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Ano 1 / N° 227 / Natal, DOMINGO, 15 de agosto de 2010

CULTURA

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CONFERÊNCIA NA ACADEMIA DE LETRAS PRESTA HOMENAGEM A NÍSIA FLORESTA

RODA VIVA

PESQUISA POR TELEFONE MOSTRA QUEM O NATALENSE ACHA QUE GANHOU O DEBATE DA BAND

FOTOS: NEY DOUGLAS / NJ

▶ Setor canavieiro estima gerar 10 mil empregos, no campo e na indústria 07 08

▶ Dezoito anos trabalhando em usina, José Benedito de Sena, 58, vigia canaviais da Usina São Francisco, em Ceará-Mirim

ECONOMIA

INÍCIO DA MOAGEM

É A SALVAÇÃO DA LAVOURA / AGRICULTURA / FIM DA INTERVENÇÃO NA USINA SÃO FRANCISCO E INÍCIO DA SAFRA DA CANA-DE-AÇÚCAR GARANTEM EMPREGO E FORTALECEM SETOR SUCROALCOOLEIRO POTIGUAR PELO MENOS ATÉ MARÇO DO PRÓXIMO ANO; EXPECTATIVA É PROCESSAR 3,2 MILHÕES DE TONELADAS TIAGO LIMA / NJ

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POLÍTICA

09 10

JUSTIÇA JÁ CONDENOU MAIS DE 1.500 A CUMPRIR PENA ALTERNATIVA

NANICOS SÃO OS ‘APARÍCIOS’ DA CAMPANHA ELEITORAL Entre o pitoresco e o folclórico, eles entram na disputa mesmo sabendo que têm poucas chances de êxito. Nem todos os chamados “nanicos” ingressam na política movidos pela ideologia ou pelo desejo de mudar. Muitos tratam o jogo político como negócio ou como mera chance de aparecer.

IVAN CABRAL

CIDADES 16

ESPORTES MAGNUS NASCIMENTO / NJ

Uma portuguesa foi condenada a ler a obra de Fernando Pessoa; uma sueca, o livro da compatriota Selma Lagerlöf. Juízes aplicam cada vez mais as penas alternativas. 11

CIDADES

É DIFÍCIL ACESSO A MEDICAMENTO DE ALZHEIMER

▶ Com vocês, Camarada Leto

WWW.IVANCABRAL.COM

Por falhas na assistência, apenas 17% dos pacientes de Alzheimer no estado têm acesso à medicação. Associação estima que número de doentes chega a quase 13 mil. 02

ÚLTIMAS

EM NOVE HORAS, SETE MORTES NA GRANDE NATAL A polícia registrou sete mortes em nove horas entre a noite da sexta e madrugada de sábado. Na comunidade da África, pistoleiros numa moto mataram dois homens.

O FUTSAL DO ABC E O ORGULHO DE SER POTIGUAR Matheus, o paredão alvinegro do futsal, revela os segredos do time campeão do Nordeste. Ernani Passaglia, técnico, destaca união do grupo. 15

ESPORTES

SE VENCEREM, ABC E ALECRIM FICAM MAIS PERTO DA CLASSIFICAÇÃO


Últimas 2

Editor Marcos Bezerra

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/ NOVO JORNAL / NATAL, DOMINGO, 15 DE AGOSTO DE 2010

/ VIOLÊNCIA /

SETE MORTES EM NOVE HORAS NA GRANDE NATAL TRÊS HOMICÍDIOS E um suicídio

aconteceram na Zona Norte na noite de sexta-feira, dia 13. Dois deles num intervalo de 10 minutos, mortos por arma de fogo, provavelmente pelo mesmo executor. As vítimas foram o ASG José Flávio, 30, na Rua Padre Cícero Romão; e Francisco Gurgel, na Rua Beberibe, ambos moradores da Comunidade África e mortos entre às 19h45 e 19h55. De acordo com informações repassadas pela Polícia Militar, fornecidas por testemunhas, os assassinos estavam à bordo de uma moto preta, quando executaram Flávio na porta de um bar e Francisco dentro de um veículo, no meio da rua. Uma hora depois, um homicídio seguido de suicídio aconteceu no terminal de ônibus do bairro Gramoré. Janúbia Maria da Silva, 28, foi alvejada por disparos de arma de fogo no tórax e na cabeça, realizados por Moisés Pereira de Araújo, 44, que atirou em sua própria cabeça logo depois. Os crimes já estão sendo investigados pela Polícia Civil. A madrugada de sábado ainda registrou dois acidentes de trânsito fatais na Grande Natal e a execução de um menor por arma branca.

TCU APURA LAVAGEM DE AREIA NA PONTE / SOBREPREÇO / AUDITORIA NA OBRA DA PONTE DEVE SER CONCLUÍDA EM NOVEMBRO; TRIBUNAL DE CONTAS INVESTIGA EXCESSO DE PREÇO PELO SERVIÇO DE RETIRADA DE AREIA ARGEMIRO LIMA / NJ

RAFAEL DUARTE

DO NOVO JORNAL

OS ÓRGÃOS DE

fiscalização do Governo Federal encontraram mais indícios de irregularidades nas obras da ponte de Todos Newton Navarro, cujo processo tramita no Tribunal de Contas da União. A última denúncia partiu da Procuradoria Geral da República e está relacionada ao excesso de preço pelos serviços de lavagem e retirada de areia do núcleo das estacas metálicas que compõem a fundação da ponte. A subcontratação da obra nos vãos centrais da ponte foi autorizada mesmo sem previsão no contrato, propostas de preços nem parecer técnico. Somente após a assinatura do contrato de subcontratação é que a empresa subcontratada apresentou sua proposta. As demais propostas de preço só apareceram depois. O procurador Gilberto Barroso de Carvalho Júnior determinou, em 2008, a retenção de R$ 12 milhões do montante pago com verba federal e solicitou que o Tribunal de Contas da União do Rio Grande do Norte realize auditoria nas obras da ponte. No relatório,

▶ Superfaturamento nas obras da ponte Newton Navarro continua sendo investigado ele denuncia cobrança maior que a prevista. “Os preços dos serviços referidos foram estabelecidos por aditivo em nível muito superior ao verificado na subcontratação efetuada pelo consórcio contratado para execução desses itens e sem qualquer vinculação com o preço advindo da licitação para serviço

semelhante”, diz. O NOVO JORNAL apurou que os R$ 12 milhões não chegaram a ser retidos porque a Caixa Econômica Federal nem liberou a verba na época. Já a auditoria ainda não foi concluída. O processo está tramitando e, atualmente, vem sendo analisado pela secretaria de

controle externo do Tribunal de Contas da União do Rio Grande do Norte. Deve voltar para Brasília em novembro, quando o ministro-relator dará um parecer, admitiu uma fonte ouvida pela reportagem que lembrou ainda que as multas padrão do TCU chegam, no máximo, a R$ 36 mil.

/ ELEIÇÕES /

MAIS DE 2 MIL JÁ SOLICITARAM VOTO EM TRÂNSITO MAIS DE 2.000 eleitores fora

de seus domicílios eleitorais solicitaram votar no RN até ontem, penúltimo dia para requerer o voto em trânsito, conforme estimativa do TRE, cuja expectativa para hoje é de grande procura pelo cadastro, no último dia do prazo estipulado pela Justiça Eleitoral. Na manhã de ontem, a 2ª Zona Eleitoral, com sede no TRE, registrou baixa movimentação. “As pessoas deixam mesmo para última hora”, justificou o servidor Josenildo Dantas, 46. Em Natal, além da 2ª Zona Eleitoral, é possível solicitar o voto em trânsito na Central do Cidadão (Alecrim, Praia Shopping, Zona Norte e Via Direta). A Justiça Eleitoral do RN disponibilizará cinco secções para o eleitorado fora de seu domicílio eleitoral. Todas funcionarão no IFRN. É a primeira vez que é oferecida ao eleitor a oportunidade de votar fora de seu domicílio eleitoral. Entretanto, o eleitor pode votar apenas no seu candidato para presidente da República. A Central do Cidadão do Alecrim atende o eleitor, hoje, das 8h às 17h. No Via Direta, Praia Shopping e Shopping Estação vai das 9h às 18.


Política

Editor Heverton de Freitas

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NATAL, DOMINGO, 15 DE AGOSTO DE 2010 / NOVO JORNAL /

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NANICO, EU? / ALTERNATIVA / CANDIDATOS DOS PEQUENOS PARTIDOS REJEITAM O RÓTULO PEJORATIVO E AINDA MANTÊM A ESPERANÇA DE SAIREM VITORIOSOS NAS URNAS DE 3 DE OUTUBRO DINARTE ASSUNÇÃO PRISCILA ADÉLIA PONTES DO NOVO JORNAL

TODO ANO DE eleição eles aparecem para trazer

o pitoresco e dar o tom folclórico às campanhas. Alguns entram na disputa como forma de divulgarem suas propostas e contestarem o status quo. Esses geralmente são filiados a partidos que ainda mantém em seu ideário o socialismo nas suas mais diversas matizes. Outros entram para fazer negócio e servir de linha auxiliar para candidatos com mais recursos. A eles cabe fazer o papel que outros não querem assumir. Atacam, jogam lama nos adversários, tumultuam os debates e fa-

▶ O OTIMISTA O mais otimista é Bartolomeu Moreira, 46, (PRTB). Aliado a segmentos religiosos, Bartô tem uma convicção a respeito dos resultados de 3 de outubro próximo: “Iremos ao segundo turno com Rosalba Ciarlini (DEM) ou Iberê Ferreira (PSB), porque Carlos Eduardo (PDT) não vai chegar lá”, garante o postulante cuja curva estatística sequer conseguiu marcar meio ponto percentual na última pesquisa de intenções de voto divulgada pelo Instituto Certus. Sem capacidade logística para percorrer o estado amealhando votos, o peerretebista concentra sua campanha em Natal e região metropolitana. Duas “baratinhas”

▶ O RADICAL Comunista de carteirinha, o Camarada Leto, 61, (PCB) é de todos os postulantes o que assume o discurso mais radical. “Ou você agrada a Deus ou a Satanás”, sentencia. Se eleito, o militar reformado promete transplantar para o RN um misto do que supõe ter dado certo na China, Rússia e Cuba. “Na China o acesso ao trabalho foi quase universalizado; na Rússia a reforma agrária deu certo; de Cuba pretendo trazer o exemplo do serviço público de Saúde. Tudo isso promovendo a justiça social”, garante. E para os que acham o governo Lula muito estatizante, as propostas do camarada Leto, um pequeno empresário em Parnamirim, podem parecer até mesmo um sacrilégio. Entre outras coisas ele promete que se for eleitor governador vai reestatizar a

▶ O PERSISTENTE Ele é freqüentador habitual dos lares norte-riograndeses pela sua presença no horário eleitoral da TV. Postulante do PTC, Roberto Ronconi, 61, tenta pela terceira vez o cargo de governador do estado. Sua campanha começa para valer a partir do dia 15, quando as inserções partidárias no horário gratuito eleitoral lhe darão a visibilidade que aposta irão lhe dar a visibilidade que precisa para vencer o pleito. Do mesmo partido do já histórico Miguel Mossoró que se popularizou em 2004 quando tentou a prefeitura de Natal tendo como carro chefe de suas propostas construir uma ponte ligando Natal a Fernando Noranha, Ronconi não fica atrás e já tem uma proposta

zem denúncias. Há ainda os que entram como forma de aparecer na mídia durante três meses com a esperança de projetarem seus nomes para eleições futuras, mesmo que em geral não apresentem lá grandes chances na hora de disputar o voto proporcional. Este ano, oito candidatos se lançam até agora em busca do voto dos potiguares para governador do Estado. Três deles têm tradição política, já ocuparam ou ocupam ainda cargos no legislativo ou no executivo e entram na disputa representando parcela significa do eleitorado. Dos outros cinco, a candidata do PSTU, Simone Dutra, ainda depende de uma deci-

são do Tribunal Superior Eleitoral para efetivamente entrar na disputa. O partido teve todas suas candidaturas impugnadas pelo TRE por não ter cumprido a burocracia de registro na justiça. Mesmo sem estrutura, sem tempo de televisão, sem coligação e sem terem uma representatividade expressiva na sociedade, eles tem uma ponto em comum: embora até admitam a dificuldade na disputa e a diferença de estrutura, não aceitam serem chamados pejorativamente de nanicos e ainda têm esperança de saírem vitoriosos da disputa, mesmo que as pesquisas até agora, faltando 45 dias para a eleição, os aponte com no máximo 1% dos votos.

NEY DOUGLAS / NJ

(são carros próprios de Bartô) e vinte voluntários compõem seu aparato de campanha para convencer o eleitor que sua candidatura é a melhor para o Rio Grande do Norte. É a primeira tentativa de Bartô de chegar ao Governo do Estado. Nas eleições de 2006 ele tentou uma vaga na Câmara dos Deputados, mas ficou bem longe de obter sucesso: pouco mais de 1.500 votos. Para esse ano, sua investida é no discurso afiado de mudança radical. A primeira delas diz respeito a “banir a estirpe política aproveitadora”, radicaliza Bartô. “Nosso governo será solidário, com a participação de partidos alinhados ao nosso posicionamento”, diz Bartô.

▶ Bartolomeu Moreira, do PRTB, confia que irá chegar ao segundo turno, só não sabe se contra Rosalba ou Iberê

TIAGO LIMA / NJ

Cosern e dividir o lucro com os trabalhadores. Curiosamente, Camarada Leto insinuou sua pífia chance de se sentar à cadeira de governador a partir de janeiro de 2011, ao afirmar que “a campanha de meu partido conta com um discurso que apenas os mais esclarecidos entenderão. Um discurso de combate a esse sistema. Só vota em mim quem entender minha mensagem, e a população talvez não entenda”, admitiu. Com 15 segundos diários de programação partidária no rádio e TV, o candidato do Partido Comunista Brasileiro apresentou à justiça eleitoral a estimativa de contar com um orçamento de R$ 1 milhão para custear sua campanha. Por enquanto, esse dinheiro ainda não apareceu e Camarada Leto se restringe à atuação de corpo a corpo com eleitores apenas em Parnamirim. “É assim que vou ao segundo turno”, garante.

▶ Camarada Leto, do PCB, promete reestatizar a Cosern e dividir os lucros da empresa com todos os trabalhadores

AUGUSTO RATIS / NJ

polêmica: transformar o Rio Grande do Norte no único estado brasileiro com três capitais, uma em Natal, outra em Mossoró, onde ficaria o pólo industrial, e outra ainda em Caicó, referência a seu empreendedorismo. A Natal competiria desenvolver mais ainda sua vocação turística. Mesmo na lanterna das pesquisas, Ronconi acredita em seu projeto de eleição, no qual será investido R$ 90.000 (doações dos militantes, garante ele), e critica os candidatos que lideram os índices estatístico-eleitorais. “Eles vêm com um papo de mudança, mas que mudança é essa? Se alternam no governo e não fazem os projetos para depois proporem mudança. É mais do mesmo”, dispara.

▶ Roberto Ronconi, do PTC, acusa a ex-governadora Wilma de Faria de ter plagiado o programa das Casas de Cultura

OPOSIÇÃO A TUDO E A TODOS Na oposição a tudo e a todos, os candidatos de pouca expressividade política apresentam planos de governo semelhantes. Em geral, dizem respeito à igualdade social e reestruturação da máquina estatal. Todos afirmam que o secretariado será formado a partir dos quadros dos servidores públicos do estado. Nessa temática houve até acusação de usurpação de ideias. Roberto Ronconi, a saber, acusa a ex-governadora Wilma de Faria (PSB) de se apropriar de projeto de sua autoria, as Casas de Cultura. “Nem ideia essa mulher sabe pegar direito. Estão aí as Casas de Cultura sem funcionar”. Assunto recorrente, todos tratam de maneira condenável a maneira como educação, segurança pública e saúde são tratadas pelas gestões que se sucedem. Para eles é crucial o estado olhar com mais atenção aos servidores e dignificá-los com planos de carreiras e salários. Com planos de governo tão semelhantes, os candidatos ditos nanicos preferem a carreira solo, a compartilhar com os outros suas estratégias e expectativas. A explicação está na origem no capitalismo, tão condenado por todos. “É que coligar implica dividir tempo na TV, e aí quem investiu mais vai querer ter mais tempo e não é assim que prevê a legislação”, justifica o cientista político Lincoln Moraes. Na opinião dele, as candidaturas dos nanicos podem ser analisadas sob duas óticas: as que querem a visibilidade da TV para levar ao público conhecimento da causa de sua luta e as que se lançam no processo eleitoral para negociar seu tempo de TV e o apoio no segundo turno com vistas a assumir um cargo na administração da aliança partidária à qual se vincularam. Indagados pela reportagem do NOVO JORNAL eles afirmaram esperar que seus colegas se proponham a união nos próximos pleitos. Para essa eleição, Bartô Moreira afirmou ter convidado seus oponentes para uma chapa de coalizão, mas eles preferiram seguir caminho próprio. Roberto Ronconi e Camarada Leto negaram ter recebido a cortesia do colega.

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Opinião 4

Editor Franklin Jorge

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/ NOVO JORNAL / NATAL, DOMINGO, 15 DE AGOSTO DE 2010

Editorial Símbolos do ensino falido ▶ rodaviva@novojornal.jor.br

NÚMEROS DO DEBATE

MUDAR PARA PIOR

DOIS CONTRA UMA

Ao contrário das campanhas anteriores, nenhuma assessoria trabalhou para cantar vitória, sobre o desempenho dos seus candidatos no Debate da Band. Contratada para ouvir a opinião do público, a empresa Sync Sistemas, logo que o programa acabou, disparou 600 telefonemas para assinantes da região metropolitana de Natal. Desse total, 450 disseram ter assistido o Debate. Do universo de 450, um percentual 45.54% achou que o melhor desempenho foi da senadora Rosalba Ciarlini; 32.77% julgaram que Carlos Eduardo teve melhor participação; enquanto 21% preferiram a performance do governador Iberê Ferreira de Souza A pesquisa não indagou isso, mas o DataRV apurou que Sandro Pimentel foi o campeão absoluto da deselegância.

O Rio Grande do Norte guarda uma tradição, desde os tempos do governo autoritário, de manter suas arengas em nível local com os adversários transformados em aliados nacionais. Essa história vem desde os tempos da Arena-verde (dos partidários de Aluízio Alves) e Arena-vermelha (dos seguidores de Dinarte Mariz) as principais lideranças do Estado quando os militares extinguiram os antigos partidos políticos e – no legítimo instinto da sobrevivência – os contrários se agasalharam na legenda do partido do governo, beneficiados pelo instituto de uma excrescência política chamada sub-legenda. Nos limites estaduais, a briga política não tinha limites, mas ao cruzar a fronteira todos apoiavam o general de plantão. Quando surgiu a Nova República não foi diferente, Alves X Maia brigaram por Tancredo, mas os Alves ganharam com Sarney. De 1946 para cá, o único exemplo de uma das forças tradicionais da nossa política a não se render ao governo federal está sendo representada pelo senador José Agripino, há oito anos na oposição ao popular Governo Lula. Mas no cenário da presente campanha pode estar surgindo, na chamada base aliada, uma variável a esse quadro. É a disputa entre os candidatos Carlos Eduardo e Iberê Ferreira de Souza pelo segundo lugar na corrida para o governo. Uma disputa que se acirra para saber quem é mais Lula do que o outro. Por mais cáusticas que estejam sendo as críticas de Carlos Eduardo a Iberê e ao seu Governo, pode ser que esse seja um script fornecido pelos responsáveis pela campanha nacional. Como a senadora Rosalba Ciarlini guarda uma apreciável vantagem na campanha governamental, a situação pode adotar a estratégia de se dividir para somar. E o raciocínio é linear: como Carlos Eduardo tem boa presença em Natal, onde Iberê não consegue emplacar, este se retira e da capital e fica com o interior que Carlos não tem condições de cobrir. Os dois contra ela. Com o início, terça-feira, da propaganda na televisão, vai ser possível saber se teremos, ou não, na campanha pra valer, a luta de dois homens contra uma mulher, na tentativa de se chegar ao segundo turno, quando as forças governistas se reuniriam sob as bênçãos do presidente Lula com o sobrevivente das urnas.

ESTATÍSTICAS ENGANAM

Segundo a Secretaria de Segurança, o número de homicídios na Região Metropolitana de Natal caiu 34% no mês de julho, em comparação com igual período do ano passado. Número que pode significar melhoria na ação da polícia. Difícil vai ser encontrar algum natalense que acredite nessa estatística .

O Presidente do Sindicato da Indústria de Fiação e Tecelagem, João Lima (diretor do grupo Coteminas) pronunciou-se contra a instrução normativa nº 85, a menina dos olhos do ministro Carlos Lupi (PDT), que estabelece novo sistema de ponto dos empregados das empresas. Lima considera a medida um retrocesso: “É como se o Ministério dissesse que todo empresário é ladrão e todo empregado é burro, já que uma das explicações para sua implantação é evitar fraude na marcação dos horários por parte da empresa.”

CONTRA A SURDEZ

Natal vai sediar a partir de quinta-feira, no hotel Ocean Palace, o maior evento específico em implantes cocleares no Brasil, que vai discutir as atuais soluções para os problemas de audição, desde micro próteses auditivas, passando por próteses auditivas implantáveis até os implantes cocleares e de tronco cerebral Representantes dos maiores centros de tratamento dos distúrbios da audição no país, como o professor Orozimbo Alves, da USP/Bauru, além de três palestrantes internacionais de nomeada: Danil Lee (US), Domenico Cuda (Itália) e Carol Flaxer (USA). O certame é coordenado pelo médico Rodolpho Pena Lima, do Hospital do Coração de Natal.

DONOS DA RUA

Verdadeiros donos das ruas de Natal, que ocupam quando querem e como querem, sem respeitar qualquer limite, os caminhões-betoneiras serão regidos, daqui pra frente, por uma lei municipal que restringe a atividade de produção de concreto e argamassa apenas à unidade produtiva e não poderão lançar no ambiente quaisquer tipo de resíduos sólidos, líquidos, gasosos ou na forma de poeira. Falta regulamentar o horário em que esse serviço pode ser prestado.

WALLACE ARAÚJO / NJ

TÉCNICO COLADO

Nas eleições de 89 eu votei em Lula, enquanto ele estava com Collor. Em 2002 eu estava com Lula e ele com Serra” DO CANDIDATO CARLOS EDUARDO MOSTRANDO QUE É MAIS LULA DO QUE IBERÊ

ESTADO ADOTA RECEITA DE SERRA Mesmo alardeando sua condição lulista, o governo do Estado adota uma receita de José Serra: O Secretário da Saúde anuncia amanhã, no Hospital Santa Catarina, um mutirão para ampliar a quantidade de cirurgias eletivas (varizes, catarata e próstata). A expectativa é de realizar 2.600 cirurgias no mutirão.

NATAL NA TV

MENINO PRODÍGIO

A vinda de uma equipe da Rede Record para fazer locação de mini série “Sansão e Dalila” nas dunas de Jenipabu só não pode ser contabilizada como ação de divulgação turística de Natal. Afinal, é uma história de antes da era cristã, dois mil anos antes do descobrimento do Brasil. Mas atrair uma rede de televisão em fase de crescimento, como a Record, pode servir de ponto de partida para produções futuras com direito a merchandising para o destino turístico.

Cris Dias, apresentadora do programa Esporte Espetacular da Rede Globo, é esperada em Natal, nesta segunda-feira, para acompanhar o dia a dia de um menino de nove anos. Esse menino é Victor Uchoa, campeão brasileiro de kart, na categoria mirim e estudante da escola Lápis de Cor.

O treinador Lula Pereira conseguiu se manter no emprego por mais de dois meses, o que em matéria de América é um verdadeiro recorde. Sem esquecer que ao longo desse período ele não sabe o que é uma vitória. Na vez em que o time ganhou, pelo Nordestão, quem estava no banco era Carlos Moura. Com salário mensal de R$ 45 mil e um contrato bem amarrado por uma mastodôntica multa de rescisão, Lula está tranqüilo.

PRAZER DE LER

Representantes de cinco escolas públicas do RN se incorporam a uma comitiva de 41 professores de todo o Brasil que seguirão nesta segunda-feira para a Colômbia, como parte do concurso Escola de Leitores, realizado no ano passado pelo IDE. São representantes da Escola Estadual Hegésipo Reis (nova Descoberta), Professora Stella Gonçalves (Alecrim), Clara Camarão (Felipe Camarão), Isabel Gondim (Santos Reis) e Maria Cristina (Parnamirim).

ZUM ZUM ZUM ▶

A Escola Agrícola de Jundiaí realiza, nesta segunda, aula inaugural da primeira turma do curso de Técnico em Aquicultura. ▶ Uma missa, neste domingo, marca o 60º aniversário do Instituto Brasil, criado pela professora Carmen Pedroza. ▶ O escritor Manoel Onofre Jr lança nesta segunda-feira, na Academia de Letras, a segunda edição de “Ficcionistas Potiguares.

O bicentenário de Nísia Floresta será lembrado, nesta segunda-feira, na Academia Norte-riograndense de Letras. ▶ Diva Cunha e Ernani Rosado vão falar, pelo Rio Grande do Norte, sobre a nossa escritora que abalou Paris e arredores. ▶ Agnelo Alves e Henrique Alves voltaram a conversar política. ▶ Completa 95 anos, neste domingo, da criação da Freguesia de Santo Antônio.

▶ A 3ª Feira de Negócios do Agreste e Litoral Sul vai ser lançada, nesta segunda-feira, em Goianinha. ▶ Há 70 anos, neste domingo, era criado o Ginásio Sete de Setembro, em Natal, depois incorporado à UnP. ▶ A Universidade Federal do Semi-Árido realiza,nesta segunda-feira a abertura do segundo semestre letivo, recebendo 660 novos estudantes.

▶ Alexandre Moreira e Trio apresentam neste domingo, no Praia Shopping, o show Instrumental de Bandolim. ▶ Começa nesta segunda-feira, em Caicó, um Curso para Vigilância da Raiva Silvestre, promovido pelo Programa Nacional da Raiva. ▶ Mais um dia no calendário municipal: Daqui pra frente, 5 de junho será o Dia da Consciência Ecológica.

Talvez nada ilustre mais a decadência da escola pública em Natal do que a estátua do casal de estudantes que envelhece sob o sol escaldante em frente à Escola Estadual Winston Churchill, no centro da cidade. Houve um tempo, aquele em que as escolas públicas funcionavam com qualidade, que alguns estabelecimentos portavam status diferenciado. Colégios como o Atheneu Norte-riograndense, um dos mais antigos e tradicionais e responsável pela formação de inúmeros potiguares que mais tarde ocupariam posição de destaque na sociedade; o Anísio Teixeira; o Padre Miguelinho; e o Winston Churchill eram referências no ensino público. Na semana passada, durante uma reunião dos diretores de escolas públicas da capital com os coordenadores do programa de resistência às drogas – o Proerd -, inúmeros diretores reclamaram das condições a que estão sujeitos professores e alunos. A falta de docentes é somente um dos problemas. Outro, tão grave quanto, é a situação física dos estabelecimentos. A diretora da Escola Estadual Winston Churchill, Maria Eliane Carvalho, afirmou ter denunciado os problemas que enfrenta à Secretaria de Educação, mas como nada foi feito encaminhará a mesma denúncia ao Ministério Público, a fim de que sejam tomadas as providências. Na escola que administra, com mais de 1.700 alunos, falta, além de segurança e de professores, o básico em termos de estrutura. As redes hidráulica e elétrica precisam de manutenção. O serviço de limpeza não funciona e faltam recursos para aplicar na biblioteca e no laboratório de informática, já quase destruído, nas palavras dela. Maria Eliane chega a suspeitar que os bandidos entram na escola pulando as janelas quebradas para se esconder no banheiro. À noite, aproveitam para roubar equipamentos. Há, portanto, além dos inúmeros problemas relacionados à qualidade do ensino público oferecido pelo governo, já cantados e decantados, como o fracasso no Ideb e no Enem, um outro, a ele diretamente ligado: se falta o mínimo em estrutura física, como esperar que haja qualidade no ensino oferecido? A denúncia da diretora é da maior gravidade. Se é essa a situação em que se encontra uma escola que ainda, apesar de tudo, goza de boa reputação entre as suas inúmeras congêneres, como deverão estar aqueles outros, bem menos visíveis e instalados mais distantes? O casal de estudantes, nas estátuas de bronze localizadas em frente ao Winston Churchill, cuja peças foram fundidas na “Fonderies D’Art du Val D’Cone”, trazidas da França no início do século passado para ornamentar o antigo Grupo Escolar Augusto Severo, na Ribeira, ilustram, hoje, ali, a falência da escola pública potiguar.

Artigo CARLOS MAGNO ARAÚJO Diretor de Redação ▶ carlosmagno@novojornal.jor.br

O novo Bem Amado A nova versão d’O Bem Amado começa com José Wilker, o Zeca Diabo, subindo as escadas da prefeitura de Sucupira para matar o antecessor de Odorico Paraguaçu. No melhor estilo Yul Brinner, de quem provavelmente copiou, mal, o estilo - o chapéu um tanto arriado, caído junto dos olhos, o olhar, o jeitão e a roupa preta sugerindo um certo suspense, o personagem não repete a graça do original. O pistoleiro do clássico Sete Homens e Um Destino, então, supera, de muito, o nosso roque santeiro. O melhor da nova versão de O Bem Amado continua sendo o texto de Dias Gomes, ainda que adaptado. Quem conheceu o Zeca Diabo original, com a interpretação impagável de Lima Duarte, e viu o Zé Wilker entenderá melhor o que estou querendo dizer. O mesmo se dá com as irmãs Cajazeira. A molecada que não parava de rir no cinema precisava ter visto o trio Ida Gomes, Dorinha Duval e Dirce Migliacio fazendo Dorotea, Dulcineia e Judiceia Cajazeira, as irmãs apaixonadas pelo prefeito, que guardavam naquela época, 1973, um certo recato, praticamente desprezado por Zezé Polessa, Andréa Beltrão e Drica Moraes. A época, evidente, é outra. Lá, estávamos em plena ditadura (aliás, aqui e ali alfinetada pelo autor) e havia, independente disso, uma certa cautela no modo de agir – os costumes sociais eram outros, embora as práticas continuem as mesmas, se é que me faço entender. Mesmo o Odorico de Marco Nanini navega a anos-luz daquele de Paulo Gracindo. O mesmo cabe ao Dirceu Borboleta de Emiliano Queiroz, superior ao de Matheus Nachtergaele. Essa história de ele casar com uma Cajazeira, como na versão atual, é difícil de ser digerida por ortodoxos juramentados como eu. Além do mais, é difícil observar qualquer interpretação de Nanini sem associá-lo imediatamente ao Lineu, d’A Grande Família, sempre tão certinho. E o prefeito de Sucupira é um grande picareta. Há, portanto, um lapso de tempo para que o espectador assimile: Odorico Paraguaçu não é Lineu. Quando interpretou o pistoleiro Frederico Evandro em Lisbela e o Prisioneiro, do mesmo Guel Arraes, Nanini esteve excelente, favorecido pelo figurino sugestivo. O pistoleiro Frederico Evandro, traído pela mulher, lembrava, pela indumentária e pelos acessórios, o brega Reginaldo Rossi. Se recomendo a todos que gostam de O Bem Amado darem meia volta antes de assistirem à nova versão? Claro que não. É uma excelente diversão, mas daquelas tipo Sessão da Tarde, que a gente esquece logo. O Bem Amado ainda cabe como um ‘sitcom’, como A Grande Família.


▶ POLÍTICA ◀

NATAL, DOMINGO, 15 DE AGOSTO DE 2010 / NOVO JORNAL /

Painel RENATA LO PRETE Da Folha de São Paulo

painel@uol.com.br

Primeiros socorros A vantagem aberta por Dilma Rousseff (PT) no Datafolha levará a campanha de José Serra (PSDB) a dar atenção especial, neste momento, aos dois Estados que lhe parecem capazes de ajudar a estancar a sangria do resultado geral: Minas e São Paulo. Os tucanos estão convencidos de que, amparado no padrinho Aécio Neves, Antonio Anastasia esboçará reação com o início da propaganda de TV. E apostam que Serra extrairá algum fôlego disso. Em São Paulo, onde a dianteira é do PSDB, o esforço se dará no sentido de evitar qualquer reviravolta que diminua a distância de Serra em relação à petista.

GEOGRAFIA O esforço concentrado em SP e Minas se deve, entre outros fatores, à pouca esperança de que o quadro venha a melhorar de maneira significativa no Rio. Os tucanos até acham que Fernando Gabeira (PV) poderá reagir nas pesquisas, mas avaliam que dificilmente isso se traduzirá em mais votos para Serra no Estado.

CENÁRIO

Na propaganda de televisão, no ar a partir desta terça, Serra aparecerá não apenas no tradicional escritório como num set que mistura ícones da paisagem de Estados como Minas, Rio, Bahia e Rio Grande do Sul.

TRILHA SONORA

No estoque de músicas já gravadas pela campanha do tucano, há uma gaveta cheia de provocações à adversária Dilma. Lula é citado em várias delas.

AEROTREM

Dedicados ao objetivo de liquidar a eleição no primeiro turno, os petistas ainda não desistiram de tentar retirar mais algum nanico da disputa. Um curioso registrou: sempre que o líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP), está na Câmara, Levi Fidélix (PRTB-SP) é visto em seu gabinete.

TODO OUVIDOS

Segundo colegas, Ciro Moura (PTC), que já caiu fora da corrida presidencial, ainda está aberto a ouvir argumentos que o levem a pular fora também da disputa por uma vaga ao Senado por São Paulo.

CHEIO DE ENERGIA

Segundo aliados, o cargo que Hélio Costa (PMDB) pretende dar, caso eleito go-

vernador de Minas, a Carlos Henrique Custódio, demitido por Lula do comando dos Correios, é a presidência da Cemig.

GENÉRICO

Ex-prefeito de Cruzeiro do Oeste e candidato a deputado federal pelo PT-PR, Zeca Dirceu, filho do ex-ministro, aparece no material de campanha rebatizado como ‘Zeca do PT’.

VINDE A MIM

Candidato a deputado federal, o cabeludo ex-senador Wellington Salgado (PMDBMG) já traçou a prioridade de seu eventual mandato: ‘Vou querer ser o rei do baixo clero para cuidar dos abandonados’.

A BORDO 1

Representantes de pilotos têm procurado deputados para tentar evitar a aprovação do texto que altera o Código Brasileiro de Aviação para autorizar estrangeiros a trabalhar como tripulantes nas companhias aéreas brasileiras.

A BORDO 2

O projeto, que conta com apoio no governo, estabelece prazo de cinco anos para os pilotos e demais tripulantes atuarem no país. A justificativa é que há demanda. EUA e Europa não permitem. Autor da proposta, o deputado Rocha Loures (PMDB) é candidato a vice na chapa de Osmar Dias (PDT) ao governo do Paraná.

RESERVA

Michel Temer (PMDB-SP) quer presidir a sessão de votação da PEC 300, que fixa piso salarial para os policiais no país. No mais, tende a deixar a batuta para Marco Maia (PT-RS), agora que é vice de Dilma.

TIROTEIO Como eles se consideram os donos da verdade, quando ela não bate com o discurso, é simples: modificam-se os dados. DO DEPUTADO ARNALDO MADEIRA (PSDB-SP), sobre o fato de o Ministério da Fazenda, sob o comando de Guido Mantega, ter inflado números do governo Lula, tornando-os mais atraentes na comparação com o período FHC.

CONTRAPONTO PLANTÃO DA VIRADA Ao fim da reunião ministerial de terça passada, Lula repetiu seu bordão recente de que ninguém ali deve ‘inventar mais nada’, e sim fazer o que o governo já se comprometeu a fazer até 31 de dezembro. O chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, perguntou, brincando: — Até o meio-dia do 31, não é, presidente? Lula rebateu: — Meio-dia o caramba! É até meia-noite mesmo. E vocês ainda terão de dormir com um olho aberto até a hora de eu entregar a faixa, no dia 1º!

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SOCIALISTA DESUNIDO JAMAIS SERÁ VENCEDOR CONTINUAÇÃO DA PÁGINA 3 ▶ Na época da ditadura havia uma frase que os governistas gostavam de repetir: “a esquerda não se une nem na cadeia” e até que havia um fundo de verdade nisso. Divididos

entre stalinistas, trotskistas, maoístas, e outros “istas” mais, as diversas tendências que durante anos conviveram dentro do PT acabaram saindo ou sendo expulsas do partido e a partir delas viraram outros partidos. Na atual campanha pelo menos dois representantes dessa leva estão indo a busca

▶ O ATIRADOR Candidato pela segunda vez ao Governo do Estado do Rio Grande do Norte, Sandro Pimentel (PSOL), 44 anos, tem total convicção e que desta vez terá votos suficientes para chegar ao segundo turno. Sandro iniciou sua carreira política em 2002, quando foi candidato a Deputado Estadual pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Em 2006, foi candidato pela 1ª vez ao Governo do Estado. Em 2008, foi candidato a prefeitura do Natal pelo PSOL, do qual é dirigente nacional e presidente estadual. Técnico em segurança do trabalho pela UFRN, ele espera conseguir triplicar os votos que conseguiu na eleição de 2006, quando teve 14.172 votos. Em 2009, Pimentel concluiu o curso de Gestão Pública, pela UFRN. Atualmente faz pós-graduação em Qualidade de Vida e Saúde no Trabalho. E se orgulha em dizer que é o único candidato ao Governo que tem a agenda noturna destinada a assistir aulas. Segundo Pimentel, o objetivo da sua candidatura é colocar uma alternativa qualificada para a população. “O povo Potiguar anseia por mudanças qualitativas. Eu tenho certeza que os candidatos que tem estrutura econômica podem até ter qualidade técnica, mas não praticam. Eles não usam a qualificação profissional em benefício da população, usam em benefício próprio e de seus familiares” diz. A briga pelo Governo do Estado entre candidatos economicamente fortes, não enfraquece

▶ A DISCRIMINADA A paraibana e enfermeira, Simone Dutra (PSTU), candidata pela primeira vez, corre o risco de ter seu nome excluído da disputa. O Tribunal Regional Eleitoral julgou irregular o registro de todas as candidaturas do partido e já negou também o recursos movido contra essa decisão por entender que o partido não cumpriu com as etapas formais de sua regularização na justiça eleitoral. Mesmo assim, ela se mostra firme na candidatura apesar de reconhecer que está numa disputa que classifica de um pigmeu contra gigantes e diz que as decisões do Judiciário são fruto de uma discriminação contra o prtido dela. Ela não se dá o direito de afirmar se ganhará ou não o pleito, e destaca que o partido terá dificuldades. “Nós teremos dificuldades, mas estaremos fazendo debates com trabalhadores que estão cansados desse governo atual. Essa é a nossa batalha. Não posso dizer se ganharei ou não”. A principal expectativa, segundo Simone, é transmitir para a população um programa socialista que reinvente a lógica de priorizar as classes economicamente dominantes. Como funcionária da saúde pública do Estado, Simone Dutra afirma que lutará para aumentar a verba da saúde e também a da educação. O fortalecimento da rede pública de saúde, educação e segurança estão na sua proposta de Governo. Para isso, ela acredita ser necessário reformar os hospitais regionais. “Queremos fazer com que a saúde deixe de ter serviços terceirizados. O

dos votos dos norte-rio-grandenses. O Partido Socialismo e Liberdade, o PSOL, e o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado, o PSTU, tem propostas semelhantes, defendem pontos de vistas parecidos, mas não conseguiram fechar uma aliança porque os dois partidos queriam indicar a cabeça da chapa. ARGEMIRO LIMA / NJ

▶ Sandro Pimentel faz campanha com panfletagem nos semáforos a expectativa de Sandro que relembra o resultado das eleições de 2006. “Na eleição de 2006 sete candidatos concorriam ao Governo do Estado, eu fiquei em teceiro lugar. Dos pequenos eu fui o primeiro. Foi uma colocação importante para mim”.

PROPOSTAS

Sobre os projetos, o candidato explica que pensa numa forma de Governo em que os trabalhado-

res sejam valorizados e com isso se sintam incentivados para executar um bom trabalho. “Fornecer condições de trabalho e qualidade de vida são primordiais”. A primeira coisa que Sandro pretende fazer, caso seja eleito, é perseguir a questão do analfabetismo. Ele pensa em realizar isso fazendo parcerias com a igreja, DCEs, e visita porta a porta, indo nas casas das pessoas, assim como a igreja manda para

evangelizar. Outra alternativa apontada por ele é ao mesmo tempo atender a demanda por mais vagas nas escolas, a saúde das pessoas e ativar a economia com a construção de um restaurante popular em cada município. “Dessa forma o espaço físico dos restaurantes seriam transformados também em locais para cursos de qualificação”, explica. Para colocar sua campanha nas ruas, Pimentel imprimiu 100 mil panfletos, e 200 adesivos para carros. “Trabalhamos muito com panfletagem nos semáforos. Mas o PSOL não tem fundo partidário no RN. Tudo sai do meu bolso e da contribuição dos eleitores”. A partir do dia 17de agosto, o candidato terá um espaço de 51 segundos no horário gratuito no rádio e na televisão, tempo em que precisará resumir suas propostas para que o eleitor consiga perceber sua candidatura. Ciente do próprio poder de comunicação, Sandro acredita ser um diferencial nos debates políticos, quando relembra que no ano de 2006, após participação no debate ficou mais conhecido. “Na minha primeira eleição para governador ninguém me conhecia. Depois do debate fiquei conhecido. É muito importante para mim, é o melhor comício”. Pimentel já viajou para alguns municípios como Mossoró, Caicó, São José de Mipibú e Ceará-Mirim. Porém não conseguiu chegar a maioria das cidades do interior do Estado. “O interior não me conhece nem vai conhecer. Os outros chegam, eu não chego. Não tenho verba para isso” AUGUSTO RATIS / NJ

dinheiro do povo não pode acabar no setor privado”, disse, defendendo investimentos em reformas nos hospitais públicos, tirando o dinheiro que hoje é destinado à rede privada que presta serviços ao SUS. Questões urgentes como a contratação de profissionais para a saúde e educação serão resolvidas ainda no primeiro ano, caso ela ganhe a eleição para o governo do Estado. “A saúde e educação precisam de concursos imediatos. São problemas que precisam ser resolvidos no primeiro ano de Governo”.

CONTRA A LRF

A candidata é contra a lei de responsabilidade fiscal, uma vez que ela limita os gastos a serem feitos com pessoal. “Ela é mais uma lei de irresponsabilidade social. Essa lei provoca precarização do trabalho. No Estado tem que haver uma luta para botar essa lei abaixo. Isso só penaliza os municípios. Lutaremos pela derrubada da lei, que engessa as políticas públicas”. Dutra diz que o não-financiamento de sua campanha política pelos grandes empresários impossibilita uma maior expressão de seu partido. “Fazemos campanha com o que a gente tem. Não podemos utilizar os mesmos meios que caracteriza os candidatos que estão aí”, conclui. A candidata se mostra insatisfeita com a legislação eleitoral, por não ser convidada a participar de debates eleitorais, e dispor de apenas 45 segundos na televisão para fazer a propaganda de suas propostas. “O processo eleitoral é anti-democrático, a legislação eleitoral desigual”.

▶ Simone Dutra ainda tem candidatura dependente de decisão judicial


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▶ OPINIÃO ◀

/ NOVO JORNAL / NATAL, DOMINGO, 15 DE AGOSTO DE 2010

FRANKLIN JORGE Jornalista

No rasto de

Massilon LIVRO QUE É uma aventura no tempo e pelos sertões de

cinco estados brasileiros, Massilon revisita o cangaço e dá-nos o que o seu autor chama de “nova onda”, um modo de dispor a informação sob a forma de um relato de viagem através do qual os fatos vão aflorando de maneira macia, como numa conversa. De fato, a fase da coleta de dados já passou, mas não no presente caso que contempla Massilon, personagem secundária do cangaço e, a exceção de Jesuino Brilhante, o cangaceiro romântico do bairrismo idealista, não temos senão Massilon para ilustrar a contribuição efetiva do Rio Grande do Norte ao cangaço nordestino. Honório de Medeiros conta que esse nome se fez presente em sua infância em cidades do Oeste. Eu também o ouvi, na várzea do Açu, nas conversas de alpendre, no Estevão. Porém sem detalhes, a não ser que vivera lá para as bandas de Luis Gomes e desaparecera, nem morto nem vivo para os sertanejos. Massilon tem um subtítulo, “nas veredas do cangaço e outros temas afins” e recria duas peripécias distintas que dão ao texto uma nova maneira de seguir por trilhas tão batidas: a viagem no tempo em busca de Massilon e a do processo em que se escreve o livro que agora acabei de ter debaixo das vistas. Esse processo enseja a circunstancia, o inevitável, enfim uma rede interminável de comunicações vivas que resultam do

trabalho de campo. Difícil escrever sobre um livro no qual tenho estado tão presente em todas as etapas de um processo a que o seu autor me associou, convidando-me para pesquisar em sua companhia as pegadas de Massilon, e me propôs – e eu não acatei senão nos raros momentos em que tive a compulsão de anotar impressões, insights, em vez do diário de bordo que comporia uma “segunda opinião”, ou melhor dizendo com mais pertinência os “dois lados” de um registro que se faz no curso de muitos quilômetros e vigílias e o que há nessas infinitas horas de elaboração de factual e circunstancial no livro, como dizem os especialistas. Sei que perdi essa oportunidade sem reprise. Mesmo assim, ainda escrevi sobre alguns lugares e pessoas que fomos encontrando nesse périplo por sertões do Alto oeste potiguar, da Paraíba e do Ceará, estados vizinhos que percorremos nesse roteiro previsto por Honório e que nos fez parar em Patos, onde há uma atmosfera universitária, uma latente vida intelectual e artística das quais tivemos indícios pelo volume de publicação e qualidade de alguns artistas plásticas. Mesmo assim, o que escrevi cria um curioso contraponto a essa leitura de “Massilon” que foge ao lugar comum e às coisas feitas, avançando numa nova direção da qual o cangaço é mero pretexto para outras realizações que ampliam o nosso conhecimento do Nor-

franklinjorge@novojornal.jor.br

PERSONAGENS DA POLÍTICA

deste e da nossa cultura rude e viçosa. Honório promove muitos encontros afins em Massilon, livro que representa essa “nova onda” inspirada pelo autor que o faz indo beber às fontes, embora recorra a autores que o ajudaram a contar essa história que tem alguns capítulos transcorridos em terras potiguares. O livro abre com uma citação de Massilon, Jean Baptiste Massilon, o celebre orador sacro que viveu na França (1663-1742) sobre a verdade, “essa luz celeste”, a única coisa no mundo que se faz objeto dos cuidados e das investigações do homem: “Só ela é a Vida da nossa virtude, a regra do nosso coração, a fonte dos verdadeiros prazeres, o fundamento das nossas esperanças, o consolo dos nossos temores, o alivio de nossos males e de nossas penas. Todos os nossos cuidados deveriam limitar-se a conhecêla, toda a nossa loquacidade a publicá-la e todo o nosso zelo a defendê-la”. Não se trata de um produto acadêmico, mas de uma obra que embora se leia fluentemente está regida pela disciplina e por um rigor de pesquisa e composição. Obra de quem domina o assunto e o faz sem ranço acadêmico. O sumário é elucidativo dessa virtude que faz do livro uma viagem repleta de acontecimentos – como o solene funeral do radialista em Cajazeiras -; um viagem povoada de incidentes históricos, pitorescos, imprevisíveis e vivazes como as pessoas que se integram ao universo de uma pesquisa que compõe também um retrato de época e não apenas o retrato cheio de dobras de uma figura secundária do cangaço, o homem persuasivo que conquistou Lampião para o seu maior fracasso – o ataque a Mossoró. Há no livro de Honório uma vertiginosidade de aportes, de ritmos, de fluência que faz a sua leitura um prazer. Honório escreve sobre novidades que estavam esquecidas, sobre o prazer de conhecermos através do autor viventes tão carismáticos, como a senhora da Fazenda Trigueiro, Dona Deocides, o velho numismata memorioso de Missão Velha, gente de ouro, o cronista de Patos, a estranha cidade de Pereiro, no Ceará, onde soube de antigos matadores de onças... Uma rapsódia, esse livro que tem o cangaço como garantidor, na pessoa de Massilon Leite, mas que é visto sob outros ângulos ao integrar-se à realidade plástica e multiforme, no pico da onda ambulatória.

Dias atrás, ao voltar para casa, tive a surpresa de descobrir um fã da prefeita Micarla de Souza, o motorista do taxi que atribuiu o desconcerto da sua administração a sua extrema bondade, virtude negativa que a faz dar guarida em seu secretariado a tanta gente medíocre. A pobrezinha não tem a capacidade de dizer “não” a pessoas como o deputado João Maia, por exemplo. Segundo o motorista, João Maia estaria se aproveitando do bom coração de Micarla para emplacar seus protegidos e cabos eleitorais, o que estaria custando a própria credibilidade de Micarla, que já ganhou até uma comunidade no Orkut, “A pior prefeita da terra”. Enquanto isso, João Maia... Outro aloprado, o filho dos ex-governadores Lavoisier Maia e Wilma de Faria, o candidato a deputado estadual Lauro Maia aposta suas fichas num projeto supimpa: segundo os filhos da Candinha dizem por aqui que ele quer “castrar’ os machos potiguares. É que ele, se eleito, vai lutar para tornar a vasectomia um procedimento cirúrgico rotineiro. Porém, por enquanto, está apenas dando o que falar como um dos mais curiosos integrantes da famosa “arca de Noé”...

Franklin Jorge escreve nesta coluna aos domingos

Plural

Cartas do Leitor

FRANÇOIS SILVESTRE Escritor ▶ fs.alencar@uol.com.br

▶ cartas@novojornal.jor.br

Meu candidato Esperei o debate para ouvir os pretendentes e escolher o meu candidato. Mas antes de falar sobre a escolha, devo tecer alguns comentários. Será “pussive” que num há uma gramaticazinha “dispunive” pros candidatos ou assessores nesses tempos goolgosos do assassinato diário da nossa pobre “fulô do Lácio”? Dilma aprende português com Lula. Serra aprende com Mão Santa. Marina aprendeu tarde, faz estágio com Gabeira. Plínio esqueceu. Dilma mentiu, Serra mentiu, Marina disse num disse e Plínio tirou sarro. Saudade de Brizola, Maluf, Jânio, Montoro, Requião, Covas. Debate era aquilo. Não acredito no PSDB, nem PT, nem PV, nem Psol. O DEM ainda vive? O PMDB é uma alcatéia. Foram-se PSD, PTB, UDN, PCB e PDC. Antigos e mortos. No Brasil, a seriedade nunca foi companheira dos partidos políticos. Nem dos ditos ideológicos. Partido político, no Brasil, é como o papasebo; põe no ninho que encontrar. Nunca faz o próprio ninho. Cada dia que passa consolida a convicção de que o Senado é uma instituição obsoleta, inútil, trancadora do processo legislativo e balneário de políticos “cansados” das “obras” feitas nos seus estados. Que levam consigo parentes e empresários ricos nos penduricalhos das suplências. O sistema unicameral é uma exigência dos novos tempos. E não é de agora não. Já era assim nos tempos de Rui Barbosa e Pinheiro Machado. Uma tenda de califas no acampamento de Brancaleone. Só haverá reforma política confiável com a extinção do Senado. Mas voltemos ao meu candidato. Ele disse que só vamos trabalhar doze dias no ano. Mas não falou em férias. Disse que vai para a cadeia quem arrancar mata pasto. Mas não falou em aroeira. E ao fim do governo dele, ninguém possuirá mais de um hectare de terra. Cajuais da Serra tem 3,9 hectares. Meu latifúndio vai perder mais de dois hectares. Esse candidato é doido varrido. Gente de juízo, como eu, gosta de doido. Num é coleguismo não. Voto nele. Plínio de Arruda Sampaio. Será parente de Cassiano? E transformar aquela belíssima casa de Nova Cruz, onde a Prefeita dona Joanita despachava na janela, num Comissariado do Povo. Plínio é o único jovem dessa campanha. O resto tudo é velho. São velhas e enrugadas as promessas. O Lula das manifestações de São Bernardo e dos comícios da Praça Craveiro Lopes não existe mais. Sobrou o Lula dos encontros secretos com Golbery do Couto e Silva, para minar ou destruir o trabalhismo getulista. Esse era o pavor da UDN. Os udenistas não tinham medo de Stalin, temiam Getúlio. Borravamse de medo do caudilho populista. Lula nasceu em Brasília. Pois foi lá onde ele lançou pela primeira vez um olhar inteligente sobre si mesmo. Não é essa a lição de Marguerite Yourcenar? Aprendeu a técnica mineira da política. Não precisa mentir. Basta não dizer a verdade. Té mais. François Silvestre escreve nesta coluna aos domingos

AUGUSTO RATIS / NJ

▶ O ‘mausoléo das letras’ segundo Franklin Jorge Para que serve a Academia Tenho cinquenta anos e não sei ainda para que serve a academia de letras. De vez em quando leio que alguém foi eleito ou morreu, mas nunca consigo ligar o nome a uma obra conhecida. Lendo a reportagem e o comentário de Franklin Jorge publicados no NOVO JORNAL dia 13 de agosto, ontem, entendi que se trata mais de um

clube sem nenhuma conexão com a sociedade natalense e potiguar. Não chega a ser um clube de serviço, pois não presta serviço à cultura nem à comunidade, o que a torna certamente desnecessária. A não ser, como tem dito Franklin Jorge, como um expositor de “vaidades provincianas”. Uma vez, visitando a Academia Brasileira de Letras, no Rio, cheguei lá em uma hora boa (não sei se é sempre assim), com palestras e cursos e uma biblioteca muito boa no que se refere a literatura brasileira. Um lugar que aparentava ter alguma vida útil à serviço da cultura carioca e brasileira. Aqui, a biblioteca da academia de letras está mal usada. Já ouvi dizer que tem obras raras e importantes, mas não atrai o público ou não está aberta ao público... Não sou literata (Deus me livre!), mas é uma questão de bom senso: se existe, devia servir ao publico, abrindo-se para a comunidade. Fica a sugestão. Marluzia Guedes, Tirol

Coisa de louco Hoje, quando li a matéria sobre a contratação de uma consultoria para a PPP fiquei pirado. Peguei a calculadora e verifiquei que já foram pagos R$3.047.350,00 fora o que

não foi declarado. O Estado vai pagar ainda R$34.025.450,00, incluídos aí os R$ 6.500,00 que serão pagos a uma consultoria para elaborar os projetos PPP. O que são projetos PPP? Parece que é uma Parceria Público Privada para a partir daí se pensar em construir o Estádio. Na confusão da cabeça de quem como eu tem uma inteligência muito pequena, não entendo  para que serve uma Secretaria para a Copa se ela não é capaz de encontrar os parceiros para a construção de um Estádio. Depois de todos esses milhões gastos o que tem de concreto, fora o Machadão como disse bem o NOVO JORNAL? Restam as ruínas de uma creche. Geraldo Batista

Na real Parece que o presidente Lula está caindo na real. Pelo menos ele já percebeu que não tem todo esse prestigio com o tirano do Irã, a quem tanto acarinhou e que acabou levando a pecha de ignorante (dos assuntos internos do Irã), segundo o governo daquele país achacado por uma terrível ditadura, a exemplo de Cuba. Vinicio Luna, Nova Descoberta

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ALIVIADO, VALE SE PREPARA PARA A MOAGEM / CEARÁ-MIRIM / COM A SUSPENSÃO DA INTERVENÇÃO JUDICIAL USINA SÃO FRANCISCO PAGA SALÁRIOS ATRASADOS,CONTRATA MAIS TRABALHADORES E RETOMA ATIVIDADES FOTOS: NEY DOUGLAS / NJ

miu o posto na última quarta-feira e no dia seguinte atualizou a folha de pagamento, atrasada em 42 dias. Foram R$ 500 mil só para pagar a mão-de-obra. Os funcionários voltaram ao trabalho no início da manhã de sexta-feira. Depois de uma reunião com a diretoria, eles pareciam otimistas. Marco Antônio Rocha, 36, que há um ano corta cana nas fazendas do grupo, disse que embora ainda esteja um pouco desconfiado, acredita que não ficará sem salário novamente. “O dono (Manuel) conversou com a gente e disse que vai fazer dessa a maior usina do Nordeste”, frisou. Já André Marinho de Sena, 24, que desde 2007 trabalha na empresa, comemorou a volta às plantações. “Va-

mos botar a indústria pra frente de novo”, disse esperançoso. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de CearáMirim, José Maria Alves de Oliveira, defende que essa é a hora de unir forças para reabrir a indústria. “A luta continua. Estamos confiantes porque veio a notícia de Brasília para abrir as portas e todo mundo está contente por voltar a trabalhar”, acrescenta. Mas recuperar o tempo perdido não será tão fácil. Os funcionários estão cumprindo hora extra e alguns trabalhando 24 horas por dia para correr atrás do prejuízo. A colheita da cana-de-açúcar deveria ter começado desde a segunda-feira retrasada (2), mas Manuel Neto diz que vai agilizar o processo de produção para que no máximo em 20 de setembro a cana comece a ser colhida. “Vou queimar etapas, trabalhar mais rápido para reduzir esse prejuízo de 60 para 30 ou 40 dias”, informa o sócio-gerente. A expectativa de incrementar a safra em 60% em relação à última está descartada. Agora o Grupo Ecoenergias trabalha para pelo menos manter a produção de 250 mil toneladas de cana alcançada na safra anterior. “Se eu empatar com o produzido ano passado já estou no lucro. Mas isso vai ser praticamente impossível de conseguir”, diz Manuel.

bindo-o de utilizar os serviços dos funcionários, equipamentos e instalações da empresa, devido “ao seu inadequado comportamento”. Na quarta-feira (11), o Superior Tribunal de Justiça determinou o fim da intervenção. Além de estar com o nome sujo no mercado e estimar uma colheita aquém do esperado, a usina São Francisco perdeu cerca de 20% da plantação pelo crescimento de mato, que quando não é cortado prejudica o desenvolvimento da cana. Como os funcionários passaram o último mês parados, não havia quem podas-

se a planta. Cerca de 20 novas fazendas que haviam sido arrendadas para plantação de cana em junho e julho também ficarão paradas. Segundo Neto, mais de 800 empregos seriam criados com a nova área de cultivo. “O melhor período para plantar cana foi exatamente o tempo em que a empresa ficou parada. Agora é arriscado demais iniciar o processo. Teremos que arcar com o prejuízo”, diz. O grupo Ecoenergias ainda planejava investir em equipamentos e instalações, mas Manuel Neto afirma que não há mais tempo. O empresário considera que a usina sofreu danos irreversíveis durante o processo de intervenção, que se refletirão pelos próximos anos. Como a plantação de cana-de-açúcar tem duração de cinco anos, a estimativa é que a empresa sofra consequências por um bom tempo. “Fizemos planos que foram totalmente frustrados. O tempo não volta e teremos que lidar com danos irreparáveis pelos próximos anos”, desabafa.

LOUISE AGUIAR

DO NOVO JORNAL

HÁ QUASE DEZOITO anos José Bene-

dito de Sena, 58, trabalha nos canaviais na Usina São Francisco, em Ceará-Mirim. Em quase duas décadas, nunca havia ficado com tanto medo de perder o emprego como no último mês. “Fiquei desesperado, pensei que ia fechar”, desabafa. Seu Benedito faz parte do grupo de 609 funcionários da Companhia Açucareira Vale do Ceará-Mirim, comandada pelo Grupo Ecoenergias, que ficou sem trabalhar nem receber salário por mais de 40 dias, período em que um interventor judicial passou a controlar a empresa. A intervenção foi solicitada pelo ex-sócio do grupo e ex-senador Geraldo Melo e durou pouco mais de

José Mario Alves

José Benedito está há quase vinte anos na usina

60 dias. Nos últimos 30, os funcionários foram dispensados por falta de pagamento, o que gerou insegurança e insatisfação em toda a classe de trabalhadores. Seu Benedito vigia os canaviais desde 2007, mas entrou na empresa como cortador de cana-de-açúcar. Mesmo quando todos pararam de trabalhar, ele continuou vigiando a plantação para prevenir incêndios. Na quinta-feira voltou mais feliz para casa: recebeu o salário atrasado e a garantia de que a usina voltaria a produzir. “Agora estou animado que tudo vai dar certo. Bateu um desespero, fiquei desanimado, mas acho que agora a coisa vai pra frente”, disse. O sócio-gerente da empresa, Manuel Dias Branco Neto, reassu-

DANOS DA PARALISAÇÃO SÃO IRREVERSÍVEIS Depois de 60 dias afastado da empresa, Manuel Dias Branco Neto voltou ao comando do grupo esta semana. Chegou ao escritório e encontrou 40 títulos protestados no valor de R$ 300 mil, 50 cheques devolvidos, uma folha de pagamento de R$ 500 mil atrasada e o nome da empresa manchado no mercado. “Foi difícil voltar e encontrar tudo assim. Deixei a empresa com tudo em dia e crédito em todos os lugares. Agora as pessoas só me fornecem se eu pagar adiantado” reclama. A intervenção judicial faz parte de uma das três exigências feitas pelos ex-sócios ao venderem suas partes para Manuel Neto, em março de 2009. Além de passar pela fiscalização, a empresa teria que manter alguns funcionários domésticos e bloquear o patrimônio imobiliário da usina. O atual proprietário, no entan-

ENTENDA Segundo Manuel Dias Branco Neto, a sociedade da Companhia Açucareira Vale do Ceará-Mirim era composta por ele, Geraldo Melo e um terceiro sócio, cada um com 50%, 30% e 20% da companhia respectivamente. Em março de 2009,

O MELHOR PERÍODO PARA PLANTAR CANA FOI EXATAMENTE O TEMPO EM QUE A EMPRESA FICOU PARADA” Manuel Dias Branco Empresário

to, não esperava que fosse proibido de pisar na empresa. Em 02 de agosto o então interventor Valdécio Vasconcelos Cavalcanti enviou uma notificação a Neto proi-

ambos venderam suas cotas para Manuel, que passou a ser o único dono da empresa. Ao longo do ano passado os empresários tiveram problemas em duas fazendas, que incluíram acusações de roubo de cana-de-açúcar do grupo de Geraldo Melo contra a Ecoenergias. O impasse foi parar na justiça. A intervenção judicial fazia parte do

conjunto de exigências do grupo do ex-senador para que pudesse vender as cotas. Ao suspender a intervenção decretada pelo desembargador Aderson Silvino, do Tribunal de Justiça do RN, o ministro Paulo Furtado, do Superior Tribunal de Justiça considerou a medida “teratológica” (expressão jurídica

que quer dizer descabida). Segundo o ministro do STJ, a intervenção baseou-se em uma ação de cobrança impetrada por terceiros, ou seja, não envolvia interesses do Estado. Além disso, a empresa está com os bens indisponíveis, o que garante o ressarcimento de eventuais prejuízos do ex-senador, caso ele venha ganhar a ação que ainda corre na Justiça.

Usina deve iniciar a moagem em setembro

USINA REPRESENTA 80% DA ECONOMIA DO MUNICÍPIO Houve um tempo em que Ceará-Mirim tinha 17 engenhos produzindo cana-deaçúcar e era considerada uma das regiões mais ricas do Rio Grande do Norte. Mas hoje, a Usina São Francisco e o funcionalismo público são os principais responsáveis pela geração de emprego e renda no município. É o que diz o secretário de Articulação Política da cidade, Edmilson Rodrigues. É por isso que as autoridades municipais se mobilizaram – embora não tenham tomado partido na questão – para que a indústria voltasse a funcionar o mais rápido possível. “De zero a 100, diria que a usina representa 80% da economia de Ceará-Mirim. Se a São Francisco ficar parada, a cidade estagna”, acredita. Rodrigues reforça que em nenhum momento o executivo municipal entrou no mérito da briga judicial entre Geraldo Melo e Manuel Dias Branco Neto, mas defende que o crescimento da cidade está diretamente ligado ao pleno funcionamento da usina. “Sabemos que Manuel quer investir na empresa e isso representa mais emprego e renda para Ceará-Mi-

rim. Estamos satisfeitos que as atividades tenham se normalizado”, emenda. O proprietário da Mucuripe Móveis, Luciano Júnior, não acredita que a usina tenha tanta importância para a economia da cidade, mas sentiu uma queda no movimento da loja no último mês. Segundo ele, os índices de inadimplência também subiram, influenciados pelo atraso no salário dos trabalhadores. A expectativa do comerciante é que a partir de agora as pessoas voltem a movimentar a loja.

NÚMEROS

A Usina São Francisco faturou R$ 25 milhões na safra 2009/2010. Só de impostos e contribuições sociais foram mais de R$ 5 milhões, sendo R$ 3,1 milhões em Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Conta com 609 funcionários e possui 46 fazendas arrendadas para a produção de cana. Na última safra produziu 250 mil toneladas do item e 20 milhões de litros de etanol.

CONTINUA NA PÁGINA 8 ▶


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▶ ECONOMIA ◀

/ NOVO JORNAL / NATAL, DOMINGO, 15 DE AGOSTO DE 2010

CONTINUAÇÃO DA PÁGINA 7 ▶

SAFRA GARANTE EMPREGO E RENDA ATÉ MARÇO NEY DOUGLAS / NJ

KLÊNYO GALVÃO

DO NOVO JORNAL

COMEÇOU O PERÍODO de “pique” da

indústria sucroalcooleira norterio-grandense. O ciclo de corte, colheita e moagem da cana-deaçúcar deve movimentar o setor a partir deste mês e pode durar até março do ano que vem. Segundo José Maria Junior, Secretário de Assalariados da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do RN (Fetarn), somente no Vale do Ceará-Mirim, uma das principais unidades industriais do estado, serão mais de 1200 funcionários contratados para trabalhar na safra 2010/2011. “Nesse período, as empresas contratam mais, porque precisa de muita gente pra cortar e moer a cana”, comentou. Ele conta, ainda, que fora desse período, apenas um terço, ou menos, dos funcionários continuam trabalhando. Os que não são demitidos, fazem o plantio e os tratos culturais, como limpeza e pulverização que exige um número bem menor de mão-de-obra. A intervenção judicial que impedia o funcionamento da usina São Francisco, do Vale do Ceará-Mirim, foi suspensa a mando do Superior Tribunal de Justiça (STJ). “Essa intervenção estava causando um prejuízo muito grande e gerando muito desemprego”, lamenta o secretário da Fetarn. Ele conta que mais de 400 agricultores estavam sem o “ganha-pão” e agora que a usina começou a recontratar, essa história pode mudar. “Com sorte, a gente vai até março de 2011”, comemora José Maria. No Rio Grande do Norte, existem quatro unidades industriais principais, gerando cerca de 10 mil empregos em todo o estado, incluindo os trabalhadores do campo e da indústria. Três delas são usinas, que produzem açúcar e etanol: a Vale

ARGEMIRO LIMA / NJ

Renato Araújo explicou ainda que o bagaço da cana já está sendo utilizado para a co-geração de energia elétrica. O grupo francês Louis Dreyfus, proprietário da Estivas, que atua no município de Arês, utiliza o bagaço para gerar energia para a própria fábrica e o excedente é vendido para a Companhia Energética do Rio Grande do Norte (Cosern). Seguindo o exemplo, a Vale Verde, em Baía Formosa, uma das maiores empregadoras do setor, está implantando uma caldeira para a auto-sustentação energética da usina a partir de 2011. Ela também passará a vender energia para a Cosern.

Safra de cana começa este mês e vai até março do ano que vem

HOUVE UMA QUEDA NA PRODUÇÃO DE 2010 DE 15 A 20% SE COMPARARMOS COM 2009, DEVIDO À ESCASSEZ DE CHUVAS NA REGIÃO” Renato Araújo Lima Diretor da Asplan/RN

Verde, em Baía Formosa, a Ecoenergias, em Ceará-Mirim e a Estivas, que fica no município de Arês; e apenas uma, Ypioca, localizada em Ceará-Mirim, é des-

tilaria e produz apenas etanol e cachaça. Segundo o diretor da Associação dos Plantadores de Cana do RN (Asplan/RN), Renato Araújo Lima, juntas, essas indústrias devem processar, na safra 2010/2011, cerca de 3,2 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. “Depois de colher, é hora de cada indústria fazer o uso mais adequado da cana. Seja produzindo etanol, cachaça ou açúcar, é um mercado que não para o ano inteiro”, disse o diretor. O mesmo canavial pode ser usado por até 8 anos, considerando a queda gradual da produção, porque “quando você corta a cana ela não morre, ela brota novamente. A plantação vai se desgastando, mas dá pra usar por muito tempo”, explica Renato. O ciclo da cana-de-açúcar é anual, ou seja, o que está sendo colhido agora foi plantado entre junho e agosto do ano

passado. “Dessa forma, as empresas acabam diminuindo o seu pessoal no período de março a maio, mas depois contratam de novo. E tem gente que trabalha o ano todo”, afirma o diretor da Associação. Um trabalhador dessa área ganha um salário em torno de R$540, mas, como ele ganha por produção, esse valor pode chegar a até R$1.500. A Asplan/RN conta, hoje, com 400 plantadores, responsáveis por 20% da produção do Estado. Segundo o diretor da Asplan, “houve uma queda na produção de 2010 de 15 a 20% se compararmos com 2009, devido à escassez de chuvas na região”. Mas a volta da produção no Vale do Ceará-Mirim tranquilizou o diretor. “É uma boa notícia para o setor. Os investimentos haviam estancado. Tinham deixado de plantar. Mas agora parece que vai dar certo”, comentou.

NEY DOUGLAS / NJ

NÚMEROS DA EXPORTAÇÃO DE AÇÚCAR Segundo números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento Comércio e Indústria, as exportações de açúcar pelo RN entre janeiro e julho deste ano totalizaram US$ 24,8 milhões. US$ 211,6 milhões referem-se à venda de açúcar cristal e refinado, pela Usina Estivas e US$ 3,2 milhões de açúcar em bruto, exportados pela Vale Verde. Em todo o ano passado foram embarcados para o exterior US$ 18,1 milhões e, açúcar. Segundo dados do Departamento da Cana-de-Açúcar e

A CANA-DE-AÇÚCAR GERANDO ENERGIA ELÉTRICA

MERCADO

Usinas já iniciaram contratações para dar conta da safra

Agroenergia, ligado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, desde 2003 o número de toneladas de açúcar exportadas pelo Brasil não para de crescer. No período de janeiro a julho de 2010, esse valor já supera as exportações no mesmo período do

ano passado. E se falarmos em dinheiro, a notícia é mais animadora ainda. A exportação de açúcar no primeiro semestre de 2009 custava, em média, US$ 264,00/ tonelada. No mesmo período deste ano, o valor é de, em média, US$ 454,38/tonelada de açúcar.

▶ Hoje, a saca com 50 quilos de açúcar custa, em média, R$60. Enquanto que o litro do etanol sai por algo em torno de R$1,00 a R$1,20 para as distribuidoras. Já a tonelada da cana está custando R$52,00 apontando uma queda de 28%, considerando o período de janeiro a agosto de 2010. Contudo, a Asplan aponta uma tendência de subida deste valor devido aos estoques muito baixos.

MODERNIZAÇÃO DO SETOR DIMINUI EMPREGOS Uma grande preocupação da Asplan é a modernização do processo de corte/colheita/moagem da cana. De certo que isso vai agi-

Renato Araújo Lima

lizar a produção, mas termina gerando desemprego. O diretor da Associação adianta que o grupo Estivas já está substituindo o homem pela máquina e declara sua preocupação. “Com a mecanização, o trabalhador acaba perdendo espaço. Cada máquina instalada corresponde a 80 homens demitidos”, alerta.


Cidades

Editor Moura Neto

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NATAL, DOMINGO, 15 DE AGOSTO DE 2010 / NOVO JORNAL /

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CONDENADOS SIM, MAS A

PENAS ALTERNATIVAS

/ JUSTIÇA / EM VEZ DE SEREM CONFINADOS AO PRESÍDIO E TEREM A LIBERDADE LIMITADA, AUTORES DE CRIMES LEVES SÃO SENTENCIADOS A TRABALHOS COMUNITÁRIOS E ATÉ MESMO A CONCLUIR OS ESTUDOS E APRESENTAREM RELATÓRIOS SOBRE LEITURAS DE OBRAS LITERÁRIAS ANASTÁCIA VAZ / ESPECIAL NJ

TIAGO LIMA / NJ

TIAGO LIMA / NJ

MARCELO LIMA

DO NOVO JORNAL

ENQUANTO TRABALHAVA DE seguran-

▶ Edson Gonçalves da Silva: “As

crianças até já me conhecem como o vigia da escola” ANASTÁCIA VAZ / ESPECIAL NJ

▶ Ana Beatriz Bezerra Cortez,

psicóloga: “A rede social é fundamental na execução da pena”

ça num mercadinho de bairro, há cerca de dois anos, Edson Gonçalves da Silva, 32, foi preso por porte ilegal de arma. Casado, pai de quatro filhos, sem antecedentes criminais, ele se enquadra no perfil de quem pode sofrer uma pena alternativa. Ou seja, mesmo condenado pela justiça, ele não teve a liberdade limitada pelas paredes de um presídio. De acordo com o mais recente levantamento do Centro de Execução de Penas Alternativas (Cepa) da Comarca de Natal, 1.570 pessoas estão na mesma situação que Edson Gonçalves da Silva. A quantidade de pessoas sentenciadas nessa modalidade de condenação só vem aumentando na Justiça Estadual. Pelo relatório do Cepa, entre julho e outubro de 2009 o número de processos nesse sentido era de 1.451. No quadrimestre seguinte, entre outubro de 2009 e janeiro de 2010, já haviam 1.494 processos. Edson da Silva já cumpriu boa parte dos dois anos, três meses e oito dias da pena a que foi condenado. Uma vez por semana, o segurança vai prestar serviço à comunidade do bairro de Felipe Camarão, mais precisamente na Escola Estadual Maria Luiza Costa. “As crianças até já me conhecem como o vigia da escola”, declarou Edson, que empresta sua força de trabalho para o estabelecimento durante sete horas. Mesmo cumprindo a pena, ele conseguiu trabalho em uma empresa que monta cestas básicas. “Eu conversei com o meu patrão e ele entendeu. Deu para conciliar”, contou, expli-

▶ Como a Justiça Estadual, a Federal também aplica penas alternativas para quem praticou delitos leves, como comparecer a biblioteca da instituirção e ler livros cando que dessa forma falta ao expediente no dia em que vai para a escola. A prestação de serviços à comunidade é a pena alternativa mais usual aplicada pela justiça, totalizando 52% dos casos que se enquadram nesse tipo de punição. Em grande parte, isso se deve ao caráter educativo incutido nesse tipo de condenação, o que já não acontece com a aplicação de multa (pena pecuniária) que se reverte em cestas básicas para entidades filantrópicas. De qualquer forma, 31% dos casos que tramitam na justiça são de pessoas condenadas a pagar multa e prestar serviços à comunidade concomitantemente. Trata-se de uma medida que corresponde ao lema da campa-

nha do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para livrar as penas alternativas de estigmas preconceituosos: “Não é punir menos, é punir melhor”. Em geral, a prestação de serviços à comunidade beneficia instituições religiosas, filantrópicas e, sobretudo, escolas. “A rede social é fundamental na execução das penas alternativas”, destacou Ana Beatriz Bezerra Cortez, psicóloga da equipe multidisciplinar do Cepa. O mais comum é que as profissionais do centro entrem em contato com as entidades para saber se os apenados podem ser úteis em alguma função. “Se o juiz mandar, a escola vai ter que receber. Mas nós preferimos trabalhar em parceria, porque não adianta ele ir para uma escola e ficar sem fazer

nada”, explicou Ana Beatriz. No Rio Grande do Norte apenas a 12ª Vara de Execução Penal de Natal possui um Cepa. Em Mossoró, existe um núcleo com função semelhante que está desativado momentaneamente. O Centro de Execução possui uma equipe multiprofissional. O trabalho da psicóloga, assistente social e advogada é o de sugerir ao juiz o tipo de pena alternativa que melhor se enquadra ao condenado. Uma pessoa pobre, por exemplo, pode não ter condições de pagar uma multa. Alguém que seja dependente químico não é o mais recomendado para prestar serviços a uma escola. Uma vez que as penas alternativas têm caráter sócio-educativo, esses profissionais são chama-

dos para colaborar com a eficácia da sentença. Como a maioria dos apenados é de baixa renda, a equipe multidisciplinar precisa identificar uma instituição que, de preferência, seja no mesmo bairro do condenado, para que ele não tenha dificuldade de deslocamento. Na entrevista psicossocial, elas também podem detectar alguma limitação física ou mental, entre outras características do apenado. O juiz responsável pela 12ª Vara de Execuções Penais, Gustavo Marinho, valoriza a contribuição destes profissionais. “Eu posso acatar ou não a sugestão, mas quem sou eu para questionar o parecer delas”, disse. Por outro lado, há alguns magistrados que proferem a sentença especificando logo qual será o tipo de pena alternativa.

MAGNUS NASCIMENTO / NJ

NÚMEROS DA COMARCA DE NATAL

1570 Total de condenados a penas alternativas no momento

769

pessoas prestam serviços à comunidade

118

pessoas prestam de serviços à comunidade e ainda pagaram multa

65

pessoas prestam serviços à comunidade e têm o final de semana limitado

33

pessoas foram multados (pena pecuniária)

9

pessoas ficaram impedidos de sair de casa no final de semana

Critérios para aplicação da pena alternativa

▶ Condenados à pena máxima de 4 anos

▶ Crimes sem violência ou grave ameaça

▶ Não ter cometido outro crime doloso

FISCALIZAÇÃO SOBRE OS APENADOS AINDA É FALHA A pena de prestação de serviços à comunidade traz com ela a impressão de impunidade. O número que pessoas que simplemente deixa de cumprila poderia justificar essa imagem negativa. Segundo o relatório do primeiro semestre desse ano do Cepa, 13% dos apenados simplesmente deixaram de ir às instituições onde prestavam serviços à comunidade. “Tem gente que não cumpre a pena alternativa, como tem gente que foge do presídio”, argumentou a assistente social Mônica Fernandes Bezerril. A função do Cepa é tentar entrar em contato com essas pessoas e encaminhá-las para uma audiência com o juiz para justificar o descumprimento. Em casos extremos, a pena pode retroagir e o apenado parar no sistema prisional comum. Atualmente o Cepa não conta com uma equipe voltada exclusiva para a fiscalização do cumprimento da pena. O mecanismo que hoje o centro tem a sua disposição é uma lista de frequência, que deve ser encaminhada ao setor todos os meses. Em algumas ocasiões, o próprio apenado leva a sua lista assinada pelo diretor da instituição a que presta serviço. Se o diretor que recebia o benefício não se sentir constrangido, ele pode comunicar ao centro

o descumprimento da pena de prestação de serviços. De acordo com a psicóloga da equipe multidisciplinar do Cepa, Ana Beatriz Bezerra Cortez, a prestação de serviços à comunidade é o tipo de pena com maior características de integração social. “É o carro-chefe porque tem um caráter bastante educativo”, explicou. Mesmo com as deficiências para a execução, as penas alternativas têm capacidade de recuperação do apenado imensamente maior que o sistema carcerário brasileiro. Conforme o CNJ, apenas 5% das pessoas condenadas a penas alternativas voltam a cometer crimes, enquanto que 95% dos presos comuns são reincidentes. Outra vantagem, segundo o juiz Gustavo Marinho, os custos de um apenado que cumpre pena alternativa para o Estado é cerca de 50% do valor do salário mínimo. Enquanto que um preso no sistema prisional comum custa mais de mil reais por mês. Quem é condenado a uma pena alternativa também está sujeito a ter a interdição temporária de um direito (a suspensão da Carteira Nacional de Habilitação, por exemplo), limitação de fim de semana (não poder sair de casa) e perda de bens (que podem ser tomados pela justiça).

JUIZ ACREDITA NO CARÁTER EDUCATIVO DA MEDIDA

EU POSSO ACATAR OU NÃO A SUGESTÃO, MAS QUEM SOU EU PARA QUESTIONAR O PARECER DELAS” Gustavo Marinho Juiz

Na Justiça Federal do Rio Grande do Norte, criminosos com o perfil que possibilite a aplicação de uma pena alternativa podem ter, como parte da pena, a obrigação de fazer visitas freqüentes à biblioteca da instituição. Na maior parte das vezes, o juiz Mário Jambo condena o criminoso a cumprir uma pena alternativa (como prestação de serviços à comunidade ou multa) e também os sentencia a estudar ou ler, como pena associada. Embora não esteja expresso no Código Penal, o magistrado parte de uma interpretação do texto da Constituição para aplicar essa condenação. Contudo, o Ministério Público Federal têm recorrido às decisões do juiz por diversas vezes. O juiz defende amplamente as penas alternativas, porque acredita no seu caráter educativo e na sua eficácia. “A lei fala que é importante ressocializar. Como é que vou fazer isso com alguém que seja retirado do trabalho e da família”, observou Jambo. A primeira condenada no Rio Grande do Norte que recebeu pena alternativa vinculada à obrigação de terminar o curso superior foi a estudante de Direito Estela Taques, em 2007, condenada por tráfico internacional de drogas. Em 2008, quatro hackers tiveram sua li-

berdade provisória concedida, depois de se comprometerem a ler e entregar resumos de livros como Vidas Secas (Graciliano Ramos) e A hora e a Vez de Augusto Matraga (Guimarães Rosa) Segundo Mário Jambo, as penas alternativas como a leitura ou a obrigatoriedade de continuar os estudos oferecem mais oportunidades aos apenados para que possam ter uma reabilitação, de fato, além da reflexão das suas ações fora da lei. O juiz federal reconhece as falhas na fiscalização da sentença, mas acha que não justificam a extinção da modalidade de pena, como alguns defendem. “O que não pode são pessoas que têm ideologia da prisão querer acabar com esse sistema só porque tem algumas falhas”, disse. Boa parte das “falhas” está no campo da fiscalização do cumprimento das penas. No que diz respeito à prestação de serviços à comunidade, as listas de frequência não são completamente confiáveis. Mário Jambo diz que a Justiça Federal estuda a possibilidade de instalação de um controle de frequência on line, para que os dados obtidos sejam cruzados com a lista de frenquência de papel.

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/ NOVO JORNAL / NATAL, DOMINGO, 15 DE AGOSTO DE 2010

MAGNUS NASCIMENTO / NJ

“OS POEMAS TINHAM A VER COMIGO” Ela cedeu à tentação de transportar drogas do Brasil para Portugal, pensando que com isso poderia pagar as dívidas que a atormentavam. “A droga estava nos forros das malas e um dos funcionários do raio-x percebeu porque o conteúdo estava diferente das outras malas”, contou Íris (que não quis ser fotografada nem divulgar o sobrenome), uma empresária portuguesa de 37 anos. Logo em seguida, o funcionário do aeroporto Augusto Severo comunicou o fato à Polícia Federal, que realizou a prisão. A portuguesa ficou cinco meses presa na carceragem da Polícia Federal antes de ser julgada. “Graças a Deus que foi na Polícia Federal”, destacou, avaliando depois a péssima condição dos presídios brasileiros. Na audiência que decidiu seu destino no Brasil, diante do juiz Mário Jambo, Iris confessou que havia realizado o crime, considerado hediondo. Apesar de não revelar o valor, o dinheiro que ela receberia era de grande monta. “Hoje não digo que a proposta era boa, porque nenhum valor paga pela nossa liberdade”, desabafou. A empresária foi condenada a três anos de prisão, que foi convertida em prestação de serviço à comunidade e a leitura de livros. Os primeiros textos foram do seu patrício Fernando Pessoa. Mas o Ministério Público Federal recorreu da decisão e o processo da portuguesa será julgado pelo Supremo Tribunal de Justiça

(STJ). “A única coisa que alegam é que, como sou estrangeira, não tenho residência fixa aqui”, diz, explicando o argumento dos que acham que ela não tem direito a uma pena alternativa. Os apenados também estão privados de ter um emprego. “Se eu estivesse a trabalhar receberia o ordenado para pagar as minhas despesas”, revela a portuguesa. Todas as contas de Íris são pagas pela família, que está em Portugal: a casa alugada, as contas mensais, a despesa com comida e outros gastos. O restaurante que mantinha em seu país de origem também fechou depois que ela foi presa. A primeira obra a que foi condenada a ler foi a do poeta Fernando Pessoa. Um dos poemas era “A Liberdade, sim, a liberdade!”. “Os poemas tinham a ver com o que se passou comigo naquele momento”, relatou. O detalhe é que ela nunca havia lido poesia. Ao final da leitura, Irís teve que entregar um resumo ao juiz Mário Jambo. “Eu comecei a ler aqui [na biblioteca do prédio da Justiça Federal]. Foi uma coisa que eu descobri e nem pensava que gostava”, continuou. As suas obras preferidas até agora são Estação Carandiru, de Drauzio Valera; Emma, de Jane Austen e Memória de uma Gueixa, de Arthur Goldem. A portuguesa apreciou várias obras desde que sua sentença foi proferida, em novembro de 2008.

A LEI FALA QUE É IMPORTANTE RESSOCIALIZAR. COMO É QUE VOU FAZER ISSO COM ALGUÉM QUE SEJA RETIRADO DO TRABALHO E DA FAMÍLIA” Mário Jambo Juiz

NÚMEROS

5% dos presos que cumprem pena alternativa reincidem no crime, diz o CNJ

95% de presos no sistema carcerário comum voltam a cometer crimes

50% do valor do salário mínimo é o que custa para a justiça um preso que cumpre pena alternativa

13% dos apenados deixaram de ir às instituições onde prestam serviços

CONDENADA A LER O PRÊMIO NOBEL DE LITERATURA A sueca Hanna Maria Hillerstrom, de 23 anos, cometeu o mesmo crime de Irís: tráfico internacional de drogas. Parte da sua pena é prestar serviços a uma entidade que trata viciados em drogas; a outra é a leitura de um dos livros da escritora sueca Selma Lagerlöf, que venceu o prêmio Nobel de literatura em 1909. Foi na Espanha, onde morava, que Hanna recebeu a proposta de servir de “mula”. A promessa era receber 10 mil euros, dinheiro que ela sequer chegou a ver a cor, pois foi presa pela Polícia Federal no aeroporto in-

ternacional Augusto Severo em Natal. A sua rota de saída para o Brasil começava em São Paulo com escala em Natal, onde foi interceptada Ela não teve a mesma sorte de Irís. Foi presa e, em seguida, encaminhada para o presídio feminino João Chaves, na Zona Norte de Natal. Nos seis meses que passou no cárcere, ela aprendeu a falar português, pouco mas suficiente para se comunicar. “Numa cadeia com 40 mulheres que falam 24 horas, não tem como não aprender”, contou.

O Ministério Público Federal também recorreu contra a pena alternativa proferida pelo juiz Mário Jambo. O processo de Hanna também está no STJ. Assim como a apenada portuguesa, ela está morando sozinha numa casa alugada. Sua mãe teve que vender a casa que morava na Suécia para manter a filha aqui no Brasil. Hanna também teve limitação de fim de semana e de horários. Hoje, as duas esperam voltar para a Europa levando na bagagem, além do aprendizado da prisão, um hábito que adquiriram: o de ler.


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ALZHEIMER, UM MAL QUE ROUBA A IDENTIDADE DO PACIENTE

FOTOS: WALLACE ARAÚJO / NJ

DINARTE ASSUNÇÃO DO NOVO JORNAL

O APOSENTADO DIVAL Dias, 85, tem

a surpreendente capacidade de se lembrar de fatos de 60 anos atrás com precisão e riqueza de detalhes. Conta histórias com personagens reais e rememora saudosista o tempo em que era militar e músico. Seria considerado memória viva da cidade, não fosse o fato de estar acometido pelo Mal de Alzheimer, que diariamente lhe toma a identidade e faz esquecê-lo quem é. O drama de Dias não é exclusivo dele. Estatística da Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz) aponta para a existência de quase 13 mil pacientes com esse mal no Rio Grande do Norte. Desse total, metade tem indicação para intervenção farmacológica, mas apenas 17%, ou 1.100, pessoas, têm acesso à medicação necessária, porque a falta de logística impede que em todo o estado haja assistência para quem precisa dos medicamentos. Desde que foi descoberta, em 1928 pelo psiquiatra alemão Alois Alzheimer, a ciência se debruça sobre o complexo mecanismo de desenvolvimento da doença para tentar intervir de maneira definitiva na manifestação do mal que atinge 35,6 milhões de pessoas no mundo todo, atualmente, conforme estimativa do especialista geriatra Ricardo Xavier, 30. Não há cura para o Alzheimer e as drogas prescritas no combate à doença só retardam seus efeitos. Até mesmo o diagnóstico é baseado em observações, porque apenas a biópsia do cérebro pode detectar com precisão se o mal que acomete um paciente demenciado é mesmo Alzheimer. Em Natal, no único Centro Especializado na Atenção à Saúde do Idoso (Ceasi), na Ribeira, 70 casos de idosos acometidos por demências, entre novos casos e retornos, são registrados todas as semanas. A estatística põe em alerta a sociedade e o poder público. “Temos presenciado uma escassez cada vez maior de profissionais voltados para a saúde do idoso. Esse quadro não pode perdurar, a solução do problema deve ser imediata”, aponta a diretora do Ceasi, Fátima Cardoso, 46.

UNICAT

A mesma escassez existe na cobertura do atendimento para alguns medicamentos. Na Unicat, por exemplo, o seroquel, utilizado para intervir nas crises nervosas dos pacientes de Alzheimer, falta constantemente, segundo atesta a cuidadora do paciente Dival Dias, Lindalva Macedo, 72. Ainda assim, o RN proporcionalmente lidera o mapa da cobertura médica na região Nordeste, com 17% de assistência gratuita de medicamentos, à frente do Piauí e Ceará (14,4% ambos) e muito além de Pernambuco, na lanterna, com 4%. Nacionalmente é o quarto estado no alcance da distribuição de medicamentos para retardar os efeitos da doença, atrás de São Paulo (22,3%), Espírito Santos (22,1%) e Minas Gerais (18,4%). Os registros da Unicat dão conta ainda que quase 200 pacientes estão cadastrados para receberem gratuitamente a medicação contra a doença, de valor elevado e que tem demandado do governo federal investimentos de mais de R$ 100 milhões por ano para assistir a rede de cobertura nacional. Em todo o país, a ABRAz indica a existência de 1,4 milhão de idosos acometidos por demência; mais da metade, ou 800 mil, são possivelmente vitimados por Alzheimer.

▶ Dival Dias e Lindalva Macedo: ele, aos 85 anos, recorda de fatos acontecidos há 60 anos, com riqueza de detalhes, mas já não reconhece a esposa, sua cuidadora e cúmplice de uma vida inteira

DÓI VER A PESSOA COM QUEM VOCÊ DIVIDIU SUA VIDA INTEIRA SE ESVAIR EM VIDA. SEM SE LEMBRAR DE MOMENTOS QUE VIVEMOS JUNTOS” Lindalva Macedo Cuidadora e esposa de paciente

RELATOS DE UM DRAMA “Dói ver a pessoa com quem você dividiu sua vida inteira se esvair em vida. Sem se lembrar de momentos que vivemos juntos. Sem se lembrar que um dia fomos cúmplices”. O desabafo é de Lindalva Macedo, cuidadora de Dival Dias, e que tem testemunhado nos últimos sete anos a evolução do Alzheimer em seu esposo. No princípio, conta Macedo, Dias apresentava espasmos leves de amnésias. “Ele chegava e dizia ter visto alguém falar com ele, contudo meu esposo não reconhecia a pessoa, mesmo sendo um amigo dele”, contou a dona de casa. Por essa época, Dias tinha consciência apenas de que era acomentido por um problema cujos

efeitos atingiam sua capacidade de memória, mas ainda não sabia estar portando um mal que lhe roubaria a identidade. “O desespero veio quando a médica me disse ‘que era Alzheimer’. Fiquei sem chão e aceitei a ideia de que meu marido nunca mais seria o mesmo”, relatou. Os cuidadores dos pacientes demenciados são os mais atingidos pela doença do parceiro. É comum até que a morte venha primeiro para quem se desgasta saturado pelas crises do doente. “O nível de estresse é muito alto para lidar com esses pacientes. É preciso encontrar força de onde você acha que não tem”, sugere a coordenadora

do Programa de Alzheimer do CEASI e assistente social, Vilma Cavalheiro, 48. Da mesma dor de Lindalva Macedo compartilha a professora aposentada Maria Auxiliadora de Oliveira, 68. Foi um golpe, ela conta, tentar compreender que sua mãe caminhava para um confinamento solitário, presa nos mecanismos da lembrança, sem conseguir concatenar seus pensamentos. “Ainda está vivo na minha lembrança o dia em que ela me agrediu verbalmente, me acusando de tê-la submetido ao constrangimento de acomodá-la numa casa estranha. Foi horrível perceber que minha mãe, naquele momento, não estava conhecendo a sua própria casa”, relembrou a aposentada.

▶ Fatima Cardoso, diretora do Ceasi: “Há escassez de profissionais”

▶ Vilma Cavalheiro, do Programa de

▶ Maria Auxiliadora de Oliveira, cuidadora

NÚMEROS

13 mil pessoas são portadores de Alzheimer no RN

17%

Apenas recebem a medicação gratuita. É o maior índice do Nordeste. Piauí e Ceará alcançaram 14%

70 casos de Alzheimer são registrados semanalmente no Ceasi, em Natal, entre novas incidências e retorno

800 mil pessoas

No Brasil, possuem Alzheimer.

35,6 milhões de pessoas em todo o mundo são portadoras de Alzheimer

Alzheimer: “O nível de estresse é alto”

de paciente: ““Foi horrível”

A DOENÇA

A síndrome de Alzheimer é característica por se apresentar na terceira idade, apesar de a literatura especializada registrar casos de pessoas com menos de 40 anos acometidas pela doença. Os primeiros sintomas atingem a capacidade de fixação da memória recente e desorientação espacial, seguidos por um quadro de irritabilidade do paciente, quando ainda num estágio em que está consciente

de enfrentar perdas de memória. “Minha mãe esquecia coisas que tinha feito há dez minutos. Comia e pouco depois afirmava estar com fome. comecei daí a estranhar”, relembrou Auxiliadora de Oliveira. É crucial nessa fase inicial, tida como a mais crítica em virtude de paciente e família não aceitarem a condição degenarativa, que se trabalhe o humor do acometido por Alzheimer.

Segundo Fátima Cardoso, do Ceasi, a medida é para evitar a entrega do paciente à depressão. “Nessa fase inicial ele tem consciência de que está com uma mal sem cura e sem prevenção. A tendência é se entregar, se deprimir. Daí a importância de que essa pessoa seja cercada por um clima de felicidade”, comenta Cardoso. Não se sabe exatamente a causa da doença, mas a predisposição genética e

a qualidade e vida adotada ao longo do período que antecede à terceira idade podem influenciar no desenvolvimento da doença. À medida que a idade avança, a doença compromete a capacidade de articulação cognitiva e lógica, desconstrói a personalidade e leva o paciente a um quadro de demência plena, sem qualquer manifestação de lucidez.


Espaço Empreendedor 12

Editor

Fones 3201.2443 3221.3438

Franklin Jorge

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MAGNUS NASCIMENTO / NJ

PLANTAS , IS A T N E M ORNA O I C Ó G E N M UM BO DO SEBRAE ES ORNAMENTAISNO RN OR FL DE O ET OJ S TROPICAI DADE / PR / SUSTENTABILI CADEIA PRODUTIVA DE FLORES DA TO EN M CI ES CR

ALEXIS PEIXOTO

DO NOVO JORNAL

WALLACE ARAÚJO / NJ

▶ Wilson Medeiros da Potyflores MAGNUS NASCIMEN

TO / NJ

▶ Marliete de Souza, empre

sária

MAGNUS NASCIMENTO / NJ

▶ Maria Emilia, consultora

COMBUSTÍVEL PARA A imaginação dos românticos incuráveis, as flores estão longe de ser apenas uma gentileza, uma peça de decoração elegante ou um mero agrado, e assumem a cada ano a importância de um grande negócio. No Rio Grande do Norte, a cadeia produtiva de floricultura já movimenta cerca de 40 produtores dedicados ao cultivo e comércio de flores e folhagens ornamentais, plantas medicinais e bonsais. Com o mercado interno se consolidando e perspectivas de crescimento para o consumo na Europa, as empresas potiguares procuram se organizar e buscar novas maneiras de atrair o interesse de novos consumidores para o mercado Atualmente, o Rio Grande do Norte conta com pólos de produção de flores e plantas ornamentais em 11 municípios. As principais espécies cultivadas são do tipo tropical como a helicônia, alpínea, abacaxi ornamental e antúrio, além de folhagens como palmeiras de vários gêneros, papiros e samambaias. Entre os municípios que mais se destacam na produção de flores tropicais estão Macaíba, Ceará-Mirim, São José do Mipibú e Maxaranguape. Por mês, são produzidas cerca de 10 mil hastes de flores tropicais no estado. As novas estratégias de produção, vendas e acesso ao mercado são o carro chefe do projeto Flores Ornamentais e Plantas Medicinais, desenvolvido pelo Sebrae em parceria com a Emater-RN, Emparn, Ceasa, e Secretaria Estadual de Agricultura e Pesca (SAP). De acordo com a gestora do programa, Maria Emília Cabral, o foco do programa é trazer sustentabilidade para o setor, tornando as empresas mais rentáveis, traçando novas estratégias de vendas e de redução de custos. “A nossa principal meta é levar informação e conhecimento técnico para os produtores e para as floriculturas, para que eles possam estar sintonizados com todas as etapas da cadeia produtiva”, destaca. Com dez anos de atuação no RN, o projeto de Flores Ornamentais conta hoje com a adesão de 30 empresas. Entre as principais ações estratégicas, o projeto oferece cursos de capacitação e consultoria tecnológica nas diversas etapas do processo produtivo, oficinas e palestras de gestão empresarial, ações de facilitação de acesso ao mercado com a participação em eventos e missões técnicas a pólos produtivos em outros estados, para aquisição de conhecimento tecnológico. Como resultado estimado, os produtores esperam, até dezembro de 2012, um aumento de até 50% as vendas dos produtores

ROTEIRO roteiro@novojornal.jor.br

CINEMA ENCONTRO EXPLOSIVO – 14 anos. Moviecom: 16:40 - 21:15 (LEG). MEU MALVADO FAVORITO 3D – Cinemark: Livre. 11h00 - 13h10 - 15h20 17h30 - 19h40 - 21h50 – 00h05 (DUB). DIREITO DE AMAR – 14 anos. Cinemark: 14h00 (LEG).

O APRENDIZ DE FEITICEIRO – 10 anos. Cinemark: 11h30 - 14h15 17h05 - 19h35 - 22h05 - 00h30 (DUB).

ESTIMULA

de flores ornamentais e de 20% as vendas dos floristas. Para o presidente da Cooperativa dos Produtores de Flores e Plantas Tropicais do RN (Potyflores), Wilson Medeiros, o setor de floricultura ainda tem muito que crescer no RN. Embora já enxergue possibilidades de negócios com a Europa, Medeiros afirma que o principal foco no momento é fortalecer a produção local e fundamentar as bases para um consumo sustentável, para aí sim poder atender a demanda dos compradores estrangeiros. O caminho é árduo, mas Medeiros acredita com a organização e a capacitação adequada, a cadeia produtiva de flores do RN tem tudo para deslanchar. “Existe o potencial do mercado externo. Mas primeiro é preciso investir em estratégias, e capacitação para fortalecer nosso mercado interno, que tem uma boa demanda e já está dando mostras de crescimento”, afirma. E para conseguir esses resultados Medeiros acredita que a parceria com o Sebrae é fundamental. Na ótica do produtor, as ações contempladas pelo projeto Flores Ornamentais, como os cursos de capacitação e pós-colheita e as ações de acesso ao mercado como viagens técnicas e participação em eventos do setor realizados em outros estados funcionam como mola propulsora para elevar o padrão de excelência da cadeia produtiva local. “O Sebrae é muito importante, porque oferece uma assistência em todos os aspectos da cadeia produtiva, desde a colheita à comercialização”. A Potyflores nasceu há seis anos, dentro das ações do projeto do Sebrae, e hoje conta com 20 produtores cooperados que produzem mais de 30 variedades de flores e folhagens tropicais. Além de atuar como parceira do projeto Flores Ornamentais, a cooperativa também desenvolve ações de punho próprio, como parcerias técnicas com a Emater para estimular o surgimento de novos produtores e ações voltadas para a responsabilidade ambiental. Uma vez que as espécies de flores tropicais são nativas da Mata Atlântica e necessitam de sombreamento natural para se desenvolver, a Potyflores investe também em reflorestamento nas áreas de produção. Uma parceria com a Ceasa, para transformar o lixo orgânico produzido pela entidade em adubo de compostagem também está nos planos da cooperativa. “Temos toda a preocupação com o meio ambiente, sempre procurando reflorestar as áreas de produção e estimulando o reaproveitamento dos resíduos de poda em adubo. É uma indústria totalmente preocupada com o meio ambiente”, destaca Wilson Medeiros.

FLORICULTORES PARTICIPAM DE FEIRA EM SETEMBRO Se há uma época do ano que combina com flores é a primavera, período de renovação da flora após o inverno. E, para comemorar a chegada da chamada “esta ção das flores”, o projeto de Flores Ornamen tais prepara dois grandes eventos. do Sebrae O primeiro deles é a 6ª Mostra de Flores e Plant as Ornamentais do RN, que será realizada entre os dias 18 e 20 de setembro, no Midway Mall. Realizado sempre na primeira semana da primavera, o evento reúne floriculturistas, produtores de flores e plantas ornamentais, bonsais e plantas medicinais, além de decorado res, arquitetos e paisagistas. Esse ano, a most ra contará com a participação de 20 expositor es. Outra ação prevista no cron ograma do projeto é uma rodada de negó cios voltada para o setor da floricultura, entre 11 e dentro da programação da Festa 13 de outubro, rodada de negócios serão ofere do Boi. Na cidas oficinas de arte-floral, cursos de prod ução em plantas embasadas, palestras, além do lançamento de um catálogo de flores para divul produção do estado. Além dessa gação da especial, os expositores do setor programação de participam de toda a programa floricultura ção da Festa do Boi, que vai de 9 a 16 de outu bro. “São duas boas oportunidade para o setor se mostrar diante do público consumidor. Com certeza haverá um aumento significativo no número de vendas e negócios fechados”, diz Maria Emília Cabral.

SENSIBILIDADE

Após trabalhar por 14 anos como balconista de uma rede de farm ácias, Marliete de Souza decidiu que precisava mudar de ares e investir em seu próp rio negócio. Aproveitando a facilidade de se relacionar com os clientes, adquirida após anos atrás do balcão e seguindo os passo s de que já possuía alguma experiênc uma irmã ia de flores, Marliete decidiu apos no ramo tar no setor e há dois anos abriu, em socie dade com o marido e a irmã, a Floricultu ra Flor e Art, no Hiperbompreço de Ponta Negr a, especializada em arranjos buquês e venda de flores tropicais e temperadas. Apesar do pouc o tempo de atividade, a empresa tem desp ontado como uma das que mais cresce no setor ao primeiro ano de funcionam . Em relação ento, a Flor e Art comemora um crescimen to de 150% no volume de vendas. O segredo do sucesso, segundo Marliete de Souza, é apostar na sensi bilidade do cliente. Para atender bem, é preciso conhecer o produto e ser firme nas indic ações. “Se você colocar muitas opções, o cliente acaba desistindo. É preciso ter sensi bilidade para saber qual flor ou tipo de arran jo casa melhor com cada ocasião”, ensina. E é a própria empresária quem admite que grande parte desse conhecim ento foi adquirido por meio das ações e cursos do Sebrae. Segundo Marliete, o projeto é uma boa oportunidade para entender e tirar proveito dos que movem o mercado. “A parce mecanismos ria Sebrae é muito importante. Poss com o o projeto abriu nossa cabeça quan dizer que o do começamos o nosso negócio, pois pudemos entender melhor a competitividade do mercado, firmar parcerias com fornecedores e já começar bem estruturados”, diz.

SALT – 14 anos. Cinemark: 11h20 - PREDADORES – 14 anos. Movie16h15 - 18h35 - 20h55 - 23h20 (LEG). com: 14h30 – 19h00 (LEG). Moviecom: 16h00 – 18h00 – 20h00 – SHREK PARA SEMPRE – Livre. Ci22h00 (LEG). nemark: 12h10 - 15h00 - 17h10 MEU MALVADO FAVORITO – Movie- 19h20 (DUB) Moviecom: 16h00 – com: 13h55 – 15h50 – 17h45 – 19h40 17h55 – 19h50 – 21h45 (DUB). – 21h35 (DUB). A ORIGEM – 14 anos. Cinemark: 12h00 - 15h10 - 18h15 - 21h20 – 00h25 (DUB) 13h00 - 16h05 - 19h10 - 22h15 O BEM AMADO – 12 anos. Cinema- (LEG). Moviecom: 13h00 - 15h10 – rk: 11h40 - 14h05 - 16h35 - 19h05 - 18h10 – 21h10. 21h40 - 00h20 Moviecom: 15h10 – KICK-ASS QUEBRANDO TUDO – 18 17h20 – 19h30 – 21h40. anos. Moviecom: 14h30 – 16h50 – OS MERCENÁRIOS – 16 anos. Cine- 19h10 – 21h30 (LEG). mark: 19h20 - 21h55 - 00h15 (LEG).

MÚSICA

Às 12h, as bandas VNV, Os Bonnies, Os Grogs, VNV e Eu, Edu e os Caras apresentam-se no Village Real. Cor da Noite, Black Samba e DJ Alex são as atrações do bar Preto no Branco às 20h. Rildo sobe no palco do Pitts Baar às 20h. Entre o repertório, MPB e Pop Nacional. Jailson toca os sucessos da MPB no formato voz e violão no Boiadeiro às 20h30.


Social

Edito Editor Franklin Jorge Frank

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NATAL, DOMINGO, 15 DE AGOSTO DE 2010 / NOVO JORNAL /

Marcos

13

Os mosquitos morrem entre aplausos”

Sadepaula

Woody Allen

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Haja calor

Boa música

D’LUCA / NJ

Reencarnação

Na próxima terça, Valéria Oliveira e a cantora norte-americana de jazz Tricia Boutté subirão ao palco do Ocean Palace durante a programação do 8º Bourbon Street Fest, numa parceria Bourbon Street Music Club e Green Point Assessoria, produtora que representa Valéria. O festival abrange os artistas e os gêneros mais importantes da cena musical de New Orleans (do Jazz ao Funk, passando pelo Rhythm and Blues/R&B, pelo Gospel e pelo Zydeco) e foi inspirado no New Orleans Jazz & Heritage Festival, uma das maiores festas musicais dos Estados Unidos. Ao som de muita música boa, o evento ocorre simultaneamente em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Natal, de 16 a 22 de agosto, e busca trazer a alegria, o clima e a magia de New Orleans.

Garcia na

D’LUCA / NJ

e Odilon ▶ Larissa Ayallaloja da Audi inauguração da

D’LUCA / NJ

r res, o governado

Ayalla no ie Pires e Anyssa a Ayalla, Stefan ▶ Isabelle Duarte, Laryss Seis em Ponto

o Soa ▶ O secretário Joã Soares da juíza Fátima

Felipe Iberê Ferreira e

Costa na festa

D’LUCA / NJ

D’LUCA / NJ

Pesquisas científicas que evidenciam a reencarnação foi tema de matéria da edição do programa Fantástico no último domingo. O médico e pesquisador norte-americano Jim Tucker e a doutora em educação Dora Incontri foram entrevistados para falar sobre o assunto. Tucker é o continuador do trabalho de Ian Stevenson, que conduziu uma pesquisa com mais de 2,5 mil casos de crianças de todas as partes do mundo que tiveram lembranças espontâneas de vidas passadas. O médico estará no Brasil em setembro como palestrante do 1º Congresso Internacional de Educação e Espiritualidade, cuja coordenação geral é de Dora Incontri. Na entrevista, a educadora falou das evidências da reencarnação e sobre os impactos que a hipótese pode causar na Educação e na concepção de ser humano. Quem não viu e tiver curiosidade, é só acessar o site do programa.

D’LUCA / NJ

Conto de Fadas

O espaço gourmet do shopping Midway Mall, que já abriga o Novo Guinza, está prestes a ganhar mais dois restaurantes: o Camarões, que abrirá suas portas no dia 23 de agosto, uma segunda-feira, e o Piazzalle - restaurante italiano que reúne as fofocas do final de semana na Rota do Sol - também está previsto inaugurar na mesma semana.

Passeando pela floresta Chapeuzinho Vermelho viu uma movimentação num arbusto e foi ver o que era. E lá estava ele, o Lobo Mau. Então perguntou: - Seu Lobo, o senhor por aqui? - Sim, Chapeuzinho... - Mas Seu Lobo, pra que esses olhos tão grandes? - É para te ver melhor! E o lobo correu sumindo pela mata. Mais adiante, Chapeuzinho percebe outra movimentação em uma moita e vai verificar. Lá estava novamente o lobo. - Seu Lobo! O senhor novamente? - Pois é, né, Chapeuzinho... - Mas Seu Lobo, pra que essas orelhas tão grandes?? - É para te ouvir melhor! E o lobo correu sumindo mata adentro... Mais adiante, novamente uma movimentação em uma moita. Chapeuzinho vai verificar e encontra novamente o Lobo Mau. - Seu Lobo, outra vez o senhor por aqui? - É, né, Chapeuzinho... - Mas me diga: para que essa boca tão grande? - É para te mandar à merda, porque eu tô querendo fazer cocô faz um tempão e você não deixa!!!

▶ A vereadora Júlia Arr

Malbec no Real

Aguardem!!! Em andamento a elaboração e o processo de captação de recursos para realização do 1º Festival de Teatro do Oprimido de Natal e o Encontro Nordestino de TO. O Teatro do Oprimido é um método teatral que reúne exercícios, jogos e técnicas teatrais elaboradas pelo teatrólogo brasileiro Augusto Boal. Os seus principais objetivos são a democratização dos meios de produção teatrais, o acesso das camadas sociais menos favorecidas e a transformação da realidade através do diálogo (tal como Paulo Freire pensou a educação) e do teatro. Ao mesmo tempo, traz toda uma nova técnica para a preparação do ator que tem grande repercussão mundial. nte

▶ Paulo Kakinoff, preside da Audi Brasil

Lançamento Na próxima terça, no Teatro Alberto Maranhão, o multinstrumentista Antônio de Pádua estará lançando seu novo CD “Um Olho no Peixe, o outro no Gato” às 20 horas. Musica potiguar da mais alta qualidade. Todo mundo lá!!!

3º piso

eira uda e Rodrigo Oliv

tro va e Aderbal Cas r Jácome, Aba Pai Raissa Cabral, Igo

O Campeonato Mundial de Sauna, que aconteceu semana passada na Finlândia, terminou em tragédia, com a morte de um dos finalistas. O russo Vladimir Ladyzhensky e o finlandês Timo Kaukonen, que disputavam a final do torneio, foram levados ao hospital, depois de desmaiarem. Poucas horas depois, o russo faleceu. Pela competição, os participantes precisam aguentar uma sauna com temperatura a 110 graus pelo maior tempo possível. Fotos tiradas por agências de notícias sugerem que ambos os competidores sofreram queimaduras e desmaiaram. O finlandês Kaukonen, que foi campeão no ano passado, está hospitalizado na cidade de Lahti.

Quem não gosta de sair do trabalho depois de uma semana agitada e tomar um chopp ou cerveja gelada com os amigos, que jogue a primeira pedra. E pra quem jogou a pedra porque não se entende com a popular cervejinha, a garrafa de 187 ml¸ prática e individual, do vinho Trapiche Malbec, safra 2008, agora faz parte da carta de vinhos do Real Botequim. Ideal para não ser excluído da boemia.

GIOVANNA HACKRADT

▶ Colaboração de Dominique Sá

de Raphael Bender Raphael Bender Chagas Leite, 26, nasceu no Rio de Janeiro, mas mora em Natal há 20 anos. Biólogo, cursando mestrado em Psicobiologia, pesquisa os processos da memória humana. Músico percussionista com especial devoção pela música brasileira, faz parte dos grupos Macaxeira Jazz e

Uskaravelho. No momento, está em cartaz com o Macaxeira e Diogo Guanabara apresentando um show com músicas dos Beatles de onde já saiu um CD que se encontra à venda na Botton do Midway Mall. A coluna pediu para ele enumerar as melhores músicas do quarteto de Liverpool.

1

Strawberry Fields Forever: composta por John Lennon e gravada em 1966.

2

Here Comes The Sun: de George Harrison e está no Abbey Road de 1969

3 4

Day Tripper: lançada em um single de 1965.

5

All You Need Is Love: uma das mais populares músicas do quarteto

6

Girl: lançada em 1965 no álbum Rubber Soul e composta por Lennon

7 8 9 10

Eleanor Rigby: originalmente lançada no álbum Revolver de 1966

Blackbird: lançada no Álbum Branco Help: música título do quinto álbum do grupo Michelle: composta e cantada por McCartney When I’m Sixty-Four: de Paul e lançada em 1967, no Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band.


Cultura 14

Editor Franklin Jorge

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/ NOVO JORNAL / NATAL, DOMINGO, 15 DE AGOSTO DE 2010

NÍSIA FLORESTA

ENTRE NÓS

/ DATA / BICENTENÁRIO DE NASCIMENTO DA ESCRITORA TEM EVENTO COMEMORATIVO NA ACADEMIA NORTE-RIOGRANDENSE DE LETRAS NA PRÓXIMA SEGUNDA-FEIRA TIAGO LIMA / NJ

FRANKLIN JORGE

CEDIDA

DO NOVO JORNAL

HÁ 125 ANOS, em 24 de agosto

de 1885, morria em Rouen, França, a escritora norte-riograndense Nisia Floresta, depois de uma vida “atormentada, intensa e gloriosa”, segundo o escritor Henrique Castriciano, seu fracassado biógrafo. Tinha 74 anos. Para comemorar a data, a Academia Norte-riograndense de Letras promove na próxima segunda feira uma conferencia da professora doutora Constancia Lima Duarte e o lançamento de uma obra póstuma da escritora que, mesmo depois de morta, foi a mais notória vitima da inveja e da maledicência provincianas que não pode suportar sua altivez, sua cultura, seu talento, sua autonomia e a coragem de agir de acordo com as suas convicções, numa época em que as mulheres eram apenas procriadoras e donas de casa, sendo, portanto, a primeira feminista brasileira a fazer-se conhecida em países da Europa depois de sobressair-se, como educadora e mulher de letras na capital do Império. Nascida no sítio Floresta, em 12 de outubro de 1810, na antiga Vila de Papary, depois rebatizada em sua homenagem, Nisia acrescentou ao seu nome o do lugar onde nasceu e o descreveu - sob os eflúvios do incipiente romantismo - como uma representação terrestre do Paraíso; uma terra constituída de “jardins balsâmicos”, uberosa e fértil como o próprio Éden. Era filha de um advogado português, Dionisio, e de uma norte-rio-grandense, Antonia, jovem viúva filha do abastado capitão-mor Bento Freire de Revoredo e de Mônica da Rocha Bezerra, ambos relacionados por laços de sangue e consórcios conjugais com as principais famílias da região conhecida por sua prosperidade. Seu pai viu-se enredado em intrigas políticas e teve a sua propriedade depredada, tendo que voltar a Pernambuco, de onde viera para a província do Ryo Grande, onde, em Goiana e Olinda, Nisia cresceu e viveu os seus primeiros anos. De lá partiria para a Província de São Pedro do Rio Grande do Sul e o Rio de Janeiro, onde Nisia escreveu em jornais de prestigio, como o Jornal do Commercio, e consolidou sua fama de educadora e mulher de letras. Dionísio, seu pai, foi assassinato ao voltar para casa, depois de obter no Recife a absolvição de um pequeno proprietário em ação contra um senhor feudal. Talvez Nisia pensasse em sua Floresta natal ao descrever a cidade de Porto Alegre em seu romance “Fany ou O Modelo das Donzelas”, cuja ação transcorre em plena Revolução Farroupilha: “(…) Chácaras – onde abundam saborosos frutos da Europa – se oferecem aos olhos do contemplador, que se extasia à vista da simetria com que ali brotam as roseiras e os

▶ Constancia Lima Duarte, biógrafa de Nísia Floresta, fará conferência

ESCRITORA CONTINUA DESCONHECIDA

▶ Nísia Floresta destacou-se como educadora e pioneira na luta pelos direitos políticos da mulher brasileira

cravos de todas as qualidades sem exigirem difícil cultura. As frentes da mor parte dessas chácaras, coroadas de rosas, e como que situadas por entre o azul do céu e o verde das montanhas, apresentam no delicioso Outubro um panorama digno do pincel de Rafael. As vinhas pendentes com o peso de seus crescidos cachos esperam o outono para oferecer o néctar sob a cor da pérola ou do roxo violeta. O aveludado pêssego, o saboroso damasco, a rubra maçã, a roxa cereja e a linda amora, sucedem a estação das flores e dão a Ceres um triunfo sobre Flora. Este delicioso país oferecia em seu seio até 1835, tudo quanto o homem pode desejar sobre a terra: a paz, abundancia, simplez e a doce influencia de um clima sadio (…)”. Feminista avant la lettre, inspirada talvez pela inglesa Mr. Godwin , a sogra de Shelley que defendeu ardorosamente os direitos da mulher – de quem traduziu “Direitos das Mulheres e Injustiça dos Homens” –, Nisia destacou-se como abolicionista, romancista, memorialista, jornalista e doutrinadora. Reconhecida e admirada pela intelectualidade da época, o próprio Machado de Assis, consideraod então o mais importnate escritor brasileiro, chegou a escrever a seu respeito. Porém durante toda a vida e sobretudo depois de sua morte, foi vitima de campanha difamatória promovida

por uma conterrânea — a professora e literata Isabel Gondim –, através de uma carta que circulou nos meios letrados do País. É um caso típico de inveja intelectual que mancha a memória de IsabelGondim, uma personagem influente da sociedade provinciana; a primeira mulher a pertencer aos quadros do Instituto Histórico e Geográfico, a mais antiga instituição cultural do Rio Grande do Norte. Eram ambas, alem de professoras e escritores, nascidas na mesma Vila de Papary. Porém as coincidências entres as duas começam e terminam aí. Nisia, acusada pela conterrânea de adultério e prevaricação, gozou no entanto de justa fama por onde passou, inclusive na Corte, como educadora e notável idealista, propositora de uma revolução na educação que libertasse as mulheres e as preparasse não apenas para o lar, mas para a vida; enquanto dona Isabel Gondim, burguesa azeda, invejosa e cheia de preconceitos, autora de obras vazadas numa retórica nacionalista já um tanto ultrapassadas em sua época, convencionais e corriqueiras, não logrou ultrapassar os limites geográficos da acanhada província, tornando-se a representação folclórica do autoritarismo e defensora canina de tradições bolorentas.

Transcorridos 125 anos desde a morte de Nísia, na França, seu nome continua despertando o interesse dos estudiosos, por sua inovadora visão do mundo e dos problemas sociais, como bem exemplifica Constancia Lima Duarte no livro que escreveu sobre a autora de “Conselhos a Minha Filha” (Rio de Janeiro, 1842), “Opúsculo Humanitário”(1853),”Itineraire d´um Voyage em Allemagne” (Paris, 1857),”Scintille d´um´anima Brasiliana” (Florença, 1859) e “Trois ans em Italie. Suivis d´um Voyage em Grèce” (Paris, 1864). Contudo, Nisia Floresta continua ainda praticamente desconhecida dos norte-riograndenses. A batalha pelo seu resgate, iniciada por Castriciano e que resultou no livro de Jayme Adour da Câmara, continuou com Luis da Câmara Cascudo, Manoel Rodrigues de Melo, Nilo Pereira, Edgar Barbosa, Américo de Oliveira Costa, Francisco Alves, entre outros. Desde os anos 70 do século passado a Universidade Federal do Rio Grande do Norte tem se empenhado na investigação e divulgação a vida e a obra de Nisia Floresta, dando continuidade ao trabalho de Jayme Adour da Câmara que, dando prosseguimento às pesquisas de Henrique Castriciano, escreveu uma tentativa de biografia da autora de “Itinerário de uma viagem à Alemanha”. O governo do estado, sobretudo, tem sido omisso. Mesmo a cidade que leva o seu nome não tem cultivado sua memória e o seu mausoléo está praticamente abandonado. Portanto, o que dela sabemos a não ser que nasceu para opor-se, questionar, duvidar e insurgir-se?

BICENTENÁRIO DE NÍSIA FLORESTA

Data:16 de agosto de 2010, às 20h30 Local: Academia Norte-riograndense de Letras Endereço: Rua Mipibu, 443 (84) 3221-1143


Esportes

Editor Marcos Bezerra

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NATAL, DOMINGO, 15 DE AGOSTO DE 2010 / NOVO JORNAL /

15

A ESTRATÉGIA DOS POTIGUARES

/ SÉRIE C / O ABC, LÍDER DO GRUPO B COM 7 PONTOS E O ALECRIM, VICE-LÍDER COM 5, JOGAM HOJE PARA DESLANCHAR NA TABELA; ALVINEGRO VAI À PARAÍBA ENCARAR O CAMPINENSE E O ALVIVERDE ENFRENTA O CRB DE ALAGOAS NO MACHADÃO, NO DIA EM QUE COMPLETA 95 ANOS HUMBERTO SALES / NJ

BRUNO ARAÚJO DIEGO HERVANI

DO NOVO JORNAL

ALECRIM QUER CEREJA NO BOLO DE ANIVERSÁRIO

LÍDERES DO GRUPO B da Terceirona,

ABC e Alecrim entram em campo hoje à tarde com um objetivo apenas: vencer. Fora de casa, os alvinegros prometem fazer jogo duro contra o Campinense, em Campina grande, para chegar aos 10 pontos e continuar num voo tranquilo rumo à classificação. No Machadão, os alviverdes esperam fazer o dever de casa contra o terceiro colocado CRB/AL e, se possível, assumir a liderança no caso de um insucesso abecedista. No ABC, o clima é dos melhores. Caminhando a passos largos rumo à próxima fase, o técnico Leandro Campos deverá promover apenas uma mudança na equipe em relação a que atuou na vitória contra o Salgueiro por 3 a 0, no interior pernambucano. Autor do gol que abriu caminho para o bom resultado da última partida, o zagueiro Leonardo lembra que um bom resultado pode-

FICHA TÉCNICA CAMPINENSE/PB Diogo; Cafu, Alemão, Maurício Gaúcho e Rogerinho; Stênio, Marquinhos Mossoró, Daniel e Márcio; Zé Maria e Bruno Recife. Técnico: Suélio Lacerda.

ABC Welligton; Lisa, Leonardo, Tiago Garça e Renatinho Potiguar; Basílio, Ricardo Oliveira, Ewerton Cezar e Cascata; João Paulo e Eraldo. Técnico: Leandro Campos. Estádio: Amigão, C. Grande/PB Horário: 16h Arbitro: Cleston Santino (CE)

▶ Leandro Campos conversa com a equipe titular antes do treino: vencer fora de casa é a meta rá ajudar bastante o ABC. “Uma vitória não encaminha a classificação, mas será um passo a mais nesse Rumo.” O atacante Éderson sentiu dores no joelho durante a semana, e apesar de liberado pelo Departamento Médico, deverá passar ao banco de reservas dando oportunidade a Eraldo de assumir a titularidade para o duelo de logo mais. “Éderson tem sido um jogador importantíssimo e tem jogado, em algumas partidas, quase no sacrifício e não posso correr o risco de perdê-lo por mais tempo”, justificou Leandro Campos que deverá manter Ewerton Cezar no meio de campo, já que os meias Claudemir e Juliano permanecem entregues ao DM. Sobre a postura que o ABC deverá adotar em campo, o treinador não faz cerimônia e dispara: “a mesma de todos os jogos fora de casa, controlar a bola para controlar o jogo. Será sim um jogo difícil, mas precisamos nos preocu-

▶ Teino do Alecrim no Juvenal Lamartine: dedicação par com nossos objetivos. Na pior das hipóteses, queremos trazer um empate.”

CAMPINENSE

Com três pontos e precisando vencer para manter vivas as chances de classificação, a Raposa pretende vender cara a tão sonhada vitória alvinegra. Dono de um re-

trospecto completamente favorável com 16 vitórias contra oito do ABC, o treinador Suélio Lacerda tem como dúvida apenas a participação do volante Lima, que entregue ao DM, não treinou na sexta-feira. As novidades ficam por conta da volta de Marquinhos Mossoró e a possível estreia do atacante Juliano.

No dia em que completa 95 anos, o Alecrim quer uma vitória de presente. Se passar pelo CRB/AL no Machadão, pela Série C do Campeonato Brasileiro, a equipe tem chance de assumir a liderança e abrir boa vantagem sobre concorrentes diretos por uma vaga na fase seguinte da competição. Perdendo, o alviverde potiguar, que ocupa a segunda colocação do Grupo B, atrás do ABC, pode se comprometer na tabela. Os torcedores foram convidados para a festa, às 17h deste domingo. Os jogadores se mostraram cientes do que está em jogo no duelo de hoje. “Sabemos que é um jogo comemorativo pelo aniversário do clube. Mas também é muito importante para abrirmos vantagem em relação aos nossos adversários”, destacou o atacante Somália, que ainda não teve presença confirmada na equipe titular, pois disputa a vaga com André Cassaco. Já o goleiro Jair, um dos destaques do Alecrim na Série C, prefere esquecer as comemorações e focar na vitória. “Passamos a semana corrigindo os erros para fazermos o nosso melhor. Temos que encarar todos os jogos como uma decisão e buscar a vitória. Se acontecer um resultado diferente, podemos nos complicar”, disse. O meia Henrique, que disputa posição com Cipó, vê em um possível resultado positivo, a vaga praticamente assegurada. “Apesar de faltarem mais quatro jogos, acredito que se a gente passar pelo CRB, o time estará praticamente classificado para a próxima fase. Então, temos que correr muito”, concluiu.

Ferdinando Teixeira espera conquistar os três pontos para permanecer entre os líderes. “É um jogo de grande responsabilidade. Temos que vencer para ganharmos uma gordura”, opinou.

CRB

Com quatro pontos, o time alagoano ocupa a terceira colocação no grupo. Para não se complicar na competição, a equipe vem em busca dos três pontos, mesmo atuando longe de sua torcida. A única dúvida do treinador Freitas Nascimento, é o aproveitamento do atacante Edmar, que volta de lesão e não sabe se terá condições de jogo. O técnico do CRB, Freitas Nascimento, deverá manter a formação que derrotou o Campinense-PB, para enfrentar o Alecrim.

FICHA TÉCNICA ALECRIM Jair, Ângelo, Fabiano, Márcio Blot e Nêgo (Glaydson); Hércules, Nivaldo, Marcelinho e Cipó (Henrique); Helinho e Somália (André). Técnico: Ferdinando Teixeira.

CRB/AL Juninho; André Cunha, Leandro, Toninho e Dio; Glaydson, Lê, André Silva, Renato Silva e Ewerton. Técnico: Luciano Dias. Estádio: Machadão, Natal Horário: 17h Arbitro: Wladyerisson Oliveira/CE

/ LIDERANÇA /

/ VASCO /

Fluminense tenta manter ponta contra reservas do Internacional

EM ASCENSÃO, CARIOCAS BUSCAM 1ª VITÓRIA FORA

WAGNER MEIER / FOTOARENA

FOLHAPRESS

rodadas, o Fluminense tenta continuar na liderança hoje, no Rio, onde recebe os reservas do Inter, no estádio do Maracanã. Principal dúvida no time carioca durante a semana, o atacante Emerson participou do treino de sexta e tem boas chances de estar em campo. A partida começa às 16h e é valida pela 14ª rodada do Campeonato Brasileiro. Com dores no tornozelo, Emerson vai esperar até o último momento para definir se tem condições de formar a dupla de ataque com Washington. “Vou fazer um trabalho com bola, bater mais forte para ver como estou. Não adianta ir com 30%, 50% [da forma física ideal]. Tenho que estar bem, até porque temos grandes jogadores que podem entrar no meu lugar”, disse o atacante. Caso Emerson seja confirmado, o time do técnico Muricy Ramalho vai a campo desfalcado apenas de Fernando Bob, que foi expulso na vitória de 2 a 1 sobre o Grêmio, no domingo passado. Ele deve dar lugar a Diogo no meio-campo. Machucados, Belletti, Fred e

Complemento 14ª rodada

INVICTO HÁ DEZ

16h Grêmio Prudente x Vasco 16h Avaí x Corinthians 16h Fluminense x Internacional 16h São Paulo x Cruzeiro 18h30 Vitória x Santos 18h30 Grêmio x Goiás

FICHA TÉCNICA

▶ Muricy Ramalho: apenas um desfalque certo e favoritismo Carlinhos seguem em trabalho de recuperação. Já o meia Deco, principal reforço do clube para a temporada, tem estreia prevista para o dia 22, no clássico contra o Vasco, no Maracanã. Neste domingo, o meia vai a campo apenas para saudar a torcida, meia hora antes do jogo. No Inter, o técnico Celso Roth preferiu poupar os titulares para o jogo de volta contra o Chivas Guadalajara, na final da Taça Libertadores, e manda a campo o time reserva. “O jogo com o Fluminense é muito importante. Vamos ao Rio

com o que a gente tem de melhor no momento. Jogamos no México na quarta passada e fizemos uma viagem muito cansativa, por isso vamos administrar alguns jogadores. Alguns titulares também devem viajar. O Rafael Sóbis deve ir. Espero que a gente possa fazer um jogo equilibrado”, disse o técnico. Além de Sóbis, o time gaúcho deve contar com outros jogadores habituados com a formação titular como Bruno Silva, Fabiano Eller e Andrezinho. Com 20 pontos, o colorado tenta permanecer no G4 do Brasileiro.

FLUMINENSE Fernando Henrique; Gum, Leandro Eusébio e André Luís; Mariano, Diguinho, Diogo, Conca e Júlio César; Emerson e Washington. Técnico: Muricy Ramalho.

INTERNACIONAL Renan; Bruno Silva, Índio, Fabiano Eller e Juan; Glaydson, Wílson Mathias, Andrezinho e Giuliano; Rafael Sóbis e Leandro Damião. Técnico: Celso Roth. Estádio: Maracanã, Rio de Janeiro Horário: 16h Arbitro: Wilson Seneme (SP)

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de rebaixamento e invicto há seis rodadas, o Vasco busca a primeira vitória fora de casa no Campeonato Brasileiro. O time de São Januário enfrenta hoje o Prudente, no interior paulista, às 16h, pela 14ª rodada da competição. O Vasco conquistou 12 dos 18 pontos que disputou desde a contratação do técnico PC Gusmão, que deixou o Ceará para voltar ao Rio na pausa do Nacional para a Copa do Mundo. Sob o comando do treinador, o Vasco venceu três partidas e empatou outras três. Com 17 pontos, o Vasco ocupa a 11ª posição da tabela e pode se aproximar do G4 caso consiga seu primeiro triunfo na competição fora do Rio. O técnico credita a recuperação da equipe à preparação dos jogadores no período sem jogos durante o Mundial da África do Sul. “A preparação que tivemos durante a Copa do Mundo foi fundamental para a nossa equipe. Trabalhamos e por isso estamos conseguindo bons resultados”, afirmou. Para a partida de domingo, no entanto, PC Gusmão prefere não apontar sua equipe como favorita. “Pelo que a equipe do Prudente vem fazendo no campeonato, temos que ficar preocupados. Sabemos que vamos encontrar difi-

MARCELO SADIO / AGIF / FOLHAPRESS

LIVRE DA ZONA

▶ Felipe, o maestro vascaíno culdades no jogo e temos que ter atenção para vencer o confronto.” Apesar da cautela do técnico vascaíno, o retrospecto do Prudente nas últimas rodadas não é animador. O time paulista empatou com São Paulo (1 a 1), Vitória (0 a 0) e Cruzeiro e perdeu em casa para o Santos (2 a 1). E no último dia 9, o técnico Toninho Cecílio deixou o Prudente e assumiu o Vitória. Com 15 pontos, o Prudente é 14º colocado e pode até terminar a rodada na zona de rebaixamento em caso de derrota para o Vasco. Para hoje, o time será comandado por dois técnicos interinos: Márcio Barros e Diego Cerri. No Vasco, o desfalque é o capitão Carlos Alberto, expulso no triunfo por 1 a 0 contra o Vitória. Pelo Prudente, o lateral e capitão Paulo César está fora após levar o terceiro cartão amarelo no empate sem gols contra o Cruzeiro.


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▶ ESPORTES ◀

/ NOVO JORNAL / NATAL, DOMINGO, 15 DE AGOSTO DE 2010

MAGNUS NASCIMENTO / NJ

/ FUTSAL / MESMO SEM CONTAR COM UM PLANTEL DE ATLETAS RENOMADOS O ABC/ART&C VEM FAZENDO HISTÓRIA NAS QUADRAS DO RN E DO BRASIL

SEGREDOS DE UM

CAMPEÃO TODO GRANDE TIME tem um segredo para o suces-

DESTAQ UE

so. O ABC/Art&C não é diferente, recém campeão da Liga do Nordeste de Futsal, momento histórico para o esporte potiguar, a equipe não conta com grandes estrelas, mas com um grupo muito unido e com atletas que possuem identificação com o estado que representam. E a equipe vem sempre brigando pelos títulos em todos os campeonatos que disputa. O elenco é composto por 15 atletas, dos quais 13 são potiguares. Para o treinador Ernani Passaglia, dar oportunidade para jovens jogadores do estado é um dos segredos do time. “Nos últimos

ID NDIV UAIS SI

Mesmo ressaltando a qualidade coletiva do grupo, não se pode negar o diferencial que alguns integrantes da equipe possuem. O treinador Ernani Passaglia, o goleiro Matheus, o pivô Kilmer e o fixo Preto, são os grandes destaques individuais do time.

“SERIAL” KILMER X

Sem desmerecer os demais, Kilmer talvez seja o atleta que possui mais identificação com o time, além de ser um dos mais jovens, tem apenas 19 anos. Kilmer começou no ABC em 2006, ainda na categoria sub 18. “Ele jogava pelo Sagrada Família, em 2006, eu o observei atuando. Sempre mostrou muita personalidade e um futebol de muita qualidade. Aí eu pedi que ele viesse jogar nas nossas categorias de base. E pelo visto, eu fiz uma escolha certa”, comemorou o treinador Ernani Passaglia. Mas Kilmer não conseguiu se firmar rapidamente no time da capital potiguar. Em 2007, o pivô se transferiu para outra equipe. Em 2008, por alguns problemas pessoais, não atuou por time nenhum. Mas em 2009, para sorte e felicidade dos abecedistas, ele voltou para o ABC/Art&C. E a consagração veio na final do mês passado. Na grande decisão da Liga do Nordeste de Futsal, maior sonho de dirigentes, torcedores e jogadores do alvinegro potiguar. O pivô foi mais do que decisivo, foi um verdadeiro “Serial” Kilmer. Com quatro gols, dos seis da equipe, o atleta escreveu o seu nome na história, não só no ABC, mas do futsal potiguar. Humilde, o jogador preferiu compartilhar com os companheiros esse momento. “Foi o grande dia da minha vida. Consegui ajudar o time a conquistar esse título tão importante. Mas só conseguir isso pela ajuda dos companheiros”, destacou o goleador. Com relação ao apelido de “Serial”, em alusão a fama de matador que ganhou depois dos quatro gols marcados, Kilmer se mostrou surpreso. “Não estava nem sabendo disso. Não tenho nem muito para falar, pois não tinha nem idéia que eu estava sendo chamado assim”, concluiu, sem disfarçar o contentamento.

dois anos, nós optamos por fazer um trabalho de buscar jogadores que sejam daqui. Isso é importante para que eles tenham uma identidade com o clube e com o estado que eles representam”, destacou. Mas para ele, o grande destaque da equipe é o jogo coletivo. “Esse grupo é muito forte. Nós não temos um jogador que desequilibre, o que faz a diferença é o nosso jogo coletivo. Todos sabem o que devem fazer e fazem com muita qualidade e vontade”, completou. O discurso dos jogadores não é diferente; sem demonstrarem nenhuma vaidade, os atletas preferem elogiar o time como um todo. “A nossa grande estrela é a união. Nós somos uma equipe que não tem muita vaidade. Jogamos apenas com a força do grupo e isso tem dado

um resultado muito positivo”, destacou o goleiro e capitão, Matheus. Já para o pivô Kilmer, autor de quatro gols na final da Liga do Nordeste, além do coletivo, outro grande diferencial do time é a dedicação. “Todos se dedicam ao máximo. Estamos sempre buscando o melhor para fazer do ABC uma equipe cada vez mais vitoriosa e que sempre está conquistando títulos e representando bem o Rio Grande do Norte”, explicou. Mesmo com todos os resultados conquistados, o grupo não quer parar por aqui. Com vários desafios para o futuro, a equipe já vai se preparando, com muita ansiedade, para buscar novos títulos. Atualmente, o ABC/Art&C está disputando o Campeonato Estadual, onde a equipe

é a atual hexacampeã e briga ponto a ponto com a Seleção de Macaíba pela liderança do grupo A. Em outubro, os abecedistas irão participar da Taça Brasil, um dos eventos mais importantes do futsal brasileiro. Já no próximo ano, em fevereiro, o desafio será ainda maior. Com a conquista da Liga do Nordeste, o alvinegro potiguar garantiu participação na Superliga de Futsal, competição que reúne as 12 melhores equipes do país. Em 2006, o ABC foi vice-campeão desse mesmo campeonato, perdendo apenas na final, para o Malwee, por 2 a 0. “Nós somos uma equipe muito jovem, mas de muita qualidade. Temos condições de irmos muito bem em todas essas competições”, falou o arqueiro Matheus

PRETO X

MAGNUS NASCIMENTO / NJ

DO NOVO JORNAL

Um dos atletas que está há mais tempo na equipe, chegou em 2006, Preto participou de três vices campeonatos da Liga do Nordeste. O fixo, como todo jovem garoto, sempre foi apaixonado pelo esporte; começou a jogar futsal na sua cidade natal, Macaíba. Em 2005, o atleta atuou pela AABB, quando foi observado por integrantes do ABC e no ano seguinte se transferiu para o alvinegro potiguar. Preto comemorou o fato de ter participado de toda essa evolução que a equipe teve durante esse período. “Sempre foi uma batalha constante. Nós nunca desistimos de conquistar os nossos objetivos. O ABC sempre batalhou e buscou todas essas conquistas. A Liga do Nordeste foi só o começo. Pode ter certeza que vem muito mais por ai”, destacou.

CBFS / DIVULGAÇÃO

S ERNANI PASSAGLIA

MAGNUS NASCIMENTO / NJ

T MATHEUS

O paredão alvinegro. Um dos atletas mais experientes do elenco, no ABC desde 2007, com passagens pelo futsal do sul e sudeste, o goleiro possui um currículo muito vitorioso. São duas Taças Brasil, uma pelo Sumov e outra pela Seleção Pernambucana. Na Liga do Nordeste, ele foi um dos grandes destaques do time. O seu grande jogo foi contra o Fortaleza/CE, ainda na primeira fase. “Faltavam 15 segundos para terminar o jogo, estávamos vencendo por 2 a 1. Aí o arbitro marcou um pênalti a favor deles [Fortaleza]. Tive a felicidade de fazer a defesa e garantir a vitoria para nossa equipe”, destacou o goleiro, que também leva a braçadeira de capitão da equipe. Para o treinador Ernani Passaglia, ter um jogado como o Matheus, é sempre sinônimo de segurança. “Ele é um jogador de muita experiência, bastante rodado, eu confio muito na capacidade dele”, comentou o técnico. MAGNUS NASCIMENTO / NJ

DIEGO HERVANI

O “Gordo”, como é conhecido no meio do esportivo, é paulistano. Ele dedicou boa parte da vida ao esporte. Com 57 anos de idade, nessa temporada ele completou 36 de carreira. Dentre os títulos que possui, o técnico demonstra grande admiração pelas conquistas no ABC/Art&C. “Em 2006 eu fui vice brasileiro. Perdemos a final para o Malwee, que é uma das melhores equipes do mundo”, destacou. Ernani também era o comandante do alvinegro no vice da Liga do Nordeste, em 2006. “Naquele ano nós tínhamos condições de vencer. Mas em 2010, finalmente conseguimos o nosso objetivo. Foi muito importante para todos”, afirmou. Além dos títulos de maior expressão, o treinador faz questão de ressaltar a importância de se vencer os campeonatos estaduais. “É uma competição diferente. Você está trabalhando no estado. Com uma equipe do estado. Os torcedores estão sempre muito próximos do time. É sempre muito importante e motivador vencer essas competições”, concluiu. O presidente do clube, Rubens Lemos, mais conhecido como Rubinho, não poupou elogios ao comandante. “Ele é uma referência para o ABC. Quando ele chegou ao time, o futsal daqui era uma coisa abaixo do amador, era muito fraco. Ele revolucionou a maneira de como nós observávamos o futsal. Esse ano, teoricamente, nós tínhamos o elenco mais fraco dos últimos anos. Mas fizemos uma campanha irretocável na Liga do Nordeste”, destacou. Rubinho também fez questão de destacar que ter um técnico do nível de Ernani na equipe, não é bom apenas para o alvinegro, mas para o futsal de todo o Rio Grande do Norte.

15-08-2010  

15-08-2010

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