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PRIMEIROS SOCORROS MÓDULO III

Fraturas SESSÃO III www.nova-etapa.pt


Primeiros Socorros

Mód.III – Sessão III: Fraturas

ÍNDICE

Módulo III – Fraturas

3

Objetivos Pedagógicos

3

Conteúdos Programáticos

3

1. Anatomo-Fisiologia do Aparelho Locomotor

4

2. Classificação das Fraturas

5

3. Causas de Fraturas

7

4.

8

Primeiro Socorro

5. Imobilizações

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Síntese Conclusiva

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Bibliografia

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Módulo III – Fraturas

OBJETIVOS PEDAGÓGICOS

No final deste módulo deverá ser capaz de: • Identificar as lesões que podem ocorrer no aparelho locomotor; • Caracterizar as causas de fraturas; • Descrever os principais tipos de fraturas; • Reconhecer as complicações e aplicar o primeiro socorro de acordo com as mesmas; • Identificar os princípios gerais da imobilização de uma fratura; • Executar a imobilização adequada a cada fratura.

CONTEÚDOS PROGRAMÁTICOS

• Anatomo-fisiologia do aparelho locomotor; • Classificação das fraturas; • Causas de fraturas; • Primeiro socorro; • Imobilizações.

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1. ANATOMO-FISIOLOGIA DO APARELHO LOCOMOTOR

O esqueleto é uma estrutura sólida constituída por cerca de 206 ossos, divididos por três grandes regiões anatómicas: Cabeça (crânio e face), Tronco (caixa torácica, bacia e coluna), Membros (superiores e inferiores). Os ossos podem ser classificados em longos (ex. fémur), curtos (ex. ossos da mão) e chatos (ex. ossos do crânio). Todos eles apresentam superfícies que se adaptam umas às outras de diferentes formas, dando origem às chamadas articulações. Estas podem ser móveis (ex. articulação do joelho), semimóveis (ex. articulações das vértebras) e imóveis (ex. articulações do crânio). Nas articulações denominadas móveis existe um reforço efetuado por ligamentos e estruturas cartilagíneas, sendo algumas envolvidas por uma cápsula articular. Internamente existe uma membrana que no seu interior contém um líquido lubrificante – líquido sinovial. Adjacentes aos ossos e inseridos neles existem músculos, estruturas anatómicas que formam a parte ativa do sistema locomotor. Os pontos de inserção dos músculos nos ossos são feitos por feixes de tecido forte e fibroso chamado tendões. As

principais

funções

do

esqueleto

são

de

sustentação dos órgãos vitais, mantendo-os nos seus lugares e dando ao corpo uma postura vertical, a proteção de agressões externas aos órgãos vitais, a mobilidade que permite movimentos rápidos e precisos com a ajuda dos músculos e a produção de células sanguíneas na medula óssea que é um tecido esponjoso que se encontra no interior dos ossos longos.

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2. CLASSIFICAÇÃO DAS FRATURAS

Conceito – Fratura é a solução de continuidade, parcial ou total, de um osso, o que implica uma alteração da sua estrutura e resistência ao esforço, podendo ainda perder a sua forma habitual. Em função do tipo, assim se classificam as fraturas em parciais (quando existe fissura no osso) ou totais (quando existe separação óssea).

Nomenclatura do local de fratura

FOCO DE FRATURA TRAÇO DE FRATURA

TOPOS ÓSSEOS ESQUÍROLAS ÓSSEAS

Foco de fratura – O local onde o osso fratura Traço de fratura – Linha de fratura Topos ósseos – As extremidades do osso quando este parte em dois Esquírolas ósseas – Fragmentos de osso sitos no local ou foco de fratura

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Forma de apresentação

Fratura Fechada – Quando não existe ferida no foco de fratura, mantendo-se a pele íntegra

Fratura Aberta/Exposta – Sempre que há ferida associada ao foco de fratura, isto é, existe lesão cutânea com visualização do foco de fratura

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3. CAUSAS DE FRATURAS

Violência Direta

O osso fratura no ponto onde se deu a aplicação da energia, sendo a causa mais comum de fraturas.

Violência Indireta

A lesão encontra-se localizada a alguma distância do ponto onde foi aplicada a força.

Torsão

Verifica-se num movimento de rotação em torno do maior eixo do osso, com fixação ou apoio numa das extremidades.

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4. PRIMEIRO SOCORRO Sinais e sintomas 

Dor;

Edema;

Deformação;

Encurtamento ósseo;

Impotência funcional ou perda de função;

Mobilidade anormal;

Crepitação óssea.

Nota: A crepitação e a mobilidade anormal nunca devem ser pesquisadas pelo socorrista.

PRIMEIRO SOCORRO  Instalar a vítima numa posição adequada e com o maior conforto possível, evitando movimentos desnecessários de forma a diminuir a dor provocada pela lesão;  Expor o local de fratura, cortando a roupa, se necessário;  Retirar anéis e pulseiras para evitar o seu corte mais tarde devido ao inchaço;  Se presente hemorragia externa, controlar através do método compressão manual direta, devendo ser executada nos tecidos adjacentes ao foco de fratura e nunca diretamente neste;  Numa fratura exposta, lidar com os topos ósseos visíveis como se fossem corpos estranhos encravados, protegendo-os por exemplo com uma rodilha;  Proceder à imobilização. 8 www.nova-etapa.pt


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5. IMOBILIZAÇÕES Uma pessoa com um osso fraturado deve permanecer imóvel, exceto em casos de perigo iminente. No pré-hospitalar, os cuidados de emergência passam pela imobilização provisória, a qual deve ser o mais correta possível não esquecendo que os cuidados a ter com a imobilização deverão centrar-se em:

Manter o membro na posição original; Não fazer qualquer tração ou redução da fratura; Imobilizar as articulações acima e abaixo do local de fratura; As talas ou outro material improvisado devem conferir conforto à vítima; Não fazer compressão sobre o membro, evitando o compromisso da circulação local.

A imobilização de uma fratura, regra geral, faz-se com talas, no entanto o socorrista pode improvisar, recorrendo a diferentes materiais, sendo certo que uma fratura não imobilizada, conduz a perdas hemorrágicas maiores, assim como intensifica a dor pelo roçar dos topos ósseos nos tecidos e uns nos outros.

Neste sentido, apresentam-se alguns exemplos de imobilizações improvisadas.

Imobilização de um braço fraturado

Se o braço fletir com facilidade, cruze-o sobre o tórax e coloque um chumaço entre a zona da fratura e o corpo da vítima. Não dobre o braço à força. Coloque o braço numa ligadura de suporte (écharpe) para o manter imobilizado, 9 www.nova-etapa.pt


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Imobilização de um braço que não dobra

Deite a vítima na posição mais confortável. Coloque um chumaço entre a lesão e o corpo da vítima e ligue o braço em extensão ao corpo com três ligaduras ou panos largos, evitando a zona da fratura e não apertando demasiado para não interferir com a dinâmica ventilatória.

Imobilização de um antebraço fraturado

1. Sente a vítima numa cadeira e dobre um jornal ou revista e coloque-o ao longo do antebraço. Peça à vítima que segure a tala improvisada e fixe o jornal com duas ligaduras, uma no topo e outra na base do jornal, respeitando desta

forma

a

imobilização

das

articulações acima e abaixo.

2. Coloque o braço numa ligadura de suporte (ex. écharpe) e em seguida ligue-o ao corpo da vítima com uma faixa de tecido largo que deve passar em volta do braço e do tórax.

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Imobilização de um dedo fraturado

Imobilize um dedo fraturado, amarrando-o bem ao dedo do lado com adesivo.

Imobilização de uma perna fraturada

Improvise uma tala recorrendo a uma almofada envolvendo a perna e o pé da vítima. Prenda a almofada com duas ligaduras, a primeira na região dos tornozelos e a segunda colocada abaixo do joelho. 11 www.nova-etapa.pt


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Em alternativa pode:

1. É possível improvisar uma tala com um cobertor. Enrole o cobertor no sentido do comprimento e o mais apertado possível. Coloque uma das extremidades entre as pernas e passe o cobertor enrolado por baixo do

da

perna

fraturada

encostando-o ao longo do lado exterior da perna.

2 Ate os pés e tornozelos com uma ligadura em 8 e dê o nó do lado da perna ilesa.

3. Ate um pano largo em volta dos joelhos da vítima e dê o nó do lado da perna sã.

4 Coloque uma segunda ligadura acima da zona da fratura.

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SÍNTESE CONCLUSIVA O esqueleto é constituído por 206 ossos e a sua finalidade é variada: sustentação do corpo, proteção de órgãos vitais, locomoção e produção de células constituintes de sangue.

Dentro das lesões do sistema músculo-esquelético, o socorrista pode deparar-se com fraturas das extremidades – membros superiores e inferiores. Consideramos uma fratura como sendo uma interrupção na continuidade de um osso, podendo ocorrer por trauma direto ou indireto.

A classificação das fraturas dependerá da forma como o osso fraturou e se rompeu a superfície cutânea, assim teremos fraturas fechadas ou fraturas fechadas.

É extremamente importante determinar se a fratura é aberta ou fechada, sendo fundamental cortar o vestuário. As fraturas abertas são mais graves que as fechadas devido à maior perda sanguínea e por serem contaminadas, conduzindo à infeção.

Face a uma fratura, a finalidade do primeiro socorro deverá centrar-se na imobilização da mesma, resultando na diminuição da dor e da hemorragia, devendo respeitar sempre os princípios que regem uma imobilização, entre os quais, nunca modificar a posição do membro e imobilizando as articulações acima e abaixo do foco de fratura.

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BIBLIOGRAFIA Guidelines for Management of Amputated Parts, American College of surgeons Committee on Trauma;

J. Honório (1990) Grandes Temas da Medicina, Manual de Anatomia, Doenças e Tratamentos, Cap Sistema Circulatório, Cap. O Sangue, Cap. O Coração, Cap. O Aparelho Locomotor. Nova Cultural; Prout J. Brian & Cooper John. An Outline Of Clinical Diagnosis, Wrigt-PSG, London;

Velloso, M. & Oliveira, A. Paula (2004) Formação Complementar de Socorrismo, Edição Cruz Vermelha Portuguesa; Zin, Walter (1979) Emergency Care and Transportation of the Sick and Injured, American Academy of Orthopaedic Surgeons;

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