2020 - Notícias - Julho/Agosto

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Noticìas

Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil Julho - Agosto / 2020 - Ano LXV nº 495


Sumário Editorial Mensagem

04 Mensagem do dia de Santa Clara - CFFB.......................08 Vida Fraterna Últimas do Definitório..........................................................10 Falecimento do Frei Humberto Brügger............................14 Falecimento do Frei Paulo Calixto.....................................15 Formação e Estudos Dez jovens são admitidos ao Postulantado......................16 Oito postulantes são admitidos ao Noviciado.................17 Seis noviços realizam Primeira Profissão dos Votos.........18 Frades de Profissão Temporária renovam os Votos ....... 19 Profissão Solene de Frei Marcondes e 60 anos de VRC de Frei Adimar......20 Evangelização e Missão Encontro de Párocos e Leigos............................................21 Ações do JPIC: iniciativas, apoios e protestos.................22 Apoio da Cúria Geral ao JPIC provincial..........................24 Lançamento da Web Rádio na Paróquia de Aracaju.....26 Igreja e Ordem Carta ao Povo de Deus dos 152 Bispos da CNBB............27 Homilia do Ministro Geral na Festa do Perdão de Assis..30 Ir. Gabriela Faz Votos Perpétuos na Ordem de S.Clara..33 Mensagem do dia de Santa Clara – Ministro Geral.......

363 ANOS DE ELEVAÇÃO À PROVÍNCIA

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PROVÍNCIA COMPLETA 363 ANOS ....................................


Editorial

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pandemia do novo coronavírus (Covid19) está deixando marcas profundas na vida de todas as pessoas. Muitas vidas chegaram ao seu curso final e a humanidade precisou, em urgente necessidade, adotar atitudes radicais de observância das medidas sanitárias e de distanciamento social. Todas as organizações, inclusive as religiosas, foram obrigadas a reconfigurar os formatos de encontros, ações e planejamentos. Na Província de Santo Antônio não foi diferente. Vários momentos previstos para acontecer, sobretudo no mês de julho, pre-

cisaram ser reagendados, cancelados ou reformulados na sua estrutura: retiro, encontros de planejamento, avaliação, congresso etc. Acreditamos que tudo isso será apenas o adiamento do abraço caloroso e do entusiasmo do encontro para avivar a chama vocacional e fraterna. É verdade que nem todos estarão em nosso meio quando a vida não precisar mais ser vivida sob a égide do distanciamento. Muita gente nesse ínterim abraçou a irmã morte corporal e agora está mais de perto de Deus contemplando-o nos seus anjos e santos. A nós cabe esperançar. Res-

ta-nos continuar espertos e confiantes na vida ressignificada e ressurgida que nascerá depois desse caos pandêmico que põe à luz do dia atitudes de apatia e empatia. Que desde já optemos pela empatia e nos esforcemos pela nossa transformação interior para iluminar o mundo que nos envolve. Um abraço cheio de esperança e boa leitura. Frei Faustino dos Santos, OFM P/ Comunicação Provincial

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Mensagem O SENHOR NÃO NOS SALVA DA HISTÓRIA, MAS NA HISTÓRIA Minhas queridas Pobres Senhoras de Santa Clara, o Senhor lhes dê a paz! “Ó Senhor Deus, eis que fui deixada sozinha por ti neste local”. Provavelmente, reconheceis que esse profundo grito de desolação foi pronunciado pela nossa Mãe Santa Clara, na vigília de Natal do ano 12521 quando, forçada à imobilidade por causa de sua grave doença, não pôde unir-se às suas irmãs para celebrar o Natal do Senhor. Como não podemos ver nesse suspiro o lamento de Jesus, em sua agonia no Jardim das Oliveiras? E o lamento de muitos nossos irmãos e irmãs, que ameaçados pelo Covid-19, sofrem por causa do isolamento tão angustiante para um coração humano? Naquela noite, Clara experimentou profunda solidão: Francisco, que com Deus era sua única consolação, estava morto2; os frades estavam em conflito; e ela mesma estava sozinha e carregava o peso de suas enfermidades. É essa solidão que apresenta ao Senhor, e Deus lhe dá a consolação de escutar os hinos cantados pelos Frades na Basílica de S. Francisco. Por causa do Covid-19, uma comunidade de Clarissas foi obrigada a adotar máximas medidas de isolamento. Cada Irmã foi obrigada a permanecer em seu quarto a fim de facilitar a recuperação e evitar o contágio; além disso, foi impossível reunir-se no coro e no refeitório. Doloroso e angustiante! Essas Irmãs partilharam comigo quão consolador para elas foi seguir, por meio de pequeno rádio, as Liturgias presididas pelo Papa Francisco, escutar suas homilias que

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Proc III, 30. TestC 38.

tornaram-se base de uma forma de vida reduzida aos seus elementos essenciais. “Virá a hora […] em que vos dispersareis cada um por si e me deixareis a sós; mas, eu não estou sozinho, porque o Pai está comigo”.3 Sim, o Senhor não nos salva da história, mas na história4, não nos salva do Covid-19, mas no Covid-19; não nos salva da solidão, mas na solidão, não nos salva do medo, mas em nossos medos. E o medo não se tornou nosso destino quotidiano e nosso companheiro, desde o início desta pandemia? Medo do outro, do qual nós nos devemos proteger; medo do lobo que entrou no redil, medo do mal em ação dentro de nós, medo de transmitir a morte ao outro, medo, que se torna pânico, quando o vírus faz seu trabalho mortal em nossos entes queridos e quando nossos sintomas, improvisamente, dão sinais alarmantes. Como trememos diante da morte do Pobre Crucificado que, asfixiado, entrega seu espírito nas mãos do Pai! Se o corona vírus mexe conosco tanto assim, é porque toca o respiro vital dentro de nós e o destrói ... Medo, também, da separação e do abandono que algumas de vocês experimentaram quando foram forçadas a confiar uma de suas Irmãs aos cuidados hospitalares, quando a viram ir sem poder estar com ela no momento da grande passagem. O que mexe com a gente é que a morte de Santa Clara parece ter acontecido num clima de surpreendente presença celeste: Clara vê chegar

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Jo 16,32. Cfr. João Paulo II, homilia de 8 de dezembro de 2004.

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a ela o Rei da Glória5, uma Irmã vê uma multidão de virgens aproximar-se em procissão ao leito da santa e a Virgem das virgens, maternalmente, inclinar sua face ao rosto de Clara6. Falando à alma de Clara, sussurrou: “Vai em paz, pois terás boa escolta”7. Quando é aberta a porta à Comunhão dos Santos, pode-se morrer a sós? “Irmãs e filhinhas minhas, não temais, pois se Deus está conosco, os inimigos não nos poderão ofender. Confiai-vos a Nosso Senhor Jesus Cristo, Ele vos libertará”8. Depois de diversas semanas no longo túnel do Covid-19, as Irmãs me disseram que o Bom Pastor havia mantido sua promessa: “Ninguém arrancará minhas ovelhas de minha mão”9. Elas são agradecidas por toda a solidariedade recebida, pelos atenciosos e competentes cuidados médicos, pela intensa oração, recebida de todas as partes, preces de jovens e idosos, que foram elevadas ao céu a fim de livrá-las da doença. Raramente resulta em prazer tomar o lugar do leproso, de quem os outros fogem. Mas, quando nos deixamos amar naquela situação, quanta doçura nasce, que espaço de acolhimento, comunhão e caridade se abre! Também, outra comunidade respondeu, generosamente, aos apelos dos pobres diante de sua porta, apesar de estarem preocupadas pelas dificuldades financeiras que foi preciso enfrentar por causa do confinamento e, com surpresa, também os benfeitores bateram à porta do mosteiro a fim de oferecer sua contribuição. Em sua grande e secular experiência, a Igreja implora ao Senhor para libertar a humanidade “da peste, da fome e da guerra”. Sabemos que a crise sanitária leva a uma crise econômica, que, infelizmente, pode levar a uma crise social. De fato, muitas de vocês partilham essa preocupação para o futuro, com os próprios entes queridos golpeados pela perda do emprego. Mais do que nunca, somos convidados a confiar na Providência, porque até agora, o Senhor não nos tem abandonado, nem nos abandonará. Viver na simplicidade, evitando todo desperdício; viver em solidariedade e

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Proc IV,19. Proc XI,4. Proc XI,3. Proc III,18. Cfr. Jo 10,28.

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esforçar-nos por praticar todo bem que nos é possível. Talvez este acontecimento será também a ocasião para construir um novo mundo, baseado não mais sobre o paradigma da globalização a nível comercial ou cultural, mas sobre uma volta ao local, à família, ao regional10. Não podemos sonhar uma nova visão do trabalho, dos negócios e da economia mais inclusiva e baseada na solidariedade, onde a alma e fragilidade serão seus fecundos fundamentos? Contamos com vocês e com a sabedoria de seu estilo de vida, a fim de ajudar-nos a ousar sermos novos depois dessa crise. Inesperadamente e bruscamente, durante as fases da quarentena, fomos obrigados, como vocês, a mantermonos em espaços restritos e por longo tempo. Foi um contraste totalmente anormal diante do nosso anterior modo de viver nessa sociedade, caraterizada por espaços amplos (viagens, conexão social, etc.) e ritmos frenéticos (“tudo e imediatamente”, velocidade sempre maior, etc.). Alguns, que tiveram essa experiência, recordarão apenas a sofrida limitação da liberdade, o desafio de se achar diante das próprias dinâmicas sociais, a violência relacional por causa da falta de comunicação, a falta de perdão, a falta da aceitação do outro. E percebemos a riqueza de testemunho de vocês: a clausura é pequeno campo de batalha no coração do planeta, onde vocês nos ensinam não tanto a fuga mundi quanto a fugir da fuga do mundo11, onde nos ensinam a viver na profundidade do espaço, a entrar na cor das diferentes horas do dia e no kairos de Deus, alternando palavras e silêncio a fim de construir relações de comunhão com a ajuda do Espírito. É comovente que algumas de vocês, tendo infelizmente perdido a celebração eucarística, centro da jornada, aceitaram essa situação como apelo para viver e reforçar o “sacramento da coirmã”. O sacramento da irmã não só torna presente nosso irmão Jesus, mas é também portador de salvação e saúde, porque temos experienciado Cfr. Giuseppe Buffon, Il futuro sotto la mattonella – Osservatore Romano, 24 abril 2020. 11 Cfr. Brother David d’Hamonville, Abbot of En Calcat, La Règle, La communauté et la règle bénédictine, Vivre ensemble longtemps, KTO broadcast. 10


que cuidando de nós mesmos, estamos cuidando de nossa irmã. Da mesma maneira, nossa irmã, cuidando de si mesma, está cuidando dos outros. Seus mosteiros são reservas de paz, serenidade, esperança e compaixão para aqueles que estão na primeira linha, na batalha. Na impotência que temos experimentado com vocês, porque não podendo sair para ajudar doentes e pessoas necessitadas, ousamos rezar em intercessão com vocês. Rezar não apenas por nós mesmos ou por aqueles que estão na solidão ou doença, mas também por aqueles que arriscam a saúde e a vida, ao cuidar dos outros. Com nossa Mãe Santa Clara, tende o olhar fixo no Pobre Crucificado, escutai-o clamar: “Ó vós todos que passai pelo caminho, parai e olhai se há dor semelhante à minha dor”. Respondamos em uníssono, com um só espírito, a ele que clama e se lamenta: “Não me abandonará jamais a recordação de ti e se consumirá a minha alma”12. Que a compaixão, que vocês podem mostrar como a dum coração de mãe, possa tornar-se perfume aromático13, capaz de consolar assim muitas pessoas aflitas e enfermas, sustentar os profissionais da saúde tão generosos e dedicados, encorajar as famílias e inflamar os coração dos jovens que o Senhor está chamando ao seu seguimento.

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Compaixão significa “sofrer com”. Este pequeno vírus nos ensinou que estamos todos na mesma barca; ele ataca indiscriminadamente ricos e pobres, poderosos e pequenos, justos e pecadores. Em solidariedade com a humanidade sofredora, ajudem-nos a perseverar na oração a fim de esperar contra toda a esperança: “Nosso auxílio está no Nome do Senhor!”14. Essa solidariedade transforma os limites dos confins humanos, a fim de incluir cada pessoa humana, cada ser vivente, permitindo-nos abraçar nossa verdadeira identidade de seres interconectados, que vivem numa casa comum. Essa consciência nos ajuda a assumir o papel que Deus nos tem dado quais promotores de dignidade e protetores da comunidade humana e do ambiente, Laudato Si’. Este ano comemoramos o testemunho dos primeiros mártires franciscanos, trucidados em 1220: viveram o martírio do sangue. Não é dado também a nós, como à Santa Clara, de viver o martírio da paciência15, a “paixão da paciência”16? Ambos são frutuosos: se Tertuliano pôde dizer que o sangue dos mártires é semente de novos cristãos, non vale o mesmo para o suor/fadiga da paciência? Minhas caríssimas Pobres Senhoras, Boa Festa de Santa Clara!

Roma, 25 de julho de 2020, Festa de São Tiago

Br Michael Anthony Perry, OFM Ministro geral e servo

Sl 124,8. Cf. M. B. Umiker and F. Sedda, Santi per attrazione, Ed. Terra Santa, Milão, 2020. 16 Cfr. Madeleine Delbrel, La joie de croire. Ed. Terra Santa, Milão, 2020. 14 15

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4LAg 25-26. Cf. Jo 12,1-8.

Prot. 109898

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Capa: Ícone escrita das Irmãs Clarissas no Mosteiro Santa Clara, Paganica (L’Aquila), Itália.

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www.OFM.org


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MENSAGEM DA PRESIDENTE DA CFFB PARA FESTA DE SANTA CLARA

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rmãs e Irmãos da Conferência da Família Franciscana do Brasil, que alegria celebrar a Festa de Santa Clara, há séculos iluminando o mundo e nosso caminho, “Mulher admirável por seu nome, Clara de palavra e virtude, natural de Assis, de família muito preclara, foi concidadã do bem-aventurado Francisco na terra e, depois, foi reinar com ele na glória” (LSC 1).

(TestC 37 – 40), que a definiu e marcou toda sua vida; sua relação com Deus (TestC 1 – 5), consigo mesma e com suas irmãs (ProcC 6,4; 12,6; 13,3), que nos revela sua experiência de profunda oração e contemplação e capacidade de acolher e cuidar da vida; sua vida de penitência (TestC 24 – 26) iniciada por iluminação do Pai; e como a experiência que faz de Jesus Cristo e da fraternidade de São Damião é inspirada em Francisco de Assis e suas orientaCelebrada no dia 11 de agosto, esta festa é ções e palavras, sobretudo, de seu exemplo uma possibilidade de voltarmos no tempo e na (TestC 18, 24 – 30). história e percebermos o valor da dimensão humana e espiritual de Clara de Assis, “ser- Neste tempo de festa e confraternizações, em va de Cristo, plantinha do nosso bem-aventu- muito contribui para nossa formação entrar rado pai São Francisco” (BSC, 6), mulher de em diálogo com as Fontes Clarianas através seu tempo e de hoje, que nos convoca a viver o da leitura, reflexão e partilha, trazendo preEvangelho. sente a experiência desta mulher nobre, cuja vida foi de comunhão fraterna e apaixonada De seu itinerário, impacta-nos sua “saída do busca de Deus e que teve como regra de vida mundo” (LCL 7), que demonstra sua coragem “viver o santo Evangelho de nosso Senhor de pensar e escolher por si própria, através Jesus Cristo” (RegCl 10, 9). Para melhor code um silêncio nutrido de ideias e um gran- nhecer e compreender a fascinante história de ideal; seu amor pela “Altíssima Pobreza” de Clara de Assis, deixamos como sugestão a

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leitura da Legenda de Santa Clara Virgem e do Processo de Canonização. Aprofundar e refletir sobre seu itinerário e experiência de vida pode ser um estímulo eficaz para um confronto pessoal e comunitário para todos nós e, dentre outros, ensinar-nos o valor da perseverança e da fidelidade à escolha feita, em tempos em que com facilidade retira-se a palavra dada e a fidelidade jurada. Santa Clara, nobre e rica, escolheu uma vida pobre e humilde. Viveu na pobreza e simplicidade no mosteiro de São Damião, um lugar retirado e fora dos muros da cidade de Assis, para onde acorriam ao seu encontro com pedido de ajuda e orações: pobres, nobres e eclesiásticos. A todos acolhia, a alguns aconselhava e a muitos abençoava e curava, traçando o sinal da cruz. Em vida, operou curas conforme relatos no Processo de Canonização (ProcC1, 16; 1,19; 2,13; 4, 7 – 11; 5,1; 6,8; 6, 9; 7,7; 7,12; 8,4; 9, 5 – 7; 11,1;12,8;13,5 – 7; 14,5). Em tempos de dor, incertezas e angústia pelos quais passa a humanidade, consequência da pandemia provocada pelo COVID – 19, recorramos a nossa mãe Clara de Assis, plantinha do nosso bem-aventurado pai São Francisco, peçamos que interceda por todos nós, especialmente os pobres e marginalizados, e suplique a Deus para que, pela ciência, venha a cura através da vacina. Irmãs e Irmãos da Conferência da Família Franciscana do Brasil, concluímos fazendo nossas as palavras de um trecho da Bula de Canonização: “Ó admirável clareza da bem-aventurada Clara…. Brilhou no século e resplandeceu na religião. Em casa foi luminosa como um raio, no claustro teve o clarão de um relâmpago. Brilhou na vida, irradia depois da morte. Foi clara na terra e reluz no céu” (BC 8-10) e desejamos a todos/as boas festas de Santa Clara! Fraterno abraço, Brasília, 06 de agosto de 2020

Irmã Cleusa Aparecida Neves, CFA Presidente da CFFB 2020 / Jul - Ago

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Vida Fraterna ÚLTIMAS DO DEFINITÓRIO

Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil Recife-PE, 24 a 26 de agosto de 2020

Prot.: 0043/2020

O XI Definitório do triênio 2018-2020 aconteceu nos dias 24, 25 e 26 de agosto de 2020 remotamente por Google Meet. ADEUS AOS CONFRADES A Província de Santo Antônio deu seu último adeus aos confrades Frei Paulo Calixto Cavalcanti e Frei Humberto Brügger. • Frei Paulo Calixto – Acumulava 85 anos de vida dos quais boa parte desses foi dedicado à missão junto aos índios Tiriyó no extremo norte do Pará. Abraçou a irmã morte no dia 27 de julho de 2020 em Canindé, no Ceará. • Frei Humberto Brügger – Desde meados da década de cinquenta deixou sua terra natal, na Alemanha, para se dedicar ao serviço na Província. Com 91 anos de idade, abraçou a irmã morte no dia 21 de agosto de 2020. CAPÍTULO PROVINCIAL • Em detrimento do decreto do Governo Geral da Ordem dos Frades Menores que abre exclusivamente para 2021 à possibilidade de haver capítulos provinciais no mesmo ano da celebração do Capítulo Geral, considerando a situação de pandemia provocada pelo novo coronavírus e o pedido por escrito pela maioria dos frades capitulares da fraternidade provincial, os membros do Conselho Definitorial julgaram oportuna a alteração da data da celebração do Capítulo Provincial para 04 A 10 DE JANEIRO DE 2021. O local também sofreu alteração e não será mais realizado em Lagoa Seca/PB, mas em CANINDÉ/CE. • Os encaminhamentos seguem conforme vêm sendo planejados pela Comissão Preparatória para o Capítulo e o Governo Provincial. A única ressalva diz respeito ao alargamento do prazo para envio dos relatórios por parte dos Secretários. A nova data limite para envio dos relatórios será o dia 31 de outubro de 2020. Jul - Ago / 2020

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PROFISSÃO SOLENE

Vida Fraterna

Frei Elias Pereira Gertrudes enviou o pedido ao Provincial e seu Definitório para Professar os Votos Solenes na Ordem dos Frades Menores. Tendo considerado os pareceres tanto da Fraternidade Nossa Senhora das Dores em Fortaleza/CE onde Frei Elias faz os estudos teológicos, quanto do Secretariado Provincial para a Formação e os Estudos, seu pedido foi aprovado pelos membros do Conselho Definitorial e ratificado pelo Ministro Provincial. Tem-se como previsão para a realização da Profissão Solene o dia 02 de fevereiro de 2021 em Fortaleza/CE. ORDENAÇÃO PRESBITERAL

Frei Janael Vieira da Silva enviou ao Definitório o pedido para ser admitido à Ordem no grau do Presbiterado. Considerando o parecer da Fraternidade Santo Antônio de Lagoa Seca/PB e mediante o compromisso da boa continuidade no exercício do ministério diaconal, os membros do Conselho Definitorial aprovaram o seu pedido e o Ministro Provincial confirmou. Tem-se como previsão para a realização da Ordenação Presbiteral o dia 12 de dezembro de 2020 em Lagoa Seca/PB.

TRANSFERÊNCIAS

• Frei Francisco Robério F. de Sousa – Concluiu o mestrado em Direito Canônico em Roma. Regressando ao Brasil ele comporá a Fraternidade Santo Antônio do Recife/PE. • Frei Miguel Evaristo Filho – Concluiu o ano de licença fora da fraternidade provincial. Ele retornará a Província e comporá a Fraternidade Santo Antônio do Recife/PE. FORMAÇÃO E ESTUDOS Serviço de Animação Vocacional Promoverá de 18 a 20 de setembro um Congresso de Formação Online com o tema Fraternidade, Vida e Missão. Contará com a participação de frades de diversas partes do Brasil e do Mundo que apresentação as realidades da Ordem dos Frades Menores à luz do tema central.

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Vida Fraterna

Postulantado No dia 17 de agosto de 2020, dez (10) jovens foram admitidos ao Postulantado em Triunfo/PE. Desses, um deixou a etapa de formação logo em seguida. Atualmente são nove (09): Jeferson Miguel (Cupira/PE), Gilberto Constantino (Recife/PE), Ivan Luiz

(Águas Belas/PE), Francisco Jorge (Aratuba-CE), Igor Silva (Dias D’ávila/BA), Anselmo Augusto (Salvador-BA), Antônio da Silva (Feira de Santana/BA), Rodrigo Rosa (Candeias/BA), Elizeu Félix (Olinda/PE). Noviciado Comum Oito postulantes foram admitidos ao Noviciado Comum no dia 15 de julho de •

2020. Seis noviços são da Província Santo Antônio, são eles: Frei José Airton (RN), Frei José Carlos (BA), Frei Bruno Henrique (PE), Frei Igor Santos (PE), Frei Mateus Antony (CE), Frei Mateus Jansen (CE), e dois da Província de Nossa Senhora da Assunção: Frei Pedro Henrique (MA) e Frei Thálysson Carvalho (PI).

• Seis noviços que estavam na etapa de formação do Noviciado Comum professaram os primeiros votos na Ordem dos Frades Menores no dia 02 de agosto de 2020. A celebração contou com a participação dos Ministros provinciais e outros frades das Províncias Santo Antônio e Nossa Senhora da Assunção. Os três neoprofessos da Província Santo Antônio já se encontram em suas respectivas fraternidades: Frei José Hélio, em Fortaleza/CE e Frei Felipe Ferreira e Frei Clodoaldo de Jesus em Salvador/BA. • No dia 02 de agosto de 2020 foi firmado o Contrato do Noviciado Comum entre as Províncias Santo Antônio e Nossa Senhora da Assunção. Este é fruto de um processo de estudo, preparação e diálogo entre as duas entidades que contou com a apreciação do Definitório Geral. Formação Online da Ordem A Secretaria para a Formação e os Estudos com a Oficina de Justiça e Paz e Integridade da Criação da Cúria Geral convocam os formandos (postulantes, noviços, professos temporários) e também os frades professos solenes que se prepararam para o ministério presbiteral para um momento de formação online com os formandos de todas as entidades da Ordem no mundo, afim de aprofundar a proposta da Laudato Si’ do Papa Francisco. A formação acontecerá no dia 12 de setembro de 2020, às 13h, horário de Brasília (18h de Roma) e a participação será possível mediante inscrição por formulário digital. A Secretaria de Formação e Estudos e o JPIC da Província articularão com os formandos das diversas etapas da formação provincial.

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Vida Fraterna Conclusão de Cursos • Frei Faustino dos Santos defendeu no dia 21 de maio 2020 a sua dissertação de mestrado em Teologia na Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP) com o tema “Identidade Cristã e Pluralidade Religiosa em Schillebeeckx”. • Frei Francisco Robério fez o exame De Universa na Pontifícia Universidade Antoniano (PUA) de Roma no dia 01 de julho de 2020 e foi aprovado. Com isso ele obteve o título de Mestre em Direito Canônico. A sua pesquisa no mestrado teve como tema: “O direito ao ensino religioso católico na escola pública no Brasil”. • Frei Joanan Marques defendeu no dia 06 de julho de 2020 a sua dissertação de mestrado em História na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) que teve como tema: “A reinvenção Tiriyó na missão religiosa católica entre as décadas 1960 a 1980”. EVANGELIZAÇÃO E MISSÃO O Encontro de Párocos e Leigos, previsto para acontecer dias 28, 29 e 30 e agosto de 2020 será realizado de modo virtual apenas no dia 28. De cada presença paroquial participará o pároco e dois leigos.

ORDEM E CFMB

• O Definitório Geral na sessão de maio de 2020 suprimiu a Conferência do Cone Sul e as Províncias que a compunham, a saber, Província da Assunção da Argentina, Província de São Francisco Solano da Argentina e Província da Santíssima Trindade do Chile, foram agregadas a Conferência dos Frades Menores do Brasil (CFMB). • A celebração do Capítulo Geral da Ordem, outrora prevista para maio de 2021 nas Filipinas, sofreu alteração durante a sessão de 30 de julho do Definitório Geral. Decidiu-se que o Capítulo Geral da Ordem será celebrado em Roma de 03 a 18 de julho de 2021, no Colégio Internacional São Lourenço da Brindisi dos Frades Menores Capuchinhos. Caso a pandemia do Covid-19 se estenda, o Capítulo Geral será celebrado em Roma de 6 a 21 de setembro de 2021. 2020 / Jul - Ago

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MENSAGEM DE APOIO E GRATIDÃO O Definitório Provincial emite mensagem de apoio aos confrades de Fortaleza que se manifestaram publicamente em favor das famílias do Acampamento do MST Quilombo Campo Grande, em Minas Gerais, que agressivamente foram despejadas. Apesar das ameaças e críticas infundadas que foram infligidas sobre os confrades, muitas mensagens de incentivo e apoio chegaram de diversas partes do Brasil e do mundo, com destaque à mensagem emitida pela Cúria Geral, via Oficina de JPIC. Às tantas mensagens de apoio que chegaram à Província, os membros do Conselho Definitorial emitem sua profunda gratidão. Que a profecia não desfaleça e que a opção pelos pobres seja sempre o motivo da luta.

Dado no Convento Santo Antônio do Recife aos 27 de agosto de 2020.

Frei Faustino dos Santos, OFM Secretário Provincial

FREI HUMBERTO BRÜGGER, DO DESAFIO DA GUERRA AO SERVIÇO NO BRASIL

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om nome de batismo Félix Heinrich, Frei Humberto Brügger viveu no tempo difícil da guerra e do pós-guerra no período da “Alemanha nazista”. Chegou ao Brasil em 1957 depois de ter completado o tempo do noviciado em Bardel-Alemanha. Dessa data até o seu falecimento, viveu no Brasil, indo à Alemanha apenas nos períodos de férias. Na Província assumiu a guardiania de algumas casas (Triunfo/ PE, Ipojuca/PE, Mossoró/RN e São Cristóvão/SE), foi pároco em algumas dessas realidades e ainda assumiu a função de Ecônomo Provincial. Em decorrência de um choque cardiogênico, insuficiência cardíaca e infecção no trato respiratório, Frei Humberto Brügger faleceu no dia 21 de agosto de 2020, quando estava internado em Recife-PE. Comunicação Provincial.

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FREI PAULO CALIXTO CAVALCANTE, UMA VIDA APAIXONADA PELA MISSÃO TIRIYÓ

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“Uma vida missionária, a minha maneira de compreender, ainda está acontecendo!” (Frei Paulo Calixto, OFM)

rei Paulo Calixto Cavalcante, OFM no dia, 27 de julho de 2020, às 07h46min, realizou sua Páscoa definitiva no Convento Santo Antônio em Canindé/CE. Na Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil, Frei Paulo deu um bonito testemunho de entrega à Missão Tiriyó. No seu livro “Uma vida missionária”, Frei Paulo relata um pouco sobre sua história de vida e vocação. Ele diz: “Sou o primogênito de 22 irmãos… Nasci num sítio, ou fazenda, naquele tempo chamada Rio Branco. Depois meu pai comprou uma terra num lugar chamado Três Irmãos. Para lá fomos em 1941. O meu querido pai se chamava Lauro Calixto Cavalcanti e minha querida mãe Juvenina, com o mesmo sobrenome. Lembro que enquanto minha mãe era viva rezávamos o terço todas as noites e tínhamos uma tia professora que lecionava em nossa casa mesmo… Tudo isso fez parte de minha formação: rezar, trabalhar e brincar”. Na narrativa sobre sua vida, Frei Paulo conta como foi agraciado pela intercessão de São Francisco: “Enquanto garoto eu derramava sangue pelo nariz. Meu pai e minha mãe não sabiam como me curar. Provavelmente eu dei muito vexame pra eles… Então minha mãe fez uma promessa com São Francisco de Canindé. A promessa foi a seguinte: o primeiro dinheiro que eu ganhasse devia colocar no cofre de São

Francisco; me confessar, assistir a Santa Missa e comungar. E assim foi feito. Fomos a Canindé fazer tudo como minha mãe tinha prometido. Fiquei bom e até hoje nunca mais derramei sangue; num um só pingo”. Falando sobre sua caminhada na vida franciscana, ele diz que entrou na vocação franciscana em 1962. No ano seguinte recebeu o hábito e foi enviado à Lagoa Seca e aí ficou até 1969. Foi nesse ano que ele foi enviado à Missão junto aos índios Tiriyó. Antes, porém, de chegar lá, ele ouviu falar bastante coisa a respeito dos índios por meio de Dom Floriano, bispo de Óbidos. Segundo Frei Paulo, foi ele quem “tirou, ou desvendou, um bocado de mistério que existia na minha imaginação”. De Belém à Missão Tiryió, ele viajou num avião Búfalo, levando também oito búfalos. Chegando lá, já havia algumas Irmãs de Jesus Crucificado. Frei Paulo permaneceu entre Belém e Missão Tiriyó por aproximadamente quarenta anos, somente com a entrega dessa frente de atuação dos frades à Diocese de Óbidos, conforme decisão do Capítulo Provincial de 2018, foi que ele foi transferido. Sua transferência para Canindé, local do seu falecimento, data de 15 de março de 2019. Comunicação Provincial 2020 / Jul - Ago

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Formação e Estudos

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DEZ JOVENS FORAM ADMITIDOS AO POSTULANTADO 2020 EM TRIUNFO/PE

pandemia provocada pelo novo coronavírus trouxe mudanças significativas para a vida das pessoas. O isolamento social com as medidas restritivas mais exigentes propostas pelos governos locais fez surgir a necessidade de se estabelecer um “novo normal”, exigindo da sociedade a ressignificação desde as realidades mais triviais e corriqueiras até as mais sérias e importantes. A Província de Santo Antônio do Brasil, consciente de sua responsabilidade social, em atitude de zelo pela vida de seus membros, também teve de se adaptar e procurou um jeito seguro para trazer os jovens vocacionados admitidos à etapa do postulantado, na cidade pernambucana de Triunfo-PE. Dessa maneira, entre os dias 21 e 28 de julho, o Animador Provincial das Vocações, Frei Joanan Marques, percorreu os estados do Ceará, Pernambuco, Sergipe e Bahia afim de buscar cada um dos dez postulantes em suas casas e levá-los ao local da formação, evitando que os mesmos se expusessem ao perigo do contágio nos caminhos que os levaria a Triunfo.

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O grupo de jovens, antes da admissão à etapa formativa, passou por um processo de monitoramento, de modo a trazer segurança para cada um deles. Somente depois desse período necessário foi que se deu a abertura oficial da etapa de Postulantado 2020, realizada no dia 17 de agosto, em celebração própria da Ordem. Quem os acolheu foi o Ministro Provincial, Frei João Amilton dos Santos auxiliado pelo Mestre dessa etapa de formação, Frei Paulo Araújo. Os jovens admitidos foram: Anselmo Augusto de Salvador – BA, Antônio Silva de Feira de Santana – BA, Elizeu Félix de Olinda – PE, Francisco Jorge de Aratuba – CE, Gilberto Sales de Recife – PE, Igor Mota de Dias D’Ávila – BA, Ivan Luiz de Águas Belas – PE, Jeferson Miguel de Cupira – PE, José Vagno de Santa Rosa – SE, Rodrigo Rosa de Candeias – BA. Que o bom Deus e o Seráfico Pai São Francisco lhes dê firmeza no caminhar para trilhar com altivez os caminhos da vocação. Gilberto Sales (Postulante)


Formação e Estudos

OITO POSTULANTES SÃO ADMITIDOS AO NOVICIADO COMUM 2020

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celebração da Admissão ao ano do Noviciado aconteceu às 10h na Igreja Conventual do Convento de Santo Antônio de Ipuarana, em Lagoa Seca-PB. Os jovens que foram admitidos ao Noviciado Comum são em número de oito, sendo seis pertencentes a Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil e dois pertencentes a Província Franciscana de Nossa Senhora da Assunção. Há quase dois anos, as duas entidades iniciaram o processo de formação comum onde a etapa de formação Noviciado acontece de modo compartilhado. Essa nova turma inicia sob a responsabilidade de um novo mestre de noviços, Frei Sérgio Moura Rodrigues, atual Vigário Provincial da Província Santo Antônio, que divide a responsabilidade da formação com Frei Ronaldo César, frade designado pela Província Nossa Senhora da Assunção. Na celebração de admissão, que aconteceu de modo interno, Frei João Amilton dos Santos, Ministro Provincial da Província Santo Antônio, acolheu os oito noviços e a estes dirigiu pala-

vras de ânimo e esperança para a caminhada franciscana. Como Frei Pacheco, Provincial da Assunção, não pôde estar presente para compartilhar a acolhida aos jovens em decorrência do isolamento social provocado pela pandemia, esse emitiu uma delegação para que Frei Amilton também o fizesse em seu nome. Na ocasião, estavam presentes além dos jovens admitidos e dos formadores e o Provincial da Santo Antônio, os noviços que estarão concluindo essa etapa de formação no dia 02 de agosto de 2020, os frades da fraternidade Santo Antônio de Lagoa Seca e uma pequena representação de frades da Província e dois ex-alunos de Ipuarana. Os jovens que foram admitidos são: Frei José Airton – Rio Grande do Norte, Frei José Carlos – Bahia, Frei Bruno Henrique – Pernambuco, Frei Igor Santos – Pernambuco, Frei Mateus Antony – Ceará, Frei Mateus Jansen – Ceará, Frei Pedro Henrique – Maranhão, Frei Thálysson Carvalho – Piauí. Comunicação Provincial 2020 / Jul - Ago

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Formação e Estudos

SEIS NOVIÇOS REALIZAM PRIMEIRA PROFISSÃO RELIGIOSA NO DIA DE SANTA MARIA DA PORCIÚNCULA “O Noviciado, com o qual começa a vida na Ordem, é um período de formação mais intensa e tem o objetivo de fazer que os noviços conheçam e experimentem a forma de vida de São Francisco […]” (CCGG, art. 152)

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oncluído o período de vivência do Noviciado na Ordem dos Frades Menores, seis jovens noviços: Frei Clodoaldo, Frei Hélio, Frei Felipe, Frei Vinilson, Frei Airton e Frei Vinícius, chegaram ao dia tão esperado da primeira profissão religiosa na Ordem Franciscana, onde cada um deles fez voto de viver por um ano em obediência, sem nada de próprio e em castidade. A celebração dos votos temporários aconteceu no Convento Santo Antônio em Lagoa Seca-PB, no dia 2 de agosto de 2020, dia em que a Família Franciscana celebra a Solenidade de Santa Maria dos Anjos da Porciúncula. Essa turma que professou os votos vivenciou o noviciado de modo comum entre as Províncias de Santo Antônio do Brasil e Nossa Senhora da Assunção, ambas presentes no Nordeste do Brasil. Por conta da pandemia do novo coronavírus, a celebração contou com a participação reduzida de pessoas: os ministros provinciais das entida-

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des envolvidas, Frei João Amilton dos Santos (Provincial da Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil) e Frei Antônio Pacheco Ramos (Provincial da Província Nossa Senhora da Assunção), alguns confrades vindos da Província de Nossa Senhora da Assunção, outros da Província de Santo Antônio, duas irmãs Clarissas, algumas Irmãs Damas da Instrução Cristã, alguns familiares dos professandos e pessoas da comunidade de Lagoa Seca. Realizada a primeira profissão religiosa, se inicia um novo período formativo que tem o objetivo de conduzir o jovem frade a amadurecer sua opção vocacional. Por isso, os neoprofessos foram enviados às suas novas fraternidades, onde iniciarão os estudos acadêmicos. Rezemos pelo discernimento e caminhada de cada um desses nossos irmãos menores. Frei Artur Medeiros, OFM


Formação e Estudos

FRADES DE PROFISSÃO TEMPORÁRIA RENOVAM VOTOS RELIGIOSOS

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o dia 02 de agosto de 2020, os frades de profissão temporária da Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil renovaram os Conselhos Evangélicos de Pobreza, Castidade e Obediência. O Ministro Provincial, Frei João Amilton dos Santos, emitiu delegações aos mestres ou guardiães das fraternidades onde os frades de profissão temporária residem para que estes pudessem receber a renovação dos seus votos. De Salvador, Frei Marcos Osmar, mestre e guardião da fraternidade São Francisco, recebeu a renovação dos votos dos confrades: Frei Erick Ramon, Frei Carlos Roberto, Frei Francisco José, Frei Welivelton Félix, Frei Clebson de Carvalho. De Fortaleza, Frei Francisco Rogério, mestre e guardião da fraternidade Nossa Senhora das Dores, recebeu a renovação dos votos dos confrades: Frei Elias Pereira, Frei Flávio Lorrane e Frei Wilames Batista. De Mossoró, Frei Gilmar Nascimento, guardião da fraternidade Imaculada Conceição, recebeu a renovação dos votos do Frei João Pedro Lima Costa que está no tempo da Experiência Fraterno-Missionária. De Campo Formoso, Frei Ricardo Gomes, guardião da fraternidade Santo Antônio, recebeu a renovação dos votos de Frei Mendelson Branco da Silva que está no tempo da Experiência Fraterno-Missionária. Estando em Lagoa Seca por ocasião da Primeira Profissão dos Noviços, Frei João Amilton dos Santos recebeu a renovação dos votos do Frei Jailson Mercês que atualmente está no tempo da Experiência Fraterno-Missionária na fraternidade de João Pessoa. Comunicação Provincial

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FREI MARCONDES UCHÔA PROFESSA OS VOTOS SOLENES E FREI ADIMAR COLAÇO CELEBRA 60 ANOS DE VIDA RELIGIOSA FRANCISCANA

dia 02 de agosto de cada ano é sempre muito especial para a Família Franciscana espalhada no mundo porque é o dia em que se celebra Santa Maria dos Anjos da Porciúncula, local onde a Ordem Franciscana surgiu. Para a Província Franciscana de Santo Antônio, essa festividade foi potencializada pela celebração da Profissão Solene do Frei Marcondes Uchôa que fez os votos de modo público de viver por toda a vida na Ordem dos Frades Menores em obediência, sem próprio e em castidade. A celebração eucarística na qual Frei Marcondes emitiu os votos solenes foi emocionante. A esse momento se juntaram tanto a celebração dos 60 anos de vida religiosa do Frei Adimar Colaço, quanto a renovação dos votos pelo tempo de um ano dos frades de profissão temporária da fraternidade Nossa Senhora das Dores: Frei Elias Pereira, Frei Flávio Lorrane e Frei Willames Bastista. O evento foi realizado em Fortaleza, local onde os frades diretamente envolvidos residem atualmente. Frei Adimar elevou a prece de louvor pelo tempo de vida religiosa e os frades de profissão temporária renovaram os votos na presença do Dele-

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gado do Ministro Provincial Frei Francisco Rogério, guardião da fraternidade de Nossa Senhora das Dores. A celebração contou com um número reduzido de pessoas por conta das medidas de distanciamento social como prevenção contra o novo coronavírus. Emocionado, Frei Marcondes no momento de agradecimento fez memória da sua trajetória vocacional que tem o seguinte percurso: •Aspirantado – Fortaleza e Canindé/CE •Pré-postulantado interno – São Francisco do Conde/BA •Postulantado – Penedo/AL •Noviciado – Lagoa Seca/PB •Pós-Noviciado – Fortaleza/CE •Filosofia – Salvador/BA •Experiência Fraterno-Missionária – São Francisco do Conde/BA •Teologia (ainda em curso) – Fortaleza/CE Frei Adimar no momento de agradecimento proferiu palavras de incentivo ao Frei Marcondes para continuar na caminhada franciscana que, apesar das provações, possui mais razões de alegria. Comunicação Provincial.


Evangelização e Missão ENCONTRO DE PÁROCOS E LEIGOS DA PROVÍNCIA ACONTECE DE MODO VIRTUAL

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o dia 28 de agosto ocorreu o encontro virtual de párocos e leigos da Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil. As 12 paróquias acompanhadas pelos frades estiveram representadas. O encontro teve como tema: “A paróquia em tempo de pandemia”. Esta temática foi explanada por Frei Antônio Rodrigues, representante dos párocos no Secretariado Provincial de Evangelização e Missão. Na sua fala, ele destacou as aprendizagens e os desafios que este tempo pandêmico tem proporcionado. Em seguida cada paróquia, através de seus representantes, partilhou como tem vivenciado este tempo. Dentre os pontos partilhados, destacam-se: a preocupação com o acompanhamento psicológico

de várias pessoas; a importância da Pastoral da comunicação; o aumento da solidariedade e outros. Por fim, os participantes assumiram o compromisso de estudar o documento da ordem “Enviados a Evangelizar em fraternidade e minoridade na Paróquia”, com o objetivo de compreender a ação evangelizadora franciscana na paróquia. O primeiro encontro formativo deste documento será no dia 18 de setembro. No final do encontro, Frei Gilmar Nascimento, Secretário Provincial de Evangelização e Missão, agradeceu este momento edificante para a Província. Secretariado de Evangelização e Missão

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SE DEPENDER DE NÓS, A BOIADA DE RICARDO SALLES NÃO VAI PASSAR!

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s meses de julho e agosto foram bastante intensos para o Serviço de Justiça, Paz e Integridade da Criação de nossa Província. A política atual que vigora em nosso país nos tem obrigado a redobrar a nossa atenção e cuidado pela vida de nossos irmãos e irmãs que sofrem a exclusão e marginalização como resultado de uma política que os coloca distante de suas prioridades. Parece que virou política de governo retirar os direitos dos mais pobres, para favorecer os ricos e poderosos que já possuem muito, mas não freiam sua ganância e sede de poder. Também tem sofrido por causa dessa ganância a nos-

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sa irmã e mãe a Terra. É sempre muito difícil para todos nós olhar as perdas que os nossos biomas, fauna e flora tem sofrido. No dia 14 de julho lançamos uma nota em conjunto com as Pastorais Ambientais do Brasil repudiando um projeto de loteamento que destruiria mais de 500 mil m2 de floresta nativa no bairro Sabiaguaba em Fortaleza – CE. Um lugar protegido por lei que é responsável pelo equilíbrio ambiental da tão sofrida Mata Atlântica. Não podemos nos silenciar quando os nossos Mangues, Dunas e as espécies ali presentes correm risco de vida. Também manifesta-

mos nosso apoio, no dia 11 de agosto, junto com todas as Comissões de Justiça, Paz e Integridade da Criação do Brasil, à Carta ao Povo de Deus que foi assinada por mais de 150 bispos do Brasil. Esta carta possui um valor singular para o momento delicado que vive nossa história e coloca definitivamente a Igreja de Cristo nas esteiras da luta por um mundo mais justo e igual para nossos irmãos. Este é o lugar que nós Frades Menores queremos estar. No dia 14 de agosto emitimos uma nota de repúdio por uma ação da justiça que decidiu pela reintegração de posse do Quilombo Campo Grande no


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Estado de Minas Gerais. A decisão colocou em risco a vida de mais de 450 famílias que vivem naquele lugar. Alertávamos ainda para um agravante: o despejo das famílias estava acontecendo em meio a esta pandemia que tem colocado a vida de todos nós em risco. Essa nota teve uma grande repercussão na internet e provocou reações odiosas que nos definiam como “câncer da Igreja Católica”. Um dos grandes promotores desse ódio foi o influenciador digital Bernardo Küster que tem uma história regressa de ataque as instituições da Igreja como a CNBB, por exemplo. Também fomos vitimas dos ataques do filho do

Presidente da República, Eduardo Bolsonaro, que compartilhou a publicação odiosa do influenciador digital. O ódio não foi a única resposta que recebemos por denunciar os desmandos dos poderosos que agora governam o nosso país. Recebemos apoio de diversos lugares e instituições do Brasil e do mundo. Recebemos uma carta de apoio do Escritório de Justiça, Paz e Integridade da Criação da Cúria Geral em Roma, do Serviço Pastoral dos Migrantes da CNBB, do padre Júlio Lancellotti, de nosso querido irmão Leonardo Boff e de tantos outros homens e mulheres de paz.

Todo esse apoio nos ajuda a perceber de que lado nós estamos, bem como a discernir quem está do nosso lado. Nos ajudar a enxergar também quem está do outro lado, promovendo o ódio e as desigualdades. Mas, o que mais nos motiva nesta caminhada é o Evangelho de Cristo, rocha firme sobre a qual nós queremos nos fundamentar diariamente. Contamos com as orações de todos os irmãos da nossa querida Província e convocamos todos a estarem, cada dia mais, presentes nessa luta por vida justa para todos. Paz e Bem! Comissão de JPIC Provincial

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Evangelização e Missão CURIA GENERALE DEI FRATI MINORI - OFM Ufficio Giustizia, Pace e Integrità del Creato Via Santa Maria Mediatrice, 25 – 00165 Roma - Italia E-mail: pax@ofm.org Tel: (+39) 06 6849-1218

Roma, 22 de agosto de 2020 Prot. JPIC – 20/14 FREI JOÃO AMILTON DOS SANTOS, OFM Ministro Provincial Definitorio Provincial Comissão JPIC Provincial Estimados Irmãos, recebam uma fraterna saudação da paz desde o Escritório de Justiça, Paz e Integridade da Criação da Cúria Geral. Espero que cada um de vocês se encontre bem de ânimo e saúde no meio desta crise sanitária que vivemos e que, lamentavelmente, golpeou intensamente os mais empobrecidos dos nossos países. Na semana passada, fui testemunha da ação empreendida pelos Irmãos que compõe a Comissão JPIC da vossa Província. Uma nota pública de repúdio com relação a determinação e ação tomada pelo governo do Brasil contra mais de 450 famílias dos Quilombo Campo Grande no Estado de Minas Gerais. Felicitamos a atitude da Província em escutar o grito, o clamor, a vida de tantas famílias. Nos sentimos solidários com vocês e apoiamos, por esta maneira de serem profetas junto ao nosso povo que tanto sofre. Desde o Escritório JPIC da Cúria Geral partilhamos e simpatizamos com a nota de repudio publicada, porque põe no centro a pessoa, em particular as 450 famílias desalojadas no meio de uma crise sanitária. Agradecemos aos Irmãos que se atreveram a denunciar as injustiças que muitas vezes estão mais perto do que nós acreditamos. Ao mesmo tempo, lamento que a nota de repudio foi vista opacada pela opinião de um instagramer 1 , que tratou levianamente a ação como fruto da “Teologia da Liberação e seus adeptos”, esgrima que eles são um “câncer” para a Santa Igreja Católica. Não partilhamos em nada dessa opinião. Lamento, mas também compreendo muito bem que hoje, as opiniões e comentários nas redes sociais, apresentam-se de igual a igual e sem controle, só o indivíduo pode colocar limites no que deseja escrever. Neste sentido, lhes convido a não desanimar pelos comentários “haters” que vocês receberam, seguramente dói ler tanto ódio, mas sabemos que muitas pessoas estiveram e estão unidas a vocês nas boas palavras de ânimo. Ao mesmo tempo, não esqueçam que os principais afetados da história são as 450 famílias do Quilombo.

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@bernardopkuster

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Que esta situação permita realizar uma leitura com relação ao “social digital” e discernir estratégias que permitem-nos seguir promovendo o respeito aos direitos humanos. É importante manter-nos unidos e com apoio mútuo na defesa dos mais pobres e da criação, pois sabemos que os pobres e a criação são muito feridos para que poucos ganhem muito, e, ao defendê-los, estes poucos reagem com violências, por vezes, disfarçada de princípios bons".

Me associo as notas de apoio que vocês receberam do Serviço da Pastoral dos Migrantes da CNBB, Secretaria Nacional da DHJUPIC da JUFRA do Brasil Nacional, Pastoral do Povo de Rua de São Paulo - Pe. Julio Lanceloti, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – Nacional , nosso Teólogo Leonardo Boff, www.brasil247.com.br, Instituto Humanitas Unisinos (http://www.ihu.unisinos.br/) e inumeráveis consagrados e consagrada, leigos e leigas que estiveram unidos juntamente com vocês. Esta é uma maneira de estar em comunhão. Os animo a não se distanciar dos problemas sociais, não abandonar a profecia e a deixar-se guiar pelo Espírito Santo. Com este gesto de sinal profético, minha gratidão pela Província, que assumiu juntamente com todos os Freis, o sentir e perceber toda a realidade que está vivendo seu País. Quero pedir-lhes que continuem audazes, estando no meio dos mais necessitados, este gesto é o que cada dia estamos chamados a viver, da mística à profecia como consagrados; e de maneira especial a nossa Ordem Franciscana o legado que nos deixou nosso Pai Seráfico São Francisco. Que Santo Antônio de Pádua interceda por todos nós. Sigam adiante meus Irmãos. Minhas orações e todo nosso apoio.

FREI JAIME CAMPOS F., OFM Diretor Escritório JPIC Roma

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PARÓQUIA DE SANTO ANTÔNIO EM ARACAJU LANÇA WEB RÁDIO

paróquia Santo Antônio, em Aracaju, lançou um novo projeto de evangelização para a comunidade, a rádio Colina de Santo Antônio. A plataforma online começou a funcionar no dia 1º de julho. O projeto Durante a idealização, foi levado em conta aspectos que são comuns a comunidade. Como conta Luciana Gois, integrante da pastoral da comunicação: “Queríamos algo que identificasse nossa comunidade, que falasse sobre nós. E se a gente fala em Aracaju, lembramos logo da nossa colina; aos seus pés, nasceu a capital sergipana (daí também a referência ‘berço de Aracaju’ no slogan)”, explica. O projeto visual é composto por tons neutros, a imagem de uma igreja – que lembra a matriz – e um fone de ouvido, já que o modelo de rádio (na web) é projetado para ser utilizado nos celulares (podendo ser ouvido no computador e tablet também).

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A programação Durante esse início, a programação será mais musical e automatizada. A ideia é criar novos programas, espaços de reflexão, realizar parcerias. Na grade, há também momentos de orações, como o Ângelus, Terço da Misericórdia, Ave Maria, Ofício de Nossa Senhora, por exemplo, além de material informativo (jornal, curiosidades, dicas de saúde, cozinha etc.). A importância da comunicação A Igreja de Jesus Cristo nasceu para comunicar a Palavra Eterna de Deus que se fez carne no seio de Maria: Jesus Cristo, Nosso Senhor. Ao longo de mais de dois mil anos de história, a Igreja se comunicou pela palavra oral, pela escrita, pelo teatro, depois cinema, pelo rádio, pela televisão. Por isso, ela não pode perder as chances lançadas pelas mídias, nascidas nas novas tecnologias digitais. Em todos os meios que lhe sejam oferecidos, o grande desafio é fazê-los instrumentos do testemunho de vida que

constitui a essência da missão evangelizadora dos discípulos do Senhor. Frei Marconi Lins, que reside na Fraternidade de Aracaju, externa sua alegria pela iniciativa: “Queremos manifestar nossa alegria pela brilhante iniciativa da PASCOM da Paróquia de Santo Antônio de Aracaju, de iniciar na rede mundial de computadores a Web Rádio Colina de Santo Antônio, com a missão de evangelizar. A partir da colina de Santo Antônio, marco histórico importante da evangelização da cidade de Aracaju, queremos que Santo Antônio, nosso Padroeiro, através de nossa comunidade eclesial missionária, continue proclamando: A linguagem é viva quando falam as obras. Cessem, pois, as palavras e falem as obras”. Luciana Gois Pascom da Paróquia de Santo Antônio de Aracaju.


Igreja e Ordem INTERPELADOS PELA GRAVIDADE DOS TEMPOS, BISPOS DA CNBB ESCREVE “CARTA AO POVO DE DEUS” CARTA AO POVO DE DEUS 22 de julho de 2020, Festa de Santa Maria Madalena, “Apóstola dos Apóstolos” Povo de Deus, A vós, graça e paz, da parte de Deus, nosso Pai e de Nosso Senhor Jesus Cristo. (Ef 1,2) Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância (Jo 10, 10).

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omos bispos da Igreja Católica, de várias regiões do Brasil, em profunda comunhão com o Papa Francisco e seu magistério e em comunhão plena com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que no exercício de sua missão evangelizadora, sempre se coloca na defesa dos pequeninos, da justiça e da paz. Escrevemos esta Carta ao Povo de Deus, interpelados pela gravidade do momento em que vivemos, sensíveis ao Evangelho e à Doutrina Social da Igreja, como um serviço a todos os que desejam ver superada esta fase de tantas incertezas e tanto sofrimento do povo. Evangelizar é a missão própria da Igreja, herdada de Jesus. Ela tem consciência de que “evangelizar é tornar o Reino de Deus presente

no mundo” (Alegria do Evangelho, 176). Temos clareza de que “a proposta do Evangelho não consiste só numa relação pessoal com Deus. A nossa reposta de amor não deveria ser entendida como uma mera soma de pequenos gestos pessoais a favor de alguns indivíduos necessitados […], uma série de ações destinadas apenas a tranquilizar a própria consciência. A proposta é o Reino de Deus […] (Lc 4,43 e Mt 6,33)” (Alegria do Evangelho, 180). Nasce daí a compreensão de que o Reino de Deus é dom, compromisso e meta. É neste horizonte que nos posicionamos frente à realidade atual do Brasil. Não temos interesses político-partidários, econômicos, ideológicos ou de qualquer outra natureza. Nosso único interesse é o Reino de Deus, presente em nos2020 / Jul - Ago

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sa história, na medida em que avançamos na construção de uma sociedade estruturalmente justa, fraterna e solidária, como uma civilização do amor. O Brasil atravessa um dos períodos mais difíceis de sua história, comparado a uma “tempestade perfeita” que, dolorosamente, precisa ser atravessada. A causa dessa tempestade é a combinação de uma crise de saúde sem precedentes, com um avassalador colapso da economia e com a tensão que se abate sobre os fundamentos da República, provocada em grande medida pelo Presidente da República e outros setores da sociedade, resultando numa profunda crise política e de governança. Este cenário de perigosos impasses, que colocam nosso País à prova, exige de suas instituições, líderes e organizações civis muito mais diálogo do que discursos ideológicos fechados. Somos convocados a apresentar propostas e pactos objetivos, com vistas à superação dos grandes desafios, em favor da vida, principalmente dos segmentos mais vulneráveis e excluídos, nesta sociedade estruturalmente desigual, injusta e violenta. Essa realidade não comporta indiferença. É dever de quem se coloca na defesa da vida posicionar-se, claramente, em relação a esse cenário. As escolhas políticas que nos trouxeram até aqui e a narrativa que propõe a complacência frente aos desmandos do Governo Federal, não justificam a inércia e a omissão no combate às mazelas que se abateram sobre o povo brasileiro. Mazelas que se abatem também sobre a Casa Comum, ameaçada constantemente pela ação inescrupulosa de madeireiros, garimpeiros, mineradores, latifundiários e outros defensores de um desenvolvimento que despreza os direitos humanos e os da mãe terra. “Não podemos pretender ser saudáveis num mundo que está doente. As feridas causadas à nossa mãe terra sangram também a nós” (Papa Francisco, Carta ao Presidente da Colômbia por ocasião do Dia Mundial do Meio Ambiente, 05/06/2020). Todos, pessoas e instituições, seremos julgados pelas ações ou omissões neste momento tão grave e desafiador. Assistimos, sistematicamente, a discursos anticientíficos, que tentam naturalizar ou normalizar o flagelo dos milhares de mortes pela COVID-19, tratando-o como fruto do acaso ou do castigo divino, o caos socioeconômico que se avizinha, com o desemprego e a carestia que são projetados para os próximos meses, e

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os conchavos políticos que visam à manutenção do poder a qualquer preço. Esse discurso não se baseia nos princípios éticos e morais, tampouco suporta ser confrontado com a Tradição e a Doutrina Social da Igreja, no seguimento Àquele que veio “para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10). Analisando o cenário político, sem paixões, percebemos claramente a incapacidade e inabilidade do Governo Federal em enfrentar essas crises. As reformas trabalhista e previdenciária, tidas como para melhorarem a vida dos mais pobres, mostraram-se como armadilhas que precarizaram ainda mais a vida do povo. É verdade que o Brasil necessita de medidas e reformas sérias, mas não como as que foram feitas, cujos resultados pioraram a vida dos pobres, desprotegeram vulneráveis, liberaram o uso de agrotóxicos antes proibidos, afrouxaram o controle de desmatamentos e, por isso, não favoreceram o bem comum e a paz social. É insustentável uma economia que insiste no neoliberalismo, que privilegia o monopólio de pequenos grupos poderosos em detrimento da grande maioria da população. O sistema do atual governo não coloca no centro a pessoa humana e o bem de todos, mas a defesa intransigente dos interesses de uma “economia que mata” (Alegria do Evangelho, 53), centrada no mercado e no lucro a qualquer preço. Convivemos, assim, com a incapacidade e a incompetência do Governo Federal, para coordenar suas ações, agravadas pelo fato de ele se colocar contra a ciência, contra estados e municípios, contra poderes da República; por se aproximar do totalitarismo e utilizar de expedientes condenáveis, como o apoio e o estímulo a atos contra a democracia, a flexibilização das leis de trânsito e do uso de armas de fogo pela população, e das leis do trânsito e o recurso à prática de suspeitas ações de comunicação, como as notícias falsas, que mobilizam uma massa de seguidores radicais. O desprezo pela educação, cultura, saúde e pela diplomacia também nos estarrece. Esse desprezo é visível nas demonstrações de raiva pela educação pública; no apelo a ideias obscurantistas; na escolha da educação como inimiga; nos sucessivos e grosseiros erros na escolha dos ministros da educação e do meio ambiente e do secretário da cultura; no desconhecimento e depreciação de processos pedagógicos e de importantes pensadores do Brasil; na repugnân-


cia pela consciência crítica e pela liberdade de pensamento e de imprensa; na desqualificação das relações diplomáticas com vários países; na indiferença pelo fato de o Brasil ocupar um dos primeiros lugares em número de infectados e mortos pela pandemia sem, sequer, ter um ministro titular no Ministério da Saúde; na desnecessária tensão com os outros entes da República na coordenação do enfrentamento da pandemia; na falta de sensibilidade para com os familiares dos mortos pelo novo coronavírus e pelos profissionais da saúde, que estão adoecendo nos esforços para salvar vidas. No plano econômico, o ministro da economia desdenha dos pequenos empresários, responsáveis pela maioria dos empregos no País, privilegiando apenas grandes grupos econômicos, concentradores de renda e os grupos financeiros que nada produzem. A recessão que nos assombra pode fazer o número de desempregados ultrapassar 20 milhões de brasileiros. Há uma brutal descontinuidade da destinação de recursos para as políticas públicas no campo da alimentação, educação, moradia e geração de renda. Fechando os olhos aos apelos de entidades nacionais e internacionais, o Governo Federal demonstra omissão, apatia e rechaço pelos mais pobres e vulneráveis da sociedade, quais sejam: as comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas, as populações das periferias urbanas, dos cortiços e o povo que vive nas ruas, aos milhares, em todo o Brasil. Estes são os mais atingidos pela pandemia do novo coronavírus e, lamentavelmente, não vislumbram medida efetiva que os levem a ter esperança de superar as crises sanitária e econômica que lhes são impostas de forma cruel. O Presidente da República, há poucos dias, no Plano Emergencial para Enfrentamento à COVID-19, aprovado no legislativo federal, sob o argumento de não haver previsão orçamentária, dentre outros pontos, vetou o acesso a água potável, material de higiene, oferta de leitos hospitalares e de terapia intensiva, ventiladores e máquinas de oxigenação sanguínea, nos territórios indígenas, quilombolas e de comunidades tradicionais (Cf. Presidência da CNBB, Carta Aberta ao Congresso Nacional, 13/07/2020). Até a religião é utilizada para manipular sentimentos e crenças, provocar divisões, difundir o ódio, criar tensões entre igrejas e seus líderes. Ressalte-se o quanto é perniciosa toda associa-

Igreja e Ordem

ção entre religião e poder no Estado laico, especialmente a associação entre grupos religiosos fundamentalistas e a manutenção do poder autoritário. Como não ficarmos indignados diante do uso do nome de Deus e de sua Santa Palavra, misturados a falas e posturas preconceituosas, que incitam ao ódio, ao invés de pregar o amor, para legitimar práticas que não condizem com o Reino de Deus e sua justiça? O momento é de unidade no respeito à pluralidade! Por isso, propomos um amplo diálogo nacional que envolva humanistas, os comprometidos com a democracia, movimentos sociais, homens e mulheres de boa vontade, para que seja restabelecido o respeito à Constituição Federal e ao Estado Democrático de Direito, com ética na política, com transparência das informações e dos gastos públicos, com uma economia que vise ao bem comum, com justiça socioambiental, com “terra, teto e trabalho”, com alegria e proteção da família, com educação e saúde integrais e de qualidade para todos. Estamos comprometidos com o recente “Pacto pela vida e pelo Brasil”, da CNBB e entidades da sociedade civil brasileira, e em sintonia com o Papa Francisco, que convoca a humanidade para pensar um novo “Pacto Educativo Global” e a nova “Economia de Francisco e Clara”, bem como, unimo-nos aos movimentos eclesiais e populares que buscam novas e urgentes alternativas para o Brasil. Neste tempo da pandemia que nos obriga ao distanciamento social e nos ensina um “novo normal”, estamos redescobrindo nossas casas e famílias como nossa Igreja doméstica, um espaço do encontro com Deus e com os irmãos e irmãs. É sobretudo nesse ambiente que deve brilhar a luz do Evangelho que nos faz compreender que este tempo não é para a indiferença, para egoísmos, para divisões nem para o esquecimento (cf. Papa Francisco, Mensagem Urbi et Orbi, 12/4/20). Despertemo-nos, portanto, do sono que nos imobiliza e nos faz meros espectadores da realidade de milhares de mortes e da violência que nos assolam. Com o apóstolo São Paulo, alertamos que “a noite vai avançada e o dia se aproxima; rejeitemos as obras das trevas e vistamos a armadura da luz” (Rm 13,12). O Senhor vos abençoe e vos guarde. Ele vos mostre a sua face e se compadeça de vós. (Nm 6, 24-26).

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HOMILIA DO MINISTRO GERAL DA FESTA DO PERDÃO DE ASSIS: COMO MEMBROS DE UMA ‘FRATERNIDADE CÓSMICA’, TODAS AS CRIATURAS COMPARTILHAM A MESMA DIGNIDADE E VOCAÇÃO DADA POR DEUS

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ois mil e vinte serão lembrados como um ano de grande enfermidade e tribulação para o mundo inteiro. Toda comunidade humana neste minúsculo planeta Terra foi afetada de uma maneira ou de outra pela pandemia de SARS-CoV-2. Atualmente, mais de 650.000 pessoas em todo o mundo morreram, das quais 35.000 na Itália. Mais de 17 milhões foram positivos para o vírus, mas os cientistas nos dizem que essa é provavelmente apenas uma pequena fração do número total de infectados. As vidas sociais, culturais, econômicas e espirituais das pessoas em todos os lugares – nossas vidas – foram profundamente perturbadas. Muitos experimentaram distúrbios psicológicos profundos, levando alguns a desistir da esperança e a cometer suicídio. Mais preocupante, não temos idéia de como o vírus evoluirá. Isso cria uma incerteza profunda sobre o futuro.

O novo Coronavírus também abriu os olhos de mais pessoas – e espero que tenha aberto os olhos de todos nós reunidos aqui em oração – para as profundas, duradouras, feridas sociais e ecológicas que fervem logo abaixo da superfície na maioria, se não em todas as sociedades . Essas feridas, símbolos de graves pecados sociais e institucionais, chamaram recentemente pouca atenção entre aqueles que fazem parte da maioria ou das classes ‘privilegiadas’. Esse não é o caso daqueles que são contados entre a “minoria”, que experimentam sérias enfermidades e tribulações sociais diariamente durante a maior parte de suas vidas. Isso foi demonstrado com mais clareza pelo cruel assassinato de George Floyd, um inocente negro de Minneapolis, Minnesota, Estados Unidos, que foi detido pela polícia em um estrangulamento. Apesar de seu pedido de misericórdia, para oxigênio – oito minutos e quarenta e seis segundos, “Não consigo respirar”, nenhuma misericórdia foi deEssas consequências são reais demais para monstrada pelos responsáveis ​​pelo dever de aqueles de nós reunidos aqui hoje para celebrar salvar vidas. Mas a situação de George Floyd, a Festa do Perdão de Assis. Cobrimos nossos seu assassinato, não se limita apenas aos Estarostos com máscaras; mantemos distância so- dos Unidos. É a experiência de tantas pessoas cial um do outro; andamos com medo do inimigo em todo o mundo – na Inglaterra, França, Itáinvisível; menos peregrinos estão reunidos nes- lia, Índia, África do Sul, Brasil, para citar apenas te espaço sagrado este ano para nossa celebra- alguns lugares – que foram sistematicamente ção de peregrinação; a ‘Marcha Franciscana’ excluídas, reduzidas a uma vida de pobreza, anual, que deveria comemorar seu 40º aniver- que ‘podem’ não respire ‘por causa da cor de sário, terá que ser adiada por outro tempo. sua pele, da classe social à qual foram designados, por causa de suas convicções religiosas ou Jul - Ago / 2020

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orientação sexual. A experiência do sofrimento e das tribulações mencionadas por São Francisco não é algo experimentado apenas no nível pessoal. A visão espiritual de São Francisco, seu clamor por misericórdia, perdão e reconciliação também tem uma dimensão social que, se abraçado e seguido, produzirá dentro de cada um de nós uma profunda conversão. Essa conversão produzirá os frutos de uma vida autêntica, justa e cheia de alegria, como discípulos e co-missionários com Cristo, com Maria e com São Francisco. A nova pandemia de Coronavírus está nos permitindo examinar outra coisa profundamente preocupante, que está produzindo sofrimento e tribulações cada vez maiores para a grande maioria dos habitantes do mundo. Estou falando da profunda divisão socioeconômica que está aumentando. Aqueles que controlam as forças da produção e distribuição econômica – as empresas multinacionais (Apple, Amazon, Facebook e Google) – estão ficando mais ricos a um ritmo alarmante, mesmo nesses tempos incertos de pandemia, enquanto os pobres, os excluídos, os negros estão ficando mais pobres, marginalizados, empurrados para a beira da sobrevivência a um ritmo alarmante. São eles que enfrentam os maiores riscos e sofrem as piores conseqüências da pandemia, porque não têm nada para recorrer, nem recursos de reserva, nem ativos sociais significativos para se basear. Ao mesmo tempo, também estamos testemunhando um aprofundamento da crise ambiental, a destruição implacável do ambiente natural – as florestas tropicais; oceanos, mares e rios; a atmosfera que fornece oxigênio para nossos pulmões; o derretimento dos dois poloneses e um aumento alarmante do nível do mar, que, por sua vez, está forçando principalmente os pobres a abandonar suas casas e se tornarem “refugiados ambientais”. Todas essas desigualdades sociais destrutivas e abusos da natureza criam condições favoráveis ​​nas quais patógenos mortais anteriormente mantidos à distância em ambientes naturais protegidos podem dar o salto do animal para a comunidade humana, trazendo perigo e sofrimento imprevisíveis. A pandemia de SARS-CoV-2 nos permitiu, talvez pela primeira vez em nossas vidas, reconhecer a natureza profundamente interconectada de todos os seres vivos,

Igreja e Ordem

Irmãos e irmãs, o chamado ao arrependimento, à conversão, a abrir nossas mentes, corações e vidas para uma nova maneira de viver juntos neste planeta é mais urgente agora do que em qualquer outro momento da história humana. A conversão requer que escutemos “o clamor da terra e o clamor dos pobres” (cf. Papa Francisco, Laudato Si ‘ , par. 49). Mas não é isso também que Francisco de Assis pretendia quando orou para que todas as pessoas, e eu acrescentaria, todo o universo criado, pudessem ser admitidas no paraíso, pudessem chegar a uma experiência do que São Mateus chama de “caminho beatífico de vida ”(Mt 5: 1-11), definida por viver em um relacionamento justo e correto entre si e com toda a criação? Hoje, chegamos a este local sagrado da Porziúncula, um local de oração, encontro, perdão, misericórdia e amor. Deus nos trouxe aqui para que possamos entrar mais plenamente no drama divino do ato redentor de libertação de Jesus do pecado e no poder reconciliador da cruz que nos convida a buscar o caminho de volta a Deus, um ao outro, a nós mesmos, e para a criação. Viemos como irmãos e irmãs, carregando em nossos corações, mentes e corpos todos os seres vivos, para que todos possam participar do poder libertador do amor reconciliador de Deus. Como São Paulo nos diz: “Sabemos que toda a criação está gemendo em dores de parto, até agora; e não apenas isso, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos dentro de nós, enquanto aguardamos a adoção, a redenção de nossos corpos ”(Rm 8: 22-23). O próprio ato dessa adoção, esse processo redentor, nada mais é do que a plena reconciliação de todas as coisas em Cristo Jesus, alcançadas pela morte de Jesus na cruz (Colossenses 1:20). É aqui que convergem o testemunho de São Paulo e o de São Francisco, oferecendo-nos um novo caminho a seguir para experimentar as conseqüências graças de uma vida reconciliada. Em seu Cântico das Criaturas, Francisco nos oferece um roteiro para alcançar uma vida de bem-aventurança, de ‘Paraíso’ recuperado. No Cântico, Francisco celebra a presença amorosa de Deus em toda a criação. Ele procura na natureza orientação sobre como devemos modelar nossos relacionamentos com Deus, uns com os outros e com o mundo natural. Ele reconhece na 2020 / Jul - Ago

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Igreja e Ordem

criação – irmão Sun, irmã Moon e todos os outros elementos – o chamado para que vivamos em total dependência do Criador. Ele nos convida a abrir nossa vida a um entendimento de nossa identidade autêntica como membros de uma ‘fraternidade cósmica’, na qual todas as criaturas compartilham a mesma dignidade e vocação dada por Deus desde o momento da criação (cf. C. Vaiani, Storia e teologia dell ‘esperienza spirituale di Francesco di Assisi, Milão, 2013, p. 378) Esta fraternidade única, este lar comum, foi criado por Deus e recebeu a vocação de amar, servir e honrar o Criador, amando, servindo e honrando um ao outro. Os seres humanos e o mundo da criatura têm como vocação o dever de apoiar e completar um ao outro, de não competir e destruir um ao outro . Somos corresponsáveis​​ uns pelos outros, especialmente pelos pobres e excluídos. Somos co-responsáveis ​​pela vida do ambiente natural, demonstrando gratidão e respeitando os limites adequados da natureza, não levando o planeta à beira do desastre ecológico. “Vinde a mim, todos os que me desejam, e enchem-se dos meus frutos. Você vai se lembrar de mim como sendo mais doce que o mel, melhor do que o favo de mel. (Sir 24: 19-20). Essas palavras de consolação nos oferecem a esperança

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de que Deus sempre será misericordioso, sempre nos receberá de volta, não importa o quanto nos afastemos em nossas vidas, e não importa quão longe nossas comunidades humanas se afastaram da prática de amor, cuidado, justiça e misericórdia para todo e qualquer ser humano, e para o mundo natural, nosso lar comum. Irmãos e irmãs, Deus está nos chamando através desta grande celebração do perdão de Assis a abandonar tudo o que leva à morte, tudo o que nos rouba a misericórdia, o perdão, a paz e a alegria de Deus. Somos convidados a viver como filhos amados de um Deus amoroso, destinado à liberdade, destinado ao amor, destinado a Deus. Não há espaço para medo, espaço para exclusão, espaço para apatia ou inação. No paraíso de Deus, todos são bem-vindos, todos são perdoados e todos são amados. Que Maria, Mãe de Jesus, nos abraça e consola, pois juntos renovamos nossa promessa de viver em autêntica amizade com Deus, uns com os outros e com nossa mãe terra, nosso lar comum.

FONTE: OFM


Igreja e Mundo

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IRMÃ GABRIELA FAZ VOTOS PERPÉTUOS NA ORDEM DE SANTA CLARA

o dia 04 de julho, a Irmã Maria Gabriela da Sagrada Família professou os votos perpétuos na Ordem de Santa Clara (Clarissas) no Mosteiro Santa Clara em Campina Grande/PB. A celebração foi presidida pelo Vigário Provincial, Frei Sérgio Moura. A própria Irmã Gabriela externa seus sentimentos após entregar-se totalmente em consagração. “Encontrei Aquele que o meu coração ama. Segurei-O e não O largarei”. (Ct 3) “Eu, Irmã Maria Gabriela… faço votos a Deus Onipotente de viver por toda a minha vida…”, assim foram as palavras que fizeram o meu “SIM” ser expressão, para que todos soubessem do Amor que encontrei. Mas, me pergunto: encontrei o Amor ou fui encontrada por Ele? Em meio a vida tão cheia de novidades, tecnologias, desenvolvimento, mudanças consideráveis dentro e fora do ser humano, dias tão barulhentos e eufóricos, tantas ocupações e preocupações que parecem não caber em vinte e quatro horas diária... Deus dignou-Se tomar um segun-

do da minha vida e por isso para mim o mundo parece parar. Deus tocou-me e Seu toque me fez sentir por um instante o Eterno. E agora, Senhor, o que será de mim? Já tocada, não consigo buscar riquezas ou prazeres a não ser as que Tu ofereces. Os amores da vida, eles já não saciam minha sede, preciso beber na Fonte do Amor, verdadeira Fonte, Centro e Razão de tudo. Aí quero me perder e me encontrar, na imensidão da Tua misericórdia que me acolhe e me ensina o perdão e a caridade, renovando-me a cada instante. Agora e para sempre eu digo SIM ao meu Criador; Sim ao meu Salvador; Sim ao Espírito de Amor. Viverei em Ti, por Ti, para Ti e com os olhos fixos, vigilantes, desejo que nada me separe do meu Senhor. Agradeço as orações e o carinho fraterno de todos, as minhas Irmãs Pobres, aos meus Irmãos Menores, aos meus familiares, amigos, afilhados e benfeitores, enfim, a todos os que me ajudaram a alcançar Aquele que meu coração ama, meu Senhor e meu Deus”. Comunicação Provincial 2020 / Jul - Ago

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363 Anos de

Elevação à Província

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PROVÍNCIA COMPLETA 363 ANOS DE ELEVAÇÃO CANÔNICA

Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil tem uma história riquíssima e que condiz com sua condição de primeira fraternidade franciscana a plantar suas raízes em terras de Santa Cruz. Em 12 de abril de 1585, há 435 anos, chegaram a Olinda os oito frades fundadores da presença franciscana na Colônia portuguesa. O grupo de frades foi crescendo e tornou-se uma árvore frondosa a ponto de no dia 24 de agosto de 1657, portanto há 363 anos, tornar-se Província autônoma em relação à Província-mãe de Portugal. Conhecemos momentos cruciais de diminuição drástica do número de frades, mas fomos restaurados pela Província Franciscana da Santa Cruz da Saxônia, da Alemanha, com a chegada dos primeiros frades restauradores no dia 12 de dezembro de 1889. Já em 1901 a Província ressurgia “dos mortos”. A partir daí vemos um período de crescimento e a multiplicação de novas presenças no Norte e Nordeste do Brasil. E hoje? Podemos falar de crise, mas compreendida e enfrentada com esperança. Há uma crise que perpassa a humanidade, comprometendo as chances de construirmos uma convivência humana em que todos sejamos beneficiários do progresso científico, da produção de alimentos, da democracia, do diálogo cultura e religioso! Também a natureza está profundamente ameaçada e com comprometimentos irreparáveis! E o que dizer da violência que atinge escalas inimagináveis? Temos chances de reverter o quadro negativo e ameaçador porque também a humanidade nunca ansiou tanto pela paz, pela justiça e pela igualdade! Dentro deste panorama, vemos a possibilidade de continuar marcando presença na construção da história humana, contribuindo com a riqueza do Carisma de São Francisco de Assis do qual somos depositários.

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Se formos fiéis ao nosso ideal de vida evangélico recebido do seráfico Pai Francisco, também não nos faltarão vocações. Talvez não na proporção necessária para nos garantir todas as presenças que hoje mantemos no Norte, Nordeste e na Alemanha. Mas certamente o suficiente para criar o impacto profético que a Igreja e a humanidade precisam. Sobre a Província “De 1500 a 1583, aportaram no Brasil nove grupos esporádicos de missionários tanto portugueses como espanhóis e italianos. Exercendo o apostolado entre Pernambuco e Santa Catarina, não lograram estabelecer se, embora, até 1549. Representassem a única Ordem Religiosa da extensa colônia. Nem a fundação da Primeira Custódia partiu, em princípio, dos frades menores portugueses, pois a iniciativa se deve a Jorge de Albuquerque, governador de Pernambuco, é a Dona Maria da Rosa, terceira franciscana regular de Olinda, os quais pediram a Felipe 11 a vinda dos frades menores, depois de indeferido idêntico requerimento pela Província de Santo Antônio de Portugal. El Rei insistiu no mesmo sentido com o Ministro Geral, Frei Francisco Gonzaga. Este, presidindo ao Capítulo da Província de Santo Antônio, em Lisboa, a 13 de março de 1584, e apresentando o pedido vindo de Pernambuco, encontrou resistência; assim mesmo decretou a fundação da Custódia brasileira de Santo Antonio e nomeou, na mesma data, o primeiro custódio Frei Melquior de Santa Catarina. Em 12 de abril de 1585 chegaram a Olinda os oito fundadores da Custódia, ocupando a 4 de outubro do mesmo ano, o Convento de Nossa Senhora das Neves, que D. Maria da Rosa lhes doara. A atividade principal dos franciscanos


desenvolveu se na catequese dos índios das seguintes missões: Olinda (duas), Itamaracá, Itapissuma Ponta de Pedras, Siri, Tracunhaém, Una ou Iguna, em Pernambuco; Porto de Pedras, em Alagoas; Almagra, Guirajibe, Joane, Mangue. Praia, Santo Agostinho, Jacoca, Assunção, Piragibe, e outros três centros missionários na Paraíba cujos nomes não são conhecidos e com os quais estavam anexas outras 16 ou 18 aldeias. Por volta de 1619, o Prefeito Apostólico Antônio Teixeira Cabral confiou as missões ao clero secular. Atesta Frei Vicente do Salvador, como ex-missionário. Que os franciscanos, entre 1585 a 1619, batizaram 52 mil índios. Em 1624, vários missionários de Olinda acompanharam a Frei Cristóvão Severim de Lisboa para o Maranhão, ajudando na catequese durante alguns anos, e introduzindo os dez missionários recém chegados. Até 1647, a Custódia de Olinda ficou dependendo da Província mãe, cabendo a esta, até 1614, a eleição dos superiores e a solução dos assuntos de maior importância, enquanto o custódio do Brasil reunia periodicamente a chamada junta. A 14 de outubro de 1614, o custódio Frei Vicente do Salvador presidiu ao primeiro Capítulo, no Convento de Olinda, cabendo aos Capitulares as eleições para todos os cargos, exceto o do Custódio, que era eleito em Lisboa. O Papa Inocêncio X, a 18 de abril de a 1647, conferiu autonomia à Custódia de Santo Antônio, separando a da Província Portuguesa, e Alexandre VII, a 24 de agosto de 1657, a elevou a categoria de Província. Neste intervalo de tempo, a maior parte dos conventos foram fundados entre a Bahia e São Paulo, em consequência da invasão holandesa em Pernambuco (1630 1654). Além do curso filosófico teológico criado em Olinda (1596), havia outros em Salvador e no Rio de Janeiro. O primeiro Capítulo Provincial, em 5 de novembro de 1659, reuniu os nove conventos findados entre São Paulo e o Espírito Santo, formando a nova Custódia da Imaculada Conceição, a qual recebeu foros de província autônoma em 1675. Frei José Milton Azevedo Coelho, OFM

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Frei Eduardo

Frei Húmilis Pereira, e Frei José Domingos

Ordenação Presbiteral Frei Arnaldo Motta e Sá

Ordenação de Frei Hugo Fragoso

Serviço Provincial de Comunicação Arte e Diagramação: Frei Erick Ramon, OFM Revisão: Frei Faustino Santos,OFM Frei Marcos Almeida, OFM Frei Artur Bruno S. Medeiros, OFM Expedição: Secretaria Provincial Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil Rua Imperador, 206, Recife - PE. CEP: 50010 - 240 - Tel: (81) 3424-4556 www.ofmsantoantonio.org / E-mail: ofmnordeste@gmail.com