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Sumário

4 chico

trabalho exige harmonia - “ave cristo”

Paz no campo de ação

6 estudo

da influência moral do médium

Afinidade entre médium e Espírito

14 capa

espíritos de crianças

próxima edição ladrotários ou taresseiros

12 mediunidade diretrizes de segurança

Questões sobre mediunidade

22 ensinamento simão: fraqueza e força

Os ensinamentos do Cristo

24 esclarecimento

26 com todas as letras

Mediunidade não é castigo

Importantes dicas da nossa língua portuguesa

virei médium! E Agora?

saiba usar a família de ver e a de vir


EDITORIAL Ávidos por Novidades Edição Centro de Estudos Espíritas “Nosso Lar” – Depto. Editorial Jornalista Responsável Renata Levantesi (Mtb 28.765) Projeto Gráfico Fernanda Berquó Spina Revisão Zilda Nascimento Administração e Comércio Elizabeth Cristina S. Silva Apoio Cultural Braga Produtos Adesivos Impressão Citygráfica O Centro de Estudos Espíritas “Nosso Lar” responsabiliza-se doutrinariamente pelos artigos publicados nesta revista.

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(...)Os que no Espiritismo vêem mais do que fatos; compreendem-lhe a parte filosófica; admiram a moral daí decorrente, mas não a praticam. Insignificante ou nula é a influência que lhes exerce nos caracteres. Em nada alteram seus hábitos e não se privariam de um só gozo que fosse. O avarento continua a sê-lo, o orgulhoso se conserva cheio de si, o invejoso e o cioso sempre hostis. Consideram a caridade cristã apenas uma bela máxima. São os espíritas imperfeitos. (LM Cap. III item 28 – 2º) Periodicamente surgem os mais diversos modismos no Movimento Espírita. A origem dessas modas é a dificuldade que alguns adeptos têm de aceitar a simplicidade da doutrina dos espíritos. Egressos das religiões dogmáticas ou ritualísticas, pretendem introduzir no Espiritismo aquilo que não lhe pertence. Por isso, estão sempre à caça de terapias maravilhosas, médiuns curadores, profecias, métodos novos para a mediunidade, “detetives” que desvendam vidas passadas e, como é natural, acabam nas mãos dos charlatães. De fato, o Espiritismo não é uma doutrina comum; embora simples, na prática e vivência dos seus postulados, é ciência, filosofia e religião a exigir do seu adepto uma adequação ao método de pesquisa, que levará ao conhecimento doutrinário seguro sedimentando, definitivamente, a fé do espírita, libertando-o da ânsia por novidades. Não estamos dogmatizando o Espiritismo, mas apontando alguns problemas que podem prejudicar o seu entendimento. Kardec chamou de espíritas imperfeitos os que se prendem à forma e não à essência. Os que admiram e não praticam. Enquanto buscamos “novidades” não estudamos a doutrina, permanecendo na superficialidade. O Espiritismo continua um grande desconhecido! Competem, portanto, às Casas Espíritas a tarefa de esclarecer seus adeptos oferecendo ambiente adequado de estudo e prática da caridade (moral e material), para que o espírita tenha amplo campo para o desenvolvimento de suas potencialidades. Quando entendermos com mais profundidade a doutrina dos espíritos encontraremos nela a sublimidade da mensagem central: a transformação do homem. Sempre que nos preocupamos mais com o exterior, introduzindo práticas antidoutrinárias no espiritismo, desviamo-nos do compromisso moral de melhoramento, dando maior atenção ao efeito que à causa. O Espiritismo não está ultrapassado, como querem alguns, permanece atual e pouco conhecido. Esperamos que os Centros comprometidos com a doutrina formem, competentemente, os espíritas de agora e do futuro como prenunciou Allan Kardec: (...) Os que não se contentam com admirar a moral espírita, que a praticam e lhe aceitam todas as conseqüências. Convencidos de que a existência terrena é uma prova passageira, tratam de aproveitar os seus breves instantes para avançar pela senda do progresso, única que os pode elevar na hierarquia do mundo dos Espíritos, esforçando-se por fazer o bem e coibir seus maus pendores. As relações com eles sempre oferecem segurança, porque a convicção que nutrem os preserva de pensarem em praticar o mal. A caridade é, em tudo, a regra de proceder a que obedecem. São os verdadeiros espíritas, ou melhor, os espíritas cristãos. (LM Cap. III item 28 – 3º) O Editor


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FidelidadESPÍRITA | Fevereiro 2009

Trabalho exige Harmonia - “Ave, Cristo!” por Suely Caldas Schubert

24-9-1953 “(...) Esperemos em Deus, meu caro, tudo continue em paz em nosso campo de ação. O trabalho exige harmonia para erguer-se! Muito agradecido pela remessa das duas páginas finais do “Ave”. Li-as e reli-as, atentamente, e reconheço não precisar acrescentar coisa alguma às notas felizes de tua revisão. Diz o nosso Emmanuel que o livro, como uma sinfonia — precisa terminar bem. E tal qual está em tua revisão, o “Ave” está muito bem rematado. Nossos Amigos Espirituais me explicam que há certa poesia musical na prosa, a que não devemos fugir, e as duas páginas com os teus apontamentos ficaram muito harmoniosas, afirmando-me Emmanuel que devem ser incluídas assim como m’as enviaste. (...) Minha referência ao “Parnaso” em carta última foi feita porque eu havia pedido a Emmanuel estudássemos um recurso de retirar algumas das produções do livro referido, que julgo menos compatíveis com a respeitabilidade de nossa Consoladora Doutrina. Pensei me



houvesse comunicado contigo, acerca do assunto, em correspondências anteriores. Nosso orientador espiritual, porém, conforme notifiquei na missiva última, julga devamos deixar o “Parnaso” tal como está, de modo a não atrairmos qualquer nova faixa de incompreensão. Aguardemos mais tempo. (...)” “O trabalho exige harmonia para erguer-se.”

Diz o nosso Emmanuel que o livro, como uma sinfonia — precisa terminar bem

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chico

Fevereiro 2009 | FidelidadESPÍRITA

Chico busca a harmonia para trabalhar em paz. Nessa pequena fase, entre a carta anterior e esta, nota-se que está havendo relativo sossego na vida de Chico Xavier. Tem ele uma trégua para refazer-se e dar continuidade à tarefa. Poucos períodos de tranqüilidade entremeiam as suas lutas. Não fosse a sua própria harmonia interior e as suas atividades teriam sido interrompidas a cada passo. Se ele se deixasse dominar pelo desânimo, se ele esmorecesse a cada embate, não teríamos hoje esse acervo magnífico de obras a enriquecer o nosso movimento espírita. O trabalho exige harmonia para ser realizado e Chico Xavier tem-na dentro de si mesmo, como fruto abençoado de suas conquistas pessoais, ao longo de sua trajetória evolutiva. Chico recebe de Wantuil as duas páginas finais do livro “Ave, Cristo” com a revisão. E como recomenda o autor espiritual: “o livro, como uma sinfonia, precisa terminar bem.” Reconhecemos, pela leitura das páginas finais desse último livro da série romana de Emmanuel, que, realmente, elas são de uma beleza sublime. “Ave, Cristo! os que aspiram à glória de servir em teu nome te glorificam e saúdam!” — coloca o autor espiritual em sua bela introdução. (Grifo nosso.) Verifica-se aí o emprego dos verassine: (19) 3233-5596

bos aspirar e servir uma promessa e uma esperança. No início da narrativa, Quinto Varro encontra-se com o filho amado, Taciano, no plano espiritual. Almeja, então, que ao findar-se o prazo de lutas terrenas que ambos terão de enfrentar, e no qual ele se sacrificaria em benefício do filho, este pudesse dizer:

Reconhecemos, pela leitura das páginas finais desse último livro da série romana de Emmanuel, que, realmente, elas são de uma beleza sublime

todo o tempo recalcitrante entre a adoração enceguecida aos deuses pagãos e a lógica do amor que o Cristo apresentava. Como bem deseja Emmanuel, o livro termina como uma belíssima sinfonia, cujos acordes finais sensibilizam e comovem. Para esse final, Wantuil de Freitas colabora com a sua revisão lúcida e sensível. “Ave, Cristo!” merece ser lido. Em suas páginas, na linguagem formosa e elevada de Emmanuel, viajamos através dos tempos e encontramos o Cristianismo vicejando na cidade de Lião, em seus primeiros passos e em sua primitiva pureza. Na parte final Chico menciona a carta anterior (de 10-9-1953), esclarecendo a referência que fizera sobre “Parnaso”. Muito interessante a observação feita por ele de que considera algumas das produções dessa última obra “menos compatíveis com a respeitabilidade de nossa Consoladora Doutrina”.

“— Ave, Cristo! os que vão viver para sempre te glorificam e saúdam!..” (Grifo nosso.) Nesta colocação, o viver para sempre está significando a realização de todas as promessas e esperanças, as quais, ao final do romance, realmente se cumprem, à custa de muitas experiências dolorosas para Taciano, que se manteve quase

Fonte: SCHUBERT, Suely Caldas. Testemunhos de Chico Xavier. Págs. 319 - 321. Feb. 1998.

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FidelidadESPÍRITA | Fevereiro 2009

Da Influência Moral do Médium por Allan Kardec

Questões diversas. - Dissertação de um Espírito sobre a influência moral.

226. 1ª O desenvolvimento da mediunidade guarda relação com o desenvolvimento moral dos médiuns? “Não; a faculdade propriamente dita se radica no organismo; independe do moral. O mesmo, porém, não se dá com o seu uso, que pode ser bom, ou mau, conforme as qualidades do médium.” 2ª Sempre se há dito que a mediunidade é um dom de Deus, uma graça, um favor. Por que, então, não constitui privilégio dos homens de bem e por que se vêem pessoas indignas que a possuem no mais alto grau e que dela usam mal? “Todas as faculdades são favores pelos quais deve a criatura render graças a Deus, pois que homens há privados delas. Poderias igualmente perguntar por que concede Deus vista magnífica a malfeitores, destreza a gatunos, eloqüência aos que dela se servem para dizer coisas nocivas. O mesmo se dá com a mediunidade. Se há pessoas



indignas que a possuem, é que disso precisam mais do que as outras, para se melhorarem. Pensas que Deus recusa meios de salvação aos culpados? Ao contrário, multiplicaos no caminho que eles percorrem; põe-nos nas mãos deles. Cabe-lhes aproveitá-los. Judas, o traidor, não fez milagres e não curou doentes, como apóstolo? Deus permitiu que ele tivesse esse dom, para mais odiosa tornar aos seus próprios olhos a traição que praticou.” 3ª Os médiuns, que fazem mau uso das suas faculdades, que não se servem delas para o bem, ou que não as aproveitam para se instruírem, sofrerão as conseqüências dessa falta? “Se delas fizerem mau uso, serão punidos duplamente, porque têm um meio a mais de se esclarecerem e o não aproveitam. Aquele que vê claro e tropeça é mais censurável do que o cego que cai no fosso.” 4ª Há médiuns aos quais, espontaneamente e quase constantemente, são dadas comunicações sobre

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o mesmo assunto, sobre certas questões morais, por exemplo, sobre determinados defeitos. Terá isso algum fim? “Tem, e esse fim é esclarecê-lo sobre o assunto freqüentemente repetido, ou corrigi-los de certos defeitos. Por isso é que a uns falarão continuamente do orgulho, a outros, da caridade. E que só a saciedade lhes poderá abrir, afinal, os olhos. Não há médium que faça mau uso da sua faculdade, por ambição ou interesse, ou que a comprometa por causa de um defeito capital, como o orgulho, o egoísmo, a leviandade, etc., e que, de tempos a tempos, não receba admoestações dos Espíritos. O pior é que as mais das vezes eles não as tomam como dirigidas a si próprios.” NOTA. É freqüente usarem os Espíritos de circunlóquios em suas lições, dando-as de modo indireto para não tirarem o mérito àquele que as sabe aproveitar e aplicar. Porém, tais são a cegueira e o orgulho de algumas pessoas, que elas não se reconhecem no quadro que se lhes põe diante dos olhos. Ainda mais: se o Espírito lhes dá a entender  que é delas que se trata, zangam-se e o assine: (19) 3233-5596


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Fevereiro 2009 | FidelidadESPÍRITA

qualificam de mentiroso, ou malicioso. Só isto basta para provar que o Espírito tem razão.

5ª Nas lições ditadas, de modo geral, ao médium, sem aplicação pessoal, não figura ele como instrumento passivo, para instrução de outrem? “Muitas vezes, os avisos e conselhos não lhe são dirigidos pessoalmente, mas a outros a quem não nos podemos dirigir, senão por intermédio dele, que, entretanto, deve tomar a parte que lhe caiba em tais avisos e conselhos, se não o cega o amor- próprio. “Não creias que a faculdade mediúnica seja dada somente para correção de uma, ou duas pessoas, não. O objetivo é mais alto: trata-se da Humanidade. Um médium é um instrumento pouquíssimo importante, como indivíduo. Por isso é que, quando damos instruções que devem aproveitar à generalidade dos homens, nos servimos dos que oferecem as facilidades necessárias. Tenha-se, porém, como certo que tempo virá em que os bons médiuns serão muito comuns, de sorte que os bons Espíritos não precisarão servir-se de instrumentos maus.” 6ª Visto que as qualidades morais do médium afastam os Espíritos imperfeitos, como é que um médium dotado de boas qualidades transmite respostas falsas, ou grosseiras? “Conheces, porventura, todos os escaninhos da alma humana? Demais, pode a criatura ser leviana e frívola, sem que seja viciosa. Também isso se dá, porque, às vezes, ele necessita de uma lição, a fim de manter-se em guarda.” assine: (19) 3233-5596

7ª Por que permitem os Espíritos superiores que pessoas dotadas de grande poder, como médiuns, e que muito de bom poderiam fazer, sejam instrumentos do erro? “Os Espíritos de que falas procuram influenciá-las; mas, quando essas pessoas consentem em ser arrastadas para mau caminho, eles as deixam ir. Daí o servirem-se delas com repugnância, visto que a verdade não pode ser interpretada pela mentira”.

Médium perfeito seria aquele contra o qual os maus Espíritos jamais ousassem, uma tentativa de enganá-lo

8ª Será absolutamente impossível se obtenham boas comunicações por um médium imperfeito? “Um médium imperfeito pode algumas vezes obter boas coisas, porque, se dispõe de uma bela faculdade, não é raro que os bons Espíritos se sirvam dele, à falta de outro, em circunstâncias especiais; porém, isso só acontece momentaneamente, porquanto, desde que os Espíritos encontrem um que mais lhes convenha, dão preferência a este.” NOTA. Deve-se observar que, quando os bons Espíritos vêem que um médium deixa de ser bem assistido e se torna, pelas suas imperfeições, presa dos Espíritos enganadores, quase sempre fazem surgir circunstâncias que lhes desvendam os defeitos e o afastam das pessoas sérias e bem intencionadas, cuja boa-fé poderia ser ilaqueada. Neste caso, quaisquer que sejam as faculdades que possua, seu afastamento não é de causar saudades.

9ª Qual o médium que se poderia qualificar de perfeito? “Perfeito, ah! bem sabes que a perfeição não existe na Terra, sem o que não estaríeis nela. Dize, portanto, bom médium e já é muito, por isso que eles são raros. Médium perfeito seria aquele contra o qual os maus Espíritos jamais ousassem, uma tentativa de enganá-lo. O melhor é aquele que, simpatizando somente com os bons Espíritos, tem sido o menos enganado.” 10ª Se ele só com os bons Espíritos simpatiza, como permitem estes que seja enganado? “Os bons Espíritos permitem, às vezes, que isso aconteça com os melhores médiuns, para lhes exercitar a ponderação e para lhes ensinar a discernir o verdadeiro do falso. De-

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pois, por muito bom que seja, um médium jamais é tão perfeito, que não possa ser atacado por algum lado fraco. Isto lhe deve servir de lição. As falsas comunicações, que de tempos a tempos ele recebe, são avisos para que não se considere infalível e não se ensoberbeça. Porque, o médium que receba as coisas mais notáveis não tem que se gloriar disso, como não o tem o tocador de realejo que obtém belas árias movendo a manivela do seu instrumento.” 11ª Quais as condições necessárias para que a palavra dos Espíritos superiores nos chegue isenta de qualquer alteração? “Querer o bem; repulsar o egoísmo e o orgulho. Ambas essas coisas são necessárias.” 12ª Uma vez que a palavra dos Espíritos superiores não nos chega pura, senão em condições difíceis de se encontrarem preenchidas, esse fato não constitui um obstáculo à propagação da verdade? “Não, porque a luz sempre chega ao que a deseja receber. Todo aquele que queira esclarecer-se deve fugir às trevas e as trevas se encontram na impureza do coração. “Os Espíritos, que considerais como personificações do bem, não atendem de boa vontade ao apelo dos que trazem o coração manchado pelo orgulho, pela cupidez e pela falta de caridade. “Expurguem-se, pois, os que desejam esclarecer-se, de toda a vaidade humana e humilhem a sua inteligência ante o infinito poder do Criador. Esta a melhor prova que poderão dar da sinceridade do desejo que os anima. É uma condição a que todos podem satisfazer.”



227. Se o médium, do ponto de vista da execução, não passa de um instrumento, exerce, todavia, influência muito grande, sob o aspecto

Todo aquele que queira esclarecerse deve fugir às trevas e as trevas se encontram na impureza do coração

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moral. Pois que, para se comunicar, o Espírito desencarnado se identifica com o Espírito do médium, esta identificação não se pode verificar, senão havendo, entre um e outro, simpatia e, se assim é lícito dizer-se, afinidade. A alma exerce sobre o Espírito livre uma espécie de atração, ou de repulsão, conforme o grau da semelhança existente entre eles. Ora, os bons têm afinidade com os bons e os maus com os maus, donde se segue que as qualidades morais do médium exercem influência capital sobre a natureza dos Espíritos que por ele se comunicam. Se o médium é vicioso, em torno dele se vêm grupar os Espíritos inferiores, sempre prontos a tomar o lugar aos bons Espíritos evocados. As qualidades que, de preferência, atraem os bons Espíritos são: a bondade, a benevolência, a simplicidade do coração, o amor do próximo, o desprendimento das coisas materiais. Os defeitos que os afastam são: o or-

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gulho, o egoísmo, a inveja, o ciúme, o ódio, a cupidez, a sensualidade e todas as paixões que escravizam o homem à matéria.

228. Todas as imperfeições morais são outras tantas portas abertas ao acesso dos maus Espíritos. A que, porém, eles exploram com mais habilidade é o orgulho, porque é a que a criatura menos confessa a si mesma. O orgulho tem perdido muitos médiuns dotados das mais belas faculdades e que, se não fora essa imperfeição, teriam podido tornar-se instrumentos notáveis e muito úteis, ao passo que, presas de Espíritos mentirosos, suas faculdades, depois de se haverem pervertido, aniquilaram-se e mais de um se viu humilhado por amaríssimas decepções. O orgulho, nos médiuns, traduzse por sinais inequívocos, a cujo respeito tanto mais necessário é se

insista, quanto constitui uma das causas mais fortes de suspeição, no tocante à veracidade de suas comunicações. Começa por uma confiança cega nessas mesmas comunicações e na infalibilidade do Espírito que lhas dá. Daí um certo desdém por tudo o que não venha deles: é que julgam ter o privilégio da verdade. O prestígio dos grandes nomes, com que se adornam os Espíritos tidos por seus protetores, os deslumbra e, como neles o amor próprio sofreria, se houvessem de confessar que são ludibriados, repelem todo e qualquer conselho; evitam-nos mesmo, afastando-se de seus amigos e de quem quer que lhes possa abrir os olhos. Se condescendem em escutá-los, nenhum apreço lhes dão às opiniões, porquanto duvidar do Espírito que os assiste fora quase uma profanação. Aborrecem-se com a menor contradita, com uma simples observação crítica e vão às vezes ao ponto de

tomar ódio às próprias pessoas que lhes têm prestado serviço. Por favorecerem a esse insulamento a que os arrastam os Espíritos que não querem contraditores, esses mesmos Espíritos se comprazem em lhes conservar as ilusões, para o que os fazem considerar coisas sublimes as mais polpudas absurdidades. Assim, confiança absoluta na superioridade do que obtém, desprezo pelo que deles não venha, irrefletida importância dada aos grandes nomes, recusa de todo conselho, suspeição sobre qualquer crítica, afastamento dos que podem emitir opiniões desinteressadas, crédito em suas aptidões, apesar de inexperientes: tais as características dos médiuns orgulhosos. Devemos também convir em que, muitas vezes, o orgulho é despertado no médium pelos que o cercam. Se ele tem faculdades um pouco transcendentes, é procurado e gabado e entra a julgar-se indispensável. Logo toma ares de importância e desdém, quando presta a alguém o seu concurso. Mais de uma vez tivemos motivo de deplorar elogios que dispensamos a alguns médiuns, com o intuito de os animar.

229. A par disto, ponhamos em evidência o quadro do médium verdadeiramente bom, daquele em que se pode confiar. Supor-lhe-emos, antes de tudo, uma grandíssima facilidade de execução, que permita se comuniquem livremente os Espíritos, sem encontrarem qualquer obstáculo material. Isto posto, o que mais importa considerar é de que natureza são os espíritos que habiassine: (19) 3233-5596

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tualmente o assistem, para o que não nos devemos ater aos nomes, porém, à linguagem. Jamais deverá ele perder de vista que a simpatia, que lhe dispensam os bons Espíritos, estará na razão direta de seus esforços por afastar os maus. Persuadido de que a sua faculdade é um dom que só lhe foi outorgado para o bem, de nenhum modo procura prevalecer-se dela, nem apresentá-la como demonstração de mérito seu. Aceita as boas comunicações, que lhe são transmitidas, como uma graça, de que lhe cumpre tornarse cada vez mais digno, pela sua bondade, pela sua benevolência e pela sua modéstia. O primeiro se orgulha de suas relações com os Espíritos superiores; este outro se humilha, por se considerar sempre abaixo desse favor.

230. A seguinte instrução deu-no-la, sobre o assunto, um Espírito de quem temos inserido muitas comunicações: “Já o dissemos: os médiuns, apenas como tais, só secundária influência exercem nas comunicações dos Espíritos; o papel deles é o de uma máquina elétrica, que transmite os despachos telegráficos, de um ponto da Terra a outro ponto distante. Assim, quando queremos ditar uma comunicação, agimos sobre o médium, como o empregado do telégrafo sobre o aparelho, isto é, do mesmo modo que o tique-taque do telégrafo traça, a milhares de léguas, sobre uma tira de papel, os sinais reprodutores do despacho, também nós comunicamos, por meio do aparelho mediúnico, através das distân-

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cias incomensuráveis que separam o mundo visível do mundo invisível, o mundo imaterial do mundo carnal, o que vos queremos ensinar. Mas, assim como as influências atmosféricas atuam, perturbando, muitas vezes, as transmissões do telégrafo elétrico, igualmente a influência moral do médium atua e perturba, às vezes, a transmissão dos nossos despachos de além-túmulo,

Em tese geral, pode afirmar-se que os Espíritos atraem Espíritos que lhes são similares e que raramente os Espíritos das plêiadas elevadas se comunicam por aparelhos maus condutores

porque somos obrigados a fazê-los passar por um meio que lhes é contrário. Entretanto, essa influência, amiúde, se anula, pela nossa energia e vontade, e nenhum ato perturbador se manifesta. Com efeito, os

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ditados de alto alcance filosófico, as comunicações de perfeita moralidade são transmitidas algumas vezes por médiuns impróprios a esses ensinos superiores; enquanto que, por outro lado, comunicações pouco edificantes chegam também, às vezes, por médiuns que se envergonham de lhes haverem servido de condutores. “Em tese geral, pode afirmar-se que os Espíritos atraem Espíritos que lhes são similares e que raramente os Espíritos das plêiadas elevadas se comunicam por aparelhos maus condutores, quando têm à mão bons aparelhos mediúnicos, bons médiuns, numa palavra. “Os médiuns levianos e pouco

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Fevereiro 2009 | FidelidadESPÍRITA

sérios atraem, pois, Espíritos da mesma natureza; por isso é que suas comunicações se mostram cheias de banalidades, frivolidades, idéias truncadas e, não raro, muito heterodoxas, espiriticamente falando. Certamente, podem eles dizer, e às vezes dizem, coisas aproveitáveis; mas, nesse caso, principalmente, é que um exame severo e escrupuloso se faz necessário, porquanto, de envolta com essas coisas aproveitáveis, Espíritos hipócritas insinuam, com habilidade e preconcebida perfídia, fatos de pura invencionice, asserções mentirosas, a fim de iludir a boa-fé dos que lhes dispensam atenção. Devem riscar-se, então, sem piedade, toda palavra, toda frase equivoca e só conservar do ditado o que a lógica possa aceitar, ou o que a Doutrina já ensinou. As comunicações desta natureza só são de temer para os espíritas que trabalham isolados, para os grupos novos, ou pouco esclarecidos, visto que, nas reuniões onde os adeptos estão adiantados e já adquiriram experiência, a gralha perde o seu tempo a se adornar com as penas do pavão: acaba sempre desmascarada. “Não falarei dos médiuns que se comprazem em solicitar e receber comunicações obscenas. Deixemos se deleitem na companhia dos Espíritos cínicos. Aliás, os autores das comunicações desta ordem buscam, por si mesmos, a solidão e o isolamento; porquanto só desprezo e nojo poderão causar entre os membros dos grupos filosóficos e sérios. Onde, porém, a influência moral do médium se faz realmente sentir, é quando ele substitui, pelas que lhe são pessoais, as idéias que assine: (19) 3233-5596

os Espíritos se esforçam por lhe sugerir e também quando tira da sua imaginação teorias fantásticas que, de boa-fé, julga resultarem de uma comunicação intuitiva. É de apostar-se então mil contra um que isso não passa de reflexo do próprio Espírito do médium. Dá-se mesmo o fato curioso de mover-se a mão do médium, quase mecanicamente às vezes, impelida por um Espírito secundário e zombeteiro. É essa a pedra de toque contra a qual vêm quebrar-se as imaginações ardentes, por isso que, arrebatados pelo ímpeto de suas próprias idéias, pelas lantejoulas de seus conhecimentos literários, os médiuns desconhecem o ditado modesto de um Espírito criterioso e, abandonando a presa pela sombra, o substituem por uma paráfrase empolada. Contra este escolho terrível vêm igualmente chocar-se as personalidades ambiciosas que, em falta das comunicações que os bons Espíritos lhes recusam, apresentam suas próprias obras como sendo desses Espíritos. Daí a necessidade de serem, os diretores dos grupos espíritas, dotados de fino tato, de rara sagacidade, para discernir as comunicações autênticas das que não o são e para não ferir os que se iludem a si mesmos. “Na dúvida, abstém-te, diz um dos vossos velhos provérbios. Não admitais, portanto, senão o que seja, aos vossos olhos, de manifesta evidência. Desde que uma opinião nova venha a ser expendida, por pouco que vos pareça duvidosa, fazei-a passar pelo crisol da razão e da lógica e rejeitai desassombradamente o que a razão e o bom senso reprovarem. Melhor é repelir dez verdades do que admitir uma

única falsidade, uma só teoria errônea. Efetivamente, sobre essa teoria poderíeis edificar um sistema completo, que desmoronaria ao primeiro sopro da verdade, como um monumento edificado sobre areia movediça, ao passo que, se rejeitardes hoje algumas verdades, porque não vos são demonstradas clara e logicamente, mais tarde um fato brutal, ou uma demonstração irrefutável virá afirmar-vos a sua autenticidade. “Lembrai-vos, no entanto, ó espíritas! de que, para Deus e para os bons Espíritos, só há um impossível: a injustiça e a iniqüidade. “O Espiritismo já está bastante espalhado entre os homens e já moralizou suficientemente os adeptos sinceros da sua santa doutrina, para que os Espíritos já não se vejam constrangidos a usar de maus instrumentos, de médiuns imperfeitos. Se, pois, agora, um médium, qualquer que ele seja, se tornar objeto de legítima suspeição, pelo seu proceder, pelos seus costumes, pelo seu orgulho, pela sua falta de amor e de caridade, repeli, repeli suas comunicações, porquanto aí estará uma serpente oculta entre as ervas. É esta a conclusão a que chego sobre a influência moral dos médiuns.” ERASTO

Fonte: KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Págs. 283 – 293. Feb. 2002.

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MEDIUNIDADE

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Diretrizes de Segurança

por Divaldo Franco e Raul Teixeira

54. Quais seriam as etapas a serem percorridas pelo médium na sua educação mediúnica? Raul - Segundo Allan Kardec, em: O Livro dos Médiuns, a mediunidade não deverá ser explorada antes que venha a eclodir. Dever-se-ia esperar que ela brotasse e, a partir de então, se lhe daria o devido trato. Sendo assim, embora encontremos muitos companheiros que se candidatam ao exercício da mediunidade, sem que jamais hajam sentido coisa alguma que lhes demonstre serem portadores desse grau ostensivo de mediunidade, as nossas Instituições Espíritas devem estar sempre em guarda cuidadosa, para que não inaugurem o sistema de fabricação mediúnica destituída de qualquer valor doutrinário, uma vez que há companheiros que se aproximam das Instituições Espíritas, portando

tais peculiaridades mediúnicas já em processo de desabrochamento. A Instituição orientada pela Doutrina deverá aproximá-los dos estudos doutrinários, das reuniões doutrinárias, do trabalho assistencial em favor de necessitados, daqueles labores que possam gradativamente disciplinar a criatura. Não é oportuno que ela chegue ao Centro e seja, de imediato, encaminhada à mesa de trabalhos mediúnicos, mas, sim, introduzida no campo de estudo, de conhecimento doutrinário espírita. Se a pessoa estiver com a mediunidade atormentada será encaminhada para tratamento através de

1 KARDEC, Allan. O livro dos médiuns, capítulo 16º, item 198, 53ª edição, FEB, Brasília - DF, 1986.

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MEdiunidade

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passes, explicações doutrinárias e da participação nas reuniões de estudos, para que possa, gradualmente, ir assentando essas energias revoltas, equilibrandose até que possa chegar à atividade propriamente mediúnica. Isto porque, se aproximarmos a criatura, sem nenhum conhecimento espírita da mediunidade, aquilo não lhe sendo compreensível poderá afastá-la ou perturbá-la ainda mais. Não sabendo o que ocorre consigo mesma, a pessoa, ao invés de entregar-se ao labor, procura fugir, procura criar empecilhos de maneira consciente ou inconsciente. E é exatamente por isso que, não oferecendo a mediunidade nenhum espetáculo, sendo um fenômeno natural, exigirá que o companheiro tenha, pelo menos, as primeiras noções basilares do que a Doutrina Espírita nos fala a respeito desse tentame. Por isso, aqueles que se aproximam da mediunidade deverão encontrar, nas Instituições Espíritas, a orientação para o tratamento, para o trabalho e para o estudo conforme Allan Kardec nos preceitua.

55. No desenvolvimento da faculdade em médiuns principiantes, há alguma utilidade em se lhes aplicar passes para facilitar, por exemplo, a psicofonia? Divaldo - Este exercício é, às vezes, positivo, porque o médium estando com os centros psíquicos ainda não disciplinados durante a hora da concentração, entra em conflito, por não saber distinguir as sensa-

ções e emoções suas, daquelas que ele registra e que pertencem ao espírito desencarnado. Experimenta taquicardia, há o resfriamento corporal colapso periférico, a ansiedade que são típicos da presença dos espíritos que padecem, mas que, muitas vezes são da própria expectativa. No caso da aplicação do passe objetivando ajudar, aumenta no médium a carga vibratória e isso facilita-lhe o fenômeno. Mas, por outro lado, não deve ser habitual, para não lhe criar condicionamentos. Por isto, deve-se aplicar passes só esporadicamente.

56. Em trabalhos de desenvolvimento mediúnico, com médiuns principiantes, haverá necessidade de mais de uma comunicação ou uma seria suficiente? Divaldo - Para exercitar a mediunidade, o que importa não é o número de comunicações, mas a qualidade delas. O médium deve esperar sentirse dominado pela vontade do hóspede, que o vai controlando, a fim de que consiga registrar, em plenitude, a mensagem. Este processo demora uns cinco minutos, antes do ato de falar, e perdura por uns dez a quinze minutos, depois do silêncio, quando as energias vão retornando ao estado primitivo e reequilibrando o psiquismo do médium. No caso de desenvolvimento de um médium principiante num grupo expressivo no máximo duas comunicações de sofredores.

Fonte: FRANCO, Divaldo P. TEIXEIRA, Raul J. Diretrizes de Segurança. Frater, 2002.

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CAPA


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Espíritos de Crianças por Yvonne do Amaral Pereira

“Que sucede ao Espírito de uma criança que morre pequenina? — Recomeça outra existência.” (“O Livro dos Espíritos”, Cap. 5, pergunta 199 — a).

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sorte das crianças depois da morte é um tema que interessa profundamente a qualquer adepto do Espiritismo. Nem todos, no entanto, são dedicados aos estudos de base doutrinária e, por isso, perdem-se em conjecturas e suposições freqüentemente errôneas. Tem ficado, então, o assunto do destino das crianças desencarnadas à mercê de suposições variadas, originárias, muitas vezes, de manifestações apócrifas de supostos Espíritos de crianças, manifestações que antes confundem do que esclarecem o palpitante pormenor doutrinário. A esse respeito, um amigo nosso, dedicado ao estudo e à observação da Doutrina Espírita, fez-nos as seguintes perguntas: 1. Por que Espíritos de crianças desencarnadas continuam crianças no Espaço? 2. Quais as finalidades? 3. Quais as razões para continuarem crianças? 4. Continuam crianças até a próxima encarnação ou vão desenvolvendo-se até atingirem o estado adulto?

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Vejamos: Consoante as instruções de “O Livro dos Espíritos”, questões 197, 198 e 199 e também consoante o ensino dos mentores espirituais autênticos (há também os pretensos mentores espirituais, apócrifos, mistificadores, ineptos), o Espírito da criança não é infantil, e, sim, reencarnação de Espírito que teve outras existências na Terra ou em outras plagas do infinito. Alguns, porém, são mais amadurecidos, mais desenvolvidos do que outros, segundo o grau da própria evolução espiritual, número de encarnações progressivas, volume de experiências, etc. Assim se expressam os Espíritos Instrutores consultados por Allan Kardec, em “O Livro dos Espíritos”: — Poderá ser tão adiantado quanto o de um adulto o Espírito de uma criança que morreu em tenra idade? “Algumas vezes o é muito mais, porquanto pode dar-se que muito mais já tenha vivido e adquirido maior soma de experiência, sobretudo se progrediu.”

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a) Pode então o Espírito de uma criança ser mais adiantado que o de seu pai? “Isso é muito freqüente. Não o vedes vós mesmos tão amiudadas vezes na Terra?” — Não tendo podido praticar o mal, o Espírito de uma criança que morreu em tenra idade pertence a algumas das categorias superiores? “Se não fez o mal, igualmente não fez o bem e Deus não o isenta das provas que tenha de padecer. Se for um Espírito puro, não o é pelo fato de ter animado apenas uma criança, mas porque já progredira até a pureza.” — Por que tão freqüentemente a vida se interrompe na infância? “A curta duração da vida da criança pode representar, para o Espírito que a animava, o complemento de existência precedentemente interrompida antes do

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momento em que devera terminar, e sua morte, também não raro, constitui provação ou expiação para os pais.” a) Que sucede ao Espírito de uma criança que morre pequenina? “Recomeça outra existência.”

Que sucede ao Espírito de uma criança que morre pequenina? “Recomeça outra existência.”

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Embora as gerações sejam muitas, Espírito infantil, portanto, e propriamente, poderemos observar encarnado em tribos selvagens eminentemente primitivas, de mentalidade muito atrasada, onde os instintos grosseiros da materialidade, a falta de sentimentos de humanidade, a ignorância, etc., dominam, sem mostras de aspirações superiores, pois que esses se encontram ainda bem próximos da animalidade, não possuindo nem mesmo o senso de higiene comum ao estado material. Podemos classificar nesse grupo alguns dos delinqüentes da atualidade e de todos os tempos. Espíritos criminosos, sem ideais superiores nem sentimentos de humanidade, os quais tumultuam o mundo e impedem o curso normal do progresso. São, portanto, também esses  Espíritos ainda infantis, que mal

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iniciaram a própria evolução. Nesses, vemos que, se o corpo material passa pela infância, cresce naturalmente, como qualquer outro, e atinge o estado adulto, continuando os seus Espíritos, não obstante, com os complexos da própria inferioridade mental, só a mente, só o raciocínio, só os sentimentos são infantis, ou seja, atrasados, ainda inferiores, iniciantes na escala da evolução. Compreendemos, então, que é através das sucessivas reencarnações que o Espírito se desenvolve mentalmente, dominando a materialidade em cada etapa vivida, adquirindo raciocínio peculiar ao estado terreno: critério, honradez, moral, sentimento de fraternidade universal, etc. Mas este — o estado adulto — não é, absolutamente, representado pelas dimensões físico-psíquicas da personalidade, senão pelo seu estado vibratório normal, sua capacidade moral-espiritual-intelectual de raciocínio e compreensão geral, acima especificado. Entretanto, a obra mediúnica produzida por iluminados instrutores espirituais, que revelam segredos do mundo dos Espíritos aos homens, servindo a postulados instituídos pelo próprio Cristo, essa tem revelado aspectos muito racionais do assunto, através de compêndios especificados. Dizem os instrutores espirituais, por exemplo: “Quando um Espírito é preparado para a reencarnação, seu perispírito sofre certo restringimento em suas dimensões ideais. Sabemos que ele, o perispírito, é poderosamente maleável pela mente espiritual, dirigido por ela, escravo, por assim dizer, da sua vontade. E contrátil e assine: (19) 3233-5596

expansível, isto é, pode diminuir ou aumentar o próprio volume, e tomar formas e particularidades consoantes a própria vontade ou segundo as necessidades do momento. Tratar-se- á, por assim dizer, de uma como operação físico-psíquica, acionada pelo eletromagnetismo, tão usado na vida do Além que somos conduzidos a crer seja essa força patrimônio do nosso Espírito, elemento comum à ambiência da vida no invisível. Sabemos que, senhor das próprias forças através do poder men-

Quando um Espírito é preparado para a reencarnação, seu perispírito sofre certo restringimento em suas dimensões ideais tal, patrimônio da própria natureza, pode tomar até aspectos anormais, deploráveis, por um simples ato de sua vontade, se permanecer ainda mental e moralmente inferior, e que, uma vez praticando as virtudes e saneando a mente, atingirá a formosura psíquica e, portanto, o estado espiritual adulto: brilho, fluidez, leveza, serenidade, equilí-

brio, beleza, e sabe Deus o que mais, ignorado por nossa incapacidade de suposição. Sabemos também que o perispírito até mesmo adoece, transladando para o Além as graves impressões mentais e vibratórias da enfermidade que o fez desencarnar, seja um acidente sofrido em seu envoltório carnal, seja um suicídio, etc., além dos choques morais-emocionais que tanto ferem o perispírito, e tudo isso podendo também transportar-se para a reencarnação imediata, se não se libertou de tais complexos durante o estágio no invisível, ou até mesmo deformações físicas, mormente aquelas adquiridas através do suicídio ou conservadas por estados vibratórios inferiores, pois é bom não esquecer que o perispírito é o molde pelo qual o corpo físico se modela, influenciado pela mente. Os elementos materiais fornecidos pelos pais vão-se aglomerando, molécula por molécula, nesse molde ideal, durante o período de gestação no ventre materno. Nesse período, se a mente espiritual não se libertou de complexos inferiores adquiridos durante a existência e conservados no estado de desencarnação, poderá o corpo ser modelado com alterações fora dos padrões normais do corpo humano.” Com o crescimento natural da espécie movido, principalmente, pelo perispírito, que se vai expandindo lentamente, procurando a própria dimensão, e também concorde com as forças vitais da matéria ou leis biológicas, atingem ambos, conseqüentemente, — cor-

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po carnal e perispírito —, o estado adulto que lhes é próprio. Quando, pois, um Espírito desencarna durante a infância, na grande maioria das vezes não o faz por ser essa a sua derradeira existência terrena, ou por ser essencialmente elevado, etc. A desencarnação na infância verifica-se, na maioria dos casos, por qualquer acidente material muito próprio da organização humana e das condições molestas da vida planetária, onde o ambiente é hostil sujeito às variações das provações, ou seja, local de transição, onde vemos a possibilidade de toda e qualquer provação e acidente. Esse Espírito, portanto, desencarnou prematuramente, seja porque a sua organização física ou o seu tonos vital não foi bastante capaz de resistir aos embates sofridos, seja por descuido dos próprios pais para com a sua saúde (o que é comum acontecer), ou por descuido ou desinteresse do tratamento médico. Necessariamente, esse Espírito terá de voltar e reencarnar, pois a reencarnação é agente de progresso, e ele precisa progredir; é a lei divina, e ele não atingiu o alvo previsto por ela nessa curta jornada sobre a Terra, não cumpriu a missão ou tarefa para que reencarnara. Tudo isso, porém, é previsto e dirigido por lei, e tudo indica que servidores espirituais estão à frente de tais problemas, procurando resolvê-los da melhor forma possível. Então, como o restringimento do perispírito foi realizado antes dessa encarnação malograda, não convirá que o mesmo se desfaça du-

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rante o período de espera no Além, pois a volta desse mesmo Espírito a outro corpo, far-se-á com brevidade, freqüentemente na mesma família, e até com os mesmos pais, se possível. Acresce a circunstância de que a mente espiritual possui grande poder vibratório sobre o perispírito, como ficou dito. Portanto, se um Espírito desejar ou

Portanto, se um Espírito desejar ou precisar conservar-se com aspecto de criança na vida espiritual, terá liberdade de o fazer precisar conservar-se com aspecto de criança na vida espiritual, terá liberdade de o fazer, visto que a lei divina, que tudo rege, consigna-lhe tal direito, além de que o reflexo mental sobre o perispírito poderá também conservar essa aparência infantil. Nos casos especiais, o Espírito desencarnado que não desejou continuar infantil no Além, pois que já realizou os compromissos da encarnação, anteriormente, poderá, não obstante, retornar ao estado infantil por um ato da pró-

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pria vontade, ou pelo fenômeno de regressão da memória, a fim de satisfazer os pais, já também desencarnados, de uma existência em que houvesse desencarnado prematuramente, ou a fim de se tornar visível, em sonhos ou em vigília, aos pais encarnados que assim o configuram cheios de saudades. Também poderá acontecer que de tal modo se deseje identificar à família que acabou de perdê-lo na atualidade. Outrossim, existe um noticiário de que certo Espírito comunicante, desencarnado aos dez anos de idade, cresceu de volume na vida do invisível, e, ao atingir à época em que, na Terra, completaria as

Havia motivos de distrações e brincadeiras para todos: bonecas, carrinhos, bolas, livros e até latas dezessete primaveras, seu porte era o de um jovem dessa idade. Nada vemos de impossível nesse acontecimento, uma vez que o perispírito governado pela mente, pode assumir o aspecto que desejar. Essa entidade, então, ligada ainda assine: (19) 3233-5596

às condições terrenas do tempo, manteve-se como bem o desejou, e cresceu, isto é, sua mente, sua vontade refletiu sobre seu perispírito esse mesmo desejo, e realizou o que queria, mas o que é certo é que não se trata de regra geral nem de uma lei. A lei aí é o poder mental, que pode operar todas essas formas exigidas pela vontade. Basta que conheçamos a análise espírita para compreendermos todos esses fatos, sem nos deixarmos permanecer à mercê das próprias suposições fundamentadas, muitas vezes, em ensinos apócrifos provindos de manifestações mediúnicas inteiramente suspeitas. Vale lembrar aqui que, certa vez em que fui arrebatada em Espírito pelos Instrutores espirituais, visitando o mundo invisível imediato à Terra, tive ocasião de ver um ambiente como que hospitalar, um recolhimento transitório, onde Espíritos de crianças desencarnadas prematuramente aguardavam nova encarnação. Mantinham o aspecto espiritual da idade em que haviam desencarnado. Existia no agrupamento uma espécie de seleção de sexo. Alguns conser vavam ainda impressões da enfermidade que vitimara seus pequeninos corpos carnais, e arrastariam tais tendências para o novo corpo; outros se mantinham despreocupados, distraídos, alegrezinhos, e nenhum demonstrava sofrimento. Havia motivos de distrações e brincadeiras para todos: bonecas, carrinhos, bolas, livros e até latas, onde meninos pequeninos batiam com pequenos bastões, à guisa de

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tambores. Eram as reminiscências das brincadeiras que fizeram quando encarnados. O local era ameno e protetor, muito iluminado, sem ser superior, todos eram tratados com zelo e devotado amor por ilustres damas espirituais, que se diriam governantas maternais (guias espirituais femininos), de alto nível moral. Uma gentil menina, aparentando quatro a cinco anos de idade, tinha o pescoço agasalhado por uma gargantilha de penas, e tossia, às vezes, com insistência. Explicava, então, que desencarnara de uma angina aguda, e que as reminiscências desse mal acompanhá-la-iam na reencarnação próxima, afligindo-a nos primeiros anos de existência. Outra menina, de cor preta, muito elegantezinha e espevitada, dizia que tivera um ataque de vermes, e por isso desencarnara. Um menino, regulando um a dois anos de idade, e que batia numa lata com um bastãozinho, distribuía beijinhos, e até eu mesma fui agraciada com essa honra, sentindo em meus lábios espirituais a umidade dos lábios dele. E todas essas gentis entidades revelavam inteligência e muita lucidez. Fui informada, por uma daquelas damas espirituais que patrocinavam a instituição, que, dali, aquelas entidadezinhas voltariam à reencarnação, sem atingirem propriamente a espiritualidade; que muitas delas poderiam carregar, para o novo corpo físico, complexos mentais e vibratórios da enfermidade que as fizera desencarnar anteriormente, segundo o grau de depressão das vibrações que lhes ca-

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racterizara anteriormente, segundo o grau de depressão das vibrações que lhes fossem próprias, ou do estado mental pouco evoluído para superar as incômodas impressões; que nem todas as crianças falecidas são Espíritos adiantados que viveram a última existência terrena, e

Esses Espíritos porém, são adultos. As circunstâncias temporárias é que os levam a se conservarem infantis que esse fato é até muito raro; que, comumente, elas desencarnaram devido a insuficiência orgânica, falta de assistência médica adequada, acidentes de várias naturezas, etc.; e que, mais freqüentemente, vieram completar o tempo de existência prematuramente interrompida na encarnação anterior, por um suicídio, um acidente não previsto por lei, e muito próprio de planetas como a Terra, etc.; enfim, por vários fatores que o homem ainda não compreendeu. Disse-me ainda, a dama espiritual, que, muitas vezes, o que acontece é que a morte de uma criança demarca o final de um ciclo de

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encarnações terrenas punitivas, ou expiatórias, e que, de ali em diante, reencarnarão, sim, mas com lúcidos desejos e predispostos ao bem, a fim de continuarem progredindo não mais através de provações, mas de realizações beneméritas no vasto campo da moral, da justiça, da ciência, do amor, etc. Esclareceram, as dignas preceptoras espirituais, que aquela ambientação do mundo invisível é subdividida em falanges nacionais, próprias de cada país, e que é a isso que os antigos devotos religiosos denominavam “limbo”, local indefinido, segundo a crença deles, onde permanecem almas infantis que não haviam recebido o batis-

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mo quando existindo na Terra. A verdade espiritual era então deturpada: tais Espíritos ficam, com efeito, separados dos demais libertos, não atingem a espiritualidade propriamente dita, mas não é pelo fato de terem deixado de ser batizados nesta ou naquela religião que assim permanecem, e sim porque seus perispíritos já estão preparados para a reencarnação; voltarão com presteza à vida terrena, e por isso não foram desambientados das condições humanas que, ainda ontem, experimentaram. São esses Espíritos, pois, que possivelmente se comunicam em nossas sessões experimentais, ou são percebidos, pela vidência, com

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aparência infantil, e que se mostram, freqüentemente, tais como eram ao desencarnar, assim consolando fortemente os pais atingidos no coração por sua ausência carnal. Esses Espíritos porém, são adultos. As circunstâncias temporárias é que os levam a se conservarem infantis. Já André Luiz, em uma de suas elucidativas obras, esclarece que, durante esse período de espera, os Espíritos das crianças são visitados por suas mães, no Além, durante o sono corporal das mesmas, pois continuam ligados a elas e, certamente, muitos deles voltarão a ser seus filhos, se as condições físicomateriais das mesmas suportarem nova maternidade. E é sabido, sim, que um Espírito que desencarnou no período infantil insistirá em reencarnar com os mesmos pais, só deixando de o fazer se existir má vontade dos genitores em recebê-lo ou desleixo pela saúde de ambos, o que dificultará, ou mesmo impedirá, a reencarnação do Espírito, muitas vezes pranteado no antigo meio afim. O grande Léon Denis, assim como o não menos grande Bezerra de Menezes, têm afirmado que a mortandade infantil na Terra constitui problema também para o mundo espiritual. Deduzimos, porém, que no momento atual da sociedade terrena, com a ampliação da assistência médica à mulher gestante e à infância, o problema em pauta será suavizado. De qualquer forma, a morte, para a lei divina, não representa a calamidade que para nós outros

constitui. Se o indivíduo morreu prematuramente, seja criança ou adulto, voltará a corpo novo para recomeçar a própria evolução e cumprir os compromissos necessários à sua honra espiritual, compromissos que a desencarnação prematura o impediu de solver. Que aprendamos a compreender os temas espíritas dos livros de análise doutrinária, prestando ainda toda a atenção aos trechos analíticos constantes dos demais livros, porquanto a incerteza sobre certos pontos da Doutrina, é conseqüente da falta de estudo analítico da mesma. E tudo isso a fim de adquirirmos esclarecimentos de todas essas particularidades e sutilezas da Lei de Deus. A bibliografia espírita é ampla e fecunda, e as revelações do Além há um século ilustram, sem cessar, os conhecimentos já adquiridos com novos conhecimentos indispensáveis ao nosso progresso geral. Será necessário, no entanto, que estudemos os compêndios espíritas clássicos, não que os leiamos como se lêssemos jornais, nem limitemos a nossa instrução doutrinária à leitura de mensagens psicografadas ou de um ou dois livros espíritas apenas, acostumando-nos a temer o raciocínio.

Fonte: PEREIRA, Yvonne A. Cânticos do Coração. Págs. 5 - 18. Edições CELD. 1994.

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ensinamento

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Simão: fraqueza e força por Amélia Rodrigues / Divaldo Franco

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simples evocação mental do Mestre produz sentimentos de ternura e amor, que mimetizam o ser, dulcificando a vida. Causa espécie recordar que a Sua convivência plenificasse de imediato os que O cercavam, fazendo-os convencidos, para logo depois os mesmos tombarem nos tormentosos conflitos de dúvidas; felizes, dando lugar a inquietações afligentes; devotados, ao mesmo tempo receosos... A infância espiritual do homem atém-no, ainda hoje, aos condicionamentos primeiros do instinto em detrimento das lucilações espirituais que o impelem na direção de Altos Cimos. O entusiasmo que empolgava os discípulos após cada ação do mestre produzindo inusitadas curas nos enfermos, ou decorrente da Sua palavra fulgurante que embaraçava os astutos famanazes dos interesses mesquinhos, que abria horizontes infinitos de invulgar beleza, ou a doçura que dEle se exteriorizava, cedia lugar ao fácil abatimento, às angustias e aos temores difíceis de explicados... Não era fácil para eles abandonarem os quefazeres habituais a fim de se integrarem na empresa do Reino dos Céus. No entanto, eram Espíritos convocados à luta

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árdua, de modo a cooperarem com o Senhor na obra de construção do Mundo Melhor. Todas as vacilações de que davam provas humanas, reiteradas vezes, ao lado do Mestre, transformaram-nas em inteireza moral e vigor de fé que os levariam aos supremos testemunhos. Jesus, que os conhecia em profundidade, confiava na sua abnegada dedicação no momento próprio, e porque se apresentavam dúbios ou falhos, discutidores ou tímidos, não os amava menos, antes vitalizava-os com a Sua coragem, a fim de evitar que desfalecessem no instante máximo. O importante não era vencer

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Não há exceção no processo evolutivo, passando todos os Espíritos pelo mesmo cadinho transformador todas as pequenas batalhas, mas aquela decisiva, que definiria os rumos do Evangelho.

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ensinamento

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Fazia-se imperioso que não passassem imunes, nem intactos, porém que carregassem as feridas e marcas dos sofrimentos adquiridos no afã das lutas. Num daqueles momentos máximos de definição, preparando-os para os superlativos confrontos com as paixões dissolventes do mundo, o Rabi advertiu e informou Pedro, com a autoridade que Lhe era peculiar: — Simão, Simão, eis que Satanás obteve permissão para vos joeirar como o trigo. Não havia espanto na voz, nem insegurança na palavra. Ninguém atinge as plataformas dos cimos sem a vitória sobre as anfractuosidades das escarpas, nem a lenta conquista dos impedimentos à subida. Moldam-se os metais nas altas temperaturas que os depuram e os aprimoram. A fornalha e a forja sãolhes benfeitoras ignoradas. Não há exceção no processo evolutivo, passando todos os Espíritos pelo mesmo cadinho transformador. Aquela advertência é lição que define a lei de igualdade a que estão submetidas todas as criaturas, enquanto na Terra. O homem fortalece o ânimo diante da aspereza do compromisso e identifica-se o ideal pela firmeza com que o mesmo é vivido enquanto o apresenta. Dando prosseguimento à oportuna informação, o Divino Amigo aduziu: — Mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça... Na jornada do progresso espiritual, todos aqueles que marcham na assine: (19) 3233-5596

retaguarda possuem anjos tutelares à frente. São eles a estrela polar de todas as vidas brilhando e convidando à permanência no rumo. Retardam-se para socorrer e sofrem por amar. Intercedem junto aos Supremos Governantes em favor dos seus afetos. Constituem o estímulo constante e o forte ímã que os atrai na direção correta. Porque identificava a natureza humana fraca do apóstolo querido, Jesus permitiu que ele fosse visitado pela tentação, lecionando humildade e submissão a todos os estudiosos da Boa Nova, no futuro, porém intercedeu junto ao Pai, de modo que a dor, a visitar o coração do amigo, não lhe queimasse o combustível das forças permitindolhe perecer a fé. Permanecia, o Senhor, vigilante, apoiando o discípulo, por enquanto sem a plena visão da realidade da vida espiritual. Destinava-lhe responsabilidades específicas nas horas futuras de grande importância, para que ele balizasse as fronteiras das almas na larga convivência que lhe seria permitida com os homens. E por isto, concluiu o ensinamento com um dúlcido e significativo pedido: — E tu, uma vez arrependido, fortalece teus irmãos. A trágica lição deveria converter-se numa sinfonia emoldurando de esperanças e belezas todas as vidas. Somente aqueles que palmilham as estradas do sofrimento possuem

resistência para a dor e autoridade para o ensino da verdade. Quem percorre uma estrada pode melhor falar dela, porque a conhece, sabendo que o caminho é impérvio e quais os perigos a defrontar. Com o espinho do arrependimento cravado na mente, a doer no coração, o discípulo se deixaria agora joeirar pelo sacrifício e se tornaria uma bandeira desfraldada, simbolizando a coragem que deveria infundir nos irmãos que lastreariam os solos das outras vidas com o martírio de si mesmos. Sem as suas doações plenas o futuro teria olvidado o holocausto do Justo. Simão protestou, porém, fidelidade ao Senhor. Apesar disso, titubeou e caiu, não uma vez, mas, três vezes... Todavia, teve a coragem de levantar-se sob os açoites vigorosos do arrependimento, diariamente trucidado pela lembrança amarga da ingratidão para com o Amigo. Joeirando-se, entretanto, na fé augusta e no sacrifício, sustentou os irmãos com todas as forças da alma, evitando dissensões com a sua humildade e autoridade, infundindo ânimo até o momento em que, integrado ao espírito do Cristo, deixou-se arrastar à rude crucificação, da qual se ergueu em asas de luz, símbolo que se fez da fraqueza momentânea e da resistência veraz diante de toda e qualquer tentação. Fonte: FRANCO, Divaldo. Há Flores no Caminho. Págs. 103 – 107. Livraria Espírita Alvorada Editora. 1982.

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esclarecimento

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Virei Médium! E Agora? por Cícero Aguiar Chagas - Fortaleza/CE

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mediunidade é uma faculdade humana, isto é, própria do homem e já nasce com a pessoa. Por isso, ninguém vira médium. Ou a pessoa é ou não portadora dessa capacidade que permite sentir e transmitir a influência dos espíritos desencarnados. Sendo uma capacidade ela se apresenta em toda parte independente do aspecto moral, idade, sexo, etnia ou religião. Encontramos médiuns entre as mais diversas religiões. Entretanto, o Espiritismo, doutrina codificada por Allan Kardec, é a religião que melhor estudou as potencialidades do ser e apresenta métodos adequados para o cultivo e prática das habilidades espirituais do homem. Sob esse aspecto não é a mediunidade que se desenvolve é o médium quem aprende a administrar suas potencialidades. No dizer de Allan Kardec em O livro dos Médiuns, item 159: Todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por esse fato, médium. Essa faculdade é inerente ao homem; não constitui, portanto, um privilégio exclusivo. Por isso mesmo, raras são as pessoas que dela

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não possuam alguns rudimentos. Pode, pois, dizer-se que todos são, mais ou menos, médiuns. Todavia, usualmente, assim só se qualificam aqueles em quem a faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade, o que

O médium é uma pessoa normal com direito a erros e acertos. Alguém que deve, como todo cristão, esforçarse por bem proceder, sem misticismo ou falsa santidade então depende de uma organização mais ou menos sensitiva. É de notar-se, além disso, que essa faculdade não se

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revela, da mesma maneira, em todos. Geralmente, os médiuns têm uma aptidão especial para os fenômenos desta ou daquela ordem, donde resulta que formam tantas variedades quantas são as espécies de manifestações. A mediunidade não é castigo, nem favor divino, é recurso de trabalho e progresso para os seres humanos. Sendo portador dessa capacidade, o médium deverá cuidar para ter uma vida moral sadia. Se a eclosão da mediunidade nada tem a ver com a moral o mesmo não se dá com seu exercício. Se desejamos o convívio com as entidades superiores teremos de estar em sintonia com esses espíritos. Calma! Ninguém está sugerindo que você fique orando o dia inteiro. O médium é uma pessoa normal com direito a erros e acertos. Alguém que deve, como todo cristão, esforçar-se por bem proceder, sem misticismo ou falsa santidade. Caso você perceba que possui certa sensibilidade espiritual, procure uma Casa Espírita séria, em que haja estudos das obras de Allan Kardec. Dedique-se com equilíbrio às informações da ciência espírita, com uma vida reta, digna a serviço da fraternidade. assine: (19) 3233-5596


esclarecimento

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A Parábola do Tesouro e a Parábola da Pérola por Therezinha Oliveira

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êm, a seguir, duas parábolas, respectivamente a quinta e a sexta da série em que Jesus ensina existirem, no campo do “eu”, em nossa realidade espiritual, valores sublimes que ainda desconhecemos.

A Parábola do Tesouro O reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido no campo; um homem o acha e torna a esconder e, na sua alegria, vai, vende tudo o que possui e compra aquele campo.

A Parábola da Pérola O reino dos céus é ainda semelhante a um negociante que anda em busca de pérolas finas. Ao achar uma pérola de grande valor, vai, vende tudo o que possui e a compra. Como é gratificante descobrir um tesouro. Que alegria possuí-lo! E antes nem sabíamos que existia, que estava lá... Assim é nossa vida espiritual: extremamente

bela, verdadeira, de um valor imenso, superior a tudo que conhecemos, mas dela não nos dávamos conta, estava em oculto. Descobrir esse “reino dos céus”, que embora invisível está dentro de nós mesmos, é tão gratificante quanto achar um tesouro. Sentimo-nos imensamente ricos, ficamos entusiasmados! Alguns são surpreendidos pelo achado (como o homem que deparou com o tesouro), outros, já o estavam buscando (como o mercador que estava à procura de pérolas finas). Em qualquer caso, se percebemos sua existência e entendemos o seu valor, não é lógico que nos desfaçamos de tudo o mais para adquiri-lo? É assim que quem descobre a vida espiritual, passa a dar importância menor à matéria e maior ao espírito, para conquistar a plenitude do seu “eu” interior, de sua essência imortal.

Fonte: OLIVEIRA, Therezinha. Parábolas que Jesus Contou e Valem para Sempre. Págs. 30 – 32. Editora Allan Kardec. 2003.

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com todas as letras

FidelidadESPÍRITA |Fevereiro 2009

Saiba usar a família de Ver e a de Vir por Eduardo Martins

N

ão são apenas os derivados do verbo ter que causam usualmente muitas dúvidas, mas o mesmo sucede com aqueles formados por ver e vir. E, o que é pior, com freqüência se trocam as formas de um pelas do outro. Como ver é o que causa maiores problemas, repare neste exemplo: Se você “ver” algum erro nesta frase, aponte-o. O erro é exatamente o que está entre aspas. No futuro do subjuntivo, o verbo ver converte-se em vir. Portanto: Se você vir algum erro nesta frase, aponte-o. Proceda da mesma forma com rever, prever, antever, entrever, etc.: se eu revir; se ele previr; se nós antevirmos, se eles entrevirem. Nos demais tempos, o procedimento é o mesmo: se eles revissem (e não “revessem”), se eles entrevissem (e não “entrevessem”), eles previram (e não “preveram”), ele entrevira (e não “entrevera”), ele reviu (e não “reveu”), etc. Outro verbo que serve de base a numerosa família é vir. Como ele se conjugam convir, advir, intervir, provir, sobrevir, etc. Se o certo é quando ou se ele vier, da mesma forma você deve escrever: se convier; quando ele intervier (e não quando ele “intervir”), se provier; etc. Igualmente: se sobreviesse, se interviesse (e nunca “intervisse”), se proviéssemos, se adviessem, como viesse, viéssemos, viessem. Veja outras formas (e atente especialmente para o uso do verbo intervir): conveio, interveio (e nunca “interviu”, que é um erro muito comum e muito grave), proviemos, sobreviera, advirá, conviríamos, provim, intervim (e nunca “intervi”), interviemos (e nunca “intervimos”,

no passado), sobreveio, intervinha (e nunca “intervia”), etc. Da mesma maneira, como o particípio de vir é vindo (ele tinha vindo), repare nas formas corretas: ele tinha intervindo (e nunca tinha “intervido”), a catástrofe tinha sobrevindo (e nunca “sobrevido”), etc.

Distinga um do outro No subjuntivo, o verbo ver muda o e em i: se eu visse, visses, visse, víssemos, vísseis, vissem; se eu vir, vires, vir, virmos, virdes, virem. No verbo vir, você deve acrescentar um e a essas pessoas: se eu viesse, viesses, viesse, viéssemos, viésseis, viessem; se eu vier, vieres, vier, viermos, vierdes, vierem. Portanto, de ver, derivam: se eu revisse, se eles previssem, se eu entrevir; se eles antevirem. De vir: se eu sobreviesse, se eles proviessem, se eu intervier, quando eles advierem. Veja como as formas são diferentes. Basta prestar atenção para não confundir umas com as outras.

Fonte: MARTINS, Eduardo. Com Todas as Letras. Pág. 95. Editora Moderna. São Paulo/SP, 1999.

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Saber como convém “E se alguém cuida saber alguma coisa, ainda não sabe como convém saber.” — Paulo. (I Coríntios, 8:2.)

A civilização sempre cuida saber excessivamente, mas, em tempo algum, soube como convém saber. É por isto que, ainda agora, o avião bombardeia, o rádio transmite a mentira e a morte, e o combustível alimenta maquinaria de agressão. Assim também, na esfera individual, o homem apenas cogita saber, esquecendo que é indispensável saber como convém. Em nossas atividades evangélicas, toda a atenção é necessária ao êxito na tarefa que nos foi cometida. Aprendizes do Evangelho existem que pretendem guardar toda a revelação do Céu, para impô-la aos vizinhos; que se presumem de posse da humildade, para tiranizarem os outros; que se declaram pacientes, irritando a quem os ouve; que se afirmam crentes, confundindo a fé alheia; que exibem títulos de benemerência, olvidando comezinhas obrigações domésticas. Esses amigos, principalmente, são daqueles que cuidam saber sem saberem de fato. Os que conhecem espiritualmente as situações ajudam sem ofender, melhoram sem ferir, esclarecem sem perturbar. Sabem como convém saber e aprenderam a ser úteis. Usam o silêncio e a palavra, localizam o bem e o mal, identificam a sombra e a luz e distribuem com todos os dons do Cristo. Informam-se quanto à Fonte da Eterna Sabedoria e ligam-se a ela como lâmpadas perfeitas ao centro da força. Fracassos e triunfos, no plano das formas temporárias, não lhes modificam as energias. Esses sabem porque sabem e utilizam os próprios conhecimentos como convém saber.

Emmanuel - Chico Xavier Vinha de Luz


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“Nosso Lar”

Ônibus: Vila Marieta nr. 348

R. Prof. Luís Silvério, 120 Vl. Marieta - Campinas/SP

* Ponto da Benjamim Constant em frente à biblioteca municipal.

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- Uma aula por semana - Aulas apostiladas e dinâmicas - Exibição de filmes (em telão) alusivos aos temas

O Centro de Estudos Espíritas “Nosso Lar” convida você e sua família para estudar o Espiritismo. Venha conhecer a Filosofia, a Ciência e a Religião Espíritas.

- Auditório com ar condicionado, som e imagem digitais - Estacionamento e segurança no local - Material didático (opcional) - Aulas em datashow

ATIVIDADES PARA 2009

CURSOS GRATUITOS

Cursos Dias Horários Início 1º Ano: Curso de Iniciação ao Espiritismo com aulas e projeção de filmes (em telão) alusivos aos temas. Duração 1 ano com uma aula por semana. 2ª Feira 20h00 - 21h30 09/02/2009

Aberto ao Público: Necessário Inscrição: 3386-9019 / 3233-5596

1º Ano: Curso de Iniciação ao Espiritismo com aulas e projeção de filmes (em telão) alusivos aos temas. Duração 1 ano com uma aula por semana.

14/02/2009

Aberto ao Público: Necessário Inscrição: 3386-9019 / 3233-5596

Aberto ao Público: Necessário Inscrição: 3386-9019 / 3233-5596

1º Ano: Curso de Iniciação ao Espiritismo com aulas e projeção de filmes (em telão) alusivos aos temas. Duração 1 ano com uma aula por semana.

sábado

14h00 - 15h00

domingo

10h00 - 11h00

15/02/2009

3ª Feira

20h00 - 22h00

03/02/2009 Restrito

2º Ano Sábado

16h00 – 18h00

07/02/2009 Restrito

2º Ano Domingo

09h00 – 11h00

01/02/2009 Restrito

3º Ano

4ª Feira

20h00 - 22h00

04/02/2009 Restrito

3º Ano Sábado

16h00 – 18h00

07/02/2009 Restrito

Evangelização da Infância Sábado

14h00 – 15h00 Fev / Nov Aberto ao público

Evangelização da Infância Sábado

16h00 – 18h00 Fev / Nov Aberto ao público

Evangelização da Infância Domingo

10h00 – 11h00 Fev / Nov Aberto ao público

Mocidade Espírita Domingo

10h00 – 11h00

2º Ano

Atendimento ao público

Assistência Espiritual: Passes

2ª Feira

20h00 - 20h40

ininterrupto Aberto ao público ininterrupto Aberto ao Público

Assistência Espiritual: Passes

4ª Feira

14h00 - 14h40

ininterrupto Aberto ao Público

Assistência Espiritual: Passes

5ª Feira

20h00 - 20h40

ininterrupto Aberto ao Público

Assistência Espiritual: Passes Domingo

09h00 - 09h40

ininterrupto Aberto ao Público

Palestras Públicas Domingo

10h00 - 11h00

ininterrupto Aberto ao Público

revista_fevereiro2009  
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