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Movimento Tropicaliano

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Balduel de Almeida

Movimento Tropicaliano

Coleção NOVOS TALENTOS DA LITERATURA BRASILEIRA

São Paulo, 2013

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Copyright © 2013 by Balduel de Almeida

Coordenação editorial

Nair Ferraz

Diagramação Claudio Tito Braghini Junior Capa Monalisa Morato Revisão Patrícia Coelho

Texto de acordo com as normas do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (Decreto Legislativo no 54, de 1995) Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Almeida, Balduel de Movimento tropicaliano / Balduel de Almeida. -- Barueri, SP : Novo Século Editora, 2013. -- (Coleção novos talentos da literatura brasileira)

1. Ficção brasileira I. Título. II. Série.

13-12310

CDD-869.93

Índices para catálogo sistemático: 1. Ficção : Literatura brasileira 869.93

2013

Impresso no Brasil Printed in Brazil Direitos cedidos para esta edição à Novo Século Editora CEA – Centro Empresarial Araguaia II Alameda Araguaia, 2190 - 11o andar Bloco A – Conjunto 1111 CEP 06455-000 - Alphaville Industrial - SP Tel. (11) 3699-7107 – Fax (11) 3699-7323 www.novoseculo.com.br atendimento@novoseculo.com.br

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A Deus, que me capacita. A minha amada esposa, Ana Karina, pelo amor e apoio incondicional; e aos meus pais, que me ensinaram, pelo exemplo, os valores da honestidade e retid達o.

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Introdução

Esta história trata-se de uma entrevista com o Sr. Bezerra Natal Schmidt, ex- ministro da justiça do Governo Tropicaliano do ex-presidente Paullo Sena, alusiva às comemorações dos 50 anos do “Dia do Basta”, ocorrido no inverno de 2013 em Tropicália. O encontro se passa no programa do apresentador, escritor, diretor e também humorista, Zé Eugênio. Não se confundam, trata-se de uma história fictícia, com nomes e personagens que não existem. Tropicália é um país afastado, de um mundo distante em uma Galáxia longínqua.

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1 - Que país é este?

Esta história se passa na hipotética nação de Tropicália. Qualquer semelhança com um país que era sofrido, mas feliz, é mera coincidência. Tropicália está localizada num verdadeiro paraíso, distante de vulcões, tsunamis, terremotos e qualquer outra intempérie da natureza. Clima agradável em quase toda sua extensão. Digo “quase”, porque Tropicália é grande como um gigante. Suas terras se estendem desde relevos planálticos cobertos por matas de araucárias, passando por lindas serras cobertas de mata atlântica, adentrando o coração chapado de sua grandiosidade, para finalmente desembocar na imensidão verde sem fim. Tropicália tem a maior floresta; as praias mais bonitas; o maior rio; é o campeão do esporte mais amado de todo planeta; e, por tudo isso, e muitas outras coisas, vive o povo mais feliz do mundo. Mas, alguns diziam que nem tudo eram flores. Apontavam que Tropicália tinha seca e também chuvas torrenciais.

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“Sábia escolha do Todo-Poderoso” – respondiam. “É que Deus, tropicaliano como é, fez de propósito para incentivar nossa união. Uns com muita água, outros com pouca, é só dividir que ficam todos felizes.” Porém, este país tropical, bonito e abençoado, não escapou de uma terrível enfermidade endêmica que atacou todo o mundo da época: a corrupção. Alguns países combateram a doença, mas o povo tropicaliano parecia já sofrer os efeitos colaterais da moléstia: o silêncio e a sonolência. Tropicália então foi dominada por poucos que exploravam tudo e todos. Exploravam desde a seca até as chuvas torrenciais. As riquezas de Tropicália, tidas como infindáveis, não saciavam a ganância daqueles que haviam sido infectados com o terrível mal: os corruptos. E por 500 anos o povo silenciou. Algumas vozes destoantes de protestos surgiram ao longo do percurso, mas que sozinhas não faziam a diferença. E assim, o povo viveu e sobreviveu. Pobre, sofrido, explorado, mas seguindo feliz. E então? Seria a felicidade um dom ou uma desgraça? Seria apatia ou o melhor modo de suportar a dor que se arrastava por gerações? Não interessava mais a resposta. Num belo dia o povo acordou. Não me pergunte como e por que ocorreu naquele instante. Alguns dizem que foi o preço do tomate. O gigante poderoso se ergueu e expulsou os tropicalianos infectados pela corrupção. Seu povo redistribuiu riquezas, repartiu o que tinham em abundância. E a nação mais feliz do mundo conseguiu ser mais alegre ainda. E Deus abençoou ainda mais a imensa nação Tropicaliana.

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2 - A entrevista

“Ele foi um dos fundadores do Partido Ético Tropicaliano, único fundador vivo, militante ativo das mudanças políticas ocorridas no inverno de 2013, escritor de diversos livros políticos, dentre os best-sellers, Nova Democracia e A decadente velha política tropicaliana, preso em 2014, ministro da justiça de 2022 a 2030, considerado herói vivo da nação, conhecido como braço forte, é meu convidado hoje, o Sr. Natal Schimidt.” Neste momento, se levanta da primeira fileira de cadeiras situada na plateia do programa, um senhor de 73 anos de idade, com a mão esquerda trêmula e a direita se apoiando numa bengala. Enquanto auxiliado por assessores do programa, caminha apenas três metros até o banco onde devia se sentar ao lado do apresentador. A plateia presente à entrevista do Zé, um dos programas políticos mais assistidos em Tropicália, se levanta e aplaude de pé o senhor Schimidt. Alguns cartazes foram levantados, gritos de ordem proferidos e, dentre outros, podia-se ler o que uma jovem de 20 anos havia escrito: dos nossos heróis, a pátria não se esquece.

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3 - Reconhecimento

Após um aperto de mão no apresentador Zé Eugênio, o Sr. Schimidt acena para plateia que ainda o aplaudia de pé. Zé Eugênio espera um pouco os aplausos diminuírem e agradece: “Sr. Schimidt, é um orgulho tê-lo conosco. Sabemos que o Senhor tem certa antipatia a entrevistas, mas essa comemoração sem a participação do Senhor perderia um pouco o sentido”. “Eu agradeço suas palavras e o carinho da plateia, realmente muito obrigado” – disse Schimidt. Mais uma vez, uma longa salva de palmas e gritos de ordem: “Viva Tropicália. Viva Tropicália”.

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