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QUINZENÁRIO INDEPENDENTE AO SERVIÇO DAS COMUNIDADES DE LÍNGUA PORTUGUESA

1 a Quinzena de Março de 2012 Ano XXXII - No. 1127 Modesto, California $1.50 / $40.00 Anual

Único no Mundo

Bisavó tem 10 bisnetos

e duas netas num bailinho de Carnaval

Homenagem a António da Rosa Furtado

António e Gina Furtado ladeando Alzira Silva, deputada regional dos Açores, que se encontrava de visita à California. Pág. 15

José Afonso

uma saudade para sempre Matilde Gonçalves, natural dos Altares, Ilha Terceira, residente em Artesia, com 89 anos de idade, tem 10 bisnetos (nove na fotografia) e 2 netas no Grupo de Carnaval de Artesia, cujo assunto foi "Pilotos e Hospedeiras" de Hélio Costa, tendo como mestre Cole Martins e ensaiado por John Martins, Mário Sales e Francisco Gaspar. O Bailinho tinha 19 membros entre as idades de 7 a 14 anos. Quase todos são da terceira geração e aprenderam Português para poderem participar nesta dança. Pág. 16 a 18

Novos CD's

Carmencita e Rosa Maria

Pág. 13

(próx. edição)

Mais uma açoriana centenária

Gertrudes Soares Martins George Perry Honored by Portugal's Academy of Sciences Pág. 30

100 anos www.portuguesetribune.com

(próx. edição)

www.tribunaportuguesa.com portuguesetribune@sbcglobal.net


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SEGUNDA PÁGINA

1 de Março de 2012

Visconde da Graciosa

EDITORIAL

100 anos memoráveis

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a nossa próxima edição vamos falar de Gertrudes Soares Martins, que faz 100 anos no dia 3 de Março de 2012 e vive em Tulare. As histórias que já ouvimos desta senhora davam para "fazer um livro. Esta quase centenária costumava receber telefonemas da Terceira, da Repartição de Finanças a perguntar-lhe se ela se lembrava de quem eram os prédios aqui ou ali situados. Por muitos anos esta senhora, e ainda antes da internet, foi o "Google" das Finanças terceirenses. Quando em dúvida, bastava um telefonema para Tulare e Gertrudes Soares Martins decifrava o enigma do prédio em causa. Grande cachimónia, diria o meu bom amigo Conselheiro. A corrupção não olha a meios para estender os seus tentáculos. Na semana passada demitiu-se o Presidente da Alemanha devido a corrupção. Em Roma, "O cardeal português D. José Saraiva Martins, que é membro da Comissão para o Governo do Estado do Vaticano, confirmou, em declarações exclusivas ao Correio da Manhã, que os casos de corrupção mencionados nas cartas enviadas ao Papa pelo arcebispo Carlo Maria Viganò e que foram tornadas públicas "são verdadeiros". Mendes Saraiva, dizia que no Vaticano há imensa corrupção, por causa das obras naqueles seculares edificios. "Em causa estão contratos para obras no Vaticano, envolvendo bancários e figuras da Igreja e que terão lesado o Estado do Vaticano em quase oito milhões de euros", disse o cardeal. Entretanto a polícia portuguesa prendeu um mendigo que roubou um chocolate no valor de 70 cêntimos. São as duas faces da vida. jose avila

O

telefone tocou. Olho para o relógio. São 3:13 da manhã. Capicua, penso eu. Este telefonema pode dar-me sorte. Estou? "Aqui é de Lisboa. É o doutor Castro Avila?" Diga, faz favor (eu já desisti de dizer que não sou doutor, mas todos os telefonemas de Portugal me tratam por doutor). "Sabe, doutor, é que a nossa Fundação, devido aos extraordinários serviços prestados por vossa excelência, está a pensar oferecer-lhe uma comenda, mas gostaríamos de saber que grau é que mais gostava." Olhe, eu vou ser muito sincero, com a Fundação. Eu não quero comendas, mas já que a Fundação me quer oferecer algo, então eu gostaria que me arrranjassem um titulo que eu gosto muito. Desde pequeno que sonho ser Visconde da Graciosa. "Mas, ó doutor, já que quer esse titulo, escolha um de maior categoria, como conde ou barão." Não, não. Sabe, esses são títulos muito curtos, e recordam-me os armazéns do Conde Barão em Lisboa. Eu queria uma coisa uni-

Crónicas do Perrexil

J. B. Castro Avila ca, um nome com largueza, ainda por cima começado por V, como Vitória, Victor, Viriato, Vasconcelos, todos nomes fortes. "Olhe doutor, então temos que falar com a Casa de Braganca, para

Logo que Pio Duarte volte de Timor, trataremos do assunto." Então, boa tarde para Portugal, disse eu. Minha mulher virou-se na cama e eu aproveitei e disse-lhe: Nem

tratar do assunto." Já agora podiam também falar com a Casa do Alentejo e do Douro, pois sou amante dos seus vinhos, e eles até podem-me conhecer, porque eu compro muitos vinhos dessas terras. "Fica então combinado, doutor.

sabes o que aconteceu? Sei, queres ser Visconde da Graciosa. What? Como é que sabes? É que a sonhar até falas ao telefone. Pim, pam, pum.

Year XXXII, Number 1127, Mar 1st, 2012


PATROCINADORES

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COMUNIDADE

1 de Março de 2012

SOPAS Society of PortugueseAmerican Students

Tulare Union, Tulare Western & Mission Oak High Schools 755 East Tulare Ave Tulare, Califórnia 93274 A associação estudantil SOPAS das escolas secundárias Tulare Union, Tulare Western e Mission Oaks High Schools promoverá, no Domingo, 11 de Março de 2012 (o dia que marca o fim da semana nacional para o ensino de línguas estrangeiras) o seu décimo-primeiro anual pequeno almoço—Portuguese-American Style Country Breakfast. Este evento ocorrerá entre as oito da manhã e o meio-dia. A ementa constará de ovos mexidos, pancakes, linguiça frita, feijão guisado, café, leite e sumo de laranja. O preço para este evento é de apenas 7 dólares para adultos e 5 dólares para crianças com menos de 12 anos. A refeição será preparada pelos pais dos alunos desta Associação, e os próprios jovens membros, no refeitório da escola Tulare Union. Para a compra de bilhetes, ou mais informações, podem ligar para o professor encarregado,

Memorandum Diniz Borges através do (559) 686-7611 na escola Tulare union ou com o professor Clemente Fagundes nas escolas Tulare Western ou Mission Oak. Podem ainda comprar os seus bilhetes através dos estudantes membros da associação SOPAS nas escolas secundárias Tulare Union , Tulare Western e Mission Oak. Entre as 3 escolas a cidade de Tulare tem cerca de 345 alunos inscritos nos cursos de língua e cultura portuguesas dos quais cerca de 90 são membros do SOPAS. Não haverá bilhetes à porta. Podem tomar a refeição no refeitório da escola Tulare Union ou podem levar o pequeno-almoço para casa, entre as 8 da manhã e as 12:30 do domingo, 11 de Março. Gratos pela divulgação Diniz Borges d.borges@comcast.net 559-686-7611 Patricia Freitas, presidente na Tulare Union Brianda Louro, presidente na Tulare Western Sabrina Silvestre, presidente na Mission Oak

Programa "De mãos dadas com os Açores" A Direcção Regional das Comunidades, vai promover o Programa “De Mãos Dadas com os Açores”, na semana de 18 a 25 de Maio de 2012, na Ilha de São Miguel. Este programa destina-se a proporcionar a visita aos Açores a cidadãos de origem Açoriana, portadores de deficiência fisica ou mental, radicados nos EUA e Canada. Poderão beneficiar deste programa um total de 16 pessoas, incluindo-se neste numero os acompanhantes das pessoas portadoras de deficiência. Os custos das passagens, alojamento, refeições e seguros dos participantes portadores de deficiência e familiares ou cuidadores que os acompanham, serão da responsabilidade da Direcção Regional dos Acores. Este programa constará actividades de carácter lúdico e de natureza cultural, para além das visitas aos pontos mais importantes do ponto de vista turistico, da Ilha de São Miguel. Contudo, o programa poderá realizar-se noutra Ilha, quando o numero de participantes naturais dessa mesma Ilha for superior a 6 elementos. Os participantes do Programa poderão, se assim o desejarem, prolongar a sua estadia nos Açores junto de familiares e/ou amigos

que os acolham. No entanto, se houver despesas adicionais devido a alteração das viagens, ou por outras razões quaisqueres, estas serão satisfeitas pelos próprios. Os critérios de selecção dos candidatos são os seguintes: 1. Ser natural dos Acores e com idade superior a 18 anos. 2. Ser portador de deficiencia fisica ou mental. 3. Situação económica de maior carência. 4.Não ter visitado os Acores há pelo menos 10 anos. As inscrições terminam no dia 30 de Março. Para mais informações ou obtenção de formulários podem contactar as seguintes organizações: POSSO, San Jose, 408-293-0877. VALER, Turlock, 209-634-0380 e Casa dos Acores, Hilmar, 209667-6030

João-Luís de Medeiros jlmedeiros@aol.com

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conversa pré-quaresmal

onheço pessoas (se calhar sou uma delas) que nasceram com o condão de ignorar o ritual calendarista da recompensa. Refiro-me àqueles que prosseguem o seu caminho, quase sempre distraídos das curvas aplausíveis da vida, e sem reparar no “passo de ganso” dos fiscais da moralidade alheia; dirijo-me ao cidadão trabalhador, detentor da noção sensata do seu tamanho, e conhecedor do facto que a diurese da literatagem lusófona não refresca nem renova o canteiro do bem-comum. O missionário da escrita sabe que o gozo da liberdade (freedom is not free) está na alegria de resistir à dor imposta pela ditadura da necessidade… Ora atendendo à circunstância pessoal de não ser evangelistapolítico encartado (nem sequer “tenor” partidário convidado para engrossar o eco da voz oficiosa do momento que passa) – falta talvez lembrar que há um rótulo ameaçador que acompanha a vida do apóstolo da mudança – “cuidado! agente subversivo”. Não me consola supor que uma vitória pessoal seja a derrota de alguém… Proponho que aceitemos, voluntariamente, o convívio das ideias. Aqui, algures no Coachella Valley, afastado da lengalenga nostálgica da diáspora, continuo na teimosia utopista de permanecer longe-perto dos meus conterrâneos. Vamos descobrir em conjunto o mais eficiente meio de avivar o amor ao próximo, no meio desta caótica ventania da incerteza. E nt r e t a nt o, continuamos a observar (com espanto) a agonia de ‘gente-danossa-gente’ a tropeçar na malfadada confusão entre “espiritualidade” e “religiosidade”…

Recapitulemos: não haveria ciência se não existisse a dúvida; ademais, seria sacrilégio condenar à fogueira-eterna todo aquele que milita no apostolado da Dúvida. Muito gostaria de coexistir no seio duma comunidade espiritualmente madura, se possível liberta do arame farpado do “campo de concentração” psicológico da religiosidade embalsamada. (Estou a falar do espectaculoso delírio religioso, e não da Boa-Nova Divina há dois mil anos anunciada pelo Cristianismo). Estamos a copiar o exemplo dos nossos antepassados: viemos do longe para conviver num país amante da sua bíblia constitucional. Estamos gratos pelo visionário cuidado dos fazedores originais da constituição norte-mericana, sobretudo no monossilabismo ideológico do articulado constitucional. Começaria por lembrar que o texto foi escrito por pensadores que eram cultores racionais do valor da Dúvida. Aliás, o texto constitucional foi gizado e redigido com mil cuidados para desmotivar eventuais tentações de irreversibilidade jurídicoconstitucionais, face às sinuosas vicissitudes do futuro: na constituição dos EUA, não há receituários ideológicos nem trinados de ‘verbiage’ religiosa para castrar o civismo nascente... Resumindo: cada geração tem o indeclinável direito às suas prioridades, inclusivé à prática da desobediência civil. Para que seja o bom sal do presente, o passado

tem de abdicar da reverência polidáctila dos manipuladores da saudade. Somos de opinião que o diálogo inter-geracional (que há décadas vimos propondo) implica o “estender os braços” da experiência acumulada, sem lentejoilar dinastias ou persistir na genuflexão etária tão querida à literatice feudal. O ideal seria apostar na criação de um panorama sócio-cultural transparente, sem “capelitas maçónicas”, visando fortalecer a interdependência do capital humano no desafio da globalização. Há ocasiões em que me sinto desafiado pela suspeita de que o Criador é menos livre do que o ser humano. Porquê? Nós podemos ser imperfeitos, mas o Divino, não! Será que o Criador aceita ser prisioneiro supremo da Perfeição…? Nada mais digo: continuo confiante que o acesso democrático ao saber não seja sonho utopista. Ora, apesar desta demorada conversa pré-quaresmal, estamos ainda a tempo de aderir, voluntariamente, ao evangelho-novo da esperança: abraçar a ciência e a arte de bem duvidar, sem arrogâncias sabichosas…


COLABORAÇÃO

Tribuna da Saudade

Ferreira Moreno

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embra-nos o ditado popular que “até ao lavar dos cestos é vindima”, ou seja, uma vez lavados os cestos é como quem diz estar a vindima acabada e amainada a faina nas vinhas, enquanto pelo Outono adiante as parreiras vão-se despedindo da folhagem amarelecida. Embora tardiamente, restame apenas recordar, aqui e agora, a época das vindimas de antigamente na minha terra, particularmente quando a minha família ia de abalada até à Quinta na Mãe d’Água p’rà apanha e escolha das uvas, ao depois transportadas numa carrocinha de mão a caminho de casa. Mais de meio século há já decorrido desde que, pela derradeira vez, tive a oportunidade de me associar a essa tradicional e animada diversão antes de embarcar p’rà Califórnia. Mas as recordações ainda hoje persistem na imaginação num misto de nostalgia e saudade, há pouco reavivadas ao ler a crónica “Uvas, vindimas e quartilhos” (Correio dos Açores, 18-setembro-2011), da autoria do meu amigo e conterrâneo Ezequiel Moreira da Silva, anotando que tais atividades agora “já não são tão florescentes como eram antigamente”. Em retrospetiva, Moreira da Silva escreveu: “O concelho da Ribeira Grande, embora nunca tenha sido na nossa ilha uma das regiões mais privilegiadas p’ró cultivo da vinha, certamente por motivo da sua localização na costa norte, no entanto não estava desprovido dessa produção agrícola. As zonas mais importantes no cultivo da vinha situavam-se na Chã das Gatas, no

Recordando as Vindimas (1)

isoladas e espalhadas por toda a parte. Na altura das vindimas era tradicional começar-se a vender pelas tabernas, nalgumas mercearias e em algumas casas particulares, o vinho de cheiro acabado de se espremer, quando ele ainda era doce e não tinha entrado em fermentação. Nesses locais, p’ra toda a gente saber, dependurava-se à porta um ramo de videira ou um galho de faia. A acompanhar uns chicharrinhos assados na sertã de barro, juntamente com umas cebolas de curtume e um bom pão de milho, o vinho doce era coisa muito agradável e apetecida. Havia muita gente que apreciava o vinho logo depois de estar fermentado e até mesmo quando não estava completamente “limpo”. Era o vinho novo e onde havia dele, do bom, à venda, não faltava clientela. Normalmente, as vindimas eram feitas pelos agricultores, congregando familiares, vizinhos e amigos p’rà escolha das uvas e p’ra outras operações desta alegre faina. Seguidamente, as provas do vinho doce constituiam sempre motivo p’ra excelentes jantaradas”. Numa breve pausa, passo a folhear o cancioneiro regional: Retira-te das janelas, Retira-te do balcão, Vem comigo p’ràs vindimas. Amor do meu coração. Ó moças, não há tempo Como é o de vindimar, De dia escolhe-se a uva,

E à noite é namorar. Lá vem a minha madrinha, Ali p’la canada acima, C’uma cestinha no braço, Ajudar-nos na vindima. Os rapazes cá da terra, Quando andam nas vindimas, Já parecem uns malucos, Por causa das raparigas. Já se findou a vindima, Começa caindo a chuva. C’má videira sem cachos, Está a minh’alma viúva. Quem me dera lá na terra, À sombra da barraquinha, P’ra contar à minha mãe O que passei na vindima.

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Pico das Freiras, na Canada das Vinhas, nas Covas (Ribeirinha), nas Areiras (Rabo de Peixe), e por todo o Pico da Pedra, com o acréscimo doutras pequenas parcelas

E à noite é namorar. Lá vem a minha madrinha, Ali p’la canada acima,

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ovamente na companhia de Moreira da Silva, apraz-me discorrer àcerca dum outro cenário arquivado na minha memória, e do qual ainda hoje bem me lembro. Refiro-me à azáfama que se verificava logo após as vindimas, quando se separava o vinho do “pé” e este era espremido. O que ficava desse “pé” era levado p’ró alambique, a fim de se obter ainda alguma aguardente, disponível p’ró “mata-bicho” em dias de inverno. Dos vários alambiques, que no meu tempo

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conheci na Ribeira Grande, recordo-me perfeitamente daquele à conta dos rapazes mais idosos do Asilo Escola Agrícola. Estava situado próximo da Cascata da Matriz, no local onde agora se encontra o Talho de Miguel Diogo, conforme a informação transmitida por Moreira da Silva, acrescentando ter sido isso “uma incumbência deixada por herança ao Asilo, ao mesmo tempo fornecendo lucros p’rà casa que acolhia os rapazes e rendimentos em dinheiro p’ró Asilo”. Evidentemente que os proprietários dos alambiques ganhavam uma percentagem da aguardente que fabricavam. No dia da “queima do pé”, era costume dos respectivos donos acompanhar essa operação, e quando voltavam p’ra casa, juntamente com o garrafão ou garrafões de “cachaça”, acontecia vê-los cambaleando na rua, em resultado das provas que haviam engolido na mira de se certificarem que a cachaça estava fina a valer. O vinho é coisa santa, Criado na cepa torta; A uns faz perder o tino, A outros erra a porta. Quando me deres de beber, Não é pela teladeira; Arranca o batoque à pipa, É mesmo pela torneira.

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1 de Março de 2012

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COLABORAÇÃO

Rasgos d’Alma

Luciano Cardoso lucianoac@comcast.net

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ão gosto de escrever sobre quem me lê. Sei que são poucos mas generosos, os que o fazem bem intencionados. Admiroos. Devo-lhes montanhas de respeito pelas sentidas palavras de apreço ocasionalmente trocadas aqui ou acolá. Caiem-me bem. Calam-me fundo. Custa-me ainda mais escrever sobre quem me lia. Sobretudo, quem o fazia carinhosamente. Não é que a minha despretensiosa escrita mereça de quem quer que seja a perca propositada do seu precioso tempo quando há tanto que fazer. Bela e preciosa, a vida é curta demais para nos perdermos à tôa em vaidades vãs, banalidades ocas, parvoíces que pouco ou nada interessam. Interesseiro não era, por certo, o amigo que acaba de nos deixar. Doou o melhor dos seus anos, da sua energia, do seu talento a esta vasta comunidade, em que etnicamente nos inserimos com vívido orgulho, cá na populosa Área da Baía. Serviu-a com entusiástico empenho. Na rádio, pela televisão, como agente de viagens ou na simples venda de veículos – comunicador nato e extremamente simpático – dentro das suas reais capacidades e na era em que o fez, a meu ver, não o podia ter feito muito melhor. Aires Medeiros era uma alma sã. Não foi nenhum santo mas valia-lhe um coração imenso, do tamanho do seu rasgado sorriso. Raramente o via sem ele. Não me lembro de alguma vez o ter encontrado mal disposto. Trazia sempre consigo a sua boa disposição. Cultivava-a a cada instante entre a família e os amigos. Fê-los em número elevado por onde passou. Foi uma passagem fascinante que se iniciou há setenta e dois anos na formosa Ilha Azul. Era um lar alegre, o dos Medeiros, liderado pelo talentoso mestre Egídio. Marceneiro por excelência, pai por vocação, artista por natureza, urdia os instrumentos musicais com genuíno engenho e tocava-os como ninguém. Melhor do que isso, recordam ternamente os filhos, incentivou-os a aprenderem cada qual o seu. O Aires agarrou-se ao violão que, na companhia dos irmãos e irmãs, lhe proporcinou uma juventude alegre com divertidas chamarritas, bailaricos e festa animada ate às tantas. Até que o tenebroso vulcão dos Capelinhos decidiu abalar o coração dos faielenses e mexer com o destino de muitos açorianos. A numerosa família Medeiros – onze filhos ao todo – deixando para trás o extremoso pai, que perecera vítima de doença súbi-

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Alma Sã

ta, imigrou em peso para a esta California de encantos mil onde, ao redor da saudosa matriarca, a adorável Dona Maria José, veio a multiplicar-se em alegria e felicidade transbordantes. Cá, como todos, Aires Medeiros não hesitou em lançar-se à procura do cobiçado “sonho americano”, sem n u n c a descurar todavia o melancólico sonhar à portuguesa. Bem pelo contrário, os seus aclamados “Sonhos de Portugal”, ao longo de quase três decadas, impuseram-se no meio radiofónico local com programação talhada para ajudar a matar as saudades loucas a tanta da nossa boa gente que dera o salto para tão longe do seu querido torrão natal. Feita obviamente noutros moldes, naquele tempo, a rádio tinha o condão de atrair multidões que se associavam aos programas radiofónicos em animadas festas de campo, agradável ponto de encontro e de convívio social. Aires Medeiros evidenciou-se nesse peculiar estatuto de sedutor radialista e incansável promotor de atraentes espetáculos, com artistas vindos de fora, a marcarem uma época no seio da comunidade sempre pronta a abraçar as iniciativas portuguesas em solo californiano. Destacava-se na altura quem mostrasse maior arrrojo. Aires não hesitou em testar os seus telegénicos dotes num temporário segmento televisivo, aparecido então para preencher aquela tremenda lacuna de não haver nada em português nos ecrãs locais. Foi sol de pouca dura mas, mesmo assim, não deixou de ser um franco elogio ao seu louvável espírito empreendedor. Irriquieto e inconformado, nunca desistia. Quer através da Agência Marcella quer pela Courtesy Chevrolet, abundam os testemunhos a compravarem o seu sincero desejo de servir bem os clientes, de quem fazia amigos. Hoje recordam-no como um tipo porreiro, sempre pronto a dar uma mão e incapaz de negar a amabilidade do seu magnético sorriso fosse lá a quem fosse.

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oi figura de destaque por estas bandas e continuou a sê-lo depois na costa leste (Fairhaven), onde se radicara há uma dúzia de anos para estar mais perto da menina dos seus olhos, a filha Elizabeth, uma voz que encanta e muito orgulha a diáspora lusa nesta grande nação americana. Recentemente, pouco tempo antes de falecer, devorado pelo cancro, Aires Medeiros, que continuava a ler atenciosamente o Tribuna, marcou-me com as derradeiras palavras que trocámos ao telefone. “Nunca deixes de escrever”, dizia-me, com a firmeza da sua voz a espelhar ainda a frescura do seu ânimo mas

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a disfarçar já a debilidade do seu corpo, suplicando que Deus o levasse. Foi-lhe feita a vontade. Tentarei corresponder-lhe ao pedido. Não tenciono deixar de escrever mas custa-me tanto fazê-lo sobre quem deixa de nos ler só porque os seus olhos se cerram irremediavelmente para sempre. É a realidade dura da nossa fragilidade humana. Pó que se dilui. O Tribuna perdeu mais um leitor. A comunidade despediu-se de outro amigo. Deixa saudades, bem sei. O seu carismático sorriso, porém, permanece connosco.


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COLABORAÇÃO

1 de Março de 2012

Agua Viva

Ao Cabo e ao Resto

Filomena Rocha

Victor Rui Dores

filomenarocha@sbcglobal.net

"Passemos à realidade"

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cabaram-se os dias da loucura carnavalesca, nem só no País de Carnaval - Brasil, como em muitas cidades e lugares do Planeta. Mas sempre ficam outras loucuras que nada têm a ver com o Carnaval, porque esse é fantasia e dura apenas três dias, mas quando chegamos à realidade, já as loucuras duram mais tempo e são mais a sério! E toda a gente, à volta do mundo se pergunta como acabará a tormenta que começou sem que muita gente se apercebesse. Foi quase de repente. Só víamos nas lojas, no fim das compras uma enorme soma para pagar... Mas tanto? Em quê? Os cestos vêm vazios... E veio o tremendo “Boom”, que colocou milhares e milhares de pessoas fora dos seus empregos, sem dó nem piedade. Com a palavra “Crise”, a mais usada desde então, fecharam-se fábricas, escritórios, toda a espécie de locais de trabalho, colocando as pessoas em situações desesperadas, de habitação, de vivência, em camisa de sete varas... Em princípio, só um indvíduo era responsável, depois o baralho de cartas começou a desmoronar-se e todos os valetes e damas de paus começaram a aparecer. Que aconteceu, que trama foi tão bem urdida e lançada, como redes ao mar, que o Mundo parece desmoronar-se, embora alguns vivam em plena fantasia... Na Europa, a realidade triste e amarga, está bem patente. Nada de ignorar as greves promovidas pelos sindicatos, que ilusòriamente estão para ajudar, mas depois de fazerem o seu trabalho de instigar à luta, põem-se na alheta deixando todos sem

solução. São mais uma acha para a fogueira da desolação e da pobreza. Os protestos, os motins, tomam conta das pessoas que não vêem solução para as suas vidas sem casa para viverem, sem rumo para seguirem com dignidade o seu caminho. É triste ver no que se tornou a Grécia, berço da cultura europeia, pràticamente a saque, devido ao desespero da população, que não sabe mais o que fazer. Assim se transforma a história, se perde os passos da civilização, quando desaparecem dos museus, dos arquivos, os manuscritos e as relíquias do passado. Pequenos pedaços que juntos fazem uma peça, são como o DNA de hoje, que constróiem as vidas de pessoas que desconheciam a sua origem. Não podemos ignorar, fazendo de conta que não damos por isso. Angela Merkel está disposta a apertar quem quer que seja, a expremer até à última gota os que vão resistindo a ela, aos seu colegas e à TROIKA. Ou todos serão uma só? Será esta senhora prima afastada do diabólico Adolfo Hitler? Que ninguém se esqueça que ele também queria o melhor para a Europa e fez-se parecer o melhor amigo dos europeus. Levou anos a preparar a sua estratégia e os fornos para os queimar. Que Deus nos livre! Corações ao Alto, olhos e ouvidos Àlerta! Neste Março, Feliz dia da Mulher! Mulheres a valer, preparadas para a luta de todos os dias, com garra, com coragem, mas sempre com coração limpo e puro pela Humanidade!

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Sabores e saberes da culinária açoriana

no mínimo irónico que alguém como eu, que nem um ovo sabe estrelar, venha para aqui escrever sobre culinária. Fá-lo-ei não como cozinheiro que gostava de ser, mas sim na minha modesta qualidade de estudioso de coisas no âmbito da antropologia cultural. Associamos a culinária a cheiros, temperos, paladares e sabores, esquecendo, por vezes isto: é que a culinária é uma forma de cultura, faz parte da nossa tradição e do nosso património cultural. Pessoalmente acho que é relativamente fácil traduzir um bom poema de Becket, mas é extraordinariamente difícil fazer uma boa caçoila, uma boa molha de carne, uma boa caldeirada, ou uma boa alcatra. A culinária, enquanto herança cultural, chega até nós na segunda metade do século XV, com o intenso tráfego marítimo que traz a estas ilhas as armadas vindas do Continente português e as naus regressadas das Índias que nos trazem, entre outras riquezas, as especiarias tão do agrado dos orientais: a pimenta, a canela, os cominhos, o gengibre, a noz-moscada, o pau de cravo, o açafrão, o colorau, etc. O que é curioso é que algumas dessas especiarias (o açafrão, por exemplo) chegam primeiro aos Açores antes de atingirem Lisboa, a capital do reino. Segundo dá conta Gaspar Fructuoso, nas Saudades da Terra, a base de alimentação dos nossos primeiros povoadores partia do trigo (o milho só foi introduzido mais tarde), da batata, do leite, da carne e do peixe. É certo que a matriz da nossa cozinha é bem portuguesa, mas a forte influência local determinou algumas particularidades. Sobretudo a nível dos pratos de peixe. Em tempo de “fast food” e num mundo globalizado, massificado e padronizado, julgo que é no peixe que, nos Açores, podemos marcar uma

diferença qualitativa. Na carne soubemos ser, simultaneamente, reprodutivos, produtivos e criativos. Por exemplo, a alcatra da ilha Terceira é um sucedâneo da chanfana beirã, só que no Norte de Portugal é feita com cabrito e, nos Açores, com carne de vaca. Temos uma culinária tipicamente e especificamente açoriana. Mas temos mais do que isso: temos uma maneira de cozinhar, uma maneira de temperar. Temos esse segredo que não vem nos livros e que são os sabores e os saberes da mão que tempera. Vivendo em ilhas soubemos também assimilar o contributo estrangeiro e disso tirar proveito. Por exemplo, o bolo inglês que se faz nas ilhas do Faial e do Pico resulta da presença dos estrangeiros dos

cabos telegráficos submarinos por estas paragens. Foram eles que introduziram, entre nós, coisas que por aqui não tínhamos: as frutas cristalizadas, as passas, as nozes, os figos passados, etc. Mais tarde chegam-nos outros produtos vindos das Américas (produtos que aqui não tínhamos, como por exemplo, farinhas lácteas) e que fomos incluindo na nossa culinária. Os nossos hábitos gastronómicos resultam, pois, daquilo que herdámos e do que fomos assimilando. O fechamento destas ilhas nem sempre nos foi favorável. Mas há um factor que foi determinante em termos de doçaria e bebidas. Refiro-me à clausura conventual. Foram os frades franciscanos, carmelitas e, mais tarde, os jesuítas

que nos deixaram os segredos de como produzir os bons vinhos e as boas aguardentes. E ficamos a dever às freiras a nossa melhor doçaria conventual. Essas freiras, oriundas muitas delas da nobreza, trocavam entre si as receitas trazidas das casas paternas e requintavam-nas. Para além da doçaria e confeitaria, rezam as crónicas que faziam também deliciosos licores. Não fora a clausura conventual e hoje não teríamos, por exemplo, o alfenim (que ainda se vai fazendo nalgumas ilhas) nem teríamos o apetitoso “Pudim de Feijão dos Frades do Convento da Horta”, que a minha amiga Isaura Rodrigues faz de forma primorosa. Longe vão os tempos em que o chicharro salgado era o conduto principal dos pobres. Esses eram os tempos em que se comia para viver. Hoje vive-se para comer. Até porque com a abertura de grandes superfícies nestas ilhas, os nossos hábitos alimentares têm vindo a mudar. E nem sempre para melhor. Estamos a comer mais em quantidade, mas não em qualidade, avisam-nos os médicos. Estamos a abusar do sal e das gorduras e a descurar as fibras, alertam-nos os nutricionistas. Por causa da má alimentação, do stress, do álcool e dos vícios dos tempos modernos, os nossos filhos podem viver menos tempo do que nós, ameaçam alguns cientistas. E como se isto não bastasse, paira sobre nós aquele ditado anglosaxónico que diz que “tudo o que é bom na vida ou é imoral, ou é ilegal ou engorda”… Convirá não esquecer que, sendo um acto cultural, cozinhar é uma forma superior de arte. Saber comer também o é. Bom apetite, haja saúde e um abraço de mar para todos!

Semana do Emigrante no Portuguese Athletic Club de San Jose

Comemora-se no Portuguese Athletic Club de San Jose a Semana do Emigrante, na quinta feira, dia 15 de Março. Foi Ronald Reagan, então Governador da California, que proclamou a segunda semana de Março a SEMANA DO EMIGRANTE PORTUGUÊS. Haverá uma exposição de pintura das artistas Lucina Ellis e Goretti Carvalho e um exposicao de fotografia de Carlos da Silva. Actuará o Grupo Folclórico TEMPOS D' OUTRORA e haverá um miniconcerto por elementos da Banda Portuguesa de San Jose. Depois de uma curta alocução (5 minutos) será oferecido um Porto de Honta. Toda a comunidade é convidada


José Raposo raposo5@comcast.net

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omo a caça dos coelhos fechava no fim de Janeiro, resolvi ir ao vale mais própriamente a Riverdale e ver se apanhava alguns. Pela manhã de sábado, lá fui eu mais os meus amigos e eramos acompanhados por 18 cães de caça. Tive que caçar com uma espingarda emprestada pois que minha mulher diz que se eu trouxer uma para casa eu entro por uma porta e ela sai pela outra. É curioso que em outros tempos ela segurava moedas de escudo entre os dedos e eu tirava-as com tiros de zagalotes. Se bem que os za-

galotes não façam tanto prejuizo como uma bala ainda podem partir um dedo ou arrancar um bom bocado de carne. Mas eu tinha e ainda tenho boa pontaria. No entanto caçar aos coelhos com cães para quem não está acostumado pode ser um bocado complicado e é muito fácil de acertar num cão em vez de num coelho. Enfim, a caça correu bem, apanhamos 12 pois que já fomos tarde e os cães cançaram-se. Se bem que ainda estamos no inverno o sol ia alto e sempre aquecia um pouco e como diz o ditado, umas vezes é da caça e outras do caçador. No sábado à noite fui convidado

para um jantar de caraguejo no Hall de Riverdale. Já o ano passado havia ido. Fiquei deveras impressionado com a rapaziada nova que estava presente e pela maneira como tudo decorreu. Durante a noite toda esteve uma mesa com aperitivos no meio do salão. Serviram a salada, pão barrado com manteiga alho, “clam showder”, chiopino, “steake” e por fim o caranguejo frio. Para já gostei da maneira como o caranguejo estava partido. Vinham três pernas juntas e parte do corpo do caranguejo juntamente com as pernas. Dessa maneira todos tinham as porções

por igual. Outra coisa que me impressionou foi o tempero do caranguejo. Não havia aquela abundância de temperos que por muitas vezes destemperam a comida. Caranguejo é caranguejo e não uma massagada como se vê em alguns jantares. A maioria do pessoal que serviu à mesa era gente nova. Rapazes e raparigas trabalhavam ali, lado a lado, todos em harmonia.

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Entre a lava e a maré

Ao Sabor do Vento

Viva o Vale

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Donalda A. Silva

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rescer no Pico é uma aventura que envolve sonho e fantasia. Quem tem o luxo de aprender em primeira mão o poder da terra a tremer, quando nem se caminha pelo próprio pé? Ou quem não se lembra de não ter sabido nadar? Como picarota nata, lembro com um sorriso nos lábios as aventuras que vivi nesta terra que nos acarinha e fere ao mesmo tempo. Lembro-me dos sonhos na ponta do Nariz de Ferro, ainda vendo as velas dos moínhos obedecendo ao vento indolentemente, Falando de factores que nos ajudam a formar a identidade, acredito sinceramente que a minha se afirma poderosamente no facto de ser do Pico. Cresci na Furna, lugar de Santo António. A furna, que deu certamente o nome ao lugar, chegou a ser para mim e a minha amiga de aventuras, uma floresta encantada com esconderijos secretos, aos quais chegávamos com a ajuda de cordas. Ali se imaginava ataques de seres fantásticos saídos das histórias infantis que líamos dos li-

vros que a biblioteca itenerante trazia religiosamente todos os meses à freguesia. Na furna, esperava-se fielmente pelos garajaus, que inevitavelmente chegavam na noite em que se coziam os folares da Pásacoa. Na baía da furna, eu mergulhava até ao fundo do mar e era olhada de revés pelas senhoras. Vejas bem vermelhinhas que reviravam a cauda em sinal de desaprovação Umas das coisa que o Pico tem de incomparável a qualquer lu-

gar é as noites de luar. A Lua tem um pacto secreto com o Pico. Quando sai pelas águas fora, como uma sereia luminosa de escamas douradas, parece encostar-se à montanha, como se à procura de protecção. Deixa um rasto de luz atrás de si, fazendo as ondas cintilar de prazer. Ninguém pode ficar in-

sensível ao que lhe percorre o corpo face a tamanha beleza. Nas poucas vezes que tenho a oportunidade de visitar este cantinho do paraíso, bebo cada gota de orvalho,pelas saudades que traz a nostalgia dos tempos de inocência. Levanto-me cedo, antes do sol nascer, e percorro o Areal até à ponta do Nariz de Ferro. Nada é a mais coisa. Faltam os moínhos e na ponta da rocha só existe um buraco enorme cavado pela ganância de alguns e a ignorância de outros. Um dia, eu gostaria de ir a Santo António, lugar da Furna, e ver a ponta do Nariz de Ferro restaurada, com os seus moínhos de vento… É uma fantasia, bem sei. O que não é fantasia é a lava que me corre nas veias e a maré que me inunda o coração. Donalda Amaral Silva, é Especialista em Educação e reside em Fall River, Massachusetts


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1 de Março de 2012

Reflexos do Dia–a–Dia

Diniz Borges d.borges@comcast.net

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ntão, lá se foi mais um Carnaval" disse-me recentemente o meu vizinho Tobias. Ele que é homem muito ligado à cultura popular e um festeiro de primeira classe. Não há festa que não tenha sua presença, nem acontecimento que ele não comente. Sempre bem informado, terceirense de gema, com as emoções à flor da pele, e muito senhor do seu nariz. "É verdade mestre Tobias, o Carnaval de 2012 é história, e como foi?" retorqui com a habitual retórica de quem dá, e espera mais: "olha, vizinho, enquanto for assim ainda havemos de dar graças a Deus. É verdade que houve menos danças e bailinhos este ano, e houve alguns barretes, mas enquanto fizerem Carnaval e houver gente para o ver, havemos é de celebrar e agradecer à Santíssima Trindade, até porque as penitências da quaresma, que, infelizmente, ainda querem que façamos, são muito mais dolorosas do que a pior dança de carnaval." O meu vizinho Tobias tem toda a razão. O Carnaval, festa do teatro popular que os terceirenses souberam trazer para a Califórnia, e incentivar outros açorianos a gostarem e a participarem, é uma celebração de música e cultura popular, que apesar da comunidade estar mais americana do que portuguesa, ainda enche salões e leva aos palcos as novas gerações. Este ano, a Califórnia portuguesa produziu 16 bailinhos e danças e uma comédia. Nestas representações teatrais, participaram dezenas de jovens, que com o seu português cheio de sotaque americano, deram brilho e autenticidade aos enredos carnavalescos. É que neste Carnaval de 2012, viu-se, e ainda bem, um crescente número de danças e bailinhos escritos por gente da comunidade. Já o escrevi, múltiplas vezes, que o carnaval das nossas comunidades só será, verdadeiramente nosso, quando tivermos a capacidade de o escrevermos e da critica e a sátira, elementos fulcrais das

Carnaval

as Comunidades Portuguesas da California em Festa

danças e bailinhos, forem relevantes às nossas vidas além atlântico. E neste Carnaval de 2012, (tal como já aconteceu em 2011e outros anos mais recentes) tivemos oportunidade de ver enredos escritos por autores locais e sátira dirigida às nossas associações, aos nossos líderes, à nossa comunicação social, à nossa realidade comunitária. Falta, mas lá chegaremos, termos a coragem de rirmos, ainda mais, de nós próprios, e de envolvermos na sátira e nas piadas, o mundo americano, que quer queiramos, quer não, também faz parte do nosso cosmos, e muito mais ainda do cosmos dos mais novos que patenteiam os nossos palcos. No seu livro, As Danças do Entrudo - Uma Festa do Povo, o saudoso José Bretão, escreve sobre o que é o Carnaval Terceira, da seguinte forma: "um teatro em verso quase gritado ou silabado pelos seus intérpretes para que todos os entendam, um teatro, onde as leis julgadas sagradas do tempo e do espaço tem apenas e tão só o valor que o povo lhes quiser dar, um teatro onde "o faz de conta" se assemelha mais à fruta madura colhida diretamente da árvore do que àquela (porventura muito mais vistosa e colorida) que se conserva numa lata." E é este Carnaval, genuinamente do povo, que vale a pena mantermos vivo nas nossas comunidades. E que dele se possa continuar a estimular os mais novos, não só a intervenientes, mas também a espectadores, porque além de ainda se encher salões, não podemos ter futuro, se os espectadores, na sua vastíssima maioria, estão na terceira idade ou por lá a pingar. Daí ser inteiramente justo, e necessário, envolver-se, cada vez mais, gente jovem, porque eles levarão os seus amigos e os seus vizinhos. Aliás, ainda não se descobriu que as escolas, quer as comunitárias quer as do ensino publico, que possuem cursos de língua e cultura portuguesas, são os ideias centros de recrutamento para

Sabor Tropical

Elen de Moraes

se expandir a tradição dos bailinhos e danças de Carnaval da ilha Terceira em terras Californianas. Acredito que um dia também isso se descobrirá. Sem querer ser dogmático, penso, que este carnaval de 2012, foi ainda mais uma indicação, clara e inequívoca, que as comunidades têm ainda muita capacidade criativa. Longe vão os anos em que ao som de um gravador de cassetes, se copiavam assuntos e enredos da Terceira para serem repetidos nos palcos da Califórnia. Acho que em breve também pertencerá ao passado os enredos serem escritos nos Açores por gente, que independentemente do seu talento, pouco ou nada conhece sobre a nossa realidade comunitária. O que existe, isso sim, é a necessidade dos enredos criados neste lado, serem mais parecidos com o que somos e menos parecidos com o que nem nos Açores já se faz. É que infelizmente, algumas das letras, particularmente para as entradas e despedidas estão repletas dum passado ultra religioso que não refletem nem os Açores, nem as comunidades de hoje. Mais, como Carnaval nosso, com raízes, obviamente na Terceira, mas já com longos anos de presença na Califórnia portuguesa, há que ter-se a coragem de não copiarmos só o que se faz na terra de origem, ou seja: para além dos temas e das críticas que já mudaram significativamente, como se disse, há ainda que termos consciência de como teatro do povo, temos a liberdade de seguirmos a nossa própria linha, a nossa própria forma de produzir este teatro, esta tradição que já não é só da Terceira, mas também das Comunidades onde residem terceirenses. É que, tal como as rainhas das Festas do Espírito Santo são algo do imaginário comunitário, e hoje não se vê festa sem rainha, também o Carnaval das Comunidades não deve, nem pode, estar acorrentado ao que se faz ou não se faz na Santa Terrinha. Se ( eisto apenas como

mero exemplo) queremos ratão nas danças, então porque não se faz danças com ratão? Simplesmente porque caiu em desuso na Terceira? A nossa criatividade não pode estar presa pelas amarras da saudade. Se o fizermos estaremos a estrangular uma tradição que, pelo menos na cidade de Tulare, no centro da Califórnia, começou pela mão, ironicamente, de uma faialense, a Lúcia Noia, que no ano de 1968, no dia 31 de Agosto, apresentou a dança de espada de D. Dinis. Disse-me ainda há dias a minha amiga Lúcia Noia, por quem tenho uma grande admiração, que já nesse agora longínquo ano o TDES ficou superlotado, e a única forma de todos caberem no salão foi removendo as cadeiras para as pessoas verem a dança em pé. Diga-se, desassombradamente, que o ciclo festivo das nossas comunidades no estado da Califórnia, fica, muito mais rico, com estas celebrações carnavalescas, as quais precisam ficar registadas nos anais da nossa história coletiva, da nossa presença na Califórnia. Diga-se, ainda, que a maturidade atingida por estas festividades exige que saibamos construir mais e melhor, que as forças vivas das comunidades compreendam, tal como escreveu José Bretão, que: "todos os poderes aceitam questionarse porque compreendem que o Carnaval é uma Metáfora." Todos os poderes, quer compreendam, quer não, poderão ser alvo. Todas as figuras publicas, todas as instâncias e todas as organizações, mas nunca o insulto pessoal e calunioso. Isso nunca teve, nem nunca terá lugar no Carnaval da Terceira e das Comunidades. O Carnaval de 2012 é história, mas já há, e ainda bem, quem pense no Carnaval de 2013. E isso de certeza que trará algum alívio às penitências quaresmais do meu vizinho Tobias.

Quem procura, acha!

elendemoraes_rj@globo.com

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arnaval! Difícil não se contagiar com a overdose de alegria estampada nos sorrisos espalhados pelas ruas e avenidas que fervem com a festa, os turistas e o calor de quase 40ºC, amenizado pelos banhos de mar nas belas praias da cidade maravilhosa. É a “festa da carne” exposta aos prazeres, seminua ou fantasiada de colombina, pierrô, etc, ou portando máscaras de super-heróis, políticos corruptos, quando não se dá preferência à da própria dor de cada dia. Sobra felicidade nos gestos e olhares dos componentes que desfilam pelas escolas de samba e nos espectadores que assistem das arquibancadas, que cantam, brincam, aplaudem e choram de emoção ao ver sua escola passar. Mesmo debaixo de chuva não arredam os pés até o dia amanhecer e a última escola desfilar. Não perdem a reconhecida alegria marcada em cada rosto desde o início do espetáculo. Os céticos dizem que é falsa. Quem a sente

e demonstra explica que é genuína e que a emoção que se experimenta ao assistir ou participar de um desfile desses, é indescritível e que para avaliá-la só estando lá, em meio à multidão e aos adereços falsamente luxuosos dos carros alegóricos que muito se assemelham aos cenários de um teatro, que é no que se tem transformado o nosso carnaval, principalmente o das grandes cidades, dizem os especialistas, aplaudindo. Aqui no Rio, nos últimos anos temos visto, com satisfação, o carnaval de rua ser resgatado. É o povo recuperando sua forma mais popular, acessível, engraçada e gratuita de brincar. Alguns blocos resistiram ao afastamento dos foliões que há alguns anos, por medo da violência, passaram a frequentar as festas nos clubes e outros lugares fechados, com segurança. Entretanto, ultimamente, com o apoio das autoridades competentes, com a pacificação das favelas e com o policiamento mais ostensivo, o carnaval volta às origens. Novos blocos se for-

mam e junto com os antigos animam a cidade nas semanas que antecedem os festejos de momo e arrastam atrás de si uma multidão que não resiste à euforia dos foliões e ao ritmo envolvente dos seus batuques. Para quem gosta, o carnaval é uma festa imperdível! Infelizmente, cercada de algumas verdades incontestáveis, mas, também, de muitos mitos. Algumas verdades são aquelas que todos sabem e vivenciam no dia a dia e que no carnaval tomam maiores proporções, ou seja, pessoas que se embriagam e partem para agressões físicas; o uso exagerado das dro-

gas ilícitas; os pequenos assaltos e os acidentes fatais com bêbados ao volante, se bem que essa prática vem sendo combatida com muito rigor. No que se refere aos mitos, por exemplo, não é verdade que todas as mulheres que desfilam semi-nuas nas escolas de samba, têm “vida fácil”. Para toda regra há exceção é certo, porém alí, a grande maioria é composta de mulheres comuns que desfilam ao lado dos noivos, namorados, maridos e filhos, além de algumas artistas de cinema e televisão, modelos nacionais e internacionais. Outro mito são os filmes pornográficos: não é verdade que o que se passa nesses filmes são atitudes corriqueiras presenciadas em qualquer baile da cidade. Não! Trata-se de produções na-

cionais e estrangeiras, rodados em bailes privados, organizados para esse fim e vendidos para outros países, dando a ideia errada de que tal permissividade é comum em todos os clubes. Algumas empresas são responsáveis pela má fama do nosso carnaval, pois ao vendê-lo para os turistas estrangeiros, dão a entender que em terras brasileiras encontrarão o paraíso do nudismo e que “tudo” é liberado. Não é assim! Entretanto, como diz o adágio popular - “quem procura, acha!” Só têm que se precaver para não achar a coisa errada ou entrar aonde não convém e se dar mal. Portanto, o turista que quiser conhecer e participar do carnaval no Brasil deve informar-se muito bem sobre o que lhe é oferecido para não se sentir enganado. E se o que deseja é ver e participar do maior espetáculo da terra, a céu aberto, não sairá daqui decepcionado.


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Temas de Agropecuária

Egídio Almeida almeidairy@aol.com

Porque sobem os preços das rações? China, petróleo e carros, mentícios não podem competir são as razões dos altos pre- com os destilhadores, porque não têm nenhum controle nos preços ços das rações dos seus productos no mercado.

Crescentes preços do milho-grão quer dizer mais altos custos na produção de leite, carne e aves, é por isso que uma recente estimativa sobre a futura demanda global do petróleo vem reinforçar a possibilidade de mais altos custos para a produção destes produtos em 2011-2012, e o que está acontecendo na China é uma das maiores razões desse problema por todo o Mundo. Uma firma consultiva sobre energia de cariz internacional, “Wood Mackenzie Ltd.”, numa recente sondagem confirmou que a demanda global do petróleo durante o terceiro trimestre de 2010 foi de 88.8 milhões barris por dia, o maior recorde de todos os tempos, que pode já ter sido quebrado no dia de hoje, depois de todas as

Salários mínimos Os custos da mão de obra na agricultura tem consideráveis diferenças de Estado para Estado. No “West” o custo da produção do leite está avaliado em cerca de $1.00 por cada 100 libras de leite produzido. Aqui na California na agropecuária, o salário mínimo foi já há muito ultrapassado por razões várias, e em outros ramos da agricultura pode ser ainda um indicador. De acordo com o Departamento do Trabalho dos Estados Unidos, há 24 Estados que têm o mesmo mínimo que o Governo Federal, ou seja $7.25. O Presidente Obama disse que suportaria um aumento, mas até agora não há ainda nenhuma

contas feitas. Os países em desenvolvimento tem um apetite voraz pelo petróleo, contando com 85% no crescimento da demanda global, e não há nada no horizonte que indique uma travagem. Esta firma indicou que a crescente economia da China está absorvendo carros novos como uma esponja em água, e “CNNMoney. com” numa reportagem no mês passado indicou que os Chineses compraram 18 milhões deles em 2010. Este foi o maior número de carros vendidos num país na história do Planeta Terra durante um ano. Se compararmos com os

proposta legislativa nesse sentido. Dezasseis Estados têm salário mínimo superior ao Governo Federal, 4 são mais baixos que este, (Arkansas, Georgia, Minnesota e Wyoming) e 5 não têm mínimo (Alabama, Louisiana, Mississippi, South Carolina e Tennessee). Em 2010 o Estado de Washinton tinha o mais alto mínimo no País a $8.55 por hora, e entre os Estados que têm salário mínimo, Georgia e Wyoming eram os mais baixos $5.15 por hora, a longa distancia dos outros. Os outros 10 Estados ajustam automáticamente os salários mí-

Estados Unidos, a projeção do mesmo ano foi de que os americanos compraram 11.5 milhões. Os carros usam fuel e óleo, mais demanda quer dizer preços mais altos, que por sua vez se refletem no uso e valor do etanol, que em contrapartida leva consigo os preços das rações e forragens. Os produtores de produtos ali-

nimos de acordo com a inflação, muito embora por vezes a passo mais lento. Entre os 10 Estados com mínimos mais altos, está Minnesota, com $6.15 o mais baixo e o Estado de Washinton com $8.67 o mais alto, a California é o segundo mais alto com $8.00 por hora.

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Novos CD's e Festa da POSSO Três novos CD's produzidos por Alcides Machado com artistas da diáspora portuguesa. Um de SÃOZINHA TOSTE (Sãozinha), outro de ROSA MARIA (Saudades do Meu Pai), e o mais recente é de CARMENCITA (Da Nossa Tradição). SÃOZINHA, natural da Vila de São Sebastião, ilha Terceira, vive em Tulare, Califórnia. Gravou um CD com 10 canções. Todas elas escolhidas entre muitas que quando era menina cantava nos teatros, marchas e danças e até na rádio na sua ilha. Sãozinha diz que é apenas uma recordação para os seus amigos e família já que nunca foi a sua intenção fazer vida de cantora e também como oferta à sua mãe que sempre quiz que ela gravasse

estas canções para matar saudades dos tempos passados. ROSA MARIA, natural do Porto Judeu, Ilha Terceira já canta desde muito jovem. Mora em Rehoboth, Massachusetts, onde canta muitas vezes, como também no Canadá e veio de passagem pela Califórnia onde cantou em Crows Landing, Chino e San José. Neste CD (Saudades do meuPai) a maior parte das letras e músicas são da autoria de Alcides Machado. CARMENCITA, é uma jovem nascida nos Estados Unidos da Rosa Maria, Alcides Machado e Emily, no jantar de angariação de fundos para a POSSO no Portuguese Athletic Club de San José América. Seu avô materno é da ilha do Pico e a sua avó materna da ilha Espanhol e Inglês. Para o seu dia 15 de Abril no Salão Portu- Canadá, Costa Leste ou Europa, primeiro CD gravado optou pela guês de Crows Landing, do qual contacte Alcides Machado (MaTerceira. O seu pai é Mexicano o que lhe música Popular Portuguesa, can- a comissão amávelmente se dis- chado Music) (559)786-7115. facilita muito a sua versatilida- ções estas que já cantou várias ponibilizou para ajudar. A partir de como cantora em Português, vezes para a nossa Comunidade. de agora Alcides Machado fica No PAC realizou-se um jantar Um CD de fados também está em encarregado dos contratos artís- de angariação de fundos para a ticos de CARMENCITA. POSSO com a presença de Rosa preparação. O lançamento oficial do CD de Para futuros contratos para es- Maria, Alcides Machado e Emily. Carmencita será no Domingo, tas cantoras e outros artistas do

Muita alegria na noite de apresentação do CD de Sãozinha

Eduardo Paim e esposa com amigos em Tulare

(fotos gentileza de Alcides Machado)

Luis Cordeiro e Alcides Machado em Tulare na apresentação do CD de Sãozinha


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COMUNIDADE

1 de Março de 2012

41º Aniversário da Banda Portuguesa de San José

Mariana Flores, vice/presidente da Banda; o actual Presidente: Joe Vasquez, e esposa Berta Vasquez. Esq: Mestre Joe Amaral

Fotos e texto de Filomena Rocha

Excursão a Portugal 2012 Fátima e Lisboa Fátima de 11 a 14 de Outubro Lisboa de 14 a 17 de Outubro

Visite os seguintes lugares: Guia turista Joe

Nos dias 17 e 18 de Fevereiro, a Banda Portuguesa de São José celebrou mui dignamente uma bonita festa do 41º Aniversário da sua Fundação, com jantar no sábado, num salão complectamente cheio de amigos e admiradores da Banda. No Domingo, um desfile de Filarmónicas, composto pela Filarmónica Nova Aliança de São José, Lusitânia Band de North Bay e a Banda Aniversariante, marchou até à Igreja das Cinco Chagas, para Missa de Festa, pelo Rev. Padre Tony Reis, também dedicada aos doentes em geral, aos actuais membros e pelos já falecidos. Após a Missa, o desfile regressou à sede da Banda, onde foi oferecido almoço a todos os convidados e amigos presentes. Seguiu-se depois um talentoso concerto pelas Bandas convidadas que se disponibilizaram: Nova Artista de Tracy, com o mestre Frank Silva; Filarmónica União Portuguesa de Santa Clara com o mestre Júlio Matos, União Popular com o mestre Henry Ramos e a encerrar, a Banda Portuguesa de São José sob o mestre Joe Amaral. No final, foi servido um sucolento e fresco copo-de-água, a quantos ficaram até ao fim desta honrosa e cultural celebração.

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António da Rosa Furtado - homenagem António da Rosa Furtado estava no Faial no primeiro dia da actividade do Vulcão dos Capelinhos e filmou-o a cores, coisa rara naquele ano de 1957. A Rádio Televisão Portuguesa tinha nascido nesse ano e quando se deslocou aos Capelinhos ia munida com máquinas a preto e branco. Devem ter ficado pasmados quando viram o nosso ainda jovem António Furtado a usar uma máquina que ainda não havia em Portugal. E foi a partir daí que António Furtado, se tornou um defensor da causa faialense, que depois se tornou no Azorean Refugee Act of 1958, que permitiu a entrada de muita gente nos EUA. Antonio Furtado promoveu as nossas Ilhas atrvés do filme "Açores, Ilhas de Sonho". Começou a trabalhar muito novo na loja de ourives da família na Horta, tendo emigrado para a Costa Leste e depois, há cinquenta anos, acompanhado pela esposa Gina, veio para San José, onde abriram a Furtado Imports, a maior loja de ourivesaria portuguesa em toda a California. Foi agraciado pela Câmara de San José com uma "Commendation" onde se podia ler o seguinte: "Antonio is a distinguished entrepreneur, respected business person, esteemed philanthropist, and an exemplary community benefactor celebrating his 90th birthday in July". Tribuna Portuguesa congratula-se por tão oportuna homenagem a um dos mais importantes comerciantes da nossa praça.

Sam Liccardo, Vereador de San José, presenteou António Furtado com um Reconhecimento Público da Cidade de San José

Mesa da familia e empregados do Furtado Imports

Alzira Silva ofereceu uma salva de prata a António e Gina Furtado

Aspecto parcial do Salão do Portuguese Athletic Club de San José onde se realizou o jantar de homenagem e de aniversário a António da Rosa Furtado, proprietário do Furtado Imports

António e Gina Furtado com a filha Elizabeth, genro Jason Serpa, netos Brian e Andrea

Mestrte Hélio Beirão animou a noite

Tony Goulart, MC da noite

Connie Goulart, em nome da Comissão organizadora da homenagem ofereceu uma placa


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COMUNIDADE

1 de Março de 2012

Carnaval 2012

Grupo de Carnaval de Artesia. Assunto: "Pilotos e Hospedeiras" de Hélio Cost Gaspar. As fotos de Artesia são de John Barcelos.

Bailinho da Associação Cultural e Recreativa da Casa da Ribeira, Ilha Terceira. Assunto: "A Mala do Ezequiel" de Hélio Costa.

Terceira, grande Terceira Meu berço de torrão sagrado, Que embalou Brianda Pereira E João Baptista Machado Daniel Arruda

Fotos de Filomena Rocha A Rádio do Carnaval: Fernando Rocha, Aurélio, César Rocha e Francisco Coelho


COMUNIDADE

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ta. Mestre Cole Martins. Ensaiadores: John Martins, Mário Sales e Francisco

Grupo de Independentes composto por 11 elementos. "Alunos sem papas na língua" de Hélio Costa e música de Manuel Mendes

Tulare: Grupo de Crianças "As Esperanças do Carnaval". Dança de Pandeiro: "O Debate das Verdades". Autor Hélio Costa, mestres Kaylin Coelho e Derrick Nunes. Arranjos musicais: Mário Capote


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COMUNIDADE

1 de Março de 2012

Assunção: "Piratas em Viagem" de Francisco Rebelo. Mestras Melanie Oliveira e Virginia Pereira Fotos de Filomena Rocha

Bailinho Grupo de Carnaval Canada detrás de Tulare. Assunto: "A Arca de Noé" de H. Costa Dança de Espada "Pai Abandonado" de José Fernandes (Canadá) Fotos de amigos de Tulare

Carnaval na Graciosa e S. Jorge

Fotos de José Avila (Graciosa) e F. Silvano


Perspectivas Fernando M. Soares Silva fmssilva@yahoo.com (Continuação da edição anterior) Primeira Parte

RADIODIFUSÃO Pré e após as erupções vulcânicas de Capelinhos Durante cerca de 7 décadas, mais de 150 programas radiofónicos em língua portuguesa têm servido as suas respectivas comunidades com inegável dedicação, muitas vezes manifestando admirável espírito de sacrifício e de abnegação, bem como forte determinação e coragem em difíceis momentos problemáticos e em penosos tempos de adversidade. À maneira que os múltiplos custos da manutenção e administração de programas da Rádio se tornaram exorbitantes em concomitância com as infladas economias federais, estatuais, distritais e citadinas norte-americanas, os patronos dos programas e outros meios de apoio começaram a escassear, compelindo muitos directores da radiodifusão luso-californiana a abandoar os lides da Rádio. Outros factores, como a gradual apatia de várias comunidades, talvez reflectindo o facto de estarem, na maioria dos casos, muito separadas e distantes geograficamente, têm também agravado a situação. Actualmente, existem menos de 12 programas da Rádio em língua portuguesa no Estado da Califórnia e no Oeste Americano. A história das comunidades de língua portuguesa na Califórnia ficaria grave e injustamente incompleta sem uma referência aos muitos programas da Rádio que as têm servido através das várias décadas em que essas comunidades floresceram e se expandiram. Com isto em mente, segue-se agora, em ordem alfabética, a especificação sequencial dos nomes de cada programa e respectivos fundadores, bem como os nomes da localidade de emissão de cada programa ou da residência de cada director. No nome de cada programa pode-se imaginar ou visualizar um sonho e um anelo… Colectivamente, eles apontam a trajectória de um povo dinâmico e empreendedor em busca de ainda maior auto-afirmação no Novo Mundo que eles estavam a construir e a fazer mais próspero e harmonioso…

Segunda Parte A IMPRENSA DE LÍNGUA PORTUGUESA Com uma descrição sinóptica dos jornais do período pós-Capelinhos Desde o aparecimento, em 1884, de VOZ PORTUGUESA, o primeiro periódico em língua portuguesa na Califórnia, fundado e dirigido por MANIEL STONE, oriundo do Brasil, a Imprensa Luso-californiana tem exercido profunda influência nas comunidades lusíadas da Califórnia. Ao longo de mais de um século, 33 jornais têm servido as comunidades bem, e muitas vezes com distinção, esforçandose com firme determinação e denodo pela preservação e pela celebração das mais populares e favoritas tradições nacionais e regionais, defendendo os perenes valores culturais e civilizadores da mãe-pátria, e mantendo vivo e vibrante o idioma português no Oeste Americano, sobretudo na Califórnia. Não existe melhor ou mais eficaz modo de aquilatar as façanhas e as realizações de um povo ou de um nação do que a história escrita da sua trajectória através dos tempos. Na Califórnia, esta análise é possível, quase exclusivamente, mediante o estudo dos múltiplos órgãos da imprensa lusocaliforniana, que, desde 1994, tem ecoado

COLABORAÇÃO

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Os meios de Comunicação Social em Língua Portuguesa II

e arquivado com esmero e dedicação, as palpitações, as aspirações e as realizações das suas muitas e variadas comunidades. Embora sucinta, aqui se apresenta uma descrição de cada periódico:

1. Século XIX 1. VOZ PORTUGUESA--- O primeiro jornal português na Califórnia e no Oeste Americano foi fundado pelo brasileiro MANUEL STONE, em 1884, na cidade de San Francisco. Por falta de recursos e imprescindíveis apoios, teve vida muito efémera. 2. PROGRESSO CALIFORNIANO Foi fundado em 1885 e publicado na cidade de San Francisco, por ANTÓNIO MARIA VICENTE e MANUEL F. M. TRIGUEIRO, ambos açorianos. Este jornal teve existência muito curta, também por carência de recursos. 3. A UNIÃO PORTUGUESA - Também publicado na cidade de San Francisco, este periódico foi fundado por ANTÓNIO MARIA VICENTE, em 1887, e vendido em 1889 a MANUEL F. M. TRIGUEIRO. Ambos tinham sido proprietários do supracitado “PROGRESSO CALIFORNIANO”. Sob a hábil direcção do seu novo proprietário e editor, MANUEL F. M. TRIGUEIRO, o jornal teve uma longa e notável existência, superior a 50 anos. 4. O AMIGO DOS CATÓLICOS - O quarto jornal de língua portuguesa na Califórnia foi fundado em 26 de Maio de 1888, na cidade de Irvington, pelo sacerdote MANUEL FRANCISCO FERNANDES, natural da ilha do Pico, nos Açores, onde nasceu no dia 19 de Janeiro de 1850. À procura de melhores condições de vida, Manuel Francisco, com apenas 14 anos de idade, navegou para o Brasil, mas, decepcionado, regressou à sua terra natal após meros quatro anos. Em 1873, já moço, decidiu tentar novamente a sua sorte no Novo Mundo, emigrando, desta vez, com rumo à Califórnia, onde, a primeiro, conseguiu emprego como pastor de ovelhas e mais tarde como trabalhador na exploração de minas de ouro de Hawkinsville, no condado de Siskiyou. Ali labutou durante cinco árduos anos, conseguindo amealhar as suas economias, sempre impelido pelo seu velho sonho: o sacerdócio. Na realidade, o pasEsta lista de Programas de Rádio continua na nossa próxima edição tor de rebanhos de ovelhas aspirava a ser pastor de almas humanas... E assim, em Thomas, em Mission San José onde estu- o escritor Ferreira Moreno que a pujante 1878, já com a idade de 28 anos, regressou aos Açores, ou mais especificamente dou mais dois anos, até 1885, data da sua Irmandade do Divino Espírito Santo, ou I. à ilha Terceira, onde, após acelerados es- ida para o Seminário de Saint Mary, na D. E. S., derivou, mais tarde, dessa agretudos de instrução primária, ingressou no cidade de Baltimore, estado de Maryland, miação fundada pelo Padre Fernandes. seminário diocesano, em Angra do Heroís- para encetar os seus estudos teológicos, Consoante relata Ferreira Moreno em armo, para completar a sua educação secun- que, todavia, foram completados no Semi- tigo publicado na bimensal Tribuna Portudária e para começar estudos superiores nário de Saint Anthony, adjacente à cidade guesa em 15 de Abril de 2005, as fontes necessários para a sua projectada carreira de Santa Barbara. A sua ordenação sacer- históricas especificam que a fundação de sacerdotal, segundo testemunha o abaliza- dotal foi efectuada no dia 10 de Junho de “O Amigo dos Católicos” se deve “unicado historiador Rev. Cónego José Augusto 1886, na Sé Catedral de Saint Mary, na ci- mente” ao PADRE MANUEL FRANCISCO FERNANDES. Neste arrojado emprePereira (1885-1969) na sua obra “Sacerdo- dade de San Francisco. O novo sacerdote foi prontamente nome- endimento, o fundador foi apoiado pelo tes Açorianos”, publicada em 1939. Aponta o escritor e historiador Rev. Pa- ado pastor assistente da paróquia Mission seu amigo, o tipógrafo MANUEL B. QUAdre José Ferreira, --- muito conhecido no San José. Essa região era centro de ele- RESMA, que, por sua vez, era coadjuvado mundo jornalístico como Ferreira More- vados números de portugueses que aco- por dois tipógrafos, primos, FERNANDO no---, que Manuel Francisco Fernandes, lheram o dedicado Padre Fernandes com e JOSÉ FERNANDES TAVARES. antes da sua partida para a ilha Terceira, grande simpatia e apreço. havia doado fundos para a compra de um Em resultado das suas campanhas sócioedifício de tijolo que, até então, servira de religiosas, o Padre Fernandes organizou “saloon”, isto é, de bar e salão de dança, e naquele próspero meio agrícola uma agretambém de mercearia, à população local. miação que, entre outras actividades de Após a necessária remodelação, o edifício cunho social e religioso, deu início às pripassou a servir de igreja às comunidades meiras FESTAS DE HOMENAGEM AO portuguesas e a outros católicos residentes DIVINO ESPÍRITO SANTO. A popularinaquela área rural. O templo foi denomi- dade destas Festas tornou-se contagiosa, e assim essas manifestações da religiosida(continua na próxima edição) nado Igreja da Imaculada Conceição. de das comunidades de origem portugueRegressando à Califórnia em 1883, já com a idade de 33 anos, Manuel Francisco Fer- sa, maioritariamente açorianas, cedo se nandes ingressou no Seminário de Saint espalharam por toda a Califórnia. Aponta


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COMUNIDADE

1 de Março de 2012

Falecimentos

Aires S. Medeiros

Faleceu no dia 10 de Fevereiro, Aires S. Medeiros, com a idade de 72 anos, residente em Fairhaven. Era casado com Barbara Simmons Medeiros há cinquenta anos. Nasceu na Ilha do Faial, Açores, filho de Egídio e Maria José Medeiros, já falecidos. Viveu muitos anos em San José, California e só se mudou definitivamente para a Costa Leste em 1999. Trabalhou na Rádio durante 38 anos, 28

dos quais em San José, na KBRG, KRVE, KPLA e KSQQ, onde tinha um programa chamado "Sonhos de Portugal". Depois de se mudar para Fairhaven trabalhou na WHTB com um programa chamado "Saudades da Nossa Terra" na "Rádio Voz do Emigrante" durante 10 anos. Enquanto viveu em San José trabalhou como Vendedor de Carros na Courtesy Chevrolet e era proprietário da Marcella's Travel Agency. Deixa a chorar a sua morte três filhos, Elizabeth Hogue, de Norfolk, Virginia; Aires J. Medeiros e Priscilla Medeiros, ambos de Fairhaven; neto Joshua Hogue; oito irmãos e irmãs, Alvarina Medeiros, de Tiverton, Fernanda Oliveira, Mimi Esteves, Leodina Serpa, Egidio Medeiros, Lina Meirelles, Leonel Medeiros e Fatima Medeiros Borba, todos da California, além de muitos sobrinhos/as. Foi a sepultar no dia 16 no Riverside Cemetery em Fairhaven. Tribuna Portuguesa envia sentidas condolências a toda a família Medeiros. Aires Medeiros era assinante do Tribuna desde o primeiro dia.

Maria Odelta Pereira Faleceu no Sábado dia 11 de Fevereiro no Hospital de Kaweah Delta em Visalia, Maria Odelta Anacleto Pereira, que contava 72 anos de idade, natural da freguesia da Ribeira Seca, São Jorge, Açores, viuva de João Vitorino Pereira. Residia na California há 51 anos. Deixa a chorar a sua morte, os filhos John Vitorino Jr. e esposa Peggy, em Tulare; Alberto Pereira e esposa Verónica, em Texas; Odília Silva e marido Mike, em Tulare; Odete Luther, em Tulare. Deixa também de luto os irmãos, Lina Borges e marido Manuel, em Tipton; Eduardo Anacleto e esposa Maria, em Petaluma; Ondina Anacleto e marido Vasco, em Hilmar; Delbert Anacleto, em Tipton; Mary Anacleto, em Tulare; Olivia Cooly e marido David, em Nipomo; Elizabeth Barcelos e marido Avelino, em Hanford; Edite Lourenço, em Tulare; Beatriz Soares, em Novato. Netos: Malorie, Johnny, Victoria, Emily, Megan, Athina, Andrea, Yvone, James. Cunhados: Leon e Lucia Pereira, de Hanford; João e Arnalda Pereira, de Tulare; Manuel Tibério e Alice Oliveira, no Rio de Janeiro, Olegário de Oliveira, em São Jorge, Açores. Maria Odelta Pereira era a proprietária da Estação de Rádio KIGS de Hanford.

Tribuna Portuguesa envia sentidas condolências a toda a família Pereira e a todos aqueles que trabalham na KIGS.

Cabrillo Civic Club of Tulare County Nº 12 Cabrilho Civic Clubs of California is now accepting scholarship applications from High School seniors who are:

* Portuguese descent * US Citizem or permanent resident * 3.5 GPA or higher

Applications can be picked up at all Tulare County High School Counseling offices or online at www.cabrillocivicclubs.org The deadline is March 10, 2012. For more informations contact: Dulcie Nunes @ 559-688-8070


DESPORTO

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LIGA ZON SAGRES Benfica escorrega, Porto espreita, Braga em 3º LIGA ZON

V 15 14 13 10 10 9 5 6 5 5 5 5 4 3 4 3

E 3 4 4 5 5 2 7 4 7 5 3 3 5 7 3 5

D 1 1 2 4 4 8 7 9 7 9 11 11 10 9 12 11

P 48 46 43 35 35 29 22 22 22 20 18 18 17 16 15 14

J 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19

V 12 8 9 8 6 7 8 7 6 6 5 6 5 5 4 3

E 5 8 4 7 9 6 3 6 6 6 7 4 6 6 7 4

D 2 3 6 4 4 6 8 6 7 7 7 9 8 8 8 12

P 41 32 31 31 27 27 27 27 24 24 22 22 21 21 19 13

II - Zona Norte J 1Varzim 20 2Desp. Chaves 20 3AD Fafe 20 4Ribeira Brava 20 5Mirandela 20 6Ribeirão 20 7Mac. Cavaleiros 20 8Tirsense 20 9Limianos 20 10Camacha 20 11Marítimo B 20 12Famalicão 20 13Vizela 20 14Lousada 20 15AD Oliveirense20 16Merelinense 20

V 13 10 10 10 9 7 7 7 7 6 6 6 5 5 1 1

E 5 6 3 3 6 8 8 8 7 7 7 5 8 7 6 6

D 2 4 7 7 5 5 53 5 6 7 7 9 7 8 13 13

P 44 36 33 33 33 29 29 29 28 25 25 23 23 22 9 9

V 12 11 12 11 10 9 8 8 8 6 6 4 4 5 3 2

E 6 5 1 3 6 8 6 5 4 5 3 8 7 3 7 5

D 2 4 7 6 4 3 6 7 8 9 11 8 9 12 10 131

P 42 38 37 36 36 35 30 29 28 23 21 20 19 18 16 11

V 12 11 10 8 5 6 4 3 2 1

E 4 2 4 5 9 2 7 4 6 3

D 1 4 3 4 3 9 6 10 9 13

P 40 35 34 29 24 20 19 13 12 6

1Benfica 2FC Porto 3SC Braga 4Sporting 5Marítimo 6V. Guimarães 7Olhanense 8Nacional 9Gil Vicente 10Académica 11Rio Ave 12P. Ferreira 13Beira-Mar 14Feirense 15UD Leiria 16V. Setúbal

J 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19

Liga Orangina 1Estoril 2Desp. Aves 3Moreirense 4Naval 5Arouca 6Penafiel 7Leixões 8Atlético 9Oliveirense 10Santa Clara 11Belenenses 12Trofense 13U. Madeira 14Sp. Covilhã 15Freamunde 16Portimonense

II - Zona Sul

J 1Torreense 20 2Fátima 20 3Pinhalnovense 20 4Oriental 20 5Carregado 20 6Mafra 20 7Louletano 20 8Sertanense 20 9Est. Vendas Novas20 101º Dezembro 20 11Juv. Évora 20 12Monsanto 20 13Tourizense 20 14Moura 20 15At. Reguengos 20 16Caldas 20

III Divisão - Açores J 1Lusitânia 17 2Praiense 17 3Santiago 17 4Prainha 17 5Boavista S. Mateus17 6Guadalupe 17 7Sp. Ideal 17 8Fayal 17 9U. Micaelense 17 10Águia 17

Benfica perde pela primeira vez

Marcelo Toscano festeja o seu golo frente ao Benfica

Um golo de Marcelo Toscano permitiu ao Vitória de Guimarães impor a primeira derrota na prova ao líder da Liga portuguesa, o Benfica, que tem agora apenas dois pontos à maior sobre o FC Porto. Imbatível nas 18 anteriores rondas, o Benfica perdeu o

estatuto de única equipa sem derrotas no campeonato, com o momento decisivo do encontro disputado em Guimarães a ter lugar aos 37 minutos. Bruno Teles cobrou um livre no lado direito e cruzou largo para o cabeceamento ao segundo poste de Leonel Olímpio, que colo-

cou a bola à disposição de Toscano, correspondendo o brasileiro com um excelente remate à meia-volta. O Benfica pressionou na etapa complementar em busca, pelo menos, do tento do empate, mas os anfitriões aguentaram firme e reforçaram o sexto lugar

da tabela, com 29 pontos. Bem mais apertado estão agora os "encarnados", que viram o FC Porto colocarse a apenas dois pontos de distância e o terceiro classificado Sp. Braga a cinco. in uefa.com

Porto e Sporting cumprem Setubal 1 Porto 3 O FC Porto manteve a pressão sobre o líder Benfica, ao ganhar por 3-1 na visita ao V. Setúbal, este domingo. Os portistas fugiram de novo ao terceiro classificado Sp. Braga, que sábado ganhou ao Gil Vicente. Numa primeira parte de domínio total do campeão português, Marc Janko abriu o activo logo aos três minutos, ao cabecear sem oposição após cruzamento da direita. Foi uma primeira indicação da diferença entre as duas formações, com o vitória incapaz de anular o meio-campo visitante. As oportunidades de golo sucediam-se e o 2-0 não demorou a surgir, por Fernando. Hulk serviu o médio, aos 26 minutos, e este, solto na grande área, rematou sem hipóteses para Ricardo. No segundo tempo, os sadinos mudaram a sua forma de jogar e criaram mais problemas, e viriam a marcar na primeira verdadeira ocasião de golo. Meyong, de livre, aos 75 minutos, deu esperanças aos da casa, mas estas cedo desapareceram, quando Silvestre Varela fez o 3-1 apenas quatro minutos volvidos, com um forte remate à entrada da área. A pressão está agora do lado do Benfica, que tem de vencer em Guimarães

ULTIMA HORA Sporting ganha aos polacos do Legia por 1-0 e passa aos oitavos-

de-final da Liga Europa. Vai defrontar o Manchester City.

se quiser recuperar os cinco pontos de vantagem na tabela.

Sporting 1 P. Ferreira 0 Mais tarde, o Sporting recebeu e venceu o Paços de Ferreira por 1-0, no primeiro encontro de Ricardo Sá Pinto como treinador perante os seus adeptos. Mas nem tudo foram facilidades para os "leões". O domínio sportinguista foi uma constante, mas nem sempre o jogo esteve controlado, e o Paços até podia ter marcado primeiro, por Michel. O tento surgiu apenas um autogolo de Ricardo, aos 36 minutos. No segundo tempo, o Sporting pode-

Braga ganha na Turquia ao Be siktas por 1-0, mas fica eliminado da prova.

Porto perdeu com o Manchester City por 4-0 e ficou eliminado

ria ter ampliado aos 70 minutos, mas Ricky van Wolfswinkel permitiu que Cássio defendesse a sua grande penalidade e, na resposta, o Paços quase chegou ao empate, valendo Rui Patrício. Nenhuma das equipas conseguiu marcar mais golos, pelo que o Sporting acabou por justificar os três pontos. Nos outros jogos de domingo, destaque para a goleada do Nacional à Académica, no Funchal, por 4-1. O Feirense empatou em casa 1-1 com o Olhanense, enquanto U. Leiria e Beira-Mar ficaram-se pelo nulo na Marinha Grande. in uefa.com da Taça da Liga da Europa. Manchester City 1 Ajax 2 Valencia 1 Stoke 0 SSC Napoli 3-1 Chelsea FC CSKA Moskva 1-1 Real Madrid


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TAUROMAQUIA

Pico dos Padres A ex-Catedral do Toureio na California

1 de Março de 2012

Quarto Tércio

José Ávila josebavila@gmail.com Quando me desloquei à Feira Internacional da Agricultura em Tulare, decidi usar a autoestrada 5 em vez da 99, porque, por esta altura do ano, aquela estrada é um mostruário das culturas do nosso rico Vale de San Joaquin. Aveia, vinhas já podadas na sua maioria, o algodão à espera de transporte para as fábricas, as laranjeiras cheias a não poder mais, os aquedutos cheios de água, as amendoeiras a florirem. Enfim, um autêntico poema da natureza. Ao entrar na 5, no fim da Crowns Landing Road, olhei com muita saudade para as montanhas do Pico dos Padres, o lugar mais taurino e um dos mais bonitos do mundo. Como foi possível esse lugar previlegiado ter acabado com as corridas de toiros? Quem o conhece, sabe muito bem, que não há nada igual a ele. Quantas recordações tenho de lá? Milhentas e as saudades continuam como se chegado Abril, tudo começasse de novo. Montes de gente, montes de comida, dezenas e dezenas de motor-homes, conversas sem chegar ao fim, ver toiros lindos e bem tratados, tudo isso fazia parte desta homília taurina de todos os anos. Esperar por Abril era como estar grávido e ter um filho. Hoje, sabemos que todos os espectáculos tem o seu perigo e que mesmo assegurados que são, há sempre possibilidades de se tornarem grandes problemas que se arrastam por uma vida inteira. Deixemos isso de parte agora e pensemos noutras oportunidades que poderíamos ter no Pico dos Padres. Hoje em dia, uma vez por ano, um grupo de amigos juntam-se no Pico dos Padres e gozam de um excelente dia de convívio que acaba em brincadeiras com vaquitas. Mas esta festa é privada, para amigos e convidados. A minha proposta seria que uma festa desse género fosse aberta ao público, pagando-se a segurança e outras despesas próprias de um evento desta categoria. As pessoas levariam as suas comidas e até poderia permitir-se que "tascas" pudessem ser usadas para benefício de organizações caritativas. É preciso e necessário levar gente ao Pico dos Padres. Levar gente para que possam ver ao longe os toiros e as vacas a pastarem no seu ambiente natural. Para que se possam apaixonar pelo animal mais belo da festa brava - o toiro. Aqui fica esta ideia, para que o meu amigo Manuel Sousa Junior e toda a sua família a possa digerir, a contento de muitos milhares de pessoas que adorariam regressar aos belos campos do Pico dos Padres e passar um dia de partilha e de amizade. Nem a Disneylândia tem tanta beleza. Cabe a este trio de Sousas re-æavaliar as potencialidades de uma área própria para divertimento, mesmo que não hajam corridas de toiros, o que será sempre uma pena para os aficionados da festa brava.


TAUROMAQUIA

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Pico dos Padres - o melhor que a California tem


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ARTES & LETRAS

1 de Março de 2012

A Poesia de José Raposo LUZ DOS MEUS DIAS

Atravessei continentes. E no meio de outras gentes Senti-me às vezes deslocado.

Se o sol, um dia, sua luz já não der, Não importa se ele não mais me aquecer, Porque, se eu ainda te puder ver, Serás, pra mim, como um sol, oh mulher!

À procura do maná . . . Abandonei minha terra. E por vencer esta quimera Não sou daqui nem de lá.

Se um dia não derem luz as estrelas E a lua a cara mostrar não quiser, Em qualquer parte, aonde eu estiver, Os teus olhos hão de brilhar como elas.

Transformei a minha vida, Mudei sonhos e paixões. Num mundo de ilusões, Sou uma alma repartida.

Se acaso os rios e mares secarem, E de cantar os pássaros deixarem Suas harmoniosas melodias,

Publicado no Livro Alma Repartida e Terra Lusíada

Se tudo à minha volta desabar Às escuras eu nunca hei de ficar, Porque tu serás a luz dos meus dias.

DESPI A ALMA . . .

FILHOS DA NOSSA ALMA Sei que um dia vou morrer. Quando tal acontecer, Deixo-te as rosas e o vento, Deixo-te a chuva e o sol, O cantar do rouxinol, Minha alma E meu pensamento. Deixo-te a nuvem que passa E que o vento faz correr, Deixo-te o encanto e a graça De uma papoila a crescer, Deixo-te as ondas do mar Que se desmancham na areia, Deixo-te o ténue luar Em noites de lua cheia, Deixo-te a flor e a beleza Dos poemas que escrevi E deixo-te a natureza... Quando o teu tempo findar E tu te fores daqui, Nalgum lugar hei de estar Só esperando por ti. E ao partires, deixaremos Plantados, como uma palma, Os poemas que escrevemos.

Os filhos da nossa alma. Publicado no livro duplo "Alma em pedaços EU QUERO QUE O TEMPO PARE Hoje, Não quero a angústia de ontem, Nem a incerteza do amanhã. O passado foi embora! E o futuro... Chegará? Hoje, Não quero lembrar as folhas caídas, De um Outono triste e belo, Nem esperar os rebentos Da Primavera. Hoje, Não quero lembrar os frígidos dias De Inverno, Nem as escaldantes tardes De Verão. Hoje, Não quero lembrar as tardes Perdidas E as noites em vão, Em que por ti, esperando, Me faltava a pulsação. Hoje, Mirando os teus olhos E sentido o bater de teu coração, Nem sequer quero a saudade... Hoje, O que eu quero de verdade É que o teu amor me ampare! Não quero que o tempo retroceda, Nem quero que o tempo avance: Eu quero que o tempo pare! ALMA REPARTIDA Eu nasci no meio do mar Pelas ondas embalado. Pr'a outro mundo atirado, Até soube o que é penar. Vim por ventos fustigado.

Despi a alma . . . Do manto da saudade E das lágrimas que já não choro. Já não sei mais onde estou, Nem tão pouco onde moro. Despi a alma . . . Do véu estrelado da monótona noite E da rubra madrugada. Despi a alma . . . Da invisível transparente mantilha Da solidão que me cobre. Despi a alma . . . Sem me teres pedido. Das memórias E do que me havia esquecido. Estou sem rumo. Não tenho lema. Veste-a com a ternura Das palavras de um poema. Publicado no Livro "Despi a alma no cais da solidão" e Terra Lusíada O SILÊNCIO O silêncio é o som do segredo Que nunca foi dito. É o barulho da ribeira da vida Que nunca correu. É o arranhar da pena Do poema que nunca foi escrito. É o grito de morte da rosa Que nunca nasceu. O silêncio é o bater da chuva Que nunca caiu. É o encontrar da pérola Que nunca foi perdida. É o fechar da porta que nunca se abriu. O silêncio é a ausência da vida. Publicado no livro "Alma repartida" e na antologia "Terra Lusíada

Apenas Duas Palavras

Diniz Borges d.borges@comcast.net A poesia em destaque nesta edição da Maré Cheia. Se é verdade como se diz, que o fingimento na poesia é a capacidade ou a necessidade de extrair poesia do encontro com a vida, José Raposo, o poeta que hoje destacamos, destaca na sua poesia elementos da vida, do quotidiano. Rimbaud escreveu algures: "o poeta faz-se vidente através de um longo, imenso e sensato desregramento de todos os sentidos." E a poesia de José Raposo é isso mesmo, um repositório dos vários sentidos, tal como escreveu Elen de Moraes no prefácio de 101 Sonetos ao Sabor do Vento: "as escrever seus versos, descerra todos os véus do seu inconsciente, deixa cair as máscaras das aparências, compromete-se exclusivamente com a verdade do coração e nos faz sentir partícipes do instante sublime da sua inspiração." Nasceu na ilha de S. Miguel, nos Açores, e em 1975 emigrou para os Estados Unidos da América, mais concretamente para a Califórnia. Aqui, tem trabalhado, e escrito poesia. Já publicou vários livros, sempre sem qualquer apadrinhamento, e com a independência que se espera do poeta e da poesia. Neste jornal, é mais conhecido pelas suas crónicas, tratando assuntos dos quotidiano e da comunidade portuguesa para a qual tem contribuído, como poeta e como ativista. É irreverente, como devem ser os cronistas, e de uma forma particular os poetas, porque tal como escreveu Baudelaire: "todos os grandes poetas se tornam naturalmente, fatalmente, críticos." Até porque pessoalmente gosto, muito mesmo, da irreverência dos poetas e das crónicas com espirito critico. Os seus versos também têm sido utilizados em alguns fados, cantados por artistas da nossa comunidade. O José, é acima de tudo, um homem do seu povo, um "irrequieto poeta açoriano", como escreveu o Dr. Fernando Silva. É com muito gosto que dedicamos esta página ao poeta José Raposo. É uma pequena homenagem, e simultaneamente, um convite para que comprem e leiam os livros do poeta e cronista, e meu amigo, José Raposo, porque tal como escreveu José Ávila no prefácio de Na Palma da Mão: "ao lermos Zé Raposo, sentimos na alma que o mundo afinal ainda tem muito tempo para ser vivido." Abraços diniz

Ando ao sabor da corrente, Na imensidão do mar. Ando sozinho, entre a gente, Com medo de me encontrar.


COMUNIDADE

Casamento Elegante Realizou-se no dia 15 de Outubro de 2011, na Igreja de St. Patrick em Escalon o casamento de Melissa Silva e Kurt Kale. A recepção teve lugar no Salão de Festas de Oakdale. Melissa é filha de Ana e Joe da Silva, residentes em Escalon. Kurt é filho de Lana e Mark Kale. O novel casal foi passar a lua-de-mel a Cancun, México. Melissa trabalha como Account Manager da empresa de agropecuária de seus pais e Kurt é funcionário da Irrigation District Company. Tribuna Portuguesa sauda o jovem casal desejando-lhe uma feliz vida em comun.

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ENGLISH SECTION

1 de Marรงo de 2012


ENGLISH SECTION

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Portuguese in Hong Kong Presentation One of the least known facts in the Portuguese Diaspora is the historical existence of a vibrant Portuguese Community in the ex-British Colony of Hong Kong. Author Antonio M. Pacheco Jorge da Silva (photo) will present a fascinating history of the Portuguese community in Hong Kong at the Dr. Martin Luther King, Jr. Library, San Jose State University, San Jose, on March 31, 2012 at 2:00 pm. Although an architect by profession, his interest in the history of the Portuguese people and the genealogy of the Macaenses has led to the writing and publication of several books and articles on the subject.

The presentation is based on two volumes of pictorial books that will be donated to the library by the author. He will speak about the descendants of Portuguese born in Macau who left for Hong Kong to take an active part in the early business development of a new Colony after 1842. The event is sponsored by the Macau Arts Culture and Heritage Institute (MACHI) USA and the Portuguese Heritage Society of California, Admission is free and light refreshments will be served. A public parking facility is located on Fourth St., close to the Library. For more information contact Mr. Art Britto, 510-813-6116.

New Book

"South of the Cannons" - tells of Portuguese who came from Azores in the 1840's

‘South of the Cannons,’ new Stonington Historical Society book, tells of Portuguese who came from Azores starting in the 1840s, creating a vital community on Con-

necticut side of the Atlantic The Stonington Historical Society has published a new book by a local genealogist, Henrietta Mello Mayer. The book, “South of the Cannons, the Portuguese Families of Stonington, Connecticut,” has been a long-time project of the author, who was born on Omega Street in the community she writes about, the southern portion of Stonington Borough when it was a primarily Portuguese neighborhood. This new version of a book she published privately in 1978 is richly illustrated with photographs, some never put between covers before. The Historical Society will celebrate the book with a party on March 10, at 11 a.m. at the Capt. Nathaniel B. Palmer House, 40 Palmer Street in Stonington. A second party will be held on Saturday, April 14, at 11 a.m. at the Portuguese Holy Ghost Club at 26 Main Street in Stonington. On both occasions, books will be sold and Mrs. Mayer will autograph copies. The refreshments will include Portuguese sweet bread from Lou’s Bakery in Fall River, Mass. Mrs. Mayer, along with compiling genealogies, read page by page through original issues of The Stonington Mirror, a now vanished local paper, from 1870 to 1948. She selected hundreds of items about the Portuguese families who lived mostly in the compact neighborhood

The Imperial Band, later called the Stonington Band, on Hancox Street in Stonington Borough at the time of World War I. (From South of the Cannons, the Portuguese Families of Stonington, Connecticut) south of Cannon Square. This entertaining chronology, now illustrated, covers the waterfront and then some: the launching of fishing smacks, factory accidents, activities of the local bands, a gift for the train conductor, births and deaths, parades for the Festa do Espirito Santo – the Holy Ghost Festival – challenges to checker games and fistfights, graduations, concerts and arrests, big scallop harvests and, yes, a blue lobster. Mrs. Mayer’s book includes new material derived from the microfilm files of the Church of Jesus Christ of the Latter-Day

Alzira Silva visited California

Alzira Silva, Azorean assemblymember and former regional director for Azorean communities, recently visited

California. Deeply knowledgeable of the Azorean-American communities, Alzira Silva came on a different and inno-

vative mission. The socialist candidate for president of the Azorean Government next October, Vasco Cordeiro, has included in his electoral program a chapter on the priorities of the Azorean-Californian communities asking what most concerns those who live in the Americas and that the Government of the Azores can simplify. A questionnaire was circulated in person and via email. It would be useful that all offer their ideas and suggestions.

Saints as well as data from the Azores going back to the seventeenth century, and U.S. census returns. The new edition was prepared by James Boylan and Betsy Wade, who earlier edited “The Davis Homestead” and the Society’s four volumes of the Ramsbotham Editions. “South of the Cannons” is indexed. The cost is $25. To order the book direct from the Historical Societym, use this link: www.stoningtonhistory.org, then go to the tab for buying books.


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COLABORAÇÃO

1 de Março de 2012

California Chronicles

Ferreira Moreno

A

s previously stated, the former Portuguese Catholic priest Guilherme Silveira da Gloria was the author of two books of poetry: Poesias (321 pages) and Harpejos (64 pages), respectively published in 1935 and 1940. The book "Poesias" is composed of six sections: Sacred Psalter, Fraternal Lyre, Elegiac Harp, Homages & Praises, Californian Bouquet and Green Years. The final portion of the book contains the epi c poem "Cabrilho", for a total of 94 pages. Now, as a complement, I would like to present a few apropos testimonies. Dr. Mayone Dias, in his book "The Portuguese Presence in California" (2009), wrote that "Guilherme Silveira da Gloria holds an absolutely pioneering position to the development of Azorean poetry produced in California. Besides conventional poetry, he is the author of a unique epic experience, the poem Cabrilho, included in his poesias of 1935. Divided into six cantos, this poem opens with a proposition and an invocation, totally compatible with the classic molds of the Aeneid, the

Lusiads and the ltke." Dr. Donald Warrin, one of the speakers at the First Symposium on Portuguese Presence in California, which took place in San Leandro in June of 1974, pointed out that Gloria "is one of the first figures to appear in the 1iterature of the Portuguese community in California. His poetic themes are quite diverse. Gloria's poems would rather be classified in the category of Portuguese-American 1iterature than strictly portuguese." In the 1986 anthology "Cem Anos de Poesia Portuguesa na California" (One Hundred Years of Portuguese Poetry in California), organized and edited by Donald Warrin and Mayone Dias, we read that Gloria "from an early age revealed a great inclination for literature. In the Azores he published poetry in various newspapers. Once he arrived in California, he kept publishing his poems in the local newspapers. His role was that of "laureate poet" of the community, greeting distinguished visitors, composing hymns for the Portuguese fraternal societies, as well as elegies for deceased members and using his poetry as a vehicle

Guilherme da Glória (2) of support for worthy causes." It should be noted here that it was Gloria, who penned the lyrics of the official hymns for the U.P.E.C. (Portuguese Union of the State of Ca,lifornia,), and for the S.P.R.S.I. (Portuguese Society of Queen Saint Isabel). Regarding Gloria's arrival in California as a Seminarian in 1885, l would like to offer the following clarification and commentary. Contrary to a misguided writer, who claimed that "the American Bishop O'Connel (sic) was entirely responsible for the transfer of Gloria from Angra's Seminary to St. Thomas Seminary in Mission San Jose", it must be clarified that the Most Rev. Patrick Riordan was the Archbishop of San Francisco since 1884. I can further state, unequivocally, that Gloria, "after four months at St. Thomas Seminary, was ordained a priest for the Archdiocese of San Francisco by Riordan on June 29, 1885 and immediate-

ly assigned as Assistant to St. Leander's Church in San Leandro." (Father Jose Carlos, Priests from Pico lsland, 1970). On the other hand, but erroneously, Dr. Peter Conmy, in his book "A Parochial & Institutional History of the Diocese of Oakland", wrote that Gloria was born on June 6, 1862, he was transferred from Angra's Seminary to St. Thomas Seminary in 1883, and he has ordained on June 1, 1886. For the sake of truth, it should be noted otherwise. Gloria was born on July 6, 1863, he was still a student at Angra's Seminary in 1883, he came to California in 1885 and he was ordained on

June 29, 1885. There was an Auxiliary Bishop of San Francisco named Denis O'Connell, but his tenure was from 1908 to 1912. In California there was also a Bishop named Eugene O'Connell, who was appointed in 1861 as Bishop of Marysville Vicariqte, which was later changed to the Diocese of Grass Vicariate, in 1868. Eugene O'Connell retired in 1884, and most probably never met Gloria. Enough said!

George Perry, Honored by Portugal's Academy of Sciences

And To Lead NOPA's Education/Research Initiative Dr. George Perry, top 10 expert in Alzheimer's disease research and dean of the University of Texas at San Antonio College of Sciences, has been named a foreign correspondent of the Academy of Sciences of Lisbon, Portugal. Perry is on the external advisory board of the Center for Neuroscience and Cell Biology at the University of Coimbra, the oldest university in Portugal (founded in 1290), and has performed numerous reviews for the Portuguese Ministry for Science and Technology. "As an Azorean-Portuguese-American, it is a great honor to be recognized for my educational and research collaborations with Portugal and educational outreach efforts in the Portuguese-American community," said Perry. Established in 1779 by the queen of Portugal, the Academy of Sciences of Lisbon promotes academic

progress and prosperity by stimulating scientific research and the enrichment of thought, literature, language and other forms of culture. Academy members are elected on a merit basis for scholarly or scientific achievements and collaborate in education, teaching activities and cultural exchanges with other countries. Dr. Perry has also served as an advisory board member for the National Organization of Portuguese Americans (NOPA) - a national nonprofit grassroots organization with the mission to empower United States citizens and residents of Portuguese descent through advocacy, community development, education, and grassroots support. NOPA also serves to facilitate a positive relationship between Portugal and the United States. Dr. Perry has recently stepped down from his advisory role to lead the organization's

education and research initiative, which will promote higher education and research opportunities for young Portuguese Americans. NOPA congratulates Dr. George Perry for his accomplishments and is grateful for his support and service to Portuguese American community. Dr. George Perry's Bio: Dr. George Perry is dean of the College of Sciences and professor of biology at The University of Texas at San Antonio. Perry is recognized in the field of Alzheimer's disease research particularly for his work on oxidative stress. Perry received his bachelor's of arts degree in zoology with high honors from University of California, Santa Barbara. After graduation, he headed to Scripps Institution of Oceanography and obtained his Ph.D. in marine biology under David Epel in 1979. He then received a postdoctoral

fellowship in the Department of Cell Biology in the laboratories of Drs. Bill Brinkley and Joseph Bryan at Baylor College of Medicine where he laid the foundation for his observations of abnormalities in cell structures. In 1982, Dr. Perry joined the faculty of Case Western Reserve University, where he currently holds an adjunct appointment. He is distinguished as one of the top Alzheimer's disease researchers with over 900 publications, one of the top 100 mostcited scientists in neuroscience and behavior and one of the top 25 scientists in free radical research. Dr. Perry is recognized internationally for his work. He is a Foreign Correspondent Member of the Spanish Royal Academy of Sciences, the Academy of Science Lisbon, and a Foreign Member of the Mexican National Academy of Sciences.

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Feira Internacional de Agricultura, Tulare

Uma das máquins mais interessantes da feira - apanhadora de blackberries e raspberries. Impressionante tecnologia

Joe Machado mostrou-nos uma das caracteristica da semente da alfalfa - se esfregarmos as mãos na semente algumas vezes, as nossas mãos ficam super finas. Se quiseram apreciar as 290 fotos que tirámos na feira podem fazê-lo indo a www.facebook.com/portuguesetribune

João Dores estava num cartaz da Companhia DeLaval. A Feira, a maior dos Estados Unidos, já vai no 45º ano de exposicões, tinha uma área de 2.6 milhões de pés quadrados e 1600 expositores. A Familia Airosa, vinda dos Açores celebrou na feira o seu 100º aniversário com uma arrematação especial de 25 a 30 vacas registadas Holstein do seu rancho.

Estas máquinas apanham uvas e há de vários tamanhos Máquinas para todos os gostos e para todas as funções


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ULTIMA PรGINA

1 de Marรงo de 2012

The Portuguese Tribune, March 1st 2012  

The Portuguese Tribune, March 1st 2012

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