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DESTAQUE. Alverca tem uma delegação do SEF, desde o passado mês de Julho. Com este mote, fomos conhecer histórias de vidas de imigrantes que se fixaram em Alverca. São histórias emotivas de uma adaptação nem sempre fácil. p. 2,3

na

LOCAL. Burlões dos multibancos andam a enganar os idosos. Há histórias de pessoas que são levadas, insconscientemente, a revelar o seu código secreto a estranhos que, de seguida, lhes trocam o cartão e as deixam com a conta a zero. p. 6

A

Escola Secundária de Gago Coutinho recebeu a visita, no dia 9, do primeiro-ministro, José Sócrates. Com o mote “secundário para todos”, o alto

responsável aproveitou para saudar os jovens estudantes dos cursos de novas oportunidades que receberam os diplomas que assinalam o fim dos seus percursos formativos.

SOCIEDADE. Duas alunas da Fundação CEBI são embaixadoras do Eurochild em Portugal na luta contra a pobreza infantil e exclusão social das crianças no mundo. Ao “NA” contaram as recentes experiências no Parlamento Europeu. p. 12

Rui Vitória é o primeiro treinador de Alverca a liderar uma equipa da I Liga de Futebol.

Sócrates na Gago Coutinho Diz sentir-se preparado para o maior desafio desportivo da sua carreira.

Em entrevista, fala dos seus sonhos e do necessita para ter sucesso em Paços de Ferreira.

Notícias de

Director António Castanho

Alverca

Setembro_10 Ano 26 Nº 267 Gratuito

ENTREVISTA. Adelino Esperança, presidente da direcção da Casa S. Pedro, deixa o cargo no final deste ano. O responsável sai com o sentimento do dever cumprido, após 12 anos de esforço e dedicação à terceira idade. p. 8,9

Entre os alunos, destaque para Fábio Conceição que recebeu o prémio de mérito e para Paulo Henrique dos Santos que deu o seu exemplo enquanto finalista do curso de

ENTREVISTA.

técnico de manutenção aeronáutica – um curso profissional que é resultado de um protocolo celebrado, em 2006, entre esta escola, a Câmara Municipal de Vila Franca de

Xira e a OGMA – Indústria Aeronáutica de Portugal. Também tomou da palavra a presidente da CMVFX, Maria da Luz Rosinha, que falou da aposta desta autarquia na edu-

cação, anunciando que um dos investimentos a curto prazo será na remodelação desta escola secundária, estimado em 13 milhões de euros.

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Av. Capitão Meleças, N.º 11 Edifício Europen 1.º Sala 101 2615 097 ALVERCA Tel./Fax: 219584537 Web: www.audiovital.pt Email: info@audiovital.pt


Até que a sorte lhes sorria Mário Caritas Rita Sota MC

I

gor Suvorov, de 36 anos, nascido no Cazaquistão mas de nacionalidade ucraniana, veio viver para o nosso país há nove anos. Conseguiu, com muito sacrifício, construir uma vida e trazer para Portugal os familiares que deixara na Ucrânia, na longínqua cidade chamada Novaig Kakhovka. “Lá onde vivia não tinha trabalho, vim para cá por questões económicas pois conheci uma pessoa que me disse que aqui se ganhava bem. Vim sozinho, sem a família, apenas com um amigo que me ajudou a arranjar um quarto.” Os primeiros tempos foram

(muito) difíceis. “De manhã cedo, eu e outros estrangeiros ficávamos à beira da estrada, na zona do Poço do Bispo, em Lisboa, à espera que uma carrinha das obras parasse e escolhesse alguém para ir trabalhar nesse dia. Foi assim que consegui os meus primeiros trabalhos. Tive vários patrões, ganhava 25 euros ao dia e as horas extra eram pagas a dobrar.” Depois continuou a laborar nas obras, mas através de empresas de trabalho temporário, e mais tarde empregou-se como operador de supermercado. A vida começava então a sorrir-lhe. “Fiquei legal passado cerca de quatro meses de ter chegado, quando consegui ter um contrato de trabalho. Entretanto fui tirar um curso de Português porque, como gostei logo do país, achei

que tinha mesmo que saber falar a língua. Mas ao início a língua foi um grande problema, pensava que nunca iria conseguir aprender…” Ano e meio depois de ter emigrado, foi à Ucrânia buscar a esposa, Iryna; e passado outro ano e meio, trouxe para Portugal a filha, Anastaciya, a cunhada, Nataliia, e o filho desta e seu sobrinho, Illia. Juntos formam uma família harmoniosa e gostam de cá estar. “As pessoas aqui são muito simpáticas, no meu país não é assim. Já conheço alguns sítios de Portugal, é um país muito bonito”, afirma Igor, actualmente condutor da Carris em Lisboa. “Gosto do meu trabalho mas não é isto que quero fazer o resto da vida”, acrescenta. Iryna, de 33 anos, trabalha actualmente numa loja que vende

produtos alimentares do Leste europeu. Quando chegou começou por trabalhar num hotel como empregada de limpeza, durante dois anos, onde “havia muitas ucranianas que me ensinaram a falar português.” Aos poucos adaptou-se. “Eu não gostava de estar aqui, não era a minha língua, mas só quando fui passar férias à Ucrânia é que percebi que o que queria mesmo era morar em Portugal.” De todos, Nataliia Butenko, de 38 anos, também empregada numa loja de bens alimentares típicos do Leste da Europa, é aquela que está menos adaptada ao nosso país. Quanto aos mais novos, a adaptação é total. Anastacyia, de 14 anos, estuda no 8.º ano de escolaridade. É uma fã incondicional da leitura e agora lê

sobretudo em português. Apesar das saudades que sente da terra natal, já se habituou a esta nova vida. “Ao início senti alguma discriminação dos colegas mas já passou.” Também (bem) adaptado está o primo, Illia, de 11 anos, estudante do 6.º ano, que gostava de ser tenista profissional. Por isso, os seus dias dividem-se entre a escola e os treinos de ténis, lutando para ser um ucraniano de sucesso num país distante.

Vidas cruzadas num país distante Noutro lar, outras tantas histórias de vida. Neste caso, histórias de brasileiros que se cruzaram em Portugal. Para trás ficaram as saudades da família e o desejo de

regressar. “Disseram-me que aqui era bom para se ganhar dinheiro e eu vim. No Brasil trabalhei primeiro no campo e depois fui trabalhar para a cidade numa firma de carpintaria. Gostava do trabalho do campo que consistia em fazer negócio com gado”, conta-nos Cornélio de Jesus, de 39 anos, a viver no nosso país desde 2002. Ele e um irmão vieram juntos para Portugal. Foi uma autêntica aventura. “Quando cheguei estive sem trabalho uns três dias, mas depois comecei logo a trabalhar nas obras, a fazer trabalhos de pintura. Nessa altura tivemos a ajuda de um rapaz que conhecíamos que nos ajudou a arranjar trabalho e uma casa para ficarmos.” Cornélio conta, no entanto, que foi muito difícil emi-

“ Havia muitas ucranianas que me ensinaram a falar português

Iryna (mulher de Igor)

SEF de Alverca serve 8.000 cidadãos estrangeiros 02 | Notícias de Alverca

A família ucraniana: Igor, Natalia, Anastacya e Illia

A

delegação do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) de Alverca, inaugurada em Julho, situada na Praceta Estanislau Raimundo Nogueira, tem como objectivo principal agilizar todo o

processo relativo às renovações de autorização de residência dos imigrantes que vivem neste concelho e em municípios vizinhos. Por outras palavras, neste posto atendem-se apenas os imigrantes que já estão legalizados.

“Actualmente fazemos cerca de 85 atendimentos por dia, sendo que este número tem tendência para aumentar. Fazemos essencialmente renovações de autorizações de residência e, ainda este ano, vamos iniciar também

a valência de reagrupamento familiar – por exemplo, se o cabeça de casal está legalizado, o cônjuge já não precisa de ir ao país de origem buscar o visto”, explica José Dias, responsável máximo pelo serviço.

DESTAQUE. A delegação do SEF de Alverca está a atender 85 imigrantes por dia. Neste serviço renovam-se autorizações de residência e em breve haverá a valência de reagrupamento familiar. Setembro 2010


DESTAQUE. O dia que mais recordam é o da partida. O momento que mais os marca é o da dura despedida. Normalmente escolhem a madrugada para dizer adeus ao sítio onde cresceram e viveram, de olhar cego pelas lágrimas, malas às costas, o desejo de voltar. A muitos mil quilómetros dali está a terra prometida. Portugal é o destino. Em Alverca, existem três grandes comunidades de imigrantes: os africanos, os brasileiros e os cidadãos oriundos do Leste europeu. O “NA” foi ao encontro de uma família brasileira e de outra ucraniana, para tentar perceber como tem sido a adaptação aos novos usos e costumes. grar. “Eu saí de casa de noite para não ter que me despedir de ninguém. Foi duro! E foi muito difícil acostumar ao país, fiquei três meses querendo ir embora para o Brasil, aqui era tudo diferente, tinha também dificuldade em perceber as pessoas, mas aos poucos fui-me acostumando…” Durante muito tempo trabalhou nas obras sem contrato. Ganhava ao dia. Mas ganhava bem e isso animou-o para não desistir. “Prometiam-me muitas vezes que me faziam contrato mas não passavam de promessas. Então tive que correr atrás de um contrato, só assim consegui obter o atestado de residência e ficar legalizado.” Neste entretanto tirou a carta de condução portuguesa e continua a trabalhar em obras, onde faz qualquer tipo de serviço.

“Felizmente tenho sempre trabalho”, sublinha, satisfeito, este brasileiro, natural da cidade de Ipatinga (estado de Minas Gerais), que se mostra agora de mãos dadas com o país irmão: “Tenho pena de um dia ir embora e deixar tantas pessoas de quem gosto.” Entre as pessoas que Cornélio conheceu conta-se uma brasileira, com quem vive há já algum tempo. Marilândia Santos, de 34 anos, veio para Portugal em 2003. A sua história poderia chamar-se mãe coragem. “No Brasil eu era casada, mas separei-me, vi-me a braços com dois filhos para cuidar e sem poder pagar a renda de casa. Então decidi vir para outro país e deixar os meus filhos no Brasil ao cuidado dos avós. A minha vinda para

Portugal foi unicamente por causa dos meus filhos, para lhes poder dar uma vida melhor.” Veio completamente só, sem ter ninguém à espera, muito menos um trabalho garantido. “Era só eu e eu mesma. A única companhia que tive foi uma colega de voo, viemos juntas e fizemos amizade, acabámos por ir morar as duas e dividir a renda de uma casa que alugámos em Alhandra.” Só ao fim de três meses arranjou um trabalho, num café, onde ficou seis meses. Logo a seguir teve a sorte de ser admitida para ajudante de lar na Associação de Assistência e Beneficência Misericórdia de Alverca, onde está até hoje com contrato de trabalho efectivo e devidamente legalizada. A vida em Portugal foi assim ganhando sentido. Sem nunca es-

quecer as origens. “No Brasil vivia numa pequena cidade (Itaihem, estado da Bahia), o povo lá é unido, todo o mundo ajuda todo o mundo, nisso eu vi aqui muita diferença; lá os brasileiros são seus amigos, aqui não, aqui todos os brasileiros te viram as costas. Aqui eu tive sim muito apoio dos portugueses!” O seu próximo passo é tirar o Bilhete de Identidade Português, ou seja, obter a dupla nacionalidade. Hoje está perfeitamente adaptada e mora com Cornélio e os dois filhos que foi buscar ao Brasil em 2006. “Fiquei três anos sem os ver... (silêncio) Entretanto conheci o Cornélio que hoje é padrasto dos meus filhos, foi ele quem me deu força para os trazer para Portugal. Se tudo correr bem, queremos comprar cá uma

casa e quero que os meus filhos façam aqui a faculdade e construam a sua vida em Portugal.” Sâmara e Gustavo Santos, de 15 e 10 anos, estão dispostos a isso. “Quando estávamos vindo eu pedi à minha mãe para me beliscar para ver se era sonho ou realidade. Eu queria mesmo vir para cá! Quando cheguei fui estudar para o 7.º ano, no começo fui discriminada pelos colegas, quando eles iam almoçar eu ficava sempre separada a um canto, mas depois fui-me habituando, fui fazendo alguns amigos brasileiros e hoje estou bem”, conta-nos Sâmara

www

que entretanto desistiu da escola regular para tirar um curso de acção educativa. “Depois quero fazer o secundário e ir para a faculdade seguir pediatria. Hoje para mim o Brasil é só para passear, gosto mais de viver aqui.” Também Gustavo quer ser feliz em Portugal. “No início foi difícil, não entendia bem a língua. Mas hoje estou adaptado. Agora vou estudar para o 5.º ano, as minhas disciplinas favoritas são inglês e educação física. No futuro gostava de ser futebolista.”

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(...) Para mim o Brasil é só para passear, gosto mais de viver aqui A família brasileira: Marilândia, Cornélio, Gustavo e Sâmara

Cerca de metade dos utentes são brasileiros. É o caso de Lúcio Malivine, de 44 anos, casado e com um filho, residente em Portugal há nove anos, para quem a abertura deste serviço é “excelente” pois, “como moro em Arruda dos Vinhos, só demoro 15 minutos a chegar e já não tenho que ir para Lisboa renovar a minha autorização”. A compatriota Cideneia Martins, de 28 anos, empregada de limpeza, chegou ao nosso país há quatro

Setembro 2010

anos mas só ficou legalizada há cerca de um ano. Gostou deste novo serviço: “O atendimento é rápido e as pessoas são simpáticas. Mas a minha legalização não foi um processo fácil pois temos que ter um contrato de trabalho e os patrões não facilitam.” Outra grande percentagem de utentes do SEF é africana. O cabo-verdiano António Mendes dos Santos, de 38 anos, residente em Vialonga, trabalhador

Sâmara

em sucata, está em Portugal há nove anos e há cinco que está legal. Conta-nos que “o emigrante aqui é explorado. Durante quatro anos não me consegui legalizar porque não tinha contrato de trabalho”. Já a guineense Fatumata, de 21 anos, chegou ao nosso país ainda menina, há 11 anos, mas só está legal há dois. Por isso agora tem de renovar o título de residência, mas o facto de se encontrar actualmente desempre-

gada não ajuda. “Aqui no SEF por um lado facilitam, mas por outro complicam. Venho aqui há quatro dias seguidos e a conversa é sempre a mesma; e, como não consigo arranjar trabalho, isso não ajuda.” Recordamos que as autorizações de residência podem ser temporárias ou permanentes: as primeiras são válidas por dois anos e as segundas por cinco.

Cideneia Martins

MC/RS

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Incêndios assustaram populações de Arcena e Alverca LOCAL. Dois incêndios deflagraram no espaço de duas horas em locais distintos da freguesia de Alverca, no passado dia 25 de Agosto. O combate às chamas envolveu corporações de bombeiros de todo o distrito de Lisboa, para além das forças da PSP, GNR, Protecção Civil e dois helicópteros-bombardeiros Kamov. As causas estão ainda por apurar, mas suspeita-se de fogo posto Vera Galamba Marta Santos Mário Caritas VG

E

ram 16h17 quando uma brigada da Equipa de Intervenção Rápida da PSP deu o alerta para o incêndio que deflagrava na encosta de Arcena, por detrás do moinho de vento situado no alto do Bom Sucesso. De acordo com informações não oficiais, os agentes terão sido atraídos ao local pelo fumo e, quando se depararam com o cenário de chamas que começavam a subir a encosta, deram de imediato o alerta. O incêndio terá começado “nas traseiras de uma propriedade privada, situada no vale de Arcena”, revelam fontes não oficiais das forças envolvidas na operação. A maior força de combate foi direccionada para a zona do vale de Arcena, onde os bombeiros lutaram para proteger as casas que ali se encontravam. “Um senhor idoso teve de ser retirado de casa pela PSP, por se recusar a abandonar a propriedade numa altura em que as chamas se aproximavam”. Numa outra zona de Arcena, um proprietário recusou-se a permitir que o carro dos bombeiros atravessasse a sua propriedade para lutarem contra as chamas que ameaçavam o local, tendo sido necessária a intervenção da PSP para que os bombeiros pudessem entrar nos terrenos. Na zona do moinho de vento, no Bom Sucesso, estiveram cinco car-

ros dos bombeiros em permanência, para tentar evitar que o fogo subisse a encosta. Mas, por volta das 17h45, devido a uma mudança na direcção do vento, as chamas começaram a aproximar-se perigosamente das casas e dos pombais que aí estão há várias décadas, tendo vitimado 11 pombos. Bombeiros e populares lutaram contra o fogo e conseguiram impedir a sua chegada às casas. Uma nova mudança na direcção do vento empurrou as chamas para as traseiras do centro de saúde, obrigando à intervenção de mais forças de combate. O combate às chamas foi coordenado pelo comandante dos Bombeiros Voluntários de Alverca, Alberto Fernandes, que deu o incêndio por extinto às 19h58, depois da intervenção de um dos dois helicópteros que chegaram, ao final da tarde, para ajudar os bombeiros a combater os dois incêndios que deflagravam na altura. Isto porque duas horas depois de ter sido dado o alerta de fogo em Arcena, um outro incêndio deflagrou por detrás do cemitério de Alverca, junto à Auto-Estrada do Norte, obrigando mesmo ao corte temporário de duas vias da A1. A fase mais crítica deste incêndio “foi quando entrou num armazém ilegal de pneus, daí o fumo negro que se via; e o problema é que estávamos preparados para combater mato e fomos surpreendidos”. Neste caso, o fogo esteve perto dos pavilhões, nomeadamente dos armazéns da Moviflor, tendo sido necessário encerrar temporaria-

mente as bombas de gasolina da Repsol situadas no sentido Vila Franca – Alverca.

Suspeitas de mão criminosa Questionado sobre a origem dos incêndios, o comandante operacional da Protecção Civil Municipal de Vila Franca de Xira, António Carvalho, deixou a suspeita: “É estranho haver dois incêndios desta dimensão a deflagrarem com uma diferença de uma hora e pouco, na mesma freguesia e em locais distintos.” Sobre este assunto, o governador civil de Lisboa, António Galamba, que acompanhou de perto as operações, disse que “cabe às entidades competentes investigar, mas o que é facto é que os dois incêndios aconteceram quase em simultâneo”. Também o comandante dos Bombeiros Voluntários de Alhandra, Jerónimo Caetano, corrobora da tese de intervenção humana. “Quem largou o fogo lá em cima aproveitou e largou também aqui em baixo.” António Carvalho revelou ainda que a Protecção Civil tem vindo a desenvolver uma “campanha de sensibilização para a limpeza dos terrenos, principalmente nas áreas mais rurais do concelho”. O comandante Alberto Fernandes deixa, por sua vez, um reparo: “A legislação diz que os proprietários têm que limpar 50 metros em redor das suas residências, em zonas rurais ou florestais, mas continuamos a ter canaviais e mato en-

Mário Caritas

Empresa de paletes ficou reduzida a cinzas

M

ão criminosa poderá ter estado na origem do incêndio, ocorrido da madrugada do dia 15 de Agosto, que devastou parte de um estaleiro onde funcionam duas empresas de reciclagem e venda de paletes, situado no Cabeço da Rosa, em Alverca (mais precisamente na estrada de Bucelas, logo após a entrada para Arcena para quem circula no sentido Alverca – Bucelas).

Incêndio de Arcena / Bom Sucesso 11 corporações de bombeiros envolvidas 29 veículos envolvidos 92 bombeiros envolvidos 8 hectares de mato ardido 1 hectare de eucalipto ardido

Incêndio de Alverca 18 corporações de bombeiros envolvidas 22 veículos envolvidos 76 bombeiros envolvidos 2 hectares de mato e ferro-velho diverso ardido

costados às casas, o que complica o nosso trabalho. Felizmente desta vez correu tudo bem.” O rescaldo dos incêndios (ambos

dados como extintos antes das 20h00) estendeu-se pela noite dentro e o dia seguinte foi dedicado à vigilância activa dos locais, para

evitar eventuais reacendimentos. O último grande incêndio de que há memória nesta zona aconteceu há cerca de 20 anos.

Naquele espaço funcionam duas empresas que se dedicam a este ramo de actividade. O sinistro afectou sobretudo a firma liderada por Carlos Queirós que viu arder “mais de 20.000 paletes”. O prejuízo ronda “os 50.000 euros”, facto suficiente para pôr inicialmente em causa a continuidade da firma, com oito anos de existência, composta actualmente por 10 trabalhadores. “Os postos de trabalho chegaram a estar em causa mas decidi mantê-los, até porque estamos a falar de homens que têm famílias

para sustentar”, afirma o responsável, de 31 anos, que, naquela fatídica madrugada, sofreu queimaduras de terceiro grau no braço esquerdo quando tentava arrombar o portão da propriedade já envolta em chamas. “Senti uma grande aflição quando vi tudo a arder e ainda consegui tirar lá de dentro um camião. Mas fico com cicatrizes para o resto da vida!” A Polícia Judiciária está a investigar o caso, presumindo-se que tenha havido mão criminosa. Sete corporações de bombeiros, num total de 56 homens, tomaram conta das

operações. O alerta ocorreu cerca das 02h45 e o fogo foi dado como extinto às 10h00 desse dia. Um bombeiro de Alverca sofreu queimaduras ligeiras nas mãos. No total, arderam mais de 2.000 metros quadrados de terreno. "Todo o material que aqui tínhamos estava pronto para entrega às empresas que estiveram fechadas para férias", lamenta Carlos Queirós que só pede que seja feita agora justiça: “Cabe à PJ descobrir quem foi que ateou o fogo, pois o incêndio não começou sozinho.”

LOCAL. Duas empresas de reciclagem e venda de paletes, situadas no Cabeço da Rosa, foram vítimas de um incêndio que devastou parte da propriedade de uma das firmas. A Polícia Judiciária está a investigar o caso.

04 | Notícias de Alverca

Setembro 2010


SOCIEDADE.

Novo regulamento das piscinas gera onda de contestação Mário Caritas

O

novo regulamento camarário aprovado para a utilização das piscinas municipais, a partir de Outubro, está a gerar uma onda de contestação por parte de clubes, associações e colectividades. Tudo porque alegadamente esta nova medida é prejudicial dado que “iremos perder muitos praticantes”, adverte Carlos Conceição, presidente da Direcção do Centro Social e Cultural do Bom Sucesso, em Alverca. Na prática, a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira passa a ter sob a sua tutela 15 modalidades não competitivas, deixando para os clubes as chamadas “modalidades aquáticas competitivas”. Carlos Conceição entende que, desta forma, a edilidade arrecada uma fatia importante das receitas que até agora ajudavam os clubes a fomentar a natação e a suportar os gastos inerentes aos atletas de competição. “Iremos perder a

mais-valia que a colectividade tem em relação à natação porque aquilo que pagamos ao INATEL (seguros, despesas de transportes, etc.) é subsidiado com o dinheiro que ganhamos com os atletas que agora a câmara nos quer retirar. Além disso iremos perder associados pois são muito poucos os atletas que querem fazer competição.” As modalidades que passam para a tutela municipal são as seguintes: coração saudável, hidrosénior, hidroginástica, hidrodeep, hidrocycling, natação para bebés, adaptação ao meio aquático, aprendizagem/aperfeiçoamento de técnicas de natação pura (níveis), natação sénior, natação adaptada (adultos e crianças), hidroterapia, correcção postural, hidro préparto, pólo aquático e natação sincronizada. Os clubes e associações ficam, por seu turno, com a adaptação ao meio aquático – crianças, aperfeiçoamento – crianças (categoria B), natação – pura, sincronizada e pólo aquático (categoria A) e federados (formação e competição).

Bombeiros fecham natação

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Grupo Desportivo dos Bombeiros Voluntários de Alverca extinguiu, no final da última época, a sua secção de natação. O responsável máximo, Carlos Pereira, explica que esta medida prende-se fundamentalmente com o vazio directivo que aquele emblema atravessa. “Actualmente não há direcção e não há pessoas que queiram formar pelo menos uma comissão administrativa. Eu estou de saída e, por isso, não queria assumir mais um ano de responsabilidade para com monitores e utentes da natação”, explica o presidente “temporário” cujas funções cessaram no final de 2009 e que em Setembro irá agendar uma assembleia-geral para se definir o futuro do clube que tem 40 anos de vida e dinamiza várias secções.

Carlos Conceição afirma que esta medida é injusta pois “quando a câmara achar que o atleta é bom e quer competir é que o envia para nós, ou seja, quando o atleta começa a dar prejuízo (com inscrições em provas do INATEL, etc.) é que vem para a colectividade. Nós não queremos isso! No nosso caso, esta é a secção que mais movimenta em termos de dinheiro e de pessoas, ocupa a maioria do nosso orçamento e desta forma iremos perder uma importante fonte de receitas”.

Clubes em risco de perder a natação Mário Lopes, técnico responsável pelas classes de natação da Sociedade Filarmónica Recreio Alverquense (SFRA), tem opinião idêntica. “Para nós, SFRA, esta medida é prejudicial porque o pouco apoio que podíamos tirar da natação, e que já não era muito, iremos perdê-lo. Creio que se a câmara deixar só para os clubes a competição, alguns deles vão deixar de ter natação. Ou seja, esta é uma mudança brusca e interessa saber quantos clubes no concelho é que estão realmente interessados em fazer competição a sério. A SFRA, por exemplo, nunca esteve interessada pois privilegiamos a formação e a promoção da actividade física para jovens e adultos.” O técnico sustenta ainda que a competição tem que assentar numa base alargada de formação. “No fundo está em causa o conceito da pirâmide de formação desportiva, pois não faz sentido não haver a base e depois haver clubes com atletas de competição que são

encaminhados pela autarquia.” No limite esta colectividade, por exemplo, “até poderá fechar esta secção pois nunca procurámos fomentar a competição; aliás quando os nossos atletas atingem um determinado nível encaminhamo-los para clubes que querem realmente fazer competição”.

“Nadadores sem opção de escolha”

Hélder Vieira. “No nosso caso não se fará sentir muito pois não temos as modalidades que vão agora passar para a câmara. O que ainda não temos são nadadores federados, mas iremos preparar essa vertente para arrancar no próximo ano. No entanto, compreendo perfeitamente as preocupações dos dirigentes de outros clubes.”

www

A câmara assegura, em comunicado, que aquilo que pretende é “um reforço do apoio aos clubes para desenvolverem modalidades aquáticas competitivas, consubstanciado na continuação da disponibilização das piscinas municipais e num plano de desenvolvimento da natação de competição com um conjunto de apoios para quem pretenda manter essas modalidades”. Também em comunicado, associações e clubes contra-atacam e acusam a câmara de discriminação: “O objectivo de medidas como esta é fazer com que deixemos de ter alunos, uma vez que exactamente nos mesmos horários o município irá criar novas turmas sob a sua responsabilidade. Por isso um adulto que queira frequentar aulas de natação ou hidroginástica através do seu clube, já não o poderá fazer, não deixando que os frequentadores das piscinas municipais de determinadas faixas etárias tenham opção de escolha.” Neste contexto há, no entanto, dirigentes para quem esta medida não afectará a vida do seu clube. É o caso do presidente da Direcção do Futebol Clube de Alverca,

O município vilafranquense ficará, a partir de Outubro, com a tutela de parte das modalidades aquáticas que, até ao momento, eram dinamizadas pelos clubes. Estes queixam-se que “a câmara empurra para nós apenas os atletas que dão despesa, ou seja, os da competição”.

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Setembro 2010

http://noticiasalverca.wordpress.com | 05


LOCAL. O novo presidente interino e futuro presidente da Direcção da ADINE, Vítor Silva, quer dar continuidade a esta associação de empresários de Alverca através de uma parceria com a AERLIS

Manuela Vidal foi uma das burladas

ADINE depende da AERLIS para sobreviver

Idosos enganados por burlões do multibanco

B

urlões de multibanco andam a enganar pessoas idosas. Segundo uma responsável de uma conhecida instituição bancária de Alverca, “normalmente os idosos são abordados na rua por pessoas que se fazem passar por trabalhadores do banco onde são clientes, que lhes dizem que o código secreto dos cartões multibanco vai passar a ter cinco dígitos; o idoso acaba por acreditar no burlão e nesse entretanto já lhe está a passar o seu cartão para as mãos e a dizer a chave secreta; rapidamente, o burlão (que traz consigo vários cartões idênticos àquele) troca o cartão da pessoa por outro cartão sem que esta se aperceba e fica na posse do cartão e do código secreto da pessoa que foi enganada”. De seguida, o burlão levanta a maior quantidade de dinheiro possível da conta dessa pessoa que só mais tarde se apercebe do que aconteceu. Noutros casos, a burla é ainda mais camuflada e a pessoa nem percebe quando é que foi enganada. Foi o que aconteceu com Manuela Vidal. “Possivelmente trocaram-me o cartão durante uma compra que fiz no supermercado. Só me apercebi quando fui fazer compras ao Modelo e no final quis pagar com o cartão multibanco (Visa Electron), mas este não funcionava; acabei por pagar com outro cartão que tinha e de seguida fui à máquina multibanco para tentar perceber o que é que se passava com o cartão e confirmar o saldo da conta, nisto a máquina reteve o cartão e informou que me deveria dirigir ao meu banco. Foi o que fiz e lá disseram-me que não só não tinha saldo na conta como ainda tinha um crédito de 150 euros para pagar.” O montante gasto ultrapassou os 1.000 euros (1.262 euros) e a burla foi detectada no dia 9 de Julho, três dias após Manuela Vidal ter feito o último levantamento de dinheiro. Nesse espaço de tempo alguém utilizou o cartão para levantar dinheiro, para fazer uma compra em perfumes no valor de aproximadamente 500 euros (numa perfumaria situada na margem sul do Tejo) e ainda para pedir 150 euros “emprestados” ao banco. “Espanta-me que o banco tivesse concedido esse crédito quando a conta já não tinha liquidez. De qualquer forma alguém me trocou o cartão sem que me tivesse apercebido e sabia também o código secreto.” Mário Caritas

Mário Caritas

A

final a ADINE – Associação de Dinamização Empresarial tem pernas para andar. Após José Pico se ter auto-suspendido do cargo de presidente da Direcção, o empresário Vítor Silva conseguiu juntar um núcleo duro de associados que estão dispostos a não deixar morrer a associação. No imediato o objectivo passa por criar condições para assegurar a sustentabilidade da ADINE e o futuro presidente da Direcção (as eleições são em 2011) tem ideias para aumentar a sua “massa crítica”. Sedeada no Fórum Chasa, em Alverca, esta associação de empresários esteve recentemente prestes a fechar as portas, face ao desinteresse crescente evidenciado pelos seus membros. Na última assembleia-geral, realizada em Abril, apenas nove dos 47 associados da ADINE marcaram presença; e desses havia quem dissesse abertamente não acreditar na sua viabilidade, entre eles os sóciosfundadores José Sabino Lopes e Elvira Vieira que alegaram a falta de motivação da maioria dos empresários, aliada à precariedade do edifício onde estão sedeados cujo auditório foi dizimado pelas intempéries do último Inverno – e por isso a necessitar de obras de fundo dispendiosas. Mas nem todos pensaram assim e um empresário de Alhandra, Vítor Silva, mostrou-se disponível para encontrar, em conjunto com

outros sócios, novas linhas orientadoras. Foi o que aconteceu e já existe um plano de acção. “Em primeiro lugar, queremos fazer o levantamento das empresas existentes no concelho. A promoção do emprego depende do aparecimento e crescimento das empresas, logo cabe-nos criar condições para estimular os negócios. Naturalmente que vivemos tempos difíceis, o clima económico é negativo, o risco de novos investimentos é muito grande e o poder de compra muito reduzido; mas se não melhorarmos alguns factores de instalação e de criação de empresas, ainda mais difícil se torna sair desta fase difícil”, refere o empresário.

“Pelo menos não digam que não tentámos”

A médio prazo, o futuro passa concretamente por criar uma parceria com a AERLIS – Associação Empresarial da Região de Lisboa, já que “a ADINE não tem neste momento massa crítica para dar formação e para desenvolver algumas iniciativas importantes, entre estas a realização de workshop’s e a formação de empresários em áreas específicas. Logo será positiva a ligação a uma entidade com grande visibilidade na região”. Quanto às necessárias obras de recuperação do Fórum Chasa, estas deverão avançar em breve. “A câmara municipal prometeu-nos que iria arrancar com as obras de reabilitação do edifício no fim de Setembro, não digo na totalidade mas pelo menos aquelas que for possível realizar. Penso que o investimento será na ordem dos 50.000 euros. Sabemos que a câmara está a atravessar uma fase

difícil, mas estou certo que procurará fazer tudo o que estiver ao seu alcance. As intervenções mais urgentes têm a ver com a parte de esgotos e a parte das infiltrações devido aos lagos artificiais existentes no cimo do edifício. Ou seja, a prioridade será procurar minimizar os efeitos das inundações.” O facto de não terem dívidas poderá ajudar a acertar o passo. No fundo, todas as medidas servem para dar a volta à situação. “Vamos tentar. Se não fizermos nada é que as pessoas então irão dizer: afinal eles estão mesmo parados. Se fizermos pelo menos podemos ter a consciência tranquila de que tentámos tudo. No imediato a nossa intenção é tentar sobreviver através de uma parceria com a AERLIS, para melhorar a nossa massa crítica, já que sem um mínimo de 80/100 associados não é possível trabalhar.”

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Pega de Caras

Luís Ferreira Lopes Editor de Economia da SIC luislopes@sic.pt

"Sagres" made in China

M

eados de Agosto, um país a arder e a banhos, um calor sufocante, a indiferença estival do costume. Entre as notícias do combate duro dos bombeiros (os verdadeiros heróis deste pobre país, cada vez mais desertificado) e da indignação popular perante a brandura da Justiça (ou o que resta dela) em relação aos incendiários que saem em liberdade, uma notícia quase passou despercebida: a “Sagres” foi impedida de entrar no porto de Macau. Na sua viagem de volta ao mundo, o belo navio-escola da armada portuguesa tem atracado em portos de todos os cantos do planeta que Fernão de Magalhães ajudou a conhecer melhor. Desta vez, rumava a Xangai (onde foi bem recebido, depois do episódio lamentável de Macau) e, naturalmente, o comandante do navio tencionava fazer uma escala em Macau, território português (durante séculos) até há pouco mais de uma década. As autoridades chinesas negaram a entrada, alegando impedimentos técnicos. Lisboa ficou muda. A “Sagres” até poderia não ter necessidade de entrar em Macau, em termos de provisões ou de refúgio de alguma tempes-

tade. Os portugueses até poderiam ter ignorado que estavam a passar ao largo de Macau. Só que havia uma simbologia nesta volta ao mundo, 500 anos depois… Qualquer cidadão do mundo compreende, mas a China não. Os portugueses puderam ir a Xangai para ver com os seus olhos a grandeza da exposição universal, mas foram impedidos de entrar numa cidade que já foi sua porque a nova potência colonial / mundial quis demonstrar quem manda ali através de um gesto simbólico, como é costume naquelas paragens. Por esses mesmos dias, foi conhecido que a China já será, este ano, a segunda maior economia mundial, ultrapassando o Japão. O gigante asiático, outrora de inspiração maoísta, ficou rico graças à política de capitalismo selvagem, de exploração de mão-de-obra praticamente escrava, com salários vergonhosamente baixos, sem respeito por direitos básicos dos trabalhadores e sem respeito por normas ambientais. Que fizeram a Europa e os EUA? Os interesses ocidentais apreciaram o fascínio oriental pelo luxo do capitalismo atlântico e aproveitaram a boleia da mudança política para fazer in-

vestimentos na Ásia, ou seja, para exportar para o Ocidente a custos mais reduzidos, fomentando, paradoxalmente, o aumento do desemprego europeu e americano. Com a receita das exportações para o mundo ocidental, Pequim ficou com excesso de liquidez e foi comprando obrigações do tesouro e reservas cambiais de países como os Estados Unidos ou a Alemanha. Comprou também África para ficar com matérias-primas ao preço da chuva e foi fazendo empréstimos a esses países, apertando a dependência das nações africanas e enviando mão-de-obra ainda mais barata do que a africana (prisioneiros, por exemplo) para obras públicas como a recuperação do caminho de ferro de Benguela, em Angola. Em suma, Pequim foi vergando o mundo, cobardemente silenciado e inebriado pelos preços ultra-competitivos do made in China. Num país que não tivesse vergonha da sua História, obviamente que a ASAE receberia ordens superiores para fiscalizar de imediato e com mais detalhe as lojas e os restaurantes chineses – e demais negócios em Portugal. E se os negócios não cumprissem as nossas normas, os respeitáveis imigrantes chineses seriam

convidados a sair do país, o que, nalguns casos, seria uma pena porque são bons trabalhadores. Num país a sério, Lisboa explicaria a Pequim que, assim como a China não precisa deste pequeno rectângulo ibérico para nada, nós também somos capazes de sobreviver muito bem sem os artigos feitos com sangue, suor e demasiadas lágrimas de operários na miséria e populações rurais esfomeadas. Perante esta afirmação, alguns empresários dirão: “sacrilégio”, mas, convenhamos, eu estava a falar de um país a sério e com empresários a sério. Num país com ganas, o governo desta ocidental praia lusitana diria, diplomaticamente, que respeita a OMC e as regras do antigo GATT para eliminação progressiva de barreiras alfandegárias, mas não aceita atitudes imperialistas de novosricos, por mais poderosos que sejam – e nada teria a temer porque as intenções de investimento português na China são insignificantes, principalmente porque Portugal não tem escala ou dimensão para lucrar seriamente com a presença naquele mercado. Há outras alternativas mais interessantes e menos longínquas ao comér-

cio com a China. Voltemos, então, ao país real. No país pobre e sempre vergado à força dos poderosos, não podemos afrontar a China porque ela agora é senhora do mundo. No país real, o Zé Tuga está-se a borrifar para a Sagres e até acha que isso é apenas uma marca de cerveja, passe a publicidade. No país do “deixa arder”, os chineses até poderiam vender a 50 cêntimos a bandeira nacional trocando as cores ou substituindo os nossos símbolos por uma cara de Mao a sorrir com ar irritante… e a malta até acharia graça. O que vale é que este foi um episódio de Verão que ninguém viu e, claro, o país não é nada assim e eu estou a fazer uma tempestade num copo de água… um copo de plástico made in China. Por mim, vou fazer como fiz quando a Indonésia massacrou Timor e as Nações Unidas fingiram que não viram, no final dos anos 90: vou passar a olhar ainda com mais atenção para a origem dos produtos e, enquanto me lembrar deste episódio da Sagres e de Macau, obviamente não comprarei produtos feitos na China. Bom regresso ao trabalho e às aulas, com produtos fabricados em Portugal!

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“É preciso virem novas pessoas com novas ideias para pôr em prática” ENTREVISTA. Adelino Esperança abandona este ano a presidência da Casa São Pedro de Alverca. Faz um balanço positivo dos 18 anos que esteve ligado a esta instituição particular de solidariedade social e fala de projectos concretizados. Quanto à sua saída, considera ser esta a melhor altura.

Mário Caritas Rita Sota MC

“N

otícias de Alverca”: Começou a sua carreira profissional ligado à contabilidade. Como é que surgiu depois a ligação à Casa São Pedro de Alverca? Adelino Esperança: Sempre estive ligado à contabilidade nas Finanças. Mais tarde fui convidado a fazer parte dos órgãos sociais da Casa São Pedro, mas continuei ligado a essa actividade. Em 1992 fiquei com o cargo de secretário da direcção, onde tinha funções administrativas e de contabilidade. No triénio seguinte passei a vice-presidente e mais tarde assumi a presidência da direcção. “NA”: Há 18 anos que faz parte dos corpos gerentes. Em que

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condições encontrou esta casa quando aqui chegou? AE: Havia um projecto de construção de instalações que já vinha desde os anos 80 e que estava pronto a ser realizado. Este processo foi financiado por um programa da Segurança Social que disponibilizou, desde logo, a quantia para a realização das obras consideradas necessárias ao edifício. No passado, as casas que acolhiam os idosos (como esta) eram vistas como asilos. Entretanto esta instituição começou a ganhar outra dinâmica e foi crescendo ao longo dos anos. Temos actualmente 110 pessoas em valência de lar e já na altura se achava que era muita gente, então pensámos em criar cinco unidades funcionais, cada uma com 22 utentes. Cada unidade tem o seu quadro próprio de pessoal, o que origina uma maior ligação entre o idoso e a pessoa que o trata.

venção mais transversal da nossa parte.

“Considero que a câmara tem tido um papel muito activo” “NA”: Actualmente como descreve este espaço? AE: Por exemplo, do ponto de vista humano, no passado, grande parte dos idosos eram autónomos, por isso tínhamos muito menos funcionários. Os utentes agora têm mais problemas motores e inclusive a nível psicológico. Por isso precisam de um acompanhamento muito maior e de uma inter-

“NA”: Há 12 anos que está na presidência. Qual o balanço que faz dos vários mandatos? AE: Estou como presidente há quatro mandatos e todos eles responderam às necessidades maiores. O salão de chá, o serviço de cabeleireiro e a troca de viaturas antigas por outras mais recentes foram as primeiras necessidades que tentámos colmatar. Mas ao longo dos anos foram aparecendo outras, inclusive a própria legislação mudava e tínhamos que estar atentos a

isso. Tivemos que colocar um tecto novo, cuja obra rondou os 150 mil euros e que foi, em parte, comparticipada pela câmara municipal. Tivemos ainda necessidade de fazer uma cozinha, de construir uma sala de actividades e de instalar um sistema solar térmico.

nanciamento e também na resolução de determinados problemas. Considero que a câmara tem tido um papel muito activo, não só com a Casa São Pedro mas também em todo o concelho. Sem esse financiamento, muitos projectos teriam que ser adiados por falta de verbas.

“NA”: Ao longo destes anos que tipo de apoios teve por parte da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira ou de outras instituições? AE: Tivemos diversos apoios da câmara e da segurança social, nomeadamente na parte do fi-

“Nenhum presidente sai com a missão cumprida” “NA”: Dos objectivos a que se tem proposto, conseguiu execu-

Temos cinco unidades funcionais: cada uma tem o seu quadro próprio, o que origina uma maior ligação entre o idoso e a pessoa que o trata Setembro 2010


Perfil. Adelino Esperança, 65 anos, é natural de Oiã, concelho de Oliveira do Bairro. No final deste ano deixa a direcção da Casa São Pedro de Alverca

tar todos? AE: Nenhum presidente sai com a missão cumprida. Há sempre projectos por realizar e só depois de estarem feitos é que podemos dizer se foi bom ou mau. O caminho traçado foi aquele que considerámos ser o mais adequado. A direcção da Casa São Pedro tenta sempre responder da melhor maneira às necessidades que vão aparecendo e a “sala de actividades”, a “escolinha dos avós” e o “ cantinho dos poetas” são disso exemplo. As ideias que tinha consegui pô-las em prática e por isso é que considero que neste momento a mudança de liderança é tão importante. “NA”: Um dos projectos a curto prazo será a criação de uma sala destinada ao lazer e actividades dos utentes durante o Inverno. Qual o ponto de situação? AE: O salão de actividades é

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outro dos projectos que conseguimos realizar. Vai ter bicicletas estáticas para aqueles idosos que mal conseguem andar e que tenham mais problemas em mexer-se, assim como alguns jogos que visem exercitar a mente. As próprias funcionárias já tiveram formação interna no sentido de colaborarem e desenvolverem actividades com os utentes no dia-a-dia. O salão será inaugurado por altura do 30.º aniversário desta casa, no próximo mês de Novembro. “NA”: A abertura de uma extensão em Arcena tem sido outro dos projectos falados, numa perspectiva de médio/longo prazo. Já existe alguma data prevista? AE: Esse foi um projecto no qual depositei algumas expectativas quanto ao plano de reestruturação daquela zona, mas os dias foram curtos para avançar

com um projecto dessa dimensão. Qualquer investimento que se faça necessita de alguma comparticipação para se dar avanço ao projecto. Tendo em conta que os idosos precisam de um acompanhamento permanente, torna-se difícil para já suportar mais esse encargo. “NA”: Mas considera fundamental a abertura dessa nova extensão? AE: Este projecto surge como uma resposta às necessidades das pessoas, não só dos idosos mas também das crianças, com a criação de creches, berçários, etc. Quanto mais serviços pudermos desenvolver, melhor. Quem vier a seguir a mim poderá agarrar essa ideia.

“Já devia ter saído há três anos”

“NA”: Porque é que deixa a Casa S. Pedro? AE: Já devia ter saído há três anos. É preciso virem novas pessoas com novas ideias para pôr em prática. Apesar de sair da direcção não deixo de ser sócio. Mas deixo um aviso: para alguém estar à frente desta casa tem de ser uma pessoa muito humanista, pois estamos a lidar com pessoas, desde os funcionários aos utentes. As relações aqui dentro apelam muito ao lado humano e muita gente não está preparada para isso. Este tipo de casa não deve ter “donos”. “NA”: Quanto ao próximo sucessor, já há algum nome previsto? AE: A direcção está a tratar disso. Outro aspecto a realçar é que as assembleias desta casa fazem-se com os corpos gerentes, com os sócios, com a so-

ciedade, mas o que é certo é que na hora de decidir não aparece ninguém. Nenhum membro da direcção é remunerado e, por isso, torna-se mais complicado haver pessoas que estejam dispostas e que reúnam as condições para aceitar estar aqui. “NA”: Quais são as melhores recordações que leva? AE: Há uma relação muito próxima com as pessoas que aqui vivem e isso é bom. Muitas vezes tínhamos momentos de convívio até de madrugada ao som da guitarra, no salão de chá. As festas na Casa São Pedro sempre foram muito conhecidas, fazíamos aqui as festas populares e convidávamos bons artistas, tínhamos noites de fado, etc. Enfim, levo muitas e gratas recordações e fiz muitos e bons amigos.

As ideias que tinha consegui pô-las em prática e por isso é que considero que neste momento a mudança de liderança é tão importante

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Casa São Pedro de Alverca Os conteúdos desta rúbrica são da responsabilidade da Casa de S. Pedro. O jornal pode ser levantado pelos sócios da IPSS na sua sede.

Recordação

Ciência

Tão longe e tão perto Da nossa querida memória Não é nenhum deserto É um pedaço da nossa história

Foi o poder da nossa inteligência Que conseguiu dar luz à obscuridade Em que vivia a triste Humanidade Uma vida de luta e de indigência.

Este é o reflexo da minha poesia Que só a natureza nos dá Viver ao ar livre, que alegria Quem me dera vivê-la já Cidade tão provocante Lá longe a perder de vista Foi belo foi num instante Ver e ter a habilidade de artista Paisagem que ninguém censura Ao ver Santa Maria da Feira Podem crer que ninguém segura O visitante quer ele queira ou não queira Tão longe e tão perto Que a estrada nos oferece São quilómetros é bem certo Mas de bom grado nos parece Gostaria de lá voltar Ao belo e rico paraíso Não sei se posso contar Com a promessa de que preciso Jaime Matos

Sorrimos já de orgulho pela nossa ciência Que nos levou a esta actividade, E todos nós sentimos vaidade, Da nossa igualdade e competência. Assim tem continuado, A ciência a desenvolver Anda-se sempre a aprender Em relação ao passado. Os cientistas têm a ciência bem estudada, Têm feito a sua obrigação, Não tínhamos ilusão Que a ciência está bem pensada. Dos bons cientistas todos nós nos orgulhamos, Mas, que nem todas as ciências juntas Poderão responder a três perguntas Quem somos? De onde viemos? Onde chegamos? José Lino Martins Fernandes

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Actividades Lar de Idosos – Internato Centro de Dia – na Instituição Apoio Domiciliário Actividades Complementares: Ginástica, Hidroginástica, Pintura, Costura e Escolinha dos Avós

Salão de Chá e Jardins Local agradável onde pode tomar o seu café e conviver com familiares e amigos. Aberto todos os dias, incluindo Sábados e Domingos, das 10h00 às 18h30m, encerrando das 11h45m às 14h00.

Dinâmica da Casa S. Pedro As actividades de recreio e lazer são as mais participadas e englobam: passeios, colónias de férias, alomoços-convívio, festas, sardinhada, etc.

Horácio Macedo

O Lago Sentado num banco do jardim Admirando canteiros floridos O vento trouxe para junto de mim Papeis que estavam no chão adormecidos

Aquela rosa relembrou-me uma mulher Que há muitos anos ali eu encontrei Distraída caiu ao lago sem querer E fui eu que das águas do lago a salvei

Tudo isto em amor se transformou Sonhos de felicidades eram erguidos Mas o vendaval da vida tudo nos roubou Promessas e beijos foram esquecidos

Perto de mim a água do lago murmurava Vi então uma rosa sacudida pelo vento Tão linda, tão bela, mas já toda desfolhada Tentei salvá-la mas já não fui a tempo

Queimado pelo calor do seu olhar Chama que ardia dum modo lento Os seus olhos pareciam querer falar E no seu brilho escondia um sentimento

Pela vida fora fica sempre uma saudade Eu fui visitar o velho banco do jardim Vi num lindo manto uma grande claridade Era a saudade dela que veio junto de mim.

CORREIO DO LEITOR.

Jardins da Ómnia: uma miragem do passado Pedro Soares

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m Agosto de 2009, escrevi a reportar o estado de degradação dos jardins da Quinta da Ómnia, em Alverca, depois de meses antes e em entrevista que fizeram ao senhor Presidente da Junta de Freguesia o próprio ter afirmado que a junta tinha decidido acabar o contrato com uma empresa de manutenção de jardins e que seria a junta a tratar dos mesmos. Fui então alertando logo a junta para o abandono dos jardins e o que vos posso dizer é que de jardins ficou a imagem de quem aqui vive há quase 10 anos e que hoje são uma sombra daquilo que foram. Antes e durante muito tempo, as empresas mantinham um fun-

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cionário durante todo o dia e mesmo assim era no limite para os manter com óptimo aspecto. Hoje vêem meia dúzia de vezes por ano e quando vêem é para cortar pela raiz e arrancar flores, arbustos, enfim uma miséria. Mas, mais do que as palavras, são as imagens pois estas não mentem. O grande problema é que a junta não tem pessoal com qualificação, nem em número suficiente, para tratar de alguns espaços verdes. E quando o fazem – lamento – fazem-no mal e as imagens não mentem. Aqui vos mostro o trabalho da junta vai para dois anos. Mas também sabem os senhores que estes eram talvez os jardins mais bonitos de Alverca. Imaginem quando a junta tomar conta dos jardins da Malvarosa.

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O virtuosismo de Nuno Ferreira SOCIEDADE. Músico há mais de 20 anos, Nuno Ferreira prepara-se para lançar o seu primeiro CD de originais. O guitarrista fala-nos de um percurso que começou a sério aos 14 anos Mário Caritas

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os 10 anos começou a tocar guitarra e aos 14 decidiu ser músico profissional. E quando a maioria dos miúdos da sua idade passavam os dias repartidos entre os deveres escolares e os jogos de futebol de rua, Nuno Ferreira, agora com 37 anos, natural e residente em Alverca, já ia para Lisboa actuar nos bares nocturnos da capital. Tinha apenas 15 anos e tocava ao lado de músicos bem mais velhos. “Eu ia de comboio para Lisboa às nove da noite, os meus pais ficavam a ver-me ir para a estação, e só regressava no primeiro comboio da manhã; mas nesse tempo não havia o clima de insegurança que existe hoje em dia. No final da noite, os meus colegas deixavam-me na estação de Santa Apolónia e lá ficava eu com a guitarra às costas à espera do comboio para Alverca. Reconheço que os meus pais foram muito importantes porque confiaram em mim e deixaram-me seguir o meu sonho”, refere Nuno, filho de Luciano e Rosa Ferreira. Não demorou muito para o talento natural de Nuno Ferreira vir ao de cima e foi um ápice até começar a tocar nos bares alfacinhas mais conceituados da

época. “Fui trabalhando cada vez mais, estudei muito e aos 16 anos entrei para a Academia de Amadores de Música (que equivale ao conservatório); até essa altura fui auto-didacta e tive algumas aulas com o falecido músico Jorge Nascimento.” Com (muito) esforço conseguiu, a par da música, concluir o ensino secundário. “Segui o meu sonho, «step by step»!” Ainda adolescente tocou ao lado de artistas como Ágata e Anabela e, aos 17 anos, integrou a banda “Sitiados”. Tocou depois com outros grandes nomes da música portuguesa, entre eles “Da Vinci”, Fernando Pereira, Marco Paulo e Emanuel; e integrou a orquestra que animava os programas televisivos do humorista Herman José. “Fiz isso durante anos a fio. Hoje em dia toco com o Fernando Pereira, o Paulo Brissos, o Pedro Vaz, já toquei com os «Íris», etc.” Trabalho é algo que não lhe falta. “Ou me contratam para fazer uma tournée, ou para fazer um ou vários espectáculos… Felizmente tenho tido sempre trabalho, toco quase todos os dias.” Entretanto ensina música, há mais de 10 anos, “na escola do Paulo Nascimento (Alverca) e orgulho-me de ter tido alunos que hoje são músicos profissionais”.

Hugo Nascimento patina pelo Sporting

Actuação para a selecção na África do Sul Nuno Ferreira já correu o mundo a tocar guitarra e em Junho, durante uma digressão que fez com o músico Fernando Pereira à África do Sul, actuou para o staff da selecção nacional de futebol. Foi uma experiência inesquecível. “Na noite em que começou o mundial tive o prazer de actuar para a selecção, em Joannesburgo. O futebolista Deco mandou um abraço pois deixou bons amigos em Alverca…” Segue-se agora o lançamento do seu primeiro CD de originais, após mais de 20 anos de carreira. “Feliz ou infelizmente, nunca tive tempo para me debruçar num projecto dessa natureza a 100 por cento. Mas finalmente, com a ajuda de muitos bons amigos, vou lançar o meu primeiro CD com 13 faixas, com a colaboração de muitos músicos, entre eles os cantores Paulo Brissos, Pedro Vaz, Carlos Barquinha, e os músicos João Sanguinheira, Sertório Calado, Telmo Lopes, Tiago Machado, os Stomp, etc.” O passo seguinte passa por tentar mostrar esse trabalho no concelho de Vila Franca de Xira. “Já demonstrei esse desejo ao vereador da Cul-

Mário Caritas

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os 20 anos, o hoquista de Alverca, Hugo Nascimento, está a cumprir um sonho de menino: vestir a camisola da equipa principal de hóquei em patins do “seu” Sporting. Formado nas camadas jovens do Alverca, Benfica e Sporting, Hugo integra o plantel principal dos leões no ano do regresso da equipa de Alvalade ao escalão sénior da modalidade, onde no passado brilhou entre os maiores emblemas europeus e mundiais. O recomeço é na terceira divisão nacional. As expectativas do jovem leão são elevadas. “No fundo, é um projecto amador mas para ser encarado com ambição. Um clube como o Sporting entra sempre para ganhar! O nosso objectivo é a subida de divisão”, afiança Hugo, filho do actual presidente da Direcção da Associação de Patinagem de Lisboa e antigo sec-

tura, João de Carvalho.” Apaixonado por guitarras – tem uma colecção de 19 guitarras, compradas desde 1988, “todas com a sua especificidade” –, o músico explica que “uma boa guitarra poderá custar na ordem dos 5.000 euros, sendo que tenho guitarras de edição limitada, todas elas com uma grande história pois já todas gravaram

discos, fizeram grandes concertos, andaram de avião…”. Casado e com um filho, por vezes sente dificuldade em afastar-se da família durante longos períodos de tempo, “mas é a minha vida”. Apaixonado por blues e rock n’roll, entende ser importante para os jovens músicos tocarem de tudo um pouco. “Eu toquei de tudo, sempre fiz

tudo na música, toquei com todo o tipo de bandas, fiz todo o tipo de trabalhos e já abrangi todas as áreas da música: do etno ao fado, ao rock, ao heavy metal, ao blues e ao jazz”, explica este músico fã de Pink Floid, Gary Moore, David Guilmor, Brian May, Mark Knofler, Eric Clapton, Joe Satriani e Steve Vay.

cionista do Futebol Clube de Alverca, Luís Nascimento. A pressão de vestir tão prestigiada camisola é elevada. Mas a satisfação que sente supera tudo o resto. “É sempre um motivo de orgulho quando se representa um dos grandes do hóquei em patins, um clube com muita tradição na modalidade, apesar de há já alguns anos estar ausente dos grandes palcos. Quando representamos um clube, seja pequeno ou grande, temos sempre a responsabilidade de o deixar bem visto e tentamos valorizar o seu nome; claro que a responsabilidade aumenta quando representamos o Sporting, mas com esforço e dedicação conseguem-se atingir os objectivos.”

do seu tempo a treinar os mais novos, nomeadamente as equipas de benjamins e escolares do FC de Alverca. Antes disso já havia treinado miúdos em Alenquer (benjamins), no ano passado, quando era sénior do clube na segunda divisão nacional; e enquanto júnior do Sporting participou num projecto de formação que envolvia alunos de uma escola do 1.º ciclo de Loures. “Eu ia à escola duas vezes por semana dar uma espécie de aula de patinagem. Dávamos a aula, víamos quem é que tinha mais e menos aptidão, e procurávamos cativar os miúdos para a prática do hóquei. Penso que era importante trazer esse conceito para Alverca dado ser uma zona que tem muitas escolas.” Segundo o hoquista, “é muito gratificante ver os miúdos a evoluir e é muito bom conseguir passar alguma da experiência que ganhei não só no FCA mas também no Benfica (onde foi

campeão nacional de juvenis) e no Sporting, no fundo procurar cativar cada vez mais os jovens para praticar hóquei em patins”. Em relação à carreira de jogador, em Setembro os leões vão realizar alguns jogos particulares no continente e disputar um torneio quadrangular na Ilha do Pico (Açores); a época oficial arranca no início de Outubro. Hugo quer continuar a evoluir como atleta e quem sabe um dia jogar na primeira divisão nacional e ser chamado à selecção das quinas. “Acho que qualquer atleta que leve o hóquei a sério tem esse sonho! Sou sportinguista desde miúdo e isto é também a concretização de um sonho, pois quando comecei a andar de patins nunca me passou sequer pela cabeça algum dia estar onde estou. Sinto-me bastante orgulhoso de mim próprio e das pessoas que me têm apoiado”, remata o futuro estudante universitário de gestão.

Treinador de miúdos em Alverca A par da competição, Hugo Nascimento ocupa outra parte

DESPORTO. O jogador de hóquei em patins Hugo Nascimento, natural e residente em Alverca, representa a equipa sénior do Sporting Clube de Portugal, no ano de regresso dos leões à competição Setembro 2010

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Subida de divisão: à terceira será de vez? DESPORTO. Arranca no dia 12 mais um campeonato da 1.ª Divisão distrital de Lisboa, competição onde o FCA se assume como candidato à subida. O novo treinador, Paulo Gomes, promete “muito trabalho”. Rui Vitória Professor de Educação Física ruivitoria@hotmail.com

Obrigado pais

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velino da Vitória e Esmeraldina Pinho da Vitória deixaram-nos há oito anos, num acidente de automóvel. São simplesmente meus pais. Desculpem a escrita de hoje mas faço-o, não por haver alguma data especial, mas para os recordar e homenagear por tudo o que fizeram para me ajudar a ser o que sou. Obrigado pai e mãe! Sei que, estejam onde estiverem, estão em paz e felizes por saber que os vossos dois filhos estão bem. Obrigado por não me terem dado tudo em miúdo e fazerem-me perceber que para se ter alguma coisa é preciso lutar e trabalhar muito. Obrigado pelo excelente ambiente familiar que nos criaram, a mim e ao meu irmão, ajudando de forma decisiva a formar as nossas personalidades. Obrigado pela educação que nos deram. Humildade, persistência e responsabilidade são valores por vós transmitidos e através dos quais tento guiar a minha vida. Obrigado mãe, pela preocupação que tinhas pelo meu futuro. Fizeste-me lutar ainda mais para hoje eu ter a certeza absoluta que estás tranquila e em paz. Obrigado pai, por me levares em miúdo a ver os jogos de todas as equipas do FC de Alverca. Meteste-me o "bicho" e aumentaste ainda mais a minha Paixão pelo futebol. Tenho saudades, muitas, mas estou feliz por saber que vocês estão contentes por nós. Não sei se terei muitas ou poucas vitórias, muitos ou poucos sucessos, digo-vos com a maior sinceridade que isso pouco me importa, acima de tudo porque umas das minhas maiores vitórias já a consegui – sentir o vosso orgulho.

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Mário Caritas

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rranca este domingo, dia 12, o campeonato da 1.ª Divisão – série 1 “Centenário” da Associação de Futebol de Lisboa (AFL), competição para a qual o FC de Alverca (que na ronda inaugural recebe o Casalinhense) parte com o estatuto de candidato à subida. Após dois anos consecutivos a morrer na praia – com dois terceiros lugares alcançados na classificação geral, ou seja, a apenas um lugar da subida de divisão –, os alverquenses, orientados por Paulo Gomes (que substitui Vítor Mesquita), assumem por inteiro o desejo de ascender finalmente à competitiva Divisão de Honra da AFL. O novo responsável técnico, que na temporada anterior orientou o Vialonga (Divisão de Honra) até Dezembro e o Bucelenses (1.ª Distrital, vencendo a Taça do Municí-

pio de Loures), mostra-se optimista. “Vamos trabalhar e no final fazemos as contas. Por tudo, o FCA é um candidato à subida mas há mais 15 clubes que vão disputar o campeonato e desses há quatro ou cinco candidatos também muito fortes, inclusive ao nível do orçamento de que dispõem. No final veremos quem é que consegue levar a melhor”, afirma Paulo Gomes, de 40 anos, que tem como adjuntos Paulo Henrique e Paulo Carvalho (esta será a quarta época que trabalham juntos). O treinador – que já orientou como adjunto o Oriental, Casa Pia, Sesimbra e Tires e como técnico principal o Santa Iria, Vialonga e Bucelenses – encara este novo desafio como mais um passo na sua carreira, não esquecendo que está a representar um emblema com pergaminhos no futebol português. “Já treinei em várias divisões, desde os nacionais até aos

distritais, e penso que o principal é termos a consciência de que estamos a trabalhar bem; convidaram-me para aqui, aceitei e agora só tenho que trabalhar o melhor que sei. Os jogadores percebem a responsabilidade de representar um emblema como o FCA e obviamente que vão dar o seu melhor ao longo da época.”

Plantel mantém espinha-dorsal O plantel é composto por 21 jogadores, dos quais 10 transitam da época passada. Nélson Antunes mantém o estatuto de capitão de equipa e confia no grupo de trabalho. “Estamos motivados, temos uma equipa técnica nova que está a trabalhar bem e estamos muito satisfeitos com os novos colegas que vieram para ajudar a colocar o Alverca no lugar que merece. Penso que este plantel é um pouco mais experiente que o da época passada

e vamos trabalhar todos os dias para alcançar a subida de divisão.” Entre os rostos novos conta-se um ex-júnior do clube, Cláudio Hervette, que alinha a médio centro e que aposta em provar o seu valor: “Pessoalmente é um novo desafio. Vamos tentar dar o máximo e procurar fazer uma boa temporada, pois temos um bom grupo de trabalho e o objectivo é subirmos de divisão. Vou trabalhar para agarrar um lugar na equipa.” Mais experiente nestas andanças é o defesa central/trinco Joaquim Júnior, de 23 anos, ex-Bucelenses, que promete suar a camisola. “O objectivo principal é a subida de divisão, estamos todos a trabalhar para isso e o nosso grupo é muito forte.” Outro dos reforços é o defesa Eduardo Alhinho, de 25 anos, ex-Vialonga, que está a cumprir um sonho de menino. “Desde miúdo que sempre quis jogar no Alverca, acho que é um clube com uma grande dimensão, com

grandes condições e foi isso que me fez mudar de ares. Penso que este é um desafio aliciante e acho que temos todas as condições para conseguir subir de divisão.”

Plantel Treinadores: Paulo Gomes (principal), Paulo Henrique (adjunto) e Paulo Carvalho (treinador guarda-redes); Jogadores: Miguel Oliveira, Ricardo Cardoso “Pipoca”, Djalo Junior, Rui Pereira, Gonçalo Marques, Fábio Martins “Ferra”, Nelson Antunes, Carlos Couto, Fábio Santos, Ruben Vinagre, Joaquim Júnior, Hélder Dias, Eduardo Alhinho, António João “Tó Jó”, Telmo Passarinho, Emanuel Sá “Nelinho”, Luís Frota, João Pedro, Bruno Martins, Pedro Nobre e Hervette; Massagista: João Matos; Roupeiro: Joaquim Grosso; Directores: Emílio Neves e João Carreira.

Paulo Eira ao comando da nau vila-franquense

P

aulo Eira é o novo treinador principal da equipa sénior de futebol da União Desportiva Vilafranquense. Recém-subida à Divisão de Honra da Associação de Futebol de Lisboa, a equipa da sede do concelho possui argumentos para se manter naquele escalão, cabendo ao jovem técnico, de 39 anos, professor de Educação Física e Desporto na Fundação CEBI, dispor da melhor forma o xadrez que tem à sua disposição. “O clube mostrou interesse em mim, eu também tinha interesse em estar lá, portanto foi fácil chegar a acordo. O plantel é constituído pelo grosso dos atletas da época passada, que fizeram uma excelente campanha pois ficaram em segundo lugar na primeira distrital de Lisboa e subiram de divisão, portanto é uma equipa jovem e com qualidade.

Penso que o principal reforço é a manutenção da espinha-dorsal do grupo.” Antigo adjunto de Rui Vitória ao serviço deste emblema, o ex-treinador do Amiense regressa assim a uma casa que bem conhece. “É o regresso a um clube onde estive durante duas épocas como adjunto do Rui Vitória, na 2.ª Divisão Nacional.

“Dar continuidade ao trabalho anterior” O principal objectivo é dar continuidade ao (bom) trabalho realizado anteriormente pelo técnico Fernando Ferreira. “Dado que a política do clube assenta no rigor orçamental, pediram-me para trabalhar com os

jogadores que já cá estavam e aproveitar os jovens oriundos da formação; acima de tudo, pediram-me para fazer um campeonato tranquilo com o objectivo da manutenção nesta divisão.” O campeonato perspectiva-se bastante competitivo, com um nível de equipas muito próximo do futebol que se pratica na 3.ª Divisão Nacional. Para Paulo Eira é uma estreia como treinador neste escalão, mas isso não o assusta. “Os meus objectivos são simplesmente procurar cumprir aquilo que me é pedido”, sustenta o técnico que no currículo conta ainda com passagens pelo Samora Correia e pelo Olivais e Moscavide (na qualidade de adjunto). O campeonato inicia-se domingo, dia 12, com a deslocação ao terreno do Vialonga. Mário Caritas

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Pub institucional Fonte: Clínica Vale do Tejo

Regresso à actividade 2010-2011 SAÚDE. No regresso às aulas e ao trabalho, prepare-se da melhor maneira para retomar as tarefas que tem pela frente “Inclua na sua alimentação superalimentos como os mirtilos, …”

Dra. Ana Paula Mendes (Directora Clínica)

É

verdade, a rotina vai alterar-se, mas a fase que aí vem é de muita importância, pois abrem-se novas oportunidades, é iniciado um desporto ou um hobbie, tentamos não repetir erros do ano anterior e acompanhamos o

progresso dos nossos filhos. É importante gerir alguns pontos que tornarão o dia-a-dia mais fácil, como: ser firme na hora de ir dormir, principalmente com as crianças, pois é condição indispensável para a fixação de novas aprendizagens que as crianças durmam 9 a 10 horas; cuidado com as bebidas excitantes antes de dormir, o ice-tea e

a coca-cola também contam; evitar pelo menos, meia-hora antes de dormir, a televisão e proporcionar às crianças momentos de prazer, contando uma história, meditando ou conversando sobre coisas agradáveis, pois assim, fará toda a diferença para que o dia seguinte corra muito bem.

Alunas da CEBI T combatem pobreza infantil

ânia Formigo, ex-aluna da Fundação CEBI, participou no início de Setembro, na Conferência da Presidência Belga da União Europeia no papel de embaixadora do Eurochild em Portugal, onde tem a missão de promover a campanha intitulada: “End Child Poverty.” Esta deslocação surgiu na sequência do encontro realizado em Julho, em Bruxelas

SOCIEDADE. Quatro jovens são responsáveis pela implementação da campanha “End Child Poverty”, promovida pelo Eurochild, em Portugal. Ana Pêgo e Tânia Formigo, ex-alunas da Fundação CEBI, são dois desses rostos

Tânia Formigo está a viver uma experiência única e inesquecível

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Para quem estuda, crianças ou jovens, o tempo também deve ser doseado; 10 a 20 minutos de estudo com repouso de 5 a 10 minutos, para que o cérebro tenha tempo de assimilar toda a nova informação. Uma das melhores formas de gerir o stress será procurar actividades de relaxamento, como, dança, teatro, pintura, jardinagem, aulas de culinária, entre outras. De extrema importância, para o reforço do sistema imunitário, é a alimentação. Ser criativo na cozinha, pedindo ajuda às crianças. Elas adoram comer aquilo que ajudaram a preparar, fazendo pratos coloridos, de forma ter uma grande variedade de nutrientes naquilo que vai ingerir. Incluir na alimentação super-alimentos como os mirtilos, gojis, açai, broculos, vegetais de folha verde, aveia, azeite cru, nozes, arroz e massa integral ou semi-integral, não esquecendo que o corpo necessita de pelo menos 1,5 litros de água por dia, e evitando consumir mais para o final

(Bélgica) – “Eurochild da Criança e da Juventude” –, subordinado ao tema da pobreza e inclusão social das crianças, no âmbito do Ano Europeu contra a Pobreza e Exclusão Social. Nessa ocasião, Portugal esteve representado com quatro jovens: duas alunas da Fundação CEBI (membro do Eurochild) – Tânia Formigo e Ana Pêgo (acompanhadas por Olga Fonseca, directora do Centro de Emergência Social da CEBI) – e dois alunos do AGIR XXI de Vila Nova de Gaia: Rui Teixeira e José Eduardo Sousa. No total, marcaram presença nesse encontro 33 jovens oriundos de nove países europeus. Em Agosto, os quatro jovens portugueses foram recebidos, em Lisboa, pela secretária de estado adjunta e da reabilitação, Idália Moniz. Ana Pêgo, de 15 anos, referiu, na ocasião, que esta iniciativa está a ser “muito positiva”, sustentando que, por vezes, a pobreza infantil “é mais afectiva do que material”. Também satisfeita estava Tânia Formigo, de 15 anos, que aprendeu mais acerca do tema da pobreza infantil: “Penso que ainda há muito por fazer a esse nível, a começar pela mudança de mentalidades; por outro lado percebemos que este não é um

do dia, para que não passe a noite a visitar a casa de banho. Tendo em conta os cuidados médicos que deveremos ter, a prevenção é sempre a palavra de ordem, mas remediar também é possível. Falemos então de saúde oral abordando com um pouco mais de pormenor um tema de muita importância, o “Bruxismo”, que poderá estar mais presente, com a dificuldade em gerir o stress, neste regresso à rotina. O Bruxismo é o hábito de ranger e/ou apertar os dentes voluntária ou involuntariamente. Este hábito costuma ocorrer durante o sono, mas também pode estar presente durante o dia ou quando a pessoa está concentrada nalguma tarefa ou a desempenhar algum trabalho que exija muito esforço físico. Este hábito pode existir em adultos e em crianças, no entanto é mais frequente nestas. O bruxismo leva ao desgaste oclusal e incisal dos dentes (diminuição do tamanho dos dentes), afecta os tecidos de suporte dentários (retracção da gengiva e mobilidade dos dentes), causa dores nas articulações, dores de cabeça, dores nos músculos da face e ombros. As principais causas do bruxismo são: alergias respiratórias, malo-

closão dentária, e principalmente o stress; podendo estes factores ocorrer em conjunto ou isoladamente. Se a causa principal do bruxismo for uma maloclusão dentária, a correção ortodôntica é indicada. Nos casos de bruxismo associado ao stress, uma avaliação psicológica pode ser importante. O nível de stress parece ser directamente proporcional à intensidade do bruxismo nocturno. Para a diminuição do desgaste oclusal e relaxamento dos músculos da face o que tem sido indicado é a confecção de uma “placa de acrílico de relaxamento” que o paciente utilizará para dormir. Nas crianças, estas não estarão indicadas, no entanto, se usadas, nunca deverá ser por longos periodos, com risco de interferir no desenvolvimento das arcadas dentárias. Actualmente, o tratamento mais eficaz consiste na aplicação de injecções de toxina botulinica (Botox) no músculo Masseter que possui um papel importante na mastigação, impedindo a sobrepressão na mandíbula. Com a utilização da toxina o paciente pode minimizar e até curar os sintomas do bruxismo, sendo um tratamento de rápida execução, confortável e com rápidos resultados.

fenómeno local mas sim mundial, logo deve ser combatido de forma global.”

saíram, a principal sustenta que “as questões da pobreza infantil e da exclusão social das crianças passem para o topo das agendas políticas”. Para Tânia Formigo, o balanço é muito positivo. “Correu bem, foi um pouco diferente do encontro de Julho porque estivemos com pessoas que levam o assunto mais a sério. Tentei passar a mensagem de que muitas vezes há pessoas que se preocupam com a pobreza infantil, mas as medidas não são implementadas e nada resulta. Agora quero continuar a fazer passar a mensagem em Portugal e uma das ideias é promover uma discussão sobre estas matérias na Fundação CEBI.” Em Janeiro de 2011, estes quatro jovens estarão presentes na Comissão Europeia onde entregarão ao presidente, Durão Barroso, a petição resultante da campanha “End Child Poverty”, assim como todas as propostas reunidas durante o Ano Europeu contra a Pobreza e Exclusão Social, sob a forma de uma recomendação a favor da erradicação da pobreza infantil e da melhoria das condições de vida de todas as crianças e jovens europeus.

Embaixadoras portuguesas do Eurochild Dois destes jovens portugueses regressaram à Bélgica, em Setembro, para participarem na conferência de dois dias da Presidência Belga da União Europeia. Tânia Formigo e José Sousa foram os escolhidos e puderam privar com altas personalidades da política e sociedade europeia, entre estas as princesas belgas Astrid e Mathilde. Olga Fonseca (que é também presidente da CPCJ – Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em Risco do Concelho de Vila Franca de Xira) acompanhou-os e ficou agradada com os resultados. “Esta conferência serviu para emanar um conjunto de recomendações para a União Europeia, no âmbito do combate à pobreza infantil e à exclusão social das crianças. Reuniu cerca de 300 pessoas, oriundas de vários países europeus, entre elas seis jovens – de Portugal, da Bélgica e do Chipre.” Entre as recomendações que

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Pub institucional Fonte: Body Concept

BEM-ESTAR. A preocupação com a beleza física, as técnicas de embelezamento e os produtos cosméticos são tão antigos como o próprio Homem. Isto demonstra, por parte do ser humano, mais do que um desejo, uma necessidade de beleza que se pode revestir muitas formas, desde o mais simples cuidado físico às formas mais subtis de refinamento intelectual e artístico

Luz Intensa Pulsada

U

ma nova tecnologia, que consiste no uso de energia luminosa, vem sendo oferecida para tratar a pilosidade normal e anormal indesejada – a Luz Intensa Pulsada. O princípio consiste em utilizar a propriedade de receber a luz na melanina dos pêlos e assim destruir não só o pêlo, mas também o folículo que o produz. Dessa forma conseguimos diminuir bastante o número de pêlos, assim como a espessura dos que restam. A fotodepilação com a Luz pulsada deve ser considerada não apenas um processo de depilação, mas também de tratamento de pêlos indesejáveis. Com as novas técnicas de fotodepilação, uma actividade prosaica – tal como a eliminação

da pilosidade – ganha ares de alta tecnologia médica, trazendo o homem e a mulher para a realidade de futuro antes só idealizada.

Um novo método de fotodepilação Nesta abordagem o aparelho de luz pulsada procura o pêlo e destrói apenas o folículo não afectando os tecidos adjacentes. A luz pulsada, utilizada na fotodepilação, é uma tecnologia, desenvolvida posteriormente aos sistemas laser, que usa um largo espectro de luz que é absorvido especificamente pelos pontos mais escuros da pele (neste caso, os pêlos), levando a que o folículo piloso, devido ao ex-

cesso de calor (termólise), seja eliminado. Para além da fotodepilação, a Luz Pulsada funciona também para tratamentos de derrames, foto-rejuvenescimento (activação de colagénio), acne e manchas. Estes novos tratamentos, aliados a esta nova tecnologia, apresentam resultados fantásticos em apenas algumas semanas. No caso do foto-rejuvenescimento, a Luz Pulsada activa os fibroblastos para produzir novas proteínas de colagénio e fibras elásticas (elastina) devolvendo a elasticidade à pele. Entretanto, a função foto-termal produzida pela Luz Pulsada melhora a microcirculação, produzindo óptimos resultados na diminuição de rugas e afinando o grão da pele.

Pub Convívio de antigos alunos do Brejo Pretendo reencontrar os meus antigos colegas da escola primária do Brejo, alunos do Professor Quelhas, entre os anos 1978 e 1982, para futuro encontro de convívio a combinar. Nessa ocasião aproveitaríamos também para homenagear o próprio Professor Quelhas. Os interessados deverão contactar Mário Martins para o número 917691190.

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GADJETS.

Horóscopo

Maria Helena mariahelena@mariahelena.tv

Setembro 2010 Carneiro Carta do Mês: 10 de Paus, que significa Sucessos Temporários, Ilusão. Amor: Avalie os prós e os contras de uma relação que se mostra saturada. Não se deixe manipular pelos seus próprios pensamentos! Saúde: Relaxe. Deixe as coisas fluírem naturalmente. Dinheiro: Possíveis mudanças no sector profissional. Número da Sorte: 32

Innova Radio um multifunções que é também espelho Rita Sota

O

uvir música, ver as horas ou saber a temperatura exterior são algumas das opções que o Innova Radio da Roca tem para oferecer. Para 2010 a marca continua apostada em inovar o espaço de banho e torná-lo numa área confortavelmente hi-tech.

Tecnologia e design para o espaço de banho Nesta peça, lançada em Julho, encontra-se um espelho inovador e um ecrã táctil multifuncional. Através deste touchscreen controla-se o rádio estéreo, o relógio, a tempe-

ratura, bem como o anti-embaciamento. Permite também a ligação a uma fonte de áudio auxiliar, como, por exemplo, um leitor de MP3. O Innova Radio está equipado com iluminação fluorescente que pode ser controlada através do interruptor da luz do próprio espaço de banho. Sempre que a luz é ligada, o sistema de emba-

ciamento é activado para manter a superfície sem humidade. A Roca continua assim a estar um passo à frente nas tendências e necessidades de mercado no que respeita à tecnologia e design para o espaço de banho. Com traços modernos, o Innova Radio enquadra-se em qualquer ambiente decorativo.

Pub

Touro Carta do Mês: O Mágico, que significa Habilidade. Amor: Uma crise conjugal poderá fazer com que a sua relação seja reforçada. Domine a sua agitação, permaneça sereno e verá que tudo lhe sai bem! Saúde: período marcado pela alegria e boa disposição. Dinheiro: Concentre-se nos planos que traçou para este mês. Caso contrário corre o risco de prejudicar o bom desempenho do seu trabalho. Número da Sorte: 1 Gémeos Carta do Mês: O Louco, que significa Excentricidade. Amor: Se desconfia de algo, fale abertamente sobre as suas dúvidas com a pessoa que tem a seu lado. Não perca o contacto com as coisas mais simples da vida. Saúde: Imponha um pouco mais de disciplina alimentar a si próprio. Dinheiro: Deve ter mais atenção com a forma como gere as suas economias. Número da Sorte: 22 Caranguejo Carta do Mês: Rei de Ouros, que significa Inteligente, Prático. Amor: Prepare um jantar romântico com a sua cara-metade e desfrute cada momento que estejam juntos. Que o Amor e a Felicidade sejam uma constante na sua vida! Saúde: Proteja o seu sistema imunitário através daquilo que come. Dinheiro: Iniciará um momento de viragem na sua vida profissional, imponha as suas ideias e faça com que as respeitem. Número da Sorte: 78 Leão Carta do Mês: Rainha de Copas, que significa Amiga Sincera. Amor: Deixe que a sua cara-metade tenha uma palavra a dar na forma como a vossa relação se tem desenvolvido. Seja menos autoritário. Que a leveza de espírito seja uma constante na sua vida! Saúde: Psicologicamente, estará um pouco instável. Não acumule dentro de si tantas preocupações. Dinheiro: Trabalhe com determinação e afinco mas de forma que não prejudique o seu bem-estar. Não seja tão obcecado pela perfeição. Número da Sorte: 49 Virgem Carta do Mês: 4 de Paus, que significa Ocasião Inesperada, Amizade. Amor: A sua cara-metade poderá

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dar-lhe uma notícia muito agradável. A vida é uma surpresa, divirta-se! Saúde: Aproveite o tempo livre e vá dar um passeio ao fim do dia. O contacto com a Natureza fará com que se sinta revigorado. Dinheiro: Dedique mais tempo ao descanso e não pense tanto nos problemas profissionais. Lembre-se que amanhã é um novo dia. Número da Sorte: 26 Balança Carta do Mês: O Mundo, que significa Fertilidade. Amor: Deixe a timidez de lado para conquistar a pessoa que ama. Fale a verdade, de modo carinhoso. Saúde: Está sujeito a pequenos acidentes domésticos. Dinheiro: Seja perspicaz e poderá obter bons resultados num negócio rentável. Número da Sorte: 21 Escorpião Carta do Mês: A Força, que significa Força, Domínio. Amor: Os seus amigos vão dar-lhe toda a atenção de que precisa. Cultive o relacionamento interpessoal e verá que obterá benefícios. Saúde: Perigo de fracturas. Atenção a degraus. Dinheiro: Uma actividade extra poderá estabilizar as suas finanças. Número da Sorte: 11 Sagitário Carta do Mês: 9 de Espadas, que significa Mau Pressentimento, Angústia. Amor: É possível que sofra uma desilusão. Convide os seus amigos para sair, espaireça, não fique em casa. Trate-se com amor! Saúde: poderá cometer um pequeno excesso de vez em quando. Não se prive sempre das delícias de que mais gosta. Satisfaça a sua gula, desde que seja com conta, peso e medida. Dinheiro: Esqueça as tristezas dedicando-se no trabalho. Mãos à obra, tem muito trabalho pela frente. Número da Sorte: 59 Capricórnio Carta do Mês: 2 de Espadas, que significa Afeição, Falsidade. Amor: Viva romanticamente e demonstre à pessoa amada que pode acreditar nas suas intenções. Que a alegria de viver esteja sempre na sua vida! Saúde: Aproveite ao máximo a vitalidade que sentirá nestes dias. Dinheiro: Poderá ser-lhe atribuída uma tarefa de grande responsabilidade. Número da Sorte: 52 Aquário Carta do Mês: A Roda da Fortuna, que significa que a sua sorte está em movimento. Amor: Demonstre ao máximo o seu romantismo, deixe-se conduzir pela intuição. Permita-se a si próprio a visão da alegria e sinta-a diariamente. Saúde: Em vez de ter pensamentos negativos, consulte o seu médico e seja mais optimista. Dinheiro: Seja astuto e conseguirá aquela promoção que deseja. Número da Sorte: 10 Peixes Carta do Mês: Valete de Espadas, que significa Vigilante e Atento. Amor: Evite uma relação amorosa que já não o faça feliz. O seu bemestar depende da forma como encara os problemas. Saúde: Alguns problemas familiares poderão fazer com que se sinta triste. Cuide da sua saúde. Não é uma questão de querer, é um dever. Dinheiro: Deverá evitar ter problemas com identidades bancárias. Número da Sorte: 61

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Últimas EDUCAÇÃO. Os alunos da Calhandriz foram deslocados para a EB1 n.º 4 de Alverca. A câmara municipal promete suportar os custos com o transporte diário dessas crianças.

Obra do Crós-Cós avança “ao ritmo programado”

LOCAL. Arcena recebe, de 10 a 12 de Setembro, as tradicionais Festas de S. Clemente. Os espectáculos musicais e a procissão religiosa são alguns dos destaques deste ano.

CULTURA. O núcleo museológico de Alverca do Museu do Ar está a abrir uma vez por semana, sempre às segundas-feiras, desde o início do passado mês de Agosto.

SOCIEDADE. Apesar do atraso de mês e meio na intervenção na EN10, a câmara municipal afirma que a obra do rio Crós-Cós está a avançar “ao ritmo programado”. Persistem os condicionamentos de trânsito.

na Ficha Técnica Redacção, Publicidade e Direcção Morada: Qta. de Stª. Maria – E.N. 10, 2615-376 Alverca do Ribatejo Contactos: Tel. 219589130 Fax. 219589145 E-mail’s: redaccao.na@gmail.com comercial.na@gmail.com paginacao.na@gmail.com director.na@gmail.com Director: António Castanho Director-adjunto: Nuno Lopes Editor: Mário Caritas Redacção: Ana Filipa de Sousa, Jorge Talixa e Rita Sota Colaboradores: Andreia Cruz; Paula Gadelha; Vera Galambra; Rui Vitória (Desporto); Carlos Mendes (Direito); Luís Ferreira Lopes (Economia) e Olga Fonseca (Sociedade) Grafismo e Paginação: André Porêlo Fotografia: André Porêlo e Mário Caritas Publicidade: Jorge Ferreira 93 874 6366 Secretariado: Isabel Pinto e Lurdes Farinha Impressão: CIC - Centro de Impressão Coraze Tiragem: 13.500 exemplares Propriedade: CCS – Cultura e Comunicação Social, S.A. Contribuinte: 502788569 Registo ICS: 109974 Depósito legal: 78298/94 Fundado em: 1984 Medalha de Mérito Cultural Cidade de Alverca’ 2004

A

obra de alargamento e regularização do rio Crós-Cós está a avançar “ao ritmo programado”, garante fonte oficial da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, responsável pela execução do projecto. Só no início de Setembro é que a empreitada avançou para a Estrada Nacional 10 – contrariamente à informação veiculada inicialmente que apontava o começo desses trabalhos para a segunda quinzena de Julho. Este atraso de mês e meio deve-se, de acordo com os responsáveis, ao facto de “obras desta dimensão envolverem grandes trabalhos de infra-estruturação e intervenções ao nível do subsolo, que trazem normalmente alguns imprevistos, traduzindo-se em necessidades de recalendarização; mas, em termos globais, a obra mantém o ritmo programado”. Actualmente está cortada ao trânsito a faixa da EN10 no sentido Alverca – Vila Franca de Xira, junto à Casa de S. Pedro, mantendo-se a via contrária em funcionamento. Em Outubro acontecerá o inverso, sendo fechado o sentido Vila Franca – Alverca. Desta forma, actualmente os condutores que circulam no sentido Alverca – Vila Franca têm que desviar pela Rua César Augusto

Ferreira (onde se encontra instalada temporariamente a paragem dos autocarros); e quando for encerrada a faixa contrária, quem circula nessa direcção passará a fazê-lo pela via da EN10 que entretanto será reaberta e os outros condutores (Alverca – Vila Franca) continuarão a ter que desviar pela César Augusto Ferreira, situada entre a Praça de S. Pedro e o recinto da feira. A circulação rodoviária junto ao recinto da feira e ao complexo desportivo do FC de Alverca já foi pois reaberta, embora com alguns condicionamentos, nomeadamente a proibição temporária para quem circula na EN10, no sentido Vila Franca – Alverca, e quer virar à esquerda para essa zona. Porém, quem sobe a Avenida Capitão Meleças já pode virar à direita para o campo da feira. Esta obra terá depois continuidade no sentido de montante, avançando de seguida para a Rua José Raimundo Nogueira (paralela à Casa S. Pedro). No último trimestre de 2010, prevê-se que os trabalhos cheguem à Avenida 5 de Outubro (Choupal), sendo esta fechada ao trânsito nas duas vias no sentido ascendente (Alverca – Bom Sucesso), passando a circulação rodoviária a ser feita pelas duas vias do sentido descendente (um sentido em cada faixa). A conclusão dos trabalhos está prevista para o primeiro semestre de 2011.

LOCAL.

Alverca paga pelo fecho do SAC da Póvoa

O

fim do Serviço de Atendimento Complementar (SAC) no Centro de Saúde da Póvoa de Santa Iria promete “congestionar” a unidade vizinha de Alverca. Se até aqui os mais de 50.000 utentes inscritos nas freguesias da Póvoa, Forte da Casa e Vialonga recorriam às urgências médicas, em horário pós-laboral, do Centro de Saúde da Póvoa, a partir do início de Setembro têm que se deslocar à Extensão de Alverca do Centro de Saúde de Alhandra. Foi o que aconteceu com Ivo Matos, de 34 anos, director técnico, residente em Vialonga, que, no serão do passado dia 7, foi obrigado a deslocar-se a Alverca pois “o SAC da Póvoa estava encerrado”. Encontrámo-lo à espera de consulta, por volta das 20h30, visivelmente agastado com a situação. “É muito aborrecido, não é digno o que se está a fazer com as pessoas. Afinal para onde vai o dinheiro dos impostos que pagamos?” É que, para além da deslocação ser um pouco maior, Ivo arriscou-se a não apanhar consulta. “São atribuídas 10 senhas por cada médico de serviço, hoje estão de serviço três médicos, portanto apenas podem ser atendidas 30 pessoas.” Ivo foi o 17.º a chegar, “eram cerca das 19h30”. Teve sorte e agora resta-lhe esperar pela consulta. “Não é justo canalizarem para aqui os utentes das duas maiores cidades do concelho!” Os responsáveis justificam esta medida com a “ausência de recursos humanos”. Ao “NA”, a directora do Agrupamento de Centros de Saúde do Concelho de Vila Franca de Xira, Marília Alves, referiu que “estão a fazer um empolamento negativo de uma reestruturação efectuada para melhorar e não para piorar o atendimento; o que fizemos foi uma reorganização do atendimento de situações de doença aguda, em horário pós-laboral (17h00 – 22h00), que teve como objectivo aumentar a acessibilidade e melhorar o atendimento, considerando os recursos disponíveis”.

Pub Alguns reformados, descontentes com a falta de cumprimento de uma alegada promessa do presidente da junta, construíram com pedaços de papelão uma cobertura para uma das mesas existentes num arranjo urbanístico junto à Avenida 5 de Outubro (Choupal). Segundo os populares, Afonso Costa prometeu coberturas para essas mesas, semelhantes às que existem no Jardim do Bairro… A cobertura durou apenas um dia, mas a mensagem passou.

Promessa de… papelão

na Foto do mês

Mário Caritas Hélder Dias

Membro da

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