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Em Caminho Novidades Acanac 2012

Simplesmente

Escutismo


22.º Jamboree Mundial na Suécia

Texto Joana Osório e Ana Rute Costa

Fotos: Joana Osório, Nuno Perestrelo, Gonçalo Vieira, João Santos, José Carlos Oliveira e Ana Santos

O Jamboree já veio e já foi, deixando marcas indeléveis nos 876 escuteiros portugueses que aceitaram o desafio de participar na maior actividade escutista internacional. Ao longo de 12 dias, o ex-campo militar à saída de Rinkaby, no sul da Suécia, pintou-se da cor das tendas dos 40 000 escuteiros de todo o mundo que se reuniram naquela pequena cidade, e viveram em conjunto as suas culturas, religiões, amizades, experiências, e novas aprendizagens. Desde as actividades modulares, às actividades espontâneas, do festival das culturas ao centro de fé e crenças, das grandes cerimónias aos mais pequenos fogos de conselho, em todo o campo viviase e respirava-se o escutismo sob as mais variadas formas e feitios, reflectido na diversidade que caracteriza o mundo em que vivemos hoje. 30 Flor de Lis Agosto/Setembro 2011

Actividades

No Jamboree, as actividades e oficinas eram intermináveis, e muitos houve que ainda regressassem com vontade de ficar mais uns dias para poder aproveitar tudo. Nas actividades do programa, havia o Earth, onde os escuteiros se confrontavam com o funcionamento do planeta, criando moinhos ou debatendo catástrofes naturais. Já no People, o objectivo era conhecer as características de diferentes culturas e aquilo que faz de nós únicos, mas, também, o que temos em comum com os escuteiros de

“No Faiths and Beliefs encontrava-se uma das insígnias que todos os participantes do 22.º Jamboree Mundial tinham oportunidade de conquistar durante os 12 dias passados na Suécia. Ao tentar alcançar esta insígnia, descobri diferentes crenças e religiões; esclareci algumas dúvidas e o meu interesse sobre algumas fés despertou. Ao conhecer as origens do hinduísmo, experimentar as técnicas de meditação do budismo, ou até descobrir detalhes das crenças da igreja protestante, aprendi que existem diversas formas de encarar o mundo e nenhuma está errada. Assim, pude concluir que o simples gesto de aceitar e respeitar as diferentes religiões, contribui para a mudança no mundo que todos juntos tentamos alcançar. Leonor Machado, Unidade Monsenhor Américo - Região de Braga todo o mundo. No Quest, era a aventura, onde as patrulhas ultrapassavam em conjunto os obstáculos colocados pelos jogos, numa autêntica viagem no tempo: da Pré-história ao século XXI, passando pela era medieval, dos Vikings e das conquistas. No Dream, a actividade nocturna, os participantes eram desafiados a percorrer o ciclo da vida e a explorar as experiências associadas a cada etapa: o nascimento e a morte, a perda gradual dos sentidos na velhice, que, entre outras, proporcionavam uma reflexão

sobre o percurso de cada um. A Aldeia do Desenvolvimento Global é, há várias edições, uma parte fulcral do programa do Jamboree e o local onde os escuteiros são desafiados com a noção de que o desenvolvimento do nosso mundo é da responsabilidade de todos e para todos, e de como todos temos o dever e o poder de fazer a diferença através dos mais pequenos gestos. Nesta aldeia, temas como a solidariedade, direitos humanos e paz, saúde e ambiente, são recorrentes. Nas oficinas promovidas por várias ONG e associações escutistas, todos são convidados a participar em projectos que, passo a passo, vão procurando construir uma realidade que integre estes temas em harmonia. A harmonia e aceitação eram, de resto, essenciais no Faiths and Beliefs, onde diferentes religiões se davam a conhecer. Neste espaço, os escuteiros eram convidados a reflectir sobre o que significam as suas crenças, e sobre como estas se relacionam ou se diferenciam cas de outros escuteiros do mundo.

Entre os stands dos países, as actividades espontâneas, as food houses e outras tendas temáticas, era muita a oferta de actividades nos tempos livres do programa. Entre as mais procuradas destacamse o Tivoli, um autêntico parque de diversões construído apenas com recurso ao pioneirismo, e o Most Primitive Scouting Experience, onde se regressa às origens e se aprende a viver em campo com o mínimo possível, fazendo fogueiras com instrumentos rudimentares, ou talheres a partir de pedaços de madeira.

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Camp in Camp

Dia da Lusofonia

Simplesmente escutismo. Foi no Camp in Camp que os participantes do Jamboree mais viveram o lema do Jamboree. Trocou-se o busílis do campo do Jamboree, onde a toda a hora se ouvia música, risos, gritos, movimento, pela serenidade e beleza dos bosques da Suécia. 80 pequenos acampamentos, organizados por grupos de escuteiros da Escandinávia no sul da Suécia, acolheram grupos com 50 a 200 participantes, ao longo de 3 dias. Com actividades planeadas pelos grupos de acolhimento, as Patrulhas tiveram oportunidade de vivenciar a natureza e o escutismo suecos, na sua forma mais simples e genuína. Para muitos dos escuteiros, esta actividade foi o ponto alto do Jamboree

Contingente de Portugal Número total de elementos: 876 Participantes: 587 Chefes de Unidade: 68 IST: 191 Equipa do Contingente: 30

Pavilhão da Lusofonia

“No dia 31 de Julho, a nossa equipa participou no Camp in Camp numa localidade sueca chamada Malmö, onde fomos recebidos por escuteiros noruegueses. No primeiro dia, uma vez que o tema era os acampamentos Vikings, tivemos a oportunidade de fazer colares tradicionais de cobre e anilhas de corno de rena. No fim destas actividades, fizemos o jantar e ainda tivemos tempo de dar um mergulho numa praia próxima. À noite, juntámo-nos com as equipas do nosso subcampo (Chipre, Suíça e Noruega) e ensinámos-lhes danças e músicas portuguesas, enquanto nos deliciávamos com café e chocolate. No dia 1 de Agosto, depois do pequeno-almoço, ainda tivemos tempo livre para dar um mergulho e fazer canoagem, uma vez que a caminhada pelos trilhos Vikings tinha sido cancelada por falta de equipas. Esta foi uma actividade apreciada por todos, pois contactámos com escuteiros de outros países, de uma maneira mais íntima e calma e, também, porque fomos muito bem recebidos pelos noruegueses, que nos ensinaram muito sobre a cultura Viking.” Equipa Francisco Rodrigues Lobo Unidade D. Dinis Região de Leiria 32 Flor de Lis Agosto/Setembro 2011

“Uma das actividades esperadas ao longo de todo o Jamboree, foi o Camp in Camp. Foi com muita diversão, mas também com curiosidade, que partimos para esta nova experiência. Chegámos ao destino, Sjöbo, por volta das 13h30, onde almoçámos e começámos logo com as actividades previstas. Primeiro fizemos uma caminhada com umas escuteiras norueguesas, que demorou cerca de 2h30 e foi fantástica. A paisagem era magnífica e transmitia imensa tranquilidade: árvores, cavalos… era tudo tão verde! Em seguida, realizou-se a actividade mais divertida: nadar numa lagoa sueca. Nem a água gélida nos livrou de dar um mergulho! Quando chegámos ao campo, ainda tivemos tempo para apanhar um pouco de sol e depois começámos a preparar o jantar. À noite, foi hora de arrear a bandeira e de conhecermos melhor as restantes patrulhas de Israel, Bélgica, EUA e Inglaterra, durante o Fogo de Conselho. Deu para relaxar, reflectir, aprender novos jogos, músicas, e, essencialmente, desfrutar da chama quentinha que a típica fogueira transmitia.” Equipa Manuel Faria Unidade Monsenhor Américo Região de Braga

Dinamizado por Portugal, Brasil e Angola, o Pavilhão da Lusofonia deu a conhecer a riqueza da cultura Lusófona a todo o Jamboree. Entre oficinas para pintar galos de Barcelos e lenços de namorados, fazer tranças angolanas e doces típicos de Angola, marcar golos e provar café e doces do Brasil, todos os dias trouxeram centenas de escuteiros de todo o mundo para experimentar um pouco da cultura e simpatia dos países que falam português. Em português, realizaram-se também várias oficinas no Jamboree: na Aldeia do Desenvolvimento Global, os escuteiros puderam conhecer o montado Alentejano, as iniciativas de Braga 2012 – Capital Europeia da Juventude, e as energias renováveis, assim como debater a Carta dos Deveres do Homem. Ao longo do Jamboree, também houve lugar para actividades mais espontâneas, que incluíram danças e jogos tradicionais. E, para além das actividades organizadas, Portugal levou, sobretudo, a alegria e simpatia da sua gente até ao Jamboree, e a estas ninguém ficou indiferente!

dade poderá ser trabalhada de diferentes formas, mas, um pouco à semelhança do que acontece em outros países do mundo, definiu-se que uma forma eficaz e significativa seria criar um lenço de contingente que representasse o Escutismo português, quaisquer que fossem a associação, a secção ou o grupo de cada um. Deste modo, as duas associações que compõem a FEP (Federação Escutista de Portugal), a AEP (Associação dos Escoteiros de Portugal) e o CNE (Corpo Nacional de Escutas), decidiram criar um lenço que fosse capaz de representar a identidade de Portugal e, ao mesmo tempo, ser uma marca de afirmação da nossa unidade enquanto escuteiros portugueses. Os participantes neste Jamboree tiveram o privilégio de fazer parte do primeiro grupo de escuteiros a receber este lenço. Durante a actividade, o nosso lenço foi bastante cobiçado, havendo algumas propostas de trocas muito criativas e interessantes!

Há vários Jamborees que se tornou tradição: o dia da Lusofonia reúne os países de língua oficial portuguesa, para celebrar as culturas de países tão distintos, mas que falam a mesma língua. Neste Jamboree, Portugal, Brasil, Angola e Moçambique comemoraram a Lusofonia com uma Eucaristia, uma mostra de danças de cada um dos países, e o lançamento da insígnia da Lusofonia. A Guiné-Bissau esteve representada por dois escuteiros que, apesar inseridos no Contingente Australiano, vieram também eles falar em português.

Insígnia da Lusofonia

A insígnia da Lusofonia foi lançada oficialmente durante este Jamboree. É uma insígnia de progresso que se desenvolve em quatro áreas (Cultura, Escutismo, Geografia e Língua), com três níveis de desenvolvimento diferentes, e que visa promover o intercâmbio e conhecimento entre os escuteiros dos países de Língua Oficial Portuguesa. Esperemos que este tenha sido mais um pequeno passo para fortalecer os laços lusófonos e que, a partir daqui, se possam desenvolver outras actividades. Esta insígnia pode ser conquistada por todos os escuteiros do CNE. Para teres mais informações, consulta o site da Internacional: http://www.internacional.cne-escutismo.pt/

Lenço

Numa actividade escutista internacional da dimensão de um Jamboree Mundial, em que estão representados mais de 150 países, é importante termos a capacidade de nos identificarmos, enquanto escuteiros, a representar Portugal. Esta identiFlor de Lis Agosto/Setembro 2011 33


Festival das Culturas

Um festival de cores, sabores, música, alegria e muita animação invadiu o campo do Jamboree no dia 4 de Agosto. Nos subcampos, os escuteiros atarefavam-se, ora a preparar petiscos típicos dos seus países, ora a vestir os trajes das suas terras e da sua imaginação. Enquanto uns iam dando a provar as suas iguarias aos escuteiros visitantes, outros percorriam o campo, pintando-o com as suas cores, jogos e gritos de boas-vindas. De Portugal, viram-se chouriços e queijos, pataniscas e pastéis de bacalhau, sardinhas enlatadas e pão com azeite. Provou-se queijo com marmelada, arroz doce, ovos-moles e leite creme, tudo servido por campinos e minhotas, gigantones e galos de Barcelos, que cantavam e dançavam a alegria de Portugal e o ambiente de festa que se vivia em todo o campo.

Simulação de sessão das Nações Unidas

Tendo por base a ideia de criar um mundo melhor através da diplomacia, durante este Jamboree, dois escuteiros de 67 dos contigentes participantes, tiveram oportunidade de debater as alterações climáticas numa simulação de uma sessão das Nações Unidas. O Contingente de Portugal seleccionou dois escuteiros, um de cada associação. Para o fazer, foram abertas candidaturas para os participantes portugueses, que expuseram algumas das suas ideias e argumentos numa pequena sessão de discussão. Do CNE, foi seleccionado o Francisco Rosa, da Região de Leiria, que nos conta a sua experiência na primeira pessoa. 34 Flor de Lis Agosto/Setembro 2011

Olá! Sou o Francisco Rosa, tenho 17 anos e sou Escuteiro do agrupamento 1198 – Stº Agostinho – Leiria. Já sou Escuteiro há 11 anos e simplesmente adoro participar no sonho de um homem – Lord Baden-Powell. Para mim, o Jamboree Mundial da Suécia, no qual participei, foi uma experiência que ultrapassou qualquer limite do imaginável, uma actividade ímpar com o melhor que o Escutismo me pode dar, ensinar e partilhar. Vivi duas semanas de “Simplesmente Escutismo”, o que me deixou simplesmente sem palavras. Um dos factores que contribuiu para esse facto, foi o de ter participado no Fórum das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas, em que os intervenientes eram Escuteiros, uma espécie de simulação das Nações Unidas no Jamboree, altamente gratificante e inovadora. Tudo começou quando o meu chefe de Tropa nos falou sobre um fórum das Nações Unidas sobre “Climate Changes” que iria decorrer no dia 3 de Agosto. Alguns escuteiros da minha tropa mostraram-se interessados, incluindo eu. Depois de um sorteio, a selecção recaiu sobre mim. No momento em que o meu chefe me disse que tinha de fazer um casting no Quartel-

General do Contingente Português, confesso que fiquei assustado, pois tomei consciência que o assunto era um bocado mais sério do que pensava e que não iria estar à altura do acontecimento. Eu e mais quatro escuteiros portugueses reunimo-nos com chefes do contingente português e chefes estrangeiros que iriam estar presentes no fórum. Falámos sobre diversos tópicos, debatemos sobre questões globais e nacionais e tentámos encontrar soluções para estas. Foi uma espécie de teste para nos avaliar na criatividade, capacidade de falar Inglês e conhecimento sobre a matéria em questão. Uns dias depois, vim a saber que tinha sido o escolhido para representar Portugal, juntamente com o Escoteiro Tiago Casinhas, representante da AEP. Trabalhei juntamente com o contingente português presente no Jamboree para me preparar para este grande desafio, um projecto pioneiro, visto que era a primeira vez que iria ocorrer tal evento. Embarcámos numa viagem até ao Parlamento da Região de Scania, onde fomos acolhidos pelo Comité da Organização Mundial de Escutismo, que tem um papel relevante nas Nações Unidas. Foram-nos apresentados diversos tópicos sobre as Alterações Climáticas, dos quais escolhíamos

um para analisar e encontrar soluções/ propostas sobre essas questões. Os 67 países presentes neste fórum dividiram-se em pequenos grupos de trabalho e pusemos mãos á obra. Depois de debatermos, discutirmos projectos inovadores, termos falado com especialistas ambientais e impresso o nosso trabalho final, fomos angariar assinaturas de vários países para o nosso trabalho ir a votação na sessão final da assembleia de delegados. Expusemos os nossos pontos de vista aos delegadosescuteiros dos outros países, assim como eles a nós, fazendo emendas nos projectos de outros grupos de trabalho, etc… Enfim, foi um dia cheio de política. Na sessão final, discursámos contra e a favor das propostas apresentadas, conscientes dos ideais escutistas e dos interesses nacionais. Realce para uma das nossas propostas, a de fazer com que os países diminuam as emissões de CO2 com prazos estipulados, que foi aprovada com grande adesão. Os projectos deste fórum vão ser debatidos no COP17, uma conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas que se irá realizar em Setembro deste ano. Neste dia, tivemos a oportunidade de mudar o mundo, de comunicar, de aprender e dialogar. Conseguimos aprender o funcionamento das Nações Unidas. Tivemos nas mãos a responsabilidade de mudar o futuro, algo inesquecível para adolescentes que somos. Penso que contribuímos para a grande missão que Baden-Powell nos deu: “Deixar o mundo um pouco melhor do que o encontrámos…” Obrigado ao Contingente Português do Jamboree, por esta incomparável experiência.” Francisco Rosa, Agrupamento 1198 – Sto. Agostinho, Região de Leiria

IST

Durante este Jamboree o contingente de Portugal procurou estar mais próximo dos nossos IST (International Staff Team), prestando apoio e dinamizando algumas actividades de convívio e intercâmbio, pois sem o trabalho deles e dedicação, a actividade não se poderia realizar.

“Em 2007 fui ao 21º WSJ como participante e no 22º Jamboree como IST (International Service Team). Destas duas experiências, o que retiro é muito díspar. Enquanto participante, o objectivo é usufruir; enquanto que, como IST, é permitir que outros usufruam. Ser IST, é algo gratificante, uma vez que tiramos do nosso tempo, não para receber, mas para dar. O serviço em que estive inserida no Jamboree implicava contacto com muitos participantes, uma vez que trabalhava no People (uma das actividades modulares), o que permitiu compreender e sentir a importância do trabalho que executávamos enquanto ISTs. Percebi que esta equipa, com quase 10 000 elementos, estava unida para que estes jovens tivessem uma actividade memorável, tal como eu tive em 2007. Percebi, ainda, que cada um tinha importância dentro da equipa, pois só o trabalho de cada um permitia que tudo funcionasse. Desde aqueles que limpam, aos que cozinham, orientam actividades ou transportam material, todos os IST’s fazem o Jamboree acontecer. Assim, quando me perguntam se vale a pena ser IST, a resposta é que vale, porque sentimos que contribuímos efectivamente para que

jovens vivam plenamente a actividade. Mas não só, pois ser IST implica fazer parte de uma equipa, que não conhecemos e com quem temos que trabalhar durante o acampamento. São irmãos escuteiros de inúmeras partes do mundo e com culturas distintas, mas é esta equipa que nos permite fazer um intercâmbio, não só cultural, mas também escutista. É com estes irmãos que partilhamos o dia-a-dia, o trabalho, as dificuldades, o cansaço e as actividades que como ISTs podemos fazer. São também estas actividades, algumas especialmente preparadas para os ISTs, que nos ajudam a viver o Jamboree, conhecer outras formas de escutismo, novas actividades e aproveitar esta experiência de equipa. De toda esta experiência, ficam amizades e um sentido de dever cumprido. Participar no 22º WSJ, foi uma experiência enriquecedora a vários níveis, e, como escuteira, fez-me olhar para esta actividade com outra perspectiva. E, por isso, até 2015, no 23º Jamboree Mundial, no Japão.” Mariana Sanches (Golfinho Afável), Agrupamento 1287 – Portela, Região de Lisboa

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Centenário do Escotismo português celebrou-se na Serra do Caramulo Texto de João Moreira*

Fotos de Manuel Joaquim

E, no final, o Jamboree é…

As actividades decorrem a toda a hora. Nos campos, as cozinhas funcionam, renovam-se construções, e os escuteiros circulam pelas avenidas. Os IST trabalham nos seus postos. O Jamboree está a funcionar. Mas o Jamboree vai muito mais além de tudo aquilo que o faz funcionar. O Jamboree vê-se estampado no rosto de quem descobre um novo amigo em alguém que vem do canto oposto do mundo e que tem uma religião diferente da sua, hábitos diferentes dos seus. Vê-se acontecer lentamente: no início é a timidez e a descoberta de outros diferentes de nós. Depois, vem a curiosidade, o conhecimento. A amizade, a confiança. O Jamboree é no último dia não se conseguir perceber quem é de que país. Os grupos andam misturados, os lenços, camisolas e objectos de identificação já não deixam adivinhar de que canto do mundo vem quem os usa. E é percorrendo o campo, vendo o Jamboree acontecer, notando os pequenos detalhes, que se percebe que as diferenças que nos caracterizam terminam nas barreiras culturais, religiosas, sociais que prontamente ultrapassamos quando percebemos que temos mais em comum do que aquilo que alguma vez imaginámos.

É esta a bagagem que trazemos para casa . É este o sonho que B.-P. criou.

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WA: espírito de União

O Jamboree Mundial continua em 2015, no Japão. Não percas! http://www.23wsj.jp * Email: joanamaria.osorio@gmail.com

No centenário da criação do primeiro Grupo de Escoteiros em território português, os Escoteiros de Portugal organizaram, de 1 a 7 de Agosto, na localidade de Arca, o Acampamento Nacional do Centenário - AcNac onde marcaram presença cerca de 1700 jovens, 300 dos quais estrangeiros. Escoteiros de Portugal, Espanha, Alemanha, Rússia, Islândia, Angola, GuinéBissau e Cabo Verde, juntaram-se no acampamento montado no sopé da Serra do Caramulo para viver uma experiência inesquecível e celebrar o Centenário do Escotismo Português. “Escotismo para todos” é o lema geral que orienta os Escoteiros de Portugal e que foi transversal a todo o encontro. Sendo 2011 o ano em que se celebra também o Ano Europeu do Voluntariado, no Acampamento foram organizadas várias actividades que incluíram, no dia 6 de Agosto, a Actividade Nacional de Voluntariado, onde os 1700 escoteiros, em parceria com a Autoridade Florestal Nacional, realizaram uma acção de controlo de vegetação infestante, limpeza de matos e caminhos florestais, mas onde não faltaram também muita aventura, animação, jogos, debates, desafios e muita diversão. O programa de seis dias organizado foi por quatro subtemas - Cidadania, Liderança, Cultura e Aventura – visando desenvolver nos jovens competências fundamentais para

a vida, através de actividades e experiências divertidas. Na cerimónia de abertura, para além do Escoteiro-Chefe Chefe Nacional, Nelson Raimundo, estiveram presentes a vereadora da Câmara Municipal de Oliveira de Frades, Elisa Oliveira, o adjunto do Secretário de Estado do Desporto e Juventude, André Pardal e ainda o Presidente do Conselho Nacional de Juventude e também ele escoteiro e membro da organização do AcNac, José Filipe Sousa. Para além das actividades em campo, durante os 6 dias de actividades, foi possível aos pais, amigos e outros escoteiros seguir a par e passo tudo o que foi acontecendo através da página oficial do ACNAC’11 no Facebook onde foram colocadas, para além de notícias, fotografias e filmes resumo de cada dia. Para trás ficaram 6 dias de grandes actividades e experiências que nunca vão esquecer. Seis dias que ficarão para sempre nas memórias de quem teve a oportunidade de fazer parte deste grande evento. Os Escoteiros de Portugal mostraram uma vez mais a sua força e capacidade de realização. Ao chegar a casa, levaram com eles historias e aventuras para partilhar. *Escoteiro-Chefe Nacional Adjunto para a Comunicação Marketing e Imagem. Flor de Lis Agosto/Setembro 2011 37


Flor de Lis (Ago-Set 2011)