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Informativo

ASSOCEASA 6

Ano 2 | Fevereiro e Março de 2012 | Edição Distribuição Gratuita

RIO DE JANEIRO Como foi a visita da Assoceasa à Central carioca

O gigante

chinês As consequências da dominação progressiva dos orientais na economia nacional e o que podemos fazer para amenizar esta situação

TRADIÇÃO A história de sucesso de uma das empresas mais respeitadas do Abastecimento

CEBOLA Seu consumo diário ajuda a prevenir diversos tipos de câncer


EDITORIAL

EXPEDIENTE

Em nossa primeira edição bimestral do Informativo Assoceasa desEsta revista é uma publicação da Assoceasa

tacamos a terceira hortaliça mais consumida no mundo: a cebola.

Presidente Marco Antonio Adami Produção, edição e fotografias Nótus Comunicação Jornalistas Responsáveis Ana Luiza Panazzolo (MTB: 64.887) Marcela Pastor (MTB: 64.896) Colaboração Especial Zé Mineiro Designer Renato Pastor Diagramação João Colosalle Impressão Gráfica Silvamarts Tiragem 2.000 exemplares

cialização expressivo, sendo abastecida por empresas sólidas e com

CEASA - Centrais de Abastecimento de Campinas S.A. Rodovia Dom Pedro I, km 140,5 Pista Norte, Campinas (SP) Telefone: (19) 3746-1000 www.ceasacampinas.com.br Horário de funcionamento para comercialização: Segundas, quartas e sextas-feiras, das 5h às 15h Terças e quintas-feiras, das 7h às 16h Sábados, das 7h às 12h Estacionamento grátis Contato da redação: informativoassoceasa@gmail.com

Na Ceasa-Campinas, ela possui um volume econômico e de comertradição no setor. Além disso, a cebola se destaca por seu valor nutricional e por seu poder na prevenção de diversos tipos de câncer. Uma das principais potências mundiais da atualidade também está presente nesta edição. Relatamos nas próximas páginas, a participação da China no mercado nacional e em todos os departamentos produtivos de alta escala, principalmente no setor do alho. Neste cenário, fica a preocupação: hoje, os produtos são baratos, porém fica a dúvida se no futuro os preços serão impostos de acordo com os interesses chineses e o mundo será obrigado a aceitá-los? Outro assunto abordado é a viagem realizada pelos representantes da Assoceasa e da Ceasa-Campinas ao Rio de Janeiro. É de conhecimento de muitos que há tempos a Associação vem solicitando à Administração da Central para que passe a conduzir os valores e verbas que são rateadas aos permissionários. Após tantas trocas de Presidência, encontramos na pessoa do Prof. Dimas o espaço necessário para uma discussão mais séria e aberta sobre o assunto. Com isso, a visita ao Rio deu-se como uma importante oportunidade de conhecer as experiências cariocas neste sentido e para que assim, possamos avançar e melhorar nossa gestão desses valores! Por fim, homenageamos uma empresa de tradição e de extrema importância na Ceasa: a AlfaCitrus, que há mais de 40 anos na produção e quase 20 anos na comercialização, é símbolo de competência e profissionalismo no mercado hortifrutigranjeiro. Desejamos a todos uma boa leitura!

Os artigos assinados e os anúncios divulgados são de inteira responsabilidade de seus autores.

NESTA EDIÇÃO

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ALFA CITRUS

Há quase 40 anos na produção e comercialização de laranja e tangerina, a família Favero une gerações em prol do Abastecimento

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TROCA DE EXPERIÊNCIAS Saiba como foi o encontro entre os permissionários da Ceasa-Campinas e os administradores do Abastecimento carioca

É MÊS DE...

Com 1,12 milhões de toneladas produzidas por ano no Brasil, a cebola possui poderosas propriedades an�bacterianas e an�cép�cas

ESPECIAL

Confira uma análise sobre a invasão chinesa no mercado nacional em setores como o do alho e o têx�l, causando prejuízos diários às empresas brasileiras

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MERCADO

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Informativo Assoceasa | nº 6 | Fevereiro e Março de 2012

ASSOCEASA

no Rio de Janeiro ro

Representantes da Associação e da Ceasa-Campinas reúnem-se com administradores da Central carioca para troca de experiências A Assoceasa (Associação dos Permissionários da Ceasa-Campinas) enviou seus representantes, José Antonio Fernandes da Silva (Zé Mineiro), diretor social, e Claudinei Barbosa, assessor administrativo e jurídico, junto ao gerente de R.H. da CeasaCampinas, José Anízio Marim, e o gerente jurídico, Márcio de Oliveira Ramos para uma viagem ao Rio de Janeiro com o objetivo de trocar experiências com os profissionais da Central de Abastecimento carioca. O resultado de tal encontro foi um excelente e construtivo aprendizado em administração de contas e contratos que será utilizado em prol do cotidiano da Ceasa-Campinas. Fomos maravilhosamente bem recepcionados pelo presidente da ACEGRI (Associação Comercial dos Produtores e Usuários da Ceasa Grande Rio e São Gonçalo), Sr. Waldir de Lemos, e pelo gestor financeiro, Sr. Orlando Carlos Scarpinelli, que nos explicaram em detalhes a forma com que conseguiram assumir a administração das mencionadas contas. Tal processo iniciou-se com um protesto fechando o comércio na Ceasa por um dia. Ao mesmo tempo, foi proposta uma ação judicial em face da administração, na qual foram realizados depósitos judiciais dos valores relativos não só ao rateio, mas também à T.P.R.U. (Termo de Permissão Remunerada de Uso), instaurando-se assim, um grande litígio com a administração da época (1995). Indignados com a situação com-

prometedora do Abastecimento de hortifrutigranjeiros, a Secretaria de Agricultura do Rio de Janeiro promoveu reuniões, sendo inicialmente apresentadas verdadeiras “ameaças” de retaliação aos usuários da referida central. Porém, uma vez convidado para visitar a Ceasa, o secretário tomou conhecimento das urgentes melhorias necessárias. Concluindo então, pela coerência das reivindicações e questionamentos que a Central possuía diversos problemas, como falta de segurança (com vários casos de roubos); de limpeza (era considerada a Ceasa mais suja e desorganizada do país); péssimo estado de conservação do pavimento asfáltico (o que atrapalhava o fluxo normal do trânsito); péssimo estado de conservação dos pavilhões, propiciando inclusive, incêndios de grandes proporções e danos em mais de uma oportunidade, além de outros inúmeros problemas que poderiam ser elencados. Todas estas adversidades eram originadas a partir de uma mesma causa: a má administração praticada pelo estado, que detinha quadro de funcionários/servidores para todos os serviços, contando com aproximadamente 600 (seiscentos) deles. Além disso, muitos eram detentores de estabilidade decorrente da transação que havia entre união e estado, uma vez que a CeasaRio pertencia à administração federal e passou para a estadual (situação atual, porém com número reduzido). Este panorama mudou radicalmente após a transferência do poder de

contratação e gestão dos contratos/ serviços diretamente pela ACEGRI que, ao invés de admitir funcionários para o desempenho dos trabalhos, optou por terceirizá-los, contratando empresas prestadoras de cada um deles. Além disso, assumiram a arrecadação dos valores integrantes do rateio, ficando a cargo da administração apenas o relativo à T.P.R.U. Juntamente ao direito de contratar e administrar tais contas (o que foi firmado em acordo judicial pelo prazo inicial de 10 anos e podendo ser prorrogado por igual período) foram assumidas algumas obrigações, como por exemplo, o dever de recuperar o asfalto e prestar satisfações financeiras para a administração. Faz doze anos que a ACEGRI conquistou tal direito, podendo elencar inúmeras melhorias ao mercado, além da eficiência na gestão dos contratos. Para tanto, o grupo é formado por nove colaboradores da Associação, além dos integrantes da diretoria e das empresas terceirizadas. O Sr. Waldir de Lemos, por sua vez, participou ativamente dos dois momentos, estando à frente da ACEGRI há 18 anos. Após a colheita de expressiva gama de experiências e evoluções vividas pelos profissionais da Ceasa-Rio, os representantes das Centrais de Campinas retornaram com inúmeras informações benéficas ao dia-a-dia do mercado hortifrutigranjeiro que serão utilizadas em prol do crescimento do Abastecimento e dos negócios dos permissionários.


Fevereiro e Março de 2012 | nº 6 | Informativo Assoceasa

Diferente do que muitos possam imaginar, a origem do nome Alfa Citrus não possui analogia com a letra grega. Na realidade, por trás desta respeitada nomenclatura existe uma história de profissionalismo, união e conquistas. Seu precursor, Sr. Aleixo Favero, é o responsável por deixar o legado da Alfa Citrus às atuais gerações da família. Além das iniciais de seus nomes, a empresa também traz consigo o respeito conquistado no mercado ao longo de quase 40 anos de trabalho árduo. Após uma sociedade com alguns de seus irmãos e primos que teve fim em 1976, Sr. Aleixo, ao lado de dois de seus filhos, continuou com a produção e comercialização de laranja e tangerina nas propriedades que lhe pertenciam. Em 1995, Emilio César Favero, também filho de Sr. Aleixo, e Sr. Nelson A.S. Campos, seu genro, entraram no negócio da família para iniciar a empresa no comércio da Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo) – momento em que surgiu o nome Alfa Citrus. “As propriedades de meu pai eram chamadas de Alfa 1, Alfa 2 e assim por diante, decorrente da junção das iniciais de seus nomes. Então, unimos com o Citrus e assim ficou”, explica Emilio. Após o crescente sucesso na Ceagesp, a empresa expandiu-se abrindo um Box na Ceasa-Campinas em 1999. Hoje, os quatro sócios da Alfa Citrus gerenciam a parte administrativa, comercial e fiscal das duas Centrais e das oito propriedades de campo.

Para seguir as exigências de qualidade do mercado, o investimento em tecnologia é constante. No Packing House de Engenheiro Coelho há uma pesadora com duas maquinas de pacotes que embalam, cada uma, 20 sacos de laranjas por minuto, e uma ‘separadora’, de origem espanhola, que distingue as frutas de acordo com o seu diâmetro e peso em apenas alguns segundos, processando 25 toneladas por hora. Com certificados de qualidade de grandes empresas como Carrefour e Pão de Açúcar, a Alfa Citrus segue todas as normas de fabricação exigidas pelo mercado. Porém, mesmo comercializando produtos com garantia de segurança alimentar, Emilio acredita que não há a valorização necessária para as empresas que se preocupam com este conceito. “Muitas vezes vemos as pessoas comprando apenas por questões de preço, sem saber nada sobre a origem daquele alimento. Além disso,

percebemos que os grandes clientes não estão vindo mais na Ceasa, eles estão comprando direto do produtor. Para termos uma ideia, até 2010, vendíamos 40% de nossa produção no Packing House e 60% nas Centrais. Porém, encerramos 2011 com esses números invertidos. Se isso for uma tendência, nós estamos fadados a vender para clientes de médio e pequeno porte nas Centrais ou sermos apenas fornecedores nos momentos de falta”, afirma Emilio. Para mudar este cenário, o sócioproprietário da Alfa Citrus acredita que a Ceasa precisa melhorar a sua infra-estrutura, diminuir os custos aos permissionários e ampliar a divulgação de oportunidades existentes dentro da Central. Se essas mudanças serão efetivadas em um futuro próximo, Emilio não sabe, porém, para a Alfa Citrus, os planos já começaram a ser traçados. “Nós temos um desejo de montar uma unidade de produção de suco de laranja para processarmos cerca de um milhão de caixas por ano. Além disso, nossa expectativa é de dobrar a nossa produção da frutas em cerca de três anos. Então, devemos ter um futuro promissor para a nossa empresa”, acredita.

COLHEITAS DE UMA HISTÓRIA

Quase 40 anos de excelência em qualidade no Abastecimento

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É MÊS DE...

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Informativo Assoceasa | nº 6 | Fevereiro e Março de 2012

Cebola

Consumida em todo o mundo, primordialmente como tempero, a cebola ajuda a prevenir alguns tipos de câncer Originária da Ásia, a cebola caminhou a passos largos em direção ao ocidente, chegando às Américas por meio de seus colonizadores. No Brasil ela foi introduzida, inicialmente, no Rio Grande do Sul, de onde se espalhou para todo o país. Rica em quercetina (substância com alto poder antioxidante), vitaminas do complexo B e potássio, a cebola é conhecida por sua diversidade de variedades: pêra, branca, pérola, roxa e chalotas. Segundo o nutricionista Antonio Pedro Tavares, existem estudos que demonstram efeitos significativos na melhora do sistema imunológico, efeito antiviral, antifúngico, antiinflamatório e ainda na prevenção de alguns tipos de câncer como o de estômago, colo-retal, laringe e intestino, além de reduzir o risco de doenças cardiovasculares. “A cebola é um dos alimentos mais recomendados para o consumo diário. Quando isso não é possível, recomendamos o consumo de duas cebolas por semana, que já é suficiente para reduzir em 56% o risco de câncer de laringe, 43% o de ovário e em 25% o de rins”, aponta. Existem ainda casos, não comprovados cientificamente, que relatam o uso da cebola na prevenção de gripes, resfriados e pneumonias. Por possuir poderosas propriedades antibacterianas e anticépticas, acredita-se

que este alimento é capaz de absorver todos os germes contidos no ar, apenas colocando-o em pratos espalhados pelo ambiente. Mercado Atualmente, o maior produtor mundial de cebola é a China, que detém cerca de 33% da fatia do mercado, além de ser o país com maior superfície cultivada do alimento. Logo atrás está a Índia, a Rússia e o Paquistão com mais de 100 mil hectares de plantação. O Brasil ocupa o 9° lugar com uma área de aproximadamente 57 mil hectares e uma produção de 1,12 milhões de toneladas por ano, sendo o maior produtor da América do Sul. De acordo com o proprietário da J.V. Rossi, José Vanderlei Rossi, a cebola está presente no mercado em todas as épocas do ano. “O que varia, na realidade, são as regiões onde ela é produzida: São José do Rio Pardo, em seguida Monte Alto, Cristalina, Uberaba e, no final do ano para o seu início, em Rio Grande, Santa Catarina”, explica o comerciante. A cebola, um dos produtos com maior disparidade de preços na Ceasa-Campinas, está sendo comercializada de R$25 a R$30 o saco de 20kg.

Hora da receita Aprenda a fazer um delicioso e nutritivo patê de cebola light. Ingredientes 3 cebolas picadas 1 colher (sopa) de azeite 1 embalagem de queijo cottage 1/2 envelope de sopa de cebola Ervas frescas a gosto

Modo de preparo Coloque a cebola e o azeite em uma panela antiaderente e mexa em fogo baixo até que fique dourada. Retire-a e bata em um processador com o queijo cottage até ficar cremoso. Adicione as ervas, mexa bem e sirva.

Bom apetite!

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Informativo Assoceasa | nº 6 | Fevereiro e Março de 2012

Mercado Chinês

MERCADO

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Influência negativa para alguns setores da economia ‘Zé Mineiro’

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alho é a cultura que mais gera concentração de emprego na agricultura, por ser um cultivo quase totalmente artesanal. A sua produção era uma atividade que se constituía como uma alternativa de renda e manutenção nas pequenas e médias propriedades rurais. Em cada hectare de alho cultivado, são gerados quatro empregos. Em função da importação de alho da China, o setor produtivo reduziu consideravelmente as suas áreas de produção. Em 2008, o volume deste alimento advindo da China e Argentina atingiu 14 milhões de caixas, o equivalente a 65% do consumo nacional. Infelizmente, o governo brasileiro, ao invés de incentivar a criação de empregos e apoiar os produtores nacionais, prefere gerar renda para outros países, ameaçando a sobrevivência de pequenos e médios produtores de nossa terra. Na importação de alho da China há incidência de muitos impostos, como o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e prestação de Serviços), imposto de importação, bem como outras despesas, entre elas, aluguéis de containeres e armazenamento. A principal proteção adotada em favor da produção nacional é o antidumping, cuja taxa de ingresso no mercado interno é de cinco dólares por cada caixa de 10kg. O seu objetivo é equilibrar o valor do produto importado com o nacional, porém, ainda assim, o alho chinês possui menor custo. Durante um bom período, o alho chinês foi dominado por “meia dúzia” de empresas que conseguiram liminares judiciais e não pagaram o antidumping. De igual forma, comerciantes e importadores valeram-se de empresas “laranjas” criando uma concorrência desleal. Até que a Anapa (Associação Nacional dos Produtores de Alho) começou a combater a concessão das liminares, visando com isso, moralizar o setor. No entanto, até que algu-

ma melhora fosse notada, permaneceram na importação apenas os sonegadores, e por consequência, houve uma drástica diminuição na produção nacional. É importante destacar que o alho nacional é nobre e possui altíssima qualidade conhecida internacionalmente, sendo muito superior aos concorrentes orientais e argentinos. O mundo precisa de alimento, pois sem ele a sobrevivência humana torna-se impossível. O Brasil possui capacidade e área para triplicar a sua atual produção. Contudo, um país forte é aquele que preserva suas origens e tradições, desenvolvendo mecanismos de melhoria contínua onde se vislumbram suas principais vocações: agricultura e agropecuária. Diante deste cenário vemos que o governo nada fez e nada fará em favor do setor olerícula, pois a balança comercial aponta um grande volume de exportação de produtos nacionais para a China contra um baixo volume de importações. Em consequência, a produção de alho e de outros produtos fica sacrificada, não conseguindo concorrer com os orientais. Os empregos gerados na produção de alho nacional são passado, enquanto o desemprego no setor é a realidade atual. Setores têxtil e de brinquedos De acordo com uma pesquisa divulgada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), 45% das indústrias brasileiras perderam participação no mercado interno em 2010 devido ao crescimento das empresas chinesas. Entre os segmentos mais afetados, estão os materiais eletrônicos e de comunicação, indústrias têxteis, equipamentos hospitalares e de precisão, calçados, brinquedos, máquinas e equipamentos. Um desses casos encontra-se próximo à Ceasa, na cidade de Americana. A região, conhecida como o maior pólo têxtil do Brasil, vem sofrendo com a invasão do


Fevereiro e Março de 2012 | nº 6 | Informativo Assoceasa

Infelizmente, o governo brasileiro, ao invés de incentivar a criação de empregos e apoiar os produtores nacionais, prefere gerar renda para outros países

Outro setor que sofre com a crescente invasão chinesa é o de brinquedos. Somente em 2010, os produtos orientais foram responsáveis por 60% das vendas, número expressivamente superior ao do ano anterior, quando registrou 45%. Em 2009, o mercado de brinquedos foi incluído na política industrial do governo com o objetivo de reduzir custos e aumentar a competitividade desse setor na concorrência com o mercado chinês. Porém, os resultados ainda não são muito aparentes. Uma prova deste cenário cada vez mais arrasador foi a expressiva modificação interna e de mercado que uma das principais empresas de brinquedos do Brasil sofreu: a Estrela. Na década de 90, com a entrada dos chineses no setor, a marca deparou-se com quedas em seu faturamento e em suas ações. Com isso, ela foi vendida ao então presidente Carlos Tilkian e hoje, parte da produção de seus brinquedos é advinda da China e outra de duas fábricas próprias, em São Paulo e Minas Gerais. Diante deste cenário, até quando as autoridades ficarão paradas? Algo deve ser feito... e rápido.

MERCADO

mercado chinês. Há algumas décadas, a economia regional representava 80% do PIB da cidade, hoje este número caiu para 25%. Isso ocorre devido ao impacto de produtos oriundos da China e da valorização do real, dificultando a concorrência com os importados. A ociosidade da indústria têxtil de Americana vem acarretando na taxa crescente de desemprego. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores Têxteis, 2021 postos de trabalho do ramo foram fechados na cidade. Em uma tentativa de frear essa situação, o governo anunciou a alteração do regime tributário de importação para produtos têxteis, a fim de combater a chegada de artigos asiáticos feita de maneira desleal com preços subfaturados.

A invasão chinesa Oferta de produtos orientais acirra disputa com nacionais

Em 2008, o volume de alho originário da China e da Argentina atingiu

14 milhões

de caixas, o equivalente a 65% do consumo nacional

Os segmentos mais afetados pela

expansão chinesa alho

eletrônicos

brinquedos vestuário comunicação

hospitais calçados

45%

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das indústrias brasileiras perderam participação no mercado interno em 2010 devido ao crescimento das empresas chinesas (fonte: CNI)


FLASH

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Informativo Assoceasa | nº 6 | Fevereiro e Março de 2012

O dia a dia na Ceasa

NOTAS Preço mínimo da uva O Conselho Monetário Nacional aprovou os valores mínimos da uva para a safra 2011/2012. A fruta industrial (isabel), por exemplo, passa a valer R$ 0,57/kg. Porém, o reajuste só é válido para o viticultor que entregar uma uva com 15 Graus Babo ou mais. Com a iniciativa, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento acredita que produtores investirão mais nas parreiras.

Prevenção contra agrotóxicos A ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) lançou uma cartilha com orientações voltadas aos trabalhadores rurais que convivem diretamente com agrotóxicos. O objetivo é conscientizálos sobre como evitar intoxicações e informá-los sobre os principais sintomas da contaminação, como agir em caso de contato e qual a maneira correta de descarte das embalagens.

Consciência ambiental A Assoceasa (Associação dos Permissionários da CeasaCampinas) e a Aproccamp (Associação dos Produtores e Comerciantes do Mercado de Flores de Campinas) iniciaram uma nova campanha de educação ambiental na Central. A ação marca a estruturação do Plano de Gestão de Resíduos Sólidos da Ceasa e conta com a distribuição de mais de 20 mil panfletos, instalação de faixas e cartazes e realização de palestras sobre o assunto.



Informativo Assoceasa 6ª Edição - Fevereiro / Março 2012