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ZERO HORA

ANO 1 Nº 43

SEGUNDA-FEIRA, 20 DE DEZEMBRO DE 2010

ARTE SOBRE FOTO DE ROBINSON CIPRIANO , MAPA, DIVULGAÇÃO

Óleo de palma

O queridinho dos biocombustíveis

A

Classificada como uma das culturas mais produtivas do mundo, a palma ganha investimento de quase um bilhão no Brasil

s primeiras sementes de palma provavelmente chegaram ao Brasil na mão dos escravos séculos atrás. Por isso, quando se descobre que a palma, Elaeis guineensis para os cientistas, também pode ser chamada de dendê, tudo parece mais simples para muita gente. Dendê remete à Bahia e ao acarajé. E esse foi, por muitos anos, um dos principais destinos do óleo de palma no Brasil. Hoje, dados revelam que 80% da produção de óleo extraída do fruto da palma se transforma em alimentos como margarina, biscoitos e macarrão instantâneo. Os 20% restantes viram ativos para fabricar cosméticos, sabonetes e, recentemente, biodiesel. Características como alta produtividade

em um espaço pequeno, balanço energético favorável e semelhança com o óleo diesel convencional podem alavancar essa porcentagem. Somente um investimento da Petrobras Biocombustível,no interior do Pará e em Portugal,ultrapassa R$ 1 bilhão. Para incentivar o desenvolvimento e, ao mesmo tempo, garantir que a produção não prejudique a Floresta Amazônica, o Ministério da Agricultura, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e com a Casa Civil, lançou, em maio deste ano, o Programa de Produção Sustentável da Palma de Óleo no Brasil. Um dos destaques do material é o mapeamento das áreas que podem ser usadas para o cultivo e a restrição do desmatamento. Além disso, o programa também concede crédito, treinamento e possibilita o acesso dos

produtores às novas tecnologias. As vantagens do cultivo da palma, enumeradas por pesquisadores como Maria do Rosário Lobato Rodrigues, da Embrapa Amazônia Ocidental,são muitas.A rentabilidade é o grande destaque. Dados de 2000 mostram que a palma produz cerca de 30,57% de óleo em apenas 7,52% da área destinada para seu cultivo.Em comparação, a soja é responsável por 35,85% da produção total usando 63,48% da área total. – Investir na produção de palma é uma grande escolha, pois trata-se de uma das culturas mais produtivas do mundo – reforça Maria do Rosário. Para a pesquisadora, o óleo de palma pode ser considerado o mais adequado para a região amazônica pois é uma cultura perene, com longa permanência,

cerca de 25 anos, e protetora do solo. Rosário ressalta ainda o processo mecânico, que não exige químicos para a extração, e a não produção de substâncias tóxicas, como ocorre com a mamona.Além disso, as características semelhantes ao diesel convencional e a baixa mecanização, que aumenta o número de empregos diretos, são impulsionadores. Embora o investimento inicial seja alto, a expectativa é de que o preço do biocombustível,daqui a quatro anos,quando o polo da Petrobras estiver em funcionamento, seja inferior ao do diesel convencional. Quanto às dúvidas sobre a integridade do projeto, Miguel Rossetto, presidente da Petrobras Biocombustível,é taxativo: – Somos tão rigorosos com a sustentabilidade que ela chega a ser cláusula de veto. Leia mais na página 4

Edição: Anna Martha Silveira > Produção: Mariana Müller > (51) 3218-4793 > E-mail: nossomundo@zerohora.com.br > Arte: Gonza Rodriguez > Diagramação: Norton Voloski


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www.zerohora.com/nossomundosustentavel Sementes ao vento

Nosso Mundo no seu e-mail

Q

NOSSO MUNDO SUSTENTÁVEL 20 DE DEZEMBRO DE 2010

uando o Nosso Mundo nasceu, a ideia era que ele trouxesse os melhores movimentos que o mundo está fazendo em direção a um equilíbrio entre homem, desenvolvimento e ambiente. Nas nossas páginas, não existem restrições geográficas. Se a iniciativa for boa, não importa se está acontecendo em Nova Petrópolis ou no interior do Japão. Foi pensando em levar o caderno ao conhecimento de mais pessoas, especialmente daquelas que estão fora do alcance da nossa versão impressa, que iniciamos esta semana com mais uma novidade. A partir de hoje à tarde, começa a circular a newsletter do Nosso Mundo Sustentável. Nela, vamos destacar semanalmente as principais notícias de cada edição do caderno, com um link para quem quiser ler a reportagem inteira. É uma forma de fazer com que mais pessoas se conectem às belas e inovadoras ideias que buscamos sempre apresentar ao nosso leitor. Queremos que o produtor de óleo de palma lá do Pará, tema da nossa reportagem de capa, possa saber, assim como você, que nós damos força para que o trabalho dele prospere.

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Prêmio para a estante Na quinta-feira passada, fomos ao Theatro São Pedro, em Porto Alegre, receber o VI Prêmio Responsabilidade Ambiental, do Instituto Latino-Americano de Proteção Ambiental Borboleta Azul. Além de nós, havia mais de 20 premiados, entre empresas, órgãos públicos e pessoas físicas. Todos reconhecidos pelo trabalho em favor do equilíbrio do planeta. A equipe aqui está cheia de orgulho da conquista.

3218-4793 > Com Mariana Müller mariana.muller@zerohora.com.br

Arquitetura jovem no Paraná A foto abaixo é do projeto da nova sede do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado do Paraná (CreaPR). Para definir qual escritório seria responsável por desenhar o prédio,o Instituto deArquitetos do

Brasil (IAB) lançou um super concurso público em âmbito nacional. O foco dos projetos deveria ser a sustentabilidade. O Lucas Obino, do Obino.SouzaPinto Arquitetura e Urbanismo, escritório que venceu a disputa,

escreveu para o Nosso Mundo contando que o prédio pretende se tornar referência nacional em qualidade ambiental e eficiência energética. Nós gostamos particularmente da grande parede perde do projeto.

Esse é o nome do instituto recém-criado pela Escola Amigos do Verde, de Porto Alegre. O objetivo do Sementes ao Vento é promover a ética, a educação e a ecologia para o desenvolvimento sustentável.A direção fica a cargo de Frederico Behrends.

Publicidade neutra A ação Baixe uma Semente, promovida pelo Canal Rural, para buscar a neutralização do mercado publicitário já colhe seus resultados. Foram 1.105 sementes virtuais plantadas nas oito semanas de duração da campanha. Elas representam 2.210 árvores que serão plantadas no município de Prado Ferreira,no Paraná. Foram cerca de 600 profissionais do mercado publicitário e de marketing participando da neutralização de suas emissões semanais de CO2.

OBINO.SOUZAPINTO ARQUITETURA E URBANISMO, DIVULGAÇÃO

Embalagem no bolso O e-mail da leitora Kátia Rabuske sobre as sacolas antigas que agora voltaram à moda a partir das ecobags, publicado aqui na semana passada, provocou nostalgia em outro leitor. O jornalista aposentado Celso Rosa, de Blumenau (SC), escreveu para nós contando um pouco da sua história com as embalagens para compras.Aproveitou e opinou sobre a razão de o plástico ser o mais utilizado. “A leitora Kátia Rabuske fez um desabafo sobre a troca do papel pelo plástico para embalar produtos em mercados, padarias e açougues. Lembrou seu tempo de criança, quando só o papel era utilizado. Sua carta remeteu-me a minha adolescência (estou com 60 anos), quando ajudava minha mãe, professora, a fazer cartuchos (sacos) de papel, que meu pai usaria para embalar produtos em sua pequena mercearia, em Caxias do Sul. O trabalho era feito em casa, à noite, utilizando-se folhas da

Revista Cruzeiro e cola feita com polvilho.Alguns produtos eram embalados, ou melhor embrulhados, com folha de jornal. A mudança não ocorreu por questões ecológicas, como imagina ela. Foi imposição econômica, já que plástico era mais barato do que o papel, pela praticidade e, depois, por exigência das vigilâncias sanitárias. Hoje vejo, indignado, o produto ser colocado em sacos de papel e depois acondicionado em sacos plásticos, principalmente em padarias.”

Celso aproveitou para fazer uma pergunta sobre reciclagem:

“Há algum tempo o Francisco (Fresard),colunista de Economia do Jornal de Santa Catarina, publicou nota informando que a Coca-Cola,marca que aVonpar representa no Sul,pretende reciclar 20% das embalagens que leva ao mercado.Depois,no Nosso Mundo,uma nota informava que aVonpar patrocina,ou apoia,39 galpões de reciclagem no Rio Grande do Sul.Bem,na contramão dessas atitudes,a empresa desativou o posto de troca de embalagens (latinhas e garrafas PET eram trocados por refrigerantes),que mantinha há vários anos em seu centro de distribuição em Blumenau.Talvez Nosso Mundo possa apurar e informar o por quê dessa decisão que acabou com um serviço que revelava responsabilidade social da indústria de bebidas.”

Fomos conversar com a empresa.Foi por meio da assessoria de imprensa que a explicação chegou.Confira: “Após anos de mobilização social pela reciclagem de embalagens dos produtos Coca-Cola, realizada por meio do programa Reciclou, Ganhou!, a Vonpar encerrou essa atividade no início de 2010. Essa decisão decorre da ampliação do apoio da empresa a sistemas populares de reciclagem por meio do Instituto Vonpar. Na nova etapa, a empresa mobiliza, capacita e profissionaliza associações e cooperativas de catadores, atingindo maiores escalas de triagem e comercialização de resíduos sólidos.”

Quer falar com a gente? Mande e-mail para nossomundo@zerohora.com.br ou converse conosco pelo Twitter (@zhnossomundo). Você também pode ligar para o (51) 3218-4793 ou acessar o blog (www.zerohora.com/nossomundosustentavel).

FOTOS NO DETALHE: CANAL RURAL, REPRODUÇÃO E STOCK.XCHNG, DIVULGAÇÃO


BONS EXEMPLOS

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Com três quilômetros de extensão, o teleférico do Alemão diminuirá para 19 minutos o tempo do trajeto entre a Fazendinha e o ponto de integração com a estação de trem Bonsucesso, que antes poderia levar até duas horas

N

Folhapress

um sábado de sol forte e brincadeiras, cerca de 500 crianças do Complexo do Alemão, na zona norte do Rio,participaram de um concurso de frases que vão decorar as 152 cabines do teleférico da comunidade, obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em uma parceria entre governos estadual e federal, que irá unir vários pontos da região. Desde as 9h até o fim da tarde, recreadoras coordenaram as atividades e ajudaram a criançada a elaborar as frases em tendas montadas na Vila Olímpica. – Foi uma novidade para eles se expressarem neste momento – destaca a recreadora Adriana Barbosa. Muitas foram até sem estar acompanhadas de pais ou responsáveis. Foi o caso de Maria Eduarda Alves, 10 anos, que escreveu a frase “O teleférico é um sucesso, com ele posso ir a vários lugares”. Gabrielle dos Santos, 11 anos, estava com a mãe e es-

creveu uma das frases mais elog iadas pelos recreadores – “Agora sim meu mundo está completo. A paz reina no Alemão”– ao lado de um desenho das estações do teleférico com as casas em volta. O coordenador do Escritório de Gerenciamento de Projetos (EGP), da Secretaria de Estado da Casa Civil, José Candido Muricy explicou o sentido de se promover o concurso: – É importante aumentar o vínculo das crianças com o local onde moram. E por meio do concurso de frases será possível observar qual percepção delas em relação às melhorias levadas ao Complexo do Alemão. As melhores frases serão escolhidas e colocadas do lado de fora das 152 cabines para que as pessoas possam visualizar. Cada cabine tem capacidade para 10 pessoas por viagem.

Durante a tomada do Complexo do Alemão pela polícia, no final do mês passado, o pessoal do jornal Voz da Comunidade fez barulho na internet. Criado há cinco anos pelo adolescente Rene Silva, hoje com 17, a publicação, feita por moradores, é distribuída gratuitamente no Morro do Adeus, mas também mantém uma página no Twitter. Foi por meio dela, que o grupo de adolescentes repórteres, coordenados por René, registrou todas as movimentações da polícia e dos bandidos na comunidade em tempo real. Postando fotos e vídeos, os meninos pularam de pouco mais de cem seguidores no Twitter para mais 20 mil em um fim de semana. Hoje já são mais de 38 mil. Acompanhando de perto tudo que ocorre na região, inclusive o teleférico, no dia 12, sábado, os repórteres postaram a seguinte comentário.

@vozdacomunidade: Helicóptero sobrevoando a comunidade, não é da policia! É do PAC que está fazendo testes nos bondinhos do teleférico!

FOTO NO DETALHE: CLEAN BEACH, DIVULGAÇÃO

A LIXEIRA DO SEU VERANEIO Chega o verão, o pessoal se manda para a praia, e os velhos problemas viajam junto. É certo que, nos últimos anos, os veranistas têm ficado mais educados e cuidado do lixo quando estão à beira-mar. Muitos se armam com sacolinhas para recolher o resíduo produzido durante o dia e levar embora na hora de abandonar a areia. Pois bem, para deixar a tarefa mais fácil, e a praia, mais limpa, estão surgindo por aí as microlixeiras. Uma delas é o Clean Beach. O formato cônico permite enterrar o artefato na areia e colocar ali o papel e o palito do picolé, a latinha amassada etc. E ainda tem de cores diferentes, permitindo separar o lixo seco do orgânico. E, claro, não precisa usar só na praia. Dá para levar ao parque, para o acampamento, para a pescaria.

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Frases para o teleférico do Alemão

Uma voz no combate

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Investimento bilionário no Brasil e em Portugal Palma utiliza cerca de 10% da área plantada de soja para produzir a mesma quantidade de óleo

O

investimento da Petrobras no biocombustível de óleo de palma é grande e envolve dois projetos distintos: Pará e Belém. O primeiro inclui uma usina no Pará com capacidade para produzir 120 milhões de litros por ano. Além de abastecer a região norte do país, a ideia é que os mais de R$ 330 milhões investidos beneficiem o desenvolvimento econômico e social daquela área. O segundo, intitulado Belém, marca a entrada da empresa no ciclo europeu. Em parceria com a Galp Energia, cerca de 250 mil toneladas de biodiesel/ano (green diesel) serão produzidas em Portugal. Todas as mudas devem ser plantadas no Brasil – mais de 2 milhões já estão em viveiros na região – e apenas a finalização do óleo que segue para a União Europeia é que será feita em Portugal. Toda a plantação deve adotar um sistema chamado mosaico, que mantém faixas de floresta no meio da plantação. Além disso, o bagaço da palma deve colaborar na questão energética. – Para abastecer as novas usinas, devemos gerar energia elétrica a partir dos resíduos da palma – afirma Miguel Rossetto, presidente da Petrobras Biocombustível. Outro destaque dos dois projetos é o foco na agricultura familiar. Hoje são mais de 4 mil famílias cadastradas, e

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o número pode aumentar. Como o ciclo das plantas é longo, o óleo só deve começar a chegar aos consumidores daqui quatro anos.

Produção com foco em áreas degradadas Mesmo quando o destino do óleo de palma não é o tanque de veículos, a preocupação com o manejo do solo, a mão de obra e a preservação da floresta deve permanecer. No segmento há 27 anos, a Agropalma, cujo foco da produção é a indústria cosmética e de alimentação, mantém uma área de mais 39 mil hectares de dendê rodeados por 65 mil hectares de reservas florestais no Pará, que fazem dela a maior produtora individual de óleo de palma da América Latina. Agora, a partir do replantio, a empresa deve dobrar sua produção sem crescer em área. No foco da expansão está, entre outras questões, a indústria oleoquímica. Para Marcello Brito, diretor comercial e de Sustentabilidade da Agropalma, os recentes incentivos do governo federal e novos financiamentos são positivos desde que sejam cumpridos. – Ecologia e economia podem andar juntos. O grande segredo é produzir em áreas já degradadas, preservando e recuperando mosaicos florestais – reforça.

BIODIESEL ESTIMULA PESQUISA

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REPORTAGEM DE CAPA

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Nosso Mundo Sustentável – Por que investir na produção de óleo de palma? Miguel Rossetto – Podemos começar a pensar nas vantagens dessa matéria-prima comparando-a com a soja. Com a palma, eu consigo produzir a mesma quantidade de óleo em um décimo da área usada pela soja.Isso é muito representativo. Nosso Mundo – Como um investimento dessa magnitude impacta a vida de quem está nessa região do Pará? Rossetto – A palma é um investimento caro e de longa duração. Do plantio até a primeira colheita são quatro anos, então muitos dos pequenos agricultores não tinham acesso ao crédito. Agora, o programa do governo FOTOS AGÊNCIA PETROBRAS, DIVULGAÇÃO

federal deve solucionar essa questão. A partir do momento que se oferece uma alternativa de renda viável e qualificada para uma população, é óbvio que diminui a pressão por encontrar renda de outra forma, inclusive com atividades ilegais. Nosso Mundo – A produção de biocombustível a partir da palma pode ser um passo importante para o uso de outras matérias-primas? Rossetto – No Brasil, temos uma grande rota de pesquisa aberta para a oleoquímica. A partir do momento que cresce a demanda por biodiesel, estimula-se essa produção de pesquisa. A Petrobras investe muito em pesquisa. Só entre 2010 e 2014, a previsão é de U$S 400 milhões.


Falta aprender o que é sustentabilidade

CONTATO COM O TEMA Perguntados se já ouviram falar e qual a definição correta do termo "sustentabilidade", os consumidores afirmaram: 9% Ouvi falar mas não sei definir

Pesquisa dos institutos Ethos e Akatu mostra que aumentou o número de consumidores indiferentes às questões ligadas à saúde do planeta

E

m um país com economia frenética, falar de consumo consciente não é algo simples. Para traçar um perfil da relação dos brasileiros com o ato da compra,o Instituto Akatu e o Instituto Ethos acabam de lançar a pesquisa O Consumidor Brasileiro e a Sustentabilidade. Os 800 questionários aplicados em nove regiões metropolitanas do Brasil, incluindo 12 capitais, em julho deste ano trazem dados como uma redução em hábitos ligados a economia de energia e água e um aumento do número de

indiferentes ao tema,de 25% em 2006 para 37% em 2010.Por outro lado,a camada da população considerada consciente manteve-se estável, em relação ao último estudo,na faixa dos 5%. Uma das características inovadoras do estudo, de acordo com Aron Belinky, consultor do Akatu e coordenador de conteúdo da pesquisa,é relacionar a agenda do consumidor com as ações das empresas. Para grande parte das pessoas, temas como combate à discriminação e ao aquecimento global e educação para o consumo consciente deveriam estar no foco da

Em relação à pesquisa de 2006, o número de consumidores considerados conscientes, aqueles que adotam entre 11 e 13 práticas, manteve-se em

5%

56% Não ouvi falar

16% Definição correta

19% Definição errada

Ao serem questionados sobre temas de interesse, os entrevistados apontaram saúde e doenças como o principal, com

16%

eoe se pr ram qu nsabilidae d n o spo resp com re l. Descupam l empresaria rsitáe ia de soc aioria é univ A/B. m ses, a á nas classes t rio e es

Ecologia e ambiente aparece em 4º lugar, com

idores indiO número de consum % para 25 de ferentes cresceu

37%

ação empresarial. Por outro lado, as áreas em que as empresas trabalham melhor são a proteção dos direitos do consumidor e a governança ambiental. Outra questão que merece atenção é a consciência do público quando o tema é sustentabilidade. Para 19%, a definição absorvida é errada, enquanto a maioria, 56%, garante nunca ter ouvido falar no assunto.Ainda assim, Belinky,alerta para um fato positivo: – Colocadas em frente a exemplos, as pessoas sabem quais ações são importantes. O que ainda não dominam é o conceito.

87%

006, o ” ção a 2 as “sim Em rela respost e d o , r ia e núm conom ões de e relhos e para aç pa a esligar o em como d ão estã n e u q s a o lâmpad rneira a char a to iu uso e fe dentes, diminu s o r a escov

em 2010

44%

Já produtos/compras/ consumo aparece em segundo, com

59%

Responsabilidade social e empresarial aparece em 8º, com

60%

evistados entrse: “As a m a fr eriam corda co v dos con sas sempre de á estaempre is do que est ndo fazer mao nas leis, buscapara belecid res benefícios de”. a aio a socied trazer m

18%

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das pessoas é concordam que também spre res ido função dos consum a que sionar as empresas par nte. bie am ao os dan evitem

e sustentabilidade em 9º, com apenas

14%

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SINAL DE ALERTA

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nte para que os O tópico mais importa m uma empreconsumidores considere áv ns el são as resa socialmente respo lações de trabalho, com

80%

Catadores na universidade Aumentar a renda dos catadores e orientá-los para o manejo correto de resíduos eletrônicos. Esses são os grandes objetivos do projeto Segurança, Renda e Coleta de Lixo Eletrônico que deve treinar 180 pessoas a partir de abril,em São Paulo. As consequências da inicia-

tiva, porém, vão muito além do conhecimento. O grupo selecionado será orientado por uma equipe de professores da Universidade de São Paulo (USP), uma das mais renomadas do país. – É difícil mensurar o quanto isso pode afetar a autoesti-

ma deles que, em geral, é baixa – garante Ana Maria Domingues Luz,presidente do Instituto GEAÉtica e Meio Ambiente, parceiro do projeto. Para efetivar a iniciativa,o instituto,que há 11 anos trabalha com resíduos e coleta seletiva, uniu-se ao Laboratório de Sustentabilidade em Tecnologia de Informação e Comunicação (Lassu),da Escola Politécnica da USP, e ao Centro

de Descarte e Reúso de Resíduos de Informática (Cedir), ligado ao Centro de Computação Eletrônica (CCE), também da USP. Com extensão de dois anos e apoio da Petrobras,cerca de R$ 800 mil serão investidos. Em turmas de 10 alunos, serão ministradas aulas teóricas e práticas que se estendem por um mês. A ideia é que eles aprendam a identificar resíduos perigosos nos

eletrônicos e peças com maior e menor valor para a venda.A proposta deve ser um desafio tanto para a universidade quanto para os catadores. – Vamos nos reinventar, pois muitos não são nem alfabetizados. Devemos usar mais dinâmicas de grupo e imagens – garante a professora da USP Tereza Cristina Carvalho, coordenadora do Lassu e do Cedir.

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SAÚDE PÚBLICA

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Comer menos carne pode salvar 45 mil vidas por ano

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Pesquisa britânica afirma que cortar o consumo de carne para 210 gramas por semana poderia reduzir as mortes por doenças cardíacas e câncer, além de ajudar na preservação de florestas

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M

The Guardian

ais de 45 mil vidas por ano poderiam ser salvas se todos começassem a comer carne, no máximo, duas ou três vezes por semana, afirmam especialistas em saúde e a organização Friends of the Earth (FoE). Difundida, a mudança para dietas à base de pouca carne evitaria a morte precoce de 31 mil pessoas por doenças cardíacas, 9 mil por câncer e 5 mil por derrame. Isso, segundo a análise dos hábitos alimentares dos britânicos pelo especialista em Saúde Pública Mike Rayner, publicada no relatório da FoE. Uma dramática redução no consumo de carne também ajudaria a diminuir as mudanças climáticas e a devastação na América do Sul, onde florestas tropicais são derrubadas para criar pastagens de gado, cuja carne tem como destino a Europa. Comer muita carne, particularmente a processada, é ruim para a saúde porque esse hábito envolve ingerir mais gordura, gordura saturada e sal do

que o recomendado.A FoE não defende o afastamento completo da carne da dieta, mas estimula que as pessoas não comam esse alimento mais do que duas ou três vezes na semana, com o consumo não excedendo 210 gramas – o equivalente a meia salsicha por dia. A média de consumo semanal é de entre sete e 10 porções de 70 gramas. Tomar essa atitude pode salvar 45.361 vidas por ano, de acordo com a pesquisa de Rayner e seus colegas da Fundação Britânica do Coração para Pesquisa em Saúde na Universidade Oxford. Eles calcularam que a mudança do consumo de carne para no máximo cinco vezes por semana pode prevenir 32.352 mortes. São 228 mil mortes por ano decorrentes de três condições nas quais o consumo alimentar representa um papel-chave: doença cardíaca, derrame ou tipos de câncer relacionados à dieta, como o de intestino. – Não precisamos virar vegetarianos para preservar o planeta ou a nós mesmos, mas precisamos diminuir a carne – disse Craig Bennett, diretor de Política e Campanhas da Foe.

O Fundo Mundial de Pesquisa do Câncer recomenda que não se coma mais do que

500 gramas de carne vermelha por semana

A Friends of the Earth (FoE) prega que o consumo não exceda

210 gramas de carne semanais

Segundo a FoE, a redução no consumo do alimento poderia evitar

45.361

mortes por doenças cardíacas, derrames e câncer ao ano

1 medalhão de

150 gramas FOTOS NO DETALHE: ROBINSON ESTRÁSULAS E ANDRÉA GRAIZ, BD

Vermelha e processada entre as grandes vilãs O professor Steve Field, presidente do Conselho do Royal College de Clínicos-gerais, concorda com a necessidade de diminuir a quantidade de carne ingerida diariamente: – As pessoas não devem parar de comer carne, mas precisam comer menos, especialmente carne processada, devido ao sal e à gordura saturada que ela contém, e comer mais frutas e vegetais. Rachel Thompson, vice-diretor de Ciência no Fundo Mundial de Pesquisa do Câncer,afirmou: – Esses números dão peso ao que temos dito sobre as carnes vermelha e processada, são evidências convincentes de que elas aumentam o risco de desenvolver câncer de intestino. O fundo recomenda que não se coma mais do que 500 gramas de carne vermelha por semana e que se evite carne processada, como bacon, presunto e salame.

Muita culpa em um pedaço de carne Os produtores de carne, por sua vez,criticaram o relatório. – A grande maioria dos consumidores já come menos carne do que a média recomendada. É muito simplista dizer que mudar um elemento da dieta pode ter um resultado tão dramático – afirmou Chris Lamb, do BPEX, que representa 20 mil produtores de carne de porco na Inglaterra. Jen Elford, da Sociedade dos Vegetarianos,acrescentou: – É claro que comer menos carne é melhor, não podemos enfrentar a escala dos problemas ambientais e de saúde vivenciados pela sociedade sem uma grande mudança que nos afaste da proteína animal.


COLUNISTA

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QUEM TEM MEDO DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS? BJORN LOMBORG é o diretor do Centro de Consenso de Copenhague, e autor dos livros O Ambientalista Cético e Cool It – Muita Calma Nessa Hora – O Guia de um Ambientalista Cético Sobre o Aquecimento Global

do mundo

O medo seria afetada. E a maior pardesejo de querer cortar o papode ser um te dos que vivem nas áreas lavreado e agitar as pessoas grande motivador inundadas nunca sequer pelos ombros. a curto prazo, mas vai molhar os pés. Infelizmente, tentar apaé uma base terrível Isso porque a grande vorar a população também para decisões maioria dessas 400 milhões não ajuda.Sim,uma estatísinteligentes de pessoas reside em cidades tica alarmante, combinada onde podem ser protegidos com alguma conversa aterrocom relativa facilidade, como em rizante, nos fará sentar e prestar Tóquio. Como resultado, somente cerca atenção.Mas nós ficaremos rapidamente de 15 milhões de pessoas teriam de ser insensíveis, precisando de mais cenários realocadas. E isso ao longo do curso de horríveis para nos movimentar. um século. No total, de acordo com NiIsso talvez explique os últimos dados cholls, Tol e Vafeidis, o custo de gerenciar de pesquisas que mostram que a preoessa “catástrofe” – se os políticos não cupação pública sobre o aquecimento hesitarem e aplicarem políticas coordeglobal tem diminuído drásticamennadas e inteligentes – seria de aproxite nos últimos três anos. Nos Estados madamente US$ 600 bilhões por ano,ou Unidos, por exemplo, o Instituto Pew menos de 1% do PIB mundial. mostrou que o número de americanos Esse valor pode parecer surpreenque veem o aquecimento global como dentemente baixo, mas somente porum problema muito sério caiu de 44% que muitos de nós aceitaram a opinião em abril de 2008 para apenas 35% em generalizada de que não somos capaz outubro passado. Mais recentemente, es de nos adaptar a um aumento no níum estudo da BBC descobriu que apevel do mar. Nós não apenas temos essa nas 26% dos britânicos acreditam que capacidade, como a demonstramos váa mudança climática causada pelo horias vezes no passado. mem está acontecendo, ante 41% em Gostemos ou não, o aquecimento glonovembro de 2009. E, na Alemanha, a bal é real, é obra do homem, e precisarevista Der Spiegel trouxe o resultado mos fazer algo a respeito. Mas não estade uma pesquisa em que apenas 42% mos enfrentando o fim do mundo. têm medo do aquecimento global. Em A ciência climática é uma disciplina 2006, eram 62%. sutil e diabolicamente complicada que O medo pode ser um grande motiraramente produz previsões inequívovador a curto prazo, mas é uma base cas ou prescrições simples. E, depois de terrível para decisões inteligentes sobre 20 anos de muita conversa, mas pouca problemas complicados que demanação, uma certa quantidade de frustradam todo o nosso raciocínio por um ção é esperada. Há um compreensível longo período.

PRIMEIROS PASSOS Números que mostram mudança de atitude

Foram trocadas

46 mil

lâmpadas de mercúrio por outras de vapor de sódio e substituídas

95%

O Plano de Gestão Energética (PGE) que a prefeitura de Guarulhos, em São Paulo, desenvolve desde 2005, resultou na redução dos gastos em

R$ 4,5 milhões por ano.

das luminárias. Além de economizarem energia por usarem potência mais baixa, as lâmpadas de vapor de sódio iluminam mais do que as antigas.

FOTO NO DETALHE: RICARDO JAEGER, BD, 27/01/2005

Nos últimos dois anos, o Santander investiu mais de

R$ 8 milhões

no Programa Espaço de Práticas em Sustentabilidade. O projeto tem o objetivo de compartilhar as práticas e o conhecimento em sustentabilidade do banco com clientes, fornecedores e sociedade.

O conteúdo online oferecido no site www.santander.com.br/ sustentabilidade já alcançou cinco milhões de acessos. Desde 2007, quando o programa teve início, 1.878 organizações e 3.246 pessoas participaram da agenda do treinamento.

NOSSO MUNDO SUSTENTÁVEL 20 DE DEZEMBRO DE 2010

Imagine que ao longo dos próximos o aquecimento global. O ponto é que 70 ou 80 anos uma grande cidade pordevemos desconfiar de previsões catastuária, digamos, Tóquio, veja-se engolitróficas. Mais do que nunca, o que soa da pelo nível do mar subindo 4,5 metros como uma mudança terrível no clima e ou mais. Milhões de habitantes estariam na geografia atualmente se transforma em perigo, ao lado de trilhões de dólares em algo gerenciável – e, em alguns caem infraestrutura. sos, até benigno. Essa terrível perspectiva é exatamenConsidere, por exemplo, as descoberte o tipo de coisa que evangelistas do tas dos cientistas climáticos Robert J. aquecimento global como Al Gore têm Nicholls, Richard S.J. Tol e Athanasios T. em mente quando alertam que deveVafeidis. Em uma pesquisa apoiada pemos tomar “medidas preventivas em la União Europeia, eles estudaram qual larga escala para proteger a civilização seria o impacto econômico mundial se o humana como a conhecemos”. A retóaquecimento global resultasse num corica talvez soe extrema, mas, com tanta lapso de todo o gelo do oeste Antártico. coisa na balança, é claramente justificaUm evento dessa magnitude causaria da. Sem um vasto e altamente coordeum aumento dos níveis dos oceanos em nado esforço global, como poderemos cerca de seis metros ao longo dos próxilidar com um aumento do nível do mar mos cem anos – precisamente o tipo de dessa magnitude? coisa que os ativistas ambientais têm em Bem, nós já o fazemos. Na verdade, mente quando nos alertam sobre as ponós estamos fazendo isso agora mestenciais calamidades do fim do mundo. mo. Desde 1930, a excessiva retirada de Mas isso realmente seria tão terrível? águas subterrâneas fez com que Tóquio Não, de acordo com Nicholls, Tol e Vatenha afundado até 4,5 metros, com feidis. Aqui estão os fatos. Um aumento algumas das partes mais baixas da cide seis metros no nível do mar (o que dade afundando pelo menos 0,3 menão por acaso é cerca de 10 vezes maior tros por ano em algumas épocas. Coisa do que as piores expectativas da ONU) semelhante ocorreu ao longo do século inundaria cerca de 41 quilômetros quapassado em uma ampla gama de cidadrados da área costeira, onde mais de des, incluindo Tianjin, Shangai, 400 milhões de pessoas vivem Osaka, Bangkok e Jacarta. Em atualmente. Isso é muita gente, Gostemos cada um dos casos, a cidade com certeza, mas dificilmenou não, o conseguiu se proteger dos te toda a humanidade. De aquecimento global é grandes aumentos do nível fato, isso representa menos real, é obra do homem. do mar e prosperar. de 6% da população munMas não estamos O ponto não é se podedial – o que significa dizer enfrentando o fim mos ou devemos ignorar que 94% das pessoas não

De acordo com estudo realizado pela International Solid Waste Association (Iswa), dos mais de

1,8 mil

projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) registrados na ONU até 2009, 18% são relacionados à gestão de resíduos. Eles devem gerar mais de

209 milhões

de créditos de carbono até o final de 2012.

A maior parte desses projetos está distribuída entre Ásia (44%) e América Latina (42%), com destaque para Brasil e México.

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www.souzacruz.com.br

EM 2010, A SOUZA CRUZ INVESTIU AINDA MAIS NA CONSTRUÇÃO DE UM MUNDO SUSTENTÁVEL.

A Souza Cruz lidera o mercado brasileiro de tabaco de forma responsável e inovadora, visando a sustentabilidade do seu negócio, da cadeia produtiva e da sociedade. Durante o ano de 2010, além de gerar renda para milhares de brasileiros, também priorizou investimentos em programas sociais e ambientais. Tudo isso porque acredita no seu papel de contribuir para a construção de um mundo sustentável por meio de suas ações. E deseja continuar sendo motivo de orgulho para todos os brasileiros, se destacando como uma das maiores empresas do País. Em tamanho e responsabilidade. A SOUZA CRUZ EM NÚMEROS: • 7.200 colaboradores; • Geração de mais de 240.000 empregos em toda a cadeia produtiva; • Cerca de 40.000 produtores rurais atuando em parceria; • Pioneira na exportação de tabaco desde a década de 60, já exportou mais de 2 milhões de toneladas para os 5 continentes; • Mais de R$ 6 bilhões/ano em impostos pagos;

• 3 parques ambientais; • 3 fazendas energéticas; • 96% de resíduos reciclados; • 60% de matriz energética renovável; • Carbono neutralizado com 85% de emissões neutras e os 15% restantes sendo compensados com árvores plantadas nas áreas de preservação mantidas pela Companhia.


Nosso Mundo Sustentável - Edição 043