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Da Pop Arte às Transvanguardas, Apropriações da Arte Popular From Pop Art to Transavantgardes, Folk Art Appropriations


bienaldedecerveira.pt


FICHA TÉCNICA credits

DIREÇÃO FUNDAÇÃO BIENAL DE ARTE DE CERVEIRA | BOARD OF DIRECTORS CERVEIRA ART BIENNIAL FOUNDATION JOÃO FERNANDO BRITO NOGUEIRA, NUNO JORGE COSTA CORREIA, SEBASTIÃO CAMILO DE OLIVEIRA RAMOS COORDENAÇÃO ARTÍSTICA | ARTISTIC COORDINATION CABRAL PINTO CONSULTORIA ARTÍSTICA | ARTISTIC ADVISOR HENRIQUE SILVA PRODUÇÃO EXECUTIVA | EXECUTIVE PRODUCTION NUNO CORREIA COORDENAÇÃO DO CATÁLOGO | CATALOGUE COORDINATION LÍDIA PORTELA TRADUÇÃO | TRANSLATION PAULO MARTINS COMISSÁRIOS | CURATORS ÁGATA RODRIGUES, ALFREDO VIEIRA, ANA MARIA PINTORA, ASSOCIAÇÃO PROJETONÚCLEO DE DESENVOLVIMENTO CULTURAL (AUGUSTO CANEDO, SEARA, SILVESTRE PESTANA), ELSA CÉSAR, FILIPA CÉSAR, FILIPE RODRIGUES, HELENA MENDES PEREIRA, HUMBERTO NELSON, JAIME SILVA, LUÍSA PRIOR, NUNO FARIA, PAULA PINTO, RAQUEL ROCHA COORDENADORES ATELIERS | WORKSHOPS COORDINATORS ALFONSO VICENTE REY | GRAVURA, ÁLVARO QUEIRÓS | ESCULTURA, ANA JESUS | PINTURA INFANTIL, HELENA FRAGA | ORIGAMI, HENRIQUE DO VALE | PINTURA, MARCO MOURÃO | ARTE DIGITAL, MARIA MELO | CERÂMICA, WILLIAM RAMIREZ | SERIGRAFIA, XELA MARX & FIONA BATTERSBY | ARTE CÉNICA SECRETARIADO EXECUTIVO | EXECUTIVE SECRETARIAL ANA MONTENEGRO, ANA VALE COSTA, ARSÉNIO BORGES, CALISTO DIAS, CARLOS BOUÇA, FRANCISCO ESMERIZ, GORETE ALMEIDA, PAULO MARTINS, SÍLVIA VIANA REPORTAGEM VÍDEO E FOTOGRAFIA | VIDEO AND PHOTOGRAPHIC REPORT FLÁVIO CRUZ, LUÍS LAGADOURO, MÁRIO PACHECO COMUNICAÇÃO | COMMUNICATION ANA VALE COSTA WEB DESIGN | WEB DESIGN MARCO MOURÃO MONTAGEM | ASSEMBLY CABRAL PINTO ASSISTENTES MONTAGEM | ASSEMBLY ASSISTANTS ARSÉNIO BORGES, BRUNO GONÇALVES, CALISTO DIAS, CÉLIO SILVA, HELENA ALVES, MARCO SILVA ESTAGIÁRIOS | TRAINEES ANA PEREIRA, BRUNO VALINHA, FERNANDO MOTA, TERESA CARDOSO, RITA PAREDES ASSESSORIA FINANCEIRA | FINANCIAL ASSISTANT CARLOS BOUÇA VISITAS GUIADAS | GUIDED VISITS CABRAL PINTO, DALILA D´ALTE RODRIGUES, ELSA CÉSAR E FILIPA CÉSAR, EURICO GONÇALVES, HELENA MENDES PEREIRA, HENRIQUE DO VALE, NUNO FARIA, PAULA PINTO SERVIÇO EDUCATIVO | EDUCATION SERVICE LÍDIA PORTELA DESIGN GRÁFICO | GRAPHIC DESIGN MARGARIDA AZEVEDO+JOÃO LEMOS_DESIGNERS ASSOCIADOS IMPRESSÃO | PRINTING EMPRESA DIÁRIO DO PORTO TIRAGEM | PRINTS 750 EXEMPLARES/COPIES DEPÓSITO LEGAL | LEGAL DEPOSIT 428662/17 ISBN 978-989-98515-2-8

A ADOÇÃO DO ACORDO ORTOGRÁFICO É DA RESPONSABILIDADE DOS AUTORES DOS TEXTOS


ÍNDICE summary


— 08 PRESIDENTE DA CÂMARA | MAYOR 10 DIRETOR ARTÍSTICO | ARTISTIC DIRECTOR 12 COMISSÃO DE HONRA | COMMITEE OF HONOUR 13 CONSELHO DE FUNDADORES DA FUNDAÇÃO BIENAL DE ARTE DE CERVEIRA | FOUNDER’S COUNCIL OF THE CERVEIRA BIENNIAL FOUNDATION 13 JÚRI DE SELEÇÃO | SELECTION PANEL 13 JÚRI DE PREMIAÇÃO | AWARD PANEL 13 PAÍSES REPRESENTADOS | REPRESENTED COUNTRIES — 14 HOMENAGEM PRINCIPAL A PAULA REGO [1935- ] | MAIN TRIBUTE PAULA REGO [1935- ] 16 PAULA REGO E A TRANSNARRATIVIDADE BIOGRÁFICA DA PINTURA \ COMISSÁRIA HELENA MENDES PEREIRA | PAULA REGO AND THE BIOGRAPHICAL STORYTELLING WAY ON PAINTING \ CURATOR HELENA MENDES PEREIRA — 30 HOMENAGEM IN MEMORIAM A JAIME AZINHEIRA [1944-2016] | TRIBUTE IN MEMORIAM JAIME AZINHEIRA [19442016] 32 COLONIZAÇÃO URBANA OU PAINEL DE CRÍTICA MODULAR INSTANTÂNEA \ COMISSÁRIAS ELSA CÉSAR E FILIPA CÉSAR | URBAN COLONIZATION OR INSTANT MODULAR CRITICAL PANEL \ CURATORS ELSA CÉSAR E FILIPA CÉSAR — 42 HOMENAGEM IN MEMORIAM A ERNESTO DE SOUSA [1921-1988] | TRIBUTE IN MEMORIAM ERNESTO DE SOUSA [1921-1988] 44 A MÃO DIREITA NÃO SABE O QUE A ESQUERDA ANDA A FAZER... \ COMISSÁRIA PAULA PINTO | THE RIGHT HAND DOES NOT KNOW WHAT THE LEFT HAND IS DOING... \ CURATOR PAULA PINTO — 54 PROJETOS CURATORIAIS | CURATORIAL PROJECTS 56 CELEBRAÇÃO DE JOSÉ RODRIGUES E RAQUEL ROCHA \ COMISSÁRIAS ÁGATA RODRIGUES & RAQUEL ROCHA | CELEBRATION OF JOSÉ RODRIGUES E RAQUEL ROCHA \ CURATORS ÁGATA RODRIGUES & RAQUEL ROCHA 58 80 ANOS 80 INTERPRETAÇÕES DE JOSÉ RODRIGUES HOMENAGEM AO MESTRE \ COMISSÁRIOS ÁGATA RODRIGUES, ALFREDO VIEIRA & LUÍSA PRIOR 80 YEARS 80 INTERPRETATIONS OF JOSÉ RODRIGUES TRIBUTE TO THE MASTER \ CURATORS ÁGATA RODRIGUES, ALFREDO VIEIRA & LUÍSA PRIOR 60 APROPRIAÇÃO, DESEJO E MEMÓRIA \ COMISSÁRIO JAIME SILVA | APPROPRIATION, DESIRE AND MEMORY \ CURATOR JAIME SILVA 64 A PÓS-PRODUÇÃO ARTÍSTICA [...] \ COMISSÁRIOS FILIPE RODRIGUES & HUMBERTO NELSON | THE ARTISTIC POST-PRODUCTION [...] \ CURATORS FILIPE RODRIGUES & HUMBERTO NELSON 68 LIVRO DE ARTISTA, COMO? QUANDO? ONDE? \ COMISSÁRIA ANA MARIA PINTORA | ARTIST BOOK, HOW? WHEN? WHERE? \ CURATOR ANA MARIA PINTORA 72 O FACTOR CAVALO, EMERGÊNCIAS E FULGURAÇÕES VERNACULARES NA PRÁTICA ARTÍSTICA CONTEMPORÂNEA \ COMISSÁRIO NUNO FARIA | THE HORSE FACTOR, VERNACULAR EMERGENCIES AND FULGURATIONS IN CONTEMPORARY ARTISTIC PRACTICE \ CURATOR NUNO FARIA 76 REPÚBLICA DAS ARTES \ COMISSÁRIO ASSOCIAÇÃO PROJECTO-NÚCLEO DE DESENVOLVIMENTO CULTURAL | ARTS REPUBLIC \ CURATOR ASSOCIAÇÃO PROJECTO-NÚCLEO DE DESENVOLVIMENTO CULTURAL — 80 CONCURSO INTERNACIONAL E ARTISTAS CONVIDADOS | INTERNATIONAL COMPETITION AND INVITED ARTISTS — 290 EXPOSIÇÕES ITINERANTES | TOURING EXHIBITIONS DIÁLOGOS NO ACERVO A COLEÇÃO EM ITINERÂNCIA | DIALOGUES IN THE COLLECTION THE TOURING COLLECTION 298 AQUARTE PROJETO INTERNACIONAL UMA MIRADA GALAICO-PORTUGUESA SOBRE O RIO MINHO 2017 | INTERNATIONAL PROJECT AQUARTE A GALICIAN-PORTUGUESE LOOK ON THE MINHO RIVER 2017 — 302 ESCOLAS DE ARTE | ART SCHOOLS CA_COLÉGIO DAS ARTES DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA | ESAD.CR_ESCOLA SUPERIOR DE ARTES E DESIGN DAS CALDAS DA RAINHA DO POLITÉCNICO DE LEIRIA | ESAD_ESCOLA SUPERIOR DE ARTES E DESIGN DE MATOSINHOS | ESAP_ESCOLA SUPERIOR ARTÍSTICA DO PORTO | ESE_ESCOLA SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO INSTITUTO POLITÉCNICO DE VIANA DO CASTELO | ESE_ESCOLA SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO POLITÉCNICO DO PORTO | ESG_ESCOLA SUPERIOR GALLAECIA | ESMAD_ESCOLA SUPERIOR DE MEDIA ARTES E DESIGN_POLITÉCNICO DO PORTO | ESMAE_ESCOLA SUPERIOR DE MÚSICA E ARTES DO ESPETÁCULO DO INSTITUTO POLITÉCNICO DO PORTO | FBAUP_FACULDADE DE BELAS-ARTES DA UNIVERSIDADE DO PORTO | IPT_INSTITUTO POLITÉCNICO DE TOMAR | UCP_ ESCOLA DAS ARTES DA UNIVERSIDADE CATÓLICA PORTUGUESA | UEVORA_ESCOLA DE ARTES DA UNIVERSIDADE DE ÉVORA CURSO DE ARTES VISUAIS MULTIMÉDIA | UM_UNIVERSIDADE DO MINHO


CREDIT©ANTÓNIO SÁ


PRESIDENTE DA CÂMARA mayor

Caras e caros visitantes,

Dear visitors,

Há sonhos e desafios do passado que são um orgulho e elevam a

There are dreams and challenges of the past that make us proud and raise

responsabilidade do presente para o futuro. A Bienal Internacional de Arte

the responsibility from the present towards the future.

de Cerveira é o exemplo concreto da conquista da utopia e do vingar da

The Cerveira International Art Biennial is a concrete example of the

ousadia, perseverança e trabalho visionário dos fundadores, transmitindo

conquest of utopia and daring, perseverance and visionary work from the

um honrado compromisso para a sua preservação e projeção, para além do

founders, conveying an honoured commitment to its preservation and

valioso legado artístico.

projection, in addition to the valuable artistic legacy.

A história só é digna desse nome se, ao mérito testemunhado, soubermos

History is only worthy of this name if, on witnessed merit, we know how

acrescentar mais-valia. As bienais evoluíram para acompanhar a

to add value. The biennials evolved to keep track of the fleetingness and

fugacidade e exigência dos tempos. E se é verdade que devemos manter

exigency of the times. And while it is true that we must keep the genesis

a génese da criação das bienais, também é verdade que, a partir da

of the biennial's creation, it is also true that, through traditional art, we

arte tradicional, queremos que sejam desenvolvidas novas e modernas

want to develop new and modern artistic expressions.

expressões artísticas.

We have many certainties, and one of them is the excellence of this 19th

Temos muitas certezas, e uma delas é a excelência desta 19.ª edição que,

edition that, among a diverse and quality schedule, sees another dream

entre uma programação diferenciada e de qualidade, vê mais um sonho

come true by integrating the VIII Biennial of Young Creators from the

concretizado ao integrar a VIII Bienal de Jovens Criadores da Comunidade

Community of Portuguese-Speaking Countries (CPLP), bringing about

dos Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP), trazendo cerca de 250

250 participants, 180 of whom are young artists. It is a great honour to

participantes, 180 dos quais jovens artistas. É uma grande honra alargar a

extend the oldest biennial of the country and Iberian Peninsula to the

bienal mais antiga do país e da Península Ibérica aos países da CPLP.

CPLP countries.

Interação, descentralização e internacionalização são os três conceitos

Interaction, decentralization and internationalization are the three

que devem ser permanentemente trabalhados e potenciados. O sonho e

concepts that must be permanently worked and enhanced. The dream

o desafio, intrínsecos aos 40 anos que a Bienal Internacional de Arte de

and challenge inherent to the 40 years that the Cerveira International Art

Cerveira assinala em 2018, é redefinir linhas futuras quer do certame em

Biennial accomplishes in 2018, is to redefine future lines of both the event

si, quer de todo o vasto trabalho da Fundação Bienal de Arte de Cerveira

itself and the entire work of the Cerveira Art Biennial Foundation over 365

ao longo de 365 dias.

days.

Falar da Bienal Internacional de Arte de Cerveira é perpetuar um passado

To speak of the Cerveira International Art Biennial is to perpetuate a

histórico e assumir um futuro promissor.

historical past and to assume a promising future.

João Fernando Brito Nogueira

João Fernando Brito Nogueira

Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira

The Mayor of Vila Nova de Cerveira


COORDENADOR ARTÍSTICO artistic coordinator Uma vez mais…

Once again…

a Bienal Internacional de Arte de Cerveira torna-se num espaço de criatividade que

the Cerveira International Art Biennial becomes an area of creativity that favours

privilegia a presença dos artistas em diálogo e no confronto de ideias, na partilha e

the presence of artists in dialogue and in the exchange of ideas, sharing and

no trabalho, onde em cada momento acontece uma atividade performativa, onde

work, where a performative activity happens all the time, where dance and music

a dança e a música ocorrem e a poesia surge do nada.

take place, and poetry comes out of nowhere.

Decorridos quase quatro décadas de existência continua a ser uma manifestação

After almost four decades of existence, it continues to be a successful artistic

artística de sucesso que cresceu, acima de tudo, devido ao trabalho

expression that has grown, above all, due to the work previously developed,

anteriormente desenvolvido e ao empenho persistente que no passado, um

the persistent commitment and dedication from a former artist collective,

coletivo de artistas, apoiado pela autarquia, lhe dedicou.

supported by the local authority.

A XIX Bienal Internacional de Arte de Cerveira pretende prosseguir a aposta no

The XIX Cerveira International Art Biennial is a bet on the renewal of dialogue,

modelo implementado em 1978, aquando da sua primeira edição, assente numa

which aims to be enriching, between artists and the public in general, between

estratégia de descentralização cultural e na dimensão internacional do evento,

artists and the people from Cerveira.

apresentando as mais recentes realizações artísticas e tendências estéticas.

In this edition’s programme we can highlight: the International Competition,

Do programa desta edição salienta-se: o Concurso Internacional, as

representations of Universities, Higher Education Schools and Polytechnics

representações das Universidades, Escolas Superiores e Politécnicos das áreas

from artistic fields, guest artists with national and international curatorships,

artísticas, os artistas convidados com curadorias nacionais e internacionais,

honoured artists, concerts, conferences, debates, ateliers and workshops.

artistas homenageados, concertos, conferências, debates, ateliers e workshops.

Since the first Cerveira International Art Biennial that the research themes

Desde a primeira Bienal Internacional de Arte de Cerveira que as temáticas de

presented allowed the debate of some problems regarding contemporary art or

investigação apresentadas permitiram debater alguns dos problemas da arte

postmodern art.

contemporânea ou arte pós-moderna.

Topics such as "Art, Nature, Environment," "Art, Science and Technology", "The

Temas como a “Arte, Natureza, Ambiente”, “Arte, Tecnologia e Ciência”, “O

Artist and Globalization: his/her role as Social Actor", "The connection between

Artista e a Globalização: o seu papel como Actor Social”, “A Relação da Arte

Art and Academy in the XXI Century - Creativity - Academism" were extensively

com a Academia no Século XXI-Criatividade-Academismo” foram amplamente

discussed in the 39 years of this event's history.

debatidos nestes 39 anos de percurso deste evento.

Today, with the rapprochement between popular knowledge and the University,

Hoje, com a aproximação entre o saber popular e a Universidade, é adequado

it is time to think about how to value scholarly research by taking advantage

pensar como valorizar a investigação dita erudita, aproveitando o conhecimento

of the information acquired through the ages and the ancestors experience in

adquirido através dos tempos pelas populações e a experiência dos antepassados

the various fields of sociology and philosophy beyond folk art. Thus, the theme

nos diversos campos da sociologia e da filosofia para além da dita arte popular.

"FROM POP ART TO TRANSAVANTGARDES - FOLK ART APPROPRIATIONS”

Assim, o tema “DA POP ARTE ÀS TRANS-VANGUARDAS - APROPRIAÇÕES DA

naturally emerges from the importance of the technological shock that we

ARTE POPULAR”, surge, naturalmente, pela importância que se reveste o choque

have been going through and that was only achieved by the accumulation of

tecnológico que temos vindo a atravessar e que só foi conseguido pelo acumular

knowledge throughout the centuries and the identity of our populations.

do saber através dos séculos e pela identidade das nossas populações.

The Cerveira International Art Biennial continues to honour artists of recognized

A Bienal Internacional de Arte de Cerveira continua a homenagear artistas de

merit who represent a significant contribution in the art scene at national and

reconhecido mérito que representam um marcante contributo no panorama

international level. It is in this context that the 19th Cerveira International Art

das artes a nível nacional e internacional e é neste contexto que na XIX Bienal

Biennial pays homage to the plastic artist Paula Rego, one of the most outstanding

Internacional de Arte de Cerveira se homenageia a artista plástica Paula

names in European art, which posesses a distinctive symbolic imagery. Paula Rego

Rego, um dos nomes de maior destaque na arte europeia, detentora de um

is represented in the most prestigious museums around the world.

imaginário simbólico distintivo. Paula Rego encontra-se representada nos mais conceituados museus do mundo.

Also in this edition Ernesto de Sousa is honoured, one of the greatest references in portuguese art, promoter of synergies between generations of artists from

Também nesta edição é homenageado Ernesto de Sousa, uma das maiores

the first and second half of the twentieth century and Jaime Azinheira, a sculptor

referências da arte em Portugal, promotor de sinergias entre gerações de

who had an intimate connection with the event and received the Sculpture

artistas da primeira e segunda metade do século XX e Jaime Azinheira escultor

Award at the IV Cerveira International Art Biennial (1984), with the artwork "A

que teve íntima ligação ao evento e foi-lhe atribuído o Prémio de Escultura na IV

Taberna"(The Tavern).

Bienal Internacional de Arte de Cerveira (1984), com a obra “A Taberna”.

The XIX Cerveira International Art Biennial a bet on the renewal of dialogue,

A XIX Bienal Internacional de Arte de Cerveira é uma aposta no reatar do diálogo,

which aims to be enriching, between artists and the public in general, between

que se deseja enriquecedor, entre os artistas e o público em geral, entre os

artists and the people from Cerveira.

artistas e os Cerveirenses.

The Biennial is there... to be experienced!

A Bienal está aí… para ser vivenciada! Cabral Pinto Cabral Pinto Coordenador Artístico da XIX Bienal Internacional de Arte de Cerveira

Artistic Coordinator of the XIX Cerveira International Art Biennial


COMISSÃO DE HONRA commitee of honour

PRESIDENTE DA REPÚBLICA PORTUGUESA | PRESIDENT OF THE REPUBLIC OF PORTUGAL MARCELO NUNO DUARTE REBELO DE SOUSA \ PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA | PRESIDENT OF THE ASSEMBLY OF THE REPUBLIC EDUARDO FERRO RODRIGUES \ PRIMEIRO-MINISTRO DE PORTUGAL | PRIME MINISTER OF PORTUGAL ANTÓNIO LUÍS SANTOS DA COSTA \ MINISTRO DA CULTURA | MINISTER OF CULTURE LUÍS FILIPE DE CASTRO MENDES \ SECRETÁRIA DE ESTADO DO TURISMO | SECRETARY OF STATE FOR TOURISM ANA MENDES GODINHO \ DIRETORAGERAL DAS ARTES | GENERAL DIRECTOR FOR THE ARTS PAULA VARANDA \ PRESIDENTE DA COMISSÃO DE COORDENAÇÃO E DESENVOLVIMENTO REGIONAL DO NORTE | PRESIDENT OF THE NORTH REGIONAL COORDINATION AND DEVELOPMENT COMMISSION FERNANDO FREIRE DE SOUSA \ PRESIDENTE DO TURISMO PORTO E NORTE DE PORTUGAL, E.R. | PRESIDENT OF PORTO & NORTH OF PORTUGAL TOURISM BOARD MELCHIOR MOREIRA \ PRESIDENTE DA COMUNIDADE INTERMUNICIPAL DO ALTO MINHO | PRESIDENT OF MINHO-LIMA INTERMUNICIPAL COMMUNITY JOSÉ MARIA COSTA \ PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE CAMINHA | MAYOR OF CAMINHA LUÍS MIGUEL DA SILVA MENDONÇA ALVES \ PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE PAREDES DE COURA | MAYOR OF PAREDES DE COURA VITOR PAULO GOMES PEREIRA \ PRESIDENTE DA JUNTA DA GALIZA | PRESIDENT OF THE AUTONOMOUS COMMUNITY OF GALICIA ALBERTO NUÑEZ FEIJÓO | PRESIDENTE DA DEPUTAÇÃO PROVINCIAL DE PONTEVEDRA | PRESIDENT OF THE PROVINCIAL DEPUTATION OF PONTEVEDRA MARÍA DEL CARMEN SILVA REGO \ PRESIDENTE DA DEPUTAÇÃO PROVINCIAL DE OURENSE | PRESIDENT OF THE PROVINCIAL DEPUTATION OF OURENSE JOSÉ MANUEL BALTAR BLANCO \ ALCALDE DE PONTEVEDRA | MAYOR OF PONTEVEDRA MIGUEL ANXO FERNÀNDEZ LORES \ALCALDE DE VIGO | MAYOR OF VIGO ABEL RAMÓN CABALLERO ÁLVAREZ \ ALCALDESA DE TOMIÑO | MAYOR OF TOMIÑO SANDRA GONZÁLEZ ÁLVAREZ \ REITOR DA UNIVERSIDADE DO MINHO | RECTOR OF THE UNIVERSITY OF MINHO ANTÓNIO M. CUNHA \ REITOR DA UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA | RECTOR OF THE NOVA UNIVERSITY OF LISBON ANTÓNIO MANUEL BENSABAT RENDAS \ REITOR DA UNIVERSIDADE DO PORTO | RECTOR OF THE UNIVERSITY OF PORTO SEBASTIÃO JOSÉ CABRAL FEYO DE AZEVEDO \ REITOR DA UNIVERSIDADE ABERTA | RECTOR OF THE UNIVERSIDADE ABERTA PAULO MARIA BASTOS DA SILVA DIAS \ REITOR DA UNIVERSIDADE DE VIGO | RECTOR OF THE UNIVERSITY OF VIGO SALUSTIANO MATO DE LA IGLESIA \ PRESIDENTE DO INSTITUTO POLITÉCNICO DE VIANA DO CASTELO | PRESIDENT OF THE POLYTECHNIC INSTITUTE OF VIANA DO CASTELO RUI ALBERTO MARTINS TEIXEIRA \ PRESIDENTE DO INSTITUTO POLITÉCNICO DO PORTO | PRESIDENT OF THE POLYTECHNIC INSTITUTE OF PORTO ROSÁRIO GAMBÔA \ PRESIDENTE DA DIREÇÃO DA ESCOLA SUPERIOR GALLAECIA | PRESIDENT OF THE BOARD OF DIRECTORS OF GALLAECIA HIGHER EDUCATION SCHOOL MARIANA CORREIA \ FACULDADE DE BELAS ARTES DA UNIVERSIDADE DO PORTO | FACULTY OF FINE ARTS OF THE UNIVERSITY OF PORTO JOSÉ CARLOS PAIVA \ FACULDADE DE BELAS ARTES DA UNIVERSIDADE DE LISBOA | FACULTY OF FINE ARTS OF THE UNIVERSITY OF LISBON VICTOR DOS REIS \ ESCOLA SUPERIOR ARTÍSTICA DO PORTO | HIGHER ARTISTIC SCHOOL OF PORTO EDUARDA NEVES \ ESCOLA SUPERIOR DE ARTES E DESIGN DAS CALDAS DA RAINHA | HIGHER SCHOOL OF ARTS AND DESIGN OF CALDAS DA RAINHA JOÃO PEDRO FAUSTINO DOS SANTOS \ ESCOLA SUPERIOR MÚSICA, ARTES E ESPETÁCULO ESMAE | HIGHER SCHOOL OF MUSIC, ARTS AND ENTERTAINMENT ESMAE ANTÓNIO AUGUSTO MARTINS DA ROCHA OLIVEIRA AGUIAR \ ESCOLA SUPERIOR DE ARTES E DESIGN DE MATOSINHOS | COLLEGE OF ART AND DESIGN MATOSINHOS JOSÉ ANTÓNIO DE OLIVEIRA SIMÕES \ ESCOLA SUPERIOR DE MEDIA ARTES E DESIGN ESMAD | HIGHER SCHOOL OF MEDIA ARTS AND DESIGN ESMAD OLÍVIA MARIA MARQUES DA SILVA \ PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DA FUNDAÇÃO DE SERRALVES | PRESIDENT OF SERRALVES FOUNDATION ANA PINHO MACEDO SILVA \ PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DA FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN | EXECUTIVE CHAIRMAN OF CALOUSTE GULBENKIAN FOUNDATION ARTUR SANTOS SILVA \ DIRETOR EXECUTIVO DA FUNDAÇÃO D. LUÍS I | EXECUTIVE DIRECTOR OF THE D. LUÍS I FOUNDATION SALVATO TELES DE MENEZES


CONSELHO DE FUNDADORES DA FUNDAÇÃO BIENAL DE ARTE DE CERVEIRA founder’s council of the cerveira art biennial foundation MUNICÍPIO DE VILA NOVA DE CERVEIRA | DST DOMINGOS DA SILVA TEIXEIRA | CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DO NOROESTE, CRL | UM UNIVERSIDADE DO MINHO | FUNDAÇÃO CONVENTO DA ORADA / ESCOLA SUPERIOR GALLAECIA | COOPETAPE COOPERATIVA DE ENSINO, CRL / ETAP | ASSOCIAÇÃO PROJETO NÚCLEO DE DESENVOLVIMENTO CULTURAL | HENRIQUE PEREIRA DA SILVA | JOSÉ JOAQUIM RODRIGUES | DANIEL ISIDORO UNIPESSOAL LDA

JÚRI DE SELEÇÃO selection panel CABRAL PINTO | HENRIQUE SILVA | ISABEL CABRAL | MARGARIDA LEÃO | RODRIGO CABRAL

JÚRI DE PREMIAÇÃO award panel AUGUSTO CANEDO | FÁTIMA LAMBERT | FERNANDO NOGUEIRA | HENRIQUE SILVA | SALVATO TELES DE MENEZES | KAKO CASTRO | LUIZ CAMILO OSÓRIO

PAÍSES REPRESENTADOS represented countries ALEMANHA | ANGOLA | ARGENTINA | AUSTRÁLIA | ÁUSTRIA | BÉLGICA | BRASIL | BULGÁRIA | CHINA | COLÓMBIA | ESPANHA | EUA | FINLÂNDIA | FRANÇA | HOLANDA | INGLATERRA | IRÃO | ITÁLIA | JAPÃO | MOÇAMBIQUE | MÓNACO | MONTENEGRO | NEPAL | PERU | POLÓNIA | PORTUGAL | REPÚBLICA CHECA | COREIA DO SUL | RÚSSIA | SUÉCIA | SUIÇA | TAILÂNDIA | TAIWAN | URUGUAI


PAULA AT WORK 2/CREDIT©NICK WILLING


– HOMENAGEM PRINCIPAL main tribute

– PAULA REGO [1935- ]


PAULA REGO E A TRANSNARRATIVIDADE BIOGRÁFICA DA PINTURA POR HELENA MENDES PEREIRA

PAULA REGO AND THE BIOGRAPHICAL STORYTELLING WAY ON PAINTING BY HELENA MENDES PEREIRA

A obra de aula é autobiográfica, mas é sobretudo assustadora. la é assustadora.

as por u

aula s work is autobiographical, but first and foremost it s scary.

á alguma coisa de in uietante no ue

She s scary. But why There is something disturbing about that

se distingue do normal, do admitido como tal. … Os uadros de

which stands out from what is normal, from that which is admitted

aula ego s o hist rias. … A arte de aula ego é duma ri ueza

as such. ...

psicol gica e traordinária. n uanto ue Cézanne era um prosador a uem a imagina

o estorva, aula tem uma garra ue nos dei a

hilst Cézanne

was a prosaist whose imagination hinders, aula has a fierceness

in uietos. As mulheres n o e primem dese o nem sofrimentos.

that leaves us uneasy.

T m momentos de repouso, como a uela ue está

anela com a

They have moments of rest, like the one who s at the window with

m o indolentemente cruzada no rosto, cu a e press o n o se v .

her hand indolently crossed on her face, whose e pression cannot

o é melancolia, é pura indiferen a. A mulher ue trabalha n o tem sentimentos f teis, tem pai

16 17

aula ego s paintings are stories. ... The art of aula

ego has an e traordinary psychological richness.

es, esplendores do cora

omen do not e press desire or su ering.

be seen. It is not melancholy, it is sheer indi erence. The woman

o e

who works has no futile feelings she has passions, splendours of

logo corre a brunir uma camisa ou a esfregar uma escada. … A vida

the heart and then suddenly she s ironing a shirt or scrubbing some

desta mulher, aula ego, é feita de sobressaltos ue ela acalma

stairs. ... The life of this woman, aula ego, is made up of olts

com um comportamento banal.

that she mitigates by trivial behaviour.

m uís n.

1

, com pinturas de aula ego n. , publica se As

e te to de Agustina Bessa

eninas , cu o remendo de e certos abre

estas páginas dedicadas e posi

o de homenagem ue a I Bienal

In

1

, with paintings by aula ego born

Bessa uís born

, As

eninas

and te t by Agustina

The irls was published, whose

patch of e cerpts opens these pages dedicated to the tribute that

Internacional de Arte de Cerveira organiza a um dos nomes maiores

the I Cerveira International Art Biennial pays to one of the biggest

da arte contempor nea internacional. Agustina é uma intelectual

names in contemporary international art. Agustina is an intellectual

umbilicalmente ligada bienal de arte mais antiga do país, liga á vem dos ncontros Internacionais de Arte nos o catálogo da primeira edi o há imagens mas a obra mostra, poderá dar nos indica

o, em

.

o ue

aula

iz

, ue havia obra sua e posta.

a etite otice , de

, patente nesta

es do caminho ue seguia a artista

umbilically linked to the country s oldest art biennial, a link deriving from the International Art atherings aula The first edition catalogue from

. And what about tells us that her work was

on display. There are no images, but the work

a etite otice , from

, shown in this display, might give us some indications of the path


C

IT CA

OS O BO

PAULA REGO T BA , acrĂ­lico sobre tela acrylic on canvas cm Col. useu Cole o Berardo The Berardo Collection useum


nesta altura. , em

, ap s um interregno ue uase ditou o fim da

iniciativa, a reprodu da III edi

o.

o da obra

atcher é capa do catálogo

uardi

o obstante a descri

o mais linear de posi

o, a mulher

taken by the artist at that time. ence, in the work

uardi

atcher is the cover of the catalogue of the th

de ue fala Agustina poderia ser esta ue, tomando a bacia da roupa

edition. otwithstanding the more linear description of the position,

acabada de estender como palan ue e por entre os vestígios do cuidado

the woman of whom Agustina speaks could be the one who, using the

das crian as ue a presen a do triciclo evidencia, olha, indiferentemente,

washbowl of the recently hung clothes as a platform and amongst the

o mundo lá fora, partindo da realidade uotidiana doméstica

vestiges of the care of the children that the presence of the tricycle

tradicionalmente, est o votadas as mulheres. m estreou o documentário por ick

ual,

, ano em ue

aula ego, ist rias e Segredos , realizado

illing, filho da pintora, e ue as e posi

es se reproduzem

por vários pontos da uropa, com a Bienal a caminho dos seus escolheu se também homenageá la. A sele trabalhos, produzidos entre

e

anos, uase

ue, nas palavras da artista, marca o seu percurso

umas vezes s o recortadas, outras n o , mas

continua a ser a mesma coisa. …

the daily domestic reality to which women are traditionally assigned. In

, the year when the documentary

Segredos

aula ego, ist rias e

aula ego, Stories and Secrets premiered directed by ick

illing, the painter s son

and her e hibitions are being reproduced in

various parts of urope, with the Biennial moving towards its

year

anniversary, it became settled that she was to be paid a tribute. The collection comprises a total of

O tema ue corre desde o início do trabalho é o mesmo. Assume formas diferentes

demonstrates, looks, indi erently, to the world outside, starting from

o contempla um total de , correspondendo

totalidade das fases da pintora e ue evidenciam uma coer ncia temática

works, produced between

and

, corresponding to almost all the phases of the painter and showing a thematic coherence that, in the words of the artist, marks her path

andar nas pessoas. Obedi ncia.

The theme running through since the beginning of the work is the

Subvers o. azer bem s pessoas más, fazer mal s pessoas

same one. It takes di erent forms sometimes they are cut out,

boas. oder. esigualdade entre se os. Os homens mandam nas

sometimes they are not , but it s still the same thing. ... Bossing

mulheres em geral. As mulheres s vezes mandam, mas é de outra

people around. Obedience. Subversion. o good to bad people,

maneira. A rela

do harm to good people. ower. ender ine uality.

o entre os se os.

isso.

o é preciso mais. S o

tudo coisas caseiras. Tudo se passa no espa o doméstico. A viagem come a em

com

women in general.

2

Castigos

ou C es de Barcelona

parte da sele

o de nove ue a pintora leva

integrando a representa altera

home. verything happens in the domestic environment.

, ue poder o ter feito

The ourney begins in

Bienal de S o aulo,

with other emblematic ones such as O uarto dos Castigos

o de ortugal, e ue correspondem a uma

unishment oom

o significativa ue o seu trabalho sofre, em finais dos anos

tendo como charneira o ano de

en rule over

omen sometimes rule, but it s di erent. The

relationship between the se es. That s it. It s enough. It s all about

en o dos Amores , obra

correlacionada com outras emblemáticas como O uarto dos

, com a ado

o da tinta acrílica em

with

2

en o dos Amores , a work correlated

or C es de Barcelona

The

The ogs of Barcelona

which may have been part of the collection of nine paintings that the painter took to the

th S o aulo Biennial, integrating the

vez da tinta a leo. or um lado, as cores brilhantes do acrílico estavam

representation of ortugal, and corresponding to a significant alteration

mais de acordo com o espírito da época, por outro, aula ego sente se

that her work underwent in the late

atraída pela maior espontaneidade ue o acrílico permite. A sua pintura

pivotal point , with the adoption of acrylic paint instead of oil paint. On

ad uire, ent o, uma paleta mais viva e as superfícies s o mais planas e

the one hand, the bright colours of the acrylic were more in keeping with

menos tortuosas, com as formas a mergulharem no suporte. Contudo,

the spirit of the time on the other, aula ego is attracted to the greater

mantém da fase anterior o recurso colagem, como princípio da

spontaneity that the acrylic allows. er painting then ac uires a livelier

mutila

palette and the surfaces are atter and less tortuous, with the forms

o e da viol ncia intrínsecas ao seu processo de cria

o. iguras

sem cabe a, bra os e m os, combinadas com figurinhas e dorsos ue prov m do universo da cultura de massas e da banda desenhada, mant m um caráter angustiante ue adensa a narratividade. m

, aula ego á havia e perimentado a dor e a perda sob diversas

afastando se dos temas políticos do início da década de ue obras posteriores como O

uro da role

ou mesmo a Série Aborto Ao longo dos anos encontrando inspira O ríncipe Azul

, ainda

, A uerra

tenham essa dimens o ativista.

, aula ego trabalhará com acrílico e colagem o nos contos tradicionais portugueses e ingleses. será e emplo dessa pes uisa.

também em

ue a artista come a a fazer psicoterapia unguiana, ap s ter sofrido uma grave depress o. m ictor

, aula ego e a família o marido,

illing e os filhos Caroline, ictoria e icholas passam a viver,

definitivamente, em ondres, como conse u ncia dos graves problemas financeiros ue atravessam no período p s revolucionário e ue culminam com a fal ncia da empresa familiar ue o marido geria desde a morte do pai da pintora, em

. Aliás, o ano de

descoberta da esclerose m ltipla de ictor aula ego nasce em isboa, a

illing

de aneiro de

s with

featuring as a

dipping into the support. owever, she keeps the use of collage from the previous phase, following the principle of mutilation and violence which are intrinsic to her creative process. igures without their heads, arms

formas e a sua pintura fará uma imers o no universo das hist rias,

-

, after a lengthy break

that almost dictated the end of the initiative, the reproduction of

é ainda o da . , e é filha

nica de uma família da classe média, ue comungava dos valores

and hands, combined with figures and bodies that originate from the universe of mass culture and comics, maintain a distressing nature that adds to the narrativity. In

, aula ego had already e perienced pain and loss in various

forms and her painting would later immerse itself in the universe of stories, moving away from the political themes of the early though later works such as O A uerra

The

ar

uro da role

The

s,

all of role

,

or even the Série Aborto Abortion Series

have this activist dimension. Throughout the

s, aula ego would work with acrylic and collage

finding inspiration in the traditional ortuguese and nglish tales. O ríncipe Azul

The Blue rince

this research. It is also in

would be an e ample of

that the artist begins to do Jungian

psychotherapy, after su ering from a serious depression. In ego and her family her husband, ictor

, aula

illing, and their children

Caroline, ictoria and icholas move permanently to ondon, due to the serious financial problems they faced in the post revolutionary period, culminating in the bankruptcy of the family business that her


C

IT CA

OS O BO

PAULA REGO O OS A O S, colagem, t mpera e tinta collage, temper and acrylic acrílica sobre tela paint on canvas . . cm Cole o illennium BC illennium BC Collection

republicanos. O pai, de raízes portuguesas e brit nicas, irá desenvolver

husband had managed since the death of the painter s father in

atividade profissional na área da engenharia eletrotécnica e a m e,

Incidentally, in

com liga

was su ering from multiple sclerosis.

es

cultura francesa, fre uenta a scola de Belas Artes de

isboa e é uem primeiro incentiva a filha a desenhar e a pintar. m ortugal, aula come ou por ter aulas particulares e, entre

,

estuda na St. Julian s School, em Carcavelos. Os pais tinham resid ncia no storil e a av , com uem passará parte da sua primeira inf ncia, uma uinta na riceira, marca memorial e cenográfica da obra de aula ego. m

, o pai incentiva a a prosseguir estudos na área artística

em ondres e, entre outubro de

e ulho de

, fre uentará o

curso de pintura da Slade School of ine Art. Será nos tempos da Slade ue irá conhecer o seu futuro marido,

época casado, e engravidar da

sua primeira filha, Caroline. Contudo, antes desta gravidez, e istiram

it was discovered that ictor

aula ego was born in isbon on January

th

.

illing

as the only daughter

of a middle class family that cherished republican values. er father, of ortuguese and British descent, would later develop professional activity in the field of electrotechnical engineering and her mother, with links to rench culture, attended the School of ine Arts in isbon and was the first to encourage her daughter to draw and paint. In ortugal, aula started o by taking private lessons and, between

, she

studied at St. Julian s School in Carcavelos. er parents had a house in storil and her grandmother, with whom she was to spend part of her


outras, como e istiu a e peri ncia do aborto, em condi

es de grande

of the work of aula ego. In

tenha mantido um ativismo político sobre o tema.

Art Studies in ondon and, from October

observa

o de modelo, insistia na ideia de ue era necessário pintar a

realidade. A rigidez da escola era diametralmente oposta ao ambiente fervilhante e cosmopolita da capital brit nica, onde proliferaram, nas décadas de

e

, as e press es artísticas de tend ncia figurativa

e neorrealista, como rea

o arte abstrata pré II uerra

undial.

entro das tend ncias do neofigurativo, contempor neas do arran ue e cu a pintura se en uadra entre

, she was to

during these times at Slade that she was to meet her future husband, who at the time was already married, and became pregnant with her first daughter, Caroline. owever, prior to this pregnancy, there were others, as there was the e perience of abortion, in conditions of great risk to her health and life, which would instigate aula ego to remain politically active in this regard.

observation of a model, stressed the importance of painting reality.

o surreal, o e pressionismo e o realismo também o rupo COB A,

The rigidity of the school was diametrically opposed to the bustling

ligado figura

and cosmopolitan environment of the British capital, where artistic

o grotesca e primitiva e in uenciado pela arte popular

e pressions of figurative and neo realism proliferated in the

n rdica, pelo e pressionismo e pelo surrealismo, atua, sobretudo, entre

e

, fazendo escola ainda, rancis Bacon

,

and

s, as a reaction to the pre

orld

ar II abstract art.

s ithin

brit nico, cu o figurativo nos remete para um universo de elogio ao feio

the neo figurative tendencies, contemporaneous with the beginning

e ao provocat rio. Bacon sente se atraído pelo terror, pelo isolamento e

of aula ego s career, we cannot ignore ucian reud

pela ang stia e uma visita a ual uer e posi

who was naturalised British in

o retrospetiva sua é uma

e peri ncia opressiva. 3 A prop sito, está patente no de

álaga, de

de abril a

de setembro de

useu icasso

, uma e posi

o

,

and whose painting falls between

surrealism, e pressionism and realism the COB A roup, linked to grotes ue and primitive figuration and in uenced by ordic popular art,

intitulada Bacon, reud y la scuela de ondres , onde se incluem

e pressionism and surrealism, also performed, mainly, between

obras de aula ego e se re ete sobre a designada ova igura

and

décadas de

o das

, tendo como palco ondres e como protagonistas

um con unto de artistas com liga

es de amizade entre si e ue e ploram

a apar ncia e a fragilidade do corpo, a partir da consagra

o da figura

e da paisagem uotidiana, reinventado o modo de representar a vida e dotando a pintura de uma inusitada intensidade. ste é, na verdade, um conte to de forma

o da pintora ue interessa compreender, até por ue

a en uadra numa ist ria da Arte internacional e a distancia, de certa

I

to July

The environment in Slade was rigid, and teaching, especially from the

da carreira de aula ego, n o podemos ignorar ucian reud , naturalizado brit nico em

, her father encouraged her to pursue

attend a painting course at the Slade School of ine Art. It would be

O ambiente na Slade era rígido e o ensino, sobretudo a partir da

— PAULA REGO AT T TO O T

early childhood, lived in a farm in riceira, a memorial and scenic mark

risco para a sa de e vida da mulher e ue far o com ue aula ego

, making a name for itself and rancis Bacon

,

British, whose figurative refers us to a universe which paid tribute to the ugly and provocative. Bacon feels attracted by terror, isolation and

anguish, and a visit to any retrospective e hibition of his is an oppressive e perience. 3 Incidentally, an e hibition is on display at the icasso useum in

alaga from April

th to September

Bacon, reud y la scuela de ondres

th

, entitled

Bacon, reud and the School of

ondon which includes works by aula ego and is re ected on the so

,

água forte colorida m o e água tinta hand coloured etching and water ink . cm imagem mancha . cm papel série A Cruzada das Crian as Child Crusade series prova de artista artist prove Col. C mara unicipal de Cascais, unda o . uís I, Casa das ist rias aula ego

C

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OS O BO

-


forma, da produ

d o, de facto, alguns bons frutos em de composi

called ova igura

o portuguesa, tornando a num caso sem paralelo ou

possibilidade de c pia entre os seus conterr neos.

os tempos da Slade

recebe o primeiro prémio

ilk

o coletiva, em

reinventing the way of representing life and endowing the painting with

, no sal o anual

an unusual intensity. This is, in fact, a conte t of development for the

dos oung Contemporaries, em ondres, tendo uma crítica da autoria de

painter that is interesting to understand, especially because it fit her into

, publicada no ornal The istener.

avid Sylvester

an international istory of Art conte t and moved her away, to a certain e tent, from ortuguese production, making her into an unparalleled

Apoiada pelo pai, aula ego, irá regressar ao ortugal do stado ovo

case amongst her countrymen. The Slade times did indeed produce good

e a um conte to in spito em ue uma menina n o poderia engravidar, muito menos sendo solteira e tendo mantido rela casado. ntre

results in

es com um homem

, she received the first annual award of the school for her

work based on the ylan Thomas radio piece Under

, aula e ictor passam a viver na riceira, numa

uinta de família. ictor divorcia se da primeira mulher em

s, which has

of the body, from the consecration of the figure and the daily landscape,

ood . Será com esta mesma obra ue

participará na sua primeira e posi

s

friendship to each other and who e plore the appearance and fragility

o anual da escola, ue tem como tema a pe a radiof nica

de ylan Thomas Under

o from the decades of the

ondon as the stage and as protagonists a group of artists bonded by

ilk

ood . It is with

this same work that she will participate in her first collective e hibition in

. Os

at the annual oung Contemporaries e hibition in ondon, having

dois ir o montar atelier na adega, um de cada lado, sendo evidente a

, published in The istener.

had a review by avid Sylvester

resili ncia de aula ue trabalha as suas obras, de técnica mista com colagem, no ch o ou sobre uma mesa, o ue a liberta da rigidez formal

Supported by her father, aula ego would return to ortugal still under

do cavalete em ue havia consistido a sua forma

the stado ovo regime, an inhospitable conte t in which a girl could

o em ondres. m

, numa viagem a ondres, a portuguesa irá descobrir a pintura de Jean ubu et Bruta. m

not get pregnant, let alone be single and have relations with a married

, considerado o primeiro te rico da Arte

e p e no ondon roup e é em

man. In

aula and ictor moved to riceira, to a family farm. ictor

divorced from his first wife in

ue apresenta pela

. The two set up a studio in the cellar,

primeira vez, coletivamente, as suas pinturas e desenhos em ortugal

one on each side, clearly showing the resilience of aula who produced

na II

her works deploying a mi ed techni ue with collage, on the oor or on

posi

em isboa.

o de Artes lásticas da unda época, ui

grande e nica revela

o Calouste ulbenkian,

ário on alves

o da e posi

o.

4

a table, which eventually freed her from the formal rigidity of the easel

considerou a a

which had been part of her formal training in ondon. In

o ano seguinte é lhe atribuída

uma bolsa de estudos, por esta mesma institui

ubu et

promover o seu trabalho no meio artístico londrino. assa a viver entre ortugal e Inglaterra até se fi ar, definitivamente, na ilha, em ano em ue a unda

movement. In

,

o Calouste ulbenkian lhe atribuirá uma segunda

bolsa com o ob etivo de aprofundar a sua investiga populares. A sua primeira e posi

, on a trip

to ondon, the ortuguese painter was to discover the painting of Jean

o, com o ob etivo de

, considered the first theorist of the Outsider Art , she e hibited at the ondon roup and

saw

her present for the first time, collectively, her paintings and drawings in

o sobre os contos

ortugal at the nd

o individual havia se realizado em

hibition of ine Arts of the Calouste ulbenkian

oundation in isbon. At the time, ui

ário on alves

IT CA C

OS O BO

IT CA C

OS O BO

— PAULA REGO CSTAS , água forte colorida m o e água tinta hand coloured etching and water ink . cm imagem mancha cm papel série A Cruzada das Crian as Child Crusade series Col. C mara unicipal de Cascais, unda o . uís I, Casa das ist rias aula ego — PAULA REGO CUTIO , água forte colorida m o e água tinta hand coloured etching and water ink . cm imagem mancha , , cm papel série A Cruzada das Crian as Child Crusade series prova de artista artist prove Col. C mara unicipal de Cascais, unda o . uís I, Casa das ist rias aula ego


C

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— PAULA REGO I O A T I , água forte colorida m o e água tinta hand coloured etching and water ink . . cm imagem mancha . . cm papel série Segundo ogarth ike ogarth series Col. C mara unicipal de Cascais, unda o . uís I, Casa das ist rias aula ego — PAULA REGO S T TU O , água forte etching . . cm imagem mancha . cm papel série Aborto Abortion series prova de artista artist prove Col. C mara unicipal de Cascais, unda o . uís I, Casa das ist rias aula ego

, na aleria de Arte

oderna da Sociedade acional e, apenas em

, terá lugar a sua primeira e posi AI

considered her the great and uni ue revelation of the e hibition.

o individual em ondres, na

a série do

with the aim of promoting her work in the ondon art scene. She started

a sua pintura entrará, com

to split her time between ortugal and ngland until finally settling on

acaco ermelho, numa nova fase, inspirada pelo universo

the island in

when the Calouste ulbenkian oundation awarded

her a second scholarship so she could further her research into folktales.

pict rico e pelas figurinhas animais do teatro de inf ncia do marido.

er first solo e hibition was held in

aula ego desenvolveu, ent o, uma forma de trabalhar ue retinha

at the allery of

odern Art of

alguma da espontaneidade e anar uia visual das suas melhores colagens,

the ational ortuguese Society, and it is only in

em formas ue eram rapidamente desenhadas em acrílico sobre papel,

first solo e hibition held in ondon at the AI

de linhas fortes e grandes áreas de cor saturada. As composi

the riceira farm and the e acerbation of her family s financial problems.

es s o

narrativas e os protagonistas s o seres humanos levemente disfar ados

In

that she has her

allery, after the sale of

her painting was to enter a new phase, with the series of the

acaco ermelho

de animais, utilizando aula ego os animais n o em conson ncia com

ed

onkey , inspired by the pictorial universe and

algum sistema simb lico bvio, mas sim como as crian as o fazem nas

the animal figurines of her husband s childhood theatre. aula ego then

suas viagens imaginativas, uando é perfeitamente natural um animal

developed a way of working that retained some of the spontaneity and

fofinho comportar se como uma pessoa em vez de como um urso.

visual anarchy of her best collages, in shapes that were uickly drawn in

5

acrylic on paper, with strong lines and large areas of saturated colour.

m ila ova de Cerveira, os p blicos encontram seis obras desta época e

The compositions are narratives and the protagonists are human

, variando entre o acrílico, a tinta da china e a aguarela

beings slightly disguised as animals, with aula ego using animals not in

sobre papel, em ue se evidenciam as hist rias de uma estenografia

keeping with some obvious symbolic system, but rather as children do in

narrativa e emocional e um certo imediatismo ao mapear o mundo

their imaginative ourneys, when it is perfectly natural for a cuddly animal

animal, invariavelmente ligado ao mecanismo do desenho. sta série produtiva faz com ue aula ego tenha sucesso em ondres e, em

,

é novamente convidada para e por na Bienal de S o aulo mas, desta -

She

was awarded a scholarship the following year by that same institution,

allery, á ap s a venda da uinta da riceira e com o adensar dos

problemas financeiros da família. m

4

vez, como representante oficial da r Bretanha. m de ictor e posi

illing , a unda

o Calouste ulbenkian organizar lhe á uma

o retrospetiva e, nesta se u ncia, surge o convite da Serpentine

allery para a primeira grande e posi apresentará obras da nova Série A de

ano da morte

o individual em ondres. A ui

enina e o C o, desenvolvida a partir

, e ue conta a hist ria de uma menina com o seu c o. Seguindo

a linha iniciada em

, uer o aspeto da menina, uer do c o, mudam

de obra para obra, marcando essas mudan as altera

es na rela

o dos

dois personagens. As obras s o sobretudo sobre a menina, funcionando

to behave as a person rather than as a bear.

5

In ila ova de Cerveira the public can find si works from this period and

, ranging from acrylic, India ink and watercolour on

paper, in which the stories of a narrative and emotional stenography and a certain immediacy when mapping the animal world are evidenced, invariably linked to the mechanism of drawing. This production series led to aula ego s success in ondon and in

she was once again

invited to go on display at the S o aulo Biennial, but this time as an o cial representative of reat Britain. In

the year of ictor

illing s death , the Calouste ulbenkian oundation was to organise a retrospective e hibition, followed by the invitation of the Serpentine


OS O BO IT CA C

o c o como animal de estima

o e adere o, capaz de assumir os papéis

allery to her first large individual e hibition in ondon. ere she was to

de bebé e amante, numa comple a ambiguidade relacional em ue há

present works from the new Série A

amor e c lera, dese o e frustra

Series , developed from

o. sta série de obras marcará também

uma mudan a na pintura de aula ego e numa forma particular

enina e o C o The irl and the og

, which tell the story of a girl with her dog.

ollowing the line begun in

, both the girl s and the dog s appearance

de recorrer, pictoricamente, aos animais. A carga narrativa passa a

change from work to work, with such changes altering the relationship of

incidir nas rela

the two characters.

es humanas, mantendo se a artista fiel s meninas,

conte tualizadas em composi

es cada vez mais comple as, aparecendo

como filhas, amantes, esposas, m es e av s, na dimens o do mundo

a prop, capable of assuming the roles of both baby and lover, in a

obsceno e distorcido dos adultos e da sociedade vigente, plena de hipocrisias e de micro poderes domésticos, promotores da desigualdade de género. as obras Sem título de

e

, de técnica mista sobre

papel, e em A Crian a Tran uila , Alegria, Inspira

o e speran a , O

rama da Crian a Talentosa e Obedi ncia Autoridade , presentes na mostra, vemos evid ncias dessa mudan a compositiva. A perda de ictor

illing em

The works are mainly about the girl, with the dog acting as a pet and comple relational ambiguity in which there is love and anger, desire and frustration. This series of works also marked a change in the painting of aula ego and in a particular way of pictorially resorting to the animals. The narrative charge was now focused on human relations, with the artist staying faithful to the girls, conte tualised in increasingly comple compositions, appearing as daughters, lovers,

, seu companheiro e principal

wives, mothers and grandmothers, in the dimension of the obscene

impulsionador intelectual e criativo, ainda ue represente para a pintora

and distorted world of adults and of modern society, rife in hypocrisy

um momento de enorme inseguran a interior, corresponde, em termos

and domestic micro powers, promoters of gender ine uality.

biográficos, ao início de um reconhecimento p blico e a uma valoriza

see evidence of this compositional change in the Untitled works of

o

comercial ímpar das suas obras. Alguns críticos arriscam mesmo afirmar ue é, a partir desta data, ue aula ego irá produzir algumas das suas melhores obras.

emplos s o A amília

e A an a

ad uiridos pela Tate allery e o facto de ter sido convidada, em

, ,

para se tornar na primeira Artista Associada da ational allery. o seguimento deste desafio, irá pintar O ardim Crivelli para o restaurante da ational allery. m n.

, deploying mi ed techni ue on paper, and in A Crian a

The eaceful Child , Alegria, Inspira

o e speran a

Inspiration and ope , O rama da Crian a Talentosa of the Talented Child and Obedi ncia Autoridade

Joy,

The rama Obedience to

Authority , on show at this e hibition. Although the loss of ictor

illing in

, her companion and chief

intellectual and creative driving force represented a time of great interior

iniciou uma parceria com o artista e gravador aul Coldwell , com uem tem colaborado na e ecu

and Tran uila

e can

o de vários con untos de

insecurity for the painter, in biographical terms it marked the beginning of public recognition and a uni ue commercial upgrading of her works. Some

gravuras, fazendo as uer como complemento uer como escape em

critics even say that it is from this period that aula ego would produce

rela

some of her finest works.

o ao ue uer ue este a a pintar. A artista considera o processo

altamente recompensador e tem uma facilidade inata para a gravura, técnica com a ual teve o primeiro contato na Slade. A água forte é o

and A an a

amples include A amília

The ance

the fact that she was invited in

The amily

, ac uired by the Tate allery, and to become the first Associate Artist


OS O BO IT CA C

— PAULA REGO STU O TI AST A S T, tinta da china sobre papel ink on paper . Col. C mara unicipal de Cascais, unda o . uís I, Casa das ist rias aula ego — PAULA REGO S T TU O, tinta da china e aguarela sobre papel ink and watercolour on paper cm Col. C mara unicipal de Cascais, unda o . uís I, Casa das ist rias aula ego

método de grava

o com o ual sente mais afinidade. or outro lado,

as gravuras permitem facilitar a circula

o das suas obras, muitas

vezes com mensagens políticas e cívicas importantes, como foi o caso da Série Aborto. ntre

e

trabalhou na Série A Cruzada das

Crian as, a partir da obra hom nima do franc s

arcel Schwob

, publicada em

, e ue lhe foi dada a conhecer pelo poeta

orrison n.

, com uem partilhou, intensamente, ideias e

Blake

refer ncias. A narrativa d A Cruzada das Crian as apresenta um con unto de factos, misturados com algumas fantasias, ue ter o ocorrido no ano de

. essa combina

o resultaram vários relatos ue t m em comum

a hist ria de um rapaz ue conduz um grupo de crian as e ovens, de origem germ nica e menores de idade, numa marcha para o sul da Itália com o ob etivo de libertar Jerusalém, a Terra Santa. A hist ria culmina com a morte das crian as ou com a sua venda para a escravatura. As gravuras pontuam a sua obra e, nesta mostra, podemos ainda ver

-

Segundo ogarth I partir da obra de

ue acompanha o ciclo narrativo a

illiam ogarth

conveni ncia do eino Unido do século

sobre os casamentos de III, cu o paralelismo aula ego

of the ational allery. ollowing this challenge, she was to paint O

The Crivelli garden for the ational allery s restaurant.

ardim Crivelli In

, she began a partnership with the artist and engraver aul

Coldwell born

, with whom she has worked on several sets of

engravings, making them either as a complement or escape from whatever she might be painting. The artist considers the process as highly rewarding and has an innate ability for engraving, techni ue which she first came into contact with at Slade. tching is the recording method with which she feels more a nity. On the other hand, the engravings facilitated the circulation of her works, often with important political and civic messages, as was the case of the Abortion Series. Between

and

she worked on the Série A Cruzada das Crian as

The Children s Crusade Series , from the homonymous work by the renchman

arcel Schwob

, published in

which she became ac uainted by the poet Blake

, and with

orrison born

,

with whom she intensely shared ideas and references. The narrative of The Children s Crusade presents a set of facts, mi ed with some fantasies that are supposed to have occurred in the year

. rom

faz com o seu país de origem, atualizando o conto numa advert ncia

that combination, there have been several reports that have in common

e plora

the story of a boy who leads a group of children and young people of

o contempor nea das manobras e estratégias da vida familiar,

das atitudes culturais em rela

o s mulheres na sociedade e da luta

erman origin and minors on a march to southern Italy with the aim of

entre se os para controlo social, político e ambiental. a imagem, de

liberating Jerusalem, the oly and. The story culminates in the death

composi

of children or their sale for slavery. The engravings punctuate her work,

o semelhante de uma pietá, a mulher carrega o marido

doente, ue sempre suportou mas ue nunca amou, cumprindo a sua

and at this e hibition we can still see Segundo ogarth I

According


C

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obriga

o, aguentando, resistindo e encai ando se nas conven

es

which accompanies the narrative cycle from the

work of

ouvidos moucos.

of an eighteenth century United ingdom whose parallels aula ego

A distin

o por parte da ational allery significava ue teria direito,

durante um ano, a um atelier no edifício mas, em troca, teria ue produzir obras diretamente relacionadas com a cole

o da galeria.

aula ego fora sempre visitante habitual da institui perfeitamente, a cole

o.

o e conhecia,

o obstante, a sua primeira rea

o foi

de blo ueio. O fator de desblo ueio foram as á habituais hist rias e, concretamente, as da enda ourada ou egenda urea , uma colet nea de narrativas hagiográficas, reunidas por volta de

pelo

dominicano e futuro bispo de énova, Jacopo de arazze, tornando se numa das mais famosas obras da Idade

édia. ntre outras coisas,

illiam ogarth

on the marriages of convenience

draws with her country of origin, updating the story in a warning to the contemporary e ploitation of the manoeuvres and strategies of family life, of the cultural attitudes towards women in society and the struggle between the se es for social, political and environmental control. In the image, similar in composition to that of a piet , the woman carries the sick husband, who she always put up with but never loved, fulfilling her obligation, holding, resisting and fitting into the relational social conventions of a society rife in male chauvinism disguised for those who simply do not want to see it. The distinction by the ational allery meant that she would be

facultou pintora uma perspetiva diferente da vida dos santos o ue

entitled to a studio in the building for a year but, in return, she would

lhe permitiu criar liga

have to produce works directly related to the gallery collection. aula

es cole

o da galeria. sta leitura in uenciará,

inclusive, O ciclo da vida da irgem

aria , um con unto de painéis

ego had always been a regular visitor to the institution and knew the

encomendados pela resid ncia da ep blica para a capela do alácio

collection inside out. evertheless, her initial reaction was an artist s

de Belém. A abordagem de aula ego ao tema clássico crist o

block. The usual stories proved to be the unblocking factor and, to be

concentra se na capacidade de atribuir humanidade s mulheres,

precise, those of the enda ourada or egenda urea

dotando as santas de caraterísticas reais, dessacralizando as.

a collection of hagiographic narratives, gathered around

O ponto culminantes deste ciclo de pinturas para a ational allery é, contudo, o vasto e estranhamente complicado O Celeiro de

The Barn ,

, patente nesta mostra. Um uadro fervilhante de pormenores

opressivos, ine plicavelmente sinistros, ue relata o conto , da escritora Joyce Carol Oates n.

aunted

.

olden egend , by the

ominican and future bishop of enoa, Jacopo de arazze, becoming one of the most famous works of the

iddle Ages. Among other things,

it gave the painter a di erent perspective on the life of the saints, which allowed her to create connections with the gallery collection. This reading will also in uence O ciclo da vida da irgem

life cycle of the irgin

The

aria

ary , a set of panels commissioned by the

A hist ria, contada na primeira pessoa, diz respeito s mem rias

ortuguese residency of the epublic for the chapel of the Belém

de inf ncia de uma adolescente chamada

alace. aula ego s approach to the classic Christian theme focuses on

factos e fantasia, as recorda

elissa.

isturando

es giram volta de uma velha uinta

abandonada, proibida para a narradora e a sua amiga de inf ncia, mas irresistivelmente fascinante para as duas. isitam na untas e sozinhas e t m uma série de e peri ncias estranhas e assustadoras na velha casa e celeiro. ortes sugest es se uais veladas perpassam por toda a hist ria ue culminará com

elissa a ser a oitada por

uma mulher ue a descobre na casa abandonada e a sua amiga a ser descoberta e assassinada vários dias depois.

6

sta e peri ncia pelo grotesco literário alimentou o permanente interesse de aula ego por formas populares de e press o visual, acrescentando uma outra dimens o ao seu fascínio pela caricatura e pelos desenhos animados.

the ability to attribute humanity to women, endowing the female saints with real characteristics, desacralizing them. The culmination of this cycle of paintings for the ational allery is, however, the vast and strangely complicated O Celeiro of

The Barn ,

, shown in this e hibition. A bustling picture of oppressive,

ine plicably sinister details that tells the story Joyce Carol Oates born

aunted

, by

.

The story, told in the first person, concerns the childhood memories of a teenage girl named

elissa.

i ing facts and

fantasy, memories revolve around an old abandoned farmhouse, forbidden for the narrator and her childhood friend, but irresistibly fascinating to both of them. They visit it together and alone, and

O Celeiro marca ainda o final de uma fase, com uma mudan a uase t o radical como a do abandono da colagem em

. A nova técnica,

have a series of strange and frightening e periences in the old house and barn. Strong veiled se ual suggestions run through the

o pastel, implicava um regresso ao desenho como principal meio

whole story that would culminate with

de e press o artística. Além do facto de ter come ado a trabalhar

woman who discovers her in the abandoned house and her friend

com modelos, o ue impedira a artista de continuar a utilizar o ch o,

being found and murdered several days later.

envolvendo se fisicamente no desenvolvimento de uma obra, pintar um modelo e igia um cavalete, para ue o modelo e a tela pudessem ser vistos ao mesmo tempo. A combina

o de cavalete e pintura com pincel

distancia o pintor, uer do tema uer da sua representa -

to ogarth I

sociais relacionais de uma sociedade de machismo disfar ado para

o. Utilizando

o pastel, aula ego, redescobriu alguma da alegria ue sentia uando cortava e colava formas nas suas colagens dos anos de

.

elissa being ogged by a 6

This e perience of the literary grotes ue nurtured aula ego s permanent interest in popular forms of visual e pression, adding another dimension to her fascination with caricature and cartoons. The Barn marks the end of a phase, with a change almost as radical as the abandonment of collage in

. The new techni ue, pastel, implied

Trabalhar com pastel é, ainda, similarmente visceral e construir formas

a return to drawing as the main means of artistic e pression. In addition

faz parte de um processo intimamente ligado ao corpo do artista. Ao

to the fact that she started working with models, which prevented the

montar o papel em alumínio, a artista dá consist ncia ao suporte, o ue

artist from continuing to use the oor, getting physically involved in the

lhe permite utilizar o pastel de uma forma pouco ortodo a, resultando

development of a work, painting a model re uired an easel so that the

numa espécie de pintura desenhada. aula ego regressa também a ui

model and the canvas could be seen at the same time. The combination

ao seu interesse pelo automatismo psí uico dos surrealistas, criando

of easel and painting with a brush distances the painter, both from the

uma rela

theme and from her representation.

o entre o gesto e o pensamento consciente. A obra A

hile using the pastel, aula ego


— PAULA REGO S T TU O, acrílico sobre papel acrylic on paper . cm Cole o privada rivate Collection


uardi

é á re e o desta mudan a e a primeira série de trabalhos

nesta nova técnica é

ulher C o , em ue a modelo ila unes ad uire

um papel primordial no processo da pintura. um C o -

uas

ulheres viscerando

é uma e tens o temática desta série, bem como O

vestido cor de salm o w

, em ue se evidencia esta nova fase

rediscovered some of the oy she felt when she cut and pasted shapes in her

collages.

orking with pastel is still similarly visceral

and building forms is part of a process closely linked to the body of the artist. By assembling the paper in aluminium, the artist gives consistency to the support, which allows her to use the pastel in an unorthodo

compositiva mais depurada, centrada em figuras femininas isoladas ou

way, resulting in a kind of drawn painting. aula ego also returns here

em pares, com adere os e fundos mínimos. stas mulheres, comple as,

to her interest in the psychic automatism of the surrealists, creating

maduras, desconcertantes e orgulhosas como s o, parecem liderar o

a relationship between gesture and conscious thought. The work A

trabalho de aula ego desde o momento ue surgiram, espalhando se por muitos dos seus temas futuros. S o elas a mesma ou várias ue est o na Série Abordo, produzida a partir de

, a prop sito do

referendo sobre o tema realizado em ortugal, tendo sido aula ego uma das vozes p blicas mais ativas pela despenaliza

o voluntária da gravidez.

uardi

The uardian

is already a re ection of this change and

the first series of works in this new techni ue is

ulher C o

oman

og , in which the model ila unes ac uires a primordial role in the painting process.

uas

isembowelling a og

ulheres viscerando um C o

Two

omen

is a thematic e tension of this series, as


— PAULA REGO A TIT OTIC , acrílico sobre papel acrylic on paper cm Cole o privada rivate Collection

as séries de hist rias ue aula ego utilizou nas suas transnarrativas

well as O vestido cor de salm o

The salmon coloured dress

, in

biográficas est o ainda os filmes da isney e contos de fadas clássicos,

which this new, more refined compositional phase, centred on isolated

como é e emplo O Capuchinho ermelho

female figures or pairs, with props and minimum funds, is evidenced.

reinterpreta

o literária de

, ue contou com uma

anuel Ant nio ina

.

These women, comple , mature, disconcerting, and proud as they are, seem to lead the work of aula ego from the moment they have

O ue também marca o percurso recente de aula ego s o os reconhecimentos p blicos e e posi come ando pelo

useu de Serralves

ual se unta a aleria of

, em isboa , em

omen in the Arts, em

ist rias aula ego, em

o

adrid

ashington

one or several of them that are in the Série Aborto Abortion Series ,

passando pela

arlborough ine Art, em ondres, a sua galeria de elei Centro de Arte eina Sofia, em

emerged, spreading through many of her future themes. It is them the

es retrospetivas de grande escala,

the voluntary decriminalization of pregnancy.

useum

The series of stories that aula ego used in her biographical transcripts

a abertura da Casa das

, um sonho antigo da artista e a realiza

do documentário, da autoria do filho, cu a apresenta

, regarding the referendum on the topic held in

ortugal, with aula ego being one of the most active public voices for

useo acional

o ational 7

produced from

o em ondres

o

o também se inclui

nesta homenagem.

also include isney films and classic fairy tales, such as O Capuchinho ermelho

ittle ed iding ood,

reinterpretation of

o processo criativo recente de aula ego, em primeiro lugar, está a escolha da hist ria, cu a narrativa é de constru

o pela imagina

pela plasticidade do processo. epois há a constru

oe

o do cenário para

a pintura, com recurso ao modelo vivo e aos bonecos grotescos ue a pintora também cria. O atelier é um mar de figurinos e adere os! epois é pintura e desenho , com rigor na anatomia dos corpos imperfeitos mas

ego are public recognitions and large scale retrospective e hibitions, beginning with the Serralves by the aleria

Stories, in

aula ego, com uma hist ria de vida de enorme resili ncia e

, in isbon , in

eina Sofia in

com os rostos andr genos, feios, sem c nones, em muitos casos uase

das cenas e dos uadros para ue estas hist rias nos transportam.

useum

passing by the

arlborough ine Art in ondon, her favourite gallery in ondon oined

the Arts, in

arro o, se ualidade e plícita e implícita, pelo inusitado e pelo disruptivo

.

Something else which also marks the recent direction taken aula

reais, com drapeados e uma paleta de cenários com o e agero do barroco escala real, ue interpelam e incomodam os p blicos, pela viol ncia,

, which featured a literary

anuel Ant nio ina

adrid

The 7

ashington

useo acional Centro de Arte

the ational

useum of

omen in

the opening of the aula ego ouse of

, a long held dream of the artist and the production of

the documentary, written by her son, whose presentation is also included in this tribute. The recent creative process of aula ego involves, first and foremost, the choice of the story, whose narrative is built by the imagination

completamente dedicada ao trabalho, inscreveu, pelas suas pr prias

and the plasticity of the process. Then there is the construction of

m os, o seu nome na

the scenery for the painting, using the live model and the grotes ue

ist ria da Arte internacional.

ais do ue

uma notável mulher artista portuguesa, é um dos maiores artistas

dolls that the painter also creates. The studio is a sea of costumes and

do seu tempo.

props! Then it is painting and drawing , with rigour in the anatomy of

elena

endes ereira

the imperfect but real bodies, with drapes and a palette of scenarios with the e aggeration of the baro ue with the ugly androgynous faces, without canons, in many cases almost on a real scale, that challenge and annoy audiences by their violence, boldness, e plicit and implicit se uality, by the unusual and disruptive scenes and pictures to where these stories whisk us away. aula ego whose life story is one of great resilience and total dedication to her work

has inscribed, with her own hands, her name

into the international istory of Art. ather than ust a distinguished ortuguese female artist, she is one of the greatest artists of her time.

— B SSA U S, Agustina e O, aula As eninas The irls . isboa uerra e az, ditores, S.A., nd edition . ages to . IB I O, Anabela ota aula ego por aula ego aula ego by aula ego . isboa Temas e ebates Círculo de eitores, . age . 3 UCI S IT , dward ovimientos Artísticos desde Artistic ovements since . Barcelona diciones estino, . age . 4 Cited in A A O, Catarina e O I I A, eonor coordination aula ego, ist rias Segredos aula ego, Stories and Secrets . Cascais unda o . uís I Casa das ist rias aula ego, . age . 5 B A , iona aula ego. isboa uetzal ditores Bertrand ditores, da., . age . 6 B A , iona aula ego. isboa uetzal ditores Bertrand ditores, da., . age . 7 O I U S, alila conception Casa das ist rias aula ego. Cole o aula ego ouse of Stories Collection . Cascais Casa das ist rias aula ego, . age . 1

2


– HOMENAGEM in memoriam

– JAIME AZINHEIRA [1944-2016]


A opera

The obscure coded space operation, moreover, exhausts itself in

o espacial codificada obscura, de resto, esgota se em

manifesta agressividade patética. A mordacidade conceptual

manifest pathetic aggression. The neglected conceptual mordancy that

negligenciada que observamos exige inegável intensidade trágica.

we observe requires undeniable tragic intensity. The decadent binary

O automatismo binário decadente a que (F) nos habituou transmite

automatism, to which F has accustomed us, conveys evident rhetorical

evidente empatia ret rica. A tecnologia virtual obsolescente indizível,

empathy. The unspeakable obsolete virtual technology, moreover,

de resto, emerge de uma drástica alusão académica...

emerges from a drastic academic allusion...

Estas frases não foram escritas por ninguém. Elas resultam do

These sentences were not written by anyone. They result from words

alinhamento de palavras ou sintagmas nominais e verbais organizados

alignment or verbal and syntactic phrases arranged in columns from

em colunas de A a H formando uma matrix (matriz) que Jaime Azinheira

A to H, forming a matrix that Jaime Azinheira called “Painel de crítica

intitulou

modular instantânea” (Instant modular critical panel) followed by its

ainel de crítica modular instant nea seguida das instru

es

de uso. A tabela ocupa metade do interior do desdobrável anunciando

instructions. The table occupies half of the lea et s interior, announcing

a e posi

the sculpture s e hibition Ser es

o de escultura Ser es

hist rias em

dimens es . a

metade superior do mesmo, uma composição em grelha mostra

venings

stories in

COLONIZAÇÃO URBANA OU PAINEL DE CRÍTICA MODULAR INSTANTÂNEA a prop sito da homenagem a Jaime Azinheira pela unda

o Bienal de Arte de Cerveira

POR ELSA CÉSAR E FILIPA CÉSAR

URBAN COLONIZATION OR INSTANT MODULAR CRITICAL PANEL on the tribute to Jaime Azinheira by the Cerveira Art Biennial oundation B ELSA CÉSAR E FILIPA CÉSAR

32 33

hist rias em

dimens es

dimensions . In the upper half of it, a grid


JAIME AZINHEIRA TAB A, escultura gesso policromado polychrome plaster sculpture cm PrĂŠmio MinistĂŠrio do uipamento Social na I Bienal Internacional de Arte de Cerveira, realizada de de agosto a 2 de setembro de inistry of Social uipment Award at the I Cerveira International Art Biennial, held between th August to nd September of


-


JAIME AZINHEIRA TAB A, estudos studies tinta permanente permanent ink

pormenores das esculturas em barro e uma fotografia do escultor a

composition shows details of the clay sculptures and a photograph of

trabalhar. O espetador é convidado a associar as palavras e a compor

the sculptor working on them. The spectators are invited to associate

a sua pr pria crítica. Contribuem estas frases para uma análise crítica

the words and compose their own critique. Do these sentences

de uma obra de arte

contribute to a critical analysis of an artwork? Why does an artist

or ue é ue um artista prop e no folheto da

exposição um algoritmo para a computação da crítica pelo utilizador/

propose an algorithm for the computation of a critique by the user/

espectador?

viewer in the e hibition brochure

sta homenagem a Jaime Azinheira acontece um ano e meio ap s o seu desaparecimento e é uma iniciativa da unda Arte de Cerveira, cu a bienal, em participa

This tribute to Jaime Azinheira appears a year and a half after

o Bienal de

his disappearance and is an initiative by the Cerveira Art Biennial

premiou o escultor pela sua

o com a pe a Taberna . Sem uerer ocultar ue este te to

Foundation of Art, whose biennial awarded the sculptor for his participation with the artwork Taberna , in

.

ithout wanting

está a ser escrito pela filha e pela mulher do escultor, falaremos a ui

to hide the fact that this text is being written by both his daughter

do escultor Jaime Azinheira e não do pai ou marido. Para esta mostra

and his wife, we will speak here of Jaime Azinheira as sculptor, and

escolhemos seis obras da década de

not as father or husband. For this exhibition, we chose six artworks

apresentadas untamente

aos desenhos preparat rios ou seus facsimiles e documenta

o

from the

s, presented together with the preparatory drawings or

fotogáfica. este conte to, relemos as recens es de imprensa de

their facsimiles) and photographic documentation. In this context,

reação às pesadas esculturas de gesso policromado que representam

we re read press reviews in response to the heavy polychrome plaster

situa

sculptures that represent situations of the Portuguese working class

es de convívio da vida uotidiana da classe trabalhadora

portuguesa

Telenovela , Sueca , Jornal , Tric

, Taberna e O

daily life

Telenovela , Sueca , Jornal

newspaper , Tric

knitting ,

Bei o . steticamente estas obras situam se intrigantemente entre o

“Taberna” (Tavern) and “The kiss” (O beijo). Aesthetically, these works

expressionismo de August Rodin, personagens de banda desenhada

are situated intriguingly between August odin s e pressionism, obese

obesas como letárgicos her is da

cartoon characters (as lethargic heroes of Marvel) and the Thomas

Sch tte do início dos anos

arvel e as esculturas de Thomas

. sta prolífera fase ue o escultor, em

, intitulou de série Ser es foi sucedida pela série acances ou

Sch tte s sculptures of the early the sculptor called Ser es

s. In

, this prolific phase that

evenings series was succeeded by the

Bácances que retratava Portugueses emigrados em França no seu

series

retorno a Portugal durante as férias de verão. Esta obra — apresentada

in France on their return to Portugal during the summer holidays.

nesta mostra através de fotografias documentais do processo de

This artwork — presented in this exhibition through documentary

escultura em barro e correspondentes desenhos preparat rios

photographs of the sculpture s process in clay and corresponding

tragicamente destruída entre uma entrevista de

e

foi,

.

, a prop sito da premia

acances (Holidays) that portrayed Portuguese emigrants

preparatory drawings o na III edi

was tragically destroyed between

and

.

o

desta Bienal, Jaime Azinheira aborda problemas levantados pela arte

In a

contemporânea como forma urbana transportada para o meio rural e

International Art Biennial, Jaime Azinheira discusses the problems

também uest es sobre como

posed by contemporary art as an urban form transported to rural areas,

a arte portuguesa, como outros

interview, on the theme of his award at the III Cerveira

aspetos culturais, está sujeita pela força dos meios de comunicação

as well as questions about how — “[the] Portuguese art, like any other

vindo do exterior, a um determinado tipo de colonização”. Em vez

cultural aspects, is pressed by international media, to a particular

de se focar em desenvolver assuntos sobre a escultura, a técnica, a

type of colonization”. Instead of focusing on developing subjects

situa

about sculpture, technique, award status or formal issues of his work

o do prémio ou uest es formais da sua obra e do processo

criativo, o escultor usa o espaço mediático para convocar aquilo

and creative process, the sculptor uses the media space as a way of


ue o preocupa e ue informa o seu trabalho

contradi

es sociais

cultural policies. Azinheira used sculpture and drawing as instruments

instrumento de pensamento e articula

of thought and articulation of questions adressing the reality that

o de uest es da realidade ue o

rodeava — o humor a sua semântica. Mais à frente na mesma entrevista,

surrounded him humour and its semantics. ater on in the same

continuando sobre políticas culturais — “falta um projeto que tenha

interview, continuing on cultural policies — “a project that takes into

em conta as coordenadas locais.

account local coordinates is missing. In addiction the uestions about

mais as uest es das verbas

despendidas deveriam ser perfeitamente explícitas de molde a que se

money spent should be strictly ustified so that their providence and the

conhecessem melhor a sua providência e a forma como são gastas. [...]

way they are spent could be broadly known. This kind of procedure will

A Bienal com este tipo de procedimento s terá a ganhar em termos de

undoubtedly benefit the Cerveira International Art Biennial in terms of

confian a e apoio das popula

trust and support of the populations.“

es.

Abordar a arte contempor nea como um O rural, como gesto de coloniza transpar ncia das condi

I ue aterra numa zona

o urbana colocar uest es sobre a

es materiais e econ micas da produ

o

To approach contemporary art as a UFO that lands in a rural area, as a gesture of urban colonization; raising questions about the transparency of the material and economic conditions of art production; proposing

de arte propor um algoritmo intelectual ide ue desmonta os

an intellectual like algorithm that dismantles the elites power

mecanismos de poder das elites

mechanisms — clashing with the monstrously ludic character of his

choca de forma con ituosa com o

caráter monstruosamente lúdico das suas esculturas.

sculptures.

Jaime Azinheira estava interessado em convocar con itos ue

Jaime Azinheira was interested in causing con icts that moved the

movessem os limites do agenciamento do artista na sociedade para um

limits of the artist s agency in society to a critical and uncomfortable

espaço crítico e desconfortável. O Painel de crítica modular instantânea

space. “Painel de crítica modular instantânea” (Instant Modular

é uma provoca

o codificada pelo humor ue prop e um gesto de

Critical anel is a humour coded provocation that proposes a gesture

descolonização do acesso à arte, uma democratização da articulação

of decolonization of access to art, a democratization of critical

crítica, convocando a classe trabalhadora a ter voz e consciência dos

articulation, calling on the working class to have a voice and awareness

mecanismos opressivos da abstração, o espectador/operário que

concerning oppressive mechanisms of abstraction, the spectator/

desfruta da arte e reclama o seu exercício de opinião.

worker that enjoys art and demands its exercise of opinion.

Jaime Azinheira habitava consequentemente uma dimensão crítica

Jaime Azinheira consequently inhabited a tormented critical dimension,

atormentada, politizada, preocupada com uest es sociais, e tinha

politicized, concerned with social issues, and had an honest interest

um honesto interesse e empatia pela poética do quotidiano de vida

and empathy for the poetics from the everyday life of women and men

das mulheres e dos homens trabalhadores das fábricas, do mercado,

working on factories, markets, sea or countryside and also for the

do mar, do campo e pela alienação cultural vividas pelos emigrantes

cultural alienation lived by economic emigrants in post colonial war. As

econ micos no ortugal p s ultramar. Como dizia, desenhar é pensar

he said, drawing is thinking; making sculpture, the materialization of

fazer escultura, a materializa

con ict, empathy, anger, interest

interesse — cifrado em humor.

37

convoking concerns informing his work — social contradictions and

e políticas culturais. Azinheira usava a escultura e o desenho como

o do con ito, da empatia, da raiva, do

coded in humour.


JAIME AZINHEIRA, 1982 S S, IST IAS I S S S S, STO I S I I SIO S catálogo cooperativa árvore novembro november

JAIME AZINHEIRA, 1982 design gráfico graphic design Ant nio Tei eira e aurício Bou a ova montagem/artwork assembly lsa César, alila Alte odrigues e Jaime Azinheira fotos/photography ortof lio fotocomposição/photo composition afael alente e ota fotolito/photolith itografia Invicta impressão/printing


-


JAIME AZINHEIRA SU CA, estudos studies tinta permanente permanent ink JAIME AZINHEIRA SU CA, escultura pormenor/detail gesso pintado painted plaster


-


JAIME AZINHEIRA peรงas em barro clay pieces JAIME AZINHEIRA JO A , estudos studies tinta permanente permanent ink


– HOMENAGEM in memoriam

– ERNESTO DE SOUSA [1921-1988]


Uma palavra sobre a fotografia... simultaneamente ponto de chegada e

A word about photography... both the point of arrival and the starting

ponto de partida. A fotografia cruzou todo o percurso multidisciplinar

point. Photography was present throughout Ernesto de Sousa’s (1921-

de Ernesto de Sousa (1921-1988), funcionando simultaneamente

1988) entire multidisciplinary path, simultaneously a document and an

en uanto documento e pensamento, sem defini

instrument of thought, without defining the boundaries between the

o de fronteiras

entre o registo das experiências de outros e os objetos artísticos que

recording of others’ experiences and the artistic objects that made up

compuseram a sua biobibliografia. Os materiais fotográficos inéditos

his bio-bibliography. The unpublished photographic materials of this

desta exposição demonstram o seu continuado interesse pela arte

exhibition demonstrate his continued interest in folk art and Portuguese

popular e pela escultura portuguesa de expressão popular, durante

sculpture of popular expression during the sixties. Without being

os anos sessenta. Sem pre uízo da especificidade desses mesmos

detrimental to the specificity of these same ob ects, what is highlighted

ob etos, evidenciamos o uso da fotografia en uanto ferramenta e

here is the use of photography as a tool and expression of his thinking,

e press o do seu pensamento, através de tr s assemblagens de meios

through three assemblages of means and ob ects making of a film,

e ob etos a realiza

curating an exhibition and publishing a book. This analysis confronts

o de um filme, a curadoria de uma e posi

oe

a edição de um livro. Esta análise confronta o olhar do autor com o ob ecto referente fotográfico e com os meios de produ

o e edi

the authorial gaze with the photographic object and with the means of o da

producing and editing the photographic image, in an exercise that reveals

imagem fotográfica, num e ercício ue revela a intimidade do trabalho

the intimacy of Ernesto de Sousa’ s work both in the approach to study

de Ernesto de Sousa tanto na aproximação às temáticas de estudo

themes and in the material conditions of the his work, witnessing the

como nas condições materiais do seu trabalho, testemunhando a

complexity and experimentalism of his visual universe.

complexidade e experimentalismo do seu universo visual. ncontram se em e posi

e can find here on display the scratched photographs from the shooting

o as fotografias rasuradas da rodagem

of the film Dom Roberto (1962), the photographs from the exhibition

o Barristas

Barristas e Imaginários: quatro artistas portugueses do Norte (Potters

e Imaginários: quatro artistas portugueses do Norte, organizada na

and Imaginaries: four Portuguese artists from the North), organised at

galeria da livraria ivulga

the gallery of the bookstore “Divulgação” (Lisbon, 1964), photographs

do filme Dom Roberto

, as fotografias da e posi o

isboa,

, fotografias publicadas

no álbum Para o Estudo da Escultura Portuguesa (Lisboa: ECMA, e material ainda inédito do levantamento sobre a

scultura

published in the album - Para o Estudo da Escultura Portuguesa (For the

study of Portuguese Sculpture) (Lisbon: ECMA, 1965) and also unpublished

Portuguesa de expressão popular, histórica e atual”, que Ernesto

material of the survey on the “Popular, historical and current expression of

de Sousa compilou durante os anos que foi bolseiro da Fundação

Portuguese Sculpture” which Ernesto de Sousa compiled during his years

Calouste Gulbenkian (1966-68).

as a grantee from the Calouste Gulbenkian Foundation (1966-68).

A MÃO DIREITA NÃO SABE O QUE A ESQUERDA ANDA A FAZER... a propósito da homenagem a Ernesto de Sousa pela Fundação Bienal de Arte de Cerveira O PAULA PINTO

THE RIGHT HAND DOES NOT KNOW WHAT THE LEFT HAND IS DOING... on the tribute to Ernesto de Sousa by the Cerveira Art Biennial Foundation BY PAULA PINTO

44 45


_

A prática fotográfica de rnesto de Sousa e a representa

Ernesto de Sousa

gráfica dos pe uenos contactos em páginas soltas compiladas em

on small contacts on single pages compiled in albums dates back to the

álbuns remonta à transição dos anos quarenta para os cinquenta

transition from the 40s to the 50s, constituting possible visual scripts for

do século passado, constituindo possíveis gui es visuais para os

the documentaries and publicity films he made for Shell and ord, many of

de aul Solnado no filme om

documentários e filmes publicitários ue realizava para a Shell e

which are yet to be identified. They are amateur documents, which convey

Roberto, c.1958

para a ord, muitos dos uais ainda se encontram por identificar.

a social and political narrative and already demonstrate an aesthetic

Negativos p/b 6x6 cm

São documentos amadores, que transmitem uma narrativa social

sense. The symbiosis in documentary cinema operates between di erent

e política e á demonstram um sentido estético. A simbiose ue o

arts and disciplines: between photography and literature, between social

cinema documental opera entre diferentes artes e disciplinas: entre

and historical research, which led Ernesto de Sousa to give up a degree in

a fotografia e a literatura, entre a investiga

Physical-Chemical Sciences and study Film History and Cinematography

otografias do Teatro om Roberto de António Dias, o bonecreiro que fez de duplo

Col. Isabel Alves/Centro de Estudos Multidisciplinares Ernesto de Sousa (CEMES)

o

The photographic practice of Ernesto de Sousa, and its presentation

o social e hist rica,

levaram Ernesto de Sousa a desistir do Curso de Ciências Físico-

at the Sorbonne

uímicas e a ir estudar ist ria do Cinema e Cinematografia na

aris , between

and

. On a theoretical

level, photographic reporting and editing would relate directly to his

Sorbonne (Paris) entre 1949 e 1952. No plano teórico, a reportagem

professional involvement, since he was editor-in-chief of specialized

e edi

magazines in “Photography, Cinema, Sound, Radio, Graphic Arts and

o fotográficas relacionar se iam diretamente com o seu

envolvimento profissional, á en uanto chefe de reda especializadas em

o, em revistas

otografia, Cinema, Som, ádio, Artes ráficas e

Propedêutica da Publicidade”, como a Plano Focal , da qual se publicam apenas quatro números entre Fevereiro-Maio de 1953.

Publicity Proceedings”, such as “Plano Focal” (Focal Plan), of which only four issues were published between February and May of 1953. The following year, while directing the second series of the magazine

“Imagem” 1, Ernesto de Sousa photographically documented a series of

o ano seguinte, en uanto dirigia a segunda série da revista Imagem,1

ournalistic reports about films, directors and interviews with actors he

rnesto de Sousa documentou fotograficamente uma série de

had conducted in Paris. In February of 1959, Ernesto de Sousa published

reportagens ornalísticas sobre filmes, realizadores e entrevistas a

one of the unidentified photographs that bring us back to the theme

atores que realizara em Paris. Foi em Fevereiro de 1959 que Ernesto de

of folk art: an image of the puppeteer Antonio Dias’ booth (1920-1983).

Sousa publicou uma das fotografias n o identificada

The photograph was then published together with an unreleased story

ue nos remete

para a temática da arte popular: uma imagem da guarita do bonecreiro

by Leão Penedo, continuing the publication of a series of texts that

Ant nio ias

the “Imagem” magazine began with, such as the chronicles of Eurico

. A fotografia é publicada untamente com

um conto inédito de e o enedo, dando continuidade

publica

o

de uma série de te tos ue a revista Imagem iniciara com as cr nicas de Eurico da Costa

iário de érias e de Alves Redol (Carnaval na

azaré , a pretexto de “atrair a atenção para uma realidade nacional

da Costa (Holidays Diary) and Alves Redol Carnival in azaré , with the pretext of “drawing attention to a national reality [which would be] on the basis of a truly Portuguese and new cinema, and [which wanted] to show how this reality [was] rich, attractive and, above all, imperious.”2

[que estaria] na base de um cinema verdadeiramente português e

In May of 1959, Leão Penedo registered the title Dom Roberto,

novo, e

which was destined to a cinematographic argument to be produced

ue ueria mostrar, também, como essa realidade era rica,


atraente e, sobretudo, imperiosa.”2 Em Maio de 1959, Leão Penedo

by Ernesto de Sousa. The association between the two would be

registava o título Dom Roberto, que se destinava ao argumento cinematográfico com a realiza

graphically recorded through the association between text and image,

o de rnesto de Sousa. A associa

entre ambos ficaria registada graficamente através da associa

o

o

entre texto e imagem, na pág. 467 da revista Imagem. 3

At the end of the fifties, rnesto de Sousa dedicated one of his social and ethnographic studies to puppet shows and particularly to António Dias, whose booth advertised the “Dom Roberto Theatre”. Together

o final dos anos cin uenta, rnesto de Sousa dedicava um dos seus estudos sociais e etnográficos aos espetáculos de fantoches e

with this one, other photographs are now exhibited at the XIX Cerveira

particularmente a António Dias, cuja guarida publicitava o “Teatro

International Art Biennial, along with an unpublished set of photoliths 4 ,

om oberto . sta e outras fotografias est o agora e postas na I

where Ernesto de Sousa transferred more than a hundred negatives

Bienal de Cerveira, untamente com um con unto inédito de fotolitos 4 ,

that portray the shooting of Dom Roberto, with the purpose of

para onde Ernesto de Sousa transferiu mais de uma centena de

e perimentally destroying its support and pre defined framework. The

negativos que retratam a rodagem de Dom Roberto, com o propósito

chemical intervention in the photographic image is abrupt. In a clearly

de destruir, de forma experimental, o seu suporte e enquadramento

critical attitude, Ernesto destroys the photographic multiple, distancing

pré definido. A interven

a falsely real world.

o uímica na imagem fotográfica é abrupta.

Numa atitude claramente crítica da capacidade interventiva dos média, rnesto destr i o m ltiplo fotográfico e provoca um recuo perante um mundo falsamente real.

Agosto numa série de

Simultaneously, and until the beginning of Dom Roberto’s filming (August 1961) , Ernesto regularly published his photographs in a series of 15 articles dedicated to the “Aspects of Sculpture in Portugal” in

Contemporaneamente, e até ao início da rodagem de Dom Roberto , rnesto publicou regularmente as suas fotografias artigos ue dedicou aos Aspectos da scultura em

“Seara Nova” magazine (between March 1959-August 1961). In this way, he began by enumerating some examples of Portuguese sculpture with popular expression, an area of the arts that he considered to

Portugal” na revista Seara Nova (entre Março 1959-Agosto 1961).

be historically and aesthetically less studied. He thus assumes, on

Desta forma, começou por enumerar alguns exemplos da escultura

a national scale, his interest in the social space of architecture and

portuguesa de expressão popular, domínio das artes que considerava

the discursive character of the sculpture associated with it. Ernesto

histórica e esteticamente menos estudado. Assume assim, à escala

de Sousa incorporated these records in a larger study presented in

nacional o seu interesse pelo espaço social da arquitetura e pelo

the publication “For the Study of Portuguese Sculpture” (1965), an

carácter discursivo da escultura que lhe está associada.

album where imagery and aesthetic analysis complement each other.

rnesto de Sousa incorporou estas fichas num estudo mais amplo apresentado na publicação Para o Estudo da Escultura Portuguesa , um álbum onde o estudo imagético e a análise estética se complementam. Afirmando uma iconografia ue n o é ob eto da crítica e da especializa

o historiográfica, rnesto de Sousa consegue

Asserting an iconography that add not been the object of specialized criticism and historiography, Ernesto de Sousa manages to be “visually polemic”. Folk art allows him to explore a comparative methodology by freely associating memories and figures from di erent regions and historical periods.

ser visualmente polémico . A arte popular permite lhe e plorar

In this study on the “profound meaning of Portuguese sculpture”,

uma metodologia comparativa, associando livremente “memórias” e

Ernesto de Sousa devotes a whole chapter to a

figuras de diferentes regi es e períodos hist ricos. este estudo sobre a significa

“Visual problem: discussion about the virtues and characteristics

o profunda da escultura portuguesa ,

“Problema visual: discussão sobre as virtudes e as características da interpreta

o e reprodu

o fotográfica nos estudos

de escultura. stética do fragmento. Ilumina tácteis. Sugest es para a utiliza

of photographic interpretation and reproduction in sculpture studies. Aesthetics of the fragment. Illumination and tactile

Ernesto de Sousa dedica todo um capítulo ao

values. Suggestions for the use of photography as an indispensable method of iconographic and aesthetic studies. A comparative and controversial view.“

o e valores

o da fotografia como

Photography allows you to identify and simultaneously discover,

método indispensável dos estudos iconográficos e estéticos.

without ever losing sight of its own visual potential and material

Comparativismo e vis o polémica.

culture. It therefore highlights the abstraction of aesthetic mediation

A fotografia permite lhe identificar e simultaneamente descobrir, sem nunca perder a noção do potencial visual e cultura material que lhe é pr prio. essa forma, evidencia a abstra nomeadamente através da ilumina

46 47

on p. 467 of the magazine “Imagem”. 3

o da media

o estética

- namely through enlightenment or framework - making it an explicit object of his intellectual work. Image and discourse are aware of their mediatisation, consequently becoming contemporary and self-critical: A figure in a omanes ue church capital, was not only the sub ect of

o ou do en uadramento

tornando-a objeto explícito do seu trabalho intelectual. Imagem e

long contemplation and astonishment to the peasant of Entre-Douro-

discurso são conscientes da sua mediatização e consequentemente

e-Minho, it was an intimate value to him, an intimate way of being

contemporâneos e autocríticos:

in space and time. For us, all this has to be rebuilt according to more

Uma figura num capitel de igre a rom nica, n o era apenas ob ecto de demorada contemplação e espanto para o camponês de EntreDouro-e-Minho, era-lhe um valor íntimo, uma íntima maneira

modernity; values, however, no less ardent, when rebuilt in the future.“ (p.12) Despite his sharp intellectual criticism, the means with which he

de ele ser no espaço e no tempo. Para nós tudo isso tem que ser reedificado segundo valores mais abstractos, na media

abstract values, in the aesthetic or philosophical mediation of our

o

reproduces three-dimensional works are technically restrictive, but

estética ou filos fica da nossa modernidade valores no entanto,

coherent. Although the photograph undergoes a work of reframing

n o menos ardentes, uando reedificados no futuro.

in the edition of the contents that it publishes, it is never presented

p.


Apesar da sua crítica intelectual apurada, os meios com que reproduz

as the supposed neutrality of “studio photography”. Ernesto states

as obras tridimensionais são tecnicamente restritivos, mas coerentes.

that his photograph is neither static nor documentary (transparent),

mbora a fotografia sofra um trabalho de reen uadramento na edi

o

but subjective. Its framework is directly related to the support of the

dos conte dos ue publica, ela nunca é apresentada en uanto a arte

publication and its message and for this same reason, it should not be

neutra da suposta fotografia de est dio . rnesto assume ue a

predefined for posterity.

sua fotografia n o é estática nem documental transparente , mas sub etiva. O seu en uadramento relaciona se diretamente com o suporte da publicação e com a sua mensagem e por essa mesma razão n o deve ser pré definido para a posteridade.

Contrary to what happened in emblematic publications such as

“Les voix du silence” (1951)5 or

e

mondiale”

alrau , rnesto de Sousa assumes

, by André

usée imaginaire de la sculpture

the perceptual changes caused by the reproductive photography

Contrariamente ao sucedido em publicações emblemáticas

and its epistemological conse uences.

como Les voix du silence (1951) 5 ou e

that in sculpture the “fragment is king” and that the photographic

sculpture mondiale

usée imaginaire de la

de André

alrau , rnesto de Sousa

hile André

alrau claims

frameworks, the enlargements and the visual displacements, served

assume as mudanças de percepção provocadas pela fotografia de

their homogenizing discourse of the modernist history, the archive of

reprodução e as suas consequências epistemológicas. Enquanto

Ernesto de Sousa demonstrates the conscious and critical production

André

of the respective visual documents. Even in case of a reproduction

alrau afirmava ue em escultura o fragmento é rei e

os enquadramentos fotográficos, as ampliações e as deslocações

photograph, which is often reframed to serve an immediate function

visuais, serviam o seu discurso homogeneizador da história

on the printed page of the publications, his photographic archive

modernista, o arquivo de Ernesto de Sousa demonstra a consciente

transports us through the parallel production lines of the image and

e crítica produção dos respetivos documentos visuais. Mesmo

therefore to new representation platforms. 6

tratando se de uma fotografia de reprodu

o, ue muitas vezes é

reenquadrada para servir uma função imediata na página impressa das publicações, o seu arquivo fotográfico transporta-nos por histórias paralelas de produção da imagem e por conseguinte, para novas plataformas de representação. 6 erante uma incompleta inventaria

aus ncia de estudos

comparativos, Ernesto de Sousa propôs-se prosseguir com o levantamento sobre a “Escultura Portuguesa de expressão popular, histórica e atual”, concorrendo a uma bolsa da Fundação Calouste ulbenkian

. O ar uivo fotográfico, fílmico, sonoro e

bibliográfico ue construiu em viagem pelo territ rio portugu s a partir de Outubro de

Ernesto de Sousa proposed to continue the survey on the “Portuguese Sculpture of popular expression, historical and current”, applying for a grant from Calouste Gulbenkian Foundation (1966-68). The

o e defici ncia documental,

face aos raros estudos de ordem estética e

iven the incomplete inventory and documentary deficiency, and faced with few aesthetic studies and the absence of comparative studies,

, permaneceu inédito e é na sua uase

totalidade desconhecido.

photographic, filmic, audio and bibliographical archive that he built on a trip throughout the ortuguese territory on October of

, remained

unpublished and is almost entirely unknown. Portugal was still a predominantly rural country that went through an irreversible process of acculturation to a consumer society, mediated and technologically advanced, but censored for questioning this transformation.7 As this territory disappeared, the study of popular culture was conducted, at that time, mostly by ethnologists, geographers and architects. Ernesto de Sousa was especially interested

Portugal era ainda um país predominantemente rural, que passava

in the domain of aesthetics and realized the concept of artwork was

por um processo irreversível de aculturação para uma sociedade de

limited by the nineteenth century field of erudite art, formulating

consumo, mediatizada e tecnologicamente avançada, mas que era

his the ignorance about “What is folk art? What is the origin of

censurada por questionar essa transformação. 7 À medida que esse

this important manifestation of thought and feeling, more or less

território desaparecia, o estudo da cultura popular corria, de forma

spontaneous, of the rural populations?”8

pontual, a cargo de etnólogos, geógrafos e arquitetos. Interessandose particularmente pelo domínio da estética e apercebendo se ue o conceito de obra de arte estava limitado pelo campo oitocentista da arte erudita, Ernesto de Sousa formula o desconhecimento sobre O

ue é a arte popular Qual a origem desta importante manifestação do pensamento e do sentir, mais ou menos espontâneos, das populações rurais?”8

This visual and cultural study emerges integrated in a profusion of seemingly isolated but simultaneous movements. The accumulation of approaches by a series of researchers - ethnologists, geographers, architects, musicians and historians - will allow us to better understand the social and cultural history of the country and to construct critical tools on the civic and cultural responsibilities of the various professional classes. Aware of the need for interdisciplinary articulation to combat the

Este estudo visual e cultural surge inserido numa profusão de

cultural and intellectual isolation fostered by the “proudly alone” policy,

movimentos aparentemente isolados, mas simultâneos. Será

Ernesto de Sousa circulates freely among literary, musical, cinephile,

a acumula

theatrical, journalistic, essayistic and artistic territories, seeking to make

o de abordagens de uma série de investigadores

etnólogos, geógrafos, arquitetos, músicos e historiadores – que

them di erentiating, pluralistic and discursive.9 He crossed imageries,

permitirá conhecer melhor a história social e cultural do país e

stories and memories, visually perpetuating ephemeral objects and

construir ferramentas críticas sobre as responsabilidades cívicas e

giving thought to voices that, without taking place in national history,

culturais das várias classes profissionais.

were emblematic figures of his people.

Consciente da necessidade da articulação interdisciplinar para

In contrast to the policy of the Estado Novo (New State), which unveiled

combater o isolamento cultural e intelectual fomentado pela política

and promoted an uncritical image of Portuguese rurality, namely -

do “orgulhosamente sós”, Ernesto de Sousa circula livremente entre

through the “Aldeia mais portuguesa” (The most Portuguese village)

os territ rios literários, musicais, cinéfilos, teatrais, ornalísticos,

(1938) and the “Exposição do Mundo Português” (Portuguese World

ensaísticos e artísticos, procurando torna-los diferenciadores,

hibition

instead, figures such as Orlando ibeiro, ima Basto,


Ernesto de Sousa [1] Folhas A4 com colagem de contatos da rodagem do filme Dom Roberto, 1961 Col. Isabel Alves/Centro de Estudos Multidisciplinares Ernesto de Sousa (CEMES) Ernesto de Sousa, 1964 [2] otografias da posi o Barristas Imaginários (Lisboa: Galeria da Livraria Divulgação), negativo p/b 6x6 cm Col. Museu Nacional de Etnologia

plurais e discursivos. 9 Cruzou imaginários, histórias e memória,

Jorge ias, rancisco eil do Amaral, rnesto eiga de Oliveira or

eternizando visualmente os ob etos efémeros e conferindo

Fernando Lopes Graça, critically analysed the territory, the settlement

pensamento a vozes que, sem terem lugar na História nacional, foram

and the landscape and culture in their various di erentiating aspects.10

figuras emblemáticas do seu povo.

Two surveys, although not directly related, can contextualize the intellectual investment on the identification, documentation,

A contrapelo da política do Estado Novo que encenava e promovia

dissemination and study of popular culture carried out by Ernesto de

turisticamente uma imagem acrítica da ruralidade portuguesa –

Sousa between 1959 and 1969: the Portuguese Sound Archives (1959-

nomeadamente através do concurso da Aldeia mais portuguesa e da

posi

o do

undo ortugu s

. A field work led by

figuras como

Orlando ibeiro, ima Basto, Jorge ias, rancisco eil do Amaral,

music, and the Survey on Portuguese Regional Architecture (1955-

rnesto eiga de Oliveira ou ernando opes ra a entre outros ensaiavam uma abordagem crítica sobre o território, o povoamento, a paisagem e a cultura nas suas várias vertentes diferenciadoras.10 Dois levantamentos, embora não diretamente relacionados, são o, documenta

o, divulga

o e estudo da

cultura popular levado a cabo por Ernesto de Sousa entre 1959 e 1969: conduzido por Michel Giacometti e Fernando Lopes Graça, que consistiu

would give shape to his research on folk art through the organisation of

no registo e recolha da música regional portuguesa – e o In uérito

the exhibition Barristas e Imaginários: quatro artistas portugueses do

Norte (Potters and Imaginaries: four Portuguese artists from the North), mas

work of osa amalho,

dos Arquitetos em 1961. Paralelamente, mas à escala internacional,

Vilas Boas Neto and Franklin Vilas Boas, Ernesto de Sousa assumes a

é de salientar a tentativa de Asger Jorn

personalized and intimate study , which is revealed in the photographs of

para constituir o

Inserido num Ciclo de Etnologia e Cultura Popular, Ernesto de 12

Sousa daria forma sua investiga

2

2

2

at the gallery of the bookstore “Divulgação” (Lisbon, 1964). Choosing the

apenas apoiado a partir de 1955 e publicado pelo Sindicato Nacional

Scandinavian Institute of Comparative Vandalism (1961-65).11

2

the Scandinavian Institute of Comparative Vandalism (1961-65) is noteworthy.11 Inserted in a Cycle of Ethnology and Popular Culture,12 Ernesto de Sousa

Ar uitetos José uertas obo e rancisco eil do Amaral em

1

the National Union of Architects in 1961. At the same time, but on an

os Arquivos Sonoros Portugueses (1959-1970) – trabalho de campo

à Arquitectura Regional Portuguesa (1955-60) – proposto pelos

48 49

proposed by the Architects José uertas obo and rancisco Keil do Amaral in 1947, but only sponsored in 1955 and published by international scale, the attempt by Asger Jorn (1914-1973) to establish

particularmente contextualizadores do investimento intelectual depositado na identifica

ichel iacometti and ernando opes

Graça, which consisted in recording and collecting Portuguese regional

o sobre arte popular através da

istério

omingos on alves ima , uintino

his visits to the studios and in the relationship he maintained with these artists and stonemasons. He wrote in the catalogue: But would not be better to know, in first place and directly, the

organização da exposição Barristas e Imaginários: quatro artistas

really creative whatever in uences and determinations and also

populares do Norte, na galeria da Livraria Divulgação (Lisboa, 1964).

su ering people In a way, it is increasingly this observation and

legendo a obra de osa amalho,

istério

omingos on alves

Lima), Quintino Vilas Boas Neto e Franklin Vilas Boas, Ernesto de

experimentation - that guides modern ethnology. I know them through the field of cinema, and maybe through personal vocation,


ERNESTO DE SOUSA FOTOGRAFIAS DAS OFICINAS DOS ESCULTORESSANTEIROS DE S. MAMEDE DO CORONADO (SANTO TIRSO), 1967-68 Negativos p/b 6x6 cm Direção-Geral do Património Cultural/Arquivo de ocumenta o otográfica (DGPC/ADF) “Nossa Senhora de Paris” em fase de desbaste Oficina de Adelino Moreira Vinhas, 1967-68 [1] S. José Operário Oficina de José erreira Thedim, 1967-68 [2] Santeiro Domingos Correia de Matos Oficina de Adelino Moreira Vinhas (1912-?), 1967-68 [3] Santeiro Alexandre da Costa Santos Oficina de José Ferreira Thedim (1892-1971), 1967-68 [4]

Sousa assume um estudo personalizado e intimista, que se revela nas

my interest for the folk art is, for the most parts, human. In this

fotografias das visitas ue realiza s oficinas e no relacionamento ue

context, I am interested in knowing who and how the potters are,

mantém com estes artistas e canteiros. o catálogo escreve

and how they - despite everything - keep persisting nowadays

“Mas não será melhor conhecer, primeiro e diretamente o povo, realmente criador determina

uais uer ue se am as in u ncias e as

es e, também, sofredor

e certo modo, é cada vez

mais isso – observação e experimentação – que orienta a moderna

(although they do not know why, perhaps they are even forced for reasons that are completely unrelated to any pure aesthetic need) in being genuine and original artisans, or even artists.“ rnesto de Sousa admits that it is not yet time for di erentiation,

etnologia. Conhecendo-o pelo cinema, e por vocação pessoal

but he characterizes the stonemason’s work in the studio of Quintino

talvez, o meu interesse pela arte popular é antes de mais humano.

Vilas Boas, where one “works as if in the Middle Ages, in perfect and

Nesse contexto, interessa-me saber quem são e como são os

dignified artisanal humility children learn the occupation from their

barristas e os canteiros que ainda hoje – apesar de tudo – lá vão

parents, and the notion of originality vanishes entirely in the face of the

persistindo talvez sem saberem por u , talvez até for ados por

work s realism.

raz es bem alheias a ual uer necessidade estética pura a serem

“Franklin is an outsider: his way of working and conceiving work

originais e genuínos artesãos, ou mesmo artistas.”

corresponds to another creative concern, along with marked playful

rnesto de Sousa admite ue ainda n o é tempo para diferencia

o,

mas caracteriza o trabalho de canteiro da Oficina de uintino ilas Boas, onde se trabalha como na Idade

édia, em perfeita e digna

In contrast, he identifies ranklin as a wood sculptor

characteristics.” And even after his death in 1968, he adds: ranklin corresponded and magnified with precision a whole theory of naive and primeval imagery, which we intended to

humildade artesanal os filhos aprendem o ofício com os pais, e a

investigate. Artist and not artisan, to a certain extent excluded

noção da originalidade apaga-se inteiramente diante do realismo do

from his environment - precisely due to artisan inappetence and

trabalho.

disregard of social norms -, represented a typical case of aesthetic

de madeira

m contrapartida, identifica ranklin como um escultor ranklin é um outsider a sua maneira de trabalhar e

investigation, in a non-cultural environment in the literary form.

sculturas da Oficina de José Ferreira Thedim, 1967-68) [5]

conceber o trabalho corresponde a uma outra preocupação criadora,

With a culture, on the contrary, forcefully oral and mnemonic, their

a par de marcadas características lúdicas.” E já depois da morte deste

conceptions corresponded to naive information - which forms the

Santeiro Franklin Vilas Boas (Esposende, 1919-1968) [6]

em 1968, acrescenta:

basis of our theoretical verifications. The encounter with things,

“Franklin correspondeu e ampliou com precisão toda uma teoria do imaginário ingénuo e primevo, ue nos prop nhamos investigar. 1 4

Artista e n o artes o, até certo ponto e cluído do seu meio

2 3

5

6

precisamente por inapetência artesanal e desregramento das normas sociais –, constituiu um caso típico de investigação estética, num meio n o culto no modo literário. Com uma

with the world, was always a first encounter, a source. In ranklin, the conditions of a naive look were thus performed; (...) Just like the purpose of every naive artist, and, here included, every folk artist, we can speak of his a pre re ective cogito. is case among many other diversely significant ones has therefore become paradigmatic - of a determined rural environment.“13


-

cultura, pelo contrário, forçosamente oral e mnemónica, as suas

Ernesto de Sousa assumes his perspective of study on the “Portuguese

COM ROSA RAMALHO, 1964 [1]

concep

Sculpture of popular expression, historical and current,” as being

Rosa Ramalho

constitui a base das nossas verifica

ERNESTO DE SOUSA

[S. Martinho de Galegos,1888-1977]

es correspondiam a uma informa

o ingénua

ue

es te ricas. ... O encontro

part of “deontology of aesthetic knowledge”, which is not that of

negativo p/b 6x6 cm

com as coisas, com o mundo, era sempre um encontro primeiro,

the ethnographer, nor of the archaeologist or even of the historian.14

Direção-Geral do Património

uma origem. Em Franklin realizavam-se assim as condições de um

Instead of starting from the assumptions of these disciplines,

olhar ingénuo ... Como o prop sito de todo artista ingénuo, e,

he sought in popular artists the imagery and the techniques that

aqui incluído, todo o artista popular, podemos falar a seu respeito

characterize the “Portuguese sculpture of popular nature” from

CANTEIROS DE PONTE DE LIMA

de um cogito pré re e ivo. O seu caso entre muitos outros

“determined rural environments”. At the same time he met artists

negativos p/b 6x6 cm

diversamente significativos tornou se assim paradigmático

Cultural/Arquivo de Documentação otográfica

C A

ERNESTO DE SOUSA, 1963

Direção-Geral do Património Cultural/Arquivo de Documentação otográfica

dum

meio rural determinado.”13 Ernesto de Sousa assume a sua perspectiva de estudo sobre a

Vilas Boas Neto) [2]

“Escultura Portuguesa de expressão popular, histórica e atual”, como sendo da ordem da deontologia de conhecimento estético ,

Canteiro António de Araújo [Faldejães, 1901-1967]

ue n o é a do etn grafo, nem do ar ue logo ou mesmo do

conhecido pelo Periquito [3] Canteiro Quintino Vilas Boas Neto

historiador.14 Em vez de partir dos pressupostos destas disciplinas,

[Esposende, 1915-2004] [4]

procurou nos artistas populares o imaginário e as técnicas ue

popular expression from handicraft and was interested in the analysis of its learned in uences. At the same time, he studied academism and one of its manifestations, particularly alive in the north of the country: the activity of the saint-carvers.

rurais determinados”. Ao mesmo tempo que conheceu artistas como

do Coronado (Santo Tirso) where he visited, through the guidance

istério e osa amalho, ue caracterizou como

of Alberto Carneiro (1937-2017), the workshops of the saint-carvers José erreira Thedim

ser capaz que identificar autores e escolas na escultura portuguesa mais anónima. Distinguiu a escultura de expressão popular do

Moreira Vinhas. Although they have a popular sociocultural origin, their

artesanato e interessou-se pelas análises das suas influências

sculpture is “cultured” and canonical. Ernesto de Sousa associates

“cultas”. Paralelamente, estudou o academismo e uma das suas

them with the academic culture of the nineteenth century and this is

manifestações particularmente viva no Norte do país: a atividade

probably due to the fact that they make copies.15 In his photographs,

dos escultores-santeiros.

he highlighted the reductions or enlargements, a specific feature of a

2

Mamede do Coronado (Santo Tirso) onde visitou, pela mão de Alberto

4

Carneiro

, as oficinas dos escultores

santeiros José

ossa Senhora de átima

known for having made the image

of

Entre Janeiro e Março de 1968 deslocou-se por duas vezes a S.

3

anonymous Portuguese sculpture. He distinguished sculpture of

Between January and March of 1968 he travelled twice to S. Mamede

simultaneamente singulares e paradigmáticos , também descreveu

1

described being able to identify authors and schools in a more

caracterizam a “escultura portuguesa de cariz popular” de “meios ranklin ilas Boas,

50 51

istério and osa amalho, who he

characterized as “simultaneously singular and paradigmatic”, also

C A

Canteiro Pompeu filho de uintino

such as ranklin ilas Boas,

Our ady of atima

and Adelino

reproductive practice. rnesto de Sousa emphasizes the finishing in academic art and its association with the “beautiful ideal”, as opposed to the traces

Ferreira Thedim (1892-1971) – conhecido por ter feito a imagem de

of the maker’s gesture in modern art surfaces. It is due to the

Nossa Senhora de Fátima – e de Adelino Moreira Vinhas. Apesar de

impoverishment of the so-called “academic” work that Ernesto de


-

terem uma origem sociocultural popular, a sua escultura é culta e

Sousa underestimates the “cultured” art of the saint-carver in relation

CANTEIROS DE PONTE DE LIMA

can nica. rnesto de Sousa associa os com a cultura académica do

to the spontaneity of the popular artist, emphasising the creative

negativos p/b 6x6 cm

séc. I e isso deve se provavelmente ao facto de fazerem c pias.15

concern of the latter, along with marked playful characteristics that

ERNESTO DE SOUSA, 1963

Direção-Geral do Património Cultural/Arquivo de Documentação otográfica

C A

Canteiro Quintino Vilas Boas Neto [1] [Esposende, 1915-2004] Canteiro Armindo Cerqueira de Araújo (28 anos) e irmão mais novo filhos do eri uito [2] Canteiro António Pereira de Melo [3]

as suas fotografias s o evidenciadas as redu

es ou amplia

es

próprias dos copistas, mas Ernesto de Sousa sublinha a questão do acabamento na arte académica e a sua associa

o com o belo ideal ,

em contraposição com a gestualidade das superfícies da arte moderna. pelo empobrecimento do acabamento dito académico

ue rnesto

precisely in the text that Ernesto de Sousa published about Franklin Vilas Boas Neto, identifying him as the involuntary naive. Ernesto de Sousa

à espontaneidade do artista popular, evidenciando por sua vez, a

the history of this rediscovery with the history of modern art, free from

preocupação criadora deste último, a par de marcadas características

the academics. This rediscovery of naivety is highlighted at the end of a

lúdicas que o diferenciam igualmente do artesão, onde a noção da

chapter of the grantee report that he delivered to the Calouste Gulbenkian

originalidade se apaga inteiramente diante do realismo do trabalho.

Foundation in 1968, in which he reports on the work of Alberto Carneiro:

ranklin ilas Boas

egreiros Sou um ingénuo voluntário , ficou eto, identificando o como o ingénuo involuntário .

“...the young Portuguese sculptor, who had been a saint-carver since he was ten years old, became a truly creative and modern artist. This victory of Alberto Carneiro, is clearly a complex victory

Ernesto de Sousa exalta o valor deontológico dessa memória cultural

against academic culture , which includes, besides an eminent

ingénua, identificando a hist ria desta redescoberta com a hist ria

and passionate autodidacticism, the passage through the night

da arte moderna, livre dos academismos. Esta redescoberta da

courses of technical schools, and the training as a sculptor at

ingenuidade é salientada no final de um capítulo do relat rio de

the School of Fine Arts of Porto [1961-67]; and it is also a victory

bolseiro que entrega à Fundação Calouste Gulbenkian em 1968, onde

against the technology whose lengthy process we are going to

relata o trabalho de Alberto Carneiro:

describe. It must be understood that this victory can only be

“...o jovem escultor português, que tendo sido santeiro desde os dez anos de idade, se tornou um artista verdadeiramente criador e

2

The sentence of Almada Negreiros “I am a volunteer naive,” was recorded

extols the deontological value of this naive cultural memory, identifying

registada precisamente no texto que Ernesto de Sousa publicou sobre

3

completely before the realism of work.

de Sousa menospreza a arte “culta” do escultor-santeiro relativamente

A frase de Almada

1

di erentiate him from the artisan, where the notion of originality fades

oderno. ssa vit ria de Alberto Carneiro, é evidentemente,

comprehended dialectically. It is like the statement of the human against nature: a conquest of nature upon itself.“ In that same year of 1968, when Ernesto de Sousa visited (guided by

uma comple a vit ria contra a cultura académica , ue inclui,

Alberto Carneiro the saint carvers with whom he had made his first

além de um eminente e apai onado autodidatismo, a passagem

formation, the sculptor went to London in a representative moment of

pelos cursos noturnos das escolas técnicas, e a forma

o como

the population s reconfiguration, namely the wave of artists leaving the

escultor pela Escola Superior de Belas Artes do Porto [1961-67];

country grant-aided by the Calouste Gulbenkian Foundation. Ernesto de

mas também uma vit ria contra a tecnologia cu o longo processo

Sousa describes this passage:


vamos descrever. Entenda-se que esta vitória só pode entender-

“I know Alberto Carneiro since 1966. With him, I visited and studied

se dialeticamente.

the imaginaries of S.

como a afirma

o do humano contra a

of his sculptures, until 1968.Flame and tenderness, structures of

Nesse mesmo ano de 1968 em que Ernesto de Sousa visitava, pela

vegetables and land, those pieces still remind me of S. Mamede

m o de Alberto Carneiro, os santeiros escultores onde fizera a sua

do Coronado’s own productions when in the thinning phase

primeira formação, o escultor partia para Londres num momento

before academic finishing , and in another dimension, the roots

representativo da recomposição das populações (nomeadamente

and branches of the tree of ranklin ilas Boas eto

da emigração portuguesa), numa vaga de artistas que saiam do país

I am ust

concerned about a naïf attitude...’).

subsidiados pela Fundação Calouste Gulbenkian. Ernesto de Sousa

Abruptly (for me who had been for two or three years without

descreve esta passagem:

contact with Alberto Carneiro, coinciding precisely with the

“Desde 1966 que descubro Alberto Carneiro. Com ele visitei e estudei

time of change , in

os imaginários de S.

and dozens of trunks hundreds in my memory cut at di erent

amede do Coronado.

fui tendo a surpresa

, it was the forest of Bucholz. ozens

e alegria (o espanto) de ir conhecendo as suas esculturas, até

heights, filled the space of the small isbon gallery, parado ically

1968. Chama e ternura, estruturas vegetais e terra, aquelas peças

increasing its limits by the sensitive destruction of the

ainda hoje me fazem lembrar as próprias produções de S. Mamede

metamorphosed walls in an indefinite horizon. The e hibition was

do Coronado quando na fase do desbaste (antes do acabamento

accompanied by a notebook of pro ects

académico , e numa outra dimens o, as raízes e os ramos de árvore

Black

de ranklin ilas Boas eto S uma atitude na f me interessa... .

“escudos” and I believe that only one copy was sold... In one of the

Bruscamente (para mim que estivera dois ou três anos sem

pages of the notebook, it could be seen a great plan of the author

contactar com Alberto Carneiro, coincidindo precisamente com o

with his hands in evidence and a legend where one could read

tempo de mudan a , em

hands have no meaning anymore’.“16

, foi a

oresta da Bucholz. ezenas

e dezenas de troncos (centenas na minha memória) cortados a paradoxalmente aumentando-lhe os limites pela destruição sensível das paredes metamorfoseadas em horizonte indefinido. A e posi

o

era acompanhada de um caderno de pro etos o Caderno reto – única coisa transacionável: custava cem escudos e julgo que só se vendeu um exemplar... Numa das páginas do caderno via-se um grande plano do autor com as mãos em evidência e uma legenda onde se podia ler

y hands have no meaning anymore .

otebook

o Caderno reto

the

the only tradable thing it costed a hundred

y

Alberto Carneiro had oined the atelier of José erreira Thedim when he

diferentes alturas enchiam o espaço da pequena galeria lisboeta,

16

was 10 years old, after completing his primary education. He worked as an apprentice for two years, making glues and sanding, without making money. At the age of 12 he began to “whittle away” and cut down the saints backs it began with a Our ady e anka, the patroness of Ceylon) ... but her hands and feet were delivered four years later. With 16 years old, he began to “farpar” (modelling with more precision) at Avelino Moreira Vinhas’ atelier. By the age of 20, he would start working on heads, although he also opened his own atelier and returned to his

Segundo consta no relatório de Ernesto de Sousa, Alberto Carneiro

studies at Soares dos Reis School. Alberto Carneiro deliberately left the

entrara para a oficina de santeiro de José erreira Thedim aos

atelier of the saint-carver before even knowing how to carve the heads.

idade, depois de concluir a instru

o primária. Até aos

anos de

trabalhou como

In “Caderno Preto” (Black Notebook), where Alberto Carneiro marks

aprendiz, a fazer colas e a lixar, sem ganhar dinheiro. Aos 12 anos começou

his artistic journey, with departure from London in 1968 and his return

a “pontear por grosso” e desbastar as costas dos santos (começou por

to orto in

uma Sra. De Lanka, padroeira do Ceilão)... mas tardaram ainda quatro

author in which one can read:

anos até lhe entregarem as m os e os pés. Aos

come ou a farpar

desbastar com mais precis o na oficina de Avelino

oreira inhas e s

aos 20 começaria a trabalhar cabeças, mas por essa altura abriria uma

.

e find two entrance doors, two photographs of the

“My hands have no meaning anymore” “Within Your Eyes I Am Art-Form-Feelings”

oficina pr pria e voltaria aos estudos na scola Soares dos eis. Alberto

He possessed the original skill of the saint-carver, however, the

Carneiro dei ou deliberadamente a oficina de santeiro antes de saber

symbiosis he sought with his work would simultaneously be a process

fazer as cabeças. No “Caderno Preto”, onde Alberto Carneiro marca o seu

of moving away from his place of origin - and it occurs with a process

percurso artístico, com partida para Londres em 1968 e o seu regresso ao

of formal learning until the end of his studies in Saint Martin’s School

orto em

. eparamos com duas portas de entrada, duas fotografias

in London - and due to the encounter with the aesthetic experiences carried by him. In “Caderno Preto” (Black Notebook) he wrote:

do autor onde se lê:

“The message varies with the change of the signal, but this one is

“My hands have no meaning anymore”

determined according to the viewer.

“Within your eyes I am Art-Form-Feelings”

hat I o er you is a program for

action. The meaning and ob ectification of the contents is on him her

o é ue lhe faltasse a destreza original do santeiro, mas a simbiose 52 53

amede do Coronado. And I had the surprise

and joy (the astonishment) in being able to watch the development

natureza: uma conquista da natureza sobre si própria.”

the viewer is the one who determines both the values and quantities.“It

que procurava com a sua obra passaria simultaneamente por um

will be the understanding of Art as a theatre or action program, the

processo de afastamento do seu lugar de origem – e que ocorre

indissociation between form-content and the extension between art

com um processo de aprendizagem formal até

and life where action is more important than the final result that will

finaliza

o dos

estudos na Saint Martin’s School em Londres – e pelo encontro com

allow Ernesto de Sousa to move from critical realism to the vanguard,

as e peri ncias estéticas por si transportadas.

understood as a profoundly transforming revolution. From the moment

escreve A mensagem varia com a altera determinado em fun programa para a

o Caderno reto

o do sinal, mas este é

o do espectador. O ue eu lhe ofere o é um

o. A significa

o e coisifica

o dos conte dos

está nele é ele uem lhes determina os valores e as uantidades.

the cinema records images which, when seeking to be, also reveal themselves. This fold transforms the means into medium. Transforms the document into an instrument of thought. More available and less final, photography is simultaneously a result and a reading key, a visual


Será o entendimento da Arte enquanto teatro ou programa de

document and an observation and thought provoking tool that implied

ação, a indissociação entre forma-conteúdo e a extensão entre arte

the search and the raise of awareness, the survey and systematization,

e vida onde a a

the assembly and theoretical development. This is the only way to

o é mais importante ue o resultado final

ue

permitirá a Ernesto de Sousa passar do realismo crítico à vanguarda,

understand that a diversity of complementary work may have arisen,

entendida enquanto revolução profundamente transformadora.

both in terms of established parallelism between objects and working

Desde logo o cinema regista imagens que, ao procurarem ser, se

methods, as well as regarding to the experimentalism accumulated

revelam. Esta dobra transforma o meio em medium. Transforma

by the diversity of his work that would result in mixed media. This

o documento em instrumento de pensamento. Mais disponível e

course of research on folk art and sculpture of popular expression, in

menos final, a fotografia é simultaneamente um resultado e uma

the complexity of its photographic condition, will allow us to better

chave de leitura, documento visual e ferramenta de um trabalho de

understand the expression “aesthetic operator” with which Ernesto de

observação e pensamento que implicou a procura e o dar a conhecer,

Sousa identified himself.

o levantamento e sistematização, a montagem e desenvolvimento teórico. Só assim se entende que uma diversidade de trabalho complementar possa ter surgido, tanto no que respeita aos paralelismos estabelecidos entre objetos e entre meios de trabalho, como relativamente ao experimentalismo acumulado pela diversidade do seu trabalho e que viria a resultar nos mixed-media. Este percurso da investigação sobre arte popular e escultura de expressão popular, na comple idade da sua condi

o fotográfica, permitir

nos á compreender melhor a e press o operador estético com ue rnesto de Sousa se identificou. Paula Pinto, Junho 2017

Ernesto de Sousa fundou um cineclube com o mesmo nome (Imagem), mas oito anos antes tinha já tentado legalizar o Círculo de Cinema , uma das primeiras sociedades fílmicas em ortugal. O cineclube Imagem tem os seus estatutos aprovados pelo SNI a 16/08/1956, tendo sensivelmente três anos de atividade . Os críticos da revista eram na sua maioria s cios ou até dirigentes do cineclube. 2 Um outro e certo do te to de e o enedo fora publicado sob o título O omem dos antoches um inédito de e o enedo , uma Antologia de autores portugueses, na revista a planície, , p. . er énia de Oliveira, om oberto da fic o narrativa uase inédita ao fen meno cinematográfico, Trabalho de Projeto de Mestrado em Edição de Texto, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, Agosto 2008 (não publicado). 3 or essa mesma altura rnesto de Sousa tinha á realizado um documentário sobre O atal na Arte ortuguesa e estava encarregue de criar o Círculo de Cinema perimental, untamente com José Augusto ran a, José Borrego, e o enedo, Ant nio eto, Sebasti o onseca e onseca Costa. Apesar da breve existência deste Círculo (1956-1957), a intenção de constituírem uma cooperativa de cinema contribuiu para dar forma ao que viria a ser a Cooperativa do Espectador para Produção de Filmes (1959), uma sociedade ue tem por ob etivo apoiar financeiramente a produ o do filme om oberto e proporcionar uma perspetiva de continuidade de trabalho à respetiva equipa. 4 otolito é um filme transparente acetato ou poliéster coberto com sais de prata, fotossensível, ue serve de suporte visual para diversos tipos de informa o. o medium intermediário entre a finaliza o arte final e o material impresso, geralmente em o set. os anos e era utilizado para produzir a arte final, através do recorte, colagem e montagem das artes gráficas. O fotolito era gravado por processo fotográfico. 5 André alrau , useum ithout alls , em The oices of Silence, ew ork oubleday Company, Inc., 1953; trans. Stuart Gilbert, Garden City, NY: Grove Press, 1953 (Primeira edição Les Voix du silence, Paris: NRF, 1951/ Primeiro publicado no Paris Match em 1947). 6 Acerca do uso de reprodu es fotográficas por André alrau ver enri erner, alrau and the ower of Photography”, em Geraldine A. Johnson (ed.), Sculpture and Photography: Envisioning the Third Dimension, United Kingdom: Cambridge University Press, 1998, pp.116-130. Ver ainda Georges Didi-Huberman, L’Album de l art l épo ue du usée imaginaire , aris azan, . Outra autora crítica do uso fotográfico de André alrau é ary Bergstein, Introduction ssay , em elene . oberts ed. , Art istory through the Camera’s Lens, Gordon and Breach Publishers, 1995, pp.10-11. 7 rnesto de Sousa, Um scultor Ingénuo , in Col uio revista de artes e letras, . , ez. , p. . 8 Ernesto de Sousa, in brochura Barristas e Imaginários: 4 artistas populares do norte, Galeria Divulgação, Lisboa, 1964. 9 Ernesto de Sousa, “Introdução aos estudos e práticas interculturais”, in II Congresso dos Escritores Portugueses (1982) – Discursos, Debates, Moções, Saudações, Edição da APE (Associação Portuguesa de Escritores), Publicações Dom Quixote, Lisboa, p.213. 10 Sobre a profusão de levantamentos sobre o país ver Joaquim Pais de Brito, “No tempo da descoberta de um escultor , in Onde mora o ranklim Um escultor do acaso, isboa useu acional de tnografia, . 11 O Scandinavian Institute of Comparative andalism foi fundado em por Asger Jorn, eter lob, erner Jaconsen useu acional da inamarca e olger Arbman Universidade de und, Suécia com o intuito de estudar a cultura Escandinava na idade das migrações e dos Vikings. Asger Jorn viajou durante 3 anos pela scandinávia com o fot grafo érard ranceschi ue tinha trabalhado para o useu Imaginário de André alrau com o intuito de reproduzir visualmente os diferentes períodos da arte ndala e de os comparar com a tradi o Clássico atina. O ob etivo de Asger Jorn era o de criar uma alternativa visual história da arte tradicional, mas acabou por abandonar o seu projeto de publicar 32 volumes dedicados ao tema , Anos de Arte opular rdica, uando lhe foi recusada autoria académica sobre o conte do hist rico. Um ar uivo com c. , fotografias permanece no Silkeborg unstmuseum. 12 Realizado pelas Associações de estudantes, o Ciclo de Etnologia e Cultura Popular contou com a confer ncia rincípios basilares das Ci ncias tnol gicas , proferida pelo r. rnesto de Oliveira, a confer ncia ilustrada A Unidade e a ariedade em ortugal , proferida pelo rof. outor Orlando ibeiro. O aestro ernando opes ra a proferiu igualmente uma confer ncia ilustrada com e emplos musicais intitulada A sica opular ortuguesa . O Ar . Ant nio into reitas fez uma e posi o sobre Ar uitetura Popular” e Ernesto de Sousa dirigiu um colóquio sobre os “Barristas e Imaginários”. 13 rnesto de Sousa, Um scultor Ingénuo , in Col uio revista de artes e letras, o. , ez. , p. . 14 rnesto de Sousa, elat rio de trabalho efetuado nos meses de Outubro, ovembro e ezembro de no âmbito da bolsa concedida pela Fundação Calouste Gulbenkian para o estudo da escultura portuguesa de expressão popular. Este documento encontra-se em depósito no Espólio Ernesto de Sousa na Biblioteca acional de ortugal c e no Ar uivo da unda o Calouste ulbenkian SBA . O mesmo relat rio está publicado em rnesto de Sousa e a Arte opular, uimar es Centro Internacional de Arte José de Guimarães, 2014, pp.49-95. 15 Ernesto de Sousa refere particularmente a obra do escultor Teixeira Lopes, de quem Thedim possuía alguns gessos e em honra dos uais tinha dedicado um espa o museográfico na sua pr pria oficina. 16 rnesto de Sousa, Alberto Carneiro. A arte ecol gica e a reserva natural , in Col uio, o. a. série , Fevereiro 1974, p.29.

rnesto de Sousa founded a film club with the same name Image , but eight years earlier he had tried to legalize the Círculo de Cinema Cinema Circle , one of the first film societies in ortugal. The Cineclube “Imagem” has its by-laws approved by the SNI on 16/08/1956, having approximately three years of activity . agazine critics were mostly partners or even film directors. 2 Another e cerpt from an unprecedented e o enedo s te t had been published under the title O omem dos Fantoches” (The Puppet Man), an Anthology of Portuguese authors, in the magazine “A planície” (The Plain), , p. .See énia de Oliveira, om oberto from the unpublished narrative fiction almost to the cinematographic phenomenon, Master’s Project in Text Editing, Faculty of Social Sciences and Humanities of the Nova University of Lisboa, August 2008 (unpublished). 3 By that same time Ernesto de Sousa had already made a documentary on O atal na Arte ortuguesa (Christmas in Portuguese Art) (1954) and was in charge of creating the “Círculo de Cinema Experimental” perimental Cinema Circle , together with José Augusto ran a, José Borrego, eon enedo, Ant nio eto, Sebastião Fonseca and Fonseca Costa. Despite the brief existence of this Circle (1956-1957), the intention to set up a film cooperative contributed to the formation of what would become the Cooperativa do spectador para Produção de Filmes” (Spectator Cooperative to Film Production) (1959), a company whose objective was to provide financial support to the production of the film om oberto and provide a perspective of work s continuity to the respective team. 4 hotolith is a transparent film acetate or polyester covered with silver salts, photosensitive, which serves as visual support for various types of information. It is the intermediate medium between the finishing final art and the printed material, usually in o set. In the s and s it was used to produce the final art, through the cutting, gluing and assembly of the graphic arts. The photolith was recorded though photographic process. 5 André alrau , useum ithout alls, in The Voices of Silence, New York: Doubleday & Company, Inc., 1953; Trans. Stuart Gilbert, Garden City, NY: Grove Press, 1953 (First edition Les Voix du silence, Paris: NRF, 1951 / First published in Paris Match in 1947). 6 On the use of photographic reproductions by André alrau , see enri erner, alrau and the ower of Photography” in Geraldine A. Johnson (ed.), Sculpture and Photography: Envisioning the Third Dimension, United Kingdom: Cambridge University Press , 1998, pp.116-130.See also Georges Didi- Huberman, L’album de l’art à l épo ue du usée imaginaire , Paris: Hazan , 2013. Another critical author of Andre Malraux’s photographic use is Mary Bergstein, “Introduction Essay,” in Helene E. Roberts (ed.), Art History through the Camera’s Lens, Gordon and Breach Publishers, 1995, pp. 10-11. 7 rnesto de Sousa, Um scultor Ingénuo A aive Sculptor , in Colloquium: journal of arts and letters, N.61, Dec. 1970, p.3-13. 8 Ernesto de Sousa, in brochure “Barristas e Imaginários: 4 artistas populares do norte” (Potters and Imaginaries: four Portuguese artists from the North), Divulgação Gallery, Lisbon, 1964. 9 Ernesto de Sousa, “Introdução aos estudos e práticas interculturais” (Introduction to intercultural studies and practices), in II Congress of Portuguese Writers (1982) - Discourses, Debates, Motions, Greetings, APE (Portuguese Writers Association) P.213. 10 On the profusion of surveys about the country see Joa uim ais de Brito, o tempo da descoberta de um escultor” (At the time of the discovery of a sculptor), in Onde mora o ranklin here does ranklin live A sculptor of chance, Lisbon: National Museum of Ethnography, 1995. 11 The Scandinavian Institute of Comparative Vandalism was founded in 1961 by Asger Jorn, Peter Glob, Werner Jaconsen (National Museum of Denmark) and Holger Arbman (University of Lund, Sweden) with the aim of studying the Scandinavian culture in the age of migration and the Vikings.Asger Jorn traveled for 3 years in Scandinavia with the photographer érard ranceschi who had worked for the Imaginary useum of André alrau with the purpose of visually reproducing the di erent periods of andal art and comparing them with the Classical-Latin tradition. Asger Jorn’s goal was to create a visual alternative to the history of traditional art, but eventually abandoned his project of publishing 32 volumes devoted to the theme “10,000 Years of Nordic Folk Art” when he was refused academic authorship on historical content. A file with appro . , photographs remains at the Silkeborg Kunstmuseum. 12 Held by the Student Associations, the Cycle of Ethnology and Popular Culture relyed on the conference “Princípios basilares das Ciências Etnológicas” (Basic Principles of Ethnological Sciences) given by Dr. Ernesto de Oliveira, the illustrated lecture A Unidade e a ariedade em ortugal Unity and ariety in ortugal , given by the rof. octor Orlando ibeiro. The aestro ernando opes ra a also gave an illustrated conference with musical examples entitled “A Música Popular Portuguesa” (Popular Portuguese Music). The Architect António Pinto Freitas made an exhibition on “Arquitetura Popular” (Popular Architecture) and Ernesto de Sousa directed a colloquium on “Barristas e Imaginários” (Potters and Imaginaries). 13 rnesto de Sousa, Um scultor Ingénuo A aive Sculptor , in Colloquium: journal of arts and letters, No.61, Dec. 1970, p.3-13. 14 rnesto de Sousa, elat rio de trabalho efectuado nos meses de Outubro, ovembro e ezembro de ork report carried out in the months of October, ovember and ecember of within the scope of the grant delivered by the Calouste Gulbenkian Foundation for the study of Portuguese sculpture of popular expression.This document is deposited in Ernesto de Sousa’s collection, located at the National Library of Portugal (D6 cx-4) and in the Calouste Gulbenkian Foundation’s Archive (SBA-14847). The same report is published in “Ernesto de Sousa e a Arte Popular” (Ernesto de Sousa and Folk Art), uimar es José de uimar es International Art Centre, 2014, pp. 49-95. 15 Ernesto de Sousa particularly refers to the work of the sculptor Teixeira Lopes, of whom Thedim owned some plasters and dedicated a “museographic” space in his own atelier. 16 Ernesto de Sousa, “Alberto Carneiro. A arte ecológica e a reserva natural”, (Alberto Carneiro. Ecological art and the natural reserve), in Colloquium, No.16 (2nd series), February 1974, p.29.

1

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PROJETOS CURATORIAIS exposições CURATORIAL PROJECTS exhibitions – CELEBRAÇÃO DE JOSÉ RODRIGUES E RAQUEL ROCHA | CELEBRATION OF JOSÉ RODRIGUES E RAQUEL ROCHA Comissárias/Curators Ágata Rodrigues & Raquel Rocha 80 ANOS 80 INTERPRETAÇÕES DE JOSÉ RODRIGUES HOMENAGEM AO MESTRE | 80 YEARS 80 INTERPRETATIONS OF JOSÉ RODRIGUES TRIBUTE TO THE MASTER Comissários/Curators Ágata Rodrigues, Alfredo Vieira & Luísa Prior – APROPRIAÇÃO, DESEJO E MEMÓRIA | APPROPRIATION, DESIRE AND MEMORY Comissário/Curator Jaime Silva – A PÓS-PRODUÇÃO ARTÍSTICA [...] | THE ARTISTIC POST-PRODUCTION [...] Comissários/Curators Filipe Rodrigues & Humberto Nelson LIVRO DE ARTISTA, COMO? QUANDO? ONDE? | ARTIST BOOK, HOW? WHEN? WHERE? Comissária/Curator Ana Maria Pintora – O FACTOR CAVALO, EMERGÊNCIAS E FULGURAÇÕES VERNACULARES NA PRÁTICA ARTÍSTICA CONTEMPORÂNEA | THE HORSE FACTOR, VERNACULAR EMERGENCIES AND FULGURATIONS IN CONTEMPORARY ARTISTIC PRACTICE Comissário/Curator Nuno Faria – REPÚBLICA DAS ARTES | ARTS REPUBLIC Comissário/Curator Associação Projecto-Núcleo de Desenvolvimento Cultural


CELEBRAÇÃO DE JOSÉ RODRIGUES E RAQUEL ROCHA CELEBRATION OF JOSÉ RODRIGUES AND RAQUEL ROCHA

CURADORIA ÁGATA RODRIGUES E RAQUEL ROCHA

80 ANOS 80 INTERPRETAÇÕES DE JOSÉ RODRIGUES HOMENAGEM AO MESTRE 80 YEARS 80 INTERPRETATIONS OF JOSÉ RODRIGUES TRIBUTE TO THE MASTER CURADORIA ÁGATA RODRIGUES, ALFREDO VIEIRA E LUÍSA PRIOR

56 57


CREDIT©FILIPE BRAGA/2016

PT

EN

A Vida e o Amor são celebrados ao longo desta

Life and Love are celebrated throughout this

exposição que nos oferece os últimos trabalhos

e hibition that o ers us the latest works of José

de José Rodrigues. Trata-se dum conjunto único e

Rodrigues. It is a unique and unprecedented set

inédito onde os desenhos foram “nascendo” a duas

where the drawings were born through the two

mãos com a pintora Raquel Rocha. Desde 2015, e por

hands of the painter Raquel Rocha. Since 2015, and

mais de ano e meio, as folhas de papel ganharam vida

for over a year and a half, the sheets of paper have

ao serem preenchidas com o traço forte e maduro de

come to life as they are filled with José odrigues

José Rodrigues e envoltos pela minúcia rigorosa da

strong and mature features and are surrounded

linha de Raquel Rocha. No Convento de S. Paio, casa

by the rigorous detail of a uel ocha s line. In the

e atelier de José Rodrigues encontramos o cenário de

Convento de S. Paio (S. Paio Convent), both home

excelencia para vermos esta exposição!

and studio of José odrigues, we find the scenery of excellence to attend this exhibition!


58 59

DIOGO GOES

artist s name

DIVA BARRIAS DO CARMO VIEIRA JOSÉ ROSINHAS ELIZABETH LEITE

JOSÉ SILVA

ELSA LÉ

JÚLIA PINTÃO

EMERENCIANO

JÚLIO CAPELA

EVELINA OLIVEIRA

JÚLIO DE MATOS

FEIO

LAUREN MAGANETE

FERNANDA ARAÚJO

LISETA AMARAL

FERNANDA BOAS

LUÍS PAULO MARTINS

FILIPE RODRIGUES

LUÍSA FERREIRA

FILOMENA FONSECA

LUÍSA PRIOR

_

FLORENTINA RESENDE

M. L. CHICHORRO RODRIGUES

ACÁCIO DE CARVALHO

GÉRARD MORLA

MANUEL SOUSA PEREIRA

AFONSO PINHÃO FERREIRA

GRAÇA MARTINS

MARGARIDA BARRA

AGOSTINHO SANTOS

HÉLDER SANHUDO

MARGARIDA LEÃO

ALBERTO PÉSSIMO

HELENA FORTUNATO

MARIA AFONSO

ANTERO GUERRA

HELENA LEÃO

MARIA ROSAS

ARTUR MOREIRA

HELENA ROCIO JANEIRO

MARTA DE AGUIAR

ALEXANDRE ROLA

HENRIQUE DO VALE

MIGUEL NEVES OLIVEIRA

ALVARENGA MARQUES

HUMBERTO NELSON

MIRENE

ANA BORG

ISABEL DE ANDRADE

NAZARÉ ÁLVARES

ANA CARVALHO

ISABEL DE SÁ

NETTIE BURNETT

ANA DE CASTRO

ISABEL LHANO

NUCHA CARDOSO

ANA STINGL

ISABEL MOURÃO ALVES

NUNO RAMINHOS

ANTÓNIO PINTO

ISILDA PATROCÍNIO

OTÍLIA SANTOS

ARMANDO ALVES

JAIME CANHA

PAULO HERNÂNI

AUGUSTA ALBUQUERQUE

JOÃO CARQUEIJEIRO

PAULO NEVES

AVELINO ROCHA

JOÃO PEDRO RODRIGUES

RAQUEL ROCHA

BALBINA MENDES

JORGE MARINHO

RICARDO DE CAMPOS

CABRAL PINTO

JORGE PINHEIRO

RICARDO FONSECA

CATARINA MACHADO

JOSÉ ANTÓNIO NOBRE

ROSA BELA CRUZ

CÉU COSTA

JOSÉ DUARTE

ROSA RAMOS

CLÁUDIA ROCHA

JOSÉ EMÍDIO

ZULMIRO DE CARVALHO

PT

EN

Esta exposição resulta da vontade de Agostinho

This exhibition is the result of Agostinho Santos and

Santos e Luísa Prior em homenagear o homem de

JOSÉ MAIA

nome dos artistas

uísa rior s will in onouring a man of a ection,

afetos, generoso e sempre disponível para os seus

generous and always available to his friends

amigos - José Rodrigues. A iniciativa pensada para as

José Rodrigues. The initiative designed for the

comemorações dos seus 80 anos despoleta em mais

celebrations of its 80 years triggers in more than

de 80 artistas a vontade de homenagear o Mestre.

80 artists, the desire to honour the Master. This

O resultado, é esta exposição onde o artista e a sua

e hibition is the result, where the artist and his

obra s o retratados através do desenho, fotografia,

work are portrayed through drawing, photography,

pintura, instalação e escultura.

painting, installation and sculpture.


CREDIT©JÚLIO DE MATOS/2004


APROPRIAÇÃO, DESEJO E MEMÓRIA APPROPRIATION, DESIRE AND MEMORY CURADORIA JAIME SILVA —

ISABELLE FARIA [1]

60 61

1


PT Os artistas refazem a realidade apropriandose de formas ue tornam significantes ao olhar do espectador, ora partindo de uma intimidade formatada pelo desejo de expressividade, ou em outros casos, assumindo claramente um postura interventiva, que toma em consideração o dado sociológico, mesmo uma antropologia do presente. As considerações expandidas neste texto surgem motivadas pelo trabalho desenvolto por um conjunto de artistas residentes em Lisboa e cuja presença, no tecido artístico português, é marcante. Atentemos na obra destes artistas, cujos nomes passo a citar: Ana Lima-Netto, Ana Velez, Isabelle Faria, Marta Sampaio Soares, Lourenço de Castro, José António Quintanilha, Luís Silveirinha, Martim Brion e Vasco Futscher. Nas suas obras encontraremos motivações transcritas em discursos não simplistas - olhares sobre passados mais ou menos recentes, mas reconsiderados; e extrema sensibilidade às questões políticas do nosso tempo. Abordar a obra destes artistas pelo lado do paradigma pictural poderá parecer destituído de senso numa primeira leitura mas, se re etirmos sobre o seu trabalho no sentido em que a posição do espectador (na versão tradicional de contemplador da Obra) se alterou profundamente, ao menos desde o final do século I , se tivermos em conta as bem posteriores propostas de Greenberg, que reduzem a dicotomia inerente ao Quadro na sua operacionalidade: delimitação versus expansão a uma total planifica

o, com a conse uente

normalização purista e as sequelas da sua rejeição - assumidas no pressuposto de uma pretendida rela

o entre Arte e ida, ent o ficaremos mais

aptos a entender estes percursos individuais, situáveis no contexto da Arte Contemporânea. Complexa a questão da contemporaneidade? Giorgio Agamben no seu livro: “O que é o Contemporâneo?” e a sua sintética declaração de que “contemporâneo é o que recebe em plena face o feixe de trevas que provém do seu tempo , isto é, o ue fi a o olhar sobre o seu tempo, não para perceber a sua luz, mas a sua obscuridade” – foca a necessidade de problematizar uma situação que, por vezes, parece decorrer sem sobressalto de maior. ltiplas re e

es, razoavelmente consensuais,

vindas da parte de artistas, curadores, historiadores e críticos de arte, intentam definir a multiplicidade processual do contemporâneo, mas creio que uma boa atitude neste âmbito, passa pela observação da obra individual e/ou coletiva, e pela atenção prestada à declaração de intenções dos artistas. Em Ana Lima-Netto, o lado tecnológico é marcante, sem ser evidentemente definitivo as suas estruturas construídas através do uso de um polímero termoplástico extrudido (cola quente) – são em si mesmas redes de padrão caótico, que até na cor negra, se entenderão como paradigma

da construção social – entre o condicionalismo, a

Romântica”, “Diferença e Repetição” (título de um

imposição normativa e a questão da subjetividade

célebre livro do fil sofo eleuze e ue a ui, num

comportamental.

quadro-manifesto, aponta para a corporização de

As suas peças inserem-se de pleno direito numa

uma tese do fil sofo o grau má imo de diferen a é o

leitura contemporânea do objeto artístico, na sua

que existe na repetição de algo idêntico. Apresenta

m ltipla filia

na Bienal outras peças com títulos sintomáticos,

o e fun

o linguística.

Ana Velez consubstanciou as suas pesquisas, em

e entende a Pintura como “a história de algo

notável exposição, que ocorreu recentemente na

que se tornou real em simultâneo com o próprio

Galeria Pintor Fernando de Azevedo, da Sociedade

acontecimento” (palavras do artista).

Nacional de Belas Artes.

A presen a das fotografias de José António

No que se poderia considerar como de instalação

Quintanilha é incontornável. Pela dimensão, pela

site specific em vers o minimalista, a autora

qualidade de execução, pelas leituras que suscitam.

apresentou com desenvoltura uma proposta de

A sua pesquisa efetuada através de imagens

trabalho que considerava um tempo pessoalmente

cuidadosamente escolhidas, propõe uma exploração

vivido, fotográfica e picturalmente documentado,

de espaços, ideias e conceitos, não inseríveis

introduzindo com pertinência a questão da

numa vers o serial definida pela contiguidade das

subjetividade num contexto conceptual, que

imagens, mas exatamente pelo seu oposto, isto é,

remeteria mais para a sua consideração canonizada

pelo seu confronto e dissemelhança. O espectador

e historicista, que para o lado da sua subversão.

imerge então num universo que solicita o seu

Apresenta em Cerveira algumas pe as fotográficas

empenhamento e uma certa capacidade discursiva.

e uma Pintura.

As quatro obras expostas da série “Figuras do Mito”

Isabelle Faria utiliza meios distintos de expressão

relevam, segundo o autor, de um antropomorfismo

e pesquisa que domina na perfeição. Da Pintura

atuante”, propondo deliberadamente uma

à Instalação e ao Desenho, a presença do corpo

certa consanguinidade de características entre

é marcante, mesmo na sua ausência (se envolto

humanos e animais.

pelas roupagens de um cenário luxuriante). A autora

O que se esqueceu, o que insistentemente devemos

apresenta na XIX Bienal de Cerveira, desenhos

recordar, o que está para trás na História, é-nos

de grande formato, que pertencem a séries que

relembrado e transmitido pelos excelentes

interrogam a fábula social, a fic

desenhos executados por Luís Silveirinha com

o e atra

o pelo

poder e os seus correlatos pecados: luxúria, gula,

meios tradicionais carv o e grafite . stes desenhos

por e emplo. Os animais antropomorfizados,

agora expostos em Cerveira, intitulam-se de

remetem para o imaginário infantil, para as

”Nativos” e enquadram-se num projeto cognitivo

hist rias ue nos formataram, e ue afinal nos

de grande fôlego - que se assume como “novo atlas

predispõem ao jogo social, avisando-nos no entanto

de configura

dos seus perigos e desvairos, não isentando o

de vivências” (palavras do artista). De facto, o

espectador de re e

conceito de estranheza está-lhes adstrito e é fator

o moral.

Uma das possibilidades de sobrevivência, no

es ue se sobrep e a territ rios

constituinte da leitura do observador.

contexto de uma sociedade digital, aponta para

Martim Brion dispõe de uma formação académica

a criação de Obra, que em si mesma se baseie

que apontaria para outros e diferentes percursos,

em gestos precisos e simples. Poesia ao alcance

mas o jovem artista soube com inteligência,

de todos, partilha de sentimentos e emoções

organizar e desenvolver para uso próprio e desfrute

agregadoras. A artista Marta Sampaio Soares:

nosso, uma consistente atividade artística.

corta, junta, sobrepõe, risca, coze, verte… e, na

Obras site specific, interven

evidência táctil das suas propostas, intende

e escultura, são vertentes da atividade deste

recuperar uma sensibilidade primordial. Gestos

jovem autor. As peças apresentadas dialogam

de confirma

entre si, solicitando ao espectador uma leitura

o primeva. egresso ao ue no início

o fotográfica

de tudo, sustenta e define a nossa compreens o

participativa e uma atualização de memórias, agora

do mundo.

reinterpretadas, revivificando conte tos de leitura.

As peças expostas desta artista, numa instalação

Vasco Futscher num País como o nosso, com vasta

designada de “Elementos de tecido”, resultam de

e forte presença do azulejo e da cerâmica, está a

um processo de “composição de forma, textura e

construir um percurso muito interessante, que em

cor, que evidencia a sensualidade da matéria e dos

grande medida desmonta e subverte os códigos

objetos” (palavras da artista). São formas simples,

utilitários e/ou decorativos, que subjazem à sua

de expressão elementar, como é requerido no

habitual aplicação.

contexto citado.

As peças de cerâmica que apresenta em Cerveira,

Lourenço de Castro pauta a sua intervenção

em diálogo com esplêndidos desenhos, inserem-

artística pela criação de esculturas, por instalações

se então num contexto de leitura que, como refere

que podem considerar a presença pictural, ou com

Jo o inharanda, tem como finalidade continuar

peças designadas como por exemplo: “Paisagem

a quebra moderna e pós-moderna de toda a norma


canónica antiga”. O método de trabalho comporta em ambos os casos dois momentos sequenciais. Nos desenhos, um primeiro momento de um gesto expansivo e um segundo momento que introduz o rigor de réguas ou escantilhões, que limitam a inicial expressividade. No caso das peças em grés, existe uma primeira fase mais mecânica (utilizando uma extrusora) e o posterior trabalho da mão que amassa, recorta, transforma e define o sentido global da peça. A presença destes artistas nesta XIX Bienal, permite a divulgação da sua Obra no contexto de um evento com vasta repercussão nacional e internacional, encetando um diálogo com um público que se presume interessado e informado. Jaime Silva/Caxias, 20 de Abril de 2017

EN Artists recreate reality by seizing forms that become meaningful to the viewer s perspective, either starting from an intimacy shaped by the desire of expressiveness, or in other cases, clearly assuming an interventionist stance, which takes into account sociological data, an Anthropology of the present. The expanded considerations in this text are motivated due to the work developed by a group of artists residing in isbon and whose presence in the ortuguese artistic field is remarkable. et us focus on the work of these artists, whose names I will mention Ana Lima-Netto, Ana Velez, Isabelle Faria, Marta Sampaio Soares, Lourenço de Castro, José António Quintanilha, Luís Silveirinha, Martim Brion and Vasco Futscher. In their works we will find motivations transcribed in non simplistic discourses looks about a sort of recent, but reconsidered pasts; and extreme sensitivity to the political issues of our time. Approaching the work of these artists on the side of the pictorial paradigm may seem to be devoid of sense in a first reading, but if we re ect on their work in the sense that the viewer s position the traditional version of the artwork s observer has changed profoundly, at least since the end of the nineteenth century, if we take into account the very later proposals of reenberg, which reduce the inherent dichotomy of the ramework in its operability: delimitation versus expansion - to a total planning, with conse uent purist normalization and the sequels of its rejection - asserted on the assumption of an intended connection between Art and ife, then we will be better able to understand these individual paths, located in the context of Contemporary Art. Is it complex the question of contemporaneity? iorgio Agamben in his book

hat is

Contemporary?” and its synthetic declaration that the contemporary is the one which receives in its face a beam of darkness that comes from its time ,


that is, the one which fi es the gaze on its time,

Isabelle Faria uses di erent forms of e pression

in the series “Figuras do Mito” refer to “an active

to perceive not its light, but rather its obscurity “ -

and research, which she perfectly masters. rom

anthropomorphism”, deliberately proposing a

focuses on the need to problematize a situation that

painting to installation and drawing, the presence

certain consanguinity of characteristics between

sometimes seems to run smoothly.

of the body is striking, even in its absence if

humans and animals.

ultiple and reasonably consensual re ections from artists, curators, historians and art critics attempt to define the multiplicity of the contemporary

enveloped by the garments of a luxurious scenario). The author presents large format drawings at the I Cerveira wwInternational Art Biennial, which

hat is forgotten, what we must insistently remember, what is behind us in history, is remembered and transmitted to us through the

process, but I believe that a g-ood attitude in this

belong to a series that interrogate the social

e cellent drawings e ecuted by Luís Silveirinha

field includes the observation of the individual and

fable, fiction and attraction for power and their

with traditional means charcoal and graphite .

or collective work, and the attention to the artists

related sins: lust and gluttony, for example. The

These drawings, now e posed in Cerveira, are called

declaration of intent.

anthropomorphized animals refer to the children s

In Ana Lima-Netto, the technological side is

imagination, to the stories that shaped us, and

striking, without being clearly definitive its

which ultimately prepare us to the social game,

structures, constructed through the use of a

warning us of its dangers and follies, not e empting

thermoplastic adhesive (hot glue), - are themselves

the spectator from moral re ection.

is attached to them and is an integrated factor in

networks of chaotic patterns, which even in black

One of the possibilities of survival, in the context

the observer s reading.

colour, will be understood as a paradigm of social

of a digital society, points to the creation of a

Martim Brion has an academic training that would

construction between conditionalism, normative

ork, which itself is based on precise and simple

atives and fit into a far reaching cognitive design which is assumed as a new atlas of configurations that overlaps with territories of e periences artist s words . In fact, the concept of strangeness

point out to other and di erent paths, but the

imposition and the question of behavioural

gestures. oetry within the everyone s reach, the

young artist knew how to intelligently organise and

subjectivity.

sharing of feelings and aggregating emotions.

develop a consistent artistic activity for his own use

The artist Marta Sampaio Soares: cut, gathers,

and for our enjoyment.

overlays, scratches, sews, sheds... and, in the tactile

Site specific artworks, photographic intervention

linguistic function.

evidence of its proposals, she intends to recover a

and sculpture are some aspects of this young

Ana Velez embodied her research, in a remarkable

primordial sensitivity. They are ancient confirmation

author s activity. The artworks presented dialogue

e hibition, which recently took place at ainter

gestures. I return to what sustained and defined our

with each other, asking the spectator for a

Fernando de Azevedo Gallery, in the National Society

understanding of the world, at the beginning

participatory reading and an update of memories,

of Fine Arts.

of everything.

now reinterpreted and reviving reading conte ts.

In what could be considered as site specific

The artworks e hibited by this artist, in a facility

Vasco Futscher is building a very interesting

installation in a minimalist version, the author

called “Fabric Elements”, result from a process

route in a country like ours, with a vast and strong

presented with ease a work proposal that she

of “composition of form, texture and colour,

presence of tile and ceramics, which largely

considered a personally lived, photographic

which evidences the sensuality of matter and

dismantles and subverts the utilitarian and/or

and pictorially documented time, introducing

ob ects

decorative codes that underlie its usual application.

with pertinence the uestion of sub ectivity in

elemental expression, as required in the context

The ceramic pieces he presents at the XIX Cerveira

a conceptual conte t, which would tend to her

mentioned above.

International Art Biennial are inserted in a context

canonized and historicist consideration, rather

Lourenço de Castro guides his artistic intervention

of reading, dialoguing with splendid drawings and

than to the side of her subversion. Ana presents in

through the creation of sculptures, installations

as João Pinharanda refers, has the purpose of

Cerveira some photographic works and a ainting.

that might consider the pictorial presence, or with

“continuing the modern and postmodern breach of

art pieces designated as “Paisagem Romântica”,

all old canonical norm . In both cases, the working

er pieces fit right into a contemporary reading of the artistic ob ect, its multiple a

liations and

artist s words . They are simple forms of

iferen a e epeti

MARTA SAMPAIO SOARES [1] JOSÉ ANTÓNIO QUINTANILHA [2] MARTIM BRION [3] ANA VELEZ [4] VASCO FUTSCHER [5] LOURENÇO DE CASTRO [6] ANA LIMA-NETTO [7] LUÍS SILVEIRINHA [8]

o

title of a famous book by

drawings, there is a first moment of an e pansive

framework, it points to the embodiment of a

gesture and a second one that introduces the

philosopher s thesis the ma imum degree of

rigour of rules or stencils, restricting the initial

di erence is that which e ists in the repetition of

e pressiveness. In the case of stoneware artworks,

something identical. He presents at the XIX Cerveira

there is a much more mechanical first phase using

International Art Biennial other art pieces with

an e truder and the subse uent handwork that

symptomatic titles, and he understands Painting

kneads, trims, transforms and defines the overall

as “the story of something that became real at the

direction of the piece.

same time as the event itself

The presence of these artists in this XIX Cerveira

artist s words .

The presence of the photographs from José António

International Art Biennial, allows the dissemination

Quintanilha is unavoidable, due to the importance,

of their artworks in the conte t of an event with

quality of execution and readings they raise.

vast national and international repercussion,

His research, carried out through carefully chosen

engaging in a dialogue with a presumably interested

images, proposes an exploration of spaces, ideas

and informed audience.

and concepts, which are not integrated in a serial version defined by the contiguity of the images, but rather by its opposite, that is, by its confrontation 1

2 4 6 8

3

and dissimilarity. The spectator then immerses

5

himself in a universe that demands his commitment

7

method involves two se uential moments. In the

the philosopher Deleuze) and here, in a manifest

and a certain discursive capacity. According to the author, the four works e hibited


A PÓS-PRODUÇÃO ARTÍSTICA [...] THE ARTISTIC POST-PRODUCTION [...] CURADORIA FILIPE RODRIGUES & HUMBERTO NELSON

64 65


— SÉRGIO REIS [1] DESTINOS ERRANTES I, 2016 acrílico s/tela acrylic on canvas 100x90 cm — BRUNO MARQUES [2] (MT 6,33), 2017 técnica mista s/madeira e aço inox mi ed media wood and stainless steel 89,5x36x8,5 cm — BALBINA MENDES [3] TRANSMUTAÇÃO, 2016 slumping s/gesso slumping on plaster 60x40x40 cm — DIOGO GOES [4] GAOYA+BOSCH+GOES, 2017 acrílico s/cartão acrylic on cardboard 75x47 cm — AGOSTINHO SANTOS [5] APARIÇÃO, 2017 acrílico s/tela acrylic on canvas 80x60 cm

1

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5

3

8 4

6

7 9

10

— ODETE LOUREIRO [6] BRINQUEDO, CHITA E “NAPOLITANA”, INC HENRIQUE POUSÃO S. D., 2017 acrílico s/tela acrylic on canvas 70x60 cm — OTÍLIA SANTOS [7] ARTIGOS 6º E 22º, 2017 desenho e colagem s/tela drawing and collage on canvas 100x120 cm — RUI DA GRAÇA [8] NATUREZA-MORTA “PÁ E VASSOURA”, 2017 óleo s/tela oil on canvas 47x159 cm — HUMBERTO NELSON [9] FLORESTA, MALA DE DESENHO, 2017 desenho s/papel drawing on paper 50x31x14 cm — VÍTOR ESPALDA [10] R2-D2 SOBRE GIOCONDA, 2013 impressão digital e acrílico s/tela digital print and acrylic on canvas 120x80 cm

PT

EN

[...] A hibridização da arte atual é uma condição

[...] The hybridization of the current art is a polysemic

polissémica que absorve características de outros

condition that absorbs characteristics of other

meios artísticos e culturais: cinema, design,

artistic and cultural environments: cinema, design,

publicidade, fotografia, sociologia, ecologia,

publicity, photography, sociology, ecology, television,

televisão, banda desenhada, arte urbana, urbanismo,

comics, urban art, urbanism, architecture, among

arquitetura, entre outros. Este estado dinâmico, em

others. This dynamic state, together with the

conjunto com os meios tecnológicos – de circulação,

technological means - of circulation, information,

informa

and dissemination of the web, transform the

o, e divulga

o da web, transformam

a práxis artística. Os processos artísticos e anti-

artistic praxis. Artistic and anti-art processes move

artístico deslocam-se dos territórios tradicionais,

from traditional territories, - transcategorizing

-transcategorizandose - fazendo com que se

themselves - causing the usual characteristics

modifi uem as características habituais de

of studio, materials, and imagery/objects to be

estúdio, materiais, e meios de criação de imagens/

modified. The uidity of the need for international

ob etos. A uidez da necessidade de integra

integration of artistic works which stems from the

o

internacional das obras artísticas -que provém

current circumstance - emphasizes the importance

da atual circunstância - acentua a importância

of artists having a culture of image on a global scale.

dos artistas possuírem uma cultura de imagem

Nicolas Bourriaud says that artists cannot remain

à escala global. Nicolas Bourriaud refere, que os

indi erent to the main element of globalization

artistas n o podem ficar indiferentes ao elemento

artistic post-production. The correspondence of

principal da globalização: a pós-produção artística.

relations between the production of images, the

A correspondência de relações entre a produção

e terior and e teriority of the artistic work, and the


66 67

de imagens, o exterior e exterioridade da obra

artistic institution establish the ideological field of

artística, e a instituição artística estabelecem

the problematic that we propose. This e hibition

o campo ideológico da problemática que

intends to show the problematic originated from

propomos. Esta exposição pretende exibir as

the individual artistic process, contextualized in

problemáticas originadas do processo artístico

circumstances and facts of the post-production

individual, contextualizado em circunstâncias e

condition.

factos da condição pós-produção. Qual o sentido,

circumstance, and what future look can we bear

interpretação, circunstância linguística e, que olhar

in the condition of each individual proposal? The

do futuro podemos ter presentes na condição

plurality of meanings circumscribes knowledge and

de cada proposta individual? A pluralidade de

pictorial practice in new problems to be addressed.

significa

The symbiosis between the oldest and most recent

es circunscreve o saber e a prática

hat sense, interpretation, linguistic

pictórica em novos problemas a tratar. A simbiose –

International Art Biennial in the country - is unique

entre a Bienal Internacional de Arte mais antiga e a

and relatable, with a forward looking pro ection.

mais recente do país – é única e reveladora, de uma

It is a perspective that lies far from the traditional

projeção virada para o futuro. É uma perspetiva que

institutional hegemonic visions and from the notion

se situa longe das tradicionais visões hegemónicas

of the authoritarian organiser who is enclosed within

institucionais, distante da noção de organizador

himself. The current notion of post-production

autoritário e fechado em si próprio. A noção atual de

implies new logics in the relations of artistic

pós-produção implica novas lógicas nas relações das

institutions. [...]

instituições artísticas. [...] Filipe Rodrigues e Humberto Nelson

— ELIZABETH LEITE [1] ESBOÇOS DE GENTE COM ALMA. SOBRE O MURO COLCHÃO DE CARTÃO, 2017 óleo s/tela oil on canvas 80x100 cm — JOSÉ AUGUSTO CASTRO [2] BLUE SPACE, 2016 técnica mista s/tela mixed media on canvas 60x80 cm — LUÍSA MORAIS E CASTRO & MÁRIO ANTUNES [3] SULUMBRA, 2017 técnica mista mixed media 150x150 cm — ROSA AMARAL [4] MULHER DE COSTAS, 2016 técnica mista s/tela mixed media on canvas 150x100 cm — EVELINA OLIVEIRA [5] PRIVATE GARDEN 2, 2014/5 técnica mista s/tela mixed media on canva 100 x 100 cm


— ISABEL MOURÃO ALVES [6] DESAFIO MEMÓRIAS II, 2016 técnica mista mixed media 50x50 cm — FILIPE RODRIGUES [7] TRAJECTÓRIA, 2017 acrílico s/tela acrylic on canvas 120x100 cm — TERESA RICCA [8] REFUGIADOS, 2017 acrílico s/tela acrylic on canvas 100x80 cm — NAZARÉ ALVARES [9] MUNDO INTERIOR, 2017 acrílico s/tela acrylic on canvas 100x120 cm — MARCO COSTA [10] , técnica mista s/madeira mi ed media on wood 80x60 cm — MIGUEL NEVES OLIVEIRA [11] ESTRUTURA DE SUSTENTAÇÃO DÁ-ME COR, 2016 técnica mista s/madeira mi ed media on wood 150x50x31 cm — SOFIA TORRES [12] S STU , acrílico s/tela acrylic on canvas 200x120cm — JORGE MARINHO [13] O SAGRADO FEMININO, 2017 técnica mista s/tela mixed media on canvas 120x60 cm — FERNANDA ARAÚJO [14] IN ILLO TEMPORE, 2017 técnica mista s/tela mixed media on canvas 70x100 cm — JOSÉ ROSINHAS [15] BEAR, 2015 técnica mista s/tela mixed media on canvas 100x100 cm — GÉRARD MORLA [16] SEM TÍTULO, 2017 madeira e plástico wood and plastic 72x 8x15 cm — PAULO MOREIRA [17] AVANT GARDE, 2016 acrílico s/tela acrylic on canvas 143x140 cm

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LIVRO DE ARTISTA COMO? QUANDO? ONDE? ARTIST’S BOOK HOW? WHEN? WHERE? CURADORIA ANA MARIA PINTORA

68 69


— ALFONSO VICENTE REY [1] AQUA, 2017 pasta de papel, papel de gravura e toner paper pulp, silkscreen paper and toner electrografia sobre papel de gravura, montado sobre pasta de papel electrography on silkscreen paper, assembled on paper pulp 37x37/37x74 cm — DANIEL ALONSO [2] PETRO-LIVRO, 2017 ardósia, mármore, papel de livro, couro e fio slate, marble, book paper, leather and yarn 53x40x9 cm

1

2

PT

EN

“Quando a palavra e o desenho se encontram nos

hen both word and drawing meet each other in

dias lentos do verão ou quando se aproximam na

the slow days of summer or when they come closer in

tremura dos dias de chuva, acontecem volumes de

the trembling of rainy days, large amounts of ideas

ideias emaranhados de cores, letras e escritas. São

wrapped in colours, letters and writings emerge.

t o pessoais, t o originais, dir se iam filhos nicos

They are so personal, so unique, it could beA said

dos quais nos custa tanto separar. São as nossas

that they are the children who are so di

memórias tingidas, as nossas mãos inquietas e um

us to separate. They are our dyed memories, our

gosto único por ali estar, entregues a um livro, a uma

restless hands and a unique relish in being there,

hist ria ue parece ser s nossa. or algum tempo

delivered to a book, a story that seems to be merely

será também tua, mas só por algum tempo. Volta

ours. It will be yours for a while, but ust for a little

para casa, sim?”

while. Come home, will you

Ana Maria

cult for


— NATHALY FERREIRA [1] AO ESQUECIMENTO, 2017 colagem de papéis paper collage 64x50 cm — GEMMA MARQUÉS [2] ANÓNIMAS, RETRATOS DE MUSAS COTIDIANAS, 2017 aguarela, lápis em papel de aguarela 300gr e papel reciclado watercolour, pencil on watercolour paper 300gr and recycled paper 20x16x1 cm — GONZALO SELLÉS LENARD [3] SEM TÍTULO, 2017 serie fuzzi - r+byn, byn 33x25x1 cm — VÂNIA KOSTA [4] QUE A MÃO ESCREVA TÃO EXACTA A NECESSÁRIA TRAVESSIA, 2017 papel, pano cru, fio, bot o, carrinho de linhas em madeira paper, raw fabric, yarn, button, wooden thread reel 50x65,5 cm

70 71


— CABRAL PINTO [5] SÃO PÁGINAS DE UMA HISTÓRIA, 2017 acrílico sobre cartão acrylic on cardboard 65x35x1,5 cm — RITA ARANTES [6] SEM TÍTULO, 2017 cartolina/cardboard basis 20,5x65 cm cartolina azul e branca blue and white cardboard 36x34cm — GILL BALDWIN [7] QUEIMA DO JUDAS, 2017 papel, pastel de óleo e aguarela paper, oil pastel and watercolour 130x25 cm — ISABEL BACELAR [8] SEM TÍTULO, 2017 cartolina reciclada, cola e fio de vela recycled cardboard, glue and nettle yarn 16x19 cm

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O FACTOR CAVALO EMERGÊNCIAS E FULGURAÇÕES VERNACULARES NA PRÁTICA ARTÍSTICA CONTEMPORÂNEA

PT A exposição “O Factor Cavalo” reúne um conjunto de artistas contemporâneos cuja prática problematiza e dialoga com o vernáculo, o ingénuo e o marginal, retomando um interesse que, em Portugal, conheceu o seu e poente no final da década de entendendo se até ao final dos anos

.

Ao sondar e, frequentemente, transgredir as

72 73

THE HORSE FACTOR VERNACULAR EMERGENCIES AND FULGURATIONS IN CONTEMPORARY ARTISTIC PRACTICE CURADORIA NUNO FARIA

fronteiras e os limites que a tornam reconhecível como prática artística, consciente dos seus nexos, preceitos e receituário, vários são os autores que instabilizam voluntariamente a sua própria posição relativa no território da expressão artística, colocando-se, em parte, numa terra de ninguém, num lugar sem nome e sem forma. Convencionou-se chamar a essa pulsão atópica “o factor cavalo”, uma designação que remete para o famoso carteiro que em Hauterives, na Bretagne, em França, erigiu “Le Palais Idéal”, uma imponente e desconcertante “catedral da miséria erótica” (para evocar uma célebre designação do artista alemão urt Schwitters . A exposição, que integra esculturas, objetos,


— POSTAL ILUSTRADO [1] imagem do carteiro Cheval em frente ao Palais Idéal por ele construído, em Hauterives, na Bretagna, França POSTCARD ILLUSTRATED with the image of the Cheval s postman in front of the Palais Idéal (Ideal Palace), built by himself, in Hauterives, Bretagna, France. — IMAGEM ANÓNIMA [1] de autor desconhecido recolhida em enciclopédias de divulga o científica geral ANONYMOUS IMAGE by unknown author gathered in general scientific dissemination

bordados, imagem projetada, documentos visuais e

Cavalo” (The Horse Factor), a designation that refers

sonoros, performance e conversas com os artistas,

to the famous postman who built

elege a solidão como problema central do fazer

(The Ideal Palace) in Hauterives, in Bretagne, France,

artístico ou proto-artístico, propondo repensar

an imposing and disconcerting “cathedral of erotic

o peso das in u ncias, da consci ncia hist rica e

misery

autoral e da distância crítica.

e alais Idéal

to evoke a celebrated designation of the

erman artist urt Schwitters . The e hibition, which integrates sculptures, ob ects,

EN

embroidery, projected images, visual and sound

The exhibition “O Factor Cavalo” (The Horse Factor)

documents, performance and conversations with

brings together a group of contemporary artists

artists, selects solitude as the central problem of

whose practice problematizes and dialogues with

artistic or proto artistic making, thus proposing a

the vernacular, the naive and the marginal, returning

reconsideration regarding the in uence of historical

to an interest that had in Portugal its exponent from

consciousness and authorial and critical distance.

the late 50s, until the late 70s, in Portugal. hilst probing and often transgressing the

[Etimologia]

boundaries and limits that make it recognizable as an

do latim factor, ris o ue faz, autor, criador ,

artistic practice, conscious of its nexuses, precepts,

proveniente do franc s facteur a uele ue faz

and prescriptions, several authors voluntarily disrupt

1

2

their own relative position in the field of artistic

[Etymology]

e pression, partly placing themselves in a no man s

commig from the atin factor, ris

land, in a place without name and without form.

does, author, creator”, coming from the French

It was decided to call this atopic impetus O actor

facteur

the one who does

the one who


CREDIT©PEDRO KOCH/SEM TÍTULO 2017

— IMAGEM ANÓNIMA [1] de autor desconhecido recolhida em enciclopédias de divulga o científica geral ANONYMOUS IMAGE by unknown author gathered in general scientific dissemination — IMAGEM ANÓNIMA [2] de autor desconhecido recolhida em enciclopédias de divulga o científica geral ANONYMOUS IMAGE by unknown author gathered in general scientific dissemination

74 75


1

3

2

4

5

CREDIT©VASCO CÉLIO/STILLS

— PEDRO KOCH [3] SEM TÍTULO, 2017 fotografia photography cortesia do autor courtesy of author — MICHEL GIACOMETTI E ALFREDO TROPA [4] O POVO QUE CANTA, A PEDRA, Póvoa do Lanhoso, 1973 O POVO QUE CANTA (THE O O SI S , A A (THE ROCK), Póvoa do Lanhoso, 1973 — MUSA PARADISIACA [5] PATINS [SKATES], 2016 escultura de breu pintado a óleo rosin sculpture painted in oil 23x36x20 cm plinto de metal pintado painted metal plinth 105x82x35 cm cortesia Musa Paradisiaca/Dan Gunn, Berlin courtesy Musa Paradisiaca/Dan Gunn, Berlin


REPÚBLICA DAS ARTES ARTS REPUBLIC CURADORIA ASSOCIAÇÃO PROJETO-NÚCLEO DE DESENVOLVIMENTO CULTURAL

PT CONSTELAÇÃO CORAÇÃO A partir de uma ilustração que se oferece como uma revelação, Rita Roque apresenta Constelação Coração uma intervenção particular de pontos e linhas ue contaminam um elemento figurativo para celebrar o amor e os sinais que se ganham há medida que os anos passam; à medida que o nosso corpo aprende o corpo do outro atravez do seu. O primeiro desenho como uma revelação todos os teus sinais como uma constelação para o meu coração, uma oração. EN CONSTELAÇÃO CORAÇÃO rom an illustration that o ers itself as a revelation, Rita Roque presents “Constelação Coração” (Heart

76 77

Constellation), a particular intervention of points and lines that contaminate a figurative element to celebrate the love and the signs obtained as the years go by; as our body learns another body through itself. The first drawing as a revelation, all your signs as a constellation to my heart, a prayer.


— RITA ROQUE [1] CONSTELAÇÃO CORAÇÃO diversos média various media 250x180 cm — CAROLINA GRILO SANTOS [2] TO S C A , diversos media various media

EN

PT TO S C A arte da estrutura

TO S C A o do dispositivo é a planifica

2

art of the device s structuring is the planningof the

da força exercida — um sistema de energia que coloca

force exerted - an energy system that puts the chain

o movimento em cadeia num mesmo plano de acção

movement in the same plane of action and thought.

e pensamento. ando o nome a este pro ecto, ewton s Cradle ou

ndulo de ewton torna se também o mote

iving a name to this pro ect, ewton s Cradle or ewton s endulum also becomes the motto for thinking about composition and relationships

para pensar a composição e as relações entre

between ob ects. As if on a stage, all things stand on

objectos. Como num palco, todas as coisas se

the same plane to tell the story in which each viewer

colocam no mesmo plano para contar a história em

revises or interprets his/her self, even if the images

que cada espectador se revê ou interpreta, ainda

and the pieces can draw closer to the thought of

que as imagens e as peças possam aproximar-se do

the device, the instrument, the sea and the journey

pensamento do dispositivo, do instrumento, do mar e

to nowhere.

da viagem para lado algum.

It is due to this discovery of the marine body that

É nesta descoberta do corpo marítimo que se entende

also understands the displacement and origin of so

também a deslocação e a origem de tantas coisas em

many things in which one thinks the e pedition, the

que se pensa: a expedição, a comunhão de pessoas

communion of people and crafts, the handling and the

e ofícios, o manuseamento e o transporte como

transport as an action s device. The starting point is

dispositivo de acção. O ponto de partida dispõe-se

then ready for a lonely, re ective and uncertain new

então para uma nova viagem que é antes solitária,

ourney what do the images say

re e iva e incerta o ue dizem as imagens

1

o


PT CHAIR A “cadeira” é um pretexto para chegar ao irrepresentável, tem a finalidade de despoletar um exercício mental e físico, tem a função de criar estímulos, sensações, que nos podem levar a um estádio de libertação, ou, por outras palavras, que nos permitem um representação, sempre precária, do indizível. EN CHAIR The “cadeira” (chair) is a pretext to reach the 78 79

unrepresentable, it has the purpose of triggering a mental and physical exercise, it has the function of creating stimuli, sensations, that can lead us to a stage of liberation, or, in other words, that allow us a representation, always precarious, of the unspeakable.


PT

EN

PAISAGEM DE UM RIO AMARELO & PAISAGEM

PAISAGEM DE UM RIO AMARELO & PAISAGEM

A narrativa sublima a cor e o suporte torna-se um

The narrative sublimates the colour and the support

sedutor, alicerçado na tradução dos sentidos e das

becomes a seducer based on the translation of

emo

senses and emotions. The object assumes itself in

es. O ob eto afirma se numa rela

o crítica

dos valores pict ricos e permite superficialmente a

a critical relation of pictorial values and allows the

associação ao tema.

superficial association to the theme.

PT

EN

TUNDA

TUNDA

— MANUEL MALHEIRO [1] CHAIR tinta da china sobre papel chinese ink on paper 45x30 cm acrílico s/tela acrylic on canvas 150x110 cm — FERNANDA ARAÚJO, 2017 [2] PAISAGEM DE UM RIO AMARELO acrílico s/cartolina acrylic on cardboard 70x100 cm — FERNANDA ARAÚJO, 2017 [3] PAISAGEM acrílico s/tela acrylic on canvas 50x70 cm — HENRIQUE DO VALE, 2017 [4] TUNDA técnica mista mixed media Ø155x47 cm

Quando o vento surge, às vezes com razão, espalha as sementes que nem sempre vão cair em solo fértil. 1

1

1

1

1

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3 4

4

hen the wind rises, sometimes with reason, spreads the seeds which not always fall on fertile soil.


CONCURSO INTERNACIONAL E ARTISTAS CONVIDADOS exposição INTERNATIONAL COMPETITION AND INVITED ARTISTS exhibition


PT O uir, uma dan a constante entre a ordem e o caos. Uma mudan a imprevisível e permanente que conforma a realidade. Uma sucess o, uma fric o, um trespassar sem fim de transforma es. O tempo como processo, a vida como e uilíbrio, como fronteira. Um con unto de fotogramas, re e os descontínuos ue comp em o nosso filme... a viagem. TEMPORAL SECUENCE, 2017 impressão sobre alumínio print on aluminum (12x) 50x50 cm

A (JOSE NAVAS ARANDA) Espanha/Spain

82 83

EN The ow, a constant dance between order and chaos. An unpredictable and permanent change that shapes the reality. A succession, a friction, an endless trespass of transformations. Time as a process, life as a balance, as a border. A set of frames, discontinuous re ections that make up our movie... the ourney.


S

T TU O,

acrílico sobre tela acrylic on canvas cm

S

T TU O,

acrílico sobre tela acrylic on canvas 160x200 cm

ACÁCIO ortugal

PRÉMIO AQUISIÇÃO | BCP XI BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE CERVEIRA 18 DE AGOSTO A 15 DE SETEMBRO 2001 ACQUISTION AWARD | BCP XI CERVEIRA INTERNATIONAL ART BIENNIAL 18TH AUGUST TO 15TH DE SEPTEMBER 2001

PT A arte, como todas as atividades humanas, n o se pode dissociar do contexto económico, sociocultural e técnico do seu tempo e, se estes fatores evoluem e transformam, é natural ue a nossa conce o de arte vá oscilando também. Tudo está em fun o da con untura em ue ela se encai a e na ual n s nos inserimos. stes dois trabalhos ue ora se apresentam do ano de , em Acrílico sobre Tela e com dimens es pr imas, fazem parte de um mesmo processo criativo e que se baseia, fundamentalmente, no ogo teatral de provocar um má imo de realismo num má imo de abstracionismo, isto é, a composi o assenta na utiliza o de formas e ou ob etos de representa o, mais ou menos ob etiva em situa es abstratas, algo estranhas de certo modo estes uadros ogam com uma certa contradi o, como uma espécie de coincidentia oppositorum , tentando mostrar que é possível convocar as tend ncias artísticas ue por natureza s o divergentes, nelas buscando e apreendendo a uilo ue pela unidade criadora, possa servir determinados propostas composicionais.

EN Art, like all human activities, cannot be dissociated from the economic, sociocultural, and technical conte t of its time, and if these factors evolve and change, it is only natural that our art conception will be oscillating as well. verything is due to the con uncture in which it fits and in which we insert ourselves. These two artworks presented were made in the year , in Acrylic on Canvas and with close dimensions, are part of the same creative process and which is based, fundamentally, on the theatrical game of provoking a maximum of realism in a maximum of abstractionism, meaning that the composition is centered on the use of forms and or ob ects of representation, more or less ob ective in abstract, rather strange situations. To some extent, these pictures may allude to a certain contradiction, as a sort of coincidentia oppositorum , trying to show that it is possible to summon the artistic tendencies, divergent by nature, seeking and apprehending that which can serve certain compositional proposals by the creative unit.


DIALOGISMO, 2016 instala o installation (3x) 60x40 cm

ADÉLIA SANTOS COSTA ortugal

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PT ialogismo é uma instala o ue utiliza o médium da fotografia e do som de forma a comunicar o seu c digo nico de linguagem. O som resulta de um diálogo ue se uer e permanece codificado. or outro lado, sendo retratada a introspe o de uma certa personagem, esta emerge como uma voz e teriorizada ue tem o seu pr prio corpo, dialogando, assim, com os elementos ue a rodeiam. e um estado oculto, passa para um pensamento presente e que toma consci ncia da uilo ue a envolve. Sem ninguém perceber ual o seu verdadeiro significado, as vozes funcionam como uma s voz interior de um pensamento e raciocínio nicos.

EN ialogism ialogism is an installation that uses the medium of photography and sound in order to communicate its uni ue code of language. The sound results from a dialogue that is wanted and remains coded. On the other hand, being portrayed the introspection of a certain character, it emerges as an e teriorized voice that has its own body, thus dialoguing with the elements that surround it. rom a hidden state, it moves to a present thinking and becomes aware of what envelops it. ithout anyone realizing what their true meaning is, the voices function as a single inner voice that comes from a peculiar thought and reasoning.


PT

CONDICIONAMIENTO DE UNA IDENTIDAD I, 2015 escultura sculpture

–

. cm

ADRIĂ N TARACIDO spanha Spain

A seguinte pe a trata sobre uma evoca o do condicionamento ad uirido, devido nossa cultura na ual associamos a imagem a uma representa o mental localizada no inconsciente. a pe a encontramo nos com um tubo uorescente e duas m os subtilmente colocadas sobre uma base de madeira policromada com folha de ouro. A primeira coisa ue nos passa pela mente ĂŠ a associa o religiosa concedida pelo pr prio condicionamento cultural. o caso de se mudar para um lado uma das m os, despo ando as da sua posi o original, uma m o reta e outra subtilmente inclinada e apoiada a pe a ad uire um significado totalmente diferente e abstrato ue a nossa mente tenta responder, buscando uma associa o coerente e um significado racional ine istente. O tubo uorescente inspira um halo espiritual em torno de toda a pe a, eclipsando a vis o e o modo de conceber a pr pria pe a.

EN The following artwork deals with an evocation of the ac uired conditioning, because of our culture in which we associate the image to a mental representation located in the unconscious. In the artwork we find a uorescent tube and two hands placed on a polychrome wooden base with gold leaf. The first thing that comes to our mind is the religious association granted by our own cultural conditioning. In case of moving to one side one of the hands, stripping them of their original position a hand straight and another subtly bended and supported the artwork ac uires a totally di erent and abstract meaning, that our mind tries to answer, seeking a coherent association and a rational non e istent meaning. The uorescent tube inspires a spiritual halo around the entire piece, eclipsing the looks and the way of conceiving the artwork itself.


PT uma viagem ao paraíso num carro topo de gama, passando por outros lugares, como o inferno, cruzando se com deuses e dem nios e gente deste mundo ue se interroga e in uieta com os dramas da humanidade. o prete to, mais um, para o diálogo confronto entre gente real e irreal ue sobrevive no universo da cria o.

NO JARDIM DO EDEN, VERSÃO MG, 2016/17 técnica mista sobre MG 1600 mi ed media on dimens es variáveis variable dimensions cole o particular

AGOSTINHO SANTOS & JOAQUIM PIRES ortugal

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EN It is a trip to paradise in a top uality car, passing through other places, such as hell, crossing paths with gods and demons and people of this world who interrogate and concern themselves with the dramas of humanity. It is an e cuse, one more, for the dialogue confrontation between real and unreal people who survive in the universe of creation.


PT sta instala o para parede parte de uma série de desenhos retrato de mulheres alegas, Sardas e imenhas durante a minha estadia na Sardenha. As mulheres t m em comum o pano tradicional. Trabalhando a partir do ar uivo fotográfico de diferentes épocas e geografias, interessou me até ue ponto a liberdade interpretativa é estigmatizada ou condicionada pelo seu conte to. Um testamento de rito, identidade e tradi o.

A TAPADA, 2017 instala o, técnica mista installation, mi ed media 150x60 cm

ALBA TROITEIRO spanha Spain

EN This installation for wall starts from a series of women portrait drawings alician, Sardinian and ime as during my stay in Sardinia. The women have in common the traditional cloth. orking through the photographic archive from di erent eras and countries, I was interested in how far the interpretive freedom is stigmatized or conditioned by their conte t. A testament of rite, identity and tradition.


O O

SO,

instala o installation dimens es variáveis variable dimensions

ALBERTO VIEIRA ortugal

PRÉMIO | BAVIERA XII BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE CERVEIRA 16 AGOSTO A 21 SETEMBRO 2003 AWARD | BAVIERA XII CERVEIRA INTERNATIONAL ART BIENNIAL 16TH AUGUST TO 21ST SEPTEMBER 2003

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PT A pe a é uma instala o composta por tr s elementos de disposi o aleat ria. Cada elemento é construído a partir de uma estrutura circular metálica onde foram aplicados martelos de S. Jo o, de forma ritmada e policromática. O trabalho parte de um ob eto ic nico das festas de S. Jo o, o martelo, de forte tradi o popular, transfigurando o através de uma linguagem contempor nea e criando uma composi o ue pode sugerir a imagem do fogo preso ponto alto da festa , a ui intencionalmente associada ao movimento, cor e divers o. Opera se, assim, a transforma o de um ob eto popular num ob eto op, o ual, n o dei ando de se reportar tradi o, se afasta dela suscitando novas leituras.

EN The piece is an installation composed of three elements randomly arranged. ach element is constructed from a metallic circular structure where Saint John s hammers were applied in a rhythmic and polychromatic way. The work is based on an iconic ob ect of Saint John s feasts, the hammer, with a strong popular tradition, transfiguring it through a contemporary language and creating a composition that can suggest the image of the fireworks the clima of the festivities intentionally associated with movement, colour and fun. A popular ob ect is thus transformed into a op ob ect. hile continuing to refer to tradition, it moves away from it and provokes new readings.


AC BOO

I

,

técnica mista mi ed media 80x120 cm

ALEXANDRA DE PINHO ortugal

PT Nestas obras, existe uma clara apropria o da linguagem e de alguns dos mais banais procedimentos do mundo virtual. as longe de se uerer apenas apresentar mais uma imagem, reveste se de fortes combina es com linhas cosidas e várias te turas de tecidos entre pigmentos, num processo corp reo de provoca o, numa forma de materializa o do pensamento crítico. o se trata de negar a tecnologia, nem de promover um discurso alheado dos nossos tempos, mas sim de sublimar a efemeridade da vida e alertar para a necessidade constante em balancear os nossos interesses para n o derraparmos num mundo e cessivamente informado, desligado das rela es genuínas e do conhecimento significativo.

EN In these works, there is a clear language appropriation and some of the most mundane procedures of the virtual world. But far from wanting to present itself as ust another picture, it is shrouded in strong combinations of stitched lines and various fabric te tures between pigments, in a tangible process of provocation, a materialization form of critical thinking. It is not about denying the technology, nor to promote an oblivious speech of our times, but rather to sublimate the ephemerality of life and to raise awareness for the constant need of balancing our interests, so that we don t slip in an overly informed world, disconnected from genuine relationships and from the significant knowledge.


CT(5), 2016 óleo sobre tela oil on canvas 80x80cm

EI(2), 2016 óleo sobre tela, 2016 oil on canvas 8x14 cm

ALEXANDRE COXO ortugal

-

PT A observa o de uma obra artística corresponde a uma se u ncia de perguntas ue o observador coloca a si mesmo. um primeiro momento, as respostas tendem a ser inconscientes e centradas na ambiguidade entre empatia ou estranheza perante o ue é sensorialmente percebido. osteriormente tende se a desenvolver um processo de re e o de caráter consciente. O momento de cogita o é conseguido sempre ue o observador se disp e para o e ercício crítico. Se o ob eto artístico

levar o observador até esse momento cogitativo, terá con uistado o seu principal ob etivo. A e peri ncia assim proposta caracteriza se por ser um e ercício individual embora conduzido pelas diretrizes presentes na obra. ara predispor o observador, a pintura deverá con uistar respostas afirmativas a pelo menos duas perguntas familiar estranho e forma se uencial. Com o ob etivo de criar imagens com este caráter, cheguei necessidade de usar um universo op, ou se a, as figuras por mim retratadas s o provenientes de outras imagens. Assim, usando refer ncias de ogos de guerra, cruzo o imaginário infantil berlindes com o adulto tiro ao alvo , como metáfora do ogo entre precess o, consci ncia e mem ria. EN The observation of an artistic work matches a sequence of questions that the observer asks to himself. At first, responses tend to be unconscious and centred on the ambiguity between empathy or strangeness in front of what is sensory perceived.

Subse uently it tends to develop a process of conscious re ection. The moment of cogitation is achieved whenever the observer is prepared for the critical e ercise. If an artistic ob ect leads the observer up to this cogitative moment, it will have achieved its main ob ective. The e perience thus proposed is characterized by being an individual e ercise although lead by the guidelines present in the work. In order to predispose the observer, the painting must win a rmative answers to at least two uestions familiar weird In an orderly manner. In order to create images with this profile, I needed to use a op universe, that is, the figures I have portrayed derive from other images. Thus, using war game references, I merge the children s imagery marbles with the adult target practice as a metaphor of the game between precession, consciousness and memory.


PT A obra de arte como protesto. As paredes das cidades s o locais de representa o e de e press o das tens es sociais, culturais. Temos, nesta obra uma apropria o do real com toda a sua componente sociol gica ue adv m dessa a o, e esta apropria o n o é mais ue uma forma de arte popular contendo a cultura e a hist ria do presente. A superfície é intervencionada de um modo palimpséstico, num ogo de sedu o com o acaso, um encontro com o real, com o popular, onde a arte se apro ima á vida. uma arte de diálogo, em ue, primeira vista re ete o caos e ue, ao mesmo tempo, nos torna mais humanos.

DEMOCRACIA É POP I, 2017 técnica mista sobre madeira mi ed media on wood 142x102 cm

ALEXANDRE ROLA ortugal

EN The artwork as a protest. The walls of the cities are places of representation and e pression of social, cultural tensions. e can find in this work, an appropriation of the real with its entire sociological component arising from this action, and this ownership is no more than a form of folk art containing the culture and history of the present. The surface is intervened a palimpsestic way, in a game of seduction with chance, an encounter with the real, with the popular, where art approaches to life. It is an art of dialogue, in which, at first glance re ects the chaos and at the same time makes us more human.


T ATOS A I IA

S,

tríptico/triptych electrografia, ilogravura e linogravura sobrepapel publicitário e pasta de papel electrography, wood engraving and linoleum engraving on advertising paper and paper pulp 122x216 cm

ALFONSO VICENTE REY spanha Spain

-

PT A impress o estética ue me produz os papéis rasgados nos valados publicitários é a origem desta composi o de tr s imagens, com o título etratos familiares . Sem perder de vista as refer ncias plásticas do ouveau éalisme e os conhecidos écollage, parto de uma iconografia pessoal utilizando fotos de família ue adapto a um suporte de pasta de papel e bocados de publicidade, estampados mediante técnicas gráficas tradicionais. A ideia é gerar um efeito de camadas de informa o com diferentes níveis de leitura, propondo uma re e o sobre a mem ria pessoal e a intimidade, em contraste mensagem p blica dos cartazes e o seu carácter efémero.

EN The aesthetic impression produced by the ripped papers in advertising posters is the origin of this composition of three images, entitled amily portraits . ithout losing sight of the plastic references of the ouveau éalisme and the well known écollage, I start from a personal iconography using family photos that I adapt to a support of paper pulp and pieces of advertising, stamped by traditional graphic techni ues. The idea is to generate a layered e ect of information with di erent levels of reading, proposing a re ection on personal memory and intimacy, in contrast to the public message of the posters and its ephemeral nature.


MAIS AZUL, 2017 óleo sobre tela oil on canvas 120x160 cm

AZUL, 2017 óleo sobre tela oil on canvas 120x160 cm

ALÍRIO ortugal

PRÉMIO AQUISIÇÃO (OBRA COLETIVA) XVIII BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE CERVEIRA JU

OA

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ACQUISTION AWARD CO

B O CTI

A T

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XVIII CERVEIRA INTERNATIONAL ART BIENNIAL T JU

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PT ...contracorrente Como diria Ant nio uadros, eu e tu, pintores ue somos e portugueses, ranhosos ap ndices duma escola francesa pseudo europeia, nascemos adentro de uma atitude negativa ue urge reconhecer e castrar, para ue n o ores a podre... ...A mim e a ti, pintores desde os ossos, ue ainda chafurdamos na cor, composi o, volume, superfície, matéria, tema, etc., como se fossem verdadeiros problemas ue urge resolver por si, a nós, compete ver que eles n o s o mais do ue solu es, chaves, para o grande problema intar intura. comecemos por saber da nossa profiss o como um carpinteiro sabe da sua. respeitemos um p blico ue n o procura saber como o carpinteiro faz bancos, mas sabe bem o ue é um bom banco.

EN ...against the grain As Ant nio uadros would say, you and me, both painters and ortuguese, scornful appendages of a pseudo uropean rench school, we are born within a negative attitude that is urgent to recognize and castrate, so that it does not blossom rotten... …To me and you, painters to the bones, who still wallow in colour, composition, volume, surface, matter, theme, etc., as if they were real problems that need to be solved by themselves, it is up to us to see that they are not more than solutions, keys, for the big problem ainting the icture. And let us begin by knowing our profession, ust like a carpenter knows about his. And let us respect an audience that does not ask how the carpenter makes the chair, but rather knows what a good chair is.


PT ist ncia Arran o de nova identidade recorrendo a mem rias intrínsecas dos ob ectos e materiais do passado incorporadas numa outra funcionalidade sem fim prático.

PY, 2017 escultura sculpture aduelas e ferro wooden staves and iron cm

BARRIL, 2017 escultura sculpture aduelas e ferro wooden staves and iron cm

ÁLVARO QUEIRÓS ortugal

-

EN istence Ac uisition of a new identity, using the intrinsic memories from ob ects and materials of the past incorporated in other functionality without a practical end.


PT A pauta está a indicar o percurso a seguir, sem sair dela para n o me perder, uero ir mais além. Tenho procurado milhares de formas para consegui lo, e esta é apenas uma delas. Seguir as pautas em busca da continuidade, seguir outras pautas, em busca da felicidade. SEGUIR LAS PAUTAS, 2016 colagem sobre papel collage on paper . cm

(CONSTRUIR) AL MARGEN, 2016 colagem sobre papel collage on paper . cm

AMAYA GONZÁLES REYES spanha Spain

EN The guideline is indicating the course to follow, without leaving it so I don t lose myself, I want to go further. I ve been looking for thousands of ways to get it, and this is ust one of them. ollow the guidelines in search of continuity follow other guidelines, in search of happiness.


RESISTÊNCIA (DO ÊXTASE), 2017 escultura sculpture 100x100x50 cm

RESISTÊNCIA (DA COMUNHÃO), 2017 escultura sculpture 150x150x150 cm

ANA ALMEIDA PINTO ortugal

-

PT A vida muda continuamente. Somos feitos de for as opostas ue se resistem, se batalham e se assimilam. Entre nós e os outros há sempre uma luta, uma constru o nem sempre elegante, nem sempre pacífica, ue nos mostra novos desvios e outros caminhos. or vezes somos levados a e tremos ue nos moldam e o acto de resistir consiste no manter da ess ncia en uanto crescemos e aprendemos, com o Outro e com a uilo ue descobrimos dentro de n s. ois resistir n o é uerer ficar para trás, estagnado. uerer mudar em liberdade de escolha. Se resistir é vencer, ue aconte a dentro do tumulto, da uilo ue nos impele para a frente.

EN ife changes continuously. e are made of opposing forces that resist, battle and assimilate among them. Between us and the others there is always a struggle, a construction is not always elegant, not always peaceful, which shows us new deviations and other paths. Sometimes we are driven to e tremes that shape us and the act of resisting consists on keeping the essence as we grow and learn, with the Other and with what we find within us. Therefore resisting is not wanting to fall behind, stagnant. It is the will to change in freedom of choice. If resisting is winning, let it happen inside the turmoil, inside of what drives us forward.


PT O material de base deste trabalho é a , tratada artesanalmente. artindo de cobertores muito antigos e desgastados mas ricos em hist rias e mem rias despertaram em mim a vontade de os re utilizar, transformando os. assim, cortando, tingindo e voltando a untar, trou e estes velhos materiais para a contemporaneidade, dando lhes novos sentidos.

, tecelagem weaving 200x155 cm

LAGARTO 2, 2017 tecelagem weaving 210x120 cm

ANA FERNANDES ortugal

PRÉMIO AQUISIÇÃO (OBRA COLETIVA) XVIII BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE CERVEIRA JU

OA

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ACQUISITION AWARD CO

CTI

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XVIII CERVEIRA INTERNATIONAL ART BIENNIAL T JU

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EN The basic material of this work is handmade wool. orking with very old and worn blankets, but rich in stories and memories , they awakened in me the will to re use and to transform them. Therefore, by cutting, dyeing, and re oining, I brought these old materials into contemporaneity, giving them new meanings.


AUSENCIAS XI, 2015 fotografia photography 30x45 cm marco 40x50 cm

AUSENCIAS II, 2015 fotografia photography 50x70 cm marco 60x80 cm

ANA GIL Espanha/Spain

-

PT A partir de elementos mínimos, a Série Aus ncias surge da necessidade de delimitar a fronteira enganadora entre o visível e o invisível, como uma metáfora da condi o humana a partir de uma encena o focada na perce o de instantes fugitivos, emo es ou gestos fugazes ue funcionam como uma armadilha na ual os bin mios de presen a aus ncia remetem a algo mais do ue a mera descri o popular da paisagem. O espa o apresenta se como uma metáfora da ueles ue o habitam, ou mais concretamente, da ueles ue dei aram de habitar a nossa paisagem interior os nossos desaparecidos. A paisagem na arte popular era o espa o poderoso e indomável, dominante e insondável. A ess ncia da paisagem contempor nea da transvanguarda é o da fragilidade.

EN Starting from minimum elements, the Series Aus ncias Absences arises from the need to delimit the deceptive boundary between the visible and the invisible, as a metaphor of the human condition from a staging focused on the perception of fugitive moments, emotions or eeting gestures that work as a trap in which the binomial presence absence refer to something more than a mere popular description of the landscape. The space presents itself as a metaphor of those who inhabit it, or more specifically, those who no longer inhabit our inner landscape our people who gone missing. The landscape in folk art was a powerful and indomitable, dominant and unfathomable space. The essence of the transavantgarde contemporary landscape is the vulnerability.


PT Como nos apropriamos da vida, da arte e da natureza das coisas simples De que forma transformamos essas impress es num ar uivo de concord ncia Será ue o século I está a construir novos territ rios de lideran a onde coe istem todas as linguagens artísticas Onde come a o fim de uma arte, um ofício ou um saber uando os seus inventores n o dominam o seu crescimento. intorarium Instituto de pes uisa sobre o destino da pintura humana. OA

UI O A CO CO

CIA,

óleo sobre tela oil on canvas 250x180 cm

ANA MARIA PINTORA ortugal

PRÉMIO AQUISIÇÃO | ÁGUAS DO MINHO E LIMA XII BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE CERVEIRA 16 DE AGOSTO A 21 DE SETEMBRO 2003 ACQUISITION AWARD | ÁGUAS DO MINHO E LIMA XII CERVEIRA INTERNATIONAL ART BIENNIAL 16TH AUGUST TO 21ST SEPTEMBER 2003

EN ow do we seize life, art, and the nature of simple things ow do we transform those feelings into a concordance archive Is the st century building new territories of leadership where all artistic languages can coe ist here does the end of an art, a craft or knowledge begin, when its creators cannot control its growth. intorarium esearch institute on the fate of human painting.


desperta O , técnica mista mi ed média 150x150x150 cm

ANA MARQUES ortugal

100 101

PT desperta O é uma instala o que combina as vertentes artística/ artesanal com vídeo arte e realidade aumentada. O nome transmite o sentido e acto da obra, ue pretende passar uma mensagem ue na verdade, desperta dor. Trata se de um cubo gigante ue se assemelha a uma aula e é constituído por dois elementos físicos distintos um corpo constituído por pe as de crochet manual, tradicional, suportado por uma estrutura de alumínio, e um corpo com a forma de um prisma uadrangular de madeira, situado no interior da uele e ue serve de suporte a uatro ecr s de pro e o. Cada um destes ecr s transmite imagens vídeo arte distintas, em continuidade. Alguns uadrados de crochet desencadeiam informa o através do uso de um smartphone ou tablet e de uma aplica o de realidade aumentada Aurasma .

EN desperta O is an installation that combines the art craft aspects with video art and augmented reality. The name conveys the e act meaning of the work, which wants to deliver a message that actually arouses pain. It is about a giant cube that resembles a cage and consists of two distinct physical elements a body composed of manual, traditional crochet items, supported by an aluminium structure and a body in the shape of a uadrangular prism made of wood, located inside thereof and which supports four pro ection screens. ach of these screens transmits di erent images video art in continuity. Some crochet s uares trigger information through the use of a smartphone or tablet and through an augmented reality application Aurasma .


HABITARE, 2016 assemblagem assemblage 170x175x180 cm

ANA PAÇO ortugal

PT abitare surge como um retorno s origens. a colabora o com os ceramistas istério, a obra foi criada a partir de seres belos e alienígenas. O pormenor surge e altado e transcendido através do uso da seda e da folha de ouro, transportando o indivíduo da terra, da argila, para um plano astral, dourado. artimos assim para um plano onde tudo é possível. A possibilidade da anomalia envia nos para um mundo outro , onde no nosso inconsciente habita um outro eu, um outro n s, e um outro mundo, no ual somos e atamente n s mesmos.

EN abitare emerges as a return to the origins. In collaboration with the ystery potters, the work was created from beautiful beings and aliens. The detail is e alted and transcended through the use of silk and gold leaf, transporting the individual from the earth, from the clay, to an astral, golden plane. So we set out for a plan where everything is possible. The possibility of anomaly sends us to an other world, where in our unconscious inhabits another me, another we, and another world, in which we are e actly ourselves.


.

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instala o luminosa light installation cm

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instala o installation 58x140 cm

ANA SANTOS ortugal

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PT Das cores primárias, novas cores se formaram e, dessa materializa o multicolorida, assimilei ue eu sou igual a pi, ou se a, um n mero infinito. Assim como as palavras que contém esta pe a, todas elas come adas pelo prefi o Trans , ue re ecte o para além de, o efeito hipn tico desta pe a invoca o efeito cíclico a ual olhamos para estas palavras, elas s o incansáveis e inalcan áveis, para as pensar, teremos de as recombinar sobre m ltiplas hip teses com suporte nas suas bases, é um rizoma, não tem forma. O uso de luzes nocturnas espelha sobretudo este estado permanente de busca e revela o ue n o se prende pela luz do dia.

EN rom the primary colours, new ones were formed, and from that multi coloured materialization, I assimilated that I am e ual to pi, in other words, an infinite number. Just like the words that contain this piece, all started by the Trans prefi , re ecting the apart from , the hypnotic e ect of this artwork invokes the cyclical e ect in which we look at these words, they are relentless and unattainable, to think them, we must recombine on multiple hypotheses supported at their bases, it is a rhizome, has no form. The use of night lights mirrors especially this permanent state of search and revelation that is not bound by daylight.


DIÁRIO DE CAMA, 2016 técnica mista mi ed media (x8) 45x83 cm

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O

SS,

instala o installation dimens es variáveis variable dimensions

ANA SOLER spanha Spain

PRÉMIO AQUISIÇÃO | CRÉDITO AGRÍCOLA ALTO MINHO-CERVEIRA XIII BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE CERVEIRA 20 DE AGOSTO A 17 DE SETEMBRO 2005 ACQUISITION AWARD | CRÉDITO AGRÍCOLA ALTO MINHO-CERVEIRA XIII CERVEIRA INTERNATIONAL ART BIENNIAL 20TH AUGUST TO 17TH SEPTEMBER 2005

PT O ue é ue é feito dos vestígios da privacidade as ranhuras do invisível esconde se todo um mundo de sentido. as fronteiras da simplicidade desenha se o comple o criando arquiteturas que mencionam perspetivas divergentes e olhares diferentes. O c ncavo torna se conve o, o vazio torna se cheio e o dourado apaga se para mostrar outras luzes. O complementário nem sempre se en uadra. ada é o ue parece por ue n o e iste lá nada... á sempre algo no meio ue separa e une simultaneamente as duas realidades tensas. Algo ue a uda a compreender a import ncia do ser e o ue e iste do outro lado, esse n o ser. Diferentes formas visuais para representar uma cama e um conte to. A parte pelo todo e tudo o contrário, o todo pela parte. A representa o gráfica da cama, muito op , muito simples, muito essencial que se sobrep e a um universo gráfico de linhas ar uitet nicas desenhadas sobre folha de ouro. Uma superfície barroca dourada ue serve de base a uma metáfora ue representa a ideia de uma aula de ouro na intimidade, uma cama op dentro de uma aula interpessoal. A solid o e isolamento. O tempo detém o espa o gráfico num universo diferente.

EN hat happened to the remains of privacy In the invisible grooves a whole world of meaning is hidden. The comple is designed on the threshold of simplicity, creating architectures that mention divergent perspectives and di erent looks. The concave becomes convex, the empty becomes full and the golden glow fades out to reveal other lights. The complementary does not always fit in. othing is what it seems because there is nothing there... There is always something in the middle that simultaneously separates and unites those two tense realities. It is something that helps to understand the importance of the being and what e ists on the other side, the nonbeing. i erent visual forms to represent a bed and a conte t. It is a part for the whole and the opposite, the whole for a part. It is a graphic representation of a bed, very op , very simple, very essential that overlaps a graphic universe of architectural lines drawn on gold leaf. A golden baro ue surface that serves as the basis for a metaphor that represents the idea of a golden cage in intimacy, a op bed inside an interpersonal cage. oneliness and isolation. Time holds the graphic space in a di erent universe.


A A A

A

BU O

,

carvão sintético sobre tela synthetic coal on canvas 200x150 cm

A A A

A

BU O

,

carvão sintético sobre tela synthetic coal on canvas 200x150 cm

ANDRÉ GRAÇA GOMES ortugal

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PT O trabalho de André ra a omes promove uma re e o sobre o tempo, a mem ria e o artista. Cada uma das suas obras fecha e abre um ciclo de imagens, como um filme acerca do mundo, sob o crivo do pensamento artístico. ais ue uma suspens o gráfica do tempo, o trabalho de André ra a permite nos surpreender a pr pria interpreta o din mica ue a mem ria faz do real, num infinito desdobrar de camadas inter relacionadas e inter referenciais. As obras assumem, através do gesto, uma deriva nostálgica, onde as personagens das cenas vagueiam algures entre a vida e a morte a luz e a sombra o preto e o branco. uma época em ue o tecnol gico substituiu o manual, a arte, em geral, tem esse papel de resist ncia, o de enaltecer o gesto humano como uma forma particular e ancestral de conhecimento e sobretudo de mem ria, coletiva e individual. através da inten o do artista ue lhes é dado esse novo lugar a obra de arte.

EN The work of André ra a omes promotes a re ection on time, memory and the artist. ach of his works closes and opens a cycle of images, ust like a film about the world, under the sieve of artistic thought. ore than a graphic suspension of time, André ra a s work allows us to surprise the very dynamic interpretation that memory makes from reality, in an infinite unfolding of interrelated and inter referential layers. The works assume, through the gesture, a nostalgic drift, where the characters of the scenes wander somewhere between life and death the light and the shadow black and white. In a time when the technological has replaced the manual, art in general has this role of resistance, that of uplifting the human gesture as a particular and ancestral form of knowledge and especially of memory, collective and individual. It is through the artist s intention that it is given to them that new place the artwork.


CONECTMAN, 2017 escultura sculpture 280x314x85 cm

ÂNGELO RIBEIRO ortugal

PT stamos passivamente conectados com ambientes digitais e, conse uentemente, congelamos a habilidade de pensar de uma forma crítica. aglia afirma ue o cérebro fecha avenidas inteiras de observa o e intui o face s tenta es dos suportes digitais ue parado almente ob etam proclamada intera o. O homem encontra se pois, espectador de si pr prio. Conectman e plora estes domínios. As suas m ltiplas cone es em metal, frio por natureza, desenham a matéria no espa o, recordando itr vio. a representa o do su eito en uanto pe o inerte num ogo social onde, as regras deste ogo moldam as atitudes, dentro de uma l gica fabril.

EN e are passively connected with digital environments and conse uently, freezing the ability to think in a critical way. aglia states that “the brain closes entire avenues of observation and intuition in the face of the digital media temptations, that parado ically ob ect to the proclaimed interaction. The man is therefore a spectator of himself. Conectman e plores these domains. Its multiple connections in metal, cold by nature, draw the matter in space, recalling itruvius. It is the representation of the sub ect as an inert pawn in a social game where its rules shape the attitudes, within a factory logic.


NORTHERN SHAMAN, 2016 acrílico e bordado sobre tela acrylic and embrodery on canvas 70x50 cm

SO T T OU

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acrílico e bordado sobre tela acrylic and embrodery on canvas 70x50 cm

ANNA STANKIEWICZ - ODOJ ol nia

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oland

PT A minha pintura é uma forma de colocar um feiti o no tempo, a pintura como um resgate, a pintura como uma forma de dar um sentido vida. Como conse u ncia deste tipo de pensamento sobre a arte, passei a incluir o bordado no meu trabalho. ste, de algum modo, tira a pintura do pedestal, colocando a mais perto do artesanato e ao mesmo tempo dá lhe uma maior dimens o literalmente e figurativamente . s vezes pode assemelhar se arte popular, usada de uma forma moderna. o caso particular das minhas duas obras de arte apresentadas para a Bienal de Cerveira, eu adicionei o bordado s pinturas que são um pouco semelhantes aos trabalhos de hist rias aos uadrinhos ou obras de arte pop. O contraste é ainda maior. az o espectador pensar sobre como conectar duas realidades. Todos n s somos um pouco impotentes tentando sobreviver no mundo tecnol gico atual. Todos n s temos ue ser am s , tentando conectar com o ue é velho e novo.

EN y painting is a way of putting a spell on time, painting as a rescue, painting as a way of giving a meaning to life.As a conse uence of this kind of thinking about art I started to include embroidery into my work. Somehow it takes painting out of the pedestal, makes it closer to the craft and at the same time gives it more dimension literally and figuratively . Sometimes it may resemble folk art, used in a modern way. In this particular case of my two art works submitted for the Cerveira Biennial I add embroidery to the paintings that are a little bit like comics or pop art works. The contrast is even bigger. akes the viewer think about connecting two realities. e all are a little bit helpless trying to survive in today s technological world. e all have to be shamans , trying to connect with both the new and the old.


PT Os trabalhos de Anne Courtois e ploram a plasticidade da língua portuguesa, associada a ob etos do dia dia. A instala o CAOS apresenta tr s palavras mais uma, ue s o anagramas uma da outra. O SACO , nico ob eto material citado, corporifica a instala o e sugere as diferentes analogias e utiliza es a ele associadas, conferindo   frase um caráter provocativo também refor ado pelo conte do dos sacos. o conte to da Bienal de Cerveira, o enchimento dos sacos da instala o com outras embalagens comerciais, faz refer ncia forma como economia mundial trata o problema do li o.

EN The works of Anne Courtois e plore the plasticity of the ortuguese language, associated with everyday ob ects. The installation CAOS Chaos presents three words plus one, which are anagrams of one another. SACO Bag , the only material ob ect mentioned, embodies the installation and suggests the di erent analogies and uses associated with it, giving the phrase a provocative character also reinforced by the contents of the bags. In the context of the Cerveira Biennial, the filling of the installation s bags with other commercial packaging refers to how the world economy treats the problem of garbage.

CAOS, 2015/16 instala o installation sacos serigrafados com li o plástico doméstico silk screen bags with plastic household waste dimens es variáveis variable dimensions

ANNE COURTOIS ran a

rance


CREDIT©TIAGO BETTENCOURT

ÃSUOL, 2014 colagem collage 80x80 cm

NILOM, 2014 técnica mista mi ed media 80x80 cm

ANTERO FERREIRA ortugal

PRÉMIO JOVEM VI BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE CERVEIRA JU

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YOUTH AWARD VI CERVEIRA INTERNATIONAL ART BIENNIAL T JU

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PT O prop sito destas obras surgiu da pai o pessoal pelas artes gráficas autoforma o, atividade profissional e colecionismo e pela vontade em homenagear hist ricas institui es industriais portuguesas. este caso, duas empresas marcas infelizmente á desaparecidas a ábrica de apel da ous Coimbra, c. e a fábrica de material e e uipamento escolar olin ila ova de aia, . esta forma, o autor designer realizou, respetivamente, uma colagem instala o e uma manipula o gráfica, utilizando e clusivamente materiais portugueses ue, neste caso, foram provenientes da sua cole o particular papéis e envelopes antigos e raros, canetas de feltro, ato, lapiseira, compasso e escantilh es . or fim, as obras foram sentimentalmente intituladas e escritas com os mesmos materiais nacionais com anagramas ue evocam as referidas marcas ous suo e Molin (niLom), numa metáfora temporal, de viagem no tempo ue nos leva, de certo modo, também a olhar e andar para trás... O conceito matriz destas duas obras, para além do seu carácter l dico ar ueol gico, recupera e apropria se da mem ria do passado, de tecnologias e artefactos antigos portugueses, reintroduzindo os novamente num outro século, p s digital e pouco anal gico, cu o paradigma social, industrial, cultural, artístico, moral, etc. é complementarmente diferente e, ao mesmo tempo, in ustamente indiferente!

EN The purpose of these works arose from the personal passion for graphic arts self formation, professional activity and collecting and the desire to honour historical ortuguese industrial institutions. In this case, two companies brands are unfortunately missing the ous aper actory Coimbra, and the olin school material and e uipment factory ila ova de aia, . Therefore, the author designer carried out a collage installation and a graphic manipulation, using e clusively ortuguese materials that, in this case, derived from his private collection old and rare papers and envelopes, felt tipped pens, utility knife, pencil, compass and stencils . inally, the works were sentimentally titled and written with the same national materials with anagrams that evoke the aforementioned marks ous suo and Molin (niLom), in a temporal metaphor of time travel that takes us, in a sense, to look and move backwards... The matri concept of these two works, in addition to its ludic archaeological character, recovers and seizes the memories of old ortuguese technologies and artefacts from the past, once again reintroducing them in another post digital and less analogue century, whose paradigm social, industrial, cultural, artistic, moral, etc. is complementarily di erent, and at the same time, unfairly di erent!


ST U TU

OO ,

aguarela acrílica acrylic watercolour cm

ANTON

Bulgária Bulgaria

PT Ambas as pe as est o ligadas aos meus estudos e e peri ncias nos ltimos anos, sendo o t pico principal materiais e sombras. Um tema central é a mistura de imagens bidimensionais e tridimensionais ue correspondem estrutura te tura da tela bidimensional e propor o das linhas gráficas ue dividem a imagem em espa os separados. Jogando com diferentes escalas de áreas mais brilhantes e mais escuras, centro desfocado ou contorno da imagem, eu tento interpretar as tradi es ancestrais do meu país. Os velhos tapetes B lgaros e as estruturas de madeira dos antigos celeiros b lgaros abandonados s o um bom e emplo de como as pessoas descobrem o significado da cone o entre o material, a propor o, a luz.

EN Both pieces are connected with my studies and e periments in the last years, being the main sub ect materials and shadows. A central theme is the mi of two and three dimensional images which correspond to the structure te ture of two dimensional canvas and the proportion of the graphic lines dividing the image into separate spaces. laying with di erent scales of brighter and darker fields, blurred centre or outline of the image, I try to interpret ancient traditions from my country. The old Bulgarian rugs and the wooden structures of the old abandoned Bulgarian barns are a good e ample of how people discover the meaning of the connection between material, proportion, light.


PORTUGAL NO SEU MELHOR, 2013/14 te to visual, infografia visual te t, infographics 180x140 cm

ANTÓNIO BARROS ortugal

PRÉMIO AQUISIÇÃO XVII BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE CERVEIRA 27 DE JULHO A 14 DE SETEMBRO 2013 ACQUISITION AWARD XVII CERVEIRA INTERNATIONAL ART BIENNIAL 27TH JULY TO 14TH SEPTEMBER 2013

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PT ortugal no seu melhor , , surgiu num sentido de elegia, e no mbito da Bienal J B, evocativa da vida e obra do Compositor Jorge ima Barreto . A ui, a apropria o de sentido de uma narrativa funérea surge do resgate convulsivo a uma arte de raiz popular, essa ue se revela numa geografia de lugar, cenário doloso onde os ob etos devocionais e votos d o agora voz a uma circunstancialidade comunicacional comprometida com as vivencia es das pessoas reais, ho e. em seus modos, suas raz es grafadas nos ornais do lugar para colher respira o.

EN ortugal no seu melhor ortugal at its best , , emerged in a sense of elegy, and within the scope of the first J B Biennial, reminiscent of the life and work of the Composer Jorge ima Barreto . Here, the appropriation of a funereal narrative s meaning arises from the convulsive ransom of a popular rooted art, which reveals itself in geography of place, a malicious scenario where devotional ob ects e votos now give voice to a communicational circumstantiality committed to the e periences of real people, today. And in his own way, his reasons are marked on the local newspapers to gather breathing.


PT As pinturas ue apresento t m sua motiva o no cinema, num cinema espelho, onde ve o re etidas minhas pr prias pro e es mentais. Aí encontro as imagens com as uais ilustro o mito, por meio das o ida es do ferro e do tit nio. esta série de pinturas, laboro exclusivamente com ferro para emular sombras e tit nio para emular luz. PENÉLOPE, 2012 leo sobre painel de fibras de média densidade oil on mdf cm

ANNUNCIATION, 2012 leo sobre painel de fibras de média densidade oil on mdf cm

ANTÓNIO FERCUNDINI Brasil Brazil

EN The paintings I present are inspired in the cinema, in a mirror cinema, where I see re ected my own mental pro ections. There I find images with which I illustrate the myth, through the o idations of iron and titanium. In this series of paintings, I work e clusively with iron to emulate shadows and titanium to emulate light.


STU

O C AOS,

pintura a óleo oil painting cm

ARANTZA PARDO spanha Spain

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PT Tens o, dese uilíbrio, convuls o, digitaliza o, organicidade, desordem, e cesso, escapismo, simula o, abismo, desconstru o, a incerteza, impacto, caos.

EN Tension, imbalance, convulsion, digitization, organicity, disorder, excess, escapism, simulation, abyss, deconstruction, uncertainty, impact, chaos.


PT A oposi o diálogo entre transpar ncia e opaco, o contraste entre o infinito ue habita o interior do ser humano e a uilo ue o e terior manifesta. stas constru es frágeis usam materiais precários e imagens de uma realidade insignificante e transit ria onde, tantas vezes, se esconde o mistério e pode estar presente o brilho invisível da poesia.

LES PETITS PORTRAITS, 2017 leo e colagem s papel vegetal, arame, agrafos oil and collage on tracing paper, wire, staples dimens es variáveis variable dimensions

ASSUNÇÃO MELO ortugal

EN The opposition dialogue between transparency and opa ue, the contrast between the infinite that inhabits within the human being and what the e terior manifests. These fragile constructions use poor materials and images of an insignificant and transient reality where so often hides the mystery and where may be present the invisible glow of poetry.


C

I A, BOO I

OO I

CA TI A,

environment dimens es variáveis variable dimensions

AUGUSTO CANEDO ortugal

PRÉMIO REVELAÇÃO IV BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE CERVEIRA A OSTO A

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REVELATION AWARD IV CERVEIRA INTERNATIONAL ART BIENNIAL T AU UST TO

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PT O título do pro eto Cerveira, Boogie oogie Cantina, , foi apropriado da obra de iet ondrian Broadway Boogie oogie , como sinal invertido do racionalismo frio do neoplasticismo versus a profus o decorativa da cultura popular. Trata se de um ambiente claustrofóbico e nonsense, com recurso ao efeito da sinestesia e emo o da estética kitsch e seus gadgets.

EN The pro ect title Cerveira, Boogie oogie Cantina, was taken from iet ondrian s work Broadway Boogie oogie , as an inverted sign of the cold rationalism of neoplasticism versus the decorative profusion of popular culture. This is a claustrophobic and nonsense environment, using the e ect of synesthesia and the emotion of kitsch aesthetics and gadgets.


O

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S I

. ,

pintura acrílica sobre tela acrylic paint on canvas 100x100 cm

AVA SERJOUIE Ir o Alemanha Iran

ermany

PT Arte é um protesto, arte é a forma como vivemos, pensamos, observamos, atuamos e criamos uma obra, arte é o ue defendemos e pelo ue lutamos. Arte é paz mas arte é também uma batalha, onde representas todos os teus valores, onde te esfor as com tua cria o artística e e press o para um mundo mais usto. Arte é aprender a criar a uilo em ue acreditas e a viver a uilo ue crias. Arte é comunicar os teus valores através da linguagem artística com outros. Através da arte podes manter o teu ponto de vista e dei ar o teu trabalho encora ar outros a ficarem unidos e lutarem pelo mesmo ob etivo. Arte para mim é como uma mulher, é uma oportunidade de criar um mundo melhor para todas as crian as, até mesmo para os filhos do meu inimigo.

EN Art is a protest, art is the way we live, think, observe, act and create an artwork, art is what we stand for and what we fight for. Art is peace but art is also a battle, where you stand for all your values, where you strive with your artistic creation and e pression for a fairer world. Art is learning to create what you believe and to live what you create. Art is communicating your values through artistic language with others. Through art you can hold your standpoint and let your work encourage others to stand united and struggle for the same goal. Art for me is like a woman, is a chance to create a better world for all the children, even for the children of my enemy.


.S. , fotografia digital ueimada em papel digital photography burnt on paper . cm

TUAREG, 2015/16 fotografia digital ueimada em algod o digital photography burnt on cotton . cm

BEATRIZ ALBUQUERQUE ortugal

PRÉMIO REVELAÇÃO XVII BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE CERVEIRA 27 DE JULHO A 14 DE SETEMBRO 2013 REVELATION AWARD XVII CERVEIRA INTERNATIONAL ART BIENNAL 27TH JULY TO 14TH SEPTEMBER 2013

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PT A instala o de Beatriz Albu uer ue extrai e materializa o poema satírico Advertisement for the aldorf Astoria ublicidade para o aldorf Astoria de angston ughes. Beatriz Albuquerque transmite a acusa o abrasadora de ughes através da ueima literal de palavras do seu poema em notas de um d lar. le aborda o tema da absurda concentra o societária de dinheiro com versos que listam os itens decadentes do menu aldorf Astoria. Conforme visto na Bienal, o nome de um desses itens, each elba , aparece na nota de um d lar alterada por Beatriz Albu uer ue. Ampliando o tema do e cesso culinário, imagens de ban uetes emergem nas cinco tiras de algod o de Beatriz Albu uer ue. ara gerar esses visuais, ela ueimou, nas mesmas, fotografias da sua abundante e ibi o de cer mica relativa comida gourmet, intitulada ood orn . Ambas as obras de Beatriz Albuquerque lembram e impulsionam para além dos meios dos artistas op de estimular e criticar o fascínio insaciável por produtos comerciais. im Bobier, ova ork,

EN Beatriz Albuquerque’s installation mines and materializes the satirical poem Advertisement for the aldorf Astoria by angston ughes. Beatriz Albu uer ue imparts ughes s searing indictment by literally burning his poem s words onto one dollar bills. e inveighs against the absurd societal concentration of money with verses that list the aldorf Astoria s decadent menu items. As seen in the Biennial, the name of one such item each elba appears on Beatriz Albu uer ue s altered dollar bill. Amplifying the theme of culinary e cess, images of feasts emerge on Beatriz Albu uer ue s five strips of cotton. To generate these visuals, she burned photographs of her bountiful ceramic display of gourmet food, titled ood orn, into the fabric strips. Beatriz Albu uer ue s works both recall and push beyond op artists means of stimulating and criti uing the insatiable allure of commercial products.


PT eroon , é dedicado ao heroísmo do homem comum, um homem tel rico, antigo e gasto mas rico de viv ncias e sabedoria acumulada, sustentado pelas uatro pernas de um banco, de produ o industrial mas interiormente pleno de rever ncia pelo sagrado na natureza. Uma espécie de relicário de contradit rias e peri ncias de vida.

HEROON, 2017 instala o installation 140x34x34 cm

BEATRIZ CUNHA ortugal

EN eroon , is dedicated to the heroism of the common man, the telluric man, old and worn but rich in e periences and accumulated wisdom, supported by the four legs of a stool, of industrial production but inwardly complete in reverence by the sacred in nature. A reli uary kind of contradictory life e periences.


ENTRE A TERRA E O CÉU#1, 2016 fotografia photography 100x100 cm

ENTRE A TERRA E O CÉU#2,2016 fotografia photography 100x100 cm

BEATRIZ HORTA CORREIA ortugal

PRÉMIO REVELAÇÃO VI BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE CERVEIRA JU

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REVELATION AWARD VI CERVEIRA INTERNATIONAL ART BIENNIAL T JU

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PT Onde ficar Uma a o é uma causa ou um efeito A e ist ncia de um corpo, uma a o, um diálogo ou um pensamento num percurso que transp e e envolve m ltiplos sentidos. o mundo das coisas e da imagina o muitas e grandes mudan as acontecem todos os dias a uma velocidade alucinante. ada permanece, tudo se transforma numa metamorfose contínua. Tudo me e com tudo, tudo in uencia tudo. Tudo s o se u ncias de a es encandeadas, relacionadas ou n o, ue desenvolvem ou interrompem um discurso. O corpo ue desenha, o desenho ue envolve o corpo, a luz que o transforma numa soma de a es e intera es. O desenho surge como uma liga o entre a matéria e o espírito.

EN here to stay Is an action a cause or an e ect The e istence of a body, an action, a dialogue or a thought in a course that transposes and involves multiple senses. In the world of things and imagination, many great changes happen every day at an amazing speed. othing remains everything is transformed in a continuous metamorphosis. verything moves everything, everything in uences everything. verything is a se uence of chained actions, whether related or not, that develops or interrupts a speech. The body that draws, the drawing that surrounds the body, the light that transforms it into a sum of actions and interactions. The drawing emerges as a connection between matter and spirit.


INTERAÇÃO GERACIONAL, 2017 acrílico sobre tela acrylic on canvas 100x100 cm

DESCONSTRUÇÃO DE IDENTIDADE, 2017 acrílico sobre tela acrylic on canvas 100x100 cm

BENEDITA KENDALL ortugal

PRÉMIO AQUISIÇÃO | ÁGUAS DO MINHO E LIMA XII BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE CERVEIRA 16 DE AGOSTO A 21 DE SETEMBRO 2003 ACQUISTION AWARD | ÁGUAS DO MINHO E LIMA XII CERVEIRA INTERNATIONAL ART BIENNIAL 16TH AUGUST TO 21ST SEPTEMBER 2003

PT sta pintura foi elaborada a partir do desenho de uma renda de bilros ue vai crescendo com os gestos repetidos, numa alus o ao uotidiano. ersonagens femininas de banda desenhada e circuitos informáticos localizam nos no tempo presente. iste um legado geracional no ue respeita aos labores femininos que são cumpridos de av s para m es e netas. rocuro re etir sobre esta situa o sem fazer uízos de valor um legado ue tenho em mim.

EN This painting was elaborated from a drawing of a bobbin lace that grows with repeated gestures, in an allusion to everyday life. emale characters of comics and computer circuits locate us in the present time. There is a generational legacy regarding the feminine labour that is passed down from grandmothers to mothers and grandchildren. I try to re ect on this situation without making value udgments a legacy I have within myself.


OI I I O

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vídeo video 4´24´´loop

BRUNO CARACOL ortugal

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PT Um fo o é uma estrutura murada geralmente construída numa encosta ou numa falésia, dois muros ue se estendem convergindo para um fosso. A ca a ao lobo ue lhe dava uso implicava uma batida, envolvendo a popula o das várias aldeias ao redor do fo o. ispersava se a gente no monte, espantando o lobo, conduzindo o para a armadilha, até ue, perseguido e acossado, acabasse por cair no fosso, disfar ado com ramos e ervas. a dist ncia ao seu uso, este é um dispositivo cénico, ue transforma o vale num anfiteatro, preparando nos para assistir ao tema de uma popula o ue espanta uma parte da natureza para um fosso, e fuga ue preenche esta armadilha.

EN A pitfall is a walled structure usually built on a slope or cli , two walls that e tend converging to a moat. The wolf hunt that gave it use implied a hunt, involving the population of the several villages around the pitfall. eople were dispersed on the mountain, frightening the wolf, leading it into the trap, until, pursued and harassed, it fell into the pit, disguised with branches and herbs. At a distance from its use, this is a scenic device that transforms the valley into an amphitheater, preparing us to watch the theme of a population that pushes a part of nature into a pitfall, and the escape that fills this trap.


I

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fotografia photography (2x) 222x122 cm

ÇÃO PESTANA ortugal

PRÉMIO INTERVENÇÃO III BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE CERVEIRA JU

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INTERVENTION AWARD III CERVEIRA INTERNATIONAL ART BIENNIAL CERVEIRA T JU

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PT I AS Tendo como base discursiva a e peri ncia interpretativa e crítica em coletivo e ou individual , este é um trabalho que se insere num tra eto artístico uido, assente em diferentes registos, se am interven es, instala es e ou videoarte . Uma arte de periferia ue se define pelos fragmentos visuais de relatos a es, em registo anal gico digital, numa permanente triangula o ficcional, sobre o Corpo Ar uiteturas Outro s .

EN I AS ith an interpretative and critical e perience collectively and or individually based on a discursive structure, this work is inserted in a owing artistic path, rooted on di erent records, whether they are interventions, installations and or video art . It is a peripheral art defined by visual fragments of reports actions, in analogue digital record, through a permanent fictional triangulation, on the Body Architectures Other s .


AS BOTAS DO BOMBEIRO, 2016/17 escultura sculpture dimens es variáveis variable dimensions

CARLOS BARREIRA ortugal

GRANDE PRÉMIO X BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE CERVEIRA A OSTO A

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PRÉMIO AQUISIÇÃO (OBRA COLETIVA) XVIII BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE CERVEIRA JU

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GRAND PRIZE X CERVEIRA INTERNATIONAL ART BIENNIAL 122 123

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XVIII CERVEIRA INTERNATIONAL ART BIENNIAL T JU

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PT As botas do bombeiro ...é o nome desta pe a ue nos remete aos fogos ue ano ap s ano nos dei am aturdidos e impotentes no ato da sua e tin o. S o as ind strias dos fogos, ouve dizer se... Já outrora se falava das artes do fogo . Já cheira a ver o...e a fumo. Cada ual reage sua maneira, segundo o seu saber, a sua e press o. Comigo aconteceu agarrar em peda os de matéria e come ar a moldá la. O ue der deu, o ue for será... As botas do bombeiro .

EN As botas do bombeiro The firefighter s boots ...is the name of this piece that reminds us of the fires that year after year leave us stunned and impotent in the act of its e tinction. The wood industries are the guilty ones, it is said... In ancient times, the arts of fire had been spoken of. It already smells like summer... and smoke. ach one reacts in his own way, according to his knowledge, his e pression. It happened to me grabbing some pieces of matter and start shaping it. hat must be, must be, whatever will be, will be... As botas do bombeiro . The firefighter s boots


ANTICICLONE 1 (HEDYCHIUM GARDNERARIUM), 2015/17 fotografia digital digital photography 70x50 cm

ANTICICLONE 2 (VEDUTA), 2015/17 fotografia digital digital photography 50x70 cm

CARLOS CASTELEIRA ran a

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ierre aliard, in Anticyclone , Aix en Provence, Maio 2017

PRÉMIO AQUISIÇÃO XVIII BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE CERVEIRA JU

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ACQUISITION AWARD XVIII CERVEIRA INTERNATIONAL ART BIENNIAL T JU

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PT m momento algum se verá nas imagens de Carlos Casteleira o ue a tradi o da arte ocidental designa como paisagem um modo de untar harmoniosamente o que a natureza e os homens lan aram aos nossos olhos de forma premeditada ou no acaso das circunst ncias. Talvez o retrato de interiores em ruínas, abertos sob anelas luminosas diga, sua maneira, ue estas vistas panor micas s o uma forma de paisagem ultrapassada. O fot grafo nos da, ainda ue subtilmente, as chaves para a compreens o do espa o e uma vis o da natureza ue a idade contempor nea tem desenvolvido gradualmente através das obras de grandes artistas, e a afirma o de novos paradigmas na nossa rela o com o mundo …

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EN At no time, it will be seen in the images of Carlos Casteleira what the estern art s tradition designates as a landscape in order to harmoniously bring together what nature and men cast before our eyes in a premeditated way or in the randomness of circumstances. erhaps the picture of ruined interiors, opened under luminous windows, says in its own way, that these panoramic views are a form of outdated landscape. The photographer gives us, albeit subtly, the keys to the understanding of the place and nature’s vision that the contemporary age has gradually developed through the works of great artists, and the statement of new paradigms in our connection with the world ...


DES SOUVENIRS, 2008 escultura em mármore cinza sculpture grey marble 210x52x38 cm

CARLOS DUTRA ortugal

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PT A presente escultura firma o olhar na evoca o de lembran a , recorda o , imagem , fantasma , sombra in u ncia da representa o com que António Telmo na sua Arte oética, envolve o conceito de Souvenir e sintetiza é o ue vem de bai o, o ue se oculta na profundidade da consci ncia, mas ue, a todo o momento, pode vir superfície . rocura invocar coordenadas do período do meu nascimento em ue o ulc o dos Capelinhos se afirma como elemento nuclear uando desse ígneo leito se ergueram imagens inesperadas de grandeza surpreendente do nascimento de uma pe uena ilha.

EN The present sculpture firms the look on the evocation of reminder , memory , image , phantom , shadow representation of the in uence that Ant nio Telmo, with his oetic Art, involves the concept of Souvenir and summarizes it is what comes from below, which is hidden in the depths of consciousness, but at any moment, may come up to the surface . It seeks to evoke the coordinates of my birth s period, where the Capelinhos’ Volcano asserts itself as a core element, whence this fiery stream made amazing images of une pected greatness of a small island s birth.


SEM TÍTULO, 2017 pormenor detail instala o installation fita de a o ino idável, saco de plástico e prego stainless steel strips, plastic bag and nail . cm

SEM TÍTULO, 2017 pormenor detail instala o installation fita de a o ino idável, saco de plástico e prego stainless steel strips, plastic bag and nail . cm

CARLOS MENSIL ortugal

PRÉMIO AQUISIÇÃO XVIII BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE CERVEIRA JU

OA

S T

B O

ACQUISITION AWARD XVIII CERVEIRA INTERNATIONAL ART BIENNIAL T JU

TO

T S

T

B

PT As pe as apresentadas s o parte do resultado de uma investiga o sobre a manipula o de um dado material, neste caso a fita de a o ino idável, com a inten o de estudar a versatilidade do mesmo en uanto matéria de representa o pict rica. A forma, os cortes para o encai e das fitas, o saco ue envolve a pe a, o prego e a pr pria forma de e posi o adotada s o, por isso, uest es ue e ploram uma série de e pectativas ao olhar um ob eto ue ilude para abrir caminhos.

EN The artworks presented are part of the result of an investigation about the manipulation of a given material, in this particular case, the stainless steel tape, with the intention of studying its versatility as matter of pictorial representation. The form, the cuts for the fitting of the tapes, the bag that surrounds the piece, the nail and the form of e hibition adopted are, therefore, questions that explore spectrum of e pectations when looking at it an ob ect that eludes to open paths.


EM OUTRO LUGAR, 2014 tĂŠcnica mista mi ed media

–

700x330x330 cm

CARLOS PELETEIRO spanha Spain

126 127

PT A obra de arte possui, entre outras ualidades, a de fazer ideias oscilar entre espa os opostos, no mbito do leviano ligado ideia primordial, e no mbito do pesado, relacionado com a materializa o da mesma. Se colocarmos os dois lugares nas e tremidades de um segmento, em determinadas circunst ncias, uma e tremidade sobrep em se por cima da outra. O surgimento desta eleva o deve se s energias ue uem nas nossas rela es com as subst ncias ue nos rodeiam, este contrapeso aplicado no ponto apropriado, fornece ocasionalmente um resultado de nĂ­vel superior.

EN The artwork possesses, among other ualities that of making ideas oscillate between opposing spaces, within the scope of the light connected to the primordial idea, and within the scope of the heavy, related to its materialization. If we put the two places at the e tremities of a segment, under certain circumstances, one overlaps another. The emergence of this uplift derives from the energies owing in our relations with the substances that surround us this counterweight applied at the appropriate point, occasionally provides a higher level result.


ATIO S I O S A

A

CO O S

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A

CO O S

A

T,

monotipia monotype . cm

ATIO S I O S A monotipia monotype . cm

CHOICHI NISHIKAWA Jap o Japan

,

PT O tema da minha obra é o elacionamento . e facto, eu apli uei a técnica de litografia como um meio de empilhar a cor limitada, mas estas obras de arte n o possuem n mero de edi o. As suas cores e formas podem encontrar uma rela o de método de negocia o a partir de uma miríade de anelas ue foram gravadas usando o oyori ou o arroz. ara paralelizar a pluralidade da obra de arte, esta será capaz de reverberar a sua pr pria respira o e batimento cardíaco no espa o, n o somente mostrando a varia o.

EN The theme of my artwork is elationship . In fact, I applied a lithography techni ue as a mean of stacking the limited colour, but these artworks do not have the edition number. Their colours and shapes can find a relationship of negotiation method from a myriad of windows that have been embossed using the oyori or ice. To parallel a plurality of artwork, it will be able to reverb its own breathing and heartbeat in the space, not only showing the variation.


U A, A I O SA TA O T S, pintura em aerosol aerosol painting 125x125 cm

CIPRIANO CHAS spanha Spain

128 -

PT Apropria o da gravura aponesa ua, di spiro e gafanhoto oon, ersimmon and rasshoper realizada por atsushika okusai em . A gravura é fragmentada em diferentes leituras de acordo com a posi o do espetador Do oeste, a fruta simboliza o individualismo e materialismo da nossa sociedade, onde o pensamento científico procura dominar a natureza. o ste, a vis o holística do ambiente prevalece como o gerador do vácuo potencial onde a fruta surgirá. A ess ncia sub etiva da lua continua presente em todas as leituras da pintura.

EN Appropriation of Japanese engraving oon, ersimmon and rasshopper performed by atsushika okusai in . The engraving is fragmented in di erent readings according to the position of the viewer rom the est, the fruit symbolizes the individualism and materialism of our society, where scientific thought seeks to dominate nature. rom the ast, the holistic vision of the environment prevails as the generator of the potential vacuum where the fruit will emerge. The sub ective essence of the moon continues present in all the readings of the painting.


SINONÍMIA, 2016 instala o installation dimens es variáveis variable dimensions

CLÁUDIA CIBRÃO ortugal

PT Sinonímia permite nos a observa o de um ob eto triangular numa cai a de luz, ue se transforma consoante a perspetiva e a interpreta o do observador. Ao lado, encontram se representa es fotográficas de uatro das in meras possibilidades de perce o. uma capacidade deste ob eto ser visto na ualidade de símbolo ob eto ue representa, sugere ou evoca algo numa conce o linguística, uímica ou religiosa como figura geométrica na perspetiva da matemática e da geometria ou en uanto sugest o de outro ob eto por via das formas geométricas num olhar artístico. ste é portanto um elemento que, pela sua forma simples e pela sua fra o em partes, dependendo do nosso ponto de vista, nos permite dar import ncia s m ltiplas solu es imagens ue nascem a partir do mesmo ob eto. ste é também o processo ue decorre uando um raio de luz atravessa um ou vários ob etos criando diferentes elementos gráficos muito dispares do ob eto de onde originam.

EN Sinonímia Synonymy allows us to observe a triangular ob ect in a light bo , which is transformed according to the observer s perspective and interpretation. e t to it, there are photographic representations of four of the innumerable possibilities of perception. It is an ability of this ob ect to be seen as a symbol an ob ect that represents, suggests or evokes something in a linguistic, chemical or religious conception as a geometrical figure in the perspective of mathematics and geometry or as a suggestion of another ob ect through eometric shapes in an artistic look. Therefore, this is an element that, due its simple form and its fraction in parts, allows us to attach importance to the multiple solutions images that are born from the same ob ect, depending on our point of view. This is also the process that takes place when a ray of light passes through one or more bodies, creating di erent graphic elements of the ob ect from which they originate.


DESTEMPO (EM BRANCO), 2015 crochet e tricot crochet and knitting 200x180+100 cm

CONCEIÇÃO ABREU ortugal

130 131

PT azendo eco do ditado onde há redes, há rendas , estempo em branco constitui se no movimento rítmico de entretecer, gerado pelos gestos operativos ue, tradicionalmente, d o origem ueles artefactos. esse processo criativo se engendra um tempo contrário ao tempo cronol gico, onde se articulam a a o pragmática de entretecer e a a o ret rica ue entrela a o su eito a si mesmo, ao outro e ao mundo. Sendo ue, na dura o dessa prática, se constr i a e peri ncia e se re criam narrativas.

EN choing the saying onde há redes, há rendas where there are nets, there is lace , estempo in white integrates the rhythmic movement of interweaving, generated by the operative gestures that traditionally give rise to those artifacts. In this creative process a time contrary to chronological time is engendered, in which the pragmatic action of interweaving and the rhetorical action that interweaves the sub ect to itself, to others and to the world are articulated. In the duration of this practice, the e perience is constructed and narratives are re created.


TU

A

A

OJO A COI IS,

óleo sobre tela oil on canvas cm

CRISTÓBAL eru

eru

PT O nome uechua ou linguagem simi runa dos Incas, uma tela de algod o ou utku , ue desde as suas origens Chavín usava se e ainda se usa como suporte para a pintura, onde os nativos pintavam figuras, personagens geometrizadas e desenhos através de uma forma de vocabulário. ncontramos assim a abstra o e modernidade na arte do antigo eru, e a pintura de Crist bal pode relacionar se com essas antigas formas de e press o em sua linguagem pict rica.

EN The name uechua or simi runa language of the Incas, a cotton canvas or utku , which since its origins Chavín was used and it is still used as a support for painting, where the natives painted figures, geometrized characters and drawings through a form of vocabulary. e then find abstraction and modernity in the art of ancient eru, and Crist bal s painting can relate to these ancient forms of e pression in his pictorial language.


PT Alta traição

EN High treason

Eu não amo a minha pátria. Seu fulgor abstrato é inacessível. Mas (mesmo que soe mal) daria a vida por dez lugares seus, certas pessoas, fortalezas, uma cidade desfeita, cinza, monstruosa,

I do not love my homeland. Its abstract glow is inaccessible. But (even if it sounds bad) I would give my life For ten of its places, some people, Ports, pine forests, Fortresses, A city undone, gray, monstrous,

montanhas -e três ou quatro rios.

mountains -and three or four rivers.

MUERTE DE UN POETA NOVO WHISPANO, 2016 técnica mista sobre papel mixed media on paper 50x60 cm

CUCO

Espanha Spain

132 133

José Emílio Pacheco


VOODOO DOLLS & O TEMPLO DO AMOR PERDIDO, 2016 técnica mista sobre tecido mi ed media on fabric (8x) 25x15x15 cm

DANIELA STEELE Brasil

ortugal Brazil

ortugal

PT ste trabalho é parte de uma pes uisa ue fa o atualmente sobre a utiliza o de ob etos do ei o popular em obras de arte como forma de valoriza o e legitima o identitária de um povo reafirmando a criatividade e as possibilidades estéticas de uma sociedade. stas esculturas, ue s o chamadas de Bonecos voodoo , foram elaboradas sobre orienta o de uma estética da acumula o, onde diferentes tipos materiais s o incorporados obra, numa ustaposi o de elementos. A prática de articula es de materiais diversos numa s obra leva a esse procedimento técnico específico da assemblage. Ao abrigar no mesmo espa o da obra elementos retirados da realidade, liberta de certas limita es de superfícies. A escultura passa a ser concebida como constru o sobre um suporte n o tradicional, o ue pode dificultar o estabelecimento de fronteiras rígidas. estas esculturas utilizo materiais n o tradicionais combinados, numa gama de elementos incomuns.

EN This work is part of a research that I am currently doing on the use of ob ects from the popular environment in artworks as a form of valorisation and identity legitimacy of a people rea rming the creativity and aesthetic possibilities of a society. These sculptures, which are called Bonecos voodoo oodoo dolls , were elaborated on the orientation of an aesthetic of accumulation, where di erent material types are incorporated into the work, in a fusion of elements. The practice of articulations of diverse materials in a single work leads to this specific technical procedure of assemblage. By holding in the same space of the work elements removed from reality, it is released from certain limitations of surfaces. The sculpture is conceived as a construction on a non traditional support, which can hamper the establishment of rigid borders. In these sculptures I use non traditional materials combined in a range of unusual elements.


GEMINI, 2014 corte e soldadura em a o ino , moto reciclada cutting and welding in stainless steel, recycled motorbike 200x100x60 cm

DAVID KALIMAH ortugal

134 135

PT O homem e a arte como e press o da realidade. As minhas obras s o uma alus o consci ncia do homem pelo amor e catástrofe, evolu o simbi tica do planeta e do ser. A inten o de reciclagem ue se torna ic nica re ete a necessidade, a integra o do eu no momento atual, no momento do a uilo ue nos é permitido . Consci ncia, medita o, um planeta porta da e tin o. Busca do primitivo num frenesim de movimento. Técnica l gica e intui o, indissociáveis. gica como análise dos e cessos, o ego, a busca da perfei o. Intui o, regresso s origens do homem, dos materiais, pureza ess ncia o todo. Amor, alegria in e o de eu en uanto crio modificador sustentável.

EN an and art as an e pression of reality. y works are an allusion to the man s consciousness for love and disaster, the symbiotic evolution of the planet and the being. The intention of recycling which becomes iconic, re ects the need, the integration of the self in the present moment, at the time of what is allowed . Awareness, meditation, a planet close to e tinction. The search for the primitive in a motion s frenzy. Techni ue logic and intuition, inseparable. ogic as e cesses analysis, the ego, the pursuit of perfection. Intuition, return to the origins of man, materials, pure essence the whole. ove, oy In ection of me as creator of a sustainable modifier.


O A

A

TO

,

água tinta e ponta seca a uatint and dry point . cm

O COS O

ICO

,

água forte etching . cm

DAVID LOPES ortugal

PT m , Johannes epler publica Astronomia ova onde sistematiza uma série de resultados a partir da observa o do movimento dos planetas. iriam ent o a ser conhecidas como as leis de epler os planetas movem se em elipses e n o em círculos de matemática perfeita, ao contrário da sua cren a inicial. A ui e plora se o diálogo entre duas imagens de conte tos e tempos distintos. or intermédio da cita o, procura se falar do conhecimento ue advém dos instrumentos da perce o se a pela apropria o de um desenho de um cosmográfico ou pela imagem de um lan amento de um telesc pio.

EN In , Johannes epler publishes Astronomia ova ew Astronomy where he systematizes a series of results from the observation of the planets movement. They would then become known as epler s laws planets move in ellipses rather than in perfect mathematical circles, contrary to its initial belief. e then e plore the dialogue between two images from di erent conte ts and times. Through the uotation, we try to talk about the knowledge that comes from the instruments of perception whether by the appropriation of a drawing from a cosmographic or by the image of a telescope s launch.


DEVIR, 2015 vídeo video 4´43´´

YIN YANG, 2017 vídeo video 6´20´´

DEBORAH ENGEL Brasil/Brazil

PRÉMIO AQUISIÇÃO XVI BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE CERVEIRA 16 DE JULHO A 17 DE SETEMBRO 2011 ACQUISTION AWARD XVI CERVEIRA INTERNATIONAL ART BIENNIAL 16TH JULY TO 17TH SEPTEMBER 2011

136 137

PT Os trabalhos in ang e evir t m em comum uma vontade de aliar se natureza e sabedoria popular instigando o espectador a pensar o aleat rio e em algo ele n o pode controlar, apesar de dese ar muito este controle. in ang representa esta energia vital, ue vai e ue vem alimentando a natureza, seus habitantes, e o dese o da artista de demonstrar essa energia através da água ue circula na cachoeira como o sangue ue bombeia no cora o alimentando todo o corpo.

EN The works in ang and evir have in common a willingness to ally themselves with nature and popular wisdom by instigating the viewer to think about the random and something he she cannot control, even though he she wants to. in ang represents this vital energy, which comes and goes feeding nature, its inhabitants, and the artist s desire to demonstrate this energy through the water that ows in the waterfall, like the blood that pumps in the heart feeding the whole body.


PUZZLED, 2017 puzzle, impressão sobre cartão printed cardboard cm

DIVA BENINI Bélgica Belgium

PT oram necessárias cerca de pessoas por cada pessoa viva estar a ui ho e. Cada pessoa é como um grande retrato de pe uenos peda os da hist ria e tradi o. o é uma cole o, mas sim uma montagem de diferentes pe as, algumas dessas pe as nem se uer se encai am precisamente. o final, a maioria das pe as n o encai am, mas a imagem geral continua clara. e ete deste modo a sociedade e o patrim nio cultural. esta imagem voc pode reconhecer um dos artistas de iva Benini, e como através da pop art eles aprenderam ue o marketing se definia como a ltima etapa de elevar a arte ao seguinte nível.

EN It took about 1100000 people for each person alive to be here today. ach person is like a big portrait of little pieces of history and tradition. It is not a collection, but rather an assemblage of di erent pieces, some of those don t even fit e actly. In the end, most of the pieces don t fit but the overall picture is still clear. In this way, it re ects society and the cultural heritage. In this picture, you can recognize one of the artists of iva Benini and how they have learned through pop art that marketing is defined as the last step to push art into the ne t level.


THE DAY, THOSE WALLS COLLAPSED, 2016 fotografia photography 42x60 cm

DONGHOON HA Coreia do Sul South orea

138 -

PT Um dia eu estava a passear com a minha má uina fotográfica na m o, e de repente fez se luz todos n s podemos encontrar elementos triviais ue nos fazem felizes no nosso dia a dia também. oi um grande prazer para mim encontrar algo ue pode enri uecer nossas vidas. nt o eu comecei a minha viagem em , com o sonho de viver uma vida diferente. esde ent o eu diria ue via o diariamente e via ar é o meu dia a dia, a minha rotina. agora, a minha vida é um pouco diferente do passado, tal como o meu sonho.

EN One day I was walking with my camera in hand, and suddenly an enlightenment struck me we all could find trivial elements that make us happy in our daily lives as well. It was a great delight to me to find something that can enrich our lives. Then I started my ourney in , with the dream of living a di erent life. Since then I would say travel is my daily life, my routine. And now, my life is a little di erent from the past, ust like my dream.


AU

AO

A

O

CAOS,

luteria, ébano, moral, osso, prata e madrepérola luthery, ebony, moral, bone, silver and mother of pearl 120x50 cm

– DS

spanha Spain

PT Não existe maior recurso expressivo ue a ordem num caos aparente, por ue conecta diretamente com a emo o prévia a o deslocando os rígidos conceitos preestabelecidos e gerando no observador um estado diferente ue possibilita o pensar e o sentir de uma forma distinta fonte e caudal da vanguarda transgressora, ue se manifesta na forma de liberdade de e press o.

EN There is no greater e pressive resource than order in an apparent chaos, because it directly connects with the emotion prior to action shifting the rigid pre established concepts and generating in the observer a di erent state that makes it possible to think and feel in a distinct way source and ow of the transgressive vanguard, which manifests itself in the form of freedom of e pression.


PT As ferragens est o presentes em varias pe as de mobiliĂĄrio Chin s, s o de uma beleza nica e de uma variedade sem fim, ue continuam a in uenciar as mais variadas formas de arte.

A

S I,

gravura, impress o sobre papel engraving, print on paper cm

A

S II,

gravura, impress o sobre papel engraving, print on paper . cm

–

DUARTE ESMERIZ ortugal

140 141

EN The ironworks are present in several pieces of Chinese furniture, they are e ceptionally beautiful and with an endless variety, still in uencing the most diversified forms of art.


USIO , pro e o em uadro surface pro ection 200 x 200 cm

DUB VIDEO CONNECTION ortugal

PT A fus o do átomo de hidrogénio é a f rmula natural, usada pelo sol, para produzir energia limpa sem radia o , onde a eletricidade criada é superior energia despendida para o gasto, o ue a torna infinita. ecriando esta f rmula, a humanidade poderá entrar numa era onde as problemáticas em torno da cria o de energia mudar o de paradigma. st o em curso pelo mundo, em vários laborat rios da big science e peri ncias bem sucedidas nessa dire o. oderemos ho e imaginar as conse u ncias de uma fonte de energia eterna para o uso corrente uanto tempo teremos ue esperar A instala o USIO convida o espetador a um confronto visual com a imagem do sol, inspirando dessa forma, a uma re e o filos fica sobre a import ncia do fen meno.

EN The fusion of the hydrogen atom is the natural formula used by the sun to produce clean energy without radiation , where the electricity created is greater than the energy e pended for the cost, making it infinite. By recreating this formula, humanity may enter an era where the issues surrounding energy creation will change paradigms. Around the world, in several big science laboratories, successful e periments are under way. Can we imagine nowadays the consequences of an eternal source of energy for everyday use ow long will we have to wait The installation USIO invites the spectator to a visual confrontation with the image of the sun, thus inspiring a philosophical re ection on the importance of the phenomenon.


EXODUS, 2016 foto digital digital photo cm

GALIZA LLENA DE ZOMBIES, 2016 vídeo video 4´06´´

EDU

spanha Spain

142 143

PT Seguindo uma das regras de ouro da arte emergente, os artistas experimentaram com o seu próprio corpo ue cada um se a a sua pr pria cobaia, dizem os freudianos , desconstruindo a sua imagem para colocar sobre a mesa a questão do u . Atualmente, através das novas tecnologias, a perce o da nossa identidade está a alterar se mais rápido do ue nunca. A arte da performance também responde a estas mudan as. O trabalho de du é um e emplo de um processo de transmídia, onde a autofic o, ativismo e crítica cultural se unem numa pe a de videoarte carregada de humor e ironia, adornada com a estética kitsch, bem conhecida na era p s internet.

EN ollowing one of the golden rules of emerging art, artists e perimented with their own bodies each one being their own guinea pig, say the reudians , deconstructing their image to put the self issue on the table. Today, through the new technologies, the perception of our identity is changing faster than ever. The art of performance also responds to these changes. du s work is an e ample of a process of transmedia storytelling, where auto fiction, activism, and cultural criticism come together in a video art piece loaded with humour and irony, adorned with kitsch aesthetics, well known in the post internet era.


ABRE ALAS, 2016 tinta acrílica sobre madeira acrylic paint on wood 100x100 cm

ELEONORA GOMES Brasil Brazil

PT A artista dialoga com a sua identidade. O trabalho re ete a tens o da composi o desse con unto. Um con unto instituído de uma série original de pinturas singulares em suporte org nico e temporal. Implica a ilus o de um ser nico. le atravessa as diversidades de suas partes e por vezes esse ser montado se faz e se desfaz. Abre Alas de agra cores, energias, corpos, gestos, volumes e vazios ue precisam estar moldados para o seu fim um apelo a euforia e a felicidade apesar das condi es.

EN The artist dialogues with her identity. The work re ects the tension of that set s composition. A collection created from an original series of uni ue paintings in organic and temporal support. It implies the illusion of a single being. It goes through the diversities of its parts and sometimes this mounted being makes and unmakes itself. Abre Alas breaks out colours, energies, bodies, gestures, volumes and voids that need to be shaped to their end a call to euphoria and happiness despite the conditions.


#WARPAINTINGS, 2017 aplica o para telem vel mobile app cm

ELIA NUÑES BAREZ spanha Spain

144 145

PT sta aplica o foi criada como um livro de artista. Um livro de um artista com um formato novo e contempor neo. retende se destacar a necessidade de uma evolu o na e posi o de arte. a era digital, parece necessário ue a arte se torne também digital e ue a sua distribui o se a feita através deste meio, ou modificada por ele. ivemos em um mundo cada vez mais lí uido, o ue implica uma uidez ue deve ser re etida nas diversas e press es artísticas. A op Art foi caracterizada pelo uso de imagens de caráter popular. a mesma forma, a realiza o desta aplica o é uma a o ue usa um meio imensamente difundido no nosso uotidiano, para a e posi o e valoriza o posterior das imagens do autor original, criadas digitalmente, cu a vida será marcada pelo pr prio utilizador ue poderá distribuí las e comparti las livremente.

EN This application was created as an artist book with a new and contemporary format. It is intended to highlight the need for evolution in the art e hibition. In the digital age, it seems necessary that art should also become digital and that its distribution be made through this medium, or modified by it. e live in an increasingly li uid world, which implies a uidity that must be re ected in the various artistic e pressions. op Art was characterized by the use of popular character images. Similarly, the implementation of this application is an action that uses a medium immensely di used in our daily lives, for the e hibition and later valuation of the original author images, digitally created, whose life will be marked by the user who can distribute and share them freely.


I

OC

TS T I T C ,

técnica mista mi ed media 180x285 cm

T

OC

TS,

técnica mista mi ed media 50x67 cm

ELSA CÉSAR ortugal

PRÉMIO REVELAÇÃO VIII BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE CERVEIRA JU

OA

A OSTO

REVELATION AWARD VIII CERVEIRA INTERNATIONAL ART BIENNIAL T JU

TO

T AU UST

PT A pe a ine ockets Triptych Tríptico com ove Bolsas , faz parte de um con unto de esculturas de parede e ecutadas entre ondres e orto . azendo parte de uma e posi o individual intitulada lumbea ina , scultura, rvore Centro de Atividades Artísticas, orto, Junho de e Sociedade acional de Belas Artes, aleria de Arte oderna, isboa, ar o de . A pe a Tríptico com Seis Bolsas selecionada para a III Bienal Internacional Arte de ila ova de Cerveira, Agosto de , ue fazia parte deste con unto foi premiada com o prémio revela o nessa edi o.

EN The artwork ine ockets Triptych from , is part of a set of wall sculptures e ecuted between ondon and Oporto . Being part of an individual e hibition entitled lumbea ina , Sculpture, rvore Artistic Activities Centre, Porto, June of and ational Society of ine Arts, allery of odern Art, isbon, arch of . The artwork Tríptico com Seis Bolsas Si Bags Triptych selected for the III Cerveira International Art Biennial, in August of , was part of this set and won the evelation Award from that edition.


LACUNAS DA MEMÓRIA, GERALDO, 2017 tinta de terra da cidade de mariana sobre tela earth ink from mariana’s city on canvas 100x80 cm

ACU AS A

IA,

A CISCO,

tinta de terra da cidade de mariana sobre tela earth ink from mariana’s city on canvas 100x80 cm

ELTON HIPOLITO Brasil Brazil

146 147

PT O artista plástico Elton Hipolito nos ltimos meses tem atuado no restauro das igre as atingidas pelo desastre ue acometeu nos distritos de aracatu e esteira, em ariana . Ao longo de sua carreira o artista tem desenvolvido uma série de trabalhos ue lidam com a intersec o entre a mem ria e a hist ria. essa série denominada acunas da em ria , as tonalidades presentes nas representa es prov m da combina o de re eitos de minério de ferro, recolhidos durante os procedimentos de restauro. Ou se a, a terra e a argila local comp em as tintas utilizadas para retratar as figuras homenageadas nesses painéis. estas pinturas, as figuras escolhidas foram o Sr. José rancisco mestre de obras

e o Sr. eraldo eleno ue atualmente est o trabalhando nas escava es ar ueol gicas em ariana . les est o sendo homenageados neste espa o, ue e plicita a disputa entre a lembran a e o es uecimento, como uma forma de tornar p blico a tens o com a mem ria do patrim nio impactado. Apesar do desastre, ainda há su eitos, com hist rias e perspetivas, nas cidades mineiras materialmente destruídas. uilherme ieira, historiador.

EN In the last few months, the plastic artist lton ipolito has been working in the restoration of the churches a ected by the disaster that took place in the districts of aracatu and esteira, in ariana inas erais. Throughout his career, the artist has been developing a series of works that deal with the intersection

between memory and history. In this series called acunas da em ria emory aps , the shades presented in the representations originate from the combination of iron ore tailings collected during the restoration procedures. That is, the paints used to portray the honoured figures in these panels are composed of earth and the local clay. In these paintings, r. José rancisco, master builder and r. eraldo eleno, who are currently working on archaeological e cavations in ariana inas erais, were the chosen figures. They are being honoured in this space, which e plains the dispute between remembering and forgetting, as a way to make public the tension with the memory of the damaged heritage. espite the disaster, there are still sub ects, with stories and perspectives, in the materially destroyed mining towns.


PT m ediana, a cor dominante do fundo é o azul claro, onde se inscrevem signos gráficos e discretas manchas luminosas, também elas convertidas em signos gestuais. O espacialismo puro tende para a monocromia, com subtis nuances. A tela é dividida em duas metades, ue s o olhadas como um todo, onde a linha divis ria, a mediana, é uase impercetível e suscita delicada vibra o.

U ICO

IA A,

A

acrílico e pastel de leo s tela acrylic and oil pastel on canvas 110x85 cm Col. unda o Cupertino de iranda

U ICO

IA A,

A

acrílico e pastel de leo s tela acrylic and oil pastel on canvas . cm Col. unda o Cupertino de iranda

EURICO GONÇALVES ortugal

GRANDE PRÉMIO BIENAL DE CERVEIRA XIII BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE DE CERVEIRA 20 DE AGOSTO A 17 DE SETEMBRO 2005 GRAND PRIZE XIII CERVEIRA INTERNACIONAL ART BIENNIAL 20TH AUGUST TO 17TH SEPTEMBER 2005

EN In ediana , the dominant colour of the background is light blue, where graphic signs and discrete luminous spots are inscribed, also converted into gestural signs. The pure spatialism tends towards monochrome, with subtle nuances. The canvas is divided into two halves, which can be seen as a whole, where the dividing line, the median, is almost imperceptible and arouses a delicate vibration.


PT A fotografia poderá ser simplesmente a beleza do sil ncio reinventado a partir da arte e comple idade á inscritas na casa de uu, retratadas como novas e peri ncias vivenciais e artísticas, interpretadas pelo autor das obras em causa e en uanto reinven o duma arte simb lica paradigmática... CASA

UU

A

TO ,

A

TO ,

fotografia digital digital photography 70x70 cm

CASA

UU

fotografia digital digital photography 70x70 cm

FÁTIMA CARVALHO ortugal

148 -

EN hotography may simply be the beauty of silence reinvented from the art and comple ity already included in uu s house, depicted as new life and artistic e periences, interpreted by the author of the works and as a reinvention of a symbolic paradigmatic art...


NÚCLEO, 2016 escultura sculpture 18x55x10 cm

FELIPE SEIXAS Brasil Brazil

PT

EN

cleo é um trabalho escult rico com elementos em vídeo. A obra parte de uma constru o formal ue abriga em si rela es entre alguns conceitos. A principal rela o a ui é a ue se dá entre o aterial e o Imaterial . á um contraste entre os blocos de concreto, e tremamente palpáveis e naturalmente assimilados a estrutura, em compara o com as cores emitidas pela tela do celular, ue s o representadas por pi éis digitais e n o podem ser tocadas. A obra ainda apresenta uma con u ncia entre técnicas de origem popular, como o concreto (técnica de domínio da classe trabalhadora da constru o civil e tecnologias recentes, frutos de um capital intelectual. Ambas s foram possíveis gra as ao acumular do saber ao longo do desenvolvimento da humanidade.

cleo Core is a sculptural work with elements in video. The work starts from a formal building housing itself relations between some concepts. The main relationship here is that between the aterial and Immaterial. There is a contrast between the concrete blocks, e tremely palpable and naturally assimilated into the structure, compared with the colours emitted by the mobile screen, which are represented by digital pi els and cannot be touched. The work also presents a con uence between popular origin techni ues, like concrete technical domain of the construction sector s working class and newer technologies, fruit of an intellectual capital. Both were made possible thanks to knowledge accumulated throughout the development of humanity.


A(DES)BOBINAR MEMÓRIAS, 2017 técnica mista sobre bases de contraplacado mi ed media on plywood bases 200x153 cm

FERNANDA BOAS ortugal

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PT or uma guarda perene dos valores culturais, patrimoniais e sociais, transfiguram se e evoluem as mem rias, rumo aos diversos cofres ue a tecnologia descobre. ste con unto de suportes de guarida, cu a individualidade dos olhares confiamos, é sussurrado s gera es vindouras, por lábios calados ue encerram o saber. Coloridas por correntes sem estigmas, ar uivam se os acervos em bobinas de época, ue o tempo faz perdurar. retende a ui bobinar e desbobinar as memórias artísticas que mesclam as culturas e identidades de cada um. com esta cumplicidade artística entre a linguagem da op Arte s Trans anguardas ue surge o registo da linguagem contempor nea do meu trabalho.

EN or a perennial guard of cultural, patrimonial and social values, the memories are transfigured and evolved, towards the various co ers that technology discovers. This set of shelter supports, whose individuality of eyes we trust, is whispered to the upcoming generations, by silent lips that enclose knowledge. Coloured by chains without stigmata, the collections are archived in period reels, which time keeps lasting. It is intended here to coil and uncoil the artistic memories that merge the cultures and identities of each one. The register of my work s contemporary language arises from this artistic complicity between the language of op Art to Transavantgardes .


U BA

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fotografia photography cm

U BA

U

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fotografia photography cm

FERNANDO MATOSO ortugal

PT A tecnologia acessível do mundo atual evoca uma explosão a nível global e um ritmo de vida acelerado. Isto soma um novo u o realidade e acelera as rela es humanas com a natureza e o planeta criando uma fonte emocional de representa o ue desafia a mente humana. O cho ue tecnol gico ue temos atravessado e ue s foi alcan ado através do acumular de conhecimento ao longo dos séculos e da identidade das nossas popula es, ue afeta a nossa vida e transforma radicalmente os nossos valores, atitudes e prioridades de uma gera o para outra. retendo filtrar elementos da sociedade moderna, focando detalhes ue re etem os valores humanos e a diversidade da humanidade para captar o comportamento e as culturas, os humores, os atos, as tens es ou as harmonias das pessoas. Os resultados indefinidos re etem o ritmo acelerado do século I, en uanto as cores iridescentes traduzem a amálgama visual e o surgimento da era digital.

EN Today s world accessible technology evokes a global outburst and a fast paced life. This adds a new u to reality and speeds up human relationships with nature and the global planet creating an emotional source of representation challenging the human s mind. The Technological shock, that we have been going through and that has only been achieved by accumulating knowledge throughout the centuries and through the identity of our populations which a ects our life and radically transforms our values, attitudes and priorities from one generation to the ne t. I intend to filter the elements of modern society, focusing on details that re ect human values and mankind s diversity to capture people s behaviour and cultures, moods, deeds, tensions or harmonies. The indefinite results re ect the fast paced times of the st century while iridescent colours translate the visual amalgam and rising of the digital era.


SEM SINAL, 2017 instala o installation

NATURA/CULTURA, TEMPO PRETÉRITO, 2016 video video 1´48´

FERNANDO VELÁZQUEZ Uruguai Uruguay

PRÉMIO AQUISIÇÃO XVI BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE CERVEIRA 16 DE JULHO A 17 DE SETEMBRO 2011 ACQUISTION AWARD XVI CERVEIRA INTERNACIONAL ART BIENNIAL 16TH JULY TO 17TH SEPTEMBER 2011

152 153

PT

Sobre o estatuto da comunica da imagem e da tecnologia.

o,

EN On the status of communication, image and technology.


NUBE DE VERANO, 2015 modelado modelling 35x58x13 cm

DISPERSIÓN, 2015 modelado modelling 21x30x6 cm

FERREIRO BADIA spanha Spain

PT a linha de obras org nicas relativas s ue erreiro Badia nos tem habituado, esta obra dispensa cor como um elemento significativo. a reinterpreta o de uma nuvem de ver o. eometrias de montagem com perfis definidos, onde se oga com a forma e o vazio. O volume org nico visualiza se através de uma frontalidade escultural ue prima sobre outros pontos de vista. Como ob eto associado com uma linha de transvanguarda, observam se reinterpreta es de estilos como o minimalismo ou abstra o geométrica, onde se aprecia um novo rumo a uma cer mica n o funcional.

EN In the field of organic works that erreiro Badia has accustomed us to, this work dismisses colour as a significant element. It is the reinterpretation of a summer cloud. Assembled geometries with defined profiles, where the shape and the void play with each other. The organic volume is visualized through a sculptural straightforwardness that overcomes other points of view. As an ob ect associated with a transavantgarde line, we can see reinterpretations of styles such as minimalism or geometric abstraction, where a new path to non functional ceramics can be observed.


SALOMÉ E O SULCO DA SEDE, OU, DEPOIS DE EUGÉNIO DE ANDRADE E JOSÉ RODRIGUES, 2017 acrílico sobre tela, madeira e papel acrylic on canvas, wood and paper cm

FILIPE RODRIGUES ortugal

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PT A arte atual a partir das transvanguardas e do abstracionismo p s conceptual tem uma dimens o artística ue dei ou de estabelecer rela es meramente espaciais ou temporais, para derivar em e tens es políticas e l gicas. As performances, vídeos, happenings, fotografias, documentos, te tos, desenhos, esculturas, pinturas e, ob etos comuns estabelecem novas rela es e sentidos para uma possibilidade de instala es artísticas. unca como ho e faz tanto sentido a apropria o ser ess ncia de um processo artístico desterritorializado.

EN Today s art from transavantgardes and post conceptual abstractionism has an artistic dimension that no longer establishes merely spatial or temporal relations resulting in political and logical e tensions. The performances, videos, happenings, photographs, documents, te ts, drawings, sculptures, paintings and common ob ects establish new connections and meanings for a possibility of artistic installations. Today as never before it makes so much sense that the essence of a deterritorialized artistic process is the appropriation.


ÁUREA GEOMÉTRICA, 2006 pintura instalativa installative painting dimens es variáveis variable dimensions

FONSECA DA SILVA ortugal

PT urea eométrica configura se como um ensaio sobre as rela es espaciais e luminosas entre a obra de arte e a forma ar uitet nica ue lhe dá abrigo. Ao fugir do suporte bidimensional, onseca da Silva escolhe contaminar o seu trabalho pelo lugar e vice versa, num enganchar entre o ob eto e o conte to.

EN urea eométrica olden eometry configures itself as an essay on the spatial and luminous relations between the artwork and the architectural form that gives it shelter. hen escaping the two dimensional support, onseca da Silva chooses to contaminate his work by the place and vice versa, in a hook between the ob ect and conte t.


S O

SI

A S,

vídeo video 3´28´´

THE SUBTLE LEVITATION, 2017 vídeo video 2´40´´

FRAN ORALLO spanha Spain

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PT No meu trabalho procuro mostrar a magia oculta por trás das a es cotidianas ue passam desapercebidas. Uso ob etos habituais, aos uais dou vida, outorgando lhes uma certa magia. Tal como um ilusionista, transformo os ditos ob etos em transmissores de sentido, de um significado abstrato, protagonistas da metáfora ue ultrapassa o cotidiano para aventurar se no campo da estética.

EN In my work I try to show the hidden magic behind the everyday actions that go unnoticed. I use standard ob ects, which I give life, granting them a certain magic. As an illusionist, I transform said ob ects in sense transmitters, an abstract meaning, protagonists of the metaphor that goes beyond the everyday life to venture into the field of aesthetics.


O U O

S O,

técnica mista mi ed media 130x175 cm

FRANCISCO TRABULO ortugal

PRÉMIO CÂMARA MUNICIPAL DE VILA NOVA DE CERVEIRA VII BIENAL INTERNACIONAL DE CERVEIRA A OSTO A

S T

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VILA NOVA DE CERVEIRA MUNICIPALITY AWARD VII CERVEIRA INTERNATIONAL ART BIENNIAL T AU UST TO

ST S

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B

PT A personagem da pintura remete para a figura central de uma fotografia de ustafa Bozdemir, ue obteve o prémio no orld ress hoto, . o retrato de uma m e ezban zer chorando de c coras e de bra os levantados devido morte dos seus filhos ue azem sua frente mortos num terramoto em oyunoren Tur uia , . A e press o corporal do encontro da m e com o inesperado, a dor e o sofrimento extremo, fazem recuar as minhas refer ncias udaico crist s até aria e sua vulnerabilidade perante o corpo do filho morto. á, sem d vida, um repert rio imagético escondido dentro de n s sem nos apercebermos disso. oderá dizer se ue o pintor n o passa de um espa o meio por onde transitam imagens ue fazem parte da mem ria coletiva da cultura a ue pertence, fazendo as emergir como f rmulas e pressivas (Pathosformeln) tal como a elas se referiu o historiador alem o Aby arburg assinala a e ist ncia de vínculos contamina es entre imagens mec nicas de dor fotográficas e fílmicas veiculadas pelos media ornais, televis o, net, etc. e imagens da hist ria das artes visuais do ocidente pintura, escultura, gravura, etc. .

EN The character of the painting refers to the central figure of ustafa Bozdemir s photograph, who won the st prize in orld ress hoto, . It is the portrait of a mother ezban zer crying, crouched and with raised arms, due to the death of his children lying in front of her killed in an earth uake in oyunoren Turkey , . The corporal expression of a mother s encounter with the une pected, the pain and e treme suffering, pushes back my Judeo Christian references to ary and her vulnerability towards the body of her dead son. There is undoubtedly an imaginary repertoire hidden within ourselves, without us noticing it. It could be said that the painter is only a space medium in which images transit. They form part of the culture s collective memory where he belongs, but he also transposes them as e pressive formulas (Pathosformeln), like the historian erman Aby arburg referred it marks the existence of links/ contaminations between mechanical images of pain photographic and film carried by the media newspapers, television, net, etc. and images of the visual arts western history painting, sculpture, etc.


PT Um retrato visual que interpreta o uso popular da fotografia na atualidade. A import ncia da imagem, o uso das diferentes aplica es e programas fotogrĂĄficos acessĂ­veis a todos, fazem parte do uotidiano como as recorda es fazem as fun es da mem ria e constatam o presente. Todos nos tornamos fot grafos da nossa pr pria e ist ncia, unindo o passado ao contempor neo, filtrando o elo uentemente com o nosso conceito de beleza.

PHOTOSHOP, 2017 fotografia digital digital photography 100x70 cm

RETRICA, 2017 fotografia digital digital photography 100x70 cm

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FRES

spanha Spain

158 -

EN A visual picture that interprets the popular use of photography nowadays. The importance of the image, the use of di erent applications and photographic programs accessible to all, are part of everyday life ust like the memories are memory functions and determine the present. e all become photographers of our own e istence, linking the past to the contemporary, filtering it elo uently with our concept of beauty.


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fotografia digital digital painting photography cm

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fotografia digital digital painting photography cm

FU WENJUN China China

PT n uanto n s vivemos num mundo tecnol gico atualizado diariamente, muitas pessoas não se esquecem de olhar para trás e identificar o ue tem acontecido na longa ornada. u en un, um contempor neo chin s, é um deles. Usando fotografia como a sua principal forma de arte durante uase anos, u e pressa os seus pensamentos e ideias com a a uda da tecnologia fotográfica avant garde, como fez anteriormente no trabalho em série A ind from esterday Um vento de ontem realizado entre e . u en un sobrep e as imagens de uma impress o de ilogravura realizada na dinastia Song e de um Choupo do ufrates, hero tree in the desert árvore her i no deserto , levando a natureza e a civiliza o a fundirem se belissimamente num s . Ambos ob etos passaram pelo teste do tempo e como símbolos

deste, podem evocar a nostalgia das pessoas em rela o aos tempos ancestrais. uas velhas formas aparentemente inertes s o trazidas de volta vida em superposi o, ue transmite o prop sito estético do p s modernismo. A hist ria nem sempre é pesada e deprimente, ela também pode ser revigorizante. O artista captura um vislumbre da hist ria, mas o seu ob etivo final é direcionar a nossa aten o para o futuro. EN hile we are living in a day to day updated technological world, many people do not forget to look back and trace what has happened in the long ourney. u en un, a Chinese contemporary, is one of them. Using photography as his main art form for nearly years, u e presses his thoughts and ideas with the

help of avant garde photographic technology, ust like what he did in the work series A ind from esterday made between and . u en un overlays the images from a wood engraving print made in Song ynasty and an image from the the Euphrates poplar, “hero tree in the desert , leading nature and civilization to beautifully merge with each other. Both ob ects have gone through the test of time and as its symbols, they can evoke people s nostalgia towards ancient times. Two seemingly lifeless old forms are brought back to life in superposition, which conveys the aesthetic purpose of postmodernism. istory is not always heavy and depressing, it can also be fresh. The artist captures a glimpse of the history, but his final aim is to direct our attention to the future.


CREDIT©GALERIA SALA 117

S

UBU TU ,

instala o installation 300x230x300 cm

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pintura painting 150x200 cm

GABRIEL GARCIA ortugal

PRÉMIO AQUISIÇÃO XVI BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE CERVEIRA 16 DE JULHO A 17 DE SETEMBRO 2011 ACQUISTITION AWARD XVI CERVEIRA INTERNATIONAL ART BIENNIAL 16TH JULY TO 17TH SEPTEMBER 2011

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PT O espírito global da comunidade está posto em causa. rguem se muros, derrubam se escadas, vigiam se pessoas e as linhas que nos unem est o perigosamente a separar nos, como n s cegos e barreiras intransponíveis. a viagem pela linha do tempo de cada um de n s, confrontam se fugas e regressos, caminhos direitos e encruzilhadas, o a ui e o acolá, estar e não estar, o ser e não ser…

EN The global spirit of community is called into uestion. alls are built, stairs are knocked down, people are being watched, and the lines that unite us are dangerously separating us, like ordian knots and insurmountable barriers. In the ourney through the timeline of each one of us, escapes and returns confront each other, right paths and crossroads, here and there, to stay and not to stay, to be and not to be...


PT artindo de uma abordagem formal e estética da figura do suicida e fazendo uma re e o sobre a natureza simb lica, ue pretende re etir a alma do ser humano e pressada na linguagem poética das ores, evocando assim a coe ist ncia harmoniosa entre a vida e a morte.

INMARCESIBLE, 2016 modelado modeling 51x105 cm

GABRIELA LUSQUIÑOS spanha Spain

EN Starting from a formal and aesthetic approach of the suicide figure and making a re ection on the symbolic nature, which aims to re ect the soul of the human being e pressed in the poetic language of owers, thus evoking the harmonious coe istence between life and death.


I A, acrílico, carv o, pastel e colagem sobre tela acrylic, charcoal, pastel and collage on canvas 200x144 cm n inv. cacgm b col. município de bragan a centro de arte contempor nea gra a morais bragan a municipality collection gra a morais contemporary art centre

A IA, acrílico, carv o, pastel e colagem sobre tela acrylic, charcoal, pastel and collage on canvas 200x144 cm n inv. cacgm a col. município de bragan a centro de arte contempor nea gra a morais bragan a municipality collection gra a morais contemporary art centre

GRAÇA MORAIS ortugal

PT Sinto as mulheres como árvores fortes, cheias de raízes, dotadas de uma grande energia, a uem a maternidade dá um grande poder. ra a

162 163

orais

Com um forte vínculo terra ue cultivam, as mulheres do universo pict rico de ra a orais, tema recorrente e estruturante de toda a sua obra, s o elementos t o indissociáveis ue se chegam a fundir na tela. Como capitais modelos de refer ncia, símbolos an nimos do somat rio das mulheres ue representam, aria e elmina n o s o apenas personagens de dramas íntimos e antigos, s o protagonistas. Apresentadas de corpo inteiro, uma e outra s o configuradas numa grande liberdade estilística a partir

dos mesmos matizes do plano de fundo, ue assumem, por vezes, o prolongamento da figura. se na obra aria a interce o da figura e do fundo, mulher e terra, é realizada a partir do informalismo de te turas e tintagens, a ue o recurso a colagens de folhas de oliveira e de pe uenas sementes amplificam o seu lado matérico, a imagem da elmina surge agigantada ao centro da obra, em pé, como o tronco de uma velha oliveira ue resiste, forte, dureza da vida e passagem dos anos. EN I feel women as strong trees, full of roots, endowed with great energy, to whom motherhood provides great power. ra a

orais

olding a strong bond with the land they cultivate, the women of ra a Morais’ pictorial universe, a recurrent and structuring theme of her entire work, are elements so inseparable that

they even merge onto the canvas. As main reference models, anonymous symbols of the sum of women they represent, aria and elmina are not ust characters from intimate and ancient dramas, they are protagonists. resented with full body, both are configured in great stylistic freedom from the same background hues, which sometimes assume the extension of the figure. In the artwork aria , the interception of figure and background, woman and earth, is carried out from the informalism of te tures and inks, to which the use of collages of olive leaves and small seeds amplify its material side. In the artwork elmina , the image appears out of proportion at the centre of the piece, standing like the trunk of an old olive tree that resists, strong, the hardness of life and over the years.


PT um mundo dominado pelo e cesso de informa o, a sensa o de fadiga é evidente no espectador. ste fator é somado com a presen a tecnol gica massiva, representada a partir da apropria o de diferentes imagens, com uma forte in u ncia popular, recriando uma realidade fictícia semelhante a uma cr nica parcialmente real da nossa era.

ACTS, 2016 linogravura linocut . . cm

BLOWVERBOD, 2016 impress o digital digital print 100x134 cm

GRUP B.Y.E spanha Spain

Taiwan Taiwan

EN In a world dominated by over information, the feeling of fatigue is evident in the observer. This factor is added to the massive technological presence, represented by the appropriation of di erent images, with a strong popular in uence, recreating a fictitious reality similar to a partially real chronicle of our era.


SEM TÍTULO, 2017 bordado embroidery 240x200x200 cm

SEM TÍTULO, 2017 bordado embroidery 140x120 cm

HÉLIA ALUAI ortugal

PRÉMIO AQUISIÇÃO XVI BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE CERVEIRA 16 DE JULHO A 17 DE SETEMBRO 2011 ACQUISITION AWARD XVI CERVEIRA INTERNATIONAL ART BIENNIAL 16TH TO 17TH SEPTEMBER 2011

164 165

PT em ria identidade e temporalidade. Trata se de um desenho sobre tecido e ecutado com má uina de costura. A obra centra se no u e insere se dentro da série Identidade, em ria e Temporalidade. O princípio destas obras tem como base o bordado tradicional, despo ado de todas as suas caraterísticas decorativas, técnicas e temáticas. o entanto, cont m em si toda a subst ncia dessa tradi o, dessa mem ria, dessa identidade... ue se fia ue se tece... Camada ap s camada.

EN emory identity and temporality. It is a drawing on fabric, performed with a sewing machine. The artwork focuses on the Self and is integrated within the series Identity, emory and Temporality. The principle of these works is based on traditional embroidery, stripped of all its decorative, technical and thematic characteristics. owever, they contain within themselves the whole substance of this tradition, of this memory, of that identity... That is both braided and woven... ayer after layer.


PT a or da pele andam raios ue o sol procura na gente es uecida. Somos todos n s ue bangamos ncantados com outros ue nos procuram.

BANGA SOL, 2017 madeira e a o ino wood and stainless steel cm

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HENRIQUE DO VALE Angola Angola

EN On the ower of skin rays walk That the sun seeks in the forgotten people. All of us that bangamos feel vanity elighted with others who seek us out.


MANUAL ESCOLAR, 2017 técnica mista mi ed media . cm

HENRIQUE NEVES ortugal

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PT anual scolar parte de ilustra es de livros de escola primária. As imagens intrigaram e perturbaram me, por ue perpetuam papéis de género muito limitados, cont m insinua es se uais ou s o bastante absurdas. O trabalho usa técnicas e materiais simples frequentes em trabalhos manuais e artes populares domésticas como recorte, colagem, papel e tintas de cores primárias. Simultaneamente no uso de forma e cor, ecoam práticas de pintura e instala es de arte, e práticas artísticas contempor nea mais híbridas, ue misturam e entrela am formas, materiais e conceitos diversos.

EN anual scolar Schoolbook is made from illustrations of primary school books. The images intrigued and disturbed me, because they are uite absurd, perpetuating very limited genre roles and containing se ual innuendo. The artwork uses simple techni ues and materials commonly used in handicraft work and in popular domestic arts such as cutting, collage, paper and primary colour inks. Simultaneously in the use of form and colour, they echo painting practices, art installations and hybrid contemporary artistic practices, which mi and interweave diverse forms, materials and concepts.


O O

A A

,

enri ue Silva, conce o e som design and sound Acácio Carvalho, coreografia choreography lvaro ueir s, luz e infraestruturas light and infrastructures Clara Terr n, adalena ima, Vitor Santos, Carina Siera, atores/actors Bruno ereira, alter oreira, assist ncia técnica technical assistance

HENRIQUE SILVA ortugal

PT A realidade procurada entre a e trope o dos personagens para um desabrochar coletivo sin nimo da capacidade de cone o humana para lá do individualismo ue carateriza a nossa sociedade atual. uma dualidade entre a performance real, no mundo tangível, e a sua virtualiza o na tridimensionalidade ilus ria do holograma. ealizado com o apoio dos professores da scola Superior Gallaecia, Samuel Barbosa e Selma ereira. Os atores e o apoio técnico é feito por alunos do Curso de Artes e ultimédia da scola Superior allaecia.

EN The reality sought between the extrospection of the characters for a collective blossoming , synonymous of the human connection capacity beyond the individualism that characterizes our current society. In a duality between real performance, in the tangible world, and its virtualization in the illusory tridimensionality of the hologram. It was held with the support of the teachers from the allaecia igher ducation School, Samuel Barbosa and Selma ereira. The students from the Arts and ultimedia Course of that particular school were the actors and also provided technical support.


BROWN DEUS, 2016 acrílico sobre tela acrylic on canvas 166x164,5 cm

HILDEBRANDO Angola Angola

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PT Apropria o, tirar, colar e integrar … Chamou me a aten o, este título Apropria es da Arte opular e convergiu com a minha pes uisa estética este tema proposto da I Bienal Internacional de Arte de Cerveira, por uanto a minha obra tem sido perscrutada neste campo idiossincrático, apropriando se de elementos da minha cultura aut ctone.

EN Appropriation, removal, paste and integrate ... This title drew my attention olk Art Appropriations and this proposed theme of the I Cerveira International Art Biennial converged with my aesthetic research, because my work has been scrutinized in this idiosyncratic field to seize the elements of my autochthonous culture.


PT O pro ecto Archivilization apela ao paralelismo entre a Civiliza o fundada pela constru o de edifica es em agregados populacionais e a Civiliza o gerada a partir da em ria. Ambos elementos determinantes para o processo civilizacional o edificado tangível e o conhecimento ue radica no intangível do e perienciado.

ARCHIVILIZATION, 2016 vídeo video 15´58´´

INÊS NORTON ortugal

EN The pro ect Archivilization calls on the parallelism between the Civilization founded by the construction of buildings in population clusters and the Civilization generated from the emory. Both elements are crucial for the civilizational process the tangible built and the knowledge that resides in the intangible of the e perienced.


PT m Terra de Cegos... é uma escultura em cobre ue se desenha sob uma l gica de rede bordada. e metal nobre, classificado como metal de transi o, o cobre foi provavelmente o primeiro metal a ser trabalhado pelo homem e permanece atualmente como um dos metais principais da ind stria, condutor de energia por e cel ncia, matéria d ctil e maleável. m torno do ponto de bordado portugu s onto de aste , e plora se a sua possibilidade plástica e tridimensional, pela apropria o dessa técnica tradicional desenvolve se o método fora do seu en uadramento, furtando lhe a base de produ o o tecido e, uma vez desprovida da sua originária sustenta o, o gesto repetitivo deste ponto é desconstruído e reconstruído, atribuindo se lhe novos modos, contornos, processos e conceitos a linha de bordado, substituída por

EM TERRA DE CEGOS…, 2017 escultura sculpture 100x50x35 cm O U I A AT A

ACTA T TO OJ , T O I T A

A A OSSA T ,T O ,

instala o installation 120x80x15 cm

INÊS OSÓRIO ortugal

PRÉMIO CERVO XVI BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE CERVEIRA 16 DE JULHO A 17 DE SETEMBRO 2011 CERVO AWARD XVI CERVEIRA INTERNATIONAL ART BIENNIAL 16TH JULY TO 17TH SEPTEMBER 2011

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cobre, reproduz em si mesma uma trama num mec nico e sucessivo movimento utuante, produzindo uma forma matriz ue se replica e multiplica continuamente, criando um olho de mil olhos um Olho ei. escendente ou gerador de um sem n mero de olhares comuns, materializa se num composto, como se de um bando de cegos se tratasse. odemos olhá lo ora de fora para dentro, como uma radiografia da nossa ess ncia civilizacional, ora de dentro para fora, como representa o de uma sociedade global onde o grande irm o nos observa ou rege, ora como um todo comple o produto da ri ueza e diversidade de um senso comum conectivo. arte orma nredo uma nuvem rubra, intrincada e densa, cintilantemente fantasmag rica, ilus ria dessa vis o de con unto . Uma membrana metálica, fria, vazia e oca. uase superficial. EN m Terra de Cegos... In the and of the Blind is a sculpture made of copper that is drawn under a logic of embroidered network. Classified as a transition and noble metal, copper was probably the first metal to be worked by man and currently remains as one of the main metals of the industry, a prime e ample of an energy conductor, ductile and malleable matter.

On the ortuguese embroidery stitch notted Stem stitch , its plastic and three dimensional possibility is e plored through the appropriation of this traditional techni ue the method is developed outside its framework, stealing its production base the fabric and, once deprived from its original support, the repetitive gesture of this stitch is deconstructed and reconstructed, assigning to it new methods, outlines, processes and concepts the embroidery line, replaced by copper, reproduces itself a weft in a mechanical and successive oating movement, producing a matrix form that continually replicates and multiplies, creating an eye of a thousand eyes the ye ing. merging or generating from a number of common glances, it materializes in a compound, as if it was a group of blind people . e can look at it from the outside inwards, as an ray of our civilizational essence, or from the inside out, as a representation of a global society where the big brother watches or governs us as a whole comple product of wealth and diversity of a common connective sense. art orm lot a ruddy, intricate and dense, shimmering ghostly, illusory cloud of this overall view. A metal membrane, cold, empty and hollow. Almost superficial.


UMA HISTÓRIA MAL CONTADA, 2007 pintura/poema visual painting visual poem (16x) 40x40 cm

INEZ WIJNHORST olanda

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PRÉMIO AQUISIÇÃO X BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE CERVEIRA A OSTO A

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ACQUISTION AWARD X CERVEIRA INTERNATIONAL ART BIENNIAL T AU UST TO

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PT Uma hist ria mal contada... stamos cheios de hist rias ue descrevem o mundo através dos ornais. ue sentido fazem as palavras, e a vida e o mundo ue sentido damos n s s palavras, e vida e ao mundo Será possível criar um passado diferente, para um futuro melhor, no reordenar das palavras A verdade ob etiva n o e iste, nesta nova Babil nia. Temos todos raz o, ou pior, perdemos todos a raz o. …Será ue a paz s se encontra nos sil ncios entre as palavras… !

EN Uma hist ria mal contada... A wrongly story told ... e are full of stories that describe the world through the newspapers. hat is the meaning of words, life and the world hat purpose do we give to words, to life and to the world Is it possible to create a di erent past, for a better future, in the reordering of words Ob ective truth does not e ist in this new Babylon. e are all right, or worse, we are all wrong. ... Is peace only found in the silences between words... !


EL ARENERO, 2014 técnica mista mi ed media cm

IRIA CORTIZO spanha Spain

PRÉMIO AQUISIÇÃO XVIII BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE CERVEIRA JU

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ACQUISITION AWARD XVIII CERVEIRA INTERNATIONAL ART BIENNIAL T JU

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PT O título refere se cai a de areia ou homem de areia personagem proveniente da cultura popular e também descrito na hist ria de .T.A o man, ue dotou de horror este personagem . Aproprio me de materiais de fabrico simples e peda os soltos de ob etos do uotidiano, ue se apresentam entre o contato e o sufoco, no ual surge o abrigo. Um ninho, uma casa, uma caverna. esson ncias metam rficas e artificiais ue convidam o olhar a perder se e a recorrer a uma forma de hiperte to nos pe uenos detalhes e nuances.

EN The title refers to the sandbo or the sandman character from popular culture and also described in the story of .T.A o man, which endowed this character with horror . I ac uire simple manufactured materials and loose parts of daily ob ects that present themselves between contact and su ocation, in which the shelter emerges. A nest, a house, a cave. etamorphic and artificial resonances that invite our eyes to lose themselves and to resort to a form of hypertext in the small details and nuances.


REORGANIZAÇÃO URBANA, 2016 técnica mista sobre mdf mi ed media on mdf 100x200x15 cm

HISTÓRIAS, 2016 técnica mista sobre mdf mi ed media on mdf 80x200x15 cm

ISABEL BRAGA ortugal

PT O trabalho ue desenvolvo situa se na transi o entre a pintura e a escultura ar uitetura, na medida em ue o plano é transgredido para dar, pontualmente, lugar ao volume. ste integra se na superfície pict rica absorvendo desta os seus valores e conferindo ao uadro leituras e configura es m ltiplas. A pes uisa formal é ainda associada necessidade de representa o do tempo e do espa o, nas suas várias conce es momentos, horas, dias, lugar, e tens o, intervalo de tempo, dist ncia . O ob etivo final é o tratamento minimalista do con unto, ue embora pare a contradit rio, é na realidade o culminar de todo o processo.

EN The work I develop is located in the transition between painting and sculpture/architecture, to the extent that the plan is transgressed to punctually give rise to volume. This one becomes part of the pictorial surface, absorbing its values and giving to the painting multiple readings and configurations. ormal research is still associated with the need for representation of time and space, in its various conceptions moments, hours, days, place, e tension, time interval, distance . The ultimate goal is the minimalist treatment of the set that although it may seem contradictory, is in fact the culmination of the whole process.


NÃO PODES MUDAR O MEU PASSADO, 2017 técnica mista mi ed media , cm

ISABEL DORES ortugal

174 175

PT Assim me guardo numa cai a revestida a folha de ouro. A cai a de madeira ue outrora acondicionou as minhas ferramentas do ofício do talhe da pedra, dá agora lugar a cinco m ltiplos e ecutados na frágil cera, apro imando se do e voto. um autorretrato fechado na sua uietude de mem rias impenetráveis. Mais uma vez, as palavras são aqui utilizadas como um eco ue provoca o espectador.

EN So I keep myself in a bo covered with gold foil. The wooden bo that once wrapped my tools for the stone carving, now gives place to five multiples e ecuted in the fragile wa , approaching the e voto. It is a self portrait enclosed in its stillness of impenetrable memories. Again, the words are used here as an echo that provokes the viewer.


, mármore policromado polychrome marble cm

ISAQUE PINHEIRO ortugal

PRÉMIO AQUISIÇÃO XV BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE CERVEIRA JU

OA

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PRÉMIO AQUISIÇÃO XVIII BIENAL DE CERVEIRA JU

OA

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ACQUISITION AWARD XV CERVEIRA INTERNATIONAL ART BIENNIAL T JU

TO

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ACQUISITION AWARD XVIII CERVEIRA INTERNATIONAL ART BIENNIAL T JU

TO

T S

T

B

PT sta obra resulta da vontade de contrariar a acelera o técnica proporcionada pela utiliza o de má uinas em tarefas artesanais. Trabalhar demoradamente, m o, um bloco de mármore utilizando escopro e maceta foi a técnica eleita para esta manifesta o. A estética adotada foi a de um sinal ue é utilizado para assinalar o fim de uma via rápida e ue pressup e desacelera o. O título s o as refer ncias al das cores usadas neste sinal. al é um sistema de defini o de cores desenvolvido a fim de padronizar a descri o de cores na ind stria. Serve o título para n o se perder a refer ncia das cores em futuros restauros da obra. Tudo neste processo criativo é pragmático e no entanto o seu resultado escancara a porta para o devaneio.

EN This artwork results from the will to counteract the technical acceleration provided by the use of machines in handcrafted work. orking on a marble block slowly, by hand, using a chisel and a hammer, was the techni ue chosen for this manifestation. The aesthetics adopted was that of a signal used to mark the end of a fast track and that re uires deceleration. The title is the al reference of the colours used in this signal. al is a colour coding system developed to standardize the colour description in the industry. The title serves to remind us of the colour references in future artwork restoration. verything in this creative process is pragmatic and yet its outcome opens the door to daydreaming.


O I

T C C STAT II,

CTIO S I

OSSIB

CTIO S I

OSSIB

agua tinta gravura a uatint engraving 70x50 cm

O I

T C C STAT III,

agua tinta gravura a uatint engraving 70x50 cm

JELENA JOVANCOV ontenegro

176 177

ontenegro

PT u abordei a paisagem dominada por segmentos do cenário re e ivo. sta é lentamente transformada em paisagens abstratas. O mar é um re e o da din mica da vida. o lugar de nascimento, transfigura o e renascimento e pode ser também um símbolo da cria o. As superfícies calmas da água e céu uem mutuamente entre elas. O céu calmamente se re ete na superfície da água. ei lhe o nome de Impossible ink lo Impossível . A re e o da terra e da montanha n o coincide com a imagem real. Como se fosse uma falsa imagem dela pr pria ou de alguma outra paisagem.

EN I have dealt with the landscape dominated by segments of the re ective scene. It is slowly transformed into abstract landscapes. The sea is a re ection of the dynamics of life. It is the place of birth, transfiguration and rebirth and can also be a symbol of creation. The calm surfaces of water and sky ow one into another. The sky is calmly re ecting itself on the surface of the water. I gave it the name of Impossible ink . The re ection of the earth and the mountain does not match the real picture. As if it was a false image of itself or some other landscape.


PT A obra Tr s lores com olhas é composta de diferentes imagens realizadas por diversas pessoas. O mesmo material foi enviado a outras pessoas ao redor do mundo. A partir deste material, a pessoa é convidada a compor uma imagem, fotografar o resultado e reenvia lo via e mail.

T S O S CO O AS A S POSSIBILIDADES, 2017

I

técnica mista sobre papel mi ed media on paper dimens es variáveis

JÉRÔME FLORENT ran a

rance

Brasil Brazil

EN The artwork Tr s lores com olhas Three owers with leaves is composed of di erent images made by several people. The same material was sent to other people around the world. rom this material, the person is invited to compose an image, take a picture of the result and resend it via e mail.


OA I

,

óleo sobre tela cm

OA I

,

óleo sobre tela cm

JESÚS MOVELLÁN spanha Spain

178 -

PT A tecnologia informática á está integrada nas nossas vidas, e os avan os nesta área ocorrem a um ritmo alucinante. oading n e oading n s o inspirados por essa evolu o tecnol gica, através do padr o de design usado em programa o informática, consistindo no atraso da carga de um ob eto. S o obras nicas no seu formato alongado e estreito, de disposi o paisagística, e de uma estética essencial e abstrata. A série oading é uma tentativa de adaptar os c digos informáticos atuais a uma forma de e press o tradicional a pict rica, meio no ual alguns artistas ainda continuam a e pressar se.

EN Computer technology is already integrated in our lives, and advances in this area occur at an astonishing rate. oading n and oading n are inspired by this technological evolution, through the design pattern used in computer programming, consisting of the load delay of an ob ect. They are uni ue works in their e tended and narrow format, landscape arrangement and an essential and abstract aesthetic. The oading series is an attempt to adapt the current computer codes to a traditional and pictorial form of e pression, a medium in which some artists still continue to e press themselves.


101_0225, 2016 acrílico y transfer ncia sobre papel acrylic and transfer on paper 85x65 cm

JGS Y CIA© spanha Spain

PT O nosso trabalho artístico desenvolve se a partir da perspetiva do presente, ue possui um lugar muito importante no passado, tanto recente como remoto, e uilibrado e acessível a todos através das novas tecnologias e dos novos canais de divulga o de informa o. este conte to, o ar uivo de arte, a p s produ o e a retromania s o estratégias amplamente utilizadas na nossa prática artística. esta forma, incorporamos linguagens artísticas na segunda metade do século , desde a op Art até s Transvanguardas, para nos apropriarmos das formas da arte popular.

EN Our artistic work develops from the present s perspective, which possesses a very important place in the past, both recent and remote, balanced and accessible to all through new technologies and new channels of information dissemination. In this conte t, the art archive, post production and retromania are strategies widely used in our artistic practice. Therefore, we incorporated artistic languages in the second half of the 20th century, from Pop Art to Transavantgardes, so we can seize the forms of popular art.


CENÁRIO DE REPRESENTAÇÃO I, 2017 transfer ncia sobre papel de ornal e sistema de luz transfer on newsprint, light system 65x120x10 cm

CENÁRIO DE REPRESENTAÇÃO II, 2017 transfer ncia sobre papel de ornal e sistema de luz transfer on newsprint, light system 67x120x10 cm

JOANA COUTO ortugal

180 181

PT Cenário de representa o surge a partir da desconstru o de um espa o urbano um espa o ue n o é olhado como um con unto de volumes, mas sim pensado como um con unto de formas bidimensionais. Todas as imagens fotográficas recolhidas no espa o tornam se ent o, formas sintetizadas ue revelam características essenciais dos ob etos edifícios, fachadas, portas, anelas, telhados… e pensadas assim, como partes de uma má uina, desmantelada em pe as para ue possa ser reconstruída. Cada elemento é pensado como ob eto nico e cada imagem ue dele deriva apresenta características específicas desse mesmo ob eto. As disposi o das diferentes camadas de informa o re etem se assim, num cenário de representa o ue nos transporta de novo ao espa o do ual partiram.

EN Cenário de representa o (Representation scenario) arises from the deconstruction of an urban space a space that is not regarded as a set of volumes, but rather thought as a set of two dimensional forms. All photographic images collected in the location become synthesized forms that reveal essential characteristics of the ob ects buildings, fa ades, doors, windows, roofs... and thought of them as parts of a machine, dismantled in pieces so it can be rebuilt. ach element is thought as a single ob ect and each image resulting from it has specific characteristics of that ob ect. The dispositions of di erent layers of information are thus re ected in a scenario of representation that transports us back to the location from which they departed.


ISTOS

CA TA

O

U AO

A,

díptico diptych pintura painting (2x) 45x50 cm

SEM TÍTULO [ETERNO RETORNO], 2014 pintura painting 200x150 cm

JOANA PATRÃO ortugal

PT O trabalho parte de uma rela o de envolvimento com o mar. o sentido de encontrar imagens no u o contínuo das ondas, entro no mar com um suporte previamente tintado uma chapa de alumínio. este processo as ondas imprimem uma imagem ue funciona tanto como um documento da minha imers o uanto uma transfer ncia simb lica do ato criativo para a atureza.

EN The work started from an engagement relationship with the sea. In order to find images on the continuous ow of the waves , I enter in the sea with a pre tinted support an aluminium plate. In this process the waves print an image that works both as a document of my immersion and as a symbolic transfer of the creative act to ature.


PT B de Brilho Uma pintura com refer ncias da Arte op, numa representa o do ob eto de uso uotidiano, ue embora á n o habitual nas casas ortuguesas, é um ícone ortugu s ue muitas gera es reconhecem a lata do produto limpa metais Cora o . ara dar brilho.

B DE BRILHO, 2010 acrílico sobre tela acrylic on canvas 100x80 cm

JOANA RÊGO ortugal

PRÉMIO PINTURA IX BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE CERVEIRA A

A OSTO

PAINTING AWARD IX CERVEIRA INTERNATIONAL ART BIENNIAL T TO

182 183

ST AU UST

EN B for Brightness A painting with op Art references, in a representation of the daily use ob ect, that although is no longer common in ortuguese houses, it is still a ortuguese icon that many generations acknowledge a tin of a metal cleaner product called Cora o eart . To brighten up.


I, 2017 desenho técnica grattage drawing techni ue grattage 210x200 cm

JOANNA LATKA ol nia

oland

PT Neste manifesto artístico, a artista abordou uest es da problemática da globaliza o e da cidadania contempor nea uem somos ara onde vamos Como vamos esta perspetiva, a artista, pretende produzir uma e posi o com ob etivo de criar um lugar de contempla o contempor nea, ue está cada vez mais desaparecido na sociedade de consumo ue vivemos.

EN In this artistic manifesto, the artist addressed issues of globalization and contemporary citizenship ho are we here are we going ow are we going In this perspective, the artist intends to produce an e hibition aiming to create a place of contemporary contemplation, which is increasingly disappearing in the consumer society that we live in.


PT ste trabalho re ete um diálogo entre a montanha e os elementos naturais que nascem e se agarram Terra e . As superfícies de madeira s o modeladas, criando valores cromáticos através da volumetria e te turas vibrantes como se de uma paisagem serena e acidental se tratasse. O apontamento de uma mancha verde árvores em bronze faz a cortina de prote o obstáculo s agressividades do laneta Terra . IA O

ICA,

escultura sculpture 56x27x18 cm

JOÃO ANTERO ortugal

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EN This work re ects a dialogue between the mountain and the natural elements that are born and cling to other arth . The wood surfaces are shaped, creating chromatic values through the volumetry and vibrant te tures, as if it was a serene and accidental landscape . The indication of a green spot (bronze trees) makes the curtain of protection/obstacle to the aggressions of the lanet arth .


DODECAEDRO, 2016 escultura sculpture cm

MOSAICO, 2016 tecelagem weaving 184x48x70 cm

JOÃO BRUNO VIDEIRA ortugal

PT a fus o entre artesanato e design nasce uma vis o singular. Uma nova linguagem construída através de fios ue se cruzam e se entrela am em diferentes formas e teias de cores. m cada pe a, sempre guiada pela m o do artista, há uma mestria ue se evidencia. á inten o. á precis o e harmonia. A obra de Jo o Bruno ideira assenta numa geometria pr pria ue e alta os sentidos. uma era em ue impera a tecnologia e em ue a heran a coletiva do passado parece cada vez mais distante da nossa mem ria, o trabalho do artista oferece nos uma re e o diferente sobre a realidade e convida nos a uma espécie de regresso s origens, uma ponte ue une tradi o e modernidade.

EN rom the fusion between handicraft and design, a uni ue vision emerges. A new language built through strings that intersect and intertwine themselves in di erent shapes and webs of colours. In each piece, always guided by the artist s hand, there is a mastery that is evident. There is intention. There is precision and harmony. The work of Jo o Bruno ideira is based on a geometry that e alts the senses. In an era in which technology reigns and collective heritage of the past seems increasingly distant from our memory, the artist s work o ers us a di erent re ection on reality and invites us to a kind of return to origins, a bridge that unites tradition and modernity.


PT Estas obras recolocam o código linguístico, as letras, num modo plástica. O tratamento invocado é o

LIBRARY, 2017 técnica mista mixed media 72x72 cm

LIBRARY, 2017 técnica mista mixed media 70x60 cm

– JOH

Portugal

PRÉMIO AQUISIÇÃO VIII BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE CERVEIRA 29 DE JULHO A 27 DE AGOSTO DE 1995 ACQUISITION AWARD VIII CERVEIRA INTERNATIONAL ART BIENNIAL 9TH JULY TO 27TH AUGUST 1995

186 187

em torno das variadas manifestações de comunicação que assistimos atualmente. Pretendo algo novo e poético a partir de fontes tradicionais, usando o código mas alterando o sentido criando novos sentidos de acordo com a prática artística.

EN These artworks replace the linguistic code, the letters, in a random manner side of art is summoned and the concept revolves around the various manifestations of communication that we are witnessing nowadays. I intend something new and poetic from traditional sources, using the code but changing its meaning, thus creating new ones, according to the artistic practice.


NEONATUS, 2017 desenho digital digital drawing 174x134 cm

JORDI URBÓN spanha Spain

PT a linha ao software e… O software ue se utiliza para criar eonatus, parte de uns rascunhos prévios, feitos com linhas a lápis. eonatus é definitivamente um novo ser ue nasce de um grafismo, o lápis, criando se um alinhamento entre Arte Tecnologia, a ui a linha do rascunho transforma se num sistema binário, zeros e uns, que tal como atualmente, desconhece o futuro inimaginável ue o aguarda.

EN rom line to software and... The software used to create eonatus, starts from previous drafts, made with pencil lines. eonatus is definitely a new being born out of a graphism, the pencil, thus creating an alignment between Art Technology, here the line of the draft becomes a binary system, zeros and ones, and ust like nowadays, unaware of the unimaginable future that awaits it.


BA CA, BA CA, OU TI A !,

! U T

óleo sobre tela oil on canvas 150x100 cm

JOSÉ EMÍDIO ortugal

188 -

OS

PT Auto da Barca do Inferno de il icente. Alegoria O meu trabalho em pintura resulta sempre da abordagem a um imaginário de figuras personagens, pr prias de um viver e sentir, de fantasia, de lirismo e poéticas visuais, com uma permanente tend ncia para os opostos e a ambiguidade. O bem e o mal, o belo e o feio, etc… No entanto, a pintura vive também, ela pr pria, da comple idade ue representa associar, compor, equilibrar todos os elementos ue a materializam. As cores, as manchas, as linhas, os planos, a matéria, a composi o… a verdade, as abordagens te ricas da pintura pelo pr prio pintor, mesmo que este as reinvente, como é o caso, s o sempre uma espécie de re e o sobre o seu interior e a sua própria personalidade. O testemunho da sua intimidade plástica ue assim ustifica este encontro de diabos e an os… Afinal o ue, metaforicamente, cada um de todos n s, é!

EN The Ship of ell by il icente. Allegory y work in painting always results from the approach to an imaginary of figures characters, typical of a living and feeling, of fantasy, of lyricism and visual poetics, with a permanent tendency towards opposites and ambiguity. ood and evil, beautiful and ugly, etc... owever, painting itself also lives from the comple ity of associating, composing and balancing all the elements that materialize it. The colours, stains, lines, schemes, matter, composition... In fact, the painter’s theoretical approaches to painting, even if he reinvents them, as in this case, are always a kind of re ection on his own personality and inner self. The testimony of his plastic intimacy that ustifies this meeting of devils and angels... After all, this is, metaphorically, what each one of us is!


CA

S,

escultura em papel policromado polychrome paper sculpture 233x140x35 cm cole o centro internacional das artes osé de guimar es international art centre osé guimar es collection

I .

O I,

escultura em papel policromado polychrome paper sculpture cm cole o centro internacional das artes osé de guimar es international art centre osé guimar es collection

JOSÉ DE GUIMARÃES ortugal

PT As esculturas em papel policromado constituem um corpo de trabalho central na obra de José de uimar es e a relev ncia ue t m transgride o conte to artístico portugu s. Com efeito, trata se de um con unto de pe as ue retratam, na sua maioria, figuras essenciais da hist ria de ortugal e ue apontam para um horizonte místico do nosso destino visionário e poético enquanto povo que alme a o uinto Império. intura no espa o, escultura no plano, vivem dessa ambiguidade sem ntica e material, circulam entre categorias e conceitos, fazem da apar ncia infantil a sua universalidade e d o se, pela natureza fragmentária, a ogos de espírito. st o entre as pe as mais singulares da produ o artística da década de , integradas num conte to internacional de regresso pintura e de reinven o das possibilidades da figura o.

EN The polychrome paper sculptures constitute a central work corpus to the art pieces of José de uimar es and their relevance transgresses the ortuguese artistic conte t. In fact, it is a set of art pieces that portray, for the most part, essential figures of ortugal s history and which point to a mystical horizon of our visionary and poetic destiny, as a nation craving to become the ifth mpire. ainting in space, sculpture on the plane, they live from this semantic and material ambiguity, circulating between categories and concepts, making universal their childish appearance and are sub ect of spirit games, due to their fragmentary nature. They are among the most singular pieces of the s artistic production, integrated in an international context of return to painting and reinvention of the figuration s possibilities.


PT A bailarino tem o seu ouvido nos dedos do pé , . ietzsche Uma casa vermelha num espa o escuro, iluminado com uma luz ténue. Uma sombra, um espelho e um re e o, tudo em movimento por um ei o e um motor. Uma atmosfera íntima ue vai além de sua posi o inicial, uma mudan a na apar ncia ue sugere um ogo para os sentidos, capturando o olhar e envolvendo o pensamento.

MOULIN ROUGE, 2016 instala o installation 120x120x120 cm

JOSÉ MANUEL VIDAL spanha Spain

-

EN The dancer has his ear on his toes , . ietzsche A red house in a dark space, lit with a tenuous light. A shadow, a mirror and a re ection, everything in motion by an a is and a motor. An intimate atmosphere that goes beyond its initial position, a change in appearance that suggests a game for the senses, capturing the look and involving the thought.


UTOPÍA SINTÉTICA, 2016 díptico diptych acrílico sobre tela acrylic on canvas (2x) 61x54 cm

JUAN CABRER spanha Spain

PT Utopia sintética re ete sobre a tela um novo mundo inacessível aos olhos do homem, referindo a fotografia microsc pica ou científica como ferramentas que abrem novos horizontes. A natureza, a partir de uma perspetiva científica, funde se com a estética industrial e digital, o glitch ou erro nos sistemas de representa o dos meios informáticos, o ecr , a má uina e como percebemos tudo isso, s o os t picos abordados.

EN Utopia sintética Synthetic Utopia re ects on the canvas a new world inaccessible to the human eye, referring microscopic or scientific photography as tools that open new horizons. rom a scientific perspective, nature merges with the industrial and digital aesthetics, the glitch or error in the representation systems of computerised means, the screen, the machine and how we perceive all this, are the topics covered.


PT O objeto quotidiano torna-se arte. A Roda, uma grande invenção para a humanidade, é a wrazão pela qual a obra gira sobre si mesma, como a terra. As duas rodas estão interligadas umas com as outras, criando um grandioso abraço. É uma homenagem aos condutores das carroças das pedreiras.

CARRETEIROS Ó ALBA, 2017 assemblagem assemblage 150x150x170 cm

BICILETA 7/8, 2017 assemblagem assemblage 147x40x88 cm

JUAN CORUXO Espanha Spain

192 193

EN The everyday object becomes art. The Wheel, a great invention for humanity, is the reason why the artwork rotates around itself, like the earth. The two wheels are connected with each other, creating a huge hug. It is a tribute to the carriage drivers from the quarries.


DA MARCA, O CORPO #1, 2016 acrílico sobre linho acrylic on linen 140x105 cm

JULIANA RIBEIRO ortugal

PT A marca dei ada no corpo tem partida, uma conota o estética e psicol gica negativa, mas é revertida em algo positivo, através do modo como é assumida e compreendida pelo autor, passando a ser encarada como elemento distintivo, identitário e potenciador. Uma leveza e fisicalidade suave resultante da pintura integrada com a constru o do t til e a aplica o do látex, promovem um maior caracter sensorial, onde os procedimentos e ercidos s o análogos confe o de vestuário ou aos métodos cir rgicos na cirurgia plástica de reconstru o.

EN The mark left in the body has in the first place, a negative aesthetic and psychological connotation, but is reversed into something positive, through the way it is assumed and understood by the author, becoming a distinctive, identifying and enhancing element. ightness and soft physicality resulting from the integrated paint with the te tile construction and the application of late , promoting greater sensory character, where the e ecuted procedures are analogous to clothing confection or surgical methods in plastic surgery reconstruction.


IB I A

A ,

óleo sobre tela oil on canvas 120x150cm colec o ugar do esenho unda o J lio esende ugar do esenho collection J lio esende oundation

JÚLIO RESENDE ortugal

-

PT alar da ibeira do orto n o é falar de coisas metafísicas… a vida, é ue se trata! A sensibilidade, está parede meia com uma rudeza muito especial, feita de solidariedade sem limites. Ali, a palavra plebeia diz amor e ternura. Expressionismo, não é apenas um estilo estético. um modo de ser do indivíduo no afeto a uma cultura. uisesse ou n o, sou e pressionista! O meu desenho dá nfase s silhuetas negras das apar ncias humanas. esse negro, ue n o é sil ncio, nem uietude mental, procuro a e alta o da vida! Não busco o virtuosismo nem o bonito …

EN Speaking about ibeira do orto (Ribeira Square) is not the same as speaking about metaphysical things... It s about life! The sensibility is attached with a very special rudeness , made of limitless solidarity. There the plebeian word says love and tenderness. pressionism is not ust an aesthetic style. It is the individual s way of being in the devotion towards a culture. ike it or not, I m an e pressionist! y drawing emphasizes the black silhouettes of human appearances. rom this black, which is neither silence nor mental stillness I seek the e altation of life! I do not seek the virtuosity or the beautiful ...


JERSEY BARRIER II, 2013 cerâmica ceramics 90x70x80 cm

KATIE LAGAST Bélgica Belgium

PT O trabalho aqui apresentado e a ser integrado no tema principal da Bienal, é uma “Jersey Barrier” (Barreira de Jersey) transformada em objeto de arte. Estes blocos de betão, em sua maioria negligenciados, mas bem conhecidos, são triviais, calmos, feios, de cor cinza e desajeitados. Mas com um conteúdo poderoso: usados para indicar direções na estrada e para bloquear entradas e passagens na rua. Neste trabalho, o conceito de bloqueio político uniforme, referindo-se inevitavelmente a outros caminhos divididos. Embora decorado com um padrão branco e vermelho listrado político e crítico. A barreira deve ser apresentada no espaço de exposição de modo a que a função original seja muito clara e que não possa mais ser ignorada na sua existência.

EN The work here presented and to be integrated in the main theme of the Biennial, is a ‘Jersey Barrier’ transformed into an art object. These mostly overlooked but well-known concrete roadblocks are trivial, quiet, ugly, grey in colour and ungainly in shape. But with a powerful content: used to indicate directions on the road and to block entrances and passages on the street. In this work the concept of blocking roads takes on an even political meaning, inevitably referring to other dividing roads. Although decorated with a bright white and red striped pattern it is not losing its political and critical meaning. The barrier should be presented in the exhibition space in such a way that the original function is very clear and that it can no longer be ignored in its existence.


ENIGME, 2016 serigrafia silkscreen 28x22 cm

SURGISSEMENT, 2016 serigrafia silkscreen 30x24 cm

KESHAV MALLA epal

-

epal

PT A arte é o e tremo re uinte do espírito Beleza . vista, concebida, sentida, respirada e meditada. Simplificando é vivida. A arte n o pode e istir sem espírito, assim como o espírito n o pode e istir sem a arte. ara se dei ar levar pelo momento, por mais efémero ue se a, a meu ver, é a pr pria ess ncia do prazer da vida. com enorme satisfa o ue apresento algumas das minhas pe as criadas nos ltimos anos, ue re etem a evolu o do meu trabalho. ei o o p blico livre para saboreá las, apreciá las, para ue se possam dei ar levar e compartilhar a alegria. Como eats escreveu, “Uma coisa bela é uma alegria eterna .

EN Art is the e treme refinement of the spirit Beauty . It is seen, conceived, felt, breathed and meditated upon. Simply put it is lived. Art cannot be without spirit, as much the spirit cannot be without art. To get carried away for a moment, however ephemeral it may be, according to me, is the very essence of life s en oyment. I have the pleasure to present some of my pieces created over the past years which re ect the evolution of my work. I am leaving the public free to savour them, appreciate them, so that they can get carried away and share the oy. As written by eats, A thing of beauty is a oy forever .


LOS HORRORES DE LA PAZ (SÍGUENOS EN…), 2015 acrílico sobre tela acrylic on canvas 162x162 cm

KIKE CHUMILLAS spanha Spain

PT Seguindo a tradi o da op Art, bem como os pintores do ealismo Social em spanha na altura do fim da ditadura, na ual os pioneiros desses movimentos foram inspirados pelos meios de comunica o e pela arte popular grafite, cinema, fotografia, T , imprensa, publicidade, bandas desenhadas... e tomei como refer ncia a forma como estes meios de comunica o definiram esta nova era digital Internet, redes sociais, telem vel... , consciente ou inconscientemente, ogando com a ambiguidade, dei ando ue se a o pr prio espectador a tirar conclus es, uízos ou re e es. les dizem ue a arte contempor nea está desumanizada... u acho ue n o.

EN ollowing the tradition of op Art, as well as the painters of Social ealism in Spain at the end of the dictatorship, in which the pioneers of these movements were inspired by the media and popular art gra ti, cinema, photography, T , press , Advertising, comic strips ... and I took as reference the way in which this new digital age Internet, social networks, mobile phone... has been defined, consciously or unconsciously, playing with ambiguity, allowing the observer to draw conclusions, udgments or re ections. They say that contemporary art is dehumanized... I don t think so.


A IC O B

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vídeo hd hd video 12´21´´

DOMESTIC HEROES, 2017 video hd hd video 5´27´´

LEALVEILEBY ortugal

-

Suécia Sweden

PT m agic for Ben amin agia para o Ben amim a uest o colocada é se a arte contempor nea e os tru ues de magia t m algo em comum Com base na interdepend ncia atual na world wide web para pes uisa de fatores e constru o da narrativa, agic for Ben amin usa imagens familiares apropriadas da internet para contar a hist ria do tru ue da corda indiana, um tru ue ue esteve em desta ue durante a primeira metade do século . Isso é feito através da implementa o de técnicas desenvolvidas pelos antepassados dadaísticos do op Art, através de vídeo colagem e escrita cut up. Somos confrontados com algo ue é simultaneamente uma descri o técnica do tru ue e do arg o do mago. de salientar ue o título da obra alude a alter Ben amin, ue em escreveu A Obra da Arte na ra da eprodu o ec nica , dei ando nos inseguros sobre o nosso pr prio papel como p blico.

EN In agic for Ben amin the uestion is posed whether contemporary art and magic tricks have something in common rawing on today s interdependence on the world wide web for fact searching and construction of narrative, agic for Ben amin uses familiar imagery appropriated from the internet to tell the story of the Indian ope Trick, a trick that was much in the limelight during the first half of the th century. It does so by deploying techni ues developed by the adaistic forefathers of op Art, through video collage and cut up writing. e are confronted with something that is both a technical description of the trick and magician s argon at the same time. All while the title of the work alludes to alter Ben amin who in wrote The ork of Art in the Age of echanical eproduction , leaving us unsure about our own role as audience.


NEPENTE, 2016 técnica mista fotografia como escultura mi ed media photography as sculpture dimens es variáveis variable dimensions

LEITER PROJECT ortugal

PT Usando o ar uivo como dispositivo critico, a apropria o de imagens do revent rio problematiza as fronteiras entre o p blico e o privado. Apresenta uma rela o com o passado hist rico e uma responsabilidade pela mem ria e ainda o anseio e a necessidade de escrevermos outras hist rias para além da uelas ditadas pelo pensamento hegem nico. O formato circular traduz uma certa e traterritorialidade com a ual a loucura é presenteada pelo Ocidente e pela obsess o pela visibilidade total, abordando respetivamente a uest o do anonimato associado loucura e o sistema de segrega o, constante nas sociedades modernas caracterizadas pelo modelo pan tico.

EN Using the file as a critical device, the appropriation of reventory s images problematizes the boundaries between public and private. It presents a link with the historical past, a responsibility for the memory and also the yearning and the need to write other histories beyond those dictated by the hegemonic thought. The circular format translates a certain extraterritoriality with which madness is bestowed by the est and the obsession for total visibility, respectively addressing the uestion of the anonymity associated with madness and the system of segregation, which is constant in modern societies characterized by the panoptic model.


APATIA, 2016 óleo sobre tela oil on canvas 150x100 cm

ACTO SOLENE, 2016 óleo sobre tela oil on canvas 70x100 cm

LEONEL CUNHA ortugal

200 201

PT A pintura de eonel Cunha é realizada a partir do ruído de fundo emanado das noticias diárias, pelo viver corrente da sociedade, subentendendo se um certo mal estar social. ntre o atelier e o ruído de fundo social e politico, constr i se a pintura figurativa ue faz uso da imagem fotográfica. ara a realiza o das composi es, recorre a encena es realizadas no atelier, marcando o autor presen a nas mesmas. stas imagens podem ser complementadas com outras, recolhidas na internet, ue possam servir o prop sito da narrativa.

EN eonel Cunha s painting is made from the background noise emanated from the daily news, by the everyday life of our society, sub ecting itself to a certain social discomfort. Between the atelier and the social and political background noise, a figurative painting that makes use of the photographic image is constructed. or the accomplishment of the compositions, he resorts to performances held in the atelier, marking the author s presence on them. These images can be complemented with others, collected on the internet, that can serve the purpose of the narrative.


AT IS S A

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técnica mista mi ed media 100x81 cm

, 2016 técnica mista mi ed media 81x100 cm

LETICIA GASPAR GARCÍA spanha Spain

PT or um lado, a tecnologia modificou a nossa rela o com o mundo, mediatizando a e em várias ocasi es facilitando tarefas. or outro, os avan os tecnol gicos, untamente com um capitalismo neoliberal, propiciam a obsolesc ncia tecnol gica e a produ o descontrolada de bens ue n o s o necessários. m hat is spam O ue é o spam um grupo de torres ergue se, vinculando se através de um emaranhado de cabos. O caos, a intercone o ou o isolamento, surgem como metáforas de uma sociedade ue deve re e ionar sobre o seu modelo de progresso.

EN On the one hand, technology has changed our relationship with the world, mediating it and on several occasions facilitating tasks. On the other, the technological advances, together with neoliberal capitalism, provide technological obsolescence and uncontrolled production of goods that are not needed. In hat is spam a group of towers rises, linking themselves through a tangle of cables. Chaos, interconnection or isolation, appear as metaphors of a society that should re ect on their progress model.


CALL ME ON MY CELL PHONE, 2017 tinta acrílica sobre papel acrylic paint on paper 76x56 cm

LOS BRAVÚ spanha Spain

202 203

PT os Bravu s o um casal de artistas formado por ea omez e iego Omil . esenvolveram um pro eto multidisciplinar ue re ete sobre os recursos estéticos e narrativos ue surgiram e progrediram dentro dos limites da internet. Para tal, contam com sistemas de representa o ue combinam classicismo e modernidade de uma forma legítima, mas ir nica.

EN os Bravu are a couple of artists formed by ea omez and iego Omil . They developed a multidisciplinary pro ect that re ects on the aesthetic and narrative resources that have emerged and progressed within the limits of the internet. or this purpose, they have representation systems that combine classicism and modernity in a legitimate, yet ironic way.


PT o nosso uotidiano estamos rodeados de ob etos ue podemos conte tualizar na op Art, levando os a um outro nível de e press o e conferindo assim um valor sem ntico carregado de mem rias da inf ncia, e peri ncias pessoais, etc e elevando o ob eto para uma dimens o artística, como tem sido feito nesta ocasi o, ao usar como assunto principal na obra plástica apresentada, uma antiga má uina de costura com valor familiar. UI A, técnica mista mi ed media 150x100 cm

LUCÍA HERVÁS spanha Spain

EN In our everyday life we are surrounded by ob ects that we can conte tualize in op Art, taking them to another level of e pression and thus conferring a semantic value loaded with childhood memories, personal e periences, etc and elevating the ob ect to an artistic dimension, as has been done on this occasion, when using as main sub ect in the plastic work presented, an old sewing machine with family value.


TRANS, 2013 técnica spolvero spolvero technique 200x140 cm

LUCIA MASU Itália Italy

204 205

PT A minha pesquisa artística é uma bem como o desejo de deixar uma marca além de nossa passagem na terra. Os materiais e as técnicas que uso, como a técnica de Spolvero, caracterizam-se por uma proximidade metafórica com o corpo.

EN the human fragility as well as on the desire of leaving a mark beyond our passage on earth. The materials and the techniques I use, like the Spolvero technique, are characterized by a metaphorical proximity with the body.


PT plorando diálogos entre arte, ci ncias, e medicina, pes uiso as suas transforma es ao longo do tempo e como isso condicionou e ainda condiciona a forma como olhamos para o nosso pr prio corpo. O ue será ue nos dias de ho e nos faz parecer inquietantes e estranhas algumas das técnicas de representa o, que outrora instruíam sobre os mistérios do corpo

ESPECULAÇÕES, 2015 desenho drawing (8x) 17x17 cm

LUCY VALENTE PEREIRA ortugal

EN ploring dialogues between art, science, and medicine, I research its transformations over time and how that has been determining the way we look at our own body. hat is it that nowadays makes some representation techniques that once instructed on the mysteries of the body look strange and disturbing to us


O

U SO

,

técnica mista mi ed media 60x60 cm

LUÍS MELO ortugal

PRÉMIO REVELAÇÃO XI BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE CERVEIRA 18 DE AGOSTO A 15 DE SETEMBRO 2001 REVELATION AWARD XI CERVEIRA INTERNATIONAL ART BIENNIAL 18TH AUGUST TO 15TH SEPTEMBER 2001

206 207

PT O trabalho com ue decidi participar nesta edi o da Bienal de Cerveira vai ao encontro do desafio feito pois, ap s algum tempo, regressei linguagem, em alguns registos e exercícios, com que iniciei o meu percurso artístico. O trabalho em causa O U SO fez parte da minha ltima e posi o na Cooperativa Artística Árvore, com o nome Shittylovesongs , em . oi minha inten o desenvolver o trabalho a partir da linguagem repetitiva e tridimensional presente em movimentos como a Pop Arte mas também concretizar a apro ima o a uma mais contempor nea. este sentido, mais uma vez recorri utiliza o de cromolitografias recortadas e fotografias do século I e .

EN The artwork with which I decided to participate in this edition of the Cerveira Biennial rises to the challenge made because, after some time, I returned to the language, in some records and e ercises, with which I started my artistic ourney. The work in uestion O U SO was part of my last e hibition at the rvore Artistic Cooperative, named Shittylovesongs , in . It was my intention to develop the work based on the repetitive and three dimensional language present in movements such as op Art and also to achieve a contemporary approach. In this regard, I once again resorted to the use of cropped chromolithographs and photographs from the th and th century.


PT A instala o ulher sem nome, diálogo sup e uma metáfora tridimensional da figura retratada na pintura, na ual re ete sobre a import ncia do rosto como elemento ue define a identidade do ser. Simultaneamente, a obra utiliza a frieza e a assepsia do mane uim para corromper as ditas ualidades, imperando a e press o sobre a neutralidade. MUJER SIN NOMBRE, DIALOGO, 2017 óleo sobre tela oil on canvas 130x100 cm mane uim, leo sobre fibra de vidro manne uin, oil on fiberglass 180x45x35 cm

LUIS OLASO spanha Spain

EN The installation “Mulher sem nome, diálogo woman without name, dialogue assumes a three dimensional metaphor of the figure portrayed in painting, in which re ects on the importance of the face as an element that defines the identity of the being. Simultaneously, the work uses the coldness and asepsis of the manikin to corrupt said ualities, prevailing e pression over neutrality.


PT O pro eto tem como ponto central o limiar existente entre a esfera p blica e privada, evidenciando o ue leva a sociedade contempor nea rutura dessa fronteira. az também refer ncia intimidade individual e aos dispositivos de vigil ncia e de poder como prática de desvirtualiza o do espa o intimo.

VESTÍGIOS, 2017 vídeo video . cm 12´14´´loop

LUÍS PINTO ortugal

208 -

EN The central point of the pro ect is the threshold between the public and private spheres, evidencing what brings contemporary society to the rupture of this boundary. It also refers the individual intimacy and surveillance and power devices as a practice of de virtualization of the intimate space.


ZÉNITE E NADIR, 2015 instala o Installation 200x200 cm

MAJA ESCHER ortugal Alemanha

ermany PT O pro eto énite e adir foi desenvolvido em con unto com moradores do bairro de S. edro, em ontemor o ovo, durante a resid ncia artística nas Oficinas da Cer mica e da Terra em aio e Junho . O ponto de partida foram as festividades populares, mais especificamente os bailes de mastro e a imagem do mastro ou maibaum árvore de maio presente em práticas e celebra es ancestrais de povos em diferentes pontos do mundo. Trabalhámos na constru o de bandeiras e enfeites de cer mica ue foram suspensas no mastro da festa em honra de S o edro.

EN The énite and adir pro ect was developed ointly with residents of the Saint eter neighborhood in ontemor o ovo, during the artistic residency at the Ceramics and arth orkshops in ay and June of . The starting point was the popular festivities, specifically the mast dances and the image of the mast or maibaum may tree present in practices and ancestral celebrations of people in di erent parts of the world. e worked on the construction of ags and ceramic ornaments that were placed over the feast s mast in honour of Saint eter.


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ilogravura woodblock print 40x60 cm

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IOUS C

ilogravura woodblock print 40x60 cm

MANFRED EGGER ustria Austria

210 211

PT Os meus trabalhos s o ilogravuras realizadas de uma forma muito pessoal. S o provenientes de uma série de c pias, criados usando um con unto de blocos. u coloco os untos de formas diferentes, de modo ue no final eu recebo uma série de c pias similares, mas n o id nticas. A ideia por trás é focar o original, o indivíduo, num mundo onde tudo é reproduzível e permutável.

EN y works are woodblock prints, done with a very personal printmaking techni ue. They stem from a series of prints, all of them created using a set of blocks. I put them together in di erent ways, so that in the end I get a series of similar but not identical prints. The idea behind is to focus on the original, the individual, in a world where everything is reproducible and e changeable.


ESPERANZA ENTRELAZADA, 2008 escultura sculpture . cm

ALTAR II, 2006 escultura sculpture . cm

MANUEL PATINHA ortugal

PRÉMIO | BMW VIII BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE CERVEIRA JU

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A OSTO

AWARD | BMW VIII CERVEIRA INTERNATIONAL ART BIENNIAL T O JU

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T AU UST

PT Obra pertencente série rocesso da alma , . sta obra foi realizada com materiais de reciclagem e p e de manifesto um tempo de import ncia meditativa, de aten o relativa ao meio ambiente. Uma mensagem em forma de ob eto na ual o seu entrela ado indica a unidade matemática dos valores e sentimentos a seguir.

EN The Artwork belongs to the series rocesso da alma Soul process , . It was produced with recycling materials and highlights a time of meditative importance, of awareness regarding the environment. It is a message in the form of an ob ect, in which the interweaving indicates the mathematical unity of values and feelings to follow.


SI A

,

técnica mista mi ed media cm

SI A

,

técnica mista mi ed media cm

MANUELA BRONZE ortugal

212 213

PT A série Alto aé convoca mem rias individuais, t o comuns uanto singulares, ue ficcionam cores, cheiros, sensa es, materialidades. Costurar ou bordar s o prete tos para dilatar a pintura e o tempo. Uma tentativa de dar forma ao pensamento aculturado ue, talvez, com alguma dist ncia crítica, ensaia um olhar sobre o passado, trabalhando alguns dos tecidos mais populares no tra ar mo ambicano. os meus panos, toda uma geografia de afetos recorda e peri ncias físicas e sensoriais.

EN The Alto aé series summons individual memories, as common as they are singular, recreating colours, smells, sensations, materialities. Sewing or embroidering are prete ts to dilate the painting and time. An attempt to shape the acculturated thinking that, perhaps with some critical distance, rehearses a look on the past, working some of the most popular fabrics in the Mozambican dress. In my cloths, a whole geography of a ects recalls physical and sensory e periences.


LABORES, 2011 técnica mista mi ed media . cm

CARABELA, 2011 técnica mista mi ed media . cm

MANUELA MALIA spanha Spain

PT A apropria o da realidade combinada com uma forte carga conceptual s o características da minha linguagem plástica, uma vez ue a representa o ic nica é substituída pela pr pria realidade. A mem ria e e peri ncias de cada observador desempenham um papel de cocriador nas pe as, por ue o meu foco está no ob eto uotidiano usado, ue devido ao seu aspeto envelhecido é capaz de transmitir cheiros, sensa es táteis, as mem rias do passado e, neste sentido, cada um de n s poderá trazer a sua pr pria e peri ncia para a obra.

EN The appropriation of reality combined with a strong conceptual load are characteristic of my plastic language, since iconic representation is replaced by reality itself. The memory and e periences of each observer play a role of co creator in the pieces, because my focus is on the daily ob ect used, which due to its aged aspect is capable of transmitting scents, tactile sensations, memories of the past and, in this sense, each one of us can bring our own e perience to the artwork.


DELIVERY, 2015 vídeo video 2´07´´

MARCOS BONISSON & KHALIL CHARIF Brasil Brazil

214 215

PT ntrela ando elementos do tempo e espa o, elivery ntrega é orientado pelo gesto, usando diferentes ngulos de um mesmo local, produzindo um diálogo e perimental entre imagens e sons partindo da natureza e através dela. O video foi gravado numa reserva orestal situada no bairro de Copacabana, no io de Janeiro.

EN Connecting elements of time and space, elivery is oriented by gesture, using di erent angles of the same place, producing an e perimental dialogue between images and sounds from nature and through it. The video was recorded in a forest reserve located in the neighborhood of Copacabana, io de Janeiro.


O TA

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I

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díptico dyptich fotografia digital digital photography 43x145 cm

MARGARIDA ALVES ortugal

PRÉMIO AQUISIÇÃO XVII BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE CERVEIRA 27 DE JULHO A 14 DE SETEMBRO 2013 ACQUISITION AWARD XVII CERVEIRA INTERNATIONAL ART BIENNIAL 27TH JULY TO 14TH SEPTEMBER 2013

I A

S,

PT artindo do princípio da interculturalidade sub acente aos processos históricos, ambas as e press es artísticas eruditas e populares incorporam elementos iconográficos e formula es discursivas ue articulam diferentes lugares do mundo. Contudo, a condi o ontol gica da natureza do ser funde se com a condi o de habitar habitar a paisagem, o mundo, o corpo no mundo. or isso, a subtileza do lugar, t o presente e fundamental nas raízes da arte popular, retoma se através do sentido da anuncia o da natureza, de uma natureza do mundo, de uma matéria viva ue se revela end gena, contudo uida, subtil, enigmática.

EN Based on the principle of interculturality underlying historical processes, both erudite and popular artistic expressions incorporate iconographic elements and discursive formulations that articulate di erent places in the world. owever, the ontological condition of the nature of being merges with the condition of dwelling to inhabit the landscape, the world, the body in the world. Therefore, the subtlety of place, so present and fundamental in the roots of popular art, is taken up through the sense of nature’s annunciation, of a world s nature, of a living matter that reveals itself endogenous yet uid, subtle, enigmatic .


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instala o installation dimens es variáveis variable dimensions

MARGARIDA LEÃO ortugal

PRÉMIO EX-AEQUO “A URTIGA” IX BIENAL DE CERVEIRA A

A OSTO

EX-AEQUO PRIZE “A URTIGA IX CERVEIRA ART BIENNIAL T TO

ST AU UST

PT Ser e viver s o duas coisas distintas, pode se viver simplesmente sem nunca o ser . ara ser há uma conson ncia entre a forma e o conte do ue identificam a personalidade de cada um, definindo a sua identidade no ambiente em ue se insere. sta instala o aspira ser a identifica o do meu trabalho realizado como investigadora artística, em conson ncia com a viv ncia ue o percurso me proporcionou ao longo da minha carreira e ue pretende definir a personalidade ue re ito, bem ou mal, na sociedade em ue me inscrevo.

EN Being and living are two di erent things, as we can simply live without ever being it. To be implies a consonance between the form and the content that identify the personality of each one of us, defining our identity in the environment in which we are put in. This art performance installation is aimed at being the identification of my work, developed as an artistic researcher, in line with the e perience that the course has allowed me throughout my career and that intends to define the personality that I good or badly re ect, in the society in which I am placed in. argarida e o

216 217


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óleo s/papel oil on paper . cm

A T S O CO óleo s/papel oil on paper . cm

MARIA LUZIA CUNHA ortugal

PT m artes do corpo ue n o s o visíveis o artista re ete sobre membros ue n o s o alvo de observa o atenta por parte do artista no uotidiano, por raz es diversas, regressando assim a cores e pintura clássica e académica típica da Transvanguarda, embora tenham sido utilizados recorrentemente métodos e conceitos aplicados op Art.

EN In artes do corpo ue n o s o visíveis arts of the body that are not visible the artist re ects on members which are not sub ect of careful observation by the artist in everyday life, due to several reasons, thus returning to colour and classical and academic painting, typical of Transavantgarde, although methods and concepts applied to op Art have also been widely used.


CE SONT LES COULEURS DE MES RÊVES, 2017 óleo e pigmento s/ tela oil and pigment on canvas 200x180 cm

MARIA X. FERNÁNDEZ Espanha/Spain

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PT Apresento duas obras que, embora diferentes em aparência, têm em comum ser versões de duas obras clássicas. Uma delas é um retrato de Miró que contém a inscrição “Ceci est la couleur de mes rêves”, e na minha versão usei cinco tons de azul. A outra versão é “L’origine du monde”, a obra controversa de Coubert. A arte é uma evolução na qual nós, artistas, absorvemos e aprendemos com os nossos antepassados tentando reinterpretar e avançar.

EN I present two works that, although common being versions of two classic artworks. One of them is a picture of Miró that contains the inscription “Ceci est la couleur de mes rêves”, and in my other version is “L’origine du monde”, the controversial work of Coubert. Art is an evolution in which we artists absorb and learn with our ancestors, trying to reinterpret and move forward.


PT ostos ivos, amplamente rendilhados por uma miríade de linhas e fios de raciocínios, que se manifestam nos seus mais íntimos ou bvios detalhes minuciosos, sob a forma de uma linguagem meramente gestual.

ROSTOS RENDILHADOS, 2017 tríptico/triptych pormenor detail acrílico sobre linho acrylic on linenw 75x25 cm/80x20 cm/60x20 cm

MARIA MELO ortugal

EN iving aces is widely laced by a myriad of lines and threads of reasoning, manifested in their most intimate or obvious smallest details, in the form of a merely gestural language.


PT Inspirado no mundo n mada e simb lico da lareira como é importante pertencer a algo um lugar, uma família, o conte to cultural e hist rico, o díptico apresenta um espa o isométrico em dois modos dia e noite. A sala transforma se no céu, mas a lareira permanece. A casa n o é apenas um uarto. A casa s o todas as estradas ue caminhamos. A casa é a lareira ue carregamos dentro de n s. stá escrito em b lgaro no uadro.

I AC I A , técnica mista mi ed techni ue 60x80 cm I

AC II

I

T,

técnica mista mi ed techni ue 60x80 cm

MARIANA SARBOVA (MARSPACES) Bulgária Bulgaria

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EN Inspired in the nomadic and the symbolic world of the fireplace how important it is to belong somewhere a place, a family, cultural and historical background, the diptych presents an isometric space in two modes day and night. The room turns into a sky but the fireplace still remains. ome is not ust a room. ome is all the roads that we walk on. ome is the fireplace we carry within ourselves. Is written in Bulgarian on the painting.


A

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CA TO O OU O,

híbrida hybrid 150x150x60 cm

MÁRIO MOURA ortugal

PT or mais ue fa amos e desmanchemos, a instala o sai sempre inédita. Alguma medita o a todo o meio envolvente ue pretendo comunicar. Coincid ncia, encontro corpos in teis a caminho do fogo ou putrefa o, decido intervir. impei in meros corpos, leivas de pipas, transformei as em costelas, descobrindo esta inocente transforma o, a ual me surpreende. esponsáveis por estas novas ci ncias s uais lhes chamam abstratos ou arte nova. ei ei me envolver ou caí em situa es de n o saber desenhar nem pintar. O n mero de elementos levou me a uma in uieta o ue fazer Comecei por instalar os elementos e surge a adrenalina constante, ue estarei eu a fazer Come o por descobrir a cor das uvas, vinho, parras, pipas, pontes, ou se a, todo o meio envolvente. ouro, Cidades, Concelhos, etc… A toda esta comunica o, no meu bom sentido, chamo a uma videira com a ramifica o em todos os sentidos, característica dela, atureza livre, a lor ncanto do ouro. O ue mais me d i é o desprezo por tudo o ue é portugu s, como se f ssemos uma espécie de leprosos do universo. Jorge de Sena

EN o matter how much we do and how much we dismantle, the installation comes out uni ue. I meditate at the surroundings that I intend to communicate. Coincidentally, I find useless bodies on the way to fire or putrefaction, I decide to intervene. I cleaned up numerous bodies, made of wooden staves and turned them into ribs, discovering this innocent transformation which surprises me. They are responsible for these new sciences they call abstract or new art. I got involved or fell into situations of not being able to draw nor paint. The number of elements led me to a concern what to do I started by installing the elements and a constant adrenaline emerges, what am I doing I begin by discovering the colour of grapes, wine, vine leaves, barrels, bridges, that is, the whole environment. ouro, Cities, unicipalities, etc... To all this communication, in my perspective, I call it a vine with ramifications in every sense, a feature of it, free Nature, the Charm of the ouro s lower. “What hurts me the most is the contempt for everything that is ortuguese, as if we were a sort of lepers from the universe.


PT O ue é ue nos pode emocionar Ob ectos ostos aisagens odemos sentir dese o de consumir paisagem e absorver multid es de rostos se prestarmos aten o na rua ao ue nos rodeia. Solid o e interliga o. Olhamos para a mesma paisagem, tocamos os mesmos ob ectos na rua, nos restaurantes, em ual uer lugar. Um caleidosc pio de rostos cria um mosaico humano construído sem limites para as emo es. PAISAGEM DE ROSTOS, 2017 acrílico sobre tela acrylic on canvas 60x60 cm

MARIOLA LANDOWSKA ol nia

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EN hat might thrill us Ob ects aces andscapes e may feel the wish to consume landscape and absorb numerous faces if we pay attention to what s around us. Solitude and interconnection. e look at the same landscape, we touch the same ob ects on the street, in the restaurants, anywhere. A kaleidoscope of faces creates a human mosaic built without limits to the emotions.


PASATIEMPO, 2016 pintura acrílica sobre tela acrylic painting on canvas cm

MARTA FORTES spanha Spain

PT As vanguardas terminaram de derrubar os temas clássicos, dando lugar a temas mais comuns como o uotidiano e anonimato, e s o estes dois ltimos tópicos que me interessam na hora de trabalhar. odia dizer ue devido ao impacto tecnol gico predominante em uase todas as nossas a es ou espa os, a minha obra encontra se num lugar escondido onde a tecnologia mal chega, esfor ando se por encontrar assuntos banais, onde o instant neo fica longín uo. As minhas ferramentas de trabalho s o o passeio, a paisagem, a minha ociosidade e as pessoas ue encontro no parque, na praia, em locais onde a era digital parece es uecida e, acima de tudo, um tempo lento ue impera na forma de fazer e de ver o resultado a posteriori.

EN The avant gardes have finished overthrowing the classic themes, giving rise to more common themes such as everyday life and anonymity, and these are the last two topics that interest me when it is working time. I could say that due to the technological impact that prevails in almost all our actions or spaces, my work is in a hidden place where the technology hardly reaches, striving to find banal sub ects, where the instantaneous is distant. y work tools are the walks, the landscape, my idleness and the people I meet in the park, on the beach, in places where the digital age seems forgotten and, above all, a slow time that prevails in the way of doing and seeing the result a posteriori.


SÉRIE LOVE (PORTÃO), 2016 pintura painting 200x150 cm

SÉRIE LOVE (PORTA), 2016 pintura painting . cm

MARTA MOURA ortugal

PRÉMIO AQUISIÇÃO XV BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE CERVEIRA JU

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ACQUISTION AWARD XV CERVEIRA INTERNATIONAL ART BIENNIAL T JU

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PT Os trabalhos da Série ove apresentam diferentes configura es em diversas alus es simb licas, o vestígio e mem ria, a fragilidade e temporalidade, a transforma o da vida e das coisas. Como uma possível vis o poética de encontro e cone o a pintura permeia se de ob etos, marcas e lugares, num encontro simb lico com viv ncias contempor neas, figurando se de novos sentidos.

EN The artworks of the Série ove ove Series present di erent configurations in diverse symbolic allusions, the vestige and memory, the fragility and temporality, the transformation of life and things. As a possible poetic vision of encounter and connection, painting permeates itself of ob ects, marks and places, in a symbolic meeting with contemporary e periences, integrating new senses.


PT esde , o seu trabalho centra se sobre tudo nos materiais e as suas possibilidades, e aspetos como a repeti o e a monotonia. os seus ltimos trabalhos re e iona sobre a fun o do ob eto artístico. Cada vez mais centrado na forma em como a produ o material está fortemente contaminada pelos processos manuais. Os tempos, a utiliza o do disponível, a rela o de for a e submiss o com o material… CUADRO PARA PEINAR, 2013 técnica mista mi ed media 150x145x12 cm

MAURO TRASTOY spanha Spain

EN Since , his work has been focused mainly on materials and their possibilities, and aspects such as repetition and monotony. In his last works he re ects on the function of the artistic ob ect. e is also increasingly focused on how material production is heavily contaminated by manual processes. The times, the use of the available, the link between strength and submission with the material...


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vídeo video 12’10’’

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vídeo video 5’50’’

MIGUEL ÁNGEL REGO spanha Spain

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PT Cinétrack rom Oikos to Thanatos Cinétrack e Oikos até Thanatos é um pro eto ue faz uma nova leitura do formato cinétract ue surgiu na ran a em maio de . Os diretores deste tipo de vídeo incluíram todo o material ue estava relacionado com os acontecimentos. A minha leitura desse formato inclui material de ar uivos digitais, ornais digitais, etc... ste vídeo faz refer ncia ao tema da habita o através uma perspetiva macropolítica.

EN Cinétract . rom Oikos to Thanatos is a pro ect that puts a new spin on the cinétract format that emerged in rance, in ay, . The directors of this type of video included all the material that was related to the events. y reading of this format includes material from digital files, digital newspapers, etc... This video refers to the theme of housing through a macro political perspective.


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técnica mista sobre madeira mi ed media on wood cm

MIGUEL NEVES OLIVEIRA ortugal

PT A madeira do castanheiro, cedro e as demais eram inicialmente peda os desprovidos de sentido, estavam abandonados, deriva, restava lhes a fogueira ou apodrecerem na terra... sta vontade de dar uma nova vida é o princípio poético da obra ue apresento a ui na Bienal de Cerveira. A rela o entre espa os vazios espa os densos, transpar ncia opacidade cria um movimento a que chamo “O Imenso Solo . O solo, depois de albergar e suportar milh es e milh es de seres vivos, oferece nos também as ores. As pessoas apropriam se desta beleza hipn tica e semeiam ores no solo, nos vasos, nas varandas, nos andores dos santos, no cabelo da mulher ue uer ser feliz!!

EN The wood of the chestnut tree, cedar, and others were initially pieces of meaning, abandoned, drifting, burning or rotting on the ground... This desire of giving it a new life is the poetic principle of the work that I present here at the Cerveira Biennial. The link between empty spaces dense spaces, transparency / opacity creates a movement that I call O Imenso Solo The vast soil . The soil, after harboring and supporting millions and millions of living beings, also o ers us the owers. eople take advantage of this hypnotic beauty and sow owers on the ground, on the vases, on the balconies, on the saints’ litters, on the hair of a woman who wants to be happy!!


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impress o digital sobre alumínio fi ada sobre mármore negro digital print on aluminium set on black marble cm

.J , iSTOC impress o digital sobre alumínio fi ada sobre mármore negro digital print on aluminium set on black marble cm

NANO ORTE Espanha/Spain

228 -

PT A cultura visual consumida através de mercadorias e meios de comunica o é atualmente a principal forma de constru o de sub etividades. O binómio beleza/economia constrói o mundo visível e os nossos dese os através da publicidade e belos ob etos para venda. A série surge da compra de fotografias no banco de imagens de bai o custo iStock, sendo apresentadas em vers o beta. stas imagens s o habitualmente usadas por designers para uso em publicidade. a sua apresenta o, coladas numa placa de rocha de mármore, as imagens s o confrontadas com a beleza primitiva da forma geol gica.

EN The visual culture consumed through goods and media is currently the main form of construction of sub ectivities. The binomial beauty economy builds the visible world and our desires through advertising and beautiful ob ects for sale. The series originated from the purchase of photographs in the low cost iStock image bank, being presented in beta version. These images are commonly used by designers for advertising application. In their presentation, the images are glued to a marble rock pla ue and are confronted with the primitive beauty of the geological form.


AGAINST THE WORD THE UNSTILLED WORLD STILL WHIRLED ABOUT THE C T O T SI T O TS , escultura sculpture 35x12x3 cm

UNDER A JUNIPER TREE THE BONES SANG, SCATTERED AND SHINING TSE, 2017 escultura sculpture 110x8x3 cm

NETTIE BURNETT Inglaterra

ngland

PT A Pop Art usa ironicamente elementos banais de uma cultura. Uma placa reticulada azul popular, cu as palavras, s o agora ilegíveis. protegido e isolado por um material n o relacionado. O tric croch é uma sátira acerca da vida difícil de muitos. ulheres ue se divertem com o passar do Tempo...

EN Pop Art uses banal elements of a culture ironically. A popular blue reticulated plate whose words are now unreadable. It is secured and isolated by an unrelated material. The knitting crochet is a satire on the di cult life of many. omen having fun with the course of Time…


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S O OS U CO

instala o fotografia e te to installation photography and te t 150x200 cm

NEYDE LANTYER Brasil Brazil

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olanda

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PT uem inventou a fome s o os ue comem A frase da escritora Carolina de Jesus, mulher negra ue vivia na pobreza, espelha o sonho do e presidente ula, de ue todos os brasileiros pudessem comer vezes ao dia , sonho realizado durante os anos de governos de es uerda no Brasil. m , através de um golpe, os ue comem resolveram reinventar a fome e recriar a pobreza. intadas no séc , durante a invas o holandesa no ordeste, as naturezas mortas de A. ckhout permanecem modernas, sensuais e desafiadoras a fartura dos frutos da terra representa o sonho de ula e o parado o do Brasil.

EN uem inventou a fome s o os ue comem Those who invented hunger are those who eat The phrase was written by the Carolina de Jesus, a black woman living in poverty, re ects the dream of the former resident ula, that all Brazilians could eat three times a day , a dream accomplished during the years of left wing government in Brazil . In , in a coup, those who eat decided to reinvent hunger and recreate poverty. ainted in the th century, during the utch invasion in the ortheast, the still lifes of A. ckhout remain modern, sensual and challenging the abundance of the fruits from the earth represents Lula’s dream and the parado of Brazil.


PT O cruzeiro, símbolo ancestral da aliza. A viol ncia, visível, invisível, eficaz, isolada do estrangeiro mas também do pr prio governante. O controlo absoluto das mentes, a vigil ncia e austiva desde a educa o até a morte, o antroido, os olhos ue tudo veem e tudo sabem

CRUCEIRO, 2017 assemblagem ensamblage dimens es variáveis

OSCAR LORENZ spanha Spain

EN The cruceiro calvary is the ancestral symbol of alicia. The iolence, visible, invisible, e ective, is isolated not only from abroad but also from the ruler himself. The absolute control of the minds, the exhaustive surveillance from education to death, the antroido, the eyes that see and know everything


LIVROS DE CHOUPO BRANCO, 2017 folhas de choupo envelhecidas aged white poplar leaves (3x) 14x25x11 cm

PATRÍCIA GERALDES ortugal

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PT itual, tradi o e contemporaneidade. Existe no meu trabalho uma apropria o de est rias, mem rias e rituais, recorrendo a uma representa o do conhecimento empírico, dos saberes, dos ofícios, dos costumes, ue s o naturalmente momentos de partilha do tempo, persist ncia e sabedoria. Trata se de estímulos ue passam de gera o em gera o e ue fazem com ue os nossos sentidos percecionem o mundo de uma ou de outra maneira. os meus pro etos fa o o intuindo paisagens, pré sentindo o mundo. rocurando ansiosamente por novas imagens ob etos , numa energia e processo de trabalho ue t m como premissa estreitar a rela o com o observador.

EN itual, tradition and contemporaneity. In my work there is an appropriation of stories, memories and rituals, resorting to a representation of empirical knowledge, of ancient knowledge, of crafts, of habits, which are naturally moments of time sharing, persistence and wisdom. These are stimuli that passed down from generation to generation and that make our senses perceive the world in one way or another. In my pro ects I do it by inserting landscapes, pre sensing the world. I am eagerly looking for new images ob ects , in an energy and work process that have as premise the strengthening of the bound with the observer.


PT Série A matéria dos dias . Se virem nestas pe as uma celebra o da natureza, um testemunho de encantamento ou de estranheza ent o posso falar do humano, do cidad o do mundo terra ue vos interroga. Uma uest o universal atravessa todo o meu percurso pictórico e as várias séries a difícil rela o entre o homem e o mundo ue a cada dia se torna mais pe ueno. um primeiro aspeto ela é filos fica ou espiritual. as o aspeto mais forte coloca esta questão no campo ecol gico A nossa efemeridade deveria ser menos destrutiva, a nossa passagem deveria implicar apre o pela terra.

SONHAR A TERRA, 2012/14 pintura acrílica sobre tela acrylic on canvas 50x40 cm

A MATÉRIA DOS DIAS, 2012/14 pintura acrílica sobre tela acrylic on canvas 50x40 cm

PAULA RITO ortugal

EN Series A matéria dos dias . If you see in these pieces a celebration of nature, a testimony of enchantment or strangeness, then I can speak about the human, the citizen of the world earth that uestions you. A universal uestion runs through my pictorial course and the various series the di cult relationship between man and the world that becomes smaller every day. At first it is philosophical or spiritual. But the stronger aspect raises this uestion in the ecological field Our ephemerality should be less destructive, our passage should imply the appreciation for the land.


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SITO

I

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escultura instala o sculpture/installation 150x180x178 cm

MENINA COM VENTOINHA, 2017 escultura instala o sculpture/installation cm

PAULO HERNÂNI ortugal

PRÉMIO AQUISIÇÃO | BAVIERA/BMW XI BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE CERVEIRA 18 DE AGOSTO A 15 DE SETEMBRO 2001 ACQUISITION AWARD | BAVIERA/BMW XI CERVEIRA INTERNATIONAL ART BIENNAL 18TH AUGUST TO 15TH SEPTEMBER 2001

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PT Ainda, a ida para outras paragens, na procura de uma vida melhor. A bagagem do via ante for ado transporta, também, uma cultura. Uma representa o figurativa, através de uma resolu o e pressionista e, do desenho com impress es gestualizadas, concretizada, em gesso modelado, ap s modela o inicial em barro. A escultura, pousa numa base preta, formando uma instala o ue, formula e consagra, o espa o ficcional da personagem.

EN et, the departure to other places, in search of a better life. The luggage of the forced traveler also carries a culture. A figurative representation, through an e pressionist resolution and, through the drawing with gestural prints, made in shaped plaster, after initial clay modeling. The sculpture stands on a black base, forming an installation that formulates and consecrates the fictional space of the character.


ANEL, 2016 escultura em madeira wooden sculpture 100x10x50 cm

ANEL, 2016 escultura em madeira wooden sculpture cm

PAULO NEVES ortugal

PRÉMIO AQUISIÇÃO | ÁGUAS DO MINHO E LIMA XIII BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE CERVEIRA 20 DE AGOSTO A 17 DE SETEMBRO 2005 ACQUISTION AWARD | ÁGUAS DO MINHO E LIMA XIII CERVEIRA INTERNATIONAL ART BIENNIAL 20TH AUGUST TO 17TH SEPTEMBER 2005 PRÉMIO | DST-DOMINGOS DA SILVA TEIXEIRA, SA XIV BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE CERVEIRA A OSTO A

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AWARD | DST-DOMINGOS DA SILVA TEIXEIRA, SA XIV CERVEIRA INTERNATIONAL ART BIENNIAL T AU UST TO

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PT As pe as intituladas de anéis foram e ecutadas a partir de uma faia, ue secou. Tendo esta interven o sido a sua forma de ressurrei o.

EN The pieces entitled anéis rings were made from a dried beech. This intervention was its way of resurrection.


, tinta de spray sobre papel spray paint on paper (4x) 140x200 cm

PAVEL FORMAN & IVANA STENCLOVÁ (STENCLOFORM) ep blica Checa Czech epublic PRÉMIO AQUISIÇÃO XV BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE CERVEIRA JU

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ACQUISITION AWARD XV CERVEIRA INTERNATIONAL ART BIENNIAL T JU 236 237

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PT egend er é um trabalho em papel uatro folhas untas criando um retrato duplo. ode ser uma pintura, gra ti, instala o, uma pe a de arte de rua ou apenas um cartaz. ste trabalho baseia se em fotografias feitas por rna endvai ircksen, ue infelizmente foram usadas muitas vezes pela propaganda nazi. efinimos as fotografias antigas em novos conte tos com a a uda de materiais populares papel, tinta spray e padr o de impress o stencil. s gostamos de dei ar algumas uest es relevantes para trás.

EN egend er is a work on paper four sheets together building a double portrait. It might be a painting, gra ti, an installation, a piece of street art or ust a poster. This work is based on photographs made by rna endvai ircksen which were unfortunately used many times by azi propaganda. e set the old photographs into new conte ts with the help of popular materials paper, spray paint and the printing pattern stencil. e like to leave some relevant uestions behind.


SEM TÍTULO 3 CI SO I

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técnica mista mi ed media 130x140 cm

SEM TÍTULO 2 A T S A ISIO A O AS A S STA O SUBMERSO NUM MUNDO ALIENADO, 2015 técnica mista mi ed media cm

PEDRO DO VALE ortugal

U

PT Uma figura o plástica, com ponto de partida no desenho académico, catapultou se numa viagem de hiperrealismo ou fotorrealismo para captar o estranho, sentimento ou marca, encontrado nos retratados. uma busca feita de acasos, somos atravessados por milhares de encontros. estes retratos defronto me com pessoas ue de si pouco dizem e dizem imenso. do muito ue me deram dei o uma marca da sua hist ria. o estranho nas suas formas de vida ue ostenta e oculta a dignidade de ser pessoa.

EN A plastic figuration, with starting point in the academic design, was launched into a ourney of hyperrealism or photorealism to capture the odd, feeling or mark, found in portraits. In a uest made of chance, we are pierced by thousands of encounters. In these portraits I meet people who tell both little and a lot about them. And from how much they gave me I leave a mark of their history. It is the odd in their ways of life that aunts and hides the dignity of being a person.


INSTANTE GLOBAL, 2016 escultura sculpture cm

ALVORADA, 2016 escultura sculpture 116x76x56 cm

PEDRO FIGUEIREDO ortugal

PRÉMIO REVELAÇÃO XII BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE CERVEIRA 16 DE AGOSTO A 21 DE SETEMBRO 2003 REVELATION AWARD XII CERVEIRA INTERNATIONAL ART BIENNIAL 16TH AUGUST TO 21ST SEPTEMBER 2003

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PT evir... assado e resente m Instante lobal , uma figura feminina segura uma esfera vermelha ue mais n o é ue o globo universal, remetendo nos para o mundo onde habitamos. O sentimento de alegria é levemente sugerido nesta escultura, transportando nos para as obras dos artistas transvanguardistas, rompendo com uma arte conceptual bem mais fria. m Alvorada temos o despertar para uma nova consci ncia e uma outra realidade através da apropria o do alo de Barcelos, conhecido ícone da arte popular portuguesa, a ui e agora transformado em representa o contempor nea.

EN evir... ast and present In Instante lobal lobal oment , a female figure holds a red sphere that is no more than the universal globe, referring to the world we inhabit. The feeling of oy is slightly suggested in this sculpture, transporting us to the artworks of transavantgarde artists, breaking with a cold conceptual art. In Alvorada awn we awaken to a new consciousness and another reality through the appropriation of the Barcelos ooster, a ortuguese popular art well known icon, here and now transformed into contemporary representation.


RUNING MAN, 2016 vídeo video 5´7´´

PEDRO SENA NUNES ortugal

PT Um homem corre num espa o aparentemente vazio. Os seus passos ecoam as paredes preenchidas por mem rias parecem responder. ormas circulares encontram se com angulares. alam sem palavras. O sil ncio da pedra acolhe a in uietude do corpo e devolve o a si pr prio.

EN A man runs in an apparently empty space. is steps echo the walls filled with memories seem to respond. Circular shapes merge with angular ones. They speak without words. The silence of the stone welcomes the restlessness of the body and returns it to itself.


SOBRE PILOTIS OU CONSTRUÇÕES CRUZADAS, 2017 acrílico e óleo sobre tela acrilic and oil on canvas 60x80 cm

PRISCILA ROCHA Brasil Brazil

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ortugal

PT Constru es citadas ou cita es construídas O trabalho de riscila ocha e plora as camadas temporais na ar uitetura e no seu uso. estacamos a ui a apreens o da ar uitetura popular brasileira pela ar uitetura moderna e p s moderna. Baseado em estudos te ricos, imagens representativas de constru es brasileiras populares, modernas e p s modernas como fotos, esbo os e plantas ar uitet nicas s o selecionadas e trabalhadas visualmente por camadas, anelas e veladuras ora no meio digital e ora no manual evidenciando plasticamente as camadas hist ricas na forma de construir e pensar a habita o.

EN uoted constructions or constructed quotations The work of riscilla ocha e plores the temporal layers in architecture and in its use. e highlight here the apprehension of popular Brazilian architecture by modern and postmodern architecture. Based on theoretical studies, representative images of Brazilian constructions popular, modern and postmodern such as photos, sketches and architectural plans are selected and worked visually by layers, windows and glazes both in the digital environment and in the handbook, plastically showing the historical layers In the way of building and thinking about housing.


PT istem várias formas de confrontar a realidade, uma delas é a ue leva os artistas a investigar novas portas que abrem novos caminhos, vias com as ue possam e pressar se, discursos e leituras ue ofere am novos ngulos de vis o. As saídas ue desde as vanguardas ocidentais se desprenderam, depois de cortar o n g rdio da tradi o, conseguiram por em movimento as in uietudes exploratórias, sempre necessárias para ue a tarefa catártica da arte resista passagem do tempo.

CURIOSITY, 2015 técnica mista mi ed media cm

ESPERANDO, 2015 técnica mista mi ed media 260x100x60 cm

RADU [RESCATE ARTÍSTICO DESTINO UTOPÍA] spanha Spain

EN There are several ways to confront reality, one of which is the way that leads artists to investigate new doors that open new paths, ways to e press themselves, speeches and readings that o er new angles of vision. The e its that have been unleashed from the western vanguards, after cutting the ordian knot of tradition, have succeeded in moving the e ploratory concerns that are always necessary, so that the cathartic task of art resists the passage of time.


GÁRGULA #1B,2014 desenho drawing 40x45 cm

GÁRGULA #4A, 2014 desenho drawing 40x45 cm

RAQUEL FELGUEIRAS ortugal

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PT O pro eto árgulas Barrocas é uma re e o sobre o medo, inspirada na cultura popular. um presente cheio de constrangimentos, estas figuras ambíguas levam o espectador a descobrir nelas os seus medos e as criaturas demoníacas do seu imaginário. ensadas a partir das imagens de orschach, cada gárgula surge de uma mancha uase simétrica, sobre a qual são posteriormente definidos elementos in cuos e ornamentais. O resultado traduz a apropria o de um imaginário popular de medos ue emergem reinventados por entre uma camu agem decorativa.

EN The pro ect árgulas Barrocas Baro ue argoyles is a re ection on fear, inspired by the popular culture. In a present time full of constraints, these ambiguous figures lead the viewer to discover in them their own fears and demonic creatures. esigned from the orschach images, each gargoyle arises from a nearly symmetrical spot, on which are further defined innocuous and ornamental elements. The result re ects the appropriation of the fears from the popular imaginary that emerge re invented through a decorative camou age.


J T AI

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pintura acrílica sobre tela acrylic painting on canvas 100x150 cm

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pintura acrílica sobre tela acrylic painting on canvas 100x150 cm

RAQUEL GRALHEIRO ortugal

PT Je t aime. oi non plus faz nos pensar na rela o entre homem e o animal de estima o. As liga es estabelecidas poder o ser de amizade, respeito, companhia. as também de interesse cuida se para se matar, para nos alimentarmos e aquecermos, pois a cabra fornece couro, carne, leite e, s vezes, estrume e l . As cabras foram um dos primeiros animais a serem domesticados, por volta do ano a.C. no édio Oriente.

EN Je t aime. oi non plus makes us think about the relationship between man and the pet. The established links can be of friendship, respect, company. But also of interest e cares but also kills it, to feed and warm us, because the goat supplies leather, meat, milk, and sometimes manure and wool. oats were one of the first animals to be domesticated, around BC in the iddle ast.


PT A obra de a uel Oliveira baseia se, também como a Pop Art, num caráter figurativo e realista, mantendo uma rela o com a fotografia, utilizando ob etos do uotidiano de modo a ue estes dei em de ser vulgares e ad uiram um caráter refinado com temas que se resumem a um corpo ue por si s ustifica a e ist ncia da obra autorretratos ine pressivos em representa es frontais, com refer ncia ao estatuto social do corpo feminino, dor, ao sofrimento, sensualidade a import ncia dada ao cromatismo intenso e vibrante e por fim as escalas de grande formato.

SEM TÍTULO, 2017 óleo sobre tela oil on canvas 170x110 cm

RAQUEL OLIVEIRA ortugal

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EN The work of a uel Oliveira is based, ust like op Art, in a figurative and realistic character, holding a connection with photography, using everyday ob ects in a way that they cease to be vulgar and ac uire a refined character with themes that summarize to a body which alone ustifies the e istence of the work ine pressive self portraits in frontal representations, with reference to the social status of the feminine body to pain, to su ering, to sensuality the importance given to the intense and vibrant chromatism and finally the large format scales.


PT agueia por aí num espa o,

SPACE AND TIME, 2016 técnica mista mi ed media 160x100x100 cm

RARO [RAUL ROSA] ortugal

EN It wanders around in a space,

Sem tempo nem velha mem ria, o dito

without time nor old memory, the said

instante,…o dito click!

instant,... the said click!

ste desvaneio ue lhe permite tal fa anha, ue em algorítmica agilidade se dedica a perseguir e fi ar o instante, o instante absoluto , que com a intemporal precisão, se assume e se desmaterializa, aí, na sacra desfragmenta o de registo de informa o, mem rias e emo es, num bit de tempo fi adas, aí de novo se p s materializa como cenário e discurso, e se concretiza num novo espa o tempo, e se conforma agora como sua pr pria alegoria, em artesanal cenário de fantasia, de ilus o de um tempo sem tempo.

This daydream that allows it such feat, which is dedicated to chase and fi the instant in algorithmic agility, the absolute instant , with timeless precision, assumes and dematerializes itself, there, in sacred defragmentation of recording information, memories and emotions, in a bit of fi ed time, it is post materialized again as a scenery and discourse, taking place in a new space time, and is now complied as its own allegory, in an artisanal scenery of fantasy, of illusion of a time without time.


NO RAIO DE, 2015 vídeo video

RAYLANDER MÁRTIS Brasil Brazil

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PT A padroniza o e a formaliza o do trabalho trabalhador foi o tema deste vídeo. o raio de direciona o olhar do espectador para o espa o íntimo de um personagem ue n o consegue se desligar da rotina e da burocracia do mundo corporativo. Um profissional de recursos humanos toma banho sem tirar a roupa do seu corpo, criando uma caricatura do indivíduo ue tem pouco tempo para dedicar a si pr prio. Um burburinho toma conta do vídeo, indicando ue o personagem é uma espécie de escravo contempor neo. o conte to da Bienal Internacional de Arte de Cerveira, o raio de comenta a realidade vivida pela popula o brasileira mundial, e toma como ponto de partida uma característica marcante da primeira gera o de vídeo artistas da década de e o confrontar do pr prio artista com a c mara.

EN The standardization and formalization of work worker was the theme of this video. o raio de in the radius of directs the viewer s gaze into the intimate space of a character who cannot detach himself from the routine and bureaucracy of the corporate world. A human resources professional takes a bath without taking the cloths o his body, creating a caricature of an individual who has little time to devote to himself. A buzz takes over the video, indicating that the character is a sort of contemporary slave. In the conte t of the Cerveira International Art Biennial, “No raio de in the radius of comments on the reality lived by the Brazilian world population, and takes as its starting point a striking feature of the first generation of video artists in the s and s the confrontation of the artist himself with the camera.


TOY STORIES, 2016/17 acrílico sobre tela acrylic on canvas 87x144 cm

RICARDO ANGÉLICO ortugal

PT Toy Stories ist rias de Brin uedos é um divertimento ue celebra a vida interior do brin uedo comum em tempos difíceis de concorr ncia e precariedade. uma variedade de registos, o uadro e plora micronarrativas em torno do brin uedo, elevado categoria de coisa pensante, logo, angustiada, ansiosa, humana. um desordenado mapa de dramas plastificados e almas carentes, reclamando aten o. onge de ser li o inanimado, este con unto de atores saturados tem a ui espa o de liberdade e introspe o, antes do fatal encontro com os preciosos minideuses do destino.

EN Toy Stories is an amusement that celebrates the inner life of the common toy in di cult times of competition and precariousness. In a variety of registers, the picture e plores micro narratives around the toy, which is promoted to the category of thinking thing, therefore, distressed, an ious, human. It is a disorderly map of plasticized dramas and poor souls, claiming attention. ar from being inanimate garbage, this group of saturated actors has a space of freedom and introspection, before the fatal meeting with the precious mini gods of destiny.


SEM TÍTULO, 2017 pormenor detail técnica mista mi ed media 250x430 cm

RICARDO DE CAMPOS ortugal

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PT icardo de Campos n. pertence gera o de artistas conse uentes ao presságio de p s modernidade lí uida, nas palavras de ygmunt Bauman , ue transfere, para a cria o artística, comple idade de categoriza o. m icardo de Campos vemos a utiliza o de materiais provenientes do desperdício, a gestualidade na pintura e a temática de natureza tanto humanitária, uanto uotidiana. A sua produ o revela nos destreza, in uieta o, capacidade conceptual e re e iva e uma estranha (porque rara em pleno século I honestidade intelectual ue dá coer ncia plástica sua obra e nos permite encontrar, não só, pressupostos das transvanguardas como a originalidade em marcas de cor, e press o e composi o.

EN icardo de Campos born in belongs to the generation of artists conse uent to the portent of li uid postmodernity, in the words of ygmunt Bauman , who transfers to artistic creation, the comple ity of categorization. In icardo de Campos we see the use of materials deriving from waste, the gestural in painting and the theme of both humanitarian and daily nature. is production reveals de terity, restlessness, conceptual and re ective capacity and a strange because it is rare in the 21st century) intellectual honesty that provides plastic coherence to his work and allows us to find not only assumptions of transavantgardes but also originality in the colour marks, in the expression and in the composition.


A ICA S A LOVE BELT, 2015

S I AUST A IA

técnica mista mi ed media 25x120 cm

A ICA S A S II BU MASCULINITY BELT, 2015

A IA

técnica mista mi ed media 25x120 cm

ROBERT CANEV Bulgária Bulgaria

PT As duas obras de arte interpretam tradi es e lendas nacionais b lgaras e australianas. As minhas pe as de arte ogam com a ideia do estilo op Art, ue visa desafiar a tradi o e cria obras de arte através da elimina o visual de ob etos provenientes da produ o em massa e colocando os fora do conte to conhecido. u uso uma velha técnica de tecer e entrela ar fios, inserindo a obra no prisma da arte contempor nea.

EN These are two art works, which interpret Bulgarian and Australian national traditions and legends. y art pieces play with the idea of the op Art style, which aims to challenge tradition, and creates art works by visually removing ob ects from the mass production and putting them out of the known conte t. I use an old techni ue of weaving and braiding threads by putting it through the prism of the contemporary art.


EN EL TIEMPO, AGUJEROS BLANCOS, 2016 fotografia digital digital photography 74x54 cm

ROBERTO spanha Spain

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PT O ponto de partida do meu trabalho reside na considera o da fotografia não como um espelho mimético da realidade visível, mas como um e ercício ue transcende pr prio meio tecnol gico as minhas fotografias apresentam imagens ue efetuam uma metamorfose, afastando se gradualmente do seu material referente. A má uina torna se assim, um mero instrumento condenado invisibilidade na obra final esta pretende se independente das limita es técnicas do ofício fotográfico, um simples ob eto completamente segregado da realidade ue foi re etida na sua origem.

EN The starting point of my work lies in the consideration of photography not as a mimetic mirror of visible reality, but rather as an e ercise that transcends its own technological environment my photographs present images that perform a metamorphosis, gradually moving away from their corresponding material. The machine thus becomes a mere instrument condemned to invisibility in the final work This is intended to be independent of the technical limitations of the photographic process, a simple ob ect completely segregated from the reality that was re ected in its origin.


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díptico diptych desenho drawing 60x45/

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metal metal 15x10x160 cm

RODRIGO CARNEIRO QUEIRÓS ortugal

PT ste con unto de obras desenvolve uest es sobre e peri ncias pessoais com os elementos da hist ria da arte e de imagens encontradas e reproduzidas consideradas pobres . O ponto de partida tenta ser evidente em todo o trabalho sendo ue a rela o com o ar uivo pessoal é familiar e plorada recorrentemente. as obras e postas foram utilizadas fotoc pias como base e a erramenta de esenho , inspiradas a partir da pintura de oya Asalto de ladrones , reproduzindo elementos ic nicos aparentes como “ferramentas de viol ncia .

EN This set of works develops uestions about personal e periences with the elements from the history of art and the images found and reproduced which were considered poor . The starting point tries to be evident in all my work, being the relation with the personal and familiar archive repeatedly e plored. In the works e hibited, photocopies were used as the basis and the rawing Tool , inspired on oya s painting Asalto de ladrones Thieves assault , reproducing seemingly iconic elements as tools of violence .


SEM TÍTULO, 2016 técnica mista mi ed techni ue 200x300 cm

ROSA UBEDA Espanha/Spain

PRÉMIO AQUISIÇÃO | ÁGUAS DO MINHO E LIMA (COLETIVO) XI BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE CERVEIRA 18 DE AGOSTO A 15 DE SETEMBRO 2001 ACQUISITION AWARD | ÁGUAS DO MINHO E LIMA (COLLECTIVE) XI CERVEIRA INTERNACIONAL ART BIENNIAL 18TH AUGUST TO 15TH SEPTEMBER 2001

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PT o desenvolvimento do meu trabalho realizado ao longo dos anos, esta obra pretende dar uma perspetiva, uma visão intimista sobre as minhas preocupa es, in uieta es, ang stias e dese os sobre o mundo e a sociedade em ue estamos envolvidos. uma tentativa de visita interioridade do meu pensamento, evidenciando todas as dificuldades, os labirintos e as barreiras que se colocam pela frente de ual uer cidad o ou cidad , e neste caso particular, procuro mostrar a perspetiva en uanto artista plástica. , fundamentalmente, uma pintura de interroga o ue me uestiona e questiona (pelo menos é essa a inten o os outros.

EN In the development of my work over the years, this artwork intends to provide a perspective, an intimate vision of my worries, concerns, an ieties and desires about the world and society in which we are involved. It is an attempt to visit the inside of my mind, highlighting all the di culties, labyrinths and barriers that stand in front of any citizen, and in this particular case, I am trying to show the perspective as a visual artist. It is, fundamentally, a painting of interrogation that uestions me and uestions at least that is the intention the others.


PT Eu comecei as minhas obras com o ob etivo de fazer uma compara o entre a aisagem da atureza e aquela que nós criamos por nós e para n s. efiro me especialmente s paisagens citadinas na uropa Oriental, e a ui, na Bulgária. As constru es de apartamentos, nas uais eu fiz as minhas impress es, s o os monumentos do regime Comunista. les s o símbolos do passado, ue determinam o presente. oc pode v los em toda parte, em cada canto das nossas cidades. Colo uei também alguns símbolos de um passado anterior nas minhas obras a abelha e a rosa, como um resíduo da natureza b lgara. stes servem para lembrar nos o ue fomos. Agora, cabe nos a n s definir o ue vamos ser no futuro.

HUMAN’S LANDSCAPES THE BEE, 2016 gravura etching 70x50 cm

HUMAN’S LANDSCAPES THE ROSE, 2016 gravura etching 70x50 cm

RUMYANA KARASTAMOVA Bulgária Bulgaria

EN I ve started my works with the ob ective of making a comparison between the ature s andscape and that one which we created by and for ourselves. I m specially referring to the city s andscapes in ast urope, and here, in Bulgaria. The apartment buildings, from which I ve made my prints, are the monuments of the Communist regime. They are symbols of the past, which determinate the present. ou can see them everywhere, in every corner of our cities. I ve also put some symbols of a previous past in my works the bee and the rose, as a residue of the Bulgarian nature. These serve as a reminder of what we were. ow, it s up to us to define what we ll be in the future.


…DO SILÊNCIO E SÓ (INVERNO), 2017 vidro e t

til

glass and te tile 300x170x170 cm

DA LEVEZA E… SÓ (INVERNO), 2017 impress o fotográfica sobre t photographic print on te tile 300x320 cm

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RUTE ROSAS ortugal

PRÉMIO REVELAÇÃO XIII BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE CERVEIRA 20 DE AGOSTO A 17 DE SETEMBRO 2005 REVELATION PRIZE XIII CERVEIRA INTERNACIONAL ART BIENNIAL 20TH AUGUST TO 17TH SEPTEMBER 2005

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PT O sil ncio mantém se… o limite, n o há palavras ue o e pressem. Um n o dizível anunciado por udwig ittgenstein refor ado pela ideia de ue o ue dizemos é muito mais do ue a uilo ue dizemos e ue um mesmo con unto de palavras pode dar lugar a vários sentidos, e a várias constru es possíveis OUCAU T, ichel, . Subsistem a leveza e a tran uilidade, o sossego e o caminho percorridos ue ado am arritmicamente a vida. Um sossego desassossegado, enérgico, arrítmico e ue alimenta. o e n o é como ontem e amanh será, certamente, diferente. O caminho faz se caminhando… Afinal, uem sou eu uem somos n s O ue somos ou valemos isoladamente O ue nos faz falta Onde estamos e onde vamos O ue procuramos O ue fa o, por ue o fa o oderá ser para dei ar algo de

mim e ue possa prosseguir para além de mim ou de n s, por ue dependendo da intensidade das viv ncias de cada um, do olhar, da interpreta o, da predisposi o e aten o ou das e peri ncias ue cada um teve, todos sentimos e emocionamo nos… …mas, uns vivem e outros á morreram mesmo antes do seu ltimo suspiro. EN The silence remains... At the far boundary, no words can e press it. An unsayable announced by udwig ittgenstein, reinforced by the idea that what we say is much more than what we say and that the same amount of words can lead to several meanings, and to numerous possible constructions OUCAU T, ichel, . ightness and tran uility subsist, the uietness and the pathway that

arrhythmically sweeten life. A restless, energetic, arrhythmic stillness that feeds. Today is not like yesterday and tomorrow will certainly be di erent. The path is made by walking... After all, who am I ho are we hat are we hat is our individual value hat do we need here are we and where are we going hat are we looking for hat do I do, why do I do it It might be to leave something of me and to go beyond myself or beyond us, because depending on the intensity of our experiences, of our look, of our interpretation, of our predisposition, of our attention and of the e periences that each one of us had, we all feel and become emotional... ... although some live and others have already died even before their last breath.


RELAXED CUBES, 2016 escultura sculpture 500x100x100 cm

SALLY KINDBERG Suécia Sweden

PT as pinturas e instala es de indberg, ela está interessada em híbridos ue se transformam em algo novo. m ela ed Cubes Cubos descontraídos , indberg usou um processo de interven o através do desenho, assemblagem e impress o.

EN In indberg s paintings and installations, she is interested in hybrids that morph into something new. In ela ed Cubes , indberg used a process of intervention through drawing, assembling and printing.


inSITU B , pintura encáustica encaustic painting cm

SALOMÉ NASCIMENTO ortugal

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PT A obra apresentada foi elaborada a partir das viv ncias e do material recolhido em resid ncia na uei aria Bilores na zona industrial de oura. Integra se no pro eto inSitu, ue a artista desenvolve presentemente. InSitu é um programa itinerante de resid ncia laborat rio de arte adaptado a várias situa es de grupo. A sua base te rica é desenvolvida no mbito dos estudos especializados em Arte contempor nea e Curadoria na aculdade de etras da Universidade de isboa. ste pro eto de estética relacional, tem como ponto de partida a valoriza o e o reconhecimento do conte to onde se inscreve e como ob etivo a promo o e a divulga o das práticas artísticas através da a o participativa. A sua finalidade primordial é originar discursos, atos e potenciar a re e o, criando pontes entre a multiplicidade das linguagens e perspetivas, num conte to de empatia e pro imidade com recurso dimens o estética.

EN The work presented was based on the e periences and the material collected in a residence at the Bilores cheese factory, close to the industrial area of oura. It is part of the inSitu pro ect, which the artist is currently developing. InSitu is an itinerant residence art lab program adapted to various group situations. Its theoretical base is developed within the scope of the specialized studies in Contemporary Art and Curatorship at the aculty of etters of the University of isbon. This relational aesthetic pro ect has as its starting point, the appreciation and recognition of the conte t where it operates and the promotion and dissemination of artistic practices through participatory action. Its primary purpose is to give rise to discourses, acts and foster re ection, creating bridges between the multiplicity of languages and perspectives, in a context of empathy and pro imity with recourse to the aesthetic dimension.


SEM TÍTULO (DA SÉRIE SUPER POP LOVE GENERATION #1), 2017 óleo sobre tela oil on canvas 180x200 cm

SANDRA PALHARES ortugal

PT Somos o ue consumimos. As imagens consumíveis de alguma forma através de produtos, servi os, e peri ncias, informa o, etc., t m sido uma constante na pintura desenvolvida ao longo dos ltimos anos, norteando assim uma prática de apropria o de imagens uase sempre mediatizadas e perten a da cultura visual e popular contempor nea. Assim sendo, inevitavelmente, também nos remete para o hist rico pop, cu a estética é ho e uma perten a desse imaginário simb lico popular.

EN e are what we consume. The consumable images somehow through products, services, e periences, information, etc., have been a constant in the painting developed over the last years, thus guiding a practice of images appropriation almost always mediated and belonging to the visual and popular contemporary culture. Thus, inevitably, it also refers us to the historical pop, whose aesthetics is today a part of that popular symbolic imaginary.


PRETTY AS A PICTURE, 2015 neón neon 21x161 cm

S/T (TWOMBLY), 2015 fotografia photography 110x80 cm

SANTI VEGA spanha Spain

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PT retty as a picture faz parte de um pro eto mais amplo ue incide sobre o pict rico, daí a adi o de um néon ue, nas palavras de artial aysse, é cor viva, uma cor além da cor . ertencente ao mesmo pro eto, S T Twombly , da série ictures , mostra a gestualidade de tra os e sinais sobre o vidro de uma anela, linguagem utilizada por esse artista, e ue gera uma paisagem inteira dentro de outra paisagem.

EN retty as a picture is part of a larger pro ect focusing on the pictorial, hence the addition of a neon that, in artial aysse s words, is living colour, a colour beyond colour. S T Twombly , from the ictures series, shows the gestures of traces and signs on the glass of a window, a language used by this artist, which generates an entire landscape within another landscape.


BON APPÉTIT II, 2016 técnica mista mi ed media 150x162x4 cm

SARA BIASSU spanha Spain

PT Bon Appétit II adota um momento do uotidiano como um cartaz e transforma o seu conte do, modificando o através da utiliza o do gra ti. Uma deliciosa sopa de SCA O torna se um O, aludindo s conse u ncias de trespassar os limites estabelecidos, ficando merc da vontade alheia ue, por medo perda de controlo, torna se t ico tudo o ue possa restringir o seu poder especialmente, e ercido sobre a mulher na sua tentativa de ser livre.

EN Bon Appétit II takes a moment of the everyday life as a poster and transforms its content, modifying it through the use of gra ti. A delicious IS soup becomes OISO , alluding to the conse uences of e ceeding the established limits, being conditioned to the will of others that, due to the fear of loss of control, anything that might restrict its power becomes to ic e ercised in particular over the woman in her attempt to be free.


ONE TO ANOTHER técnica mista mi ed media dimens es variáveis variable dimensions

SARAWUT CHUTIWONGPETI Tail ndia Thailand

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PT A obra centra se em uest es amplas e pessoais de transforma o cultural relacionadas com a mobilidade global e a situa o precária do artista n mada. a minha instala o eu incorporei embalagens, principalmente de produtos alimentares. A obra representa e simboliza como as coisas e as pessoas de várias partes do mundo se untam para serem recombinadas num novo local. ara mim, o conte to e significado desta obra é, antes de tudo, altamente pessoal, um meio de fazer cone es entre o meu passado e país natal, e a minha situa o atual. O tema da obra, contudo, também aborda uest es mais gerais relacionadas com a mobilidade global contempor nea, com a estética e com a rotina uotidiana e é, portanto, significativa em termos de transforma o cultural e dos desafios de viver e sobreviver para os artistas neo n madas.

EN The artwork focuses on personal and larger issues of cultural transformation related to global mobility and the precarious situation of the nomadic artist. In my installation I have incorporated packaging, mainly from food products. The artwork represents and symbolizes how things and people come together from around the world to be re combined at a new location. The conte t and significance of the artwork for me is, first of all, highly personal, a way to make connections between my native country and background and my present situation. The sub ect of the artwork, however, also touches upon more general issues related to contemporary global mobility, everyday aesthetics and routines, and is thereby significant in terms of cultural transformation and the challenges of living and surviving for neo nomadic artists.


RECOLECTORA DE RECUERDOS, 2016 pormenor detail escultura sculpture 80x50x85 cm

SARDIÑA spanha Spain

PT LA RECOLECTORA DE RECUERDOS O torso feminino ue prolonga o bra o em ato de recolha. stá coberto, forrado com fotos tipo passe a preto e branco, que não são de personagens an nimos, mas sim de amigos pr imos do artista ue desde adolescente lhes foi pedindo as fotografias ue sobravam. sta compila o, acumulada ao longo dos anos foi impressa no torso feminino, na pe a e ibida. esta obra, a mem ria está nos seres que nela habitam e nessas fotos ue ficar o para a hist ria.

EN LA RECOLECTORA DE RECUERDOS The female torso that e tends the arm in an act of gathering. It is covered, lined with black and white I photos, which are not from anonymous characters, but rather from close friends of the artist who, as a teenager, asked them for leftover photographs. This compilation, accumulated over the years, was printed on the female torso, in the e hibited piece. In this work, the memory is within the beings that inhabit it and in those photos that will go down in history.


PT Descobrir a estratégia do movimento adormecido na trama oculta, concebida através do estático, decorado com

POESIA DE A MINHA JANELA, 2015 acrílico sobre tela acrylic on canvas 90x180 cm

FLORESTA, 2016 acrílico sobre tela acrylic on canvas 110x180 cm

SEARA

Espanha/Spain

aparentemente inertes perante o olhar. Esta amálgama vegetal de matrizes hipnóticas semelhantes a um obstáculo, virgem e intransponível,

EN Discovering the strategy of the sleeping movement in the hidden plot, conceived through the static, decorated with attractive forests that remain seemingly inert before the eye. This vegetable amalgam of hypnotic matrices similar to an obstacle, virgin and insurmountable, is a paradisiacal

inalcançável. Esta imagem apresenta-

This image presents itself as a

estado elevado que surge do perigoso jogo que tem gerado a experimentação extrema com o material que a compõe. Desta forma nasce um cosmos

state that arises from the dangerous game that has generated the extreme experimentation with the material that composes it. In this way, a branched cosmos arises in a perverse way, where calm is absorbed by a storm that stirs the eye, revealing an extensive terrain of self-

onde a calma é absorvida por uma tempestade que agita a vista, deixando entrever um extenso terreno de

imensas vegetações que ocultam o horizonte. Seara assume o risco de colocar-nos numa conformidade aparentemente reconhecida, perante um espetáculo arriscado. Una trama relaxada que gera um tornado necessário para empreender a fuga feroz. Esta escapada permanente chega a articular um discurso sinuoso, repleto de fechadas. Edu Valiña

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vegetation that hide the horizon. Seara takes the risk of putting us in seemingly recognized conformity, before a risky spectacle. It is a relaxed plot that generates a whirlwind escape. This permanent escape articulates a sinuous speech, full of


PT Al Andaluz T til tem como pontode partida a apropria o de fragmentos de tecidos isl micos do período califal e do período almorávida ue est o na origem da constru o dos tecidos tradicionais da enínsula Ibérica por um artefacto de arte digital. o espetador pode interagir com a vídeo instala o através da aplica o Aurasma disponível para smartphones e tablets, com sistema Android e IOS , em momentos distintos fotografando o ob eto t til ou capturando cada um dos tr s fragmentos dos tecidos.

A A

A U T

TI ,

vídeo instala o video installation 5´ 200x200 cm

SELMA EDUARDA ortugal

EN Al Andaluz T til has as its starting point the appropriation of fragments of Islamic fabrics (from the Caliphate period and from the Almoravid period which has its roots in the construction of traditional Iberian fabrics by an artefact of digital art, the viewer can interact with the video installation through the Aurasma application (available for smartphones and tablets, with Android system and IOS , in di erent moments photographing the te tile ob ect or capturing each of the three fragments of the fabrics.


TO EAT OR TO BE EATEN, 2017 técnica mista mi ed media (40x) 10x10 cm

SELMA TALEMA ortugal

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PT O uso de modelos figurativos reais , partes do nosso corpo como refer ncia, eu pretendo conectar me uase ue imediatamente até com o p blico mais distraído. este sentido, tento e por emo es através das e press es. O ue cada um pode absorver a partir daí está aberto interpreta o. u gosto de pensar ue de alguma maneira estamos conectar com os nossos pr prios fantasmas. A ui est o os critérios de avalia o e o significado simb lico inerente a estes dois materiais, o ouro e o p o. les chocam, mas também se complementam.

EN The use of real figurative models, parts of our body as reference I pretend to connect almost immediately even with the more distracted public. In this sense I try to e pose emotions through the e pressions. hat each one as to absorb from there it’s an open interpretation. I like to think that some way we are making connection with our own ghosts. Here there are the valuation criteria and the symbolic meaning inherent to this two materials, the gold and the bread. That shock but also complement each other.


NEURÓNIO IIIIIIII, 2017 instala o installation cm tubos de néon modelado shaped neon tubes série magenta e tur uesa tur uoise and magenta series folha de alumínio perfurada perforated aluminium sheet variador de tens o automático com impulsos de segundos automatic voltage regulator with seconds pulses folhas de vidro com cm glass sheets with cm

SILVESTRE PESTANA ortugal

GRANDE PRÉMIO XII BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE CERVEIRA 16 DE AGOSTO A 21 DE SETEMBRO 2003 GRAND PRIZE XII CERVEIRA INTERNATIONAL ART BIENNIAL

CREDIT©ANTÓNIO ALVES

16TH AUGUST TO 21TH SEPTEMBER 2003


LAST DANCE, 2017 técnica mista mi ed media 101x51x71 cm

SILVIA CARREIRA ortugal

PRÉMIO AQUISIÇÃO | BAVIERA X BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE CERVEIRA A OSTO A

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ACQUISITION AWARD | BAVIERA X CERVEIRA INTERNATIONAL ART BIENNIAL T AU UST TO

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PT Segundo arshall c uhan, estamos na terceira galá ia, ou se a, a cultura eletrónica que tem entre outras caraterísticas a velocidade e a integra o sensorial. A obra ast ance é um produto da época em ue a cultura se massificou e a imagem do poder se centra num cérebro racionalizador das a es da sociedade ue muitas vezes se regem pelos padr es das emo es. esta ltima dan a, pausa entre a viagem da vida, recorrendo a uma linguagem visual ue pode ser considerada op, o mundo para para respirar e, quem sabe, retomar o seu caminho de autodestrui o. Apoiando se em simbologias recorrentes de tatuagens e grafitis, ast ance é a poética do instante, congelada na mem ria.

EN According to arshall c uhan, we are in the third gala y, in other words, the electronic culture holds the speed and sensorial integration among other characteristics. The work ast ance is a product of an era when culture has become more popular and the image of power is centered on a brain that rationalizes the actions of society that are often governed by the patterns of emotions. In this last dance, pause between the ourney of life, using a visual language that can be considered op, the world stops to breathe and, perhaps, to resume its path of self destruction. elying on recurring symbols of tattoos and gra ti, ast ance is the poetry of the instant, frozen in memory.


O GRITO, 2017 técnica mista mi ed media , cm

SIMONA ACCATTATIS Itália Italy

PT stamos de costas viradas para a realidade. ist ria gasta. era localiza o geográfica de fundo, vis o por satélite. ais uma app. stamos lado a lado, aparentemente no mesmo uadro. Todos de boca aberta, todos falamos, sem nos tocarmos. Tato primordial banalizado em salva o. Todos e tudo entre duas folhas de acrílico transparente e estanque num grito inaudível, centrifugados e espremidos até medula.

EN e have our backs turned on reality. istory worn out. ere geographical background location, satellite view. One more app. e are apparently side by side in the same picture. e all talk with open mouth, without touching each other. rimordial touch trivialized in salvation. All and everything between two sheets of transparent acrylic and sealed in an inaudible cry, centrifuged and s ueezed to the core.


CAPTAIN BEAR AND THE POET, 2015 técnica mista e som mi ed media and sound 110x160 cm

A A JA

C

ICA,

técnica mista e som mi ed media and sound 160x110 cm

SOFIA LEITÃO & HENRY NESBITT ortugal

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Inglaterra

ngland

PT Sofia eit o enry esbitt desde t m colaborado como uma dupla com pro etos artísticos em con unto, usando efeitos de som de enry esbitt a dar ambiente sonoro pintura de Sofia eit o, dando uma interpreta o da parte de uem v diferente, envolvendo no tema e significado da obra de arte. Sofia eit o é uma artista visual, com in u ncias clubistas a vanguardistas na sua pintura, Henry Nesbitt é técnico de som, ambos com participa es em várias e posi es, uma Bienal e um uarto de autor no estana Cascais Art istrict.

EN Sofia eit o enry esbitt have collaborated as a duo with oint artistic pro ects since , using sound e ects made by enry esbitt to give sound environment to the painting of Sofia eit o, giving it an interpretation on the part of those who see things di erently, involving them in the theme and meaning of the artwork. Sofia eit o is a visual artist, with avant garde club in uences in her paintings, enry esbitt is a sound technician, both with participations in several exhibitions, one Biennial and an author s room in the estana Cascais Art istrict.


BELA E A COBRA, A VENDEDORA DE CEBOLAS, 2016 técnica mista mi ed media 100x200 cm

SUSANA BRAVO ortugal

PT A cultura popular portuguesa e talvez a mundial rev se repetidamente em contos de boca em boca, carregados de simbolismos, moral e sabedoria. A Bela e a Cobra constr i se em torno de duas dessas t o importantes hist rias A Bela e a Cobra e A endedora de Cebolas . A tradi o e os costumes populistas integram se, neste uadro, num grafismo e plícito, preto e branco, ue se vai perdendo e transformando em cores alternativas e refer ncias diversas do centro para as margens. isturam se as narrativas, comuns e despretensiosas, e reaparecem nos em mitos e lendas bem desenhadas, ue fogem linha do tempo e se reencontram nos mais distintos padr es. A Bela e a Cobra é o retrato de um conto popular ue se v envolvido noutras hist rias, numa miscel nea humildemente desalinhada, sem pretens es rutura e na continuidade trans vanguardista de cada figura presente.

EN The ortuguese and perhaps global popular culture is repeatedly reviewing itself in tales by word of mouth , loaded with symbolism, morality and wisdom. A Bela and the Cobra The Beauty and the Snake is built around two important stories A Bela e a Cobra The Beauty and the snake and A endedora de Cebolas The Onion Seller . In this conte t, tradition and populist habits are integrated in an e plicit black and white graphics, which is losing and transforming itself into alternative colours and multiple references from the center to the borders. The narratives are mi ed, common and unpretentious, and reappear to us in myths and well designed legends, which escape the timeline and meet in the most di erent patterns. A Bela e Cobra The Beauty and the Snake is the portrait of a popular tale that finds itself involved in other stories, in a humbly misalignment hotchpotch, without pretensions to the rupture and the transavantgarde continuity of each present figure.


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técnica mista mi ed media . cm

SUSANA CHASSE ortugal

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PT A independ ncia de pensar duras pedras, diamantes, facetando as com o risco da conce o, despertando o brilho ue s a lapidagem traz vida. er tudo como um Trans it rio Abstrato ue renuncia ual uer ideia inaugural dei ando o cenário montado para ue os olhos coisifi uem a faina ue a mente v implora. A Transvanguarda na forma de arriscar o desenho ho e com alicerces de outrora. A sensa o de dispers o é o engano da senten a, de ue as linhas separam ao invés de unirem. A falta de hierar uia e fragmenta o opera na aus ncia de outro conhecimento, de outra realidade. Sem ad etivo, s outra. Ordem dos Homens como um componente entre outros, tão pertencente, que a sua ess ncia demonstra se na simples e esclarecedora matemática do transit rio corp reo. A abstra o alheada ue transgride o figurativo para criar repeti es de arestas ue o corpo contém mas n o disp e.

EN The independence of thinking hard stones, diamonds, polishing them with the risk of conception, awakening the brightness that only sculpting brings to life. e see everything as a Trans itory Abstract that renounces any inaugural idea leaving the scenario set up so that the eyes can do the work that the vain mind begs. The Transavantgarde in the form of risking the design of today with foundations of olden times. The sense of dispersion is the deception of the sentence, of which the lines divide rather than unite. The lack of hierarchy and fragmentation operates on the absence of another knowledge, of another reality. o ad ective, ust another. The Order of en as a component among others, so belonging, that its essence is demonstrated in the simple and enlightening mathematics of the transient body. The oblivious abstraction that transgresses the figurative to create repetitions of edges that the body contains but does not provide.


PT as passagens periféricas ue in uem para o profundo cora o urbano, a obra trio depara se com formas de u o, de tempo e de continuidade presentes na cartografia apresentada como algo em constante movimento. e cima, vemos camadas comple as sobrepostas ue se interconectam pela rela o das cartografias com o pr prio corpo, com o sistema sanguíneo e com os demais sistemas de circula o, bem como com os nossos corpos em determinadas localidades, habitando e uindo em diferentes paisagens.

ÁTRIO, 2015 desenho drawing 80x63 cm VIDA SECRETA, 2013 desenhos drawing (3x) 70x125 cm

SUZANA QUEIROGA ortugal

Brasil Brazil

PRÉMIO AQUISIÇÃO XVIII BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE CERVEIRA JU

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ACQUISTION AWARD XVIII CERVEIRA INTERNATIONAL ART BIENNIAL T JU

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EN rom the peripheral passages that in uence the deep urban heart, the artwork trio Atrium made in , comes across with forms of ow, time and continuity present in this cartography as something in constant movement. rom above, we see overlapping comple layers, interconnected by the connection of cartographies with the body itself, with the blood system and with other circulation systems, as well as with our bodies in certain areas, inhabiting and owing in di erent landscapes.


ESTAR A PAR, 2017 ob eto ob ect . cm

VESTIDO, 2014/15 fotografia e te to photography and te t . cm

TALES FREY ortugal

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Brasil Brazil

PT O meu corpo é muitas vezes piv nas minhas conce es artísticas. ecisivamente, n o desconsidero as micro políticas existentes nele e utilizo as com veem ncia nos discursos ue incidem nas minhas obras. A vida e a arte fundem se nos meus trabalhos, que, muitas vezes, exploram políticas para gerar pensamento crítico contra uma rela o de poder controlador disciplinar amparado por uma l gica proporcionada pelos regimes de normaliza o.

EN y body often plays a central role in my artistic conceptions. ecisively, I do not ignore the micro policies that e ist in it and use them vehemently in the speeches that a ect my works. ife and art become one in my works, which often e plore policies to generate critical thinking against a controlling disciplinary power connection, supported by the logic provided by normalization regimes.


O S O A AS, S O super super 10´

IJOCAS,

transfer digital digital transfer

ARCO DA VELHA, 2015 super super 4´32´´

transfer digital digital transfer

TÂNIA DINIS ortugal

PT Os filmes o s o avas, s o ei ocas e Arco da elha , pertencem minha pes uisa e trabalho ro ecto Ar uivo de amília. Os trabalhos exploram o tema da mem ria e tempo, territ rio e identidade, na e plora o do confronto na rela o da imagem com o som, numa recolha de ar uivos familiares pessoais. A possibilidade de novas interpreta es de uma época, de um espa o, de uma mem ria ue se e pande no tempo. O transporte destas imagens para o universo da arte, um diálogo entre passado e presente.

EN The films o s o avas, s o ei ocas They are not broad beans, they are small beans and Arco da elha Old lady s arc , belong to my research and work amily Archive ro ect. The works e plore the theme of memory and time, territory and identity, in the e ploration of contrast between image and sound, in a collection of personal family archives. The possibility of new interpretations of an era, a place, a memory that e pands in time. The transportation of these images to the universe of art, a dialogue between past and present.


A O TA

ASSO B A,

escultura sculpture 17x21x8 cm

TÂNIA GEIROTO MARCELINO ortugal

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PT as imagens ue tinha dos livros imagem ue criei neste novo ob eto, há um desfasamento efetivo. é um desfasamento inevitável pois feito o corte com o tempo e inscrevendo se como imagem mental, a imagem tradicional é passada com dano. este ob eto, o ue foi suprimido, o ue foi acontecendo com o tempo dei ando marcas nos ob etos e, ainda, todas as outras possibilidades ue desconhe o, as imagens possíveis tudo isso cabe na falha desse desfasamento.

EN rom the images of the books I had, to the image I created in this new ob ect, there is an e ective mismatch. And it is an inevitable mismatch because once made the cut with time and inscribing itself as a mental image, the traditional image is spread with damage. In this ob ect, what has been suppressed, what has been happening with time leaving marks on the ob ects and still, all other possibilities that I do not know, the possible images all this fits in the failure of this mismatch.


PT Usando os meus estudos de arte em diferentes formas e aspetos artes plásticas e aplicadas, filme de anima o, moda, decora o e tape aria artística, com a tradi o dos meios de e press o das gera es anteriores, eu criei o meu estilo abstrato. Tento manter sempre a minha arte pura e n o afetada pelo enorme desenvolvimento tecnol gico, mantendo o calor do passado, mas transformando a numa magia moderna e contempor nea. AT A S

CIA

IS A C S,

técnica mista mi ed media 47x62 cm

TATYANA KANEVA-BARNHUSEN Bulgária Bulgaria

EN Using my art studies in di erent forms and aspects plastic and applied arts, animation film, fashion, decoration and artistic tapestry, with the tradition of the means of e pression from previous generations, I created my abstract style. I always try to keep my art pure and una ected by the enormous technological development, keeping the heat of the past, but transforming it into a modern and contemporary magic.


SEM TÍTULO, DA SÉRIE ESTRUTURAS ELÁSTICAS, 2017 desenho drawing 100x70 cm

TCHELO Brasil/Brazil

PRÉMIO AQUISIÇÃO XVIII BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE CERVEIRA JU

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ACQUISTION AWARD XVIII CERVEIRA INTERNATIONAL ART BIENNIAL T JU

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PT A obra é composta por uma tela de pintura, um longo elástico preto de costura, e elastano, um tecido sintético ue revolucionou a ind stria do vestuário na década de . sses materiais de consumo em massa, industrializados, banais e mundanos, apropriados do mercado t til, acabam por se transformar em elementos singulares para a constru o, em con unto com a tela, de um trabalho ue e pande as possibilidades do desenho e, de alguma forma, da pintura.

EN The artwork consists of a canvas, a long elastic black seam, and elastane, a synthetic fabric that revolutionized the garment industry in the s. These materials of mass consumption, industrialized, trivial and mundane, seized from the te tile market, end up becoming singular elements for the construction, together with the canvas, of an artwork that e pands the possibilities of drawing and, somehow, of painting.


(A)SIMETRIAS #15, 2014 técnica mista sobre tela mi ed media on canvas 30x30 cm

A SI

T IAS

,

técnica mista sobre tela mi ed media on canvas 30x30 cm

TERESA GIL ortugal

PT O processo com base na metamorfose fitom rfica, é a ui trabalhado numa inten o clara da inclus o do fator tempo, elemento necessário pr pria transforma o. A constru o de estruturas geométricas implícitas para a cria o de a simetrias, além de aspetos inerentes pintura como transpar ncia e opacidade, sobreposi o e cor, é a ui e plorada com recurso a diferentes materiais ue acredito serem favoráveis e potenciarem os ob etivos pretendidos.

EN The process based on the phytomorphic metamorphosis, is worked on a clear intention of the inclusion of the time factor, necessary element to its own transformation. The construction of implicit geometric structures for the creation of (a) symmetries, in addition to aspects inherent in painting such as transparency and opacity, overlapping and colour, is e plored using di erent materials that I believe are favorable and enhance the intended ob ectives.


OLD MAN HOUSE, 2017 fotografia digital digital photography cm

TWISTER HOUSE, 2017 fotografia digital digital photography cm

TETE ALEJANDRE spanha Spain

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PT Twister ouse Casa Tornado e Old an ouse Casa do elho pertencem ao pro eto o Cotidiano ue re ete a singularidade e a vida diária de uma aldeia portuguesa muito singular chamada Costa ova ue, desde o conhecimento e a tradi o, manteve uma estética diferenciadora e uma identidade pr pria, ue permaneceu até ho e. Sobre este cenário t o genuíno, t o popular, t o diferente e vez t o cotidiano, o autor apresenta a interven o plástica. ste trabalho faz refer ncia capacidade de transformar os cenários do uotidiano, do comum. Até ue ponto temos a possibilidade de passar o incomum para cotidiano. Os espa os foram transformados vontade do autor, mas continua a aparecer a arte popular, as pessoas e a vida diária, como se nada tivesse acontecido.

EN Twister ouse and Old an ouse belong to the o Cotidiano pro ect that re ects the singularity and daily life of a very uni ue ortuguese village called Costa ova, which, due to its knowledge and tradition, has maintained a distinctive identity and aesthetics, which has remained until today. On this scene so genuine, so popular, so di erent and at the same time so daily, the author presents the plastic intervention. This work refers the ability to transform the scenarios of the everyday, the common. To what e tent do we have the possibility of transporting the unusual to the everyday life. The author transformed the spaces as desired, but the popular art, the people and daily life continue to appear, as if nothing had happened.


ENSAIO PARA REGISTO VOCAL (HOMENAGEM A NATÁLIA DE ANDRADE), 2016 técnica mista mi ed media cai a de m sica music box 35x30 cm folheto lea et 21x15 cm

TIAGO MADALENO ortugal

PT ste trabalho surge como uma tentativa de capturar uma performance da autointitulada diva da pera atália de Andrade, numa cai a de m sica. Trata se de criar uma narrativa através do recorrer desconte tualiza o, de pensar sobre a possibilidade de re cria o de uma performance através da produ o de adere os, ob etos de cariz cénico.

EN This work appears as an attempt to capture a performance of the self titled opera diva atália de Andrade, in a music bo . It is about creating a narrative through deconte tualization, of considering the possibility of re creating a performance through the production of props, ob ects of scenic character.


ALMA PATER 1/2/3, 2016 tríptico/ triptych pormenor detail técnica mista mi ed media (3x) 200x120 cm

TIAGO TARON ortugal

280 281

PT O tríptico é um mural m vel. ste tem uma estrutura feita de painéis de azule os o material utilizado é tela para aguarela , o ue permite desmontá lo, colocar os diversos uadrados numa mala normal s o muito leves e montá lo em ual uer lugar. O fundo é spray, dos utilizados no gra ti, ue tem um tempo de e ecu o rápido, o desenho é uma aguarela feito ora com pincel, ora com marcadores de aguarela , com um tempo de e ecu o demorado, como os bordados e a filigrana deste inho colorido, denso e profundamente antigo. um uase gra ti, um uase tríptico, um uase bordado, feito em Caminha, na oficina da Alminha entre o dia de aio e o dia de ovembro de , dedicado ao meu uerido pai, Mário José Taron Oliveira, em quem nunca dei ei de pensar durante a sua e ecu o. o e, de ar o, faria anos, e faleceu a de Julho de .

EN The triptych is a mobile mural. It has a structure made of tiles panels the material used is watercolour for canvas , which allows you to disassemble it, put the various s uares in a normal suitcase they are very light and assemble it anywhere. The background is spray, used in gra ti, which has a fast e ecution time, it is a watercolour drawing sometimes made with a brush, sometimes with watercolour markers , with slow e ecution time, ust like the embroidery and filigree of this colourful, dense and deeply ancient inho. It is almost a gra ti, almost a triptych, almost an embroidered, made in Caminha, at the Alminha’s atelier between ay th and ovember st, , dedicated to my dear father, ário José Taron Oliveira, who I never stopped thinking about during this work s e ecution. Today, th arch, he would be years old, and passed away on July st, .


INTERSECTIONS III, 2016 técnica mista mi ed media (2x) 70x100 cm

VANIA CUNHA ortugal

PT O trabalho de nia Cunha re ete sobre o envelhecimento e a destrui o de ob etos tecnol gicos. O ponto de partida para a sua prática artística s o ob etos obsoletos e descartados como fitas da má uina de escrever e teclados de computador. stes ob etos s o, entre muitos outros, o resultado da constante atualiza o dos meios tecnol gicos e processuais de comunica o problemática vivida ho e a nível local e global. ecorrendo a técnicas como instala o, desenho, fotografia e técnica mista, a artista e plora o lado formal material e visual das fitas da má uina de escrever e dos teclados de computador e seus elementos, destacando de uma forma simb lica, o conceito de imperman ncia e precariedade dos ob etos tecnol gicos na sociedade digital de ho e. Com as suas obras, nia Cunha pretende real ar a beleza frágil desses ob etos diários sem vis o, e seu potencial poético para uma abordagem artística baseada no e perimental e conceptual. As dimens es e ploradas acentuam uma for a visual e formal nos seus trabalhos e pretendem estimular o espectador a uma e peri ncia individual sobre novas possibilidades de e press o.

EN nia Cunha s work re ects on the aging and destruction of technological ob ects. The starting point for her artistic practice are obsolete ob ects discarded as typewriter tapes and computer keyboards. These ob ects are, among others, the result of the constant update of the technological and procedural media a problem e perienced nowadays at local and global level. Using techni ues such as installation, drawing, photography and mi ed media, the artist e plores the formal material and visual side of typewriter tapes, computer keyboards and their elements, emphasizing in a symbolic way the concept of impermanence and precariousness of technological ob ects in today s digital society. Through her works, nia Cunha intends to highlight the fragile beauty of these daily ob ects without vision, and her poetic ability for an artistic approach based on the e perimental and conceptual. The e plored dimensions emphasize a visual and formal force in her works and intend to stimulate the observer to an individual e perience on new possibilities of e pression.


SYNAPSE, 2017 técnica mista mi ed media dimens es variáveis

VICTOR ALALUF Argentina Argentina

282 283

PT o mundo moderno, parece ue estamos perdidos na tradu o. or um lado, as redes e meios de comunica o permitiram ue as pessoas se conectassem de formas que pareciam impossíveis há apenas uma década atrás. or outro lado, parece ue perdemos a capacidade de nos conectarmos diretamente, a nível pessoal. arece ue perdemos o nosso sentido de identidade. sta obra refere se conectividade, tanto entre seres humanos como entre nós e as nossas e peri ncias, esperan as, sonhos e valores. A obra utiliza material comum como a fita adesiva e dá lhe um novo significado e conte to.

EN In the modern world, we seem to be lost in translation. On the one hand, forms of mass media and networking have enabled people to connect in ways that would seem impossible ust a decade ago. On the other hand, we seem to have lost the ability to connect directly, on a personal level. We seem to have lost our sense of identity. This work refers to connectivity, both between human beings and between ourselves and our e periences, hopes, dreams and values. It uses common material such as tape and gives it a new meaning and conte t.


METE E TIRA, 2016 cinética kinetics 30x30 cm

CA

CA ,

cinética kinetics 60x60 cm

VIRGÍNIO MOUTINHO ortugal

PRÉMIO AQUISIÇÃO | BAVIERA/BMW XI BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE CERVEIRA 18 DE AGOSTO A 15 DE SETEMBRO 2001 ACQUISTION AWARD | BAVIERA/BMW XI CERVEIRA INTERNATIONAL ART BIENNIAL 18TH AUGUST TO 15TH SEPTEMBER 2001

PT uadro animado, representando uma cena hétero er tica. egando num tema clássico do ama Sutra variante do cachorrinho ensaia se nesta obra uma interpreta o popular, de Cena Animada, com figuras de cart o pintado, vindas da banda desenhada, estabelecendo uma liga o entre os dois mundos. A a o é provocada pelo espectador, tornando o parte integrante da obra, sem o ual esta permanece sem vida.

EN It is an animated picture, representing a hetero erotic scene. icking the classic theme of ama Sutra variant of the doggy style it is rehearsed in this work a popular interpretation, of Animated Scene, with painted cardboard figures derived from a comic strip, establishing a connection between the two worlds. The action is provoked by the spectator, making him her an integral part of the work, without which it remains lifeless.


ROYAL VIAGRA, 2014 técnica mista sobre tela mi ed media on canvas 65x55 cm

PROSAIC, 2014 técnica mista sobre tela mi ed media on canvas 105x130 cm

VITOR ESPALDA ortugal

284 285

PT ...na esteira da op As obras mais recentes de ítor spalda, sublinham o retorno s representa es ue marcaram os trabalhos do autor nos anos . Esta nova etapa, não se apresenta como uma hip tese de continuidade retrospetiva, mas sobretudo afirma se como uma nova proposta, plena de rotura e puls o criativas. ercebe se em cada trabalho, a retoma do gosto pelo desenho aliado ao gigantismo dos símbolos ue uer ver repensados, na pro imidade com o cartaz ou a publicidade, sugerindo com ironia assuntos de dimens o uase trágica. stamos ainda na esteira da op. ,

EN ...in the wake of op The most recent works of ítor spalda, underline the return to the representations that marked the works of the author in the s. This new stage does not present itself as a hypothesis of retrospective continuity, but above all it is assumed as a new proposal, full of creative rupture and urge. It is noticed in each work the resumption of the taste for drawing combined with the gigantism of the symbols that it wants to see rethought, in the pro imity with the poster or the publicity, suggesting with irony sub ects of almost tragic scale. e are still in the wake of op.


CINZA EM DECLÍNIO II, 2017 técnica mista mi ed media 85x67 cm CINZA EM DECLÍNIO I, 2017 técnica mista

mi ed media 60x72 cm

WILLYAMS MARTINS Brasil Brazil

PT Cinza em eclínio I e II , eclining rey I and II foram elaborados a partir de err ncias urbanas realizadas na cidade de S o aulo, Brasil, na ual foram apropriadas imagens em specific conte t conte to específico , o ue resultou numa deten o policial no local, onde foram apagados imensuráveis desenhos. Apresento portanto, estes trabalhos como descredenciamentos acimentados estéticos incidentais devido ao ue ocorreu.

EN Cinza em eclínio I and II , were elaborated from urban wanderings carried out in the city of S o aulo, Brazil, in which the images were appropriated in specific conte t, resulting in a police detention on site, where immeasurable drawings were erased . I therefore present these works as accidental aesthetic underpinned disapprovals because of what occurred.


PT A famosa palavra “saudade” vem do português e não tem tradução para

SAUDADE, 2016 vídeo video 7´

XIMENA VELÁSQUEZ SÁNCHEZ Colômbia Colombia

286 287

um sentimento que simultaneamente invoca tristeza e alegria. Pareceume que a palavra certa para o título de uma série de desenhos feitos pelas ondas do mar, usando a poeira de carvão que se acumulou ano após ano na praia e na água. Os desenhos deixados pelas ondas assemelham-se à paisagem da montanha, movendose simultaneamente em sua beleza e dor quando alguém se recorda da sua origem. Esta dualidade é capturada na Manuel de Melo: “saudade: bem que se padece e mal de que se gosta”.

EN The famous word “saudade” comes from Portuguese and has no translation to fully convey its meaning: a feeling that simultaneously invokes sadness and joy. It semmed to me the right word to title a series of drawings made by the ocean waves, using the coal dust that has accumulated year after year on the beach and in the water. The designs left by the waves resemble a mountain landscape, moving at once in their beauty and pain, when one recalls their origin. This duality is captured in the Portuguese poet Manuel de Melo’s que se padece e mal de que se gosta” (a


ACA, técnica mista mi ed media 250x30x3 cm

A

O,

técnica mista mi ed media 250x50x3 cm

XURXO ORO CLARO Espanha/Spain

GRANDE PRÉMIO XI BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE CERVEIRA 18 DE AGOSTO A 15 DE SETEMBRO 2001 GRAND PRIZE XI CERVEIRA INTERNATIONAL ART BIENNIAL 18TH AUGUST TO 15TH SEPTEMBER 2001

PT Atualmente parece inconcebível pensar na nossa realidade uotidiana sem estar cercado por ob etos desta presen a constante e inegável. Xurxo Oro Claro extraiu a beleza para transformar elementos comuns do dia a dia em aut nticas obras de arte. Os ob etos perdem a gravidade sob o crivo do seu olhar, e transformam se em peda os etéreos nos uais o espetador se encontra preso, suspenso numa teia de aranha construída através das suas subtis esculturas. Os elementos naturais integram se com ob etos do uotidiano para criar um con unto evocativo marcado pela pureza da forma ue encontra o seu complemento perfeito nos materiais utilizados.

EN Currently it seems inconceivable to think of our daily reality without being surrounded by ob ects of this constant and undeniable presence. ur o Oro Claro e tracted beauty to transform common elements of everyday life in authentic artworks. Under his watchful eye, ob ects lose their severity, and become ethereal pieces in which the spectator is trapped, suspended in a spider s web constructed through his subtle sculptures. The natural elements are incorporated with daily ob ects to create an evocative set, marked by the purity of the form that finds its perfect complement in the materials used.


OST S A

O A

CO ATIO ,

gravura, água tinta, chine collé etching, a uatint, chine collé . cm

OST S A

O

BOTT

,

gravura, água tinta, chine collé etching, a uatint, chine collé . . cm

YOSHITO ARICHI Jap o Japan

288 -

PT A obra substitui emo es e dese os humanos ue n o podem ser visualizados com formas amorfas e cores. As formas amorfas est o distribuídas com paisagens do passado, ores e cores ue definem for as emocionais e fra uezas. estas impress es está descrita uma mem ria perdida como um cenário re etido na obscuridade e uma or ue oresce no universo do azul marinho. como se olhássemos para a infelicidade dos outros através das cortinas.

EN It replaces human emotions and desires that can t be visualized with amorphous shapes and colours. Amorphous shapes are scattered with past landscapes and owers, and colours that define emotional strengths and weaknesses. In these prints a lost memory is depicted as a scene re ected in the dark and a ower blooming in the universe of navy blue. It looks as if we peep into the unhappiness of others through the curtains.


PT Carmem iranda, um ícone de identifica o brasileira, tem a positividade do conceito antropofágico ue, segundo Oswald de Andrade, assimila a cultura estrangeira e a reelabora como pr pria. O uadríptico, como fotogramas de película, traz dois movimentos horizontal, a massifica o da cultura popular vem para o centro de discuss o vertical, uando a bai a cultura torna se alta. CHICA CHICA BOOM CHIC, 2017 uadríptico uadriptych técnica mista mi ed media (4x)130x200 cm

ZÉLIA MENDONÇA Brasil Brasil

EN Carmem iranda, an icon of Brazilian identification, possesses the positivity of the anthropophagic concept that, according to Oswald de Andrade, assimilates the foreign culture and re elaborates it as its own. The uadriptych, like film frames, brings two movements horizontal, the massification of popular culture comes to the core of the debate vertical, when the low culture becomes high.


DIÁLOGOS NO ACERVO a coleção em itinerância DIALOGUES IN THE COLLECTION the touring collection

Segundo enri ue Silva, membro do Conselho Científico da unda

o Bienal de Arte de Cerveira

construída com muita pai

BAC

…a colec

Cerveira Art Biennial oundation

o, altruísmo e generosidade de artistas

ue e pressaram o seu pensamento através de cerca de ue constituem o

According to enri ue Silva, member of the Scientific Council of the

o foi obras

useu Bienal de Cerveira, s possível com o

BAC

...the collection was built

with great passion, altruism and generosity of artists who e pressed their thoughts throughout nearly Cerveira Biennial

artworks that constitute the

useum, only possible with the undisputed support

apoio incontestado de uma Autar uia aberta ao diálogo com os

of a

criadores, como forma de desenvolvimento sociocultural das suas

creators, as a way of socio cultural development of their populations.

popula

es.

ntre o pincel e o rato

ntre o pincel e o rato

A aisagem no acervo

A aisagem no acervo A epresenta

unicipality which has always been open to dialogue with its

A epresenta

o da figura humana

s o os títulos de tr s e posi

es da Cole

Between the brush and the mouse The andscape in the collection

o da figura humana

The epresentation of the

human figure o da BAC integradas na

I Bienal Internacional de Arte de Cerveira ue estar o patentes

Those are the titles of three e hibitions of the oundation s Collection integrated in the I Cerveira International Art Biennial, which will be

em tr s localidades Ourense, Caminha e aredes de Coura.

patented in three locations Ourense, Caminha and aredes de Coura.

O ob etivo maior das e posi

The main ob ective of the e hibitions is to show, on the one hand, the

din mico do

es é mostrar, por um lado, o aspeto

useu da BAC, a sua capacidade e necessidade de

dynamic aspect of the oundation s

useum, its capacity and need to

entender o seu acervo e ao mesmo tempo perceber como ele se

understand its collection and at the same time to figure out how it fits

encai a e dialoga com ue há de novo.

and dialogues with what is new.


DIÁLOGOS NO ACERVO ENTRE O PINCEL E O RATO C

T O CU TU A

O I STITUTO CA

S, I O

DIALOGUES IN THE COLLECTION BETWEEN THE BRUSH AND THE MOUSE I STITUTO CA

292 293

S CU TU A C

T

, I O


— ÂNGELO DE SOUSA S T TU O, acrílico sobre tela acrylic on canvas cm rémio evela o intura na II Bienal Internacional de Arte de Cerveira, ainting evelation Award at the II Cerveira International Art Biennial, — AUGUSTO CANEDO, ACÁCIO CARVALHO, ANA CRISTINA LEITE, JAIME ISIDORO, FRANCISCO TRABULO, HENRIQUE DO VALE, SOBRAL CENTENO, RUI AGUIAR, MIGUEL D’ALTE E ADRIANO MESQUITA I TU A O U TA , acrílico sobre tela acrylic on canvas cm rande rémio III Bienal Internacional de Arte de Cerveira, rand rize at the III Cerveira International Art Biennial, Obra realizada no Atelier ivre da II Bienal Internacional de Arte de Cerveira, Artwork held at the ree orkshop of the II Cerveira International Art Biennial, — BEATRIZ PÉREZ & KIRENIA MARTÍNEZ B O S CO , vídeo video — CARLOS COBRA S T TU O, leo sobre tela oil on canvas cm — FRANCISCO TRABULO SO A CO STI AS, mista sobre tela mi ed media cm rémio C mara unicipal de ila ova de Cerveira na II Bienal Internacional de Arte de Cerveira, ila ova de Cerveira unicipality Award at the II Cerveira International Art Biennial,

2

— GERARDO BURMESTER A IA II, couro, madeira leather, wood cm — INEZ WINJNHORST S T TU O, mista sobre tela mi ed media cm rémio A uisi o Baviera na Bienal Internacional de Arte de Cerveira, Baviera Ac uisition Award at the X Cerveira International Art Biennial, — JAIME ISIDORO O TO, acrílico sobre tela acrylic on canvas cm — PEDRO CALAPEZ S T TU O, acrílico sobre madeira acrylic on wood cm rémio A uisi o na Bienal Internacional de Arte de Cerveira, Ac uisition Award at the Cerveira International Art Biennial, — RUI PIMENTEL I T IO T IO , acrílica sobre tela acrylic on canvas cm rémio evela o intura na II Bienal Internacional de Arte de Cerveira, ainting evelation Award at the II Cerveira International Art Biennial, — UTUTU S T TU O, vídeo video

T a cole o do useu Bienal de Arte de Cerveira, encontram se representadas todas as técnicas artísticas ue se tem processado desde há anos para cá. ntre elas encontram se obras de pintura, escultura em pedra e cer mica, gravura, serigrafia e vídeo arte. esta mostra pretende se confrontar as técnicas de pintura e artes digitais, como e poente má imo do ue parece ser um antagonismo na defini o de obra de arte , pelo seu pr prio conceito, por um lado de materializa o da obra e por outro a virtualidade da obra digital n o palpável. este confronto ue ueremos apresentar como testemunho da evolu o das formas de comunica o inerentes a todas as obras de arte, para ue sirva de re e o sobre a sociedade em ue vivemos.

EN In the collection of the Cerveira Art Biennial useum, all the artistic techni ues that have been processed for years are represented here. Among them we can find artworks of painting, sculpture in stone and ceramics, engraving, silkscreen and video art. In this e hibition we intend to confront the techni ues of painting and digital arts, as a ma imum e ponent of what seems to be an antagonism in the definition of artwork , by its own concept, on the one hand the materialization of the work and on the other the virtuality of the intangible digital work. It is this confrontation that we want to present, as a testimony of the evolution of communication forms intrinsic in all artworks, so that it serves as a re ection on the society in which we live.


A PAISAGEM NO ACERVO US U

U ICI A

CA I

A

THE LANDSCAPE IN THE COLLECTION U ICI A

-

US U

O CA I

A

T A paisagem serve de mote a estes iálogos no Acervo! As obras e postas prop em diversas narrativas, provocadas pela linguagem utilizada e pelo grau de comple idade de cada uma umas vezes de forma descritiva ou metaf rica, outras de forma emblemática e simb lica. A mostra inclui um con unto de paisagens onde o observador pode via ar segundo a sua imagina o e sensibilidade. A hist ria da arte relata ue ao longo dos tempos, os artistas desenvolveram várias técnicas, e perimentaram diversos materiais plásticos, produziram in meras obras de arte e, conse uentemente, neste percurso também enfatizaram muitas temáticas ue combinassem com as suas produ es e com uma determinada época. o con unto de temas disponíveis um dos mais apreciados e conhecidos é a paisagem. A paisagem foi reconhecida como género artístico por volta do século II. as a representa o deste tema na arte e mais

concretamente na pintura teve um repert rio apro imado de mais de seiscentos anos sec. ao sec. até ue ocorreu a supress o com a abstrac o e o abandono do suporte bidimensional. ais tarde o percurso da cena paisagística sofre profundas transforma es á introduzidas pela ruptura provocada pela arte moderna e acaba de certa forma, ressurgindo sob outra perspectiva na arte contempor nea. Através da inclus o e e perimenta o de novos suportes a representa o do tema parte para a pr pria ocupa o do espa o servindo para o diálogo da interven o. esta forma surgem novas concep es, possibilidades e m ltiplas propostas. A concep o visual passa a seguir o mesmo caminho da evolu o tecnol gica ue altera factores e modifica constantemente o nosso olhar para o mundo e inevitavelmente para a arte.


— ALVARENGA MARQUES U A A , cm técnica mista sobre tela mi ed media on canvas — AMÉRICO SILVA ro ecto ar uitecturas planos II II , fotografia photography cm Obra apresentada na II Bienal de Cerveira, realizada de de agosto a de setembro de — ANA MARIA PINTORA ASSOCIA O A A A SA O AT I IO A CTI O cm técnica mista sobre papel mi ed media on paper — GABRIEL GARCIA S A OU O , cm técnica mista sobre papel mi ed media on paper Obra apresentada na I Bienal de Cerveira, realizada de de ulho a de setembro de Artwork presented at the I Bienal Internacional de Arte de Cerveira, held between July and September — FILIPE RODRIGUES On your head, técnica acrílica sobre tela acrylic on canvas cm

— HENRIQUE SILVA S T TU O, cm leo sobre madeira oil on wood Obra apresentada na II Bienal de Cerveira, realizada de a de agosto de Artwork presented at the II Cerveira International Art Biennial, held between and August — MARGARIDA LEÃO A C U A A AS A OI AS, água forte sobre papel a uatint on paper cm Obra realizada no orkshop Internacional de ravura rande ormato da I Bienal de Cerveira, realizada de de agosto a 29 de setembro de . Artwork produced at the International arge ormat ngraving orkshop in the I Bienal Internacional de Arte de Cerveira, held between August and September

2

EN The landscape serves as a motto for these ialogues in the Collection! The e posed artworks o er several narratives, caused by the language used and the degree of comple ity of each one sometimes in a descriptive or metaphorical way, others in an emblematic and symbolic form. The e hibition includes a set of landscapes where the observer can travel according to his imagination and sensitivity. The history of art reports that over time, artists have developed various techni ues, e perimented with various plastic materials, produced numerous artworks and conse uently on this path, they also emphasized many themes that could be combined with their productions and with a certain era. In the set of themes available, one of the most appreciated and known is the landscape. The landscape was recognised as an artistic genre around the th century. But the representation of this theme in

art and more precisely in painting, had a closer repertoire of more than si hundred years from the th century to the twentieth century until suppression occurred with the abstraction and abandonment of the two dimensional support. ater the landscape scene undergoes profound changes, already introduced by the rupture caused by modern art and ends up somehow resurfacing under another perspective in contemporary art. Through the inclusion and e perimentation of new supports, the representation of the theme develops into the space occupation itself, fitting in the intervention dialogue. Conse uently, new conceptions, possibilities and multiple proposals arise. The visual conception follows the same path of technological evolution that changes factors and constantly changes our look at the world and inevitably at the art.


A REPRESENTAÇÃO DA FIGURA HUMANA C

T O CU TU A

A

S

COU A

THE REPRESENTATION OF THE HUMAN FIGURE CU TU A C

-

T

O

A

S

COU A


— GRUPO 42 O A A O SO,

— A SA A

cm O rupo realizou esta obra durante o Atelier ivre de Artes lásticas da I Bienal Internacional de Arte de ila ova de Cerveira. A I Bienal de Cerveira ocorreu entre os dias e de agosto de e prestou homenagem aos artistas Sarah Afonso e Almada egreiros . As suas atividades ocuparam diversos espa os do unicípio, centralizando a maioria das manifesta es no avilh o imnodesportivo e na Casa do ovo. Com o ob etivo de servir de estímulo criatividade artística e informa o e forma o de p blico, o Atelier ivre esteve aberto a toda a gente durante os dias e de agosto de tendo uma programa o repleta de manifesta es artísticas, pro e es de filmes, apresenta es de m sica, teatro, visitas guiadas e atividades para as crian as. Tribute to Sarah Afonso The roup produced this artwork at the ree orkshop of ine Arts in the I Cerveira international Art Biennial. The irst Biennial was held between and August and paid tribute to the artists Sarah Afonso and Almada egreiros . Its activities occupied several areas of the municipality, centralizing most of the demonstrations in the Sports all and in the ocal Association. Aiming to stimulate artistic creativity, public information and education, the ree orkshop was open to everyone between and August of , having a schedule full of artistic events, film pro ections, music presentations, theaters, guided tours and activities for children. — LAURA MARTINEZ A O A O , dimens es variáveis ariable dimensions rémio A uisi o na II Bienal de Cerveira, realizada de de ulho a de setembro de Ac uisition Award at the II Cerveira International Art Biennial, held from the July to September

2

PAULO NEVES S T TU O, cm madeira wood rémio A uisi o na Bienal de Cerveira, realizada de de ulho a de setembro de Ac uisition Award at the Cerveira International Art Biennial, held from the July to September — AMARAL DA CUNHA S T TU O, escultura em mármore marble sculpture cm rémio evela o scultura na II Bienal de Cerveira, realizada de a de agosto Sculpture evelation Award at the II Cerveira International Art Biennial, held between the and August — ÁLVARO QUEIROZ USI SIO OT A , escultura em grés stoneware sculpture Obra realizada no Simp sio scultura Cer mica , realizado no Antigo ercado do ei e, em ila ova de Cerveira, de de ulho a de agosto de Artwork held at the scultura Cer mica Ceramic sculpture , in the Old arket of ila ova de Cerveira, from the July to August — RUTE ROSAS BI T , I , ABIO, AT O, escultura sculpture cm Obra apresentada na I Bienal de Cerveira, realizada de a de agosto de Artwork presented at the IX Cerveira International Art Biennial, held between and August — ZADOK BEN-DAVID I U A, alumínio aluminium cm

T Ao longo da hist ria da arte a representa o da figura humana esteve sempre presente, uer na pintura como na escultura e demais artes e as suas formas variaram muito de época para época e de lugar para lugar. A representa o e a e press o artística s o condicionadas pelos c digos, valores e saberes de cada sociedade e de cada momento hist rico. o acervo convivem e dialogam as várias formas de representa o da figura humana, desde as mais tradicionais até s advindas das novas tecnologias. Cada trabalho retrata uma singularidade pr pria e no conte to museol gico t m a capacidade de gera o de conhecimento e de significa o, mediante o diálogo ue estabelece com os outros trabalhos e postos, pois, enfatiza o seu potencial estético a partir destas novas rela es.

EN Throughout the history of art, the representation of the human figure has always been present in painting, sculpture and other forms of art, widely varying from time to time and from place to place. Both representation and artistic e pression are conditioned by the codes, values and knowledge of each society and of each historical moment. In the collection, various forms of the human figure representation coe ist and dialogue, from the most traditional to the new technologies. ach work portrays its own singularity and in the museological conte t, it has the capacity to generate knowledge and meaning, through the dialogue it establishes with other works e posed, because it emphasizes its aesthetic potential from these new relations.


AQUARTE_PROJETO INTERNACIONAL uma mirada galaico-portuguesa sobre o rio minho 2017 C

T O CU TU A

O I STITUTO CA

S

INTERNACIONAL PROJECT_AQUARTE a galician-portuguese look on the minho river 2017 CU TU A C

T

O I STITUTO CA

S

O rio ue separa as margens é motivo para unir. ste é um dos ob etivos do pro eto artístico ue consiste em apresentar a vis o de oito ovens artistas das duas margens do rio, como testemunho de uma identidade comum. sta mostra abre portas a diálogos e e petativas de como a obra de arte pode ser um meio de comunica o intercultural, permitindo a partilha da vis o das comunidades e esbatendo fronteiras.

The river that separates the banks is the reason to unite. This is one of the ob ectives of the artistic pro ect which consists of presenting the vision of eight young artists from both sides of the river as a testimony of a common identity. This e hibition creates a path to dialogues and e pectations of how the artwork can be a form of intercultural communication, allowing the sharing of the community vision and tearing down borders.


ALFONSO VICENTE REY BO A II, díptico diptych ilogravura sobre pasta de papel wood engraving on paper pulp cm —

NEREA CASTRO I IUS, video loop

ALFONSO VICENTE REY I A OS A O S, ilogravura wood engraving cm — DELIO RODRIGUEZ T T O I A O ca I O, leo sobre tela oil on canvas cm — DELIO RODRIGUEZ O T I A OS I OS, leo e spray sobre tela oil and spray on canvas cm — DELIO RODRIGUEZ O S O A A A, leo e spray sobre tela oil and spray on canvas cm — FILIPE RODRIGUES O U IO, acrílico sobre tela acrylic on canvas cm FILIPE RODRIGUES IO OT ST O, acrílico sobre tela acrylic on canvas cm — MARCO COSTA I A SICO S SO IA AI SS O U A A U O I O A , pormenor detail técnica mista sobre papel mi ed media on paper cm — NAZARÉ ÁLVARES S T TU O, acrílico sobre tela acrylic on canvas cm — NAZARÉ ÁLVARES S T TU O, acrílico sobre tela acrylic on canvas cm — NEREA CASTRO AT , leo sobre papel oil on paper . cm

2

3

— NEREA CASTRO A IAB , madeira de pinhos e parafusos madera de pino y tornillos dimensiones variáveis variable dimensions — RICARDO DE CAMPOS I IO IA, pormenor detail técnica mista mi ed media cm — VERÓNICA VICENTE BAI O U S O O I O T , fotografia photography cm


ESCOLAS DE ARTE ensino ART SCHOOLS teaching CA_COLÉGIO DAS ARTES DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA | ESAD.CR_ESCOLA SUPERIOR DE ARTES E DESIGN DAS CALDAS DA RAINHA DO POLITÉCNICO DE LEIRIA | ESAD_ESCOLA SUPERIOR DE ARTES E DESIGN DE MATOSINHOS | ESAP_ESCOLA SUPERIOR ARTÍSTICA DO PORTO | ESE_ESCOLA SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO INSTITUTO POLITÉCNICO DE VIANA DO CASTELO | ESE_ESCOLA SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO POLITÉCNICO DO PORTO | ESG_ESCOLA SUPERIOR GALLAECIA | ESMAD_ESCOLA SUPERIOR DE MEDIA ARTES E DESIGN_POLITÉCNICO DO PORTO | ESMAE_ESCOLA SUPERIOR DE MÚSICA E ARTES DO ESPETÁCULO DO INSTITUTO POLITÉCNICO DO PORTO | FBAUP_FACULDADE DE BELAS-ARTES DA UNIVERSIDADE DO PORTO | IPT_INSTITUTO POLITÉCNICO DE TOMAR | UCP_ ESCOLA DAS ARTES DA UNIVERSIDADE CATÓLICA PORTUGUESA | UEVORA_ESCOLA DE ARTES DA UNIVERSIDADE DE ÉVORA CURSO DE ARTES VISUAIS MULTIMÉDIA | UM_UNIVERSIDADE DO MINHO


PT

EN

O Colégio das Artes é uma Unidade

The aculty of Arts is an Organic Unit of

Orgânica da Universidade de Coimbra

the University of Coimbra dedicated to

dedicada aos Estudos Avançados em Arte.

Advanced Studies in Art. Its identity is

A sua identidade é definida por uma forte

defined by a strong connection between

relação entre a Arte e a Universidade,

Art and University, in addition to the links

para além das rela

between art and academia, especially in

o entre arte e

academia, acontecendo sobretudo nas

the potential of established conceptual

potencialidades das rela

relations, resulting in intense e pository

es conceptuais

estabelecidas, resultando numa intensa

and editorial programming.

programa

In the last edition of this Biennial we

o e positiva e editorial.

a ltima edi

o desta Bienal trou emos

um ob ecto desenhado pelo Jo o

endes

CA COLÉGIO DAS ARTES UNIVERSIDADE DE COIMBRA COI B A

otel

otel

Coimbra pro ect. This year we bring

Coimbra. Este ano trazemos 5, também

artworks from our doctoral students in

estes nossos doutorandos em Arte

Contemporary Art. Bruna

Contempor nea. Bruna

her file

ibielli, com o

ibielli, with

ero , presents a sculptural

seu ar uivo ero, apresenta um ob ecto

ob ect, an installation of wooden bo es,

escult rico, instala

a building of memories in mutation every

o de cai as de

madeira, edifício de mem rias em em mutação cada vez que se reconstrói num novo espa o. elippe

oraes reconfigura

a série de bandeiras que originalmente apresentou subindo pela rampa do

useu

time one rebuilds a new space. elippe oraes reconfigures the series of ags that he originally presented ascending the ramp from the iter i

useum of scar

iemeyer and, in strict calculations of

de Niterói de Óscar Niemeyer e, em

gradations of colours, he also presents

rigorosos cálculos de grada

a progression of ags with tones from

es de cores,

apresenta uma progress o de bandeiras

black to white and vice versa, in the

de tons do preto ao branco ou vice versa,

symbolic e ploration of possibility of

www.uc.pt colegioartes

na e plora

territories and identities. Jo o iadeiro

CO ISS

IOS CU ATO S

o simb lica da possibilidade

de territ rios e identidades. Jo o iadeiro

presents us with a performance and its

apresenta nos uma performance e o

results. The artwork that remains is both

ue dela resulta. A obra ue fica é um

a record and the trail of an action, in a

ANTÓNIO OLAIO

registo e um rasto de uma acção, numa

material shadow that is transformed by

JOSÉ MAÇÃS DE CARVALHO

sombra material ue se transforma pela

the very action of the body that produces

pr pria ac

it.

o do corpo ue a produz.

árcia aitsman apresenta um vídeo em ue uma personagem feminina oga o

árcia aitsman presents a video

in which a female character plays the game of hopscotch , but on a oor made

“jogo da amarelinha”, mas num chão de

of eggs that one can step on and crush

ovos, ovos ue se pisam e uebram, ch o

them, a breakable oor in a game that

uebradi o num ogo ue se estende para a condi

o de estrangeiro, nas rela

es

e tends to the condition of foreigner, in relations between individuals and the

entre os indivíduos e os territ rios ue

territories that look strange to them.

lhes são estranhos ou que os estranham.

Theodore ireira

Theodore ireira

of engravings that come out of the bo

uyer apresenta uma

uyer presents a series

série de gravuras ue saem de uma cai a

and go directly to the wall, a se uence of

para a parede, se u ncia de varia

variations on numerous forms of truth,

es

sobre várias formas de obter verdade,

such as confession, lie detector, witness

como a confiss o, o detector de mentiras,

chair in a courtroom, jury’s room...

a cadeira da testemunha num tribunal, o

The diversity of artworks and artists

quarto do júri,...

represented in order that the links

A diversidade das obras e dos artistas

established are enhanced will also be a

representados na forma como

way of claiming a field where ideas can be

se potenciam as rela

found in the tra c between the spaces

es ue se

estabelecem será também uma forma 304 305

endes ibeiro with artworks from artists, a nomadic version of our

Ribeiro com obras de 40 artistas, vers o n mada do nosso pro ecto

brought an ob ect designed by Jo o

de afirmar um campo onde as ideias se encontram no tr nsito entre o espa os que cada obra gera.

that each artwork generates.


— CIA AITS A [1] JO O IA

I O [2]

I T

O A S [3]

O O

B U A

I IBI

1 3

2 4

5

I A I [5]

U

[4]


PT

EN

A e posi

o apresentada pela SA .C

The e hibition presented by SA .

nesta edição da Bienal de Cerveira integra

C in this edition of the I Cerveira

uma seleção de trabalhos de alunos

International Art Biennial integrates a

finalistas da licenciatura e do mestrado

selection of artworks produced by finalist

em Artes lásticas, e emplificando

students of the bachelors and master s

algumas das abordagens praticadas

degree in lastic Arts, e emplifying

nesses cursos. Cada um marca um

some of the approaches practiced in

momento de um percurso em forma

these courses. Each marks a moment

e e pans o, testando limites e for as

of a path in formation and e pansion,

específicas da contemporaneidade, fora

testing specific limits and forces

de qualquer constrangimento com as

of contemporaneity, outside of any

conven

constraint with historical conventions

es hist ricas de suportes ou

técnicas. Em muitos deles, entrevemos

of supports or techni ues. In several of

o desejo de interrogar o sentido das

them, we see the desire to uestion the

imagens e das formas, recolocando a

meaning of images and forms, replacing

uest o da for a da imagem e da obra de

AS A AI

A

and the artwork in a saturated and over

de informa

informed world.

o.

e thank the management of the

Cerveira, o convite feito para participar na e posi

o reiterando uma coopera

Cerveira Biennial, for the invitation to o

an informal and lasting cooperation

honra; aos alunos Adriana Proganó,

that honours us; the students Adriana

Ana Carolina

elo, Ana

arcelino,

rogan , Ana Carolina

André opes, Catarina In s, Cathy

elo, Ana

arcelino, André opes, Catarina In s,

Silva, Constança Bettencourt, Cristina

Cathy Silva, Constança Bettencourt,

Caba o, ino Santos, Ana ilipa C.

Cristina Caba o, ino Santos, Ana

uarte, uilherme igueiredo, uilherme

ilipa C. uarte, uilherme igueiredo,

Serra, atrícia enri ues, edro olo

uilherme Serra, atrícia enri ues,

e Tatiana rancisco, o seu empenho e

edro olo and Tatiana rancisco, for

a merecida e posi

www.esad.ipleiria.pt

trabalho

o p blica do seu

s coordena

their commitment and the well deserved

es dos cursos

public work e posure the coordinators

de licenciatura e mestrado em Artes lásticas, a sele IOS CU ATO S

participate in the e hibition, reiterating

informal e duradoura ue muito nos

CO ISS

the uestion of the image s strength

arte num mundo saturado e com e cesso Agradecemos à direção da Bienal de

ESAD.CR ESCOLA SUPERIOR DE ARTES E DESIGN DAS CALDAS DA RAINHA POLITÉCNICO DE LEIRIA CA

o

of the bachelors and

o dos trabalhos a e por

e o acompanhamento na prepara

o da

aster s degree

in lastic Arts, for the selection of the works to be e hibited and for the

SAMUEL RAMA

e posi

LUÍSA SOARES DE OLIVEIRA

diariamente enquanto Escola, enquanto

ISABEL BARAONA

professores motivados pela interroga

MARTA SOARES

do mundo contempor neo e pelos

motivated by the interrogation of the

essenciais gestos das artes, revivifica

contemporary world and by the essential

se uando a presen a enigmática destas

gestures of the arts, which revives

obras e o olhar intransmissível dos seus

itself when the enigmatic presence of

autores se inscreve no mundo, disponível

these works and the non transferable

para a partilha e para suscitar o

gaze of their authors is inscribed in the

o. O sentido do ue fazemos

pensamento, a contempla

o, a como

assistance in the preparation of the e hibition. The sense of what we do on o

a daily basis as a School, as teachers

o

world, available for sharing and to stir up

e o espanto, ue é muitas vezes na arte, a

thought, contemplation, commotion and

antecâmara da alegria.

astonishment, which is often in art, the anteroom of happiness.

Jo o dos Santos diretor SA .C e Samuel ama sub diretor SA .C

306 307


— ANA CAROLINA MELO [1] CATHY SILVA [2] CONSTANÇA BETTENCOURT [3] ADRIANA PROGANÓ [4] GUILHERME FIGUEIREDO [5] TATIANA FRANCISCO [6] DINO SANTOS [7] ANA LÚCIA MARCELINO [8] ANDRÉ LOPES[9]

2

3

1 4 5

6

7 8

9


EN

PT A SA

The SA

scola Superior de Artes e

esign de

as a reference of uality in training,

ue gradualmente se imp s como uma

research and dynamism in the field of

refer ncia de ualidade ao nível da o, investiga

o e dinamiza

o no

The recognition of the uality of the

O reconhecimento da qualidade do

work developed by SA , at national

trabalho desenvolvido pela SA , a

and international level, results from

nível nacional e internacional, resulta da

the combination of these three factors. . The uality of SA s teaching is

o destes tr s fatores

characterized by permanent care in

1. A qualidade do ensino ministrado na

updating study plans and a demanding

SA caracteriza se por um permanente cuidado na atualiza

provision of means to guarantee the

o do corpo

docente e um ade uado apetrechamento ensino em áreas onde a componente

. The intense e tracurricular activity

tecnológica é essencial. 2. A intensa

and research developed in and by SA

atividade e tracurricular e de investiga

o

and SA

desenvolvida na e pela SA e SA

A

conferences and e hibitions, mark

I

com os workshops, as confer ncias e as e posi

es marcam, indelevelmente, a

cultura artística e pro etual em ortugal. . A política na ativa

OS

uality of teaching in areas where the technological component is essential.

de meios que garantem a qualidade do

ATOSI

da SA

I

o de parcerias

A com empresas do meio

I

A with the workshops,

indelibly, the artistic and design culture in ortugal. . The policy on the activation between SA

I

A partnerships with

national and international industrial companies allows us to foster the desired

industrial nacional e internacional permite

relationship with the business, social

fomentar a t o dese ada rela

and economic fabric and also allows us

www.esad.pt

tecido empresarial, social e econ mico

to be aware of appropriate intervention

e permite ter consci ncia de práticas

practices in the various sectors in

adequadas de intervenção nos diversos

which the discipline is one of the most

sectores em ue a disciplina é chamada

important features, as well as to deepen

JOANA SANTOS

a manifestar se, bem como aprofundar

and develop specific skills, necessary for

CO ISS

e desenvolver compet ncias necessárias

the future integration of professionals

específicas para a futura integra

and the e ective labor insertion of

COO

A

O SA

IOS CU ATO S

RUI CALDAS A T S I ITAIS ÁUREA PRAGA JOA

U TI

IA

A IA

profissional e inser

MARGARIDA AZEVEDO, JOÃO FARIA E JOÃO LEMOS MARIA MILANO E JOÃO MENDES RIBEIRO MARIA GAMBINA

SI

SI

SI

I T

IO

O A

RUI PEDRO FREIRE E JOSÉ LUIS FERREIRA

SI

O UTO

CO U ICA S

O

o com o

o

o laboral efetiva

their designers. Thus, SA develops

dos seus designers. Assim, a SA

its ambitious mission to educate, to

desenvolve a sua ambiciosa missão –

improve, to innovate oriented by a spirit

educar, melhorar, inovar

where the valorisation of the arts and

orientada por

um espírito onde a valoriza

o das artes

the design re ects a careful look at the

e do design re ete um olhar atento sobre

reality in which the school is integrated

a realidade na qual a escola se integra e

and a great willingness in contributing to

uma vontade de contribuir sempre para

the improvement of this reality.

tornar essa realidade melhor.

308 309

selection of teaching sta or an ade uate

o dos planos de

estudo, uma e igente sele

ESAD ESCOLA SUPERIOR DE ARTES E DESIGN

arts and design.

campo das artes e do design.

con uga

, is a private

College that gradually established itself

, é uma escola superior privada

forma

College of Art and esign

atosinhos, founded in

atosinhos, fundada em


— TERESA SOARES [1] COPYRIGHT 2016 © ELOU INTRODUCING CORK, TODOS OS DIREITOS RESERVADOS STEFANIE COSTA [2] STEPHANIE FERRANTE [2] VALENTINA DUARTE [2] CATARINA ROSÁRIA [3] JULIA KEDZIERSKA [3] RITA RUIVO [3] ANDREIA COSTA [3] EDUARDO RODRIGUES [3] MARGARIDA VEIGA [3] LILIANA FERREIRA [3] ANA EUSÉBIO [4] ABEL MARTINS [5] BEATRIZ SOARES [5] CATARINA VIEIRA [5] MARTA MOURA [5] RITA PINTO [5] ANDREIA FLOR GUEDES [6]

1

2 3

4

5 6


PT

EN

A scola Superior Artística do orto SA

http

www.esap.pt

The Institution of the orto igher

tem

Artistic School

the Porto Artistic Higher Education

aio de

entity established in

ay of

and

was authenticated by a deed published ,

in iário da ep blica no.

, III series,

III série, de 1 de Setembro de 1982, tendo

dated September st,

autoriza

authorization granted by order

o de funcionamento concedida

pelo despacho

C

Junho. A localiza

, de

de

C

o da SA no centro

hist rico da cidade do orto

patrim nio

of June

, operation

th. The location of

SA in the historic city centre of orto a world heritage site corresponds to

da humanidade corresponde a uma

a strategic option that has stimulated

op

interaction with both the local power

o estratégica ue tem estimulado

a intera

o tanto com o poder local

and the urban environment in which it

como com o meio urbano em que se

operates. SA is an associate school of

insere. A ESAP é uma escola associada da

UNESCO, has several bilateral agreements

U

with uropean Universities and atin

SCO, possui vários acordos bilaterais

com Universidades uropeias e da

America and bets on the international

América atina e aposta na mobilidade

mobility of teachers and students.

internacional de docentes e discentes. retendemos afirmar nos no uadro

e intend to insert ourselves within the framework of the best higher education

das melhores escolas de ensino superior

schools in the field of arts, developing

no território das artes, desenvolvendo

strategies that promote the training

estratégias ue promovem a forma

of professionals endowed with critical

o

de profissionais dotados de instrumentos

and operational instruments in their

críticos e operativos nos respectivos

respective fields of work, both nationally

www.esap.pt

campos de trabalho, tanto no domínio

and internationally. Promoting broad

nacional como internacional. Promover

cooperation agreements, assessing

acordos alargados de coopera

the production of knowledge through

CO ISS

IOS CU ATO S

a produ

o, aferir

o de conhecimento através

international standards, strengthening

MARIA COVADONGA BARREIRO

de padr es internacionais, refor ar a

the presence of our researchers,

RUI SÉRGIO LOUROSA

presen a dos nossos investigadores,

professionals, teachers and artists in

CARLOS TRINDADE

profissionais, docentes e artistas

networks of academic, scientific and

em redes de colaboração académica,

artistic collaboration, are the challenges

científica e artística, constituem desafios

of great importance for our institution.

de elevada import ncia para a nossa institui

o. eles continuamos a apostar.

e keep betting on them. As an inclusive, agile and critical school, ESAP encourages

Na qualidade de Escola inclusiva, ágil

its students to a constantly demanding,

e crítica, a SA impulsiona os seus

free and inventive action.

estudantes a uma prática sempre e igente, livre e inventiva. duarda eves

310 311

possesses as founding body,

Cooperative C SA , a public non profit

e legalizada por escritura

publicada no iário da ep blica n

PORTO

www.

de nsino Superior Artístico do orto sem fins lucrativos, constituída em

ESAP ESCOLA SUPERIOR ARTÍSTICA DO PORTO

http

esap.pt

C SA , entidade de utilidade p blica,

SA

como entidade instituidora a Cooperativa

irectora Académica


— U S I TO [1] I AB T

AST [2]

TERESA CERQUEIRA [3] A U

IT [4]

A

A O S CA [5] U O I I A [6] ICTO

A

A

A

CA

OS T I

1 1

1 1

1 1

TS [7]

A COSTA [8]

1 1

1

A

[9]


ESE ESCOLA SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO INSTITUTO POLITÉCNICO DE VIANA DO CASTELO IA A O CAST

www.ipvc.pt

CO ISS

IA CU ATO

ANABELA MOURA

O

PT com imenso prazer ue o Instituto olitécnico de iana do Castelo I C aceitou o convite para participar na I Bienal Internacional de Arte de Cerveira, como resultado da longa liga o unda o Bienal de Cerveira, através dos seus docentes, discentes e colaboradores em pro etos variados. esta e posi o e p em algumas das suas obras docentes da rea Científica das Artes, esign e umanidades A , dos Cursos de Artes Plásticas e Tecnologias Artísticas icenciatura e Artes e Tecnologias CTeS da scola Superior de duca o do I C, proporcionando a possibilidade de re e o sobre teorias e práticas nacionais e internacionais relacionadas com a arte, cultura e educa o, de maneira interdisciplinar e colaborativa.  a prática, isso resulta de um diálogo constante e assegura rela es entre programas educativos, pro etos, interven es comunitárias, forma o transversal artística e cultural e apoio técnico profissional. A série Simulacros de a uel oreira prop e uma re e o em torno da constru o de identidades, partindo da banalização de imagens que habitam e ilustram o nosso imaginário coletivo”. A vídeo instala o Termodin mica emocional e as linhas am nicas , da autoria de Ale andre A. . Costa Jorge ernando dos Santos, confronta nos com o objeto de intervenção enquanto lugar de criação, reinvenção, memória e ativismo. Cairo políptico , pintura a leo s tela, livro e ornais de rancisco Trabulo, com imagens de dor, recolhe, segundo o autor, «o imagético que nos leve à memória da história das artes visuais da cultura ocidental, contribuindo assim, para o acentuamento da desbanaliza o das imagens de dor, libertando as de algumas das suas liga es narrativas e ilustrativas. Trabulo, O I C agradece e felicita a organiza o da unda o Bienal de Arte de Cerveira, parceiros culturais, pela celebra o da sua I edi o e dese a os maiores itos a todos uanto participam nesta iniciativa cultural, com um enorme valor estratégico, pois pro eta o nome de ortugal no mundo, fomenta a criatividade artística e contribui para o desenvolvimento cultural da nossa região. Anabela

312 313

oura

EN It is with great pleasure that the olytechnic Institute of iana do Castelo I C accepts the invitation to participate in the I Cerveira International Art Biennia , as a result of a long term connection with the Cerveira Art Biennial oundation, through its teachers, students and collaborators in multiple pro ects. The e istence of I C partnerships with other national and or foreign institutions and collaborative actions inside and outside the Institution is positively assessed, with agreements and protocols with similar uropean institutions that persist over several years. elations with the e ternal environment are promoted, particularly with the cultural environment and the public sector. There are mechanisms to promote them as well as regarding inter institutional cooperation. The artworks presented in this e hibition originate from the Art esign and umanities A Scientific Area, lastic Arts and Artistic Technologies Bachelor s degree) and Art and Technologies rofessional egree CTeS courses of the igher School of ducation S I C , at iana do Castelo olytechnic, re ecting on national and international theories and practices related to art, culture and education in an interdisciplinary and collaborative way. In practice, this results from a constant dialogue and ensures links between educational programs, pro ects, community interventions, cross cultural and artistic training and professional technical support. The series “Simulacros” by Raquel oreira proposes a re ection on the construction of identities, starting from the trivialisation of images that inhabit and illustrate our collective imaginary”. The video installation, Termodin mica emocional e as linhas am nicas motional Thermodynamics and shamanic lines by Ale andre A Costa Jorge ernando dos Santos, confronts us with the ob ect of intervention as a place of creation, reinvention, memory and activism. Cairo polyptych , a painting made with oil on canvas, book and newspapers by rancisco Trabulo, shares the images of pain. According to the author, portraits are the imagery that brings us to the memory of the estern culture s ine arts history, thus contributing for the accentuation of pain images importance, freeing them from some of their narrative and illustrative connections. Trabulo, The I C thanks and congratulates the organisation of the Cerveira Art Biennial oundation, cultural partners for the celebration of its I edition and further, it wishes the greatest success to all who participate in this cultural initiative, with a great strategic value, as it spreads ortugal s name around the world, fostering artistic creativity and contributing to the cultural development of our region.


RAQUEL MOREIRA [1] [2] [3] FRANCISCO TRABULO [4] ALEXANDRE A. R. COSTA [5] JORGE FERNANDO DOS SANTOS [6]

1

2

3 4

5

6


PT

lugar ue, na realidade cabe, foi é todos

[Rever]a Encarnação

os lugares en carnados ...in situ para

de José ufino

difundir identidades compartilhadas. ara cumprir o processo criativo, o

uase dois anos depois de se ter

artista estabeleceu contatos com outros

desenvolvido a resid ncia artística

artistas, investigadores, professores e,

de José ufino na scola Superior de duca

o, no conte to da programa

o

ativando mais e mais pensamento crítico

orto , apresenta se um recorte de ncarna

ESCOLA SUPERIOR DE EDUCAÇÃO POLITÉCNICO DO PORTO

multidisciplinar

o na actory. ossibilita

e ig ncia e rigor e tremos. esde o início

conhe a e reconhe a a sua produ

da sua atividade nas Artes e investigação

o

artística, ob etivo ue se completa com

que o artista trabalha a “matéria das

a realiza

memórias”, memórias ideológicas,

o de uma mesa redonda sob a

temática Cria

o artística patrim nio e

educação estética” – em data a anunciar. esde as primeiras conversas

em inícios

com o artista José ufino ue

o processo de resid ncia artística tomou sob égide deriva

PORTO

rumos latinos ue suscitar.

www.ese.ipp.pt

ncarna

FÁTIMA LAMBERT O

A I A

O

PRUDÊNCIA COIMBRA RICARDO GONÇALVES CO ABO A

O

ESTUDANTES DO MESTRADO PATRIMÓNIO ARTES E TURISMO CULTURAL E, LICENCIATURAS EM GESTÃO DO PATRIMÓNIO E ARTES VISUAIS E TECNOLOGIAS ARTÍSTICAS

o poderia

poéticas visuais do artista da araíba, Incarnatio converteu se em ncarna

prol dessa converg ncia heterodo a de motiva

es e ideias substantivas.

aria de átima ambert

EN o.

Quer em termos semânticos, quer

eview the Incarnation by José ufino

iconográficos, o termo convoca a o rigor

early two years after José ufino s

de diferentes a iologias, n o somente

artistic residency was developed

a artística e estética, mas a filos fica,

at the igher School of ducation,

hist rica, antropol gica, bibliofilia…

in the conte t of the

years of

entre outras cumplicidades científicas

orto olytechnic programme, an

em prol de uma consci ncia de cidadania

Incarnation cutout is presented at

ue seguiu desde o contato

com o grupo de studantes de Artes isuais processo de produ

o das

para debate e divulga

actory. This enables a wider audience to know and recognize his artistic production, which is complemented by a roundtable on the theme “Artistic

o de eventos

creation heritage and aesthetic

o do programa

education

cultural agregando, ainda, por diferentes

on a date to be announced.

rom the first conversations at the

intervenientes e locais. A partilha ue

beginning of

wcumpre na miss o da scola Superior de

José ufino that the process of artistic

Educação do Politécnico do Porto.

residence took under aegis semantic

A e posi

derivations of the atin paths that

de

o, inaugurada em Outubro

, ocupava todas as salas do

alácio das Artes, edifício do III

with the artist

the word Incarnation could provoke.

osteiro

de S o omingos construído no séc. ue sofreu vicissitudes e acolheu,

posteriormente e até

, o Banco de

ploring comple and rich auspices, which usually illuminate the visual poetics of the araíba artist, Incarnatio became Incarnation. Whether in semantic

Portugal na cidade. A carga arquitetónica

or iconographic terms, it summons the

propiciou ao artista da araíba devaneios

precision of di erent a iologies, not

ue determinaram um pensamento pormenorizado sobre as condi

314 315

es onde

os objetos e as esculturas dialogam em

e ricos, que iluminam habitualmente as

atrim nio organiza IA CU ATO

pintando, pro etando instala

es sem nticos dos

obras e montagem e de est o do CO ISS

míticas e hist ricas desenhando,

plorando auspícios comple os

e partilha

manifestando uma

se assim ue um p blico mais alargado

de

ESE ESCOLA SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO INSTITUTO POLITÉCNICO DO PORTO

muito em particular com estudantes, cumprindo o dinamismo poiético e

dos “30 anos do Politécnico do

only artistic and aesthetic, but also

es

philosophical, historical, anthropological,

e istenciais atravessarem os tempos

bibliophilia... among other scientific

e, simultaneamente, impulsionaram

complicities in favour of an awareness of

restitui

citizenship and sharing that stemmed

es re encarna

es poéticas

e ideológicas a materiais tidos como

from the contact with the group of isual

obsoletos ou descartáveis. Tais diretrizes

Arts Students artworks production

de sustentabilidade sobre a defini

and assembly process and wealth

o

de patrim nio material e imaterial

management organisation of events for

regimentaram se em imagens e pe as

debate and dissemination of the cultural

interferidas e transfiguradas pelo artista

programme adding di erent actors and

mediante a

o de desenho, pintura,

organizando tridimensionalidades. Assim se consubstanciaram nas inúmeras obras ent o concebidas para esse primeiro

places as well. The sharing that is fulfilled in the mission of the igher School of ducation from orto olytechnic. The e hibition, inaugurated in October


of

, occupied all rooms of the

alĂĄcio das Artes building of the

alace of the Arts , a

osteiro de S o omingos

onastery of Saint omingos , built in the

th century, that su ered

vicissitudes and hosted, later and until

, the Bank of ortugal in the

city. The architectonic burden induced daydreams to the artist of araĂ­ba, which determined a detailed thought about the e istential conditions going through the times and simultaneously impelled poetic and ideological restitutions re incarnations to materials considered as obsolete or disposable. Such sustainability guidelines on the definition of heritage material and immaterial were regimented in images and parts interfered and transfigured by the artist through the action of drawing, painting and organising three dimensionalities. Thus, the numerous works conceived for this first place which fits in reality, it was is all in carnated places ... in situ to spread shared identities. In order to accomplish the creative process, the artist established contacts with other artists, researchers, teachers and, in particular with students, fulfilling the poietic dynamism and activating more and more critical multidisciplinary thinking manifesting an e treme e igency and strictness. Since the beginning of his activity in Arts and research, the artist works the matter of memories , ideological, mythical and historical memories drawing, painting and designing installations where ob ects and sculptures dialogue in favour of this heterodo convergence of substantive motivations and ideas.

— JOS

U I O


EN

PT A S

scola Superior allaecia é uma

institui

o universitária reconhecida pela

demand, uality and cultural openness of

na forma

o dos seus diplomados e pela

its graduates training and the scientific

investiga

o científica desenvolvida.

research developed. It presents an Integrated

estrado Integrado

Architecture and Urbanism and a

icenciatura em Artes lásticas e

Bachelor s degree in ine Arts and courses of short duration, among

eventos realizados com docentes e

other events carried out by teachers and students. Over the years, a close

estabelecida uma estreita coopera

o

unda

Ciclo

ultimédia, pelas m os do S cio undador da Bienal Internacional de Arte

www.esg.pt

IOS CU ATO S

TERESA CORREIA HENRIQUE SILVA

316 317

o do

de Estudos em Artes Plásticas e

CO ISS

o Bienal de Arte de Cerveira,

sendo refor ada com a cria

I A

cooperation between the allaecia igher Education School and the Cerveira Art

entre a scola Superior allaecia e a

C

ultimedia. Simultaneously it develops

cursos de curta duração, entre outros estudantes. Ao longo dos anos foi

I A O A

aster in

em Arquitetura e Urbanismo e uma ultimédia. aralelamente desenvolve

ESG ESCOLA SUPERIOR GALLAECIA

allaecia igher ducation School is

e ig ncia, ualidade e abertura cultural

Apresenta um

S

a university institution recognized for the

de Cerveira, rof. outor enri ue Silva.

Biennial oundation has been established, reinforced by the creation of the st Cycle of Studies in ine Arts and

ultimedia,

established by the Cerveira Biennial’s ounding

ember, octor enri ue Silva.


— I

O

OJ

O A

OU A ACO A

OSI

I A

O

SOUTO

A SCO A SU

IO

A CIA [1]

I T

O A T STICA OS STU A T S

O CU SO U TI

A T S

STICAS

IA [2]

SCO A SU

IO

A

A CIA [3]

I STA A

O U BA A CO JU TA A SCO A

SU

A

IO

I A O A

A CIA C

A UA US U

I A [4]

UA

O SOUTO

C A

OU A

a obra de duardo Souto de

T

O I O

I

U A

m protesto contra a mudan a climática ue

oura, os

simbolismos e as analogias são elementos

afeta todo o ecossistema de relev ncia numa

fundamentais na composi

IS I

Como forma de estimular uma re e conceptual de consciencializa

o

o ecol gica, a

linha ideológica, a instalação intitulada Change

S

uma forma latente, no caso dos simbolismos, ou

The orizon ine Alterar a linha do horizonte

ila ova de Cerveira prop em uma instala

claramente assumidas, no caso das analogias,

integra vários pro etos desenvolvidos pelos

o ar uitet nica. e

funcionam como elementos catalisadores de um desenvolvimento mental de procura de solu

es

ue permitem consolidar e conte tualizar as suas interven

es.

estudantes do curso de licenciatura em Artes lásticas e

ultimédia da S

scola Superior

scola Superior allaecia e o A ua useu de

temporária de apropria ue redefina a perce

o sensorial e simb lica do

recinto correspondente.

allaecia.

A estrutura re conte tualizada é interpretada

ostrando a sua irrever ncia, e ibindo vários

como um novo sistema de cobertura,

O suporte e positivo pretende estabelecer

manifestos artísticos, de distintas áreas de

de materialidade ligeira e de geometria

uma ordem clara de leitura da obra do arquiteto

interven

contundente, assumindo se como um elemento

o associadas s artes plásticas e

multimédia, caracterizando uma arte conceptual

urbano provocador, remetendo para o agelo do

territ rio disciplinar, ao mesmo tempo ue dá

que dinamiza a relação de cada obra com o

esgotamento dos recurso naturais, diretamente

lugar ao informe, permitindo uma promenade

espectador.

relacionado com a polui

Curadoria

Concep

HENRIQUE SILVA

ESCOLA SUPERIOR GALLAECIA

Curadoria

TERESA CORREIA

AQUAMUSEU DE VILA NOVA DE CERVEIRA

ANTÓNIO SÉRGIO KOCH

Autores

duardo Souto de

oura, onde cada n cleo é um

o e com a pesca ilegal.

onde o somat rio se uencial das partes resulta numa obra total.

1

2 3

4

o

o do espa o p blico,

ANDRÉ DE FRANÇA CAMPOS S

scola Superior allaecia

Castelo de ila ova de Cerveira

STU A T S O CU SO U TI agic Bo

o

IA A S

A T S

STICAS

scola Superior allaecia


EN

PT O olitécnico do orto institui

o de refer ncia do nsino

Superior

blico olitécnico em ortugal.

A scola Superior de esign

. O TO é uma

S A

edia Artes e

assume se como

www.esmad.ipp.pt

CO ISS

IOS CU ATO S

TERESA TERROSO VITOR QUELHAS

318 319

esign

S A

edia Arts and

is a national and

of competitive, creative and innovative

criativos e inovadores nos domínios

professionals in the fields of Audio visual,

do Audiovisual, Cinema, esign,

Cinema, esign, hotography,

ultimédia e Tecnologias o artística de perfil

ultimedia

and Web Technologies. It also combines technical skills with an artistic vocation of authorial profile.

ith a laboratorial

autoral. Com um pro eto educativo

educational pro ect, strongly oriented

laboratorial, fortemente orientado para a

towards employability, S A invests

empregabilidade, investe em ambientes

in formative environments conducive to

formativos propícios inova

innovation, creativity and e cellence.

criatividade e e cel ncia.

The igher School of

international reference in the training

o de profissionais competitivos,

eb. Alia fortes compet ncias técnicas

PORTO

Polytechnic Higher Education in Portugal.

forma

com uma voca

ESMAD ESCOLA SUPERIOR DE MEDIA ARTES E DESIGN POLITÉCNICO DO PORTO

. O TO

is a reference institution of ublic

refer ncia nacional e internacional na

otografia,

The olytechnic of orto

o,


— A T

IO I I A [1]

I I A BU

ST

OO I

[1]

I A [1]

A I A

S [2]

JO O I A T [3] B

I O IB I O [4]

T

SA

J

I A [4] OUI

T [4]

JO O SA TOS [4] A A ITA SI

A [5]

JOA A IO

SIO [6]

SO IA AU USTO [7] A IA A I A

1

2

3 4

5

6

7

8

O [8]


EN

PT A representa de

The representation of the igher School

o da scola Superior

of

sica e Artes do spetáculo

S A

na

uma participa

o plural com propostas

Biennial is a plural participation with

são tão transversais quanto anulam as

are as transversal as they cancel the

defini

canonical definitions, along with the

es can nicas, a par do discurso

discourse of vocabularies and languages

dos vocabulários e das linguagens com

with which each specialty, naturally

ue cada especialidade, naturalmente,

assumes the contemporary scene.

assume a cena contempor nea. A S A é uma unidade org nica do

S A is an organic unit of the

Instituto Politécnico do Porto que visa

olytechnic Institute of orto that

a forma em

aims at the training of artists and

o de artistas e profissionais

professionals in

sica e Teatro, contando,

recentemente, com uma p s gradua

o

usic and Theater,

with a postgraduate degree in

em an a Contempor nea.

Contemporary ance.

Os pro etos apresentados pelo

The pro ects presented by the Theater epartment of S A re ect some of

epartamento de Teatro da S A

ESMAE ESCOLA SUPERIOR DE MÚSICA E ARTES DO ESPETÁCULO DO INSTITUTO POLITÉCNICO DO PORTO

S A

III Cerveira International Art

proposals from every department, which

ue, oriundas de cada departamento,

usic and erformative Arts

at the

III Bienal de Cerveira é

re etem alguns dos vários mbitos de

the various fields of research in the areas

pes uisa e de investiga

of Interpretation and Staging of the

Interpreta

o nas áreas de

o e de ncena

estrado e da p s

radua

aster s degree and post graduation

o do curso de o em an a.

in ance.

PORTO — www.esmae.ipp.pt

CO ISS

IOS CU ATO S

DIMITRIOS ANDRIKOPOULOS E RUI DIAS CLÁUDIA MARIZA

A

SICA

A

MANUELA BRONZE E HELDER MAIA T AT O

— B

— I

I

ACIO A

TO

U A IC

O

O diálogo entre diversas imagens especulares

de Composi

mitiga a linha ue separa o documento e

o da scola Superior de

sica e

Artes do spetáculo do olitécnico do orto.

a fic

O uso da electr nica e do computador

individual. um espa o ue n o é um espa o e

veio complementar as possibilidades dos

num tempo ue n o é um tempo, uestiona se

instrumentos ac sticos na e plora

a ideia do corpo performativo e do corpo como

o criativa

do som como elemento composicional, permitindo a cria

o e transforma

foca a cria

A IA A SA TOS SI

o electr nica e electroac stica

como formato de e press o musical contempor nea, percorrendo as linguagens de e press o e de e plora

o técnica e estéticas

individuais dos autores. Aliada e plora musical, este concerto e plora a utiliza de visuais em tempo real pelo professor orácio  ar ues.

o, a mem ria coletiva da mem ria

autoimagem.

o de

som em est dio ou ao vivo. ste concerto

320 321

O S

Concerto por alunos e professores do curso

o o

A AB OA

A

A cria

o

apoio ao vídeo O apoio ao espa o cénico


A U OS CO

O

OSI SICA

SSO

S O CU SO

B

O A SCO A SU

IO

A T S O S

T CU O

O IB I O encena

A

O IB I O, I

e ITA CA A

S

A IA

U A encena

A A

A IA

U A,

A

es de forma a

criarem a sua pr pria e peri ncia auditiva. Instala

o [2]

es sonoras criadas pelos alunos finalistas

do Curso de Composi

ISCI A IO I [3] A A

o do ambiente

escutar e interagir com as instala

O IB I O S interpreta

o para uma e plora

e artista sonoro. Os visitantes são convidados a A

S dramaturgia

e ITA CA

I

sonoro envolvente, na perspetiva do compositor

o

A

STA

de inspira

O O IT C ICO O O TO [1] A

I

O espa o do Castelo de ila ova de Cerveira serve

o da S A no Castelo de

ila ova de Cerveira

o

A I A SI

e

A

de Julho

e SA A COSTA dramaturgia ITA CA

S interpreta

o [4]

SA TA

A

a cai a para a sala, da sala para o mundo e

CA I

Amígdalas, surge da adapta

num instante, tudo volta a ser pe ueno, mas

— A AS

brasileira

alsa

o da dramaturgia

de elson odrigues.

aC AIS

O

Uma mulher a percorrer a sua hist ria, uma

aChaise convoca a e plora

o das articula

es do

hist ria minuciosamente modificada por

corpo humano tendo como motes o grotesco e o

momentos ue fazem com ue o total oscile

Belo. A ideia surge com o estalar das articula

es

sons e olhares, sobre o medo da mudança e que

mem ria da sua inf ncia, vive e revive de fatos

entre a apar ncia e o fundo, o invisível e

do es ueleto e com a sua grava

o

uestiona o espectador sobre o seu papel e a

ue podem ou n o ser uma verdade. Transita

o visivelmente e posto e d o mostras da

como samples, para estimular novos movimentos

impossibilidade da personagem de ter uma

tendo como premissas a desarticula

e ist ncia nica. O ob eto ue por vezes

desconstrução.

nada como era antes. Uma performance de

m uma realidade fantasiosa, S nia vive da

coragem de saltar para fora da cai a. A

O IB I O encena

A

O IB I O, I

CA

A

entre a inf ncia e a fase em ue se torna

o A

S e ITA

S dramaturgia

A

O IB I O e ITA CA

ulher.

la procura a si pr pria, e ao reviver esses

S interpreta

o

momentos, reinventa cada personagem ue

funciona como tela de pro e

passou por sua vida. elson odrigues brinca

máscara preenche o espa o com a premissa de

com um espa o ue percorre a realidade e a fic

o, entre a vida e a morte.

eu brinco com

a personagem, encaro sua infantilidade e paranoias, e trago também da minha pr pria mem ria infantil, a uilo ue me a igia, me fazia cócegas, assim como as brincadeiras e a cantiga ue eu pr pria vivenciei.

na descoberta das

suas pr prias amígdalas ue a personagem 2

1

encontra o seu pudor, distanciando se cada vez 3

4

mais do seu ser inocente. ISCI A IO I interpreta

o

o, e outras como

A A

A IA

U A encena

A A

A IA

U A,

A

A I A SI

S interpreta

A e SA A

o

o

ela

A A SO IA A BU U O I

COSTA dramaturgia ITA CA

erformance, sob o tema ragmenta

Colabora

o

oea

ro eto Artístico Cénico de Coreografia

s uelética Ossos e Articula

ue prevale a a melhor vers o de si.

o e reprodu

OS A

o da U

o

o do Corpo com

sica ao ivo. cria

o e interpreta

S m sica original

o


FBAUP FACULDADE DE BELAS-ARTES DA UNIVERSIDADE DO PORTO PORTO — www.fba.up.pt

CO ISS

IOS CU ATO S

RUTE ROSAS SAMUEL SILVA FERNANDO JOSÉ PEREIRA

322 323

PT O outoramento em Artes lásticas da faculdade de Belas Artes da Universidade do orto tem como princípio fundamental trazer para a prática investigativa das artes um posicionamento contempor neo que requer, antes de mais, um olhar atento ao conte to em ue se desenvolve e em que se quer envolver. Assim, encara o seu prop sito como possibilidade de esclarecimento de algumas respostas decisivas para tentar clarificar as premissas ue se apresentam como passíveis de fornecer operatividade ao curso. Talvez a questão central – ainda por resolver mas em ampla discuss o um pouco por todo o lado, se a o ue fazer relativamente a um pensamento ue nos ltimos dois séculos foi moldando as regras do saber, segundo uma matriz disciplinar desenvolvida por especialistas e pensadores, uase sempre no interior da Universidade. de tal forma se foi assimilando o discurso que hoje quase nos es uecemos das possibilidades de um saber ue se e clua desta forma. Ora o fazer saber da prática artística, se á

uma vez reivindicou a sua condição única ao reclamar a possibilidade de cindir o cisma hegeliano do amo e do escravo a teoria e a prática numa outra forma de conhecimento em que a teoria é levada e e perimentada em termos práticos a arte tal como a conhecemos começa aí ho e, no meio do turbilh o de ideias e posi es diversas ue se formaram, volta a ser necessária uma clarifica o da no o, agora por inclus o, uer dizer, e pandindo a sua especificidade de forma de conhecimento para territ rios ue reconhecem a investigação, também esta, como forma ampla de saber. rop e se, assim, uma tentativa de multi facetar a actividade artística numa simultaneidade territorial ue possa ocupar intrinsecamente a chamada arte contempor nea com a participa o activa em e posi es, como agora, e, ao mesmo tempo, a investiga o nos moldes mais “académicos”, a que um curso deste nível obriga. Contudo, tentando evitar a cisão e mantendo a tónica na inclusão ue apela a uma espécie de diálogo entre os dois territórios sem no entanto haver a necessidade de um vencedor. , portanto, a partir deste princípio ue poderemos introduzir a amplitude das possibilidades investigativas em aberto. as uma investiga o, por mais heterodo a ue se ueira apresentar, representa e representa se por um acto de pes uisa e de busca em direc o a um aprofundamento sempre necessário. Assim, a investigação necessita, obviamente de uma componente te rica ue permita a sistematiza o da prática no envolvimento de uest es ue dali podem e ou devem partir mas ue, por certo, n o se dei ar o confinar a esse territ rio de ac o para se concentrarem na produ o pura de pensamento a partir da e perimenta o prática ue é desenvolvida. A prem ncia do fazer saber, outra vez. com estas premissas ue nos apresentamos nesta e posi o, em pluralidade medial mas com a certeza de uma motiva o forte todas as obras apresentadas s o o produto de um sentir ue uer ser sin nimo das hip teses de trabalho que encerram num mesmo resultado a possibilidade investigativa e a compet ncia do fazer. Ou se a, a obra de arte como tal, nem mais! irec

o do outoramento em Artes lásticas

EN The h in ine Arts at the aculty of ine Arts of the University of orto has the fundamental principle of bringing a contemporary position to the investigative practice of the arts, which re uires, first and foremost, a watchful eye at the conte t in which it is developed and wants to be involved. Thus, it considers its purpose as a possibility of clarifying some decisive answers, trying to enlighten the premises presented as

capable of providing operability to the course. erhaps the central uestion yet to be solved but under a wide discussion a little bit everywhere, would be what to do about a thought that, in the last two centuries, has been shaping the rules of knowledge, according to a disciplinary matri developed by e perts and thinkers, almost always inside the University. And it has been assimilating the discourse in such a way that today we almost forget the possibilities of a knowledge that is e cluded in this form. If the knowledge of the artistic practice has once claimed its unique condition by demanding the possibility of splitting the egelian schism of master and slave theory and practice into another form of knowledge in which the theory is taken and e perienced in practical terms art as we know it begins there today, in the midst of the whirlwind of diverse ideas and positions, a clarification of the notion is needed again, now by inclusion, that is, by e panding its form of knowledge specificity for territories that recognise research, also as a broadly form of knowledge. An attempt is thus made in order to diversify the artistic activity in a territorial simultaneity that can intrinsically occupy the so called contemporary art with the active participation in e hibitions ust like this event), and at the same time, the research in the most academic aspects, mandatory in a high level course such as this one. owever, trying to avoid the division and keeping the emphasis on inclusion that calls for a sort of dialogue between the two territories without the need for a winner. Starting from this principle, we can therefore introduce the breadth of open investigative possibilities. But an investigation, no matter how heterodo it may be, represents and it is represented by an act of research and search towards an ever needed deepening. Thus, the research obviously needs a theoretical component that allows the systematization of the practice in the involvement of issues that can and or should start from there, but which will certainly not be confined to this area of action to focus on pure production of thought, from the practical e perimentation developed. It is about the uality of creating knowledge, again. ith these premises, we present ourselves in this e hibition, in a medial plurality but with the certainty of a strong motivation all artworks presented are the product of a feeling that wants to be synonymous of the working hypotheses, containing in the same result, the investigative possibility and the competence of doing. In other words, the work of art as it is, nothing more, nothing less!


— DIANA TRINDADE FILIPE RODRIGUES PEDRO MESQUITA actory FLÁVIA COSTA CLÁUDIA TAVARES PEDRO CACHAPUZ SUSANA SOARES PINTO Casa do Artista RUTE ROSAS, SAMUEL SILVA Coordenação


IPT INSTITUTO POLITÉCNICO DE TOMAR TOMAR —

PT

EN

O Instituto Politécnico de Tomar (IPT)

The Polytechnic Institute of Tomar

é uma instituição de ensino superior

(IPT) is a polytechnic higher education

politécnico, no espaço europeu do

institution in the European Higher

ensino superior, dotada de valências nas

Education Area, endowed with

áreas das ciências, tecnologias, artes e

competencies in the areas of science,

humanidades que, desde a sua génese,

technology, arts and humanities,

concorrem complementarmente para a

which since its genesis, cares about

superior formação dos seus estudantes,

their students’ higher education,

produzindo conhecimento útil,

producing useful knowledge, abilities,

capacidades, competências e aptidões,

competencies and skills, preparing

preparando-os para o mercado de trabalho

them for the labour market and for the

e para o exercício de uma cidadania ativa

exercise of an active citizenship in

numa sociedade democrática.

a democratic society.

Criado em 1973, o IPT assume ainda

Created in 1973, IPT’s mission is: to

como sua missão: a expansão do acesso

expand access to knowledge for the

ao saber em benefício das pessoas e da sociedade, através da investigação, do

research, teaching and cooperation,

ensino e da cooperação, num projeto

in a global training project for the

de formação global do indivíduo; a

individual; the active participation in

participação ativa na construção de

the construction of a European area of

um espaço europeu de investigação

research and education, and of a regional

e educação, e de um modelo de

development model based on the

desenvolvimento regional assente

creation, innovation and valorisation of

na criação, inovação e valorização do In terms of artistic training, the IPT Em termos de formação artística o IPT oferece cursos em áreas diversas,

the degrees in Design and Graphic Arts,

nomeadamente as licenciaturas em

Visual Arts and Intermedia, Photography

www.portal2.ipt.pt

and Video and Documentary Cinema, as well as the Masters in Photography Documental, bem como os mestrados em

COMISSÁRIOS /CURATORS

and Editorial Design. In addition to its training, the IPT has

GONÇALO LEITE VELHO

No complemento das suas formações, o

been developing a series of cultural

DUARTE AMARAL NETTO

IPT tem vindo a concretizar uma série de

projects related to the environment, such

projetos culturais de relação com o meio,

as the intense international collaboration

dos quais se destacam a colaboração

for more than 15 years in the framework

internacional intensa há mais de 15 anos

of the European Culture program, regular

no âmbito do programa europeu Cultura,

organisation of exhibitions and activities

a organização regular de exposições

of its Centre of Art and Image/IPT Gallery,

e atividade do seu Centro de Arte e

in which not only students participate,

Imagem/Galeria IPT, nas quais participam

but also national and international

não só os seus estudantes, mas também

renowned artists.

artistas nacionais e internacionais

The IPT Photography Degree Programme

de referência. and technical background, supported do IPT oferece uma sólida formação

by continuous practical work. The model of this cycle in Photography

pelos permanentes trabalhos práticos. O

rests on the development of a diverse skill set to access the job market and

no desenvolvimento de um conjunto

to pursue postgraduate, master’s and doctoral studies.

ao mercado de trabalho e para prosseguir nos estudos de pós-graduação, mestrado e doutoramento. 324 325


— U O I

CIO [1]

S O I

1

2

U S [2]


EN

PT o ano em ue cumpre

In its

anos de

of Arts of the ortuguese Catholic

Universidade Católica Portuguesa tem

University has sought to strengthen

procurado refor ar os la os com o meio

ties with its surrounding environment

envolvente e as comunidades culturais e

and cultural and artistic communities

artísticas com as uais, e de acordo com

with which, and according to its activity,

a sua actividade, estabelece naturais

establishes natural a nities. Consequently, the Cerveira International

afinidades.

Art Biennial will host, in its

assim com a Bienal Internacional

a representation of works created by its

sua edi

students, curated by ítor Joa uim. The

o I , uma representa

o

de trabalhos dos seus alunos, com

pro ects presented are final works by film

curadoria de ítor Joa uim. Os

students, coordinated by Carlos obo,

pro ectos apresentados constituem

on the theme Territ rios erdidos

trabalhos finais de estudantes de

territories , a topic that motivated fiction

cinema, coordenados por Carlos obo,

and documentary proposals, between

subordinados ao tema Territórios

e perimental approaches and more

de fic

conventional formats.

abordagens e perimentais e formatos

environment that has been moving

mais convencionais.

the School, also ustified the opening

O diálogo com o meio e terior ue tem

of the S

dissemination of e ternal artistic

es na

pro ects and critical performance in the

oz do ouro, no orto, da aleria S

A, orientada para a divulga

A allery at its facilities in

oz do ouro in orto, aimed at the

movido a scola, ustificou também a abertura, nas suas instala

lost

The dialogue with the outside

o e documentário, entre

contemporary cultural channels.

o de

pro ectos artísticos e ternos e para uma

The use of the technological

atua

infrastructure has been another

o crítica nos canais culturais da

contemporaneidade.

instrument of the School s mobilization in

www.artes.porto.ucp.pt

A utiliza

e tra academic conte ts, with results in

o da infra estrutura

tecnológica tem sido outro instrumento de mobiliza CO ISS

IO CU ATO

VITOR JOAQUIM

o da scola em conte tos

two fronts the development of oint pro ects,

e tra académicos, com resultados em

through partnerships with alumni,

duas frentes

film producers and audio visual media companies

o desenvolvimento de pro ectos

the accomplishment of hundreds of

con untos, através de parcerias com e alunos e com produtoras de cinema e

heritage preservation and recovery

empresas do meio audiovisual

interventions carried out by the

a realiza interven valoriza

Conservation and Restoration Centre.

o de centenas de es de preserva

ith a technology based teaching in

oe

o patrimoniais, levadas a cabo

pelo Centro de Conserva

o e estauro.

the areas of Cinema, Animation, Sound esign, igital Arts and Conservation

Com um ensino de base tecnológica,

and estoration of Art and eritage,

nas áreas do Cinema, da Animação,

the School of Arts has always tried to

do esign de Som, das Artes igitais

enhance the intersection between art,

e da Conservação e Restauro de Arte

science and technology, which grants it a uni ue imprint of heterogeneity and

e Património, a Escola das Artes sempre procurou afirmar a intersec

o

interdisciplinary. Initiated in the academic year of

entre arte, ci ncia e tecnologia, o

, teaching is structured

in bachelors, masters and doctoral

ue lhe confere um cunho nico de

326 327

th edition,

de Arte de Cerveira que acolherá, na

erdidos, t pico ue motivou propostas

UCP ESCOLA DAS ARTES DA UNIVERSIDADE CATÓLICA PORTUGUESA

th year of e istence, the School

e ist ncia, a scola das Artes da

heterogeneidade e interdisciplinaridade.

programs, and its research activity is

Iniciado no ano lectivo de

integrated by CITA

,

Centre for esearch

o ensino estrutura se nos ciclos de

in Science and Technology of the Arts ,

licenciatura, mestrado e doutoramento

founded in

e a actividade de investigação está

investigation matrices associated with

en uadrada pelo CITA

artistic creation is one of its greatest

Investiga

Centro de

challenges.

o em Ci ncia e Tecnologia

das Artes, fundado em

, ue tem

na procura de matrizes de investiga associadas cria

o artística, um dos

seus maiores desafios.

o

, in which the search for


— B

A

O BO

B U O A

A O [1]

A [1]

RUI NÓ [1] SAANA KUOSA [2] SA A BA JOA A A

1 2 3

4

OS S [4]

A IA BA

OCO [3]


PT

EN

O epartamento de Artes isuais

The epartment of ine Arts and esign, together with the epartments

e esign, em con unto com os

of erforming Arts, Architecture and

epartamentos de Artes Cénicas, Ar uitetura e

usic, situated on the former

sica, sediados no

comple o da antiga ábrica dos e es,

University of vora, a teaching and research, e perimentation, creation and

uma unidade orgânica de ensino e e produ

o, e perimenta

o, cria

o

possesses two st cycle courses, two

O epartamento de Artes isuais e esign conta dois cursos de ciclo, duas

s

ciclo, dois radua

es

e um outoramento. A icenciatura em

Artes isuais uma forma

ultimédia apresenta o abrangente nas áreas

da intura, scultura e

ultimédia, ue

desde a sua base facultam uma s lida

UEVORA ESCOLA DE ARTES DA UNIVERSIDADE DE ÉVORA CURSO DE ARTES VISUAIS MULTIMÉDIA O A

prepara

o artística nos domínios te rico,

te rico prático e prático das Artes isuais. sta forma

o é complementada

nd cycle courses, two ostgraduates and one h . The degree in ine Arts ultimedia presents a comprehensive training in the areas of ainting, Sculpture and

ultimedia, which from its

base provide a solid artistic preparation in the theoretical and practical areas of ine Arts. This training is complemented by a high technological and workshop dimension developed in several

por uma elevada dimens o tecnol gica

workshops and ateliers.

e oficinal desenvolvida em diversos

In the conte t of the I Cerveira

workshops e nos ateliers.

International Art Biennial, under

o mbito da I Bienal Internacional de Arte de Cerveira, sob o tema

a

op Arte s Transvanguardas , foram

the theme

rom op Art to

Transavantgardes , we selected a diverse set of works, namely sculpture, engraving

selecionados um con unto diversificado de

and photography, representing part of a

obras, nomeadamente escultura, pintura

vast artistic production of our students

gravura, fotografia, ue representam

and future artists.

www.uevora.pt

parte de uma vasta produ

o artística dos

nossos estudantes e futuros artistas. CO ISS

IO CU ATO

LUÍS AFONSO

328 329

artistic production organic unit. The epartment of ine Arts and esign

o artística.

curso de

ions College ,

give rise to the School of Arts of the

scola

de Artes da Universidade de vora, investiga

ábrica

ions actory , now called

Colégio dos e es

atualmente designado por Colégio dos e es, d o corpo

dos e es


— A

IA A I

AS [1]

A

A T [2]

TIA O COSTA [3] B AT I A

IA [4]

B AT I A

IA [5]

A A

A

A A I

IO O OC A [7] I IA A COSTA [8] A

A SI

SI

2

1 4

5 7 8

3 6 9

[9]

[6]


UM UNIVERSIDADE DO MINHO B A A

UI A

S

— www.uminho.pt

CO ISS

IA CU ATO

NATACHA ANTÃO MOUTINHO

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PT A Escola de Arquitetura da Universidade do inho AU faz se representar na I Bienal de Cerveira com tr s pro etos que constituem uma amostra das práticas desenvolvidas em processos de ensino aprendizagem. A sua participa o inclui Seis desenhos em gesso de Carlos Barbosa, ilipe erreira, rancisco ocha, élder Oliveira, In s Oliveira e Sérgio inheiro, realizados em esenho do ano do estrado Integrado em Ar uitetura IA Um con unto de desenhos de processo de In s Oliveira, realizados em ro eto III unidade curricular nuclear no ano do IA A o , uma escultura coletiva, de Catarina ei oto, abriel ranclim achado, Joana ertuzinhos, aria ernandes, arcos Silva e Sofia erreira, realizada em ro eto Conceito e orma do ano da icenciatura em esign de roduto . Os “desenhos em gesso” são o resultado de uma investigação sobre as possibilidades de transgress o de um padr o abstrato bidimensional para uma superfície tridimensional, deste modo, e plorando o espa o partilhado entre práticas e técnicas artísticas gesso e a constru o espacial ma uetes tradicional da disciplina do pro eto de ar uitetura. Os desenhos de processo re etem, conforme a sua autora de mar o de , um imaginário artístico com raízes na op Art onde é visível a in u ncia de ichard amilton e dos Archigram, assim como a admira o pelo trabalho de Charles ay ames . A o surge de uma proposta ue abordou o conceito de “árvore”, traduzido numa grande m o transparente envolta por heras plantas e cu os dedos abertos simbolizam a ramifica o da ação solidária e missão da instituição Associa o raterna uimar es, onde foi inicialmente instalada. A AU oferece os cursos de icenciatura em esign de roduto, de estrado Integrado em Ar uitetura, de estrado em esign de roduto e Servi os e o outoramento em Ar uitetura, entre outras forma es especializadas. Articula o seu pro eto educativo com o desenvolvimento de investigação através do I aborat rio de aisagens, atrim nio e Territ rio ab t . Promove a investigação em arquitetura e a interação com a sociedade através do seu Centro de Estudos. A AU divide se em dois polos, o Campus de Azurém e o Campus de Couros, cu os espa os e positivos e laboratoriais) e colaboradores integram a diversidade de recursos disponíveis para o ensino e a investigação.

EN The Architecture School of the University of inho AU is represented at the I Cerveira International Art Biennial with three pro ects that constitute a sample of the practices developed in teaching learning processes. Its participation includes Si plaster drawings by Carlos Barbosa, ilipe erreira, rancisco ocha, élder Oliveira, In s Oliveira and Sérgio inheiro in rawing, nd year of the Integrated aster in Architecture IA a set of process drawings of In s Oliveira, carried out in ro ect III nuclear curricular unit in the nd year of IA The and , a collective sculpture by Catarina ei oto, abriel ranclim achado, Joana ertuzinhos, aria ernandes, arcos Silva and Sofia erreira, held in ro ect Concept and orm in the st year of the Bachelor s egree in roduct esign . laster drawings are the result of an investigation about the possibilities of transgression from a two dimensional abstract pattern to a three dimensional surface, thus e ploring the shared space between artistic practices and techni ues plaster and the traditional spatial planning mock ups of the architecture pro ect discipline. According to its author arch th, , the process drawings re ect an artistic imagery rooted in op Art where the in uence of ichard amilton and the Archigram is visible, as well as admiration for the work of Charles ay ames . The and comes from a proposal that approached the concept of tree , translated in a large transparent hand surrounded by ivies plants and whose open fingers symbolize the ramification of the solidarity action and mission of the institution Associa o raterna raternal Association uimar es, where it was initially installed. AU o ers the courses of Bachelor egree in roduct esign, Integrated aster in Architecture, aster in roduct esign and Services and h in Architecture, among other specialized courses. It articulates its educational pro ect with the development of research through I aboratory of andscapes, eritage and Territory ab t . It promotes research in architecture and interaction with society through its Centre of Studies. The AU is divided into two poles, the Campus de Azurém and the Campus de Couros, whose spaces both e pository and laboratory) and collaborators integrate the diversity of resources available for teaching and research.


— ALBERTO FILIPE MARQUES FERREIRA [1] CARLOS ABEL DA SILVA BARBOSA [2] HÉLDER MANUEL MIRANDA OLIVEIRA [3] FRANCISCO MIGUEL VEIGA DA ROCHA [4] SÉRGIO FILIPE GONÇALVES PINHEIRO [5] INÊS FRANCISCA BARROS OLIVEIRA [6] CATARINA PEIXOTO [7] GABRIEL FRANCLIM MACHADO [7] JOANA FERTUZINHOS [7] MARIA FERNANDES [7] MARCOS VAZ SILVA [7] SOFIA FERREIRA DE AZEVEDO [7]

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