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A casa número 11 Volume 1 O ASSASSINO DO CANO DUPLO


RENATO OZZ

A casa número 11 Volume 1 O ASSASSINO DO CANO DUPLO

São Pau l o 2 0 1 2


Copyright © 2012 by Renato Ozz Coordenação Editorial Filipe Nassar Larêdo Diagramação Adriano de Souza Capa Carlos Eduardo Gomes Ilustrações Marina Cervini Preparação de Texto Richard Sanches Revisão Ana Lúcia Mendes Antonio Texto de acordo com as normas do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (Decreto Legislativo nº 54, de 1995) Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Ozz, Renato A casa número 11 / Renato Ozz. -- Barueri, SP : Novo Século Editora, 2012. -- (O assassino do cano duplo ; v. 1) 1. Ficção brasileira I. Título. II. Série.

12-12235

CDD-869.93 Índices para catálogo sistemático: 1. Ficção : Literatura brasileira 869.93

2012 IMPRESSO NO BRASIL PRINTED IN BRAZIL DIREITOS CEDIDOS PARA ESTA EDIÇÃO À NOVO SÉCULO EDITORA LTDA. CEA – Centro Empresarial Araguaia II Alameda Araguaia 2.190 – 11º Andar Bloco A – Conjunto 1111 CEP 06455­‑000 – Alphaville Industrial – SP Tel. (11) 3699­‑7107 – Fax (11) 2321­‑5099 www.novoseculo.com.br atendimento@novoseculo.com.br


Dedico este livro a Renata e JuvĂŞncio, minhas razĂľes de viver.


Agradecimentos Agradeço o carinho, a atenção e o entusiasmo da minha agente literária, Diana Lima, e da turma do Projeto Jovem Leitor. Agradeço ainda a sensibilidade de Cleber Vasconcelos, editor e parceiro.


Capítulo 1

A

ntes que soasse o segundo tiro, que atingiu a lateral do corpo de sua mulher, Jorge Savigny enviou a Deus o seu último pedido. Usou toda a força que lhe restava, vibrando com a potência da alma, e fez um esforço extraordinário para manter-se vivo. Era tudo o que queria. Ou que ao menos pretendia. Mas as coisas não estavam muito claras em sua mente. Havia agora pessoas olhando para ele. Na verdade, dois estranhos, antes inexistentes. Um casal. Um homem baixo e atarracado e uma mulher loira e magra, sentados perto do portão do galpão, com os rostos acinzentados e olhares penetrantes, sinceros e cheios de dor, que Jorge, no limiar de suas forças, se recusava a crer que fossem de humanos. – O coitado levou a coisa para o lado pessoal – disse a mulher, cuspindo um pedaço de saco plástico, enquanto cruzava os braços sobre um grande buraco que esguichava pus e lodo de dentro do peito esquelético. – Eu compartilho da aflição dele. Uma brutalidade dessas não devia ser permitida – falou o seu companheiro num tom abafado e lamentoso, produzido por uma boca costurada com um nylon que se prendia à carne até o pescoço, inchado e cheio de hematomas. Jorge, entregue ao próprio desespero, rolou para o lado, caindo com a boca aberta sobre um monte de tralhas velhas e capim seco, sentindo o jorro de sangue descer por sua barriga. Pássaros voaram afugentados pelo estrondo dos tiros, partindo do topo das árvores; a situação confundia-se com o ruído incômodo de um trator, que, ao longe, muito longe mesmo, mostrava-se capaz de abafar qualquer pedido de socorro. – Estamos perdidos – murmurou, arrastando as pernas. O corpo, agora pura expressão de agonia, debatia-se. As pernas torciam-se. O ar queimava ao penetrar nos pulmões. A sensação do fim. As mãos tingidas de sangue. O seu sangue. A dor. O medo. O pavor de não poder 9


socorrer e proteger as pessoas que amava. Um riso sarcástico vindo do alto. Uma voz dizia coisas para lhe perturbar, multiplicando o espanto, o arrependimento, a aflição. Um gosto azedo escorria pela garganta. A raiva. A ira. O horror. A completa impotência. Os olhos fechavam, a respiração ofegava. – Ainda está vivo, boneco? – riu o algoz, mexendo no seu rosto com a ponta ainda quente e fumegante do cano duplo. – Infeliz! Monstro! – esbravejou a mulher magra, levantando e socando com uma das mãos espectrais o corpo rude do assassino. – Pobre rapaz – murmurou o homem baixo, sacudindo o corpo para a esquerda e exibindo o lado descarnado, repleto de ossos escurecidos e perfurados. Jorge apertou os olhos, antes de explodir: “A morte é loucura”, gritou em pensamento. O matador ajoelhou-se junto a ele. Havia um riso vitorioso em sua face. – Vou ficar aqui sentado esperando você morrer. – Tome cuidado – disse-lhe a mulher magra, empurrando para dentro do seu corpo um tufo podre do pulmão, que teimava em escapar. O assassino mantinha o sorriso congelado, esfregando cinicamente as mãos no cabo do rifle e deliciando-se com o seu estado de impotência. – Você tem um belo carro. Usado, mas um bom carro – sussurrou. Jorge olhou para o Ford estacionado, ainda com uma das portas abertas. O veículo convidava-o a levantar-se e fugir. Sabia que suas chances eram escassas. Mas teria que arriscar. Por tudo o que amava, pela mulher, pelo filho, por ele, pela sua dignidade, pela chance de lutar, por ainda acreditar ser merecedor da vida. “E se tentasse?”, pensou num ritmo lento. O matador lhe deu um cutucão. Jorge fitou o seu rosto. Viu o demônio. Viu o desprezo. Enxergou o olhar mais terrível, mais tenebroso e horrendo jamais visto. Desviou-se daquela figura encharcada de suor e sangue, e tornou a mirar o automóvel. Mas nada nele lhe motivava a manter acesa a chama da esperança. Havia dentro dele vultos negros, com feições magérrimas e entristecidas, e sacos sujos e furados, de onde jorrava uma lama enegrecida, que escorria até junto da sua face, embebendo e empastando sua boca e as suas narinas. 10


– Não! – Um grito feminino colocou-o alerta. Não vinha da mulher loira e magra, que havia desaparecido com seu companheiro moribundo e com toda a podridão que jorrava de dentro dela. – Mônica – murmurou, sem forças, esfregando-se no próprio sangue. – Fêmea gostosa – disse o assassino sagazmente, arrastando a mulher pelos cabelos. – Venha ver o seu maridinho morrer. Jorge virou a cabeça para o lado, buscando uma última imagem, e fechou bem devagar os olhos. Não havia mais nada que pudesse fazer. A consciência lhe dizia isso. Nada mais, somente aguardar. Então, com os ouvidos ainda atentos aos passos pesados do matador, que tinha se levantado, Jorge inspirou profundamente, pedindo a Deus que lhe desse uma segunda chance para, ao menos, poder proteger o seu campeão.

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CAPÍTULO 2

Aproximadamente um mês antes

P

or toda aquela tarde um vento sudoeste soprou pelo vale onde ficava a chácara do seu avô, anunciando os sintomas iniciais da tempestade que se aproximava. O garoto Eduardo Savigny segurava o surrado exemplar do primeiro livro do seu herói Harry Potter, piscando os olhos para tentar libertar algumas lágrimas teimosas, que turvavam sua visão. Elas o impediam de ver os seus pais, que tinham se misturado no aglomerado de gente que ia e vinha naquele lugar. Tinha sido deixado numa cadeira próxima da saída, ao lado de uma garota adolescente que ele nunca havia visto na vida e que não tirava os olhos da telinha do iPod. Daria tudo para saber o que estava ocorrendo naquele lugar. O fato é que, e ele somente agora se dava conta disso enquanto mexia no pingente dourado que trazia no pescoço, no centro do salão, para onde tinham se dirigido os seus pais, deveria estar acontecendo alguma coisa muito triste, pois ouvia rumorejar de vozes baixas e choros, e todos estavam bastante sérios. Do alto de seus nove anos de menino criado sem amigos ou colegas, levando uma vida errante com os pais, que não fincavam raízes em cidade alguma e não o mantinham mais do que três meses numa mesma escola, ele não sabia que estava num velório, até porque nunca tinha estado em um. Sem saber, aquele era o velório do seu avô e de sua avó paternos, embora estivesse certo de que aquele amontoado de pessoas não estava ali para alguma festa. Ao pensar nisso, lembrou-se da última vez em que esteve naquela casa para visitar os dois velhinhos. Era o aniversário do vovô. Chovia e havia muita alegria, apesar de pouca gente para bater palmas. Um ambiente muito diferente do que via naquele instante. No fundo, estava doido para tornar a 13


ver os velhos, seus únicos parentes que conhecia, além dos seus pais, jogar-se em seus colos, pronto para escutar as conversas de sempre e saborear um bom pedaço de bolo de chocolate. Eduardo não tinha irmãos, nem primos ou tios. Seus pequenos e curiosos olhos verdes, às vezes, diziam em um minuto mais do que todas as palavras proferidas por sua boca no decorrer de um dia inteiro. Embora nunca tivesse deixado transparecer, queria ter irmãos e amigos. Isso era algo que ele supunha impossível, tamanha a quantidade de vezes que seus pais se mudavam, seguindo o curso das oportunidades, quase sempre sem se darem conta de que Eduardo crescia isolado entre paredes, e que todo o carinho que lhe dispensavam não era suficiente para aplacar o desejo de liberdade que ele nutria somente em seus sonhos. Os pais eram pouco sociáveis. Nada de amizades, companheiros ou colegas. Viviam sozinhos com o filho. O pai se chamava Jorge e era um homem que falava pouco, sempre com uma voz muito baixa. Ele tinha uns olhos puxados, como se fosse os de um oriental, embora sua pele fosse morena como dos indianos. Trabalhava como vendedor ambulante, comprando mercadorias na internet ou por meio de revistas, e constantemente se deslocava de cidade em cidade, sempre em busca de novas oportunidades para vender seus produtos. Gostava de dizer em casa que era chefe de si mesmo. A mãe de Eduardo se chamava Mônica e era uma mulher branca, bonita e de estatura mediana, embora as dificuldades da vida fizessem de tudo para ocultar-lhe a beleza. Ela, da mesma forma que o marido, pouco sorria, preferindo se expressar através de gestos e insinuações. Tinha dois grandes olhos verdes, um nariz fino, uma boca pequena e rosada, e suas mãos eram delicadas e muito brancas. Quando Eduardo perguntava sobre os avós, ela vinha sempre com a mesma resposta: – Estão viajando. Na verdade, a resposta escondia outra realidade. Mônica tinha se afastado dos pais fazia anos, desde que conhecera o marido. Eles não gostavam de Jorge. Diziam que ele parecia um daqueles líderes enigmáticos, com capacidade para destruir as pessoas. Deram-lhe duas opções: ficar com a família, afastando-se dele, ou abandonar todo o passado e os seus parentes. 14


As razões do amor a fizeram decidir por seguir a mesma trilha da vida que Jorge, com o qual teve Eduardo, alguns meses depois. Ela desapareceu com ele e o filho mundo afora. Dos pais e dos demais parentes, ela nunca mais teve qualquer notícia. Fazia anos. Perdeu suas raízes. Afastou-se, sem deixar avisado para onde iria nem como ficaria. A união dos dois se consolidou, e o marido exercia uma incrível influência sobre ela. Jorge e Mônica fizeram um pacto, logo após o nascimento do filho: evitariam dizer-lhe a verdade quando chegasse a hora de lhe mostrar a realidade, com as tristezas e as dificuldades da vida. Por isso, combinaram de dar cores diferentes ao mundo real, anunciando o perigo onde às vezes ele inexistia, ou, em outras ocasiões, desmitificando a dureza da existência humana, contando-lhe fábulas e ensinando-lhe jogos de faz-de-conta. E era isso o que eles faziam naquele momento, negando ao garoto o conhecimento de que naquele salão se realizava o adeus final e as últimas homenagens aos derradeiros ascendentes. Ele permaneceu sentado e quieto, olhando as páginas do livro a esmo, ao lado da adolescente estranha, no mesmo lugar onde costumava dar boas e felizes risadas com os velhos. “Acho que hoje não haverá bolo nem refrigerante”, foi o que imaginou ao mirar o rosto da garota. – Haverá, sim – respondeu-lhe mentalmente a adolescente, sem virar a cabeça, apontando para onde estavam os caixões. – Mas não aqui, e será uma linda festa para eles dois. Eduardo corou. – Você falou comigo? – perguntou, tocando no braço da garota. Ela não respondeu. – Ei, estou falando com você – disse ele, apertando o seu braço. Ela o olhou desleixadamente, e, por uma fração de segundo, Eduardo notou algo estranho em seus olhos, quase caindo de surpresa. Os olhos tinham um jeito frio, não humano, como de um lagarto. Por um instante, ele teve a sensação de que ela iria arremessar o iPod em cima dele, porque ele tinha atrapalhado sua tranquilidade. Eduardo, então, largou o braço dela e se afastou uns centímetros, imaginando se aquela garota não seria um monstro, uma predadora, uma coisa desumana e ruim. 15


Então ela sorriu, surpreendendo-o. A língua dele parecia ter ficado grande demais dentro da própria boca, e ele teve que inspirar bastante antes de finalmente retribuir o sorriso. – Não se assuste. Você é um dos nossos – disse ela, erguendo-se e desaparecendo numa nuvem súbita e descortinada.

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CAPÍTULO 3

D

uas semanas depois do enterro, a família Savigny se transferiu para uma pequena cidade rural, próxima das montanhas, fixando residência em uma casa que, embora bucólica, bonita e atrativa, segundo informações e a propagação de boatos, tinha fama de assombrada, razão pela qual o corretor agradeceu mentalmente a Deus por, afinal, tê-la alugado. No dia anterior à mudança, Eduardo acordou em um salto, sorrindo. Estava em parte feliz, porque sabia que iria viver mais um sonho numa outra cidade. Conhecer gente, ver lugares diferentes, curtir cada nova imagem como se fosse única. No entanto, havia outra parte dentro dele que estava cheia de tristeza. Na verdade, ele não sabia se esta seria a última mudança. Precisou esforçar-se para não chorar, pois, mais uma vez, passaria longo período distante do lugar onde tinha nascido, afastado dos raríssimos amigos que tinha feito. Assim que chegaram à cidade, Jorge Savigny trocou, numa concessionária, o Volkswagen da família por um Ford um pouco mais novo, tão usado quanto o outro carro, embora com alguns itens adicionais interessantes, como vidros e travas elétricas. – Seremos os únicos em toda a região a vender esses produtos – disse, todo empolgado, enquanto dirigia cheio de cuidados o Ford em direção ao distrito, receoso das curvas fechadas, que constantemente revelavam precipícios. Sua confiança era tamanha que alugou sem pestanejar a casa na zona rural, antecipando o pagamento de seis meses de aluguel ao corretor – que quase pulou de alegria, pensando no tempo que teria para reorganizar suas vendas e ganhar a confiança dos moradores do lugar. A casa era antiga, mas muito aprazível. Tinha na porta um imponente número 11 delimitado por um grande triângulo. Jorge ficou admirado com a sua imponência e beleza, apesar de saber que ela estava abandonada há 17


tempos. Cercada por varandas com colunas de mogno antigo, nas quais se destacava a ausência de verniz, a casa tinha muitos quartos, duas grandes salas, uma copa repleta de armários e uma cozinha com janelinhas de correr. Havia, ainda, uma escada feita de madeira trabalhada e pintada de branco, que levava às varandas superiores e aos aposentos. Existia também um vão pequeno, debaixo da escada, no qual cabia até uma pequena cama, bem confortável e limpo, onde Eduardo disse que colocaria Pintado, o seu cachorro. – Parece aquele lugar onde o Harry Potter ficava na casa dos tios, campeão – disse-lhe o pai depois de tê-lo decorado, lembrando do gosto do filho pelas aventuras do bruxinho de Hogwarts. Na verdade, apesar da simplicidade da construção, o imóvel era um casarão antigo, cercado de varandas, com dois andares e um sótão, que tinha pertencido a um coronel reformado que, segundo relatos, havia perdido prematuramente a esposa e os filhos, suicidando-se em seguida. O terreno em volta dela tinha uma grande área verde demarcada por uma cerca de madeira de araucária pintada de amarelo, onde se destacava uma lombada de barro e paralelepípedos na trilha do carro, um grande portão e uma caixa de correio que lembrava um relógio-cuco. Na parte de trás, ligada à casa pela cozinha, existia uma estufa antiga, cujo telhado era todo de vidro. A estufa tinha sido um dos motivos para o fechamento do aluguel sem discussões e o pagamento antecipado dos valores. Jorge contava com a possibilidade de explorá-la comercialmente, cuidando de legumes e hortaliças, pois fazia tempo que almejava ter algo como um armazém, visando aumentar a renda da família. – Parece que viemos para ficar, Mônica – disse ele, quando terminou a arrumação da estufa. – Assim que der, iremos comprar este lugar. Mônica respirava, cansada, recostada contra a parede do fundo. – Você acredita mesmo que essas sementes produzirão alguma coisa rentável? Acha que vamos ganhar com essa ideia? Jorge sentiu os pelos dos braços arrepiarem-se. – Claro que sim. Com os nossos produtos poderemos divulgar esse novo negócio. – Francamente, Jorge. Vender legumes e folhas não nos deixará ricos – rebateu Mônica, secando o suor da testa e sentando sobre um grande saco de adubo. 18


– Andei lendo que as pessoas vivem correndo atrás de legumes sem agrotóxicos produzids por ONGs. Não vi nenhum lugar comercializando isso por aqui. Seremos os primeiros da região, e quem sai na frente leva sempre vantagem. Como moramos numa casa de número 11, já tenho o nome para esse novo empreendimento: CN11, a ONG dos vegetais saudáveis – disse Jorge, beijando-a na testa. Mônica virou-se para um canteiro. – Ou então seremos os primeiros a quebrar a cara – retrucou, sacudindo a cabeça. Ele colocou as mãos na cintura antes de adverti-la: – Não seja pessimista. Mônica fez uma cara de desconforto: – Estou sendo realista. Como teremos lucro com legumes num fim de mundo destes? Como? Nem sei se conseguiremos vender nossos produtos. Jorge se aproximou da mulher para pegar o restante das sementes jogadas sobre um banco, olhando de relance para Eduardo, que parecia concentrado com algo um pouco mais atrás. Jorge respirou profundamente por uns instantes, e depois disse com muita calma: – Você está comigo? Ela fez o olhar mais gentil e doce que podia antes de responder: – Quando eu deixei de estar com você? – perguntou, pegando em seu braço. – Juntos, sempre – disse ele. Mônica riu apaixonadamente. – Até depois da morte. Eduardo, que agora os olhava com o canto dos olhos, metendo as mãos dentro do regador transbordado pela água que jorrava do poço artesiano, virou a cabeça para o lado no exato instante em que a imagem de um homem velho e barbudo, vestido com roupas militares e com uma cara simpática e benevolente, se afastava dele. Seus olhos, entretanto, fixaram-se na frase escrita em um daqueles calendários orientais da Seicho no ie, afixado a uma das paredes da estufa, junto de um ancinho e duas enxadas: “A FORÇA DAS PALAVRAS TRANSFORMA A REALIDADE” 19

A CASA NÚMERO 11 – O ASSASSINO DO CANO DUPLO  

No primeiro volume desta aventura, Eduardo Savigny tem dez anos. Seus pais são vendedores que mudam de residência constantemente por causa d...

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