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QUINZENÁRIO INDEPENDENTE AO SERVIÇO DAS COMUNIDADES DE LÍNGUA PORTUGUESA

2 a Quinzena de Abril de 2012 Ano XXXII - No. 1130 Modesto, California $1.50 / $40.00 Anual

Mario Costa

Eventos Abril/Maio

Abril 14

galardoado com Prémio "Carreira" p.13

Aniversário da Lira Açoriana de Livingston, N.S. Assunção, Turlock Festival Taurino na Praça de Stevinson 8pm Festa dos Estudantes no Portuguese Athletic Club, San José

Abril 15

Lançamento do CD da Carmencita no Salão de Crowns Landing

Realizou-se no passado domingo, dia 25 de Março, em Fall River, Costa Leste dos Estados Unidos da América, a V Gala dos Prémios “Lusíada”, no Salão da Banda Nossa Senhora da Luz, com lotação esgotada, uma iniciativa da Associação Artistas Unidos da América (AUA).

Abril 19-22

XXXVI Congresso de Educação da LAEF, San José

Abril 21

Bodo de Leite da Festa de Santo Antão, Stevinson

Abril 22

Banda de Escalon p.18 32 Anos

Procissão da Festa de Santo Antão, Stevinson Genealogy Event na St. Elizabeth Hall, Sacramento

XXXVI Congresso de Educação da LAEF O XXXVI Congresso Anual sobre Educação da Luso-American Education Foundation terá lugar este ano em São José, de 19 a 22 de Abril. O tema do congresso é Construindo Comunidade Através da Educação e Tecnologia. Pág. 14

The Portuguese-American Experience in the Novels of Alfred Lewis p.13

Abril 23

Corrida de Toiros da Festas de Santo Antão, Stevinson

Abril 25

38° Aniversário do 25 de Abril

Abril 27

Apresentação do Projecto TV "Portuguese in California" na Aliança Jorgense, seguido de espectáculo com os Severinos Fundraiser for Scholarships, Portuguese Ed. Foundation Wine Tasting & Fados at Vierra's, Hilmar

Abril 28

Noite de Fados no Salão Bom Jesus Milagroso, Hayward 6pm Espectáculo da Filármonica União Popular com conjunto Raça e os Severinos no Salão do IES, San José

Frank Sousa No Center for Portuguese Studies da California State University, Stanislaus, Turlock, Frank Sousa vai apresentar The Portuguese-American Experience in the Novels of Alfred Lewis, Sextafeira, 20 de Abril de 2012, às 5:00 da tarde no Faculty Development Center. Pág. 14

www.portuguesetribune.com

Abril 29

Apresentação do Projecto TV "Portuguese in California" no Salão de Buhach, seguido de espectáculo com os Severinos

Maio 5-6

Festa do Senhor Santo Cristo dos Milagres, Buhach

www.tribunaportuguesa.com portuguesetribune@sbcglobal.net


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SEGUNDA PÁGINA

15 de Abril de 2012

Estranho,

EDITORIAL

25 de Abril, forever...

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e tanto viver em crise, quase que nos esquecíamos de recordar o 25 de Abril, data inesquecível para um Portugal de má memória, que nem nos deixaria escrever estas três linhas, tal era a censura pacóvia que lá existia. Falar do 25 de Abril aos nossos filhos e netos que vivem em países democráticos e com liberdade de expressão, é a mesma coisa que falar de perrexil, que eles nunca comeram. Quanto mais lemos da nossa história antiga de 48 anos, mais aflito ficamos em tentar compreender como foi possível tanta miséria de mentalidades, até em pessoas altamente inteligentes. Enfim, Viva o 25 de Abril, muito embora Portugal hoje em dia atravesse uma crise sem precedentes, de culpas próprias e de culpas alheias. Mas, verdade se diga, que há portugueses hoje em dia em lugares cimeiros da política, que nem para presidentes de junta de freguesia serviam. E já agora seria necessário remodular o curso de economia das nossas universidades tais são as lesmas que de lá saiem. Não vos digo os nomes, que são de todos vós conhecidos, a todos os níveis da governação. Por cá, nesta terrinha americana, em ano de eleições, afinam-se as vontades para dar início ao ciclo das nossas festas populares. Milhares de pessoas vão dedicar-se de alma e coração a prosseguir tradições trazidas das nossas pequenas Ilhas e que de ano para ano estão a declinar de assistência. O que fazer? O que seremos nós, como comunidade daqui a 25 anos? jose avila

não é?

O

utro dia ao ler a notícia do nome da filha da artista Luciana Abreu e de Yannick Djaló, Lyannii Viiktória, veio-me à memória o que se passou comigo há 41 anos em Angra do Heroísmo, quando nasceu a nossa filha Paula. O nome escolhido para ela era Sónia. Quando fui ao Registo Civil para registá-la, o funcionário em serviço não era da Terceira. Estava ali a substituir outro, por isso eu não o conhecia. Quando eu lhe disse o nome da recém nascida, ele dirigiu-se a uma estante e trouxe um dicionário onomástico e verificou que não existia o nome de Sónia, e disse-me, muito delicadamente: "Não pode ser Sónia porque esse nome não é Português". Fiquei atarantado, até porque não tínhamos nome substituto. Nesse tempo ainda não havia telemóveis, e eu não queria ir a casa saber outro nome. Pensei e repensei e veio-me à ideia o nome da nossa vizinha, que era nossa amiga e deveria ter quatro anos - Paula Cristina

Crónicas do Perrexil

J. B. Castro Avila Melo. E assim ficou - Paula Cristina de Castro Vale Avila. Verifiquei então que esse livro tinha a data de 1896, se não estou enganado. E assim, ao sair de casa tinha uma Sónia na cabeça e ao chegar a casa a nossa filha era Paula Cristina. O que mais me confunde é saber que há pais tão "marados" que dão nomes esquisitos a crianças, que um dia podem ser aquilo que quiserem e vão-se envergonhar do nome que tem. O que me confunde também, é saber que em Portugal estão-se maribando para os nomes das pessoas, nas repartições oficiais. E ainda querem fazer acordos ortográficos. Dá para rir. Lyannii Viiktória, que nome. Segundo Portugal, há 80 países ou territórios no mundo, que podem ser considerados como paraísos fiscais, o que quer dizer que todos os Portugueses que trabalham lá, pagam mais impostos camarários das suas casas que deixaram em Portugal. Dou-vos um exemplo - uma pessoa no Quatar recebeu uma notificação para pagar 1,859 euros de

taxa, enquanto que no ano anterior só pagava 260 euros, quando ainda tinha emprego em Portugal. A pergunta é simplesmente esta: uma pessoa que não tem emprego em Portugal e resolve emigrar por uns tempos, para um dos 80 Países considerados de paraísos fiscais, vê-se espoliado pelo governo português, mesmo quando as suas poupanças são enviadas para Portugal. Será isso justo? O artigo 112 do Código do IMI diz o seguinte: "Para os prédios que sejam propriedades de entidades que tenham domicílio fiscal em País, território ou região sujeito a regime fiscal claramente mais favorecido constantes de lista aprovada por portaria do Ministro das Finanças, a taxa do imposto é de 7,5 %." O que me dá vontade de rir é que os mais espertalhões mandam milhões de euros para off-shores e ainda não vimos ninguém preso, ao passo que um qualquer trabalhador é depenado porque não se pode defender. Portugal no seu melhor...(pior)

Year XXXII, Number 1130, Apr 15th, 2012


PATROCINADORES

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COLABORAÇÃO

15 de Abril de 2012

O "charme" discreto de ser imigrante “Dá-me a noite rebate ao pensamento” (Antero de Quental) 1 – jejum-político em tempo de quaresma

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as comunidades pensantes nem sempre há espaço ideológico para o eterno descanso das exactidões. A humanidade continua a coexistir com as “aproximações” que lhe são facultadas, preferindo ser empurrada contra o arame farpado das probabilidades tangenciais à verdade. Ora, como a verdade amedronta os incautos, foi preciso inventar o “palavreado” para mascarar as confissões intempestivas do pensamento. O mundo não tem sido um exemplo de paz, talvez porque o universo é uma experiência em trânsito, e os individuos são meros pingos no infinito. Imagino que a humanidade vai “descobrindo” o seu percurso à maneira que avança sem cartade-chamada. Se o mundo fosse criado perfeito não haveria o desafio para optar pelo ‘itinerário’ humano a cumprir. Estaria tudo feito... A palavra “democracia” continua a ser (ab)usada pela algazarra dos feirantes da opinião. Falo assim porque me considero adepto da enorme frase criada pelo poeta Robert Frost: I’m not a teacher, but an awakener... Dito isto, vou apenas esticar a conversa até ao pensamento do filósofo cristão, Francis Schaeffer, que gostava de dizer que ‘a democracia é a ditadura dos 51 por cento’. Mas não seria escândalo lembrar que os fundadores dos E.U.A. temiam que a “virgem democracia” fosse canonizada pela escravatura, depois de Jefferson ter fechado o famoso negócio da Louisiana Purchase. Em finais do século XVIII, por uma questão de pragmatismo pós-colonial, os ‘inventores’ dos Estados Unidos apenas apostaram no tipo de “república constitucional”. A propósito, reparese no artigo IV, Secção 4, da Constituição americana que prescreve uma posição clara, quando recomenda ‘cada Estado manterá a forma republicana de governo’. A palavra mágica muito em

Memorandum João-Luís de Medeiros jlmedeiros@aol.com voga no léxico do sermão político do constitucionalismo norteamericano, chama-se ‘igualdade’. O perigo da expressão ‘igualdade’ está em confundi-la com uniformidade, tal como o conceito de santidade tem sido equiparado ao primeiro-prémio da lotaria da bondade. Penso que “igualdade” e “santidade” não deviam ser noções reduzidas ao estatuto de “troféu de consolação” para enfeitar a precaridade existencial da natureza humana. Reconheço todavia que ambas noções são talvez percursos alternativos do compasso de espera para o tenebroso “encontro” com a Verdade... Cuidado: as crises estão a servir de oásis ao medo. Gandhi deixou dito: “fear has its use but cowardice has none”. A humanidade parece cada vez mais gozosa do jogo da cabra-cega com a morte. Seja-me permitida a mordaz ironia de lembrar que a morte é talvez um instrumento indispensável ao serviço da democracia radical: nada melhor do que a morte para vazar a provisoriedade das nossas diferenças individuais no oceano universal da igualdade... 2 – É necessário “não adiar o futuro” Conforme vimos aprendendo, a missão clássica da democracia é encontrar “soluções aproximadas para problemas insolúveis”. As opiniões dos agentes do imperalismo cultural podem torcer nervos mas não quebram ossos à ética. Nos textos de opinião enlatada que vamos lendo por aí, a superficialidade discursiva continua a parolar os seus foguetes de lágrimas na comunicação social. Ora, o chamado mundo ocidental já não tem tempo a seu favor nos suspensórios do desperdício: o século XX conheceu duas guerras mundiais, três

sistemas totalitários, cinquenta anos de guerra-fria; na “procissão dos passos” da actualidade, combater o terrorismo à bala é como jogar ténis no vácuo, ou colocar tijolos no chão do céu... Não é tarde para reaprender com Metternich o que a diplomacia clássica para ele significava: “cultivar o diálogo com gente com quem temos problemas.” Continuo afecto à crença de que não é pecado pensar em voz alta: a biologia sugere que a natureza humana não pode ser remodelada por reformas sociais. Nos países pobres, as eleições servem para testar a fase final do processo democrático. Para obstar ao populismo emocional do caciquismo tradicional, é necessário robustecer civicamente a cidadania. Seria razoável não esquecer que a prosperidade económica inspirada na “cleptocracia” e no individualismo tipo self-centered – resulta numa pseudo-prosperidade folclórica, atrelada à charrette das desigualdades... Por outro lado, seja-me permitido lembrar que os problemas resultantes das mudanças climáticas, do terrorismo, da emigração clandestina, ou até mesmo a anunciada ressurreição do saudosismo separatista...não são batalhas patrióticas ou nacionais, porque são desafios supraestatais, geralmente evitados pelos funcionários da ironia carregada de objectivos lúdicos, satíricos, derisórios... Entretanto, volto a abraçar a angustiada frase anteriana: ‘dáme a noite rebate ao pensamento’. De resto, o jejum-político em tempo de quaresma, não deve servir de retiro remansado, porque a ressurreição da esperança aconselha a ‘não adiar o futuro’...


Cantares (2) COLABORAÇÃO

Tribuna da Saudade

Ferreira Moreno

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omo deixei escrito previamente, muitos emigrantes em terra estranha são frequentemente empecilhados por situações insólitas a que não estavam acostumad os na terra de origem, como está comprovado no episódio do mariense António da Silva Melo, a trabalhar num rancho: Duas semanas levei Sem roupa me mudar, Já quase era tempo Dalguma roupa lavar. Um domingo p’la manhã, Ainda não lhe contei, C’o’a roupa debaixo do braço, P’rà ribeira caminhei. Depois de a ter lavado, Pus-me a considerar; É verdade que me deu Vontade de chorar. Roupa p’las mãos de homem, P’la primeira vez lavada, Sabem todos muito bem, Que p’la água passava. Esta situação da lavagem e arranjo da roupa acima descrita, recebeu irónica referência da parte do picoense Manuel Cardoso, afirmando até que se cansava mais a lavar a roupinha do que andar a trabalhar: Aqui não vamos às festas,

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Recordando

Nem a casas de bailar; Quando chegamos aos domingos, É p’ra lavar e remendar. Quando peguei a lavar roupa, Me deu vontade de rir; Esfrego e dou sabão, E a terra não quer sair. Faço esta lavação, Boto a roupa a enxugar; À noite quando a ajunto, Penso que está por lavar. Também a primeira vez, Qu’eu botei o meu remendo, Meti a agulha no dedo, Ficou-me o corpo tremendo. Nos casos acima referidos, trata-se duma adaptação inadiável, pois que antigamente o emigrante vinha só e teria qu esperar alguns anos p’ra poder casar (na ilha natal ou com a filha dum compatriota na América), ou p’ra mandar vir a esposa e os filhos se os havia (Eduardo Mayone Dias, Cantares de Além-Mar, 1982). Nos dias 25, 26 e 27 de setembro, 1997, teve lugar na Universidade dos Açores, em Ponta Delgada, o Primeiro Encontro de Cultura Popular. Numa organização e coordenação de Gabriela Funk, as ACTAS desse encontro, com carácter internacional, foram agrupadas num volume de mais de 500 páginas. Aqui e agora,

apraz-me destacar a notável apresentação “Poesia Popular como Expressão da Experiência Emigrante Portuguesa nos Estados Unidos”, da autoria do ilustre dr. Mayone Dias. Reconhecendo que a poesia popular constitui habitual veículo duma expressão vivencial entre os nossos emigrantes, e que quase toda ela assume um carácter autobiográfico, com seus autores provenientes em grande maioria dum meio rural açoriano, Mayone Dias adiantou: “Como não poderia deixar de acontecer, estas produções poéticas denunciam um nível altamente deficitário no que diz respeito à correção técnica ou linguística. Esta falta é, contudo, superada pelo magnífico grau de expressividade que patenteiam e pelo valor sociológico como literatura de testemunho. Neste aspeto, aproximam-se, flagrantemente, do romance popular, acusando até com ele nítidas semelhanças de tom e forma”. Deparam-se-nos, com frequência, evocações de ambiências natais e da bonomia e doçura da existência vivida nas ilhas. De um modo geral, como acentuou Mayone Dias, “passam-se por alto quaisquer referências à rudeza da paisagem marítima insular, optando-se por recordar a amenidade das aldeias e a doçura da vida: Ouço repicar o sino Da Igreja das Manadas, Freguesia pitoresca Com suas casas caiadas. Ouve-se o sino repicar Da Ladeira até ao Canto; Decerto é dia festivo Ao Divino Espírito Santo.

Podem-me acreditar, Ao cabo dum dia ou dois, Não me podia abotoar. As mãos incharam-me tanto, Aquilo é que era doer, Se continuasse muito tempo, Parecia-me que ia morrer. Presentemente hão melhorado as condições de trabalho. Mas há sempre contratempos de vária ordem. É o caso, por exemplo, daquele casal com o homem a trabalhar de noite e a mulher a trabalhar de dia, inibindo-os de dormirem juntos: Ao romper da madrugada Eu saio p’ra ganhar o dia; Ele quando chega à morada, Já não vê sua Maria. Que vida descontrolada, Que dá vontade de rir; A cama sempre escangalhada, Que um está sempre a dormir. Termino citando Mayone Dias: “Torna-se necessário reconhecer a poesia popular como uma muito legítima parte integrante da literatura de testemunho deixada ao longo dos séculos por um povo sempre propenso a andanças pelo mundo”. A fechar, esta mimosa quadra de Adelino Toledo: O escritor a escrever começa Sentado com toda a calma E o homem que canta expressa O que vai dentro da alma.

Em tempos recuados, particularmente em “leitarias” e “ranchos”, o trabalho exigia dos emigrantes o dispêndio de longas e fatigantes horas, praticamente alheio a qualquer horário regular e com reduzida tabela p’ra tempos livres: Trabalho do diabo,

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COLABORAÇÃO

15 de Abril de 2012

Rasgos d’Alma

Luciano Cardoso lucianoac@comcast.net

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anhã de domingo – primeiro de Abril – acordo com a sensação nítida de que é mentira. O artigo tem que estar pronto hoje à noite e o jornal só sai daqui a duas semanas? Não pode ser verdade. Aqui há gato. Desconfio mas cá vou rabiscando sob essa impressão caricata de que, ás vezes, a verdade também pode ser uma batata. Há verdades que não se querem ditas. Outras, coitadas, são muito maltratadas. A “nossa”, coitadinha, quando desce ao campo da bola, requer mesmo um tratamento especial. Todos sabemos que o nosso gostoso idioma lusitano ganha verdadeiramente outro sabor quando se infiltra na corriqueira linguagem “futeboleira” que apaixona o “futebolado” universo português por esse mundo fora. A liga está ao rubro! Os árbitros...comprados! A classificação…aldabrada! O estádio…a arder! E o fogo alastra-se à medida que o cínico jogo de palavras se inflama em provocante parvoíce de ameaças, maliciosamente proferidas às três pancadas e aos quatro ventos só para chatear. O que menos faltam, para além de dirigentes facciosos e técnicos desnorteados, são doentios treinadores de bancada, fanáticos e enraivecidos, prontos a atirarem ainda mais lenha para a fogueira. Coitados dos árbitros! Querem-nos imparciais e infalíveis mas isso é impossível! De carne e osso como nós, incompetentes nalguns casos, sucumbem à pressão e engolem o apito em momentos cruciais. São insultados minuto a minuto e crucificados semana a semana. Alguns sentem-se mesmo agredidos na sua dignidade pessoal, e privacidade familiar, requerendo adequada proteção policial. Onde isto irá parar, não sei. Valha-nos Nossa Senhora das Bolas Paradas! O nosso futebolzinho nacional – até muito capaz de elogiosas proezas e bonitos brilharetes lá por fora – cá dentro, e sobretudo nos bastidores, onde se lançam os rastilhos e incendeia a polémica, cada vez mais se vai assemelhando a um patético circo de falabaratos, infelizmente, com palhaços a mais. Desde miúdo, habituado a ver as garridas cores da bandeira nacional associadas à grande rivalidade clubística do nosso país, o fascínio encarnado serviu-me sempre de inspiração e ajudou-me a ver o futebol como uma festa, um agradável passatempo de salutar descontração. Descontraíram-me nos meus tempos de ra-

Liga ao Rubro

pazola, quando ainda se jogava por amor à camisola, os clássicos embates entre Benfica e Sporting, duplicados na ilha pelas renhidas partidas entre Angrense e Lusitânia, equipas e equipamentos com um colorido galvanizante a entusiasmar as multidões daquela era que deixou saudades. Os adeptos rivais entravam nos nervos uns dos outros mas, depois, confraternizavam amigavelmente em são espírito de franca camaradagem. A tolerância era então uma virtude cultivada com desportivismo assinalável. Os média também não tinham o poder inflamatório que hoje tem para fazerem os estragos que fazem. Valiam sobretudo as imagens sonoras dos arrebatantes relatos que a rádio trazia aos ouvidos da malta com emoção a rodos e sem demasiada controvérsia esbugalhada a olho nu. Ainda imigrei com essa boa impressão do futebol português, em geral. Adeptos, jogadores, dirigentes, árbitros, embora imperfeitos como sempre – salvo raríssimass exceções – ainda não tinham denegrido tanto a boa imagem do jogo nem azedado em demasia o sabor ao espetáculo. Era normal ouvirem-se, aqui e acolá, as bocas habituais com os nervos à flor da pele, mas ninguém queria matar ninguém. Talvez porque o futebol professional, em muitos aspetos, tocava ainda as margens ingénuas dum desporto quase amador. Os amantes da bola pertenciam a outra geração de genuínos divertimentos, sem cachecóis infetados pelo “laparoso” vírus da perigosa clubite aguda. Essa ingenuidade aparente começou a desaparecer à medida que esse ultraprofessionalizado desporto-rei se foi tornando num bruto negócio internacional subjugado a lucrativos interesses televisivos que, diga-se desde já, hoje domina e vicia tudo. ão será exagero dizer-se que a coisa começou a descambar com o protagonismo exagerado de alguns dirigentes sem escrúpulos, senhores empossados duma mentalidade quase mafiosa, prontos a ignorarem todos e quaisquer meios para atingirem os seus almejados fins. Está visto que o aparecimento da televisão – a transmitir, a analisar e a repetir em câmara lenta os erros mais grosseiros dos nossos polémicos homens do apito – também veio ajudar a festa. Por outras palavras e sem mecessidade de mais exemplos – o famoso “apito dourado” foi um verdadeiro fiasco que passou impune e é um sinal

claro de que a justiça desportiva, tal como a demais, não funciona lá muito bem no nosso formoso jardinzinho à beira mar plantado. Dói constatá-lo mas torna-se imperioso repeti-lo: a verdade desportiva não existe em Portugal. Dito isto, vivendo sempre o futebol como uma festa, não tenho qualquer problema em rematar hoje daqui, de fora da área, à queima roupa, e em curta nota de rodapé que (mete dó ver o Sporting a lutar com o melhor clube insular para um modesto quinto lugar. Por outro lado, e para bem do futebol nacional, dá gosto ver o outro Sporting, o de Braga – com muito menos

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de metade do orçamento leonino – na luta renhida para o título de campeão. Seria engraçado se o fosse. Mas não vai ser. O Porto deste ano tarda também em provar que o merece. Dos três, mesmo assim, claro que sou suspeito,) o Benfica é o menos mau. Sei que é arriscado admiti-lo antecipadamente à prova dos nove, a ter lugar já este fim de semana, ainda antes do jornal sair. Mas esta é a minha verdade. Quero-a dita e fica aqui escrita. Aconteça o que acontecer, dela não me arredo. Abra-se o debate.


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COLABORAÇÃO

15 de Abril de 2012

Agua Viva

Traços do Quotidiano

Filomena Rocha

Margarida da Silva

filomenarocha@sbcglobal.net

santamarense67@yahoo.com

Comunicar, sim... Também com Cristo

À

nossa gente, nada parece ser tão importante, como o encontro, em qualquer lugar. Dentro e fora da Igreja, à entrada ou à saída, nos salões de festa, no bailarico com os conjuntos musicais e tudo em nome da alegria e da comida que é o melhor regalo para o estômago e a boa disposição... Não há temporal que amaine esta força de vontade da diversão. Chova muito ou faça frio, ou ainda o Sol esteja de cozer a nuca, os Portugueses não deixam de sair para se encontrarem. É um velho costume que trouxeram do lugar onde nasceram, quando não havia outros meios de distracção, como televisão, jogos electrónicos, celulares, Ipads, Ipods e tudo o que tenha pequeninas teclas que nos façam estar em contacto com o mundo. Depois, todas estas vias de comunicação vieram e se antes as julgávamos inimigas do convívio e confraternização, agora para quem está longe dos seres queridos, torna-se um meio de aproximação. No mesmo instante sabemos dos amigos, de perto e de longe e se não temos paciência para sair de casa, comunicamos com o Mundo da mesma forma. Claro que não terá o mesmo sabor de quando por exemplo vamos às sociedades ou a casa de amigos para um bom jantar de matança do porco, e ver de seguida o rancho das matanças do grupo Folclórico Tempos de Outrora, trajando à moda antiga, de viola-da-terra terceirense bem afinada, violões e bandolins ajudando à festa para um bom Charambão ou uma bela Campona... E mesmo assim, com o bailho ao centro, nos passos e as vozes certas dos homens, as mensagens não param! Nada nem ninguém as faz parar.

Por falar nisso, nem na Igreja! Já urge que se diga alguma coisa sobre o que se passa. Ninguém está fora de que o seu telefone celular toque por uma emergência! Mas por favor, baixem a campaínha de modo a que não se ouça dentro da Igreja toda... Às vezes, apetece dizer em voz alta: “É Deus que está chamando!” Ou então: “deve ser um parente para agradecer alguma missa mandada celebrar por sua alma...”. E alguns telefones não têm só simples campaínha! Têm pasodobles, e já ficamos a saber que aquele é um aficcionado da Festa Brava; outros têm o hino do clube desportivo e ficamos a saber quem está de trombas quando a equipa perde; outros ainda têm a Portuguesa, muito embora se aborreçam com a política que está a ser feita em Portugal e lhes apeteça lá ir e ficar, para endireitar aquela cambada. A sério!!!- Divirtome e exaspero-me ao mesmo tempo, quando não dão com o geito de calar o telefone e ainda este toca mais do que uma vez... Palavra de honra! A Missa apenas tem a duração de uma hora ou menos... Descansem as armas ou alfaias do trabalho! Vivam os momentos bons que Deus proporciona ao fim de uma semana de trabalho exaustivo. Para além de outros sabores doces, apetitosos ou amargos da vida, saibamos tirar proveito deste outro sabor, que é o de comunicar com Deus desde a Sua última Ceia ao Seu Ressuscitar pela nossa Vida! Afinal, não tarda a primeira Festa ao Divino Espírito Santo e haverá momentos de sobra para as pessoas conviverem, seja porque meio for!!! - Páscoa Feliz! Aleluias na Terra e por toda a Humanidade com Cristo no Coração!

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alvez pelo deleite que me enleia sempre que ouço o trinar de uma guitarra, resolvi pesquisar este magnífico instrumento que exprime o sentimento da alma portuguesa. As origens do que hoje é a guitarra portuguesa diferem na opinião de alguns estudiosos, porém, uma coisa é certa. O som secular que vibra das suas dozes cordas continua a encantar os seus admiradores. Após ter “vagueado” pela internet onde encontrei inúmeras referências sobre este instrumento, apresento algumas que, espero, seja do agrado dos estimados leitores. Há quem diga que a nossa guitarra é descendente do oud, do alaúde e da cítara inglesa. Como não encontrei a tradução em português do oud, vou usar a versão inglesa. O oud, instrumento de cordas feito de madeira, foi introduzido na Península Ibérica pelos árabes no ano 711 e era muito usado no Norte da África e no Médio Oriente onde se dizia que possuía “forças mágicas”. O escritor iraquiano, Muhammad Shihab-al-Din descreveu, assim, a música do oud: “põe o temperamento em equilíbrio e acalma e revive os corações”. O oud atingiu grande popularidade desde a Idade Média até ao período barroco. O alaúde, também de origem árabe, é muito parecido com o oud, tem a parte de trás curva, tampo plano com uma abertura acústica redonda e braço largo. Este instrumento chegou a ter catorze cordas. Por volta de 1500, muitos portugueses, catalãs e espanhóis tocadores de alaúde, adoptaram a viola da mão, similar ao alaúde e que, principalmente era usada como instrumental mas que, também, servia para acompanhar cantores. Julga-se que a viola da mão foi levada da Arábia para a Sicília,

Guitarra Portuguesa então sob o domínio espanhol, de onde, mais tarde, foi para a Espanha. Alguns modelos do alaúde ainda hoje são usados na Alemanha, Suíça e Ucrânia. O improviso era, aparentemente, um importante aspecto na execução do alaúde. Talvez, por isso, não exista muito repertório daquele instrumento. Apesar de existirem poucos estudos académicos e científicos, o historiador do Fado, Ron Hernandez, é de opinião que a guitarra portuguesa é descendente directa da “cittern”, cítara, importada da Inglaterra nos anos 1700. A cítara era um instrumento de cordas, da família da guitarra, com forma de pêra que foi muito popular desde os séculos XV ao XVIII. “ Mas, já antes, no século XIII, a cítara medieval era usada por trovadores portugueses. Quando o frade Phillip de Caravell visitou Lisboa, em 1582, observou alguns dos seus costumes e descreveu o gosto que os portugueses tinham pela cítara e por outros instrumentos de cordas. A Biblioteca Real de D, João IV publicou, em 1649, um catálogo de composições musicais para guitarra com obras de compositors estrangeiros daquela era. Devido à complexidade e dificuldade técnica dessas peças, tudo leva a crer que, já nessa altura, havia grandes tocadores em Portugal. A guitarra de Fado, como hoje é conhecida, foi durante muito tempo, chamada guitarra inglesa, pelo facto de ser construida na Inglaterra por um famoso violeiro chamado Simpson o qual fabricava os melhores instrumentos de cordas, alguns dos quais eram exportados para Portugal. Durante o século XIX, a guitarra foi transformada em diferentes tamanhos e moldes e sujeita a várias transformações estéticas regionais. A construção da guitarra ganhou grande relevo em Coimbra devido à sua popularidade entre os estudantes daquela cidade o que, eventualmente, deu

lugar ao presente modelo da Guitarra de Coimbra. Na primeira metade do século XX a guitarra teve algumas modificações de aperfeiçoamento técnico e revisão das suas dimensões, sem, no entanto, sofrer alteração na sua aparência total e distinto som. Para a construção de qualquer guitarra portuguesa são usadas madeiras como: pau-santo, ácer ou mogno para os fundos e ilhargas, e para o tampo “spruce” ou pinho de Flandres. Mas, Segundo Pedro Caldeira Cabral, grande autoridade em guitarra portuguesa e música antiga, “a grande diferença entre uma boa guitarra e uma má, feitas exactamente com a mesma madeira está na mão do construtor.” “A guitarra portuguesa é, em linguagem técnica, um cordofone composto, cuja caixa harmónica é periforme, ou seja, em forma de pêra. É constituido por seis pares de cordas e já teve diversas afinações, mas a que realmente se enraizou foi a Afinação de Fado.” Embora haja alguma diferença no tamanho e no som entre a guitarra de Lisboa e a de Coimbra, o que mais as distingue é a forma da cabeça. A de Lisboa tem forma de caracol e a de Coimbra possui uma lágrima incrustada. Seja qual for a origem da nossa guitarra e o lugar modesto ou grandioso onde é tocada, ela é o grande símbolo da música e culturas portuguesas. O seu inconfudível som é tal que, onde quer que esteja, qualquer português a reconhece aos primeiros acordes. Admiro muitos guitarristas e já tive o grande prazer de ver e aplaudir, pessoalmente, os exímios tocadores: António Chainho, Carlos Gonçalves, Luís Guerreiro, Raúl Nery e Fontes Rocha. Na Califórnia temos o nosso Helder Carvalheira de quem sou grande fã. As nossas Noites de Fados são mais animadas pelo tanger da sua guitarra.

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Comunidade


Comunidade O Portuguese Athletic Club, no dia 15 de Março, comemorativo da Semana do Emigrante homenageou a artista da nossa comu-

nidade Lucina Ellis pelo trabalho desenvolvido na exposição de arte desse sarau cultural.

Victor Rui Dores victor.dores@sapo.pt

As redes tecidas por Izalino

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Matança de porco na Filarmónica União Popular, no dia 31 de Março de 2012

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Ao Cabo e ao Resto

a vila da minha infância havia um baleeiro chamado Izalino que tecia redes que tinham as gradações imateriais das guelras dos gorazes… As redes de pesca do Izalino tinham o encanto metafórico do que era simples e artesanal. Eram rendas de magia. Filigranas de sonho. Seriedade abstracta. Fios de geométrica harmonia. Quietação de linhas. Inquietação de sentimentos. Interrogações entrelaçadas – talvez as malhas que o império tecia… A vida, sabemo-lo, corre caipora, mas ficam as inflexões do tempo, o ritmo dos costumes que ele impõe. Por detrás das redes estão sempre as mãos dos pescadores. E eu (que me criei à beira-mar) estou a vê-los: rudes e tisnados de sol, com camisolas aos quadrados, abeiros de palha encardidos, cozendo as malhas caídas, segurando nos dentes as agulhas de pau, manejando chumbadas e cortiças – com os olhos no mar e o pensamento no pescado. Izalino era um desses pescadores que labutava em terra e no mar. Tinha umas mãos enormes e gretadas, mas tecia suas redes com enorme delicadeza. E era poeta popular dotado de uma incomensurável riqueza Calvin Ellis actuou na sarau cultural da Semana do Emigrante realizado no PAC em San José, com "Wish You Were Here" dos Pink Floyd

COLABORAÇÃO

humana. Escrevia versos como quem cultivava a terra ou pescava garoupas, expressando-se e exprimindo-se em quadras e sextilhas. Em terra criava vacas leiteiras. No mar pescava chicharros, chernes, pargos, bonitos, bicudas e bocas-negras. Em chegando o Verão arriava à baleia, porque os tempos eram difíceis e era preciso vencer as contrariedades e sobreviver à miséria, ao subdesenvolvimento, à intolerância e à injustiça dos tempos repressivos e opressivos do Estado Novo. Porquê esta evocação a Izalino? Porque não esqueço o dia 7 de Novembro de 1967.

N

esse dia, Izalino, sentado junto da Cruz da Barra, tecia placidamente uma rede de pesca. O foguete estalou no ar e, acto contínuo, ele enrolou a rede ao pescoço e ao corpo e largou-se a correr para o porto. Uma baleia fora avistada para as bandas do Pico Negro, na Graciosa ilha. Dois botes foram arriados, um do porto da Calheta de Santa Cruz, e outro do porto da Barra. E lá foram atrás do cetáceo, correndo, temerariamente, pela crista das ondas. A lancha de apoio às operações foi a Estefânia Correia que na altura tinha como mestre Ma-

nuel José Bettencourt. Seguiuse uma longa e dura caça. Mas o cachalote acabaria trancado e morto e, depois, rebocado para a ilha do Pico. Quando, já noite fechada, os baleeiros regressavam à Graciosa, a tragédia aconteceu: à entrada na baía da Barra, por ter sido executada uma manobra que não era a mais aconselhada, o bote, de nome Cristóvão Manuel, virou-se e seis vidas foram ceifadas. Apenas o trancador Firmino Rodrigues Picanço conseguiu salvar-se porque teve o discernimento de nadar para fora. Cinco baleeiros nadaram para terra e espatifaram-se contra as rochas… A vila da minha infância encheu-se de choros, gritos e lágrimas… Eu sei porque estava lá e assisti a tudo. Só na manhã do dia seguinte encontraram o sexto cadáver – o de Izalino Nunes, que jazia no fundo do mar amortalhado nas redes que ele próprio tecera dias antes.


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15 de Abril de 2012

Reflexos do Dia–a–Dia

Diniz Borges d.borges@comcast.net

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lei da restruturação da saúde pública nos Estados Unidos está em tribunal. Melhor, a lei, desde que foi aprovada no Congresso e promulgada pelo Presidente Barack Obama, em 2010, tem estado em tribunal. Desta feita, e depois de uma série de decisões pelos tribunais federais, que apoiaram a constitucionalidade da lei, a mesma está nas mãos do Supremo Tribunal de Justiça. Sim, infelizmente, nas mesmas mãos de quem nos deu a desastrosa decisão Bush-Gore, que cessou a contagem dos votos na Florida e ofereceu o ato eleitoral a George W, Bush. Uma grande oferta do Supremo para o povo americano, não haja dúvida. E os mesmos que nos deram a recente decisão Citizens United, colocando o processo democrático à venda para quem tenha mais dinheiro. Uma verdadeira tragédia para o baluarte da democracia moderna. É que tal como escreveu, eloquentemente, o juiz John Paul Stevens, que votou contra esta trágica lei: "uma democracia não pode funcionar quando os seus cidadãos acreditam que as leis podem ser compradas e vendidas." Mas, como não há duas sem três, cá estamos, ainda mais uma vez, à mercê de um Supremo Tribunal de Justiça, maioritariamente conservador. E desta vez, a saúde publica americana está em jogo. Durante praticamente uma semana tivemos oportunidade de ouvir a discussão dos juízes e as apresentações na defesa da lei, o governo, a administração de Barack Obama e contra a lei, a favor da sua abolição, um grupo constituído por procuradores gerais conservadores. Em debate a constitucionalidade da lei Patient Pro¬tec¬tion and Afford¬able Care Act, ou Obamacare, como os Republicanos pejorativamente a

Bendito Seja o ObamaCare

cognominaram. Uma lei histórica, comparada com o Social Security e o Medicare, que vem modificar, e melhorar, significativamente, a saúde pública nos Estados Unidos, tornando-a muito mais equitativa e funcional. Relembramos que a lei prevê que a partir de 2014, a cobertura com seguro passe a ser obrigatória: quem não tiver condições económicas para pagar os cus¬tos da apólice terá dire¬ito a subsídios, quem ainda assim preferir manterse à margem do sis¬tema terá de pagar uma multa. Para as pes¬soas que estão abrangi¬das pelos pro¬gra¬mas de assistência Medicare e Medic¬aid a nova lei não muda nada, nem para quem já dispõe de seguro de saúde através do emprego. Na primeira semana da chamada discussão verbal, a maioria conservadora do Supremo Tribunal mostrou-se, infelizmente, muito mais interessada em servir a sua ideologia do que os interesses dos cidadãos americanos, 35 milhões dos quais não têm plano de saúde e os que têm sustentam os custos elevados de quem não tem porque só podem receber serviços nos bancos de urgência. Aliás, sem menosprezar os juízes, pelos quais tenho enorme respeito, particularmente pelo importante cargo que exercem, dir-se-á, e sem o mínimo exagero, que durante uma semana, os magistrados conservadores davam-nos a aparência de serem comentadores da FOX News. A retórica estava no seu expoente. Quem não reconhecesse as vozes, ou ouvisse as declarações dos cinco conservadores sem identificação, diria, sem qualquer hipérbole que não estávamos a ouvir interpretes da Constituição, mas sim, porta vozes do Tea Party. É que apesar da Constituição dar ao Congresso amplos poderes para gerir o comér-

cio interestadual, e o comércio dos seguros de saúde, que representam um sexto da economia americana, são interestaduais, os juízes, nomeados por Presidentes do Partido Republicano, estão, pelo que ouvimos, mais do que convencidos que é essencial demonstrar que o chamado "mandate" ou seja o mandato individual, não é constitucional. O mesmo "mandato individual" que ironicamente originou com os Republicanos, através do instituto politico da direita, Heritage Foundation, e foi testado num estado norte americano por um governado republicano Mitt Romeny quando governador de Massachusetts (sim, o mesmo Romney que será o candidato dos Republicanos e que foi pelo mandado antes de ser contra), e que só se tornou bête noire quando Barack Obama o abraçou. pesar da Constituição ser clara nesse sentido, os juízes conservadores, pelo andar da carruagem, indicam-nos, que estão interessados, muito interessados mesmo, numa decisão que venha prejudicar, severamente, a campanha de reeleição de Barack Obama. É que as perguntas e as comparações incongruentes feitas pelos juízes conservadores indicam, clara e inequivocamente, as suas posições. John Roberts afirmou que se o governo tem o direito de obrigar os cidadãos a comprarem seguro de saúde, quem é que nos diz que não terá direito a obrigar-nos a ter telemóveis. Samuel Alito contendeu que se tivermos que ter seguro de saúde também teremos que ter seguro de morte. Antonin Scalia, o sempre afável e dinâmico Antonin Scalia, afirmou que neste andamento o governo vai insistir em que todos compremos e comamos brócolo. Anthony Kennedy, normalmente o mais ponderado, não

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foi feliz com a interrogação: "pode-se criar comércio para depois se regularizá-lo?" Nem que a administração do Presidente Barack Obama tivesse criado o comércio dos seguros de saúde. O único conservador que se manteve calado, como aparentemente é habitual, foi Clarence Thomas. Mas é mais do que sabido que votará com os conservadores, cuja ideologia defende com unhas e dentes. Aliás, a mulher de Thomas tem sido uma das vozes mais fortes contra esta lei. Há que referir que nem sempre os juízes votam consoante os argumentos feitos verbalmente no tribunal. Mais, os argumentos verbais são apenas um dos vários processos que os juízes tomam na trajetória das decisões. Imensas resmas de papel, com toneladas de documentos e opiniões profissionais passarão pelas mãos dos juízes antes de tomarem uma decisão final, já no próximo mês de Junho. Esperemos que o bom senso venha a prevalecer. Confiemos que as interpelações, e os comentários feitos durante as recentes discussões, não sejam o sinal definitivo dos conservadores que, como se disse, têm a maioria no Supremo Tribunal de Justiça. A América precisa de modernizar as suas políticas de saúde publica, e embora esta não seja a legislação ideal (essa seria baseada num plano nacional de saúde para todos), é, infalivelmente, o primeiro passo e um andamento extremamente necessário para melhorar o acesso aos serviços de saúde nesta sociedade. Senhores juízes, por favor, tenham juízo!

Firmino Rodrigues Picanço (23.11.1931 - 23.12.2005)

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sol já ia alto quando a vigia do Pico Negro dá o sinal de baleia à vista e passa de imediato a informação ao seu colega do Monte da Ajuda. Este agarra no foguete, apressa-se para o exterior chegando a brasa do cigarro à pólvora que fez o foguete subir e disferir, com estrondo, um forte sinal ouvido em toda a freguesia. Era esta a indicação que muitos esperavam para, numa correria louca, se porem o mais rápido possível junto do seu bote, na Barra ou na Calheta para começar mais um dia de caça ao cachalote. O Rodrigues era um homem alto e forte. Sustentava a sua família com a baleação e complementava o rendimento com proveitos advindos do mergulho. Era trancador, porventura o posto mais difícil nas companhas pois é ele que, por força da sua função, estava mais perto do imprevisível cachalote e era da sua perícia que dependia o sustento dos restantes tripulantes. Em reação ao sinal o Rodrigues foi até sua casa na rua das Violas, agarrou apressadamente no farnel e, de calças arregaçadas, correu até à Barra onde descalçou e arriou o bote com a ajuda dos seus colegas que, entretanto, foram chegando.

O bote Cristovão Manuel, já com o mestre José Vieira Goulart ao leme e à força dos remadores rumou até meio da baía para aí ser apanhado e rebocado pela Estefânia Correia, pois não havia tempo a perder. O mesmo terá acontecido com o bote saído da Calheta, que se pôs a jeito de ser apanhado pela Estefânia no rumo entre a Barra e o local onde o cachalote tinha sido avistado, lá para os lados do Pico Negro. Havia uma sinalética própria desta atividade, num jogo de bandeiras que anunciavam se já existia baleia trancada ou mesmo morta. Nesse dia nada tinha sido indicado, pelo que se previa um calmo regresso a casa, muito embora de mãos a abanar. Mas não foi isso que aconteceu, infelizmente. Já passava das oito horas da noite quando me apercebi do exagerado movimento na minha rua, que era a mesma do Hospital. A eletricidade ainda estava ligada mas lá fora imaginava uma noite de trevas. Ouviam-se vozes apressadas, ruído de automóveis e, depois, o choro de mulheres que subiam a rua. Algo não estava bem.

Meu pai resolveu sair para saber o que se passava, enquanto nós, eu e a minha mãe, esperávamos ansiosamente por explicações sobre o que estava a acontecer. Sim - disse meu pai no regresso - era mesmo grave. Tinha havido um acidente na caça à baleia e já existiam mortos e alguns desaparecidos. Ficamos a tentar imaginar o que poderia ter sucedido, enquanto as horas passavam vagarosamente. As perguntas surgiam às catadupas e as respostas tardavam. O que poderia ter corrido mal? Com o alvorecer e depois de uma noite em branco repleta de pensamentos sombrios e a imaginar o sofrimento daqueles que tinham familiares nas embarcações envolvidas, vieram as primeiras explicações. Depois da faina a lancha Estefânia Correia fez o reboque dos botes baleeiros de regresso aos portos, tal como o fizera em muitas outras ocasiões. Deixou o primeiro na Calheta e trouxe o Cristovão Manuel até à Barra onde era varado normalmente. Começava a escurecer e, por isso, a entrada na Barra não era fácil, muito embora a existência de dois

pontos de luz, alimentados a petróleo, davam a indicação precisa do enfiamento correto para entrar de uma forma segura. manobra não terá corrido como se esperava. O Cristovão Manuel, empurrado pela onda na carreira da Barra, terá ultrapassado a Estefânia Correia. O mestre José Vieira Goulart, oficial do bote, prevendo o desfecho, ainda tentou a todo o custo aguentar o leme em direção a terra, mantendo o bote na esteira da onda. Não dava tempo, era preciso cortar o cabo. Correu por cima dos bancos de machado em punho, mas era tarde demais. O cabo esticou e o bote voltou-se com os seus sete tripulantes a bordo. Não é difícil imaginar o pânico daqueles homens que, embora habituados às condições adversas do mar que lhes dava o pão, terão sido apanhados de surpresa, no início daquela noite de novembro de 1967. Temendo serem atingidos pela lancha que circulava às voltas procurando sobreviventes e enredados na palamenta do bote baleeiro constituída por remos, pás, velas, mastros, selhas, cabos e ainda desorientados por não enxergarem a ilha que lhes poderia trazer a salvação, estes homens lutaram até à exaustão,

A

constando mesmo que alguns, desesperadamente, terão nadado em direção oposta à da terra até ao limite das suas forças. Morreram o mestre José Vieira Goulart (oficial do bote), Arnaldo de Sousa, Izalino Nunes, Gabriel Machado, Albino Horta e José Soares. Sobreviveu o Firmínio Rodrigues Picanço, aquele que, afinal, estava sempre mais perto do perigo. A sua destreza dentro de água ditada pelos anos de experiência como mergulhador e a frieza com que encarou o sinistro terão sido cruciais para escapar ao destino dos companheiros. O ano de 1967 ficará indelevelmente marcado na nossa memória coletiva por este desastre.

José Avila in Graciosa online


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Temas de Agropecuária

Egídio Almeida almeidairy@aol.com

Menos 1,651 negócios Embora a passo mais lento continuam a diminuir as explorações da agropecuária nos Estados Unidos Durante o ano de 2011, 1.651 explorações da agropecuária penduraram as suas máquinas de ordenha pela última vez, mesmo assim foi a mais pequena descida, actual ou em percentagem, desde 1992. Depois do encerramento de mais

de 80.028 operações activas de produção de leite nos Estados Unidos desde 1992, parece que a redução no numero de operações com licenças para produzir e vender leite está moderando. Nos ultimos quatro anos os numeros deminuiram oscilando entre 1.651 e 2.195, com os mais altos em 2009 depois de extremamente dificeis condicoes financeiras na agropecuária. Olhando os numeros desde 1992, a descida foi de 131.509 para 51.481 ou seja uma descida percentual de 61 % durante esse período. Das 80.028 que saíram do negócio durante as passadas duas décadas, uma vasta maioria, 57.497 ou seja 72 %, venderam as suas vacas entre 1992 e 2002, o que dá uma média de 5.861 explorações cada ano. Desde então os numeros totais diminuíram menos de metade. Entre 2003 e 2011 só 22.531 negócios saíram da industria, e a média dos nove anos é de 2.053 explorações por ano. As operações acima indicadas, são aquelas que possuíam licenças “permits” para vender leite. Estes numeros são diferentes daqueles das estimativas do Departamento da Agricultura que conta operações com vacas de leite, nestas o presente total é 60.000 um declinio de 108.500, ou seja 64.4 %. Durante os ultimos 20 anos a media nacional do numero de vacas por exploração aumentou 142%,

de 74 para 179 vacas. Regionalmente o “West” com (248) e “Midwest” (121) tiveram o maior crescimento nos numeros de vacas das suas explorações. Operações no “West” adicionaram 32 vacas às suas manadas no ano passado, trazendo os numeros para uma média de 916 vacas. Entretanto o “Southeast” (6) e “Midwest” (5) tiveram os mais baixos aumentos, enquanto que o “Northeast” esteve práticamen-

te igual a 95 vacas por unidade. Ano após ano, entre 2004 e 2010, aumentou apenas de uma a três vacas por ano, por unidade. Desde 1992 o “Southeast” perdeu mais operações de que nenhuma outra região, quando os numeros desceram de 12.057 para 3.475, uma descida de 8.582 ou seja 71%. Os numeros de vacas seguiram a mesma rota, tem agora menos 664.000, uma descida de 53%. Entre os Estados com mais de 1.000 explorações da agropecuaria, os numeros desceram só 3% comparado com os outros 39 Estados que desceram 3.6%. “New York” foi o unico Estado que foi contra a tendência nacional, adicionando 70 novas operações no ano passado. Quando avaliando outros Estados com mais de 1.000 operações neste mesmo ano, Iowa foi o que perdeu mais terreno quando 6.7 % dos produtores de leite seguiram outros meios de produção agricola chamados “Cash-Crops”. Os preços convidativos dos produtos agrícolas, cereais, frutas e “nuts”, são uma tentação, a troco por uma vida de intenso trabalho e sacrificio 24 horas por dia, que é a agropecuaria, está fazendo com que muitos na industria, incluindo a proxima geração, pensem duas vezes.

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Mário Pereira da Costa

MÁRIO PEREIRA DA COSTA Autor do Livro “Aurora e Sol Nascente” – Turlu e Charrua - Confidências doi Premiado na V Gala dos Prémios "Lusíada." Realizou-se no passado domingo, dia 25 de março, em Fall River, Costa Leste dos Estados Unidos da América, a V Gala dos Prémios “Lusíada”, no Salão da Banda Nossa Senhora da Luz, com lotação esgotada, uma iniciativa da Associação Artistas Unidos da América (AUA). O Hino Nacional foi cantado por Arnaldo Feliciano e o dos Estados Unidos por Armanda Arruda. Durante a tarde atuaram diversos artistas, onde foram vistos muitos jovens talentos. O prémio “Carreira” foi atribuído a Mário Costa, promotor e agente artístico através da saudosa Editora Henda Records, que muito fez pela divulgação e pelos artistas na promoção de espectáculos culturais. Mário Costa nasceu em 1943, na cidade da Horta, ilha do Faial, Açores. Em 1950, acompanhado da família, veio viver para a ilha Terceira. Em 1969, emigrou para Peabody, Estado de Massachusetts, Estados Unidos da América, onde tem desenvolvido uma importante atividade empresarial e associativa em prol da nossa comunidade e dos seus valores. Armanda Arruda, presidente da AUA, estava contente, “porque no geral, o espectáculo foi bom, e as pessoas saíram muito satisfeitas. Depois de

tantos meses de trabalho a preparar esta festa, felizmente que correu tudo bem”. Toda a organização do espectáculo esteve a cargo de Marc Dennis e de Joe Aguiar, sendo Mestres de Cerimónia João Gonçalves e Helena Silva. Entre os presentes esteve o Mayor de Fall River, William Flanagan. Já quase no final, foi atribuído a Mário Costa o Prémio Carreira. Durante a festa, Mário Costa apresentou o seu livro “Aurora e Sol Nascente” – Turlu e Charrua – Confidências. “A publicação deste livro tem por finalidade inscrever José de Sousa Brasil (Charrua) e Maria Angelina de Sousa (Turlu) na lista dos grandes poetas populares açorianos,” referiu Mário Costa na introdução do livro. Para muitos apreciadores da poesia popular, tanto o Charrua como a Turlu, são dos maiores poetas populares açorianos de sempre. “Por motivos de saúde, ando afastado há 10 anos dos artistas e da música na nossa Comunidade, mas ao receber este Prémio “Carreira,” o que me surpreendeu, senti muita satisfação, por ser o reconhecimento de muito trabalho durante 20 anos a promover artistas e a nossa música. Sem a Henda Records, muitos dos nossos artistas não seriam tão conhecidos. Fico reconhecido por essa homenagem que me tocou fundo no coração,” disse Mário Pereira da Costa. Quanto ao livro, Mário Costa disse que teve grande projecção e muita saída nos Açores. O encerramento coube ao Agrupamento “Raízes.” Fontes: “O Jornal” Livro “Aurora e Sol Nascente” – Turlu e Charrua – Confidências

Liduíno Borba

geral@liduinoborba.com

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The Portuguese-American Experience in the Novels of Alfred Lewis O Center for Portuguese Studies da California State University, Stanislaus, anuncia uma apresentação, The Portuguese-American Experience in the Novels of Alfred Lewis, pelo Professor Frank F. Sousa, da University of Massachusetts, Dartmouth, na sextafeira, 20 de abril de 2012, às 5:00 da tarde no Faculty Development Center (Parking Lot 8). A apresentação, em Inglês, é gratuita e aberta ao público, e incluirá o lançamento do grande romance de Lewis, Home is an Island.

Alfred Lewis (1902-1977) é autor de dois romances publicados: Home Is an Island (Random House, 1951; Tagus Press, 2012) e Sixty Acres and a Barn (Tagus Press, 2005 e 2012). O Prof. Sousa falará de como estes dois livros se complementam: o primeiro trata da vida no país de origem (Açores, Portugal), no primeiro quartel do século XX, através da história dum jovem que está prestes a emigrar para a América dos seus sonhos, enquanto o segundo livro tem lugar na América, onde a personagem principal, um imigrante recente, busca o “sonho americano” numa leitaria no Vale de São Joaquim na década de 1940. Nenhum outro escritor retrata tão bem como Lewis o imaginário dos pobres nos Açores que olhavam para América como a “terra prometida” e como os imigrantes portugueses no Vale de São Joaquim construíram uma vida nova. Alfred Lewis, nascido Alfredo Luís no meio do Atlântico, na ilha das Flores, no arquipélago dos Açores, Portugal, era filho dum baleeiro do século XIX, que navegara os sete mares e se tornara pesquisador de ouro na Califórnia, antes de voltar à sua terra natal. Lewis, filho, imigrou para o Vale Central (Atwater) em 1922. Apesar de ter aprendido Inglês só depois de chegar à América, cursou Direito e chegou a ser juiz municipal na cidade de Los Banos e pessoa muito respeitada na comunidade portuguesa.

A apresentação do Professor Sousa terminará com o lançamento da nova edição do romance clássico de Alfred Lewis, Home Is an Island, publicada pela Tagus Press, em colaboração com a prestigiada University Press of New England. Frank F. Sousa é professor de Português e diretor do Center for Portuguese Studies and Culture e da Tagus Press na Umass Dartmouth. É formado pela Turlock High School, pela Santa Clara University (BS) e pela University of California, Santa Barbara (MA and Ph.D.). Contato: Dr. Elmano Costa, Director do Center for Portuguese Studies Telefone: 209-667-3638 E-mail: ecosta@csustan.edu


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COMUNIDADE

15 de Abril de 2012

XXXVI Congresso de Educação da LAEF

sas, Tecnologia, Pesquisa por Jovens Luso-americanos em vários sectores académicos e uma sessão durante todo o dia sobre a Genealogia Portuguesa. O almoço será servido na universidade, enquanto que o jantar será no Portuguese Athletic Club.

O XXXVI Congresso Anual sobre Educação da Luso-American Education Foundation terá lugar este ano em São José, de 19 a 22 de abril. O tema do congresso é Construindo Comunidade Através da Educação e Tecnologia. Os eventos, que estarão abertos ao público em geral, terão lugar em San Jose State University, Portuguese Athletic Club e no Museu Português em Kelley Park. Os objectivos do congresso são relacionar todos os elementos da comunidade portuguesa

com o mundo da educação e da tecnologia, com relevância especial dada às instituições educacionais e culturais interessadas na promoção da língua e cultura portuguesas.

A cerimónia de abertura, que terá lugar na Biblioteca Martin Luther King Jr. (foto), às 6h30 pm no dia 19 de abril, incluirá a apresentação de vários livros em inglês de temática portuguesa. O programa de sexta-feira, 20 de abril, incluirá uma sessão durante todo o dia em San Jose State University para alunos de escolas secundárias. À noite, para o público em geral, haverá a apresentação de um vasto presépio açoriano, com os tradicionais elementos rústicos, no Museu Português em Kelley Park às 7 pm (foto), ser vindo-se depois aperitivos e bebidas aos presentes. O programa para sábado, 21 de abril, começará com a cerimónia de abertura em San Jose State University (no Auditório do Edifício de Engenharia), seguida de várias sessões sobre assuntos de muito interesse como a Língua e Cultura Portugue-

No domingo, 22 de abril, haverá uma sessão durante o dia sobre a Mulher Imigrante Portuguesa, no Portuguese Athletic Club, durante a qual serão feitas várias apresentações de grande interesse. Durante essa sessão, algumas mulheres portuguesas serão reconhecidas. Esse evento está também aberto a todos, homens e mulheres. Presentes no congresso estarão algumas individualidades convidadas, incluindo o Secretário de Estado das Comunidades do Governo Português, José Cesário, a Secretária Regional da Educação e Formação dos Açores, Cláudia Cardoso, e a Deputada da Assembleia da República, Maria João Ávila, entre outros. A entrada é livre e todos são incentivados a participarem. Quem quiser estar presente no almoço ou jantar de sábado, ou no almoço no domingo, deverá fazer reserva para garantir o lugar. Os almoços custam $25 e o jantar $35. Para mais informação, é favor contactar a LAEF (education@ luso-american.org) ou 925828-3883. Não perca esta oportunidade de participar neste importante e enriquecedor acontecimento comunitário!

Fundação Portuguesa de Educação para o Centro da California COMUNICADOS 1. A Fundação Portuguesa de Educação para o Centro da California atribuirá bolsas de estudo aos alunos que terminem o Liceu (High School) e estejam interessados em frequentar Colégios ou Universidades. As bolsas de estudo também poderão ser atribuidas a alunos que já se encontrem matriculados em Colégios ou Universidades. Os interessados em obter os boletins de inscrição para bolsas de estudo, devem, a partir de 1 de Março, contactar os seguintes membros da direcção atraves do respectivo correio electronico: Luis DeOliveira - luis.deoliveira@kagomeusa.com; Dr.Elmano Costa - ecosta@csustan. edu; Joao Dias - jdangola@aol.com Todos os boletins de inscrição deverão ser devolvidos à Fundação até ao dia 20 de Maio de 2012. 2. Abertura de Candidaturas para ESTUDANTE, EDUCADOR, CIDADÂO, EMPRESARIO DO ANO e EMPRESARIO DO ANO AGRO-PECÜÁRIO A Fundação Portuguesa para a Educação do Centro da Calif6mia vem por este meio anunciar que as candidaturas para estudante, educador, cidadão e empresário do ano estáoabertas e deverão ser remetidas em envelope fechado para a Fundação até ao dia 1 de Outubro de 2012. Os candidatos nao têm que ser membros da Fundação Portuguesa para a Educação do Centro da Calif6mia nem de descendência portuguesa. Para mais informações, devem contactar: Luis DeOliveira (209) 704-8850 - luis.deoliveira@kagomeusa.comElmano Costa (209)-632-6921 - ecosta@csustan.edu

CURSOS DE VERÃO EM PORTUGAL PARA PROFESSORES DE PORTUGUÊS NOS EUA Concurso de 2012 – Faculdade de Letras de Lisboa A Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, em parceria com a Comissão Fulbright Portugal, o Camões I.P. - Coordenação do Ensino de Português nos EUA e a Associação de Professores de Português dos Estados Unidos e Canadá, lançam um novo programa de apoio à promoção da língua e da cultura Portuguesa nos Estados Unidos. A primeira edição dos Cursos de Verão em Portugal para Professores de Português nos EUA é ministrada e certificada pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. O curso está estruturado para uma turma de 20 (vinte) participantes, tem a duração de duas semanas compostas por: parte curricular, destinada ao aprofundamento e reforço das competências no ensino da língua e da cultura portuguesa; visitas de estudo de imersão na sociedade e cultura portuguesa (museus, passeios turísticos, instituições, etc.).

Destinatários

Professores que nos Estados Unidos leccionem língua e cultura portuguesa nos níveis básico, secundário e universitário na vertente de ensino da metodologia e didáctica da língua. Data: de 2 a 13 de Julho de 2012 Local: Faculdade de Letras da Universi-

dade de Lisboa Custo individual do curso: US$ 4,000 – inclui propinas, passagem aérea, alojamento, refeições e transportes locais do programa cultural. Bolsa: A todos os seleccionados será atribuída uma bolsa no valor de US$3,000 pelo que, cada participante pagará apenas uma taxa de participação de US$ 1,000, desembolsada da seguinte forma: US$500 – nos 8 dias seguintes à comunicação da selecção; US$500 – até ao dia 4 de Julho de 2012.

Candidaturas

As candidaturas decorrem até ao dia 22 de Abril e devem obrigatoriamente ser apresentadas em formulário online com os seguintes elementos: Carta de motivação (uma página), expondo os motivos de interesse em participar no programa e a forma como este se insere no seu percurso profissional; Curriculum Vitae Carta de recomendação Outras informações Anúncio dos resultados da selecção: até 14 de Maio de 2012 Data limite para pagamento de 50% da taxa de participação: até 21 de Maio de 2012 Data limite para pagamento do remanescente da taxa de participação: até 4 de Julho de 2012 A organização reserva-se o direito de não realizar a acção se não for possível seleccionar o número de participantes requerido.


COMUNIDADE

Comunidades do Sul

Fernando Dutra

N

o dia 24 do pretérito mês de Março, a direcção desta Estação de Televisão, levou a efeito, no Saláo do Artesia D.E.S., o vigésimo primeiro aniversário deste orgão de comunicação social. O evento teve início com a pre-

21º Aniversário daRTA

cação sobre o Fado e como foi classificado património imaterial da UNESCO. Este par de apresentadores realizou um excelente trabalho como apresentadores digno de apreciação e congratulações. Seguiu-se o lauto jantar, muito fino, abundante, saborosíssimo e muito bem servido. Che-

Maria Armanda, pela segunda vez na California, acompanhada pelos Sete Colinas

sença do Padre Domingos Machado que apresentou a Oração de Graças e algumas palavras de incentivo para todos quantos trabalham em prol deste orgão televisivo.

Manuel Aguiar, general manager, apresentador e locutor, em conjunto com Juliana Romeiro, em português e inglês respectivamente, fizeram os devidos agradecimentos a todos quanto suportaram o aniversário com os seus donativos e efectuaram as apresentações da praxe. Também proferiram uma magnífica expli-

gou o momento mais aguardado, o momento do fado e curiosamente, começou pelo jovem casal da comunidade, Charlie Smith e Taylor Sousa, que tiveram uma boa estreia, com agrado geral. Os

dois têm um ávontade no palco e tipo de fadistas, é pena se não continuarem. Seguiu-se o fado profissional na voz da conhecida e apreciadíssima fadista Californiana, Zélia Freitas (foto acima) que preencheu a primeira parte com um vasto e bem selecionado reportório de fados, incluindo um fado

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de Coimbra. Agradou altamente a todos os presentes, parabéns e volte outra vez. Seguiu-se a convidada de honra, a sobejamente conhecida fadista "alfacinha" Maria Armanda, na sua segunda actuação na California. Apresentou um diverso e vasto programa, realmente continua uma digna intérprete da canção nacional. Maria Armanda cantou e encantou, a voz do povo e parabéns e volte novamente. Como é obvio, para haver fado rigorosamente terá de haver artistas dos instrumentos de corda, já por cá passaram várias vezes, faz lembrar aquele ditado do vinho do Porto: "Estão cada vez melhores". São eles, o trio "Sete Colinas" - Helder Carvalheira à guitarra portuguesa, Manuel Escobar viola de fado e João Cardadeiro, viola baixa. Três exímios artistas que se podem apresentar em qualquer parte do mundo, com os seus delicados instrumentos. Parabéns ao Manuel Aguiar extensivos aos seus colaboradores, senhores e senhoras que trabalham para uma causa comum.

Fotos de Erica Mendes-Cardoso


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Visita da Commissão das Festas

Aspecto parcial do Salão da Banda Portuguesa de San José durante a festa de recepção à Comitiva da Praia da Vitória

Andre uma o

Filomena Rocha Mendes, MC da noite, Andreia Meneses e Roberto Monteiro

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COMUNIDADE

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do Concelho da Praia da Vitória

eia Meneses, Presidente da Comissão das Festas do Concelho da Praia da Vitória, depois de receber oferta dos Amigos do Concelho da Praia residentes na California

a do Mário Azevedo fez o seu papel de primeira a na recepção às gentes da Praia. Ninguém teria melhor.

Teve lugar na Banda Portuguesa de San José no dia 30 de Março um jantar-convívio com a Comissão das Festas do Concelho da Praia da Vitória. A acompanhar esta Comissão esteve também entre nós o Presidente da

Jorge Silva, ex-vocalista dos Bárbaros, residente na Costa Leste que acompanhou a comitiva da Praia à California

Câmara Municipal da Praia da Vitória, Roberto Monteiro, esposa (nascida em Santa Clara) e filhos. A MC da noite foi a nossa colaboradora Filomena Rocha. Depois do jantar, falaram o Presidente da Comissão dos Amigos

do Concelho da Praia na California, Mário Azevedo, Andreia Meneses, Presidente das Festas e por fim Roberto Monteiro. Andreia falou sobre o programa da festa deste ano. Seguiu-se um momento de comédia pelos "Três

à Mesa" - Valter Peres, Ricardo Martins e Evandro Machado. Para finalizar a longa noite, Jorge Silva cantou o que de melhor tem no seu reportório.


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32º Aniversário da Azores Band of Escalon fotos de Jorge Ávila "Yaúca"

Realizou-se a festa do 32º Aniversário da Banda Açoriana de Escalon, com diversos eventos: Março 30, Sexta-feira - jantar de peixe. Sábado, Missa e jantar de Cozido à Portuguesa. Domingo, Concertos e almoço da festa. O Presidente da Banda é Georganne de Melo e o Mestre Terry Silveira. A Banda foi fundada em 1980.


Perspectivas Fernando M. Soares Silva fmssilvaazor@yahoo.com (Continuação da edição anterior)

(3.

SÉCULO XXI

33--- LUSITÂNIA NEWS --- Em parte para suprir a ausência de PORTUGUESEAMERICAN CHRONICLE, e em parte para oferecer novas opções às comunidades lusíadas da Califórnia e do Oeste Norte-americano, esta nova publicação bimensal foi fundada, na cidade de Modesto, em Março de 2006, pela hispano-brasileira MARIA DEL CARMEN ODOM. Corajosamente, a proprietária e editora deste periódico, propunha-se “corresponder às exigências das contemporâneas realidades demográficas e culturais das diversas comunidades de língua portuguesa, e... manter uma orientação editorial moderna, em moldes bilingues, isto é, com extensa colaboração em secções em português e inglês, com larga cobertura ilustrada e copiosas notícias de Portugal, Açores, Madeira, e antigas províncias ultramarinas, portuguesas, bem como das diversas comunidades lusas no Oeste Norte-americano. (E ainda)... apresentar nas suas edições reportagens e oportuno noticiário desportivo português e comunitário, bem como produções e reproduções referentes ao nosso património histórico e cultural, dando sempre projecção e relevo às favoritas e tradicionais celebrações civis e religiosas do nosso povo”. Infelizmente, em Agosto do mesmo ano, confrontada por inesperados problemas de ordem logística e financeira, a proprietária decidiu abandonar as lides jornalísticas. Indubitavelmente, cada um dos 33 periódicos que, desde 1884, têm aparecido na Califórnia foi fundado com o louvável propósito de prover e oferecer dedicados e desejados serviços às muitas comunidades de língua portuguesa dispersas por todo o vasto território da Califórnia.

COLABORAÇÃO

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Os meios de Comunicação Social em Língua Portuguesa (V)

Embora os seus respectivos fundadores e directores tenham vivido, e ainda vivam, no denominado Golden State, eles não buscavam, nem buscam, ouro, pois todos eles estavam, e estão, cientes da crónica exiguidade de recursos e de cooperação e assistência financeira oferecidos pelas comunidades e por entidades oficiais. Bem conhecidos, também, eram, e são, os enormes dispêndios da produção e administração de um órgão da imprensa, bem como os elevados custos e os problemas da distribuição postal dos jornais, o único meio de os fazer chegar aos seus assinantes espalhados por todo este vasto Estado. Assim se compreende que dos 33 jornais só poucos tivessem tido relativamente longa existência. Antes de findar o século XIX, durante todo o século XX, bem como agora na aurora do século XXI, os periódicos lusocalifornianos têm presenciado e registado os suspiros, os sonhos, as aspirações, as façanhas, as realizações, o poder e o valor do povo lusitano no hercúleo empreendimento de construir uma Califórnia mais progressiva e mais harmoniosa. Eles têm sido os ecos e os arquivos da presença portuguesa, da interacção e da participação lusiadas nessa enorme tarefa, mantendo-se, no entanto, sempre fiéis às nobres tradições e aos perenes valores da sua quase milenária civilização, geradora dos Heróis dos Descobrimentos que desvendaram novos horizontes ao Mundo. É importante e oportuno frisar que a continuidade de uma vibrante “comunidade” luso-californiana não pode prescindir da existência contínua e dinâmica de uma robusta imprensa em língua portuguesa. Nem a radiodifusão ou os programas televisivos poderão janais assumir o seu verdadeiro papel.


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COMUNIDADE

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DESPORTO

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LIGA ZON SAGRES Porto cada vez mais primeiro LIGA ZON 1FC Porto 2Benfica 3SC Braga 4Marítimo 5Sporting 6V. Guimarães 7Nacional 8V. Setúbal 9Olhanense 10P. Ferreira 11Gil Vicente 12Beira-Mar 13Rio Ave 14Académica 15UD Leiria 16Feirense

J 26 25 26 26 25 26 26 26 26 26 26 26 26 26 26 26

V 19 18 18 14 14 12 10 8 6 8 6 7 7 5 5 3

E 6 5 4 6 5 3 5 6 11 4 9 5 4 8 4 9

D 1 2 4 6 6 11 11 12 9 14 11 14 15 13 17 14

P 63 59 58 48 47 39 35 30 29 28 27 26 25 23 19 18

V 15 11 13 11 9 9 9 10 9 8 8 6 6 7 6 6

E 7 12 5 6 10 8 7 4 7 9 7 12 11 6 9 8

D 4 3 8 9 7 9 10 12 10 9 10 8 9 13 10 12

P 52 45 44 39 37 35 34 34 34 33 31 30 29 27 27 26

V 17 14 15 13 11 10 10 11 10 9 9 7 7 7 2 1

E 8 8 4 9 9 12 9 6 8 8 7 10 9 7 6 6

D 2 5 8 5 7 5 8 10 9 10 11 10 11 13 19 20

P 59 50 49 48 42 42 39 39 38 35 34 31 30 28 12 9

V 14 15 15 14 15 9 11 11 11 6 8 6 5 5 6 3

E 10 6 6 8 4 14 8 7 4 11 4 9 11 10 4 8

D 3 6 6 5 8 4 8 9 12 10 15 12 11 12 17 16

P 52 51 51 50 49 41 41 40 37 29 28 27 26 25 22 17

Liga Orangina 1Estoril 2Desp. Aves 3Moreirense 4Leixões 5Naval 6Penafiel 7Oliveirense 8Trofense 9Atlético 10Belenenses 11Santa Clara 12Arouca 13Freamunde 14Portimonense 15U. Madeira 16Sp. Covilhã

J 26 26 26 26 26 26 26 26 26 26 25 26 26 26 25 26

II - Zona Norte J 1Varzim 27 2Desp. Chaves 27 3AD Fafe 27 4Mirandela 27 5Tirsense 27 6Ribeirão 27 7Limianos 27 8Ribeira Brava 27 9Mac. Cavaleiros 27 10Marítimo B 27 11Famalicão 27 12Vizela 27 13Camacha 27 14Lousada 27 15Merelinense 27 16AD Oliveirense27

II - Zona Sul J 1Torreense 27 2Oriental 27 3Fátima 27 4Carregado 27 5Pinhalnovense 27 6Mafra 27 7Sertanense 27 8Louletano 27 9EstVendas Novas27 10Tourizense 27 11Juv. Évora 27 12 1º Dezembro 27 13Monsanto 27 14At. Reguengos 27 15Moura 27 16Caldas 27

Resultados da 2.ª jornada da fase de subida Série Açores (2.ª jornada): Prainha - Lusitânia, 1-2 Praiense - Santiago, 0-1

F.C. do Porto ganhou em Braga por um golo O FC Porto sai de Braga mais favorito à conquista do título nacional. Não há como contorná-lo, depois da vitória por 0x1 na Pedreira. Incontornável é também a constatação para o lado minhoto: perder com os dois rivais em jornadas consecutivas mostra que o título está ali perto, é certo, mas ainda falta «um bocadinho assim.» Era um dos jogos do título - não o único - da jornada e Vítor Pereira quis experimentar o tal «fator surpresa» ao colocar Kléber no lugar de Marc Janko, mas a jogada do treinador portista só podia acabar em fracasso tendo em conta o histórico do avançado brasileiro na presente temporada. Perdido na frente, onde Hulk reinou, assim foi a vida de Kléber até à saída, ao intervalo. Era desnecessária esta «surpresa», senhor Pereira.

Hulk e Lucho vezes dois Isso não foi obstáculo a um FC Porto melhor no arranque do jogo na Pedreira onde o nervosismo e o medo de falhar em tão importante data foi sempre uma sensação constante. Os dragões entraram fortes, pressionantes, e nem um primeiro esboço de ataque arsenalista, aos seis minutos - Mossoró cruzou e Lima chegou tarde - abalou a confiança azul e branca, que roçou o golo em duas ocasiões gémeas. Minuto 12, Hulk arranca pela direita do ataque portista e serve atrasado para Lucho González. O argentino, à entrada da área, atirou para uma primeira defesa de Quim, ele que se mostraria à altura de um jogo do título. Aos 27', desengane-se quem pensar estar a ver a repetição do primeiro lance. Hulk fez o mesmo, Lucho também e Quim não ficou atrás. Dois avisos do FC Porto que estava

em Braga para defender a liderança.

SC Braga sobe mas é Quim a brilhar Atenção. O SC Braga não estava mal, sobretudo na missão de travar o ataque portista - exceção aos dois lances que Quim anulou. Mas precisou de se adaptar a uma entrada forte do dragão e só à meia hora de jogo começou a aproveitar a ausência de Fernando no eixo mais defensivo do meio campo azul. O primeiro aviso foi de Lima, que depois de fugir a Otamendi arriscou o remate de ângulo difícil. Era o nascimento do Braga ofensivo. Agora era a vez do FC Porto correr atrás da bola e de ver os minhotos ameaçaram a solidez do nulo no marcador. Alan, aos 32 minutos, quase obrigou Otamendi a um autogolo - arriscadíssimo o corte do argentino - e quatro minutos depois foi Hugo Viana ao seu estilo, num livre descaído para a direita, a levar «lume» às luvas de Helton. Aquecia a luta pelo mais alto troféu do futebol nacional. Até ao descanso, concentração máxima no minuto 43. Porquê? Porque Hulk atirou com direito a multa por excesso de velocidade e de um ângulo que parecia impossível. O certo é que a bola ia para lá mas um gesto à velocidade da luz, sublime e maravilhoso de Quim tirou a vantagem ao FC Porto. Espetáculo, e tudo para os balneários. Um interregno que fez mal a Hugo Viana, um autêntico desastre no reinício da partida. Primeiro, porque aos 47 minutos surgiu na cara de Helton e falhou. Era só escolher o canto, encostar e estava feito mas o português atirou disparatadamente para as nuvens. Mas o pior estava

Sporting - Benfica

para vir, aos 55'. O sempre tão fiável médio entregou a bola redondinha para James, este lançou Hulk que por sua vez bateu Quim. 0x1. E agora, SC Braga? O risco de sofrer a segunda derrota consecutiva perante rivais diretos crescia à medida que o título se afastava. Houve reação, com Maicon a imitar Otamendi e quase a acertar na baliza errada. Logo depois foi Alan a tentar mudar o fado minhoto mas Helton tirou com uma palmada. «Tirar» serve para lançar o tópico seguinte: que reação foi aquela, Álvaro Pereira? O lateral saiu - já estava amarelado - e só faltou morder Vítor Pereira. Com os minutos passavam também as estratégias e chegava a hora de apelar às emoções. Vítor Pereira «fechou» a cave com três centrais, Leonardo Jardim abriu a casa toda com Nuno Gomes no lugar de Custódio. Pelo meio, James Rodríguez ficou pertinho de acabar com a questão e Helton, aos 80', levantou a perna a tempo de evitar o empate minhoto. Ufa, que a coisa apertava na Pedreira. O certo é que até final nada mudaria, porque o SC Braga abdicou da construção inteligente das jogadas para procurar a sorte nas bolas longas. Sorte que jamais chegaria até ao apito final de Olegário Benquerença. E que constatação fica? Que o SC Braga não ganhou nenhum dos jogos com Benfica e FC Porto está época. Talvez por isso se foi adiando no Minho a candidatura assumida ao título, porque assim fica difícil. O FC Porto, esse, pode ver descansado o dérbi de segunda-feira entre o Sporting e o Benfica.

Duarte Monteiro in zerozero.pt

Encarnados não podem perder


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TAUROMAQUIA

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Corrida à Antiga Portuguesa na Festa Centenária de Turlock Memorial Histórico das Toiradas Reais do Século XVIII Tourada à Antiga Portuguesa

O

luxo ostentado nas vestes pelos cavaleiros-toureiros tem origem nas toiradas castelhanas do tempo do Rei D. Carlos V, monarca este que deu grande impulso ao toureio, tendo o costume vindo já do reinado de D. Francisco I de França. O calção era tufado, de golpes e as mangas do mesmo talhe, a cintura marcada, os peitilhos bipartidos, as golas brancas de cambraia armadas em favo, a meia alta, a capinha e o pequeno chapéu com pluma. Estas vestes emprestavam à indumentária do cavaleiro dessa época um ar de gentileza que correspondia na perfeição o espírito que animava os lidadores e o do espectáculo tauromáquico em si. Quando D. Filipe I de Portugal reinou no nosso país, após 1580 as toiradas passaram a ter maior esplendor. Com D. Luís XIII de França, o traje de cavaleiro tornou-se ainda mais espaventoso, pois usavam um grande chapéu de feltro, de correia, fivela e pluma de tufos de cetim, grandes golas de renda, uma capa de grandes dimensões e botas de cano virado. Isto complicava o desempenho do cavaleiro. Houve então necessidade do traje sofrer alterações, sobretudo no que respeita às botas e à capa, que passou a ser mais pequena. Usavam coletes de cor, apertados à frente e até à cintura por elegante carreira de botões lavrados. As botas de cano alto subiam até às coxas, onde o seu rebordo dentelado chegava quase aos calções tufados. Desta forma donairosa se exibiu em Madrid o Príncipe D. Duarte de Bragança, no que foi muito apreciado. D. Filipe V de Espanha por causa de uma bula papal, proibiu o toureio a cavalo em Espanha, sob pena de excomunhão a quem o praticasse, tendo a fidalguia deixado de actuar. Como o povo gostava de toiros, foi assim que a classe mais pobre se iniciou no toureio a pé, até porque não tinha posses para sustentar cavalos. Por essa razão, alguns fidalgos-cavaleiros espanhóis emigraram para o nosso país, entre eles, D. Luis de la Peña, D. Bernardino Pinto, D. Jerónimo Olaso e D. Rodrigo Novelli, que aqui lidavam toiros. Aquele Rei acabou por revogar a proibição em 1725, mas nunca mais o toureio espanhol a cavalo reapareceu, a não muito mais tarde através da prestação de António Cañero, nos Anos 20 do séc. XX. Pelo contrário, em Portugal essa bula papal nunca foi cumprida, mantendo-se a tradição cavalheiresca que existia desde a Idade Média. D. Francisco, irmão de D. João V, foi um dos cavaleiros-toureiros dessa época, quando as cortesias ainda se realizavam com um toiro na praça! Dessa altura ficaram célebres as toiradas realizadas dois anos depois da coroação de D. José I, quando do casamento com D. Maria Ana de Áustria. Tiveram lugar no Terreiro do Paço, sob a direcção do estribeiro-mor Conde de Viana. As lides equestres estiveram a cargo dos Condes de Rio Grande e S. Lourenço, e do Visconde de Vila Nova de Cerveira. As toiradas que mais esplendor tiveram comemoraram o 20º aniversário de D. Mariana Vitória, filha de D. Filipe V, quando em 1738 casou com o futuro D. João V. Foram dirigidas pelo Duque de Cadaval,, notável lidador, tendo sido realizadas na Junqueira, junto

Quarto Tércio

José Ávila josebavila@gmail.com Para comemoração dos 100 anos da Festa ao Divino Espírito Santo de Turlock Pentecost Association, decidiu a direcção promover uma Corrida de Gala à Antiga Portuguesa, o que nunca foi feito fora de Portugal. A unica falta será os coche real que na America, País Republicano desde a sua fundação, não existe. O resto será igual ao descrito no texto do historiador António Manuel de Morais. Este texto é uma autêntica lição de festa brava. Leiamno com atenção, pois vale mesmo a pena. A Corrida de Gala terá lugar às 7 horas do dia 4 de Junho de 2012. A não perder.

ao rio Tejo. Nestes festejos houve desfile de carros alegóricos, já com tradição nas toiradas reais, que fechava com um esplenderoso coche de colunas doiradas, tirados a três parelhas de cavalos vistosamente ajaezadas, no qual seguiam os cavaleiros que iam actuar – o Duque de Cadaval, os Marqueses de Alegrete e de Távora e D. Manuel António de Sampaio e Melo. As cortesias foram feitas separadamente por cada cavaleiro. No intervalo houve danças

carácter definitivo, iniciando-se assim uma actividade comercial. Recordamos agora que até aí as praças de toiros eram construídas em madeira, tinham camarotes, um deles, o camarote real tinha acesso directo à arena através de uma escada, sempre vigiada pelos albardeiros ou guarda real, vestidos de gibão em cabedal,

das ciganas (flamencos?), das regateiras (vendedoras ambulantes), das colarejas (mulheres de Colares), das mulheres do Terreiro, dos pretos da América e dos galegos. Ficou também na história uma toirada realizada em 1711 em Setúbal, quando a Rainha visitou a cidade, tal como as realizadas em Sintra pelo Duque de Cadaval D. Jaime de Melo. Daí a lide por cavaleiros-(fidalgos) ter continuado até aos nossos dias. Ainda assim, o traje do cavaleiro-lidador ainda sofreu alterações, de acordo com a opolência da corte de D. Luís XIV de França, “Rei Sol”. Já nessa altura os franceses ditavam a moda.

os quais por vezes executavam a “Casa da Guarda” sempre que o toiro se aproximava da escada. Para o impedirem de tal utilizavam os forcados em conjunto a todo o comprimento do animal. Nas toiradas realizadas pela corte de D. José I destacaram-se os cavaleiros José Roquete, Luís António Manuel de Matos, João Moura, Manuel Fialho, Miguel Pereira, Manuel dos Santos, Francisco de Matos Ferreira Souto e António Carvalho da Costa. Pode dizer-se que foram os primeiros profissionais do toureio. Para rematar o entusiasmo do Rei D. José I, basta lembrar a carta que escreveu à Câmara de Abiul e ao bispo de Coimbra, onde o repreendeu severamente

D. João V faleceu em 1750. Guardou-se luto durante dois anos. Festejou-se então a coroação de D. José I com três toiradas . Em 1755 foram realizadas no Rossio. O Rei era aficionado aos toiros e no seu reinados começaram a ser construídas praças com

por ter tentado proibir uma toirada durante as Festas de Nossa Senhora das Neves. Nessa missiva, ordena-lhe que não se intrometa em matéria que não pertença à sua jurisdição religiosa, porque para os demais casos está ele, Rei, que não pede, não acei-

ta nem agradece ajudas! Três meses depois da morte de D. José I, sua filha D. Maria I foi aclamada Rainha de Portugal. Nessa ocasião os festejos contemplaram três toiradas, a 29 de Junho, 12 e 29 de Julho de 1777, que tiveram lugar no Terreiro do Paço, então chamado Real Praça do Comércio. O arquitecto Mateus Vicente de Oliveira fez os projectos dos palanques, substituindo nessa função Eugénio dos Santos. A praça tinha a figura de um octógono oblongo. A partir daqui os cavaleiros-(fidalgos) e outro lidadores passaram a usar bonitas casacas de seda ou de veludo, cabeleiras arranjadíssimas, laços de fita e bordados metálicos, o que tomou grande expressão quase internacional. Estávamos no reinado de D. João V, o ”Magnânimo”, que com o oiro vindo do Brasil mandou construir o palácio de Mafra, em competência com o palácio de Versalhes. Nessa época, princípios do século XVIII, a alta sociedade, que correspondia à nobreza, era totalmente requintada. No reinado de D. José I e sob a regência do Marquês de Pombal, surgiram os primeiros profissionais do toureio, alguns deles sem brasão, mas que se apresentavam como os fidalgos-(cavaleiros) quando lidavam toiros. Esse traje é o que ainda hoje felizmente persiste para os cavaleiros de alternativa, que no tricórnio apresentam uma fita azul, a cor da Monarquia, pelo que as inovações de fitas verdes ou vermelhas, são completamente despropositadas ou até sinónimo de ignorância. Como também é profundamente errado chamar às vestes do cavaleiro “traje marialva”, apesar do Marquês de Marialva ter sido um grande mestre de equitação e ter sido estribeiro-mor do Rei D. José I. A casaca, tal como o colete bordado, os tufos de renda e o tricórnio com arminhos, têm origem na corte de D. Luís XIV. Já o calção justo de malha, com meia sobreposta, substituiu o calção de seda, tufado e com presilha abaixo do joelho do traje francês, é uma introdução genuinamente portuguesa que procurou dar conforto e agilidade a quem toureia a cavalo. A bota, que substituiu a polaina branca alta atacada com cordões ou fitas da cor da casaca usada pelo cavaleiro-militar desde 1650 (Vid. “Luz Liberal e Nobre Arte de Cavalaria” obra atribuída ao Marquês de Marialva), terá origem em modelo vindo de Inglaterra, embora o salto de prateleira seja original do Ribate -


TAUROMAQUIA

jo e aí assenta a espora. O talhe é o mesmo, só o aperto é diferente, sendo certo que na bota militar eram usados botões. Ainda assim, Simão da Veiga e Simão da Veiga Júnior chegaram a actuar em Portugal e Espanha com polainas brancas e fitas de atacar, mas o exemplo não foi seguido, embora tenha de reconhecer-se que esse tipo de calçado tem mais a ver com o estilo da casaca e do colete antigos. À casaca foi tirado o execesso de roda das abas, para não atrapalhar o gesto.Quanto às cabeleiras empoadas, no séc. XIX ainda eram usadas pelos cavaleiros na lide de toiros. Até ao final do séc. XIX, aos profissionais não fidalgos não era permitido usar casacas bordadas, apenas tinham como adorno o debruado das casas do lado esquerdo e o lavrado dos botões que desciam pelo lado direito do peito. Os seus chapéus tinham apenas dois bicos, com imã pluma de cor variada pelo que tem sentido o tricórnio

actual ter uma fita azul e não de outra cor qualquer, a não ser que se trate de cavaleiro-toureiro brazonado e nesse caso a cor deve corresponder à do brasão de Família ou Casa. Os bordados metálicos ou matizados que adornavam toda a orla dianteira da casaca, com um motivo que se repetia no golpe traseiro e nos canhões, só podiam ser usados por fidalgos. O cavaleiro profissional José António de Lima foi o primeiro a romper com estas normas, aproveitando certamente as ideias do liberalismo, quando se apresentou em traje de nobre na Praça da Bela Vista, no Porto, em Maio de 1870. Alguns anos depois, o cavaleiro profissional José Maria Casimiro Monteiro substituiu a polaina por bota de cano alto, embora com resguardo no joelho. A partir dele o tricórnio generalizou-se a todos os cavaleiros. Na actual versão da “Corrida à Antiga Portuguesa” entram em primeiro lugar os músicos de trompas, trombetas e tímbales a cavalo, que dão uma volta à praça até se fixarem à volta da mesma. Este conjunto tem origem no Bando, que então percorria as ruas de Lisboa a anunciar a toirada, ao mesmo tempo que distribuía cartazes à população. É por isso que faz parte do cortejo. O Bando saía das portas do Tribunal da Real Praça do Comércio com grande acompanhamento, alegre e vistoso. À sua frente ia um fogueteiro a cavalo e logo a seguir uma azémola carregada de foguetes de respostas (hoje transformada em carregadora de duas caixas com farpas conduzida por moços de forcado). Os foguetes eram lançados durante o percurso. Depois aparecia uma partida de cavalaria dos Regimentos da guarnição da Corte, nos

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dias de hoje desaparecida. A seguir iam dez músicos estrangeiros vestidos de azul com guarnições de prata e chapéus agaloados de pratas com plumas brancas, que tocavam tímbales, trombetas, trompas, clarinetes e fagote, divididos em duas turmas que alternadamente iam tocando. Uma figura de fidalgo montava um cavalo ricamente ajaezado, o qual levava um grande estandarte de nobreza branca franjada de oiro com as armas da cidade de Lisboa. Era acompanhado por catorze homens a cavalo, divididos em sete parelhas,bem vestidos à época. Depois deles o Porteiro do Conselho do Senado da Câmara surgia a cavalo e levava na mão o bando do Senado, que apregoava em alguns locais da passagem o bando (anúncio público do espectáculo). Depois vinha o Meirinho da Cidade (actual Neto) e em último lugar iam os Almocateis das Execuções da limpeza dos Bairros de Lisboa (inspectores de pesos e medidas e das ruas da cidade), todos vestidos de seda, com cocans nos chapéus, com as varas (símbolo da justiça e do poder judicial), insígnias da sua jurisdição, montados em cavalos bem ajaezados,

cabeleiras empoadas. Vêm depois a cavalo oito charameleiros e um timbaleiro, de seda, tricórnio e cabeleiras, que formam o actual Bando. Entram depois na praça doze porta-estandartes das Casas Reais, sobretudo dos nobres que participavam na toirada. Vestem de seda, sapatos afivelados e cabeleiras empoadas. A seguir entram seis pagens dos cavaleiros, vestidos como os outros pagens e por fim surgem dois coches, cada um com três cavaleiros. Durante todo este tempo os charameleiros e o timbaleiro tocam os seus instrumentos. Cada coche tem um cocheiro que o conduz, um moço de tábua que vem na parte de trás do coche, como guarda, dois albardeiros (antigos guardas do camarote real com forcados) e dois porta-guias da parelha de tiro, cada um montado num cavalo. Se o coche for tirado a duas parelhas, a parelha da frente é conduzida pelo sota (condutor de tipóia do séc. XIX) e a de trás pelo cocheiro. Atrás dos coches vêm os cavalos de combate (para a toirada), cobertos por telizes de veludo bordado e conduzidos à mão pelos seus porta-guias. Acabado o desfile e recolhidos os intervenientes, o Neto manda entrar na arena a

com criados a pé. Fechava o cortejo outra partida de Cavalaria. Eram distribuídos panfletos alusivos aos combates de toiros (toirada). A toirada começava com o desfile de carros alegóricos, havia danças, entre as quais uma alusiva à libertação dos escravos. Depois disso a toirada era iniciada. Triunfava o cavaleiro que matasse o toiro ao primeiro golpe de rojão. A toirada à Antiga Portuguesa de hoje é, pois, uma reminiscência bastante simplificada do que sucedia no século XVIII.

azémola das farpas (antigos foguetes de resposta) que é conduzida por moços de forcado, os quais usam chapéu escuro de aba larga e uma casaca dobrada ao ombro, de pano pobre. Depois das caixas terem sido levadas pelos moços de forcado para a trincheira, levam a azémola que sai pela porta dos cavaleiros, local aliás donde sai todo o cortejo. De seguida o Neto recebe do Inteligente as chaves dos curros e vai entregá-la ao papagaio (chefe dos curros), saindo da arena. Logo depois iniciam-se as cortesias dos dias de hoje.

ntra em primeiro lugar o Neto, que pede autorização ao Inteligente (em vez do Rei) para se iniciar o cortejo. abrir a porta dos curros. Simboliza a autoridade na arena (antigo meirinho) e vem vestido de negro com chapéu de pena preta. É seguido pelos seus pagens que são seis, vestidos de seda em traje do séc. XVIII com

ANTÓNIO MANUEL DE MORAES

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ARTES & LETRAS

15 de Abril de 2012

As minhas cartas de amor eram copiadas na tropa “Como estamos na alvorada do século XXI, numa época em que as religiões, o futebol, as drogas ilícitas, a glorificação hedonista são alguns dos capitais mais negociáveis na esfera do globalismo, o escritor (operário da escrita) tanto pode ser um cúmplice do negócio vigente ou sujeitar-se à missão de ‘subversivo’ da alternativa...”, afirma o poeta e escritor João Luis de Medeiros.

Correio dos Açores: Nome, naturalidade, cidade e país onde reside? João Luís de Medeiros – Em Janeiro de 1942, fui baptizado na igreja micaelense de São Roque com o nome que continuo a usar: João Luís Tavares de Medeiros. Em finais de 1980, emigrei com a família para os Estados Unidos, mais precisamente para Fall River (Massachusetts) onde vivi até finais do século XX. No ano 2000, resolvi experimentar a rota do “sonho americano”, rumo ao sudoeste da Califórnia, onde continuo a viver como aprendiz da vida, numa pequena cidade do Coachella Valley, chamada Rancho Mirage. O Primeiro livro que leu? Faço parte das gerações que certamente ainda guardam recordações (embora amarelecidas) de que o famoso livro das primeiras classes da instrução primária terá sido o livro do pedagogo Virgílio Couto, hoje porventura imerecidamente esquecido... Quando sentiu o chamamento para a escrita? Creio que “assentei praça” na escrita devido a circunstâncias meramente casuais. Com cerca de 10 anos de idade, já tinha a incumbência de escrever as cartas que a saudosa avó ditava para serem enviadas ao filho que, por volta de 1946, embarcara para Angola integrado no corpo expedicionário açoriano para substituir o batalhão continental número 13 (Nova Lisboa, Angola). Mais tarde, já com a adolescência a rondar as ameias da juventude, divertia-me imenso a escrever bilhetes românticos àquelas raparigas conhecidas que tinham autorização familiar para dar banho à beleza, no ambiente outrora meigo e calmo dos areais da área. Anos mais tarde, durante o “cruzeiro colonial”, em Moçambique (1963-66) aceitei o cativante desafio de redigir as “cartas-de-amor”, que eram depois copiadas (secretamente) pelos meus companheiros mais avessos à escrita...

PALMEIRA – “MULHER-MENINA”... (a uma “palmeira-mediterrânea” imaginária e sem idade... ) palmeira, mulher-muralha donzela da natureza orfã da antiguidade... Que segredo universal

Qual o seu género literário? Desde muito moço fiquei cativo voluntário da Poesia. O conto e a crónica são dois géneros que continuo a espreitar como janelas criativas. Todavia, se tiver vida e não me sentir órfão de talento, gostaria de enveredar com sensatez criativa pelo estilo da Prosopopeia...

Na escola primária era habitual ter boas qualificações nas redacções? Sinceramente, não tenho memórias gratificantes desse período. Apenas me lembro de ter escrito duas ou três linhas para ler junto à campa do antigo professor Almeida Pavão (pai), na peregrinacão anual dos miúdos do ensino primário ao cemitério de são Roque... Há algum livro dos seus que gostaria de reescrever? Reconheço a benignidade da pergunta, mas devo esclarecer que não nunca perdi a noção do meu tamanho como operário da escrita. Até hoje, tive a boa sorte de não ter publicado livros de que poderia estar agora arrependido. No universo das ideias, a mensagem vale muito mais do que o mensageiro... Quais os livros que publicou e o mais recente? Parabéns pela clarividente pergunta. Não tenho habilidade para esgrimir segredos comerciais, porque não gozo do estatuto para escrever para o mercado livreiro. Dito isto, meu caro, abro a confidência: dentro em breve aparecerá ao público da diáspora lusófona o livro “Canteiro da Memória” (colectânea alusiva a 10% das minhas crónicas publicadas entre 1979-2009, sob o pálio da coluna memorandum). Recordo que no Outono de 2007 veio a público a minha presença poética com o livro “(Re)verso da Palavra”, cujos poemas (1957-2007) fazem parte da (minha) fase “poesia-de-combate” que, obviamente, continua alérgica ao fervor encomiástico da confraria da literatagem oficiosa da nossa praça psico-literária... Em 1993, apareci como co-autor do livro “Em Louvor do Divino”, cuja edição está esgotada... Indique-me um livro de um escritor açoriano de que gostaria de ter sido autor? Ó deuses! ... sinto-me agora atraído pela categoria psico-literária da resposta do nosso conterrâneo Cristóvão de Aguiar, quando há semanas admitiu, com sincera

palpita na profundeza do teu verbo vegetal...?

palmeira, mulher-menina, um dia saberei teu nome e as curvas da tua sina... Ó vestal da fresquidão, sinto o ardor da tua fome em busca deste meu pão...

Apenas Duas Palavras

Diniz Borges

angústia, que gostaria ter sido o autor dos SONETOS anterianos. Depois dessa resposta, só me resta dizer que vou morrer sem ter tentado escrever algo semelhante à sua “RAIZ COMOVIDA”... Todavia, no calendário da eternidade, espero (re) encontrar ambos Antero & Cristóvão no pavilhão dos vencidos mas nunca convencidos...

d.borges@comcast.net João-Luís de Medeiros é nome conhecido nas páginas do Tribuna e em vários outros jornais da Diáspora e dos Açores. Assina, de quinze em quinze dias, uma coluna, sempre interessante e sempre com temas profícuos. Mas o João-Lúis é acima de tudo um poeta. Com poesia dispersa em várias publicações e em livro, o João-Luís é um cultivador da palavra. Aqui o temos com alguns magníficos poemas e uma entrevista que o João Luís deu ao jornal Correio dos Açores, parte de uma série que Afonso Quental fez com escritores dos Açores e da diáspora. Deliciem-se com a poesia do nosso amigo, o poeta João-Luís de Medeiros e com as respostas que ele dá na referida entrevista.

Como se relaciona com os escritores? Para confirmar os meus dizeres, seria preciso contactar alguns deles... (alguns já estão à nossa espera na quinta da eternidade); Mas arrisco sem temor nomear os amigos Cristóvão de Aguiar, Fernando Aires, Onésimo Almeida, Urbano Bettencourt, Rui-Galvão de Carvalho, Mayone Dias, Daniel de Sá, Francisco Fagundes, Dias de Melo, Mário Mesquita, Álamo Oliveira... Pensa enriquecer como escritor? Bem sei que a pergunta não é maliciosa – é apenas pedagógica. Como operário da escrita sou porventura (em segredo) um abastado milionário! Embora ausente da confraria do turismo académico que tirou (inteligentemente) partido da maldisfarçada subalternidade académica da açorianidade nascente (1985-2005), tenho procurado cultivar a prudência de não usar as conexões político-emocionais ao meu dispor... para facilitar o meu percurso de “missionário da escrita”... Nesse aspecto, limito-me a imaginar a banda passar! Enfim, são feitios... Que livro nunca recomendaria a um amigo? ... não desejo ser endossado de tal autoridade... Que livro gostaria de deixar e que ainda não escreveu...? Como estamos na alvorada do século XXI, numa época em que as religiões, o futebol, as drogas ilícitas, a glorificação hedonista são alguns dos capitais mais negociáveis na esfera do globalismo, o escritor (operário da escrita) tanto pode ser um cúmplice do negócio vigente ou sujeitar-se à missão de “subversivo” da alternativa... Antes de sucumbir, involuntariamente, à febre global da trivialidade, talvez seja contemplado com o carimbo “subversivo” na última página do meu ignorado passaporte da alternativa...

abraços diniz

Elegia à fragilidade humana ... desta vez, talvez não esteja errado: estou condenado a ser o esboço do Ideal inventado pelo arco-íris duma quimera prisioneira da orfandade mendicante... cuidado! já tropecei na sombra da Espera dolorida pelo gemer da dúvida errante... espero não morrer do susto por estar vivo: trago a ilha-berço no meu chão mental a estremecer preces nos lábios dos romeiros... o solfejo do temor reza melodias ao divino para amparar a solidão do meu basalto agarrado ao chão movediço do destino... ... pecador-amador do verdear da verdade atrás das grades de catecismos contritos do mercado bolseiro da santidade... e assim vai girando a fragilidade humana cativa no terceiro-grão da maçaroca solar convencida de que a verdade não se engana... inédito joão-luís de medeiros 2011

Afonso Quental

perfil gentil, altaneiro casto farol do Amor muralha de mil segredos... quero ser o feiticeiro para adivinhar o temor da coragem dos teus medos...

palmeira-beleza-errante ora longe, ora tão perto da fronteira do desejo... miragem do meu mirante oásis do meu deserto minha harpa, meu solfejo... (algures em Barcelona – Espanha) Abril, 2010


Comunicados O Consulado-Geral de Portugal em San Francisco apresenta os seus melhores cumprimentos e, a pedido do Instituto Camões, comunica-se que se encontra disponível na página Internet daquele Instituto, o aviso de abertura do procedimento concursal para os candidatos a cargo de leitor e de professor de língua e cultura portuguesas, para o

ano letivo 2012-2013. O Consulado-Geral de Portugal em San Francisco tem a honra de comunicar que, à semelhança dos anos anteriores, realizar-se-á em Porttel, de 16 a 20 de Maio de 2012, o "9ºConcurso Nacional Escolar - "O Castelo em Imagens", que está aberto a todos os alunos das escolas e universidades Portuguesas, tendo por tema "O Castelo" ou o

COMUNIDADE

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Grande Oportunidade de Negócio

"Castelo da minha Terra". Os interessados podem entrar em contacto com o Consulado-Geral, para 3298 Washington Street, San Francisco, CA 94115, Telefone: 415-346-3400, Ext. 200 ou Fax: 415-3461440.

Vende-se Padaria em Escalon

San Francisco, 3 de Abril de 2012

Tratar com António ou Rosa Lima

Julia Fung Chin Chanceler Gerente

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Falecimentos

Lucilia L. da Costa cou até à sua morte. O Rosário teve lugar na Igreja Católica St. Brigid, de Hanford e foi a sepultar no Cemitério do Calvário em Hanford. A família de Lucilia L. da Costa envia um sincero agradecimento a todos, de perto e de longe, que enviaram cartões, flores, palavras de grande conforto e de amizade e que os acompanharam neste tristes momentos. Muito obrigado a todos. Filomena e Manuel Pereira Tribuna Portuguesa envia sentidas condolências a toda a familia Costa.

Ethel N. Ribeiro Faleceu no dia 1 de Janeiro de 2012, com a idade de 83 anos, Lucilia L. da Costa, nascida em São Miguel no dia 4 de Fevereiro de 1926. Era viuva de Antonio Vieira da Costa mais conhecido por Antonio Vieira Picareta, já falecido há 26 anos. Deixou a lamentar a sua morte, nove filhos - seis filhas e três filhos. Durvalina, marido Antonio Oliveira, de Modesto (com quem vivia); Lucilia, marido Agustino Bertão, de Hollister; Izilda Maria Costa, em Santa Barbara, Ilha Terceira; Liliana e marido Jorge Amaro, no Algarve; Filomena e marido Manuel Pereira, de Lemoore; Margarida e marido Antonio Correia, de Hanford; Carlos e esposa Maria Costa, de Lemoore; Victor e esposa Rosa Costa, de Hanford; Paulo e esposa Eva Costa, de Corney City, CA. Deixa também de luto duas enteadas e um enteado, 19 netos e netas, 7 netos enteados, 18 bisnetos; seu irmão Victor, casado com Ervelina Sousa, no Canadá; cunhada Vidalia Sousa, em São Miguel; cunhada Filomena Augusto da Costa, de Santa Barbara, além de vários sobrinhos e sobrinhas. Foi viver com seus pais para a Ilha Terceira, tendo-se casado em Santa Bárbara, onde viveu a sua vida com o marido e filhos. Trabalhou durante muitos anos na Cafetaria da Escola da freguesia. Emigrou com a familia em 1981 onde fi-

Faleceu no dia 29 de Março de 2012, Ethel Noia Ribeiro, natural dos Flamengos, Ilha do Faial e residente em Fresno há 39 anos. Nasceu a 10 de Abril de 1924 e era viuva de João Ribeiro, ex-funcionário da Alfândega de Angra, falecido há cinco anos. . Deixou a sua irmã Lúcia Nóia, em Fresno e 4 sobrinhos no Canada, filhos de um irmão já falecido. O seu corpo esteve em câmara ardente no dia 3 de Abril, na capela funerária da Agência Miller de Tulare. O terço e missa de corpo presente, teve lugar na Quarta-feira, dia 4, pelas 11H00 da manhã na Igreja de St.Aloisius, ficando os seus restos mortais sepultados no Tulare District Cemetery. Os serviços religiosos estiveram a cargo do Rev.Padre Raul Marta.

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Em memória da Ethel Estavas a ficar cansada, e já não havia cura... Jesus viu o teu sofrimento, então abriu os seus braços e murmurou baixinho: "Vem comigo..." Embora te amássemos muito não tínhamos poder para te prender a nós; por isso te pedimos que respondesses à chamada de Jesus. Assim, a tua única irmã, com sobrinhos e amigos à volta do teu leito, cantámos hinos em louvor do teu criador. Vimos o teu respirar apagar-se pouco a pouco, molhámos teus lábios, bebeste a tua última gota de água, e, com o crucifixo do teu rosário bem aperta na mão lançaste o teu último suspiro, Vamos sentir a tua falta, os dias serão mais vazios e mais longos... Sem ti, apenas poderemos desabafar nossas mágoas na oração de cada dia.

Na solidão da tua ausência fica-nos o sorriso dos teus lábios a lembrar-nos que estás nas mãos de Deus! e que um dia haveremos de nos juntar de novo. Tribuna Portuguesa envia sentidas condolências a Lúcia Noia e sobrinhos.

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ENGLISH SECTION

15 de Abril de 2012

serving the portuguese–american communities since 1979

Ideiafix

Miguel Valle Ávila

portuguese

• engLish section

miguelavila@tribunaportuguesa.com

Deacon Tony António Alvernaz Silveira, better know as Tony Silveira, will be ordained a deacon on Saturday, May 12 at 9:30 am at the Cathedral Basilica of St. Joseph in downtown San José. The ceremony will be presided by San José Bishop Patrick McGrath. Tony is the widower of Margie Silveira who passed away in February 2011. He had started his seminary studies in his early childhood, but then came marriage and family. In 2009, he entered the Deacon Formation Program and after his ordination next month, he will attend St. Patrick’s Seminary in Menlo Park, CA until his ordination as a Catholic priest in May 2013. He is hoping to be placed at Five Wounds Portuguese National Church to minister to the Portuguesespeaking parishioners. Tony, or Deacon Tony, by then, will preach his first sermon as a deacon at the 11:00 am Portuguese mass on May 13, Festa de Nossa Senhora de Fátima and Mother’s Day at Five Wounds Church. Congratulations in advance for your ordination, Tony!

Documentary on Corvo Island at SF Film Festival The brand new documentary ‘Its The Earth Not The Moon’ (about the beautiful island of Corvo, Azores) will be shown at the following places and times under the sponsorship of the SF International Firm Festival. The program says “Filming on the remote Azores island of Corvo, director Gonçalo Tocha aims to be everywhere at the same time and not miss a thing.The result is a wonderfully poetic take on the anthropological documentary, the travel essay and the armchair adventure, made with almost naive sincerity. Three showings: Thursday, April 26, 1:30PM, Sundance Kabuki Cinemas, San Francisco Japantown; Saturday, April 28, noon, Pacific Film Archive in Berkeley; Sunday, April 29, 1 PM, Sundance Kabuki Cinema, San Francisco. For tickets please visit the website festival.sffs.org. Please act quickly since festival tickets usually sell out very quickly. This is a marvelous opportunity to learn more about the ninth and smallest island of the

3rd FDR Azorean Forum April 27-29 in Horta, Faial

Five Wounds administrator, Rev. Dave Mercer in interview tholic faith. I’ve known many Portuguese parishioners in other parishes, and I know of their enthusiasm for their culture and faith. So, I also look forward to learning more about Portuguese culture and history from the parishioners of Five Wounds Portuguese Church.

Describe your background and your ministry in the Diocese of San José. I’m from Sunnyvale where I graduated from Peterson High School in 1972. I served in the US Air Force for 3 1/2 years before studying at San José State University, graduating with a degree in Business/Marketing. I then worked for a couple electronics companies for three years. When I was 28 years old, I decided that nine years of thinking about being a priest was long enough and began my studies at St. Patrick Seminary. Ordained in 1987, I’ve served in parishes around the diocese.

How do you see your appointment as the new administrator The third Franklin Delano Roosevelt Azorean Forum will take place at Five Wounds effective July between April 27 and 29 at the Teatro Faialense in Horta, Faial. 1st? Sponsored by the FLAD in partnership with the Government of the I look forward to serving the peAzores, this edition is dedicated to the Sea: “The Sea in a Historical, ople at Five Wounds Church. It’s Strategic and Scientific Perspective.” The forum will bring to Faial still three months before I begin, Island experts from around the world, Portuguese and Americans, to and I have a lot to keep me busy debate policies, opportunities, and resources related to the sea. here at St. Christopher Church, Representing the Roosevelt family will be Frederic Delano Grant Jr., but I’m already looking forward great grandnephew who will speak on FDR’s maritime legacy. More than to ministry at Cinco Chagas. 40 speakers, among them: Cynthia Koch (former director of the FDR I intend to learn to speak some Presidential Library), Maria Filomena Mónica (researcher), Fernando Portuguese so I can celebrate Barriga (CREMINER, Faculdade de Ciências da Universidade de Mass and the Sacraments. I recenLisboa), Mariano Gago (IST), Mário Ruivo (president of the Conselho tly enjoyed meeting parishioner Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável), Barney Tony Silveira who will be ordaiFrank, one of the US Congressmen who has been more connected ned a deacon in May – he loves between the Azores and the Portuguese communities. Five Wounds and loves the CaMore info at http://forumroosevelt.wordpress.com

Why were you appointed as an administrator and not a pastor? Do you see this as a short-term assignment? Note: You will be the 7th administrator or pastor in the last 10 years at the parish. I’m aware that Five Wounds Church has had a series of pastoral leaders in recent years, and I know that Bishop McGrath takes seriously that parishioners at Five Wounds Church be served well. So, I readily said yes when asked to be the administrator at Five Wounds Church, because I enjoy people and I enjoy priestly ministry. What is your vision for Five Wounds Parish? My agenda is simple: serve the people well. A priest needs to be

willing to listen to and learn from the people he serves. I know that the people of Five Wounds Portuguese National Church have both a strong Catholic faith and great hopes for their parish. As a priest for 25 years, I’ve learned that parishioners know what they most need and what they most want to be as a parish. As I listen to and learn from parishioners, I will offer them my faith and hopes. My prayer is that we grow in the ways of Jesus together. What introductory message would you like to share with the Portuguese-American community of California? I’m also convinced that God gives each person unique qualities and abilities given to nobody else. God calls each person (you and me) to do something special with those gifts that God calls nobody else to do. When each person discovers what that is, they then learn what their mission in life is, and they will then possess a truly meaningful faith. If I can help the people of Five Wounds Portuguese National Church to understand more clearly their mission and to have a truly meaningful faith, I will be grateful to be their priest. Again, I’m looking forward to ministry at Cinco Chagas.

Portuguese-Americans in MA Fishing Industry The Ferreira-Mendes PortugueseAmerican Archives at the University of Massachusetts Dartmouth (UMD) and the National Marine Fisheries Service of the National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), in collaboration with local organizations tied to the fishing industry and the Portuguese community, will be conducting an oral history project aimed at documenting the experience and contributions of local Portuguese-speaking fishermen. The study is coordinated by Gloria de Sá, a professor of sociology at UMD and faculty director of the Ferreira-Mendes

Archives, and Patricia Pinto da Silva, a social scientist with NOAA’s Northeast Fisheries Science Center in Woods Hole. Funded by a grant from NOAA’s Preserve America Initiative, the study also counts with the support of various individuals associated with New Bedford’s United Fishermen’s Club, the Voices from the Fisheries Oral History Database, the Working Waterfront Festival, the School for Marine Science and Technology, and the Center for Portuguese Studies and Culture. Involvement in fishery activities and the presence of a large Portuguese community are

two of the most salient cultural characteristics of New Bedford. Three of the area’s major tourist attractions, for example, are the Working Waterfront Festival, the Madeira Feast and the Day of Portugal festivities, which bring tens of thousands of visitors to the area. Yet, although the Portuguese and the sea have been paramount in shaping the economy and the culture of this region, the interaction between the two has not been adequately explored and documented. The Portuguese comprise more than half of the owners and operators of the fishing fleet of New

Bedford, the number one fishing port in the US. Given that the sector is undergoing rapid transformation, including the retirement of aging fishermen, documenting their experience is an urgent matter. This study seeks to preserve, protect and enhance the understanding of this particular aspect of local and American heritage by recording, transcribing and translating a series of oral histories with representative Portuguese-speaking members of New Bedford’s fishing industry; and by collecting photos and other documents related to their activity.

The research will be used to develop a variety of products and activities, such as K-12 teaching materials, exhibits, and publications, aimed at providing and preserving information relevant to the understanding of fisheries management, coastal restoration and the economic vitality of the port of New Bedford. All materials collected and developed through this project will be made available to educators, students, researchers and the general public at UMD’s Ferreira-Mendes Portuguese-American Archives and the Voices from the Fisheries Oral History Database.


ENGLISH SECTION

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Macau Arts Culture and Heritage Institute brings programs to San José State Univ. teller. He enthusiastically described the history of the voyages of the Portuguese to the Far East and the history of the presence of the Portuguese in Macau and Hong Kong. An architect by profession, António Jorge da Silva has published several books including the “Portuguese in Hong Kong” (2 volumes), “Diaspora Macaense in California,” and the upcoming book “The Portuguese in Shanghai.” The Dr. Martin Luther King, Jr. Library is a collaboration between San José State University and the City of San José’s Public Library System and a recipient of the 2011 National Medal for Museum and Library Service by the Institute of Museum and Library Services (IMLS). This library hosts the Portuguese Heritage Collection among its special collections, the first European collection to be hosted at this prestigious library.

The Macau Arts Culture and Heritage Institute, USA (MACHI, USA) presented “The Portuguese in Hong Kong.” Honbg Kongborn authors Frederick Silva and António Pacheco Jorge da Silva presented the fascinating history of the Portuguese community in Hong Kong last March 31, 2012 at the Dr. Martin Luther King Jr.

Library at San José State University. Sponsored by the Macau Arts Culture and Heritage Institute USA and the Portuguese Heritage Society of California, the event included Portuguese and Patuá (Macau Creole) songs by Luso-American singer Ramana Vieira and her Ensemble. Frederick Silva is a great story-

Above: Author António Jorge da Silva presents his books to Dean Ruth Kiefer of SJSU’s Dr. Martin Luther King Jr. Library while MACHI USA president Arthur Britto looks on. Below: SJSU’s Dr. Martin Luther King Jr. Library.

Frederick Silva, Dean Ruth Kiefer, Arthur Britto, and António Jorge da Silva

Upcoming Photography Exhibit The Macau Arts Culture and Heritage Institute, USA (MACHI, USA) and the International Institute of Macau will display a collection of photographs revealing Macau’s unique Portuguese and Chinese architectures at the Dr. Martin Luther King, Jr. Library. San José State University. This exhibition will feature 52 vibrant color images of Macau’s historic architecture ranging from Taoist Temples, Roman Catholic Churches and Portuguese Villas. Including in this group of photos are some buildings and sites such as the Old Protestant cemetery - the last resting place of Joseph Harod Adams, the grandson of United States President John Adams and the first western style lighthouse in Asia to name a few that were designated as World Heritage by UNESCO in 2005. This outstanding collection will be on display at the second floor library gallery from May 8 through June 24, 2012. A special reception will be held on Tuesday May 8, 2012 at 6:00 PM. Macau born architect, author and speaker António Jorge da Silva will give a talk on the photographed structures. Admission is free and refreshment will be served. Contact Arthur Britto, president of MACHI, USA at 510.813.6116 for additional information.

Above: Authors Frederick Silva (left) and António Jorge da Silva speaking on the history of the Portuguese in Hong Kong. Below: Ramana Vieira and her ensemble singing in Portuguese and Patuá (Macau Creole)

Below: Five Wounds Portuguese National Church as seen from the Dr. Martin Luther King, Jr. Library continues to be the tallest building in East San José even after 92 years


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COLABORAÇÃO

California Chronicles

Ferreira Moreno

T

he Portuguese and the Spaniards both use the word flores for flowers. Flores is the name of one of the nine Azores Islands. It is so called for its abundance of flowers, mostly hydrangeas, that find shelter in the island's deep ravines and border all its pastures and fields. The island's 55 square mile area is densely planted with greenery and drenched with many waterfalls. The word flares has been applied to various spots in California. The first site can be traced back to 1769, at the time of Gaspar de Portola's expedition. The land appeared mellow and also fragrant. Quite frequently the explorers mentioned their encounters with flowers. For instance, Padre Junipero Serra wrote: "Flowers there are many, and beautiful as I have noted previously. Today on arriving at the ci\mping place we ha,yemet the Queen of them all, which is the Rose of Castlle. When I write this r hi\ve before jllei\ bri1nch of rose bush, with three roses opened, others in bud, and more than six

unpetaled." It must be clarified that the type of rose referred here is not really the true Rose of Castile, a little wild pink rose later imported from Europe. Actua,lly, it is rather the Rosa Californica, which is sma,11 , pale-pink and sweet smelling, but good enough to remind the weary and home-sick explorers of their native Spain. Padre Juan Crespi, the expedition's chaplain, spoke of lush grapevines and countless Rose of Castile patches among the vines, and wrote further: "For such a deltghtful discovery, and having reached here on the feast day of St. Pri\xedis, we christened it Los Rosales de Santa Praxedis." Ensign Miguel Costo,nso, the expedjti'0n's en£jjneer, added: "We gave the place the name of Canada, de los Rosales, on account of the grea,t number of rose bushes we saw. II Although the charmi ng 1ittle Cqnqda de los Rosales (91 en of rqse-Bushes) hi\s fa,ded away, the shorter moniker Las flores hilSremi'l;nedto this day in Sqn Diego County, Aubrey

Las Flores A Tale of Roses Drury (California, An Intimate Gujde, 1947) noted thqt "north of Oceqnstde, qn the rQute be- . tween San Diego and Los Angeles, qfter crQssjng the San Luis Rey Bridse, at the mouth of the riyer, the scenic coast is follQwed through Las Flores, where the great Santa Margarita ranch reqches awC1Y in tiroad acres." In the vicinity of U.S. Marines Camp Pendleton stand Las Flores Adobe and Lqs Flores Site, near the mouth of Las Flores Creek. Originally, Las Flores was the name of a rancheria (Indian village), which later became an asistencia or outpost of San Luis Rey Mission, which was founded in 1798. In fact, it was there that from 1823 to the late 1840's a tileroofed chapel and hostel, built by Padre Antonio Peyri, served as an extension of the Mission and provided hospitality to travelers on El Camino Real. According to W. W. Robinson, (Land in California, 1979), "a few Indian pueblos had a feeble flowering after the secularization of the missions in 1833. The ruins of the

quadrangle of adobe buildings of the Pueblita de las Flores can still be seen in a plowed field on the north side of Las flares Creek near the coast highway in San Diego County. Originating in an estacion established by Mission San Luis Rey onEl Camino Real, it was converted into an Indian pueblo, but year by year it disintegrated, qnd in 1843 the Indians consented to the transfer of Las Flores to Pio Pico ilndAndres Pic!'),owners of the adjoining Rancho Santa Margarita. Although the pueblo was then occupied by 32 Indian fqmilies, only a few of them still re.midned at Las flores qS late ilS 1873, It had long since been a part of Rancho Santa Margarita y Las Flores." In closing, the primitive Canada de los Rosales (the valley of the rose gardens), located in the narratives of the Spaniards at about 17 leagues

15 de Abril de 2012

from San Diego, and 2 leagues from Santa Margarita, will always be remembered as that nostalgic spot which brought to the explorers sweet memories of their distant homeland, qnd elicited frequent expressions of delight from the padres. Today, however, instead of the soft fragrance of the Roses of Castile, we have to settle for the enchanting beauty and alluring charm of Las Flores, truly a tale of roses!

Alfred Lewis's Home Is an Island and Life in Azores Frank F. Sousa

A

lfred Lewis (1902-1977) was the first Portuguese-American writing from an ethnic perspective to garner the attention of the English-reading public. Lewis achieve this distinction with the novel Home Is an Island, originally published by Random House in 1951, in the same collection as J. D. Salinger’s Catcher in the Rye and a reprinting of William Faulkner’s Absalom, Absalom! Lewis was born Alfredo Luís on the midAtlantic Azorean island of Flores. He was the son of an immigrant who had been a whaleman in New Bedford, Massachusetts, and in the seven seas—like a Portuguese character from Herman Melville’s Moby Dick—and a gold miner in California, before returning to his homeland in the late nineteenth century. Following in his father’s footsteps, Lewis immigrated to California in 1922 at the age of 19, at the tail end of the second phase of Azore-

an immigration to the U.S., which is often associated with farming in California and textile mills in New England. Having learned English only after arriving in America and while recovering from tuberculosis in a sanatorium in the California Foothills in the 1920s, Lewis nevertheless went on to study law, becoming a municipal judge and a successful businessman in the San Joaquin Valley town of Los Banos. He also studied creative writing at the Colorado’s Writer’s Forum at the University of Colorado in the late 1940s. At Boulder, he studied under the novelist and short story writer Allan Seager, and eventually gained the attention of the poet and novelist Vincent McHugh, who is quoted on the dust jacket of the first edition. Home Is an Island merited over 80 reviews in some of the most important American newspapers, including two in the New York Times and one in the San Francisco Chronicle. The latter recognized Home Is an Island as “a pioneer effort from this particular group [Portuguese-Americans],”

and went on to express the hope that Lewis would “inspire other descendents of Camoens…to take up the pen, to explore and relate the story of the Portuguese pioneers in California.” Lewis also had two short stories, “BoxMaker de Luxe” and “Fame, Fortune, and Tequila,” appear in Prairie Schooner, a national literary magazine at the University of Nebraska. These stories were then referenced in The Best American Short Stories for 1949 and 1950. A posthumous, dairyfarming novel, Sixty Acres and Barn— which, in its earliest manuscript versions and under a different title, was the sequel promised in the dust jacket of Home Is an Island—was published in 2005 by Tagus Press at the University of Massachusetts, Dartmouth, whose library holds Lewis’s literary papers, including unpublished novels, short stories, poems, and plays. Lewis was also a prolific and accomplished poet in both English and Portuguese. Not only did he originate the PortugueseAmerican novel, but he was also the first to write aesthetically compelling Portuguese-American poetry for the Englishreading public. Most of his poetry - about 60% of which is in Portuguese and the rest in English - was collected posthumously by Donald Warrin and published as Agua-

relas florentinas e outras poesias, in 1986. Home Is an Island, an autobiographical, coming-of-age novel, captures the simple, pastoral life in a village of the Old World where the popular imagination has been permeated by the wonders of America, especially California, as myth, as El Dorado, i.e., as a worldly paradise of fabulous wealth and opportunity. Nonetheless, the pull of the American dream is always tempered by the desire or need to honor the past and by the opinion of some of the villagers that America (and its seductions) represents a threat to a way of life. Lewis captures childhood in the Azores like no other writer, particularly an Azores that is fast receding into the past. To read Home Is an Island is to understand the mindset, the inner life of poor Azoreans, for over a century, for whom America was the new Promised Land. Lewis may attained a measure of success in mainstream America, but he never forgot his own ethnic community, helping immigrants unfamiliar with English and American institutions to the end of his days. And just as importantly, he always treasured the memory of life in his village in the Azores. Through the writings of Alfred Lewis, the Portuguese-American experience has become part of American literary and cultural history. This is no small accomplishment in its own right, given that in American literature up to Lewis’s writings the Portuguese had been portrayed in a negative, stereotypical manner. In this new age of immigration, which, in many ways, defines global reality in the last two decades, Lewis’s examination of conflicting loyalties to different cultures and languages—which he resolves in a creative tension between respecting the past and seeking the future—makes for a writing that is as topical and as relevant as ever.


COMUNIDADE

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POSSO 36 anos de comunidade

Mary Sousa e Alice Sarmento, Edite Miller e Manuel Bettencourt

Mary Sousa, Executive Director da POSSO, Manuela Pires e Manuel Bettencourt, Presidente da POSSO.

Joaquim Avila, Batista Vieira e Tony Silveira, que se ordena como Diácono no dia 12 de Maio na Catedral de San José com missa nova a 13 de Maio nas Cinco Chagas.

Realizou-se no dia 31 de Março no Salão do IES, de San José, o jantar comemorativo dos 36 anos da POSSO. O MC foi Davide Vieira (na foto à direita) e foram entregues placas de reconhecimento á Voluntária do Ano, Alice Sarmento, Sénior do Ano, Edite Miller e Empregada do Ano, Manuela Pires. O vereador da Câmara de San José, Sam Liccard esteve presente, como é habitual em muitas festas portuguesas.

Fotos de Lisa e Emanuel Sousa Esq: Zé Duarte, como sempre, fez um grande espectáculo, como cantor e como ventríloquo

Dir/Esq: Albertino Bettencourt, Oriolando Bettencourt, Luís Dinis.


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TRIBUNA PORTUGUESA

15 de Abril de 2012

The Portuguese Tribune, April 15th 2012  

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