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ASILO

FLORIANÓPOLIS Nº0

IRMÃO JOAQUIM

JULHO 2017

115 ANOS DE AMOR AO PRÓXIMO

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Jornal ASILO Irmão Joaquim Julho 2017

EDITORIAL UM ATO DE HUMANIDADE Nereu do Vale Pereira A Cidade do Desterro desde a Vila de Nossa Senhora do Desterro, ao final do século XIX, estava se transfigurando com o nome de Florianópolis, numa homenagem ao então Presidente da República Marechal Floriano Peixoto que, para abafar o movimento Federalista (1893/1894), mandara fuzilar na Fortaleza da Santa Cruz, edificada no Ilhote de Anhatomirim, cerca de duas centenas de líderes desterrense adeptos das teses de melhor distribuição dos recursos públicos para os Estados e Municípios (o que se reclama ainda neste século XXI). Eram personalidades das mais expressivas tanto na política como na intelectualidade e na religiosidade católica de então. Para marcar a passagem do século XIX para o século XX toda a humanidade nutria a implantação de novas políticas sociais para a modernização e o desenvolvimento das cidades. Não era diferente na provinciana cidade de Florianópolis que possuía, no seu centro urbano, pouco mais de vinte mil habitantes. Dentre os temas que mais preocupavam as lideranças e os

governantes locais era a situação desumana com o estado degradante de pedintes e mendigos a perambularem pelas ruas, dormindo sob marquises e árvores, ao relento sob as chuvas e inteiramente dependentes das escassas esmolas coletadas, especialmente junto ao Mercado Público, nas ruas e praças centrais e nas portas das Igrejas, principalmente na Catedral central dedicada a Nossa Senhora do Desterro. Alguns desses homens de visão e movidos pela misericórdia divina tomaram a iniciativa de se reunirem em junho de 1902, tendo por pauta a organização de um sistema de proteção a esses homens e mulheres abandonados pelas ruas, diante de um miséria comovente e muitos arqueados pela idade avançada com a velhice a lhes corroer os nossos corações e as almas imensamente tristes e desvalidas. Foi nessa centenária reunião que tomaram a decisão de constituir uma Associação que tivesse por primordial objetivo, a proteção e amparo aos

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mendigos desterrenses que vagavam pelas ruas sem teto, sem cama e sem comida. Essa associação recebeu o nome de ASSOCIAÇÃO IRMÃO JOAQUIM que, pelo estatuto promulgado, teria a meta de estruturar um albergue que acolhesse os mendicantes de rua e fazer nascer um asilo para abrigá-los e que seria denominado de Asilo de Mendicidade Irmão Joaquim.

Vida

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ASSOCIAÇÃO VOLUNTÁRIA ATUA HÁ 35 ANOS NO ASILO

Terça-feira é dia de velhos conhecidos vestir o colete para visitar o Asilo Irmão Joaquim. É a Associação Grupo de Voluntários Irmão Joaquim, que há 35 anos realiza trabalho voluntário de forma animada e descontraída para os residentes. Na primeira terça-feira do mês é dia de música. Com uma pasta repleta de músicas, os idosos assistem e cantam junto um repertório recheado de melodias que animam. Para o seu Luiz Carlos Souza, um dos asilados, é o melhor dia do mês. Enquanto uns cantam, lá está ele, sentado no sofá dando ritmo às músicas com o instrumento que ele adquiriu e aprendeu a tocar depois que chegou na entidade, o triângulo. Com 83 anos, ele conta que todos elogiam a forma como ele toca. “Eu não sabia tocar isso aqui, aí pedi pra comprar um triângulo para mim, agora todo mundo diz que eu toco bem, sempre me elogiam. Mas tenho um segredo pra tocar bem assim como eu, tem que pegar em cima do instrumento”, sorrindo, contou seu Luiz. Na segunda terça-feira do mês é dia de bingo de frutas. Os voluntários trazem frutas e fazem o bingo entre os idosos. É a oportunidade de ver quem está com sorte e ganha mais frutas. Já na terceira terça-feira os idosos pintam desenhos com o auxílio das voluntárias. Sempre com um tema diferente, é a oportunidade deles mostrar o talento que cada um possui. E na última terça-feira é dia de lanche para comemorar mais um ano de vida de quem estava de aniversário no mês. Em junho a programação foi mais que especial para eles, já que é mês de festa junina. Com diversas guloseimas, os idosos tiveram uma tarde um pouco diferente, com danças juninas, comidas típicas da festa, apresentações e muita alegria. Para as voluntárias a alegria em poder compartilhar energia positiva e atividade diferente para dentro do asilo e impagável e compensador. Dona Zenilde Koerich Azambuja está no grupo desde 1998 e atualmente é a tesoureira. Ela relata que é prazeroso passar as tardes de terça-feira com os idosos. “Só alegria, só alegria! A alegria deles em nos receber e a participação é gratificante. Se tem alguém triste a gente traz aqui pra sala pra cantar, pra bater palmas”, diz Zenilde. A presidente da Associação, Dona Maria Ligia Amorim, está desde 1998 no junto a entidade realizando trabalho voluntário. Ela conta que não perde uma terça-feira e que sai renovada do asilo. “É bom demais vir aqui, tentamos transmitir energia positiva para as pessoas que ficam abrigadas aqui. Não perco um dia”, conta Ligia.


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ASILO IRMÃO JOAQUIM COMPLETA 115 ANOS A Associação Irmão Joaquim é uma instituição centenária. Constituída para cuidar dos pedintes que circulavam em Florianópolis e moravam sob pontes ou no interior de casas em ruínas, a entidade tratou logo no início de promover a construção do " A s y l o d e Mendicidade Irmão Joaquim", na então rua José Veiga, atual avenida Mauro Ramos, inaugurado em duas etapas, em 1910 e 1911. A construção fazia parte de um processo de modernização e higienização que a cidade viveu nas duas primeiras décadas do século 20, época em que a água potável foi encanada e construídas as redes de esgoto e de energia elétrica. Durante esse período a população ganhava também a comodidade do transporte coletivo, com bondinhos sobre trilhos puxados por burro. Havia duas linhas. Uma delas passava justamente em frente ao asilo e fazia o percurso Agronômica, rua Mauro Ramos, General Bittencourt e rua Fernando Machado. A segunda linha compreendia o trajeto da rua Trompowski, região do morro do Céu (Beiramar Shopping) e Bocaiúva. A área onde estava sendo construído o asilo já era uma região nobre da cidade.

A associação foi criada por católicos da Catedral Metropolitana e por maçons. A pobreza extrema era observada principalmente em mulatos, mas existiam também brancos em situação de miséria. Segundo o professor Nereu do Vale Pereira, autor de títulos relacionados à história da cidade e que finaliza o livro "Associação Irmão Joaquim 100 Anos de Amor ao Próximo", a ser publicado no centenário da entidade, a imprensa da época era caudalosa no registro de "maltrapilhos, famintos, ulcerados e aleijões", que habitavam o submundo da cidade. A cena era observada principalmente no jornal "O Estado", que "narrava episódios dantescos de gente jogada em porões e sob pontes", acrescenta Nereu. Uma das pontes ficava sobre o rio da Bulha, atualmente denominado canal da avenida

Hercílio Luz. Entre 1902 e 1910, antes do término da construção do asilo, o informativo "A Fé Orgam da Associação Irmão Joaquim - Protectora dos Necessitados", cadastrava pobres e lhes fornecia semanalmente dinheiro, pão e carne na sede da entidade, localizada na rua João Pinto. A primeira etapa do asilo,

inaugurada em 1910, tinha capacidade para 20 internos, e abrigava somente homens. A conclusão da ala esquerda do prédio, em 1911, abrigava 20 mulheres.


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SOMOS MAIS IMPORTANTES DO QUE PARECEMOS

Não é fácil envelhecer graciosamente. É preciso assegurar-se da nova carne, nova pele, de novos sulcos, de novos nos. É preciso deixá-la ir embora, a juventude, sem mortificá em uma nova idade, que não lhe pertence, é necessário fazer as pazes com a respiração mais curto, com a lentidão da posta em sexto após os farra, com as articulações, com as artérias, com o cabelo Brancos, de repente, que tomam o lugar dos grilos na cabeça. É preciso fazer novos e amarem-se em uma nova era, se reinventar,

continuar a ser curiosos, rir e escovado os dentes para os fazer brilhar como minúsculas cargas de pólvora. É preciso cultivar a ironia, lembre-se de errar o caminho, escolher com cuidado os outros humanos, afastar-se do si, voltar, cantar, amaldiçoar os gurus, criticar os medrosos, ficar nus com orgulho. Envelhecer como se fosse vinho, cheirar e fazer desfrutar o paladar, sem habituar aos bocejos. Temos que andar em linha reta, saber levar as cadeias, falar em outras línguas, detestarsi com moderação. Não é fácil envelhecer,

Os cerca de 40 idosos do asilo Irmão Joaquim

se alterar gradativamente e perderemos estatura,lábios e cabelos. A boa notícia é que a alma pode permanecer com o humor dos dez, o viço dos vinte e o erotismo dos trinta anos. Erótica é a alma que se diverte, que se perdoa, que ri de si mesma e faz as pazes com sua história. Erótica é a alma que aceita a passagem do tempo com leveza e conserva o bom humor

Querendo ou não, iremos todos envelhecer. As pernas irão pesar, a coluna doer, o colesterol aumentar. A imagem no espelho irá

apesar dos vincos em torno dos olhos e o código de barras acima dos lábios; erótica é a alma que não esconde seus defeitos, que não se culpa pela passagem do tempo. Erótica é a alma que aceita suas dores, atravessa seu deserto e ama sem pudores... QUE TODOS OS IDOSOS SEJAM SEMPRE MUITO FELIZES!


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Com sorriso no rosto e muita energia que as irmãs Dagmar Espíndola Lisboa e Daurina Eliete Espindola Cruz recebem as clientes do brechó do Asilo Irmão Joaquim. Localizado na lateral do prédio do Hospital Dr. Carlos Corrêa, o brechó é alimentado por doações de roupas, calçados e jóias. O valor das peças varia entre R$ 1 e R$ 40. Por causa das diversas peças que eram doadas para o asilo e não eram usadas pelos asilados, em 2009 a administração criou o bazar e brechó do Asilo Irmão Joaquim.

BRECHÓ É UMA DAS FONTES DE CAPTAÇÃO DO IRMÃO JOAQUIM

Dos quase oito anos de brechó, Dagmar trabalha nele há seis anos. Ela conta que veio num momento difícil da vida e virou rotina. “É como ir pra igreja, preciso estar toda semana aqui. A gente cria amizade com as clientes e colabora com a instituição, me sinto melhor quando tô aqui”, comentou Dagmar. Daurina veio um pouco mais tarde, há quatro anos. A artesã não vê a hora de chegar na quinta-feira e ir para o brechó. “O ambiente é bom e eu precisava fazer alguma coisa pra me sentir melhor, foi aí que a Dagmar comentou da necessidade de um voluntário no brechó e eu vim. O fato de estar se doando para a causa ajuda muito na auto-estima”, falou Daurina. Outra pessoa que não falha uma quinta-feira é a dona Norma Trindade. Ela é cliente e sempre está no brechó dobrando roupa e doando seu trabalho para a instituição. Ela vêm de ônibus dos Ingleses e diz que não tem nada melhor do que poder ajudar o próximo, “venho aqui há mais de 10 anos, não falho uma quinta-feira, preciso estar aqui sempre”, destacou Norma. Há três anos que a dona Socorro Ferreira Costa conhece brechó. Desde lá virou cliente assídua. Sempre que pode visita o brechó para ver as novidades. Para ela, as

melhores roupas estão no brechó “sempre tem coisas boas, com marca boa. Além de me beneficiar, ajudo a instituição”, disse Socorro. Ao chegar na instituição as peças são selecionadas e muitas delas acabam sendo utilizadas pelos residentes. O que não é escolhido para eles é encaminhado para o brechó, que faz a seleção do que pode ser vendido. O que não é possível aproveitar, é doado para fazer estopa. Atualmente o brechó funciona terça-feira e quinta-feira, das 14h às 17h.


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CAPELA SIMBOLIZA RELIGIOSIDADE DO ASILO IRMÃO JOAQUIM

Pequena, rustica e com traços exclusivos, está situada ao lado do Asilo Irmão Joaquim a Capela São Joaquim. Inaugurada em 1952, a Capela já existia muito antes, logo que começou a funcionar o asilo, em 1917, quando as Irmãs da Divina Providência vieram administrar o Asilo. O local era simples, uma pequena sala, onde todos os dias às seis horas da manhã tinha uma missa com a presença das três Irmãs, dos asilados e também de alguns vizinhos que frequentavam o local. As atividades no Asilo foram aumentando e a necessidade de uma nova Capela que abrigasse mais gente também. Por isso, em 27 de agosto de 1952, foi inaugurada a Capela São Joaquim, que além de atender o Asilo, passou a atender também a comunidade em geral e membros da Paróquia de Nossa Senhora do Desterro, da qual a Capela faz parte até os dias atuais. Além de missas, o local passou a ser usado para celebrações de casamento, novenas e funerais. Atualmente a Capela é aberta para a comunidade e para os asilados e funciona de segunda a sexta com missa às 17h, e domingo com missa às 8h30. Para o Padre Davi Coelho, da Arquidiocese de Florianópolis, e Capela é privilegiada por estar bem localizada e ter missa todos os dias, não deixando que os asilados e a comunidade fiquem sem ter acesso a igreja. Há um projeto em discussão também para a retomada de eventos na Capela, como casamentos e apresentações musicais. Durante o Século XX o local era utilizado para isso, mas por conta da estrutura do estacionamento, as atividades pararam de ser realizadas na Capela. A Capela é aberta para a comunidade e para os asilados.

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