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Tradução Marcia Men

e queda ascensão de

São Paulo, MMXVI

simon snow

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Carry On: Ascensão e queda de Simon Snow Copyright © 2015 by Rainbow Rowell Published by agreement with the Author c/o The Lotts Agency, Ltd. Copyright © 2016 by Novo Século Editora Ltda.

coordenação editorial Vitor Donofrio editorial Giovanna Petrólio João Paulo Putini Nair Ferraz Rebeca Lacerda

gerente de aquisições Renata de Mello do Vale assistente de aquisições Acácio Alves

tradução Marcia Men

ilustrações Jim Tierney

edição de texto/arte Vitor Donofrio

capa Olga Grlic

revisão Gabriel Patez Silva

adaptação de capa Vitor Donofrio

Texto de acordo com as normas do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (1990), em vigor desde 1o de janeiro de 2009.

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (cip) Rowell, Rainbow Carry On: ascensão e queda de Simon Snow Rainbow Rowell; [tradução Marcia Men]. Barueri, SP: Novo Século Editora, 2016. Título original: Carry On: Rise and fall of Simon Snow 1. Literatura norte­‑americana – Literatura juvenil 3. Ficção fantástica I. Título. II. Men, Marcia 16­‑0535

cdd­‑813

Índice para catálogo sistemático: 1. Literatura norte­‑americana 813

novo século editora ltda. Alameda Araguaia, 2190 – Bloco A – 11o andar – Conjunto 1111 cep 06455­‑000 – Alphaville Industrial, Barueri – sp – Brasil Tel.: (11) 3699­‑7107 | Fax: (11) 3699­‑7323 www.novoseculo.com.br | atendimento@novoseculo.com.br

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Para Laddie e Rosey. Que vocês possam lutar suas próprias batalhas e possam forjar suas próprias asas

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NOTA DA AUTORA

Se você leu meu livro Fangirl, sabe que Simon Snow começou como um per‑ sonagem fictício daquela história. Um personagem fictício­‑fictício. Meio que um amálgama e descendente de centenas de outros Escolhidos fictícios. Em Fangirl, Simon é o herói de uma série de livros infantis de aventura es‑ critos por Gemma T. Leslie – e objeto de muitas fanfictions escritas pela perso‑ nagem principal, Cath. Quando terminei aquele livro, eu consegui me desprender de Cath e de seu namorado, Levi, e de seu mundo. Senti que havia terminado a história deles… Mas não consegui me desprender de Simon. Eu escrevera tanto a respeito dele através dessas outras vozes, e ficava pen‑ sando sobre o que eu faria se ele estivesse na minha história, em vez da de Cath ou de Gemma. O que eu faria com Simon Snow? O que eu faria com Baz? E Agatha? E Penny? Li e amei tantas histórias mágicas de Escolhidos – como é que eu escreveria a minha? É disso que se trata Carry On. Minha visão de um personagem que eu não conseguia tirar da cabeça. É a minha visão desse tipo de personagem – e desse tipo de jornada. Foi um modo de conceder a Simon e Baz, apenas semi­‑imaginados em Fan‑ girl, a história que eu sentia que devia a eles.

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1.

Eu vou a pé até a rodoviária sozinho. Sempre há um rebuliço com minha papelada quando eu parto. Duran‑ te todo o verão, não temos permissão para ir a pé nem até o Tescos sem um acompanhante e a permissão da Rainha – e aí, no outono, simplesmente assino meu próprio registro de saída do orfanato e vou embora. – Ele vai para uma escola especial – uma das moças da administração expli‑ ca para a outra quando eu saio. Elas estão em um box de Plexiglás, e eu deslizo meus papéis de volta para ela por um vão na parede. – É uma escola para infra‑ tores graves – sussurra ela. A outra mulher nem levanta a cabeça. Todo setembro é assim, apesar de eu nunca ficar no mesmo orfanato duas vezes. O Mago veio me buscar pessoalmente para ir à escola na primeira vez quan‑ do eu tinha 11 anos. Porém, no ano seguinte, ele me disse que eu podia chegar a Watford sozinho. “Você matou um dragão, Simon. Certamente pode dar conta de uma longa caminhada e alguns ônibus”. Eu não tive a intenção de matar aquele dragão. Ele não teria me machucado, acho. (Ainda sonho com ele às vezes. O jeito como o fogo o consumiu de dentro para fora, como uma queimadura de cigarro devorando um pedaço de papel.) Chego à rodoviária e como uma barra de chocolate com menta enquanto es‑ pero pelo primeiro ônibus. Tem mais um ônibus depois desse. E aí um trem. Assim que me acomodo no trem, tento dormir, minha mochila no colo e os pés apoiados no assento à minha frente – mas um homem alguns bancos mais atrás não para de olhar para mim. Sinto seus olhos queimando minha nuca. Pode ser só um tarado. Ou a polícia. Ou pode ser um caçador de recondentes que saiba de alguma das recom‑ pensas pela minha cabeça… (“É caçador de recompensas”, falei para Penélo‑ pe na primeira vez que lutamos contra um. “Não, é caçador de recondentes”,

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respondeu ela. “Porque seus dentes são a única coisa sua que eles guardam se conseguirem te pegar.”) Mudo de vagão e não me dou ao trabalho de tentar dormir de novo. Quanto mais me aproximo de Watford, mais inquieto me sinto. Todo ano penso em saltar do trem e me encantar pelo resto do caminho para a escola, mesmo que isso me deixe em coma. Eu poderia lançar um Anda logo no trem, mas esse é um feitiço que depen‑ de de sorte mesmo nos melhores momentos, e meus primeiros feitiços do ano escolar são sempre especialmente arriscados. Eu deveria praticar durante o ve‑ rão – feitiços pequenos e previsíveis, quando ninguém está vendo. Coisas como acender as luzes à noite. Ou transformar maçãs em laranjas. – Faça um feitiço para abotoar suas roupas e dar laços nos sapatos – sugeriu a Senhorita Possivelfa. – Esse tipo de coisa. – As roupas que eu uso só têm um botão – eu disse a ela, depois corei quan‑ do ela olhou para minha calça jeans. – Então use sua magia para tarefas de casa – disse ela. – Lavar os pratos. Polir a prataria. Nem me incomodei em falar para a Senhorita Possivelfa que minhas refei‑ ções no verão eram servidas em pratos descartáveis e que eu comia com talhe‑ res de plástico (garfos e colheres, nunca facas). Também não me dei ao trabalho de praticar minha magia nesse verão. É chato. E inútil. E não é como se isso ajudasse. Praticar não me torna um bruxo melhor; apenas me deixa furioso… Ninguém sabe por que minha magia é como é. Por que ela dispara como uma bomba em vez de fluir através de mim como a porra de um riacho ou seja lá como funciona para todos os outros. – Eu não sei – disse Penélope quando eu lhe perguntei como ela sente a ma‑ gia. – Acho que sinto como se fosse um poço dentro de mim. Tão profundo, que eu não consigo ver nem sequer imaginar o fundo. Só que, em vez de enviar baldes lá para baixo, simplesmente penso em trazê­‑la para perto. E então ela está lá para mim, tanto quanto eu precisar, desde que eu me mantenha concentrada. Penélope sempre se mantém concentrada. Além disso, ela é poderosa. Agatha não é. Não tanto, de qualquer modo. E Agatha não gosta de falar sobre sua magia.

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No entanto, uma vez, no Natal, mantive Agatha acordada até ela estar can‑ sada e tonta, e ela me contou que lançar um feitiço era como flexionar um mús‑ culo e mantê­‑lo flexionado. – Como croisé devant – disse ela. – Sabe? Eu balancei a cabeça. Ela estava deitada num tapete de pele de lobo na frente do fogo, toda enco‑ lhida, feito um gatinho lindo. – É balé – disse ela. – É como se eu simplesmente mantivesse uma posição pelo máximo de tempo que conseguisse. Baz me disse que, para ele, é como acender um fósforo. Ou puxar um gatilho. Ele não pretendia me contar isso. Foi quando estávamos lutando contra a quimera na floresta durante nosso quinto ano. Ela havia nos encurralado, e Baz não era poderoso o bastante para combatê­‑la sozinho. (O próprio Mago não é poderoso o bastante para lutar sozinho contra uma quimera.) – Vai, Snow! – Baz gritou para mim. – Vai! Libera, cacete! Agora! – Eu não consigo – tentei dizer a ele. – Não é assim que funciona! – É, sim, porra! – Eu não posso simplesmente ligar e desligar – falei. – Tente. – Não consigo, droga. – Agitei minha espada de um lado para o outro. Já era muito bom com uma espada, mesmo aos quinze anos, mas a quimera não era corpórea. (É bem a minha sorte, basicamente sempre. Assim que você começa a carregar uma espada, todos os seus inimigos viram névoa e teia de aranha.) – Feche seus olhos e risque um fósforo – Baz me disse. Nós dois estávamos tentando nos esconder atrás de uma rocha. Baz estava lançando feitiços sem parar, um depois do outro; ele praticamente os cantava. – O quê? – É o que a minha mãe dizia – respondeu ele. – Risque um fósforo dentro do seu coração, depois sopre a estopa. É sempre fogo com Baz. Eu não acredito que ele ainda não me incinerou. Ou me queimou numa estaca. Ele costumava me ameaçar com um funeral viking quando estávamos no terceiro ano.

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– Você sabe o que é isso, Snow? Uma pira flamejante à deriva no mar. Podía‑ mos fazer o seu em Liverpool, assim todos os seus amigos chavosos poderiam comparecer. – Cai fora – eu dizia, tentando ignorá­‑lo. Eu sequer tinha algum amigo Normal, chavoso ou não. Todos no mundo Normal mantêm distância de mim se puderem. Pené‑ lope diz que eles sentem o meu poder e instintivamente se acovardam. Como cachorros que não fazem contato visual com seus mestres. (Não que eu seja o mestre de alguém – não foi isso o que eu quis dizer.) Enfim, com os bruxos funciona do modo oposto. Eles adoram o cheiro de magia; tenho que me esforçar para fazê­‑los me odiar. A menos que se trate do Baz. Ele é imune. Talvez tenha desenvolvido uma tolerância à minha magia, tendo dividido um quarto comigo todos os semes‑ tres por sete anos. Na noite em que combatemos a quimera, Baz ficou gritando comigo até eu me descontrolar. Ambos acordamos algumas horas depois em uma cova enegrecida. A rocha atrás da qual nos escondíamos havia virado poeira, e a quimera, vapor. Ou tal‑ vez ela tivesse simplesmente desaparecido. Baz tinha certeza de que eu havia chamuscado suas sobrancelhas, porém, para mim, ele parecia bem – nenhum pelo sequer fora do lugar. Típico.

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Carry On  

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