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CENTRO DE ESTUDOS DO HUMANISMO CRÍTICO Portugal & América Latina GRUPO DE DEBATES NOÉTICA

Vinho & Poder São Roque: da Uva dos luso-paulistas e o Poder político-fundiário do Vaz-Guassu à Cidade dos Vinhos .

Pesquisa & Leitura Historiográfica 2ª Edição Revisada e Ampliada; inclui o histórico das vinícolas/restaurantes Patto, Góes, Olivardo, e da Fazenda Cambará.

JOÃO BARCELLOS


ISBN 852900000000-0 Obs.: Anotações revistas e ampliadas em 2018-19.

Agradecimentos Maria C. Arruda Johanne Liffey Décio Lemos Leite Fê Marques Marta Novaes [i.m.] Aziz Ab´Sáber [i.m.] Hernâni Donato [i.m.] Mariana d´Almeida y Piñon Quinta do Olivardo & Família Vinícola Góes & Família Vinícola Patto & Família Carlota M. Moreyra Comitiva Brasil Poeira Prefeitura do Município de São Roque Câmara do Município de São Roque Arquivo do Estado de São Paulo Museu da Imigração / São Paulo


Índice

Prefácio / Prof. Álvaro Pequeno Apresentação / Profª Fernanda Marques Introdução 1 / Vinho: Néctar da Terra Introdução 2 / Questões Gerais Da Historiografia A Família Vaz de Barros e o Vaz-Guassu Personalidades Históricas Geologia & Povoamento Na Serra San-Roquense Tábua Historiográfica c/ histórico das Famílias Góes, Patto e Olivardo Tábua Geossocial, Econômica & Política

Anexos Fazenda Cambará | Um Exemplo De Continuidade Na Colonização Republicana Do Vaz-Guassu Quilombo do Carmo (estudos c/ Ab´Sáber e Paioli) Raízes Culturais Região das Cangueras, Fazenda (do) Manduzinho & Piabiyu

Anotações & Fontes


Prefácio Ler ou ouvir João Barcellos é fazer um mergulho na História e, ao retornar, rever conceitos. Meu primeiro encontro com ele foi em 24 de novembro de 2018, numa palestra que ele proferiu em São Roque, SP, na sede da Comitiva Brasil Poeira. Discorreu a respeito de “Sítios urbanos & arraiais minerários na formação das villas paulistas & do Brasil, do Ybyraçoiaba a Ibitutuna/Arassariguama passando por Saboó/São Roque, com exemplos de arraial e fazenda que viraram villa”. Sendo hoje a sede da Comitiva Brasil Poeira a ex-casa sede da Fazenda Cambará, o encontro foi propício para se destacar as ligações do local com aspectos históricos de que São Roque e região fizeram parte em séculos anteriores. João Barcellos informou que estava preparando a segunda edição do seu livro. O livro é este; vamos a ele. João Barcellos escreve da maneira que fala, com especificidade e abrangência contextual. Assim é que abre o texto levando o leitor a passear pelas origens milenares do vinho fazendo contato com fenícios, gregos, romanos, e trazendo o leitor para o Brasil até chegar a São Roque. Os aspectos historiográficos de São Roque e região são marcantes, apontando, por exemplo, o papel de Pedro Vaz de Barros, de seu filho Fernão Paes de Barros e de Antônio Joaquim da Rosa, o barão, com destaque para o sítio Santo Antônio. Personalidades históricas no papel de transformadores e fazedores de São Roque ao longo do tempo são alvo de atenção do autor, tais como Enrico dell’Acqua, James Theodor Diederischsen. Numa visão panorâmica João Barcellos descreve o cenário regional dando destaque aos aspectos da geologia, do povoamento. Grande contribuição é a tábua historiográfica que pega o leitor em tempos anteriores ao século XII e o vem trazendo por um caminho onde aparecem reis, reinados, personalidades fundamentais para o desenvolvimento do mundo ocidental; e o caminho segue com políticas, aventureiros, desbravadores, colonizadores, terras e vinhos, rumo a São Roque. Chegando a São Roque, o leitor tem à sua disposição uma tábua geossocial, econômica e política, além de muitas informações sobre o desenvolvimento da região com seus fatos marcantes e personalidades responsáveis pela construção e fixação do que hoje existe por aqui. A história do vinho é o fio condutor do trabalho do João Barcellos com destaque para produtores locais, com abordagens genealógicas e seus produtos. Desejo-lhe proveitosa leitura deste trabalho que em tudo contribui para o entendimento do que é a visão histórica de um assunto fascinante ao longo dos séculos, a relação do vinho com o poder. São Roque e região têm mais um trabalho a seu favor!

Álvaro Pequeno, professor. São Roque, janeiro de 2019


Apresentação

Sertanistas e Povoadores entre Paramilitares Fê Marques

Contar a história do Brasil é contar uma parte muito importante da história de Portugal e, depois da sua fundação no Século XII, talvez os Séculos XVI e XVII sejam os mais significativos. Tudo isto tem nome: colonização. O incansável pesquisador de história e poeta João Barcellos diz que “a luso-brasilidade é feita por um tripé: sertanistas, povoadores e paramilitares, com a benção de uma igreja temporal, cristã e catolicizante”. Ao estudar os aspectos geossociais ligados ao Cerro Ybiraçoiaba (2011) e ao Tropeirismo (2013), e nos dois ter avançado mais no perfil político-militar do Morgado de Mateus (2012), o intelectual luso-brasileiro aproveita entrevistas e conversas com o professor Aziz Ab´Sáber para decompor e levantar outras ´poeiras´ no tempo histórico no foco e no entorno da história serra san-roquense e do Vaz-Guassu, um dos paramilitares e povoadores mais famosos da Família Barros. A verdade, e seja ela dita, é que “o assentamento do estar-Portugal nos vastos sertões guaranis pelo Piabiyu e a oeste do planalto de Piratininga resultou no ser-Mameluco e, deste, no ser-Brasil”, mas para o Brasil-nação acontecer foi necessário o ato de conquistar via paramilitar (o Bandeirante) o território e escravizar os povos nativos, depois de muitas incursões (o Sertanista) e o assentamento de fogos em vales e serras que abriram caminho ao paramilitar. Esta é a história de Pedro Vaz de Barros, o Vaz-Guassu, mas também a de Affonso Sardinha, o Velho, o precursor do bandeirismo paramilitar – ao tomar o portinho e a aldeia de Carapochuyba e o Pico do Jaraguá ainda no Século XVI – da preação e da mineração de ouro e ferro no planalto de Piratininga e no sertão guarani. João Barcellos, ao fazer a releitura geossocial e histórica de Fazenda-Vila de São Roque, mostra mais uma vez como a “linha terra-água” do sertão do Piabiyu garantiu aos portugueses a observação da sobrevivência nativa e por ela marchar até erguer povoados


em cima de aldeias e de ranchos para obter o ponto estratégico do domínio colonial... a começar pelo marco-zero: a capela cristã. Neste contexto “[...] são importantes o sertanista desbravador e o senhor de terras e escravos que incentivam a construção do povoado com a benção dos religiosos, mas o paramilitar está na alma de todos, pois, o Brasil é construído da mesma maneira que os luso-galegos construíram Portugal: a abrir caminhos a ferro e fogo”, como lembra o pesquisador. A história da municipalidade e estância turística de São Roque foi a história de um estar-Portugal que (ainda) vai moldando o ser-Brasil.

MARQUES, Fernanda (Fê) Profª de História. Após o encontro com João Barcellos em São Roque, quando o pesquisador apresentou a sua releitura historiográfica acerca da região. Campinas-Br., 2014.

P.S.: Ao reencontrar João Barcellos na inesquecível Fazenda Nacional Ipanema (Iperó-SP), em meio às ruinas da Real Fabrica de Ferro de São João do (Rio) Ipanema, e ao Sítio Arqueológico Affonso Sardinha (o Velho), ele mostrou-me as últimas pesquisas acerca do colono luso-paulista Pedro Vaz de Barros (o VazGuassu), logo, imaginei dados e mais dados a acrescentar aos livros publicados sobre Cotia e São Roque. Não deu outra. Em relação a Cotia terá que alterar dados e modificam substancialmente o histórico da velha Acutia do sertão de Carapochuyba, para uma 3ª edição; quanto a São Roque, terá que escrever uma 2ª edição. É a vida de pesquisador de história. / Nos certõens de Yby Soroc, 2018.


Introdução 1

Vinho: Néctar da Terra 1Milênios antes de o vinho tomar parte na celebração à vida entre os rituais cristãos, já os egípcios o têm como bebida junto com a cerveja, mas é com os gregos e os romanos que o vinho ganha espaço mercantil e passar a ser para as elites um produto de demonstração do seu poder social e fundiário. Tanto em Atenas como em Roma não basta ter a posse da terra, é preciso demonstrar a geração de riquezas que ela possibilita: o cultivo da uva e a produção do vinho são duas ações de tecnologia agrícola que promovem o latifundiário e senhor de escravos, e também dos senhores que além das fronteiras respondem por esses impérios. O vinho é o néctar da terra e com ele se saúdam as divindades pagãs, exercício místico que a cristandade toma para si quando se insere em Roma e nela bebe o espírito imperial. O ato de fazer vinho é mais velho que o ato de comunicar pela escrita, pelos dados que temos do ciclo atual da geração humana. Os sírios, os jordanianos, os russos, os turcos, os persas, são povos africanos e asiáticos cuja arqueologia demonstra que entre eles o cultivo da videira é anterior ao conhecimento dos europeus. O vinho circula o mundo com os gregos, mas é com os fenícios que a bebida ganha espaço comercial, pois, são estes asiáticos os mais astutos marujos e mercadores que cortam os mares de porto em porto; entretanto, quando os gregos fundam Massalia [Marseille / Marselha] aqui cultivam os primeiros vinhedos, que logo se espalham também pela Península Ibérica dominada pelos romanos que ali incorporam celtas e árabes à sua ação colonial. Entre os impérios grego e romano existem maneiras diferentes de olhar e fazer o mundo, o que acontece também com o vinho: os gregos guardam o vinho em ânforas num processo arcaico, já os romanos inovam e querem o vinho em quarentena para apurar a qualidade das castas pisadas pelo que utilizam barris de madeira, principalmente no norte da Península Ibérica onde, entre galegos e lusitanos nasce o reio de Portugal.

Se os fenícios popularizam o vinho entre os gentios europeus, as ações marítimas de ciência, primeiro, e colonização, depois, levadas a cabo por portugueses e espanhóis no Oriente e no Ocidente, carreiam o vinho e, no Novo Mundo, particularmente no Brasil, recriam usos e costumes que o têm como foco.


2- O colonialismo é um ato de cerco e de conquista, de escravatura e de integração do povo dominado na cultura do conquistador. É o que acontece entre as regiões litorâneas do sul do Brasil, a partir do Gohayó, e entre o planalto e o sertão de Piratininga, depois que Affonso Sardinha [o Velho] domina o Pico do Jaraguá e descarta o Portinho de Carapochuyba, até então fazenda sua enquanto unidade logística de apoio às suas ações de mineração e preação nos ramais do Piabiyu. É tão importante a conquista que o Capitam das Gentes da Villa de Sam Paolo [ele mesmo, ´o Velho´] deixa a sua casa do Ybitátá e forma fazenda e casa-grande no Jaraguá, que lhe serve de mortalha em 1614. É o Século 16. E a queda do Pico do Jaraguá, último ponto de observação dos povos nativos sobre o planalto piratiningo, abre as portas em definitivo para as explorações territoriais, escravagistas e prospecção de pedras preciosas, além do assentamento colonial luso-paulista, uma vez que nos Anos 90 do quinhentos já existe uma população mameluca considerável no litoral, no planalto e no sertão, indício da iniciação a um “outro” Portugal nas trilhas guaranis do Piabiyu. 3- A colonização de uma área geossocial – no caso do Brasil é o domínio da terra e suas gentes – é feita com a imposição de costumes alheios ao local: o colonialismo português não chega ao Brasil apenas para conquista de terras e escravos e outras riquezas, ele vem com a cristandade, é um ato luso-católico em toda a extensão sociopolítica e militar, logo, um dos costumes portugueses imediatamente introduzidos durante a posse ultramarina é o cultivo da videira, a produção de uva e vinho: o néctar da terra. E se... em se plantando tudo dá nesta terra, como noticiara o escrivão Caminha na sua carta, de 1500, ao rei Manuel I, a videira teria mais terra para se expandir.

Como o ritual litúrgico cristão foi buscar aos rituais pagãos o vinho como demonstração da ligação telúrico-cósmica [q.s. ´religião´], todo o poder temporal tem no vinho a substância que lhe permite dominar e celebrar divinamente. As elites fundiárias lusas, e logo luso-paulistas, colonizam o planalto piratiningo com os padres jesuítas, carmelitas, beneditinos e outras ordens da cristandade, para em cada rancho e cada fazenda erguerem igrejas e capelas segundo a devoção de cada um[a] a este santo ou àquela santa. Seja na proximidade da casa-grande e da senzala, ou na ´fábrica da capela´ no terreiro que antes era espaço pagão na aldeia do povo nativo, o colonialismo luso-católico desbrava o sertão guarani e assenta o Portugal e a Cristandade: as elites civis e religiosas celebram este ´outro´ Portugal com vinho de castas tropicais pisadas no litoral e no oeste da Capitania de S. Vicente. E logo, no Século 17, quando surgem as casas-grandes e senzalas como unidades de apoio logístico aos bandeirantes, já o Cerro Ybiraçoiaba é a capital do ferro com a sua Villa de Nª Sª do Monte Serrat, e padre e banqueiro Pompeu de Almeida adquire a mina d´ouro do Ibituruna, que foi do ´velho´ Sardinha, é que o vinho surge como parte da economia liberal instalada no Piabiyu e representa uma parte do ´ouro verde´ que a terra oferece a quem a trabalha.


O vinho é mais um ´ingrediente´ ultramarino do ser português que está tropical. No instante em que o capitão Pedro Vaz de Barros, dito ´Vaz-guassu´ [q.s. grande Vaz], toma posse da sesmaria formada entre os ribeirões Carambaí e Araçaí, uma região de colinas e vales a algumas milhas do planalto piratiningo e no corredor central do Piabiyu, o vinho assume de vez uma função social e mercantil e cultural. A saber: no ano 1665, o capitão Pedro, filho do abastado reinol Pedro Vaz de Barros, oriundo do Algarve e de muitos serviços à Coroa lusa também na Capitania de S. Vicente, constrói fazenda e casagrande na confluência daqueles ribeirões e manda fazer ´fábrica´ em honra de São Roque, santo da sua devoção. Só a leva de escravos é suficiente para formar uma vila na região, não se fazendo conta à tropa e criadagem doméstica. A capela em honra de São Roque fica pronta em 1681 e a celebração da inauguração é feita com vinho fino para a Família Barros e vinho comum e cachaça para a arraia-miúda.

Imagens: Quinta do Olivardo | Rota do Vinho

Nesta época do seiscentos estão na região os portugueses e os luso-paulistas, mas logo chegam italianos, e a produção de uvas e vinhos ganha uma dimensão que faz da terra san-roquense a capital da vinicultura. O desenvolvimento é gradativo, nem interessa às elites fundiárias coloniais tanger o domínio além das próprias possibilidades, mas o que era fazenda vira Vila de São Roque e, em pleno Século 18, quando Luís Antônio Mourão chefia política e militarmente a Capitania paulista, a região san-roquense é uma das que ganha com o espírito de abertura fundiária e da logística rural-urbana proposta pelo iluminado estadista oriundo do morgadio de Mateus. O oeste e sul da Capitania paulista vive um grande ciclo de povoamento e de empreendimentos agropecuários, entre os quais o vinho san-roquense tem destaque mercantil.


Terminando, o vinho, esse néctar da terra, fixa base entre os ribeirões Carambaí e Araçaí onde nasce a Vila de São Roque, e mostra, até hoje, ser o único liquido que funciona como pedra de toque filosofal nas relações humanas e divinas. Assim era na Idade da Pedra, assim foi na colonização da “ilha do brasil” e assim é na Idade Digital...

Fontes BARCELLOS, João – Vinho & Religião na Colonização dos Povos Nativos Americanos. Conferências. Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina e São Paulo, 1994. – Função Social do Vinho. Palestra. São Roque / SP, 1993. – Piabiyu. Ed Edicon. São Paulo / SP, 2003. – Terras de São Roque: o Vinho é a alma do negócio. Palestra. São Roque / SP, 1997. ESTRABÃO – Geographia. Tratado com 17 volumes. O estudioso grego [64 aec – 24] é responsável pelas principais informações acerca dos povos e nações da sua época. Muitos dos dados sobre usos e costumes, mesmo que superficiais, são hoje fundamentais para a compreensão histórica dos impérios grego e romano, incluindo o cultivo da uva e a divinização do vinho entre as elites. LIFFEY, Hanne – Cristãos e Pagãos Celebram com Vinho. Palestra. Vila Nova de Gaia / Porto, 1972. – Vinho na Estrutura Social Celta. Palestra. Vigo-Galícia / Espanha, 1972. Obs.: Textos mimeografados. Acervo de Johanne Liffey, filha de Hanne e J. C. Macedo. Do mesmo acervo são as referências de J. C. Macedo. MACEDO, J. C. – O Vinho e o Barro na Formação Civilizatória entre Galegos e Lusitanos. Estudos. Opúsculo, base de 3 palestras sobre o mesmo tema. Porto, Barcelos, Vila Real, Viseu, Beja, Guimarães, Celorico de Bastos, Viana do Castelo [Portugal], e Vigo [Galícia], 1981. PLÍNIO, Caio [23-79] – Naturalis Historia. Estudioso grego que descreveu os processos de vinicultura utilizados na sua comunidade.


Introdução 2

Questões Gerais da Historiografia

Ponto Primeiro Na historiografia da Capitania de S. Vicente são raríssimas as povoações construídas fora dos aldeamentos nativos tomados pelos colonos portugueses. Uma dessas povoações é São Roque, que vem a surgir no território da fazenda de uma das mais importantes famílias luso-paulistas: a Família Barros. Em meados do Século 17, no ano 1657, o colono Pedro Vaz de Barros [filho, ou ´o moço´] luso-paulista e dono de vastas terras entre Cutaúna/Quitaúna, Acutia, Araçariguama [Sítio dos Arassarys] e Sorocaba [no mapa das primeiras ´entradas´ minerárias: Rio Brígida], amplia o seu poder mercantil e cria uma povoação entre os ribeirões Carambaí e Araçaí, região de ótimo clima para a agricultura. Ele batiza a povoação de “São Roque”, por ser devoto do religioso católico. Obedecendo à tradição que espelha o Oeste paulista como berço das expedições sertanistas que fazem do Brasil um território continental, o capitão Barros dá início ao povoado ordenando a ´fábrica´ de uma Capela, que fica conhecida como Capela de São Roque de Carumbebi. A 12 léguas [66,6 km] a oeste da São Paulo dos Campos de Piratininga, São Roque cria fronteiras com Sorocaba [a 6 léguas = 33,3 km], Itu [a 8 léguas = 44.4 km], Cotia [a 5 léguas = 27,7 km], Una [a 3 léguas = 16,6 km], Araçariguama [a 2,5 léguas = 13,8 km] e Piedade [a 5 léguas = 27,7 km], mas fica isolada e atua como polo abastecedor do eixo Araçariguama-Sorocaba-Porto Feliz. A principal atividade, entre os Séculos 17 e 19, é a cultura de Algodão, de Cereais, e a Pecuária. Ainda no período seiscentista, chegam à povoação emigrantes de Portugal e da Itália, que aproveitam o microclima montanhoso e ampliam a vinicultura, que já é o produto ´nativo´ mais conhecido – e logo São Roque torna-se conhecida como Terra do Vinho.


Já a fazenda dos Barros é um importante eixo de encontros e de manutenção de tropas na aventura desbravadora quando o capitão Barros, que os nativos guaranis e tupis das redondezas apelidam “Guassú”, q.s. “o Grande”, decide transformar-se também em “senhor de povoação”, como é costume entre a elite fundiária e capitalista do seu tempo. A doação da fazenda para a edificação da povoação segue o ritual luso-vaticano: terra e igreja sob o mando do mais poderoso senhor da região. É assim que a povoação de São Roque, e apenas pelo lado do agronegócio e da escravidão, uma vez que a mineração aurífera de Araçariguama está nas mãos de outros colonos albergados em Sant´Anna de Parnahyba e a mineração de ferro no Saboó não é atividade lucrativa, torna-se um eixo de importância logística muito bem visualizado e organizado pelo Vaz-Guassu. É o instinto mercantil. “Por que vou manter uma fazenda de criação, de escravos e de lavoura, se posso fazer dela uma povoação com lucro assegurado pela passagem de quantos querem desbravar, como eu, o imenso Brasil?...”, deve ter pensado ele. Pensou e o fez para carimbar de vez a sua vocação militar e bandeirística que o levaria até outros rincões da colônia.

Ponto Segundo Três séculos e meio depois do empreendedorismo rural, militar e político de de VazGuassu, a municipalidade san-roquense mantém a vocação do agronegócio, mas especializa-se também no segmento do turismo ecológico e de lazer, com um ponto comum na sua história: o Vinho. Entretanto, mais uma cultura é introduzida para aproveitar o riquíssimo solo da região: a Alcachofra. E então, Vinho e Alcachofra são parte da base econômica e identitária de São Roque. Esta identificação institucional, que vem desde o Vaz-Guassu, continua pela dedicação sociopolítica de Antônio Joaquim da Rosa, o barão.

A localização de São Roque em meio a várias opções urbanas e rurais é flagrante, e cabe à sociedade seguir o exemplo desbravador do Vaz-Guassu e do barão Rosa: dar à municipalidade as condições de crescimento socioeconômico que ela permite... No cenário estratégico urbano do Século 21, São Roque ousa ser um polo ruralecológico e histórico, e o aproveitamento mercantil e cultural gera novos empreendimentos.


Eis que o Vinho e a Alcachofra, em meio Ă arqueologia colonial e ao ambiente religioso, tornaram-se sĂ­mbolos san-roquenses.


A Família

BARROS

Neste apontamento é feita a observação historiográfica dos Barros, relacionada à Questão San-Roquense, com colagem do testamento feito pelo fundador da Fazenda e Vila de São Roque. Da nobreza dos atos reinóis e familiares a linhagem tem continuidade muitas vezes com nomes que se confundem entre várias gerações, e na Família Barros acontece o mesmo, particularmente com o sobrenome Vaz de Barros, que passa do Algarve ao Brasil sem perder o garbo aristocrático.


Pedro Vaz de Barros a ousadia de ser império em qualquer circunstância

Pedro Vaz de Barros, pai, nasce em Portugal [província do Algarve], no ano 1569. Reinol ativo e convicto é agraciado pela Coroa: em 18 de Agosto de 1603, é nomeado capitão-mor governador da capitania de S. Vicente em representação do donatário [ausente] Lopo de Sousa. Dois anos depois retorna a Portugal, mas decide continuar a viver no Brasil casando-se com Luzia Leme, filha de Fernão Dias Paes e de Lucrécia Leme; um dos filhos, Pedro Vaz de Barros, dito Vaz-Guassu, amplia as fazendas em Cutaúna/Quitaúna e em Pinheiros – na época, a região do Jeribatyba, que é Pinheiros no aportuguesamento de então, é região de Carapocuhyba a englobar também o Ybitátá, tudo arregimentado na sesmaria de Affonso Sardinha (o Velho) – mantendo, ainda, os sítios de Acutia com dezenas de escravos nativos e, aqui faz nova ´fabrica´ da Capella de Nossa Senhora do Monte Serrat com intensa vida social. Pela leitura do testamento da Luzia Leme percebe-se o quanto de poder tinha o reinol algarvio e sua influência política e administrativa legada ao filho...

TESTAMENTO Em nome (...) Aos 29-11-1655 eu Luzia Leme, faço este meu testamento: Encomenda a alma. Rogo a meus filhos Pedro Vaz de Barros e Fernão Paes de Barros queiram ser meus testamenteiros. Meu corpo será sepultado no convento de Nossa Senhora do Monte do Carmo no cruzeiro. Acompanhamentos e missas. Declaro que fui casada com o capitão Pedro Vaz de Barros, já defunto, de quem tive sete filhos machos e uma femea a saber: Jeronymo Pedroso, Valentim de Barros; ----- Pedroso de Barros; Luiz Pedroso de Barros, Pedro Vaz de Barros, Fernão Paes de Barros, Sebastião Paes e Lucrecia Pedroso. Declaro que dos sobreditos meus filhos Jeronymo Pedroso morreu sem herdeiro; Valentim de Barros foi inteirado do que lhe ficou por morte de seu pai, por ele ser morto seus filhos herdarão na parte do que por minha morte - o que lhes couber; Antonio Pedroso de Barros se lhe dará por minha morte não só o que lhe tocar mas tudo o que por morte de seu pai lhe coube o que tudo se entregará a seus filhos por ele ser morto o sobredito meu filho; Luiz Pedroso já lhe tenho dado o que lhe coube por morte de seu pai e por minha morte se lhe dará o que lhe tocar; declaro que minha filha Lucrecia Pedroso já está inteirada do que lhe coube por morte de seu pai e se lhe deu fora isso seu dote de casamento --- que a ela lhe tocam se darão a sua filha. Declaro que os mais filhos que são Pedro Vaz de Barros, ------ Paes de Barros, Sebastião Paes ainda não ---------- de suas legitimas e assim se lhes darão.


(...) pelo padre frei Angelo dos Martyres religioso de Nossa Senhora do Carmo provincial desta vila e convento dela. Frei Angelo dos Martyres. Declaro que minha terça depois de cumpridos meus legados o que restar se reparta igualmente por meus herdeiros. Aprovação: 1655 Cumpra-se São Paulo 22-11-1655 - como vigário Lobo. Cumpra-se são Paulo --- novembro 655 - Antonio ------Avaliações, bens no sitio dos Pinheiros, sitio na paragem Itacoatiara 10-10-1656 - Curador a lide dos órfãos que ficaram de Antonio Pedroso de Barros: Alferes Francisco Rodrigues Penteado. 10-10-1656 - Curador a lide da órfã Maria, filha de Antonio de Almeida Pimentel: João Leite. Citados para partilhas: João Leite procurador a lide da órfã Maria, filha do defunto Antonio de Almeida Pimentel: pelo qual foi dito que não queria nada. -ao alferes Francisco Rodrigues Penteado - Pedro Vaz de Barros - Fernão Paes de Barros - Bastião Paes - Leonor de Siqueira - a Dom Francisco de Lemos como procurador de Dom João Matheus Rendon tutor e curador dos órfãos filhos que ficaram de Valentim de Barros. Pelos quais me foi dito que queriam herdar Monte liquido 1:080$650 para partir entre seis herdeiros. quinhões, entre eles: - que coube a Luiz Pedroso de Barros, o qual foi entregue a sua mulher Leonor Siqueira. Recibos e quitações. (e4ntre eles) fls. 453: recebi do acompanhamento no enterro de Luzia Leme, convento de Santo Ignácio hoje 21-11-1655 - o mestre de estudo Antonio Pinto. fls. 461/462- Por Luiz Pedroso de Barros não encontrar-se em lugar certo e não poder ser citado, para se fazer as partilhas foram inquiridas as testemunhas abaixo sobre o fato: Aos 18-9-1656 foram apresentadas para inquirição: 1- Luiz Dias Setuval, morador nesta vila de São Paulo, de 46 anos, pouco mais ou menos. (...). 2- Pantaleão de Sousa, morador nesta vila de São Paulo, de 33 anos, (...). 3- Diogo Ferreira, morador nesta vila de São Paulo, de 27 anos, (...). 4- Antonio Pardo, morador nesta vila de São Paulo, de 41 anos, (...). 5- João de Campos Carvajal, morador nesta vila de São Paulo, de 44 anos, (...). Estudo e compilação: Projeto Compartilhar.


Pedro Vaz de Barros, o Moço da terra herdada que se expande e nela se fixa o impÊrio


Dos filhos do reinol luso Pedro Vaz de Barros o que mais se destaca é Pedro Vaz de Barros [o Moço] que, nascido creso em 1621 (?), sabe pelo próprio pai que conservar a fortuna herdada é uma batalha de riscos sociais e financeiros, e já pelos Anos 50 do seiscentos atua com Fernão Dias Paes [o bandeirante] na transformação da Aldeia Koty em Vila cristã [capela curada em 1662], e ele mesmo leva adiante o ato com nova ´fábrica´ da capela em honra de Nª Sª do Monte Serrat, perto do velho Portinho de Carapocuhyba, de onde seria tirada e levada em 1703 para o sertão itapecericano, à qual anexam o trritório autônomo de Coacaya/Caucaia e os de Jandira, Itapevi e Ribeirão da Vargem Grande. A força moral e política de Pedro é tal que a escravaria nativa e africana o tem como guassu – ou, Vaz-Guassu, e esta alcunha brasílica cai no gosto popular porque O Grande comporta-se assim mesmo: grande no pensamento, grande nos gestos. A severidade da aventura de estar além-mar e aqui situar o ser-luso numa modalidade tipo outro Portugal, dá a alguns sertanistas e mineradores, que ao mesmo tempo são políticos e financistas do próprio ato colonial e religioso, a força que lhes permite serem maiores que a história que carreiam, porque não estão somente nela, fazem-na...! Nomear alguém de guassu é respeitar e homenagear, por isso, Pedro Vaz de Barros está entre os poucos colonos da elite luso-paulista que merece a honra. O colono Vaz-Guassu nasceu luso-paulista em 1621(?) dedicando-se a expandir o império fundiário e escravocrata do pai; não se casou, mas legou ao Brasil vasta filharada. Ao morrer, em 30 de agosto de 1674, é um nome que pontifica na nobiliarquia paulistana. De família com sangue judeu, conseguiu seguir os passos do pai e dar continuidade à ´nobreza da terra´, ou seja, família de ´homens bons´. [do livro Vinho & Poder | São Roque: entre a Uva dos luso-paulistas e o Poder político-fundiário do Vaz-Guassu; de João Barcellos; 1ª Ediç., 2014; 2ª Ediç., revisada e ampliada em 2018-19.] Notas _ Cartório de Órfãos de São Paulo, inventário de Pedro Vaz de Barros; Câmara de São Paulo, livro de registro de cartas régias, 1673; e cartório da Tesouraria de Fazenda, livro 4º de sesmarias – apud Pedro Taques (Nobiliarchia) e Azevedo Marques (Apontamentos Históricos da Província de S. Paulo).


* O luso-paulista Pedro Vaz de Barros é o fundador e mantenedor da Capella de S. Roque, no entorno da qual nasce o povoado san-roquense no Século 17. Quando deixa a fazenda de Cutaúna/Quitauna já ampliada e melhorada, segue para as margens do rio Acutia e logo para o vale anhambyano, tem o Morro Saboó como referência e do pé-de-serra além dá início a nova fazenda. É este mesmo colonizador que, entre o vale do Anhamby e o rio Jeribatyba, nas bandas dos certõens y mattos carapochuybanos, e já próximo à foz do rio Acutia a engrossar o caudal do Anhamby, se apresenta para a nova ´fabrica´ da Capella de Nª Sª do Monte Serrat e n essa Acutia [Koty, Cuty, Cutihi, etc.] faz desenvolver intensa atividade social. Enquanto a Capella san-roquense é o eixo de grande operacionalidade rural, a Capella monte-serrana vem a ser desativada no início do Século 18 e levada para os certõens y mattos itapecericanos onde renasce o e, logo, a Paróquia de Nª Sª do Monte Serrat da Acutia ganha a anexação de Coacaya, Jandira, Itapevi, parte da Aldeia/Fazenda Carapochuyba e Ribeirão da Vargem Grande. A atividade socio-mercantil de Vaz-Guassu gera atos vanguardistas pelo marcado pendor de municipalismo republicano inserido na criação de povoados.

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Vaz-Guassu e o povoado de

São Roque

Já um povoador conhecido nos sertões paulistas, Vaz-Guassu empenha-se em transformar a sua fazenda, instalada entre os ribeirões Carambaí e Araçaí, no vale do Anhamby, em sede de nova povoação. Corre o ano 1657 e ele manda fazer ´fábrica´ de capela em honra de São Roque. Na fazenda vivem mais de 2000 pessoas, a maioria utilizada como mão-de-obra na agropecuária e na vinicultura. A povoação nasce socialmente obesa para os padrões da época, quando na maioria das vilas vivem de 500 a 800 habitantes. Mas, a fazenda de Vaz-Guassu também é grande... “Nesta sua capela teve sua maior assistência. Foi a sua casa e fazenda uma povoação tal que bem podia ser vila, e ainda hoje as casas que foram de sua residência servem de padrão que lhe acusam a maior magnificência, como obra daquele tempo. Teve muito grande tratamento, correspondente aos grossos cabedais que possuía, entre cujos móveis teve uma copa de prata de muitas arrobas. A sua casa era diariamente freqüentada de grande concurso de hóspedes, parentes, amigos e estranhos, que todos concorriam gostosos a fazer-lhe uma obsequiosa assistência. Todos eram agasalhados com grandeza daquela mesa, na qual com muita profusão havia pão e vinho da própria lavoura, e as iguarias eram vitelas, carneiros e porcos, além das caças terrestres e voláteis, das quais os seus caçadores atualmente conduziam com fartura, e por isso de tudo havia com abundância, e com tanta prevenção que, a qualquer hora da tarde que chegavam novos hospedes, estava a mesa pronta, como se para estes fora conservada. Foi cognominado Grande, chamando-se-lhe assim pelo idioma brasílico: – Pedro Vaz Guassu”.

Mas... Uma Ressalva Historiográfica _ Assim nos relata o linhagista Pedro Taques a grandiosidade da Fazenda e da Capella de Nossa Senhora de Monte Serrat de Acutia. Entretanto, se faz jus uma anotação historiográfica, a saber: o relato de Taques fala de Cotia, uma aldeia simples com uma capella exuberante, mas, se a capela é exuberante, nada na velha aldeia guarani-cristã faz supor uma urbanidade tão exuberante quanto... Ou seja, o linhagista tomou Cutia por Cutaúna (depois, Quitaúna) onde a Família Vaz de


Barros possuía vasta e urbana fazenda, e nem sequer se compara a fazenda;/aldeia levantada além do Cerro Saboó com a simplicidade acutiana...! Por outro lado, nascido em 1621 (ou 20, ou 22), o jovem Vaz-Guassu não poderia ter a importância que Taques lhe atribui em 1636, quando a Capella acutiana, região registrada em atos cartoriais como Cutihi, já celebra muitos atos sacros para a elite colonial. Também, o mesmo Taques, por equívoco, pode ter trocado a Cotia por São Roque, uma vez que na ´nobiliarchia´ trata ele dos cabedais financeiros e fundiários dos colonos portugueses e mamelucos.


Fernão Paes de Barros O cavaleiro da Fazenda Santo Antônio

Entre os Barros, um sertanista e cavaleiro de alto mérito reinol. Filho do capitão-mor Pedro Vaz de Barros e de Luzia Leme, recebe por seus serviços à nação «honrosíssima carta firmada pelo punho do rei D. Pedro, em 1678”, como consta das anotações historiográficas de Pedro Taques. É este sertanista e cavaleiro um atento súdito que corre a prestar socorro ao povo da Vila de Santos, que sofre com investidas dos corsários holandeses, além de proteger personalidades judiciais no cumprimento de suas funções na Vila de São Paulo dos Campos de Piratininga. Fernão Paes de Barros tem fazenda de grande valia agropecuária em Araçariguama, mas verificando as potencialidades agrícolas da região san-roquense, onde o irmão Pedro Vaz de Barros erguera fazenda e vila, resolve escolher terra nas proximidades e ergue casa-grande e capela, esta, em louvor de Santo Antônio.

Da sua riqueza dispensou parte para favorecer os serviços reinóis, como consta, em 1675, do livro de vereanças da Câmara de Santos. Outra régia, honra-o, em 27 de setembro de 1664, pelo auxílio dado ao governador Manuel Lobo, incumbido de fundar a Colônia do Sacramento: “[...] o que se houve Fernando Paes de Barros com toda galhardia, aprontando-lhe fornecimentos de víveres para a tropa tudo a sua custa, e fazendo por esta ocasião extraordinária despesa”. Socialmente é homem que gosta de mulheres. Ainda jovem e solteiro, gera com uma crioula pernambucana uma filha natural, Inácia Paes de Barros, que vai casar com Brás Leme de Barros, filho bastardo e herdeiro de seu irmão. Casa duas vezes, uma delas no Rio de Janeiro com Maria de Mendonça, mas descobre não ser nobre o sangue dela e recusa-se a ter relações sexuais. É a moral da época. Com nativa pode tudo, com branca só se o ´sangue azul´ fluir no pensamento...


Sítio Santo Antônio um retrato rural do bandeirismo

Da capela interna na casa grande à igrejinha construída no terreiro, a poucos metros, a propriedade de Fernão Paes de Barros é um espaço rural da família, que financia, em pleno Séc. 17, empreendimentos bandeirísticos. É a esposa, Maria Mendonça, que pede a igrejinha com altar antonino, o santo português de Lisboa e de Pádua, e ela vem a ser inaugurada em 1682, quatro décadas após a construção da casa grande. Os ciclos bandeiristico e imperial fizeram cair no esquecimento muitas propriedades que foram foco do desenvolvimento e do assentamento continental do Brasil, uma delas foi o Sítio Santo Antônio, a algumas milhas da Capela de São Roque, que originou a Vila san-roquense pelo jeito cavaleiresco de Vaz-Guassu no assentamento de povoações no estilo ocidental-cristão. A propriedade ainda veio a pertencer a Antônio Joaquim Rosa, o Barão de Piratininga. Obs.: 1- O conjunto rural-arquitetônico foi encontrado pelo escritor Mário de Andrade, em 1937; diante de tal retrato rural do bandeirismo, o intelectual decidiu adquirir a propriedade que foi posteriormente doada ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional [iphan]; 2- Muitas pessoas confundem o Sítio St Antônio com a Capela de São Roque [hoje, Matriz] e acham que a vila teve início naquele rincão arquitetônico: a Vila de São Roque iniciou-se em torno da Capela com ´fabrica´ de Vaz-Guassu.


Personalidades Históricas

Vaz-Guassu, o Barão Rosa, Enrico dell´Acqua, Fernão Barros e James Diederichsen


A história colonial san-roquense anota Pedro Vaz de Barros [o Vaz-Guassu] como figura central da região à qual deu origem a partir da sua fazenda agropecuária entre os leitos d´água doce do Carambaí e do Araçaí. É uma personalidade incontestável até pelo jeito quase republicano de decidir pela transformação da fazenda em povoado. Mas, digo mais, no gênio administrativo de político fundiário que é Vaz-Guassu persiste a ideologia humanizadora do republicanismo municipal instalado no Brasil-colônia na Vila de S. Vicente e que galga a serra incentivar as vilas piratiningas do planalto. E o mar de morros que protege o poderoso leito e as planícies anhambyanas estendese da região carapochuybana e acutiana à da Sant´Anna parnahybana estendendo-se à sorocabana – um espaço onde o fervor do republicanismo municipal se faz sentir, até pelo sucesso das políticas discutidas e executadas pela vereança da Vila Piratininga e os esforços socio-militares de desbravadores como Affonso Sardinha [o Velho] –, e isto porque nas margens jerybatibanas já o republicanismo é foco de uma economia liberal que alimenta a Capitania vicentina e favorece a monarquia metropolitana. Oriundo de uma família de reinóis adeptos da liberdade do pensar-para-fazer, o Vaz-Guassu já havia feito uma incursão de políticas públicas ao jeito republicano na Koty e, na fazenda para onde levou o S. Roque de sua devoção, não seria diferente: pensa e age com alma de res publica para assentar um novo povoado. É preciso ir à historiografia familiar para se entender o perfil social e político de Pedro Vaz de Barros, o Vaz-Guassu, porque tanto ele como o irmão Fernão, e antes o pai, dão provas sociopolíticas republicanas na defesa dos interesses do Império luso-vaticano, mas os gestos d´alma em res publica vão além do monarquismo feudal ibérico e já indiciam um Brasil com identidade própria... Os anos seiscentistas são fortes na marcação de perfis que continuam a abnegada odisseia de instalar ´outro´ Portugal no rincão descoberto pelo capitão Sancho Brandão, lá em 1342, e oficializado em 1500 por um Cabral a caminho da Índia. Entretanto, é nos anos oitocentistas que a Povoação de São Roque conquista espaço político e administrativo. Também, o olhar republicano de Vaz-Guassu tem continuidade no olhar ambientalista de James Diederichsen que se assenta, fundiária e socialmente, na Fazenda Cambará. E logo nasce e age o san-roquense Antônio Joaquim da Rosa, o Barão de Piratininga e também homem forte paulista e imperial, cujos trabalhos em prol do povoado o tornam vila e cidade com projeção na produção agropecuária e vinícola – e, logo, industrial, com a chegada de Enrico Dell´Acqua, o famoso empresário italiano já com fábrica na Argentina, e que em São Roque instala também uma magnífica unidade têxtil com departamentos em Osasco e Salto. Rosa e Dell´Acqua completam-se na ousadia da construção de outra urbanidade, um novo estilo de viver a vida: projetar para alcançar o sucesso político e empresarial. Não estão longe do olhar e da ação do Vaz-Guassu vistas as ´coisas´ por este prisma, e por isso, os três são as personalidades da História de São Roque.


DIEDERICHSEN Um Botânico Nas terras Do Vaz-Guassu As décadas finais do Séc. 19 são tempos difíceis para os povos germânicos. Ali perto, os suíços levantam a nação com trabalho infantil e sequestram a juventude, trauma que em pleno Séc. 21 é visível na narrativa das novas gerações que analisam a sua ancestralidade. Não é diferente com os alemães, apesar de uma escolaridade tecnológica e científica de respeito, pois, o foco da crise social europeia é económica. É neste espaço-tempo que nasce, em 1860, o filho de James Herman e Caroline Emile, batizado com o nome James Theodor Diederichsen. Educado na rígida escolaridade germânica o jovem torna-se um botânico com demandas além da Floresta Negra, a cordilheira que é também campo experimental para as novas gerações de estudiosos da natureza. Ora, ele tem notícias de fabulosas florestas atlânticas que se perdem de vista no Brasil, onde residem e trabalham familiares – familiares que precisam não de mão-de-obra, mas de cabeça-de-obra para dar continuidade às empresas mercantis sediadas em São Paulo. Sim, o tio Theodor Wille precisa de jovens que pensem, projetem novos rumos na exportação cafeeira... E eis que em 1888, outro tio, Bernhard Diederichsen, um dos magnatas alemães do ´chá paulista´, recebe-o e acomoda-o na sua Fazenda Morumbi. No percurso entre o cais santista e o planalto piratiningo já o jovem se enche de encantos botânicos. Com a morte do tio Wille, ele recebe uma boa herança, cabedais suficientes para se lançar na aventura de ser ele-mesmo o botânico em causa própria. O jovem botânico percorre diariamente a cavalo a distância entre a Fazenda Morumbi e o casario no entorno do Convento São Francisco, onde o tio Wille tem escritórios.

O investidor e ´barão do café´ Wille

É este Wille, então, um dos ´barões do café´, o primeiro, em 1844, a exportar sacas de café para a Europa pelo armazém no Porto de Santos e a romper com o monopólio cafeeiro dos holandeses que, a partir de fazendas em Java (Indonésia), domina(va)m o mercado ocidental; e, também, o capitalista que investe na engenhosidade comercial de outro alemão: Franz Schmidt, mais tarde o ´rei do café´. Com tal arcabouço familiar, James circula pelo centro paulistano e ´faz o triângulo´, i.e., o circuito das ruas Direita, São Bento e Carmo, que eram dominadas pelos conventos e que, em meados do Séc. 19, tornam-se vitrines do comércio e da elegância paulistana, e a 15 de Novembro sedia, por ex., a casa Alemã, uma demonstração da potência econômica concentrada entre os investidores germânicos no Brasil a partir do sítio paulistano. Os alemães estão no Brasil


desde as primeiras caravelas lusas, com Hans Staden e Ulrich Schmidel, cujos relatos constituem as primeiras informações detalhadas da colônia (incluindo o Piabiyu guarani) para o mundo... Entretanto, o jovem não foi conquistado pelo ´charme´ da facilidade que o poder insinua e aprendeu o que podia aprender em meio à destruição do sítio urbano aldeístico que lhe surgia a cada passo, por isso, o seu olhar de botânico está longe, muito longe do velho sítio erguido entre o Tamanduateí e o Anhangabaú e, mesmo, da produtiva e mundana Fazenda Morumbi.

* Três décadas antes, em 1850, outro alemão instruído, químico-farmacêutico e filósofo, mas também já no encalço da botânica, chegou ao sul brasileiro: era Hermann Blumenau. Ele subiu o rio Itajaí-Assu, desembarcou no cais do ribeirão Garcia e ali iniciou a construção de um povoado, logo denominado Blumenau. As gerações alemãs que fizeram a descoberta científica do ´chão´ do Brasil, com João VI e com a imperatriz Leopoldina, depois com Pedro II a erguerem a Real Fábrica de Ferro de São João do (rio) Ipanema, no Cerro Ybiraçoiaba, têm continuidade, então, em Blumenau... E, logo, nas terras da fazenda-vila que foi do Vaz-Guassu e batizada de Villa São Roque, entre o Cerro Saboó e as cangueras no sentido do certam d´águas dito Ibiuna, surge outro alemão, e ele é James Theodor Diederichsen. Esta leitura comparada se faz necessária na demonstração da importância de gente germânica na formação do Brasil moderno. *

No instante em que o botânico Diederichsen lança o olhar sobre a patusca e mansa povoação san-roquense, no velho sertão guarani e em pleno vale anhambyano, ele percebe que não é uma aldeia alemã, mas é um sítio rural-urbano a precisar de um jeito botânico para a preservação do todo florestal que dinamiza a região. É este olhar especializado que o leva a adquirir a Fazenda Cambará, e logos outras propriedades e terras, e aqui operacionalizar a sua especialidade profissional: tratar a terra e as suas espécies no âmbito da natureza que lhes é peculiar. A personalidade que é James Theodor Diederichsen assume importância social na região san-roquense não porque adquire a Fazenda Cambará enquanto unidade de produção agrícola e não como polo escravagista, mas porque diante de tanta beleza germânica espalhada por São Paulo e principalmente no ´fazer o triângulo´ paulistano, ele apaixona-se por uma jovem local, Julieta, filha do fazendeiro Antônio Xavier de Lima que lhe vendera a ´cambará´ da Estrada da Serrinha. Como botânico, James faz a leitura naturalíssima do ser-estar na hileia tropical e nela se envolve por inteiro, como homem, integra-se à natureza humana local para fazer geração própria.


Fazenda Cambará (São Roque), 1891 _ 134 alqueires | 3.242.800 m2 Desenho de Franco Mazzoto

A dimensão botânica tem a ver com a geossociedade, porque o trato entre ela e a humanidade é a essência do desenvolvimento sustentável. Este é o legado da Família Diederichsen para a comunidade san-roquense. Fontes Arquivo Digital de São Roque Arquivo Público do Estado de São Paulo A Importância Dos Investidores Alemães No Brasil Após Os Relatos De Staden & Schmidel: da Aldeia Paulistana à Metrópole Industrial – João Barcellos; palestra, Centro de Estudos Americanos ´Fernando Pessoa´, São Paulo, 1991. Câmara e Prefeitura de São Roque. Comitiva Brasil Poeira – ong sediada na Fazenda Cambará, em São Roque, SP. Dicionário Histórico-Biográfico da Primeira República | 1889-1930 – Alzira Abreu (coord.); Ediç FGV, 2015. São Roque Caipira, Seus Violeiros e Cantadores – Álvaro Pequeno e Cristiane Ferreira / Ediç Comitiva Brasil Poeira c/ Fundo Municipal de Cultura – São Roque / Gráfica e Editora Sanroquense, 2016.


Geologia & Povoamento Na Serra San-Roquense

A adaptação da Humanidade ao processo dinâmico da Terra é simplesmente precária, porque a geomorfologia age num tempo-espaço que escapa à vivência da Pessoa – e, esta, nem sabe a que ciclo do próprio desenvolvimento pertence; a Humanidade intui que outras gerações existiram numa projeção de alguns milhares de anos, quando a Terra vive ciclos de milhões de anos entre convulsões maciças e readaptações de flora e fauna em leitos d´água salgada e doce. O caminhar da Pessoa é como o velho “fazer o caminho a pé” [do guarani ´piabiyu´] até encontrar o lugar para se dizer Humanidade e Mundo. Neste caminhar perderam-se civilizações e só conhecemos as mais recentes, mas, a todo o instante telúrico e cósmico em que a Terra se permite ser estrada e berço para mais um ciclo humano eis que a Pessoa busca forças para a aventura de viver a Vida. Os fenícios e os celtas, os chineses e romanos, os portugueses e os espanhóis, não se fazem ao mar apenas para pescar, fazem-se ao mar numa época em que a Humanidade precisa saber quem é depois que gerações ancestrais desapareceram entre maciças alterações climáticas e choques de outros objetos cósmicos. E sendo o tempo-espaço humano um fio de Vida a Pessoa aprendeu a anotar de si mesma as vivências em traços e pinturas até encontrar escritas na solução da falha narrativa que é a cultura da palavra.


Em cada estágio da Humanidade existe uma história a ser dita e levada às novas gerações. E então, a Pessoa se diz em historiografia e artes, e aprende que a Terra também se diz nos sulcos superficiais de uma geomorfologia sem calendário, qual flor sem tempo a desabrochar na eternidade cósmica. Em todas as partes da Terra existem páginas geológicas que cada geração humana observa na sua forma de ler contemporânea. No ciclo humano dos últimos dez mil anos a Pessoa encontra uma Terra que lhe possibilita um lar cósmico e, aos poucos, na leitura da fauna e da flora, dos mares e dos rios, adapta-se numa organização que é mais animal do que humana: do lar cósmico que recebe naturalmente parte para dominar a Terra, não se contenta em ter Vida, quer mais e mais, e destrói fauna e flora para se alimentar e vestir, e destrói lâminas geológicas em busca de riquezas, altera o processo de assentamento das últimas convulsões maciças e, subitamente, encontra-se tão perdida como grão d´arenito em meio à lama incandescente de uma erupção vulcânica... E assim vai a Civilização humana. “É preciso que as pessoas aprendam a olhar a Terra como único caminho que têm para caminhar depois que nascem, e este caminho é, ao mesmo tempo, o seu berço”, diz o acadêmico e geógrafo Aziz Nacib Ab´Sáber, em 1991, durante uma breve palestra em meio às celebrações do Dia do Radioamador na cidade de Cotia. A formação geológica da serra san-roquense tem relevo acidentado entre picos de 1200 m e 600 m de altitude, onde se encontram contrafortes orientais da Serra de Paranapiacaba, que se conhecem como Serra da Queimada, Serra Caucaia, Serra de São Sebastião, e por aí vai; a rede de drenagem integra as bacias do Tietê no canto noroeste, a do Juquiá a sul, a do Itapetininga a sudoeste e a do Rio Sorocaba a leste, central e noroeste. Isto é parte do Planalto Atlântico na sua exuberância paisagística. Sob esta serrania está parte do Aquífero Guarani, com formação há aproximadamente 200 milhões de anos no surgimento da ´rocha guarani´ entre depósitos de massas arenosas ao longo da Bacia geológica do Paraná, camadas acomodadas a cerca de 1800 m de profundidade. Esta riqueza naturalíssima, que o geólogo uruguaio Danilo Anton vem a denominar como Aquífero Guarani, em 1996, abrange, em 1,2 milhão de m2, o Uruguai, o Brasil, a Argentina e o Paraguai, mas 70% desta água encontra-se no centro-oeste e sudeste do Brasil. Desta lição anotada e várias vezes consultada devo ao amigo e mestre Ab´Sáber a minha iniciação geo-historiográfica no assunto. Na primavera de 1993 estive em sua residência na Granja Vianna, no município de Cotia, para confrontar uma ideia: Se os povos nativos, e particularmente o guarani, movem-se por trilhas e malhas de trilhas florestais e ribeirinhas, isto significa que trajetos como o Piabiyu [o continental ´caminho feito a pé´, dos guaranis] são planejados sob orientação geo-hídrica, ou seja, os nativos desta parte do Planalto Atlântico sobrevivem vivenciando o que a natureza lhes oferece como caminho e berço, e nunca abandonam a linha água-terra, de tal sorte que o assentamento colonial português se dá na mesma linha guarani e, mais tarde, a ação do cooperativismo agrícola dos japoneses obedece à mesma regra e se expande, primeiro, do oeste piratiningo ao sul e centro-oeste e, depois, ao Brasil... Pelo que na linha águaterra temos três eventos: o bandeirismo, o tropeirismo e o agronegócio nipônico.


O professor Ab´Sáber escutou e ficou pensativo por uns instantes. Nunca tinha pensado, ou melhor, relacionado diretamente a geomorfologia ao aspecto nativo e à colonização que isso proporcionou. É um ponto de vista novo e que ajuda a entender melhor como Portugal tomou o Brasil a partir do sudeste, disse. Por conta dessa ideia revisito, em 1995, as regiões de São Roque e Araçariguama para observar melhor os quês da infiltração maciça feita por Pedro Vaz de Barros [o VazGuassu] e o interesse posterior de Fernão de Barros, seu irmão; e, antes deles, o sucesso agropecuário, vinícola e minerológico de Affonso Sardinha [o Velho] e do padre jesuíta e banqueiro Pompeu de Almeida. O que anoto: o grupo maciço xistoso em que se encontra o Ibituruna, o Saboó e o Jaraguá, funciona como farol e atalaia para os nativos diversos diante da intrusão dos europeus, e que, principalmente o Pico do Jaraguá, é a defesa principal dos nativos para o planalto piratiningo, ora, a genialidade estratégica do ´ velho´ Affonso Sardinha leva-o a exigir (isto mesmo: exigir) o cargo de Capitam das Gentes da Villa de Sam Paolo para alcançar e dominar o Jaraguá, em 1592, e alcançado e dominado o pico até o Portinho de Carapochuyba ganha mais importância. Sem o farol e a atalaia do Pico do Jaraguá os nativos são dizimados ou escravizados e o Portugal luso-paulista e mameluco assenta de uma vez o seu poder fundiário e político e religioso. Quanto o colono Vaz-Guassu infiltra entre os ribeirões Carambaí e Araçaí cerca de 1200 nativos escravizados, mais o pessoal da tropa e dos assuntos domésticos, ele assenta uma fazenda-vila em solo de ricas propriedades físico-químicas sob ótimas condições climáticas temperadas, já experimentadas e vivenciadas por colonos a volante em fogos e em ranchos dispersos. A geomorfologia regional possibilitou a formação de solos e pastos ricos para a produção agropecuária e a vinicultura, além de ser ponto de passagem para o planalto piratiningo, o centro-oeste e o sul. A extraordinária formação do maciço com faixas de xistos e quartzito, entre picos e baixios, sobre um lençol d´água fenomenal, permite a Vaz-Guassu perceber que a urbanização da sua sesmaria é o ato fundiário e político mais apropriado – e sob a invocação de São Roque nasce uma povoação serrana no sertão guarani que, logo, é eixo de apoio logístico à colonização. Deve-se a Pedro Vaz de Barros, o Vaz-Guassu, primeira grande visão socioecológica no âmbito da formação de um povoamento em assentamento colonial, com isso cooptou o interesse do irmão que na mesma região forma Casa-Grande e Capela [a Santo Antônio] – visão que continua a nortear o que hoje, quase 400 anos depois, é a Cidade-Estância de São Roque. No ano 2001 dou a ler o meu estudo a Ab´Sáber. “Isto é outra interpretação da história da colonização. E agora?”, quer saber. “Um dia eu publico estas anotações, um dia...”, respondi.


MUNCIPALIDADE DE

SÃO ROQUE


Tábua Historiográfica Antes da Era Cristã [aec] Povos asiáticos, africanos e europeus começam a produzir vinho. Uns o deixam descansar em ânforas e outros em pipos de madeira. A vinicultura chega à Península Ibérica com os fenícios, mas é com os romanos, entre galegos e lusitanos, que o vinho se torna um produto social e mercantil. Egípcios e gregos cultivam uma planta diferente: a alcachofra. É do tipo cardo. Principalmente entre os africanos, a alcachofra é parte de uma linha de alimentos muito especial e servida em rituais, mas também aproveitada medicinalmente. Povos guaranis constroem uma ligação continental a que chamam Piabiyu [q.s. caminho feito a pé]. Uma parte do Piabiyu está entre o planalto piratiningo da Serra do Mar e o sertão a oeste, sul e centro-oeste.

Séc. XII 1139 É fundado o Reino de Portugal. 1143 É reconhecido o Reino de Portugal. 1168 Com apoio de cruzados templários, o rei Afonso Henriques conquista terras árabes, do Minho ao Alentejo, passando por Lisboa, mas o território do Algarve ainda é árabe. Séc. XIII 1275 O rei Diniz cria a Marinha Mercante portuguesa. Começa a se desenvolver em Portugal uma vinicultura de forte regionalização: vinhos a norte, a centro e a sul, com castas bem diferenciadas. Tanto a uva quanto o vinho têm, então, importância econômica no mapa agrícola português. Séc. XIV 1342 Em meados do ano, o capitão Sancho Brandão alcança uma terra no Atlântico sul, terra grande e com muita gente nua além de muito ´páo vermelho´ [pau brasil]. 1343 / Terra do Brasil O rei Afonso IV, em Fevereiro, envia carta e mapa ao Papa Clemente VI notificando o Vaticano da descoberta da nova terra à qual, no documento, dá o nome de terra do Brasil. Sec. XIV 1392 Nasce Pedro, mais tarde Duque de Coimbra e Regente, e na Itália, Senhor da Marca de Treviso. Com este príncipe, viajado e letrado, que adquire do Fra Mauro, o Mapa Mundi da época, Portugal dá início às expedições marítimas de alcance científico e comercial.


Brasonada em Veneza, a Família Pato tem origem turco-romana, possivelmente miscigenada na Saima sangalhense ainda no período lusitano e é aliada da Nação portuguesa desde a chegada de Afonso Henriques a Conimbriga vindo de Guimarães. Séc. XV 1415 O rei Afonso IV conquista Ceuta, no norte da África. 1418 a 1428 O príncipe Pedro percorre a Europa e a Palestina. 1419 Vinho Madeira A vinicultura na Ilha da Madeira é contemporânea à descoberta pela necessidade de povoamento do território. As primeiras castas são cultivadas com os primeiros colonos com videiras importadas da Grécia. Em pouco tempo o Vinho Madeira ganha o mundo e é cobiçado pelas elites. 1434 O explorador Gil Eanes contorna o Cabo Bojador e acaba com os temores da marujada lusa sobre monstros marinhos. 1443 O príncipe Pedro, regente imperial, dá início às primeiras expedições no mar-delargo dos quais toma parte burocrática o seu irmão Henrique, enquanto grão-mestre da Ordem de Cristo. É com Pedro, infante e regente que Portugal avança em projetos científicos e mercantis. 1449 [20 de Maio] O príncipe Pedro, da Casa de Aviz e duque de Coimbra, é morto na batalha de Alfarrobeira pelos inimigos que atuam sob as ordens da Casa de Bragança. Pedro fica tão popular pela sua visão de políticas públicas [republicanas] que é celebrado na Europa como Infante das 7 Partidas em literatura de cordel. 1455 [3 de Maio] Nasce o príncipe perfeito, futuro rei João II. 1481 João toma posse como rei João II. Neto de Pedro, o Infante das 7 Partidas, o novo rei da Casa de Aviz vinga o assassinato do avô, em Alfarrobeira, e logo dá continuidade às políticas de incentivo para expedições marítimas científicas e mercantis tendo como ponto de partida o Mapa Mundi de Fra Mauro, pelo qual giza o Plano da Índia. Conhecido o Brasil desde 1343, o rei João II quer continuar com a política de sigilo em relação a tal território enquanto prepara a armada que Vasco da Gama irá comandar. 1494 João II obriga a castelhana Isabel (a católica) a se curvar diante das evidências geográficas e, em Tordesilhas, é assinado um tratado que cuida das pescas e dos domínios portugueses no mar. 1495 Morre o rei João II e assume Manuel I. Um paranoico educado no âmbito fradesco a confundir política com esmola para as igrejas. Séc. XVI 1521 Assume o trono português João III. Se o pai, Manuel, era um monarca idiotizado pela educação fradesca, o filho João é um crente que busca na ´santa´ Inquisição a salvação econômica pelo saque, estupro e assassínio em massa da gente judaica, com a benção da Sé romana. “A estória oficial diz dele ´o piedoso´ e ´o colonizador´, mas nada disso foi, apenas um fradinho dominicano com viés de intolerância”, como escreveu o poeta J. C. Macedo (in “Manuel & João, a Real Irmandade Dominicana que Assenta e Dirige a Inquisição em Portugal”, palestra. Rio de Janeiro, 1989). Pela distração fradesca nos negócios do reino a envolver milhões e milhões de dinheiros, ouro e prata, o povo passa fome e, o d´além-mar, vira-se como pode, mas faz muito mais que a Corte lisboeta: a raça mameluca levanta o Brasil enquanto nação própria e os reinóis, apesar das rapinas e inquisições fradescas, aliam-se ao conceito ´o outro Portugal d´além-mar´...


Antes de os portugueses tomarem as terras dos nativos americanos [principalmente guaranis, tupis e etc.] ao longo do oeste paulista, algumas expedições, a partir de 1560, buscam ouro, prata e ferro na região depois tida como san-roquense; os morros de Ibituruna [ouro] e Saboó [ferro] são os mais explorados. Mas é em Ibituruna [Araçariguama] que a região conhece o primeiro núcleo de exploração contínua com a instalação do arraial mineiro do ´velho´ Afonso Sardinha e Capela de Santa Bárbara. Um arraial que, depois, ´dança´ administrativamente entre Sant´Anna de Parnahyba e São Roque. 1569 Nasce no Algarve, em família de reinóis de linha cristã-nova, Pedro Vaz de Barros. Séc. XVII Vinho do Douro Feito com uvas transmontanas e armazenado nas caves de Gaia [Vila Nova de], este vinho é conhecida como Vinho do Porto. As caves de Gaia são a região de maior concentração de álcool por metro quadrado do mundo. 1603 Vaz de Barros é nomeado capitão-mor governador da Capitania de S. Vicente [Provedoria da Fazenda Real]. 1605 Vaz de Barros retorna a Portugal. Entretanto, decide que o Brasil é a sua vida e volta para casar com Luzia Leme, filha de Fernão Dias Paes, e com ela gera descendência. 1621 (?) Nasce Pedro Vaz de Barros, o Moço. 1632 Nasce Fernão Paes de Barros, irmão de Pedro. 1644 [28 de Março] Morre em São Paulo o reinol Pedro Vaz de Barros aclamado pela sociedade colonial. 1657 Militar, escravagista e produtor agropecuário, Pedro Vaz de Barros [o Moço], transforma uma das suas fazendas em sede de uma nova povoação... Entre os ribeirões Carambaí e Araçaí, o fidalgo, militar e agropecuarista Pedro Vaz de Barros, o Moço, instala-se com a família e mais de 1200 escravos, entre africanos e americanos. O militar é tão famoso entre os nativos americanos que estes o chamam de O Grande [Guassú]. A fazenda dos Barros é uma das que abastecem as tropas de bandeirantes e outros expedicionários que continuam a alargar o território brasileiro do oeste paulista para o sul e o norte-nordeste tendo Araçariguama e Sorocaba como eixo de envolvimento até Araratiguaba [Porto Feliz] passando pelas minas de ferro do Cerro Ybiraçoiaba.


Adepto da vida boa, nĂŁo casa, mas gera filhos com mulheres brancas e nativas [mamelucos]. Empreendedor, alarga o seu poder fundiĂĄrio e torna-se um dos grandes senhores da economia do oeste e da Capitania paulista, a par de outras famĂ­lias parnahybanas, todas no rastro da saga mercantil deixada pelo desbravador Affonso Sardinha - o Velho.


[16 de Agosto de 1657]

Nasce o Povoado de São Roque, a oeste de São Paulo, em torno da Capela com altar dedicado ao santo protetor das pestes e padroeiro de ofícios de medicina.


São Roque A sede do Vaz-Guassu, ousado militar que salva o Recôncavo baiano! 1663 / 1671 Alexandre de Sousa Freire, governador da Bahia, envia carta ao amigo Pedro Vaz de Barros com exposição dos “danos e hostilidades [...] dos índios, que em repetidos assaltos iam acabando os ditos moradores”. Para atender o apelo do amigo, o capitão Barros reúne uma tropa de choque paulista e embarca, no porto de Santos, em 1671. A expedição acaba com a resistência nativa em cerca de dois anos e, “Vencidos os bárbaros, morreram dos prisioneiros mais de 800, de uma peste que se desenvolveu, e só chegaram [...] 1500, que foram repartidos pelos cabos e soldados da conquista, da qual foi encarregado como chefe o paulista Estevão Ribeiro Baião Parente”. 1673 Enquanto governador da Bahia, Sousa Freire comunica aos oficiais da Câmara de São Paulo que “aplaudam a glória de seus naturais, os inteiramente haviam destruído os reinos e aldeias que há tantos anos infestavam esta Capitania”. A expedição militar tornase referência histórica como uma das grandes ações paulistas da colonização portuguesa, apesar de ter sido uma ação pontual. O Vaz-Guassu é aclamado como herói e a sua tropa retorna à casa paulista com o orgulho bandeirístico de “tarefa cumprida”. Muitos integrantes da “bandeira” são funcionários das fazendas do colono, ou seja, san-roquenses em terras baianas.

1674 [30 de Agosto] Morre o colono, abastado e honrado Vaz-Guassu.


Fernão, o irmão de Vaz-Guassu constrói

Casa & Capela Sant´Antonina em São Roque.

1681 Fernão Paes de Barros instala-se em terras próximas às de seu irmão Pedro. Enquanto bandeirante sabe da tradição da posse da terra que só acontece pela ´fábrica´ de uma Capela – e, um ano depois, ao terminar a construção da Casa Grande manda desenhar e construir uma Capela em louvor de Santo Antônio, com a engenharia dita de “taipa de pilão”.


[Sítio Capella e Fazenda St Antônio _ ontem e hoje]

Na fazenda de Fernão o ritmo de trabalho e o tipo de trabalhador são os mesmos que marcam a época: centenas de nativos americanos, outros africanos, na produção de Trigo, Marmelada, Algodão, Vinhos, Água de Rosas, etc., inclusive, produtos exportados para Portugal. A casa-grande possui um único pavimento e as portas de entrada são mais altas do que as internas... é que os homens entram na casa de chapéu na cabeça. O altar da capela é de madeira policromada, mas de ouro é o nicho do santo. As pinturas do teto chamam a atenção pela sua beleza. A arquitetura do complexo segue os parâmetros gerais da construção em taipa de pilão já utilizada na casa de Ybitátá, do ´velho´ Affonso Sardinha, e nas de Cotia [sítios/casas rurais do “sargento-mor Medella / Pe Ignácio” e do “Mandu”].

Séc. XVIII 1710-1760 O complexo místico-mercantil que envolve o Patrimônio do Carmo tem Casa-Grande & Senzala unidade em São Roque. A unidade fundiária e escravagista possui 2.175 alqueires, um latifúndio colonial. Os escravos são considerados ´filhos da santa´, subterfúgio que esconde a realidade escravocrata da irmandade, que assenta nos mesmos moldes inquisitoriais e nada cristãos da Ordem Dominicana com apoio da Societa Jesu (Ordem Jesuíta).


1768 O povoado torna-se Freguesia.

Séc. XIX 1832 Ganha foro de Vila em 10 de Julho. 1833 [16 de Junho] É instalada a Vereança san-roquense. Nesta época, a vereança tem funções político-administrativa e judicial, e é presidente o capitão Manoel Francisco da Rosa. As sessões políticas e os trabalhos administrativos são executados no salão paroquial. 1834 Instala-se o Cartório de Protestos de Notas e Títulos. 1840 Instala-se na vila o destacamento da Guarda Nacional. 1846 O imperador Pedro II e comitiva permanecem um dia em São Roque. Com a passagem do monarca desenvolve-se o interesse local pela emancipação política e administrativa da região. 1854 A região san-roquense começa a receber famílias camponesas de Portugal que perderam tudo (principalmente na ária da vinicultura) com a peste da Filoxera. 1864 Torna-se Cidade pela lei provincial de 22 de Abril. 1873 Instala-se o Fórum Judicial.

Inaugura-se a Santa Casa de Misericórdia.


1874 [16 de Abril] O distrito Araçariguama torna-se independente e constitui-se municipalidade, com 1271 pessoas livres e 353 escravos. 1875 Inaugurada a Estrada Ferroviária Sorocabana, que liga as regiões de São Paulo a São Roque e Sorocaba. Inicia-se um novo desenvolvimento urbano e econômico.

maria-fumaça e estação

1876 A povoação possui 4.752 moradores, entre eles, 754 escravos, 11 eleitores [só os poderosos têm direito a votar... em si próprios] e 170 fogos [in Azevedo Marques, ´Apontamentos...´]. A escravaria da região san-roquense está distribuída pela Fazenda Canguera (do coronel Xavier de Lima, o ´manduzinho´), o Patrimônio do Carmo e a Fazenda Cambará (esta, também propriedade da Família Xavier de Lima). A unidade rural (casa grande e senzala) da Canguera deu lugar à vila que, com a ´maria-fumaça´ dos caminhos ferro, originou Mayrink, já a casa-grande, senzala e engenho de Cambará foi adquirida em 1891 pelo botânico Diederichsen. 1884 Emigrantes portugueses chegam à região e fazem reaparecer o que já era uma tradição luso-italiana um século antes: a cultura vinícola. Com o incentivo do agricultor José Casali, de Antônio dos Santos Sobrinho [o Santinhos] e do engº Eusébio Stevaux, da EFS, ressurge com processos modernos a vinicultura san-roquense. Tem início, de maneira experimental, o plantio de alcachofra na região san-roquense. Assim como a videira, a alcachofra encontra neste solo montanhoso e de clima temperado condições boas para se desenvolver.


As atividades agropecuárias e vinícolas, comerciais e industriais, fazem reunir as elites para um planejamento que, como quer o Barão e Intelectual ´da Rosa´, deve levar ao progresso harmonioso da região san-roquense.

1886 Morre o Barão de Piratininga


Antônio Joaquim da Rosa Barão de Piratininga um ilustre san-roquense no desenvolvimento político e social brasileiro

Nasce e morre na Vila de São Roque [1821-1886], municipalidade do Estado paulista, Antônio Joaquim da Rosa. Nascido creso e com vivências que poderiam levá-lo a atos de puro estar-por-estar, Antônio, filho do capitão e abastado Manoel Francisco da Rosa, que chefia comercial e politicamente a região san-roquense, opta por seguir os passos do pai e cedo é reconhecido entre os pares como um novo talento político-partidário, e assim é eleito vereador e presidente da Câmara Municipal numa linha de trabalhos que se estende de 1845 a 1864. É o homem novo na abertura de São Roque aos tempos modernos que da Sampa sobem a serra san-roquense e se instalam gradativamente no antigo território do Vaz-Guassu. Tão importante é o seu trabalho social e político em prol da sociedade san-roquense e brasileira que em seus últimos dias exige que escrevam ninguém como epitáfio na lápide do túmulo, e está certo, porque ao doar a sua vida a São Roque e ao Brasil torna-se cidadão por inteiro celebrando a civilização, e só. Faz o curso de Direito no ótimo complexo educacional em que se transforma Sorocaba, a praça dos tropeiros, e logo é Delegado de Polícia, Juiz Municipal e de Orfãos; o talento político e administrativo de Antônio Joaquim da Rosa é tal que passa a presidir a Comissão Inspectora das Escolas. Além do político que continua a saga da família é um intelectual que ousa estar a par das novidades. O imperador Pedro 2º, que lhe é próximo politicamente, nomeia Antônio Joaquim da Rosa, o político e o erudito, Cavaleiro da Ordem de Cristo, em 15 de Julho de 1846. É uma condecoração, mas também o ato imperial que mostra a ligação política do sanroquense com os bastidores do poder governamental, e não por acaso é eleito deputado, em 1850, para a assembleia Provincial de São Paulo, e cooptado com o posto de capitão para o 2º Batalhão da Reserva e Guarda Nacional da Província. Homem conservador, no seu idealismo interiorano, é eleito deputado geral no Rio de Janeiro, em 1864. Eis aqui o


brevíssimo perfil do político cuja influência sociocultural projeta a Vila de São Roque no mundo das decisões imperiais. Quando o protocolo imperial coopera as decisões governamentais têm ritmo diferenciado da burocracia ordinária, e sendo Antônio Joaquim da Rosa deputado, provincial e nacional, amigo do monarca ilustrado, o ganho para a Vila é enorme, tanto que em 22 de Abril de 1864 a vila é elevada à categoria de Cidade. Interiorano, sim, falho na modernidade, não. Apesar dos trabalhos político-administrativos, Antônio Joaquim da Rosa é um intelectual ativo no jornalismo e na literatura. Cronista e poeta, entre outras peças escreve O Cântico de Anchieta [poemas], A Cruz de Cedro [romance] e as novelas A Feiticeira e A Assassina. O homem público e erudito é agraciado com o título Barão de Piratininga em 13 de Novembro de 1872. E é este escritor que, em 1909, na fundação da Academia Paulista de Letras, fica como patrono da cadeira nº 19. O ilustre brasileiro de São Roque também é agraciado com a comenda imperial Ordem da Rosa. Retorno ao político... A emancipação político-administrativa da Vila poderia ser o [seu] ponto alto – e talvez tenha sido no fundo da alma do inquieto e ousado cidadão –, mas duas questões têm prioridade na mente dele: a Saúde Pública e os Transportes. No campo da saúde pública é conhecedor das dificuldades. Político, policial, militar, escritor, comendador e barão, enfrenta desde a adolescência problemas cardíacos e respiratórios, sabe que a maioria das pessoas não tem acesso a hospitais e medicamentos. Então, e em parceria de financiamento com o irmão Manoel Inocêncio, inicia a construção da Santa Casa da Misericórdia; e, entre outras iniciativas [Teatro e Cemitério municipais, por exemplo], logo é um dos acionistas da Estrada de Ferro Sorocabana com estação em São Roque. O perfil sociocultural e político de Antônio Joaquim da Rosa é um diamante eterno que ilumina as novas gerações san-roquenses.

1889 Instala-se o Primeiro Ofício do Registro Civil das Pessoas Naturais. 1890 Instala-se a Brasital, uma das primeiras fábricas têxteis do Brasil sob os auspícios do industrial italiano Enrico Dell´Acqua.


Acerca de

Enrico Dell´Acqua

O notável industrial Enrico Dell´Acqua é um dos mais conhecidos empreendedores da Itália. Quando, em 1887, envia mostruários de tecidos para lojistas sul-americanos percebe a potencialidade econômica da região e logo abre uma representação em Buenos Aires, capital da Argentina. É um inovador, quer vender o que produz no âmbito das realidades regionais. Progride comercialmente e ganha espaço para concretizar o sonho de industrial em dois continentes: o chão-de-fábrica portenho não aguenta os pedidos e ele cria na municipalidade de São Roque a Fábrica de Tecidos de Algodão Enrico Dell´Acqua, mais tarde chamada Brasital, além de abrir filial em Osasco, na área metropolitana paulista. É um orgulho para a Itália e uma referência entre as colônias transalpinas sul-americanas. No final de 1890 cria a Sociedade Italiana de Exportação


Enrico Dell´Acqua, por ações, mas sediada em Milano e mantendo as filiais paulista e portenha. Luigi Einaudi, presidente italiano, tornou-o mais conhecido ao elogiá-lo como príncipe mercante. O comerciante e industrial Enrico Dell´Acqua nasceu em 1851, em Abbiategrasso, e morreu em Milano, em 1910. A sua trajetória mercantil e industrial é uma odisseia de inovações no trato do comércio internacional e de visões já a globalizar a economia sem descaracterizar a regionalidade para lhe captar todas as potencialidades em progresso sustentável. A presença de Dell´Acqua em terras portenhas transforma-se numa lufada de ar fresco para a indústria têxtil da Argentina. Ele é o industrial com visão de futuro a conclamar isso nos atos presentes, e os argentinos seguem a visão do italiano que aposta numa ação intercontinental para privilegiar os laços econômicos coloniais, muito especialmente com o Brasil e a Argentina. “[...] O engenho comercial de Dell´Acqua altera regras internacionais, porque até adquire ouro para sustentar outros negócios financeiros e não perder lastro na sua navegação inovadora sediada na Itália. Ele é, ora, ´Enrico Dell´Acqua é um Américo Vespucio na bolina da modernidade´, como disse João Barcellos em palestra sobre o Barão de Piratininga na Brasital, a antiga fábrica de São Roque. Os têxteis argentinos devem muito ao talento industrial e econômico de Dell´Acqua e têm o italiano como uma boa lembrança e uma referência para sempre. No imaginário urbano portenho a planta da Companhia Enrico Dell´Acqua alterou, revolucionando, a estrutura arquitetônica, e quando visitei a Brasital, em São Roque, notei o mesmo estilo de traçado: uma idealização de padrão industrial que permitia ligar os elos da produção têxtil espacialmente entre largos corredores logísticos e boa iluminação, a par de uma ventilação natural a percorrer todos os departamentos. ´O ´afazer´ arquitetônico do chão-de-fábrica nas indústrias Dell´Acqua é um divisor d´águas que evoluciona profundamente meio social brasileiro e argentino´, opinou Barcellos. E concordo, porque muitas cidades metropolitanas ainda têm esse traçado como foco. Marta Novaes

1890 A antiga Fazenda Canguera, do ´manduzinho´ Manoel da Costa Nunes, que também foi da Família Xavier de Lima, entre outros ruralistas, é adquirida para sediar uma nova vila e uma estação para os caminhos de ferro. Em meados do Séc. 19, o ´manduzinho´ ainda inferniza negros e guaranis e os põe a ferros para mão de obra barata na lavoura. Das fazendas san-roqurenses se conhecem também a Fazenda Saboó, de onde se origina, por ex., Alzira Xavier de Lima que recebe como herança a Fazenda Canguera e é ela que, em 1890, vende a unidade rural por 69 contos de réis para a Sorocabana, com escritura registrada. A vila é inaugurada em 27 de outubro de 1890 e continua no âmbito da administração de São Roque. 1891 O botânico alemão James Theodor Diederichsen adquire de Xavier de Lima a Fazenda Cambará, a meio caminho da Picada da Serrinha. O jovem botânico casa com Julieta, filha de Xavier de Lima, e a alma germânica expande-se no sertão brasileiro.


1893 Instala-se o 2º Cartório de Protestos de Notas e Títulos. [Nota: o primeiro casamento registrado é o de Julieta e James Diederichsen.] 1897 Com a inauguração da linha férrea para Itu, a estação-vila da Canguera recebe o nome Mayrink, para celebrar os esforços aqui desenvolvidos por Francisco de Paula Mayrink, então a presidir a casa ferroviária ´Sorocabana´.

Séc. XX 1908 [24 de setembro], lei estadual (nº 1.131) cria o Distrito de Paz de Mairinque na administração do município e comarca de São Roque.

1910

Família Góes

Na ruralidade ancestral de entre as cangueras e o cerro Saboó, os irmãos Dito Góes (´nhô´) e Firmino de Góes iniciam o cultivo de videiras e elaboram vinhos artesanalmente, nos moldes da Fazenda Araçariguama, onde o jesuíta e mercador Pompeu de Almeida desenvolveu a primeira vinícola da região anhambyana. Dos esforços dos irmãos vai surgir a Vinícola Góes, parte da identidade moderna sanroquense.


GÓES de título-de-lugar em Portugal a nome de família com expansão no Brasil

Os Góes/Góis têm expansão na formatação geossocial que origina, primeiro, Portugal, ao tempo de Afonso Henriques, o rei primeiro, no Séc. 12, que saiu do burgo/castelo de Guimarães para fazer de Coimbra capital do novo reino; segundo, na expansão d´alémmar entre a Ilha da Madeira e o Arquipélago de Açores, e terceiro, pela Linha de Tordesilhas no alcance de uma ´ilha´ há muito conhecida e registrada em documentos no Papado romano (1434) como Brasil, a partir de documentos do rei Afonso IV e sua marinha mercante.

Brasão Góes e Vila de Góis

Com o sobrenome Góes/Góis são geradas personalidades ímpares na história portuguesa, continental, insular e ultramarina, sendo o mais ´badalado´ Damião de Góes, pela notoriedade intelectual que alcança mundo afora. No início do Séc. 17, o (leigo) jesuíta e açoriano Bento de Góis, intelectual de grande saber, parte para a Índia na demanda de ´cristãos perdidos´ num reino dito Cataio (a China), como parte da histeria de um catolicismo sem limites (iniciado por Manuel I e continuado por João III e sua geração) na corte lusa sob domínio da ´santa´ Inquisição fradesca, enquanto o povo recebe migalhas e ´honras´ vãs de poetas com tenças reais. Tanto no litoral sul tordesilhano como nos ´certõens y mattos´ de serr´acima o nome Góes confunde-se com o movimento do assentamento colonial português.


Da História Conhecida Do Nome Góes _ Parte 1 O tronco da Família Góes, ou Góis, tem origem na região central de Portugal com ramificações na Ilha da Madeira e, durante a campanha colonizadora e evangelizadora, surge no Brasil, com maior incidência ao sul da Linha tordesilhana. Assim, e no Brasil, a linhagem Góes é gerada por colonos e, ao mesmo tempo, fornece evangelizadores sob o manto jesuítico... Daí os cruzamentos Góes Muniz, Góes Raposo, Góes Leme, Góes da Costa e adiante. O nome Góes tem origem em formas de grafia antiga como Goes, Gooes, Goyos, Guoes, Goiz, Guois, e adiante, e a geração vem de “senhor de Gooes”, que vira “Góes” ou “Góis”, e por aí, como se pode verificar pela antroponímia portuguesa, o que significa que o nome é também título-de-lugar antes de se vulgarizar no Portugal continental e no d´além-mar. Da necessidade de configurar o ´outro´ Portugal na colônia com sangue próprio as famílias continentais e insulares desembarcadas e feitas pé-de-serra, principalmente nas proximidades do Porto das Naus (na aldeia Gohayó dos guaranis chefiados pelo Bacharel de Cananeia), logo tornam-se serr´acima, movimento que leva à primeira expansão do nome Góes no ponto sul da Linha tordesilhana. Assim é que o primeiro capitão-mor da costa da ´Ilha do Brasil´ é o donatário Pedro de Góis, um reinol muito ligado ao rei João III, entre outros.

Do Sítio dito Góis & Sua História Entre as serras do Rabadão e do Carvalhal, a poucas horas de Coimbra, em pleno Vale do Ceira, é criada a Vila de Góis, uma história geossocial com mais oito séculos. O ´sítio´ é doado para diversos senhorios desde 1604, mas em 1114 é doado pela mãe (Tereza) do futuro rei Afonso Henriques a Analo Vestarisi e, este, ordena o povoamento.

A partir de 1143, Gonçalo Dias de Góis, cavaleiro reinol, antes alcaide de Coimbra, herda o Senhorio de Góis, uma vez que os irmãos da esposa não têm descendentes


varões. Documentos da corte henriquina, o rei primeiro, dizem desse Góis em atividade política entre 1126 e 1143; por isso, a tomada de Góis foi mais uma doação do que herança. O sítio torna-se vila em foral ao tempo do rei Manuel I, em 1516.

Da História Conhecida Do Nome Góes _ Parte 2 Da documentação sabe-se da existência de um tronco principal e reinol a partir do fidalgo Nuno de Goes, casado com Inês de Valadares Sotomayor, e casal gera Francisco de Almeida Sotomayor, cavaleiro do rei, em 1565, que casa com Isabel Gomes de Goes, filha do notável condestável Nuno Álvares Pereira (o estrategista da batalha d´Aljubarrota), de Alenquer, casado com Antónia de Goes, filha de Ruy Dias de Goes, cavaleiro fidalgo, almoxarife da rainha em Alenquer, senhor das saboarias de Alenquer, Arruda, Azambuja, Aldeia Galega, Golegã, Óbidos, Atouguia de Baleia, e outros lugares, e da (quarta) mulher Isabel Gomes de Limy. Do casamento de Francisco de Almeida Sotomayor nasce Heitor de Almeida de Goes, fidalgo d´armas, em 1620, casado com Isabel de Freitas Fialho, que gera António de Goes Sotomayor, e este, em 1652, apossa-se do título Góes, diante da desistência de Sebastião de Macedo de Carvalho e Menezes; António casa então com Isabel Correia Pato. O casal Ruy Góes e Isabel Limy (esta, de família flamenga), gera Damião de Góes, que vem a ser o grande humanista e diplomata português.

Os Góes No Brasil

1 Os Góes Pioneiros Os primeiros Góis com atividade conhecida no Brasil: Pero/Pedro, colono, e Luís, evangelizador jesuíta. Viajam juntos para o Brasil, e logo, Luís parte para o Oriente e, a caminho, em Lisboa, dá a conhecer à Europa um fumo tropical... Obs.: É este Góis que percebe entre os guaranis um ritual de ´beber o fumo´ pela queima de uma erva sagrada e medicinal: o tabaco. Leva algumas mudas da planta para Lisboa e logo o tabaco vira febre nas sociedades europeias quando o embaixador francês Jean Nicot, em Lisboa, leva mudas para Paris e nelas adiciona substâncias nocivas, o que faz do tabaco medicinal uma droga.

Já o cavaleiro Pero/Pedro tem que ganhar assento na Capitania vicentina em formação e dar combate a um golpe d´Estado em curso pelo litoral ´do Bacharel´, um colono judeuespanhol a defender a posse do sul tordesilhano para Espanha. O capitão-mor é morto na Guerra d´Iguape ao receber um tiro de arcabuz. Logo outro Góes desembarca na Capitania vicentina: oriundo da Ilha da Madeira, faz-se serr´acima em 1545, quando João Ramalho é já, em verdade, o ´cacique´ ao lado de


Tibiriçã. O madeirense é Domingos de Góes, em viagem com a esposa Catarina de Mendonça e dois filhos; a filha Izabel expande a família Góes em terras da Sam Paolo dos Campi de Piratininga casando com o português e reinol alentejano António Raposo. Em meados do Séc. 17 expansão paulista dos Góes é notável e surgem Pedro de Góes e João de Góes entre outros Góes, como por ex., a geração do capitão Duarte Gomes com Cecília de Góes, principalmente durante o domínio fundiário e político de uma mameluca memorável: Suzana Dias. Após criar a vila de Sant´Anna de Parnahyba, a neta de Tibiriçã expande as posses ao longo do Anhamby pelo Ibituruna e o Saboó até à região da Yby Soroc, onde mais tarde um dos filhos cria a vila de Sorocaba a partir do fim da Vila de Nª Sª do Monte Serrat que havia sido instalada no arraial minerário de Affonso Sardinha (o Velho), no Cerro Ybiraçoiaba. Ao final do seiscentos, a família Góes Camacho é outra a brotar geração no litoral e no sertão.

2 Os Góes Dos Vinhos O casal de emigrantes António de Góes Vieira e Júlia Leopoldina de Moraes gera Benedito Moraes de Góes. O jovem Benedito casa com Maria das Dores Lima e lavra terras desde os sertões da Vila de Una a Piedade, região hoje situada entre as cidades de Ibiúna e Piedade, vindo a se estabelecer, na primeira década do século passado, em São Roque, no bairro de Canguera [que nada tem a ver com a Fazenda Canguera, que originou a municipalidade de Mairinque]. Nestas terras férteis, de clima rigorosamente frio e seco, o casal encontra as condições ideais para lançarem de vez as suas raízes, construindo assim uma grande família. Ao lado de lavouras tradicionais e de sobrevivência - feijão, batata, milho, marmelo e pêra - os irmãos Nhô Dito Góes (como Benedito era carinhosamente chamado) e Firmino de Góes entram para a história da gente pioneira a cultivar videiras e elaborar vinhos de forma artesanal para consumo caseiro na região, entre os anos de 1910 e 1920. Como na época são precários os meios de transporte, pois ainda não circulam os veículos motorizados, a maior parte das mercadorias circulam com a utilização de carros de boi e tropas de muares (burros e mulas cargueiros). Nhô Dito Góes monta uma tropa famosa, que frequentemente leva para a Capital, ao mercado da Cantareira, hoje também conhecido como o ‘Mercadão Velho de São Paulo’, os produtos agrícolas por ele mesmo cultivados. A ´tropa´ é aguardada na capital sempre com reverência social.

´Nhô ` Dito Góes e Família


No retorno, traz encomendas para diversos armazéns da região, parentes e amigos, como mantimentos, roupas, calçados e bijuterias. Por volta de 1920, o plantio de vinhedos e elaboração de vinhos começa a crescer a partir do cultivo das variedades de uvas americanas Isabel e Niágara. Em 1928, acontece o início da construção do primeiro trecho do ramal ferroviário de Mairinque a Santos, sendo que em abril de 1931 é inaugurada a Estação de Canguera. Depois de totalmente construída, a ferrovia alcança a Baixada Santista, Litoral Sul e Vale do Ribeira, em 1937, abrindo um grande corredor comercial para os produtos do interior, entre eles, os vinhos da região de Canguera. E surge uma marca: Vinhos Palmares. Filhos de nhô Dito, Gumercindo e Roque destacam-se na região vinícola san-roquense, porque o ´palmares´ torna-se sucesso comercial no Estado paulista e logo conquista espaço Brasil afora. No início dos anos 60, Gumercindo de Góes com 50 anos de idade, começa a construir, junto com os filhos, uma nova vinícola. E, no ano de 1963 inicia oficialmente a produção dos Vinhos Góes, em homenagem ao sobrenome e às origens da família, registrada posteriormente como Vitivinícola Góes. Um dos primeiros mercados conquistados pela Vinícola Góes foi o do Brasil Central com a remessa de um lote completo de vinhos para a recém-inaugurada Brasília.


As décadas de 60 e 70 foram favoráveis à vitivinicultura com um crescimento promissor em todo o mercado brasileiro. Uma das grandes molas propulsoras para o crescimento é, sem dúvida, o auge da realização das tradicionais Festas do Vinho, que divulgaram os produtos da Vinícola Góes no cenário nacional. Nestas festas, por sinal, Gumercindo de Góes conquista diversos prêmios destacando-se já na primeira safra no ano de 1963, seguindo assim, até o último ano do concurso, em 1973. Nos anos 80, sempre buscando o crescimento e a conquista de novos mercados, Gumercindo Góes e seus filhos, com muito arrojo e determinação, apesar dos tempos difíceis, investem e se modernizam e adquirem novas máquinas, possibilitando assim maior produção. Lançam novos produtos, aprimoram seus rótulos para uma comunicação visual mais sofisticada, ampliam seu departamento comercial, buscando novos distribuidores.

Não existe progresso sem investimento e a Família Góes o sabe desde que o casal original plantou a primeira videira. Por isso, o final do Séc. 20 já anuncia um Séc. 21 de muito trabalho: a Vinícola Góes expande, adquire em São Roque a já famosa Quinta Jubair, em1985, e vai ao sul do Brasil, para ter quantidade e qualidade de uvas, e ali, na região de Flores da Cunha, forma sociedade com a Família Venturini. É o ingresso na linha de vinhos finos, e logo surge no mercado, a partir dos Anos 90, a linha Jubair Varietais e a Espumante Moscatel Vívere. Para iniciar o Séc. 21, a Família Góes constrói um campo experimental para pesquisas específicas com vários tipos de uva. Hoje, o sucesso da Vinícola Góes mundo afora é a celebração da aventura e do gesto d´amor do casal Benedito Moraes de Góes e Maria das Dores Lima.

Fontes ANTROPONÍMIA PORTUGUESA – J. Leite de Vasconcelos. Portugal, 1928. ARQUIVO DO ESTADO DE SÃO PAULO – Inventários e Testamentos. GENEALOGIA PAULISTANA – Luís Gonzaga da Silva Leme, 1903. LIVROS DE LINHAGENS OU NOBILIÁRIOS – in Portugaliae Monumenta Historica. Academia Scientiarum. Portugal, 1860. NOVAS CARTAS JESUÍTICAS (DE NÓBREGA A VIEIRA) – Serafim Leite (Pe.). Companhia Editora Nacional, 1940. PROJETO COMPARTILHAR – consultas [projetocompartilhar.org], 2018.


Notas Sobre Personalidades “Góes” / “Góis” Damião de Gois _ Filho do casal reinol Ruy Dias de Góis e Isabel Gomes de Limy (neta do cavaleiro flamengo Nicolau de Limy, com negócios em Portugal), foi educado no meio aristocrático no reinado de Manuel I; e, no de João III, já credenciado, foi destacado em 1523 para a feitoria lusa de Antuérpia, ao que não foi estranha a sua ascendência flamenga por parte da mãe. Tornou-se um grande humanista e figura notável entre os filósofos da época que pontuavam nas casas diplomáticas. Domingos de Góes _ paramilitar (bandeirante) e sesmeiro, i.e., com terras doadas para cultivo, foi um dos homens mais conhecidos no início do Séc. 17 na região da Capitania vicentina. Deixou geração vasta e quis as terras as terras ditas do ´boi sentado´ numa das margens do Anhamby na banda do Itaim. Foi casado com Joana Nunes e fez testamento em 1661 nomeando fiador o neto Manoel de Góes, em Mogi das Cruzes. Apesar da fama ´bandeirante´, Domingos perdeu as terras por não as cultivar, que foram incorporadas, em 1621, ao patrimônio da Ordem do Carmo, que ali construiu capela para Nª Sª da Biacica (´imbeicica´, do tupi q.s. ´cipó duro´). Casal Góis _ Luís chegou ao Brasil com a esposa e o irmão Pero. Em conversas com o jesuíta Manoel da Nóbrega, o casal decidiu mudar o rumo das suas vidas: ele lançou-se na cruzada jesuítica do assentamento colonial luso-católico e na perspectiva da criação de um novo império teocrático, enquanto ela ingressou num convento. Segundo carta de Nóbrega (apud Simão Rodrigues, 1553), sabemos que «Luís de Gois, irmão de Pedro de Gois, fez aqui um grande movimento de si e em fervor de espírito fizeram os votos da Companhia ele e sua mulher, estando para tomar o Senhor. Determinaram desembaraçar-se e ela, que é já de dias, servir Nosso Senhor num mosteiro ou como nós lhe ordenarmos, e ele pedir que o recolhamos. Não sei o que o tempo nisto mostrará. Dele recebeu sempre esta casa muita caridade; parece-me que lhe temos muita obrigação de o ajudar a salvar». Ou seja: grávida, a esposa de Luís era um ´estorvo´ para a missão jesuítica. É o que se depreende, até pela necessidade de Nóbrega em cooptar novos elementos para a ´companhia´, que havia perdido a aldeia Maniçoba recentemente nas bandas de entre o Saboó e o Ibituruna, e mais, queria ele construir ´casa e escola´ na aldeia Piratininga já fundada pelo governador Sousa. Assim foi que esse casal Góis tornou-se o primeiro caso de pessoas a serem separadas em nome da necessidade religiosa: um caso social teologicamente resolvido.

1917 [1º de Maio] É publicado o primeiro número do jornal O Democrata, pela empresa gráfica dos irmãos Boccato.

1918 José dos Santos Patto, português de Saima, monta a adega Minho e d ´Ouro, que dará origem às marcas de vinho Patto e Pattão.


Família Patto essência luso-brasileira em terras tropicais

O estudo das gentes em seus sítios próprios revela a ancestralidade que gerou o progresso e, às vezes, a nação. Preservar a historiografia é abrir as portas para o futuro e vindimar a casta civilizatória. João Barcellos, palestra

Parte 1 Do Pato ao Patto (ou: dos turcos entre romanos e lusitanos) A comunidade turca e sefardista (judeus da Península Ibérica) têm, nos Séculos 15 e 16, uma ótima convivência social e econômica em Portugal, quando começam a ser expulsas em razão da adoção da ´santa´ Inquisição católica pelos reis ibéricos. Estas comunidades são, inclusive, anteriores à formação do reino português, no Séc. 12., quando a Lusitânia (de gente celtibera) é uma província romana; parte das regiões conhecidas como Galícia, Castilla y León, Lusitânia, são ´chão´ e ´casa´ para judeus e turcos, mas os turcos não tratam da alta finança dos reinóis ibéricos (muçulmanos ou não) como fazem os judeus, por isso, as comunidades turcas têm maior interação popular,


logo, maior segurança, principalmente durante o trânsito romano entre Conimbriga e Bracara Augusta, e são as comunidades, às vezes famílias esparsas, de Saima e Sangalhos, que servem de pouso e abastecimento, pois são famílias que trabalham com dois alimentos essenciais à tropa de Roma: o pão e o vinho.

* Ao tempo do rei Afonso II, em 1228, tem casa em Portugal a família de Egas Fernandes Pato, oriundo de Veneza, família que ao longo do tempo se apresenta sob um brasão cuja figura central é um pato armado de vermelho.

o brasão da Família Pato no império romano e o pato adotado em Portugal e no Brasil

Sabe-se que quando Afonso Henriques, o rei primeiro, toma a vasta, feudal e riquíssima região de Guimarães, e nela funda o reino, forma alianças poderosas com celtiberos, e logo leva a capital do reino para Conimbriga, onde encontra aliados judeus e turcos – e os turcos, como no tempo dos romanos, servem-lhe de apoio logístico. Por isso, a presença turca em Portugal é uma aliança social e econômica que faz parte da história principalmente com a Família Pato da região sangalhense.

* Durante os Séculos 15 e 16, uma família destaca-se na região: a Pato. Então, uma mistura turco-romana que se perde no tempo, assim como as vindimas e o famoso ´leitão à bairrada´. No início do Séc. 20 um Pato emigra para o Brasil, a alfândega acrescentalhe abusivamente um ´t´ [“tem que ter um ´t´ a mais para diferenciar do pato-animal”, revela Júlio Miguel, a contar a história do avô], e assim é que um jovem José da distante Saima sangalhense vira José Patto no sertão san-roqurense a oeste de São Paulo, onde os seus descendentes, no Séc. 21, dão continuidade à vinícola iniciada com a alma de Saima. Do outro lado do mar, a Família Pato (com um ´t´) continua a tradição rural e vinícola e é referência internacional. Hoje, a família reúne-se anualmente no Patto Day para celebrar uma história tão antiga quanto renovada a cada geração que chega.

Parte 2 da Saima sangalhense à São Roque paulista O lugar de Saima é um importante produtor de uva e vinho, principalmente o dito ´vinho da Bairrada´ que ajuda a carregar com leveza as generosas porções de leitão que por


aqui são ´prata´ da casa. O lugar já teve importância administrativa, mas perdeu tal ´status´ político no Séc. 20.

É neste lugar de referência vinícola que, em 30 de outubro de 1893, nasce José dos Santos Pato. E aqui vive a sua meninice entre o aprendizado das primeiras letras. O lugar de Saima, em Sangalhos, na concelhia de Anadia, na região de Aveiro, centro de Portugal, é ponto de passagem para gente de todo o mundo, tem fama, mas nada existe além da lavoura e, em particular, da videira. Esta região é para a gente reinol do Império romano a principal passagem entre Conimbriga [hoje, Coimbra] e Bracara Augusta [hoje, Braga] e, como eles, outros povos. É assim desde que árabes e celtas e, depois, romanos e galegos, originaram a essência do ser português. Aliás, o sobrenome Pato tem origem em famílias turco-romanas que cruzaram a Península Ibérica e fizeram da velha Conimbriga um porto seguro. O jovem Pato não tem sequer saída nas redondezas. É tudo assim: ruralidade pura. Percebe um movimento de retirada familiar: mais uma vez o destino é o além-mar. E vê a mãe, Rosa de Jesus Palmeira, casada com Joaquim das Uvas, embarcar para o distante e sempre encantado Brasil. A adolescência do jovem Pato é uma provação entre o querer ser algo-mais e as barreiras sociais de um Portugal escondido em si mesmo e sob o estertor de uma monarquia que desconhece o mundo moderno da revolução industrial. Pior: a vinicultura europeia, logo, também a de Portugal, vive ainda os efeitos de uma praga que é gourmet excelente, i.e., adora os melhores vinhos, e pronto, chupada a uva lá se vai a videira. É a ´filoxera´ de 1854, ou, ´phylloxeridae´. O desastre socioeconômico gera desemprego em massa nos campos. Aos 18 anos ele lê de tudo, quer saber do mundo. E sabe, também, que a vida está mais difícil com a ´filoxera´ solta... Mais: ele quer ir ao mundo. Um ano depois, em 1912, refaz o roteiro da mãe e embarca para o Brasil.


José Patto já com um ´t´ alfandegário a mais

Como outros tantos jovens portugueses ele experimenta ser de serr´acima, passa pelo planalto e segue para oeste para se fixar em São Roque, uma vila de muito labor rural. Entretanto, ele começa como alfaiate e, ainda entre agulhas, linhas e ferro de passar, exterioriza de vez a su´alma de vinicultor bem arreigada desde a meninice na pacata Saima sangalhense. Na velha vila formada pelo Vaz-Guassu ele conhece Rosa Ida dos Santos e com ela gera 5 moços e 1 moça. José dos Santos Patto é um jovem, que após a travessia do mar, quer mostrar ao que veio. Sabe que tem n´alma a essência vinícola de Saima, lá da terrinha em que nasceu. Tem até um ´t´ brasileiro no nome e isso o faz ´da terra´. E, em 1918, monta uma adega denominando-a Minho e d´Ouro, que administra até 1960.

Como não poderia deixar de ser, à adega ele anexa uma unidade de secos e molhados, que tem sempre debaixo d´olho. Aquilo que lhe seria impossível no pacato povoado português é uma possibilidade na também pacata São Roque brasileira.


José Patto, a Esposa e os Filhos

José Patto, a Esposa e os Netos

Só um dos seus filhos, Júlio, tem interesse pela atividade vinícola: o jovem entusiasmase e cria o rótulo Patto, que lança nas festas vinícolas de São Roque. E, em 1962, ele lança o Vinho Pattão, que vira sucesso e carro-chefe da casa.


E outra geração surge em 1979: Júlio Miguel dos Santos, neto do patriarca. E chega para gerenciar mais de 250.000 pés d´uva e vinhos embarcados para todo o Brasil. E é este neto que cria a marca Real d´Ouro.


Lá por 2010, o neto do patriarca terceiriza a produção vinícola, embora gerencie os vinhos Patto e Pattão, para abrir outra frente: o Restaurante Vila Don Patto, agora, um dos pontos mais visitados no Roteiro do Vinho san-roquense.


1924 A cidade possui 17.300 habitantes e produz 10.000 litros de vinho. 1930 Religiosas belgas da Ordem vicentina iniciam uma escola de primeiras letras na vila, em casa particular, e também nas instalações da Igreja de São Benedito. 1937 Casa Grande & Capela de Santo Antônio é descoberta pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN); a instituição dá início a uma primeira restauração. 1942 O poeta e pesquisador Mário de Andrade, assistente técnico da regional paulista do SPHAN, decide adquirir o imóvel histórico Casa-Capela Santo Antônio e logo faz a doação do mesmo [nos anos 60] para o Estado federativo. O ato incentiva Francisco Matarazzo Sobrinho que colabora com a compra e doação de um terreno anexo; o mesmo acontece com Flavio Favalli. Tais ações permitem a preservação do entorno da Casa Grande & Capela e o complexo passa a ser visto, até emblematicamente, como imagem presente de um passado que ajudou a construir o Brasil continental. 1947 É criado o primeiro ginásio: a Escola ´Horácio Manley Lane´. 1952 Arquidiocese de São Paulo conta com 149 paróquias, entre elas a de São Roque. 1953 Surge a indústria Látex São Roque com produção que atinge diversos ramos da atividade industrial, artística e medicinal. 1954

É instituído [Lei 133] o Brasão de São Roque.

1959 Emancipa-se a vila-estação Mayrink. Criado o Município de Mairinque (Lei nº 5285, de 18 de fevereiro), que abrange o distrito sede e o Distrito de Alumínio. 1959 É eleita a primeira mulher para a vereança san-roquense: Faustina Maria das Dores.

Um acontecimento sociopolítico e cultural pela ruptura com a tradição do mando político masculino.


1970 Alcachofra Roxa de São Roque O cultivo de alcachofra em São Roque já faz parte do ciclo econômico local. A planta, que possibilita a confecção de bons produtos gastronômicos e bons produtos medicinais potencializa resultados excepcionais e a sua comercialização projeta ainda mais a municipalidade. Cada pé de alcachofra pode produzir de 8 a 10 flores. Existem dezenas de variedades da planta. Entretanto, o Brasil segue a tendência europeia e cultiva a Roxa de São Roque, aliás, a mais comercializada, a Roxa Comprida, a Roxa Romana e a Verde Redonda.

1977

O Brasão de 1954 é alterado pela Lei 1.147. A mesma lei municipal cria a Bandeira de São Roque.

1978 O industrial Jacy Alves da Silva estabelece a empresa Rasil Borrachas para fabricação de artefatos para o meio automotivo. 1989 Com o término das atividades têxteis em 1970, a infraestrutura da Brasital passa a integrar o patrimônio público de São Roque e recebe a designação de Centro Educacional e Cultural Brasital. O complexo é sede dos departamentos de Educação e de Cultura, do Desenvolvimento Econômico, do Banco do Povo, e do Posto de Atendimento do Sebrae e do Turismo. Tudo na antiga área administrativa. O chão-de-fábrica que sustentou os teares sustentam agora atividades diversas, como biblioteca, oficinas culturais e profissionalizantes, sala de música e dois salões de eventos.


1990 O ótimo potencial ecológico, cultural e histórico, leva a cidade de São Roque a ser transformada em Estância Turística [Lei 6.899].

imagens da serra san-roquense registradas pelo autor em uma das muitas pousadas: Aconchego no Campo

Entre os Anos 70 e 80, do Século 20, a municipalidade san-roquense tem um crescimento socioeconômico compatível com a modernidade que altera positivamente o Estado paulista e a Federação brasileira: na área industrial surge a Carambella, fabricante de produtos na linha têxtil-lar, e na área comercial, a São Roque Supermercados, ambas as empresas com expansão fora da região que lhes é sede.


O desenvolvimento social gira também em torno de rituais da cristandade que estão na simbologia urbana e são pilares de uma ocidentalidade cultural absorvida por nativos e por mamelucos e, logo, por gente africana. O cotidiano sacro é tão importante quanto o social e o mercantil, já agora a fazer parceria com o protestantismo evangélico. É a pluralidade republicana a fincar a tolerância por uma humanidade mais unida em Fé.

O desenvolvimento social da municipalidade de São Roque tem um estilo peculiarmente histórico, porque desde a fazenda que se transforma em povoado à vila que recebe a modernidade para virar cidade vivencia uma operacionalidade urbana com sustentabilidade política e administrativa.


São Roque entra no Século 21 como urbanidade aldeística que se recicla sem perder a história geossocial que lhe dá sustentação econômica.


Tábua Geossocial, Econômica & Política

Municipalidade de São Roque Dados Político-Administrativos

Parte 1

do Executivo

Intendentes || Bento Antônio Pereira [1908-1910]; Vicente Júlio de Oliveira [1910-1912]; José Dias Thomaz [1912-1916]; Paulino Henrique de Campos [1917-1921]; Atílio Caproni [1922-1924]; Antônio Dias Bastos [1924-1925]; Júlio Arantes de Freitas [1925-1927]; Bento Antônio Pereira [1928]; Euclides de Oliveira [1929-1930].


Prefeitos Nomeados || Ismael Victor de Campos [1930-1933]; Argeu Villaça [19331936]; Garfield Pereira Barreto [1936-1939]; João Gabriel Pinto da Costa [1939-1943]; Luiz Leite Penteado [1943-1944]; Gentil de Oliveira [1944-1945]; Bernardino de Lucca [1946-1947]; Remo Taglissachi [1947]. Prefeitos Eleitos || Joaquim Firmino de Lima [1948-1951]; Dantom Castilho Cabral [1952-1955; renunciou ao cargo e foi substituído pelo vice Horácio Manley Lane]; Mário Luiz Campos de Oliveira [1960-1963]; Heitor Boccato [1964-1969]; Henrique Luiz Amóbio [1969-1973]; Jarbas Moraes [1973-1977]; Quintino de Lima [1977-1982, substituído pelo vice Antônio Carlos Moya de Oliveira em 1983]; Mário Luiz Campos de Oliveira [19831988]; José Fernandes Garcia [1989-1992]; José Antônio Sanches Dias [1993-1994, prefeito assassinado durante o mandato, substituído pelo vice Wagner Nunes, até 1996]; Efaneu Nolasco Godinho [1997-2000]; José Fernandes Garcia [2001-204]; Efaneu Nolasco Godinho [2005-2008 / 2009-2012]; Daniel de Oliveira Costa [2013-2016]; Cláudio José de Góes [2017-2020]

do Legislativo

Elevada a freguesia à condição de vila, a região san-roquense ganha Vereança em 10 de julho de 1832, com instalação rem 1833. O primeiro presidente foi Manoel Francisco da Rosa (capitão) com a Vereança formada por Antônio Álvares Bastos, Joaquim de Souza Saquete, Joaquim Francisco da Silva, Manoel Joaquim Barbosa, Rafael Antônio de Oliveira (capitão) e Rafael da Fonseca Coelho (capitão).


Hino de São Roque

Canto de exaltação a São Roque Letra por Edson João Gonçalves (Edson D'aísa) Melodia por Cândido Francisco de Camargo (Neto)

Surge estância altaneira Um sol ardente por ti Do verde das tuas matas Brotam, águas do Aracaí. Embala um sono sereno Berço de colo moreno Poetas da natureza são índios Do Vale Carambeí. O grande eleva teu nome O forte luta até o fim Rio de sangue nas veias Da terra onde nasci. São Roque, São Roque! Agosto dourado de Ipê São Roque, São Roque! Guardo em meu peito você. Da serra do Taxaquara Ao morro do Saboó Do Ibaté se avista A surgir "Minha gente paulista” O teu céu cor de anil resplandece Sob a luz do Cruzeiro do Sul Homens frutos da tua videira Semeando o chão de Vaz Guaçú Herdeiros das tuas glórias Cantam o teu esplendor Filhos do solo sagrado Bebem na fonte o amor São Roque, São Roque! Agosto dourado de Ipê São Roque, São Roque! Guardo em meu peito você. Hino instituído por concurso segundo a Lei Municipal nº 6.386 / 2007


Municipalidade de São Roque Dados Gerais

Parte 2

Vaz-Guassu & Capella, Pç da Matriz e alterações arquitetônicas

O grande trunfo da municipalidade de São Roque, hoje, é o Eco-Mercado, que alimenta um Turismo especializado para todas as faixas etárias. O microclima montanhoso e a topografia serrana possibilitam transformar São Roque em um polo de atração turística diferenciada – e, por isso, as casas de velhas fazendas transformaram-se em pousadas e hotéis que atraem turistas das grandes cidades do Estado e do Brasil, e servem de apoio a um crescimento econômico sustentado. A par disso, o Artesanato acompanha a comercialização da produção vinícola, logo, a cidade passa de novo por ser um ponto de passagem para novos olhares e novas aventuras, principalmente para os paulistas... A uma distância de 52 km do marco-zero do Estado paulista, São Roque é um município localizado a 23° 31´ 46´´ de Latitude Sul e a 47° 08´ 19´´ de Longitude Oeste, numa Altitude média de 771 m acima do nível do mar. Em relação à sua área geográfica verifica-se, no que toca à realidade da sua fundação, um afastamento de Cotia, pelo que as suas fronteiras regionais no Séc. 21 são com as municipalidades de Itu, Mairinque, Araçariguama, Vargem Grande Paulista e Itapevi e Ibiúna. Ocupa um território de 307,553 Km2, no qual 40% da população reside na área rural [distritos de Canguera, S. João Novo, b° do Carmo e Mailasky] e 60% na área urbana.


Pelos dados do IBGE e do TSE, de 2016, São Roque tem 86.515 moradores e 58.664 eleitores. A atividade econômica é gerada no agronegócio de Hortaliça [convencional e de estufa com 300 ha], Floricultura de estufa [150 ha], Alcachofra [30 ha], Pastagem [600 ha], Florestamento de Pinus e Eucalipto [400 ha], Vinicultura e Indústria Transformadora, às quais se alia a atividade de Turismo e o de Serviços Especializados. Os moradores contam com ensino fundamental, médio e superior, além de ensino profissionalizante.

Mata Atlântica & Capoeira Nos tempos da fazenda-vila de Vaz-Guassu, a vegetação que predomina é de Mata Atlântica, do tipo latifoliada tropical densa e exuberante, com árvores altas e copas desenvolvidas e por arbustos com bastantes galhos e folhas; as encostas úmidas, como observou e tentou proteger o botânico alemão James Diederichsen, desenvolvem samambaias, cipós, arbustos e árvores de troncos finos e altos, como cambarás e jacarandás.

a Kam´bará na Fazenda Cambará

Na mesma região, existiu uma floresta tropical planaltina, logo, menos úmida, na qual predominavam cedro, pau d’alho, amoreira, peroba, ipê, figueira branca, jatobá, canela, entre outras.


Já em 1920 parte da mata atlântica san-roquense era passado e, aos poucos, como no entorno da indústria Brasital, ressurgiu a floresta urbana secundária e terciária

Em tal complexo geomorfológico, de mata atlântica e capoeira, dizia Aziz Ab´Sáber, estiveram presentes os tipos tijuco e cerrado até à devastação mercantil que quase arruinou o sítio rural e deu fim à mata nativa primária.

Área Hídrica A municipalidade san-roquense é atravessada pelo Ribeirão Carambeí (que alimenta a vistosa Cascata Carambeí), o Rio Aracaí e o Rio Guaçu (formado pelo Carambeí e o Aracaí).

||| Anotação A municipalidade san-roquense é uma estância turística de grande importância econômica para o Estado paulista e o Brasil. A exuberância social e econômica da Estrada do Vinho, na estância turística de São Roque, a pouca distância da Capital paulista, já obriga as autoridades a um olhar urbano mais direcionado para a infraestrutura hídrica e sanitária. A região em que se encontra a Estrada do Vinho é de pequenas chácaras e, entre elas, surgiram hípicas, restaurantes, vinícolas, etc., mas esse desenvolvimento não foi acompanhado de uma rede d´água e esgoto, ou seja, os grandes empreendimentos turísticos se valem do poço e da fossa. Segundo documento enviado ao editor da revista jCORPUS, e autor deste livro, a SABESP|Botucatu informou, em 15.6.2018, que “a região denominada Rota do Vinho [...], não faz parte da área de atendimento da Companhia”. É uma notícia ´estranha´, mas verdadeira, no âmbito de uma cidade-estância turística.


Roteiro Do

Vinho

Sinalização turística e Vinícola Goes

Terra do Vinho com a tradição de portugueses e italianos, a região san-roquense tem um crescimento artesanal e industrial agro e vinícola acentuado no final do Séc. 19, sendo que algumas vinícolas possuem também restaurantes e área de degustação, e outras, permitem também o acesso às áreas de produção levando visitantes a conhecerem tonéis, engarrafamento, maquinário, etc., o que dá a dica para a promoção da Festa do Vinho e do Roteiro do Vinho, que são sucesso no Séc. 20 e adentram o Séc. 21 com pujança no entorno do ecoturismo. Adega do Baco, Terra do Vinho, Cantina do Frank, Vinhos Real d´Oro, Pousada Palhoça, Rancho Arizona, Vila Don Patto. Destilaria Stoliskoff, Quinta do Olivardo, Vinhos XV de Novembro, Centro de Pesca Taquari, Segredos do Mar Restaurante, Alcachofras Bonsucesso, Portintex, Vinhos Canguera, Vinícola Góes, Vale do Vinho, Licor Giullian´s, Vinhos Palmares, Vinhos Palmeiras, Cantina Tia Lina, Recanto do Vaqueiro, Doces Santa Adélia, Armazém Biointegral, Itacolomy, Fazenda Angolana, Passeio a Cavalo JGF, VitiVinícola Bella Aurora, Vinhas Santa Cecília, eis alguns dos pontos de encontro para degustação e lazer no Roteiro do Vinho.


* OLIVARDO Uma Casa Portuguesa No Roteiro Do Vinho

A tradição da culinária portuguesa em terra san-roquense é uma história que remonta ao Séc. 16, quando os primeiros colonos por aqui iniciaram o cultivo de videiras e marmelo, enquanto nos festejos natalinos levavam o bacalhau ao forno, ou simplesmente coziam com batatas e legumes. Hoje, no Séc. 21, a tradição está em diversas vinícolas espalhadas pelo Roteiro do Vinho, que faz da Estância Turística São Roque um ponto d´encontro para turistas brasileiros e estrangeiros. No ano 2007, o casal Cíntia e Olivardo Saqui adquiriram o Sítio Abaçaí e deram início a uma vinícola no entorno de um restaurante-adega que chamou a atenção. O casal batizou o local como Quinta do Olivardo e logo, locais e paulistas colocaram-no no mapa de fim-de-semana.


Cíntia e Olivardo na pisa d´uva e retirada do Vinho dos Mortos

Aos poucos, o casal passou do crocante bolinho de bacalhau para pratos sofisticados de bacalhau, noites de sardinha assada com música portuguesa (fado lisboeta e fadobalada coimbrã), vindima grupal com clientes, a incorporação do Leitão da Bairrada e da Tasca (unidade para petiscos tipo ´alheira´ e ´prego´) tornaram famosa a ´quinta´; e a adaptação do Vinho dos Mortos (os portugueses enterraram milhares de garrafas de vinho para os as tropas napoleônicos não o levarem durante a ocupação) expandiu o ritual da casa.

Enquanto isso, a produção de vinhos e a aguardente levavam a Quinta do Olivardo ao mundo de quem adora um bacalhau bem ´regado´.

*


Roteiro Da

Alcachofra

Entre a paisagem montanhosa e os vinhedos uma planta sobressai hoje em São Roque: a alcachofra. Adaptando-se facilmente aos ambientes quentes e aos solos argilo-silicosos, fundos e drenados, com pH em torno de 6,5 (neutro), segundo os especialistas, a alcachofra tem nos campos san-roquense um quase habitat natural para plantio tropical no outono e colheita na primavera.

Ski Mountain Park No final da década de 60, adepto dos esportes na neve, tendo viajado diversas vezes para o exterior em competições e lazer, o pernambucano David Santini vê a possibilidade de instalar uma pista de esqui artificial no Brasil, e o faz na serra gaúcha, em Garibaldi, no Rio Grande do Sul. Com o sucesso surge o interesse em fazer uma segunda pista, mas esta próxima de uma grande metrópole... e a região escolhida é a cidade de São Roque, no Estado paulista. A pista de esqui funciona apenas dois anos e encerra as atividades por não ter uma infraestrutura adequada. Em 1988, o grupo de São Roque, empresa familiar, vendo a cidade virar Estância Turística e em crescimento, até então sendo conhecida apenas pelo vinho, percebe que pode contribuir com o turismo local e adquire o morro, onde já nem existe mais a antiga pista. A ideia é construir um parque de lazer e entretenimento com esportes de montanha e ecologia, e, mais uma vez, a pista de esqui artificial é a principal atração. As obras iniciam-se em 1990 e duram oito anos: em 1998 é inaugurado o Ski Mountain Park.


Ski Mountain e a Cidade ao fundo

O parque projeta São Roque como destino de viagem para turistas brasileiros e estrangeiros e sua infraestrutura obedece a regras internacionais de segurança. Cerca de cem funcionários prestam serviços no parque, entre a área de diversão e a de alimentação. É a única pista artificial no Brasil e o número de praticantes de esqui cresce ano a ano. A pista artificial é de placas de polietileno, uma tecnologia muito aplicada na Europa e na América do Norte. O parque será beneficiado com um projeto de tematização com hotel no pico da montanha e outras atividades como ciclismo e motociclismo de competição. Ski Mountain Park situa-se a 1.200 m acima do nível do mar, sendo que a parte dos 320 mil é de mata atlântica nativa.


Hotéis & Pousadas

Pousada Aconchego No Campo

São Roque Park Hotel, Hotel Cordialle, Pousada Chalezinhos, Hotel Alpino, Hotel Vila Rossa, Espaço Tajj, Aconchego no Campo, Pousada Acalanto, Pousada Juriti, HotelQuinta dy Engenho, são estabelecimentos que recebem e atendem com muito profissionalismo quem visita a região.

ACONCHEGO NO CAMPO Uma das mais novas unidades do segmento de pousadas formadas no meio da serra san-roquense é ´Aconchego no Campo´. Idealizada pelo casal Jane e Edvan Duarte, este, pioneiro brasileiro na hidroponia orgânica e referência tecnológica no ramo, a unidade foi erguida segundo uma arquitetura ambientada na própria natureza serrana.

´Aconchego no Campo´ é uma pousada do tipo familiar e encanta pela natureza própria, a hospitalidade e qualidade dos serviços.


Equitação

Uma das atividades mais procuradas na estância turística san-roquense é a equitação. Entre a atividade profissional equestre do Centro Hípico JGF, do Centro Hípico São José, do Haras Medalha de Ouro, do Haras Método, do Manège des Flandres, do Rancho Cavalo Mania e da Hípica Colorado, existem pontos de lazer com cavalgada em fazendas e empreendimentos de ecoturismo. Não se pode esquecer que a região entre a Mina d´Ibituruna [hoje, Araçariguama] e a Villa de São Roque foi berço das primeiras experiências de produção de cavalos quando, e a par de notória atividade algodoeira, o Morgado de Matheus [1765-1775] incentivou o progresso industrial.

Trilha Ecológica Brasital

Entre o complexo arquitetônico industrial, a Brasital também possui uma área de mata com cerca de 30.000 m2. O poder público aproveitou o local para instalar uma Trilha de 1.100 m que é cortada por cachoeira do histórico Ribeirão Araçaí. O conjunto faz parte do Caminho das Águas.


Mata da Câmara

Outra pérola natural na serra san-roquense: a reserva ecológica designada como "Mata da Câmara". É um parque municipal no qual se pode vivenciar a vegetação natural da Mata Atlântica, com suas típicas orquídeas, bromélias, etc., e esta área faz parte do chamado "cinturão verde da Mata Atlântica", reconhecido como patrimônio natural da humanidade pela Unesco. A mata possui 54 alqueires e além da vegetação exuberante abriga lontras, esquilos, veados, entre outros animais.

Morro do Saboó

Com mais de 1.000 metros de altitude, sendo já avistado da Rodovia Castelo Branco, da mesma maneira que os antigos sertanistas o observavam e, dali mesmo, o VazGuassu ´achou´ ser o local ótimo para se instalar, o Morro do Saboó [q.s. morro pelado na linguagem tupi-guarani] é um pico que se destaca na paisagem formidável entre os vales san-roquenses.


Entre pesquisadores, diz-se que o Morro do Saboó foi um dos locais em que os sertanistas, ainda no Séc. 16 e ao tempo do desbravador Affonso Sardinha (o Velho), buscaram prata e ouro. Não por acaso, do alto do Saboó vislumbra-se o Morro d´Ibituruna (ou Byturuna), onde o capitam Affonso iniciou a exploração de ouro. Pela sua configuração, vista de longe, muitas pessoas e até pesquisadores de história chamam o Saboó de “pirâmide”. No pé-de-serra do Saboó formaram-se várias fazendas e pequenas propriedades rurais, a mais importante foi a Fazenda Saboó. Com a formação da vila os imensos lances de terra da Fazenda Vaz-Guassu viraram lotes, os lotes fazendas e, por fim, as fazendas deram origem aos vários bairros da municipalidade de São Roque a partir do Saboó. Algumas fazendas resistiram, entre elas a de Cambará, mas essa pela condição de ser também leito e balcão mercantil para uma escravaria que teimou continuar até cerca de 1880.

Repouso, Lazer & Medicina Nem só de turismo histórico e recreação gastro-turística viva a Estância Turística de São Roque, ora, a cidade tem um perfil urbano-ambiental que lhe dá espaço para receber, em clínicas com modernas tecnologias e profissionais capacitados nas melhores academias, pessoas em tratamento médico ou em busca de diagnósticos de alta definição. O chamado turismo de saúde tem na região san-roquense um porto seguro, por isso, a cidade acolhe em suas várias clínicas particulares [Laiz Belmonte, Precision Centro de Diagnósticos, RadMed, Clínica Urológica Dr Hereles R. Filho, Clínica Oftalmológica Dr Carlos Eduardo G. Campos, etc.] além do Hospital da Santa Casa, pessoas de todo o Estado paulista. Além disso, a rede de pousadas e hotelaria está preparada para cuidar, também, de pessoas em trânsito clínico. Entre a paisagem serrana e o clima temperado as pessoas sentem-se bem, e melhor ainda com a hospitalidade da gente san-roquense.


ANEXOS Fazenda Cambará Quilombo do Carmo

São Roque | Raízes Culturais

Região das Cangueras, Fazenda (do) Manduzinho & Piabiyu


Fazenda Cambará

Franco Mazzoto

Um Exemplo De Continuidade Na Colonização Republicana Do Vaz-Guassu

No entorno da Fazenda de Vaz-Guassu e pela proximidade do Sítio & Mina d´Ouro dos Arassarys, na região do Ibituruna (entre os picos do Saboó, Ibituruna e Jaraguá os nativos sinalizavam ´entradas´, sinalização a que Affonso Sardinha, o Velho, pôs fim ao conquistar o pico do Jaraguá no final do Séc. 16), várias picadas têm função de mobilidade funcional periférica e, uma das principais, é a Picada da Serrinha, região que concentra muita árvore Cambará, produto de excelência para a edificação de casario, incluindo a casa grande do senhorio, e que o próprio Vaz-Guassu já conhecia pelo casario utilizado na urbanização feito pelo pai em Cutaúna, e na capella de Nª Sª do Monte Serrat, na Acutia carapochuybana, junto com o amigo Fernão Dias Paes; e, logo, a Capella de São Roque seguida da Capella St Antônio, esta, na fazenda do irmão, além da linha d´água do Vale d´Anhamby. Assim como outros colonos, o Vaz-Guassu busca nos guaranis roteiro alimentar e medicinal nativo para poder absorver saberes e sabores matas adentro, porque sem esta assistência não seria possível penetrar e assentar a gente pé-de-serra, quase carangueja dos tempos da Gohayó (depois, vila S. Vicente), cuja necessidade de expansão a faz serr´acima e certam adentro entre o Jerybatiba e o Anhamby. O espaço que ele busca entre os riachos Carambeí e Aracaí é um continente de possibilidades no âmbito da pesca, da caça, do cultivo imediato e muita e boa madeira (da árvore Ka´ambará) para erguer casario e pequenas pontes. Obs.: Ka´ambará, do tupi-guarani, árvore de porte nativa da região mais serrana a leste do Vale do Anhamby. Araca´í, do tupi-guarani q.s. arbusto de rio; entretanto, dependendo de como foi escutada e grafada a palavra, pode significar Araçar´i, q.s., rio do araça, ave da família dos tucanos (arassarys), com ´habitat´ em toda a região da velha Sant´Anna de Parnahyba. Carambe´í, q.s., tartaruga de rio, entretanto, no velho tupi-guarani a palavra ´carambeí tem também o significado de ´rio velho´.


O espírito aldeístico (que hoje dizemos ´urbanístico´) do Vaz-Guassu continua o do pai, e isso significa que além do senhorio todas as pessoas da comunidade formada têm direito a moradia e trabalho. É este espírito primordial de res publica que faz da Aldeia-Fazenda São Roque, depois Villa, uma referência geossocial na formação do sítio paulista e já enquanto base do Brasil-nação.

O colono Vaz- Guassu não é o colono-tirano, é o homem filho de reinol que aprendeu com o próprio o valor da sociedade luso-cristã em curso na ocupação da ´Ilha´ Brasil. Uma civilização embarcada na era caraveleira que, inicialmente, pela notável sabedoria do Infante das 7 Partidas [o duque de Coimbra e regente Pedro, avô do rei João II), vinculou a odisseia marítima a trocas culturais e mercantis e que, em Veneza, havia adquirido o mapa-múndi de fr Mauro. Como um todo político, a Família Vaz de Barros percebeu naquele gesto republicano do duque-regente Pedro, que já o havia inscrito nas Ordenações Afonsinas para dar ´vida´ jurídica ao Povo Português em meio ao absolutismo cavaleiroso de então, o gesto que deveria sinalizar uma colonização sob a simbologia da palavra jesuana, ou, a instalação de um ´outro Portugal´ com justiça social, e o certo, pela documentação histórica disponível, é que entre o casario da Cutaúna e o da São Roque a taipa-de-pilão absorveu também o espírito de res publica, o mesmo que levou a mameluca Suzana Dias a construir Sant´Anna de Parnahyba contra toda a hipocrisia política e social.

A Importância Da FAZENDA CAMBARÁ Nas bandas da picada da Serrinha, a Fazenda Cambará é estratégica para a logística das lavouras tradicionais e, mais ainda, para conter e ordenar a escravaria africana e tupi-guarani. É parte da dinâmica pós-colonial que avança também nas plantações de café e, no caso dos cerca de um milhar de escravos sitiados nas fazendas san-roquenses (escravos registrados pelos seus senhores, pelo que não sabe quantos eram, de fato...), a Cambará tem ligação direta com a Fazenda Canguera e os escravos, além de força de


trabalho são moeda corrente nos negócios da Família Xavier de Lima. E, assim como a da Canguera, a da Serrinha possui engenho.

Propriedade rural com 134 alqueires e de boa produção ao final do Séc. 19, a Fazenda Cambará começa, então, a sentir os efeitos do sucesso mercantil da cultura cafeeira e perde importância pp falta de investimentos para modernização.

O sucesso das famílias alemãs no entorno da Real Fábrica de Ferro de São João do (rio) Ipanema deixa entre essa sociedade do outro lado do mar uma nostalgia que, aos poucos e no mesmo século, é preenchida com novos empreendimentos no Vale d´Anhamby. Obs.: Cambará [do tupi-guarani Ka´ambará] é a designação popular da árvore Gochnatia Polymorpha, com espessura de até 0,80 m e muito alta, cuja madeira (de ´lei´) é muito utilizada na concepção de moradias com a técnica de taipa-de-pilão, além de que a casca entra na formulação de medicamentação para tratar bronquite e as flores são do tipo melífero. Dois motivos levam, no Séc. 16, o notável Vaz-Guassu a imaginar nas suas terras do Vale Anhambyano uma fazenda produtiva: o clima para cultivo do tipo hortifrúti e o corte e beneficiamento da Cambará, que abunda na região.

Numa das margens do rio Jerybatiba, abaixo da Sam Paolo dos Campi de Piratinin, está a vistosa Fazenda Morumbi, de Bernardo Diederichsen, e é ele que, em 188, recebe o sobrinho e botânico James Theodor Diederichsen. O jovem ocupa o tempo no escritório de exportação de café de outro tio, o comerciante Theodor Wille, no Largo S. Francisco;


deste tio ele recebe uma herança que o deixa com cabedais suficientes para buscar casa própria e mais perto do seu espírito botânico... Villa de São Roque, 1890. A famosa terra de Vaz-Guassu recebe um jovem alemão disposto a investir numa fazenda para se encantar ainda mais botanicamente, e aqui encontra o ruralista Lima que lhe vende a Fazenda Cambará pelo valor de 33 contos de reis (33 milreis). Ao conhecer a Família Lima, o botânico encontra outra flor: Julieta Rosa de Lima. O casal gera Marieta, Helena, Ernestina, Jaiminho e Henrique, enquanto vai adquirindo mais terras e nelas preserva a riqueza das matas e olhos d´água. E então, a Fazenda Cambará assume outra importância: é polo de investimentos científicos feitos por James. É a primeira vez que uma senzala dá vez a culturas científicas, a casa-grande vira ninho d´amor e ponto de encontro entre personalidades locais com o olhar na preservação para sustentar uma vila adequadamente urbana na sua essência rural.

Julieta e James

Vitimado pela gripe espanhola, o botânico morre em 1921 com 61 anos; assim, as suas terras são herdadas pela geração. A filha Helena casa com Paulo Wilhems (conhecido como Paulo Alemão) e o casal gera Herbert e Úrsula, sendo que neto e neta residem na fazenda. Como canta(va) o luso Camões, “mudam-se os tempos / mudam-se as vontades”, já o alemão R. M. Rilke, intelectual contemporâneo dos ´alemães da Cambará´, acrescenta(va) que “...os homens, com o auxílio das convenções, têm resolvido tudo com facilidade e pelo lado mais fácil da facilidade; mas é claro que precisamos ater-nos ao difícil”, e o difícil, nesta circunstância geossocial, é a ruptura da pessoa com a terra vivificada, por isso, e diante da possibilidade de destruição completa das estruturas de taipa-de-pilão do casario e engenho da Fazenda Cambará, é que Ursula Mausí não vende, mas ´topa´ uma acordo de preservação do imóvel rural com personalidades atentas também à preservação da história san-roquense.


O chapéu da Comitiva Brasil Poeira e a Srª Ursula Mausí no quarto que foi o seu na Fazenda Cambará

Na verdade, neste Séc. 21, ela celebra o espírito ambientalista do avô botânico e ela, agora, visita uma Fazenda Cambará que sedia a Comitiva Brasil Poeira, grupo responsável pelo acervo físico e histórico. No início do Séc. 20, além da Fazenda Cambará, na picada da Serrinha, as fazendas de Nhá Guilhermina e de Nhá Altina, entre outras, e algumas com engenhos (moinhos de farinha, olaria, vinicultura), demonstram a ancestralidade rural iniciada por Vaz-Guassu nas terras da vasta fazenda, entre o Cerro Saboó e o ponto onde assenta o marco-zero, i.e., a Capella São Roque, que origina a Villa São Roque. No início do Séc.20 a ruralidade é cortada pelo apito da maria-fumaça a anunciar outros tempos, no entanto, apesar da bagunçada destruição, a árvore Cambará é ainda um produto natural a sinalizar que, antes de tudo, é preciso racionalizar a atividade ruralindustrial. Eis que “...preservar o sítio histórico geossocial é dar oportunidade às novas gerações para se perceberem enquanto pessoas com história própria” [João Barcellos - in ´A Importância Do Sítio Histórico”]. O fato de um grupo de personalidades san-roquenses ter arregaçado as mangas para reerguer a Fazenda Cambará é um pormenor fabuloso das possibilidades humanas diante da própria história regional. Assim, estudar a particularidade geossocial da Fazenda Cambará é estudar o Brasil na sua essência colonial-emigratória. [o Autor proferiu a palestra ´Sítios Urbanos & Arraiais Minerários Que Viram Villas” na Fazenda Cambará, na manhã de 24 de novembro de 2018]

BIBLIOGRAFIA BARBOSA, A. Lemos (Pe.) – Pequeno Vocabulário Tupi-Português. Ediç Livraria São José – Rio de Janeiro, 1951. BARCELLOS, João – Piabiyu. Ediç Edicon, SP, 2006. 2ª Ediç., 2016. – Os Portugueses No Roteiro Do Saber & Do Sabor Dos Guaranis & Tupis Em Demanda Da Sobrevivência. Palestra-opúsculo. Cotia, SP, 1992. – A Importância Do Sítio Histórico, palestra em Santana de Parnaíba, São Roque, Mairinque, Cotia e Guarulhos, 1992. – Vinho & Poder (história da Fazenda-Villa de Vaz-Guassu). Edi Edicon, São Paulo, SP, 2017. CUNHA, Antônio Geraldo da – Dicionário Histórico Das Palavras Portuguesas De Origem Tupi. Ediç Melhoramento, SP, 1978. PEQUENO, Álvaro & FERREIRA, Cristiane – São Roque Caipira, Seus Violeiros e Cantadores. Ediç Comitiva Brasil Poeira. Fundo Municipal de Cultura – São Roque | SP, 2016. SAMPAIO, Mário Arnaud – Vocabulário Guarani-Português. Ediç L&PM, Porto Alegre, RS, 1986.


Quilombo do Carmo

“Remanescente de Quilombo e Patrimônio psico-sócio-cultural e econômico” _ Diário Oficial, 28 de agosto de 2000

As ordens religiosas da cristandade, que recebem porcentagem por cabeça d´escravo vendida nos cais do Brasil, são também corporações inseridas no contexto da escravidão que sustenta a Colônia portuguesa, primeiro, e o Império brasileiro, depois. Os cais de Salvador, do Rio de Janeiro e de Santos, são palcos de uma história desumana, mesmo que lida à luz das circunstâncias mercantis geradas pela colonização. Já em meados do Séc. 15, em 1432, o navegador Gil Eanes, que bordejou a costa d´África, inseriu em Portugal a primeira ´massa de cabeças negras´ e, no Séc. 16, em 1532, Martim Afonso de Souza desembarcou no Porto das Naus, em Gohayó (depois, vila de S. Vicente), mais uma ´massa de cabeças negras´ e, 50 anos depois, Affonso Sardinha (o Velho) faz desembarcar do seu navio negreiro capitaneado pelo sobrinho Gregório, centenas de africanos em Santos. A opulência gerada pela escravatura é civil e é igrejista, i.e., os religiosos da cristandade catolicizada são parte do mesmo bojo mercantil.


Assim é que, por ex., a Ordem Carmelita, e no caso do Rio, a Província Carmelita Fluminense, torna-se uma corporação que tem nos escravos d´África não apenas a mãode-obra, também o esteio econômico que a sustenta. Por isso, gente escrava e sua geração própria vêm a ser ´filiados´ à congregação Nossa Senhora do Carmo, tornam-se ´fiéis´ sem deixarem de ser gente escravizada. A expansão da Ordem Carmelita pelo continental Brasil é intensa e, ao transformar os escravos em fiéis ela vem a constituir um algo jurídico novo: a geração escrava passa a ser ´sujeito´ no âmbito da Ordem igrejista que, assim, não responde social e judicialmente a quaisquer questionamentos políticos. Essa expansão encontra eco em diversas fazendas carmelitas cujas senzalas têm o mesmo cheiro de podridão humana que aquelas ao redor da casa grande senhorial. Pior do que exigir porcentagem na venda de ´cabeças´ desembarcadas é o fato de ordens religiosas terem, manterem e..., alugarem seus escravos para fazendas e ´yngenhos´. No contexto comunitário, um ´fogo´ é um ajuntamento de família com de 5 a 7 membros; já uma família com 5 africanos é um ´quilombo´, de negros ´fugidos´ ou não. Com o fim da Colônia e a chegada do 1º Império, tudo continua na mesma, mas o 2º Império é obrigado pela diplomacia internacional, e não por boa vontade reinol da Casa bragantina, a estabelecer oficialmente o fim da escravatura. Então, os núcleos de escravos negros mantidos pela Ordem Carmelita são Quilombos e os escravos Quilombolas. E assim vai até o Séc. 20, quando descendentes dos ´quilombos´ carmelitas, e outros, iniciam batalhas judiciais para se apropriarem das fazendas|senzalas já abandonadas, na maioria, pela Ordem Carmelita. A questão estende-se pelo Séc. 21 e urge clarear a situação, agora fundiária e política, diante da Carta Magna brasileira, de 1988. Ora, ser descendente (geração) de família escrava passa a ser o ´documento´ próprio para acesso aos bens fundiários carmelitas, que a gente escrava ´ajudou´ a erguer durante séculos. Pode-se dizer, e o digo, é o ´direito quilombola´.

Quilombo do Carmo “Filhos” de Nª Sª do Carmo O ´bairro´ do Carmo é uma região afastada do centro urbano-rural san-roquense toda a população quilombola não o é mais pela miscigenação sociossexual levada a cabo por anos e anos, e mesmo porque o espaço rural da fazenda carmelita que lhes era o sítio ´natural´ também não existe como tal. E então, existe ou não existe um quilombo sob os auspícios de Nª Sª do Carmo? A capela, sim, existe como marco-zero do que foi uma comunidade carmelita de contemplação sobre o lombo dos escravos africanos; hoje, a capela carmelita é somente o altar onde os não-quilombolas reivindicam o ´seu´ sítio como filhos espirituais, porque parte carrega o sobrenome dos velho senhores feudais alinhados à Ordem Carmelita, ora, tais afrodescendentes e nem o sentem como fardo social. A comunidade surgiu em meados do século XVIII e hoje sua identidade quilombola está ligada à fé e ao compartilhamento de uma origem comum, definida pela descendência de Nª Sª do Carmo, considerada a proprietária das terras e mãe de todos eles. Quanto ao território, de 1919 a 2011 houve uma redução de 99,72% da área ocupada. A área total era de 2.175 alqueires e hoje (levantamento de 2018) é de 6,6 alqueires, tendo a Capela como marco-zero.


Na ordem cronológica necessária ao diálogo, quando possível, é criada em 2012 a Associação do Quilombo de Nossa Senhora do Carmo com remanescentes dos escravos da Província Carmelitana Fluminense, e os termos oficiados o dizem: é o ´quilombo da santa´. E o sendo é ´imexível´. Mas não. Estar é um algo e ser é outro algo. A questão é somente filosófica, é também sociopolítica. Por isso, a gente afrodescendente de hoje – e no caso do Quilombo do Carmo – sabe que não responde mais como quilombola e prefere aquela ´adoção´ mística e carmelita que a identifica como “Filhos de Nª Sª do Carmo”. E sendo necessária uma explicação, clara e contundente, vamos lá... Estar “filho” por adoção mística não é ser geração de fato e de direito, entretanto, quando a Ordem carmelita adota o termo “Filhos de Nª Sª do Carmo” ela o faz a prevenir consequências jurídicas vindouras, mesmo na (sua) ausência física territorial. O certo é na maioria dos casos e também no do Quilombo do Carmo, em São Roque, a geração escrava tem continuidade e ocupa física e psicologicamente o espaço, aqui, um espaço-tempo que não lhe deu civilização, mas ´chão´, daí o que o jornalista W. Paioli diz ser uma ´mordaça auto-imposta´ para não aflorar a alma escrava. E eu, eu digo ´psicologicamente´ porque se trata de um algo histórico na ordem colonial das coisas e dos seres, sendo que a pessoa escrava era a ´coisa´, não a pessoa, logo, finda a colonização existe o ´direito quilombola´ que é mais psico-histórico do que físico. Mas, sim, existe. O notável professor uspiano e colaborador sociocultural Aziz Ab´Sáber deu-nos a ler um artigo publicado pelo jornal san-roquense, ´O Democrata´ [10.10.1979], no qual a Arquidiocese de São Paulo fala da “[...] penosa caminhada dos escravos da antiga Fazenda do Carmo e de seus descendentes. Cessadas as atividades rurais, os escravos libertos foram violentamente escorraçados do chão que ocupavam pela ganância de fortes grileiros, com o respaldo da politicalha. Três alqueires foram poupados [...] doados à Mitra Arquidiocesana de São Paulo”. Ora, pura hipocrisia, porque a elite da cristandade deveria ter recebido, mas repassado a quem de direito: a geração daquela gente escrava que fez da Ordem Carmelita uma corporação abastada. Aqui, a ´politicalha´ tem eco e respaldo na ação do igrejismo arquidiocesano, que nada tem a ver com a Palavra jesuana. O que se passa? A elite diocesana da cristandade paulista age como corporação e sinaliza os ´tais´ escravos por um viés identitário, pois, essa elite disfrutou de um algo fundiário que dos afrodescendentes é pertença, e o sabe, mas conduz a retórica como autodefesa judicial, estratégia de ´fogo amigo´ para as margens dos interesses mercantis do capital imobiliário que quer o espaço histórico para ´fazer progresso´ com a benção dos ´interesses´ locais. Em relação a tudo isto, que é uma sinopse de velhos estudos com Ab´Sáber e Paioli, a própria Ordem Carmelita já lavou as mãos faz tempo... [2017]

Notas 1 Entre outras ordens religiosas da cristandade católica, a do Carmo foi a que mais se beneficiou com doações abastadas de fiéis e heranças. Fazendas com engenho, terras doadas para formação de patrimônio e... escravos, abastecerem por mais de um século a Ordem sob o manto de Nª Sª do Carmo. Quanto aos escravos, por propriedade, variavam de 53 a 435 segundo o tamanho, o que consta das anotações pinçadas [em documentos por Azevedo Marques] do recenseamento feito em 1798.


Foi de tal monta o estrago escravagista via ordens religiosas, que o Reino luso, já em 16.10.1609, proibiu novos alvarás para conventos para “não embaraçar o povoamento das colônias”. 2 Outro Exemplo: O escravagismo latifundiário e cafeeiro em Ribeirão Preto. Entre 1845 e 1856 o povoado de São Sebastião (Ribeiro Preto surge na base administrativa desse povoado) recebeu várias ofertas de terras e escravos para a formação do “patrimônio” de São Sebastião, porém, todas recusadas pela Igreja, algumas por não atenderem as exigências mínimas de valor para a doação de terras, outras por disputas de herança ou esbulho. Em 1856, doações de terras provenientes da fazenda Barra do Retiro e doações anteriores feitas pela fazenda Retiro foram aceitas pela Igreja. João Alves da Silva Primo, Mariano Pedroso de Almeida, José Alves da Silva, José Borges da Costa, Inácio Bruno da Costa e Severiano João da Silva, são os doadores destas terras que em 19 de junho de 1856 dariam origem ao Patrimônio de São Sebastião.

Bibliografia A ARQUITETURA COLONIAL DO QUILOMBO DE FACHADA NUMA VISÃO DE ANTROPOLOGIA POLÍTICA – João Barcellos. Estudos para o ´Encontro de Artistas e Intelectuais Portugueses´, promovido pelo Centro de Estudos Americanos ´Fernando Pessoa´, dirigido pelo jornalista João Alves das Neves. São Paulo SP, 1991. APONTAMENTOS HISTÓRICOS, GEOGRÁFICOS, BIOGRÁFICOS, ESTATÍSTICOS E NOTICIOSOS DA PROVINCIA DE SÃO PAULO: SEGUIDOS DA CRONOLOGIA DOS ACONTECIMENTOS MAIS NOTÁVEIS DESDE A FUNDAÇÃO DA CAPITANIA DE SÃO VICENTE ATÉ O ANO DE 1876 – Manuel Eufrazio de Azevedo Marques. Ediç Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, 1879. DO ESCRAVAGISMO & DAS ELITES LUSO-CATÓLICAS – J. C. Macedo. Palestra e opúsculo no âmbito das atividades do grupo ´Cadernos de Poesia´ e na preparação do livro ´Estórias Poéticas´. Rio de Janeiro e Niterói, 1988. ESTUDOS ACERCA DO QUILOMBO DO CARMO – João Barcellos e W. Paioli. Estudos para Gazeta de Cotia e Treze Listras, imprensa, nos anos 1991 e 92. HISTÓRIA DA ORIGEM E ESTABELECIMENTO DA INQUISIÇÃO EM PORTUGAL – Alexandre Herculano. Edit Pradense, Brasil-2002. O CARMO OU PORQUE UM QUILOMBO NÃO QUER SER UM QUILOMBO (estudos) – Elaine Pedreira Rabinovich e Ana Cecília Sousa Bastos. Univ São Paulo | USP; PUC e Univ Federal da Bahia - Salvador/BA. O QUILOMBO DO CARMO E OS FOLGUEDOS TRADICIONAIS NA CELEBRAÇÃO DO BRASIL DE TODAS AS TRIBOS MÍSTICAS (outros estudos) – João Barcellos. Carmo, São Roque - SP, 2016. O QUILOMBO DE NOSSA SENHORA DO CARMO E OS PARADOXOS DA ADEQUAÇÃO NO PROCESSO DE RECONHECIMENTO DE DIREITOS – Deborah Stucchi e Rebeca Campos Ferreira. Revista RURIS, Vol. 8, n.2, Set., 2014. VIAGEM PITORESCA E HISTÓRICA AO BRASIL – Jean Baptiste Debret. Ediç Itatiaia, Belo Horizonte | MG, 1978.


São Roque

Raízes socioculturais A Importância Da Viola Braguesa Na Catequização Da Gente Nativa

viola braguesa

a viola e a catira

De entre a mandioca, o algodão, o cipó, o tabaco, os frutos silvestres, etc., as gentes nativas, e neste caso tupi e guarani, que dominavam o dito ´certam carijó´, emergiam os ritos religiosos a mesclar a saudação à natureza que lhes era casa e vida, e o trato da cura com cozimento de ervas. Era um viver com e da natureza, entre cursos d´água e floresta, muitas vezes sob o resguardo de cerros que lhes serviam, também, de sinalização geográfica entre as aldeias, mas, principalmente, a direcionar o Piabiyu como rota principal do velho império inca.


Cantares e danças em torno de fogueiras com tambores rústicos, sons guturais, rastapés e bate-palmas, eram cenas que também adentravam, ou completavam, os ritos chefiados por caciques e pajés, dependendo da circunstância. Isso foi o que os portugueses, e mais os padres jesuítas encontraram no planalto piratiningo e nos ´certõens y mattos´ a oeste e a norte e pelas margens dos rios Jerybatiba e Anhamby. Uma ruralidade ancestral e rústica que tiveram de estudar e praticar para sobreviverem nos primeiros tempos da penetração nessa parte da dita ´ilha´ do Brasil. A musicalidade das gentes nativas, principalmente a dos guaranis, impressionou os padres jesuítas, que incorporaram o rasta-pés e o bater-palmas de algumas danças ao ritual das lengas-lengas e salmos da cristandade. E, logo nesse primeiro momento, integraram a viola braguesa, originária da região do Minho (norte de Portugal, e muito utilizada nas festas religiosas e sociais de Braga). Momento sublime da evangelização que miscigenou rituais e deu a conhecer a dança catira (talvez o primeiro grande momento luso-americano), os folguedos joaninos, os cantares ao desafio (repentistas), os cantares e danças de São Gonçalo; e adiante, a ´braguesa´ transformou-se para dar passagem à viola caipira, o símbolo maior da ruralidade e da cultura luso-brasileira. A par disso, a literatura de cordel, de tanto sucesso na Península Ibérica (Portugal e Espanha), avançou pelo Brasil a dizer de povos que não queriam ficar isolados, e fez-se linha de comunicação principalmente entre os povos amazônicos e do nordeste. Ao tempo do cavaleiro e colono Vaz-Guassu já a viola caipira era um instrumento que surgia no dia a dia como se um sino a clamar por tempos de harmonia. Esse cavaleiro transformou a sua fazenda em Vila de São Roque, no Séc. 17, e as comunidades nativas, mamelucas, portuguesas e africanas, trataram do novo ´sítio urbano em plena ruralidade´ dando-lhe identidade própria com a catira e a roda de viola caipira.

No entorno da vila san-roquense, nos Sécs 18 e 19, surgiram fazendas e chácaras que realimentaram a cultura caipira, a cada ano mais forte também nos festejos ao padroeiro São Roque. A expansão da cultura caipira ganhou muita força com o ciclo tropeiro, que uniu o Brasil de sul a norte principalmente pela Estrada dos Paulistas a reutilizar o Piabiyu guarani. E assim, em pleno Séc. 21, a Estância Turística de São Roque mistura ruralidade com urbanismo e mostra como gente mameluca (mistura de nativos com portugueses), portuguesa, africana, espanhola, italiana e alemã, entre outras, convive e dá conta de uma cultura caipira que lhes é identidade, chão e teto. Imagens: festa caipira na Fazenda Cambará. São Roque, 2018.


Região das Cangueras, Fazenda (do) Manduzinho & Piabiyu Das trilhas piabiyuanas percorridas em 1989, com um grupo de portugueses, cariocas e portenhos, resulta, então, uma série de estudos que compartilho em 1992, com Aziz Ab´Sáber, Hernâni Donato e com algumas pessoas de Mairinque, São Roque, Araçariguama e Cotia – estudos que me levam a fazer um novo traço historiográfico em oposição ao traço oficial luso-brasileiro, errado e impresso nos manuais escolares, e isto porque descubro que o Brasil nasce com as gentes de serr´acima, vindas de Gohayó [S. Vicente], que colonizam os sertões e cangueras a oeste da Villa de Sam Paolo dos Campi de Piratininga com esquina, ou ponto d´encontro na direção CaucaiaIbiuna e o trevo do Ribeirão da Vargem Grande na direção da Serra de S. Roque para buscar o ferro e o algodão nas sorocas e no Cerro Ybiraçoiaba e o algodão e o ouro no Cerro Ibituruna [Sítio dos Arassarys / Araçariguama]... Documentos antigos comprovam este novo mapa e que, nas cangueras de entre Caucaia e Boturanti, os fogos de serr´acima determinam, nos Sécs 17 e 18, a estratégia de urbanização gizada pelo Morgado de Mateus, na reorganização fundiária da Capitania de São Paulo e, com ela, o assentamento do Brasil continental.


Uma das consequências da urbanidade que o Morgado de Mateus estabelece com as novas vilas na Capitania paulista é uma logística de conexões via Piabiyu, de tal maneira que a industrialização do algodão, do couro e dos canaviais, além da alimentação e vestuário, em geral, faz surgir o tropeirismo – movimento de leva e traz com faxinais (zonas de descanso de tropas) espalhadas principalmente na região do Cerro Ybiraçoiaba e adiante, via litoral, pelas cangueras de Mairinque, Ibiuna Piedade e Caucaia, com entroncamento no Ribeirão da Vargem Grande, já utilizado pelos portugueses de serr´acima nos séculos anteriores. No que respeita às fazendas da Família Xavier de Lima, entre elas a da Canguera, por onde passou o terrível capataz ´manduzinho´ (Manoel da Costa Nunes), existe um intercâmbio direto entre os capatazes para a troca e seleção da escravaria africana e tupi-guarani nas senzalas da Canguera, do Saboó e da Cambará, entre outras. Um movimento ainda gerador de grandes fortunas no ciclo das lavouras tradicionais e do café. No que à Região de Cangueras diz respeito, registro a importância da Fazenda Manduzinho [que é a Fazenda Canguera] que se transforma, no Séc. 19, em Villa Mayrink; a região da estação dos caminhos de ferro na logística de apoio à Estação d´Ipanema abre-se na Fazenda Canguera, da Família Xavier de Lima, para rapidamente transportar utensílios fabricados na Real Fábrica de Ferro de São João do [Rio] Ipanema. Assim como entre a Fazenda do Morro Grande e a Fazenda do Maracanduba, na região de Cotia, a escravaria é moeda de troca nas casas da aristocracia da região de São Roque, mesmo no estertor da monarquia absolutista da Casa bragantina. Desse jeito foi que os nativos guaranis de Araçariguama foram deslocados para abrir novas vias nas picadas de Itu, ramais de ligação que só eles, da geração piabiyuabna, conheciam bem.


E mais: esta região tem importância no desenvolvimento da economia liberal desencadeada, primeiro pelo Bacharel de Cananeia, com o Porto das Naus, em Gohayó, e depois por Affonso Sardinha (o Velho), a partir do Portinho de Carapochuyba e da sua Fazenda Ybitátá.


Anotações & Fontes

ANOTAÇÕES Nota 1 // Do escambo [troca de bens e de gentes escravas] e do esbulho [pilhagem privada e/ou institucional de bens e pessoas] à lavoura e produção de peles e tropa de ligação entre fazendas e delas ao planalto piratiningo e às vilas litorâneas, o assentamento colonial é uma ação de marujos e camponeses, militares e padres de todas as ordens, todos irmanados na conquista da terra e seus produtos. Ao estudar o assunto na biblioteca da Câmara Municipal de São Paulo, verifiquei nas atas e regimentos toda a historiografia que demonstra ter o Brasil-colônia nascido no ventre piratiningo e se expandido pelo caminho guarani dooeste ao sul com ramificaçãoao centro-oeste, o que ao tempo do Morgado de Mateus é o mapa da Capitania paulista que ele dirige e dinamiza. Nota 2 // No estudos acerca do território e da vinicultura san-roquense deparei-me várias vezes com um noticiário político-administrativo de alto nível historiográfico, mesmo quando os escrivães fogem da escrita normativa ou registram erros de palmatória. Nota 3 // Os velhos cresos [genter abastada] luso-paulistas não tiveram muitas dificuldades para se imporem como reinóis que eram, na maioria, por isso a economia que fluiu entre as aldeias litorâneas e as do planalto piratiningo ampliou-se para o sertão piabiyuano com regras peculiares, muitas vezes decididas no calor do escambo e até na ´exigência´ de doação de terras [sesmarias] para distribuição entre os cresos quinhentistas e seiscentisdtas. As atas das vereanças de Santos e São Paulo demonstram o à vontade político e administrativo de poderosos como Affonso Sardinha (o Velho) e Pedro Vaz de Barros (o Moço), entre outros exemplos, quer no trato de políticas fundiárias quer no trato escravagista. Em todas as ações político-militares e agropecuárias dos cresos está envolvida inteiramente a igreja cristã, e esta se estabelece também inteiramente no Brasil-colônia para ser um poder oficial e não um serviço de assistência espiritual. Assim é que nenhuma aldeia nativa é catolicizada sem a ´fábrica´ de uma capela [não basta a presença de um padre] e todas as novas vilas têm a capela como marco-zero. A relação igreja-sociedade é tal que se permite a construção de oratórios e capelas nas casas-grandes e no seu entorno. Ou seja: a colonização da “ilha do brasil” é também um ato de evangelização a reforçar o poder político e fundiário das elites portuguesas. Nota 4 // Quando o colono Vaz-Guassu manda transformar a fazenda em Vila de São Roque, constroi capela e casario ao redor da mesma, uma imagem arquitetônica que terá apreciado na Carapocuyba do velho Afonso Sardinha e onde, também ele, deve ter-se utilizado do portinho na margem do Anhamby. Já a casacapela que manda erguer o irmão Fernão, em honra de Santo Antônio, segue o padrão gizado na casa de Affonso Sardinha no Ibitátá, na sua outra no Jaraguá, e na situada no Morro Grande [Cotia], dita Sítio do Padre Ignácio. O foco da construção é dar mobilidade ao mando da produção agropecuária e demonstrar o poder das elitres fundiárias e religiosas. Ou seja: a arquitetura serve a política colonial e desloca a paisagem urbana dos casarões minho-durienses para o sertão guarani. Nota 5 // A figura do paramilitar na colonização do Brasil surge da necessidade de o sertanista ser também o soldado que abre caminho, por isso os colonos abastados transformam-se em capitães e formam companhias armadas nos moldes da ´bandeira´, técnica de agrupamento árabe de ataque e ocupação que os portugueses aprenderam nas batalhas do norte africano. Na época, os nativos amansados servem como oficiais-guias e na maioria das vezes são mamelucos feitos capitães de mato em técnica de ´salteo´ árabe. Então, o bandeirante não é o militar propriamente, é o civil armado. O militar profissional surge com carga oficial quando o Morgado de Mateus organiza politica e administrativamente a Capitania paulista para ser o foco de uma grande nação.


Nota 6 / Sobre a Questão Fradesco-Inquisitorial _ No final de 1216 (22 de dezembro), o Papado romano autoriza São Domingos [Domingos de Gusmão, religioso castelhano] a incorporar à igreja a Ordo Prædicatorum, O. P., com o objetivo claro e inequívoco de estabelecer e operacionalizar um movimento inquisitorial para pilhar, estuprar e matar a gente judaica. Os frades, adotando um fanatismo já bem conhecido nas matanças gerais havidas de Alexandria (onde religiosos cristãos martirizaram a cientista Hepátia, entre outros), lançaram à fogueira ibérica milhares de famílias da Fé mosaica, islâmica, além da gente cigana. Com os reis castelhanos Isabel e Fernando, os frades dominicanos dominam as políticas d´Estado e incendeiam as sociedades com pregações de intolerância que logo recebem apoio de carmelitas e jesuítas. Três reis portugueses são particularmente absorvidos pela política fradesca: João II, Manuel I e o filho João III. A ensanguentada Ordem dominicana tortura e leva à fogueira gente não-católica, abençoa quem se converte com a designação ´cristão-novo´ para fomentar a distinção com a ´raça pura´ lusitana, ou ´cristãovelho´, e ainda fica com um terço dos bens fundiários e financeiros dessas gentes martirizadas. A pior situação se dá em Portugal com o rei João III, um monarca imbecilmente apalermado pela educação fradesca que recebera e o orienta nos negócios do reino. A triste história inquisitorial anti-cristã é, para o Brasil, por ex., um estorvo que deixa a ´ilha´ isolada do mundo e das academias, e não se não é pela ação bandeirística que derrota o intento de uma nação jesuítica, ora seria o Brasil um império teocrático... Nota 7 / Sobre o Vinho // VINHO _ Velhos textos de povos de entre os rios Tigre e Eufrates, a histórica Mesopotâmia, dão-nos conta da fabricação de vinho. Também a mitologia dos gregos fala do vinho como bebida comum. E foi com as viagens coloniais dos gregos, e depois com as dos romanos, que o vinho passou a ser conhecido e cultivado mundo afora. Muito tempo depois, no embalo da revolução industrial europeia o vinho passou a ser engarrafado e selado com rolhas de cortiça. Também no âmbito da ação ultramarina, Portugal levou o vinho para o Brasil e a bebida passou a estar presente em todos os continentes, mais de nove milênios após a sua primeira produção artesanal e mais de quatro mil vinícolas produzindo o néctar. Tipos // BRANCO: de uvas brancas. Também se utilizam uvas tintas, mas apenas a polpa descartando-se a casca. TINTO: de uvas tintas fermentadas com casca e sementes. ROSÊ: de uvas tintas prensadas. A fermentação é feita no mosto (mistura dos sucos) e com as cascas que, retiradas, permitem que o mosto fermente como se fosse um vinho branco. FRISANTE: é um espumante menos borbulhante com produção idêntica àquele. ESPUMANTE: processado utilizando gás carbônico. Na produção de vinhos acontece uma reação com gás carbônico que se liberta naturalmente e se perde; entretanto, fechando o gás no líquido surge o vinho espumante. VINHO SECO: de uvas fermentadas de tal maneira e naturalmente que todo o açúcar transforma-se em álcool. VINHO DOCE / SUAVE: de uvas com grande concentração de açúcar ao qual se adiciona mais álcool, procedimento que interrompe a fermentação. Glossário // ACIDEZ: Sensação de frescor que os ácidos do vinho provocam. AVELUDADO / REDONDO: Vinho pouco áspero, não amarra na boca, com textura aveludada. BOUQUET: Aroma gerado pelo envelhecimento do vinho. CORPO DO VINHO: a sensação de peso do vinho à boca. ENÓFILO: Apreciador(a) de vinhos. ENÓLOGO: Especialistas em estudos sobre vinhos. MOSTO: Mistura de sucos das uvas com cascas e resíduos da fermentação. SACA-ROLHAS: O melhor é o tipo garrote: uma espiral em forma de fio que a rosca leva a perfurar o centro da rolha e esta é puxada inteiramente. SOMMELIER: Conhecedor de vinhos especializado no atendimento em restaurantes e casas afins. TANINO: Substância natural encontrada em plantas: em suas sementes, madeiras, folhas e cascas de frutas. Estes polifenóis vegetais defendem as plantas do ataque de herbívoros, tornando seu sabor desagradável, principalmente quando ainda não estão maduras. Também existe na uva e proporciona o envelhecimento, e pode deixa-lo adstringente (contração das mucosas da boca) ou amargo. TERROIR: Palavra francesa que agrupa, para conhecimento geral, todas as condições de um vinhedo, desde a região à temperatura média, solo e procedimentos locais. Degustação // GUARDAR GARRAFAS DE VINHO _ A temperatura ambiente abaixo de 18ºC é a ideal para vinho tinto, os outros entre 18ºC e 20ºC. Tintos e brancos. As garrafas devem ser ficar deitadas para manterem umidade constante nas rolhas. Garrafa de vinho com alto teor alcoólico deve ser de pé para que a acidez não destrua a rolha. ESCOLHA: O vinho branco deve ser consumido a 18ºC (leve) e 13ºC (encorpados). O vinho tinto a temperatura de 17ºC (leve) e 20ºC (encorpado). O COPO OU TAÇA: É um recipiente de vidro que deve ter paredes finas e uma construção afunilada na boca para favorecer a concentração dos aromas. VINHOS & COMIDAS: Como harmonizar? Uma comida forte deve ser acompanhada por vinho encorpado; uma comida leve por vinho leve. Na sobremesa, o vinho doce/suave é o melhor acompanhante. Obs.: aproveite também as aguardentes e cachaças, leves e amadeiradas, principais as de produção artesanal.


FONTES APONTAMENTOS A VULSO & POESIA NO SERTÃO DOS BRASIS – Marta Novaes, Tereza de Oliveira e João Barcellos. Estudos. Grupo Granja / Cotia-SP, 1996. APONTAMENTOS HISTÓRICOS DA PROVÍNCIA DE SÃO PAULO, Vols I-II – Manuel Eufrázio de Azevedo Marques. Livraria Martins Editora. São Paulo, 1879. ARAÇARIGUAMA - DO OURO AO AÇO – João Barcellos. Ediç luso-brasileira c/ selo Edicon. Prêmio Clio de História, 2007. ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO – Arquivos. ARQUITETURA E INDÚSTRIA: FÁBRICAS DE TECIDOS E DE ALGODÃO EM SÃO PAULO, 1869-1930 – Helena Saia. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo). FAU/USP, 1988. ATAS DA VEREANÇA – Biblioteca da Câmara Municipal de São Paulo [Sécs 16, 17 e 18]. ATAS DA VEREANÇA – Câmara Municipal de Santos [Séc. 17]. ATLAS HISTÓRICO – José J. A. De Arruda. Ed Ática, 1969. CAMINHANDO PELA HISTÓRIA / NOTAS PARA A HISTÓRIA DE ARAÇARIGUAMA. Elias Silva. s/d CAMINHOS DE FERRO DE S. PAULO E A FÁBRICA DE IPANEMA. José Webank da Câmara c/ fotos de Júlio Wieczerski Durski. Ediç Fac-Similar, Sorocaba/SP; Ottonoi Editora, 2012. DO CÓDIGO FLORESTAL PARA O CÓDIGO DA BIODIVERSIDADE – Aziz Nacib Ab´Sáber. Cotia/Br., 2011. DO TOPO DE MORROS PARA AS CIMEIRAS DAS SERRANIAS FLORESTADAS E SUAS AGUADAS – m Aziz Nacib Ab´Sáber. Cotia/Br., 2011. DO FABULOSO ARAÇOIABA AO BRASIL INDUSTRIAL – João Barcellos. CEHC, Grupo de Debates Noértica e Ed Edicon. Brasil, 2011. ENSAIOS SOBRE ARTE COLONIAL LUSO-BRASILEIRA. Danton Sala. Landy Editora; São Paulo / Br., 2002. ESTUDOS PALEOGRÁFICOS – Ricardo Román Blanco. Laserprint, Brasil, 1987. GENEALOGIA PAULISTANA – Luiz Gonzaga da Silva Leme. 9 Vols. 1903-1905. GENTE DA TERRA. João Barcellos. Ediç luso-brasileira c/ selo Edicon. HISTÓRIA DE PORTUGAL | 8 Vols – Alexandre Herculano, 1853. HISTÓRIA DAS BANDEIRAS PAULISTAS – Affonso de E. Taunay. Ed Melhoramentos, SP-1945. INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DE SÃO PAULO – Vários documentos. INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL [iphan] – Consultas. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA / IBGE – Consultas. INVENTÁRIO DE LUZIA LEME. Projeto Compartilhar. INVENTÁRIO DE PEDRO VAZ DE BARROS E DE LUZIA LEME – Cartório 1º de Órfãos de São Paulo; Cartório da Tesouraria da Fazenda, Livro 3º das Sesmarias. L´ IMPERIO DEL COTONE – Pianezza Editore, 1999. NOBILIARQUIA PAULISTANA – Pedro Taques de Almeida Paes. São Paulo, 1869. NOTAS PARA A HISTÓRIA DE PARNAHYBA. Paulo Florêncio da Silveira Camargo [Pe]. s/d NOTÍCIAS DA SITUAÇÃO DE MATO GROSSO E CUIABÁ – José Gonçalves da Fonseca. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro / Tomo XIX; Rio de Janeiro, 1866. O HOMEM DA SERRA NO IMPÉRIO / Acerca do Barão de Piratininga – João Barcellos; palestra. Brasital, São Roque – 1997. OS DOMÍNIOS DA NATUREZA NO BRASIL: POTENCIALIDADES PAISAGÍSTICAS – Aziz Nacib Ab´Sáber. Ateliê Editorial. São Paulo, 2003. O VINHO, AH O VINHO – Johanne Liffey. Opúsculo da Autora. Trad. de J. C. Macedo. Dublin/Ie, 2011. PIABIYU – João Barcellos. Ed Edicon. São Paulo / Brasil, 2003. PROJETO COMPARTILHAR – Coordenação de Bartyra Sette e Regina Moraes Junqueira [www.projetocompartilhar.org]. REGIMENTO DA CAPITANIA DE S. VICENTE – Biblioteca da Câmara Municipal de São Paulo [Sécs 16, 17 e 18]. SESMARIAS – Documentos publicados pelo Arquivo do Estado de São Paulo. Tipografia Piratininga, SP, 1921. SENZALAS, QUILOMBOS & INQUISIÇÃO FRADESCA – Estudos e palestras de João Barcellos. Rio de Janeiro, São Paulo, Buenos Aires, México, Porto, Vigo, Florianópolis (de 1988 a 1997). TEMPO E ESPAÇO NOS ESTUDOS POÉTICO-HISTORIOGRÁFICOS DE JOÃO BARCELLOS – Rosemary O´Connor. Ensaio. Dublin/Ie, 2011. UM MORGADO NO IMAGINÁRIO DE UM MARQUÊS – João Barcellos. João Barcellos. CEHC, Grupo de Debates Noética e Ed Edicon. Brasil, 2013. UN PRINCIPE MERCANTE – Luigi Einaudi. Edizioni Bocca. Torino, 1900. UNIDADE SOCIAL E HISTORIOGRÁFICA NOS ESTUDOS DE JOÃO BARCELLOS ACERCA DO BRASIL A PARTIR DA CAPITANIA PAULISTA. Tereza de Oliveira. Palestra. Grupo Granja; Cotia/SP, 1994.


JOÃO BARCELLOS Escritor / Jornalista / Pesquisador de História / Conferencista BLOG | jbarcellos.imprensa.wordpress.com “Há muito radicado nos caminhos da América do Sul, tornou-se um estudioso da Luso-Brasilidade e produziu vários livros sobre o assunto: romances e estudos históricos - um sobre o capitão-general de São Paulo[O Morgado de Matheus, SP-1991] e outros sobre a região cotiana do Piabiyu [Cotia - Da Odisséia Brasileira De São Paulo Nas Referências Do Povoado Carijó, SP-1993; De Costa A Costa Com A Casa Às Costas, SP1996]. Os seus conhecimentos sobre a Cultura Minho-Galaico Sob Referências Célticas permitem-lhe alcançar várias rotas de estudos e aprofundar o seu conceito de Ser-Estar Português No Mundo. Filho de família que mistura as linhas de serviço público, tecnologia industrial, comércio, artesanato e literatura, João Barcellos transpõe para os seus escritos essa vivência cultural que aprofundou nas suas andanças jornalísticas - é, assim, um intelectual de vanguarda com bagagem humanística poeticamente assumida! [OLIVEIRA,Tereza de - artista plástica, poeta; Paris/Fr, 1998]” /// “O universo que nos cerca, seja o sistema ecológico seja o sistema humano - e, na realidade, o segundo sobrevive sem o primeiro (somos seres solares e lunares, ou cósmicos) -, é o material de base para as ações intelectuais do escritor luso-brasileiro João Barcellos. Ele é o Ser em busca do Ser entre as coisas da Terra e a floresta do Pensamento. Se o Ser Humano é o que é em função da evolução cósmica, João Barcellos é um poeta que escreve com a coragem de Viver esta evolução natural; e por isto, ele Vive em si mesmo a Humanidade que raro encontra nas esquinas do sistema humano. Ele é o Poeta por inteiro na Anarquia do prazer de Viver!... [CÉDRON, Marc ecologista, psiquiatra; 1999, Zurich/Ch]” /// “Pesquisador de mangas arregaçadas e pé na trilha, eis o historiador e jornalista João Barcellos, do mesmo jeito que é o poeta e o romancista na observação profunda da realidade que faz e que o rodeia. Em todos os seus trabalhos está o ato sociocultural por excelência pela filosofia pura do olhar que abre espaços para a liberdade de estar e ser [NOVAES, Marta - Buenos Aires, Arg., 2010].


Tábua Litero-Historiográfica POESIA E SEIS CONTOS DUM BARALHO SÓ coletânea [1989, SP]; – ESTÓRIAS POÉTICAS crônicas [1989, RJ]; – TEMPO DE VINGANÇA romance [1990, SP]; – UM LUSO NA ILHA DE SAMPA poema; – COTIA as referências de são paulo na aldeia carijó pesquisa [1991, SP]; – PARATY estudos [1989]; – UMA CARAVELA DE PRATA romance [1992, RJ]; – MORGADO DE MATHEUS pesquisa/ensaio [SP, 1993 e 2000], 2ª Ediç./SP-Br, 2004; Prêmio Clio de História 2004; – COTIA pesquisa/ensaio; – TEATRO [peças em 1 Ato] ; – DE FERNANDO PESSOA A MACHADO DE ASSIS ensaio/palestra; – CAMÕES / O POETA DO TEMPO LUSITANO ensaio [1991, RJ]; – SIDÔNIO MURALHA / O POETA DA VIDA ensaio/palestra; – MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO ensaio/palestra; – ANTERO DE QUENTAL ensaio/palestra; – CAMILO PESSANHA ensaio; – A CRIAÇÃO POÉTICA ensaio/palestra [1990/91, Rio de Janeiro e Florianópolis]; – O TROPICAL JOSÉ DE ALMADA NEGREIROS palestra; – OS DESCOBRIMENTOS ensaio [Prêmio Pedro Álvares Cabral, 1990 - SP]; - REFLEXÕES SOBRE FERNANDO PESSOA ensaios/palestras; – A MULHER E A POESIA EM FLORBELA ESPANCA palestra; – CELTAS ensaios/palestras; – DE COSTA A COSTA COM A CASA ÀS COSTAS história brasileira a partir de acutia; – OI, COTIA! / HISTÓRIA PARA CRIANÇAS [com ilustrações de Ricardo Feher]; – O PEREGRINO / A ESSÊNCIA POÉTICA DO SER ensaio/palestra [1995]; – O PEQUENO PEREGRINO e outros contos; – ENTRE O POETINHA E O CANTO DAS VANGUARDAS ensaio sobre Vinicius de Moraes; – CONTOS PARA TODOS contos para jovens [1995]; – CONTOS para jovens [1995];– MÁRIO SCHENBERG / O SER QUE SABIA ESTAR palestra; – JOSÉ DE ALENCAR palestra; – O PEREGRINO / Palestra Primeira e Palestra Segunda [1998]; – TOMÁS ANTÔNIO GONZAGA / palestra [Ouro Preto/MG,1998]; – AMOR poesias c/ marc cédron joana d'almeida y piñon tereza de oliveira jb mário castro [Grupo Granja, 1999]; – RIO / O ROMANCE NA CIDADE romance; – OUTROS ESCRITOS - poesia, teatro, conto [1998]; – EXUBERÂNCIA E FOLIA NO MAR DE LONGO – poema épico [Rio de Janeiro e Buenos Aires, 1998; reescrito em 2004]; – CLUBE BRASIL romance [São Paulo e Buenos Aires, 1992/98]; – O OUTRO PORTUGAL romance [SP-Br, 2000]; – 500 ANOS DE BRASIL ensaios-palestras [SP-Br., 2000]; – BAPTISTA CEPELLOS o poeta do drama brasileiro [com ilustrações de Ricardo Feher, 2000]; – OLHAR CELTA [Portugal e Brasil, 2001]; – ORDEM & SOCIEDADE [1ª Ediç, 2003; 2ª Ediç, 2004; 3ª Ediç, 2009, Brasil e Portugal]; – OUTROS POEMAS coletânea; – EDUCAÇÃO & CULTURA textos vários; – GIL VICENTE ensaio [2001/02]; – PIABIYU ensaio-palestra [1ª Ediç, 2003]; – COMO SE ENCONTRA RELIGIÃO NA CIÊNCIA ensaio [2003]; – CONTOS EXEMPLARES c/ Maria Fernanda Sousa e ilustrações de Wagner Barbosa [2004]; – SAMPA 450 ensaio-entrevista [2004]; – HAROLDO DE CAMPOS ensaio (2004); – MORGADO DE MATHEUS / O GRANDE GOVERNADOR DE S. PAULO – João Barcellos. Ed Pannartz / São Paulo / Br., 1992; 2ª Ediç Ampliada: MORGADO DE MATHEUS / UM FIDALGO PORTUGUÊS NA CASA BANDEIRANTE; Ed Edicon, São Paulo / Br., 2004 [Prêmio Clio de História]; – PIABIYU [Edicon, 2004]; – MITO-HISTÓRIA & ÉPICA ensaios c/ outros autores [Edicon-Br c/ Grupo Granja – Br, Centro de Estudos do Mar - Pt & Centro de Estudos Humanismo Crítico - Pt, 2005]; – BONIFÁCIO / Princípio & Fim Do Império Bragantino-Brasileiro [e-book, 2005]; – CECÍLIA MEIRELES / A Materna Linguagem Da Vivência [e-book, c/ Rosemary O´Connor, TN Comunic, 2005]; – ALMA AÇORIANA / No Mundo E No Brasil [e-book, c/ Johanne Liffey, TN Comunic, 2005]; – CONTOS & SONHOS lij c/ Johanne Liffey e Márcia Fecchio [inclui o conto “Uma Menina Chamada Koty”]; – POESIA, CONTO & NOVELAS [SP, 2009]; – VIVÊNCIAS sócio-pedagógicas [A Opinião De Um Professor ]; – JD NOVA COTIA / Um Bairro De Migrantes; Trabalho Coletivo sob orientação de JB [Edicon & TNComunic, 2005]; – AGOSTINHO E VIEIRA: MESTRES DE SUJEITOS! [c/ Manuel Reis. Ediç FrenProf. Pt, 2006]; – ATO CULTURAL sobre as lic´s [Edicon, CEHC & TC Comunic, 2006]; – GENTE DA TERRA o romance da lusobrasilidade [2007]; ARAÇARIGUAMA – do Ouro ao Aço [Ed Edicon, TN Comunic & Prefeitura de Araçariguama, SP – 2007. Prêmio ´Clio de História´ 2007];– O IMPÉRIO DO CAPITÃO AFONSO [SP, 2009]; FEIJÓ & CEPELLOS / Brasileiros De Cotia [c/ Walter de Castro], 2009;– COTIA / Uma História Brasileira [Edicon + TerraNova + CEHC + GD Noética / SP, 2011]; – DO FABULOSO ARAÇOIABA AO BRASIL INDUSTRIAL [Edicon & CEHC, Brasil-Portugal, 2011]. COTIA / Uma História Brasileira, 2011; – UM MORGADO NO IMAGINÁRIO DE UM MARQUÊS / Uma novela acerca do Morgado de Matheus, do governador Francisco de Souza e do ´velho´ Affonso Sardinha [Edicon & CEHC, Noética, Brasil-Portugal, SP, 2013]; – CARAPOCUYBA / Edicon + TerraNova, 2013; – IPERÓ / Edicon + TerraNova, 2013; – PARDINHO / Edicon + TerraNova, 2013; – PARDINHO / Edicon + TerraNova, 2013; – MAIRINQUE / Entre o Sertão e a Ferrovia / Edicon + TerraNova, web, 2013; – VARGEM GRANDE PAULISTA / Edicon + TerraNova + CEHC + GD Noética, 2013; – IBIUNA / web, Edicon + TerraNova + CEHC + GD Noética, 2013;– O BRASIL DE TROPEIROS & ESTRADAS REAIS / Edicon + TerraNova + CEHC + GD Noética, 2013; – VINHO & PODER / SÃO ROQUE: ENTRE A UVA LUSO-PAULISTA E O PODER POLÍTICO-FUNDIÁRIO DO VAZ-GUASSU / web, Edicon + TerraNova + CEHC + GD Noética, 2014; – REY & MASON / O Bacharel de Cananéia – web, Edicon + TerraNova + CEHC + GD Noética, 2014; – CAUCAIA DO ALTO / Edicon + TerraNova + CEHC + GD Noética, 2014; – GRANJA VIANNA / Edicon + TerraNova + CEHC + GD Noética, 2014; – FORTALEZA / RYO SIARÁ – A PONTA DO NOVO MUNDO / Ensaio-palestra (GD Noética / web), 2014; – O FERRO, O


MUNDO, O YBIRAÇOIABA / TerraNova + CEHC + GD Noética, 2015-2016; – POESIA, FILOSOFIA, NOVELAS & SARAU D´AMOR NA ESCRITA DE JOÃO BARCELLOS (Organização: Marta Novaes & Johanne Liffey) / Edicon + TerraNova + CEHC + GD Noética / Ediç Web, 2016; – MENS@GENS POLÍTICAS & FILOSÓFICAS / Edicon + TerraNova + CEHC + GD Noética, 2016;– PÁO VERMELHO, BRASIL / Edicon + TerraNova + CEHC + GD Noética, 2017; – VINHO & PODER (a história da Villa S. Roque do notável VazGuassu) / Ediç Web, 2016; ediç impressa, 2017; – TABOAM [Taboão da Serra] / Ediç Web, 2017; – EMBU DAS ARTES [M´Boy] / compilação de estudos de 1988 a 1992, ediç web 2018. /// Obs: 1- todas as obras editadas pela Ed Edicon com exceção de ´Estórias Poéticas´, pela Ed Cadernos Oficina, e de “Agostinho e Vieira...”, pela Ed FrenProf.; 2- alguns livros e palestras estão editadas no formato e-book [noetica.com.br].

Currículo Lítero-Tecnológico Além de romance, poesia, história, contos e ensaios, João Barcellos publicou, com a TerraNova Comunic e a Ed Edicon, no Brasil e Portugal, uma série de livros técnicos e atua na imprensa especializada a par da exibição de conteúdos em palestras para professorado e empresariado – a saber: COMUNICAÇÃO VISUAL [livro, 2008]; ESTAMPARIA [livro, 2010]; DO FABULOSO ARAÇOIABA AO BRASIL INDUSTRIAL [livro, 2011]; IMAGEM ESPECIALIZADA [2012]; INDÚSTRIA DIGITAL [2013 + palestra, 2013-2015]; ALQUIMIA, MODA & COMUNICAÇÃO VISUAL [livro, 2014] e SUSTENTABILIDADE [palestra, 2014 e 2015; ediç web, 2017]; TÊXTIL DIGITAL [palestra, 2015-2016; livro em 2016]. // João Barcellos é co-fundador [2008] da Revista Impressão & Cores e foi co-fundador/editor do jornal O Serigráfico [1996-2007], do Science and Education [Dublin], do En Vivo y Arte [Barcelona], da revista Vida & Construção, da revista jCORPUS, etc.

Coleções Literárias [Coordenação] /// DEBATES PARALELOS Vol 1 [Temas Gerais], 2002; Vol 2 [Temas Gerais], 2004; Vol 3 [Igreja-Estado ou Religião], 2004; Vol 4 [A Palavra Jesuana, Textos Gnósticos & Outras Opiniões], 2007; Vol 5 [´Q´ Jesuânica / Opiniões], 2009; Vol 6 [Educar Para Viver], e-book em noetica.com.br; Vol 7 [Oh, Liberdade!], 2011, e-book, noetica.com.br; Vol 8 [Viver História], 2012; Vol 9 [Educação, Misticismo & Desenvolvimento], web, 2013; Vol 10 [Democracia Mística & Igrejista], web, 2014; Vol 11 [Ocidente vs Oriente], web, 2015; Vol 12 [Viver História, Parte 2], 2017. /// PALAVRAS ESSENCIAIS Vol 1 [Políticas Educacionais + Cultura de Raiz = Projeto Nacional], 1ª e 2ª Ediç, 2003; Vol 2 [´Os Lusíadas´ Em Debate], 2004; Vol 3 [Homenagem a Manuel Reis], 2008; Vol 4 [O Filósofo Manuel Reis / A Crise] / Web ´Noética´, 2009; Vol 5 [O Sentido Da Vida], 2010; Vol 6 [Humanismo,. Educação & Justiça Histórica], 2011; Vol 7 [Escritos Luso-Afro-Brasileiros], 2011, e-book em noetica.com.br; Vol 8 [Res Publica], 2012; Vol 9 [Átrio Dos Gentios], 2012 na web (noetica.com.br) e 2013 em edição gráfica; Vol 10 [Noética Vivência], web, 2013; Vol 11 [Antropologia], 2015; Vol 12 [Ontem & Hoje], web, 2015; Vol 13 [Mulher], 2017; Vol. 14 [A Palavra Que Nos É Rota], ediç web 2017, Ediç impressa 2018. Peças Videográficas A POESIA E O MUNDO, 1988 [Rio, RJ]; O INTELECTUAL E A FAVELA, 1988 [Rocinha, RJ]; A BIBLIOTECA E A COMUNIDADE, 1996 [Paraty, SP]; COTIA - CIDADE CENTENÁRIA, 2006 [Cotia, SP; c/ César Tiburcio]; JD NOVA COTIA: UMA EXPERIÊNCIA LÍTERO-SOCIAL & HISTÓRICA, 2006 [Cotia, SP; c/ César Tiburcio]; ARAÇARIGUAMA: DO OURO AO AÇO, 2006 [Araçariguama, SP; c/ César Tiburcio]; FILOSOFIA & POESIA PELA PAZ, 2007 [Embu, SP, c/ Mariana d´Almeida y Piñon]. Em outras línguas: ‘Familia, Mercancía & Transnacionalidad / la batalla por la Raíz Social es sobrevivir en Humanidad’ [Ediç. ‘Jeroglífo’, Buenos Aires / Arg., 1989; 2. Ediç., 1991; esgotado]; ‘Concept et Tendance: Politique, Marché des Capitaux et Question Sociale’, BARCELLOS, João & OLIVEIRA, Tereza de [Egalité / Maison d’Edition, Paris/Fr., 1996]; ‘Liberté Provisoire – Terreur et Politique contre Nous’ [Egalité / Maison d’Edition, Paris/Fr., 1996]; ‘Freedom and Social Ruptures’, essays and poems, published by Cult Journal, Houston/USA, 1998]. Jornalismo Enquanto leitor crítico, JB escreveu, especialmente na parceria com a Edicon, mais de duas centenas de Prefácios e Opiniões; editor, foi responsável pelo jornal O Serigráfico e o Jornal d' Artes, o jornal Tempo d´Educar e Educação & Arte [Porto e Lisboa, jornais mimeografados de 1971 a 1975], o jornal Corpus, a par da revista Vida & Construção; editor de Cultura em jornais e rádios regionais; orienta


Oficinas de Poesia, palestras em universidades e clubes literários, além de aulas de português e literatura brasileira; em 2008 fundou a revista Impressão & Cores de conteúdo tecnológico. É membro e fundador dos restritos grupos intelectuais “Eintritt Frei” [Berlin/De] e "Grupo Granja", substituído pelo Grupo de Estudos Noética [Brasil e Mundo] e colaborador internacional do Centro de Estudos do Humanismo Crítico [CEHC, Guimarães/Pt] e fundador do CEHC - América Latina. Integrou o grupo que fundou a Associação Profissional dos Poetas do Estado do Rio de Janeiro (APPERJ), é membro do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina / IHGSC e da União Brasileira de Escritores [UBE, SP]. Entre 1990 e 92 participou da diretoria do Centro de Estudos Americanos Fernando Pessoa no qual editou o jornal Gente das Letras para o 1º Encontro de Artistas e Intelectuais Portugueses do Brasil. Fundou a revista eletrônica Noética que tem portal-web como “noetica.com.br”. BLOG | jbarcellosimprewnsa.wordpress.com Web www.noetica.com.br jb.escritor@uol.com.br

PALESTRAS João Barcellos

1.

Lítero-Historiográficas

A Conquista Do Oeste Paulista A Importância Do Sítio Histórico A Koty (Cotia) Do Folclore Alemães & Brasil: do Piabiyu ao Café Do Rio Bravo Entre Ilhas (Paneíbo) Ao Eldorado Piratiningo A Mobilidade Socioeconômica No Século 16 Araçariguama / Ibituruna Araratiguama / Porto Feliz A Visão Humana Em Vieira Affonso Sardinha Antônio Raposo Tavares / Utopia Além Sertão Bacharel de Cananeia & Guerra d´Iguape Baptista Cepellos Biblioteca / Ponto D´Encontro Sociocultural Brasil / Um Cais Funcional Brasil: Aquel´Outro Portugal Brasil: antes e depois da Cooperativa Agrícola Cotia Caucaia do Alto Carapochuyba Carlos Drummond De Andrade Cecília Meireles Certõens, Mattos & Minas Serr´Acima Ciência Política & Geossociedade Em Sítio Urbano (c/ Ab´Sáber) Congada (c/ Céline Abdullah) Consciência Negra Cotia: 7 Momentos Históricos Cotia, Tropa & Nipos Crise (c/ Manuel Reis) Cura Da Cor Crônica (c/ Mattos Jr) Da Edificação Do Poder Absoluto & Da Ideologia Libertária Da Viola Braguesa & Da Evangelização Jesuítica No Brasil Descobrimentos Portugueses / Partes 1 e 2 Do Arraial Minerário


E Eis O Brasil Empregabilidade & Motivação Profissional Escravatura & Ordens Religiosas Escrever Um Livro Estação Blumenau Fazendo Gente Crescer Fernando Pessoa Fernando Pessoa & Machado De Assis Ferro, Mundo & Ybiraçoiaba Filosofia (c/ Manuel Reis) Fortaleza (primeiro momento luso-americano a foz do Ryo Siará) Fundação Luso-Cristã Na América Gente De Serr´Acima Ibiraparanga (pau-brasil) Identidade & Cultura Popular Impacto De Vizinhança Islã & Mundo Ocidental Nos Contornos das Aldeias Piratiningas (estudos, 1991-92) As Falsas Aldeias Jesuíticas & Maniçoba Lendo Poemas De Baptista Cepellos Maçonaria & Equilíbrio Socioeconômico Mairinque Maniçoba Modernidade & Letras Lusas Morgado de Mateus Manuel Reis / O Filósofo Mulher / Um Manto Gilânico De humaníssimo Aconchego O Ideal Industrial D´Ipanema O Império Do Capitão Affonso Sardinha Os Ideais Luso-Brasileiros & Mamelucos No Século 18 Ouro na Jaguamimbaba Paneíbo & Sant´Anna: Uma História Exemplar Paranapanema Paranapiacaba e Jaguamimbaba / Estrada Geral Paraty Poder Local & Cidadania Política & Cooperativismo | A Casa De Aprígio Portinho/Cais De Carapochuyba Portugueses de Serr´Acima [na Jaguamimbaba e na Paranapiacaba] Povos Da Floresta Preto-Crioulo & Pardo Religião, Poder & Maçonaria Rey & Mason / Acerca Do Bacharel De Cananeia Ryo Siará, Algodão, Tinta & Couro São Roque & Vaz-Guassu Segurança (Institucional & Privada) Senzala, Quilombo & Inquisição Fradesca Sítios Urbanos & Arraiais Minerários Que Viram Villas Sociedade & Sobrevivência Tempos D´Eunuco Uma Poeta Chamada Cora Coralina Vargem Grande Paulista Política Empresarial versus Segurança Nacional Yibiraçoiaba, Iperó, Estrada Real & Rio De Janeiro


2.

Tecnológicas

A Estampa E A Nossa Poesia Cotidiana Comunicação Visual Criatividade Na Concepção Da Imagem Gráfica [publicidade / sinalização] Da Engenharia Estamparia Estoque & Venda Feiras Setoriais & Desenvolvimento Imagem Graficamente Especializada Imprensa & Tecnologia Empresariado & Publicidade Indústria Digital Jeans & Denim Moda Agreste Moda & Comunicação Visual Novas Tecnologias, Outra Sociedade O Algodão Colorido Entre Povos Nativos Do Agreste O Autoadesivo Na decoração & Sinalização O Editor De Conteúdos Técnicos O Gráfico Como Base Do Mundo Visual [entre o convencional e o digital] Por Uma Cultura De Comunicação Visual Publicidade Serigrafia Serigrafia & Transfer Ser-Estar Comunicação Visual Sustentabilidade Na Comunicação Visual & Moda Têxtil Digital ///////////////////

Profile for João Barcellos

Vinho & Poder  

São Roque: da Uva dos luso-paulistas e o Poder político-fundiário do Vaz-Guassu à Cidade dos Vinhos. Pesquisa & Leitura Historiográfica 2ª...

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