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QUINZENÁRIO INDEPENDENTE AO SERVIÇO DAS COMUNIDADES DE LÍNGUA PORTUGUESA

1 a Quinzena de Fevereiro de 2010 Ano XXX - No. 1078 Modesto, California $1.50 / $40.00 Anual

Donya Oliveira na Selecção

Donya Oliveira

EDUCAÇÃO

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esta jovem de Turlock com 17 anos foi escolhida para jogar na Selecção Portuguesa de Futebol de Mulheres, Pág. 29 que vai participar no Algarve Cup a realizar em Portugal neste ano de 2010.

CULTURA

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Márcia Vieira Bettencourt Congresso Internacional professora do ano sobre o Espírito Santo O Distrito Escolar da área de Merced, prestou homenagem aos melhores professores de Liceu, referente ao ano de 2009. A cerimónia ocorreu no dia 25 de Janeiro do corrente ano. Do Liceu de Livingston, a escolhida foi Márcia Vieira Bettencourt. O Distrito Escolar de Merced tem 1300 professores que serve uma população de 10,800 alunos em todas as classes. Márcia Vieira Bettencourt, nasceu no Rio de Janeiro, é casada com Jaime Bettencourt, tem duas filhas, Stephanie, e Catarina e um filho, Christopher. A família Bettencourt reside em Livingston.

www.portuguesetribune.com

O IV Congresso Internacional sobre o Divino Espirito Santo vai realizar-se em San José, California nos dias 24 a 26 de Junho de 2010, durante as Festas do Espírito Santo do I.E.S., desta mesma cidade. No dia 24 havera um Sessão de boas vindas em Santa Clara e a 25 e 26 de Junho começarão as palestras dos convidados do Brasil, Portugal, Canadá, Costa Leste e California. No Domingo, dia 26, todos participarão na Coroação do I.E.S.. Haverá também uma exposição de fotografias sobre as festas ao Divino. Um evento a não perder.

EDUCAÇÃO

33 Milhões de Euros para Educação no estrangeiro O Instituto Camões (IC) tem 33 milhões de euros para gerir o Ensino do Português no Estrangeiro (EPE) durante este ano lectivo, anunciou o Secretário de Estado das Comunidades, Antonio Braga. “Trinta e três milhões de euros é o valor do envelope financeiro que veio do Ministerio da Educação para “IC” no ambito da passagem da tutela do EPE para o Instituto Camões, disse o govemante. Antonio Braga falava na Comissão dos Negócios Estrangeiros e das Comunidades Portuguesas, no Parlamento, onde apresentou as prioridades para 2010 na área da Emigração. Assumindo que o EPE é uma das grandes prioridades, o Secretário de Estado disse que o Ensino do Português no Estrangeiro pode também beneficiar de parte dos 30 milhões de euros do Fundo da Língua Portuguesa. A segunda grande prioridade do Secretário de Estado para este ano prende-se com o programa Netinveste, para o qual foram atribuidos quatro milhões de euros no ambito do QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional). “É uma plataforma para empresários de origem portuguesa”. Existem 120 mil empresários portuguese no estrangeiro, 20 mil dos quais são grandes empresas.

www.tribunaportuguesa.com portuguesetribune@sbcglobal.net


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SEGUNDA PÁGINA

EDITORIAL

Chorar de rir... Eu não sei se deva rir ou chorar, quando ouço os locutores da nossa rádio e televisão comunitárias, chamarem “doutores” a toda a gente que nos visita ou que vem de Portugal. Também em muitas festas nossas, o mestre de cerimónia cai neste mesmo comportamento. Portugal é o único país da Europa e do mundo civilizado, que na rádio e na televisão, ainda usa esse tratamento académico, que caíu em desuso nos países democráticos e modernos já há muitos anos. Depois do 25 de Abril, há 34 anos, a imprensa escrita portuguesa deixou de usar títulos académicos. Há porém uma excepção, que é usada em muitos países - nos hospitais e mesmo fora deles, os médicos são quase sempre tratados por “doutores”. Mesmo que houvesse tal tratamento neste nosso país, então porque razão não tratam da mesma maneira os milhares de cursados da nossa comunidade? Porquê, só aos que vêm de fora? Vou dar-vos um exemplo concreto da nossa comunidade - o MC numa das nossas convenções em 2009, e quando apresentava a mesa de honra, só ao Cônsul de Portugal é que chamou “doutor”. Aos outros, os de cá, maioritáriamente cursados, não tiveram tal honraria académica. A que se deve esta discriminação? Quem não se lembra das comemorações do Dia de Portugal de 2008 no IES, quando o mestre de cerimónias passou toda a tarde a chamar “doutor” ao Carlos César, Presidente do Governo Regional dos Açores. É isto que às vezes ouvimos, vemos e ficamos espantados, como é que é possível estes disparates acontecerem nesta nossa grande terra. Será falta de quê? Temos que acabar com a ideia de que tudo que vem de fora é melhor do que temos cá em casa. Esta subserviência mental a quem vem de fora, tem de passar à história. Devemos sempre ser orgulhosos daquilo que temos e daquilo que somos. Vejam a página 18. josé avila

1 de Fevereiro de 2010

O governante do canudo... Eu já um dia vos disse que sou um sonhador inquietante. Os meus sonhos são reais, com cor, com pessoas, com palavras. Se o Freud fosse vivo eu seria um case study. Este meu sonho começou dentro de um avião. O homem sentado na fila 1A era um governante. A seu lado sentava-se um assessor, que trazia na mão um canudo, daqueles que os arquitectos e os mestres de obras trazem sempre consigo. Seria mau para o governante descer do avião com um canudo na mão. Poderia algum brincalhão chamarlhe o governante do canudo. O avião desceu calmamente no aeroporto da ilha e quando se abriram as portas, lá saíu o governante, acompanhado à distância de 1.5 metros do seu assessor. O governante tinha visto um dia um filme indiano, onde se mostrava como os ingleses manifestavam a sua categoria social mantendo uma distância de 4 a 5 pés entre eles e os outros. Mal entrou para o lugar, implementou esta medida diferenciadora da sua categoria. Foi recebido na aerogare pelo presidente de metade da Ilha e seguiram para uma casa bonita onde habitualmente se juntava o povo. As suas primeira palavras em frente a uma sala cheia de gente foram as seguintes: “O governo a que pertenço teve o condão de descobrir algumas verbas que estavam caducas num cofre

Crónicas do Perrexil

J. B. Castro Avila

da nossa secretaria e logo pensou investi-las na vossa terra. E até para facilitar este projecto, tirámos tempo para pedir a alguns cientistas desempregados que nos desenhassem aquilo que hoje estamos a oferecer-lhes. E aqui está o projecto.” O assessor prendeu a planta do projecto na parede da sala e quase todos os que enchiam aquele lugar do povo abriram a boca de surpresa. Um puto de 10 anos, que estava com o pai na segunda fila, disse em bom som: “Ó pai, esta marina é só para crianças?” “T’á calado, estes governantes estão a VELAR por nós. Isto no papel parece pequenino, mas no mar é muito grande”. Um outro jovem já barbudo, pediu a palavra e disse: “Então, isto quer dizer, que nem vai haver discussão pública deste projecto, que é importante para o nosso futuro?” Esta pergunta era aquela que o governante queria evitar. As mãos suavam-lhe, porque a partir daqui já nada seria igual. Teria que mentir descaradamente para bem de outros. “Sabe, este projecto está datado, isto é, se não for feito já, hoje, o dinheiro poderá ser alavancado para outro projecto, por isso é importante que, hoje, agora, seja aceite por todos vós. Calculem que até vamos gastar uma pequena fortuna para contratar mergulhadores para desviarem as ovas dos salmonetes que tem o seu ber-

ço mesmo na ligação da muralha de protecção com a terra. Nós só pensamos no vosso bem.” Mais suor... Um dos mais velhos, que estava sem óculos e não conseguia ver a planta do projecto, disse : “Porquer não, estes senhores do goveno trabalham para nós e querem o nosso bem. Eu aceito o desafio, disse ele.” O neto, ao lado, disse: “O avô t’á marado, ou quê? Esta marina nem dá para os barcos que já temos.” O governante rezava para sentir o barulho do avião que o vinha buscar, para acabar com aquele sofrimento. E assim aconteceu. “Meus senhores, o avião está aí e eu tenho que me ir embora. A vossa decisão foi boa e irá beneficiar a ilha.” Com a pressa, deixou atrás o canudo, mais a planta. O assessor, coitado, quase que perdia o avião, pois deulhe uma diarreia mental que o pôs quase no hospital. Ia o nosso governante a dirigir-se para o avião, quando o telemóvel tocou: “Então, que tal decorreu a reunião?” Oh, tudo muito bem, tudo como planeámos, disse o governante. A voz do outro lado, com um sotaque flamengo e cantadinha, disse: “Pois muito bem, assim ficamos sem competição, como era nosso desejo. Não nos esqueceremos de si, quando acabar o servicinho, disse-lhe aquela voz cantadinha, do outro lado do mar.” Acordei todo molhado...de suor!

Year XXX, Number 1079, Feb 1, 2010


COLABORAÇÃO

Tribuna da Saudade

Ferreira Moreno

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evido às suas acetinadas folhas verdes e brilhantes bagos vermelhos, o azevinho tem sido de há muito considerado um símbolo da vida e renovação, figurando em festivais pagãos na quadra invernosa, embora hoje em dia esteja mais largamente associado com o Natal. Curiosamente, em inglês, dá-se-lhe o nome de HOLLY. No entanto, HOLY (com um L) é o adjectivo significando santo. (Holy Ghost Espírito Santo). No testemunho de Jenny Linford (A Pocket Guide to Trees), “o azevinho desfruta grande projecção no folclore, incluindo a crendice que o corte dum azevinho acarreta malefício. Outra crendice popular aponta p’ró facto que a quantidade de bagos serve de barómetro, indicando a severidade do próximo inverno. Os bagos do azevinho constituem também um importante produto alimentício p’ró sustento das aves durante o inverno”. George Ferguson (Signs & Symbols in Christian Art) anotou que

o azevinho, ostentando folhas espinhosas, “representa um símbolo da coroa de espinhos de Cristo. Há quem diga que a Cruz foi feita com a madeira do azevinho e, consequentemente, o azevinho é simbólico da Paixão de Cristo”. Reza uma lenda que as árvores ao terem conhecimento que Cristo seria crucificado, concordaram recusar a sua madeira p’rá execução, e desfizeram-se em estilhaços quando o machado as tocou, excepto o azevinho que permaneceu inteiro e permitiu ser usado em instrumento da Paixão. O azevinho é frequentemente representado em pinturas de S. Jerónimo meditando na Paixão, ou de S. João Baptista que, ao proclamar Cristo o Cordeiro de Deus, vaticinou a Paixão. Francis Weiser (Christian Feasts & Customs) escreveu: “P’rós primitivos cristãos do Norte da Europa, o azevinho foi o símbolo da sarça ardente onde Deus apareceu a Moisés, e bem assim o símbolo do amor radiante que encheu o coração de Maria com a revelação

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Na Companhia do Azevinho (I) da sua maternidade. O azevinho, com seus ramos pontiagudos e bagos escarlates, semelhando gotas de sangue, é igualmente um pretexto p’ra inculcar nos fiéis a lembrança que Cristo nasceu p’ra ser coroado de espinhos e p’ra derramar o seu sangue”. Como anotou Weiser, o aparecimento do azevinho marcava o início da quadra festiva do Natal nos lares da antiga Inglaterra. Presentemente, o azevinho aparece não só em portas e janelas, em mesas e paredes, mas as suas folhas verdes e bagos vermelhos hão igualmente transformado o azevinho num símbolo universal do Natal, adornando cartões de festa, rótulos e respectiva embalagem dos presentes típicos da quadra natalícia. Weiser recordou também que, na Inglaterra, “as superstições medievais creditaram o azevinho com poderes mágicos contra a bruxaria. Assim, as jovens solteiras eram aconselhadas a colocar um ramo de azevinho nas camas no dia de Natal a fim de as proteger contra os feitiços do diabo. Na Alemanha, ramos de azevinho usados em enfeitar

Festas e mais festas

O “Thank you Dinner” de Joe Parreira é sempre muito concorrido. Esq/dir: Teresa Correia, Maria Mendes, Maria Machado, Evangelina Pereira, Nair Gomes, Maria Diniz, Lucia Machado, Rosa Parreira. Em pé: Fátima Melo, Jacks Melo, Eduina Vaz, Albina Lopes.

Padre Grubber, Joe Parreira, Henrique Vitorino, Michael Machado, Manuel Melo, Leonel Moules e Padre Tony Chaco. Ambos os sacerdotes são de Okadale.

Hilmar aprumou-se na sopa e no cozido à portuguesa que foram servidos depois da Missa da noite do anuncio dos novos Presidentes da Festa de Nossa Senhora do Rosário.

a igreja no Natal, eram trazidos p’ra casa e guardados como amuletos contra os relâmpagos. Mais ainda, era crendice popular que uma árvore de azevinho junto à residência concorria p’ra livrar o pessoal da casa contra trovões e relâmpagos”. parentemente, nos Estados Unidos, o azevinho indígena desapareceu, devido a práticas extravagantes e abusivas da parte de muita gente, sobretudo na quadra natalícia. O azevinho agora usado é duma variedade europeia, com maiores folhas e bagos, produzido comercialmente por agricultores. O azevinho da Califórnia, comumente chamado TOYON, cresce ao longo da Costa do Pacífico, apresentando extra brilhantes e avermelhados bagos, que servem p’ra adornar os ramalhetes verdes do Natal. George Stewart (American Place Names) afirmou que “através da sua associação com o Natal, o azevinho nativo serviu de nome p’ra numerosas localidades nos Estados Unidos do sudeste americano, onde se reproduz mais ti-

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picamente (Holly Springs, Holly Hill, Holly Grove, etc.). Na Califórnia, o verdadeiro azevinho não é nativo, mas o toyon é geralmente denominado California holly”. Assim, o nome Hollywood é o mais óbvio p’ra aplicar-se a uma mata ou bosque de azevinho, ou outro qualquer lugar na imediata vizinhança. De facto, aquando do povoamento dos estados do sudeste americano, o nome Hollywood foi anexo a muitos locais e plantações. Em 1887 o casal Wilcox deu o nome de Hollywood ao povoado que haviam fundado na Califórnia, provavelmente imitando o costume do sudeste. É deveras curioso e informativo o testemunho de Erwin Gudde (California Place Names), declarando que o casal Wilcox teria importado árvores de azevinho, a fim de justificar o nome Hollywood afixado à povoação estabelecida ao sul da Califórnia. Este nome e derivativos tornaram-se muito populares quando Hollywood ganhou fama mundial.

SANJ 2010 em Gilroy e San José

José Gaspar, José Silva, Flávio Sousa, Vera Brasil, Al Pinheiro (dando as boas vindas), Letícia Vieira, Vanessa Martinho, José Couto (fotos de Larry Mickartz e Filomena Rocha)

Em cima: Aspecto do Salão da Nova Aliança, onde teve lugar a apresentação das Sanjoaninas 2010, seguido de Fados. Embaixo: a Banda da Nova Aliança também participou na festa, dando um pequeno concerto para gáudio de todos os amantes da boa musica. Estas reuniões da nossa comunidade são boas oportunidades para a Banda exercitar aquilo que melhor sabe fazer - tocar boa música


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COLABORAÇÃO

1 de Fevereiro de 2010

Da Música e dos Sons

Minha Língua Minha Pátria

Nelson Ponta-Garça

Eduardo Mayone Dias

npgproductions@gmail.com

eduardomdias@sbcglobal.net

A Arte da Guerra no Portugal medievo e quinhentista (II) A artilharia

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Falecimento John A. Teixeira 9 Set, 1923 - 20 Jan 2010

John Anthony Teixeira de 86 anos de idade faleceu na Cidade de Modesto onde tinha nascido a 9 de Setembro de 1923, na leitaria de seus pais já falecidos, John e Gertudes Teixeira, no Paradise Road. Foi casado por 54 anos com Mary Oliveira Teixeira, já falecida. Deixa de luto suas filhas Marlene Teixeira, Joyce Teixeira, Katherine Teixeira, Barbara e Bill Borba, Carolyn e Gene Gomes. Netos Rosanne Borba Moreno, Jayden Moreno. Tio Louie Lemos e muitos primos. Depois de se graduar no Liceu de Modesto, serviu como fotógrafo na Marinha durante a Segunda Guerra Mundial. O seu amor em aprender, levou-o à Universidade onde se licenciou em “Agricultural Economics, Business and Education” e mais tarde obteve um

Mestrado em Cal Poly, em San Luis Obispo. Trabalhou no Departamento Estadual de Agricultura, na Challenge Creamery em Lemoore, no Ripon Farm Services e no Dompe Brothers Warehouse, em Crows Landing. John e esposa Mary eram proprietários de uma firma de contabilidade e de “tax consultation” durante 30 anos, onde tinham muitos clientes portugueses. Paz à sua alma.

oderia considerar-se que as catapultas, utilizadas na época medieval para tentar derrubar as muralhas dos castelos, foram as precursoras do uso da artilharia. Empregado já pelos antigos gregos, o mecanismo da catapulta sofreu frequentes variações. Engenho transportável sobre rodas mas no campo de batalha montado em postes. consistia num braço flexível que se podia torcionar com manivelas e cordas. Na extremidade existia um cesto onde se colocavam grossos pedregulhos. Uma vez solta a tensão, a pedra era arremessada. A catapulta usava-se também como arma defensiva. Disposta nos adarves das muralhas de um castelo, alvejava os sitiantes com os seus projécteis. Os primeiros canhões, conhecidos em Portugal com trons, carregavam-se pela boca com pólvora e uma pedra. Na culatra havia um orifício onde se colocava uma pequena porção de pólvora. Inflamada esta com uma mecha, produzia-se uma explosão no cano, cujos gases expeliam o projéctil. O recuo da arma chegava a vários metros e tornavase difícil e moroso colocar de novo o trom em posição. O alcance ia de um a dois quilómetros mas a precisão era precária, o que implicava um melhor uso contra uma muralha do que contra a cavalaria e infantaria em campo. O portugueses conheceram a acção dos trons pela primeira vez em Aljubarrota. No entanto os disparos provocaram apenas três mortos. Por outro lado vários trons explodiram após o primeiro tiro, causando feridos entre os artilheiros castelhanos. Foi apenas na época de quinhentos que se criaram as granadas explosivas. Numa modalidade enchiase uma esfera de metal com munições de mosquete. Ao cair no solo a granada explodia atingindo as tropas inimigas com os seus estilhaços. Numa variante o canhão disparava um pequeno saco com balas que se desintegrava no ar. Eram variadíssimos os tipos de artilharia nesta época. Um dos primeiros foi a bombarda, arma assente numa coronha de madeira. A sua guarnição compunha-se pelo artilheiro e três serventes. No reinado de D. Afonso V intensificou-se o uso da artilharia, já de considerável importânci nas campanhas do Norte de África. Também na Índia a artilharia portuguesa prestou excelentes serviços, dada a sua superioridade sobre a utilizada pelo inimigo., “mal servida e pior dirigida”, segundo a opinião de um cronista do tempo. Apesar de tudo, dada a sua difícil mobilidade, ainda que montada em reparos de rodas (só no século XVI se utilizou o armão, para transporte de munições), era empregada principalmente para a defesa de fortificações ou para uso nas naus. Assim D. João II, com vista à defesa da entrada do Tejo, mandou artilhar pela primeira vez um forte, neste caso o de Cascais. Ao mesmo tempo pairava na barra um galeão dotado de numerosos canhões e de casco reforçado e resistente a impactes. No reinado de D. Manuel I construiu-se a artística Torre de Belém, de onde aliás nunca foi disparado um tiro em som de guerra. No período manuelino fabricavam-se já peças de artilharia de ferro ou bronze nas tercenas reais de Cata-que-farás (o actual lisbonense Cais do Sodré) e em fundições particulares dispersas pelo reino. O aperfeiçoamento da artilharia levou a fundas alterações na arquitectura militar. Deixaram de construir-se castelos com as suas vulneráveis torres e optou-se por fortificações a nível térreo, dotadas de baluartes.

4. A engenharia A incipiente engenharia militar medieval desenvolveu-se à volta da defesa dos castelos e do assédio a estes. Construído com vista a uma eficiente defesa, o castelo possuía definidas características. Erguiase num ponto alto, o que dificultava a investida da cavalaria e infantaria e permitia visualizar a aproximação do inimigo, sobretudo desde o topo da torre de menagem, a mais alta do complexo. As ameias e as frestas na muralha facilitavam a acção dos archeiros. De aberturas no solo de varandins possíbilitava-se o tiro directo sobre sitiantes. A barbacã era um muro que circundava as muralhas principais. Também um fosso cheio de água ao redor das fortificações dificultava o acesso dos atacantes. Em tempos de paz a utilização da porta principal fazia-se através de uma ponte levadiça, de madeira e ferro, alçada durante um cerco. Evidentemente um castelo ou burgo cercados podiam ser ocupados apenas pela inércia do sitiante, esperando que dentro se esgotassem os víveres. Outros recursos, contudo, eram empregados. Um túnel podia ser cavado por baixo de um ponto mais apropriado da defesa. Nele uma carga explosiva era detonada, o que esperançosamente produziria a derrocada de um pano da muralha, seguida por uma arremetida da cavalaria e infantaria, Também altas torres de madeira, montadas sobre rodas permitiam o tiro directo de archeiros e besteiros, anulando assim a superioridade de defensores disparando desde as ameias. A conquista de Lisboa em 1147 ilustrou um aproveitamento destes três métodos. Animado pela conquista de Santarém, a 1 de Julho desse ano D. Afonso Henriques, com o apoio de cruzados ingleses e de outras origens, lança-se sobre a cidade, empresa difícil dadas as excelentes condições de defesa. . Assim em Outubro cruzados alemães concluem a escavação de uma mina sob as muralhas. Um troço destas abate mas os muçulmanos resistem encarniçadamente na brecha. Entretanto os ingleses haviam construído uma torre de madeira da altura dos adarves, que aproximaram das muralhas. Embora os mouros tivessem conseguido incendiar esta torre e danificado algumas catapultas, ante a iminência de um combate corpo-a-corpo e o facto de ter sido forçada a porta sul, exaustos e famintos, os defensores capitularam a 24 de Outubro, após quase vinte semanas de cerco. No entanto, como recompensa pelo auxílio dos cruzados, D. Afonso Henriques havia-lhes prometido liberdade para saquearem o burgo durante um dia. Foi portanto apenas a 25 que o soberano e as suas forças entraram em Lisboa. 5. O fim de uma época A partir do século XVII vários factores levaram a uma funda reconsideração da arte da guerra. Aperfeiçoaram-se as armas de fogo, criaram-se unidades militares organizadas e bem estruturadas, com certo grau de profissionalismo e fundaram-se academias para preparação de oficiais. E assim foi desaparecendo o nobre conceito da velha cavalaria de tempos idos.


COLABORAÇÃO

Muito Bons Somos Nós

Esta flora estupenda, negra, artificial

Joel Neto

:mesmo para um homem do século XXI, moderno e tal (como, claro, é o público-alvo de uma boneca sexual, especialmente esta), uma mulher que não cozinha nem aspira já é uma mulher com duas limitações a mais. Agora, imaginemos que, para além de não cozinhar nem aspirar, essa mulher fala. E, entretanto, imaginemos ainda que, para além de não cozinhar, de não aspirar e de se pôr a falar durante a bola, o Telejornal e as reposições do Fama Show, essa mulher tem a cara do Cláudio Ramos depois de levar com uma tábua que se desprendeu do soalho.

neto.joel@gmail.com

O

que mais me constrange, nesta história da Roxxxy – vocês sabem: aquela boneca mecânica que “Não cozinha, não aspira, mas ocupa-se de tudo o resto, se é que me faço entender” – é a motivação que, no dizer do próprio, inspirou o seu criador, Douglas Hines, proprietário da empresa norte-americana True Company. Conta ele que, no fatídico dia 11 de Setembro de 2001, um dos seus melhores amigos estava a trabalhar no World Trade Center, vindo a falecer em resultado da queda das torres. “Prometi a mim mesmo que iria criar um programa que guardasse a sua personalidade, e isso acabou por originar a fundação da True Companion e o lançamento da Roxxxy”, explica. A homenagem é comovente, a técnica de marketing quase brilhante. Douglas Hines não só é amigo do seu amigo, como conhece os botõezinhos emocionais dos compatriotas – e, posto perante a necessidade de rentabilizar o milhão de dólares que investira na criação da dita boneca, partiu logo para a artilharia

pesada: a comoção colectiva com o 11 de Setembro. Por outro lado, não lhe gabo as amizades. Diz o próprio, de novo sobre a boneca: “É uma autêntica companhia e tem personalidade própria. Entende, escuta e fala com o utilizador. Se ele gosta de Porsches, ela também gosta. Se ele gosta de futebol, ela também gosta” – e eu só posso duvidar do seu entendimento sobre o que é a personalidade própria (e, portanto, da personalidade daqueles que o rodeiam também). De resto, nada contra Roxxxy. Casa sem um brinquedinho sexual que seja não é casa nem é nada – e, se alguém escolhe como artefacto uma morenaça grandalhona de 1,73 m, 54 quilos, sutiã copa C, coração mecânico e inteligência artificial (embora me pareça que estamos conversados sobre a inteligência da dita), pois que dê Deus saúde a Roxxsy, aos seus namorados e aos mecânicos que um dia tiverem de encarregar-se das terapias de casal. Tenho, porém, algumas objecções quanto a esta coisa da substituição do homem (ou da mulher) pela máquina. Sou um filho do capitalismo, é bem verdade, mas nem por isso

deixo de ter coração. O primeiro aspecto, como se diz nuns fóruns que eu cá sei, tem a ver com o preço de Roxxxy. A quanto anda uma “massagista” de carne e osso, por esta altura: cem euros? Pois, nesse caso, cinco mil euros equivalerão a cinquenta visitas ao ateliê de lady Véronique, masseuse – e, portanto, vai ser preciso uma utilização assaz intensiva para promover a amortização do investimento, o que pode levar o utilizador a negligenciar as suas restantes actividades relevantes, incluindo noitadas de PlayStation, reuniões dos escuteiros e idas ao Estádio da Luz. Por outro lado, deve ser fácil, para ele, dar presentes de Natal à sua nova esposa: qualquer latinha de óleo Castrol a contenta, com certeza. o mais, não me incomoda a ideia de alguém ter de levar a mulher à revisão de “x” em “x” quilómetros, que nós também levamos as nossas ao médico. Nem sequer a necessidade de, ocasionalmente, ligá-la à Internet para lhe actualizar o software, que (sabe Deus)

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Memórias do Chá Barrosa

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e passagem por Angra do Heroísmo, passeio-me pela Rua Direita e detenho-me junto ao local onde outrora existiu o Chá Barrosa – porventura o Café mais carismático que esta cidade já teve. Acciono os retroactivos da memória e recordo o Chá Barrosa nos princípios dos anos 70 do século passado. Eu era idealista e sonhador e vejo-me, ali, sentado à mesa com o poeta Almeida Firmino, a trocar impressões sobre o livro Em memória de mim, que na véspera havia comprado na Livraria do Adriano. Espaço acolhedor de diálogo, convívio, conhecimento e troca de ideias, o Chá Barrosa era o epicentro das minhas horas vagas de ver o tempo a passar... Ali se cultivavam amizades, afectos e cumplicidades. Ali era servido o melhor café da cidade. O seu proprietário, sr. Américo, era um cavalheiro prestável e atencioso, que, por detrás do balcão, olhava e olhava-nos. Dos dois empregados, lembro-me apenas do nome de um: chamava-se Vítor (“um bom “pontalhão”…) e era eficientíssimo a tirar cafés e não menos requintado a servir os clientes. Pairava ali uma atmosfera de intimidade entre o fumo e conversas infindáveis… Não havia então televisão nos Açores e os cafés eram espaços privilegiados para a cavaqueira… Continuo o meu “flashback”. Rememoro Almeida Firmino. Estou a falar com ele e não me passa pela cabeça que, por detrás dos seus óculos de grossas lentes, havia, afinal, um espírito intrigado e inquieto, uma alma atormentada e complexa… Olho ao meu redor e vejo, no Chá Barrosa, gente com opções claras e gostos definidos. Há, no ar, um cheiro intenso a café. Cruzo olhares com as pessoas que entram e saem. Oiço o tilintar de copos, chávenas

também a nós nos apetece, tantas e tantas vezes, fazer um upgrade às nossas. Já me inquieta um pouco mais, confesso, a validade dessa promessa de que Roxxxy é o instrumento ideal “para que pessoas tímidas que não se atrevem a expressar a sua sexualidade possam ter experiências sem correr riscos”. Como se sabe, não há máquina que não avarie – e a possibilidade de esta avariar, retorcendo-se nas suas roldanas e esmigalhando-se nas suas rodas dentadas e explodindo nos seus fusíveis, no exacto instante em que um homem está a expressarse é perspectiva um tanto arrepiante. Mas, enfim, o brinquedo não é para mim. No máximo, posso duvidar do conceito que preside à sua invenção, assim como da lógica por detrás de algumas das suas especificações. Quer dizer: mesmo para um homem do século XXI, moderno e tal (como, claro, é o público-alvo de uma boneca sexual, especialmente esta), uma mulher que não cozinha nem aspira já é uma mulher com duas limitações a mais. Agora, imaginemos que, para além de não co-

in NS’, 23 de Janeiro de 2010

Crónicas Terceirenses

Victor Rui Dores victor.dores@sapo.pt

e cálices e aprecio o ambiente selecto daquele espaço – frequentado por gente das mais variadas e diversas condições sociais: funcionários públicos, professores, empregados de balcão, médicos, estudantes, reformados, intelectuais, burgueses e gente do povo. Alguns dos fiéis clientes do Café eram pessoas incontornáveis como a benemérita D. Ana Rocha Alves, acompanhada de

mas o Lusitânia é que era o “campeão dos campeões açorianos”…). E vêm-me à memória nomes de outros frequentadores do Chá Barrosa: Oscildo Couto, Orlando Couto, Paulo Borges, Tomás Damiense, Ângelo Nunes, Helter Martins, Hanz Walter e um rapazinho, despachado e divertido, a debutar nas andanças jornalísticas: Henrique Dédalo. E por lá passava também um ex-seminarista

seu marido; sentando-se sempre à mesma mesa, os meus professores Manuel Rodrigues e Machado Bettencourt, respectivamente de Português e Geografia; ao fundo, espreguiçando o pensamento em redor de cafezinhos bem quentes, os médicos Mário e Ramiro Lima; à entrada, à esquerda, sentavam-se Guilherme Ramalho, despachante da Alfândega, com o sr. Toste, “doente” pelo Benfica… (Nesse tempo eu torcia pelo Angrense,

dado a “modernices” e que, anos depois, haveria de, ali, realizar recitais de poesia: Álamo Oliveira. embro-me muito bem do sr. Manuel da Pena, engraxador distinto e homem de finíssima sabedoria, a “limpar os sapatos” do dr. Melo Alves, governador civil. Outros habitués eram os então padres Cunha de Oliveira e José de Lima. Todos ali deixaram a sua marca.

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zinhar nem aspirar, essa mulher fala. E, entretanto, imaginemos ainda que, para além de não cozinhar, de não aspirar e de se pôr a falar durante a bola, o Telejornal e as reposições do Fama Show, essa mulher tem a cara do Cláudio Ramos depois de levar com uma tábua que se desprendeu do soalho. Pois eis, minhas esquálidas figuras dúbias, chefes de família vagamente felizes e paternais, os “Grandes trópicos humanos de ferro e fogo e força”, de que falava Álvaro de Campos. Acautelem-se, claro, é com o “Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria”.

Havia, no Chá Barrosa, um certo espírito de tertúlia literária, poética e desportiva e, já depois do 25 de Abril de 1974, a discussão política era calorosamente partilhada. Este Café tinha uma outra característica particular: os deliciosos sorvetes! Havia uma máquina de gelados (suponho que de tecnologia americana) que era um espanto e me fazia lembrar um verdadeiro Cadilac. O Chá Barrosa pulsava vida. Era o meu espaço privilegiado de observação e de escrita – aprendi ali a ser professor e actor, observando o comportamento dos outros, com eles conversando e aprendendo… Ali se estudava a vida, lia-se o “Diário Insular” e “A União”, discutia-se um filme, um livro ou um disco e tentava-se mudar o mundo à medida dos nossos sonhos. Muitas vezes a cavaqueira prolongava-se noite dentro, até que as portas do café fechassem, e muitas vezes para lá do seu encerramento. Hoje é o que se vê: os cafés vão fechando – mas para dar lugar a balcões de bancos e a lojas de pronto a vestir… Os bares e as discotecas vieram, de certa forma, ocupar o lugar desempenhado pelos cafés. Como eu fui feliz no tempo em que fazia planos à mesa do Chá Barrosa! Por isso mesmo o seu nome há-de continuar a fazer parte do meu imaginário afectivo. Há apenas uma memória magoada que guardo deste Café: é que, na fatídica tarde de 1 de Janeiro de 1980, encontrava-me lá, com meu pai, sentado a uma das mesas a beber, placidamente, um pirolito… Quando o sismo amainou, saí do Chá Barrosa a correr e assisti ao pior pesadelo da minha vida: Angra do Heroísmo estava mergulhada em destruição, poeira e pesadelo… Mas estas são contas de outro rosário e, se calhar, assunto para outra crónica.


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1 de Fevereiro de 2010

Traços do Quotidiano

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pesar de Adeste Fideles ser uma das minhas favoritas canções natalícias, só, há pouco, tive interesse em descobrir as suas raízes. A Sra. Lorraine Borba Scatena é filha de jorgenses e vive no estado de Nevada. Não tenho o prazer de a conhecer pessoalmente, pois apenas mantemos contacto

D. João IV, conhecido, também, pelo Rei Músico que fundou uma escola de música no Palácio de Vila Viçosa, onde foram encontrados dois manuscritos de Adeste Fideles, datados de 1640, portanto, muitos anos antes da data referente a John Francis Wade, 1740. Achei graça, que, de acordo com a informação, daquela escola de música foram “exportados” muitos músicos para a Espanha e a Itália... Além de compositor, D. João IV era gran-

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Falecimento Faleceu no dia 17 de Dezembro de 2009

em San Diego, Maria Rodrigues Medina, com a idade de 87 anos. Era viúva de Joaquim Medina e filha de Manuel Ávila Silveira e de Maria Cândida Rodrigues Silveira, já falecidos. Deixa de luto três irmãos e duas irmãs Manuel Silveira, casado, Aurora Silveira, já falecida; José Eduardo Silveira, casado com Julieta Silveira; Adolfo Silveira, casado com Zelma Silveira; Albertina Tavares, casada com José Tavares, todos residentes em San Diego e uma irmã em Hayward, Celina Tavares, casada com Manuel Tavares. Deixa também a chorar a sua morte 11 sobrinhos do primeiro grau e vários em segundo grau.

O seu funeral teve lugar no dia 23 de Dezembro em San Diego. Por vários anos foi enfermeira no Hospital das Lajes do Pico. Era conhecida por Maria Rodrigues. Paz a sua alma.

A Foto da Quinzena

by John Ellis, San José

Coroação de D. João IV

através do correio e do telefone. Acontece que, pelo Natal, ela envia sempre lindos cartões com interessantes mensagens. O último cartão veio adornado com uma linda foto do Parque de Rosais e dentro uma referência feito ao autor de Adeste Fideles que me prendeu a atenção. Resolvi, então, consultar o “amigo google” que me forneceu mais alguma informação. Adeste Fideles era conhecido na Inglaterra como,“The Portuguese Hymn, Adeste Fideles”, ou seja Hino Português, veja-se a diferença, não era o Hino Nacional. O Conde de Leeds quando ouviu cantar o Hino Português na embaixada portuguesa em Londres, em 1795, presumiu ser de origem portuguesa. No entanto, os ingleses afirmam que John Francis Wade foi o autor e o compositor de Adeste Fidelis. Alguns manuscritos descrevem Adeste Fideles como canção popular portuguesa de autor desconhecido. Mas, há ainda possibilidade de ter sido escrita pelo Rei

de defensor das artes. Durante o seu reinado ele criou uma das maiores “libraries of music” do mundo, a seguir à do Vaticano, que foi destruída durante o sismo de 1755. Entre alguns dos seus escritos encontra-se “Defesa da Música Moderna”, em 1649, ano em que teve grande dificuldade em receber aprovação do Vaticano para que música instrumental fosse usada na Igreja. D. João IV compôs “Crux Fidelis”, trabalho que ainda hoje é muito usado por grupos corais durante a Quaresma. No fim da minha pesquisa estou mais convencida do que nunca que foi o Rei D. João IV quem escreveu tão maravilhosa melodia que sempre me deleita quando a ouço. Adeste Fideles não é uma produção musical típica inglesa. Aliás, comungo o mesmo sentimento do meu particular amigo, Dr. Fernando Silva, quando opina que: “Só uma alma latina poderia ter criado Adeste Fideles”.

Falecimento Maria Jesualda Brasil Nunes Nov 18, 1945 – Dez 9, 2009

Faleceu no dia 9 de Dezembro de anemia aplastica, em San José, California, com a idade de 64 anos, Maria Jesualda Brasil Nunes. Natural da freguesia de Santo António-Norte Grande, Ilha São Jorge. Jesualda era filha de José Silveira Brasil e Maria Anunciação Bettencourt, já falecidos. Deixa a chorar a sua morte, seu esposo José Egidio Nunes e filhas Cindy Nunes em San José, e Debbie Laranjo, casada com Manuel Laranjo, Jr., em Hanford, seu irmão Mário Brasil, em San José, e irmãs Matilde Brasil e Fátima Silva, em São Jorge. Era irmã de Marcelino Bettencourt, já falecido. Também deixa de luto um cunhado e uma cunhada, sobrinhos e sobrinhas, primos e primas na California, Idaho, Açores, Portugal Continental, Panamá, e Peru. Jesualda pertencia às seguintes organi-

zações: Igreja National Portuguesa das Cinco Chagas, I.E.S. de San José, S.E.S. Corporation de Santa Clara, S.F.V. Lodge de Mountain View, Sociedade Filarmónica União Portuguesa de Santa Clara, e LusoAmerican Fraternal Federation. Paz à sua alma!


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Rasgos d’Alma

Luciano Cardoso lucianoac@comcast.net

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eio, muito feio mesmo, foi o catastrófico sismo que abalou em doloroso caos o martirizado Haiti há pouco mais de duas semanas. As imagens são chocantes, os numeros arrasadores, a dor indescritível. O drama é de longa metragem e não se lhe vislumbra fim à vista. Uma vez mais, em questão de poucos segundos, ficou comprovada de forma inequívoca a confrangedora fragilidade da nossa efémera existência cá no planeta que habitamos. Quando decide tremer a sério, é o que se vê. Melhor seria não termos de ver nem ouvir nada disto mas, como bem sabemos, os bruscos movimentos sísmicos da crosta terrestre fazem parte do nosso acidentado percurso no instável solo que pisamos. É periclitante. Hoje, cá estamos. Amanhã, sabe Deus. Sabemo-lo tambem nós, açorianos, por experiência própria do nosso vulcânico berço. Quando o chão estremece, tudo pode acontecer. Felizmente, e no reverso da medalha, é quando as coisas estão feias que se podem vir a tornar bonitas. Lindo, sem dúvida alguma, tem sido o magnânimo gesto de solidariedade humana a socorrer e a amparar o angustiado povo haitiano. A ajuda humanitária, coordenada aos mais diversos níveis, tem-se revelado deveras fenomenal. Toneladas de produtos alimentares, múltiplos hospitais ambulantes, multidões de voluntários disponíveis, biliões de dólares em donativos – o lado bom da natureza humana a agir no seu melhor. A benévola comunidade internacional correspondeu adequadamente dentro do que lhe é possivel. A dinâmica resposta

Benfica Solidário

estadunidense, porem, apesar de criticada por alguns cínicos parvalhões, superou tudo e todos. É sempre um orgulho tremendo, como cidadãos deste grandioso país, constatarmos o pronto auxílio americano onde quer que a desgraça bata à porta. De igual modo, como filho orgulhoso da graciosa nação portuguesa, curiosamente, com numeros populacionais muito chegados aos do Haiti, orgulho-me da simbólica resposta vinda de lá. Quem faz o que pode, a mais não é obrigado.

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brigo-me eu, no entanto, a ir um pouco mais alem. Porque, mesmo em momentos de tenso desespero, esta vida não tem necessáriamente que se resignar a um desolador vale de lágrimas; porque, apesar da tristeza nos acudir, convem mantermos sempre bem afinado o nosso equilibrado espírito de humor; porque, quando genuíno e salutar, o sorriso torna-se indispensável ao desanuviar das mágoas; e porque, francamente, não sei escrever sem sorrir, atrevo-me mesmo a perguntar: “… que mal fica um sorriso são ao teor triste desta crua crónica?” Que Benfica a resposta. Deu-ma em grande o fabuloso Glorioso. A causa pedia. A casa encheu-se. As estrelas cintilaram. A águia esvoaçou. O povo aplaudiu. A exibição convenceu. O êxito foi total. Cin-

quenta e tal mil nas bancadas. Meio milhão para o Haiti. A taça está entregue. Já somos campeões! Regozijo-me, uma vez mais, pelo tremendo sucesso da empolgante onda encarnada para alem das quatro linhas, dando-me razões sobejas para sorrir. Razões, neste caso, julgo eu, que nos fazem sorrir a todos, independentemente da nossa sectária cor clubística. É um sorriso recon for t a nte, que vem de dentro e apoia com vibrante

entusiasmo o golo monumental que nos une como adeptos inconformados com os infortúnios em casa alheia. Que Benfica a solidariedade aliada ao desportivismo. Mais palavras para quê?


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1 de Fevereiro de 2010

Do Vale à Montanha

Sergio Pereira sergiopereiradvm@hotmail.com

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ostaria de contar uma história que a minha avó me contava quando era criança: Era uma vez uma rapariga muito bonita e inocente que foi a um baile com as amigas. Um desconhecido, um rapaz muito belo, entrou na sala de baile; dançou e falou muito animadamente com todas as raparigas presentes, menos com ela. Ela ficou muito triste e pensou que na verdade deveria ser muito feia e desajeitada porque o galã nem para ela olhara. No fim do baile, quando o tal rapaz saía da sala, a rapariga viu horrorizada que ele tinha pés e rabo de bode. Era ainda muito pequena quando a minha avó me contava esta história. Naquela altura, o diabo era tão real como os anjos da guarda e lembra-me pensar que se fosse obediente e menos vaidosa, decerto que o meu anjo da guarda me protegeria contra encontros com o diabo. O que a minha avó nunca me disse é que o diabo e o anjo da guarda são tipos carismáticos e com personalidades quase idênticas. Este tipo, logo de primeiro quando o conhecemos numa festa ou reunião, é a pessoa mais simpática do mundo. Desejas logo cultivar uma amizade com ele. Ser sua amiga, convidá-lo para jantar. É emocionante estar na su companhia. Conhece toda a gente. O seu olhar é hipnotizador. Quando entra numa sala, logo todos o rodeiam ou desejam ser vistos com ele. Faz-te sentir que és a pessoa mais importante ali presente. Num relance, vez que te mira. Fala-se dos seus actos de caridade, trabalhos de voluntário, e preocupação com assuntos comunitários. Em reuniões da comunidade, muitas das discussões conduzem a e1e: “Disse ou vai fazer tal coisa”, “Só ele poderá fazer isso”, “Vamos elegê-lo para tal posto”, etc. etc. Possue uma capacidade extraordinária de mergulhar profunda e completamente no trabalho do momento. De repente, encontraste trabalhando com ele e para ele. Quando te chama para fazer algo, faz-¬te sentir importante. Necessita-te. És indispensável. E tu, li-

Nota do Editor: O Cônsul-Geral de Portugal António Costa Moura, teve a amabilidade de enviar uma carta ao Tribuna, em resposta às críticas feitas na nossa edição de 15 de Dezembro de 2009. Exmo. Senhor Editor do jornal “A Tribuna Portuguesa” Li, com a atenção que merece, o seu artigo de opinião do passado dia 15 sobre as dificuldades de comunicação telefónica com este Consulado-Geral. Com a prioridade possível, averiguei o que se passou. Com a urgência adequada, mandei corrigir a situação.

sonjeada, largas tudo o que estás fazendo para ir ao seu auxílio. A tua vida mundana muda de caminho. Tudo é mais rápido, mais emocionante. Decides que queres estar na sua companhia, pertencer ao seu círculo de amigos. Os homens detestam-no embora desejem imitá-lo. Temem-no porque é aberto ao público mas inacessíveL. Desejam ser vistos falando com ele porque sabem ser poderoso. Admiram o seu talento porque sai sempre vitorioso. Pressentem a sua virilidade quase assustadora. Sentem ciúmes quando está perto, não só das suas mulheres, mas de todas as mulheres. O instinto de competição os avisa e instiga.

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s mulheres adoramno. Quando entra numa sala elas mudam de cor. Perdem o interesse no que se está passando à volta ou na conversa interrompida. Mulheres sérias começam às risinhas tolas e despropositadas. Súbitamente, as demais mulheres, principalmente as que consideram mais bonitas, são inimigo número um. As histórias dos seus amores abundam. Na tal noite de baile só uma rapariga teve o dom de ver o rabo e os pés de bode — os demais ficaram hipnotizados. Como identificar então o diabo do anjo da guarda? Ambos são capazes de actuar, dirigir, e exercer influência de uma maneira que o resto de nós não tem a capacidade. Mas, um deles tagarela sem cessar sobre o tópico que presentemente lhe interessa e convém mas quase nunca ouve o que tens para dizer sobre esse ou outro assunto. Um deles está sempre pronto para desvalorizar o esforço dos outros. Um deles insiste detestar as tais histórias de conquistas que abundam a seu respeito mas o seu sorriso maldoso as vangloria e cultiva. Um deles não está interessado em ti, na tua vida ou nos teus sucessos, a não ser que se possa servir deles. Um deles anda sempre à procura de uma maneira para se engrandecer e de pessoas ou causas para explorar. O outro, basta dizer, é deveras um anjo da guarda.

Agradeço o reparo, com a consideração que se impõe. Registo contudo os adjectivos com inevitável decepção. Em anexo, envio a lista de contactos telefónicos e electrónicos dos funcionários deste Consulado-Geral para os efeitos tidos por convenientes. Com os melhores cumprimentos e os votos de um bom Natal e de um próspero ano novo, extensíveis a toda a Comunidade António Costa Moura Cônsul-Geral Esta carta era para ter sido publicada na nossa edição do passado dia 15 de Janeiro. Este é um bom sinal vindo das colinas de San Francisco.

Redução de custos (II)

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om este artigo quero fazer sugestões de como baixar os seus custos com os serviços médico-veterinários e tratamentos. Mesmo sendo estes custos de menor dimensão não seria justo incentivar reduções noutras áreas e não o fazer nos serviços médico-veterinários. Tenho que afirmar que uma redução drástica ou eliminação destes serviços ou de tratamentos poderá resultar em custos muito mais devastadores. Por exemplo, é muito importante nos dias que correm em que o preço dos alimentos é elevado e o preço do leite é baixo, saber o estado reprodutivo das suas vacas e gueixas. Assim, todas as reduções nos custos devem ser analisadas com muito cuidado. Com o tempo e melhoria das condições financeiras, estas sugestões tem que ser revistas, especialmente a nível de tratamentos e vacinas. • Use medicamentos genéricos em vez de medicamentos de marca comercial. Existe uma diferença muito grande de custos entre os dois. Exemplos destes são as prostaglandinas, anti-inflamatórios, tetraciclinas, etc. • Deve procurar os tubos para mastites mais em conta. A maioria dos tubos para mastites são semelhantes. • Tenho as minhas perferências

no que toca a vacinas. Algumas nos dias que correm estão em quantidades reduzidas no mercado e têm custo elevado. É muito importante manter o seu protocolo de vacinação, escolha alternativas menos dispendiosas mas não cesse as vacinações dos seus animais. • O diagnóstico de prenhez (herd check) poderá ser feito de uma maneira mais eficiente se as vacas estiverem cangadas, e se as que necessitam este tipo de diagnóstico forem marcadas com antecedência. Vacas soltas atrasam este serviço, e além disso não devem ter vacas a mais nos diferentes currais. • Se é prática dar duas injecções de Protaglandinas antes de inseminar as suas vacas, considere não examinar as vacas frescas. Contudo, deve manter o exame de reconfirmação. • Dependendo da sua disponibilidade e capacidade laboral poderá usar um dos seus trabalhadores para dar as injecções aquando do diagnóstico de prenhez, isto sómente se for de confiança. • Quando chamar o veterinário para ver vacas doentes e ajudar em casos de problemas de parição, deve avaliar o valor da vaca ou vacas em questão. Vacas mais novas e sem problemas de maior são as melhores candidatas para atenção Médico-Veterinário. Se a vaca é mais velha e já teve alguns problemas a sua venda ou

eutanásia pode ser a melhor solução. Se possível, faça exame ás vacas doentes após o diagnóstico de prenhez para assim poupar novas chamadas. Isto também deverá ser feito quando vacinações contra a Brucelose tenham que ser efectuadas. • Acredito que os deslocamentos de abomásio podem ser prevenidos com um bom maneio de nutrição. Em caso de deslocamento de abomásios (e após revisão do valor do animal) poderemos corrigi-los cirugicamente ou rolando a vaca, esta ultima é uma prática menos dispendiosa. • Mantenha o conforto dos vossos animais, use boas práticas de ordenha, nutrição e mantenha a zona de parição também em bom estado. Faça tudo de uma forma correcta e exija o mesmo dos seus trabalhadores.

Falecimento

Patrick’s Catholic Church de Escalon, L.A.S. e S.E.S.. Deixa de luto seus filhos Natalie Vieira, de Escalon; Daniel e Marie Vieira, de Escalon; duas netas Alisa e Marisa Vieira, ambas de Escalon; seu irmão José Vieira, do Canadá. Sua esposa Pauline já falecida em 1992, bem como seus pais John e Esther e irmã Mary Esther Garcia. Está sepultado no St. John’s Catholic Cemetery. Paz à sua alma.

que fizeram à sua ente querida. Às amigas que lhe fizeram companhia, levaram comida, enviaram flores, cartões e outras atenções que lhe dispensaram. Por tudo o que lhe fizeram que o Senhor Espírito Santo os ajude e lhes dê força para continuarem a fazer o Bem. Obrigado

John M. Vieira

5 Ago 1917 - 9 Jan 2010

John Machado Vieira Jr. nasceu no dia 5 de Agosto de 1917 na Ilha Terceira e faleceu na sua casa de Escalon no dia 9 de Janeiro de 2010.Foi industrial de lacticínios durante 50 anos, membro da Western United Dairymen Association e do Farm Bureau, bem como da St.

Agradecimento A família de Cremilde A. Oliveira, falecida a 14 de Junho de 2009, na impossibilidade de o fazer pessoalmente, vem por este meio agradecer todo o bem

Os conceitos que foram debatidos nestes ultimos dois artigos de eficiência e redução de custos estão aí para ficar. Os custos de maneio devem ser avaliados de uma forma cuidada para que assim possam ser reduzidos. No próximo artigo irei falar sobre a atenção que é dada a animais com doenças terminais, não sómente vacas, como todos as outras espécies. Até lá fiquem bem, e desejo tudo de bom para 2010!

A Familia de Cremilde A. Oliveira Freedom, California


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Comunidades do Sul

Fernando Dutra

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ais um ano passado e muitas coisas mudam. Em Artesia também acontece o mesmo e o mais notável, como sempre, são as caras novas, com as chaves da Sociedade, dependuradas no cinto, junto ao telemóvel, demonstração de que durante este ano são eles que estarão à frente dos destinos desta digna associação. Nos últimos anos, tem existido algumas dificuldades em conseguir-se novas direcções, mas contráriamente ao previsto, este ano essas dificuldades foram superadas e a maioria dos nomeados, aceitaram a escolha. No dia 10 do corrente mês de Janeiro, a nova direcção tomou posse e ficou constituída da seguinte forma:

Para a Assembleia Geral foram nomeados os seguintes sócios:

Paulo Borges, Presidente Joe Martins, Vice-Presidente, Steve Miranda, Secretário, Manuel Cardoso Jr., Tesoureiro, Tony Pedro, arrendamentos,

Novo CD da Filarmónica do Artesia D.E.S.

José Braga,manutenção, Hermano Sousa, cozinha e compras, George Madruga da Silva, serviços musicais, Tony Fagundes, cozinha, Paulo Leonardo, manutenção, Luis Toste, secção desportiva.

Paulo Lima, Presidente, Alfredo Silveira, Vice-Presidente José Nunes, Secretário.

Nova Direcção do Artesia DES - Novo CD da Banda da Minha Mãe, Ilhas de Bruma, Bravura, Concerto de Aranjuez, Lisboa Menina e Moça, ContoPartir, Police Academy e Hino de Artesia D.E.S. Tem letras de vários artistas, arranjos de David

Costa e alguns são cantados por diversos novos artistas desta comunidade. Todos os nomes estão referidos no CD.Parabéns ao David Costa por mais este magnífico trabalho em prol da Filarmónica

Desejamos às novas direcções um ano repleto de felicidades e prosperidades, sabendo que terão que enfrentar uma árdua tarefa, nomeadamente na contrução do salão grande que tem a sua inauguração prevista para o último fim de semana do mês de Julho, festa do Divino Espírito Santo. O custo das obras está calculadoem um milhão e meio de dólares, e como é sabido, todas as obras ultrapassam os cálculos e esta concerteza que não será excepção.

Com o entusiasmo do dinâmico

Mestre desta magnífica Filarmónica, David Costa, recentemente foi lançado um novo CD, que já se encontra à venda. É realmente digno de apreciação, com música para todos os gostos. Contém os seguintes títulos: Homenagem a São Bento de Porta Aberta, Mar de Rosas, Os Discos

V Cantoria dos Veteranos das Guerras Realiza-se a 20 de Fevereiro, das 18:30 às 23:30 no Centro Cultural S. Maria, East Providence, RI, uma cantoria ao desafio para celebrar o V Encontro de Veteranos de Todas as Guerras, iniciativa, tal como as outras, da Peregrinação Publications e do seu editor, José Brites. À semelhança dos encontros anteriores, os cantadores são todos veteranos das guerras africanas: Gilberto Sousa, José Gaudino, José Plácido e Pedro Pacheco (Beleza), que serão acompanhados à guitarra e violão pelos irmãos Lima. Além das cantigas, haverá uma pequena surpresa no domínio da canção, e não só,

diz José Brites. A Peregrinação Publications tem desenvolvido uma intensa actividade no domínio das cantigas ao desafio, recolhidas tanto em livro, como em audiovisual, um projecto de investigação in loco de José Brites na Nova Inglaterra que vai para doze anos. Recorde-se que José Brites e José Placido, num esforço conjunto, são responsáveis pela edição de nove títulos em livro sobre cantigas ao desafio, e oito títulos em DVD de cantorias gravadas ao vivo, projectos esses tambem editados na forma de CD e VHS.

Esta cantoria será gravada em vídeo para a série “Guerra de Cantigas” para ser posteriomente editada para lançamento no mercado. Os bilhetes para o jantar e cantoria podem ser adquiridos telefonando para o Centro Cultural Santa Maria, (401) 434-4418, ou através de José Brites, (401) 435-4897. Em Mass. através da representante da Peregrinação, Catarina Raposo (508) 992-4311, ou ainda enviando mensagem electrónica para: jbbrites@hotmail.com

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da Sociedade e da Cidade, que tão bem tem sabido representar com brilho, competência e profissionalismo.


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1 de Fevereiro de 2010

IV Congresso Internacional sobre o Espírito Santo A California vai ter a oportunidade de mostrar a todos aqueles que nos visitarem durante este Congresso, a maneira como há mais de um século, interpretaram o seu amor e a sua fé ao Divino Espírito Santo. Somos realmente únicos no mundo nesta relação tão especial do nosso povo. Este é o resultado de uma conversa que tivemos com Tony Goulart e José Rodrigues, Co-chairs deste Congresso. Como é que decorreu a reunião preparatória? Mais de meia centena de indivíduos e representantes de organizações portuguesas do Norte da Califórnia, entre os quais a família do Cônsul-Geral de San Francisco, Dr. António Costa Moura, reuniram-se no passado dia 17 numa das salas da Irmandade do Espírito Santo de San José para participarem numa sessão de agregação de vontades e de esclarecimento sobre os preparativos em curso para o IV Congresso Internacional sobre as Festas do Espírito Santo, que terá lugar de 24 a 27 de Junho próximo em San José e Santa Clara, Califórnia. Qual é o propósito deste Congresso? Depois de se ter realizado por duas vezes no Brasil, esta Conferência bienal teve lugar há dois anos na ilha Terceira, Açores. Com o propósito de aprofundar os conhecimentos dos interessados neste vasto movimento do culto ao Espírito Santo, estes encontros contam com a participação de peritos e estudiosos

sobre o assunto. Em segundo lugar, esta é uma ocasião privilegiada para os representantes de organizações do E.S. partilharem as suas experiências e a evolução das celebrações locais através dos tempos. Por fim, este Congresso serve também para a comunidade local dar a conhecer aos participantes–visitantes as diversas manifestações associadas às celebrações em honra do Espírito Santo, proporcionandolhes a participação numa festa típica em honra ao Espírito Santo. Onde irá ter lugar o Congresso? A Califórnia foi e é o local privilegiado onde a tradição, o culto e a devoção ao Divino Espírito Santo, trazida pelos emigrantes dos Açores, teve a sua maior divulgação e expansão no mundo, tornando-se assim a nota cultural mais marcante deste povo na sua terra de adopção. Seria apenas natural que os organizadores deste Congresso considerassem este Estado como um local preferido para a realização de um dos seus primeiros Congressos Internacionais. Por sua vez, a escolha da área San José–Santa

Memorandum João-Luís de Medeiros

Clara justifica-se porque oferece melhores condições logísticas, podendo realizar-se o Congresso sem despesas demasiado avultadas. Esta área reúne uma série de condições ideais que facilitam a tarefa do grupo organizador, como o acesso fácil a aeroportos internacionais, uma vasta gama de associações comunitárias que poderão servir de apoio a alguns dos eventos e responsabilidades, bem como uma rede de infra-estruturas físicas que dificilmente se encontram em outro sítio. Quem é que vai participar neste evento? Tal qual a celebração ao Espírito Santo, a festa típica dos valores democráticos, a Comissão Coordenadora local não tem intenção ou interesse de monopolizar a organização do evento, até porque não dispõem dos recursos próprios para fazer face a uma iniciativa de tanto prestígio e que, exigirá sem dúvida, um envolvimento comunitário muito vasto. Sendo a primeira vez que este evento terá lugar na América do Norte, pretende-se estender a participação a representações dos Açores e do Brasil, bem como às irmandades do Espírito Santo do Canadá, Bermuda, Costa Leste dos EUA, Nevada, Utah, Colorado e Hawaii. E, embora este evento tenha a chancela e apoio da Direcção Regional das Comunidades dos Açores, é na organização local que recai a responsabilidade da organização

e sustentabilidade do referido Congresso. Os detalhes do programa ainda estão em fase embrionária, mas em breve daremos mais pormenores sobre este acontecimento

e como os interessados poderão participar no mesmo ou na sua preparação.

(Des)ilusões do Quotidiano

jlmedeiros@aol.com 1 – a boa sombra não faz “sombra” a ninguém ão faço segredo em dizer que sinto cada vez mais a responsabilidade de proclamar o valor da liberdade do pensamento. Gostaria de coexistir no seio duma comunidade espiritualmente autónoma e liberta das amarras dogmáticas que protegem o campo de concentração mental das religiões. Permaneço adepto sereno da utopia antevidente do panorama global onde o sofrimento sócio-económico seja atenuado pela racionalidade cooperativista. Será que a humanidade conseguirá algum dia viver isenta de temor? O percurso religioso dos crentes continua a dar sinais duma persistente enfermidade psicológica: medo do desconhecido – pavoroso “denominador comum”, dado que não foi ainda encontrada uma resposta mágica às perplexidades da condição humana. Entretanto, há centenas de séculos, a humanidade continua a navegar no mesmo barco espiritual; as gerações mais recentes vivem curvadas aos efeitos do “enjoo” provocado pela (des)ilusões do quotidiano. Graças ao milagre da empatia psicológica, as comunidades são capazes de nutrir um ambiente ecuménico para comungar o sofrimento irremovível. Há ainda quem não esqueceu que os dita(dores) são gestores repugnantes do “padecimento social”: a tradição judeo-cristã promoveu o sofrimento humano ao estatuto de capital necessário ao investimento na lotaria da salvação. Enfim... Em tempos já idos, as alegrias e as amarguras da vida eram partilhadas sob o tecto da convivialidade sem fronteiras: as pessoas amavam e morriam em casa; era nor-

N

ma comum entoar loas à obediência cega; a vida humana era um acto de contrição lacrimosa, ajoelhada ante a sombra da luz suprema... 2 - estamos a mendigar tempo ao futuro para manter o presente...? Ainda não há muito tempo, não consegui disfaçar o esgar dum sorriso perante a “odisseia” micaelense de construir a maior “sandwich” do mundo. Na altura, lembreime da valentia dos Incas que exigiam aos jesuitas provas da superioridade do deus cristão sobre os seus próprios deuses. (Claro que a resposta a esse tipo de atrevimento indígena era mesclada por requintes de crudelíssima violência). Não é preciso ser especialista na matéria para meditar nas extravagantes manchetes bíblicas, directa ou indirectamente relacionadas com o “ajuste-de-contas” com a divindade: a imaginosa artimanha humana de transferir para o Ente supremo o apetite insaciável pela violência; o radicalismo do dilúvio universal; o decreto divino que convidava Abraão a sacrificar (assassinar?) o próprio filho... A minha geração aprendeu (quem anda por aí esquecido?) que os ditadores gostam de usar a violência como ferramental pedagógico para modelar o carácter do povo, fazendo-o coincidir com o desígnio autocrático da herança do feudalismo sóciocultural... Aceito a hipótese de que “o silêncio é um momento da linguagem”. Mas não consigo descortinar uma justificação política ou jurídica que possa convencer as culturas orientais a aceitar os valores democráticos do “universo” ocidental. Alguns cientistas confessam-se convencidos de que a vida humana existe há cerca de quatro biliões

de anos (até mais ver, não podemos ir muito atrás, porque o DNA não sobrevive para além de um milhão de anos...). Fisicamente, já conseguimos andar na posição vertical, embora rastejando como pigmeus, nos labirintos da ancestralidade biológica. Entretanto, vivemos prisioneiros da sociedade do espectáculo, na busca dos 3 G’s: “ God, Gold, Glory.” Sinto-me bem no convívio da minoria que “pensa”; todavia reconheço que a maioria prefere dar guarida a quem “acredita”. Seria aconselhável que as comunidades aceitassem o desafio de apostar no movimento ecuménico da inter-culturalidade: no mundo global e inter-dependente, o acesso ao saber faz parte da aposta democrática; seria bom começar por amaciar a rigidez defensiva das religiões... O Islão continua exposto ao misticismso indiano, ao messionismo judaico e ao dogmatismo cristão. O alfabeto da paz também se aprende através da dor infligida aos humanos pelas leis da biogénese... 3 – “… one better risk loss of truth than chance of error.” (D. Hume) Não se trata de originalidade discursiva: Adam Smith deixou dito que “o capitalismo não poderia sobreviver num mercado livre, se o governo não fosse suficientemente forte para o proteger. Nas repúblicas onde vigora o sistema capitalista, a civilidade está em declínio (neste contexto, civilidade nada tem a ver com boasmaneiras ou maneirismos enluvados: civilidade é a soma de sacrifícios que nos são sugeridos para que possamos viver em colectividade). Vivemos ainda como prisioneiros da sociedade do espectáculo. As ditaduras políticas são memórias do passado. Para proteger a

dignidade democrática, temos que atinar com as modernas formas de manipulação genético-biológica... No passado, o património ancestral do continente africano foi delapidado pela introdução do islão e do cristianismo; nas américas, várias civilizações foram vilipendiadas pela invasão ibérica: os missionários eram a caução moral do sistema, mas em breve tornaramse cúmplices dos atropelos imperiais (ex. testemunhos dos repartimientos e das encomiendas referidos pelo dominicano Antonio Montesinos e o do seu colega capelão Bartolomeu de las Casas). Neste contexto, seria longa ao relato histórico das relações incestuosas da cruz com a espada... Como reconcilar a visão e a missão internacional do capitalismo ocidental com a rigidez religiosa do mundo islâmico? Temos de aprender a ser bons gestores da incerteza. Desde que cheguei aos States (finais de 1980) fui convidado a observar que a prosperidade tecnológica pouco devia aos partidos políticos; e nem sequer era o resultado de estruturas emblemáticas do passado (caminhos de ferro, portos e estradas gizados pelo poder federal). O desenvolvimento era o resultado da evolução das comunicações e do acesso democrático à competência científica. No último quartel do século XX, era comum ouvir o desabafo que “na Europa, o povo segue o futuro”. Pois bem. Aqui, nos E.U.A. “o povo limita-se a criar o futuro”... Entretanto, seria bom reflectir na discutível táctica de glorificar a paz pelo evitamento da guerra; mas cuidado: nunca definir esta táctica como um ideal, porque (como nos lembra o prof. Barash) pode surgir alguém disposto a embarcar pr’á guerra, como guerrilheiro-missionário desse ideal...


COLABORAÇÃO

Temas de Agropecuária

Egídio Almeida egidioisilda@charter.net

O

etanol tem encorajado uma enorme volubilidade nos preços do milho e outras colheitas de cereais nos últimos anos. Encorajadas por programas governamentais, muitas fábricas tem sido construídas e biliões de alqueires de milho têm sido usados na produção de combustíveis. Estes programas foram iniciados com a melhor das intenções. O sonho era que, milho domésticamente produzido poderia ser utilizado para transformar em fuel líquido, reduzindo a nossa dependência no ouro negro importado. Nesse processo nós podemos reduzir a dependência na energia importada, tornar a nossa agricultura mais viável e criar postos de trabalho nos meios rurais, se o programa tivesse sucesso, seria uma história maravilhosa, mas a contraversa opinião é que não produziu o sucesso esperado. Em meados de 2006, a indústria de etanol estava recebendo grandes lucros e as perspectivas do futura eram brilhantes, presentemente, estão perdendo dinheiro e as perspetivas são terríveis. A que é que se deve esta caída? Segundo os peritos nesta indústria, o excitamento em energias renováveis ignorou pelo menos duas importantes considerações. Primeiro - a terra lavradia é limitada, enquanto que os Estados Unidos tem grandes quantidades de terra lavradia, os terrenos mais férteis e apropriados para a produção de cereais já estão em produção. Para localizar adicionais terrenos produtivos para a produção de fuel não é tarefa fácil. Milho, soja e outros produtos alternativos tais como “switch grass” requerem chuvas normais na estação específica da sua produção e solo fértil entre outros requesitos. A terra que satisfaz todos estes requerimentos é a

mais valiosa que nós temos e já esta a ser cultivada. O milho usado na alimentação animal tem muito poucos substitutos. Por exemplo, o milho é 95% do suplemento de cereias na alimentação da agricultura animal dos Estados Unidos e não há presentemente uma alternativa viável a este cereal. As nossas pastagens, só por si, não poderiam de forma alguma possível alimentar o nosso gado de produção de leite e carne, porcos e aves. Produtos alimentícios derivados do milho, são muitos por vezes apenas ingredientes ou produtos alimentícios por si proprios. Dos mais importantes, contamos, “highfrutose corn Syrup, sucrose, corn starch, breakfast cereal e liquor”. Alguns destes productos constituem pouca influência no preço do producto final, mas outros tais como “corn flakes e liquor” comandam preços altos e o custo dos produtos do milho são relativamente baixos. Nos meados de Outubro, a USDA calculou que serão gastos da colheita de 2009, 13.03 biliões de alqueires, com uma colheita calculada em 13.02, e presentemente com dificuldades de ser colhida devido ao gelo que tem avassalado alguns Estados produtores. É aparente que se usarmos 4.2 biliões na produção de etanol, a demanda continuará em todo o sector e os altos preços também, perpetuando os problemas financeiros nas produções de leite e carne. Ao longo do tempo, os preços do leite tem que forcosamente aumentar, mas infelizmente isso vai acontecendo cautelosamente, causando problemas a toda a indústria, enquanto que os prometidos benefícios ao meio ambiente ficaram-se muito aquém das promessas feitas pelos chamados peritos ambientais.

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Que futuro para o etanol? Falecimento

Belmira Duarte Couto Belmira Julia Duarte Couto, 82 passed away on Sunday January 24, 2010. She was born on March 21, 1927 in Altares, Terceira, Açores. Belmira and her children came to the United States in 1966. She was a homemaker and long time member of St, Rita’s Catholic Church. Belmira was a loving mother and grandmother. She enjoyed cooking for her family and making hundreds of handmade dolls. The Christmas holidays were her favorite time of the year when she and her family set up her “Presépio”, a tradition she carried on from the Açores. It started out as something small under the Christmas tree, and over the years grew to take over 2 rooms in her home. She enjoyed all the visits from both friends and family, that would come over to see the beautiful display. Belmira was preceded in death by her sister Maria Toledo and brother Francisco Duarte of Canada. She is survived by her 3 children, Frank Couto and wife Pam, Mary Couto and husband Russ, and John Couto and wife Margie. 3 grandchildren, Angela Vieira and husband Cesar, Kevin Couto, and Adrianna Couto. One great grandchild, Zackary Vieira, all of Tulare.

And numerous nieces, nephews, and cousins. She will be missed by us all. Rosary was prayed Thursday, January 28, 2010 at 7:00 PM at the St. Rita’s Catholic Church in Tulare, Ca. Mass was celebrated on Friday, January 29, 2010 at 10:00 AM at the St. Rita’s Catholic Church. She was buried in the North Tulare Cemetery, Tulare, CA.

SJGI tem o prazer de apresentar

Eduardo da Silveira, M.D. Diplomado em Gastroenterologia. Especialista em Doenças do Fígado e do Aparelho Digestivo.

O Dr. Eduardo da Silveira fala múltiplas línguas incluindo o Português, Inglês, Espanhol e Francês. Bem-vindos a San Jose Gastroenterology (SJGI)

Agradecemos a oportunidade de oferecer os melhores cuidados médicos em Gastroenterologia e Endoscopia Digestiva.

Dois escritórios para o servir em San Jose MONTPELIER OFFICE: 2340 Montpelier Dr., Suite A O'CONNOR OFFICE: 231 O'Connor Dr.

Telefone: (408) 347-9001


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COMUNIDADE

1 de Fevereiro de 2010

página da educação ANA CRISTINA SOUSA | COORDENADORA DO ENSINO PORTUGUÊS NA CALIFÓRNIA | ACSOUSA@CSUSTAN.EDU | (209) 202-0980

A Página da Educação é organizada e editada pela Coordenação do Ensino Português na Califórnia (CEP.CA). O seu objectivo é dar a conhecer ao pú-

blico os programas e actividades de escolas e organizações educativas em toda a Califórnia. Aqui encontra notícias, temas da educação, ideias …

2010 ANO DO ENSINO n a C a l i f ó r n i a

A participação directa dos leitores é também muito apreciada. Esta página está online no Blog da Coordenadora em versão bilingue (português e inglês).

PORTUGUÊS

Read this page in English at:

Investir no

Ensino Português Não constitui uma novidade definir o Português como língua global, já que é a 3ª maior língua europeia, a 6ª no grupo das 10 línguas mais faladas no mundo, e está radicada em quatro continentes. O Português conta hoje com mais de 200 milhões de falantes nativos e, nas projecções do crescimento populacional em África e no Brasil, é a língua latina em maior e mais acelerado crescimento. No entanto, e paradoxalmente, no berço europeu que a viu nascer, o Português é uma língua francamente minoritária e a sua representação nas instâncias da União Europeia está ameaçada, tal e qual como por exemplo, o maltês, ou o checo, línguas com muito menos falantes. A LÍNGUA É UMA “COMMODITY” No nosso mundo global, também as línguas têm impacto económico e são consideradas bens de consumo, ou “commodities”. Um estudo recente determinou que em Portugal, a língua portuguesa representa 17% do PIB (Produto Interno Bruto, ou GDP em inglês). Este valor é superior ao que o castelhano obtém em Espanha (15%). Portugal é ainda hoje o único país do mundo lusófono que investe directa e extensamente na projecção e promoção da Língua Portuguesa. No entanto, embora esta seja a 3ª língua europeia mais falada no mundo, compreende duas variantes importantes - a europeia e a brasileira. A variante brasileira é a mais produtiva em consequência do número dos seus falantes, e aquela que sustenta a maior “exportação” de agentes de ensino, sobretudo nas Américas e nomeadamente para os Estados Unidos. E isso importa-nos?

Portugal Investiu no Ensino Português na Califórnia em 2009

Bolsas

res Professo $ 2,690 Alunos $865

Sim, deve importar, e bastante. As comunidades luso-descendentes de raiz europeia, encontramse num processo, consciente ou inconsciente, de perda gradual da sua língua materna e de herança. Ao fazê-lo não reparam que estão a contribuir para duas situações deficitárias: 1. Diminuição do número global de falantes da variante europeia do Português; 2. Perda, no seu país de adopção, de um poder importante de negociação social com impacto económico. Quanto menos falantes houver de Português, menos os poderes instituídos se preocuparão com eles. Em consequência haverá menos serviços linguísticos, menos professores, menos livros, menos programas de rádio, menos jornais. Ou seja, menos investimento em certas áreas económicas e menos oportunidades de emprego no futuro. Para citar só um exemplo, é evidente que na Califórnia, hoje em dia, é quase tão difícil encontrar um professor de Português para ensinar no ensino secundário como ganhar na lotaria! É NECESSÁRIO INVESTIR NO ENSINO A língua faz parte da identidade de um povo. Quem pensar que basta manter certas tradições culturais para guardar o espírito da portugalidade ou açorianidade, deve começar por observar melhor as gerações mais jovens. Não chega. O Ensino Português deve fazer parte do futuro dessas gerações. Mas quem sabe qual foi o valor total do investimento feito no Ensino Português na Califórnia durante o ano de 2009? Quais foram os empresários, as instituições comunitárias, os cidadãos comuns que contribuíram para uma escola ou um programa de ensino? A resposta tem ser dada por todos nós.

e Livros is a Materi $ 5,640

rking o w t e N $940

ORGULHO PORTUGUÊS O Rei e a Rainha e seu bravo Cavaleiro.

Mães, Tias e Avós habilidosas precisam-se! Gosta de fazer trabalhos de mãos? Então porque não criar fantoches como os das fotos com personagens portuguesas para as nossas crianças fazerem teatro nas escolas?

Esta página é interactiva Correio dos Leitores Ana Cristina Sousa

Coordinator of Portuguese Programs

t: (209) 667-3819 f: (209) 664-7183 c: (209)-202-0980

Todas as ideias presentes nesta página estão abertas à discussão. Todos os pedidos de esclarecimento serão respondidos. Os comentários mais interessantes serão aqui trazidos à colação. Para tal basta ligar-se à Internet e navegar até ao blogue da Coordenadora. Leia, comente, participe. Sinta que faz parte. Pode também enviar correspondência: Center for Portuguese Studies College of Humanities and Social Sciences | CSU Stanislaus One University Circle Turlock, CA 95382, USA

ESCOLAS COM UNITÁRIAS E PRIVADAS NÚMERO DE ALUN

OS DE PORTUGUÊ

Jorge de Sena (Turlock)

S

Vitorino Nemésio (Tular e) Escola Portuguesa de Watsonville Escola Portuguesa de Elk Grove Preschool Dom Dinis (San José) Portuguese Education Foundation (San Diego)

80

65

26

22

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20

Dezembro 2009 Os quadros estatísticos da CEP .CA podem ser consultados onl ine. Escolas do ensino básico: htt p://tinyur l.com/elementaryport studentsfall09 Escolas do 2º, 3º ciclos e sec undárias: http://tinyur l.com/ midsecpor tstudentsfall09


Agua Viva

Filomena Rocha filomenarocha@sbcglobal.net

Angra, Jóia do Mundo

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esta cidade de São José, onde a chuva, o frio, a ventania, em suma o mau tempo se instalaram há já umas semanas, já se escutaram também os apitos e já o cheiro a filhós ou meleçadas anda no ar para dar mais sabor na espera de vermos as danças e bailhinhos carnavalescos tìpicamente terceirenses, sentados mais ou menos confortáveis nos salões das nossas organizações. Este ano, tudo é mais cedo, mas depressa também chegará o fim. Como em tudo o que é vivido depressa. Apesar da crise, palavra que já cansa, os que realmente gostam deste género de entretenimento, sempre vão fazendo uma pausa nas dificuldades para ver e viver um pouco do que eram os três dias mais folgazões do ano, depois do Natal e antes da Quaresma. Entretanto, creio que poucos se deram conta do Dia de Amigos, que foi dia 21, do Dia de Amigas que foi dia 28, e restam os Compadres, dia 4 do corrente mês de Fevereiro, as Comadres dia 11, também dedicado ao Doente e logo mais o Dia dos Namorados -dia 14, dia de São Valentim, como toda a gente sabe, não só nos Estados Unidos, mas também já quase no mundo inteiro, até no nosso velhinho Portugal que muito gosta de copiar o que é dos outros, fora o que os imigrantes sempre levam na bagagem do regresso. Como um rio que vai correndo em direcção ao mar, também as nossas tradições andam de um lado para outro até assentarem na margem do lugar e do tempo em que se acomoda todo o português de corpo inteiro. Agora, que a imigração vem sendo rara, são mais os visitantes que trazem de vez enquando alguém com o gosto de nos brindar com algo de novo, que cante o Fado, a Canção, o Folclore ou a Comédia com a mais recente sátira aos acontecimentos da vida política do quotidiano ilhéu e até do país. A comprová-lo, tivemos a visita da Comissão das Sanjoaninas da Ilha Terceira, às cidades-irmãs de Angra, na California, para falar sobre o programa das mesmas e ao mesmo tempo transmitir aos imigrantes a vontade e entusiasmo de os receber nas próximas maiores festas profanas dos Açores, através de uma apresentação de bonitas fotos da ilha e do programa da festa brava que é sempre uma das maiores atracções das Sanjoaninas, de cujo programa deram conta do recado Vanessa Martinho, relações públicas, Letícia Vieira, presidente da Comissão de Festas e José Couto na Tauromaquia. O anfitrião na sede da S.F. Nova Aliança foi Al Pinheiro, a quem agradeço desde já a cedência do lugar para esta Tribuna, e quem começou por apresentar a presidente da edilidade angrense, Andreia Cardoso, que encantou os presentes com seu fino trato e simpatia. O serão, para além do jantar, decorreu alegremente, primeiramente com um excelente concerto pela Banda Sociedade Filarmónica, depois com Fado e Folclore, conforme o previsto e nem faltaram umas velhas atrevidas e algumas anedotas que no final resultaram em gargalhada geral. O mote foi dado: “Angra, Jóia do Mundo”. O convite está feito: A Ilha está sempre em Festa e as portas sempre abertas para receber todos com Alegria, Amizade e Convívio num abraço de Mar e Saudade, as jóias mais preciosas para todo aquele que vive fora do seu torrão natal . Até lá, que todos os Compadres e Comadres se entendam assim como os Valentins e Valentinas, para que o Mundo tenha mais Paz e a Família seja mais consistente.

COLABORAÇÃO

Caim

Apontamentos da Diáspora

Caetano Valadão Serpa v.serpa@verizon.net

A Suma Teológica de Saramago

S

aramago, um autodidacta que na tomada de posse do mais prestigioso prémio da literatura mundial, não se coibiu de dizer que tudo o que sabia aprendera com um avô analfabeto. O neto, altamente inteligente e talentoso, soube pôr a render toda esta herança de sabedoria natural melhor que qualquer outro intelectual português que tenha andado pelas carteiras e cátedras das universidades nacionais ou estrangeiras. ‘Filho e neto de camponeses sem terra’, sem diploma de estudos e sem estatuto de classe privilegiada, chegou ao pedestal do prémio Nobel da Literatura em 1998, para desencanto de todos os ouros pretendentes da lusofonia e consternação da própria Igreja Católica. Agora, ateu professo, publicou Caim, obra de apenas 181 páginas, numa edição de 50 mil exemplares, que nas primeiras semanas após a sua publicação, as distribuidoras não conseguiram abastecer a procura, mesmo no conservador mercado açoriano. Um autêntico tsunami cuja ondulação chega às próprias muralhas da Cidadela Vaticana. Este pequeno livro, Caim, bem se pode cognominar-se Suma Teológica de José Saramago, partindo da premissa de que “A história dos homens (à das mulheres não se refere explicitamente!) é a história dos seus desentendimentos com deus, nem ele nos entende a nós, nem nós o entendemos a ele”. À Bíblia, tanto a hebraica como a cristã, mais conhecidas por Velho e Novo Testamento, não faltam passagens obscuras, contraditórias, incompreensíveis, misteriosas, produzindo a imagem de um Deus pintado à imagem e semelhança dos seres humanos, e sujeitas às mais diversas interpretações e divergências, mesmo conflitos irreconciliáveis e

sangrentos, que deram origem aos dogmas e doutrinas das três principais religiões do nosso tempo, judaísmo, cristianismo e islamismo. Mais, de cada uma delas nasceram subdivisões e facções que, através dos tempos, em vez de compreensão e entendimento, se têm digladiado em nome do próprio Deus, com argumentos extraídos da mesma fonte, a Bíblia. Campo fértil para a imaginação criadora de Saramago se ter inspirado em critica séria, mesmo ateia, todavia, deixou-se levar pelo ridículo e irónico, vulgarismo e insulto. Como protagonista da sua tese escolhe Caim, o filho primogénito do primeiro casal humano, o pai Adão e a mãe Eva, que segundo a bíblia hebraica tiveram também um segundo filho, Abel. Caim tornou-se agricultor e Abel pastor. Em determinada altura, Caim ofereceu a Javé produtos da terra, e Abel primogénitos do seu rebanho. Javé gostou de Abel e da sua oferta, porém, não gostou de Caim e da oferta dele. Caim ficou muito desgostoso ao ponte de não tolerar o irmão, acabando por matá-lo. Então, é amaldiçoado por Javé que o condena a andar errante e perdido pelo mundo, com a única protecção de um sinal na testa, como é crença comum. om Caim errante e perdido, Saramago percorre os principais episódios bíblicos do povo hebraico para demonstrar que a ideia de Deus não é credível. Assim, segundo Saramago, um Deus que exige de Abraão que este lhe sacrifique o próprio filho, é um ser mau e cruel, que não merece consideração alguma, antes pelo contrário, merece desprezo. E Abraão obedece-lhe porque era um pai desnaturado, igualmente desprezível, e não se compreende como

C

“irão ser abençoados todos os povos do mundo só porque abraão obedeceu a uma ordem estúpida”. No episódio da adoração do bezerro de ouro pelos israelitas, na vertente do Sinai, Deus extermina milhares de pessoas, com ciúmes de um possível rival. Em Sodoma e Gomorra, arrasa duas cidades sem dó ou piedade tão pouco das próprias crianças. Faz uma aposta com o diabo para atormentar o piedoso Job com toda a espécie de tormentos e doenças, destruindo-lhe os bens e a família, apenas para provar a Satã a fidelidade do seu servo, o que demonstra a “profunda maldade e maligna natureza do senhor”. Por ocasião do dilúvio universal, deus resolve destruir a humanidade, ordena a Noé a construção de uma arca, mas demonstra a mais crassa ignorância das leis de Arquimedes Enfim, para Saramago, deus, os patriarcas e os ‘lugares sagrados’ nem merecem um registo histórico com maiúscula, para ele apenas Caim é uma figura decente, embora nem assim escapa à injustiça e vitupérios divinos. Desde modo, Saramago parodia e ridiculariza as narrativas bíblicas, delas tirando as mais absurdas interpretações e conclusões, sempre com o objectivo de desacreditar Deus. Por outro lado, num país onde é herege e infiel quem não aceita as aparições de Fátima e não acredita nos prodígios dos oragos das capelas e dos santuários, Saramago, com o seu prestígio de Nobel da Literatura e a sua visibilidade nacional, poderia ter iniciado um diálogo sério, útil e oportuno sobre a questão antiga e sempre actual das religiões e da existência de Deus, se é que ele é um ateu sincero e não somente um prosélito incrédulo.

BOLSAS DE ESTUDO Cabrillo Civic Clubs of California is now accepting scholarship applications from high school seniors who are: 1. 2. 3.

Portuguese descent U.S. Citizen or permanent resident 3.50 GPA or higher

Applications can be picked up at all Tulare County High School Counseling offices or online @ www.cabrillocivicclubs.org, deadline is March 15th 2010. For more information contact: Dulcie Nunes @ (559) 688-8070

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1600 Colorado Avenue Turlock, CA 95382 Telefone 209-634-9069


14 PATROCINADORES

1 de Fevereiro de 2010


PATROCINADORES

Chico Ávila lançou CD

Nova Paixão do Chico - FADOS - O CD está à venda nas lojas da especialidade

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COMUNIDADE

1 de Fevereiro de 2010

Visitaram a California Sanjoaninas 2010

Foi no Salão da Câmara de Comércio de Gustine que teve lugar a apresentação das Sanjoaninas 2010.

Mais uma vez a Comissão das Sanjoaninas 2010 quis visitar as Comunidades Portuguesas do Canadá, Costa Leste e California. Desta vez com um formato diferente. A apresentação das festas foi acompanhada por um vídeo sobre o objectivo das festas e da visita, além de terem trazido um espectáculo de fados, cujos artistas são da Praia da Vitória. O programa total das festas ainda está em fase de acabamento e sómente a Feira Taurina está completamente preenchida e apresentada em pormenor. Verdade se diga que este ano as Sanjonainas terão em vista uma certa contenção de despesas, não só pela crise económica, mas também porque existe um défice de festas anteriores de 1.5 milhões de euros, que é preciso ter em conta. As festas foram já reduzidas em dois dias e possívelmente alguns concertos serão pagos, como sempre deveria ter sido. Não faz nenhum sentido gastarem-se centenas de milhares de euros em artistas e não haver contrapartidas ou do público ou de patrocinadores. O tempo não está para aventuras e o que se passou na Terceira deveria ser uma boa oportunidade para outras ilhas, outras cidades e vilas dos Açores aprenderem a conter os seus gastos, que ao fim e ao cabo pertencem ao povo, havendo ainda tantas necessidades nas nossas ilhas. Gastar o que não é nosso, deve ser sempre muito bem pensado. Segundo informações da SATA Internacional, as vendas estão a prosseguir em bom ritmo para as Sanjoaninas, o que quer dizer que a SAUDADE continua ainda a ser um factor importante nas nossas decisões. José Silva, José Gaspar, Flávio Sousa, Vera Brasil, José Couto, Letícia Vieira, Andreia Cardoso

Presidente das Sanjoaninas 2010, Letícia Vieira falando sobre as festas

Presidentes das Câmaras de Angra e de Gustine (Cidade Irmãs) - Andreia Cardoso e Rich Ford


COMUNIDADE

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José Couto, além de ter sido um dos mais completos atletas da Terceira e dos Açores, também tem o condão de ser um grande aficionado. Historiou muito bem o nascimento da aficion da Terceira e das dificuldades que hoje existem na feitura duma Feira Taurina com a responsabilidade como a da Terceira. Este ano a Feira tem artistas jovens e já triunfadores nas suas terras de origem - Espanha, Portugal e California. Que se encham as praças, que os toiros cumprem o seu dever e que os artistas sejam homens de verdade e de arte.

Esta jovem da Praia da Vitória, Vera Brasil, cantou muito bem, acompanhada por José Silva e José Gaspar (vindos da Terceira)

Já no fim do espectáculo, os dois artistas vindos da Terceira, Vera Brasil e Flávio Sousacantaram e bem, algumas canções regionais do nosso tão rico folcore.

Presidentes de duas Cidades Irmãs - Andreia Cardoso (Angra), Al Pinheiro (Gilroy)

Flávio Sousa começou a cantar fado o ano passado. Ainda tem muitas notas para dar...


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COMUNIDADE

1 de Fevereiro de 2010

Comunidade ficou mais rica

Christopher Sousa novo advogado Christopher Machado Sousa, recebeu o seu doutoramento em Jurisprudência, a 2 de Maio de 2009, da Faculdade de Direito da Universidade de Georgetown, em Washington D.C., tendo, após um estágio preparativo, passado satisfatóriamente o Exame de Estado (Bar Exam). Chris nasceu em San José a 7 de Abril de 1984, filho do casal Manuel A. Sousa e Filomena Machado, emigrantes Picoenses. Aos quatro anos de idade, Chris frequentou a Escola Jardim Infantil D. Dinis, ingressando aos cinco anos na então Escola Portuguesa das Cinco Chagas. O nosso jovem, era um petiz de palmo e meio, de pequena estatura para a sua idade e, por tal, o pai o chamava Big Man. Era solitário, pensativo, curioso e responsável. A sua maior preocupação era saber se os pais teriam meios suficientes para a sua educação. Quantas vezes eu o encontrava sentado numa das enormes pedras atrás da casa em Copperopolis, ora com o livro na mão, ora com papel e lápis, traçando, quem sabe, o percurso que o levaria a atingir a sua meta.

Após graduar da Escola Portuguesa das Cinco Chagas, ingressou no Bellarmine College Prep., vindo a graduar a 5 de Maio de 2002. Seguidamente, escolheu a Universidade de Washington, em St. Louis, para os seus estudos preparatórios, formando-se em Ciências Políticas e História, em Maio de 2006, para depois ingressar na Faculdade de Direito da Universidade de Georgetown, em Agosto do mesmo ano. Presentemente, encontra-se estagiando, para depois regressar a San Francisco, em Abril do ano corrente, para fazer parte da Firma Morrison and Foster, L.L.P. Parabéns aos pais, Manuel e Filomena, bem como à sua querida irmã Jennifer, e urn forte abraço, com votos duma carreira próspera e brilhante, sem nunca esquecer a comunidade da qual é parte integrante.

Machado Ribeiro

Filarmónica do Chino D.E.S em Las Vegas Nos dias 23 e 24 de Outubro de 2009, a Filarmónica do Chino D.E.S. foi convidada a participar em duas Corridas de Toiros, que se realizaram no Casino South Point, em Las Vegas, Nevada. A Filarmónica do Chino foi muito aplaudida nos dois espectáculos pelo seu trabalho, dignificando assim o nome do grupo e da Comunidade Porrtuguesa. Este convite foi como um presente de aniversário, uma vez que a Filarmonica tinha festejado o seu 23º aniversário no dia 11 de Outubro. Seria interessante que as nossas filarmónicas pudessem participar em mais actividades fora da nossa comunidade, para continuar a mostrar o amor que temos à música, a nossa arte de bem tocar e porque não, podermos sim atrair cada vez mais jovens, pois são eles o futuro das nossas bandas e da nossa Comunidade.

Carlos Silveira

Nova Editora nos EUA A World Azorean Publishers, criada por Manuel Leal, pretende divulgaras obras literárias dos autores açorianos e açor americanos. Foi criada muito recentemente, em Nova Jérsia, nos Estados Unidos, uma editora que pretende dedicar-se à divulgação de trabalhos de autores açorianos e açor americanos, que residam em qualquer parte do Mundo. A World Azorean Publishers foi criada por Manuel Leal, um psicólogo natural da ilha do Faial, que inclusivamente publica, semanalmente, um texto de opinião no jornal Expresso das Nove (publicação do mesmo grupo empresarial deste jornaldiario). Os livros a editar serão publicados em português e inglês, e terão distribuição em todos os países lusófonos e em todas as comunidades açorianas residentes na América do Norte. Ao referir-se a esta actividade, em nota de imprensa, Manuel Leal refere que “não procura fazer dinheiro, mas também não quer perdê-lo”, acrescentando que esta “não se trata verdadeiramente de uma área

em que se possam obter lucros”, principalmente diz, face “à realidade demográfica do nosso grupo espalhado pelo Mundo”. Vamos sim, afirma, “divulgar os Açores com a celebração da açorianidade”. O responsável indica, ainda, que as suas edições incluirão trabalhos de outros portugueses e mesmo autores de outros países, que escrevem sobre os Açores. O primeiro livro a publicar pela editora, cuja distribuição ocorrerá a partir de Maio de 2010, incluirá um conjunto de artigos do próprio Manuel Leal em defesa da Autonomia ou do estado federado “de um Portugal das Regiões à semelhança dos Estados Unidos”, considerando a actual situação dos Açores como uma “condição colonial”. Ainda este ano, será lançado um livro de literatura infantil, em língua inglesa, que conta a experiência de uma criança da Nova Inglaterra que reencontra as suas raízes açorianas.

Foto Histórica

Quantos de vós é que se lembram da recolha do lixo em Angra do Heroísmo ser desta maneira, em carros de bois? Na foto, em frente à entrada principal da Câmara Municipal da Cidade de Angra do Heroísmo, estão Fernando Pereira Aguiar e António Pereira Aguiar, mais conhecidos pelos “Avanças”.


COLABORAÇÃO

Perspectivas Fernando M. Soares Silva

A Tragédia do Autismo

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(II)

fmssilva@yahoo.com (conclusão da edição anterior)

N

ote-se que estes sintomas manifestam-se de forma e intensidade variáveis em cada criança. Algumas nascem sem quaisquer indícios de anomalias, mas, entre 12 a 36 meses de idade, típicos problemas autistas começam a ser evidentes. Em certos casos, surpreendidos e profundamente perplexos por súbitas e inexplicáveis transformações nos seus filhos, vários pais têm apontado que elas ocorreram repentinamente, e que os seus filhos começaram a afastar-se de outras pessoas, e a agir desusadamente, bem como a exibir impedimentos linguísticos e a menosprezar convívio e interacção social “após” essas “misteriosas” alterações. CONTRASTES E ANOMALIAS EM INTERACÇÃO SOCIAL O típico neonato infante mostra inconfundíveis sinais de sociabilidade, evidentes quando ele fita os que o circundam, aperta os dedos de quem o acaricia, aparenta sorrir, ou se volta para os sons ao seu redor. Em marcante contraste, infantes com desordens de espectro autista evidenciamse indiferentes, ou relutantes, a gestos de interacção afectiva ou social, chegando mesmo a evitar contacto visual com outras pessoas; cedo, aceitam passivamente atenções afectivas, mas parecem preferir estar sozinhos. Mais tarde, com o andar do tempo, estas crianças não reagem ou não respondem de maneira normal às manifestações de desagrado, zanga, ou afecto dos próprios pais, embora --- saliente-se ---, tudo isto não signifique falta de respeito ou de amor aos seus progenitores e demais familiares. Especialistas e peritos opinam que este problema radica-se no facto da “dificuldade de expressão” que a criança autista tem em exteriorizar os seus sentimentos. Naturalmente, os pais que desejam beijar, acariciar, abraçar, brincar e demonstrar física e afectivamente o seu amor pelos seus filhos sentem-se profundamente frustrados... ANORMALIDADES E PROBLEMAS EM COMUNICAÇÃO E APRENDIZAGEM

A

té à idade de 3 anos, a criança envereda no processo de aprendizagem dos elementos básicos da sua língua materna. Começando com simples balbúcios, ao atingir 1 ano de idade o bebé típico já usa palavras, e reage, respondendo, ao ouvir o seu próprio nome; expressa o seu agrado ou desagrado com um “sim” ou “não”. E também indica a sua preferência de brinquedos. Mas as doenças neurológicas de espectro autista afectam e retardam a aprendizagem e a educação. Os processos de percepção da criança autista são compliocados e lentos na interpretação das ideias e dos sentimentos de outras pessoas. Certas acções e gestos tais como um sorriso ou uma careta muito pouco ou nada significam para um autista. Carente da habilidade de interpretação destes gestos e de outras expressões faciais, a criança autista sente-se desorientada e confusa, e, em geral, embora haja excepções, sente-se incapaz de compreender as perspectivsas das outras pessoas. Algumas crianças levemente autistas exi-

bem atrasos em linguagem e comunicação, ou demonstram vasto vocabulário e precoce habilidade linguística; todavia, essas crianças sentem grande dificuldade em manter conversações normais, embora, às vezes, se entretenham em longos monólogos sobre tópicos favoritos. Em geral, os autistas têm dificuldade em controlar as suas emoções e, assim, reagem de forma por muitos considerada “imatura”: às vezes, começam a chorar na escola; quando se encontram em recintos ou lugares estranhos, ou se sentem frustrados e confusos, explodem agressivamente e podem tornar-se obstinados, dificultando deste modo amizades e relacionamentos sociais. Em algumas ocasiões de intensa frustração, arremessam e despedaçam objectos, agridem outros, lesionam-se a si próprios, mordem as suas mãos ou braços, arrancam os cabelos, ou dão murros nas suas próprias cabeças. ENIGMAS DO DESENVOLVIMENTO COMUNICATIVO

O

desenvolvimento da comunicação infantil é variável e pode ser verdadeiramente enigmático. Algumas crianças diagnosticadas autistas permanecem mudas a vida inteira. Essas crianças a primeiro balbuciam durante os seus primeiros meses, mas depois deixam de o fazer. Outras passam por fases de atraso em desenvolvimento linguístico às vezes até às idades de 5 a 9 anos, mas, em seguida, entram na normalidade. E ainda há crianças que aprendem a comunicar mediante desenhos, fotos, pinturas ou sinais. Embora incapazes de combinar em modos lógicos e significativos palavras em frases ou sentenças, muitas vezes aquelas incapazes de falar descobrem ou inventam meios de comunicar e transmitir as suas ideias e desejos a outros. Alguns autistas falam em simples palavras, e outros repetem as mesmas palavras incessantemente (condição chamada “ecolalia”), embora muitas crianças normais também possam passar temporariamente por fases idênticas que, de uma maneira geral, desaparecem quando chegam`a idade de 3 anos. ESPECIAIS DESORDENS DE ESPECTRO AUTISTA

E

mbora raras, mas muito singulares nas suas peculiaridades, as duas seguintes desordens de espectro autista merecem consideração especial neste artigo. SÍNDROME RETT A desordem autista denominada Síndromo RETT é rara e tem a peculiaridade de afectar quase exclusivamente crianças do sexo feminino. A incidência desta doença é aproximadamente 1 em cada 15.000 meninas. O aparecimento e a progressão desta doença acontecem assim: Em seguida a um período de desenvolvimento normal, às vezes entre 6 e 18 meses de idade, sintomas aparentemente autistas começam a manifestar-se. O desenvolvimento mental e social da menina recua, ela deixa de responder aos pais e afasta-se de contactos e convívios sociais. Se já falava, pára de o fazer; e, incontrolavelmente, move os pés

e torce as mãos. Felizmente, vários dos problemas relacionados com o síndromo ReTT são tratáveis. Anomalias relacionadas com movimento, coordenação e processos linguísticos podem ser remediadas ou eliminadas com apropriadas terapias profissionais. Cientistas ao serviço do National Institute of Child Health and Human Development, nos EUA, já conseguiram descobrir que uma mutação na sequência de um simples gene pode causar o surto do sindromo RETT. Esta descoberta poderá permitir deteccão mais adequada e mais antecipada do sindromo, bem como mais oportunos tratamentos. DESORDENS DESINTEGRANTES DA CRIANÇA.

E

sta muito mais rara e muito mais grave forma de desordem de espectro autista manifesta-se em menos de 2 crianças do sexo masculino em cada 100.000. Os sintomas podem tornar-se aparentes antes de a criança atingir 2 anos de idade, mas costumam surgir mais frequentemente entre as idades de 3 a 4 anos. Até este ponto, a criança age e funciona como qualquer outra da mesma idade, e sem problemas de comunicação, ou em interacção pessoal ou social. Mas há motivo para alarme e séria preocupação quando um bebé ou menino repentinamente deixa de falar, fica silencioso, remoto e autoabusivo, e indiferente a convívio ou interacção social. Esta desordem também diferencia-se da desordem RETT pelo longo período de desenvolvimento normal antes da eclosão das supramencionadas síndromes desintegrantes. A diagnose desta desordem requer extensas e óbvias anomalias de âmbito motor, linguístico e de interacção social. Note-se que esta desordem autista é acompanhada de severas complicações intestinais, descontrolo da bexiga, e, muitas vezes, de convulsões. O Q.I. da criança aparece muito baixo. OS PROBLEMAS DAS CONVULSÕES Vinte e cinco por cento das crianças autistas sofrem de convulsões que aparecem ou durante a infância ou na adolescência. As convulsões, que são causadas por anormal actividade cerebral, podem também produzir inconsciência temporária, movimentos estanhos, ou mommentos de fixação ocular. Atribui-se a causa imediata das convulsões à falta de sono, ou a febre alta. Na maioria dos casos, as convulsões podem ser controladas com apropriada medicação anticonvulsionante. DESORDEM DE SÍNDROME DO CROMOSSOMA X E RETARDAMENTO MENTAL O nome desta desordem deriva do facto de o cromossoma X em autistas ter um segmento defectivo que, à luz do microscópio, aparece contraído ou compresso e frágil. Esta síndrome afecta entre 2 a 5 % de crianças vitimadas por donças de espectro autista e é a forma mais comum de retardamento mental É extremamente importante submeter a criança autista a um pormenorizado exame para determinar se ela sofre desta síndrome de frágil cromossoma X, especial-

mente se os seus progenitores tencionam ter outro bebé, porque por motivos ainda desconhecidos, se uma criança autista sofre de síndrome de frágil cromossoma X, há enormes probabilidades de o seguinte bebé dos mesmos pais também nascer com desordem idêntica. Adverte-se que, devido ao facto de tanto os pais (cromossoma XY) como as mães (cromossoma XX) terem pelo menos 1 cromossoma X, qualquer um deles poderá transmitir o gene que esteja defectivo ou “alterado” ao filho ou à filha. Um pai com gene alterado no seu cromossoma X transmitirá o gene defectivo às suas filhas; ele também passará o cromossoma Y aos seus filhos, mas isto não lhes transmite a condição defectiva. Se o pai tem o gene alterado no seu cromossoma X, e os cromossomas X da mãe são normais, as filhas do casal receberão o alterado e frágil gene X, enquanto nenhum dos filhos o receberá. Devido ao facto de as mães só transmitirem crompssomas X aos filhos masculinos ou femininos,, se a mãe tem um gene alterado num dos seus cromossomas X e possui um cromossoma X normal, e se o pai (marido) não sofre de mutação genética, todas as crianças têm 50% probabilidade de herdar o gene alterado ou defectivo. Note-se ainda que as mais recentes estatósticas indicam que 5% dos indivíduos com autismo são vítimas de defectivo e frágil cromossoma X, e que entre 10 a 15%exibem anomalias e complicações autistas…

A

o finalizar, é importante salientar que as desordens de espectro autismo, nas suas múltiplas e variadas formas, são mais frequentes entre a população infantil e juvenil, --- especialmente entre as idades de 3 a 10 anos ---, do que, por exemplo, a diabetes ou o síndromo Down, como atestam os anais médicos. Nos países industrializados, as estimativas de incidência das doenças de cunho autista já se aproximam de 4 em cada 1.000 crianças entre as citadas idades de 3 a 10 anos de idade. E as percentagens continuam a crescer inexplicavelmente. Impulsionados pelo espírito da humanista fraternidade e da compassiva filantropia de muitos indivíduos e de várias organizações, pesquisadores das ciências médicas, sobretudo dos países mais afectados pelas doenças autistas, porfiam em encontrar as necessárias soluções para curar, eliminar ou, pelo menos, mitigar mais significativamente os efeitos dessas desordens autistas que afectam tão terrivelmente tantos seres humanos, nossos irmãos em Humanidade, a quem devemos, por obrigação moral, a nossa compreensão e o nosso amparo.


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COLABORAÇÃO

1 de Fevereiro de 2010

Ao Sabor do Vento

José Raposo

Estou na America!

raposo5@comcast.net

S

e bem que eu seja uma pessoa que gosta de planear tudo com antecedência, nem sempre as coisas calham como eu planeio. É o que está acontecendo com a compra da nossa casa. Devido ao mercado e por a casa que nós gostámos estar em “short sale”, a papelada está a demorar muito. Mas penso que vale a pena esperar, pois que a mesma tem todos os requisitos que procurávamos e fica numa área muito boa. Ora, durante este tempo de espera, embora não ande como o caracol com a casa às costas, assentamos arraiais em casa de minha sogra. Aqui tenho uma quantidade de roseiras que trouxemos de um dos nossos jardins, as espadanas, as conteiras, hortelã e uma quantidade de ervas medicinais que minha mãe há trazido de São Miguel, todas as vezes que vinha cá. Até tenho um limoeiro galego ou tangerino como alguns chamam. Uma parte das pombas está em casa do meu amigo Onofre Cunha, em Penngrove e como fica perto do trabalho, uma vez que outra vou lá visitá-las e provar o saboroso vinho que ele tem sempre à disposição. Eu penso até que, talvez, deixe as pombas lá mais tempo, pois que é uma boa desculpa

XVIII Encontro de Professores de Português dos Estados Unidos e Canadá

Realizar-se-á de 17 a 24 de Julho o XVIII Encontro de Professores de Português dos Estados Unidos e Canadá. O encontro deste ano continua com um formato totalmente diferente e consta de mais um cruzeiro abordo do navio Jewel da NCL, desta feita com saída da magnífica cidade de New York e com paragens na Florida, nas Bahamas e numa ilha privada. Ao longo de 7 dias haverão sessões de trabalho abordo Este é um encontro diferente que tem por objectivo colocar os encontros de professores a par com os outros eventos promovidos por grupos de profissionais no mundo norte-americano. O encontro/cruzeiro está aberto a professores das escolas comunitárias e do ensino oficial americano, de todos os níveis, aos pais, aos alunos, aos directores pedagógicos, aos membros

o marulhar das ondas e o vento assobiando nos canaviais. Ontem, pela tardinha, ao pensar nisso e nos meus tempos de infância, exclamei: Parece que ouço as trindades Nos sinos da minha aldeia. E até sinto saudades Da tosca luz da candeia.

E para ir à sua adega. Elas agora já estão a comer a comida das vacas que é uma mistura de milho, cevada, trigo e não sei mais o quê, à qual adicionam um melaço. Cheira tão bem que dá vontade de comer. Estou mesmo a ver que as pombas vão engordar

das comissões escolares, aos administradores escolares, a dirigentes do nosso movimento associativo, enfim a TODOS na nossa comunidade portuguesa que estejam interessados na língua e cultura portuguesas. Esta é ainda forma da nossa comunidade de língua portuguesa se juntar durante sete dias a bordo do mais moderno navio da NCL e viver dias memoráveis. Haverá pequenos eventos promovidos pela associação somente para os participantes deste evento. Mais, os primeiros 40 professores a inscreverem-se terão um desconto de 100 dólares cada. As inscrições serão aceites até 18 de Março do ano em curso. Para mais informações contactem com o presidente da Associação de Professores Diniz Borges ou com o vice-presidente António Oliveira. Podem contactar com a associação através do e-mail: appeuc@ appeuc.org Podem ainda contactar Azélia Silva na Connors Travel de Fall River, MA, pelo e-mail: zel@cfrt.com ou pelo telefone: (508) 673-0951

no rancho do Cunha. Outras, porém, assim como os canários, estão na loja onde meu sogro tinha o seu “work shop” e agora deito-me e levanto-me ao som do arrulhar da pombas e do trinar dos canários. Parece que voltei à minha meninice. Só falta ouvir

m casa de minha sogra, as coisas mudaram um pouco. Tenho-me levantado mais cedo para dar uma volta com os cães a fim que eles façam os seus precisos e tenho ido para a cama mais tarde, pelo mesmo motivo. O ir para a cama tarde não é problema, pois que sou como as aves nocturnas, mas, levantar-me cedo é um sacrifício. No entanto, espero que isso seja por pouco tempo. Não é que esteja mal em casa de minha sogra. Não! Embora ela tenha 88 anos, está de óptima saúde, termina a sua vida muito bem, arruma a casa, faz a comida, lava a louça, lava a roupa e passa a ferro. O que é que eu quero mais? Agora é que eu posso dizer: - Estou na América!


COMUNIDADE

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SATA recebe novo avião DASH Q400 NexTGen O primeiro dos quatro novos aviões Bombardier Dash Q400 NextGen foi entregue hoje, dia 25 de Janeiro, nas instalações da Bombardier, em Toronto. A cerimónia de entrega ocorreu pelas 12h30 (horas locais) e contou com as presenças do Vice-Presidente das Vendas da Bombardier Commercial Aircraft, Sr. Kevin Smith, e do Presidente do Conselho de Administração do Grupo SATA, Prof. Doutor António Gomes de Menezes. Posteriormente, e ainda no Canadá, o avião será objecto de trabalhos de foro burocrático com vista ao seu registo em Portugal, pelo que fará a viagem, sem passageiros, com destino aos Açores no início do mês de Fevereiro. Em Fevereiro chegarão mais dois Q 400. O quarto e último avião é esperado nos Açores durante o mês de Março. Prevêse que o processo de renovação da frota e a completa operacionalidade da mesma fiquem concluídos até final do segundo trimestre, uma vez que, ainda há todo um conjunto de processos a desenvolver junto do INAC e, posteriormente, terão que ser efectuados voos de formação em situação real, nos Açores, isto é, sem ser em simulador. Estes novos aviões adquiridos pela transportadora aérea regional, em conjunto com os dois Dash Q200 que já voam nos Açores, constituem a renovação da actual

frota ATP e Dornier que fica, assim, concluída. A este propósito António Gomes de Menezes afirmou que “Este importante investimento traduz uma das ambições da companhia: renovar a frota da SATA Air Açores, com equipamentos modernos, mais económicos, que permitem, por um lado, dar resposta às idiossincrasias da operação inter-ilhas dos Açores através, por exemplo, da disponibilização de mais lugares por voo para as rotas de maior procura, na disponibilização de maior capacidade de transporte de carga e na redução do impacto ambiental e, por outro lado, dar seguimento ao plano de expansão da operação da SATA Air Açores traçado para os próximos anos, nomeadamente, com o reforço das ligações entre os Açores / Madeira /Canárias entre outras.” António Gomes de Menezes salientou ainda o facto do BEI - Banco Europeu de Investimento - ser o principal parceiro na operação financeira para a aquisição destas novas aeronaves “esta decisão do BEI é muito gratificante, não só porque proporciona um financiamento em condições vantajosas, mas, não menos importante, porque significa que uma instituição de referência valida a opção da empresa pela solução Bombardier”. Por parte da Bombardier, o Vice-Presidente das Vendas, Kevin

Smith, referiu que “É um prazer entregar o Q400 NextGen a mais uma companhia aérea. A SATA Air Açores junta-se, assim, a um grupo de mais de 30 companhias aéreas e operadores que operam os aviões Q400. Com mais de 2 milhões de horas de voo e mais de 2,2 milhões de ciclos efectuados em todo o mundo, a frota Q400 demonstra ser a mais rápida, mais eficiente em termos de consumo de combustível e com menores níveis de emissão de dióxido de carbono dos aviões turbo propulsores para voos de curto e médio curso.” Refira-

se que até 31 de Outubro de 2009, a Bombardier entregou 942 aeronaves turbo propulsores da série Q, incluindo 271 Q400 e Q400 NextGen.

foto de Filipe Pombo


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DESPORTO

1 de Fevereiro de 2010

Taça da Liga Sporting-Benfica - F.C.Porto-Académica nas meias finais O sorteio das meias-finais da Taça da Liga, realizado esta terça-feira, ditou um Sporting-Benfica e um F.C. PortoAcadémica. Os jogos estavam agendados para 10 de Fevereiro, mas o Sporting pediu a antecipação para dia 9.

Sporting quer fazer justiça: «Taça já devia estar no museu»

Miguel Salema Garção, director para o futebol dos «leões», fez o pedido ao rival encarnado. Sílvio Cervan diz que houve receptividade, mas esclareceu que ainda não está confirmado: Rui Costa quer falar primeiro com Jorge Jesus.

Pinto da Costa suspenso por 3 meses O presidente do FC Porto foi hoje suspenso três meses pela Comissão Disciplinar da Liga, pelo incumprimento da pena de dois anos de suspensão aplicada no âmbito dos processos disciplinares respeitantes ao “Apito Final”. Em causa as declarações proferidas por Pinto da Costa na qualidade de presidente da SAD azul-e-branca «sobre a competição desportiva Liga Sagres organizada pela LPFP no dia 1 de Outubro de 2009, por ocasião do Simpósio Internacional de Futebol, na Maia», e no dia 5 do mesmo mês, «na comemoração do 75.º aniversário do Futebol Clube de Infesta, e divulgadas pelos órgãos de comunicação social». Pinto da Costa fica assim impedido de exercer as funções de dirigente no âmbito da competição desportiva durante mais três meses, prolongando a suspensão inicial de dois anos - a que foi condenado em Maio de 2008 - até ao próximo mês de Agosto. O líder portista, que poderá apresentar recurso no Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol, foi ainda condenado a pagar multa de 1.500 euros.

Benfica diz ter «um especial gosto em defrontar o Sporting»

o título para V. Setúbal e Benfica, em 2007/08 e 2008/09, respectivamente.

A cerimónia contou com representantes de todos menos do F.C. Porto, que não esteve na sede da Liga, como tem sido normal nos últimos tempos. No caso do derby de Lisboa, trata-se do reencontro entre os finalistas da última época.

Taça da Liga: final está confirmada para o Algarve

Académica: «Ninguém nos pode levar a mal querermos a final»

Refira-se que o derby Sporting-Benfica significa dois clássicos numa semana. A formação de Carlos Carvalhal joga ambos: no dia 3 de Fevereiro desloca-se ao Dragão para a Taça de Portugal, no dia 9 ou 10 recebe o Benfica.

O Sporting, recorde-se, tenta a terceira final em três anos de Taça da Liga. Nas duas últimas época chegou sempre ao último degrau da prova, mas perdeu

In Maisfutebol

Lusitânia de Angra acordo ou insolvência A Assembleia-Geral do Lusitânia de Angra do Heroísmo, uma das organizações desportivas mais emblemáticas dos Açores, reúne-se quarta-feira para discutir a situação financeira do clube, ameaçado de insolvência. “Com equipas envolvidas na liga profissional de basquetebol e na III Divisão Série Açores em Futebol, o Lusitânia não pode continuar a viver sob a constante ameaça de novas penhoras, impondo-se um rápida definição quanto ao seu futuro”, disse à agência Lusa João Mendes, da Comissão Executiva do clube. Segundo explicou, apesar de ter baixado nos últimos dois anos de 4,5 para cerca de três milhões de euros, a dívida do Lusitânia supera em muito o seu património, avaliado em 1,5 milhões de euros, e os credores do clube têm vindo a revelar a intenção de proceder à execução de penhoras. Nestas circunstâncias, e tendo em conta “a necessidade de assegurar uma gestão que continue a garantir nome-

adamente o pagamento de salários aos profissionais, é preciso encontrar uma solução o mais rápido possível”, referiu João Mendes. O dirigente considerou ser possível o estabelecimento de um acordo com os credores - quatro deles (Finanças, Segurança Social, uma agência de viagens e uma empresa de construção civil) concentram a quase totalidade da dívida, mas não excluiu a possibilidade de a Assembleia-Geral aprovar a apresentação de um pedido de insolvência. Fundado em Junho de 1922, o Lusitânia agrega um total de cerca de 500 atletas e foi a primeira equipa açoriana a ingressar nos campeonatos nacionais de futebol (época 1978/79). Antigo rival do Santa Clara, actual segundo classificado da Liga de Honra, conquistou por 21 vezes o campeonato açoriano de futebol e obteve 38 títulos de Campeão da Ilha Terceira na mesma modalidade. Sapo Desporto c/Lusa

Quem não se lembra destas duas grandes equipas do Lusitânia?


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TAUROMAQUIA

1 de Fevereiro de 2010

Forcados Amadores do Aposento de Turlock nas Sanjoaninas 2011

Quarto Tércio

José Ávila josebavila@gmail.com Se não tivesse havido o cancelamento da Feira do Pico dos Padres, penso que teria que comprar outro chapéu, pois as alegrias para esta temporada e futuras eram tantas que o chapéu já nem me cabia na cabeça. Vou exprimir neste pedaço de papel um sentimento que já ouvi a muita gente - todos pensam que a alternativa de Sário Cabral deveria ter lugar na Praça de Stevinson e não na Praça de Gustine. Eu sinceramente penso o mesmo. A Praça de Gustine além de ter uma iluminação muitíssimo deficiente, oferece certas dificuldades aos cavaleiros menos experientes, por ser uma praça oval e que, com certos toiros, se torna perigosa. Penso que o Sário merecia tirar a sua alternativa na melhor praça do centro da California. Se eu ouvir as orelhas a chiar daqui a uns dias, já sei porquê!

Últimamente a California taurina só tem tido boas notícas no respeitante à forcadagem. Primeiro, foi o convite para os Forcados Amadores de Turlock irem às Sanjoaninas de 2010 e agora, o convite para os Forcados Amadores do Aposento de Turlock se deslocarem à Terceira para participarem nas Sanjoaninas 2011. De repente parece que as gentes da Terceira compreenderam a importância de envolverem os nossos forcados, bem como outros artistas de diferentes vertentes nas suas festas. E este fenómeno irá repercutir-se em outras ilhas e em outras funções. Até que enfim que o bom senso dos nossos irmãos açorianos começa a vir ao de cima, mas também da nossa parte temos que oferecer o que melhor sabemos e podemos. Os Forcados do Aposento de Turlock terão neste ano e meio que falta, tempo bastante para se preparar e provar na Terceira o valor da nossa forcadagem.

Estatísticas da California 2009 Ganadarias

Toiros corridos em 2009

Toiros prontos para correr 2010 30 8 10 12 0

Açoriana 28 António Cabral 0 António Nunes 0 Candido Costa 15 Casa Agricola 0 Manuel Machado Frank Borba & 18 36 Filhos Joe Pacheco 6 12 Joe Parreira 0 10 Joe Rocha 3 10 Joe Souza 0 18 Manuel Carmo 9 26 Manuel Correia 0 0 Manuel Costa Jr. 47 43 Manuel Sousa Jr. 24 30 Mário Teixeira 0 3 COUDELARIA Cavalos prontos A desbastar para tourear Agualva 9 6 Antonio Cabral 8 4 Irmãos Martins 10 3 Joe Souza 1 12 Artistas Locais Actuações 2009 Contratos 2010 David Vaz Mário Teixeira Paulo Ferreira Sário Cabral Grupos de Forcados

4 15 9 5 Corridas em 2009

Vacas de Ventre

Sementais

130 45 25 40 25

5 3 1 3 1

80

3

50 35 35 75 135 18 85 130 35 TOTAL

2 2 2 1 4 1 9 10 1 Éguas

15 12 13 13

25 9 5 13

0 3 4 1 + 3 faladas Toiros pegados em 2009

Corridas contratadas / faladas 2010

Forcados Amadores de Merced

5 + 1*

11 + 3*

0

Forcados Amadores de Turlock

11 + 2 *

39 + 5*

7 + 1 (Terceira)

Forcados do Aposento Turlock

9

24

2+2

Forcados Sul California

2

4

0

Corridas contratadas + faladas 2010 4 + 1/2 0 0 1+2 0 2 0 0 0 3 0 0 9 1 0 Poldros + Poldras 15 1+1 0+3 3+3

* Em Colorado * Em Portugal

Uma das maiores surpresas das estatísticas de 2009 é sabermos que um ganadero - Manuel da Costa Jr. - correu 18 toiros no Mexico. Isto é obra e convém celebrá-la. Correr toiros de uma ganadaria Californiana na maior terra taurina da America Central é sempre de saudar. Aqui fica o registo para a posteridade.

Tiro o meu chapéu

ao meu amigo José Couto, um dos responsáveis pela Feira Taurina das Sanjoaninas, pela brilhante apresentação que fez em Gustine, sobre a aficion da Ilha Terceira desde os seus primórdios até hoje, num curto espaco de tempo. Mais uma vez se provou que, quem se prepara bem, pode em pouco tempo apresentar qualquer tema com substância.

Tiro o meu chapéu aos Forcados do Ramo Grande, por já neste mês e em terras de Espanha terem mostrado toda a sua valentia e arte. Mais uma prova que, quer os Forcados da Terceira, quer os nossos de cá, podem ombrear com os melhores. Está no sangue... Aproveito para partilhar convosco um desejo que tenho para esta temporada de 2010 - gostaria de ver os ganaderos que não tourearam o ano passado, terem a oportunidade de correr os seus toiros em algumas das nossas festas. Se nunca tourearem nunca poderão mostrar o bom que podem ter. As nossas organizações têm o direito e o dever de os ajudar também. Que a sorte seja repartida por todos e não só por alguns. Espero também que sejamos nós, os que vivem aqui, os que pagam os espectáculos, que devemos ser responsáveis por tudo o que deva acontecer nas nossas praças e não deixar que estranhos, mesmo que sejam pretensos nossos amigos, que venham de fora, “mandar”, “dar ordens” ou “tentar alterar as nossas leis” e as nossas responsabilidades. Cada um no seu galho...

O Monumento ao Toiro na Terceira está a tomar forma no estaleiro do artista Renato Costa

Estou já a preparar o meu chapéu para que o possa atirar bem alto, quando na Rotunda ao pé da Praça de Toiros da Terceira, for inaugurado este ano o Monumento ao Toiro. O João Hermínio, Carlos João Ávila e o Renato Costa, até já se riem, só de pensar na beleza que vai ser. Obrigado ao João Pais pelas fotos.


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PORTUGUESEAMERICAN YEARBOOK 2010-2011 Uma “fonte única” como guia de referência, para e dirigido a Portugueses-Americanos Por iníciativa de TIYM, Publishing Company, Inc. (editora do ANUÁRIO HISPANO-HISPANIC, AFRICANO-AMERICANO, ASIÁTICO-AMERICANO E ÁRABE-AMERICANO “YEARBOOKS”, vai ser editado, pela primeira vez nos EUA, um guia de impacto nacional, para e ácerca da comunidade Portuguesa-Americana! . Desde 1985, TIYM tem sido uma companhia cujo trabalho se tem concentrado em promover e ajudar a melhorar e diversificar a igualdade de oportunidades, através de informar e reconhecer os grandes exitos particuarmente no seio das diversas comuniades e grupos étnicos, nos USA. Através desses esforços, TIYM tem sido reconhecida como prestigiosa organizaçao dedicada a realçar a diversificão e feitos meritóros por pessoas prominentes, e os significantes exitos de alguns elementos que fazem parte das várias minorias. Em manterem o desejo de aumentar e promeverem oportunidades ao alcance das mesmas minorias, as mesmas fundaram o Scholarsite.com website, com a mais variada informação ao alcance de todos, sendo visitado por milhares de interes- sados em saber mais, sobre as varias oportunidades de scholarship disponiveis aos estudants minoritários. Sua Excelência, o Embaixador de Portugal, Embaixador Vallera, expressou o seu apoio para a publicação do esperado livro, num recente encontro entre Legisladores estaduais e Presidentes de Câmaras, com descendência Portuguesa. Esta publicação oferece a oportunidade

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única a todoa aqueles que desejarem promover o seu negócio com uma oportunidade de uma posi-ção de realce, com uma entrevista pessoal em referência ao tipo de negócios ou qualquer outra actividade, bem como sobre a própria pessoa, bem como ser destinguido/a, com uma oportunidade de ser parte dos “speakers” na esperada cerimónia de lançamento do livro, a levar a cabo na prestigiosa instituição, aLivraria do Congresso, em Junho deste ano. Esta oportunidade está reservada sómente áqueles, cuja consideração de suporte sêja significativa e “networthy”! O “Yearbook”, oferece ainda uma secção dedicada a Portugueses-Americanos, de renome e de relêvo, na vida política, artes, negócios, literatura, medecina, ciências educação etc. etc.. Não perca esta oportunidade unica, de fazer parte da “história” em suportar esta iníciativa pioneira!...Interessados em fazer parte e para mais informação, favor contactar: mdeoliveira1@verizon.net. Cell: (01) 906 7999 Fax:301) 942 .9683


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ARTES & LETRAS

1 de Fevereiro de 2010

Turlu e Charrua

segundo Mario Costa

É

Diniz Borges d.borges@comcast.net

Victor Rui Dores

inquestionável a existência de uma criatividade popular açoriana, bem patente no romanceiro, cancioneiro e adagiário dos Açores. De resto, oralidade e arcaísmo sempre foram duas características fundamentais da nossa cultura popular. E isto porque os Açores sempre foram, ao longo dos séculos, território periférico relativamente ao continente português, à Europa e às Américas. Isto é, estas ilhas constituíram sempre um espaço fechado e, como tal, não muito permeável a influências linguísticas exteriores. Por consequência, o português de quinhentos que foi trazido nas naus dos descobrimentos manteve, no arquipélago açoriano, a sua pureza, a sua autenticidade e a sua expressão mais genuína. Por outro lado há este dado inapelável: o fenómeno da insularidade deixou marcas no espírito dos açorianos. Cinco séculos de isolamento físico, de contacto permanente com o mar, de horizontes finitos, de cataclismos vulcânicos, de uma religiosidade que foi gerada precisamente no terror sagrado de sismos e vulcões são factores que marcaram e moldaram definitivamente o modo de ser, de pensar e de agir do povo açoriano. O conceito da “açorianidade”, criado por Nemésio em 1932, dá conta disso mesmo – há, efectivamente, uma influência que o meio geográfico exerce no espírito dos ilhéus. Nestas ilhas nascemos e crescemos embalados no ritmo das marés e na musicalidade dos elementos. Daí a riqueza da nossa tradição oral, pois que somos herdeiros de uma tradição poética e musical que remonta aos cantares de gesta medievais (cantigas de amigo e cantigas de escárnio e mal dizer). E disso nos dão forma e conteúdo os nossos poetas populares, improvisadores e repentistas. Foi na escola dura da vida que eles aperfeiçoaram as técnicas do seu improviso. O curriculum académico nada tem a ver com a capacidade de versejar. Trata-se de um dom inato. Por isso a grandeza desta arte poética está na sua espontânea e efémera força criativa. Nesta matéria, as cantorias são autênticas disputas poéticas em que os improvisadores,

Apenas Duas Palavras

cantando ao som estimulante da viola da terra e do violão, se degladiam usando como única arma ofensiva a redondilha maior e a sextilha (esta última quase sempre utilizada para rematar a cantoria). Em arraiais e folias, no terreiro e nos palcos, em lugares púbicos ou privados, espalham os seus méritos repentistas, dando brilho aos festejos. As suas quadras caem facilmente no domínio do popular. Ouvir uma cantoria deve constituir, por isso mesmo, um acto de cultura. E isto porque os poetas populares, regra geral, improvisam quadras e sextilhas que são técnica e literariamente perfeitas. De resto “deitar cantigas” é sempre um pretexto para se comentar os mais diversos as-

qual dos opositores irá “ganhar”. Cantar ao desafio é, por assim dizer, uma “luta” que forçosamente terá que conduzir à vitória de um dos participantes e à derrota do outro. E quando, nesse combate, os adversários “se encostam um ao outro”, é mais do que certo que o público fique decepcionado. Vem tudo isto a propósito do livro Aurora e Sol Nascente, Turlu e Charrua, Confidências (Nova Gráfica, 2ª edição de autor, 2008), de Mário Pereira da Costa, natural da ilha do Faial, mas radicado em terras americanas desde 1969. Este autor privou de perto com Turlu e Charrua durante os primeiros quatro meses do ano de 1973, e, das muitas noites de conversas (gravadas em

Angelina de Sousa (1907-1987), a Turlu, e José de Sousa Brasil (1910-1991), mais conhecido por Charrua. O livro transcreve as cantigas que Turlu e Charrua proferiram com os respectivos adversários, dá conta dos despiques renhidos em que se envolveram e dos lugares e espaços por onde cantaram, evoca viagens e outras peripécias, relata percursos de vida vivida e de vida sonhada, contextualiza épocas e acontecimentos e, na parte final, inclui um conjunto de quadras e poemas inéditos que foram guardados ao longo da vida e entregues a Mário Pereira da Costa para publicação. Desde que cantaram pela primeira vez em 1931, em São João de Deus, na ilha Terceira,

suntos: os históricos, os bíblicos, os mundanos, ou então a necessidade de divagar sobre episódios da vida quotidiana – para encetar um saudável exercício de crítica social. E o povo acorre a esses “desafios”, animado do mesmo espírito com que enche estádios de futebol. Todos querem saber

fita magnética) e convívio com os dois repentistas, resultou a matéria-prima que enforma a presente obra. Bem documentado e informado, e dando tratamento criterioso e meticuloso ao espólio deixado pelos autores, Mário Pereira da Costa traça-lhes os percursos biográficos: Maria

Turlu e Charrua nutriram sempre uma profunda admiração um pelo outro. Num tempo em que a mulher era relegada para segundo plano, sendo a sua função apenas casar, ter filhos e ser boa dona de casa, Turlu batia-se, nas cantigas, em pé de igualdade com os homens: o Tenrinho (a primeira vez que

O nosso amigo Dinis está ocupado esta semana e coube-me escolher o tema desta nossa página de artes e letras. Nada melhor do que a apreciação ao livro de Mário Costa, “Turlu e Charrua - Confidências”, por Victor Rui Dores. Turlu e Charrua foram duas figuras das mais importantes da nossa improvisação, e que durante anos encantaram toda a gente que os ouviu. Este livro merece estar nas vossas casas. josé ávila cantaram tinha ele 42 anos de idade, ela apenas 18…), o Pêcego, o Bravo, o Charrua, o José Patrício, o Gaitada, o Ferreirinha das Bicas, o Vital, e tantos outros. Num tempo (salazarista) de muitas formas de opressão e repressão, Charrua, dotado de consciência social, bateu-se sempre pelos valores da justiça e da liberdade: por causa dos seus versos, conheceu dissabores com a PIDE, tendo sido preso durante alguns dias. Turlu e Charrua conheceram, separadamente, vidas sofridas, emocionantes e emocionadas. Para equilibrar o pecúlio familiar, ambos se dedicavam às cantorias, disso fazendo um modo de vida. (Por necessidades económicas, Turlu viu-se mesmo na necessidade de escrever poesia, opúsculos e enredos para danças do Carnaval). Ambos espalharam, de forma notória, a sua arte de improviso nos Açores e nas Américas e obtiveram a admiração e o respeito do público. Ambos eram muito humanos e possuíam uma agudeza de espírito, um humor sagaz e uma capacidade de ironia e sarcasmo a todos os níveis notável. Ambos enviuvaram e, mais tarde, reencontraram-se nos Estados Unidos da América, pela mão de Mário Pereira da Costa. Porque este é também um livro sobre uma grande história de amor (silencioso e silenciado) que, meio século depois, acabou em matrimónio… Durante todo esse tempo, trocaram afectos e poemas em linguagem mais ou menos cifrada: ela, era Aurora; ele, Sol Nascente… Estas e outras confidências só agora nos são reveladas neste livro que possui uma boa fluência narrativa e se lê com enorme prazer. Em boa hora, Mário Pereira da Costa registou, por escrito, aquilo que é do domínio do efémero, prosseguindo caminhos abertos por outros estudiosos terceirenses no que diz respeito à recolha e divulgação de materiais de cultura oral: Gervásio Lima, Luís da Silva Ribeiro, João Ilhéu, J.H. Borges Martins, Liduino Borba, entre outros. Aurora e Sol Nascente, Turlu e Charrua, Confidências é, por conseguinte, um trabalho de muito mérito e um valiosíssimo contributo para o conhecimento de dois dos maiores e melhores improvisadores de sempre. Nota: podem contactar Mário Costa através do email: portmusic@hotmail.com ou chamando 978 491 9293.


COLABORAÇÃO

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ENGLISH SECTION

1 de Fevereiro de 2010

serving the portuguese–american communities since 1979

Ideiafix

Miguel Valle Ávila

portuguese

• engLish section

miguelvalleavila@tribunaportuguesa.com

For how long, America?

A

s I sat down to watch President Obama’s 2010 State of the Union address, I had mixed expectations about its delivery. As an excellent orator, I knew he could deliver a speech, but what mattered here was the content. And he delivered on content getting significant applause from both sides of the aisle -- Democrats (of course) and Republicans. The big question is how long that bipartisan feeling will last. If history is any indication, maybe a few hours or days. The key message of the President speech was the economy - stupid! From creating new jobs, providing incentives to prevent industries from exporting jobs abroad, to reducing government spending (“we need to live within our means”), increasing support for education (especially community colleges -- because a high school diploma is too little to get a decent job nowadays), freezing government spending for three years (in most areas), and getting Congress to break the stalemate and get to work to fix this economy. How long should America put its future on hold? he asked. Indeed! It is time for us to move forward and get out of this recession. If not, we will vote YOU out of office in November, ‘dear’ Congress!

Threads of Thought

Lúcia Soares luciasoares@yahoo.com

Get to work, Congress!

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pm is usually the start of our family’s busy “bed-time routine” – dinner, dinner clean-up, dancing with the kids until 7pm, then bathtime for both girls, stories, milk and goodnight kisses. 6pm on Wednesday, however, was the State of the Union Address and as soon as we finished dinner, my 3-year-old and my husband sat down to hear our President speak. I was halflistening while trying to entertain the 5-month-old and cleaning up and doing the dishes. What my husband heard was the clear and concise content of Mr. Obama’s message. I thought it was one of the best SOTU addresses I’ve heard in a long time, hitting the points that we need to focus on as a nation. I especially had a “no-duh” moment when Mr. Obama said he wanted to create incentives for companies who created jobs within our country versus tax breaks for those companies who sent jobs overseas. (It’s about time!!) But what stuck with me even more than the bullet points of what we need to focus on was the message on leadership that Mr. Obama sent to the Senate, the Congress, the Supreme Court Justices and Military leaders. It was a message about seeking the common ground and about unification, symbolized by Mrs. Obama and Mrs. Pelosi wearing purple that evening (the compromise between the political red and blue). To each of his audiences, he had a clear message – leadership is not about doing what is popular on that day; leadership requires courage, thought and difficult choices. I got the sense that the Prseident was frustrated with the Washington political game ... reminiscent to me of some big-company burocracies and Dilbert cartoons where people always look busy, but never actually get anything accomplished. We can’t afford to lead this way as a country; there is too much at stake. After the speech, I thought, wouldn’t it be nice to see the Democrats and Republicans sitting together and not in their own groups as if they were different species unable to comingle? Wouldn’t it be nice to see our Congress people and Senators willing to make the “right” decision without worrying about what the polls will say the next morning? Wouldn’t it be nice if the Senate and House took a risk and just got something done rather than experiencing the status quo analysis/paralysis? It’s time to lead with a whole conscience, untainted by prejudices, biasses, special interests or blind superstition. But wait, I thought - is this too idealistic, not possible, utopian? Yes, it is. But, should we demand any less from the people we elect into office? No, we shouldn’t demand any less at all. We require, we demand and we need courageous leaders willing to change the soul of this country’s leadership, because without them, our country will not pull itself out of its downward spiral. When my daughters were finally in bed and sound asleep, I logged onto my Facebook page, and wrote: “Thank you Mr. President for an eleoquent and meaningful address. Senate and Congress – get to work!!”

SJSU Professor To Retire various majors and minors at SJSU, including: Business major; Spanish major; Latin-American Studies minor; International Business; among others. The SJSU Portuguese offerings are a sequence of lower and upper division courses which form an official minor. Many departments recognize this minor as a fulfilling requirement for their major programs.

A

fter over a decade of teaching Portuguese language and Portuguese and Brazilian culture classes at San Jose State University, Dr. Virginia da Luz Tarver has announced her plans to retired in September 2010. Under her leadership, the Portuguese Studies Program reached the status of an official minor in 2009. This important accomplishment was recognized as The Portuguese Tribune’s 2009 Educational Event of the Year. With limited enrollment allowed this year because of the State of California budget crisis, the program is at full capacity with a waiting list. Additional spots are expected to be made available next semester. Starting a couple of years ago, Dr. Tarver was joined by lecturer Aurélio Dias Ferreira.

Lower Division Courses Portuguese 1A - Elementary Portuguese (5 units) Portuguese 1B - Elementary Portuguese (5 units) Portuguese 1X/1Y- Elementary Portuguese Individualized Learning (1-10 units) by appointment with instructor Portuguese 20A - Intermediate Portuguese (3 units) Portuguese 20B - Intermediate Portuguese (3 units) Portuguese 20X/20Y - Intermediate Portuguese Individualized Learning (1-5 units) by appointment with instructor

About the Portuguese Studies Program at SJSU

Portuguese is the language of Portugal, including the autonomous regions of the Azores (Açores in Portuguese spelling) and Madeira. Additionally, it is the official language of Brazil, Mozambique (Moçambique), Angola, GuineaBissau (Guiné-Bissau), São Tomé e Príncipe, the Cape Verde Islands (Cabo Verde), and East Timor. It is also still spoken in Macau and Goa. Over four million Portuguese who have emigrated to various countries retain their first language. Galician, spoken in northwestern Spain, is very similar to Portuguese. Altogether, Portuguese is the native language of approximately 240,000,000 people. It is the sixth most spoken language and it ranks third, behind English and Spanish, among European languages used around the world. Why learn Portuguese? Portuguese is an important global language spoken on all world continents. Next to English and Spanish, Portuguese is a major language of the American continent. According to UNESCO, Spanish and Portuguese are the top two fastest-growing European languages. Also according to UNESCO, Portuguese, has the highest growth potential as an international language due to evident expansion in southern Africa and South America. Portuguese complements other

Upper Division Courses Portuguese 102A - Portuguese Culture (3 units) Portuguese 102B - Brazilian Culture (3 units) Portuguese 101A - Advanced Portuguese (3 units each) Portuguese 101B - Advanced Portuguese (3 units each) Portuguese 180 - Special Studies (1-4 units) Minor Sequence of Study Portuguese 1A - Elementary Portuguese (5 units) Portuguese 1B - Elementary Portuguese (5 units) Requirements for the minor Portuguese 20A - Intermediate Portuguese (3 units) Portuguese 20B - Intermediate Portuguese (3 units) Portuguese 101A - Advanced Portuguese (3 units) Portuguese 101B - Advanced Portuguese (3 units) Portuguese 102A - Portuguese Culture (3 units) Portuguese 102B - Brazilian Culture (3 units )

A Special Major in Portuguese Studies is available by completing all requirements for a Minor in Portuguese at SJSU and completing additional units through certain departments on campus and summer courses at other universities in the USA, as well as in Brazil or Portugal. For more information, please contact: Dr. Virgínia da Luz Tarver Coordinator / Advisor of Portuguese Studies Program Clark Hall 412J 408-924-4022 vdaluztarver@comcast.net Scholarships Available for students minoring in Portuguese: Meta Marion Goldsmith Scholarships and LusoAmerican Study-Abroad Scholarship. Portuguese Endowment Trust In order to support the Portuguese Studies Program, a Portuguese Endowment Trust (PET) has been established through the generosity of the Portuguese Ministry of Education, the Gulbenkian Foundation of Lisbon, the LusoAmerican Education Foundation, and other organizations and individuals in the Portuguese community. Donations to the Portuguese Studies Program The Portuguese Studies program is accepting monetary donations to help maintain its Portuguese Minor program at San Jose State University. Your help is direly needed in view of the state budget limitations. Please send your donation to: San Jose State University DFL, Portuguese Studies Program (CL421) One Washington Square San Jose, California 95192-0091 Fore more information: Dr. Virgínia da Luz Tarver Portuguese Studies Program Clark Hall 412J 408-924-4022 vdaluztarver@comcast.net

About Clube Lusitânia

Oi! Olá! The Luso-Brazilian Community of San Jose State University is an aspiring student organization for all students, faculty, or community members interested in the Portuguese language and the Portuguese, Brazilian or Luso-African cultures. It is a non-partisan social and academic organization that hopes to provide more opportunities to participants. Clube Lusitânia was originally founded by a group of Portuguese Studies Program students in 1986 and was a successor to the Portuguese-Brazilian Club from the early 1980s. Clube Lusitânia was very active at SJSU for over 12 years. After a hiatus of several years, another group of PSP students, this time led by Michelle Decker, reinstituted this student organization.


ENGLISH SECTION

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California Chronicles

Ferreira Moreno

J

. M. Bettencourt da Camara stated that we can rightly say that the popular folk dance called Chamarrita originated in the Azores, even though some sl ight variations may be found on each of the nine islands, as well as in some local ities on Madeira Island and in continental Portugal. (Música Tradicional Açoriana, 1980 Edition). The Grande Enciclopedia Portuguesa Brasileira defines Chamarrita as a “popular dance, some sort of fandango with a twirl of a waltz.” As for the name Chamarrita, the consensus is that it derives from the juxtaposition of the verb chamar (to call) and the proper noun Rita. Actually, there is no need to search for the person who may have inspired the stanzasof the song which, at times, accompany the dance, because many stanzas simply refer to any fun-loving woman. The son~ always carries a sense of lyricism and cheerful improvisation. The late Fr. José Luis de Fraga, who distinguished himself by his untiring dedication to preserve and promote Azorean folk music, wrote in his essay Cantares Acorianos (1963) that “the original slow manner ascribed for dancing the Chamarrita has evolved to a more accelerated tempo.” It was this type of dance which was brought to the States by the Azorean immigrants. It soon became very popular, particularly at the annual Portuguese celebrations of the Holy Ghost, to the extent that several writers have referred to the religious festival by calling it Chamarrita. In past chronicles I have tried to

dispel such incongruous myths often referred to in local publications. Just recently, I came across another anachronism, penned by Frank M. Stanger, and included in his book “South from San Francisco, San Mateo County, Its History & Heritage” (1963 Edition, Page 141). Stanger wrote: “As early as 1878 Mrs. Rufus Hatch noted in her diary that these foreigners (Portuguese settlers, coming direct from the Azores) were putting on a strange celebration, which seemed to have some religious significance but what it was she could not imagine. Undoubtedly this was the first enactment here of Chamarrita, a folk festival that has become an annual all-community affair, not only at Half Moon Bay and Pescadero but also in a number of other California towns. The legendary origin of this fiesta is found on the island of Fayal in the Azores. There the traditional celebration of the Feast of Pentecost has, for many generations, centered in the belief that at a certain time, long ago, the Holy Spirit miraculously intervened when the island’s people were facing starvation through a failure of their crops, and a strange ship arrived unexpectedly, loaded with food. The master of the ship, says the legend, not only fed the starving people but refused any pay for his generosity. Hence the central point of the celebration to this day is a free lunch, served to all comers without question or obligation. The practice is kept alive by a Brotherhood of the Holy Spirit Irmandade do Espirito Santo, hence I.D.E.S.

Chamarrita

1 de Fevereiro de 2010

Grupo Folclórico Chamarrita do Pico

Hall) which raises the funds and directs the celebration. A large silver crown is taken to the church and blessed, then, with much pageantry, it is carried at the head of a long parade to the Chamarrita Hall where it remains during the day of feasting and dancing. The strength of the Portuguese element in the population is made evident by the wide participation each year in the parade. Every civic community, or business organization of consequence takes part, from the high school band to the Odd Fellows Lodge. It is in part, no doubt, a response to the eagerness with which the Por-

tuguese, on their part, undertook to become Americans.” Even more ridiculous is the account given by Lee Foster on page 35 of his book Making the Most of the Peninsula, 1989 edition: “Chamarita recalls a 14th century time of troubles in the Azores, when earthquakes rocked that area, especially the island of Pico. Drought, crop failure, and a famine plagued the people, who prayed to the Holy Ghost for help. When the people had almost perished, a ship is said to have appeared on the horizon, filled with the necessities of life. Queen Isabel

heard of this miraculous good fortune and paraded through Lisbon, leaving her crown on the altar of the cathedral as an offering of thanksgiving for the favors of the Holy Ghost.” Just for the sake of all I misinformed and/or misguided authors, it is imperative to point out that Queen Isabel of Portugal died in the year 1336, and the Azores Islands were discovered a century later. Chamarrita is a dance, not a festival!

Founders of Livingston Parish Remembered

Msgr. Harvey Fonseca assisted by Antero Pinto blessed the Portuguese Cross in the new Plaza at St. Jude Thaddeus Church in Livingston, in memoery of the Founders of the Parish photo by José Chaves

On the Feast of the Exaltation of The Holy Cross, Msgr. Harvey Fonseca, Pastor of St. Jude Thaddeus Church in Livingston blessed a Portuguese Cross that was inlaid in the new parish plaza. This particular cross which is commonly referred to as the Portuguese

Cross actually dates back to 1420 when Prince Henry “The Navigator” was made the Master of the Order of Christ and from that year on all the sails in his ships had painted on them his order’s cross. The Cross of Christ identified ships as Portuguese and it indicated that they were making voyages of discovery. It was also

a sign of the deep Catholic Faith of the Portuguese. The Portuguese community at St. Jude’s in Livingston is made up of parishioners from the nine islands of the Azores, Continental Portugal, Brazil, Madeira and Angola. Funding for this current renovation project which is still in progress came from fundraisers, donations and the “Our Faith, Our Family, Our Future” Diocesan Campaign. The cross itself was created by Arnold Brink of Brink and Sons Construction of Modesto. The plaza portion is “Phase Three” of a five phase project which included an open-air pavilion, an elaborate drainage system and a lengthy covered walkway, all of which were designed by Msg. Fonseca to fill the needs of the ever-growing parish.

And now, a little history. The first Mass in Livingston was celebrated at the Livingston Portuguese Pentecost Hall on Sunday, August 5, 1928. Sunday Mass continued to be held in the hall until

the new church (now the old church hall) was finished in 1930. The influence of the Azorean-Portuguese community and their “festa” in honor of the Divino Espirito Santo contributed to the building of the Catholic Church in Livingston. According to Farquhar’s History of Livingston found in the Merced County Library in Livingston, the building comittee for the Catholic Church consisted entirely of Portuguese men: John Pereira, President; Joe P. Mendonça, Secretary; Frank Goulart, Treasurer; Manuel Fontes; and John S. Bettencourt. The Igreja Católica de São Judas Tadeu in Livingston became a mission of St. Mary Catholic Church in Stevinson under the care of Fr. Pantaleon Triana. The Livingston parish received its first resident pastor, Fr. James C. O’Doherty and was “Canonically Established” in 1937 (the founding date we use for our anniversaries). St. Jude Thaddeus Catholic Church was officially recognized as a parish on September 5, 1945 by Most Rev. Philip Scher, the Bishop of the Monterey-Fresno Diocese. Saint Jude. Thaddeus Catholic Church 330 Franci Street· Livingston, California 95334


COMUNIDADE

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Natal, Reis e Matanças Fins de Dezembro e o mês de Janeiro, são tempos de juntar muita gente, uns familiares, outros com diferentes interesses e gostos tao típicos da nossa comunidade. Noites de Natal, Noites de Reis, Matanças, Touradas, fazem a delícia de todos nós.

Estava frio em El Nido no dia 1 de Janeiro, na primeira tourada do ano de 2010, mas aficion é maior que tudo.

A Familia de João Lopes na Noite de Natal em Turlock

Antes da matança há sempre tempo para uma sueca. Emb: Porco de Thornton, enfeitado

Matança em Thornton - a cozinha é sempre um lugar a visitar

O que é que fazem o Joe Freitas (terceiro a contar da esquerda) e Monsenhor Ivo Rocha (junto ao aquecedor), sportinguistas distintos, num “antro” totalmenet benfiquista e ainda por cima no dia do jogo Benfica-Porto? Será que eles viram o que se passou no túnel?

As Cantigas das Matanças - Jorge Teixeira, António Azevedo, Carlos Meneses


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