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Rico, o Ornitorrinco Elisabetta Rossini e Elena Urso


E l isa bEt ta R ossi n i E E l Ena UR so são licenciadas em Ciências da Educação pela Universidade de Milão – Bicocca. Têm desenvolvido o seu trabalho de Consultoria Pedagógica em Roma e em Milão, onde têm Consultório. Pode consultar mais informações em www.consulenzapedagogica.com. As autoras são especialistas em Psicologia do desenvolvimento, análise e compreensão dos desenhos infantis, evolução neurológica das crianças dos 0 aos 6 anos, aspectos psicopedagógicos e funções terapêuticas das fábulas.

As suas experiências, adquiridas no apoio e resolução de questões relativas a momentos críticos da vida da criança, a relação conflituosa entre pais e filhos, desde a infância até a adolescência, as dificuldades na Escola, estão agora reunidas em histórias infantis, com a convicção de que a leitura pode ser um impulso para a abertura e manutenção do diálogo necessário entre pais e filhos e um instrumento indispensável na formação individual da criança.


“Devido ao facto de que a vida é frequentemente desconcertante, a criança tem uma necessidade ainda maior de poder adquirir a possibilidade de compreender-se a si mesma neste mundo complexo, no qual deve aprender a integrar-se. Para poder ser capaz, deve ser ajudada a atingir um sentido coerente a partir do tumulto dos seus sentimentos. A criança tem necessidade de obter pistas sobre o modo de arrumar a sua casa interior para, sobre essa base, criar ordem na sua vida.” BETTELHEIM, B. Il Mondo Incantato, trad. It. di A. D’Anna, Feltrinelli, Milano, 2008

R ico, o oRnitoRRinco é um conto que aborda questões relacionadas com a autoestima. Para a criança, a necessidade de identificação é uma tensão natural que se manifesta através do desejo de ser como os outros, reconhecer-se nos outros e ser, por sua vez, também reconhecido pelos outros. Pelo contrário, a singularidade da criança é uma meta a conquistar através do processo de maturação (aos níveis físico, mental e emocional), o que exige o envolvimento ativo da criança no seu decurso. Através de uma viagem metafórica ao seu interior, o protagonista deste conto aprende


a reconhecer a sua singularidade como um recurso, transformando o que anteriormente era percebido como um limite numa ferramenta para progredir. A criança é acompanhada pelo adulto nesta viagem: a linguagem simbólica do conto permite que seja confrontada com a insatisfação que sente relativamente a si mesma, através de um universo que compreende e aceita; um universo onde encontrará os instrumentos necessários para superar essa insatisfação. As personagens cuja identidade é assumida por Rico representam as partes de si

que mais aprecia e com as quais se identifica parcelarmente, mas que ainda não conseguiu integrar de forma harmoniosa. O sol é o elemento mágico necessário para tornar suportável, aos olhos do pequeno leitor, um percurso natural de crescimento que comporta, muitas vezes, dor. Com este conto pretende-se que, de uma conceção confusa e frustrante de si mesma, a criança construa/encontre uma nova/outra perspetiva mais esclarecida e, portanto, tranquilizadora. O que muda não é a realidade, mas o modo como a criança a perspetiva.


Rico, o Ornitorrinco


Era uma vez o Rico, um ornitorrinco que, como todos os ornitorrincos, tinha um bico engraçado, patas espalmadas, grandes garras e uma cauda larga e plana: não, Rico não gostava mesmo nada de si próprio. − Argh! − dizia Rico, cada vez que via a sua imagem refletida no Rio. − Olha que desgraça a minha. Pareço ser feito com os restos de outros animais! − e permanecia ali até que a sua imagem ficasse escurecida graças aos reflexos dos raios de Sol.

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Rico, O Ornitorrinco  

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