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Nº 1

Edição bimensal

Fever eir ode 2008 ereir eiro

QUANDO A EUROPA FAZ DA ESE A SUA CASA

Fonte:www.uca.es

Fonte:download.blogs.arte.tv

Ecos da passagem da Dra. Ida Alvarinho pela ESE. pág.2

Como se vive na ESE o Decreto-Lei 37/ 2007? Flash interviews na pág. 7

Frente a Frente: Carla Serrão VS Rui Bessa Uma espécie de entrevista, nas pág. 10 e 11


EDITORIAL

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A publicação Note-se é uma iniciativa do Centro de Recursos em Conhecimento da Escola Superior de Educação do Porto e do Gabinete de Educação para o Desenvolvimento e Cooperação, e conta com o apoio do Conselho Directivo da ESE/PP.

Há na ESE uma pluralidade saudável, pressentida, que condena qualquer definição a um imenso desajuste. Por isso, quando ousamos uma definição, arriscamo-nos a excluir-te desse exercício. Ficas assim sem saber que lugar ocupas, onde te posicionas, em que sentido a tua voz se junta nesse coro imprevisível que é, imprevisivelmente, a ESE. Vives por isso numa relativa indiferença face aos escolhos da definição. Sabes que o teu lugar aqui, quando cursas um curso, obriga-te ao ensaio permanente, à deriva insistente, à navegação por entre áreas do saber que surpreendem o teu quotidiano, invisivelmente. A tua condição é a de habitar, o que nem sempre facilita a obrigação de pensarmos a nossa própria casa. Eis a razão por que não cabes numa definição; por que te arredas do discurso cru de um raciocínio explicativo. Vives um quotidiano que se esforça por rimar, coincidir, adequar a sonhos vagos e aspirações longínquas. Manténs, entre intervalos, o prazer de uma conversa, de um encontro, gosto que te aguça essa espécie de rito de confrontação com que sempre acolhes o que te é novo. É essa a norma do teu acolhimento e a lei da tua hospitalidade: és sempre tu quem recebe, pelo que é justo que recebas como só tu, singularmente tu, sabes e podes receber. E é por isso que olhas com relativa indiferença para a “definição ESE”. Ela não te cabe, não se ajusta, não te convém. Ela nega, de certa forma ignora, a tua forma de ser escola, o modo como vês a tua escola e a pluralidade que, afinal, vem de ti mesmo enquanto a vives. Porque sabes que há um apelo na palavra Educação, sendo que esse apelo exige um certo esforço de quebra de rotina, uma resistência face ao modo como a definição te desconsidera, à racionalidade que preside a uma lógica de subjugação de ti. Verdadeiramente, é aqui que a definição se reconsidera. É que há um lado contra-institucional na escola, nesta Escola: o de ser o espaço em que te encontras com a tua própria inteligência, contigo, com a tua definição, com o modo como (no dizer de um filósofo) “ousas sonhar a tua caravela”. Pluralmente pois, à tua passagem – Note-se! – escreve-se a definição mais justa de uma escola – ESE – que se diz no acto em que te dizes. Pluralmente. por Hugo Monteiro

O conteúdo de cada artigo é da responsabilidade dos seus signatários ou responsáveis pelos órgãos.


NO TÍCIAS NOTÍCIAS

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Reportagem: “À mesa com...” Os estudantes Erasmus na cozinha Da Polónia, Eslováquia, Itália, Grécia e Espanha chegaram diferentes sabores à ESE...

O Note-se acompanhou a iniciativa do Gabinete de Relações Internacionais (GRI), desenvolvida no passado dia 7 de Dezembro de 2007 que se designou “À mesa com...”. Para aqueles que não viram a fila para o almoço nesse dia, ou não compreenderam a razão, explicamos: a iniciativa baseou-se em apresentar, na cantina da ESE, uma ementa por cada país representado na Escola pelos alunos de Erasmus. Assim, todos fizeram um prato, ou deram as receitas às nossas maravilhosas cozinheiras e ajudantes para que o elaborassem, fazendo valer a sua tradição culinária.

Da Polónia, Eslováquia, Itália, Grécia e Espanha chegaram diferentes sabores, representando culturas e hábitos muito característicos e elementares. Mas como surgiu a iniciativa? Segundo a Dr.ª Inês Pinho, responsável do GRI, esta iniciativa foi uma ideia sua que, apresentada aos alunos de Erasmus, tomou forma e aprovação (entusiasmada) para prosseguir. A própria Dr.ª Inês comunicou ao Note-se que no âmbito do GRI é importante que, no plano de actividades, estejam previstas actividades culturais que permitam a integração dos alunos que vêm de outros países acrescentando ainda que esta actividade se insere na matriz do património gastronómico estando, deste modo, ligada ao curso de Gestão do Património, leccionado na ESE. Duas das “cozinheiras-voluntárias”, Kamila, da

Polónia e Frantiska, da Eslováquia, em conversa com o Note-se, afirmaram ter gostado da actividade pois promoveu o heteroconhecimento entre alunos de Erasmus, assim como permitiu que os alunos nacionais percebessem que os Erasmus estão cá, têm voz, cara e tradições diferentes das suas. Todos os participantes na organização do evento – alunos de Erasmus, GRI, equipa da cozinha, AEESEP - cooperaram de bom grado e reforçaram o interesse de se repetirem iniciativas deste âmbito que dinamizam a escola e fomentam a inter-ajuda, heteroconhecimento e o estreitamento de relações. O Note-se aproveita assim para felicitar não só os/as organizadores/as mas também os participantes (cerca de 400!) que possibilitaram que esta fosse uma iniciativa de sucesso na nossa/vossa Escola. Para saber mais sobre o Programa ERASMUS na ESE, consulte o artigo da página 6, do Gabinete de Relações Internacionais. por Ana Fernandes

Procurar um Novo Equilíbrio entre o Norte e o Sul Workshop sobre a situação da educação em Moçambique emergência de novos paradigmas de desenvolvimento e qualidade de vida.

No dia 28 de Novembro, pela mão da Dra. Ida Alvarinho, cerca de 150 alunos da ESE, acompanhados de alguns docentes, tomaram a análise da situação educativa actual de Moçambique como ponto de partida para a problematização de novas formas de cooperação internacional tendo em vista o equilíbrio entre Norte e Sul. Fruto de uma parceria entre o Gabinete de Educação para o Desenvolvimento e Cooperação da ESE, e o Graal, a nossa comunidade educativa teve o prazer de reflectir em torno do equilíbrio entre países do Norte e do Sul através das palavras da Dra. Ida Alvarinho. A propósito do referido tema, que foi proposto pelo Graal no âmbito de uma reflexão mais alargada associada ao Projecto “Rede de Acção e Aprendizagem Comunitária”, a Dra. Ida apresentou-nos alguns dos pontos que considera fundamentais para a compreensão da situação educativa, e consequentemente, social e económica, em Moçambique, baseando-se na sua vasta experiência enquanto docente e investigadora na Universidade Eduardo Mondlane, no Maputo.

Reflexão em torno de formas de cooperação internacional compatíveis com modelos de desenvolvimento sustentável e localmente sustentado

Durante cerca de 3 horas, os alunos e docentes que participaram no workshop implementaram um espaço de partilha de experiências e de conhecimento da realidade actual, procurando encontrar novas formas de relacionamento e intervenção Norte/Sul que se adeqüem aos desafios colocados pela

A análise da situação educativa em Moçambique, e a partilha alargada de opiniões, experiências e contributos teóricos por parte da assistência, aliados a dinâmicas bastante favorecedoras da participação de todos, serviram de base à reflexão em torno de formas de cooperação internacional compatíveis com modelos de desenvolvimento sustentável e localmente sustentado. Este momento de reflexão e partilha contou ainda com a presença dinamizadora da Dra. Teresinha Tavares e da Dra. Margarida Santos, do Graal, bem como do Senhor Cônsul Honorário da República de Moçambique, o Dr. Carlos Manhiço. por Liliana Lopes


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IX Simpósio Internacional de Informática Educativa

Um lugar de reflexão conjunta sobre as últimas experiências e investigações no campo da aplicação das TIC em Educação Os congressos, conferências, simpósios e outros encontros científico-tecnológicos são eventos fundamentais por proporcionarem às comunidades dos diversos domínios da investigação a oportunidade de partilharem e debaterem os processos e resultados dos seus trabalhos. O SIIE’2007, ou IX Simpósio Internacional de Informática Educativa, realizou-se na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto, de 14 a 16 de Novembro de 2007, e foi, como todas as suas edições anteriores, um lugar de reflexão conjunta sobre as últimas

experiências e investigações no campo da aplicação das Tecnologias da Informação e da Comunicação em Educação, tendo sido equacionados desafios, sucessos e problemas da Educação para a Sociedade do Conhecimento. Este Simpósio teve 116 participantes oriundos/ as de 5 países (Portugal, Espanha, Brasil, México e Estados Unidos da América). Na sua grande maioria estes/as participantes eram investigadores/as, professores/as ou educadores/as dos diversos níveis de ensino, técnicos de informática a trabalhar para a educação ou, ainda, estudantes. Os/as participantes voluntários/as são uma dimensão importante de muitas conferências de grande qualidade, nomeadamente pela oportunidade de formação assim criada e pela alegre e dinâmica colaboração que este tipo de participação oferece. O SIIE’2007 contou com a participação de 17 voluntárias e voluntários, na sua grande maioria estudantes finalistas do curso de Professores do Ensino Básico, variante Matemática e Ciências da Natureza, da ESE/IPPorto. Nos encontros científicos de maior qualidade os trabalhos apresentados pelos participantes são publicados em actas, sendo por vezes aceite para apresentação e publicação apenas uma reduzida percentagem desses trabalhos, devido ao grau de exigência dos/as revisores/ as e ao elevado número de trabalhos enviados. As Actas do SIIE’2007 foram publicadas em CD pela ESE/IPPorto e incluem 74 trabalhos

Danças Latinas Um convite da AEESEP Já alguma vez pensaste em aprender a dançar? Ou descobrir o teu “Eu” mais latino? A Associação de Estudantes da Escola Superior da Educação dáte essa oportunidade! Assim, todas as terças – feiras, entre as 21h e as 23h, no Ginásio da ESE, podes experimentar os calientes ritmos latinos e inscrever-te no local. Nas aulas contarás com a ajuda de um grupo de dança, constituído por cinco elementos com experiência em danças latinas, que, durante as duas horas de aula, te irão demonstrar e ensinar diversos passos, conjugando-se em inúmeras coreografias. Mais do que aprender a dançar, poderás passar bons momentos com a alegria dos bailarinos e alunos que já frequentam as aulas desde 18 de Janeiro de 2007. Vem ver uma aula! Não resistirás em fazer parte deste grupo. por Teresa Pereira

(57 artigos e 17 posters) que foram seleccionados através de um processo de dupla revisão por parte dos membros da Comissão de Programa ou por revisores indicados por eles. Um pequeno conjunto de artigos seleccionados será publicado pelas revistas IEEE-RITA (Revista Iberoamericana de Tecnologías del Aprendizaje del IEEE) e IE Comunicaciones (Revista Iberoamericana de Informática Educativa). Os diferentes momentos do SIIE incluíram as sessões dos dois tipos de apresentação de trabalhos – comunicações orais e posters – bem como as Conferências Plenárias, que foram, sem dúvida, momentos centrais do Simpósio. A Conferência de Allison Druin (University of Maryland, USA) intitulou-se “What Children Can Teach Us” e ofereceu um retrato dos métodos e resultados do desenvolvimento de investigação e tecnologia para as crianças e com as crianças. A segunda Conferência Plenária foi a de António Câmara (Universidade Nova de Lisboa e Ydreams), Prémio Pessoa 2006, e denominou-se “Invisible Computing and Education”. Nesta Conferência, foi possível conhecer intervenções tecnológicas que se integram nos objectos quotidianos utilizados por pessoas de diferentes idades. A terceira e última Conferência, com o título “e-Learning: Pasado, Presente y Futuro”, foi proferida por Martín Llamas Nistal (Universidad de Vigo) e, tal como o nome indica, equacionou a evolução do elearning nos últimos anos. por Maria João SIlva

Dia Nacional da Língua Gestual Portuguesa e Dia Europeu da Língua Gestual Os alunos do 2º ano do Curso de Tradução e Interpretação de Língua Gestual Portuguesa (TILGP), organizaram na ESE diversas actividades no sentido de marcar o Dia Nacional da Língua Gestual Portuguesa na nossa escola. Assim, no dia 15 de Novembro estiveram connosco algumas crianças, surdas e ouvintes, da escola Monte Aventino e Covelo, e foi com elas que demos vida a este dia tão especial! Realizámos actividades como o face-painting, a pintura de camisolas, o jogo das cadeiras, ou a moldagem de plasticina, e ainda elaborámos um cartaz onde cada criança, juntamente com cada um de nós, desenhou a sua mão. As actividades decorreram exclusivamente durante a manhã, visto que não nos foi possível continuá-las à tarde. Estar em contacto com todas as crianças, foi uma experiência pessoal maravilhosa que todos gostaríamos de repetir, também para podermos ajudar a dar a conhecer este mundo tão especial das pessoas surdas. Aproveitamos ainda esta oportunidade para lembrar o dia 6 de Dezembro, Dia Europeu da Língua Gestual, em que apresentámos na ESE uma exposição com uma selecção de quadros do Professor Francisco Goulão, que é surdo. A exposição esteve aberta a todos durante o dia, e apesar de ter sido uma experiência que consideramos agradável, lamentamos a baixa adesão da nossa comunidade escolar. Queremos ainda aqui salientar, que todas as actividades que preencheram o Dia Nacional da Língua Gestual Portuguesa na ESEP foram realizadas por iniciativa da turma do 2º ano do Curso de TILGP, e não pela coordenação do curso, como constava em notícia publicada na edição anterior do Note-se. por 2º ano de TILGP


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XI Mega Dádiva de Sangue

Património ARTErial

ESE continua a aderir à iniciativa A Associação de Estudantes da Escola Superior de Educação do Porto (AEESEP) em conjunto com o Instituto Português de Sangue teve o prazer de, mais uma vez, realizar uma iniciativa de Dádiva de Sangue. Esta actividade, que está já no plano de actividades anual da AEESEP como uma das mais relevantes, ocorre todos os anos lectivos em dois períodos diferentes. O primeiro dáse no início das aulas e o segundo por volta do mês de Abril. Importa ainda salientar que a XI Mega Dádiva de Sangue, que decorreu no passado mês de Dezembro na sala de exposições da Escola, teve óptima adesão da comunidade escolar da ESE contando assim com cerca de setenta inscrições. Aguardamos ainda o feed-back do Instituto Português de Sangue relativamente ao número exacto de dadores, uma vez que nem todos os voluntários nesta causa puderam doar sangue, por diferentes motivos, mas estamos obviamente muito satisfeitos com o resultado desta actividade. A AEESEP espera que a próxima Dádiva de Sangue tenha tanta, ou, se possível, maior adesão. Porque dar sangue é dar vida! por AEESEP

I Jornadas do Património

Património ARTErial – I Jornadas foi uma iniciativa que surgiu no âmbito das disciplinas de Políticas Culturais e de Programação e Produção Cultural II, inseridas no curso de Gestão do Património. Esta iniciativa decorreu no âmbito do 13º aniversário do curso através

Jantar de Natal da ESE

das primeiras Jornadas do Património

Pessoal docente, não docente e AEESEP em festa

do Património.Estas Jornadas tiveram a

organizadas pelo 4º ano do curso de Gestão finalidade de sensibilizar as pessoas para a preservação do Património Cultural do nosso país. As Jornadas realizaram-se no auditório da Escola Superior de Educação do Porto (ESE/ PP), em cinco sessões distintas, intituladas Políticas do Património, Turismo Cultural, Serviços Educativos I e Serviços Educativos II e Produção Cultural. Contámos com ilustres oradores que abordaram temas de elevada pertinência não só para os alunos de Gestão do Património, como também para o público em geral - dado que o património cultural é fruto de todos nós e pertence a todos nós. O Curso de Gestão de Património agradece

O Conselho Directivo da ESE promoveu no dia 14 de Dezembro o habitual Jantar de Natal, este ano no Hotel Porto Palácio. Contou com a presença de pessoal docente, não docente, Associação de Estudantes e funcionários aposentados, num total de cerca de 100 pessoas. Durante o jantar, que decorreu numa sala reservada, tivemos momentos de actuação musical pelos docentes Acácio de Carvalho e Gustavo Brandão, momentos de demonstração de Tango Argentino pelos docentes e

funcionários que frequentam a oficina de Tango que decorre na ESE desde Outubro, e o nosso colega Rui Reisinho como Dj, que teve a seu encargo a animação musical, para dançar. Todos os presentes receberam presentes, bem como os tão desejados cartões pessoais de visita. Não podemos deixar de referir o excelente convívio entre todos os presentes, fazendo com que esta fosse mais uma noite para recordar, num hotel que sempre nos tem recebido de forma exemplar. por Irene Peres

desde já a todos os que participaram nas Jornadas, assim como aos colaboradores da ESE/PP que tornaram possível a realização do evento, não esquecendo os imprescindíveis apoios da ESE, do Instituto Politécnico do Porto, da Associação de Estudantes da ESE, da Lavazza, do BPI, da Higifiel, da Confeitaria Rainha do Carvalhido, da Confeitaria Cristo Rei e da Confeitaria Itaipu.

por Teresa Pereira


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(do Lat. agora < Gr. agorá, praça pública)

ÁGORA

Gabinete de Relações Internacionais O que somos e o que fazemos... conhecimento de outro país e criar laços de amizade internacionais, a mobilidade Erasmus proporciona aos alunos uma bolsa, não para financiar os estudos, mas para auxiliar nas despesas de deslocação até à universidade que o acolhe e para compensar a diferença de custo de vida entre os dois países.

O Gabinete de Relações Internacionais (GRI), como já foi referido na edição anterior, é uma unidade departamental que se insere na unidade institucional que é o Instituto Politécnico do Porto e é da sua competência receber as medidas e planos de estratégia do IPP e adaptá-los à realidade da ESE e respectivo plano de actividades.

Fomentar a mobilidade de alunos, docentes e pessoal não docente no espaço europeu Um dos principais objectivos do GRI consiste em fomentar a mobilidade de alunos, docentes e pessoal não docente no espaço europeu, servindo-se, para o efeito, do Lifelong Learning Programme (LLP) – Programa de Aprendizagem ao Longo da Vida, dentro do qual se destaca o sub-programa Erasmus. O programa Erasmus destina-se a apoiar actividades europeias das instituições de Ensino Superior e a promover a mobilidade e o intercâmbio de estudantes e docentes. A mobilidade de estudantes pode ser realizada segundo duas modalidades: a mobilidade Erasmus Estudos (Disciplinas): o aluno tem a possibilidade de efectuar um período de estudos com pleno reconhecimento académico, com uma duração mínima de 3 meses e no máximo de um ano lectivo, numa universidade estrangeira com quem a ESE tenha parceria; a mobilidade Erasmus Estágio (Curricular): o aluno tem a possibilidade de frequentar um estágio numa das universidades parceiras, ou numa empresa após ter sido acordado entre ambas as instituições. O aluno que num ano faça a mobilidade Erasmus Estudos (Disciplinas), no ano seguinte pode candidatar-se à mobilidade Erasmus Estágio (Curricular) e vice-versa. Em qualquer dos casos, apenas poderá fazer uma mobilidade por modalidade. Além de proporcionar o contacto com novos métodos de trabalho, aperfeiçoar uma língua estrangeira e o

Ano lectivo 2007/2008 no primeiro semestre, 13 alunos estrangeiros, 9 no segundo semestre, e mais quatro alunos que vieram por um ano lectivo completo Neste ano lectivo 2007/2008 recebemos, no primeiro semestre, 13 alunos estrangeiros e contamos receber outros 9 alunos no segundo semestre, contando ainda com mais quatro alunos que vieram por um ano lectivo completo. Relativamente à mobilidade de docentes, ela assume, prioritariamente, a forma de TM – Missões de Ensino (Teaching Mobility), onde o docente elabora, em conjunto com a universidade que o acolherá, um programa de trabalho, com o mínimo de 5 horas lectivas, que pode ir desde a leccionação até à realização de congressos e seminários. Para além disso, de acordo com o novo programa (LLP), os docentes podem igualmente efectuar uma mobilidade para Formação ST (Staff Training) numa Instituição de Ensino Superior ou numa Empresa, com a duração mínima de 1 semana. Os docentes podem ainda candidatar-se à realização de visitas de Organização de Mobilidade (OM) com as instituições parceiras com o intuito de acompanhar os estudantes em mobilidade e/ou organizar mobilidades futuras. Por último, a mobilidade de docentes engloba ainda a modalidade PV (Preparatory Visit), que consiste numa visita preparatória para discutir com colegas a possibilidade de fomentar novos contratos bilaterais entre as instituições envolvidas. Todavia, a aprovação desta modalidade depende agora da Agência Nacional e dada a escassez de bolsas, apenas 1 docente, em todo o universo IPP, é contemplado anualmente com a mesma. Por sua vez, o pessoal não docente pode pela primeira vez realizar uma mobilidade Formação ST (Staff Training) numa Instituição de Ensino Superior ou numa Empresa, com a duração mínima de 1 semana. Actualmente, o GRI conta com 32 universidades Erasmus parceiras por toda a Europa: Espanha, Itália, Alemanha, França, Grécia, Bélgica, Holanda, Áustria, Polónia, Eslovénia, Eslováquia, Bulgária, Turquia, Estónia, Suécia, Noruega e Finlândia. Durante o presente ano lectivo, contamos

ainda assinar contrato com a Zurich University of Teacher Education, em Zurique, Suíça, para a área de Educação, com a Cukurova Universitesi Egitim Facultesi, em Adana, Turquia, para a área de Educação de Infância e com a State School of Higher Vocational Education in Jaroslaw na Polónia, para a área de Gestão de Património. Dentro do Programa LLP, também trabalhamos com o programa Leonardo Da Vinci. Este programa destina-se aos diplomados do IPP (bacharéis ou licenciados) não inscritos em instituição de ensino superior que gostariam de realizar um estágio profissional no estrangeiro. Este estágio pode ter uma duração entre 8 a 26 semanas. Dada a elevada procura por este programa, os candidatos são convidados a indicar locais de estágio. A este nível, compete ao GRI divulgar os prazos de candidatura e receber as mesmas. Todo o restante processo de selecção é da responsabilidade do IPP em conjunto com a entidade acolhedora de estágio – ver mais em www.bolsadeemprego.ipp.pt/be. De acordo com o plano de actividades do GRI para o ano 2007-2008, este gabinete ainda tem alguns objectivos para alcançar. Entre outros, e no presente momento, o GRI encontra-se a diligenciar, no sentido de alargar as mobilidades de discentes e docentes com os EUA e Canadá através, respectivamente, dos Programas ATLANTIS e TEP (Transatlantic Exchange Programme). De igual modo, o GRI procedeu, recentemente, ao levantamento dos programas europeus em vigor, tendo apurado os seguintes: dentro ainda do LLP temos o Comenius, Grundtvig, Jean Monet e Transversal; Cultura 2007-2010; Europa para os Cidadãos; Erasmus Mundus; Janela Externa de Cooperação no âmbito do Erasmus Mundus. Para facilitar a interpretação dos respectivos programas, este gabinete elaborou uma sinopse por programa, que se encontra ao dispor de quem desejar saber mais informação sobre os mesmos. Notícias de última hora: Estão abertas as pré-candidaturas Erasmus 2008/2009 para alunos da ESE que desejem efectuar mobilidade por 1 ano ou durante o 2º semestre. Os alunos que desejem fazer mobilidade no 2º semestre deverão entregar esta ficha até 15 de Maio. Relativamente aos Programas ATLANTIS e TEP: aceitam-se contactos de possíveis universidades interessadas em fazer parceria com a ESE. Os docentes interessados em obter mais informações sobre os programas internacionais deverão solicitá-lo à coordenadora do GRI. Esperamos por vós! por Inês Pinho


NOTE-SE75

ÁGORA

A nova lei do tabaco na ESE O respeito pelo outro no cerne da discussão... O ano de 2008 está a começar envolto na discussão acerca da nova lei nº 37/ 2007, em cujo Capítulo II se referem as limitações ao consumo do tabaco. No Artigo 3º, é enunciado como princípio geral o seguinte: “O disposto no presente capítulo visa estabelecer limitações ao consumo de tabaco em recintos fechados destinados a utilização colectiva de forma a garantir a protecção da exposição involuntária ao fumo do tabaco.” Remetendo à realidade concreta da ESE, tem vindo a ser divulgada informação para toda a Comunidade Académica relativamente ao facto de não se poder fumar em qualquer espaço interior da ESE, incluíndo os gabinetes de serviços e de docentes, vindo ao encontro de medidas anteriormente definidas na ESE, uma vez que desde Novembro de 2006 só era permitido fumar no hall de entrada desta instituição. Isto significa que, desde o dia 1 de Janeiro de 2008, todos os fumadores têm necessariamente que se deslocar para o exterior do edifício sempre que a vontade de fumar aperte... E a verdade é que, observando os grupos de fumadores que se vão juntando no exterior, podemos depreender que esta medida está a ser cumprida e respeitada por todos. Assim esperamos... Ainda antes de ter sido implementada esta lei, o Note-se foi procurar saber o que pensamos nós, Comunidade Académica da ESE, sobre esta temática. Fomos perguntar a alguns estudantes, docentes e não docentes a sua opinião sobre esta nova lei que já antes de ser implementada dava muito que falar... José Félix, Administrativo 1) É fumador/a? Não. 2) Conhece a lei nº 37/2007, que a partir do dia 1 de Janeiro proíbe o consumo de tabaco em locais fechados? Não. 3) O que pensa desta lei? Acho muito bem porque as pessoas que não fumam não têm que ficar prejudicadas com o fumo dos outros.

Luísa Santos, Administrativa 1) É fumador/a? Sim. 2) Conhece a lei nº 37/2007, que a partir do dia 1 de Janeiro proíbe o consumo de tabaco em locais fechados? Sim. 3) O que pensa desta lei? Acho que é justo, até porque o vício do cigarro não é de primeira necessidade e em recintos fechados as pessoas que não fumam não têm que ser prejudicadas pelos fumadores. É uma questão de saúde pública!

Sérgio Cruz, Estudante de Educação Social 1) É fumador/a? Sim. 2) Conhece a lei nº 37/2007, que a partir do dia 1 de Janeiro proíbe o consumo de tabaco em locais fechados? Sim. 3) O que pensa desta lei? Penso que já devia existir há mais tempo! Para proteger as pessoas que não fumam acho correctíssimo!

Susana Oliveira, Estudante de 1º Ciclo 1) É fumador/a? Não. 2) Conhece a lei nº 37/2007, que a partir do dia 1 de Janeiro proíbe o consumo de tabaco em locais fechados? Sim. 3) O que pensa desta lei? Acho que a lei está bem formulada, e é uma lei que pensa em todos, nos fumadores e nos não fumadores. Quem não cumprir esta lei deve ser gravemente punido!

Susana Barbosa, docente 1) É fumador/a? Não. 2) Conhece a lei nº 37/2007, que a partir do dia 1 de Janeiro proíbe o consumo de tabaco em locais fechados? Sim, conheço. 3) O que pensa desta lei? Eu concordo com a lei. Por exemplo, na área da restauração não tenho que estar sujeita ao fumo que se faz sentir no local.

Alcino Matos Vilar, docente 1) É fumador/a? Sim. 2) Conhece a lei nº 37/2007, que a partir do dia 1 de Janeiro proíbe o consumo de tabaco em locais fechados? Sim. 3) O que pensa desta lei? Conheço a lei e sei respeitar os direitos dos outros, mas sou contra fundamentalismos! por Teresa Martins


ÁGORA

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Biblioteca do Conhecimento Online Uma ferramenta ao serviço da Ciência e da Investigação

A Biblioteca do Conhecimento Online, vulgarmente designada por b-on, permite aos utilizadores aceder a resumos ou textos integrais – actualmente são cerca de 16 000 – de revistas científicas e bases de dados internacionais de diferentes áreas do conhecimento. Quem poderá aceder? Apenas poderão fazer exercício da b-on utilizadores que, no âmbito da sua actividade científico-profissional ou académica, estejam integrados numa instituição que tenha aderido a este website.

Unidade científica de apoio a cursos de licenciatura, a iniciativas integradas (...) e a outros projectos de investigação Na sequência da apresentação no NOTE-SE n.º 1 da turma do 1.º ano do curso de Ciências do Desporto, vimos agora anunciar-vos um projecto, em fase final de instalação nesta escola: criação da Unidade de Estudos em Ciências do Desporto. A ideia já vem de longe, mas por vicissitudes várias só há dois anos se tem vindo a concretizar. Trata-se de uma

Na ESE, podem aceder a www.b-on.pt no espaço do CRC, e terão acesso a todos esses dados, uma vez que o IPP é uma das instituições aderentes. Depois de entrar no site, como fazer a pesquisa? Fácil. Escolhem um motor de busca – por pesquisa rápida, metapesquisa, recursos, etc , lançam o assunto, título, autor, ou outros dados, mediante a busca que realizarem, e escolhem a base em que querem procurar – a de referenciais, a de textos integrais ou as de dados organizados por áreas científicas – aguardando até surgir tudo aquilo que está relacionado com o procurado. Depois podem consultar, descarregar ou imprimir o que desejam. Muito mais há para saber sobre o bon que, em funcionamento desde 2003, tem aperfeiçoado e complementado o seu desempenho. Aqui está mais um recurso para a formação profissional, e pessoal, de cada um. No núcleo de documentação do CRC todo o apoio será disponibilizado pela técnica do serviço. Fica a sugestão do Note-se para visitarem este website. por Ana Fernandes

unidade científica de apoio a cursos de licenciatura, a iniciativas integradas com grupos de investigação de outras instituições e a outros projectos de investigação que se integrem no plano de desenvolvimento científicopedagógico da Escola Superior de Educação do I.P.P. A criação desta unidade justifica-se pois, por: Incentivar os docentes do ensino superior a participarem em actividades de investigação; apoiar a formação dos estudantes em aulas práticas e ou teórico-práticas, no uso de instrumentos de avaliação morfológica, motora e psicológica;dinamizar linhas de investigação que venham a ser desenvolvidas por docentes e estudantes; desenvolver projectos de

Núcleo de Apoio à Inclusão Digital O Núcleo de Apoio à Inclusão Digital (NAID) tal como vos foi apresentado na primeira edição do Note-se, tem como finalidade promover a acessibilidade de pessoas com necessidades especiais(mas não só!). Para além de apoiar os/as alunos/as da ESE com necessidades especiais, especificamente na utilização das TIC, tem em curso uma acção de formação para pessoas portadoras de deficiência visual visando dotá-las de competências básicas na utilização do computador. Esta acção de formação é composta por um grupo de 6 pessoas, de várias idades e com habilitações literárias distintas, tendo em comum a incapacidade visual. Desenrola-se nas instalações do NAID ás terças e sextas-feiras da parte da manhã, com uma duração de três horas cada sessão, sob a orientação do formador Jorge Leite. Actualmente, está a decorrer no NAID um curso de Braille, destinado a pessoas com deficiência visual mas também dirigido àqueles que tenham interesse em aprender esta alternativa de escrita e leitura - neste primeiro grupo os 8 inscritos são todos visuais.Este curso tem a duração de 15h, distribuídas pelas segundas-feiras da parte da manhã, entre as 10h e as 12h30. Muito embora este curso já tenha iniciado, existirão outros, em horário pós-laboral, e que requerem inscrição no NAID, junto do tiflotécnico. Participem, aprendendo uma nova forma de inclusão. por Jorge Leite

cooperação nacionais e internacionais com instituições congéneres; apoiar projectos comunitários no âmbito das linhas estabelecidas de extensão do ensino superior politécnico, nomeadamente de apoio ao estudo de problemas de natureza regional. A estruturação desta unidade pressupõe uma dimensão laboratorial e uma dimensão ecológica. De acordo com a progressiva ampliação de espaços e equipamentos pretende-se que esta unidade venha a satisfazer necessidades nas áreas de avaliação Morfológica, Física e Motora, das Habilidades Motoras e Perceptivo-Motora. Na dimensão ecológica, criaram-se já algumas estruturas audiovisuais, materiais e equipamentos para observação do comportamento em situações reais. As condições actuais de equipamento da unidade permitem já o seu funcionamento em algumas áreas de estudo, o que nos apraz aqui registar. Esperamos a oportunidade de ampliação das instalações, para que todo este investimento possa servir o acompanhamento dos cursos de licenciatura, com a presença de alunos.

por Cândida Santos


ÁGORA

NOTE-SE95

Clube de Actividades Ar Livre. Combater o sedentarismo contactando com a Natureza Hoje em dia, a vida quotidiana dos alunos

Porque o desenvolvimento começa em ti!!!

torna-se cada vez mais sedentária, e com excesso de horas de trabalho, tendo-se assim pouco tempo para praticar desporto de forma a combater esse sedentarismo. Neste sentido, a AEESEP, juntamente com o

Professor

António

Cardoso,

organizaram um clube de actividades Ar Livre, aberto a toda a comunidade escolar da Escola Superior de Educação, bem como a toda a comunidade IPP. Tem como principal objectivo criar algo diferente para que os alunos ocupem os seus tempos livres, divertindose ao mesmo tempo que praticam desporto. O clube tem várias vertentes, todas elas emocionantes e radicais, e para tal irá realizar actividades no exterior, entre as quais Rafting, Canoagem, Escalada, Slide e muito mais. Espera-se proporcionar uma adrenalina extrema aos participantes, para que estes tenham vontade de voltar e participar nesta iniciativa.

Horário de Funcionamento: - segundas - feiras das 19:30 às 21:30 - quintas-feiras das 18:30 ás 20:30 por Hilário Miranda

TRIP – Grupo de Teatro da ESE/IPP TRIP – Grupo de Teatro da ESE/IPP – Desde 1995 que contamos com alunos, ex-alunos, docentes e outros amigos do grupo para redimensionar o teatro amador num contexto de comunidade educativa. Construímos projectos, moldando o qualquer-coisa que vamos criando e apresentando ao grande público que nos queira ver. Mas está a faltar a ligação às nossas paredes… Daí propormos uma renovada forma de envolvimento: o apoio a alunos e grupos da ESE que possam apreciar a nossa ajuda no âmbito do Teatro e da Expressão Dramática (aconselhamento, pequenas encenações, construção de personagens, realização de workshops, etc.). Iniciámos este envolvimento com os organizadores das Jornadas do Património, em Dezembro de 2007, esperando poder contribuir mais com a nossa vida e experiência para o desenvolvimento da comunidade em que nos integramos. Sem perdermos o objectivo final de uma apresentação pública – peça incógnita/ encenação incógnita - convidamos desde já quem possa estar interessado no envolvimento em alguma das dimensões de acção do grupo, para tal contacte-nos através do 919640728 ou do email trip.ese.ipp@gmail.com. por Inês Vieira

Sendo a ESE uma instituição que forma agentes educativos, e consequentemente, agentes de desenvolvimento, entende-se que é fundamental começar por apostar nos nossos alunos no sentido de explorarem as suas capacidades enquanto tal. Deste modo, o GEDC pretende criar condições para a existência de espaços de formação, participação e desenvolvimento pessoal e social dos alunos. Neste âmbito, o Gabinete assume como funções colaborar na busca de respostas para problemas, necessidades que os alunos possam sentir ao longo do seu percurso académico, bem como apoiar projectos, ideias, iniciativas dos alunos que vão ao encontro das linhas de acção deste Gabinete. O GEDC está de portas abertas para toda a comunidade académica: De Segunda a Quinta-feira: das 10h/12:30h e 14h/17:30h; Sexta-feira, das 10h às 13h; Em alternativa podem sempre entrar em contacto através do e-mail: gedc@ese.ipp.pt. Presentemente, convidamo-vos a tomar nota de que uma das actividades em que o GEDC está envolvido é a “Campanha Global pela Educação” (www.campaignforeducation.org), pelo que os alunos que possam ter interesse em saber mais sobre esta Campanha e até promovê-la nas escolas/ instituições com as quais tenham contacto, podem e devem procurar o GEDC, sendo disponibilizadas todas as informações necessárias e todo o apoio para a sua participação. Noutra dimensão, anunciamos que no âmbito de uma parceria do GEDC com a Inducar, decorrerá na ESEP entre os dias 18 de Fevereiro e 13 de Março, um Curso de Aprendizagem Intercultural em horário pós-laboral. Aos interessados, recomendamos que nos enviem um e-mail que nós reencaminharemos todas as informações relativas ao curso. por Liliana

Lopes e Teresa Martins


DUAS DE LETRA

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Uma espécie de Entrevista Frente a Frente: Carla Serrão VS Rui Bessa academias, o que foi extremamente interessante, e sempre com a vontade de aprender cada vez mais. Depois entrei aqui na ESE, como estudante, e, quando terminei o curso, surgiu-me o convite para leccionar. A certa altura tive que tomar opções, e então deixei um pouco a opção artística, no sentido de instrumentista, pois é um pouco incompatível este papel com o de professor de ensino superior, uma vez que, quer um quer outro, ocupam muitas horas de trabalho.

A convite do Note-se, os docentes da ESE Carla Serrão e Rui Bessa aceitaram o desafio de se entrevistarem mutuamente, numa conversa aberta. Nesta desfiaram sobre os seus percursos pessoais e profissionais, que, apesar de divergentes, encontraram um ponto em comum: ser docente na ESE.

Deixei um pouco a opção artística, no sentido de instrumentista. (Rui Bessa) Carla Serrão: Como é que surge a música na tua vida? Rui Bessa: Começou muito, muito cedo, por acaso. Surge com a vontade de uma prima que queria aprender música e a minha tia não a deixava então ela pediu ao meu pai se podia ir com ela inscrever-se, e eu, que tinha uns 8, 9 anos, também fui. A partir daí acabou por ser um desenrolar de situações quase inesperadas. Quando concluí o conservatório surgiu a hipótese de começar a dar aulas e – se calhar até por uma questão genética, porque os meus pais são professores do ensino básico, e tenho vários familiares que também o são – logo no primeiro dia, descobri que era mesmo isto que eu gostava. Comecei também a leccionar em

C.S.: Enquanto falavas pensava no que seria isto de optar, ou seja, passar de um plano artístico para um plano mais educativo. E o que é isto de não nos baterem palmas após cada concerto? R.B.: Os estudantes podem não bater palmas a seguir a cada “concerto” que damos, pois em cada dia damos muitos concertos, mas satisfaz-me tremendamente dar aulas e receber o feedback deles. Quando acabam o curso falam daquilo que aprenderam, mesmo dois ou três anos após as aulas terminarem. Os meus aplausos é saber e acreditar naquilo que estou a fazer, e crer que aquilo que transmito aos meus estudantes será, posteriormente, transmitido por eles, de uma forma ainda melhor, aos estudantes deles. E assim, cada vez mais vão existir pessoas a gostar mais de música, a frequentar concertos, a querer experimentar música.

Tenho um lema a dar aulas: máxima liberdade, máxima responsabilidade. (Rui Bessa) C.S.: Se tivesse que realçar alguma característica tua seria a relação privilegiada que manténs com os estudantes, que, quanto a mim, é uma relação pedagógica realmente estreita e positiva. É a música que te possibilita esta relação? R.B.: Acho que há dois factores. O primeiro é a música, sobretudo para os educadores, do 1º ciclo, pois é tudo bastanteprático. Dou aulas extremamente activas, dinâmicas, divertidas e isso cria logo uma empatia muito grande. Contudo acho que vai para além disso pois, também tenho aulas bastante teóricas e a relação continua a ser extremamente

interessante. Para além disso tenho uma relação muito boa com pessoas que nunca foram meus estudantes. Deste modo, acho que o segundo factor se prende com o respeito que eu tenho pelos estudantes. Eles sabem qual é o papel deles, eu sei qual é o meu, respeitamo-nos, mas sempre tentando que o distanciamento que há entre professor e estudantes não exista no extremo e a relação se cruze constantemente. Tenho um lema a dar aulas: máxima liberdade, máxima responsabilidade, e só posso exigir uma mediante a outra. Claro que o máximo de liberdade está condicionada aos nossos papéis, o que, por vezes, é andar na corda bamba sem rede. Isto é permitir que os estudantes se sintam bem comigo, se sintam à-vontade, e possam abordar-me seja em que circunstância for, à medida em que se mantêm os papéis diferenciados. A relação é boa não só pela música, que aproxima, mas também pela capacidade de ir ao encontro dos estudantes, percebendo-os.

O mais interessante é que continuo a gostar muito da educação, do meu papel enquanto professora. (Carla Serrão) R.B.: A tua formação é em Psicologia Clínica e, de repente, entras na docência, no ensino superior. Como é que foi a experiência? E a adaptação? O que é que tiveste que fazer para te integrares na parte pedagógica? C.S.: Iniciei este percurso há alguns anos, pensando que a minha área privilegiada continuaria a ser a da psicologia clínica. Contudo, à medida que fui evoluindo fui percebendo que não era só a prática clínica que me dava, de certa forma, alguma gratificação, algum reconhecimento pessoal e profissional. Comecei a contactar com instituições de apoio a crianças e no âmbito da saúde – pois trabalho na área da saúde sexual e reprodutiva –, comecei também a apaixonar-me por uma área muito mais abrangente que a clínica, que é a da saúde. Portanto, fui avançando pela área da clínica, da saúde e, mais tarde, pela área da formação pessoal e social. Fui investindo nas questões da educação sexual, da sexualidade, nos direitos humanos, nos direitos das crianças e abraço qualquer projecto que tenha a ver com


DUAS DE LETRA

isto. Acredito que consigo dar uma perspectiva diferente do ser, do estar, do sentir das pessoas. Junto-me à educação quando sou convidada para dar aulas. Nesse período desempenho várias funções, tais como, ser docente da ESE, ser coordenadora regional da Educação Sexual, ser formadora no âmbito da Saúde Sexual e Reprodutiva numa CPCJ e psicóloga. Neste momento, 80% do meu tempo está ocupado com a Educação e menos com outras áreas, nomeadamente a área comunitária, a área da saúde, que eu, de certa forma, com outros projectos, vou tentando abraçar. A opção pela educação em quase exclusividade surge aquando do nascimento do meu filho, este sim é o marco histórico para eu assumir que tinha que me desligar de outras áreas para além da educação. O mais interessante é que continuo a gostar muito da educação, do meu papel enquanto professora, a perceber que o meu papel é muito diferente dos outros papéis que as pessoas estabelecem, nomeadamente no ensino superior…Posso não ter música mas dou música nas aulas, e acho que isto sim, é importante, assim como é crucial permitir que os meus estudantes, muitas vezes, naquele momento em que estão comigo, possam pedir algum apoio, apresentarem as suas angústias. É neste sentido que me vou mantendo nesta casa, com alguns constrangimentos, algumas barreiras, a perceber como é a política da casa, mas indo sempre em frente.

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R.B.: Falaste que consegues ter uma relação muito positiva com os estudantes. De onde vem isso? Até porque leccionas a unidade curricular de sociodrama, onde se fala muito mais do Eu. C.S.: Eu acho que trabalho com os meus estudantes em todos os contextos: no corredor, no gabinete, nas aulas, no CRC, em conversas de bar e eu vou estando com os meus alunos desta forma. Nos diferentes contextos eles percebem que há diferentes “Carlas”, mas é claro que, se nos referirmos a uma unidade curricular nomeadamente o sociodrama, a Formação Pessoal e Social, há um conjunto de competências que se pretende que eles desenvolvam nomeadamente ao nível da sua formação enquanto pessoas, enquanto seres sociais. O meu trabalho no âmbito destas unidades curriculares emerge dos temas e assuntos que os estudantes trazem. Se eles não partilharem as dificuldades do eu pessoal, dificilmente conseguem desenvolver o eu profissional. Aqui a relação é igualmente positiva, embora num papel mais crítico.

vai percebendo estas relações existentes e, caso seja necessário, estamos um ano apenas a trabalhar o grupo, para se poder dar a conhecer.

Estou ainda a desenvolver um projecto, que tem a ver com os objectivos do desenvolvimento do milénio, que é o Projecto Rosa (Carla Serrão)

C.S.: E tu? Que projectos de investigação tens em mãos? R.B.: Estou a fazer o doutoramento na área da musicologia histórica, passando muito tempo em bibliotecas, a analisar documentos. Não posso deixar de salientar o trabalho de investigação que se tem feito no CIPEM, tem sido um trabalho fantástico. O que estamos a fazer agora tem a ver com a formação das bandas filarmónicas em alunos do ensino superior, tentando perceber a relação entre ambos, pegando em alunos e ex-alunos da ESE. Temos ainda um projecto a começar, que veio de encontro a uma necessidade que tem a ver com as AEC’s – Actividades de Enriquecimento Curricular – e que, com a música, foi implementado de um ano para o outro. Estamos então a estudar um projecto que existe na Madeira há cerca de 25 anos, tentando perceber como está a trabalhar a área da música para o 1º ciclo, quer como parte curricular quer como actividade de enriquecimento curricular. São todos projectos financiados pelo FCT (Fundação para a Ciência e Tecnologia) o que é uma mais valia para a investigação, para o CIPEM, e para a ESE.

R.B.: O modelo sociodramático permite que os estudantes tragam questões muito intrínsecas… C.S.: Este modelo, do sociodrama, tem algumas características e ao usar determinadas técnicas permite que os elementos do grupo vão confiando e se desenvolvendo, assim há medida em que o grupo vai crescendo, vai confiando mais. Não quer dizer que todos os indivíduos cheguem ao mesmo nível. Alguns podem não partilhar mas fazem insights riquíssimos sobre as partilhas dos outros e estão lá, embora, muitas vezes, exista algum desinteresse e as relações não sejam muito positivas dentro do grupo, o que é extremamente difícil de trabalhar. Contudo a unidade funcional – ego auxiliar e director –

R.B.: O que é que tens feito no âmbito da investigação? C.S.: Neste momento estou a fazer uma investigação no âmbito dos professores e da Educação Sexual, e é porque estou na ESE que estou mais sensível a este grupo profissional. Educação sexual, porque fui coordenadora do Projecto da Educação Sexual, a nível regional, e então estou a tentar perceber quais são os factores preditores do envolvimento dos professores em Educação Sexual. Tento ainda fazer um paralelismo com outras áreas, para além da Educação Sexual, tentando perceber porque é que as pessoas se envolvem de formas diferentes. Actualmente, estou ainda a desenvolver um projecto, que tem a ver com os objectivos do desenvolvimento do milénio, que é o Projecto Rosa, e que surgiu através de um pedido da APF.

Passado, presente e futuro dos percursos profissionais dos entrevistados marcaram presença nesta enérgica entrevista. A riqueza de conteúdos e o envolvimento dos participantes foram elementos chave para uma interessante conversa, que os docentes Carla Serrão e Rui Bessa se disponibilizaram a partilhar com todos nós. por Ana Fernandes e Teresa Martins


NO TE-SE Q UE... NOTE-SE QUE...

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AGENDA da ESE

SUGESTÕES

18 Fevereiro/13 Março – Curso de Aprendizagem Intercultural, iniciativa do GEDC com a Inducar (2ª e 5ª das 18h30 às 22h);

25 de Janeiro/24 de Fevereiro - Peça de Teatro “O Café”, de Carlo Goldoni, no Teatro

23 Fevereiro – Canoagem, iniciativa do Clube Ar Livre da AEESEP;

Nacional de S. João (www.tnsj.pt);

25 Fevereiro – Início do Curso de Braille, iniciativa do NAID;

22/23 Fevereiro – Concerto pela Orquestra

Fevereiro – Acção de Formação de Leitura Labial, iniciativa da Coordenação de Curso de LGP;

Sinfónica da ESMAE, maestro Rodolfo

14 e 15 de Março - Colóquio “O Processo de Bolonha: Desafios para a Supervisão” iniciativa do CIDINE (Centro de Investigação, Difusão e Intervenção Educacional), o recém-criado Centro da ESE (saiba mais sobre este Centro na próxima edição do Note-se);

(www.esmae-ipp.pt/thsc/);

16 Março – Atelier de Língua Gestual na FNAC de Santa Catarina “Dia das Mentiras” e “25 de Abril”, no âmbito do Programa IPP na FNAC;

Saglimbeni, no Teatro Helena Sá e Costa

24 Fevereiro – Estreia do filme “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias”, de Cristian Mungiu, vencedor da Palma de Ouro em Cannes 2007; 25 Fevereiro/9 Março – Fantasporto, Festival

22 Março – Rafting, iniciativa do Clube Ar Livre da AEESEP;

Internacional de Cinema do Porto, nos Teatros

Março – Acção de Reciclagem para Intérpretes de Língua Gestual Portuguesa, iniciativa da Coordenação de Curso de LGP.

Rivoli e Sá da Bandeira, na Praça D. João I, e em várias salas de cinema Lusomundo da área metropolitana do Porto (www.fantasporto.pt);

ÚLTIMA NOTA

29 Fevereiro – Espectáculo Ajudança a favor

Mudanças nos Serviços Académicos

da secção de desporto adaptado do Estrela

Muitos poderão ter já reparado que a Secretaria da ESEP adquiriu, desde Dezembro de 2007, novas funções, passando a denominarse como Serviços Académicos, o que implicou algumas mudanças no seu funcionamento. Na prática, estas alterações significam que matrículas, pedidos de certidões, certificados, e outros processos administrativos afins serão agora tratados na ESEP, deixando por isso de ser necessário o recurso à sede do IPP. A reestruturação dos Serviços Académicos na ESEP implicou também uma alteração dos seus horários de funcionamento, para que se possa responder da melhor forma às necessidades e solicitações de toda a Comunidade Académica da ESEP. Horário de atendimento: - Alunos > 2ª e 5ª das 9:30h às 11:30h e das 14:30h às 16:30h; ás 3ª e 4ª das 9:30h às 11:30h e das 17h às 19h; e às 6ª das 9:30h às 11:30h; - Docentes > de 2ª a 6ª, das 9:30h às 11:30h e das 14:30h às 16:30h. por Teresa Martins

Ficha Técnica Redactoras: Ana Fernandes, Liliana Lopes, Teresa Martins, Teresa Pereira Designer gráfico: Rui Reisinho Editores: Todos

Mestrados da ESE aprovados

Vigorosa Sport, no Estúdio 400 (à Foz), às 21:30h; 8 Março – Baile dos Vampiros, encerramento do Fantasporto, no Teatro Sá da Bandeira.

De um vasto conjunto de propostas de Mestrado enviados para o Ministério da Ciência e da Tecnologia e do Ensino Superior, já foram aprovados os Mestrados em: - Ensino de Educação Musical no Ensino Básico; - Ensino de Inglês e Francês no Ensino Básico; - Didáctica do Português, língua não materna.

por Rui Ferreira

JOGO

Esperamos pelos vossos contributos para o próximo número através do e-mail: note_se@ese.ipp.pt


Nº 1 - Fevereiro de 2008