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QUINZENÁRIO INDEPENDENTE AO SERVIÇO DAS COMUNIDADES DE LÍNGUA PORTUGUESA

2ª Quinzena de Abril de 2014 Ano XXXIV - No. 1176 Modesto, California • $2.00 / $45.00 Anual

Sejam Bem-Vindos

A FILARMÓNICA LIBERDADE LAJENSE das Lajes do Pico vai visitar a California a convite da Casa dos Açores de Hilmar, para participar na celebração da Festa ao Divino Espirito Santo nos dias 3 e 4 de Maio de 2014. Esta Filarmónica tem 150 anos. P.8

Myron Cotta um P.30,31

Bispo feliz

Sugestões •

Abril 24-25 - Celebração do 25 de Abril pela LusoAmerican Education Foundation em Berkeley.

Abril 28 - Primeira Corrida de Toiros em Stevinson

Maio 2 Fados na Casa dos Açores de Hilmar

Maio 3,4 - Bodo de Leite e Festa do Espírito Santo da Casa dos Açores de Hilmar

Maio 5 - Jantar com a Banda Lajense no Salão da Azores Band of Escalon

Maio 17 - Festival do Chocolate em Oakdale

Outubro 11 - PALCUS - 2014 Annual Leadership Awards Gala in the Washington, D.C. area.

VIVA O 25 de ABRIL

Carlos Rocha - Administrator of the Year Award from the 8th District PTA

Ricardo Vasconcelos na San Diego State University

Ricardo Vasconcelos vai gerir os Estudos Portugueses na San Diego State University (SDSU) a partir do próximo ano lectivo. Este professor é natural do Porto, fez o seu PhD em UC Santa Barbara e presentemente lecciona na Universidade de Wisconsin. Pá.9 P.25 www.portuguesetribune.com

portuguesetribune@sbcglobal.net


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SEGUNDA PÁGINA

EDITORIAL

15 de Abril de 2014

Para Lembrar SEMPRE

Por favor, nunca mais se esqueçam que:

O Hino Americano é cantado ou tocado SEMPRE em ultimo lugar*

* Excepto se o Presidente estiver presente O mais curto editorial da minha vida. josé avila

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Year XXXIV, Number 1176, Apr 15th, 2014 $45.00


PATROCINADORES

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COMUNIDADE

15 de Abril de 2014

XXII Encontro de Professores da APEUC terá lugar este ano na Praia da Vitória, ilha Terceira, de 3 a 6 de Julho Newark, NJ, Março de 2014 – O XXII Encontro de Professores da Associação de Professores de Português dos Estados Unidos e Canada (APPEUC) vai ter lugar este ano na cidade da Praia da Vitória, ilha Terceira, Açores, entre os dias 3 e 6 de Julho. Subordinado ao tema “Nas ilhas da Língua Portuguesa”, o Encontro é uma parceria com a Direção Regional das Comunidades Açorianas e à semelhança dos anteriores pretende ser um “espaço de convívio, um fórum de discussão e uma oportunidade para os professores que lecionam a língua portuguesa nos Estados Unidos e Canadá fazerem formação pedagógica na área do ensino das línguas estrangeiras”, disse o presidente da APPEUC, Diniz Borges.

saraus culturais de temática regional, mostras de materiais para o ensino do Português Língua Estrageira, lançamento de livros e uma visita à ilha Terceira. Para além disso, prevê-se ainda a participação de alguns pais e alunos idos dos Estados Unidos. “É um programa variado e muito interessante que pretende aliar a formação à divulgação da realidade regional e ao convívio entre professores que só é possível graças ao apoio do governo regional açoriano”, disse Diniz Borges. O XXII Encontro inicia na quinta-feira, dia 3 de Julho e encerra na segunda, dia 7. Conta ainda com o apoio da Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento, do Camões Instituto da Língua e Cooperação e da SATA.

Por outro lado, “esta é também uma oportunidade para os professores de Português conhecerem melhor a realidade do arquipélago dos Açores de onde são originários muitos dos alunos dos curso de Português destes países”, acrescentou o dirigente da APPEUC.

“Este é um Encontro abrangente e inclusivo”, diz Diniz Borges, explicando que, por isso “o Encontro é aberto a todos – professores, pais, alunos e todos os interessados na problemática da língua portuguesa na diáspora, nos Açores e no continente português”.

O Encontro deste ano inclui oficinas de formação pedagógica na área do Português Língua Estrangeira (PLE), apresentações sobre a situação atual do ensino do Português nos Estados Unidos e Canadá, palestras sobre a realidade do ensino no arquipélago dos Açores, divulgação da oferta letiva orientada para alunos estrangeiros e luso-descendentes na Universidade dos Açores, divulgação de um portal do governo regional dedicado ao ensino do Português para a diáspora,

Para inscrições e mais informações os interessados podem consultar a página da APPEUC em www.appeuc.org. A APPEUC foi fundada em 2004 em Newark, New Jersey, sendo a primeira associação sócio profissional de professores de Português ou de origem portuguesa na América do Norte.

Comissão das Sanjoaninas explica o "Package" para a Terceira

O pacote disponibilizado na Califórnia, pelas Sanjoaninas em parceria com a SATA, foi inicialmente de 100 lugares. Depois foi conseguido abrir mais 10 lugares no voo direto e mais 40 em coudchair com a Virgin vindo por Boston. O pacote foi disponibilizado a 1 de dezembro e termina a 31 de março. A filarmónica foi convidada a vir às Sanjoaninas, mas só oferecemos estadia e alimentação pelo que só confirmaram a sua vinda em janeiro após comprarem os bilhetes como

outro passageiro qualquer. Na comitiva da filarmónica vem 55 pessoas o que indica que mesmo comprando no pacote das Sanjoaninas ainda ficaram lugares vagos. As Sanjoaninas nada tem a ver com a venda destes pacotes porque foram gerados numa parceria com a SATA e disponibilizados em venda livre. Quanto ao cartaz taurino, embora integrado nas Sanjoaninas, é da inteira responsabilidade da Tertúlia Tauromáquica Terceirense (pode seguir no facebook) e será apresentado no dia 2 de abril. Só a partir dessa data podemos divulgar as informações fornecidas através da Tertúlia, por isso esteja atenta também ao nosso facebook porque daremos noticias em breve.


COLABORAÇÃO

Tribuna da Saudade

Ferreira Moreno

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m situações confrontando grande perigo ou dificuldade é corriqueiro dizer, em português, que nos encontramos entre a espada e a parede, ou entre a cruz e a caldeirinha. Em inglês, além de “between the devil and the deep sea” (entre o diabo e o mar fundo), diz-se ainda “on the horns of a dilemma” (nos cornos de um dilema) e “out of the frying pan into the fire” (cair ou saltar da frigideira p’ró lume). Visto que por dilema entendemos uma situação cujas alternativas resultam embaraçosas, p’ra quem se encontra nos cornos dum dilema significa estar desprevenido e ficar apanhado numa ardilosa cilada sem solução viável ou réplica favorável. Em síntese, trata-se dum autêntico argumento cornudo p’ró qual é impossível responder satisfatoriamente, quer se diga sim quer se diga não, com saída vergonhosa e embatucada duma maneira ou outra. Cair ou saltar da frigideira p’ró lume equivale a dizer ir de mal a pior, escapando-se dum perigo p’ra imediatamente emaranhar-se ou mergulhar noutro igual ou pior. Como diriam os franceses: Tomber de la poele dans le feu! Satisfazendo a minha curiosidade em decifrar o sentido da expressão “between Scylla and Charybdis” (entre Cila e Caribdis), retirei das minhas estantes a cópia (livros de bolso, publicações Europa-América) com o texto integral da “Odisseia” de Homero, e reli o Canto XII discorrendo àcerca da travessia de Odisseu (Ulisses) entre o roche-

do de Cila e o remoinho de Caribdis. O nosso Camões, em Os Lusíadas, registou estes nomes no Canto II, estância 45 e Canto VI, estância 82. É certo que Homero, que também nos legou a “Ilíada”, não definiu minuciosamente a posição geográfica do episódio descrito, mas tudo leva a crer ter ocorrido no

Estreito de Messina. Cila situava-se na costa sul da Itália e Caribdis logo em frente na Sicília. Firmando-me na mitologia grega, Cila e Caribdis eram monstros marinhos de natureza feminina. Cila tinha doze pés disformes, seis longos pescoços e seis pavorosas cabeças, cada qual com três filas de dentes. Cila ocultava-se na concavidade duma caverna, donde soltava terríveis latidos como de cadela recém-nascida,

Recordando Monstros e Sereias pescando e explorando tudo à volta da rocha, e arrebatando os mareantes que por ali passavam. Como descreveu Homero, seis companheiros de Ulisses foram devorados por Cila. Aparentemente, na sua origem, Cila era uma formosa donzela por quem se enamorou um deus marinho, mas ficou transformada em

monstro pela feiticeira Circe, sua ciumenta rival. Por seu turno, Caribdis era filha de Gaia (engravidada pelo deus Poseidon) e teria sido transmudada em monstro pela ciumenta Afrodite. Caribdis tornou-se num horroroso remoinho, sorvendo e expelindo, três vezes por dia, a água negra e salgada, rugindo e arrastando os navios p’ràs profundezas do mar. E assim, de toda esta

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mitologia, surgiu o dito procurar escapar dum perigo p’ra ficar metido noutro, ou seja, entre Cila e Caribdis! No Canto XII da Odisseia, Homero descreveu igualmente o episódio da terra das Sereias que seriam, presumivelmente, três ilhéus rochosos ao sul do golfo de Nápoles. Novamente, segundo a mitologia grega, as sereias (Sirens, em inglês) eram três monstruosas ninfas marinhas, filhas do deus Phorcys, com cabeça humana e corpo de aves. Cantavam tão docemente e seduziam tão irremediavelmente os mareantes, que estes acabavam por naufragar e perder as vidas nos escolhos habitados pelas sereias. Ulisses conseguiu raspar-se dessa ocorrência trágica amarrando-se ao mastro e tapando com cera os ouvidos dos companheiros. Manuel Falcão Viveiros Estrela, genuíno rabopeixense radicado em Fall River desde 1975, no seu livrinho “Mosaicos à sombra” presenteou-nos com esta curiosa

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referência: “Um dia, estando o dr. Armando Cortes Rodrigues (1891-1971) sentado com amigos num café em Paris, um deles perguntou-lhe de que região portuguesa era ele natural, obtendo a seguinte resposta: “Dos Açores e duma ilha onde há homens de Rosto de Cão e mulheres de Rabo de Peixe”. Quanto aos homens de rosto de cão, Cortes Rodrigues estava a referir-se, evidentemente, à freguesia micaelense de São Roque, com um ilhéu fronteiro cuja extremidade aparenta o focinho dum cão. Por sua vez, Rabo de Peixe, vila piscatória e agrícola na costa nortenha micaelense, é a terra de sereias e do Bom Jesus, como o próprio Manuel Estrela retratou em quadras aqui reproduzidas: Sereias da minha terra, Da terra do Bom Jesus, Vila que em si encerra Valor, beleza e luz! São sereias encantadas, Que em terras tão distantes, Serão sempre recordadas Pelos nossos imigrantes!


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15 de Abril de 2014

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Rasgos d’Alma

Luciano Cardoso lucianoac@comcast.net

A

doro Abril. Faz-me sorrir. Traz-me coisas boas. A Primavera é sempre uma prenda que nos cai muitíssimo bem. O bom tempo ajuda a revigorar os ânimos. Há outra energia no ar. Até o Sol se ergue mais cedo. E convida-nos a fazermos o mesmo. Aproximam-se as sete da manhã. O café fumega-me na chávena. Tenho lápis e papel à mão. Tomo nota. É a árvore mais bonita a adornar-me o quintal. Ainda não completou dez anos de idade o meu robusto damasqueiro. Espreito-o pelo vidro da janela. Deleita-me ver a sua folhagem viçosa a desafiar-me as ideias. Quando posso, vou lá fora e namoro os frutos a crescerem. Sei que em Maio amarelecem. Em Junho, tornam-se doces. E em Julho ainda sabem melhor. Gostaria de saber, no entanto, como é que, sem sequer ter atingido a força da sua juventude, esta linda árvore já exibe tanta maturidade. O seu comportamento, ao longo do ano, é simplesmente impecável. Mas, daqui para a frente, ainda dá mais gosto vê-la. A sua generosidade não tem limites. Como-lhe a fruta há alguns anos e a única coisa que me pede em troca é que lhe recolha as folhas caídas em fins de Outubro e, depois, lhe pode discretamente os galhos lá para meados de Janeiro. Não custa nada. Mês a mês, havemos de lá chegar. Agora quero desfrutar Abril. Que culpa tem da chuva nos ter desiludido este ano? Trazer água a potes já não é da sua responsabilidade. Traz-nos sim um olhinho de sol bastante agradável a brindar-nos em céu azul com manhãs apetecíveis e tardes tranquilizantes. A Primavera tem destas vantagens. Amorna-nos as temperaturas e convida-nos a arregaçar as mangas. Apetece mesmo ir ao quintal. Ao lado do damasqueiro, com metade do tamanho, o limoeiro nunca deixa de me impressionar. O seu dinamismo é diferente.

Prolonga-se frutífero pelo ano inteiro. Com menos três anos de idade, carrega limões que dá gosto ver. Uma vez mais, fico espantado a olhar para a atitude madura e consistente desta generosa árvore anã que me oferece o sabor indispensável do limão em muito daquilo que como. Apraz-me acolher lá atrás estes dois sabores opostos a conviverem lado a lado. Há quem deteste o amargo dos limões. Francamente, não percebo. Custa-me mais a perceber, no entanto, o comportamento imaturo da malta que me desilude. Compará-lo ao arvoredo que me inspira, sei que não é justo. Mas intriga-me. Nós temos um cérebro. Podemos programá-lo, geri-lo e comandá-lo até certo ponto, de forma que não nos desaponte. É-nos dado tempo mais do que suficiente para nutri-lo e apetrechá-lo com o melhor que a natureza humana dispõe. O pior são as escolhas. Cada qual faz as suas a belprazer. Depois, é só uma questão de saber respeitar as dos outros. Entristece-me constatar que, algumas árvores, sem qualquer benefício da inteligência, consigam fazer melhor do que muita boa gente. Aceito que nem todas elas sejam bem comportadas como as minhas. Como tambem não tenho qualquer problema em admitir que não há amigos como os meus. Mas nisto não estou só, e ainda bem. Os nossos genuinamente bons amigos, são o melhor fruto da melhor árvore que a terra dá. Adoro estes mimos que Abril me traz. Apetece bem estar cá fora. A brisa beija ao de leve as folhas do damasqueiro. Puxo a cadeira para a sombra e expremo o limão na água do copo. Adiciono-lhe duas pedras de gelo e uma folha de hortelã. Cheira que consola. Bebo um gole. Cai-me bem. Lambo os lábios. Esfrego os olhos. Ajeito as lentes. Estico os pés. Preparo as mãos e o lápis desce ao papel. Hoje não quero saber de computador. Há qua-

Suave

renta anos atrás também não o tinha quando, em quimérica madrugada, abril seduziu a minha geração com um florido sonho à portuguesa, convidando-me, no entanto, a vir mourejar em cata do badalado sonho americano. Do lado de cá, quatro décadas depois, equacionando esses suados custos do meu brusco salto, apraz-me constatar que valeu a pena mudar de quintal e vir plantar raízes nestes confins. Não digo que sejam melhores nem piores. São o que são. Tal como sou quem sou devido à oportuna mudança. Estou-lhe grato. Tivesse eu ficado plantado do lado de lá do

mar à espera da maré vazar-me as ilusões, não sei o que teria sido. Nem quero imaginar os meus robustos rebentos sem o adubo americanizado à minha maneira. Revigora-me a árvore e adoça-me os frutos tal como eu gosto, ao refrescar esta genuína sensação de que a Primavera nunca deveria acabar dentro de nós. Traz-me a

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paz de espírito indispensável ao meu café matinal. Adoro Abril com este suave sabor.


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COMUNIDADE

15 de Abril de 2014

Filarmónica Liberdade A FILARMONICA LIBERDADE LAJENSE das Lajes do Pico vai visitar a California a convite da Direção da Casa dos Açores de Hilmar, para participar na celebração da Festa ao Divino Espirito Santo da Casa dos Açores nos dias 3 e 4 de Maio de 2014. Esta Filarmónica foi fundada em 14 de Fevereiro de 1864. A digressão à California vai decorrer de 2 a 22 de Maio de 2014. Quem melhor que o historiador Ermelindo Avila para nos contar a história desta Filarmónica de 150 anos. na palestra proferida no dia do aniversário da mesma: "Num dia como este, há 150 anos, realizava-se na velha Matriz da Santíssima Trindade, a procissão da Penitência. Era o primeiro domingo de Quaresma. Precisamente a 14 de Fevereiro de 1864. Até então não era habitual uma corporação musical tomar parte em qualquer acto civil ou religioso. Simplesmente, porque esses agrupamentos nem existiam, nem conhecidos eram. Nas procissões, os frades franciscanos, enquanto os houve ou, depois, um grupo de coristas ou capelães cantava salmos ou outros motetes do antigo Canto – Chão, mas tarde conhecido por Canto Gregoriano ou outros cânticos religiosos. Seis anos antes, (21 de Fevereiro de 1858) na cidade da Horta, havia sido criada a Filarmónica Artista Faialense, que ainda hoje, felizmente, ali existe e que durante dezenas de anos foi a principal corporação musicas destas duas ilhas: Faial e Pico. E Artista, porque os seus componentes eram homens, que no seu quotidiano, se dedicavam a diversas actividades industriais, como serralheiros ou ferreiros, carpinteiros ou marceneiros, sapateiros, pedreiros, lavradores ou agricultores e outros mais ofícios. Nesta Vila a Filarmónica Lajense, assim se dominava então, era constituída pelas pessoas “gradas”: o administrados do concelho, o escrivão da Câmara, o Morgado, e outros mais. Entre eles, como já é sabido, o adolescente João Paulino de Azevedo e Castro, então com doze anos de idade e que viria a ser bispo de Macau. A denominação actual veio com as efervencências republicanas de 1910. Assim nos informou em devido tempo, o seu autor. Seja como for, estamos a celebrar 150 anos de actividade da primeira agremiação musical da ilha. Uma idade linda, como diz o povo. Os lajenses disso se orgulham! A Filarmónica Lajense jamais deixou de

estar presente em todos os eventos sociais, culturais e religiosos desta vila, a menos aquele período conturbado dos primeiros anos da Revolução 28 de Maio. Mas isso nem hoje é lembrado. Tem estado nos arraiais das festas de orago, nos impérios do Espírito Santo e nas procissões religiosas, nos actos fúnebres de adultos e crianças, como era habitual que hoje praticamente desapareceu. De notar que nos funerais de crianças eram tocadas valsas e não marchas graves ou fúnebres. Com a implantação da República, deu-se a cisão da Filarmónica Lajense, passando a denominar-se Liberdade Lajense, como já referi, enquanto os dissidentes organizaram a Artista Lajense, que chegou até aos anos trinta. A Liberdade Lajense quase um século andou a ensaiar em casas diversas: primeiro na antiga sala da Câmara cujo edifício existia onde hoje é o Largo General Lacerda Machado. Depois passou para uma sala da já histórica casa da Maricas Tomé, onde, mais tarde, veio a funcionar a Escola Primária. Esteve na Rua de Baixo, actual Rua de Olivença, na casa de Jacinta Trelandaia e que, depois, foi de José da Silva até que se instalou durante vários anos, numa sala do edifício da antiga moagem do Dr. José Maria de Melo e que veio a ser adquirido por Manuel Vieira Alves. Registe-se que foi aí, igualmente, a primeira sede do Clube Desportivo Lajense, fundado em 28 de Abril de 1924. Num domingo de Páscoa de 1945 (28 de Março), depois de abrilhantar a Procissão do Santíssimo, instalou-se numa das salas deste edifício, ao tempo pertencente aos herdeiros do Capitão Machado Soares. Uma surpresa para todos os tocadores e uma excelente iniciativa do Regente Francisco Moniz de Melo, que, perante o proprietário, assumira a responsabilidade do pagamento da respectiva renda. Sessenta e nove anos são decorridos. Hoje, este esplêndido edifício, depois de várias remodelações, para as quais contribuíram o Governo Regional, a Câmara Municipal e os próprios lajenses, - é um património valiosíssimo e rico que bastante valoriza e de maneira notável a Filarmónica Liberdade Lajense e a própria vila das Lajes. A Liberdade Lajense não se distingue somente pela formação musical. É uma instituição cultural que vem na tradição desta avoenga vila. Aqui se hão realizado eventos de elevada notoriedade cultural e continuarão por certo, pois, que se saiba, nunca este magnífico e grandioso edifício foi recusado a quem o solicitasse para a realização de manifestações sociais e/ou

Lajense

culturais de qualquer natureza. Lembro os jantares do Império de São Pedro, as Bienais da Baleia, promovidas pelo Governo Regional, ou até as festas carnavalescas, que tudo isso, - organizado com método e seriedade, - é também cultura. Estamos a celebrar os cento e cinquenta anos da nossa Filarmónica. Século e Meio de porfiado trabalho em louvor da cultura musical, que não só mas igualmente desta vila que, desde o seu passado de cinco séculos e meio de existência, regista orgulhosamente (passe a imodéstia do adjectivo) várias manifestações colectivas de arte e cultura. Não refiro as aulas que os frades franciscanos ministraram até ser suprimido o convento de Nossa Senhora da Conceição, desta vila, por decreto de D. Pedro, Duque de Bragança, de 17 de Maio de 1832; nem a Aula de Latim, extinta com a criação do Liceu da Horta, que iniciou o funcionamento em 1 de Outubro de 1853. Mas lembro aqui o Gabinete de Leitura, criado em 1876 por iniciativa de D. João Paulino, então estudante da Universidade de Coimbra; o Teatro Recreio Lajense, cuja primeira récita teve lugar em 23 de Junho de 1893; o Grémio Literário Lajense, criado em 1895 e que sucedeu ao Gabinete de Leitura; os jornais aqui existentes, o primeiro dos quais foi o “Lajense”, em 1899, muito embora a primeira imprensa existente na ilha do Pico fosse trazida para as Lajes em 1874, pelo professor Manuel Tomás. E recordo a antiga Orquestra Santa Cecília, fundada nos anos 30, por Gil Xavier Bettencourt; e a Tuna Lajense, organizada por Manuel Vitorino Nunes e cuja primeira audição, ainda no antigo Teatro Recreio

Lajense, teve lugar por volta de 1939. Por último, o Grupo Coral, fundado pelo notável e malogrado Maestro Manuel Emílio Porto e que, igualmente, constitui uma glória da Vila das Lajes. A Filarmónica Liberdade Lajense está de parabéns, porque, mais do que qualquer outra instituição lajense, e até mesmo picoense, conseguiu sobreviver, embora com tamanhas dificuldades, estes cento e cinquenta anos. Razão forte para que efusivamente saúde e deixe, nesta singela fala, as minhas felicitações aos actuais membros da Filarmónica Lajense e seus dirigentes; e a homenagem respeitosa e sentida a essas centenas de entusiastas que, neste século e meio, conseguiram com muito esforço e heróica dedicação, trazê-la até nós. E isso foi possível, reafirmo, porque, ao longo de tantos anos, sempre houve homens dedicados pela sua banda. Ainda hoje eles existem, e aí estão, para mantê-la com elevação e fervoroso entusiasmo: o Regente, os tocadores, os dirigentes. E também esse grupo anónimo, - os chamados carolas – que sempre existiu, e sem as sociedades dificilmente sobrevivem. Para todos, as mais respeitosas homenagens e os meus entusiásticos parabéns." 14 de Fevereiro de 2014

Ermelindo Ávila

Próxima Edição de 1 de Maio * 25 de Abril em Berkeley * Fados na Aliança Jorgense * As Capas das Rainhas de Clarinda Rosa *Noite Graciosense em San José


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HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO Segunda a Quinta Sextas-feiras Sábados Domingos

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Ricardo Vasconcelos Ricardo Vasconcelos is Assistant Professor of Wisconsin University. Education: Ph.D., Hispanic Languages and Literatures – Luso-Brazilian Literatures, with an Emphasis in Applied Linguistics, University of California – Santa Barbara. M.A. (“Mestrado”), Modern and Contemporary Portuguese Literature, University of Porto (Portugal). B.A. (“Licenciatura”), Modern Languages and Literatures – Portuguese and English, University of Porto (Portugal). Main Areas of Interest: 19th and 20th Centuries Portuguese and Brazilian Literatures (Poetry and Fic-

tion). Secondary Areas of Interest: Applied Linguistics and Multimedia Learning; African Literatures in Portuguese; Cuban Literature; Spanish Literature; Anglo-American Literature; Textual Criticism and Medieval Portuguese Poetry. Courses Taught: Portugs 104: Second-Semester Portuguese Portugs 110: Accelerated Portuguese (Course Website) Portugs 310: Advanced Grammar, Composition and Conversation Portugs 380: Luso-Brazilian Literature in Translation – Short Stories of

the Portuguese-Speaking World (Course Website) Publications: Book: Campo de Relâmpagos – Leituras do Excesso na Poesia de Luís Miguel Nava. Lisboa: Assírio e Alvim, 2009. Publication sponsored by the Portuguese Direcção Geral do Livro e da Biblioteca – Ministério da Cultura. Table of Contents (pdf) Book Chapter: “Como Vingar-se de Antologias (segundo Jorge de Sena).” Jorge de Sena: Novas Perspectivas, 30 Anos Depois. Ed. Jorge Fazenda Lourenço and Francisco Cota Fagundes. Lisboa: U. Católica Ed., 2009. 199248.

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COMUNIDADE

15 de Abril de 2014

Semana do Emigrante no Consulado em San Francisco

O Consulado de Portugal tem muito interesse que a Semana do Emigrante tenha a consistência que nunca teve. Angela Pereira da PFSA falando sobre o evento

Nuno Mathias falando sobre a importãncia da Semana do Emigrante Portuguesa proposta por Ronald Reagan, quando Governador da California

Joe Machado em representação do GPS apresentando Liduino Borba

Lino Amaral e Maria Isabel Camacho Santos

Christine Silva e Liz Mota

Carla Cardoso e duas amigas

Liduino Borba fazendo uma pré-apresentação do livro sobre o Centenário do GPS

Fotos de Nuno Sanches Silva

João Pires e Manuel Eduardo Vieira (dois bons amigos e sportinguistas ferrenhos)


COLABORAÇÃO

Temas de Agropecuária

Egídio Almeida almeidairy@aol.com

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Uma Europa sem quotas leiteiras (2)

lhando os maiores exportadores - concerteza que é razoável atribuir que os maiores Países produtores da Europa, também exportam o maior quinhão do mercado. Nessa prospectiva. Alemanha, Franca e Italia contam com 60 % da produção de queijo, de acordo com dados da Comissão Europeia. A Holanda ou “The Netherlands” e Polónia produzem um adicional de 16 % e trazem os 5 mairores mercados para mais de 75 % da fatia de produção. Na produção de manteiga, Alemanha e Franca, representam 60 %. Entretanto França e Dinamarca estão marchando em frente na produção de produto seco (leite em pó gordo) contando com 56 % da produção. França junta-se à Alemanha, Belgica/Luxemburgo e Polónia, para produzirem ¾ de todo o leite em pó magro. Entretanto, Alemanha, Holanda, o Reino Unido,

Italia e Polónia, estão na liderança na produção de produtos secos (proteínas) do soro. Mesmo com o presente sistema de quotas, a Europa tem flexionado os seus músculos na exportação de produtos do leite. Em 2011 a EU exportaram o equivalente a $11.1 biliões de dolares em produtos do leite, mais que o dobro do valor total dos Estados Unidos, que no mesmo ano foi de $4.8 biliões. Este total foi um recorde para a Europa, tal como nos Estados Unidos representou um crescimento de 14 % sobre o ano anterior. Depois das contas feitas, as exportações aumentaram 66 % na Europa entre 2000 e 2012. Mas a Europa também, tal como os Estados Unidos abriram as suas portas às importações, mas esses valores são muito baixos comparando com todo o panorama da industria de laticinios. Em 2011 as exportações para a Europa

totalizaram $841 milhões de US dolares, ou seja 8 % dos valores exportados. Segundo peritos da industria de laticinios, no pós Quotas, os Países com solidas infrastruturas e que tem sido artificialmente travados e recuando na sua produção, ganharão o maximo quando estas terminarem. A Alemanha será provávelmente o País da dianteira em 2015, segundo projectaram Ernest & Young num relatório preparado para a Comissão Europeia no passado Setembro. O estudo projeta que a Alemanha ganhará em quase todos categorias de produtos do leite, com alguns produtos destinados aos seus parceiros, Estados Unidos, e outros direccionados aos mercados mundiais.

(conclui na página 25)

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15 de Abril de 2014

Repositório Genealógico dos Açores Através do amigo Artur Tomás soubemos desta iniciativa genealógica nos Açores. Sendo um tema que hoje em dia está muito em moda, porque todos nós queremos saber quem somos, quem fomos e donde viemos, partilhamos com todos esta nota enviada pela autora Norberta Amorim, a explicar o trabalho, a quem agradecemos a atenção. "Partimos de algum trabalho já desenvolvido sobre Portugal Continental Norte, sobre algumas paróquias do Grupo Central dos Açores (ilhas do Pico e do Faial, principalmente), e muito pouco sobre outras zonas. Temos pela frente uma tarefa enorme e muito custosa, pela mão de obra especializada que implica, que só pode evoluir com parcerias múltiplas. Não nos retraímos porque consideramos ser um trabalho único para o conhecimento de quem somos. Pensamos que a contribuição de particulares não é depreciável, podendo mesmo, através de divulgação adequada, transformar-se em motor deste projeto. Por isso, encarei com otimismo a sua parceria aí, nos Estados Unidos.. Como deve ter percebido, o que fazemos não é de um clássico trabalho de genealogia. Estudamos as comunidades históricas pelo cruzamento dos seus registos de batismos, casamentos e óbitos numa base de dados central (com o acompanhamento dos percursos de vida interparoquiais) e as genealogias são geradas automaticamente. Isso já acontece para todos os que têm raízes na freguesia de S. João do Pico, cujo Repositório Genealógico encontra na nossa página. Como reparará, também pela genealogia que serve de exemplo, a de Manuel Madruga de Simas, sendo ele de S. João, encontram-se os seascendentes, quer sejam de S. João, das Lajes, de S. Roque, ou da Madalena. Pensamos em várias formas de angariar recursos para prosseguir

Va s c o

com o trabalho para as zonas ainda não cobertas. Uma delas é a inscrição de pessoas particulares com vista a uma genealogia automática que se vai enriquecendo à medida que a base de dados se vai geograficamente alargando. Dado que, em função do volume de informação a organizar, foi atribuído um valor ao trabalho de reconstituição de cada paróquia histórica, logo que tenha sido atingido um quarto dos custos, são iniciados os trabalhos, que prosseguirão de acordo com os montantes disponíveis. Como o valor mínimo da inscrição de cada particular é reduzido (100€), podendo nesse quantitativo entrar parcerias de irmãos ou primos-irmãos (neste último caso a inscrição mínima será de 150€) e a reconstuição de uma comunidade rural ronda os 12.000 € (os custos para paróquias urbanas são naturalmente mais elevados), pensamos que as redes sociais podem ser decisivas para agilizar os processo de reconstituição, esperando-se também alguma contrubuição das autarquias ou de organismos governamentais. O endereço da nossa página:

Notas Históricas

Francisco Nogueira franciscomgl@gmail.com

A renovação do Acordo das Lajes - as negociações de 1962

H

á exatos 53 anos, a 15 de março de 1961, os EUA aprovaram uma moção condenatória da política colonialista da ditadura portuguesa no Conselho de Segurança da ONU. Era a primeira vez que os EUA votavam contra Portugal. Com a chegada da administração Kennedy ao poder nos EUA, a política colonial europeia começou a ser severamente criticada. Os EUA assumiram-se como os baluartes do anti-colonialismo, tentando implantar a sua influência em África, numa altura em que a URSS estava a cimentar-se no continente através do apoio aos independentistas. Enquanto as restantes potências europeias foram cedendo à necessidade de dar a independência às suas colónias africanas, política começada logo depois do término da II Guerra, Salazar recusou a mudar a sua política para África. Para o governante, Portugal só existia e só fazia sentido com o seu Império. Aí começaram os problemas entre Portugal e a ONU, bem como com a diplomacia internacional. Neste ano de 1961, Salazar indignou-se com a atitude norte-americana de votar uma resolução contra um país seu aliado, que tinha concedido

precária e marcando, assim, a sua posição indefinida. Os EUA compreenderam que a intransigência de Salazar era real e que os EUA tinham um problema em mãos. Com a crise de Berlim e a crise de Cuba, a Guerra Fria parecia mais quente do que nunca, além disso, a URSS estava a ganhar terreno em África e Ásia e as Lajes eram necessárias para um acesso dos EUA aos vectores europeu, africano e asiático. A administração Kennedy decidiu que tinha de modificar urgentemente a sua posição na ONU face à política externa portuguesa. Foi o momento da mudança. Salazar tinha a perfeita consciência que o anti-colonialismo dos EUA era forte e de alguma forma atuante. Assim, o Presidente do Conselho de Ministros português fez uma longa lista de exigências que os EUA tinham de cumprir antes de assinar o acordo e, com isso, manteve os 2 países em permanente negociação, evitando que a administração norte-americana mudasse de novo a sua política face a Portugal. O acordo só seria renovado em 1971, já com Marcello Caetano no poder e numa fase em que o colonialismo português era fortemente criticado e cercado na

facilidades nos Açores e apoiado os intentos dos EUA em defender o mundo ocidental da URSS. Desde o Acordo dos Açores de 1944, que as relações entre ambos os países tinham entrado numa fase de maior estreitamento, consolidado com a renovação do Acordo em 1948, em 1951 e em 1957, por isso a reacção de Lisboa ao saber do voto foi de pura consternação. Ao longo de 1961 e parte de 1962, os EUA votaram sistematicamente contra o colonialismo português. O acordo de 1957, que prolongava a concessão de facilidades norte-americanas até final de 1962, estava perto do seu terminus. Os EUA iam precisar de renovar o acordo e Salazar sabia que as Lajes eram imprescindíveis à política externa de defesa americana, assim, pressentiu que tinha um trunfo nas mãos. Ia usar as Lajes para travar a política anticolonial da administração Kennedy face à África portuguesa. No dia 11 de janeiro de 1962, Salazar proibiu a utilização das Lajes por aeronaves norte-americanas, que voassem para o Congo (guerra pela independência), em serviço para a ONU. A reacção portuguesa assustou Washington, que percebeu que Portugal estava a mostrar a sua indignação. Mesmo que dias antes, em dezembro de 1961, os EUA tivessem apoiado Portugal no Conselho de Segurança da ONU, ao condenarem a invasão indiana de Goa, Damão e Diu. Contudo, o anti-americanismo estava a ganhar forma na elite política e militar portuguesa, por isso, quando, em meados de 1962, o EUA solicitaram a abertura de negociações para a renovação do acordo de 1957, Salazar mostrou-se contrário a qualquer diálogo, mas mantendo os norte-americanos nas Lajes, numa situação

ONU. Anos antes, em 1965, Salazar tinha defendido o “orgulhosamente sós”, a ideia que era preciso manter o esforço de guerra em África. Face ao facto do Papa Paulo VI ter recebido os líderes independentistas africanos, Caetano incentivou a que a Cimeira Nixon-Pompidou se realizasse nos Açores. As Lajes eram usadas pelo Estado Novo para reforçar a sua existência e fazer sentir aos EUA a importância dos Açores. Atualmente a perspetiva dos EUA ao diminuírem o nº de militares nas Lajes, despedirem 400 dos 700 portugueses que lá trabalham, tem assustado a sociedade terceirense. Durante largas dezenas de anos, a Base garantiu o emprego a milhares de locais, mudando a Ilha e afetando a estrutura socioeconómica da mesma. É importante relembrar que a Terceira foi a zona mais afectada pela concessão de facilidades e, por isso, tem de se ter em atenção aos locais. É o momento dos vários quadrantes da política regional unirem-se e falarem a uma só voz. Não é tempo de bairrismo, nem de separações, é tempo de união e de procurar o melhor para a Região Autónoma. Esta tem de ter força e fazer-se ouvir, falando tão alto quanto necessário. Não pode deixar que o centralismo de Lisboa conduza as negociações sozinha, como habitualmente tem acontecido. Estamos a falar do nosso futuro e isso tem uma prioridade intocável.

genealog.uminho.pt As informações são dadas em: genealog@reitoria.uminho.po Sobre as Ilhas do Faial e Pico estamos em condições de satisfazer de imediato encomendas de genealogias personalizadas, em suporte de papel e com a ambiência social dos ascendentes conhecidos. Essas genealogias serão objeto de um orçamento a acordar com os interessados. Agradeço todo o apoio que possa dar a este projecto.e mantenho-me disponível para responder a questões que queira colocar. Norberta Amorim Coordenadora Científica do RGN


Uma Vez por Outra

Carlos A. Reis reis0816@yahoo.com

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O que é feito do Centro Comercial Português de San Jose?

assei quase 30 anos a percorrer diàriamente o Centro Comercial Português de San José, local onde trabalhei. Hoje quando percorro o CCP, onde ainda hoje existem alguns estabelecimentos comerciais, sinto uma tristeza profunda pelo desaparecimento da nossa representação comercial que, infelizmente, não volta mais. E porque digo que não volta mais? Porque todos os comerciantes desaparecidos do nosso meio comercial, uns por terem passado à situação de reformados, outros por motivos de doença e ainda outros por terem falecido, não foram devidamente substituídos por jovens descendentes ou amigos que quisessem continuar

continuidade, a não ser que os atuais proprietários não se substituem a tempo e a horas, situação que não nos interessa uma vez mais. De imediato referir-nos-emos aos estabelecimentos ou lojas comerciais, por ordem alfabética, esperançados que a nossa memória não nos atraiçoe e omitamos algum negócio, o que desde já apresentamos as nossas desculpas. Assim: Agências de Viagens: A ’Carvalho Travel Agency’, a ‘Marcela’s Travel Agency’ que esteve localizada em 3 edifícios diferentes e com 3 proprietários também diferentes, a ‘Panorama Travel Agency’, e finalmente a ‘Portuguese Travel Center’ de que fui seu proprietário. Todas elas estão totalmente

Cafés: O ‘Café Ventura’ encerrado há muito tempo e o ‘Café do Canto’, este ainda ao serviço; Carpetes: A ‘Loja das Carpetes’. Houve 2 lojas abertas ao publico, do mesmo proprietário e em edifícios diferentes, encerreda defitivamente. Fotografias: O ‘Cristiano Photography’ ainda se encontra ao serviço. Imobiliárias: A ‘Silveira Realty’ e a ‘Jeronimo Silveira Realty’, ambas encerradas. Joalharias: A ‘Furtado’s Imports’ em vias de encerramento total, a ‘Casa Nova Imports’, está encerrada há algum tempo e finalmente a ‘Swiss Shop’ ainda aberta ao publico. O seu proprietário é suiço mas está ligado à comunidade portuguesa há

‘Sousa’s Restaurant’ e o ‘Bacalhau Grill’. Os primeiros 4 encerraram os seus serviços, mantendo-se ao serviço os dois últimos; Roupas: O ‘Dalbert Men’s Clothing’ e a ‘Loja das Noivas’, ambos encerrados. Sapatarias: A ‘Sapataria Pinheiro’ que foi encerrada há muito tempo;

os negócios que os mais antigos, pessoas experientes, ansiavam a sua continuação. O CCP não era assim tão abundante em lojas, mas o suficiente para ser frequentado por clientes locais e outros de outras paragens, quando visitavam a cidade de San José. Além disso era um ponto de referência e de encontro de amigos para um convívio social, para uma boa refeição num dos restaurantes portugueses, para um bom café, para assistir a um jogo de futebol em Portugal através da RTPi, etc.. Hoje infelizmente muitos estabelecimentos desapareceram, mas ainda temos alguns que nos dão a garantia da sua

encerradas. Na 3ª. cidade mais populosa do Estado da Califórnia, com mais de 1 milhão de habitantes, incluindo 45 mil portugueses não há uma única Agência de Viagens portuguesa. Bancos : O ‘Banco Totta & Açores’ (hoje seria o Santander Totta), o ’Banco Espírito Santo’, e o ‘Banco Comercial dos Açores’, que foi absorvido pelo ‘Banif’. Os dois primeiros encerraram definitivamente e o ultimo é o único que se mantem em funcionamento. Cabeleireiros: O ‘Salão Elegante’ e ‘Fatima’s Beauty Salon’. O primeiro encerrado já há bastante tempo, e o segundo ainda ao serviço da nossa comunidade e não só.

muitos anos, como fazendo já parte dela. Médico: Consultório do Dr. José A. Miranda que também foi encerrado. Padarias: A ‘Popular Bakery’ a mais antiga e ainda aberta ao publico e a ‘Padaria Açoriana’, encerrada temporáriamente para obras de restauração do edifício onde se encontrava situada. Peixaria: A única que sempre existiu. Teve 3 proprietários (incluindo o atual) usa o nome de ‘L&F Fishmarket’, continua ao serviço; Rádio: A ‘KSQQ’ ainda no ar e ao serviço da comunidade. Restaurantes: O ‘Restaurante Silva’, o ‘Restaurante e Gelataria Picasso’, a ‘TAMAR’, o ‘Restaurante/Café Algarve’, o

CCP e lhe davam um colorido muito especial, muito à nossa maneira. No dia 24 de Dezembro alguns ‘Pais Natais’ percorriam todo o CCP e distribuíam ‘bom bons’ e rebuçados pelas crianças. No mesmo dia, uma das nossas Bandas Filarmónicas parava em cada uma das portas dos nossos comerciantes, cumprimentando-os com uma ‘tocata’ curta, sinónimo de votos de “Natal Feliz”. Normalmente os comerciantes vinham à porta agradecer a deferência. Infelizmente tudo isto acabou, resta-nos a saudade e suplicar aos (poucos) comerciantes ainda em atividade, que não deixem acabar o pouco que resta do nosso Centro Comercial Português. Até breve !

Santos-Robinson Mortuary San Leandro

No Natal, recordo com muita saudade, as iluminações públicas, com arcos repletos de luzes multicores, que iluminavam as ruas do CCP desde a Rua 28 até à King Road. Além destas iluminações, os proprietários completavam e beneficiavam as portas dos seus estabelecimentos com iluminações particulares que embelezavam o

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GPS - 100 anos em livro

Estas são as jovens Rainhas e Aias que representarão a GPS em 1014 Marylou Lawrence cantando Fado acompanhada pelos Rouxinóis

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Jesualda Azevedo - uma habitual boa Fadista em Gustine George Costa Junior - uma certeza do Fado

Os Rouxinóis - George Costa Jr., Steve Soares, Joseph Sousa

Luís H. Nunes, Presidente da GPS 2014

Direita: Rainhas de 2013 e 2014 com as suas famílias.

Aspecto do Salão durante os Hinos Nacionais

O lançamento de um livro comemorativo de 100 anos de uma organização é sempre um dia de Festa. E foi o que aconteceu na Cidade de Gustine no dia 15 de Março. Lloyd Vieira, coordinador do livro, falou sobre as dificuldades em adquirir todos os

dados para de uma so século. Fe centenária


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No fim da festa e como sempre, a fotografia para a história

Lloyd Viera, Luís Nunes e Liduino Borba

Paulo Matos apresentou o autor do livro, referenciando algumas datas importantes do centenário do GPS

Liduino Borba, autor de 18 livros de várias temáticas

a que Liduino Borba, o autor, pudesse juntar a história ociedade rica de manifestações religiosas durante um elizmente já vem sendo comum estas manifestações as o que diz bem da história da nossa Comunidade.

Liduino Borba reuniu o evento em 672 páginas com 1209 fotografias. É um trabalho referencial para todos aqueles que querem compreender a evolução das nossas sociedades e mesmo das nossas gentes. O livro é bilingue - Português e Inglês, para

assim ter uma maior abrangência em toda a nossa comunidade. O livro teve uma venda acima das expectivas o que é sempre agradável.


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23° Aniversário da Rádio Televisão Artesia

Helder Carvalheira, Manuel Escobar e João Cardadeiro = 7 Colinas Joey Martins, um dos MC's da noite

Cheri Melo e Katrina Garcia

Mariza Medeiros

Luisa e Manuel Aguiar, MC's da Noite de Fados

Ano a ano a RTA vai promovendo este evento que é o suporte financeiro do seu dia-a-dia. Sem estas manifestações de solidariedade esta organização não poderia existir. O voluntariado implica sacrificios e entrega, e é isso que a RTA tem feito ao longo dos seus 23 anos. As nossas gentes do Sul percebem bem isso e todos os anos enchem o lindo Salão do Artesia D.E.S. que acaba sempre numa grande noite de fados. A Câmara de Artesia reconheceu como sempre a importância da RTA.

Angela Brito. Embaixo: Bruno Fonseca, vindo de Lisboa

Nemayana - um Sérvio que não fala Português mas sabe cantar o Fado


Joana Amendoeira - uma jovem e grande Fadista

COMUNIDADE

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Nuno Mathias, Cônsul de Portugal em San Francisco saudando a RTA

Steve Miranda (Tesoureiro da RTA), Ali Taj (Vereador), Miguel Canales (Vereador), Tony Lima (Mayor), Joey Martins (Pres. da RTA) e Manuel Aguiar (gerente da RTA)

Steve Miranda, Joe da Rosa, Joey Martins e Manuel Aguiar Embaixo: Os Josés da Rosa - pai e filho. Joe é o Presidente da Toyota em San Antonio, Texas e o maior patrocinador da RTA. A fabrica tem 6 mil empregados e constroi 1 truck em cada 67 segundos. Mil trucks Tundra e Tacoma por dia. Chama-se a isto produção.

Nota do editor: por ausência do editor a edição deste jornal foi feita antecipadamente, por isso só na próxima edição publicaremos a crónica desta linda festa pelo nosso correspondente no Sul da California Fernando Dutra.

Rádio Televisão Artesia (RTA), é uma organização sem fins lucrativos, dedicada sobretudo a manter a comunidade portuguesa de Artesia e cidades circunvizinhas, informadas sobre o que se passa à sua volta, com noticias e acontecimentos de praticamente todas as comunidades portuguesas, espalhadas pelos quatro cantos do mundo. RTA foi a primeira, e continua sendo a única estação Rádio-Televisiva a oferecer-vos programação em português no sul da Califórnia. A feliz ideia de transmitir programas em português para as comunidades portuguesas da Califórnia, nasceu em 1990. Os seus fundadores, David Martins e José Sive, dois estudantes da Universidade do Estado da Califórnia em Fullerton, depararam-se com imensos obstáculos e dificuldades pelo caminho que teriam de percorrer. Contudo, nada nem ninguém os desviaria do trajeto que teriam de percorrer para realizarem o seu sonho. Depois de muitas batalhas, perseverança e dedicação, conseguiram alcançar o que à partida parecia uma utopia ou miragem, conseguiram realizar o seu sonho da sua própria estação televisiva em língua portuguesa. Pouco depois conseguiram a preciosa colaboração do Sr. Fernando Dutra, na altura, correspondente do Jornal Português de San Pablo e de Marty Martin, um veterano da segunda guerra mundial. Em 19 de Outubro de 1990, o sonho tornou-se realidade e deu-se a primeira edição do então intitulado programa : "Portuguese Broadcasting Network", apresentado na KSCI, canal 18, na cidade de

Los Angeles. O programa cresceu em popularidade e aceitação publica e os seus fundadores sentiram a necessidade de alargar o tempo de antena para mais de meia hora. Com a ajuda imprescindível de Artesia, transferiram a estação para esta mesma cidade. Em pouco tempo criaram uma Direcção Administrativa e em 1992, nasceu em toda a sua plenitude, RTA. Com o conhecimento, a experiência dos seus fundadores e a liderança desta nova direcção administrativa, RTA seguia o rumo certo. Graças ao excelente relacionamento entre a cidade de Artesia e a nova Direcção Administrativa de RTA, toda a programação passou a fazer parte dos assinantes da TV Cable. A primeira Direcção serviu incessantemente até 2003, depois adoptou-se o sistema directivo de rotatividade. No seu início, RTA apresentava apenas programas diferidos de acontecimentos comunitários. Todavia, RTA cresceu, expandiu-se e começou a apresentar uma vasta gama de programas ao vivo e em directo, desde noticias, informação, desporto, documentários, cultura e uma variadíssimo arquivo de filmagens captadas por todo esse mundo. Para mais informações sobre todos os programas que transmite RTA, visite a sua página na internet. Em parceria com RTA existe um enorme grupo de patrocinadores que são indispensáveis à continuação de RTA. Em retorno a este patrocino, RTA dá o melhor que de sé tem. Para melhor informação sobre os nossos patrocinadores. in rta webpage (parcial)

Tony Lima, Nuno Mathias e Miguel Canales


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Água Viva

Filomena Rocha filomenarocha@sbcglobal.net

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udo quanto envolva o desporto, sobretudo Futebol, parece que uma espécie de magia se desprende e invade, não só nos campos onde jogam os 11 de cada equipa, mas o entusiasmo dos adeptos, que se desgarram em calorosos elogios e aplausos, em qualquer ponto de encontro, como nos cafés, restaurantes, e até nas salas de assembleia política. Eventualmente, poderá qualquer país estar em sérias dificuldades, mas em se falando de Futebol, desde que a bola role no rectângulo, tudo o mais deixa de ter importância. Diz-se até muita vez, que o futebol nasceu para distraír o Povo das crises do seu país. E nada há de melhor do que ver as gentes contentes, abanando lenços, usando cascóis da equipa favorita, erguendo bandeiras, não só do país que ama, como os estandartes do clube favorito. Chega a ser

Conferência de Imprensa

Djaló com os Irmãos Amarantes

Recepção a Djaló

uma autêntica “febre clubítica”. Devo dizer, que muito raramente tenho estado perto de grandes vedetas de Futebol, a não ser pelos grandes écrans de televisão, mas sempre achei interessante ver como se movimentam grandes multidões por uma boa distração. Terça-feira, dia 25 de Março passado, mais uma vez tive o gosto de representar o nosso Tribuna Portuguesa e foi com enorme regozijo que vi entrar na sala de imprensa o nosso querido Yannick dos Santos Djaló, que depois da sua exitosa passagem pelo Sporting e Benfica, veio dar um reforço aos Earthquakes de São José da Califórnia. “Fogo de Chão”, o novo Restaurante brasileiro em Santana Row, foi o local para o encontro da Imprensa escrita e falada, quer Portuguesa, quer Americana, com o muito jóvem Djaló. Tudo a postos na sala

privada, com os Órgãos de Comunicação Social, representantes de vários clubes locais portugueses e americanos e os mentores desta transferência: os Irmãos Jason e Taylor Amarante. Ver um jogador em campo fazer proezas com uma bola, é para mim, como ver um excelente actor em palco, representando uma determinada personagem. Assim foi a minha primeira impressão ao ver o jogador irromper adentro da sala de Imprensa. Foi-nos apresentado e eu não pude passar que não dissesse: “Djaló! Mas que niquinha de gente de quem todo o mundo fala! Em campo parece muito grande...” – Ele

riu, de forma alegre e muito simpática, e com um sorriso alvo de neve e sincero, me respondeu: “sim, eu sou essa niquinha, muito prazer!”. Eu apresentei-me e perguntei-lhe se estava feliz pela mudança. Respondeu-me que sim, que iria dar o seu melhor para que tudo corresse bem e merecer toda a confiança do seu novo clube. Depois deste breve encontro, “pessoal”, seguiu-se o momento de perguntas e respostas, quase todas breves e iguais, algumas de pura curiosidade jornalística, e logo foi servido um lauto banquete ao estilo churrasco brasileiro, com sabor Gaúcho... Uma verdadeira e abundante delícia!

Filomena Rocha gozando os prazeres de uma conferência sobre futebol

Pareceu-me feliz, e ao mesmo tempo nostálgico, este jóvem que, longe do seu ambiente de convivência, num idioma diferente, tem pela frente, como ele próprio confessou: “um grande desafio”. Tudo na vida pode ser um risco, que requer certa arte de ultrapassar os obstáculos e antes de partir, não pude deixar de lhe transmitir uma palavra de ânimo e dizer-lhe que ele aqui está mais, entre Portugueses das Nove Ilhas dos Açores, mas igualmente amigos e fervorosos adeptos de Futebol para o apoiarem. Com aquele seu largo sorriso, o famoso jogador Yannick dos Santos Djaló agradeceu-me e eu desejei-lhe as maiores Felicidades na terra do Tio Sam...

Fotos de Manuel Mendes


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Falecimento

Do Tempo e dos Homens

António Salvador Antonio "Tony" Feliciano Salvador June 9, 1949 ~ March 12, 2014

Tony Salvador, 64, died on March 12, 2014 at home with his family by his side. Tony was born on June 9, 1949 in the Azores to John and Palmira Salvador. He came to the U.S. in 1958 and lived a full and adventurous life. After serving in the Navy during the Vietnam war, Tony married and settled in Hilmar, California, where he established a business and was an active member both in his town community and his church community. He had a zest for life and was passionate about his many hobbies. He lived vicariously through himself. Most important to him was his wife Mary of 43 years, his family, and his friends. He is survived by his wife, Mary M. Salva-

dor of Hilmar, CA. Son, Tony Feliciano Salvador, Jr. and his wife Monica of Turlock. 2 Daughters, Polly Ann Martin and her Husband Jason of Livingston, Michelle Lee Seugling and her husband Richard of Livermore. 5 Grandchildren, Candice, Avery, Emma, Ty and Lia. Tony is preceded in death by his father, John and his mother Palmira, his sister Mary Alice Saude. Visitation was from 1:00 to 5:00 PM, Monday, March 17, 2014 at Whitehurst, Norton & Dias Funeral Chapel, 286 W. Main St., Turlock, CA. Vigil & Rosary: 7:00 PM, March 17, 2014 at Our Lady of the Assumption Catholic Church, 2602 S. Walnut Rd. Turlock, CA. Mass of Christian Burial: 10:00 AM, March 18, 2014 at Our Lady of the Assumption Catholic Church, 2602 S. Walnut Rd., Turlock, CA. Burial following the mass to North Hilmar Cemetery District, 8710 N. Tegner Ave., Hilmar, CA. In lieu of flowers, remembrances can be made in Tony's memory to: Our Lady of the Assumption Church Building Fund, P. O. Box 2030, Turlock CA 95381. Arrangements under the direction of Whitehurst, Norton & Dias Funeral Service, Turlock, CA. (209)634-4904, www.whitehurstnortondiasfunerals.com. Tribuna Portuguesa lembra com saudade toda a ajuda que Tony Salvador nos prestou oferecendo sempre as suas lindas fotografias para embelezar as nossas páginas, sempre que as solicitámos. Enviamos sentidas condolências a toda a famíla enlutada. O nosso obrigado a Whitehurst, Norton & Dias Funeral Services.

Você vai ao Campeonato do Mundo no Brasil?

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Em Salvador, Bahia,Brazil onde a Selecção de Portugal vai realizar os seus jogos. Tem 3 quartos, sala, cozinha, 2 banheiros, piscina, churrasqueira e fica a 50 metros da Praia de Itapúa em condomínio fechado. O valor do aluguer é por temporada, mas como é para a Copa do Mundo fica por $300.00 dólares diários para 2 casais. Quem tiver interessado pode contactar aqui na California pelo telefone 209-605-2518 e em Salvador 1-7133721709 falar com Lorena Veruska.

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Manuel Calado mbcalado@aol.com

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O Pá da Galileia

ois cá estou, amigos, depois de uns breves banhos de sol, onde o sol gosta de estar. Na Florida. Sol, e chuva. Pois sem o elixir mágico da Natureza, as areias marinhas daquela nesga de território, nada criariam. E quando a chuva cai, cai a potes. E com frequência. Não há serras nem colinas. Nem subidas nem descidas. É uma planicie sólida que um dia terá sido chão de mar. Não há muralhas à beira da costa. Simplesmente areia branca que se estende pelo mar dentro, e quando as ondas chegam a terra, vêm já quebradas e mansas. O mar continua a borbulhar debaixo da areia que já foi seu leito. O fundo de um buraco feito à mão, com um metro de fundura, bate-lhe nas costas. Daí a presença de milhões de lagos, laguinhos, pantanos e lagoas, onde reina o crocodilo e uma cobra gigante, que já vi em filme, engolindo um desses animais. No restaurante Ana Capri, do Victor Silva, que, quando residiu em New Jersey, ”caçou” uma prima minha da Bairrada, lá estivemos saboreando uma pizza, especialidade da casa e conversando sobre coisas da terra e da familia. O Ana Capri fica à beira da avenida principal de Cocoa Beach, que faz parte da estrada A-l, que se prolonga ao longo da costa até Miami. Vale a pena dar um passeio romântico ao longo desta

via de trânsito, de menor movimento do que a comercial 95, para admirar, os palacetes de milionários que existem ao longo desta estrada. Desta vez, encontrei um novo restaurante lusitano a funcionar perto da comunidade de Viera, que os proprietários, Henrique e Maria Sousa, apelidaram de “Vulcano Restaurant”, ou Restaurante Vulcão. Este casal, oriundo de S. Miguel, Açores, viveu algum tempo em New Bedford, mudou-se depois para a California, por lá estiveram uns anos, até resolverem tentar a sorte na Florida. Na California, foram donos de uma padaria e restaurante. Na Florida, trabalharam ambos por vinte anos na industria electrónica, criaram os filhos, e ao fim desse tempo resolveram voltar à cozinha, à caçoila açoriana, à massa sovada e outras tradicões culinárias açorianas, na comunidade de Rocklede. Acerca do nome vulcânico que deram à casa, explicou Maria, que a sugestão foi dos filhos, recordando a origem vulcânica dos Açores. Quanto ao tipo de culinária, disse que esta lhe fora incutida por sua mãe e sua sogra, e que esta se baseia na tradição açoriana, nomeadamente a caçoila, a massa sovada e as malassadas, três elementos fundamentais, sem os quais, o acoriano, não funciona. Só falta agora fazer em Rockledge,

uma festa ao Senhor Espirito Santo, para a tradição ficar completa. Pela terceira vez, fui ao famoso circo internacional que funciona no Disney land. Fui com pessoas que nunca lá tinham ido, mas para mim chegou. Não vi nada de novo que me despertasse a atenção. Tudo números que há anos estão repetindo. Tenho visto coisas com mais classe, que o meu amigo Adalino e a cunhada Zalinha, fazem o favor de me enviar com frequência e que eu retransmito aos “sócios” do clube da Internete. Coisas realmente fantásticas, que só verdadeiros artistas e acrobatas são capazes de realizar. Quanto aos programas religiosos na televisão, a Segunda Vinda do meu PÁ da Galileia, é um tema obrigatório dos prégadores televisisos. Lá vi de novo a simpática pastora, que oferece casas e automóveis aos seus fregueses e pede que lhe mandem a marca e cor do carro e do tipo de casa que desejam. Ela iria entrar em contato electrónico com o meu Pá da Galileia, e pedir os seus bons oficios. E julgavam os amigos que era só eu que conversava com Ele. E com 600 palavras, daqui não arredo pé, e peço ao Frasncisco do PT, que por caridade me dê uma letrinha legível, para os meus leitores nonagenários não forçarem muito a precária vista.


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Reflexões Taurinas

Joaquim Avila

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bravoi3@sbcglobal.net

uando o telefono tocou, vi de imediato que a chamada era de Arcata do Norte da California. Como não conhecia ninguém em Arcata pensei que seria um numero enganado e tive quase a ignorar a chamada, mas sempre decidi atender. Graças a Deus que assim o fiz, porque do outro lado da linha chamava uma senhora muito simpática que se identificou como Maria Janeiro. Ela informou-me que tinha visto a ultima fotografia publicada no jornal, de uma tourada à corda, e que o lugar era São João de Deus, pois morava ali perto e era na casa da fotografia que via os touros. Essa casa viria a ser a casa do filho do antigo ganadeiro António da Rocha. Esta senhora nasceu nas Lajes mas logo muito nova foi viver para São João de Deus até emigrar para Arcata em 1968. A senhora Maria não tinha a certeza do ano que a fotografia foi tirada mas sabia que tinha sido muitos anos antes de ter emigrado. Depois de falar com alguns amigos, chegamos à conclusão que a fotografia talvez seria dos anos 40, devido à informação da senhora Maria e da maneira como as pessoas estão vestidas na fotografia. Para mim esta chamada foi realmente fantástica porque fiquei a saber o lugar da fotografia e porque tivemos uma conversa simpatiquíssima, falando de tempos antigos. Sentia-se uma alegria grande na voz da senhora Maria, com uma bonita pronúncia terceirense, ao falar dos tempos que vivia na Terceira e no seu saudoso marido. Falamos de touros, freguesias e de pessoas que nós os dois conheciamos. Também compartilhou comigo as saudades que sentia da sua terra, principalmente na Segunda-Feira dos touros à corda da sua freguesia. Tudo isto pela publicação, do que parecia a ser uma

simples fotografia, mas que afinal nos fez reviver o passado e que nos deixou a alma quente ao falar da nossa terra e dos nossos. É precisamente por isto que tenho este empenho de colecionar estas pequenas relíquias da nossa saudosa terra e da tauromaquia da ilha mais taurina do mundo. Normalmente quando tenho alguma duvida sobre alguma fotografia antiga, o meu primeiro ponto de contacto é sempre o meu amigo Dimas Alves. Ele tem a maior coleção de fotografias antigas de touradas na Terceira que conheço. É na verdade um verdadeiro museu taurino, onde cada fotografia capta momentos importantíssimos da rica história da tauromaquia terceirense. Já passámos horas sem fim a falar dessas fotografias, e admito com prazer, que muito aprendi sobre touros famosos e acontecimentos importantes de touradas à corda da nossa terra. Também tive o prazer de conversar com vários amigos na tenta do Joe Parreira sobre a primeira fotografia que tinha sido publicada. Havia várias teorias, mas sem certezas algumas. Depois de algum tempo, informei-lhes que tinha recebido um email da Terceira a informar que a fotografia era na Feteira e dos primeiros 25 anos do século passado. Segundo parece, estas fotografias têm despertado muita curiosidade tanto na California, como na Terceira. Por isso mesmo, e pela curiosidade que tenho de saber o lugar das freguesias, sempre que poder, irei publicar mais fotografias para continuarmos a reviver o passado. Á senhora Maria Janeiro e a todas as pessoas que tentaram identificar as fotografias, o nosso sincero obrigado. Peço-lhes que continuam sempre com a vossa colaboração e que continuem a falar de touros e touradas. A bem da festa brava

TAUROMAQUIA

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Reviver o Passado

Nova fotografia: digam-nos o lugar, ano, toiro ou ganadero.

São João de Deus, anos 40

Quarto Tércio

José Ávila josebavila@gmail.com Já no passado manifestei a minha tristeza sempre que sei que vai haver corridas na California com 2 artistas apenas. Isto não acontece em Portugal, em Espanha, no Peru, na Colombia, na França. Porquê inventar a roda na California? Porque é que fazemos isto? E mais vos digo - nenhum artista gosta de tourear 3 touros, nenhum aficionado gosta disso, ninguém que vai aos toiros gosta de ver artistas tourearem três toiros. Fica-se cansado de ver sempre o mesmo. Que pena que responsáveis das nossas organizações façam isso. Desconhecimento? Não são aficionados? Que pena. O trabalho de matadores e cavaleiros é muito mais cansativo do que aquilo que pensamos. Exigir que toureiem 3 toiros é um atentado à causa da festa brava e à segurança do próprio artista.

Tourada na Feteira, possívelmente no primeiro quartel (25 anos) do século passado

SANJOANINAS 2014 Um Cartel de Luxo. A melhor Feira Taurina de Portugal

ver cartel na página 12


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15 de Abril de 2014

Se conhece alguém que está procurando comprar ou vender casa nós gostaríamos de ter a oportunidade de ajudá-lo a atingir os seus objectivos imobiliários.


DESPORTO

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Benfica quase quase Campeão Sporting forte no 2° lugar CLASSIFICAÇÃO da I LIGA J V E D G P 1Benfica 25 20 4 1 48-15 64 2Sporting 25 17 6 2 47-17 57 3FC Porto 25 15 4 6 45-20 49 4Estoril 25 12 7 6 36-24 43 5Nacional 25 9 11 5 35-28 38 6SC Braga 25 9 5 11 34-31 32 7Académica 25 8 8 9 18-26 32 8V. Guimarães 25 9 4 12 25-26 31 9Rio Ave 25 8 7 10 20-25 31 10Marítimo 25 8 7 10 34-40 31 11V. Setúbal 25 8 6 11 32-37 30 12Gil Vicente 25 7 6 12 22-33 27 13Arouca 25 6 7 12 24-36 25 14P. Ferreira 25 6 5 14 25-46 23 15Belenenses 25 3 9 13 13-30 18 16Olhanense 25 4 6 15 16-40 18

Braga 0 Benfica 1

Cada vez mais primeiro

Liga 2 J V E D G P 1Porto B 36 20 7 9 47-33 67 2Moreirense 36 17 15 4 59-23 66 3Benfica B 36 18 9 9 71-45 63 4Penafiel 36 15 17 4 37-20 62 5Portimonense 36 17 8 11 49-40 59 6Sporting B 36 17 7 12 48-41 58 7Aves 36 16 10 10 34-27 58 8Tondela 36 15 10 11 37-29 55 9Chaves 36 15 8 13 47-50 53 10Académico 36 15 6 15 39-30 51 11União 36 13 7 16 45-42 46 12Farense 36 12 10 14 36-38 46 13Beira-Mar 36 12 9 15 36-41 45 14Feirense 36 9 17 10 35-40 44 15Covilhã 36 12 6 18 31-44 42 16Braga B 36 11 8 17 40-50 41 17Marítimo B 36 11 8 17 30-42 41 18Leixões 36 11 7 18 39-51 40 19Santa Clara 36 10 8 18 31-40 38 20Oliveirense 36 10 8 18 47-66 38 21Trofense 36 8 12 16 31-60 36 22Atlético 36 8 11 17 29-46 35

Egidio Almeida (conclusão da página 11) As projeções estão misturadas para o futuro da França que agora ocupa o segundo lugar na escala produtiva. Entretanto o terceiro maior produtor do Continente, o Reino Unido está projetando que esperimentará uma significante descida em todos os produtos e categorias. A Irlanda será um interessante mercado para apreciar. Cientistas irlandeses indicam muitas semelhanças, entre e Irlanda e Nova Zelândia devido aos dois basearem a sua produção no uso das pastagens. Aqui o potencial poderá ser real - nos passados 13 anos os numeros de vacas por cada exploração subiu de 37 para 60, mesmo com as melhores projeções; a Irlanda conta apenas com 4 % da produção europeia e está presentemente empatada para numero 7 neste bloco de 28 Nações. Em conclusão, este relatório da Ernest & Young não está projetando uma subida subtancial na produção de leite na “pós quota” Europa. Parte desses ganhos incluindo a subida no numero de vacas em

2012, já estão acontecendo em anticipação a esse acontecimento, projetou a União Europeia, na sua projeção dos mercados de 2012, mesmo assim com ganhos de apenas 2 % terão que encontrar outro mercado. A Comissão Europeia projeta que esta extra produção será transformada em queijo, que analistas calculam em 10.7 milhões de toneladas métricas para o ano 2023. Deste total as exportações contarão com um milhão de toneladas metricas, se tanto, e apresentariam um crescimento 1.1 % nos próximos 10 anos em comparação com 1.6 % de crescimento anual da ultima década.

O SL Benfica venceu fora o SC Braga por 1-0 e repôs a diferença no topo da Liga portuguesa a cinco jornadas do fim da Liga portuguesa, ao passo que o FC Porto averbou a sexta derrota na prova, 2-1, na deslocação ao terreno do CD Nacional. O golo 12 de Lima na presente edição da Liga portuguesa e 100 no campeonato, logo aos 13 minutos, bastou para a equipa de Jorge Jesus passar a somar 64 pontos e manter os sete de vantagem relativamente ao Sporting Clube de Portugal, vitorioso no sábado. Melhor marcador do Benfica, Lima aproveitou da melhor maneira um cruzamento de Rodrigo na esquerda para bater Eduardo no limite da pequena área, perante a passividade da defesa do Braga. O triunfo dos "encarnados" – o oitavo seguido na prova – podia ter sido maior, mas o guarda-redes do Braga defendeu uma grande penalidade de Rodrigo nos descontos e a recarga de Eduardo Salvio saiu por cima da trave. Na Madeira, o Nacional cimentou o 5º posto, de acesso à UEFA Europa League, ao vencer o campeão Porto, terceiro da tabela. Daniel Candeias levou o Nacional a vencer para o intervalo, na sequência de um pontapé bem colocado à entrada da

área aos 19 minutos, mas o empate chegou a abrir o segundo tempo, por Jackson Martínez. No entanto, quase de imediato, aos 48, Mário Rondon voltou a colocar os "alvi-negros" na frente do marcador e o defescho não mais se alterou. O Porto, agora a 15 pontos do Benfica e a oito do Sporting, desperdiçou ainda uma grande penalidade perto da hora de jogo, quando a tentativa de Ricardo Quaresma acertou no poste. Nos outros jogos de domingo, o Estoril Praia perdeu em casa com o Rio Ave FC por 1-0. Apesar do desaire, a equipa de Marco Silva, que falhou um castigo máximo perto do fim por João Pedro Galvão, continua tranquila no quarto lugar, enquanto os vilacondenses subiram ao 9º. A A. Académica de Coimbra ascendeu à 7ª posição e deixou o SC Olhanense na cauda da classificação ao vencer perante os seus adeptos, por 2-1, com duas grandes penalidades apontadas por Marco Paulo. O FC Arouca ganhou por 1-0 ao Vitória FC e manteve 13º posto, mas está agora cinco pontos acima da zona de despromoção, ao passo que o Setúbal é 12º. Em Barcelos, o jogo entre Gil Vicente FC e CS Marítimo terminou 1-1 porque a formação anfitriã falhou um penalty, a abrir a segunda parte, por Hugo Oliveira.

Sporting 1 Guimarães 0

O Sporting Clube de Portugal encurtou provisoriamente para quatro pontos a diferença em relação ao SL Benfica, líder da Liga portuguesa, ao bater em casa o Vitória SC por 1-0. No único encontro da 25ª jornada realizado no sábado, um golo do defesa-central argentino Marcos Rojo, três minutos depois do intervalo, ofereceu o terceiro triunfo seguido na prova aos "leões". O remate de Rojo no limite grande área, à meia-volta, desviou em Moreno e traiu o guarda-redes

Douglas Jesus, permitindo à equipa de Leonardo Jardim manter-se firme no segundo lugar com mais oito pontos do que o FC Porto e pressionar o rival de Lisboa antes de este defrontar fora o SC Braga, no domingo. Quanto ao Guimarães, registou o sexto desafio sem ganhar e a quarta derrota nessa série, pelo que continua no 7º lugar. A ronda começou na sexta-feira, dia em que CF Os Belenenses e FC Paços de Ferreira empataram 1-1 no Estádio do Restelo, palco

da presente edição da final da UEFA Women's Champions League. Bebé (53) adiantou o Paços, mas Tiago Caeiro (69) resgatou um ponto à equipa de Lisboa, resultado que a tirou provisoriamente do último lugar, embora em igualdade pontual com o SC Olhanense. Quanto à formação de Jorge Costa, somou o terceiro encontro sem perder e ocupa o 13º lugar, cinco pontos acima da zona de descida de divisão.

in uefa.com


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CULTURA

15 de Abril de 2014

As Portas que Abril abriu José Carlos Ary dos Santos Era uma vez um país onde entre o mar e a guerra vivia o mais infeliz dos povos à beira-terra. Onde entre vinhas sobredos vales socalcos searas serras atalhos veredas lezírias e praias claras um povo se debruçava como um vime de tristeza sobre um rio onde mirava a sua própria pobreza. Era uma vez um país onde o pão era contado onde quem tinha a raiz tinha o fruto arrecadado onde quem tinha o dinheiro tinha o operário algemado onde suava o ceifeiro que dormia com o gado onde tossia o mineiro em Aljustrel ajustado onde morria primeiro quem nascia desgraçado. Era uma vez um país de tal maneira explorado pelos consórcios fabris pelo mando acumulado pelas ideias nazis pelo dinheiro estragado pelo dobrar da cerviz pelo trabalho amarrado que até hoje já se diz que nos tempos do passado se chamava esse país Portugal suicidado. Ali nas vinhas sobredos vales socalcos searas serras atalhos veredas lezírias e praias claras vivia um povo tão pobre que partia para a guerra para encher quem estava podre de comer a sua terra. Um povo que era levado para Angola nos porões um povo que era tratado como a arma dos patrões um povo que era obrigado a matar por suas mãos sem saber que um bom soldado nunca fere os seus irmãos. Ora passou-se porém que dentro de um povo escravo alguém que lhe queria bem um dia plantou um cravo. Era a semente da esperança feita de força e vontade era ainda uma criança mas já era a liberdade. Era já uma promessa era a força da razão do coração à cabeça da cabeça ao coração. Quem o fez era soldado homem novo capitão mas também tinha a seu lado muitos homens na prisão.

uma pistola guardada nas dobras da sua opção uma bala disparada contra a sua própria mão e uma força perseguida que na escolha do mais forte faz com que a força da vida seja maior do que a morte. Quem o fez era soldado homem novo capitão mas também tinha a seu lado muitos homens na prisão. Posta a semente do cravo começou a floração do capitão ao soldado do soldado ao capitão. Foi então que o povo armado percebeu qual a razão porque o povo despojado lhe punha as armas na mão. Pois também ele humilhado em sua própria grandeza era soldado forçado contra a pátria portuguesa. Era preso e exilado e no seu próprio país muitas vezes estrangulado pelos generais senis. Capitão que não comanda não pode ficar calado é o povo que lhe manda ser capitão revoltado é o povo que lhe diz que não ceda e não hesite - pode nascer um país do ventre duma chaimite. Porque a força bem empregue contra a posição contrária nunca oprime nem persegue - é força revolucionária!

Foi esta força viril de antes quebrar que torcer que em vinte e cinco de Abril fez Portugal renascer. E em Lisboa capital dos novos mestres de Aviz o povo de Portugal deu o poder a quem quis. Mesmo que tenha passado às vezes por mãos estranhas o poder que ali foi dado saiu das nossas entranhas. Saiu das vinhas sobredos vales socalcos searas serras atalhos veredas lezírias e praias claras onde um povo se curvava como um vime de tristeza sobre um rio onde mirava a sua própria pobreza. E se esse poder um dia o quiser roubar alguém não fica na burguesia volta à barriga da mãe. Volta à barriga da terra que em boa hora o pariu agora ninguém mais cerra as portas que Abril abriu.

Foi então que Abril abriu as portas da claridade e a nossa gente invadiu a sua própria cidade.

Essas portas que em Caxias se escancararam de vez essas janelas vazias que se encheram outra vez e essas celas tão frias tão cheias de sordidez que espreitavam como espias todo o povo português.

Disse a primeira palavra na madrugada serena um poeta que cantava o povo é quem mais ordena.

Agora que já floriu a esperança na nossa terra as portas que Abril abriu nunca mais ninguém as cerra.

E então por vinhas sobredos vales socalcos searas serras atalhos veredas lezírias e praias claras desceram homens sem medo marujos soldados «páras» que não queriam o degredo dum povo que se separa.

Contra tudo o que era velho levantado como um punho em Maio surgiu vermelho o cravo do mês de Junho.

E chegaram à cidade onde os monstros se acoitavam era a hora da verdade para as hienas que mandavam a hora da claridade para os sóis que despontavam e a hora da vontade para os homens que lutavam. Em idas vindas esperas encontros esquinas e praças não se pouparam as feras arrancaram-se as mordaças e o povo saiu à rua com sete pedras na mão e uma pedra de lua no lugar do coração.

Dizia soldado amigo Esses que tinham lutado meu camarada e irmão a defender um irmão este povo está contigo esses que tinham passado nascemos do mesmo chão o horror da solidão trazemos a mesma chama esses que tinham jurado temos a mesma ração sobre uma côdea de pão dormimos na mesma cama ver o povo libertado comendo do mesmo pão. Pessoa do terror da opressão. Fernando Camarada e meu amigo soldadinho ou capitão Não tinham armas é certo este povo está contigo mas tinham toda a razão quando um homem morre a malta dá-te razão. perto tem de haver distanciação

esta ausência de suspiros esta fúria de viver este mar de vozes livres sempre a crescer a crescer que das espingardas fez livros para aprendermos a ler que dos canhões fez enxadas para lavrarmos a terra e das balas disparadas apenas o fim da guerra.

Foi esta força sem tiros de antes quebrar que torcer

Quando o povo desfilou nas ruas em procissão de novo se processou a própria revolução. Mas eram olhos as balas abraços punhais e lanças enamoradas as alas dos soldados e crianças. E o grito que foi ouvido tantas vezes repetido dizia que o povo unido jamais seria vencido. Contra tudo o que era velho levantado como um punho em Maio surgiu vermelho o cravo do mês de Junho. E então operários mineiros pescadores e ganhões marçanos e carpinteiros empregados dos balcões mulheres a dias pedreiros reformados sem pensões dactilógrafos carteiros e outras muitas profissões souberam que o seu dinheiro era presa dos patrões. A seu lado também estavam jornalistas que escreviam actores que se desdobravam cientistas que aprendiam poetas que estrebuchavam cantores que não se vendiam mas enquanto estes lutavam

é certo que não sentiam a fome com que apertavam os cintos dos que os ouviam. Porém cantar é ternura escrever constrói liberdade e não há coisa mais pura do que dizer a verdade. E uns e outros irmanados na mesma luta de ideais ambos sectores explorados ficaram partes iguais. Entanto não descansavam entre pragas e perjúrios agulhas que se espetavam silêncios boatos murmúrios risinhos que se calavam palácios contra tugúrios fortunas que levantavam promessas de maus augúrios os que em vida se enterravam por serem falsos e espúrios maiorais da minoria que diziam silenciosa e que em silêncio fazia a coisa mais horrorosa: minar como um sinapismo e com ordenados régios o alvor do socialismo e o fim dos privilégios. Foi então se bem vos lembro que sucedeu a vindima quando pisámos Setembro a verdade veio acima. E foi um mosto tão forte que sabia tanto a Abril que nem o medo da morte nos fez voltar ao redil. Ali ficámos de pé juntos soldados e povo para mostrarmos como é

que se faz um país novo. Ali dissemos não passa! E a reacção não passou. Quem já viveu a desgraça odeia a quem desgraçou. Foi a força do Outono mais forte que a Primavera que trouxe os homens sem dono de que o povo estava à espera. Foi a força dos mineiros pescadores e ganhões operários e carpinteiros empregados dos balcões mulheres a dias pedreiros reformados sem pensões dactilógrafos carteiros e outras muitas profissões que deu o poder cimeiro a quem não queria patrões. Desde esse dia em que todos nós repartimos o pão é que acabaram os bodos - cumpriu-se a revolução. Porém em quintas vivendas palácios e palacetes os generais com prebendas caciques e cacetetes os que montavam cavalos para caçarem veados os que davam dois estalos na cara dos empregados os que tinham bons amigos no consórcio dos sabões e coçavam os umbigos como quem coça os galões os generais subalternos que aceitavam os patrões os generais inimigos os generais garanhões teciam teias de aranha e eram mais camaleões que a lombriga que se amanha com os próprios cagalhões. Com generais desta apanha já não há revoluções. Por isso o onze de Março foi um baile de Tartufos

Apenas Duas Palavras

uma alternância de terços entre ricaços e bufos. E tivemos de pagar com o sangue de um soldado o preço de já não estar Portugal suicidado.

Diniz Borges d.borges@comcast.net Hoje é só Abril jose avila

Fugiram como cobardes e para terras de Espanha os que faziam alardes dos combates em campanha. E aqui ficaram de pé capitães de pedra e cal os homens que na Guiné aprenderam Portugal. Os tais homens que sentiram que um animal racional opõe àqueles que o firam consciência nacional. Os tais homens que souberam fazer a revolução porque na guerra entenderam o que era a libertação. Os que viram claramente e com os cinco sentidos morrer tanta tanta gente que todos ficaram vivos. Os tais homens feitos de aço temperado com a tristeza que envolveram num abraço toda a história portuguesa. Essa história tão bonita e depois tão maltratada por quem herdou a desdita da história colonizada. Dai ao povo o que é do povo pois o mar não tem patrões. - Não havia estado novo nos poemas de Camões! Havia sim a lonjura e uma vela desfraldada para levar a ternura à distância imaginada. Foi este lado da história que os capitães descobriram que ficará na memória das naus que de Abril partiram das naves que transportaram o nosso abraço profundo aos povos que agora deram novos países ao mundo. Por saberem como é ficaram de pedra e cal capitães que na Guiné descobriram Portugal. E em sua pátria fizeram o que deviam fazer: ao seu povo devolveram o que o povo tinha a haver: Bancos seguros petróleos que ficarão a render ao invés dos monopólios para o trabalho crescer. Guindastes portos navios e outras coisas para erguer antenas centrais e fios dum país que vai nascer. Mesmo que seja com frio é preciso é aquecer pensar que somos um rio que vai dar onde quiser pensar que somos um mar que nunca mais tem fronteiras e havemos de navegar de muitíssimas maneiras. No Minho com pés de linho no Alentejo com pão

no Ribatejo com vinho na Beira com requeijão e trocando agora as voltas ao vira da produção no Alentejo bolotas no Algarve maçapão vindimas no Alto Douro tomates em Azeitão azeite da cor do ouro que é verde ao pé do Fundão e fica amarelo puro nos campos do Baleizão. Quando a terra for do povo o povo deita-lhe a mão! É isto a reforma agrária em sua própria expressão: a maneira mais primária de que nós temos um quinhão da semente proletária da nossa revolução. Quem a fez era soldado homem novo capitão mas também tinha a seu lado muitos homens na prisão. De tudo o que Abril abriu ainda pouco se disse um menino que sorriu uma porta que se abrisse um fruto que se expandiu um pão que se repartisse um capitão que seguiu o que a história lhe predisse e entre vinhas sobredos vales socalcos searas serras atalhos veredas lezírias e praias claras um povo que levantava sobre um rio de pobreza a bandeira em que ondulava a sua própria grandeza! De tudo o que Abril abriu ainda pouco se disse e só nos faltava agora que este Abril não se cumprisse. Só nos faltava que os cães viessem ferrar o dente na carne dos capitães que se arriscaram na frente. Na frente de todos nós povo soberano e total que ao mesmo tempo é a voz e o braço de Portugal. Ouvi banqueiros fascistas agiotas do lazer latifundiários machistas balofos verbos de encher e outras coisas em istas que não cabe dizer aqui que aos capitães progressistas o povo deu o poder! E se esse poder um dia o quiser roubar alguém não fica na burguesia volta à barriga da mãe! Volta à barriga da terra que em boa hora o pariu agora ninguém mais cerra as portas que Abril abriu!


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ENGLISH SECTION

15 de Abril de 2014

SERVING THE PORTUGUESE–AMERICAN COMMUNITIES SINCE 1979

Mais Lúcia Soares

portuguese

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luciasoares@yahoo.com A recent transplant to Silicon Valley, mom and program coordinator

Luisa Baltazar:

“Be true to yourself. Always. Then forever more.” Incredible energy, passion, and enthusiasm for life -- this is Luisa Baltazar, a recent Portuguese immigrant who is paving the way in terms of leadership and inspiration for her family and many others in our community. This interview really captures the essence of his young woman whose story can serve to inspire many whose dreams are multifaceted and whose reality drives many others to be mais. Tell us a little about your background. I was born in Lisbon and my childhood was spent in the suburbs in one of those typical small cities where everyone knows everyone, everyone attends the same school. In those days the world seemed not to exist outside of our happy days of unsupervised playing in the street. I was lucky enough to have a family from Alentejo’s Costa Vicentina, namely Zambujeira do Mar and it was indeed this small, small and beautiful village right by the sea and its people that shaped me into who I am today. This was where my uncle who was a veterinarian, would take me to witness a calf or sheep being born. Where my other uncle, as a farmer and horse breeder, would teach me how to ride a horse on the fields or on the beach. Where my aunt Fátima taught me all about the love of cooking and growing any vegetables. Where the fishermen at the docks would teach me how to catch, gut and clean a fish and where my old, old auntie would take me on the processions to the village church overlooking the sea. And last but definitely not least, it was here that my amazing and loving Grandmother Maria Angelina shaped and filled my childhood with loving care and happy tender memories for a lifetime. My sister who is only 2 years older and therefore remembers our childhood under the same light, carries the family name, Angelina, by tradition of being the oldest. This to her dismay as a teenager but finally to her pride now as a grown woman. I always envied her a little bit for many reasons but mostly for carrying that amazing woman’s name that was my Grandmother. I have to admit though that she does live up to it. My sister and I are closer now than ever before. What did you choose to study and how did you launch your career? How did marriage and starting a family have an impact on your career? It is funny how life sometimes throws a curve ball at you but as long as you embrace new challenges and opportunities never regretting your choices at the time, the results can be amazing.

I am a proud high school graduate. Having started working at age 16 to support myself, college was not an immediate option even if it were my desire and had to be set as goal for the future. Early on I always, always knew (with that heartfelt certainty in life that only a teenager can have) that I wanted to study Psychology. In my early 20’s I ended up working at a HR Recruitment Department in a bank where I was in heaven handling all those assessment tests and learning so much about how to apply my field of preference to a career. A year later the bank approved endorsement for my college tuitions to attend HR Management. While finishing up my admission exams I got an amazing job offer by my former director to go work for this crazy, high demanding and intense Marketing VP at a software company as his Executive Assistant. Hard decision: Safety vs Adventure… Well, but if you are not adventurous at 27 when will you be? So I took that job in Marketing. That visionary VP turned out to be my best mentor to this day, that software company was where I met my husband and that VP became the CEO of OutSystems and the reason why I moved to the USA in support of my husband’s career developing the business here in the US market. That day when I accepted a new adventurous challenge was the day I set in motion the wheels to end up in this amazing country where I raised a family with my 2 children and where I became a better person and a better mother for my kids. This is also the country where I recently finished a Certificate Program at UC Berkeley Extension learning how to apply psychology and introspection skills to better understand people and what drives them to value a business, a brand or a product. Describe your current work and involvement in community leadership activities. Please highlight how your life experiences have either shaped your leadership or helped you become who you are. After moving to the USA with a 3-year old child and pregnant with the second one, being a stay at home mom was the right choice for me and my family. During that time I got to teach Art Classes at my daughter’s school for 3 years, I joined the PTA and did my share of volunteering at my kids’

schools and I joined the Event Committee for a non-profit organization that helps children and adults with disabilities, Gatepath Community. A little bit over a year ago and with my youngster achieving a new level of independence at age 5, I began working as a Program Coordinator for Leadership Business Consulting. This has been an amazing opportunity, especially being a Portuguese company based in Lisbon. Our firm works with Portugal Ventures, one of the leading Portuguese VC firms and we manage their start-up accelerator office in San Francisco. LBC also manages and organizes an entrepreneurial program, Global Strategic Innovation International Executive Program, which has brought more than 190 top executives and entrepreneurs from the Portuguese speaking countries to the Bay Area. Finally, LBC’s strong connection with the Portuguese Government has led to initiatives with the Presidency of the Portuguese Republic, the Ministry of Economy and Innovation, the Portuguese Consulate in San Francisco and the Portuguese Agency for Trade and Investment (AICEP) that are of major relevance to the Portuguese community in the Bay Area and Central Valley. I am a strong believer in building bridges that bring people together, of paying it forward and in valuing those who paved the path we walk on. Therefore it seemed a natural step and mission to embrace opportunities that help bring the Portu-

guese community closer to its country and homeland, that helps that same community network and get to know the different groups that it is comprised of and to help the development of Portugal as a center for business for the world to see and look upon.

The Portuguese were explorers and discoverers of the whole world centuries ago and helped shape so many cultures to today, from Arigato/Obrigado in Japan to Queen Iyoba in Nigeria. I strongly believe we still have it in us and that the future of Portugal, of our culture and of our kids depends on the actions and contributions we make today. What obstacles do you encounter in balancing being a mother with achieving your career ambit ions? Share some of your strategies for how you overcome those challenges. Balance and challenge are indeed the key words for this question. Distributing the hours of the day and one self’s energy to achieve all that you need, or think you need to do. Finding that balance is an every day, every hour of the day challenge. I find my balance by being honest with myself first of all. Moment of self-admittance and honesty: I am no Wonder or Elastic woman so therefore I cannot work miracles, magic or amazing stunts of strength and endurance. There are days that my kids come first. Those are the days that I give myself to them 100% either by rolling in the grass laughing or by volunteering at an event at school. Work will be done when possible (meaning: late hours at night after bedtime). There are days that work comes first. Those are the days that my kids go less groomed to school than I wished, they eat almost as much pizza as they wish and my husband wishes he would see me seated next to him for 5 min. There are days that I come first. Those are the days that I go out with friends, that I lounge in the backyard with a messy house waiting for me or that I just sleep until noon. And finally but most importantly, I really make peace with my choices. Today was a day that having a

glass of wine and writing this interview came first… So here I am giving 100% of myself to it regardless of what I am leaving behind or undone while doing so. What advice do you have for young women who are starting their careers, or who have started their careers and are starting a family? Be true to yourself. Always. Always and then forever more. Do not make choices that are based on what people expect from you but on what you expect for and mostly, from yourself. If being a fulltime mom for a short or a long time is what your heart tells you to do, then do it. Give yourself to it and enjoy it. Don’t think about how people perceive you. Think about how your kids will perceive you when looking back into their childhood. If having a career is your heart’s desire, work for it and then proudly own it! Outsource help to get things done in the family and when you are home, be home. Find a way to disconnect even if it is timing yourself not to check emails for 3h so you can really be there for the kids. Those emails can wait 3h unattended. Never be lazy to get things done! Be proactive and if you are motivated and doing things out of passion that will come naturally. This being said… Now and then, give yourself to laziness! Enjoy that long bath, enjoy that afternoon of reading or napping, that day of shopping and spa pampering, that moment that recharges your batteries. Those will keep you going when you need an extra charge of energy for an unexpected challenge. Be happy and enjoy life!


ENGLISH SECTION

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The Portuguese Organization for Social Services and Opportunities (POSSO) celebrated its 38th anniversary of providing social services to San José and Santa Clara County’s elderly. The annual dinner took place at the IES Hall in San José last March 29, 2014 with the presence of several elected officials -- San José City Councilmembers Xavier Campos (District 5), Kansen Chu (District 4), and Ash Kalra (District 2) and Santa Clara County Supervisors Dave Cortese (District 3 and San José mayoral candidate) and Cindy Chavez (District 2, representing Little Portugal). Consul General of Portugal in San Francisco Nuno Mathias emphasized how POSSO has partnered with the Consulate to bring those services to San José. POSSO Board of Director president Arnold Rodrigues thanked those who have always contributed to the organization. POSSO Executive Director Mary Sousa presented awards to the Senior of the Year and the Volunteers of the Year -- Filomena Wilson, Joe Melo, and Luis Melo, respectively. The event was emceed by Davide Vieira and entertainment was provided by SóRok, a band composed by vocalist and guitarist Roberto Lino, guitarist Nuno

Braga, and drummer Sérgio Leal. POSSO is a non-profit organization founded on January 19, 1976. For nearly four decades, POSSO has served the elderly population, their families, and the entire community. Its goal is to assist the community members overcome language and cultural barriers by utilizing available social services and programs to improve health, well-being and overall quality of life. POSSO operates the Portuguese Community Center in San José providing a full array of services to the multi-ethnic surrounding neighborhoods including: senior nutrition, food distribution, health screening and education, exercise classes, information and referral, escort and translation, case management, immigration and naturalization assistance, legal services, social activities, among others. POSSO is located at 1115 East Santa Clara Street in San José. POSSO’s Facebook page is www. facebook.com/possosanjose and the website is hwww.portuguesecenter.org. POSSO is one of the PortugueseAmerican community’s most admired organizations.

Photos by Miguel Ávila

POSSO is serving the elderly for 38 years

Above: Santa Clara Supervisors Cindy Chavez and Dave Cortese present a Santa Clara County Board of Supervisors Resolution honoring POSSO to Mary Sousa and Arnold Rodrigues. Below: POSSO Executive Director Mary Sousa and POSSO Board President Arnold Rodrigues.

Above from left: Mary Sousa and Arnold Rodrigues recognize Senior of the Year Filomena Wilson and Volunteers of the Year Joe Melo and Luis Melo (represented by Décio Oliveira).

www.PortugueseTribune.com www.TribunaPortuguesa.com

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Above from left: Santa Clara Supervisors Cindy Chavez and Dave Cortese, Consul General Nuno Mathias. Below from left: San José City Councilmembers Xavier Campos and Kansen Chu; emcee Davide Vieira.

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COMUNIDADE

15 de Abril de 2014

Thanks be to God': Bishop Myron J. Cotta is ordained as new auxiliary of diocese

What began in prayerful reflection ended in jubilant celebration as Auxiliary Bishop Myron J. Cotta of Sacramento was ordained in a packed Cathedral of the Blessed Sacrament March 25 on the Solemnity of the Annunciation of the Lord. More than 1,200 Catholics filled the Cathedral in downtown Sacramento to witness the ordination Mass. Dozens of Bishop Cotta’s fellow priests, co-workers, family members and friends from the Diocese of Fresno, where he has served as priest for the past 26 years, were among those attending. The Mass began with a procession of more than 300 priests from the Sacramento and

priesthood. Also witnessing the ordination were Bishop Emeritus Francis A. Quinn and Bishop Emeritus William K. Weigand of Sacramento. In his remarks at the conclusion of the ordination Mass, which included Scripture readings proclaimed in Spanish and Portuguese, Bishop Cotta, the grandson of Portuguese immigrants, acknowledged the applause that he received several times from the congregation during the Mass and said he was humbled by the call to the episcopacy from Pope Francis. He thanked his family, including his mother, brother and two sisters, for their love and support of his priestly ministry.

Fresno Dioceses, joined by 30 archbishops and bishops from across California. Bishop Cotta was consecrated by the laying on of hands by three bishops: Bishop Jaime Soto of Fresno as the principal consecrating bishop, with co-consecrators Bishop Armando X. Ochoa of Fresno, and Bishop Joseph Madera, Auxiliary Bishop of the Archdiocese of the Military Services, who ordained Bishop Cotta to the

“All of my family and friends from all the places I have served over the years – all of you have helped form me,” he said. “I thank God for the gift of faith, family and friends – all important aspects in anybody’s life. The faith that God entrusts me with and was nourished by the church was given to me in a special way by my grandparents, who immigrated to California from the Azores with courage and

faith. They shared that faith with us, and that’s how this all started. God graced them with perseverance in the call of what it means to be a Christian.” Referring to the Solemnity of the Annunciation of the Lord, the new bishop said “just as nothing was impossible for Mary, nothing is impossible with God’s help. Let us turn our eyes to Mary, as we look to her an example of saying yes to God. She has assisted and helped me along the way. I call on her now more than ever in my ministry as auxiliary bishop.” Bishop Soto, principal consecrator and celebrant of the Mass, focused on its Marian theme in his homily. “The incarnation was wrapped in the silence of both God and Mary listening for one another’s voice, feeling each other’s desire to be so close,” he said. “Salvation was heard in that mystical exchange. God’s saving salutation found echo in Mary’s redeeming reply.” Turning to his new auxiliary, Bishop Soto continued: “God has favored you, Myron. The Spirit brings its saving shadow over you. Like Mary, the mother of Jesus, you are being sent to bring the ‘Joy of the Gospel.’” He said Pope Francis’ recent apostolic exhortation under that title “serves as a reminder of what is most compelling and persuasive about the spirit and message of the Gospel, the joy which the Lord Jesus desires to give us and to make complete in us: ‘I have told you this so that my joy may be in you and your joy may be complete.’ “The joy of Jesus thrilled Mary’s heart. With all of Israel she was waiting, expecting the Lord’s coming. She who patiently expected the Lord became the expectant mother of hope and a vessel brimming over with joy. Her gladness would be remembered as a powerful prophetic sign, a sign of contradiction. The Book of the Apocalypse borrowed her poetic and prophetic image to convey the church in the birthing pangs of the new creation, while terrible forces threatened to devour her joyful progeny.” The joy shared by Mary and the church “is not conditioned by favorable circumstances or optimistic speculations,” Bishop Soto said. “Through the pilgrim journey of faith, the church’s pregnant hope has always been threatened and tested, as it is so now. Our joy is in the Lord. “St. Paul reminds you, Mryon, ‘Rejoice in the Lord always. I say it again, rejoice.’ This is a treasure no one can take

from you as long as this joy is nourished by the eternal spring of life-giving water that flows form the sacred heart of Christ. Unite yourself to the heart of Christ. Pray that yours may each day be conformed to the heart of the Good Shepherd. “Giving both your heart and mind to Christ Jesus, you will take on the yoke that is easy and the burden that is light, because the Lord will gladly bear it with you. This is the burden of veritas in caritate, the truth in charity, as well as the caritas in veritate, the charity in truth. The church has no truth that cannot be pronounced in charity, nor is there any charity not rooted in truth. We distort the Gospel if we do not act with charity. Sincere charity can only lead others to the truth of Christ.” Bishop Soto encouraged his new auxiliary bishop to find in the cross of Christ “the wisdom and the power of God that will give your ministry a joyful consolation, with which you may console a wearied, worried world.” “Make it your duty, as it is all of ours, to bring this joyful message to the poor. The unborn, the unemployed, the undocumented, the unwanted – these are un-people, the no-people whom God calls his people. He reminds us that where he is, there will my disciple be. Let us together seek the Lord among his people.” During the ordination Mass, Bishop Cotta knelt before Bishop Soto while Deacons David Ford and George Usi held the Book of Gospels over his head. Bishop Soto then anointed Bishop Cotta’s forehead with oil. Finally, more than 25 visiting bishops -- including Cardinal Roger Mahony, Archbishop Emeritus of Los Angeles, Archbishop Salvatore Cordileone of San Francisco and Archbishop Jose Gomez of Los Angeles – laid their hands on the new bishop’s head and prayed for him. Msgr. Perry Kavookjian and Msgr. Craig Harrison, priests of the Diocese of Fresno who were ordained with Bishop Cotta to the priesthood in 1987, assisted Bishop Cotta as his chaplains during the Mass. Steven and Theresa Diaz of Hanford, who have known Bishop Cotta for 25 years, since he served as administrator of Our Lady of Fatima Shrine in Laton in 1989, assisted the new auxiliary in moving to his new residence at St. John Vianney Priests’ Retirement Village in Citrus Heights, and later attended the ordination events. “He’s been a spiritual advisor to us. He’s a holy man and a servant of the church,” Theresa Diaz told Catholic Herald magazine. “He’s a humble, spiritual person. He’s self-driven and a man of his word. We were not surprised at his appointment as auxiliary bishop. He has many qualities that Pope Francis has spoken about in regard to bishops today. He’s going to be terrific for the Sacramento Diocese.” Bishop Cotta’s first weeks as auxiliary bishop and vicar general will include presiding at many confirmations at various parishes throughout the diocese. In mid-


COMUNIDADE

Myron Cotta's family: Annete Raper (sister), Mary Bert達o (godmother), Mary Cotta (mother); Marilyn Cotta (sister) and Ben Cotta (brother)

Beautiful moment - mother and son

-April, he will celebrate Mass and consecrate the new chapel and wing of the Alex G. Spanos Heart and Vascular Center on the campus of Mercy General Hospital in Sacramento. On Sunday, May 4, he will celebrate a welcome Mass at St. Elizabeth Parish in Sacramento.

Courtesy of Diocese of Fresno (text and photos)

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15 de Abril de 2014

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MAY 4, 2014 MAY 24, 2014 JUNE 8, 2014

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