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Ano 1 / N°158 / Natal, DOMINGO, 23 de maio de 2010 04

RODA VIVA

16

HUMBERTO SALES / NJ

GRUPO VEM ANUNCIAR CONSTRUÇÃO DE FÁBRICA DE AEROGERADORES EM JOÃO CÂMARA

ESPORTES

GEGAUF OLHEIRO DE BLATTER EM NATAL

03

Radicado em Natal há 30 anos, o suíço Alain Gegauf diz que a Fifa lhe garantiu: nunca pensou em retirar a capital potiguar da lista de cidades sedes do mundial de 2014. Gegauf, de 59 anos, que é amigo de Joseph Blatter, presidente da Fifa, e conselheiro da entidade há 30 anos, acha que poderia contribuir com o comitê local, se fosse convocado.

POLÍTICA

PROCURA-SE COMPANHEIRO

COM DOTE ELEITORAL / ALIANÇA / DEPOIS DE ENCERRAR TRATAMENTO DE SAÚDE, DESAFIO DO GOVERNADOR IBERÊ FERREIRA AGORA É ENCONTRAR O VICE

WALLACE ARAÚJO / NJ

MAGNUS NASCIMENTO / NJ

10

CIDADES

COM A BELA MARGOT FERREIRA, TUDO BEM, TUDO ZEN, Longe das câmera de TV, a apresentadora Margot Ferreira adota hábitos simples. Depois do amor pelo teatro, na adolescência em Nova Iguaçu, a carioca de 41 anos descobriu o jornalismo em Natal. E renovou-se com a profissão - sem esquecer ou abrir mão da música e do contato com a natureza, suas duas outras paixões, além da família.

08

ECONOMIA

A MÍDIA DIGITAL NO COMÉRCIO Especialista em marketing, Marcelo Castro defende durante convenção do comércio lojista em Mossoró a importância de ferramentas digitais, como Twitter. 02

ÚLTIMAS

08

ECONOMIA

DILMA EMPATA, DIZ DATAFOLHA

AKIRA YANO E A PACIÊNCIA ORIENTAL

Pesquisa da Datafolha põe Dilma e Serra empatados com 37% da preferência do eleitor; Marina Silva vem em seguida, com 12%.

Agora cidadão potiguar, o massoterapeuta carioca Akira Yano relembra sua trajetória de 23 anos em Natal. TIAGO LIMA / NJ

IVAN CABRAL

WWW.IVANCABRAL.COM

14

ESPORTES

BOLEIROS do Novo Jornal Adriano de Sousa, Carlos Magno Araújo, Rafael Duarte, Carlos Fialho e Ivan Cabral sugerem frases para o ônibus de Dunga. 02

ÚLTIMAS

EMPRESÁRIO NÃO VÊ VANTAGEM NO SANTOS PARA WALLYSON

10

CIDADES

O ROMÂNTICO ATACA NO RÁDIO O deputado seresteiro Luiz Almir envereda pelo jornalismo policial. Ganha ouvintes, mas sofre até ameaças de morte.


Últimas 2

Editor Marcos Bezerra

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/ NOVO JORNAL / NATAL, DOMINGO, 23 DE MAIO DE 2010

DILMA EMPATA COM SERRA

/ RUMORES /

Proposta do Santos não seria boa para Wallyson, diz empresário HUMBERTO SALES / NJ

/ PESQUISA / PRÉ-CANDIDATA DO PT SUBIU SETE PONTOS E O DO PSDB CAIU CINCO; DATAFOLHA ENTREVISTOU 2.260 ELEITORES WILSON DIAS / ABR

FOLHAPRESS A PRÉ-CANDIDATA DO PT à Presidên-

cia, Dilma Rousseff, atingiu sua melhor marca até hoje numa pesquisa Datafolha e está empatada com José Serra (PSDB). Ambos estão com 37%. Marina Silva (PV) aparece com 12%. Os que votam em branco, nulo ou em nenhum somam 5%. Indecisos são 9%. O levantamento foi realizado quinta e sexta com 2.660 entrevistas. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Na comparação com a última pesquisa Datafolha, realizada em 15 e 16 de abril, Dilma teve uma alta de sete pontos percentuais de 30% para 37%. Já Serra caiu cinco pontos, saindo de 42% para os mesmos 37%. Essa é a primeira vez que ambos aparecem empatados no Datafolha, que traz outros números

Wallyson pode ser negociado com o Santos, o time brasileiro mais festejado da atualidade, em troca do meia Madson, embora seu empresário, Flávio Anselmo, não considere boa a transferência. O interesse é do próprio Santos e aumentou depois do episódio de sexta-feira passada quando, além de Madson, os atacantes Neymar e André e o meia Paulo Henrique Ganso foram punidos por terem chegado atrasado à concentração. Eles ficarão de fora da partida deste final de semana contra o Atlético Goianiense. Como o Atlético paranaense já havia manifestado interesse em ter o meia Madson – e como ele é reincidente em casos de indisciplina – o próprio treinador do Santos Dorival Júnior pensa em negociá-lo

em troca do potiguar Wallyson. Os paranaenses, num primeiro momento, desejavam trazer o atacante santista Maikon Leite, em troca de Wallyson, mas vêm encontrando dificuldades com o empresário do jogador potiguar. Trata-se, portanto, da segunda investida do Santos para ter Wallyson, que teria a chance de atuar numa equipe de ponta e que conta hoje com os mais festejados jogadores brasileiros. Segundo Flávio Anselmo, o empresário do atacante, tudo não passa de rumores e a troca não seria interessante para Wallyson no momento. “Mudar para o Santos, que é um time de maior expressão e ainda receber o mesmo salário, não é valorizar o atleta”, conta. Segundo ele, se houvesse uma correção salarial

▶ Ídolo no Frasqueirão: negociação a ida do jogador poderia se aproximar da realidade. Com a proximidade do fim do contrato com o Atlético, o empresário está tentando renegociar um novo acordo com os paranaenses.

/ PREJUÍZO / positivos para a petista. A alta da candidata é atribuída ao programa partidário de TV que o PT apresentou na semana passada, com vários comerciais de 30 segundos e o programa mais longo, de dez minutos. Na pesquisa espontânea, quando os entrevistados não são apresentados a uma lista com os nomes dos candidatos, a curva da intenção de voto de Dilma continuou a descrever uma sólida curva ascendente. Ela tinha 8% em dezembro. Em abril, estava com 13%. Agora, foi a 19% e está isolada em primeiro lugar. José Serra pontuou 14% - ele também vem subindo nesse quesito, mas em ritmo mais lento. Ainda na pesquisa espontânea, há também 5% que dizem ter intenção de votar em Lula, que não pode ser candidato. Outros 3% declarar querer votar no “candidato do Lula”. E 1% respondem

“no PT” ou no “candidato do PT”. Em tese, portanto, o potencial de voto espontâneo em Dilma pode ser de 28%.

REJEIÇÃO

Quando são colocados na lista de candidatos os concorrentes de partidos pequenos, o cenário não se altera muito. Dilma e Serra continuam empatados, cada um com 36%. Marina tem 10%. E só dois nanicos pontuam: José Maria Eymael (PSDC) e Zé Maria (PSTU). Dilma também colheu bom resultado na rejeição: seu índice caiu de 24% para 20% enquanto o de Serra subiu de 24% para 27%. No caso de Marina a rejeição caiu de 20% para 14%. Na projeção de 2º turno, os dois estão tecnicamente empatados: a petista tem 46% contra 45% do tucano. Em abril, Serra aparecia dez pontos à frente da petista nesse quesito, com 50% a 40%.

/ AVIAÇÃO /

AMBULÂNCIA DA PM ATINGE MOTOCICLISTA UM ACIDENTE ENVOLVENDO uma ambulância do Hospital da Polícia Militar (HPM) e uma motocicleta, Suzuki GSXF 750 cilindradas, de cor preta e placa MYM-0706, deixou o trânsito lento por mais de uma hora na altura do hospital. O motorista da motocicleta, identificado como Custódio Leopoldino Neto, teve escoriações leves e foi levado em outra ambulância do HPM para o pronto-socorro do Hospital São Lucas. Segundo o soldado Marcos Souza, motorista da ambulância, Leopoldino vinha em alta velocidade e ao ver a frente da ambulância, saindo do hospital, freou, mas não conseguiu evitar a colisão. “Ele vinha rápido, tentou frear, mas não conseguiu segurar a moto, caiu e veio ralando

NEY DOUGLAS / NJ

▶ Acidente atrapalhou o trânsito na Prudente de Morais no asfalto até que colidiu de leve no pára-choque”, conta. Apenas o motorista estava presente na ambulância, que levava exames médicos para uma clínica no bairro do Alecrim.

Os dois veículos tiveram pequenas avarias e o motociclista teria manifestado a intenção de processar a Polícia Militar. Pelo preço de tabela, a motocicleta é avaliada em mais de R$ 60 mil.

/ VIAGEM /

TRAFICANTE E USUÁRIOS SÃO PRESOS EM MICROÔNIBUS

ACIDENTE AÉREO MATA 158 NA ÍNDIA REUTERS / STRINGER

FOLHAPRESS

UMA OPERAÇÃO CONJUNTA da Ron-

da Ostensiva, com apoio de motocicletas (Rocam) e do BPChoque, resultou na apreensão de 15 comprimidos de ecstasy, 17 pontos de LSD e três trouxas de maconha. A droga foi encontrada com um grupo que viajava para uma Rave em Pernambuco.

A EQUIPE DE resgate recuperou, on-

tem a caixa-preta do avião da Air India Express, que saiu da pista e explodiu ao aterrissar no aeroporto de Mangalore, no sul da Índia. Apenas oito dos 166 passageiros sobreviveram à tragédia, segundo a companhia aérea. “A caixa-preta da aeronave foi encontrada e uma investigação foi ordenada pelo Diretor Geral de Aviação Civil”, disse a agência de notícias estatal árabe WAM. O Boeing-737 da Air India Express, companhia aérea de baixo custo da estatal Air India, vinha de Dubai e aterrissava às 6h (21h30 de ontem em Brasília) quando derrapou, pegou fogo e explodiu, segundo o Ministério de Aviação Civil. O canal NDTV, de Nova Déli, mostrou imagens do avião completamente destruído e queimado, apenas com a cauda intacta, no barranco em que caiu após ultrapassar a pista do aeroporto de Bajpe, localizado em uma colina cerca de vinte quilômetros de Mangalore. O diretor de Recursos Humanos da Air India, Anup Srivastava, disse em uma entrevista a jornalistas que havia 160 passageiros e seis membros da tripulação no avião. O piloto britânico de origem sérvia Zlatko Glusica, que comandava a aeronave, possuía mais de 10 mil horas de voo. Srivastava afirmou ainda que oito passageiros foram resgatados

O ATACANTE POTIGUAR

▶ Em meio a corpos carbonizados, bombeiros trabalhavam para conter incêndio com vida dos destroços e encaminhados aos hospitais da região. “Até onde sabemos, apenas oito pessoas foram retiradas do local com vidal’’. Ele não quis confirmar a morte dos outros 158 passageiros. Segundo um comunicado da Aviação Civil, havia 23 crianças, incluindo quatro bebês, entre os passageiros. Ainda não se sabe a nacionalidade de todos os passageiros, mas a maioria era do Estado indiano de Kerala, vizinho do Estado de Karnataka, onde ocorreu o acidente. Dubai é um destino comum entre os indianos. Segundo a imprensa local, chovia no momento da aterrissagem. O vice-presidente da Air India Express, V.P. Agarwal, disse a jornalistas que o avião estava em boas condições e negou “problemas operacionais” ou de construção da pista do aeroporto - como sugerido mais cedo por um dos sobreviventes.

Falando às câmeras de televisão, o sobrevivente disse que ter havido um “problema” com a pista porque o avião começou a tremer quando tocou o chão. O passageiro, que sofreu queimaduras no rosto e fugiu do avião por uma das rachaduras na fuselagem, disse ainda que uma das rodas do avião quebrou e, logo após, houve uma explosão. O aeroporto de Bajpe está localizado numa colina cercada por vales e desfiladeiros e é considerado um dos mais complicados da Índia para pousos e decolagens. Dos oito sobreviventes, pelo menos três estão em estado crítico, dois ficaram levemente feridos e um outro foi liberado após receber cuidados médicos, segundo a Aviação Civil. O primeiro-ministro indiano Manmohan Singh lamentou o acidente e afirmou que as famílias das vítimas serão indenizadas.

A ação da polícia aconteceu por volta das 06h30 de ontem, quando o serviço de inteligência da polícia soube de um grupo que levava drogas para uma festa em um microônibus fretado. Segundo Major Marlon de Goes, da Rocam, a equipe abor-

dou o veículo no posto de gasolina Novo Horizonte, no bairro de Neópolis. “Das 17 pessoas que estavam no ônibus autuamos quatro, uma por tráfico e as outras três por consumo”, conta. Os detidos foram encaminhados para a Delegacia de Plantão da Zona Sul.


Política

Editor Viktor Vidal

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NATAL, DOMINGO, 23 DE MAIO DE 2010 / NOVO JORNAL /

UM

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VICE PRA CHAMAR DE SEU

/ ELEIÇÕES / DIFICULDADE EM MONTAR A CHAPA GOVERNISTA PODE ACABAR MAIS UMA VEZ EM IMPROVISO NA ESCOLHA DO COMPANHEIRO DE IBERÊ HUMBERTO SALES / NJ

HEVERTON DE FREITAS DO NOVO JORNAL

FALTANDO POUCO MAIS de um mês para a realização das convenções que irão homologar os candidatos nas eleições deste ano, o governador Iberê Ferreira de Souza (PSB) volta a Natal depois de se submeter a um tratamento de quimioterapia com a necessidade de definir logo um companheiro de chapa para a campanha. Com uma coligação até agora limitada ao PSB, PT, PPS, PTB e PHS, o governador não tem nomes de expressão que possam somar às suas pretensões. O PSB ainda tenta puxar o PR para sua coligação. O partido apóia a reeleição de Iberê, mas optou por não se unir oficialmente na chapa majoritária a fim de fazer uma coligação para deputado com o PMDB e o PV. O nome do deputado federal João Maia, presidente do PR, continua sendo tentado pela ex-governadora Wilma de Faria que também espera contar com o apoio do partido para sua candidatura ao Senado. Até agora, o PR anunciou apoio apenas ao senador Garibaldi Filho. A estratégia dos pessebistas é convencer João Maia a desistir da aliança com o PMDB e o PV, ser o vice de Iberê e indicar a mulher dele, Fernanda Maia, como candidata a deputada federal no lugar do marido. O presidente do PR está cada vez mais próximo de Iberê, participando das articulações e com amplo espaço no governo do Estado. A ele é dada ainda a garantia de ser o candidato a governador em 2014, em caso de vitória da chapa governista este ano, já que Iberê não poderia disputar mais uma vez a reeleição. O problema é que o deputado tem do diretório nacional do seu partido a promessa de assumir o ministério dos Transportes, no caso de vitória de Dilma Rousseff para presidente e da vitória do ex-ministro Alfredo Nascimento, que tenta o governo do Amazonas. Na aliança com o PMDB e o PV, João Maia tem uma vitória tida como certa para deputado federal e sonha assumir o minis-

tério para em 2014 tentar viabilizar seu nome como candidato a governador. Se aceitar ser vice de Iberê, ele não teria dificuldades para eleger a esposa deputada federal, mas perderia a chance de assumir um ministério. A outra dificuldade para consolidar essa chapa é a posição do deputado Henrique Alves. O PMDB está dividido entre Iberê e Rosalba e Henrique precisa de uma aliança forte para garantir sua reeleição de deputado sob pena de ser um dos mais votados e não alcançar o coeficiente eleitoral. O PSB entende que a coligação com o PV é suficiente para Henrique assegurar o coeficiente necessário para se reeleger, além do mais acredita que ele não teria como subir no palanque do DEM pela posição nacional que ocupa como líder do PMDB e ainda mais com o deputado Michel Temer, seu amigo e provável cabo eleitoral numa disputa pela presidência da Câmara dos Deputados, confirmado como vice de Dilma Rousseff. Outros nomes do PR vêm sendo sondados para vice de Iberê, mas todos eles enfrentam essa necessidade de desfazer a aliança anunciada com o PV e o PMDB e somam muito pouco para o governador.

ALECRIM

O PMDB, por seu lado, tenta manter a aliança com o PR. O caminho para isso seria a indicação do empresário Marcelo Alecrim para suplente de Garibaldi Filho. O senador e seu grupo político têm enorme simpatia por essa solução. Marcelo é sócio da Alesat, uma das maiores distribuidores de combustível do país, e tem seu nome cotado para assumir o Sidicom, Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustível, que reúne empresas com a Shell, BR, Total, Castrol, Ipiranga, e uma suplência no Senado somaria na sua escolha para presidir o sindicato. Mas essa solução esbarra na intenção da prefeita Micarla de Sousa de indicar sua irmã, Rosy de Sousa, para suplente de Garibaldi. Sem a suplência, o PV já avisou que está desfeita a aliança na proporcional com o PMDB e o PR.

SÓ UM PLANO B NÃO É SUFICIENTE Se a estratégia de ter um vice do PR não der certo, o governador pode tentar obter o apoio do PV, oferecendo-lhe a vice ou a suplência da senadora Wilma de Faria, caso o partido não indique a suplência de Garibaldi. Outro nome que aparece cotado para compor a chapa com Iberê é o da deputada estadual Larissa Rosado, numa chapa puro-sangue. Ela é mulher, jovem e poderia agregar parte do eleitorado de Mossoró, onde a senadora Rosalba aparece com uma dianteira enorme nas pesquisas. A vaga dela poderia ser preenchida pelo irmão Lahyre Rosado. Mas a própria Larissa não está disposta a ir para o sacrifício pessoal, já que tem boas chances de conseguir sua reeleição para a Assembleia Legislativa. Se nada disso der certo já há quem defenda que Iberê repita a estratégia de Wilma em

2002 e parta para a escolha de um nome que represente o segmento evangélico. Nesse caso há dois nomes mais cotados. Um o do bispo da Universal do Reino de Deus, Francisco de Assis, vereador em Natal. O outro o do pastor Francisco Cícero Miranda, um dos primeiros missionários da Assembleia de Deus, atualmente atuando em Assu. Ele é eleitor do deputado Antonio Jácome (PMN), que anunciou o apoio a Rosalba, mas teria dificuldade para ficar contra um representante da sua denominação. Bispo Miranda tem também a simpatia do vereador em Natal Adenubio Melo, evangélico como ele e candidato a deputado federal pelo PSB. O próprio bispo Miranda já declarou que estaria disposto a colaborar com qualquer projeto do PSB, desde que tenha o aval das lideranças da Assembleia de Deus.

IBERÊ FERREIRA RETORNA A NATAL APÓS TRATAMENTO EM SÃO PAULO COM A PRIORIDADE DE DEFINIR QUEM SERÁ O CANDIDATO A VICE NA SUA CHAPA

ADVERSÁRIOS TÊM CHAPAS FECHADAS Enquanto a coligação governista ainda não definiu quem será o companheiro de chapa do governador Iberê Ferreira de Souza, as outras duas principais coligações adversárias, já tem os nomes que irão compor a chapa completa. A primeira a definir o nome do candidato a vice-governador foi a pré-candidata Rosalba Ciarlini (DEM) que esperou apenas a definição governista pela candidatura reeleitoral de Iberê Ferreira para atrair o deputado Robinson Faria (PMN). Presidente da Assembleia Legislativa e com uma liderança consolidada na região Agreste do Estado, Robinson trouxe com ele o PMN, partido com cinco deputados estaduais, um deputado federal, o vice-prefeito de Na-

tal, Paulinho Freire, dois vereadores na capital e diversos prefeitos no interior. Robinson ainda controla o Partido Progressista presidido no Estado pelo prefeito de Lajes, Benes Leocádio. O PP vem sendo alvo de disputa entre Robinson e Iberê pelo tempo que tem na televisão. Apoiado pelo deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB), o governador tenta conseguir em Brasília que o PP faça parte da sua coligação sob o argumento de que é um dos partidos que formam na base de apoio ao governo federal no Congresso Nacional. A disputa pelo apoio do PP, no entanto, permanece indefinida. O senador Francisco Dornelles, do Rio de Janeiro, presidente nacional

HUMBERTO SALES / NJ

HUMBERTO SALES / NJ

da legenda, apóia até agora o governo do presidente Lula, mas tem sido apontado como possível candidato a vice-presidente da República na chapa do ex-governador paulista José Serra, do PSDB. Se essa aliança nacional do PP com o PSDB se consolidar, o argumento de que o partido deve apoiar Iberê por fazer parte da mesma coligação nacional cai e o a definição da aliança no Rio Grande do Norte pode ser decidida por uma intervenção direta do diretório nacional em favor da coligação com a senadora Rosalba Ciarlini. Até mesmo o ex-prefeito Carlos Eduardo, pré-candidato pelo PDT, conseguiu um candidato a vice, optando por uma chapa puro-sangue graças à disposição do

deputado Álvaro Dias. Ele desistiu de tentar a reeleição para a Assembleia Legislativa para ser o vice de Carlos Eduardo abrindo espaço na disputa proporcional para dois aliados dele na região do Seridó onde exerce liderança. Com sua desistência, os exprefeitos de Caicó, Roberto Germano (PC do B), e de Parelhas, Antonio Petronillo (PMDB), passaram a condição de candidatos a deputado estadual e também a apoiar a chapa Carlos Eduardo/ Álvaro Dias. Essa decisão também contou para que o PC do B aceitasse perder os cargos que tinha no governo estadual para apoiar Carlos Eduardo indicando o jornalista Sávio Hackardt como candidato ao Senado.

AUGUSTO RATIS / NJ

HUMBERTO SALES / NJ

▶ Rosalba Ciarlini e Robinson Faria: oposição

▶ Carlos Eduardo e Álvaro Dias: puro-sangue

UMA HISTÓRIA QUE SE REPETE

Ferreira de Souza que desistiria de tentar a reeleição federal. No PSB, o único nome a favor das pretensões do PT foi o do então prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves, mas como o PT não tinha como tomar outro rumo que não o apoio a Wilma devido a aliança nacional em torno da reeleição do presidente Lula, prevaleceu a escolha da governadora com o PT. O caso mais desastroso da escolha de um vice nos últimos tempos, no entanto, aconteceu em 2008 nas eleições em Natal. A candidata do PT, Fátima Bezerra, conseguiu depois de muitas negociações fazer uma coligação na qual uniu o PSB da governadora Wilma de Faria e o PMDB do senador Garibaldi Filho, adversários dois anos antes. Apesar da ampla quantidade de partidos e lideranças que fizeram a aliança em torno da candidata do PT, ninguém quis se comprometer efetivamente com a candidatura dela. O primeiro sinal de que o apoio formal não iria resultar

Na história recente o que não falta são exemplos de dificuldades para a escolha do candidato a vice. Em 2002, Wilma de Faria renunciou no meio do mandato de prefeita de Natal para disputar o Governo do Estado contra dois candidatos com estruturas bem montadas. De um lado, o governador Fernando Freire que assumiu com a renúncia de Garibaldi e se candidatou à reeleição, de outro o senador Fernando Bezerra, que havia sido ministro da Integração Nacional do presidente Fernando Henrique. Wilma não tinha um candidato para preencher a vaga de vice com ela. O nome mais cotado até então era o do ex-deputado Ismael Wanderley, do próprio PSB que tinha como principal credencial o relacionamento que mantinha com o ex-governador do Rio de Janeiro e candidato a presidente da

República, Anthony Garotinho. Já perto do final do prazo para as convenções é que o presidente da Assembleia de Deus de Parnamirim sugeriu o nome do deputado estadual Antonio Jácome ao então prefeito da cidade, Agnelo Alves, que levou a sugestão para a candidata a governadora. Jácome acabou alçado à condição de candidato a vice-governador pelo mesmo PSB de Wilma em função da liderança no segmento evangélico que poderia influenciar no resultado de uma eleição onde a candidata não tinha praticamente apoio nenhum. Em 2006, a situação mudou. Candidata à reeleição, Wilma partiu para a disputa em desvantagem, mas havia agregado o apoio do PT que em 2002 lançara o médico Ruy Pereira candidato a governador. Pela primeira vez, uma eleição estadual iria iniciar sem um candidato do PT a governador. Mas a governadora Wilma de Faria queria como companheiro de chapa o então deputado Iberê

numa aliança para valer durante a campanha se deu logo no dia da convenção. Com toda a estrutura montada no Palácio dos Esportes para o que deveria ser uma festa, Fátima passou praticamente o dia todo reunida na casa da governadora com as lideranças dos partidos que a apoiavam em busca de um candidato a vice para ser oficializado na convenção que já se realizava. Wilma não quis indicar ninguém mais ligado a ela. A opção encontrada foi do deputado Walter Alves, filho de Garibaldi, mas ele também não aceitou a indicação. O impasse se estendeu durante todo o dia da convenção. Só no final da tarde a candidata chegou ao Palácio dos Esportes com as lideranças que a apoiavam o professor Luis Eduardo Carneiro, que havia sido chefe da Casa Civil no governo de Garibaldi Filho, como candidato a vice-prefeito. O resultado da eleição foi uma derrota no primeiro turno para a candidata Micarla de Sousa.


Opinião 4

Editor Franklin Jorge

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/ NOVO JORNAL / NATAL, DOMINGO, 23 DE MAIO DE 2010

Editorial A torneira da Caern ▶ rodaviva@novojornal.jor.br

SINAIS EXTERIORES

UFRN INTERNACIONAL

O FEITIÇO CONTRA A FEITICEIRA

Além do comício de lançamento de candidatura, neste domingo, no Vila Folia, apareceram dois sinais capazes de convencer os observadores de que o governador Iberê Ferreira de Souza é mesmo candidato à re-eleição: 1 – Assinatura de contrato com o marquereito Alexandre Macedo. 2 – Assinatura de contrato com o advogado Erick Pereira. Em ambos os casos já foi feito o pagamento de uma primeira parcela. Cada uma com número de sete dígitos.

Estrategistas de campanhas eleitorais começam a trabalhar formulando o quadro ideal para a formação do melhor palanque, por mais imprevisível que seja a reação do eleitorado. No desenvolvimento de qualquer campanha existem dois campos que se completam e algumas vezes se confundem: o político e o eleitoral. Normalmente, o eleitoral é consequente do político. Algumas vezes um movimento popular é capaz de se sobrepor ao político. Isso, quando as forças tradicionais começam a dar sinais de exaustão e aparece um nome novo. A ex-governadora Wilma de Faria, há oito anos, representou esse modelo, embora contasse com a estrutura da Prefeitura Municipal de Natal (que ela continuou controlando de fato), enquanto o quadro que havia sido desenhado tivesse sido mudado na última hora. Fernando Bezerra, o candidato da oposição, perdeu o discurso contra o nepotismo, quando o deputado Henrique Alves retirou sua candidatura. A candidatura do vice, Fernando Freire, foi inventada de última hora. Esse cenário abria uma enorme brecha para uma terceira força. Foi nela que Wilma entrou para chegar ao 2º turno e se eleger com folgas por atrair todo o grupo (de Zé Agripino) que estava com Bezerra, ganhando de lavada. No governo, com o natural desgaste, há dois anos imaginou o cenário ideal para chegar ao Senado: Unir a base do presidente Lula no Estado. Traduzindo: isolar José Agripino, seu introdutor – e apoiador de suas maiores vitórias – na política, condenando-o a uma aposentadoria. Foi nesse projeto que expeliu Rogério Marinho, seu principal discípulo, aproximou-se de Garibaldi Alves, seu adversário de dois anos antes e se dispôs a entregar a Prefeitura de Natal à petista Fátima Bezerra. O povo não aceitou e elegeu Micarla. A vitória blindou Agripino contra o isolamento. Garibaldi, dono de enorme sensibilidade, compreendeu que seu eleitorado não concordava com a união com Wilma, que fez de tudo para se garantir na eleição majoritária com quatro apoios fundamentais: 1 – Fazer dobradinha cm Garibaldi; 2 – Ser a candidata da formidável estrutura eleitoral de Robinson Faria; 3 – Atrair a prefeita Micarla de Sousa para ter o seu segundo voto; 4 –Ser a candidata preferencial do PR de João Maia. Não realizou nenhum desses projetos. Para ser candidata precisa apostar, apenas, na força popular. Um apelo difícil para quem tem de responder pelo Foliaduto, Operação Hygia, Operação Ouro Negro e a redução do número de alunos das escolas estaduais em 20%, nos seus sete anos de governo. Resumo da ópera: - O feitiço se volta contra a feiticeira. Quem armou um esquema para isolar um concorrente, terminou isolada.

HORA DE CONTAR

Nesta segunda-feira, à meianoite, a Prefeitura de Natal espera ter o número exato dos seus servidores, com o término do prazo para resposta de todos os funcionários municipais, inclusive aqueles à disposição de outros órgãos. É o primeiro censo realizado exclusivamente pela internet

VENTO A FAVOR

O que seria mais eleitoreiro: entregar uma casa pronta de R$ 20 mil ou os cheques de R$ 750,00”

TIAGO LIMA / NJ

O nosso Rio Grande do Norte vai poder tirar partido de sua privilegiada posição na geração de energia eólica, ganhando uma primeira indústria para produção de aerogeradores. Dirigentes da “Wobben Wind Power” estão sendo esperados, quinta feira, para fazerem uma apresentação à Fiern do projeto de uma indústria a ser implantada no município de João Câmara, inicialmente para a produção de torres de suporte e pás. Por participar de empresas que estão implantando parques de geração e vendo a concentração de parques na área, a escolha do grupo foi feita privilegiando a logística. Para se ter uma idéia do problema, basta dizer que cada pá do aerogerador mede 38 metros e necessita de uma carreta para o transporte de cada uma. A proximidade representa um diferencial favorável e justifica os investimentos da empresa que tem uma fábrica no Brasil, na cidade de Sorocaba, SP.

DO PRESIDENTE DA CEHAB, DAMIÃO PITA, DEFENDENDO A CONTINUAÇÃO DO PROGRAMA CHEQUE REFORMA NO PERÍODO DA CAMPANHA ELEITORAL

PINGOS NOS IS Ilimar Franco, na coluna Panorama Político, registrou neste sábado: “O senador Garibaldi Alves ligou para dizer que está com Dilma Roussef para presidente, a divergência com o primo, deputado Henrique Alves, é nas eleições estaduais”.

PROMESSA DE CANDIDATO

FESTA DO BICENTENÁRIO

Com sete Secretários da Educação em sete anos de Governo e mais a redução de 20% no total de alunos matriculados na rede estadual de ensino, a ex-governadora Wilma de Faria apresenta como promessa de candidata a luta pelo ensino de tempo integral. É muita coragem...

O Batalhão Itapiru, antigo 16 RI, comemora nesta segunda-feira o bicentenário de nascimento do brigadeiro Antônio Sampaio, patrono da arma de Infantaria do Exército, em solenidade programada para as 18 h no quartel, localizado na Av. Hermes da Fonseca. O convite do Comandante do Batalhão, coronel Harley Alves, inclui a encenação histórica “Vida e Morte de Sampaio.

Com a presença de um Prêmio Nobel, David Gross, vencedor do Nobel de Física em 2004 e do Ministro da Ciência e Tecnologia, nossa Universidade Federal inaugura, nesta segunda-feira, o seu Instituto Internacional de Física. Criado no ano passado, o Instituto contou com a transferência para os seus quadros de pesquisadores visitantes e pós doutores do Centro Internacional de Física da Matéria Condensada da UnB.

UM MÊS

Da coluna Nhenhenhém, de Jorge Bastos Moreno, no jornal O Globo, deste sábado: “Completa um mês hoje o pedido de audiência que o trio Rodrigo Maia, José Agripino e ACM Neto fez a Serra. Será que além da beleza, Serra tem outro ponto em comum com Renata Vasconcelos: esse coração frio?”. Moreno tem feito sucesso misturando política e humor na crônica semanal.

BRASIL-FRANÇA

Contando com nomes tanto do Direito francês quanto brasileiro, a Escola da Magistratura Federal, promoverá, de segunda a quarta-feira, o curso “Transformações do Direito Francês e seus Reflexos no Direito Brasileiro”, contando com a participação de professores da Universidade Federal

NOSSO INVERNO

A Serra de São Bento, prolongamento da chamada Borborema Potiguar, realiza se sexta-feira a domingo, o seu 5º Festival de Inverno, reunindo quatro tradicionais restaurantes de Natal e várias bandas que participarão do evento, na praça de eventos do município, localizado a 109 quilômetros de Natal. O pessoal garante que o friozinho já começou.

VOTO DA BELEZA A revista Veja abre espaço para a beleza e o voto: “Lindos e bons de voto”, tendo o deputado Fabio Faria – “32 anos, 1 metro e 90, 14 mil seguidores no twitter como exemplo nacional do tema apresentado em nível mundial, embora, modesto, tenha dito à revista “não me acho bonito”. Outro norte-riograndense, Gaudêncio Torquato, teoriza sobre a matéria: “A primeira mensagem que o eleitor percebe, antes do plano semântico, é o plano estético. O primeiro discurso, o que mais impacta, é a mensagem da estética”.

ZUM ZUM ZUM ▶

O senador José Agripino não incluiu seu aniversário, neste domingo, na agenda política. Foi comemorar no Rio de Janeiro, com a mãe, dona Tereza Maia. ▶ Principal manchete da Folha de S. Paulo neste sábado: “Dilma sobe e empata com Serra”. ▶ Pesquisa do Datafolha mostra Serra e Dilma com 37% cada um, e Marina Silva com 12%.

Damião Pita, com a bolsa abarrotada de cheques reforma foi, neste sábado, levar a grana para a cidade de Lagoa Dantas. ▶ Natal ganha, nesta segunda, o Fórum Municipal Permanente de Combate à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Proposta da vereadora Júlia Arruda. ▶ “Felizardo contra a bruxa da feira”,

terceiro livro do jornalista Juliano Freire de Souza, será lançado, nesta segundafeira, na Siciliano do Midway Mall. ▶ Segundo o Radar, da Veja, Dilma Roussef levou sua maquiadora, Rose Paz, no tour que fez esta semana em Nova Iorque. ▶ Completa 120 anos, nesta segundafeira, que teve inicio o Registro Civil de casamentos em Natal.

▶ O primeiro desastre aéreo registrado no RN, com a morte do piloto Edgar Dantas, completa 80 anos neste domingo. ▶ Este domingo é dia de concurso. São dez candidatos por cada vaga na Secretaria de Estado da Saúde. ▶ O Centro de Saúde Reprodutiva Professor Leide Morais inicia, nesta segunda-feira, a Semana da Mamografia.

É histórica, por mais que as ações de mídia do governo tentem demonstrar o contrário, a distância entre o que a Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte precisa fazer, como uma de suas atribuições básicas, e o que de fato faz. Nunca, porém, um concedente cobrou de forma mais rigorosa os serviços pelos quais paga como agora ocorre com a Prefeitura de Natal. Em Mossoró, a bem da verdade, houve manifestação semelhante contra a Caern. Um dos argumentos utilizados pela procuradoria da prefeitura no embate atual é que neste ano era para 70% da capital estar saneada. No entanto, o sistema de esgotamento cobre apenas 30% do território. A Zona Norte, de acordo com o procurador geral do município, Bruno Macedo, é a mais “carente”. A prefeitura vem cobrando a eficiência da companhia há mais de um ano, mas nesta semana decidiu instaurar um inquérito administrativo a fim de avaliar, tecnicamente, o cumprimento das metas estabelecidas pela Caern, que terá vinte dias para apresentar suas justificativas. O município entende que a empresa não tem cumprido as metas a que se comprometeu. O imbróglio é, na verdade, pano de fundo de uma discussão maior, que é o funcionamento atual da concessionária potiguar de águas e esgotos, que vem de uma crise financeira admitida pelos próprios dirigentes e que agora se diz resolvida. A empresa estaria, portanto, saneada. A Caern depende, ainda hoje, de repasses feitos pelo governo, embora disponha da receita arrecadada por meios das contas de água que emite para milhares de clientes, os residenciais e empresariais. Já era tempo, no entanto, de se questionar a eficiência da companhia na execução de obras de saneamento. De fato, é inaceitável que uma cidade do porte de Natal, com população estimada em um milhão de habitantes, ou perto disso, disponha de uma área saneada em torno, apenas, de 30% - percentual que representa somente a coleta de esgotos. Quando levados em consideração coleta e tratamento o percentual é ainda menor, de 12%. Não é, portanto, referencial de eficiência. A diferença agora é que em vários municípios brasileiros, como ocorre agora com Natal e há pouco tempo com Mossoró, as prefeituras estão deixando de ser reféns dos serviços prestados pela companhia pública oficial. Ao admitir suspender o contrato que mantém com a Caern, a prefeitura de Natal sublinha e ressalta sua preocupação. E chama para um problema. Caberá à companhia, longe da escora política, dizer se é capaz de bem atender ou não.

Artigo CARLOS MAGNO ARAÚJO Diretor de Redação ▶ carlosmagno@novojornal.jor.br

Strike e Meia Boca Se havia alguma dúvida de que a Copa de 2014 poderia nos levar, mais rápido, à efervescente categoria de cidade globalizada, a incerteza dissipou-se terça-feira passada com a presença entre nós dos técnicos da Fifa - que vieram avaliar nossa capacidade de derrubar uma creche e capinar um matagal. O que concorreu, porém, para apressar nossa chegada ao nível das capitais mais cosmopolitas do mundo não tem a ver diretamente com a vistoria, mas com a manifestação dos policiais civis na ocasião da visita dos assessores da Fifa ao terreno próximo à creche posta abaixo no centro administrativo. Nunca na história dessa cidade – e os arquivos dos historiadores estão aí para conferência – se viu manifestação de tamanha consciência cidadã, a mostrar, inclusive, o bom nível dos nossos policiais, historicamente tão desprestigiados. As faixas posicionadas diante dos homens da Fifa diziam: “The RN governament goes not accomplish its terms!” e “Police on Strike”. Que beleza. Conseguimos superar uma etapa. Deixamos claro que não queremos mais ser ouvidos somente na terrinha. Nada disso. Aquele negócio de que para ser universal basta cantar nossa aldeia? Nada disso. Vamos gritar ao mundo nossa indignação. Vamos ser cidadãos. Cidadãos do mundo. Vi depois a CNN e outros canais de notícias internacionais e não identifiquei o protesto papa-jerimun. Pena. Mas vencemos uma etapa. Chega de subserviência. Chega de complexo de vira-lata. No RN, “Police on strike”. E pronto. É isso aí. Mostramos aos homens da Fifa que queremos, sim, a copa. Se não, “on strike”. Dei ainda um pulo virtual nos jornais da Argentina e não vi nada sobre o ABC Futebol Clube. Como andam desinformados nossos coleguinhas da região do Prata. Nada sobre o amistoso da próxima quinta, no Frasqueirão, entre o Boca Juniors deles e o nosso clube 51 vezes campeão estadual. A notícia não saiu no El Clarin, nem no Olé, nem no La Nacion. No Página 12 e no Jornal Futebol Argentino citou-se somente os amistosos do Boca nos Estados Unidos, de 26 a 29, mesmo período “do jogo do século” em Natal. Nada sobre a presença dos craques do país de Maradona na capital brasileira que iniciou a construção de uma arena que será “o estádio da arte” da Copa de 2014. Apesar da ressalva feita pelos promotores do jogo, de que não viria a equipe principal, fica a impressão, com o silêncio da imprensa portenha, de que o natalense verá mesmo é um genérico do Boca – um meia Boca. Não haverá de ser nada. O estádio estará lotado e com jeitinho ainda poderá ser afixado em local visível do Frasqueirão: “The RN governament goes...” e “Police on Strike”.


▶ POLÍTICA ◀

NATAL, DOMINGO, 23 DE MAIO DE 2010 / NOVO JORNAL /

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GERALDO MAGELA / AGÊNCIA SENADO

ABAIXO O

LEÃO / ELEIÇÕES / PRÉ-CANDIDATO A PRESIDENTE PELO PHS DIFUNDE EM NATAL SUA PLATAFORMA CONTRA TRIBUTOS COMO IMPOSTO DE RENDA E IPI

FOTOS: HUMBERTO SALES / NJ

COMO ELES SÃO IMPOSTOS

▶ Senador diz que não se pode passar a mão na cabeça dos candidatos / ELEIÇÕES /

Cristovam faz críticas ao projeto “ficha limpa” FOLHAPRESS

DECLARATÓRIOS,

O SENADOR CRISTOVAM

AS PESSOAS PASSARAM A TER O VÍCIO DA SONEGAÇÃO” Oscar Silva Presidenciável

MARCELO LIMA

DO NOVO JORNAL

O PRÉ-CANDIDATO A

presidente da República pelo Partido Humanista da Solidariedade (PHS), Oscar Silva, tem como principal proposta acabar com Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e com Imposto de Renda (IR). Ele está em visita ao Rio Grande do Norte para difundir essa ideia – pilar de sua plataforma eleitoral – e ministrar palestra em um curso de formação política para seus correligionários locais. Para Oscar Silva, o IPI e o IR poderiam ser extintos sem que os cofres do governo tivessem prejuízo. “Como eles são impostos declaratórios, as pessoas passaram a ter o vício da sonegação”, disse. Na opinião dele, seria necessário criar mais um imposto bancário para substituí-los, uma vez que taxações sobre movimentação financeira são quase inescapáveis. “Teríamos que criar um imposto de apenas 2% na movimentação bancária, que todos pagam e não tem como sonegar”, explicou, defendendo a medida como um gol-

pe nos sonegadores. “Cerca de 1 milhão de processos são criados por ano para investigar quem cai na malha fina”, acrescentou. De acordo com Oscar Silva, o governo também economizaria com o dinheiro empregado na fiscalização dos sonegadores e a máquina arrecadotória do Estado teria um custo muito menor. Além disso, o candidato do PHS calcula que o fim desses impostos daria um aumento automático de 18%, em média, para os servidores públicos e 27% para demais trabalhadores. Na ótica de Oscar Silva, o Imposto de Renda – tributo que taxou apenas pessoas que receberam mais de R$ 1.434,59 por mês em 2009 – não cumpre a missão de redistribuir renda no país, como se apregoa não só no Brasil, como também em outras nações que utilizam o tributo. “O que um rico sonega, daria para beneficiar mil pobres”, declarou. Silva também se inspirou nas ações do governo federal em um momento de crise econômica para fundamentar essa proposta. “Veja que o IPI foi reduzido e melhorou a

questão da produção industrial”, argumentou. O presidenciável apresentou ainda a Saúde Pública como área prioritária. Uma de suas propostas mais consistentes tem fortes semelhanças com o atual Farmácia Popular do governo federal. Esse programa oferece medicamentos para doenças comuns como hipertensão - com até 90% de desconto em farmácias privadas. “Nós queremos que seja para todo tipo de remédio, desde que o paciente tenha a receita”, disse. Na área da Educação, ele destacou somente um projeto para a educação técnica de adolescentes. “A capacitação dos jovens com bolsas de estudo dos 16 aos 18 anos em cursos profissionalizantes evitaria que eles fossem para a criminalidade”. Segundo Oscar Silva, esse projeto iria atingir o jovem na idade em que ele está mais propenso a se envolver com o crime. Para a Segurança Pública, o candidato humanista é a favor da aprovação da PEC-300 – Projeto de Emenda Constitucional que prevê um piso salarial para todos os policiais militares do Brasil.

Buarque (PDT-DF) afirmou que a redação final do projeto “ficha limpa” não servirá para “passar a mão na cabeça” de candidatos com problemas judiciais. O senador Francisco Dornelles (PP-RJ) apresentou uma emenda de plenário ao projeto, estabelecendo que a proibição para que pessoas com condenações por colegiados se candidatem a cargos eletivos só valerá para sentenças proferidas após a promulgação da lei. O Senado interpretou que a emenda muda apenas a redação do artigo, e não o mérito. Com isso, não precisaria voltar à Câmara para nova votação. Deputados que participaram da mobilização pela aprovação da matéria, no entanto, têm avaliação diferente. Pela emenda, mesmo os poucos casos que seriam atingidos pela proposta poderão se candidatar, como o deputado Paulo Maluf (PP-SP), que é do mesmo partido de Dornelles. Cristovam disse concordar com as declarações dos senadores Demóstenes Torres (DEMGO), relator da matéria na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), e Dornelles, de que não houve “golpe linguístico”. No entanto, ele questionou o fato de ninguém ter percebido que a mudança na redação geraria incertezas. “Como é que nós, 81 senadores, com centenas de assessores,

não percebemos que essa mudança geraria dúvidas? Como é que foi possível?”, questionou. O senador Pedro Simon (PMDB-RS), por sua vez, disse que o projeto não é o ideal, por ser pouco abrangente, mas tem a relevância ímpar de ter rompido a barreira e mexido na tese de que o Brasil é o país da impunidade na política. “Não acabamos com a tese, mas começamos uma caminhada que pode chegar lá: um país onde gente séria fica na política e gente corrupta fica de fora.” Com relação à emenda aprovada pelo Senado, Simon leu nota do MCCE (Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral) esclarecendo que a emenda não altera o texto, porque foi feita, apenas, para harmonizar os tempos verbais e padronizar dispositivos. “Nada muda e, portanto, não precisa voltar à Câmara. Todos os processos em andamento e os que já foram julgados, tudo está incluído. Foi um grande momento, começamos a definir o fim da impunidade no país. Tudo começa na convenção dos partidos, que devem se preocupar com a vida pregressa dos candidatos. Estará na internet a ficha de todos os candidatos e o povo poderá votar com conhecimento de causa.” Simon disse que há 40 anos luta pela necessidade de barrar corruptos das eleições e fez um apelo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que sancione logo o projeto. ELTON BOMFIM / AGÊNCIA CÂMARA

NEM DIREITA, NEM ESQUERDA: À FRENTE O atual candidato a presidência da República do PHS está há cinco anos no partido. Para ele, a característica que pode destacar a sua candidatura no cenário eleitoral praticamente bipolar é a conduta dos seus partidários. “Temos o diferencial de ter pessoas com uma conduta que a sociedade não reprova. Temos uma base de ficha limpa”, comentou. Silva prefere também não definir um posicionamento político claro de sua candidatura. “Não consideramos essa questão de direita e esquerda. Nós estamos à frente. O que vai resolver os problemas do país é a união do povo”, declarou. O modesto palanque eletrôni-

co da sua campanha é outro fator que vai diferenciar, e muito, a candidatura. “Não vamos ter muito tempo na tv, mas vamos ter muito nas ruas, porque o tempo do dia é igual para todos”, completou, sem revelar a duração do seu programa eleitoral no rádio e na televisão. O partido também não tem grandes financiadores de campanha, a não ser pelos seus correligionários. No Brasil tem cerca de 130 mil filiados e atualmente possui três deputados federais eleitos. No Rio Grande do Norte 18 vereadores atuam em diferentes municípios e a legenda tem diretórios 80 diretórios municipais. Por enquanto, o PHS não possui partidos aliados em nível na-

cional. No plano estadual, Oscar Silva apoiará o atual governador Iberê de Souza (PSB). No próximo dia 13, sua candidatura será confirmada pela convenção nacional do partido, em Brasília. O advogado caicoense Revil Alves é o mais cotado para ser o vice-presidente na chapa. Mesmo se Oscar Silva não chegar ao segundo turno, o esforço de percorrer o país em empunhando os ideais do humanismo e solidarismo não terá ocorrido vão. Com a sua candidatura, o partido espera expor seus postulantes ao Congresso Nacional e conseguir cerca de 2 milhões de votos com os seus deputados federais eleitos.

O CANDIDATO HUMANISTA

Oscar Silva, de 55 anos, é professor de direito da Universidade do Distrito Federal. Aos vinte anos ele saiu do Maranhão e foi para Brasília, onde participou de mobilizações a favor da redemocratização do país. Silva já foi filiado ao PMDB, mas nunca exerceu

cargo eletivo. Ele era secretário geral do PHS antes de ser o pré-candidato a presidência da República. O ideário do seu partido se apoia no solidarismo e humanismo pregado pelo padre Fernando Bastos de Ávila, em livro publicado em 1963, “Solidarismo”.

▶ Fernando Gabeira quer ser governador do Rio de Janeiro pelo PV / RIO /

GABEIRA LANÇA CANDIDATURA AO GOVERNO FOLHAPRESS AINDA COM ARESTAS

a aparar na aliança, o deputado Fernando Gabeira (PV) lança hoje sua pré-candidatura ao governo do Rio, mas a chapa PV-PSDBDEM-PPS ainda tem rachas e ambiguidades. A escolha do deputado como candidato da aliança teve forte influência de José Serra (PSDB), mas Gabeira diz que, no primeiro turno, pedirá votos só para Marina Silva (PV). Seus aliados, porém, esperam indicações de apoio a Serra. O exdeputado Márcio Fortes (PSDB), cotado para ser o vice na chapa,

cita um almoço em que Gabeira sentou junto a Serra: “Aquilo foi uma pré-campanha eleitoral, e o Gabeira estava lá para dizer que está com o Serra’’. Os nomes ao Senado também racham o PV. O acerto inicial, em março, previa que DEM e PPS indicariam os candidatos, mas parte do PV e do PSDB rejeitam o nome de Cesar Maia (DEM). “O problema era interno ao PV e eu entrei como Pilatos no Credo’’, disse Maia. O presidente do PV do Rio, Alfredo Sirkis, insiste em lançar a candidatura da vereadora Aspásia Camargo, mas entregou a decisão a Gabeira.


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▶ OPINIÃO ◀

/ NOVO JORNAL / NATAL, DOMINGO, 23 DE MAIO DE 2010

FRANKLIN JORGE Jornalista

franklinjorge@novojornal.jor.br

UM POUCO DE METAFISICA

Brasilia segundo Marshall Berman BRASILIA, A CAPITAL federal criada por decreto do pre-

sidente Juscelino Kubitschek, contrasta radicalmente com a idéia que fazemos do paraíso. Saída da prancheta de dois marxistas delirantes, ambos discípulos de Le Corbusier que influenciou a arquitetura do século passado, é uma megalópole espacialmente forjada sob o influxo da modernidade, porém, na prática, resulta num grande fracasso: como cidade moderna, não funciona como um meio no qual a vida pessoal e a vida política confluem em um todo orgânico capaz de satisfazer a nossa fome de diálogo. Para muitos, trata-se de uma cidade sem alma. Um pesadelo de concreto e vidro temperado na qual as multidões anônimas não podem se decompor em camaradas ou inimigos, como observou argutamente o escritor americano Marshall Berman, que a visitou em agosto de 1987, para debater e caitetuar o seu ambicioso e fulminante sucesso editorial “Tudo que é sólido se desmancha no ar”. Planejada e projetada por Lucio Costa e Oscar Niemeyer, discipulos esquerdistas de Le Corbusier, impressiona por sua inquietante amplidão espacial que nada tem das cidades metafísicas imaginadas por De Chirico, mas antes reflete a megalomania e a aridez do espírito que caracteriza os credos facilmente vulneráveis às idéias e conceitos totalitários. Confessa Berman que, vista do ar, Brasília pareceu-lhe dinamica e fascinante, sob um traçado aerodinâmico que assemelha-se a um avião a jato com as suas asas e eixos monumentais que exprimem

REPRODUÇÃO

▶ De Chirico: Cidade imaginária bem o espírito de uma época desenvolvimentista que passou para a história como os “anos dourados” nos quais era ainda possível acreditar que o futuro chegara para todos. Porém,quando vista ao nível do chão, do lugar onde as pessoas vivem e trabalham, o impacto é outro: a cidade assemelha-se a um vasto deserto de homens. Neste aspecto, seria Brasília uma das cidades mais inóspitas do mundo. Observa Berman que há em Brasília uma ausência deliberada de espaços públicos que não é natural. Neste sentido, chega a ser o oposto de uma tradição urbanística que remonta à formação das cidades iberoamericanas inspiradas pelo modelo grego,

Disse Edmund Wilson em seu magnífico estudo sobre escritores e atores da história que a vida de exilado político é caracterizada por certos estados de espírito que não podem ser imaginados por aqueles que têm uma pátria. Refere-se, no entanto, ao gênero de exílio sobre o qual nos habituamos a pensar instintivamente em detrimento duma outra forma de privação que me parece ser a mais terrível de todas - aquela a que damos o nome de “desenraizamento” - e que por sua natureza subjetiva não pode ser declarada nem nos qualifica a solicitar, por exemplo, asilo político… Não que o “asilo político” pudesse representar alguma forma de compensação material ou refrigério moral, ou ainda uma salvaguarda em relação à integridade física, pois no presente caso, geralmente não estamos correndo riscos, exceto psicológicos e emocionais, que no entanto não costumam ter importância para a política, embora para muitos de nós acabem sendo ainda piores do que a iminência do extermínio físico… Não há compensação de espécie alguma para esse desconforto moral e psicológico que decorre dessa sensação de inadaptação diante dos costumes gerais e do conformismo que regula a vida em sociedade.

cujo eixo era a praça – um lugar de pleno convívio, multifacetado e uno. Brasília, ao contrario “talvez fizesse sentido” como a capital de uma ditadura militar, “comandada por generais que quisessem manter a população à distancia, isolada e controlada. Como capital de uma democracia, porém, é um escândalo”, pois não cultua o estimulo de vida capaz de humaniza-la. Seus criadores não levaram em consideração a premissa da habitabilidade e do convívio humano. Fracassaram completamente, ao romper com a tradição do urbanismo latino; em sua inquietante aridez espacial, Brasília não simboliza as aspirações e esperança do povo brasileiro. Berman resume tudo assim: “A grande tradição do urbanismo latino, emque a vida urbana se organiza em torno de uma grande praça, é rejeitada de modo explicito”. É verdade que, segundo o credo estético de Le Corbusier e de seus discípulos brasileiros, o arquiteto moderno deve usar a tecnologia para concretizar certas formas ideais clássicas, eternas. Contudo, como uma obra modernista – ainda citando Berman - Brasília é a negação de algumas prerrogativas modernas dos cidadãos, como falar, reunir-se, discutir, manifestar suas necessidades. “Uma das coisas que podem tornar a vida moderna digna de ser vivida é o fato de que ela nos proporciona mais oportunidades – por vezes até nos impondo a obrigação – de conversar, de fazer um esforço no sentido de compreender o outro”, acrescenta. Ora, o modernismo está nas ruas.

Franklin Jorge escreve nesta coluna aos domingos

Plural

Cartas do Leitor

FRANÇOIS SILVESTRE Escritor ▶ fs.alencar@uol.com.br

▶ cartas@novojornal.jor.br

Bola de Meia A paixão pelo futebol nasceu com as primeiras descobertas de que o mundo era maior do que a vila da minha infância. Pelo Vasco, um time de botão, de baquelita, com o escudo da cruz de malta, que me foi presenteado por Zé Dimas, irmão e vascaíno que influenciou minha adesão. Pela Seleção Brasileira, a vitória na Suécia. Só ouvia os gritos e ruídos distantes de um rádio rouco posto por Zé Câmara no interior do CLEM, Centro Lítero Esportivo de Martins. Crianças não podiam entrar. Só nas matinês dos Domingos. Ouvia o Dr. Lacy chamando o juiz de fela-da-puta, ao anular dois gols do Brasil contra a França. Foi nesse jogo que Gilmar sofreu a queda da cidadela. O Brasil não sofrera nenhum gol, até aquele dia. Três a zero contra a Áustria. Zero a zero contra a Inglaterra. Dois a zero contra a Rússia. Um a zero contra o País de Gales. Venceu a França por cinco a dois e repetiu o placar na final contra os donos da casa. Fui consultar dona Raimunda Barreto para saber onde danado ficava o País de Gales, nome que eu nunca ouvira antes. Zé Dimas me dissera que era bem mais longe do que a Argentina. Passado o tempo, agora no internato de Caicó, o gosto pelo futebol só aumentou. Todo mundo ali torcia por algum time. Até os padres. Ganhamos a Copa do Chile com o time de 58, mais velho e com poucas modificações. Não estavam mais lá De Sordi, Joel, Dida, Mazola, Orlando. Mauro tomou o lugar de Beline. Pelé contundiu-se e cedeu o lugar a Amarildo. Foi a Copa de Garrincha. Expulso pela primeira vez, no jogo contra o Chile, pelo Juiz Arturo Yamazak, ou coisa assim, peruano descendente de japonês. Igual a Fujimori. A liderança de Didi, em 58, foi exercida por Zito, em 62. Mesmo com Didi em campo. Dos times daquele tempo guardo os ataques do Santos, (Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe) e do Botafogo, (Garrincha, Didi, Quarentinha, Amarildo e Zagalo). Duas máquinas de fazer gols. De time completo, não consigo esquecer o timaço do Vasco: Ita, Paulinho e Beline. Écio, Orlando e Coronel. Sabará, Almir, Vavá, (Delem), Roberto Pinto e Pinga. Tempo em que a arte de jogar não impedia a vitória. Ganhava quem jogasse melhor e mais bonito. Fazer gols era um dever, uma festa. Hoje é o meio gol. Meio craque, meio técnico. Meio ataque. Meia bola, se o bola for a do jogo. Se for a “bola” da grana, das negociatas, dos arrumados, aí sim é bola cheia. Tudo gira em torno de somas fantásticas que nem sabemos contar. Saudosismo? Não. Saudade. De Pelé, Garrincha, Puskas, Di Stefano. Do campeonato carioca. Dos jogos do Caicó contra o Centenário de Parelhas. Do torneio Cid Rosado. Do Rio/São Paulo; quando, na mesma semana, o Santos perdia para o Botafogo de três, no Pacaembu; e ganhava de cinco, no Maracanã. Té mais. François Silvestre escreve nesta coluna aos domingos

CEDIDA / NJ

Albimar. Uma beleza, NOVO JORNAL! Vicencinha Ferreira, Alecrim

Ficha limpa

▶ A tradicional feira do Alecrim Feira do Alecrim Uma beleza o artigo do jornalista Albimar Furtado sobre a famosa e tradicional Feira do Alecrim, que está completando 90 anos! São esses pequenos fatos que engrandecem um jornalcomprometido com a vida da cidade. Albimar conseguiu ao mesmo tempo fazer o registro histórico e a crônica de uma das manifestações mais autenticas de Natal, essa feira que faz parte do relicário sentimental de muitos natalenses que a freqüentaram, numa época anterior aos supermercados, e ainda a freqüentam. É um espaço popular por excelencia, para onde convergem gerações de compradores e vendedores que sobrevivem à modernização de mercado.Uma beleza,

Diz a sabedoria popular: “esmola grande, cego desconfia”... Não deu outra, no caso do projeto “Ficha limpa” acolhido pelos nossos senadores, depois de grande expectativa dos brasileiros que lutam por Parlamento expurgado de políticos corruptos. Eu, que sou naturalmente desconfiado, achei que essa unanimidade de deputados e senadores em torno da aprovação do projeto tinha alguma coisa suspeitosa. Não deu outra: aprovaram, sim, mas com emenda que desmoraliza o proprio ato requerido por mais de meio milhão de brasileiros cansados de tanta corrupção. Eu ia votar em Serra, mas pensarei duas vezes se o malufista Francisco Dorneles (PP-RJ), autor das tais “correções” gramaticais ao texto da lei, for o seu vice. O homem não merece confiança. Prefiro desperdiçar meu voto com Marina Silva a sufragar uma chapa coma participação desse maquiavélico mineiro. Ele, Dorneles, e o relator Demóstenes Torres enganaram aos brasileiros. Pedro Lima, Cidade Alta

Divida do Governo Estarrecedora essa noticia veiculada no NOVO JORNAL na última sexta-feira – o governo petista já deve R$ 1,59 trilhão!!!

É um rombo e tanto! Fico imaginando as dificuldades que terá o próximo governante, seja ele quem for! Somente nos últimos doze meses o governo aumentou o rombo em R$ 200 bilhões! O presidente Lula está arruinando o Brasil. E ainda temos muitos meses pela frente, o que significa que esse rombo corre o risco de dobrar, pois o apetite dos petistas não tem limite. Jarbas Sena, Mirassol

Estado de insegurança A reportagem “Casa da Mãe Joana”, publicada na última sexta por este NOVO JORNAL é o retrato sem retoques do que foi o governo da sra. Wilma de Faria na área da Segurança Pública: as delegacias em estado de petição de miséria, muitas delas fechadas ou abertas de acordo com a conveniência dos policiais que pelo visto estão sem comando. Em uma página o repórter Anderson Barbosa radiografou essa situação calamitosa que afeta a vida de todos os cidadãos: o descaso do governo num setor que de uma ou outra maneira se reflete na vida de todos. O editor de Cidades, jornalista Moura neto, foi muito feliz em seu comentário: o termo que ele usou (“Casa de Mãe Joana”) para qualificar esse estado de absurdo que contamina a segurança pública em Natal (e certamente em todo o resto do RN), não podia ser mais adequado. Paulo Rocha, Alto da Candelária

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NATAL, DOMINGO, 23 DE MAIO DE 2010 / NOVO JORNAL /

CHINA VEM COM TUDO / PETRÓLEO / ESTATAIS CHINESAS PETROLÍFERAS PROJETAM MEGA INVESTIMENTOS NO BRASIL E EM TODA A AMÉRICA LATINA FOLHAPRESS A PETROLÍFERA ESTATAL

chinesa Sinochem venceu a disputa pela fatia de 40% do campo de Peregrino (bacia de Campos), pertencente à norueguesa Statoil. No negócio, o segundo grande na área de petróleo e gás da China na América Latina desde março, foram desembolsados US$ 3,07 bilhões. A Statoil não informa o valor investido no desenvolvimento do projeto, mas, no mercado, estima-se que a cifra supere os US$ 2 bilhões. A companhia diz que somente fala sobre valores globais de investimento. O campo de Peregrino possui reservas entre 300 e 600 milhões de barris de petróleo e conta com uma capacidade de produção de 100 mil barris/dia -o que corresponde a cerca de 5% do volume de extração de óleo da Petrobras atualmente. Estima-se que o campo tenha vida útil de mais de 30 anos, considerando o ritmo de produção de 100 mil barris/dia. À Folha de S.Paulo, a Statoil informou que “nunca pretendeu manter os 100% de participação no campo de Peregrino”. “Quando a companhia adquiriu os 50% restantes em 2008 [ela já tinha uma participação de 50% antes], o objetivo foi se tornar operadora do campo, mas seus planos sempre foram o de, em um breve espaço de tempo, vender parte do campo e ter um parceiro para continuar o trabalho em Peregrino”, disse a empresa.

Segundo a Statoil, essa é “uma prática comum da indústria em todo o mundo, que permite dividir riscos e compartilhar experiências”, que `torna possível ainda a estratégia de manter” um leque diversificado de projetos e obter maior “flexibilidade financeira”. A Statoil ressaltou, porém, que “não tem necessidade imediata de dinheiro em caixa” para tocar o projeto do campo. “Mas esse acordo melhora ainda mais nossa capacidade de investir em outros projetos, inclusive no Brasil, preservando a nossa estratégia de realizar investimentos no longo prazo e com austeridade financeira.”

INVESTIMENTO À CHINESA

A ofensiva chinesa no Brasil e na América Latina ocorre enquanto as estatais de energia daquele país percorrem o mundo por ativos de alta qualidade para servirem de combustível ao seu robusto crescimento econômico. Em abril, a Petrobras assinou um acordo de cooperação com a Sinopec para explorar dois blocos em bacias do Pará e do Maranhão. Em março, a CNOOC comprou, por US$ 3,1 bilhões, fatia na argentina Bridas Holdings. No início da semana, a gigante elétrica chinesa State Grid anunciou a compra de sete concessionárias no Brasil, por R$ 3,097 bilhões. Se ratificado pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), o negócio será o maior investimento do país asiático já feito no Brasil.

/ NOVO JORNAL /

CARROS COMEMORA SUCESSO COM O MERCADO CONSOLIDADA NO MERCADO potiguar

depois de seis edições elogiadas pela crítica e pelo público especializado, a revista CARROS - produto voltado para o setor automotivo, encartada semanalmente todas as quartas-feiras no NOVO JORNAL vai comemorar o sucesso com os parceiros e o mercado publicitário na próxima terça-feira, 25 de maio, a partir das 18h30, no restaurante Guinza Blue. O happy hour será produzido pela empresa de eventos Nação Pro. A idéia, de acordo com a diretora Comercial e de Marketing do NOVO JORNAL, Bel Alvi, é dividir os resultados positivos das primeiras edições da revista com quem vem ajudando a mantê-la no mercado, além de estreitar laços com empresas do setor e novos parceiros. “Nesse happy hour com o segmento automobilístico vamos comemorar a revista CARROS que chega à sétima edição já consolidada no mercado. Sem dúvida, um dos diferenciais do NOVO JORNAL”, disse. Além do conteúdo, Bel Alvi cita a divulgação com exclusividade da tabela de preço dos veículos seminovos registrada pela Federação Nacional da distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) e qualidade da impressão da revista como pontos extremamente elogiados por especialistas do ramo automotivo. “A tabela da Fenabrave realmente vem sendo um dos nossos diferenciais. Temos uma boa tiragem de cinco

mil exemplares, com distribuição através do jornal e nas próprias concessionárias de seminovos... esperamos ampliar”, conta. Nos últimos dois meses, a revista CARROS mostrou um panorama do mercado local com reportagens, sobre a criação do bugue Selvagem, o avanço dos carros bicombustíveis e contando a história de concessionárias atuantes em Natal e até em Mossoró, como no caso da chegada da marca Kia a capital do Oeste, acompanhada pela equipe da revista, entre outras matérias locais e nacionais. Para o editor geral da revista CARROS, Carlos Prado, o próximo passo da publicação é estabelecer parcerias com a Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA) para ter acesso a mais informações do setor. “Queremos deixar os leitores ainda mais atualizados com o mercado automobilístico nacional e internacional”, disse. Para ele, as críticas positivas que a revista vem recebendo ao longo da sua ainda curta trajetória devem se intensificar ainda mais com a continuidade do trabalho da equipe da revista. “Com a CARROS consolidada, agora vamos aperfeiçoar o trabalho. Temos noção e a certeza de que ainda podemos melhorar mais e, dessa forma, oferecer um produto ainda mais de qualidade para os leitores da revista”, afirmou.

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REPRODUÇÃO / INTERNET

▶ Estatal chinesa do petróleo vai continuar investindo no Brasil


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▶ ECONOMIA ◀

/ NOVO JORNAL / NATAL, DOMINGO, 23 DE MAIO DE 2010

DÓLAR

INDICADORES

COMERCIAL TURISMO PARALELO

1,861 1,930 2,050

EURO

IBOVESPA

TAXA SELIC

IPCA (IBGE)

2,332

3,55% 60.259,33

9,5%

0,57%

CHEGOU A VEZ DO LÍDER CRIATIVO

/ COMÉRCIO / NA CONVENÇÃO DAS CDLs EM MOSSORÓ, ESPECIALISTA EM MARKETING DESTACOU IMPORTÂNCIA DO USO DA INFORMÁTICA NOS NEGÓCIOS DIVULGAÇÃO

TIAGO LOPES

DO NOVO JORNAL

O ESPECIALISTA EM

Marketing Estratégico, Marcelo Castro, fez a palestra de abertura do segundo dia da XIV Convenção do Comércio e Serviços do RN, no Teatro Dix-Huit Rosado, em Mossoró. Ele foi responsável por abordar assuntos relacionados ao novo mundo dos negócios na era digital, um das dezenas de assuntos abordados sob o prisma da necessidade do otimismo no comércio, tema maior da edição desse ano. Marcelo fez uma apurada contextualização histórica para justificar a importância da aplicação no comércio de ferramentas populares como o Orkut, Facebook e Twitter. Para ele, o mundo como conhecemos moldou-se a partir de duas datas: a queda do Muro de Berlim, em 1989; e a queda do World Trade Center, em 2001. Na Alemanha, a queda do muro marcou o nascimento da globalização, do mundo sem fronteiras. A partir daí, a internet assumiu o posto de co-

nectora dessa novo mundo. Já a derrubada das Torres Gêmeas em Nova York explicitou a maior prova das diferenças entre as culturas existentes no mundo. “O segundo evento talvez não tivesse acontecido, caso o muro não tivesse caído. Os dois estão intrinsecamente ligados”, afirmou. A partir daí, o mundo também tomou consciência de que, como tudo na vida, a era digital também tem um lado bom e um lado ruim (já que é sabido que os terroristas que perpetraram os ataques usaram a internet como principal meio de comunicação). É preciso minimizar o lado negativo e potencializar o positivo. A partir desses dois eventos, o mundo começou a entrar numa nova era, que, segundo Castro, esperava-se que fosse a Era da Informação. “Mas vivemos numa ainda mais complexa que essa, que é a Era da Recomendação”. Para Marcelo, o excesso de informações de hoje demanda ainda mais conhecimento por parte da sociedade. “Isso faz com que a educação seja a base dessa

isso?’. Já falam em era A.G., antes do Google”, explicou.

COMO LIDERAR

▶ Marcelo Castro abriu o segundo dia da Convenção do Comércio e Serviços do RN nova era”. Com tanta informação disponível, faz-se necessário uma boa base de conhecimentos para que boas decisões sejam tomadas. Com um domínio básico dos conceitos necessários de mercado, por exemplo, já é

mais fácil chegar à inovação e à revolução. O primeiro, simplifica Marcelo, nada mais é que fazer a mesma coisa, mas de forma diferente. Exemplos disso são redes sociais como Orkut e Twitter, que reciclam o mesmo conceito, mas através de abor-

dagens diferentes. Quanto à revolução, Marcelo explica que hoje, isso significa propor algo de forma a criar um novo conceito. “O melhor exemplo disso é o Google. Não tem aquela coisa de se perguntar ‘como a gente vivia sem

Para Marcelo, essa nova era também requer um novo perfil de liderança. Um líder tem que ser visionário e criativo. “Não deve mandar, mas sim convencer”. A motivação também tem que ser um dos seus principais objetivos e é imperativo que ele possua um senso de equipe. “Isso significa que um líder tem que aprender a conviver as diferenças de comportamento da sua equipe”. Por último, a percepção psicológica e sociológica da atual engenharia social é de extrema importância. Hoje, no último dia do evento, o membro da diretoria de Novos Negócios do Google Brasil, Tiago Luz, começa a programação, falando sobre de que maneiras aproveitar as oportunidades trazidas por toda essa mudança tecnológica. Depois, Clóvis Barros, docente da Universidade de São Paulo, fala sobre confiança e ética nas relações. Por último, mais um case de sucesso é alvo de atenção, com Francisco Deumar, da Rede Pague Menos.


Cidades

Editor Moura Neto

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NATAL, DOMINGO, 23 DE MAIO DE 2010 / NOVO JORNAL /

DOUTOR NA

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/ PERFIL / HÁ 23 ANOS MORANDO E TRABALHANDO EM NATAL, O TERAPEUTA CARIOCA AKIRA YANO CONQUISTOU UMA CLIENTELA FIEL E TAMBÉM O TÍTULO DE CIDADÃO NORTE-RIO-GRANDENSE

MEDICINA ORIENTAL FOTOS: MAGNUS NASCIMENTO / NJ

JALMIR OLIVEIRA

DO NOVO JORNAL

A FAMOSA PACIÊNCIA

oriental, ele admite não ter, embora tenha palavras e gestos estudados e medidos. Numa espaçosa sala de sua clínica, no bairro de Lagoa Nova, o psicólogo e terapeuta Akira Yano recebe os pacientes que o procura para tratamento nas áreas da acupuntura, massoterapia e psicoterapia. Com o olhar percebe as nuances do interlocutor e faz o diagnóstico: “O seu problema está no rim. Está com deficiência no Shen (Rim em chinês. A palavra também significa alma). O rim é responsável por expelir os subprodutos do metabolismo do corpo e armazenar a essência”, explica. Mudar o padrão de vida dos clientes é o primeiro objetivo após conhecer o perfil do consultado. “Muitas doenças são decorrentes do modo de vida sem limites e desregrado. O corpo é o espelho deste processo. Eu procuro re-equilibrar a vida de quem me procura”, diz o carioca descendente de família japonesa que mora e trabalha há 22 anos em Natal. Ao longo desse período, já passaram por suas mãos cerca de 15 mil pacientes, segundo suas estimativas. “Atendo políticos, padres, médicos, empresários, esportistas, jornalistas, enfim, todo o tipo de pessoa. Já atendi crianças com dois anos de idade até idosos. Recentemente atendi uma mulher de 103 anos. Não tenho plano de marketing, meu sucesso vem do boca a boca e do trabalho que faço”, alega. Nascido no Rio de Janeiro, em 3 de março de 1960, até os 23 anos Akira seguiu à risca os passos do pai, o mestre em jiu-jítsu Takeo Yano, um dos responsáveis pela popularização da luta no Brasil, ao lado Esai Maeda Koma e Jigoro Kano. “Até os meus vinte e poucos anos eu quebrava gente nas lutas. Hoje, eu as conserto”, brincou Akira, sem esconder que ostenta o título de terceiro dan em jiu-jítsu, o grau máximo da modalidade.

O pai faleceu em 1988. E o restante da família, atualmente, mora no Japão – mãe e quatro irmãos. Akira é casado, tem dois filhos, um dos quais morando em Natal, Kim, estudante de fisioterapia; e a filha Érika, estudante de turismo, atualmente morando na Inglaterra. Akira Yano possui uma vida social bastante ativa. “Estou parando com isso. Estava com uma rotina louca. Em certos dias eu tinha casamentos, inaugurações, festas, e outros eventos; meu dia só terminava às 3h da manhã. Resolvi diminuir meus compromissos e dar atenção a mim mesmo”, ressaltou. Já aos 15 anos praticava acupuntura, técnica ensinada pelo pai, e aos poucos foi conseguindo seus próprios clientes, seja dando aulas de jiu-jítsu ou com acupuntura. Formou-se em psicologia pela UFRJ e dedicou-se a aliar os conhecimentos da tradicional medicina chinesa com as práticas psicoterapêuticas.

ESPECIALIZAÇÃO

Nos anos 80 viajou para a Argentina e Japão para adquirir conhecimentos nas áreas da massoterapia e quiropraxia. De volta ao Brasil, concluiu no Rio de Janeiro especialização em acupuntura, a técnica oriental de estímulo de pontos vitais no corpo humano. A massoterapia é a aplicação de técnicas de massagem para finalidade terapêutica, já a quiropraxia lida com o diagnóstico, tratamento e a prevenção das desordens do sistema neuro-músculo-esquelético, cujo tratamento é feito com técnicas manuais para o ajuste/manipulação articular. Em 1987 Akira desembarcou em Maceió, Alagoas, onde atendeu o ex-presidente Fernando Collor de Mello e a sua mãe, Leda Collor. “Com o sucesso do tratamento, comecei a atender mais e mais pessoas. Com as técnicas massoterápicas e quiropraxia consegui tirar algumas pessoas da cadeira de rodas. Fiquei conhecido como Padre Cícero de Maceió”, contou.

▶ Akira Yano, na sua clínica: “Atendo políticos, padres, médicos, empresários, esportistas, jornalistas, enfim, todo o tipo de pessoa”

EM NATAL, CONHECE CARLOS ALBERTO E A FILHA MICARLA Os bons resultados renderam convites para palestras, atendimentos e entrevistas em várias capitais do Nordeste. Em 1988 foi convidado pelo então senador constituinte Carlos Alberto de Souza para uma entrevista e para atender a sua filha, hoje prefeita de Natal, Micarla de Souza. “Quando cheguei sofri um pouco com a descrença da classe médica. Com o tempo, dobrei qualquer dúvida sobre a eficácia do meu trabalho. Hoje recebo indicações de todos os médicos da cidade”, afirma.

Depois disso, nasceu um caso de amor com Natal e, com o aumento constante de consultas na cidade, resolve fixar residência e montar a clínica que leva seu nome e possui como especialidades massoterapia, quiropraxia, psicoterapia, terapia ocupacional e clinica geral. Apesar do contato regular com a classe política, ele prefere não emitir opiniões sobre o assunto. “Sou apenas um terapeuta. Atendo aqui pessoas de todos os partidos, sei dos bastidores da política mas prefiro me abster.

Sou um profissional, apenas isso”. Na última segunda-feira, 17 de maio, Akira Yano recebeu o título de cidadão norte-rio-grandense em sessão solene na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Norte. O título, para o terapeuta, significa a confirmação do que ele já sabia e sentia. “Sou potiguar há muito tempo”, disse orgulhoso. Nos últimos anos a clínica vem recebendo um número cada vez maior de estrangeiros. Italianos, suecos e espanhóis estão se consultando para tratamento de problemas de coluna e outras enfermidades. No entanto, boa parcela de seus clientes é formada por adolescentes em busca de psicoterapia. Muitos che-

gam à clínica com diagnóstico de depressão, transtorno obsessivo compulsivo e problemas com drogas. Para Akira, estes problemas são decorrentes da vida desregrada e da desestrutura familiar. ”Os jovens estão cada vez mais frágeis, doentes, sem saúde. A culpa, na maioria das vezes, é dos pais que se isolam, distantes dos filhos, e o resultado é o desequilíbrio físico-emocional da juventude”, esclareceu. Para o futuro ele planeja repassar todo o conhecimento adquirido ao longo dos anos. “Pretendo abrir uma escola. Espero diminuir meu ritmo de trabalho para poder ensinar o que aprendi ao longo da vida profissional”, completou.

ALIANDO CONHECIMENTO ORIENTAL E ALOPATIA

EU PROCURO RE-EQUILIBRAR A VIDA DE QUEM ME PROCURA. NOSSO ORGANISMO É UM LABORATÓRIO” Akira Yano, Psicólogo e terapeuta

De acordo com Akira Yano, o descrédito e a rejeição do meio científico com relação às práticas da medicina oriental parecem ter diminuído. A acupuntura, inclusive, é uma especialidade médica reconhecida, desde 1995, pelo Conselho Federal de Medicina. “A prática médica mudou bastante nos últimos anos. Atualmente, possuir as técnicas da medicina oriental é um grande diferencial, as pessoas estão mais conscientes dos benefícios destas práticas utilizadas há mais de cinco mil anos”, explicou. Para o terapeuta, o futuro da medicina é a junção dos conhecimentos e práticas das medicinas orientais e ocidentais. É

o tempo da multidisciplinaridade. A nova medicina deve se preocupar com o bem-estar e o estabelecimento do equilíbrio físico-mental do paciente. Para Akira, as práticas da medicina oriental são complementares à alopática (clássica, ocidental, com uso bioquímico). “Agora a medicação e o tratamento não se restringem aos produtos químicos e técnicas da chamada medicina tradicional”. A procura da causa da doença pode ser feita aliando os conhecimentos milenares à ciência. Contudo, isso exige um médico especializado em ambas as práticas para segurança do necessitado. “Nosso organismo é um grande laboratório”, ressalta.


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▶ CIDADES ◀

/ NOVO JORNAL / NATAL, DOMINGO, 23 DE MAIO DE 2010

/ MÍDIA / PROGRAMA “O POVO NO RÁDIO” TRANSFORMA DEPUTADO SERESTEIRO EM REPÓRTER POLICIAL; SEUS COMENTÁRIOS ESBRAVEJANTES JÁ LHE RENDERAM ATÉ AMEAÇAS DE MORTE

“DOA A QUEM DOER” ANDERSON BARBOSA DO NOVO JORNAL

A ZONA NORTE

é sua bandeira, seu berço, sua casa. E bem mais que pleitear cestas básicas, tratamentos dentários ou cadeiras de rodas para os mais necessitados, sua voz agora vem chegando aos ouvidos da população com um tom bem mais esbravejante. E corajoso também. Coisa de ‘cabra macho’, como gosta de dizer o delegado Maurílio Pinto de Medeiros. De fato o deputado e seresteiro Luiz Almir (PV) está vivendo uma nova experiência. Faz trinta anos que o comunicador domina os microfones, mas desde o último dia 11 de fevereiro, quando aceitou o convite do empresário Ênio Sinedino e passou a apresentar ‘O Povo no Rádio’, que ele vem tendo que conciliar o estilo romântico e brega com a frieza peculiar dos repórteres policiais. Apesar de ter estreado há pouco mais de três meses, o programa já é sucesso na 96FM. Vai ao ar de segunda a sexta-feira, pontualmente das 6h20 às 7h. Durante quarenta minutos, o deputado é auxiliado pelo jornalista Fred Carvalho, que fica ao seu lado orientando com as entrevistas, relembrando os casos mais antigos e, sempre conectado ao seu laptop, detalhando as ocorrências da noite anterior. Também é função do redator atender os telefonemas dos ouvintes e decidir quando e quem entra ao vivo. “Este é o nosso segredo. Passar para os nossos ouvintes os primeiros e mais fortes acontecimentos. Homicídios,

assaltos, arrombamentos, fugas, enfim, as mais variadas ocorrências policiais que ocorreram na noite anterior, madrugada e logo nas primeiras horas do dia”, ressaltou Fred. Mas não é só isso. Não basta dizer o que aconteceu ou o que ainda está acontecendo. É preciso estar perto, acompanhando tudo em cima do fato, na hora. E essa missão cabe ao jornalista Sérgio Costa. Do meio da rua, com um link ligado ao estúdio, o repórter diversifica as notícias. Ao vivo ou com áudios já gravados e editados, Sérgio alimenta o programa e abastece Luiz Almir com os casos mais importantes. “Mas não somente com matérias policiais. Também percorremos os bairros da cidade e da Grande Natal apurando as denúncias que os ouvintes nos passam. Damos voz aos moradores que reclamam de buracos, dos postos de saúde sem medicamento ou sem atendimento. Vamos aos locais de alagamento, ouvimos as pessoas reclamando do transporte público, das escolas sem professores, sem aula”, acrescentou Sérgio. “É uma experiência nova. Estou tendo que me desdobrar. Tenho que cuidar da minha família, do meu trabalho como político e do mandato que os eleitores me confiaram. Sem falar que não abro mão do meu romantismo brega, que me leva todos os finais de semana a um contato importantíssimo com o povo. E agora, também, tenho que conviver com a violência cotidiana do cidadão potiguar”, ressaltou Luiz Almir.

FOTOS: TIAGO LIMA / NJ

▶ No estúdio da 96FM: notícia, entrevista, reportagem e comentário

▶ Luiz Almir: “Agora também tenho que conviver com a violência diária”

14 QUILÔMETROS DEPOIS DO INFERNO Quando está feliz, Luiz Amir canta e conta piadas. Brinca com Sérgio Costa, leva Fred e o sonoplasta Beri Soares às gargalhadas. Porém, se a notícia lhe causa indignação, ele esbraveja com toda a força dos pulmões e, “doa a quem doer”, como adora dizer, manda preso, acusado, suspeito, condenado, seja lá quem cometeu o crime, adulto ou menor de

idade, homem ou mulher, tudo para o inferno. “Tem que enterrar de cabeça pra baixo. Tem que mandar esse demônio, esse canalha, esse maldito para caixa-prego, que fica 14 quilômetros depois do inferno”, diz o deputado, sem remorso algum. “Esse é meu jeito. É a primeira vez que estou me dedicando a um programa tipicamente policial, uma experiência que ainda não tinha vivido com tanto afinco. E acho que é por isso que sou tão espontâneo”, complementou.

▶ Repórter Sérgio Costa colhendo entrevistas nas ruas “Doa a quem doer, minha opinião é essa. Bandido tem que levar peia pra aprender. Quem mata, rouba, vende drogas, só tem dois caminhos: é cadeia ou cemitério”, emendou.

AMEAÇAS

No entanto, cobrar justiça, exigir dinamismo da polícia, auxiliar algumas vítimas da violência e denunciar a criminalidade tem seu preço. “Aqui o povo tem vez e voz”, faz questão de ressaltar o deputado. Só que algumas

vozes que ele escuta nem sempre o parabenizam pelo programa ou agradecem o auxílio. “Ah, já estou acostumado. Ligam pra mim dizendo que eu vou morrer, que vão me matar, esses tipos de coisa. Mas não levo a sério. Tanto que não ando com seguranças. Nunca andei. Gosto de andar no meio do povo. Venho da Zona Norte até a rádio de taxi. Volto pra casa e vou pra Assembleia também de taxi. Se quiserem enfiar uma faca no meu pescoço, é só ir pra minhas serestas”, disse ele.


▶ CIDADES ◀

NATAL, DOMINGO, 23 DE MAIO DE 2010 / NOVO JORNAL /

DATA VENIA / PRÁTICA JURÍDICA / PARCERIA ENTRE A DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO E A FACULDADE DE NATAL PERMITE QUE ESTUDANTES DE DIREITO COLABOREM COM A ANÁLISE DE PROCESSOS, ACELERANDO O JULGAMENTO DAS AÇÕES

FOTOS: MAGNUS NASCIMENTO / NJ

▶ Professor de prática penal Haroldo Menezes (de frente), orientando estudantes na condução de processos que tramitam na Defensoria Pública do Estado ANNAPAULA FREIRE DO NOVO JORNAL

ENTRE PILHAS DE papel

amarelado e um léxico formado por termos nada familiares à maioria dos mortais, alunos do curso de direito da Faculdade de Natal (FAL) encontram o complemento de sua formação acadêmica. Desde o início desse semestre letivo, o Núcleo de Prática Jurídica da FAL firmou convênio com a Defensoria Pública do Estado para receber processos penais em andamento. A parceria consiste em uma permuta entre as instituições: os estudantes têm acesso aos processos, trabalham neles e elaboram peças jurídicas; e a Defensoria tem a possibilidade de de-

TRANSMISSÃO DE CONHENCIMENTO ALIADA À PRÁTICA O professor de prática penal, Haroldo Menezes, ressalta a importância da transmissão do conhecimento aliada à prática. Para ele, a academia deve trazer a qualificação completa do profissional, que pede respaldo no incentivo da prática jurídica. Como a responsabilidade legal e a autoria do processo são do defensor público, Haroldo tem uma reunião prévia com os defensores para que as diretrizes da linha de defesa sejam repassadas. Aos estudantes é orientado que sigam essa linha para que construam sua petição. Haroldo tranqüiliza e informa que os autos são divulgados apenas entre alunos e professores. Para não evitar constrangimento aos envolvidos no caso, orientações éticas de sigilo também são dadas aos pupilos. “O feedback que temos é que as peças de autoria dos alunos estão sendo utilizadas. Os defensores estão percebendo de forma positiva as ações”, salientou o professor. Antes do envio, as peças são corrigidas e explicadas pelos mestres. “É um trabalho gradual”, completou Harol-

safogar a grande quantidade de ações que está sob sua alçada. Tudo que é realizado pelos estudantes é observado pelo atento olhar dos professores com experiência penal para posterior avaliação dos defensores. Assinado em 2009 pelo defensor público geral Paulo Linhares, o projeto deveria ter sido iniciado naquele ano. Entretanto, a estrutura da Defensoria Pública não podia acolher o intercâmbio. Depois da nomeação, também no ano passado, de 18 novos defensores, a parceria enfim pôde ser firmada. Dentro das quatro disciplinas de prática jurídica são ministrados conteúdos de direito civil e penal. Simulações de situações forenses e atendimento ao

público para assistência jurídica já vinham sendo exercitadas no curso, porém o coordenador do núcleo de prática jurídica, Marcelo Galvão, queria oferecer mais que isso. Segundo ele, o contato de estudantes com os processos penais é uma iniciativa pioneira. O modelo de ensino é único no Rio Grande do Norte. A prática se dá com alunos do quinto ano que estão aprendendo os conceitos penais. Os 67 alunos são divididos em grupos de três e recebem um processo por semana. De segunda a quinta no turno vespertino, os alunos cumprem expediente na sede da faculdade para se reunir com os mestres do projeto. Os grupos recebem cópias dos documentos para preservar a inte-

gridade física dos autos. Após a análise e as orientações dos professores, os estudantes têm quatro dias para entregar as petições, ou seja, a manifestação da defesa. Anexada ao processo, o tipo de resposta é devolvida para os defensores para ser usada ou não na tramitação da ação. “O aluno está tendo uma prática mais eficiente, próxima da realidade. É uma reprodução máxima do que vai enfrentar na segunda fase do exame da ordem, caso faça a opção por direito penal”, disse o coordenador, referindo-se ao exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) necessário para exercer a profissão. Na prova, o aluno escolhe uma área de atuação, onde a petição – que é simi-

lar a realizada pelos estudantes na prática – equivale a mais da metade na nota total. A idéia é que o convênio tenha continuidade dentro da faculdade. Os alunos participantes deverão passar, pelo menos, um ano folheando os processos até que uma nova turma comece novamente os estudos. No núcleo, seis professores coordenam os trabalhos dos pupilos. No inicio da disciplina, a turma é levada até órgãos do sistema penal, como delegacias, fóruns e presídios a fim de conhecer a responsabilidade de seus atos legais. É uma forma de humanizar o aprendizado do aluno e propiciar uma noção sobre as conseqüências de suas ações.

do. O aluno tem acesso ao resultado final da ação judicial para que possa aprimorar seu debruçamento sobre o serviço penal.

O ALUNO ESTÁ

PUPILOS

TENDO UMA PRÁTICA

“É um momento que o aluno tem para desenvolver o que aprendeu durante os nove períodos, colocar em prática as atividades”, considera o estudante de direito Valdomiro Diniz. Por suas mãos já passaram quatro processos. Ele pôde elaborar peças de determinadas fases processuais, como defesa criminal e alegações finais. Ele conta com a ajuda de seus mestres para aprimorar os conhecimentos. “O direito se aprende todo dia”, avalia. Para Valdomiro, ter acesso a fatos e casos reais facilita na formação do advogado. Ele acredita que o serviço prestado por eles contribui para mostrar que todos têm direitos, inclusive os mais pobres, de recorrer à defensoria pública para se defender legalmente. Já o estudante Vitor Manuel, também integrante do projeto, vê a prática como um componente essencial para a formação. A experiência vai dar suporte aos pupilos para saber como agir no futuro próximo. “Mesmo que o futuro advogado não atue nessa área, ele vai ter uma construção global do direito”, crê.

MAIS EFICIENTE, PRÓXIMA DA REALIDADE” Marcelo Galvão Coordenador do núcleo de prática jurídica da FAL

DEFENSORES APROVAM PARCERIA José Calazans e Nuncia Pontes são os defensores públicos do estado que contribuem com o fornecimento de processos para o curso da FAL. Calazans é defensor do núcleo regional de defensoria da cidade de Parnamirim, onde atua na área penal da comarca. Com a contratação no ano passado de 18 novos defensores, foi possível a abertura dos núcleos regionais de Nova Cruz, Parnamirim e Ceará Mirim pelo Governo do Estado. O núcleo de Calazans só ganhou sede para atuar no presente ano. Para ele, a parceria tem con-

tribuído para agilizar o andamento dos autos. “A soma de esforços está propiciando um trabalho maior”, disse, sobre a combinação entre a nova sede, a contratação de estagiários pelo núcleo regional e o trabalho dos alunos da FAL. Segundo ele, os prazos para o julgamento de sentenças em sua comarca têm diminuído. Dois anos atrás, os processos levavam de quatro a cinco anos para serem finalizados. Hoje, existem processos com resultados de seis meses a um ano. De acordo com o defensor, em levantamento realizado no ano passado havia ca-

sos tramitando no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte por mais de 12 anos. Sobre a colaboração, Calazans acredita que é uma boa iniciativa e que fortalece a formação acadêmica. “O aluno de hoje será o advogado de amanhã”, lembrou. Para ele, a prática prepara para o exame da ordem e para o mercado. Ele ressalta que ano passado apenas 29,7% foram aprovados no exame e que esse projeto pode ajudar a melhorar o índice de aprovação. Sobre as petições apresentadas, ele resumiu: “Estão prestando um serviço de qualidade. Às vezes, vem com detalhes a serem melhorados. No geral, são muito boas.”

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Cultura 12

Editor Franklin Jorge

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A CARA DA TV O ROSTO QUE ANCORA A

FOTOS: WALLACE ARAÚJO / NJ

/ PERFIL / EDITORA E APRESENTADORA, MARGOT FERREIRA TROCOU O TEATRO PELO JORNALISMO

SERIEDADE NA TRANSMISSÃO

DOS FATOS DE NOSSO ESTADO, ATRAVÉS DA TV, EXISTE APENAS ALI, DIANTE DAS CÂMERAS. MARGOT FERREIRA É SURPREENDENTEMENTE ESPONTÂNEA, DESCONTRAÍDA, JOVIAL. AOS 41 ANOS, COM 20 DE CARREIRA NO JORNALISMO, A EDITORA E APRESENTADORA DO RNTV SEGUNDA EDIÇÃO MOSTROU EM UMA CONVERSA INFORMAL, SOBRE UM BANCO DE UMA CHARMOSA PRAÇA EM FRENTE À SUA CASA, NO TIROL, E SOB A COPA DE UMA ÁRVORE QUE REMETE A SUA INFÂNCIA EM NOVA IGUAÇU, A FIGURA CARISMÁTICA QUE SÓ OS AMIGOS CONHECEM.

▶ Apaixonada por cultura, Margot Ferreira encontrou no jornalismo a expressão ideal do seu talento DINARTE ASSUNÇÃO DO NOVO JORNAL

Margot teve uma relação arrebatadora com as artes. Namorou o Teatro durante sua adolescência em Nova Iguaçu e estava decidida a sacramentar a união com o diploma em Artes Cênicas quando chegou a Natal. Mas ela não resistiu ao assédio do Jornalismo. A paixão entre os dois não foi imediata, mas foi absorvendo Margot. Aos poucos, o Teatro entendeu que perdia espaço, e cortesmente deixou sua amada ser feliz ao lado de outro companheiro. “Foi interessante esse processo em minha vida. Conheci o pessoal do jornalismo numa oficina de teatro ministrada pelo ator Stênio García e comecei a me afeiçoar à profissão”, relembra a apresentadora. Isso aconteceu quando a década de 1990 avançava através do tempo. Margot rompeu com o Teatro e ingressou na faculdade de Comunicação Social. Ela não previu, contudo, que estava se formando um triângulo amoroso em sua vida: a paixão pelas artes jamais a abandonou completamente, e Margot, à surdina, manteve um caso tórrido com seu primeiro encanto. “Nunca abandonei minha paixão pelo teatro, música, natureza”, conta. Mas quem ganhou mesmo em definitivo o coração da jornalista formada na UFRN foi o também colega de mesma área Petit das Virgens, com o qual é casada há 20 anos. Os frutos da relação são as fi-

▶ Jornalista tem no violão um hobby

ROTEIRO

lhas Rita, de 18 anos e que faz intercâmbio nos EUA, e Isabel (16), que deseja seguir carreira como nutricionista. A julgar pelo sobrenome, ambas as filhas vêm com um sobrenome poético: Amorim das Virgens. Margot e Petit se conheceram no princípio da experiência da apresentadora na Rede Tropical. Convidada para gravar um comercial para uma clínica odontológica – o sorriso de Margot, não se pode deixar de registrar, é encantador –, os olhos apurados de Jânio Vidal reconheceram de imediato o talento prospecto, e Margot ingressou assim na 96 FM. “Eu fazia as previsões astrológicas. Ai, meu Deus!”, se recorda aos risos. Em 1993, ela recebeu convite para integrar o quadro de repórteres da então TV Cabugi. Aceitou e permanece até hoje lá. São 17 anos como repórter apresentadora. Das vezes em que necessitou ir às ruas, Margot sempre foi com uma pauta sobre cultura. Sempre! “Acabei mesmo foi tornando um sonho em hobby, e quando esse meu lado de apego à cultura chegou ao meu trabalho eu adorei”, conta. Quem também muito aprecia esse sucesso é o público. A recente coluna Cores e Nomes (o título foi inspirado no disco homônimo de sucesso de Caetano Veloso, de 1982) deu um inédito formato de descontração ao caráter de seriedade que, via de regra, se associa ao telejornalismo. A proposta do quadro foi da própria Margot e

os segredos para a bem sucedida empreitada ela revela: “É só deixar o entrevistado à vontade. É mais um papo informal. Você não se apresenta um jornalista. O jornalista está dentro de você”, comenta Ferreira. Cores e Nomes, a propósito, como sugeriu nossa reportagem a Margot, pode se transformar em uma coletânea de perfis. Fascinada por leituras de biografias e música – na adolescência Margot freqüentava os mesmos locais que Frejat, quando ainda não havia constituído o Barão Vermelho –, a jornalista terá seu primeiro livro publicado, reunindo palavras às imagens que o RNTV primeira edição do sábado veicula para os televisores de todo o estado. Para produzir as entrevistas, Margot se mostra quem é diariamente. Isso em muito contribui para que nas ruas as pessoas enxergassem que a jornalista está de fato apenas por dentro dela. “Saio de manhã para pagar algumas contas e vejo surpresa no rosto das pessoas que me vêem com um vestido longo como esse [na entrevista, Margot usava um longo com estampas da cultura indiana] ou apenas com um short”. O número 1473 da Rua Ângelo Varela reflete bem estilo de vida de uma das mais tradicionais jornalistas da TV potiguar. É inerente e perceptível seu carinho pelo inacabado, pelo rústico e pelo natural. Margot recorda que foi decisivo na hora de comprar a residência

mark: 14h15 – 16h40 (DUB) 19h10 – – 20h20 (LEG). Moviecom: 16h55 – 21h40 (LEG). 19h20 – 21h45 (LEG) 13h55 – 16h20 – 18h45 – 21h10 (LEG).

CINEMA À MODA DA CASA – 14 anos. Cinemark: 14h00 (LEG).

A HORA DO PESADELO – 16 anos. Moviecom: 21h25 (LEG).

ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS – 10 anos. Cinemark: 13h30 – 16h00 (DUB). 18h40 – 21h20 (LEG). Moviecom: 14h20 – 16h40 – 19h00 (DUB). FÚRIA DE TITÃS 3D – 14 anos. Cine-

UM APELO

Quando questionada sobre algo que deseja para si, Margot se disse uma pessoa plenamente realizada em suas conquistas. “Tenho uma família ótima e sou muito feliz. Isso basta”. Instantes depois, a jornalista pede que se registre um apelo à coletividade. “Queria que as pessoas e os administradores cuidassem mais de Natal. Que respeitassem nossa cidade, que não acabem com ela. Queria um pouco de mais respeito à cidade que nos acolhe”, pede. Quando chegou a Natal, a filha de pai português e mãe potiguar se lembra que se deparou com uma cena cultural incipiente. “E hoje?”, questionamos. “Ainda há muito o que melhorar, mas demos passos significativos”.

ROBIN HOOD – 14 anos. CineMÚSICA mark: 16h20 – 19h20 – 22h20 (DUB) 12h40 – 15h40 – 18h50 – 21h50 (LEG). Moviecom: A cantora Camila Masiso solta a voz no 15h30 – 18h15 – 21h00 (LEG).

roteiro@novojornal.jor.br

seu contato muito próximo com a mata atlântica. Fundem-se no sobre o teto de um alpendre, em seu quintal, a vegetação nativa e a que ela cuida. Até videira tem. Nesse recanto bucólico (ela se encarregou de decorar com uma frase que sintetiza o sentido do local: “O melhor lugar é ser feliz”), Margot promove happy hour com os amigos. “Quando é noite de lua, tudo fica mais ainda encantador”, acrescenta. Nessas ocasiões, a jornalista mostra um demonstra um pouco de sua paixão pela música: “Voz e violão fazem a festa”, conta. Não resistimos e pedimos para que ele tocasse alguns acordes. Ela cedeu.

Casanova Ecobar. Músicas autorais e sucessos do samba clássico e contemporâneo. Início: 16h. Os grupos Pele e Nosso Grito são as atrações do Sancho Music Bar. Início: 20h.

FÚRIA DE TITÃS – 14 anos. Cinemark: 12h30 – 15h05 – 17h30 – 20h00 – 22h30 (LEG). Moviecom: 14h35 – QUINCAS BERRO D’ÁGUA – 14 anos. 16h50 – 19h05 – 21h20 (DUB) 15h05 Cinemark: 13h00 – 15h45 – 18h30 – – 17h20 – 19h35 – 21h50 (LEG). 20h50 (NAC). HOMEM DE FERRO 2 – 12 Anos. Ci- MISSÃO QUASE IMPOSSÍVEL – 10 nemark: 12h20 – 15h05 (DUB) 17h40 anos. Moviecom: 15h00 (DUB).

ESPETÁCULOS O stand-up comedy“Que história é essa?”, do jornalista e ator Felipe Andreoli, do CQC, traz histórias divertidas da infância, bastidores das emissoras de TV e ainda conta sua trajetória até os dias atuais. No Teatro Alberto Maranhão, às 18h e 20h30.


Social

Edito Editor Franklin Jorge Frank

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NATAL, DOMINGO, 23 DE MAIO DE 2010 / NOVO JORNAL /

Marcos

Sadepaula

13

A insatisfação faz parte da natureza humana; é a mãe das grandes obras” Franklin Jorge

sadepaula@novojornal.jor.br

Sexo na cidade A atriz Sarah Jessica Parker recebeu US$ 15 milhões pela participação em “Sex and the City 2”, cifra ainda engordada por generosos ‘presentes’ recebidos de patrocinadores, como publicou “The New York Post”. A Carrie Bradshaw da badala série de televisão é uma amante das coisas gratuitas e, após completar uma cena do filme, quis ficar com um jogo completo de 24 taças de coquetel Swarovski avaliadas em US$ 4.680. Também ficou com o vestido que veste no cartaz promocional do filme,

Festival de imóveis Na próxima terça, dia 25, no Natal Shopping, será aberto o Fest Imóveis, um festival com venda direta ao consumidor e financiamento imediato da Caixa Econômica Federal. A iniciativa é idealizada pelo empresário Caio Fernandes em parceria com a agência TOP 10. Já está confirmada a participação de várias construtoras como a Coenge, Constel, Delphi, Econgel, Escol, G5, Líder, Moura Dubeaux e Mendonça de Souza. O Fest Imóveis irá até o dia 13 de junho. Segundo Caio Fernandes, o evento apresenta um formato diferenciado, com venda direta ao público e a oferta de imóveis destinados para clientes dos mais variados perfis sociais. Também está prevista a realização de rodada de negócios, palestras e distribuição de brindes. 

de cerca de US$ 9 mil, e conseguiu levar para casa vários itens do figurino de “Sex and the City 2”, de valor estimado em US$ 10 milhões. Segundo o jornal, nos US$ 15 milhões que a atriz conseguiu pelo novo filme não foi levado em conta o que ela ganhou com publicidade nas próprias cenas de “Sex and the City 2”. Entre outros, dinheiro para usar vestidos da Halston Heritage, por beber uma marca de chá e por utilizar computadores Hewlett Packard.

Joãozinho e Drumond Na sala de aula, o professor analisava com seus alunos o famoso poema de Carlos Drummond de Andrade: “No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho. E eu nunca me esquecerei que no meio do caminho tinha uma pedra. Tinha uma pedra no meio do caminho.” Depois de ter explicado exaustivamente que, ao analisarmos um poema, podemos detectar as características da personalidade do autor implícitas no texto, o professor pergunta: - Joãozinho, qual a característica de Carlos Drummond de Andrade que você pode perceber neste poema? - Professor, eu tô matutando aqui: ou ele era traficante ou era usuário...

D’LUCA / NJ

▶ A equipe da

revista Deguste: Cláudia Linhares, Washington ério Rodrigues e Rog te Vital no Restauran ta Pon em res Dos Ma Negra

D’LUCA / NJ CEDIDA

D’LUCA / NJ

ane Cavalcanti,

Thiago Carol Pacheco e

eno, Rai ▶ Victor Damasccen da cidade do nos eventos Carvalho aconte

com a sua esposa

D’LUCA / NJ

▶ Luciano Samapaio

, na foto ▶ Caio Fernandesebe terça no ndo na próxima Luciana Flor, rec Natal Shopping. Imóveis Fest, no

e o neurologist Djacir Dantas, especialista no tratamento da dor, na quarta passada no jantar da Assossiação RN Gastronômica do

D’LUCA / NJ

▶ Yuno Silva, a

embaixadora da paz Deth Haak e Sérgio Leocádio, pelo combate à exploração sexual da criança e do adolescente

ando ara Costa degust

Livro

o jantar harmoniza Cantídio

SADEPAULA / NJ

de Diogo Guanabara de fãs sempre que são anunciadas suas apresentações. Com o Macaxeira desenvolve um trabalho unindo ritmos clássicos estrangeiros com os brasileiríssimos samba, frevo, baião e choro, que já resultou na gravação de um DVD e CD. Em 2008 partiram para uma tournê pelo Japão, entrevistas na Rede Globo Internacional e concertos dentro da programação da comemoração dos 100 anos da imigração Japonesa no Brasil.

Em 2009 lança com o Macaxeira Jazz o “Capanga Moderna”, segundo trabalho da parceria e mais uma turnê internacional, percorrendo diversas cidades européias como Viena, Graz e Salzburg (Áustria), Lujbljana (Eslovênia), Firenze (Itália), e por fim Amsterdam (Holanda). A coluna pediu a Diogo que montasse um CD com as músicas que ele mais gosta de escutar e o resultado está ao lado.

Último dia para os cinéfilos se deleitarem com os raros filmes apresentados na IV Semana do Filme Cult. O filme de hoje é o Canibal Holocausto (Cannibal Holocaust - ITA, 1980), dirigido por Ruggero Deodato com Robert Kerman e Francesca Ciardi. Narra a história de uma equipe de antropólogos que se embrenha pela selva sul-americana onde encontra material filmado de antiga expedição dizimada por canibais. De tão banido internacionalmente ou mutilado por cortes, o filme acabou gerando repercussão recorde, razão do fascínio que ainda hoje desperta. Deodato tornou-se um mito renegado do Trash em decorrência do repúdio gerado pelo filme. Ironicamente, a partitura de Riz Ortolani ganhou elogios e, por muitos, é considerada a melhor coisa em meio às nauseabundas sequências de mutilação e esfolamento. Às 18h30 no TCP – Teatro de Cultura Popular por apenas R$ 2,00.

Amanhã tem o lançamento do terceiro livro de Juliano Freire de Souza às 18h na Siciliano do Midway, o infanto-juvenil “Felizardo contra a bruxa da feira”.

▶ Rafael Bulhões edoNaydo chef Eugênio

Diogo Guanabara, bandolinista e violonista potiguar, debutou nos palcos aos 13 anos de idade. De lá para cá, acumula prêmios e apresentações em várias partes do mundo, além de participar de shows de grandes nomes da música brasileira. Em 2007, no projeto Som da Mata, iniciou uma parceria de sucesso com os meninos do Macaxeira Jazz, quando inauguraram um novo estilo musical, o Choro’n’Roll que arrebanha uma infinidade

Cine Cult

1

Manhã de Carnaval (Luiz Bonfá/Antonio Maria)  com Luiz Bonfá

2

Bachianas nº 5 (Heitor Vila Lobos) com Vila Lobos

3

A moça do sonho (Chico Buarque/Edu Lobo) com Edu Lobo

4

Senhorinha (Guinga/Paulo Cesar Pinheiro) com Guinga

5

You make me feel so young (Josef Myrow/ Mack Gordon) com Chet Baker

6

Brejo da Cruz (Chico Buarque) com Chico Buarque

7

Manuel, o Audaz (Toninho Horta/Fernando Brant) com Lô Borges e Toninho Horta

8

Fly me to the moon (Bart Howard) com Frank Sinatra

9

No parangolé do Samba (Francis Hime/ Paulo Cesar Pinheiro) com Francis Hime

10

O Loro (Egberto Gismonti) com Trio Madeira Brasil


Esportes 14

Editor Marcos Bezerra

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/ NOVO JORNAL / NATAL, DOMINGO, 23 DE MAIO DE 2010

BOLEIROS do Novo Jornal CEDIDA

ARGEMIRO LIMA / NJ

CARLOS FIALHO Camisa 5 do Bola Seca Futebol Arte

D’LUCA / NJ

RAFAEL DUARTE Meia de ligações perigosas

BARRIGA CHEIA ADRIANO DE SOUSA Aprendiz de frasista no Castelão

A PÁTRIA DE CLICHÊ Todo time inspira as frases e os frasistas que merece. Incapaz de seduzir pela arte, o escrete do anão refugiase no clichê nacionalóide, convocando a pátria a calçar as chuteiras, goste ou não do time. O mecanismo de substituição é recorrente, desde que Getúlio Vargas percebeu o poder do futebol para a indução ideológica e o controle social. Os populistas subsequentes (democratas ou ditadores) refinaram a cachaça cívica, com o auxílio de cronistas que relacionaram com o triunfo do nosso estilo a superação do complexo de vira-latas. O gênio da sublimação era Nelson Rodrigues, criador da épica boleira que redimiu artistas e intelectuais do desprezo votado ao balípodo nos seus primórdios. Frasista brilhante, ele fixou, com requinte irresistível de mitólogo, a paixão nacional. Nelson morreu em 1980, sem ver o fim do escrete como suma do futebol-arte. A Copa de 82 seria a última em que os corações brasileiros viajariam espontaneamente no ônibus verde-e-amarelo. Aquele foi o último onze digno dos seus textos à prova de clichês – e agora fósseis, soterrados por sucessivas contrafações do estilo inzoneiro de tratar a criança. Aos triunfos desse futebol de resultados, o maldito (à direita e à esquerda) concederia não mais que um rodapé seco: o escrete, meus amigos, consagrou a vitória vitóriia que envergonha.

Menino pequeno quando não gosta da papa faz cara feia e diz que a barriga está cheia. Pode ter o espaço no bucho que for, mas se o angu vem com aquele gosto de jiló não tem cristo que faça a gororoba descer. Uma mentira, dessas mentiras que, para evitar o pior, a gente se acostumou a contar desde os tempos idos da fralda de pano. Pois na ânsia de cultuar o patriotismo industrializado que o Dunga jogou no ventilador do país, a moda agora é dizer que está todo mundo no mesmo barco. Numa visão mais urbana da coisa, que o ônibus lotou. Mentira deslavada. É o velho truque da mãe perversa que, sem os atributos da psicologia infantil, ignora a cara feia da criança e empurra comida goela abaixo até o moleque arrotar. Desde que o nosso comandante anunciou que ia levar aquela ruma de volantes para a Copa da África, o brasileiro travou a cara e fechou a boca. Sabe a lista dos que ficaram chupando o dedo onde estão o Ronaldinho Gaúcho e o Ganso? É como o doce que nunca vem mas vira promessa se o guri mandar para dentro pelo menos mais duas colheradas do angu. Quer saber? Esperto é o Dunga que levou os sete volantes para se livrar da direção e tratou logo de arrumar um lugar na janela do ônibus. É aquela coisa: condução lotada, gente saindo pelo ladrão e aquele grude que ele arrumou fazendo efeito na pança. Na primeira freada, salve-se quem puder...

VOU DE ÔNIBUS KAMILO MARINHO/NJ

MARCOS BEZERRA Editor de Esportes

Apesar de não ser a capital - e olha que o país tem três: Cidade do Cabo, capital legislativa, Bloemfontein, capital judiciária e Pretória, capital administrativa - é pelas ruas de Joanesburgo que estão circulando os 32 ônibus das seleções que vão disputar a Copa da África do Sul. Os moradores da maior cidade do país, e sede principal da competição, devem andar maravilhados com aquela ruma de busão; cada um mais bonito que o outro, tal e qual outdoors ambulantes, com frases ufanistas de incentivo aos atletas. Alguns exemplos: África do Sul: Uma nação, orgulhosamente unida sob um arco-íris Alemanha: Na estrada para ganhar a Copa! Argentina: Última parada: a glória Espanha: Esperança é meu caminho, vitória é meu destino Holanda: Não tema os cinco grandes, tema os 11 laranjas Itália: O nosso azul no céu africano! Japão: O espírito Samurai nunca morre! Vitória para o Japão! Nova Zelândia: Chutando ao estilo Kiwi Portugal: Um sonho, uma ambição... Portugal campeão! As frases foram escolhidas através de uma eleição, direto no site da Fifa - desconfio, por alguma secretária que já excedeu o tempo de aposentadoria. E nós, das terras tupiniquins? Lotado! O Brasil inteiro está aqui dentro. Menos mal; a outra frase que estava concorrendo era: “Veículo monitorado por 180 milhões de corações brasileiros”. Que coisinha mais novela mexicana! Mas eu não estou aqui para opinar... Eu, que não ganhei dois contos de réis para a passagem, nem um Natal Card, pergunto aos ilustres boleiros: com Dunga de motorista, Jorginho de cobrador e Ricardo Teixeira escolhendo o DVD pirata a ser exibido, o torcedor brasileiro realmente lotou este ônibus? Participe do Boleiros enviando sua opinião para boleiros@novojornal.jor.br

CEDIDA

CARLOS MAGNO ARAÚJO Meia que adora clichês

VAI QUE É TUA, VALDIR PERES Nada tão Dunga quanto uma frase feita. Longe do improviso, da artimanha, da sacada, mesmo que ingênua. Tem de ser tudo assim, estudadinho, programadinho, para não fugir do script. Aqui jaz o futebol brasileiro – uma frase de bom tamanho para identificar nosso carro na África. Quem é capaz de dizer assim, de sopetão, quem é o melhor jogador dessa seleção de Dunga? Ora, é Julio Cesar, o goleiro. Reflita-se com o absurdo. A seleção que quer ganhar o hexa – o time que já foi de Pelé, Garrincha, Falcão, Zico e Sócrate - tem no goleiro seu principal astro. Alguém dirá Lúcio, Luís Fabiano ou Robinho. Kaká, o mais próximo de Júlio Cesar, em talento, enrola há meses com uma dor no púbis. Opera, não opera, trata ou não trata. Ou será o craque do mundial ou passará a bola para nosso venerado Júlio Baptista. Tudo por falta de quem improvise. A frase no ônibus da seleção, para homenagear nosso maior craque no torneio, pode também ser outra: Vai que é tua, Júlio César. É como se, na ausência de Leandro, Júnior, Cerezo, Éder, exaltássemos o talento imprescindível de Valdir Peres. Taí. Na seleção de Dunga, reluz o brilho de estrelas à Valdir Peres. Ora, direis.

“Próxima parada: África do Sul! Podem subir, aceita vale... Brasil? É você aí? Sobe, guri. Vem com nós!” “Eu? Er, acho que não. Vou esperar o próximo. Como diria o Fernando Vanucci, 2014 está logo ali.” “Bah! Deixa de frescura! Sobe logo! Vai todo mundo nesse ônibus.” “Todo mundo?! É ruim, hein? Cadê o Ganso? E o Gaúcho? Com o Josué e o Kléberson é que eu não viajo. Minha mãe sempre me falou pra evitar as más companhias.” “Sobe, Brasil! Você é muito mimado. Queria que eu levasse o Ganso? E o Pato também? O Falcão do futsal, por acaso? Se eu enchesse o time desses frangotes, ninguém ia ficar com peninha de nós. E se é por falta de gaúcho, digo sem medo de errar: eu represento muito mais os pampas que o Ronaldinho. Aquele ali só joga em comercial da Nike. Sobe com nós. O Jorginho já tá aqui dentro, o Ricardo Teixeira também.” “Subo nada! Como é que você quer que eu embarque nessa furada? Uma seleção sem norte, sem prumo, sem direção?” “Sem direção?! Como é que tu me diz isso com o monte de volantes que eu convoquei? Eles vão saber para qual lado ir. Pode ter certeza. Sobe, Brasil!” “Nã-nã-ni-nã-não.” “Tá. Então não sobe. Fica aí e espera o próximo ônibus, o 2014. Mas aí, sabe o que vai acontecer? Quando tiver jogo no horário de trabalho, todos os outros países do mundo vão estar assistindo. E você não. Vai estar trabalhando, pois não quis ir com nós pra Copa por puro capricho.” “Sem folga, é? Tudo bem, se é assim, eu subo.” “Pronto, Presidente, tá todo mundo dentro. Pode mandar pintar a frase.”


Esportes

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DOUGLAS ABY SABER-FOTOARENA / FOLHAPRESS

▶ Torcida cearense na Vila Belmiro: empolgada com largada na Série A / NORDESTE /

Ceará encara o Vitória no Castelão FOLHAPRESS APÓS O EMPATE em 1 a 1 com o

Santos na Vila Belmiro, o Ceará recebe hoje o Vitória, às 16h, no Castelão, em partida válida pela terceira rodada do Campeonato Brasileiro. A equipe do técnico Paulo César Gusmão aposta em uma boa atuação defensiva para manter a invencibilidade na competição. “O Vitória está em boa fase, mas nós temos condições de vencer diante do nosso torcedor. Todo jogo tem cara de final e não podemos relaxar em momento algum”, afirmou o goleiro Diego, ao site oficial do clube. Segundo o jogador, a zaga vem sendo o ponto forte da equipe. “Nosso time tem muita qualidade e nossos jogadores sabem marcar muito bem. Espero que o setor defensivo continue funcionando para que nós possamos sair vitoriosos

de campo”, completou. O treinador poderá contar com os retornos dos meias Geraldo, recuperado de lesão, e Heleno, que cumpriu suspensão na última partida. Com isso, Erick Flores deve voltar ao banco de reservas. Classificado pela primeira vez em sua história para a final da Copa do Brasil, depois de golear o Atlético-GO por 4 a 0 no Barradão, o Vitória volta suas atenções novamente para o torneio de pontos corridos. “Estamos felizes pela vaga, mas a euforia ficou fora de campo. Agora, estamos focados no Brasileiro, onde não tem partida fácil”, afirmou o meia Elkeson. Com quatro pontos, o Ceará ocupa atualmente o sexto lugar na tabela de classificação, enquanto o Vitória, com um, é o 16º, ao lado de Grêmio e Vasco.

JOGOS EM CASA PARA ESQUECER / FLAMENGO / EQUIPE QUER USAR SEQUÊNCIA NO MARACANÃ PARA AFASTAR O FANTASMA DA DESCLASSIFICAÇÃO DA LIBERTADORES

MAURÍCIO VAL / VIPCOMM

FOLHAPRESS

PROGRAMAÇÃO DA TV

GLOBO 9h Auto Esporte 9h30 Esporte Espetacular 15h47 Corinthians x Fluminense 23h45 Passaporte África

BANDEIRANTES 13h Liga dos Campeões 13h30 Band Esporte Clube 15h30 Internacional x São Paulo 18h Terceiro Tempo 23h25 De Olho na Copa

RECORD NEWS 14h30 Esporte Fantástico 16h Gran Slam etapa Brasileira de Judô

APÓS A DECEPÇÃO

pela saída do time da Taça Libertadores, o Flamengo tenta se recompor neste domingo diante do Grêmio Prudente, no Maracanã, no complemento da terceira rodada do Campeonato Brasileiro. Para o técnico rubronegro, Rogério Lourenço, a série de três jogos em casa - contra Prudente, Fluminense e Grêmio, respectivamente - vem em boa hora para o time, que tenta esquecer o fracasso no torneio continental e conquistar a primeira vitória no Brasileiro. O objetivo agora, segundo o treinador, é deixar a equipe em boa posição na tabela antes da pausa para a Copa do Mundo. “Claro que estávamos com o foco nessa partida [com a Universidad de Chile], mas a vida segue”, disse o técnico, em referência ao duelo que acabou selando a eliminação do Flamengo com base no critério de gols fora de casa - o time carioca fez dois em Santiago anteontem, mas havia levado três no Maracanã. “Todo jogo no Brasileiro é difícil, mas vejo uma perspectiva

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BANDSPORTS 13h Vôlei de praia: AVP 15h Copa - Treino da Seleção 19h Goal - Bayer de Munique 19h30 Fórmula 3 Européia 21h Rally Abu Dhabi Desert 22h Depois do Jogo 22h30 Autotécnica

▶ Rogério Lourenço entre Vágner Love e Adriano: cargo em risco boa”, completou Lourenço, que terá a ausência de Kleberson domingo - o volante se apresentou à seleção sexta à noite, em Curitiba. O Flamengo somou apenas dois pontos entre seis disputados até agora e ocupa a parte inferior da tabela. No Prudente, o objetivo é manter o embalo da equipe, que goleou o Atlético-MG por 4 a 0 na última rodada e se prepara para uma série de cinco jogos em 15 dias - depois dos cariocas, o time do interior paulis-

ta terá pela frente, em sequência, Corinthians, Palmeiras, AtléticoGO e Guarani. “A gente se preparou bem. Tivemos um tempo depois das semifinais do Paulista, então acredito que até a Copa do Mundo teremos condições de fazer esses jogos de quarta e domingo no mesmo nível”, disse o meia Flavinho. No domingo, a equipe do técnico Toninho Cecílio deve entrar em campo com a mesma formação da vitória sobre os atleticanos.

ESPN BRASIL 13h A Copa é Nossa 14h30 O Brasil da Copa do Brasil 15h Especial: Gols do C. Alemão 15h30 Especial: Gols do C. Inglês 16h30 VT - Tênis Internacional 19h C.O.P.A 19h30 Ama Motocross 20h Bate-Bola 22h30 Os Clássicos dos Mundiais

SPORTV 15h Sportv Tá na Área 16h15 Circuito de Vôlei de Praia 17h30 Sportv Tá na Área 18h30 Avaí x Vasco 20h30 Troca de Passes 23h Sportv News


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▶ ESPORTES ◀

/ NOVO JORNAL / NATAL, DOMINGO, 23 DE MAIO DE 2010

O HOMEM DA FIFA... FOTOS: HUMBERTO SALES / NJ

BRUNO ARAÚJO

DO NOVO JORNAL

À PRIMEIRA VISTA o suíço Alain Ge-

gauf é mais um estrangeiro que se apaixonou pelo clima quente e o povo hospitaleiro do Brasil. Mas, se você conversar por mais de cinco minutos com ele, perceberá que existe muito mais por trás dos óculos de armação angulada e o forte sotaque alemão. Há mais de 30 anos em solo tupiniquim, Gegauf, conselheiro da Fifa há 15, concedeu entrevista exclusiva ao NOVO JORNAL, e sem pestanejar disparou: “Natal nunca esteve ameaçada de perder a Copa”. Mas antes mesmo de passar a ser o homem da entidade maior do futebol em Natal, o suíço de 59 anos – até agosto, “então não coloque 60”, como ressaltou ele mesmo sorrindo – foi diretor de futebol da categoria juvenil e de relações internacionais do São Paulo. Com respostas curtas e firmes, Gegauf lembrou sua chegada ao Brasil no meio da década de 70, quando se casou com uma suíça que já morava no país. “Vim para cá depois que casei. Morava em Itu, a 40 quilômetros de São Paulo. Eu sempre fui ligado ao futebol e ao tênis”, conta o exlateral direito do Zurique Futebol Clube – que jogou também pela seleção sub-20 da Suíça em amistoso contra a Romênia – e amigo de Joseph Blatter, presidente da Fifa e ex-jogador de uma equipe da segunda divisão do país.

AMIGO BLATTER

Sobre a amizade com o dirigente maior do futebol mundial, Gegauf garante ter acontecido por acaso. Segundo ele, foi num eventivo e Blatter o teria tratado com um carinho incomum. “Não conhecia ele e, na primeira vez que nos falamos, me tratou com muita atenção. Depois é que descobri o motivo: ele e meu tio haviam estudado juntos na universidade por dois anos e fizeram – se divertiu tentando descrever aos gestos por não encontrar a palavra em português – esgrima no mesmo clube”, contou, ficando cada vez mais à vontade, em seu escritório cercado por fotos, diplomas e artigos com a logomarca da FIFA ou relacionados ao futebol. Conselheiro cultural, Alain deixa claro não gostar do título e prefere se nomear amigo da entidade. “Estou bem na Fifa como amigo, não me vejo como integrante. Somos amigos, isso é que vale!”, afirma Gegauf que aguarda ansiosamente a chegada da bola oficial da Copa, que deve ser enviada para ele ainda esta semana. Além de Conselheiro, ou melhor, amigo, Alain Gegauf é coleciona-

SE A FIFA FOSSE NO BRASIL E A COPA NA SUÍÇA, CERTAMENTE IRIAM PROCURAR AMIGOS BRASILEIROS PARA CONVERSAR, NÃO ENTENDO POR QUE ISSO NÃO OCORRE NO SENTIDO CONTRÁRIO” Alain Gegauf Conselheiro cultural da Fifa

EM NATAL ▶ Bola ofical da Copa de 2002: brinde

▶ Gegauf e alguns dos objetos que fazem parte de seu pequeno museu particular

dor de diversos objetos da Federação Internacional de Futebol. É quase um museu, cujo acervo poderá, no futuro, ir à leilão. Em relação ao amigo Blatter, Alain faz questão de destacar o quão acessível o presidente da Fifa pode ser. “Pensam que ele é intocável, mas na verdade não é! Consegui levar o Leonardo Arruda [secretário de Justiça do RN] para conhecê-lo e entregar uma camisa do ABC. Também enviamos bolas produzidas em Alcaçuz”, observa.

LINHA DIRETA COM A FIFA

NATAL FIRME... ATÉ 2011 O conselheiro afirma que, em momento algum, a Fifa pensou em retirar a capital potiguar da lista das cidades-sedes para 2014. Natal hoje estaria firme e garantida na Copa devido à segurança e à forte infraestrutura hoteleira, mas que terá que trabalhar bastante para cumprir os prazos para não ter problemas. “Mandei um email recentemente para um amigo na Fifa e ele me confirmou que nunca se pensou em tirar Natal. Se Natal ficar fora, será problema da própria cidade, mas a Fifa não tem intenção de retirá-la”, afirma Gegauf que garante ainda que a entidade tem conhecimento das dificuldades para organizar o Mundial neste ano de eleições no país. “A Fifa sabe que tem atrasos e o ano é difícil por causa das eleições e como em 2011 tudo acalma, não só Natal, mas o Brasil vai ter que mostrar serviço. Se Natal estiver dentro do [cronograma] previsto, jamais será excluída”, reforça.

Com a iminência da realização dos jogos da Copa da África do Sul, ele garante que a preocupação da entidade está voltada para o torneio do outro lado do Atlântico, mas que com a perspectiva de uma Copa pouco rentável, as apostas da Fifa estão no Brasil. “Toda esperança está depositada no Brasil. Hoje é um país economicamente forte e que poderá fazer uma grande festa.”

2010

Gegauf não nega a nova pátria e garante não ter planos para deixar o Brasil. O clima quente, as belas paisagens e o futebol conquistaram para valer o coração do suíço que não perdeu a oportunidade de, como bom brasileiro, de ‘cornetar’ o técnico da Seleção Canarinha. “Dunga deve ter sua seleção na cabeça e mais quatro jogadores no banco que podem entrar a qualquer momento para jogar. Se pode escolher bons jogadores para

O “cultural adviser”, posto gravado em sua credencial da Fifa, se mostra aberto a conversar com os gestores da Copa em Natal. “Se a Fifa fosse no Brasil e a Copa na Suíça, certamente [os gestores] iriam procurar amigos brasileiros para conversar, não entendo por que isso não ocorre no sentido contrário?”, questiona Gegauf que lembra não ter interesse em se envol-

o banco, porque não chamar Ganso, Neymar e Hernanes?”, questiona o ex-lateral que ainda aponta, em relação ao resto do mundo, o conservadorismo da seleção brasileira. “Outros países tem menos medo de colocar três ou quatro novidades no time. Arriscaram com Pelé e deu certo, porque não fazer de novo?”

SE NATAL FICAR FORA, SERÁ PROBLEMA DA PRÓPRIA CIDADE, MAS A FIFA NÃO TEM INTENÇÃO DE RETIRÁ-LA” Alain Gegauf Conselheiro cultural da Fifa

ver na questão política. “Não caberia em um cenário político. Em um cenário só esportivo e para construção, sim!” E, apesar das palavras de otimismo em relação ao mundial na capital potiguar, uma pergunta inquieta a mente de Alain. Por que o projeto do estádio Estrelão, a ser desenvolvido em Parnamirim, não foi levado à frente. “Assisti, em

/ GEGAUF / AMIGO DO PRESIDENTE DA FIFA, JOSEPH BLATTER, SUÍÇO MORA EM NATAL E QUER AJUDAR NO PROJETO DA COPA 2014

2007, a apresentação do projeto do Estrelão – do arquiteto Glay Karlys que também projetou o estádio Frasqueirão – aos representantes da Fifa no Rio de Janeiro. Eles aplaudiram ao final pela a beleza do projeto que homenageava o Forte [dos Reis Magos]. Até hoje, não me disseram o porquê daquele belíssimo projeto ter sido mudado”, lamenta. Mas ele lembra que, hoje, não existe mais espaços para retroceder. Uma nova mudança de projeto poderia prejudicar a situação de Natal. Por coerência o suíço virou um defensor do projeto da capital potiguar para a Copa de 2014, que, por sinal, também acha bonito. Ele tem pronta, na ponta da língua, uma explicação prática para defender a construção de um novo ‘gigante da Lagoa Nova’. “Acredito ser um argumento falso dos que não querem a Copa em Natal lamentar que o estádio Machadão seja derrubado”, aponta o suíço que lembra o templo inglês do futebol, Wembley, construído em abril de 1923 e que foi palco de final de Copa do Mundo e recebeu provas dos Jogos Olímpicos. O es-

tádio foi ao chão em 2003 para dar lugar a uma nova estrutura. Mas, segundo Gegauf, outra pergunta – esta da população – pode ser um dos motivos da insegurança sobre a derrubada do estádio Machadão: “O povo continua se perguntando de onde virá o dinheiro para pagar essas obras. Não houve resposta e acredito que se o Governo e a Prefeitura mostrarem essas garantias, esse movimento pode ter fim”, avalia o conselheiro, que sugere uma solução para que o estádio das Dunas não se transforme num ‘elefante branco’: “O estádio pode ser transformado em um hotel, num campo de golfe ou até os dois adaptando o espaço para manter o campo de futebol. É simples e proporciona um bom uso.” Questionado sobre uma possível diferença entre a realização de uma Copa em Natal ou na Suíça, Alain aponta o planejamento como diferença principal. “Antes de fazer algo, se pensa. Uma vez que todas as partes estão cientes e sabem o que querem, não tem papo, não teria problema. É apenas sim ou não”, explica.


23-05-2010