2020 - Notícias - Março/Abril

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Noticìas

Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil Março - Abril/ 2020 - Ano LXV nº 493


Sumário Mensagens

03 Mensagem de Páscoa de Ministro Geral.........................04 Mensagem Sobre a Pandemia – Ministro Provincial.......08 Mensagem Sobre a Pandemia – Ministro Geral...............09 Vida Fraterna Últimas do IX Definitório.................................................. ..10 Encontro das Paróquias Vizinhas......................................15 Transferência do Frei Marconi Lins....................................15 O Sentido da Páscoa: Escrito de um Postulante..............16 Alterações nos Compromissos Provinciais...................... 17 Celebrações da Semana Santa em João Pessoa.......... 17 Evangelização e Missão Clipe Musical “Fique em Casa”....................................... 18 O MST-Ceará e a Figura de Frei Humberto Wallschlag..19 Capítulo Provincial 2020 II Reunião da Comissão para o Capítulo 2020.................20 Visita do Provincial na Fraternidade de João Pessoa.....20 Igreja Benção Urbi et Orbi.............................................................22 Mensagem para o dia da Terra.........................................24 A Intercessão de Santa Camilla Battista de Verano.......26 Nota da CNBB contra a Legalização do Aborto.............27 Páscoa na Terra Santa.......................................................29 Mensagem de páscoa Ministro Provincial.......................

CFMB e CFFB

30 Entrevista com Frei Valmir Ramos.....................................31 Carta da CFFB para o Tempo de pandemia...................34

Encontro dos Ecônomos Provinciais da CFMB.................


Mensagem de Páscoa Do Provincial

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páscoa de Jesus é o sinal da nossa vitória. Anunciemos ao mundo que Cristo Ressuscitou e permanece entre nós. Prezados confrades e todo povo de Deus, é chegado o tempo da Páscoa que é ocasião de alegria e vida nova para todos nós que formamos o corpo místico de Cristo. O evento da Páscoa não é uma simples data, é uma nova forma de crer e se relacionar com Deus que nos convoca aos irmãos crucificados, a fim de apresentar a eles a esperança de dias melhores. Esse evento deve ser entendido como a disposição de viver a ressurreição todos os dias da nossa vida na companhia de Jesus sempre vivo em nosso meio. Não podia deixar de ressaltar o que está acontecendo no mundo desde o final do ano passado. A pandemia do coronavírus nos força a viver o jejum do isolamento, da não relação de proximidade com os nossos. Quantos dos nossos irmãos e irmãs no mundo foram crucifi-

cados em decorrência dessa situação calamitosa e quantos de nós vivemos sob a provação do temor e da reclusão. O tempo da Páscoa, frente a isso, deve ser para nós uma ocasião de esperançar dias melhores, onde possamos nos encontrar e celebrar a vida. Mas também não podemos deixar que essa provação da humanidade passe por nossas vidas de modo despercebido. Precisamos aprender com ela a valorizar o que realmente importa na nossa caminhada e vocação, a incentivar os profissionais que trabalham incessantemente pela recuperação das tantas pessoas chagadas, a dar valor à convivência fraterna etc. A ressurreição de Cristo nos mostra que a morte não tem força sobre a vida pois esta é o dom mais precioso que Deus nos deu. Quem será contra nós, se Deus é por nós? Portanto, que a fé nesse Deus que vence a morte nos torne frades ressuscitados e anunciadores da ressurreição de Jesus, so-

bretudo nos espaços de desesperança. Ser testemunha da ressurreição é ter responsabilidade pela vida. Devemos nos manter prevenidos e conscientizar as pessoas que confiam em nós para fazerem o mesmo. Não exponhamos a nossa vida nem as dos nossos irmãos e irmãs. Confiemos em Deus e façamos a nossa parte. Cheios de otimismo, alegria, fé e esperança continuemos nossa caminhada pascal repleta das bênçãos do Cristo Ressuscitado. Feliz Páscoa a todos os confrades das nossas fraternidades no Brasil e na Alemanha.

Recife, 06 de abril de 2020

Frei João Amilton,OFM Ministro Provincial

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Mensagem NÃO TENHAIS MEDO, AS TREVAS NÃO VENCERAM A LUZ! Cf. Mt 28,5; Jo 1,5

Caríssimos irmãos e irmãs, Que Cristo, o Vivo, vos dê sua Paz! Neste ano, a celebração da Páscoa terá como cenário um mundo traumatizado pela difusão do novo Coronavírus. Centenas de milhares de pessoas estão infectadas; dezenas de milhares faleceram; ainda muitos serão vítimas antes que seja desenvolvida uma vacina eficaz. Nem mesmo podemos iniciar a falar do impacto desse vírus sobre a vida econômica local, regional e global. O desemprego está aumentando rapidamente, as famílias já devem tomar decisões sobre quais refeições podem permitir-se fazer e a quais comidas renunciar. E como se não bastasse, o vírus está se difundindo nos países da África e da Ásia, onde a maior parte das infraestruturas sanitárias não está suficientemente aparelhada a fim de acolher os gravemente enfermos. Nesse caminho, o Cristo Ressuscitado se faz próximo de cada um de nós, iluminandonos com sua palavra e reacendendo em nossos corações o fogo do primeiro amor: “Não nos ardia o coração, enquanto ele conversava conosco ao longo do caminho e nos explicava as Escrituras?” (Lc 24, 32). Esse texto sobre a Ressurreição serve como poderoso chamado ao amor, à misericórdia e à proximidade de nosso Deus em todos os momentos da vida,

sobretudo nos momentos em que a própria vida humana é ameaçada. É exatamente então que o Senhor Jesus nos faz o que fez aos seus dois discípulos que se encaminhavam para Emaús, com o coração em frangalhos, a mente confusa e as esperanças violadas. O que sucedera em Jerusalém, e disso eram testemunhas, era arrasador demais para podê-lo aceitar. Sem ser reconhecido, Jesus os alcança em seu caminho, pedindo-lhes do que falavam, o que os preocupava. “De que estais falando, enquanto caminhais?” (Lc 24,17). Essa pergunta é mais do que um simples pedido de informações sobre a atualidade. Jesus abre um caminho de escuta, permitindo assim aos dois discípulos de lhe mostrar o que os preocupava verdadeiramente: as trevas e a perda da esperança que os horríveis acontecimentos da crucifixão haviam trazido em suas vidas. “Só tu, forasteiro em Jerusalém, não sabes o que ali aconteceu nesses dias?!” (v. 18). Além do que se poderia dizer sob ponto de vista bíblico e exegético, a pergunta feita por esses dois homens toca no sentido mais profundo da solidariedade humana. Não saber, às vezes, é não querer saber. Papa Francisco chama isso de indiferença. Quando se conhece a verdade sobre algo, somos obrigados a agir num modo diferente, a nos empenhar em fazer o que é necessário e justo a fim de responder às necessidades 2020 / Mar - Abr

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emergentes e viver de forma coerente. Essa é a natureza da conversão: chama-nos a acordar e pôr ordem em nossa vida. Exige que liguemos nossa vida com a história de Deus, e parte importante dessa história é a sua permanente inciativa em atrair-nos a Ele, a fim de salvar-nos e conduzir-nos na via da plenitude de vida. Talvez encorajados por esse especial companheiro de viagem, aqueles dois homens continuaram a explicar o que havia acontecido em Jerusalém. Contaram-lhe a maneira como Jesus de Nazaré os havia conduzido para fora da mediocridade deles, da falta de clareza sobre quem é Deus e que ele pretende para os que o procuram com o coração aberto e humilde, para fora de uma dependência servil, na qual viviam por causa da ocupação romana (estrangeira) e a colaboração daqueles que se preocupavam apenas com seus interesses pessoais. “Como nossos chefes sacerdotes e nossos governantes o condenaram à morte e o crucificaram” (Lc 24, 20). Também nos momentos mais obscuros do desespero humano, quando parecia não haver mais motivos de esperança, os homens, que se dirigiam para Emaús, reconheceram uma débil luz, um motivo para não ceder, para não permitir que o desespero deles os consumisse e destruísse o sonho que lhes havia sido oferecido pelo “profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo o povo” (Lc 24,19). Mas, os homens não podiam firmar-se nisso. Queriam transmitir algo mais ao seu misterioso companheiro de caminhada: “Algumas senhoras, das nossas, nos chocaram; bem cedo de manhã, elas dirigiram-se ao túmulo, como não encontraram seu corpo, vieram dizer-nos que também tiveram uma visão de anjos, os quais afirmaram que ele está vivo” (Lc 24,2223). “Que estava vivo!” É difícil apagar a esperança e o amor humanos, também diante de circunstâncias devastadoras. Também no desespero, os dois discípulos mantinham

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ainda aberta a possibilidade de Deus fazer algo novo, de que Deus não os havia abandonado. Na celebração da Vigília Pascal, há um outro texto que se liga estreitamente a esse sentido de fidelidade e de esperança, que Deus traz à humanidade, na pessoa de seu amado Filho Jesus. O Evangelho segundo Mateus traz a figura de Maria Madalena e outra senhora, também chamada Maria, as quais vão ao sepulcro para chorar a morte daquele que criam fosse o Messias prometido. A terra tremeu, a pedra que bloqueava o ingresso do túmulo foi rolada e um anjo apareceu e falou às duas mulheres: “Não tenhais medo... Ele não está aqui porque ressuscitou de fato, como havia dito” (Cfr. Mt 28,5). Do texto evidencia-se claramente que as palavras do anjo causam alegria, mas também confusão, em seus corações. Contudo, elas partem “com pressa”, correndo a Jerusalém para repassar a mensagem que haviam recebido à comunidade escondida e amedrontada. Como aconteceu aos discípulos no caminho a Emaús, Jesus mesmo encontra as duas senhoras, as saúda, permitindo que se aproximassem e abraçassem seus pés. Jesus disse a elas: “Não tenhais medo. Ide dizer aos meus irmãos de ir para a Galileia, e ali me verão” (28,10). Há tantas situações que, constantemente, deixam em evidência nossos medos, porque nos colocam diante de circunstâncias desconhecidas ou incertas. Retomando o tema inicial, a epidemia coronavírus suscitou em todos nós medo, ânsia e sentido de absoluta incerteza. As imagens dos doentes que morrem sozinhos, porque não podem ter nenhum contato com seus familiares, nos chocou. Os textos bíblicos da ressurreição, que estamos seguindo nesta Páscoa, convidam-nos a nos confrontar com a crua realidade da ameaça à vida humana: a vida de Jesus, apagada em ato criminoso de violência; a vida da humanidade, que agora se encontra diante de um vírus capaz de matar e danificar milhões de pessoas deste pequeno planeta. Sabemos que o vírus não é a única ameaça


que a humanidade está enfrentando, mas agora é a mais urgente. Motivo a mais para que tenhamos necessidade de ouvir ainda uma vez a mensagem do anjo e de Jesus, que vêm dar-nos conforto, neste momento assim difícil para a vida de toda a comunidade humana. “Não tenhais medo! Sim, Cristo ressuscitou verdadeiramente e «faz novas todas as coisas»” (Ap 21, 5) e por isso restaura nossas vidas e o modo em que nos colocamos diante de qualquer tipo de ameaça. Ele, como afirma S. Boaventura, «depois de derrotar o autor da morte, ensina-nos os caminhos da vida» (A Árvore da Vida, 34) e nos impele de sair do sepulcro de nossos medos, de nossos preconceitos, de nossa mediocridade, de todas as realidades que nos impedem de viver em plenitude nossa vocação, a saber, de ressuscitados, de homens e mulheres novas. Vêm-nos em mente as palavras do Papa Francisco que nos exortava no último Capítulo Geral a «recuperar a confiança recíproca, a fim de que o mundo veja e creia, reconhecendo que o amor de Cristo cura as feridas e nos torna uma coisa só». Um apelo de reforçar nossa confiança na força que provém da Páscoa. O encontro com o Cristo Ressuscitado, que liberta dos medos que nos fazem permanecer imóveis, nos empurra a sair de nós mesmos, de nossas seguranças e comodidades, da lógica

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do «foi feito sempre assim», para retomar o caminho do Evangelho, que é sempre novidade, porque é «Palavra de vida eterna» (Jo 6, 68). O encontro com o Ressuscitado torna-se missão e anúncio de vida nova, porque «para aqueles que o encontraram, vivem em sua amizade e se identificam com sua mensagem, é inevitável falar dele e levar aos outros sua proposta de vida nova. Ai de mim se não anuncio o Evangelho!» (Querida Amazônia 62). O que, então, devemos anunciar? Não nos devemos cansar nunca de proclamar com a voz e testemunhar com a vida que Jesus Cristo está vivo e que, com sua ressurreição, derrotou a morte; devemos anunciar que a morte, o ódio e o medo não têm a última palavra, mas a vida do Ressuscitado é a palavra definitiva sobre a História da humanidade e sobre nossas histórias; devemos gritar que «as trevas não venceram a luz» (Jo 1,5), mas é a luz da Páscoa que brilha em cada noite e irradia o dia sem pôr-do-sol. Deus jamais abandonará os que criou e destinou à vida, ao amor e à esperança! O mundo, a Igreja e nossa Fraternidade têm necessidade de escutar essa mensagem: somos portadores da boa notícia, oferecemos a todos, com generosidade, a bela notícia que brota da Páscoa! Feliz e santa Páscoa a todos!

Roma, 05 de abril de 2020 Domingo de Ramos Fr. Michael Anthony Perry, OFM Ministro geral e Servo

www.ofm.org

Prot. 109663 Obra de arte: Luca Giordano, Ressurreição. Óleo sobre tela, 114 x 116 cm. Residenzgalerie, em Salzburg, Inv.-Nr. 285. Foto: Fotostudio Ulrich Ghezzi, Oberalm. © 2020, RGS/Ghezzi.

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Mensagem MENSAGEM DO MINISTRO PROVINCIAL SOBRE A PANDEMIA DO CORONAVIRUS

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aros confrades, A pandemia do novo Coronavírus (COVID-19) tem nos deixado alertas e preocupados pelos efeitos que tem causado. Há tempos não presenciamos uma situação tão calamitosa como essa que alcança todo o mundo de maneira tão rápida. Seguimos acompanhando o crescimento exponencial de infectados pelo mundo e o quanto o Brasil está vulnerável a toda essa situação. De maneira geral, a maioria dos casos letais alcança pessoas idosas ou com outras complicações de saúde, colocando-os no que se chama de grupo de risco. A capacidade de contágio do Covid-19 que desde seu primeiro diagnóstico, em dezembro de 2019, alcançou mais de 166 países e territórios, é uma situação que nos desafia e exige de nós mudanças de higiene e comportamento. Nós não estamos imunes! Muitos dos nossos confrades e pessoas que nos ajudam e frequentam nossas casas e paróquias são idosos e idosas ou pessoas com algumas situações delicadas de saúde. Eles são os mais vulneráveis diante da sujeição que nos alcança. Nesse momento, é importante que nossa atuação seja para conscientizar as pessoas do quanto cada uma pode se prevenir e evitar que outros também sejam contagiados. É importante também rezarmos confiantes, na esperança que Deus ajude na rápida descoberta de um antiviral. Mas temos que fazer também nossa parte. Por isso, neste momento, nossa oração

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poderá ser melhor aproveitada em nossas fraternidades, entre os irmãos, prevenindo-nos de qualquer exposição que acarrete risco, sobretudo aos nossos confrades idosos. É fundamental também que alertemos os fiéis e demais pessoas da necessidade de se evitar aglomerações, sair de suas casas, a menos que seja necessário, de cuidar da higienização etc. É ocasião também para pedir que, em suas casas, eles possam realizar suas orações confiantes. Deus nos escuta de onde estamos. Em muitas dioceses têm se orientado que as paróquias, na medida em que podem, transmitam as celebrações eucarísticas pelos meios de comunicação. Essa é uma possibilidade que podemos adotar em nossas realidades, sobretudo paroquiais. É fundamental que nos corresponsabilizemos com a nossa própria vida e a vida das pessoas. Esse é o momento de tornar concreto nosso papel de pastores e irmãos, sobretudo dos mais vulneráveis. Sejamos portadores de esperança não só pela oração, mas também pela prevenção. Contem com minhas orações. Recife, 19 de março de 2020 Frei João Amilton dos Santos, OFM Ministro Provincial


Mensagem CORONAVÍRUS: CARTA DO MINISTRO GERAL A TODOS OS IRMÃOS DA ORDEM

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ue o Senhor vos dê paz! Nos últimos três meses, desde a descoberta do novo Coronavírus, testemunhamos sua proliferação progressiva a partir de uma região específica da China para mais de 115 países. Praticamente toda a comunidade humana está envolvida em uma grande batalha para tentar conter sua disseminação, cuidar dos infectados (mais de 126.000) e lamentar entes queridos que morreram (mais de 4.500). O impacto econômico nas nações, famílias, indivíduos e, especialmente, nos pobres será, sem dúvida, catastrófico. Nos estágios iniciais dessa pandemia, talvez podemos nos sentir protegidos, imunes, distantes e até um pouco despreocupados com o vírus e seu impacto. No entanto, como o vírus continua sua disseminação implacável, encontramo-nos no epicentro de uma crise. Ainda existem muitos aspectos científicos do vírus que não são totalmente compreendidos. Não respeita fronteiras ou limites: físico, social, psicológico, religioso ou cultural. Sua capacidade estratégica de pular de um indivíduo para outro o torna particularmente agressivo. As respostas elaboradas e aplicadas pelos governos para impedir sua proliferação exigem de nós sacrifícios que restringem o exercício de nossas liberdades pessoais, como nunca experimentamos antes. E, no entanto, essas medidas são necessárias para impedir a disseminação do vírus. Minha intenção ao escrever-lhes neste momento crucial, é para ajudar a dissipar os medos e a ansiedade. Para aqueles de nós que vivem em países que foram desproporcionalmente afetados até o momento, quero encorajá-lo a permanecer fortes na fé. Para aqueles que vivem em países que sofrem menos infecções, permaneçam vigilantes o tempo todo. Durante este período litúrgico especial da Quaresma, os cristãos são convidados a acompanhar Jesus, lembrando as grandes lutas e crises que ele enfrentou, lembrando também sua morte na

cruz como sacrifício de puro amor. Mas nem sofrimento nem morte tiveram a última palavra em suas vidas, nem deveriam tê-lo em nossas vidas. A esperança que o evento da ressurreição oferece e os atos diários de justiça, misericórdia e amor devem nos inspirar a olhar além de todo medo, ansiedade e perceber a presença de Jesus que continua a falar conosco as mesmas palavras que seus amigos e amados discípulos: «Não tenhas medo! Estou com você até o fim dos tempos». No meio dessa epidemia mundial, não vamos perder de vista o incontável grupo de pessoas em todo o mundo que estão passando por outras crises. Nossos corações se dirigem aos povos da Síria, República Democrática do Congo, Venezuela, Mindanao, Repúblicas do Sudão e Sudão do Sul, Palestina, Líbano, e aos irmãos e irmãs que vivem em outras partes do mundo onde a dignidade humana, direitos fundamentais e sobrevivência física básica estão sempre ameaçados. Aproveitemos esta circunstância para superar todas as divisões e medos e busquemos caminhos que conduzam a um diálogo autêntico, à cooperação e à promoção do bem-estar de toda a humanidade, especialmente dos pobres e excluídos. Vamos também aprofundar nosso compromisso de amar e cuidar do ambiente natural, nossa casa comum. Que o Senhor vos abençoe, meus queridos irmãos. Permitamos que a força de nossas convicções, nosso compromisso com o modo de vida evangélico inspirado por São Francisco de Assis, nos permita ser testemunhas fiéis do poder do amor e da esperança que nossa fé oferece em todas os âmbitos da vida. Roma, 12 de março de 2020 Fraternalmente em Cristo e Francisco, Fr. Michael A. Perry, OFM Ministro Geral e Servo Fonte: OFM Tradução: Comunicação Provincial 2020 / Mar - Abr

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Vida Fraterna ÚLTIMAS DO DEFINITÓRIO Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil Recife-PE, 02 a 04 de março de 2020

Prot.: 0010/2020

O IX Conselho Definitorial do triênio 2018-2020 aconteceu na sede do provincialado, no Convento Santo Antônio do Recife, e se estendeu de 02 a 04 do mês de março de 2020.

FRADES FALECIDOS Durante os dias de definitório foram recordados os confrades que realizaram sua páscoa definitiva:  Frei Josafá Araújo Filho, aos 08 de janeiro de 2020  Frei Hermano Wiggenhorn, em 21 de janeiro de 2020 O Governo da Província expressa a gratidão pela vida desses irmãos que foram doadas pela causa do Reino de Deus na Ordem dos Frades Menores e eleva preces para que o Senhor dos vivos e dos mortos os acolha junto de Si.

CAPÍTULO PROVINCIAL 2020 Houve o repasse da primeira reunião da Comissão de preparação para o Capítulo Provincial 2020 que se reuniu nos dias 27 e 28 de fevereiro em Recife. Levando em consideração as sugestões enviadas por apenas duas fraternidades da Província, a Comissão de preparação submeteu ao parecer do Governo Definitorial as propostas de tema e lema para o Capítulo (abaixo elencados) que, por sua vez, obtiveram parecer favorável e foram confirmados. TEMA: AMAR, CONFIAR E COMPROMETER-SE.

LEMA: Reconhece tua vocação (1 Cor 1, 26): Cessem as palavras e falem as obras (Santo Antônio). DATA: De 16 a 22 de novembro de 2020, em Lagoa Seca-PB.

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Em breve a Comissão preparatória encaminhará algumas orientações e subsídios a fim de que cada fraternidade se prepare para esse momento importante da vida provincial.

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Vida Fraterna REAJUSTE NO CALENDÁRIO Frei João Amilton precisará acompanhar os capítulos dos Mosteiros das Irmãs Clarissas de Campina Grande-PB e Canindé-CE, que ocorrerão de 15 a 18 de junho e 05 a 08 de setembro, respectivamente. Tendo presente isso, algumas datas do calendário provincial, outrora previstas para a sua visita canônica em algumas fraternidades, foram repensadas e ficaram assim reajustadas:  João Pessoa (06 a 08 de abril)  Penedo (06 a 08 de julho)  Salvador (12 a 14 de agosto)

TRANSFERÊNCIA Frei Marconi Lins de Araújo – Após apresentar carta de renúncia do serviço que estava prestando como Reitor do Santuário de São Francisco das Chagas em Canindé-CE e obtendo consequente confirmação do Governo da Província, Frei Marconi foi transferido da fraternidade de Santo Antônio, em Canindé, para a fraternidade Santo Antônio, em Aracaju.

FORMAÇÃO E ESTUDOS Formação Permanente 

SAV  

Encontro do Conselho de Articulação e Dinamização (CAD) da CFMB – Ocorrerá em Franca-SP de 30 de março a 03 de abril. Da Província irão: Frei Sérgio Moura, Frei Walter Schreiber e Frei Joanan Marques. Encontro dos Frades Idosos - ocorrerá, conforme consta no Calendário Provincial, de 27 a 29 de maio em Lagoa Seca-PB e contará com a assessoria conjunta de Frei José Edilson Maurício, Frei Izael Silva de Santana e Frei Ronaldo César.

Encontro Under Ten 2020 – Ocorrerá de 18/07 a 14/08 na Ilha do Marajó-PA. Os definidores indicaram Frei José Davi e Frei Janael Vieira para participarem desse encontro.

Vocacionados – Atualmente são acompanhados nos encontros vocacionais uma média de 68 jovens. Pré-Postulantado – Há uma expectativa que 16 jovens iniciem os encontros em preparação ao Postulantado 2021.

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Vida Fraterna Postulantado 

O grupo atual – Atualmente são 06 postulantes da Província de Santo Antônio que estão sendo acompanhados no Postulantado em Triunfo-PE. No retorno das atividades de 2020, chegaram 02 postualantes da Província da Assunção a fim de trilhar um caminho de convivência até o Noviciado Comum, com previsão de início para julho de 2020. Expectativa 2020 – Estima-se que um total de 15 postulantes da Província de Santo Antônio inicie essa etapa de formação em 22 de maio.

Noviciado Comum  

O grupo atual – Atualmente são acompanhados um total de 06 noviços, sendo 03 da Província de Santo Antônio e 03 da Província da Assunção.

Planejamento 2020 o O local de Inscrição – O grupo proveniente do Postulantado para o Noviciado 2020 fará sua inscrição na data prevista de 15 de julho e o local de inscrição será em Canindé-CE. Os noviços inscritos permanecerão aí até 01 de agosto. o O novo mestre – Frei Sérgio Moura comporá o coetus formatorum do Noviciado Comum a partir de julho de 2020 na condição de mestre, dando continuidade ao serviço iniciado pelo mestre atual, Frei Wellington Buarque, que deixará esse serviço.

Professos Temporários 

Neo-professos – Frei Genilson Silva dos Santos e Frei Luiz Antônio de Souza Oliveira professaram os primeiros votos aos 08 de dezembro de 2019, em Lagoa Seca-PB. Frei Genilson foi morar na casa de formação em Fortaleza-CE e Frei Luiz na casa de formação em Salvador-BA.

Curso de Franciscanismo – Ocorreu em Santarém-PA e contou com a participação de 16 frades das três entidades do Norte e Nordeste. Na perspectiva da missão franciscana, tratou-se de temas como o Sínodo para a Amazônia e o resultado do Conselho Plenário da Ordem. Experiência Fraterno-Missionária (EFM) – Os três frades que concluíram o curso de filosofia em dezembro (Frei Mendelson Branco, Frei Jailson Mercês e Frei João Pedro) já se encontram nas fraternidades que foram destinados à realizar da EFM: Campo Formoso-BA, João Pessoa-PB e Mossoró-RN, respectivamente.

CONGRESSO DE FORMAÇÃO

Houveram duas reuniões da Comissão de Preparação para o Congresso de Formação. Dentre as sugestões que foram enviadas ao Definitório e ratificada por seus membros estão:

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Vida Fraterna Tema/Lema: REPENSAR A FORMAÇÃO: Para uma vida renovada, uma fé apaixonada e uma missão encarnada. Local/Data (Cf. Calendário provincial): Canindé-CE, de 20 a 25 de julho.

Assessores: Frei César Külkamp, OFM Frei Fernando de Araújo Lima, OFM Frei Marconi Lins de Araújo, OFM

EVANGELIZAÇÃO E MISSÃO 

JPIC – Frei César Lindemberg, na condição de animador provincial do JPIC, enviou ao Definitório a comunicação que Frei Jean Santos da Silva deixou de compor a Equipe Provincial de JPIC. Para substituí-lo na equipe, Frei César apresenta o nome de Frei Elias Pereira Gertrudes. A indicação foi aprovada. Na ocasião, Frei César comunicou que precisará participar do Encontro Continental de JPIC das Américas (ECA) uma vez que ele também ocupa a animação nacional de JPIC da CFMB. O encontro ocorrerá na Guatemala de 31 de agosto a 06 de setembro. Os gastos serão arcados pela CFMB.

Frei Wellington Reis – Enviou uma carta ao Definitório apresentando o andamento da sua pesquisa no mestrado que já se encontra no momento final. Na ocasião, fez pedido para aprofundar os estudos no doutorado ainda estando em Roma. Na carta ele apresenta suas motivações que foram consideradas pelos definidores. Após apreciação, os definidores foram favoráveis e o Provincial confirmou.

PEDIDOS

Frei César Lindemberg – Fez o pedido para fazer um curso de línguas (Espanhol), haja vista a necessidade pelo exercício da animção nacional do JPIC da CFMB. Os definidores foram favoráreis e o Provincial confirmou.

Frei Elivânio Luiz – Enviou o pedido ao Definitório para ser instituído no Ministério do Leitorato. É constume na Terra Santa que após o primeiro ano de teologia os frades recebam esse ministério. Após avaliação, os definidores emitiram parecer favorável e o Provincial confirmou. Frei Sérgio Moura – Pediu ao Definitório para participar do Seminário Nacional de Liturgia que acontecerá em Itaicí-SP, de 10 a 14 de agosto. Os pareceres tanto dos definidores quanto do Provincial foram favoráveis.

Noviciado – Encaminhou o pedido de permissão para aquisição de um veículo em formato de minibus à casa do Noviciado, visando os benefícios à etapa de

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Vida Fraterna formação em termos de otimização de tempo, contenção de gastos etc. Os recursos financeiros já foram conseguidos. Os definidores foram favoráveis e o Provincial confirmou.

ASSISTÊNCIA ESPIRITUAL 

OFS Arautos de São Francisco (Bairro de São Caetano/Salvador) – Com a transferência de Frei Mendelson Branco de Salvador, a fraternidade ficou sem assistência espiritual e por isso solicita um frade para esse serviço. O Frei Izael Silva de Santana foi indicado para a referida função. Pequena Família Franciscana/Fraternidade Antonietta Lesino (Aracaju) – Solicitou assistencia espiritual. Os definidores indicam Frei Marconi Lins para assumir esse serviço.

CONGRESSO EUCARÍSTICO Os frades que irão participar do Congresso Eucarístico Nacional – que tomará lugar na cidade do Recife de 12 a 15 de novembro – e desejam hospedagem em algum dos conventos de Recife e Olinda deverão comunicar com bastante brevidade aos devidos guardiães, haja vista que pode acontecer de a Arquidiocese anfitriã do Congresso solicitar algum de acolhida. • espaço Dia 05/12 – Frei João Pedro Lima Costa: “O Mal como concupiscência da carne • no ser humano”. (Filosofia/Salvador-BA) Dia 05/12 – Frei João Pedro Lima Costa: “O Mal como concupiscência da carne no ser humano”. (Filosofia/Salvador-BA) • Dia 05/12 – Frei Jailson Mercês de Oliveira: “A música como elevação da alma PROJETOS À MZF • segundo o III e o IV Livro da obra ‘A República’ de Platão”. (Filosofia/SalvadorDia 05/12 – Frei Jailson Mercês de Oliveira: “A música como elevação da alma segundo o III e o IV Livro da obra ‘A República’ de Platão”. (Filosofia/SalvadorBA) BA) 05/12 – Frei Mendelson Branco da Silva: “O primeiro princípio em Duns • Dia • Scotus”. (Filosofia/Salvador-BA) Dia 05/12 – Frei Agrícola Mendelson Branco da Silva: “O primeiro  Associação Escola Família Jaguaribana/CE – “Educação do princípio Campo, em Duns Agroecologia e Convivência com o Semiárido no Vale do Jaguaribe”. Scotus”. (Filosofia/Salvador-BA) • Dia 05/12 – Frei César Lindemberg Serafim: “Uma espiritualidade do • acolhimento ao Migrante e Refugiado”. (Teologia/Fortaleza-CE) Dia 05/12 – Frei César Lindemberg Serafim: “Uma espiritualidade do  Diocese de acolhimento ao Migrante e Refugiado”. (Teologia/Fortaleza-CE) Barra/BA – “Formação de lideranças e aquisição de móveis para a e secretaria paroquial da quase Paróquia São José/Beira Rio”. casa CALENDÁRIO PROVINCIAL CALENDÁRIO PROVINCIAL  Mosteiro Fraternidade São Francisco de Assis/RN – “Construção da Casa para o Noviciado”. O Calendário Provincial que já foi em grande parte constituído, em breve será O Calendário Provincial que já foi em grande parte constituído, em breve será enviado aos frades. Pela necessidade de fazer alguns ajustes, ele não será enviado junto enviado aos frades. Pela necessidade de fazer alguns ajustes, ele não será enviado junto às últimas desse último definitório de 2019. Dado no Convento Santo Antônio, às últimas desse último definitório de 2019. Algumas datas que constarão no calendário além dedas citadas no aos 04 são, de março 2020. Algumas datas que constarão no calendário são, além das citadas no desenvolvimento das notícias, as que seguem: desenvolvimento das notícias, as que seguem: • Congresso de Formação: 20 a 25 de julho de 2020 em Canindé-CE Congresso de Formação: 20 a 25 de julho de 2020 em Canindé-CE •• Único Retiro Provincial: 27 de julho a 01 de agosto em Canindé-CE. • Único Retiro Provincial: 27 de julho a 01 de agosto em Canindé-CE. Frei Faustino dos Santos, OFM Secretário Provincial Dado no Convento São Francisco de Salvador-BA, Dado no Convento São Francisco de Salvador-BA, aos 21 de novembro de 2019. aos 21 de novembro de 2019. Frei Faustino dos Santos, OFM Frei Faustino dos Santos, OFM Secretário Provincial Secretário Provincial Mar - Abr / 2020

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Vida Fraterna

ENCONTRO DAS PARÓQUIAS VIZINHAS: MOSSORÓ, FORTALEZA E CANINDÉ

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contecendo o Encontro das paróquias vizinhas: Imaculada Conceição de Mossoró, Nossa Senhora das Dores de Fortaleza e Paróquia São Francisco das Chagas de Canindé! A reunião que começou no dia 09 seguiu até o dia 10 de março em Canindé. Contou com a participação de treze pessoas provenientes das paróquias envolvidas. Como pauta, o encontro promoveu uma avaliação do triênio 2018 – 2020 e planejamento para o triênio 2021 – 2023 para

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as paróquias vizinhas do regional CE/RN. Na ocasião houve a oportunidade para estudo do subsídio “Enviados a Evangelizar em fraternidade e minoridade na paróquia”. Foi um encontro proveitoso e restou a esperança que as paróquias tenham um rosto franciscano e sejam verdadeiras comunidades eclesiais missionárias. Paz e bem!

FREI MARCONI LINS AGORA FAZ PARTE DA PARÓQUIA SANTO ANTONIO EM ARACAJU/SE

rei Marconi Lins chegou a Aracaju no dia 14 de março, vindo de sua terra natal, Caruaru, onde passou um rápido período de férias. Sua trajetória como frade começou há muito tempo. Faz parte da Província de Santo Antônio do Brasil há 47 anos. Antes de chegar à capital sergipana, Frei Marconi passou pela cidade de Canindé, local em que foi reitor do santuário de São Francisco das Chagas. Sua transferência de Canindé é fruto de um pedido pessoal feito ao Governo da Província Franciscana de Santo Antônio e que foi acatado por essa instância. No referido pedido, estava expresso o desejo de um momento de recomeço e também de novos desafios. “Desde o início tenho procurado responder sempre positiva-

mente as transferências, como sabemos, um dos aspectos fundamentais da obediência é a transferência, é mudar de lugar, partir para uma nova missão” explica. E agora, em Aracaju, Frei Marconi poderá fortalecer o serviço em comunidade, trazendo a experiência, a simplicidade e o amor pela vida cristã. “Estou em Aracaju muito feliz porque aqui a gente vai recomeçar, eu pessoalmente. Uma vida voltada também para vida pastoral, franciscana, que muito me encanta. Enfim, exercer a minha missão de frade menor. Sempre digo que a coisa mais importante, o grande desafio é ser frade”, finaliza. Fonte: Pascom Paróquia Santo Antônio, Aracaju/Se 2020 / Mar - Abr

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Vida Fraterna

: a o c s á P a d o d i t en OS OVEM J M U DE O T I R C TE ES N A L U POST

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“Hoje é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos” Salmo 117 (118)

jovem postulante Thálysson Carvalho que pertence canonicamente a Província da Assunção mas está num período de convivência na casa do Postulantado da Província de Santo Antônio em Triunfo-PE aguardando o tempo do Noviciado que acontece de modo comum entre as duas entidades, escreveu sobre a Páscoa e seu sentido. Segue abaixo:

situação de crise que vivenciamos ainda há motivo para estarmos cheios de esperança naquele que venceu a morte e nos livrou de todo o mal. Confiemos em Deus na superação da pandemia. Por meio do Cristo Ressuscitado possamos enfrentar a dificuldade atual com força e coragem e possamos celebrar o mistério da vida como irmãos. O Senhor da vida ressurge e nos oferece vida. Páscoa deriva do hebraico Pessach / Pesach, Animados por seu exemplo de doação aos irque significa “a passagem”. mãos e pela força que vence a morte, possamos Nesse dia especial comemoramos o ponto prin- nós também ressurgir para a vida plena. Tornecipal da nossa fé cristã: dia em que o nosso mo-nos próximos de Deus e dos irmãos com e Deus, Cristo Jesus, que se entregou por cada em Cristo, esperança da nossa vida. um de nós, faz a passagem da morte para a Que o Jesus ressuscitado interceda por nossa vida. Ele ressuscitou! saúde e nossa paz e que Deus nos cumule de Na ressurreição de Jesus ele acende em nós força e coragem em nossa caminhada para Ele. uma luz, a luz da esperança que um dia também Paz e bem! nós ressuscitaremos. Animemo-nos com essa esperança que Cristo nos oferece, esse consolo Thálysson Carvalho e alegria, e acreditemos também que em meio à Postulante

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VidaFratFraternaerna Vida

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ALTERAÇÕES DOS COMPROMISSOS E EVENTOS PROVINCIAIS

o Calendário Provincial construído no último Definitório de 2019 muitas atividades estavam previstas para acontecer no primeiro semestre de 2020, uma vez que não se contava com a necessidade do isolamento social em detrimento da pandemia do novo coronavírus. Em detrimento disso, alguns eventos foram adiados ou suspensos até que essa situação seja superada. A ordenação presbiteral de Frei Adriano Ferreira, por exemplo, prevista para acontecer no dia 29 de março foi adiada para o dia 06 de junho; o I encontro dos candidatos ao Postulantado 2021 marcado para os dias 17 a 20 de abril não foi possível de ser realizado; o mesmo aconteceu com o V Secretariado de Evangelização e Missão, previsto para os dias 20 e 21 de abril, e com as Visitas Canônicas do

Ministro Provincial às fraternidades do mês de abril. De igual modo, alguns compromissos a nível de Conferência dos Frades Menores do Brasil (CFMB) como a Assembleia e a Reunião do Conselho de Articulação e Dinamização (CAD), dispostos no calendário provincial, não foram possíveis de acontecer. Como a situação ainda é bastante incerta, é provável que eventos e compromissos previstos para os meses depois de abril sofram alteração, sejam cancelados ou aconteçam de modo virtual, já que essa ferramenta alternativa têm sido utilizada com o intuito de dar seguimento aos compromissos. Secretaria Provincial

A CELEBRAÇÃO DE RAMOS NA FRATERNIDADE DE JOÃO PESSOA DIANTE DO ISOLAMENTO SOCIAL

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novo coronavírus atacou a todos, desde a economia até a vida eclesial. No tempo em que teve início a Semana Santa desse ano, a igreja estava fechada para celebrações com o povo. As missas eram celebradas para cinco ou dez pessoas desde que não houvesse aglomeração. Para o domingo de Ramos a igreja orientava que as pessoas pudessem fazer uma celebração em família. Vários modelos de celebração foram divulgados pelas redes sociais. Foi bonito ver, pelas fotos compartilhadas, como cada pessoa ou família fez esta celebração. Assim aconteceu com a fraternidade de João Pessoa. Às nove horas da manhã os frades se reuniram na porta de convento, que já estava devidamente preparada para a celebração do domingo de Ramos. Os frades tomaram o roteiro sugerido pela Conferência da Família Franciscana do Brasil – CFFB com pequena adapta-

ção e realizaram aquele momento e celebração com muito zelo e devoção. Como uma ocasião tão importante para a vida da Igreja, já que abre as comemorações da Semana Santa, todos os frades da fraternidade do Rosário estavam presentes. Nos dias seguintes as celebrações e os ofícios da semana santa foram realizados na igreja com o número pequeno de participantes. As pessoas que não podiam estar presentes assistiam através dos veículos de comunicação como o YouTube. Nessa modalidade foram celebradas a Vigília Pascal e o Domingo da Páscoa. O fato é que as celebrações não deixaram de acontecer, embora de modo diferente. João Pessoa, Domingo da Ressurreição de 2020. Frei Fernandes, OFM 2020 / Mar - Abr

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Evangelização e Missão FREI FLÁVIO LORRANE FALA SOBRE O CLIPE “FICA EM CASA” QUE VIRALIZOU NA INTERNET

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rimeiramente, a ideia foi a criação de uma paródia sem a intenção de produzir um vídeo. Para a paródia, pensei em fazer uma letra voltada aos cuidados que devemos ter com relação ao COVID-19 com num ritmo que seja contagiante e alegre para levar alegria e esperança aos que ouvissem. E então escolhi usar a música do “Hino do Galo da Madrugada”, maior bloco carnavalesco do Brasil. Em conversa com alguns confrades, surgiu a ideia de fazer um vídeo “encenando” a letra da paródia, e assim fizemos. Enviei mensagens para alguns confrades de Salvador, Campo Formoso e João Pessoa e prontamente os frades toparam participar do futuro clipe. Orientei com relação as imagens desejadas para casar bem com a letra e também a forma de gravação e assim fizeram. Alguns confrades da fraternidade onde moro também toparam e assim fizemos. Reuni todos esses arquivos e comecei a editar e em seguida o postamos na página do Facebook da Província como recado para todos se cuidarem neste período de pandemia. Inicialmente, não vi repercutir tanto assim, mas algumas horas depois começaram a chegar inúmeras mensagens de pessoas nos parabenizando pela iniciativa e pedindo para compartilhar nos mais diversos meios de comunicação. Com o passar dos dias, vinha sempre nos chegando mensagens com elogios, mas também tivemos algumas críticas de pessoas que achavam que, “nesta situação que estamos vivendo, não era legal estarmos dançando” – assim dizia umas das críticas. Dentre os inúmeros elogios que chegavam, é importante destacar até de pessoas de outros países. Com essa repercussão, o jornalista da CNBB do Regional NE2 de Recife quis fazer uma matéria sobre o tal clipe e entrou em contato comigo para saber informações sobre a criação

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e chegou até ser publicado no site oficial da CNBB. Pesquisando na internet, podemos encontrar muitos outros sites e redes sociais que publicaram a matéria. Também, um dos canais de notícias católicas relevantes dos Estados Unidos, Catholic News Service, pediu à sua correspondente no Brasil para entrar em contato conosco e saber mais detalhes sobre o clipe e a matéria foi publicado em inglês. Ainda dentro de toda essa repercussão, um canal de TV de São Paulo, Mega TV, também entrou em contato comigo para solicitar a autorização para a veiculação do clipe na sua programação. E ainda hoje recebemos elogios e comentários sobre esse tal clipe. Tudo isso deve ser levado em consideração para a nossa vivência franciscana. Essa pandemia nos faz repensar as novas formas de evangelizar do jeito de Francisco, e certamente, neste século, a internet é um instrumento muito eficiente para tocar os corações e até mudar atitudes da sociedade. Esse clipe, com toda essa “fama”, deve nos instigar a investir mais no nosso tempo com as atividades, estruturas e economias que lhe são próprias a, sobretudo, valorizar os dons que cada confrade tem e favorecer espaços onde estes dons sejam colocados à disposição dos irmãos. Aproveito para agradecer a disponibilidade e alegria que cada confrade presente no vídeo dispendeu para alegrar muitos corações que estão tristes por esta pandemia e por outros inúmeros motivos. Que a gente se permita a dar o melhor de nós mesmos à serviço de Deus e dos irmãos. Assim fez São Francisco e assim faremos. Abraço fraterno, paz e bem! Frei Lorrane Clementino, OFM


Evangelização e Missão O MST E SUA GRATIDÃO A FREI HUMBERTO WALLSCHLAG

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m Fortaleza a figura de Frei Humberto Wallshlag ainda é bastante viva. Ele foi um grande defensor da ecologia, dos menos favorecidos e, mais ainda, foi um grande “pai” para o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Ceará. Frei Humberto os acolheu em uma pequena casa aos fundos do convento em determinado período da história das suas lutas. Essa marca ainda é registrada pelo movimento ao intitular e homenagear seu Centro de Formação e Pesquisa com o seu nome. Nesse sentido, todos do movimento têm um grande afeto pelo ícone que foi Frei Humberto e também pelos franciscanos. Isso foi sentido por Frei César Lindemberg e Frei Lorrane Clementino ao visitar a 44ª edição da Feira Cultural da Reforma Agrária que valoriza os produtos dos trabalhadores e agricultores que são assentados e que na sua maioria são produtos naturais e orgânicos, além de obras artesanais. Nesta feira ocorreu rodas de conversas e palestras de diversos assuntos relacionados à economia, trabalho, cultura, arte, sobretudo, marcados pela resistência que cada trabalhador vive no dia a dia. Nesta edição, a roda de conversa foi em14 de março, com a temática “Diversas, mas não Dispersas” por ocasião dos 02 anos do assassinato de Mariele Franco. Os frades foram bastante acolhidos por todos do Centro e também convidados a conhecer cada espaço, além de lhes ser oferecidos um almoço. Em primeira pessoa os frades disseram: “Ouvimos histórias de muito trabalho e conquista, assim como sentimos o desejo de todos por uma aproximação maior com os frades. Saímos animados e esperançosos em estreitar os laços e fazermos uma caminhada juntos em defesa da vida e da Casa Comum”. Frei César Lindemberg Serafim, OFM

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Capít u lo Provincial II REUNIÃO DA COMISSÃO PREPARATÓRIA PARA O CAPÍTULO PROVINCIAL 2020

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a tarde do dia 22 de abril aconteceu a segunda reunião da Comissão preparatória para o Capítulo Provincial 2020 até agora previsto para acontecer em novembro do ano em curso. Essa reunião que estava prevista para acontecer no dia 21 de abril em João Pessoa aconteceu de modo virtual, haja vista a impossibilidade do translado e encontro físico por motivos de prevenção contra o novo coronavírus. Foi coordenada por Frei Gilmar Nascimento, Coordenador

Geral para o Capítulo, e contou com a participação dos outros membros: Frei Sérgio Moura, Frei Marcos Almeida e Frei Faustino dos Santos. A pauta da reunião contou com assuntos como apresentação da agenda a ser cumprida até o Capítulo, revisão e encaminhamentos das decisões tomadas na primeira reunião ocorrida em fevereiro. Comissão Preparatória para o Capítulo Provincial 2020

VISTA CANÔNICA NA FRATERNIDADE DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO

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Visita Canônica do Ministro Provincial em preparação ao Capítulo Provincial 2020 começou pela Fraternidade do Rosário, em João Pessoa – PB. Aconteceu durante a semana santa, mas exatamente nos dias 06 e 07 de abril de 2020. Foram dois dias de muito convívio e partilha com o Frei João Amilton, nosso Ministro Provincial. Ele chegou na segunda-feira (06/04) conforme havia combinado com a fraternidade local. A visita foi antecipada porque os dias previstos no calendário provincial (06 a 08/06) aconteceu de coincidir com um compromisso junto às Clarissas em Campina Grande. Não houve problema da fraternidade em aceitar. Talvez Frei Anastácio tivesse algum compromisso em detrimento das suas atribuições como Deputado Federal, mas ainda assim daria um jeito para participar. Tudo combinado!

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Poucos dias antes da visita, Frei Amilton fez outra consulta a fraternidade, dessa vez para saber como a fraternidade se encontrava e se a visita estaria confirmada. O motivo do contato foi devido a situação provocada pela pandemia do novo coronavirus (covid-19), de rápida contaminação, que assolava o mundo inteiro e, de igual modo, o Brasil. Frente a isso, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Igreja pediram isolamento social. Ainda assim, mas levando em conta as medidas de segurança, a fraternidade não teve dúvida em aceitar a visita. Todos estavam protegidos. Então no dia 06/04 Frei Amilton chegou cedo e tomou o café da manhã com a fraternidade. Houve uma conversa rápida para combinar como se daria a visita. Depois disto ele se colocou a serviço. Cada confrade teria um momento com ele para contar sua vida e a vida da fraterni-


dade. Frei Amilton tinha um roteiro para orientar a conversa, entretanto o confrade podia contribuir com o seu próprio roteiro. Assim a conversa ia se desenvolvendo. Basta dizer que nenhuma conversa durou menos de uma hora. Todos portavam a carta que foi enviada pela Secretaria da Província com as devidas orientações da visita, o que também ajudou no andamento da visita. Todos foram atendidos. Por último foram atendidos Frei Zezinho, por ser o Pároco, e Frei Fernandes, por ser o Guardião da fraternidade. Frei Amilton ainda teve oportunidade de visitar rapidamente alguns lugares desafiadores para a Paróquia e para a Fraternidade. Terminada a conversa pessoal houve um Capítulo Local onde cada um pôde dizer como se sentiu e o que achou da visita. Em síntese todos gostaram e ficaram satisfeitos com a mesma. Frei Amilton também fez o seu relatório à Fraternidade apresentando sua satisfação com a visita, pela gentileza de cada confrade em par-

Capítulo Provincial

tilhar sua vida e a vida da fraternidade; disse ainda que foi a primeira fraternidade a ser visitada e que foi também a primeira Visita Canônica realizada por ele na condição de Ministro Provincial. Um dado importante para a visita era o contato do Provincial com a comunidade paroquial e com o Arcebispo Dom Manuel Delson, o que não aconteceu por conta das orientações de isolamento social. A visita se encerrou com um recreio farto. Desta vez a comida veio de fora. A quarentena não foi obstáculo para que se fizesse uma boa Visita Canônica. A ocasião foi oportuna também para, em fraternidade, se divertir, celebrar e aproveitar a visita de Frei João Amilton nesse momento importante para a Fraternidade em vista de um bom Capítulo Provincial. Frei Fernandes, OFM Guardião da Fraternidade do Rosário de João Pessoa-PB

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Igreja

HOMILIA DO PAPA FRANCISCO POR OCASIÃO DA ADORAÇÃO DO SANTÍSSIMO E BÊNCÃO URBI ET ORBI EM 27 DE MARÇO DE 2020

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o entardecer…” (Mc 4, 35): assim começa o Evangelho, que ouvimos. Desde há semanas que parece o entardecer, parece cair a noite. Densas trevas cobriram as nossas praças, ruas e cidades; apoderaram-se das nossas vidas, enchendo tudo dum silêncio ensurdecedor e um vazio desolador, que paralisa tudo à sua passagem: pressente-se no ar, nota-se nos gestos, dizem-no os olhares. Revemo-nos temerosos e perdidos. À semelhança dos discípulos do Evangelho, fomos surpreendidos por uma tempestade inesperada e furibunda. Demo-nos conta de estar no mesmo barco, todos frágeis e desorientados mas ao mesmo tempo importantes e necessários: todos chamados a remar juntos, todos carecidos de mútuo encorajamento. E, neste barco, estamos todos. Tal como os discípulos que, falando a uma só voz, dizem angustiados «vamos perecer» (cf. 4, 38), assim também nós nos apercebemos de que não podemos continuar estrada cada qual por conta própria, mas só o conseguiremos juntos. Rever-nos nesta narrativa, é fácil; difícil é entender o comportamento de Jesus. Enquanto os discípulos naturalmente se sentem alarmados e desesperados, Ele está na popa, na parte do barco que se afunda primeiro… E que faz? Não obstante a tempestade, dorme tranquilamente, confiado no Pai (é a única vez no Evangelho que vemos Jesus a dormir). Acordam-No; mas, depois de acalmar o vento e as águas, Ele volta-Se para os discípulos em tom de censura: «Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» (4, 40). Procuremos compreender. Em que consiste esta falta de fé dos discípulos, que se contrapõe à confiança de Jesus? Não é que deixaram de crer N’Ele, pois invocam-No; mas vejamos como O invocam: «Mestre, não Te importas que pereçamos?» (4, 38) Não Te importas: pensam que Jesus Se tenha desinteressado deles, não cuide

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deles. Entre nós, nas nossas famílias, uma das coisas que mais dói é ouvirmos dizer: «Não te importas de mim». É uma frase que fere e desencadeia turbulência no coração. Terá abalado também Jesus, pois não há ninguém que se importe mais de nós do que Ele. De facto, uma vez invocado, salva os seus discípulos desalentados. A tempestade desmascara a nossa vulnerabilidade e deixa a descoberto as falsas e supérfluas seguranças com que construímos os nossos programas, os nossos projetos, os nossos hábitos e prioridades. Mostra-nos como deixamos adormecido e abandonado aquilo que nutre, sustenta e dá força à nossa vida e à nossa comunidade. A tempestade põe a descoberto todos os propósitos de «empacotar» e esquecer o que alimentou a alma dos nossos povos; todas as tentativas de anestesiar com hábitos aparentemente «salvadores», incapazes de fazer apelo às nossas raízes e evocar a memória dos nossos idosos, privando-nos assim da imunidade necessária para enfrentar as adversidades. Com a tempestade, caiu a maquilhagem dos estereótipos com que mascaramos o nosso «eu» sempre preocupado com a própria imagem; e ficou a descoberto, uma vez mais, aquela (abençoada) pertença comum a que não nos podemos subtrair: a pertença como irmãos. «Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» Nesta tarde, Senhor, a tua Palavra atinge e toca-nos a todos. Neste nosso mundo, que Tu amas mais do que nós, avançamos a toda velocidade, sentindo-nos em tudo fortes e capazes. Na nossa avidez de lucro, deixamo-nos absorver pelas coisas e transtornar pela pressa. Não nos detivemos perante os teus apelos, não despertamos face a guerras e injustiças planetárias, não ouvimos o grito dos pobres e do nosso planeta gravemente enfermo. Avançamos, destemidos, pensando que continuaríamos sempre saudáveis num mundo doente. Agora nós, sentindo-nos em mar agitado, imploramos-Te: «Acorda, Senhor!» «Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» Senhor, lanças-nos um apelo, um apelo à fé. Esta não é tanto acreditar que Tu existes, como sobretudo vir a Ti e fiar-se de Ti. Nesta Quaresma, ressoa o teu apelo urgente: «Convertei-vos…». «Convertei-Vos a Mim de todo o vosso coração» (Jl 2, 12). Chamas-nos a aproveitar este tempo de prova como um tempo de

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decisão. Não é o tempo do teu juízo, mas do nosso juízo: o tempo de decidir o que conta e o que passa, de separar o que é necessário daquilo que não o é. É o tempo de reajustar a rota da vida rumo a Ti, Senhor, e aos outros. E podemos ver tantos companheiros de viagem exemplares, que, no medo, reagiram oferecendo a própria vida. É a força operante do Espírito derramada e plasmada em entregas corajosas e generosas. É a vida do Espírito, capaz de resgatar, valorizar e mostrar como as nossas vidas são tecidas e sustentadas por pessoas comuns (habitualmente esquecidas), que não aparecem nas manchetes dos jornais e revistas, nem nas grandes passarelas do último espetáculo, mas que hoje estão, sem dúvida, a escrever os acontecimentos decisivos da nossa história: médicos, enfermeiros e enfermeiras, trabalhadores dos supermercados, pessoal da limpeza, curadores, transportadores, forças policiais, voluntários, sacerdotes, religiosas e muitos – mas muitos – outros que compreenderam que ninguém se salva sozinho. Perante o sofrimento, onde se mede o verdadeiro desenvolvimento dos nossos povos, descobrimos e experimentamos a oração sacerdotal de Jesus: «Que todos sejam um só» (Jo 17, 21). Quantas pessoas dia a dia exercitam a paciência e infundem esperança, tendo a peito não semear pânico, mas corresponsabilidade! Quantos pais, mães, avôs e avós, professores mostram às nossas crianças, com pequenos gestos do dia a dia, como enfrentar e atravessar uma crise, readaptando hábitos, levantando o olhar e estimulando a oração! Quantas pessoas rezam, se imolam e intercedem pelo bem de todos! A oração e o serviço silencioso: são as nossas armas vencedoras. «Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» O início da fé é reconhecer-se necessitado de salvação. Não somos autossuficientes, sozinhos afundamos: precisamos do Senhor como os antigos navegadores, das estrelas. Convidemos Jesus a subir para o barco da nossa vida. Confiemos-Lhe os nossos medos, para que Ele os vença. Com Ele a bordo, experimentaremos – como os discípulos – que não há naufrágio. Porque esta é a força de Deus: fazer resultar em bem tudo o que nos acontece, mesmo as coisas ruins. Ele serena as nossas tempestades, porque, com Deus, a vida não morre jamais. O Senhor interpela-nos e, no meio da nossa 2020 / Mar - Abr

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tempestade, convida-nos a despertar e ativar a solidariedade e a esperança, capazes de dar solidez, apoio e significado a estas horas em que tudo parece naufragar. O Senhor desperta, para acordar e reanimar a nossa fé pascal. Temos uma âncora: na sua cruz, fomos salvos. Temos um leme: na sua cruz, fomos resgatados. Temos uma esperança: na sua cruz, fomos curados e abraçados, para que nada e ninguém nos separe do seu amor redentor. No meio deste isolamento que nos faz padecer a limitação de afetos e encontros e experimentar a falta de tantas coisas, ouçamos mais uma vez o anúncio que nos salva: Ele ressuscitou e vive ao nosso lado. Da sua cruz, o Senhor desafia-nos a encontrar a vida que nos espera, a olhar para aqueles que nos reclamam, a reforçar, reconhecer e incentivar a graça que mora em nós. Não apaguemos a mecha que ainda fumega (cf. Is 42, 3), que nunca adoece, e deixemos que reacenda a esperança. Abraçar a sua cruz significa encontrar a coragem de abraçar todas as contrariedades da hora atual, abandonando por um momento a nossa ânsia de omnipotência e possessão, para dar espaço à criatividade que só o Espírito é capaz de suscitar. Significa encontrar a coragem de abrir espaços onde todos possam sentir-se

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chamados e permitir novas formas de hospitalidade, de fraternidade e de solidariedade. Na sua cruz, fomos salvos para acolher a esperança e deixar que seja ela a fortalecer e sustentar todas as medidas e estradas que nos possam ajudar a salvaguardar-nos e a salvaguardar. Abraçar o Senhor, para abraçar a esperança. Aqui está a força da fé, que liberta do medo e dá esperança. «Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» Queridos irmãos e irmãs, deste lugar que atesta a fé rochosa de Pedro, gostaria nesta tarde de vos confiar a todos ao Senhor, pela intercessão de Nossa Senhora, saúde do seu povo, estrela do mar em tempestade. Desta colunata que abraça Roma e o mundo desça sobre vós, como um abraço consolador, a bênção de Deus. Senhor, abençoa o mundo, dá saúde aos corpos e conforto aos corações! Pedes-nos para não ter medo; a nossa fé, porém, é fraca e sentimo-nos temerosos. Mas Tu, Senhor, não nos deixes à mercê da tempestade. Continua a repetir-nos: «Não tenhais medo!» (Mt 14, 27). E nós, juntamente com Pedro, «confiamos-Te todas as nossas preocupações, porque Tu tens cuidado de nós» (cf. 1 Ped 5, 7). Fonte: Vatican News

CATEQUESE ESPECIAL DO PAPA FRANCISCO PELO 50º DIA DA TERRA

m 22 de abril de 2020, o Santo Padre, Papa Francisco, proferiu uma catequese especial por ocasião do quinquagésimo Dia da Terra, no quinto aniversário de sua Carta Encíclica Laudato si’, sobre os cuidados do lar comum (Gn 2: 8- 9, 15):

Casa Comum”. Hoje, vamos refletir um pouco sobre a responsabilidade que caracteriza “nossa permanência terrena” (Laudato Si’, 160). Devemos crescer em nossa consciência de cuidar de nosso lar comum. Somos formados a partir da terra, e os frutos da terra sustentam nossa vida. Mas, como o livro do Queridos irmãos e irmãs, bom dia! Gênesis nos lembra, não somos simplesmente Hoje comemoramos o quinquagésimo Dia da “terrestres”; também carregamos dentro de nós Terra. Esta é uma ocasião para renovar nos- o sopro da vida que vem de Deus (cf. Gn 2, 4-7). so compromisso de amar e cuidar de nosso lar Assim, vivemos neste lar comum como uma facomum e dos membros mais fracos de nossa mília humana em biodiversidade com as outras família humana. Como a trágica pandemia de criaturas de Deus. Como imago Dei, imagem de coronavírus nos ensinou, só podemos superar Deus, somos chamados a ter cuidado e respeito os desafios globais demonstrando solidarieda- por todas as criaturas, e a oferecer amor e comde uns aos outros e abraçando os mais vulnerá- paixão a nossos irmãos e irmãs, especialmente veis em nosso meio. A Carta Encíclica Laudato os mais vulneráveis entre nós, imitando o amor Si’ lida precisamente com esse “Cuidado com a de Deus por nós, manifestado em Seu Filho Je-

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sus, que se fez homem para compartilhar esta situação conosco e para nos salvar. Por causa do nosso egoísmo, falhamos em nossa responsabilidade de ser guardiões e mordomos da terra. “Precisamos apenas dar uma olhada franca nos fatos para ver que nossa casa comum está caindo em grave estado de degradação” (ibid., 61). Poluímos e despojamos, colocando em risco nossas próprias vidas. Por essa razão, surgiram vários movimentos internacionais e locais, a fim de apelar à nossa consciência. Aprecio profundamente essas iniciativas; ainda assim, será necessário que nossos filhos saiam às ruas para nos ensinar o óbvio: não teremos futuro se destruirmos o próprio ambiente que nos sustenta. Falhamos em cuidar da terra, nossa horta; falhamos em cuidar de nossos irmãos e irmãs. Pecamos contra a terra, contra nossos vizinhos e, finalmente, contra o Criador, o Pai benevolente que provê a todos, e deseja que vivamos em comunhão e prosperemos juntos. E como a Terra reage? Há um ditado espanhol que é muito claro nisso; diz: “Deus perdoa sempre; nós, homens, às vezes perdoamos; a terra nunca perdoa”. A terra nunca perdoa: se despojamos a terra, a resposta será muito ruim. Como podemos restaurar um relacionamento harmonioso com a terra e com o resto da humanidade? Um relacionamento harmonioso... Muitas vezes perdemos a visão de harmonia: a harmonia é obra do Espírito Santo. No lar comum, também na terra; também em nosso relacionamento com as pessoas, com nosso próximo, com os pobres, como podemos restaurar essa harmonia? Precisamos de uma nova maneira de olhar para nossa casa comum. Sejamos claros: não é um depósito de recursos para explorarmos. Para nós, crentes, o mundo natu-

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ral é o “Evangelho da Criação”: ele expressa o poder criativo de Deus em moldar a vida humana e em trazer o mundo e tudo o que ele contém à existência, a fim de sustentar a humanidade. Como conclui o relato bíblico da criação: “Deus viu tudo o que havia feito e era muito bom” (Gênesis 1:31). Vemos essas tragédias naturais que são a resposta da Terra aos nossos maus-tratos, penso: “Se eu perguntar agora ao Senhor o que Ele pensa, não acho que Ele me dirá algo muito bom”. Nós somos os que arruinamos a obra do Senhor! Na celebração de hoje do Dia da Terra, somos chamados a renovar nosso senso de respeito sagrado pela Terra, pois não é apenas nosso lar, mas também o lar de Deus. Isso deve nos tornar ainda mais conscientes de que estamos em solo sagrado! Queridos irmãos e irmãs, “despertemos nosso senso estético e contemplativo, dado por Deus” (Exortação Apostólica Pós-sinodal Querida Amazônia, 56). O dom profético da contemplação é algo que podemos aprender especialmente dos povos indígenas. Eles nos ensinam que não podemos curar a terra, a menos que a amemos e respeitemos. Eles têm a sabedoria de “viver bem”, não no sentido de se divertir, não, mas de viver em harmonia com a terra. Eles chamam essa harmonia de “boa vida”. Ao mesmo tempo, precisamos de uma conversão ecológica que possa encontrar expressão em ações concretas. Como uma família única e interdependente, exigimos um plano comum para evitar as ameaças ao lar comum. “A interdependência nos obriga a pensar em um mundo com um plano comum” (Laudato Si’, 164). Estamos cientes da importância da cooperação 2020 / Mar - Abr

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Igreja

como comunidade internacional para a proteção de nosso lar comum. Exorto os que estão em posições de liderança a orientar os preparativos para duas importantes conferências internacionais: COP15 sobre biodiversidade em Kunming, China, e COP26 sobre mudança climática em Glasgow, Reino Unido. Essas duas reuniões são muito importantes. Gostaria de apoiar ações concertadas também em nível nacional e local. Ajudará se as pessoas de todos os níveis da sociedade se unirem para criar um movimento popular “de baixo”. O próprio Dia da Terra que estamos comemorando hoje nasceu exatamente dessa maneira. Cada

um de nós pode contribuir da mesma maneira. “Não precisamos pensar que esses esforços vão mudar o mundo. Eles beneficiam a sociedade, muitas vezes desconhecida para nós, pois invocam uma bondade que, embora invisível, inevitavelmente tende a se espalhar” (Laudato Si ‘, 212). Nesta época de renovação da Páscoa, comprometemo-nos a amar e estimar o belo presente da terra, nosso lar comum e a cuidar de todos os membros de nossa família humana. Como os irmãos e irmãs que somos, imploramos juntos ao Pai celestial: “Envia o teu Espírito, ó Senhor, e renova a face da terra” (cf. Sl 104, 30).

POR QUE PEDIR AJUDA A SANTA CAMILLA BATTISTA DE VARANO EM TEMPOS DE PANDEMIA?

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e uma conversa com Madre Chiara Laura Serboli e as outras Clarissas de Camerino sobre a história de Santa Camilla Battista da Varano, mártir da epidemia de peste do século XVI, publicada no L’Osservatore Romano de 2 de abril de 2020:

vítima dela, morrendo de peste em 31 de maio de 1524. Ela morreu “sozinha no leito da cruz”, infectada pela doença e foi enterrada em cal para evitar mais contágio. Sua despedida ocorreu em campo aberto por causa da proibição de reuniões. Ela certamente sabe o que estão passando Historicamente, durante as epidemias, vários aqueles que contraíram o vírus, enfrentando-o santos “especiais” foram invocados: Santa Rita, São Roque, Santo Antônio Abade, São Cristóvão e São Sebastião, cujas histórias estão de alguma forma ligadas a doenças ou curas milagrosas. Essas invocações sublinham um fato universal, que vai além do santo a quem são dirigidos: confie no poder da oração e na consciência de que os santos são nossos amigos. Em nossa oração de intercessão voltamo-nos para Santa Camilla Battista Varano, cujo corpo está guardado em nosso mosteiro, porque sentimos que ela é nossa amiga “especial” e é normal que, em momentos de necessidade, peçamos ajuda a nossos amigos. Fazemos isso também porque Santa Camilla Battista não apenas experimentou algo semelhante ao que estamos passando agora, mas também foi

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na solidão de um hospital. Ela conhece a dor dos membros da família e de cada um de nós. É por isso que temos certeza de que ela intercede pela paz e a saúde para todos. Ela prometeu: “Do céu, nunca vou te esquecer”. Quando as muralhas da cidade de Camerino foram reformadas no final do século XIV, o duque Giovanni Spaccaferro queria que uma comunidade religiosa fosse colocada em cada portão de entrada. Além de uma guarnição armada para se proteger contra inimigos físicos, ele também queria que uma comunidade religiosa se protegesse contra inimigos espirituais ou invisíveis, como a praga, criando uma espécie de compartimento espiritual. Seguindo essa tradição, contando com a inter-

Igreja

cessão de Camilla Battista, nossa oração hoje se eleva com confiança e perseverança da cidade de Camerino, para a proteção do povo de nosso tempo. Nossa cidade, além de ainda se recuperar da emergência do terremoto, também está na linha de frente da crise do covid-19, como um ponto de recepção hospitalar para todos os infectados em nosso território. Silvia Guidi Texto completo (em italiano): www.vaticannews.va

NOTA DA CNBB EM DEFESA DA VIDA:

É tempo de cuidar

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Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, porta-voz da Igreja Católica na sociedade brasileira, em sintonia com segmentos, instituições, homens e mulheres de boa vontade, convoca a todos pelo empenho em defesa da vida, contra o aborto, e se dirige, publicamente, como o faz em carta pessoal, aos Senhores e Senhoras Ministros do

Supremo Tribunal Federal para dizer, compartilhar e ponderar argumentações, e considerar, seriamente, pelo dom inviolável da vida, o quanto segue: 1. “É tempo de cuidar”, a vida é dom e compromisso! A fé cristã nos compromete, de modo inarredável, na defesa da vida, em todas as suas etapas, desde a fecundação até seu fim 2020 / Mar - Abr

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Igreja

natural. Este compromisso de fé é também um compromisso cidadão, em respeito à Carta Magna que rege o Estado e a Sociedade Brasileira, como no seu Art 5º, quando reza sobre a inviolabilidade do direito à vida. 2. Preocupa-nos e nos causa perplexidades, no grave momento de luta sanitária pela vida, neste tempo de pandemia do COVID-19, desafiados a cuidar e amparar muitos pobres e empobrecidos pelo agravamento da crise econômico-financeira, saber que o Supremo Tribunal Federal pauta para este dia 24 de abril 2020, em sessão virtual, o tratamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADI 5581, ajuizada pela Associação Nacional dos Defensores Públicos – ANADEP, requerendo a declaração de inconstitucionalidade de alguns dispositivos da Lei 13.301/2016 e a interpretação conforme a Constituição de outros dispositivos do mesmo diploma legal. 3. Há de se examinar juridicamente a legitimidade ativa desta Associação de Defensores Públicos, como bem destacado nas manifestações realizadas nos autos pela Presidência da República, Presidência do Congresso Nacional, Advocacia Geral da União e Procuradoria Geral da República, pois nos parece, também, que a referida Associação não é legitimada para propor a presente ADI, tendo bem presente que a Lei 13.985/2020 trouxe suporte e apoio para as famílias que foram afetadas pelo Zika vírus, instituindo uma pensão vitalícia as crianças com Síndrome Congênita como consequência. 4. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reitera sua imutável e comprometida posição em defesa da vida humana com toda a sua integralidade, inviolabilidade e dignidade, desde a sua fecundação até a morte natural comprometida com a verdade moral intocável de que o direito à vida é incondicional, deve ser respeitado e defendido, em qualquer etapa ou condição em que se encontre a pessoa humana. Não compete a nenhuma autoridade pública reconhecer seletivamente o direito à vida, assegurando a alguns e negando-o a outros. Essa discriminação é iníqua e excludente; “causa horror só o pensar que haja crianças que não poderão jamais ver a luz, vítimas do aborto”. São imorais leis que imponham aos profissionais da saúde a obrigação de agir contra a sua consciência, cooperando, direta ou indiretamente, na prática do aborto. 5. A Conferência Nacional dos Bispos do Bra-

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sil insta destacar que o combatido artigo 18 da referida Lei 13.301/2016, cuja ADI pretendia a declaração de inconstitucionalidade de alguns dispositivos, foi completamente revogado pela MP 894 de 2019, convertida em Lei em 2020 (L. 13.985/2020). Desta forma, parece-nos ainda que o objeto da ação foi superado, não servindo a ação para declarar a inconstitucionalidade de outra lei que não a inicialmente combatida. 6. A CNBB requer, portanto, que, acaso seja superada a preliminar de ilegitimidade ativa suscitada por todas as autoridades públicas que se manifestaram, e não seja extinta a ADI pela perda do objeto, no mérito não sejam acolhidos quaisquer dos pedidos formulados para autorizar, de qualquer forma, o aborto de crianças cujas mães sejam diagnosticadas com o zikavírus durante a gestação. 7. Reafirmamos, fiéis ao Evangelho de Jesus Cristo, nosso repúdio ao aborto e quaisquer iniciativas que atentam contra a vida, particularmente, as que se aproveitam das situações de fragilidade que atingem as famílias. São atitudes que utilizam os mais vulneráveis para colocar em prática interesses de grupos que mostram desprezo pela integridade da vida humana. (S. João Paulo II, Carta Encíclica Evangelium Vitae, 58) Esperamos e contamos que a Suprema Corte, pautada no respeito à inviolabilidade da vida, no horizonte da fidelidade moral e profissional jurídica, finalize esta inquietante pauta, fazendo valer a vida como dom e compromisso, na negação e criminalização do aborto, contribuindo ainda mais decisivamente nesta reconstrução da sociedade brasileira sobre os alicerces da justiça, do respeito incondicional à dignidade humana e na reorganização da vivência na Casa Comum, segundos os princípios e parâmetros da solidariedade. Cordialmente, Brasília, 19 de abril de 2020 Domingo da Misericórdia Dom Walmor Oliveira de Azevedo Presidente Dom Jaime Spengler 1º Vice-presidente Dom Mário Antônio da Silva 2º Vice-presidente Dom Joel Portella Amado Secretário-geral


Igreja

A Páscoa

PELOS OLHOS DO CUSTÓDIO DA TERRA SANTA

Anuncie que a morte foi vencida, para sempre! Estamos dentro da Basílica do Santo Sepulcro, a alguns passos daqui, está o túmulo vazio, onde o corpo de Jesus foi sepultado na noite da Sexta-feira Santa e, a poucos metros, mais acima, está o Calvário, onde algumas horas antes Jesus foi crucificado e morto. Se através da imaginação voltarmos no tempo para a manhã de Páscoa, no lugar da basílica, veremos uma pedreira abandonada, um sepulcro novo escavado na rocha e uma grande pedra redonda que foi rolada. Aqui, onde estou, em vez do piso de mármore, veremos a grama verde da primavera, talvez até algumas árvores floridas. É aqui, que na manhã da Páscoa, quando ainda era madrugada escura, Maria Madalena veio completar o sepultamento de Jesus. Imagino seus pés banhados em orvalho, enquanto se aproxima do Sepulcro. A luz do sol ainda não surgira, mas no instante da aurora, começa-se a distinguir o contorno das coisas. O túmulo está vazio. Jesus não tinha apenas sido morto, mas alguém também o fez desaparecer. Maria olha para dentro do sepulcro, mas não vê ninguém, apenas um lençol afrouxado e vazio. Lhe falta o ar. Torna ao externo e começa a chorar, não pode sequer honrar o corpo de Jesus, que a libertou de sete demônios e lhe restituiu a vida. Nas sombras do jardim, ela vê a silhueta de um homem que se aproxima e pergunta: ”Mulher, por que você está chorando? Quem você está procurando?” No timbre daquela voz, há o eco de uma voz impressa na memória de seu coração. Porém, ela não consegue pensar em nada além de um jardineiro. Quando, no entanto, aquela voz novamente se torna palavra e pronuncia seu nome: ”Maria!”, Ela imediatamente o reconhece: “Rabino, que significa Mestre!”. Ela gostaria de tocá-lo por receio que fosse uma ilusão, uma alucinação ou um fantasma. Em vez disso, é Ele próprio, Jesus, ressuscitado e vivo, que lhe diz: “Não me toques, mas vá até os meus irmãos e diga-lhes que me encontrou! Diga-lhes que estou vivo! Diga-lhes que meu túmulo está vazio! Diga-lhes que a morte foi vencida, para sempre!”. Aqui, neste lugar, diante desta cena, compreendo que a esperança não é a projeção dos meus desejos, mas é Jesus Ressuscitado que venceu a morte. Fr. Francesco Patton, ofm Custódio da Terra Santa 2020 / Mar - Abr

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ENCONTRO DOS ECÔNOMOS DA CONFERÊNCIA DOS FRADES MENORES DO BRASIL

s ecônomos provinciais da CFMB estiveram reunidos, de 9 a 12 de março, em Anápolis-GO, sede da Província do Santíssimo Nome de Jesus. A recepção e coordenação do encontro estava sob a condução de Frei Flávio Noleto, definidor e ecônomo da Província, com a ajuda do seu conselho econômico. No ano de 2019 algumas entidades realizaram seus capítulos e por isso novos ecônomos foram nomeados. De todas as entidades, apenas o ecônomo da Custódia das Sete Alegrias do Mato Grosso não estava presente. A partir das partilhas, percebeu-se a importante desses encontros para troca de experiências sobre os desafios que cada ecônomo enfrenta nas suas entidades. Uma vez que o aspecto econômico permeia todas as atividades dos frades, então foi dada uma atenção especial aos diversos serviços realizados nas entidades. Percebeu-se que os Conselhos Econômicos são fundamentais para uma atuação e dinamização das entidades porque servem como equipes que auxiliam no apoio e avaliação das decisões dos Ecônomos, tanto nas questões econômicas quanto nas administrativas. Refletiu-se também sobre a importância dos convênios/colaborações entre as entidades e as Dioceses nas quais atuam. Essa atitude ajudaria sobremaneira numa pedagogia eclesial transformadora para a formação dos frades e das Igrejas particulares onde estão inseridos. Como bem sublinhou um dos participantes: “Ainda vivemos numa cultura em que os fra-

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des defendem muito mais as Dioceses e Paróquias, e depois de uma certa idade a Província se torna responsável pela sua saúde, alimentação e abrigo.” A partir do que foi partilhado sobre as diversas realidades provinciais, foi feita uma proposta para que em 2021 seja realizado, em São Paulo, o III SAFE (Seminário de Administração Franciscana Econômica) com o tema “Gestão de Pessoas”. Esse encontro terá como objetivo elaborar um Projeto de Espiritualidade Franciscana para a gestão de pessoas a fim de aperfeiçoar o atendimento àqueles que estão aos cuidados dos frades e, particularmente, animar e apoiar as fraternidades e pastorais. Um ponto crucial para os ecônomos consistiria no estudo das diretrizes econômicas da CFMB para, a curto e médio prazo, orientar e atualizar as práticas nas prestações de contas. Os participantes foram unânimes em reafirmar a importância da realização dos encontros de ecônomos da CFMB anualmente. Ao final, ficou acordado que o próximo encontro dos Ecônomos da CFMB acontecerá em Porto Alegre-RS, na Província de São Francisco. Agradecemos a Província Franciscana do Santíssimo Nome de Jesus pelo acolhimento e pela generosidade da convivência. Frei Severianos Alves Barbosa, OFM Ecônomo da Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil


CFMB e CFFB PROVÍNCIA DA IMACULADA CONCEIÇÃO ENTREVISTA O DEFINIDOR GERAL FREI VALMIR RAMOS SOBRE A PANDEMIA NA ITÁLIA

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ivendo em Roma desde 2015, quando passou a fazer parte do Governo Geral da Ordem dos Frades Menores, o brasileiro Frei Valmir Ramos falou ao site Franciscanos sobre a pandemia do novo coronavírus que assola a Itália desde o mês de março e informou que, na Ordem, apenas um frade norte-americano veio a óbito. Desde que começou a crise na Itália, mais de 30 sacerdotes morreram, sendo 16 vítimas da diocese de Bérgamo. Paulista, natural de Franca (SP), Frei Valmir foi eleito Definidor Geral para a América Latina no Capítulo Geral de 2015. Segundo ele, é grande a tristeza ao ver o número de mortos crescendo, especialmente no Norte da Itália e na Espanha. “Parece que, mais uma vez, o ser humano é impotente e sua vida muito fugaz diante de certas situações”, observa. Desde o dia 23 de fevereiro, quando a Itália assumiu a liderança de casos na Europa, um cordão sanitário foi feito em torno de 11 cidades da região de Lombardia, a mais afetada, determinando as primeiras medidas de distanciamento social. Contudo, a Itália entrou em completo “lockdown” em 8 de março. Hoje, o drama italiano se repete na Espanha, França, Inglaterra, EUA e espalha medo em todo o mundo. “Esta situação de crise aponta para a necessidade de parar, pensar, discernir e tomar decisões que projetem um futuro melhor para todos”, en-

sina Frei Valmir. Todos os frades da Cúria Geral estão trabalhando nos vários escritórios e as reuniões, assembleias, congressos até setembro deste ano foram todos cancelados. Acompanhe a entrevista. Site Franciscanos – Como foi para o sr. ver todo o processo da chegada do vírus à Itália até este dramático momento que vive o país? Frei Valmir – A primeira sensação foi a de que existia muito alarmismo e pouca informação objetiva. Falava-se do Covid-19 lá na China, mas poucos sabiam ou acreditavam na gravidade do problema. Quando começaram a morrer muitas pessoas contagiadas, então muitos ficaram com medo. Aí vimos o que não deveria acontecer, isto é, as autoridades pediram para a população não circularem de um lugar para outro, mas muitos “fugiram” da recomendação, como se fossem expertos, e ajudaram a espalhar o vírus. O sentimento, naquele momento, era o de que se deveria ter cuidado, atender às recomendações de quem entendia de infectologia e ficar em casa. Durante esse tempo, vimos muita ignorância, muito preconceito, muitas acusações infundadas e, ao mesmo tempo, tantos gestos de solidariedade, de compreensão, de apoio e reconhecimento àqueles que estavam na linha de frente cuidando dos doentes. Nos últimos dias de março, vimos, com grande tristeza, o número de mortos crescendo, especialmente no Norte da Itália e na Espanha. Parece que, mais uma vez, o ser humano é impotente e sua vida muito fugaz diante de certas situações. 2020 / Mar - Abr

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“opções” de governantes inescrupulosos e aproveitadores em todo o mundo. Na prática, porém, Talvez seja mesmo um moparece que as pessoas buscam saídas para evimento de crise, no sentido tar qualquer sofrimento e cuidar de si mesmas. de processo de purificação. Às vezes, fogem; às vezes, aliam-se a situações perigosas e; às vezes, omitem-se. Muitos ainSite Franciscanos – Que reflexão o sr. faz para da defendem o sistema neoliberal globalizante como sinal de liberdade e de oportunidade para este momento que atravessa a humanidade? Frei Valmir – Existem muitas teorias, muitas “te- ter e para enriquecer-se, sem pensar no que ses”, muitos pontos de vista sobre o atual mo- acontece com o vizinho e nem “preocupar-se mento e o futuro da humanidade. Muitos pen- com a ruína de José” (cf Am). Contudo, alguns sadores e escritores falam de um momento de sinais indicam que muitos estão construindo o crise. Talvez seja mesmo um momento de crise, futuro, pois atuam neste momento com ações transformadoras e esperançosas. no sentido de processo de purificação. Se olharmos para o Ocidente, orgulhoso de sua Na prática, porém, parece sabedoria, de sua cultura, de seu trabalho que que as pessoas buscam produziu muita riqueza material, de sua tradição que foi capaz de “produzir” muitos ramos da cisaídas para evitar qualquer ência, vamos notar que está em crise. O mesmo sofrimento e cuidar de si Ocidente, especialmente os países que saíram mesmas. para o Sul e para o Oriente com a finalidade de conquistar, colonizar e explorar as suas riquezas, Cito o exemplo da Encíclica Laudato Si’ do Papa hoje está tentando manter sua soberania com o Francisco. Ele, como responsável pela Igreja poder econômico. No entanto, em crise, pois não Católica Romana, lançou um documento que siconsegue se manter sem a mão de obra do Sul naliza a preocupação com o hoje e o amanhã. e sem os produtos do Oriente. Parece que existe Este documento teve e tem mais repercussão um mal-estar de quem está passando por uma fora nos âmbitos acadêmicos que nos meios doença e não tem perspectiva de encontrar uma eclesiásticos. Existem trabalhadores, estudiofórmula mágica para se curar. As sociedades en- sos, pensadores e ativistas muito empenhados velhecidas da Europa alcançaram um alto nível em cuidar da vida e cuidar para que as pessoas de bem-estar, mas as pessoas não estão felizes sejam felizes com a vida e não com as coisas e muitas não conseguem libertar-se do estres- que possui. Muitos estão conscientes de que se, da correria sem objetivos transcendentes, e todos têm direitos e precisam ser respeitados, estão sempre em busca de compensações que e não podemos mais continuar defendendo os nossos sem respeitar os vossos, inclusive o dinão levam a nada ou que levam à morte. Se olharmos para outras partes do mundo vemos reito da criação de viver e manter o planeta vivo. muitas situações semelhantes e até o desejo de Hoje, a humanidade tem informações imediatas imitar o modelo europeu e norte-americano. De de quase tudo e sobre quase todos. Um problequalquer modo, vemos o Oriente despontando ma é que a maioria das pessoas não sabe o que com ciência, tecnologia, sabedorias milenares, fazer delas e, pior, não sabe distinguir uma inforreação às investidas neocolonialistas e, em par- mação verdadeira daquela falsa. Parece que a te da grandíssima maioria das pessoas, vontade facilidade de acesso à informação e de comunide mudanças para melhor. A globalização de- cação veio com a pouca capacidade de adminisfendida nos anos 80 do século passado, pen- trar o tempo e cuidar do que é mais importante, sava apenas na economia e no fortalecimento do que é essencial. do comércio. Sem dúvida, este direcionamento Esta situação de crise aponta para a necessidada globalização atingiu a grandíssima maioria de de parar, pensar, discernir e tomar decisões das pessoas do Sul e do Oriente. Nisto caíram que projetem um futuro melhor para todos. alguns paradigmas e modelos de países ricos, Parar, pensar, discernir e tomesmo que a cobiça continue sempre uma das mar decisões que projetem tentações mais fortes sobre o ser humano. um futuro melhor para todos. Enquanto muitas teorias vão aparecendo, as pessoas sofrem as consequências de certas

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alguns sinais indicam que muitos estão construindo o futuro, pois atuam neste momento com ações transformadoras e esperançosas.

Site Franciscanos – Como estão os frades que trabalham na Cúria Geral? Frei Almir – Em nossa Casa Geral estamos todos bem, graças a Deus. Desde o dia 09 de março, estamos rigorosamente em casa. Apenas um confrade está na Alemanha, também em casa. Aqui tem apenas um frei autorizado a sair para buscar remédio na farmácia, se necessário, e outro para fazer alguma compra no supermercado, se necessário. Todos estão trabalhando nos vários escritórios,nas suas funções e as reuniões, assembleias, congressos até setembro deste ano foram todos cancelados. Ao mesmo tempo, estamos fazendo contatos e realizando videoconferências em diversos momentos, evitando viagens e encontros físicos.

o maior consolo é garantir a presença espiritual, o carinho, o reconhecimento, a estima, todos os sentimentos que garantem às pessoas que elas não estão sós.

Site Franciscanos – Como consolar as pessoas neste momento de pandemia? Frei Valmir – Eu penso que o maior consolo é garantir a presença espiritual, o carinho, o reconhecimento, a estima, todos os sentimentos que garantem às pessoas que elas não estão sós. A solidão imposta por determinadas situações é triste e, neste momento de isolamento social, é preciso responsabilidade. Nada de notícias ilusórias ou relativização. Site Franciscanos – Quais são as lições dessa pandemia?

Frei Valmir – A primeira lição é que nós precisamos olhar para o essencial da vida. A pandemia provocada por um “inimigo” invisível pode provocar medo, insegurança, incertezas, angústia, ânsia e todos os sentimentos que o ser humano possa ter em uma situação dessas. Se pensarmos, porém, que o vírus “passeia” tranquila e rapidamente de uma pessoa para a outra, sem que ninguém saiba onde ele está, e que ele poderá causar uma infecção pulmonar a ponto de deixar-nos sem oxigênio e levar-nos à morte em poucos dias, então seremos cuidadosos e deixaremos para depois o que não é importante. A pandemia ensina que as pessoas são mais importantes que as coisas. Por isso mesmo, a humanidade que corre, há séculos, atrás de riquezas e coisas materiais pode aprender que é preciso cuidar da casa para que todos estejam bem, é preciso fazer crescer a solidariedade. A segunda é que vivemos num sistema desumano e cruel. Os interesses pelos bens materiais e pelo poder de consumo criou este sistema excludente, que não permite que os pobres morram com dignidade. Os mais afetados por esta pandemia são e serão os pobres. Quando houve a necessidade do isolamento, os pobres começaram a passar mais fome que antes. Talvez muitos morrerão de fome antes de serem contagiados pelo Covid-19. Esta é a maior tristeza que esta pandemia está provocando. É a crueldade do sistema que não permite acesso à vida digna para todos. A terceira lição é que podemos viver com menos poluição provocada pelos combustíveis fósseis. O poder econômico não admite e muitas pessoas não percebem que estamos destruindo e contaminando nossa “casa comum”. Os que pensam em investimentos financeiros e bem-estar econômico nem querem ouvir falar de mudança climática ou destruição do planeta. Ao contrário atacam as realidades onde surgem as mais terríveis doenças: os mercados de países pobres de clima quente úmido.

A primeira lição é que nós precisamos olhar para o essencial da vida.

Site Franciscanos – Existe um panorama da situação da infecção nos conventos da Ordem? Frei Valmir – Até agora sabemos que um frade morreu em Washington, nos Estados Unidos. Ele foi diagnosticado com Covid-19, mas infelizmente já tinha outros problemas que faziam baixar sua imunidade. Não sabemos de outros casos de contágio confirmado.

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Fonte: Site da Província Imaculada Conceição 2020 / Mar - Abr

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CFMB e CFFB “O SENHOR CAMINHA CONOSCO”: MENSAGEM DA CFFB SOBRE A PANDEMIA DO COVID-19

“O Senhor interpela-nos e, no meio da nossa tempestade, convida-nos a despertar e ativar a solidariedade e a esperança, capazes de dar solidez, apoio e significado a estas horas em que tudo parece naufragar”. Papa Francisco, 27/03/2020

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ueridas Irmãs e Irmãos, Paz e Bem! A situação de pandemia decretada pela Organização Mundial da Saúde, provocada pelo COVID – 19, provocou um impacto mundial. Já noticiado, do ponto de vista econômico as previsões não são boas. Segundo o Morgan Stanley Composite Index, em poucas semanas o mercado financeiro viu as ações das Bolsas de Valores do mundo perderem 15,5 trilhões de dólares e, é comentário geral: aumentará ainda mais a pobreza, o desemprego e a miséria, afetando países, famílias, pessoas e organizações. Pela força de um decreto em favor da vida humana foi imposto à população uma mudança de rotina. Instalou-se um sentimento de angústia, ansiedade, insegurança e medo em relação ao amanhã. E foi a partir desta realidade tensa e incerta que a sintonia e união entre os humanos foi crescendo e tomando expressão através de gestos concretos de solidariedade, de unidade pela oração, da redescoberta do convívio familiar dentro de casa, dentre outras práticas e valores. As pessoas entraram numa dinâmica de repensar atitudes, ressignificar a vida, valores e rotina. Contemplando o cenário mundial, damo-nos conta de que estamos em meio a uma pandemia que nos impõe mudanças no modo de viver e conviver. Ao mesmo tempo, vivenciamos o Período Quaresmal que nos convida à mudança de vida, à conversão. Temos, de um lado, a mudança por força da circunstância, provocada pela ação do coronavírus e, de outro, um convite ao coração humano renovado a cada ano no Período Quaresmal, em preparação à celebração da Páscoa. Ambos provocam-nos a repensar sobre nossa caminhada. Como franciscanas e franciscanos, repensar a

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caminhada implica voltarmos o olhar para a nossa “identidade”. Atrás do termo que nos identifica “franciscana/o”, esconde-se o nome Francisco, seguido do topônimo Assis. Esse nome incorpora um conjunto de valores. Durante anos, Francisco de Assis foi absolutamente coerente em tudo que dizia e fazia, por isto, tornou-se uma figura emblemática. Mas, não podemos esquecer-nos que, “por trás de tudo”, havia uma mística que o alimentava: a mística do amparo ao pobre, da fraternidade, de abrir-se amorosamente ao outro, a Deus e a tudo que existe em nossa Casa Comum. O propósito e crença de Francisco era o Seguimento de Jesus, à luz do Evangelho e sua experiência foi tão intensa que outras pessoas iniciaram o Seguimento a seu exemplo, os primeiros companheiros, depois Clara e tantos outros, hoje, somos nós. Nesta realidade de calamidade pública imposta ao mundo pelo coronavírus, o panorama pede-nos ações concretas. Especialmente no Brasil, faz-se necessário a presença de figuras humanas com ações firmes, palavras serenas e, além do respeito à gravidade do cenário que temos, que apontem um horizonte, fazendo renascer nos corações a esperança. Ao respondermos Sim ao Senhor, abraçamos um ideal de vida, carregamos a força de uma “identidade” e de um ideal encarnado por Francisco e Clara de Assis. Irmãs e Irmãos da CFFB, considerando este momento pelo qual passa não só a população brasileira, mas toda a humanidade, perguntemo-nos: O que nós, franciscanas e franciscanos, podemos fazer? O que estamos fazendo e precisa ser mudado? Nos alimentamos da mesma mística que alimentou Francisco e Clara? O que o mundo espera de nós, especialmente em momentos de crise como a que vive a hu-


manidade neste momento, é que a força mística do ideal que abraçamos ganhe vida em nosso modo de ser e fazer em favor do amparo e cuidado com os pobres; de viver a fraternidade dentro e fora de nossos conventos, e como expressamos nossa abertura amorosa ao outro, a Deus e a tudo que existe em nossa Casa Comum. A exemplo de Clara e Francisco de Assis, não podemos perder de vista esta mística. Outrossim, movidos por ela, não podemos deixar-nos levar por dores e temores do que escapa ao nosso controle, a pandemia do COVID – 19. No momento, não faz muito sentido só nos preocuparmos, mas faz sentido nos prevenirmos e colaborarmos com o que precisa ser realizado com responsabilidade por todos nós. Aqui manifestamos preocupação especial com a população de rua, as comunidades periféricas, os povos indígenas e ribeirinhos e tantos outros esquecidos. Como fazer para que essas pessoas em maiores privações e provações sintam nossa proximidade? O Papa Francisco em suas mensagens e pronunciamentos pede-nos criatividade pastoral e seu apelo é para respondermos à pandemia com a universalidade da oração, da compaixão, da ternura, da união e da proximidade. E isto ele faz com propriedade. No dia 27 de março de 2020, por ocasião da benção Urbi ET Urbi extraordinária, em uma Praça vazia, ele se reuniu com milhões de pessoas de todos os pontos da Terra para rezar. E, neste encontro de oração, deu a todos sua mensagem e benção e recomendou-nos à proteção de Deus e Nossa Senhora: “Queridos irmãos e irmãs, deste lugar que atesta a fé rochosa de Pedro, gostaria nesta tarde de vos confiar a todos ao Senhor, pela intercessão de Nossa Senhora, saúde do seu povo, estrela do mar em tempestade. Desta colunata que abraça Roma e o mundo desça sobre vós, como um abraço consolador, a benção de Deus”. Recomendamos a leitura de sua mensagem na homilia para esta ocasião, fundamentada no Evangelho de Mc 4, 35 – 41, quando Jesus acalma a tempestade no mar da Galileia, conduz-nos a refletir sobre nosso medo diante das tempestades da vida e a abraçar o Senhor, para abraçar a esperança, pois somente Ele liberta-nos do medo e dá-nos esperança. Em comunhão com a Igreja do Brasil, tenhamos presente o pronunciamento de Dom Walmor de Oliveira Azevedo, presidente da CNBB, por oca-

CFMB e CFFB

sião da Festa da Anunciação, 25 de março de 2020. Com sensatez e sabedoria, convida-nos a repudiar posições e pronunciamentos inconsequentes e irresponsáveis de lideranças políticas, que não buscam a defesa da vida e o bem comum e adverte: “precisamos cobrar do Judiciário um projeto de grande contingência para o amparo dos mais pobres neste momento de crise. Um projeto inteligente que faça mostrar que a sociedade brasileira cuida, de fato, do cidadão, sobretudo, dos que precisam mais, dos vulneráveis, dos mais pobres, garantindo trabalho e sustento para todos. Esperamos do Legislativo, em todas as suas esferas, a corajosa postura de mostrar com exemplos e com intuições que possam modificar o caminho do mundo e da sociedade brasileira propostas concretas de mudanças, sobretudo, no testemunho a todos convocando para a solidariedade”. Em meio a toda esta tempestade que nos apavora, o Senhor caminha conosco e interpela-nos. Juntos, possamos aprender a lição de superar todas as divisões e medos e a buscar o caminho do diálogo, da cooperação e da promoção da dignidade humana, especialmente dos pobres marginalizados. Isto é a verdadeira conversão. Deixamos o convite para cada uma das fraternidades de todos os Regionais da CFFB: celebrarmos o Mistério Pascal, com criatividade, beleza e simplicidade. Uma celebração que seja expressão de comunhão, solidariedade e proximidade com centenas de comunidades e famílias que, neste ano, vão celebrar em suas casas. Prossigamos firmes e esperançosos e conclamemos com o Papa Francisco: “Ele ressuscitou e vive ao nosso lado. Da sua cruz, o Senhor desafia-nos a encontrar a vida que nos espera, a olhar para aqueles que nos reclamam, a reforçar, reconhecer e incentivar a graça que mora em nós. Não apaguemos a mecha que ainda fumega, que nunca adoece e deixemos que reacenda a esperança”. Em sintonia com todas as irmãs e irmãos da CFFB, peçamos a Nossa Mãe Aparecida, ao Seráfico pai Francisco e Santa Clara que intercedam por toda a humanidade neste momento de dor e angústia. Brasília, 30 de março de 2020 Fraterno abraço, Irmã Cleusa Aparecida Neves, CFA Presidenta da Conferência da Família Franciscana do Brasil 2020 / Mar - Abr

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Frei Arnaldo e Frei João

Fraternidade do convento Ipuarana. 04 de outubro de 1958. Festa de São Francisco

19 de maio de 1964 no Convento Ipuarana. Frei Artur Rechers, Frei Cassimiro, Frei Felisberto, Frei Carlos Cardoso

Serviço Provincial de Comunicação Arte e Diagramação: Frei Erick Ramon, OFM Revisão: Frei Faustino Santos,OFM Frei Marcos Almeida, OFM Expedição: Secretaria Provincial Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil Rua Imperador, 206, Recife - PE. CEP: 50010 - 240 - Tel: (81) 3424-4556 www.ofmsantoantonio.org / E-mail: ofmnordeste@gmail.com