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QUINZENÁRIO INDEPENDENTE AO SERVIÇO DAS COMUNIDADES DE LÍNGUA PORTUGUESA

2 a Quinzena de Abril de 2011 Ano XXXI - No. 1107 Modesto, California $1.50 / $40.00 Anual

SCSC - $18,000 para o cancro "Goals for a Cure"

Tal como anunciámos na nossa última edição, o Santa Clara Sporting ofereceu este ano $18,000 ao El Camino Hospital Foundation, para ajuda na realização de mamografias grátis para mulheres de baixa renda e sem seguro de saude. Este projecto começou há três anos e no total o Sporting já doou mais de $65,000 dólares para esta tão importante causa. Durante todo o mês de Outubro as quase 700 crianças do Sporting, jogam futebol usando camisas cor de rosa, a cor designada ao câncer de mama, e usam a imaginação para arrecadar dinheiro. Bravo...

Aficionados da

Festa Brava

oferecem $10,000 à POSSO O Jantar de Homenagem aos Ganaderos da California, patrocinado por um grupo de aficionados da Área da Baía (Mário Sousa, Dimas Alves, Alfredo Cunha, Jorge Pires, José Nunes, Joaquim Avila) rendeu $10,000 dólares para a POSSO Portuguese Organization of Social Services and Opportunities. Esta foi mais uma maneira imaginativa de um grupo de pessoas poder ajudar a Comunidade mais necessitada. Assim se faz a Festa, assim se faz Comunidade.

Nelson PontaGarça

Júri nos Açores Pág. 9

Procissão do Senhor dos Passos em S.José

Dimas Alves, Mário Sousa e Joaquim Avila prestes a entregar o cheque de $10,000 a Manuel Bettencourt, Presidente da POSSO (à esq.). Pág.15

Ver reportagem na nossa próxima edição

Corrida de Toiros Comemorativa dos 35 anos do Grupo de Forcados de Turlock e da alternativa do Cavaleiro Sário Cabral Praça de Stevinson, 29 de Maio de 2011, pelas 5 horas www.portuguesetribune.com

www.tribunaportuguesa.com portuguesetribune@sbcglobal.net


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SEGUNDA PÁGINA

EDITORIAL

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or sermos o que somos, e donde vimos, é mais fácil virar-nos para Portugal, para dizer bem ou mal do nosso país. É verdade que fica muito mal a todos os portugueses serem "invadidos" por três entidades (União Europeia, FMI e Banco Central Europeu) que vem a nossa casa ensinar-nos a fazer contas de somar e multiplicar. Porque, para emprestar 80 biliões, repito, 80 biliões de euros (114 biliões de dólares), essas entidades têm de compreender como é que vamos poder pagar de volta daqui a uns anos o que vamos pedir emprestado. E esse dinheiro é só até 2013. E depois? Depois, ao ritmo que as coisas vão, venderemos os anéis, os dedos e fechamos a porta a Portugal por uns tempos. Emigraremos outra vez... É vergonhoso termos chegado ao que chegámos. Em 1983 e 1986, pode-se hoje compreender essa intervenção, pelos desatinos de uma revolução, que nessa data teve muita gente culpada, mas infelizmente ninguém em Portugal paga nada. E ainda hoje é verdade. Vejam o discurso do Bastonário da Ordem dos Advogados na Sessão Solene de Abertura do Ano Judicial, para compreeenderem como vão as coisas em Portugal. (www.youtube.com/watch?v=pb8sZR-bl6o)

Tudo isto vem a propósito, de nós, também na nossa "casa" da América e California, estarmos enterrados até às orelhas com dívidas, que vai ser muito difícil podermos pagar por muitos bons anos. Lembram-se quando a China comprou a nossa dívida soberana por diversas vezes? Tivemos quase a fechar o Governo Federal, por falta de orçamento a tempo e horas e na California estamos perto da bancarrota, se não descobrirmos, todos juntos, um processo de equilibrar as nossas contas.

15 de Abril de 2011

Ver o agrelho nos olhos dos outros Pergunta-se: como que foi possível, também nós, nesta terra rica da América, entrarmos em paranóias despesistas, que hoje são incontroláveis. Infelizmente, o sistema de dois partidos não é flexivel bastante para se poder ter um meio de solucionar problemas. Basta um deles dizer não, a quase tudo, e tudo pára, nesta terra de 308 milhões de habitantes. Não basta elegermos um Presidente, um Governador, um Congressista, um Senador, se tudo gira à volta de muitos interesses corporativistas. Precisamos sim, de homems e mulheres, que defendam os seus constituintes. Um exemplo - o Tribuna paga taxas, mas as maiores corporações da América não pagam um dólar que seja em taxas. Mais, as maiores corporações estrangeiras na America também nada pagam. Será isto justo? Mas o maior problema que temos, é que os nossos políticos não conseguem descobrir maneiras de poupar, se não através de cortes nas escolas, nos professores, na polícia, nos bombeiros, na assistência social, nos hospitais estatais, nas estradas. E a pergunta vem sempre a mesma - mandamos os nossos filhos para as melhores escolas e depois eles não conseguem dar conta do recado quando entram na política, por muitos estudos que tenham. Será que a nossa massa cinzenta emigrou para outros países, ou será que há mesmo falta de massa cinzenta? Será que tanta tecnologia obscurece os neurónios de quem tem responsabilidades políticas?

RTPi, e vi o fim de um Congresso realizado em Portugal, pensei que estava no Congresso do partido dominante da China ou da Coreia do Norte, tal foi o unanimismo, tal o número de bandeiras nacionais, tal o número de améns, que dá para desconfiar. Nesses outros países, sabemos bem o que acontecia antigamente aos seus líderess depois desses fandangos folclóricos. Duas organizações, duas imaginações, duas maneiras de fazer comunidade. 700 jogadores do Santa Clara Sporting Club e um grupo de aficionados da Festa Brava, arrecadaram $28,000 dólares para causas justas, boas e merecedoras do nosso apoio e da nossa alegria. Como temos dito tantas vezes, há muita maneira de se "ganhar" dinheiro para boas causas. Estes são dois grandes exemplos a seguir. josé avila

Quando no outro dia abri a televisão, a

Year XXXI, Number 1107, Apr 15th, 2011


PATROCINADORES

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COLABORAÇÃO

15 de Abril de 2011

A Outra Voz

Goretti Silveira goretti@domdinis.com

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or favor, não culpem os professores! Há dias encontrei-me com uma antiga colega, na sua sala de aula. Como geralmente acontece sempre que professores se encontram, tentámos não falar de escola nem de rapazes mas, logo esquecemos e quase imediatamente ela me disse: “Fui ao Congresso de Educação da Luso American Education para ver que materiais e métodos estão sendo usados. Esperava ouvir professores e debates relacionados com o ensino da língua portuguesa nos Estados Unidos. Saí de lá um pouco desiludida”. “Eles não têm a mínima ideia”, ela continuou. Olhei para a sala de aula dela. As paredes estavam cobertas de desenhos e trabalhos manuais e escritos — sinal de movimento, crianças, e muita alegria. “O que preciso são ideias, métodos, e materiais diversos que me ajudem no ensino do português a crianças de várias idades, capacidades, e motivação. Ao fim do dia, preocupada em preparar as lições e entregá-las à vice-principal; apresentar os resultados dos níveis de leitura dos meus alunos ao principal; corrigir as redaçcões e devolvê-las com notas e sugestões detalhadas, como os pais exigem; escrever objectivos para os vários alunos que têm ILPs… e por aí além, não tenho tempo nem energia para ainda preparar li-

ções de português para a classe que ensino voluntária depois da escola. Todos a exigir mais e mais.” “Eu sei, eu sei,” disse compadecida. Trocámos algumas ideias sobre o ensino em geral e o futuro do ensino da língua portuguesa nos Estados Unidos em particular, e prometemos encontrarmo-nos mais vezes sabendo perfeitamente que isso não aconteceria. Cheguei a casa e a Portuguese Tribune esperava-me sobre a mesa da cozinha. Como sempre, fui direita à editorial e fiquei estupefacta com o ataque aos professores de português. Duas ou três páginas à frente, um correspondente teve a audácia de comentar e criticar um certo professor de Português por sair prematuramente duma recepção no PAC (Portuguese Athletic Club). Mal sabia o pobre que, ao vir leccionar para a San Jose High School, perderia toda a sua independência e tornava-se propriedade da comunidade portuguesa. E surpreende-nos a falta de professores portugueses ou dos que sim existem não quererem conviver entre nós! É sempre a mesma cantiga, os professores são os culpados. “…56% dos professores de português não se dignaram lá ir (ao Congresso)”, afirma a editorial. Será que os 44% dos que sim compareceram se sentem agora mais informados e capacitados para

Do Tempo e dos Homens

Manuel Calado

A

mbcalado@aol.com

final, tudo, ou quase tudo no mundo é política. E o bicho humano, como alguém o classificou um dia, é um “animal político". É um animal político, vive da política e para a política. Tudo o mais é acessório. A política actua entre o povo de qualquer latitude, pela ideia, a convicção, os interesses, os prejuizos, etc. Podíamos dizer que a política, em democracia, condiciona a vida em comum, a ideologia e não raro, inspira a luta, quando outras ideologias, mitos, interesses ou superstições se lhe opõem. Por tal motivo, a maioria das históricas sangueiras que o mundo tem visto, têm sido inspirada pelas maiores crenças ou movimentos políticos de cunho patriótico, religioso ou imperial. Ou pelas diversas maneiras de pensar e de estar no mundo. A democracia, concebida pelos pensadores e filósofos da antiguidade clássica, que os chamados “Pais da Pátria” americana, adoptaram, foi inspirada pelo pensamento desses homens sábios, como uma maneira de estabelecer a paz na sociedade e no Mundo, e não mais uma crença, superstição ou mito. Vem este intróito a propósito da chamada “Grande Entrevista”, na Emissora Nacional Portuguesa, a que há dias assisti. E, olhando panorâmicamente aquele grupo de “Homens Bons” e escolhidos, fiquei com pena deles e dos irmãos do país onde tenho as raízes. Ali estavam aqueles professores universitários, e até um padre procurando compreender e defi-

Não culpem os Professores

nir o estado calamitoso da economia e da alma do país. A situação foi vista de vários ângulos, e o que mais me tocou, foi a visão humanista do padre presente. Que, aparentemente, ele não viera ali para vender religião, mas tentar compreender o aspecto humano, humanizado e humanitário do problema que defronta Portugal no actual momento. Porque, mesmo aí, não deixa de estar imerso o sentido espiritual da mensagem

ensinar crianças a língua dos seus avós? E se o tal professor de português tinha uma emergencia em casa, ou, Deus nos livre! não tivesse gostado da apresentação? Ingénuamente, a minha amiga pensava que o Congresso de Educação se destinava a apoiar os professores e identificar e resolver problemas de instruçcão e currículo. Julgando pelos comentários na Tribuna e pela lista de convidados, actividades e a vasta colecção de photos, o Congresso foi um apanhado de muitas coisas incluindo um workshop dos professores. Parece que foi também uma oportunidade para se falar, ouvir, e deliciar com certos aspectos da nossa cultura. Um pretexto para velhos amigos se encontrarem, umas merecidas férias para outros, e muito em especial uma oportunidade para ver e ser visto. Nada errado com isso. Até tive bastante pena de lá não ter estado também, mas por favor, não culpem os professores pela falta de comparência neste Congresso de Educação. Sabe-se muito bem, principalmente os professores, que quando mais de 50% dos alunos numa turma falham um exame, a responsabilidade é do professor que não soube apresentar a matéria devidamente aos alunos. Se realmente desejamos a presença de 100% dos professores que estão directamente envolvidos no ensino da lín-

Confusão Política cos como Lopes Graça, etc. E o ponto fulcral desses trabalhadores do pensamento, era lutar pelo que classificavm de um “Novo Humanismo”. Uma maneira humana de conceber a sociedade e o mundo. Uma luta suave contra a ditadura, e aquilo que o Presidente Rosevelt então classificava na América como “capitalismo selvagem”, causador da Grande Depressão, e lutava para impor neste país, um “capitalismo com

siderados os mais pobres e analfabetos da Europa, e onde as remessas ganhas com imensos sacrificios, por esses imigrantes, eram consideradas uma das grandes fontes de receita de Salazar. E já então, de boca meio calada, se pedia uma sindicância às grandes fortunas. E muitas dessas fortunas, centenas de vezes aumentadas, são ainda um marco monumental, dividindo a sociedade portuguesa. Há individuos em Portugal, em cargos semelhantes, ganhando mais do que na America e nos países da Europa. Na grande entrevista foi até mencionado o facto de os carros de alta gama se verem com mais frequência nas estradas portugugesas, do que na Europa ou na America. ortugal está sofrendo do mesmo mal de que sofrem os Estados Unidos, a Inglaterra, Grécia, Irlanda, Espanha e outros. Não o Canadá, graças à sua política diferente da nossa. A disparidade económica provocada, precisamente, pela falta de “Humanismo” nas relações económicas, financeiras e humanas, está provocando uma baixa geral no nível e qualidade de vida, no trabalho e nas regalias que o povo usufruia. E neste aspecto parece que a procissão ainda vai no adro. O tal “capi-

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do Mestre.. Em 1948, em Portugal, ainda rapaz de sangue na guelra, eu era assinante da revista “Vértice”, de Coimbra, orgão do movimento “Neo-Realista”, onde pontificavam escritores jovens, desde Miguel Torga, a Fernando Namora, Virgilio Ferreira e muitos outros, artistas plásticos, poetas e músi-

gua portuguesa em California, os verdadeiros soldados nesta campanha para a sobrevivência e continuidade do português nos Estados Unidos, então teremos que os apoiar e, muito respeitosamente, reconhecer o trabalho que fazem, muitas vezes sem renumeração, salas próprias ou condições apropriadas ao ensino. Poderíamos começar por lhes oferecer um quarto num hotel para pernoitar a noite do Congresso e já nem digo oferecer almoços, jantaradas, e transportes como o fizemos com muitos dos “distinguidos convidados e dignitários.” Sim, nem só de palavras vivem os homens e acrescento, os professores já estão saturados de acções “só para inglês ver.” Vamos lá a ver se “…os novos responsáveis da Língua Portuguesa nos Estados Unidos” já sabem tudo ou ainda têm alguma coisa a aprender com os “velhos” professores deste lado do Atlântico. Gostaria de acrescentar que, nós os professores, sabemos que estamos num Congresso de Educação quando pelo menos 90% dos oradores e 95% dos tópicos estão relacionados com a educação de crianças e adolescentes. Aposto que assim foi no Congresso de Professores em San Francisco.

face humana”. E era isso também o que os intelectuais da “Vértice” - amordaçados pela censura e receosos do Tarrafal - proclamavam com a sua mensagem “neo-realista”. Mas procuravam fazê-lo ao de leve, para não provocar a ira do “homem” de Santa Comba. Os portugueses eram então con-

talismo selvagem” de que falava Roosevelt, está cá de novo. As corporações americanas têm no estrangeiro mais de 400 biliões de dólares, que não trazem para o país para não pagar imposto. Parte desse capital está desenvolvendo industrialmente a China, país que amanhã poderá vir a fazer sombra aos Estados Unidos. Ao mesmo tempo que devemos à China, dezenas de biliões que temos de pagar. O economista e prémio Nobel, Paul Kruggman, por razões que ele lá sabe, é contra as medidas demasiado restritivas, adoptadas tanto aqui como em Portugal e em outros países europeus, e vaticina que tais medidas, vão agravar ainda mais a crise. Sem dinheiro o povo não compra. E se não vender, a indústria não pode produzir, se não exportar o excedente. Mas se os países importadores, estão passando pela mesma crise, cria-se o circulo vicioso. Se não vende, não produz. Se não produz, não dá emprego. E se não há emprego, agrava-se a miséria e o mal estar social, e o estado de crise vai levar mais tempo a resolver. Este é o dilema de uma sociedade consumista, que tem de vender, para viver. Leio outros economistas, mas a minha simpatia vai para Paul Kruggman. Sem gasto nem investimento, não há produção, e sem consumo, não há emprego. E é, neste momento, o grande mal de Portugal e dos portugueses, e mesmo aqui, na terra do “sonho americano”.


COLABORAÇÃO

Tribuna da Saudade

Ferreira Moreno

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a sequência da prévia crónica “Freiras e Confeitos”, apresento agora algumas ligeiras referências a este produto caseiro dos confeitos que, aparentemente, há desaparecido no mercado de guloseimas regionais. Na tradição local ficou registada a popularidade dos Confeitos da Ribeira Grande (em S. Miguel dos Açores), aos quais o meu saudoso conterrâneo Ezequiel Moreira da Silva (18921974) dedicou esta singela e mimosa quadra: Pedi ao meu namorado Um cartucho, mão a mão, Em cada confeito grado Batia o meu coração. No segundo volume do “Apontamento Histórico & Etnográfico”, publicado pela Direcção Escolar de Ponta Delgada, somos devidamente informados que o fabrico de confeitos na Ribeira Grande teve início após a extinção das ordens religiosas em 1834, “quando a bisavó de Maria Alcídia do Rego Teixeira recebeu em sua casa uma noviça do convento de Angra do Heroísmo”. Através dos tempos, as freiras evidenciaram-se sempre na arte culinária da doçaria. E foi assim, por mero capricho do destino, que o segredo na feitura dos confeitos

veio parar à Ribeira Grande. Diz-se até que, nesta confecção dos confeitos, e por largo tempo, a família teria usado uma bacia de cobre originalmente utilizada pela ribeiragrandense Madre Teresa da Anunciada (1658-1738), quando ela fazia confeitos no Convento da Esperança do Senhor Santo Cristo dos Milagres. A receita fundamental dos confeitos foi recolhida e transmitida pela minha estimada conterrânea Zenaida Borges Miranda, num trabalho que passou p’rós arquivos de Antropologia Cultural em 1981, ao cuidado de Rui Sousa Martins da Universidade dos Açores. Não ajunto aqui a transcrição da receita, simplesmente por ser demasiado longa e tão meticulosa que exigiria muito espaço. Mas desde já asseguro que é uma tarefa morosa fazer confeitos, implicando dias e muitas miudezas p’ró seu fabrico. De valor inestimável e afamados pela sua qualidade e apresentação em tempos passados, foram certamente os confeitos produzidos pela D. Maria Alcídia e seu marido Manuel da Costa Correia, mais conhecido por Manuel Sacristão, pois que exerceu as funções de sacristão na Igreja Matriz, da Ribeira Grande, por mais de meio século.

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Cartuchos de Confeitos No interior dos confeitos havia nhos, atiravam-se à procura dos cestas eram transportadas sobre amêndoas torradas ou frutas confeitos. Santos tempos de paz e o braço esquerdo dos vendedores que lá iam apregoando a mercacristalizadas, e também sementes simplicidade! doria por entre a multidão que Havia até mesmo uma espécie de erva doce. Os confeitos eram transitava pelas ruas. de ritual na venda ambulante dos vendidos ao público ou p’ràs merE de toda a parte surgiam noivos confeitos, a que graciosamente cearias, ao quilo ou em cartuchos se referiu o supracitado Apontade papel de tamanho e preço variáveis. Os confeitos apareciam mento Histórico & Etnográfico, e a comprar cartuchos de confeitos p’ra mimosear as suas noivas, ou com especial incidência geral- que ora me apraz transcrever. então acorriam os pais sorridenOs típicos vendedores transpormente p’la Festa da Páscoa, no tes e tão gulosos c’mós próprios tavam os confeitos em cestas de Domingo de Ramos, e por ocafilhos. vimes de forma oval, com tamsião das procissões dos Terceiros Presentemente, talvez por ser um pa e asa, forradas no interior por e dos Passos. s confeitos estiveram uma toalha branca adornada com trabalho muito pesado e demoraigualmente associados rendas ou bordados, ficando os do, consta-me que a indústria ara uma tradição do pas- extremos fora das cestas. tesanal dos confeitos já passou ao sado. Dentro das cestas guardavam-se estafado rol dos esquecidos. Trago ainda gravado na lembran- os cartuchos, enquanto outros ça o costume de, à saída da igreja cartuchos de diversos tamanhos Ó rapaz da cesta, após os casamentos, se atirar aos eram expostos sobre a parte inte- Dá-me desses confeitinhos, noivos pétalas de flores mistura- rior da tampa, levemente descaí- P’ra eu dar em lembrança, A quem me der beijinhos. das com confeitos, numa expres- da p’rá trás. Por sua vez, estas são de abundância e desejos de felicidades. Num misto de nostalgia e saudade, PHPC announces the release recordo o alof its latest publication, the voroço cauluxury edition of the book sado entre as IV International Conference on crianças que, The Holy Spirit Festas, a hard aos pulos ou cover, full color, 100-page, de gatinhas, photojournalist’s report of the a torto e a June 2010 conference in San direito, entre José, California, by Miguel Valle risos e gritiÁvila, Assistant Editor of The Portuguese Tribune. All author proceeds revert in IV International Conference on the Holy Spirit Festas benefit of the San José State Miguel Valle Ávila University Portuguese Studies Program.

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Falecimento

Nazaré Sousa Ataíde 06/12/1946 ~ 04/11/2011

Faleceu no dia 11 de Abril de 2011, Teresa Sousa Ataíde, natural da Ilha Graciosa e residente em San José, California. Era filha de Rosa Ataíde e Manuel de Sousa Ataide, ambos falecidos. Deixa de luto seus irmãos, Theresa, Arlindo e Florentino Ataíde, sua cunhada Rosie Ataíde, sobrinhos Lucy, Arlindo Jr., Vanessa e Priscilla. Tambem deixa a chorar a sua morte três sobrinhos-netos, Abigail, Nazário e Sophia. As visitas serão das 6 às 9 pm, no dia 18 de Abril no Willow Glen Funeral Home, com vigília às 7 horas da tarde. A Missa de Corpo Presente terá lugar no dia 19 de Abril às 11 am na Igreja Portuguesa das Cinco Chagas, seguindo-se o funeral para Santa Clara Mission Cemetery. Tribuna Portuguesa envia sentidas condolências a toda a família Ataíde.

ULTIMA HORA Porto, Benfica e Braga, pela primeira vez na história, juntos nas meias-finais da Liga Europa


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COMUNIDADE

15 de Abril de 2011

Traços do Quotidiano

Margarida da Silva santamarense49@yahoo.com

Noite de Fados No pretérito dia 19 de Março, teve lugar a anual Noite de Fados organizada pela I.D.E.S.I., de Novato. Este ano foram convidados os fadistas Ana Vinagre, de New Bedford, e David Garcia, de San Jose, e, como sempre, o Conjunto de Guitarras Sete Colinas. Apesar do mau tempo que assolou a Califórnia naquele dia, além dos convivas habituais destes arredores, houve também pessoas que se deslocaram de longe para aplaudir os artistas e apoiar

além de possuir uma linda voz, é muito simpático e sabe comunicar com a audiência tanto em inglês como em exemplar português, o que é de admirar uma vez que ele nasceu neste país. Quando ele foi contratado o comité desconhecia-o, mas confiou na recomendação do Sr. Manuel Escobar. Ainda bem, pois o David deixou as melhores impressões pela sua passagem por Novato. Na opinião de muitos convivas, o David irá longe interpretando o

a organização que tudo faz para manter esta tradição, pois não é fácil com um limitado orçamento continuar a trazer bons fadistas a Novato e oferecer um abundante e tradicional jantar à portuguesa. Mas, como diz o ditado: “Mais faz quem quer do que quem pode!” Já conhecia a voz castiça da Ana Vinagre mas nunca a tinha visto actuar pessoalmente. Gostei do seu estilo e do bem elaborado repertório, mas, como sou amante tradicionalista do fado, prefiro que não seja intercalado com

nosso Fado. Confesso aqui a minha pontinha de orgulho por ele se considerar filho do Pico apesar de ter nascido na Califórnia. Desejo-lhe as maiores felicidades. O que posso dizer sobre os guitarrista Helder Carvalheira, João Cardadeiro e Manuel Escobar, que já não foi dito? Simplesmente, que os acordes dos seus instrumentos encantam e enternecem. Bem hajam! Envio um especial agradecimento à D. Maria das Dores Beirão pela sua mestria como apresentadora da noite, pois ela tem sempre as

tanto chiste. Porém, a audiência aplaudiu-a calorosamento demonstrando o seu apreço. Para mim, a surpresa da noite foi a actuação do jovem David Garcia. Como me disse a mana Cecília: “ Por onde é que ele tem ele andado que não é mais conhecido?” Bem, agora já muita gente ficou a conhecer este fadista que,

palavras certas no momento certo. Como membro do Comité do Fado da I.D.E.S.I., estou muito grata a todos os participantes e aos que trabalharam incansavelmente para tornar possível mais uma bem sucedida Noite de Fados.

O Grande Pompílio

F

ins dos anos 50, talvez princípios dos anos 60 que a memória já me atraiçoa nas contas, noite cálida em Lisboa e o vetusto Pavilhão dos Desportos a abarrotar de aficionados do hóquei em patins, de incondicionais adeptos do Hóquei Clube de Sintra e do Sport Lisboa e Benfica, vivendo todos eles a promessa de um hóquei tão vibrante e tão vernáculo quanto o abençoado Portugal que o viu frutificar, vivendo todos eles a esperança de um espectáculo desportivo de qualidade de extasiar, graças aos seus eminentes intérpretes, graças à feliz coincidência que naquela jornada inesquecível trouxera ao recinto lisboeta um leque de hoquistas de atributos invulgares. Um Sintra - Benfica em hóquei em patins nos anos 50 e 60 representava um espectáculo de enorme expectativa, uma peça de sumptuosa encenação, um deleite para os sentidos. Decorridos apenas oito minutos do jogo e o Benfica - impondo-se pela batuta de Cruzeiro e golos de José Lisboa e Perdigão - vencia o Hóquei de Sintra, inapelavelmente, por 2 - 0. O Sintra, porém, repleto de gente da terra - da terra mais linda do mundo, essa Sintra de sonho e de conto de

Ouça Miguel Canto e Castro em www.kigs.com

A Vida Real

Edmundo Macedo

fadas! -, tinha o esforçado José Magalhães na baliza, “O Senhor" António Raio no eixo da defesa, Edgar, “O Magnífico”, a mandar ao centro e, no ataque, a corroer e a demolir as defesas "inimigas", Rui Faria, "galgo" do rink e, finalmente, Pompílio, o homem do stick mágico, o avançado único, raro, empolgante, sensacional. E foi o genial Pompílio - que não patinava, antes fluía, como água em regato - quem na noite cálida deu a volta ao resultado, “pintando a manta” de ponta a ponta do rink, espalhando o pânico no reduto adversário. Foi o genial Pompílio quem maravilhou o Pavilhão dos Desportos, fabricando um hóquei tão rendilhado como filigrana, hóquei sublime, ao alcance de mais ninguém. Foi o genial Pompílio quem assinou por três vezes golos de encantar pavilhões do mundo inteiro, oferecendo-os ao seu Sintra como que em bandeja de platina e agrinaldando-os com a sua arte de pasmar. Pompílio Louro Silvestre deixounos já lá vão alguns meses e Sintra ficou mais pobre. Sintra ficou mais pobre porque perdera um dos seus mais glorificados atletas, porque perdera um hoquista fruto da terra, que

talentoso pela Graça de Deus se elevara a internacional de considerável merecimento. Sintra ficou mais pobre porque perdera um valiosíssimo bicampeão nacional, um campeão europeu júnior e um campeão mundial sénior. Sintra empobreceu quando Pompílio partiu porque perdera um filho que em representação do prestigioso clube da Vila que o vira nascer o transportara aos mais altos cumes. Sintra empobreceu quando viu partir um filho que em representação do seu país elevara Portugal ao apogeu e à glória em palcos mundiais do hóquei sobre rodas. Pelo hóquei em patins nacional desfilaram "dinastias" de jogadores de insofismável valor. Não é, porém, deles que hoje vim aqui falar. Vergado perante a memória de Pompílio, é dele que vim aqui dizer quanto admirei esse portentoso hoquista Sintrense de habilidade inimitável, de imaginação tão prodigiosa que o seu hóquei transcendia e valorizava qualquer táctica de qualquer treinador, de classe tão inesgotável que jogava o hóquei em patins como se o seu stick fosse a patinha dum gato e a bola um novelo de lã... Descansa em paz, Pompílio.


COLABORAÇÃO

Abraço na Praia

Rasgos d’Alma

Luciano Cardoso lucianoac@comcast.net

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ão passa dum passatempo. Descontraime e dispõe-me bem. Sempre que posso, procuro levá-lo na brincadeira. Encaro-o como forma fugidia de iludir o “stress” que me esmorece o dia a dia. Escrever para o jornal, para mim, é isto mesmo. Não me peçam para fazê-lo muito a sério. Não me sinto tanto à vontade nem lhe acho tanta piada. Nem piei. Quando, em animado batepapo de lusíadas patriotas, me tentaram talhar tema para este texto, apenas sorri. Pretendiam convencer-me a abordar a polémica atualidade da semana que passava: “Então, vais debruçarte sobre o abanão ao engenheiro Sócrates, o safanão do professor Cavaco ou o apagão na Catedral (traduzido por alguns como o leve puxão d’Orelhas ao cegão do Pintacosta)?...” Voltei a sorrir e tratei de me esquivar. De facto, é uma tentação enorme. Chafurdar no futebol ou na política duma forma superficial, para quem não tem mais nada que fazer, apaixona a malta, danada para arengar até mais não poder. Começam em conversa enfadonha e acabam numa zaragata medonha. Cada qual com sua mania, “a tua pior do que a minha”, puxa a brasa à sua sardinha, e os ânimos fervem em água fria. Às vezes, tanto se ralha que só não dá em sopapos porque não calha. Calhou-me ir ao jantar-convívio promovido pelos amigos da Praia da Vitória e confesso que, uma vez mais, adorei. Mal entrei na espaçosa sala da briosa Banda Velha, não tive dificuldade em decidir. Abanão? Safanão? Apagão? Desilusão. Não vou lá, não! Hoje não há disposição. Prefiro comentar este transatlântico abração que anualmente se estende da saudosa pista das Lages à acolhedora costa do Pacífico. A festa esteve em grande. Promovida por uma já rotinada organização com empenho em dar o seu

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melhor, ano após ano, proporciona aos convivas uma agradável noite em cheio. É o programa sempre aliciante dum serão prolongado por entre sorrisos abundantes, palavras carinhosas e abraços apertados de amigos que se revêem com o coração a pedir-lhes que não deixem de se abraçar. E eles, mal saboream o arroz de marisco regado com bom vinho tinto lá da terra, deliciam-se na adoçada sobremesa antes de passarem nova ronda pelas outras mesas e estreitarem ainda mais esse sentido abraço que animicamente os reaproxima e reconforta. Filhos da mesma ilha, separados anos e anos pelas reles vicissitudes da fria imigração, a matarem saudades com a alma a fervilhar-lhes de requentada emoção. Um deles, o meu velho amigo João Costa – já não nos víamos, sei lá, desde os nossos quinze anos – estava ali, homem feito fotógrafo profissional, para promover ao vivo, com dedicatórias autografadas, a nova edição do seu vistoso livro “Olh’esse toiro!”, um sucesso acarinhado pelo festeiro povo da ilha e pelas formidáveis gentes da diáspora, sobretudo os mais aficionados da festa brava. utro amigo de longa data, figura de transcendente relevo nas belas artes açorianas, também de passagem por cá, Alamo Oliveira, oportuno a brindarnos com a agradável surpresa da sua inimitável presença, sempre benvinda e aplaudida onde quer que apareça entre nós. Da comitiva promotora das Festas, onde Roberto Monteiro, o popular presidente da novel edilidade praiense, cada vez mais e melhor nos seduz com o característico à vontade da sua cativante mensagem, poderíamos realçar individualmente os restantes elementos representativos duma fraterna missão de salutar intercâmbio que sempre nos toca muito a fundo. Não o vamos fazer. Não

há espaço aqui. Como também já não havia na ampla sala da acolhedora Banda Velha, digna anfitriã da elegante confraternização que maravilhou todos os presentes. Vieram de perto e de longe para se associarem a gosto e ao vivo à mística genuína do mítico Ramo Grande, desinibido em camaradagem que nos cai sempre muitíssimo bem a qualquer hora do do dia ou da noite. Tive pena de ter que sair mais cedo porque sei que o animado convívio se prolongou até às tantas. Depois dos discursos da praxe e da reconhecida homenagem ao

saudoso Norberto Azevedo, houve cantoria, fado, condecorações e muitos mais merecidos aplausos. Havia gente afeta a divergentes opiniões políticas e adepta de rivais clubes de futebol. As mesas, porém, redondinhas de entusiasmo, não permitiram quaisquer partidarismos absurdos nem clubites inadequadas. O pessoal estava ali, de livre vontade, a celebrar o melhor do seu concelho bem como da sua ilha. Tudo correu às mil maravilhas. Quando assim é, ficamos todos de parabéns. Cai-nos melhor o

abração. P.S. Para a próxima edição, se tudo correr de feição, e como bom “lampião”, focarei com isenção o feito do superdragão, campeão do apagão.

CD das Heroínas à Venda

O

O CD inclui: “As Heroínas em Dia de Amigas”, por Hélio Costa e “Na Terra da Cowboiada” Contacto: 562-547-0055 ou 562-802-0011 Por favor mandem um Cheque ou Money Order em nome de José Enes com esta forma para a Direcção abaixo indicada. Nome:________________________________ Rua:_________________________________ Cidade:_______________________________ Estado:_______________________________ Zip:_________________________________ Tele: ( )_____________________________ José Enes 12112 Park St.

Cerritos, CA 90703

Santos-Robinson Mortuary San Leandro Family owned California FD-81

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a Comunidade Portuguesa em toda a Área da Baía desde 1929 * Preços baixos - contacte-nos e compare * Serviços tradicionais / Serviços crematórios * Transladações para todo o Mundo * Pré- pagamento de funerais

Madeline Moniz Guerrero Conselheira Portuguesa

Telefone: 510-483-0123 160 Estudillo Ave, San Leandro, CA 94577

Preço: $20.00 com correio incluído


8

COLABORAÇÃO

Agua Viva

Filomena Rocha filomenarocha@sbcglobal.net

H

á já uns anos que a visita vem sendo cumprida, como promessa de mordomia: Vir da Praia da Victória, da Ilha Terceira até à California. É um trato já feito de ano para ano que tem vindo a criar raízes de amizade cada vez mais profundas, tanto por parte dos que já as tinham por ter nascido no concelho da Praia, como dos que vêm recebendo os visitantes, sempre à espera de inovações no programa das Festas. Mas não é pròpriamente de um programa de Festas que a Edilidade Praiense vem falar, embora o mote seja dado sempre nesse sentido. A Banda Portuguesa de São José tem sido o normal cais de chegada e encontro dos Amigos da Praia com os visitantes e por isso se enfeita com a cor do seu brazão: o vermelho. Ou talvez porque os organizadores serão pràticamente todos do Benfica...

15 de Abril de 2011

Em nome das Artes, Em nome da POSSO

Faz-se a hora social, o jantar, os discursos da praxe, as apresentações. Falar de obras no Concelho, torna-se mais importante que qualquer outro programa. Afinal, o emigrante quando volta, quer ver a sua terra bonita e asseada, a sua gente bem alojada e feliz, desde a primeira à terceira idade, com qualidade de vida. Roberto Monteiro, presidente da Câmara da Praia, nos projectos que mostra, apresenta essas preocupações, já a pensar no seu próprio futuro e nos da sua idade. Por sua vez, o Presidente das Festas de Agosto, que também é presidente do grupo de teatro Alpendre, Valter Peres, convida todos a irem sem receio, porque o programa está a ser feito em nome das Artes, de forma a ninguém se arrepender. Do que ninguém se arrependeu, foi de ficar para ouvir a Cantoria por José Fernando e Hélder Pereira, vindos da Terceira, acom-

panhados por Jorge Reis e Chris Martins; Crystal Mendes, Luis Sousa e David Garcia, cantaram Fado, acompanhados por Hélder Carvalheira e Manuel de Sousa. Seja como for, a casa enche-se de todas as cores e o que conta é o valor do abraço, a cor do sorriso e a esperança que é sempre verde para receber quem vier por bem. Para o próximo ano, Mário Azevedo, em memória de seu saudoso pai, Norberto Azevedo, será o anfitrião. Felicidades! Felicidade, é o que todos desejam atingir, sobretudo numa época de crise como a que se atravessa e ao que tudo indica para durar. Mas é nessa situação que mais as pessoas se unem para que a Vida seja menos difícil, e também menos solitária. Trinta e cinco anos a projectar soluções de ajuda, não tem sido fácil para a POSSO. Unindo boas vontades de amigos voluntários, para além da ajuda

VENDE-SE Terra de Semeadura e Arvoredo, com mais de 776,000 m2, localizado nas Travessas, Freguesia da Ribeira Seca, melhor conhecida pela “Ferreira da Marceneira”, “O Coração da Ribeira Seca”, Concelho da Calheta, Ilha de São Jorge, Açores. Tem uma frente junto ao Caminho, a estrada central da ilha. Tem uma excepcional vista para a Ilha do Pico. Os interessados devem chamar para (408) 258-1347

A foto da Quinzena

Nos finais dos anos 50's, o futebol na Ilha Terceira era paixão, eram campos cheios de gente, como se vê nesta foto num célebre jogo Lusitânia-Angrense. Reparem nos carros. Hoje, o futebol nas Ilhas é com estádios vazios.

governamental, é sempre tarefa que não pode parar, ainda que o futuro se apresente negro e as ajudas sempre poucas para as necessidades de todos os dias. Davide Vieira, foi o mestre de cerimónias para o delicioso banquete realizado na I.E.S., que contou com a presença de entidades dos Districtos 5 e 3, do Condado de Santa Clara, Xavier Campos, e Dave Cortese e António Costa Moura, Cônsul-Geral de Portugal em São Francisco. Com a presença assídua e atenta de Manuel S. Bettencourt, Mary Sousa, José Luís da Silva, estudantes do Clube Português da Pleasant e Piedmont High School, e de muitos voluntários tornase evidente que a POSSO, há-de vingar por muito tempo. Foi com este propósito que Mário Sousa aliando-se a um Grupo de Aficionados da Área da

Cantos Populares Eu vivendo por vós morro, Vós por mim viveis morrendo Quisera acabar a vida Para ficares vivendo. Para eu ficar vivendo? Vós a mim me daes tormento; 'Stou vendo que desejaes Que eu morra antes do tempo. Não morres antes do tempo, Minha prenda tão querida; Se eu conhecera a morte, Eu te compraria a vida. Eu te compraria a vida, Depois n'uma prima dera, No alicerce do amor Vós sois a primeira pedra.

Baía, preparou um jantar de angariação de fundos, no PAC, a favor da POSSO, que rendeu dez mil dólares. Outros, ofereceram todo o seu belo talento, como o Grupo de Hélio e Maria das Dores Beirão, com David e Júlia Borba, Jesse Beirão Hudak, Cipriano Martins, Sheryl Ross, YuTing Wang, que acompanharam Lorraine Jacinto, Mirelle Leal, Natália Rosa, Silvia Soares e David Garcia. Mas, um novo e lindo talento despontou no grupo: Grace Beirão, que fez a música para o poema da sua avó, Maria das Dores, cantou-o e tocou na viola clássica, Minha Ilha, Minha Gente. Com gente assim, estou certa, as coisas boas não morrem.

CANTIGAS AO DESAFIO Novidades de 2010, em DVD e CD . Cantoria da Senhora da Luz, 2010 . Cantoria da Filarmónica de S. João, 2010 . Cantoria p. o Pequeno Jonathan, 2009 . IV Encontro de Veteranos, 2010 Cantorias editadas anteriormente: . Guerra de Cantigas ao Desafio, 2005 . Grande Tarde do Improviso, 2005 . Cantigas ao Desafio no S. Maria, 2006 . Nova Guerra de Cantigas, 2007 . Só Desgarradas, 2008 . Cantadores de Guerra Cantam Paz, 2009

Livros de cantigas ao desafio também à venda. Vasco Aguiar, Meio Século a Cantar ao Desafio José Plácido, Quarenta Anos a Cantar ao Desafio José Gaudino, Quase M. Século a Cantar ao Desafio

Encomendas. Escreva ou telefone para: José Brites (Por favor fazer cheques em nome da editora) Peregrinação Publications USA Inc. P. O. Box 4706, Rumford, RI 02916 USA Tel: (401) 435-4897 Fax: (401) 431-6129 jbbrites@hotmail.com www.portuguese-books.com

ACTUAÇÕES DE

ALCIDES MACHADO ABRIL 04/22/ BACALHAU GRILL 04/30/ ISTW WATSONVILLE

Maio 05/01/ ISTW Watsonville 05/08/ LATON 05/13/ HAYWARD 05/14/ HAYWARD Com Tony Borges 05/21/ BUHACH 05/22/ BUHACH 05/28/S LEANDRO 06/04/CROWS LANDING 06/05/ CROWS LANDING 06/11/BUHACH 06/12/EASTON Com Nelia 06/18/LOS BANOS 06/19/ LOS BANOS 06/25/ BUHACH 06/26/STEVENSON


COMUNIDADE

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Nelson Ponta-Garça é Juri no Açor Talentos O concurso de interpretação da cançao é dividido por quatro fases até se apurar um vencedor que irá gravar um CD single nos EUA. As fases do concurso serão acompanhadas por um júri convidado pela produção para escolher as canções que irão passar às fases seguintes. Uma primeira fase de selecção de concorrentes, uma segunda fase de eliminatórias em formato Karaoke, uma terceira fase de semifinais e uma última fase, a grande final. As semifinais e final serão em formato com banda ao vivo para acompanhar os concorrentes. O projecto Concurso Regional RTP Açores – Açoriano Oriental/Açores TSF de interpretação da canção com o título genérico “Açor Talentos” nasce de uma parceria entre a empresa Closeup, Açoriano Oriental/AçoresTSF e RTP Açores com o intuito de se marcar uma identidade própria no espectro musical açoriano. Será um projecto anual onde se estenderá gradualmente a todo o território do Arquipélago dos Açores e Comunidades Açorianas no Norte da América. A Final terá lugar nas Portas do Mar no dia 15 de Abril. 10 concorrentes apurados, pela primeira vez transmissão em Stereo da RDP Açores em simultâneo com a RTP Açores. O vencedor irá gravar nos EUA. Nas fotos podem-se ver aspectos da segunda semifinal

do Açor Talentos que encheu pela segunda vez o Coliseu Micaelense com Apresentação de Miguel Decq Mota e Beatriz Feijó, onde foram apurados 4 Talentos dos Açores para a Final.. O Júri foi constituído por (ver foto) Nelson Ponta Garça, Produtor Musical; Filipe Larsen, Produtor Musical; José Andrade, Presidente da Comissão Executiva do Coliseu: Rui Simas, Jornalista: Fernan-

A Banda Citabria irá tocar ao vivo com os finalistas e apresentará o seu mais recente single. Actualmemente no Açores, Citabria irão trabalhar em conjunto com NPG Productions com o objectivo de criar uma música com o vencedor do Açor Talentos. Citabria é uma banda de rock progressivo, formada em 2008, em San José, Califórnia. Fundada pelo baterista Kevin Azevedo e pelo baixista Edgar Fernandez, mais tarde incorporaram o guitarrista Nate Dias e o vocalista Leopoldo Larsen. Estes são os elementos que criaram o poderoso e único som da Banda Citabria. in açortalentos webpage

do Pereira, Cantor; Bruno Pacheco, Director Regional da Juventude e Armando Moreira, Encenador.


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15 de Abril de 2011

Reflexos do Dia–a–Dia

Diniz Borges d.borges@comcast.net

A

cidade de Tulare, no centro-sul do vale de S. Joaquim acaba de ser palco do trigésimo quinto congresso sobre educação e cultura da Luso-American Education Foundation. Foi um acontecimento marcante, particularmente porque todas as associações portuguesas e luso-descendentes da cidade de Tulare estiveram envolvidas neste evento. O Congresso sobre educação e cultura, pertenceu e foi feito com a comunidade. As Comunidades Portuguesas: o nosso património, o nosso futuro, foi o tema escolhido pela comissão organizadora que congregou 22 pessoas ligadas ao ensino e ao nosso movimento associativo. Foram quatro dias compostos por exposições de arte, incluindo um artista vindo de Portugal; apresentações livros, com a apresentação de 5 livros diferentes, desde poesia a ensaio; sessões variadas que foram desde a gastronomia à genealogia, de metodologias para professores até à história de Portugal em inglês, de uma dança de carnaval de crianças até à projecção de um trabalho sobre as gentes das Fajãs de S. Jorge; de uma apresentação sobre a presença dos Rotários do centro da Califórnia (Rotary Clubs of Central California) em Angola até à literatura, onde foi feita a trajectória das editoras académicas e não académicas que têm publicado obras sobre as comunidades e divulgado a literatura portuguesa traduzida para o inglês. Houve ainda um espaço para vários autores da diáspora, presentes no Congresso, apresentarem algo das suas respectivas obras. E o Congresso terminou olhando para o futuro com um painel de 4 jovens profissionais ligadas às nossas comunidades que

Há que continuar a apostar no Congresso

reflectiram o peso da comunidade nas suas vidas e como vêem a comunidade amanhã. Houve música pelo maestro Hélio Beirão e o casal David e Júlia Borba, Folclore dos Açores pelos alunos de Português IV das escolas secundárias de Tulare e, como se mencionou uma dança de carnaval de crianças. Foi mais um espaço para a comunidade se rever, para reflectirmos quem somos e como somos. Para se aprender com aca-

dam, ficam mais luso-americanas e menos portuguesas. É que apesar do calendário festivo da Califórnia portuguesa ser abundante, não são muitos os espaços para reflectirmos quem somos. O congresso da Luso-American Education Foundation continua a ser o único espaço em que se pode reflectir as comunidades e em que fala de assuntos tão pertinente como: o ensino da língua portuguesa, os estudos académicos sobre as nossas comunidades, o

démicos vindos de Portugal, dos Açores, do Canadá e de ambas as costas dos Estados Unidos. Tivemos representação de entidades representantes do governo da república e da região autónoma dos Açores. Entidades que, tal como todos quantos estiveram em Tulare, testemunharam o que se faz nesta comunidade em termos de ensino da língua e cultura portuguesas, em termos do nosso movimento associativo, em termos de preservação do legado cultural e em temos de se olhar para o futuro que será muito, muito diferente. Aliás, já começa a ser diferente. O congresso da Luso-American Education Foundation deve ser isso mesmo, um espaço anual para se pensar as comunidades. É mais do que sabido que com cada dia que se passa as nossas comunidades mu-

intercâmbio e o diálogo entre académicos, escritores e artistas em geral das nossas comunidades e de Portugal. E tudo isto é de suma importância para as nossas vivências, que têm que, forçosamente, ir além do que é popular e efémero. As nossas comunidades de origem portuguesa na Califórnia, precisam, de cada vez mais destes espaços e precisamos que os mesmos sejam abrangentes. Que tenham capacidade de albergar todos os sectores das artes, do conhecimento, do diálogo e do intercâmbio cultural e académico. E que sejam, cada vez mais, eventos com a presença das outras culturas que compõem o nosso mosaico cultural norte-americano. É que temos que estar conscientes que a comunidade de origem portuguesa no estado da Califórnia é uma comunidade

com mais de um século e que nela existem gente de outras etnias que acabam de fazer parte da nossa cultura como nós também usufruímos das várias culturas que nos rodeiam, melhor das várias culturas com as quais coabitamos, quotidianamente. Há que continuar a apostar no congresso da Luso-American Education Foundation, o qual também passa por um período de reflexão e ajustamentos. Porém é essencial que todas as nossas comunidades tenham a sua participação. Chegou o momento do congresso ir além das quatro cidades onde tem sido alternadamente realizado na última dúzia de anos. É essencial que seja um congresso de toda a Califórnia e que os professores de português, os principais beneficiários do mesmo, larguem a sua letárgica situação e participem, activamente, neste espaço único na Califórnia. É que de 28 professores convidados, apenas 10 apareceram, 5 dos quais de Tulare. Embora alguns tenham razões justificáveis, a realidade é que ao longo dos últimos anos, um congresso que tem tido sempre um espaço para os professores de língua e cultura portuguesas raramente, tem tido uma boa participação dos nossos docentes, dos meus colegas. Assim, é muito mais difícil preservar o que temos e expandir a nossa presença no mundo americano. Se é certo que o congresso de Tulare da LAEF para 2011 foi marcante, não é menos certo que há aspectos que têm que ser revistos e repensados, mas acima de tudo há que continuar com esta peregrinação cultural que há 35 anos vem acontecendo nas nossas comunidades.

Aniversário da Azorean Band of Escalon Escalon é uma pequena cidade ao Norte de Modesto, no Vale Central, com cerca de 7, 257 habitantes assim divididos: 85.23% brancos, 0.57% African American, 0.96% Native American, 1.09% Asiaticos, 0.18% Ilhas do Pacífico, e 8.72% de outras raças. Hispânicos ou Latinos de qualquer raça são 18.87% da população. É lá que existe uma das melhores Filarmónicas da California - Azores Band of Escalon, que agora comemorou o seu 31º Aniverseario.

Azorean Band of Escalon em frente à sua Sede À direita: Terry Silveira, Mestre Embaixo: Alvarino Borba e a sua equipa, sempre na rectaguarda da festa


COLABORAÇÃO

Temas de Agropecuária

Egídio Almeida almeidadairy@aol.com

... são uma realidade. Cerca do ano 2050, está previsto que serão necessários 100% mais de alimentos, que virão sem dúvida, da nossa eficiência e aperfeiçoamento tecnológico. A presente população da Terra é de cerca de 6.5 biliões presentemente, esperandos-se que chegará aos 9 biliões em 2050, e uma subida de 2.5 biliões de habitantes a partir da presente contagem de hoje. Segundo fontes credíveis, os mercados continuarão a aumentar a demanda em produtos essenciais tais como, proteína animal e cereais. Esta foi a conclusão dos peritos e convidados especiais do “Dairy Profit Semi-

nars” durante a recente “World Ag Expo”. Esta mensagem e estudo centralizou-se nos económicos da alimentação, e as preferências do consumidor. A mensagem que ficou, é que o globo Terra, terá que depender dos avanços tecnológicos para concretizar a difícil tarefa de alimentar as populações, substancialmente, económicamente e com segurança. A escolha e crítica, é para que as populações possam ter as suas preferências como consumidores é necessário que estes e a tecnologia se compreendam e aceitem mutuamente. Em várias ocasiões no passado temos já abordado este caso e não queremos ser repetitivos, mas

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Novas tecnologias para a alimentar a Humanidade...

achamos que estes números, que não são nossos, são muito importantes para compreendermos o presente e futuro paradoxal do Mundo em que vivemos. Nós não temos mais terra. Nós não temos mais água ou recursos naturais. Temos portanto que deitar mãos a disponíveis e seguras tecnologias, para alcançar os nossos objetivos na criação de um mundo melhor. Nos países desenvolvidos (Norte America, Europa e Japão), uma pequeníssima proporção da sua total população é composta de crianças e adoloescentes. Esta demografia é totalmente oposta nos países em desenvolvimento, que têm populações mais jovens, e com o crescimento das suas economias, os seus níveis de vida

sobem e os hábitos alimentares ficam mais exigentes. Estes peritos falaram da insegurança alimentar - em 2010 uma em cada seis pessoas no mundo passou fome, e entre 2008 e 2010 uma estimativa de 18.2 milhões de pessoas morreram de má nutrição. Nos Estados Unidos em 2008, alimentação insuficiente atingiu 14.6% das famílias a mais alta percentagem desde que se mantém números. No Estado de Indiana, a assistência alimentar aumentou em 2008-2009 tanto como 38%. Na China, o Primeiro Ministro Wen Jiabao, disse que tinha um sonho, para providenciar cada cidadão, especialmente crianças, com uma suficiente dieta de leite para cada dia. Aumentando a quantidade actual de 100 gramas, para 300 gramas por dia, se compararmos com os Estados Unidos (presentemente 706 gramas por dia) um país como a China teria de crescer de 18 milhões de vacas, para 36 milhões. Na India, presentemente gasta-se 50% do ordenado na alimentação, aproximadamente o mesmo que era nos Estados Unidos há 100 anos. A Secretária para a Agricultura da India diz que não é aceitável ou sustentável continuar assim e estar dependente de outros países, incluindo os Estados Unidos para a sua alimentação, e que a resposta são novas tecnologias.

Em 27 estudos-sondagens em 26 países entre 2001-2010, cerca de 97,000 compradores-consumidores responderam - uma sólida maioria de 95% disseram que os três principais requerimentos, são economia, nutrição e sabor, apenas 4% compram baseado no luxo, produto orgânico ou local, ou preferências religiosas. Em 1990, o Reino Unido decidiu implementar uma série de restrições em como conduzir a Agricultura Animal. Há no entanto a lei de impensáveis consequências, que vem com este tipo de decisões, de ignorar a tecnologia. Pela primeira vez na sua história ficaram dependentes da importação de alimentos, para a sua propria alimentação. Se falarmos de segurança global, esta é muito mais eficaz nos países, cuja balança económica é positiva. Grandes avanços se devem à tecnologia na produção agrícola e agropecuária. Para produzir hoje 1 galão de leite, usa-se 65% menos água do que em 1944. Por exemplo, o uso da terra é 34% menos por cada libra de carne do que era em 1977. A mensagem final destes seminaros é que a Industria Agrícola dos Estados Unidos tem uma tremenda história para contar, e que a resposta esta na Substancialidade, Eficiencia e Tecnologia, que podem largamente reduzir o uso de recursos naturais na produção de alimentos.


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COMUNIDADE

15 de Abril de 2011

Falecimento

Mario da Costa Machado Mario da Costa Machado nasceu no dia 11 de Fevereiro de 1919 em Lisboa, Portugal. Era filho de Herminia da Costa Machado e Antonio Machado. Tinha uma irmã Beatriz da Costa Machado e um irmão, Carlos da Costa Machado. Estudou no Instituto Superior Técnico de Lisboa, recebendo a licenciatura de Engenharia Eléctrica. Em seguida foi premiado pelo governo português com uma bolsa de estudos e partiu para Liverpool, Inglaterra para um curso de aperfeiçoamento. Durante os seus estudos universitários foi atleta filiado ao Sporting Clube de Portugal tendo participado em várias competições como futebol, remo, maratonas e patinagem. Participou ainda com muito sucesso em teatro estudantil representando peças históricas e em comédias. Em 1938 casou-se com Mavilia Estrela Cabral Machado e tiveram duas filhas, a Dra. Mina Machado-Holsti e a Dra. Luisa Maria Estrela MachadoSuhonos. A sua larga carreira de profissional comecou na década de 50 chefiando uma equipa de técnicos que instalou uma rede de estações de telefone automáticas no norte de Portugal. Serviu ainda nas forças armadas portuguesas num batalhão especializado em telecomunicacoes. Quando a multinacional IBM decidiu abrir uma sucursal em Lisboa ele foi um dos cinco primeiros engenheiros locais. A sua competencia e dedicação levaramno a cargos de grande responsabilidade profissional no, Egipto, Espanha, Holanda, Canada e Estados Unidos. Na California, realizou um dos seus sonhos e

fez parte da equipa de engenheiros que apoiou o progama dos vôos Apollo da NASA, baseado em Ames Research Institute em Mountain View, California, de onde se reformou. Nunca esquecendo a sua origem portuguesa, foi com grande orgulho que dirigiu como Presidente o Clube Cabrillo Civico #1 em San Francisco e foi um dos fundadores do clube “Os Amigos de Lisboa”, director da Luso American Education Foundation e autor de muitos artigos jornalisticos promovendo a história, lingua e cultura Portuguesa na California. Juntamente com sua esposa foram durante anos os proprietários do estabelecimento comercial “Casa Portuguesa” em San Leandro. Faleceu em tranquilidade na sua residencia no dia 25 de Marco de 2011, em West Sacramento. Sobrevivem-lhe a sua esposa Mavilia Machado, filhas Mina e Luisa, a sobrinha Herminia Machado Clara de Lisboa, Portugal, o genro Walter N. Suhonos, netas; Karina Louise Estrela Holsti-Green, Larissa Karina Suhonos e bisneta Mayea Estrela Green de Sydney, Australia. No dia 31 de Março, pelas 10:00, foi celebrada uma missa pela sua alma na Igreja de Santa Isabel (Saint Elizabeth Church), 1817 12th Street, em Sacramento, CA. seguindo-se o funeral.

Armando Martins

Aniversário de Casamento em Stockton

O casal Isalino e Guiomar Santos, residentes em Stockton, celebraram o seu 45º aniversário de casamento, na companhia de seu filho Isalino Santos Jr., nora Marissa e neto Nicholas. O casamento foi celebrado na Catedral da Anunciação em Stockton no dia 16 de Abril de 1966. Tribuna Portuguesas envia saudações amigas ao casal Santos.

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Lenita Gentil

COMUNIDADE

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na California

Aproveitando a estadia da cantora Lenita Gentil no Vale Central, Chico Avila juntou amigos e proporcionou uma bonita noite de fados na sua Adega.

Miguel Canto Castro e Isabella Castro grandes amantes do Fado

Fados no Bacalhau Grill em San José

Os responsáveis pelo evento mereceram estar contentes

O Bacalhau Grill ultimamente tem-se distinguido pelos muitos eventos que tem proporcionado aos seus amigos, na sua renovada sala. É uma maneira de dar a conhecer artistas locais, bem como artistas que nos visitam, como foi o caso de Lenita Gentil, que tinha actuado no Aniversário da Rádio Televisão Artesia. Com casa cheia, primeiro cantou o Chico Avila, que desde há uns tempos tem enveredado pelo Fado, como uma maneira de exprimir a sua versatilidade artística. Depois veio a Lenita Gentil, com a sus voz fadista, encher os ares de San José, de bonitos e conhecidos fados. Foi uma noite muito agradável e espera-se que outras deste género se seguirão para gáudio dos amantes do fado e das canções tradicionais. Os artistas foram acompanhados pelo Chico Avila, Manuel Escobar e João Cardadeiro.

João Machado, Chico Avila, Lenita Gentil, Manuel Escobar, João Cardadeiro e Juliana Medeirso, que também cantou o Fado


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COMUNIDADE

15 de Abril de 2011


COMUNIDADE

Fazer o bem a saber a quem...

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Texto e Fotos de Filomena Rocha

Felicidade, é o que todos desejam atingir, sobretudo numa época de crise como a que se atravessa e ao que tudo indica para durar. Mas é nessa situação que mais as pessoas se unem para que a Vida seja menos difícil, e também menos solitária. Trinta e cinco anos a projectar soluções de ajuda, não tem sido fácil para a POSSO. Unindo boas vontades de amigos voluntários, para além da ajuda governamental, é sempre tarefa que não pode parar, ainda que o futuro se apresente negro e as ajudas sempre poucas para as necessidades de todos os dias. Davide Vieira, foi o mestre de cerimónias para o delicioso banquete realizado na I.E.S., que contou com a presença de entidades dos Districtos 5 e 3, do Condado de Santa Clara, Xavier Campos, e Dave Cortese e António Costa Moura, Cônsul-Geral de Portugal em São Francisco. (ler mais na página 8) Jeff Beirão Hudak, David Borba, Cipriano Martins, Hélio Beirão, Julia Borba, Sheryl Ross e Yu-Ting Wang

Mary Sousa, Executive Director da POSSO com Xavier Campos e Sam Liccardo, Vereadores da Câmara de San José

Davide Vieira, MC, com o County Supervisor Dave Cortese

Novos artistas a despontar na Comunidade: Grace Beirão, Jeff Beirão Hudak, Mireille Leal, Silvia Soares, David Garcia, Natália Rosa, Lorraine Jacinto.


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COMUNIDADE

15 de Abril de 2011

Homenagem aos Ganaderos da

California

Fátima "Albino" Ferreira falou da sua ganadaria, do maneio dos toiros e do livro sobre a sua ganadaria.

Aspecto parcial do Salão do Portuguese Athletic Club esmeradamente decorado para a ocasião, podendo-se ver dois ganaderos (em pé) conversando - Manuel da Costa Júnior e Manuel Correia

Joaquim Ávila falando sobre os ganaderos da California e a importância deles na Festa Brava Embaixo: mesa da Fátima "Albino" Ferreira e de sua família residente na California

Por iniciativa de um grupo de aficionados da Área da Baía, realizouse no dia 2 de Abril no Portuguese Athletica Club de San José, um jantar de homenagem aos Ganaderos da California. O jantar decorreu muito animado, com a sala decorada a primor para tal ocasião. Os lucros desta festa aficionada foram oferecidos à POSSO - Portuguese Organization for Social Services and Opportunities, o que foi de louvar, na medida em que as ajudas sociais da Cidade de San José sofreram cortes drásticos nos seus orçamentos. O jantar foi tipicamente terceirense, com sopas, cozida e alcatra, feitos a primor por Domingos Lemos e seus ajudantes. Joaquim Avila falou sobre a homenagem, recordou os três primeiros ganaderos - Manuel Correia (presente no jantar), Manuel de Sousa e Frank Borba (ambos já falecidos) e agradeceu os esforços dos nossos ganaderos em manterem uma tradição tão nossa, em terras da California. A convidada da noite foi a ganadera terceirense Fátima "Albino" Ferreira, que dissertou sobre a ganadaria brava e o seu maneio, bem como apresentou a segunda edição do livro sobre a sua ganadaria, que tem sido um sucesso em toda a parte. É sempre muito difícil que todos os ganaderos compareçam a estes eventos, mas mais importante é reconhecê-los. Foram e são homens que merecem o respeito e mesmo a admiração de todos os aficionados e de toda a comunidade.


COMUNIDADE

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Festa Brava faz-se também com música e comida tradicional

O Grupo Nove Ilhas sob a batuta de Mestre Hélio Beirão Guitarrista Clássico Cipriano Martins e Henrique Cordeiro cantando o Fado e a Festa Mestre Domingos Lemos na "arena" da cozinha do PAC - um artista com provas dadas


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CONGRESSO

RTA - 20

15 de Abril de 2011

anos de vida

Deputado Estadual Tony Mendoza entrega a Manuel Lima uma Resolution da Assembleia Estadual da California pelos serviços prestados à Comunidade e à California pela RTA

Vereadora Michelle Diaz, Vereador Tony Lima, Presidente da Rádio Televisão Artesia, Manuel Cardoso, Tesoureira Maria Bettencourt, Mayor Victor Manalo e Manuel Aguiar

Directores 2010-2011, Francisco Barcelos, José Fischer, Carmen Bastos, Inês Gonçalves, Julianne Romeiro, Maria Bettencourt, Vice-Presidente João rosa, Presidente Manuel Cardoso (Mario Sales não estava presente)

Com o habitual brilhantismo e este ano no novo e belíssimo Salão do Artesia D.E.S., realizou-se o Jantar de Aniversário da RTA. Depois do jantar e das habituais apresentações da Direcção da RTA, passou-se ao espectáculo - cantaram Julianne Romeiro, Justin Martins, Júlia Santos-Gonzalez, Sarah Pacheco e por fim Lenita Gentil, acompanhados por Fernando Silva (com Lenita Gentil), Helder Carvalheira, Manuel Escobar e João Cardadeiro.

Lenita Gentil

Julianne Romeiro

Sara Pacheco, from Canada with love

fotos de Bobby Braga

Novas directoras: Sandra Hala, Sandy Raposo e Christine Cardoso

Justin Martins

Julia Santos Gonzalez


PATROCINADORES

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Não falte à Corrida de Toiros no dia 9 de Maio: 2 Cavaleiros, 3 Grupos de Forcados


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COMUNIDADE

15 de Abril de 2011

Aniversário da Filarmónica União Popular

Aspecto parcial do Salão do I.E.S., já depois do jantar e durante as arrematações

Realizou-se no dia 2 de Abril no Salão do I.E.S. de San José, o jantar do 33º Aniversário da Sociedade Filarmónica União Popular de San José, com a presença de muita gente amiga daquela banda. A sua fundação data de 1978 e tem sede na Santa Clara Street. Esta Sociedade além de ter uma banda reconhecida em toda a parte, tem outras actividades dignas de nota - as suas matanças e jantares de peixe, tem uma qualidade que é sobejamente apreciada. A Banda deslocou-se no ano de 2000 aos Açores tendo actuado em diversas Ilhas. Também já esteve no Canadá e Costa Leste. Actualmente tem 45 músicos, tendo como Mestre, o jovem Henry Ramos. Tem como Presidente Francisco Aguiar, Vice-Presidente Raul Marques, Secretária, Cristina Avila e Tesoureira Anália Nunes. A festa realizou-se no I.E.S. porque o Salão da Banda não alberga todos os que desejam participar neste dia de festa.

Família de Luzia e Isalino Bettencourt, graciosenses de gema.

Amigos da Banda Embaixo: aspecto do bazar


PATROCINADORES

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PATROCINADORES

15 de Abril de 2011

As Nossas Festas na nossa Edição de 1 de Maio


COMUNIDADE

Recepção à Praia da Vitória

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Fotos de Filomena Rocha

Esq/dir: Orlanda Mendes, Luciano Pinheiro, Valter Peres, Lorival Cunha, Hélio Melo, Nelo Bettencourt, Richard Mendes, Roberto Monteiro e José Mendes. Leiam mais na página 8, por Filomena Rocha O eleito Presidente da Comissão da Recepção, Mário Azevedo, recebe uma lembrança do Presidente da Câmara da Praia, Roberto Monteiro

Crystal Mendes cantando Fado, acompanhada por Helder Carvalheira e Manuel de Sousa

David Garcia na sua actuação. Luís Sousa (esq.) também cantou Fado

Diversos aspectos do Jantar de Recepção à Comissão de Festas da Praia da Vitória 2011 e ao Presidente da Câmara da mesma cidade da Terceira, Roberto Monteiro. Na Imprensa da Terceira veio referido que o Conjunto Musical Os Bárbaros, tinham acompanhado esta Comissão de Festas, o que não é verdade.

Filomena Rocha, Álamo Oliveira, Valter Peres (Presidente das Festas) e Luciano Cardoso


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TAUROMAQUIA

Ganadaria de Joe Parreira

Sem correr toiros ninguém sabe o que tem

15 de Abril de 2011

Quarto Tércio

José Ávila josebavila@gmail.com Tiro o meu chapéu mais uma vez,

aos aficionados da Área da Baía pelo jantar de homenagem aos Ganaderos da California, que proporcionou a oferta de $10,000 à POSSO. Assim se faz Festa e assim se faz Comunidade. Com tanta ganadaria na California, fico pasmado em ouvir dizer, que há pessoas aficionadas a comprarem toiros no México para as nossas festas. Há qualquer coisa aqui que não bate certo. Todas as pessoas são livres de fazerem o que bem entenderem, mas esta compra de toiros não faz sentido nenhum. O que é que dizem os ganaderos?

Em cima: O futuro da Ganadaria de Joe Parreira está aqui bem representada Direita: Camada ainda jovem Embaixo e direita: Toiros com idade, prontos a correr

Começamos hoje a mostrar as nossas ganadarias da California, para que todos os aficionados fiquem a saber da aficion destes homens pela Festa Brava. José Parreira começou a sua ganadaria em 2006 e este ano apresenta-se com uma bonita camada de toiros com idade e trapio. Tem 44 vacas de ventre, 16 bezerras, 15 bezerros, 14 novilhos, 13 toiros e 2 sementais. Seria bom, como já temos dito tanta vez, que as nossas organizações apostassem nestes ganaderos que correm menos vezes, para que eles também pudessem aferir da bravura que têm em casa. Sem correr toiros ninguém sabe o que tem.

Camada de toiros prontos para correr


COMUNIDADE

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Festiva Taurino em Stevinson Dia 29 de Abril, pelas 8 horas Cavaleiros - Paulo Ferreira, João Serra Coelho, Sário Cabral

Toiros de António Cabral, Açoriana, Joe Souza, Joe Parreira, António Azevedo e um oferrecido pelos aficionados Joe Alves/João Silveira. Três Grupos de Forcados.

Ganadaria de Joe Rocha

Joe Rocha começou a sua ganadaria em 1988. Foi o ganadero que mais cedo compreendeu nos fins dos anos 80's, princípios dos 90's, que a falta de criatividade e a repetição dos mesmos artistas no toureio a pé, estava a matar a nossa Festa. Foi com ele que se investiu no toureio a cavalo em força e assim se encheram muitas praças e todas elas a pagar. Não havia bilhetes oferecidos naquela altura. A ganadaria de Joe Rocha passou por alturas em que os seus toiros saíram muito duros e isso impediu dele poder competir com outros. Um dos seus toiros, nas mãos de outros ganaderos, ganhou o Prémio de Melhor Toiro do Ano. Joe Rocha investiu agora em novo sangue e basta ver a nova "cor" dos seus toiros e vacas nas fotos que publicamos.

Lindas vacas de ventre

Nova camada de utreros - 2 anos de idade


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ARTES & LETRAS

15 de Abril de 2011

De João Brum e da Diáspora

Apenas Duas Palavras

A minha reforma e pensão são pequenas e a América já não é aqui

Diniz Borges

Carta de João Brum a Vamberto Freitas

J

oão Pereira da Costa Brum nasceu na Silveira, Pico, em 1938, e faleceu a 23 de Fevereiro na sua ilha natal. Tinha 73 anos de idade quando lhe chegou a hora da partida, e foi-se quase no anonimato e na maior solidão imaginável, mas que por ele tinha sido deliberadamente escolhida após anos de combate em várias frentes. Emigrou para a Califórnia aos trinta anos de idade a meados da década de 60, já com uma firme e consequente formação intelectual, que na altura só o seminário de Angra do Heroísmo poderia oferecer e oferecia à sua geração, essa que nos deixaria um legado intelectual até hoje marcante para a nossa identidade açoriana. João Brum, como era geralmente conhecido, levou consigo alguma experiência na imprensa das ilhas (foi revisor e articulista ocasional num vespertino da Horta), o que lhe asseguraria na altura um lugar privilegiado entre nós na Diáspora quando tempos depois fundou um dos melhores semanários da imigração lusa na Califórnia, colocado de imediato num triunvirato jornalístico, dois deles permanecendo de grande alcance entre os leitores de língua portuguesa que restam nos EUA: Portuguese Times de New Bedford e o Luso-Americano de Newark. É certo que The Portuguese Tribune vinha já enquadrado numa longa tradição da nossa imprensa nos EUA, mas distinguiu-se durante alguns anos pela sua audácia editorial, elegância discursiva, e linguagens renovadas em todas as frentes socioculturais e até políticas no que concernia às nossas comunidades do Pacífico nos anos decisivos da sua mudança interna e no renovado relacionamento com a mãe-pátria partir do 25 de Abril de 1974. Não creio exagerar se reafirmar neste momento que João Brum deixou um dos mais valorosos contributos à cultura portuguesa na América, e à consciencialização cívica daqueles que acolhiam e liam as suas páginas. Antes de mais, devo abrir aqui uma advertência: fui amigo, colaborador e companheiro de estrada de João Brum desde a fundação do seu semanário em Julho de 1979, na cidade de São José, no norte da Califórnia, e onde se concentra desde sempre a maior e talvez mais dinâmica comunidade de origem açoriana no oeste americano. A nossa relação nem sempre foi fácil, nem na Diáspora nem quando ele regressou aos Açores: eu não o poupava

nalgumas “críticas” quanto à gestão do seu jornal em momentos visivelmente críticos, nem ele esquecia esses meus reparos. Mas foi, talvez mesmo por isso, uma amizade constante e de respeito mútuo inabalável. Na direcção do seu jornal alheou-se por demais da vida prática, mantendo a riqueza da palavra imprensa e descurando quase todo o resto. Pouco mais de cinco anos depois do seu aparecimento, o semanário passava, por questões financeiras supostamente insanáveis nas suas mãos, a outros que o haviam também acompanhado de perto. Foi uma transição pouco pacífica, e para João Brum mais do que dolorosa, mas teria sido ele próprio quem havia traçado o seu destino. Fundaria logo de seguida um outro semanário, o Portugal/USA, de pouca dura pelas mesmas razões. Haveria, alguns anos mais tarde, um terceiro projecto, The Portuguese Chronicle, que nunca levantou voo. Sobre esse possível e último regresso de João Brum ao jornalismo comunitário encetei um longo diálogo com ele, que foi publicado em forma

Escrevi extensamente sobre o Portuguese Tribune na altura em que existiu sob o comando de João Brum e imediatamente depois da sua transição para outras mãos e outros propósitos, assim como publiquei uma extensa entrevista com ele no Diário de Notícias, em 1981, “A Imprensa de Língua Portuguesa nos Estados Unidos”. Mais do que falar de si e do seu próprio jornal, João Brum fazia uma análise aprofundada da imprensa imigrante portuguesa da época, e das dificuldades globais enfrentadas por quem fazia sair com dignidade um periódico que não condescendia nem com a ignorância atávica nem com influentes compadrios comunitários bem instalados. “Os imigrantes -- dizia ele a certa altura da nossa conversa -- formam todos eles um mundo à parte, diferente, que determina precisamente a atitude do jornalista, dos responsáveis pelo jornal. Em Portugal o leitor aproxima-se do jornal; aqui verificase o contrário: o jornal terá de ser consentido por um processo de ir ao encontro da

"Em Portugal o leitor aproxima-se do jornal; aqui verifica-se o contrário: o jornal terá de ser consentido por um processo de ir ao encontro da audiência, por persuasão.. de carta na revista Gávea-Brown e depois num dos meus livros sobre jornalismo e cidadania. Conseguiu ainda, entretanto, completar com sucesso um mestrado em línguas cuja tese se intitula The Other Side Of The Island/O Outro Lado Da Ilha, título com o qual iria muito provavelmente ser publicado em tradução pela Salamandra (Lisboa), não tivesse a editora encerrado pouco tempo depois. A partir daí, a sua vida pessoal desfazer-se-ia em ambiente de radical carência material e sobretudo emocional, acabando uns anos mais tarde no seu regresso desamparado aos Açores. Continuou com alguma colaboração esporádica em jornais do Pico e suplementos literários aqui em S. Miguel. Antes da sua partida para cá, escrever-me-ia a 20 de Fevereiro de 2002: “Este inverno envelheci mais depressa que o habitual. Vem sobretudo de dentro e expande-se pouco a pouco”. Dizia-me ainda nesta e noutras cartas de projectos de escrita em que estava empenhado: Rewriting of the American Dream: a quest seen through the eyes of an Azorean immigrant, De Como se Faz Jornalismo Cultural Para Uma Comunidades de Imigrantes Açorianos, e Haja Saúde e outros monólogos imperfeitos, o título que daria a uma colectânea dos seus editoriais no PT e depois às suas colaborações n’O Dever, das Lajes do Pico. Era para me enviar os originais destes livros, mas nunca chegou a fazê-lo. Estava a chegar assim ao fim uma vida muitíssimo atribulada -- mas tinha já deixado um jornal cuja memória se mantém firmemente entre a nossa geração, continuando a ser publicado na Califórnia quinzenalmente e no qual a cultura e comentários em geral continuam a usufruir de espaço e liberdade.

audiência, por persuasão e até sedução. O Portuguese Tribune escolheu, até, caminho mais difícil: ir para o leitor até certo ponto e daí deixar que ele faça o resto do percurso de aproximação, o que leva o seu tempo e gera muitas vezes desilusão”. As suas palavras quase que traçavam já o seu próprio destino, mas por uns anos a palavra escrita nas páginas que fundou e dirigiu mantiveram-se muito acima do que havia sido o jornalismo de língua portuguesa na Califórnia, dirigiam-se sem apologias aos grupos mais civicamente activos e a toda uma geração que então começava a penetrar nas universidades, ou tinha levado de Portugal hábitos e apetência intelectual acima da média. Foi um projecto, em termos estritamente editoriais, arrojado e arejado. Se essa fase do Portuguese Tribune foi devidamente arquivada algures, a sua consulta vai surpreender pelo modo como tentou ir ao encontro harmonioso da tradição e da inovação. Os Haja Saúde, os seus editoriais semanais que um dia espero ver publicados num dos livros que ele organizava e seleccionava, irritavam muitos leitores pelas melhores razões intelectuais e biográficas. De estilo profundamente clássico e numa linguagem que de imediato lembrava o seu passado de seminarista bem formado, diziam do que pensava da comunidade e do cansaço que era semana a semana informar e formar o seu público-alvo, a tentativa, sempre, da “aproximação” mútua de que nos falava na referida entrevista. Numa das cartas que me enviaria do seu infeliz repouso no Vale de San Joaquim, dizia-me que os últimos dois capítulos do Haja Saúde seriam inti-

d.borges@comcast.net A Maré Cheia de hoje é uma homenagem póstuma a quem infelizmente foi vezes sem conta, esquecido em vida, o fundador deste jornal, João Brum. Conforme noticiado neste jornal, ao qual deu a vida, João Brum faleceu, recentemente, na ilha do Pico, Açores. Faleceu, tal como viveu uma grande parte da sua vida, como um navegante solitário. Tinha, e continuo a ter por ele, uma grande admiração. É que admiro homens e mulheres que são iguais a si próprios. E João Brum era isso mesmo. Conheci-o nos tempos primórdios do Portuguese Tribune. Estava eu nas lides da rádio em língua portuguesa. Mais tarde a pedido dele dei alguma colaboração ao jornal, e ainda mais tarde, o Novidade (uma aventura jornalesca em que me meti com o meu amigo sonhador Pedro Valadão Costa, e mais tarde com Fernando Valadão) foi publicado, durante alguns meses como suplemento do Tribuna. Vários anos mais tarde, quando frequentava a universidade estadual da Califórnia em Fresno, contactámos várias vezes, conversávamos ao telefone e pessoalmente e foi nosso convidado durante meia dúzia dos simpósios literários Filamentos da Herança Atlântica. Uma das pessoas que mais acompanhou João Brum na sua caminhada jornalística aqui na Califórnia foi Vamberto Freitas. Acompanhou-o nas horas boas e nas menos boas, porque o que menos faltaram foram os "amigos" que o abandonaram nas horas difíceis, quando praticamente sozinho, remava contra tudo e todos, incluindo os oportunismos e oportunistas que infestam as nossas comunidades. Daí que temos muito gosto em apresentar esta nossa pequena, humilde, mas verdadeira homenagem a João Brum com um magnífico texto de Vamberto Freitas. A nossa gratidão a Vamberto Freitas por permitir a publicação deste texto e a nossa gratidão a João Brum por ter dado tudo, mesmo tudo, em prol do jornalismo cultural em língua portuguesa no estado da Califórnia. A nossa dívida comunitária para com João Brum é eterna. E aguardamos, com ansiedade, o dia em que a sua autobiografia seja publicada. Há que pelos menos fazerse essa pequena justiça. Meu Caro João, Muito Obrigado! Abraços, sempre! Haja saúde! Diniz tulados “Diálogos com Gente Discreta” e “Conversas Destroçadas”. Seriam, pois, a síntese perfeita de si próprio e de como entendia o seu papel e espaço de jornalista nas nossas comunidades espalhadas por uma vasta e muito diversificada geografia humana. Resta agora todo esse espólio -fino e duradouro.


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Enviam-se encomendas atravĂŠs do USPS ou

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ENGLISH SECTION

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15 de Abril de 2011

California Chronicles

Ferreira Moreno

T

he name given to the town of Walnut Creek, in Contra Costa County, is a translation from the Spanish name of the creek, recorded in 1810 as Arroyo de los Nogales (creek of walnut trees), later renamed Arroyo de las Nueces (creek of walnuts). Apparently, in the early days, there were plenty of black-walnut trees growing along the creek. The land grant, awarded in 1834 by Governor Jose Figueroa, to Juana Sanchez de Pacheco, was called Rancho Arroyo de las Nueces y Bolbones. (Bolbones was the name of a Native American tribe in the vicinity of Mount Diablo). The townsite, named after Arroyo de las Nueces, became Walnut Creek when the post office was established there in the 1860's. However, the town's original name was The Corners, "because roads converged here from Lafayette and Oakland to the west, from Martinez and Concord to the north, and from Livermore and Hayward to the south." (Historic Spots in California). According to Robert Daras Tatam, (Old Times in Contra Costa), "native black walnut trees grew profusely in the valleys and along the creeks in Centra, Contra Costa.

Early farmers realized that walnuts could become a cash crop. After wheat farms lost their profitability in the 1890's, mile after mile of walnut orchards appeared in the area, developing rapidly after World WM I.� As Tatam further pointed out: "In 1920 the local farmers organized the Contra Costa County Walnut Growers Association. A plant was built in Walnut Creek to process and pack the nuts for shipment. The plant processed 250 tons the first year. Production increased year by year as more members came into the association, while the plant was expanded in successive years, making it necessary to build a second plant in 1937 and another in 1951. Later the packing operations were moved to a plant in Stockton, but the Wlnut Creek plant was kept for grading, sizing, and bleaching. However, all this would soon change when the walnut orchards in Contra Costa gave way to tracts of ranch-style homes." Recently I had the opportunity to visit one of Walnut Creek's notable features, which has been placed on the National Register of Historic Places. I am referring to the

Youthful Thinking

Monica Soares

msoares2@student.yosemite.edu

O

n Friday March 11, 2011, many young showmen went out to Tulare for a dairy show. There were numerous great cows shown in various classes. In the registered show, Marissa Soares had first place in the Jr. 3 year old class, second place in the Sr. 3 year old class and second place in the 4 year old class. All of these cows went on into the final round of registered cows and Marissa ended up receiving Honorable Mention. In the grade show, Sr. 2 year old class Monica Soares received first in the class. Monica also had first place in the Sr. 3 year old class and first place in the Aged Cow class. All three of these cows also went on into the Final round

Walnut Creek Memories Old Borges Ranch, located at 1035 Castle Rock Road. The Borges Ranch comprises seven main buildings, including the lovely one-story farmhouse built by Francisco and Maria Borges in 1899. The site is a prime example of a rural cattle ranch from the period of the late 1890's and early 1900' s. The property has remained in the Borges family for four generations, and is still an active, working cattle ranch today. Contra Costa County acquired the Borges Ranch (a 700-acre spread), along with, 2,300 acres of meadow and woodland, and designated it as an Open Space Area. It is operated today by ,the City of Walnut Creek as part of the park system. In his book "Walnut Creek, Arroyo de las Nueces", published in 1999, George Emanuels dedicated an entire chapter to the Portuguese, who, like Francisco Borges, were natives of the Azores Islands. As stated by Emanuels, "all through the early growing years in Walnut Creek, Portuguese immigrants or their descendants made a mark on the town. Their industry, foresight, thrift and business acumen made their heritage a valuable adjunct to the community. Among their number is the town's first banker, two early auto-

mobile dealers, many successful farmers, a city mayor, and Walnut Creek's pioneer real estate broker.� Unfortunately, Emanuels committed a horrendous and inexcusable gaffe when he inferred that the religious basis for one of the Portuguese most treasured and cherished traditions (the Holy Ghost annual celebration) dates back to a great famine in Portugal in the 18th century. Emanuels wrote: "Hunger and starvation were so widespread that Queen Isabella (sic) promised in her prayers to deliver her crown of jewels for food, when a storm came up and blew food-laden ships, which, had been becalmed for weeks, into port (sic). The Queen had the food distributed free to all the suffering people," In closing, let me assure you that Emanuels was mistaken, and such events never took place. Actually, Queen St. Isabel (canonized as Saint in 1625) did promote devotion and festivities in honor of the Holy Ghost, but she died in 1336, hundreds of years before the 18th century.

Dairy show in Tulare

for grade champion. The Sr. 3 year old was named Reserved Champion and the Aged Cow was the Grade Grand champion. This Aged Cow went on to compete against the Jersey who won the Jersey show and ended up winning Supreme Grand Champion. It took a lot of time preparing for this show and all of the hard work and dedication really paid off. Congratulations to Monica and Marissa. A special thank you goes out to Manny Azevedo, Joseph Silva and their parents Germano and Jacinta for all of their support, help and devotion.

Upper: Marissa Soares and the "Reserved Champion", Monica with the "Grand Champion" Below/left: honorable mention in the registered show. Right: Grade Sr. 3 - Reserved Grand Champion.


Escrita Criativa em Português - curso on line Os cursos online EC.ON (EscritaCriativaOnline) acabam de completar seis anos de vida. Desenvolvendo actividade no campo da escrita criativa em Português, os cursos têm desenvolvido parcerias com diversas bibliotecas municipais, escolas e com o Instituto Camões, embora trabalhem essencialmente com formandos que contactam a estrutura e que, de modo directo, se inscrevem. O projecto oferece dez cursos diferenciados, na área literária e comunicacional, e é único no género em Portugal. Sendo coordenado pelo Prof. Luís Carmelo, o EC.ON visa aprofundar as potencialidades oferecidas pela língua portuguesa, optimizar a expressão individual, proporcionar e testar ferramentas úteis a vários registos (descrição, narração e poética) e ainda estimular as aptidões literárias. Os cursos duram entre dez e treze semanas e funcionam de modo simples. De acordo com um cronograma estabelecido de início, os formandos recebem semanalmente um bloco de conteúdos complementados com adendas, exemplos e um painel de exercícios. Da interiorização desse material resulta a resolução prática de um trabalho que merece, semana a semana, um comentário crítico e individualizado por parte do coordenador. A par dos cursos, o EC.ON desenvolve ainda actividade de assessoria literária, editing e contacto com editoras. Contactos: luís.carmelo@sapo.pt

Faleceu um Grande Senhor da Festa Brava

Mário Freire morreu no dia 12 de Março de 2011 aos 82 anos no Hospital da CUF, em Lisboa. Partiu o último gentleman da Tauromaquia nacional, como dizia a Revista Farpas. O corpo esteve em câmara ardente na Igreja de Santa Maria, no Barreiro e o funeral foi no cemitério de Riachos (Golegã), de onde era natural. Foi muitas vezes à Terceira como bandarilheiro e já há muitos anos era apoderado do Cavaleiro Luís Rouxinol. Também visitou várias vezes a California taurina. Um Grande Senhor da nossa pobre Festa.

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ULTIMA PAGINA

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Portuguese Tribune April 15th 2011