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QUINZENÁRIO INDEPENDENTE AO SERVIÇO DAS COMUNIDADES DE LÍNGUA PORTUGUESA

1 a Quinzena de Setembro de 2011 Ano XXXII - No. 1116 Modesto, California $1.50 / $40.00 Anual

Pág. 30, 31

Adelino Toledo em livro

Pág. 28

XIX Encontro de Professores de Português dos EUA e Canadá Foi lançado durante a Festa de Nossa Senhora da Assunção em Turlock o novo livro do escritor Liduino Borba, sobre o poeta popular Adelino Toledo. O livro foi apresentado por Manuel Eduardo Vieira, tendo falado o Padre Manuel de Sousa, Euclides Alvares, Liduino Borba e a finalizar Adelino Toledo. Zélia Freitas interpretou um fado da autoria do poeta e os seus amigos e companheiros improvisadores fizeram-lhe uma homenagem cantando em sua honra. Seguiu-se cantoria e sessão de autógrafos. Pág. 3

www.portuguesetribune.com

Realiza-se nos dias 2 a 5 de Setembro o XIX Encontro de Professores de Português dos EUA e Canadá. O encontro terá lugar em Winnipeg, Manitoba, Canadá. A organização deste encontro é da responsabilidade da Associação Portuguesa de Manitoba. Tribuna Portuguesa dará notícias deste importante Encontro na próxima edição.

www.tribunaportuguesa.com portuguesetribune@sbcglobal.net


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SEGUNDA PÁGINA

1 de Setembro de 2011

Ensino Prorrogação de licenças de :

EDITORIAL

Para não esquecer

Na quinzena passada tivemos muitos eventos que convém lembrar: o lançamento de um livro sobre um dos mais importantes poetas populares residentes na California, a visita ao Canadá dos nossos jovens Forcados do Aposento de Turlock para actuar na II Corrida da nova Monumental Vitor Mendes, em Dundalk, uma entrevista com um CEO de uma companhia japonesa, nascido em Angola, a festa sempre tão bem organizada como a de Nossa Senhora da Assunção em Turlock, festa de Santo António em Tracy e tantas outras festas por essa California fora. Foi uma quinzena muito ocupada para muita gente. As escolas abriram e os nossos filhos e netos encheram-nas de cor e alegria. Esperamos que a crise que ainda nos apoquenta não faça mossa no sistema educativo que temos. Quando pensamos na falta de dinheiro, lembramo-nos sempre dos super biliões de dólares que se gastaram estes anos todos no espaço, com os vai-e-véns. O que é que ganhámos com isso? Na realidade, ganhámos muito pouco. Qualquer satélite artificial poderia ter sido lançado da Terra, sem se gastarem 2 biliões por cada ida ao espaço. Em tempos de vacas gordas, tudo é bom para se gastar. Olhem para o mundo de hoje e vejam na situação ridícula em que estamos quase todos os países estão perto da bancarrota. Ainda ontem e nas notícias de Portugal ouvimos dizer que 20 autarquias tinham dívidas de 6 biliões de euros. Como é possível? Entramos neste mês no nosso 32º aniversário. Uma caminhada longa mas proveitosa, para benefício de uma boa comunidade. Dez anos do 11 de Setembro e nunca o esqueceremos. æ jose avila

professores no estrangeiro bem-vinda, mas “não solução” A prorrogação das licenças dos professores de português nos Estados Unidos, Canadá e outros países pelo Ministério da Educação é bem-vinda, mas “não é solução” a prazo, afirma o presidente da Associação norte-americana de Professores de Português (APPEUC). “A solução lógica e justa era integrá-los na rede do EPE [ensino de português no estrangeiro], equiparando-os aos colegas da Europa e África, mas em Portugal ninguém quer sequer ouvir falar disso, pois teriam de lhes pagar”, disse à Lusa Diniz Borges, presidente da APPEUC. “Assim, para os nossos governantes, a solução era cortar-lhes as licenças: alguns regressariam a Portugal, e os outros, que por razões familiares decidissem ficar, perderiam o vínculo” à função pública, explica. O Ministério da Educação e Ciência anunciou na sexta-feira em nota à Lusa que a licença sem vencimento dos professores contratados para ensinar português no estrangeiro será prorrogada por mais um ano. Em causa estava a situação dos professores contratados por associações de emigrantes portugueses

para ensinar Língua e Cultura Portuguesa no estrangeiro aos luso-descendentes nos EUA, no Canadá, na Austrália e na Alemanha. Estes enfrentavam a hipótese de não lhes ser concedida licença sem vencimento para continuarem a trabalhar no novo ano letivo. Em caso de não renovação, os professores que não voltassem antes do arranque do novo ano letivo corriam o risco de perder o lugar que deixaram em Portugal e de deixar de lhes ser contado para a reforma o tempo de trabalho no estrangeiro. Segundo Diniz Borges, a associação contou com apoio do Secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, e da deputada eleita pela emigração Fora da Europa, Maria João Ávila. Para o presidente da APPEUC, "não há qualquer desculpa para [a situação] se ter arrastado tanto no tempo”. “Já em 2007, quando o regime legal que suportava a deslocação destes professores foi substituído pela figura das licenças sem vencimento/sem remuneração, os professores dos Estados Unidos e Canadá se viram na iminência de regressar a Portugal ou abdicarem do seu lugar nas escolar a que pertenciam”.

No ano passado, havia apenas 4 professores na Alemanha e 2 na Austrália nesta situação, contra os 25 na América do Norte. “Apesar das múltiplas insistências e promessas”, diz Borges, Instituto Camões e Ministério “não chegaram a qualquer acordo durante um ano porque sempre preferiram colocar estes professores no mesmo saco dos colegas de Portugal que se encontram no regime de mobilidade, ignorando a sua situação específica de professores do EPE que, embora deslocados das suas escolas, são pagos pelas associações portuguesas”. “A verdade é que em todo este tempo nada mudou e nem a passagem do EPE para a tutela do Instituto Camões contribuiu para resolver o problema”, acrescentou. Para Borges, o problema é “simples”: ou “o Estado quer apoiar o ensino do português na América do Norte e considera estes docentes parte da rede, ou diz pura e simplesmente às comunidades que não tem vontade para isso e elas que se virem como fizeram desde sempre”, diz. AOL/PDF/SK Lusa/Fim

Year XXXII, Number 1116, Sep 1st, 2011


COMUNIDADE

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Adelino Toledo - Uma Voz na Diáspora

Manuel Eduardo Vieira, apresentou o livro do Liduino Borba, Euclides Alvares teve a ideia do livro, falou com Adelino e dePadre Manuel Sousa falou sobre o seu amigo Adelino pois convidou o Liduino a fazer a obra falando depois sobre o poeta popular que tanto admira

Muita gente asistiu à apresentação do livro, que teve lugar no Salão de Festas de Nossa Senhora da Assunção em Turlock no dia 19 de Agosto de 2011

Liduino Borba falou sobre a obra e sobre a facilidade que teve em adquirir todos os dados necessários à feitura do livro.

Escrever um livro sobre um poeta popular parece fácil, mas pode complicar-se quando os elementos mais importantes para a sua feitura são raros e dispersos. Nada disso aconteceu com este livro. O Adelino, durante toda a vida foi arrumando, quer em papéis, quer na memória, o que de mais importante ocorreu na sua vida de improvisador e poeta popular. E foi assim que o Liduino Borba teve a vida facilitada por tantos elementos que Adelino lhe ia fornecendo. A apresentação de um livro tem sempre o sabor da descoberta de algo que não conhecíamos, mas para ter efeito, tem de ter pessoas a participar. Isso aconteceu no Salão de Nossa Senhora da Assunção. Muita gente para ouvir, comprar o livro e depois gozar a cantoria. Foi uma noite inesquecível para todos e queremos crer muito especial para o Adelino Toledo e Liduino Borba. Convém referir que este livro foi patrocinado por muita gente amiga do poeta, que queria que a vida de um dos nossos mais importantes improvisadores nunca pudesse ser esquecida no futuro.

Zélia Freitas cantou um fado com letra de Adelino Toledo. Na mesa de honra podem-se ver Manuel Eduardo Vieira, Liduino Borba, Manuel Sousa, Euclides Alvares, Adelino Toledo e John Nunes

Tribuna Portuguesa sauda o Adelino Toledo.

Os companheiros do mesmo ofício quiseram homenagear o Adelino: Manuel dos Santos, Abel Raposo, João Rodrigues, Alberto Sousa, José Ribeiro, Vital Marcelino, António Azevedo e João Pinheiro. Embaixo: Adelino autografando o livro de Paulo Matos


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TAUROMAQUIA

1 de Setembro de 2011

Quarto Tércio

Forcados Amadores do Aposento Turlock

Pegaram toiros em Dundalk

José Ávila josebavila@gmail.com Fiquei com o meu chapéu enterrado até aos ombros, quando vi

três praças de toiros cujas arenas mais pareciam campos de milho. Será que só eu é que vejo bem? Monte Gordo, Graciosa e Pico - uma desgraça total de arenas. Afinal, quem é que inspecciona a arena?

Os Forcados Amadores do Aposento de Turlock, capitaneados pelo Tony Machado deslocaram-se ao Canadá para participar na segunda corrida da nova Monumental Vitor Mendes em Dundalk.

Recebi de uma pessoa amiga 300 e tal fotografias da II Corrida de Toiros realizada no Pico. A Praça é desmontável, como tantas outras, mas estava com um aspecto exterior de bradar aos céus. Já não vê tinta há mais de vinte anos. Não sei quem é o dono, mas é uma vergonha para a Festa Brava que se quer implementar no Pico. Em relação aos novilhos corridos, eram feios de mais para eu os comentar. O ganadero do Pico tem de ter mais cuidado com o gado a apresentar. O meu chapéu ficou todo picaroto, porque eu não queria acreditar no que via. Já só faltam três corridas e um festival para acabar a temporada de 2011. Foi rápida e poucas saudades (até agora) temos, com a excepção dos nossos forcados que no Canadá, Ilha Terceira e Continente Português brilharam, como gente grande.

Rui Santos

Matador António Ferreira

Rui Lopes

Duas pegas dos Forcados do Aposento de Turlock e uma pega dos Forcados do Canadá. Quatro toiros da Ganadaria do Pico dos Padres e dois toiros para o matador da Casa Agrícola Manuel Machado. As fotos das pegas são de Luís Melo e as restantes de António Salvador, ambos do Canadá, a quem agradecemos a gentileza.

Estas actuações dos nossos grupos de Forcados em terras do Canadá, Ilha Terceira e Continente Português, são um sinal positivo para todos aqueles que se dedicam de alma e coração a esta difícil arte de pegar

toiros. É importante compreender que todos os toiros são diferentes, não pode haver pegas iguais e é por isso que estes jovens se aprumam tanto, para que em todas as suas actuações possam acabar bem, sem

problemas físicos, algumas vezes maus para a sua vida normal. É importante que as pessoas compreendam de uma vez por todas que estes rapazes são na realidade os mais românticos da Festa Brava. Os gran-

des heróis de muitas noites da festa. Nesta foto podemos ver o nosso amigo Élio Leal, com todos os artistas que actuaram na tarde do dia 13 de Agosto de 2011, na sua bonita praça de Dundalk.


COLABORAÇÃO

Tribuna da Saudade

Ferreira Moreno

D

urante o período da Segunda Guerra Mundial, 1939-45, diversos corpos expedicionários de tropas continentais rumaram aos Açores a fim de manter a soberania nacional e salvaguardar a defesa das ilhas atlânticas. Grupos de militares vieram p’ró concelho ribeiragrandense, aquartelando-se em várias localidades, incluindo o Campo de Santana. Adentro da então vila da Ribeira Grande, as tropas ficaram instaladas na antiga Fábrica do Álcool, situada no chamado Cabo da Vila, a meio caminho entre a Ribeira Seca e a Conceição. Como anotou Ezequiel Moreira da Silva (Ares de Guerra, Correio dos Açores, junho 2011), “quem por ali passava, além do aparato militar com sentinela perfilada à entrada, apercebia-se da localização das cavalarias na parte daquele conjunto de edifícios junto à rua pelo lado sul a seguir à entrada principal, confrontando o atual campo de futebol. Dali borbotava continuamente o ruído dos relinchos e das ferraduras batendo no pavimento”. Moreira da Silva recordou os ocasionais desfiles militares, subindo a Rua dos Foros, “equipados e armados como se fossem combater, certamente com destino às matas e faldas da Serra de Água de Pau p’rà realização de exercícios. O que mais despertava a atenção eram os garranos puxando pequenas carroças com as metralhadoras e outros equipamentos”. Retenho ainda na imaginação a imagem de companhias de soldados acampados, provisoriamente, no Adro das Freiras na

Imagens da Segunda Guerra na minha Terra (2)

execução de exercícios militares, enquanto os cozinheiros preparavam o rancho. A Rua da Ponte Nova, vulgarmente conhecida por Rua do Outeiro, onde estava situada a residência da minha família, desembocava no Adro das Freiras, assim designado por ali ter existido o Convento de Jesus das Freiras Clarissas. Fundado em 1536, foi desmantelado após a extinção das ordens religiosas em 1833. Moreira da Silva recordou, igualmente, que o litoral da Ribeira Grande, “bastante aberto ao mar e facilmente acessível, foi alvo de proteções especiais. Por debaixo do pavimento do Miradouro de Santa Luzia, mais conhecido por Palheiro, foi escavada uma casamata, com aberturas p’ra metralhadoras e outras peças de artilharia no seu lado poente, com vistas p’ró areal. A entrada p’rà casamata fazia-se por uma pequena porta, protegida por forte chapa de ferro, existente no lado sul do miradouro, junto ao outeiro que lhe dá acesso a quem vai do sítio das Poças”. Presentemente o local encontra-se tapado e “off limits”, como diríamos em inglês, embora seja possível descortinar a localização dessa entrada. Em tempos idos, com rapazes da minha idade, lembro-me de termos organizado uma “campanha de piratas”, e armados com toscos varapaus, ao toque de um desafinado cornetim, invadimos a casamata de alto a baixo. Regressando novamente à estadia dos militares na Ribeira Grande, Moreira da Silva relembrou que os soldados, “com a necessidade de lavarem as suas fardas e outras roupas, deram também um movi-

mento diferente às lavadeiras tradicionais que desenvolviam a sua atividade nas margens da ribeira ou junto às “levadas” dos moinhos, por diversas partes da vila”. Por sua vez, os vendilhões da Praça e da Rua Direita conseguiram “arrebanhar” os soldados p’ró número de fregueses na compra de tremoços curtidos e favas assadas ou torradas. Um negócio que surgiu por volta de 1943, e mencionado por Moreira da Silva, adveio da iniciativa de Manuel da Silva Afonso, natural do Cabouco (Concelho da Lagoa), ao transferir das Velas de S. Jorge p’rà Ribeira Grande a sua fábrica de refrigerantes, produzindo laranjadas e pirolitos de bola. As garrafas dos pirolitos eram vedadas por uma bola de vidro alojada em cima duma anilha de borracha junto à sua boca. P’ra beber o refrigerante, metia-se um dedo nessa boca, provocando a queda da bolinha no gargalo. Embora haja desaparecido essa pequena fábrica, instalada nos baixos duma casa frente aos Correios na Rua Direita, a sua imagem permanece arquivada nos escaninhos da minha memória. Moreira da Silva escreveu que ali, agora, existe uma mercearia. Euclides Cavaco, continental radicado no Canadá desde 1970, versejou àcerca do pirolito:

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Parei no tempo e sonhei, Memórias de pequenito E recordei com saudade, O tempo do pirolito. Era encanto das crianças, Pela fascinante bolinha, Que tentavam com o dedo, Remover a borrachinha. Eram grossas as garrafas, Giras e muito pesadas. De todas as que existiam, Eram as mais engraçadas. Seria doce voltar, A ser criança, admito, P’ra poder, sem sonhar, Ver de novo um pirolito!

IV International Conference on the Holy Spirit Festas Miguel Valle Ávila

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1 de Setembro de 2011


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Rasgos d’Alma

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Geração da coragem

Luciano Cardoso lucianoac@comcast.net

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eróis do mar, a seu tempo, como bem sabemos, passaram à história lusa cristalizados no lindo hino de raro esplendor que hoje cantarolamos sem nunca escondermos esse pátrio orgulho sempre patente na lagrimazinha apegada ao canto do olho rendido aos momentos mais marcantes. Nobre povo, não tenhamos a mínima dúvida. Somo-lo, sem complexos, a toda a hora e em qualquer lugar. Sobretudo aqueles de nós que cedo decidimos embarcar para longe e para sempre, não admitimos facilmente que questionem à balda o nosso firme apego ao patriótico símbolo das quinas. Diz-nos muito e cala-nos fundo. Nação valente, porém, há quem diga que já o fomos muito mais. Os argumentos dividem-se, esfrangalham-se e, às vezes, quase esbarram nas bordas do ridículo. Com toda esta desgastada conversa da feia crise global que por aí anda a picar-nos os nervos e a pilar-nos os bolsos, atrevem-se mesmo a dizê-lo que já nem po-

demos com uma gata pelo rabo. Porque o tempo das vacas gordas já lá vai. Que as armas e os barões assinalados também se foram. E esse tal glorioso heroísmo da histórica grandeza lusitana, há muito ido, dificilmente voltará. Farto de histórias, no seu stressado vaivém de um dia a dia cada vez mais desgastante, o zeloso Zé Povinho não está para meias medidas. Manda os historiadores à fava, agarra-se à televisão com fervor e, conforme lhe dá na telha, vai elegendo os seus novos heróis. Regra geral, não perde muito tempo nos retóricos campos da política, da religião ou da escrita para inglês ler. Não lhe enchem bem as medidas. Vira-se então para o virtuoso campo da bola. Aí sim, a alma solta-se, o coração pula e a malta vibra com um simples toque de calcanhar, um pontapé de bicicleta ou uma cabeçada certeira. Mal a bola beija as redes, é o fim da macacada. Quem tem jeito para a meter lá dentro torna-se herói num instante. São muitos e, normalmente, distinguem-se por darem

o litro na defesa abnegada das suas garridas cores. Podem não ter o perfil credenciado dos históricos “portugas” que se evidenciaram noutras áreas e noutras eras mas encaixam perfeitamente nos parâmetros mediáticos que, hoje em dia, fazem enlouquecer multidões. Ídolos populares, lá isso são. E, ao contrário do que muitos possam pensar, não tem pés de barro. Pulam, correm, fintam, rematam e fazem o pobre do Zé feliz. Colado ao aparelho, ao vê-los triunfar, delira emocionado em espetáculo de se lhe tirar o chapéu. É nosso dever fazê-lo condignamente. Heróis da bola, nos agitados dias d’hoje, ninguém lhes ganha em popularidade. Então quando jogam em equipa e representam um país, enxarcados naquele suado amor à camisola, dá gosto elogiá-los. Chamados a espicaçar a velha glória nacional e a escorraçar para bem longe esta chocha ideia duma pálida geração à rasca, os putos portugueses que regressaram há dias da Colômbia

medalhados como vice campeões mundiais, fizeram das tripas coração e, sem deslustrarem o feito inédito da aclamada geração d’oiro, decidiram afirmar-se por si próprios como geração da coragem. É um título perfeitamente adequado à premiante força do seu sólido caráter. No arranque, ninguém dava nada por eles. Contudo, de brilharete em brilharete, e mesmo sem jogar bonito, souberam silenciar os seus críticos de forma eficaz e competente. O universo do futebol rendeu-selhes e o país não terá outro remédio senão continuar a agradecerlhes tão magnífico desempenho. Pena é que não os compense já professionalmente a todos como o merecem. Mas é assim o nosso famigerado e viciado futebolzinho doméstico, cada vez mais uma palhaçada provinciana sem rei nem roque onde, a belprazer, os clubes até já escolhem os árbitros e manipulam os resultados sem qualquer impunidade. Cada um diz o que quer, faz como lhe apetece e aldabra de livre vontade porque a justiça desportiva, como

Viola Ao nosso amigo Damasceno Leal A tarde chegou Na casa da colina! O Sol pálido Escondia-se Sem pressa! Extraindo o aroma De laranjeiras e flores Nesta tarde morna de Abril! A casa na colina Abriu as portas Recebeu amigos Recebeu a viola filha! Filha viola de volta De volta ao lar De quem lhe deu o ser De quem a viu nascer! E tu, amigo! Com essa cortina tão densa

De treva sombria Roubando-te do dia-a-dia Sorrias! Amada e velhos amigos Esperavam Com ansiedade A tua reacção à viola! Aí começou, Bailando na escala da tua dama Os dedos d'um mestre Deu vida às cordas! Tocando a chamarrita Velha e sempre nova Abrindo a cortina Essa cortina tão densa!

Tua cantiga singela Na chamarrita d'outrora Viola filha te aqueceu Nem sequer deste por isso Tens olhos quase assustados Ao ouvir a tua voz Que a viola acordou Tua amada! Amigo! E a filha viola, chorou! Viola parceira Que a tua alma criou A visita dela Tua alma acordou!

Júlia Borba

E só uma frecha De luz entrou E a mente cansada A viola acordou!

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qualquer outra em Portugal, não funciona. Mete dó a mesquinha mentalidade a criar-se à volta de toda esta patética podridão “futeboleira” em que os fanáticos se deixam embalar tôa. Dói mesmo ver os nossos prezados clubecos apostarem forte e feio na estrangeirada que continua a roubar o lugar aos nossos jovens de valor comprovado. Comprovaram-no na Colômbia com brio e dignidade. Passearam a sua classe, sobretudo na brilhante organização defensiva demonstrada ao longo da prova, até caírem de pé já perto do fim. Custou a engolir mas o resultado final não diz tudo. O seu enaltecido trabalho de equipa e coeso espírito de grupo são o triunfo dum exemplo que fala por si. Foram uns verdadeiros heróis, à beira de fazerem história.


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COLABORAÇÃO

1 de Setembro de 2011

Agua Viva

Filomena Rocha filomenarocha@sbcglobal.net

T

urlock, foi a minha primeira casa onde habitei desde que cheguei aos Estados Unidos há já 26 anos. E normalmente, o primeiro lugar onde vivemos, é o que nos deixa as melhores ou piores marcas. No caso, pelas pessoas que encontrei, que algumas já eram minhas amigas na Ilha, pelo lugar onde vivi, guardo as melhores recordações e é sempre com agrado que subo entre vales e montanhas, lagos e riachos, numa duração de tempo que chega a cansar, se sobretudo há demasiado tráfico, até à cidade ampla, limpa e muito agradável, como a água fresca que se bebe sempre que a sede aperta..
Todas as vezes que atravesso estes vales, cuja natureza fez caprichosos pequenos montes em cordilheira, de algum modo fazem-me sempre regressar no tempo e imaginar os velhos cowboys de pistola em riste sentados nos seus cavalos em correria, que

Adelino Toledo, uma voz

costumávamos ver nos velhos filmes, autênticas lendas do west americano, com garbosos e valentes cavaleiros contracenando com as raparigas mais bonitas da América. Ainda hoje essas lendárias histórias fazem sonhar a gente actual e algumas gostariam que o país fosse como antigamente, excepto nas longas estradas, tal como muitos de nós Portugueses nas nossas terras de origem.
Seja como for, sempre arranjamos forma de voltar ao passado, mesmo longe da Pátria. Por isso, fomos ao encontro de Uma Voz na Diáspora. Será uma voz entre tantas que têm cantado, neste caso ao Desafio, por muitos palcos, coretos e caminhos, dando razão da nossa história de Açorianos no Mundo. Adelino Toledo é essa voz personificada, com uma história de vida contada por quem se interessa por gente da Diáspora. A ideia foi do seu amigo Euclides Álvares que lhe

Traços do Quotidiano

Margarida da Silva

conhecia o valor e a pôs em prática junto de Liduíno Borba, que adora pesquisar biografias em tudo quanto é arquivo. Esta sequência de ideias e vontades postas em seguimento, deu origem ao livro que agora podemos folhear com a vida de um poeta que além de cantar ao desafio, é uma pessoa válida dentro da comunidade Portuguesa, nomeadamente na construção da nova Igreja de Nossa Senhora da Assunção para a qual contribuíu em diversas áreas e programas culturais de forma a render alguns fundos para o desenvolvimento da Paróquia. Adelino Toledo, amigo dos seus amigos, é para eles porém a humildade em pessoa, sempre disposto a ajudar sem outro propósito que não seja o de proporcionar coisas boas que prezem o futuro, o seu nome e da família em que vive comunitáriamente inserido.
E foi inserido na grande Festa de Nossa Senhora da Assunção em Turlock que foi lançado o

na diáspora

livro “Adelino Toledo, Uma Voz na Diáspora”, em sessão solene conduzida por Manuel Eduardo Vieira e Cantoria, algo inédito que fez juntar quase todos os cantadores e tocadores que já o acompanharam e uma simpática multidão que acudiu ao salão de festas. Foi um rico e fino serão cultural que não esquecerei e

uma oportunidade de ler a vida de uma pessoa que veio da Ilha Terceira muito jóvem, cumprir um sonho de evoluir na vida, como tantos imigrantes e conseguiu.
Parabéns Adelino, por este prémio de ter tantos amigos! Nós orgulhamo-nos de estar incluídos e desejamos-lhe as maiores Felicidades.

Serreta na intimidade

santamarense67@yahoo.com

Q

uando escrevi o artigo , “A CASA DA TIA VIEIRA”, mal sabia que a Tia Vieira era a avó paterna da Rosa Silva, a Azoriana da Serreta, cujos poemas já conhecia através do Tribuna. A Rosa, ao ler o artigo, contactou comigo emocionada, pois a estória sobre a sua avó tocou-lhe profundamente o coracão. Mais recentemente descobri que o bisavô paterno da Rosa, Manuel António Oliveira, era primo da minha bisavó paterna, Maria do Carmo Silveira, o que foi, realmente, uma agradável surpresa saber do parentesco, embora distante, entre nós. Também a Rosa desconhecia que eu havia assistido ao casamento dos seus pais, Carlos e Matilde, na Serreta, no verão de 1960. Como era ainda criança, não me recordo muitos pormenores da cerimónia, sei que os noivos estavam muito asseados e felizes. Lembro-me que o banquete foi ao ar livre e que a alcatra e a massa sovada estavam uma delícia. Aliás, julgo que foi a primeira vez que saboreei aquele típico prato terceirence. O pai da Rosa, Carlos Cândido, mais co-

nhecido por Carlos da Tia Vieira, natural de Santo Amaro do Pico, era meu vizinho e, como alguns dos seus conterrâneos resolveu “emigrar” para a Terceira à procura de uma melhor vida. Quando ele foi trabalhar, como carpinteiro, para a Base das Lajes, residiu, por algum tempo em casa dos meus tios Raúl e Maria Amélia Nunes que foram os seus padrinhos do casamento. Na altura, a minha mãe e eu estávamos de visita àqueles familiares em Santa Luzia da Praia, e também fomos convidadas para a boda. Quem diria que, quase 50 anos mais tarde, eu teria o prazer de corresponder com um rebento daquelas núpcias. As voltas que o mundo dá! Como já foi anunciado no Tribuna, a Rosa Silva publicou, recentemente, “SERRETA NA INTIMIDADE”, um sonho que finalmente viu realizado. Trata-se, especialmente, de uma sentida homenagem à memoria da sua querida mãe. Prosa e poesia vêm intercaladas com a saudade, o amor à familia, o apego à sua terra e às cantigas, e a devoção à sua padroeira, Nossa Senhora dos Milagres.

Rosa Maria Correia Silva nasceu na Serreta, Terceira, no dia 1 de Abril, 1964. Após ter completado os seus estudos, prestou serviços no G.A.R. – Gabinete de Apoio e Reconstrução, 1982 a 1985. Presentemente é assistente técnica do Gabinete Técnico da Secretaria Regional de Saúde, em An-

gra do Heroísmo. É mãe de Luís Carlos, Aida Alexandra e Paulo Filipe. Desejo apresentar os meus sinceros parabéns à Rosa, a quem agora também posso chamar prima, pela sua “SERRETA NA INTIMIDADE” e tomo a liberdade de transcrever uma quadra e o parágrafo que ela dedicou ao meu cantinho: Nunca se sabe o futuro Sem passar pelo presente O passado é o apuro Do que nos sobra p'la frente

Pico é lindo… …E negro de mistérios, traz-nos a nostalgia, a saudade e o querer voltar a vê-lo um dia. Altaneiro e vistoso, com seu manto todo branco, como que a comandar as outras ilhas irmãs que, à distância, lhe acenam sorrindo por entre dias claros ou nublados. Nem me lembro bem, há quanto tempo não vou mas é como se estivesse lá. Fecho os olhos e avisto, sentada na ponta do muro da casa do meu tio Amaro, aquela conchinha beijada pelo mar e pelo cantar forte ou suave das ondas que jamais nos deixam sós. Regalam os dias e embalam as noites…


Ao Cabo e ao Resto

Victor Rui Dores

A

s Ilhas do Triângulo constituem uma realidade geográfica incontornável no conjunto de todo o arquipélago dos Açores. Uma realidade geográfica que corresponde a fortes potencialidades turísticas distribuídas pelas ilhas do Faial, Pico e São Jorge, que se completam no plano paisagístico em quadros de espectacular beleza, bem com nas variantes dos seus usos, costumes e tradições. Creio que se fica a dever ao escritor Raul Brandão, em As Ilhas Desconhecidas (1927), o conceito subjacente às ilhas do triângulo. Mais tarde, em meados dos anos 60 do século XX, fruto de alguma animação cultural e contestação política resultantes das Semanas de Estudos dos Açores, e ainda devido à acção de alguns articulistas do vespertino “Correio da Horta”, este conceito de triângulo como sub-região açoriana é retomado. Com o advento do 25 de Abril de 1974, o “espírito do triângulo” torna-se uma realidade indiscutível, tendo sido posteriormente criada a Associação de Municípios do Triângulo, que tinha (mas não sei se ainda tem) como objectivo principal a realização de acções de desenvolvimento das referidas ilhas. Nos tempos que correm, as Ilhas do Triângulo são um apetecido e apetecível destino turístico que interessa promover e defender em benefício de todos, havendo ainda um vasto mercado a explorar. As sinergias libertadas pela cooperação entre as três ilhas poderão tornar-se num decisivo contributo para o seu desenvolvimento económico e sóciocultural. As vantagens são mais que evidentes, quer no sector dos transportes, hotelaria e restaura-

ção, bem como na dinamização do comércio local. Num mundo global, há cada vez menos lugar para isolacionismos. O turismo é, neste momento, uma das maiores indústrias a nível mundial. Os Açores não têm muitas hipóteses de desenvolvimento económico, tirando o sector da agro-pecuária e do turismo. Atendendo às características e potencialidades destas ilhas enquanto destino de Natureza, há que apostar num turismo de qualidade, isto é, num desenvolvimento turístico sustentado. O turismo em espaço rural deverá continuar a ser uma aposta da Região. Estas ilhas são um destino de ecoturismo e deverão continuar a sê-lo. E a construção hoteleira pode perfeitamente coabitar com o desenvolvimento de actividades turísticas em espaços rurais. Os Açores possuem um dos mais ricos ecossistemas do mundo, e isso é um capital que não deve ser desperdiçado. A aposta turística tem que marcar a diferença e, nas Ilhas do Triângulo, isso vem acontecendo, sobretudo no que diz respeito a actividades como a observação de cetáceos, a prática de pesca desportiva, vela, mergulho, passeios de barco, windsurf, jet-ski, subidas à montanha do Pico, levadas no Faial, trilhos pedestres em São Jorge, rota de vulcões e grutas, descoberta da fauna, e, anuncia-se para breve, a prática do golf. Deve, pois, constituir uma exigência estratégica a aposta no desenvolvimento das Ilhas do Triângulo. Uma aposta na qualificação dos recursos humanos e na qualidade de serviços. Mas para continuar a desenvolver este “espírito de triângulo”, os agentes económicos e os responsáveis po-

Sabor Tropical

Elen de Moraes

A

elendemoraes_rj@globo.com

s pessoas que gostam de conversar, de ter com quem dialogar, trocar impressões e com elas interagir, não conseguem viver isoladas por longo período. Sentem necessidade de colocar, verbalmente, suas reflexões, contar sobre seu dia a dia, fazer suas piadas e muito mais. São extrovertidas e, geralmente, de bem com a vida. Para elas é motivo de pesar não encontrar quem tenha o mesmo pendor, quem não lhes dê atenção. Não me refiro àquelas que falam além da conta, sem dar aos seus interlocutores oportunidade de se manifestarem. Tais pessoas se tornam tão inconvenientes que ao chegar numa roda de amigos, antes mesmo que abra a boca, a maioria vai saindo de fininho e quem fica, ouve para não ser desagradável, sem atentar, no entanto, para o que dizem. Aqui abro um parêntesis para mencionar os que só falam sobre dores, doenças e sofrimentos.

Tornam-se tão repetitivos que alguns amigos e familiares fogem para não ouvir as “ladainhas” de sempre, como dizem. Entretanto, é bom lembrar que devemos “chorar com os que choram e alegrar com os que se alegram”. Hoje, eles, amanhã pode ser um de nós a necessitar do carinho e de um ombro amigo. Do mesmo modo, os que gostam de solidão, de estar a sós com seus pensamentos, sem muito interatuar com seus colegas de trabalho, amigos ou vizinhos, quando chegam a algum lugar onde todos falam ao mesmo tempo, ou quando o desejo de estarem calados é interrompido por alguém deveras expressivo, que requer atenção por mais tempo do que têm disponível, sentem-se molestados a tal ponto que não encontram melhor solução do que se despedirem mais cedo. Também aqui não me refiro aos que se acham superiores, aos arrogantes que preferem não dialogar com pessoas que prejulgam

COLABORAÇÃO

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Que turismo para as “Ilhas do Triângulo”?

Ilha Graciosa - Farol da Ponta da Barca e Ilhéu da Baleia

líticos deverão ter em conta que, mais do que investir no turismo, é preciso criar uma mentalidade de turismo. Atrair os turistas é um primeiro passo, mas não é suficiente. Há que tratar bem quem nos visita para que os visitantes regressem satisfeitos aos seus países de origem e promovam, por via oral, o que viram e sentiram por estas bandas. Porque, afinal de contas, é aqui, neste

Triângulo, que bate o coração dos Açores.

Fant asia e realidade

Abst rações d a mente

ter nível intelectual inferior. Não! Refiro-me às pessoas normais, as que adoram as longas e amigáveis conversas e àquelas que preferem a própria companhia. Convenhamos que ir aonde falam e riem tão alto que para sermos ouvidos necessitamos falar mais alto ainda, é insuportável. O mesmo se dá quando o silêncio impera numa reunião: é tão ou mais desagradável quanto. E há os que amam e têm o dom de escrever. Ah, esses sonhadores também têm grande prazer em conversar, mas, paradoxalmente, silenciar e observar, igualmente, faz parte. Enquanto observam, enriquecem seu fantástico mundo interior e armazenam subsídios para seus escritos. Acredito que os melhores ouvintes, ou os mais pacientes, são os escritores. Será que escrever vicia? Não sei! Mas, sei que quem escreve tem um mundo tão vasto de fantasias e realidades entrelaçadas a envolver seus pensamentos que, volta e meia, se abstraem e mergulham

fundo nesses alheamentos da mente. Quem gosta, sente necessidade de escrever todos os dias e desse prazer não abre mão, nem que seja para apagar depois ou jogar num fundo de gaveta. Difícil de entender, para quem não curte ou absolutamente não lê. E aqui volto ao início do que escrevi: há relação entre quem gosta de conversar e quem gosta de escrever: ambos necessitam de interlocutores e o do escritor é o leitor. De que adianta publicar um bom livro, com um tema de grande interesse, ou um jornal excelente como o Tribuna Portuguesa, se não houver leitores? Eles existem, e nos EUA em número bem maior do que no Brasil, porém, reduzido se comparado aos que preferem passar horas intermináveis em frente à televisão, por exemplo. No nosso país ainda se lê pouco, mas já se lê bem mais, porém, como disse Elmer Corrêa Barbosa, “a maioria dos leitores que frequenta as livrarias em nossos

dias, ao buscar livros para comprar, deseja o óbvio ou a fantasia inconseqüente. Com isso, os livros mais vendidos são os que contam histórias “edificantes”, narrativas povoadas de magos e sábios...” Ler é recomendado para quem deseja envelhecer com qualidade, pois ao estimular o cérebro, a memória se recompõe. Quem lê compreende melhor o que ouve, fala e escreve melhor, porque enriquece seu vocabulário. A leitura abre horizontes e capacita o desenvolvimento de um povo. E de novo meu aplauso para D. João VI, que contribuiu grandemente para a nossa cultura quando ao se instalar com a família Real no Brasil, fundou em 1810 a Biblioteca Real, com 60 mil livros trazidos de Portugal.


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COLABORAÇÃO

1 de Setembro de 2011

Reflexos do Dia–a–Dia

Diniz Borges d.borges@comcast.net

E

tivemos mais uma silly Season. O termo apareceu nos finais do século XIX e significa as notícias frívolas que a comunicação social rebusca para preencher espaços de férias, em particular os meses de Julho e Agosto. É um termo conhecido e utilizado em grande parte do mundo ocidental. Silly season em inglês, la morte-saison em francês, rotmonadshistoria em sueco, ou mais venenoso o serpiente de verano em espanhol. O termo ainda hoje é utilizado, e até com uma leitura mais abrangente, ou seja: dá-se "desconto" ao que foi dito, por políticos, comunicadores, peritos, etc., porque estamos em período de férias, em período de silly season, e tudo, ou quase tudo, é permitido. Como já entramos em Setembro, como já terminou, oficialmente, o espaço da silly season, recapitulo, alguns das disparate que li e ouvi, quer na comunicação social americana, quer na comunicação social de língua portuguesa, a primeira em jornais e televisão e a segunda na rádio e jornais. Eis pois a minha compilação para 2011, acompanhada dos seus respectivos factos, ou como se diz em inglês e, por inacreditável que pareça, também em Portugal - o fact check. "A Igreja é que começou e sustentou a civilização ocidental." Tenho pena de informar quem o disse, e infelizmente foi um sacerdote, que sem retirar qualquer dos vários contributos importantes da Igreja Católica para a civilização ocidental, a mesma começou um pouco antes da Igreja Católica. É unânime entre os

historiadores (muitos católicos praticantes) que a civilização ocidental começou com a Grécia e a Roma antiga, uns 800 anos antes de Cristo ter nascido. Através dos anos alguns dos grandes contributos para a chamada civilização ocidental, foram o racionalismo, o constitucionalismo, o renascimento, a reformação protestante, os descobrimentos, o iluminismo e claro as tensões entre a sociedade e a religião. "Os problemas económicos de Portugal foram em grande parte provocados porque o país e a sua classe política gastou muito tempo a defender os direitos dos homossexuais e da mulher escolher ou não a interrupção da gravidez." Lamento informar os senhores que traçaram esta conversa que, e para usar a terminologia muito popular em Portugal, os problemas económicos que Portugal atravessa são, mais complicados do que o tempo que se gastou para defender os direitos das pessoas. Tentar culpabilizar a legislação que dá direitos às pessoas marginalizadas pelos problemas económicos que Portugal atravessa não só é simples como é uma grande mentira. Daí que não sei se esta conversa publica foi feita por velhacaria ou por ignorância, nem vou fazer qualquer juízo, porque nem sei qual é o pior. Ainda bem que foi em silly season e talvez mais ninguém a estivesse a ouvir. "Salazar foi o único governante português que não perseguiu a Igreja." Francamente! Tenham dó! Então desde 1143 que a Igreja tem sido perseguida em Portugal? Em mais de 900 anos de história, o ditador de Santa Comba Dão,

Memorandum João-Luís de Medeiros jlmedeiros@aol.com

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ostaria de ser considerado merecedor do privilégio de estar presente na mesma trincheira revolucionária dos ‘soldadosrasos’ do destino... ou seja, junto daqueles que são dignos da memória democrática do seu tempo.Vivemos numa era em que os ‘atletas do oportunismo’ são presença assídua no banquete orgíaco, como pregoeiros da imbecilidade feliz, e adeptos da cartilha maldizente que considera ‘leprosos do passado’ aqueles que cuidam em manter a respectiva memória em bom estado criticista... Claro que, para muitos, o passado continua a ser uma espécie de seirão malicioso onde alguns escondem a cangarilhada duma existência secretamente envergonhada... Ora, como não fomos treinado para fiscalde-linha da moralidade alheia, sugiro que continuemos a vindimar os cachos das ideias, numa breve meditação pré-outonal àcerca do significado da precocidade das rugas na‘alma’ da nossa constituição-menina (porventura nascida sem hímen ideológico, embora generosa no seu frondífero articulado...). Junto, humildemente, o meu luto ao dos

A silly season e os disparates que se dizem e ouvem foi o único governante que não importunou a Santa Madre Igreja? Todos os outros reis, rainhas, primeiros-ministros, presidentes, passaram a sua vida a inquietar os crentes, incluindo nos tempos em que se queimou judeus que não se convertiam ao cristianismo. Se não tivesse ouvido não teria acreditado. bem haja o silly season. "Os estragos feitos pelo sismo que abalou a Costa Leste dos EUA ao monumento Washington Memorial foram um castigo de Deus para a classe política americana." Para além da ruindade desta frase, piora por ter sido dita por um dos mais "conceituados" líderes do protestantismo americano. O problema não só reside na frase como onde a mesma vai bater. É que num momento em que os nossos governantes, apesar de todas as guerras e batalhas, terão que tomar decisões que afectarão a América por várias gerações, dizer um despautério destes, mesmo em silly season, é estar cheio de malignidade. "O Presidente Obama deveria ter vergonha ao tirar férias durante esta crise. O Presidente tem tido muitas férias." Este testemunho dum líder Republicano é daqueles que se espera, mas que num mundo civilizado já não tem cabimento. O que este líder se esqueceu de dizer ao acusar Barack Obama de ter tido demasiadas férias é que desde que entrou para a presidência dos EUA teve 61 dias de férias. Muitos dias, não? No mesmo espaço de tempo, o patriarca dos conservadores, Ronald Reagan tinha tirado 112 dias de férias e

o antecessor de Barack Obama, George W. Bush tinha tirado 180 dias de férias. Mas este último até tínhamos ganhado mais de tivesse tirado 8 anos de férias. É que teríamos tido menos guerras e menos estragos à economia americana. "Não, por mim acho que a comunidade portuguesa está muito politizada. Os portugueses conseguiram aqui na Califórnia o que mais ninguém conseguiu." Esta dita por alguém que não vive cá nas nossas comunidades. Foi afirmação de um visitante. Primeiro e diga-se a bem da verdade que até gostamos de ouvir estas declarações. Fazem bem ao nosso ego. Estimulam a nossa auto-estima. Mas a verdade é que, infelizmente, a nossa comunidade da Califórnia não tem a influência que necessitava ter no mundo da política e com o passar de cada ano perdemos ainda mais essa mesma influência. A verdade é que não remota tempos muito distantes que tivemos 5 indivíduos de origem portuguesa na legislatura em Sacramento, dois no Senado e três na Assembleia. A verdade é que agora temos apenas um, o qual acaba de anunciar que vai sair porque quer concorrer ao Congresso, porque nas suas palavras: "quero estar num hemiciclo onde o meu partido está na maioria." Nem que a maioria do Partido Republicano no Congresso fosse um dado adquirido, algo permanente. Digresso! Voltemos à frase de estarmos politizados como ninguém e termos conseguido o que mais ninguém conseguiu. Penso que o pior que nos acontecerá é acreditarmos nestas

fábulas. É bom que como comunidade estejamos com os pés no chão e conscientes do que fomos, somos e do muito que temos que trabalhar e construir para que fiquemos mais "politizados" e tenhamos as bases construídas em alicerces fortes, para podermos passar o nosso legado cultural às próximas gerações. E já agora, com o sem silly season, não seria má ideia dizermos a quem nos visita que, com todo o respeito, somos gente grande, baptizada e criada, e que conhecemos muito bem os triunfos e os desafios das nossas comunidades na Califórnia. Aliás não teria sido má ideia ter relembrado a quem o disse, e que sirva para quem o vier a dizer, a frase de um dos pilares da filosofia ocidental que viveu uns anitos antes do nascimento de Jesus Cristo, Aristóteles: "deixe que cada um exercite a arte que conhece."

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im, mesmo em silly season, quem cá vive, trabalha, cria as suas famílias, lê, reflecte e preocupa-se com as nossas comunidades de hoje e de amanhã, é que deve ter uma palavra a dizer. E temos gente por aí que o faz constantemente, e outros que embora não o tenham feito publicamente até o sabem fazer e muito bem. Mais, com ou sem silly season, seria bom que no seio das nossas comunidades tivéssemos mais gente a pensar as comunidades e menos a utilizar as praças públicas para nos elevarem a uma postura que não temos, nem nunca teremos, se formos a acreditar em ficções de falsos profetas que infelizmente existem em ambos os lados do Rio Atlântico.

Conversa perante a (meno)pausa constitucional

paladinos da Utopia, para reconhecer que a memória do nosso Abril-Democrático repoisa no jazigo da ‘sinfonia interrompida’ da história recente da política portuguesa. Se um dia chegarmos à conclusão de que ‘o sofrimento faz parte do conceito dum universo inacabado’ não custa admitir que a versão original da Constituição da República Portuguesa já é revisitada, como peça de museu, pelos devotos da saudade constitucional. Aquela que fora a mais bela ‘carta-de-amor’ da revolução de Abril (oh! ‘dor de ser quase, dor sem fim...’ ), acontece que essa ‘carta de amor’ ostenta agora o seu texto podado pelos servilheiros parlamentares, quiçá obedientes ao credo eurovisionário da neo-tecnocracia. Apetece dizer que a Constituição da República Portuguesa tem sido gradualmente reeditada como mera ‘carta-decondução’conferida aos que detestam o sinal-verde do diálogo solidário na encruzilhada do ‘ter’ e do ‘ser’, no quadro irreverente da globanalização da humanidade... (como poeta, por pouco não digo que o ideal seria fazermos parte duma comunidade em que todos tenham o condão de viver numa responsável equidistância

do capital...). Não fica mal dedicar um breve olhar de gratidão a alguns episódios da história política norte-ocidental: a democracia portuguesa veio visitar o ‘jardim à beiramar plantado’ cerca de 760 anos após o natal da famosa Carta Magna, e cerca de 190 anos após a promulgação da Constituição dos Estados Unidos da América do Norte; todavia, chegámos ao patamar da liberdade constitucional alguns anos antes da nossa rival vizinha Espanha, e cerca de duas décadas antes da libertação dos povos da República África do Sul, mercê do extraordinário percurso psico-cívico desse enorme estadista mundial, chamado Nelson Mandela... Como é do domínio público, a constituição portuguesa já foi ‘revista’ sete vezes. Segundo a opinião jurídico-original da ala esquerda, a nossa cartilha constitucional está a ficar (ideologicamente) muito fragilizada. A magna questão que se coloca aos fazedores originais da Constituição de 1976, é a de aceitar a diferença entre a durabilidade dum articulado constitucional e a fortaleza dum ‘quebra-mar’ ideológico

para travar eventuais temporais politicos do futuro... Ora a ‘nossa’ constituição não deveria ser usada como ‘preservativo’ ideológico para evitar o risco duma gravidez indesejável entre Estado unitário e sua periferia autónoma. Aliás, há quem sustente que o articulado da constituição da República Portuguesa ostenta uma sonoridade rígida, na sua concepção de Estado-Unitário; aliás, a eventualidade duma‘emenda’ constitucional em prol do Estado Regional, exigiria prudente e aturado reexame dos lapsos outrora cometidos em prol da sua longevidade doutrinária... .../... P.S. ... a seriedade desta temática requer que lembremos o amável leitor do amadorismo crítico do signatário, sobretudo na área jurídico-constitucional, dado que prefere ser participante das ‘Ideias ao Desafio do que repentista anónimo do folclore académico; entrementes, o signatário socorrese, nesta emergência, dos dizeres do pensador argentino Jorge Luís Borges: “...não falo de vinganças nem de perdões; o esquecimento é a única vingança e o último perdão.”).


COLABORAÇÃO

Egídio Almeida

Casamento Elegante

almeidairy@aol.com

Foto do casal Debbie Sousa Mendes e Jeremy Scott, que deveria ter saído na nossa última edição. Por lapso nosso, foi publicada a foto da noiva com a família. Apresentamos as nossas desculpas.

Temas de Agropecuária

Mudanças políticas na Agropecuária A agropecuária poderá vir a experimentar uma das maiores mudanças políticas dos recente anos

J

á em recentes trabalhos nos referimos do que aí vem a caminho, o que parece ser grandes mudanças na política agrícola dos Estados Unidos, muito especialmente na agropecuária. Finalmente, depois de cerca de um ano de sondagens, a produção e suas organizações representativas, há uma proposta de lei escrita para discutir. Complicada? Muitíssimo complicada e difícil de implementar. Necessária? Depende em que grau na escala de produção, cada produtor se encontra. As opiniões neste momento estão divididas mais ou menos nesses termos, esses que não querem, ou não podem aumentar a sua capacidade produtiva, e aqueles que são mais progressivos e querem todas as portas abertas, e que os mercados resolvam as questões da oferta e procura.

Durante a sua reunião anual no Inverno passado, a “Nacional Milk Producers Federation” (NMPF) desenvolveu o conceito que intitulou de “Foundation for the Future” (FFTF) que durante os ultimos meses tem procurado divulgar e ganhar apoio político junto da industria, para que esse conceito se torne realidade, durante a próxima Lei da Agricultura. Finalmente no dia 13 de Julho de 2011, o congressita Collin Peterson (D-MN), “Ranking Member of the House Agriculture Committee”, publicou o “Discussion Draft” que converte o inicial conceito em formato legislativo, faz algumas modificações ao documento de (FFTF) que circulou durante os próximos passados meses, e ainda contém outras alterações que não foram descritas durante algumas reuniões de (NMPF) com representantes da industria da California durante o ano.

A

proposta contém três grandes elementos principais entre outros. Primeiro, descreve um programa de controlo de produção chamado, “Dairy Market Stabilization Program” (DMSP) que no presente formato vai limitar a produção de leite, e que segundo a opinião de algu-

mas organizações nacionais, vai afectar desfavorávelmente a industria no seu presente modelo de negócios de exportação para presentes mercados e expansões em outros mercados internacionais, em contínuo crescimento. A implementação de (DMSP) em formato de penalidades no excesso de produção (a que alguns chamam taxas) estará a cargo de Agências Federais. Tais fundos serão retidos pelo Governo Federal e podem ser utilizados para ajudar em outras despesas nacionais, incluindo o pagamento da dívida externa. Segudo ponto, explica iniciativas que poderão ser utilizadas para protejer os potenciais riscos dos negócios de produção, substituindo os correntes programas federais de pagamentos em caso de emergência, protecção aos solos, e exigências ambientais. A proposta original recomendava 90% de cobertura no seguro de margem, na base de cada exploração, mas a presente proposta reduz para 75% o que parece ser o resultado de números não favoráveis adiantados por “Congressional Budget Office” e talvez o primeiro passo para reduzir apoios à agricultura, que por muitos anos tem sido motivos de contravérsia política. O terceiro componente de Peterson “Discussion Draft” recomenda mudanças no corrente sistema de “Federal Milk Marketing Order” (FMMO), uma das mais notáveis e eliminar de “end producto pricing” e instalar “competitive pricing”, o que não é bem recebido por algumas Cooperativas que apontam falta de lógica, e contrariam os documentos que tem sido circulados nos ultimos 18 meses. No documento original, os preços do leite na “futures” seriam calculados tendo em conta os preços do milho, soja e alfafa, apostados no Chicago Mercantile Exchange (CME), mas o presente documento aponta os custos de rações determinado por sondagens de agências federais, o que será menos responsivo às necessidades da industria. Muito embora muitos acreditem que o presente modelo, já cansado, não tem sido responsivo e tem causado crises financeiras à industria, há muitas diferenças de opinião, quanto a mudanças. Presentemente a agricultura parece dividida ao meio no apoio às correntes modificações propostas. Não é mais nem menos que a restante política nacional. Todos queremos menos interferência governamental nas nossas vidas mas, uma vez por outra ouve-se gritar, não toquem no meu Medicare ou Seguro Social. E esta??? De quem são estes programas?

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PATROCINADORES

1 de Setembro de 2011

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ROSAIS

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Fazer o bem faz-se em qualquer lugar

Batista Vieira e famíla na Freguesia dos Rosais, Ilha de São Jorge, sua terra natal, onde decidiu mandar fazer um armazém para guardar os carros de bois tradicionais e outros artefactos que se usam nas Festas em Louvor do Espírito Santo.

Aspecto das novas instalações

Também houve ofertas de pão, carne e vinho, tão tradicional nas nosas festas

Fotos de Fernando Silvano


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TURLOCK

1 de Setembro de 2011

Festa de N.Sª. Assunção

Passatempos de Outrora foi o tema escolhido este ano para o Bodo de Leite da Festa em honra de Nossa Senhora da Assunção

Neste bodo de leite há sempre muitas crianças

Bailhos de roda na eira

Jogo do Pião

Trabalhos de lã, rendas e bordados Botequim e Jogo de Dominó

Dia de matança e jogos de cartas Saltar à corda

fotos de Jorge “Yaúca” Ávila


TURLOCK

Há sempre muita juventude nas nossas festas

Padre Manuel Sousa na benção dos animais Muitos e bonitos carros de bois

Santo Antão, padroeiro dos animais Manuel dos Santos, Abel Raposo, João Rodrigues, Alberto Sousa, José Ribeiro, Vital Marcelino, António Azevedo, Adelino Toeldo, Liduino Borba e João Pinheiro

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TURLOCK

1 de Setembro de 2011

Festa de Nossa Senhora da As

Grupo Folclórico Mar Bravo da Casa dos Açores de Hilmar

Lucia e Duarte Soares (Vice-Presidente), Presidente John e C

fotos de Jorge “Yaúca” Ávila

Secretário Francisco e Elza Rebelo, Fátima e John Mendes, Tesoureiro

Comissão da Festa e os sacerdotes da mesma com os cantadores e tocadores. Todos os anos d nizadas da California e é a unica que leva na sua Procissão todos os Santos Portugueses - S S. João Baptista Machado, S. João de Brito, Santa Beatriz Padre Francisco Ruivo, da Diocese de Santarém, pregador da festa e Padre Manuel Fontes Sousa, da Igreja de Nossa Senhora da Assunção, com a Imagem de Santo Antão ao fundo

Grupo Folclórico Nove Ilhas da Casa dos Açores de Hilmar


TURLOCK

ssunção – Turlock, California

Carla Nunes

Missa da Juventude presidida por Monsenhor Myron Cotta. Uma missa diferente.

Aspecto da Igreja de Nossa Senhora da Assunção em Turlock durante a missa da Juventude

dizemos quase sempre a mesma coisa. Esta festa é uma das mais bem orgaS. Teotónio, S. António, Sta. Isabel, S. Condestável, S. João de Deus, Beato

Os "anjinhos" na Procissão do Domingo

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Turlock

1 de Setembro de 2011

Festa de N.Sª. Assunção

Fim da Procissão, que foi acompanhada por muitos fiéis

Nossa Senhora da Assunção

Missa da Juventude com Monsenhor Myron Cotta Presidente John e Carla Nunes

Missa da Juventude Procissão no Domingo da Festa com a presença de muitos religiosos


PATROCINADORES

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TRACY

1 de Setembro de 2011

Festa da Irmandade de Santo António de Tracy

Percorrendo as ruas de Tracy, com Richard Castro à frente

Jessica Carlson, Rainha Kaylee Faria, aia Lindsey Mendonça

Rose Ortiz e Victoria Ortiz

Frank Gomes, Mamie Borges Gott, Honorary Grand Officer, Adelino Santos, Grand President, MaryJean Perry, Past Grand President e Meredith Fuller, Grand Marshall

Padre Luis Cordeiro foi o pregador convidado. Esta festa nasceu em Santa Clara a 13 de Julho de 1902 e veio para Tracy a 10 de Junho de 1966. Embaixo: fim da procissão. Depois da missa houve almoço de Tri-tip para todos os presentes

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PATROCINADORES

Grande Corrida de Toiros Festa de Nossa Senhora dos Milagres Bella Vista Park, Gustine

12 de Setembro de 2011, pelas 8:00 pm

6 Bravos e Nobres Toiros 6 da Ganadaria Açoriana Cavaleiros

Rui Salvador Paulo Ferreira Matador

Luís Procuna Grupo de Forcados de Turlock Admissão: $20.00 - crianças com menos de 12 anos, entrada grátis.

NOTA: a venda à porta de bilhetes será limitada.

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PATROCINADORES

1 de Setembro de 2011


DESPORTO

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LIGA ZON SAGRES O Sporting continua a atrasar-se

Benfica sofre mas ganha na Madeira O Benfica conseguiu esta segunda-feira uma suada vitória por 2-0 no terreno do Nacional da Madeira, ascendendo provisoriamente ao primeiro lugar da classificação, à terceira jornada. O Sp. Braga ganhou no Bonfim. Num jogo que esteve interrompido por duas vezes durante a primeira parte, devido ao forte nevoeiro que se fazia sentir, Óscar Cardozo apontou o golo inaugural da partida, aos 22 minutos, ao cabecear com êxito após bom cruzamento da direita de Nico Gaitán. Um tento que surgiu um pouco contra a corrente de jogo, uma vez que até à altura era o Nacional que estava a causar mais perigo, em rápidos ataques com Mateus como protagonista. Artur esteve bem na baliza do Benfica. A marcação cerrada a Pablo Aimar limitou um pouco do jogo do Benfica, que nunca se conseguiu soltar verdadeiramente, nem mesmo na segunda parte, já sem o nevoeiro que tinha ameaçado a partida. Ainda assim, aos 70 minutos, Aimar atirou ao poste num livre directo, numa altura em que o Nacional jogava com dez elementos devido à expulsão de João Aurélio (62'), por acumulação de amarelos. Luisão também obrigou Elisson a excelente defesa, pouco

depois, com Bruno César na recarga, mas sem ninguém a aparecer para a emenda. O Benfica dominou a parte final da partida e Cardozo obrigou o guardião nacionalista a excelente intervenção, aos 83 minutos, e Luisão falhou o 2-0 de cabeça, à boca da baliza, ao cair do pano. No último lance do encontro, com o Nacional balanceado no ataque, Artur segurou a bola e deu-a a Bruno César, que correu em grande velocidade desde a sua grande área até à do Nacional, sem oposição, batendo o guardião contrário. Estava feito o 2-0. Mais cedo, o Sp. Braga bateu o V. Setúbal por 1-0, em casa deste. Apesar da margem mínima, assistiu-se no Estádio do Bonfim a um excelente jogo, repleto de oportunidades de parte a parte. O guarda-redes sadino, Diego, evitou o 1-0 para os minhotos logo aos dois minutos, a remate de Mossoró, e Miguelito afastou em cima da linha de golo um cabeceamento de Alan, num arranque muito forte do Braga. O Vitória, comandado por Cláudio Pittbull, reagiu e assumiu pouco depois as rédeas da partida, dominando por completo até ao intervalo, com diversas ocasiões para facturar. Berni foi respondendo bem às investidas dos da casa, que nunca en-

Barcelona 2 Porto 0

perdeu em casa

Ainda assim, a formação insular respondeu após o recomeço e chegou à igualdade aos 49 minutos, na sequência de um pontapé de canto. Rafael Miranda saltou mais alto e cabeceou com sucesso para o fundo das redes. Aos 52 minutos, o Marítimo conseguiu mesmo a reviravolta no marcador, após remate de Sami à entrada da área. Aos 76 minutos o Sporting chegou ao empate após livre do recémentrado Jeffrén, contudo, o ex-jogador do FC Barcelona foi forçado a abandonar o relvado, devido a lesão, com os "leões" a termina-

Hélder Barbosa, aos 82 minutos, fugir pela direita, flectiu para o meio passando vários adversários e rematou forte e colocado, de pé esquerdo, para o poste mais distante, fazendo o resultado.

Super Taça Europeia

Sporting

O Sporting sofreu uma inesperada derrota em casa este domingo, diante do Marítimo, ao perder por 3-2. O conjunto leonino esteve em vantagem mas, em inferioridade numérica, acabou por ser derrotado, não tendo ainda conseguido vencer na presente edição da Liga portuguesa. A turma de Domingos Paciência sentiu algumas dificuldades nos primeiros minutos, apesar de ter criado várias oportunidades de golo no primeiro tempo. Numa dessas situações Marat Izmailov rematou de longe, aos 38 minutos, tendo assinado um golo de belo efeito.

contraram forma de bater o guardião italiano, por qualidade deste ou por falta de pontaria. O segundo tempo foi diferente e os "arsenalistas" corrigiram processos, passando a ter mais bola. Muitos cruzamentos e remates encontraram uma defesa do Vitória coesa e um Diego inspirado, pelo que o nulo se manteve até perto do final. Até que

rem a partida com dez elementos, uma vez que já haviam esgotado as substituições. O Marítimo aproveitou para fazer o 3-2 final já nos descontos depois de um cabeceamento certeiro de Baba. Nos outros jogos disputados este domingo, o V. Guimarães, já sem o treinador Manuel Machado, sofreu uma pesada derrota, por 3-0, diante do Beira-Mar. Artur (24), Cristiano (52) e Nildo Petrolina (88) foram os autores dos golos aveirenses. O Feirense, por seu turno, recebeu o Paços de Ferreira numa partida que terminou sem golos. O Rio Ave recebeu o Olhanense e perdeu por 1-0, graças a um autogolo de Éder. O Gil Vicente, que jogou no sábado, bateu em casa a Académica com dois golos sem resposta. O Benfica viaja até à Madeira para defrontar o Nacional esta segundafeira, no mesmo dia em que o Sp. Braga se desloca ao reduto do V. Setúbal. A terceira jornada só ficará concluída no dia 6 de Setembro, com a visita do FC Porto ao terreno da U. Leiria. in uefa.com

O treinador do FC Porto, Vítor Pereira, enalteceu a réplica dada pela sua equipa na derrota de 2-0 frente ao FC Barcelona, enquanto o homólogo Josep Guardiola elogiou a "geração única que vai passar à história do clube e do futebol".

Helton, guarda-redes do FC Porto

Vítor Pereira, treinador do FC Porto

Hulk, avançado, FC Porto

Tenho de realçar o excelente jogo que fizemos aqui hoje. Criámos grandes problemas ao grande Barça, que muitos consideram a melhor equipa do Mundo. Vendemos cara a derrota. Não vivemos de vitórias morais, mas saio daqui satisfeito com a exibição da equipa. Penso que saímos daqui reforçados. Só não marcámos golo, mas fomos consistentes e estamos a crescer. Estamos a iniciar a época e há que dar tempo ao tempo. A equipa deu passos de crescimento importantes. Assisti aqui a duas equipas que se respeitaram e quiseram ganhar o jogo. Pena não termos aproveitado os erros que obrigámos o Barcelona a cometer e marcado golo. Vimos um Porto a pressionar alto, que não gosta de se submeter a equipa nenhuma e criámos muitas dificuldades ao nosso adversário.

Josep Guardiola, treinador do Barcelona

Estou muito, muito feliz. Não apenas pelos 12 títulos, que são fantásticos, mas porque foi muito difícil vencer este. Doze em 15 teria sido inimaginável mas mostra apenas o valor destes jogadores – nunca me canso de os elogiar. Fizemos um excelente jogo atendendo às condições. Sei que batemos uma grande equipa. Nesta altura não é possível jogar ao nível da final da [UEFA] Champions [League]. Esta geração é especial, única e vai ficar na história deste clube e do futebol. São realmente excelentes jogadores, mas acima de tudo são amigos. Nem sempre é fácil encontrar isso numa equipa e é muito bom para nós. Temos de cuidar deles e acolher os que vierem. Ter dois títulos antes de começar a Liga dá-nos muita tranquilidade. O segundo golo foi um passe muito bom do Leo, um bom controlo de bola por parte do [por parte do Cesc] e um bom remate. Vamos tentar ajudá-lo a chegar à melhor o mais rapidamente possível à sua melhor condição e ele irá ajudar-nos a fazer uma época excelente. O Keita tem jogado durante toda a temporada, sei que posso contar com ele e pensámos que também podia actuar naquela posição. Fez um excelente trabalho e estou bastante satisfeito com a sua exibição.

Estamos todos conscientes do jogo que fizemos e do que poderíamos ter feito nesta partida. Agora temos de levantar a cabeça, pelo jogo de qualidade que fizemos e contra a equipa que foi. Temos de levantar a cabeça. Fizemos o nosso jogo, tivemos mais oportunidades e o 1-0 surgiu num erro nosso. Agora, temos de pensar já nos próximos jogos. Os aplausos no fim do jogo por parte dos nossos adeptos significam bastante. Demonstram gratidão porque lutámos bastante. Demos o máximo e agora temos de voltar a ganhar.

Andrés Iniesta, eleito o Melhor em Campo pelo Grupo de Estudos Técnicos da UEFA

Em primeiro lugar, estou muito feliz por ter, uma vez mais, conquistado, este troféu, pois para tal tivemos de ganhar a Champions League. Foi um jogo difícil, muito físico, com jogadores talentosos. Conseguimos ultrapassar algumas dificuldades e vencer mais um título, que é importante para nós. Já havíamos conquistado a SuperTaça espanhola e agora esta, o que é a melhor motivação para continuarmos a lutar. O Porto venceu tudo na época passada e muitos dos jogos de forma convincente, pelo que sabíamos o que esperar e com quem estávamos a jogar. Dessa forma, tentámos fazer o nosso melhor frente a um excelente adversário, que nos dificultou muito as coisas.

Adriano, defesa do Barcelona

É a terceira final que disputo e ganhei duas. É uma felicidade muito grande, ainda para mais com o Barcelona. Parabéns ao Porto também, é uma grande equipa, que fez por merecer estar nesta final. Agora é comemorar. O Porto complicou-nos o jogo até terem os jogadores expulsos. Eles tiverem a infelicidade de errar um passe e o [Lionel] Messi foi feliz em fazer o golo e isso jogou a nosso favor; ficámos mais tranquilos. in uefa.com


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ARTES & LETRAS

1 de Setembro de 2011

O Diário Açoriano de Emily Daniels go, ou o conhecimento de quem sempre havia pertencido sem nunca ter estado, por assim dizer. Pisar pela primeira vez uma terra-pátria imaginária envolverá emoções profundas, nada fáceis de transmitir a outros por qualquer meio.

T Vamberto Freitas Eles também têm alguma excitação por aqui. Um homem enforcou-se na segunda-feira… Emily Daniels, The Story of My First Trip Abroad

A

epígrafe aqui poderá não transmitir o todo deste diário em língua inglesa, mas demonstra o sentido de humor com que éramos vistos nas primeiras décadas do século passado, e insinua, afinal, a normalidade, a quietude, da nossa vida. Sermos descritos em língua inglesa não traz nada de novo à literatura sobre os Açores, mas as páginas presentes são absolutamente originais dentro desse pequeno corpo literário que nos olha de fora, ora com alguma empatia e admiração ora com a hostilidade ou mesmo o racismo de um Mark Twain. Creio ser esta a primeira escrita diarística de um luso-descendente na sua descoberta das ilhas, no encontro com a sua gente ancestral mas até então apenas conhecida na Diáspora (um contexto de todo diferente) através das histórias e estórias passadas oralmente às gerações seguintes. É claro que um diário implica desde logo ou pelo menos na maior das vezes um nível de formação acima da média, e quando escrito num inglês perfeito, como é este, estaremos ante um relato pessoal de inegável qualidade. Não fora assim, e muito provavelmente não teria sido originalmente publicado no mais recente número de uma revista universitária como a Gávea-Brown após ser desenterrado de velhos baús por uma parente, a Prof. Doutora Rita D. Marinho, também ela devidamente habilitada para uma tarefa como esta. Devo adiantar que, a meu ver, teríamos perdido uma bela narrativa-outra sobre as ilhas vistas e ditas por uma luso-americana de grande capacidade intelectual e de observação, numa voz narrativa entre a surpresa e o aconche-

he Great Adventure -- the Story of My First Trip Abroad, de Emily Daniels (nascida em 1889 e falecida em 1995) foi escrito entre 25 de Março de 1932 e 22 de Setembro do mesmo ano. A última entrada como que resume tudo quanto viu, viveu e recordou a sua autora: “Estou cheia de saudades dos Açores. Quero regressar. Quero regressar urgentemente. Parece estranho, mas é a verdade -- tenho simplesmente de regressar e quero ficar”; “poderia viver perfeitamente nos Açores, em Angra ou na Horta”. O que Emily Daniels encontrou foi a terra dos avós, faialenses da Praia de Almoxarife, que haviam sido dos primeiros emigrantes açorianos rumo a New Bedford, significativamente como resultado da velha sina daquela ilha, um devastador terramoto de 1883. O pai de Emily também tinha saído ainda jovem do Faial em 1886, “igualmente abordo de uma baleeira”. A história de vida de Emily contraria em tudo o que estávamos (e ainda estão alguns) habituados e ver na nossa emigração até ao surgimento actual de um grupo substancial, em todos os sentidos, de escritores luso-americanos: lento esquecimento das raízes, gerações total-

mente integradas no espaço dominante do seu país norte-americano, vagas memórias ancestrais passadas a outros na oralidade de uma cultura iletrada. Se olharmos para o tempo referencial deste diário veremos, por certo com espanto quando lemos a citação de acima e o seu desejo de voltar com alguma permanência, que Emily nos visitou nos mais negros dos anos atlânticos. A América estava caída, os Açores nunca se tinham sequer levantado do chão, só caminhando de quando em quando rumo a toda a parte em busca de pão e respiração. Emily foi uma das primeiras açor-americanas a formar-se num magistério de ensino primário, permanecendo solteira e feminista toda a vida, com uma aguda e bem cultivada sensibilidade literá-

ria e artística em geral. Foi precisamente esse exemplo de vida e audácia nas escolhas pessoais que, após o seu falecimento, levaria à descoberta e publicação do presente diário, partilhando assim com todos nós um texto de grande valor, tanto pela sua linguagem como pelo conteúdo que lhe imprime a autora.

E

mily viaja pelas ilhas Terceira, Corvo, Pico, São Jorge, Faial e São Miguel. Parte de Nova Iorque em direcção aos Açores com amigos no luxuoso paquete Saturnia, alguns dos quais acompanhando-a depois nalgumas das ilhas, por entre as suas relações e amizades que a acolhem nas suas casas e/ou lhe servem de cicerone. Uma das vantagens de ser açoriano sem cá ter nascido é a ausência dos mais estúpidos preconceitos entre ilhas, vendo todas as nossas diferenças mas como parte de um mosaico completo, um todo que não prescinde nem se pode imaginar sem qualquer um dos seus azulejos. Não esqueçamos, 1932: para além do pitoresco de sempre, Emily “vê” mais, vê um povo que na sociedade escura do tempo não deixa nunca de a abrilhantar, colorir, com os seus festejos profano-religiosos, casas caiadas, ruas varridas, colchas à janela, corpos bem vestidos, sorriso sadio, criados e patrões, pregões na rua e mulheres à janela. Em resumo, uns Açores provavelmente já por nós esquecidos, mas nem tanto. Para além disso, a autora de My Great Adventure tem a capacidade de olhar atentamente para o resto da sociedade, deduzir do seu presente e história que nem só de braços fomos feitos, nem só de emigração fomos movimentados. Toda uma estrutura cultural é por ela encarada sem a condescendência de alguns outros, que cá vieram até aos nossos tempos e nunca nada notaram para além das hortênsias e brincos nas vacas. Emily vê a arte nas igrejas, ouve a música de rua e de salão, aprecia uma ou outra pintura, comenta, compara e dá a notícia ao seu próprio ser (pois não poderia imaginar que o seu diário viesse até nós) de que os seus antepassados poderiam ter embarcado por necessidade ou condenação inerente à terra de nascença, mas haviam afinal deixado atrás de si todo um património civilizacional, parte digna do país que em séculos navegou em busca de aventura e da riqueza que acabaria por conectar todas as geografias distantes e desconhecidas. A autora não se detém nem por um momento na pequenez de vida numa ilha a meio Atlântico, muito menos nos considera mero eco de algo ou alguém. A vida aqui é vista nas suas contingências e nas suas lutas nada diferentes do que ia pelo resto do mundo, a sua diversidade -- os gritos num mercado ao ar livre ou a “compostura” citadina numa sala “aristocrática”, onde também foi recebida -- é relatada na mais fina e escorreita linguagem. São frequentes as suas alusões a

Apenas Duas Palavras

Diniz Borges d.borges@comcast.net Amigos, esta edição da maré traz-nos mais um magnífico texto do nosso amigo o escritor Vamberto Freitas. Como devem ter reparado, nas últimas edições desta página de artes e letras temos tido a felicidade de publicarmos vários ensaios de Vamberto Freitas, que é, indubitavelmente, um dos mais profícuos conhecedores da literatura luso-americana. Professor na universidade dos Açores, Vamberto Freitas tem dedicado grande parte da sua vida intelectual à literatura açoriana e à literatura lusoamericana. É conhecedor dos mundos que compõem este nosso mundo além arquipélago . Aqui fica mais uma dos seus ensaios e a promessa que em breve teremos outros, entre eles um dedicado a Jorge de Sena. abraços e a continuação de um resto de verão muito agradável. diniz

personagens ou cenas da melhor literatura do seu país ou da Inglaterra, como seria de esperar de uma mulher com a sua formação académica e pendor para a limpa escrita descritiva e criativa. Da escuridão da época, que mergulhava o mundo todo na miséria e preparava, sem que ninguém desse por isso, o maior holocausto da humanidade a poucas quilómetros de distância a leste, os Açores sobressaem como quem está em casa no mundo, nem melhor nem pior do que os vizinhos nos outros lados do mar. Por vezes, Emily imagina o que diriam de certas facilidades ou tecnologias que já facilitavam a vida a homens e mulheres, mas não lamenta nunca a sua ausência nas nossas vidas de então. The Great Adventure -- the Story of My First Trip Abroad é, pois, esse retrato único, inteiro e bem humorado de um lusodescendente no seu atempado e feliz regresso a casa. Emily Daniels, The Great Adventure -the Story of My First Trip Abroad (Organização, Intróito e Prólogo de Rita D. Marinho e Marc A. Moniz), Gávea-Brown: A Bilingual Journal of Portuguese and Luso-American Studies (volumes XXX-XXXI), Providence, 2011. As traduções livres aqui são minhas.


COLABORAÇÃO

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Retalhos da nossa história – CIII

No Centenário da República Portuguesa (38)

Governador António de Freitas Pimentel

N

os seus 139 anos de existência (1836-1975), o distrito da Horta conheceu 135 governadores civis. Alguns deles tiveram passagem efémera e fugaz pelo cargo. Outros, porém, marcaram os seus mandatos pela longevidade e pelos relevantes serviços prestados às quatro ilhas que o integravam. Nos tempos da monarquia o que mais se notabilizou foi o conselheiro António José Vieira Santa Rita, madeirense de nascimento que, no século XIX, por quatro períodos esteve à frente do distrito, totalizando 26 anos de exercício do poder. No período republicano, o governador civil que mais se distinguiu foi, sem dúvida, o Dr. António de Freitas Pimentel, quer pelo tempo que ocupou o cargo, quer pela obra realizada. Exerceu funções, ininterruptamente, durante duas décadas (1953-1973) e, no decurso desse longo mandato, teve uma acção extremamente positiva que não tem comparação com o que até então se realizara nas ilhas do Faial, Pico, Flores e Corvo. Viu concretizados muitos dos empreendimentos constantes da agenda que entregou ao Governo logo depois da sua posse. Destacam-se os mais importantes: - construção da muralha de protecção à cidade da Horta e a que é hoje a Avenida Marginal; - beneficiações no porto da Horta e nos pequenos portos do Pico e das Flores; - construção da Adega Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico; - apoios a cooperativas de lacticínios nas várias ilhas; - melhorias em estradas do Pico e Flores; - construção do Aeroporto da Horta; - instalação, na ilha das Flores, da Estação Francesa de Telemedida a consequente construção do Aeroporto, da Central Hidroeléctrica e do Hospital; - edificação de Centros de Saúde no Pico; - instalação de redes de distribuição de energia eléctrica em várias freguesias das ilhas do distrito; - leccionação do 3.º ciclo no Liceu da Horta; - criação da Escola Técnica da Horta; - construção de escolas primárias nas várias ilhas do distrito. Merecem também realce as difíceis e rápidas decisões que, superiormente assessorado pelo engenheiro e cientista Frederico Machado, teve de tomar na dramática noite de 12 para 13 de Maio de 1958 - quando a ilha do Faial foi intensamente sacudida por cerca de 450 sismos que alteraram de modo significativo a erupção do vulcão dos Capelinhos que se iniciara em 27 de Setembro do ano anterior - ordenando que as populações flageladas das freguesias de Capelo e Praia do Norte abandonassem as suas casas antes que ruíssem, o que evitou que, apesar da devastação, não houvesse qualquer vítima mortal. Logo de seguida a sua acção e a dos seus colaboradores – incluindo nestes muitos faialenses das outras freguesias rurais e da cidade da Horta, além de numerosos picoenses – foi direccionada para o realojamento e alimentação dos sinistrados, para os constantes pedidos de socorro ao Governo da Nação que rapidamente e na medida das suas possibilidades os satisfez, marcando imediata presença através de múltiplas ajudas e da vinda imediata do ministro das Obras Públicas, engenheiro Arantes e Oliveira, que inteirando-se da dimensão da catástrofe, tomou importantes medidas para a reconstituição económica e habitacional das zonas destruídas. A onda de solidariedade para com as vítimas do vulcão dos Capelinhos, extravasou dos Açores e do Continente Português para a América do Norte, destacando-se neste aspecto as comunidades emigrantes nos Estados Unidos que, além do valioso auxílio em vestuário, géneros alimentícios e dinheiro, conseguiram pressionar políti-

cos estaduais e federais – nomeadamente Joseph Perry, John Pastore e o futuro Presidente John F. Kennedy – para que fosse aprovado, em 1958, o Azorean Refugee Act que permitiu a emigração para aquele país de duas mil famílias e, posteriormente, pelo Hart- Celler Act, de 1965, de mais 20 mil portugueses, a que se juntaram os que, pelas muitas cartas de chamada, puderam refazer e melhorar as suas vidas em terras americanas. No desenrolar deste histórico e necessário movimento migratório, o papel do governador Freitas Pimentel foi também preponderante, quer na sua acção persistente para que os Estados Unidos concedessem vistos aos sinistrados, quer no apoio constante aos vários milhares de açorianos que para lá emigraram. O seu longo consulado governativo - que não se esgota na realização dos melhoramentos enunciados, antes se estende por outros domínios sociais, culturais e desportivos – terminou a 25 de Maio de 1973. Contra o que era seu desejo, teve ainda de aceder ao indeclinável convite do Dr. Marcelo Caetano (amigo e correligionário desde os anos trinta) para ser deputado à Assembleia Nacional. Foi, no desempenho desse cargo, que o encontrou o movimento revolucionário de 25 de Abril de 1974 que, como se sabe, pôs termo à ditadura do Estado Novo e instaurou o regime democrático. A vida política do Dr. Freitas Pimentel foi bastante longa e, apesar da íntima amizade que desde jovem o ligava ao integérrimo democrata republicano Dr. Manuel José da Silva, prematuramente falecido em 1935, cedo aderiu à União Nacional e, por ela, ao regime político autoritário que a Constituição Política de 1933 consagrou com a designação de Estado Novo. Assim, não parece correcto dizer-se que o Dr. Freitas Pimentel combateu inicialmente o Estado Novo, porque a realidade mostra-nos que em 1934 já era vice-presidente da comissão distrital da União Nacional e, pela mão do ministro Linhares de Lima, seria nomeado governador civil substituto em Dezembro de 1935, cargo que exerceu, por vezes em plenitude dadas as frequentes ausências dos titulares em Lisboa, até à exoneração em Fevereiro de 1939, em virtude do grave conflito que dentro da comissão distrital da União Nacional o opôs ao Dr. António Terra, ele pertencendo ao grupo moderno e este integrando o grupo antigo constituído pelo defunto partido regionalista do Dr. Manuel Francisco Neves. emitido dos cargos que ocupava, o Dr. Freitas Pimentel viu reabilitada a sua imagem política em Janeiro de 1940, facto que se apressou a comunicar ao ministro do Interior informando-o de “que a acusação infame que me fizeram não foi provada em Tribunal” . Após uma pausa de cinco anos, ei-lo nomeado presidente da Câmara Municipal da Horta em 2 de Dezembro de 1945, funções que desempenhou até 30 de Junho de 1953, dia em que tomou posse do cargo de governador civil do distrito autónomo da Horta. Enquanto presidente da Câmara da Horta foi procurador à Câmara Corporativa (1945-1949) como representante dos municípios do arquipélago dos Açores. Assumiu, também em 1948, a presidência da comissão distrital da União Nacional que exerceu por largo tempo. Após tomar posse do cargo – que lhe foi conferida em Lisboa pelo ministro do Interior Dr. Trigo de Negreiros - a triunfal chegada à Horta, em 7 de Julho de 1953, marcou decisivamente a actividade política do governador Freitas Pimentel. Ela foi constantemente sempre aplaudida, não só pelos seus amigos políticos mas também pela comunicação social afecta ao regime, em especial pelos dois diários faialenses.

D

Iam longe, portanto, os tempos em que, mesmo no seio da União Nacional, os campos se extremavam. Disso nos dão conta O Telégrafo e o Correio da Horta. É certo que em 1953 as feridas ainda não estavam totalmente saradas como o prova esta parte do discurso de posse de Freitas Pimentel: “Quando chegar à Horta, pedirei a todos que façam um acto de contrição. Para que sejam afastados possíveis ressentimentos ou desnecessárias retaliações e todos me dêem leal apoio para bem cumprir, com a ajuda de Deus, os deveres do meu cargo”. E após a extraordinária recepção que lhe fizeram à chegada - “a mais espontânea, a mais sincera, a mais vibrante e entusiástica a que a Horta assistiu nos últimos anos” – o governador voltou a exautorar o passado, formulando “a todos um desejo muito grande e muito sincero” em que punha “muita fé e muita esperança: façamos por esquecer todos os nossos mal entendidos e apertemos sincera e lealmente as nossas mãos limpas de emulações ou de pequenos e inevitáveis ressentimentos pessoais ou concelhios, para que eu possa desempenhar-me com a ajuda de Deus e do Governo, dos novos e pesados deveres do meu cargo” . A secundá-lo nos votos de pacificação da desavinda União Nacional esteve, nessa ocasião e em representação da Junta Geral, o Dr. Gabriel Baptista de Simas, antigo governador, deportado político, correligionário e amigo do Dr. Manuel José da Silva. A dado passo do seu discurso, também o Dr. Simas fez um veemente apelo à unidade, com “os ardentes votos para que o governador encontre a colaboração de todos os homens de boa vontade da nossa Terra, especialmente dos novos, indispensável para que possa levar a bom termo a sua profícua acção a bem do nosso progresso e do prestígio da Nação”, já que nesta hora, todos têm “o dever moral de dar as mãos” . Os bons propósitos do chefe do distrito tiveram resposta positiva na comunicação social e na opinião pública, beneficiando também das armas próprias do regime autoritário que serviu e, sobretudo, da forma inteligente, astuta e empreendedora que caracterizaram a sua actuação. Decorridos 20 anos, quando, por força da lei, teve de deixar o cargo, “ o distrito inteiro prestou justa homenagem ao governador Freitas Pimentel através do Município da Horta”. Este é o título de toda a primeira página do jornal Correio da Horta de 15 de Maio de 1973 que, curiosamente, tinha por director o advogado Dr. Raposo de Oliveira, o qual na década de trinta fora um dos homens fortes do grupo do Dr. Neves e um dos que mais combatera o Dr. Freitas Pimentel, inclusivamente no caso que o levou a Tribunal. Nas duas décadas em que esteve à frente do distrito da Horta foi, portanto, um político que serviu lealmente o Estado Novo e que dele conseguiu bastantes benefícios

para as populações das quatro ilhas. Na sua subtil e inteligente acção política, Freitas Pimentel acabou por ser uma espécie de patriarca que concitava à sua volta o povo do distrito, com as poucas excepções de alguns adversários a quem liberrimamente oferecia, por vezes, uns nacos de poder! As várias manifestações que periodicamente lhe promoveram, incluindo a última de Maio de 1973, eram quase sempre constituídas “por milhares de pessoas, mormente do Faial, mas com expressiva representação picoense”, nelas se incorporando também clubes desportivos, filarmónicas, estudantes, funcionalismo público, escuteiros, delegações de organismos corporativos, sociedades de recreio, Casa do Gaiato e Santa Casa da Misericórdia. Todas elas pretendiam, em plena sintonia com as boas regras da propaganda nacional, “testemunhar o reconhecimento ao prestigiado governador”, como o foi a última “constituída por milhares de pessoas” . Natural da freguesia da Fazenda, concelho de Lajes das Flores, o Dr. António de Freitas Pimentel nasceu a 15 de Julho de 1901, filho de António de Freitas Pimentel e de Maria do Rosário Pimentel, e irmão do Dr. José de Freitas Pimentel - médico perpetuado na toponímia da Madalena, ilha do Pico, pela doação da sua vida no tratamento de doentes infectados com a peste bubónica que também o vitimou aos 25 anos de idade – e ainda de Fernando de Freitas Pimentel que, ainda jovem, emigrou para a Califórnia. Fez o curso liceal em Horta e Angra do Heroísmo e formou-se em Medicina no ano de 1929 na Universidade de Lisboa. Consorciou-se em 1930 com a médica Dr.ª Maria Francisca Pais Dias Pimentel, tendo o casal fixado residência na Horta, onde nasceram as filhas Maria Regina e Maria Fernanda e onde ele faleceu a 15 de Abril de 1981. A par das muitas homenagens que lhe prestaram, recebeu importantes distinções honoríficas, de que se destacam: Oficial da Ordem Militar da Torre e Espada (1973); Grande Oficial da Ordem do Infante Dom Henrique (1962); Grande Oficial da Ordem Militar de Cristo (1958). Recebeu igualmente outras condecorações, como sejam a medalha de ouro do concelho da Horta (1955), o título de cidadão honorário do concelho da Horta e a colocação da sua fotografia na galeria de honra dos grandes beneméritos no Salão Nobre dos Paços do Concelho (1973), cidadão honorário do Corvo e de Santa Cruz das Flores, além da atribuição do seu nome a uma rua da cidade da Horta.

Fernando Faria

Cortesia do Tribuna das Ilhas


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ENGLISH SECTION

1 de Setembro de 2011


Lufada de Ar Fresco

Paul Mello pjmello87@yahoo.com

O

n the first weekend of August, over a thousand Californians of Portuguese descent flocked to the second largest city in California. San Diego welcomed the 56th Annual Luso-American Fraternal Federation Youth Theatrical Program, in which 427 youngsters of Portuguese descent were the stars of a show characterized by a passionate and talented display of excerpts of the Portuguese culture. This year’s program included 12 Luso Youth Council groups from all over California, most coming from regions in which the Portuguese culture is still very much alive. First up on stage was San Jose, followed by Newcastle, Sacramento, Santa Clara/Mountain

View, Contra Costa, Artesia, San Diego, Newark, Fremont/Union City, Norco/Corona, Gustine/Los Banos, and Northern San Joaquin Valley. Each group brought its very own characteristic style, contributing to a significant level of diversity across performances. There were those who decided to take a more traditional Portuguese approach, others who mixed traditional with contemporary, while some completely “Americanized” their performances. Spectators often questioned overly “Americanized” stylistic approaches, claiming that such approaches could lead to the creation of a misconception of what in fact is true Portuguese culture, yet, in the end, it is part of the nature of

ENGLISH SECTION

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LUSO: Youth Put on

a Show in San Diego the event. Nevertheless, the performances were divided into 2 categories: “Dance” and “Musical Variety”, with awards presented to the top 3 performances of each category. Fremont/Union City tied Northern San Joaquin Valley in first place, while Sacramento took second followed by Gustine/ Los Banos who took third place in the “Dance” category. In the “Musical Variety” category, Artesia took first place, followed by Contra Costa and Newcastle who took second and third places respectively. Besides the group awards, there were also awards presented for “Best Individual Performance” in each category. The award for “Best Individual Performance” in the “Musical Variety” category went to Taylor Sousa from the Artesia Youth Council. The winner of the “Best Individual Performance” award in the “Dance” category was Shawn Rocha from the Fremont/Union City Youth Council, a well-deserved distinction that was accompanied by a standing ovation from everyone at the banquet dinner. While the presentation of these awards assures motivation and rewards dedication as well as talent, it is not, by far, the most significant aspect of the program. According to Brian Martins, Director of Youth Programs, “the most important aspect of this program is its aim at the youth(…)this event provides the possibility for children of Portuguese descent to meet, socialize, and create friendships with other children of Portuguese descent throughout California who share the same interest in the Portuguese culture”. Life-long friendships are created between members of different groups, while members of the

same group solidify existing bonds, some of which having grown attached to each other more than to their own families. This family nature within groups could not have been better illustrated by the Fremont/Union City Youth Council. It all happened on stage while performing in front of nearly a thousand spectators. Performing what was considered by many, the most difficult and dangerous act of the day, Carlos Carreiro had an unfortunate landing, which lead to the fracture of his tibia. Despite the incident, the group professionally continued their performance; however, instead of celebrating at the end of their act, they rushed backstage to find out how “Carlinhos” was doing. Later that afternoon, Carlos strolled around in a wheelchair always surrounded by his Luso family. In the end, this program educates Portuguese descendents about aspects of the Portuguese culture while also helping them grow as individuals. According to Michelle DaSilva, Chair of Youth Directors, “besides gaining knowledge of the Portuguese culture, by getting involved in this program, children end up learning critical life lessons (…) they learn how to compete in a healthy and dignified manner, which will help them in their future applications to schools or jobs while it also teaches them how to win and how to lose”. Indeed, besides offering the youth the possibility to dance or perform a musical act, this program offers Portuguese descendents an educational experience nowhere to be found in a classroom. For some, this program probably provides their most significant dosage of Portuguese culture. And, although the program is restricted to those of ages 18 and under, the-

re are many older (young adults) individuals helping in practices and taking on leadership roles within each group. Working with the youth of today, this program helps create the men and women of tomorrow. fotos de josé enes


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ENTREVISTA

1 de Setembro de 2011

Luís de Oliveira

Presidente/CEO da KAGOME Quase todos os meses descobrimos que muitos portugueses, devido ao seu trabalho árduo, consistente, têm tido oportunidades de vingar na vida e de serem grandes gestores de companhias, não só americanas como estrangeiras. Nesta quinzena do princípio de Setembro, fomos falar com Luís de Oliveira, angolano de coração e americano por natureza, sobre a sua vida em Angola e o seu sucesso na California. Luís de Oliveira não quiz falar da "Descolonização Exemplar" e todos podemos compreender a razão, muito em especial todos aqueles que a experimentaram na pele. Porque razão seus pais foram de São Jorge para Angola e em que ano? Os meus pais foram para Angola no ano de 1956 à procura de vida melhor. Um lugar aonde pudessem realizar os seus sonhos, já que em São Jorge, Açores, na altura as possibilidades eram poucas. Como é que foram os seus primeiros anos em Angola? O que é que o marcou mais na juventude? Lembro-me de viver nos quartos do estábulo até os meus pais construírem a casa. Passei os anos da primária com os meus avós que viviam na Vila do Catofe. Vivi a maior parte do tempo fora do convivio dos meus pais e irmãos, porque tive a oportunidade de ir estudar e para isso não podia viver com os meus pais. Foi nisto que me marcou mais na minha juventude. Onde é que estudou? Depois da primária, fui estudar para a Escola Comercial e Industrial de Santa Comba, Cela. Aí completei o quinto ano com especialidade em Electricidade e Mecânica. Vivi nessa altura com os meus primos que me derem apoio, assim não tive que ser internado no Internato local para estudantes. Só via os meus pais uma vez por mês e só convivia com os meus irmãos durante as férias. Nesta altura, já a revolução em Portugal tinha alterado um pouco a nossa vida e vivíamos nunca ansiedade incerta. Não sabiamos o que nos guardava o futuro. Em Agosto de 1974 fui estudar para a Escola Comercial e Industrial Sarmento Rodrigues em Nova Lisboa, Huambo, aonde completei o sexto ano de Electrotecnia. Quando começou a guerra em Angola, o que é que pensava dela e do seu fim? Lembro-me muito pouco do início da guerra em Angola. Sabia que existiam problemas porque nessa altura mudámo-nos temporáriamente da fazenda para a Vila. Sómente tinha 4 anos de idade. O que pen-

sava dela... Será sera que valeu a pena tantos soldados e civis perderem a vida? Penso que não. Não valeu a pena, pois depois de tudo perdeu-se tudo... Na área onde viviam foram alguma vez incomodados pela guerra? Possívelmente no início, mas não tenho recordações más dessa altura. Como era o dia-a-dia dos jorgenses em Angola e dos jovens em especial? Trabalhar para vencer na vida. Nos ultimos anos (6 ou 7) tinha havido muito progresso na nossa zona do Catofe. Celebrávamos a Festa do Divino Espírito Santo e outras. Os jovens ques não tiveram a oportunidade de estudar, trabalhavam com os seus pais nas fazendas, nos seus negócios, e mais tarde formaram as suas próprias fazendas. Os que conseguiram ir estudar, regressavam durante as férias e ajudavam os pais nas suas lavouras. Aos Domingos, se assim nos deixassem, fazíamos farras a toque de discos e às vezes mesmo com conjuntos musicais. Jogávamos futebol, fazíamos aldrabices, etc... Serviu a tropa em Angola? O que é que sentia em haver uma guerra entre povos que aparentemente se davam bem? Não, não servi a tropa em Angola, pois saí de lá com pouco mais de 17 anos. Na realidade eu não entendia a razão da guerra. De vez em quando via militares que por lá passavam. Como era novo, não me envolvia em assuntos que na altura não se podiam falar abertamente. A guerra já estava a manter-se por muitos anos sem um fim à vista. Qual era o seu pensamento acerca dessa situação? Na realidade não posso comentar muito sobre o assunto. Sabia que havia opressão, mas nunca pensei que o nosso destino fosse o que sucedeu. Hoje, sabendo o que sei, posso dizer que a guerra não terminou mais cedo porque não convinha a muita

Luís de Oliveira, orgulhosamente quis posar ao pé de duas pinturas feitas por um dos seus filhos.

malta. Infelizmente muitos padeceram e para quê?

terra (Angola). Foi triste, não foi? Como é que viveu esses tempos?

Sabe se havia algum sentimento de autodeterminação entre todos os angolanos, depois de um certo cansaço da guerra? Teria sido oportuno? Sei, eu penso que sim. Só posso falar por mim. Para nós, Angola era o nosso país, o nosso berço. Queria ter ficado lá pois não conhecia mais outro mundo. Angola estava a crescer tão depressa, com tantas oportunidades de sucesso. E como diz o autor angolano Luis Vieira da Silva no seu livro “Angola Terra de D’Uanga” escrevendo sobre a situação que se viveu em Angola antes e depois do 25 de April: “Angola estava a crescer demasiado depressa para os poderes internationais”. Não podia continuar e tornar-se a Estrela de África...

Na realidade prefiro não falar no assunto. Já lá vão 36 anos. Esta é uma das situações onde o "Recordar é Viver" não trabalha, pelos menos para mim. Foi uma autêntica vergonha para Portugal, se me permite repetir. E é só...

Passados 13 anos de guerra, veio o 25 de Abril. Como é que foi recebido esse dia entre a população jorgense? Ao princípio talvez com esperanças que pudessemos viver livres da tal pressão que não se sentia tanto em Angola. Acabavase a guerra. Não era preciso mais ter que mandar os filhos para a tropa, etc... Mas depois veio a tal "Descolonização Exemplar"... que foi uma vergonha para Portugal... A descolonização foi o que foi e a maioria dos portugueses abandonaram a sua

Depois de Angola, pensou ficar em Portugal? Porquê a America? Não, e prefiro não dar a minha opinião, só lhe digo que me senti atraiçoado. Não havia condições. Fomos para os Açores aonde começámos o processo de emigrar. Pensámos em duas opções: Brasil ou Estados Unidos. O Brasil teria sido mais fácil para os meus pais, mas numa das nossas reuniões de familia, que fazíamos frequentemente na altura, por causa da situação que vivíamos, os meus pais resolveram que os Estados Unidos nos dariam melhores oportunidades. Além disso, a minha mãe tinha o seu irmão em Turlock, California e o meu pai, um irmão em Los Altos, California. Faça-nos um relato sucinto da sua estadia na California até agora? Estou na California desde April de 1976. Turlock é o meu lugar favorito e aonde tenho residido a maior parte to tempo. O trabalho, o estudo e a famíla tem sido o alto da minha vida. Sou casado, a minha


ENTREVISTA

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esposa chama-se Lucília e temos 3 fihos, aos quais chamo os nossos "Diamantes", pois por eles vou ao fim do mundo se necessário. Trabalhei para a "Foster Poultry Farms' durante 16 anos, e aí dei início à minha carreira. Hoje estou na Kagome, em Los Banos, uma companhia Japonesa, aonde produzimos produtos derivados do tomate e outros ingredientes para a industria de restaurantes nos Estados Unidos e por todo o resto do mundo. Como é que chegou a CEO da Kagome? Primeiro que tudo penso que Deus me tem favorecido muito. Trabalhar árduamente, com preserverança e honestidade tem sido o meu lema. A pessoa com quem trabalhei para aí ingressar disse-me que eu me concentrasse nestas duas palavras para ter sucesso numa Companhia Japonesa: Intuição e Paciênca...Já lá vão 17 anos. O que é a Kagome? A Kagome é uma companhia Japonesa que introduziu o Tomate no Japão em 1899. O nosso lema é trazer ao consumidor produtos que a natureza nos oferece, o mais fresco possível, além dos produtos serem na sua maioria processados. Temos 7 fábricas no Japão, duas nos Estados Unidos, à minha responsabilidade, uma em Taiwan, duas na China com parceiros, duas em Portugal, uma na Italia e uma também agora na Australia. O nosso sonho é ser global e um dos maiores produtores de tomate e variados, no Mundo. Desde quando é que se envolveu na Fundação Portuguesa de Educação do Vale Central? Estou envolvido na Fundação práticamente desde o seu início em 1991. Fui tesoureiro por muitos anos. Este ano fui eleito Presidente. Se me permite, gostaria através do seu respeitável Jornal, pedir a colaboração de toda a comunidade do Vale Central para continuarem a apoiar a Fundação. O nosso objectivo como sabe é a angariação de fundos para a ajudar estudantes da nossa comunidade com Bolsas de Estudo, mas não só. Também temos a intenção de ajudar os nossos jovens a manterem os nossos costumes e tradições, a nossa Língua e Cultura.

Família Oliveira: Christopher Alex, Lucilia, Eric Luis, Marcio Roberto

sa comunidade deve-se orgulhar da contribuição que dá ao Vale Central da California em particular e aos Estados Unidos em geral. Seria maravilhoso termos um lugar aberto diáriamente aonde nos pudessemos juntar a practicar desportos, ler, conviver entre os outros, lugar que também tivesse acomodações para os nossos mais idosos. Além disto, talvez mais participação na política local e estadual, para assim abrirmos mais portas.

Se tivesse uma varinha mágica o que é que mudava na nossa comunidade? Uma pergunta dificil de responder! Nós, assim diz alguém, somos o resultado da sociedade onde vivemos. Penso que a nos-

Familia Oliveira no Catofe, Angola em 1973 (foto de Jorge Oliveira)

Ichitaro Kanie, fundador da Kagome, primeiro conseguiu cultivar tomates no seu jardim no Japão em 1899. O seu sucesso levou à formação de Kagome Co., Ltd. agora um dos maiores produtores de tomate no Japão. Além de tomates, Kagome Japão produz uma grande variedade de frutas e produtos hortícolas, bebidas, refeições para microondas, e bebidas pró-bióticas seguindo a missão da empresa em fornecer os alimentos que são perto da natureza. Através da investigação, inovação e desenvolvimento, Kagome Japão foi pioneiro de novas tecnologias concebida para reter o máximo de sabor, cor e valor nutritivo de frutas e legumes. A sua tecnologia patenteada de Osmose Reversa produz o melhor sumo de tomate de qualidade, que é usado em produtos premium desde sumos a refeições. O centro de pesquisa da Kagome no Japão também mantém o maior banco privado de sementes de tomate com mais de 7500 variedades de sementes usando essas variedades

para selecionar o tomate ideal para cada região de cultivo e condição no mundo e para proteger a diversidade global das culturas vegetais. Em 1988, a Kagome Japão estabeleceu Kagome Inc. (Kagome), em Los Banos, Califórnia. As instalações de produção foram concluídas em 1990, e começou a enviar os seus molhos para cadeias de restaurantes em todo o país. Hoje, a Kagome é conhecida como um dos principais desenvolvedores e fabricantes de molho personalizado para serviços de alimentação, atendendo a clientes no mercado interno e tão distantes como a Ásia, Médio Oriente, América Latina e Austrália. Para atender à crescente demanda, Kagome tem maior capacidade na unidade de Los Banos e em 2007 adquiriu e modernizou Kagome Foods Creative. Esta aquisição tem otimizado a distribuição na costa oriental dos EUA de novos produtos e tipos de embalagens para o portfólio de Kagome.


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The Portuguese Tribune, September 1st 2011