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Formação Pedagógica Inicial de Formadores

Módulo 1. Formador: Sistema, Contextos e Perfil

eBook Sub-Módulo 1.2 – APRENDIZAGEM, CRIATIVIDADE E EMPREENDEDORISMO

www.nova-etapa.pt


Formação Pedagógica de Formado Aprendizagem, Criatividade e Empreendedorismo

FICHA TÉCNICA

Título Aprendizagem, Criatividade e Empreendedorismo

Autoria Alda Leonor Rocha António Mão de Ferro Susana Martins Coordenação Técnica Nova Etapa – Consultores em Gestão e Recursos Humanos

Coordenação Pedagógica António Mão de Ferro

Direção Editorial Nova Etapa – Consultores em Gestão e Recursos Humanos

Nova Etapa Rua da Tóbis Portuguesa n.º 8 – 1º Andar, Escritórios 4 e 5 – 1750-292 Lisboa Telefone: 21 754 11 80 – Fax: 21 754 11 89 Rua Agostinho Neto, n.º 21 A – 1750-002 Lisboa Telefone: 21 752 09 80 – Fax: 21 752 09 89 e-mail: info@nova-etapa.pt www.novaetapaworld.com

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Formação Pedagógica de Formadores Aprendizagem, Criatividade e Empreendedorismo

Índice

Competências a Adquirir

4

Introdução

5

1. Conceito de Aprendizagem

5

2. Características do Processo de Aprendizagem

7

3. O processo de Aprendizagem nos Adultos

8

4. Modelos e Formas de Aprendizagem

12

5. Principais Fatores e Condições Facilitadoras de

18

Aprendizagem 6. Pedagogia Diferenciada e Diferenciação Pedagógica

22

7. Princípios da Criatividade Pedagógica

35

Conclusão Final

38

3


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Competências a adquirir No final deste sub-módulo de formação, deverá ficar apto a:  Identificar os conceitos e as principais teorias, modelos explicativos do processo de aprendizagem;  Identificar os principais fatores e as condições facilitadoras da aprendizagem;  Desenvolver um espírito crítico, criativo e empreendedor.

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Introdução A aprendizagem é um processo de mobilização de saberes préadquiridos em ligação com novas informações, que assim são projetados no futuro, vindo, desta forma, alterar ou mesmo originar novos comportamentos. Ao longo deste ebook iremos analisar os diferentes modelos de aprendizagem e o modo como se processa essa mobilização de saberes e alteração de comportamentos. Serão também analisadas as características inerentes ao processo de aprendizagem, bem como os fatores intervenientes e facilitadores desse mesmo processo. Será ainda referenciado o conceito de Pedagogia Diferenciada, e algumas abordagens pelas quais se poderá colocar este conceito em prática. Salienta-se ainda a importância do recurso à criatividade no contexto formativo, e alguns princípios de base que podem ser seguidos para fomentar o espírito criativo nos formandos.

1. Conceito de Aprendizagem A primeira pergunta que se nos coloca é sobre a definição deste conceito. O que queremos dizer quando falamos de aprendizagem? Apesar de ser um termo de uso corrente

no

nosso

vocabulário,

certamente que teremos de pensar um pouco para o definirmos.

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O conceito de aprendizagem também evoluiu ao longo dos tempos, e uma definição de aprendizagem é-nos dada por Kimble11, em que a ênfase se coloca na experiência como fator essencial:

A aprendizagem é uma mudança mais ou menos permanente de comportamento que se produz como resultante da prática.

Outra definição cuja tónica está colocada na intencionalidade e funcionalidade do que se aprende:

Aprender é adquirir estruturas de comportamento e representações de objetos, que nos permitam agir no e sobre o meio ou sobre as representações que dele temos.

Uma das questões que se coloca em relação à aprendizagem é o facto de ser um processo interno, isto é, que ocorre dentro do indivíduo, pelo que não é diretamente observável. Daí a necessidade de analisarmos os fatores intervenientes no processo e as condições facilitadoras do processo de aprendizagem.

1

A. Kimble, cit. em Psicologia Prática, Verbo, Lisboa, 1992 6


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2. Características do Processo de Aprendizagem Relativamente ao processo de aprendizagem podemos referir seis características que lhe são inerentes: Global - Exige a participação total e global do indivíduo Dinâmico - A aprendizagem só se consegue através da atividade

Contínuo - A aprendizagem é um processo que decorre ao longo de toda a vida Pessoal - É umprocesso pessoal porque varia de pessoa para pessoa e não é trasnmissível. Gradativo - É um processo que se realiza através de operações, das mais simples para as mais complexas. Cumulativo - A aprendizahem resulta da atividade anterior

A RETER A aprendizagem é um processo responsável pela transformação de um estado inicial (situação

presente

em

termos

de

competências, saberes, etc.), num estado final (aquisição, desenvolvimento de novas competências

ou

saberes),

através

da

experiência (vários tipos de atividade ou procedimento).

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3. O Processo de Aprendizagem nos Adultos DISTINÇÃO

ENTRE OS CONCEITOS:

PEDAGOGIA, ANDRAGOGIA, DIDÁTICA,

PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM Para que possamos abordar o processo da aprendizagem de adultos, é imprescindível que se faça a distinção entre os principais conceitos e princípios relativos à aprendizagem:  Pedagogia – palavra de origem grega, a partir da justaposição “pedo” – Criança, e “gogia” – Ciencia/arte de educar. Assim, a Pedagogia é designada como sendo a arte ou ciência de educar crianças e jovens  Didática – o termo didática deriva do grego “didaktiké”, que significa a arte de ensinar. A didática envolve o estudo do processo de ensino-aprendizagem.  Andragogia – termo que se atribui a Goguelin a partir da justaposição das palavras gregas “andro” – Homem, e “gogia”, que se define como sendo a arte e a ciência de orientar adultos a aprender.  Psicologia da Aprendizagem – Estuda as teorias/processos que estão na base da aprendizagem, e os fatores que condicionam a aprendizagem.

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O estudo do processo de aprendizagem centrou-se durante muito tempo apenas nas crianças e jovens. Para se desenvolver como campo de intervenção, a Andragogia2 teve que desmistificar o velho ditado popular “burro velho não aprende línguas”. Hoje em dia os indivíduos têm necessidade

de

agir,

pensar,

comunicar, aprender e evoluir em função das novas expectativas e necessidades mutação,

em em

socioculturais,

constante contextos

económicos

e

tecnológicos em transformação. Assim, a formação de adultos foi chamada a modificar as suas abordagens e intervenções como forma de dar respostas a estas renovadas necessidades.

CARACTERÍSTICAS DO ADULTO ENQUANTO APRENDIZ É então importante procurar identificar as principais características do adulto

no

processo

de

aprendizagem.

Quais

são

as

suas

especificidades? Que dificuldades acrescidas terá em relação às crianças e jovens?

2

Termo que se atribui a Goguelin, a partir da justaposição das palavras

gregas andro - homem, e gogia - ciência/arte de ensinar, por oposição a

pedo - criança, gogia - ciência/arte de educar. 9


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DE APRENDER APRENDIZAGEM

ORIENTAÇÃO DA

VONTADE

PAPEL DA EXPERIÊNCIA

Vejamos algumas das principais diferenças entre crianças e adultos. MODELO PEDAGÓGICO

MODELO ANDRAGÓGICO

(Crianças e Jovens)

(Adultos)

A experiência daquele que aprende é

Os adultos são portadores de uma

considerada de pouca utilidade. O que experiência que os distingue das é importante, pelo contrário, é a

crianças e dos jovens. Em formação

experiência de quem ensina.

são os próprios adultos com a sua experiência que constituem o recurso mais rico para as suas próprias aprendizagens.

A disposição para aprender aquilo que Os adultos estão dispostos a iniciar é ensinado tem como fundamento

um processo de aprendizagem desde

critérios e objectivos internos ao

que compreendam a sua utilidade

ensino, ou seja, a finalidade de obter

para resolver problemas pessoais e

êxito e progredir em termos escolares. profissionais. A aprendizagem é encarada como um Nos

adultos

processo de conhecimento sobre um orientada

a

para

aprendizagem a

resolução

é de

determinado tema. Isto significa que o problemas e tarefas quotidinanas (o dominante são os conteúdos, e não que nos problemas.

desaconselha

uma

lógica

centrada nos conteúdos).

MOTIVAÇÃO

A motivação para a aprendizagem é Os adultos são sensíveis a estímulos fundamentalmente

resultado

de de natureza externa (notas, diplomas,

estímulos externos ao sujeito, como é etc.), mas são os factores de ordem o caso das classificações e dos interna que motivam o adulto para a reforços dados.

aprendizagem (satisfação, autoestima, qualidade de vida, etc.).

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Em conclusão, podemos referir alguns dos principais pressupostos para a formação de adultos3: 

São motivados a aprender à medida que sentem que as suas necessidades e interesses são satisfeitos.

 A orientação da aprendizagem do adulto está centrada na sua vida; pelo que os programas de aprendizagem deverão ter situações próximas da sua realidade;  A experiência é a mais rica fonte para o adulto aprender, por isso, o centro da metodologia da sua educação deve privilegiar a análise dessas experiências;  Os adultos têm uma profunda necessidade de se autodirigirem, por isso, o papel do formador é o de incentivar o seu progresso e não apenas transmitir-lhes conhecimento e depois avaliá-los;  As diferenças individuais aumentam com a idade, daí que a formação de adultos deva considerar as características de personalidade, estilos e ritmos de aprendizagem, e o lugar onde decorre a formação.

3

Lindeman, Eduard, The Meaning of Adult Education, citado por Claude “Aprendizagem e Desenvolvimentos dos Adultos”, Piaget Editora, Lisboa, 2002

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4. Modelos e Formas de Aprendizagem Uma análise das várias teorias de aprendizagem permite-nos agrupálas, grosso modo, em três grandes grupos:

a) As teorias ou modelos que veem a aprendizagem

como

sendo

consequência da ação das pessoas que ensinam (o centro da ação está no formador), sendo o formando um agente recetor

da

informação

Modelo

Behaviorista/ Comportamentalista;

b) Teorias que veem a aprendizagem como sendo em grande medida decorrente de atividades da própria pessoa que aprende – Modelo Construtivista/Cognitivista;

c) Teorias ou modelos que consideram a aprendizagem como decorrente da interação entre as pessoas (Formador/formandos, Formandos/formandos), interação essa que se manifesta através da partilha de experiências, diálogo, discussão, reflexão crítica, etc. – Modelo Humanista. De seguida passaremos a explicitar um pouco melhor estas ideias de fundo:

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MODELO BEHAVIORISTA/COMPORTAMENTALISTA Segundo o modelo comportamentalista, a aprendizagem centra-se apenas

nos

comportamentos

negligenciando

as

atividades

simplesmente

definida

objetivamente mentais.

como

a

A

aquisição

observáveis,

aprendizagem de

um

é

novo

comportamento.

Nesta definição, toda a ênfase é colocada nos comportamentos objetivamente

observáveis

adquiridos através da repetição sucessiva.

Assim, considera-se que toda a aprendizagem por repetição, até à obtenção de um comportamento-hábito, é desencadeada por um estímulo que responde à situação. Este princípio de educação está na base de muitas das nossas aprendizagens. Por exemplo, o manusear do garfo e da faca, depois a caneta e o lápis, a conjugação da tabuada e outras definições, que implicam uma repetição constante do comportamento.

Associada aos princípios deste modelo encontra-se ainda a noção de reforço. O reforço (positivo) desempenha um papel fundamental na aprendizagem, dado que conduz a um fortalecimento das respostas e aumenta a sua frequência.

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Resultante das pesquisas realizadas por Thorndike4, foi distinguida outra forma de aprendizagem, designada por tentativa-erro. A principal divergência reside no facto do formando não aprender por meio de uma resposta imposta pelo exterior, mas fazendo ele próprio a experiência por tentativa e erro. Muitas

das

nossas

aprendizagens

foram

realizadas desta forma. Ainda se lembra das construções que fazia com o seu lego? Na maioria das vezes não seguíamos à risca as sugestões do folheto, mas por tentativa-erro lá íamos colocando peça sobre peça. Ainda dentro do modelo comportamentalista, surge uma nova forma de aprendizagem, desenvolvida por Albert Bandura: a aprendizagem social. Segundo este, a aprendizagem é feita por observação, imitação/modelagem.

As

pessoas

aprendem

observando

o

desempenho de modelos. Esta forma de aprendizagem tem particular utilidade na formação de adultos, nomeadamente para aprendizagens no domínio do saber fazer. Em resumo, segundo o modelo Comportamentalista, a aprendizagem decorre das seguintes formas:  Pela repetição;  Por tentativa-erro;  Pela imitação-modelagem/observação.

4

Thorndike, Edward, The Fundaments of Learning (1932), cit por Sprinthall

& Sprinthall, Psicologia Educacional, McGraw Hill, Lisboa, 1999 14


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MODELO CONSTRUTIVISTA/COGNITIVISTA Este modelo parte do pressuposto de que todos nós construímos a nossa própria conceção do mundo em que vivemos a partir da reflexão sobre as nossas próprias experiências.

Cada um de nós utiliza "modelos mentais" próprios, consistindo a aprendizagem no ajustamento desses "modelos" a fim de poderem "acomodar” as novas experiências. Princípios básicos do Construtivismo  A Aprendizagem é uma constante procura do significado das coisas.  A

construção do significado requer a

compreensão

da

"globalidade”,

mas

também das suas "partes".  Para se poder ensinar é necessário conhecer os modelos mentais

que os formandos utilizam na compreensão da realidade.  Aprender é construir o seu próprio significado e não encontrálo nas respostas dadas por alguém.

Poderíamos ainda referir como uma das teorias que têm particular importância na formação de adultos, o modelo desenvolvido por Jerome Bruner: a Aprendizagem pela Descoberta.

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Segundo este, a aprendizagem deveria ser feita por meio da indução, ou seja, o formador teria um papel meramente facilitador, levando os formandos a descobrir a informação através de situaçõesproblema. As vantagens seriam um incremento da motivação, dado que o participante teria um papel ativo na sua própria aprendizagem.

Em

termos

de

formas

de

aprendizagem

referenciadas por este modelo destacamos: 

Reflexão;

Descoberta.

Em resumo, no modelo construtivista/cognitivista é dada particular importância aos fatores internos e externos, na medida em que é a compreensão das situações, por parte do sujeito, que leva à construção de uma resposta, havendo uma autonomia em relação ao ambiente. Assim, podemos dizer que se trata de um modelo centrado no sujeito e em que cada nova etapa integra as anteriores.

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MODELO HUMANISTA O modelo humanista, para além de considerar os aspetos cognitivos, valoriza também a personalidade global, tendo em conta os aspetos afetivos e emocionais (atenção, motivação, atitudes, valores) no processo de aprendizagem. Os principais representantes deste modelo são Carl Rogers, A. Maslow e A.Combs. Rogers considera que o centro é o formando, em contraste com, o modelo behaviorista /comportamentalista em que se considera que a peça fundamental é o formador. Em resumo, o modelo humanista enfatiza o papel do formando como agente

ativo no processo de

aprendizagem, sendo a forma de aprendizagem preferencial a reflexão crítica. Dos modelos anteriormente visados, podemos constatar que a aprendizagem pode decorrer das seguintes formas: - Repetição - Tentativa-Erro - Imitação/Modelagem/Observação - Reflexão - Descoberta

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A estes processos, o modelo Humanista, para além da componente cognitiva, acresce ainda a importância da dimensão afetiva e emocional, que conciliadas tornam o processo de aprendizagem mais sólido e duradouro.

5. Principais Fatores e Condições Facilitadoras da Aprendizagem

Principais fatores que interferem no processo de aprendizagem Para melhor compreensão do processo de aprendizagem, deixamoslhe de seguida os fatores que intervêm diretamente na aprendizagem. São eles:

 A percepção  A atenção e a concentração  A atividade mnésica 

Memória

Inteligência

Pensamento

 A motivação  As diferenças individuais 

Idade

Estado emocional

Características de personalidade

Estilos de aprendizagem

Maturidade

 O local de aprendizagem

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CONDIÇÕES FACILITADORAS DA APRENDIZAGEM Apesar de ser um processo individual, subjetivo e de extrema complexidade, a aprendizagem pode ser facilitada. Como formador, pode socorrer-se de alguns aspetos no sentido de facilitar a sua atuação enquanto transmissor de conhecimentos e promotor de competências.

Pedimos-lhe que tenha atenção ao filme que lhe apresentamos:

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Deixamos-lhe

uma

súmula

dos

Fatores

que

Facilitam

Aprendizagem:

A RETER FACILITADORES DA APRENDIZAGEM

Motivação Atividade Conhecimento dos Objetivos Conhecimento dos Resultados Reforço Domínio dos Pré-requisitos Estruturação/Sequência Progressividade Redundância Imagem e Demonstração Aprender pela Descoberta e Exploração

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a


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APRENDIZAGEM DISRUPTIVA Para além das condições referidas anteriormente, surgiu recentemente o

conceito

de

“Aprendizagem

Disruptiva”

como

abordagem

inovadora nos processos de ensino-aprendizagem. A aprendizagem disruptiva contextualiza a necessidade de revitalização do modo de ensinar, deixando de recorrer unicamente a metodologias

tradicionais

e

adotando

as

inovações tecnológicas como ferramenta de partilha de conhecimento. O termo disruptivo surge assim associado à aprendizagem suportada por tecnologias. São várias as instituições e empresas que têm recorrido às novas tecnologias como forma de partilhar o conhecimento, criando comunidades de aprendizagem, fóruns de partilha, ou mesmo disponibilizado uma vasta gama de formação em e-learning aos seus colaboradores. O recurso a estas tecnologias, para além de intensificar o volume e a rapidez de aquisição de conhecimentos, permite que cada um se torne mais autónomo na aprendizagem. Face à crescente adesão aos dispositivos tecnológicos, o formador terá que ter presente que a aprendizagem passa cada vez mais pelo recurso às novas tecnologias, podendo propor atividades que incentivem a utilização das mesmas. Contudo, é fundamental que o formador estruture e organize muito bem a metodologia de ensino-aprendizagem a seguir, para que esta não se torne um processo confuso e sim uma mais-valia de aprendizagem.

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6. Pedagogia Diferenciada e Diferenciação Pedagógica Já vimos que nem todos aprendemos da mesma forma, sendo condicionados por vários fatores internos e externos. É pois ideia assente que num grupo de formação a diversidade é uma realidade, concorrendo no mesmo espaço pessoas com características muito distintas, com diferentes aptidões, com diferentes experiências, e com diferentes estilos e ritmos de aprendizagem. Mas como atuar perante tamanha diversidade? Esta é sem dúvida a questão que muitos formadores se colocam a si mesmos. Para que os participantes não se sintam desintegrados nas suas capacidades,

que

conceber

percursos

de

aprendizagem

diferenciados para que possam aprender de acordo com as suas capacidades/aptidões sem que se sintam discriminados. O objetivo é desenvolver diferentes trajetos de aprendizagem, para que o recurso à diferenciação

possa

funcionar

como

fator

de

inclusão,

reconhecendo e promovendo novos processos e capacidades de aprendizagem.

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DIFERENCIAR, UM IMPERATIVO PORQUÊ?

No processo de aprendizagem, é necessário que o formador tenha noção da necessidade de

diferenciar

percursos,

porque

cada

participante:  Possui características próprias  Revela

estilos

de

aprendizagem

variados  Possui tipos de inteligência variados  Revela interesses e necessidades diferentes  Está inserido num determinado contexto/meio social/cultural. Para que os formadores possam gerir esta diversidade, terão que fazer uso de uma Pedagogia Diferenciada, ou seja, terão que adequar o seu estilo de ensino aos estilos de aprendizagem dos formandos. O corolário da diferenciação pedagógica é reconhecer que, se os formandos com quem se trabalha são diferentes, então é necessário conceber e colocar em prática estratégias que os estimulem naquilo que lhes é peculiar e individual. Desta forma, a pedagogia diferenciada tem como ponto de partida a identificação dos estilos de aprendizagem e a valorização das competências mais evidentes dos participantes. O recurso a esta pedagogia implica a adoção de estratégias diversificadas, e a utilização de recursos de diferente natureza e de formato diverso.

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PRINCÍPIOS DA PEDAGOGIA DIFERENCIADA A Pedagogia Diferenciada baseia-se em determinados princípios, dos quais se destacam:  Atitude flexível e recetiva do formador;  Reconhecimento de que há diferentes estilos de aprendizagem;  Realce para os conteúdos que são considerados essenciais;  Papel ativo dos participantes no seu próprio processo de aprendizagem;  Diversificação de estratégias, atividades, materiais;  As atividades propostas têm que ser moderadas e exequíveis;  Os conteúdos a transmitir devem obedecer a estrutura sequencial e fazer sentido para os participantes;  Formadores e formandos colaboram conjuntamente no processo de aprendizagem, redefinindo objetivos e analisando o sucesso e os fracassos;  Valorização quer do trabalho autónomo, quer do trabalho em equipa;  Os formadores mudam o conteúdo, o processo e o produto de cordo com: - a disponibilidade dos formandos - o interesse e motivação dos formandos - o perfil de aprendizagem dos formandos. 

Recurso a novas formas de avaliação

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TIPOS DE DIFERENCIAÇÃO PEDAGÓGICA Ao nível dos tipos de diferenciação, poderá diferenciar por:  Conteúdos (poderá apresentar diferentes tipos de textos e documentos sobre o mesmo tema)  Processos (poderá fazer sínteses, elaborar quadros de tarefas, formular questões, formar grupos de trabalho etc)  Produtos (poderá optar por fazer a avaliação através de portefólios, trabalhos de grupo, ao invés dos testes tradicionais)

ABORDAGENS À DIFERENCIAÇÃO PEDAGÓGICA Tal como referenciámos, cada individuo possui

diferentes

aprendizagem.

Os

estilos

de

estilos

de

aprendizagem são definidos como as formas pessoais que cada um tem de apropriação do saber. Um estilo de aprendizagem é um conjunto de fatores cognitivos, afetivos e fisiológicos que indicam a forma como o aprendente

perceciona,

interage

e

reage

ao

ambiente

da

aprendizagem. Estes determinam os estilos dominantes na forma como cada um de nós recebe e processa a informação. Embora cada indivíduo tenha formas distintas de aprender, há características que são comuns e que nos permitem agrupar os indivíduos por estilos padronizados de aprendizagem.

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Contudo, nenhum de nós é exatamente de um só estilo, pois, a nossa educação e adaptação ao meio profissional e aos diversos contextos vão fazendo com que desenvolvamos diferentes estilos, embora tenhamos estilos que são mais predominantes do que outros. Do ponto de vista prático, enquanto formador, ao conseguir despistar as

características

participantes,

predominantes

mais

facilmente

de

aprendizagem

conseguirá

conceber

nos

seus

um

leque

diversificado de atividades que se adequem aos diferentes estilos. Os instrumentos que se utilizam para apurar os estilos de aprendizagem são inúmeros. Deixamos-lhe algumas abordagens, pelas quais poderá optar para mais facilmente identificar os estilos de aprendizagem predominantes nos seus formandos e adequar as atividades ao seu modo de aprender. Propomos-lhe as abordagens:  Abordagem pela PNL  Estilos de aprendizagem de Alonso e Honey  Teoria das Inteligências Múltiplas (Howard Gardner) ABORDAGEM PELA PNL A PNL é muito vasta. Mas de uma forma sintética,

podemos

dizer

que

é

uma

metodologia de reflexão ação, apoiada por um conjunto de técnicas que nos dão instrumentos

de

como

agir

sobre

mesmos e face aos outros.

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nós


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São

técnicas

que

podemos

utilizar

para

obtermos

êxito

na

comunicação e comportamentos de excelência.

Nos princípios da PNL está subjacente o pressuposto de que, cada um de nós constrói a sua própria representação da realidade, de acordo com o seu quadro de referência e do seu sistema sensorial dominante. Os nossos comportamentos, as nossas ações, a nossa aprendizagem dependem da forma como percecionamos a realidade e da construção que fazemos dela. Nós não entramos em contacto com toda a realidade, logo construímos um mapa da realidade. De acordo com a PNL, a seleção de estímulos/informações que recebemos no nosso cérebro acerca da realidade que nos rodeia, é feita através de três sistemas sensoriais: Visual, Auditivo e Cinestésico, variando assim de pessoa para pessoa, consoante o sistema sensorial dominante. Assim, podemos encontrar um conjunto de caraterísticas comuns aos indivíduos que possuem determinado sistema sensorial dominante.

Na formação, o mais comum é encontrar grupos diferenciados em SRS. Compete ao formador ser flexível, criativo e capaz de orientar a formação para os Visuais, os Auditivos e os Cinestésicos, concebendo atividades que se adequem a todos os públicos. De seguida, propomos estratégias para o formador conseguir atingir cada um.

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Os formandos VISUAIS tiram sobretudo proveito do que vêm, apreciam os recursos visuais, e retêm melhor a informação aprendem

escrita muito

e

projetada,

pela

imitação/

modelagem do que veem fazer e optam pela avaliação escrita em detrimento da oral. Para motivar os formandos visuais, o formador poderá, conceber Slides ricos em cor e imagens, apresentar filmes, desenhar / escrever no quadro, usar palavras e expressões tipicamente visuais. O Método Demonstrativo e as Técnicas do Método Ativo que envolvem a aprendizagem por observação (Simulações e Role-play) deverão ter prioridade.

Os formandos AUDITIVOS, retiram partido do que ouvem, prestando particular atenção ao que o formador diz e às discussões sobre as temáticas em sala. Retêm melhor a informação que ouvem e o que dizem, compreendem melhor se ouvirem e falarem sobre os assuntos e têm em especial apreço a avaliação por questões orais. Para motivar formandos auditivos, o formador deverá investir no uso do Método Expositivo e no Método Interrogativo, usar vocabulário rico em palavras tipicamente auditivas.

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Os formandos CINESTÉSICOS, poderão ser confundidos com “os distraídos” ou os “marrões” que estão sempre a escrever tudo. Para os Cinestésicos, estar em movimento é uma forma de se manterem atentos ao que estão a ouvir e ver. Apreciam as atividades práticas e o poder tocar e usar objetos (recursos físicos). Retêm melhor a informação que escreveram e que praticaram, assim como tudo o que lhes provocar sensações. Preferem a avaliação escrita à oral. Para motivar os cinestésicos, poderá enriquecer as suas sessões com recursos didáticos físicos que se possam tocar, manusear, provar ou cheirar. O seu discurso deverá ser também rico em palavras e expressões cinestésicas.

ESTILOS DE APRENDIZAGEM DE ALONSO E HONEY Uma outra forma de reconhecer os estilos de aprendizagem é a proposta por Alonso e Honey. Estes autores identificaram quatro estilos de aprendizagem:  Ativo Os indivíduos “ativos” são recetivos a novos desafios. São entusiastas e necessitam de experienciar coisas novas. Tem prazer em situações que envolvam risco, havendo tendência para descurar os perigos. São pessoas enérgicas e os seus dias são repletos de atividades. Sendo pessoas que gostam do desafio, tendem a aborrecer-se com atividades que se prolonguem a longo prazo. São indivíduos sociáveis, e reúnem o centro da atenção. 29


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Atividades que podem ser propostas:  Realizar visitas de estudo;  Realizar simulações das tarefas a aprender;  Desenvolver atividades práticas que lhe permitam tomar contato com a realidade.  Reflexivo São pessoas previdentes que antes de tomarem uma decisão gostam de recolher toda a informação e ponderar todas as hipóteses e implicações. Assumem como lema: “Mais vale prevenir do que remediar”. Gostam de ponderar as experiências e observá-las por diferentes prismas, sendo bastante cautelosos. Gostam de observar e de ouvir a opinião dos outros, para depois apresentarem as suas ideias. Assumem normalmente um comportamento passivo e distante. Primeiro observam e escutam, e só depois atuam. Atividades que podem ser propostas:  Análise de dados estatísticos relacionados com o tema;  Análise de artigos de especialistas, para posterior apresentação;  Pesquisas na internet sobre o assunto ou problema em causa; 

Atividades individuais ou de grupo que lhe permitam realizar a tarefa em partes (análise da situação, reflexão, pesquisa e conclusão).

Teórico Apreciam modelos teóricos e sistemas de pensamento, integrando as suas observações em teorias complexas. Analisam e pensam nos problemas através de uma sequência vertical, fase por fase. 30


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A sua linha de pensamento baseia-se no racional e no lógico, questionando muitas vezes “Isto faz sentido?”, “como é que isto se relaciona com aquilo?”. Tendem a ser perfeccionistas e não descansam enquanto não encontram a resposta ou a ligação entre as coisas. Por norma são lógicos e racionais, sentindo-se desconfortáveis com pensamentos subjetivos e laterais.

Atividades que podem ser propostas:  Elaboração de instrumentos de recolha de informação;  Análise estatística dos dados no Excel e apresentação dos resultados ao grupo;  Atividades que impliquem pesquisa, comparação e análise de dados.  Embora prefiram trabalhar individualmente, deve procurar-se desenvolver as suas competências relacionais e de interação, procurando a constituição de grupos com elementos de caraterísticas compatíveis.

Pragmático Pessoa que gostam de agarrar nas teorias e colocá-las em prática. São indivíduos que procuram constantemente novas ideias para na primeira oportunidade as colocarem em prática. Encaram os desafios como oportunidades e não como problemas. São muito práticos, terra-a-terra, não gostam de rodeios e apreciam resolver situações concretas. Ficam incomodados e impacientes com reuniões e/ou projetos onde vigora a reflexão e a idealização de muitas soluções, sem que se chegue a uma conclusão objetiva.

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Atividades que podem ser propostas:  Tarefas que impliquem experimentação;  Estudos de caso que contemplem a parte de planeamento e organização;  Trabalhos de projeto com várias fases também são adequados; 

Tarefas que impliquem reflexão e idealização de soluções.

TEORIA DAS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS A teoria das Inteligências Múltiplas deve-se a Howard Gardner. Inicialmente, Gardner identificou oito inteligências, que passamos a caraterizar. Apresenta ainda um conjunto de atividades propostas adequadas a cada uma das inteligências. 

Inteligência Lógico-Matemática – Envolve a capacidade de resolver operações matemáticas, de trabalhar com símbolos abstratos, de fazer uso do raciocínio indutivo e dedutivo, de estabelecer padrões/conexões entre peças separadas ou distintas.

Atividades que podem ser propostas: Elaboração de esquemas, matriz, gráficos; estabelecer analogias; efetuar cálculos; realizar análises; conceber planos; realizar puzzles, etc.  Inteligência Linguística – é manifestada no uso da linguagem, quer escrita ou falada; no significado das palavras; pela capacidade de seguir as regras gramaticais e utilizar a linguagem para convencer, estimular, e transmitir informações. 32


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Atividades que podem ser propostas: Preparar/fazer um discurso; escrever um artigo; contar uma história; realizar debates; participar em role-play; fazer um trabalho de pesquisa, etc.  Inteligência Musical – Esta capacidade faz-se denotar em pessoas com sensibilidade para os ritmos, canto, melodias e entoações. Inclui também a capacidade para o manuseio de instrumentos musicais.

Atividades que podem ser propostas: Escrever a letra de uma música; atividades que impliquem a audição; produzir sons com instrumentos; expressar-se através da música e de movimentos rítmicos; improvisação musical. etc.  Inteligência Corporal-Cinestésica – É a habilidade para utilizar a coordenação motora, controlar os movimentos corporais, e manipular objetos com destreza. Indivíduos com esta inteligência, gesticulam e movem-se enquanto falam, utilizam o corpo para expressar as suas ideias, gostam de praticar desportos e outras atividades motoras.

Atividades que podem ser propostas: Atividades de destreza manual, role-play, dança ou atividades que impliquem movimento, simulações, mimica, improvisar uma paródia..

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 Inteligência Visuo-espacial – É a capacidade de formar modelos mentais (imagens) e de trabalhar com essas imagens. Essas imagens não tem que ser necessariamente visuais, podem ser imagens táteis construídas através do manuseio de objetos.

Atividades que podem ser propostas: Criação de mapas; desenhar panfletos/folhetos; fazer pinturas e colagens; criar um mural; moldar plasticina/barro; apresentações em PowerPoint; construção de website; atividades com fotografias, etc.  Inteligência Interpessoal – Esta inteligência opera ao nível do relacionamento interpessoal e da comunicação. Envolve a capacidade de perceber os outros. Atualmente, este tipo de inteligência, conjuntamente com a inteligência intrapessoal, é muitas vezes designada por inteligência emocional.

Atividades que podem ser propostas: Trabalhos em grupo; resolução de problemas/conflitos dentro do grupo; debater ideias; participar em debates, participar em atividades de voluntariado ou de cariz social; organizar eventos etc.

 Inteligência Intrapessoal – Inteligência que está relacionada com o conhecimento dos aspetos internos de cada um (sentimentos, controlo emocional, autorreflexão). Indivíduos com evidenciem esta inteligência possuem um conhecimento de si mesmos e utilizam-no nas atividades quotidianas. Apreciam tarefas associadas à reflexão pessoal.

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Atividades que podem ser propostas: Criação de blog; escrita de um diário de bordo ou compromisso; apresentar

uma

perspetival

pessoal

e

defendê-la;

fazer

a

autoavaliação, definir objetivos pessoais e o modo de os alcançar.

 Inteligência

Naturalista

Esta

habilidade

está

associada

à

capacidade de observação de padrões da natureza, à identificação e classificação de objetos, e à compreensão dos padrões naturais.  Atividades que podem ser propostas:  Identificar e classificar objetos com base nas suas características; planear atividades pedestres, realizar observações; explorar um tema; criar uma coleção de objetos ou artefactos.

1. Princípios da Criatividade Pedagógica Face

às

necessidades

do

mercado

e

à

diferenciação existente, o formador terá que se demarcar

pela

diferença,

tornando-se

empreendedor, autónomo, flexível, inovador e criativo. Certamente que já se apercebeu que criatividade e empreendedorismo andam de “mãos dadas”. Ser criativo é ser capaz de encontrar soluções originais para os problemas de adaptação com que se é confrontado

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CONDIÇÕES PARA O DESENVOLVIMENTO DA CRIATIVIDADE Todas as pessoas têm um potencial criativo que necessita de condições internas e externas para se revelar. Existem contudo um conjunto de condições internas e externas ao indivíduo que podem facilitar

o

desenvolvimento

da

criatividade.

Seguidamente

apresentamos os principais aspetos a considerar:

CONDIÇÕES INTERNAS

CONDIÇÕES EXTERNAS

Estar atento ao mundo interno e externo, procurando integrar a totalidade das

Clima de segurança

experiências.

psicológica que significa

Desenvolver uma atitude de abertura,

aceitar o outro como um valor

flexibilidade, permeabilidade a novos conceitos e

incondicional;

opiniões, procura de informações variada. Maleabilidade cognitiva, gosto pelo risco e identificação de diferentes perspetivas face um problema ou situação.

Ausência de clima de avaliação ou crítica destrutiva

Autoavaliação do processo criativo, com base na Ambiente facilitador da

autoestima e consciência de si.

expressão de ideias de forma Independência de pensamento relativamente ao pensamento grupal e pressão social.

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livre e responsável


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CRIATIVIDADE INERENTE AO PERFIL DO FORMADOR Embora já seja recorrente o uso a metodologias dinâmicas e interventivas no contexto formativo, o que é certo é que ainda se continua a dar ênfase às aprendizagens mecânicas e de apelo à memorização,

que

apenas

implicam

dos

formandos a repetição de tarefas, atribuindo-lhes um papel passivo na aprendizagem. Contudo, face à atual realidade e à constante dialética do mercado, é necessário preparar e profissionalizar cada vez melhor os indivíduos, conferindo-se assim ao formador o papel de agente da mudança. Assim, de forma a promover a criatividade pedagógica, sugerimos-lhe alguns princípios de base que deve propor aos participantes aquando da resolução das atividades.

Nas atividades que propõe aos elementos do grupo, solicite que:  Desenvolvam um pensamento divergente,  Se questionem sobre a possibilidade de existiram outras soluções para resolver o mesmo problema;  Estimulem as suas próprias ideias;  Sejam determinados em produzir algo novo;  Não desanimem quando há discordância;  Sejam ousados na forma como definem a resolução da atividade;  Optem por recursos pedagógicos diferentes;  Estejam recetivos a novas ideias do formador e colegas;

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 Valorizem as ideias e soluções dos outros;  Utilizem o humor. Desta forma, está a promover e a estimular atitudes criativas nos seus formandos, possibilitando-lhe que apliquem um pensamento divergente e encontrem novas formas de abordagem para uma mesma realidade. Ao possibilitar que os formandos “desconstruam” a realidade e encontrem novas formas de a “construir” e atuar, permite-lhes serem criativos no processo de resolução de problemas e atuarem de forma autónoma no seu pensar e no seu agir.

Conclusão Final Neste manual procurámos abordar os principais fatores e modelos da aprendizagem dos adultos. Vimos como a aprendizagem é um processo dinâmico, gradativo e de carácter pessoal, cabendo por isso ao formador o papel de identificar as especificidades relativas a cada formando e a cada grupo, com o intuito de facilitar a aprendizagem. Essa atribuição do formador não poderá ser levada à prática sem um cuidado e adequado planeamento, tendo em conta, entre outras variantes, as diferentes formas de aprendizagem no que concerne à formação dos adultos: 

Repetição;

Tentativa- Erro;

Imitação/Modelagem/Observação;

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Reflexão;

Descoberta.

Dado que num grupo de formação a diversidade é uma realidade vigente, concorrendo no mesmo espaço pessoas com características muito distintas, torna-se fundamental que o formador consiga reconhecer e gerir essa panóplia de diversidades, concebendo percursos de aprendizagem diferenciados.

Para tal, frisámos que um dos desafios que o formador tem é o de romper com o paradigma tradicional de ensino e desenvolver diferentes trajetos de aprendizagem, para que o recurso à diferenciação possa funcionar como fator de inclusão, reconhecendo e promovendo novos processos e capacidades de aprendizagem.

Por fim, reforçámos a importância de cada vez mais o formador ter que assumir um espirito criativo e empreendedor nos moldes como concebe as atividades pedagógicas. Para além de ter que aliar a criatividade ao seu perfil, terá também de fomentar essa competência nos formandos, tornando-os capazes de encontrar formas distintas de resolução de problemas e mais autónomos no seu processo de pensar e agir.

Deixamos-lhe de seguida uma síntese com as principais ideias subjacentes a este sub-módulo. Esta síntese é apenas um compêndio, uma vez que poderá aprofundar e explorar mais este tema no manual que também lhe é disponibilizado na plataforma.

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FPF - submodulo 1.2  

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