cujo interesse seria apenas o negócio. O que pensa do estado geral da educação nos Estados Unidos? Em vez de dizer o que penso, gostaria de descrever o que gostaria de ver nas escolas do século XXI. Como se justifica que as escolas de hoje em dia pouco se diferenciem das escolas do nosso tempo? Continuamos a ver vinte ou trinta crianças ou jovens fechados em espaços reduzidos, constrangidos os movimentos e a fala; um professor lendo perguntas do livro do professor e alunos respondendo. Gostaria de ver educadores pôr menos ênfase no ensino de aula e o estudo para testes e mais no trabalho e escolha individual ou de grupo. Menos ensino e mais descoberta. Menos autoridade e mais brincadeira. Menos exames e mais pesquisa. Menos horas em salas de aulas e mais horas ao arlivre. Menos bairrismos e nacionalismos e mais História Universal e Comparativa. Gostaria de ver salas de aula onde o professor deseja aprender tanto com o aluno como o aluno com o professor. Gostaria de ver professores mais humildes e alunos mais confiantes e seguros. Gostaria que mais pais e educadores compreendessem que o nosso papel na educação das crianças é ensinar-lhes como o mundo é presentemente e não como devem viver e pensar nele. Temos imensos estudos que provam que a autoridade excessiva no ensino é contra-produtiva: ou resulta em rebeldia ou docilidade. Resultado? Cadeias cheias de jovens inteligentes mas rebeldes e uma sociedade composta na maiorí de cidadãos dóceis e submissos. O que pensa da importância da língua portuguesa? O português, sem dúvida continuará a

Sequestro American Style: Como se mantém a classe média refém

S

equestro foi o nome escolhido para um acordo feito em 2011 entre o Presidente Barack Obama e os líderes Republicanos no Congresso, pouco depois das eleições legislativas de 2010, que deram a maioria aos Conservadores com uma dose do Tea Party, na Câmara dos Representantes. Havia desacordo no orçamento geral do estado, e ambos os lados concordaram num novo orçamento. Com o acordo de que no espaço de 16 meses, até ao dia 1 de Março de 2013, trabalhariam num pacote legislativo que modificasse o défice nacional. Se isso não acontecesse, entrariam em vigor, uma série de reduções, que ambos os lados eram contra, mas impostas, com o suposto intuito de forçar as duas esferas da política estadunidense a dialogarem e a criarem um entendimento que se transformasse em medidas legislativas que ultrapassasse o referido sequestro, a entrada em vigor de reduções na ordem de 85 biliões de dólares. Como se sabe, nada foi feito. Veio o primeiro de Março e o Presidente Barack Obama, sem pompa e circunstância, teve que promulgar as reduções. Este

é, indubitavelmente, um falhanço para o governo americano e para ambos os partidos políticos. Antes de se olhar ao realismo destas reduções e o que significarão para a economia e para o cidadão comum, é bom relembrarmos o contexto em que tudo isto aconteceu. Estávamos, como se disse, em 2011, dez meses depois dos conservadores terem ganho as eleições legislativas que lhes deu o controlo da Câmara dos Representantes e reduzido a vantagem dos Democratas no Senado. Estávamos também a um ano e pouco de mais um ato legislativo, as presidenciais de 2012. A liderança Republicana possuía o vento a seu favor. Os Republicanos estavam mais do que convencidos que Barack Obama seria o próximo Jimmy Carter, ou seja: um dos poucos presidentes americanos a governar apenas um mandato. Havia uma autoconfiança na idiossincrasia conservadora que lhes dava como certa a vitória para a Casa Branca em 2012 e daí que, quando Março de 2013 chegasse, com um dos seus no poder executivo, fariam todas as modificações possíveis e imaginárias. Que aliás, até tem pouca

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imaginação, porque baseiam-se em reduzir o défice do orçamento geral do estado à custa da classe média. Pelo lado do Presidente, infelizmente, Barack Obama foi ingénuo em acreditar que apesar de tudo, os Republicanos, quando chegássemos à hora da verdade colocariam o país, os interesses económicos do país, acima da sua ideologia ou do seu consórcio com os mais endinheirados desta sociedade. Ingenuidade, porque Barack Obama já deveria saber que os conservadores tudo farão para destruir os mandatos e o legado do primeiro presidente afro-americano. Infelizmente até parece que faz parte do ADN (DNA, como se diz em inglês) dos políticos conservadores. O resultado, depois de várias semanas de teatro político é que o denominado sequestro entrou em vigor. Por quanto tempo? Tudo dependerá da teimosia republicana e dos cidadãos que têm que ser muito mais agressivos na vida política do país. É que já lá vai o tempo que bastava votar nos atos eleitorais. As democracias modernas exigem mais, muito mais. O ativismo tem que ser constan-

ocupar um lugar relevante. Mais relevante do que qualquer altura no passado, graças ao Brasil e Africa. De 2000 a 2009 o português ficou em terceiro lugar quanto ao uso da língua na internet, o arábe e o chinês ficando em primeiro e segundo lugar respectivamente. Acho que isto é verdadeiramente impressionante. O Português é a minha língua natal e sempre tenho feito o possível de mantê-la. Tive a sorte de incorporar o Português no ensino e como diz o ditado, “Ensinar é aprender”. Gostaria de acrescentar, se o tempo me permite, o que afirmei em 2011 no Portuguese Athletic Club. Não está em causa o nosso amor pela língua nem a sua importância, o que me irrita são as afirmações que é a “responsabilidade” de todos os pais imigrantes de falar e ensinar o português aos seus filhos. Ou então que somos, tu e eu, a geração responsável pela sobrevivência da língua portuguesa. Afirmações destas são um exagero e põem bem à vista a ignorância e a arrogancia daqueles que as expressam. Mais uma vez somos sacrificados às mãos dos políticos portugueses e dos imigrantes portugueses que se julgam àparte, aqueles que nos tratam de “os nossos imigrantes” como se eles não fizessem parte do mesmo grupo. Penso que o que é verdadeiramente admirável é o número crescente de jovens, nascidos nos E.U. que falam o português e as escolas do Estado e comunitárias que continuam a ensinar o português.

Reflexos do Dia–a–Dia

Diniz Borges d.borges@comcast.net te. As vozes populares têm que ser ouvidas nos corredores do Congresso. Enquanto a teimosia continuar veremos reduções em vários programas governamentais, desde a inspeção da carne que comemos às ainda mais longas filas nos aeroportos, por motivos de segurança. Perderse-á cerca de 750 mil postos de trabalho e milhares de crianças não serão aceites para programas de pré-escola e alimentação nos estabelecimentos de ensino. Até o departamento da defesa, a vaca sagrada dos conservadores, terá reduções drásticas. E diga-se a bem da verdade que o Pentágono precisa ser reduzido, muito mesmo, mas com reduções pensadas e orquestradas a médio e longo prazo. Dizem os economistas, que estas reduções, no momento em que a economia, finalmente, está a ver luz ao fim do túnel, vêm deturpar o crescimento registado. Com o sequestro a economia, projetada para crescer 2,7% neste ano, poderá ter um crescimento de apenas 1,6%. tudo porque os republicanos estão obcecados com o

défice e os Democratas ainda não souberam vender a mensagem ao país que o défice, pelo menos a curto prazo está controlado. Aliás, tem sido reduzido todos os anos. É mais do que sabido que medidas de austeridade severas e "estúpidas" como disse, e muito bem, o Presidente Obama, não trabalham. Vejamos o que está a acontecer na Europa. É ainda mais do que sabido que se queremos ter mais receitas nos cofres do governo temos que ter mais oportunidades de emprego e mais cidadãos a pagarem impostos. O Sequestro, veio-nos mostrar, ainda mais uma vez, que os Republicanos estão mais interessados em destruírem o legado de Barack Obama do que em fortalecerem o país. Indica-nos ainda, clara e inequivocamente, que os conservadores farão tudo por tudo para aniquilarem os programas sociais do país, particularmente o social security e o medicare, em detrimento de protegerem as reduções fiscais das classes mais favorecidas. A América jamais poderá ir por esse caminho.


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COMUNIDADE

15 de Marรงo de 2013

Fraternalista do Ano: Louie Cardoza

California Fraternal Alliance Branch No. 1, Fraternalist of the Year Luncheon

Ailene Cardoza, PFSA Past Supreme President & Louie Cardoza, PFSA 2013 Fraternalist of the Year.

A donation given to Welcome Home Heroes Foundation.

California FraternalAlliance Branch No. 1 2013 Officers - L-R: Sterling Strickland, Chaplain & Treasurer; Ron Graham, Past President; Olga Bove, Director of P.R.; Geraldine E. Alves, Secretary; John Avila, Vice President; Joe Seamas, President and Installing Officer, Timothy L. Borges, CEO of PFSA.

The California Fraternal Alliance Branch No. 1 luncheon was held on February 2, 2013 at the Willow Park Gold Course in Castro Valley. P.F.S.A. nominated Louie Cardoza, member of Council

Amanda Sargent, PFSA Supreme 20-30 Adults President & Duarte Teixeira, PFSA Supreme President

No. 10 of Selma as the 2013 Fraternalist of the Year, for his many years of dedication and hard work. He is a 50 year member of the Portuguese Fraternal Society of America. Mr. Cardoza is an outstanding individual and is an

inspiration to all of us here today.

Photos by Carla Cardoso.

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COMUNIDADE

15 de Março de 2013

Aniversário da Banda de San José

Fotos de Filomena Rocha

Como é habitual a banda participou na Missa de Festa do seu aniversário realizada na Igreja Nacional das Cinco Chagas.

Rogério Costa, Mariana Flores, Berta e José Vasquez e Fátima Reis

A Portuguese Band of San José foi fundada em 1971. É a mais antiga da California e tem sido das mais importantes nestes anos todos e já participou em todos os nove festivais das Filarmónicas Portuguesas da California. O seu mestre é Joe Amaral e a banda tem cerca de 47 elementos e tem como Presidente José Vaszquez e Vice-Presidente Mariana Flores.

O almoço depois da Missa é sempre muito participado porque esta Banda tem muita simpatia e admiração da população de San José.


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COLABORAÇÃO

15 de Março de 2013

Perspectivas Fernando M. Soares Silva

Quem inventou o Pão?

fmssilvaazor@yahoo.com Com o intuito de satisfazer a curiosidade e o interesse dos leitores, este estudo aborda, sucintamente, o tópico da história da invenção da panificação desde imemoriais tempos.

PRESUMÍVEIS TIPOS DE PÃO PRÉ-HISTÓRICO Como teria sido o “pão” usado em tempos pré- históricos ? A curiosidade, a perspicácia e a persistência de curiosos antropólogos através dos séculos teem conseguido esboçar perspectivas, embora presumíveis, de alguns modos ou meios de alimentação e subsistência das mais remotas gerações da Antiguidade Humana. Como o corroboram diversas evidencias residuais, uma espécie de “pão” surgiu entre os comestíveis das pré-históricas e mais distantes gerações humanas. Saliente-se que, segundo os antropólogos, este tipo de “pão” não englobaria farinha de trigo ou milho, e água, indispensáveis e essenciais componentes dos tipos do “pão” preferido por subsequentes gerações. Na EUROPA, por exemplo, foram encontradas evidências,--- de mais de 30.000 anos ---. de resíduos de amidos em penedos ou em pedras (de superfície lisa) usadas no processo de trituração ou no bater nas raízes de plantas, tais como “cattails” e “fetos”, de onde teriam sido extraídos os amidos para a preparação do comestível precursor do “pão”. Segundo as conjecturas dos antropólogos, os extractos dos amidos ou das gomas extraídas das raízes dessas plantas teriam sido estendidos em superfícies planas de pedras ou penedos, debaixo dos quais se teriam acendido fogos; e assim teriam sido cozidos esses produtos. O resultado teria sido uma espécie de bolo plano ou raso.

ADVENTO DA AGRICULTURA E DOS CEREAIS Muito mais tarde, isto é, 10.000 anos antes da Era Cristã, durante a aurora da denominada Idade Neolítica, a agricultura começou a desenvolver-se e a propagar-se em várias partes do mundo. Em consequência, os cereais propagaramse rapidamente e tornaram-se populares. Com a descoberta de esporos de fermentação, os cereais passaram a ser favoritos e preferidos na já evolutiva e comum confecção de “pão”. Antropólogos e historiadores descobriram que na ESCANDINÁVIA e nos PAÍSES NÓRDICOS quatro tipos de grão eram usados na confeção de pão em tempos préhistóricas anteriores à Era Cristã: a cevada, o centeio, o trigo e a aveia. Notam os peritos que durante o período de 500-1050 da Era Cristã, o centeio era preferido, mas a cevada e a aveia eram também usadas, Múltiplos modos de fermentação foram descobertos, inventados e utilizados na panificação desde o período neolítico, mas ainda muito mais nos tempos e séculos subsequentes. Por exemplo, num dos seus escritos, o famoso escritor e cientista romano Plínio, o Sénior, referindo-se aos povos da GÁLIA e da PENÍNSULA IBÉRICA, atesta que os gauleses e os ibéricos usavam as espumas das suas cervejas “para produzir um tipo de pão mais leve do que o produzido por outros povos”. Nas regiões onde o vinho era bebido e preferido, usava-se uma massa ou mistura de farelos ou de farinha de trigo embebidos em sumos de uvas, para produzir o fermento desejado para a confeção do pão. No entanto, também frequente era guardar, uns dias antes de nova confeção de

pão, um pedaço da massa anterior para a fermentar e ser assim usada na seguinte panificação. Os anos e as décadas rolaram e pão de múltiplos gostos e feitios apareceram pela enorme vastidão do globo terrestre. A panificação atingiu então níveis sem precedentes. E várias foram as inovações feitas. No entanto, é importante salientar que, em 1961, o PROCESSO CHORLEYWOOD, inventado na Inglaterra, revolucionou as indústrias panificadoras com a introdução de sistemas mecânicos para a elaboração das massas e respectivos ingredientes, reduzindo os períodos de fermentação e o tempo necessário para a produção do pão ou comestíveis congéneres. O processo, actualmente em uso sobretudo nas maiores padarias do todo o mundo, permite a utilização de cereais com baixa proteína. A produção do pão e de outros produtos congéneres é feita com grande rapidez e precisão, e a reduzido custo não só para o fabricante, como também para o consumidor. Recentemente, diversas máquinas de panificação doméstica automática teem aparecido com grande popularidade em vários países. Nas primeiras décadas da Era Cristã, o centeio era o cereal preferido para o fabrico do pão, e assim continuou até ao começo do século 20. Agora, outros tipos de cereais, como “emmer” e “spelt” são cultivados e usados em novos tipos de pão comuns na ALEMANHA e nos PAÍSES NÓRDICOS e também na RUSSIA. A colonização da ISLÂNDIA, no período de 800-900 da Era Cristã, trouxe também da Europa a cultivação da cevada para o fabrico do pão. No século 18, o pão feito de centeio fermentado tornou-se mais comum, nos formatos de bolo raso ou de “folha”. Na NORUEGA, entre os muitos tipos de pão existentes, há os típicos feitos de “spelt”, e os de fibra de rolão. Na SUÉCIA, durante o século 19, a mecanização das indústrias panificadoras inspirou o abandono da panificação doméstica e fomentou a expansão comercial de vários tipos de pão, tipicamente moles e, muitas vezes, adocicados. O pão tradicional da FINLÂNDIA, e também muito usado na RÚSSIA, é um pão escuro, feito de centeio; é plano com um orifício no centro, e tem um sabor áspero e mais acentuado do que o pão feito de trigo. Os fermentos utilizados na confeção deste pão são transmitidos cuidadosamente de geração para geração. Tanto a FINLÂNDIA como a RÚSSIA usam os quatro cereais supramencionados no fabrico dos seus pães. Recentemente, a batata foi adicionada à preparação do pão. Na IRLANDA, uma das grandes preferências é o pão confecionado com soro de leite e bicarbonato de soda como substitutos do fermento tradicional. Outro popular tipo de pão também tradicional é o “barnmbrack”, fermentado e com “passas” ou uvas secas e amendoins. O pão feito com batata é comum neste país. Em INGLATERRA, onde existem muitas tradicionais variedades de pão, abundam também as de formato rectangular, mas nas regiões nortenhas o tipo redondo “stottie” é preferido. O tipo “cottage loaf” é feito de duas camadas de massas sobrepostas uma sobre a outra no formato de um 8. Outros tipos de pão como os “baps”, “barms” e “breadcakes” e variedades no estilo de “papo-seco” são também populares. Em FRANÇA, “pain de mie” é usado exclusivamente para fazer torradas ou em grande variedade de recheios. O pão normal, muito popular, quer no estilo de “baguettes”, ou em mais espessos formatos,

tem crosta grossa e interior esponjoso. Alguns dos especiais pães deste tipo são incrustados de nozes ou de sementes de papoila. A ITÁLIA, reflectindo a sua grande diversidade demográfica e histórica, confeciona muitos e diversos tipos de pão, pãozinho e pastelaria. O pãozinho de vários tipos abunda sobretudo nas regiões nortenhas, enquanto o pão de formato maior é mais preferido no sul do país. Existem pães feitos com pequenas quantidades de azeite, manteiga, ou com banha de porco, misturadas nas massas. Entre outros tipos tradicionais de pão rústico salientam-se os do tipo “sfilatino imbotito” recheados de carne, peixe, queijo ou vegetais, e a “pizza bianca” . “Focaccia” é popular não só em Itália, como também no sul da França. Em PORTUGAL, o pão, em vários tipoa, é praticamente indispensável em cada refeição. Tipicamente, o pequeno almoço inclui um pãozinho do tipo papo-seco, ou “croissants”. Pãezinhos com passas ou outras frutas incrustadas são também usados. Outro tipo tradicional e muito apreciado é a “broa”, feita de milho; a crosta de este pão é relativamente macia. É especialmente recomendado para acompanhar o famoso Caldo Verde e as sopas de vegetais. O tipo de broa varia em consonância com as diversas regiões do país. Os vários tipos dos famosos “Pães Doces”, ou bolos também denominados Massa Sovada em muitas partes de Portugal, são muito apreciados. Segundo WIKIPEDIA, a ALEMANHA orgulha-se de ter a maior produção mundial de pães; confecciona mais de 300 variedades de pão, e mais de 1.000 (mil) tipos de pastelaria e de estilo papo-seco, muito em voga em mais de 16.000 padarias daquela nação ! Per capite, os alemães são os maiores consumidores mundiais de pão e de pastelaria.

DIVERSA PANIFICAÇÃO NA ÁSIA E NO MÉDIO ORIENTE Saliente-se que, enquanto as culturas e os sistemas de panificação vigentes nas Américas, no Norte da África e no MeioOriente sejam manifestamente influenciados pelos sistemas e pelas tradições da Europa, os povos da leste da Ásia, sobretudo, favorecem e preferem o ARROZ. No entanto, em outras regiões asiáticas existem notáveis variações. “Mantou”, o pão tradicional da CHINA, nas regiões nortenhas e centrais deste enorme país, é feito, preferencialmente, pelo processo de fritadas de massas de farinha de trigo. Nas regiões do leste, o “mantou” é usado como alternativa ao “arroz”. O “mantou” feito pelo processo de ebulição vaporizada ou “steaming” é algo semelhante ao processo ocidental da confeção do pão branco, mas. como não é cozido, não adquire a típica crosta morena. O “mantou” recheado de carnes ou vegetais é chamado “baozi”. “Kompyang” é um tipo de pão cozido em forno de argila. Em nações do SUL DA ÁSIA, tais como a ÍNDIA e o PAQUISTÃO, e também nos países do MÉDIO-ORIENTE, são comuns os tipos “roti” e “chapati”, feitos de farinha de trigo, sem fermentação, e em forma de bolo chato. São cozidos em sertãs de ferro bem quente, denominadas “tava”.

“Rotis” e “naans” são servidos com “curry” praticamente em todos estes países. Existem também outras alternativas: a chamada “makki di roti” usa farinha de milho em vez de farinha de trigo. Outra opção é o “puri”, um pão delgado que é frito. “Paratha” é outro tipo de “roti”. O tipo “naan” é fermentado e cozido num bem quente “tandoor” ou forno de argila. Há também pão branco e escuro, mas estes tipos são menos procurados. Nas FILIPINAS, “pandesal”, um pão salgado de formato arredondado, é preferido pelos filipinos ao pequeno-almoço. Outro pão comum neste país é pão branco denominado “pinoy tasty”. Em ISRAEL, no MÉDIO-ORIENTE, o favorito pão é o tradicional “chllah”, feito com ovos de galinha, e frequentemente adocicado com mel, ou com “passas” ou uvas secas. Este tipo de pão, bem fermentado, e cozido num forno, tem uma crosta delgada, e macia. Durante o período de Passover, os israelitas usam o requerido tipo de pão sem fermento “matzo”.

ÁFRICA DO NORTE Em MARROCOS e em outras nações no ocidente do continente africano, os pães confeccionados são aproximadamente de 10 centímetros de espessura e de formato redondo. Outros tipos, muito populares, como o “rghifa”, e também espessos, são fritos, mas previamente embebidos em azeites. Na ETIÓPIA, na costa leste do continente africano, o tipo de pão “iniera” é feito de um cereal, sem glúten, denominado “teff”. O pão tem o formato de bolo chato e circular.

PANIFICAÇÃO NAS AMÉRICAS No MÉXICO, as tortillas” de milho são as principais formss de pão comido pelos habitantes, embora também existam diversas variedades de outros pães e de pãezinhos (rolls) nos centros urbanos. Entre estes incluem-se os “bolillos”. O “pan duro”, um tipo de pão doce, é muito popular. Na América do Sul, o PERÚ, reflectindo a diversidade da sua culinária, confeciona vários tipos de pão, tais como os populares “pan de piso” e “pan serrano”, além do outras variedades feitas com batata. Os peruanos gostam de usar pão nas suas preferidas “sopas de ajo”, “sopas de gaspacho”, e “sopas de salmoreio”. Os seus “bizcochos” são tipos de pão doce, normalmente comidos com manteiga e acompanhados de um copo ou chávena de chocolate quente. Nos ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA, produz-se uma enorme profusão de pães de diversos tipos, de vários sabores e de diferentes composições consoantes com as diversas regiões. A panificação mais tradicional é baseada no milho. No sul do país, com ou sem a adição de farinha de trigo, ou de adoçantes, o pão de a farinha de milho branco é preferido. No norte, a farinha de milho amarelo é preferida, com a generosa adição de farinha de trigo, além de açúcar e mel ou xarope.


TAUROMAQUIA

40 Anos da TTT O Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, comemora neste ano de 2013, o 40º aniversário da sua fundação. Foi fundado a 24 de Junho de 1973, por João Hermínio Ferreira, que à época já se havia destacado como destemido pegador de caras. Sob o seu comando, o Grupo passa a ter organização e a atuar frequentemente na ilha Terceira, assumindo as atuações nas Sanjoaninas e demais Festivais que se realizavam em grande número naquela altura. Desde essa época que o Grupo se desloca em Agosto à encantadora ilha Graciosa. Nesses primeiros anos, também era usual a deslocação de alguns elementos aos Estados Unidos da América, nomeadamente à Califórnia, mas não o Grupo completo. A 25 de Junho de 1989, após 16 anos de existência, João Hermínio passa a jaqueta de cabo a António Baldaya. Sob o comando deste, o Grupo atinge

a sua maturidade, alcançando prestações assinaláveis, não só nas praças açorianas, mas também nos Estados Unidos, Canadá e Portugal Continental. Actuou ao lado dos principais Grupos do país, nunca deixando os seus créditos por mãos alheias. Neste período, destaca-se, pelo seu simbolismo, a apresentação no Campo Pequeno, a 27 de Maio de 1999. Em 2001, mais precisamente a 27 de Junho, durante a corrida Concurso de Ganadarias da Feira de São João, Adalberto Belerique pega o primeiro toiro e recebe das mãos de António Baldaya a jaqueta de cabo do Grupo, passando a comandá-lo daí em diante. No período decorrido de 2001 até hoje, o Grupo continuou a sua evolução, dando provas da mesma nas suas atuações. Tem sido presença assídua nas principais praças de toiros do país, com várias presenças em corridas televisionadas, nomeadamente no

Campo Pequeno. Tem também marcado presença junto das comunidades de emigrantes, nas suas deslocações aos Estados Unidos e Canadá. Ao longo destes 40 anos, os Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, tem sido uma autêntica escola de Valores. Uma referência no mundo da forcadagem, e não só, pela defesa e promoção desses mesmos Valores tanto na Arena, como fora dela. Em breve, divulgaremos o extenso programa de comemorações, preparado para homenagear condignamente tão importante data. Por último convidamos todos a associarem-se a estas Comemorações, honrando-nos com a vossa presença e estímulo de modo a que todos juntos contribuamos para PROMOVER OS AÇORES E A ARTE DE PEGAR TOIROS

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Quarto Tércio

José Ávila josebavila@gmail.com Esta página está cheia com duas notícias importantes. Um Grupo de Forcados que faz 40 anos de vida taurina é sempre de celebrar com grande festa. Quarenta anos de grandes sacrifícios aficionados, para gáudio de milhares de pessoas que enchem as nossas praças. Não ganham nada, fazem-no por amor à festa brava, o que tem de mudar. Não se pode pagar milhares de euros e dólares a artistas cavaleiros e matadores e oferecer um jantar aos forcados. Não é justo e tem de acabar. A segunda notícia diz respeiro à tenta. A tenta é o acto mais importante de uma ganadaria. Sem tentas, as ganadarias não tem pernas para andar e se andam serão serem coxas. Uma tenta no Pico dos Padres, o lugar mais bonito do mundo taurino, foi conduzida em três dias devido ao enorme número de bezerras a tentar, cerca de 60. A percentagem de boas vacas foi muito boa e ficou além das expectativas, o que demonstra e bem a qualidade dos seus progenitores.

Adalberto Belerique Cabo

Tenta - o verdadeito teste de uma ganadaria

Realizou-se no belo Pico dos Padres mais uma tenta de 60 vacas em três dias. A percentagem de boas vacas foi excelente. Os tentadores foram Cesar Castaneda e Domingos Sanchez, ambos matadores de toiros mexicanos.


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PATROCINADORES

15 de Março de 2013

As melhores panorâmicas dos Açores são de José Enes - Tel. 562-802-0011


DESPORTO

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LIGA 2012 - 2013 Benfica à frente. Será que o Porto vai chegar lá? LIGA ZON - SAGRES

J 22 22 22 22 22 22 22 22 22 22 22 22 22 22 22 22

V 18 17 12 10 8 8 7 8 7 5 6 4 4 3 3 3

E 4 5 4 9 6 6 8 4 6 9 5 9 7 9 8 7

D 0 0 6 3 8 8 7 10 9 8 11 9 11 10 11 12

P 58 56 40 39 30 30 29 28 27 24 23 21 19 18 17 16

J 1Belenenses 31 2Arouca 31 3Sporting B 31 4Leixões 31 5Santa Clara 31 6Oliveirense 31 7FC Porto B 31 8Penafiel 31 9Desp. Aves 31 10Benfica B 31 11U. Madeira 31 12Portimonense 31 13Tondela 31 14Naval 31 15Feirense 31 16Marítimo B 31 17Atlético 31 18SC Braga B 30 19Trofense 31 20SC Covilhã 31 21V. Guimarães B30 22Freamunde 31

V 23 15 13 13 13 13 12 13 11 12 10 12 12 9 9 10 9 7 6 5 4 4

E 6 8 12 11 10 10 11 7 13 9 14 8 8 12 9 4 7 10 10 11 11 9

D 2 8 6 7 8 8 8 11 7 10 7 11 11 10 13 17 15 13 15 15 15 18

P 75 53 51 50 49 49 47 46 46 45 44 44 44 39 36 34 34 29 28 26 23 21

J 23 23 23 23 23 23 23 23 23 23 23 23 23 23 23 23

V 13 12 10 10 10 9 10 8 7 9 7 6 5 4 3 2

E 8 8 8 7 6 9 3 9 11 5 7 6 7 8 10 6

D 2 3 5 6 7 5 10 6 5 9 9 11 11 11 10 15

P 47 44 38 37 36 36 33 33 32 32 28 24 22 20 19 12

J 1Mafra 23 2Farense 23 3UD Leiria 23 4Torreense 23 5Sertanense 23 6Oriental 23 71.º Dezembro 23 8Fátima 23 9Casa Pia 23 10Louletano 23 11Quarteirense 23 12Pinhalnovense 23 13Carregado 23 14Fut. Benfica 23 15Oeiras 23 16Ribeira Brava 23

V 15 13 12 12 11 11 9 10 6 7 5 6 5 6 3 2

E 4 7 6 5 5 3 9 2 11 7 11 7 8 5 8 4

D 4 3 5 6 7 9 5 11 6 9 7 10 10 12 12 17

P 49 46 42 41 38 36 36 32 29 28 26 25 23 23 17 10

V 16 12 11 9 9 6 5 2 3 1

E 2 4 4 5 3 2 3 5 1 3

D 0 2 3 4 6 10 10 11 14 14

P 50 40 37 32 30 20 18 11 10 16

1Benfica 2FC Porto 3SC Braga 4P. Ferreira 5Rio Ave 6V. Guimarães 7Marítimo 8Estoril 9Nacional 10Sporting 11V. Setúbal 12Académica 13Gil Vicente 14Olhanense 15Moreirense 16Beira-Mar

Segunda Liga

II - Zona Centro 1Cinfães 2Ac. Viseu 3Sp. Espinho 4Operário 5Pampilhosa 6BC Branco 7Anadia 8Sousense 9Coimbrões 10S. João Ver 11Nogueirense 12Tourizense 13Cesarense 14Lusitânia 15Bustelo 16Tocha

II - Zona Sul

III Divisão - Açores 1Praiense 2Angrense 3Sp. Ideal 4Rabo Peixe 5Santiago 6SC Barreiro 7Prainha 8Vitória Pico 9SC Marítimo 10Flamengos

J 18 18 18 18 18 18 18 18 18 18

Benfica 5 Gil Vicente 0 Porto 2 Estoril 0 Académica 1 Sporting 1 Benfica O Benfica regressou ao comando isolado da Liga portuguesa, após bater o Gil Vicente, no Estádio da Luz, por 5-0, enquanto o Paços de Ferreira empatou em casa e caiu para o quarto lugar. O SL Benfica regressou ao comando isolado da Liga portuguesa, após bater o Gil Vicente FC, no Estádio da Luz, por 5-0. Após o triunfo do FC Porto na sexta-feira, em casa, com o GD EstorilPraia, por 2-0, as "águias" precisavam de ganhar para voltarem a fugir aos portistas, e não sentiram grandes dificuldades para vencer. Logo aos 12 minutos, Maxi Pereira fugiu pela direita e cruzou, com a bola a tabelar em Luís Martins e a enganar o guarda-redes Adriano - que acabaria por ser substituído ao intervalo por Murta, devido a lesão. Apenas dez minutos volvidos o Benfica ampliou a vantagem. Salvio fugiu pela direita, flectiu para o meio e rematou de pé esquerdo, colocado ao poste mais distante. E aos 33 minutos foi a vez de o defesa-esquerdo Melgarejo marcar. O paraguaio foi servido por Ola John e, à saída de Adriano, colocou a bola por cima do guarda-redes. O Gil equilibrou no segundo tempo e João Vilela atirou à barra logo após o descanso, mas o encontro estava controlado pelos "encarnados", que fizeram o 4-0 aos 65 minutos, por Lima, a encostar após passe de Ola John. Em cima do apito final, Salvio fugiu pela direita e centrou para Nico Gaitán fechar a contagem. Os restantes três jogos do dia em Portugal terminaram com 1-1 no marcador, o Moreirense FC-SC Olhanense, o CD Nacional-Rio Ave FC e o FC Paços de Ferreira-SC Beira-Mar. Com este empate, os pacenses caíram para o quatro lugar, em troca com o SC Braga.

Um triunfo por 2-0 na recepção ao Estoril-Praia permitiu ao FC Porto ultrapassar provisoriamente o SL Benfica no topo da Liga portuguesa, com um ponto de vantagem.

Porto Travado (0-0) na ronda anterior pelo Sporting Clube de Portugal, desfecho esse que viu a formação de Vítor Pereira descer ao segundo lugar da tabela, o FC Porto entrou em campo determinado a ganhar embalagem para a deslocação da próxima semana ao terreno do Málaga CF, a contar para a segunda mão dos oitavos-de-final da UEFA Champions League. O primeiro golo dos "dragões" demorou apenas quatro minutos a surgir, com Maicon a dar, de cabeça, a melhor sequência ao canto apontado por James Rodríguez. O 2-0 materializou-se dez minutos volvidos, quando Mano cortou a bola com a mão na sua área e deu origem a uma grande penalidade que Jackson Martínez tratou de converter, somando o seu 23º golo e cimentando a posição de melhor marcador da prova. O FC Porto fica agora à espera do que fará o Benfica no domingo, quando receber o Gil Vicente FC. O Estoril continua no sétimo lugar, com 28 pontos.

Sporting travado em Coimbra O Sporting não foi além de um empate 1-1 na visita à Académica de Coimbra, com golo de Van Wolfswinkel no segundo tempo, enquanto o Sp. Braga ganhou ao Marítimo por 2-0, no Minho. O Sporting Clube de Portugal não foi além de um empate 1-1 na visita à A. Académica de Coimbra, em jogo da 22ª jornada da Liga portuguesa. O SC Braga ganhou ao CS Marítimo. Os comandados de Jesualdo Ferrei-

ra, que vinham de um nulo ante o FC Porto, raramente conseguiram impor o seu jogo, embora também não tenham dado grandes veleidades ao ataque da Académica. Porém, aos 26 minutos, os "estudantes" colocaram-se em vantagem. O jovem Fokobo carregou Hélder Cabral em falta na grande área e Wilson Eduardo, emprestado pelos "leões" à "briosa", converteu o penalty com sucesso. O Sporting foi à procura do empate, mas apenas o conseguiu no segundo

tempo, mesmo sem apresentar grande clarividência atacante. Decorria o minuto 78 quando Joãozinho fugiu pela esquerda e cruzou para a finalização de primeira de Ricky van Wolfswinkel. Até final, os lisboetas procuraram a vitória e Labyad atirou ao poste, aos 88 minutos. Contudo, o resultado não sofreria mais alterações. No Minho, o Sp. Braga deu novo ímpeto à sua luta pelo terceiro lugar, com uma vitória por 2-0 sobre um Marítimo incómodo. Hugo Viana fez o 1-0 aos 41 minutos, graças a um excelente remate de fora da área. O segundo golo surgiu apenas nos momentos finais da partida, por Alan, também graças a um forte pontapé.


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PATROCINADORES

15 de Marรงo de 2013


COLABORAÇÃO

Do Tempo e dos Homens

Manuel Calado

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O Mundo Anda

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mbcalado@aol.com

uitas coisas acontecem durante as férias. As ferias são para descansar, mas o mundo não descansa. Continua a rolar sem licença de Deus. Durante os meus trinta dias nas areias da Flórida, coisas fantásticas aconteceram. Um Papa pediu a demissão, o primeiro que em muitos séculos, comete tal informalidade; um buraco na Florida enguliu um homem; um senador do “Chá” parou o Senado Americano , falando sózinho durante treze horas; o país entrou em marcha-atrás, ainda por causa do “Chá”, que quer que o país entre a imitar a austeridade de Portugal e da Grécia; a Nova Inglaterra foi assolada por grande nevão, e da Flórida, surgem dois candidatos com aspirações à Casa Branca. E muitas outras coisas que não sei. O meu primo Vitor, lá continua

fazendo o seu negócio com a pizaria “Ana Capri”, à beira da Estrada A-1, na comunidade de Cocoa Beach. Mas contou-me, enquanto saboreávamos um dos frutos da sua lavra, que agora está muito interessado no negócio do mel, com abelhas e tudo. Estivemos tambem na Pizzaria do João Medeiros, ex-residente em New Bedford, e na mercearia, de um simpático casal da Ilha Graciosa, onde se vende o Portuguese Times, o qual é o dono do edificio do Clube e da escola portuguesa na pequena comunidade, cujo nome não me recorda. E uma coisa engraçada nos aconteceu. Éramos um grupo de nove pessoas, e havíamos acabado de comer num restaurante irlandês, quando o empregado nos disse, que um sujeito que estava no bar, havia pago a nossa conta. Teria dito o misterioso benfeitor, que

a mesa era aquela onde estava um homem barbado à cabeça da dita. O barbado ali era eu. Procurei saber quem era, mas havia desaparecido. Mas, como quem é vivo sempre aparece, e não perdi a esperança de o encontrar algum dia, para lhe agradecer a simpática brincadeira. Algum milionário dos donuts? Quem sabe… Para não perder o balanço, continuei a dar os meus passeios, umas vezes na areia, de pé descalço, à beira das ondas que se esbatem suavemente na praia, sem aquela alterosa violência da praia da Nazaré, famosa internacionalmente, inclusivé entre os desportistas americanos do género, que vi um dia na televisão, referindo-se admirativamente, à altura das ondas na costa portuguesa. Nos passeios, geralmente de cerca de

duas milhas, fui acompanhado de minha filha mais velha, que recentemente recebeu em Boston, uma anca nova de plástico, com parafusos e tudo, e que está funcionando bem. A humanidade está-se tornando meio natural, meio plástica.” Eu, com o meu “Marca-Passo”, e tu com a sua anca aparafusada, somos duas

meias pessoas “-- disse-lhe eu um dia, durante a nossa passeata. E rimos ambos, por que a coisa não é para menos. E muito mais coisas haveria a contar mas, porque já são 466 as palavras contadas, e para quem é calado, parece-me que é tempo de meter a viola no saco, e até à próxima.


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CULTURA

15 de Março de 2013

Bill Cardoso e o novo jornalismo americano

Vamberto Freitas

H

á destinos piores, como poderão entender, do que me tentar passar por um escritor de viagens a bebericar um copo tropical num chamado Derby Bar e a rir levemente como uma memória esquecida... Bill Cardoso, The Maltese Sangweech & Other Heroes Vamberto Freitas Ye Gods!, escreveu frequentemente o grande e sempre controverso Hunter S. Thompson, herói do Jornalismo Gonzo para toda uma geração irrequieta na América, principalmente para a minha a partir dos anos 70, estudantes universitários que éramos nesses tempos e leitores assíduos de revistas da contra-cultura como a Rolling Stone. Mas a exclamação aqui não vai para o autor do já clássico (e livro de culto) Fear and Loathing in Las Vegas: A Savage Journey to the Heart of the American Dream (1971), mas sim para o seu grande amigo, e de certo modo mentor para muitos outros, Bill Joseph Cardoso, lusoamericano nascido em Cambridge, Massachusetts, criado na vizinha Sommerville, cidade do mesmo estado, eventual “residente” algures nos Açores e nas Canárias no princípio dessa mesma década, e depois na Califórnia até ao seu falecimento a 26 de Fevereiro de 2006. Dos pormenores das suas origens ancestrais lusas pouco sabe o seu público leitor; sabe-se que era filho, o mais novo de entre três irmãos, de um imigrante português (“nascido de uma família aristocrática em Portugal”, escreveu sobre o seu pai Bryan Marquard do The Boston Globe no obituário de Bill Cardoso de 15 de Março de 2006), e de mãe lusoamericana, natural de New Bedford. Não, Cardoso (atentem no “s”, e não no “z” de muitos outros luso-americanos) nunca escondeu ser “Portuguese”, muito pelo contrário, como veremos adiante, mas até hoje, nos seus trabalhos publicados, mais não disse, o que se espera venha a acontecer na publicação dos trabalhos póstumos, em que ele ia trabalhando até ser surpreendido pela morte aos 68 anos de idade no seu esconderijo privilegiado de Kelseyville, na Califórnia. A sua carreira, no entanto, foi absolutamente distinta, a certa altura sendo considerado “um deus para a sua geração”. Formou-se em jornalismo na Boston University, e em 1967, depois de passar pelo Valley News de West Lebanon e pelo Concord Monitor, ambos de New Hampshire, ingressou nos quadros do prestigiado The Boston Globe, onde com rapidez viria a ser nomeado “editor” – director – da respectiva Globe Sunday Magazine, páginas que lhe permitiriam muito mais criatividade e subjectividade de jornalista-escritor, assim como o poder de convidar para essas páginas outros da mesma estirpe do Novo Jornalismo norteamericano. Pouco depois do seu nome se tornar referência respeitada e apetecida entre algumas das mais influentes revistas

da época, Cardoso demitiu-se e tornarse-ia num free lancer, altura em que vem “trabalhar” uns tempos no nosso arquipélago, supõe-se que em escrita-outra. Publicaria depois na Harper’s Weekly, Esquire, Ramparts, Outside, New Times, Playboy, City of San Francisco, entre outras publicações de igual renome e alcance políticointelectual da Nova Esquerda do seu país. Thompson, quando Cardoso ocupou esse seu lugar no The Boston Globe, escreveu a vários amigos, como hoje consta das suas cartas reunidas em Fear and Loathing in America: The Brutal Odyssey of an Outlaw Journalist/The Gonzo Letters, Volume II, 1968-1976, elogiando-o sem reservas algumas, e prevendo que ele depressa tomaria o lugar de director da Esquire, o que, para a felicidade dos seus leitores, su-

ponhamos, nunca viria a acontecer. Por essa altura, numa carta datada de 10 de Setembro de 1971, Hunter S. Thompson escreve-lhe para os Açores pedindo que ele “arranjasse” maneira de o trazer às ilhas juntamente com a sua namorada para umas férias de Natal, e, por certo, para cerveja sem fim, charros e escandaleira vária, quando alguém os aborrecesse! Thompson, na sua irreprimível e irreverente linguagem de sempre, refere-se às ilhas, que ele desconhecia por completo, como “that filthy place”, e continua delirantemente a sugerir que Cardoso também conspirasse para que essa viagem fosse inteiramente paga pela Rolling Stone. “Uma possibilidade – escreve Thompson – que

poderás tornar realidade – e pelo menos incluir-me nela – talvez seja uma ligação com viagem paga por uma qualquer linha aérea que voa para a esse maldito lugar. Que maneira melhor para trazer mesmo essa terrinha para o centro do Mapa Hip do que convidar para uma visita o Editor Desportivo da Rolling Stone? De uma só penada, eu poderia fazer do Funchal [que Thompson tencionava visitar de seguida aos Açores] uma geografia da moda ainda este ano. Deverias talvez aproximar-te e sondar sobre isto essa cambada no Hilton… talvez possas também convencer o Wenner [fundador e director da revista] de que é importante a Rolling Stone ser vista nos Açores”. É difícil não acreditar que Cardoso tenha nos seus ficheiros alguma coisa ainda por publicar sobre a sua estadia numa ilha açoriana, onde ele, noutra parte, dizia visitar para “descanso espiritual”. Toda a sua geração, aliás, se caracteriza por essa independência radical face aos periódicos em que publicavam e especialmente ante todos os Poderes públicos na sua sociedade, tendolhes permitido a reinvenção da escrita jornalística na língua inglesa, na qual o autor se posiciona com um “eu” de todo subjectivo, e até criando “situações” ou “incidentes” ficcionais para melhor explicar a natureza de um “acontecimento” ou “personagem” da vida real. The Maltese Sangweech & Other Heroes (1984) é a colectânea de “ensaios”, quase todos publicados ao longo dos 70 e abordando uma diversificada gama de temas e acontecimentos, desde os famosos crimes na Chinatown de San Francisco por essa altura à “histórica” luta entre Muhammad Ali e George Foreman no Zaire, acontecimento desportivo internacional que mobilizou algumas outras das mais famosas figuras do jornalismo e literatura americana, como Norman Mailer e Joyce Carol Oates. Pelo meio, Bill Cardoso visita outras figuras, cidades e acontecimentos que ficaram “mitificados” na consciência nacional do seu país, ou pelo menos entre todos os que liam nesses anos de loucura e revolução a Imprensa de alternativa à esquerda, ou a intelectualmente elitista: “Chowchilla Kidnap”, “Oregon: Sometimes a Great Nation”, “The San Francisco Bosox”, “Singing in the Canaries”, “The Smothers Brothers Get Their Sh-t Together”, entre outras páginas de igual fulgurância narrativa. Em The Maltese Sangweech & Other He-

Apenas Duas Palavras

Diniz Borges d.borges@comcast.net São apenas duas palavras para saudar os nossos leitores e pedir que leiam com atenção este trabalho do nosso distinto colaborador e amigo Vamberto Freitas. É que cale mesmo a pena. Mais, dentro de poucas edições falaremos aqui da segunda edição do livro Imaginário dos Escritores Açorianos que o Vamberto vai publicar em breve, com apresentação no fim de Abril em Ponta Delgada. Abraços diniz

roes Bill Cardoso refere-se vezes sem fim, e deixa outros referir, que é “Portuguese” ou “Portigee” (quando menciona como se riam de nós em anedotas os migrantes que tinham vindo de Oklahoma nos deprimidos anos 30, os Oakies do Vale de São Joaquim), refere os “Azores” e “Portugal”, fala de Salazar e Caetano e da opressão no nosso país, que ele conheceu directamente desde os anos 60 -- mas sempre de passagem e sem juízos de valor. Raramente os seus leitores, uma vez mais, deixam de saber da sua ancestralidade. Cardoso por vezes deixa cair comicamente esse facto da sua vida, ensinando uma vez como se escreve em Português (erradamente, digase) “tramacos/tremoços”, “matar o bicho”, explica aos seus amigos o que “cao” quer dizer (do navegador Diogo Cão), “marihuana (“Portuguese spelling”, explica ele), em Zaire puxa dos seus galões como sendo “Portuguese” em certas situações, e noutro ensaio explica o horrendo e histórico acidente de aviação em Tenerife: “(…) Um 747 da KLM acabava de colidir numa pista de Tenerife, matando 581 pessoas. O pior desastre aéreo da história. O outro avião da Pan Am tinha sido impedido de aterrar em Las Palmas devido a uma ameaça de bomba. (Uns lunáticos quaisquer exigiam a independência das ilhas dos Açores, da Madeira, das Canárias e de Cabo Verde… que formariam uma confederação de arquipélagos, a mais estranha confederação de sempre). A tradição literária e intelectual assumidamente luso-americana vem de longa data, e intensificou-se consideravelmente nos nossos dias, felizmente. Os nossos escritores de sucessivas primeiras gerações, os que escreveram e escrevem em Português, um dia ficarão só na memória cultural do seu país de origem, quando muito. Bill Cardoso é “nosso”, e pertence também aos “outros” -- serão eles a única memória, verdadeiramente nacional, substancial ou meramente camuflada, num futuro muito próximo, da nossa presença e, diria, distinta afirmação na América do Norte. ________ Bill Cardoso, The Maltese Sangweech & Other Heroes, Athenaeum, New York, NY, 1984. Retirei esta recensão de um ensaio que publiquei em 2008. Todas as traduções aqui são minhas.


PATROCINADORES

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ENGLISH SECTION

California Chronicles

Ferreira Moreno

15 de Março de 2013

Pioneers & Missionaries (3) guration of the Portuguese National Church of the Five Wounds took place on July 13, 1919. Msgr. Ribeiro died on August 17, 1935. The Funeral Mass was held on August 20, followed by burial at Calvary Cemetery in San Jose. In closing, I would like to point out that nowhere was reference made that Ribeiro, prior to his tenure in San Jose, had been assigned as pastor of the Immaculate Conception Church in Buhach in 1913. The Directory for the Diocese of Fresno has Ribeiro's name inserted on the list of succession of pastors, after Father Joseph Cunha (1910-13) and before Father Manuel Grilo (1914-17). Actually, by the end of 1913, Ribeiro was already working in San Jose, where he initiated the construction of the portuguese National Church of the Five Wounds.

Henrique Augusto Ribeiro, monsignor. Photo from Bersano Studio

M

onsignor Henrique Augusto Ribeiro was born on November 24, 1866 in Cedros, Faial Island, Azores. He was ordained a priest on December 15, 1889. After serving in parishes, both on his native Faial Island as well as on Flores Island, he immigrated to California sometime after 1910. A biography (1), written about Msgr. Ribeiro, stated that he arrived in San Jose in 1912. On November 16, 1913 he acqui-

red a piece of property where a Holy Spirit Chapel was built and blessed on June 15, 1914. On November 8 of that same year, Archbishop Riordan created the Five Wounds Parish to serve the Portuguese community. The biography further stated that construction of the church began on October 4, 1916. Mass celebration and other religious services at the tiny chapel were transferred to the new church, although still incomplete, on June 29, 1918. The solemn inau-

Carlos Vieira Foundation Extends Grant Program for Kids with Autism into More Local Counties The Carlos Vieira Foundation is proud to announce that it has expanded its grant program to help families with autism into two more counties. Families that are in the counties of Mariposa and Tuolumne will now be eligible to apply for a grant up to $500 through the foundation that provides an item or service that directly helps their child with autism. These two new counties will join with Merced, Stanislaus and Madera as the now five counties that can apply for the Direct Help Program for families living with autism. Thanks to all the sponsors, volunteers, Team 51 FIFTY and the wonderful people who support their fundraisers that are held throughout the year, the Carlos Vieira Foundation (CVF) continues to expand their efforts to

help families in need throughout the valley. Their goal is to be in the San Joaquin and Fresno counties by the end of the year. CVF frequently holds fundraisers throughout the year to help families living with Autism and to help kids stay away from drugs and gang life. They have also recently started several successful after-school boxing programs to help kids stay off the streets. CVF would like to thank the community for all their support and hope that the community continues to help their foundation. For more information about CVF Direct Help Grants and all their events please go to www.carlosvieirafoundation.org.

Monsignor Julio Martins was born on December 2, 1890 in Ligares, in the province of Trasos-Montes located in the remote north-east corner of Portugal, bordered on the north and east by Spain. After he had completed his classical studies, he came to the Julio Augusto Martins, priest. Foto de Embassy Studios, Oakland. U.S.A. in 1915 and entered St. Hayward as pastor of All Saints In closing, I would like to add Patrick's Seminary in Menlo that through the endeavors of Park, California. He was ordai- Church. ned a priest for the Archdiocese When he arrived there in 1942, Hayward residents, Mary Marof San Francisco on April 5, 1919 the United States was involved tins and Ed Martins, respectively and he was immediately appoin- in World War II, and Martins fa- niece and nephew of Monsignor ted Assistant at All Saints Chur- ced great difficulties bringing the Julio Martins, an Orphanage was previously projected parish plant built in Ligares and named after ch in Hayward. the beloved Monsignor. It aIso However, his stay there was quite to completion. brief, because on May 22, 1919 In 1947 a parochial school had serves as "Lar de Idosos", a rest he was tranferred to St. Leander's been built, and a convent for the home for the elderly. Church in San Leandro. He ser- Sisters followed in 1948. Admived there as Assistant until 1925, rably, in 1952, five additional (1) Padre Manuel F. Escobar, Saat which time he was appointed classrooms were also built to ac- cerdotes Faialenses, promotora pastor of Sacred Heart Church commodate the increased enroll- Portuguesa, New Bedford, MA., in Patterson. A decade later he ment. 1998. became pastor of the Portugue- On April 27, 1956 Martins receise National Church of the Five ved the title of Monsignor. His Wounds in San Jose, from 1935 death occurred on November 18, to 1942. He was then moved to 1964.

Francisco I - The new Pope Jorge Bergoglio was born in Buenos Aires, one of the five children of Italian immigrants, railway worker Mario Jose Bergoglio and Regina Maria Sivori, a housewife. He received a master's degree in chemistry at the University of Buenos Aires, and then studied at the seminary in Villa Devoto. He entered the Society of Jesus on 11 March 1958. Bergoglio obtained a licentiate in philosophy from the Colegio Máximo San José in San Miguel, and then taught literature and psychology at the Colegio de la Inmaculada in Santa Fe, and the Colegio del Salvador in Buenos Aires. He was ordained to the priesthood on 13 December 1969, by Archbishop Ramón José Castellano. He attended the Facultades de Filosofía y Teología de San Miguel (Philosophical and Theological Faculty of San Miguel), a seminary in San Miguel, Buenos Aires. Bergoglio attained the position of novice master there and became professor of theology. Impressed with his leadership skills, the Society of Jesus promoted Bergoglio and he served as provincial for Argentina from 1973 to 1979. He was transferred in 1980 to become the rector of the seminary in San Miguel where he had studied. He served in that capacity until 1986. He completed his doctoral dissertation in Germany and returned to his homeland to serve as confessor and spiritual director in Córdoba. Bergolgio was named Auxiliary Bishop of Buenos Aires in 1992 and was ordained on 27 June 1992 as Titular Bishop of Auca, with His Eminence, Antonio

Cardinal Quarracino, Archbishop of Buenos Aires, serving as principal consecrator. He went on to succeed Quarracino as Archbishop of Buenos Aires on 28 February 1998. He was concurrently named ordinary for Eastern Catholics in Argentina, who lacked their own prelate. Bergoglio succeeded Cardinal Quarracino on 28 February 1998. He was concurrently named ordinary for Eastern Catholics in Argentina, who lacked their own prelate. Pope John Paul II summoned the newly named archbishop to the consistory of 21 February 2001 in Vatican City and elevated Bergoglio with the papal honors of a cardinal. He was named to the Cardinal-Priest of Saint Robert Bellarmino. As cardinal, Bergoglio was appointed to several administrative positions in the Roman Curia. He served on the Congregation of Clergy, Congregation for Divine Worship and the Discipline of the Sacraments, Congregation for Institutes of Consecrated Life and Societies of Apostolic Life. Bergoglio became a member of the Commission for Latin America and the Family Council. As cardinal, Bergoglio became known for personal humility, doctrinal conservatism and a commitment to social justice. A simple lifestyle contributed to his reputation for humility. He lived in a small apartment, rather than in the palatial bishop's residence. He gave up his chauffeured limousine in favor of pu-

blic transportation, and he reportedly cooked his own meals. (wikipedia, partial)


ENGLISH SECTION

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NOPA Publishes Funding Opportunities NOPA, the National Organization of Portuguese-Americans, provides a service to the community with the purpose of educating and informing elected officials, municipalities, civic, and non-profit organizations about fundraising and grant opportunities to support programs that empower and improve the lives of PortugueseAmericans. NOPA is a national non-profit, tax exempt organization that supports and works with communities and organizations to advoate for and empower Portuguese-Americans. NOPA can be reached at nopa-us. org.

Federal Grants Drug-Free Communities Mentoring Program Department of Health and Human Services announces funds to assist newly forming coalitions in becoming eligible to apply for Drug Free Communities funding on their own. Eligibility: Nonprofit organizations Deadline: 4/23/2013 Funds: $750,000 is available for 10 awards up to $75,000 Website: www.grants.gov School Turnaround AmeriCorps Corporation for National and Community Service announces funds to support programs to increase educational achievement, high school graduation rates, and college readiness for students in the nation’s lowest-performing elementary, middle, and high schools. Notice of Intent to Apply is required and is due on April 2. Eligibility: City or township governments, independent school districts, public and state controlled institutions of higher education, faith-based organizations, private institutions of higher education, others, community-based organizations, DC government agencies, Local Educational Agencies and State Educational Agencies Deadline: 4/22/2013 Funds: $5,000,000 is available for awards up to $1,000,000 Website: http://www.nationalser-

vice.gov/pdf/schoolturnaround_ ac_notice.pdf

Foundation Grants Domestic Violence Programs for Children Weyerhaeuser Family Foundation announces funds to support programs whose mission is to prevent future abuse and break the cycle of violence; assist children in coping with the physical, emotional, and mental trauma of abuse; provide treatment and services beyond initial intervention; target children of middle school age and younger; and are based on proven and documented strategies and provide clear metrics to measure the programs outcomes. Letters of Intent must be received no later than April 1. Eligibility: Nonprofit organizations Deadline: 8/1/2013 Funds: Awards available up to $25,000 Website: http://www.wfamilyfoundation.org/childrens_initiative.html Environmental Education, Action, & Advocacy Green Shanny Foundation announces funds to support programs that providing quality, effective, and innovative environmental programs which: (a) educate today’s youth on the importance of environmental issues, (b) initiate action to work toward a more sustainable future and (c) advocate on behalf of a variety of environmental ideals. Eligibility: City or township governments, county governments, independent school districts, special district governments, state governments, nonprofit organizations, community-based organizations, DC government agencies, Local Educational Agencies and State Educational Agencies Deadline: 4/10/2013 Funds: Awards are available up to $1,500 Website: http://greenshannyfoundation.org/getInvolved.html Grassroots Activism & Community Organizing A.J. Muste Memorial Institute

announces funds for programs that will support social justice projects. A preliminary application must be submitted by email to info@ajmuste.org. Preliminary Application can be downloaded at http://www.ajmuste.org/preapp.doc. Eligibility: Nonprofit organizations Deadline: 4/8/2013 Funds: 15 awards are available up to $2,000 Website: http://www.ajmuste.org/ guidelin.htm Improve The Lives of Military Families Fisher House Foundation announces funds to support programs that will provide a wide range of unique, innovative, and high-quality programs or services that improve the quality of life for military service members, veterans, and their families. Eligibility: Nonprofit organizations, faith-based organizations and community-based organizations Deadline: 5/1/2013 Funds: $100,000 is available for awards up to $25,000 Website: http://www.fisherhouse. org/programs/newmans-ownaward/newmans-own-apply/

Additonal Funding Resources Do Something Award Since 1996, DoSomething.org has honored the nation’s best young world-changers, 25 years old and under. Do Something Award nominees and winners represent the pivotal “do-ers” in their field, cause, or issue. In 2013 five finalists will appear on the Do Something Awards on Vh1 and receive community grant, media coverage and continued support from DoSomething.org. The grand prize winner will receive$100,000 during the broadcast. The deadline is April 15th, 2013 by 5:00pm. For more information visit http:// www.dosomething.org/awards. Responsible Sports™ Community Grant Liberty Mutual Foundation is

awarding Grants of $2,500 to USA non-profit youth sports organizations and educational athletic programs (e.g., teams and leagues) that promote the values of responsible sport parenting and/or coaching. The purpose of these grants is to encourage youth sports organizations to provide helpful advice and useful tools about responsible parenting or coaching that can be applied universally among young athletes both on and off the field. From now until May 31, 2013 community residents will help their local youth sports organizations win grants by completing a Responsible Sport Parenting or Coaching course and quiz and crediting it to them. For more information visit http://www.responsiblesports. com/community_grants/community_grant_details.aspx World of Children Accepting Nominations for 2013 Humanitarian, Health, Youth Awards The World of Children award program honors individuals who have created proven, high-impact programs that make a permanent difference in the lives of children in the United States and abroad. The organization’s Humanitarian Award recognizes an individual who has made a significant contribution to children in the areas of social services, education, or humanitarian services. The minimum grant award is $50,000. The Health Award recognizes an individual who has made a significant contribution to children in the fields of health, medicine, or the sciences. The minimum grant award is $50,000. The Youth Award recognizes individuals under the age of 21 who are making extraordinary contributions to the lives of other children. The minimum grant award is $25,000. Deadline for all nominations is April 1. For more information visit http://worldofchildren.org/ theaward/awards-we-give/ InvenTeam Initiative to Cultivate High School Student Creativity The Lemelson-MIT Program created the InvenTeam initiative to provide opportunities for high

school students to cultivate their creativity, curiosity, and problemsolving abilities and apply lessons from science, technology, engineering, and math (STEM) subjects to invent technological solutions to real-world problems. InvenTeams are comprised of high school students, teachers, and mentors who can receive grants up to $10,000 to invent technological solutions to a problem of their choice. STEM educators at high schools and nonprofit educational organizations who have not received an InvenTeam grant within the past three years are eligible to apply. Funds may be allocated for project-related research, materials, and learning experiences. Funds may not be used to purchase capital equipment or professional services. Deadline to submit an application is March 1st. For more information visit http://web.mit.edu/inventeams/apply.html. HSCF’s Advocates in Disability Award (ADA) The HSC Foundation’s ADA Program is seeking the next generation of disability advocates. If you know a young leader with a disability who like to apply for the 2013 Advocates in Disability Award (ADA). The purpose of the ADA Program is to award and encourage a young individual with a disability between the ages of 14 and 26, who has dedicated himself/herself to positively affecting the lives of individuals with disabilities and their families in the United States. The program also supports an innovative project developed by a young person with a disability that serves and empowers individuals with disabilities. The selected recipient is awarded $3,000 in recognition of his/her past disability advocacy and will receive up to an additional $7,000 in funding support for his/her proposed project. Deadline to receive application is March 15. For more information visit www.hscfoundation. org/2013ADA.php.

10-year-old donates to Locks of Love Andreia Maria Dutra Sales is a Portuguese-American school girl from Chino, California. Last February, Andreia donated her beautiful long hair to Locks of Love, a public non-profit organization that provides hairpieces to financially disadvantaged children in the US and Canada. Andreia, 10, attends 5th grade in Chino and is very active in the local Portuguese-American community. She attends all festas at the Chino D.E.S., participates in folk dancing, marching band, Danças de Carnaval, Marchas de São João, youth choirs, and the Luso-American Council from Norco-Corona. Andreia previously donated her locks of hair in December 2010. The Portuguese Tribune congratulates Andreia for her commitment to helping others.

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ENGLISH SECTION

15 de Março de 2013

SERVING THE PORTUGUESE–AMERICAN COMMUNITIES SINCE 1979

Ideiafix

Miguel Valle Ávila

portuguese

• ENGLISH SECTION

miguelavila@tribunaportuguesa.com

Sousa’s Restaurant, 31 years serving traditional Portuguese food in San José’s Little Portugal

Top: Bife à Portuguesa (Portuguese-style steak with fried egg), Polvo Guisado (stewed octopus in red wine sauce), Tarte de Côco (coconut roll), Pudim Flan. Above: Chef Leonel Sousa, owner of Sousa’s Restaurant; Sousa’s dining room. Below: Restaurant façade on Alum Rock Avenue; Portuguese-style tiles.

Sousa’s Restaurant

1614 Alum Rock Avenue (between 33rd and 34th Streets) San José, California 95116 Telephone 1.408.926.9075 Private parking lot, street parking No website

MIGUEL ÁVILA

Thirty-one years later, Sousa’s Restaurant in San José’s Little Portugal has seen its surroundings change while remaining the same. It is the last surviving Portuguese restaurant in Little Portugal. Besides serving traditional Portuguese food, for many years, Sousa’s Restaurant was titled the “Catedral do Fado” (Fado Cathedral) for its commitment to bringing the best Fado singers from Portugal. Its decor reflects that history with giant Portuguese guitar motifs and framed photographs of Amália Rodrigues and other fadistas. Through the years, Chef Leonel continues to maintain the traditional Portuguese flavors in the Steamed Clams, Shrimp Scampi, Alcatra Regional (Azorean-style beef stew), Polvo (octopus stew in red wine), Filet of Sole, Camarão Leo (the chef’s own shrimp recipe), among other dishes. All dishes tend to be moderately priced at less than $15.00 with most around $12.00. Entrées come with soup (Caldo Verde is especially good) or salad, Portuguese paposecos (dinner rolls) and butter. With the exception of the delicious Tarte de Côco (coconut roll) and Pudim Flan, the other desserts are typically American. The restaurant’s decor has not been refreshed in about two decades and it shows. It could definitely use an update. While the entrée flavors are still what bring us back, Sousa’s Restaurant’s Achilles’ heel is the same as for most traditional Portuguese restaurants in the US -- unimaginative iceberg lettuce salad, overcooked frozen vegetables, and bland yellow rice. I wonder how wonderful Sousa’s would be after a Restaurant Impossible renovation?


COMUNIDADE

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Os Gabrieis descobriram a California

Os primeiros habitantes da California chegaram há cerca de 13 a 15 mil anos. No século dezasseis muitos europeus tentaram redescobrir a California quer por terra quer por mar. O nosso amigo Cabrilho, trabalhando para Espanha chegou a San Diego. O Inglês Sir Francis Drake percorreu a nossa costa mas nunca viu a hoje Baía de

San Francisco porque no verão o nevoeiro sempre cobriu aquela famosa entrada. Esta lenga-lenga serve de introdução à primeira viagem de um casal terceirense - Adelaide e José Manuel Gabriel - que, morando na capital americana da Graciosa, Lowell de seu nome, vieram visitar esta terra dourada das grandes campinas, dos grandes vi-

nhos, das grandes corridas de toiros, das grandes Festas do Espírito, para comemorarem o seu 32° Aniversário de Casamento bem como o aniversário do Zé Gabriel. A Comissão de Recepção encabeçada pelo Guilherme Brasil proporcionou uma super recepção com televisão, rádio, limousine com as bandeiras nacionais.

A Adelaide, comovida, agradece a recepção bem como os parabéns dos amigos. Viram-se fotografias antigas, falou-se em tantos outros amigos, ausentes, quer na America, Canadá e Portugal. Foi um Domingo de Saudade, de recordações e de bem comer.

João Melo, Jorge Fernandes, José Gabriel, Guilherme Brasil, Luís Cordeiro Leninha Fernandes, Ilda Avila, João Bendito, Eduarda Brasil, Adelaide Gabriel e Luísa Cordeiro

Os aniversários foram comemorados perto do mar em Half Moon Bay onde Jorge Fernandes estava acampado. Uma ementa de rigor foi servida. A Aguardente da Graciosa de 40 anos trazida pelo João Bendito bem como a CR&F do João Melo evaporaram-se em minutos. Qualidade consomese bem.


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ULTIMA PÁGINA

15 de Março de 2013

Sómente $5.99 a libra

The Portuguese Tribune - March 15th 2013  

The Portuguese Tribune - March 15th 2013

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