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sumário

FidelidadESPÍRITA | Outubro 2009

4 chico

ataques - silenciar - a lição de kardec

As atitudes evidenciam o caráter de quem as pratica

6 reflexão

14 capa

discernimento e bom senso

17 estudo

liberdade

Uma das aspirações do homem

duas certezas no futuro de todos nós: morrer e renascer

8 esclarecimento

Provas da reencarnação

distúrbios emocionais

Fluidos e energias

22 mensagem

10 ensinamento

a vida superior

Descrição dos mundos elevados

educação e infância

O aprimoramento do Espírito

12 mediunidade

26 com todas as letras

Questões sobre mediunidade

Importantes dicas da nossa língua portuguesa

diretrizes de segurança

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editorial

Outubro 2009 | FidelidadESPÍRITA

Kardec, Obrigado Irmão X Kardec, enquanto recebes as homenagens do mundo, pedimos vênia para associar o nosso preito singelo de amor aos cânticos de reconhecimento que te exaltam a obra gigantesca nos domínios da libertação espiritual. Não nos referimos aqui ao professor emérito que foste, mas ao discípulo de Jesus que possibilitou o levantamento das bases do Espiritismo Cristão, cuja estrutura desafia a passagem do tempo. Falem outros dos títulos de cultura que te exornavam a personalidade, do prestígio que desfrutavas na esfera da inteligência, do brilho de tua presença nos fastos sociais, da glória que te ilustrava o nome, de vez que todas as referências à tua dignidade pessoal nunca dirão integralmente o exato valor de teus créditos humanos. Reportar-nos-emos ao amigo fiel do Cristo e da Humanidade, em agradecimento pela coragem e abnegação com que te esqueceste para entregar ao mundo a mensagem da Espiritualidade Superior. E, rememorando o clima de inquietações e dificuldades em que, a fim de reacender a luz do Evangelho, superaste injúria e sarcasmo, perseguição e calúnia, desejamos expressar-te o carinho e a gratidão de quantos edificaste para a fé na imortalidade e na sabedoria da vida. O Senhor te engrandeça por todos aqueles que emancipaste das trevas e te faça bendito pelos que se renovaram perante o destino à força de teu verbo e de teu exemplo!... Diante de ti enfileiram-se, agradecidos e reverentes, os que arrebataste à loucura e ao suicídio com o facho da esperança; os que arrancaste ao labirinto da obsessão com o esclarecimento salvador; os pais desditosos que se viram atormentados

por filhos insensíveis e delinqüentes, e os filhos agoniados que se encontram na vala da frustração e do abandono pela irresponsabilidade dos pais em desequilíbrio e que foram reajustados por teus ensinamentos, em torno da reencarnação; os que renasceram em dolorosos conflitos da alma e se reconheceram, por isso, esmagados de angústia nas brenhas da provação, e os quais livraste da demência, apontando-lhes as vidas sucessivas; os que se acharam arrasados de pranto, tateando a lousa na procura dos entes queridos que a morte lhes furtou dos braços ansiosos, e aos quais abriste os horizontes da sobrevivência, insuflando-lhes renovação e paz, na contemplação do futuro; os que soergueste do chão pantanoso do tédio e do desalento, conferindo-lhes, de novo, o anseio de trabalhar e a alegria de viver; os que aprenderam contigo o perdão das ofensas e abençoaram, em prece, aqueles mesmos companheiros de Humanidade que lhes apunhalaram o espírito, a golpes de insulto e de ingratidão; os que te ouviram a palavra fraterna e aceitaram com humildade a injúria e a dor por instrumentos de redenção; e os que desencarnaram incompreendidos ou acusados sem crime, abraçando-te as páginas consoladoras que molharam com as próprias lágrimas... Todos nós, os que levantaste do pó da inutilidade ou do fel do desencanto para as bênçãos da vida, estamos também diante de ti!... E, identificando-nos na condição dos teus mais apagados admiradores e como os últimos dos teus mais pobres amigos, comovidamente, em tua festa, nós te rogamos permissão para dizer: Kardec, obrigado!... Muito obrigado!...

Texto psicografado por F. C. Xavier e publicado em Reformador de outubro de 1985, p. 298.

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chico

FidelidadESPÍRITA | Outubro 2009

Ataques. - Silenciar. - A lição de Kardec por Suely Caldas Schubert

14 - 02 - 1951 “(...) Que o Alto ilumine o nosso irmão... Fazes bem nada respondendo. O ataque fala sempre pela procedência. O trabalhador fiel ao bem não dispõe nem de intenção, nem de tempo para assaltar o nome e o serviço dos outros. Eu também, com a graça de Jesus, continuo recebendo bordoadas aqui e ali, mas agora, mal acabo de “apanhar”, faço uma prece de agradecimento e vou seguindo para diante. A Justiça Verdadeira vem das mãos de Deus. Enquanto nos acusam e condenam, prossigamos trabalhando. Um dia... Muito agradeço ao Zêus o recorte do Jornal do Comércio. Tenho profunda veneração por Inácio de Antioquia. A carta do nosso Secretário na Embaixada Brasileira, em Madri, que te restituo, em anexo, é uma documentação impressionante. Parece-nos que a Europa recuou no tempo. Os prognósticos são dolorosos, porque com tanta ignorância cristalizada, da mistura com os ódios raciais, só podemos esperar um fim



de século sanguinolento e tenebroso. As observações do nosso companheiro são muito sensatas. Que o Céu se compadeça de nós. Vamos ver se o “Hace...” conseguirá vencer na tradução espanhola. Aguardemos a passagem do tempo. Mais um ataque e mais uma resposta sábia de Chico Xavier, que enuncia uma grande verdade: “o ataque fala pela procedência.”

As atitudes evidenciam o caráter de quem as pratica

As atitudes evidenciam o caráter de quem as pratica. Uma agressão espelha a personalidade do agressor. Um revide nivela vítima e agressor.

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chico

Outubro 2009 | FidelidadESPÍRITA

Chico arremata: “O trabalhador fiel ao bem não dispõe nem de intenção, nem de tempo para assaltar o nome e o serviço dos outros.” Basicamente, o trabalhador fiel ao bem não cultiva mais a vontade ou a intenção de prejudicar quem quer que seja. E muito menos atacar alguém e o seu trabalho. Além disso, o tempo torna-se-lhe por demais precioso e, entregue aos seus afazeres, não terá ensejo (nem os criará) para se ocupar do próximo. A não ser para ser útil. A atitude de Chico Xavier, a do silêncio perante os ataques que recebe, condiz, perfeitamente, com a própria conduta de Allan Kardec. É este quem narra: “Diremos, de início, que encontramos uma unânime aprovação relativamente ao nosso silêncio em face dos ataques que, pessoal-

mente, temos sofrido. É relevante que todos os dias recebamos cartas de felicitações a este respeito. Nos muitos discursos pronunciados de modo geral, aplaudiu-se significativamente nossa moderação. (...) Quando as coisas caminham por si sós, por que, então disputar

... o silêncio é, muitas vezes, um recurso astucioso e combater em lutas infrutíferas? Quando um exército verifica que as balas do inimigo não o atingem, ele o deixa atirar ao seu belprazer

e desperdiçar suas munições, certo de obter uma vantagem depois. Em semelhantes circunstâncias, o silêncio é, muitas vezes, um recurso astucioso. O adversário, ao qual não se responde, acredita não haver ferido bastante profundamente ou não ter encontrado o ponto vulnerável. Então, confiando no êxito que supôe fácil, ele se descobre e cai por si mesmo. (...) Se a moderação não estivesse em nossos princípios — pois que constitui uma conseqüência mesma da Doutrina Espirita, que prescreve o esquecimento e o perdão às ofensas —, seríamos encorajados a empregá-la pela simples verificação do efeito produzido por esses ataques, constatando que a opinião pública melhor nos vinga do que jamais nossas palavras tê-lo-iam podido fazer. (...)“ (“Viagem Espírita em 1862”, Casa Editora “O Clarim”, 1ª ed., pág. 34.) 

Fonte: SCHUBERT, Suely Caldas. Testemunhos de Chico Xavier. Págs. 286 - 288. Feb. 1998.

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reflexão

FidelidadESPÍRITA | Outubro 2009

Liberdade por Richard Simonetti

“Conhecereis a Verdade e a Verdade vos fará livres”. (João, 8: 32)

U

ma das aspirações mais caras ao Homem, em todos os tempos, tem sido a liberdade, que, na definição usual, significa poder fazer, deixar de fazer ou escolher, segundo sua própria determinação. Sob inspiração desse desejo muitas pessoas, consciente ou inconscientemente, anseiam por livrar-se de situações que consideram um obstáculo ao seu bem-estar. O doente aspira superar seus males... O médium pensa em deixar a tarefa e ver-se isento de compromissos que se lhe afiguram muito pesados. O chefe de família, atrelado a obrigações e responsabilidades, lembra com saudades o tempo em que não precisava dar satisfações a ninguém. O filho, submetido à autoridade paterna, anseia por desfrutar de mais amplas possibilidades de movimentação, longe da disciplina que lhe é imposta... Na verdade, todos aqueles que cultivam estas idéias, interpretam erroneamente a situação em que a



vida os colocou, candidatando-se ao desajuste e precipitando-se, não raro, no desastre em relação aos seus deveres e provações. Sob inspiração do desejo mal orientado de liberdade, o doente compromete o funcionamento de órgãos vitais, por resvalar para es-

Antes de pensar em liberdade o Homem precisa verificar se realmente está numa prisão tados depressivos e angustiosos próprios de quem não se conforma com seus males; o médium com tarefas definidas começa a faltar aos seus compromissos, hoje por motivo razoável, amanhã por motivo fútil, depois sem motivo algum, culmínando com o enterro do dom que lhe fora concedido por empréstimo

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e do qual terá que prestar contas um dia; o chefe de família, esquecendo a consideração e o respeito que deve à esposa e filhos, parte para experiências extraconjugais, que fazem a infelicidade do lar; o filho deixa a casa paterna, seja pela porta do matrimônio precipitado ou da aventura distante, que lhe impõem amargos desenganos. Sempre que nos empolgamos pelo impulso de “mandar tudo para o inferno”, desertando de compromissos e deveres porque nos parecem insuportáveis, caimos em perigosa faixa mental de rebeldia e desatino, candidatando-nos a longos períodos de perturbação, agravados por atitudes irremediáveis ou palavras irreparáveis em relação àqueles com os quais convivemos. Por isso, antes de pensar em liberdade o Homem precisa verificar se realmente está numa prisão. Enfermidade não é prisão. Situase muito mais como tratamento de beleza para o Espírito. As dores que impõe ao corpo efetuam a limpeza da Alma. Por isso, se é justo que desejemos a cura, não menos justo é que recebamos nossos males com assine: (19) 3233-5596


reflexão

Outubro 2009 | FidelidadESPÍRITA

humildade, reconhecendo que se a doença está em nós é porque ainda precisamos dela. Mediunidade não é prisão. Trata-se de uma oficina bendita de trabalho espiritual, que possibilita ao médium a edificação de um futuro de bênçãos. O que seria da criatura humana sem essa porta de contato com a Espiritualidade, através da qual o Céu fala à Terra, inspirando ideais de renovação e progresso? Quando os médiuns compreenderem o significado dessa faculdade sublime que os ajuda incessantemente nos propósitos de espiritualização — principal finalidade da jornada humana — então as tarefas mediúnicas serão tão desejadas e cultivadas quanto o são hoje o conforto e a riqueza. Matrimônio não é prisão. Temos nele uma escola bendita instituída por Deus, onde aprendemos a conjugar os verbos perdoar, compreender, tolerar, sacrificar, renunciar, aprimorando-nos para a conquista do amor sublimado e puro que encontra no carinho que os pais devotam aos filhos apenas uma de suas assine: (19) 3233-5596

expressões mais simples, alcançando no ideal de servir incessantemente que caracteriza os santos, a sua manifestação mais autêntica. Disciplina paterna não é prisão. Mais exato é reconhecer nela a defesa que a experiência deve impor em benefício da inexperiência. Grande

A liberdade que buscamos não deve orientarse no sentido exterior, e, sim, interior é o número de filhos rebelados contra a orientação dos pais, considerando-os “quadrados” e superados, mas bem maior é o número de pais que lamentam as tolices e os erros lamentáveis cometidos na mocidade, por terem seguido o mesmo caminho de rebeldia.

O que nos leva a considerar estas situações como prisões sombrias contra as quais batemos a cabeça em gestos de desatino e inconseqüência, são os sentimentos inferiores que moram no íntimo de nossa personalidade, a manifestarem-se na forma de vícios e paixões, bem como a irresponsabilidade, a indiferença, a revolta, o desespero, o pessimismo, a intolerância a agressividade, a maledicência, a incompreensão e muito mais. Estas são as grades que nos oprimem, mantendo-nos distanciados da paz e do equilíbrio! É o mal que está dentro de nós que nos leva a enxergar o mal onde estamos! Por isso, a liberdade que buscamos não deve orientar-se no sentido exterior, e, sim, interior. Não se trata de modificarmos as situações da Terra, geralmente fruto de um planejamento que nós mesmos efetuamos no plano espiritual, quando escolhemos o tipo de corpo que teríamos, os nossos pais, a nossa posição social, os nossos compromissos conjugais, as nossas tarefas. O que precisamos modificar, com urgência, se pretendemos ter paz, é a nós mesmos. Busquemos liberdade para nosso Espírito, livrando-o dos grilhões pesados que forjamos quando nos deixamos dominar pelas nossas mazelas. Então seremos verdadeiramente livres, ainda que atrelados a compromissos e limitações da Terra. 

Fonte: SIMONETTI, Richard. Em Busca do Homem Novo. Págs. 111 – 113. Gráfica e Editora do Lar. 1986.

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esclarecimento

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Distúrbios Emocionais por Divaldo P. Franco

C

ada mente emite como recebe mensagens de vário teor vibratório, mantendo intercâmbio contínuo direto ou indireto com outras que a cercam, do que decorrem processos liberativos ou escravizantes de grave complexidade. Fluidos deletéricos e energias sutis são emitidos como ingeridos incessantemente, produzindo a psicosfera pessoal que padroniza o estado evolutivo dos que lhes padecem a interferência... Normalmente, pela própria posição a que se relega, na Escola terrena, a grande maioria das criaturas sintoniza com as ondas mentais perniciosas que absorve teimosamente, intoxicando-se de forma lamentável e perturbando-se consideravelmente, tornando-se essa a gênese de diversas enfermidades orgânicas, psíquicas e de um sem número de distúrbios emocionais. Uns se comprazem, por viciação mental, nos procedimentos infelizes de auto-envenenamento, graças aos vapores que exalam e absorvem em círculo constritor de que dificilmente se conseguem libertar. Pequenos incidentes, perfeitamente normais, assumem neles proporções desconcertantes, in-



Fluidos deletéricos e energias sutis são emitidos como ingeridos incessantemente corporando-se-lhes ao patrimônio de desgostos que se disputam acumular.

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Ocorrências comuns, que constituem testes de resistência e lições de auto-burilamento, convertem-nas em desgraças que lamentam, sem qualquer esforço de renovação, afligindo-se a golpes de insensata rebeldia ou de autopiedade injustificável com que mais se atribulam. Consomem-se envoltos pelos miasmas do ciúme doentio; desequilibram-se pelas emanações morbíficas do ódio selvagem; perturbam-se em face dos gases, das nuvens das queixas, do despeito, da cobiça irrefreada; envilecem-se ante as absorções dos vapores das sensações bastardas, que vitalizam assine: (19) 3233-5596


esclarecimento

Outubro 2009 | FidelidadESPÍRITA

com o pensamento desatrelado das rédeas das disciplinas morais e enobrecedoras. É óbvio que distúrbios emocionais multiformes sejam as conseqüências naturais de tal comportamento cotidiano. Cada ser respira o clima mental em que se compraz, assimilando as exteriorizações que vitaliza e que volta a eliminar em processo incessante até a distonia completa... Ocorre que os fluidos perniciosos desarranjam as delicadas engrenagens do sistema neurovegetativo, produzindo as disritmias que se manifestam como doenças de etiologia difícil. Sem dúvida, Espíritos enfermos, em si mesmos distonicos, pelo processo de reencarnação, geram disturbios nas delicadas aparelhagens do organismo fisiológico, como necessários estágios de reparação moral e recuperaçao dos valores anteriormente malbaratados a que são impostos... Grande parcela, porém, de tais pacientes, resulta da indolência, da

insensatez, das irrisões e da ausência de esforço pessoal para a aquisição e preservação da saúde espiritual, através da ação concreta no bem ao próximo e a si mesmo. Terapêutica eficiente para tais pacientes deflui da vivência evan-

Ocorre que os fluidos perniciosos desarranjam as delicadas engrenagens do sistema neurovegetativo gélica em forma de otimismo, atividade fraternal edificante, olvido das ofensas expresso em forma de solidariedade para com o ofensor, oração que é fixação mental nos sublimes ideais da vida —, e vigilância,

— que é disciplina correta imposta aos pensamentos e atos, com que se plasmam programas de santificação e liberdade. O homem é o depositário, o legatário das próprias atividades. Os latinos, mediante o conceito veneratio vitae, concitavam o homem à autovalorização por meio de esforço acendrado em prol da dignificação de si mesmo. Respeito à vida deve ser linha de comportamento íntimo, não se permitindo agasalhar idéias deprimentes ou beligerantes, raciocínios de astúcia e de desprezo, arremessando dardos mentais destrutivos em direção ao próximo, a si mesmo, ou agasalhando, por processo de sintonia perfeita, os que são emitidos por aqueles que sincronizam com as mesmas faixas em que se fixam... A leitura nobre, a conversação salutar, a meditação, a par das outras terapêuticas funcionam como lubrificante perfeito nas peças descontroladas da organização fisiológica, reparando-as, acondicionando-as, equilibrando-as. Recurso precioso para a saúde sob qualquer aspecto considerado é o esforço otimista e cristão de que ninguém se pode escusar. Distonias emocionais, pois, são desarranjos nos centros vitais do eu, que, reeducando-se e exercitandose, se equilibra, se renova, adquire saúde, dependendo do esforço de cada um.  Carneiro de Campos Fonte: FRANCO, Divaldo P. Sementes de Vida Eterna. Págs. 45 – 48. Livraria Espírita “Alvorada” – Editora. 1978.

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ensinamento

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Educação e Infância por Camilo / Raul Teixeira

O

s espíritos só entram na vida corporal para se aperfeiçoarem, para se melhorarem. A delicadeza da idade infantil os torna brandos, acessíveis aos conselhos da experiência e dos que devam fazê-los progredir. Nessa fase é que se lhes pode reformar os caracteres e reprimir os maus pendores. Tal o dever que Deus impôs aos pais, missão sagrada de que terão de dar contas. (O Livro dos Espíritos, perg. 385, § 7) A tarefa não é tão difícil quanto vos possa parecer. Não exige o saber do mundo. Podem desempenhá-la assim o ignorante como o sábio, e o Espiritismo lhe facilita o desempenho, dando a conhecer a causa das imperfeições da alma humana. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XIV item 9, § 7)

Perante a Infância Incontestavelmente, a resposta dos Mentores da humanidade ao Codificador do Espiritismo é de suma importância nos quadros da vida como a encontramos no planeta terreno. O espírito que renasce em novo corpo carnal tem por meta aprimorar-se, estando para tanto com os pais e outros seres adultos a incumbência de conduzi-lo, de orientá-lo na vida para a vida, instruí-lo para superar a própria ignorância, de libertá-lo das trevas para arremessá-lo à Luz de Deus, e tudo isto é o que se chama educação. Lastimável é que, na grande maioria dos casos, os indivíduos

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que recebem o espírito na fase infantil e que têm o dever de norteá-lo pela vida, não se apercebem da sua espiritual realidade. Alguns supõem sejam as crianças seres virgens, recém-criados por Deus — isto, quando admitem a existência de Deus —, e que, dessa forma, são tábuas em branco onde tudo começará a ser escrito pelos pais, iniciando-se todo o processo da individualidade. Muitos crêem que as crianças sejam verdadeiros bibelôs, patrimônios dos seus genitores, e que, por isto, deverão seguir os modelos por estes estabelecidos, como cópia humana de velhos caracteres. Incontáveis criaturas, ignorando

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as leis que regulam as afinidades entre espíritos ou grupos de espíritos, pensam que as crianças são meras conformações hereditárias dos pais, em regime de totalidade, ou seja, herdam não somente elementos biológicos e posturais, mas, também, as características morais deles, o que determinaria que pais intelectualizados e dignos gerariam, obrigatoriamente, filhos com os mesmos traços, enquanto que pais celerados e incultos, desde os ancestrais, gerariam rebentos portadores de iguais componentes intelectomorais, e assim por diante. E desfilam teorias filosóficas, psicológicas, antropológicas e religiosas, intentando estabelecer assine: (19) 3233-5596


ensinamento

Outubro 2009 | FidelidadESPÍRITA

parâmetros para explicar quem são os filhos relativamente aos seus pais, e o porquê de tantas diferenças onde se esperavam similitudes ou de tantas semelhanças, onde tudo parecia fadado a ser diferente.

experiências importantes na rota da Grande Vida. Dessa forma, educá-la significará trabalhar para podar ou inibir a ação dos elementos perniciosos trazidos no seu âmago, ao mesmo tempo em que se incrementará e incentivará as

*** O pensamento do Espiritismo, a tal respeito, é que o ser que os genitores conduzem nos seus braços carinhosos, não passa de milenário viajor da evolução para o Criador, estando na Terra para o esforço da auto-superação, da reestruturação do caráter moral, e abrilhantamento intelectual, como aluno que assiste às classes no grande educandário do mundo. Para a Veneranda Doutrina Espírita, a aparente inocência da infância oculta bagagens alicerçadas ao largo de séculos e séculos de levantares e de quedas, adquirindo

A infância bem educada dará ensejo à juventude bem estruturada, em termos gerais conquistas felizes, maduras, enobrecidas que demonstre. A infância bem educada dará

ensejo à juventude bem estruturada, em termos gerais, o que produziria o surgimento de uma sociedade de adultos capaz de cultivar e cultuar a honradez, o trabalho, a honestidade, a fraternidade e a fé robusta, porque amparada pela razão e pelo altanado sentimento. Com base nesses dados, indaga, sim, sobre as mais variadas questões que envolvam a infância, no que tange à educação, porém, não te detenhas a receber respostas e refazer perguntas, sem que saias da tua acomodação para começar a ação necessária, ou sem que te ponhas a trabalhar, denodadamente, dentro do teu próprio lar, para minorar ou resolver problemas que já podes minorar ou resolver no teu círculo familiar. Não te acomodes em indagar por indagar, pois assim fazem muitos. Reflete sobre o que te ensinam filosofias e ciências do homem, contudo, não percas de tua mira os ensinamentos do Espiritismo, bem como as suas propostas de educação legitimamente cristã, uma vez que sabes que teu filho, momentaneamente na fase infantil, não passa de um filho de Deus, como tu mesmo, carecendo, hoje, do teu concurso de pai ou de mãe, de parente ou de professor, de amigo, de vizinho ou de autoridade pública, para que o mundo cresça para o Pai Criador através dele, após ter vivido uma infância iluminada pelo teu amor.  Camilo Fonte: TEIXEIRA, J. Raul. Desafios da Educação. Págs. 17 – 21. Fráter. 1995.

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MEDIUNIDADE

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Diretrizes de Segurança

por Divaldo Franco e Raul Teixeira

84. Como deve ser a dieta alimentar dos médiuns nos dias de trabalho mediúnico? Raul - A dieta alimentar dos médiuns deverá constituir-se daquilo que lhes possa atender às necessidades sem descambar para os excessos ou tipos de alimentos que, por suas características, poderão provocar implicações digestivas, perturbando o trabalhador e, conseguintemente, os labores dos quais participe. Desse modo, torna-se viável uma alimentação normal, evitando-se os excessivos condimentos e gorduras que, independente das atividades mediúnicas, prejudicam bastante o funcionamento orgânico. 85. O uso de alguma bebida alcoólica costuma trazer inconvenientes para os médiuns? Raul - Todo indivíduo que se encontra engajado nos labores mediúnicos, seja qual for a ocupação, deveria abdicar do uso dos alcoólicos em seu regime

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alimentar. Isto porque o álcool traz múltiplos inconvenientes para a estrutura da mente equilibrada, considerando-se sua toxidez e a rápida digestão de que é alvo, facilitando grandemente que o álcool entre na corrente sangüínea do indivíduo, de modo fácil, fazendo seu efeito característico. Mesmo os inocentes aperitivos devem ser evitados, tendo-se em mente que o médium é médium as vinte e quatro horas do dia, todos os dias, desconhecendo o momento em que o Mundo Espiritual necessitará da sua cooperação. Além do mais, quando se ingere uma porção alcoólica, cerca de 30% são rapidamente eliminados pela sudorese e pela dejeção, mas cerca de 70% persistem por muito tempo no organismo, fazendo com que alguém que, por exemplo, haja-se utilizado de um aperitivo na hora do almoço, à hora da atividade doutrinária noturna não esteja embriagado, no sentido comum do termo, entretanto, estará alcoolizado por aquela porcentagem do produto que não foi liberada do seu organismo.

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MEdiunidade

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86. A alimentação vegetariana será a mais aconselhável para os médiuns em geral? Raul - A questão da dieta alimentar é fundamentalmente de foro íntimo ou acatará a alguma necessidade de saúde, devidamente prescrita. Afora isto, para o médium verdadeiro não há a chamada alimentação ideal, embora recomende o bom senso que se utilize de uma alimentação que lhe não sobrecarregue o organismo, principalmente nos dias da reunião mediúnica, a fim de que não seja perturbado por qualquer processo de conturbada digestão que, com certeza, lhe traria diversos inconvenientes. A alimentação não define, por si só, o potencial mediúnico dos médiuns que deverão dar muito maior validade à sua vida moral do que à comida obviamente. Algumas pessoas recomendam que não se comam carnes, nos dias de tarefa mediúnica, enquanto outras recomendam que não se deve tomar café ou chocolate, alegando problemas das toxinas, da cafeína, etc., esquecendo-se que deveremos manter uma alimentação mais frugal, a partir do período em que já não tenha tempo o organismo para uma digestão eficiente. É mais compreensível e me parece mais lógico, que a pessoa coma no almoço o seu bife, se for o caso, ou tome seu cafezinho pela manhã, do que passar todo o dia atormentada pela Vontade desses alimentos, sem conseguir retirar da cabeça o seu uso, deixando de concentrar-se na tarefa, em razão da ansiedade para chegar em casa, após a reunião e comer ou beber aquilo de que tem vontade. Por outro lado, a resposta dos espíritos à questão 723 de O Livro dos Espíritos é bastante nítida a esse respeito, deixando o espírita bem à vontade para a necessária compreensão, até porque a alimentação vegetariana não indica nada sobre o caráter do vege-

tariano. Lembremo-nos que o “médium” Hitler era vegetariano e que o médium Francisco Cândido Xavier se alimenta com carne. 87. O espírita, médium ou não, deve ler livros espíritas? Divaldo - Seria o mesmo que perguntar se o médico deve parar de estudar ou de ler livros sobre Medicina. 88. Apesar de necessário, por que notamos na maioria dos espíritas o desinteresse pela leitura de livros espíritas? Uns alegam que dá sono, outros que lhes dá dor de cabeça, etc. Por que acontece isso? Divaldo - Porque o fato de alguém tornar-se espírita não quer dizer que haja melhorado de imediato. A pessoa que não tem o hábito de ler pode tornar-se o que quiser, porém, continuará sem interesse pela cultura. O sono normalmente decorre da falta de hábito da leitura, excepcionalmente quando a pessoa está em processo obsessivo, durante o qual as entidades inimigas operam por meio de hipnose, para impedirem àquele que está sob o seu guante que se esclareça, que se ilumine, e, conseqüentemente, se liberte. Mas, não em todos os casos. Na grande maioria, as pessoas cochilam na hora da leitura porque não se interessam e não fazem o esforço necessário para se manterem lúcidas. Como também cochilam durante a sessão, por não estarem achando-a interessante, já que vão ao cinema, ficam diante da televisão até altas horas, quando os programas lhes agradam, na maior atividade. Assim, não respeitam a Doutrina que abraçaram. 

Fonte: FRANCO, Divaldo P. TEIXEIRA, Raul J. Diretrizes de Segurança. Frater, 2002.

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capa

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Discernimento e Bom Senso por Orson Peter Carrara

O

s espíritas devem sempre refletir sobre o que lêem, o que fazem e como fazem, e seu critério de discernimento e bom senso deve apoiar-se na lógica. Eis vocábulos que nunca podem faltar na prática espírita. Uma pessoa sem discernimento é alguém que age impensadamente, sem reflexão; discernimento é exatamente uma apreciação prévia de fatos e situações, prudência no agir, refletindo antecipadamente. Bom senso é a faculdade de discernir, de julgar, de raciocinar. Como espíritas somos sempre convidados a refletir sobre o que lemos, o que fazemos, como fazemos. O critério de discernimento e bom senso deve estar apoiado na lógica, mas especialmente ligado ao bem geral. Isto exige atenção, amadurecimento, conhecimento.

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Allan Kardec, O Codificador da Doutrina Espírita, é reconhecido pelos espíritas como o “bom senso encarnado”, tamanha sua capacidade de refletida análise – que bem demonstrou em seus escritos – diante dos fenômenos que teve oportunidade de presenciar e estudar. A própria aceitação pessoal da realidade das manifestações esteve sujeita a esta característica de sua personalidade, acostumada à análise ponderada e cuidadosa de fatos, situações e novidades que a vida lhe apresentava. É interessante ponderar sobre este aspecto da personalidade do então professor Rivail, pois o detalhe foi de máxima importância na organização do corpo doutrinário do Espiritismo, já que ele tudo submetia à análise prévia da razão, da lógica e do bom senso. Encarando os fenômenos apresentados pelas manifestações dos Espíritos, Allan

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Kardec estudou e submeteu-os a rigoroso método científico de observação, optando pela publicação daquilo que ficou conhecido como a “universalidade dos ensinos”, quer dizer: os ensinos foram os mesmos, ainda que recebidos por médiuns desconhecidos entre si, de diversos pontos do planeta, e primavam pela concordância entre si. Fato notável esse, pois essa concordância é que dá garantia dos ensinos. Os Espíritos superiores querem que o nosso julgamento se exercite em discernir o verdadeiro do falso. Dessas reflexões, destacamos trecho importante colhido na Revista Espírita (1): Sabemos que os Espíritos estão longe de possuir a soberana ciência e que se podem enganar; que, por vezes, emitem idéias próprias, justas ou falsas; que os Espíritos superiores querem que o nosso julgamento se exercite em

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discernir o verdadeiro do falso, aquilo que é racional daquilo que é ilógico. É por isso que nada aceitamos de olhos fechados. Assim, não haveria ensino proveitoso sem discussão. Mas, como discutir comunicações com médiuns que não suportam a menor controvérsia, que se melindram com uma observação crítica, com uma simples observação, e acham mal que não se aplaudam as coisas que recebem, mesmo aquelas lançadas de grosseiras heresias científicas? Essa pretensão

Devemos ter o bom senso de analisar criteriosamente tudo o que venha dos Espíritos

estaria deslocada se o que escrevem fosse produto de sua inteligência; é ridícula desde que eles não são mais que instrumentos passivos, pois se assemelham a um ator que ficaria ofuscado, se nós achássemos maus os versos que tem de declamar. Seu próprio Espírito não se pode chocar com uma crítica que não o atinge; então é o próprio comunicante que se magoa e transmite ao médium a sua impressão. Por isto o Espírito trai a sua influência, porque quer impor as suas idéias pela fé cega e não pelo raciocínio ou, o que dá no mesmo, porque só ele quer raciocinar. Disso resulta que o médium, que se acha com tais disposições, está sob o império de um Espírito que merece pouca confiança, desde que mostra mais orgulho que saber. Assim, sabemos que os Espíritos dessa categoria geralmente afastam seus médiuns dos centros onde não são aceitos sem reservas. Esse capricho, em médiuns assim atingidos, é um grande obstáculo ao estudo. Se só buscássemos o efeito, isto seria sem importância; mas como buscamos a instrução, não podemos deixar de discutir, mesmo com o risco de desagradar aos médiuns. (...) Aos seus olhos, os obsedados são aqueles que não se inclinam diante de suas comunicações. Alguns levam a sua susceptibilidade a ponto de se formalizarem com a prioridade dada à leitura das comunicações recebidas por outros médiuns. Por que uma comunicação é preferida à sua? Compreende-se o mal-estar imposto por tal situação. Felizmente, no interesse da ciência espírita, nem todos são assim  (...). (2)

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Devemos ter o bom senso de analisar criteriosamente tudo o que venha dos Espíritos. Observem os leitores que a simples citação, no início do texto, indicando que os Espíritos não sabem tudo, que podem se enganar e emitir idéias próprias, já por si só convida ao bom senso de analisar criteriosamente tudo que venha dos Espíritos. Este simples cuidado é capaz de afastar toda investida de misticismo que possa haver por iniciativa dos Espíritos, ou mesmo no comportamento que venha dos encarnados, uma vez que sabendo, por antecedência, que os Espíritos estão ainda em patamares de evolução e limitados em seu saber e moralidade, teremos o cuidado de avaliar e refletir, usando o discernimento e o bom senso nessas avaliações. Por outro lado, sem envolver-se diretamente com os fenômenos advindos da mediunidade, a própria vida do espírita, em particular, suas ações e engajamento no movimento espírita também solicitam a aplicação desses dois princípios. Seja na conduta, seja na vida social ou familiar, pois são princípios norteadores de uma vida equilibrada. Usando-os, sempre teremos onde nos apoiar. A continuidade do texto apresentado por Kardec, acima parcialmente transcrito, permite alargar o horizonte de observação para outro aspecto marcante deste tesouro espiritual chamado Espiritismo. É que, estudando-o metodicamente – com o mesmo sentido obser vador e crítico,

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característico do discernimento e do bom senso –, alcançaremos um degrau importante no entendimento de sua proposta: seremos adeptos esclarecidos, conscientes, coerentes. O espírita tem o dever de agir em favor de seus irmãos, enquanto

O espírita tem o dever de agir em favor de seus irmãos, enquanto age pelo próprio progresso

age pelo próprio progresso. Adeptos esclarecidos, conscientes, coerentes formarão a própria consciência espírita; esta consciência espírita permitirá saber que rumo tomar, que diretrizes usar, identificar descompassos na prática espírita – inclusive de dirigentes, que também são seres em aperfeiçoamento e experiências necessárias – para agir com segurança. Ora, é esta mesma consciência espírita que faz o espírita compreender o dever de agir em favor de seus irmãos, enquanto age concomitantemente pelo próprio progresso; é ela mesma que toma posições, que não se deixa abater pelos obstáculos, que não se afasta

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da Doutrina em virtude de comportamentos equivocados de companheiros espíritas, enfim que já desperta para o grave compromisso de estarmos reencarnados.

Efeitos naturais de uma consciência espírita formada pelo estudo e embasada pelas virtudes do discernimento e do bom senso, caminhos seguros para o espírita consciente. E já que o Espiritismo não está restrito à prática mediúnica, o campo é vasto e pede ponderada análise do que estamos fazendo. 

Referências: 1. Publicação fundada por Allan Kardec em 1858. 2. Trecho parcial de discurso de Allan Kardec na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, na abertura do ano social, em 1º de abril de 1862 (extraído da Revista Espírita de junho de 1862, ano V, vol. 6, edição EDICEL).

Fonte: Artigo publicado originalmente no site do autor http://www.orsonpcarrara.k6.com.br/

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Duas Certezas no Futuro de Todos Nós: MORRER E RENASCER por Fernando Worm

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ra manhã de sábado e eu voltara à casa de Chico Xavier para prosseguirmos uma entrevista iniciada na tarde anterior. A uma indagação minha acerca da reencarnação do imperador Vespasiano na condição de filho de uma escrava, segundo nos conta Emmanuel no livro Cinqüenta Anos Depois, o médium relata uma experiência vivenciada por ele, junto a membros de sua família consanguínea. Tratava-se da reencarnação de um filho de sua cunhada D. Geny Pena Xavier, casada com seu irmão José Cândido Xavier. Desde o início a gestação da criança, segundo as informações maternas, fora singularmente difícil. D. Geny padecia tonturas e calafrios. Esclareceu-nos o Chico: “Depois de casados, José e Geny vieram residir em Pedro Leopoldo, numa casa junto à nossa, O nascimento desse meu sobrinho ocorreu normalmente mas a criança, registrada com o nome de Emmanuel Luiz, veio a apresentar assine: (19) 3233-5596

problemas de deformidade física que se agravaram com o tempo: cabeça desproporcionalmente grande em relação ao corpo, atrofia muscular, paralisia, surdez e mudez, ao mesmo tempo. “Com a desencarnação de meu irmão José, em 1939, minha cunhada adoeceu, sendo obrigada a passar longos períodos de internação em casa de saúde da capital mineira. “Com isso, comecei a participar da assistência mais íntima ao pequenino doente. “A noite, ao voltar do meu trabalho

no Ministério da Agricultura, onde exerci funções de escriturário, ficava ao seu lado o maior tempo possível. Nas noites de tarefas no Centro Espírita Luiz Gonzaga, tão logo findava a sessão eu me esquivava de outras reuniões e convites, pensando na criança, que talvez necessitasse de mim e com a qual muitas vezes passava a conversar espiritualmente. Essa era a única forma de transpor o bloqueio sensorial da cela física em que aquele Espírito entranhadamente se aprisionara. “Apesar dos problemas que tolhiam

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sua capacidade de comunicação com o mundo exterior, desde cedo eu supunha tratar-se de alguém muitíssimo inteligente, sensível e culto, o que foi confirmado por Emmanuel quando o caro Benfeitor me revelou que aquele menino era a reencarnação de célebre acusador público na Revolução Francesa, contemporâneo de Danton, Marat, Sade, Saint Just e outros. “Essa situação permaneceu sem grandes alterações por muitos anos, não faltando mesmo quem sugerisse a medida extrema da eutanásia como providência caritativa com vistas ao termo daquele longo sofrimento sem esperanças do ponto de vista físico. “Naturalmente me opus a essa idéia; não nos cabia deliberar sobre seu tempo de reaprendizado na oficina terrestre. Deus é sempre nosso único, justo e misericordioso Juiz e Senhor. “Certo dia, quando o menino contava já quase doze anos de idade, Emmanuel me disse que o crescimento da sua caixa torácica não acompanhara o desenvolvimento dos pulmões, razão por que a desencarnação do garoto não se delongaria por muito tempo. “Orei em súplica aos Benfeitores do Mundo Maior para que sua mãe estivesse a seu lado na ocasião do desenlace e tive o reconforto de ver atendida essa nossa rogativa. Seis meses antes da desencarnação do pequeno enfermo, a mãe obteve alta da casa de saúde, para onde não mais precisou voltar, tendo passado tranqüilamente ao lado do filhinho esses derradeiros meses da existência terrestre”. *** Há pessoas, em menor número, que se dizem reencarnacionistas, embora afirmem não pertencer a

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nenhuma religião, ou seita doutrinária ou filosófica. Aceitam conscientemente a lei das vidas sucessivas, como aceitam a lei da gravidade, ou as ondas hertzianas. Embora a verdade não seja fácil de entender, ela tem explicação. Três mil anos antes da vinda de Cristo à Terra os sacerdotes egípcios ensinavam às crianças que a morte era apenas a passagem para um estado mais fluídico e que, antes de nascer, o espírito já vivenciara

...também a alma deixa o corpo usado, para revestir-se de novos corpos na Terra ou em outras paragens do Universo. Dentre os rituais desses sacerdotes, o mais importante consistia em atingir desdobramentos nos quais a alma da criança, colocada frente a um espelho retrospectivo ou visão do passado, podia vislumbrar os erros e acertos de suas existências anteriores, com vistas a evitar reincidências nesses mesmos erros. Por vezes acontecia que a alma, em etéreo estado de contemplação, recusava-se a voltar ao corpo, e os sacerdotes tinham que jogar água fria na cabeça dos infantes, a fim de despertá-los para a realidade da existência que estavam vivendo. Dos sacerdotes Vedas, na India,

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1.500 anos antes de Cristo, chegaram até nós passagens com trechos como este, por exemplo: “Assim como se deixam as vestes gastas para usar novas vestes, também a alma deixa o corpo usado, para revestir-se de novos corpos”. Buda, o Iluminado, 500 anos antes de Cristo, afirmando que “toda existência envolve sofrimento. Todo sofrimento é causado pelos nossos desejos e apetites”, pregou a reencarnação como único meio de atingir-se a perfeição (Nirvana), após múltiplas vidas na Terra. O magnânimo e definitivo ensinamento, entretanto, viria com o próprio Cristo, ao afirmar que João Batista (Mateus 11, v. 12 e 13) era a encarnação do profeta Elias, bem como na resposta a Nicodemus, reafirmando clara e insofismavelmente a lei das vidas, mortes e renascimentos sucessivos com vistas à nossa evolução. Um fenomenal desvio histórico nos rumos do Cristianismo, consagrado pelo Concílio de Constantinopla no ano 543, declarando excomungado quem afirmasse que as almas (sopros) voltariam a viver em outros corpos, impediu quase que irredutivelmente, por mais de 16 séculos de acidentada jornada humana, os benefícios da inequívoca interpretação consoladora. Somente em 1857, com a publicação de O Livro dos Espíritos, é que a promessa de Cristo a respeito do Consolador viria concretizar-se através da codificação Kardecista. Um imenso foco de luz inesgotável derramar-se-ia generosamente desde então sobre humanidade terrestre, na incessante tarefa de  iluminação das almas. assine: (19) 3233-5596


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*** No livro Cartas e Crônicas, psicografado por Chico Xavier, há um concludente relato intitulado “Tragédia no Circo”, em torno de um incêndio acontecido no Gran Circo Americano, em Niterói, Estado do Rio, na noite de 17 de dezembro de 1961, no qual pereceram centenas de homens, mulheres, velhos e crianças. Conta-nos ali Irmão X que no ano 177, à época das perseguições aos mártires do Cristianismo, regressava a Roma, coberto de glórias, o famoso cabo de guerra Lúcio Galo, fiel comandante do imperador Marco Aurélio. Álcio Plancus, a pedido do Prospector de Roma, presidiria os festejos para a triunfal recepção ao herói. Consultada a turba, a opção para os espetáculos da recepção foi a de que, além de números com gladiadores, dançarinas e jograis, o quadro de maior sensação seria a queima e estraçalhamento de centenas de cristãos, homens, mulheres e crianças, no picadeiro de um grande circo armado na colina de Fourvière. Ante a falta de guardas e soldados, centenas de homens e mulheres robustos, em delirante entusiasmo, ofereceram-se para uma rápida captura de cristãos. Na tarde seguinte, com o picadeiro embebido em resina, além de farpas afiadas pelo caminho, centenas de pobres criaturas foram barbaramente estraçalhadas e queimadas vivas pelas altas chamas atiçadas pelo vento, sendo as vítiassine: (19) 3233-5596

mas puxadas por velhos cavalos em desabalada carreira. Um largo tempo haveria de escoar-se até a expiação daquele crime. Realmente, 1784 anos depois do tenebroso acontecimento, aquelas mesmas centenas de pessoas participantes da chacina, desta vez em diversas posições de idade física,

...centenas de pobres criaturas foram barbaramente estraçalhadas e queimadas vivas reunir-se-iam, aparentemente “por acaso”, num circo em Niterói, para consumação do resgate imprescindível. *** P — Por que, na maioria dos casos, após a morte, a fisionomia dos desencarnados adquire uma expressão de suave paz?

R — A maioria das criaturas, em se desencarnando, de maneira pacífica, isto é, com a paz de consciência, quase sempre reencontram entes queridos que as antecederam na viagem da chamada morte física e deixam no próprio semblante as derradeiras impressões de paz e alegria que o corpo consegue estampar. P — Há pessoas que em vida

combinam voltar após a morte para dar sinais aos que ficaram, e muitas vezes não cumprem ou não podem cumprir o prometido. Que é que você acha de tais combinações?

R — Não devemos abalançarnos a tais propósitos futuros, não conhecendo as normas que governam o mundo dos desencarnados, submetidos que se acham às leis do Mundo Maior. P — Nem tudo que você vê ou recebe dos Espíritos é transmitido às criaturas humanas. Se exata a suposição, qual o motivo?

R — O médium, na Doutrina Espírita, à medida que se conscientiza nas tarefas que desempenha, aprende com os Espíritos Amigos que só interessa o bem das criaturas e que o mal não merece considerações, a não ser aquelas que nos levem a extirpá-lo com espírito de amor. Por isso a tarefa mediúnica inclui a triagem necessária dos assuntos a serem comunicados, para que o bem seja sustentado entre nós. O médium responsável é semelhante ao guarda-chaves da ferrovia, deve ter muito cuidado na passagem dos comboios, evitando qualquer desastre. No caso, é a passagem ou a filtragem das idéias. P — Se os Espíritos têm idades diferentes, de acordo com suas aquisições, chegado o Terceiro Milênio os que não tiverem chances de evoluir e permanecerem atrasados serão arrastados com os maus para um planeta ou mundo de vivência primitiva?

R — Muitas realizações para o

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Terceiro Milênio, segundo Emmanuel, poderão ocorrer talvez depois de 2.990. Imaginemos, pois, certos fenômenos de triagem na coletividade para séculos não muito próximos. Os Amigos Desencarnados afirmam que na própria Galáxia de cuja vida e grandeza partilhamos, existem numerosos mundos de feição primitiva, aptos a nos receberem para estágios mais simples de aprendizado espiritual, caso não queiramos seguir o surto de elevação em que nossa Terra está penetrando. P — O célebre Nostradamus assinala os meses de julho e outubro de 1999 como sendo os do período final do tempo que estamos atravessando. E prediz para essa época imensos cataclismos e calamidades

sociais. Nostradamus deve ser levado a sério?

R — Com respeito às profecias de Nostradamus que, aliás, devemos estudar com o maior respeito ao mensageiro humano dos vaticínios conhecidos, pede-nos Emmanuel para lermos com meditação o Livro de Jonas, no Antigo Testamento.

Cremos que a reencarnação, atendendo às leis gerais do progresso

P — A propósito, você escolheria reencarnar no Terceiro Milênio para prosseguir na tarefa de soerguimento do Espírito Humano?

R — Nos últimos tempos as tarefas mediúnicas se tornaram cada vez mais agradáveis para mim e de tal modo que, se eu pudesse escolher, seria para mim um privilégio voltar à Terra, na condição de médium, na Doutrina Espírita, não com a idéia de que esteja trabalhando no soerguimento do gênero humano, mas no soerguimento e melhoria de mim mesmo. P — Há cientistas e parapsicólogos que não vêem qualquer relação entre religião e reencarnação, alegando que esta pode prescindir daquela. Que é que lhe ocorre dizer sobre isso?

R — Cremos que a reencarnação, atendendo às leis gerais do progresso, prescinde dos fatores religiosos para efetuar-se, mas a educação e sublimação da vída, a nosso ver, não podem nem devem dispensar a idéia de Deus e o trabalho da religião que se lhe faz conseqüente. P — Que é que você diria aos parapsicólogos e estudiosos do assunto, acerca do que esses especialistas chamam de “memória extracerebral”?

R — Os parapsicólogos estudam fenômenos que para muitos de nós já são artigos de fé conquistada. Compreendo a memória como faculdade imperecível do espírito imperecível, a expandir-se no tempo, com a expansão de nossas experiências em qualquer plano da vida. 

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P — Então como você definiria o que comumente chamamos de subconsciente?

R — Definiria o subconsciente como sendo o arquivo inarredável de nossas realizações felizes ou infelizes, no curso de nossas existências já vividas. P — Se todos nós voltaremos a reencarnar, ora como homens, ora como mulheres, a própria certeza disso não seria um poderoso motivo para que todos aceitássemos a igualdade de sexos, evitando-se que o abuso e a prepotência hoje praticados sejam amarga lição no amanhã quando eventualmente reencarnarmos no sexo oposto?

R — Sem dúvida, também penso assim. Em qualquer questão da existência, seja nos setores do sexo ou não, a lesão ou prejuízo que causemos a outrem estaremos causando a nós mesmos. P — Então o mal que fizermos na Terra terá que ser necessariamente expiado aqui ou pode em certos casos ser reparado na vida espiritual, através de trabalhos na seara do bem?

R — O mal que praticarmos será sempre motivo para a expiação respectiva, em qualquer lugar, criando o bem a fim de apagar os nossos próprios erros. P — Ocorrida a desencarnação, qual seria o tempo variável necessário à completa libertação da alma em relação ao corpo físico?

R — A nosso ver isso depende do tempo que o espírito a desencarnar haja despendido em preparar-se para o próprio desprendimento do assine: (19) 3233-5596

corpo, através do sofrimento que sempre nos obriga a raciocinar com mais acerto ou da meditação que nos ensina a descobrir o entendimento da verdade em nós mesmos. P — As pessoas que em vida crêem firmemente em céu, inferno e purgatório, tal como consta nas afirmativas teológicas, após a morte continuam acreditando nisso por muito tempo?

R — Às vezes sim, conforme a rebeldia mental cristalizada a que

O mal que praticarmos será sempre motivo para a expiação respectiva, em qualquer lugar se acolham. Céu, inferno ou purgatório começam invariavelmente em nós mesmos. P — Por que um Espírito que amasse muito outro Espírito afim, só iria reencontrá-lo transcorridas duas, três ou mais reencarnações? Isso também seria expiação?

R — Os Amigos Espirituais nos esclarecem que as nossas noções de tempo diferem muito daquelas que formamos no Plano Físico. P — Como se explica que pessoas reconhecidamente justas, bondosas e crentes na imortali-

dade da alma mantenham em si arraigado temor à morte?

R — Os Amigos Espirituais nos explicam que até hoje, no decurso de muitos séculos, não temos tido preparação para a desencarnação tranqüila. Quase sempre, até agora, temos atravessado repetidas desencarnações em compromissos e conflitos que nos conturbam demasiadamente, no Mais Além. Atualmente, de modo geral, sofremos o receio de recapitular esses desequilíbrios. P — Se tivermos o hábito de orar diariamente, isso não ajudará bastante no após-desencarne quando, ao entrarmos em faixa de perturbação, recorrermos à prece?

R — A oração ser-nos-á sempre uma bênção de libertação íntima e conquista de paz espiritual, seja qual for a condição em que estejamos. P — Enfim, que faria você se soubesse, numa determinada manhã, ser aquele seu último dia na Terra?

R — Se soubesse de meu último dia no corpo, cancelaria qualquer tarefa, como sejam viagens ou contatos outros, para trabalhar ao máximo com os Bons Espíritos, de modo a aproveitar o “restinho” (sic) de tempo que estivesse ao meu dispor. 

Fonte: WORM, Fernando. A Ponte – Diálogos com Chico Xavier. Págs 62 – 68. Lar Irmã Esther. 1982.

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A Vida Superior por Léon Denis

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alma virtuosa, depois de haver vencido suas paixões, depois de abandonar o corpo, miserável instrumento de dor e de glória, vai, através da imensidade, juntar-se às suas irmãs do espaço. Atraída por uma força irresistível, ela percorre regiões onde tudo é harmonia e esplendor; mas a linguagem humana é muito pobre para descrever o que aí se passa. Entretanto, que alívio, que deliciosa alegria então experimenta, sentindo quebrada a pesada cadeia que a retinha à Terra, podendo abraçar a imensidão, mergulhar no espaço sem limites, librar-se além dos mundos! Não mais tem um corpo enfermo, sofredor e pesado como uma barra de chumbo; não

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mais terá fardo material para arrastar penosamente. Desembaraçada de suas cadeias, entra a irradiar e embriaga-se de espaço e de liberdade. A fealdade terrena e a decrepitude deram lugar a um corpo fluídico de aparência graciosa e de formas ideais, diáfano e brilhante. Aí encontra aqueles a quem amou

O horizonte se lhe alarga e não tem mais limites

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na Terra, que a precederam na nova vida e agora parecem esperála. Então, comunica-se livremente com todos, suas expansões são repletas de felicidade, embora ainda um pouco anuviadas por tristes reminiscências da Terra e pela comparação da hora presente com um passado cheio de lágrimas. Outros Espíritos que perdera de vista em sua última encarnação, mas que se tinham tornado seus afeiçoados por provas suportadas em comum no decurso das idades, vêm também juntar-se aos primeiros. Todos os que compartilharam seus bons ou maus dias, todos os que com ela se engrandeceram, lutaram, choraram e sofreram correrão ao seu encontro, e sua memória, despertando-se

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desde então, ocasionará explosões de felicidade e venturas que a pena não sabe descrever. Como resumir as impressões da vida radiante que se abre ao Espírito? A veste grosseira, o manto pesado que lhe constrangia os sentidos íntimos, despedaçando-se subitamente, tornam centuplicadas as suas percepções. O horizonte se lhe alarga e não tem mais limites. O infinito incomensurável, luminoso, desdobra-se às suas vistas com suas ofuscantes maravilhas, com seus milhões de sóis, focos multicores, safiras e esmeraldas, jóias enormes, derramadas no azul e seguidas de seus suntuosos cortejos de esferas. Esses sóis, que aparecem aos homens como simples lampadários, o Espírito os contempla em sua real e colossal grandeza; vê-os mais poderosos que o luminar do nosso planeta; reconhece a força de atração que os prende, e distingue ainda, em longínquas profundezas, os astros maravilhosos que presidem às evoluções. Todos esses fachos gigantescos, ele os vê em movimento, gravitando, prosseguindo seu curso vagabundo, entrecruzandose, como globos de fogo lançados no vácuo pela mão de um invisível jogador. Nós, perturbados sem cessar por vãos rumores, pelo confuso sussurro da colmeia humana, não podemos conceber a calma solene, o majestoso silêncio dos espaços, que enche a alma de um sentimento augusto, de um assombro que toca as raias do pavor. Mas o Espírito puro e bom é inacessível ao temor. Esse infinito, frio e silencioso para os Espíritos inferiores, anima-se logo para ele e o faz ouvir sua voz poderosa. Livre assine: (19) 3233-5596

da matéria, a alma percebe, aos poucos, as vibrações melodiosas do éter, as delicadas harmonias que descem das regiões celestes e compreende o ritmo imponente das esferas. Esse cântico dos mundos, essas vozes do infinito que soam no silêncio ela os saboreia até se sentir arrebatar. Recolhida, inebriada, cheia de um sentimento grave e religioso, banha-se nas ondas do éter, contempla as profundezas siderais, as legiões de Espíritos, sombras ligeiras que flutuam e se agitam em esteiras de luz. Assiste à gênese

O Espírito elevado é destinado a renascer em planetas mais bem dotados que o nosso dos mundos, vê a vida despertar-se e crescer na sua superfície, segue o desenvolvimento das humanidades que os povoam e, nesse grande espetáculo, verifica que em toda parte do Universo a atividade, o movimento e a vida ligam-se à ordem. Qualquer que seja seu adiantamento, o Espírito que acaba de deixar a Terra não pode aspirar a viver indefinidamente dessa vida superior. Adstrito à reencarnação, essa vida não lhe é senão um tempo de repouso: uma compensação aos seus males, uma recompensa aos seus méritos. Apenas aí vai retem-

perar-se e fortificar-se para as lutas futuras. Porém, nas vidas que o esperam não terá mais as angústias e os cuidados da existência terrestre. O Espírito elevado é destinado a renascer em planetas mais bem dotados que o nosso. A escala grandiosa dos mundos tem inúmeros graus, dispostos para a ascensão progressiva das almas, que os devem transpor cada um por sua vez. Nas esferas superiores à Terra o império da matéria é menor. Os males por esta originados atenuam-se, à medida que o ser se eleva e acabam por desaparecer. Lá, o ser humano não mais se arrasta penosamente sob a ação de pesada atmosfera; desloca-se de um lugar para outro com muita facilidade. As necessidades corpóreas são quase nulas e os trabalhos rudes, desconhecidos. Mais longa que a nossa, a existência aí se passa no estudo, na participação das obras de uma civilização aperfeiçoada, tendo por base a mais pura moral, o respeito aos direitos de todos, a amizade e a fraternidade. As guerras, as epidemias e os flagelos não têm acesso e os grosseiros interesses, causa das nossas ambições, não mais dividem os povos. Chegará afinal um dia em que o Espírito, depois de haver percorrido o ciclo de suas existências terrestres, depois de se haver purificado através dos mundos, por seus renascimentos e migrações, vê terminar a série de suas encarnações e abrir-se a vida espiritual, definitivamente, a verdadeira vida da alma, donde o mal, as trevas e o erro estão banidos para sempre. A calma, a serenidade e a segurança profunda substituem os desgostos e as inquietações de

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outrora. A alma chegou ao término de suas provações, não mais terá sofrimento. Com que emoção rememora os fatos de sua vida, esparsos na sucessão dos tempos, sua longa ascensão, a conquista de seus méritos e de sua elevação! Que ensinamento nessa marcha grandiosa, no percurso da qual se constitui e se afirma a unidade de sua natureza, de sua personalidade imortal! Compara os desassossegos de outras épocas, os cuidados e as dores do passado, com as aventuras do presente, e saboreia-as a longos tragos. Que inebriamento o de sentir-se viver no meio de Espíritos esclarecidos, pacientes e atenciosos; unir-se-lhes pelos laços de inalterável afeto; participar das suas aspirações, ocupações e gozos; ser-se compreendido, sustentado, amado por todos, livre das necessidades e da morte, na fruição de uma mocidade sobre a qual os séculos não fazem mossa! Depois, vai estudar, admirar, glorificar a obra infinita, aprofundar ainda os mistérios divinos; vai reconhecer por toda parte a beleza e a bondade celeste; identificar-se e saciar-se com

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elas; acompanhar os Gênios superiores em seus trabalhos, em suas missões; compreender que chegará um dia a igualá-los; que subirá ainda mais e que a esperam, sempre e sempre, novas alegrias, novos trabalhos, novos progressos: tal é a vida eterna, magnífica, a vida do espírito purificado pelo sofrimento. Os céus elevados são a pátria da beleza ideal e perfeita em que todas as artes bebem a inspiração. Os Espíritos eminentes possuem em grau superior o sentimento do belo. Este é a fonte dos mais puros gozos, e todos

Os Espíritos puros, ofuscantes de luz, agrupam-se em famílias sabem realizá-lo em seus trabalhos, diante dos quais empalidecem as

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obras-primas da Terra. Cada vez que uma nova manifestação do gênio se produz sobre o mundo, cada vez que a arte se nos revela sob uma forma aperfeiçoada, pode dizer-se que um Espírito descido das altas esferas tomou corpo na Terra para iniciar os homens nos esplendores da beleza eterna. Para a alma superior, a arte, sob seus múltiplos aspectos, é uma prece, uma homenagem prestada ao Princípio de todas as coisas. O Espírito, pelo poder de sua vontade, opera sobre os fluidos do espaço, os combina, dispondo-os a seu gosto, dá-lhes as cores e as formas que convêm ao seu fim. É por meio desses fluidos que se executam obras que desafiam toda comparação e toda análise. Construções aéreas, de cores brilhantes, de zimbórios resplendentes: sítios imensos onde se reúnem em conselho os delegados do Universo; templos de vastas proporções de onde se elevam acordes de uma harmonia divina; quadros variados, luminosos: reproduções de vidas humanas, vidas de fé e de sacrifício, apostolados dolorosos, dramas do infinito. Como descrever

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Outubro 2009 | FidelidadESPÍRITA

magnificências que os próprios Espíritos se declaram impotentes para exprimir no vocabulário humano? É nessas moradas fluídicas que se ostentam as pompas das festas espirituais. Os Espíritos puros, ofuscantes de luz, agrupam-se em famílias. Seu brilho e as cores variadas de seus invólucros permitem medir a sua elevação, determinar-lhes os atributos. Suaves e encantadores concertos, comparados aos quais os da Terra não são mais que ruídos discordantes; por cenários têm eles o espaço infinito, o espetáculo maravilhoso dos mundos que rolam na imensidão, unindo suas notas às vozes celestes, ao hino universal que sobe a Deus. Todos esses Espíritos, associados em falanges inumeráveis, conhecemse e amam-se. Os laços de família, os afetos que os uniam na vida material, quebrados pela morte, aí se reconstituem para sempre. Destacam-se dos diversos pontos do espaço e dos mundos superiores para comunicarem mutuamente os resultados de suas missões, de seus trabalhos, para se felicitarem pelos êxitos obtidos e coadjuvarem-se uns aos outros nas empresas difíceis. Nenhum pensamento oculto, nenhum sentimento de inveja tem ingresso nessas almas delicadas. O amor, a confiança e a sinceridade presidem a essas reuniões onde todos recolhem as instruções dos mensageiros divinos, onde se aceitam as tarefas que contribuem para elevá-los ainda mais. Uns seguem a observar o progresso e o desenvolvimento dos globos; outros encarnam nos diversos mundos para cumprir missões de devotamento, para instruir os homens na moral e na Ciência; assine: (19) 3233-5596

outros ainda, os Espíritos-guias ou protetores, ligam-se a alguma alma encarnada, a sustentam no rude caminho da existência, conduzemna do nascimento à morte, durante muitas vidas sucessivas, vindo acolhê-la no termo de cada uma delas, quando entra no mundo invisível. Em todos os graus da hierarquia espiritual, as almas têm um papel a executar na obra imensa do progresso e concorrem para a realização das leis superiores. Quanto mais o Espírito se purifica, mais intensa, mais ardente nele se torna a necessidade de amar,

Quanto mais o Espírito se purifica, mais intensa, mais ardente nele se torna a necessidade de amar de atrair para a sua luz e para a sua felicidade, para a morada em que não se conhece a dor, tudo o que sofre, tudo o que luta e se agita nas baixas camadas da existência. Quando um desses Espíritos adota um de seus irmãos atrasados e tornase seu protetor, seu guia, com que solicitude afetuosa lhe sustenta os passos, com que alegria contempla os seus progressos e com quanta dor vê as quedas que não pôde evitar! Assim como a criança descida do berço ensaia seus primeiros passos

sob os olhares enternecidos da sua carinhosa mãe, assim também, sob a égide invisível de seu pai espiritual, o Espírito é assistido nos combates da vida terrestre. Todos temos um desses Gênios tutelares que nos inspira nas horas difíceis e dirige-nos pelo bom caminho. Daí a poética tradição cristã do anjo da guarda. Não há concepção mais grata e consoladora. Saber que temos um amigo fiel e sempre disposto a socorrer-nos, de perto como de longe, influenciando-nos a grandes distâncias ou conservandose junto de nós nas provações; saber que ele nos aconselha por intuição e nos aquece com o seu amor, eis uma fonte inapreciável de força moral. O pensamento de que testemunhas benévolas e invisíveis vêem todos os nossos atos, regozijando-se ou entristecendo-se, deve inspirar-nos mais sabedoria e circunspecção. É por essa proteção oculta que se fortificam os laços de solidariedade que ligam o mundo celeste à Terra, o Espírito livre ao homem, Espírito prisioneiro da carne. É por essa assistência contínua que se criam, de um a outro lado, as simpatias profundas, as amizades duradouras e desinteressadas. O amor que anima o Espírito elevado vai pouco a pouco se estendendo a todos os seres sem cessar, revertendo tudo para Deus, pai das almas, foco de todas as potências efetivas. 

Fonte: DENIS, Léon. Depois da Morte. Págs. 233 – 241. Léon Denis. 2008.

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FidelidadESPÍRITA |Outubro 2009

Junto a só tem Sentido Físico por Eduardo Martins

N

em sempre os meios de telecomunicação são bons conselheiros no aspecto da linguagem. Um exemplo é o emprego inadequado da locução junto a, que a imprensa, o rádio e a televisão transformaram em curinga para definir grande número de situações diferentes, mas poucas vezes a correta. Junto a só tem sentido físico e significa ao lado, em companhia de, perto. Assim: Estava junto ao amigo. / Construiu a casa junto ao mercado. Agora, pense quantas vezes você já ouviu os repórteres esportivos anunciar, por exemplo: O Palmeiras comprou o passe de Júnior Baiano “junto ao” Flamengo. / O passe de Serginho, do São Paulo, foi comprado “junto ao” Cruzeiro. Esse uso, apesar de muito comum, é absolutamente despropositado. O erro ocorre porque, na maioria dos casos, as pessoas não sabem a que preposição recorrer. Mas repare como é fácil: O Palmeiras comprou do Flamengo o passe de Júnior Baiano. / O passe de Serginho, do São

Paulo, foi comprado do Cruzeiro. Da mesma forma, os jogadores foram contratados do Guarani e do Cruzeiro, e nunca “junto ao” Guarani ou ao Cruzeiro. Não é apenas o esporte, porém, que desvirtua o sentido de junto a. Em outros ramos de atividade, a distorção também se verifica. Veja os exemplos: O Brasil concluiu os entendimentos com o FMI (e não “junto ao” FMI). / Pediu o empréstimo ao banco (e não “junto ao” banco). / Iniciou as negociações com a empresa (e não “junto à” empresa). / Entrou com o recurso no tribunal (e não “junto ao” tribunal). / A decisão repercutiu mal entre os eleitores (e não “junto aos” eleitores). / Encaminhou a solicitação ao diretor da empresa (e não “junto ao” diretor da empresa). A única exceção admitida ocorre no campo diplomático ou de representação de um país: O adido militar do Brasil junto às Nações Unidas. / O representante brasileiro junto ao Vaticano.

Fonte: MARTINS, Eduardo. Com Todas as Letras. Pág. 67. Editora Moderna. São Paulo/SP, 1999.

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Avareza “E disse-lhes: Acautelai-vos e guardai-vos da avareza, porque a vida de cada um não consiste na abundância das coisas que possui.” (Lucas, 12:15.)

Fujamos à retenção de qualquer possibilidade sem espírito de serviço. Avareza não consiste apenas em amealhar o dinheiro nos cofres da mesquinhez. As próprias águas benfeitoras da Natureza, quando encarceradas sem preocupação de beneficio, costumam formar zonas infecciosas. Quem vive à cata de compensações, englobando-as ao redor de si, não passa igualmente de avaro infeliz. Toda avareza é centralização doentia, preparando metas de sofrimento. Não basta saber pedir, nem basta a habilidade e a eficiência em conquistar. É preciso adquirir no clima do Cristo, espalhando os benefícios da posse temporária, para que a própria existência

não constitua obstáculo à paz e à alegria dos outros. Inúmeros homens, atacados pelo vírus da avareza, muito ganharam em fortuna, autoridade e inteligência, mas apenas conseguiram, ao termo da experiência, a perversão dos que mais amavam e o ódio dos que lhes eram vizinhos. Amontoaram vantagens para a própria perda. Arruinaram-se, envenenando, igualmente, os que lhes partilharam as tarefas no mundo. Recordemos a palavra do Mestre Divino, gravando-a no espírito. A vida do homem não consiste na abundância daquilo que possui, mas na abundância dos benefícios que esparge e semeia, atendendo aos desígnios do Supremo Senhor.

Emmanuel - Chico Xavier Vinha de Luz


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CURSOS GRATUITOS ATIVIDADES PARA 2009 Cursos Dias Horários Início 1º Ano: Curso de Iniciação ao Espiritismo com aulas e projeção de filmes (em telão) alusivos aos temas. Duração 1 ano com uma aula por semana. 2ª Feira 20h00 - 21h30 09/02/2009

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1º Ano: Curso de Iniciação ao Espiritismo com aulas e projeção de filmes (em telão) alusivos aos temas. Duração 1 ano com uma aula por semana.

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1º Ano: Curso de Iniciação ao Espiritismo com aulas e projeção de filmes (em telão) alusivos aos temas. Duração 1 ano com uma aula por semana.

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domingo

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