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Política

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NATAL, QUINTA-FEIRA, 26 DE AGOSTO DE 2010 / NOVO JORNAL /

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/ CAMPANHA / EM NATAL, CANDIDATO TUCANO CRITICA DILMA ROUSSEFF, DESTACA AÇÕES COMO MINISTRO DA SAÚDE E PROMETE NOVO PORTO E ACESSO À TRANSNORDESTINA

O ZÉ PARTE PARA O ATAQUE HUMBERTO SALES / NJ

CRISTIANO FÉLIX DO NOVO JORNAL

DESTACANDO QUE É preciso ter per-

sonalidade e formação, o candidato a Presidência da República José Serra (PSDB) deu o tom do discurso empregado durante sua passagem por Natal, de crítica à estratégia usada pela petista Dilma Rousseff de estar “sempre na esteira de Lula”. “Não há a menor possibilidade de alguém governar com outro mandando. Isso é uma ilusão”, disse na inauguração de comitê de campanha, cercado por tucanos e aliados locais do DEM. As palavras empregadas em todas as paradas que fez durante o cumprimento de um cronograma de cerca de seis horas foram de enfrentamento à candidatura governista. “Não preciso de padrinho, de patrono na minha vida pública”, alfinetou os adversários. E foi além: “Não sou nordestino, mas desafio que alguém tenha feito mais pelo Nordeste do que eu”, disse o paulista, evocando ações implantadas no tempo em que esteve à frente do Ministério da Saúde, no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Sobre falhas cometidas pelo Governo Federal em quase oito anos de gestão, José Serra disse que ele foi negligente, citando a ausência de um “grande projeto de infra-estrutura” para alavancar o desenvolvimento do Rio Grande do Norte. Caso seja eleito no próximo mês de outubro, o candidato disse que irá acelerar os investimentos no estado, que tem a capital escolhida pela FIFA como uma das cidades a sediar jogos da Copa

de 2014. “Natal desde logo precisa de um porto novo. Falta aqui um grande projeto de investimento Federal. Ao mesmo tempo, temos que pensar em outras questões para o desenvolvimento do estado como a Transnordestina. Ela tem que chegar até o Rio Grande do Norte para gerar emprego”, destacou. Entre as promessas feitas por Serra em solo potiguar figura ainda a criação de um Ministério da Segurança para combater o crime organizado, como o do tráfico de drogas. Essas duas, no entanto, foram as únicas pontuações que o candidato fez, nos poucos momentos em que se aventurou incursionar por assuntos que não são especificamente de saúde. Mostrandose muito atualizado às demandas dessa área, colocada recentemente pela população brasileira como a maior preocupação – em pesquisa feita pelo Ibope – garantiu criar no estado duas unidades do Ambulatório Médico de Especialidades – um projeto cunhado enquanto esteve governador de São Paulo, e que reúne em um só espaço 25 especialidades médicas. A concepção das policlínicas do AME teria sido plagiada pela candidata Dilma Rousseff, conforme acusou durante discurso em um palanque improvisado no bairro do Alecrim. Segundo disse, ela estaria usando a mesma proposta como se fosse uma idéia própria e inserida no plano de governo do PT. “Ela copiou, mas não sabe muito bem do que está falando”.

CORPO A CORPO

Serra usou uma estratégia di-

NÃO SOU NORDESTINO, MAS DESAFIO QUE ALGUÉM TENHA FEITO MAIS PELO NORDESTE DO QUE EU” José Serra Candidato a Presidente

ferente da principal adversária, que figura como primeira colocada nas pesquisas de intenção de voto e foi ao mais popular centro comercial de Natal em um carro aberto, evitando o contato direto com a população. O ex-ministro usou um veículo semelhante, mas chegando ao Alecrim desceu e cumprimentou populares ao longo da Avenida Coronel Estevam. No meio do trajeto, no corpo a corpo com os eleitores o acaso providenciou o encontro do tucano com uma senhora aparentando mais de 50 anos, que usava uma roupa simples feita em crochê verde. Ela correu no meio da multidão, afastando militantes e populares. Abraçou Serra e agradeceu por ele tê-la ajudado a “conquistar uma profissão”, como descreveu. Esse contato foi muito valorizado por Serra durante um pronunciamento feito em cima do mesmo carro aberto, estacionado

▶ Em campanha, o candidato José Serra participou de carreata e fez caminhada no Alecrim onde discursou nas proximidades da Praça Gentil Ferreira. Apertado entre os senadores José Agripino (DEM) e Rosalba Ciarlini (DEM) e ainda dividindo o limitado espaço com mais de uma dezena de candidatos a cargos legislativos, ele enalteceu o apoio das lideranças, mas registrou também a presença de Mar-

lene Barros da Silva. A ilustre desconhecida era a senhora que o saudou durante a caminhada. Ela tinha em mãos uma carteira do Projeto de Profissionalização dos Trabalhadores da Área de Enfermagem (Profae) certificando que tinha concluído um curso técnico no qual se inscreveu na épo-

HUMBERTO SALES / NJ

ROSALBA VÊ TENTATIVA DE NACIONALIZAR CAMPANHA Com cor-de-rosa por todos os lados, das roupas ao esmalte usado nas unhas, a candidata ao governo do estado da coligação “Força da união”, Rosalba Ciarlini, parecia muito à vontade ao lado de José Serra, ao contrário do que preconizavam comentários sobre a desvinculação da sua campanha da do candidato tucano rumo ao Palácio do Planalto. A senadora acompanhou a comitiva do presidenciável, declarou seu voto a ele, mas se manteve afastada de deslumbramentos, muito focada no projeto local. No momento em que ainda esperava o desembarque de Serra no Aeroporto Internacional Augusto Severo, em Parnamirim, contestou os comentários, mas deixou claro qual o objetivo final. “Os meus adversários que não querem discutir questões como saúde, a

qualidade do ensino que só faz cair, os altos índices de criminalidade. Estão atrás de federalizar a campanha. Eu sou candidata a governadora, para discutir as questões do meu estado. Seja quem for presidente eu estarei lá defendendo meu estado. Passada a eleição eu só tenho uma bandeira: o Rio Grande do Norte”. Colocada em todas as pesquisas feitas durante o período oficial de campanha como vencedora no primeiro turno, Rosalba Ciarlini poderia ajudar a melhorar a popularidade de José Serra. Destacadamente o Nordeste é a região em que o postulante tem proporcionalmente menos votos, ao passo que cresce a aprovação do governo do presidente Lula e a consequente aceitação à chapa de situação. Sobre a possibilidade de ocorrer uma transferência de votos

entre Rosalba e Serra, nem mesmo os aliados arriscam um palpite. “Estamos todos juntos na construção dessa vitória. O apoio de Rosalba é muito importante, mas é uma eleição para presidente. Nas eleições gerais, o eleitor entende que esse voto é muito pessoal, indivisível e intransferível. Acredito que esse direito será exercitado com muita liberdade”, comentou

o senador João Faustino. O resultado das pesquisas foi minimizado pelo presidenciável quando indagado sobre se haveria a chance de ele mudar de estratégia caso se consolide o avanço de Dilma Rousseff. “Esses resultados não têm maior importância. O que as pessoas querem é saber quais são as propostas”, comentou.

UM CANDIDATO EM BUSCA DE POPULARIDADE

Para o presidente do PSDB no estado, o deputado federal Rogério Marinho, a população ainda precisa conhecer a “obra” de José Serra. “O nosso problema é a taxa de desconhecimento do povo a respeito das realizações e da administração de Serra. Quem fez tem a legitimidade de se colocar no sentido de que pode fazer mais. Serra tem 32 anos de vida pública. Ele teve coragem de ir contra ‘lobismos’ estabelecidos como é o caso dos remédios, da questão da quebra das patentes para criação dos genéricos. Então eu não tenho dúvidas de que quem tem a possibi-

lidade de descobrir Serra, escolhe o melhor para o país”, defendeu. A vinda do candidato, na opinião do parlamentar teria oportunizado o lançamento do edital para concessão do Aeroporto de São Gonçalo. “Essa era uma discussão inócua havia mais de cinco anos”, disse. Caia a noite quando José Serra chegou ao comitê de campanha de Rogério Marinho. O espaço, ocupando um prédio de quatro andares na Av. Alexandrino de Alencar, estava sendo inaugurado oficialmente. Não é que só agora tenha sido instalado, mas a vinda do ex-ministro

foi providencial para realização de uma solenidade e a entrega de um documento com sete prioridades para o estado. A “carta do Rio Grande do Norte”, segundo o deputado, foi elaborada com base na análise de aproximadamente 1,5 mil militantes da legenda, depois de 27 encontros estaduais e mais de 100 municipais. Essas pessoas colocaram nove pontos fundamentais, entre eles o incentivo a formação de capital humano, os investimentos infraestruturastes e em logística de transportes e o melhoramento da rede de gás natural.

Rosalba e os aliados do DEM participaram da programação de Serra

ca que Serra era ministro da Saúde. Com o microfone e a tal carteirinha em punho, o candidato disse que vai governar para dar dignidade à classe mais desfavorecida. “Vamos ampliar programas como o Bolsa Família, mas é preciso dar para os beneficiados, oportunidades de formação profissional”, citou. AUGUSTO RATIS / NJ

Falando aos médicos, Serra acusa partidos de tomarem conta do ministério

CRÍTICAS AO APARELHAMENTO DA SAÚDE O candidato à presidência da República pelo PSDB, José Serra, falou ontem à noite para membros da Associação Médica do Rio Grande do Norte exclusivamente sobre saúde. Fez críticas ao governo Lula, afirmando que os gestores seguintes provocaram o aparelhamento da pasta depois da sua gestão como Ministro da Saúde, “dividindo os andares do prédio por partido” e aumentado ainda mais a burocracia para questões fundamentais, como medicamentos genéricos e repasse de recursos para estados e municípios. “O setor de remédios ficou nas mãos do PCdoB, muito espertos no assunto”, ironizou. Para Serra, o maior problema que o país enfrenta atualmente na área da saúde é a dificuldade do SUS em realizar cirurgias de médio e pequeno porte. “Hoje em dia, é mais fácil você conseguir realizar uma cirurgia cardíaca do que uma de hérnia”. Segundo o candidato, o SUS chegou nessa situação por conta de um acúmulo de “decisões desastradas”, sendo o ponto alto a negligência da lei que regula-

va o financiamento da saúde, preparada no final da sua gestão e “negligenciada ao longo de todo o governo seguinte”. Com o financiamento irregular, os gestores estaduais e municipais classificavam como investimento em saúde a construção de uma estrada que passa por um hospital e outras obras referentes a outros setores que citassem remotamente essa área. “Se quisessem gastar todo o orçamento da saúde com segurança, eles podiam dizer que o policial protege a vida e pronto”, exemplificou. Serra afirmou que será uma prioridade do seu governo, caso eleito, definir bem quais são os serviços de saúde e “devolver para o povo e retirar das mãos dos políticos o sistema de saúde do Brasil”. Sem citar mais propostas, falou das suas principais conquistas enquanto ministro da Saúde: genéricos, bom gerenciamento do orçamento, quebra de patentes de medicamentos - “a maior vitória diplomática do Brasil” -, e mobilização dos profissionais da categoria.

26-08-2010  

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