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19 de Maio de 2011

PRECARIEDADE

Creche é interditada e as mães de alunos caem de pau na prefeitura Férias são adiantadas e cerca de 150 crianças vão ficar sem aula durante um mês A Creche do Parque Estoril que ameaçava vir abaixo soterrando todos que estivessem dentro do local foi interditada na quarta-feira (4), por ordem da Secretaria de Educação de Bertioga. O que foi uma decisão inteligente. Ocorre que até a reativação das atividades da creche, que vai ficar um mês em reforma, as cerca de 150 crianças atendidas no local vão ficar sem ter o que fazer, e suas mães sem ter como trabalhar para aumentar os ganhos da família, uma vez que, já foi o tempo de só o homem segurar a casa. Isso deixou a mulherada do bairro furiosa com a prefeitura. Helena Maria de Jesus foi uma das vítimas da interdição da creche. Ela disse que foi obrigada a sair do serviço na Riviera, onde trabalhava como doméstica, para cuidar dos dois netos, ambos filhos de suas duas filhas. “Elas não tinham com quem deixá-los e agora tenho que ficar com eles”, falou a, agora, desempregada. Maria Raimunda Barbosa dos Santos também está na bronca com a administração. “Eu tenho que levar

meu neto pro serviço, porque se faltar pra ficar cuidando vou ser mandada embora. É ruim levar a criança de três anos pro trabalho”, reclamou. Raimunda Luiza de Jesus também soltou o verbo: “Não podemos mais trabalhar pra ficar com as crianças”. Thalita Aparecida Segantini foi na veia: “Sou desempregada e procuro serviço, mas não vou poder mais sair porque tenho que ficar com meu filho de três anos”, falou. Isabel Rodrigues Augusto também estava nervosa: “Meu filho de três anos é aluno da creche e agora fica na rua empinando pipa e brigando com a filha do vizinho. Não dá pra trabalhar nessa situação”. As mães disseram que foram pegas de surpresa com a interdição da creche. “Fizeram uma reunião, mas não deu pra ir porque a maioria das mães estavam trabalhando”, informou uma das mães. Todas esperam uma solução definitiva para o caso e antecipam que não querem ver seus filhos correndo risco de vida dentro de um local que elas pensavam ser seguro para as crianças.

Mais B. O na Educação Se a creche ameaça cair a casa também pode cair pra muita gente da prefeitura por conta de outras denúncias na área de Educação. Problemas nessa área já “derrubaram” o ex-secretário de Educação, Amer Fere, que rapou fora da prefeitura por não concordar e nem assinar contratos de reformas de escolas cujos valores iam nas nuvens, como foi o da EMEIF José Inácio Hora (R$ 999.922,04). O caso motivou uma investigação pela Polícia Federal, porque a grana para a obra, veio do Ministério da Educação, por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Grana alta também foi gasta “em simples reformas da Creche do Mangue Seco: R$ 610.652,18; EMEIF Dino Bueno: R$ 385.980,23; NEIM Chácara Vista Linda: R$ 880.052,75 e NEIM Indaiá: R$ 884.064,01. A Justiça tá de olho em todas essas paradas.

Vereadores entram na briga em favor das mães Os vereadores: Marcelo Vilares (PTB), Pastor Clayton (PMN) e Renatinho (PT), chegaram junto na questão e partiram com tudo na defesa das mães. Os três vereadores pediram informações à prefeitura sobre a nova reforma que a creche vai passar. “Já foram três reformas e nenhuma delas deixou a creche boa”, reclamou o Pastor Clayton que pede uma atitude responsável da Prefeitura sobre a empreiteira irresponsável pelas reformas. A empresa responsável pela obra é a Bocato Construtora e Engenharia Limitada. Segundo informações, em 6 de junho de 2009 a empresa foi declarada inidônea, com a informação sendo publicada no Diário Oficial. Por con-

ta dos serviços precários na execução da creche a empresa foi condenada a pagar multa, cujos valores não foram informados pelos vereadores. Renatinho foi o mais duro nos questionamentos contra a prefeitura. “Já se passaram mais de cinco anos de reforma sobre reforma e até hoje a creche não está em condições de abrigar os alunos, pois ameaça a desabar sobre as cabeças e corpos das crianças”. A Secretaria Municipal de Educação informou que a interdição da creche aconteceu por determinação do Ministério Público e que a interdição acontece como “férias antecipadas e que no mês de julho e no final do ano os dias parados serão repostos”.

Pastor Clayton cutuca a onça com vara curta O vereador Pastor Clayton (PMN) não dormiu no barulho da Secretaria de Educação e decidiu partir com tudo para cima do órgão ao pedir informações detalhadas sobre a interdição da Creche do Parque Estoril. O parlamentar pretendendo uma investigação rigorosa sobre o descaso contra os baixinhos quer saber se a Secretaria realmente marcou uma reunião com os pais das crianças, para informá-los que a creche seria interditada, deixando a crian-

çada um mês sem aulas. Para isso, o vereador pediu a cópia da ata das reuniões que teriam sido realizadas entre a Secretaria de Educação e os pais de alunos, para decidirem sobre a interdição da creche. O Pastor Clayton ainda quer que a Secretaria entregue o documento para saber se o Ministério Público concordou, ou sugeriu, que na interdição da creche os alunos ficassem sem atividades escolares ou algo semelhante. Pelo visto, a cobra vai fumar.

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