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Leia também: As melhores práticas para migrar de provedor de nuvem | Os talentos mais desejados no próximo ano e seus salários WWW.COMPUTERWORLD.COM.BR | OUTUBRO/NOVEMBRO DE 2013 | ANO XIX | NO 559 | R$ 14,95

O PORTA-VOZ DO MERCADO DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO

INCLUI

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MOBILIDADE

CLOUD COMPUTING

SOCIAL BUSINESS

BIG DATA

SDN

Primeiros usuários comentam conquistas e lições da adoção das redes definidas por software 2014

O maior desafio do CIO será assumir o papel de principal agente de transformação dos negócios

MEGATENDÊNCIAS ELAS VÃO REVOLUCIONAR AINDA MAIS A FORMA COMO A TI É GERENCIADA E COMO AS EMPRESAS GERAM RECEITAS E SE RELACIONAM COM SEUS CLIENTES


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OUTUBRO/NOVEMBRO DE 2013

Índice

12 | CAPA MEGATENDÊNCIAS BATEM À PORTA CLOUD COMPUTING

SOCIAL BUSINESS

BIG DATA

Elas formam os pilares do que a IDC vem chamando de “Terceira plataforma da computação” e o Gartner, de “Nexos das Forças”. Convergentes, atuam simultaneamente no cenário econômico e tecnológico, e começam, desde já, a definir o futuro das empresas. A sua está pronta para se beneficiar das mudanças que proporcionam?

Frank Meylan

Jones Emerson

Frederico Costa

MERCADO

CASE

CARREIRA

8 BI, TELCO E CLOUD DARÃO O TOM DOS INVESTIMENTOS Estudos do Gartner apontam que os gastos das empresas brasileiras com TIC no próximo ano alcançarão US$ 129,7 bilhões, com aumento de 3,6% com relação a 2013. A maior parte desse montante será para serviços de telecom.

19 CLOUD AJUDA A REDUZIR O TIME-TO-MARKET

24 PROFISSIONAIS DE WEB E ERP ESTARÃO EM ALTA

Uma das formas de encurtar o caminho para atender aos pedidos das áreas de negócio é o uso da nuvem, modelo que começa a ganhar mais maturidade no País, com aumento da confiança dos gestores de TI.

SDN: O FUTURO DAS REDES

Projeções de consultorias em RH sinalizam que o mercado de trabalho continuará aquecido, com perspectivas de valorização salarial para talentos que transitem com desenvoltura entre a TI e as áreas de negócio. egó g cio.

Líderes de TI que já adoram a tecnologia compartilham suas experiências e dão conselhos para os interessados na implantação

GESTÃO

32 CONTRATOS DEVEM REGULAR RELACIONAMENTOS NA NUVEM Especialistas recomendam a inclusão de cláusulas claras sobre direitos e deveres, bem como sobre as questões de segurança envolvidas no processo de migração para outro provedor de serviço.

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MOBILIDADE


EDITORIAL | SILVIA BASSI

PRESIDENTE Silvia Bassi VICE-PRESIDENTE-EXECUTIVO Ademar de Abreu

WWW.COMPUTERWORLD.COM.BR REDAÇÃO DIREÇÃO EDITORIAL Silvia Bassi silviabassi@nowdigital.com.br EDITORA Edileuza Soares edileuza.soares@nowdigital.com.br EDITOR AT LARGE Cristina De Luca cristina.deluca@nowdigital.com.br EDITOR ESPECIAL – IT LEADERS Murilo Martino mmartino@nowdigital.com.br DIREÇÃO DE ARTE Ricardo Alves de Souza ricardo.souza@nowdigital.com.br COMERCIAL GESTOR Wagner Kojo wagner.kojo@nowdigital.com.br IMPRESSOS HEAD DE NEGÓCIOS Wilson Trindade wa@nowdigital.com.br ONLINE EXECUTIVOS DE NEGÓCIOS Carlos Sampaio carlos.sampaio@nowdigital.com.br Nathalie Vaz nathalie.vaz@nowdigital.com.br EVENTOS HEAD DE NEGÓCIOS Edson Romão edson.romao@nowdigital.com.br MARKETING & AUDIÊNCIA GERENTE Paula Campelo paula.campelo@nowdigital.com.br CENTRAL DE ATENDIMENTO

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DISTRIBUIÇÃO Door To Door TIRAGEM 15.000 exemplares

INSTITUTO VERIFICADOR DE CIRCULAÇÃO

A empresa conectada ao futuro

Silvia Bassi, publisher da COMPUTERWORLD silviabassi@nowdigital.com.br

“O

futuro não é aquilo que vai acontecer, é aquilo que será alcançado”. A frase é do escritor e futurista Don Tapscott, dita recentemente no evento NEST – Networked Society Forum, realizado pela Ericsson em novembro, em Miami. Tapscott referia-se ao cenário mundial urbano que apresenta uma população em crescimento exponencial – aumento médio de 1 milhão de pessoas nas cidades por semana – com uso intensivo da tecnologia móvel e digital. A frase era uma “call to action”. Futuro só acontece se você começar a trabalhar nele no presente. Para o escritor, as cidades precisam se comportar como startups, reinventandose o tempo todo. Os desafios da explosão populacional urbana –em 2050, 70% da população mundial vai morar em cidades – podem ser superados se a tecnologia digital for utilizada com esse propósito. Tapscott pode parecer “chover no molhado” ao dizer o óbvio, mas não é sempre o óbvio que é mais difícil de perceber e realizar? O tema do NEST foi “A reinvenção da vida urbana” e por dois dias luminares como Don Tapscott, Steven Levitt, Jimmy Wales, o ator Forrest Whitaker e outros especialistas apresentaram sua visão de futuro a uma plateia composta por cem líderes de TIC, entidades e órgãos governamentais. Eles se juntaram ao presidente e CEO da Ericsson, Hans Vestberg, para avaliar como a combinação de mobilidade, broadband, Big Data e Cloud Computing pode oferecer soluções para os desafios da urbanização. Até para questões prosaicas – mas

nem tanto – como por exemplo achar rapidamente uma vaga de estacionamento em Nova Iorque sem circular desnecessariamente com seu carro, aumentando a poluição e o tráfego. Uma startup chamada Snips utiliza os dados gerados por usuários de smartphones em Nova Iorque, que usam suas apps, para mapear em tempo real o movimento no trânsito da metrópole americana com tecnologia de Big Data. Com os check-ins dos usuários, a empresa pode analisar os dados e devolver a essas pessoas onde está a vaga mais próxima para estacionar. Pessoas com smartphones funcionando como sensores e gerando uma internet das coisas “híbrida” e barata. Genial e inovador. Na última edição de 2013, da COMPUTERWORLD e da CIO, dedicamos as reportagens a fazer um sumário das Megatendências – mobilidade, social business, cloud computing e big data – e desenhar seu impacto para 2014. E se olharmos para o ambiente de TI corporativa, a frase de Tapscott não poderia ser mais feliz: o futuro da TI e dos negócios da empresa será alcançado com ações objetivas no presente. E o capitão do time é o executivo de TI. Nossos mais sinceros votos são que você consiga abraçar a inovação e renovar-se o tempo todo. Porque o futuro está pronto para ser feito. Feliz Ano Novo e até 2014.


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E-mail seguro Tanto se falou para desenvolvermos nossa própria tecnologia, principalmente utilizando códigos open source. Mas criticaram (...). Aos poucos chegaremos lá. É só começar a valorizar e incentivar a mão de obra nacional que teremos excelentes produtos. Leitor: Valter Vieira da Silva Reportagem: Decreto de Dilma exige uso de e-mail próprio pelo governo contra espionagem

Falta de talentos no Brasil É a velha questão: as escolas e universidades formam alunos que estudam 3, 4 ou 5 anos. Já as empresas buscam profissionais com certificação e experiência de 3, 4 ou 5 anos na função. Enquanto não derem chance para o recém-formado vai continuar escasso o tal bom profissional que procuram. Será que ninguém se encaixa no perfil procurado ou não há ninguém com o perfil procurado? A

verdade é que uma empresa quer tirar o bom profissional já treinado de outras e (...) faz de tudo para manter os que tem. Não investem no treinamento (...) para não correrem o risco de que outra contrate o profissional depois. E enquanto isso, os recém-formados como eu, ficam desempregados. Leitor: Arthur Bof Demuner Reportagem: Déficit de talentos de TI no Brasil pode chegar a 408 mil em 2020

Carro elétrico com vulnerabilidade É o preço do pioneirismo! Mas que isso não seja uma desculpa para a Tesla não melhorar a segurança de suas APIs (...). Leitor: José Vahl Reportagem: Carro elétrico Tesla S é vulnerável a hackers

Expert em Big Data Óbvio que vai haver escassez. Oferecem 4 mil reais para um

DBA Oracle com experiência. O problema é que o profissional de TI é passivo demais, aceita ser tratado como idiota sempre, sendo que tem uma das profissões mais complexas (...). Eu conheço pião de chão de fábrica que ganha mais do que um profissional de TI formado. Leitor: P.P Reportagem: Qual é o perfil do cientista de dados?

4G Internet Box da Vivo De que adianta abrir um serviço que nos parece bom se não cumprem o que prometem? Fui habilitar este serviço para um cliente meu aqui de Brasília e fiquei mais de 1h30 ao telefone tentando habilitar o chip. Foram seis protocolos anotados (ligações caem, atendentes são mal-informados e despreparados, transferem daqui pra ali etc). Desisti (...). Leitor: Luís Fernando Santos Reportagem: Vivo leva oferta de 4G Internet Box para regiões de SP sem rede fixa

O QUE VOCÊ SÓ ENCONTRA NO SITE DA COMPUTERWORLD

Siemens Enterprise Communications passa a chamar-se Unify

A

(ex)Siemens Enterprise Communications tem novo nome desde 15/10, e passa a chamar-se Unify, com foco total no interesse crescente das empresas em tecnologia de comunicações unificadas (unified communications) em modelo de nuvem. Segundo a companhia alemã, que tem uma herança de quase 170 anos de história, a Unify emerge para mudar a conversa sobre como as empresas colaboram e se comunicam. Sua aposta são serviços e estrutura de comunicação unificada, cloud computing e mobilidade corporativa. Para a Unify, há um conjunto poderoso de forças mudando o desenho das comunicações e das indústrias de TI, combinando elementos como consumerização, BYOD (bring-your-own-device), entrada em massa de novos funcionários da geração Millenial e a categoria de “funcionários em todos os lugares” (anywhere workers) que acaba definindo um novo estilo corporativo, batizado por ela de new way to work (#NW2W). A empresa vai apostar fortemente no seu projeto Ansible, lançado em junho de 2013, que oferta uma nova plataforma de comunicação e colaboração com elementos de segurança, colaboração dinâmica, agregação de conteúdo universal e interface amigável. O Ansible ofereçe estrutura de

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comunicações cloud-based utilizando voz, vídeo, texto e compatilhamento remoto de telas. O projeto prevê que os usuários poderão mudar livremente entre diferentes dispositivos e os testes iniciais começam em janeiro, com lançamento comercial previsto para julho de 2014. A plataforma será oferecida primeiramente como SaaS (Software como Serviço) em nuvem para complementar as soluções OpenScape da Unify e os sistemas de telefonia corporativa de concorrentes. A mudança da marca acontece no mesmo momento em que a comunicação corporativa passa por uma revolução. Por conta de movimentos como BYOD, os funcionários não estão mais presos a uma escrivaninha ou a um telefone fixo no escritório. Segundo pesquisa recente da Infonetics Research, por exemplo, 87% das empresas norte-americanas planejam agregar recursos de videoconferência a suas estruturas de comunicação unificada. O uso de cloud computing também está em rota ascendente: 22% das mesmas empresas já ativaram parte de seus sistemas de comunicação unificada em nuvens privadas e 19% já o fizeram utilizando nuvem pública, segundo o estudo.


8

MERCADO

Megatendências puxam investimentos de TI no Brasil Gartner prevê que empresas locais vão gastar US$ 129,7 bilhões com tecnologias no próximo ano. Serviços de telecom e compra de dispositivos, principalmente os móveis, levarão a maior parte desse montante

O Alexandre Campos, analista de TI e telecom da IDC Brasil: 2013 foi o ano de cloud computing no mercado local

s investimentos em TI continuarão em crescimento no Brasil em 2014. Estudos do Gartner apontam que os gastos das empresas no próximo ano, nessa área, alcançarão US$ 129,7 bilhões, com aumento de 3,6% com relação a 2013, cujo total projetado é de US$ 125,2 bilhões. A taxa projetada é menor que a de anos anteriores por causa da desaceleração da economia. A maior parte desse montante será para serviços de telecom, que receberão investimentos da ordem de US$ 78 bilhões, alta de 1,8% em comparação com os valores estimados em 2013. As despesas com dispositivos (incluindo PCs, tablets, celulares e impressoras) chegarão a US$ 22,4 bilhões, 1,7% mais que os recursos aplicados este ano, segundo o levantamento do Gartner. Já os serviços de TI atingirão gastos de

US$ 21,2 bilhões em 2014, com elevação de 11,2% em relação ao volume desembolsado este ano. As despesas com data center devem alcançar US$ 3,2 bilhões, um aumento de 4,9 % sobre 2013. Os investimentos em software totalizarão US$ 5 bilhões em 2014, chegando a 9,2% mais que o destinado este ano. Donald Feinberg, vice-presidente do Gartner, observou que a economia local está andando mais lentamente, com redução do Produto Interno Bruto (PIB) e que o País terá uma agenda atípica no próximo ano. Haverá carnaval em março, Copa do Mundo em junho e eleições em outubro. Apesar de 2014 ter menos dias úteis para negócios, Feinberg avalia que o cenário é positivo para o Brasil por ser um dos mercados da América Latina que mais crescem e com demanda interna aquecida.


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10 MERCADO

Aumento dos dispositivos móveis no País vai pressionar empresas a investirem mais na Terceira Plataforma em 2014 Frank Meylan, sócio da área de Management Consulting da KPMG no Brasil

Entre as tecnologias que estarão no radar dos CIOs, o analista do Gartner prevê que vão prevalecer nos primeiros lugares as três que se destacaram em 2013 que são: ferramentas analytics e BI; mobilidade e cloud computing. Val Sribar, vice-presidente do Gartner, avalia que há muitas oportunidades no mercado brasileiro. Ele afirma que o aumento da importância do consumidor é fundamental para o crescimento sustentado dos gastos de TI no País. O analista chama atenção para a diversidade de negócios que surgirão com a Economia Industrial Digital, que será construída sobre as fundações da Terceira Plataforma de TI, que a consultoria conceitua como “Nexo das Forças”, apoiada em quatro alicerces: cloud computing, mobilidade, social business e Big Data. Essas quatro forças integradas e combinadas com a Internet de Todas as Coisas, segundo o Gartner, darão inicio à Era Digital com verdadeira transformação dos negócios. O motor que vai puxar essa mudança é a mobilidade. Projeções do instituto de pesquisas indicam que em 2020 haverá quase 30 bilhões de aparelhos conectados, sendo a maior parte deles interligados a produtos, beneficiando diversos setores como varejo, saúde e transporte. Outros 7,3 bilhões de devices estarão nas mãos das pessoas, com poder para compras online, navegação nas redes sociais e consumo de uma variedade de serviços. Com esse cenário, a recomendação dos analistas do Gartner é que os gestores de TI alinhem seus projetos para fortalecerem em 2014 iniciativas que contemplem os pilares das quatro forças que vão digitalizar processos e alterar os modelos de negócios.

Megatendências, big negócios Para Fernando Belfort, analista de mercado sênior da Frost & Sullivan para América Latina, as megatendências de TI impactam toda a sociedade de forma horizontal. O conceito de smart será disseminado pelas www.computerworld.com.br

cidades, redes de energia, carros, dispositivos móveis, prédios, fábricas etc. Essas mudanças vão refletir na economia, cultura, trabalho, modo de vida das pessoas e formas de fazer negócios, alerta o consultor. “Daqui a cinco anos todas as companhias competitivas precisão ter implantados, como práticas do dia a dia, projetos de mobilidade, cloud e Big Data”, reforça Belfort, que acredita que muitas dessas iniciativas vão ganhar espaço em empresas locais a partir de 2014. O analista constata que em 2013 muitas organizações olharam apenas para uma ou duas dessas vertentes, ainda assim de forma isolada, sem unir as peças. “O CIO que pensa Big tem que ter esses temas em sua agenda”, endossa. O aumento dos dispositivos móveis no País vai pressionar as empresas a investirem mais nas tecnologias que sustentam a Terceira Plataforma em 2014, avalia Frank Meylan, sócio da área de Management Consulting da KPMG no Brasil. “A mobilidade está ganhando muita força pela sua agilidade e dinâmica aos negócios, tomando o largo espaço dos PCs”, enfatiza o executivo, mencionado o interesse dos bancos em explorar essa tecnologia depois que o Banco Central aprovou regulamento em 2013, permitindo que os celulares se tornem meio de pagamento. Já Alexandre Campos, analista de TI e Telecom da IDC Brasil, avalia que 2013 foi o ano em que cloud computing começou a dar frutos no País, com aumento de maturidade e disseminação de projetos. As empresas investiram US$ 257 milhões em nuvem pública, US$ 123 milhões em infraestrutura (IaaS), enquanto a plataforma como serviço (PaaS) somou US$ 25 milhões e software como serviço (SaaS) US$ 109 milhões, segundo a IDC. Ele acredita que o conceito ganhará mais força aqui em 2014 e prevê crescimento anual de 74% do mercado local, chegando em 2015 com receita total de US$ 798 milhões. Uma das mudanças é que os negócios de SaaS ultrapassarão os de IaaS em faturamento.


12 CAPA

mobilidade

cloud computing

social business

big data

Terceira Plataforma pauta a agenda de TI em

2014

Analistas e indústria preveem incrementos dos projetos baseados nas quatro megatendências no próximo ano pela pressão que as companhias estão enfrentando para transformação de seus negócios www.computerworld.com.br


13

N

o ano em que o Brasil sedia a Copa do Mundo é esperado que Terceira Plataforma de Computação, pós mainframe e PCs, ganhe um grande impulso no País. Analistas de mercado e indústrias preveem que esse tema consumirá boa parte da agenda dos CIOs e fornecedores de TI no Brasil em 2014 pela pressão que as companhias estão enfrentando para ganhos de eficiência operacional e transformação dos negócios. As apostas dos fornecedores de tecnologias e serviços em torno dos negócios que serão gerados pela Terceira Plataforma no Brasil são grandes. Para a demanda prometida, há uma movimentação no mercado com fusões, incorporações, chegada ao País de novos players e investimentos em ampliação de data center. O setor espera investimentos maiores em projetos baseados nos quatro pilares desse conceito, que são cloud computing, mobilidade, Big Data e social business. Ao mesmo tempo, a disseminação dessas megatendências traz desafios para o Brasil. Entre os quais a necessidade de ampliação das redes de banda larga com

Existe uma pressão grande para que as empresas invistam em novas tecnologias para serem mais competitivas conexões mais baratas, redução dos custos de data center, capacitação de mão de obra especializada e definição de questões regulatórias como na área de segurança. A expectativa do mercado é que alguns desses entraves sejam resolvidos no próximo ano, quando o Brasil estará no centro das atenções do mundo por ser sede da Copa do Mundo e também por causa de outros eventos. Em 2014, o País terá duas eleições e em 2016 será o anfitrião das Olimpíadas, o que obrigará investimentos em novas tecnologias e infraestrutura para processamento. A Terceira Plataforma começou a

Cassios Dreyfuss, do Gartner


14 CAPA

Rede social corporativa aumenta produtividade dos funcionários

Arlindo Maluli Junior, diretor de estratégia e alianças da Microsoft

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ganhar mais força no Brasil em 2013, com participação nos novos projetos de TI, conforme revelou a 13a edição do Prêmio IT Leaders, realizado em agosto pela COMPUTERWORLD, em parceria com a IDC, que elegeu os 100 melhores CIOs do Brasil. O levantamento comprovou a existência de uma ou mais iniciativas baseadas no novo conceito nos investimentos das companhias que concorreram ao prêmio. O estudo mostra que os gestores de TI vão abraçar esse conceito em 2014. Entre os entrevistados, 89% informaram intenção de investir em consumerização e uso de dispositivos móveis. Uma parcela de 74% disse que planeja iniciativas para infraestrutura de TI no modelo de cloud computing, 89% desembolsarão recursos para BI e 69% vão comprar ferramentas de Customer Relationship Management (CRM) para reforçar o relacionamento com os clientes. A IDC estima que em 2020, cerca de 90% do crescimento de TI estará relacionado à Terceira Plataforma, que hoje representa 22% dos gastos com Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). Diferentemente de outras ondas tecnológicas em que o Brasil entra atrasado, nesta o País está junto aos demais mercados. Em estudo do Gartner sobre as dez prioridades dos CIOS em 2013 o Brasil aparece pela primeira vez alinhado com o resto do mundo, apontando nos três primeiros lugares as mesmas tecnologias do mercado global e da América Latina, que são: ferramentas para análise de

dados (analitycs e BI), mobilidade e cloud computing, na respectiva ordem. Cassio Dreyfuss, chairman e keynote do Gartner/ITxpo 2013, realizado no começo de novembro em São Paulo, diz que antes as tecnologias levavam uns três anos para chegar ao mercado brasileiro e que hoje os lançamentos são quase que simultâneo. “Existe uma pressão grande para que as empresas invistam em novas tecnologias para serem mais competitivas”, constata. O consultor observa que a situação privilegiada do Brasil atraiu mais fornecedores internacionais, obrigando eles a reposicionar seus produtos para o mercado local. “Antes, eles traziam produtos enlatados. Agora os vendors perceberam que a forma de o CIO brasileiro gerir TI é diferente”.

Por que adotar a Terceira Plataforma? O crescimento do uso da mobilidade no Brasil é a necessidade de dar respostas rápidas aos negócios são algumas das alavancas para as empresas investirem na Terceira Plataforma. Hoje o País conta com quase 270 milhões de celulares ativos e, segundo relatório da IDC, 46,2% dos terminais vendidos no primeiro semestre de 2013 são smarthphones. Ainda de acordo com o instituto de pesquisas, foram comercializados, 3,3 milhões de tablets nos primeiros seis meses de 2013, com aumento de 165% sobre os volumes do mesmo período em 2012. Aliado a isso, o Brasil está ampliando as redes de 4G e de Wi-Fi em locais públicos, permitindo que mais pessoas acessem internet. Erasmo Rojas, ex-diretor da 4G América para América Latina, observa que o Brasil já conta com mais de 400 mil usuários das novas redes de quarta geração, o que é uma oportunidade para as empresas lançarem serviços de dados para dispositivos móveis.


15 A consumerização faz com que usuários levem seus dispositivos para o ambiente de trabalho, desafiando as companhias a abraçarem o movimento do Bring your Own Device (BYOD) e buscarem ferramentas de segurança para proteger informações sensíveis que serão acessadas por esses aparelhos pessoais. Transformar negócios em um mundo conectado com inovação. Esse é o lema dentro das empresas. “Todos estão buscando ser mais competitivos e mais rápidos”, afirma Eduardo Lopez, vicepresidente de Aplicativos da Oracle para a América Latina. A TI tem a grande missão de ajudar as companhias a se reinventarem. O executivo acredita que a saída para os CIOs liderarem esse movimento é se apoiarem nos quatro pilares da Terceira Plataforma. Eles são os facilitadores para implementação de arquiteturas que permitem projetos com mais velocidade, como aplicações para colaboração e redes sociais, bem como soluções em nuvem. Com mobilidade, as pessoas estão conectadas o tempo todo, navegando em

redes sociais, consumindo e acessando uma série de serviços. “As companhias têm que ser rápidas para agir antes que o cliente faça queixas”, adverte Lopez, ressaltando que esse dinamismo puxado pela mobilidade e consumidor conectado exige que as organizações tenham inteligência para ouvir o que as pessoas estão falando de suas marcas nessas mídias. É preciso dar respostas com produtos personalizados. Lopez afirma que a tendência daqui para frente é a área de marketing apoiar o desenvolvimento de novos produtos não mais baseada em análises históricas de dados, mas em informações coletadas em tempo real nas redes sociais. Arlindo Maluli Junior, diretor de estratégia e alianças da Microsoft, acredita que as companhias do Brasil vão investir mais em ferramentas de mídia social não apenas para monitorar clientes, mas para ganhar produtividade internamente Segundo ele, muitos funcionários estão preferindo usar mais as redes sociais corporativas para se comunicar com seus times que o e-mail. Uma pesquisa realizada pela Microsoft

Investimentos em 2014

%

89

dos CIOs investirão em consumerização (uso de dispositivos como smartphone, tablet) para acessar aplicações corporativas nos próximos 12 meses

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16 CAPA

2014 será o ano em que as iniciativas de Big Data vão se transformar em projetos reais

Ana Claudia Oliveira, gerente de vendas para América Latina da Pivotal, unidade de negócios da EMC

com 9,9 mil profissionais em 32 países, incluindo o Brasil, revelou que 51% acreditam ser mais produtivos com uso das redes sociais corporativas. Com a possibilidade de as empresas contratarem essas aplicações na nuvem, Maluli aposta num crescimento da busca por esse tipo de solução em 2014, principalmente pelo desejo dos funcionários de terem seus serviços de comunicação integrados para acesso em qualquer lugar e qualquer dispositivo.

Maturidade da nuvem

Investimentos em 2014

87% dos líderes de TI continuarão investindo em softwares de gestão (ERP) www.computerworld.com.br

A forma mais rápida, encontrada pelos CIOS para colocar aplicações no ar e ampliar a infraestutura de acordo com a necessidade dos negócios, é a contratação de serviços na nuvem. Esse modelo, que era visto com desconfiança no Brasil, avançou no Brasil em 2013 e o ritmo de crescimento tende a continuar em 2014. Estudos do Gartner estimam que o mercado brasileiro termine o ano com movimento de US$ 2 bilhões em contratos de serviços de cloud computing. Para 2017, os negócios nessa área mais que vão se multiplicar no País e gerar uma receita de aproximadamente US$ 4,5 bilhões. Ao analisar o estágio dos serviços em nuvem no Brasil, Cassio Dreyfuss, vice-presidente Gartner no Brasil, avaliou que as empresas estão mais receptivas a esse modelo de contratação de TI. “Os CIOs estão percebendo que cloud é inevitável”, afirmou o executivo. Fabio Costa, presidente da VMware Brasil,

constata crescimento nas aplicações de nuvem no País, pelo aumento das vendas de seus sistemas para implementação de ambientes preparados para esse modelo de processamento. Ele observa que uma das razões que estão fazendo com que CIOs migrem para cloud são os orçamentos apertados para inovar. Hoje 70% do orçamento deles são para manutenção e que sobra apenas 30% para infraestrutura. Assim, o novo modelo permite expandir com maior controle dos investimentos. A nuvem também tem se apresentado como solução para as pequenas e médias empresas (PMEs), informatizarem seus negócios, constata Alexandre Kasuki, diretor de marketing da HP. Ele revela que as soluções de rede pública da companhia têm registrado uma grande procura por esse segmento e que o cenário é otimista para 2014. Entretanto, Dreyfuss observa que a falta de infraestrutura de telecomunicações fora dos grandes centros ainda é uma barreira para expansão desse modelo no Brasil. Apesar de reconhecer que a conectividade é um obstáculo para nuvem no País, Ione Coco, responsável pelo programa de CIO do Gartner Brasil, afirma que esse problema não deve ser uma desculpa para adiar os projetos de cloud. Sua recomendação é: “comece pequeno, mas faça. Não reclame da falta de infraestrutura”, aconselha.

Big Data em busca de seu espaço Entre os quatro pilares da Terceira Plataforma o que está menos desenvolvimento no Brasil é o Big Data, por ainda ser um conceito novo. A sua proposta é ajudar as companhias a lidar com grandes volumes de dados, coletando informações em tempo real de redes sociais ou transações de negócios para tomada de decisão com mais assertividade. Porém, o conceito gerou confusão no mercado sobre o que são ferramentas analíticas de dados e analistas do Gartner


18 CAPA

Orçamento apertado estimula CIOs a migrarem para nuvem

Fabio Costa, presidente da VMware Brasil

acreditam que esse ruído vai atrasar o crescimento dos negócios nessa área e retardar os projetos de Big Data. O alerta é de João Tapadinhas, diretor de Business Intelligence do Gartner. Tapadinhas afirma que há uma dificuldade por parte das empresas em entenderem sobre o uso correto das ferramentas analíticas, o que faz com o processo de decisão de compra se torne mais lento. Esse problema já existia antes da propagação do conceito de Big Data, segundo o analista do Gartner. “Muitas companhias fizeram investimentos em BI analítico e não tiveram o retorno esperado”. Como resultado disso, os negócios nessa área, que haviam registrado crescimento de 17% em 2011, fecharam com queda de 7% em 2012. Tapadinhas espera que as vendas de ferramentas analíticas voltem a crescer,

chegando a patamares de 10% até 2016. A indústria tem parcela de culpa pela confusão gerada no mundo das tecnologias de inteligência de dados. Mas o analista do Gartner percebe um esforço delas em tentar orientar o mercado. “Em 2015, a maioria dos fornecedores de ferramentas analíticas terá ofertas diferenciadas”, acredita Tapadinhas. O presidente da Teradata Brasil, Sérgio Farina, confirma que muitas companhias ainda estão tentando entender como extrair valor do Big Data. “Estamos ainda em momento de laboratório”, diz, indicando que setores como varejo e telecom estão entre os segmentos interessados em se apoiar em ferramentas para análises de dados. “Em 2013, percebemos que o mercado estava aberto a ouvir falar sobre Big Data no Brasil”, conta Ana Claudia Oliveira, gerente de vendas para América Latina da Pivotal, unidade de negócios da EMC. Ela acredita que 2014 será o ano em que as iniciativas vão se transformar em projetos reais. Seu argumento é de que as implementações são complexas, envolvendo mudança de processos, procedimentos, preparação do ambiente e também a capacitação de mão de obra. O cientista de dados é um talento escasso no Brasil. n

Investimentos em 2014

74% dos CIOs investirão em serviços de TI no modelo Cloud Computing www.computerworld.com.br

89%

69%

farão investimentos em BI dos CIOs investirão em CRM


BIOMETRIA

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TENDรŠNCIAS

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Recurso nรฃo deve ser encarado como complemento

Conheรงa os maiores desafios dos CIOs em 2014

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OUTUBRO/NOVEMBRO 2013 $*0$0.#3

Redes definidas por software (SND) PIONEIROS COMENTAM AS VANTAGENS E AS DESVANTAGENS DO MODELO E O QUE APRENDERAM DURANTE A IMPLANTAร‡รƒO


opinião N I CH O L A S D. E VA N S*

3

Prepare-se para a

biometria O recurso deverá ser parte integrante do smartphone ou tablet, e não um complemento

J

á se sabe que as vendas globais de dispositivos móveis superaram as vendas de computadores tradicionais em 2011. Este foi um momento de redefinição para a indústria de TI, chegando à era do “dispositivo móvel como o novo desktop”. À medida que eles rapidamente tornaram-se o canal preferido das pessoas para o consumo de informações, a comunicação e a realização de transações financeiras, o

próximo momento de referência será quando a maioria das interações dos clientes com empresas e com o governo também passar a ocorrer através de dispositivos móveis. Como é de se esperar, o malware está seguindo essa evolução em TI e, rapidamente, também está passando para o canal móvel – com pouco ou nenhum atraso. Na realidade, como mencionei em um post recente no blog www.cio.com.br


opinião

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da COMPUTERWORLD nos Estados Unidos, de acordo com a Symantec, a frequência de ataques em plataformas móveis passou por um grande aumento em 2011, justamente no mesmo ano em que as remessas de dispositivos móveis superaram a comercialização de computadores tradicionais. Além disso, em alguns países, as plataformas móveis estão passando por um número maior de ataques em comparação com os PCs tradicionais. De acordo com o Security Threat Report, 2013 (Relatório de Ameaças de Segurança, da Sophos) na Austrália e nos EUA, os índices de exposição a ameaças à plataforma Android estão excedendo os índices relacionados aos PCs. No Brasil, este ainda não é o caso, mas o mesmo estudo aponta que o percentual de dispositivos móveis que sofrem ataques no Brasil realmente foi maior que nos EUA. A Sophos define o índice de exposição a ameaças, ou TER (do inglês, Threat Exposure Rate), como a porcentagem de PCs e dispositivos Android que sofreram ataques de malware por um período de três meses, sejam bem-sucedidos ou não. Ao observarmos as transações financeiras realizadas online, vemos que, atualmente, a América Latina está passando por um grande crescimento na área de comércio eletrônico. De acordo com a empresa de consultoria de comércio eletrônico E-bit, “as vendas online no Brasil durante o primeiro semestre do ano totalizaram R$ 12,7 bilhões (US$ 5,2 bilhões), o que representa 60% de todas as transações de comércio eletrônico realizadas na América Latina no período”. A empresa também destacou que o uso de dispositivos móveis para compras também estava aumentando. Atualmente, embora seja uma pequena porcentagem do total geral do comércio eletrônico, “no primeiro semestre, 3,6% das vendas online foram realizadas com o uso de smartphones e tablets, em comparação a 1,3% no mesmo período do ano anterior” – este é um aumento de 300%. Neste contexto de ampla mudança do setor para o uso de dispositivos móveis como o novo desktop, do crescente número de ataques de malware direcionados a esses aparelhos e com o grande aumento do comércio eletrônico móvel na América Latina, principalmente no Brasil, gostaria de falar sobre como a consumerização de tecnologias de segurança cibernética, como a biometria, pode ajudar a amenizar alguns dos atuais problemas e

possibilitar mais crescimento do mercado. Como vocês podem imaginar, os brasileiros estão naturalmente mais preocupados com a segurança de suas transações online e de seus dados financeiros. Uma pesquisa recente chamada Unisys Security Index, realizada em 12 países e que incluiu entrevistas com mais de 1.000 brasileiros, avaliou a percepção dos consumidores em diversos aspectos relacionados à segurança. O estudo concluiu que 75% dos brasileiros estavam muito preocupados com o fato de outras pessoas obterem ou usarem as informações de seus cartões de crédito/débito. Grande parte das pessoas entrevistadas (67%) estava extremamente preocupada com o roubo de identidade que pode levar ao acesso não autorizado ou ao uso indevido de informações pessoais. A pesquisa também mostrou que a maioria dos brasileiros entrevistados se sentia de alguma forma confiante com a capacidade das tecnologias biométricas de proteger os dados pessoais em suas transações financeiras. Na realidade, 75% dos 1.000 brasileiros entrevistados afirmaram que estavam um pouco ou muito confiantes com a capacidade das tecnologias biométricas, como impressão digital, identificação por íris e reconhecimento facial ou da retina, de proteger suas transações financeiras. O que é necessário para proteger as transações móveis? Obviamente, não há algo que proporcione segurança absoluta, mas a biometria é um passo rumo à direção certa para fornecer um nível mais forte de autenticação. O que é necessário para difundir a biometria móvel? É necessário um interesse público em adotar essa forma de autenticação - e parece que há - e também de fabricantes de dispositivos que consigam introduzir esse recurso de uma forma que não seja dispendiosa e fácil de usar. O recurso deverá ser parte integrante do smartphone ou tablet, e não um complemento com um custo extra e elevado. A boa notícia é que, como a segurança cibernética é consumerizada com outros aspectos da indústria de TI, esses tipos de inovações na biometria de baixo custo e com facilidade de uso já estão sendo introduzidos na próxima geração de dispositivos móveis em todo o mundo. Órgãos do governo e CIOs com visão de futuro agora têm uma excelente oportunidade de utilizar essa tecnologia para aumentar a segurança de suas interações com clientes e cidadãos. CIO

Plataformas móveis já sofrem um número maior de ataques em comparação com os PCs

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*Nicholas D. Evans lidera o Programa Estratégico de Inovação da Unisys e foi apontado como um dos 100 principais líderes de TI em 2009 pelo prêmio Computerworld’s Premier 100 IT Leaders


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SDN

Pioneiros compartilham seus segredos

Treinamento, planejamento e testes s達o as chaves do uso das redes definidas por software POR JAMES CARELESS, NETWORK WORLD


C

om a habilidade de criar redes virtuais de modo rápido e eficiente – em vez de programar hardware conectado por rede individualmente – as redes definidas por software (SDN) parecem ser a solução que gerentes de TI, sobrecarregados, têm buscado para economizar tempo e recursos. Contudo, existe uma diferença entre a teoria por detrás de um avanço de TI como as SDNs e a experiência real de implantação e utilização. Conversamos com vários pioneiros do SDN para descobrir como suas incursões iniciais estão resultando e compartilhar o que eles aprenderam.

Testes são indispensáveis A Faculdade Marist, localizada em um pitoresco campus de 850 mil metros quadrados em Poughkeepsie, NY, foi selecionada recentemente pelo The Princenton Review como sendo um dos “Campus Mais Conectados” dos Estados Unidos. “Embarcamos na onda SDN através de um subsídio de pesquisa da IBM e imediatamente começamos a trabalhar com o protocolo OpenFlow”, conta Robert Cannistra, professor de ciência da computação e tecnologia da informação da Faculdade Marist. “Nosso trabalho nos levou a testar SDN em nosso laboratório de pesquisa liderado pela faculdade, e a desenvolver uma implantação piloto em nossa própria rede do campus através de nosso departamento de TI”. Durante os últimos dois anos e meio, a Faculdade Marist tem trabalhado com a IBM para testar e implantar uma rede definida por software baseada no OpenFlow para interconectar três centros de dados da faculdade. “Atualmente, nossos domínios Layer 2 convencionais estão inclinados a congestionamento de tráfego e longos tempos de convergência”, conta Cannistra. “Com nossa abordagem SDN, podemos desenvolver rapidamente políticas que abordem as causas de origem desses problemas e empurrar tais políticas através da rede, rapidamente. O resultado é uma significativa redução de latência, já agora podemos definir qual tráfego terá prioridade”.

Até o momento, a faculdade implantou acesso SDN básico para 5 mil de seus estudantes, e acesso avançado para vários grupos de pesquisa da faculdade. De “cético total” em relação às SDN, Cannistra se tornou um entusiasta, com algumas reservas. Ele explica: “Quando o assunto são os aspectos técnicos da SDN, o segredo está em cada implementação do fornecedor, o que torna todo o conceito de ‘OpenFlow’ um conceito fechado”. Felizmente, segundo ele, “à medida que a especificação do OpenFlow evolui, começamos a ver mais características e funcionalidades embutidas nos padrões abertos da indústria”. Segundo Cannistra, uma das principais armadilhas observadas logo no início da implantação foi a projeção e geração de esquemas de roteamento para serem utilizados nas redes ‘virtuais’ através do SDN. “Este é um ponto crucial para compreender: caso você o projete corretamente da primeira vez, você não precisa projetá-lo novamente ou criar ‘gambiarras’ mais tarde para superar obstáculos no projeto”. A forma de evitar este problema é ter uma boa plataforma de testes, como também verificar esses projetos antes de levá-los para a produção, uma ferramenta que a Faculdade Marist possui. O conselho de Cannistra para quem vai implantar SDN? “Teste muito. Teste a funcionalidade, teste o controlador, teste os switches, veja onde estão as fronteiras, se as mesmas existirem”.

Planejamento é fundamental

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Existe uma diferença entre a teoria por trás das SDNs e a experiência real de implantação e uso

O Henry Ford Health System (HFHS) serve 2,2 milhões de pacientes na área metropolitana de Detroit. Seus cinco campus cobrem 740 mil metros quadrados. O sinal WiFi cobre toda a área. “Temos 16 controladores WiFi e cerca de 4,4 mil pontos de acesso/sensores de detecção de intrusão”, conta Doug McDonald, gerente de redes sem fio do HFHS. “Com a explosão do tratamento médico baseado em comunicação WiFi e dispositivos móveis usados por funcionários e pacientes, evitar congestionamentos na rede wireless se tornou prioridade absoluta. www.cio.com.br


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8 Comece em uma área pequena de seu data center. Não tente fazer tudo de uma vez

Literalmente um caso de vida ou morte”. O HFHS está evoluindo a gestão da rede WiFi utilizando o software OneFabric Connect SDN, da Enterasys Networks, com apoio do AirWatch (Administração Wi-Fi) e da Siemens Enterprise Communications (hardware). “Com SDN, podemos definir níveis de acesso para dispositivos WiFi através da rede, garantindo que os dispositivos médicos tenham prioridade quando os níveis de tráfego sobem, e que os aplicativos que exijam banda consistente – como as aplicações de telemedicina baseada na linguagem de sinais – tenham o que precisam”, diz McDonalds. “Nós também acabamos de desenvolver portais BYOD, com SDN nos permitindo provisionar, regular e responder a problemas à medida que eles ocorrem. No momento somos capazes de suportar 10 mil usuários simultâneos e mais 5 mil usuários convidados todos os dias”. Agor, o Henry Ford Health System se prepara para mover seu projeto SDN para fora do laboratório. A intenção é iniciar a implantação em um de seus hospitais menores e daí passar aos demais. Mapear a implantação vem exigindo uma preparação prévia cuidadosa. “O maior desafio é a parte de planejamento”, conta McDonals. “Documentar um plano detalhado para implantação em cinco grandes hospitais e mais de 100 sites precisa ser algo bem orquestrado”. “Meu conselho para os departamentos de TI considerando o uso de SDN é observar de perto suas necessidades, estudar as soluções SDN disponíveis, cuidadosamente, e então testar rigorosamente a melhor aplicação antes de colocá-la em uso”, conta McDonald. “Não tenha medo de examinar detalhadamente. Teste em laboratório para ficar confortável com as ferramentas”.

O sucesso depende da implementação em etapas O Centro Médico da Universidade de Pittsburgh (University of Pittsburgh Medical Center – UPMC) é o maior empregador da Pennsylvania, com mais de 60 mil funcionários e opera mais de 20 hospitais acadêmicos, comunitários e www.cio.com.br

especiais e 400 ambulatórios. O UPMC possui tremendas exigências de data center, incluindo a necessidade de lidar com o provisionamento e administração de rede de modo eficiente e acessível. É por isso que o UPMC vem testando o Nuage Networks VSP, da Alcatel-Lucent, em seus laboratórios, e planeja também testar produtos de outros fornecedores, à medida que for determinando a tecnologia SDN correta para suas redes. “Acreditamos, como a maior parte das pessoas em nossa indústria, que a tecnologia SDN é a próxima principal arquitetura de rede”, conta Bill Hanna, vice-presidente de Serviços Técnicos da UPMC. “Nós já fazemos muita virtualização em nosso data center para maximizar nossos recursos de computação e ter maior flexibilidade. SDN é o próximo passo lógico para provisionar essas máquinas virtuais de modo rápido e flexível”. “Nossa expectativa é a de que o uso de SDN nos permita realmente explor a nuvem para uma administração de dados eficiente”, conta Hanna. “E também acelere nossa habilidade de prover novas máquinas virtuais rapidamente, e de fazer mudanças arquitetônicas estratégicas em tempo hábil. Este é um grande avanço em potencial na melhoria da produtividade e fluxo de trabalho para o provisionamento de nossas redes”, comenta. Conselhos? Primeiro, “eduque sua equipe de funcionários de TI sobre SDN”, diz Hanna. Segundo, “tenha um caso de uso claro”. Terceiro, ao implantar o SDN, “comece em uma área pequena de seu data center”, não tente fazer tudo de uma vez. Uma ressalva: ao considerar a implantação do SDN em sua infraestrutura, “preocupe-se com a rede básica, o que acontece quando ela para e como a solução de problemas é feita. “Soluções SDN que não fornecem visibilidade em todos os níveis de rede seriam consideradas abaixo do ideal”, comenta Hanna. Seu último conselho: quando o assunto é fazer SDN funcionar, tenha em mente que tecnologia não é tudo. “Você ainda precisa de pessoas realmente inteligentes que estejam abertas a mudanças”, conta ele. CIO


OPENFLOW E SDN: O FUTURO DAS REDES POR JIM DUFFY, NETWORK WORLD

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futuro das redes será definido por software. Esse foi o tema principal do primeiro dia do Open Networking Summit, encontro dedicado às redes definidas por software (SDN) e ao protocolo OpenFlow, que leva uma programação simplificada aos dispositivos de rede (switches e roteadores, físicos e virtuais, de diversos fornecedores) através de uma interface padrão. Com um forte conteúdo tecnológico e pouco marketing, o Open Networking Summit foi organizado pela Universidade de Stanford – onde o OpenFlow foi concebido – e pela Open Networking Foundation (ONF), organização formada no início deste ano para padronizar o OpenFlow e a SDN. O grande público presente ao Open Networking Summit _ de 600 inscritos, parte deles responsáveis por mais de 25 demonstrações _ é uma prova irrefutável de que não estamos mais diante de um projeto de pesquisa. “De fato, SDN possibilita que os clientes e usuários façam coisas que eles não podiam fazer antes”, afirma Dan Pitt, vice-presidente da cúpula e diretor executivo do ONF. O quê, por exemplo? Programar uma rede como se ela fosse um computador. O OpenFlow, ou qualquer API que forneça uma camada de abstração da rede física para o elemento de controle, permite que a rede seja configurada ou manipulada através de software, o que a abre para maiores inovações, segundo os participantes da conferência. “A proposição de valor... é a habilidade de inovar dentro da rede a fim de obter vantagens competitivas”, argumenta Martin Casado, cofundador e CTO da Nicira Networks, empresa de virtualização de rede. “Uma vez que você dissocia as camadas, elas podem evoluir independentemente”. A SDN fornece abstração em três áreas da rede: estado distribuído, encaminhamento e configuração, conta Scott Shenker, membro fundador do conselho da ONF e professor da Universidade de Berkeley. As abstrações são a chave para extrair simplicidade. “Utilizar redes hoje significa dominar a complexidade, conta ele. “A habilidade de dominar a complexidade não é a mesma coisa que a habilidade de extrair simplicidade”, argumenta Shenker. “SDN é uma mudança imensa no paradigma da função de controle logicamente centralizado”, completa. Com o OpenFlow/SDN, os usuários podem

personalizar as redes de acordo com as necessidades locais, eliminar ferramentas desnecessárias e criar redes virtuais e isoladas, conta Nick McKeown, professor de engenharia elétrica e ciência da computação em Stanford. Eles também podem aumentar o ritmo da inovação através de software, em vez de hardware, o que irá acelerar a troca de tecnologia com parceiros e a transferência de tecnologia entre universidades. Mas existem ressalvas também. O OpenFlow e as SDNs acabaram de sair dos laboratórios de pesquisa e de entrar na produção. O OpenFlow é imaturo e não foi testado em implantações de rede de larga escala, dizem alguns participantes da cúpula. A escala, tolerância a falhas e a segurança foram questionados. Pode levar anos para que a tecnologia se manifeste de modo significativo em ambientes de produção.

Efeito Cisco

Como a fornecedora líder em roteadores e switches, a Cisco pode ter muito a perder com a mudança para o SDN. Apesar de ser membro do ONF e planejar colocar o OpenFlow em sua linha de switches Nexus, a SDN pode tirar a proposta de valor do discurso de vendas arquitetônico da empresa. David Meyer, um distinto engenheiro da Cisco, conta que a empresa compreende o potencial impacto do OpenFlow/SDN e está formulando uma reação para o mesmo. Independente disso, as empresas e os data centers de grande escala, como aqueles que pertencem ao Yahoo, necessitam disso agora, conta Igor Gashinsky, arquiteto chefe da Yahoo. “Um dos problemas é a descoberta de topologia”, conta ele. “Roteadores gastam mais de 30% dos ciclos da CPU refazendo a descoberta de topologia. Já temos isto em uma base de dados central! Então vamos apenas programá-la!”. Com uma API geral como o OpenFlow, SDN torna muito mais simples a introdução de novos fornecedores de sistemas operacionais, conta Gashisky. Permite que os usuários criem plug-ins para adicionar características ao plano de controle sem ter de modificar o hardware fundamental – ou melhorar o hardware sem modificar o plano de controle, conta ele. “É como a mudança de mainframes para servidores Linux”, compara Gashinsky.

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PREMIER N NETWORKING, IINOVAÇÃO E NEGÓCIOS

Premier 100 IT Leaders Conference mantém a tradição de abrir oportunidades para novos negócios entre CIOs, seus pares e o mercado de tecnologia.

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FELIZ

2014!

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E

stamos na época do ano na qual a maioria das empresas realiza seu planejamento e orçamento para o ano seguinte. Além disso, temos apenas poucos meses para completar as metas estabelecidas para o ano corrente. Todo ano ouvimos o mesmo discurso de “fazer mais com menos”. Entretanto, penso que estamos tendo o privilégio de vivenciar um momento fantástico: grandes mudanças ocorrendo no mundo e em TI, umas impulsionando as outras. Nunca vi tantas trocas de CIOs ocorrerem em um ano. E, a meu ver, isso é reflexo direto desse momento de transformações. Para falar dos desafios do CIO para 2014, começarei com uma análise geral da economia e dos negócios. Afinal, é para gerar valor para os negócios que existimos. E todos sofremos impactos das mudanças na economia. No cenário político atravessamos uma grave crise na Síria que nos colocou no limiar de uma nova guerra. Foi o principal assunto da recente assembleia da ONU. Provavelmente , no cenário internacional, continuaremos em 2014 com uma situação bem delicada. www.cio.com.br

Aqui, do nosso lado do mundo, teremos em 2014 eleições presidenciais no Brasil, o que nos países emergentes acaba sempre gerando insegurança na economia. Some-se a isso o fato de que ainda tentamos entender os impactos das manifestações populares, que no Brasil e em outros lugares do mundo foram muito forte. E, como se não bastasse, ainda temos os casos recentes de espionagem contra o Brasil inflando a já crescente preocupação quanto à segurança das informações. No cenário econômico, a grande locomotiva do planeta - China - continua a crescer, mas cada vez menos. A Europa tenta atravessar sua crise. Já os Estados Unidos devem continuam apostando na revolução energética do gás do xisto para promover sua recuperação. Essa recuperação da economia dos Estados Unidos traz grandes reflexos para a América Latina. Temos um grande comércio com eles e sua recuperação fortalece esse comércio. Por outro lado, ela também tem consequências ruins: tira investidores do nosso país, ocasionando o aumento do dólar e a necessidade de maiores taxas


de retorno para atrair investimentos. Embora, para quem exporta serviços, principalmente, a notícia da elevação do dólar não seja ruim, pela maior competividade nos custos. A conjunção do cenário políticoeconômico para 2014 é a de que deverá ser um ano mais difícil do que 2013. Muitos riscos, muitas ameaças, mas também muitas oportunidades. Para as empresas serem competitivas neste cenário, duas são as estratégias gerais:

 $EºNIREMQUESEGMENTOS ATUAR EMQUEMERCADOS COM QUEMIXDEPRODUTOS A TI poderá ter um papel fundamental na definição dessas estratégias, via o uso de aplicações de Business Inteligence e de ferramentas inovadoras de “big data”. Pela primeira vez é possível trabalhar com dados reais e massivos com potencial de aumento na precisão da análise e possibilidade de inter-relacionar mais dados.

­&OCARNAPRODUTIVIDADE Já não é mais possível no Brasil crescer com base da mão de obra barata, pelo alto desemprego e a baixa formação. Agora, com o pleno emprego, temos que entrar no jogo dos grandes e produtividade passa a ser fundamental. Três aspectos entram em campo: excelência operacional, otimização da cadeia e recrutamento de talentos. Ter as melhores pessoas faz diferença. Para isso, precisamos olhar todo o ciclo – da entrada de novos profissionais e seu desenvolvimento, aos esquemas de remuneração e principalmente alinhamento com os valores da empresa. A TI também pode exercer um papel decisivo na produtividade, a partir desses três aspectos anteriormente mencionados. Porém, os efeitos da saída de capital da economia gerando alta do dólar e a necessidade de maiores taxas de retorno dos projetos trarão custos maiores para TI e maior dificuldade de aprovação de

projetos. Seremos pressionados para baixar custos em um cenário de alta no valor do hardware, do software e dos custos de manutenção. Quando olhamos para as principais tendências de TI, não há entre os observadores da indústria quem não fale de “Cloud”, redes sociais, “big data” e mobilidade, além de BYOD, comunicação “machine to machine”, computação “in memory”... Uma série de tecnologias novas e conceitos antigos que, juntos, estão gerando uma revolução na TI, nos negócios e nas vidas das pessoas. É certo que a TI daqui a cinco anos será muito diferente do que é hoje. São vários aspectos dessas mudanças. Mas um deles tem impacto direto no trabalho do CIO: a redistribuição do orçamento de TI entre as áreas de negócio. Segundo as empresas de pesquisa, a média dos CIOs hoje usa em torno de 70% do orçamento para manter a operação, 25% para projetos e 5% para inovação. Daqui a cinco anos espera-se que o percentual para operação caia pela metade (35%). Não porque a operação perderá importância, afinal toda a operação das nossas empresas, de um jeito ou de outro, já está ou estará conectada à TI – e excelência operacional , como vimos, será cada vez mais fator básico de competitividade _ , mas porque com cloud e outras novas tecnologias espera-se um ganho de escala e produtividade para

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cortar tais custos pela metade. Para projetos espera-se dobrar o gasto atual (50%) e para inovação, triplicar (15%). Essas mudanças darão à TI, definitivamente, o potencial de ser o principal parceiro de negócios ou mesmo o principal agente na transformação dos negócios. Espera-se que nós, CIOs, tenhamos uma visão clara de como a TI pode gerar valor e possamos desenvolver nosso potencial de “business leadership”. Essa visão da importância do papel da TI não é unanimidade, pois cada vez mais as pessoas que trabalham em outras áreas estão mais proficientes em tecnologia e estão vivendo o negócio no dia a dia. Muitas vezes a TI terá que suar para “correr atrás” dos outros. Cada vez mais os CIOs serão obrigados a participar ativamente, desde o início, da construção de novos projetos de transformação, para não correrem o risco de só serem lembrados na hora que precisarem ser o portador das más notícias (questões de segurança, adequação a arquitetura, custos não informados por fornecedores, prazos mais realistas,...). Vender para a organização a importância do potencial papel da TI parece ser uma das principais missões do CIO.

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Portanto, teremos um período fascinante pela frente, já com grandes desafios no ano que se aproxima. Vejam, por exemplo, o que esta acontecendo na própria indústria de TI, que todos nós conhecemos tão bem. Recentemente foi anunciada a venda da RIM (blackberry). Há menos de dez anos ela era a líder da mobilidade no mercado corporativo, uma empresa inovadora e que veio perdendo espaço com as transformações do mercado. A Microsoft , por sua vez, passa a se definir como uma empresa de serviços e dispositivos, o que é bem diferente de ser uma empresa de software. Dois exemplos claros, para não mencionar as transformações que as outras “tradicionais” estão passando. Oracle, Sap, Cisco,... Apple, Google e Facebook, quais influenciarão mais no mercado: as “tradicionais” ou as “novas”? Claro que setores que envolvem tecnologia mudam mais rapidamente, mas o que está acontecendo na indústria de TI, de alguma forma também acontece nas demais indústrias, sejam elas de B2B ou B2C. Ao líder de TI cabe gerar valor e ser um agente de transformação dos negócios, apoiando no aumento de produtividade e na definição do “where to play”. Operar TI com eficiência operacional conseguindo baixar os custos, apesar da alta do dólar e , em um ambiente cada vez mais na nuvem, com mobilidade e novos funcionários da “geração Y”, assegurar a segurança adequada das informações. Contribuir, enfim, para que nossas empresas tenham melhores condições de competir e crescer sustentavelmente em um ambiente cada vez mais complexo e adverso. Como o perfil dos CIOs é gostar de desafios... feliz 2014! CIO

Teremos um período fascinante pela frente, já com grandes desafios no ano que se aproxima

*Ricardo Gomes de Castro é Diretor de TI CSC – Grupo Camargo Corrêa www.cio.com.br

Mas muitas outras são igualmente importantes: Â Saber operar, definir uma ótima arquitetura de TI, contratar e gerenciar bem o que manterá dentro de casa e o que manterá na nuvem. Â Integrar os grupos de inovação das empresas, apoiando a transformação dos negócios cada vez mais sustentáveis. Â Liderar toda a equipe de TI, empregados e parceiros na direção da inovação.


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MAR/ ABR

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MAI/ JUN

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JUL/ AGO

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Março

COMPUTERWORLD: O roadmap do novo modelo de TI CIO: Consumerização e Mobilidade Corporativa

21/02

28/02

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COMPUTERWORLD: Big Data e Mobilidade â&#x20AC;&#x201C; A nova corrida do ouro 15/04 CIO: A nova força de trabalho de TI e seus desafios

22/04

Julho

Especial Carreira As Melhores Empresas de TIC para Trabalhar; COMPUTERWORLD / CIO: As Carreiras Mais Promissoras 17/06 Os conselhos dos CEOs para Liderar

24/06

Setembro COMPUTERWORLD / CIO: Especial 100 ITLeaders

19/08

26/08

Novembro COMPUTERWORLD: EstratÊgias de Gestão da TI / Tendências 2015 CIO: A Tecnologia como carro-chefe da Inovação

14/10

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Uma publicação:


CASES 19

nuvem

CIOs colocam pés na Para acompanhar a velocidade dos negócios, gestores brasileiros de TI começam a contratar serviços sob demanda, apesar de ainda cautelosos com aspectos de segurança

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orçados a dar respostas rápidas para atender à velocidade dos negócios, CIOS brasileiros estão investindo em projetos baseados nos quatro pilares (cloud computing, mobilidade, Big Data e social business) que sustentam a Terceira Plataforma de TI. Uma das formas de encurtar o caminho para entrega das aplicações é a adoção de cloud computing, modelo que começa a ganhar mais maturidade no País com aumento da confiança dos gestores de TI. O 13o Prêmio IT Leaders, realizado em agosto pela COMPUTERWORLD, em parceria com a IDC, que elegeu os 100 melhores CIOs do Brasil, é um dos termômetros do aumento dos investimentos em projetos de cloud computing no País. O estudo revela que 74% dos líderes entrevistados têm planos de investir em serviços nessa área em 2014. Algumas iniciativas foram lançadas em 2013, conforme projetos publicados na 13a edição do Prêmio IT Leaders da COMPUTERWORLD, envolvendo

compra de tecnologia sob demanda de Infraestructure as a Service (IaaS) e também de Sofware as a Service (SaaS). Ao relatarem seus projetos, CIOs confessam que a nuvem surge como uma salvação para atenderem aos pedidos dos negócios com rapidez. Apesar de cautelosos com os aspectos de seguranças, executivos de companhias de diversos setores da economia estão desenvolvendo planos para mover aplicações para nuvem. Os projetos contemplam redes privadas e públicas, levando-se em consideração a criticidade da aplicação, seguindo a tendência do mercado da composição de ambientes híbridos. “Muitos projetos são barrados hoje porque a TI não tem agilidade”, reconhece Jones Emerson Costa Lima, diretor de Tecnologia da Universidade Tiradentes (Unit) de Aracajú (SE), ao elencar as razões pelas quais sua instituição decidiu colocar os pés na nuvem. A Unit optou por esse modelo pela necessidade de ter um site de contingência

Jones Emerson Costa Lima, da Unit

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20 CASES

José Junqueira Simões, da União Química Farmacêutica Nacional

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de seu data center. O projeto nasceu com hospedagem na cloud da Amazon Web Services (AWS) para processar todas as aplicações da instituição, incluindo as críticas como o ERP e o sistema acadêmico que atende 35 mil alunos dos cursos de graduação e pós. “Fizemos um amplo estudo e acabamos optando pela nuvem pública da Amazon”, explica Lima. Os testes começaram em outubro com implementação em etapas. A conclusão está prevista para o fim de julho de 2014. A consultoria Deloitte ajudou a mapear processos críticos, mas houve dificuldade para contratação do fornecedor. “Não era só levar as aplicações para nuvem. Precisávamos preparar a infraestrutura física, com instalação de uma rede de fibra óptica, firewall e links web”, conta o CIO. Velocidade para acompanhar o ritmo dos negócios também foi o argumento de José Luiz Junqueira Simões, gerente de TI da União Química Farmacêutica Nacional. Ele menciona como exemplo disso a redução do tempo para preparação da infraestrutura de TI para suportar a operação de novos distribuidores da companhia, que caiu de um ano para três meses. A nuvem é um componente importante para o programa “Mais com Menos”, resultado do planejamento estratégico da União Química, que tem a meta de elevar a receita em 20% até 2016 e é chamado de 20x16. Para apoiar as unidades de negócios nesse desafio, o CIO reestruturou processos informatizados relacionados à cadeia de suprimentos, produção, qualidade, distribuição e comercialização, perseguindo as diretrizes táticas propostas pelo board da companhia. Esse processo exigiu a incorporação de dois distribuidores. “Eles nasceram100% na nuvem com ERP SAP, CRM e outros software”, informa Simões, frisando que

há uso de rede privada e pública. Essa última, segundo ele, está protegida. Para o CIO, toda essa mudança “mostrou uma nova dinâmica nos processos de negócios corporativos e o melhor, totalmente alinhado ao planejamento estratégico”. A possibilidade de melhorar a eficiência da TI e ter elasticidade para alocar recursos em picos sazonais da produção é um dos impulsionadores que colocaram a Fiabesa na nuvem. A fabricante de embalagens, localizada em Pernanbuco, está se transferindo para cloud, com a implementação de um projeto arrojado. A meta do CIO da Fiabesa, Carlos Diego Cavalcanti, é até 2015 levar todas as aplicações da companhia para uma cloud privada. O projeto vai além de aspectos e decisões técnicas. “Trata-se sim, de um marco estratégico para a organização, no sentido de apontá-la um caminho de futuro”, explica o executivo. A iniciativa começou no segundo semestre de 2012 e prevê sete etapas. O pontapé inicial foi a mudança do backup para uma cloud storage. Depois será a vez dos servidores de banco de dados e das aplicações verticais de negócio menos críticas. Na sequência, migram as aplicações de média criticidade, seguidas do ERP e serviços de rede. Cavalcanti argumenta que havia dificuldade para manter investimentos contínuos em infraestrutura de TI, que não eram percebidos pela operação. Com IaaS (Infrastructure as a Service), esse cenário muda porque contratação será por demanda. “É um projeto inovador pela adoção de uma nova tecnologia por parte de uma organização que não é de TI e porque estamos rompendo paradigmas locais, onde há a cultura de que precisamos ‘tocar` nos investimentos que fazemos em TI”, endossa o CIO, IT Leader 2013, na categoria Indústria de Manufatura


22 CASES

Projeto levou em conta a mobilidade dos usuários e as diversas formas de interação presentes na vida dos executivos Eduardo Magalhães Barbosa, da Kinross Gold

Colaboração e comunicação unificada A comunicação unificada com ferramentas de colaboração na nuvem está ganhando espaço em algumas empresas no Brasil, independente do porte de atuação. Duas companhias que estão extraindo os benefícios do uso dessa tecnologia por meio do modelo de SaaS são a mineradora Kinross Gold Corporation e a Cotia Trading. Na Kinross Gold o projeto surgiu da necessidade de um alinhamento da tecnologia de comunicação das filiais da América Latina com a matriz, no Canadá e outros mercados. Executivos do continente latino-americano precisam constantemente falar com seus pares, mas até o ano passado essa tarefa não era simples. Eduardo Magalhães Barbosa, diretor de TI da Kinross Gold para América do Sul, lembra que a subsidiária usava sistemas IP diferentes das demais unidades e a conexão para reuniões de negócios era lenta. A resposta da TI para solucionar o problema foi a implementação de um projeto de comunicação unificada em nuvem com padrão global do grupo. Atualmente, executivos fazem videoconferências com seus pares distribuídos geograficamente até pelo seu smartphone do aeroporto, hotel ou de qualquer lugar onde estiverem. “Nosso projeto repensou como nos comunicamos internamente e fora da empresa, levando-se em conta a mobilidade dos usuários e as diversas formas de interação presentes na vida dos executivos”, esclarece Barbosa, que foi IT Leader 2013 da categoria da Indústria de Agronegócio e Mineração. O desafio do CIO foi quebrar paradigmas, como acabar com reuniões presenciais no Brasil com executivos da América do Sul para balanços financeiros, que eram realizadas trimestralmente. Barbosa afirma que cada reunião gerava gastos em torno de US$ 120 mil, somando custos com viagem e hospedagem. Além eliminar essa conta, a empresa conseguiu com o projeto de comunicação unificada na nuvem cortar em 40% os custos com telecomunicações, que caíram de US$ 350 mil para US$ 120 mil ao ano. O objetivo da Cotia Trading com o projeto Video Conferencing as a Service (VaaS) também era entregar uma ferramenta de comunicação e colaboração aos times de negócios, com redução de custos. Fabio Sartori Salvatore, que levou o título de TI Leader 2013, na classe de Pequenas e Médias Empresas (PMEs), relata que iniciativa permitiu aos funcionários fazerem reuniões virtuais com qualidade em qualquer lugar. A Cotia Trading tem escritórios no Brasil, Estados Unidos, Argentina e China. O VaaS veio para substituir as conferências telefônicas, diminuir o número de reuniões externas e viagens. Salvatore considera que o projeto é inovador por não ter exigido altos investimentos em instalação de ambiente especial. A solução permite que o usuário tenha “a sua própria sala” de conferência em seu dispositivo para fazer videoconferências de onde estiver desde que possua acesso internet por 3G, 4G ou Wi-Fi.

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24 CARREIRA

Talentos

mais desejados em 2014 Especialistas em ERP, aplicações móveis, dados e infraestrutura devem ser os mais procurados pelos CIOs. Os mais valorizados serão os que transitam com desenvoltura no mundo da TI e dos negócios EDILEUZA SOARES

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O

momento é propício para profissionais de TI que estão se preparando para dar um upgrade na carreira em 2014. A pressão para que as empresas invistam em tecnologias mais avançadas vai abrir oportunidade para especialistas que estejam em linha com as necessidades do mercado. Novos cargos devem ser criados e alguns talentos serão mais disputados, com perspectivas de valorização salarial. Projeções de consultorias em RH como Michael Page, Hays, Randstad Technologies, Robert Half e CTPartner sinalizam que o mercado de trabalho na área de TI continuará aquecido no próximo ano. Pesquisas e guias de salários para 2014, divulgados por essas empresas, apontam aumento das contratações e das remunerações para talentos qualificados. “Das 700 empresas que entrevistamos para o nosso guia salarial, 60% disseram que vão fazer


25

Salários para profissionais de Tecnologia Tamanho da empresa

Cargo

2013

2014

Diretor de TI / CIO

P/M G

R$ R$

20.000 - 50.000

20.000 - 35.000 25.000 - 55.000

9%

Gerente de TI

P/M G

R$ R$

12.500 - 23.000 14.500 - 28.500

12.500 - 25.000 15.000 - 30.000

4,5%

Gerente de projetos / PMO

P/M G

R$ R$

7.500 - 13.500 9.000 - 18.000

9.000 - 18.000 10.000 - 22.000

12%

Gerente de Infraestrutura/ Telecomunicações

P/M G

R$ R$

13.000 - 20.000

9.000 - 16.000 13.000 - 20.000

Coordenador de Infraestrutura/ Telecomunicações

P/M G

R$ R$

6.500 - 12.000 7.000 - 15.500

7.000 - 12.000 8.500 - 16.500

8%

Sênior

P/M G

R$ R$

4.000 - 6.000 5.000 - 7.000

4.000 - 7.000 5.000 - 8.000

7,5%

Pleno

P/M G

R$ R$

2.500 - 4.500 4.000 - 5.000

3.000 - 5.000 4.000 - 6.000

13%

Júnior

P/M G

R$ R$

2.000 - 3.500 3.000 - 4.000

2.000 - 4.000 3.000 - 5.000

10%

Gerente de Sistemas/ Desenvolvimento

P/M G

R$ R$

13.000 - 20.000

10.000 - 16.000 14.000 - 20.000

Coordenador de Sistemas/ Desenvolvimento

P/M G

R$ R$

6.500 - 12.000 8.000 - 15.500

7.000 - 13.000 9.000 - 17.000

8%

Sênior

P/M G

R$ R$

5.500 - 8.500 6.500 - 9.000

6.500 - 9.500 8.000 - 10.500

17%

Pleno

P/M G

R$ R$

4.000 - 6.000 4.500 - 7.000

4.500 - 6.500 5.000 - 7.500

10%

Júnior

P/M G

R$ R$

3.000 - 4.500 3.000 - 5.500

3.500 - 5.000 3.500 - 6.000

13,5%

Sênior

P/M G

R$ R$

6.000 - 9.000 7.000 - 10.000

7.000 - 10.000 9.000 - 12.000

19%

Pleno

P/M G

R$ R$

4.000 - 6.500 5.000 - 7.000

4.500 - 7.000 6.000 - 8.000

12,5%

Júnior

P/M G

R$ R$

3.000 - 5.000 3.000 - 6.000

3.500 - 6.000 4.000 - 6.500

20%

Sênior

P/M G

R$ R$

6.000 - 9.000 7.000 - 11.500

7.000 - 11.000 9.000 - 14.000

18%

Pleno

P/M G

R$ R$

4.000 - 7.000 5.000 - 8.000

6.000 - 9.500 7.000 - 12.000

44%

Júnior

P/M G

R$ R$

3.500 - 5.500 4.000 - 6.500

4.000 - 6.000 4.500 - 7.500

13%

INFRAESTRUTURA/TELECOMUNICAÇÕES

Analista de Infraestrutura/ Telecomunicações

SISTEMAS/DESENVOLVIMENTO

Analista de Sistemas/ Desenvolvimento

Analista de Negócios

Analista ERP

Das 700 empresas que entrevistamos para o nosso guia salarial, 60% disseram que vão fazer contratações em 2014 Caroline Cadorin, gerente de TI na Hays

Fonte: Robert Half

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26 CARREIRA contratações em 2014”, afirma Caroline Cadorin, gerente de TI na Hays. Como resultado disso, alguns profissionais serão mais valorizados em 2014, especialmente em indústrias de web e serviços. O Guia de Salários da Robert Half revela que especialistas em ERP, por exemplo, poderão ser reajustados em até 44%. Caroline aponta que profissionais com conhecimento de bancos de dados, redes móveis, infraestrutura, segurança da informação e desenvolvimento de software estarão entre os mais procurados para atender projetos como de Big Data e mobilidade. Os mais assediados serão os experientes que conhecem bem tecnologia e estratégias de negócios. Alguns serão mais difíceis de serem encontrados como cientistas de dados, recurso escasso não só no Brasil.

Treinamento pela consultoria torna processo de seleção mais assertivo para clientes Frederico Costa, gerente regional da Randstad Technologies

Profissionais que estarão em alta no próximo ano Service Delivery Management – Para gerenciar compras de serviços terceirizados, principalmente em nuvem. Salário: R$ 8 mil a R$ 15 mil/mês.

Arquiteto de infraestutura e sistemas – Engenheiro de sistemas com domínio de diferentes plataformas: Salário: R$ 8,5 mil a R$ 12 mil/mês.

Consultor SAP/banking – Será muito requisitado por bancos que estão implantando módulos da SAP. Salário: R$ 8 mil a R$ 15 mil/mês.

Auditor de TI – Especialista em CobIT, com certificações CISA para avaliar conformidade da TI com melhores práticas. Salário: R$ 8,5 mil a R$ 13 mil/mês.

Gerente de qualidade no desenvolvimento de software– Analisar requisitos no desenvolvimento de aplicações, realizar testes e saber gerenciar pessoas. Salário: R$ 13 mil a R$ 20 mil/mês.

Gerente de TI para PMEs – Profissional com domínio de TI para ajudar empresas que estão adotando ERP, nota fiscal eletrônica e outras tecnologias. Salário: R$ 13 mil a R$ 22 mil/mês. Fonte: Michael Page

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27 Outras profissões ganharão mais destaque a partir do próximo ano como o Chief Digital Officer (CDO), que Marc Gaperino, sócio-diretor da CTPartners em Nova York, considera imprescindível na transformação digital dos negócios. O Chief Mobility Officer é outro que chegará para ajudar as empresas a colocar ordem nos projetos de BYOD (Bring your Own Device).

Capacitação de talentos Como o déficit de mão de obra qualificada mantém-se alto no Brasil, encontrar o perfil adequado para a vaga certa permanecerá sendo um dos maiores desafios das companhias em 2014. Lucas Toledo, gerente da divisão de TI da consultoria Michael Page Brasil, aponta que continuarão fortes os investimentos no próximo ano

em capacitação interna de mão de obra com programas de trainee e projetos de universidades corporativas. Surge também no mercado local o trabalho de consultoria em RH, que prepara talentos de acordo com as necessidades dos clientes como é o caso da holandesa Randstad Technologies, que opera há um ano no Brasil. Frederico Costa, gerente regional no País, explica que a empresa aplica um teste aos candidatos para avaliar o conhecimento deles em determinadas tecnologias. Caso haja algum gap de conhecimento, ele é treinado e certificado como, por exemplo, em linguagem Java. Segundo o executivo, esse trabalho faz com que a Randastad seja mais assertiva na apresentação de talentos capacitados aos seus clientes e com maior chance de contratação.


CALENDÁRIO DE EVENTOS

 Conteúdo de alto nível e atualizado

2014 ENCONTROS DECISIVOS PARA QUEM INVESTE EM NETWORKING, INOVAÇÃO, LIDERANÇA E TECNOLOGIA

 Crescimento contínuo da participação dos líderes em função de investimento pesado em P&D  Incontáveis oportunidades de negócios  Expertise comprovada e marca líder mundialmente reconhecida entre a audiência


MAR

12

ABR

quarta-feira

15

terça-feira

RECIFE

BELO HORIZONTE

MAI

21 a 25

quarta-feira

JUN

domingo

quinta-feira

CURITIBA e PORTO ALEGRE

Arraial D´Ajuda - BAHIA

JUL

3e5

terça-feira

23

SET

quarta-feira

25

quinta-feira

PREMIER

IT LEADERS 2014

2014

(Premiação NACIONAL) SÃO PAULO

(Premiação NACIONAL) SÃO PAULO

OUT

2

OUT

22

quinta-feira

quarta-feira

quarta-feira

quarta-feira

RIO DE JANEIRO

CAMPINAS - SP

Você já pode fazer sua pré reserva de participação: acesse o site www.eventosnowdigital.com.br, clique no evento de seu interesse e faça seu cadastro. Para informações sobre patrocínio, ligue para 11 3181-5558 ou envie um e-mail para comercial@nowdigital.com.br MEDIA SPONSORS:


30 TECNOLOGIA

Essas tendências mudarão o cenário empresarial até

2020

Gartner recomenda que os CIOs preparem-se para desenvolver estratégias que atendam às exigências da digitalização crescente do ambiente de negócios

A

revolução industrial digital, o aumento das máquinas inteligentes e o avanço da Internet das Coisas vão causar um grande impacto nos departamentos de TI das organizações. Para orientar CIOs e fornecedores do mercado de tecnologia da informação e comunicação (TIC) a se prepararem para sobreviver no novo cenário, analistas do Gartner traçaram algumas tendências para até 2020. Algumas dessas previsões foram apresentadas durante o Symposium/ ITxpo 2013, realizado no Brasil, no começo de novembro. “A transformação continua a ser um fenômeno importante para todos os setores. Muitos enfrentarão grandes desafios em 2014 e nos anos seguintes, e não terão outra escolha a não ser mudar radicalmente seus modelos de negócio estabelecidos”, afirma Val Sribar, vice-presidente do Gartner. O analista observa que, em 2013, muitos www.computerworld.com.br

tomadores de decisão focaram na adoção de novas tecnologias para melhorar as operações de negócios por meio de avanços como a convergência de redes sociais, a mobilidade, a nuvem e a informação. Hoje, em contrapartida, os líderes estão mudando significativamente seus modelos e processos de negócio”. Ele afirma que essa tendência se deve, em parte, aos desafios impostos pela autonomia dos consumidores e pela commoditização do mercado, que são maiores do que no passado e, particularmente, difíceis de serem atendidos pelas empresas tradicionais. A necessidade de digitalizar os negócios e ser centralizado no cliente também é crucial e requer novas abordagens na entrega de informações, comunicação e transações. De acordo com Sribar, os líderes e CIOs das empresas devem avaliar cuidadosamente as exigências estratégicas específicas de


31 seus setores, incluindo as demandas dos consumidores e dos seus parceiros. É importante que eles façam um mapeamento de seus planos de transformação com base na disponibilidade de novas tecnologias, mudanças demográficas comportamentais dos clientes e condições do mercado. A consultoria aconselha que CIOs e outros líderes de TI e de negócios usem suas previsões e recomendações para entender melhor as forças que estão mudando seu mundo e desenvolver estratégias que atendam às exigências do ambiente dinâmico de negócios. Veja, a seguir, as principais previsões do Gartner para os próximos anos:

1

Em 2016, um baixo retorno sobre o patrimônio fará com que mais de 60% dos bancos em todo o mundo processem a maior parte de suas transações na nuvem.

2

Até o final de 2017, pelo menos sete dos dez maiores varejistas multicanal utilizarão tecnologias de impressão em 3D para gerar pedidos de estoque personalizados.

3

Em 2017, mais de 60% das organizações governamentais com um CIO e um diretor digital eliminarão uma destas funções.

4

Em 2017, cerca de 40% dos serviços públicos com soluções de medição inteligente utilizarão sistemas analíticos de Big Data baseados na nuvem para atender às necessidades associadas a ativos, commodities, clientes ou faturamento.

5

Até o final de 2015, um retorno do investimento (ROI) inadequado levará as seguradoras a abandonarem 40% de seus Apps móveis voltados a clientes.

6

A ordem sequencial completa do genoma vai estimular um novo mercado para os bancos de dados médicos, com a entrada no mercado superando 3% até 2016.

7

Até 2017, os gastos com educação online primária e secundária aumentarão 25%, ao passo que as restrições orçamentárias manterão os gastos em categorias educacionais tradicionais estagnados.

8

Em 2018, em torno de 20% do faturamento das 100 maiores empresas virão de inovações resultantes de novas experiências de valor entre setores.

9

Em 2018, a impressão 3D resultará na perda de, pelo menos, US$ 100 bilhões ao ano, em propriedade intelectual, globalmente.

10

Em 2017, aproximadamente 15% dos consumidores responderão às ofertas relacionadas ao contexto com base em seus perfis demográficos e de compra.

11

Em 2015, cerca de 80% das empresas da categoria Life Science serão pressionadas por elementos de Big Data, revelando um retorno de investimento pequeno para os gastos em TI. “As pressões da consumerização continuam a abalar muitas empresas, forçando-as a mudar seus processos de negócio tradicionais e modelos operacionais”, diz Sribar. “A necessidade de adotar modelos de negócios digitais transcende todos os setores e seus diversos impactos estão criando oportunidades de negócio que não eram possíveis no passado”, afirma ele. “As empresas devem responder imediatamente para criar o negócio correto e o roteiro de TI para as demandas futuras do mercado”, ressaltou o vice-presidente do Gartner durante evento em São Paulo. www.computerworld.com.br


32 GESTÃO

Melhores práticas para migrar de provedor de nuvem É importante que as empresas estabeleçam garantias para transferência de dados para outro data center, em contrato, para evitar prejuízos no caso de rompimento DAVID GEER, DA CSO

O

pedido de falência do provedor de cloud computing norteamericano Nirvanix, recentemente, reacendeu discussões sobre as melhores práticas de segurança em caso de rompimento de contratos ou necessidade de transferêcia das aplicações para outro provedor. Segundo os especialistas é importante adotar medidas antes da contratação do fornecedor para evitar pesadelos como os vividos pelos clientes da Nivanix, que receberam aviso para que encontrassem um novo parceiro de nuvem no prazo de um mês. Depois desse episódio, especialistas recomendam contratos bem elaborados com cláusulas claras de direitos e deveres, bem como sobre as questões de segurança envolvidas no processo de migração para outro data center. Veja as melhores práticas que eles indicam nessas situações:

Faça due diligence e investigue a saúde financeira do provedor O relatório da Cloud Security Alliance, de fevereiro de 2013, sobre cuidados para contratação de serviços, identificou falta www.computerworld.com.br

de diligência como uma ameaça constante para os contratos de consumo de TI por esse modelo. Segundo o relatório, muitas companhias que optam por esse sistema não têm equilibrio na hora de dosar os requerimentos para seleção dos parceiros. Elas colocam muito foco na segurança da informação e privacidade ou se concentram mais na redução de custos e economia, sem investigar a saúde financeira dos fornecedores, afirma John Howie, Chief Operation Officer (COO), da Cloud Security Alliance . “E, mesmo sabendo se o fornecedor tem rentabilidade, não significa garantia de estabilidade”, acrescenta Adam Gordon, Chief Information Security Officer (CISO) do New Horizons Computer Learning Centers. Para ele, a falta de gerenciamento estratégico sinaliza se a empresa pode cair de um penhasco rapidamente, da noite para o dia, sem que ninguém perceba. As organizações devem analisar cuidadosamente a situação financeira do provedor de nuvem. Elas podem investigar empresas públicas examinando seus documentos oficiais, como através


33 da Securities and Exchange Commission (SEC) dos EUA ou de outros orgãos que regulamentam companhias abertas. “Esse trabalho irá detalhar as finanças do fornecedor de cloud e os riscos identificados”, ensina Howie . “Se possível, examine as finanças auditadas, pelo menos dos últimos dois ou três anos”, recomenda Gordon. Verifique se os relatórios demonstram uma tendência positiva do crescimento global, gestão controlada do capital e dos negócios”, orienta o especialista. Gordon aconselha que as contratantes de nuvem sejam realistas para ver flutuações e os resultados negativos do fornecedor ao longo de um período de tempo, mesmo que estejam olhando para o ecossistema de cloud computing de prestadores como Amazon Web Service Amazon (AWS). “Devemos esperar ver um crescimento positivo na receita e lucratividade, bem como expansão do provedor em dois ou três anos”, afirma Gordon. Os demontrativos financeiros devem apontar negócios e estratégias fortes de crescimento. É importante que indiquem uma direção, planejamento de longo prazo, boa gestão de risco e capacidade do provedor de enfrentar crises, mantendo um foco, esclarece Gordon. “Investimentos que suportam uma estratégia de crescimento de longo prazo e aquisição de participação de mercado são indicadores importantes para medir a estabilidade de um prestador de serviço”, endossa o CISO, do New Horizons Computer Learning Centers

Peça ajuda a um broker de nuvem Howie recomenda grandes empresas a considerarem a contratação de brokers de cloud para avaliar requerimentos de provedores, riscos envolvidos nas operações deles e selecionar parceiros

em conformidade com os negócios da companhia. “Esses brokers vão fazer um exame completo e determinar o potencial deles para entrega dos serviços”, esclarece o executivo. O Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (NIST) dos EUA produziu uma publicação especial em que define o papel de um broker de nuvem para orientar companhias que buscam consultoria nessa área. O CIO e executivos C-Level devem ser envolvidos no relacionamento com os brokers de nuvem a fim de estabelecer o alinhamento estratégico necessário para orientar o consumo de serviços em cloud, explica Gordon. “Você pode encontrar exemplos práticos do mundo real de setores bem-sucedido na contratação de brokers. O estado do Texas, por exemplo, vem adotando um modelo de corretagem de nuvem desde 2011, assim como muitos órgãos federais dos EUA”, acrescenta o especialista.

Estabeleça garantias por contrato Para as organizações que não têm recursos para contratar um corretor de nuvem, a Cloud Security Alliance recomenda que façam contratos bem elaborados sobre as responsabilidades em caso da interrupção do serviço. As cláusulas contratuais devem mencionar como será o processo de migração e apoio do prestador de serviços. É importante abordar aspectos como as ferramentas que serão cedidas e toda www.computerworld.com.br


34 GESTÃO assistência que será dada na transferência de dados para fora da nuvem, em tempo hábil, em formatos que permitam processar suas operações em outro provedor, sem prejuízo aos seus negócios. De acordo com Howie, os contratos de serviços em nuvem devem incluir muitas garantias. Uma delas é exigir que o provedor reserve dinheiro em uma conta vinculada à assistência na migração dos dados. Estes acordos também podem estabelecer que os equipamentos de armazenamento e processamento devem ser acessíveis pelo cliente em caso de fracasso do negócio. Os contratos pode incluir ainda referências à garantia de terceiros ou de seguros. Howie afirma que o documento pode obrigar o fornecedor a divulgar bimestralmente sua situação financeira e que o não cumprimento pode gerar rescisão contratual, caso os resultados apontem que provedor está em apuros.

Tenha um plano de continuidade de negócios Um contrato bem elaborado não será suficiente para mitigar riscos. Empresas terão de pesar cuidadosamente os riscos da contratação de um fornecedor que pode, de repente, parar de oferecer o serviço. “As empresas devem sempre ter uma estratégia de saída na manga como parte de um plano de gestão de continuidade de negócios”, adverte Howie. O guia de orientação da Cloud Security Alliance inclui recomendações para as empresas considerarem cenários de como vão mover dados de um prestador de serviço de nuvem. “A portabilidade é um aspecto fundamental a ser considerada no processo de seleção dos provedores de nuvem, principalmente em situações de recuperação de desastres”, diz Howie O fracasso comercial de um provedor de nuvem é um desastre empresarial e algo que o planejamento de gestão de continuidade de www.computerworld.com.br

negócios das empresas deve prever, segundo recomendações da Cloud Security Alliance .

Conheça bem a arquitetura da plataforma de nuvem usada A seção 6.3.2 do guia sobre Orientação de Segurança da Cloud Security Alliance recomenda que as empresas conheçam a arquitetura e plataforma dos serviços de nuvem usados para processar suas aplicações para evitar desafios técnicos na migração para outro provedor. Tecnologias de autenticação e de gestão de identidade (IAM) proprietários podem impedir a portabilidade de dados na nuvem. As aplicações e serviços para um ambiente de nuvem que não usa o mesmo padrão é uma barreira. O ideal é que os provedores adotem sistemas de IAM baseados em tecnologias abertas como Security Assertion Markup Language (SAML), de acordo com o guia de orientação de segurança da Cloud Security Alliance. Atenção com essas questões pode tornar a migração menos sofrida.

Remova todos os dados A Cloud Security Alliance aconselha ainda que as empresas tenham a posse e controle das chaves de criptografia para assegurar uma saída segura e conveniente do seu provedor de nuvem. Da mesma forma, as organizações devem se certificar de que fizeram a remoção completa de todos os seus metadados do provedor, evitando que o data center permaneça com qualquer informação de seu negócio. Uma empresa pode fazer tudo que for necessário para ter certeza de que suas aplicações e dados sejam movidos para outro provedor sem prejuízo, caso ocorra situações como a que aconteceu com o Nivanix. Em caso de dúvidas, as companhias podem consultar o guia de segurança da Cloud Security Alliance, que fornece instruções detalhadas para uma migração segura.


Computerworld 559  

MEGATENDÊNCIAS BATEM À PORTA Elas formam os pilares do que a IDC vem chamando de “Terceira plataforma da computação” e o Gartner, de “Nex...