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Moderna Especial Literatura, musica e poesia

Entrevista hipotetica Biografia Vinicius de Morais Poesia Soneto de Fidelidade Musica

Nesta semana de estreia da Poesia na estante, uma matéria exclusiva sobre:

VINICIUS DE MORAIS

Garota de Ipanema Dramaturgia Orfeu da conceição


“[...] Que seja infinito enquanto dure [...]” Vinicius de Morais

Edição: J. Carlos (Jô) Lima

Matéria: J. Carlos (Jô) Lima Pesquisas: J. Carlos (Jô) Lima

Texto: J. Carlos (Jô) Lima Revisão: Nova Arte Colaboração: Nova Arte

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Biografia

N

Ada melhor do que explicar a modernidade falando de como foi construída. Por esse Motivo, vamos agora entrar em um mundo cultural intenso e sensitivo, que mistura fantasia e realidade em um contexto dinâmico. E é nessa aventura que nós da Moderna, convidamos vocês a embarcarem conosco na viagem entre a vida e a obra de um dos artistas mais talentosos do Brasil, Vinicius de Morais. Peguem seus fones de ouvidos, marcadores de texto e vamos lá... Mais conhecido como “poetinha” (Apelidado dado por seu grande amigo Tom Jobin), nasceu em 1913 no

bairro da Gávea, no Rio de Janeiro. Filho de Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, funcionário da Prefeitura, poeta e violinista amador, e Lídia Cruz, pianista amadora. Vinícius é o segundo de quatro filhos. Mudou-se com a família para o bairro de Botafogo em 1916, onde iniciou os seus estudos na Escola Primária Afrânio Peixoto, onde já demonstrava interesse em escrever poesias. Um poeta lírico, Conhecido como um boêmio inveterado, fumante e apreciador do uísque, era também conhecido por ser um grande conquistador. O poetinha casou-se por nove vezes ao longo de sua vida. Sua obra é vasta, passando pela literatura, teatro, cinema e música. No campo musical, o poetinha teve como principais parceiros: Tom Jobim, Toquinho, Baden Powell, João Gilberto, Chico Buarque e Carlos Lyra.

Após Muitas lutas e conquistas (muitas obras lançadas) e influência total sobre a população brasileira que o amava, foi, em 1968, compulsoriamente aposentado pelo AI5 (ato institucional n°5). O poeta estava em Portugal lançando uma serie de espetáculos juntamente com Nara Leal e Chico Buarque de Holanda quando o AI5 chegou. A justificativa para a emissão do afastamento de suas funções foi o seu comportamento “boêmio” e festivo. O poetinha veio a falecer na banheira de sua casa onde passou mal na madrugada de 09 de Junho de 1980. O dia anterior passou com toquinho, amigo com quem planejava o volume 2 do disco “Arca de Noé” (este LP foi lançado em 1981). Ipanema foi o palco de sua homenagem “Eu artistas, sei que vou te amar. com vários a minha vida entre eles Por o toda próprio te amar Toquinho. Eu E vou o Brasil Desesperadamente” 3 Eu sei que vou te amar – Vinicius de Morais


perdeu um de seus artistas mais importantes da história.

Poesia

O

Poetinha (Vinicius de Morais) lançou vários poemas dentre os quais se destaca seus sonetos. Seu primeiro livro “O Caminho para a Distância”, que foi compilado em obra posterior chamada “O Sentimento do Sublime”, é uma coletânea de poemas e um dos livros de estreia que mais chamou a atenção crítica da época. Foi publicado em 1933 pela Editora Schmidt. O livro foi publicado enquanto Vinicius estudava na Faculdade de Direito do Catete, Rio de Janeiro. Na época,

seu colega, Américo Jacobina Lacombe, desaconselhou o amigo a prosseguir na carreira de poeta. Lacombe disse: "Você é inteligente, mas não tem jeito algum para poeta. Para ser poeta é preciso ser sonhador e viver com a cabeça nos ares. Você é realista demais para isso." Vinicius, na época da publicação com 19 anos, escreve a seguinte [2] introdução: “

Este livro é o meu primeiro livro. Desnecessário dizer aqui o que ele significa para mim como coisa minha – creio mesmo que um prefácio não o comportaria normalmente. São cerca de quarenta poemas intimamente ligados num só movimento, vivendo e pulsando juntos, isolando-se no ritmo e prolongando-se na continuidade, sem que nada possa contar em separado. Há um todo comum indivisível.

Outras obras como “Formas e exegese” (1935) e “Antologia Poética” (1954), ficaram muito conhecidas. O poetinha tinha um dom especial, segundo os críticos. Ele conseguia reunir sentimento e realidade em um mesmo texto, uma mesma poesia e um mesmo papel. Segue em baixo o seu soneto mais famoso (internacionalmente inclusive): Soneto de Soneto de Fidelidade fidelidade. De todo ao meu amor serei atento Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto Que mesmo em face do maior encanto Dele se encante mais meu pensamento Quero vive-lo em cada vão momento E em seu louvor, hei de espelhar meu canto E rir meu riso e espalhar meu pranto Ao seu pesar ou seu descontentamento E assim, quando mais tarde me procure Quem sabe a morte, angustia de quem vive Quem sabe a solidão, fim de quem ama Eu possa me dizer do amor (que tive): Que não seja imortal, posto que é chama Mais que seja infinito enquanto dure 4 Morais, Vinicius de – Soneto de fidelidade – Antologia poética, 1954, Pag. 96.


Musica

A

s composições de Vinicius de Morais foram um marco na construção da musica popular brasileira (MPB). Em 1959 foi dado inicio ao um novo movimento chamado de “Bosa Nova” no qual Vinicius foi um dos grandes pioneiros do estilo. Suas musicas foram cantadas por nomes muito importantes do cenário de musica brasielira como: Agnaldo Rayol, Chico Buarque de Holanda, Caetano Veloso, Nara Leão, dentre outros. Em 2005 "The Girl from Ipanema", versão em inglês de "Garota de Ipanema", interpretada por Astrud Gilberto,

Tom Jobim, João Gilberto e Stan Getz e gravada em 1963, foi escolhida como uma das 50 grandes obras musicais da Humanidade, pela Biblioteca do Congresso Americano e já foi cantada, inclusive, pela cantora pop inglesa, Amy Winehouse. Garota de Ipanema

Olha que coisa mais linda Mais cheia de graça É ela menina Que vem e que passa No doce balanço, a caminho do mar Moça do corpo dourado Do sol de Ipanema O seu balanço é mais que um poema É a coisa mais linda que eu já vi passar Ah, por que estou tão sozinho Ah , por que tudo é tão triste Ah, a beleza que existe A beleza que não é só minha Que também passa sozinha Ah, se ela soubesse Que quando ela passa O mundo inteirinho se enche de graça ECom fica maisolindoSaudoso, Por causa do amorcompôs Pinxinguinha,

Tom Jobin & Vinicius de Morais

a trilha sonora do filme “Sol sobre a lama” de Alex Vianny. Em agosto de 1962, com Tom Jobim, João Gilberto, Os Cariocas e Vinicius de Moraes participaram de "Encontro", um dos mais importantes concertos da bossa nova realizado na boate "Au Bon Gourmet" no Rio de Janeiro. Duas canções de Vinicius de Moraes concorreram, em 1965, o I Festival Nacional de Música Popular Brasileira (da extinta TV Excelsior). "Arrastão" (composta com Edu Lobo), defendida por Elis Regina, ficou com o primeiro lugar, e "Valsa do Amor que Não Vem" (parceria com Baden Powell), defendida por Elizeth Cardoso, ficou com o segundo lugar. The girl from Ipanema Tall and tan and young and lovely The girl from Ipanema goes walking And when she passes, each one she passes goes "a-a-ah!" “Alta, bronzeada, jovem e encantadora A garota de Ipanema está 5 andando E quando ela passa, todos dizem "a-a-ah" ao vê-la passar”


Dramaturgia

N

ão é segredo pra ninguém que o “poetinha” tinha vários talentos além de musica e poesia. Ele começou a carreira sendo jornalista e critico de cinema depois começou a trabalhar nas embaixadas brasileiras de países como Uruguai, França (Paris), Estados unidos da America (Los Angeles) dentre outros. Escreveu suas coletâneas de poemas, como o (já citado) Antologia poética em 1954 e neste mesmo ano, publicou sua peça teatral “Orfeu da conceição”, premiada no concurso do IV Centenário de São Paulo e publicada na

revista Anhembi. Dois anos depois, quando Vinicius buscava alguém para musicar a peça, e aceitou a sugestão do amigo Lúcio Rangel para trabalhar com um jovem pianista, Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, que na época tinha 29 anos e vivia da venda de músicas e arranjos nos inferninhos de Copacabana. E foi aí, que a parceria entre Tom e Vinicius vinha a ser tão forte e presente em varias obras. Entre 1957 a 1958, o diretor de cinema francês, Marcel Camus filmou "Orfeu do Carnaval" no Rio de Janeiro, filme este que recebeu o nome de “Orfeu Negro”. Vinicius compôs para o filme "A Felicidade" e "O Nosso Amor". Um ano depois, o filme seria contemplado com a Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes e o Oscar de melhor filme estrangeiro.

Mesmo após a morte, a obra musical de Vinicius manteve-se prestigiada na música brasileira. Foram lançados os álbuns “Toquinho, Vinicius e Maria Creuza - O Grande Encontro” (1988) e “A História dos Shows Inesquecíveis Poeta, Moça e Violão: Vinicius, Clara e Toquinho” (1991), além de terem sido lançados livros sobre o poeta, como Vinicius de Moraes - Livro de Letras (1993), de José Castello, "Vinicius de Moraes" (1997), de Geraldo Carneiro (uma edição ampliada do livro publicado em 1984). Vinicius de Morais o “poetinha” é sem duvidas a personalidade brasileira mais aclamada e importante de nossa cultura. Suas obras engrandecem não só as artes, mas toda uma geração que lutaram e com garra, construíram a nossa estória de um povo heroico e brado retumbante. Damos fim em nossa viagem e ficamos por aqui. Mais não 6


percam a segunda edição de Moderna que está imperdível. Até a próxima pessoal

Sugestões

Livros:

CDs:

Você pode também visitar a página oficial de Vinicius de Morais na internet : 7 http://www.viniciusdemoraes. com.br/site/

Moderna  

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