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Centro Universtário do Leste de Minas Gerais Curso de Arquitetura e Urbanismo

NOLIANA SOUSA SILVA

CEMITÉRIO VERTICAL SUSTENTÁVEL

Coronel Fabriciano 2013


NOLIANA SOUSA SILVA

CEMITÉRIO VERTICAL SUSTENTÁVEL

Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), apresentado ao Curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário do Leste de Minas Gerais, como requisito parcial para obtenção do título de Arquiteto e Urbanista. Orientador: Prof. Rogerio Braga de Assunção.

Coronel Fabriciano 2013


CEMITÉRIO VERTICAL SUSTENTÁVEL

NOLIANA SOUSA SILVA

Monografia defendida e aprovada, em (data da defesa), pela banca examinadora:

Professor Rogério Braga de Assunção Orientador

Professor Professor do curso de Arquitetura e Urbanismo

Professor Professor do curso de Arquitetura e Urbanismo


Dedico este trabalho a todos aqueles que contribuĂ­ram de forma direta ou indireta para conclusĂŁo do mesmo.


Agradeรงo primeiramente a Deus...


RESUMO O forte crescimento demográfico e as grandes transformações urbanas no ciclo vital do ser humano, fizeram com que surgisse a preocupação com a pós-morte e com o local em que será depositado o corpo. E, de tal forma a arquitetura preocupou-se em ver outro aspecto de comodidade no ato do sepultamento, bem como, o bem-estar da população que continua o ciclo de vida, prevenindo-a de contaminações ocasionadas em virtude do que se repassa através do ato do sepultamento. Diante de tal fato, o presente trabalho analisou o processo da evolução dos costumes e tem como meta primordial apontar uma forma que possa adequar a uma noção relacionada à conscientização de todos, que ora passa por determinados processos de mudança devido ao acelerado crescimento populacional urbano, aumentando o espaço cedido aos que nela habitam e diminuindo, ou até mesmo, negligenciando aos que dela foram. Surge então, a ideia de implantar o cemitério vertical sustentável, através de uma arquitetura funerária, seguindo os princípios que levam em consideração as alterações que se deram em diversos momentos. No decorrer do trabalho, depara-se com a descrição da edificação, com a análise de correlato de função e tecnologia, tendo como fechamento a interpretação da realidade de Ipatinga. Ao observar o contexto histórico e o desenvolvimento da cidade dentro de um perfil cultural, nota-se que os espaços ocupados por cemitérios podem ser reduzidos sem que isto ocasione danos ao meio ambiente. A ênfase metodológica está prevista no levantamento e estudo de documentos, entrevistas, visitas técnicas e pesquisas de campo. Por fim, as questões técnicas são contempladas no estudo do objeto e diretrizes projetuais, que através de uma obra arquitetônica bem localizada e arrojada pretende propiciar à Ipatinga condições dignas e decentes, de modo que o estudo dos conceitos, métodos e informações se faz imprescindível à compreensão das relações entre o usuário e o meio.

PALAVRAS-CHAVE: Arquitetura, Cemitério Vertical Sustentável, Ipatinga.


LISTAGEM LISTA DE FIGURAS 01 – Prédio do Memorial Necrópole Ecumênica .......................................................27 02 – Frente do Memorial Necrópole Ecumênica .......................................................28 03 – Vista Prédio e Mata Atlântica aos fundos ..........................................................28 04 – Pátio ..................................................................................................................29 05 – Lóculos ..............................................................................................................29 06 – Fukuoka Internacional Hall ................................................................................31 07 – Fukuoka Internacional Hall, vista de cima .........................................................31 08 – Fukuoka Prefectural International Hall ..............................................................32 09 – Terraço e Átrio ...................................................................................................32 10 – Vista do Terraço Superior ..................................................................................32 11 – Detalhe da Cascata ...........................................................................................33 12 – Terraços ............................................................................................................33 13 – Fachada Norte ...................................................................................................33

LISTA DE FOTOS AÉREAS 01 – Cemitério Barra Alegre e seu entorno ...............................................................37 02 – Cemitério Bom Jardim e seu entorno ................................................................40 03 – Cemitério Parque Senhora da Paz ....................................................................44 04 – Área de estudo ..................................................................................................66 05 – Área Preservação Permanente e não edificantes .............................................67

LISTA DE FOTOS 01 – Cemitério Barra Alegre ......................................................................................38 02 – Cemitério Barra Alegre e residência em uma das laterais ................................38 03 – Depósito ............................................................................................................39 04 – Divisa do cemitério com lote particular ..............................................................39


05 – Fachada do Cemitério Bom Jardim ...................................................................41 06 – Vista Posterior da Capela do Cemitério Bom Jardim ........................................41 07 – Vista do Cemitério Bom Jardim .........................................................................42 08 – Vista do Cemitério Bom Jardim .........................................................................42 09 – Entrada do Cemitério Parque Senhora da Paz .................................................44 10 – Guarita do Cemitério Parque Senhora da Paz ..................................................45 11 – IML do Cemitério Parque Senhora da Paz ........................................................45 12 – Sala de administração .......................................................................................46 13 – Capela 01, com 03 área de sepultamento ........................................................46 14 – Capela 02, com 01 área de sepultamento ........................................................47 15 – Sala dos coveiros ..............................................................................................47 16 – Sala de necropsia para corpos em decomposição ...........................................48 17 – Área de Inumação perpétua ..............................................................................48 18 – Área de Inumação perpétua adulta ...................................................................49 19 – Área de Inumação temporária ...........................................................................49 20 – Área de temporária infantil ................................................................................50 21 – Condições físicas das sepulturas adultas .........................................................50 22 – Monumento para queima de velas ....................................................................51 23 – Monumento das autoridades municipais ...........................................................51 24 – Residência na divisa do cemitério .....................................................................52 25 – Caçamba de resíduos sólidos e restos exumados ............................................52 26 – Resíduos sólidos sendo queimados no meio das quadras ...............................53 27 – Resíduos sólidos sendo queimados ao ar livre .................................................53 28 – Placas sucatadas e descartadas incorretamente ..............................................54 29 – Área desativada .................................................................................................54 30 – Área escolhida para o projeto ............................................................................68

LISTA DE MAPAS 01 – Localização do município em relação ao estado e cidade confrontantes..........36 02 – Localização dos cemitérios no município de Ipatinga .......................................36 03 – Avenida de acesso ao cemitério ........................................................................69


LISTA DE GRÁFICOS 01 – Quadras de sepulturas perpétuas .....................................................................55 02 – Quadras de sepulturas temporárias ..................................................................56 03 – Quadra de sepulturas infantil até 1 ano ............................................................56 04 – Área do monumento ..........................................................................................57 05 – Quadras de sepulturas adolescentes ................................................................57 06 – Quadras desativadas/crianças ..........................................................................58 07 – Porcentagem das quadras ................................................................................58 08 – Inumações de 1974 a 1979 ...............................................................................59 09 – Inumações de 1980 a 1985 ...............................................................................59 10 – Inumações de 1986 a 1991 ...............................................................................60 11 – Inumações de 1992 a 1997................................................................................60 12 – Inumações de 1998 a 2003 ...............................................................................61 13 – Inumações de 2004 a 2009 ...............................................................................61 14 – Inumações de 2010 a 2015, através de estimativas .........................................62 15 – Crescimento das atividades de Inumação 1974 a 2009 ...................................63 16 – Crescimento das atividades de 1974 à 2013 ....................................................64 17 – Porcentagem de crescimento das atividades de 1974 a 2013 ..........................64

LISTA DE ABREVIAÇÕES 01 – APERAM - Empresa global em aços inoxidáveis do grupo ArcelorMittal; 02 – APP – Área de Preservação Permanente; 03 - CONAMA - Conselho Nacional do Meio Ambiente; 04 – FIEMG – Federação da Industrias de Minas Gerais; 05 – IBAMA -Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis; 06 – IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística; 07 – IML - Instituto Médico Legal; 08 – MPB - Música Popular Brasileira; 09 – PMI – Prefeitura Municipal de Ipatinga; 10 – SP - Estado de São Paulo;


11 - UNILESTE-MG – Centro Universiário do Leste de Minas Gerais; 12 - USIMINAS - Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais.


SUMÁRIO 01 – INTRODUÇÃO...................................................................................................13 01.1 – Objetivos .....................................................................................................13 01.2 – Justificativa ................................................................................................13 01.3 – Proposta .....................................................................................................14 02 – PROBLEMATIZAÇÃO .....................................................................................15 02.1 – Justificativa da tipologia a ser utilizada ..................................................15 02.2 - Contaminação do solo ...............................................................................16 02.3 – Menor área exigida ....................................................................................16 02.4 - Facilidade de implantação .........................................................................17 02.5 - Facilidade de administração e manutenção ............................................17 02.6 – Sustentabilidade.........................................................................................17 03 – REFERENCIAL TEÓRICO ..............................................................................20 03.1 – Os cemitérios e a cultura humana ...........................................................20 03.1.1-A prática de encerramento.....................................................................21 03.2

- A configuração do espaço cemiterial com relação à arquitetura

contemporânea..................................................................................................23 04 – TIPOLOGIA CEMITERIAL ..............................................................................25 04.1 – Cemitério horizontal ..................................................................................25 04.2 – Cemitério parque ou jardim ......................................................................25 04.3 – Cemitério vertical .......................................................................................26 05 – ANÁLISE DE CORRELATOS .........................................................................27 05.1 - Ficha técnica correlato da função.............................................................27 05.2

- Descrição da edificação ............................................................................30

05.3 – Justificativa da escolha do correlato........................................................31 05.4 - Ficha técnica do correlato da tecnologia.................................................31 05.5

- Descrição da edificação ............................................................................34


05.6 – Justificativa da escolha do correlato .......................................................34 06 – INTERPRETAÇÃO DA REALIDADE ..............................................................35 06.1 – História do municipío de ipatinga ............................................................35 07 – CONTEXTO CEMITERIAL DO VALE DO AÇO ..............................................36 07.1

- Cemitério do Barra Alegre ........................................................................36

07.2

- Cemitério do Bom Jardim .........................................................................40

07.3

- Cemitério parque senhora da paz ............................................................42

08 – ESTUDO ESPACIAIS E CAPACITAÇÃO FÍSICA DO CEMITERIO SENHORA DA PAZ............................................................................................................... 55 09 – ESTUDO DO OBJETO ....................................................................................66 09.1 – Localização do terreno em estudo ...........................................................66 09.2 – Entorno imediato .......................................................................................67 09.3 – Dados naturais do terreno ........................................................................68 09.4 – Sistema viário .............................................................................................68 09.5 – Justificativa da escolha do terreno ..........................................................69 10 – DIRETRIZES PROJETUAIS.............................................................................70 10.1 – Conceituação .............................................................................................70 10.2 – Programa de necessidade ........................................................................71 11 – CONCLUSÃO ..................................................................................................73 12 – REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA ....................................................................75 13 – ANEXO.............................................................................................................79


01-

INTRODUÇÃO Nas cidades, uma fonte de contaminação que preocupa são os cemitérios,

cuja

localização

e operação

inadequadas podem

levar, por exemplo,

à

contaminação de mananciais por microrganismos que proliferam no processo de decomposição dos corpos. Outro fator, não menos importante, é o grande crescimento da população, que obriga a pensar no tamanho e na forma como estão sendo condicionados os cemitérios, e na adequação destes espaços para a constante e crescente demanda por territórios nas cidades. Mas, quando se refere a cemitérios, não podemos esquecer, por exemplo, a organização espacial a partir de questões socioculturais, na difícil aceitação de inovações e na apropriação do local pelos usuários de modo que após enterrar um ente querido se sintam consolados ao deixá-los naquele lugar.

01.1- Objetivo Mapear a situação atual dos cemitérios localizados dentro da região Metropolitana do Vale do Aço (cujo polo é Ipatinga-MG) e levantar a capacidade de sepultamentos para poder analisar uma alternativa de como utilizar o espaço atual por mais alguns anos. Buscar ferramentas técnicas científicas e definir uma linha de parâmetro para a criação dos cemitérios, de forma a enriquecer o conhecimento quanto aos vários tipos de encerramento pós morte de maneira sustentáveis e que também estejam integrados ao corpo/espaço e às questões socioculturais.

01.2- Justificativa Devido ao grande crescimento populacional surge-se a necessidade de construção de mais e/ou maiores cemitérios, sendo que existem locais em funcionamento totalmente inadequados ou de pequena extensão. Com a atual situação do Cemitério Parque Senhora da Paz (centro de Ipatinga), tendo em vista o não planejamento deste, não houve sequer um acompanhamento da demanda. 13


A verticalização do citado cemitério é uma alternativa que aparece, com a ideia de implantar através da boa arquitetura a conscientização ecológica e a manutenção de costumes sociais e culturais. Pode-se perceber uma evolução dos costumes que se modificam de acordo com a necessidade. E cabe na arquitetura apontar uma forma de adequar essas mudanças e com isso levar em conta à conscientização de todos, os processos de mudança, o acelerado crescimento populacional urbano, o necessário aumento do espaço, e a constante necessidade de adequação e manutenção ao funcionamento dos cemitérios ao longo dos anos.

01.3- Proposta Este estudo consiste em fazer um levantamento no principal cemitério de Ipatinga e nos seus arredores, com o objetivo de avaliar se estão sendo tomadas medidas para adequação ás resoluções CONAMA 335/03 e 402/08, que dispõem sobre o licenciamento ambiental de cemitérios, bem como estabelecer critérios de funcionamento, a fim de se evitar a contaminação do solo e da água. A proposta deste estudo é criar uma nova arquitetura voltada para os cemitérios, com intuito de resolver as questões ambientais e territoriais de maneira simples, para que o espaço de encerramento dos mortos, além de monumento da memória, seja também agradável e confortante para os que ainda estão vivos. Em consequência dos estudos espera-se chegar à elaboração de um futuro projeto do Cemitério Vertical Sustentável, a ser implantado, mais precisamente onde já funciona o Cemitério Parque Senhora da Paz, na Avenida Londrina, s/n°, Bairro Veneza. Essa escolha se deu pela suspeita de que o atual cemitério não esteja adequado às regras, visto que foi inaugurado em 1974 e as Resoluções CONAMA, que estabelece critérios mínimos são de 2003. Em geral, devido à falta de fiscalização, foram poucos os cemitérios que atenderam às normas. Os resultados indicarão saber se é possível um reajustamento de infraestrutura no mencionado cemitério de modo a torná-lo ambientalmente correto. Espera-se chegar a uma avaliação da sustentabilidade do local de estudo, sua possível verticalização e ainda a aceitação da população.

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02-

PROBLEMATIZAÇÃO Sepultar os mortos tornou-se um problema que exige preocupação constante

e requer uma extrema atenção das autoridades e da comunidade no sentido de encontrar uma solução viável especialmente no que se refere às agressões ambientais que pode ocasionar os cemitérios convencionais. Embora tenham uma legislação específica para evitar a contaminação do solo isto acaba fugindo do controle e ocasionando graves danos ao meio ambiente. O modelo mais comum adotado nas cidades brasileiras são os cemitérios horizontais, porém outros modelos estão mudando a imagem tradicional das necrópoles com jazigos e monumentos de mármore, sendo substituídas por parques arborizados ou edificações específicas para este fim. Dentro do contexto arquitetônico estas edificações têm registro recente, no Brasil tem sido utilizado há aproximadamente 30 anos e o maior exemplo está na cidade

de

Santos,

construído

em

1983.

http://www.memorialsantos.com.br/historia.htm (acesso 19/03/2013) De acordo com ALBERTIN, R.M. et al (2013), os cemitérios verticais são uma tendência e começam a ser implantados em diversas partes do mundo, devido ao fato de não ser caracterizado como agente poluidores do meio-ambiente. ALBERTIN, R.M. et al (2013) também afirma que a arquitetura aparece como oportunidade de exploração de uma nova área onde a morte surge como um mercado entre o consumismo, entretenimento e preservação do meio ambiente.

02.1- Justificativa da tipologia a ser utilizada O cemitério vertical surge como uma opção arquitetônica diferenciada, um atributo notável no conceito de sepultamento aliado a grandes vantagens em relação ao tipo horizontal, dentre as quais se destacam: a utilização de medidas de retenção do necrochorum, trazendo desta forma segurança ao meio ambiente, menor quantidade de área exigida, facilidade de locação próxima aos centros urbanos, facilidade de administração e manutenção. Este trabalho fundamenta-se na inquestionável necessidade de maiores preocupações com o tema sendo os cemitérios agentes integrantes do meio urbano carentes de acompanhamento, planejamento e gestão ambiental. 15


02.2- Contaminação do solo Cemitérios podem provocar grandes impactos ambientais na região em que estão instalados. A contaminação em um cemitério pode ser química, microbiológica e/ou radioativa. O principal fator de contaminação é o produto da coliquação (necrochorume), que os corpos em decomposição liberam. Ocorre de forma intermitente e mais significativa durante os primeiros 5 a 8 meses de sepultamento (PACHECO, A.; MENDES, J.M.B. 2000). As resoluções do CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) 335/03 e a 402/08, regulamentam e estabelecem critérios mínimos que devem ser integralmente cumpridos na confecção dos projetos de licença prévia, instalação e operação, como forma de garantir a decomposição natural do corpo e proteger as águas subterrâneas da infiltração do necrochorume e contaminação do solo. O produto de coliquação proveniente dos cemitérios pode contaminar o subsolo se o meio físico local for vulnerável, o que dependerá de suas características geológicas e hidrogeológicas. O solo pode ser dividido, de modo simplificado, em duas zonas: Saturada e Não saturada. A zona não saturada é composta de partículas sólidas e de espaços vazios, ocupados por porções variáveis de ar e água. Já a zona saturada, mais vulnerável a contaminação é aquela em que a água ocupa todos os espaços.

02.3- Menor área exigida O principal fator da substituição dos tradicionais cemitérios para o modelo vertical é o ocorrência da produção industrial, a cidade continuou a centralizar e a comercializar a produção do campo, atraindo as pessoas para as cidades. Este êxodo provocado pelos atrativos econômicos proporciona o crescimento vertiginoso das cidades e de sua população numa proporção superior ao crescimento da população geral, ou seja, começa a se caracterizar o processo de urbanização. “A urbanização não corresponde ao crescimento das cidades em consequência do crescimento natural ou vegetativo de sua população. Ela ocorre a partir do êxodo rural, que proporciona à cidade um crescimento maior que o do campo. Quando a população urbana cresce em igual proporção ao crescimento da população rural, o que ocorre é o crescimento

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urbano. O crescimento populacional das cidades teoricamente não tem limites, ao contrário da urbanização”. (LUCCI, l997: 204).

Por este motivo os cemitérios também sofrem com o grande aumento populacional, portanto a necessidade de ser verticalizado, uma vez que, é uma alternativa que surge para suprir a necessidade da falta de espaço físico.

02.4- Facilidade de implantação Dentro dos fatores citados acima, outro não menos importante é a facilidade de implantação do cemitério. Os de particularidade vertical podem ser construídos em terrenos de quaisquer características sendo estas: aclive, declive, plano e de grande ou pequena extensão além da baixa exigência quanto ao tipo de solo. Promovendo a locação destas edificações próxima aos centros urbanos, que geralmente possuem poucas áreas livres ou até mesmo quase nenhuma, facilitando o acesso ao local. Portanto oferecem facilidades de utilização do transporte coletivo.

02.5- Facilidade de administração e manutenção Os tradicionais cemitérios passam por dificuldades quanto à administração do espaço, e as condições de uso que se tornam inadequado, por conta da saturação. A manutenção e limpeza também são outros fatores que destaca na maioria dos cemitérios horizontais e parques. Pois possuem uma área de grande extensão e aberta. Permitindo o acumulo de lixo urbano e proporcionando a necessidade de mais mão de obra. Os benefícios do cemitério vertical quanto à manutenção e administração é a redução de custo e a funcionalidade do cemitério, podendo este funcionar por tempo integral.

02.6- Sustentabilidade Atualmente o tema da vez é sustentabilidade, isso porque enfrentamos cada vez mais problemas sociais e ambientais, e a favor deste desenvolvimento é que se pensou em propor um projeto para arquitetura cemiterial sustentável.

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As más projeções e as construções não planejadas dos grandes centros urbanos geraram uma grande degradação dos recursos naturais de muitos locais. Pode-se observar que os ambientes que foram feitos ilegalmente ou fora dos planejamentos arquiteturais e urbanísticos tendem a ser mais abalados. Com vista nesses problemas, muitos projetos arquitetônicos têm sido materializados com estruturas favoráveis à sustentabilidade. A arquitetura sustentável visa uma melhor utilização dos recursos naturais, por esse motivo se evitam uma série de desperdícios. Principalmente em relação à água e a energia elétrica, visando um melhor aproveitamento de ambos, como por exemplo: aproveitar a água da chuva e utilizar energia solar são algumas medidas utilizadas nesses tipos de projetos. De acordo com o site: www.ecologiaurbana.com.br, outra preocupação na hora da construção e durante o projeto arquitetônico é a utilização de materiais renováveis e ecologicamente indicados, como a preferência de eucaliptos e fibras de bananeiras no lugar da madeira frequentemente extraídas das florestas. Do mesmo modo se opta por uma tintura que não possuam as toxinas que degradam o meio ambiente. Na construção há a preocupação com a criação de áreas verdes tanto para o plantio, como para proporcionar mais conforto e contribuir para a redução do gás carbônico na natureza. Uma outra solução para amenizar a degradação da natureza recomenda-se nesses locais reciclagem do lixo doméstico. Juntamente com a não utilização de produtos de limpeza danoso ao meio ambiente. O

território

da arquitetura

sustentável é

ainda

excessivamente

novo,

entretanto as aplicações de técnicas sustentáveis na construção civil são cada vez mais recorrentes. E estão sendo vistas como práticas essenciais para a manutenção e a renovação de recursos encontrados no meio ambiente. Pensando nisso foi elaborado uma palestra, com o tema sustentabilidade, onde teve como convidado um analista ambiental da FIEMG, com intuito de apresentar o “programa minas sustentável”. A palestra foi realizada no dia doze de Abril deste ano ás dezesseis horas, na sala E205, no campos de Coronel Fabriciano, UNILESTE-MG. O objetivo do trabalho foi demonstrar aos alunos do curso a importância da inclusão da sustentabilidade em todo campo de atuação, não só nas empresas, mas 18


também na arquitetura. O palestrante Roni Frank apresentou o conceito do tema e como o assunto foi passado para as empresas, mostrou também o projeto “cidade sustentável” que foi aderido por muitos prefeitos incluindo os da Região Metropolitana. O projeto se resumi em um acordo assinado por eles para garantir que a cidade vai se adequar aos benefícios da sustentabilidade. Neste documento foi dado um prazo para que o responsável apresentasse um projeto, este, contendo as atividades que seriam realizadas para transformar a cidade consumista em uma cidade sustentável, acolhendo o conceito. O resultado final da palestra foi expressivo, pois os alunos demonstraram interesses pelo tema, visto que, é um tema em acessão, porém ainda há dúvidas sobre ele. E para o palestrante foi significativo a apresentação, e nas palavras dele: “Vocês, futuros profissionais da área são os formadores de opinião”.

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03-

REFERENCIAL TEÓRICO

03.1- Os cemitérios e a cultura humana Os cemitérios são fruto do relacionamento do homem com a morte originado do ato de sepultar cadáveres, que vem desde a pré-história. Quando o homem ainda era nômade e circulava em busca de alimentos os mortos possuíam local fixo no espaço fazendo com que as cidades dos mortos surgisse primeiro do que à cidade dos vivos. Com o passar do tempo, a prática do sepultamento tornou-se um tabu e inseriu-se nas regras religiosas dos povos instituindo um costume praticamente obrigatório na maioria das religiões. A palavra cemitério vem do grego koimetérion, “dormitório”, do latim coemeteriu, conhecido como lugar onde se dorme, quarto, dormitório. Sob a influência do cristianismo, o termo tomou o sentido de campo de descanso após a morte. O cemitério também é conhecido como necrópole, carneiro, sepulcrário, campo-santo e vários eufemismos, como “cidade dos pés-juntos” e “última morada”. (SOBRINHO, 2002). Estes lugares tiveram origem em meados do século XVII quando os mortos eram enterrados nos adros das igrejas, abadias, mosteiros, conventos, seminários e hospitais. Com a constatação da insalubridade e da falta de espaços para enterramentos nos limites da cidade, a partir do século XVIII passaram estes a serem realizados fora do centro urbano. Formas variadas de sepultamento existem e existiram em diversas regiões do mundo de acordo com cada povo, porém a maioria dos rituais fúnebres foram transmitidas principalmente pelos romanos e egípcios pelo fato da crença na vida do corpo após a morte. A presença de cemitérios nos arredores ou interiores das cidades pode gerar impactos psicológicos e físicos. Como forma de evitar os impactos psicológicos é que se verifica, mais recentemente, a construção de cemitérios parques e jardins sendo este, mais predominante. Este modelo é isento de construções tumulares, e as sepulturas são identificadas por uma lápide ao nível do chão e de pequenas dimensões, inicialmente afastados dos centros urbanos com objetivo de transmitir paz e tranquilidade ao local e consequentemente, melhorar a aceitabilidade e a 20


convivência com a proximidade urbana, sendo uma proposta de igualdade e harmonia de todas as pessoas com a natureza. A partir da separação do poder estatal do poder religioso (Igreja Católica Apostólica Romana), a disposição dos cadáveres passou a ser essencialmente um problema gerenciado pelos governos locais, mas respeitando-se ações isoladas (ritos e cerimônias) de grupos religiosos sendo eles católicos, protestantes ou outros grupos. Levando-se em consideração o uso de espaços para a implantação dos cemitérios, percebe-se que sempre houve uma preocupação em afastar sua localização do centro urbano. Contudo, com o crescimento das cidades, os cemitérios deixam de fazer parte da periferia e passam a ser incorporados ao centro urbano.

03.1.1- A prática de encerramento Os primeiros métodos para destinação dos cadáveres foi à cremação, a escolha deste processo pelos primitivos se deu pelo fato de reduzir o corpo a cinzas, pelo uso de calor e evaporação, eliminando o processo de decomposição do corpo.

“Para eles, o cadáver continuava a viver, sentir e desejar, de forma que procuravam cercá-lo de cuidados, empregando mais tarde outros meios como o encerramento dos cadáveres em potes, grutas, poços, caixas, ataúde”. (Costa, 2009, p.27)

Além da técnica da cremação, os cadáveres podem ser tratados através da inumação simples, ou após embalsamento. A Inumação simples é o método mais conhecido, e mais comum entre todas as sociedades. Após o cumprimento das formalidades legais e ritualísticas, tem o seu cadáver inumado em caixão próprio, podendo ser em sepultura comum, ou túmulos e jazigos que obedeçam as condições de higiene, de acordo com o que determina o Código Sanitário de cada cidade. Os sepultamentos só podem ser feitos 24 (vinte e quatro) horas após a morte, não devendo ultrapassar 36 (trinta e seis) horas, entretanto, se a morte for por enfermidade contagiosa ou epidêmica, a inumação pode ser processada imediatamente. 21


A técnica de Inumação após o embalsamento consiste em método que exige o fechamento do corpo em um caixão, podendo o cadáver ser deslocado para qualquer localidade, essas técnicas é exigida, por formalização, quando a inumação for feita dentro de 3 (três) dias após a morte, sendo exigido o embalsamento com o caixão totalmente fechado e selado quando se tratar de prazos maiores. Essa técnica também era bastante usada em períodos de grandes civilizações como os incas, egípcios, gregos e romanos que embalsamavam os cadáveres para conserválos indefinidamente, e em rituais religiosos depositavam-nos em locais especiais, acreditando que a morte era um sono profundo e que um dia seus entes queridos retornariam. “O embalsamento é a prática mais simples de conservação permanente do cadáver, constituindo-se em

lavagens e fricções com

substâncias

aromáticas ou balsâmicas, daí seu nome, embalsamento” (FRANÇA, 1991:285).

Outro processo é a Inumação após necropsia, em que nos casos de morte por delito, onde o cadáver será submetido à autopsia (exame médico das diferentes partes de um cadáver). Após a necroscopia o corpo seguirá as condições normais. A Imersão era o método usado em viagens náuticas, em que os mortos, depois das formalidades legais, eram atirados em alto mar. Isso ocorria porque as embarcações se encontravam muito distantes de um porto e não dispunha de câmara frigorífica a bordo. Este procedimento evitava os males da decomposição cadavérica a bordo. Quanto à destruição dos corpos pelos animais, conta-nos Vicente Ibanez em seu livro ‘La vuelta al mundo de un novelista’. “Em Bombaim, os Parsis (persas que não se submetiam aos mulçumanos) devotos do Masdeísmo, fiéis aos ritos do mago Zaratrusta, costumam entregar os seus cadáveres aos abutres para serem destruídos”. (IBANEZ, apud FÁVERO, 1980: 506-7)

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Assim fazem porque, para eles, são sagrados o fogo, a terra e a água, o que impede que os corpos mortos os contaminem. Em algumas horas, o corpo é reduzido em apenas ossada. Os restos, no dia seguinte, são retirados e colocados num poço.

03.2- A configuração do espaço cemiterial com relação à arquitetura contemporânea Para trabalhar em arquitetura sobre um espaço pós-morte, partiu-se do roteiro de estudar, observar, analisar e propor a implantação de um cemitério vertical através dos estilos arquitetônicos em diferentes combinações valorizando a arquitetura Pós-Moderna. Uma análise de função para a interpretação da realidade da região metropolitana do Vale do Aço, e o desenvolvimento histórico das cidades dentro de um perfil cultural, visto que, podem reduzir os espaços ocupados por cemitérios, sem risco de ocasionar danos ao meio ambiente, melhorando os existentes. E que através de uma obra arquitetônica bem localizada e arrojada pretende propiciar à população condições dignas e decentes no que diz às circunstâncias de desalento na perda de um ente querido. Diferentemente da antiguidade as sociedades contemporâneas perderam a habilidade de enfrentar a morte descuidando deste aspecto da arquitetura. Alguns arquitetos famosos criaram túmulos para si próprios, para sua família, amigos ou clientes que merecem destaque, o que mostra que a falta de informação sobre o tema não significa a ausência total de obras significativas ROCHA (2008). Le Corbusier é um grande exemplo que projetou seu túmulo, e que foi construído imediatamente após a sua morte. Considerar o espaço do cemitério como fonte patrimonial cultural é compreender todos os sinais que ali se encontram. Para além do caráter contemplativo das expressões artísticas, esse espaço, seja amplamente analisado, permitindo ao indivíduo um olhar mais comum. Isso significa a viabilidade de explorar outros contextos, o histórico, social e o econômico, e também para o entendimento de crenças religiosas. Todos ali se encontram, seja na estrutura arquitetural dos cemitérios/túmulos, ou nas simbologias que propiciam semióticas interpretações em suas lápides. Sob o aspecto principal que fez surgir esse espaço, a morte, todos estão designados, e curiosamente têm a intenção de manter viva a 23


memória. Talvez nenhum outro local dependa tanto dessas convivências quanto o cemitério, pois as mantém de todo modo, indissociáveis. Dentre tantos estudos, pesquisas, análise e observação percebe que o período globalizado no Pós-Modernismo exige cada vez mais que se inove, ou até mesmo que fatores inéditos surjam no intuito de propiciar mais conforto aos que estão inseridos no sistema populacional, sendo que um dos fatores citados no trabalho, consistente em apresentar o projeto de arquitetura de um cemitério vertical, observando os já existentes em outros locais. A problemática apontada no trabalho é a análise, diante do compromisso e dever da sociedade de zelar pelo corpo do ser humano enquanto pós-morte, do porque dos usos sócio-espaciais, da utilização de espaços de grandes dimensões para a construção de novos cemitérios convencionais, uma vez que estes já se encontram saturados.

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04- TIPOLOGIA CEMITERIAL De acordo com RESENDE (2007), a ocupação dos cemitérios obedece geralmente critérios religiosos, econômicos ou sociais e suas categorias obedecem basicamente aos seguintes princípios: o da concessão privada, das classes sociais e da religião. A concessão privada dá-se pelo avanço da comercialização do solo urbano nas metrópoles e cidades de porte médio e são basicamente dois tipos de cemitérios que envolvem esta iniciativa, os do tipo parque ou jardim e as necrópoles verticais que

são

feitas

através

da

sobreposição

das

sepulturas

reproduzindo-as

verticalmente. Com relação às classes sociais estes se classificam na desigualdade social do mundo dos vivos, onde muitos cemitérios públicos são destinados à classe média e outros ao proletariado. Esta divisão pode ser feita mesmo dentro do cemitério onde alguns lugares são contemplados com doação de jazigos que propiciam maior ostentação e lugares destinados a sepulturas gratuitas, formando um cemitério misto. A religião é também fator determinante por orientar os seus seguidores para como enfrentar a morte, imprimindo um simbolismo peculiar a morada dos mortos. O catolicismo, o judaísmo e o islamismo são religiões que exercem forte influência nas tradições funerárias. 04.1- Cemitério horizontal O cemitério tradicional localiza-se em área descoberta e nos dias atuais estão se tornando cada vez mais raros. Este tipo de cemitério foi amplamente utilizado no passado, onde os mais ricos, ou até mesmo aqueles que queriam se ressaltar perante a sociedade criavam verdadeiras catacumbas e obras de arte para suas famílias, tornando alguns cemitérios verdadeiros museus a céu aberto. 04.2- Cemitério parque ou jardim Os cemitérios parque tiveram sua origem nos Estados Unidos e se difundiram por várias regiões do mundo. Caracterizam-se por campos abertos onde as sepulturas são ao nível do chão e apenas uma lápide identifica o falecido. Possui uma aparência amena que o 25


diferencia dos tradicionais com sua ostentação santuária. Sua presença dá novos parques à cidade de forma a aumentar a área verde, porém sob uma análise ecológica estes cemitérios não se diferem muito dos tradicionais, ocasionando os mesmos riscos de poluição ao meio ambiente. 04.3- Cemitério vertical O Cemitério vertical é um edifício de um ou mais pavimentos dotados de compartimentos destinados a sepultamentos, conforme descrito na Resolução nº 355 de 3 de abril de 2003. As vantagens dos cemitérios verticais sobre os cemitérios horizontais são diversas. Uma delas está no próprio licenciamento, onde, no cemitério vertical vigoram exigências mínimas de instalação enquanto nos horizontais as preocupações com o solo, lençol freático, plantas, memoriais e nível natural do terreno são fatores essenciais para o licenciamento e permissão de funcionamento do mesmo. A falta de espaço nas grandes cidades obrigou os cemitérios a se instalarem em regiões cada vez mais distantes. Os cemitérios verticais surgiram como uma solução para este problema e são uma tendência em várias cidades dos Estados Unidos, Canadá e Europa. Mantendo os costumes tradicionais, o sepultamento é feito em jazigos horizontais, estanques de concreto armado e, no Brasil, já são encontrados em São Paulo, Santos, Porto Alegre e Curitiba (MATOS, 2001). As maiores vantagens dos cemitérios verticais são: conforto, acesso rápido, segurança e a limpeza. Outra vantagem seria que os planejamentos de espaço e tempo ficam facilitados e o custo é reduzido. Os lóculos devem ser constituídos de materiais que impeçam a passagem de gases para os locais de circulação dos visitantes e trabalhadores. Devem conter características construtivas que impeçam o vazamento dos líquidos oriundos da coliquação e um dispositivo que permita a troca gasosa, em todos os lóculos, proporcionando as condições adequadas para a decomposição dos corpos. O tratamento ambientalmente adequado para os eventuais efluentes gasosos é importante nos cemitérios verticais, para manter assim um aspecto de limpeza na área destinada a sepultamentos. Pois se não tratados, além de serem considerados uma irregularidade para o licenciamento ambiental, o cheiro pode ser insuportável e pode causar danos ao meio ambiente (MATOS, 2001). 26


05- ANÁLISE DE CORRELATOS 05.1- Ficha técnica do correlato da função

Obra: Memorial Necrópole Ecumênica Estilo: Pós-Moderno Local: Santos, Brasil Ano: 1983

Figura 01 – Prédio do Memorial Necrópole Ecumênica Fonte: http://www.memorialcemiterio.com.br/fotos.html

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Figura 02 – Frente do Memorial Necrópole Ecumênica Fonte: http://www.memorialcemiterio.com.br/fotos.html

Figura 03 – Vista Prédio e Mata Atlântica aos fundos Fonte: http://www.memorialcemiterio.com.br/fotos.html

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Figura 04 – Pátio Fonte: http://www.memorialcemiterio.com.br/fotos.html

Figura 05 – Lóculos Fonte: http://www.memorialcemiterio.com.br/fotos.html

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05.2- Descrição da edificação A Memorial Necrópole Ecumênica é um cemitério vertical localizado na cidade de Santos – SP às margens da mata atlântica, com mais de 90% dos 40 mil m² de área verde, preservados com cascatas, lagoas e viveiros de pássaros que são habitados por animais silvestres com autorização do IBAMA. O edifício que abriga o cemitério possui hoje 14 andares e capacidade de 14 mil lóculos, está incluído como ponto turístico pelas Secretarias de Turismo de Santos e Estado de São Paulo e também destacado no Guinness Book , o livro dos recordes, como o cemitério mais alto do mundo. Pioneiro em inovação, o empreendimento oferece atendimento de alto padrão, infraestrutura com serviços informatizados como banco de dados, auxílio e conferência de documentos, seguros, atestados e normas legais, que conferem agilidade e praticidade. Serviços de ambulatório médico e psicológico com enfermeira de plantão, elevadores em locais estratégicos, estacionamento próprio e segurança 24 horas. A

empresa

responsável

pelo

empreendimento

reconhece

que

sua

permanência no mundo dos negócios tem relação direta com o alto padrão de atendimento, novas tecnologias e o respeito ao meio ambiente na busca de uma sociedade sempre melhor. Conforme consta em seu site oficial, a Memorial Necrópole Ecumênica é o mais alto e completo cemitério vertical do mundo.

05.3- Justificativa da escolha do correlato O aspecto funcional mais relevante deste projeto, e que se espera atingir no projeto proposto, refere-se ao padrão dos espaços internos que constituem um grande diferencial. Lidar com a morte é sempre um assunto de caráter delicado, e neste empreendimento é tratado com respeito e dignidade acrescentando conforto físico através de espaços elaborados para proporcionar tranquilidade e bem estar num momento que expressa inevitavelmente a dor maior do ser humano, sendo estes os princípios norteadores deste projeto arquitetônico.

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05.4 - Ficha Técnica do correlato da tecnologia Obra: Fukuoka Prefectural International Hall Arquiteto: Emilio Ambasz Estilo: Pós-Moderno Local: Fukuoka, Japão Ano: 1995

Figura 06 – Fukuoka Internacional Hall Fonte: http://www.greenroofs.com/projects/pview.php?id=476

Figura 07 – Fukuoka Internacional Hall

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Fonte: http://www.greenroofs.com/projects/pview.php?id=476

Figura 08 – Fukuoka Prefectural International Hall Fonte: http://www.greenroofs.com/projects/pview.php?id=476

Figura 09 – Terraço e Átrio Fonte: http://www.greenroofs.com/projects/pview.php?id=476

Figura 10 – Vista do Terraço Superior Fonte: http://www.greenroofs.com/projects/pview.php?id=476

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Figura 11 – Detalhe da Cascata Fonte: http://www.greenroofs.com/projects/pview.php?id=476

Figura 12 – Terraços Fonte: http://www.greenroofs.com/projects/pview.php?id=476

Figura 13 – Fachada Norte Fonte: http://www.greenroofs.com/projects/pview.php?id=476

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05.5 – Descrição da edificação Para responder à necessidade de áreas verdes no Japão o arquiteto lança mão de um recurso altamente inovador que inclui a natureza como componente arquitetônico enfatizando a relação arquitetura e paisagem. A utilização de tecnologia sustentável converte o edifício em um parque tridimensional integrado ao espaço urbano. O edifício tem caráter dualista, ao norte sua fachada mantém as características de edifício comercial voltada para uma importante rua do distrito financeiro da cidade, em contrapartida a fachada sul está voltada para um parque. Os enormes terraços com aproximadamente 10 metros de largura e 12 de profundidade funcionam como um prolongamento do parque à sua frente. Os ventos dominantes que vêm da baía no sentido norte a sul favoreceram o projeto

paisagístico,

ficando

toda

vegetação

protegida

pela

edificação

teatro,

escritórios,

preponderantemente feita em concreto, metal e vidros. O

edifício

contém

hall

de

exposições,

museu,

estacionamentos e comércio. Mais de um milhão de metros quadrados de área construída em torno de um átrio que se estende ao topo do edifício. Externamente é possível percorrer toda extensão dos terraços que abrigam uma diversidade biológica de 35.000 mil plantas e 76 espécies diferentes, espaços para descanso e meditação ao som de cascatas cuidadosamente trabalhadas. Ao todo são 14 andares que culminam em um terraço-jardim com vista para o porto e toda a cidade. 05.6 – Justificativa de escolha do correlato O que mais se destaca nesta edificação é a utilização da tecnologia de sustentabilidade conhecida como “green roof” (telhado verde), que pela ótima integração entre homem e natureza minimizando as alterações e impactos sobre o meio-ambiente, conceito este que será explorado no projeto a ser desenvolvido. A escolha do Fukuoka Prefectural International Hall como referencial de tecnologia ocorre pelo aspecto primordial de sua arquitetura encontrar-se em sintonia com as questões ecológicas e urbanas, que contribuem efetivamente para a melhoria das condições de vida na cidade, valorizando o aspecto visual pela estética de alto requinte e integrando a edificação ao seu entorno. 34


06- INTERPRETAÇÃO DA REALIDADE 06.1- História do município de Ipatinga Ipatinga é

um município brasileiro no interior do estado de Minas

Gerais.

O desenvolvimento da região deve-se às grandes empresas locais, como a Aperam em Timóteo e principalmente

a Usiminas,

localizada

no

próprio

município.

A cidade faz parte da Região Metropolitana do Vale do Aço, e segundo dados do IBGE ultrapassa os 449.340 habitantes. Além das quatro principais cidades (Coronel Fabriciano, Ipatinga, Santana do Paraíso e Timóteo), há outras 24 no colar metropolitano.

A cidade ainda se destaca pelo turismo. Além do turismo de negócios, muito incentivado pela prefeitura e pelas grandes empresas locais, em Ipatinga estão algumas das principais atrações de todo Vale do Aço, como o Shopping do Vale do Aço; o Estádio Municipal Epaminondas Mendes Brito Ipatingão, um dos maiores de todo Leste mineiro; a USIPA; o Centro Cultural Usiminas, que vem apresentando diversas atrações de todo o país, como grandes

nomes

da

MPB,

e

vários

outros

pontos

turísticos

de

importância cultural e histórica. Além do turismo na área urbana, Ipatinga também é um dos principais acessos para a Serra dos Cocais, localizada na cidade vizinha de Coronel Fabriciano e para o Parque Estadual do Rio Doce, situada entre os municípios de Timóteo, Marliéria e Dionísio. A cidade tem uma temperatura média anual de 21,6°C, e a vegetação do município são de Mata Atlântica e cerrado. Ipatinga localiza-se exatamente no ponto onde as águas do rio Piracicaba se encontram com o rio Doce. Sua área é de 165,509 km², sendo que 22,9245 km² estão em perímetro urbano.

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Mapa 01 – Localização do município em relação ao estado e cidade confrontantes. Fonte: http://licht.io.inf.br/mg_mapas/mapa/cgi/iga_comeco1024.htm

Mapa 02 – Localização dos cemitérios no município de Ipatinga. Fonte: Autor

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07- CONTEXTOS CEMITERIAL DE IPATINGA 07.1- Cemitério do Barra Alegre De acordo com dados coletados na PMI (Prefeitura Municipal de Ipatinga) o cemitério foi inaugurado na década de 70, possui 6.967 m² de área. Localizado na rua Geraldo Ricardino de Souza, Barra Alegre, em Ipatinga, possui residências ao redor, exceto num dos lados, cujo terreno é de propriedade particular. Exposto pelo Sr. Antônio, zelador do cemitério a mais de 30 anos, atualmente a área do cemitério está completamente lotada de túmulos, só funcionando com vagas liberadas através de exumações. No entanto, devido à falta de registros, não é possível distinguir facilmente quais são os túmulos que estariam aptos a ser exumados e colocados à disposição para novos sepultamentos. Toda sua estrutura também se encontra em más condições.

Foto Aérea 01 – Cemitério Barra Alegre e seu entorno. Fonte: Google Maps - ©2013 Google

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Foto 01 – Cemitério Barra Alegre. Fonte: Imagem do acervo pessoal de Noliana Sousa Silva

Foto 02 – Cemitério Barra Alegre e residência em uma das laterais. Fonte: Imagem do acervo pessoal de Noliana Sousa Silva

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Foto 03 – Depósito Fonte: Imagem do acervo pessoal de Noliana Sousa Silva

Foto 04 – Divisa do cemitério com lote particular. Fonte: Imagem do acervo pessoal de Noliana Sousa Silva

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07.2- Cemitério do Bom Jardim

Localizado entre as Ruas Joaquim Gonçalves Rosa e Angélica, no bairro Bom Jardim em Ipatinga, possui uma área de 3.510 m² e também é da década de 70, e todo o entorno do cemitério municipal é rodeado por residências. Recentemente foram feitas reformas de melhoria das guarnições e da capela de velório, a fim de evitar problemas como os que ocorriam, como as depredações, quebras de túmulos e da capela além de pequenos furtos. Mas o lugar já necessita novamente de reformas, pois já sofreu outra vez a depredações de vândalos e intempéries naturais. O espaço está completamente lotado de túmulos, só funcionando com vagas liberadas através de exumações. Porém não há controle de quanto tempo o corpo foi inumado, visto que não há registros que datem os sepultamentos, dificultando o processo de exumação.

Foto Aérea 02 – Cemitério Bom Jardim e seu entorno. Fonte: Google Maps - ©2013 Google

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Foto 05 – Fachada do Cemitério Bom Jardim. Fonte: Imagem do acervo pessoal de Noliana Sousa Silva

Foto 06 – Vista Posterior da Capela do Cemitério Bom Jardim. Fonte: Imagem do acervo pessoal de Noliana Sousa Silva

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Foto 07 – Vista do Cemitério Bom Jardim. Fonte: Imagem do acervo pessoal de Noliana Sousa Silva

Foto 08 – Vista do Cemitério Bom Jardim. Fonte: Imagem do acervo pessoal de Noliana Sousa Silva

07.3- Cemitério Parque Senhora da Paz Localizado na Avenida Londrina S/N, bairro Veneza II, o Cemitério Parque Senhora da Paz, é o principal e maior da cidade de Ipatinga, com uma área de 62.500 m². A oficialização de sua criação data de 20 de janeiro de 1973, porém foi inaugurado em 1974. É o primeiro cemitério parque da região, com uma grande quantidade de área verde. Atualmente existem cerca de 9.933 sepulturas. Uma das particularidades deste cemitério em relação aos outros da região, é a presença de 42


um IML - Instituto Médico Legal, administrado pelo governo do Estado de Minas Gerais. As instalações são caracterizadas como áreas que fazem parte da composição do espaço. No Cemitério Parque Senhora da Paz são encontradas instalações como capelas, setor administrativo, guarita de vigilância, salão de velório, cantina, banheiro e cômodo dos coveiros, que é usado pelos mesmos como vestiários. Todas essas instalações já passaram por reformas no ano de 2010, mas segundo relato dos funcionários há necessidade de uma nova manutenção no cômodo

dos

coveiros.

É

necessário

que

manutenções

sejam

realizadas

regularmente a fim de manter as características físicas do patrimônio em bom estado. O maior problema que torna o lugar uma realidade preocupante é a falta de espaço para realização das inumações, visto que a demanda exigida pela população local é maior que a oferta. De acordo com informações coletadas no banco de dados da PMI e do IML no último ano foi constatado o número de 1.150 sepultamentos no cemitério, em média são sepultados 95 corpos por mês e estes podem ser feitos em inumações temporárias ou permanentes. O maior problema que torna o lugar uma realidade preocupante é a falta de espaço para realização das inumações, visto que a demanda exigida pela população local é maior que a oferta. O cemitério não possui disponíveis sepulturas permanentes (particulares). Podendo ser utilizadas somente sepulturas temporárias (públicas). Atualmente a Prefeitura de Ipatinga lançou um edital para licitação onde o objeto é a seleção de empresa de engenharia para construção de 19 módulos com 6 sepulturas temporárias cada. Porém a licitação foi revogada, pois as áreas disponíveis e adequadas para essas atividades já estão superlotadas. Há no local algumas pequenas áreas disponíveis, mas, que não seriam suficientes para atender a demanda anual por muito tempo. As áreas vizinhas próximas ao cemitério também não são adequadas devidas às condições topográficas do terreno que apresentam inclinação igual ou superior a 40%. A solução mais viável no momento seria a construção de um Cemitério Vertical que possuiria em sua composição área disponível para inumação e um ossuário para armazenamento dos exumados. 43


Foto Aérea 03 – Cemitério Parque Senhora da Paz. Fonte: Google Maps - ©2013 Google

Foto 09 – Entrada do Cemitério Parque Senhora da Paz. Fonte: Imagem do acervo pessoal de Noliana Sousa Silva

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Foto 10 – Guarita do Cemitério Parque Senhora da Paz. Fonte: Imagem do acervo pessoal de Noliana Sousa Silva

Foto 11 – IML do Cemitério Parque Senhora da Paz. Fonte: Imagem do acervo pessoal de Noliana Sousa Silva

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Foto 12 – Sala de administração. Fonte: Imagem do acervo pessoal de Noliana Sousa Silva

Foto 13 – Capela 01, com 03 áreas de sepultamento. Fonte: Imagem do acervo pessoal de Noliana Sousa Silva

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Foto 14 – Capela 02, com 01 área de sepultamento. Fonte: Imagem do acervo pessoal de Noliana Sousa Silva

Foto 15 – Sala dos coveiros Fonte: Imagem do acervo pessoal de Noliana Sousa Silva

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Foto 16 – Sala de necropsia para corpos em decomposição. Fonte: Imagem do acervo pessoal de Noliana Sousa Silva

Foto 17 – Área de Inumação perpétua. Fonte: Imagem do acervo pessoal de Noliana Sousa Silva

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Foto 18 – Área de Inumação perpétua adulta. Fonte: Imagem do acervo pessoal de Noliana Sousa Silva

Foto 19 – Área de Inumação temporária. Fonte: Imagem do acervo pessoal de Noliana Sousa Silva

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Foto 20 – Área de temporária infantil. Fonte: Imagem do acervo pessoal de Noliana Sousa Silva

Foto 21 – Condições físicas das sepulturas adultas. Fonte: Imagem do acervo pessoal de Noliana Sousa Silva

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Foto 22 – Monumento para queima de velas. Fonte: Imagem do acervo pessoal de Noliana Sousa Silva

Foto 23 – Monumento das autoridades municipais. Fonte: Imagem do acervo pessoal de Noliana Sousa Silva

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Foto 24 – Residência na divisa do cemitério. Fonte: Imagem do acervo pessoal de Noliana Sousa Silva

Foto 25 – Caçamba de resíduos sólidos e restos exumados. Fonte: Imagem do acervo pessoal de Noliana Sousa Silva

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Foto 26 – Resíduos sólidos sendo queimados no meio das quadras. Fonte: Imagem do acervo pessoal de Noliana Sousa Silva

Foto 27 – Resíduos sólidos sendo queimados ao ar livre. Fonte: Imagem do acervo pessoal de Noliana Sousa Silva

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Foto 28 – Placas sucatadas e descartadas incorretamente. Fonte: Imagem do acervo pessoal de Noliana Sousa Silva

Foto 29 – Área desativada. Fonte: Imagem do acervo pessoal de Noliana Sousa Silva

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08- ESTUDOS ESPACIAIS E CAPACIDADE FÍSICA DO CEMITÉRIO PARQUE SENHORA DA PAZ Os dados abaixo foi um estudo elaborado pela PMI – Prefeitura Municipal de Ipatinga, com intuito de demonstrar a capacidade física do atual cemitério Parque Senhora da Paz, como citado nos textos anterior.

Números de sepulturas existentes nas quadras de inumação.

Gráfico 1. Quadras de sepulturas perpétuas. Fonte: PMI – Prefeitura Municipal de Ipatinga.

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Gráfico 2. Quadras de sepulturas temporárias. Fonte: Autor PMI – Prefeitura Municipal de Ipatinga.

Gráfico 3. Quadra de sepulturas infantil até 1 ano. Fonte: PMI – Prefeitura Municipal de Ipatinga.

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Gráfico 4. Área do monumento. Fonte: PMI – Prefeitura Municipal de Ipatinga.

Gráfico 5. Quadras de sepulturas adolescentes. Fonte: PMI – Prefeitura Municipal de Ipatinga.

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Gráfico 6. Quadras desativadas/crianças. Fonte: PMI – Prefeitura Municipal de Ipatinga.

Gráfico 7. Porcentagem das quadras. Fonte: PMI – Prefeitura Municipal de Ipatinga.

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GRÁFICOS DE SEPULTAMENTO EM PERÍODO DE SEIS ANOS

Gráfico 8. Inumações de 1974 à 1979. Fonte: PMI – Prefeitura Municipal de Ipatinga.

Gráfico 9. Inumações de 1980 à 1985. Fonte: PMI – Prefeitura Municipal de Ipatinga.

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Gráfico 10. Inumações de 1986 à 1991. Fonte: PMI – Prefeitura Municipal de Ipatinga.

Gráfico 11. Inumações de 1992 à 1997. Fonte: PMI – Prefeitura Municipal de Ipatinga.

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Gráfico 12. Inumações de 1998 à 2003. Fonte: PMI – Prefeitura Municipal de Ipatinga.

Gráfico 13. Inumações de 2004 à 2009. Fonte: PMI – Prefeitura Municipal de Ipatinga.

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Gráfico 14. Inumações de 2010 à 2015, através de estimativas. Fonte: PMI – Prefeitura Municipal de Ipatinga.

Para a análise do gráfico 14, do ano de 2010 até o ano de 2012, designou uma estimativa para o fechamento das inumações até o final fornecido pelo banco de dados do cemitério. Os dados de 2013 foram coletados até o mês 03/2013. Dentro das médias de crescimento analisados no período de 2010 a 2013. Para o ano de 2014 e 2015 criou-se uma tendência das atividades, projetados nos dados dos próximos dois anos, levando ao fechamento do ciclo analisado, para a obtenção dos resultados e a criação de meios para expansão do cemitério.

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ANÁLISE DA MÉDIA DE CRESCIMENTO DAS ATIVIDADES

Gráfico 15. Crescimento das atividades de inumação 1974 à 2009. Fonte: PMI – Prefeitura Municipal de Ipatinga.

Para o gráfico 15 de crescimento anual, observamos que desde a data de 1974 a 1978 a média que seria de 1% já passou para 2% antes mesmos de fechar o período, já do ano de 1979 a 1987 a porcentagem manteve os 2 % nos decorrentes 8 anos de atividades. No ano de 1983 ocorreu um aumento de 3% e esta porcentagem manteve constante até o ano de 2001, estabilizando uma média durante dois períodos em um ano, mantendo 13 anos de atividades sem qualquer aumento. No ano seguinte, em 2002 houve um aumento de 1% fechando com 4% 63


das atividades de inumações, com um acréscimo instantâneo, pois em 2003 o ano voltou ao decréscimo de 1 % fechando o ano com 3% de atividade. Para o último período de análise podemos observar que no ano de 2004 foi fechado com 4% das atividades e com esta média se manteve ao longo do período.

ANÁLISE DE CRESCIMENTO POR PERÍODO ATÉ 2013.

Gráfico 16. Crescimento das atividades de 1974 à 2013. Fonte: PMI – Prefeitura Municipal de Ipatinga.

Gráfico 17. Porcentagem de crescimento das atividades de 1974 à 2013. Fonte: PMI – Prefeitura Municipal de Ipatinga.

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Analisando o ano de 2010 até o inicio de 2013, gráficos 16 e 17, podemos observar que a porcentagem das atividades já chegam à 21%, ou seja, nos quatro anos de atividades a porcentagem já ultrapassou os períodos anteriores. Para concretizar os dados sobre a necessidade de expansão até o ano de 2015, devemos considerar a relação da seguinte fórmula: Resultado = 9.933 x 5,25% = 521,48, sendo 9.933 o número de sepultura e 5,25% a porcentagem de 21% de crescimento das atividades de inumação dividida por 4 anos, ou seja, para atender as necessidades da atualidade do ciclo é necessária a construção de no mínimo 521 unidades de sepulturas anualmente. A grande deficiência hoje para a expansão do Cemitério Parque Senhora da Paz, é a falta de área física para construção de mais sepulturas horizontais, pois todas suas áreas disponíveis se encontram dentro da declividade de 40% consideradas Áreas de Preservação Permanente (APP). As áreas mais baixas possuem espaço físico, mas o solo apresenta alto teor de umidade, sendo ineficiente para o processo de inumação horizontal, pois para a atividade de decomposição do corpo é necessário solos com baixo teor de umidade e com temperatura elevada, pois a temperatura esta ligada diretamente na aceleração do processo da decomposição.

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09- ESTUDO DO OBJETO 09.1- Localização do terreno em estudo O terreno em estudo está localizado na Avenida Londrina, S/N, no bairro Veneza, pertencendo a regional IV, que contempla cinco bairros que totalizam um contingente populacional de 44.580 habitantes. Os bairros pertencentes são: Caravelas, Centro, Novo Cruzeiro, Jardim Panorama e Veneza. A composição do perfil socioeconômico da população das imediações dá-se basicamente por trabalhadores e aposentados da USIMINAS e trabalhadores do comércio formal. Existe uma diferenciação dos bairros da Usiminas, das regionais I e II: Castelo, Cariru, Das Águas, Bela Vista, Bom Retiro, Imbaúbas, Areal, Horto, Santa Mônica, Ferroviários e Vila Ipanema, situados, a maior parte, na bacia do Rio Piracicaba. Comparando com os demais bairros da cidade caracterizam-se pela uniformidade de urbanização, a quase inexistência de lotes vagos e baixa densidade populacional, enquanto os demais, situados na Bacia do Ribeirão Ipanema, embora com idêntica infraestrutura urbana, perdem em uniformidade e caminham para alta densidade populacional. Considera-se o local dotado de boa infraestrutura para atender as necessidades do empreendimento proposto.

Foto Aérea 04: Área de estudo. Fonte: Google Maps - ©2013 Google

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09.2- Entorno imediato Em seu entorno podemos considerar como destaques o centro comercial, bairro residencial, bairro industrial e o domínio da Mata Atlântica, fatores significativos e que devem ser considerados para manter a caracterização da região onde o projeto será inserido. A densidade demográfica dos arredores do terreno é alta, composta por diversidades arquitetônicas sendo estas de características residenciais, mistas e comerciais. Aos fundos observa-se somente uma densa mata nativa e inversamente à sua frente, uma das mais movimentadas avenidas do bairro. Essa característica dualista é determinante para o projeto, que necessita fazer uso das facilidades urbanas e ao mesmo tempo requer um espaço que designe uma transgressão para o descanso após a morte.

Foto Aérea 05: Área de Preservação Permanente e não edificantes. Fonte: Google Maps - ©2013 Google

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09.3– Dados naturais do terreno O local em estudo encontra-se livre de construção, somente com uma grama rasteira, contendo uma pequena porção de arbusto ao redor, cuja sua altura não ultrapasse a metade da altura de um homem. Não possui árvores de grande porte. Apresenta em sua topografia inclinação média, onde o ponto mais alto encontra-se atrás do terreno, caracterizado o terreno em aclive.

Foto 30 – Área escolhida para o projeto. Fonte: Imagem do acervo pessoal de Noliana Sousa Silva

09.4 – Sistema viário A principal via de acesso ao local é a Avenida Londrina, que é caracterizada no sistema viário da cidade como via coletora, que permite receber e distribuir o tráfego de veículos entre as demais vias, apresentando equilíbrio entre fluidez de tráfego e acessibilidade. Esta via oferece facilidade de utilização do transporte coletivo compartilhado com o tráfego em geral.

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Mapa 03 – Avenida de acesso ao cemitério. Fonte: Google Maps - ©2013 Google

09.5- Justificativa de escolha do terreno A escolha do terreno para implantação do cemitério vertical, justifica-se por considerar o local estratégico para desempenhar sua função. Situado próximo a bairros populosos e que se encontram distantes dos demais cemitérios da cidade, apresenta facilidade quanto às vias de acesso e transporte coletivo. Apesar de estar localizado numa via de alto tráfego o local possui aparência tranquila, capaz de remeter uma ideia de descanso.

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10- DIRETRIZES PROJETUAIS 10.1- Conceituação A proposta do trabalho é desenvolver o projeto arquitetônico de uma necrópole vertical para atender a cidade de Ipatinga e toda região que compreende o seu município, enfocando uma arquitetura moderna e introduzindo um novo conceito em sepultamento. Oferecendo uma opção de melhoria que, através dos resultados dos dados coletados em pesquisa denota as deficiências atuais, aliado a isto, um parâmetro de referência marcante e exclusivo. O projeto proposto para o cemitério baseia-se nos princípios da arquitetura pós-moderna, que se caracteriza pela ruptura com os conceitos do movimento modernista, propondo mudanças e a valorização do funcionalismo. Dentro destes princípios, o projeto proposto atenderá a crescente preocupação sanitária e ambiental relacionada ao tema e devido à sua peculiaridade, não acarretará agressões ao meio ambiente. Os espaços serão planejados tendo em vista atender com excelência as famílias nas horas mais difíceis, proporcionando comodidade, respeito, conforto e segurança. A linguagem arquitetônica será adotada de maneira que propicie uma interação com o meio no qual a obra estará inserida, intervindo na paisagem do entorno e agregando valor ao local, preservando ao máximo suas características naturais. A proposta tem por base os correlatos adotados para função e tecnologia. A luz do sol, o céu e a paisagem serão condicionantes para a elaboração da proposta. No aspecto funcional, será considerada a criação dos ambientes mínimos necessários para o funcionamento de cemitérios previstos em lei. Outros espaços que agregam qualidade ao empreendimento serão acrescidos ao programa básico de necessidades, como restaurante, salas de repouso para os familiares, capela e enfermaria. A tecnologia a ser utilizada tem como base a filosofia da arquitetura sustentável conhecida como “green roof” (telhado verde), procurando uma integração entre o meio ambiente e o espaço edificado através da implantação de terraços com utilização de espécies vegetais. Tendo em vista o dimensionamento do terreno e o aspecto tipológico da edificação, uma grande área verde será preservada e um planejamento paisagístico implantado para criar locais indutivos à reflexão e contemplação, bem como espaços 70


destinados a disposição de flores e velas. Pequenas capelas externas, abertas a todas as religiões, serão dispostas para realização de orações.

10.2- Programa de necessidade A definição do programa de necessidades constitui-se numa importante etapa metodológica, atuando como principal elemento para o desenvolvimento projetual, classificando o conjunto de necessidades funcionais correspondentes à utilização dos espaços internos quanto à sua divisão em ambientes, recintos ou compartimentos, requerida para que uma edificação tenha um determinado uso. O cemitério vertical será constituído de uma infraestrutura com capacidade de oferecer total comodidade aos seus usuários, e a caracterização de suas atividades funcionais serão de acordo com a classificação abaixo:

Área de visitantes: • Hall de entrada; • Recepção e informações; • Floricultura; • Lanchonete; • Salas para velório; •Capela Ecumênica (aberta a todos os credos e raças); • Lóculos; • Ossuários; • Enfermaria; • Instalações sanitárias para o público, separadas por sexo e para os portadores de necessidades especiais; • Terraços jardins; • Espaços ao ar livre para orações; • Locais externos para disposição de flores e velas; • Estacionamento.

Área de serviços: • Administração; • Financeiro; 71


• Recursos humanos e arquivo; • Secretaria e recepção interna; • Depósito de materiais de limpeza; • Depósito de materiais e ferramentas; • Cozinha; • Despensa; • Refeitório para os funcionários; • Lavanderia; • Rouparia; • Sala de preparação de cadáveres; • Sala de confecção de coroas; • Vestiários e instalações sanitárias para os funcionários separadas por sexo; • Guarita de segurança e sistema de vigilância através de câmeras; • Estacionamento funcionários; • Carga e descarga.

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11- CONCLUSÃO Dentre tantos estudos, pesquisas, análises e observações, percebe-se que o período globalizado exige cada vez mais que se inove, ou até mesmo que fatores inéditos surjam no intuito de propiciar mais conforto aos que estão inseridos no sistema populacional. Sendo assim, o seguinte trabalho consistiu em propor para o TCC2 o desenvolvimento de um projeto de arquitetura de um cemitério vertical no município de Ipatinga, observando os já existentes na região. A problemática explicitada no decorrer do trabalho é a análise, diante do compromisso e dever da sociedade de zelar pelo corpo do ser humano enquanto pós-vida, do porque dos usos sócio-espaciais, da utilização de espaços de grandes dimensões para a construção de novos cemitérios convencionais, uma vez que estes já se encontram saturados. Os cemitérios convencionais podem trazer sérias consequências ambientais, em particular sobre qualidade das águas subterrâneas. A sondagem histórica foi fundamental para alcançar os objetivos pretendidos, fazendo necessária a análise dos cemitérios verticais já existentes no Brasil e no mundo. É fundamental para a elaboração do projeto proposto, criar uma tipologia que atenda esta grande mistura de etnias, culturas e povos que formam a nossa sociedade. Portanto, os estudos a respeito do município de Ipatinga, como histórico, população, cultura e entre outros foi decisivo para o projeto. Os resultados obtidos na pesquisa de campo foram determinantes para a elaboração do projeto do cemitério vertical no referido município, podendo solucionar grande parte dos problemas atualmente detectados, reduzindo os que por acaso possam existir no que se refere à ocupação de mais terrenos para determinados fins, não deixando de cuidar dos corpos cadavéricos. A linguagem arquitetônica propiciará uma relação do meio com a obra, influenciando positivamente a paisagem local, no intuito de conservar ao máximo suas características naturais, valorizando-a. Os cemitérios verticais resolvem o problema da falta de espaço, e permitem um maior controle do destino do cadáver, sendo que esta alternativa só deve ser adotada perante interesse da comunidade local. E conforme fora abordado, matérias jornalísticas evidenciam a saturação dos cemitérios municipais, demonstrando clara pretensão pela busca de soluções eficazes para adequação dos problemas citados, 73


que podem ser alcançadas pela aplicação do projeto elaborado no presente trabalho de conclusão de curso. Todos estes dados conduziram às determinantes técnicas abordadas no estudo do objeto e diretrizes projetuais, oferecendo viabilidade à proposta do TCC2 e atendendo melhor a necessidade da população.

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12- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALBERTIN, R.M.,MONDINI, J.M. et al. Análise e identificação dos impactos ambientais da implantação e operação de cemitério vertical. In. Revista. Centro de Ciências Agrárias - Universidade Federal de Roraima, Boa Vista, RR.2013 www.agroambiente.ufrr.br Acessado em: 19/04/2013. CAMPOS A.P. S – Universidade de São Paulo – USP. Avaliação do Potencial de Poluição no Solo e nas Águas Subterrâneas Decorrente da atividade cemiterial. São Paulo 2007.

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14 – ANEXO

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Cemitério Vertical Sustentável - Noliana Sousa Silva