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PAPA CONDENA VIOLÊNCIA NA BÉLGICA

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CÚRIA GERAL CELEBRA O ANO DA MISERICÓRDIA

PRESIDENTE DA CPAL VISITA MISSÃO NA AMAZÔNIA

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JESUÍTAS BRASIL

Em

INFORMATIVO DOS JESUÍTAS DO BRASIL EDIÇÃO 23 ANO 3 ABRIL 2016

A ALEGRIA DE SERVIR

DOAR-SE AO PRÓXIMO É UMA DAS MOTIVAÇÕES DAS PESSOAS QUE SE PROPÕEM A VIVENCIAR O VOLUNTARIADO NA COMPANHIA DE JESUS especial pág. 12


FOTO: NINJA MIDIA


SUMÁRIO

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EDITORIAL

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CALENDÁRIO LITÚRGICO

ENTREVISTA † PEREGRINOS EM MISSÃO

Missionário da espiritualidade

O MINISTÉRIO DE UNIDADE NA IGREJA † SANTA SÉ

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Ir ao encontro do Outro

EDIÇÃO 23 | ANO 3 | ABRIL 2016

Atentado em Bruxelas: papa condena a violência Pontifícia Universidade Gregoriana tem novo reitor

ESPECIAL

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MUNDO † CÚRIA GERAL

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Jubileu da comunidade da Cúria Conversações com o Padre Geral O cuidado da Criação JRS: atenção oftalmológica a refugiados Diálogo com Budistas sobre ecologia e fé Missionários da Misericórdia

AMÉRICA LATINA † CPAL

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Ressuscitar A colaboração no coração da missão Curso de Realidade Amazônica Assembleia de San José de Amazonas Visita do presidente da CPAL

SERVIÇO DA FÉ

Missa celebra os dois anos da canonização de Anchieta

Doar-se aos demais

Os voluntários são aqueles que cultivam a alegria de doar-se aos outros

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Em


Em

INFORMATIVO DOS JESUÍTAS DO BRASIL JESUÍTAS BRASIL

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PROMOÇÃO DA JUSTIÇA E ECOLOGIA

Padre Josafá apresenta conferência sobre biodiversidade

EXPEDIENTE EM COMPANHIA é uma publicação mensal dos Jesuítas do Brasil, produzida pelo Núcleo de Comunicação Integrada (NCI) CONTATO NCI noticias@jesuitasbrasil.com www.jesuitasbrasil.com DIRETOR EDITORIAL Pe. Anselmo Dias EDITORA E JORNALISTA RESPONSÁVEL Silvia Lenzi (MTB: 16.021) REDAÇÃO Juliana Dias

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DIAGRAMAÇÃO E EDIÇÃO DE IMAGENS Handerson Silva Érica Silva

DIÁLOGO CULTURAL E RELIGIOSO

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EDUCAÇÃO

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Papa responde cartas de crianças em novo livro Vida de Jesus é tema de livro do Pe. Iglesia

Conferência de Ciências Sociais da FIUC é realizada na Unicap Rede Jesuíta de Educação discute estratégias de comunicação IHU Unisinos assume veiculação dos conteúdos da Adital Colégios da RJE celebram aniversário Novo ciclo na Escola Santo Afonso Rodriguez

ANÚNCIO Handerson Silva COLABORADORES DA 23ª EDIÇÃO Dayane Silva, Dhyovaine Nascimento, Pe. Domingos Mianulli, Pe. Francisco de Assis Secchim Ribeiro, Marcia Savino, Pedro Risaffi, Pe. Valério Sartor e Ana Ziccardi (revisão). Um agradecimento especial a todos que colaboraram com a matéria especial dessa edição. FOTOS Banco de imagens / Divulgação Flickr - Ninja Midia (anúncio) TRADUÇÃO DAS NOTÍCIAS DA CÚRIA Pe. José Luis Fuentes Rodriguez

JUBILEUS

AGENDA

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EDITORIAL

IR AO ENCONTRO DO OUTRO

Pe. Jonas Elias Caprini, SJ Secretário para Juventude e Vocações da BRA e coordenador do programa MAGIS Brasil

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serviço voluntário é fruto da experiência profunda com Deus. Os Exercícios Espirituais são a grande riqueza deixada por Santo Inácio para a Companhia de Jesus e para a Igreja, que servem como instrumento na vivência dessa experiência. A relação íntima com o Senhor da vida leva a criatura a encontrar-se com o Criador e tomar consciência do sentido para o qual foi criada. [EE 23]

A Província dos Jesuítas do Brasil (BRA) vem trabalhando para que todos aqueles que bebem da espiritualidade inaciana tenham uma experiência prática de todo o bem vivenciado, colocando-se com seus dons a serviço dos mais necessitados. Todo trabalho voluntário dentro da dinâmica inaciana é precedido pela experiência da oração. A juventude compõe o público maior nos trabalhos voluntários. Temos, dentro das opções apostólicas da BRA, o Programa MAGIS Brasil, que propõe ao jovem, depois da experiência dos Exercícios Espirituais, o Voluntariado Jovem e a inserção sociocultural, para que ele faça uma oblação como Santo Inácio, “Tomai Senhor e Recebei”. Para ser Igreja livre e libertadora, precisamos nos despir de certas ideologias que nos distanciam dos ensinamentos de Jesus. O mundo está marcado pela injustiça, pois poucos detêm a maior parte das riquezas e muitos ainda padecem dons bens básicos de sobrevivência. Diante dessa situação, o que podemos fazer? Alguns passos são necessários. Ter sensibilidade cristã, pois não adianta ficarmos comovidos com o sofrimento dos outros se nossa postura e prática não passam de assistencialismos rasos. Às vezes, vivemos uma prática religiosa enganadora que tende a querer levar a salvação e libertação ao outro, sem antes experienciarmos profundamente o Cristo encarnado. Precisamos de ações que desconstruam a

O SERVIÇO VOLUNTÁRIO PODE DESCONSTRUIR MUITAS COISAS: PRECONCEITOS, IDEOLOGIAS, COMODISMOS.

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sociedade que alimenta a desigualdade e assumir compromissos efetivos de lutar pela transformação de todo sistema que reproduz injustiças. Ir ao encontro do Outro de verdade é comprometer-se com ele, pois é muito fácil dar esmola ao pedinte ou fazer doações no final do ano para celebrar o Natal com a consciência tranquila, sem um compromisso que transforma a sociedade. No contato direto com o Outro que sofre, somos desafiados a enxergá-lo em sua alteridade. O serviço voluntário pode desconstruir muitas coisas, como preconceitos, ideologias, comodismos, e provocar a consciência crítica que lança para a participação na vida política e social. A Conversão, uma dinâmica constante na vida humana, convida-nos à aproximação do projeto de Cristo. Infelizmente, apenas a catequese doutrinária não ajuda suficientemente a buscarmos o caminho de Jesus. Viver uma religiosidade piedosa, que não consegue ultrapassar a emoção assistencialista, não nos aproxima do projeto do Reino de Jesus. Caminhar com Ele significa viver como Ele viveu, reagir como Ele reagiu, ter os olhos e o coração de Jesus para com todos. O contato com o empobrecido numa postura de serviço generoso e gratuito transforma a vida de quem recebe e de quem se doa. Nesta edição do Em Companhia, apresentaremos as iniciativas e os testemunhos das experiências de voluntariado que a Companhia de Jesus vem realizando para aproximar todos aqueles que desejam viver uma experiência de conversão concreta no seguimento a Cristo.

Boa leitura!


CALENDÁRIO LITÚRGICO

calendário litúrgico Próprio da Companhia de Jesus

ABRIL

DIA 22 Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Companhia de Jesus

DIA 27

São Pedro Canísio

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ENTREVISTA

PEREGRINOS EM MISSÃO

MISSIONÁRIO DA ESPIRITUALIDADE

Pe. Luís González-Quevedo, SJ

O senhor ingressou na Companhia de Jesus em 1961. Como foi entrar na vida religiosa em tempos de muito conflito, marcados pela agitação política e econômica e as mudanças provindas do Concílio Vaticano II? Eu entrei na Companhia de Jesus em outubro de 1961. Era um tempo muito mais tranquilo do que os que vieram depois. O período mais emblemático da agitação estudantil foi 1968, o ano em que eu vim ao Brasil. O maior conflito internacional de que recordo, daquela época, foi a tensão entre os Estados Unidos e a antiga União Soviética, quando ela instalou uma plataforma de lançamento de armas atômicas na ilha de Cuba. Nunca o mundo esteve tão perto de uma guerra nuclear. Mas os dirigentes das duas maiores potências da época tiveram bom senso e evitaram a guerra. Particularmente, para a Igreja Católica, 1961 foi um ano de muita esperança. O papa João XXIII tinha convocado o Concílio Vaticano II, a começar no ano seguinte. Um grupo de estudantes de Teologia, claretianos, estava em crise, a ponto de pensar em abandonar a vida religiosa. Mas passou por Madri um superior que lhes disse: “tenham paciência;

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Movido pelo exemplo do seu pai, padre Luís González-Quevedo formou-se em Direito, na Espanha. Mas, com apenas 22 anos, decidiu largar os tribunais. “Aquele projeto de vida não me fazia feliz”, relembra o jesuíta, conhecido como Pe. Quevedinho. Foi assim que ele ingressou na Companhia de Jesus, já decidido a ser enviado às Missões na América Latina. Em 1968, o religioso desembarcou no Brasil e, ao longo desses 48 anos no país, dedicou-se a trabalhos importantes, dentre os quais o de ser mestre dos Noviços, editor da Revista Itaici e autor de sete livros. Essas são algumas das histórias inspiradoras que Pe. Quevedinho compartilha a seguir, em entrevista especial ao informativo Em Companhia.

eu lhes garanto que o Concílio vai melhorar as coisas”. Um daqueles jovens religiosos era Pedro Casaldáliga, que veio ao Brasil e tornou-se um “ícone” da Igreja dos Pobres. O senhor é formado em Direito? Eu me formei em Direito, porque meu pai era juiz, mas um juiz que “não tem cara de juiz”, segundo dizia o povo. Tanto meu irmão, Calixto, como eu gostávamos muito do nosso pai e os dois quisemos seguir o caminho dele. Éramos estudantes em tempo integral. Eu estudava bastante e tirava notas boas. Era previsível que poderia passar em qualquer concurso e limitar minha vida ao desempenho dos deveres de um operador do Direito, como se diz hoje. Não creio que alcançasse a fama do juiz Moro (o herói ou o vilão do momento). Mas, aos meus 22 anos, aquele projeto de vida não me fazia feliz. Na minha família, havia muitos padres e freiras. Além dis-


so, o papa João XXIII tinha pedido que a Igreja espanhola, na época com muitas vocações, ajudasse a América Latina, porque a região precisava de missionários. Assim, eu entrei na Companhia de Jesus, pensando já em ser enviado às Missões. Fui colega dos padres Ulpiano Vázquez e J. Ramón Fernández de la Cigonha. Eles foram enviados ao Brasil antes do que eu. Como sempre fui fraquinho, alguns duvidavam de que eu pudesse aguentar as exigências da vida religiosa da época, muito mais duras do que hoje.

eles viam as minhas limitações. Até hoje, divertem-se com o meu sotaque espanhol. Depois, o cargo de mestre está sempre sob a mira de toda a Província. O provincial que me nomeou orientou-me no sentido de não exigir muito. Aí, houve troca de provincial e o novo me pediu que exigisse mais. Nem o papa Francisco agradou a todos, no seu tempo de mestre e de provincial da Argentina.

O que o motivou, durante sua formação, a fazer uma especialização em Espiritualidade?

O senhor já lançou vários livros. Como foi escrever O Novo Rosto da Igreja: papa Francisco?

A especialização em Espiritualidade foi posterior. Depois de terminar o estudo de Teologia, fui destinado a Goiânia, onde me dei bem com o trabalho pastoral. Trabalhei na Universidade Católica (hoje, PUC-Goiás), no Seminário da Arquidiocese, na CRB (Conferência dos Religiosos do Brasil), na CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e fui o primeiro pároco de uma Paróquia de periferia. Eu não desejava ir a Roma, mas o meu provincial na época, Pe. Cristobal Álvarez, me animou a estudar dois anos de pós-graduação. Eu, depois, agradeci. Para um jesuíta, mesmo conhecendo já a Europa, é muito bom morar em Roma, estudar na Universidade Gregoriana e visitar Itália, França e Alemanha. Na verdade, quem me especializou em Espiritualidade não foi a Gregoriana, foram as pessoas a quem dei retiros e cursos. Depois, a nomeação de mestre de Noviços obrigou-me a interessar-me pela espiritualidade.

Até hoje, eu já publiquei sete livrinhos. O Novo Rosto da Igreja: Papa Francisco (Edições Loyola), o escrevi pensando em dar a conhecer o novo papa aos jovens, na Jornada Mundial da Juventude, que aconteceria no Rio de Janeiro, em julho de 2013. Na época, o livro logo se esgotou, pois só mil exemplares foram impressos. Depois, para fazer algum acréscimo, era uma dificuldade. Hoje, o papa é muito conhecido e aceito por quase todos. Mas, no meu livro, conto algumas coisas que não saíram em outros livros, porque dizem respeito à relação de amizade que o Pe. Bergoglio, desde 1970, tinha comigo e com minha família.

O senhor trabalhou em diversos campos de apostolado na Companhia. Trabalhou com universitários, depois foi mestre de Noviços, editor da Revista Itaici, diretor espiritual do Apostolado da Oração, entre outros. Qual trabalho exigiu mais do senhor e o que mais lhe ensinou, nesses anos todos de Companhia de Jesus?

Como o senhor conheceu Jorge Mario Bergoglio? E quais as características que o senhor mais admira no papa Francisco?

Todos os trabalhos apostólicos que fiz na vida me deixaram boa lembrança. O mais exigente ou de maior responsabilidade, sem dúvida, foi o de formador dos Noviços. Eu assumi por obediência, com temor e tremor, porque isso de ser mestre de Noviços, como dizia o Pe. Pedro Arrupe, é uma “missão impossível”. Santo Inácio diz que o formador deve ser “amado por todos”. E, quando se tem grupos numerosos, como tínhamos na época, isso não é fácil. Eu me esforcei por querer bem todos os noviços, ser amigo de todos, não fazer discriminação de pessoas. Mas é claro que

Atualmente, devido às inúmeras vezes que relatei essa história, tenho vergonha de contar como foi que me tornei amigo do Pe. Bergoglio. Portanto, para quem ainda não me tenha ouvido contar, basta ler meu livro, se possível na 4ª edição, que é a mais recente. Hoje, costumo dizer que ser amigo deste papa não tem mérito, porque ele é amigo de todo o mundo. Essa é uma das melhores qualidades que ele tem. O papa Francisco é uma pessoa muito próxima, muito cordial, que se aproxima e quer ser amigo de todo o mundo.

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O MINISTÉRIO DE UNIDADE NA IGREJA

SANTA SÉ

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e todos os belgas, as bênçãos divinas”. No dia seguinte, ao final da celebração na Praça São Pedro, o papa lembrou novamente do atentado em Bruxelas e dirigiu-se a todas as pessoas de boa vontade, pedindo que se unam em uma unânime condenação desses atos “cruéis e abomináveis, que estão causando somente morte, terror e horror”. E concluiu: “A todos, peço para preservar na oração e pedir ao Senhor, nesta Semana Santa, que conforte os corações aflitos e converta os corações dessas pessoas cegas pelo fundamentalismo cruel”. Fontes: site Canção Nova | Rádio Vaticano | NEWS.VA

FOTO: EPA (EUPOPEAN PRESSPHOTO AGENCY)

m 22 de março, a cidade de Bruxelas (Bélgica) viveu momentos de desespero ao ser alvo de atentados terroristas provocados pelo Estado Islâmico. Ocorridos no Aeroporto Internacional de Zaventem e na estação de metrô Maelbeekem, os ataques deixaram mais de 30 mortos e dezenas de feridos. No mesmo dia, o papa Francisco enviou um telegrama ao arcebispo de Bruxelas, monsenhor Jozef De Kesel, lamentando o episódio brutal. Na mensagem, enviada pela Secretaria de Estado do Vaticano, o pontífice condena a “violência cega que causa tanto sofrimento” e destaca que “confia as vítimas à misericórdia de Deus e une-se em oração à dor dos familiares”. Ao final, afirma que “implora a Deus o dom da paz e invoca sobre as famílias,

FOTO: ANSA

ATENTADO EM BRUXELAS: PAPA CONDENA A VIOLÊNCIA

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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE GREGORIANA TEM NOVO REITOR

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padre Nuno da Silva Gonçalves foi nomeado pelo papa Francisco para ser o novo reitor da Pontifícia Universidade Gregoriana (PUG), a partir de 1º de Setembro de 2016. O jesuíta integra o corpo docente da Faculdade de História e Bens Culturais da Igreja desde outubro de 2011. Em março de 2012, foi nomeado diretor do Departamento de Bens Culturais da Igreja e, em outubro do mesmo ano, decano da Faculdade. Em maio de 2015, foi confirmado Decano por mais três anos. As notáveis qualidades de coração e inteligência do Pe. Nuno Gonçalves e a sua afeição pela Pontifícia Universidade Gregoriana, onde foi aluno de 1983 a 1995, são bem conhecidas. Desde o seu regresso à instituição, comprometeu-se com competência e dedicação ao desempenho e desenvolvimento da Faculdade de História e Bens Culturais da Igreja. Sucede no cargo ao padre jesuíta francês François-Xavier Dumortier. O Pe. Nuno da Silva Gonçalves nasceu em Lisboa (Portugal), em 16 de julho de 1958. Ingressou no Noviciado do Santíssimo Nome de Jesus da Província Portuguesa da Companhia de Jesus, em Soutelo (Vila Verde), em outubro de 1975. Licenciou-se em Filosofia e Humanidades, na Faculdade de Filosofia de Braga, da Universidade Católica Portuguesa (1981), e em Teologia, na Faculdade de Teologia da Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma (1988). Foi ordenado sacerdote no Instituto Nun’Alvres (Caldas da Saúde), em julho de 1986. Na Faculdade de História da Igre-

ja, da Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, fez a Licenciatura em História da Igreja, em 1991, e o Doutoramento em História da Igreja, em 1995, com a tese Os Jesuítas e a Missão de Cabo Verde (1604-1642). Foi membro do Conselho de Direção da Revista Brotéria (1994-2000) e membro da Academia Portuguesa de História, do Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa e do Instituto Histórico da Companhia de Jesus, desde 1996. Em 1998-1999, trabalhou na Conferência Episcopal Portuguesa como diretor do Secretariado Nacional dos Bens Culturais da Igreja. Foi Superior da Comunidade da Casa de

Escritores de São Roberto Berlarmino (Brotéria), de 1995 a 2000. E, de 2000 a 2005, foi diretor da Faculdade de Filosofia da Universidade Católica de Braga, além de superior da Comunidade Pedro Arrupe, de 2004 a 2005. Foi conselheiro do Provincial, de 1999 a 2004, e superior provincial, de 2005 a 2011. Além da tese de doutoramento, tem diversos artigos publicados na revista Brotéria, principalmente sobre história da Companhia de Jesus e sobre a missão portuguesa. Foi também colaborador da História Religiosa de Portugal e do Dicionário de História Religiosa de Portugal. Fonte: site Jesuítas em Portugal

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ESPECIAL

DOAR-SE AOS DEMAIS VOLUNTÁRIOS SÃO RECONHECIDOS PELA DEDICAÇÃO E DOAÇÃO AO PRÓXIMO

Jovens que participaram da experiência do Voluntariado Jovem 2016, promovido pelo Anchietanum, em São Paulo (SP)

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quele que não é forçado, que depende da própria vontade”, ou seja, “que é espontâneo”. Essas são algumas palavras que definem o que é ser voluntário, segundo o dicionário. Entretanto, quem já participou dessa experiência garante que ser voluntário vai muito além das definições do vocabulário. “O voluntariado foi uma escola, um desejo de transformação de me deixar afetar pelo outro”, afirma o advogado Dicler Car-

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doso de Abreu, 29 anos. “É uma forma de me doar por completo às pessoas”, confessa Yago da Silva Freire, 22 anos, estudante de Administração. O voluntário é aquele que cultiva o desejo de ajudar a construir um mundo mais digno para todos. “Tenho um compromisso social muito forte. Quero dedicar a minha vida ao trabalho com as pessoas, por isso, estou me formando em Arquitetura, com foco na atuação social”, conta a estudan-

te espanhola Julia Otaño González, 22 anos. Em janeiro de 2016, ela participou do projeto Voluntariado Jovem, promovido pelo Anchietanum, em São Paulo (SP). Na ocasião, Julia ajudou na acolhida dos refugiados que chegam ao Brasil e procuram a sede da Caritas Arquidiocesana, na capital paulista. “Foi uma experiência muito positiva, pois consegui compreender tudo o que está acontecendo a respeito de imigração no país”, ressalta.


O jovem Dicler também viu de perto o drama dos refugiados que desembarcam no território brasileiro. Ele participou do voluntariado jovem, mas em outra instituição, no CRAI (Centro de Referência e Acolhida para Imigrantes). “Durante esse período, eu pude perceber a partilha, a vida em comunidade. O grupo era tão diferente, mas com os mesmos objetivos. Conheci tanta gente boa, tanta gente trabalhando pelo Reino de Deus, voluntários e profissionais, e isso me fez perceber que existe amor nessa cidade”, diz o advogado. A alegria de servir ao próximo é uma das motivações das pessoas que se propõem a vivenciar uma realidade diferente. Yago, por exemplo, sempre participou ativamente das atividades da Igreja, mas ainda sentia falta de algo a mais em sua vida. “Tudo o que eu vinha fazendo no meio eclesial me dava a sensação de ir ao encontro de algo maior. Sempre achei que poderia fazer e ser presença na vida das pessoas, isso dentro e fora da Igreja”, afirma. Dessa forma, Yago decidiu ir ao encontro do outro, por meio do Voluntariado Jovem, promovido pela Casa MAGIS Manresa, em Cascavel (PR). Durante 10 dias, o jovem trabalhou na Cotacar (Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis). “Confesso que não foi fácil, chegou a ser dolorido e cansativo. Mas, por fim, foi muito gratificante poder levar um sorriso, um conselho, um abraço para aquelas pessoas que têm um trabalho tão pesado”, conta o jovem, acrescentando que: “mais do que levar algo, recebi muito e tive aprendizados que levarei para o resto da minha vida”. Para Natália Lima Maia, 22 anos, estudante de Engenharia Ambiental, o desafio era quebrar as próprias barreiras internas. “Eu queria despojar-me da minha realidade, queria ir ao encontro do outro, ir além das fronteiras e viver o diferente”, relembra. Foi com esse

O voluntariado transformou a vida do jovem Fabrício Vassoler. Hoje, ele participa do Plano de Candidatos ao noviciado 2017 da Companhia de Jesus desejo que a jovem decidiu vivenciar, em 2013, sua primeira experiência de voluntariado na Companhia de Jesus, por meio do Centro MAGIS Belém (PA). Durante cinco dias, ela foi acolhida por uma família ribeirinha, na Ilha do Ma-

rajó, em Belém (PA). “Essa experiência foi, com certeza, uma das mais bonitas, tanto pelo grande despojamento pessoal, quanto pela superação dos desafios da missão de estar na comunidade durante a Semana Santa. Por se

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tratar de uma comunidade ribeirinha, a rotina e o estilo de vida são bastante simples”. Outro voluntário acompanhou Natália nessa missão. Segundo ela, os dois prepararam as celebrações para a comunidade. “Nós íamos de canoa fazer as visitas para conhecer as famílias que ali viviam. Convidávamos todos para participar das atividades. Uma realidade bastante distinta e desafiadora, mas capaz de ensinar valores muito importantes. Pessoas humildes que oferecem tudo o que têm, famílias unidas e felizes na simplicidade. Dessa experiência, tiro a minha maior lição de desapego e valorização às pequenas coisas da vida, a felicidade no essencial”, conclui. Desprender-se de preconceitos e doar-se ao próximo são características importantes para as pessoas que desejam vivenciar a experiência de voluntariado. Hoje, o mundo ocidental valoriza o consumo exacerbado e isso alimenta o egoísmo. A proposta de ser voluntário é justamente permitir que cada indivíduo deixe essas amarras de lado e passe a enxergar o próximo como ser humano. “Acredito que o voluntariado ajuda a transformar vidas, pois forma pessoas para a justiça. Essa vivência permite ao voluntário tomar consciência de colocar a própria vida a serviço dos demais e, assim, descobrir a alegria de que, com seus próprios talentos, é possível fazer o bem aos outros, colaborando na transforma-

EXPERIÊNCIAS MAGIS No mês de julho, em sintonia com o MAGIS Polônia e a Jornada Mundial da Juventude - JMJ 2016, a Província dos Jesuítas do Brasil promoverá para a juventude várias

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Em janeiro de 2016, Natália Maia vivenciou o Voluntariado Jovem, promovido pelo Anchietanum, na Missão Paz, instituição que atende imigrantes e refugiados, em São Paulo (SP) ção da sociedade”, afirma padre Agnaldo Barbosa Duarte, coordenador da dimensão Voluntariado Jovem, do Programa MAGIS Brasil. Segundo o jesuíta, na Companhia de Jesus, o voluntariado está presente desde a sua origem. “Em nossa Ordem religiosa, esse conceito nasce da experiência gratuita de Inácio de Loyola, que, movido pelo desejo de servir ao Rei Eterno, se engaja de modo voluntário e entrega toda a sua vida em abso-

luta disponibilidade e serviço. Em um itinerário pelo qual recebeu o nome de peregrino e, assim, no seu peregrinar, concebeu e amadureceu seu projeto apostólico”, conta padre Agnaldo. Atualmente, os jesuítas proporcionam esse itinerário pessoal aos peregrinos do mundo contemporâneo.

Experiências MAGIS, dentre elas as de voluntariado. Segundo o padre Jonas Caprini, secretário para Juventude e Vocações da Província BRA, o evento celebrará os três anos do MAGIS Brasil e da JMJ 2013. “Vamos estar conectados com todos os jovens enviados à

Polônia com um só coração, o coração MAGIS!”, afirma.

VOLUNTÁRIOS INACIANOS Aos 57 anos de idade, o carpinteiro

Público: Jovens entre 18 e 32 anos Mais informações: juventude@jesuitasbrasil.org.br


Franco Gastadello tem o espírito jovem do peregrino Inácio. Morador de Vicenza (Itália), ele já visitou várias vezes o Brasil, mais precisamente a Bahia. Essa terra abençoada por Deus atrai milhões de turistas todos os anos e Gastadello poderia ser mais um deles. E ele é, porém de uma forma bem diferente. As praias baianas são as mais procuradas pelos viajantes, mas o carpinteiro italiano tem como destino o sertão, para ser voluntário na Paróquia São Cristóvão, em Capim Grosso. No período de suas férias, Gastadello participa da Missão Jesuíta do Sertão. Em sua quinta passagem pelo Brasil como voluntário, o italiano já realizou diversos trabalhos, dentre eles estão a reforma da EFA de Jaboticaba (Escola Família Agrícola), a organização da oficina e a construção de uma estrutura hídrica para dar sustentação ao projeto de caprinocultura – criação de cabras. Em 2016, ele trabalhou na construção da cozinha

produtiva da Coopes (Cooperativa de Produção da Região do Piemonte da Diamantina), que atende mais de 200 mulheres produtoras rurais. O desprendimento, o empenho e a solidariedade de Gastadello chamaram a atenção de Iracema Lima dos Santos, diretora da EFA. “Ele custeia as próprias despesas e traz donativos, como brinquedos, roupas, sapatos e mochilas, que são distribuídos em comunidades empobrecidas. Além disso, trabalha duramente nas obras sociais que a Missão Jesuíta do Sertão desenvolve”, conta. A EFA de Jaboticaba atende mais de 200 jovens, por meio do regime da Pedagogia da Alternância, que compreende 15 dias na escola e 15 dias com a família, e conta com a participação efetiva do padre jesuíta Xavier Nichele. A instituição oferece aos filhos de pequenos agricultores o curso técnico em Agropecuária. “Nossa escola prepara os jovens e suas famílias para a convivên-

cia com o semiárido, assegurando-lhes, por meio da formação, técnicas de manejo apropriadas ao campo. Dessa forma, preparamos os jovens com base nos princípios da justiça e da solidariedade, para que, assim, sejam protagonistas do seu meio social”, acredita Iracema. Ela ressalta que voluntários como Gastadello são fundamentais para o trabalho da EFA. “A escola tem sobrevivido pela ação e doação de muitas pessoas do mundo inteiro, que, de uma forma ou de outra, se doam, seja com a presença ou com a doação de recursos que garantem seu funcionamento”, conclui. A doação, frisada por Iracema, é uma das características do voluntariado na Companhia de Jesus, pois, aqui, falamos de doar-se às pessoas. “Para nós, jesuítas, poder desenvolver essa prática em nossas ações é de extrema importância. Suscitar nas pessoas a capacidade de que é possível oferecer ao próximo o que temos de melhor, tendo

O italiano Franco Gastadello (de camiseta vermelha) ajuda na reconstrução do Morro Branco, em Capim Grosso (BA), local centenário de reverência religiosa e cultural

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A DIFERENÇA DE SER VOLUNTÁRIO EM INICIATIVAS JESUÍTAS É QUE A ESPIRITUALIDADE ESTÁ NO CENTRO DA EXPERIÊNCIA. NÃO FOI SIMPLESMENTE UM TRABALHO, ALGO MECÂNICO, IR A ALGUM LUGAR E FAZER ALGO, MAS SIM UMA EXPERIÊNCIA ESPIRITUAL, UMA JORNADA POR DENTRO DE MIM MESMO”. Dicler Cardoso de Abreu, 29 anos, advogado

em troca apenas a gratidão daqueles que são beneficiados, é um fato rico e de aprendizado para a vida. Afinal, esse gesto foi bem passado pelo próprio Cristo”, afirma irmão Ubiratan de Oliveira Costa, diretor do Centro MAGIS Fortaleza (CE). Participar do voluntariado na Companhia de Jesus é um caminhar interno e íntimo, que aproxima a pessoa da experiência vivenciada. “A diferença de ser voluntário em iniciativas jesuítas é que a espiritualidade está no centro da experiência. Não foi simplesmente um trabalho, algo mecânico, ir a algum lugar e fazer algo, mas sim uma experiência espiritual, uma jornada por dentro de mim mesmo. E todo esse caminho foi acompanhado, partilhado, percebido com calma e trouxe reflexos para minha vida, cujos frutos eu ainda estou colhendo, sentindo e saboreando o eco que isso ainda produz em mim”, conta Dicler, que, durante duas semanas, atuou como voluntário no CRAI e assumiu diversas atividades, desde a limpeza de ambientes até ser responsável pela documentação de imigrantes. Para o jovem Fabrício Biela Vassoler, 27 anos, a experiência do Voluntariado Jovem também transformou profundamente sua vida. Em 2015, durante quatro meses, ele atuou como voluntário no Centro MAGIS de Fortaleza – CIJ

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(Casa Inaciana da Juventude). “Colaborei e participei de diversas atividades, como Missa Convivium, EAJ (Escola de Assessoria Jovem), Missão Jovem, momentos de oração e formação, entre outros serviços”, conta. Além disso, Fabrício visitava duas vezes por semana o Lar Torres de Melo, casa de abrigo para idosos. “Eu ajudava a cuidar dos ido-

sos na enfermaria, e o sorriso de cada um deles era a certeza de que, por um momento, meu jeito de ser havia contagiado alguém. Esse contato me ajudou no crescimento humano e espiritual e a discernir sobre minha vida. Assim, tornou-se claro, para mim, o desejo por uma vida religiosa e, nesse desejo, a identificação com o carisma inaciano”, confessa Fabrício. Atualmente, Fabrício participa do Plano de Candidatos ao noviciado 2017 da Companhia de Jesus. O jovem está morando em Teresina (PI), na residência jesuíta Santo Afonso Rodriguez, onde continua seu processo de discernimento vocacional, que, segundo ele, se deu por meio da vivência diária em cada situação experimentada durante o voluntariado. “A doação ao outro me proporcionou isso, ou seja, me contemplar através do próximo. Ver o quanto é importante para o outro eu estar presente. Às vezes, diante de determina-

Durante 10 dias, o jovem Yago Freire (agachado) trabalhou na Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis, em Cascavel (PR)


das situações, sobretudo de aflições, algumas pessoas se justificam dizendo: ‘Não adianta estar lá. Nada posso fazer’. Mas a sua presença, por mais que você não perceba, é muito para quem necessita. Quando ajudo o próximo, o primeiro que está sendo ajudado sou eu”, conclui o jovem. VOLUNTARIADO NA COMPANHIA DE JESUS HOJE Na Companhia de Jesus, o voluntariado está inserido no contexto do mundo atual e segue as diretrizes da Companhia Universal, que contempla o serviço da fé e a promoção da justiça. Segundo padre Agnaldo Barbosa Duarte, coordenador da dimensão Voluntariado Jovem do Programa MAGIS Brasil, o trabalho voluntário torna mais concreto o anúncio da fé e da justiça, considerando as diferentes realidades eclesiais, sociais e culturais. O voluntariado integra um dos eixos do Programa MAGIS Brasil, que norteia o trabalho dos jesuítas com a juventude. Nesse contexto, o Centro MAGIS Fortaleza é o responsável por coordenar esse eixo, difundindo-o e animando as obras jesuítas que querem acolher jovens voluntários. As pessoas que desejam participar das experiências de voluntariado na Companhia de Jesus precisam ter entre 18 e 32 anos. Além disso, padre Agnaldo ressalta ser importante o jovem estar aberto ao diferente. “O voluntário ina-

PORTAL DO BEM O Portal do Bem é uma plataforma on-line que reúne e integra pessoas, empresas e iniciativas do terceiro setor. Lançado em 2013, pelo Colégio São Luís, a plataforma funciona como uma vitri-

ciano é alguém que busca concretizar, a partir de um serviço gratuito, o exercício do bem comum e tem como fonte de inspiração e oração a Espiritualidade Inaciana, que forma homens e mulheres para os demais, por meio da promoção da fé e do anúncio da justiça”, afirma o jesuíta. Irmão Ubiratan de Oliveira Costa, diretor do Centro MAGIS Fortaleza, ressalta que, na Companhia de Jesus, o voluntário é acompanhado durante a experiência. “Nós, jesuítas, temos a atenção de que o voluntariado não fique somente em um tempo, lugar, mas que seja profundamente experimentado interiormente. Nossa proposta é que o jovem leve esse momento para vida”, conta. O desejo de colaborar com a missão da Companhia de Jesus é percebido em diversas partes do Brasil, entre elas a região Norte. Segundo o padre Edson Tomé Pacheco Silva, diretor do Centro MAGIS Belém, atualmente, algumas obras jesuítas do estado do Pará contam com o trabalho de voluntários. “Em 2015, contamos com o trabalho de um jovem de Minas Gerais, enviado pela CVX (Comunidade de Vida Cristã do Brasil), que, a partir do mês de abril, ajudará na implementação do Espaço MAGIS, em Santarém (PA)”, explica o jesuíta. Em 2016, estão previstas ainda a colaboração de jovens da Colômbia e da França. “Eles têm muita disposição para oferecer seus dons e suas habilidades para o serviço da missão”, acredita padre Tomé. Nesse sentido, o impulso para par-

ne. De um lado, os projetos são cadastrados para divulgar ações e buscar voluntários, e, do outro, voluntários se cadastram para receber informações e possibilidades de ajudar a quem precisa em diversas áreas. Hoje, o Portal do Bem tornou-se um dos maiores canais de voluntariado do Brasil, com mais

QUER SER VOLUNTÁRIO? O jovem que deseja participar da experiência de voluntariado precisa ter entre 18 e 32 anos. Os interessados podem entrar em contato com a Companhia de Jesus pelo e-mail casainacianadajuventude@gmail.com

ticipar da experiência nasce a partir de um desejo interno. “O jovem não vai a uma experiência de voluntariado simplesmente pelo tempo livre que tem, mas pelo desejo da aventura, de aprender novas experiências e partilhar o que já aprendeu com os outros, contribuindo para uma cultura de solidariedade e de acolhimento, aberto ao dom gratuito de si”, ressalta padre Agnaldo. Hoje, no Brasil, o voluntariado na Companhia de Jesus está mais direcionado aos jovens. Mas padre Agnaldo dá um importante conselho para os que não estão no perfil exigido pelos jesuítas e sentem o desejo de doar-se aos outros. “Quem deseja viver a experiência de voluntariado deve manter essa vontade de fazer o bem e a diferença na vida de alguém. Tomar consciência do que se faz na vida cotidiana é importante, pois possibilita que a pessoa perceba o que pode ser transformado em serviço útil aos demais”, conclui.

de 140 projetos cadastrados e mais de 25 mil seguidores em sua comunidade no Facebook. Saiba mais: www.portaldobem.org.br www.facebook.com/portalbem

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COMPANHIA DE JESUS

† CÚRIA GERAL

JUBILEU DA COMUNIDADE DA CÚRIA

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Os jesuítas da comunidade da Cúria Geral celebraram juntos o jubileu do Ano da Misericórdia. A celebração ocorreu em três etapas. O ponto culminante aconteceu na sexta-feira, 18 de março, quando os membros da Cúria peregrinaram até a Basílica de São Pedro, para passar pela Porta Santa e, em seguida, celebrar missa diante do sepulcro do Apóstolo na Cripta Vaticana. No domingo anterior, 13 de março, um grupo grande de jesuítas da comunidade havia celebrado missa na prisão Regina Coeli, acompanhando o Pe. Superior, Joaquín Barrero, que visita regulamente essa institui-

ção aos sábados e domingos. O terceiro momento importante aconteceu em 20 de março, quando convidaram para sua mesa os perto de 30 sem-

-teto que recebem acolhida no dormitório Dono da Misericórdia, local da Cúria que o Pe. Geral pôs à disposição do papa Francisco para utilização pelos pobres.

CONVERSAÇÕES COM O PADRE GERAL

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m 21 de março, o boletim eletrônico da Cúria Geral publicou uma entrevista com o padre Adolfo Nicolás, intitulada Conversações com o Padre Geral. As respostas trazem reflexões sobre a necessidade de adaptação da Companhia de Jesus aos novos tempos, principalmente sobre o papel dos leigos na missão da Ordem religiosa. “Se a his-

tória e a realidade são a maneira que Deus tem de nos dizer que devemos mudar e sermos flexíveis para responder aos novos desafios, talvez esteja conduzindo-nos para modos novos de sermos seus ministros. Talvez esteja obrigando-nos a repensar qual é o nosso papel nas instituições, talvez esteja convidando-nos a refundar a Companhia e fazer de nosso

tesouro inaciano um patrimônio oferecido a sacerdotes e leigos, a todos os que desejarem partilhar a visão e a missão de Inácio”, afirmou padre Adolfo Nicolás.

A íntegra da entrevista, em espanhol, está disponível no link: http://bit.ly/1UYos3b

O CUIDADO DA CRIAÇÃO

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Comunidade de Vida Cristã (CVX) publicou recentemente um documento intitulado O cuidado da Criação. Desenvolvido pela Comissão de Ecologia da CVX, o material é um apoio comunitário para ação na fronteira da Ecologia, uma das prioridades da comunidade por ocasião da

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última Assembleia Mundial do Líbano. Na publicação, podem ser encontrados testemunhos e convites para a ação apostólica escritos por membros das CVX e outros do mundo todo. Um tratamento especial foi reservado para o projeto amazônico. A publicação inclui, também, um

conjunto de 12 propostas para uso pelos grupos nas reuniões comunitárias, que focalizam o crescimento em comunhão com a criação, o aprofundamento da missão e a resposta. A versão completa em PDF pode ser baixada em http://bit.ly/1qFYIvC


JRS: ATENÇÃO OFTALMOLÓGICA A REFUGIADOS

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ecentemente, mais de 80 pessoas foram atendidas gratuitamente em uma clínica oftalmológica no North Parramatta, subúrbio de Sidney (Austrália). Organizada pela empresa OneSight, em colaboração com o JRS (Serviço Jesuíta aos Refugiados), a

atenção foi gratuita para os refugiados. “O tratamento era muito necessário para os que vivem na nossa comunidade”, contou Maeve Brown, coordenadora do Projeto Refúgio, do JRS, que inclui serviços de emergência na região. “Os refugiados que vivem no bairro com

um visto de trânsito têm acesso muito limitado ao serviço de saúde. Coisas como um controle da visão, atualização da graduação dos óculos e até a sua compra não são uma prioridade quando alguém precisa, primeiro, pagar aluguel e dar de comer à família”.

DIÁLOGO COM BUDISTAS SOBRE ECOLOGIA E FÉ

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o início de março, jesuítas, monges e monjas budistas reuniram-se em uma oficina promovida pela Conferência Jesuíta de Asia-Pacífico, para partilhar pontos de vista e dialogar sobre ecologia e as religiões. A reunião, organizada localmente pelo padre Lawrence Soosai, jesuíta da Província jesuítica de Parna, foi realizada na Índia, na cidade de Bodhgaya, uma das mais veneradas pelo Budismo, pois acredita-se que foi onde Buda alcançou a iluminação.

MISSIONÁRIOS DA MISERICÓRDIA

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o boletim eletrônico da Cúria Geral (vol. XX, Nº. 5, de 7 de março de 2016), foram publicados os nomes de quatro padres jesuítas enviados em missão pelo papa Francisco, junto com outros sacerdotes, como Missionários

da Misericórdia. Inadvertidamente, entretanto, foram omitidos os nomes de outros missionários, também jesuítas. Por isso, ressaltamos que também integram o grupo: Pe. Manuel Morujão (Província de Portugal) e Pe. Michael Vinai Boonlue (Região da

Tailândia). Os outros, já mencionados na publicação, são: Pe. Wendelin Köster (Província da Alemanha), Pe. Lluís Victori (Província da Espanha), Pe. Anthony O’Riordan (Província da Irlanda) e Pe. Richard Shortall (Província da Austrália).

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A COMPANHIA DE JESUS NA AMÉRICA LATINA

CPAL

RESSUSCITAR

Pe. Jorge Cela, SJ Presidente da CPAL

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essuscitar pode ter diversos significados. Conheço pessoas que foram declaradas mortas e, contudo, voltaram a viver. Milagres da ciência médica moderna. Assim, foi a ressurreição de Lázaro, que voltou a viver e voltou a morrer depois. A de Jesus não foi assim. A ressurreição de Jesus foi entrar para a VIDA. Assim, com maiúsculas, Vida que não conhece a morte. Por isso, sua ressurreição revela-nos o sentido da nossa vida. Desta vida provisória pela qual assomamos à Vida. Ensina-nos que morrer faz parte do viver e é o único caminho para a Vida. Para ressuscitar, é preciso morrer. Dizia Benjamin Franklin que “morrendo, acabamos de nascer”. Por isso, a ressurreição de Jesus

inunda de esperança a nossa vida. Descobrimos a morte como passagem. O último rito de passagem da vida humana. A ressurreição faz com que percamos medo das nossas mortes. Ajuda a ganhar confiança nesse passo para o desconhecido. Vence as nossas resistências. A decisão de Jesus de assumir a morte para dar vida, para encontrar-se com a morte, só é comparável à decisão da mãe de assumir a dor para dar à luz a vida. Muitas de nossas resistências na vida são medo de morrer. Não compreendemos a ressurreição. É preciso cair na terra e morrer, como o grão de trigo. O nosso empenho para preservarmos nossas ideias, nosso poder, nossa juventude, nossas po-

[...] A RESSURREIÇÃO DE JESUS INUNDA DE ESPERANÇA A NOSSA VIDA. DESCOBRIMOS A MORTE COMO PASSAGEM. O ÚLTIMO RITO DE PASSAGEM DA VIDA HUMANA.

A COLABORAÇÃO NO CORAÇÃO DA MISSÃO

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setor Colaboração da CPAL (Conferência dos Provinciais Jesuítas da América Latina), aprofundando o significado e alcance de ser Colaboradores na Missão de Cristo (PAC, objetivo 6C para a colabo-

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sições, nossas conquistas, nossas seguridades, não faz mais que prepará-los para apodrecerem. Somente se morrer, dará fruto. Mas temos medo das mortes porque não compreendemos a ressurreição como dinâmica da Vida. Disse Jesus, no Evangelho, àquele que construiu celeiros para acumular seus frutos: insensato, não sabes quanto te resta de vida. Não deves acumular, mas repartir, semear. Salvar a vida não é preciso, preciso é perdê-la para ganhá-la. Não temos que planejar para Deus os seus caminhos. Temos que deixar o Espírito soprar. Não devemos amarrar nossos haveres para que o seu sopro os faça voar. Deixemos que Deus nos surpreenda. O que importa é discernir.

ração), elaborou um novo documento durante o VI Encontro de Delegado de Colaboração, realizado recentemente em Santa Cruz de la Sierra (Bolívia). O material tem como base as premissas expressadas em um documento redi-

gido no ano de 2012 e as contribuições atuais de diversas Províncias da América Latina. O novo documento foi remetido como base às reflexões dos padres Provinciais, bem como aos padres eleitores da CPAL que, em breve, participarão da próxima 36ª Congregação Geral.

Acesse o documento por meio do link bit.ly/1SpAzWt


CURSO DE REALIDADE AMAZÔNICA

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ntre 15 de fevereiro e 6 de março, o escolástico David José Santos, membro do Projeto Pan-amazônico da CPAL (Conferência dos Provinciais Jesuítas da América Latina), participou do curso sobre Realidade Amazônica, em Manaus (AM), oferecido pelo Instituto de Teologia Pastoral e Ensino Superior da Amazônia (ITEPES) em parceria com a CNBB (Confe-

rência Nacional dos Bispos do Brasil). O curso pretende oferecer uma visão panorâmica das diversas problemáticas que afetam a região Pan-amazônica e suas populações. Participaram da formação 47 missionários (as) que serão implicados na região amazônica. Entre eles, estavam presentes os padres jesuítas José Miguel Clemente e José da Silva Andrade.

ASSEMBLEIA DE SAN JOSÉ DE AMAZONAS

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padre jesuíta Valério Sartor, colaborador do Projeto Pan-amazônico da CPAL (Projeto PAM SL), participou da Assembleia do Vicariato, realizada entre os dias 6 e 11 de março, em Indiana (Peru). Foi um momento importante para conhecer melhor a realidade da Igreja peruana na fronteira com seus desafios pastorais e uma oportunidade de apresentar os avanços da REPAM – Rede Eclesial Pan-amazônica e do Projeto PAM SJ aos participantes da Assembleia. Assim, dialogar com o Bispo Javier Travieso e demais participantes do evento sobre possíveis ações articuladas em benefício da Amazônia.

VISITA DO PRESIDENTE DA CPAL

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os dias 12 a 15 de março, a Comunidade “Samuel Fritz” recebeu a visita canônica do padre jesuíta Jorge Cela, Superior Provincial, por ser essa uma Comunidade da CPAL. Além de conversar com os membros da equipe do Projeto Pan-amazônico da

CPAL, foi realizada também uma reunião para socializar os avanços e as projeções da iniciativa. Agradecemos ao Pe. Jorge pela visita, pela convivência amistosa e pelo incentivo à continuidade desta missão na Amazônia, uma das prioridades da CPAL.

Fonte: Pan-Amazônia SJ Carta Mensal nº 24 – Março 2016 Acesse o link (bit.ly/1SjqOIv) do Portal Jesuítas Brasil e faça o download das edições completas da Pan-Amazônia SJ Carta Mensal.

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COMPANHIA DE JESUS

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SERVIÇO DA FÉ


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SERVIÇO DA FÉ

MISSA CELEBRA OS DOIS ANOS DA CANONIZAÇÃO DE ANCHIETA

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ma missa comemorativa celebrou os dois anos da canonização de São José de Anchieta, no dia 3 de abril. Dezenas de famílias acompanharam a cerimônia realizada no Santuário Nacional de Anchieta, no Espírito Santo. A uma só voz, as pessoas entoaram: “Anchieta, santo, missionário, intercessor! Vem nos ajudar a bem servir o reino do Senhor”, hino composto pelo padre jesuíta Eliomar Ribeiro de Souza. Na cerimônia, foi apresentada a Bula de Canonização do padroeiro e apóstolo do Brasil. O documento, que insere, definitivamente, Anchieta no catálogo dos santos da Igreja Católica, foi recebido com aplausos e cânticos de honra. Agora, a Bula será mantida no Santuário, sendo exposta esporadicamente para não se deteriorar devido à luz e à temperatura. Segundo o padre César Augusto dos Santos, reitor do Santuário, a Bula é o desfecho de um processo que levou mais de 400 anos. “Esse é um belíssimo documento, produzido em pele de cabra, com letras bordadas, em que Francisco decreta, como

sucessor de Pedro, que José de Anchieta tem virtudes que devem ser olhadas por todos os católicos”, afirma o jesuíta. A missa também foi transmitida on-line pelo portal de notícias G1, da Globo. A estudante de Engenharia Química, Layra Valani Marim, residente em São Mateus (ES), acompanhou atenta à celebração pela internet. “Foi cerimônia maravilhosa, porque, mes-

mo morando longe, consegui rezar junto com todos os devotos de São José de Anchieta, participando da liturgia e recebendo a benção com a relíquia do santo”, conta. Conheça o novo site do Santuário Nacional de São José de Anchieta: santuariodeanchieta.com

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PROMOÇÃO DA JUSTIÇA E ECOLOGIA

padre jesuíta Josafá Carlos Siqueira apresentou a conferên-

cia A biodiversidade não pode esperar: chaves para compreender a Encíclica Laudato Si’, no dia 30 de março, no Santuário Nacional de São José de Anchieta, em Anchieta (ES). Cerca de cem pessoas, entre representantes do poder público, estudantes, professores e cidadãos, participaram do evento, que abordou a importância da preservação do meio ambiente e o impacto de nossas ações na natureza. Segundo o padre César Augusto dos Santos, reitor do Santuário, a biodiversidade é um assunto urgente e de responsabilidade de todas as esferas da sociedade. “Nosso Santuário se preocupa com as questões ambientais, a exemplo de São José de Anchieta, que foi pioneiro no Brasil ao falar, na Carta de São Vicente, sobre ecologia. A data dessa carta tornou-se o Dia Nacional da Mata Atlântica”, explica padre César. Durante a conferência, padre Josafá apontou que a Laudato Si’ é a primeira encíclica com enfoque ecológico na história da Igreja Católica. Para o conferencista, o objetivo do documento é promover reflexão, diálogo e a busca por soluções para a crise ecológica do mundo atual, que perpassa temas como aquecimento global e a cultura do desperdício, problemas que afetam diretamente a qualidade da vida humana. O professor do SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) e estudante de Biologia, Junicezar Souza Lieres, garante que a conferência o surpreendeu positivamente ao deixar claro que a responsabilidade pela preservação do planeta é de todos. “Foi

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Jesuíta ressaltou que a Laudato Si’ é a primeira encíclica da história com enfoque ecológico muito proveitoso. Padre Josafá abordou as consequências que o consumismo moderno causa dentro da nossa casa. Saí com a sensação de entender muito bem o que significa desenvolvimento sustentável. Cuidar do planeta é cuidar de nós mesmos”, ressalta. O estudante do curso técnico em Meio Ambiente do SENAI, Átila de Amaral, concorda: “O conferencista acrescentou valores e orientações muito

pertinentes sobre a questão ambiental. Essa mudança cultural em favor da preservação ambiental é necessária”. O padre Josafá, reitor da PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), é mestre e doutor em Ciências Biológicas (Biologia Vegetal) pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Em 2015, participou da 21ª Conferência das Partes (COP-21), em Paris (França). FOTO: FOTO: FABIANO PEIXOTO

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FOTO: FABIANO PEIXOTO

PADRE JOSAFÁ APRESENTA CONFERÊNCIA SOBRE BIODIVERSIDADE


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DIÁLOGO CULTURAL E RELIGIOSO

EDIÇÕES LOYOLA LANÇA NOVO LIVRO DO PAPA

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e você tivesse a oportunidade de fazer uma pergunta ao papa Francisco, qual seria? Esse desafio foi aceito por crianças de 24 países, com idade entre 6 e 13 anos. Os pequenos enviaram cartas com perguntas diversas ao pontífice e, agora, é possível conhecer suas respostas no livro Querido Papa Francisco, recém publicado pela Edições Loyola. A obra, um projeto da editora americana Loyola Press, contou com a colaboração de vários voluntários jesuítas e leigos do mundo todo, em especial do padre Antonio Spadaro, SJ, diretor da revista La Civiltà Cattolica. Ele reuniu-se com Francisco, na Casa Santa Marta, onde foram selecionadas 30 cartas, das 259 recebidas pelo Vaticano. Todas as correspondências foram reunidas em um livro, entregue ao pontífice. Responder a tantas perguntas foi uma missão complexa para o papa. “Estas questões são difíceis”, expressou Francisco sorrindo.

Em obra, Francisco responde perguntas de crianças de 24 países alunos do Colégio Antônio Vieira foram escolhidas. “Nós enviamos cartas de dois meninos e duas meninas. Verti o material para o inglês, anexei os originais, as fotos das crianças e enviei tudo por correio. Em janeiro de 2016, recebi

A RESPOSTA DO PAPA É MUITO INACIANA: VAMOS AO ‘CATECISMO’ PARA CONHECER MELHOR O NOSSO AMIGO JESUS Padre Eduardo Teixeira Henriques No Brasil, o padre Eduardo Teixeira Henriques, reitor do Santuário Nossa Senhora de Fátima, foi o responsável por selecionar as cartas brasileiras. “A Loyola Press, editora jesuíta de Chicago (EUA), encaminhou o projeto, pelo qual logo me entusiasmei! Nesse processo, tive a ajuda do professor João Ramiro, coordenador do Sorpa (Serviço de Orientação Religiosa e Pastoral do Colégio Antônio Vieira)”, explica. O jesuíta conta que quatro cartas de

a confirmação de que a carta da nossa aluna Ana Maria estava entre as que fazem parte do livro”. Segundo padre Eduardo, os principais critérios utilizados para a seleção das cartas que compõem o livro foram: manter o equilíbrio entre meninos e meninas; contemplar os cinco continentes; a originalidade e/ou relevância da pergunta. O questionamento de Ana Maria, 10 anos, foi sobre a importância da catequese para as crianças. Para o padre

Eduardo, “a resposta do Papa é muito inaciana: Vamos ao ‘catecismo’ para conhecer melhor o nosso amigo Jesus. Ouve-se logo o eco do pedido de graça que Santo Inácio de Loyola escolheu para a segunda semana dos seus Exercícios Espirituais: pedir o conhecimento interno de Cristo, para mais amá-lo e segui-lo”. O jesuíta revela que ficou encantado com a sensibilidade de Francisco: “o livro já valeria a pena só pelas perguntas e desenhos das crianças! Mas as respostas do papa também mereceriam ser editadas sozinhas. Com a sua reconhecida sensibilidade e estilo inconfundível, Francisco nos surpreende uma vez mais! Em suas respostas, várias vezes, ele faz referência aos desenhos. É como se estivesse na presença e olhando para as crianças, apreendendo contemplativamente o universo interior e a realidade vivida por cada uma delas”, afirma.

Saiba mais em www.queridopapafrancisco.com.br

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VIDA DE JESUS É TEMA DE LIVRO DO PE. IGLESIA

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padre Manuel Eduardo Iglesias lançou, pelas Edições Loyola, seu mais novo livro, Contemplações Inacianas: para aproximar-se de Jesus. A obra reúne 38 textos, que tratam da vida pública de Jesus, de sua Paixão e Ressurreição a partir de contemplações inacianas – um tipo de ‘leitura orante’ do Evangelho em que a imaginação e o afeto têm papel preponderante. Para padre Iglesias, o essencial do Cristianismo é a experiência do amor de Deus revelado por Jesus. “Santo Inácio viveu esta experiência fundamental e se esforçou para que outras pessoas conseguissem fazer a sua própria experiência. Experimentando que só podemos amar a Deus quando nos sentimos amados por ele, por isso, nos ofereceu os Exercícios Espirituais (EE) como um método a serviço dessa experiência”, afirma. A convivência do jesuíta com jovens e adultos que vivenciaram os EE foi sua inspiração para escrever o livro. Segundo ele, após uma breve explicação e prática desse modo de orar, as pessoas manifestavam o quanto os EE lhes ajudavam. “Elas diziam que nunca tinham pensado que se podia rezar assim. A partir daí, ocorreu-me a ideia de entregar, nos dias de retiro, algumas contemplações que eu, às vezes, redijo para meu uso pessoal. Verifiquei que ajudam bastante e, em vista disso, pensei que poderia publicar um livrinho com o objetivo de divulgar esse modo de rezar. Algumas das contemplações reunidas são da minha autoria e outras de uma amiga leiga, que autorizou sua publicação com a condição de que não constasse seu nome”, explica. Padre Iglesias já escreveu 11 livros na linha da espiritualidade de Santo

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Obra reúne 38 textos, que apresentam a vida de Cristo a partir da contemplação inaciana

SANTO INÁCIO VIVEU ESTA EXPERIÊNCIA FUNDAMENTAL E SE ESFORÇOU PARA QUE OUTRAS PESSOAS CONSEGUISSEM FAZER A SUA PRÓPRIA EXPERIÊNCIA Padre Manuel Eduardo Iglesias

Inácio de Loyola. Ele explica que as chamadas contemplações inacianas são o modo de oração predileto de Inácio e ocupam mais do 80% dos exercícios de oração do seu livro. “Inácio pede a graça, nas contemplações da vida de Jesus, de um conhecimento interno de Cristo para, assim, poder amá-lo e segui-lo. Quem con-

templa, entra e participa da cena evangélica, vendo, ouvindo e observando a pessoa de Jesus e as pessoas que o rodeiam. Inácio vai mostrando, a quem contempla, a importância de discernir os movimentos interiores que experimenta, assim como a refletir como a vida de Jesus pode inspirar o concreto da sua própria vida”, conclui.


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EDUCAÇÃO

CONFERÊNCIA DE CIÊNCIAS SOCIAIS DA FIUC É REALIZADA NA UNICAP

O padre Pedro Rubens Ferreira de Oliveira, presidente mundial da FIUC e reitor da Unicap, abriu o evento

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ntre os dias 14 e 16 de março, a Unicap (Universidade Católica de Pernambuco) sediou a Conferência de Ciências Sociais da FIUC (Federação Internacional das Universidades Católicas). O evento, com o tema Ciências Sociais Positivas: construção de uma cidadania global, reuniu estudantes e especialistas da área. O presidente mundial da FIUC e reitor da Unicap, padre Pedro Rubens Ferreira de Oliveira, abriu o evento ao lado do secretário-geral, monsenhor Guy Real Thivierge; do presidente do Grupo Setorial de Ciências Sociais e professor da Universidade Comillas (Espanha), Fernando Vidal, ambos da FIUC; e do assessor de Relações Internacionais e Interinstitucionais da Unicap, Thales Castro. Na ocasião, padre Pedro Rubens enfatizou sua satisfação em receber o evento na Unicap. Nas suas palavras de boas-vindas, ele pontuou os contrastes do Brasil e as conquistas que o país alcançou nos últimos anos, mas chamou a atenção para as ameaças advindas das crises política e econômica.

diversas apresentações, uma delas a do professor e pesquisador da Universidade Complutense de Madri, Gonzalo Hervás, que fez a conferência de abertura Aportes Positivos da Psicologia para Ciências Sociais. Doutor em Psicologia, o professor Hervás tratou de um estudo amplo sobre o bem-estar e a felicidade. Segundo ele, durante muito tempo, a psicologia dedicou-se a estudar os aspectos patológicos do ser humano, mas agora centra-se também nos aspectos positivos. A Psicologia Positiva, também chamada de ciência da felicidade, é uma corrente da psicologia, encabeçada nos Estados Unidos por Martin Seligman, da Universidade da Pennsylvania, e tem procurado investigar as fontes do bem-estar e da felicidade, desenvolvendo uma imagem mais equilibrada do ser humano em nível psicológico e refletindo não apenas suas fragilidades, mas também suas fortalezas.

PSICOLOGIA POSITIVA

O professor, pesquisador e doutor em Sociologia, Luis Díe Olmos, da Universidade Católica de Valência, falou sobre A

Durante o evento, foram realizadas

IGUALDADE E INCLUSÃO

igualdade e a inclusão como condições da democracia real. Ele iniciou sua apresentação respondendo à pergunta: por que surge agora a reivindicação de uma democracia real? Segundo ele, a consciência cidadã deu origem à crise econômica que começou nos Estados Unidos em 2007. A liberalização, desregulação, falta de controle e de proteção de todos os seres humanos ante os interesses, a especulação e ao latrocínio das grandes corporações são os fatores geradores da crise. “A conveniência do poder político e sua submissão a esses interesses foram percebidos como ‘sequestro da democracia’ e como ‘ditadura dos mercados’”, enfatizou. Respondendo ainda à pergunta, o palestrante frisou que os novos movimentos sociais surgem por todo o mundo como protesto a tudo aquilo que atenta à dignidade e aos direitos da pessoa humana. De acordo com ele, em alguns países, estão surgindo partidos políticos diretamente dos movimentos sociais. Em outros, aparecem candidatos que lideram e simbolizam, de algum modo, os desejos de reforma política e social.

Saiba mais em bit.ly/1RCKMga

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REDE JESUÍTA DE EDUCAÇÃO DISCUTE ESTRATÉGIAS DE COMUNICAÇÃO

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os dias 4 e 5 de abril, aconteceu o primeiro Encontro de Comunicação da Rede Jesuíta de Educação, no Rio de Janeiro (RJ). O encontrou reuniu representantes do setor de Comunicação dos colégios e teve como objetivo o compartilhamento de boas práticas e a troca de experiências. O delegado para a Educação Básica, padre Mário Sundermann, e o coordenador de Comunicação da Província BRA, padre Anselmo Dias, também estiveram presentes. No encontro, os representantes apresentaram os processos e os produtos de comunicação das insti-

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tuições, assim como a estrutura de funcionamento da área. “Cada um de nós pode conhecer um pouco mais do trabalho do outro e percebemos que existem distintas realidades. Em alguns colégios, a comunicação é mais bem organizada, outros passam por uma renovação, etc.”, afirmou Marcia Savino, do Colégio Anchieta, de Nova Friburgo (RJ). Nas discussões em grupo, foram debatidos os primeiros passos para uma atuação mais próxima das áreas de Comunicação dos colégios. A importância de pensar a comunicação de forma estratégica e a possibilidade

do desenvolvimento de ações conjuntas, plano de lançamento do PEC, assim como a utilização do Moodle, também foram temas abordados durante o encontro. Padre Mário lembrou que o uso do Moodle pelo setor também deve obedecer às diretrizes do PEC (Projeto Educativo Comum), como, por exemplo, o olhar sob o foco da aprendizagem. Agora, a perspectiva é que o grupo alimente e amplie o intercâmbio proporcionado pelo encontro, aprimorando e alinhando as estratégias conjuntas para a Comunicação dos colégios e da Rede Jesuíta de Educação.


IHU UNISINOS ASSUME VEICULAÇÃO DOS CONTEÚDOS DA ADITAL

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dia 4 de abril, o IHU (Instituto Humanitas Unisinos) assumiu a veiculação dos conteúdos da Adital (Agência de Informação Frei Tito para a América Latina e Caribe). Após uma série de mudanças, a diretoria da instituição decidiu confiar ao IHU a continuidade de seu trabalho, que se encerrará no final de 2016. A previsão é de que até setembro será continuada a publicação simultânea dos dois sites. A Adital repassará todo seu banco de dados para o IHU, o que inclui mais de 90 mil matérias, em espanhol e português, objeto constante de pesquisas de leitores e profissionais da comunicação, e sua mala direta, com cerca de 100 mil endereços eletrônicos cadastrados. Segundo o padre Inácio Neutzling, diretor do IHU, esse será um momento importante, pois “possibilitará maior penetração do Instituto Humanitas Unisinos nos países de língua espanhola”. Em entrevista ao portal IHU on-line, o padre italiano Ermanno Allegri, naturalizado brasileiro e idealizador da Adital, conta que a filosofia das instituições é parecida. “Percebo que é uma parceria que pode garantir que a Adital não desaparecerá, porque o tipo de informação que nós fornecemos vai ao encontro da filosofia de informação com que o IHU trabalha. Então, esse é o motivo princi-

pal da parceria: confiança no tipo de informação e na competência que o IHU demonstra”, afirma. A integração com a Adital fomentou a renovação do site do IHU, que responderá mais ao esquema de um portal, e deve alcançar antigos e novos leitores por meio das tecnologias mais modernas. Além do envio dos e-mails e da presença nas redes sociais da Internet, como Facebook e Twitter, a nova plataforma será responsiva, o que permitirá o acesso adequado e o compartilhamento de conteúdo via dispositivos móveis, como tablets e smartphones. A previsão é que o novo site seja lançado em agosto deste ano.

ADITAL Fundada em fevereiro de 2000, a Adital nasceu com a finalidade de divulgar o protagonismo dos novos atores sociais da América Latina e do Caribe. O padre Ermanno Allegri conta que a Adital começou de uma conversa com Frei Betto, que conheceu um empresário italiano que se ofereceu para financiar a iniciativa por algum tempo. “Hoje, mais de 100 mil pessoas recebem nosso material. Contamos, ainda, com a colaboração de inúmeras pessoas como fonte que nos enviam notícias e artigos. São textos escritos por gente de destaque em seus países”, conclui.

COLÉGIOS DA RJE CELEBRAM ANIVERSÁRIO

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s colégios Antônio Vieira e Diocesano celebraram mais um ano de existência no mês de março. A instituição de Salvador (BA), que co-

memorou seus 105 anos de fundação no dia 15, abriu as portas para receber as famílias de alunos, ex-alunos, professores e funcionários em uma série de ati-

vidades especiais. Em Teresina, diversos eventos ao longo do ano irão marcar o aniversário de 110 anos do Diocesano, completados no último dia 25.

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NOVO CICLO NA ESCOLA SANTO AFONSO RODRIGUEZ

ESAR atende cerca de 700 alunos com bolsas integrais

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a década de 1960, os primeiros jesuítas chegaram à cidade de Teresina (PI). Na ocasião, os religiosos foram convidados, pelo bispo da época, a assumir o Colégio Diocesano. Na região, encontraram desafios e necessidades pastorais, principalmente, na periferia da cidade. Assim, resolveram investir em obras sociais na região rural de Socopo. “Na época, um morador fez a doação de uma grande área, a partir daí os jesuítas planejaram uma série de obras, que envolveu creches, um posto médico, uma casa de retiros e uma Escola Agrícola, denominada Escola Santo Afonso Rodriguez”, explica padre Domingos Mianulli, coordenador geral da instituição. A ESAR, como é conhecida a Escola Santo Afonso Rodriguez, iniciou suas atividades em 1965. Segundo padre Domingos, com o passar dos anos, o contexto da região mudou e Socopo deixou de ser uma zona rural tornando-se, aos poucos, periferia de Teresina. Dessa forma, a escola, que era essencialmente agrícola, passou a exercer suas funções educacionais voltadas ao Ensino Fundamental, ampliando, após muitos anos, seu atendimento ao Ensino Médio. “Devido às dificuldades financeiras, a ESAR sempre contou com parcerias. Para o Ensino Fundamental, esse convênio foi firmado

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com a Secretaria Municipal de Educação e, para o Ensino Médio, com a Secretaria Estadual”, esclarece o jesuíta. Em 2014, a Rede Jesuíta de Educação (RJE) decidiu que a ESAR passaria a incorporar a Rede, como escola jesuíta. Criou-se, assim, uma situação bastante singular. “As escolas jesuítas, sob a liderança da RJE, procuram implementar cada vez mais um projeto educativo conforme as Diretrizes da Companhia de Jesus”, ressalta padre Domingos. No caso da Escola Santo Afonso Rodriguez, o projeto educativo era específico da Rede Municipal de Teresina. “Em 2015, tornou-se cada vez mais evidente a incompatibilidade entre o projeto de uma escola da Rede Jesuíta de Educação e a gestão pedagógica e de projetos dos poderes públicos. Com a criação da Província dos Jesuítas do Brasil-BRA, essa problemática foi sendo aprofundada, refletida e discernida para buscar novas possibilidades, inclusive de ordem financeira. Assim, em dezembro de 2015, foi comunicado oficialmente que a ESAR rescindiria seu convênio com a Secretaria Municipal de Educação, responsável pelo Ensino Fundamental”, afirma o jesuíta. Atualmente, a escola atende cerca de 700 alunos com bolsas integrais, todos eles provenientes de famílias de baixa renda. “Essa iniciativa só se torna pos-

sível graças ao planejamento apostólico da Província BRA e ao projeto de filantropia da ANI (Associação Nacional de Instrução), uma das mantenedoras da Companhia de Jesus”, diz padre Domingos, que afirma que o convênio com o Estado do Piauí, para o Ensino Médio, ainda continua. Após um intenso trabalho de seleção e formação de novos professores, as aulas iniciaram no dia 15 de fevereiro. “Já dá para perceber, com satisfação e esperança, a mudança de clima institucional e a possibilidade de tornar esta escola uma instituição de referência. Desde a fundação da ESAR, muito foi realizado. Os novos olhares e possibilidades do momento respondem aos novos tempos e desafios da Companhia de Jesus e da sociedade. Por esse motivo, nunca podemos deixar de agradecer a Deus pelo empenho e dedicação de tantos jesuítas e colaboradores leigos que por aqui passaram nesses 50 anos. Para todos eles, meu muito obrigado!”, finaliza padre Domingos.

OS NOVOS OLHARES E POSSIBILIDADES DO MOMENTO RESPONDEM AOS NOVOS TEMPOS E DESAFIOS DA COMPANHIA DE JESUS E DA SOCIEDADE”. Padre Domingos Mianulli, coordenador geral da Escola Santo Afonso Rodriguez


JUBILEUS 60 ANOS DE COMPANHIA

50 ANOS DE COMPANHIA

Em 21 de abril Pe. Valdeli Carvalho da Costa

Em 9 de Abril Ir. Manoel Moreira de Menezes Em 17 de Abril Pe. César Augusto dos Santos

AGENDA | MAIO 11 A 18

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CURSO

CICLO DE DEBATES Centro Loyola de Fé e Cultura PUC-Rio Tema | Jesus e as mulheres Horário | 19h às 21h Local | Rio de Janeiro (RJ) Professor | Francisco Orofino Site | www.clfc.puc-rio.br

Pateo do Collegio Tema | A pedagogia jesuítica Horário | 14h Local | São Paulo (SP) Inscrições | bit.ly/1UDPqNn

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RETIRO TEMÁTICO DE PENTECOSTES PARA JOVENS

MANHÃ DE ORAÇÃO

Centro Loyola de Fé e Cultura PUC-Rio Local | Rio de Janeiro (RJ) Horário | 9h às 18h Site | www.clfc.puc-rio.br

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SIES Salvador (Serviço Inaciano de Espiritualidade) Tema | Maria e a Eucaristia Horário | 8h às 12h Local | Salvador (BA) Coordenação | Equipe do SIES Contato | sies.salvador@gmail.com

CURSO Casa de Retiros Itaici /Vila Kostka Tema | Místicos e místicas dos sec. XVI e XVII Local | Indaiatuba (SP) Orientador | Pe. Geraldo Luiz De Mori, SJ Site | www.itaici.org.br

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Em Companhia - Informativo da Companhia de Jesus no Brasil  

23ª Edição | Abril

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