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O Tolo SONHOS, SINCRONICIDADES E MILAGRES

em uma Jornada para Encontrar a Si Pr贸prio

Dimitrios Papalexis


O TOLO – SONHOS, SINCRONICIDADES E MILAGRES

Copyright© Editora Nova Senda Revisão: Rosemarie Giudilli Ilustração da capa: Thinkstock Diagramação: Décio Lopes

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Papalexis, Dimitrios O Tolo – Sonhos, Sincronicidades e Milagres/Dimitrios Papalexis – 1ª edição – São Paulo – Editora Nova Senda, 2014. Bibliografia. ISBN 978-85-66819-03-8 1. Romance Espiritualista 2. Autoconhecimento I. Título.

Proibida a reprodução total ou parcial desta obra, de qualquer forma ou por qualquer meio, seja eletrônico ou mecânico, inclusive por meio de processos xerográficos, incluindo ainda o uso da internet sem a permissão expressa da Editora Nova Senda, na pessoa de seu editor (Lei nº 9.610, de 19.02.1998). Direitos exclusivos reservados para Editora Nova Senda.

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Enquanto você se move além das palavras e entra na essência desse livro, você perceberá sua própria vida se transformando na medida em que lê. Gini Grey, autora de Do Caos à Calma (From Caos to Calm)

E você conhecerá a verdade, e a verdade o libertará. João 8:32


Para meu amor, Erisana, que é sempre um desafio e uma inspiração para mim.


Sumário

Prólogo...................................................................................... 09 Prefácio..................................................................................... 11 Introdução................................................................................ 13

I O último Johnny com John.................................................... 15

II Conversando com Rosa.......................................................... 27 III Conversando com meu pai.................................................... 39 IV O voo para Nova Iorque......................................................... 51 V O ninho de Deus..................................................................... 61 VI Orando pela primeira vez...................................................... 69 VII Momentos difíceis e cura natural.......................................... 77 VIII Conhecendo o resto da fraternidade.................................... 89 IX Mensagem de meu tio............................................................. 97 X Mantendo a fé e ouvindo a minha voz interior................. 105 XI Momentos mágicos na praia................................................ 111 XII Encontrando meu tio no Ninho de Deus........................... 117 Epílogo.................................................................................... 131


Prólogo

Flagrar-me perdida em meu trabalho, em uma vida movimentada de cidade superpopulosa, e em meus estudos de doutorado de teorias elaboradas da linguagem e da sociedade parecem ter desempenhado um papel no meu distanciamento das coisas simples e vitais que a vida tem para nos oferecer. O Tolo fez parte de uma importante missão me trazendo de volta para esse caminho, que acredito ser tão essencial, quando se quer viver uma vida plena. Enquanto eu viajava através de suas páginas, seguindo a jornada de Danny, tive a oportunidade de lembrar muitas coisas que havia esquecido: de como é delicioso ter sonhos e segui-los, os riscos que devemos enfrentar algumas vezes na vida, as sincronicidades que nos perseguem todos os dias e tantos outros.... O Tolo também nos lembra dos chamados que temos em nossas vidas, que muitas vezes são ignorados. Seguindo a aventura de Danny, é possível ver que não somos os únicos a questionar nossos chamados. Além de tudo, chamados existem? São apenas nossa imaginação? Eu acredito ser quase impossível de ler O Tolo e não nos identificarmos com ele. Você já se deparou vivendo uma vida que causaria inveja a um monte de gente, mas que traz infelicidade a você? E quando você | 9 |


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olha ao redor, vê a “vida ideal” rodeando-o e não tem ideia do por quê não se sente muito feliz? Em um período assim, meus momentos mais felizes eram feitos de assistir trens de carga passando, indo para seus lugares secretos. Em minha imaginação, eu estava dentro deles indo para um lugar muito longe também. Penso que de alguma maneira, assim como Danny, eu também estava procurando pelo Ninho de Deus. Já que não tenho apenas me dado ao prazer de ler O Tolo, mas também de encontrar o autor profissionalmente e depois pessoalmente, eu posso contar que a coragem, a honestidade e a determinação de Danny refletem-se em Dimitrios. Além disso, Dimitrios tem tido o privilégio de experimentar as viagens reais e simbólicas que Danny faz no desenrolar do livro. Literalmente, ele morou em três continentes, “saboreou” três culturas diferentes e pôde pegar o melhor dessas experiências para compartilhar com seus leitores. Metaforicamente, ele também tem encarado mudanças internas que, brilhantemente, descreve nas páginas de O Tolo. Por outro lado, escrever sobre O Tolo é diferente de tudo que tenho produzido durante a última década da minha carreira acadêmica. Por outro lado, é tão familiar porque muitos aspectos da viagem de Danny refletem minha própria jornada interior, que tem sido tão importante para me ajudar a viver uma vida balanceada. Espero que todos que lerem esse livro possam gostar da “jornada” tanto quanto eu e obter o melhor dele. Erisana Sanches Victoriano, PhD


Prefácio

A ideia, ou melhor, a intuição de escrever essa história veio inesperadamente um dia quando eu estava no carro passando por uma linda paisagem natural no Brasil. Neste dia, eu estava olhando as montanhas quando, de repente, senti alguma inspiração e comecei “a baixar” em minha mente o primeiro capítulo da história. De fato, tive que fazer um certo esforço para parar o “download” assim que eu pudesse esperar até ter a chance de sair do carro e ligar meu laptop e, assim, escrever a história antes de esquecê-la. Uso a palavra “download” porque naquele momento não se tratava de determinação, de uma ideia preconcebida para escrever o livro. Foi algo muito mais amplo que isso, foi uma intuição repentina, para escrever uma história. Enquanto eu “canalizava” a história e a escrevia, igualmente me sentia entusiasmado para saber o seu desfecho, pois sabia que ela continha mensagens profundas que poderiam mudar a mim e a todos os outros que lessem esse livro. Para alcançar esse ponto em minha vida, muitas pessoas importantes têm me ajudado a me transformar na pessoa que sou hoje. Primeiramente, gostaria de agradecer à minha notável, Erisana Sanches Victoriano, do Brasil. | 11 |


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Ela não tem sido apenas uma companheira surpreendente, mas a minha incentivadora, me encorajando a ser honesto e me impulsinando adiante para o meu crescimento e aperfeiçoamento. Ela, aliás, foi a primeira pessoa a ler meu livro e a oferecer importante feedback acerca da história. Além disso, devo expressar minha gratidão à minha mãe Aristea, ao meu pai Constantinos e à minha irmã Vasiliki de Sydney, Austrália, por sempre me apoiarem e me amarem incondicionalmente. Em seguida, agradecerei ao meu amigo Dimitris Papadimitriou de Volos, Grécia, por acreditar em mim e insistir, deste o começo, que eu deveria escrever um livro. Da mesma forma, gostaria de agradecer ao meu amigo Stephen Hodgins de New Castle, Austrália, e Gini Grey do Canadá, que me forneceram preciosas dicas sobre o livro e, especialmente, Stephen, por me ajudar com o processo de edição em inglês. Gostaria também de agradecer à Deborah Campelo de São Paulo pela ajuda com a tradução, as dicas e o encorajamento incondicional na produção dessa versão em Português. Finalmente, gostaria de agradecer a todas as pessoas e animais que tenho encontrado em minha vida e que compõem parte da minha história, viagem física e espiritual.


Introdução

Danny, um jovem advogado de Sydney, A ­ ustrália, de origem grega, é casado e tem duas crianças. Ele está seguindo uma carreira promissora como advogado em uma considerável firma de advocacia enquanto também tenta ser um bom marido e pai. Perdido em suas ambições e separado de seus mais profundos sentimentos e desejos verdadeiros, Danny começa a ter pesadelos e a sofrer de extrema ansiedade. Médicos sugerem medicamentos. Sua esposa começa a se preocupar e decide deixar a casa da família. Danny enfrenta uma grande crise. Porém, o fato de ele sonhar todas as noites com um tio que mora nas ruas e o pressentimento de que esse tio tenha papel importante nessa história estimulam Danny a embarcar em uma viagem para encontrá-lo e, mais do que isso, para descobrir seu verdadeiro eu. A temática do livro convida cada homem e cada mulher que se sentem mentalmente perdidos, em desacordo com seu trabalho e com regras sociais, a examinar o seu interior, encarar seus medos, se unir aos seus desejos, procurar mais conhecimento e realização e descobrir sua missão na vida. Todo mundo, em algum momento, tem de fazer o que é necessário para conseguir se conhecer e transformar sua vida | 13 |


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naquilo que sempre sonhou. O desafio é grande e o preço pode ser alto, mas o resultado compensa. Você pode tomar uma atitude agora, mais tarde, ou mesmo em outra vida; mas você precisa tomá-la um dia. Então, talvez, a melhor oportunidade para fazer o que tem de ser feito seja agora, no momento presente, porque é nele que estamos vivendo.


CAPÍTULO I

O último Johnny com John – Desabafando

John e eu éramos amigos desde o colégio. ­Estudamos e nos formamos na escola de direito juntos. Nós até casamos no mesmo dia e na mesma igreja. Agora, somos advogados de sucesso, ganhando ótimos salários e traçando caminho até o topo. Trabalhamos para diferentes companhias jurídicas. Algumas vezes, temos tempo, às tardinhas, para tomarmos uma rápida xícara de café antes de nos encontrarmos com nossos clientes ou irmos ao tribunal para atender a um caso. A firma que eu trabalho se chama Sucesso. Todas as sextas-feiras eu me reúno com o John depois do serviço e tomamos alguns “drinks”. Nós conversamos sobre trabalho e também trocamos algumas ideias sobre nossas vidas pessoais. Você sabe... Sobre todas essas coisas chatas que muitos homens casados, na idade dos quarenta, conversam em um bar sexta-feira à noite, após o expediente. Mas, essa sexta-feira foi diferente! Eu estava confuso e, igualmente, determinado a fazer alguma coisa. Um sentimento contínuo que me dizia haver algo a fazer, urgentemente, a fim de que pudesse ter minha vida de volta me perseguia. Percebia também que quanto mais | 15 |


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demorasse a fazer, pior seria. Não que eu não estivesse feliz com o dinheiro que ganhava no trabalho, pois havia dinheiro suficiente para viver uma vida confortável e agradável para mim e minha esposa Rosa, uma mulher bondosa e bonita, com quem, felizmente, casei algum tempo atrás. Nós vivíamos uma vida boa e feliz juntos, até meus pesadelos começarem, seguidos por sentimentos negativos e angústia emocional. Algo estranho estava acontecendo comigo, pois tinha perdido minha paz de espírito. Não podia mais dormir, eu precisava fazer terapia. As coisas pioravam a cada dia. Além disso, Rosa decidiu sair de casa. Ela disse que precisava de algum tempo longe da loucura, e que não seria seguro para ela e as crianças dormirem mais no mesmo ambiente que eu. Os sonhos que eu tinha eram seguidos por estranho sentimento. Era como se existisse algo a mais que eu devesse fazer em minha vida. Mas, a questão era que eu não tinha ideia do que se tratava. As coisas iam de “mal a pior”. Rosa, o amor da minha vida, tinha me deixado e eu me sentia desorientado. Na sexta-feira, assim que terminei o expediente, fui me encontrar com John, em um bar próximo ao nosso trabalho em North Sydney, um subúrbio moderno altamente industrializado onde se situavam nossos escritórios. O bar “Elite” é lugar de encontro de muitas pessoas de negócios que trabalham em North Sydney. John era um “cara” que tinha me apoiado muito, tanto como colega quanto amigo, e eu estava muito ansioso para conversar com ele. No bar, pensei em pedir um “drink”. Mas, não tive vontade de beber o “whiskey” habitual. Costumava beber alguns Johnnies toda sexta-feira com o John. Depois de um tempo John chegou. Cumprimentoume e pediu dois Johnnies. Então, ele me deu “um tapinha” no


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ombro e brindou. Foi aí que percebi que minha vida tinha se transformado em rotina. Tinha se tornado muito previsível e mecânica como se eu estivesse seguindo o roteiro de uma novela no qual deveria seguir os mesmos movimentos, repetitivamente, enquanto velhos casais meio adormecidos, sentados em sofás, a assistia. De qualquer modo, eu não quis ser rude com John, assim peguei meu copo e comecei a tomar. – Como foi o caso do rapto? – perguntou John. Havia um caso em que a mãe havia raptado seus próprios filhos e pedido dinheiro para seu marido rico, pai das crianças, porque ela queria fugir com seu amante. Eu não tive vontade de contar detalhes e apenas contei o básico sobre o caso, porque estava ansioso para falar com ele acerca de meus problemas. Após terminar o “whiskey” e antes que John tivesse a chance de pedir outra rodada, olhei nos olhos dele e disse: – John! Há uma coisa que eu preciso falar amigo; algo que está me aborrecendo faz um bom tempo e necessito desabafar. John pareceu surpreso ouvindo-me dizer isso. Ele olhou para mim e perguntou: – Como vão as coisas com Rosa e as crianças? – Ainda mal. Mas, obrigado por perguntar, – eu respondi. – Você está com algum problema no trabalho? – continuou John. – Bem, se você me deixar falar, eu posso contar tudo a você, – eu respondi. Eu percebi que tinha sido um pouco rude com ele ao falar daquele jeito, porém, o que queria era chamar a atenção dele. Entendi que ele estava surpreso e, talvez, até aborrecido por ouvir que eu tinha algo sério para falar com ele. Então, continuei. – Olha John, eu sei que você provavelmente vai pensar que esteja louco ou algo parecido, mas acho que sei o que


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devo fazer para consertar as coisas com Rosa e recuperar minha vida. E antes que John tivesse alguma chance de dizer qualquer coisa, continuei: – Sei que não estou indo bem no trabalho, nem conseguindo casos ou ganhando dinheiro e tudo mais. Também reconheço que ando muito estressado ultimamente. Eu me separei de Rosa e estou afastado das crianças. Enquanto trabalho, me mantenho ocupado, o que me faz esquecer um pouco dos problemas. Mas eu tenho um presentimento... Eu ouço uma voz dentro de mim dizendo que existe algo a mais que preciso fazer na minha vida; que preciso ir a outro lugar para encontrar a mim mesmo. E, você pode achar que isso tenha relação com minha situação com Rosa ou com meu cansaço no trabalho ou ainda com minha frustração, devido a uma vida que não conheço... Mas, preciso te dizer que essa sensação parece ser mais importante do que tudo isso. Parece ser a resposta para meus problemas. A verdade é que eu não tinha planejado exatamente o que dizer ao John e estava tentando, pela primeira vez, verbalizar todas essas coisas que passavam pela minha cabeça há tanto tempo. E isso me trouxe certo bem-estar. Eu me sentia como se estivesse mudando a rotina. Eu parecia estar quebrando as regras invisíveis do subconsciente, trocando o condicionamento e desobedecendo ao roteiro imposto por mim durante toda vida e que me tornava mais e mais deprimido. Notei que minha vida tomava nova direção, estava mudando meu destino. Eu estava readquirindo poder sobre minha vida, que provavelmente acabaria se tornando um grande fracasso se continuasse a viver da mesma maneira. Embora soubesse que John, possivelmente, ficaria irritado ao ouvir o que eu tinha para lhe dizer, mesmo assim não


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me importei. Eu apenas queria falar com meu melhor amigo sobre meus sentimentos e queria que ele escutasse. Eu realmente pude ver o quanto John ficou preocupado após o meu relato. Ele me perguntou se eu queria outro Johnny. Eu não quis. Então, ele me disse: – Olha Danny, somos amigos há anos. Nós costumávamos sonhar e correr atrás de garotas juntos, lembra? Nós dois rimos e John prosseguiu: – Nos apaixonamos ao mesmo tempo e casamos no mesmo dia e na mesma igreja. Eu te conheço e você me conhece melhor do que eu. Nós conhecemos um ao outro e é por isso que serei honesto contigo, Danny. Serei sincero porque você é meu amigo e eu te amo, e não de um jeito gay! Ri alto e me lembrei dos momentos que ele costumava falar assim. John continuou: – Danny, você parece muito preocupado e estressado. Eu tenho medo de que você esteja perdendo seu juízo, amigo. – Olha... John parou por um tempo para tomar fôlego. – ...Olha Danny, você não tem que fazer nenhuma loucura, cara. Não deveria pôr mais pressão em seus ombros. Você está trabalhando cinquenta horas por semana em um trabalho altamente estressante, extremamente exigente e, também, para não nos esquecermos, um trabalho muitíssimo bem pago. – Você se separou da Rosa há algumas semanas e está afastado dela e de seus filhos por bastante tempo agora. Se tiver de fazer algo, que seja pedir uma folga para se sentir melhor e, talvez, continuar com as sessões de terapia que havia começado. Por isso, por favor, pare de falar essas coisas, de algo importante que você precisa fazer e apenas relaxe, cara. Descanse um pouco.


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– Você sabe que trabalhamos duro todos esses anos para chegar onde estamos agora, e que realmente merecemos o dinheiro que estamos ganhando e nossas vidas confortáveis. Ambos sabemos muito bem que dinheiro não dá em árvores. – Você também sabe Danny, que podemos bater nas costas um do outro e nos sentir felizes “pra caramba” e orgulhosos, por termos chegado até aqui. Agora eu sei cara, que as coisas não estão boas para você e a Rosa no momento, mas vamos manter o pensamento positivo. Vamos considerar tudo isso apenas uma crise. Rosa te ama. Tenho certeza de que vocês vão superar isso logo, como sempre, e ficarão numa boa de novo. E por falar nisso, acho melhor parar de falar sobre isso e beber mais alguns Johnnies. Quando John me disse todas aquelas coisas, senti que havia algo errado. Eu não era muito observador quando mais jovem. Não tinha o hábito de prestar atenção à linguagem do corpo porque considerava as palavras o suficiente para comunicar e entender as pessoas e o mundo. Eu costumava acreditar que o nosso raciocínio, nosso intelecto, baseado em conhecimento, e nossas experiências passadas seriam suficientes para fazer avaliações e saber tudo que nós precisávamos para entender outras pessoas e a vida. De qualquer modo, na função de advogado, encontrei clientes e outras pessoas no trabalho que escondiam mentiras e tentavam me enganar e enganar os juízes. Portanto, gradualmente, comecei a prestar atenção à comunicação não verbal e a todos esses sinais em um nível de energia que me dão detalhes sobre o que uma pessoa realmente diz e pensa. Comecei a acreditar mais em meu instinto, a confiar bastante nesse tipo de comunicação para conseguir ­conhecer


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o suficiente a respeito das pessoas e suas circunstâncias. Também comecei a observar mais as características faciais delas ao olhar direto através de seus olhos e dentro de seus corações. Assim, eu consigo saber a verdade. Devo admitir que eu passei a proceder assim não somente no trabalho. Aliás, eu comecei a fazer isso em minha vida pessoal. E também com John naquele momento. Senti que John alimentava dúvidas similares às minhas acerca do significado da vida e que ele inventava histórias para si mesmo a fim de ter coragem de levantar pela manhã e trabalhar o dia todo. Ele estava projetando todas as suas inseguranças e medos em mim. Desse modo, poderia encontrar ânimo para vestir seu terno bonito e ir a todos os encontros de negócios com todas aquelas pessoas importantes que estavam tentando fazer mais dinheiro. A mim pareceu que John já tinha passado por tudo isso e que tinha tomado a decisão de calar a voz que falava dentro dele e de ignorar seu chamado, ignorar seu coração. Mas, minha canção era diferente da canção de John, e minha voz, infelizmente, não podia se calar. E Deus sabe o quanto tentei. Experimentei calá-la o tempo todo repetindo palavras para mim mesmo. Realmente, me esforcei para me convencer de que tudo era bom, até começarem os meus pesadelos e minha vida a desmoronar. Os sonhos instáveis passaram a me acordar no meio da noite, em estado de medo e estresse total. E, pior do que isso, era me sentir terrível na manhã seguinte, quando comecei a ouvir estranha voz em tom cada vez mais alto dentro de mim, dizendo que existia algo mais a fazer, e eu sabia que se não fizesse, e se ignorasse essa voz, terminaria tal qual um personagem do meu próprio show de marionete. Eu sei que


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encontraria a mim mesmo, trinta anos mais tarde, deitado no meu leito de morte olhando de novo para dentro da minha vida e perguntando se poderia ter feito algo diferente, pensando no que teria acontecido se tivesse ouvido aquela voz. Estava muito assustado por esperar por tanto tempo para descobrir. Não queria ter desperdiçado minha vida assim. Já tinha expulsado Rosa para longe e estava muito distante das crianças. Não tive outra escolha, a não ser enfrentar meus medos e confiar na minha voz interior. Devia seguir meu coração e tentar me encontrar novamente. Naquele momento, tomei um fôlego, olhei nos olhos de John e disse: – Olha John, eu realmente agradeço seu encorajamento e suas palavras gentis, de verdade. Sei que nós merecemos tudo o que temos, e que muitas pessoas invejariam uma vida como a nossa, uma vida que parece cercada por sucessos e privilégios, para muitos. E, embora, eu compreenda que para alguém como você, que amadureceu muito, meus sentimentos se assemelhem à imaturidade, eu ainda sinto que realmente existe algo a mais que preciso fazer. Então, antes que John me interrompesse (eu vi em seus olhos que ele iria) e começasse o sermão de novo, fui aumentando o tom da minha voz e lhe disse com ênfase: – É o seguinte, John, nos últimos três anos da minha vida, tenho tido esse terrível pesadelo. Continuo vendo um morador de rua, andando em uma rua escura, vestido em trapos me chamando toda noite em meus sonhos. Todas as vezes eu acordo no meio da noite me sentindo mal, sem razão aparente. Então, tento dormir de novo e na manhã seguinte acordo me sentindo muito estressado, como se minha vida inteira estivesse errada, como se fosse um engano.


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– Tenho ouvido essa voz interior me dizendo que existe algo a mais que preciso fazer e, se eu não o fizer continuarei tendo esses pesadelos e sofrendo. Ainda que eu tenha me ocupado com o trabalho, tentando distrair minha mente e esquecer esses pesadelos, quando durmo à noite, eles reaparecem. – Por três anos minha vida tem sido um pesadelo. Tenho experimentado muitas terapias. Até encontrei um psiquiatra que sugeriu que tomasse pílulas para dormir e antidepressivos. E você sabe John, que sempre corri para os médicos mesmo que fosse por uma pequena dor. Já me habituei a seguir os conselhos deles e a tomar todos os tipos de medicamentos e pílulas. Mas, nesse momento, John, eu tenho esse pressentimento intenso de que não deveria seguir a opinião do médico. Sei que essa sensação põe meu relacionamento com minha esposa e filhos em perigo, mas estou escolhendo arriscar e descobrir meu caminho de volta para eles. O rosto de John começou a mudar enquanto ouvia meu discurso emocionado. – O que você está pensando em fazer? – ele me perguntou. – Eu não sei se já te contei sobre o meu tio Tom, que saiu de casa e foi viver nas ruas como um desabrigado, há muitos anos. Minha família dificilmente toca no assunto. Meu pai uma vez me contou que, após concluir a faculdade de medicina, Tom começou a ter problemas e de repente um dia saiu de casa e foi morar nas ruas de Nova Iorque. Meu pai tentou desesperadamente, por muitos anos, encontrá-lo, mas desistiu. Nós sabemos que ele foi para Nova Iorque por causa de um cartão de Natal que nos enviou há três anos. E sabe John, foi depois do recebimento desse cartão que meus sonhos começaram, e tenho cada dia mais certeza de que meu


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tio significa alguma coisa em meus sonhos. Sinto que ele pode ser a resposta para meus problemas. – Sabe, John, eu acredito que encontrar meu tio e falar com ele me ajudará a resolver o mistério, e a me trazer de volta Rosa e meus filhos. John parecia muito preocupado ouvindo o que eu estava dizendo. – Não sei o que dizer Danny. Acho que você está ficando louco por imaginar essas histórias e cutucar velhas feridas. Lamento muito, mas se você decidir levar adiante seu plano louco e for atrás de um morador de rua, você vai perder a oportunidade de ser aceito de volta por Rosa e seus filhos. Deixe de lado essa ideia. Não cause essa decepção aos seus familiares. Pense bem, Danny, antes de deixar tudo que você construiu para ir atrás de um morador de rua maluco. John continuou falando e até se ofereceu para pagar um psiquiatra muito caro que ele conhecia, assim, eu poderia iniciar a terapia outra vez. Mas, a reação de John não foi nada que eu não esperasse. Não fiquei aborrecido ou desapontado com ele. Não podia criticar as pessoas por não me compreenderem, não confiarem em mim e nem respeitarem meus sentimentos e intuições. Sou eu quem tem de confiar e colocá-los em prática. A situação era a seguinte: ou seguir orientação médica novamente, tomar pílulas e sofrer com isso, ou acreditar na minha mais profunda intuição e continuar com meu plano de encontrar o meu tio nas ruas de Nova Iorque. Ao refletir mais sobre tudo isso, concluí que havia, de fato, tomado minha decisão muito antes de conversar com John. O próximo passo seria mais difícil: expor e explicar para minha esposa Rosa o meu plano.


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Rosa me apoiou muito e fez o seu melhor sendo paciente comigo durante o tempo em que tinha os pesadelos e tudo mais. Mas, nós chegamos ao ponto de ela não aguentar mais. Ela me via sofrer toda noite, quando eu acordava apavorado. Estava ficando mais e mais distante e era muito difícil para ela lidar comigo. Sentia que a estava perdendo. E, além de tudo, eu não concordei em seguir os conselhos dos médicos. Rosa não conseguia entender. Ela também estava bastante assustada pelas crianças. Contudo, para eu ter chance de me reerguer tal qual um homem honesto e sincero ao lado dela, e realmente honrar e ser independente, como costumava fazer quando nos encontramos pela primeira vez e me apaixonei, eu deveria permanecer fiel primeiramente a mim mesmo e continuar a persistir em meus pressentimentos. Por isso, precisava contar e explicar a Rosa o que de fato estava planejando fazer. Naquela noite no bar Elite eu entendi que não era parte da elite e que não contaria com a compreensão e o apoio do meu melhor amigo, pelo menos, não do modo que eu supunha. Eu tinha plena consciência que se o meu objetivo era me desviar do roteiro da minha vida e tomar um caminho diferente, eu deveria ser eu mesmo. Entendi também que se pretendesse sair à procura de meu tio desabrigado passaria por provações, testando-me por direções inimagináveis. O estranho é que sem saber como, eu tinha começado a encontrar coragem para seguir adiante. Por alguma razão desconhecida, essa voz dentro de mim me contou que existia algo a mais que precisava fazer. Estava também me permitindo continuar em direção à minha jornada interior e exterior para encontrar algo ainda desconhecido.


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Naquela sexta-feira à noite, eu disse boa noite ao John e dei “um tapinha” em seu ombro. Agradeci a ele por gastar seu tempo me ouvindo e por todas as noites de sextas-feiras que nós tínhamos passado juntos. Não guardei nenhum sentimento ruim por sua reação. Ele estava apenas sendo ele mesmo. Nossos caminhos estavam se separando. Ele iria voltar ao trabalho no dia seguinte e voltaria para o bar, possivelmente, com os mesmos colegas, na próxima sexta-feira. E eu iria conversar com Rosa e iniciar minha jornada.


O Tolo é a história de Danny, um jovem advogado de Sidney, Austrália, que não consegue mais encontrar significado em sua vida pessoal e profissional. Sua esposa o deixou, e tudo parece estar dando errado desde que Danny passou a ter terríveis pessadelos com um morador de rua, quem ele acreditava ser o seu tio. Os médicos querem colocá-lo sob medicação e sua esposa e amigos concordam com isso, mas Danny decide desprezar o conselho dos médicos e ir à procura de seu tio desabrigado em Nova Iorque. E para fazer isso, ele terá de deixar o seu trabalho e contar aos amigos e familiares sobre seus planos “malucos”. Todo mundo pensa que Danny está fantasiando histórias em sua mente. Mas será que está? Uma carta de seu tio esconde dicas para rastreá-lo. Em Nova Iorque Danny coloca sua vida em perigo ao procurar por seu tio sem-teto nas ruas da cidade. Durante sua viagem, ele terá de mergulhar fundo em sí próprio, para descobrir seu verdadeiro eu e encontrar o significado da vida. Coisas mágicas acontecerão a Danny quando ele decidir seguir sua intuição: sincronicidades, acontecimentos e milagres ocorrerão. E aí, ele passará a ver a vida de uma perspectiva totalmente diferente. Venha seguir Danny de um bar chamado Elite, ao norte de Sydney até o Pub chamado Ninho de Deus na imensa Nova Iorque. Pegue carona nessa jornada interior e exterior, onde ele terá de provar a todos e, até mesmo a si próprio que não está louco.

O Tolo – Sonhos, sincronicidades e milagres  
O Tolo – Sonhos, sincronicidades e milagres  

“Um livro surpreendente que prende a atenção do leitor do início ao fim. Independente da sua crença, essa é uma jornada que vai lhe trazer p...

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