2020 - Notícias - Novembro/Dezembro

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Noticìas Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil Novembro - Dezembro / 2020 - Ano LXV nº 497


Sumário

Mensagens

03 Mensagem de natal do Ministro Geral.............................04 Mensagem de natal Ministro Provincial...........................

Vida Fraterna

...10 Frei Luiz Antônio e Frei Genilson renovam os votos.........11 Frades concluem tempo de experiência Fraterno missionária.......12 Retrospectiva do Postulantado em 2020..........................13 Frei Janael é Ordenado presbitero...............................

Ordem

15 Carta do Ministro Geral sobre a Pandemia à Ordem........................16 Encontro fraterno dos Ministros Gerais.................................................19 Orientações para a Evangelização Missionária............. 20 Frei Michael Perry na Comissão para a Evangelização dos Povos......21 Mensagem do Ministro Geral por ocasião do combate à AIDS......

Igreja

22 Em defesa da população atingida pelas mineradoras.......24 Declaração Final do Encontro Economia de Francisco.......


Mensagem de Natal Do Provincial

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emocionantes celebrações nas rezados confrades, é nossas paróquias e conventos chegado o Natal do Se- serão resumidas. Imaginemos nhor, momento oportuno o quanto será diferente não ver para deixarmos o Emanuel es- aquele grande contingente de tabelecer morada entre nós. pessoas que anualmente se diApesar das sombras tenebro- rige a Canindé para celebrar o sas do desespero, angústia, Natal e, de igual modo, a outros tristeza, dor e incerteza que al- lugares do Brasil e do mundo. cançam a vida humana, a Luz Tal como a simplicidade do vinda do Alto nos alcança e nos nascimento do Menino Deus no enche de força, coragem e es- seio da humanidade, neste ano perança. No Natal, o Deus da somos chamados, em singelevida se coloca ao lado dos seus za, a fazer nascer o Emanuel filhos e filhas animando-os com em nossa vida. Sem estrondo Sua força poderosa para o en- e tomando por exemplo o sim frentamento das injustiças e di- de Maria que permitiu a geraficuldades. ção de Jesus no seu ventre e Por conta da pandemia do novo no mundo, permitamos que a coronavírus, neste ano as festi- luminosidade do Emanuel faça vidades do Natal terão uma tô- triunfar a vida nova sobre a nica diferente. As iluminadas e face da terra.

Envoltos nesse mistério, elevemos uma prece a Deus pelos que foram vitimados pela covid19, pelos que sofreram com essas perdas e por todos os que se dedicaram e ainda se dedicam aos enfermos e necessitados. Que o Natal do Senhor nos ajude a encontrar conforto, paz, alegria, esperança, amor e fé profunda.

Frei João Amilton,OFM Ministro Provincial

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Mensagem

CARTA DE NATAL

DOS MINISTROS GERAIS FRANCISCANOS

Assis, 25 de dezembro de 2020. O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para os que habitavam as sombras da morte, uma luz resplandeceu (Is 9,1)

A todos os irmãos e irmãs da Família Franciscana,

A esperança é ousada! Caríssimos irmãos e irmãs de toda a Família Franciscana, o Senhor lhes dê a paz! A luminosidade e a musicalidade são duas das várias componentes da gramática natalícia. Tomás de Celano, narrando o Natal de Greccio, fala de uma noite que “ficou clara como o dia: era um encanto para os homens e para os animais”. Nesta noite, “o povo foi chegando e se alegrou com o mistério renovado em uma alegria toda nova. O bosque ressoava com as vozes que ecoavam nos morros. Os frades cantavam, dando os devidos louvores ao Senhor e a noite inteira se rejubilava” (cf. 1Cel 85). Como representantes da grande Família Franciscana internacional, enquanto já vislumbramos a Luz que vem do Alto, propomos-lhes, em linguagem musical, uma reflexão sobre a bela sonoridade da Encíclica Fratelli Tutti.

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2 | a esperança é ousada!

1. EM NOTAÇÃO MUSICAL 1.1. Uma nova partitura Estamos terminando de navegar o Advento, e o Natal já está ao horizonte! Faltam poucos dias para o fim de 2020, mas desde já podemos dizer que foi um ano muito especial. Parece que vivemos nestes últimos meses as experiências que bastariam por uma década inteira. O vírus, as mudanças políticas, os protestos em vários países, as tensões, as guerras, o desprezo, o descarte, o caos das informações – experimentamos que o mundo se tornou mais tenebroso e, devido também aos vários lockdowns, mais fechado (cf. Francisco, Fratelli tutti [=FT], cap. I: As sombras dum mundo fechado, nn. 9-55). E, justamente neste momento histórico, recebemos do Papa Francisco a Encíclica Fratelli tutti, em que ele compartilha o desejo de ter a coragem de sonhar, de aspirar a uma família humana unida, um abraço global entre irmãos e irmãs, “filhos desta mesma terra que nos alberga a todos” (FT n. 8). O Papa introduz a Fratelli tutti com a referência específica ao amor fraterno vivido e promovido por Frei Francisco, o amor para com os próximos e distantes; o amor, também para com as criaturas do Senhor, mas, em primeiro lugar, para com “os que eram da sua mesma carne” (FT n. 2), e, entre eles, para com os pobres e últimos. O Santo Padre recorda também o sentido profundo da histórica e humilde visita de Frei Francisco ao Sultão Al-Malik Al-Kamil, no Egito. O Pobrezinho de Assis o encontrou como irmão, como pessoa que tem o “coração sem fronteiras, capaz de superar as distâncias de proveniência, nacionalidade, cor ou religião” (FT n. 3). O Papa Francisco

Mensagem confessa que justamente São Francisco é um grande comunicador do amor de Deus e “um pai fecundo que suscitou o sonho de uma sociedade fraterna”; foi esta a motivação principal para escrever a nova Encíclica (FT n. 4). Assim, com maior razão, deveria se tornar a motivação também para nós, membros da Família Franciscana! Queremos dizer ainda mais... Nós, Ministros Gerais da Família Franciscana, estivemos em Assis e estávamos lá, em 3 de outubro, junto à Tumba de São Francisco, enquanto o Papa Francisco celebrava a Santa Missa e assinava a sua carta! Pudemos saudar o Santo Padre em nome de todos. Nessa oportunidade que a Providência nos deu, vimos um convite especial dirigido a toda a Família, in primis, a nós, Ministros. É um convite a levar a Fratelli tutti e suas indicações a sério, como dom e encargo que o Papa nos dá neste 2020, como uma motivação que vem de São Francisco por meio do Papa Francisco, como uma nova partitura para aprender, exercitar e executar na grande ópera da história.

1.2. Várias notas no acorde da esperança O Papa Francisco é realista, e não hesita em chamar as coisas pelo nome. Analisando a situação na qual se encontra o mundo atual (FT nn. 9-55), fala das “sombras densas que não se devem ignorar” (FT n. 54). Mas não para aí. Qual é a resposta que dá a estes sofrimentos que a humanidade inteira experimenta? A esperança! E o que é a esperança? É algo que nos fala “duma sede, duma aspiração, dum anseio de plenitude, de vida bem-sucedida, de querer agarrar o que é grande, o que enche o coração e eleva o espírito para coisas grandes, como a 2020 / Nov - Dez

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carta de natal dos ministros gerais franciscanos | 3

verdade, a bondade e a beleza, a justiça e o amor...”. É uma realidade que “é ousada, sabe olhar para além das comodidades pessoais, das pequenas seguranças e compensações que reduzem o horizonte, para se abrir aos grandes ideais que tornam a vida mais bela e digna” (FT n. 55). Mas de onde se toma a esperança? A resposta espontânea provavelmente é a seguinte: é preciso buscá-la em Deus. E é realmente assim. A fonte da esperança e da alegria é Deus e o seu Evangelho. O Papa Francisco já o recordara na Evangelii Gaudium, quando enfatizava que a verdadeira alegria nasce dentro do vínculo entre Deus e o homem, entre o cristão e Jesus Cristo (Evangelii Gaudium nn. 1-8). Esta é a primeira nota do acorde de esperança – descobrir-se filhos de Deus e seus amigos. Toda ação, toda solidariedade, toda amizade social, tem base nesta descoberta, porque se somos filhos do mesmo Pai, isto significa que vivemos em meio a irmãos e irmãs. E não se está indiferente perante o irmão e a irmã. Na Fratelli tutti, recorda-se justamente isto: a esperança não é algo que se adquire sozinhos e vivendo sós, independentemente dos demais. Não, a esperança é construída juntos, redescobrindo-se irmãos e irmãs. Eis a segunda nota do acorde – descobrir que não se está isolado, que os outros existem, que todos somos interligados e necessários e “ninguém se salva sozinho” (FT n. 54). E, dado que vivemos neste planeta e neste momento específico da história, a nossa esperança se refere também à nossa habitação: a terra. O Papa Francesco, na Laudato si’ [=LS], após afirmar que “há uma grande deterioração da nossa casa comum”, convida a ter esperança, pois ela

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“convida-nos a reconhecer que sempre há uma saída, sempre podemos mudar de rumo, sempre podemos fazer alguma coisa para resolver os problemas” (LS n. 61). A terceira nota da esperança tem, portanto, o gosto da água fresca, cheira a ar limpo dos bosques incontaminados e tem o som da floresta tropical cheia do canto de milhares de pássaros. E esta nota completa um acorde da esperança, que não soaria bem se fosse manco, se lhe faltasse uma das três notas.

2. EM CONCERTO 2.1. Os primeiros compassos – relação e encontro A Laudato si’ perguntava que mundo queremos para o futuro, qual planeta queremos; a Fratelli tutti nos interpela sobre quais relações queremos para o futuro. As intuições da Fratelli tutti convidam a descobrir e nutrir a esperança para o mundo em que “tudo é aberto” (cf. FT cap. III: Pensar e gerar um mundo aberto nn. 87-127), e certamente põem questões também sobre a nossa identidade, sobre a missão, e, de consequência, também sobre a formação. Trazendo estas perguntas para dentro da Família Franciscana, podemos nos perguntar: nós, Franciscanos e Franciscanas, qual mundo franciscano futuro, quais valores, estilo e pensamento, desejamos transmitir àqueles que virão depois de nós? E, sobretudo, que tipo de relações queremos dentro do nosso mundo franciscano? E, enfim, queremos que este nosso mundo franciscano seja acessível e aberto a todos? A Laudato si’ dizia que o mundo é uma rede de relações (é preciso recordar que a “relação” é uma das principais categorias


4 | a esperança é ousada! franciscanas), onde tudo está interligado (cf. LS n. 117); a Fratelli tutti diz que esta rede de relações infelizmente está se deteriorando; que a ameaça é o isolamento; mas também propõe a cura e reafirma que a esperança se encontra na cultura do encontro (cf. FT n. 30). Como gerar a cultura do encontro? O Papa Francisco recorda que “toda mudança tem necessidade de motivações e dum caminho educativo” (LS n. 15), e que deve ser organizado de tal modo que se possa inspirar “tesouro da experiência espiritual cristã” (LS n. 15), e, podemos acrescentar, também franciscana. Reconhecemos, assim, a necessidade de tomar em consideração, em cada nossa ratio formationis e em cada nossa ratio studiorum, o tema de uma específica e clara formação humana, social e “ambiental” baseada nestas convicções do Papa. Parece haver a necessidade de se perguntar como inserir dentro de nossos percursos formativos uma grande pergunta sobre como favorecer a cultura do encontro. Pois é a proximidade que salva, e salva não apenas o homem, mas também a sua casa, a terra.

2.2. Os compassos antecedentes – atenção e diálogo Comentando a parábola do bom Samaritano, o Papa Francisco nos recordou que “estamos todos muito concentrados nas nossas necessidades” (FT n. 65) e, portanto, corremos o risco de nos colocarmos na categoria do sacerdote e do levita, indiferentes ao “homem ferido, estendido por terra no caminho, que fora assaltado” (FT n. 63). Para medir o nível da nossa atenção para com os outros, podemos nos perguntar se “ver alguém que está mal incomoda-nos, perturba-nos, porque não queremos perder

Mensagem tempo por culpa dos problemas alheios” (FT n. 65). Um dos votos a se desejar, e não apenas para este tempo de Natal, é para que se tenha mais coragem em assumir “o modelo do bom samaritano” (FT n. 66) e que se faça “ressurgir a nossa vocação de cidadãos do próprio país e do mundo inteiro, construtores dum novo vínculo social” (FT n. 66). De fato, “qualquer outra opção deixanos ou com os salteadores ou com os que passam ao largo, sem se compadecer com o sofrimento do ferido na estrada” (FT n. 67). Com estes votos, surge outra pergunta: como podemos ser ainda mais criativos e não nos abandonarmos a “constituir uma sociedade de exclusão”, mas assumir “como própria a fragilidade dos outros” (FT n. 67)? Como podemos ser mais atentos ao próximo? Como sermos ainda mais ousados em nos fazermos próximos dos últimos (cf. FT nn. 233-235)? O Papa Francisco, falando da fonte de inspiração para a sua Encíclica Laudato si’, indica, além de São Francisco, o “amado Patriarca Ecumênico Bartolomeu” (LS n. 7). Falando da fonte de inspiração para a Fratelli tutti, confessa que achou de grande estímulo o Grande Imã Ahmad Al-Tayyeb (cf. FT n. 29). Com isso, oferece um exemplo concreto e relevante do diálogo que os cristãos, a partir da sua identidade irrenunciável (cf. FT n. 3), são chamados a buscar “com todas as pessoas de boa vontade” (FT n. 6). Como irmãos e irmãs franciscanos, já estamos envolvidos neste diálogo em diversos lugares e maneiras; mas talvez possamos nos perguntar como incrementar os espaços de diálogo e encontro com todas as pessoas e, especialmente, com quem não compartilha da nossa fé, mas que frequentemente mora e trabalha ao nosso lado. 2020 / Nov - Dez

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São Francisco deixou algumas indicações práticas – pode-se começar com uma saudação: O Senhor te dê a paz! (cf. TestF 23). Porque, para saudar alguém deste modo, primeiro é preciso “vê-lo”. E depois, uma saudação é o prólogo do diálogo! Recordemos, porém, que a saudação de São Francisco é dirigida a todos, na mesma medida e com a mesma gentileza (cf. também FT, nn. 222-224)! Sem exceções, pois em cada um reconhecia uma irmã ou um irmão, e sabia que no coração de Deus não há filhos de segunda categoria!

2.3. Na escola de música Recebemos do Papa Francisco uma nova partitura para aprender. O trecho parece complicado, mas sabemos que todos os trechos parecem complicados no início. Nota após nota, compasso após compasso, gradativamente se chega a adquirir a capacidade de uma boa execução. O novo trecho narra o sonho de um mundo aberto, de um mundo onde reina o encontro, onde são possíveis novos estilos de vida, novos modos de olhar e pensar. Os responsáveis pela execução deste trecho também somos nós; portanto, é necessário gerar processos internos (ad intra da Ordem, por exemplo, na formação) e extra (em nosso serviço ao mundo), processos que podem ajudar a entrar na lógica da música escondida na partitura da Fratelli tutti. Onde aprender as notas deste novo trecho musical? O tempo do Natal vem em nosso auxílio e convida a frequentar uma melhor escola de música. São Francisco atesta que o Natal é o melhor tempo para se exercitar, pois: “Naquele dia concedeu o Senhor sua misericórdia, e de noite ressoou o seu louvor”

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(cf. cf. OfP S15). Eis que, em Belém, acontece um encontro. É Deus mesmo quem contribui à cultura do encontro e se faz próximo: um de nós. Instaura um diálogo, de início, sem palavras, estabelecido apenas com os olhares – (devia ser impressionante – e com certeza o experimentou Maria de Nazaré! – olhar, pela primeira vez desde a criação do mundo, os olhos de Deus!) – Deus, na festa do Natal, presenteia-nos o Seu rosto, porque “ninguém pode experimentar o valor de viver, sem rostos concretos a quem amar” (FT n. 87). É o primeiro a ensinar como viver um estilo de vida profético e contemplativo, capaz de alegrar profundamente sem sermos obcecados pelo consumo. Eis a fonte da nossa identidade; eis onde aprender o que significa vir ao encontro de quem está distante e é totalmente diferente. A formação começa aqui: da contemplação do rosto de Jesus Cristo, envolto em faixas, beijado por Maria de Nazaré e abraçado por José. É sobre este rosto que podemos ler que Deus é amor (1Jo 4,16); o Amor que não sabe outra coisa a não ser doar-se plenamente e, consciente da nossa necessidade de salvação, veio ao nosso encontro. O “santíssimo menino amado nos foi dado, e nasceu por nós no caminho e foi posto num presépio” (cf. OfP S15), é a Palavra por meio da qual o Pai renova o diálogo com a humanidade inteira; a Palavra que, para dialogar, fez-se carne e veio morar entre nós (Jo 1,14). Eis onde está a fonte da esperança! É lá onde está Deus e, ao mesmo tempo, é lá onde estão os irmãos e as irmãs: foi Ele quem veio, e veio a morar justamente entre nós. Também nós, Ministros Gerais da Família Franciscana, queremos contribuir para escrever a nova partitura no acorde


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6 | a esperança é ousada! da esperança, da relação e do encontro, da atenção e do diálogo, na escola de Deus: o “menino de Belém” (cf. 1Cel 86). Fazemolo com a nota de juntos desejar-lhes votos de feliz Natal: desejamos em uníssono a todos, neste Natal tão especial, que tenham

a ousadia de querer sentir sempre, em qualquer lugar, em cada circunstância, com todos os irmãos e irmãs, o canto dos anjos que proclamam: “Glória a Deus no mais alto dos céus, e na terra, paz aos homens – todos! – por ele amados!” (cf. Lc 2,14).

Deborah Lockwood OSF Presidente IFC-TOR

Tibor Kauser OFS Ministro geral

Michael Anthony Perry OFM Ministro geral

Roberto Genuin OFMCap Ministro geral

Carlos Alberto Trovarelli OFMConv Ministro geral Presidente de turno da Conferência da Família Franciscana

Amando Trujillo Cano TOR Ministro geral

Prot. N. 015/2020

Imagem: Instituição Creche, Greccio, Itália.

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FREI JANAEL VIEIRA É ORDENADO PRESBÍTERO

o dia 12 de dezembro de 2020 no qual a Igreja celebrou o dia de Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira da América Latina, no Convento Santo Antônio de Ipuarana, em Lagoa Seca/PB, Frei Janael Vieira foi admitido à Ordem no grau do Presbiterato. Tendo por bispo ordenante Dom Frei Martinho Lammers, emérito da Diocese de Óbidos/PA, a Celebração Eucarística, respeitando as medidas de higiene e distanciamento social, contou com a participação expressiva de familiares, amigos e confrades de diversos lugares do Nordeste. Na homilia, Dom Martinho recordou que a vida presbiteral é como um momento novo que requer daquele que responde a essa vocação o testemunho de ser uma benção, ser Shekinah, ou seja, ser sinal da graça de Deus onde quer que vá. A caminhada franciscana de Frei Janael iniciou no ano de 2008 quando vivenciou a etapa do Postulantado na cidade de Penedo/AL, passou pelo Noviciado em 2009 na cidade de Lagoa Seca/PB, cursou a Filosofia em Recife/PE e a Teologia em Fortaleza/CE no tempo que compreende a Profissão Temporária. Emitiu os votos

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perpétuos na Ordem dos Frades Menores em 2017 e foi admitido ao Diaconato em 2019. No dia 13 de dezembro, ocasião do terceiro domingo do Advento, Frei Janael presidiu sua primeira Eucaristia. Rezemos, pedindo a Deus que ilumine seu ministério e que ele seja fecundo na vida da Ordem, da Igreja e do Povo. Comunicação provincial


Vida Fraterna

NO DIA DA IMACULADA CONCEIÇÃO, OS FRADES LUIZ ANTÔNIO E GENILSON SILVA RENOVAM OS VOTOS NA ORDEM DOS FRADES MENORES

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dia 8 de dezembro é marcado pela celebração litúrgica da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria. Na alegria desta solenidade, dois confrades junioristas, Frei Luiz Antônio (que reside no Convento São Francisco em Salvador-BA) e Frei Genilson Silva (que reside no Convento Nossa Senhora das Dores em Fortaleza-CE) renovaram os Conselhos Evangélicos de viverem em Obediência, Sem nada de próprio e Castidade na Ordem dos Frades Menores. Esses frades professaram os primeiros votos na Ordem no dia 08 de dezembro de 2019 na cidade de Lagoa Seca/PB, após terem vivenciado o tempo do Noviciado. Esse ano é a primeira vez que eles renovam os votos.

Vivendo em fraternidades diferentes, Frei Genilson e Frei Luiz Antônio, sob o cuidado fraterno de seus respectivos mestres, que também são seus guardiães, Frei Francisco Rogério (Fortaleza-CE) e Frei Marcos Osmar (Salvador-BA) receberam a renovação dos seus Conselhos Evangélicos destes irmãos, sob delegação do Ministro Provincial, Frei João Amilton dos Santos. Peçamos ao Deus da Vida que lhes conceda perseverança e fidelidade no seguimento do Seu Filho pelos passos de São Francisco de Assis. Equipe de Provincial de Comunicação.

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Vida Fraterna

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FRADES CONCLUEM O TEMPO DA EXPERIÊNCIA FRATERNO-MISSIONÁRIA E FAZEM AVALIAÇÃO

urante os dias 16 a 27 de novembro tilha, mostrando o quanto foi bom esta experiênos frades que estavam na Experiência cia e o quanto nos ajudou a amadurecer nosso Fraterno-Missionária (Frei Mendelson carisma e missão. Branco, Frei Jailson das Mercês e Frei João Pedro) se dirigiram para Lagoa Seca/PB para Frei Mendelson Branco da Silva, OFM apresentar o relatório de conclusão desse tempo de experiência. Houve a partilha das diversas realidades vivenciadas enquanto eles estavam nas fraternidades de Campo Formoso/BA, João Pessoa/PB e Mossoró/RN, respectivamente. A partilha foi muito positiva e proveitosa. Mostrou-se que tanto na vivência fraterna, quanto nas atividades pastorais, houve grande amadurecimento humano e religioso. Além disso, foi possível sentir a realidade de cada lugar. Durante os dias de avaliação foi possível fazer um estudo de introdução à Teologia com ênfase nas perspectivas da Doutrina da Igreja, na Liturgia e no Carisma Franciscano. Destaca-se ainda que, durante a convivência em Lagoa Seca, foi possibilitada uma proximidade com os noviços, fortalecendo os laços fraternos e troca de experiências. Louvado seja o Senhor Jesus Cristo que nos proporciona dias frutuosos de convivência e par-

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Vida Fraterna

DAS REMINISCÊNCIAS DE UM ANO DESAFIADOR superar e buscar evoluir todos os dias. Nossa fraternidade foi convidada a mergulhar neste mar de lembranças, de recordações, para trecho desta música nos apresenta uma também entender os dias de lutas e glórias que verdade essencial: o Ser humano é a sín- tivemos ao longo de nossa trajetória durante o tese de diversas histórias. Por isso, trazê- ano de 2020. Quanta coisa vivemos, quantos -las sempre à memória é um exercício que deve sentimentos, sensações e emoções experimenser fomentado em todos os momentos e em to- tamos ao longo de todos estes dias. das as ocasiões, principalmente naquelas mais Quantas pessoas surgiram no nosso caminho significativas, pois essas datas comemorativas que foram expressão de Deus em nossa vida. nos instigam a olhar o retrovisor da vida para aí Quantos amigos novos tivemos a oportunidade refletir o desenrolar dos acontecimentos. de fazer, quantos outros perdemos. De uns nutriClaro que o tempo do Natal e as festas de fim de mos terna saudade, de outros nem tanto, de uns ano são períodos por excelência para uma remi- ainda preferimos esquecer. Quantos momentos niscência mais aprofundada do caminhar. Este incríveis passamos juntos de nossos amigos. tempo nos instiga a perceber os “dias de lutas e Quantos passeios, brincadeiras, risadas e avenos dias de glória” que tivemos ao longo do ano. turas nos proporcionaram. Nossos amigos são a Hoje podemos olhá-los, relembrá-los, e perce- família que nosso coração escolheu. ber quais marcas nos deixaram. Os fatos ruins Além de tudo isso ainda existe aqueles querinos ensinam sobre finitude, sobre nossa limita- dos de nossa família, que em tudo quer ver ção. Os fatos bons nos lembram de que existem nossa felicidade e vitória. Quanta alegria crespessoas ao nosso lado, que caminham conosco, ce no coração quando nos lembramos de seu que nos incentivam a sermos melhores, a nos amor, carinho e cuidado. Todas as vezes que “Histórias, nossa histórias. Dias de lutas, dias de glória”.

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nos sentimos tristes, podemos lembrar os afagos de nossa mãe, a firmeza de nosso pai ou o companheirismo de nossos irmãos. A tristeza se vai, porque podemos fazer a experiência de ser amado e percebido como único. Nossa família tem esse poder. Também não podemos esquecer-nos dos nossos entes queridos que partiram deste mundo. Deles trazemos saudades e a terna esperança que com eles nos encontraremos no céu. Como os nossos grupos vocacionais marcaram nossas vidas ao longo deste ano que se esvai e de tantos outros que já se foram. Com eles vivemos e trilhamos as sendas da descoberta da vontade de Deus para nossas vidas. Cada um que compunha esses grupos nos cativou com sua característica pessoal, seu modo de agir, etc. Sem falar dos nossos promotores vocacionais. Eles tiveram a importante missão de apresentar o carisma da fraternidade, que lá no início de nossa caminhada, cativou nossos corações. Quantas partilhas, quantas conversas à mesa, quantas conversas pessoais e quantas orações comuns pudemos vivenciar naqueles dias nos conventos que nos acolhiam mensalmente. Se olharmos com atenção, até as longas e fatigantes viagens, com todos os seus desafios, trocas de ônibus e aventuras nas estradas mundo afora, que precisávamos enfrentar na busca pela vontade de Deus, hoje, são capítulos a mais no longo livro de nossas vidas. Os encontros de pré-postulantado trouxeram a cada um novas surpresas, novos encontros. Muitos de nós nem mesmo tínhamos saído de nossos estados de origem. Mais uma aventura. Sair de nossa casa, ir para outra cidade, muitos quilômetros distantes das nossas, para lá conviver com pessoas desconhecidas, mas que Deus resolveu escolher para vivermos juntos e partilhar a caminhada de discernimento vocacional de maneira mais profunda. O livro de memórias de 2020 não estaria completo sem fazer menção desta terrível praga que perturbou, desestabilizou frustrou sonhos, projetos, que nos derrubou e lançou numa espiral de medo e apreensão. Não se sentido satisfeita, ainda tirou entes queridos nossos. Como foi difícil, bem no início, estar com a data de início de nosso postulantado marcada, com a vida organizada e, por conta desta moléstia, ter que esperar tanto tempo, com as incontáveis mudanças de datas, para finalmente fazer aquilo que tanto

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esperávamos: chegar à Triunfo. E chegamos, estamos aqui! Precisamos lembrar com carinho a dedicação e disponibilidade de nosso promotor vocacional em desbravar muitos quilômetros, cortando quase todos os estados do Nordeste para nos trazer em segurança, sãos e salvos. Com humor e descontração pela quantidade de bagagens que trouxemos, Frei Joanan Marques nos deu a primeira grande lição da vida fraterna franciscana: precisamos ser como pais e mães para os irmãos. À medida que os dias foram passando, que os meses foram se completando, que a convivência e a fraternidade começaram a exigir de nós novas posturas, novas formas de pensar e de agir, tivemos a oportunidade de perceber nossas diferenças e indiferenças. Como somos distintos uns dos outros! Contudo, estes contrastes não devem ser motivos para fechamentos nos guetos de pensamentos. As diferenças são ocasiões onde temos a oportunidade de fazer a experiência da alteridade, da empatia. Se vasculharmos nossas memórias recentes, vamos encontrar tantos, mas tantos momentos bons que vivemos juntos até aqui. Neste Natal muitos tiveram uma experiência nova e marcante, por serem as primeiras festas de fim de ano longe das famílias de sangue. A saudade nos fragiliza, nos deixam até um pouco tristes, porém a certeza que não estamos sozinhos, que não somos apenas um grupo que vive junto, mas uma fraternidade, uma sociedade nova, uma família, escolhida e formada pela e em busca da vontade do Bom Deus, serve como alento. “Vide e vede como é bom e agradável os irmãos viverem juntos, bem unidos. Pois a eles o Senhor dá sua benção e vida pelos séculos sem fim” (Sl 133). Este salmo nos coloca no centro desta realidade e pode iluminar o ano vindouro. Na próxima retrospectiva teremos mais “Dias de glórias” para rememorar se o fizermos um exercício constante do nosso proceder. Ao mesmo tempo, mesmo pela distância física, estaremos ainda mais unidos com aqueles que deixamos em nossos lugares de origem. Feliz novo Ano! Feliz Vida! Feliz fraternidade! Postulante Gilberto Sales


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ueridos irmãos, o Senhor lhes dê a paz! Todos os anos, em 1º de dezembro, a comunidade internacional é convidada a fazer uma pausa e refletir sobre a realidade e o impacto do HIV e da AIDS na comunidade humana. É um momento para lembrar e orar pelos 38 milhões de irmãos e irmãs vivendo com HIV, suas famílias e amigos, bem como orar pelos outros milhões que perderam suas vidas devido à AIDS (mais de 32,7 milhões). O ano de 2020 foi marcado pela pandemia SarsCoVid-2 (CoVid-19), que está afetando a vida e os meios de subsistência da comunidade humana global. CoVid-19 nos mostra como a saúde global está interconectada com outras questões críticas, como crescentes desigualdades sociais e econômicas, abusos dos direitos humanos e da dignidade e ameaças ao meio ambiente. À medida que o mundo volta toda a sua atenção para a pandemia global de CoVid-19, existe o risco de que a atual pandemia de HIV / AIDS seja esquecida e que a batalha para derrotá-la sofra um retrocesso, causando o declínio da atenção e financiamento nacional e internacional. O Papa Francisco na sua recente encíclica Fratelli tutti avisa-nos que “no mundo de hoje os sentimentos de pertença à mesma humanidade estão enfraquecidos, e o sonho de construir juntos a justiça e a paz parece uma utopia de outros tempos… [Não] percebemos que estamos todos no mesmo barco” (30). Para o Papa, só quando nos damos conta de que “ninguém se salva sozinho; que só podemos ser salvos juntos” (32), saberemos enfrentar os desafios que nos são apresentados e, trabalhando em colaboração e solidariedade, superá-los com a graça de Deus. Muito progresso foi feito nos últimos anos, mas os desafios são muitos. Vamos unir nossas energias e nossa oração enquanto lutamos contra os dois vírus e suas terríveis consequências: HIV / AIDS; e CoVid-19. Exortemos os líderes de nossas nações a continuarem garantindo apoio

MENSAGEM DO MINISTRO GERAL PARA O DIA MUNDIAL CONTRA AIDS 2020: “SOLIDARIEDADE GLOBAL, RESPONSABILIDADE COMPARTILHADA” financeiro adequado para medicamentos anti-retrovirais seguros, eficazes e acessíveis, bem como outros medicamentos necessários para combater o HIV e tratar doenças relacionadas, e a tomar medidas especiais para garantir que não o façam a produção e distribuição dessas terapias anti-retrovirais que salvam vidas são interrompidas. Como discípulos do Senhor Jesus ressuscitado e seguidores de nosso seráfico pai Francisco, nunca deixemos de amar, apoiar e rezar por nossos irmãos e irmãs que vivem ou são afetados pelo HIV e AIDS. Oremos também por nossos próprios irmãos que vivem com o vírus e que, apesar dos desafios que enfrentam, continuam a servir as necessidades do povo de Deus, especialmente dos pobres e esquecidos. Oração pelo Dia Mundial (Contra) AIDS de 2020: Ó Deus, Trindade de amor, derrama sobre nós uma torrente de solicitude e solicitude fraterna. Faz com que possamos respeitar a presença de Cristo em cada ser humano, especialmente na vida de nossos irmãos e irmãs que convivem ou sofrem as consequências do HIV e da AIDS. Que possamos ir ao encontro da fraternidade e da solidariedade, reconhecendo que somos verdadeiramente parte uns dos outros, que somos irmãos e irmãs da única família de Deus. Amém.

(inspirado na Fratelli tutti 32, 287)

Roma, 1 de dezembro de 2020 Fraternalmente, Fr. Michael A. Perry, Ministro geral OFM e Servo

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ENCONTRAR ESPERANÇA EM MEIO À PANDEMIA DO COVID-19 | CARTA DO MINISTRO GERAL AOS IRMÃOS DE TODA A ORDEM

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perguntar-lhes sobre seu bem-estar, meus queridos irmãos, e para comunicar palavras de conNas palavras de nosso Seráfico pai, Que forto, solidariedade e esperança cristã. O ano o Senhor lhe dê a paz! de 2020 será lembrado para sempre como um Há muito tempo tenho a intenção de escrever ano em que toda a comunidade humana caiu de a você mais uma vez durante este momento joelhos, humilhada pelo patógeno Sars-CoVid-2 particularmente difícil na vida do mundo, para (doravante, CoVid-19). Enquanto a pandemia informá-lo de algumas das bênçãos e desafios continua a devastar comunidades humanas, que enfrentamos como uma fraternidade global deixando para trás um sofrimento incalculável, e para encorajar todos nós a continuar no ca- ela está tendo outras consequências sociais minho e manter a fé. Escolhi esta data, que co- graves. Famílias, amigos e irmãos da Ordem memora a aprovação pelo Papa Honório III em sentiram o impacto psicológico e emocional 1223 da Regra e da Vida Definitiva (Regula bu- que ocorre como resultado da manutenção da lada), para vos falar de assuntos urgentes que distância social, usando máscaras protetoras e pesam no nosso coração. abstendo-se de expressar formas físicas de afeNo decorrer dos últimos meses, estive em con- to, privando-nos de algo tão vital e necessário tato com vários dos Provinciais e Custódios para para a vida humana e comunitária. A perda de

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aros Irmãos da Ordem,

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empregos e meios de subsistência também está tendo um impacto muito negativo na vida de bilhões de pessoas em todas as regiões do mundo. As pessoas são cada vez mais levadas à pobreza crônica. Há uma sensação crescente de medo, incerteza, desamparo e desesperança. Esta pandemia global e suas consequências colaterais também estão afetando seriamente a vida de todos os frades da Ordem. Alguns irmãos da Ordem morreram. Outros ficaram gravemente doentes e passaram um tempo no hospital. Outros passaram o tempo em quarentena, isolados de seus irmãos da fraternidade. Até mesmo nosso trabalho, nossos compromissos ministeriais em paróquias, escolas, programas de serviço social, aposentadoria, trabalho pela justiça, paz e o cuidado de nossa casa comum foram seriamente prejudicados pela pandemia. Alguns irmãos compartilharam comigo suas crises de depressão, sentimentos de solidão, sua sensação de perda de autonomia e poder sobre suas vidas e até mesmo seus sentimentos de raiva e uma tristeza persistente em seus corações. Agora, mais do que nunca, precisamos inventar novas formas de estarmos juntos, multiplicando os momentos em que podemos compartilhar as dificuldades e frustrações que vivemos, mesmo respeitando as normas de saúde pública para o bem comum. São Francisco nos lembra na Regra e na Vida: “E onde quer que vocês estejam e se encontrem, os irmãos se mostram mutuamente familiares. E expressai com confiança a vossa necessidade, porque, se a mãe nutre e ama o seu filho carnal (cf. 1Tes 2,7), com quanto mais amor cada uma deveria amar e nutrir o seu irmão espiritual?” (RB, cap. 6). A atual crise de saúde alterou seriamente a maneira como nós, Cúria geral, realizamos nosso serviço à fraternidade universal. Não pude visitar-vos, queridos irmãos, nem os Definidores puderam acompanhar a vida das vossas Entidades de uma forma que exprimisse proximidade e “personalismo franciscano”. Este personalismo valoriza muito os encontros “face a face”, a oração compartilhada, as refeições e a vida em comum. Fomos obrigados a conduzir nossas reuniões por meio do Zoom, Skype ou algum outro formato eletrônico. Apesar dessas limitações, todos os esforços foram feitos para manter os canais de comunicação abertos, na esperança de que possamos encorajar uns aos outros a

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manter os olhos fixos no Senhor Jesus, Outro desafio que enfrentamos como fraternidade tem a ver com nossa própria situação financeira. Os ministros me informaram que uma conseqüência profundamente perturbadora do CoVid-19 foi uma severa redução na receita, mesmo com as despesas continuando a aumentar. O resultado é um efeito dominó: as fraternidades locais que antes eram autônomas agora estão pedindo ajuda financeira; As Províncias e as Custódias têm dificuldade em apoiar os irmãos e é ainda mais difícil transmitir suas contribuições solidárias à Cúria geral. A Cúria depende dessas contribuições para ajudar a sustentar as casas dependentes da Ordem e as necessidades de formação e missão de muitas entidades economicamente mais pobres. Além disso, também dependemos da receita da Fondazione Opera Antonianum, que se encarrega de supervisionar o funcionamento do Hotel Il Cantico e do Auditório da Pontificia Universidad Antonianum. A pandemia causou perda de receita. A Fondazione não poderá fazer qualquer contribuição para o orçamento da Cúria para os anos fiscais de 2019, 2020 e possivelmente 2021. Já estamos sentindo a pressão econômica. Irmãos, espero que nestes tempos difíceis vocês encontrem mais tempo para enfocar no que é realmente importante em nossa vida. Como nos recordam as nossas Constituições Gerais, somos “obrigados a levar uma vida radicalmente evangélica… em espírito de oração e devoção e em comunhão fraterna… testemunhar penitência e minoridade… na caridade para com todos… pregar a reconciliação, a paz e justiça ... e mostrando respeito pela criação” (Art. 1 §2). Esta vida evangélica nos fornece um fundamento espiritual em tempos de provação e sofrimento. A fraternidade deve ser um oásis de esperança, o lugar onde retiramos forças da bondade e do cuidado que demonstramos uns com os outros. Também é importante que nos dêmos o luxo de cuidar de nós mesmos, incluindo exercícios, leitura, oração e estudo, fortalecendo nossos corpos, mentes e corações para manter o curso. Nosso compromisso de ser irmãos de todo o mundo deve nos levar a uma reflexão mais profunda sobre as múltiplas fraturas sociais econômicas, políticas, sociais, as várias formas de desigualdades crescentes, racismo e outros “ismos” - os outros “vírus” - que violam o bem comum e o compromisso com a solidariedade 2020 / Nov - Dez

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global. Peçamos uma avalanche de conhecimento e intuição para orientar cientistas, médicos e profissionais de saúde na busca por vacinas, terapias para reduzir as consequências da infecção pelo CoVid-19 e nos cuidados gerais dos mais afetados. Recorramos à sabedoria de Salomão para nossos líderes políticos, para que possam buscar o bem comum, reconhecer as frustrações e a ira das pessoas de quem são chamados a cuidar e servir e encontrar novas formas de acompanhar os mais necessitados de assistência especial. Vamos estender nossas mãos e braços para abraçar nossos irmãos e irmãs, figurativamente, compartilhando nosso tempo e recursos preciosos com os mais necessitados como um sinal claro de que estamos todos conectados, somos todos membros da única família de Deus, irmãos e irmãs que percorrem juntos o caminho que nos leva à plena realização do reino de Deus no agora e no futuro. Nas palavras do Papa Francisco, que a tragédia da pandemia do CoVid-19 ajude a quebrar “aquelas falsas e supérfluas seguranças com as quais construímos nossas agendas, nossos projetos, rotinas e prioridades ... [para que possamos alcançar] aquele bendito pertencimento comum da qual não podemos e não queremos escapar; aquela pertença de irmãos ”( rotinas e prioridades ... [para que possamos alcançar] aquela bendita pertença comum da qual não podemos e não queremos escapar; aquela pertença de irmãos ”( rotinas e prioridades ... [para que possamos alcançar] aquela bendita pertença comum da qual não podemos e não queremos escapar; aquela pertença de irmãos ”(Fratelli tutti! 32). Ao comemorarmos todos os santos da Ordem, rezamos para que, com a ajuda de Deus, da intercessão de São Francisco, de todos os nossos santos franciscanos e de Maria, Rainha da Ordem Franciscana, possamos reacender o nosso fervor inicial e renovar o nosso compromisso de viver a Regra e a Vida propostas por São Francisco e aprovadas pelo Papa Honório III. Tiremos forças do testemunho fiel dos nossos santos franciscanos, que também viveram muitos desafios, mas souberam manter vivo o amor e a esperança que receberam desde o início do seu caminho evangélico. Renovemos o nosso compromisso de ser homens de esperança, irmãos amorosos entre si, buscadores da justiça autêntica, da paz, promotores do bem,

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da fraternidade e da solidariedade com todos os homens e com todo o universo criado. Olhemos ativamente para o Capítulo Geral de 2021, onde nos reuniremos para refletir e abraçar o tema: Renovemos a nossa visão, abracemos o nosso futuro - “Acordai… e Cristo vos iluminará com a sua luz (Ef 5,14)! Deus está aqui! A esperança está próxima! Para terminar, convido-vos a rezar comigo as seguintes palavras dos «Louvores do Deus Altíssimo», compostos por São Francisco, confiados ao Pe. León no Monte Alverne em 1224: Você é bela, Você é mansidão; Você é o protetor, Você é o guardião e o defensor, Você é a força, Você é o refrigério. Você é a nossa esperança! Tu és a nossa fé, tu és a caridade, tu és a nossa doçura, tu és a nossa vida eterna: Grande e admirável Senhor, Deus todo-poderoso, misericordioso Salvador. AMÉM. Roma, 29 de novembro de 2020 Festa de Todos os Santos da Ordem Seráfica Fraternalmente, Fr. Michael A. Perry, Ministro geral OFM e Servo


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OS MINISTROS GERAIS SE REÚNEM PARA UM ENCONTRO FRATERNO NA CÚRIA GERAL OFM

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o dia 19 de dezembro de 2020, os Ministros gerais da Primeira Ordem e Terceira Ordem Regular se reuniram na Cúria Geral da Ordem dos Frades Menores para compartilhar um momento de fraternidade antes do Natal. Durante o intercâmbio, falaram longamente sobre o desejo de que a Igreja nos permita recuperar o dom das nossas origens como institutos mistos (Vita Consecrata, art. 61). Eles falaram sobre os desafios atuais e os sonhos futuros de nossas respectivas Ordens, incluindo o reconhecimento da igual dignidade de todos os frades e a possibilidade de participação igual em todos os níveis de serviço aos irmãos. Também se lembraram dos frades que morreram ou adoeceram por causa do CoVid-19. Em seguida, falaram sobre alguns dos diferentes esforços em todo o mundo franciscano para iniciar um novo começo por meio da criação de fraternidades interobedienciais (Emaús na Terra Santa, Rieti e Assis na Itália, etc.), e por meio de projetos colaborativos nas áreas de Formação Permanente e Inicial, Evangelização Missionária e outras áreas. Os Ministros gerais concluíram o tempo juntos com a oração na capela da Cúria geral. Pela primeira vez, os Ministros de toda a família franciscana publicaram neste ano uma carta conjunta de Natal, traduzida em 18 línguas. Este é um passo verdadeiramente positivo para um futuro caracterizado por uma comunhão cada vez maior. Fonte: OFM

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O REINO DE DEUS ESTÁ PRÓXIMO: ORIENTAÇÕES PARA A EVANGELIZAÇÃO MISSIONÁRIA FRANCISCANA

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ueridos irmãos, Apresentamos este documento como “diretrizes” para viver e anunciar o Evangelho no mundo de hoje. Na sequência do pedido dos frades capitulares reunidos em Assis, em 2015, para “elaborar diretrizes em preparação para a missão, válida para toda a Ordem”, do Secretariado-Geral para as Missões e Evangelização tentamos abordar a complexidade das diversas realidades, a fim de responder ao referido pedido. A ordem de Jesus “Ide e fazei meus discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a fazer tudo o que vos ordenei” (Mt 28, 19-20) atinge o coração do nosso carisma. As realidades do mundo em rápida mutação nos desafiam e nos fazem compreender que o chamado do Senhor é construir o seu Reino como protagonistas da Evangelização e do cuidado da “irmã Mãe Terra”. Agradecemos ao Senhor que nos deu irmãos missionários evangelizadores ao longo da história da nossa Ordem. Sendo verdadeiras tes-

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temunhas da presença do Ressuscitado na sua cidade e da vitória da vida sobre a morte, muitos deles perderam a vida evangelizando. Quase todos eles iluminaram suas vidas como a luz da vela que com o tempo se consome, ilumina o ambiente, continua a ser um símbolo da presença da verdadeira Luz e depois se apaga quando a missão foi cumprida. Agradecemos a todos aqueles que colaboraram para que este texto fosse possível, seja com idéias, sugestões e reflexões, seja com revisão, correção e traduções. Queremos encorajar todos os irmãos a lerem os sinais dos tempos, relerem o Evangelho, redescobrirem a forma de viver o nosso carisma hoje e agir como fraternidade contemplativa na missão evangelizadora onde se encontram com a coragem de ser protagonistas e de marcar a diferença com uma evangelização atualizada e eficaz. Secretariado Geral de Missão e Evangelização Fonte: OFM


Ordem

O PAPA FRANCISCO RENOVOU A NOMEAÇÃO DO MINISTRO GERAL COMO MEMBRO DA CONGREGAÇÃO PARA A EVANGELIZAÇÃO DOS POVOS

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or decreto do Papa Francisco, de 13 de outubro de 2020, o Ministro geral, fr. Michael A. Perry, recebeu a renovação como membro da Congregação para a Evangelização dos Povos por mais cinco anos. A tarefa específica da Congregação sempre foi a propagação da fé em todo o mundo, com a competência específica de coordenar todos os esforços missionários, dar diretrizes às missões, promover a formação do clero e das hierarquias locais, de promover a criação de novos Institutos missionários e apoiar materialmente as atividades missionárias. A nova Congregação tornou-se assim o instrumento ordinário e exclusivo do Santo Padre e da Santa Sé para o exercício da jurisdição sobre todas as missões e cooperação missionária. Toda a Ordem sente-se honrada e grata por esta confirmação e felicita fraternalmente o Frei Michael, expressando os seus melhores votos por esta nomeação. Fonte: OFM

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DECLARAÇÃO FINAL E COMPROMISSO COMUM DO EVENTO MUNDIAL ECONOMIA DE FRANCISCO

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Economia de Francisco, 21 de novembro de 2020 Nós, jovens economistas, empresários, change makers do mundo,convocados em Assis pelo Papa Francisco, no ano da pandemia da COVID-19, queremos enviar uma mensagem aos economistas, empresários, decisores políticos, trabalhadores e trabalhadoras, cidadãs e cidadãos do mundo, para transmitir a alegria, as experiências, as esperanças, os desafios que neste período amadurecemos e recolhemos, ouvindo o nosso povo e o nosso coração. Estamos convencidos de que não se constrói um mundo melhor sem uma economia melhor e que a economia é importante demais para a vida dos povos e dos pobres para que todos nós não nos ocupemos disso. Por isso, em nome dos jovens e dos pobres da Terra, nós pedimos que: 1.as grandes potências mundiais e as grandes instituições econômico-financeiras desacelerem

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a sua corrida para deixar a Terra respirar. A COVID nos fez desacelerar, sem a termos escolhido. Quando a COVID passar, a nossa opção deve ser desacelerar a corrida desenfreada que está asfixiando a terra e os mais fracos; 2.seja ativada uma comunhão mundial das tecnologias mais avançadas para que, também nos países de baixa renda, as produções sejam sustentáveis; seja superada a pobreza energética – fonte de disparidade econômica, social e cultural – para realizar a justiça climática; 3.a questão da custódia dos bens comuns (especialmente os globais como a atmosfera, as florestas, os oceanos, a terra, os recursos naturais, todos os ecossistemas, a biodiversidade, as sementes) seja colocada no centro das agendas dos governos e do ensino nas escolas, universidades, business schools do mundo inteiro; 4.nunca mais sejam usadas as ideologias econômicas para ofender e descartar os pobres, os doentes, as minorias e os desfavorecidos de todos os tipos, porque a primeira ajuda à indi-


Igreja gência deles é o respeito e a estima de suas pessoas: a pobreza não é maldição, é apenas infortúnio, e responsabilidade de quem não é pobre; 5.que o direito ao trabalho digno para todos, os direitos da família e todos os direitos humanos sejam respeitados na vida de cada empresa, para cada trabalhadora e cada trabalhador, garantidos pelas políticas sociais de cada país e reconhecidos em nível mundial com uma carta comum que desencoraje escolhas empresariais voltadas apenas ao lucro e baseadas na exploração das crianças e adolescentes e dos mais desfavorecidos; 6-sejam imediatamente abolidos os paraísos fiscais no mundo inteiro porque o dinheiro depositado em um paraíso fiscal é dinheiro subtraído do nosso presente e do nosso futuro e porque um novo pacto fiscal será a primeira resposta ao mundo pós-COVID; 7-sejam fundadas novas instituições financeiras mundiais e sejam reformadas as existentes (Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional) em um sentido democrático e inclusivo para que ajudem o mundo a se reerguer das pobrezas, dos desequilíbrios produzidos pela pandemia; financiamento sustentável e ético deve ser recompensado e incentivado, e o financiamento altamente especulativo e predatório deve ser desencorajado através de tributação apropriada. 8.as empresas e os bancos, especialmente os grandes e globalizados, introduzam um comitê ético independente em sua governança com veto em matéria de meio ambiente, justiça e impacto sobre os mais pobres; 9.as instituições nacionais e internacionais prevejam prêmios em apoio aos empresários inovadores no âmbito da sustentabilidade ambiental, social, espiritual e, não menos importante, gerencial, porque somente revendo a gestão das pessoas dentro das empresas será possível uma sustentabilidade global da economia; 10.os Estados, as grandes empresas e as instituições internacionais cuidem de uma educação de qualidade para cada menina e menino do mundo, pois o capital humano é o primeiro capital de todo humanismo; 11.as organizações econômicas e as institui-

ções civis não se deem paz enquanto as trabalhadoras não tiverem as mesmas oportunidades dos trabalhadores, porque empresas e locais de trabalho sem uma presença adequada do talento feminino não são lugares plena e autenticamente humanos e felizes; 12.enfim, pedimos o esforço de todos para que se aproxime o tempo profetizado por Isaías: “Estes quebrarão as suas espadas, transformando-as em relhas, e as suas lanças, a fim de fazerem podadeiras. Uma nação não levantará a espada contra a outra, e nem se aprenderá mais a fazer guerra” (Is 2, 4). Nós, jovens, não toleramos mais que sejam subtraídos recursos da escola, da saúde, do nosso presente e futuro para construir armas e alimentar as guerras necessárias para vendê-las. Gostaríamos de dizer aos nossos filhos que o mundo em guerra acabou para sempre. Pedimos tudo isso – que já vivenciamos no nosso trabalho e no nosso estilo de vida – sabendo que é muito difícil e talvez considerado utópico por muitos. Nós, pelo contrário, acreditamos que seja profético e, portanto, convém pedir, insistir e pedir novamente, porque o que hoje parece impossível, graças ao nosso empenho e à nossa insistência, amanhã não será tanto assim. Vocês, adultos, que têm nas mãos as rédeas da economia e das empresas, fizeram muito por nós, jovens, mas podem fazer mais. O nosso tempo é difícil demais para não pedir o impossível. Confiamos em vocês e por isso lhes pedimos muito. Todavia se pedíssemos menos, não pediríamos o suficiente. Pedimos tudo isso antes de tudo de nós mesmos e nos comprometemos a viver os melhores anos das nossas energias e inteligência para que a economia do Francisco seja cada vez mais sal e fermento da economia de todos. Fonte: Economia de Francisco

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MENSAGEM DO BISPO DIOCESANO DE JUAZEIRO/BA EM DEFESA DAS POPULAÇÕES ATINGIDAS E AMEAÇADAS POR MINERADORAS de que cobrem os gananciosos por minérios e terras. Mineradoras e pretensos proprietários (grileiros) ferem a qualidade de vida e ameaçam famílias que há gerações convivem com o semiárido e aproveitam das benesses de um rio generoso e perene. Moradores de diversas comunidades, não apenas no âmbito de nossa Igreja Particular de Juovido pela Esperança celebrada e reavi- azeiro, vem sofrendo os efeitos da presença de vada pela Liturgia nestes dias de Adven- mineradoras e da chegada de outras dessas emto e comovido pela dor de tantos irmãos presas. Trago aqui, por exemplo, o drama vivido atingidos e ameaçados por empresas desde 2005 pelas mais de trezentas famílias ligadas à mineração nestas terras da Bahia, es- que formam a população de Angico dos Dias, crevo estas palavras para que, ao grito das víti- no município de Campo Alegre de Lourdes. O ar mas de Mariana e Brumadinho, ressoe também poluído pela poeira tóxica expelida no processao clamor de tantas pessoas e comunidades atin- mento de fosfato em uma pequena serra junto gidas e ameaçadas por tais empreendimentos à comunidade (por vezes formando densas nue suas ilusórias promessas de progresso. Nem vens) tem gerado enfermidades respiratórias e sempre a morte semeada e cultivada pelos que dermatológicas das mais diversas. A lagoa, até colocam no centro o lucro e seus interesses se então portadora da irmã água “útil, preciosa e manifesta abrupta, como nas Minas Gerais, mas casta” (como decantava São Francisco), está muitas vezes vem em conta-gotas, aos poucos, morta. Em visita recente à comunidade pude gerando não menos dor e indignação. ouvir os lamentos de habitantes, muitos deles Na segunda metade do século XVII, as popula- idosos, que sofrem também com os impactos de ções indígenas nativas destas margens do São explosões provocadas por empresa mineradora Francisco viviam e sobreviviam ameaçadas por (comprometendo estruturas de casas e de indisávidos exploradores e aventureiros de toda es- pensáveis cisternas) e as ameaças de grileiros pécie em busca de ouro e pelos que se diziam que chegam com “documentos” negando o direiproprietários das terras, “doadas” como sesma- to à terra de quem vive em espaços sacralizados rias. Passados mais de três séculos, a situação pelos firmes passos dos seus antepassados. de injustiça e de desrespeito aos direitos e à vida Em Sento Sé, comunidades às margens do Vedas populações locais nestas terras sãofrancis- lho Chico, ainda com feridas não cicatrizadas canas persiste, com vestes imorais de legalida- desde os tempos da construção da Barragem “Naquele dia, nascerá uma haste do tronco de Jessé e, a partir da raiz, surgirá o rebento de uma flor; sobre ele repousará o Espírito do Senhor: trará justiça para os humildes e uma ordem justa para os homens pacíficos… Não haverá danos nem mortes por todo o meu santo monte” (Isaías 11,1.4.9).

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de Sobradinho (nos anos 70), afirmam serem desrespeitadas por empresas mineradoras, que se instalam na proximidade da Serra da Bicuda como se toda a área vizinha fosse “terra de ninguém”. E aí moram aproximadamente mil e trezentas famílias! Afirmam peremptoriamente que a instalação da mineradora foi autorizada e anunciada por órgãos competentes sem que fossem ouvidos aqueles que sofrerão seus impactos em suas vidas e na natureza com a qual tem uma relação de interdependência, a começar pelas águas do Velho Chico. Em encontro há algumas semanas com moradores dessas comunidades saí impressionado com seus relatos angustiantes e com sua indignação. Certa moradora, relembrando as dores persistentes desde os anos 70, fala do progresso prometido com a Barragem de Sobradinho, que “ainda não chegou”, e se pergunta: “o que fizemos para merecer tanto castigo?”. Outra jovem senhora, por sua vez, porta também os sentimentos dos demais afirmando que “Deus está ao nosso lado, pois ele é o dono de tudo”. Alegramo-nos, por outro lado, com a presença da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e da Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP) junto às populações, que assim se sentem fortalecidas e apoiadas em sua luta e na defesa dos seus direitos inalienáveis. A CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – já compôs uma Comissão Episcopal Pastoral Especial sobre Ecologia Integral e Mineração (CEEM), para focar atenção especial

nos graves e preocupantes reflexos da mineração em todo o território nacional. Cremos firmemente que as autoridades constituídas em todas as esferas, no seu dever de atuarem no “campo da caridade mais ampla, a caridade política” (Papa Pio XI, em 1927) têm a tarefa de ouvir as populações em questão e tomarem a defesa dos seus interesses. Bem afirma o Papa Francisco em sua mais recente Encíclica: “além de reabilitar uma política saudável que não esteja sujeita aos ditames das finanças, devemos voltar a pôr a dignidade humana no centro e sobre este pilar devem ser construídas as estruturas sociais alternativas de que precisamos” (Fratelli Tutti, 168). Neste dia em que finalizo este texto, recordamos o Beato Charles de Foucauld (+ 1916), o “Irmão Universal”, que em correspondência ao bispo Monsenhor Guérin, escreveu: “Eu aprendi a mesma coisa, a defender os inocentes, os fracos, desde que sejam atacados… e isto é um dever evidente da caridade fraterna”. Faço minhas as suas palavras, pedindo ao Senhor que sustente essas populações em suas lutas e anseios. Que o tempo novo que Ele anunciou pelo Profeta Isaías, tempo que “trará justiça para os humildes e uma ordem justa para os homens pacíficos”, logo se faça plenamente presente entre nós. Dom frei Beto Breis, ofm Bispo de Juazeiro – Bahia 2020 / Nov - Dez

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Frei Domingos Sávio Frei Firmino e Frei Aquino

Frei Luciano e Frei Antônio

Serviço Provincial de Comunicação Arte e Diagramação: Frei Erick Ramon, OFM Revisão: Frei Faustino Santos,OFM Frei Marcos Almeida, OFM Frei Artur Bruno S. Medeiros, OFM Expedição: Secretaria Provincial Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil Rua Imperador, 206, Recife - PE. CEP: 50010 - 240 - Tel: (81) 3424-4556 www.ofmsantoantonio.org / E-mail: ofmnordeste@gmail.com