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7 DE NOVEMBRO

FAITH NO MORE

JANE’S ADDICTION • DEFTONES ONES SEPULTURA • NAÇÃO ZUMBI BI

8 DE NOVEMBRO

EVANESCENCE

PANIC! AT THE DISCO • DIR EN GREY ED DUFF MCKAGAN’S LOADED MAIS ATRAÇÕES NO PALCO SHOW ESPECIAL DANKO JONES ES CHÁCARA DO JOCKEY | SÃO PAULO AULO

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CONTEÚDO_ Life Is Music // Leia Isto // News // Bandas Que Você Não Conhece // Online // Move That Jukebox // Os Mutantes // Abbey Road // Fred 04 // VizuPreza // FFW & REW // Those Dancing Days // Reviews // Cinema // Shows // Fotos // Jammin’

REDAÇÃO: Bruno Felin bruno@noize.com.br Carolina De Marchi carol@noize.com.br Maria Joana Avellar joana@noize.com.br REVISÃO: 
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Fernanda Grabauska

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EXPEDIENTE #28 // ANO 3 // OUTUBRO ‘09_

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EDITORIAL | Os Beatles Atravessaram a Rua.

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E então os Beatles resolveram atravessar a rua. Para quê? Para ver o que tinha do outro lado. Cada um já atravessou pronto para seguir viagem. John, de branco, como aquele que irradia a paz, mesmo que carregue dentro de si muitos conflitos. Ringo e George num caminhar simples e sereno, e McCrtney, sempre à vontade, com os pés descalços e o cigarrinho de quem acabou um serviço bem feito. Abbey Road é um trabalho impecável, mesmo que tudo nele tenha um quê de improviso. O medley, por exemplo, é uma reunião de músicas inconclusas. E é o máximo. A famosíssima capa foi a alternativa para a intenção frustrada de Lennon, que queria uma foto dos quatro no pico do Everest. E, metáforas à parte, eis um disco a ser colocado no topo de qualquer montanha. Está perto do céu, como as coisas simples da vida. Assim tratamos Abbey Road na matéria de capa: como um personagem, tão puro que mesmo suas amenidades, suas sutilezas, seus detalhes podem ser contados como a pequena história dos grandes. Só por isso, Abbey Road convive em paz ao lado das outras matérias da edição: entrevistas com Os Mutantes, Those Dancing Days, que também emprestam os rostos suecos para nossos cliques; com Fred 04, que vem falar mais do mesmo com propriedade e iluminação. Com essas matérias e todo o resto, a NOIZE #28 atravessa a rua sem olhar para os lados. que outrora muito se emocionaram ouvindo-o; com as meninas do


_foto: felipe neves

_dir. arte: raafel rocha

life is music


NOME_ Felipe Ricotta aka Mano Kiabbo PROFISSÃO_ Artista sensível com feeling UM DISCO_ Superdrag | In The Valey of Dying Stars

“Música é o que eu sei fazer melhor... ah, não sei, que pergunta difícil! Música é tipo tu comer um frango quando está com fome; isso é música. É o jeito que eu me expresso melhor. Eu tenho um disco chamado “Você não entendeu porra nenhuma”, que eu acabei não divulgando por causa do estouro do 15 Minutos. E o Superdrag, ah, o Superdrag é uma banda megainjustiçada, muito pouco conhecida no Brasil, e que é tão foda quanto qualquer outra dessas que os caras curtem. Eles optaram por seguir um caminho mais escondido, experimentaram o mainstream e não concordaram com algumas coisas.”


“Os Strokes são um júri musical difícil. Portanto, se alguma música vai sobreviver, ela tem que agradar a cinco caras incrivelmente exigentes. Essa é a parte boa da banda, mas às vezes pode ser um pouco sufocante.” Julian Casablancas| Strokes

Nate Donmoyer | Passion Pit

LEIA ISTO “Eu sempre tive inveja de pessoas que conseguem se sair bem sendo tão minimalistas e perfeccionistas. Talvez quando tivermos 45 anos e formos suecos nós sejamos mais detalhistas.”

leia isto_

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“Dizem que negros não vendem revistas, só esperem para ver…” Michael Jackson | Em 1983...

“Nós nunca usamos computadores. Eles são muito perigosos. Nós fazemos música desde criança e sabemos como tocar bem, então não precisamos de máquinas para fazer isso pela gente.” Nicolas Godin | Air

“No final, o amor que você recebe é igual ao amor que você gera.” Paul McCartney


_FRED ZEROQUATRO, JOHN LENNON, LIAM GALLAGHER, JULIAN CASABLANCAS

“Nós acabamos o Oasis. Ninguém acabou a banda pela gente, o que, de certo modo, é legal.” Liam Gallagher | O caçula

Jake Burns | Stiff Little Fingers

“Em 1977, o punk rock era muito empolgante. Parecia que todo mundo tinha uma guitarra e algo a dizer. E rapaz, eles fizeram ótimos discos. Tem uma velha expressão que diz que todo mundo traz um livro dentro de si. Bom, lá em 77 parecia que todas as bandas tinham pelo menos uma grande música dentro delas.”

Eu acho do caralho isso tudo [de baixar MP3]. Acho que se não existisse isso, Os Mutantes não teriam voltado. Eu acho maravilhoso, extremamente positivo e é isso que a gente quer.

Sérgio Dias | Os Mutantes

“Se a indústria some de vez, desde os medalhões, todo mundo que é referência vai ter de partir pra lei de incentivo. Será que o guarda-chuva vai abrigar desde Roberto Carlos até Mundo Livre, fora os novos que vão surgir? O pior cenário é o fim da indústria, por mais perversa que ela seja.” Fred 04| Mundo Livre S/A

“Oh, Deus, eu estou como Tia Mimi, rastejando com meu robe pela casa, alimentando os gatos e cozinhando e servindo uma xícara de chá. Essa dona de casa quer uma carreira!” John Lennon | Segundo Paul McCartney, na última conversa dos dois.

“Goodbye cigarettes, alcohol, recreational pharmaceuticals. Hello, um, whatever else is left... cheese plates?” Mark Ronson | Produtorzaço

9 noize.com.br


NEWS

_PUBLIC ENEMY, THOM YORKE, AC/DC, VMB, LEGIÃO URBANA

Robert Downs/Divulgação

ou oldies, depende do ponto de vista.

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compre uma banda Vender discos e lucrar com o mercado fonográfico tem sido o desafio da última década. Dez anos atrás o Public Enemy assinava um contrato com o Atomic Pop, um selo online que se dizia a gravadora do século XXI, para lançar o disco There’s a Poison Goin’ On para download por um mês, exclusivamente no site. O álbum custava US$ 10 na época e foi uma estatégia bastante inovadora naquele ano pré-processo do Metallica contra o Napster. Foi a primeira banda estabelecida no mainstream a acreditar no uso da rede como forma de atingir um outro mercado. Dez anos depois, Chuck D e companhia fazem outra tentativa de quebrar os padrões da indústria fonográfica. Eles acabam de aderir ao site Sellaband.com para arrecadar fundos para financiar seu 13º disco de estúdio. Funciona assim: o Public Enemy quer arrecadar US$ 250 mil dos fãs. Cada um paga quantas vezes quiser e assim acumula vantagens, além de uma partipação nos lucros das vendas. Por exemplo: US$25 dão direito ao disco para download e versão física com número exclusivo no Digipak; US$500 dão direito a uma camiseta, o CD autografado e nome nos agradecimentos do encarte. Quem paga US$10.000 assina a direção executiva, participa das gravações, ganha 3 anos de passe livre no camarim e outras coisas que todo fã endinheirado sonhava em conseguir.  Será o futuro? Confira nesta edição o bate papo que tivemos sobre isso com o Fred Zero Quatro, do Mundo Livre S/A.


_Beck - Sea Change :: Bob Dylan - Bob Dylan :: Banda Gentileza - Banda Gentileza :: Jamiroquai - Travelling Without Moving :: Public Enemy - It takes a nation of millions to hold us back

_ouca agora ´

__AC/DC | O show do AC/ DC em São Paulo, que acontece no dia 27 de novembro no estádio do Morumbi, está causando tensão nos fãs desde que foi anunciado, no começo de setembro. Primeiro, a data do show no Brasil desapareceu temporariamente do site oficial da banda, causando rumores de que a turnê havia sido cancelada. Depois, o problema foi o fim repentino dos ingressos, que custavam entre

R$ 150 e R$ 300 e esgotaram poucas horas após serem colocados à venda. Muitos enfrentaram horas de fila nos postos de venda sem conseguir o seu ingresso. Por fim, os cambistas, que não são bobos, apresentaram sua nova arma: venda de ingressos online. A pergunta que não quer calar é: por que apenas uma data no vasto território tupiniquim?

Marcos Issa/Argosfoto

flick.com/Xiaozhuli

Silvio Tanaka

__THOM YORKE SOLO | O vocalista do Radiohead, Thom Yorke, recrutou nomes de peso para a banda de apoio do seu projeto solo. Flea (baixista do Red Hot Chili Peppers), Mauro Refosco (multi-instrumentista brasileiro), Joey Waronker (colaborador do REM) e o produtor Nigel Godrich já até fizeram alguns shows nos Estados Unidos para tocar músicas do The Eraser, primeiro disco de Yorke, lançado em 2006. A idéia era fazer shows com espírito de ensaio para ver se iria funcionar. Os vídeos dessa reunião você confere no site da NOIZE.

__2010 VEM COM TUDO | Franz Ferdinand e Coldplay anunciaram suas turnês pelo Brasil em 2010. O Franz passará por Porto Alegre (18/03), Rio de Janeiro (19/03), Brasília (21/03) e São Paulo (23/03). Os ingressos começam a ser vendidos no dia 19 de outubro, mas os detalhes ainda não foram divulgados. Já o Coldplay fará shows nos dias 28/02 no Rio de Janeiro (Apoteose) e 02/03 em São Paulo (Morumbi), porém não havia informações sobre os ingressos até o fechamento desta edição. Existem ainda boatos fortes da vinda de Metallica, Paul McCartney, U2 e Bon Jovi (este previsto para 7 e 8 de novembro do ano que vem).

Divulgacão

ON THE ROAD | britta person _Melhor coisa de sair em turnê Ir a bons restaurantes e tomar muitos drinks. _Pior coisa de sair em turnê Perder ou ter a bagagem roubada. _Melhor comida de turnê Salada com carne, sushi e pão preto com frutas no café da manhã.

5 Discos Para Se Ouvir Na Estrada: _Michael Rother - Gloria _M83 - Saturday=Youth _Arcade Fire - Neon Bible _Fleetwood Mac - Rumour _Bad Hands - Take the money and run 11 noize.com.br


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NEWS Marcos Issa

Ariel Crowd

__O VMB É DA GALERA | Não existem muitas premiações de música com grande exposição no Brasil, e certamente nenhuma como o VMB. A festa da MTV foi, por muito tempo, a referência em premiações para a nova cultura, mas já faz algum tempo que parece não empolgar muitos artistas. Mais recentemente, entregando a decisão nas mãos da audiência, deixou definitivamente de ser um prêmio de crítica para ser prêmio de público. O resultado em 2009 reflete isso: se as indicações apontavam para uma interessante democratização das categorias, os vencedores eram sempre os mesmos: Fresno, Cine e Nx Zero, a trinca de Rick Bonadio; o veterano Skank desbancando ótimos videoclipes concorrentes; o ForFun levando a categoria rock. Perder o VMB já não tem o mesmo gostinho. Patrick Grosner/Porão do Rock

__LEGIÃO IS BACK? | Um suposto Legião Urbana fez o primeiro show desde a morte de  Renato Russo. A volta aconteceu em Brasília, no Porão do Rock. Uma rosa branca no microfone central do palco indicava que apesar do retorno, não há substituto para Renato Russo. Dado

__NEW STROKES | Quando Thin Lizzy encontra A-Ha, o que se tem? O novo álbum do Strokes. É o que afirmaçou Julian Casablancas ao NME. Segundo o vocalista, o trabalho de inéditas só depende de os cinco integrantes reunirem-se em uma sala. “Os Strokes são um júri difícil, se alguma música vai sair, ela tem que agradar a cinco caras muito exigentes”. Bom. Divulgação

__LOOLAPALOOZA COMES TO BRAZIL | Um dos maiores festivais do mundo, o Lollapalozza, poderá ser realizado no  Brasil. O vocalista do  Jane’s Addiction  e idealizador do evento,  Perry Farrell, afirmou que está se preparando para isso.“Já estou em negociações com algumas pessoas daí, será parecido com o que fazemos nos EUA, com muitas bandas de rock e DJs de eletrônica”, contou o músico.

Villa-Lobos (guitarrista) e Marcelo Bonfá (baterista) tiveram o apoio de uma banda formada por músicos uruguaios, e vocalistas convidados como André Gonzalez (Móveis Coloniais de Acajú), Toni Platão e Herbert Vianna, entre outros. A última apresentação da banda havia sido em Santos, em 1995.


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bandas que voce nao conhece mas deveria conhecer_ Lucas Bori

MAYRA ANDRADE Origem: Cabo Verde Som: Poderia ser da safra nova da MPB, mas sua voz é diferente, a língua às vezes é o crioulo ou o francês. Só a Mama África é que segue irrefutável. Escute: Stória, stória; Navega; Morena, menina linda myspace.com/mayraandrade

VOLCANO CHOIR Origem: Wisconsin, EUA Som: Bon Iver e cia. podem não concordar, mas o som do Volcano Choir concorda muito com o de Animal Collective. Para quem gosta de tentar assimilar a nova psicodelia. Escute: Island, IS myspace.com/volcanochoir

LOCAL H Origem: Illinois, EUA Som: Sabe os duos de rock muito bons, tipo Old Romantic Killer Band? A Local H é a mãe de boa parte deles. Tem o espírito do grunge e do indie original, mas não parou no tempo. Escute: Bound for the floor, Michelle Again, California Songs myspace.com/localh

lucas santtana Mesmo que sem querer, Lucas Santtana dá prosseguimento à tradição baiana de renovar e refrescar a memória da MPB. O compositor tenciona os limites da música brasileira, atualizada em linguagem e timbre e mesclada com o folk, o rock e a psicodelia de um jeito novo. Mesmo que o “Sem Nostalgia” que dá título ao seu mais recente álbum aponte para a negação de comparações descabidas, como Tom Zé, e outras plausíveis, como Caetano no exílio (justo no seu disco com mais canções em inglês). Mesmo que Lucas cometa a proeza criativa de usar o violão como instrumento também de percussão, e o violão e a voz como coluna vertebral de um disco que não se entrega a lugarescomuns nem brasileiros, nem de fora. Claro, Lucas não deixa de beber de Lou Reed e lembrar Júpiter Maçã (“Who can say which way?”) em sua criativi-

dade. Os arranjos chegam ao ápice de equilíbrio entre o tradicional e o contemporâneo em “Cira Regina e Nana” e “O Violão de Mario Bros”, uma mais pop e próxima do nordeste, outra mais experimental. E mesmo quando muito lembra Caetano em Londres, é muito bom. Quer dizer, é um bom sinal que “Natureza Nº 1 em Mi Maior” caiba tão bem como precedente a “Santa Chuva”, de Marcelo Camelo, em uma lista de mp3. São dois compositores contemporâneos que caminham desprevenidos em meio à MPB sob o risco de atualizá-la. Escute: “Amor em Jacumã” e “Ripple of the water, que se fossem de Caetano não seriam boas assim. A psicodelia de “I can’t live far from my music”, tão jamaicana, inglesa e brasileira de uma vez só. Mas apenas Sem Nostalgia inteiro pode evitar conclusões simplistas.


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bandas que voce nao conhece mas deveria conhecer_ Divulgação

ASOBI SEKSU Origem: Brooklyn, NY, EUA Som: O pop estimulante e sonhador do Asobi Seksu é um Passion Pit sem o componente negro, mas com a vantagem de prescindir dos falsetes. Escute: Thursday, Layers, Me and Mary myspace.com/asobiseksu

TRIBES OF THE CITY Origem: Letônia Som: Shoegaze do Leste Europeu com vocais femininos ainda melhores do que o necessário, tem agradado muito o público do velho mundo. Escute: You act like a baby, A Dream, A Day in the City myspace.com/tribesofthecity

INKAKTUS PROLE Origem: São Paulo, SP Som: Escutar o reggae-rock da Inkaktus Prole na ordem do CD revela que, além do som legal, os caras têm boas ideias para refrescar o gênero que reinou nos anos 1990. Escute: Xananã, City Tour, Ménage. myspace.com/inkaktusprole

cut city Em 2007, na expectativa para o lançamento de Our Love to Admire, do Interpol, um espertinho jogou na rede uma música que, com algum esforço, até poderia ser da turma de Paul Banks. Na realidade, tratava-se de “Like Ashes, Lime Millions”, dos suecos do Cut City. A banda faz número dentre os discípulos do Joy Division. Pode-se afirmar, fácil, que se aproxima de Ian Curtis mais do que os nova-iorquinos do Interpol ou os ingleses do Editors. Claro, tal qual esses outros postpunkers modernos, o som aqui é bem menos minimalista, com mais momentos de fúria. Até porque, em 1978, a música que resultava da angústia e do mal-estar do pós-punk eram relativamente mais impactantes do que os momentos mais barulhentos de qualquer banda que os emule nos dias de hoje. Mas mantém o baixo pulsante, os riffs

extremamente simples, a bateria reta e seca. E claro, é nas dissimulações que uma banda com referências tão evidentes pode mostrar valer a pena. Em Exit Decades, “Such Verve e “Manoeuvers” dão à energia punk a cara do indie rock dançante dos anos 2000. “Damaged” evidencia a métrica parecida com a do pai Curtis, cuja imagem em semi-marcha no palco vem à mente em momentos diversos da música. Mas é em “Ulyssian Widow, do EP de 2009 Narcissus Can Wait, que o início dos anos 1980 bate forte, nos riffs de guitarra, na bateria que conclama para a batalha. Escute: “Like Ashes Like Millions”, que abre Exit Decades e abriu os olhos dos internautas para a música do Cut City. “Departure in Particular”, que afasta o grupo de comparações com o Interpol e mostra um lado mais New Order.


entrevistas por messenger sem maquiagem

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online _wearephoenix.com/journal/ O blog do Phoenix contraria a tendência dos blogs empoeirados da maioria das bandas. Sempre muito bem abastecido.

ARCTIC MONKEYS @ CRAIG FERGUSON _Os Arctic Monkeys vão ao talk show de Craig Ferguson interpretar uma das melhores e mais alegres canções de seu novo disco, Humbug. Dá para curtir os novos passos de Alex Turner e cia., que encarnaram os anos 70 até nas roupas.

_reboard.tv O documentário animal de Sesper, trabalhos de muitos artistas e um acervo legal relacionado a história do Shape Art no Brasil.

Tags: arctic cornerstone craig

mp3 11th Dimension | Julian Casablancas Legal o encontro de Strokes com New Order com Bowie (Plágio de “Rebel Rebel”?). Mas já estão abusando dela.

Flaming Lips | i can be a frog _No recém-lançado videoclipe de “I Can Be a Frog”,Wayne Coyne e banda têm a companhia de Karen O que faz barulhos estranhos como pano de fundo para os movimentos bizarros de uma menina de biquini que é transformada em sapos, patos, gatos etc.

Horchata | Vampire Weekend Faixa que abre Contra, o novo dos outrora hypados Vampire Weekend. Love Like a Sunset (Animal Collective Remix) | Phoenix Fica massa quando uma das bandas mais doidas do indie pop remixa uma das mais saborosas.

Tags: flaming lips frog

tim maia | que beleza

tiny urls bit.ly/fotosdomuro Exposição de fotos do muro de Berlim

_Estaria Tim Maia sóbrio nesta que é uma das primeiras apresentações do que viria a ser seu Racional vol. 1? Nesta pérola, Tim recomenda o livro do Universo em Desencanto e bota muita força black cantando “Que Beleza” do fundo da alma.

bit.ly/fotoschernobyl Fotos de Prypiat, cidade da Usina Nuclear de Chernobyl. Eis o que sobrou da brincadeira de mau gosto.

Tags: tim maia que beleza televisao

bit.ly/capaspolemicas As mais polêmicas capas de revistas gringas.

ida maria feat iggy pop kings

of convenience boat behind novos baianos radiola

alice in chains check my brain beatles

there are listed buildings i

making of amigos do tempo

worst cover phoenix conan

cut like a buffalo dont text and drive paranormal activity

Biafra voar voar mika poker face dylan brazil series


_HATCHAM SOCIAL, RIVERS CUOMO, ABOUT US, NOEL GALLAGHER

movethatjukebox.com

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move that jukebox

__As escalações foram fechadas: e aí, você fica com Planeta Terra ou Maquinaria? _Festival Planeta Terra _Maquinária Festival _Planeta Terra sábado e Maquinaria domingo _Nenhum, fico em casa comendo miojo. vote em movethatjukebox.com __Resultado da Enquete de Agosto Qual foi o melhor disco do ano? _Cachorro Grande – Cinema: 51% _Banda Gentileza – Banda Gentileza: 17% _Móveis Coloniais de Acaju – C_mpl_te: 7% _Outros 25%

__O mais querido | Noel Gallagher, depois de sua fatídica saída do Oasis, está mais requisitado que nunca. O músico inglês foi chamado para gravar um comercial para a Adidas junto com Ian Brown e Daft Punk. Noel também já foi citado como um possível produtor do quarto disco do grupo britânico Razorlight. Já o Kasabian, banda muito amiga do Gallagher mais velho, avisou da participação do guitarrista nos shows da banda na Inglaterra, em novembro. Será que vai sobrar tempo para um projeto solo do ex-líder do Oasis? Seu irmão Liam, por sua vez, contou ao NME que está pronto pare seguir os próprios passos. Ou seja, como já estava claro, o Oasis não segue sem Noel.

__Festival verde | Além do Festival Planeta Terra, que acontece no começo de novembro em São Paulo, a cidade sediará no dia 22 do mesmo mês mais uma edição do festival politicamente correto About Us. Por enquanto, somente duas atrações internacionais estão confirmadas: Jason Mraz e Sting. Mraz ainda se apresentará nas cidades de Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro e Porto Alegre.

flickr.com/jules2view

enquete

__Cuomo – figura excêntrica | O novo disco do Weezer tem tudo para se tornar um dos mais peculiares da banda. Começando pela estranha capa (um cachorro pulando no meio de uma sala) e pelo próprio nome do disco – Raditude. Não satisfeito com tanta bizarrice, Rivers Cuomo, vocalista do Weezer, ainda chamou o rapper Lil Wayne para participar de uma das faixas do disco. Raditude será lançado no final de outubro, via Geffen.

Divulgacão

_Hatcham Social É provável que o indie-rock londrino seja uma das coisas mais bonitas da nossa época, e a toda hora aparecem grupos para provar que estou longe de estar errado. A última novidade da cena é o quarteto Hatcham Social, que preserva grande história de interação com outros grupos: o baterista Finnigan Kidd, além de ter fundado o Klaxons, é integrante do supergrupo inglês The Chavs, um mix de We Are Scientists, Dirty Pretty Things, The Charlatans, Primal Scream e, sim, Klaxons. Embora o primeiro disco do Hatcham Social,You Dig The Tunnel, I’ll Hide The Soil, não tenha ganhado uma turnê só pra ele, levou o grupo a uma longa viagem com o The Horrors, um dos mais estimados do garage rock atual. O som do Hatcham, no entanto, não passa muito perto disso: o quarteto chega a beirar o indie-pop em algumas faixas, mas na maioria de suas composições exibe um toque menos festeiro de Maximo Park.

Divulgação

moving


_texto e fotos LUIZ SILVEIRA os mutantes

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“Oh, my god! You’re covering Os fucking Mutantes!”, gritou Carl Carpenter, da imprensa de Minneapolis, quando soube que eu cobriria a banda por toda a costa oeste dos Estados Unidos. Sem exageros, esse é o tipo de reação que tenho ouvido toda vez que o assunto é Os Mutantes por aqui. Sempre fui muito fã da banda, mas presenciar americanos tietando os nossos conterrâneos traz ainda mais empatia com estes que são hoje os maiores exportadores da nossa musicalidade. 
Depois de anunciados os mais de 30 shows pelos Estados Unidos e Canadá, ligo para Bia Mendes, a nova vocalista da banda, e digo que vou cruzar os país para acompanhar o começo desta turnê. “Olha só, eu vou te garantir por minha conta”, diz ela. Com o aval de Sérgio Dias, sigo meu rumo e presencio shows inesquecíveis – o primeiro, em Los Angeles, dois shows em San Francisco, num teatro cheio de loucos em Portland e outro no festival Bumbershoot, em Seattle. Finalizo a maratona em Nova York, onde tenho a chance de acompanhar o dia a dia da banda. Chego ao Webster Hall às 14h30min. Eles estão saindo para comer uma pizza enquanto Sérgio Dias tira uma siesta no camarim. No caminho, converso com Lourdinha, mulher de Sérgio, sobre a turnê americana. Cada dia em uma cidade, sem tempo para turismo ou até mesmo para lavar as roupas! Aquele mito da vida boa e glamurosa de rockstar acaba ali mesmo, com Lourdinha me explicando sobre o trabalho intenso de todos os integrantes pro show continuar. Lá pelas 17h, resolvem ir para a Guitar Center+1 fazer compras. Vinícius Junqueira, baixista, a procura do seu pedal overdrive, Vitor Trida, guitarrista, se perde na

seção de violões, enquanto eu e a lenda Dinho Leme ficamos procurando novas baquetas. “Meu, preciso comprar uma bag para essas baquetas porque já perdi várias”, diz ele enquanto testa uma por uma. Na volta ao Webster Hall, vou ao encontro de Sérgio Dias para tentar arrancar uma entrevista. Ele já está cercado o suficiente, falando para uma rádio nova-iorquina. Na passagem de som, muita descontração e humor, uma palhinha de “I Feel Fine” e “Yesterday” dos Beatles e uma veia mais pesada de Vitor Trida, que toca uns riffs de Black Sabbath nos intervalos. Após a passagem, Sérgio me diz que vai poupar a voz e adia a entrevista novamente. O show é um festival de alegria. Muito humor, muitas homenagens e muito rock ‘n’ roll, com direito a bis e palmas incessantes.Vou encontrar a banda e dou de cara com Os Mutantes comemorando no backstage com muita emoção. Ver a cara de felicidade e dever cumprido de cada um deles é uma cena que eu nunca vou esquecer. Após esse dia mitológico, consigo a confirmação de uma entrevista com o Sérgio por telefone. Segue o papo descontraído que tive com o mestre, pouco antes de um show em Lexington, Kentucky. 
 Eu pude acompanhar os primeiros shows da banda, a plateia estava alucinada. Exato! Foi maravilhoso! Ontem a gente tocou em Columbus, Ohio. Hoje a gente está em… onde mesmo? Não sei nem mais onde estou (risos). Kentucky! E, po, o lugar é maravilhoso, só tem gente legal. Sabe aquele sonho que a gente queria que fosse aí no Brasil? Tá acontecendo E o show no Webster Hall trouxe muitas memórias? Foi um dos primeiros palcos da volta dos Mutantes em 2006, e foi a cidade em que

[+1] Rede de lojas de instrumentos, das maiores do mundo. [+2] Veja vídeos no YouTube: tags: os mutantes webster hall

35 >> noize.com.br


os mutatantes

36 você viveu e trabalhou durante os anos 80. Foi muito bom. Não sei de onde eu tirei aquele “Start spreading the news” (parafraseando a famosa música de Frank Sinatra) quando entrei no palco! Melhor e mais sincera maneira de expressar o que eu sentia. “I’m here to stay” (substituindo o “I’m leaving today”). I want to be a part of it. New York, New York!”. Aqui é meu quintal, né, bicho, numa boa. Muito bom estar de volta aqui. Inúmeras publicações americanas e europeias como SPIN, Rolling Stone e The Guardian, tem elogiado muito o lançamento de Haih Or Amortecedor+2. No Brasil a gente já percebe uma crítica muito mais pessimista. Eu fico muito triste de ver o Brasil ser tão burro com essa questão. Eles não estão entendendo que quanto mais a gente se der bem aqui, mais o Brasil vai se dar bem. A gente está sendo elogiado pela crítica americana, que não é brinquedo, não é uma crítica de mentira. São profissionais extremamente competentes das revistas mais importantes dos EUA e do mundo. Puta merda, não dá pra ter tantos elogios quanto a gente tem recebido. Eu sei que o público gosta. Isso é o que interessa. Não é por causa de um crítico que não gostou do álbum que eu vou me preocupar. Eu não tô nem aí pro crítico, entende? A crítica é historicamente não muito amigável com Os Mutantes. Bicho, Os Mutantes enfrenta crítica desde que nasceu e eles estão tendo que engolir a gente desde então. Com Arnaldo, sem Arnaldo, com Rita, sem Rita, comigo, sem “migo”, onde for. Eles vão ter que aguentar porque a gente faz música boa! I’m sorry! Desculpe!

[+3]

O público que sempre esteve presente. Sempre esteve com a gente e são maravilhosos, entende? Você vê a recepção que Os Mutantes teve na Virada Cultural em São Paulo depois de Arnaldo e Zélia terem saído. 80 mil pessoas, 3h da manhã e com 12 shows acontecendo simultaneamente. Então, bicho, olha, o público fala. Ontem, por exemplo, americanos que vieram do nada e ouviram o som pela primeira vez, disseram que gostaram das músicas novas até mais do que as antigas. E como será o Haih Or Amortecedor nacional? Na realidade nós temos umas 18 músicas. Não deu pra botar todas nesse disco. Então, o disco brasileiro, se for

sair, vai sair com músicas diferentes da versão americana. Teve bastante espaço criativo pros novos integrantes? Como vi pelas composições do guitarrista Vitor Trida. Total espaço, lógico. Todo mundo teve espaço. Este é um disco de banda, sem dúvida. A participação de Tom Zé foi fundamental. Como foi esse retorno tropicalista? Foi no aniversário de São Paulo, primeiro show que fizemos no Brasil. Encontrei com ele e disse: “O meu, vamos fazer música” e ele disse “Na hora”. Aí rolou uma empatia que já existia há tempos, mas nunca foi vivida realmente. Ele tem sido um dos melhores parceiros que eu já tive, se não o melhor. Muita gente conheceu os Mutantes graças ao MP3. O novo CD já vazou na Internet. Qual sua opinião em relação ao uso de MP3 para divulgação d’Os Mutantes? Eu acho do caralho isso tudo. Acho que se não existisse isso, Os Mutantes não teriam voltado. Eu acho maravilhoso, extremamente positivo e é isso que a gente quer. Você acha que há um descaso da industria fonográfica brasileira quando não é musica voltada para o mercado? Ah, bicho, ninguém sabe o que vende e o que não vende, entende? Isso aí é tudo papo furado. É basicamente quanto dinheiro você paga pra tocar a música na rádio ou não. O jabá é uma merda. É uma pena que o Gilberto Gil não tenha feito nada a respeito. Ele poderia ter cassado as concessões de rádios que aceitam jabá. Mas o Brasil é muito jovem, a gente já sofreu muito com a ditadura, e isso tudo é muito difícil de resolver em apenas uma geração. Recentemente foi lançado Beyond Ipanema, documentário sobre a musica brasileira que, obviamente, inclui Os Mutantes. Você acha que o Brasil sempre foi tendência no exterior? Dentre as coisas mais importantes que o Brasil tem pra exportar, sua cultura e sua música é sem dúvida um dos grandes diferenciais.


_texto fernando correa abbey road

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Outros lados de Abbey Road A história que segue pode ou não ter passado como um holograma em frente aos olhos de Paul Cole quando, pelos fins de 1970, o vendedor segurou a capa do LP que sua mulher deixara em cima da vitrola nova. Enquanto os dedos femininos tentavam, a algum custo, desferir contra as teclas certas o empenho que se convertia em “Something”, de George Harrison, Cole passou o olho algumas vezes pela cena que estampava o disco. Até que o recanto exato de sua memória foi acessado e ele se deu conta de que talvez tivesse pego carona em um disco dos Beatles. Mal sabia ele que aquela seria a capa de disco mais famosa da história.

No meio da quadra havia um homem... Eram quase 10 horas da manhã de 8 de agosto de 1969, e Paul Cole percebia que, ainda que tentasse, não era um cara muito chegado à arte. Cada vez que a Sra. Cole adentrava mais um museu londrino, a posição de marido provavelmente o lembrasse do trabalho que o esperava em Deerfield Beach, na Flórida. Férias não eram para isso. “Já fomos a museus o bastante, vá você.Vou ver o que se passa lá fora”, disse à Sra. Cole, e antes que ela pudesse choramingar, ele já estava na rua. Na porta do museu, em uma viatura estacionada, um policial cuja idade regulava com a de Cole assistia à movimentação costumeira de Abbey Road. A via tinha um fluxo relativamente intenso, mas o que trazia mais gente àquele trecho entre a Groove End e a Hill era o estúdio que levava o nome da rua, um dos maiores de Londres. Falador, Cole puxou assunto com o guarda. “Belo dia, hein?” “Dia normal, nada de incomum.” “Paradinha estratégica para o lanche?” “É… e para ver o que vai sair daquilo ali…”, disse, acenando com a cabeça em direção à faixa de segurança. Uma pequena movimentação dava a pista de que alguma produção de fotos iria acontecer. Mas Cole, que não era ligado nessas coisas, deu de ombros. A poucos metros dali, Lain McMillan preparava o filme 35mm em sua Leica de lentes russas legítimas, cuidada e acariciada ao fim de cada dia. Quatro homens

eram ajeitados para uma travessia histórica. Repetidas vezes, John, Ringo, Paul e George atravessaram Abbey Road de um lado para o outro, até que houvesse fotos suficientes para o propósito do dia. “Que malucos!”, julgou Cole vendo os quatro elementos, em especial o que caminhava descalço e o cabeludo da frente, de terno branco, líder da bizarra procissão, certamente digna de registro. Encerradas as fotos, os quatro doidões provavelmente sumiram dali enquanto podiam. Alguns anos antes, seria completamente impossível: centenas de garotinhas faziam plantão na porta do Abbey Road Studio, aguardando ansiosas por um aceno do cabeludo, do descalço ou mesmo dos dois mais normaizinhos. Mas disso, Cole não se deu conta – se soubesse que os quatro homens eram The Beatles, não ficaria de papo furado com o guarda. Ninguém estagnaria diante da banda mais importante do mundo. Tivessem os Beatles optado pela primeira ideia de capa para Abbey Road – uma foto das montanhas do Himalaia –, Cole não seria parte de uma das paisagens mais disseminadas pelo mundo (no encarte, em camisetas, canecas, cartões postais, cigarreiras, imãs de geladeira etc.). E o mundo não teria sabido da morte do “homem da capa de Abbey Road”, em 2008, aos 96 anos. É claro, Cole nunca gozou plenamente a fama de pano de fundo para os passos que John, Ringo, Paul e George 39 >> noize.com.br


abbey road

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[+1] Por décadas cultivou-se a teoria de que Paul McCartney morrera em um acidente de carro em 1966 e fora substituído às pressas por um sósia. Os Beatles remanescentes teriam, então, passado a dar pistas sobre a conspiração em letras de música e capas de disco [+2] Até a invenção do LP, em 1948, os discos giravam mais rápido na vitrola, a 78 rpm, e consequentemente cada lado abrigava uma ou duas músicas. Pensados para o emergente rádio, traziam do lado A a música radiofônica, e no B a mais autoral ou a mais fraca. [+3] “And in the end, the love you take is equal to the love you make”

deram, nessa ordem, rumo ao outro lado da rua. Até o Fusca branco experimentou assédio maior nos anos que se seguiram ao lançamento do LP. ...E no outro lado havia um Fusca Sabe aquela piada do Fusca gelo que sumiu porque derreteu? O fusquinha de Abbey Road não derreteu, mas por pouco também não sumiu do mapa. Depois do fatídico agosto de 1969, o carro passaria a ser perseguido. Principalmente porque, menos de 10 dias antes de a capa vir a público, um artigo do estudante norte-americano Tim Harper deu início à lenda do “Paul is Dead”+1. A placa do “Beetle”, LMW 28 IF, era uma das principais provas da conspiração. A primeira parte significaria Lisa McCartney Widowed (sugerindo que a esposa de Paul ficara viúva), e a segunda seria uma forma abreviada de dizer que Paul teria 28 anos se (if, em inglês) estivesse vivo em 1969. Não importava onde o fusquinha, que pertencia a um morador de Abbey Road, estivesse estacionado, a placa não escapava por muito tempo. O dono cansou e vendeu o carro, e aí começou a saga do branquinho por Londres. Supervalorizado, tornou-se alvo de beatlemaníacos. Chegou a valer £ 2.350 em um leilão de 1986, finalizado por um colecionador norte-americano. É provável que não desse mais tanto prejuízo com emplacamentos. De uma manhã de sol em Abbey Road, o Fusca branco ganhou o mundo, atravessou o Atlântico e hoje finalmente descansa. Apelidado de “Lennon Beatle”, ele é uma das estrelas do museu da Volkswagen em Wolfsburg, na Alemanha. O lado B de um clássico É muito cedo quando o Rei Sol chega para acordar o Senhor Mostarda. A vida não é fácil no lado B de Abbey Road, um dos discos mais famosos da história. Mostarda dorme na rua, em qualquer buraco, para economizar e comprar algumas roupas. É um cara egoísta, há de se reconhecer, ao contrário de sua irmã Pam, que de vez em quando o leva para ver a Rainha. “Mean Mr. Mustard” e “Polythene Pam” estão juntos em Abbey Road. Uma música é a sequência da outra no medley que coroa a segunda parte do último disco a ser gravado pelo quarteto fantástico de Liverpool. Assim, o lado B de Abbey segue como um diálogo: cada música é a metade de uma história bizarra que começou na faixa anterior ou se encerra na seguinte

Mas certamente o encerramento maior é o estabelecido pela própria gravação de Abbey Road. Trata-se, a um só tempo, da inegável obra prima que registrou composições de todos os Beatles, juntos em estúdio com o pressentimento do fim, do disco com a capa mais emblemática e a única de sua carreira a não conter título algum. E carrega o paradoxo de acabar no auge: com canções maravilhosas e um medley urgente de despedida, eles poderiam seguir seus caminhos tranquilos. Mas o conjunto de impecável de canções, de criatividade transbordante, deixou um sentimento rançoso de que muito de genial ainda poderia sair daqueles quatro juntos. Em janeiro de 1969, durante as “Get Back Sessions”, que originaram Let it Be, os Beatles já eram uma instituição dividida. Os gênios criativos John Lennon e Paul McCartney tinham seus egos separados pelo rio de fama e dinheiro decorrente da beatlemania desenfreada que definira aquela década na música pop. A instabilidade marcou as sessões e adiou Get Back para 1970, lançado como Let it Be e assim eternizado, equivocadamente, como último disco lançado dos Fab Four. Mas entre janeiro de 69 e o lançamento, em maio de 70, frustrado em sua busca às coisas como eram antes, McCartney esforçou-se em uma última tentativa que superasse a tempestuosa relação com Lennon e reunisse os quatro Beatles em estúdio para gravar, como antigamente. Lado B não era sinônimo de música de menor potencial de venda desde que surgira o LP de 33 1/3 rpm+2, com seus impressionantes 20 minutos em cada metade. Quer dizer, não era necessário preencher a segunda parte de Abbey Road com possíveis hits, mas daí a Paul McCartney transformá-la em uma grande salada de canções inconclusas, há um tanto de ousadia. Foi o que Macca fez. Depois de “Here comes the sun”e “Because”, duas canções que não são propriamente parte dessa mistura, tem início o medley de despedida dos Beatles. Porque “The End”, que finaliza a sequência, é um evidente presságio do fim+3. E sim, há “Her Majesty”, faixa simpática e pouco importante a um só tempo – não por acaso, escondida no fim do disco e excluída do encarte do vinil original. Para os 16 minutos que separam “Because” e a piadinha de “Her Majesty”, McCartney orquestrou uma sinfonia formada por pedaços deixados de lado nas gravações de The Beatles (o “álbum branco”) e Let it Be. Na verdade a própria faixa-escondida deveria estar localizada entre “Mean Mr. Mustard”e “Polythene Pam”, mas não caiu bem aos ouvidos de Paul e foi remo-


vida para as profundezas dos últimos 26 segundos do disco. Mas enfim, antes que se fale de mais do tal pout porri, e sem a intenção de sermos conclusivos, passamos a palavra para seis músicos brasileiros das mais variadas importâncias. Cada um deveria escolher uma dessas canções como mote para um devaneio, embora não tenha sido exatamente isso o que aconteceu. De qualquer forma, é legal ler esse medley de pílulas emocionais devidamente acompanhadas pela trilha sonora mais óbvia. Perdido, Garotas Suecas “Eu curto muito ‘Because’.Tem um arranjo muito loucão, com um cravo no fundo e as três vozes na frente. Umas melodias lindas e uma harmonia muito ‘ácida’! Eu digo ‘ácida’ por que a impressão que dá é de que se acabou de tomar um ácido no meio de uma apresentação de coral! Essa faixa é muito bonita e muito loucona, tal qual o disco inteiro. Uma verdadeira obra prima!” Júpiter Maçã “Ainda que não faça parte do medley, a belíssma ‘Because’ que o antecede, é pra mim uma das faixas mais lindas do mundo! E acaba fechando totalmente com o conceito do medley. Mas em relação a ele em si, minha canção preferida é a própria ‘You never give me your money’, tema que acaba sendo o fio condutor de todas as outras, pois brota vez ou outra sob diferentes arranjos. O singelo, direto, expressivo e totalmente Beatle solo de bateria do Ringo ajudou a eternizar a opereta. Sem falar na incrivel jam de guitarras com George, Paul and John!” Hélio Flanders, Vanguart “Harrison avisou antes: ‘Here Comes The Sun’. Depois Paul veio e falou de dinheiro no começo desse lado B que é provavelmente algo que foi tirado do fundo da mente dos fabs, algo nunca atingido antes. Lennon, pôs fim a seu silêncio no que parece tentar explicar que na verdade quem vem não é somente o sol, é o Rei do Sol ‘Sun King’ com uma letra aparentemente sem sentido, consegue puxar minhas orelhas e me dizer tudo. Não há nada como se surpreender ouvindo John quase sussurrando palavras como ‘mi amore de felice corazón’ e por fim ‘obrigado’. Esse medley é sem dúvida o verdadeiro adeus de quatro homens para o seu passado. Obrigado, obrigado, obrigado.” Tatá Aeroplano, Cérebro Eletrônico “Uma melancólica alegria me toma quando escuto o med-

ley do lado B do álbum Abbey Road, que até hoje me soa misterioso e será assim até os fins dos meus dias. ‘Mean Mr Mustard’, prensada entre a belíssima ‘Sun King’ e a nervosa pré-punk ‘Polythene Pam’, traz aqueles acordes rapidinhos, ‘PA Ra PA Pã’, que senhorita Rita Lee, mister Marc Bolan e o Lord David Bowie souberam usar muito bem posteriormente. Pa Ra Pa Pã!!!” Pedro Metz, Pública “‘Sonhos dourados enchem seus olhos’. Nesses anos que toco na Pública, fizemos não mais que uns 5 covers ou versões de músicas de outros artistas. Talvez nos falte vocação, saco, paciência, enfim, preferimos tocar nossas próprias canções. Mas uma dessas 5 músicas era ‘Golden Slumbers’, décima quarta faixa do Abbey Road, que está incluída numa espécie de medley que fecha o lado B.Talvez ela não seja minha preferida do disco, mas isso nem conta, porque com os Beatles a gente não pode ter posições definitivas. O que vale é o grande vocal do Paul, a letra simples e graciosa, e a excelente melodia. E precisa mais?” Marcelo Gross, Cachorro Grande “Terminando o medley e o disco (e os Beatles!), ‘The End’ começa emendada em ‘Carry that weight’, com uma pequena introdução antes do clássico solo de bateria que, diz a lenda, Ringo não queria, mas foi convencido pelos outros a fazer. Segundo Geoff Emerick, engenheiro de som do disco, o som encorpado se deve ao fato de que pela primeira se gravava a bateria em estéreo, pois estavam usando uma mesa de 8 canais transistorizada (com compressores e limiters em cada canal) em vez da velha mesa EMI de 4 canais valvulada. E a ideia dos solos de guitarra animou a todos na hora e tem a incrível sequência que começa com Paul, depois George e John, cada um tocando um trechinho do solo, com seus amplificadores enfileirados, mas tudo no mesmo canal de gravação. A parte final,concluindo não só o disco (‘Her majesty’ não vale), mas também a carreira brilhante da maior banda de todas (cujo tema e a mensagem principal sempre foram LOVE) termina com a frase ‘e no fim o amor que você recebe é igual ao amor que você gera’. Sábias palavras de quem viveu o maior romance de todos os tempos: THE BEATLES!”

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Sérgio Dias, Os Mutantes “Olha, é difícil, eu não gosto de classificar por músicas, entende? Principalmente com o Abbey Road, que é o ‘goodbye’ deles. Talvez fosse a ‘Her Majesty’ porque foi a última coisa que eles fizeram.”

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_texto bruno felin

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“Computadores fazem arte | artistas fazem dinheiro” foi apenas uma das ironias que os caranguejos com cérebro do mangue trouxeram ao mundo. Hoje, ela é cada vez mais verdadeira e presente no tal “Cyberspace”. De Rio Doce a Piedade as vendas de discos caem vertiginosamente e a indústria fonográfica vai mudando (ou ruindo?). Alguns artistas entram na dança, outros se rebelam, mas a grande questão fica: como explorar esse mercado? O vocalista do Mundo Livre S/A, Fred Zero Quatro, encara o problema de frente nessa entrevista. Em 2006 você disse que estava feliz em não ter hits nas rádios, mas fazendo mais shows. E agora? 2009 é um ano atípico, que não dá pra ter como parâmetro. Somos uma banda que toca em muitos festivais e, devido a crise, vários foram cancelados. São eventos que dependem muito de patrocínio de estatais, prefeituras, de governos estaduais e este foi um dos piores anos na arrecadação. No nosso caso, estamos devendo um trabalho novo há muito tempo. Pretendíamos ter lançado já no primeiro semestre um álbum de inéditas, mas também por conta do atraso do resultado de editais, acabamos desistindo de lançar esse ano. Estamos gravando, com quase três músicas prontas, mas não adianta se afobar e lançar de qualquer jeito por que não tem mercado. Diante desse cenário, qual seria a opção para lançar o disco? Boa parte do que eu tenho dito nas entrevistas, nessa

polêmica sobre internet gira em torno disso. Uma das grandes mentiras que os grandes evangelistas da web 2.0 dizem é que a qualquer momento vai surgir um novo modelo de negócio que vai substituir a industria fonográfica e todos serão felizes. Eu acho que 10 anos é muito tempo na velocidade em que as coisas acontecem nesse meio e pela quantidade de executivos muito bem pagos de grandes corporações que dependem disso. Se há 10 anos esse povo todo está pensando e até hoje não descobriu um modelo de negócio que realmente torne a cadeia da música sustentável pós-web 2.0 ou a partir da venda online ou outros mecanismos recentes é muito tempo. A falta desta resposta é o que tem me deixado angustiado. Mas e os shows? É o mesmo que dizem para os escritores. Existe um economista e escritor (ironicamente) chamado Kevin Kelly+1 que defende que com a tecnologia, o conceito de livro será redefinido, o que já foi escrito será remontado, pi-

[+1] Kevin Kelly é um pensador da cibercultura, foi editor fundador da Wired nos anos 90 e membro do time que fez o fantástico Whole Earth Catalogue, a revista de contracultura dos anos 60 que inspirou 9 entre 10 visionários do Vale do Silício.

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Os circos estAo fechando mas ainda temos cotado e que não haverá mais a atividade profissional de escritor. É o culto ao novo Deus (internet) no altar do qual toda cadeia produtiva deve ser sacrificada. O que ele diz é que será ótimo para os consumidores então que se danem os escritores que terão que recorrer a palestras para sobreviver. Como assim palestras? Se eu não pago pelo que ele escreve por que pagar pelo que ele fala? Essa questão dos shows é parecida com isso. A cultura dos consumidores que estão entrando no mercado agora é de que não é preciso pagar por música. Nada impede que o próximo passo seja não querer pagar pelos shows.

[+2] Até o fechamento desta edição, o Public Enemy havia arrecadado US$37.700, o que corresponde a 15% da sua meta de US$250.000.

O mecenato das majors foi a melhor opção? Eu já comentei em entrevistas que essa molecada ai que faz download pode estar ajudando a matar o rock. Todos que acompanham minhas posições no decorrer da carreira, sabem que minha relação com a indústria fonográfica nunca não foi nem um pouco amigável. Longe de mim ser advogado de defesa dos métodos e das práticas predatórias que a gente sabe que eram padrão das gravadoras. As pessoas parecem que tem em mente um mundo emípirico e utópico onde o melhor é eliminar a indústria. Acho que no mínimo é desconhecimento. Uma coisa é lutar para construir, para reformular os padrões de procedimento da indústria. Outra coisa é achar que o paraíso é eliminar a indústria. Parece que as pessoas não conhecem o que era a vida de um compositor popular antes do advento da indústria e das gravações no Brasil. O compositor de samba, por exemplo, era marginalizado, criminalizado, visto como um misto de andarilho, vagabundo e malandro. Não estou defendendo essa indústria que inundava as rádios com jabá, só coloco que para a vida do músico e principalmente dos compositores a indústria foi um grande avanço como atividade profissional. O próprio jornalismo caminha para um rumo parecido...

Algumas pessoas falam que estou defendendo uma indústria fonográfica do século passado ou que é a velha briga entre a música e a tecnologia. Isso é muito simplório porque não é uma questão que abrange só a música. Dezenas de jornais estão falindo mundo afora, não é exclusivo do cinema ou da música. É uma crise de reprodução do valor do capital. A terceira revolução industrial, da microeletrônica, não está tornando o trabalho mais democrático, está tornando supérfluo. O Public Enemy recentemente aderiu ao site Sellaband.com, onde os fãs podem contribuir com a banda. É como ir passando o chapéu né. É, os fãs inclusive recebem uma parcela dos lucros.. Essa que é a questão mal resolvida da proposta do Public Enemy. O fã paga a quantia e recebe uma parte das receitas do disco. Mas que receita é essa se ninguém compra disco?+2 É como a história da cauda longa onde diziam que ia ser mais democrático. Mas se ninguém comprar não tem cauda longa, é cauda infinita, é insustentável. É essa equação não resolvida que faz com que eu não estimule meu filho de 7 anos a ser músico. Eu quero que ele seja economista, advogado, tudo menos músico. Espero que ele tenha bom gosto, viva a música, mas estimular um filho a ter essa atividade profissional é loucura. Eu confesso que eu já pensei nisso. Coincidentemente conversava com o nosso empresário, se uma das alternativas para o nosso disco novo não seria algo como receber encomendas pelo site, mas não dividir os lucros. Pra mim isso lembra os andarilhos ou os trabalhadores de circo. Os circos estão fechando mas ainda temos malabaristas no sinal que passam o chapéu. Não é isso que eu quero pro meu filho.

A falta desta resposta (o surgimento de um


malabaristas no sinal que passam o chapEu. Mas a internet também trás vantagens, por exemplo, o fato de se poder baixar discos que estão fora de catálogo. Eu posso dizer que como compositor eu tenho uma receita de execução em rádio e tal, muito maior do que anos atrás. O ECAD se modernizou e está muito mais eficiente, inclusive entidades estrangeiras repassam valores. Com o fim do jabá, as rádios se tornaram muito mais livres, então bandas como Mundo Livre S/A e muitas outras conseguem ter uma execução em rádio muito maior do que tempos atrás. Mas o que me preocupa é a atividade da música como um todo. Temos que pensar na sustentabilidade das florestas, dos rios, da agricultura, mas temos que pensar na cultura também, né?! A qualidade de vida não é só preservar a atmosfera, a camada de ozônio, o oxigênio. O jabá diminuiu ou acabou? O jabá diminuiu, até porque a fonte vinha das gravadoras. Acho que ainda existe, mas as rádios estão mais independentes. A maior parte da receita antigamente vinha do “departamento de marketing das gravadoras”. A atividade do divulgador de rádio que repassava o jabá para os programadores morreu. O VMB desse ano foi feito a partir da votação do público, seria um reflexo desse mercado? Eu confesso que não acompanhei, mas tem um ponto em relação ao mundo virtual. É ilusório acreditar que é um mundo livre de jabá, especulação e manipulação. Se pegar o You Tube, Myspace, você vai ver que a renda que ia para televisão e rádio está se transferindo com outras feições para essas ferramentas. Ali ficam claros os indícios de manipulação, de favorecimento desse ou daquele artista. Esse negócio de democracia total na web não existe. É o palco de uma das maiores guerras dos tempos atuais que acontece entre as relações públicas das grandes

corporações. Então ficamos sem solução né?! Estamos vivendo um período em que existe a possibilidade do surgimento de uma nova configuração e etc. Mas a única coisa concreta é que existia um modelo, para o bem e para o mal, que sustentava uma cadeia produtiva dentro do circuito da música e que está sendo eliminado. A nova realidade que vai surgir a partir dessa desconstrução toda é que é uma incógnita. Pode ser uma coisa maravilhosa, num primeiro momento pode até parecer uma revolução, mas de forma alguma dá pra esperar emancipação social. Não tem nada que garanta que vai ser favorável a A, B ou C. Só mais tarde quem está perdendo vai saber que está perdendo. Muita gente que acha que está ganhando vai perceber que está perdendo. Pelo menos uma coisa começa a mudar, esse discurso deslumbrado de celebração da tecnologia já não é tão unanimidade entre artistas, produtores, etc. De qualquer maneira a experiência de um show ao vivo não será comparada a nada online. Com certeza. Não sabemos se esse grande ritual do circo do rock, da música pop, e tal que tinha muito de perverso e excludente, mas era algo que cumpria um papel bacana reunindo um grande contigente de jovens num mesmo local, fazendo uma celebração coletiva, vai ficar da forma que é. Ninguém sabe quem serão os novos manda chuvas do negócio. Pode ser que haja apenas uma transferência de uma máfia para outra máfia. Mas simplesmente pode ser o início de uma crise maior e esses o dinheiro que sustenta esses empregos que estão sendo obstruídos pela descontrução das cadeias não retornem e esses bilhões de dólares sejam sugados da economia. Pode ser uma maravilha, mas a médio prazo pode ter consequências imprevisíveis.

novo modelo) E o que tem me deixado angustiado. 47 >> noize.com.br


você não precisa, mas quer.

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>> DESIGN ILUMINADO

“Faça-se a luz”, disseram os designers Ross McBride, Marcus Tremonto e Kozo Shimoyama. Cada um a sua maneira incorporou conceitos do design, misturou e pariu criações bem interessantes. McBride bolou a Time Table, mesa cuja superfície é também o display de um relógio digital, com direito a alarme. Tremonto misturou a estética pixelizada com o papel eletroluminiscente e criou uma lâmpada pixelizada que ilumina de verdade. Shimoyama, que faz parte do projeto MILE (mileproject.jp), também fez um mash up de luz e relógio e criou o Good Aftermoon, relógio de parede cujos ponteiros são feixes de luz que marcam as horas, os minutos e os segundos. Os designes no mínimo estão de acordo com o mundo moderno, em que o tempo é o senhor dos nossos dias, e vemos muito mais a luz pixelizada do computador do que a saudosa luz solar.

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>> SINK POSITIVE

Tudo que você pensar, alguém já terá pensado antes – e muito mais. A pia sanitária SinkPositive aí ao lado resolve de uma só vez uma pá de problemas dos novos tempos. Primeiro, o mais óbvio, que é o da água. Na contramão das campanhas que instruem as pessoas a fazerem xixi no banho, a pia sanitária chega e diz: Não! Urine na privada e dê a descarga com a água que você usa para lavar as mãos! Além de fazer muito menos confusão na cabeça das crianças, que passaram a infância aprendendo que o pipi vai no penico, a pia sanitária resolve o problema do espaço. Já dá para vislumbrar em um futuro próximo uma evolução deste conceito em que o banheiro será composto por pia, privada e chuveiro em um mesmo metro quadrado. Toda a água passará por três estágios: o líquido sagrado que seria desperdiçado pelo chuveiro é aproveitado para a pia, e tudo que sobra dos dois serve para dar a descarga. Enquanto isso não acontece, a SinkPositive te ajuda a economizar e salvar o Planeta.

rewind << CAPAS DA ELENCO Se há quarenta e poucos anos fôssemos falar sobre as mais legais capas de discos brasileiros aqui, o espaço muito provavelmente fosse cedido ao alto contraste dos álbuns do pequeno selo Elenco, de Aloysio de Oliveira, responsável por grande parte dos lançamentos de Bossa Nova e jazz no Brasil das décadas de 1960. O alto contraste, idealizado pelo designer Cesar Villela com auxílio do fotógrafo Chico Pereira, ficou como marca registrada do selo. Em 1969, seis anos após sua fundação, a Elenco foi comprada pela Philips. Em quatro anos, além de corresponder aos novos rumos da música brasileira de então, a simplicidade das capas da Elenco modernizou o próprio design. Hoje os discos do selo, registros de Nara Leão, Vinícius de Moraes, Tom Jobim, Baden Powell e Edu Lobo, entre outros tantos, valem pequenas fortunas. Confira http://bit.ly/capaselenco.


minha colecao Divulgação

Divulgação

qualquer coisa

GUILHEME DA GAROTAS SUECAS FALA SOBRE...

ANTIMATÉRIA

.: DOUGLAS DE CASTRO_ Baterista do Black Drawing Chalks

1896 – CHEGADA DO TREM À ESTAÇÃO Conta-nos a lenda que, quando da exibição do filme L’arivée d’un train à la gare de La Ciotat, pelos irmãos Lumière, a plateia, diante de um trem que se movia em alta velocidade em sua direção, teria sido atingida por um ataque de histeria generalizado. Segundo reportagem do jornal alemão Der Spiegel, o curta-metragem teve “impacto particularmente interessante, ele causou medo, terror e mesmo pânico” entre aqueles que entrariam para história como os primeiros espectadores do cinema.

Um disco que não poderia faltar na minha coleção é o Vulgar Display of Power, do Pantera. Primeiro por que dá para escutar do começo ao fim. Segundo por que a capa é muito foda. E por ultimo porque ele é da mesma banda que gravou o The Great Southern Trendkill.

redescoberta

1980 – ILUMINADO Nenhum jornal no mundo noticiou ataques de pânico generalizado quando Jack Torrence (interpretado por Jack Nicholson) colocou sua cabeça (filmada em closeup) no recém aberto buraco da porta e anunciou: “Here’s Johnny!”. Também nenhuma ocorrência foi registrada reportando que um herói de última hora havia vandalizado a tela do cinema na tentativa desesperada de salvar Wendy, na atuação de Shelley Duvall. Agora, que ninguém duvide que em algum lugar ao redor do globo, em um cantinho escuro de um teatro, uma voz baixinha ousou escapar: “A janela, sua burra!”. .: JUDEE SILL_ Ano Zero ou quem vai olhar para Pietá e lembrar da montanha? Qual a importância do plano de conjunto, do plano médio e do plano americano? Qual importância do close-up? Qual a importância da timbragem para a música? Qual a importância do mármore, do granito, do bronze para um Donatello, um Michelangelo ou um Rodin? Quem vai pensar na sintaxe diante de um poema? Só pode ser com muita lucidez que a arte é comparada com a mágica. Não tanto pelos coelhos que ela faz surgir quanto pelos fundos falsos que ela faz desaparecer. A sina do escultor é justamente tirar o que há de montanha no granito e o que há de floresta na madeira. Se o David de Michelangelo me lembra uma rocha, então já é uma rocha de outra dimensão. 1928 – ARTE QUÂNTICA Em 1928 o físico inglês Paul Dirac desenvolveu estudos no campo da física quântica, que levariam ao descobrimento da antimatéria. Segundo o conceito, antipartículas são formadas por antimatéria assim como as partículas são formadas por elétrons, prótons e nêutrons. Quando se misturam, matéria e antimatéria se aniquilam gerando fótons de alta energia. Os fótons, além de estarem relacionados à luz visível, possuem um espectro eletromagnético muito maior, que inclui raios X, raios gamma, ultravioleta, infra-vermelho e microondas. A arte depende da matéria e da antimatéria tanto quanto a física quântica. O trabalho do artista é a geração de fótons—a criação de afeições para além do espectro do visível.

JUDEE SILL (1971)

1971 foi um ano mágico no universo musical feminino. De Joni Mitchell a Gal Costa, de Carole King a Françoise Hardy, diversas obras-primas foram lançadas. Também emblemática, mas até hoje pouco badalada, foi a estreia da norteamericana Judee Sill. Seu perfeccionismo está eternizado nos ricos arranjos de canções como “Lopin’ Along Thru The Cosmos” e “The Phantom Cowboy”, que mescla a referência suave do country com a sofisticação da música erudita. A inspiração dos Beach Boys também é presente. Impossível ouvir o loop de vozes de “The Lamb Ran Away with the Crown” e não lembrar das harmonias singulares criadas por Brian Wilson. O primeiro disco de Judee Sill é certamente um dos grandes registros da música folk dos anos setenta. Leonardo Bomfim 51 noize.com.br


THOSE DANCING DAYS Uma das vidas dessas cinco garotas se passa no mesmo bairro, em Estocolmo, onde compartilham do mesmo gosto por The Smiths e The Cure. Mas o que une Mimmi Evrell, Linnea Jönsson, Rebecka Rolfart, Lisa Wirström e Cissi Efraimsson não é o fato de serem suecas, nem de serem amigas e terem menos de 20 anos. É sua outra vida, em que juntas as cinco formam o Those Dancing Days. Quando elas tocam, o those (aqueles) se converte em these (estes), o day (dia) se converte em night (noite). E o dancing não para. Fotografamos Rebecka e Cissi, mas conversamos com todas elas.

Fotos: Marco Chaparro Direção de Arte: Rafael Rocha Tratamento Digital: Marco Chaparro e Rafael Rocha Produção de Moda: Mely Paredes Texto: Fernando Corrêa Agradecimentos: Ricardo Lage, Julia Barth, Antonio Rabadan, Mell Helade, Michele Fatturi, Camila Mazzini, Tathianna Nunes.


CAMISA Antônio Rabadan; CINTO E COLAR Colcci; SAIA E MEIA-CALÇA Acervo MissinScene


VESTIDO Antônio Rabadan; COLAR e MEIA-CALÇA Acervo MissinScene;


CAMISA King 55 COLAR E SAIA Acervo MissinScene


VESTIDO Antônio Rabadan; COLAR e MEIA-CALÇA Acervo MissinScene; calçado Melissa por Vivianne Westwood


Como cinco garotas acabaram na música? Rebecka (guitarra): Nós tínhamos 14, 15 anos e queríamos começar um banda, então começamos. Era muito comum no nosso bairro ter Jardins da Juventude, eles são comuns em toda a Suécia. São lugares aonde você pode ir depois da escola e têm estúdios de ensaio. Não custava nada tentar começar uma banda, então a gente fez. A Cissi convidou a Mimmi, que convidou a Linnea para cantar. E aqui estamos. Linnea (voz): Eu estava muito nervosa, sabia que cantava bem, mas nunca tinha cantado em uma banda antes. Mas eu queria muito. Mimmi (baixo): Eu nunca tinha tocado antes...

Todas: É! Lisa: Segunda, terça, quarta… (risos)

E vocês imaginavam que ia ficar tão grande? Lisa (teclado): Não imaginava que fosse possível conseguir um contrato para gravar. Nós começamos tocando por diversão, mas vai saber, nós tínhamos talento e pegou bem, mas eu nunca esperei que nada disso fosse acontecer.

Um jornalista comparou vocês à Cyndi Lauper, vocês concordam? (Surpresa) Lisa: Essa nós não tínhamos ouvido… Mimmi: A Cyndi é louca, talvez nós também sejamos. Quer dizer, só a parte divertida. Cissi: Ela encarna muito a coisa do Girl Power! Lisa: Eu acho ela bem legal, “Girls Just Wanna Have Fun” é uma grande música. Rebecka: Todo mundo só quer se divertir…

Como viajar pelo mundo tem mexido com vocês? Lisa: É muito divertido. Rebecka: É estranho, quer dizer, é como viver duas vidas… Linnea: Quando a gente chega em casa, ninguém sabe como é estar em turnê. Lisa: É nossa vida secreta! Rebecka: Só nos sabemos como é, nossos amigos em Estocolmo, a gente não fala com eles sobre isso. Então, em casa, vivemos a vida normal (risos). Cissi (bateria): Eu acho que eu gosto mais dessa vida, mas se fosse sempre assim, seria cansativo… Linnea: Eu preciso da minha vida normal, em casa. “Hitten” é sobre autoconhecimento e saber o que se quer. O que levou vocês a escrever essa música? Esse sentimento mudou desde 2007? Linnea: Eu realmente não lembro do que eu estava pensando quando eu escrevi. Eu apenas pensei “vou escrever uma música”. E quando eu penso nisso agora, acho que não se encaixa muito bem naquela época, mas se encaixa no agora. Então ela cresce comigo. Rebecka: Você está à frente do seu tempo! Linnea: É, eu sabia como tudo ia terminar (risos). Os dias dançantes a que “Those Dancing Days” se referem são um tempo de que vocês sentem falta ou um tempo que nem sequer viveram? Cissi: É o presente… Linnea: É tudo, o passado, o presente e o futuro. Mimmi: E mais do que tudo, nós somos o Those Dancing Days…

E a influência soul de vocês, de onde vem? Lisa: Eu não escuto… Rebecka: Nem eu… Linnea: A culpa é minha! (risos) Eu gosto daqueles tipos de voz, descobri o Stevie Wonder e pensei: “gosto disso”. Cissi: A gente tem gostos diferentes, mas concordamos com os gostos uns das outras. Mimmi: Nós todas temos nossos “pop favorites”, The Smiths, The Cure, todos esses clássicos.

O que vocês pensam sobre um cara na banda? Rebecka: Nós adoraríamos ter um! Mimmi: Não tem como ter outra pessoa na banda, acho que não, seria estranho. Rebecka: Nós quase temos um cara, o engenheiro de som está com a gente em todas as tours. Linnea: Eu acho que se fosse no início, não faria uma grande diferença, mas agora não podemos mudar. Se tornou parte de como as pessoas olham para a gente. Como é sair em turnê só em garotas, vocês se ajudam na hora de se vestir, se maquiar? Lisa: Bem, a gente pega muita roupa emprestada… Linnea: Nós todas temos estilos diferentes, então se você se cansa do seu, é legal poder trocar de estilo com a outra. Rebecka: Uma vez fizemos isso, na Bélgica. Tipo “ok, hoje temos que mudar de estilo”. Me vesti como a Mimmi e, no palco, pensei “nossa, me sinto um pouco Mimmi hoje mesmo”. Vocês têm um CD novo que não vão tocar aqui, certo? Linnea: Não queremos cometer esse erro. Da primeira vez, as músicas eram tão velhas, a gente tocou elas por muito, muito tempo antes de gravar o disco. Quando o disco saiu, nós já estávamos meio enjoadas delas. Dessa vez queremos deixar tudo fresh.


reviews

_PEARL JAM, FLAMING LIPS, JAY-Z, KISS JUMBO ELEKTRO, MIKA, ALICE IN CHAINS


MUSE

KISS

The Resistance

Sonic Boom

Bandas com décadas de estrada sofrem da síndrome da renovação. Pois não deveriam. O mais recente álbum do Kiss é a prova de que quando os dinossauros do rock acertam a mão no tempero que os consagrou o resultado é simplesmente primoroso. Sonic Boom enfileira os melhores exemplares do hard rock produzidos na última década, coisa que só quem tem credencial pode fazer. “Modern Day Delilah” dá o pontapé à jornada de impecáveis riffs, solos e coros das 10 faixas seguintes. Em “When Lighting Strikes”, o guitarrista Tommy Thayer assume os vocais para gritar “Estou vivo, tenho o poder dentro de mim”. Duvida? Ouça o disco do começo ao fim, muitas vezes, até se convencer que sim. Porque o que o que eles fazem é rock’n’roll, afinal. Lucca Rossi

Monumental. Resistance, o quinto álbum de estúdio do Muse, é gigantesco, exagerado e transborda dramaticidade. Muito mais para Absolution do que para Black Holes and Revelations, o novo trabalho do trio inglês mostra uma banda cheia de ousadia. A primeira das 11 faixas, “Uprising”, abusa dos efeitos eletrônicos num clima meio 80’s dançante. O auge oitentista é atingido em “Undisclosed Desires”. A partir daí, começa uma epopéia fantasiosa com “United States of Eurasia”. E ela segue até desencadear nas três últimas músicas, se é que se pode usar expressão tão simplória. “Exogenesis Symphony” é quase um épico: a sinfonia em três partes, que tinha tudo para soar brega, exibe a capacidade do Muse de fazer seu melhor CD até hoje, mesmo com referências consideradas nada cool, como o rock progressivo. Ana Luiza Bazerque

PEARL JAM Backspacer

Os quarentões do grunge surfam a onda de outras grandes bandas e ressurgem com o lançamento de um álbum independente. Backspacer inicia na mesma linha dos discos anteriores: com músicas pesadas de vocais rasgados, como nas destacadas “Gonna See My Friend” e “Got Some”. O que segue são composições com pitadas de new wave, que gradativamente assumem caráter mais intenso, profundo e intimista. As letras de Ed Vedder desvinculam-se da problemática de Bush e focam-se no labor da entrega e recuperação. O disco é repleto de canções amigáveis à radiodifusão - duas delas, “Just Breath” e “The End”, soam como remanencências do trabalho solo do vocalista em Into the Wild. A competente produção de Brendan O’Brien - ausente desde Yield - possibilita que a bateria de Cameron finalmente venha à tona. Backspacer é saboroso, flerta com diferentes tendências e agradará boa parte dos numerosos fãs. Daniel Rosemberg

JAY-Z

Blueprint 3

Jay-Z chegou ao topo com Blueprint 3. Declarou a anunciada morte do Auto-Tune com o single “D.O.A.” e, apesar de lançar um disco com forte apelo comercial (vide participações de Rihanna, Alicia Keys, Kanye West, Drake e outros), ele mostrou que está entre os melhores MCs do momento. Suas letras têm sacadas inteligentes e capazes de interessar qualquer um que tiver paciência e humildade para dar-lhe ouvidos. É claro que ele não deixou sua autoconfiança e seu discurso magnata de lado, mas mesmo quando não tem muito a dizer, Jay-Z o faz bem feito. A produção, em grande parte de Kanye West, está impecável (mas não, espera, eu vou te deixar terminar). Na NOIZE #25 eu disse que o Mos Def tinha lançado o melhor do rap em 2009.Vou ter que pedir desculpas no blog. Bruno Felin

FLAMING LIPS Embryonic

Em se tratando do atual momento do Flaming Lips, há duas opiniões dominantes: a louvação e o desgosto. A turma de Wayne Coyne esbanja credenciais e construiu uma carreira sólida sobre o talento para experimentações extravagantes de seu líder. Porém, desde The Soft Bulletin, a viagem ficou cada vez mais intensa. The Embryonic é o cume desta escalada. O noise ganha o espaço da psicodelia neste que tem sido apontado como um dos discos de mais difícil assimilação dos americanos – o que, para os fás dos últimos trabalhos da banda, é uma qualidade. Estes conseguem perceber que o equilíbrio entre as mais “convencionais” faixas de abertura e o descarrilhar de sentido em “Powerless” e “I Can Be a Frog” é a própria qualidade do Flaming Lips. Danton Jardim 59 noize.com.br


Raveonettes

Strung Out

In and Out of Control

Após o excelente Lust Lust Lust, ficou difícil para o Raveonettes se superar. Entretanto, In and Out of Control é um disco rápido e rasteiro, que mostra que a dupla dinamarquesa sabe o que faz. Toda essa coisa Jesus and Mary Chain de guitarras metálicas e vocais sussurrados estão ali, bem feitos. Com letras soturnas, quase tudo no novo trabalho gira em torno de uma Nova York hipnotizante. Destaque para a excelente “Bang” e “Heart of Stone”, que mantém a sonoridade dos primeiros singles. “Boys Who Rape (Should All Be Destroyed)” é uma das melhores do álbum. Brunna Radaelli

Agents of the Underground

Sem a inventividade de outrora, mas ainda um degrau acima da maior parte das bandas de hardcore melódico, o Strung Out oferece um punhado de boas músicas em Agents of the Underground. O álbum segue uma linha semelhante à de Blackhawks over Los Angeles, alternando velocidade e peso com melodias marcantes nos refrãos. As referências ao metal, mais uma vez, são explícitas, porém não ultrapassam aquele limiar que desagradaria a uma parcela de seus fãs. Destaque para a pedrada de abertura, “Black Crosses”, para os refrãos insistentes de “Vanity” e “Carcrashradio” e para o hit ao estilo Strung Out, “Heart Atack”. Gustavo Corrêa

Escute também: GOO, DIRTY, the eternal.

DiscografiaBásica

por Diego De Carli

Kid Cudi

Man on The Moon

Kid CuDi é o cara. Talvez não por seguir as mesmas vertentes de Kanye West ou por conseguir fugir do som clichê das periferias americanas, mas por orquestrar magnificamente o instrumental estonteante de Ratatat e a psicodelia do MGMT em um álbum de rap. Com o leque de produtores que reuniu em Man On The Moon, CuDi aparece com mais de uma dúzia de canções diferenciadas entre si, algo de que Kanye jamais pôde se gabar – “Day N Nite”, “My World” e “Make Her Say”, por exemplo, poderiam estar em discos completamente isolados. Passion Pit que me perdoe, mas esta sim é uma das maiores estréias do ano. Alex Corrêa

SONIC YOUTH

Daydream Nation

Em 1988, mães do mundo inteiro estavam em polvorosa, esmurrando a porta do quarto de seus filhos atormentadas pela barulheira que saía da vitrola. Na obra-prima do Sonic Youth, experimentação, melodia, raiva e distorção foram dosadas com maestria, ocupando os ouvidos e dando voz a uma juventude que sofria calada com o rumo dos Estados Unidos e a revolução conservadora de Reagan. O grito de desespero de Daydream Nation serviu de inspiração a toda uma geração, que anos mais tarde expressaria sua angústia com a vida trajando calças rasgadas e camisas de flanela, infestando as rádios com o cheiro do espírito adolescente. Um disco clássico de música, independente do rótulo. Washing Machine

Taí o porquê da máquina de lavar estampada na camiseta de todo indie que se preze (mesmo que este nunca tenha ouvido o álbum). Lançado logo depois do considerado mais chato álbum do Sonic Youth, o Experimental, Jet Set,Trash And No Star (1994), Washing Machine não é dos registros mais acessíveis da banda. É até detestável à primeira ouvida. Mas aos tímpanos mais tolerantes a tanta cacofonia guitarrística, é reservada uma passagem à outra dimensão, e de primeira classe. Deste querido momento da banda, duas passagens inesquecíveis: o belo dueto entre Kim Gordon e Kim Deal (Pixies) em “Little Trouble Girl”, e a constrangedora “Panty Lies”, com Ms. Gordon latindo nos vocais. Rather Ripped

Se Daydream Nation dá vontade de atear fogo na própria casa, e se Washing Machine faz flutuar por aí, Rather Ripped é pra cantarolar enquanto se lava a louça. Seguindo pela trilha iniciada em Sonic Nurse (2004), a banda aposta mais em melodias e menos na distorção. A pegada pop, que para alguns representa a rendição da banda ao mainstream, soa mais como um deboche, um tapa na cara da nova geração de músicos. O álbum lançado como promessa de retorno às raízes, vai além e mostra um Sonic Youth que se ramificou por territórios musicais desconhecidos, cresceu, e lá do alto dos seus mais de 25 anos de carreira tira sarro de quem pensa que faz rock aqui em baixo.


ALICE IN CHAINS Black gives way to blue

Responsável por limpar o que restava do glitter da década anterior, o grunge inaugurou os 90 e logo causou alarde. Depois da morte de Kurt, e com o Pearl Jam no comando do barco, muito do cabelo dos então jovens de flanela de Seattle se foi. Mas a música segue. Com as atividades retomadas em 2005, o Alice in Chains acaba de lançar Black Gives Way to Blue. Nos vocais, William Duvall ocupa o lugar de Laney Stanley, encontrado morto em 2002. Esbanjando competência, o guitarrista Jarry Cantrell segue com Duvall os duetos vocais outrora feitos com Stanley e coloca ainda mais peso em faixas como “All Secrets Known” e “Check My Brain”. No final, a surpresa: o piano de Elton John na balada que dá nome ao disco, feita em homenagem ao ex-vocalista. Lucca Rossi  

MIKA

The Boy Who Knew Too Much

Se fôssemos destacar uma só qualidade de Mika, seria a de fazer música pop, mas muuuito pop, sem que precisemos confessar uma certa imbecilidade ao gostar. Letras divertidas deslizam sobre melodias irresistivelmente dançantes e isso não é nenhuma novidade. Aliás,o disco The Boy Who Knew Too Much não traz nada de novo. A fórmula de Life in Cartoon Motion se repete com hits absolutos como o single We Are Golden, Rain e Touches You e com outras mais baladinhas como I See You e By The Time. Talvez a mais destoante seja Pick up off the floor, em tom de conto de fadas moderno. E mesmo sem surpresas, Mika aparece mais confiante, mas com a mesma leveza e saltitância de antes. Ana Luiza Bazerque

Jumbo Elektro Terrorist!?

É sintomático para o Brasil que o lançamento de Terrorist!? marque o início do fim para o Jumbo Elektro. Com o êxito da banda-irmã Cérebro Eletrônico, os integrantes devem ter preferido focar seus esforços em algo que soe mais sério, menos fanfarrão—parte desse adeus à “síndrome do cachorro magro” que a música indie brasileira tem experimentado. O que não tira os méritos de Terrorist!?. O álbum é um dos discos mais divertidos do ano, daqueles que dosam escracho e sofisticação (a produção de Dudu Tsuda é destaque) na mesma medida, como provam “Rachel” e a genial “Dylan Sings Bowie”. Quem sabe em 2012, véspera do fim do mundo, o pop brasileiro já esteja pronto para aceitar Terrorist!?. Livio Vilela

ta por vir .: Sem data definida_ Mombojó | Amigo do Tempo “O que me chamou à atenção foi o empenho deles em fazer um som diferente de tudo o que já tinham apresentado nos discos anteriores”, contou China, amigo dos caras, sobre a gravação do disco novo do Mombojó. Sem contrato, os caras viabilizaram a função no “faça você mesmo”, gravando em um sítio, inclusive com alguns apetrechos improvisados. Artista igual pedreiro, avisou a Macaco Bong.

confira Monsters of Folk Monsters of Folk ___A autodenominação de monstros é deveras pretensiosa. Porém Conor Oberst e Mike Mogis, do Bright Eyes, e Jim James, do My Morning Jacket, têm um background bacana, e levam o folk para passear pelo country com destreza neste debut.

Megadeth Endgame ___Quase três décadas depois de dar o start, Endgame não parece indicar vontade de apertar o stop. Depois de um disco aclamado em 2007, Endgame mostra ainda mais força para manter o pé no trash metal experimentando volta e meia, só pra variar.

Sufjan Stevens The BQE ___As sinfonias surreais de The BQE evidenciam o talento como multi-instrumentista de Sufjan Stevens. Com o perdão pela pedância, é sim um resultado das experiências anteriores tanto com o lo-fi, a eletrônica e as experimentações e sinfonias.

DVDS NEIL YOUNG

Live at Massey Hall 1971

A série “The Neil Young Archives” vem reeditando discos seminais e divulgando material inédito da obra de Neil Young. A excelência da coleção não é novidade, mas o registro em DVD do show de 1971 do Massey Hall de Toronto merece menção especial. A delicadeza pungente exprimida pelo canadense em suas canções (muitas delas tornariam-se conhecidas com o lançamento de Harvest, em 1972) ganha vida quando assistimos a filmagem, feita em Super8. O semblante granulado de um garoto de 26 anos debruçado solitário sobre o violão ou piano, vestindo calças curtas, botas de cano longo e camisa de lenhador confere ares antológicos à impecável performance. LAMH 1971 é o registro definitivo de uma das mais sinceras e íntimas demonstrações da arte de Neil Young. Gabriel Resende

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cinema ANTICRISTO

Diretor_ Lars Von Trier Elenco_ Charlotte Gainsbourg e Willem Dafoe Lançamento_ 2009 Nota_ 4 de 5

Na cena de abertura, filmada em belíssimo preto-e-branco e ao som da ária Lascia ch’io pianga de Händel, o casal anônimo de protagonistas faz sexo no banheiro enquanto o filho pequeno despenca lentamente da janela aberta. Ela (Charlotte Gainsbourg, que ganhou a Palma de Ouro em Cannes pelo papel), entra em depressão profunda pelo luto. Ele (Willem Dafoe), psicólogo, acredita que pode curar a esposa levando-a para a casa de campo dos dois, Éden. Lá, pretende criar jogos psicológicos para tratar a esposa, que acabam levando os dois a um intenso confronto sexual e violentamente agressivo – para os personagens e para o espectador, já que von Trier não desvia a câmera nem em seus momentos mais fortes (que incluem tortura e mutilação genital). Assim como em Dogville, seu filme mais

popular, o mal, para o diretor, está na base da natureza humana. Quando um crítico em Cannes exigiu que o diretor explicasse a sua obra, Von Trier respondeu que, se quisessem, poderiam interpretá-lo como um “ato divino”. À parte sua arrogância calculada, seu trabalho em Anticristo se impõe, pela seriedade com que processa os elementos psicológicos de terror que afetam seus personagens, acima da mera classificação como “filme de terror”, ou de qualquer classificação. É um filme difícil de se processar, mas muito além da discussão de ser “bom” ou “ruim” – ou, para manter a referência à Nietszche de seu título, é um filme que se posiciona além do bem e do mal. Samir Machado

SE BEBER NÃO CASE

Diretor_ Todd Phillips Elenco_Bradley Cooper, Ed Helms, Zach Galifianakis e Justin Bartha Lançamento_ 2009 Nota_ 3 de 5

Quatro amigos partem para Las Vegas para uma despedida de solteiro cujo resultado se vê já na primeira cena: o noivo desapareceu, e os três restantes não fazem idéia do que ocorreu na noite anterior, graças a um “boa-noite cinderela”. Em flashback, somos apresentados ao noivo (Justin Bartha), seus amigos de infância Phil (Bradley Cooper, de Ele não está tão a fim de você) e Stu (Ed Helms, o Andy da série The Office), além do cunhado esquisitão (Zach Galifianakis), o melhor personagem do filme. Boa parte do sucesso do filme, que no geral conta apenas com atores desconhecidos, se deve ao seu humor calcado no confronto dos personagens – que exceto por um deles, são pessoas sensatas quando sóbrias – com o absurdo de o que foram capazes de fazer após uma noite de bebedeiras. O que inclui

roubar um carro de polícia, sequestrar o tigre de estimação de Mike Tyson, casar-se com uma prostituta-de-bomcoração (participação de Heather Graham) e arranjar encrenca com um afetadíssimo mafioso chinês gay, absurdos que fazem da tal festa (que só é vista por meio de fotos mostradas durante os créditos finais do filme) uma das mais agitadas do cinema desde A Última Festa de Solteiro. Além do quê, assim como os homens são príncipes estereotipados em coméidas românticas, nessa comédia para rapazes as mulheres são noivas ansiosas, megeras dominadoras ou strippers inocentes. Ainda assim, o humor do filme surge mais dos detalhes surreais (Mike Tyson tocando Phil Collins ao piano, por exemplo) do que pelas piadas serem engraçadas em si. Samir Machado


cinema

UP - ALTAS AVENTURAS de Pete Docter (2009)

É inegável que a Pixar trabalha num patamar de qualidade superior à de suas concorrentes no cinema de animação, e Up apenas dá continuidade ao que já estava cimentado. A primeira meia-hora de filme, um resumo da vida conjugal de Carl Fredrickson, é um dos momentos mais sensíveis do cinema deste ano. Já velho e solitário, decide partir para a América do Sul numa casa erguida por balões, levando a tiracolo um escoteiro gordinho. Carl envolve-se com um velho aviador e seu exército de cães treinados (responsáveis pelas melhores piadas) atrás de uma desengonçada ave rara. Disponível quase que totalmente em cópias 3D, o filme faz um bom uso do efeito para conferir profundidade aos cenários, em vez de apenas “atirar coisas” na cara do espectador.A versão nacional tem Chico Anísio dublando o protagonista, a maior sacada de dublagem brasileira em muito tempo. Samir Machado

CERTAS DÚVIDAS DE WILLIAM KENTRIDGE de William Kentridge (2007)

Certas dúvidas de William Kentridge figura entre as boas atrações da Pré-Bienal, a mostra que antecede a Bienal do Mercosul e oferece uma série de boas referências para todos os planos artísticos. Tendo como ponto de partida a arte e o questionamento que gira em torno das produções, o documentário em questão disseca a visão e a figura do artista Kentridge frente ao contexto turbulento no qual está inserido (William é sul-africano e desenvolve toda a sua criação baseado na história turbulenta de seu país). Realizada em vídeo digital e super 8 ultragranulado, a obra pretende transpor as animações que surgem do traço feito a carvão e em preto e branco para a realidade das telas. Oportunidade única para se conferir visão tão particular de um artista interessante na forma, no contexto e na ousadia de suas múltiplas manifestações. Marcela Jung

livros

AZINCOURT de Bernard Cornwell (2009)

Um dos destaques da Bienal do Rio em setembro, o novo livro do inglês Cornwell funciona como uma introdução à sua obra, marcada por diversas séries (só As Aventuras de Sharpe conta com 20 romances, 7 deles lançados no país, além das trilogias Crônicas de Artur e A Busca do Graal). Estão ali todos os elementos típicos de suas aventuras, a começar pelo protagonista, Nicholas Hook, que, após bater num padre (sempre sádicos), tornase fora da lei até ingressar no exército de Henrique V, em sua campanha pela coroa da França, culminando na famosa batalha que dá título ao livro. Estão presentes desde as detalhadas descrições históricas de roupas, cenários e hábitos, até – elemento presente em todos os seus livros – o violento resultado do fanatismo religioso, coisa que o autor, cujos pais adotivos eram fundamentalistas cristãos, conhece bem. Em níveis de testosterona, os livros de Cornwell são o equivalente literário de jogar God of War ou de assistir aos 300 de Esparta. Sensação mais do que reforçada por seu excelente domínio de ritmo da narrativa. Samir Machado

games WORLD OF GOO Organizar uma estrutura de bolinhas gosmentas para que alcancem um cano misterioso que está no céu. Construir torres e pontes com diferentes tipos de gelecas. Quão divertido pode ser isso? Com ambientes surreais bem desenhados, um senso de humor esquisito, e um sistema de física aprimoradíssimo, World of Goo responde essa pergunta com um “muito mais divertido que você imagina”. O pequeno jogo que, de longe, parece uma bobagem casual e menor, revela-se uma pequena obra-prima, graças aos puzzles complexos e à trilha sonora minimalista que lembra Philip Glass e Steve Reich. Contrariando a tendência de não exigir muito do jogador, World of Goo promete fritar cérebros.. Antônio Xerxenesky

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fotos: 1 | Pita Uchoa

2 | Caroline Bittencourt/Coquetel Molotov

3 | Patrick Grosner/Por達o do Rock 4| | Serj達o Carvalho

5 | Guilherme Santos

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shows

_PORAO DO ROCK, NO AR COQUETEL MOLOTOV, LILY ALLEN, FRANZ FERDINAND, ARNALDO ANTUNES


FRANZ FERDINAND

PORão DO ROCK

A passagem do Franz Ferdinand por São Paulo tinha como objetivo promover a turnê que o grupo fará pela América do Sul em 2010. Ao decidirem fazer um show fechado e escolherem a pequena The Week como palco, um elefante branco surgiu. Não era esse o assunto principal—e sim como conseguir um ingresso—, mas devido às semelhanças de condições (como a lotação de pouco mais de mil pessoas), começou-se a falar em um repeteco do clássico show da banda no Circo Voador, em 2006. Muitos do que estavam no Circo naquela noite dizem ter sido um dos melhores shows de suas vidas. A própria banda concorda, tendo citado diversas vezes em entrevistas essa como a melhor apresentação da história da banda. Entrou num panteão além da realidade, imbatível portanto. Por todos esses motivos, a comparação seria tão desnecessária quanto injusta. Mesmo porque, passado três anos, há um terceiro disco no catálogo dos escoceses; o repertório mudou. Se bem que com a qualidade do Tonight, a atualização do repertório poderia ser o fator crucial. Sem se preocupar com nada disso, o Franz Ferdinand simplesmente aproveitou e curtiu o momento, assim como os sortudos que conseguiram conferir uma apresentação tão especial. A pegada mais dançante do que rock das novas músicas caíram bem na The Week, ajudadas por um som redondinho, pecando apenas pela bateria um pouco baixa. Bem diferente do Coachella desse ano, ao ar livre e de dia. Uma das poucas bandas de sua geração que não apenas conseguiram se estabelecer, mas também crescer, o Franz Ferdinand tem como trunfo excelentes shows. Mostraram isso em suas visitas anteriores ao Brasil, e dessa vez não foi diferente. Em março, voltam pra fazer tudo outra vez. (publicado originalmente em oesquema.com.br/urbe) Bruno Natal

Tempo. Essa é a palavra que melhor define o Porão do Rock deste ano, seja a sobra ou a falta dele. No sábado, marcado para começar às 16h, o Super Stereo Surf subiu ao palco uma hora depois do previsto. O atraso prejudicou todo o restante das apresentações do dia. Os problemas seguiram até o último show da noite, com o Angra, porém, a banda mais prejudicada foi a Cachorro Grande. Os gaúchos chegaram a parar o show para que o retorno voltasse a funcionar. Mesmo com o som capenga, eles voltaram a tocar e mudaram todo o setlist. Cantaram “Deixa Fudê”, “Vai T.Q. Dá”, “Sexperienced”, tudo em protesto pelo péssimo áudio no palco. De volta ao festival e agora no Palco Principal, o Black Drawing Chalks fez um show curto e competente, a brasiliense Elffus, que também subiu para o Principal este ano, levantou a galera, Ludov foi morno e a grande atração da noite, o Eagles of Death Metal, decepcionou. Os californianos fizeram um show sem ritmo e o som não ajudou. Estava com pouca pressão. A cada música, Jesse Hughes parava para falar alguma coisa, uma besteira ou agradecimento pela noite maravilhosa que estava tendo no Brasil. Quando o Sepultura subiu ao palco, logo em seguida, vimos realmente quem o público esperava. Um aglomerado de gente cantou, pulou e gritou junto com os mineiros. Assim como o Sepultura, o Angra era uma das bandas esperadas da noite. Mesmo tocando às 3h25, ainda tinha gente muito acordada para ver o show dos caras, que demorou muito para começar por conta da passagem de som. Nisso, Mugo (GO), Mindflow (SP) e Dynahead (DF) foram extremamente prejudicadas. As duas primeiras bandas tocaram, mas a terceira foi remanejada para o Palco Pílulas no dia seguinte. No Palco Pílulas, os shows não atrasaram um minuto, pelo contrário, estavam adiantados. Lá tocaram Scania (DF), Rocan (DF), Di Boresti (DF), o

São Paulo,The Week, 30 de Setembro

Brasilia, Esplanada, 19 e 20 de Setembro

irreverente Melda (MG), Belle (RS), Superquadra (DF) e os novos talentos de Brasília Watson e The Pro. O segundo dia do festival era uma homenagem às bandas de Brasília e quem viveu aqui nos anos 80 e 90 pode se deliciar. Assistiu a Plebe Rude, Maskavo Roots, Little Quail and the Mad Birds, Raimundos, Cabeloduro, Paralamas do Sucesso, a maioria deles com a formação original. A tão comentada “atração surpresa” foi realmente uma surpresa para muita gente. Depois de 15 anos sem fazer um show só com músicas da Legião Urbana, Dado e Bonfá se uniram a diferentes vocalistas para um tributo que emocionou não só a quem estava na platéia, mas também a quem subiu ao palco. A noite foi fechada por uma das bandas mais carismáticas de Brasília, o Móveis Coloniais de Acaju. Eram 3h40 e ainda tinha gente para assistir ao show do grupo, que terminou com muita alegria e chuva. Alê dos Santos

NO AR COQUETEL MOLOTOV Recife, Centro de Convenções de Pernambuco, 18 e 19 de Setembro

De certa forma, havia uma sensação de rito de passagem durante os dois dias de shows do festival No Ar Coquetel Molotov. Depois de uma semana de filmes, debates, workshops e pocket shows, era finalmente a hora de o festival mostrar suas reais cores. 2008 parece ter sido uma espécie de batismo de sangue: o line-up tinha crescido em número e importância e finalmente repercutia forte fora de Recife—devido, entre outras coisas, à primeira demonstração pública do que rolava entre Marcelo Camelo e Mallu Magalhães. Este ano, assim, era hora de confirmar as expectativas e se firmar como um dos grandes eventos de música no Brasil. O line-up prometia: três franceses, três suecos, o show de encerramento da turnê do Beirut e uma seleta lista de brasileiros—entre eles, o reencontro de Lô Borges e Milton Nascimento, para celebrar os 35 anos do movimento Clube da Esquina. E já foi logo no primeiro 65 noize.com.br


show que as expectativas foram cumpridas. Ainda desconhecidos fora de Recife, os Ex-Exus causaram estranhamento logo de cara, subindo ao palco do Auditório Tabocas com vestidos floridos e maquiagem no rosto. O som não é menos inusitado: imagine o Tom Zé e o Mike Patton tocando juntos, com o Mogwai de backing band, e que no final do show houvesse a simulação (?) do assassinato de uma galinha preta. Pesados, ruidosos e debochados, os Ex-Exus são uma das bandas para ficar ligado daqui para frente, pode anotar. Já o Dead Lover’s Twisted Hearts, de BH, fez um show frio se comparado ao calor das apresentações das suecas Britta Persson e Those Dancing Days, visivelmente impressionadas com a recepção do público pernambucano. No dia seguinte, o mesmo palco foi onde François Virot e Zombie Zombie mostraram a diversidade da atual música francesa, enquanto do Radistae e Sweet Fanny Adams fizeram o mesmo com a música de Recife, numa salada que foi do folk à surf music, do pós-punk ao prog eletrônico. Lotado nos dois dias, o Teatro Guararapes recebeu os headliners do festival com “gritinhos frenéticos” (como pedia o apresentador a cada intervalo), aplausos de pé e muita comoção. As boas surpresas brasileiras Jam da Silva, Thiago Pethit e Tiê esquentaram o palco no primeiro dia para shows arrasadores de Sébastien Tellier (uma espécie de AIR roqueiro) e Beirut. Na segunda, foi a vez do recifense Jr. Black e do cultuado SP Underground antecederem o ambicioso e bem acabado Loney, Dear. Encerrando o festival, o show Lô Borges e Milton ficou um pouco aquém do que se esperava, mas valeu para relembrar a importância do Clube da Esquina ainda hoje no pop brasileiro. Apesar da amizade, os dois fizeram apresentação desencontrada, mas cativante nos momentos em que a memória emocional falava mais forte, como “Cais” com Milton sozinho no piano. Bituca ainda voltaria ao palco sem Lô no

bis, como se quisesse, em comum acordo com o público, esticar o festival mais um pouco. Não se preocupa Milton, ano que vem tem mais. Livio Vilela

LILY ALLEN

São Paulo,Via Funchal, 16 de Setembro

Minhas impressões sobre o show de Lily Allen não eram das melhores. Na primeira vez que ela esteve em São Paulo, no Festival Planeta Terra de 2007, fez uma apresentação desastrosa. Ainda inexperiente e bêbada, ela errou várias letras. Ingressos na mão, sucumbi ao convite de um amigo e fui—polêmica que é, podia ser divertido. Dessa vez estava sóbria e mais comportada, mas ainda longe da imagem de boa moça. Com uma cerveja no pedestal do microfone, dava alguns goles sempre que podia, e, apesar da lei antifumo, arrumou um cigarro eletrônico, que aqui é proibido pela Anvisa.Com uns 10 minutos de atraso, as luzes se apagaram e a única coisa que se via era sua sombra em uma pose sexy atrás de uma cortina branca—que logo caiu, revelando uma Lily Allen bem diferente da que eu me lembrava. Chamava atenção a maquiagem no olho esquerdo, com as cores verde e amarelo em homenagem ao país. Ela começou sem pretensão, cantando “Everyone’s At It” e “I Could Say”, ambas de seu segundo álbum It’s Not Me, It’s You (2009). Logo de cara, Lily mostrou que aprendeu a usar um brinquedinho novo: um pedal de efeitos. Do disco de estreia cantou apenas os hits “Everything’s Just Wonderful”, “LDN”, “Littlest Things” e “Smile”. Quando um som de acordeão anunciou a música “Never Gonna Happen”, a coisa começou a melhorar, e Lily emendou sua versão para “Oh My God”, do Kaiser Chiefs. A música ganhou arranjos diferentes; no show, a maioria das faixas são alteradas para algo mais rock. No palco, Lily dança, rodopia, faz caretas sexy. Nos últimos dois anos, ela se transformou em uma espécie de “musa” pop mais comportada, dentro dos limites do que isso quer dizer para ela. Antes

de cantar “Fuck You”, dedicou a música ao ex-presidente dos EUA, George W. Bush. Foi a primeira e única frase polêmica do show.

Foi divertido, de fato, mas por motivos bem melhores do que ver uma louca bêbada cantando e falando qualquer coisa (publicado originalmente em rraurl.com). Carol Nogueira

ARNALDO ANTUNES Porto Alegre, Bar Opinião, 1ª de Outubro,

Os célebres músicos da banda entraram em cena ao som de “Saudosa Maloca”, mas bem-vestidos com terninhos que só se diferenciavam pelos tons das gravatas. Quem vê Arnaldo Antunes dominando coreografias e confortável em outro terno bem desenhado por Marcelo Sommer, mal reconheceria o protagonista dos shows de seus álbuns anteriores, não fosse pelo timbre inconfundível e o carisma tímido que ele costuma fazer transbordar do palco. A banda optou por tocar todas as músicas do novo álbum, que foi majoritariamente bem recebido e empolgante. Em momentos nos quais a platéia se distraía com o desconhecido, o cenário do show de estreia, também desenvolvido por Sommer, era uma atração à parte: dezenas de camisetas, algumas modelos clássicos e familiares, formavam um pano de fundo que fisgava o olhar. Arnaldo está menos despojado. Despediu-se do ar infantil, clean e clown adotado anteriormente. Parece mais moderninho, se é que é possível associar o Iê Iê Iê de rocks antigos a uma postura moderna de fato. E não é acidental a semelhança com o Arnaldo Titã, aquele dos tempos em que a banda ainda era chamada de Titãs do Iê Iê Iê. Um dos pontos altos foi a canção “Meu Coração”, quando Arnaldo mergulhou na platéia e cantou abraçado ao público, entre flashes e câmeras de celular. A apresentação ainda contou com trechos de “Woman No Cry”, uma leitura rock’n roll de Jorge Aragão com “Vou Festejar” e dois bis, com o hit “Socorro” e uma versão divertida do clássico “Cabelo”. Maria Joana Avellar


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Revista NOIZE 28 - Outubro de 2009  

Os Mutantes, The Beatles - Abbey Road, Fred 04, Those Dancing Days,

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