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QUINZENÁRIO INDEPENDENTE AO SERVIÇO DAS COMUNIDADES DE LÍNGUA PORTUGUESA

1 a Quinzena de Novembro de 2011 Ano XXXII - No. 1120 Modesto, California $1.50 / $40.00 Anual

Ermelindo Ávila 96 anos

Presidente de Portugal visita California

Seja bem-vindo Sr. Presidente

Ermelindo Ávila é o mais antigo historiador vivo dos Açores e recentemente no dia 18 de Setembro completou 96 anos. Continua a ter uma vida activa e literária nas Ilhas do Triângulo. Publicou vários livros e é colaborador de vários jornais, rádio e blogues. Ermelindo dos Santos Machado Ávila, nasceu na vila das Lajes do Pico, Açores, onde sempre residiu. Para celebrar esta data, publicamos hoje o ultimo artigo do escritor na Página 21.

Genuino Madruga publicou livro no Museu da Baleia em New Bedford

Genuíno Madruga lançou no dia 13 de Outubro o livro “O Mundo Que Eu Vi” no Museu da Baleia, em New Bedford. No livro, o navegador solitário, natural da ilha do Pico, descreve, por palavras e imagens, a experiência da sua viagem de circum-navegação a solo à volta do mundo, a bordo do “Hemingway”, um barco de pouco mais de 11 metros de comprimento. Genuíno Madruga, cedo criou raízes no Faial, onde reside, começando por dedicar-se à faina da pesca num pequeno barco que foi sucessivamente substituindo por outros mais apetrechados. Ganhou o seu gosto pelo mar e pela aventura no Peter’s Café na Horta. in ca.pt

Pág. 5

Thornton em festa

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Social Security vai aumentar pensões Pela primeira vez desde 2009 os reformados do Social Security irão ter um aumento de 3.6 % a partir de Janeiro de 2012. No pagamento médio do SS de $1082.00 por mês, ou seja $13,000 por ano, o aumento será de $38.00 por mês, ou seja $455 por ano.

No dia 1 de Novembro de 2011 seremos 7 Biliões de Habitantes neste nosso tão frágil Planeta


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SEGUNDA PÁGINA

1 de Novembro de 2011

Crónicas do Perrexil

J. B. Castro Avila

EDITORIAL

Temos aprendido pouco O Presidente Cavaco Silva vai deslocar-se ao Silicon Valley nos dias 13 a 15 de Novembro. Quiz a Presidência oferecer um jantar à Comunidade, o que foi aceite pelas entidades locais. Sabendo que Portugal atravessa a maior crise financeira e económica da sua história é de lastimar que alguém tenha aceite tal ideia. Foi pena ninguém se ter lembrado do velho ditado popular: "Para lá do Marão mandam os que lá estão". Nós, que nos consideramos uma das comunidades mais ricas do Mundo, vamos deixar que o Presidente Cavaco Silva venha de Portugal oferecer-nos um jantar a todos nós. Faz isto algum sentido? Como é que foi possível acontecer isto em 2011? E o pior não é só isto. Aproveitando este jantar oferecido, alguém teve a "brilhante" ideia de pedir aos que vão participar no mesmo, um donativo de $50.00 para a POSSO. Esta ideia não só é estapafúrdica, mas descabida e atentória de tudo o que a nossa comunidade tem defendido ao longo destes anos. Misturar política com caridadezinha é um sintoma de doença grave, que nós não estamos acostumados, numa comunidade que tem sido sempre dadora de todas as boas causas. À política o que é da política, à POSSO o que é da POSSO. Isto ficará na história da nossa comunidade como um mau exemplo a nunca mais se repetir. Todos que recebem este jornal devem ter notado que a distribuição do mesmo está a alterar-se para pior de semana a semana. Numa conversa que tivemos com um Postmaster, ficámos a saber das dificuldades económicas que os Correios estão a atravessar, o que implica fecho de várias estações, despedimentos de contratados e claro, demoras na distribuição do correio. Este jornal vai ser entregue no correio na Sexta-feira dia 28 de Outubro. Vejam com quantos dias de atraso é que o recebem. jose avila

Meu caro amigo Presidente Cavaco Silva O que lhe vou dizer, já o disse a várias pessoas, mas é a primeira vez que o digo a um Presidente. Portugal, o vosso e nosso Portugal, nunca compreendeu a importância da California neste mundo global. Portugal viu sempre a California, como mais um Estado da America, tal como Texas, o Arizona, Colorado e tantos outros. Portugal nunca compreendeu que foi na California e mais própriamente no Silicon Valley que se inventou o mundo moderno de hoje. E quando hoje ficamos espantados com a evolução dos chamados países emergentes, quase que nem nos apercebemos que o que eles hoje são, o devem à California. Portugal poderia ter tido uma grande oportunidade para ser a entrada da Europa das novas tecnologias, tal com aconteceu à Irlanda. Portugal fica tanto longe da California como a California da China, mas a California investiu na China e não em Portugal. Porquê? Simplesmente porque os chineses, além da mão de obra barata, compreenderam que a California era o Sol do futuro tecnológico. E quem diz a China, diz a Coreia do Sul, Tailandia, Singapura e tantos outros países que abriram as suas portas às grandes companhias americanas. Portugal por sua vez, sempre que nos visitava, mal a porta do avião fechava, esquecia-se da nossa existência. Esqueciam-se que a California era a 6ª economia mundial e tal como nos 500's Portugal deu mun-

dos ao mundo, a California desde os anos 80's deu futuros ao futuro. É esta messagem que gostaria que o Presidente de Portugal levasse para o nosso País, para o Governo, para os industriais e empresários. A California é um mundo à parte da America. Nós, portugueses, poderemos ainda hoje e em grande escala, sermos a ponte que nos liga a uma Europa ainda muito fragmentada. Portugal hoje em dia tem mão de obra qualificada, tem um clima maravilhoso, tem a proximidade duma Europa, muito ainda virada para si, e pode "dar" cartas, se os baralhos não forem viciados. Diga-se em abono da verdade que hoje em dia temos em Portugal várias (mas poucas) experiências de sucesso na relação com a California. Também penso que essas experiências se deveram mais ao desejo dos Californianos quererem ter uma presença em Portugal, do que Portugal ter tentado descobrir novos caminhos de cooperação. Portugal é um quinto da California em área e menos de um terço em população. Portugal pode e deve ser uma história de sucesso no futuro, caso queira copiar o sucesso dos que vivem na Diáspora. Desejamos-lhe uma boa estadia no Silicon Valley e nunca deixe a porta do avião fechar-lhe os sonhos do progresso e da cooperação.

Year XXXII, Number 1120, Nov 1st, 2011


COMUNIDADE

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Quem é o 19° Presidente da República Portuguesa, Cavaco Silva? Aníbal Cavaco Silva, nas-

cido a 15 de Julho de 1939, em Boliqueime, Loulé, é o 19º Presidente da República Portuguesa, tendo sido eleito por sufrágio universal em 2006 e reeleito em 2011, com base numa candidatura pessoal e independente. Afirmando que os desafios que Portugal enfrentava exigiam uma magistratura presidencial que favorecesse consensos alargados em torno dos grandes objectivos nacionais, o Prof. Aníbal Cavaco Silva iniciou o seu primeiro mandato assumindo o compromisso de fortalecer os vínculos que unem os Portugueses enquanto cidadãos da mesma República e, bem assim, de exercer o cargo com absoluta imparcialidade e independência face às diversas forças político-partidárias. O Presidente Aníbal Cavaco Silva conquistou duas maiorias absolutas consecutivas em eleições legislativas e exerceu funções como Primeiro-Ministro entre 1985 e 1995. Foi um protagonista activo no processo de construção europeia, assumindo papel central em algumas grandes decisões, influenciando as opções inscritas no Tratado de Maastricht e garantindo a adesão do escudo ao Sistema Monetário Europeu, criando condições para a integração de Portugal no primeiro grupo de países da moeda única europeia. Participou em 29 Conselhos Europeus, onde defendeu com sucesso os interesses de Portugal, como foi o caso da aprovação dos Pacotes Delors I e II, do PEDIP (Programa Específico para o Desenvolvimento da Indústria Portuguesa), da criação de programas específicos de apoio ao desenvolvimento dos Açores e Madeira. No primeiro semestre de 1992, e sob a sua empenhada condução, Portugal assumiu, pela

primeira vez e com reconhecido êxito, a presidência rotativa da União Europeia. No plano das relações com o mundo lusófono, Cavaco Silva foi um promotor de mudanças no sentido da estabilização democrática dos regimes africanos, tendo patrocinado as negociações de paz para Angola e apoiado processo idêntico em Moçambique. Foi também sob a sua égide que Portugal esteve no centro da criação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e que foi decidida a realização anual das cimeiras luso-brasileiras. Aníbal Cavaco Silva imprimiu uma nova dinâmica à política externa portuguesa, no reforço do papel pró-activo de Portugal nas suas relações bilaterais e multilaterais, assim como em vários palcos regionais. Através de cimeiras anuais de Chefes de Governo, aprofundou o relacionamento com a Espanha, fomentando os intercâmbios num vasto leque de áreas e o maior desenvolvimento das regiões transfronteiriças. Simultaneamente, ajudou a potenciar o protagonismo das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo nos respectivos países de acolhimento, a maior parte das quais visitou. Em 7 de Setembro de 1995, foi distinguido na Alemanha com o Prémio Carl Bertelsmann que a Fundação Bertelsmann decidiu atribuir a Portugal pelo sucesso das políticas de melhoria do mercado de trabalho e de luta contra o desemprego, enquanto Aníbal Cavaco Silva exerceu o cargo de Primeiro-Ministro. Recebeu ainda o prémio Joseph Bech (1991), no Luxemburgo, e a medalha Robert Schuman (1998), pela sua contribuição para a construção europeia, e o Freedom Prize

(1995), na Suíça, concedido pela Fundação Schmidheiny, pela sua acção como político e economista. Distinguido, em Nápoles, com o Prémio Mediterrâneo Instituições (2009), atribuído pela Fundação Mediterrâneo, “em reconhecimento pelo seu empenho e acção no reforço da solidariedade e de uma activa cooperação entre os países mediterrânicos, em favor da promoção do desenvolvimento e da Paz, nessa região”. Da sua vasta obra publicada há a referir os livros O Mercado Financeiro Português em 1966, Economic Effects of Public Debt, Política Orçamental e Estabilização Económica, A Política Económica do Governo de Sá Carneiro, Finanças Públicas e Política Macroeconómica, As Reformas da Década, Portugal e a Moeda Única, União Monetária Europeia, Autobiografia Política, Volumes I e II, e Crónicas de Uma Crise Anunciada. Foi o Director da revista Economia, da Universidade Católica Portuguesa, entre 1977 e 1985. As intervenções mais importantes produzidas como PrimeiroMinistro encontram-se reunidas nos livros Cumprir a Esperança (1987), Construir a Modernidade (1989), Ganhar o Futuro (1991), Afirmar Portugal no Mundo (1993) e Manter o Rumo (1995). Tendo-se afastado da vida política activa entre 1995 e 2005, período durante o qual retomou a sua actividade académica, o Presidente Cavaco Silva manteve, todavia, uma marcante participação cívica, nomeadamente através de intervenções públicas sobre questões nacionais e internacionais. Do primeiro mandato como Presidente da República, as suas principais intervenções estão reunidas em cinco volumes, sob

o título genérico Roteiros. Aníbal Cavaco Silva é licenciado em Finanças pelo Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras, Lisboa, e doutorado em Economia pela Universidade de York, Reino Unido. Foi docente do ISCEF, Professor Catedrático da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa e, quando foi eleito Presidente da República pela primeira vez, era Professor Catedrático na Universidade Católica Portuguesa. Foi investigador da Fundação Calouste Gulbenkian e dirigiu o Gabinete de Estudos do Banco de Portugal, instituição na qual viria a exercer funções como consultor. Exerceu o cargo de Ministro das Finanças e do Plano em 1980-81, no Governo do Primeiro-Ministro Francisco Sá Carneiro, e foi Presidente do Conselho Nacional do Plano entre 1981 e 1984. Presidiu ao Partido Social Democrata (PSD) entre Maio de 1985 e Fevereiro de 1995. O Presidente Cavaco Silva é Doutor Honoris Causa pelas Universidades de York (Reino Unido), La Coruña (Espanha), Goa (Índia), León (Espanha) e Heriot-Watt (Edimburgo, Escócia), e membro

da Real Academia de Ciências Morais e Políticas de Espanha, do Clube de Madrid para a Transição e Consolidação Democrática e da Global Leadership Foundation. Ao longo da sua vida pública foi agraciado com diversas condecorações nacionais e estrangeiras. Aníbal Cavaco Silva cumpriu o serviço militar como oficial miliciano do Exército, entre 1962 e 1965, em Lourenço Marques (actual Maputo), Moçambique. É casado com Maria Alves da Silva Cavaco Silva, professora universitária. O casal tem dois filhos e cinco netos.

in www.presidencia.pt


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PATROCINADORES

1 de Novembro de 2011


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Tribuna da Saudade

Ferreira Moreno

A

o tempo do conflito mundial (1939-45), o governo português enviou p’rós Açores vários destacamentos de militares continentais, entre os quais (em fins de 1943) se encontrava o então jovem alferes (hoje tenente-coronel aposentado) Rui de Freitas Lopes, presentemente a residir em Algés, Portugal. É irmão de D. Mécia de Sena, viúva do saudoso dr. Jorge de Sena (1919-78) e residente em Santa Barbara, Califórnia. Rui de Freitas Lopes viveu dois anos na ilha de S. Miguel, no decorrer da guerra, entre 1943 e 1945, onde teve base em numerosas localidades, pois comandava um pelotão que estacionou em diversos lugares, começando por Ponta Delgada. Depois esteve oito meses nas Furnas, transitando p’rà Povoação por dois meses e dali p’ró Faial da Terra igualmente por dois meses, regressando à Povoação por um mês e logo seguindo p’rà Ribeira Quente por dois meses, após o que voltou à Povoação mas com destino à sua base nas Furnas por um mês, findo o qual a sua companhia foi transferida p’rà Maia e seguidamente p’rà Lomba da Maia. Com o regresso a Portugal das Forças Expedicionárias, Rui de Freitas Lopes foi transferido p’rà região de Ponta Delgada, Fajã de Cima, Fajã de Baixo e Arribanas, onde terminou a sua comissão de serviço, regressando finalmente ao Continente, após uma breve estadia em Ponta Delgada. Desnecessário acrescentar que as hostilidades haviam cessado. A narrativa da sua estadia em S. Miguel

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Imagens da Segunda Guerra na minha Terra (6)

encontra-se devidamente descrita num typescript (56 páginas dactilografadas) ao título “Quadros da Minha Tropa”, que o autor gentilmente me ofereceu, juntamente com outro inédito typescript (126 páginas dactilografadas) ao título “O Cancioneiro Geral dos Açores, Estudo Comparativo com os Cancioneiros do Continente, Galiza e Brasil”. Conforme Rui de Freitas Lopes me confidenciou: “O meu Batalhão era mesmo de soldados micaelenses, o que quer dizer que durante dois anos convivi de muito perto com gente de S. Miguel. Tenho muitas saudades daqueles meus rapazes, que foram a minha família durante dois anos e que se dedicaram muito a mim, a ponto de as nossas despedidas se fazerem sempre com muita emoção. Muitas vezes ouvi os meus soldados cantarem e até dançarem coisas deles, e dancei e cantei com eles. Foi um dos estímulos que recebi p’ró meu interesse pelas quadras populares, estímulo que vinha já do meu pai”. Além de comandante de pelotão, Freitas Lopes acumulou as funções de “ecónomo”, o que lhe granjearia uma experiência deveras patusca aprendendo, por exemplo, a comprar porcos vivos que a malta, feliz da vida, se encarregava de matar e desmanchar, fazendo enchidos e comer tudo. A este propósito, Freitas Lopes descreveu: “Ao fim de uns tempos, eu até já era especialista em avaliar quantas arrobas teriam um porco ou uma porca que me levavam à amostra, mirando e remirando os bichos de vários ângulos e lados, apalpando lombos e pernas, considerando ainda a dife-

rença de peso que, p’ró mesmo tamanho, há entre porcos e porcas, aqueles mais pesados, questão de musculatura e ossos mais fortes, um machismo que evidentemente já não se tolera nos dias de hoje, de igualdade dos sexos. Mas na altura era assim mesmo, e pronto!” Nostalgicamente, Freitas Lopes recordou “aquele Natal em que eu quis armar a tradicional árvore, mas na qual, em vez dos tradicionais enfeites coloridos, bolas e fios dourados, que não havia à venda na terra, dependurámos chouriços, morcelas e aqueles fritos de abóbora chamados “bilharacos” em certas regiões de Portugal. A verdade é que a malta não tirava os olhos da árvore, com a água a crescer-lhe na boca”. Evidentemente que o jovem alferes, pois contava apenas 22 anos de idade, lidou com outro tipo de pessoas. Pela hospitalidade e amizade que lhe foram dispensadas, destacou a ilustre Família Hintze da plantação de chá na Gorreana, nomeadamente o Comendador Jaime Hintze, o seu filho Fernando e a sua nora Berta (casados em 1941). Como ficou expressivamente descrito: “Convivemos muitas vezes naquela sala de visitas da Gorreana, entre livros e os sons da telefonia. Conversávamos todos agradavelmente e chegávamos a fazer ses-

PHPC announces the release of its latest publication, the luxury edition of the book IV International Conference on The Holy Spirit Festas, a hard cover, full color, 100-page, photojournalist’s report of the June 2010 conference in San José, California, by Miguel Valle Ávila, Assistant Editor of The Portuguese Tribune. All author proceeds revert in benefit of the San José State University Portuguese Studies Program.

sões musicais: eu ao piano, o Fernando a tocar guitarra e a Berta a cantar, com o Comendador a gozar, sorridente e feliz, o espectáculo”. Seguem-se quadras extraídas do cancioneiro organizado por Rui de Freitas Lopes: O comer do militar Tem grande variação: Ao almoço, grão com massa, Ao jantar, massa com grão. Um Pai-Nosso bem rezado, E mais dez Avé-Marias, Eis o que anima o soldado, A lutar todos os dias. Pobrezinho do soldado, Quando está de sentinela: Vê passar a sua moça, Não pode ir falar com ela. Rosa qu’estás na roseira, Deixa-te estar em botão; Espera por mim um dia Qu’eu venha do Batalhão.

IV International Conference on the Holy Spirit Festas Miguel Valle Ávila

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PATROCINADORES / COMUNIDADE

Sabores e Sons dos Açores A associação estudantil SOPAS-Society of Portuguese-American Students - das escolas secundárias Tulare Union, Tulare Western e Mission Oak, apresenta no sábado, 19 de Novembro, o seu oitavo anual Sabores e Sons dos Açores (Tastes and Sounds of the Azores). É uma noite com uma mini feira gastronómica, onde as pessoas terão oportunidade de provar mais de 30 pratos e sobremesas diferentes da nossa rica gastronomia açoriana. Este acontecimento terá lugar no refeitório da nova escola secundária Tulare, a Mission Oak, na avenida Bardsley no sábado, 19 de Novembro, a partir das 19h00 - Tsete da noite. O preço é de $15 por pessoa e os bilhetes são limitados. Para mais informações devem contactar com qualquer jovem director desta associação de jovens

estudantes ou com o professor encarregado na escola secundária Tulare Union, Diniz Borges pelo telefone 559-686-7611. Os bilhetes serão vendidos até ao dia 16 de Novembro e não teremos bilhetes à porta. Para além da comida haverá a apresentação dos alunos de Português-IV com algumas modas tradicionais dos Açores. Com os melhores cumprimentos Patricia Freitas, presidente Brianda Louro, presidente SOPAS-Tulare Union SOPAS-Tulare Western Sabrina Silvestre, presidente SOPAS- Mission Oak

COMUNICADO O Consulado-Geral de Portugal em San Francisco apresenta os seus melhores cumprimentos e tem a honra de comunicar , a pedido da Direcção Regional das Comunidades do Governo dos Açores, que em Abril de 2012, durante 8 dias, a cidade de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, será o palco do “Panazorean International Film Festival”. As inscrições estão abertas, terminando, no dia 31 de Dezembro de 2011, paras as competições nacionais e internacionais. Para mais informações consulte: http://www.panazorean.com http://www.facebook.com/panazorean?sk=wall http://twitter.com/#!/PanazoreanFest http://www.youtube.com/panazorean San Francisco, 17 de Outubro de 2011 O Cônsul-Geral António Costa Moura

Sata Internacional movimentou cerca de 7 mil passageiros Segundo informações obtidas por este jornal através dos escritórios da Azores Express em San José, California, a SATA Internacional movimentou este ano cerca de 7 mil pessoas (ida e volta) em 17 voos entre Oakland e Lajes, Terceira. Foi um ano muito positivo para a SATA Internacional, segundo nos afirmaram.

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1 de Novembro de 2011

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Rasgos d’Alma

Fazer falta

Luciano Cardoso lucianoac@comcast.net

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onversando, ainda há pouco, com um velho amigo sobre a falta que fazemos ou deixamos de fazer cá no mundo ao irmonos desta para melhor, não nos foi difícil concluir que o defunto Gadhafi encabeçava perfeitamente a lista dos figurões que já não estavam a fazer mesmo falta nenhuma ao convívio dos humanos. Pior ainda, no dizer do meu amigalhaço: “Há muito que o gajo já devia ter andado. Tinha poupado a vida a tantos milhares que mandou exterminar e salvaguardado também os muitíssimos milhões ardidos, em vão, por sua causa – e que tanta falta fazem agora ao seu

oprimido povo, forçado a pagar caro pela elevada fatura da despesa global duma ditadura que durou décadas demais.” Em comparação, porque a conversa incidia sobre o recente desaparecimento de célebres figuras com impacto mundial, Steve Jobs, pequeno génio local, inovador de méritos mais do que comprovados no progresso tecnológico hoje em dia ao nosso dispor, “…fez-nos uma falta medonha.” Dizia-me o meu compadre, compenetrado: “Esse era dos cérebros que deviam viver sempre mais tempo. A humanidade develhes imenso. E ainda se esperava muito mais da sua empreendedora capacidade e tremendo espírito de iniciativa. Já reparaste que ele era um rapaz da nossa idade?” De facto, nisso é que eu não gosto muito de reparar. Malta nova, ainda na casa dos cinquenta, a despedir-se assim tão cedo? Não me cai lá muito bem.

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Dos meus cinquenta e cinco, trinta e três já figuram cá nos States. Tinha eu acabado de aterrar, pela primeira vez, em San Francisco, quando a notícia correu célere de que dois rapazolas de cabelos longos e barba rija – dois Steve(s)…Jobs e Wosniak – se tinham aventurado, numa garagem em Los Altos, a montar um computador. Lançaram-no no mercado sob o inconfudível símbolo da eletrónica maçã – Apple, essa magnífica estória de incontornável sucesso – e o resto, como se costuma dizer, é história. A história de Steve Jobs, detalhada em livro que acaba de ser publicado, é deveras fascinante. Inspira-nos. Deleita-nos. Já a que se refere a Moammar Gadhafi, pelo contrário, arrepia-nos. Indispõe-nos. Mas, porque nesta vida há lugar para todos e para tudo, felizmente, na agenda social que visa a descontração do ser humano, não faltam arrepiadelas coreografadas a rigor para nos deixarem bem dispostos. “Qual é a cara feia que vais usar de máscara para te disfarçares no Halloween?”, perguntava-me o meu amigo, na paródia. “Com esta que agora tenho, achas que preciso de me mascarar?”, interpeleio, também a rir-me. “Estou a sério, pá. Uma vez por ano, não faz mal nenhum pormos cá para fora outro focinho mal encarado, de que não gostemos mesmo nada, para passarmos um bom bocado. Mas tem que ser mesmo disfarce que apavore. No ano passado, trajei-me de Sócrates, com aquele nariz à pinóquio e um ar meio inocente. Não teve grande piada. Este ano, não vou cair nessa asneira de me armar outra vez em político abananado. Abundam por aí, mas ninguém dá nada por eles. Para fazer algum estreloiço, antes vestir a pele dum mostrengo qualquer que nos meta logo medo ao olharmos para ele. Pensei no Gadhafi. Que achas?” “Francamente, agora, já nem acho que o tipo amedronte sequer uma mosca.” “Ora bolas! Está morto. Percebo que não faz mal a ninguém. Queria só saber se a sua fronha não dava uma boa máscara.” “Qual delas? Sabes bem que ele tinha duas caras. A de sonso bonacheirão, com

que entretia os mídia, e a de carrasco sem perdão que exibia lá áqueles de quem se desenvencilhava.” “É dessa mesmo que estou a falar.” “Nem uma nem outra me tiravam o sono. Não o conhecia de parte alguma. A mim, se queres que te diga, atemorizam-me muito mais os supostos amigos de dente arreganhado e palmadinha nas costas que tem duas caras mas só me mostram uma.” “Lá vens tu com as tuas análises parabólicas de cronista mal ensaiado.” “Agora sim, deste-me uma excelente ideia.” “Qual?” “Hás-de ler o meu próximo artigo.”

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E o conceito das duas caras – estafermo de duas cabeças sem miolo, com que nos divertimos à grande no Halloween – obrigou-nos a prolongar a conversa e a beber outra cerveja. Soube bem bem aquele bocado. Se algum dia se for à minha frente, este meu bom amigo vai-me fazer imensa falta.


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COLABORAÇÃO

1 de Novembro de 2011

Agua Viva

Filomena Rocha

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filomenarocha@sbcglobal.net

epois das Festas do Espírito Santo, que atraiem milhares de Portugueses às cidades do Estado da California e onde quer que haja um imigrante devoto e crente na mesma divindade, vêm as Festas dedicadas a Nossa Senhora de Fátima, que normalmente são realizadas em Maio e Outubro, os meses da aparição e despedida, respectivamente, aos Pastorinhos de Fátima. Estas manifestações, são sempre algo intrigante para os não crentes, mas são sobretudo um ponto de saudável encontro com as gentes, nem sempre da mesma raça. É um modo de fazer a ponte neste mundo não muito unido, embora com tantas organizações a trabalharem nesse sentido. Muita gente há que sem grandes alaridos prepara caminhos mais fáceis para outros trilharem. Creio que posso aqui falar de alguém, que muito embora já não viva entre nós, mas que deixou para os outros, o que podemos chamar: uma lanterna para os caminhos ainda escuros da cidadania neste País de Américas e de sonhos por concluir. Essa pessoa chama-se Maria de Fátima Goulart Martins, que não tive o gosto de

"America" de Fátima Martins

conhecer pessoalmente, mas tal como as medalhas que se recebem pòstumamente, também tive o privilégio de receber como oferta de um amigo, o livro escrito com muito empenho especialmente dedicado aos imigrantes. Foi na bonita festa de Nossa Senhora de Fátima, em Watsonville, depois da pequena Cantoria entre Adelino Toledo e Vital Marcelino, que este com redobrado entusiasmo, me falou do livro “América”, de Fátima Martins. Em abono da verdade, eu não conhecia esta publicação da Portuguese Heritage Pubications of California, embora recente.

A

través desta obra, posso imaginar Fátima Martins, uma pessoa empreendedora, lutadora e sobretudo muito generosa que se preocupou com a segurança e o futuro dos imigrantes. Quem adquirir este precioso trabalho, só pode ficar de lucro, por muito bem deixar-se levar pela história que é necessário aprender-se, numa preparação cuidada e atenta destinada à cidadania. Fátima Martins considera que sendo este o País onde o Imigrante ganha o seu pão

de cada dia e o dos seus filhos, honrando o nome Português, “a melhor maneira de ser um bom Português nos Estados Unidos da América, é ser-se um bom cidadão Americano”. Mesmo no seu leito de dor, lutando pela vida, Fátima Martins lutou pelo futuro dos Portugueses, escrevendo este livro-documento para toda a vida dos que ainda não são cidadãos e dos que já o sendo, podem oferecer aos seus amigos como relíquia sempre válida, de uma mulher muito culta e de uma força tenaz, que não chegou a ver publicado o seu trabalho, mas que soube deixar o seu contributo para o futuro dos Imigrantes Portugueses. Em sua última vontade, Fátima Martins deixou um pedido de que o principal objectivo não era fazer dinheiro com este livro, mas fazê-lo chegar às mãos do maior número de pessoas desejosas de serem cidadãs nos Estado Unidos da América, entregando um pequeno donativo destinado à Igreja de São João, na sua amada Ilha do Pico. Vital Marcelino, antigo presidente da Casa dos Açores, no desejo de ajudar, dispõe de umas centenas de livros e coloca o seu nú-

mero de telefone (209) 480-3777, â disposição de quem quiser contactá-lo no sentido de obter esta preciosa obra de enorme utilidade. Deixo-vos aqui a sugestão para uma linda oferta de Natal ou de Aniversário!

Visita do Presidente Cavaco Silva O Consulado-Geral de Portugal em S. Francisco apresenta os melhores cumprimentos e tem a honra de anunciar que Sua Excelência o Presidente da República, Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva, visitará a Califórnia de 13 a 15 de Novembro próximo. No dia 13 de Novembro, o Senhor Presidente convida a Comunidade Portuguesa para uma recepção, seguida de jantar, a partir das 7 horas da tarde, no Hotel Fairmont, 170 South. Market Street, em S. José. Contudo, gostaríamos também que este fosse um momento de reafirmação do espírito de entreajuda e solidariedade que distingue a Comunidade Portuguesa na Califórnia. Nesse sentido, pede-se que, no momento da inscrição, cada participante faça um donativo mínimo de 50 dólares através de cheque endossado à POSSO. O resultado será anunciado pelo Senhor Presidente na noite do dia 13 e entregue à POSSO, pela Senhor Dra. Maria Cavaco Silva, Primeira-dama, no dia seguinte, 14 de Novembro. Quem estiver interessado, tem de reservar o seu lugar telefonando para o Consulado-Geral: (415) 346-3400, extensões 201 e 200, ou para a PFSA

(510) 483-7676, ou para a Luso-American (925) 828-4884, até ao dia 4 de Novembro, entre as 9 h da manhã e as 3,30 h da tarde. O espaço da sala é limitado e as marcações serão honradas por ordem de entrada, e após o recebimento do cheque com o donativo. As fichas de inscrição também estarão disponíveis nos seguintes locais e junto das pessoas mencionadas abaixo: - KSQQ – San José - POSSO – San Jose - PFSA – San Leandro - Luso American – Dublin - Senhor Manuel Eduardo Vieira – Livingston - Professora Doutora Deolinda Adão – Berkeley - Consulado-Geral – San Francisco - Engenheiro Idalmiro da Rosa – San Diego - Senhor João Martins – Artesia Para qualquer esclarecimento poderá ser contactado este Consulado-Geral que, desde já, agradece a maior participação possível da Comunidade nesta cerimónia. S. Francisco, 24 de Outubro de 2011. O Cônsul-Geral, António Costa Moura

Ficha de Inscrição: JANTAR OFERECIDO POR SUA EXCELÊNCIA O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, PROFESSOR DOUTOR ANÍBAL CAVACO SILVA, À COMUNIDADE PORTUGUESA

Luso-Amercican – 1 925 828 4884

HOTEL FAIRMONT, 170 SOUTH MARKET STREET, SAN JOSE

Segunda-feira, 14 de Novembro

7 HORAS DA TARDE, DIA 13 DE NOVEMBRO DE 2011

O Presidente Cavaco Silva visitará o Pavilhão de Portugal no Plug and Play Tech Center em Stanford e a Cisco Systems em San José.

Nome (individual):

Consulado de Portugal em San Francisco: 1 415 346 3400, Extensões 201 e 200

Terça-feira, 15 de Novembro

Direcção:

Regresso a Portugal

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Ao Cabo e ao Resto

Victor Rui Dores

A

bre-se diante de nós a assombrosa Caldeira – mãe da ilha do Faial. Paira uma aragem translúcida e vemos um enorme cume abatido, mas o que lá está é a catedral de um silêncio imponente. E estamos com sorte. O céu está puro e o dia limpo.

Antes de iniciarmos a caminhada pelo perímetro da Caldeira, Roberto Terra, presidente da Azórica, improvisa um briefing, chamando a atenção dos caminheiros para a floresta laurissilva e para a riqueza do património ambiental. A primeira visão da Caldeira é um deslumbramento para os olhos, tal o seu esplendor e a grandiosidade dos seus 313 hectares. Trata-se de uma esplêndida cratera vulcânica com cerca de 2 km de diâmetro e 400 m de profundidade revestida de uma vegetação exuberante e endémica, de que se destacam o feto, o musgo, a rapa, o junco, o zimbro, o louro, o sanguinho e o cedro

mercescoelho@gmail.com

J

oaquim Hilário da Silva, nasceu em 8 de Janeiro de 1931, nas Velas, e faleceu em 8 de Agosto de 1996, em Santa Cruz da Graciosa, tendo como tecto tutelar o Lar de Santo Cristo da Santa Casa da Misericórdia, que havia estreado poucos anos antes, transitando do edifício velho, contíguo à Igreja da Misericórdia, e que já fora hospital até à década de 60. Não se conhecia nome completo ao Joaquim, era apenas o Joaquim, ou Joaquim Arregaça; não usava identificação, não se lhe sabia a idade, não tinha actividade remunerada, nem bens, nem família nuclear. De estatura física mediana, o corpo não tinha medida para o vestuário, nem os pés número de sapatos. Do que lhe davam, tudo lhe servia e era de préstimo. Vagueava pelas ruas, respondendo ao apelo de ajudar em qualquer actividade pontual, quer fosse nas vindimas a acartar cestos, quer no descarregar as sacas de correspondência e carga dos navios, de que não falhava, possivelmente pelo passeio no cimo da camioneta de caixa aberta ao serviço dos correios. Em troca recebia o que lhe davam: uns trocaditos, um copo de vinho, um naco de pão, ou comida. No verão dormia ao relento nos bancos da praça, ou indiferente à chapa do sol, de dia ou de noite, conforme o que o corpo lhe pedia; no Inverno procurava abrigo num granel, um alpendre, enrolando o corpo ao jeito de lhe dar mais conforto, num tempo em que não era moda falar da realidade dos “sem abrigo”.

No perímetro do sonho

do mato. O cone vulcânico está assim há 10 mil anos, mas tudo começou há 410.000 anos numa erupção vulcânica que deu origem ao Faial. Este espectacular santuário de flora e vegetação é um quadro feito de emoção que entontece e deslumbra. Por entre jogos de luz e sombra, seguimos por carreiros perdidos, palmilhamos trilhos de aventura. E logo um ah de assombro, um vago sentimento de surpresa se apossam de nós. Não tiramos os olhos das profundas vertentes alcantiladas à medida que caminhamos. Há um silêncio mágico cortado pelo ruído surdo dos nossos passos e pelo canto dos pássaros. Cheira a terra e a humidade nesta paisagem que infunde respeito. É um dia de Julho e o sol está agora radioso. Paira no ar uma impressão de volúpia e frescura que nos acaricia. Respiramos a amplidão com alegria, neste fantástico panorama que abrange o Faial todo, mar, céu, costa, luz e irrealidade. Circulamos o olhar e lá estão as ilhas em frente: a montanha do Pico irrompendo de entre nuvens metafóricas; a configuração longa e estreita de São Jorge; a mancha desvanecida da Graciosa… Olhamos bem no fundo da Caldeira e imaginamos a lava explosiva que veio do fundo do mar... E grandes tremores de terra, fogo e caos, cataclismos espantosos, con-

Maria Mercês Coelho

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vulsões lávicas… Grandeza colossal! Ah, o que este Vulcão vomitou e produziu… (O meu telemóvel toca, chamando-me ao sentimento da realidade. Não quero ser incomodado. Desligo e sigo caminhando. A Caldeira, a exaltação da vida livre, impõenos recolhimento e silêncio). A 1043 metros a partir do nível do mar, caminhamos agora por entre ravinas admiráveis, situações imprevistas e abismos que nos atiram para as regiões mais fantásticas do sonho. Estamos suspensos entre o céu, o mar e a Cratera. Há aqui um silêncio cheio de vida. E uma luz mais que delicada. Não viemos aqui para ver paisagens, mas para sentir atmosferas. Esta Reserva Natural guarda uma beleza estranha que não nos larga e nos contempla ao mesmo tempo que a contemplamos. Roberto Terra recorda que, no decurso da crise sísmica de 13 de Maio de 1958, abriram fendas no interior da Caldeira que

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romperam a impermeabilização do fundo da mesma. Este facto levou ao escoamento das suas águas para o interior do cone central, desencadeando violentas explosões freáticas e ocorrência de actividade fumarólica. Temeu-se o pior e chegou mesmo a haver um plano para evacuar todos os habitantes do Faial. Mais recentemente, em resultado do sismo de 9 de Julho de 1998, deram-se derrocadas nas paredes quase verticais da Cratera, ainda bem visíveis. Levámos cerca de 3 horas a completar o perímetro da Caldeira. O esforço foi recompensado. Chegamos, vitoriosos, contemplando uma última vez esta visão inesquecível e prodigiosa. Fica prometido: para uma próxima vez hei-de fazer os Trilhos dos 10 Vulcões. E, com esta certeza, limpo o suor do meu rosto e fico a olhar os raios bíblicos do sol.

Pobreza de espírito / riqueza de alma

Nas festas da ilha estava o Joaquim. Acompanhava no seu passo trôpego o desfile das Filarmónicas e bem assim, sem convite, marcava presença em qualquer outra festa privada, fosse coroação, casamento ou baile, porque da abundância do evento, sempre haveria sobras, alguma coisa para partilhar com ele, ou matar a sede. Raramente pedia. Esperava por ali a olhar e a aproveitar a melhor ocasião de gozar das migalhas, e se o chamavam, corria ligeiro e agradecido. De poucas falas, não se lhe ouviam queixumes, nem praguejar, nem gargalhadas alvares. Ficava-se naquele pasmo silencioso, apanágio dos bons, conformado com a vida que tinha. Vivia sem arrebatamentos e sem pecados, como as aves do céu, que não semeiam, não colhem e se alimentam do que há nos campos, na mais pura expressão franciscana. De seu, uma completa liberdade e uma felicidade de quem não teme, não deve. O pai, António Hilário, natural das Velas de São Jorge, foi cabo de Infantaria no quartel de diligências do Regimento de Infantaria nº22 em Santa Cruz da Graciosa (ali, nos baixos da actual casa da Senhora D. Germana Barcelos ) quando havia necessidade de guardar os deportados políticos, condenados ao exílio nas ilhas pelo Estado Novo. Essa passagem fez o jovem conhecer uma graciosense, de seu nome Maria Carlota da Silva, natural da

freguesia da Luz, mas residente na Vila, com quem casou em 1930. Pouco depois o casal terá regressado à terra natal dele - S. Jorge -, onde seus pais se haviam acomodado, vindos de S. Miguel, vivendo da pesca e do mar. Lá nasceu o primeiro filho, o Joaquim, a que se seguiram outros. Nas bolandas da vida, a mãe voltou às origens com o filho e instalaram-se no Degredo, uma zona recôndita da Vila. Tinha então o Joaquim 21 anos quando a mãe, ainda nova, morreu e se os laços familiares não eram fortes, ficou o Joaquim completamente entregue a si próprio. Sempre com a mesma expressão e a natural bonomia de que foi dotado, as forças e o préstimo do Joaquim foram cedendo. Foi apanhado na malha da resposta social à mendicidade. Devolveram-no a S. Jorge para que se aconchegasse à família que lá vivia, mas foi inútil a acção. Sem explicações de mérito, voltou pouco depois ao aconchego do bafo da ilha onde as estrelas lhe davam o brilho que conhecia melhor e foi então que consentiu em ter uma cama abrigada no Asilo da Santa Casa da Misericórdia. O tempo que passava por ele fazia idade nas pessoas, e ele deixou de ver a menina que fui, mas corria ao meu encontro

chamando-me por “Senhora Professora” o mais distinto tratamento que ele reconhecia a uma mulher, na gentileza de saber da saúde do “meu papá”. Saramago dizia “dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos”. Assim era o Joaquim, um homem simples, no absoluto sentido da expressão, que nos deixou o retrato duma sã bondade de homem, que nunca deixou de ser criança.


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1 de Novembro de 2011

Reflexos do Dia–a–Dia

Diniz Borges d.borges@comcast.net

O

Presidente da República Portuguesa Aníbal Cavaco Silva visita, em breve, a Califórnia. Traz um avião cheio de gente e vai, segundo dizem, informar o Silicon Valley que Portugal é um paraíso no campo das novas tecnologias. E como está no estado com a maior comunidade de origem portuguesa nos EUA, oferece, na cidade de S. José, por um donativo de cada participante na ordem dos $50 para a POSSO, um jantar à comunidade portuguesa, o que dá credibilidade à frase popular americana: there is no free lunch, or free dinner. Já há vários anos que não passava pela costa oeste dos Estados Unidos um chefe de estado português. Estamos longe de Portugal e somos, graças a todos os deuses, uma comunidade integrada no "mainstream" americano. Podemos não contribuir muito para as remessas que os emigrantes ainda mandam para Portugal, embora ainda contribuamos com alguns tostões, mas também não chateamos muito a classe política. É que embora os nossos "líderes" comunitários, e alguns na nossa comunicação social, tenham o gosto especial pelo maldizer político, nos momentos das visitas, prostram-se como ovelhas mansas. Daí que esta visita, e qualquer repercussão que porventura tenha, será ou não concentrada no Silicone Valley, e ainda bem para Portugal, porque para a comunidade portuguesa não passa de uma mera cortesia. Aliás, estas visitas, quando não são bem pensadas, até causam divisões numa comunidade que já tem as suas divisões. Mas já que o Presidente Cavaco Silva vem à Califórnia, pensei (talvez mais uma ingenuidade minha) que gostasse de saber alguns factos sobre esta comunidade. E se não servirem para o Senhor Presiden-

te, talvez até sirvam para reflexão interna. E os mesmos deuses também sabem que bem precisamos reflectir. Em termos de população, segundo o censo de 2000, somos 330,974 emigrantes e luso-descendentes, apesar de gostarmos

muito, muito mesmo, de apregoar que somos um milhão. E estamos espalhados por toda a parte. O condado com maior número de gente de origem lusa era, em 2000, entenda-se, o de Alameda, onde se identificaram como sendo de descendência portuguesa, 37.906 pessoas ou seja 2,7 por cento da população desse condado. Aliás, os condados com maior percentagem de

Memorandum João-Luís de Medeiros jlmedeiros@aol.com

1 – “Porque razão fomos amaldiçoados com o poder de pensar?” rancamente, não sei. Continuamos a assistir (e de certo modo a participar) na tremenda poluição escrita e verbal do discurso da crise: ouvimos falar da imparável germanização da Europa; dos erros gramaticais da cartilha oficial das virtudes alheias; do ‘charme discreto’ da monarquia corvina... mas pouco se fala na açorianização da nossa Diáspora insular. Passada que foi a dinastia espalhafatosa dos milhafres, dos hinos paralelos, das bandeiras e das bandeirolas, da xenofobia do ananás contra o abacaxi – agora, o tempo é de militância na açorianidade... Apesar da minha bússola existencial me furtar o privilégio das rotas fáceis da vida, permaneço alheio ao costume de culpar os fados-da-sorte pelo sucesso e/ou retrocesso do meu percurso imigrante. Para gáudio dos antigos adversários políticos (e para desapontamento de alguns camaradas) mantenho intacta a reputação de ter nascido desajeitado na arte de mendigar boleias institucionais para encurtar a cruzada emigrante. Exceptuando aqueles que continuan a ser deportados para o torrão de origem (devido à doutrina selvática do recente legalismo norte-americano) não vejo os ilhéus-emigrantes como vítimas da emigração. Creio que as comunidades devem proceder à selecção democrática dos

F

A visita do Presidente da Republica Portuguesa gente de origem lusa estão todos no vale de S. Joaquim. O condado de Merced tem 6.25, o de Kings com 5.7%, o de Stanislaus 4.9% e o de Tulare 3.6%, entre outros. O condado de Santa Clara, onde o Presidente terá a recepção à comunidade portuguesa de toda a Califórnia, tinha, em 2000, segundo o mesmo recenseamento, 27 mil pessoas de origem lusa, ou seja cerca de 1,7% da população daquele condado. Aliás, dessas 330 mil almas que em 2000 se identificaram como sendo de origem portuguesa, cerca de metade viviam entre Sacramento e Bakersfield. Temos uma amalgama de instituições criadas pelos emigrantes, e seus descendentes, algumas já centenárias. Na cultura popular existem uma dúzia de grupos de folclore, 14 filarmónicas, dezenas de grupos desportivos e várias mãos cheias de instituições culturais que promovem as mais variadas actividades e que são as responsáveis pela ligação que a comunidade ainda tem com a sua cultura ancestral. Tudo isto é suplementado com as festas populares que as várias comunidades ainda fazem e que também têm o seu expoente máximo no Vale de São Joaquim. Hoje, as festas populares mais participativas são as de Gustine, Thornton, Turlock, Hilmar e Pismo

Beach--esta na costa central. No que concerne ao ensino da língua e cultura portuguesas, temos apenas 8 escolas do ensino secundário com cursos de português. Dessas oito, seis também são no Vale de São Joaquim, três na cidade de Tulare onde este ano estão matriculados 378 dos cerca de 800 alunos que em todo o estado aprendem, no ensino secundário, a nossa língua. Nas Portuguese Heritage Schools, a Jorge de Sena de Turlock e a Vitorino Nemésio de Tulare, ambas no Vale de São Joaquim têm mais de metade dos alunos matriculados em todo o estado. No campo da assistência social, para além dos serviços feitos pelos salões do Espírito Santo, em muitas comunidades conhecidos, meramente como salões portugueses, sem qualquer conotação religiosa, há ainda o trabalho salutar da POSSO em São José, da VALER em Turlock e do Centro de Serviços Sociais do CPEC em Tulare. Na comunicação social, para além deste jornal, um verdadeiro repositório da vida e do pensamento comunitários, existem três estações de rádio com programação em português, para além de vários programas na língua de Camões. E na televisão, o único programa feito fora dos sistemas de tele-cabo é na cidade de Fresno--Os Portugueses no Vale. E muito mais se poderia dizer sobre a comunidade da Califórnia, que não pode, nem deve ser minimizada a uma localidade e a um espaço. Talvez ainda um dia o Senhor Presidente Cavaco Silva, queira visitar e conhecer as várias comunidades que compõem este importante estado da união americana. E se quiser, as várias comunidades recebêlo-ão muito bem. Se não me acreditar, pergunte ao Presidente Mário Soares.

Orvalho de Ideias

seus conselheiros, e reeducá-los a espevitar a indiferença dos instalados e atenuar o medo dos indecisos... Exceptuando os poucos que procuram cumprir o serviço público sob o pálio da dignidade democrática, assiste-se ao desfadado pulular dos legionários da mediocridade, ocupados na tarefa de ‘gritar penalty’, nesmo antes do início do jogo cívico-politico. Todos sabemos que a Autonomia e os Partidos políticos são manifestamente instituições de fraca memória colectiva. Daí a pergunta sacramentada: será que há açorianos com saudades da doce-tiraniamaioritária que, durante quase vinte anos (1976-1995) tutelou a vontade cívico-cultural da Região? Afinal, que tipo de fome há nos Açores? E que tipo de bem-estar FLAmeja no horizonte da impaciência açoriana...? Cá está a arte de bem perguntar: o ecrã televisivo pode ser um astuto detector de mentiras. Uma comunidade incapaz de formular perguntas é uma comunidade que sofre de gaguez política. Padece de asma civica... Aparentemente, a opinião pública está fixada na classe política. Mas... seria gostoso saber se haverá outras curiosidades na lista d’espera da comunicação social da nossa praça. Por exemplo: quem são os melhores professores da Ilha? Quem é considerado (pelos colegas e pelos clientes) o

mais prestimoso taxista da cidade?... e o mais talentoso jardineiro?.. e o mais competente e afável enfermeiro do Hospital de Ponta Delgada? Mas haveria mais, como esta de inquirir se as doutrinas do Vaticano II continuam ainda na ‘ordem do dia’ no quotidiano das paróquias insulares... A propósito, fala-se cada vez menos do movimento ecuménico: no que concerne à Comunidade Europeia, o papa Bento XVI não esconde a opinião de que o processo eurocrático está envolvido na perspectiva duma Europa Cristã. Segundo estatisticas reputadas como credíveis, na próxima década, cerca de 2,6 biliões de crentes serão membros das inúmeras sensibilidades cristãs espalhadas pelo planeta, logo seguidas pelo Islão, que... soma e segue. 2 – novos ricos – novos pobres No meio do anedotário social vigente, atrevo-me a sugerir que ainda vale a pena ‘amarmo-nos uns aos outros’, mesmo que tenhamos de ir espiritualmente a pé, para não chegar atrasado à praça da Reconciliação étnica. De resto, até mais ver (e acreditar) não aceito o boato da sentença celestial que reserva a Terra para servir de hospital planetário aos malucos do sistema solar... Com que então – somos todos iguais? Cuidado: a igualdade é um produto (aliás maravilhoso) da imaginação humana. Já

ouvi dizer que somos co-herdeiros da Terra, mas (ironicamente) temos de comprar a nossa quota-parte. Se calhar, o planeta está à venda. Não admira que haja vários auto-arvorados alcaides comunitários que se passeiam por aí, com um ar de quem diz : eh pá, quanto custa o mundo...? Porventura ainda mal refeita das ‘curvas’ do próprio percurso existencial, a minha geração fez parte daquelas que regressaram ao berço natal (vivos por fora) mas com a pele da alma ressequida pelas conhecidas contrariedades do longo ‘cruzeiro’ colonial. Curiosamente, muitos dos que nos precederam na vida têm tido o generoso cuidado de nos ‘animar’ com a notícia de que a vetustade humana (embora irreversivel) não se nos apresenta como fenómeno vingativo de repentina crueldade. Aliás, a velhice não é defeito de nascença...! Habituei-me a trazer o ouvido sintonizado para melhor entender o murmúrio dos deserdados. A receita é simples: ajudar a juventude no acesso meritocrático ao capital humano; não disfarçar o bornal dos nossos erros políticos; reforçar os alicerces da autonomia pessoal, para melhor resistir ao namoro maligno da subserviência política. De resto, meus caros, a humanidade não é mera colecção de indivíduos – é uma ideia em marcha. Àvante!


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Temas de Agropecuária

Egídio Almeida almeidairy@aol.com

É

esta a pergunta que continua no ar, e essa unificação nunca foi mais importante de que no presente e futuro desta industria, quando todo o sistema político está em desacordo, enquanto o barco a pouco e pouco se vai afundando, e ainda continuamos à procura dos culpados. Esta é a altura de decisão para os produtores de leite, há que decidir apoiar, ou não, a proposta do Rep. Collin Peterson (D-Minnesota), que implementará reformas nos “The National Dairy Policies”, baseados na proposta da Fundação para o Futuro, da “National Milk Producers Federation”. No passado já nos referimos às três maiores mudanças que o plano vem propor, hoje trazemos a opinião de produtores de leite Californianos que por razões diferentes,

vêem o plano como um obstáculo ao progresso. Segundo a opinião de algumas famílias da agropecuária americana, muitos dos maiores problemas desta industria tem sido causados pela “National Milk Producers Federation”, pelo facto desta organização ser o braço político das grandes cooperativas, não esquecendo que uma grande maioria dos accionistas são afinal produtores de leite, mas cujas prioridades, segundo a oposição, não é o interesse das famílias produtoras. Há quem vá ainda mais longe, prevenindo os produtores de que o “Furacão Katrina” pode estar de volta nos lacticinios com um nome e ferocidade diferentes, com as reformas da “Fundation for the Future". Além de muitas outras medidas, e de acordo com as mesmas fontes, a

Vai a industria de lacticínios

unificar-se?

“National Milk” tem suportado medidas regulatórias no sistema de importações de produtos do leite, que favorecem companhias internacionais, negociando com as grandes cooperativas, muitas destas, donas de licenças de importação nos Estados Unidos, tais como “New Zealand’s Fonterra” e outras grandes firmas europeias, que ganham controle dos mercados à custa dos produtores e consumidores americanos. Enquanto que as mesmas fontes acreditam que a “National Milk” tem complicado e encorajado importações, estão agora puxando um curto círculo de reformas na industria de lacticinios, na proposta nova Lei da Agricultura em 2012, impondo a famosa “Foundation for de Future”, em que as grandes cooperativas pretendem substituir o “MILK” e "Dairy

Price-Support”, redes de seguranca, com o contraverso (dairy margin insurance program) e criando ainda uma nova taxa para penalizar os produtores de leite que excedam a sua margem de produção.

N

em toda a indústria tem a mesma opinião, e acreditados produtores, chefes de organizações da agropecuária na Nação, oferecem pontos de vista diferentes. Aqueles que acreditam que não deve haver qualquer controlo na produção, no desejo de que o mercado global resolva a situacao, de excessos de produtos. Outros, que acreditam que esta proposta de “Peterson” não vai longe bastante para resolver a situação da industria.

Outros há ainda que não têm fé em qualquer proposta vinda da “National Milk Producers Federation” devido à sua histórica aliança com as cooperativas. Estes produtores adiantam ainda, que, admitindo que os programas correntes não têm futuro e um outro círculo igual aos anos mais recentes devastaria a agropecuária, uma vez que a única proposta que há agora é o “Peterson Draft” que, mesmo não sendo perfeito, pode ser politicamente emendado, e vir a ser a tábua de salvação. A não cooperação pode ter um custo tremendo para toda a industria.

Falecimentos

Manuel Lemos Faleceu no dia 23 de Outubro em Hughson, California, Manuel Santos Lemos, de 68 anos, natural da Horta, Faial, Açores Deixa de luto sua esposa Ana Regina Lemos, filhos Mary Anna Lemos-Silva (Luis), Michael Lemos, Diana Eastland (Gary), Jim Lemos e David Lemos, netos: Timothy Michael Lemos, Melissa Lemos, Corey Drace, Serena Lemos, Venesa Lemos, Joshua Lemos, Cody Lemos, Isabella Lemos, Jazmin Eastland, Jacob Lemos e Summer Silva. Também deixa a chorar a sua morte, seu irmão Duarte Lemos e numerosas sobrinhos/as. Depois do Rosário na Igreja das Cinco Chagas no dia 28 de Outubro, Manuel Lemos foi a sepultar no Calvary Catholic Cemetery.

Maria Adelaide Soares

Julho 30, 1924 ~ Outubro 22, 2011 Faleceu com a idade de 87 anos, Maria Adelaide Soares, viuva de Leonel Soares, nascida em Lourais, Ilha de São Jorge. Era membro da Igreja de Nossa Senhora da Assunção de Turlock e do Santuário de Nossa Senhora dos Milagres de Gustine. Deixa a chorar a sua morte, as filhas Maria Isilda Soares, de Algarve, Portugal; Olivia Brasil, de Escalon, viuva de José Brasil; Lucia Brasil e marido

Arnaldo, de Madera; Conceição Areias e marido Manuel, de Galt e Fátima Mendonça e marido José, de Gustine. Filhos, Joe Soares e esposa Teresa, de Turlock; Germano Soares e esposa Jacinta, de Turlock; Fernando Soares, de Idaho e João Soares e esposa Manuela, de Idaho. Era mãe do já falecido Rev. Padre Julio Soares. Irmãs, Olga Morais, de Santa Clara; Terezinha Morais, Juvena Bettencourt, Conceição Cabral, todas em São Jorge, Açores; Alice Silva, de Massachusetts e Alvarina Bettencourt, de Ceres. Deixa também 24 netos e 28 bisnetos. O Rosário teve lugar na Sextafeira, 28 de Outubro, na Igreja de N.Sa. da Assunção em Turlock. No dia seguinte, depois da missa de corpo presente, no Santuário de N.Sa. dos Milagres em Gustine, Maria Adelaide foi a sepultar no Turlock Memorial Park. Tribuna Portuguesa envia sentidas condolências.

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1 de Novembro de 2011

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A Caneta Esferográfica Como é que foi inventada?

A

primeira “ideia” de formulação de um instrumento de escrita em modelo esferográfico (ballpoint pen) é atribuída ao norte-americano JOHN J. LOUD (1861-1946). Segundo WILKIPÉDIA, sabe-se muito pouco sobre a vida deste inventor, mas conhece-se que ele recebeu uma patente pelo seu projecto no dia 30 de Outubro de 1888. Frise-se que os planos para o lançamento e concretização das suas teorias esboçadas para fins comerciais e, mais especificamente, para marcar cabedais, nunca suscitaram interesse geral, nem chegaram a ser implementadas. Estudos posteriores opinam que os esquemas deste inovador não surtiriam os almejados objectivos. Posteriormente, houve tentativas tendentes à formulação prática de instrumentos de escrita que pudessem substituir os diversos modelos tradicionais de caneta-tinteiro, também denominada “caneta permanente” (veja a foto seguinte), de aplicação por vezes problemática, pois a tinta então usada, nem sempre era adequada e não fluía devidamente, nunca secava com rapidez. e era também inacessível às possibilidades pecuniárias de muita gente. Adicionalmente, a “permanência” da tinta estava limitada à capacidade do tubo-depósito de cada caneta... Com frequência irritante, as canetas “pingavam” borrando documentos e dedos dos utentes... Suspirava-se por outras alternativas mais eficientes e menos problemáticas ! A formulação prática de um instrumento de escrita diferente deve-se à sagacidade e à persistência do húngaro LÁSZLO JÓZSEF BIRÓ (Setembro 29, 1899- Novembro 24, 1985), jornalista e editor de um jornal em Budapeste, cidade capital da Hungria.

Lázlo Jozsef Biro, ci. 1978 Verificando que o tipo de tinta usada na impressão dos jornais então publicados secava com grande rapidez, permitindo assim que o papel impresso ficasse seco e isento de borrões. LÁSZLO J. BIRÓ decidiu elaborar uma tinta com características semelhantes adaptada ao novo tipo de caneta que ele planeava. Para isto ele recorreu à colaboração e perícia de seu irmão GEORG BIRÓ, químico profissional. Em conjunta colaboração, assim foi formulada uma tinta viscosa e espessa que fluiria lentamente, sujeita ao controlo da caneta, então ainda em experimentação. Motivada pela natureza da nova tinta, a elaboração do respectivo instrumento de escrita centralizou-se na criação de uma caneta que se coadunasse à tinta. E assim começou a surgir a caneta esferográfica.

Formulação da Tinta Para a tinta fluir devidamente para a ponta da caneta em experimentação, LÁSZLO e seu irmão GEORG desenharam e introduziram um novo tipo de ponta com uma minúscula esfera, a qual, deslizando sobre o papel, girava ao mesmo tempo no interior do bico, colectando a tinta e depositandoa na ponta esferográfica. Esta esfera tam-

bém vedava o respectivo tubo ou depósito da tinta, obstando que se esvaziasse, provocasse entupimento, ou secasse. Estava concretizada a caneta esferográfica! Subsequentemente, os dois irmãos BIRÓ requisitaram e receberam patentes de protecção à sua invenção na Hungria, na França e na Suíça em 1938.

Emigração dos inovadores para a Argentina No ano de 1943, LÁSZLO e GEORG BIRÓ e respectivas famílias, de ascendência judaica, viram-se compelidos a emigrar para a Argentina com o objectivo primário de escapar às furiosas e inclementes perseguições nazistas inspiradas e comandadas por Hítler durante a horrível Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Em Junho desse mesmo ano, os dois empresários não só obtiveram nova patente para a sua remodelada invenção, como também formaram. com a ajuda de um amigo, Meyne, uma companhia “BIRÓ Y MEYNE” para a comercialização da sua caneta esferográfica na Argentina. Mais tarde, fundaram também a sua própria

O Presidente da Fundação, Luís Oliveira, convida toda a Comunidade a participar neste jantar e poder ajudar nos objectivos desta já antiga e non-profit organização do Vale Central. 18:00 Hora Social 19:00 Jantar 20:00 Apresentação de Bolsas de Estudo e Reconhecimentos 22:00 Sarau Dançantes $40.00 Para reservas de bilhetes, podem contactar: Luis Oliveira 209-704-8850, Sérgio Pereira (209-564-6863 ou John Dias 209-668-9468. Não haverá venda de bilhetes à porta

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Perspectivas Fernando M. Soares Silva fmssilva@yahoo.com companhia BIRÓ PENS OF ARGENTINA e ainda a ETERPEN COMPANY que muito expandiram as vendas e a popularidade das canetas Biró na América do Sul. A imprensa argentina aclamava essas esferográficas porque “eram capazes de escrever durante um ano inteiro com um só depósito”. Na Argentina, ainda hoje, as canetas produzidas por esta companhia conhecem-se

Lázlo Jozsef Biro

Jantar Anual da P.E.F.C.C. Realiza-se no dia 18 de Novembro de 2011, no Salão da Paróquia de Nossa Senhora da Assunção, em Turlock, o jantar anual da Portuguese Education Foundation of Central California. Esta Fundação durante os ultimos 18 anos tem apoiado milhares de estudantes com a atribuição de Bolsas de Estudo para prosseguimento dos seus estudos em Universidades e Colégios. Esta Fundação tem trabalhado árduamente para manter a Língua e a Cultura Portuguesa na Universidade de Turlock, nos Colégios e em Escolas Secundárias do Vale Central da California. Além da entrega de Bolsas de Estudo, este jantar também serve para reconhecer estudantes, educadores do ano, cidadãos e empresários.

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pelo nome de “biromes”. Outra nota interessante e muito significativa: Na Argentina, o DIA DO INVENTOR é celebrado no dia 29 de Setembro, em comemoração do data do nascimento de LÁSZLO BIRÓ. Saliente-se aqui que este tipo de caneta esferográfica tornou-se o preferido pelos pilotos e equipas dos aviões de caça da Royal Air Force britânica que o achavam muito mais prático e eficiente do que as tradicionais “canetas permanentes”, sobretudo em voos a elevadas altitudes. A grande vantagem: a esferográfica não permitia o escape da tinta durante as arrojadas manobras dos aviões de caça. Dentro do plano “esforço de guerra”, o governo britânico comprou os direitos do licenciamento da esferográfica que assim ficou oficializada nas forças armadas inglesas. Tudo isto incrementou a favorável reputação e o prestígio da caneta esferográfica BIRÓ.

Evolução e expansão da Caneta Esferógrafica Em 1944, LÁSZLO BIRÓ já havia vendido, por avultada soma, uma patente da

sua esferográfica à firma norte-americana EVERSHARP-FABER, interessada na produção e desenvolvimento das novas canetas no mercado norte-americano. No entanto, regista a história ter sido o grande empresário MILTON REYNOLD (18921976), natural de Minnesota, quem mais promoveu a aceitação da caneta esferográfica nos EUA com a introdução, em Outubro de 1945, da sua caneta, por ele aclamada como “a primeira caneta que escreve debaixo de água”. Ele conseguiu vender 10.000 dessas canetas por $10.00 dólares cada uma, elevado preço que ele justificou devido ao alto custo da nova tecnologia. Em 1950, o empresário francês MARCEL BICH (BIC), (1914-1994), comprou uma patente de LÁSZLO BIRÓ autorizando o seu fabrico e o seu desenvolvimento na Europa e no já crescente mercado internacional das firmas controladas pelo Grupo SOCIETÉ BIC, actualmente o maior e mais respeitado fabricante mundial de canetas esferográficas. Os historiadores apontam que o grande mérito de MAECEL BIC foi a sagacidade de criar um processo industrial de fabricação que reduzia grandemente o custo das canetas esferográficas por cada unidade. Em 1949, as suas canetas esferográficas começaram a ser comercializadas sob o nome “BIC”, uma abreviação do seu sobrenome, a qual, segundo ele próprio acreditava, era mais fácil de ser lembrada pelo público em gera. Dez anos mais tarde, as esferográficas BIC entraram no mercado norte-americano, que, inicialmente se mostrou relutante em aceitar as canetas esferográficas BIC, pois já havia tido experiências negativas com outros modelos de fabrico nacional, que não obtiveram sucesso. O Grupo SOCIETÉ BIC respondeu com uma enorme campanha de publicidade radio-televisiva apontando as vantagens e os sucessos da BIC por todo o mundo; essa campanha focalizava não só ser a esferográfica BIC muito melhor, como também menos dispendiosas do que as outras esferográficas. O resto é história: as canetas esferográficas do modelo BIC convenceram o mercado norte-americano, e as suas canetas esferográficas tornaram-se populares em todo o mundo. O desenvolvimento e a coerente evolução da caneta esferográfica com o uso de uma esfera (em aço ou tungsténio) tiveram o efeito de destronar e substituir as tradicionais “canetas permanentes”.


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1 de Novembro de 2011

Nossa Senhora de Fátima de Thornton

Aspectos do Bodo de Leite da Festa de Nossa Senhora de Fátima em Thornton

Paulo Matos, Zélia Freitas, Maryjo Meirinho, David Garcia, Justine Martins, Nathalie Pires, Darlene e Manuel Lopes. Sentados: Helder Carvalheira, Manuel Escobar e João Cardadeiro


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Em cima pode-se ver George Rocha com os seus 6 netos cantadores, recordando o tempo em que os Rochas andavam pela California a tocar musica nos anos 70's e 80's. Rainha Grande Simone Pimentel, ladeada pelas aias Ashley Silveira e Britnie Martins

Folclore, festa brava, improvisadores, tocadores, são componentes importantes dos nossos bodos de leite

João e Hermínia Inácio, João e Fátima Lopes, MaryJo Meirinho, Padre José Rodrigues, Manuel e Darlene Lopes, Mary Reiswig, Laura Pereira e Frank Chaves


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1 de Novembro de 2011

MaryJo Meirinho, Presidente, Padre José Rodrigues, Vice-Presidente Manuel e Darlene Lopes, Frank

Depois da Novena da Sexta-feira da Festa, houve uma muito boa Noite de Fados, com Justine Martins, Zélia Freitas, David Garcia e Nathalie Pires, acompanhados pelo Helder Carvalheira, Manuel Escobar e João Cardadeiro. Durante a semana realizaram-se as novenas habituais presididas pelo Padre José Rodrigues, vindo de Bragança. No Sábado depois da Missa, realizou-se o Bodo de Leite com a participação de muita gente, e o tradicional Pézinho com Manuel dos Santos, João Pinheiro, José Ribeiro, António Azevedo, Adelino Toledo, Alberto Sousa, acompanhados por Dimas Toledo, Pedro Reis, Mauel Avila e Jorge Reis. Durante a tarde houve a actuação dos diversos Grupos Folclóricos e a primeira Corrida de Toiros da Feira. Depois da Missa Solene às 7 horas realizou-se a Procissão das Velas com a participação de milhares de fiéis. Para acabar a noite, Baile com o Conjunto Sem Dúvida e Cantoria no Salão.


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Durante a Missa de Festa do Domingo

k Chaves

Rainha Grande Simone Pimentel com as aias Ashley Silveira e Britnie Martins

Para que fique em memória futura desta festa, podemos dizer que este ano não houve coroações, nem de Rainhas, nem da Presidente e família, como é habitual

em muitas outras festas. É pena que não haja uma maneira de se poder contabilizar o número de pessoas que participam nesta bonita festa.

Embaixo: Rainha Júnior Elena Machado, aias Marissa Heredia e Allison Malmberg. Direita: Rainha Pequena Jacqueline Machado, aias Monique Costa e Jabyn Sousa

Espera-se que para o ano, o pavimento onde se realiza as missas da festa seja totalmente alcatroado, porque não faz sentido passar mais um ano sem o fazer. O

povo merece isso e muito mais. Aqui fica este pedido ao Presidente de 2012 Manuel e Darlene Lopes.


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1 de Novembro de 2011

No Domingo houve Missa da Festa presidida pelo Padre José Rodrigues, seguindo-se a Procissão com 75 organizações de toda a California. Como sempre o Coro de Manteca esteve muito bem. Houve almoço para todos os presentes e arrematações das ofertas. À noite cantoria e baile com Fisher DJ. Na Segunda-feira, vacada e a tradicional II Corrida da Feira Taurina Fim da Procissão

Laura Pereira (Secretária), (Vice-Presidente) Manuel, Darlene Lopes e filha, (Presidente) MaryJo Meirinho, mais recuada e Mary Reiswig (Tesoureira)

Nestas duas fotos podemos admirar os verdadeiros HERÓIS das nossas festas


PATROCINADORES

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1 de Novembro de 2011

Do Pacifíco ao Atlântico

Rufino Vargas

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UTEBOL - Entre Fado, Fátima e Futebol, hoje vou dar primazia a este último. O jornal faialense «Tribuna das Ilhas» de 5 de Agosto de 2011, refere-se à decisão tomada pelos responsáveis do Faial Sport Club – decano dos clubes de futebol açorianos – de formarem e apresentarem a equipa verde com jogadores faialenses. Esta medida é acertadíssima em dois sentidos: 1°Não se esbanja dinheiro do érário público em contratações de jogadores vindos de fora. 2◦ - Usando a prata da casa, os nossos jóvens, têm oportunidade de aprender e praticar esprit de corps, isto é espírito de equipa, com coragem e inter-dependência humana. No tempo da escravatura, seres humanos eram transaccionados como mercadoria. Ponhamos termo a idêntica prática no desporto actual.

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PORTUGAL País dos 3 F'S (XVII)

ARTURA - Estamos a meados de Agosto. Antigamente a primeira lancha a atravessar o canal em direcção ao Faial era a lancha da fruta. Hoje é o Cruzeiro da fruta mas com o mesmo propósito de deliciar os nossos irmãos faialenses com a nossa riqueza. Há peixe de todas as variedades. No entanto é de realçar uma vez mais a triste ocurrência de aproximadamente oito toneladas de atum terem sido lançadas ao lixo em S. Miguel por carência e deficiência no complexo de refrigeração e congelamento. Mais uma vez estamos a atirar riqueza ao mar. Como bem anuncia a Cofaco, o mar deve ser a nossa terra, o que não acontece neste caso. Os indígenas da costa oriental africana, fortemente influenciados pela cultura Árabe, incluindo Moçambique usam a palavra Maningue, que significa abundância, em swaili, língua ancestral que persiste até hoje. Julgo que Vasco da Gama há quinhentos anos atrás quando tentava descobrir a Índia também foi exposto a esta e outras experiências sócio culturais, e nos legou a colónia província de Moçambique onde cumpri a minha comissão ao serviço de Salazar, “o Senhor que governou e nada roubou”, conquanto nos tivesse atrasado cinquenta

anos. Aqui no burgo da Madalena é chic todos terem cabras. Há anos nos meus crosses matinais, por vezes entrava em colisão com rodents, sim ratos! Desta vez, foi com uma cabritinha, ao contrário da do Quim Barreiros, tinha 4 patas e circulava em plena via pública. Felizmente após algum esforço, localizei o dono, que de maneira despretenciosa, disse que ela gostava de passear. Na California, há quem use estes animais em substituição de máquinas de cortar relva ou vegetação. É a solução ecológica-alimentar ideal. Protege o ambiente ao mesmo tempo que nos presenteia com o leite, para a confecção do delicioso e salutar queijo de cabra.

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INALMENTE - O jornal O Dever de 4 de Agosto de 2011, publicava um artigo intitulado Emigrantes, da autoria do Deputado Regional Cláudio Lopes, que eu apreciei e achei extremamente oportuno e justo, como lhe expressei pessoalmente, num jantar convívio nas Ribeiras do Pico. Por muito tempo os emigrantes foram tratados e subestimados como cidadãos de segunda classe, Há anos, um conterrâneo faialense, teve a ousada desfaçatez de publicar uns versos intitulados "a mosca do verão" no actualmente encerrado vespertino Correio da Horta. Consoante a sua miópica visão retratou os emigrantes de forma irresponsável e vexatória, porque ninguém gosta ou tolera moscas à sua volta. Pela sua expressão imbecil, criou um indesejável estéreotipo, que não corresponde à realidade. Somos uma grande fonte de receita e um motor económico, para as nossas ilhas. Muitos postos de trabalho são criados e garantidos pelos os que deviam ser considerados os nossos confrades, que vivem na diáspora, isto é, dispersos e derramados pelo mundo.Não obstante esse xenofobis-

mo tenha vindo a desvanecer- se paulatinamente, ainda há muitas arestas que precisam de ser limadas. SATA, a transportadora aérea dos Açores, com a linha directa Oakland-Terceira, presta um valioso serviço aos nossos compatriotas residentes na costa Ocidental dos Estados Unidos, em particular o populoso Estado da California. No trajecto, de retorno Terceira-Oakland, aqui é que a porca torce o rabo. Os passageiros como eu, não residentes na Terceira, têm que se deslocar para esta ilha com um dia de antecedência, inconveniência esta que envolve despesas que poderiam ser evitadas. Há uma necessidade premente de uma mais apropriada coordenação dos vôos envolventes, não só nesta rota, mas também noutras inter-ilhas. A disparidade e diferenença de pesos da bagagem entre as companhias transportadoras, é outra pedra no sapato. A situação geo-estratégica dos Açores exige que haja entendimento entre a América e a nova super-potência União Europeia. O euro presentemente é a moeda dominante. Somos penalizados, rotinamente pelo exorbitante pagamento de excesso de peso da bagagem que levamos. Precisamos de uma tabela uniformizante de pesos para debelar esta desagradável situação. Enquanto a SATA e o Governo Regional fizer ouvidos de mercador, às nossas reinvindicações, continuemos a usar os barcos da Atlânticoline onde não encontramos problemas concernentes ao peso das nossa bagagens. O termo emigrante(s) é políticamente incorrecto para a nossa periclitante sensibilidade dos nossos tempos. Dóravante em seu lugar usemos compatriotas açorianos ou confrades residentes no estrangeiro. Parafraseando o sábio dictum de um édil (autarca) Micaelense «não há emigrantes, somos todos açorianos».

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NOTAS DO MEU CANTINHO

PESCA ARTESANAL

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s açorianos “andam de barco de cabotagem e de lancha de remos de terra para bordo, do mar para a terra, de porto para porto, pipas e barricas de vinho e aguardente, vasilhame e madeiras para construção de casas, carruagens e barcos, pedra de cal e telha, aduelas e arcaduras, mastros e remos, para canoas, de gados para o mercado e feiras da lavoura, para criação e gastos de casa, trastes e mobílias de baleeiros, animais, porcos.” “O mar foi tudo para o açoriano – caminho e atalho, mercado e feira, estaleiro e oficina, festa e tragédia, alegria e lágrimas, pão e conduto, vida e morte.” “A estrada é o mar. O caminho mais fácil, aberto e chão ou agitado é o mar, durante séculos. – As estradas reais não existem.” (1) E foi assim. Como diz o autor a que me reporto, durante séculos. As estradas e os meios de transportes terrestres, os barcos a vapor e os aviões são recentes. De nossos dias como soe dizer- se. Antes valiam o mar e as embarcações que o homem ia construindo para se transportar a outras terras ou para se fazer ao mar à cata do peixe, alimento principal dele e das famílias. Conta Lacerda Machado: “No reinado de D. João III, achando-se (o primeiro capitão-mór Garcia Gonçalves Madruga) devedor à fazenda real de certa quantia, por motivos hoje ignorados, mandou construir na Prainha do Sul, um “galeão real” a que pôs o nome de Trindade, orago da Vila e foi oferecê-lo a El-rei que se deu, diz o Historiador, por pago e satisfeito, ficando desde então àquela localidade o nome de

Prainha do Galeão, que ainda hoje conserva.” (2) A arte da construção naval parece ter nascido ali e, depois, se espalhado por todo o Pico, pois em quase todos os portos picoenses houve bons e notáveis construtores navais. Foi nas Lajes o mestre Francisco José Machado, que construiu a primeira canoa baleeira, nos Açores, foram os mestres de Santo Amaro com a construções de veleiros e traineiras. E em todos os portos houve calafates que construíam os batéis de pesca neles utilizados. Já os referi algumas vezes e não vou repetir-me. A actividade marítima foi uma das principais do homem do Pico. A terra era árida. Os vulcões destruíam os terrenos aráveis e não era fácil o viver das gentes. As ervas dos campos substituíam as hortaliças. O pão era fabricado em lajes . Existiam os gados selvagens de difícil captura. Era o mar que valia com a abundância de peixes de diversas qualidades que abundavam nas costas. A propósito, escreve Lacerda Machado: “À falta de forno, cozeram na laje o pão rudimentar das suas refeições frugais, e mais tarde o bolo, assavam a carne no borralho, o funcho substituiu a hortaliça que ainda não houvera tempo de a cultivar, ou de que faltavam sementes, uso que ainda subsiste, posto que, raramente, inventaram molhos, gratos ao paladar, para suprir a falta do azeite de oliveira, tardia em frutos, costume que perdura, pois só recentemente se começou a tentar a sua cultura.” (3) O probo e erudito Autor não refere o peixe nem como o apanhavam. Devia ser fácil pois, como disse, devia abundar nas costas. Ainda no século passado, existiam batéis

ou barcos de pesca em todos os portos e portecos, como já os classificaram, à volta da ilha e o mesmo nas outras ilhas. Por cá pescava-se o chamado “peixe de fundo”,principalmente, durante a noite e o chicharro ou carapau nas baías. Os barcos dos portos das Lajes e de São João exploravam o “limpo”, quase junto à costa. Era agradável ver, durante as noites de bom tempo, esses barcos iluminados (com candeeiros) a “ingodar” o peixe, que era apanhado em redes. Amanheciam em terra, com os barcos carregados do pescado. Uma fartura que a todos chegava, quer por compra, quer por troca de cereais. Secos ao sol, eram apreciado alimento no inverno. Praticamente, desapareceu o chicharro depois da proibição da caça à baleia... Deixou de existir, praticamente, o equilíbrio ecológico. A pesca de fundo fazia-se em “marcas” certas, onde eram pescadas diversas espécies bastante apreciáveis. Foi ainda no princípio do século XX que se descobriram os “bancos” Princesa Alice e Dom João de Castro mas, para lá chegar gastavam-se horas quer na ida, quer no regresso. No Verão alguns barcos de pesca iam até São Jorge, onde ficavam semanas ou meses. Os costados dos barcos era aumentados com tábuas – “bordas falsas – e neles seguiam, além dos marinheiros, todas as suas bagagens, incluindo sacas com “bolo torrado” que servia para as sopas dos caldos de peixe com que os marinheiros, geralmente, se alimentavam. E não regressavam enfraquecidos... Uma parte do pescado era vendida localmente e outra seca ao sol e trazida para cá: o peixe seco muito apreciado no inverno, pois, no tempo, o bacalhau mal era conhecido. Por cá ficavam outros marinheiros. Aqueles que se dedicavam à pesca e à caça da baleia. Um conheci que só era pescador: o mestre Bento. Era proprietário de um barco de pesca e todos os dias, manhã cedo, se fazia ao mar. Regressava, geralmente, ao meio dia, com o pescado que servia para o jantar. E falando do Mestre Bento, outros mais houve, com igual traficância, como o João Luiz, os Garcias e outros. Em chegando ao porto, o peixe era colocado no areal e dividido em soldadas (quinhões): para o barco, para o “monte-mór”, para o mestre, para os marinheiros e para o dízimo, ou seja o imposto, do qual tomava conta o Guarda-Fiscal, funcionário do Estado que existia em todos os portos de pesca. Nas Lajes sedeava-se a Secção da GuardaFiscal, comandada por um sargento e composta de quatro guardas. A Secção superintendia nos guardas destacados nos portos. Do Sul, desde São Mateus ao Calhau da Piedade existiam postos da Guarda-Fiscal. O posto da Calheta tinha ainda funções aduaneiras. Um serviço que, praticamente, desapareceu com a promulgação da lei que extinguiu as chamadas “barreiras alfandegarias” e, depois, com a transferência do serviço dos barcos da Insulana para o Cais do Pico. Agora existe a Lota. Deixou quase de haver o peixe fresco, chegado do mar, para haver peixe congelado. O Guarda-Fiscal, o Professor e o Pároco formavam um “triunvirato” nas respectivas freguesias, muito respeitado pelo povo. Hoje são figuras históricas, praticamente. Antes da criação dos serviços dos portos, havia os guardas da Alfandega, que mais se preocupavam com a fiscalização do contrabando de tabaco. Anteriormente, porém, eram as câmaras municipais, que davam licenças para os barcos de pesca exercerem a sua actividade ou outra, como se lê na deliberação da Vereação das Lajes, de 3 de Dezembro de 1817, quase dois séculos são decorridos: “Acusou o Alcaide a António Silveira Quaresma, Mestre de um barco de pesca do porto da Calheta, na razão de que no

Ermelindo Ávila princípio do Verão do presente ano pedindo licença para ir à pesca para a Ilha 3ª, e sendo-lhe denegada pelo Presidente desta Câmara com o fundamento de ser o único que ficava no seu porto para acudir a qualquer necessidade assim como para dar, isto é vender o peixe ao povo, sem embargo disso sempre saíra no seu barco à pescaria para a Ilha 3ª sem levar os competentes Despachos de Licença e carta de saúde, e depois recolhendo ao seu porto tornara a ir à Ilha 3ª sem os ditos Despachos o que ele praticava por ser insubordinado, e costumado ... O Réu compareceu e confessou que era verdade ter ido à Ilha 3ª duas vezes sem os competentes Despachos. Condenado em 3$000 e em três dias de cadeia não sendo solto sem pagar a dita coima e custas.” Outros tempos em que as Câmaras exerciam a justiça em variados senão em todos os sectores sociais. 1) P. Júlio da Rosa – “A Cidade da Horta – Cinquenta anos da sua vida cultural, religiosa e artística nas década de 40 a 80”. 1989 2) Francisco Soares de Lacerda Machado, -“Os Capitães-Móres das Lages”, pág.19 1915 3) Ibidem – “História do Concelho das Lages”, pág. 78 - 1936

Vila das Lajes, 17-Outº-2011

Livros publicados do autor LAJES DO PICO - Primeira povoação da ilha, 2011 Album da Ilha do Pico, 2010 Figuras § Factos vol II, 2005 Crónicas da minha Ilha, vol II, 2002 Sociedade Filarmónica Recreio Ribeirense 1900-2000, 2000 Concelho das Lajes do Pico, 1997 Emigrados Imigrantes, 1996 Crónicas da minha Ilha, 1995 Um picoense Imigrante nos Estados Unidos da América - Herói nas Lutas contra os Índios-sep. Rev.Insulana do ICPD Por terras do Oriente, 1993 Figuras § Factos - Notas Históricas, 1993 Semana dos Baleeiros/1992 (conferências) coordenação de E.Avila, 1993 Comunicações e Transportes-sep. Rev Insulana ICPD,1992 As Festas da Vila-Semana dos Baleeiros,1992 Um Século de Baleação-Museu dos Baleeiros das Lajes do Pico- sep. Rev. Açoreana,SAC,1992 Temática Baleeira na Literatura Açoriana, sep. tev.Insulana ICPD,1991 Conventos franciscanos da Ilha do Pico, Notas Históricas, 1990 No Centenário do Nascimento do TenenteCoronel José Agostinho-duas palavras de homenagem, sep.BIHIT,1988 Ilha do Pico - suas origens e suas gentes (Notas Históricas),1988 A Ilha do Pico - Crises económicas, sep. BIHIT, 1988 Centenário de São Francisco de Assis-O franciscanismo na Ilha do Pico-sep BIHIT, 1986 Emigrados Imigrantes, 1983 Lourdes nas Lajes do Pico:1883-1983, 1983 Dr.Luis Ribeiro - (um testemunho simples) Sep.BIHIT,1982 John (Portugee) Phillips - Herói português em Terras Americanas, Sep.BNCHorta,1962 Ilha do Pico (Roteiro histórico e paisagístico), 1979


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TAUROMAQUIA

1 de Novembro de 2011

Vara, Miguel Moura, Forcados, 1 toiro e Cavalos encheram os olhos a muita gente I Corrida da Feira Taurina de Thornton Praça de Toiros de São João 15 de Outubro de 2011

Cavaleiros: João Moura, José Prates e o amador Miguel Moura Matador: Sanchez Vara Forcados Amadores de Turlock e do Aposento de Turlock Toiros dos Empresários Joe Alves e João Silveira Banda Açoriana de Escalon Director da Corrida: José Sózinho Mal acabou a I Corrida da Feira Taurina de Thornton, perguntei a mim mesmo: "Tinha este curro de toiros categoria para estar nesta Feira?" A resposta a mim mesmo, foi ultra rápida: "Este curro de toiros, com excepção do 3º toiro, não tinha trapio nem cara para participar na melhor Feira da California." E o que mais me aborreceu foi que nada aprendemos com a escandaleira do ano passado, onde se correram bezerros em vez de novilhos. Isto quer dizer, que nem num ano inteiro aprendemos nada. Como é que isto é possível na nossa terra da California, onde já se tem uma boa experiência de se montar corridas? E o que mais me entristece, é que as pessoas responsáveis por estas acções são minhas amigas, e custa-me ter de escrever o que eu penso, porque tenho muito carinho por esta Feira, mas não posso deixar de reflectir com toda a gente aquilo que eu penso sobre estas coisas, que só desfeiam a nossa festa brava. Há quatro anos, depois da Feira Taurina de Thornton, onde estiveram Joaquim Bastinhas e filho, eu escrevi nestas mesmas colunas, que nunca se deveria convidar pai e filho para tourearem na mesma corrida. Quem sabe um pouco de psicologia, comprende que um pai nunca irá sobrepor-se ao filho num espectáculo desta natureza. Está na natureza humana, e não se pode mudá-la. Poderia dar muitos exemplos de corridas de pais e filhos que nunca sortiram efeito para os pais. E nesta aconteceu o mesmo. Está escrito no vento... À saída fizemos um inquérito a 12 pessoas, àcerca do curro e onze delas, disseram-nos que o curro não tinha categoria para esta corrida. Um deles disse-nos que o curro estava OK. Assim se fazem estatísticas.

Quarto Tércio

José Ávila josebavila@gmail.com

apreciam pormenores técnicos, poderemos dizer que Sanchez Vara esteve diligente, cauteloso, artista, mas muitas das vezes entre ele e o toiro ainda cabia mais um, tal era a distância que dava ao toiro. No cômputo geral esteve muito bem e até houve vezes que o toiro é que o apertava e ele portou-se sempre muito bem. Tem muita facilidade nas bandarilhas, muito embora as de ao costado sejam mais de peito do que pelas costas. Facilidades...numa praça americana. No seu segundo toiro, nobre, mas sem cara e peso, sem dar qualquer emoção à faena, lá foi tirando passes, alguns até muito bonitos. Pediu ao Joe Alves para dar a volta com ele, mas o Joe sabe mais da poda do que ele e fez muito bem em recusar. Ainda se tivesse feito o pedido no seu primeiro...um toiro bom em qualquer parte do mundo.

Miguel Moura Parece que na véspera da corrida a organização conseguiu que o cavaleiro amador Miguel Moura, também participasse, toureando o último toiro. Acredito que o jovem cavaleiro tivesse trazido um fato curto, mas estando nas Américas, quiz vestir-se de cavaleiro a sério e vai daí toureou com uma bonita casaca verde. Como toureou tão bem, deveria comprar aquela casaca para se recordar da California, onde muitas coisas são permitidas, porque os Directores de Corrida nem sabem bem o que estão a fazer e o "barulho" é tanto à sua volta, que eles fecham o olhos, rezam uma avé-maria e para a frente é que é o caminho. Miguel Moura toureou muito bem. Citou, bregou, cravou com ajuda de preciosos cavalos, que muitas vezes nos esquecemos de elogiar. Um cavalo bom é 50% do cavaleiro e foi isso que se viu em Thornton. Houve alturas que até pensei que ele estaria a tourear com cavalos do pai Moura, tal era o sincronismo entre o jovem e os cavalos. Miguel Moura só teve um contra. Sendo muito jovem, castiga muito os cavalos. Pai Moura vai-lhe ensinar o bom caminho, quero crer, até porque fica muito feio ver-se o que se viu.

Forcadagem Este ano tem sido, mais uma vez, com algumas excepções, um ano de forcados e de boas pegas.

Mal os caveleiros entraram na Praça, muita gente abriu a boca de espanto. Ver-se um cavaleiro amador com casaca é coisa única no mundo taurino por estas bandas. Não sei donde partiu tal excelsa ideia, mas que merecia um prémio da irresponsabilidade, isso merecia. Enfim, a festa brava está muito minada por baixo, e mais uma mina anti-festa não inquieta muitos corações. Mas que foi uma pouca vergonha, isso foi.

Pensava eu que já tinha visto tudo, mas afinal não é verdade. Mais uma vez fiquei com os olhos esbugalhados e o meu

chapéu caíu no chão de susto,

quando vimos entrar na arena, um jovem cavaleiro amador de 15 anos todo vestido a rigor, com uma linda casaca verde. O Director de Corrida mudou de óculos de sol e nada viu. Toiro-entra-não-entra-toiro-entra-não-entra e de repente, mais de trinta minutos nesta zarzuela de incompetência, entraram dois jovens peruanos (um pouco alegres) e laçaram o toiro, e sózinhos, sem ningém a ajudar, tentaram puxar o toiro. Foi uma cena incrível nunca vista em terras californianas. Ao que chegámos...

O meu chapéu nesta altura do jogo já tinha voado para fora da praça. Foi apanhado por uma

senhora velhinha ao pé do 35º motor-home do lado direito. Como a velhinha lê o jornal, mas infelizmente não foi aos toiros devido ao custo do bilhete, devolveume o chapéu depois da procissão das velas. Vá lá que salvei o meu lindo chapéu. Como se esperava, os preços dos bilhetes e o preço de quinze dólares dos 6 aos 12 anos afastaram centenas de pessoas das bilheteiras. Continuamos a não perceber como fazer negócios em tempo de crise. Aprendam com os chineses. Foi pena ver a praça com tanta pouca gente. Tive muita pena que os prémios da I Corrida não tivessem sido entregues depois da corrida. Não fez sentido oferecerem-se na Segunda-feira. Enfim... E o prémio da lide? Na terceira tentativa o toiro não lhe deu tempo para para embarbelar e o Michael foi escorregando pelo pescoço. Na quarta tentativa, carregada, e com a ajuda preciosa do Michael Fernandes conseguiu-se aguentar-se. No sétimo toiro pegou Dominic, do Grupo de Turlock, que foi derrotado na primeira tentativa devido ao toiro não ter baixado a cabeça e depois pegou bem à segunda. De referir as ofertas de pega do Michael Lopes ao Grupo do Aposento e do Michael Meneses ao Grupo de Turlock. Foi lindo de se ver. Assim se faz forcadagem e amizade. Tiro o meu chapéu comovidamente.

Director da Corrida

João Moura Tenho a certeza que se Miguel Moura não toureasse nesta tarde, poderíamos ter visto um Moura em alto gabarito, até porque o 1º toiro que lhe saíu em Michael Fernandes oferece a pega ao Grupo de Forcados do Aposento de Turlock sorte era cumpridor. Isso não aconteceu, porque o filho Miguel Moura iria tourear no fim e assim João Moura foi cumprindo as suas Michael Lopes, do Grupo dos Amadores de Turlock, só responsabilidades sem nunca acelerar no pedal. Foi tudo conseguiu a pega ao segundo intento, técnicamente perem lume brando, muitas vezes com muita classe, mas fal- feita. tou chama, faltou carvão àquele motor de maestria conhe- A segunda pega, de Darren Mountain, do Grupo do Apocida. Esteve melhor no primeiro. sento de Turlock, vencedora da pega da tarde, foi muito boa, mas para mim teve o senão do toiro ter ficado com a José Prates cara descoberta. É um pormenor que eu pessoalmente não Para os mais antigos, convém recordar que José Prates foi gosto, mas não invalida o valor da pega. o cavaleiro do Continente Português que melhor toureou Donaldo Mota, Amadores de Turlock, na pequena e complicada Praça do Campo Bravo de Frank ia treinado mentalmente para fazer um Borba. José Prates durante alguns anos deu que falar na- bonito em frente ao toiro. Fê-lo, estequela pracita de Escalon. ve muito bem na cara do toiro, mas Hoje, José Prates quase que já não toureia e por isso mes- recuou demasiado e quando o toiro o mo foi uma surpresa vê-lo tão bem na Praça de Thornton. levantou ao ar, o primeiro ajuda estava Esteve toureiro e mostrou ainda muitos dos predicados em cima dele, perdendo-se um pouco que fizeram dele um dos bons cavaleiro que passaram na da beleza da pega. California. Michael Menezes, Grupo do Aposento de Turlock, quiz também ser diferente, Sanchez Vara até porque estava em disputa a melhor Há duas maneira de ver a actuação deste matador espa- pega da corrida. Saltou para a arena sózinho, chamou o toiro mas este lenhol que já toureou nas Sanjoaninas da Terceira. A primeira maneira é para o público em geral, que não vantou demasiado a cabeça e derrotouse preocupa com certos pormenores importantes durante o. Na segunda tentativa aguentou-se uma faena. Neste aspecto e em frente ao melhor toiro da bem, mas de repente desembarbelouFeira, Vara esteve mesmo muito bem. Para aqueles que se e o toiro sacudiu-o.

Se estivessemos numa terra de toiros a sério, o Director da Corrida não teria autorizados o jovem cavaleiro amador a vestir casaca. Poderia até ter vindo de camisa sem casaca, para remediar o problema. Numa altura em que um toiro não quer entrar, o Director não pode ficar impávido e sereno à espera que alguém resolva o assunto. É obrigação do Director mandar avisos para que se acelere o processo de se meter o toiro dentro. Parece que nem havia Director de Curro, numa Feira destas. Se não tivesse sido a actuação do Miguel Moura no fim da corrida, que aqueceu as pessoas e fez esquecer aquela triste cena do toiro entra-não-entra, de mais de trinta minutos, esta teria acabado com muito má nota. À saída já os pensamentos todos estavam voltados para a segunda Corrida da Feira que se realizou na Segundafeira. Daqui a 15 dias falaremos dela em pormenor.

Michael Menezes oferece a pega ao Grupo de Forcados de Turlock


TAUROMAQUIA

Aspecto parcial da Praça de São João de Thornton. O preço dos bilhetes e a economia a reflectir-se nas bancadas

Matador espanhol Sanchez Vara, um dos triunfadores da tarde

João Moura, Miguel Moura e José Prates

Michael Lopes, primeira pega da tarde

Darren Mountain, ao segundo toiro e vencedora da melhor pega da I Corrida da Feira

Donaldo Mota, terceira pega da tarde

Michael Menezes, quarta pega. Grande ajuda de Michael Fernandes

Dominic, quinta pega da tarde

José Prates, um bom regresso à California

João Moura, segunda vez na California, ambas na Feira de Thornton. Como sempre, teve pormenores do grande cavaleiro que é. Miguel Moura, filho de João Moura, 15 anos de idade e uma futura estrela

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1 de Novembro de 2011

Eventos Novembro 2011 Nov 5 Matança em Mountain View (Sterling Rd) 7:00pm Jantar do Sporting de Santa Clara, no Marian's Restaurant 6:00pm

Nov 11, 12 São Martinho em Easton, Fresno (11) Festival das Bandas em. Santa Clara (11,12) Gala da PALCUS (12) Portuguese Heritage Night em New Bethany, Los Banos: Fados, Folclore, Chamarrita (12) 6:00pm

Nov 13 Chegada do Presidente de Portugal Cavaco Silva. Missa nas Cinco Chagas e Jantar. 5:00pm

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ARTES & LETRAS

1 de Novembro de 2011

Da condição humana

ou a necessidade de escrever para questionar o mundo “Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia.” Tolstoi

M

antendo o seu habitual “low profile”, autor humanista que olha o mundo com insaciável curiosidade, Humberto Moura, 77 anos de idade, continua a aguentar o rumo da escrita, num percurso literário cujo universo temático consubstancia à sua volta a distância e a ausência, a solidão e o tempo, o amor e o sonho, a vida e a morte no registo mais sentido de uma escrita pessoalíssima e profundamente humana. Neste seu último romance, Sinais de Infinito (edição de autor, 2011, com uma muito apetecível capa do onírico e do fantástico da autoria de Paulo Moura), o escritor escreve sobre a natureza da condição humana, suas contradições e perplexidades, harmonias e dissonâncias. Trata-se de uma séria reflexão sobre o desconcerto do mundo e sobre o futuro da Humanidade, numa época marcada pela falência das ideologias e pela derrocada dos sistemas políticos, num tempo em que a volúpia consumista veio substituir a busca dos sonhos e das utopias, e numa era em que, por todo o lado, nascem novas formas de totalitarismo e barbárie. Retratando o presente, ancorando-se no passado e projectando-se para o futuro, o livro lança “sinais” que nos dão conta do caos, da corrupção e da injustiça resultantes de um capitalismo desenfreado e de um neo-liberalismo feroz com nefastos resultados: crises económicas e financeiras que assolam muitos países. Porque esta é uma obra de discutidas ideias e interpretação das mesmas, este é uma espécie de romance tese que evoca e questiona as mitologias do século XX e princípios do século XXI, desmistificando aspectos ligados às civilizações, religiões, culturas, ciências, políticas, poderes, filosofias… Aqui se denunciam os “alcatruzes escorregadios do poder” (pág. 15), os “predadores sociais do universo” e os “sinistros coveiros do ambiente” (pág. 42), a ganância e a arrogância dos ditadores. É “o século da loucura” (pág. 421), com os fantasmas de Hitler, Mussolini e Salazar a pairar e a rondar por perto. “O homem é ainda o grande mistério deste mundo. E a vida a grande justificação para ele ainda por cá continuar”, lê-se na página 82. Acima de tudo esta obra é atravessada por uma séria reflexão sobre a globalização e sobre o destino humano. Porque, afinal de contas, o homem é o grande predador de si próprio e do Universo – esta a grande linha de força deste romance marcado pela ironia, metonímia e sinédoque, e caracterizado por uma boa fluência narrativa numa articulação feliz entre os discursos directo e indirecto, a descrição, o diálogo e o monólogo interior. Humberto Moura trata bem a língua portuguesa e nele é recorrente a utilização de verbos pouco utilizados por outros escritores: urissitar e rorejar, por exemplo. Voz independente e cujo estilo não mimetiza seja quem for, Humberto Moura lança olhares críticos sobre o que somos e o que fazemos. E isto numa altura em que Por-

tugal, com quase 9 séculos de existência, sabe de onde vem, mas não sabe para onde vai… Estamos a viver uma das piores crises da nossa História e nunca como agora sentimos a necessidade de nos reinventarmos e de buscar um novo paradigma para as nossas vidas. Sinais de Infinito dá-nos, acima de tudo, um espantoso retrato psicológico de uma mulher jovem – Harriet Terra Simpson –, jornalista inglesa ao serviço da BBC que, dentro e fora do Faial, procura reconstituir a vida de Alberto Quevedo Silveira Neiva Brum da Terra, seu avô faialense e protagonista de Sismo na Madrugada (edição de autor, 2003), anterior romance de Humberto Moura. Quevedo que outrora conhecera, como jornalista e escritor, fama e glória e pelo mundo andara repartido, viria a falecer na cidade da Horta aos 79 anos de idade, vítima do sismo que em 1998 devastou a ilha do Faial, tendo deixado escrito um diário… Transitam daquele para este livro várias outras personagens, com especial destaque para o velho João Maria, farmacêutico, mordaz e irónico, guardador de memórias e dado a esoterismos, e para o jovem médico e homem de ciência Humberto Santos Silva, ambos em busca de um deus ex-machina. Junta-se a estes, na presente obra, uma personagem notável porque contrastante: o padre Ezequias Barbosa. Muitas das ideias partilhadas no romance passam por estas três personagens que, ligadas por laços de amizade, mantêm diferentes ideologias, mas respeitando as convicções de cada um. Na tertúlia da Drogaria Hortense (onde noutros tempos pontificavam Nabais e Sampaio, personagens incontornáveis de Sismo na Madrugada), ou à mesa de um bom refogado feito pela serviçal Rosa, este triunvirato (João Maria, padre Ezequias e dr. Silva) não se coíbe de discutir e questionar, abundantemente, religião, política, cultura, comunicação social, amor, velhice, vida e morte. Porque se morre? Porque se nasce? Porque se envelhece? Humberto Moura vai longe e vai fundo quando explora a precariedade da existência humana. E, ao fazê-lo, ecoa nos gonzos da sua memória, de uma forma directa ou indirecta, as lições colhidas junto de John dos Passos, Hemingway, Steinbeck, Saint-Éxupéry, Malraux, entre outros. A arquitectura narrativa de Sinais de Infinito é bastante diferente daquela que apresenta Sismo na Madrugada, e isto porque este último é um livro de personagens e acção, enquanto aquele é atravessado por ideias e interrogações. Em ambos os romances existe um denominador comum: o primado da condição humana. Tal como acontecera a Quevedo, algumas personagens de Sinais de Infinito viajam para fora da ilha como forma de perseguir a felicidade e o sonho e para questionar o mundo: para fazer a reportagem da Guerra do Iraque, Harriet sai da Horta para Bassorá, sendo raptada, juntamente com o seu operador de câmara, por um grupo terrorista, e posteriormente libertados pela intervenção dos governos norte-americano e britânico. O dr. Silva deixa o Faial para integrar uma missão humanitária no Médio Oriente. O bibliotecário Pedro de

Oliveira (personagem riquíssima e uma espécie de alter-ego do poeta e ensaísta Pedro da Silveira) deixa a ilha das Flores para em Lisboa se dedicar aos livros e ao conhecimento da cultura açoriana. Até porque, convirá não esquecê-lo, os Açores possuem uma História que faz parte da História do mundo. Mas este é também um livro de regressos. Harriet regressará à Horta para prosseguir a pesquisa sobre o avô. Recebe honras da edilidade faialense (por ter feito um documentário que coloca o Faial no mapa do mundo) e protagonizará aquela que é a mais admirável “cena” do romance: banhando-se eroticamente nas tranquilas águas da praia Porto Pim, e perseguindo uma felicidade idealizada, a inglesa despe-se e seduz o velho João Maria sem que a cópula se chegue a consumar, naquele que considero um dos mais imprevistos e imprevisíveis desfechos literários que tenho lido nos últimos tempos. O acto amoroso não se concretiza porque João Maria vive a angústia de uma inquietação moral: poderá um velho entregar-se á “concupiscência” e ter a veleidade de querer amar a filha de Quevedo, o seu melhor amigo? Curiosamente o romance inicia-se no Cemitério do Carmo, com o funeral de Quevedo (morte), e termina na mítica praia Porto Pim, com Harriet banhando-se no mar (vida). Aliás, na linguagem popular faialense, “cemitério dos navios” era, figuradamente, a baía do Porto Pim, onde encalhavam e descavilhavam os grandes veleiros de longo curso que ali aportavam com irreparáveis avarias. O narrador de Sinais de Infinito lembra a nau “Nossa Senhora da Luz” que, em tempos, derramou mais de duzentos cadáveres nos fundos arenosos da calma e serena baía… Ali poderá estar a redenção da vida – o Graal. Romance sobre a mundividência açoriana e sua carga simbólica, Sinais de Infinito é, por conseguinte, uma narrativa de cunho documental e de realidade ficcionada a partir da ilha do Faial (“terra da coisa rara”), mas com rotas que foram traçadas a pensar em espaços universais. A coerência do livro está na unidade que consegue extravasar as fronteiras do local, fixando ânsias e incertezas que rompem um mundo fechado e de horizontes cerrados. Por isso, o mistério e o divino, a par do ateísmo, do ocultismo, da maçonaria e do cepticismo acompanham toda a trama do romance. Porque há aqui uma clara inten-

Apenas Duas Palavras

Diniz Borges d.borges@comcast.net Em pleno Outono de 2011, cá estamos com mais uma página de artes e letras. Um espaço único em jornais de língua portuguesa nos EUA. Com um texto do nosso amigo e colaborador, o poeta Victor Rui Dores, apresentamos mais um livro recentemente lançado nos Açores. E esta Maré Cheia é isso mesmo um espaço de diálogo constante através da literatura e das artes, entre o mundo de língua portuguesa, com ênfase especial para os Açores e os descendentes destas ilhas que vivem na diáspora. O mundo, com todas as suas actuais convulsões, com todos os dilemas deste começo atribulado no que concerne ao século vinte e um, ainda tem os utópicos que felizmente, através das artes, e neste caso da literatura acreditam num mundo melhor. abraços diniz ção do narrador em apontar caminhos de esperança para o futuro da Humanidade. Tal como em anteriores livros deste autor, há, nesta obra, uma outra vida: a vida animal, sendo que canídeos e felinos estão no mesmo patamar de importância e gozam da mesma atenção em relação aos humanos. Podemos aqui ler páginas magistrais sobre o cão “Juiz” ou a gata “Mona Lisa”. Curiosamente o autor despende mais tempo a falar da morte do “Juiz” (descrição comovente e arrasadora!) do que a narrar a morte da cozinheira Rosa. A morte do cão tem, aliás, uma carga simbólica fortíssima, pois que nos remete para a ingratidão humana. Livro psicológico e reflexivo, a realidade é, em Sinais de Infinito, bem observada e a observação bem exprimida. Isto é, clareza na escrita e transparência nas ideias. À boa maneira queirosiana. Sob uma aparente (e enganosa) leveza, Humberto Moura transporta o leitor para as complexas profundidades do coração humano. Por isso este livro é um monumento, um belo romance para quem o souber ler. E também por isso Humberto Moura é um autor que se lê com prazer, com surpresa e com paixão.

Victor Rui Dores

Notícia sobre o Lançamento

No dia 14 de Outubro, foi lançado no auditório da Biblioteca Pública e Arquivo Regional João José da Graça, na Horta, a partir das 21h00, o mais recente livro do escritor Humberto Moura. Sinais do Infinito – Realidades e Mitos do nosso tempo, assim se designa a obra, que o autor classifica como “uma narrativa de cunho documental e realidade ficcionada, apoiando-se na história e na memória, com rotas traçadas a pensar no universal, mas tendo sempre presente como Centro, as ilhas dos Açores e as suas gentes”. A obra é prefaciada por Victor Rui Dores. Humberto Moura nasceu a 26 de Agosto de 1934, em São Miguel. Frequentou a então Escola de Aplicação Anexa à do Magistério Primário, e o Curso Complementar de Comércio e a Secção Preparatória aos Institutos. Foi empregado de escritório e guardalivros, até que, com 19 anos, se candidatou à Força Aérea, como voluntário. Entre 1955 e 1957 fez o serviço militar obrigatório, dividido entre Tavira e são Miguel. Com 24 anos ingressou nos Correios e Telecomunicações (Estação Telegráfica), como Operador de Reserva. Pouco mais tarde transferiu-se para o Faial, onde casou, e onde reside desde então. Durante largos anos chefiou a Estação Telegráfica da Horta, aposentando-se em 1989. Tem colaborado por largos anos com a imprensa diária faialense, publicando crónicas e poesia. São exemplos de obras da sua autoria Errâncias de Pedra e de Sal e Sismo na Madrugada in Tribuna das Ilhas


DESPORTO

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LIGA ZON SAGRES O Sporting a subir - nove vitórias consecutivas Liga Zon Sagres Porto Benfica Sporting SC Braga Marítimo Olhanense Académica V. Setúbal Gil Vicente Beira-Mar P. Ferreira Feirense Nacional UD Leiria Rio Ave V. Guimarães

J 8 8 8 8 8 8 8 8 8 8 8 8 8 8 8 8

V 6 6 5 5 5 3 4 3 2 1 2 1 2 2 1 1

E 2 2 2 2 2 3 0 1 3 4 1 4 1 0 2 1

D 0 0 1 1 1 2 4 4 3 3 5 3 5 6 5 6

P 20 20 17 17 17 12 12 10 9 7 7 7 7 6 5 4

V 5 3 3 3 2 3 3 2 2 2 2 2 2 2 2 2

E 1 3 2 2 4 1 1 3 3 3 2 2 2 2 1 0

D 1 1 2 2 1 3 3 2 2 2 3 3 3 3 4 5

P 16 12 11 11 10 10 10 9 9 9 8 8 8 8 7 6

V 5 4 2 3 3 3 2 2 2 2 1 1 0 0 0 0

E 1 2 4 1 1 1 3 3 2 2 3 3 3 3 3 1

D 0 0 0 2 2 2 1 1 2 2 2 2 3 3 3 5

P 16 14 10 10 10 10 9 9 8 8 6 6 3 3 3 1

V 4 3 3 3 3 3 2 2 2 2 1 2 1 0 1 0

E 0 2 2 1 1 1 3 3 3 2 4 1 2 4 1 2

D 2 1 1 2 2 2 1 1 1 2 1 3 3 2 4 4

P 12 11 11 10 10 10 9 9 9 8 7 7 5 4 4 2

Liga Orangina Atlético Penafiel Moreirense Sta. Clara Belenenses Leixões Covilhã Freamunde Aves Estoril Oliveirense Arouca Naval Trofense União Portimonense

J 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7

II - Zona Norte Ribeira Brava Varzim Ribeirão Mac. Cavaleiros Lousada AD Fafe Desp. Chaves Tirsense Vizela Camacha Famalicão Mirandela Marítimo B AD Oliveirense Limianos Merelinense

J 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6

II - Zona Sul Fátima Oriental Torreense Est. V. Novas Sertanense Pinhalnovense Moura Tourizense Carregado 1º Dezembro Mafra Juv. Évora Louletano Monsanto Caldas At. Reguengos

J 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6

Série Açores 1.º Lusitânia, 13 pontos; 2.º Praiense, 12; 3.º Guadalupe, 10; 4.º Prainha, 7; 5.º Boav. S. Mateus, 6; 6.º Santiago, 5; 7.º Fayal, 5; 8.º Sp. Ideal, 4; 9.º Águia CD, 2; 10.º U. Micaelense, 1 ponto.

Sporting 6 Gil Vicente 1 O Sporting regressou ao terceiro lugar da Liga portuguesa, graças à nona vitória consecutiva em todas as competições. Os comandados de Domingos Paciência golearam o Gil Vicente por 6-1, em jogo que fechou a oitava jornada. Os "leões" não quiseram esperar para resolver a questão e logo aos dois minutos, João Pereira esteve a centímetros de inaugurar o marcador, mas atirou por cima, em boa posição. E aos sete, o Sporting abriu o activo. Anderson Polga recolheu uma bola perdida na direita e cruzou para a pequena área, onde apareceu o seu colega da defesa, Daniel Carriço, a cabecear sem marcação para o 1-0. O domínio leonino era total, apesar das esporádicas investidas dos gilistas, e aos 21 minutos, João Pereira efectuou um belo chapéu a Adriano, mas o guarda-redes, com um excelente golpe de rins, evitou o segundo tento da noite. A partir da meia-hora o Sporting perdeu algum fulgor, embora mantendo sempre o controlo das operações, e até ao intervalo destaque apenas para um livre directo de Matías Fernández, que Adriano defendeu com dificuldade. Tudo parecia fácil para os homens

da casa, que ficaram em melhor posição para somar a nona vitória consecutiva aos 58 minutos. Ricky van Wolfswinkel foi carregado em falta na grande área e o próprio avançado holandês converteu com êxito a grande penalidade. O Gil Vicente acusou bastante o toque e, quatro minutos volvidos, Diego Capel aumentou para 3-0, de cabeça, a concluir cruzamento de João Pereira da direita. Capel (na foto) bisou aos 65 minutos, de novo de cabeça, a encostar tranquilamente após um primeiro remate de Carrillo. Estava há muito

encontrado o vencedor e o máximo que o Gil Vicente conseguiu foi reduzir para 4-1, por Roberto, de cabeça, aos 75 minutos, mas não evitou o quinto dos "leões". Aos 79 minutos, Carrillo fugiu pela esquerda e centrou atrasado para Valeri Bojinov, que atirou a contar. O jogador búlgaro fecharia a contagem no último lance da partida, a concluir ao segundo poste um bom cruzamento se Insúa. in uefa.com

Porto 5 Nacional 0 O FC Porto recebeu o Nacional da Madeira este domingo e aproveitou para regressar à liderança da Liga portuguesa, partilhada com o Benfica, tendo vencido por expressivos 5-0. O Sp. Braga recebeu o Feirense e venceu por 3-0. Numa partida marcada por chuva intensa, Defour inaugurou o marcador aos 23 minutos, após remate à entrada da área. A bola ressaltou em Neto e traiu

o guarda-redes Marcelo. Os "azuis-e-brancos" chegaram ao 2-0 ainda na primeira parte, aos 40 minutos, por intermédio de Walter, após a marcação de um pontapé-de-canto. No segundo tempo, a formação comandada por Vítor Pereira aproveitou para fazer o 3-0 aos 67 minutos, por Cristian Săpunaru. O recém-entrado Kléber assinou o 4-0 em cima do minuto 90 e Hulk selou o 5-0 final já nos descon-

tos. Com este resultado, os portistas regressam ao topo da classificação, com os mesmos pontos (20) do Benfica, que venceu no sábado o Beira-Mar (1-0). O Braga entrou em acção após o FC Porto, tendo construído uma vitória por 3-0 na recepção ao Feirense. Nuno Gomes inaugurou o marcador aos 13 minutos, ao passo que Alan assinou o 2-0 já no segundo tempo, aos 63. Aos 79 minutos Ewerton

assinou o 3-0 para os "arsenalistas", resultado que mantém o Braga na perseguição aos líderes. O Marítimo levou de vencida o V. Setúbal por 1-0, graças a um golo de Baba, enquanto o Rio Ave recebeu a U. Leiria e venceu por 2-0 com tentos de Vítor Gomes e João Tomás. A oitava jornada concluise na segunda-feira, com a recepção do Sporting ao Gil Vicente. in uefa.com

Beira-Mar 0 Benfica 1 O Benfica foi ao terreno do BeiraMar vencer por 1-0 na oitava jornada da Liga portuguesa, graças a um golo solitário de Óscar Cardozo, ainda na primeira parte, isolando-se provisoriamente no topo da classificação. Numa primeira parte equilibrada no Estádio Municipal de Aveiro, as melhores oportunidades pertenceram aos da casa, apesar de maior posse de bola por parte dos "encarnados",

que chegaram ao golo aos 42 minutos, por intermédio de Óscar Cardozo. No segundo tempo, os aveirenses partiram em busca da igualdade mas a turma lisboeta segurou a vantagem até final, arrecadando três preciosos pontos. Com este resultado, a formação comandada por Jorge Jesus isola-se na liderança, com o FC Porto a poder juntar-se aos "encarnados" no domingo, em caso de vitória na re-

cepção ao Nacional da Madeira. O Olhanense recebeu o V. Guimarães também no sábado e venceu por 1-0, mercê de uma grande penalidade convertida por Mateus, aos 47 minutos. A jornada oito abriu na sexta-feira, com uma vitória do Paços de Ferreira em casa, diante da Académica (2-0), com golos de Melgarejo e William. in uefa.com

Jogos do Estrangeiro O Real Madrid de José Mourinho isolou-se no segundo lugar depois da vitória de 3-0 sobre o Villarreal, tendo agora 22 pontos. O primeiro classifica é o Levante com 23 pontos. Por sua vez o Barcelona está em terceiro lugar com 21 pontos. Por sua vez o Chelsea de

Villas Boas está em terceiro lugar com 19 pontos. Em primeiro lugar está o sensacional Manchester City com 25 pontos, depois de ter ganho ao Manchester United na casa deste por 6-1, a pior derrota de sempre do treinador Alex Ferguson. Em segundo lugar segue o Manchester United com 20 pontos.


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ENGLISH SECTION

1 de Novembro de 2011


ENGLISH SECTION

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´COMUNIDADE

1 de Novembro de 2011

Uma Vez por Outra

Carlos A. Reis

U

Um cruzeiro para não esquecer

ma introdução muito sucinta ao “Oasis of the Seas” é de toda a conveniência para se ter uma ideia da sua grandiosidade. Este barco para transporte de passageiros, em viagens de cruzeiros, foi construído em 2009, pesa 220.000 toneladas, tem o comprimento de 1181 pés (equivalente a cerca de 354 metros), capacidade para 5800 passageiros, 2410 tripulantes, 1958 cabinas e suites com varandas, 2210 camarotes exteriores, 496 camarotes interiors, 4 piscinas, campos de basquetebol, campo de mini golfe e pertence à Royal Caribbean International. Um pequeno mundo flutuante. A realização do cruzeiro a bordo do “Oasis of the Seas” foi a ideia do Osvaldo Palhinha, na expectativa de reunir alguns casais amigos para uma viagem maravilhosa, não muito extensa,com destino às ilhas Caraíbas, utilizando o maior e o mais luxuoso barco do mundo com todas as suas comodidades. O grupo que em princípio deveria constar de sete ou oito casais, foi aumentando para finalmente ter atingido quase oito dezenas de pessoas. Devido à dimensão do grupo foi necessária a cola-

ao ultimo pormenor, trabalho do Osvaldo e das suas colaboradoras. A situação atmosférica era bastante adversa, com a formação de um sistema central com chuvas contínuas e fortes rajadas de ventos e vagas do mar anormais, que originou que o nosso itinerário fosse alterado. Apesar de tudo isto, a nossa partida, como estava anteriormente prevista, verificou-se no sábado dia 8/10. No domingo (dia 9/10) além das atividades que o barco nos ofereceu, o ponto alto do dia foi a missa celebrada no Teatro do barco pelo Monsenhor Ivo Rocha, com uma assistência católica de diversas etnias e nacionalidades que se uniu totalmente durante toda a missa. Um especial destaque para o Monsenhor Rocha que soube, com a sua sabedoria, facilidade de expressão, entrega total, incluindo a sua veia humorística, merecer o reconhecimento e gratidão de

boração valiosa da Deana da Cunha e da Isaura Cabral. E como o português com a sua música é que se entende, foi contatado o artista da Artesia, Manuel Cabral, que atuou em dois espetáculos. Chegados ao aeroporto de Ft. Laudardale no dia 8 de Outubro constatamos que tudo estava devidamente organizado até

todos os presentes. Para terminar o dia da melhor maneira, à noite, considerada a noite do Comandante, que acedeu muito gentimente, fotografarse com todos os passageiros que entenderam fazê-lo. Seguiu-se a declaração das boas vindas do Comandante e da tripulação, com a apresentação dos assistentes

mais qualificados nos quais há uma portuguesa. Ainda segundo o Comandante, a bordo do Oasis of the Seas contavam-se 5782 passageiros de 65 países diversos e 2400 tripulantes de 75 nacionalidades diversas. Na 2a. feira (dia 10/10) o artista Manuel

mas que pretence aos Estados Unidos da América. St. Thomas é um lugar fabuloso para umas férias envolvendo o mar especialmente e as suas magníficas praias. Mas no século 18 era muito difícil com muitos ninhos de piratas que procuravam a ilha para a divisão e uso das capturas e roubos

Cabral deliciou-nos com a sua música portuguesa. Ainda durante a sua atuação houve tempo para o Osvaldo homenagear alguns aniversariantes e outras pessoas do grupo pela sua prestação na concretização e êxito do cruzeiro. Na 3a. feira (dia 11/10) fizemos a nossa primeira paragem e, deste modo, tivemos a oportunidade de visitar a ilha de St. Tho-

que faziam, como refúgio e sua segurança pessoal e dos seus tesouros. Visitámos praias e baías encantadoras, excelentemente desenvolvidas e cuidadas mas, entre outras, a Magens Bay considerada a maior piscina natural do mundo. A ilha foi comprada à Dinamarca pelos Estados Unidos em 1970 pela modesta quantia de vinte e cinco milhões de dólares. A capital


é Charlotte Amalie. Na 4a.feira (dia 12/10) o nosso aportamento foi na ilha de St. Marten. Tanto a entrada no porto como o centro da cidade são mais aprazíveis e convidativos do que St. Thomas. A ilha está geográficamente dividida e sob a influência de dois países europeus, a França e a Holanda. Apesar desta situação, o viver das pessoas é respeitado mutuamente e a circulação das pesoas é feita normal e regularmente. St. Marten no século 17 era conhecida pela terra do sal “Land of Salt” por produzir e exportar barcos comple-

Nassau nas Bahamas. Os piratas faziam de Nassau o lugar preferido para se manterem e viverem. Lugares a visitar: Predator Lagoon, Ardastra Gardens, Conservation Center e o Museu dos Piratas. Esta ilha sobrevive sob a influência Inglesa. Das três ilhas visitadas esta foi a que menos nos agradou. O fim do cruzeiro aconteceu no dia seguinte no porto de Ft.Laudardale. Mas antes de terminar este grande acontecimento a organização ofe-

tamente cheios de sal para toda a Europa. O centro da cidade, como acontece com as outras ilhas, está repleto de estabelecimentos comerciais muito concorridos, especialmente no dia de São Vapor. O que acontece quase diáriamente durante um periodo de nove meses no ano. A capital é Philipsburg. Na 5a. feira (dia 13/10), pela tarde assistimos a mais um espetáculo do Manuel Cabral (na foto acima) que encantou e entusiasmou não só o nosso grupo como também alguns estrangeiros. Uma palavra de muito apreço e de reconhecimento pelas atuações do Manuel. Sabe estar no palco. É comunicativo e sabe dar alegria às suas atuações. Mais tarde, na suite temporária, da família Manuel e Laurinda Vieira foi servido um beberete a todos os elementos da nossa comitiva. Na 6a. feira (dia 14/10) chegada a

receu-nos uma paragem em “Everglades Safari Park” na Flórida, dando-nos a oportunidade de apreciar e conviver com os crocodilhos, flamingos e muitas aves, saber dos seus habitats e seus comportamentos. Depois uma visita à cidade de Miami encantou-nos. Uma apreciação final a este maravilhoso cruzeiro. O meu amigo e conterrâneo Osvaldo Palhinha e suas colaboradoras Deana da Cunha e Isausa Cabral foram inexcedíveis no seu trabalho e organização, sem quaisquer problemas ou inconvenientes, mesmo tratando-se de um grupo bastante grande. Os nossos agradecimentos pelo excelente cruzeiro que nos proprocionaram a todos nós.

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1 de Novembro de 2011


The Portuguese Tribune - November 1st 2011