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Análise(s) e rumo(s) de um mandato

Entrevista ao presidente da Junta, José Carlos Gomes P5

Mensário da Junta de Freguesia OUTUBRO#2011 Ano VII Edição N.º 82 Director José Carlos Gomes Editor Ângela Duarte Distribuição gratuita noticiasdafreguesia.blogspot.com

Festas de S. Martinho nas Várzeas e Souto da Carpalhosa e sopa(s) em S. Miguel P3/4

Direitos Reservados

Tardes de chinquilho na freguesia P3

“Benfica”, o corvo que vai à escola P5

E porque não uma nova banda? Últ.

facebook.com/noticiasdafreguesia as notícias, as fotografias e os comentários em primeira-mão


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opinião

As palavras do senhor prior Padre José Baptista

Semeadores de vento “Não custa nem 20, nem 15, nem 10! Custa apenas 5, e quem levar 2 leva 1 totalmente de graça. Um para aquele senhor, outro para aquela menina...” Quem de nós, mais velhos, se não lembra dos vendedores de “banha da cobra” a cuspir saliva para cima de um microfone, pendurado ao pescoço e envolto num lenço, e a espirrar palavras a uma velocidade tal que nem deixava pensar a turba de gente que se amontoava à sua frente ávida por levar alguma coisa, como se essa fosse a melhor do mundo e estivesse ali mesmo a acabar. Havia sempre só mais uma, mas a mulher revirava caixotes e encontrava sempre outro, por forma a que chegasse para toda a gente. Bastava ligar a confirmar e o fac-símile dos cheques impingidos pelo banco passava, sem esforço nenhum, ser um empréstimo real de alguns milhares de euros. Mesmo oportuno para passar umas sonhadas férias ou comprar o que, real ou virtualmente, fazia alguma falta. O problema é que o dinheiro não existia na verdade. Percebamos, de forma corriqueira, porquê: eu tenho um euro, dou-o, para pagar uma dívida ao Joaquim, que o recebe e vai pagar uma dívida à Maria, que o recebe e vai pagar uma dívida ao António, que o recebe e paga uma dívida ao Pedro, que me deve um euro e, quando o recebe mo entrega. Um euro

Espaço sáude Dr. Gustavo Desouzart*

Acupunctura no tratamento da dor Uma das principais queixas apresentadas em consultórios de Medicina Chinesa é a dor. Neste sentido, vamos abordar um pouco este tema hoje e, falaremos dele nas próximas edições.

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pagou cinco dívidas e ficámos todos na mesma (sem dinheiro). Devia haver cinco euros, mas só havia um. Claro que a realidade é bem mais complexa. Mas a verdade é que nos fomos deixando ludibriar por sonhos dourados. Acordámos de um momento para o outro, embora ainda meio anestesiados pela sonolência, e percebemos que a trama em que estamos metidos se aperta cada vez mais. Porque os fios da teia que nos ligam a alguma segurança foram tecidos por aranhas devoradoras, que, agora, nos exigem o que não temos, e nos fazem sufocar no vazio das nossas isoladas esperanças. Não temos dinheiro para pagar o que devemos. Para caçarem alguma presa, os leões actuam de forma a separar da manada os animais mais fracos. Isolados, não têm como defender-se e facilmente cairão nas garras dos seus predadores. Nós, fomos separados e taticamente isolados da sociedade base em que vivíamos, a família. Fizeram-nos acreditar, desde a mais tenra infância (quer dizer: quando ainda não falávamos) que somos importantes e o centro do mundo, a quem se não pode dizer um não a uma criança pois esse som pode deixar marcas traumatizantes para a vida. Agora, jovens feitos, é-nos dito “pagas e não bufas” e se o fizeres pagas na mesma. Parece que ainda não sabemos ouvir um não. Deram-nos Magalhães que nos encerraram sozinhos nos nossos quartos, enquanto os agricultores andavam a arrancar vinhas e olivais, contando com umas massas vindas lá da Europa. Já vimos que muito virtuais e pouco reais. Separaram-nos uns dos outros porque nos obrigam a ter que trabalhar muito para

pagar o muito que nos ensinaram a gastar. Entretanto, forçaram as crianças a estar nas escolas de manhã à noite, de onde saem para muitas outras atividades, pois todos temos que ser super (qualquer coisa) e saber de tudo, mesmo não sabendo nada. Agora estamos sozinhos, sem dinheiro, sem trabalho, com fracas relações familiares, queira Deus que ainda com amigos, e sem grandes bases seguras a que nos agarrarmos. Ocorreu-me este desfiar de conversa porque, há dias, não muitos, num Domingo, se liam umas palavras de Jesus dizendo que “a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”, sem que ambas as coisas se confundam. Primeiro, diz Ele, Deus. E Deus é um convite, uma chamada à harmonia interior, ao respeito pelo descanso; à dignificação da vida, seja ela de que tipo for; à justiça (não igualdade) na relação com os bens; ao respeito pela integridade da pessoa humana; à partilha de bens e de vida; à fraternidade; à recusa da vingança e do pagar com a mesma moeda; aos valores da família, não apenas de sangue, mas de todo o tipo de comunidade. Deus é um convite a aceitar que o outro é importante, é gente, pelo menos tão gente como eu e como tu. Mas fizeram-nos acreditar que “Deus é uma treta” como ouvi um dia alguém dizer, depois de ter estado na missa (podia ao menos ter sido inteligente e não ter estado lá). E como nenhum de nós gosta de tretas o melhor é voltarmo-nos para o que tem valor. E o que o tem somos nós mesmos e o dinheiro com que (a)forrámos as leis deste país, que nos ensinaram a semear sonhos e a destruir vidas. Quantos de nós não acharam muito bem que

a mulher tem direito a dispor do seu corpo e a fazer abortos? O resultado? É que são mais que muitos, é que custam entre 800 e 1.200 euros cada um, é que tem que haver sempre médicos e enfermeiros disponíveis porque não pode haver espera, é que, ao que me consta, até as viagens dos Açores e da Madeira para serem feitos cá, são pagos pelo Estado, é que não pagam taxas moderadoras, é que a mulher tem direito a 30 dias de licença de maternidade (eu chamar-lheia de criminalidade), é que há medicamentos que são dados gratuitamente e as outras mulheres têm que os pagar… é que alguém tem que pagar isto tudo. Se quem faz o aborto tem direito a tudo, tem que se cortar no resto. Corta-se no pessoal médico, congelam-se ordenados e deixam-se morrer os doentes por não ser possível cuidar deles. Dá a impressão de que para não adoecerem ou envelhecerem, é melhor matá-los no ventre materno. Olhem só o dinheiro que se poupava se soubéssemos ser gente de verdade! E agora como dar novo rumo às coisas se muitos acham tão bem. Somos o centro do mundo. Só nós contamos. Retalhou-se o país em pequenas freguesias, para dividir gentes e dar mais autonomia ao indivíduo. Percebeu-se que não dá. Volta-se atrás e geram-se guerras entre comunidades. Iludidos por astutos vendedores de banha da cobra, com mãos cheias de nada semeámos vento, agora colhemos já as tempestades anunciadas por alertas vermelhos dos timoneiros do mundo. O pó dos do vazio de valores que avidamente acolhemos fazem doernos os olhos por não querermos ver que ao fazermos de Deus uma treta nos atiramos a para

De acordo com a International Association for the Study of Pain, a dor é uma experiência multidimensional desagradável, envolvendo não só um componente sensorial mas também um componente emocional, e que se associa a uma lesão tecidular concreta ou potencial, ou é descrita em função dessa lesão. Segundo a Direcção Geral de Saúde, em 2001, Cerca de 1 em cada 10 pessoas sofre de dor crónica, cuja intensidade obriga à procura de cuidados específicos. Desde a última vez que vos escrevi, passaram dois meses de bastante calor e de temperaturas atípicas, principalmente neste início de Outono. Mas o que estas alterações climáticas têm a ver com o tema proposto para esta edição? Por mais estranho que possa parecer, tem tudo. Por acaso, nunca ouviram alguém

conhecido a dizer “dói-me as juntas (articulações), deve estar a mudar o tempo”. Um dito popular muito correcto. As mudanças de tempo (externas) geram mudanças no corpo (internas), principalmente as que trazem aumento da humidade, que em excesso no organismo gera dentre outros factores, dores articulares. Segundo o Clássico de Medicina Chinesa do Imperador Amarelo, “os sábios alimentam as forças da sua vida seguindo as quatro estações e adaptando-se ao frio ou ao calor, harmonizando a alegria e a cólera e vivendo uma vida calma, equilibrando o Yin e o Yang, aquilo que é duro com o que é suave. Assim, nenhum mal ou dissolução afecta o Sábio e ele viverá uma vida longa.” Em 2004, um estudo realizado pelo National Institute for Health, nos Estados Unidos,

sobre a Acupunctura para as dores nos joelhos, chegou à conclusão que a acupunctura é um dos melhores tratamentos existentes para a osteoartrite do joelho. Mais de 570 pacientes estudados, com idade superior a 50 anos, na sua maioria sentiram um grande alívio das dores e um aumento considerável da mobilidade (http: //nccam.nih.gov/news/2004/ acu-osteo/pressrelease.htm). Num outro artigo, um pouco mais antigo, datado de 1972, o pesquisador e fundador do Centro de Pesquisa de Beijing (China) H. Jisheng, referiu que a acupunctura era capaz de induzir o encéfalo e a espinal medula a produzir substâncias (aumento do nível de serotonina) capazes de modificar o limiar da dor (http://oscarhome.socsci.arizona.edu/ftp/TeseMestr adoLilianJacques.pdf). Não podemos esquecer-

Abertura José Carlos Gomes

Participação cívica São cada vez mais os pedidos que chegam à Junta de Freguesia para a resolução de problemas que até aqui eram as próprias pessoas que os iam resolvendo. Dou como exemplo a limpeza de caminhos agrícolas e florestais. Com frequência é-nos solicitada a abertura de serventias que se foram perdendo, umas por falta de uso e outras por falta de manutenção. Para mantermos as ruas dentro dos lugares limpas sobra-nos pouco tempo para os outros serviços. Assim, apelamos para uma maior participação cívica de todos, colaborando em pequenas tarefas, de forma a libertarem o nosso pessoal para trabalhos mais urgentes e necessários. Dou como exemplo: se todos limpássemos os espaços públicos na frente das nossas casas, estaríamos a dar um grande contributo e com certeza que nos sentiríamos mais realizados. Fica lançado o repto. uma tábua de salvação que, já vimos, não existe. Não, não sou pessimista, acho eu, porque acredito que no meio das tempestades também há ventos de bonança e que nos não faltará o essencial, porque acredito que Deus não é uma treta. Necessariamente, reaprenderemos a dar as mãos.

nos que a palavra de ordem da Medicina Tradicional Chinesa (MTC) é, quase sempre, a PREVENÇÂO! E se é possível tratar todos os problemas referidos acima durante o período da crise, a verdade é que é sempre melhor antecipa-los. Existe dois provérbios antigos em MTC que diz: “Curar as doenças do Inverno no Verão” e, “tratar os problemas de frio no Inverno é como secar roupa à chuva!” Por isso, para o ano, se sofre de problemas que se agudizam no Inverno, comece a tratar-se no Verão! “Não espere por uma crise para descobrir o que é importante em sua vida.” (Platão) Saúde e Paz para todos!

* Acupunctura Tradicional Chinesa


social, festejos

No dia 13 de Novembro, domingo, realiza-se a festa em honra de S. Martinho, padroeiro das Várzeas. A festa constará de celebração de missa pelas 14h30, seguida de procissão. Durante a tarde haverá sardinhada e castanhas regadas com boa água-pé. Neste dia será ainda eleita a nova comissão para o próximo triénio.

Souto da Carpalhosa Baile O Rancho Folclórico e Etnográfico do Souto da Carpalhosa promove um baile, que terá lugar na sua sede, no dia 19 de Novembro (sábado), a partir das 21h00. A animação musical será da responsabilidade de Virgilio Pereira e Manuel Ribeiro.

NF/Arquivo

“Olá, eu sou o Martim, sou da Ortigosa, tenho três anos e preciso da tua ajuda para continuar a sobreviver. Faço 10 horas de diálise por dia, tomo 18 medicamentos, alimento-me por sonda e ainda não ando. Os meus pais para continuarem a ajudar-me precisam do teu apoio urgentemente, para contactar uma clínica, noutro país, especialista em Síndrome Nefrótico tipo finlandês, e para ajudas técnicas. Junta todas as tampinhas de plásticos de garrafas, garrafões, detergentes, champôs, sumos, etc. … e entrega-as na tua Junta de Freguesia. Estarás a dar um valioso contributo. Preciso de seis toneladas”. Para qualquer esclarecimento, contacte a mãe do Martim, através do telemóvel 919367874 ou por correio electrónico sfeteira@sapo.pt. O Martim agradece ;)

Várzeas S. Martinho sai à rua dia 13 de Novembro

NF/Arquivo

Ajude

Souto da Carpalhosa Ao domingo, a tarde é de Chinquilho Reúnem-se todos os domingos na sede do Rancho Folclórico e Etnográfico do Souto da Carpalhosa, uns dias são mais, outros dias menos, mas sempre os suficientes para uma tarde de competição de Chinquilho. A malha, que pesa entre dois a quatro quilos, é a aliada de cada jogador. Cada um tem a sua, “já ensinada e domesticada”. E se por um lado não há problema em emprestarem as malhas uns aos outros, a verdade é que cada um prefere ter a sua e que haja pouca mistura. “As malhas já estão ensinadas e tem que se pagar muito vinho para as ensinar”, dizem, no meio da boa-disposição que paira no recinto. Procurámos compreender as regras todas do jogo, mas, apenas uma ficou: no fim de cada jogo, paga-se um copo. E desengane-se quem pensa que a pontaria começa a falhar ao fim de alguns jogos… Nos últimos a pontaria ao fito é sempre mais certeira. No dia 30 de Outubro, o “chinquilhódromo”, assim apelidado o espaço dedicado ao chinquilho na sede do ran-

cho, contava com jogadores do Souto, Várzeas, Moita da Roda, Chã da Laranjeira e até mesmo da Ortigosa e Monte Redondo. “Todos são bem-vindos. Quem quiser aprender e jogar, é sempre bem-vindo”, afirmam. Xico, da Moita da Roda, joga há cerca de dez anos, e não se limita às tardes de domingo no Souto. “Jogo também na Serra… onde calhar e houver para jogar”, conta. Zé Reis, natural da Arroteia e residente em Monte Redondo, é veteraníssimo nestas lides. “Jogo há cerca de 50 anos. Por vezes em torneios fora, mas, geralmente, é aqui”. Também Joaquim Lopes, das Várzeas começou em novo e já conta com cerca de 30 anos a fazer pontaria ao fito. “Seja aqui, ou fora, a verdade é que se passa uma tarde em beleza”, afirma. Manuel João (Lelo), das Várzeas, em nada contradiz os colegas. Também já há cerca de uma década de que faz pontaria com a malha e vai jogando “onde calhar. Algumas vezes também em torneios, como em

Monte Real, e ainda há pouco tempo no Picoto”, conta. Do Souto, Manuel da Moita, dizse “um apaixonado por isto”, e uma paixão que já leva 40 anos. “Passam-se bem as tardes assim. Faça chuva ou frio, joga-se”, disse Manuel, enquanto uma outra voz frisava que “a pinga também ajuda”. Luís Bajouco, da Ortigosa, também há cerca de quatro décadas joga “um pouco ao fim-de-semana por diversão”. Depois de escolhidas as equipas e definido quem joga primeiro, começa a “competição”. E com malhas tão pesadas, nunca houve nenhum acidente? “Até hoje não aconteceu nada, mas claro que pode acontecer”, referem, afirmando ainda que se procura ter os devidos cuidados para que não aconteça nada de maior. Mas, e onde ficam as mulheres? Bem, as que estavam na sede do rancho preparavam uns petiscos para que, no fim do chinquilho, os jogadores repusessem energias. Contudo, eles referem que até gostavam de ver as mulheres a entrar na jogatana. Aliás,

fica o repto deixado pelos mesmos: “Onde estão as mulheres a jogar? Porque não?!”. Nos mais ausentes enquanto jogadores, não ficam só as mulheres. “À malta nova não puxa”, dizem mas, mesmo assim, “a tradição em si, não se perde. Há sempre quem ainda vá jogando”. “Há muitas pessoas premiadas por torneios de chinquilho”, lembra Zé Reis, lamentando a quebra da Câmara Municipal no apoio a este actividade desportiva. No fim da conversa – e porque “já estava na hora de mais um jogo” – ficou a frase firme de um jogador: “Para mim, é sem dúvida o melhor desporto”.

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Trabalhos da Junta Como de hábito, deixamos aqui a indicação de alguns trabalhos executados pela Junta de Freguesia no decorrer do mês de Outubro. - Trabalhos de limpeza na Charneca do Nicho; - Recolha da publicidade alusiva à Festa das Colectividades e Tasquinhas; - Desmontagem e transporte de barraca das festas da Moita da Roda; - Limpeza de serventia e abertura de vale no lugar da Moita da Roda; - Abertura de caixa e remate de lancil no lugar de Chã da Laranjeira (Rua do Cadernedo e Rua do Serro); - Limpeza junto à sede do rancho dos Conqueiros; - Vários trabalhos nas escolas do Souto e Vale da Pedra; - Remate de lancil com massa asfáltica em Chã da Laranjeira; - Tapamento de buracos nos lugares de Souto e Moita da Roda; - Limpeza no cemitério do Souto da Carpalhosa; - Execução de serventia e colocação de tout-venant no lugar da Moita da Roda; - Espalhamento de tout-venant nos lugares de Estremadouro e Picoto; - Transporte de terra da Charneca do Nicho para a escola do Souto, espalhamento da mesma; corte e transporte e árvore; - Limpeza no cemitério de Conqueiros, Várzeas e Vale da Pedra; - Transporte de barracas para o Vale da Pedra e limpeza de ruas; - Limpeza de sarjetas no Souto da Carpalhosa.

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social, festejos, necrologia

Veste-se de preto e é de poucas palavras – se bem que ladra – gosta de crianças, gosta de ir à escola, gosta de frutos secos, não gosta que o desafiem… e é um corvo. Benfica para uns, Vicente para outros, a verdade é que na Moita da Roda e também nos Conqueiros são poucos os que ainda não conhecem esta ave de comportamento pouco invulgar. Durante a semana, e desde que começou o ano lectivo, todos os dias vai para a EB1 da Moita da Roda. Gosta mais de caminhar do que propriamente voar – pelo menos, ao jeito da forma como se passeia no recreio – e assim que apanha uma janela ou mesmo a porta da sala aberta, não se faz de rogado para ir assistir a uma aula. O atrevimento do Benfica já chegou ao “roubo” de um lápis e de uma borracha da sala de aula, e a entrar pela janela na sala de aula. “Fechamos as janelas, mas um dia, ele entrou pela porta, caminhando

Necrologia

silenciosamente até junto de uma aluna até que começou a ladrar”, conta a Professora Manuela, entre risos, uma das várias peripécias. Sim, é verdade. É um corvo que ladra. E não só. Além de “ão ão”, pronuncia “avó”, “olá”, “opá”, e outros sons pouco perceptíveis a quem o ouve pela primeira vez, mas que já são familiares a quem está habituado a ele, principalmente para os mais novos. Apesar de lidar com humanos como se fosse um deles, Benfica (ou Vicente), não deixa de ser uma ave selvagem e daí que, alguns dos seus comportamentos, não sejam muito bem recebidos. Ao mesmo tempo, o mau presságio associado aos corvos também leva a que muitos não o vejam com bons olhos. Contudo, e apesar de ser um corvo, não é um simples corvo. Na escola, Simão, do 2.º ano, manifestouse que já tinha recebido uma bicada do corvo, mas talvez por andar

Agradecimento

José Joaquim Duarte José Joaquim Duarte, de 87 anos, faleceu dia 25 de Outubro. Residia na Arroteia e era casado com Encarnação Ferreira. Foi a sepultar no cemitério das Várzeas.

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Sua esposa, filhos e filhas, genros e noras, netos e bisnetos, agradecem a todos os que acompanharam o seu ente querido à sua última morada. Com muita saudade, da sua família, descanse em paz.

Direitos Reservados

Moita da Roda “Benfica” vai à escola

com bolachas na mão durante o recreio, contou. Na mesma sala, também o André disse que “o Vicente estava mesmo à porta e eu chateei-o, quase me picou”. Mas, apesar de algumas bicadas já recebidas, um pouco pelo desafio à ave, as crianças também se surpreendem com o invulgar comportamento. “Ele parece querer brincar e aprender connosco na escola”.

A Ana parece a mais confiante junto do pássaro. “Ela deixa fazer festinhas nas penas”, conta. Contudo, as bicadas que já deu a alguns alunos, não tornam consensual a sua simpatia. “Eu não lhe faço festinhas porque já picou alguns meninos”, diz a Matilde. Os mais pequenos, do primeiro ano, parecem mais destemidos. Lara conta “que às vezes ele assobia e tudo, e eu não

tenho medo dele”. Sabedor de chamar a atenção, professoras e funcionárias defendem que, enquanto ave meio domesticada, mas que não deixa de ser selvagem, é a forma que encontra para chamar a atenção das crianças. Com um porte altivo e de penas de um negro brilhante que se passeia como a ave mais vaidosa, o que o faz ir para a escola? J. Pascoal, da Moita da Roda, está associado no lugar como o dono do Benfica. Contudo, esclarece de imediato que o não é. “O Benfica é livre e selvagem. Ficou como cria de um ninho, foi aqui criado e depois solto. Simplesmente ele continuava a parar aqui, dava-lhe comida, nozes, habituou-se aos meus sobrinhos e às pessoas aqui à volta, e claro que também aprendeu a fazer estes sons por tudo aquilo que ouvia por aqui. Aprendeu tudo de ouvido e não porque alguém lhe tenha ensinado. Mas é importante lembrar

que é livre e selvagem, independentemente do comportamento espectacular e invulgar.” No que respeita ao seu comportamento, J. Pascoal refere ainda que o facto de sempre ter estado habituado a crianças e gostar de ver pessoas, justifica as suas idas à escola. “Esta é uma ave curiosa e tem comportamentos que demonstram essa mesma curiosidade”, conta. Quanto a reacções de algumas pessoas, afirma que “há muitos que não gostam dele porque é sinal de mau presságio”, diz. Seja qual for o nome da ave, Benfica ou Vicente, é certo que é um animal selvagem que se adaptou aos humanos e à sua rotina, querendo mesmo fazer parte dela. O gosto pelo corvo não é consensual. No entanto, ninguém nega o comportamento inteligente e pouco usual. Se passar à Moita da Roda e vir um pássaro negro aos pés a ladras, é, sem dúvida, o Benfica. Ou Vicente.


social

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Entrevista a José Carlos Gomes

Em Outubro de 2009 realizavam-se mais umas eleições autárquicas e definia-se quem estaria à frente da freguesia num período que já adivinha bastante austero. A meio do mandato o NF entrevistou o Presidente da Junta de Freguesia, José Carlos Gomes, para conhecer como decorrer o passo desta caminhada. Ângela Duarte

Dois anos volvidos no segundo mandato à frente da freguesia de Souto da Carpalhosa, que balanço faz, comparativamente ao mandato anterior? Este segundo mandato tem-se revestido de dificuldades acrescidas, sobretudo no campo financeiro. A crise que se instalou e que não sabemos quantos anos mais irá durar, obrigou a cortes nas transferências mensais da Câmara Municipal e no investimento directo

que esta vinha fazendo anualmente nas freguesias. Apesar da crise, vamos garantido a resolução dos problemas com que se deparam os nossos fregueses no seu dia-a-dia. Nestes dois anos e em ambiente adverso como referimos, encetamos também um grande esforço no sentido de consolidarmos as nossas contas, desiderato que com satisfação posso dizer que foi alcançado. Fez um ano, este mês de Outubro, que foi inaugurado o Pavilhão Desportivo Municipal de Souto da Carpalhosa. Um ano depois, como vê o contributo desta infra-estrutura para a freguesia? Um ano decorrido após a inauguração do Pavilhão Desportivo Municipal de Souto da Carpalhosa, faço um balanço muito positivo da mais-valia que esta

infra-estrutura trouxe à freguesia, tanto no campo desportivo como na sua afirmação no nosso concelho. Hoje, também por via disso, a nossa freguesia tornou-se mais conhecida e respeitada. É conhecido, através de notícias em vários órgãos de comunicação social, que existe a intenção de venda de escolas de ensino básico que se encontram inactivas. Da lista conhecida, encontra-se uma da freguesia, a do Picoto. Qual a posição do executivo da JF? O anúncio da intenção da CML em alienar algumas escolas do concelho, onde se inclui a escola do Picoto, apanhou-nos a todos de surpresa. Trata-se de um processo que no nosso entendimento terá que ter a envolvência das freguesias. Já transmitimos à CML

que quando pensarem em concretizar esta ideia, a Junta será parte interessada na sua aquisição. Também falada, em consequência da reorganização da administração local prevista, está em cima da mesa a fusão de freguesias. A do Souto da Carpalhosa, com base nos critérios do “Documento Verde da Reforma da Administração Local” tenderá a manter-se. O mesmo não parece acontecer com algumas freguesias adjacentes. Vê a possibilidade de fusão de alguma com o Souto da Carpalhosa? A reforma administrativa que se avizinha, prevê o agrupamento de algumas freguesias que não reúnam os critérios elencados no “Documento Verde da Reforma da Administração Local”. Numa primeira abordagem que

NF/Arquivo

“Apesar da crise, vamos garantindo a resolução dos problemas” fizemos aos pressupostos que estão base desta reforma, pensamos que no concelho de Leiria serão mais as desvantagens que as vantagens em agrupar freguesias. Não será seguramente por aqui que o Estado irá reduzir a despesa. Determinado como está o Governo em levar por diante esta reforma estamos em crer que independentemente dos argumentos que se vierem a esgrimir na altura própria, o agrupamento de algumas freguesias irá mesmo ocorrer. Apesar de estarmos solidários com todas elas, se for determinada a junção de alguma das freguesias vizinhas, uma vez que não reúnem os tais critérios, existe uma forte possibilidade de alguma delas se agrupar à nossa e se tal acontecer, não deixará de ser bem acolhida.

A meio do mandato, o que se pode esperar nos dois próximos anos? Os dois anos de mandato que temos pela frente serão dois anos de expectativa e incertezas. Estamos apostados na construção da Casa Mortuária e se for cumprida a promessa da Câmara Municipal, teremos a oportunidade de pavimentar 20.000 m2 de ruas. Estamos confiantes que obras estruturantes, como as do saneamento básico, irão prosseguir. O último ano irá ser influenciado pelo que vier a ser decidido no âmbito da referida reforma administrativa.

Outono licoroso com Helena Pontes

Fotos: NF

É desta época estival ver (e consumir) mais doces, compotas e licores do que noutra época do ano. Há cerca de cinco, seis anos, Helena Pontes, da Arroteia,

começou por carolice a fazer licores. Um livro de doces e licores foi o “responsável”. Helena experimentou os licores, começou a dar a oferecer a amigos e estes provaram e aprovaram. A partir daí, amigos, conhecidos e muitos outros começaram a conhecer os seus licores e a queres comprá-los, nascendo, da curiosidade de produzir um licor, um negócio. Numa base de calda de açúcar e aguardente, os licores encerram no aroma o segredo

de receita de quem os sabe fazer. Mas um dos segredos parece ser a paciência na espera pelo resultado final, visto que alguns licores podem demorar três meses, outros seis, consoante o aroma e a receita. De momento, são mais de 20 os aromas de licores que Helena já concretizou. De ameixa, de côco, de funcho, de ananás, ou até de murta, dióspiro, espilrecheiro ou pilrito são alguns dos aromas. Estes licores caseiros podem ser a solução para um presente ou até

para lembrança de casamento. Num preço bastante razoável, que pode variar entre os cinco e os dez euros, adquirir um produto artesanal que até na embalagem cuidada, encanta qualquer um. Helena comercializa estes licores no seu estabelecimento nas Várzeas – na EN109, junto ao café Paragem – no espaço “Trapos e Artes” de Helena Pontes. Ali funciona um ateliê de costura bem como uma mostra de artesanato e arte da autora e proprie-

tária. Peças utilitárias, que vão desde malas, carteiras,… feitas com materiais reciclados, como sacos de plástico ou jornais velhos, são também ali encontrados ajudando naquela que é, muitas vezes, a dor de cabeça na aquisição de um presente. Para mais informações, poderá visitar o espaço nas Várzeas ou entrar em contacto através do número 937362894 ou, por email, traposeartes @gmail.com.

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opinião Opinião Gastão Crespo c/ Simão João (ilus.)

Falar ao telemóvel… e conduzir Quando Alexandre Bell inventou o telefone, jamais imaginaria o desenvolvimento que o mesmo teria até chegar às funcionalidades que os telemóveis têm hoje. Lembra-se daquele telefone antigo em que era necessário, para marcar os números, enfiar os dedos e rodar? E aquele que tinha um

DaTerra

Carlos Duarte

Produto Português Tal como agora teremos de fazer, já em 2002, a crise obrigava o Ministério das Finanças a vender ao desbarato algum património do Estado, e nos obrigou a nós a pagamentos de impostos extraordinários. Desde essa altura que, tendo o mau hábito de ter razão antes do tempo, tive a convicção de que a solução era comprar produtos nacionais, e não percebia porque

Opinião

Albino de Jesus Silva

Visto com outros olhos! Setembro dia seis. Manhã cedo, o céu estava limpo e o sol erguia-se por detrás das altas montanhas dos PyrinéusOcidentais que eu admirava. Subitamente uma voz de homem exclamava: “Hé poeta… estás a olhar para o monte, é bonito, hein?!”. É, retorqui. Assim iluminado pelo sol tornase ainda mais bonito. António Iturbide é o vizinho próximo da morada onde trabalhava. Com ele troquei impressões, com ele aprendi muita coisa!

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fio ligado a uma tomada de telefone, que o máximo que se deslocava eram 2 metros? Recorda-se daquele que não dava para ver os números de quem ligava? E quando o telefone tocava à hora de jantar? Seguia-se um silêncio absoluto… ninguém falava e todos tentavam adivinhar quem estaria a ligar. Lembram-se? Pois, estes telefones fazem parte do passado, agora estão na moda os chamados telemóveis, que servem para receber e fazer chamadas; enviar e receber mensagens escritas; tirar fotografias; fazer vídeos e alguns até têm funções de computador. O uso do telemóvel chegou a um extremo tal que parece que faz parte intrínseca de nós, sempre que toca temos de atender, largamos tudo os

que estamos a fazer porque alguém nos está a ligar. Vejo pais que estão a brincar ou a dar comer ao filho mas, quando o telefone toca, abandonam o filho e correm para atender a chamada ou ver a mensagem. Vejo empresários que estão atender um cliente, deixam o cliente a falar sozinho, porque atender o telemóvel é mais importante. Quando isso me acontece, levanto-me e saio, sinto-me desconsiderado. Vejo pessoas a conduzir, com o carro cheio de familiares e amigos, e a falar ao telemóvel. Será que a pessoa que liga é mais importante que a própria família que transporta no carro? São estas as prioridades que temos na nossa vida? E a vida dos que nos acompanham, que importância tem para nós? Quando isso acon-

tecer, sugiro que reaja e alerte o condutor para parar e saia imediatamente do carro. É de segurança que quero falar hoje, visto que uma praga invadiu as estradas e está em franco crescimento. Nem as coimas parecem meter medo aos condutores que atendem chamadas ou enviam mensagens quando conduzem. Observe e conte as pessoas que em simultâneo falam ao telemóvel e conduzem. Sabia que falar ao telemóvel, escrever ou ler mensagens enquanto conduz aumenta o risco de acidente em 23 vezes. A utilização de telemóvel durante a condução, só é permitida se for utilizado auricular ou sistema alta-voz, porque que não implica o manuseamento continuado. A infracção a esta disposição é sancionada

com uma coima que pode ir de 120€ a 600€ e passou a ser considerada contra-ordenação grave. Apesar disso, quantas vezes já viu um carro cujo condutor enquanto conduzia também falava ao telemóvel e fez uma “guinada”, pois vinha na sua direcção? Ou um carro a andar muito devagar sem motivo aparente? Ou um carro parado num semáforo apesar de já estar o sinal verde há algum tempo? Antes de terminar deixo um apelo, a todos aqueles que têm tendência para atender ou fazer chamadas e enviar ou receber mensagens enquanto conduzem: espere até poder parar o carro, em segurança. Seja Feliz! Faça alguém feliz e já agora proteja a sua pele, é a única que tem.

é que os dirigentes políticos nacionais não percebiam isso. Até foi moda os produtores substituírem “Fabricado em Portugal” por “Made in UE”. Mais tarde, esse problema passou a ser debatido publicamente, mas apenas para informação interna porque, diziam, se cada país deixasse de comprar aos outros, bloqueava a economia mundial. Apareceram as campanhas “Vá para fora cá dentro” e “Compro o que é nosso”. Este ano, a maioria dos dirigentes, em quase todos os países, defende em alta voz a defesa do produto nacional. Portugal tem pouco a defender, ou não? Saúdo os comerciantes que juntam a bandeira portuguesa nas montras de fruta nacional. Como comprador e con-

sumidor, muito me agradaria poder escolher tendo também em consideração qual a percentagem do preço que corresponde a produção nacional. Seria interessante que os produtores pudessem divulgar essas percentagens. Por exemplo, pessoalmente presto serviços, e utilizo mãode-obra 100% nacional. Mas nem todo o preço que recebo fica em Portugal. Por exemplo, utilizo uma viatura que comprei e, nem sabendo em que país foi produzida, deve ter peças que foram produzidas em diversos países. Além disso o computador que utilizo foi fabricado na China (reparei agora) e o gasóleo que gasto também é importado. Os outros móveis no escritório, e diverso equipamento terão decerto diversas origens. Contudo, posso

assegurar que, 95% do preço cobrado é produção nacional (bem, talvez só 85%, se pensar que metade do IVA incluído no preço será para pagar ao Banco Central Europeu os juros do Estado português). Sem querer criar grande encargo administrativo, era interessante que os fornecedores, em vez de aplicarem na etiqueta “Compro o que é nosso” assegurassem aos compradores que uma qualquer percentagem do produto ficava em Portugal. Por exemplo, um restaurante vende uma garrafa de água por 1,00€ e que tem actualmente a etiqueta “Compro o que é nosso”. O preço inclui custos com a exploração da fonte, com as análises, com a embalagem (e aqui começam a incluir equipamentos

importados para a produção da embalagem) e o transporte (considerando o camião, o gasóleo importados). Suponho que a garrafa da água chegue ao armazenista por 0.25€, sendo 60% do preço produção nacional. Esse restaurante comprará essa garrafa por (suponho) 0.50€, sendo agora 70% do preço produção nacional, preço que inclui a margem do grossista para os respectivos custos de distribuição. O restaurante suporta ainda custos com o estabelecimento, equipamento, rendas, licenças, pessoal, energia, e impostos (já com o IVA a 23% - para os juros...). Estimo eu que 20% do preço, desta água nacional vendida no restaurante em Portugal, sairá de Portugal. Compro o que é nosso (ou mais ou menos).

Visitar nações… que os políticos não reconhecem, e portanto?! Acontece. Os homens que necessitem e se esforcem para obter um pouco mais de conforto são por vezes surpreendidos, fazendo inesperados encontros com belezas que a natureza lhes oferece. Há já muitos anos que, por ordem do trajecto, transito como fazem milhares de portugueses espalhados pela Europa sobre as estradas deste singular país que desconhecia e ultimamente descobri! Talvez não seja bem isso, desconhecido, não é reconhecido independente. Nas memórias que tinha desta região, sobressaíam apenas as antigas façanhas da emigração. “O salto” praticado irregularmente pelos nossos compatriotas nos anos cinquenta e sessenta do século passado. Autónomo dum lado, integrado do outro, separado dividido por uma fronteira de comunidade europeia e, no fundo no fundo, duas na-

cionalidades bem diferentes confundidas numa só cultura com língua apropriada, a “Euskariena”, mais conhecida por “Basco” que envolve cinco milhões de seres humanos. Altruístas às fronteiras políticas, vivem unidos nos mesmos usos e costumes, tradições e religião, com carácter bem definido e orgulhosos de serem bascos. Que dizer deste povo que trabalha, que vive na maioria da natureza que esta região do mundo oferece, sítios que os reis do século XIII disputaram, riquezas reivindicadas e independência, essa que a actual política não reconhece? O que senti durante uma estadia recentemente efectuada de duas semanas não se explica em quatro ou cinco linhas que escrevo. As relações criadas com residentes, inúmeras histórias que aprendi, a descoberta das paisagens, o ruído do mar e o eco das montanhas entre os picos da “Rhune” do lado francês e os altos da “Franco” (nome atribuído pelos populares adversos ao regime

do ex-ditador) ostenta a forma dum rosto humano moribundo virado ao País-Basco, e as vertentes da “Jaizkibel” que protege as cidades de Irun e Fuentarrábia situadas na margem sul do Bidassôa; juntando o romper da aurora, o cantar dos galos e o latir dos cães acompanhantes dos pastores e rebanhos na infinidade das encostas, sem perder as deliciosas imagens do volitar das águias e outras espécies rapinas, confirmam que os homens respeitam e mantêm a natureza como se deve. Bascos sempre, são expressões dos nativos orgulhosos de serem, apesar dum passado violento com guerras, atentados, tempestades e outros.

Senti com eles afecto, ordem no trabalho, vontade de bem fazer em todos os sentidos, negoceiam e como qualquer povo educado não gostam de ser traídos. Gostam de rir, divertem-se e comem bem! … Que poderá trazer este meu comentário aos leitores do nosso jornal?! Muitos dirão: “conversas da treta”. Como queiram. No entanto, àqueles que transitam por esta região, aconselho parar, fazer uma pausa, apreciar um ou dois dias, não achei caro e vale a pena! Ver com que facilidade se cuida da natureza, a pensar na nossa terra que também é linda, mas poderá ser muito mais sendo cuidada com o respeito que merece!


opinião, social

Desporto Open de Judo No dia 15 de Outubro de 2011, o Lis Tiger Club, organizou o 1.º Open de Judo de Leiria que contou com a participação 14 clubes – CCD Montijo, Associação Académica de Coimbra, ACM, Judo Clube de Lisboa, Clube de Judo de Miranda do Corvo, Lis Tiger Club, Grupo Recreativo Milagres, S.C. Beira Mar, Clube de Judo do Juncal, Sporting Clube de Portugal, Sporting do Sabugal, Escola Jardim João de Deus de

Coimbra, SCOCS e Torres Novas – num total de 142 atletas. Este evento contou com o apoio da Câmara Municipal de Leiria, Associação de Judo de Leiria e patrocinadores (Luso, Maquitorno, O cabelo da Susete e Centro Quiroprático Nova Vida). Os atletas do LTC tiveram os seguintes resultados: 1.º Lugar: Inês Cruz, Adriana Sousa, Bruno

Espaço do leitor Ramos, Maria Silvério; 2.º Lugar Bernardo Vieira, Miguel Flores, André Reis, João Ferreira, Rodrigo Reis; 3.º Lugar: Joana Aleixo, David Silva, Matilde Silva, Pedro Ferreira, Bernardo Coelho, David Flores Rita Madureira, Ricardo Silvério, Miguel Silva. Prof. Eric Domingues

Jogos no Pavilhão do Souto da Carpalhosa

Pré Souto da Carpalhosa

Novo ano...

Projeto do Jardim de Infância e da EB1 de Souto da Carpalhosa

Uma horta na nossa escola

Fotos: Direitos Reservados

Mais um ano lectivo que começou. Os meninos da PréEscola do Souto da Carpalhosa fizeram alguns trabalhos

relacionados com o Outono. Partilhamos convosco alguns desses trabalhos. Beijocas.

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Antigamente havia uma horta no quintal de cada casa. Todas as famílias semeavam e tratavam as plantas e árvores de fruto que viam crescer e todos conheciam. Essas plantas eram utilizadas nas refeições do dia a dia. Os hábitos alimentares dos portugueses eram mais saudáveis do que hoje, pois comiam grande quantidade de vegetais, cereais e frutos. Tendo como objetivo sensibilizar os alunos para a prática de uma alimentação saudável, incentivando-os ao

consumo de alimentos de origem vegetal, decidimos, com a ajuda da Junta de Freguesia, transformar um pequeno espaço do recreio em horta. Brevemente iremos começar a cultivá-la, contando com a colaboração de toda a comunidade educativa. A Educadora e Professoras da Escola do Souto da Carpalhosa

Nota: Artigo escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Os sinais de Deus

“Conta-se que um velho árabe orava com tanto fervor e tantas vezes que, certa vez, o rico chefe de uma grande caravana chamou-o à sua tenda e perguntou-lhe: - Como sabes que Deus existe, se nem ao menos saber ler? O velho respondeu: - Meu Senhor, conheço a existência de nosso Pai celeste pelos sinais Dele. - Como assim? – indagou o chefe, admirado. - Quando o senhor recebe uma carta de um familiar ausente, como reconhece quem a escreveu? - Pela letra. - E quando o senhor admira uma jóia, como sabe quem a confeccionou? - Pela marca do ourives, é claro. - Quando ouve passos de animais ao redor da tenda, como sabe, depois, se foi um lobo, um javali ou outro animal? - Pelos rastos. Então, o velho convidou-o a sair da tenda e, mostrando-lhe o céu, onde a lua brilhava cercada por multidões de estrelas, exclamou, com alegria: - Senhor, aqueles sinais lá em cima não podem ser de homens! Naquele momento, aquele homem rendeu-se às evidências e, ali mesmo na areia, sob a luz prateada do luar, curvou-se e começou a adorar o Criador. Bem disse Jesus: «Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos». É um facto que as pessoas simples são mais capazes de entender e admirar os sinais de Deus do que os sábios”.

Enviado por Serafim dos Santos

Receitas de Outono

Maçã assada Ingredientes: Maçãs e Açúcar Confecção: Tira-se o caroço das maçãs e colocam-se num tabuleiro. Em cada maçã coloca-se uma colher de açúcar e lava-se ao forno até bem assadinhas. Sugestão para adultos: Além de açúcar colocar um pouco de vinho do Porto e um pau de canela em cada maçã.

OUT 2011


Queimadas já podem ser realizadas

Calor a mais em Outubro

Este ano o mês de Outubro registou temperaturas anormais para a época o que culminou com um igualmente anormal número de incêndios. Na freguesia do Souto da Carpalhosa, além do incêndio que deflagrou em Setembro na Chã da Laranjeira, no mês de Outubro contabilizaram-se outros dois, novamente na Chã da Laranjeira e na Marinha (Carpalhosa), que felizmente, não foram além de mato ardido. Segundo notícia do Diário de Notícias, os dados da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) indicam que ao longo de Outubro se registaram cerca de 7.600 ocorrências de fogo, incêndios que deflagraram sobretudo até ao dia 23, numa média de cerca de 300 fogos por dia. Os incêndios de Outubro, mês com maior número de ocorrências dos últimos 12 anos, também foram superiores aos registados em Julho, Agosto e Setembro, meses do período mais crítico em fogos florestais. O último relatório da Autoridade Florestal Nacional, de 15 de Outubro, indica que a área ardida diminuiu mais de metade este ano em relação a 2010, enquanto as ocorrências de fogo aumentaram sete por cento. Também pelas elevadas temperaturas, a prática de queimadas e queimas de resíduos em terrenos esteve restrita até 31 de Outubro, podendo agora, no mês de Novembro, ser já executada.

No dia 16 de Outubro a associação do Picoto promoveu uma tarde de diversão dedicada às crianças. Foram mais de 50 príncipes e princesas a brincar no castelo insuflável gigante que durante aquela tarde de Domingo esteve junto à sede da associação. Contudo, também os mais crescidos desfrutaram de uma boa tarde de lazer com música ao vivo e sons dos anos 60/80. Uma tarde diferente e certamente a repetir. Fotos: Notícias da Freguesia

John Stuart Mill, filósofo e economista inglês (1806-1873).

Nova banda nasce na freguesia

Why Not?

NF

OUT’11

Todas as coisas boas que existem são os frutos da originalidade.

São quatro jovens (16 e 17 anos), da freguesia (Conqueiros e Moita da Roda), estudantes e têm uma paixão em comum: a música. Começaram em Outubro a dar os primeiros passos. São os “Why not?” Tudo começou por brincadeira, “numas músicas que se iam tocando, uns sons que se iam reproduzindo”… Conversas paralelas, alguns “e se”… mas nada de concreto. Até surgir um convite por parte de um elemento do Rancho Folclórico Juventude Amiga de Conqueiros para irem animar a noite de 8 de Outubro, no decorrer do festival deste mesmo rancho. Entre conversas, ensaios e apresentação, passaram apenas duas semanas até actuarem. As reacções de quem os ouviu foram positivas de modo a que, na semana seguinte, na festa de Santa Rita (festa das vindimas), estavam de novo a dar música nos Conqueiros. “Soubemos que estava gente de outros lados para nos ver, não eram só as pessoas daqui (Conqueiros e Moita da Roda), o que também puxa muito por nós”, comenta o baterista entusiasta. Jorge já

tinha exibido o seu talento na bateria nas festividades religiosas dos Conqueiros e não passa despercebido quando tem as baquetas na mão. Nas guitarras ou na bateria, quase tudo nasce porque são curiosos, autodidactas e apaixonados por música, pois apenas o Daniel tem, actualmente, investido na formação musical. Talvez também porque sempre quis formar banda. Contudo, os outros elementos nunca se tinham debruçado sobre isso, até agora nascerem os “Why not?”. E se a receptividade do público foi positiva… porque não? “A sensação é espectacular, diferente…”, “é bonito quando se ouve o feedback das pessoas a dar força para

Quem são? Francisco Oliveira, 16 anos, Conqueiros, guitarra acústica Jorge Santos, 17 anos, Conqueiros, bateria e voz Daniel Domingues, 16 anos, Moita da Roda, guitarra Verónica Reis, 17 anos, Conqueiros, guitarra e voz

continuarmos”, dizem, entusiastas perante as reacções de quem os já ouviu. Contudo, referem também que criticas menos abonatórias também são bem-vindas: “as críticas negativas também nos dão mais força”. Musicas que vão desde Guns’N’roses, Red Hot Chilli Peppers, Creep… e até Roberto Carlos e a grandes clássicos do rock português, afirmando mesmo que “a ideia passa muito pela recuperação do rock português”. A banda está agora a dar os primeiros passos, e, além das actuações nos Conqueiros, actuaram, ainda este mês, nas festas do Vale da Pedra. Continuidade? Sem compromissos, mas enquanto der, sim. “Todos estudamos, agora perto, daqui para a frente… talvez mais longe. Enquanto der para a malta se juntar, na boa. Depois…”. Mas, dentro do grupo há ainda quem remate “enquanto houver espírito, vontade e forem surgindo convites, é para continuar!”. Ainda não os ouviu? Why not? ÂD

FICHA TÉCNICA | Notícias da Freguesia de Souto da Carpalhosa | Título anotado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) | Depósito Legal 282840/08 | Director José Carlos Gomes Editor Ângela Duarte Colaboradores Albino de Jesus Silva, André Reis Duarte, Carlos Duarte, Cidalina Reis, Eulália Crespo, Elisa Duarte, Gastão Crespo, Guilherme Domingues, Gustavo Desouzarte, Hugo Duarte, José Baptista (Pe.), Luís Manuel, Luisa Duarte, Márcio Santos, Mário Duarte, Orlando Cardoso, Simão João, Associações e Escolas da Freguesia Propriedade Junta de Freguesia, Largo Santíssimo Salvador, nº 448, 2425-522 Souto da Carpalhosa Telefone 244 613 198 Fax 244 613 751 E-mail noticiasdafreguesia@gmail.com Website noticiasdafreguesia.blogspot.com Tiragem 1000 exemplares Periodicidade Mensal Distribuição Gratuita Projecto gráfico 3do3.blogspot.com Impressão OFFSETLIS, Marrazes, Leiria (244 859 900, www.offsetlis.pt)

Outubro de 2011  

Edição do mensário de Outubro de 2011 do NOTÍCIAS DA FREGUESIA - SOUTO DA CARPALHOSA.

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