2019 - Notícias - Setembro/Outubro

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Noticìas

Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil Setembro - Outubro/ 2019 - Ano LXIV nº 490

PROTAGONISMO E PROFECIA:

UM TESTEMUNHO DE FRATERNIDADE

EM TEMPOS DE BARBÁRIE


Sumário

Mensagens

Mensagem do Ministro Provincial.......................................03 Men. do Ministro Geral para o dia de São Francisco.......04

Notícias Retroativas

Encontro de Casas Vizinhas da Paraíba .......................... 08 Santa Clara: Uma Mulher para os dias atuais ................ .17

Vida Fraterna

Enc. de Espiritualidade e Juventudes Libertadora............12 III Encontro dos Candidatos ao Postulantado ..................15 I Pedala Francisco .............................................................. 15

Jubileus, Provissões e Ordenações

25 anos de vida presbiteral do Frei João José................ 16 25 anos de vida presbiteral do Frei Firmino Neto ........... 17 Renovação de Frei Elivânio Luiz ........................................18 Profissão Solene de Frei Artur Bruno ..................................19 Ordenação Diaconal de Frei Janael.................... ........... 20 10 anos de ordenação presbiteral de Frei Edson.............21

Família Franciscana

Novo Conselho Regional RN/PB/PE CFFB.........................22

Ordem e Igreja

Capítulo da Província São Francisco do Sul ....................24 Capítulo da Província São Benedito .................................24 Encontro dos frades de Vocação Laical ..........................25 Pacto das Catacumbas pela casa comum.....................28 Ação de Graças por Santa Dulce ....................................30

800 Anos do Encontro de Francisco com o Sultão

Espirito de Damieta em Fortaleza .....................................32 Franciscanos e Muçulmanos em Olinda..........................33

Evangelização e Missão

Mês extraordinário para as Missões .................................34 Mancha de Óleo na Costa do Nordeste...........................35 Centro Social da Mirueira .................................................. 36 Web Rádio Sto. Antônio celebra 8 anos........................... 38

Patrimônio

Preservação da biblioteca de Olinda................................39


Palavra

Do Provincial

MENSAGEM DO MINISTRO PROVINCIAL PARA O DIA DE SÃO FRANCISCO

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“SÃO FRANCISCO ENCANTA O MUNDO”

ão Francisco foi e sempre será um instrumento de Deus para o mundo e um presente inspirador para todos nós, seus seguidores. Por sua vida devotada ao Cristo Pobre e Crucificado, ele encantou e ainda encanta o mundo, e pede aos seus seguidores que façam o mesmo. São muitos irmãos e irmãs menores no mundo que, pelo testemunho de Francisco de Assis, colocaram-se à disposição do Reino de Deus por meio da fraternidade. Por sermos herdeiros de um legado espiritual tão desafiador e necessário ao mundo, devemos pedir o auxílio do Espírito Santo pela intercessão de São Francisco para que em nossas vidas possa-

mos, assim como ele, encantar o mundo pela presença bondosa, alegre, contagiante e humilde. São muitos os que no mundo olham para Francisco de Assis com admiração e devoção, todos eles esperam de nós, franciscanos, testemunhos de simplicidade e fraternidade. E nós, como Irmãos Menores, devemos nos colocar a serviço nas fraternidades, nas missões que o Senhor nos confiou e na edificação do bem e da harmonia de todos com Deus, com a vida e com o mundo. As festas em honra a São Francisco que acontecem nas nossas fraternidades e em todos os lugares que o têm como padroeiro, nos devem animar

para a caminhada de fé cotidiana. Essas ocasiões devem nos levar a radicalizar nosso compromisso de sermos menores e servos de todos, sobretudo sem perder de vista a missão a nós confiada no Nordeste. Que Nosso Pai São Francisco interceda por nós junto a Jesus para que levemos uma vida digna, fraterna, apostólica, santa e abençoada. Boas Festas de São Francisco. Recife-PE, 30 de setembro de 2019

Frei João Amilton, OFM Ministro Provincial

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Mensagem

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Mensagem ESCULTAR O GRITO DA AMAZÔNIA Queridos irmãos e irmãs, Deus lhes conceda a sua paz! Depois que São Francisco converteu-se ao Evangelho, ele tinha como único desejo o de viver e testemunhar o Evangelho no mundo. Nos capítulos XIV até XVII da Regra não Bulada podemos constatar as citações que ele faz do Evangelho nas quais Jesus envia os seus discípulos (cf. Mt 10,1-42; Lc. 9,1-6; 10,120; Mc 6,7-13). O viver, testemunhar e pregar o Evangelho para São Francisco deveria ser sempre em minoridade, pobreza, humildade e submissão à Igreja, sem reter nada para si para restituir tudo ao Senhor (cf. VAIANI. C. Storia e Teologia dell’Esperienza Spirituale di Francesco d’Assisi, p.131). Além disso, quando chegaram os Irmãos que Deus lhe havia dado (cf. Test 14), São Francisco iniciou uma vida de fraternidade que até hoje é a expressão mais contundente do carisma franciscano. Recentemente, o CPO 2018 retomou o conceito da Fraternidade contemplativa (cf. Quem tem ouvidos escute o que o Espírito diz... aos Frades Menores hoje, 92-105) e fez propostas concretas para viver e atuar como tal em nossa forma de vida lá onde estamos e para ser abertos às fraternidades internacionais (cf. Idem, 140148). Junto com este apelo da Ordem, todos nos sentimos interpelados pela Exortação Apostólica do Papa Francisco, Evangelii Gaudium, com a afirmação de que “todos têm o direito de receber o Evangelho” e “os cristãos têm o dever de anuncialo sem excluir ninguém” (EG 14) e com a citação do mandato missionário de Jesus ao qual a evangelização obedece: “Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado” (EG 19).

É bom recordar que o próprio São Francisco enviou os seus frades “dois a dois” insistindo que anunciassem a paz e a penitência (cf. 1Cel 29). Isto confirma a dimensão missionária do nosso carisma que nos impulsiona a sair em direção aos nossos irmãos e irmãs do mundo inteiro, chegando a eles de um modo especial, pregando com a nossa forma de vida e de ação a favor da reconciliação, da paz, da justiça e do respeito à criação (cf. CCGG 1,2). Tudo isso nos desafia hoje mais que nunca no contexto da crise climática e da crise migratória no qual vivemos, e a Igreja nos convida a não sermos indiferentes. O Papa Francisco deu uma atenção especial à Igreja na Amazônia internacional e convocou o Sínodo para a Amazônia com o tema: “Amazônia: novos caminhos para a Igreja e por uma Ecologia integral”. No documento preparatório do Sínodo lemos que “a Amazônia, uma região com rica biodiversidade, é multiétnica, pluricultural e plurirreligiosa, um espelho de toda a humanidade que, em defesa da vida, exige mudanças estruturais e pessoais de todos os seres humanos, dos Estados e da Igreja”. Devemos recordar também que existem cerca de 32 milhões de habitantes na Pan-amazônia (nos 9 países que possuem floresta amazônica) e entre eles estão cerca de 3 milhões de indígenas que formam cerca de 390 povos e nacionalidades diferentes. Estes indígenas nasceram e cresceram em harmonia com a floresta e conservaram este equilíbrio por milhares de anos. “No entanto, a vida na Amazônia está ameaçada pela destruição e exploração ambiental, pela violação sistemática dos direitos humanos elementares da população amazônica” (Instrumentum Laboris, 14). Nós franciscanos somos chamados a acompanhar com muita atenção este Sínodo que pede que escutemos o grito que sobe da Amazônia (Instrumentum Laboris, 45-46). Queremos 2019 / Out - Set

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Mensagem trazer aqui os dados inseridos no Documento preparatório do Sínodo: “a bacia amazônica representa para nosso planeta uma das maiores reservas de biodiversidade (30 a 50% da flora e fauna do mundo), de água doce (20% da água doce não congelada de todo o planeta), e possui mais de um terço das florestas primárias do planeta. Também a captação do carbono pela Amazônia é significativa, embora os oceanos sejam os maiores captadores de carbono. São mais de sete milhões e meio de quilômetros quadrados, com nove países que fazem parte deste grande bioma que é a Amazônia (Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Venezuela, incluindo a Guiana Francesa como território ultramar). Somos chamados, junto com a Igreja, a entrar em um processo de conversão ecológica pessoal e comunitária, pedida pelo Papa Francisco na Encíclica Laudato Si’ (LS 216-221), “permitindo que a força e a luz da graça recebida se estendam também à relação com as outras criaturas e com o mundo que os rodeia, e suscite aquela sublime fraternidade com a criação inteira que viveu, de maneira tão elucidativa, São Francisco de Assis” (LS 221). A dimensão eclesiológica da evangelização missionária, que é própria de nossa identidade de seguidores de Nosso Senhor Jesus Cristo ressuscitado e de São Francisco de Assis, exige de nós uma abertura de visão sobre a participação dos leigos em todos os aspectos da vida da Igreja. Como nos recorda o Papa Francisco, os leigos não são apenas os assistentes daqueles considerados da “primeira” ou “privilegiada” classe de evangelizadores. Todos os membros da Igreja partilham as mesmas responsabilidades no viver e no proclamar o Evangelho. Por isso, é necessária uma revisão radical no modo com o qual organizamos todos os aspectos da evangelização e como trabalhamos na informação e na formação para uma espiritualidade da ecologia integral. Evangelização e promoção humana e ambiental representam dois lados da mesma moeda: “amor a Deus e amor ao próximo”. Nesta direção nós devemos unir os nossos esforços com aqueles que vivem na área da Amazônia e com todos os outros que vivem em situações semelhantes como modo de encarnar a mensagem de São Francisco de Assis em nossa vida e na vida da Igreja e do mundo de hoje.

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Na verdade São Francisco viveu a ecologia integral, mesmo se na Idade Média não se usava esta terminologia. O Papa Francisco fala da ecologia integral incorporando as dimensões humanas e sociais: “ecologia ambiental, econômica e social” (LS 138-142), “ecologia cultural” (LS 143-146) e “ecologia da vida cotidiana” (LS 147-155). Depois relaciona a ecologia integral ao “bem comum” (LS 156-158) que exige uma ética responsável para respeitar os direitos elementares e inalienáveis de todas as pessoas com “um apelo à solidariedade e numa opção preferencial pelos pobres” (LS 158162). O estilo de vida de São Francisco que se fez irmão dos leprosos, dos pobres, das criaturas, dos homens e das mulheres de seu tempo, o fez capaz de viver integrado na fraternidade e no mundo. O grito dos povos da Amazônia atinge diretamente as ações ligadas à ecologia. Todos, porém, precisamos recordar que “para promover uma ecologia integral na vida de todos os dias da Amazônia, é preciso compreender também a noção de justiça e comunicação intergeracional, que inclui a transmissão da experiência ancestral, cosmologias, espiritualidades e teologias dos povos indígenas, em volta do cuidado da Casa Comum” (Instrumentum Laboris, 50). A responsabilidade pela “casa comum” está fundada no amor pelas gerações futuras e “deveria ser um olhar diferente, um pensamento, uma política, um programa educativo” (LS 111). A todos nós que vivemos distantes da Amazônia chega um apelo importante sobre todas as coisas que provém daquela área. A procura e a extração de ouro dos rios e de outros lugares produzem continuamente destruição e contaminação do ambiente. É bom recordar que este metal tão apreciado é também causa de violência, escravidão, contrabando, assaltos e furtos nos territórios indígenas. O mesmo acontece com a madeira, extraída ilegalmente da floresta, que passa por vias de corrupção e depois chega ao mercado internacional “legalizada”. No silêncio acontece a biopirataria que furta vários produtos e espécies vegetais e animais da natureza junto com os conhecimentos milenares das populações amazônicas. Muitos outros produtos são exportados como comodities cuja produção exige a destruição completa da floresta (cf. Documento preparatório).


Mensagem Sabemos que a Igreja católica está presente em algumas partes da Amazônia desde a chegada dos europeus colonizadores. Até hoje a Igreja é uma voz profética na Amazônia. Nós queremos expressar um agradecimento especial aos nossos confrades que atualmente vivem e trabalham na Amazônia da Bolívia, do Brasil, da Colômbia, do Equador, do Peru e da Venezuela. Ao mesmo tempo pedimos a todos os confrades de nossa Ordem para que sejam sensíveis ao grito da Amazônia para defender a vida, a dignidade e os direitos dos povos amazônicos e também para ser uma Igreja sempre mais presente, com o rosto amazônico missionário, uma Igreja profética que enfrenta os desafios de hoje (cf. Instrumentum Laboris, Parte III). Para ver todas as informações publicadas, consultar o site: www.sinodoamazonico.va. Feliz Festa de São Francisco! Paz e Bem!

Roma, 29 setembro de 2019. Festa dos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael

Fr. Michael Anthony Perry, ofm (Min. Gen.)

Sec. Gen.) Fr. Giovanni Rinaldi, ofm (Sec.

Vig. Gen.) Vig Gen.) Fr. Julio César Bunader, ofm (Vig. Fr. Jürgen Neitzert, ofm (Def. Def. Gen.) Def Fr. Caoimhín Ó Laoide, ofm (Def. Gen.) Fr. Ignacio Ceja Jiménez, ofm (Def. Gen.) Fr. Nicodème Kibuzehose, ofm (Def. Gen.) Fr. Lino Gregorio Redoblado, ofm (Def. Gen.) Fr. Ivan Sesar, ofm (Def. Gen.) Fr. Valmir Ramos, ofm (Def. Gen.) Fr. Antonio Scabio, ofm (Def. Gen.)

Capa: São Francisco no deserto, de Giovanni Bellini. No fundo: Amazônia peruana Prot. 109277

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www.ofm.org


NOTÍCIAS RETROATIVAS

DA EDIÇÃO

DE JULHO E AGOSTO

FIDELIDADE E PERSEVERANÇA – NUESTRA VOCACIÓN: ENTRE ABANDONOS Y FIDELIDAD – ENCONTRO DAS CASAS VIZINHAS DO REGIONAL DA PARAÍBA João Pessoa, 19 de agosto de 2019

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e repente a casa ficou pequena para acolher os irmãos do nosso Regional das Casas Vizinhas da Paraíba. A casa a que me refiro foi o Convento de Na. Sa. do Rosário, em João Pessoa. Vieram os confrades do Convento de Santo Antônio, de Lagoa Seca, e de São Francisco, de Campina Grande. As faltas sentidas foram de Frei Josafá, de Campina Grande e de Frei Wellington Buarque, de Lagoa Seca. Também sentimos a falta dos irmãos que estão em gozo de férias na Alemanha: Frei Hermano José, de Campina Grande, os frades de Ipuarana, Frei Protásio e Frei Hermano Schwartbeck e Frei Hermano Heyens, de João Pessoa. Todas estas ausências foram justificadas. Neste encontro foram acolhidos, sobretudo, o Frei Ronaldo, da Província da Assunção e os noviços, que estavam participando do nosso Regional pela primeira vez. Assim, após o café, nos encontramos na sala de reuniões e, logo depois da oração, Frei José Teixeira (Frei Zezinho) fez uma apresentação do documento da Ordem Nossa Vocação entre abandono e fidelidade – Fidelidade e Perseveran-

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ça. Depois da apresentação todos participaram do debate. Vimos como o Documento está em ligação direta com o que o Ministro Geral, Frei Michael Perry, nos falou no encontro em Lagoa Seca-PB, em junho deste ano. Aproveitamos e rezamos por ele que se encontra em recuperação de um acidente. O texto faz uma análise da situação da Ordem nos últimos quinze anos (2003 – 2017). Apresenta os dados das saídas de frades da Ordem e os motivos que os levaram a deixá-la. Apresenta também as dificuldades em nível pessoal e fraterno e nos convida a olhar para frente e andar juntos com esperança. Vimos que este é um assunto que interessa a todos. Depois tivemos uma partilha sobre o mandato, como Deputado Federal, de Frei Anastácio Ribeiro. Ele partilhou conosco sua atuação na Câmara Federal, pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Em Brasília, onde ele fica de segunda a quinta-feira, normalmente toma posição em diversos assuntos de acordo com as orientações do partido. Ele tem uma equipe muito boa de assessores tanto aqui em João Pessoa como em Brasília, além da assessoria do próprio partido. Frei Anastácio faz parte de quatro comissões entre elas a do Desenvolvimento Regional. Apesar do seu mandato ser exigente, ele está sempre presente na fraternidade onde faz a feira semanalmente de verduras, frutas e carnes para subsistência dessa.


Em seguida, Frei Pedro Júnior partilhou a sua experiência no V Capítulo Geral Under Ten do qual participou juntamente com Frei Faustino dos Santos, em Taizé, na França, no mês de julho. Para ele foi muito significativo este encontro promovido pela Ordem para os frades com até dez anos de profissão solene. Antes da viagem para França, houve um encontro aqui na Província que os preparou para o encontro em Taizé e que foi possível aprofundar o tema do Diálogo nas dimensões pessoal, interpessoal e fraterna e o diálogo com o mundo. Taizé foi um local apropriado para realização deste encontro, por ser um espaço ecumênico e por estar de acordo com o tema celebrativo pelos 800 anos do encontro entre Francisco e o Sultão. Frei Pedro disse que nas manhãs eles participavam da eucaristia com os frades capitulares e noutros momentos conviviam com cerca de 2000 jovens ali presentes, sobretudo nos momentos de oração, marca de Taizé. Nas tardes eram discutidos assuntos próprios da Ordem franciscana com o Ministro Geral e com outros membros presentes. Ao todo eram quase duzentos frades. Da Conferência do Brasil eram 17 frades presentes. Antes de participar do encontro, ele e Frei Faustino passaram em Bardel e em Mettingen, Alemanha, para uma visita aos confrades destas fraternidades. Depois do Capítulo em Taizé eles passaram na Itália, de maneira especial em Assis. Após estes momentos, houve uma pausa para um momento de convívio mais espontâneo e, em seguida, o almoço e o encerramento do encontro. Um destaque desse encontro foi a presença animadora de Frei Petrônio Cardoso, bem como o cuidado e o carinho com que os frades do convento São Francisco, de Campina Grande, têm com ele. Para o louvor de Cristo. Amém!

Notícias retroativas

Frei José Carlos Fernandes Convento de Na. Sa. do Rosário João Pessoa-PB

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ta San a: Clar Uma mulher para os dias atuais A

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gosto que é o mês das vocações, é também o mês em que comemoramos o dia de Santa Clara de Assis. Foi neste mês que a Família Franciscana celebrou com muito entusiasmo este dia, com muita festa, sobretudo as Clarissas, mas não somente elas. Em todas as partes foram feitas novenas ou tríduos para marcar este dia. Assim, aqui, em João Pessoa, também celebramos e comemoramos o dia desta grande mulher. Fizemos um tríduo durante as missas das dezessete horas. Escolhemos como tema: Santa Clara: uma mulher para os dias atuais. Durante as missas, sempre após o evangelho, lia-se um texto das Fontes Franciscanas e Clarianas referente a Santa e, em seguida, uma pessoa transmitia uma mensagem ao povo. No primeiro dia, contamos com a presença de Frei João Sannig (Frei Joãozinho) que passava por aqui para pregar na Paróquia José Américo. Ele falou sobre Santa Clara e a família. No segundo dia foi a vez de Frei José Teixeira (Frei Zezinho) que tratou do tema Santa Clara e sua conversão e, no último dia do tríduo, o jovem franciscano secular, Walderee Pereira, pregou sobre Santa Clara e a oração. No dia de Santa Clara (11/08), foi a vez de Frei José Carlos Fernandes (Frei Fernandes) falar sobre Santa Clara. Ele abordou o

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Notícias retroativas

tema central da festa: Santa Clara: uma mulher para os dias atuais. Neste dia, os frades padres concelebraram a eucaristia. Frei Fernandes destacou que o exemplo de Clara na família, no cuidado das irmãs no mosteiro e na oração pela defesa da cidade de Assis ameaçada pelos bárbaros, ela configura-se como uma mulher de ontem e de hoje. Cada dia tivemos a presença dos irmãos e das irmãs da Ordem Franciscana Secular (OFS), Pequena Família Franciscana (PFF) e das Irmãs Franciscana de Dillingen, além dos paroquianos de Nossa Senhora do Rosário. Na realidade foram quatro dias de muita festa e contentamento. Santa Clara ainda não é muito festejada em nossa comunidade paroquial. Nos anos anteriores, essa solenidade era celebrada à parte, ou seja, era feito o tríduo em horário diferente da missa. Era uma boa oportunidade para se exercitar em nossa espiritualidade. Este ano o tríduo foi inserido na missa. Essa novidade foi avaliada como muito boa, reflexo disso foi uma maior participação dos paroquianos. Durante os dias da festa, um sucesso à parte foram os Bolinhos de Santa Clara. O que é esse bolinho? É um bolinho normal porém, em alguns deles se coloca uma medalhinha da santa que deverá surpreender aquele que for contemplado. No final da celebração, a turma já ficava esperando para adquiri-lo. No último dia, além dos Bolinhos de Santa Clara, teve também o Cachorro Quente do Zé. Tanto o Bolo como o Cachorro Quente foram vendidos para ajudar no restauro da imagem de Nossa Senhora do Rosário. Vale lembrar que ambos eram vendidos rapidamente. Foi sumamente importante o envolvimento da

comunidade paroquial na preparação da festa, nos cantos, nos comentários e leituras litúrgicas, sobretudo na participação. Aos poucos a nossa santa vai se integrando nos festejos da comunidade e se tornando mais conhecida. Um capítulo à parte neste dia de Santa Clara foi a visita que fizemos – Frei Vito, Frei Fernandes e Frei Zezinho – às Irmãs Franciscanas de Dillingen que moram no Instituto João XXIII, em João Pessoa. Chegando lá, fomos muito bem acolhidos. Logo nos sentamos e começamos a conversar sobre os tempos mais antigos e os tempos recentes. Lá, estávamos em casa. Era também o dia em que se comemorava o onomástico de Ir. Clara. É a primeira irmã brasileira a entrar para a Congregação das Franciscanas de Dillingen. Foram ainda o Pe. Manoel, que é o capelão das Irmãs, e sua secretária, D. Fátima. Ficamos todos bem à vontade conversando até que chegou a hora do almoço. As irmãs, em número de nove, estavam todas muito contentes por celebrar Santa Clara e pelo onomástico de Ir. Clara. Depois do almoço, ficamos ainda um tempo para cantar os parabéns e partir o bolo. O bolo tava uma delícia! Antes da despedida nos comprometemos com Ir. Clara de voltar lá em setembro para juntos celebrarmos os seus 99 anos de idade. Ficou também combinado que, no dia de São Francisco, elas virão aqui no convento para celebrarmos o nosso padroeiro, para o almoço e boas conversas. Frei José Carlos Fernandes, OFM

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Vida Fraterna CARTA COMPROMISSO DO I ACAMPAMENTO DE JUVENTUDES E ESPIRITUALIDADE LIBERTADORA Do dia 13 a 15 de setembro de 2019, nós, jovens e adultos de diferentes lugares do nordeste, culturas, experiências, vivências, religiões e espiritualidades nos reunimos no Convento Nossa Senhora dos Anjos de Penedo/AL, para escutar, partilhar e vivenciar no primeiro acampamento de juventudes de espiritualidade libertadora. Caudalosos de sonhos e utopias sob a esteira de uma sociedade mais justa e fraterna em que as relações pessoais, sociais, políticas, econômicas, culturais, religiosas, afetivas e com a criação toda, sejam caracterizadas pela vivência de valores e princípios éticos do respeito mútuo do diferente. Reunid@s nas plenárias, oficinas e partilhas, pudemos fortalecer nossa espiritualidade. Aquela força que nos motiva, seja a partir da fé em Deus, a fé em Jesus Cristo, seja a partir da fé em outras entidades divinas ou pela fé numa força que transcende o indivíduo reafirmamos o nosso compromisso para que todos tenham vida em dignidade. Reconhecemos que a espiritualidade é uma dimensão fundamental e constitutiva do ser humano. Todas as pessoas são essencialmente espirituais, e o espiritual diz respeito a essa dimensão mais profunda da vida humana que mexe com os sentimentos, valores, princípios, desejos, sonhos, impulsos, com aquilo que nos move, nos faz uma realidade dinâmica, aberta e em construção. Assim, afirmamos a importância da espiritualidade libertadora, que se expressa no compromisso e na militância por uma sociedade mais justa, fraterna e igualitária e na responsabilidade pela qualidade de nossas ações e de nossos relacionamentos em nível coletivo e individual. Percebemos que ela nos desinstala, nos arranca de nós mesmos e ao mesmo tempo nos impulsiona, nos mobiliza e nos leva ao encontro dos outros e do transcendente, esta energia que nos move. Ante as provocações da realidade que reprime, que corta sonhos, que marginaliza pessoas e grupos por causa de sua fé, de seus pensamentos, de seu estilo de vida, muitas vezes por pessoas e grupos que justificam esses seus comportamentos também em nome da fé ou a partir de desejos de poder sobre o outro, e da convicção que somente eles são donos da verdade. Essa realidade justamente nos provoca

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Vida Fraterna

para uma opção pelas pessoas excluídas em nome de pensamentos absolutos e ideologias fechadas que representam verdades absolutas, por um sistema neoliberal que tem como seu deus o dinheiro e o lucro, em que a pessoa somente é uma peça. Denunciamos que temos sentido cada vez mais os impactos das manobras de desmonte de diversos programas sociais e políticas púbicas promovido pelo atual governo, impactos estes que tem atingido principalmente os mais pobres e os jovens. Já temos jovens fora das universidades por não ter como se manter. Jovens sem emprego e a cada 23 minutos um jovem negro é assassinado no Brasil. Além do grande número de jovens com depressão e sem perspectiva de vida. Assim, com humildade e rebeldia amorosa assumimos os seguintes compromissos concretos em nosso ambiente de vivência: - discutir com espírito dialogal nas nossas famílias, com nossos amigos e colegas, na vizinhança, nos grupos de Igreja e outros grupos de base onde estamos diretamente envolvidos a nossa realidade como jovens hoje e os nossos sonhos em vista de políticas públicas que favorecem a vida e o desenvolvimento da juventude, - engajar-nos nos diversos grupos estudantis, sindicatos, associações e até partidos políticos defendendo o ensino público do primário até a universidade como principais instituições do ensino, - exigir a retomada das bolsas de estudo sobretudo para os menos favorecidos e para pós-graduação e pesquisa; - discutir e discernir em vista das eleições municipais as propostas dos candidatos para prefeito e vereadores; - animar as famílias e amigos, amigas e colegas a votar no dia 6 de outubro para os Conselhos tutelares de Infância e Adolescentes e votar em candidatos que realmente defendem os interesses das crianças e adolescentes; – denunciar e lutar contra o racismo e o extermínio crescente de jovens negros e pobres particularmente nas periferias das nossas cidades; – combater o capitalismo, o patriarcado e o machismo, que (des)estruturam a nossa casa-comum e destroem e ceifam as vidas de tantas mulheres e desumanizam os homens;

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Vida Fraterna

– respeitar as pessoas homossexuais, lésbicas e transexuais que sofrem crescentes preconceitos e fobias na família, na comunidade em que habitam e na sociedade, para que possam viver a seu relacionamento de amor livre e responsavelmente; – contestar a influência do fundamentalismo religioso nos diversos setores das instituições do estado sobrepondo convicções estritamente religiosas e doutrinais preconceituosas e excludentes, que comprometem a garantia do Estado Laico; – lutar contra todo tipo de atitude ou expressão de intolerância religiosa e cultivar o diálogo inter-religioso e com outros grupos da sociedade, – engajar-se na luta pela justiça no campo, pela realização de uma reforma agrária popular, pela demarcação das terras indígenas e das terras ancestrais dos quilombolas e outras comunidades tradicionais, como também pela integridade de suas culturas. Essas dimensões são fundamentais para evitar o genocídio destas populações; – sensibilizar e assumir a defesa de uma justiça socioambiental que garanta a vida do nosso planeta e de seus habitantes, assegurando os recursos naturais para as futuras gerações; – participar ativamente no processo da reforma do sistema político brasileiro; Os nossos corpos se libertam, dançam e sambam, nossa voz se liberta e canta em busca de uma espiritualidade que liberta para fazer o bem, para construir uma humanidade de paz. Que a espiritualidade libertadora ecoe em nós o desejo de dias melhores por meio de nossas lutas diárias nos diversos locais no qual estamos inseridos. E que esta espiritualidade se alimente da mesma mística do transcendente que para os cristãos e cristãs Jesus expressa no Evangelho de João (10,10) desta forma: Eu vim para que tenham a vida, uma grande vitalidade (tradução da Bíblia do peregrino).

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Vida Fraterna

III ENCONTRO DOS CANDIDATOS AO POSTULANTADO

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ntre os dias 24 a 27 de outubro aconteceu no Convento São Francisco, em Olinda o III Encontro dos candidatos ao Postulantado 2020. Jovens de diversas partes da Província Franciscana de Santo Antônio, localizada no Nordeste do Brasil, vieram com entusiasmo, alegria, fraternidade e desejo de dar mais um passo importante na caminhada vocacional. O encontro foi dirigido pela psicóloga Alice Gatis que ajudou a cada jovem no processo de maturação humana e vocacional. Durante todo o encontro estavam presentes os frades que acompanham os jovens nos grupos locais. Na ocasião do encontro, cada jovem

I PEDALA FRANCISCO

pôde ainda compartilhar com os frades o aspirado desejo da vida religiosa franciscana. A marca desse encontro foi a elaboração de um projeto pessoal de vida que ao longo dos anos poderá ser elevado ao projeto provincial, passando por aperfeiçoamentos e lapidações. Que o pai Seráfico São Francisco interceda por cada um na caminhada vocacional e que Deus os abençoe sempre e os faça exímios praticantes do Evangelho de Jesus. Halandemir Marques Candidato ao Postulantado 2020

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o dia 22 de setembro de 2019, às 20h, deu-se início o I Pedala Francisco rumo ao Santuário do Seráfico Pai São Francisco, na cidade de Canindé-CE. O Pedala Francisco seguiu até o dia 24, com a abertura dos festejos ao Santo que dá nome a essa iniciativa. Após a celebração de envio presidida por Frei Francisco Rogério, os devotos colocaram-se à caminho à exemplo dos tantos romeiros que, jubilosos, agradecem a ação de Deus em suas vidas. Vencendo os obstáculos físicos decorrentes dos 116 km entre as cidades de Fortaleza e Canindé, frades e aspirantes depositaram nos pés do Santo de Assis essa experiência de fraternidade, pedindo-lhe força na caminhada vocacional. Frei Joanan Marques, OFM 2019 / Out - Set

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Jubileus Profissões e ordenações FREI JOÃO JOSÉ DA SILVA CELEBRA 25 ANOS DE VIDA PRESBITERAL NO DIA DAS CHAGAS DE SÃO FRANCISCO

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fraternidade São Francisco, localizada no Pelourinho, em Salvador-BA, bem como a fraternidade provincial, se alegraram pela celebração Eucarística da Festa da Impressão das Chagas de São Francisco e também pela celebração jubilar dos 25 anos de vida sacerdotal de Frei João José da Silva, OFM, que conta com 86 anos de vida. Frei João José ingressou na Ordem dos Frades Menores, na Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil, como frade de vocação laical e, por muitos anos, se dedicou ao ofício de alfaiate, onde costurava com maestria os hábitos franciscanos dos seus irmãos, também trabalhou no cuidado das galinhas e em muitos outros serviços. Sempre foi um amante da criação de Deus, preocupando-se em cuidar de animais que apareciam em torno do convento. Uma sensibilidade muito admirável que faz recordar o amor que São Francisco cultivava em seu coração por toda a criação de Deus. Após muito tempo, Frei João José iniciou os estudos de filosofia e teologia em Olinda, no Instituto Franciscano de Teologia (IFTO). Sua ordenação Presbiteral ocorreu aos 17 de setembro de 1994, na cidade de Igreja Nova, em Alagoas, na Paróquia de São João Batista, onde, na mesma celebração, foi ordenado presbítero também o Frei José Firmino. Ambos receberam

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das mãos de Dom Frei Constantino José Lüers, OFM, o segundo grau do sacramento da Ordem. Frei João exerceu seu serviço sacerdotal em Penedo e Igreja Nova-AL, Canindé-CE, Triunfo-PE e São Francisco do Conde-BA e atualmente em Salvador-BA. Na homilia da celebração Eucarística, proferida por Frei José Edilson, OFM, este recordou que, quando criança, serviu muitas vezes ao altar como coroinha em Penedo, enquanto Frei João José celebrava a Santa Missa. Em sua fala, recordou a trajetória do jubilando, apontando o exemplo de Frei João José, em uma vida simples, muitas vezes silenciosa, sem procurar destaques, e se faz grande exemplo para a comunidade. Ao final da celebração, Frei João José agradeceu ao Senhor o dom do sacerdócio e suplicou a Deus a benção final da Santa Missa. Após a celebração, a fraternidade local, juntamente com alguns amigos do Frei João, reuniram-se em torno da mesa do refeitório do convento para partilhar a alegria com um jantar festivo pelos seus 25 anos de sacerdócio. Todos ficaram agradecidos ao bondoso Senhor pela doação e testemunho de simplicidade deste nosso irmão. Frei Mendelson Branco, OFM


Jubileus, profissões e ordenações

FREI JOSÉ FIRMINO CELEBRA 25 ANOS DE ORDENAÇÃO SACERDOTAL

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oi no dia 17 de setembro de 1994, há 25 anos, Frei José Firmino recebia das mãos de Dom Constantino José Lüers, OFM, na cidade de Igreja Nova, em Alagoas, na Paróquia de São João Batista, juntamente com Frei João José, o segundo grau do sacramento da Ordem, o Presbiterato. Para celebrar a data, uma Celebração Eucarística foi realizada na Comunidade de Ipiranga, donde se origina Frei Firmino, e onde o mesmo celebrou sua primeira Missa. A comunidade paroquial e a fraternidade franciscana locais participaram da Missa jubilar e na ocasião lembrou através de músicas, seus 25 anos de ministério. A homilia foi proferida por Frei Walter Schreiber, guardião da fraternidade e inspirada na liturgia da Festa das Chagas de São Francisco. Frei

Walter lembrou que a missão do padre deve ser a missão da cruz que leva esperança e que anima o povo de Deus. O aniversariante fez questão de escolher a data de 17 de setembro para a celebração, pois foi sempre um desejo de seu coração que sua ordenação acontecesse em uma data franciscana. Em meio a homenagens e emoções, Frei Firmino agradeceu aos presentes na celebração e pediu a orações de todos para continuar sendo fiel a missão abraçada. Ao final da celebração, Frei Firmino recebeu o carinho da comunidade. Frei Carlos Roberto, OFM

Agenda

Franciscana

2020 Adquira já a sua 2019 / Out - Set

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FREI ELIVÂNIO LUIZ RENOVA OS VOTOS EM JERUSALÉM

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rei Elivânio Luiz, que atualmente vive em Jerusalém, na Custódia da Terra Santa, fazendo os estudos teológicos, renovou os conselhos evangélicos de Pobreza, Nada de Próprio e Castidade na Ordem dos Frades Menores. A celebração ocorreu no dia 03 de outubro, dia em que os franciscanos celebram a memória da páscoa de São Francisco. Leia o relato de Frei Elivânio sobre esse momento: No dia em que nossa Ordem celebra o trânsito de nosso seráfico pai são Francisco, durante a oração das vésperas solenes na Igreja de São Salvador, em Jerusalém, aconteceu a renovação de votos dos frades de profissão temporária das diversas províncias da Ordem que estudam no seminário internacional da Custódia da Terra Santa. Em sua homilia, o Frei Francesco Patton, custodio da Terra Santa, nos lembrou que renovar os votos no ano em que celebramos o VIII centenário do encontro histórico de São Francisco com o sultão é certamente uma graça particular, pois nos faz olhar para o exemplo de Francisco e desejarmos no mais profundo de nós mudarmos também um pedaço da história com

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nosso testemunho de vida evangélica. A vida de Francisco é certamente marcada por encontros. Encontro consigo mesmo, com O crucificado, com o leproso e, por fim, o grande encontro com a “irmã morte corporal da qual nenhum de nós pode escapar” e o encontro definitivo com O Senhor Amado, Aquele a quem procurou por toda a sua vida. Um encontro certamente pleno e definitivo momento de comunhão perfeita com O Sumo Bem. Para nós que renovamos os votos nesse dia, dizia Frei Patton, é um convite a retornarmos ao Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo a serviço dos desprezados de hoje, e a nos encontrarmos primeiramente com O Senhor que é a fonte, pois sem o encontro com Ele não podemos reconhecer Sua pessoa no rosto dos sofredores. Animados por essas palavras, vinte e seis frades renovaram os votos por mais um ano com o propósito de se disporem a “seguir o Evangelho e os passos de Nosso Senhor Jesus Cristo vivendo em obediência, sem nada de próprio e castidade”. Frei Elivânio, OFM


Jubileus, profissões e ordenações

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PROFISSÃO SOLENE DE FREI ARTUR BRUNO, OFM

Profissão Solene é a opção de consagração perpétua e o entrega radical que qualifica todas as dimensões da vida do religioso. Aquele que emite a Profissão Solene realiza, publicamente, na Igreja, a doação total de si a Deus numa Ordem, Congregação ou Instituto. Foi neste espírito de entrega total e definitiva que, no dia 12 de outubro de 2019, Frei Artur Bruno Secundino Medeiros, OFM, realizou publicamente sua Profissão Solene na Ordem dos Frades Menores. A celebração aconteceu permeada por um clima orante, no dia em que a Igreja do Brasil celebrava a Solenidade de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, sua padroeira. Esta celebração aconteceu na Paróquia Nossa Senhora das Dores, em Fortaleza-CE, às 17h, e contou com a presença de familiares, amigos e convidados vindos das cidades por onde Frei Artur residiu: São Francisco do Conde-BA, Penedo-AL, Olinda-PE e Salvador-BA. Contou ainda com a presença de confrades vindos de várias partes da Província Franciscana de Santo Antônio, confrades capuchinhos da PROCEPI (Província São Francisco das Chagas do Ceará e Piauí), da PROBASE (Província Nossa Senhora da Piedade da Bahia e Sergipe), seminaristas que estudam com Frei Artur, padres diocesanos, religiosas de diversas Ordens e Congregações, e os paroquianos da Paróquia Nossa Senhora das Dores. A celebração transcorreu num clima orante. Frei

Artur se manteve em tranquilidade na vivência deste momento forte de sua vida. Na homilia, o Ministro Provincial, Frei João Amilton dos Santos, destacou a atitude de doação da Bem-aventurada Virgem Maria, que se torna para cada religioso um modelo de entrega ao projeto de Deus. No momento dos agradecimentos, Frei Artur expressou gratidão aos cuidado de Deus para com ele, por seu chamado vocacional, pela presença da sua família que acolheu sua decisão, e todos os amigos e amigas que se fizeram presentes e que rezam por ele. Dirigindo-se à Província, por tê-lo acolhido e formado neste período de formação inicial, Frei Artur agradeceu a todos os confrades que o ajudaram em todas as etapas formativas, desde o Aspirantado, passando pelo Postulantado, Noviciado e concluindo com o período de Profissão Temporária. Agradeceu por fim à sua atual fraternidade e a Paróquia Nossa Senhora das Dores por toda ajuda e empenho na organização desta celebração. Pedimos a Deus que abençoe a vocação de nosso confrade, dando-lhe força e ânimo para continuar sua caminhada, e que o Senhor da Messe e Pastor do rebanho continue a chamar vocações para manter a vida e missão dos franciscanos no Nordeste do Brasil e em todo o mundo! Comunicação da Província 2019 / Out - Set

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Jubileus, profissões e ordenações

CONVENTO DE IPUARANA ACOLHE ORDENAÇÃO DIACONAL DE FREI JANAEL

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os 14 de setembro, Festa da Impressão das Chagas de nosso Pai Francisco, o Convento de Santo Antônio de Ipuarana mostrou, mais uma vez, ser um símbolo vocacional para toda a nossa Província, por ser uma casa que sempre se destacou por ser um espaço de formação dos frades para a Igreja e para a missão junto ao povo. Dessa vez, essa nossa ‘Terra Santa Vocacional’ – como se referem alguns de nossos ex-alunos de Ipuarana – acolheu os confrades advindos de diversas partes da Província, para se unirem ao nosso irmão Frei Janael Vieira, participando da Celebração Eucarística na qual ele foi ordenado diácono para o serviço da Igreja, em nossa Ordem. Frei Janael foi agora ordenado na mesma ‘casa’ que o acolheu, há dez anos, para que ele vivesse, em sua primeira passagem por Lagoa Seca, seu Ano de Provação, no Noviciado. Após ter vivido o período de um ano como Leitor e Acólito instituído para o serviço do altar, serviço que abraçou ao mesmo tempo em que tem atuado no Convento de Ipuarana como Vigário da Casa e como membro da equipe de formação do Noviciado, na Casa Porciúncula, Frei Janael expressou seu desejo de ser ordenado diácono, dando assim continuidade à sua caminhada em vista de abraçar os ministérios ordenados. Contando ainda com a presença de familiares e amigos e amigas advindos de Recife, Campina Grande, Fortaleza e Pesqueira, além da própria Cidade de Campo Formoso, terra natal de Frei Janael, a celebração da ordenação – que foi marcada pela simplicidade e pelo esmero com que foi preparada pelos noviços e demais confrades – foi presidida por Dom Frei José Haring,

Bispo Emérito da Diocese de Limoeiro do Norte. Contou ainda com a presença de dois confrades ‘companheiros no Diaconato’, Frei Adriano Ferreira e Frei Macelo Freitas, que auxiliaram na Liturgia, cerimoniada com maestria e tranquilidade por Frei Artur Medeiros. Dom Frei José Haring, em sua homilia, recordou que o Diaconato, como ministério, se insere na dinâmica da própria diaconia que deve permear todo e qualquer serviço assumido e exercido dentro da Igreja; e que, como diácono, Frei Janael agora está sendo mais uma vez convidado a renovar seu compromisso em servir, estendendo sua vocação como frade menor ao serviço e à missão que começa no altar e se completa no serviço da caridade junto ao Povo do Deus. Frei Janael, desejando recordar o lema assumido já em sua Profissão Solene, realizada há pouco mais de dois anos, o reassumiu como frase iluminadora de sua missão, agora como ministro ordenado: “Que grande presente de amor o Pai nos deu, de sermos chamados filhos de Deus. E nós o somos” (1Jo 3). Assim, como ele mesmo afirmou, ao expressar emocionado seus agradecimentos ao final da Celebração, quis recordar que, desde criança, em sua formação que já começara em casa, junto à sua mãe, ele aprendeu o que significava a dimensão da fraternidade, ao partilhar das responsabilidades e do cuidado entre seus irmãos de sangue, aprendendo desde cedo o valor e a importância do colocar-se a serviço. Que essa dimensão do serviço possa estar sempre presente entre nós, tal como a liturgia da celebração nos ajudou a recordar, e tal como Frei Janael a tem vivido em sua vida diária! Esse mesmo espírito de serviço que se expressa muitas vezes no anonimato, nos simples gestos do cotidiano e nas pequenas, porém, concretas situações do dia a dia em nossa vida fraterna e de missão, o conduza sempre em seu caminho, de doação e entrega, principalmente pelos pequenos e menores de hoje, na Igreja e na sociedade! Frei Wellington Buarque, OFM Fraternidade de Ipuarana – Lagoa Seca

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Jubileus, profissões e ordenações

10 ANOS DE ORDENAÇÃO PRESBITERAL DE FREI EDSON

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o dia 31 de outubro de 2009, jubileu dos 800 anos de fundação da Ordem dos Frades Menores, na Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores, em Fortaleza-CE, pela imposição das mãos e oração consecratória de Dom Bernardo Johannes Bahlmann, OFM, Bispo de Óbidos-Pará, com a presença dos frades franciscanos e diversos religiosos, Frei Francisco Édson da Silva Mendes foi ordenado presbítero. No dia 31 de outubro de 2019, dez anos depois, Frei Édson rendeu louvor e gratidão a Deus por este sinal de Deus em sua vida que se tornou muito frutuoso no serviço àqueles que o Senhor lhes confiou. Um sinal divino imbuído do espirito franciscano de paz e bem que o ajudou e ajuda a deixar no mundo, nos corações mais necessitados, a chama viva do amor de Deus. Com esse intuito ele foi ordenado e busca a cada dia acertar no compromisso de deixar Deus em cada pessoa que encontra, que confessa, que partilha a vida, que celebra com ele a Eucaristia. Segundo o próprio Frei Édson, deixar Deus no coração das pessoas é o intuito de sua doação. Por isso ele diz que não foi em vão o seu sim. Ele rende graças a Deus por todos que de algum modo o ajudaram no seu sim de cada dia. Uma prece que ele sempre eleva e que lhe agrada rezar é: “Sob a vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus, não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos oh virgem gloriosa e bendita. Amém”. Que o Senhor o ajude no seu ministério. 2019 / Out - Set

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Família Franciscana

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ASSEMBLEIA REGIONAL ELETIVA DA CFFB - REGIONAL RN/PB/PE

om o tema “São Francisco e a opção de viver com os pobres”, a Assembleia Regional Eletiva da Conferência da Família Franciscana do Brasil (CFFB) realizou-se no Convento Santo Antônio, em Ipuarana, Lagoa Seca-PB de 25 a 27 de outubro de 2019. Estavam presentes várias Congregações Franciscanas do Regional, uma representante da Pequena Família Franciscana e membros da Ordem Franciscana Secular. Da Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil, dos frades franciscanos, estiveram presentes Frei José Carlos Fernandes, os noviços e Frei Ronaldo César de Lima, vice-mestre dos noviços. Na tarde do dia 25 de outubro, primeiro dia da Assembleia, na sala de reunião houve a oração de abertura seguida da apresentação das/os participantes por Congregação e Grupos Franciscanos. A Coordenação apresentou a programação de cada dia, que foi aprovada pela Assembleia. À noite, após o jantar, o assessor, Frei Éderson Queiroz, OFMCap., falou um pouco sobre o tema. Na manhã do dia seguinte (26/10), após o café e a oração da manhã, realizou-se a eleição da nova Coordenação. Para a votação foram apresentadas e aprovadas 05 chapas. As pessoas indicadas foram apresentadas e deu-se início à eleição, sendo eleita a chapa 01, composta das seguintes pessoas: Antônio Barbosa, OFS de Natal (Coordenador do Regional); Ir. Liliane, da Pequena Família Franciscana, de Garanhuns; Ir. Nilza Ribeiro da Silva, FD, de Campina Grande; Ir. Edna, Franciscana de Maristella, de Recife; Libiane, OFS, de Esperança. E todas que foram eleitas deram o seu SIM. Na fala do Frei Éderson ele disse que há cinquenta anos atrás não havia essa integração dos regionais e que somente a partir do Concílio Vaticano II é que começou a organização da Vida Religiosa Franciscana, como um voltar às fontes. Hoje nos reconhecemos como família. O franciscano, fora da Fraternidade, morre. Francisco congrega, é modelo do humano, é a síntese da integração humana. A partir da provocação “Francisco, opção de viver com os pobres”, pode dar margem a fazer opção de viver com os pobres sem partir

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do ponto da fé de/em Cristo. Porém, Francisco partiu da fé e do amor a Cristo, ele foi pobre com os pobres. Além do mais, descobriu que o Evangelho está ao lado dos pobres. Repontando-se ao Evangelho, sinalizou que Jesus diz aos discípulos: “Ide à Galileia”. Galileia era o lugar dos excluídos. Olhando pra Jesus percebemos que ele se fez menor para nos salvar em três momentos: • No presépio: Ele é um menor que não tem nome. A partir disso questionou os congregados: “Qual o Menino que está em nós?” e convidou os presentes a viverem com leveza. • Na Eucaristia: Em vez de mandar e ser o maior, Jesus se tornou submisso, se tornou Pão, alimento que há em todo o mundo. A Eucaristia nos põe em contato com o mistério de Deus, o mistério de nós mesmos. A Eucaristia é uma escola que nos forma como irmãs/os menores. Ela nos coloca no encontro com o Deus humilde, nos revela o mistério de Deus e também de nós mesmos. Nós perdemos o espírito da “novidade” da comunhão, vivemos a Eucaristia de qualquer maneira. • Na cruz: é o menor que renuncia a toda importância. A cruz é a expressão máxima do Amor de Cristo pela humanidade. Diante da cruz, Francisco não está diante dum objeto, mas diante do Filho de Deus encarnado, crucificado. Em cada cruz Jesus se faz presente com sua compaixão. Cruz que nos conduz à ressurreição. Francisco foi convocado por Jesus crucificado para reconstruir a casa de Deus que estava em ruínas. “Quais são as ruínas que existem hoje no mundo, no Brasil, em nós? Destruir é muito fácil, é só derrubar. As ruínas são causadas por três princípios mortais que a humanidade assumiu e que estão impedindo o sonho de amor e de felicidade que Deus imaginou para nós: ter, mandar, ser respeitado. Jesus não se deixou levar por esses princípios. Francisco chorava quando pensava na pobreza de Jesus. Na ótica franciscana tudo pode ser reconstruído. Em Francisco encontramos três alternativas de superação da tenção de ser maior: a) não-propriedade, “nem casa, nem lugar, nem coisa alguma” (RB 6); b) submissão; c) insignificância.


“Francisco, fraternidade na minoridade”. Francisco muda de lugar, entende que a minoridade é a arte de descomplicar. Francisco escolheu por ter uma vida descomplicada para ganhar a leveza. Ele entende a Minoridade como a água que está no lugar mais baixo, mas aí é o lugar do tesouro. Isso levou a cada um a se questionar: “Em que eu consumo minhas energias?” A minoridade franciscana é essencialmente cristológica, isto é, nasce da experiência com o Cristo. Francisco tem um foco: é o Cristo, olha para ele com olhar penetrante. Francisco estava centrado na pessoa de Jesus. Estava tomado de amor a Ele. E fez os presentes se questionar: “Qual o lugar que Jesus tem na minha vida, na minha paixão?”. O olhar do Crucificado feriu o coração de Francisco. Ele estava impregnado do Crucificado. A minoridade nos coloca numa acessibilidade e o outro é sempre uma possibilidade. Não devemos esperar que o outro mude, nós é que devemos mudar e amar o outro como ele é. Francisco vai ao Sultão não para mudá-lo, mas para amá-lo. Francisco se descobriu como aliado daqueles que geravam excluídos. Após o encontro com o leproso, ficou indo sempre os visitar, sem medo de se contrair a lepra, ia com muito amor. “E nós, como tratamos os doentes, os excluídos?”. Francisco mudou do lugar social, religioso para o lugar dos excluídos. Ele descobriu que o Evangelho tem seu “lado”. Ele mudou para o mesmo lugar de Jesus que deu a maior parte de seu tempo aos pobres. Olhando sob esse viés surge o reconhecimento que Ser franciscana/o não é um título, é uma identidade: “Eu me identifico mesmo como irmão/ã franciscana?”. A grande novidade de Francisco e Clara é o seguimento a Jesus Cristo. O privilégio de Clara é de não ter privilégio. É fundamental não se apropriar de nada. O exagerado acúmulo de posses gera ruínas (Fl 2,5-8). É necessário se humilhar, e fazer isso é reconhecer seu limite. Quando deixamos a arrogância, algo começa a se transformar em nós. A única coisa que temos neste exato momento é o tempo, e precisamos usá-lo para as coisas sábias e a sabedoria está em como vivemos as pequenas coisas do cotidiano: “Quem tudo renuncia, tudo receberá” (S. Francisco). No final da vida, Francisco já cego compõe o “Cântico do Irmão Sol”. Nesse momento, o olhar de Jesus já tinha penetrado no todo de Francisco. Numa visão geral, vemos que em Francisco,

Família Franciscana

o reconstruir é mandato, é ordem de Deus a nós. Ele está na origem do nosso Carisma Franciscano. É a Fraternidade que nos preservar do egoísmo, não o “eu”, mas o “nós”! A contribuição de Francisco foi retornar ao Evangelho. Em Santa Maria dos Anjos, ele descobre a leveza e a profundidade do Evangelho. Nesse sentido, a sociedade moderna precisa retornar ao Evangelho. Isto é um processo de cada dia. O Papa Francisco faz esse retorno e nos convida a fazer o mesmo. Concluída a fala do Frei Éderson foram apresentados os Relatórios das Atividades do Regional e o Relatório Financeiro, que foram aprovados por unanimidade. Às 18h houve a Missa na Capela do Convento a comunidade local e seguiu-se o jantar, recreação com cantos, brincadeiras e merenda. Após o café da manhã do dia 27, os participantes se dirigiram à sala de reuniões onde foi celebrada a Missa com boa participação. Em seguida, Frei Éderson pediu que cada pessoa dissesse o que mais lhe chamou a atenção no dia anterior e houveram colocações muito positivas. Em seguida o pregador apresentou três palavras que servem aos franciscanos: a) recomeçar – “Recomecemos, até agora nada ou pouco fizemos”; b) esperança - Movidos pela esperança, devemos estar abertos às surpresas de Deus. Nunca podemos perder a esperança mesmo que a situação pareça horrível; c) alegria - Deus está sempre conosco. E concluiu dizendo: “Com estas três palavras vamos voltar para nossas casas”. Ao final houve o trabalho em grupos com a tarefa de apresentar as Prioridades para o novo quadriênio. No plenário, após cada grupo apresentar o resultado do seu trabalho, foram feitas algumas alterações e, finalmente, aprovadas. Com isto foi encerrada a Assembleia. Louvado seja Deus! Ir. Maria dos Anjos

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Ordem e Igreja A

PROVÍNCIA DE SÃO FRANCISCO DO RIO GRANDE DO SUL REALIZA CAPÍTULO PROVINCIAL E ELEGE NOVO GOVERNO

contecido de 13 a 18 de outubro de 2019, no Convento São Boaventura, em Daltro Filho, município de Imigrante-RS, os frades franciscanos do Rio Grande do Sul realizaram o Capítulo Provincial com o tema “Fraternidade e Redimensionamento” com o lema: “Vai e reconstrói a minha casa”. No dia 16, os capitulares elegeram o seu novo Governo Provincial: Ministro Provincial – Frei Marino Pedro Rhoden;

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Fonte: Site da Província São Francisco do Sul

CUSTÓDIA DE SÃO BENEDITO DA AMAZÔNIA REALIZA CAPÍTULO E ELEGE NOVO CONSELHO

s frades da Custódia São Benedito da Amazônia estiveram reunidos em Capítulo Eletivo de 21 a 26 de outubro de 2019. Com uma assembleia presidida por Frei Vicente Paulo, OFM, da Província Santa Cruz, contou com a presença de aproximadamente 43 frades dos estados de Amazonas, Pará e Roraima. Na ocasião, os frades elegeram a novo governo custodial para o triênio 2020-2022:

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Vigário Provincial (Vice Provincial) – Frei Arno Frelich; Definidores (Conselheiros): Frei Gastão Carlos Zart, Frei Rodrigo André Cichowicz, Frei Rinaldo Matter Eberle e Frei Armando Mariani. Que o Senhor da vida os ajude na condução da sua Província durante os dias que durar esse governo na direção.

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Ministro Custodial: Frei Edilson Rocha Vigário Custodial: Frei Elder Almeida Conselheiros: Frei Manoel Lima, Frei Marcos Bezerra, Frei Rômulo Canto e Frei Harodo Pimentel. Que o Senhor os ajude na missão a eles confiada. Fonte: Custódia São Benedito


Ordem e Igreja

III ENCONTRO INTEROBEDIENCIAL DOS FRADES DE VOCAÇÃO LAICAL

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ntre os dias 5 e 8 de setembro, o Convento Ipuarana, em Lagoa Seca (PB), sediou a 3a edição do Encontro Nacional de Irmãos Leigos Franciscanos. Participaram do evento 50 frades das quatro obediências franciscanas: Ordem dos Frades Menores (OFM), Ordem dos Frades Menores Capuchinhos (OFMCap), Ordem dos Frades Menores Conventuais (OFMConv) e Ordem dos Terceiros Regulares (TOR). A profecia e o testemunho de Paz e Bem foram os temas abordados durante o encontro. O encontro contou com as assessorias de Frei Olávio José Dotto, OFM, assessor das Pastorais Sociais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e de Maria José Coelho, Ministra Nacional da Ordem Franciscana Secular (OFS). Na abertura do encontro, os frades foram acolhidos pelo anfitrião, Frei João Amilton dos Santos, Ministro Provincial da Província Santo Antônio, que manifestou o desejo de que no futuro não existam mais diferenças entre os clérigos e os Irmãos leigos. Para os frades, a forte polarização política, a desunião social e a comunicação violenta entre as pessoas demonstram os tempos de barbárie que o Brasil vive. E é diante deste contexto social que os frades leigos são chamados a dar testemunho. “As pessoas estão tratando os que pensam diferente como inimigos”, aler-

tou Frei Olávio. A partir da Evangelii Gaudium, Exortação Apostólica do Papa Francisco, o assessor pediu aos frades que “não tenham nojo dos pobres” e que participem de um processo de humanização o ser humano, que reconhece cada vez menos o outro como irmão. Como gesto concreto, os frades participaram no sábado, dia 7, da caminhada do Grito dos Excluídos, em Campina Grande-PB. Muitos irmãos partilharam a importância desse encontro como sinal de pertença à família de religiosos de vocação laical. “Não estamos sozinhos”, afirmou um frei na avaliação final. Para Frei Zeca, foram as pessoas e suas histórias que tornaram o encontro especial: “É pelas pessoas que estamos aqui. Nossa sociedade precisa deste testemunho de fraternidade”, assinalou o frade da Terceira Ordem Regular (TOR). Entre as atividades para os próximos anos está a missão de registrar e mostrar os inúmeros trabalhos que os Irmãos leigos realizam por todo o Brasil através de um blog, que será administrado pela nova comissão de frades eleita para preparar o próximo encontro, ainda sem local definido. Ao final do encontro, os frades leram uma carta, escrita conjuntamente pelos frades participantes, conforme segue. Frei Flávio Lorrane, OFM e Paulo Henrique, OFMCap 2019 / Out - Set

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Ordem e Igreja

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PROTAGONISMO E PROFECIA: UM TESTEMUNHO DE FRATERNIDADE EM TEMPOS DE BARBÁRIE

omo irmãos e menores, nós, frades franciscanos dos diversos estados do país, nos reunimos em Lagoa Seca, Paraíba, para nos encontrar, estudar, compartilhar e conviver no III Encontro Nacional dos Irmãos Leigos Franciscanos. Somos mais de 80 frades, com a grata presença de 13 noviços da casa que nos acolhe, inspirados pelo apelo de Francisco de Assis que nos diz: “E, onde quer que estão e se encontrarem os irmãos, mostrem-se familiares mutuamente entre si”. Somos gratos também pela participação de nossa irmã Maria José Coelho, Ministra Nacional da Ordem Franciscana Secular. Sua presença entre nós foi fraterna e profética. Nesses dias, pudemos refletir sobre a realidade em que vivemos, através dos temas econômico, social, político, ambiental e religioso. Interpelados pelo assessor, Frei Olavio Dotto, vimos que passamos por um momento crítico na história mundial, em um contexto de ameaças às soberanias nacionais e, no Brasil, vivemos em uma ditadura neoliberal com mescla de autoritarismo político, que transforma os serviços públicos em negócios. Através desse autoritarismo, corremos o risco da quebra da democracia com o estrangulamento das políticas públicas e agressão aos direitos humanos e sociais.

“a única voz que tem sido uma referência profética mundial é o Papa Francisco.” Na atualidade, vivemos impulsionados pelo capital, com menores períodos de estabilidade e maiores tempos de crise. A polaridade das discussões em esquerda e direita tem prejudicado as relações sociais, pois a crise política polarizada não alcança equilíbrio, desfavorecendo a estabilidade política e econômica. Seguindo o modelo mundial, também o Brasil assiste ao retorno do militarismo, do favorecimento dos grupos empresariais e corporações internacionais e do fundamentalismo religioso e neopentecos-

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tal (evangélico e católico). Nesse contexto, a única voz que tem sido uma referência profética mundial é o Papa Francisco. Percebemos que sua interferência vai além do âmbito eclesial, pois o próprio Papa tem dito que esse sistema econômico é injusto e mata. Seguindo a reflexão sobre a profecia, Frei Aloísio Fragoso nos assessorou e recordou-nos que a vida religiosa consagrada, já em suas origens, nasce como contestação da realidade (vivida). As diversas formas de vida religiosa sempre surgiram a partir da inspiração de neoconvertidos apaixonados, loucos por viver o evangelho. Frei Aloísio recordou-nos que, após o Concílio Vaticano II, a prioridade da vida religiosa consagrada foi de redescobrir sua identidade, buscar o carisma original e sustentar-se na sua espiritualidade própria.

“O profeta não é juiz, nem mestre, nem inquisidor. O profeta é servo.” O profeta hoje é alguém capaz de nutrir-se de um amor essencialmente doação e sacrifício, contrapondo-se à sociedade do descartável. Os místicos da vida religiosa consagrada fizeram sua experiência ao longo de uma vida. A sociedade atual carece de experiências duradouras, tem sede de fraternidade. A vida religiosa deve ter a prática de vida no seguimento de Jesus, pois ela não existe para si mesma e sim para a missão. A profecia está na simpatia, está no sofrer com o outro. O profeta não é juiz, nem mestre, nem inquisidor. O profeta é servo. Percebemos que o nosso encontro tem sido um sinal profético para os vocacionados e para os frades jovens no processo de discernimento de sua vocação. Contudo, reconhecemos que persiste a necessidade de haver uma formação franciscana desvinculada da formação para as ordens sacras, tendo em vista que somos uma Ordem de irmãos e temos uma única vocação. Estamos felizes por nos reunir pela terceira vez enquanto franciscanos das quatro obediências. Reconhecemos que estes sinais proféticos de


estarmos juntos e valorizarmos aquilo que nos une demonstram diálogo e fraternidade, e a busca de maior proximidade e comunhão na diversidade.

Ordem e Igreja

“Isso provoca-nos a resgatar nosso carisma e a estarmos em comunhão com o desejo do Papa Francisco de se viver uma Igreja em saída.”

Isso provoca-nos a resgatar nosso carisma e a estarmos em comunhão com o desejo do Papa Francisco de se viver uma Igreja em saída. Desta forma, reafirmamos a importância de nos fazermos presentes nas periferias eclesiais e nos diversos espaços sociais. Por fim, sentimo-nos fortalecidos em nossa vocação e impelidos para a missão. Nesse sentido, considerando a atual realidade eclesial e social, nos comprometemos: • Com a Ordem Franciscana: a viver a minoridade e a fraternidade, cultivando nossa identidade carismática para além das preocupações institucionais; • Com a Igreja: a tornar mais conhecida a ‘Laudato Si’ e, concretamente, apoiar o Sínodo da Amazônia com suas proposições, em comunhão com toda a Igreja; • Com a sociedade: a promover a cultura do encontro através do diálogo, na busca de uma sociedade mais justa e fraterna. Que o Espírito Santo, nosso Ministro Geral, nos garanta forças para vivermos cada vez melhor o que nos propomos e ilumine nosso caminhar como irmãos e menores. Paz e Bem! Frei Aloísio Alves Albuquerque, OFMCap Frei André Luiz Aguiar, OFMCap Frei Fabio L’Amour Ferreira, OFM Frei José Carlos Correia Paz, TOR Frei José Gomes de Souza Junior, OFMCap Frei Pacífico Alves Santos, OFMConv Frei Patrício Cerreta, OFM Frei Rômulo Monte Canto, OFM

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Ordem e Igreja

PACTO DAS CATACUMBAS PELA CASA COMUM POR UMA IGREJA COM ROSTO AMAZÔNI- causa desta opção pelos pobres, por defender CO, POBRE E SERVIDORA, PROFÉTICA E a vida e lutar pela salvaguarda da nossa Casa SAMARITANA Comum (3). À gratidão por seu heroísmo unimos nossa decisão de continuar sua luta com firmeza e coragem. É um sentimento de urgência que ós, participantes do Sínodo Pan-ama- se impõe ante as agressões que hoje devastam zônico, partilhamos a alegria de habitar o território amazônico, ameaçado pela violência em meio a numerosos povos indígenas, de um sistema econômico predatório e consuquilombolas, ribeirinhos, migrantes, co- mista. munidades na periferia das cidades desse imen- Diante da Trindade Santa, de nossas Igrejas so território do Planeta. Com eles temos expe- particulares, das Igrejas da América Latina e rimentado a força do Evangelho que atua nos do Caribe e daquelas que nos são solidárias na pequenos. O encontro com esses povos nos in- África, Ásia, Oceania, Europa e no norte do conterpela e nos convida a uma vida mais simples tinente americano, aos pés dos apóstolos Pedro de partilha e gratuidade. Marcados pela escuta e Paulo e da multidão dos mártires de Roma, da dos seus clamores e lágrimas, acolhemos de co- América Latina e em especial da nossa Amazôração as palavras do Papa Francisco: “Muitos nia, em profunda comunhão com o sucessor de irmãos e irmãs na Amazônia carregam cruzes Pedro, invocamos o Espírito Santo, e nos compesadas e aguardam pela consolação libertado- prometemos pessoal e comunitariamente com o ra do Evangelho, pela carícia de amor da Igreja. que segue: Por eles, com eles, caminhemos juntos” (1). 1. Assumir, diante da extrema ameaça do Evocamos com gratidão aqueles bispos que, aquecimento global e da exaustão dos recursos nas Catacumbas de Santa Domitila, ao térmi- naturais, o compromisso de defender em nossos no do Concílio Vaticano II, firmaram o Pacto por territórios e com nossas atitudes a floresta amauma Igreja servidora e pobre (2). Recordamos zônica em pé. Dela vêm as dádivas das águas com veneração todos os mártires membros das para grande parte do território sul-americano, a comunidades eclesiais de base, de pastorais e contribuição para o ciclo do carbono e regulação movimentos populares; lideranças indígenas, do clima global, uma incalculável biodiversidade missionárias e missionários, leigas e leigos, pa- e rica sociodiversidade para a humanidade e a dres e bispos, que derramaram seu sangue, por Terra inteira.

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2. Reconhecer que não somos donos da mãe terra, mas seus filhos e filhas, formados do pó da terra (Gn 2,7-8) (4), hóspedes e peregrinos (1 Pd 1, 17b e 1 Pd 2, 11) (5), chamados a ser seus zelosos cuidadores e cuidadoras (Gn 1,26) (6). Para tanto, comprometemo-nos com uma economia integral, na qual tudo está interligado, o gênero humano e toda a criação porque a totalidade dos seres são filhas e filhos da terra e sobre eles paira o Espírito de Deus (Gn 1,2). 3. Acolher e renovar a cada dia a aliança de Deus com todo o criado: “De minha parte, vou estabelecer minha aliança convosco e com vossa descendência, com todos os seres vivos que estão convosco, aves, animais domésticos e selvagens, enfim, com todos os animais da terra que convosco saíram da arca (Gn 9, 9-10 e Gn 9,12-17 (7) ). 4. Renovar em nossas igrejas a opção preferencial pelos pobres, em especial pelos povos originários, e junto com eles garantir o direito de serem protagonistas na sociedade e na Igreja. Ajudá-los a preservar suas terras, culturas, línguas, histórias, identidades e espiritualidades. Crescer na consciência de que estas devem ser respeitadas local e globalmente e, consequentemente favorecer, por todos os meios ao nosso alcance, que sejam acolhidas em pé de igualdade no concerto mundial dos demais povos e culturas. 5. Abandonar, como decorrência, em nossas paróquias, dioceses e grupos de toda espécie de mentalidade e postura colonialista, acolhendo e valorizando a diversidade cultural, étnica e linguística num diálogo respeitoso com todas as tradições espirituais. 6. Denunciar todas as formas de violência e agressão à autonomia e direitos dos povos originários, à sua identidade, aos seus territórios e às suas formas de vida. 7. Anunciar a novidade libertadora do Evangelho de Jesus Cristo, na acolhida ao outro e ao diferente, como sucedeu com Pedro na casa de Cornélio: “Vós bem sabeis que a um judeu é proibido relacionar-se com um estrangeiro ou entrar em sua casa. Ora, Deus me mostrou que não se deve dizer que algum homem é profano ou impuro (At 10,28) (8). 8. Caminhar ecumenicamente com outras comunidades cristãs no anúncio inculturado e libertador do evangelho, e com as outras religiões e pessoas de boa vontade, na solidariedade com os povos originários, com os pobres e pe-

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quenos, na defesa dos seus direitos e na preservação da Casa Comum. 9. Instaurar em nossas igrejas particulares um estilo de vida sinodal, onde representantes dos povos originários, missionários e missionárias, leigos e leigas, em razão do seu batismo, e em comunhão com seus pastores, tenham voz e voto nas assembleias diocesanas, nos conselhos pastorais e paroquiais, enfim em tudo que lhes compete no governo das comunidades. 10. Empenhar-nos no urgente reconhecimento dos ministérios eclesiais já existentes nas comunidades, exercidos por agentes de pastoral, catequistas indígenas, ministras e ministros da Palavra, valorizando em especial seu cuidado em relação aos mais vulneráveis e excluídos. 11. Tornar efetiva nas comunidades a nós confiadas a passagem de uma pastoral de visita a uma pastoral de presença, assegurando que o direito à Mesa da Palavra e à Mesa de Eucaristia se torne efetivo em todas as comunidades. 12. Reconhecer os serviços e a real diaconia do grande número de mulheres que hoje dirigem comunidades na Amazônia e procurar consolidá-los com um ministério adequado de mulheres dirigentes de comunidade. 13. Buscar novos caminhos de ação pastoral nas cidades onde atuamos, com protagonismo de leigos e jovens, com atenção às suas periferias e aos migrantes, aos trabalhadores e aos desempregados, aos estudantes, educadores, pesquisadores e ao mundo da cultura e da comunicação (9). 14. Assumir diante da avalanche do consumismo um estilo de vida alegremente sóbrio, simples e solidário com os que pouco ou nada tem; reduzir a produção de lixo e o uso de plásticos, favorecer a produção e comercialização de produtos agroecológicos, utilizar sempre que possível o transporte público. 15. Colocar-nos ao lado dos que são perseguidos pelo profético serviço de denúncia e reparação de injustiças, de defesa da terra e dos direitos dos pequenos, de acolhida e apoio a migrantes e refugiados. Cultivar amizades verdadeiras com os pobres, visitar as pessoas mais simples e os enfermos, exercitando o ministério da escuta, da consolação e do apoio que trazem alento e renovam a esperança. Conscientes de nossas fragilidades, de nossa pobreza e pequenez diante de tão grandes e graves desafios, confiamo-nos à oração da Igreja. Que sobretudo nossas Comunidades Eclesiais nos socorram 2019 / Out - Set

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com sua intercessão, afeto no Senhor e, sempre que necessário, com a caridade da correção fraterna. Acolhemos de coração aberto o convite do Cardeal Hummes para nos deixarmos guiar pelo Espírito Santo nestes dias do Sínodo e no retorno às nossas igrejas: “Deixem-se envolver no manto da Mãe de Deus e Rainha da Amazônia. Não deixemos que nos vença a autorreferencialidade, mas sim a misericórdia diante do grito dos pobres e da terra. Será necessária muita oração, meditação e discernimento, além de uma prática concreta de comunhão eclesial e espírito sinodal. Este sínodo é como uma mesa que Deus preparou para os seus pobres e nos pede a nós que sejamos aqueles que servem à mesa”. Celebramos esta Eucaristia do Pacto como

“um ato de amor cósmico. “Sim, cósmico! Porque mesmo quando tem lugar no pequeno altar duma igreja de aldeia, a Eucaristia é sempre celebrada, de certo modo, sobre o altar do mundo”. A Eucaristia une o céu e a terra, abraça e penetra toda a criação. O mundo saído das mãos de Deus, volta a Ele em feliz e plena adoração: no Pão Eucarístico “a criação propende para a divinização, para as santas núpcias, para a unificação com o próprio Criador”. “Por isso, a Eucaristia é também fonte de luz e motivação para as nossas preocupações pelo meio ambiente, e leva-nos a ser guardiões da criação inteira”. Catacumbas de Santa Domitila Roma, 20 de outubro de 2019

AfestejouBahia inteira Santa Dulce dos pobres

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o dia 20 de outubro, uma semana após a canonização de Irmã Dulce, Salvador-BA viveu um dia especial. Era perceptível a alegria dos fiéis e admiradores da Santa Dulce dos Pobres na celebração em ação de graças pela sua canonização. Santa Dulce que é aclamada pelos baianos como “Anjo bom da Bahia”, e, nas palavras do Arcebispo da Arquidiocese de São Salvador da Bahia, “Anjo bom do Brasil”. Os frades da fraternidade de Salvador celebraram com grande alegria o reconhecimento da Igreja sobre Dulce. Realizaram uma celebração festiva na Igreja do Convento pelas boas sementes plantadas pela Santa Dulce dos Pobres na terra soteropolitana. Santa Dulce sem dúvidas viveu semeando o amor. Ao final da celebração no convento, que acolheu muitos devotos vindos de muitos lugares para a festa em homenagem ao Anjo Bom da Bahia, foi exposta a relíquia da Santa, para que os fiéis, com devoção, pudessem venerá-la. Na tarde daquele domingo, a partir das 12h30,

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foi dado início as homenagens a Santa Dulce dos Pobres na Arena Fonte Nova. No local do evento estavam presentes cerca de 49 mil pessoas. Foi uma tarde de muitas homenagens. Entre os presentes estavam os miraculados que levaram à beatificação e canonização de Irmã Dulce: Cláudia Araújo e José Maurício Moreira, além da sobrinha da santa e superintendente das Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), Maria Rita Pontes. Um dos pontos fortes da tarde foi a apresentação do espetáculo teatral “Império de Amor” sobre a vida de Santa Dulce dos Pobres. À imprensa, o Arcebispo de Salvador, Dom Murilo Krieger, expressou que a peça tetral lhe tocou porque mostrou que a obra de Irmã Dulce “é uma obra viva, onde cada pessoa é uma pedrinha nesse mosaico de amor que forma o rosto de Jesus Cristo”. Fizeram parte da apresentação cerca de 500 crianças e adolescentes do Centro Educacional Santo Antônio (CESA), núcleo de educação das OSID, além de idosos que abrilhantaram as apresentações.


Precedendo a Celebração Eucarística, ponto alto desse dia festivo, houve a acolhida da relíquia da Santa Dulce dos Pobres e também as imagens de Nossa Senhora da Conceição da Praia, de Santo Antônio de Pádua, santo de devoção da irmã Dulce, e a imagem do Senhor do Bonfim. No início da celebração Eucarística, Dom Murilo Krieger convidou Dom Estevão, bispo auxiliar, para ler um comunicado de Giovanni d’Aniello, Núncio Apostólico do Brasil, que não pôde comparecer à cerimônia. Num trecho de sua fala, o Núncio expressou: “O Anjo Bom da Bahia é uma santa no dizer do Papa Francisco. Talvez os livros de História do Brasil ainda nada afirmem a respeito dela. Todavia, Salvador, o Brasil e agora o mundo sabem muito da Irmã Dulce dos Pobres, que percorreu essas ruas, becos e avenidas da cidade de Salvador em busca de Jesus abandonado nas pessoas dos pobres e dos sofredores. Deste modo, tornou-se reconhecida como Anjo Bom da Bahia e a mãe dos pobres”. Em sua homilia, Dom Murilo, dirigindo-se à recém canonizada santa, disse: “Santa Dulce dos Pobres, hoje Salvador está em festa, a Bahia está em festa e o Brasil todo se alegra com o reconhecimento de sua santidade, ocorrida no domingo passado, na Praça São Pedro, no Vaticano. Quem esteve lá viu uma experiência única, emocionante daquelas que só a fé nos possibilita viver. Como foi bom ouvir a declaração do Papa Francisco, para a glória da Santíssima Trindade”. Realmente era nítida a alegria não só dos baianos presentes na Arena. Todos os que foram com devoção homenagear a Santa vibravam com salvas de palmas e cantavam animados os cânticos da celebração. Dom Murilo ainda expressou: “Imagino sua timidez, no tempo em que morava em Salvador, quando ouvia alguém chamá-la de ‘O Anjo Bom da Bahia’. Mas a senhora foi isto mesmo: um anjo que passou pelas ruas desta cidade, que acolheu doentes e abandonados e que ajudou muitos a descobrir o sentido da palavra ‘dignidade’”. E, próximo ao fim: “o mundo precisa de muitas ‘Irmãs Dulce’. Se a Igreja a coloca agora em lugar de destaque é para que a luz de Cristo, que se reflete na se-

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nhora, seja vista por nós e nos anime a fazer o que estiver ao nosso alcance para tornar o mundo melhor. Se tivermos essa disposição e confiarmos na Providência Divina, descobriremos que, colocando Deus no centro de nossa vida e amando o próximo como a nós mesmos, o mundo se tornará melhor e não passaremos por esta terra em vão”. Ao final da celebração, a imagem da Santa Dulce dos Pobres foi conduzida para o centro do estádio. Todos os fiéis acompanharam entoando o hino em homenagem a Santa e iluminando toda a Arena Fonte Nova com luzes de seus celulares formando uma linda procissão luminosa, acompanhada de olhares emocionados. Santa Dulce dos Pobres. Rogai por nós! Frei Mendelson Branco, OFM

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800 anos do encontro de São Francisco com o Sultão

Espírito de Damieta:

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Família Franciscana reúne líderes religiosos para celebrar os 800 anos do encontro de São Francisco com o Sultão do Egito

udo começa em plena Quinta Cruzada, em junho de 1219. Francisco, depois de várias tentativas fracassadas, sai com alguns irmãos em um barco de militares e comerciantes e chega ao porto de São João do Acre, no norte da Palestina (atual cidade israelense de Akka) ocasião que lhe proporcionou o encontro com o sultão do Egito. Este aconteceu, provavelmente, na trégua entre agosto e setembro, no porto de Damieta, no delta do Nilo, acerca de 200 km ao norte do Cairo, onde o sobrinho de Saladino, contra a opinião de seus dignitários, acolheu com grande cortesia os frades, oferecendo-lhes também presentes que foram recusados pelo pobrezinho. A partir desse evento inusitado Francisco exortou os seus irmãos para com o relacionamento entre os infiéis e sempre pedia a promoção da paz por onde andassem: “E os irmãos que partirem poderão proceder de duas maneiras espiritualmente com os infiéis: o primeiro modo consiste em absterem-se de rixas e disputas, submetendo-se ‘a todos os homens por causa do Senhor’ e confessando serem cristãos. O outro modo é anunciarem a palavra de Deus quando o julgarem agradável ao Senhor: que creiam no Deus Todo-Poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo, Criador de todas as coisas; no Filho, Redentor e Salvador; e se façam batizar e se tornem cristãos, porquanto ‘quem não nascer da água e do Espírito Santo não pode entrar no reino dos céus’”. As celebrações do VIII centenário estão sendo vivenciadas em todo o mundo. Gestos de fraternidade estão sendo selados entre muçulmanos e cristãos, como também por diversas religiões. Set - Out / 2019

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No Brasil, toda a Família Franciscana organiza e prepara momentos celebrativos a serem vivenciados de forma inter-religiosa e ecumênica. No Ceará, o momento foi organizado pelo Serviço de Justiça, Paz e Integridade da Criação (JPIC) da CFFB do Regional e reuniu líderes religiosos de diversas religiões e Igrejas. O momento celebrativo, denominado Espírito de Damieta, aconteceu no dia 21 de setembro, às 19h30, na Capela de Santa Rosa de Viterbo (Irmãs Capuchinhas) dentro da programação da Assembleia da Família Franciscana do Ceará, e contou com a participação de irmãos e irmãs muçulmanos, judeus, budistas, espíritas, candomblecistas, de espiritualidade indígena e membros de diferentes Igrejas cristãs. Foi um lindo momento, simples e sublime. Os líderes presentes registraram suas falas enaltecendo a promoção da paz e do diálogo e cada um, na sua espiritualidade e espontaneidade, fez um gesto para marcar o momento. No meio da assembleia, todos se misturaram, sem distinção e, juntos, concluíram com a oração atribuída à São Francisco e os líderes religiosos entregaram uma rosa branca aos presentes para simbolizar a paz e o momento que foi vivenciado. Este encontro abre, sem dúvida, novas perspectivas para explorar o espírito de reciprocidade entre Religiões e Igrejas cristãs. Quando procuramos o espírito de fraternidade, encontramos a certeza de que juntos podemos promover a paz. Frei Lorrane Clementino, OFM


800 anos do encontro de São Francisco com o Sultão

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ENCONTRO ENTRE FRANCISCANOS E MUÇULMANOS

o dia 06 de outubro de 2019, no encerramento da festa de São Francisco em Olinda-PE, no Convento que leva o nome do santo festejado, houve um encontro singular entre os representantes muçulmanos dos ramos Sunitas e Xiitas e os frades franciscanos. Esse encontro, que foi planejado em comum acordo com os envolvidos, se pretendeu recordar o VIII Centenário do Encontro de São Francisco com o Sultão Al-Kamil, em Damieta, em 1219. Com a participação de membros da família franciscana local e outros devotos de São Francisco e interessados, o encontro aconteceu num clima de bastante respeito e acolhida. Foi constituída uma mesa-redonda pelos representantes religiosos assim descritos: Alberto, do Centro Islâmico do Recife, Eduardo Santana, do Centro Cultural Islâmico Imam Sadeq, localizado em Belo Jardim-PE, Frei Faustino dos Santos e Frei Rogério Lopes, ambos franciscanos da Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil. Foi um encontro regado pela simplicidade e por

aquilo que Francisco de Assis orienta aos frades quando os envia em missão: com reverência pelo mistério que é o outro e a comunhão na oração a um Deus único. A certa altura desse encontro, após cada membro religioso emitir sua fala, houve um gesto simbólico de troca de objetos religiosos. Da parte dos muçulmanos, eles presentearam os frades com o Alcorão e alguns livros sobre o islã e os frades os entregaram o Tau Franciscano, letra grega de simbologia judaico-cristã e que São Francisco pela devoção ao mistério da cruz adotou como sua assinatura. Que o compromisso de Paz e Bem vincule os homens de boa vontade e os tornem sensíveis à causa do Deus de múltiplos nomes que quer a felicidade de toda a Sua criação. (OT, Fr. Guiral, (1285-1349), La vision de Dieu aux multiples visages, Édition, traduction, introduction et notes par Ch. Trottmann, Paris : Éditions Vrin, 2001). Frei Faustino Santos, OFM

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Evangelização e Missão

Missões em Mossoró - RN

MÊS EXTRAORDINÁRIO DAS MISSÕES

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Papa Francisco proclamou o mês de outubro de 2019 como Mês Missionário Extraordinário (MME) com o objetivo de “despertar em medida maior a consciência da missio ad gentes e retomar com novo impulso a transformação missionária da vida e da pastoral”. No site das Pontifícias Obras Missionárias é dito que o MME “trata-se de acontecimento eclesial de grande importância que abrange todas as Conferências Episcopais, os membros dos institutos de vida consagrada, as sociedades da vida apostólica, as associações e movimentos eclesiais” O MME ecoou em muitos lugares, e não foi diferente na Província. Algumas paróquias que os frades assumem realizaram semanas missionárias, como foi o caso da Paróquia de São Francisco, de Campina Grande-PB, Paróquia de São Gonçalo, de São Francisco do Conde-BA, Paróquia da Imaculada Conceição, em Mossoró-RN, entre outras. Que nossas paróquias e nossas presenças estejam em atitude constante de missão e evangelização e que o maior exemplo seja pela vida e o testemunho de cada frade.

Missões em São Francisco do Conde - BA

Frei Faustino Santos,OFM Missões em Campina Grande - PB

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Evangelização e Missão

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Óleo

O NO LITORAL NORDESTINO

presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) emitiu, na manhã deste 28 de outubro, uma nota sobre o vazamento de óleo no litoral do Nordeste brasileiro. No documento, inspirado pela realização do Sínodo para a Pan-Amazônia e frente aos desastres ambientais, a CNBB cobra uma postura de profunda e imediata conversão ecológica. A presidência da CNBB cobra também das autoridades competentes ações efetivas de recuperação do equilíbrio natural e uma devida apuração para encontrar a origem e as causas dessa tragédia ecológica. Veja a íntegra do documento abaixo: Nota da CNBB sobre vazamento de óleo no litoral do Nordeste As manchas de óleo que contaminam tristemente as praias do Nordeste devem sensibilizar corações para urgente necessidade: uma profunda e imediata conversão ecológica. Os processos extrativistas que contaminam e matam devem ser fiscalizados e devidamente responsabilizados pelo poder público, pois não há futuro para a humanidade sem o indispensável respeito à Casa Comum. O Sínodo dos Bispos para a Amazônia, em seu horizonte, reforça esta convocação: todos vivenciem uma autêntica conversão ecológica. Seja inspiração e exemplo para cada pessoa, no caminho rumo à conversão, o magnífico trabalho de voluntários que estão se dedicando à limpeza das praias do Nordeste.

Homens e mulheres que se arriscam, em contato com o óleo tóxico, para salvar o meio ambiente. Diante desse desastre que contamina as praias do Nordeste, são esperadas, das autoridades competentes, ações efetivas de recuperação do equilíbrio natural. E que seja feita a devida apuração para encontrar a origem e as causas dessa tragédia ecológica. A coragem e a solidariedade dos voluntários toquem o coração de todos, especialmente de governantes, para que a defesa da vida e do planeta seja sempre prioridade. Em Cristo. Brasília-DF, 28 de outubro de 2019 Dom Walmor Oliveira de Azevedo Arcebispo de Belo Horizonte – MG Presidente da CNBB Dom Jaime Spengler Arcebispo de Porto Alegre – RS 1º Vice-Presidente da CNBB Dom Mário Antônio da Silva Bispo de Roraima – RR 2º Vice-Presidente da CNBB Dom Joel Portella Amado Bispo Auxiliar de S. Sebastião do Rio de Janeiro – RJ Secretário-Geral da CNBB Fonte: CNBB 2019 / Out - Set

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Evangelização e Missão Franciscanos pela eliminação da Hanseníase

Nº 0001

Hanseníase

Ações de prevenção e busca de casos Ações em Presídios

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Giro de Notícias

CENTRO SOCIAL DA MIRUEIRA

O Centro Social da Mirueira visitou os presídios de Segurança Máxima de Igarassu e o COTEL em Abreu e Lima realizando busca ativa de casos na população carcerária.

Caminhada de Conscien- Comunidade do Pilar recebe Ação de pretização da Hanseníase venção de Hanseníase Nas ruas da Mirueira com A comunidade do Pilar a participação de orquesno centro do Recife tra de frevo, bonecos de recebeu Ação de ConsOlinda e passistas, a Caminhada de Conscientiza- cientização de Hanseníase. Palestra e exames ção desperta a população para está atenta aos sinais foram realizados no local, além disso, teste e sintomas da doença rápido de DSTs e vacinação também foram disponibilizados

Mais iniciativas Paróquia Nossa Senhora do Ó em Paulista também recebe Ação de prevenção e busca ativa de casos

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Alunos da Escola Frei Guido participam de uma descontraída roda de conversa sobre Hanseníase

Na Pastoral da Saúde da Arquidiocese de Olinda e Recife falando de Hansen


Evangelização e Missão ______________________________________________ PROJETO MULHERES DINÂMICAS Uma grupo de vinte mulheres da Mirueira e adjacências que se reúnem semanalmente para produzir artesanato, falar de economia doméstica, reaproveitamento de alimentos e partilhar o cotidiano

MELHORIAS FÍSICAS NA ESCOLA FREI GUIDO Com o apoio da MZF e da Paróquia de San Martin e Severino, na Alemanha, melhoramos a circulação de ar em oito salas de aula na Escola Frei Guido e outras duas salas receberam ar condicionados

MAIS AÇÕES ASSEMBLEIA DE SÓCIOS Prestação de Contas e Planejamento de Ações aprovadas por unanimidade dos sócios em Assembleia Geral Ordinária. A Assembleia acontece anualmente na Escola Frei Guido, na Mirueira e tem como objetivo a prestação de contas dos atos administrativos ao seu quadro de associados e a apresentação do planejamento de ações da Entidade

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HOSPITAL DA MIRUEIRA Hospital Geral da Mirueira também é beneficiado por Ações do Centro OO Centro Social da Mirueira é uma Social da Mirueira. Ajudas chegam Entidade Franciscana, da Província de forma direta ou através de articulações realizadas peloAntônio CSM e, visam, a dignidade dos doentes ali tratados. Franciscana de Santo do Brasil que, a 49 anos, trabalha São doados materiais de curativos, higiene, roupas hospitalares e alimentos. questões voltadas ao enfrentamento da Hanseníase e em defesa do hanseniano. PARCEIROS: MORHAN RECIFE; PASTORAL CARCERÁRIA; PASTORAL DA SAÚDE, USF MIRUEIRA; SECRETARIA DE SAÚDE DO PAULISTA; SECRETARIA DE SAÚDE DE PERNAMBCO; HOSPITAL DA MIRUEIRA E MISSIONS ZENTRALE DER FRANZISKANER

PROVÍNCIA FRANCISCANA DE SANTO ANTÔNIO DO BRASIL

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Evangelização e Missão

WEB RÁDIO SANTO ANTÔNIO CELEBRA 8 ANOS EVANGELIZANDO NA INTERNET

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ecordamos aqui com um olhar de gratidão o ano de 2012, quando ainda os primeiros frades jovens se reuniram em Salvador na Bahia para transmitir um sinal franciscano na internet com o apoio do Serviço de Animação Vocacional (SAV). Este sinal buscava trazer traços franciscanos e regionais, o projeto foi criando rosto, forma e som. Após oito anos, o desejo e o desafio de evangelizar pela internet se torna bem maior. Diante da globalização e do mundo movido pela informação e tecnologia, à web Rádio Santo Antônio deseja manter a fidelidade ao seu propósito inicial de “ENCHER A TERRA COM O EVANGELHO DE CRISTO”. Podemos dizer que, a Web Rádio Santo Antônio é um grande veículo vocacional. Juntamente com o SAV, ela busca estar ainda mais perto dos homens e mulheres e despertar neles o carisma franciscano. Atualmente o desafio deste veículo de comunicação é estar mais presente nas redes sociais, levando mais conteúdos formativos relacionados ao franciscanismo e a Igreja através de programas e podcasts. Tudo isso, tendo como inspiração e base o Evangelho, regra de vida para todos os franciscanos. Entre as novidades para este novo ano, visando superar este desafio, está à criação de uma programação diferenciada, a presença mais ativa nas redes e a produção de conteúdo formativo. Nosso trabalho de comunicação, informação, formação e evangelização se desenvolve em dois estúdios: um em Fortaleza no Ceará e o outro em Salvador na Bahia. Neste tempo de celebração por estes oito anos enchendo a terra com o Evangelho de Cristo, recordar este trabalho evangelizador é fazer memória da missão de todos os frades da Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil. Olhar a Web Rádio Santo Antônio com gratidão nos dá a certeza de que este é mais um meio de vivermos aquilo que é proposto por São Francisco de Assis quando na Regra elaborada e aprovada como forma de vida para seus irmãos e para todos aqueles que desejam vivê-la, orienta seus confrades sobre a forma de como estes devem ir pelo mundo. Nesta data especial temos assim a oportunidade de renovar o desejo de que haja um novo anúncio com novas redes. Frei Carlos Roberto, OFM

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Patrimônio

PRESERVAÇÃO DA BIBLIOTECA FRANCISCANA DE OLINDA-PE

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m dezembro de 2018, a comunidade de Olinda foi contemplada com a notícia da aprovação do projeto: Preservação da Biblioteca Colonial do Convento de São Francisco de Olinda, outorgado pelo Edital do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura, o FUNCULTURA. A iniciativa faz parte das ações de proteção dos bens materiais e integrados desta Província, sobre a incumbência do Departamento Provincial do Patrimônio Histórico, tendo como representante, o Frei Roberto Soares de Oliveira. No corrente ano, no dia 06 de junho, iniciou na Biblioteca Colonial de Olinda, a pré-produção do projeto, que compreendeu a instalação de iluminação, imunização e limpeza geral da biblioteca, do forro e das suas estantes. A fase atual, etapa de produção para a salvaguarda do acervo, realizou um treinamento dos profissionais que compõem a equipe e vêm formando mão de obra em Olinda de técnicos de conservação, juntamente com um profissional técnico em restauração de acervos bibliográficos. O treinamento compreendeu ações informativas sobre as particularidades do acervo, operacionalização e utilização de métodos e técnicas de manuseio, a saber: higienização por varredura, sucção e sopro, com a confecção de mesas alternativas de higienização. Até o presente foram higienizadas 1650 obras, de um total de aproximadamente 5000. No mês de agosto, a biblioteca recebeu uma equipe de bibliotecárias para atender a etapa de catalogação de todo o acervo – o projeto prevê a disponibilização dos títulos numa plataforma on-line para acesso por parte da província francis-

cana, de pesquisadores e do público em geral. Além dos profissionais de conservação e bibliotecários, a equipe é formada por um historiador, fotógrafo e técnicos de audiovisual. Esta iniciativa ainda prevê uma contrapartida social, ou seja, a organização de duas vivências (visitas guiadas) para jovens e adultos no Convento e na Biblioteca, no sentido de democratizar o acesso às fontes de conhecimento, proporcionando o contato com profissionais e a cadeia produtiva desde a elaboração até a realização de um projeto de acervos documental e bibliográfico, bem como a visualização e contato com todo trabalho desenvolvido no acervo. O encerramento do projeto está previsto para o mês de março de 2020, quando será organizada uma exposição para apresentar o trabalho realizado e devolver a biblioteca para o uso, com a esperança que seja aproveitada de uma forma mais profunda, visto que, o uso com respeito à finalidade do acervo também o protege da degradação natural de elementos estranhos. Todo o memorial técnico e as fases do trabalho serão editadas e apresentadas também em forma de um catálogo impresso. Vale ressaltar a importância de fontes de financiamento que, especificamente, atuam na preservação de bens culturais de modo geral, pois sem tais editais seria difícil a realização desse projeto que em 10 meses, irá colocar o acervo em condição que possibilite a sua merecida utilização, além de salvar obras que são peças singulares, raras e centenárias que, caso abandonadas, poderiam ser perdidas definitivamente. Frei Roberto Soares de Oliveira, OFM 2019 / Out - Set

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Frei Casimiro Pereira em Sirinhaém

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Frades em Oficina de Carpintaria

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Serviço Provincial de Comunicação Arte e Diagramação: Frei Erick Ramon, OFM Revisão: Frei Faustino Santos,OFM Frei Marcos Almeida, OFM Expedição: Secretaria Provincial Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil Rua Imperador, 206, Recife - PE. CEP: 50010 - 240 - Tel: (81) 3424-4556 www.ofmsantoantonio.org / E-mail: ofmnordeste@gmail.com